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Numero do processo: 18050.003176/2008-59
Data da sessão: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Jan 12 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/03/1993 a 31/12/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
Falta ou deficiência quanto ao fundamento da autuação configura vício de natureza material.
Numero da decisão: 9202-009.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso (suplente convocado(a)), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício),
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/1993 a 31/12/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Falta ou deficiência quanto ao fundamento da autuação configura vício de natureza material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso (suplente convocado(a)), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício), Relatório Cuida-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2401-02.222, proferido na Sessão de 19 de janeiro de 2012, que declarou a nulidade do lançamento por vício material, nos termos do dispositivo a seguir reproduzido: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, declarar a decadência até a competência 08/1998. II) Por maioria de votos anular o lançamento por vício material. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que declarava a nulidade por vício formal. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Kleber Ferreira de Araújo. O Acórdão foi assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 31 76 /2 00 8- 59 Fl. 369DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-009.227 - CSRF/2ª Turma Processo nº 18050.003176/2008-59 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/1993 a 31/12/1998 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO AFERIÇÃO INDIRETA RAIS NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DA SUCESSÃO Não logrou êxito o auditor em demonstrar a aquisição de fundo de comércio, para que possa se possa determinar a existência de sucessão. Competiria ao auditor apresentar os elementos de prova, sendo que a ausência dos mesmos implica nulidade do lançamento. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo, por vício material, o Relatório Fiscal que não demonstra de forma clara e precisa todas as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, bem como, os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, de forma a possibilitar ao contribuinte o pleno direito à ampla defesa e ao contraditório. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: “Súmula Vinculante nº 8“ - São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Tratando-se de apuração de diferenças por aferição indireta, a decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, § 4º do CTN. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo, por vício material, o Relatório Fiscal que não demonstra de forma clara e precisa todas as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, bem como, os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, de forma a possibilitar ao contribuinte o pleno direito à ampla defesa e ao contraditório. Segundo o despacho de admissibilidade, o recurso visava rediscutir três matérias, tendo dado seguimento ao recurso apenas em relação à terceira, que cuida da definição da natureza do vício, se formal ou material. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, quanto à matéria que teve seguimento, que a suposta ausência de clareza na descrição do fato gerador gera nulidade por vício formal, que nessa linha é a jurisprudência de Leandro Paulsen, para quem os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento e ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei. O contribuinte não apresentou Contrarrazões. É o relatório. Voto Fl. 370DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-009.227 - CSRF/2ª Turma Processo nº 18050.003176/2008-59 Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao mérito, como se colhe do Relatório, a matéria devolvida ao Colegiado é a natureza do vício que ensejou a nulidade do lançamento, se formal ou material. O Acórdão recorrido declarou a nulidade do lançamento por vício material, ponto contra o qual se insurge a Fazenda Nacional, que propugna pela declaração do vício como sendo formal. Para maior clareza, faço breve resumo dos fatos. O lançamento foi realizado na contribuinte Praia Oceânica Hotel Ltda. na qualidade de responsável tributário por sucessão, conforme se constata do seguinte trecho do Relatório Fiscal: 8. Detectamos a existência de três empresas no mesmo endereço da Praia Oceânica Hotel e com mesmo ramo de atividade, as duas mais recentes (Nautipesca e Carvalho Tourinho) totalmente ativas perante a Junta Comercial da Bahia-JUCEB, enquanto a 1-4 (Ondina Plaza Hotel) foi extinta, há apenas 3 anos, em 13.07.00, em anexo. 9. Primeiramente, reza o Código Tributário Nacional (CTN (Lei n° 5.172, de 25/10/66), em seu Capitulo V . (Responsabilidade Tributária), Seção II (Responsabilidade dos Sucessores): 10. Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer titulo, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até a data do ato: I - integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II - subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de 6 (seis) meses, a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. 11. Portanto, as condições em que ocorreram a sucessão preenchem os requisitos legais da responsabilidade tributária de sucessores, comprovada pela existência do liame necessário entre as quatro empresas, quais sejam: 11.1. A Praia Oceânica Hotel ocupa o endereço anteriormente ocupado pelas empresas sucedidas, motivo pelo qual não mais se encontram as sucedidas em atividade de fato. 11.2. 0 ramo de atividade explorado pelas quatro empresas é exatamente o mesmo, além disso, o nome fantasiar utilizado pelas duas primeiras empresas, também, é o mesmo: Ondina Plaza Hotel, conforme cartões CNPJ (anexos). 11.2.1 . Estes dois elementos: a) aquisição, por qualquer titulo, de fundo de comércio; e b) continuidade de exploração da atividade; já satisfazem o disposto no art. 133 do CTN, para caracterizar a Sucessão comercial e a responsabilidade tributária. 11.3. A data de constituição das 04 empresas obedece a uma ordem cronológica, conforme cartões CNPJ e extratos da JUCEB em anexo. 11.4. 0 ex-sócio-gerente da Nautipesca, Sr. Luciano Benjamin Tourinho, é o atual da Praia Oceânica, conforme 2ª alteração contratual registrada na JUCEB em 22.11702; em anexo. Fl. 371DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-009.227 - CSRF/2ª Turma Processo nº 18050.003176/2008-59 11.5. 0 ex-empregado da Nautipesca, Sr. Antônio Carlos Santos_Barnabé é, - atualmente, sócio-cotista da Praia Oceânica, conforme contrato social registrado na JUCEB em 22.11.02, em anexo. 11.6. Constatamos, através dos extratos das, RAIS pertinentes às empresas sucedidas, folhas de pagamento e Carteiras de Trabalho dos empregados da Praia Oceânica (anexos), a migração de empregados de uma empresa para outra: • José Baqueiro Duran • Gilvane Cordeiro Ferreira • Claudia Chaves Lago • Cláudio Augusto de Jesus Ramos • Derenilson Januário dos Santos, • Eugênia Santos da Rochà- • Gilmar Melo Pacheco • Renhida dos Santos de Santana 11.7. Outra constatação foi o fato da linha telefônica da Nautipesca 245-8158 ser a mesma da Praia Oceânica Hotel. 12. Em resumo, além dos elementos formais, a presente sucessão está caracterizada pelos seguintes elementos de fato: • Mesma atividade e mesmo endereço do antecessor; • Manutenção parcial dos empregados; e • Mesmas instalações. Analisando esses fatos e os elementos probatórios disponíveis, o Acórdão recorrido, após transcrever os fundamentos da autuação sobre o ponto, assim se manifestou: Voto vencido: Contudo, entendo que ditas considerações por si só não foram capazes de demonstrar a existência da sucessão, visto que não logrou êxito o auditor em demonstrar a efetiva aquisição do negócio, diga-se “fundo de comércio”. Ressalte-se que não estou a dizer que inexiste sucessão, mas para responsabilizar a empresa ora notificada, compete ao auditor apresentar os elementos de prova. Note-se, que até mesmo o julgador de primeira instância, requereu esclarecimentos do auditor notificante, acerca dos elementos apresentados em sede de impugnação, requerendo manifestação conclusiva da referida autoridade, fls. 211 e 217. Observa-se que a primeira informação prestada diz respeito basicamente a defesa apresentada ao TIAD, sendo após dita manifestação, até porque não emitido parecer conclusivo acerca dos documentos apresentados, encaminhou novamente a autoridade julgadora o processo para manifestação com reiteração de manifestação conclusiva, que diga-se nunca ocorreu. Fosse evidente, a caracterização de sucessão, não teria a autoridade julgadora baixado e reiterado a manifestação a autoridade fiscal. Mesmo após pairarem dúvidas, razão da conversão em diligência e não tendo a mesmo sido respondida, entendeu a autoridade julgadora que houve a devida caracterização da sucessão, o que não concordo. Importante, destacar, que a autoridade fiscal, até mesmo após receber a defesa ao TIAD, ou seja, de posse de documentos trazidos pela empresa em ação fiscal, de que inexistia sucessão, não buscou ir fundo na caracterização, razão porque entendo que existe um vício que importa na nulidade da parcela remanescente do lançamento. Fl. 372DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-009.227 - CSRF/2ª Turma Processo nº 18050.003176/2008-59 A fiscalização não fez prova de indícios de ocorrência de aquisição do negócio, posto que nulo todo o procedimento. A simples coincidência de logradouro, sem demonstração de venda não é capaz, no meu entender de demonstrar a sucessão. É pertinente também destacar, que entendo que a nulidade que alcança os levantamentos acima descritos é formal, visto não ter o auditor formalizado da maneira devida a sucessão. O voto vencedor, por sua vez, valendo-se das mesmas considerações do voto vencido, concluiu que o vício é material. Pois bem, concordo com as conclusões do voto vencedor de que o vício descrito pelo voto vencido, e aqui sem discutir o mérito sobre aquelas considerações, é material. Fala-se ali na ausência de prova da sucessão e não de aspectos formais da descrição dos fatos. A questão, portanto, é de fundamento, e não de fundamentação. Vício formal é aquele em que a mácula está no documento que formalizou a exigência, em elementos formais, em deficiência, por exemplo, na fundamentação, vícios que podem ser sanado com a mera repetição do ato, com a supressão dessas deficiência, o que não acontece quando o vício está na falta ou deficiência no próprio fundamento, como falta ou insuficiência de prova, vício cuja reparação demanda a introdução no processo de novos elementos. Dito isso, é fácil perceber que no presente caso o vício não é de natureza formal quando se imagina a possibilidade de repetição do lançamento com fundamento no art. 173, II do CTN, com a eliminação do vício. Seria impossível fazê-lo com a mera alteração do instrumento de autuação. Ter-se-ia, necessariamente, que apresentar elementos adicionais de prova, pois, como se disse, é de falta de prova que se trata. Ante o exposto, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e, no mérito, nego- lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 373DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 17546.001217/2007-57
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/12/1998
Ementa: DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vineulante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.435
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/12/1998 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vineulante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-01T16:43:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-01T16:43:46Z; Last-Modified: 2010-09-01T16:43:46Z; dcterms:modified: 2010-09-01T16:43:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:3e056e45-9457-417f-9824-a0491b73862d; Last-Save-Date: 2010-09-01T16:43:46Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-01T16:43:46Z; meta:save-date: 2010-09-01T16:43:46Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-01T16:43:46Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-01T16:43:46Z; created: 2010-09-01T16:43:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; Creation-Date: 2010-09-01T16:43:46Z; pdf:charsPerPage: 1808; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-01T16:43:46Z | Conteúdo => S2-C3T 1 Fl 1 ..i ..j .k2k?, MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAISm,,. .4......- SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" I 7546,001.217/2007-57 Recurso n" 272,265 Voluntário Acórdão n" 2301-01435 — 3" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 29 de abril de 2010 Matéria DECADÊNCIA Recorrente JOHNSON E JOHNSON PRODS PROF E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/12/1998 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vineulante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Câmara / 1" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos.. Ressaltase que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência ido fat6 ' erador. mais recente do lançamento. A data de 20/12 corresponde ao décimo te?ceiri \ L''''\ W w_\\ .... , .JULIO MAR L.V iIRA GOMES — Presidente e Relator„ . ' Participara\Vi do presente julgamento, os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente), i Relatório Adotou-se no julgamento do presente recurso o procedimento previsto na Portaria CAIU n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa forma, a solução que foi adotada no julgamento do recurso-padrão, abaixo discriminado, foi aplicada a este recurso e a todos os demais repetitivos, conforme divulgado através da pauta de julgamento: No julgamento dos itens 59 (recurso-padrão) e 60 a 104 (demais recursos repetitivos) será adotado o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 DOU de 29/09/2009, tendo como idêntica questão de direito a aplicação da Súmula Vinculante n° 08 do STF, de 12/06/2008. 59 - Recurso- 264191 Tipo. RV Processo.- 11330.000468/2007- 63 Recorrente . INPM, SÃ INDUSTRIAS OUIMICAS Recorrida DR' NO RIO DE JANEIRO I - RJ Matéria . CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a) O julgamento do recurso-padrão acima resultou o Acórdão n" 2301-01.406, É o relatório, Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA COMES, Relatou Sendo tempestivo, conheço do recurso. Confrontando-se a data da ciência do lançamento, 20/12/2006, com os relatórios preparados pela fiscalização, contata-se que todo o período objeto do lançamento está integralmente alcançado pela decadência, independentemente da regra aplicável, artigo 173, I ou artigo 150, §40 do CTN; motivo pelo qual adoto a decisão proferida no recurso- padrão, conforme relatório acima. Assim, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Sala das SeSSões,.b 29 de abril de 2010. , , . .4 JULIO CESAR VIEIRA GOMES - Relator 2
score : 1.0
Numero do processo: 10215.720143/2007-54
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se,
então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentação de documentos e esclarecimentos.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A COMPETÊNCIA PARA O AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL LANÇAR TRIBUTOS FEDERAIS INDEPENDE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.
IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO.
A autoridade fiscal tem competência fixada em lei para lavrar o Auto de Infração. Na falta de cumprimento de norma administrativa a referida autoridade fica sujeita, se for o caso, a punição administrativa, mas o ato produzido continua válido e eficaz.
GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS.
INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL. INCIDÊNCIA DE
IMPOSTO DE RENDA.
Está sujeito ao imposto de renda o ganho de capital auferido na alienação de
bens a qualquer título, inclusive aqueles utilizados para integralização de
capital social em empresa, posto que esta operação se caracteriza como uma
alienação. Assim, se a avaliação dos bens integralizados é superior à
constante na declaração de bens da pessoa física, verifica-se
a ocorrência de
ganho de capital.
GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS.
ALIENAÇÃO A QUALQUER TÍTULO PARA FINS FISCAIS.
Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou
promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por
compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento,
procuração em causa própria, promessa de compra e venda de direitos ou
promessa de cessão de direitos e contratos afins.
GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS POR
PESSOAS FÍSICAS. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA.
TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA.
O lucro apurado na alienação, a qualquer título, de bens ou direitos de
qualquer natureza, deve ser considerado ganho de capital. Os ganhos serão
apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não
integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o
valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração.
GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS.
COMPROVAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO.
O valor de aquisição do bem ou direito para apuração do ganho de capital
deverá ser comprovado com documentação hábil e idônea, usual para o tipo
de operação de que houver resultado a aquisição.
ESCRITURA PÚBLICA DE INCORPORAÇÃO DE BENS IMÓVEIS AO
PATRIMÔNIO DE SOCIEDADE COMERCIAL. INTEGRALIZAÇÃO DE
CAPITAL SOCIAL ATRAVÉS DA ENTREGA DE BENS IMÓVEIS.
DOCUMENTO PÚBLICO. VALIDADE.
Somente deixa de prevalecer à data, forma e valor da alienação constante da
escritura pública de incorporação de bens imóveis ao patrimônio de
sociedade comercial, para os efeitos fiscais, quando restar comprovado de
maneira inequívoca que o teor contratual da escritura não foi cumprido ou
não corresponde com a realidade, circunstância em que a fé pública do citado
ato cede à prova de que a integralização de capital social deuse
de forma
diversa.
INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DA
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE.
CONFERÊNCIA DOS DADOS INFORMADOS. DEVER DA
AUTORIDADE FISCAL.
É dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos
campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e,
conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados.
Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, dos valores atribuídos aos bens declarados, é dever de a autoridade fiscal efetuar a sua glosa.
Preliminares rejeitadas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.347
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga votou pelas conclusões quanto a preliminar de nulidade do lançamento em função de possíveis irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF.
Nome do relator: NELSON MALLMAN
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CERCEAMENTO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentação de documentos e esclarecimentos. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A COMPETÊNCIA PARA O AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL LANÇAR TRIBUTOS FEDERAIS INDEPENDE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. A autoridade fiscal tem competência fixada em lei para lavrar o Auto de Infração. Na falta de cumprimento de norma administrativa a referida autoridade fica sujeita, se for o caso, a punição administrativa, mas o ato produzido continua válido e eficaz. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Está sujeito ao imposto de renda o ganho de capital auferido na alienação de bens a qualquer título, inclusive aqueles utilizados para integralização de capital social em empresa, posto que esta operação se caracteriza como uma alienação. Assim, se a avaliação dos bens integralizados é superior à constante na declaração de bens da pessoa física, verificase a ocorrência de ganho de capital. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS. ALIENAÇÃO A QUALQUER TÍTULO PARA FINS FISCAIS. Fl. 194DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN 2 Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, procuração em causa própria, promessa de compra e venda de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS POR PESSOAS FÍSICAS. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA. O lucro apurado na alienação, a qualquer título, de bens ou direitos de qualquer natureza, deve ser considerado ganho de capital. Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS. COMPROVAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. O valor de aquisição do bem ou direito para apuração do ganho de capital deverá ser comprovado com documentação hábil e idônea, usual para o tipo de operação de que houver resultado a aquisição. ESCRITURA PÚBLICA DE INCORPORAÇÃO DE BENS IMÓVEIS AO PATRIMÔNIO DE SOCIEDADE COMERCIAL. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL ATRAVÉS DA ENTREGA DE BENS IMÓVEIS. DOCUMENTO PÚBLICO. VALIDADE. Somente deixa de prevalecer à data, forma e valor da alienação constante da escritura pública de incorporação de bens imóveis ao patrimônio de sociedade comercial, para os efeitos fiscais, quando restar comprovado de maneira inequívoca que o teor contratual da escritura não foi cumprido ou não corresponde com a realidade, circunstância em que a fé pública do citado ato cede à prova de que a integralização de capital social deuse de forma diversa. INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA DOS DADOS INFORMADOS. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL. É dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, dos valores atribuídos aos bens declarados, é dever de a autoridade fiscal efetuar a sua glosa. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 195DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10215.720143/200754 Acórdão n.º 220201.347 S2C2T2 Fl. 2 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga votou pelas conclusões quanto a preliminar de nulidade do lançamento em função de possíveis irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Odmir Fernandes, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN 4 Relatório LUIZ FRANCISCO FELTRIM, contribuinte inscrito no CPF/MF 004.710.10839, com domicílio fiscal na cidade de Itaituba, Estado do Pará, à Rua Dr. Hugo de Medeiros, nº 376, Bairro Centro, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santarém PA, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 172/178, prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 169/170. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 23/10/2007, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 96/102), com ciência através de AR, em 29/10/2007 (fls. 110), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 313.711,24 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda sobre Ganhos de Capital, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital na alienação de bens e direitos, relativo ao exercício de 2006, correspondente ao anocalendário de 2005, fato gerador 31/08/2005. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2006, onde a autoridade lançadora entendeu haver omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos Infração capitulada nos artigos 1º, 2°, 3º e §§, 16, 18 a 22, da Lei n° 7.713, de 1988; artigos 1° e 2º, da Lei n° 8.134, de 1990; artigos 7º, 21 e 22, da Lei n° 8.981, de 1995; artigos 17, 23 e §§, da Lei n ° 9.249, de 1995; artigos 22 a 24, da Lei n ° 9.250, de 1995 e artigos 16, 17 e §§, da Lei n°9.532, de 1997; O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal de fls. 103/109, entre outros, os seguintes aspectos: que, inicialmente, foi feito diligência na empresa Jotan Táxi Aéreo Ltda., CNPJ 151.056/2007, para verificar a forma de aumento de capital realizada por essa empresa, que apresentou cópia do contrato social (fls. 61/81, e cópias das escrituras das fazendas Iriri I, Iriri II e Iriri III (fls. 82/93), no instrumento constitutivo da Jotan consta que o aumento de capital se deu por meio de integralização de capital efetuada por um dos sócios, o sujeito passivo objeto desta ação fiscal, com três fazendas que são: fazendas Iriri I, Iriri II e Iriri III, no valor de R$ 522.000,00, cada uma, no total de 1.566.000,00; que nas Certidões de Registro de Imóveis (fls. 85, 89 e 93), constam que a empresa Jotan Táxi Aéreo Ltda. adquiriu as três fazendas anteriormente citadas por incorporação cedido pelo Sr. Luiz Francisco Feltrim, sujeito passivo desta ação fiscal, na realidade como fica demonstrado no contrato social da empresa acima mencionada, fl. 61, "...foi adquirido pela Empresa JOTAN TAXI AÉREO LTDA., PESSOA JURÍDICA, (...) por Incorporação cedido pelo Sr. LUIZ FRANCISCO FELTRIM, acima já qualificado, ...", o que de fato ocorreu foi integralização de capital na empresa Jotan Táxi Aéreo Ltda. pelo Sr. Luiz Francisco Fe!trim, conforme consta na Reformulação do Contrato Social dessa empresa, fl. 61, que era de R$ 120.000,00, e passou a ter o capital social no valor de R$ 1.890.000,00, sendo Fl. 197DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10215.720143/200754 Acórdão n.º 220201.347 S2C2T2 Fl. 3 5 que R$ 1.770.000,00 é representado pelas fazendas Iriri I, Iriri II e Iriri III, cada uma avaliada em R$ 590.000,00; que ressalto que esse valor de R$ 590.000,00 de cada fazenda não está de acordo com a Registro de Imóveis cujo valor é de R$ 522.000,00, dessa forma a diferença entre o valor constante do registro de imóveis e o constante no contrato social R$ 68.000,00 para cada fazenda não possui documento de suporte; que como não foi informado na declaração de imposto de. renda do sujeito passivo referente ao ano calendário de 2005 nenhum ganho de capital, ele foi intimado, termo de intimação fiscal 485/2007 (fls. 47/48), a informar se apurou o referido ganho de capital decorrente dessa integralização, em resposta, fls. 50, ele informou que não apurou ganho de capital nem recolheu o imposto de renda devido; que a integralização de capital, seja para formação ou aumento, em pessoas jurídicas pode se dar mediante a transferência de bens e direitos; que esses bens e direitos podem ser transferidos pelo valor constante na declaração de bens, que deve coincidir com o custo de aquisição, ou pelo valor de mercado, porém se a transferência for pelo valor de mercado a diferença deve ser tributada como ganho de capital, conforme determina o art. 23 da Lei nº 9.249/95; que o contribuinte lavrou a escritura de compra das três fazendas, Iriri I, Iriri II e Iriri III, fls. 83, 87 e 91, em 06/04/1990, onde consta o preço de aquisição, NCz$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil cruzados novos) e como estabelece o art. 70 da IN SRF 84/2001, esses imóveis têm o valor de custo atualizados até 31/12/1995 de R$ 4.505,02 cada um que foi obtido dividindo se o valor em cruzados novos pelo índice constante no anexo único da IN SRF 84/2001 (NCz$ 150.000,00 dividido por 33,296); que conforme consta no contrato social as fazendas anteriormente mencionadas foram transferidas a Jotan Táxi Aéreo Ltda., pelo valor de R$ 590.000,00, cada uma das fazendas, perfazendo o total de R$ 1.566.000,00, o que representa um aumento na participação no capital social nessa empresa no mesmo valor; que então como o contribuinte declarou somente na Declaração de Ajuste Anual 2002 que as fazendas foram declaradas pela primeira vez pelo valor de R$ 150.000,00, indevidamente, pois o custo de aquisição de cada fazenda atualizado até 31 de dezembro de 1995 é de R$ 4.505,02, conforme já demonstrado; que na declaração de imposto de renda referente ao ano de 1991 o contribuinte poderia ter declarado essas fazendas pelo então valor de mercado e a diferença entre o valor de mercado e o custo de aquisição representariam rendimentos isentos, conforme estabelece o § 1º do art. 96 da Lei 8.383/1991 abaixo transcrito, o que não foi feito. Porém essa isenção não alcança os bens adquiridos até 31 de dezembro de 1990, não relacionados na declaração de bens relativa o exercício de 1991; que analisando as declarações apresentadas pelo contribuinte relativas aos anos de 2000 a 2006 (fls. 04/30), ele somente declarou tais fazendas na Declaração de Ajuste Anual 2002, dessa forma ele não faz jus a isenção estabelecida no art. 91 da Lei 8.383/1991, ou seja, o custo original é aquele constante na escritura de compra, NCz$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil cruzados novos) e como estabelece o art. 70 da IN SRF 84/2001, cada um desses Fl. 198DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN 6 imóveis têm o valor de custo atualizado até 31/12/1995 de R$ 4.505,02, conforme já mencionado. Em sua peça impugnatória de fls. 112/115, instruída pelos documentos de fls. 116/153, apresentada, tempestivamente, em 14/11/2007 o contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos; que, inicialmente, se questiona o procedimento da fiscalização em ter dado ciência do Mandado de Procedimento Fiscal, na mesma data da lavratura do Auto de Infração, ou seja, no dia 26.10.2007, contrariando o que determina a Portaria nº 3.007, que trata dos procedimentos a serem adotados para a realização da fiscalização, que se constitui em vicio formal; que também é questionável o prazo de 24 (vinte e quatro) horas para cumprimento da Intimação, de acordo com o Termo de Intimação Fiscal n° 485/2007, cuja cópia segue anexa, quando normalmente em obediência aos procedimentos que devem ser adotados pela fiscalização o prazo é de 20 (vinte) dias, para não haver cerceamento ao direito de defesa do contribuinte; que considerando que o anocalendário fiscalizado é o de 2005, e que o prazo decadencial previsto no § 4º do art. 150 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional) é de cinco (anos), essa Secretaria ainda disporia de mais de três (03) para realizar a fiscalização, e se fosse o caso, efetuar qualquer lançamento sobre o período fiscalizado; que a autoridade fiscalizadora descreveu em quadro próprio do Auto de Infração que houve "Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos", considerou como data do Fato Gerador 31/08/2005, e fez citação de todo o enquadramento legal que entendeu infringido, na mesma folha; que o que levou a fiscalização a entender que houve omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos decorreu da transferência que o autuado realizou de três (03) fazendas denominadas IRIRI I, IRIRI II e IRIRI III que se encontravam declaradas na sua Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda Pessoa Física para aumento de capital da empresa JOTAN TAXI AÉREO LTDA., da qual é sócio majoritário, avaliadas cada uma no valor de R$ 590.000,00 (quinhentos e noventa mil reais), totalizando R$ 1.770.000,00 (um milhão, setecentos e setenta mil reais), descrito no Termo de Verificação Fiscal, no qual ressaltou ainda, que no Registro de Imóveis está em desacordo com a alteração do capital social, haja vista ter constado a quantia de R$ 522.000,00 (quinhentos e vinte e dois mil reais) para cada fazenda transferida; que a fiscalização não levou em consideração foi que na operação efetuada não houve "torna em dinheiro", e também não houve na Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda de Pessoa Física apresentada valorização das cotas de capital, ou seja, houve simplesmente uma permuta de bens, o que comprova com cópia da declaração de ajuste anual apresentada, inclusive a relativamente ao exercício de 2007, anocalendário de 2006, ano subseqüente ao ano de transferência; que a autoridade julgadora poderá verificar que antes havia bens representados pelas três (03) fazendas já acima descritas, e posteriormente as cotas de capital, no mesmo valor, o que indica claramente que não houve ganho de capital quando da incorporação dos citados bens ao capital da empresa, ao que deve ser dado o mesmo tratamento Fl. 199DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10215.720143/200754 Acórdão n.º 220201.347 S2C2T2 Fl. 4 7 de permuta de bens imóveis "sem torna" em dinheiro, em que não há que se falar em ganho de capital; que concorda o impugnante que se no futuro vier a alienar as suas cotas de capital da empresa JOTAN TAXI AÉREO LTDA., o que não é sua intenção até porque obtém renda desta empresa para sua manutenção e de sua família, por valor superior ao que se encontra declarado, deverá apurar o ganho de capital que vier a obter na alienação dessas cotas, mas não neste momento; que nesse particular entende o impugnante que é sábia a disposição da Lei, que dispõe sobre a tributação do ganho de capital no momento em que houver efetiva alienação dos bens, ou permuta, com torna em dinheiro, obedecendo estritamente ao regime de Caixa a que está sujeito o Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, quer seja, de rendimentos de salários (até mesmo os recebidos acumuladamente), de serviços prestados, etc., ou seja, no momento em que o contribuinte disporá de recursos financeiros para pagamento do imposto devido. Tanto é assim que até nas vendas a prazo, o ganho de capital é calculado proporcionalmente aos valores recebidos; que no caso em tela, é perceptível o equivoco cometido pela autoridade fiscalizadora quando desprezou as informações constantes na Declaração de Ajuste Anual da Pessoa Física, do contribuinte ora autuado, que transferiu bens de sua Pessoa Física para integralização do Capital Social da empresa JOTAN TAXI AÉREO LTDA., da qual é sócio, mas que manteve nos mesmos valores dos bens transferidos, por não ter havido alienação de bens e sim permuta de bens; que na declaração do exercício de 2007, anocalendário de 2006, já procedeu a alteração de bens em sua declaração, quando juntou aos valores das cotas antes de R$ 114.000,00 os valores das terras incorporadas ao capital da empresa no valor de R$ 450.000,00, passando assim, para R$ 564.000,00 (R$ 114.000,00 + R$ 450.000,00), conforme cópia anexa; que cabe à Autoridade Julgadora analisar as declarações apresentadas pelo impugnante (original e retificadoras), relativamente ao exercício de 2006, anocalendário de 2005, período fiscalizado que gerou o Auto de Infração ora impugnado, todas antes do inicio do procedimento fiscal, em que o valor das cotas da empresa J0TAN TAXI AÉREO LTDA., figuraram pelo mesmo valor de antes da transferência dos bens particulares do impugnante à empresa, somente para reforçar a verdade „dos fatos de que não houve valorização das cotas, portanto, não houve ganho de capital. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante a Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA conclui pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base nas seguintes considerações: que é importante se discutir os efeitos da transcrição da operação no Registro de Imóveis, ato indispensável para a aquisição civil da propriedade, regulada pelo Código Civil, nos arts. 530, 531 e 533, cuja existência foi comprovada mediante juntada aos autos de cópia das matriculas dos imóveis. A definição de alienação para o Direito Tributário, para o qual o registro imobiliário é a maior prova, quando se fala em imóveis, é disposta no § 3°, do art. 3°, da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988; Fl. 200DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN 8 que esse dispositivo legal expressamente estabelece que a alienação de imóveis, para fins tributários, independe da transcrição do titulo no registro imobiliário (apesar desta ser a maior prova da transferência da propriedade), quando relaciona como alienação a procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos, promessa de cessão de direitos e contratos afins, títulos esses que não comportam a transcrição no Cartório de Registro de Imóveis. Para a lei, o que importa é a disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, que constitui o fato gerador do respectivo imposto (CTN, art. 43); que a segurança e a garantia da aquisição da propriedade concedida pela transcrição do titulo ou escritura no Registro de Imóveis não é prérequisito para fins de alienação perante o Direito Tributário. As conseqüências que podem advir do retardamento ou da não transcrição do titulo é matéria afeta ao direito civil e, se for o caso, penal. Mas a referida transcrição é clara prova da aquisição de disponibilidade do imóvel, inclusive quanto ao valor adotado para efeito da apuração do ganho de capital devido pelo contribuinte em face da operação nela mencionada. Para o fisco interessa, como visto, a disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou do provento de qualquer natureza, que é o que ocorreu no presente caso, em 18/08/2005; que quanto à apuração do ganho de capital, dispõe o § 22 do art. 132 do Decreto 3000/99, que, quando a transferência a pessoas jurídicas, a titulo de integralização de capital, de bens e direitos, for feita pelo valor de mercado, apurarseá ganho de capital, quando for positiva a diferença entre este valor de mercado e o valor de custo. Só não haverá integralização quando o valor da integralização se fizer pelo exato valor dos bens e direitos, constante na declaração de bens; que, no presente caso, a integralização se fez por valor de mercado (R$ 522.000,00 para cada um dos três imóveis), bem superior ao presente na declaração de ajuste (R$ 150.000,00 para cada um dos três imóveis). Este último valor mostrouse incorreto, pois se refere ao valor nominal (150.000,00) da aquisição em outra moeda (cruzados novos) vigente na data da primeira aquisição (06/04/1990). Convertendose este valor, chegase ao valor de custo da aquisição dos imóveis (R$ 4.505,02 cada). Portanto, foi correto o procedimento da autuação. Este valor referese ao montante do custo e será usado na apuração do ganho de capital como valor histórico, quando da venda do mesmo bem. Logo, não está sujeito a prazo decadencial; que quanto ao prazo para a apresentação de esclarecimentos, ressaltese que o contribuinte respondeu à intimação (fl. 50), sem reclamar sobre dificuldades devidas a possível exigüidade do prazo, prometendo apresentar os motivos que levaram à não apuração do ganho de capital — o que não aconteceu. Adiantese que não há prazo padrão para a apresentação de esclarecimentos referentes a dados ou omissões constantes em declaração de rendimentos de pessoa física, conforme art. 3 ° da Instrução Normativa SRF n° 579, de 8 de dezembro de 2005. A ementa que consubstancia a presente decisão é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 GANHOS DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE BENS IMÓVEIS INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL – A escritura pública de incorporação de bens imóveis ao patrimônio de sociedade comercial faz prova do ato e dos fatos nela declarados, inclusive Fl. 201DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10215.720143/200754 Acórdão n.º 220201.347 S2C2T2 Fl. 5 9 o valor adotado para efeito da apuração do ganho de capital devido pelo contribuinte em face da operação nela mencionada. Lançamento Procedente Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 17/06/2008, conforme Termo constante às fls. 167/168, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (18/06/2008), o recurso voluntário de fls. 169/170, instruído pelos documentos de fls. 171/177, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 202DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN 10 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Resta claro nos autos, que a discussão nesta fase recursal está restrita as preliminares de nulidade do Auto de Infração e, no mérito, a omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos na integralização de capital social, multa com fins de confisco e constitucionalidade. Da análise preliminar da matéria, verificase que a autoridade lançadora entendeu haver omissão de ganhos de capital em decorrência de integralização de capital social mediante a entrega de bens, conforme o apurado através do Termo de Verificação Fiscal de fls. 103/109, no qual houve a confrontação entre os valores declarados em sua Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2006 e os ganhos de capital recolhidos. Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, o contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, argúi, em síntese, as mesmas razões apresentadas na fase impugnatória. Quanto a preliminar de nulidade do lançamento argüida pelo suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais, não deve ser acolhida pelo colegiado pelos motivos abaixo expostos. Entendo, que o procedimento fiscal realizado pelo agente do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235/72, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo. Fl. 203DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10215.720143/200754 Acórdão n.º 220201.347 S2C2T2 Fl. 6 11 Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748/93: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração e a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ora, não procede à nulidade do lançamento argüida sob o argumento de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, ou seja, demonstração da base de cálculo, descrição confusa dos fatos, bem como curto espaço de tempo em relação a auditoria realizada para apresentar a sua defesa inicial. Verificase, através do documento de fls. 98, que foi concedido o prazo legal de 30(trinta) dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação, sendolhe assegurado vistas ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias a sua defesa, caso quisesse, garantindose desta forma o contraditório e a ampla defesa. Quanto ao procedimento fiscal realizado pela agente do fisco, verificase que foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. Verificase, ainda, que o Auto de Infração identifica por nome e CPF o autuado, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santarém PA, cuja ciência foi através de AR em 29/10/2007, e descreve a irregularidade praticada e o seu enquadramento legal assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Não tenho dúvidas, que o excesso de formalismo, a vedação à atuação de ofício do julgador na produção de provas e a declaração de nulidades puramente formais são exemplos possíveis de serem extraídos da prática forense e estranhos ao ambiente do processo administrativo fiscal. A etapa contenciosa caracterizase pelo aparecimento formalizado no conflito de interesses, isto é, transmudase a atividade administrativa de procedimento para processo no momento em que o contribuinte registra seu inconformismo com o ato praticado pela administração, seja ato de lançamento de tributo ou qualquer outro ato que, no seu entender, Fl. 204DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN 12 causalhe gravame com a aplicação de multa por suposto nãocumprimento de dever instrumental. Assim, a etapa anterior à lavratura do auto de infração e ao processo administrativo fiscal, constitui efetivamente uma fase inquisitória, que apesar de estar regrada em leis e regulamentos, faculta à Administração a mais completa liberdade no escopo de flagrar a ocorrência do fato gerador. Nessa fase não há contraditório, porque o fisco está apenas coletando dados para se convencer ou não da ocorrência do fato imponível ensejador da tributação. Não há, ainda, exigência de crédito tributário formalizada, inexistindo, conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado. Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Nunca é demais lembrar, que até a interposição da peça impugnatória pelo contribuinte, o conflito de interesses ainda não está configurado. Os atos anteriores ao lançamento referemse à investigação fiscal propriamente dita, constituindose medidas preparatórias tendentes a definir a pretensão da Fazenda. Ou seja, são simples procedimentos que tãosomente poderão conduzir a constituição do crédito tributário. Na fase procedimental não há que se falar em contraditório ou ampla defesa, pois não há ainda, qualquer espécie de pretensão fiscal sendo exigida pela Fazenda Pública, mas tãosomente o exercício da faculdade da administração tributária em verificar o fiel cumprimento da legislação tributária por parte do sujeito passivo. O litígio só vem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência fiscal por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento. Assim, após a impugnação, oportunizase ao contribuinte a contestação da exigência fiscal. A partir daí, instaurase o processo, ou seja, configurase o litígio. No caso dos autos, a autoridade lançadora cumpriu todos os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre o suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. O Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto n.º 70.235, de 19/72, se manifesta da seguinte forma: Art. 59 São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 205DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10215.720143/200754 Acórdão n.º 220201.347 S2C2T2 Fl. 7 13 II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como se verifica do dispositivo legal, não ocorreu, no caso do presente processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por funcionários com competência para tal. Haveria possibilidade de se admitir a nulidade por falta de conteúdo ou objeto, quando o lançamento que, embora tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, ou seja, não restou provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, quando a descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, temse o vício material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações imputadas. Além disso, o Art. 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972, prevê que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do mesmo Decreto não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Por fim, fazse necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão apolítico, destinada a prestar serviços ao Estado, na condição de Instituição e não a um Governo específico dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu dever de participação. Assim sendo, é de se rejeitar a preliminar de nulidade argüida pelo suplicante. Quanto a preliminar de nulidade do lançamento sob o entendimento de que houve irregularidade na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, é de se dizer que, como visto no relatório o suplicante argúi a nulidade do auto de infração sob o argumento de que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF fora expedido de forma irregular já que expedido juntamente com o auto de infração. Indiscutivelmente, o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, disciplinado pela Portaria SRF nº 1.265, de 1999, com as alterações incluídas pela Portaria SRF nº 1.614, de 2000 e Portaria SRF nº 3.007, de 2001, é um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativo aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Desta forma, o mandado consiste em uma ordem emanada de Fl. 206DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN 14 dirigentes das unidades da Receita Federal para que seus auditores, em nome desta, executem atividades fiscais, tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. A competência para a verificação fiscal inerente aos tributos e contribuições administrados pela União encontrase determinada desde a Lei n° 2.354, de 29 de novembro de 1954, artigo 7°, que alterou o artigo 124 do Decreto n° 24.239, de 1947. O cargo de AuditorFiscal da Receita Federal foi criado pelo Decretolei n° 2.225, de 1985, que por sua vez substituiu o anterior de Fiscal de Tributos Federais, Grupo TAF601. Este último decorreu da Lei n° 5.645, de 10 de dezembro de 1970, que estabeleceu diretrizes para a classificação de cargos do Serviço Civil da União e das autarquias federais. Sobre a competência do agente, também dispõe o art. 6° da Lei nº 10.593, de 2002, in verbis: Art. 6° São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal, no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal, relativamente aos tributos e às contribuições por ela administrados: I – em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário. Ora, as referidas Portarias não tem o condão de limitar o dispositivo legal. Ou seja, extrair o poder de investigação fiscal da autoridade competente para esse fim. O poder/dever do AuditorFiscal da Receita Federal foi atribuído pelo Decretolei n° 2.225, de 1985. De outro lado, somente a ele incumbe efetuar o lançamento, na forma do artigo 142 do CTN. Como visto, o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, disciplinado pela Portaria SRF nº 1.265, de 1999, com as alterações incluídas pela Portaria SRF nº 1.614, de 2000 e da Portaria SRF nº 3.007, de 2001, é um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da receita Federal e não pode obstar o exercício da atividade de lançamento estabelecida por força de lei. Assim, estando o AuditorFiscal em pleno exercício de suas funções e tendo formalizado administrativamente o procedimento, mesmo a falta de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF não invalida o feito, se não ausentes outras irregularidades formais ou materiais. Esta posição não é isolada e combina com a jurisprudência dominante deste Conselho de Contribuintes, conforme se observa nas ementas dos Acórdãos abaixo citados: Acórdão n° 20177049 PAF. MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) advém de norma administrativa que tem por objetivo o gerenciamento da ação fiscal. Por tal, eventuais vícios em relação ao mesmo, desde que evidenciado que não houve qualquer afronta aos direitos do administrado, não ensejam a nulidade do lançamento .” Acórdão n° 108.07458 Fl. 207DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10215.720143/200754 Acórdão n.º 220201.347 S2C2T2 Fl. 8 15 NULIDADE – INOCORRÊNCIA – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância de norma infralegal não pode gerar nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal. Acórdão n° 202.14949 NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE INEXISTENTE. Irregularidade formal em MPF não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória (art. 142, CTN), se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato. Acórdão n° 107.06797 MPF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSTULADOS. INOBSERVÂNCIA. CAUSA DE NULIDADE. ARGÜIÇÃO RECURSAL. IMPROCEDÊNCIA. O Mandado de procedimento Fiscal (MPF) fora concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Não atinge a competência impositiva dos seus Auditores Fiscais que, decorrente de ato político por outorga da sociedade democraticamente organizada e em benefício desta, há de subsistir em qualquer atos de natureza restrita e especificamente voltados para as atividades de controle e planejamento das ações fiscais. A não observância – na instauração ou amplitude do MPF – poderá ser objeto de repreensão disciplinar, mas não terá fôlego jurídico para retirar a competência das autoridades fiscais na concreção plena de suas atividades legalmente próprias. A incompetência só ficará caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. Acórdão n° 107.06820 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF – A atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discricionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverencia o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no Fl. 208DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN 16 âmbito do processo disciplinar e não tem o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN. Ora, com a devida vênia, neste processo, não há que se falar em nulidade, porquanto, todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados quando da lavratura do auto de infração. É equivocada a conclusão do suplicante no sentido de que as informações sucintas e/ou falta de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, válido à época da lavratura do auto ou a indicação de qualquer matéria a ser analisada, levaria à incompetência do agente fiscal para o ato. A competência do auditor fiscal para os procedimentos de fiscalização e lavratura dos autos de infração não advém da existência do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, mas de lei que determina as atribuições do agente, estabelecendo os limites de sua atuação. Assim, não é passível de nulidade o lançamento elaborado por servidor competente, sob os argumentos de ter ultrapassado o prazo de encerramento do procedimento fiscal; ou porque do novo Mandado de Procedimento Fiscal só foi dado ciência no dia da lavratura do Auto de Infração; ou porque o Mandado foi transformado de procedimento de diligência para procedimento de fiscalização sem a substituição do AuditorFiscal que iniciou o procedimento; ou porque não houve a emissão de Mandado Complementar, haja vista o dever de ofício que o obriga a observar as normas que subordinam o exercício desse dever e que não contraria o disposto na Portaria SRF de nº 1.265, de 1999 e suas edições posteriores, que dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal. É de se observar, ainda, que nenhuma lei estabelece como requisito elementar do auto de infração a existência de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, aqueles estão previstos no art. 10 do Decreto 70.235, de 1972. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF é necessário apenas para o controle administrativo dos atos dos fiscais na realização de exames e intimação de contribuintes ou terceiros para que apresentem documentos ou prestem informações, jamais para efetivação do lançamento que é procedimento imposto pela lei e não por norma infra legal. Verificase, pelo exame do processo, que não ocorreram os pressupostos previstos no Processo Administrativo Fiscal, tendo sido concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, na fase de instrução do processo, em resposta às intimações que recebeu, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela fiscalização. Dessa maneira, se revela totalmente improfícua sua alegação de nulidade, porque a apuração da infração foi feita com estrita observância das normas legais e a Portaria SRF nº 1.265, de 1999 (e portarias posteriores), é norma interna da Secretaria da Receita Federal do Brasil que não acarreta a nulidade levantada pelo suplicante. Eventuais falhas na emissão ou na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não têm o condão de macular ação fiscal e tampouco o lançamento dela decorrente. O processo administrativo fiscal é regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, que tem status de lei, e não pode ser alterado por um instrumento (MPF) instituído por uma portaria da SRFB, hierarquicamente inferior. Fl. 209DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10215.720143/200754 Acórdão n.º 220201.347 S2C2T2 Fl. 9 17 Assim, não há dúvidas que todas as autoridades fiscais estão sujeitas às regras aplicáveis ao Mandado de Procedimento Fiscal, e caso sejam descumpridas, cabe ao funcionário, autor do feito, se for o caso, punição administrativa. Porém, entendo que jamais provocam a nulidade do lançamento. Quanto ao mérito, resta claro, nos autos, de que foi feito diligência na empresa Jotan Táxi Aéreo Ltda., CNPJ 151.056/2007, para verificar a forma de aumento de capital realizada por essa empresa e que a mesma apresentou cópia do contrato social (fls. 61/81) e cópias das escrituras das fazendas Iriri I, Iriri II e Iriri III (fls. 82/93), no instrumento constitutivo da Jotan consta que o aumento de capital se deu por meio de integralização de capital efetuada por um dos sócios, o sujeito passivo objeto desta ação fiscal, com três fazendas que são: fazendas Iriri I, Iriri II e Iriri III, no valor de R$ 522.000,00, cada uma, no total de 1.566.000,00. Além disso, nas Certidões de Registro de Imóveis (fls. 85, 89 e 93), constam que a empresa Jotan Táxi Aéreo Ltda. adquiriu as três fazendas anteriormente citadas por incorporação cedido pelo Sr. Luiz Francisco Feltrim, sujeito passivo desta ação fiscal. Ademais, resta demonstrado no contrato social da empresa acima mencionada (fl. 61)"...foi adquirido pela Empresa JOTAN TAXI AÉREO LTDA., PESSOA JURÍDICA, (...) por Incorporação cedido pelo Sr. LUIZ FRANCISCO FELTRIM, acima já qualificado, ...", demonstrando a integralização de capital na empresa Jotan Táxi Aéreo Ltda. pelo Sr. Luiz Francisco Feltrim, conforme consta na Reformulação do Contrato Social dessa empresa (fl. 61), que era de R$ 120.000,00, e passou a ter o capital social no valor de R$ 1.890.000,00, sendo que R$ 1.770.000,00 é representado pelas fazendas Iriri I, Iriri II e Iriri III, cada uma avaliada em R$ 590.000,00. Da mesma forma restou claro no autos de que da análise das declarações apresentadas pelo contribuinte relativas aos anos de 2000 a 2006 (fls. 04/30), o contribuinte somente declarou tais fazendas na Declaração de Ajuste Anual 2002, dessa forma ele não faz jus a isenção estabelecida no art. 91 da Lei nº 8.383, de 1991, ou seja, o custo original é aquele constante da escritura de compra, NCz$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil cruzados novos). Fazse necessário observar de que é dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, dos valores atribuídos aos bens declarados, é dever de a autoridade fiscal efetuar a sua glosa. É de se observar, também, que a jurisprudência assentada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre a contagem do prazo decadencial para a revisão das Declarações de Ajuste Anual originais é de 5(cinco) anos contados na forma prevista no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN. Observando, que para as Declarações de Ajuste Anual retificadoras o prazo tem início no momento da retificação da declaração. Não tenho dúvidas de que quando tratamos de imposto de renda, um dos pontos que surgem para discussão é o que trata da incidência do IR sobre o lucro imobiliário, ou seja, um ganho de capital. Aqui neste processo, um dos pontos é se saber se é devido imposto de renda sobre ganho de capital na integralização de capital com patrimônio particular dos sócios e em que momento esse imposto é devido. Fl. 210DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN 18 A Lei nº 9.249, de 1995, em seu artigo 23, trata da matéria estabelecendo que se a integralização do capital social for feita pelo mesmo valor do bem constante da declaração de imposto de renda da pessoa física do sócio, devidamente comprovado através da apresentação de documentação hábil e idônea de seu valor de aquisição, não haverá tributação. Porém se o valor informado a titulo de integralização for maior do que aquele constante da declaração o imposto é devido: Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado.§ 1º Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20, II, do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983.§ 2º Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. Não tenho dúvidas, que a Lei 6.404, de 1976, na seção “Formação do Capital Social”, estipula as regras sobre a integralização do capital social da pessoa jurídica. Segundo aquele comando legal, o capital social poderá ser formado com contribuições em dinheiro ou em qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação em dinheiro (art. 7º). A avaliação dos bens será feita por três peritos ou por empresa especializada, nomeados em assembléia geral dos subscritores, convocados pela empresa e presidida por um dos fundadores. Esses peritos deverão avaliar os bens e emitir um laudo fundamentado, com indicação dos critérios de avaliação e de elementos de comparação adotados e instruídos com os documentos relativos aos bens avaliados. Se o subscritor aceitar o valor aprovado pela assembléia (no caso de SA.), os bens se incorporarão ao patrimônio da empresa, cabendo aos primeiros cumprir as formalidades necessárias para ser efetuada a respectiva transmissão. Estabelece o § 4º do art. 8º que os bens não poderão ser incorporados ao patrimônio da empresa por valor acima do que lhes tiver dado o subscritor. De acordo com o art. 62 da IN SRF 11, de 1996, as pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. Caso a entrega seja feita pelo valor constante da Declaração de Bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se lhe aplicando as regras de distribuição de lucros de que tratam o art. 60 do Decretolei 1.598, de 1977 e o art. 20, II, do Decretolei 2.065, de 1983. Se a transferência não se fizer pelo valor constante da Declaração de Bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. O PN CST 18, de 1981 já trazia este entendimento por parte do Fisco, definindo que a transferência de imóvel à pessoa jurídica para a subscrição de seu capital, Fl. 211DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10215.720143/200754 Acórdão n.º 220201.347 S2C2T2 Fl. 10 19 implicaria alienação para fins de incidência de imposto sobre o lucro imobiliário, atualmente denominado de “ganho de capital”. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, procuração em causa própria, promessa de compra e venda de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. O lucro apurado na alienação, a qualquer título, de bens ou direitos de qualquer natureza, deve ser considerado ganho de capital. Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. O valor de aquisição do bem ou direito para apuração do ganho de capital deverá ser comprovado com documentação hábil e idônea, usual para o tipo de operação de que houver resultado a aquisição. Restam claro nos autos, que para determinação do ganho de capital foram utilizados os dados informados pelo próprio contribuinte em sua declaração e registrados na contabilidade da empresa que recebeu os bens, além do contrato de compra e venda pelo qual foram adquiridas os bens pelo contribuinte. Assim, não procede a tese do recorrente de que a transferência dos bens do seu patrimônio para o da pessoa jurídica, destinada à integralização de capital, não se constitua em ganho de capital, ou que o mesmo tenha sido meramente presumido. A alienação fora informada pelo próprio contribuinte nos contratos assinados, correspondente ao aumento de sua participação no capital da empresa, representado pelos bens (fazendas) em questão e a própria empresa registrara em seu ativo imobilizado estes bens pelo valor utilizado pela autoridade fiscal lançadora. Portanto, não restam dúvidas, de que o contribuinte adquirira um direito de R$ 1.566.000,00 (o valor do aumento de sua participação no capital da empresa) em troca de dos bens que lhe custara R$ 13.515,06 (conforme escritura pública de aquisição das fazendas), o que se caracteriza como ganho de capital, nos termos do § 4° do artigo 117 do Decreto n° 3.000, de 1999. Quanto à discussão em torno do ganho de capital é de se observar, que da análise da legislação de regência verificase que embora a Lei Civil condicione a eficácia da operação de transmissão de bem imóvel à existência de escritura pública e à sua inscrição no Registro de Imóveis, para ter plena validade perante terceiros, para a Legislação Tributária ocorre alienação e aquisição em qualquer operação que importe em transmissão ou promessa de transmissão de imóveis, a qualquer título, ou na cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, ainda que efetuada por meio de instrumento particular não inscrito em registro público, tais como as realizadas por: compra e venda, permuta, adjudicação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos à aquisição de imóveis, etc. Esses dispositivos não são conflitantes, pois cada um deles tem finalidade legal específica, gerando direitos e deveres em seus respectivos campos, sem prejudicar um ao outro. Fl. 212DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN 20 Verificase também que em regra geral, o valor da transmissão é o preço efetivo da operação de venda ou da cessão de direitos; nas operações em que o valor não se expressar em dinheiro, o valor da transmissão será arbitrado segundo o valor de mercado. Verificase, ainda, que se utiliza o valor que serviu de base para o lançamento do imposto de transmissão, como valor referencial de aquisição, nos seguintes casos: doação, adiantamento da legítima, herança ou legado, dissolução de sociedade conjugal, usucapião extraordinário, revogação de doação, etc. A própria legislação vigente na época do fato gerador (§ 3º do artigo 3º da Lei n.º 7.713/88) define, com clareza, que na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação a qualquer título de bens ou direitos. Não restam dúvidas nesta Câmara, que dado à abrangência do conceito de alienação, quando há uma operação, a qual, por importar em transmissão de imóvel se situa dentro da hipótese de incidência do imposto, podendo gerar ganho de capital, em caso positivo, será tributado na forma da Lei. Indiscutivelmente, para serem considerados custos e entrarem no cálculo do ganho de capital, é indispensável que os dispêndios se revistam, cumulativamente, das seguintes condições (a) que possam ser classificados como benfeitorias; (b) que as benfeitorias e seus custos sejam incluídos na declaração de bens no anocalendário da aplicação; (c) que sejam comprováveis, se a comprovação for exigida pela autoridade lançadora. Como já se disse, o simples fato de informar um valor de um bem na Declaração de Bens e Direitos, por si só, não constitui prova da realização do negócio nas condições ali informadas, visto que, para efeitos fiscais considerase como data de alienação ou de aquisição aquela em que foi celebrado o contrato inicial da operação imobiliária correspondente, ainda que efetuada através de documento particular, sem referência a qualquer condição suspensiva, não sendo válido, para esses fins, contrato verbal. Não há dúvidas, de que o regime jurídico na análise das provas no Processo Administrativo Fiscal é a de prevalecer o princípio da verdade material, por oposição ao princípio da verdade formal. Enquanto que no processo civil o juiz deve necessariamente limitarse a julgar segundo as provas aportadas pelas partes (verdade formal), no processo administrativo o julgador que deve decidir está sujeito ao princípio da verdade material e deve, em conseqüência, ajustarse aos fatos, prescindindo de que eles hajam sido alegados e provados pelo suplicante ou não. Por outro lado, no caso em questão, não é possível se esquecer, como num passe de mágica, a existência da Escritura Pública de Compra e Venda lavrada (fls. 83, 87 e 91), bem como as Certidões de Registro de Imóveis de fls. 85, 89 e 93, onde constam os assentamentos da Escritura Pública de Incorporação de Bem Imóvel, datada de 18/08/2005. Assim, ao assinar a Escritura Pública de Incorporação de Bem Imóvel, datada de 18/008/2005, para fins de integralização de capital social, o suplicante dá publicidade ao mundo jurídico da plena satisfação de seus interesses. Como também não tenho dúvidas, que a regra do bom direito estabelece que os contratos existem para serem cumpridos, nessa linha de pensamento, entendo que a Escritura Pública de Incorporação de Bem Imóvel, desde que contenha todos os requisitos legais que regem esse negócio jurídico, constitui direito entre as partes, sendo instrumento suficientemente válido para configurar a transmissão dos direitos sobre o imóvel objeto do contrato, pois por força do artigo 117, inciso II, do Código Tributário Nacional, o ato ou Fl. 213DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10215.720143/200754 Acórdão n.º 220201.347 S2C2T2 Fl. 11 21 negócio jurídico de alienação do imóvel reputase perfeito e acabado, para os efeitos fiscais, a partir da data do instrumento particular ou público de promessa de compra e venda, celebrado entre as partes. É de se lembrar, que, somente, deixa de prevalecer à data, forma e valor da alienação constante da Escritura Pública de Compra e Venda ou da Escritura Pública de Incorporação de Bem Imóvel, para os efeitos fiscais, quando restar provado de maneira inequívoca que o teor contratual da escritura não foi cumprido, circunstância em que a fé pública do citado ato cede à prova de que a alienação deuse da forma diversa. Assim, a informação inicial do contribuinte de que a entrega dos imóveis para a pessoa jurídica da qual é sócia para fins de integralização de capital social teriam sido efetivada em data e valor divergente dos dados constantes em escritura pública, sem estar apoiada em documentos, hábeis e idôneos coincidentes em datas e valores, que suportem essa alegação, não tem peso algum diante de um documento público. É de se reforçar, que o contribuinte não apresentou qualquer documento que comprove ter sido realizada a entrega dos bens para a pessoa jurídica na época e valor por ele pretendida. Os documentos referentes a negócios de terceiros, nos quais o contribuinte não interveio, não servem para comprovar a realização da alienação nas condições alegadas pelo recorrente. Assim, na ausência de contrato particular ou qualquer outra prova da entrega por parte do recorrente dos imóveis objeto da apuração do ganho de capital em data e condições diversas das que constaram na Escritura Pública de Incorporação de Bem Imóvel, é de se admitir que as alienações tenham sido realizadas conforme constou neste documento. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas pelo recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 214DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 10880.034514/99-68
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
1TR. LANÇAMENTO. NULIDADE,
É. nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu. Súmula 3º CC nº 1 / Súmula CARF nº 21.
Recurso especial negado
Numero da decisão: 9202-001.227
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-21T10:13:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-21T10:13:25Z; Last-Modified: 2010-12-21T10:13:25Z; dcterms:modified: 2010-12-21T10:13:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:7f836c4a-99ef-4667-9be0-83265d351f34; Last-Save-Date: 2010-12-21T10:13:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-21T10:13:25Z; meta:save-date: 2010-12-21T10:13:25Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-21T10:13:25Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-21T10:13:25Z; created: 2010-12-21T10:13:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-12-21T10:13:25Z; pdf:charsPerPage: 965; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-21T10:13:25Z | Conteúdo => Carlos Albertd eità-s Bapret — Presidente Elias Sai kfó Freh'e - Relatar 19 NOV 2010 CSRF-T2 El MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n" 10880.034514/99-68 Recurso n" .326.99,3 Especial do Procurador. Acórdão n° 9202-01.227 — 2" Turma Sessão de 20 de outubro de 2010 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BELKISS RONDON DA ROCHA AZEVEDO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR 1TR. LANÇAMENTO. NULIDADE, É. nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu. Súmula 3 0 CC if 1 / Súmula CARF n" 21, Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso,. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad, Susy Gomes Hoffiriann e Carlos Alberto Freitas Barreto Por unanimidade de votqs, em negar provimento ao recurso EDITADO EM: 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Anuda Coelho Júnior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão ir 301-3L358, proferido pela 1" Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes em 09/07/2004 (fls. 111/115), interpôs recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls, 117/132, com fulcro no art. 5, II do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Segue abaixo a ementa do acórdão recorrido: "ITRa 994. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL NA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. É nula, por vicio formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu, requisito essencial expressamente previsto no Decreto n2 70.235/72" Segundo a recorrente, a decisão ora atacada anulou a notificação de lançamento por considerar que nela não havia a identificação da autoridade que a expediu. Entende que tal entendimento diverge do esposado no paradigma que apresenta, o Acórdão n." 302-34.831, cuja ementa será transcrita abaixo: "O Auto de Infração ou a Notificação de Lançamento que trata de mais de um imposto, contribuição ou penalidade não é instrumento hábil para exigência de crédito tributário (CTN e Processo Administrativo Fiscal assim o estabelecem) e, portanto, não se sujeita às regras traçadas pela legislação de regência. É um instrumento de cobrança dos valores indicados, contra o qual descabe a argüição de nulidade, prevista no art 59, do Decreto 70,235/72. REJEITADA A PRELIMINAR DE NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO" Pondera que deve ser corroborado o entendimento majoritário exarado no paradigma, segundo o qual não é nula a notificação de lançamento do 1TR, por falta de identificação da autoridade que a expediu. Argumenta que o contribuinte, em momento algum, reconhece que teria pago o 1TR que lhe está sendo cobrado pelo Fisco ou suscita dúvidas acerca da identificação constante na notificação de lançamento ou dificuldades em sua defesa diante do aludido fato. Pugna pela aplicação do Princípio da Instrumentalidade das Formas, de forma que o julgador se desapegue do formalismo, procurando agir de modo a propiciar às partes o atingimento da finalidade do processo. Lembra que a chamada Notificação de Lançamento do ITR não é, propriamente, uma das formas de exigência de crédito tributário, uma vez que não segue os ditames do CTN e Processo e 10880.0.34514/99-68 Acórdão n 9202-0L227 CSRF-T2 Fl 2 do PAF. Dessa forma, não se sujeita às normas legais que cuidam de nulidade, conforme entendeu equivocadamente o acórdão ora recorrido. Ao final, requer o provimento do recurso especial para que seja cassado o acórdão recorrido, afastando-se a preliminar de nulidade da notificação, de forma que se analise o mérito do recurso voluntário interposto. Nos termos da Informação Técnica e do Despacho n.° .301-209/10/04 (fls. 13.3/136), negou-se seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Às fls. 1.37/141, a POFN apresenta agravo. O contribuinte ofereceu contra- razões (fls. 147/148). Às fls. 156/157, nos termos do Despacho de Reexame de Admissibilidade n.° 02/2006, acolheu-se o agravo interposto, admitindo-se o recurso especial. O contribuinte veio aos autos novamente, desta vez para apresentar contra- razões ao recurso especial (fl. 166/169). Inicialmente, afirma que a matéria objeto do recurso encontra-se superada, prevalecendo o enunciado do acórdão recorrido. Cita a Súmula n.° 1 do Terceiro Conselho de Contribuintes, que apresenta a seguinte redação: "É nula, por vicio formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu." Lista decisões que demonstram a aplicação da Súmula n.° 1 em casos semelhantes ao destes autos. Ao final, requer seja julgado improcedente o recurso especial de divergência, para que se mantenha na integralidade o acórdão recorrido. Eis o breve relatório. 3 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O Recurso preenche os pressupostos regimentais indispensáveis à sua admissibilidade. Assim, conheço do Recurso Especial interposto A controvérsia acerca da nulidade ou não do lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu foi dirimida com a aprovação da Súmula 3 0 CC IV 1 / Súmula CARI' n° 21, in verbis: "É nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. 41, Elias • paro Freire 4
score : 1.0
Numero do processo: 13204.000119/2005-51
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COEINS
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA, INSUMOS.
Na incidência não cumulativa da Cofins, instituída pela Lei nº 10.833/03, devem ser compreendidos por insumos somente bens ou serviços que integrem o processo produtivo e que com eles estejam diretamente relacionados.
PEDIDO DE PERÍCIA.
É prescindível a perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à formação da convicção do julgador para a decisão do processo.
Ademais, considera-se não formulado o pedido de perícia que deixe de
atender aos requisitos, consoante art. 16, § 1º, do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-000.737
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA
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É prescindível a perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à formação da convicção do julgador para a decisão do processo. Ademais, considera-se não formulado o pedido de perícia que deixe de atender aos requisitos, consoante art. 16, § 1, do Decreto tf 70.235/72. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Matricio Taveii a e r--''ilv4elator EDITADO EM: 06/12/2010 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rodrigo da Costa Possas (Presidente), Maurício Taveira e Silva (Relator), Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório ALBRAS - ALUMÍNIO BRASILEIRO S/A, devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 121/150, contra o acórdão n" 01- 12.533, de 18/11/2008, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém — PA, lis, 110/119, relativo a Pedido de Ressarcimento de crédito de Cofins não cumulativa, referente ao 2 trimestre de 2005, no valor de R$18.503.529,00, cumulado com Declaração de Compensação, conforme relatado pela instância a giro, nos seguintes termos: Trata o presente processo de pedido de crédito de Cotins Não- Cumulativa, no montante de R$ 18.503.529,00, referente ao 2" trimestre de 2005, ao qual .foram vinculadas Declarações de Compensação, com fundamento na Lei n" 10 833, de 2003. A unidade de origem, após procedimento fiscal tendente à verificação da exatidão do crédito apurado pela contribuinte, expediu o parecer e o despacho decisório de • fls, 15/29, reconhecendo parcialmente o pedido de ressarcimento, no valor de R$ 18.279.960,18 e homologando as compensações vinculadas até o limite do crédito reconhecido. Foram adotados, em síntese, os seguintes fundamentos para glosa de parcela do crédito pleiteado (fls. 22/25), a) No que se refere aos créditos provenientes de bens utilizados como instintos, houve glosa de IP1 recuperável, referente às entradas no mercado interno, incluído indevidamente na base de cálculo como parte integrante do valor de aquisição dos bens; b) Foram glosados os valores descritos como itens Refratários, os quais são utilizados como material refratário de bens integrantes do ativo imobilizado, não caracterizados como gastos de manutenção do dia-a-dia, uma vez que a reposição se dá a intervalos superiores a um ano. Também valores referentes à Manutenção de Cubas, semelhante à situação dos refratários, foram glosados. Tratam-se de dispêndios relevantes e recuperáveis por meio das operações normais da empresa, pertinentes a serviços contratados de terceiros para a manutenção de cubas integrantes de bens do ativo imobilizado, não caracterizados como gasto de manutenção do dia-a-dia, uma vez que tais serviços, conjuntamente com a substituição dos refratários, são efetivados a intervalos superiores a um ano d) A memória de cálculo disponibilizada pelo sujeito passivo revela interpretação incorreta das disposições legais que permitem, à opção da pessoa jurídica, descontar' créditos sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativoj. imobilizado. Tendo exercido a opção no mês de setembro de - 2005, a base de cálculo utilizada pela contribuinte reflete efeitos retroativos ao mês de maio de 2004. Deste modo, refez-se a base de cálculo dos créditos atinentes aos meses de setembro a dezembro de 2005. 3 Processo n" 13204.000119/2005-5 I S3-C3T1 Acórdão n " 3301-00,737 El. 2 e) As operações de hedge/opções são receitas .financeiras sobre as quais incidem as aliquotas do PIS e da Cotins até março de 200.5, não sendo tal procedimento adotado pelo contribuinte no DACON do 1" trimestre de 2005. Por conseguinte, foram acrescidos os lançamentos a crédito de tais contas nos DACON do 1" trimestre de 2005 elaborado pela fiscalização. f) No que concerne aos lançamentos da conta de despesa 330101 (IPI s/ venda de alumínio primário), os quais foram subtraídos das Receitas de Vendas no Mercado Intento, o contribuinte informou que utilizou na base de cálculo cio PIS o valor contábil, excluindo o IPI iecuperável. Portanto, !Oram indevidamente deduzidos os valores de IPI das Receitas de Venda no Mercado Interno, pois a memória de cálculo das contas 4102 e 4103 já reflete os valores das vendas excluído o IPI recuperável. g) Por último, a contribuinte cometeu erros nos DACONs transmitidos, ao não informar/informar incorretamente valores objeto de compensação em DCOMP, referente a alguns meses do AC 2005, gerando saldo de créditos indevidos de um mês para as seguintes. Cientificada em 18/09/2008 (fl. 58v), a contribuinte apresentou, em 16.10.2008, a manifestação de inconformidade delis. 59/84, da qual consta. a) Face à majoração das aliquotas tanto da COFINS, quanto do PIS/PASEP, a própria legislação permitiu aos contribuintes a fruição de um sistema de desconto de créditos pertinentes a determinadas despesas e custos da sociedade empresária. Exatamente em meio a essas despesas e custos que geram os créditos, dedutíveis da base apitratória, no vertente caso, da Cofins, estão os desembolsos da requerente com bens e serviços utilizados como insumos em seu processo produtivo, energia elétrica, aluguéis, bens do ativo imobilizado e afins, inclusive as despesas . financeiras oriundas de empréstimos e financiamentos contraídos pela Pessoa Jurídica no mercado interno, assim como com operações de "hedge" e aplicações financeiras. b) Em . função do custo fiscal proveniente das contribuições sociais não-cumulativas, a partir de .2003, tais despesas .financeiras sobre os empréstimos contraídos no Brasil podem ser deduzidas da base de cálculo da Cqfins. c) Sucede que, com o devido respeito, em contrariedade .frontal à legislação que não autoriza tal acréscimo à base de cálculo nein do PIS/Pasep, nem da Cofins, a Fiscalização incluiu os ganhos' de variação cambial nos empréstimos contraídos no exteiio base apuratória da aludida exação. Ora, nada obstan e ti, despesa decorrente desses empréstimos do exterior não possa seK, abatida na base, igualmente, os ganhos, até por inexistência de previsão legal que determine sua inclusão, não devem repercutir na apuração da mesma, tal como procedera a requerente no 2" trimestre de 2005 d) hzexiste qualquer determinação, sequer remota ou reflexa, de que "ganhos" cambiais decorrentes de empréstimos captados em território alienígena, devam ser contabilizados como receita financeira e assim ofertados à tributação, O próprio Conselho de Contribuintes não admite de há muito que contribuições sociais que oneram o faturamento recaiam sobre receitas de aplicação financeira, exatamente porque não estão compreendidas no conceito de faturamento, e mesmo antes da decisão proferida pelo STF no RE n" 150.755-1, o Conselho de Contribuintes somente admitia a repercussão das variações cambiais sobre a base apuratória das contribuições sociais quando houvesse efeito direto no produto da venda. Refere julgados adminitrativos e jurisprudência. e) Quanto às obrigações, no que se incluem os empréstimos contraídos no exterior, a manifestante as reconhece em conta de variação monetária passiva, de modo que em havendo uma flutuação cambial a maior, registra-se a majoração do passivo como despesa financeira, ao passo que em sobrevindo flutuação cambial a menor, a inversão da ascendente desdobra-se em um minoração/recuperação de despesa, não se tratando a descida da taxa cambial, isoladamente, de receita tributável adquirida. .f) Laboraram em equivoco as autoridades .fiscalizadoras ao destacarem produtos que ao seu ver não poderiam ser assimilados para efeitos fisco-contábeis como matérias-primas e intermediários, em razão de ausência de contato direto e físico entre os mesmos e o produto final industrializado — o alumínio, no caso a manutenção de cubas e material refratário g) O Parecer Normativo CST n" 65, de 1979, esclarece que a expressão "consumidos" há que ser entendida em sentido amplo, expressamente açambarcando, como soi acontecer, os produtos que suportem desgaste, desbaste e perda de propriedades físicas ou químicas. Tanto a lama vermelha quanto o material refratário glosados participam e são essenciais à produção da crimina, não gozando de relevância alguma o .fato de que haja ou não contato . físico. Especificamente quanto ao material refratário, cumpre enfatizar que o Conselho de Contribuintes tem acatado a inclusão do mesmo na composição do beneficio de pessoas juridicas com processo produtivo congênere ao do alumínio. Refere julgados administrativo ejudicial. h) O Regulamento do IPI adota o conceito de industrialização bem mais amplo que o contido no CTN, Ainda, a Lei n" 9.363, de 1996, não contempla as restrições referidas pela fiscalização, cogitando tão-somente do valor total da aquisição dos insumos, a ser integrado na base de cálculo do beneficio. Cita julgados administrativos e acresce que a legislação refere-se cOusalutar insistência a que a condição para fazer nascer o clizeit"o"-ao crédito piesumida concerne à aquisição e aplicação efetiVa..z. industrialização, sequer cogitando da eletiva utilização contemplada pelas IN SRF n°23/97 e n" 103/97. Exatamente por isso, inclusive o serviço de transporte de lama vermelha e com material refratário, por se tratar de operação voltada à viabilização da operação de industrialização, portanto imprescindível à ultimação do processo industrial, revela-se igualmente idônea a gerar créditos presumidos de 4 5 Processo o" 1.3204.000119/2005-51 S3-C3T1 Acórd5o o 3301-0M37 Fl Em face de tais alegações, conclui no sentido de que: a,) Seja acolhida integralmente a manifestação de inconformidade, e que se "desconstitua o crédito tributário suplementar a titulo de COFINS pretensamente devida no 2" trimestre de 200.5 (..), haja vista serem insubsistentes as diferenças de valores respaldadas em receitas financeiras sobre 'ganhos' cambias com empréstimos captados no exterior; assim como oriundos de opera çõe de 'hedge' e aplicações financeiras em Renda Fixa ( ,), o mesmo prevalecendo para as glosas, no mérito, de custos de manutenção de cubas e refratários (,.)" b) "Protesta pela produção de prova pericial, desde já indicando como Assistente Técnico o Sr. Sebastião José Rosa, inscrito no CRC/RJ, sob o 11° 039332/0-4, residente e domiciliado na cidade de Barcarena/PA, sito na Tv. Lino José Gomes, 2.23, CEP 68447- 000". A DM indeferiu a solicitação cujo acórdão restou assim ementado: Assunta . Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/200.5 a 30/06/200.5 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS São impnificuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE VALIDADE 7 No cálculo da COFINS Não-Cumulativa somente podem s-(fr I descontados créditos calculados sobre valores corre,spondente • ., inSUMOS, assim entendidos os bens ou serviços aplicadosColt consumidos diretamente na produção ou .fabricação de bens e prestação de serviços. DECLARAÇÃO DE • COMPENSAÇÃO. QUANTUM RECONHECIDO DE CRÉDITO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos normativos. A legislação regularmente editada goza de presunção de constitucionalidade e de legalidade COFINS CRÉDITOS INSUMOS Conselheiro Mauricio Taveira e Silva, Relatar 6 A declaração de compensação depende da existência de um crédito, razão pela qual deve ser homologada na exata medida do direito creditório reconhecido. PERÍCIA REOUIS1TOS Considera-se não . fOrmulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art, 16 do Decreto n" 70.235, de 1972, De outro lado, também se mostra irrelevante a produção de prova pericial quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. Solicitação Indeferida Tempestivamente, em 26/01/2009, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 121/150, no qual reitera suas razões de defesa anteriormente apresentas. Por fim, registra seu pedido nas seguintes termos (fls. 149/150): DO PEDIDO Ante o exposto, requer a postulante. seja integralmente provido o presente Recurso Voluntário, para o . fim de ser prontamente reformada a decisão constante do mesmo, fundada no despacho decisório contido no Parecer SEORT/D RF/BEL 0360/2008(sic), afastando-se as glosas do crédito-presumido de 1PI, relacionadas a COFINS, referentes aos produtos constantes no Termo de Encerramento de Diligência Fiscal lavrado no Processo Administrativo Fiscal de n° 13204.000. 119/2005-51, relativos ao 2° trimestre de 2005. Alternativamente, seja decretada a nulidade da decisão a quo, devolvendo-se os autos àquela instância, e procedida perícia, com indicação de assistente técnico para formulação de quesitos a fim de se confirmar e aferir a extensão da eletiva participação e consumo de todos os produtos glosados no processo 13204.000 11912005-51, na operação de industrialização do alumínio, bem como seu caráter essencial à obtenção deste mesmo produto final, ao lado da comprovação da ocorrência de desgaste dos processos químicos ocorrentes ao longo do ',lesmo (art. 16, inc 1E Decreto n° 70,23,511972), desde . já inddaik( o.' como Assistente Técnico, o Sr Sebastião José Rosa, inscrà,<jr CRC/RJ, sob o n° 039332/0-4, residente e domiciliado na cidtide - de Barcarena/PA, sito na Tv. Lin° José Gomes, 223, CEP 68447- 000. É o Relatório. Voto Processo o" 13204.000119/2005-51 S3-C3T I Acórdão o " 3301-00.737 Fl 4 O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Conforme mencionando anteriormente, o processo refere-se a Pedido de Ressarcimento de crédito de Cofins não cumulativa, referente ao 2' trimestre de 2005, no valor de R$18.503,529,00, deferido parcialmente no importe de R$18„279,960,18. Já a lide cinge-se à tributação de receitas financeiras advindas, sobretudo, de operações de hedge e empréstimos e, ainda, quanto às glosas decorrentes de manutenção de cubas e refratários. Releva observar que, embora haja registro de outras glosas decorrentes da Diligência Fiscal, somente em relação às anteriormente mencionadas a interessada expressou irresignação em sua impugnação. Assim, em relação às matérias não impugnadas, a MJ as considerou incontroversas, tornando-se definitivas em sede administrativa, nos termos do art. 17 do Decreto n" 70.235/72. Ocorre que, conforme observado pela instância a quo, as inclusões efetuadas pela unidade de origem, na base de cálculo do tributo, de valores relativos a operações de hedge, alcançaram apenas o I" trimestre de 2005, não se aplicando ao presente caso, vez que refere-se ao 2 0 trimestre de 2005. De se registrar que, o reconhecimento da inconstitucionalidade do § I" do art.. 3" da Lei n" 9,718/98, pelo STF, não abarca o disposto nos arts, 1" e § 1", das Leis n"s 10.637/02 e 10,833/03 referentes ao PIS e a Cofins na modalidade não cumulativa, que se encontram em plena vigência, fazendo incidir as contribuições inclusive sobre as receitas financeiras.. Por outro lado, com a edição dos Decretos n's 5,164/04, e 5442/05, a referida receita financeira auferida no regime não cumulativo teve sua alíquota reduzida a zero, inclusive decorrente de operações realizadas para fins de hedge, neste caso, produzindo efeitos a partir de 01/04/2005. Nessa toada, o Parecer Seort/DRF/BEL n° 0358, de 11/07/2008 (fis, 15/27), com base no qual o Despacho Decisório fora lavrado, registra à fl. 25 que tais operações somente foram consideradas em relação ao período de janeiro a março de 2005, o qual não é objeto deste processo. Portanto, não há procedência na argumentação da interessada, razão pela qual deve ser mantida a decisão recorrida, neste tópico. Ademais, ainda que pudesse ser considerado o argumento da contribuiat?, esta não trouxe aos autos elementos de modo a demonstrar pontual e numericamente, 4mp memória de cálculo, suas discordâncias, justificando e apresentado documentoLs comprobatórios. Imputar a instância julgadora suprir deficiência da contribuinte é subvertas obrigações no processo administrativo. A contribuinte insurge-se, também, quanto às glosas decorrentes de manutenção de cubas e refratários. A interessada entende que os insumos devem ser admitidos considerando-se sua relevância no processo produtivo independentemente de contato fisico, Visando normatizar a previsão contida no art, 3", inciso II, da Lei n" 10,833/0.3, fora editada a IN SRF n°404/04, que assim dispõe: 7 Art. 82 .Do valor apurado na forma do art 72, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da nesnia a//quota, sobre os valores, § 42 Para os eleitos da alínea "b" do inciso I do capta, entende- se como insumos.' I - utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matéria-prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo iniobilizado; (grifei) A seu turno, assim consigna o precitado Parecer Seort sobre a manutenção de cubas e refratários (fls, 20/23): O SEFIS/DRF/BEL realizou diligência . fiscal no estabelecimento do contribuinte e concluiu que o crédito da COFINS - NÃO CUMULATIVA pleiteada, corresponde ao seguinte valorai .2652' [ No Relatório de Diligência Fiscal constam as justificativas da glosa de parte do montante dos créditos pleiteados, e fundamenta 1- Adicionalmente, .fbrant glosados os valores descritos como itens Refratários, extraídos das memórias de cálculo disponibilizados pelo contribuinte (em anexo), os quais são utilizados como material refratá rio em bens integrantes do ativo imobilizado utilizados no processo produtivo (fornos), não caracterizados como gastos de manutenção do dia-a-dia (item de rápido consumo), uma vez que a reposição se dá a intervalos superiores. a 1 ano (1900 dias), conforme resposta do contribuinte ao Termo de Intimação e Solicitação de Esclarecimentos (ene anexo), 1 3.1- Semelhante à situação dos refratários, tratam-se de dispêndios relevantes e recuperáveis por meio das operações. --.-l'normais da empresa pertinentes a serviços contratados c terceiros para a manutenção de cubas integrantes de bens ativo imobilizado utilizados no processo produtivo (fornos), nãO..,.. caracterizados como gasto de manutenção do dia-a-dia (item de rápido consumo), uma vez que tais serviços, conjuntamente com a substituição dos refratários, são efetivados a intervalos superiores a 1 ano (1900 dias), conforme resposta do contribuinte ao Termo de Intimação e Solicitação de Esclarecimentos (em anexo). (grifei) r. 8 Processo n" 13204.000119/2005-51 S3-C3T1 Acórdão n." 3301-00..737 Fl 5 Portanto, conforme se verifica, correto o procedimento da fiscalização ao glosar os valores contabilizados como insumos, vez que próprios do ativo permanente. Ademais, para caracterização como insumo, necessário se faz que tais elementos sejam consumidos ou sofram alterações ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em fimção de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, conforme Instrução Normativa precitada, o que não se verificou na espécie, Destarte, também quanto a este tópico, não há reparos a fazer à decisão recorrida, Por fim, a contribuinte requer, alternativamente, seja decretada a nulidade da decisão a quo e procedida perícia, a fim de se confirmar e aferir a extensão da efetiva participação e consumo dos produtos glosados. Não há como concordar com a interessada, vez que não se encontram presentes as condições que possam ensejar o reconhecimento de nulidade, em conformidade com o disposto no art.. 59 do Decreto 70.235/72, De se ressaltar que a conveniência da conversão do julgamento em diligência ou perícia decorre da necessária formação de convicção da autoridade julgadora, devendo ser indeferida quando considerar prescindível, conforme dispõe o art, 18 do Decreto IV 70,235/72 e alterações. Ademais, não foram atendidas as prescrições do art. 16, IV do Decreto if 70.235/72, visto que a interessada não formulou os quesitos referentes aos exames desejados. Portanto, correto o procedimento da instância a ciliar\ ao indeferir o pedido de perícia. . . Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resoluçN da lide, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário.. urício Taveira ilva
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Numero do processo: 36216.004480/2006-01
Data da sessão: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO,
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições sociais previdenciárias, havendo o pagamento parcial do tributo, há de se aplicar a regra do § 4º do art. 150, urna vez que deixa de existir a controvérsia sobre a regra decadencial aplicável.
Recurso especial negado
Numero da decisão: 9202-001.119
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Julio César Vieira Gomes e Francisco Assis de Oliveira Junior. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Julio César Vieira Gomes e Francisco Assis de Oliveira Junior„ Ausente, justificadamente, k Conselheiro Gustavo Lian Haddad, EDITADO EM: 1 9 NOV 20'10 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gornes, Manoel Arruda Coelho Júnior, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão rf 206-01..422, proferido pela 6" Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes em 08/10/2008 (fls. 1039/1052), interpôs recurso especial de contrariedade à Câmara Superior de Recursos Fiscais, lis, 1057/1062, com fulcro no art. 70, I do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O acórdão recorrido, por unanimidade de votos, declarou a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/1999; por maioria de votos, declarou a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000 e, por unanimidade de votos, no mérito, deu provimento parcial ao recurso. Segue abaixo sua ementa: "PREVIDENCIÁRIO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CESSÃO DE MÃO DE OBRA, OCORRÊNCIA JUROS SELIC INCONSTITUCIONAL1DA.DE DE LEI DECLARAçÃo. VEDAÇÃO DECADÊNCIA. 1- De acordo com o artigo 34 da Lei n° 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável 2- A teor do disposto no art. 49 cio Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar. tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontra-se sumulada, de acordo com a Súmula n° 2 do 2° Conselho de Contribuintes. 3- É. inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8. 212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n° 8 do STF Termo Inicial . (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do lato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, .5ç 4°). No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, 4' do CTN 4- Nos termos do art. 31 da Lei n° 8212/91, com a redação dada pela Lei n° 9711/98, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, deverá reter 11% do valor bruto da Nota Fiscal ou Fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês. Recurso Voluntário Provido em Parte." 2 Processo n" 36216 004480/2006-01 Acórdão n°9202-01119 CSRF-1-2 Fl 2 Segundo a recorrente, a decisão ora impugnada merece reforma, visto que a legislação tributária de regência da matéria foi flagrantemente violada, precisamente, os arts. 173, I, do CTN, 16, III, do Decreto IV 70235/72 e 3.33, II, do CPC. Outrossim, a decisão proferida pelo i. colegiado também se mostra em evidente confronto com o conjunto probatório carreados aos autos, conforme será demonstrado ao longo do arrazoado deste recurso. Cita jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça segundo a qual, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4" e 173, I, do CTN, entende que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, bem havendo dolo, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue, respectivamente, a disciplina normativa do art. 173, inciso 1 e parágrafo único, do CTN. Destaca que no presente caso não se operou lançamento por homologação algum, afinal a contribuinte não antecipou o pagamento do tributo. Explica que o lançamento foi realizado como se o pagamento não tivesse ocorrido, de modo que a demonstração do adimplemento parcial cabia ao contribuinte. Assim, não poderia a então Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes aplicar o art, 150, §4°, sem qualquer indicio ou prova de recolhimento.. Pondera que, no máximo, poderia determinar diligência para averiguar, mas não, de oficio, presumi-lo. Ao final, requer o conhecimento do presente recurso para reformar a decisão impugnada, visto que o acórdão hostilizado foi proferido em contrariedade aos arts, 16, III, do Decreto n," 70235/72, 173, I, do CTN e 333, II, do CPC, bem assim encontra-se em evidente confronto com o conjunto probatório carreado aos autos. Nos termos do Despacho n." 2400-188/2009 (fls. 1063/1064), foi dado seguimento ao recurso especial de contrariedade interposto pela Fazenda Nacional. Às fis. 1072/1084, o contribuinte ofereceu contra-razões. Preliminarmente, pugna pelo não conhecimento do recurso ora combatido, pois não se encontra no julgamento ora atacado qualquer contrariedade à lei ou evidência das provas colhidas. No mérito, entende que a decisão sob cotejo não merece qualquer espécie de reforma posto que as contribuições previdenciárias são sujeitas ao lançamento por homologação previsto no § 4" do art, 150 do C'TN. Pondera que, não tendo a Fazenda Nacional ou o Fisco trazido elementos firmes, fortes e cabais de que no presente caso houve a irrefutável presença de dolo, fraude ou simulação, deve-se aplicar a regra retro citada. Explica que, ainda que se pudesse utilizar a tese de contagem de prazos para lançamento de contribuições previdenciárias defendida pela Fazenda Nacional, não se verificou nos autos se houve ou não pagamento antecipado. Ressalta que, nos termos do art. 142 do CTN, em regra, compete privativamente a autoridade administrativa a constituição do crédito tributário pelo lançamento, de forma que é o fisco que deve comprovar cabalmente que determinado evento previsto em hipótese legal ocorreu. Ao final, requer, preliminarmente, que não se conheça o recurso por não ter sido configurada nenhuma das hipóteses de cabimento. Alternativamente, no mérito, requer seja 3 julgado improcedente o recurso especial interposto, de forma que se mantenha integralmente o julgamento que desconstituiu parcialmente o auto de infração lavrado. Eis o breve relatório. Vo to Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Saliente-se que, não obstante a aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art, 7' e do art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à 1° de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts, 15 e 16 e nos arts, 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso I do art, 7' do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei. Examinando-se o recurso especial apresentado verifica-se que ele demonstrou, timdamentadamente, em que a decisão recorrida seria contrária à lei, no entendimento da Fazenda Nacional, consoante o disposto no inciso I do artigo 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recur so Especial. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. A questão controvertida posta à apreciação trata-se da fixação do termo inicial para o transcurso do prazo decadência. Transcrevo trecho da ementa do REsp 857614 / SP, Dje em 30/04/2008, em que resta claro que a 1" Seção do Superior Tribunal de Justiça — &TI consolidou entendimento da relevância da antecipação de pagamento para a fixação do termo inicial do prazo decadencial nos tributos sujeitos a lançamento por homologação: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO RECURSO ESPECIAL. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE ISS ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM INOCORRÊNCIA ARTS. 150, 7" DA CF/88 E 128 DO CTN VICIO NA CITAÇÃO. INOCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. LEI MUNICIPAL N" 1,603/84, DIREITO LOCAL. SUMULA 280 DO STF. ARGÜIÇÃO DE PRESCRIÇÃO EM SEDE DE EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE, POSSIBILIDADE PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA, JUNTADA DA LEI MUNICIPAL À INICIAL DA AÇÃO . NÃO OBRIGATORIEDADE Processo o' 36216.004480/2006-01 Acórdão n." 9202-01.119 CSRF-T2 Fl 3 5. A Primeira Seção consolidou entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, no caso em que não ocorre o pagamento antecipado pelo contribuinte, conto no caso sub fia/ice, o poder- dever do Fisco de efetuar o lançamento de oficio substitutivo deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, 1, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (GRIFEI) 6. Desta sorte, como o lançamento direto (artigo 149, do CTN) poderia ter sido efetivado desde a ocorrência do .fato gerador, é do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao nascimento da obrigação tributária que se conta o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, na hipótese, entre outras, da não ocorrência do pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, independentemente da data extintiva do direito potestativo de o Estado rever e homologar o ato de formalização do crédito tributário efetuado pelo contribuinte (Precedentes da Primeira Seção: AgRg nos EREsp 190287/SP, desta relatoria, publicado no DJ de 02.10.2006; e ERESP 408617/SC, Relator Ministro João Otávio de Noronha, publicado no DJ de 06.03.2006). 7. Todavia, in casa, para o deslinde da controvérsia relativa à decadência dos créditos tributários em tela, .faz-se mister a inteipretação de lei local, qual seja, a Lei Municipal n°1.603/84, porquanto necessário perscrutar o momento de ocorrência da hipótese de incidência tributária, determinado pelo referido diploma legal, mormente quando a sentença e o acórdão recorrido consideraram diferentes critérios temporais. Destarte, revela-se incabível a via recursal extraordinária para rediscussão da matéria, ante a incidência da Súmula 280/STF: "Por ofensa a direito local não cabe recurso e.xtraordinário". (Precedentes' .AGA 434121/M7', DJ 24/06/2002; RESP 191.528/SP, DJ 24/06/2002). 8. Isto porque, consoante assentado pelo juízo singular in verbis: "A lei municipal n" 1.063/84 já contemplava o 1SS, seu .filto gerador, lista de serviços e a possibilidade de cobrar o imposto do responsável tributário, o dono da obra (.,) Com a sucessão de leis no tempo, entrou em vigor o atual Código Tributário Municipal (Lei Complementar n" 25/97), que manteve as disposições da lei anterior ( . ) A decadência, enquanto forma de extinção do crédito tributário, somente se opera após 05 (cinco anos) contados do primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CT1V, art. 173, I. Ora, mesmo considerando o término da obra em 1997, como alega a excipiente, o fisco teria 05 anos para efetuar o lançamento, a contar de 01/01/98. Portanto, a decadência somente se operaria em 01/01/03. Ocorre que o lançamento, que constitui o crédito tributário se deu antes, em 23/04/99 'fls. 39 e infbrmação de fls . . 41) Realizado o lançamento, não se fala mais em decadência, e a partir daí tem o .fisco novo prazo de 05 (cinco) anos, de natureza prescricional, para ajuizar a ação para a cobrança do crédito tributário, contado da data da sua constituição definitiva." Portanto, o prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art,173, 1, do CTN, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra específica, Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 40 do art. 150 do CTN. No caso dos autos, verifica-se: a) Trata-se de lançamento referente à retenção de 11%, instituída pela Lei 9.711/98, incidentes sobre as Notas Fiscais, Faturas ou Recibos de Serviços Prestados, sob a modalidade de Cessão de Mão de Obra, b) No Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF, consta que foram examinados para o período do lançamento, dentre outros documentos, as GFIP e as guias de recolhimento. c) No Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF, consta que, também, resultou do procedimento fiscal recolhimentos no período de 11/2000 a 04/2005, d) No relatório fiscal consta que os lançamentos realizados deram-se, tão somente, em virtude de: seguro de vida em grupo, contribuintes individuais não localizados em GFIP, plano de incentivo, cooperativas de reembolso e de retenção de 11%. Ou seja, depreende-se que o contribuinte regularmente declarou em GFIP e efetuou o recolhimento das contribuições previdenciárias que considerava devidas. Destarte, tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições sociais previdenciárias, havendo o pagamento parcial do tributo, há de se aplicar a regra do § 40 do art. 150, uma vez que deixa de existir a controvérsia sobre a regra decadencial aplicável. 6 Processo n" 36216 004480/2006-01 Acórdão ri 9202-01.119 CSI2F-T2 F1 4 Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto.. Elias Sãrfipaio Preife 7
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Numero do processo: 10880.726526/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Oct 06 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2009
PRECLUSÃO
Consideram-se não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente opostas à autoridade julgadora de primeira instância, precluindo-se o direito da Recorrente suscitá-las em segunda instância, exceto quando devam ser reconhecidas de oficio.
ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2009
MULTA. ATRASO CHEGADA VEÍCULO. PRAZO CONCEDIDO EM REGIME DE TRÂNSITO ADUANEIRO.
Aplica-se a multa de R$ 500,00(quinhentos reais) por dia de atraso ou fração, prevista no art. 107, inciso VIII, alínea "c" do Decreto-Lei 37/66, alterado pelo art. 77 da Lei 10.833/03, no caso de veículo que, em operação de trânsito aduaneiro, chegar ao destino fora do prazo estabelecido, sem motivo justificado.
Numero da decisão: 3402-008.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade e inobservância dos Artigos 63 e 65 da Lei 5.025/1966 (preclusão) e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Renata da Silveira Bilhim, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o Conselheiro Jorge Luís Cabral, substituído pelo Conselheiro Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: Pedro Sousa Bispo
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2009 MULTA. ATRASO CHEGADA VEÍCULO. PRAZO CONCEDIDO EM REGIME DE TRÂNSITO ADUANEIRO. Aplica-se a multa de R$ 500,00(quinhentos reais) por dia de atraso ou fração, prevista no art. 107, inciso VIII, alínea "c" do Decreto-Lei 37/66, alterado pelo art. 77 da Lei 10.833/03, no caso de veículo que, em operação de trânsito aduaneiro, chegar ao destino fora do prazo estabelecido, sem motivo justificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade e inobservância dos Artigos 63 e 65 da Lei 5.025/1966 (preclusão) e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Renata da Silveira Bilhim, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o Conselheiro Jorge Luís Cabral, substituído pelo Conselheiro Marcos Roberto da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 65 26 /2 00 9- 55 Fl. 150DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-008.908 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.726526/2009-55 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Trata o presente processo do auto de infração para aplicação da multa prevista no art. 107, VIII, alínea "c" do Decreto-Lei nº 37/66 em razão de descumprimento do prazo estipulado para a conclusão de operações de trânsito aduaneiro, no valor total de R$ 28.500,00. O crédito apurado refere-se a multa no valor de R$ 500,00 por dia de atraso ou fração, para as Declarações de Trânsito Aduaneiro - DTA's descritas às fls. 06 e 07 cujos veículos chegaram ao destino fora do prazo estabelecido sem motivo justificado. O procedimento para apurar o descumprimento dos prazos teve início quando a interessada apresentou requerimento por meio do qual solicitou a exclusão de 49 ocorrências registradas no sistema decorrentes da chegada de veículos, em regime de trânsito aduaneiro, ao destino final, o Terminal de Carga Aérea - TECA do Aeroporto Internacional de Campo Grande/MS, fora dos prazos estipulados pelas unidades de origem. Cientificada do Auto de Infração em 03/05/2010, a interessada apresentou impugnação de folhas 71 e seguintes, alegando em síntese: 1. a aplicação da penalidade em comento não observou os princípios constitucionais da razoabilidade, livre exercício da profissão, direito à propriedade e não-confisco. 2. não se pode considerar cada uma das mercadorias em trânsito aduaneiro como base para a aplicação da multa, de forma que a mensuração deve ser outra, proporcional à irregularidade praticada, que, frise-se, não causou prejuízo ao Fisco; 3. a penalidade pecuniária prevista na Lei. 10.833/03 deveria ser relevada de plano ou, excepcionalmente, ser aplicada sobre cada um dos voos em que foi constatado o chegada tardia, mas, jamais, sobre cada uma das mercadorias em trânsito aduaneiro(sic). Requer ao final que seja julgado insubsistente o auto de infração, cancelando integralmente a penalidade imposta, ou, caso assim não entenda, determine sua retificação nos termos aduzidos. Ato contínuo, a DRJ – CURITIBA (PR) negou provimento ao recurso haja vista que a interessada não trouxe aos autos elementos capazes de afastar a penalidade aplicada em face dos atrasos. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste recurso, a Empresa suscitou as mesmas questões de mérito, repetindo os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Relator. Fl. 151DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-008.908 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.726526/2009-55 O Recurso Voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Trata o presente processo de lançamento fiscal de multa resultante da verificação de chegada de carga sujeita ao regime de trânsito aduaneiro após o prazo constante no Certificado de Desembaraço para Trânsito Aduaneiro, com base no art. 26 da IN SRF nº 248/2002 e art.107, VIII, alínea “c” do Decreto Lei nº 37/66. Os fatos que ensejaram a autuação foram assim descritos pela Autoridade Fiscal no auto de infração: OS FATOS Em 27/07/2009, a TAM LINHAS AÉREAS SA, empresa transportadora nacional, habilitada a operar trânsito aduaneiro por via aérea, apresentou a esta DRF requerimento por meio do qual solicitou a exclusão de 48 ocorrências registradas no sistema, ocorridas entre fevereiro de 2007 e maio de 2009 Cf is. 12 a 15) decorrentes da chegada de veículos, em regime de trânsito aduaneiro, ao destino final, o Terminal de Carga Aérea – TECA do Aeroporto Internacional de Campo Grande/MS, fora dos prazos estipulados pelas unidades de origem. Solicita também a retirada dos pontos atribuídos a tais ocorrências, a fim de evitar as penalidades previstas no art. 74 já citado acima. Foi então iniciado procedimento para apurar o descumprimento dos prazos na conclusão dos trânsitos aduaneiros da empresa, estendendo a verificação de 01/01/2007 a 30/09/2009, quando foi apurada mais uma ocorrência, em 18/01/2007, não apontada pela empresa em seu requerimento. Apesar do S 1° do art. 72 da IN SRF 248/02 prever a possibilidade de exclusão das ocorrências leves pelo ARFRB designado, condiciona essa exclusão a apresentação de justificativas. A empresa, entretanto, não apresentou quaisquer justificativa para todos os atrasos ocorridos nas conclusões das citadas operações de trânsito no período fiscalizado, ficando portanto sujeita As penalidades previstas na legislação vigente. AS PENALIDADES O art. 107, inciso VIII, alínea "c" do Decreto-Lei 37/66, alterado pelo art. 77 da Lei 10.833/03, prevê multa de R$ 500,00 POR DIA DE ATRASO OU FRAÇÃO, no caso de veiculo que, em operação de trânsito aduaneiro, chegar ao destino fora do prazo estabelecido, SEM MOTIVO JUSTIFICADO, situação que configura o caso em tela, estando a empresa sujeita A multa lançada por meio deste Auto de Infração. Feitas essas considerações iniciais para melhor compreensão da matéria em debate, passa-se à análise das pretensões da Recorrente em suas argumentações de mérito. Da Não Caracterização da Infração Imputada à Recorrente Aduz a Recorrente que houve equívoco da Autoridade Fiscal na medida em que a empresa, como confirmado nos autos, não deixou de registrar o transporte de mercadoria transportada do exterior. Afirma que fica evidenciado que os fatos descritos pela autoridade administrativa não guardam qualquer relação com o tipo legal que impõe a aplicação de multa por falta de informação, conforme previsto no artigo 107, VIII, “c” do Decreto-Lei no. 37, de 1966. Ou seja, não existe evidência, de acordo com os fatos descritos, que a Recorrente teria cometido a infração. Sem razão a Recorrente. Fl. 152DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-008.908 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.726526/2009-55 Como bem explicado pela Autoridade Fiscal, a IN SRF nº248/02 dispõe sobre a aplicação do regime de transito aduaneiro. Em seu art.4º, inciso XII, alínea "a", define o trânsito aduaneiro de entrada como a modalidade de transporte sob controle aduaneiro de mercadoria procedente do exterior, do ponto de descarga no território aduaneiro, até o local onde deva ocorrer o próximo despacho. De acordo com o art. 26, a unidade da SRF do local de origem do trânsito, ou seja, do ponto de descarga da mercadoria, cadastrará ou autorizará no sistema a rota e o respectivo prazo de chegada do veículo com a carga no destino. Conforme arts. 51 e 52, a contagem do prazo, para fins da conclusão do trânsito, inicia-se no momento do desembaraço, quando então é emitido o Certificado de Desembaraço para Trânsito Aduaneiro, documento onde consta o prazo determinado para conclusão da operação e que acompanhará o veículo até a unidade de destino. Conforme dispõe o art. 61, na unidade de destino o depositário informará no sistema a chegada do veiculo imediatamente após sua entrada no recinto alfandegado. O art. 72 da mesma IN determina que, no curso das operações de trânsito, será registrada automaticamente no sistema uma ocorrência leve (1 ponto, conforme art. 73) para a chegada do veículo no destino fora do prazo estabelecido, por ação ou omissão do transportador. O §1° atribui ao transportador a responsabilidade pelas ocorrências a que der causa, ou aquelas a que derem causa seus prepostos ou empregados. As ocorrências podem ser punidas com advertência ou suspensão da habilitação para o regime de trânsito, nos termos do art.74, sem prejuízo de outras responsabilidades ou penalidades. No caso concreto, após tomar conhecimento do fato, ,a Autoridade Fiscal iniciou procedimento para apurar o descumprimento dos prazos na conclusão dos trânsitos aduaneiros da empresa, estendendo a verificação de 01/01/2007 a 30/09/2009. Foram constatadas a ocorrência de 49 atrasos, totalizando 57 dias de atrasos, conforme listado na planilha constante nos autos, e-fls.06 e 07. O § 1° do art. 72 da IN SRF 248/02 prevê a possibilidade de exclusão das ocorrências leves pelo ARFRB designado, desde que lastreada em uma justificativa apresentada pela empresa. A empresa, embora intimada, não apresentou quaisquer justificativas para todos os atrasos identificados nas operações de trânsito no período fiscalizado, ficando sujeita, portanto, às penalidades previstas na legislação vigente. Por oportuno, transcreve-se o conteúdo do dispositivo sancionador da conduta infracional, qual seja, art.107, inciso VIII, alínea "c", do Decreto-Lei n0 37/66, alterado pelo art. 77 da Lei n 0 10.833/2003: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: ... VIII- de R$ 500,00 (quinhentos reais): ... c) por dia de atraso ou fração, no caso de veículo que, em operação de trânsito aduaneiro, chegar ao destino fora do prazo estabelecido, sem motivo justificado; (negrito nosso) Tal fato, no meu entender, subsume-se perfeitamente à infração tipificada no art. 107, VIII, "c" do Decreto-Lei nº 37/66, que define como condição necessária e suficiente da aplicação da multa " no caso de veículo que, em operação de trânsito aduaneiro, chegar ao destino fora do prazo estabelecido, sem motivo justificado”. Fl. 153DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-008.908 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.726526/2009-55 Assim, a conduta praticada pela empresa se subsume aquela descrita no dispositivo legal sancionador citado e não há nos autos qualquer elemento capaz de justificar os vários atrasos cometidos na chegada dos veículos, o que enseja a aplicação da multa pelo descumprimento do prazo de chegada do veículo no trânsito aduaneiro. Ademais, nunca é demais lembrar, que o Decreto-lei nº 37/1966 estabelece a responsabilização objetiva nas infrações à legislação aduaneira, independentemente da intenção do agente ou mesmo da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato, como se vê na transcrição do dispositivo legal: Art. 94. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decreto-Lei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completa-los. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (negrito nosso) Desrespeito ao Princípio da Finalidade da Norma e Violação dos Princípios da Proporcionalidade e Razoabilidade No que concerne a alegações de cunho constitucional, essas matérias estão na competência de julgamento do Poder Judiciário, consoante a Constituição Federal, arts. 97 e 102, I, "a", III e §§ 1º e 2º. Nesse sentido, inclusive, a Súmula CARF nº2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. As Súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Da Inobservância Dos Artigos 63 e 65 Da Lei 5.025 De 10 De Junho De 1966 Neste tópico, a Recorrente alega a inobservância, por parte da Autoridade Fiscal, dos artigos 63 e 65 da Lei n° 5.025 de junho de 1966, que impõe à Autoridade Fiscal responsável pela fiscalização de embarque o dever de orientar o transportador quanto à realização das operações de exportação, de forma a contribuir para o fomento do intercâmbio comercial do Brasil com o exterior. Eis a exigência prévia de orientação presente nesses artigos: CAPÍTULO VI Das Penalidades Art. 63. Ficam os órgãos responsáveis pela fiscalização de embarque obrigados a prestar os mais amplos esclarecimentos sobre os direitos e deveres dos exportadores, bem como dar a necessária assistência à realização normal das operações de exportação, tendo em vista os objetivos da presente lei. (...) Art. 65. Quando ocorrerem, na exportação, erros ou omissões caracteristicamente sem a intenção de fraude e que possam ser de imediato corrigidos, a autoridade responsável pela fiscalização alertará o exportador e o orientará sobre a maneira correta de proceder. Fl. 154DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-008.908 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.726526/2009-55 Conclui afirmando que a redação de tais dispositivos é clara: cabe à autoridade fiscal alertar o erro ou a omissão ao exportador e, também, orientá-lo quanto à forma correta de proceder antes de aplicar a penalidade, quando o exportador não estiver agindo de forma fraudulenta e quando a atitude incoerente possa ser corrigida de imediato. Pela leitura dos elementos dos autos, percebe-se que esse tema não foi suscitado em sede de impugnação, não podendo mais ser analisado nesta instância administrativa por não se constituir em matéria de ordem pública, tendo, por isso, ocorrido a preclusão, de acordo com o art.17 do Decreto nº70.235/72. Desse modo, não se conhece desse tema por ocorrência de preclusão. Dispositivo Diante do exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade e inobservância dos Artigos 63 e 65 da Lei 5.025/1966 (preclusão), e, na parte conhecida, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Fl. 155DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10120.000510/98-61
Data da sessão: Tue Aug 31 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1995, 1996
Ementa: COMPENSAÇÃO, HOMOLOGAÇÃO TÁCITA, LEI N° 10.833/2003. PEDIDOS ANTERIORES.
De acordo com o § 4º do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação conferida pela Lei n° 10.833/200.3, os pedidos de compensação então pendentes de apreciação pela autoridade administrativa são considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, sujeitando-se, inclusive, à homologação tácita de que trata o parágrafo 50 do citado art. 74. Se, portanto, à época da entrada em vigor da Lei n° 10.833/2003, o pedido de compensação
apresentado pela contribuinte encontrava-se pendente de julgamento, a ele se aplica o prazo de cinco anos para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, conforme expressa determinação legal.
Numero da decisão: 9101-000.662
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 1995, 1996 Ementa: COMPENSAÇÃO, HOMOLOGAÇÃO TÁCITA, LEI N° 10.833/2003. PEDIDOS ANTERIORES. De acordo com o § 4º do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação conferida pela Lei n° 10.833/200.3, os pedidos de compensação então pendentes de apreciação pela autoridade administrativa são considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, sujeitando-se, inclusive, à homologação tácita de que trata o parágrafo 50 do citado art. 74. Se, portanto, à época da entrada em vigor da Lei n° 10.833/2003, o pedido de compensação apresentado pela contribuinte encontrava-se pendente de julgamento, a ele se aplica o prazo de cinco anos para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, conforme expressa determinação legal.
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 1995, 1996 Ementa: COMPENSAÇÃO, HOMOLOGAÇÃO TÁCITA, LEI N° 10,833/2003. PEDIDOS ANTERIORES. De acordo com o § 40 do art. 74 da Lei n° 9,430/96, com a redação conferida pela Lei n° 10.833/200.3, os pedidos de compensação então pendentes de apreciação pela autoridade administrativa são considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, sujeitando-se, inclusive, à homologação tácita de que trata o parágrafo 50 do citado art. 74. Se, portanto, à época da entrada em vigor da Lei ri° 10,833/2003, o pedido de compensação apresentado pela contribuinte encontrava-se pendente de julgamento, a ele se aplica o prazo de cinco anos para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, conforme expressa determinação legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, p r unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos term do relatório e voto que integram o presente julgado. A ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO - Relatar, EDITADO EM: O 8 NOV 20113 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoff-mann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, justifleadamente o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Em face do Acórdão n" 108-09.528, proferido pela Egrégia Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a Fazenda Nacional, por seu representante, apresentou o Recurso Especial de fls. 123/132, devidamente admitido pelo ilustre Presidente daquela Câmara, pretendendo a reforma da decisão, com fundamento no art, 5°, II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (redação vigente à época) e nas razões seguintes. Em 27.02.1998, a contribuinte apresentou o pedido de compensação de fls. 01/09, por meio do qual pleiteou a compensação de crédito CSLL, referente a recolhimentos indevidos realizados nos meses de agosto de 1995 e abril, novembro e dezembro de 1996, com débitos de PIS, relativos aos meses outubro e novembro de 1997 e janeiro de 1998. A Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio da decisão recorrida, de fls, 113/118, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso. Em suas razões, afirmou que são considerados Declaração de Compensação, pata os efeitos previstos no art. '74 da Lei n° 9.430/96, os pedidos de compensação que, em 01/10/2002, encontravam-se pendentes de decisão pela autoridade administrativa. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorridos mais de 5 (cinco) anos da data do pedido de compensação, sem manifestação da autoridade administrativa competente, opera-se a homologação da compensação realizada pelo sujeito passivo. A Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial, às fls. 123/132. Indicou como paradigma o Acórdão n° 203-11648. Em suas razões, defendeu a irretroatividade da norma contida no §5 0 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, introduzido pela Lei n° 10.833/2003, ao presente caso, em observância ao Principio da "'retroatividade das leis, previsto no art. 5' da Constituição Federal e arts. 105 e 106 do CTN. Até a edição da Lei IV 10.833/2003, não havia prazo limite para que a administração tributária homologasse os pedidos de compensação então entregues pelos contribuintes; aos pedidos de compensação apresentados anteriormente à sua vigência, portanto, não se aplica o prazo de 5 anos para o exame pela autoridade administrativa. A contribuinte apresentou contra-razões ao recurso, às fls. 139/144. Em suas razões, requereu a manutenção da decisão recorrida, por seus próprios argumentos, por estar em consonância com a legislação vigente e também com a orientação da Administração Tributária, veiculada na IN RFB n° 460/2004 e n° 600/2005. É o relatório. ( 2 Processo n° 10120 000510/98-61 Acórdão n.° 9101-00.662 CSRF-T1 Fl 2 Voto Conselheiro ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Sobre a compensação de tributos federais, o art. 74 da Lei n° 9.430/96, com redação conferida pela Lei n° 10.83.3/2003, dispõe o seguinte: Art.. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei if 10.637, de 2002) § 4 Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) § 5 O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 2003) O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. De acordo com o § 40 acima transcrito, os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo. Neste ponto, é importante destacar que: (a) pedidos pendentes de apreciação, à época da Lei n° 10.833/2003, são, por conclusão lógica, pedidos anteriores a ela, como é o caso em análise; e (b) ao considerar os pedidos anteriores como declarações de compensação, a lei não fez qualquer ressalva de não aplicação, aos pedidos anteriores, das condições de homologação aplicáveis às declarações de compensação, em especial no tocante à homologação tácita de que trata o parágrafo 5° acima. No presente caso, os pedido de compensação, às fls. 01/09, foram apresentados em 27,02,1998, ao passo que o Despacho Decisório da Secretaria da Receita Federal do Brasil, de fls. 80, foi proferido em 25.08,2006. Assim, considerando que à época da entrada em vigor da Lei n° 10.8.33/2003 o pedido de compensação apresentado pela contribuinte encontrava-se pendente de julgamento, entendo que se aplica, ao caso sob análise, o prazo de cinco anos para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, conforme expressa determinação legal, 3 Por fim, quanto à ofensa ao CTN e a princípios constitucionais, de acordo com a Súmula ri° 2 do CARF, a esfera administrativa não é competente para julgar a inconstitucionalidade de lei. O dispositivo em questão encontra-se plenamente vigente, devendo ser observado pela autoridade julgadora, em atendimento ao principio da legalidade. Questionamentos quanto à legalidade e inconstitucionalidade das leis deve ser feito exclusivamente perante o poder judiciário. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial, mantendo-se a decisão recorrida em todos os termos. Sala das Sessões, 31 de agosto de 2010. ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO - Relator 4
score : 1.0
Numero do processo: 13708.000408/2004-06
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
GLOSA – DEDUÇÕES DEPENDENTE, DESPESA COM INSTRUÇÃO,.
Quando o contribuinte consegue comprovar de maneira clara os gastos das deduções permitidas na Legislação e as retenções efetuadas pelas fontes pagadoras, não há que se falar na subsistência do lançamento
Numero da decisão: 2202-001.151
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Pedro Anan Junior
1.0 = *:*
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 Ementa: GLOSA – DEDUÇÕES DEPENDENTE, DESPESA COM INSTRUÇÃO,. Quando o contribuinte consegue comprovar de maneira clara os gastos das deduções permitidas na Legislação e as retenções efetuadas pelas fontes pagadoras, não há que se falar na subsistência do lançamento
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Quando o contribuinte consegue comprovar de maneira clara os gastos das deduções permitidas na Legislação e as retenções efetuadas pelas fontes pagadoras, não há que se falar na subsistência do lançamento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator. Fl. 55DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 27/05/2011 por NELSON MALLMANN, 20/05/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Margareth Valentini, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Fl. 56DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 27/05/2011 por NELSON MALLMANN, 20/05/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13708.000408/200406 Acórdão n.º 220201.151 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente processo de lançamento de oficio de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), referente ao anocalendário de 2002, exercício de 2003, consubstanciado na Notificação de Lançamento às fls. 02 a 04, em que o resultado do ajuste anual foi alterado de Imposto a restituir de R$53,61 para imposto a pagar de R$ 935,75. De acordo com as mensagens da notificação, o valor informado como dependentes (linha 09) foi alterado de R$ 2.544,00 para zero, por ter ultrapassado o limite determinado pela multiplicação do cálculo efetuado na linha 08 do quadro 06, e o valor informado como despesas com instrução (linha 10) foi alterado de R$ 3.996,00 para zero, porque o somatório das linhas 09 e 10 do quadro 06, mais o somatório das despesas com instrução própria, declarada no quadro 07 com o código 01, multiplicado pelo valor legal ultrapassou o limite permitido. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro – DRJ/RJOII, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em negar provimento a impugnação, através do acórdão DRJ/RJOII n° 1318.968, de 20 de fevereiro de 2008 (fls. 18/20), cuja ementa segue abaixo transcrito: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DEDUÇÃO. DESPESAS COMPROVADAS. As despesas dedutiveis são aquelas comprovadas até o limite previsto na legislação. Lançamento Procedente Devidamente intimado em 23 de maio de 2008, a recorrente apresenta tempestivamente recurso em 10 de junho de 2008, de fls. 24, onde reitera os argumentos da impugnação e apresenta a documentação de fls. 25 a 35. É o relatório Fl. 57DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 27/05/2011 por NELSON MALLMANN, 20/05/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. O lançamento tem como base a glosa das deduções de dependentes e despesas com instrução. A decisão de primeira instância negou provimento a impugnação tendo em vista que o Recorrente não ter apresentado nenhuma prova que suportasse as deduções efetuadas. Agora em sede de recurso o Recorrente apresenta os documentos de fls. 25 a 35 que suportam e comprovam as deduções efetuadas em sua declaração de rendimentos. Desta forma, dou conheço do recurso e no mérito dou provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 58DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 27/05/2011 por NELSON MALLMANN, 20/05/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13708.000408/200406 Acórdão n.º 220201.151 S2C2T2 Fl. 3 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13708.000408/200406 Recurso nº : _____________________________________ TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220201.151. Brasília/DF, 18 de maio de 2011. (Assinado Digitalmente) NELSON MALLMANN Presidente da 2ª Turma Ordinária Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 59DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 27/05/2011 por NELSON MALLMANN, 20/05/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 14485.000382/2007-65
Data da sessão: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1996 a 30/11/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-000.059
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Edgar Silva Vidal e Manoel Coelho Arruda Junior acompanharam o relator pelas conclusões. Entenderam que se
aplicava o artigo 150, § 4° do CTN.
Nome do relator: MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 30/11/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-14T16:05:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-14T16:05:04Z; Last-Modified: 2009-10-14T16:05:04Z; dcterms:modified: 2009-10-14T16:05:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-14T16:05:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-14T16:05:04Z; meta:save-date: 2009-10-14T16:05:04Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-14T16:05:04Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-14T16:05:04Z; created: 2009-10-14T16:05:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-10-14T16:05:04Z; pdf:charsPerPage: 1172; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-14T16:05:04Z | Conteúdo => 4 $ .= S2-C3T2 Fl. 300 vt, MINISTÉRIO DA FAZENDA ' 'epswi i; CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS riff,3 SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 14485.000382/2007-65 Recurso n° 152.596 Voluntário Acórdão n° 2302-00.059 — 3' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 09 de julho de 2009 Matéria Decadência Recorrente BV FINANCEIRA SA CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO Recorrida DRJ/SÃO PAULO/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 30/11/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • / t , , Processo n° 14485.000382/2007-65 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.059 Fl. 301 ACORDAM os membros da 3' Câmara / 2 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Edgar Silva Vidal e Manoel Coelho Arruda Junior acompanharam o relator pelas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, § 4° do CTN. xrdeiii.-= ' LIÉGE LACROLX THOMASI Presidente _„. .... .„,....--.......,~44, 4111P 40401.111.ram ilr"7- -. iii. _.,á les -,••' z.-- ." 1 • gr • - "Ir,,, e ator -, • Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Adriana Sato, Edgar Silva Vidal (Suplente), Bernadete de Oliveira Barros (Suplente), Manoel Coelho Arruda Junior e Liége Lacroix Thomasi (Presidente). 4. - / 2 • Processo n° 14485.000382/2007-65 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.059 Fl. 302 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social em virtude do instituto da responsabilidade solidária decorrente da contratação de serviços da empresa COMERCIAL ELETRO SIQUEIRA E SALES LTDA ME, conforme previsão no art. 30, inciso VI da Lei n ° 8.212/1991. O período compreende as competências MAIO DE 1996 a NOVEMBRO DE 1998, conforme relatório fiscal. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária. • A Decisão-Notificação confirmou a procedência do lançamento. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso. É o relatório. 1/4 3\.) Processo n° 14485.000382/2007-65 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.059 Fl. 303 Voto Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA, Relator O recurso foi interposto tempestivamente. Pressuposto superado, passo para o exame das questões preliminares de mérito. Quanto à questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser reconhecida. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecido em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observar-se-á a extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, se não houver o pagamento antecipado não se aplica o disposto no art. 156, inciso VII do CTN, devendo assim ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN; havendo a necessidade de lançamento de oficio substitutivo, conforme previsto no art. 149, inciso V do CTN. Nessa hipótese, caso não haja o lançamento, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No presente caso o lançamento foi efetuado em 18 de dezembro de 2006, fl. 01; como não houve pagamento antecipado sobre os valores lançados, conforme relatório fiscal; assim, aplica-se a regra prevista no art. 173, inciso I do CTN. 4 ' , Processo n° 14485.000382/2007-65 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.059 Fl. 304 Pelo exposto encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Para a competência mais recente o termo inicial do prazo decadencial é 1 de janeiro de 1999, o que findaria em 1 de janeiro de 2004. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por CONHECER do recurso do notificado, para no mérito CONCEDER-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 09 de julho d- 2009 _Allg'' u — riji ro-a- -4.1. 10 VIEIRA - Relator - i ••• I I mel= •
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