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Numero do processo: 13982.000743/2007-08
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 173, I, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 173, I, CTN posto que não houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte.
No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 02/1997 a 12/2001, a ciência da NFLD ocorreu em 19.09.2007, dessa forma, se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 11/2001, inclusive, nos termos do art. 173, I, CTN.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava
sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito
lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se cálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora
(com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.191
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências até 11/2001, inclusive, nos termos do art. 173, I, CTN. No Mérito, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 173, I, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 173, I, CTN posto que não houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 02/1997 a 12/2001, a ciência da NFLD ocorreu em 19.09.2007, dessa forma, se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 11/2001, inclusive, nos termos do art. 173, I, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências até 11/2001, inclusive, nos termos do art. 173, I, CTN. No Mérito, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Fl. 93DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13982.000743/200708 Acórdão n.º 240301.191 S2C4T3 Fl. 87 3 Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Cid Marconi Gurgel de Souza e Jhonatas Ribeiro da Silva. Ausente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – ONSEG SERVICOS DE VIGILANCIA E SEGURANCA LTDA contra Acórdão nº 0711.635 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento De Florianópolis – SC que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº. 37.122.8794, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 102.612,37. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondente à cota patronal, incidente sobre as remunerações pagas a segurados contribuintes individuais (autônomos e administradores), nas competências 02/1997, 12/1997, 02/1998, 05/1998 a 01/2001, 03/2001 a 12/2001. A Recorrente teve ciência do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09403617F00, às fls. 40. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 20, é de 02/1997 a 12/2001. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 19.09.2007, às fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação, às fls. 58 a 61, alegando em síntese (conforme o relatório da decisão de primeira instância, às fls. 74): o prazo decadencial para constituir os créditos relativos aos fatos geradores ocorridos no período de 02/97 a 12/2001, extinguiuse entre 1°/01/2002 e 1°/01/2007. Segundo seu entendimento, as contribuições sociais são tributos sujeitos a lançamento por homologação no caso de não haver pagamento antecipado pelo contribuinte, sendo que o Fisco, ao efetuar lançamento de oficio substitutivo deve observar o prazo decadencial estipulado pelo art.173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir crédito extinguese após 5 (cinco) anos contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0711.635 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento De Florianópolis SC, fls. 70 a 80, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: PREVIDENCIÁRIAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Período de apuração: 01/02/1997 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13982.000743/200708 Acórdão n.º 240301.191 S2C4T3 Fl. 88 5 As contribuições previdenciárias estão sujeitas ao prazo decadencial de dez anos, previsto no art. 45, incisos, da Lei n°8.212, de 27 de julho de 1991. Lançamento Procedente Acordam os membros da 5a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do relatório e voto da relatora. Intimese o contribuinte para efetuar o pagamento no prazo de trinta dias, salvo interposição de recurso voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, no mesmo prazo. Encaminhese à DRF Joaçabaf ( SC). Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde alega em apertada síntese que: (i) da aplicação do art. 173, I, CTN Em virtude da inconstitucionalidade artigos 45 e 46, da Lei n.° 8.212/91, deve ser adotado ao presente caso as disposições do art. 173,1, do CTN — Código Tributário Nacional. As Contribuições Sociais são tributos sujeitos a lançamento por homologação no caso de não ocorrer o pagamento antecipado pelo contribuinte, sendo que o poderdever do Fisco de efetuar o lançamento de ofício substitutivo deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 85. É o Relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 85. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Da regularidade da lavratura da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD Analisemos. O procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a Terceiros. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado NFLD nº 37.122.8794 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.178.3798) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará Fl. 97DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13982.000743/200708 Acórdão n.º 240301.191 S2C4T3 Fl. 89 7 notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das Fl. 98DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. REPLEG Relatório de Representantes Legais (Este relatório lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação.); g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal; i. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. j. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. k. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o NFLD nº 37.122.8794, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se Fl. 99DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13982.000743/200708 Acórdão n.º 240301.191 S2C4T3 Fl. 90 9 referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (i) Da decadência. Em virtude da inconstitucionalidade artigos 45 e 46, da Lei n.° 8.212/91, deve ser adotado ao presente caso as disposições do art. 173,1, do CTN — Código Tributário Nacional. As Contribuições Sociais são tributos sujeitos a lançamento por homologação no caso de não ocorrer o pagamento antecipado pelo contribuinte, sendo que o poderdever do Fisco de efetuar o lançamento de ofício substitutivo deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Analisemos. Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, Fl. 100DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13982.000743/200708 Acórdão n.º 240301.191 S2C4T3 Fl. 91 11 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: Fl. 102DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o Fl. 103DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13982.000743/200708 Acórdão n.º 240301.191 S2C4T3 Fl. 92 13 prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada máfé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4º, CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Nesta corrente doutrinária podese citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1, Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4. Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência esposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º, CTN. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN. Por outro lado, na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 173, I, CTN posto que não houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte, conforme se depreende do Relatório Discriminativo Analítico de Débito – DAD, às fls. 04 a 19. Verificase, da análise dos autos, que: O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 20, é de 02/1997 a 12/2001. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 19.09.2007, às fls. 01. 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248. 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Dessa forma, constatase que se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 11/2001, inclusive, nos termos do artigo 173, I, CTN. NO MÉRITO MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13982.000743/200708 Acórdão n.º 240301.191 S2C4T3 Fl. 93 15 Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NAS PRELIMINARES, declarar a decadência até a competência 11/2001, inclusive, nos termos do art. 173, I, CTN, e, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 106DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 17460.000565/2007-57
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/01/2007
PREVIDENCIÁRIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO
PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA
VINCULANTE STF Nº 8.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte.
A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 15.03.2007, o período do débito é de 08/2001 a 01/2007. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 02/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava
sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito
lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos
legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.239
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, nas Preliminares por unanimidade de voto, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências até 02/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2001 a 31/01/2007 PREVIDENCIÁRIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 15.03.2007, o período do débito é de 08/2001 a 01/2007. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 02/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 15.03.2007, o período do débito é de 08/2001 a 01/2007. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 02/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 154DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000565/200757 Acórdão n.º 240301.239 S2C4T3 Fl. 150 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, nas Preliminares por unanimidade de voto, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências até 02/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 0217.122 – 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº. 37.075.2511, com ciência da Recorrente em 05.03.2007, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 106.152,03. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondente a parte da empresa, do empregado, financiamento dos benefícios concedidos em decorrência do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros (SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SESC, SENAC E SEBRAE). O Relatório Fiscal, às fls. 51 a 52, informa que constituem fatos geradores das contribuições lançadas, os valores arbitrados de remuneração ao Sr. Marcelo Nunes Garcia, no período acima citado, quando o mesmo já não mais era sócio da empresa (retirouse da sociedade 01/08/2001, conforme Alteração de Contrato Social), porém continuava exercendo normalmente funções de administração junto a mesma. Em anexo, juntamos cópias de rescisões de contrato de trabalho onde consta a assinatura do mesmo, bem como cópia do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, recepcionado, também pelo Sr. Marcelo: 3.1 — Percebeuse, ainda, ao longo de todo o trabalho fiscal, que o contato do Escritório de Contabilidade Rui Rocha Assessoria, relativamente às decisões sobre a fiscalização era .feito exclusivamente com o Sr. Marcelo. 3.2 — Ainda, quando foram prestados esclarecimentos sobre o que restou apurado ao final da ação fiscal, em reunião realizada na empresa, os mesmos foram prestados ao Sr. Marcelo, que se fazia acompanhar na ocasião pelo sócio Paulino Medina, e pelo Sr. Rui Rocha, proprietário do escritório de contabilidade que atendeu a fiscalização. 3.3 — Desta forma, o segurado em questão foi entendido pela fiscalização como segurado empregado, incidindo sobre a remuneração arbitrada, as alíquotas respectivas. Conforme ainda o Relatório Fiscal, às fls. 51 a 52, a empresa foi optante do SIMPLES no período fiscalizado, tendo ocorrido o seu desenquadramento a partir de 01/01/2002. Também o Relatório Fiscal, às fls. 51 a 52, aponta que: 5 Os valores arbitrados encontramse discriminados nos relatórios Discriminativo Analítico do Débito — DAD e Fl. 156DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000565/200757 Acórdão n.º 240301.239 S2C4T3 Fl. 151 5 Relatório de Lançamentos — RL (Levantamentos MA1 e MA2), em anexo. 6. As alíquotas aplicadas encontramse discriminadas no relatório "Discriminativo Analítico do Débito — DAD", anexo integrante desta NFLD. 7. O Crédito lançado encontrase fundamentado na legislação constante no anexo "Relatório de Fundamentos Legais do Débito — FLD", integrante desta NFLD. 8. Integram a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, além deste relatório e seus anexos, os seguintes documentos: IPC — Instruções para o Contribuinte; DAD — Discriminativo Analítico do Débito; DSD — Discriminativo Sintético do Débito; RL — Relatório de Lançamentos; RDA — Relatório de Documentos Apresentados; FLD — Fundamentos Legais do Débito; REPLEG — Relatório de Representantes Legais; VÍNCULOS — Relação de Vínculos; O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09368517C01 foi cientificado pelo sujeito passivo, fls. 56. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, às fls. 22, é de 08/2001 a 01/2007. A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 15.03.2007, conforme fls. 01. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva, de fls. 66 a 88. Após análise, a primeira instância emitiu o Acórdão nº 0217.122 – 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, fls. 104 a 108, julgando procedente a autuação, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2001 a 31/01/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTE SEGURADO NÃO DESCONTADA. PARTE PATRONAL E AS CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AOS TERCEIROS. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 DECADÊNCIA. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI NA ESFERA ADMINISTRATIVA. INEFICÁCIA. LANÇAMENTO PROCEDENTE. A empresa é obrigada descontar e arrecadar as contribuições a cargo do segurado empregado e a contribuição a seu cargo e recolher o produto arrecadado dentro do prazo estipulado pela legislação previdenciária, juntamente com as contribuições destinadas aos terceiros. Foge à alçada do Contencioso Administrativo Previdenciário afastar a aplicação de lei em decorrência de alegação de inconstitucionalidade. O direito da seguridade apurar e constituir seus créditos é de dez anos. Lançamento Procedente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos acordam os membros da 7' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD n.°37.075.2511 Intimese para pagamento do crédito no prazo de 30 dias, ressalvado o direito de interpor recurso voluntário ao Segundo Conselho de Contribuintes, em igual prazo, conforme facultado pelo parágrafo 10 do artigo 305, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3048 de 06 de maio de 1999. Encaminhese à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para cientificar o contribuinte do inteiro teor deste Acórdão e demais providências. Sala de Sessões, em 13 de fevereiro de 2008. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 120 a 142, na qual alega em síntese que: (i) ofensa ao princípio da legalidade. A obrigação tributária somente nasce com a ocorrência do fato gerador, na forma configurada pela lei (arts. 113 e 114 do CTN) e qualquer tentativa de aplicação de presunção ou ficção jurídica para exigência de .tributo é inadmissível em matéria tributária. (...) No caso em comento o Sr. Agente Fiscal, supôs que há contribuições. devidas, uma vez que. não verificou e nem tampouco solicitou os acordos trabalhistas para, enfim, constatar que todos foram ajustados com verbas de caráter indenizatórios. (...) Ora, no caso da Defendente, repito, a simples afirmação de que o Sr. Marcelo Nunes Garcia seria seu funcionário, já seria suficiente para tornar nulo o presente auto. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000565/200757 Acórdão n.º 240301.239 S2C4T3 Fl. 152 7 (ii) Da prescrição e da decadência. (iii) Utilização da UFIR como correção monetária. Daí porque, vale reprisar os fundamentos da defesa, tendo em vista que ali se demonstra que a UFIR é inconstitucional para o fim de corrigir tributos. (...) O § 5° do art. 2° da Lei 8383/91 dispõe: "o Departamento da Receita Federal divulgará, com antecedência, a expressão monetária da UF1R diária, com base na projeção da taxa de inflação medida pelo índice que trata o § 2° deste artigo". (...) Ressaltese que, justamente por causa desta distorção, a UFIR apresentou, deste sua criação, variações muito maiores do que os outros índices de atualização monetária. Apenas a título de ilustração, no ano de 1995, a UFIR teve uma variação de 32,6%, contra 22,4% da inflação declarada pelo governo Federal. (iv) Aplicação da taxa SELIC como acréscimo de juros. (v) Do percentual aplicado à multa e seu caráter confiscatório. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 148. É o Relatório. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 148. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. DAS PRELIMINARES (a) violação a preceitos constitucionais. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000565/200757 Acórdão n.º 240301.239 S2C4T3 Fl. 153 9 Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 (b) Da regularidade do lançamento Analisemos. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a Terceiros. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.075.2511que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.075.2511) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000565/200757 Acórdão n.º 240301.239 S2C4T3 Fl. 154 11 • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. CORESP Relatório de Coresponsáveis do Débito; g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal; i. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. j. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. k. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a NFLD nº 37.075.2511, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (ii) Da prescrição e da decadência. Analisemos. Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000565/200757 Acórdão n.º 240301.239 S2C4T3 Fl. 155 13 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de Fl. 165DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Fl. 166DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000565/200757 Acórdão n.º 240301.239 S2C4T3 Fl. 156 15 Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quand onão há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) Fl. 167DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada máfé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4º, CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Nesta corrente doutrinária podese citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1, Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4. Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência exposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º, CTN. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Na hipótese presente, verificase que há a presença de recolhimentos antecipados a homologar pela AuditoriaFiscal pois o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, às fls. 42 a 43, apresenta recolhimentos nas competências: 05/1999 a 08/2001; 01/2002; e 02/2002. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação da NFLD pela Recorrente, às fls. 01, se deu em 15.03.2007 e o débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social no seguinte período: 08/2001 a 01/2007. 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248. 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000565/200757 Acórdão n.º 240301.239 S2C4T3 Fl. 157 17 Dessa forma, nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 02/2002, inclusive. DO MÉRITO. (i) ofensa ao princípio da legalidade. A obrigação tributária somente nasce com a ocorrência do fato gerador, na forma configurada pela lei (arts. 113 e 114 do CTN) e qualquer tentativa de aplicação de presunção ou ficção jurídica para exigência de .tributo é inadmissível em matéria tributária. (...) No caso em comento o Sr. Agente Fiscal, supôs que há contribuições. devidas, uma vez que. não verificou e nem tampouco solicitou os acordos trabalhistas para, enfim, constatar que todos foram ajustados com verbas de caráter indenizatórios. (...) Ora, no caso da Defendente, repito, a simples afirmação de que o Sr. Marcelo Nunes Garcia seria seu funcionário, já seria suficiente para tornar nulo o presente auto. Analisemos. Alguns pontos desta argumentação já foram analisados no tópico (A). Em relação aos acordos trabalhistas, a argumentação da Recorrente não prospera porque não estão incluídos nesta NFLD os valores relativos a verbas decorrentes de Reclamatórias Trabalhistas. Outrossim, o Relatório Fiscal, às fls. 51 a 52, informa que constituem fatos geradores das contribuições lançadas, os valores arbitrados de remuneração ao Sr. Marcelo Nunes Garcia, no período acima citado, quando o mesmo já não mais era sócio da empresa (retirouse da sociedade 01/08/2001, conforme Alteração de Contrato Social), porém continuava exercendo normalmente funções de administração junto a mesma. Em anexo, juntamos cópias de rescisões de contrato de trabalho onde consta a assinatura do mesmo, bem como cópia do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, recepcionado, também pelo Sr. Marcelo: 3.1 — Percebeuse, ainda, ao longo de todo o trabalho fiscal, que o contato do Escritório de Contabilidade Rui Rocha Assessoria, relativamente às decisões sobre a fiscalização era .feito exclusivamente com o Sr. Marcelo. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 3.2 — Ainda, quando foram prestados esclarecimentos sobre o que restou apurado ao final da ação fiscal, em reunião realizada na empresa, os mesmos foram prestados ao Sr. Marcelo, que se fazia acompanhar na ocasião pelo sócio Paulino Medina, e pelo Sr. Rui Rocha, proprietário do escritório de contabilidade que atendeu a fiscalização. 3.3 — Desta forma, o segurado em questão foi entendido pela fiscalização como segurado empregado, incidindo sobre a remuneração arbitrada, as alíquotas respectivas. Desta forma, o Relatório Fiscal evidencia que em relação ao enquadramento realizado pela AuditoriaFiscal do Sr. Marcelo Nunes Garcia, não prospera a argumentação da Recorrente porque a Fiscalização utilizouse dos documentos fornecidos pela Recorrente e também na realidade fática, na forma de documentos assinados pelo Sr. Marcelo, colacionado aos autos, corroborando a continuidade dos seus serviços. Neste sentido, observouse que mesmo após ser desligado da empresa, o Sr. Marcelo assinou várias rescisões de trabalho, acompanhou toda fiscalização, assinou o TIAD, é ele quem faz os contados com o contador da empresa, participa de reuniões, participou do encerramento da fiscalização junto com o gerente Sr. Paulo. Conforme ainda o Relatório Fiscal, às fls. 51 a 52, a empresa foi optante do SIMPLES no período fiscalizado, tendo ocorrido o seu desenquadramento a partir de 01/01/2002. Por fim, para afastar a argumentação da Recorrente de que houve tentativa de aplicação de presunção ou ficção jurídica para exigência de .tributo, em sentido contrário, o Relatório Fiscal, às fls. 51 a 52, informa que: 5 Os valores arbitrados encontramse discriminados nos relatórios Discriminativo Analítico do Débito — DAD e Relatório de Lançamentos — RL (Levantamentos MA1 e MA2), em anexo. 6. As alíquotas aplicadas encontramse discriminadas no relatório "Discriminativo Analítico do Débito — DAD", anexo integrante desta NFLD. 7. O Crédito lançado encontrase fundamentado na legislação constante no anexo "Relatório de Fundamentos Legais do Débito — FLD", integrante desta NFLD. 8. Integram a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, além deste relatório e seus anexos, os seguintes documentos: IPC — Instruções para o Contribuinte; DAD — Discriminativo Analítico do Débito; DSD — Discriminativo Sintético do Débito; RL — Relatório de Lançamentos; RDA — Relatório de Documentos Apresentados; FLD — Fundamentos Legais do Débito; Fl. 170DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000565/200757 Acórdão n.º 240301.239 S2C4T3 Fl. 158 19 REPLEG — Relatório de Representantes Legais; VÍNCULOS — Relação de Vínculos; Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. (ii) Utilização da UFIR como correção monetária. Daí porque, vale reprisar os fundamentos da defesa, tendo em vista que ali se demonstra que a UFIR é inconstitucional para o fim de corrigir tributos. (...) O § 5° do art. 2° da Lei 8383/91 dispõe: "o Departamento da Receita Federal divulgará, com antecedência, a expressão monetária da UF1R diária, com base na projeção da taxa de inflação medida pelo índice que trata o § 2° deste artigo". (...) Ressaltese que, justamente por causa desta distorção, a UFIR apresentou, deste sua criação, variações muito maiores do que os outros índices de atualização monetária. Apenas a título de ilustração, no ano de 1995, a UFIR teve uma variação de 32,6%, contra 22,4% da inflação declarada pelo governo Federal. (iii) Aplicação da taxa SELIC como acréscimo de juros. Analisemos os tópicos (ii) e (iii) conjuntamente. De plano, observase do relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito, às fls. 47, que não foi utilizada a UFIR nos acréscimos legais da NFLD: ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA Competências : 08/2001 a 01/2007 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, II, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, III, "á', "If e "c", parágrafos 2. ao 6. e e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). CALCULO DA MULTA: PARA PAGAMENTO DE OBRIGAÇÃO VENCIDA, NÃO INCLUÍDA EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 8% dentro do mês do mês de vencimento da obrigação; 14%, no mes seguinte; 20%, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; PARA PAGAMENTO DE CRÉDITOS INCLUÍDOS EM Fl. 171DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DEBITO (NFLD): 24% em ate 15 dias do recebimento da notificação; 30% apos o 15. dia do recebimento da notificação; 40% apos a apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, ate quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; 50% apos o 15. dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Divida Ativa; PARA PAGAMENTO DO CREDITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA: 60%, quando nao tenha sido objeto de parcelamento; 70%, se houve parcelamento; 80%, apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito não foi objeto de parcelamento; 100% apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito foi objeto de parcela mento. OBS.: NA HIPÓTESE DAS CONTRIBUIÇÕES OBJETO DA NOTIFICAÇÃO DO DEBITO TEREM SIDO DECLARADAS EM GFIP, EXCETUADOS OS CASOS DE DISPENSA DA APRESENTAÇÃO DESSE DOCUMENTO, SERÁ A REFERIDA MULTA REDUZIDA EM 50% (CINQÜENTA POR CENTO). ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS • Competências : 08/2001 a 01/2007 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 34 (restabelecido com a redação dada pela MP n. 1.571, de 01.04.97, art. 1., e reedições posteriores ate a MP n. 1.5238, de 28.05.97, e reedições, republicada na MP n. 1.59614, de 10.11.97, convertidas na Lei n. 9.528, de 10.12.97); Regulamento da Organização do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, art. 58, I, "a", "b , "c", parágrafos 1., 4. e 5. e art. 61, parágrafo único; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 239, II, "a", "h" e c", parágrafos 1., 4. e 7. e art. 242, parágrafo 2.; CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINÁRIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS SUBSEQÜENTE AO DA COMPETÊNCIA; B) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, NOS RESPECTIVOS PERÍODOS; C) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS DO PAGAMENTO. Em relação à Taxa SELIC. Insurgese a recorrente contra a aplicação da taxa SELIC ao argumento de que seria ilegal. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000565/200757 Acórdão n.º 240301.239 S2C4T3 Fl. 159 21 Registrese, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à dada pela Lei 11.941/2009. (iv) Do percentual aplicado à multa e seu caráter confiscatório. Analisemos. Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: Fl. 173DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000565/200757 Acórdão n.º 240301.239 S2C4T3 Fl. 160 23 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NAS PRELIMINARES, acolher a decadência até a competência 02/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN, no MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 175DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 18329.000222/2007-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/04/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as
circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a
penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua
lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido
elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em
âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais
questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder
Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A,
caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do
CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao
CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE OS FATOS GERADORES, MONTANTE DE QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E TOTAIS RECOLHIDOS - INCIDÊNCIA
A autuação ocorre por deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos
próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de
todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições
da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de
24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do
Regulamento da Previdência Social - RPS,
aprovado pelo Decreto n. 3.048,
de 06.05.99.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.165
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 30/04/2007 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE OS FATOS GERADORES, MONTANTE DE QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E TOTAIS RECOLHIDOS - INCIDÊNCIA A autuação ocorre por deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Recurso Voluntário Negado.
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE OS FATOS GERADORES, MONTANTE DE QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E TOTAIS RECOLHIDOS INCIDÊNCIA A autuação ocorre por deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de Fl. 70DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000222/200770 Acórdão n.º 240301.165 S2C4T3 Fl. 64 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 188.873 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria – RS que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação acessória, AI – Auto de Infração nº. 37.134.5642, com ciência da Recorrente em 01.11.2007, às fls. 01, com valor consolidado inicial de R$ 35.853,63. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 4, o Auto de Infração nº. 37.134.5642, Código de Fundamentação Legal – CFL 34, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, nas competências 06/2001 a 04/2007. Ou seja, o Relatório Fiscal da Infração aponta que a empresa deixou de lançar em sua contabilidade, salários pagos a segurada empregada não registrada Mary Lilian Antunes Araújo, no período de 06/2001 a 04/2007, a empresa pagava via caixa ou via cheques. Também deixou de lançar em títulos próprios da contabilidade as despesas relacionadas no Relatório de Observações Contábeis, anexo. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "a" e art. 373. Segundo se depreende do Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, às fls. 05, conforme Art. 292, Inc. II do Decreto 3.048/1999, o valor da multa é de R$ 11.951,21 multiplicada por três vezes, passando para R$ 35.853,63 (trinta e cinco mil, oitocentos e cinqüenta e três reais e sessenta e três centavos) por possuir o agravante Fraude. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09403881F00, foi emitido, às fls. 12. O período objeto da AI, conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 04, é de 06/2001 a 04/2007. A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 01.11.2007, conforme fls. 01. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva, de fls. 19 a 31. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Após análise dos autos, houve a emissão do Acórdão nº 188.873 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria RS, fls. 33 a 37, julgando procedente a autuação, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2007 NÃO REGISTRAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECADÊNCIA INCONSTITUCIONALIDADE. Constitui infração a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 40 a 60, ratificando os pontos da defesa apresentados em sede de Impugnação, em síntese: Em sede Preliminar. (i) Preliminar de nulidade da decisão por imprescindível conexão de processos administrativos. A Recorrente requer que todos os processos administrativos de débito sejam julgados conjuntamente. Assim sendo, se faz necessário a decretação de nulidade da decisão proferida 4a Turma Julgadora da DRJ/STM, por evidente necessidade de união das AI nrs. 37.134.5642, 37.048.7036, 37.048.7044 37.048.7052 37.048.5650 Al 37.048.7060, Al 37.048.7079, Al 37.134.5642, Al 37.134.563 4, 37.134.5644, 37.134.5618 e 371345626, nos termos do § 1° do Art. 9° da Lei do Processo Administrativo Fiscal — Decreto 70.235/72, com redação dada pela Lei 11.196/2005, determinando novo julgamento pela instância de 1° grau com a devida união de todos os processos supra mencionados. (ii) Nulidade por cerceamento de defesa Na impugnação apresentada foi requerido expressamente a intimação do procurador da RECORRENTE da data, hora e local de julgamento no processo em questão, o que também foi totalmente ignorado pelo 4a Turma Julgadora da DRJ/STM, o que não pode ser admitido pela RECORRENTE por expressa violação ao principio da ampla defesa, nesse sentido se faz necessário a anulação da decisão proferida, determinandose o retorno para novo julgamento, com a devida intimação do procurador da RECORRENTE do dia, local e hora do julgamento das questões de seu interesse. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000222/200770 Acórdão n.º 240301.165 S2C4T3 Fl. 65 5 (iii) Da decadência. Preliminarmente o RECORRENTE suscitou decadência daqueles períodos superiores a 5 (cinco) anos, face a impossibilidade de exigência dos mesmos. Ocorre que tal requerimento foi sumariamente indeferido pela turma julgadora por entenderem não ser de sua competência a análise constitucional da questão, aplicando desta forma integralmente o disposto no art. 45 da Lei 8.212/91. Como se percebe é notório a inconstitucionalidade dos dispositivos legais que ampliam o prazo decadencial para 10 anos no que se refere a apuração de créditos do INSS, em detrimento da determinação expressa de 5 anos trazida pelo Código Tributário Nacional, em seu Art. 173, logo faz jus a RECORRENTE ao reconhecimento da anulação dos lançamentos cujos valores correspondentes a fatos geradores ocorridos entre no período de 01/06/2001 29/09/2002, por decaída sua exigibilidade. No Mérito. (iv) Da duplicidade na aplicação de multa e seu caráter confiscatório Fica evidente no caso a aplicação da multa em duplicidade, visto que é aplicada sobre um mesmo fato, neste caso a multa configura bis in idem e 6, portanto, confiscat6ria, o que é vedado por nosso ordenamento jurídico. A aplicação cumulativa das duas multas, por descumprimento da obrigação principal e descumprimento da obrigação acessória que decorreria do cumprimento da obrigação principal nos termos exigidos pela outra autuação, decorre da interpretação deficiente e não sistemática do ordenamento jurídico. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 62. É o Relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação às fl. 62. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS PRELIMINARES (A) Da regularidade da lavratura do Auto de Infração Analisemos. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. De plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente Fl. 75DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000222/200770 Acórdão n.º 240301.165 S2C4T3 Fl. 66 7 designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. Folha de Rosto do Auto de Infração; b. Instruções para o Contribuinte – IPC; c. REPLEG – Relatório de representantes Legais; d. VÍNCULOS – Relação de Vínculos; e. TIAF –Termo de Início da Ação Fiscal; f. Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD; g. TEAF –Termo de Encerramento da Ação Fiscal. h. Relatório Fiscal da Infração. Cumprenos esclarecer ainda, que a autuação fiscal foi elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999, especialmente com a discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura. Art.293.Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §1oRecebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de trinta dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) Fl. 76DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 §2oImpugnada a autuação, o autuado, após a ciência da decisão de primeira instância, poderá efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de vinte e cinco por cento, até a data limite para interposição de recurso. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §3ºO recolhimento do valor da multa, com redução, implica renúncia ao direito de impugnar ou de recorrer.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4oApresentada impugnação, o processo será submetido à autoridade competente, que decidirá sobre a autuação, cabendo recurso na forma da Subseção II da Seção II do Capítulo Único do Título I do Livro V deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. (B) alegações de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 77DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000222/200770 Acórdão n.º 240301.165 S2C4T3 Fl. 67 9 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (i) Preliminar de nulidade da decisão por imprescindível conexão de processos administrativos. A Recorrente requer que todos os processos administrativos de débito sejam julgados conjuntamente. Assim sendo, se faz necessário a decretação de nulidade da decisão proferida 4a Turma Julgadora da DRJ/STM, por evidente necessidade de união das AI nrs. 37.134.5642, 37.048.7036, 37.048.7044 37.048.7052 37.048.5650 Al 37.048.7060, Al 37.048.7079, Al 37.134.5642, Al 37.134.563 4, 37.134.5644, 37.134.5618 e 371345626, nos termos do § 1° do Art. 9° da Lei do Processo Administrativo Fiscal — Decreto 70.235/72, com redação dada pela Lei 11.196/2005, determinando novo julgamento pela instância de 1° grau com a devida união de todos os processos supra mencionados. Analisemos. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 A argumentação da Recorrente não prospera porque além de encontrar óbices no procedimento operacional da Secretaria da Receita Federal do Brasil e também do Ministério da Fazenda, temse que o art. 9º do Decreto 70.235/1972 apenas estabelece que a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Ou seja, conforme se depreende do art. 9º, Decreto 70.235/1972, não há, na legislação de regência do processo administrativo fiscal, dispositivo que obrigue a tramitação de processos conexos para julgamento conjunto. Decreto 70.235/1972 Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4o O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em decorrência de fiscalização relacionada a regime especial unificado de arrecadação de tributos, poderão conter lançamento único para todos os tributos por eles abrangidos.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica às contribuições de que trata o art. 3o da Lei no 11.457, de 16 de março de 2007. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000222/200770 Acórdão n.º 240301.165 S2C4T3 Fl. 68 11 (ii) Nulidade por cerceamento de defesa Na impugnação apresentada foi requerido expressamente a intimação do procurador da RECORRENTE da data, hora e local de julgamento no processo em questão, o que também foi totalmente ignorado pelo 4a Turma Julgadora da DRJ/STM, o que não pode ser admitido pela RECORRENTE por expressa violação ao principio da ampla defesa, nesse sentido se faz necessário a anulação da decisão proferida, determinandose o retorno para novo julgamento, com a devida intimação do procurador da RECORRENTE do dia, local e hora do julgamento das questões de seu interesse. Analisemos. Não prospera a alegação da Recorrente porque a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento é um órgão de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal do Brasil, sendo assim não há previsão normativa para que o contribuinte possa assistir ao julgamento em primeira instância, conforme se depreende do art. 25, Decreto 70.235/1972: Art.25.O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Decreto nº 2.562, de 1998) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) a) aos Delegados da Receita Federal, titulares de Delegacias especializadas nas atividades concernentes a julgamento de processos, quanto aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (Vide Lei nº 11.119, de 2005) b) às autoridades mencionadas na legislação de cada um dos demais tributos ou, na falta dessa indicação, aos chefes da projeção regional ou local da entidade que administra o tributo, conforme for por ela estabelecido. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Outrossim, a Recorrente foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância e apresentou Recurso Voluntário à segunda instância administrativa. Diante do exposto, não ocorre o cerceamento de defesa pela não intimação da Recorrente acerca da data, hora e local de julgamento na primeira instância. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 (iii) Da decadência. Preliminarmente o RECORRENTE suscitou decadência daqueles períodos superiores a 5 (cinco) anos, face a impossibilidade de exigência dos mesmos. Ocorre que tal requerimento foi sumariamente indeferido pela turma julgadora por entenderem não ser de sua competência a análise constitucional da questão, aplicando desta forma integralmente o disposto no art. 45 da Lei 8.212/91. Como se percebe é notório a inconstitucionalidade dos dispositivos legais que ampliam o prazo decadencial para 10 anos no que se refere a apuração de créditos do INSS, em detrimento da determinação expressa de 5 anos trazida pelo Código Tributário Nacional, em seu Art. 173, logo faz jus a RECORRENTE ao reconhecimento da anulação dos lançamentos cujos valores correspondentes a fatos geradores ocorridos entre no período de 01/06/2001 29/09/2002, por decaída sua exigibilidade. Analisemos. Cumpre resgatar que a Recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 01.11.2007, conforme fls. 01, e que o Auto de Infração se refere ao período 06/2001 a 04/2007. Para este tipo de infração, Código de Fundamentação Legal – CFL nº. 34, o valor da multa é único, sendo que não há mitigação da multa por ocorrências. Ou seja, basta apenas uma única ocorrência da infração em uma competência para que seja efetivado o descumprimento da obrigação acessória, desde que aquela competência ainda não esteja decadente, nos termos da Súmula Vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, e do Código Tributário Nacional. Ora, se a recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 01.11.2007, e o Auto de Infração se refere ao período 06/2001 a 04/2007, desta forma restou evidente que em função de apenas uma única competência, por exemplo, 04/2007, não decadente por quaisquer dos critérios adotados no Código Tributário Nacional, ter sido efetivado o descumprimento da obrigação acessória. Desta forma, não houve decadência parcial da obrigação acessória em questão. No Mérito. (iv) Da duplicidade na aplicação de multa e seu caráter confiscatório Fl. 81DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000222/200770 Acórdão n.º 240301.165 S2C4T3 Fl. 69 13 Fica evidente no caso a aplicação da multa em duplicidade, visto que é aplicada sobre um mesmo fato, neste caso a multa configura bis in idem e 6, portanto, confiscat6ria, o que é vedado por nosso ordenamento jurídico. A aplicação cumulativa das duas multas, por descumprimento da obrigação principal e descumprimento da obrigação acessória que decorreria do cumprimento da obrigação principal nos termos exigidos pela outra autuação, decorre da interpretação deficiente e não sistemática do ordenamento jurídico. Analisemos. Devese anotar que a obrigação tributária principal se diferencia da obrigação tributária acessória. Nos dizeres do professor Ricardo Lobo Torres1, a obrigação tributária principal é o vínculo jurídico que une os sujeitos ativo e passivo em torno do pagamento de um tributo, enquanto que .a obrigação acessória se revestira de deveres meramente instrumentais, tais como prestar declarações ao fisco e manter livros fiscais. Na lição de Leandro Paulsen2, observase que a obrigação acessória é a obrigação de fazer em sentido amplo, ou seja, fazer, não fazer, tolerar, enfim, no interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos. Neste sentido, colacionando o art. 113, CTN, pelo descumprimento da obrigação principal submetese o sujeito passivo à emissão pela autoridade fiscal do lançamento de débito denominado Notificação Fiscal de lançamento de Débito NFLD. Enquanto que pelo descumprimento da obrigação acessória, há a conversão em obrigação principal pela multa aplicável, submetendose o sujeito passivo à lavratura do Auto de Infração de Obrigação Acessória, no presente caso o AI Auto de Infração. Desta forma, não prospera a alegação da recorrente no sentido de uma possível confusão entre a obrigação acessória e a obrigação principal, pois os descumprimentos de obrigação principal e de obrigação acessória implicam em multas de diferentes naturezas jurídicas. 1 TORRES, Ricardo Lobo. Op. cit., p. 236. 2 PAULSEN, Leandro. Op. cit., p. 900. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 CONCLUSÃO Voto pelo conhecimento do recurso para NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 83DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 18329.000215/2007-78
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2002 a 30/04/2007
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO SEGURADO
EMPREGADO.
Quando a Auditoria Fiscal constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava
sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito
lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.162
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da
Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO SEGURADO EMPREGADO. Quando a AuditoriaFiscal constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000215/200778 Acórdão n.º 240301.162 S2C4T3 Fl. 249 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 1810.669 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria – RS que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº. 37.048.7044, com ciência da Recorrente em 01.11.2007, às fls. 01, com valor consolidado inicial de R$ 9.145,25, sendo retificado para R$ 7.648,99. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias da empresa incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e as destinadas a terceiros conveniados, apuradas neste lançamento de débito, são as seguintes, com as respectivas alíquotas, INSS — Instituto Nacional do Seguro Social, constituída da contribuição do segurado empregado — 7,65% a 11%, cota patronal básica — 20%, Seguro Acidente do Trabalho — 2% e Terceiros — 5,8% ( Salário Educação 2,5%, INCRA — 0,2%, SENAC — 1%, SESC — 1,5% e SEBRAE — 0,6%)., no período de 05/2002 a 04/2007. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 37 a 40, o débito previdenciário tem por base a constatação pela Auditoria Fiscal da desconsideração do segurado contribuinte individual (autônomo), para consideração de segurado empregado. Os segurados Patrícia de Moraes Alvin, nutricionista, Éden Sara Bjosk, Psicóloga e Maria de Lurdes Almeida Bisio, Assistente Social, receberam através de recibos de pagamentos, muitos prestaram serviços como plantonistas, utilizando os próprios da empresa, cumprindo uma espécie de escala de serviço, recebendo ordens e cumprindo determinações, sempre da empresa, totalmente subordinados, suas profissões estão relacionadas diretamente a atividade fim da empresa. Segundo ainda o Relatório Fiscal, às fls. 37 a 40: 9 A empresa Cardio Nefroclinica Delta Sociedade Simples Ltda, é uma clinica, tendo como atividade fim o tratamento a âmbito ambulatorial, de pacientes com problemas renais (hemodiálise). Para poder exercer suas atividades, necessário será o exercício da medicina, da psicologia, da nutricionista, da assistente social, da enfermeira, da auxiliar de enfermagem e outros mais, mas que contrata e remunera esses profissionais, que lá trabalham, como contribuintes individuais. 10 Enquadrase como Contribuinte Individual Aquele que presta serviços em caráter eventual a uma ou mais empresas, sem relação de emprego. A eventualidade está diretamente ligada A necessidade que o Empregador tem dos serviços dos contratados. A inexistência de vinculo empregatício está ligada A ausência de subordinação. A não relação de emprego está intimamente ligada a não subordinação ou A faculdade que o prestador de serviços tem de se auto determinar, de não se sujeitar a vontade do Empregador. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 11 Segundo o art. 12, I, alínea "a" da Lei 8.212/91: "Considera Empregado aquele que presta serviços de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive o diretor empregado". 12 — A Clinica necessita para exercer suas atividades de todas as profissões aqui já relacionadas, ou seja, que estes profissionais trabalhem diariamente para atender a demanda dos pacientes, sob pena de encerrar suas atividades. (...) 14 Diante de fatos como a execução de serviços dentro da empresa, utilizando os próprios da empresa, cumprindo jornada de trabalho prédeterminadas, trabalhando na atividade fim, executando serviços especificamente relacionados aos clientes da empresa, cumprindo uma escala de serviço prédeterminada ou ficando a disposição e recebendo mensalmente pelos serviços prestados, esta fiscalização entendeu inegável o vinculo empregatício das pessoas relacionadas no Relatório de Lançamentos, anexo, pela presença dos pressupostos básicos da relação de emprego, tais como a subordinação, a pessoalidade, a remuneração certa, a não eventualidade, a utilização de toda a estrutura necessária ao desenvolvimento das atividades clinicas oferecidas pela Clinica aos pacientes. 15 0 Contrato de trabalho é "intuitu personae" no que diz respeito ao empregado, isto 6, leva em conta a pessoa contratada, constituindo obrigação, que pode ser delegada sem anuência do empregador. Esta característica traduz no principio da pessoalidade oriundo do direito trabalhista. A pessoalidade é bem demonstrada na relação do psicólogo, do nutricionista, do assistente social e a Clinica contratante, tendo em vista a própria natureza da profissão, não podendo suas atividades serem delegadas a terceiros, sem o consentimento do Empregador. 16 A subordinação é evidenciada quando o trabalho a ser executado é determinado pelo empregador que tendo contratado os serviços com clientes, determina ao empregado que execute, fazendo com que este fique em estado de sujeição quanto aos pacientes a serem atendidos, e ainda, na determinação dos dias e os horários a serem trabalhados. 17 A não eventualidade ficou constatada pela natureza do serviço e pela regularidade na prestação, conforme verificado em recibos de pagamento, emitidos pela Empresa, sempre compostas pelos mesmos profissionais. 18 — Concluo que estes profissionais são empregados da Empresa, que a remuneração está demonstrada em recibos de pagamento e GFIP que serviram de base de cálculo deste lançamento. 19 — A presente notificação , está fundamentada na Lei 8.212/91 e no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, cujo enquadramento encontrase anexo, no relatório de fundamentos legais do debito. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000215/200778 Acórdão n.º 240301.162 S2C4T3 Fl. 250 5 O Anexo do Relatório Fiscal, apresentado no processo nº 18329.000212/200734, às fls. 41 a 44, denominado “Demonstrativo de Observações Contábeis”, mostra que na ação fiscal desenvolvida na junto à empresa encontrouse os seguintes erros contábeis praticados na sua contabilidade, dentre outros: Em 13/05/2004, emitiu cheque 851024 no valor de R$ 27.671,88 para pagamentos diversos entre eles, Dra Mary e Dr Freitas, sem o correspondente documento e valor para lançamento na conta de despesas, o que se deduz o não lançamento contábil, pela não localização dos lançamentos. Em 11/06/2004, emitiu cheque 851069 no valor de R$ 45.264,70 para pagamentos diversos entre eles, Dra Mary e Dr Freitas, sem o correspondente documento e para lançamento na conta de despesas, o que se deduz o não lançamento contábil, pela não localização dos lançamentos. Em 14/07/2004, emitiu cheque 851108 no valor de R$ 31.643,85 para pagamentos diversos entre eles, Dra Mary e Dr Freitas, sem o correspondente documento e valor para lançamento na conta de despesas, o que se deduz o não lançamento contábil, pela não localização dos lançamentos. Em 10/09/2004, emitiu cheque 196464 no valor de R$ 22.449,87 para pagamentos diversos entre eles, Dr Freitas e Dra Mary, sem o correspondente documento e valor para lançamento na conta de despesas, o que se deduz o não lançamento contábil, pela não localização dos lançamentos. Em 14/10/2004, emitiu cheque 196425 no valor de R$ 20.425,00 para pagamentos diversos entre eles, Dra Mary e Dr Freitas, sem o correspondente documento e valor para lançamento na conta de despesas, o que se deduz o não lançamento contábil, pela não localização dos lançamentos. Em 25/10/2004, emitiu cheque 196440 no valor de R$ 500,00 para pagamento por conta de material e mão de obra, sem o correspondente documento e identificação a quem foi pago, o que se deduz o não lançamento contábil, pela não localização do lançamento. Em 03/12/2004, emitiu cheque 218908, R$ 5.000,00 para pagamento de salários de Lucila, Paola, Laura, Márcia, Viviane, Rosane, Risete e sobre aviso, funcionários pertencentes a outra empresa, sem o correspondente recibo, conseqüentemente se deduz o não lançamento em despesas, pela não localização de tal lançamento. Em 20/12/2004, emitiu cheque 218940, R$ 13.258,70 para pagamentos diversos, inclusive de salários de Viviane, Rosane, Risete e Vali, funcionários pertencentes a outra empresa, sem o correspondente recibo, conseqüentemente se deduz o não lançamento em despesas, pela não localização de tal lançamento. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Em 13/01/2005, emitiu cheque 213375, R$ 22.426,26 para pagamentos diversos, entre eles Dra Mary e Dr Freitas, sem correspondente comprovante de pagamento para lançamento na conta de despesas, o que se deduz o não lançamento em despesas, pela não localização do lançamento. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09403881F00, foi emitido, às fls. 41. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, às fls. 16, é de 05/2002 a 04/2007. A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 01.11.2007, conforme fls. 01. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva, de fls. 49 a 75. A unidade julgadora de primeira instância fez Requisição de Diligência Fiscal, às fls. 77 a 78, nos seguintes termos: 1) No item 04 do Relatório Fiscal (fl.37) o auditor notificante aponta como base do lançamento a "Relação de Pagamentos" feitos aos empregados que prestaram serviços em horários normais e ou plantões dentro da empresa, fato que não foi comprovado com os documentos necessários (planilhas de horários, escalas de plantão, etc.); 2) Ainda no item 04 do Relatório Fiscal — RF o auditor menciona uma "Relação de Pagamentos" feitos aos empregados, documento que constitui evidência da condição dos prestadores de serviço, se pagos da mesma forma e com mesma remuneração dos empregados normais da notificada; 3) O auditor desconsidera o enquadramento feito pela notificada com base nos pressupostos de pessoalidade, não eventualidade e subordinação, qualificando as atividades de psicólogo, nutricionista e assistente social como atividades fins da tomadora, fato que requer avaliação dos objetivos da CARDIO NEFROCLINICA DELTA SOCIEDADE SIMPLES LTDA para o devido enquadramento, portanto, solicitamos anexar o Contrato Social e alterações; 4) Esclarecer o item 12 do Relatório Fiscal quanto a necessidade dos serviços dos profissionais de nutrição, assistência social e psicologia para a continuidade dos serviços da notificada posto que, a exceção da nutricionista, os pagamento não contemplam todas as competências lançadas; 5) Anexar os documentos que levaram o auditor a afirmar que os profissionais estão obrigados a cumprir jornadas de trabalho prédeterminadas, escalas de serviços prédeterminadas, remuneração do profissional por estar a disposição da notificada e demais elementos que levaram o auditor a concluir pelo enquadramento na categoria de segurados empregados; Fl. 219DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000215/200778 Acórdão n.º 240301.162 S2C4T3 Fl. 251 7 6) Manifestação fiscal sobre a alegação de que não são verdadeiras as afirmações no Relatório Fiscal de que a prestação dos serviços é feita nas dependências da notificada pois, segundo a peça impugnatória, ocorrem nos consultórios dos profissionais e eventualmente na residência dos pacientes, além da prestação dos serviços a outros tomadores. A AuditoriaFiscal, em resposta à Solicitação de Diligência Fiscal, anexou os seguintes documentos, às fls. 79 a 132: Contrato de Trabalho Temporário; Cópia de cheques e movimento do caixa da empresa; Recibos de Pagamentos assinados; Vales correspondentes a "Adiantamento de salário"; Recibos de pagamento de honorários; Cópia de cheques para pagamento de diversas despesas incluindo "sobreaviso; Recibos de pagamentos diversos; Cópias de movimento do caixa; Alterações contratuais; Notas Fiscais de Serviço; Demonstrativos de Gastos coin materiais e honorários; e Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF por serviços prestados a pessoas jurídicas. A AuditoriaFiscal, em resposta à Solicitação de Diligência Fiscal, se manifestou, às fls. 133 a 138, atendendo a todos os requisitos da Diligência Fiscal,. conforme, por exemplo, trechos abaixo: (...) 12 'Transcrevemos o contrato da psicóloga Eden Sara Bjoski; anexo às fls. 97, que em sua primeira cláusula, as partes firmam o seguinte: “A contratada exercerá sua atividade de Psicologia junto ao serviço de hemodiálise prestado pela contratante, na sede da mesma”. Na cláusula segunda: “Os serviços serão prestados de segunda a sextafeira, totalizando 22 (vinte e duas horas) por semana e por fim a cláusula terceira: “A contratante pagará à contratada, pelos serviços acima descritos, o valor de R$ 600,00”. 13 — Comparamos o que já foi citado no item 14 do relatório Fiscal, às fls. 39, com o contrato de trabalho: Diante dos fatos como execução de serviços dentro da empresa (cláusula primeira), utilizando os próprios da empresa (cláusula primeira), cumprindo jornada de trabalho prédeterminadas (cláusula segunda), trabalhando na atividade fim (cláusula primeira ), executando serviços especificamente relacionados aos clientes da empresa (cláusula primeira ), cumprindo uma escala de serviço prédeterminada (cláusula segunda) ou ficando á disposição (conforme recibo de sobre aviso, anexos às fls. 100 a 106) e recebendo mensalmente pelos serviços prestados (cláusula terceira). ' (...) Fl. 220DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 O Contribuinte, após regularmente intimado da resposta à Solicitação de Diligência Fiscal, se Manifesta às fls. 144 a 157, ratificando os pontos argüidos em sede de Impugnação. Após análise dos autos, houve a emissão do Acórdão nº 1810.669 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria RS, julgando procedente em parte a autuação, de forma a declarar parcialmente a decadência, com base no art. 150, § 4º, CTN, das competências 05/2002 a 10/2002, inclusive. Segue a Ementa do Acórdão nº 1810.669 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria RS: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2002 a 30/04/2007 DECADÊNCIA CERCEAMENTO 1)0 DIREITO DE DEFESA DESCARACTERIZAÇÃO DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL Estão decadentes as contribuições cujos fatos geradores objeto de autolançamento tenham ocorrido a mais de cinco anos da ciência da autuação fiscal. Não pode ser aceita a premissa de cerceamento de defesa por falta de identificação do fato gerador e da legislação pertinente quando a autuada claramente a identifica na peça impugnatória. Identificados os pressupostos de não eventualidade, subordinação. pessoalidade e remuneração, deve a fiscalização efetuar o enquadramento do segurado como empregado e lançar eventuais diferenças de contribuições previdenciárias. Lançamento Procedente em Parte Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 180 a 206, ratificando os pontos da defesa apresentados em sede de Impugnação, em síntese: Em sede Preliminar. (i) Preliminar de nulidade por invalidade formal da autuação. Tal fundamento não pode prosperar, pois da leitura dos documentos citados é possível se constatar que o Sr. Fiscal limitouse a enquadrar a conduta da RECORRENTE de forma genérica, sem a fundamentação legal especifica para a autuação, ou seja, não há um exame das questões de fato e de direito, com a construção lógica da parte decisória, bem como com o enquadramento das normas legais aplicáveis de forma expressa com a precisa indicação do artigo violado, o que se Fl. 221DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000215/200778 Acórdão n.º 240301.162 S2C4T3 Fl. 252 9 percebe da leitura do relatório fiscal, que por diversas vezes remetese a outros fatos que em nada dizem respeito a autuação em questão, o que fortalece a tese a seguir invocada, qual seja, o cerceamento de defesa. (ii) Nulidade por cerceamento de defesa preliminar acima suscitada enseja o cerceamento de defesa da RECORRENTE, virtude do processo não conter elementos que determinem com segurança a natureza da infração e o seu preciso fundamento legal. Do Mérito. (iii) Diminuição da multa e dos juros por força da Lei 11.941/2009 Por justiça devese salientar que a inovação legislativa trazida pela Lei 11.941/2009 é posterior ao julgamento da 4a DRJ/STM, e portanto não poderia tal circunstância estar ao seu alcance. Entrementes, o reconhecimento da revogação da punibilidade da forma como imposta e a conseqüente insubsistência do Al 37.048.7044 por parte desta Egrégia Câmara, é matéria de direito público suscetível de reconhecimento de oficio. (iv) Dos segurados autônomos. Da não caracterização da relação de emprego Patricia de Moraes Alvin — nutricionista. Maria de Lurdes Almeida Bisio — assistente social. Éden Sara Bjosk — psicóloga. É cediço tanto no Poder Judiciário quanto na Jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, que os fatos que levam a fiscalização à conclusão de que os segurados são empregados e não autônomos está condicionada á plena demonstração pela auditoria fiscal dos pressupostos da relação de emprego. (...) O fato de haverem pagamentos mediante recibos, é fato inconteste ao qual chegou o Agente Fiscal pelos próprios documentos a ele disponibilizados na contabilidade da RECORRENTE, contudo no restante as afirmações não são mais do que ilações decorrentes desta circunstância sem se revestirem de qualquer elemento probatório ou presuntivo (...) Não existe nenhum testemunho, depoimento pessoal ou qualquer outra informação em qualquer um dos lançamentos lavrados contra a RECORRENTE que possam atribuir um Fl. 222DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 resquício de veracidade a estas afirmações, de tal sorte que não pode ser imposto ao contribuinte o diabólico encargo de provar aquilo que não aconteceu. (...) É evidente que a atividade do nutricionista, do psicólogo e do assistente social, não tem uma relação direta com a atividade fim da impugnante que é a prestação de serviços médico nefrológico, como consta em seu contrato social. Em momento algum a fiscalização sequer faz menção relativamente a que tipo de atividade o profissional psicólogo, assistente social, e nutricionista exerce na empresa impugnante, tampouco esclarece em que medida e de que forma ocorre a dita necessidade da atuação destas especialidades nas atividades fins da empresa. O correto seria ir mais além determinando que tipo de atividade, de que forma e em que condições as pessoas individualmente consideradas Patricia, Eden e Maria laboraram no período relacionado na NFLD. (...) Afirmar que a pessoa física que presta serviços de forma continuada na atividade fim da empresa é considerada segurada empregada, pois inerente a subordinação e as demais condicionantes da relação empregatícia, além de tomar como verdadeira a premissa não comprovada de que as pessoas físicas atuam na atividade fim da empresa, faz tabula rasa da . definição doutrinária de subordinação, pois se a atividade fim da empresa é a prestação de serviços médicos nefrológicos (hemodiálise) e medico cardiológicos, não se pode presumir jure et jure que psicólogos, nutricionistas e assistentes sociais, exercem atividades ligadas aos fins da empresa. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 209. É o Relatório. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000215/200778 Acórdão n.º 240301.162 S2C4T3 Fl. 253 11 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 209. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS PRELIMINARES (i) Preliminar de nulidade por invalidade formal da autuação. Tal fundamento não pode prosperar, pois da leitura dos documentos citados é possível se constatar que o Sr. Fiscal limitouse a enquadrar a conduta da RECORRENTE de forma genérica, sem a fundamentação legal especifica para a autuação, ou seja, não há um exame das questões de fato e de direito, com a construção lógica da parte decisória, bem como com o enquadramento das normas legais aplicáveis de forma expressa com a precisa indicação do artigo violado, o que se percebe da leitura do relatório fiscal, que por diversas vezes remetese a outros fatos que em nada dizem respeito a autuação em questão, o que fortalece a tese a seguir invocada, qual seja, o cerceamento de defesa. (ii) Nulidade por cerceamento de defesa preliminar acima suscitada enseja o cerceamento de defesa da RECORRENTE, virtude do processo não conter elementos que determinem com segurança a natureza da infração e o seu preciso fundamento legal. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Analisemos os itens (i) e (ii) conjuntamente. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a Terceiros. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada NFLD que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que Fl. 225DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000215/200778 Acórdão n.º 240301.162 S2C4T3 Fl. 254 13 apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. CORESP Relatório de Coresponsáveis do Débito; g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal; i. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. j. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. k. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido Fl. 226DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a NFLD 37.048.7044, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Do Mérito. (iii) Diminuição da multa e dos juros por força da Lei 11.941/2009 Por justiça devese salientar que a inovação legislativa trazida pela Lei 11.941/2009 é posterior ao julgamento da 4a DRJ/STM, e portanto não poderia tal circunstância estar ao seu alcance. Entrementes, o reconhecimento da revogação da punibilidade da forma como imposta e a conseqüente insubsistência do Al 37.048.7044 por parte desta Egrégia Câmara, é matéria de direito público suscetível de reconhecimento de oficio. Analisemos. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000215/200778 Acórdão n.º 240301.162 S2C4T3 Fl. 255 15 Conforme já verificado nos itens (i) e (ii), a lavratura da NFLD foi regular e atendeu aos preceitos da legislação tributárioprevidenciária, o que afasta de plano a argumentação de ter havido insubsistência parcial da NFLD no que tange a multa e os juros previstos respectivamente no art. 35, I, II e III Lei 8.212/91 e no art. 34 da mesma Lei. Outrossim, esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) Fl. 228DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Portanto, devese recalcular a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. (iv) Dos segurados autônomos. Da não caracterização da relação de emprego Patricia de Moraes Alvin — nutricionista. Maria de Lurdes Almeida Bisio — assistente social. Éden Sara Bjosk — psicóloga. É cediço tanto no Poder Judiciário quanto na Jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, que os fatos que levam a fiscalização à conclusão de que os segurados são empregados e não autônomos está condicionada á plena demonstração pela auditoria fiscal dos pressupostos da relação de emprego. (...) O fato de haverem pagamentos mediante recibos, é fato inconteste ao qual chegou o Agente Fiscal pelos próprios documentos a ele disponibilizados na contabilidade da RECORRENTE, contudo no restante as afirmações não são mais do que ilações decorrentes desta circunstância sem se revestirem de qualquer elemento probatório ou presuntivo (...) Não existe nenhum testemunho, depoimento pessoal ou qualquer outra informação em qualquer um dos lançamentos lavrados contra a RECORRENTE que possam atribuir um resquício de veracidade a estas afirmações, de tal sorte que não pode ser imposto ao contribuinte o diabólico encargo de provar aquilo que não aconteceu. (...) É evidente que a atividade do nutricionista, do psicólogo e do assistente social, não tem uma relação direta com a atividade fim da impugnante que é a prestação de serviços médico nefrológico, como consta em seu contrato social. Em momento algum a fiscalização sequer faz menção relativamente a que tipo de atividade o profissional psicólogo, assistente social, e nutricionista exerce na empresa impugnante, tampouco esclarece em que medida e de que forma ocorre a dita necessidade da atuação destas especialidades nas atividades fins da empresa. O correto seria ir mais além determinando que tipo de atividade, de que forma e em que condições as pessoas individualmente consideradas Patricia, Eden e Maria laboraram no período relacionado na NFLD. (...) Afirmar que a pessoa física que presta serviços de forma continuada na atividade fim da empresa é considerada segurada empregada, pois inerente a subordinação e as demais condicionantes da relação empregatícia, além de tomar como verdadeira a premissa não comprovada de que as pessoas físicas Fl. 229DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000215/200778 Acórdão n.º 240301.162 S2C4T3 Fl. 256 17 atuam na atividade fim da empresa, faz tabula rasa da . definição doutrinária de subordinação, pois se a atividade fim da empresa é a prestação de serviços médicos nefrológicos (hemodiálise) e medico cardiológicos, não se pode presumir jure et jure que psicólogos, nutricionistas e assistentes sociais, exercem atividades ligadas aos fins da empresa. Analisemos. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias da empresa incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e as destinadas a terceiros conveniados, apuradas neste lançamento de débito, são as seguintes, com as respectivas alíquotas, INSS — Instituto Nacional do Seguro Social, constituída da contribuição do segurado empregado — 7,65% a 11%, cota patronal básica — 20%, Seguro Acidente do Trabalho — 2% e Terceiros — 5,8% ( Salário Educação 2,5%, INCRA — 0,2%, SENAC — 1%, SESC — 1,5% e SEBRAE — 0,6%)., no período de 05/2002 a 04/2007. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 37 a 40, o débito previdenciário tem por base a constatação pela Auditoria Fiscal da desconsideração do segurado contribuinte individual (autônomo), para consideração de segurado empregado. Os segurados Patrícia de Moraes Alvin, nutricionista, Éden Sara Bjosk, Psicóloga e Maria de Lurdes Almeida Bisio, Assistente Social, receberam através de recibos de pagamentos, muitos prestaram serviços como plantonistas, utilizando os próprios da empresa, cumprindo uma espécie de escala de serviço, recebendo ordens e cumprindo determinações, sempre da empresa, totalmente subordinados, suas profissões estão relacionadas diretamente a atividade fim da empresa. O Relatório Fiscal, às fls. 37 a 40, traz aos autos provas materiais e fáticas de que, em relação aos segurados Patrícia de Moraes Alvin, nutricionista, Éden Sara Bjosk, Psicóloga e Maria de Lurdes Almeida Bisio, Assistente Social, se evidenciam as características da relação de emprego para com a Recorrente: 9 A empresa Cardio Nefroclinica Delta Sociedade Simples Ltda, é uma clinica, tendo como atividade fim o tratamento a âmbito ambulatorial, de pacientes com problemas renais (hemodiálise). Para poder exercer suas atividades, necessário será o exercício da medicina, da psicologia, da nutricionista, da assistente social, da enfermeira, da auxiliar de enfermagem e outros mais, mas que contrata e remunera esses profissionais, que lá trabalham, como contribuintes individuais. 10 Enquadrase como Contribuinte Individual Aquele que presta serviços em caráter eventual a uma ou mais empresas, sem relação de emprego. A eventualidade está diretamente ligada A necessidade que o Empregador tem dos serviços dos contratados. A inexistência de vinculo empregatício está ligada A ausência de subordinação. A não relação de emprego está intimamente ligada a não subordinação ou A faculdade que o prestador de serviços tem de se auto determinar, de não se sujeitar a vontade do Empregador. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 11 Segundo o art. 12, I, alínea "a" da Lei 8.212/91: "Considera Empregado aquele que presta serviços de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive o diretor empregado". 12 — A Clinica necessita para exercer suas atividades de todas as profissões aqui já relacionadas, ou seja, que estes profissionais trabalhem diariamente para atender a demanda dos pacientes, sob pena de encerrar suas atividades. (...) 14 Diante de fatos como a execução de serviços dentro da empresa, utilizando os próprios da empresa, cumprindo jornada de trabalho prédeterminadas, trabalhando na atividade fim, executando serviços especificamente relacionados aos clientes da empresa, cumprindo uma escala de serviço prédeterminada ou ficando a disposição e recebendo mensalmente pelos serviços prestados, esta fiscalização entendeu inegável o vinculo empregatício das pessoas relacionadas no Relatório de Lançamentos, anexo, pela presença dos pressupostos básicos da relação de emprego, tais como a subordinação, a pessoalidade, a remuneração certa, a não eventualidade, a utilização de toda a estrutura necessária ao desenvolvimento das atividades clinicas oferecidas pela Clinica aos pacientes. 15 0 Contrato de trabalho é "intuitu personae" no que diz respeito ao empregado, isto 6, leva em conta a pessoa contratada, constituindo obrigação, que pode ser delegada sem anuência do empregador. Esta característica traduz no principio da pessoalidade oriundo do direito trabalhista. A pessoalidade é bem demonstrada na relação do psicólogo, do nutricionista, do assistente social e a Clinica contratante, tendo em vista a própria natureza da profissão, não podendo suas atividades serem delegadas a terceiros, sem o consentimento do Empregador. 16 A subordinação é evidenciada quando o trabalho a ser executado é determinado pelo empregador que tendo contratado os serviços com clientes, determina ao empregado que execute, fazendo com que este fique em estado de sujeição quanto aos pacientes a serem atendidos, e ainda, na determinação dos dias e os horários a serem trabalhados. 17 A não eventualidade ficou constatada pela natureza do serviço e pela regularidade na prestação, conforme verificado em recibos de pagamento, emitidos pela Empresa, sempre compostas pelos mesmos profissionais. 18 — Concluo que estes profissionais são empregados da Empresa, que a remuneração está demonstrada em recibos de pagamento e GFIP que serviram de base de cálculo deste lançamento. 19 — A presente notificação , está fundamentada na Lei 8.212/91 e no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, cujo enquadramento encontrase anexo, no relatório de fundamentos legais do debito. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000215/200778 Acórdão n.º 240301.162 S2C4T3 Fl. 257 19 Além do que, o Anexo do Relatório Fiscal, apresentado no processo nº 18329.000212/200734 às fls. 41 a 44, denominado “Demonstrativo de Observações Contábeis”, mostra que na ação fiscal desenvolvida na junto à empresa encontrouse os seguintes erros contábeis praticados na sua contabilidade, dentre outros, o que demonstra que a contabilidade da empresa não apresenta a real movimentação contábil da empresa: Em 13/05/2004, emitiu cheque 851024 no valor de R$ 27.671,88 para pagamentos diversos entre eles, Dra Mary e Dr Freitas, sem o correspondente documento e valor para lançamento na conta de despesas, o que se deduz o não lançamento contábil, pela não localização dos lançamentos. Em 11/06/2004, emitiu cheque 851069 no valor de R$ 45.264,70 para pagamentos diversos entre eles, Dra Mary e Dr Freitas, sem o correspondente documento e para lançamento na conta de despesas, o que se deduz o não lançamento contábil, pela não localização dos lançamentos. Em 14/07/2004, emitiu cheque 851108 no valor de R$ 31.643,85 para pagamentos diversos entre eles, Dra Mary e Dr Freitas, sem o correspondente documento e valor para lançamento na conta de despesas, o que se deduz o não lançamento contábil, pela não localização dos lançamentos. Em 10/09/2004, emitiu cheque 196464 no valor de R$ 22.449,87 para pagamentos diversos entre eles, Dr Freitas e Dra Mary, sem o correspondente documento e valor para lançamento na conta de despesas, o que se deduz o não lançamento contábil, pela não localização dos lançamentos. Em 14/10/2004, emitiu cheque 196425 no valor de R$ 20.425,00 para pagamentos diversos entre eles, Dra Mary e Dr Freitas, sem o correspondente documento e valor para lançamento na conta de despesas, o que se deduz o não lançamento contábil, pela não localização dos lançamentos. Em 25/10/2004, emitiu cheque 196440 no valor de R$ 500,00 para pagamento por conta de material e mão de obra, sem o correspondente documento e identificação a quem foi pago, o que se deduz o não lançamento contábil, pela não localização do lançamento. Em 03/12/2004, emitiu cheque 218908, R$ 5.000,00 para pagamento de salários de Lucila, Paola, Laura, Márcia, Viviane, Rosane, Risete e sobre aviso, funcionários pertencentes a outra empresa, sem o correspondente recibo, conseqüentemente se deduz o não lançamento em despesas, pela não localização de tal lançamento. Em 20/12/2004, emitiu cheque 218940, R$ 13.258,70 para pagamentos diversos, inclusive de salários de Viviane, Rosane, Risete e Vali, funcionários pertencentes a outra empresa, sem o correspondente recibo, conseqüentemente se deduz o não Fl. 232DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 lançamento em despesas, pela não localização de tal lançamento. Em 13/01/2005, emitiu cheque 213375, R$ 22.426,26 para pagamentos diversos, entre eles Dra Mary e Dr Freitas, sem correspondente comprovante de pagamento para lançamento na conta de despesas, o que se deduz o não lançamento em despesas, pela não localização do lançamento. Ademais, a AuditoriaFiscal, em resposta à Solicitação de Diligência Fiscal, anexou os seguintes documentos, às fls. 79 a 132, que contribuem para a fundamentação da caracterização da relação de emprego: Contrato de Trabalho Temporário; Cópia de cheques e movimento do caixa da empresa; Recibos de Pagamentos assinados; Vales correspondentes a "Adiantamento de salário"; Recibos de pagamento de honorários; Cópia de cheques para pagamento de diversas despesas incluindo "sobreaviso; Recibos de pagamentos diversos; Cópias de movimento do caixa; Alterações contratuais; Notas Fiscais de Serviço; Demonstrativos de Gastos coin materiais e honorários; e Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF por serviços prestados a pessoas jurídicas. Não obstante, A AuditoriaFiscal, em resposta à Solicitação de Diligência Fiscal, se manifestou, às fls. 133 a 138, concluindo pela caracterização das relações de emprego a partir de provas fáticas e materiais, como por exemplo, no trecho a seguir: (...) 12 'Transcrevemos o contrato da psicóloga Eden Sara Bjoski; anexo às fls. 97, que em sua primeira cláusula, as partes firmam o seguinte: “A contratada exercerá sua atividade de Psicologia junto ao serviço de hemodiálise prestado pela contratante, na sede da mesma”. Na cláusula segunda: “Os serviços serão prestados de segunda a sextafeira, totalizando 22 (vinte e duas horas) por semana e por fim a cláusula terceira: “A contratante pagará à contratada, pelos serviços acima descritos, o valor de R$ 600,00”. 13 — Comparamos o que já foi citado no item 14 do relatório Fiscal, às fls. 39, com o contrato de trabalho: Diante dos fatos como execução de serviços dentro da empresa (cláusula primeira), utilizando os próprios da empresa (cláusula primeira), cumprindo jornada de trabalho prédeterminadas (cláusula segunda), trabalhando na atividade fim (cláusula primeira ), executando serviços especificamente relacionados aos clientes da empresa (cláusula primeira ), cumprindo uma escala de serviço prédeterminada (cláusula segunda) ou ficando á disposição (conforme recibo de sobre aviso, anexos às fls. 100 a 106) e recebendo mensalmente pelos serviços prestados (cláusula terceira). ' (...) Fl. 233DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000215/200778 Acórdão n.º 240301.162 S2C4T3 Fl. 258 21 Observase que a AuditoriaFiscal expressamente caracteriza a relação de emprego, observando os requisitos que ensejam tal caracterização: 13 — Comparamos o que já foi citado no item 14 do relatório Fiscal, às fls. 39, com o contrato de trabalho: Diante dos fatos como execução de serviços dentro da empresa (cláusula primeira), utilizando os próprios da empresa (cláusula primeira), cumprindo jornada de trabalho prédeterminadas (cláusula segunda), trabalhando na atividade fim (cláusula primeira ), executando serviços especificamente relacionados aos clientes da empresa (cláusula primeira ), cumprindo uma escala de serviço prédeterminada (cláusula segunda) ou ficando á disposição (conforme recibo de sobre aviso, anexos às fls. 100 a 106) e recebendo mensalmente pelos serviços prestados (cláusula terceira). ' Neste mesmo diapasão, a decisão de primeira instância afasta os argumentos aduzidos pela empresa, em sede de Impugnação, reconhecendo a caracterização da relação de emprego: (...)Em que pese à tentativa da impugnante de desviar o foco da discussão para a falta de comprovação, o que deveria ter feito no prazo para impugnação, não atentou para o contrato da folha 97, sob o titulo de "Contrato de Prestação de Serviço sem Vinculo Empregatício, onde a psicóloga EDEN SARA BJOSKI NAKATSUKASA, foi contratada para atuar junto aos clientes dos serviços de hemodiálise da contratante, na sua sede, no período de segunda a sextafeira, cumprindo jornada de 22 horas semanais, percebendo remuneração de R$600,00 (seiscentos reais) mensais e, portanto, atendendo explicitamente aos requisitos para enquadramento da contratada como segurada empregada para fins de tributação previdenciária No presente caso, o contrato firmado deixa claro que o risco da atividade é da contratante e a remuneração independe do serviço efetivamente prestado, o que não deixa dúvidas quanto ao enquadramento da segurada. O mesmo ocorre no contrato firmado com a nutricionista Maria Lucia Oliveira Rosses para atendimento dos pacientes da Cardio Nefroclinica Delta S/S Lida, na própria nas dependências da contratante ou no consultório da contratada, recebendo o valor de R$674,16 (seiscentos e setenta e quatro reais e dezesseis centavos), desvinculado totalmente do atendimento, deixando evidente a relação contratual fática. Pelo exposto, depreendese Fl. 234DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 que é pratica da impugnante a realização de tais contratos buscando mitigar suas contribuições ao órgão arrecadador. A alegação de que os psicólogos, nutricionistas e assistentes sociais não são indispensáveis à prestação dos serviços da notificada, não constitui óbice ao enquadramento destes profissionais na condição de segurados empregados, posto que contribuem para a realização do objetivo principal da Empresa que, segundo documento da folha 84, Quinta Alteração Contratual e Consolidação da Sociedade Simples, alterou a redação da Cláusula Terceira do Contrato Social estabelecendo como objetivo da sociedade a "Prestação de serviços médicos e clinica de tratamento, prevenção e reabilitação de nefropatia e cardiopatia." e, portanto, incluindo os profissionais ora enquadrados como segurados empregados para fins previdenciários. (...) Portanto, restou evidente no caso em tela que a contratação de pessoas físicas (psicólogo, nutricionista e assistente social) alterou a forma como os serviços eram oferecidos pois agregou suporte a atividade principal com o objetivo de alcançar maior resultado operacional com os pacientes da Cardio Nefroclinica Delta S/S Ltda, devendo tais pessoas ser consideradas empregadas, para fins previdenciários. Aplicase portanto, ao caso, o artigo 9°, da Consolidação das Leis do Trabalho, que considera nulo de pleno direito os atos praticados com objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos nela contidos. E como o parágrafo 2° do art. 229 do Decreto 3.048/99, permite ao Auditor Fiscal desconsiderar o vinculo pactuado, a Auditoria, ao verificar a ocorrência dos requisitos da relação de emprego, agiu em conformidade com ditames legais e enquadrou corretamente os trabalhadores como empregados da notificada para efeitos da legislação previdenciária. Neste sentido de caracterização do segurado empregado quando presentes as premissas da relação de emprego, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aponta nesta direção: Segundo Conselho de Contribuintes . 6ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 20600979 do Processo 37299000092200552 Data 05/06/2008 Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2003 a 30/06/2004 CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA –SEGURADOEMPREGADO CARACTERIZAÇÃO. É atribuída à fiscalização da SRP a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregado da empresa contratante, desde que presentes os requisitos do art. 12, I, "a", da Lei n. 8.212/91. Os elementos caracterizadores do vínculo empregatício estão devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD. Recurso Voluntário Fl. 235DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000215/200778 Acórdão n.º 240301.162 S2C4T3 Fl. 259 23 Negado. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 2ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 1ª Turma Ordinária Título Acórdão nº 240300068 do Processo 10552000525200737 Data 08/07/2010 Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIASPERÍODO DE APURAÇÃO: 01/09/2002 A 30/11/2006CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTE PATRONAL E TERCEIROSCARACTERIZAÇÃODE VÍNCULO EMPREGATÍCIO.SEGURADOEMPREGADO. ASSOCIADOS ELEITOS PARA CARGO DE DIREÇÃO EM COOPERATIVA.A EMPRESA É OBRIGADA A ARRECADAR AS CONTRIBUIÇÕES A SEU CARGO E AS DESTINADAS AOS TERCEIROS E RECOLHER O PRODUTO ARRECADADO DENTRO DO PRAZO ESTIPULADO PELA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.SE O AUDITOR FISCAL CONSTATAR QUE OSEGURADO, QUALQUER QUE SEJA A DENOMINAÇÃO QUE LHE FOR DADA, PREENCHE AS CONDIÇÕES QUE CONFIGURAM A RELAÇÃO DE EMPREGO (PESSOA FÍSICA, PESSOALIDADE, ONEROSIDADE, SUBORDINAÇÃO E NÃO EVENTUALIDADE), DEVERÁ DESCONSIDERAR O VINCULO PACTUADO E EFETUAR O ENQUADRAMENTO COMOSEGURADOEMPREGADO.SÃOSEGURADOSCONTRIBUINTES INDIVIDUAIS EMPRESÁRIOS OS ASSOCIADOS ELEITOS PARA CARGO DE DIREÇÃO EM COOPERATIVA.RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DA 4ª CÂMARA / 3ª TURMA ORDINÁRIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, NAS PRELIMINARES POR UNANIMIDADE DE VOTOS EM REJEITAR A DECADÊNCIA. NO MÉRITO POR MAIORIA DOS VOTOS EM DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO E DETERMINAR O RECALCULO DA MULTA DE MORA COM BASE ART. 32A DA LEI 8.212/91 NA REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.941/2009 E PREVALÊNCIA DA MULTA MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. VENCIDOS OS CONSELHEIROS RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA E CLEUSA VIEIRA DE SOUZA (CONVOCADOS) QUE VOTARAM POR NEGAR PROVIMENTO. Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 20601581 do Processo 35582002142200777 Data 06/11/2008 Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2005CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOEMPREGADO AUDITORIA FISCAL COMPETÊNCIA. É atribuída à fiscalização a prerrogativa de, seja Fl. 236DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 24 qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregados, se constatar a ocorrência dos requisitos da relação de emprego. RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE DESCARACTERIZAÇÃO. Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, subsistirá a última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Recurso Voluntário Negado. Devemos observar a posição do CARF (conforme se observa de vários julgados) no sentido de que pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, subsistirá a última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Ou seja, houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores nos relatórios que compõem a NFLD, possibilitando o pleno conhecimento pela Recorrente. A contratação de trabalhadores por meio de pessoas jurídicas, sem que se demonstre o cumprimento aos preceitos legais e que a realidade fática diverge dos documentos apresentados, acaba por descaracterizar a contratação nessa modalidade, provocando o enquadramento como segurados empregados perante a Previdência Social. Diante das provas fáticas e materiais fartamente colacionadas pela Auditoria Fiscal nos autos, tanto em sede de Relatório Fiscal, quanto em sede de resposta à Solicitação de Diligência Fiscal, inclusive com as provas apontadas de irregularidades na contabilidade da empresa, conforme o Anexo do Relatório Fiscal, apresentado no processo nº 18329.000212/2007 34 às fls. 41 a 44, denominado “Demonstrativo de Observações Contábeis, afasto as argumentações da Recorrente e concluo que está presente a relação de emprego com características de pessoalidade, onerosidade, nãoeventualidade, subordinação, e continuidade, nos termos dos arts. 2° e 3º da CLT. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000215/200778 Acórdão n.º 240301.162 S2C4T3 Fl. 260 25 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 238DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 18329.000216/2007-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE
REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte.
No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 01/2002 a 04/2007, a ciência da NFLD ocorreu em 01.11.2007, dessa forma, já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 10/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES
DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35
da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991
(que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava
sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A,
para disciplinar a multa de
ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei
quando, tratando-se
de ato não definitivamente julgado, lhe comine
penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua
prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se
o cálculo da multa com
base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la
com a multa aplicada com
base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito
lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora
mais benéfica.
Ressalva-se
a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se
deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora
(com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art.
5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A,
Lei
8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos
legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.163
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade
de votos, em reconhecer a decadência até a competência de 10/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN. No Mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2007 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 01/2002 a 04/2007, a ciência da NFLD ocorreu em 01.11.2007, dessa forma, já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 10/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os Fl. 133DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 01/2002 a 04/2007, a ciência da NFLD ocorreu em 01.11.2007, dessa forma, já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 10/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000216/200712 Acórdão n.º 240301.163 S2C4T3 Fl. 135 3 ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência até a competência de 10/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN. No Mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 1810.554 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria – RS que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº. 37.048.7028, com ciência da Recorrente em 01.11.2007, às fls. 01, com valor consolidado inicial de R$ 25.101,01, sendo retificado para R$ 22.501,71. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias incidentes sobre as notas fiscais de serviço prestados por cooperados vinculados a cooperativas de trabalhos médicos e odontológicos, UNIMED e UNIODONTO, no período de 01/2002 a 04/2007. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09403881F00, foi emitido, às fls. 32. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, às fls. 14, é de 01/2002 a 04/2007. A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 01.11.2007, conforme fls. 01. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva, de fls. 41 a 59. A unidade julgadora de primeira instância fez Requisição de Diligência Fiscal, às fls. 78 a 79, nos seguintes termos: 1) A empresa foi notificada a recolher contribuições incidentes sobre o valor das notas fiscais de serviços prestados por cooperados vinculados a cooperativas de trabalhos médicos e odontológicos, UNIMED e UNIODONTO, no período de 01/2002 a 04/2007, devidas a Previdência Social e não recolhidas na época própria. 2. Segundo o relatório fiscal de fls. 30 e 31, a empresa notificada deixou de recolher as contribuições do inciso IV do artigo 22 da Lei n° 8.212/91, acrescentado pela Lei n° 9.876/99, c/c o inciso III do artigo 201 do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada ii Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (Vide Lei n9.317, de 1996) (..) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de Fl. 136DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000216/200712 Acórdão n.º 240301.163 S2C4T3 Fl. 136 5 cooperativas de trabalho .( Incluído pela Lei n° 9.876, de 26/11/99) 3. Considerando que a notificada, em sua peça impugnatória, alega que os valores das notas fiscais de serviços incluem materiais e equipamentos utilizados no processo de diálise. E que, ao considerar os valores totais das notas fiscais como efetiva remuneração dos serviços prestados a auditoria fiscal não considerou a possibilidade da inclusão de materiais e medicamentos, conforme alegado pela impugnante na folha 57 e previsto no artigo 291 da Instrução Normativa n° 03/2005. 4. Exposto o anterior e buscando esclarecer os fatos, solicitamos manifestação do auditor notificante quanto a possível inclusão de materiais e medicamentos no valor bruto das Notas Fiscais e/ou esta previsão no Contrato de prestação de Serviços (anexar documentos). A AuditoriaFiscal, em resposta à Solicitação de Diligência Fiscal, anexou os seguintes documentos, às fls. 63 a 64: Notas Fiscais da UNIMED e da UNIODONTO A AuditoriaFiscal, em resposta à Solicitação de Diligência Fiscal, se manifestou, às fls. 64, no sentido de que o levantamento está correto pois a empresa contestou o débito mas não trouxe aos autos provas da alegação. O Contribuinte, após regularmente intimado da resposta à Solicitação de Diligência Fiscal, se Manifesta às fls. 88 a 89, ratificando os pontos argüidos em sede de Impugnação. Após análise dos autos, houve a emissão do Acórdão nº 1810.554 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria RS, fls. 91 a 96, julgando procedente em parte a autuação, de forma a declarar parcialmente a decadência, com base no art. 150, § 4º, CTN, das competências 01/2002 a 10/2002, exceto a competência 03/2002 por não haver recolhimento nesta competência. Segue a Ementa do Acórdão nº 1810.554 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria RS: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2007 DECADÊNCIA – INCONSTITUCIONALIDADE PERÍCIA COMPROVAÇÃO A empresa contratante de serviço por intermédio de Cooperativa de Trabalho está obrigada ao recolhimento de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços a titulo de contribuição previdenciária. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Não compete a esfera administrativa a discussão de inconstitucionalidades e/ou ilegalidades. As alegações da impugnante devem ser acompanhadas das respectivas provas. Cabe ao julgador de primeira instância deliberar sobre a realização de perícias requeridas na impugnação. Lançamento Procedente em Parte Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 107 a 130, ratificando os pontos da defesa apresentados em sede de Impugnação, em síntese: Em sede Preliminar. (i) Preliminar de nulidade da decisão por imprescindível conexão de processos administrativos. A Recorrente requer que todos os processos administrativos de débito sejam julgados conjuntamente. Assim sendo, se faz necessário a decretação de nulidade da decisão proferida 4a Turma Julgadora da DRJ/STM, por evidente necessidade de união das NFLD nrs. 37.048.7028, 37.048.7036, 37.048.7044 37.048.7052 37.048.5650 Al 37.048.7060, Al 37.048.7079, Al 37.048.7028, Al 37.134.563 4, 37.134.5644, 37.134.5618 e 371345626, nos termos do § 1° do Art. 9° da Lei do Processo Administrativo Fiscal — Decreto 70.235/72, com redação dada pela Lei 11.196/2005, determinando novo julgamento pela instância de 1° grau com a devida união de todos os processos supra mencionados. (ii) Da inconstitucionalidade. A lei n°9.876, de 26.11.99, que alterou a Lei de Custeio da Previdência Social, padece do vicio de instituir a cobrança de nova contribuição previdenciária, a ser paga pelas empresas, consubstanciada no percentual de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que são prestados àquelas empresas por cooperados (associados), por intermédio de cooperativas de trabalho. O artigo 195, I, "a" da CF188, com a nova redação dada pela E.C. n° 20/98, prevê o financiamento da seguridade social pela empresa através de contribuições sociais incidentes sobre rendimentos do trabalho pagos ou creditados à pessoa física que lhe preste serviço. A Lei 9.876/99, ao desbordar dos pagamentos feitos à pessoa física para abranger, também, os pagamentos feitos as cooperativas, que são pessoas jurídicas, instituiu uma nova Fl. 138DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000216/200712 Acórdão n.º 240301.163 S2C4T3 Fl. 137 7 contribuição de seguridade social ainda não prevista no texto constitucional. E o fez de forma inválida, eis que o exercício da competência residual, com estepe no art. 195, § 4º , da Constituição Federal, pressupõe a via da lei complementar. Do Mérito. (iii) Diminuição da multa e dos juros por força da Lei 11.941/2009 Por justiça devese salientar que a inovação legislativa trazida pela Lei 11.941/2009 é posterior ao julgamento da 4a DRJ/STM, e portanto não poderia tal circunstância estar ao seu alcance. Entrementes, o reconhecimento da revogação da punibilidade da forma como imposta e a conseqüente insubsistência do Al 37.048.7028 por parte desta Egrégia Câmara, é matéria de direito público suscetível de reconhecimento de oficio. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 133. É o Relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação às fl. 133. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento Analisemos. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a Terceiros. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada NFLD que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD) Lei n° 8.212/91 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000216/200712 Acórdão n.º 240301.163 S2C4T3 Fl. 138 9 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); Fl. 141DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. CORESP Relatório de Coresponsáveis do Débito; g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal; i. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. j. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. k. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a NFLD 37.048.7028, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Fl. 142DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000216/200712 Acórdão n.º 240301.163 S2C4T3 Fl. 139 11 Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (B) Da decadência. Analisemos. Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a Fl. 143DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000216/200712 Acórdão n.º 240301.163 S2C4T3 Fl. 140 13 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quand onão há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada máfé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4º, CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000216/200712 Acórdão n.º 240301.163 S2C4T3 Fl. 141 15 Nesta corrente doutrinária podese citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1, Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4. Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência exposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º, CTN. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Na hipótese presente, verificase que a decisão de primeira instância constata, dentre as competências objeto da presente NFLD, pagamentos realizados pela Recorrente a homologar pela AuditoriaFiscal, embora não haja recolhimento na competência 03/2002, conforme se constata às fls. 94 a 95 na decisão de primeira instância. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN para todas as competências, posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte em pelo menos uma competência objeto da NFLD, além de não se materializar as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação da NFLD pela Recorrente, às fls. 01, se deu em 01.11.2007 e o débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social no seguinte período 01/2002 a 04/2007. Nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 10/2002, inclusive. (i) Preliminar de nulidade da decisão por imprescindível conexão de processos administrativos. A Recorrente requer que todos os processos administrativos de débito sejam julgados conjuntamente. Assim sendo, se faz necessário a decretação de nulidade da decisão proferida 4a Turma Julgadora da DRJ/STM, por evidente necessidade de união das NFLD nrs. 37.048.7028, 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248. 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 37.048.7036, 37.048.7044 37.048.7052 37.048.5650 Al 37.048.7060, Al 37.048.7079, Al 37.048.7028, Al 37.134.563 4, 37.134.5644, 37.134.5618 e 371345626, nos termos do § 1° do Art. 9° da Lei do Processo Administrativo Fiscal — Decreto 70.235/72, com redação dada pela Lei 11.196/2005, determinando novo julgamento pela instância de 1° grau com a devida união de todos os processos supra mencionados. Analisemos. A argumentação da Recorrente não prospera porque além de encontrar óbices no procedimento operacional da Secretaria da Receita Federal do Brasil e também do Ministério da Fazenda, temse que o art. 9º do Decreto 70.235/1972 apenas estabelece que a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Ou seja, conforme se depreende do art. 9º, Decreto 70.235/1972, não há, na legislação de regência do processo administrativo fiscal, dispositivo que obrigue a tramitação de processos conexos para julgamento conjunto. Decreto 70.235/1972 Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4o O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em decorrência de fiscalização relacionada a regime especial unificado de Fl. 148DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000216/200712 Acórdão n.º 240301.163 S2C4T3 Fl. 142 17 arrecadação de tributos, poderão conter lançamento único para todos os tributos por eles abrangidos.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica às contribuições de que trata o art. 3o da Lei no 11.457, de 16 de março de 2007. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) Da inconstitucionalidade. A lei n°9.876, de 26.11.99, que alterou a Lei de Custeio da Previdência Social, padece do vicio de instituir a cobrança de nova contribuição previdenciária, a ser paga pelas empresas, consubstanciada no percentual de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que são prestados àquelas empresas por cooperados (associados), por intermédio de cooperativas de trabalho. O artigo 195, I, "a" da CF188, com a nova redação dada pela E.C. n° 20/98, prevê o financiamento da seguridade social pela empresa através de contribuições sociais incidentes sobre rendimentos do trabalho pagos ou creditados à pessoa física que lhe preste serviço. A Lei 9.876/99, ao desbordar dos pagamentos feitos à pessoa física para abranger, também, os pagamentos feitos as cooperativas, que são pessoas jurídicas, instituiu uma nova contribuição de seguridade social ainda não prevista no texto constitucional. E o fez de forma inválida, eis que o exercício da competência residual, com estepe no art. 195, § 4º , da Constituição Federal, pressupõe a via da lei complementar. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar Fl. 149DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Do Mérito. (iii) Diminuição da multa e dos juros por força da Lei 11.941/2009 Por justiça devese salientar que a inovação legislativa trazida pela Lei 11.941/2009 é posterior ao julgamento da 4a DRJ/STM, e portanto não poderia tal circunstância estar ao seu alcance. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18329.000216/200712 Acórdão n.º 240301.163 S2C4T3 Fl. 143 19 Entrementes, o reconhecimento da revogação da punibilidade da forma como imposta e a conseqüente insubsistência do Al 37.048.7028 por parte desta Egrégia Câmara, é matéria de direito público suscetível de reconhecimento de oficio. Analisemos. Conforme já verificado no item (A), a lavratura da NFLD foi regular e atendeu aos preceitos da legislação tributárioprevidenciária, o que afasta de plano a argumentação de ter havido insubsistência parcial da NFLD no que tange a multa e os juros previstos respectivamente no art. 35, I, II e III Lei 8.212/91 e no art. 34 da mesma Lei. Outrossim, esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 151DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Portanto, devese recalcular a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NAS PRELIMINARES, se declarar a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados na competência 10/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN, e, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 152DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10882.721375/2019-09
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2013, 2014, 2015
ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO. INTERPOSTA PESSOA.
A exclusão do Simples Nacional dá-se de ofício mediante ato declaratório quando a pessoa jurídica optante ocorrer na sua constituição por interpostas pessoas, circunstância esta evidenciada pelo acervo fático-probatório.
SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO. FINALIDADES DAS ATIVIDADES.
As microempresas ou as empresas de pequeno porte poderão realizar negócios de compra e venda de bens e serviços para os mercados nacional e internacional, por meio de sociedade de propósito específico. No presente caso, as atividades desenvolvidas pela Recorrente não se coadunam com o previsto no inciso II do § 2º do art. 56 da LC nº 123/06.
ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO. INTERPOSTA PESSOA. CONFIGURAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO
A exclusão do Simples Nacional dá-se de ofício mediante ato declaratório quando a pessoa jurídica optante ocorrer na sua constituição por interpostas pessoas, caracterizando a existência de Grupo Econômico de Fato ante a administração única e direta de diversas empresas, por parte de integrantes de mesmo núcleo familiar, havendo controle societário comum e poderes de mando concentrado. Neste caso, cabe a apuração da receita bruta global, para fins de análise quanto à exclusão do Simples Nacional das empresas integrantes do grupo.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INTERESSE COMUM. CTN.
Exatamente pelo fato de constituírem um grupamento de contribuintes, sob a direção, controle ou administração de um mesmo conjunto de pessoas, há o interesse comum, na medida que o resultado de um deles interessa aos demais.
Numero da decisão: 1003-002.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2013, 2014, 2015 ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO. INTERPOSTA PESSOA. A exclusão do Simples Nacional dá-se de ofício mediante ato declaratório quando a pessoa jurídica optante ocorrer na sua constituição por interpostas pessoas, circunstância esta evidenciada pelo acervo fático-probatório. SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO. FINALIDADES DAS ATIVIDADES. As microempresas ou as empresas de pequeno porte poderão realizar negócios de compra e venda de bens e serviços para os mercados nacional e internacional, por meio de sociedade de propósito específico. No presente caso, as atividades desenvolvidas pela Recorrente não se coadunam com o previsto no inciso II do § 2º do art. 56 da LC nº 123/06. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO. INTERPOSTA PESSOA. CONFIGURAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO A exclusão do Simples Nacional dá-se de ofício mediante ato declaratório quando a pessoa jurídica optante ocorrer na sua constituição por interpostas pessoas, caracterizando a existência de Grupo Econômico de Fato ante a administração única e direta de diversas empresas, por parte de integrantes de mesmo núcleo familiar, havendo controle societário comum e poderes de mando concentrado. Neste caso, cabe a apuração da receita bruta global, para fins de análise quanto à exclusão do Simples Nacional das empresas integrantes do grupo. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INTERESSE COMUM. CTN. Exatamente pelo fato de constituírem um grupamento de contribuintes, sob a direção, controle ou administração de um mesmo conjunto de pessoas, há o interesse comum, na medida que o resultado de um deles interessa aos demais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 13 75 /2 01 9- 09 Fl. 418DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-002.932 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.721375/2019-09 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o acórdão 06-69.250, de 27 de março de 2020, proferido pela 7ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente mantendo Termo de Exclusão do Simples Nacional SRRF08/EASIN nº 56, de 14 de maio de 2019, Por relatar adequadamente os fatos até a apresentação da manifestação de inconformidade e para evitar repetições, adoto e transcrevo o relatório do acórdão recorrido, complementando-o mais adiante: “Trata-se de manifestação de inconformidade em face de Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples Nacional – Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) – de que trata o artigo 12 da Lei Complementar nº 123/2006. A Delegacia da Receita Federal do Brasil excluiu a empresa Dubhay – Serviços Gerais Ltda, inscrita no CNPJ: 14.042.787/0001-69, do Simples Nacional, com efeitos a partir de 02/2009, nos termos da Representação Fiscal para Fins de Exclusão do Simples Nacional e do Termo de Exclusão SRRF08/EASIN nº 56, de 14 de maio de 2019, em razão do excesso de receita bruta global, hipótese de exclusão a que se refere o art. 3º, §4º, incisos III e IV, bem como do disposto no art. 29, incisos I e IV e art. 31, inciso II, todos da Lei Complementar n°. 123, de 14 de dezembro de 2006. Consta da Representação Fiscal para fins de Exclusão da Empresa do Simples Nacional de forma sucinta, que as empresas Dubhay - Serviços Cadastrais Ltda, Dubhay - Serviços e Reformas em Instalações Ltda e Dubhay - Serviços Gerais Ltda integravam um mesmo grupo econômico de fato “DUBHAY Terceirização Especializada”. Que os Srs. Humberto Caetano Fazzi e Ademir Donizete Prestes e respectivos cônjuges são os reais sócios das três empresas, tendo os mesmos interpostos seus filhos nos quadros societários das empresas Dubhay - Serviços e Reformas em Instalações Ltda e Dubhay - Serviços Gerais Ltda. Além de tais fatos ficou demonstrado na Representação Fiscal que todas as empresas seriam de propriedade e controle dos sócios Srs. Humberto e Ademir e que ao constatar tal situação procedeu com o somatório das receitas das três empresas e verificou-se que estas ultrapassavam o limite legal para a permanência das empresas no regime diferenciado, motivo pelo qual foi emitido o Termo de Exclusão da Empresa do Simples Nacional, para cada uma das três empresas. As empresas Dubhay - Serviços Gerais, Dubhay - Sistemas e Serviços Cadastrais Ltda e Dubhay - Serviços e Reformas em Instalações Ltda, apresentaram defesa em conjunto em face das exclusões destas do Simples Nacional, com os seguintes argumentos. Fl. 419DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-002.932 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.721375/2019-09 Das Sociedades de Propósito Específico – SPE Que o Fisco considerou indevidamente que as empresas constituíam um grupo econômico de fato, por supostamente serem interligadas e dependentes entre si. Com base em tal conclusão a Fiscalização baseou-se no faturamento global de todas as empresas para fins de excluí-las do Simples Nacional, o que não pode ser concebido, visto que na verdade as empresas são sociedades com propósitos diversos, não havendo interdependência entre as mesmas. Informa que uma das empresas atua em atividades corporativas, outra com clientes sem atividades econômicas e a terceira cuida de reformas e instalações. Explica que na verdade existem sociedades com propósitos específico, ainda que de fato, constituídas com se fossem um grupo com a marca DUBHAY. Menciona que em determinados momentos o enquadramento no Simples Nacional não representa vantagem tributária, sendo a opção útil para efeitos de simplificação contábil- fiscal. Aduz que a associação das três empresas em razão do nome foi no sentido de ganhar competitividade e maior eficiência como seria próprio de uma SPE. Assevera que o art. 56 da LC nº 123/2006, introduzido pela LC nº 147/2013, permitiu que as micro e pequenas empresas constituíssem Sociedade de Propósito Específico como forma de garantir maior competitividade para essas empresas, para tanto, necessário para tal intento que as empresas fossem optantes pelo Simples Nacional. Relata que para constituir SPE as empresas devem ser autônomas e independentes, inclusive com CNPJ diferentes, porém não perdem suas personalidades jurídicas, visto serem apenas associadas. Entende que as empresas que integram este tipo de sociedade podem se auxiliarem mutuamente no cumprimento de seus objetivos e interesses comuns. Alega que se o Fisco pode considerar que as empresas formam um Grupo Econômico de fato deve, também, considerar a situação das empresas com uma Sociedade de Propósito Específico, conforme previsão contida no art. 56 da LC nº 123/2006. Aduz que cada uma das empresas possui autonomia financeira, jurídica e administrativa, sedes diferentes, inclusive com divisão de lucros individualizados, como é necessário para as empresas integrantes de uma SPE, conforme comprovam os balancetes e declarações de imposto de renda. Informa que a própria Fiscalização relata que as empresas possuem o mesmo objetivo social o que facilita o reconhecimento de uma SPE de fato. Entende que mesmo que a SPE não tenha registro constitutivo é sabido que os arts. 986 e 990 do CC permitem que as sociedades não personalizadas podem ser regularizadas, bastando o registro de seus atos constitutivos no registro público, sendo fato notório que estas e as sociedades irregulares tem existência de fato. Argumenta que a SPE surgiu com o CC de 2002 e poderia ser utilizada por empresas integrantes do Simples Nacional, mesmo antes da previsão contida no art. 56 da LC nº 123/2006, visto que não há incompatibilidade na aplicação de ambos os regimes simultaneamente, pois no direito privado tudo que não proibido é permitido. Afirma que a situação fática realizada entre as empresas é de uma associação de empresas, que constituem uma SPE, sendo esta a essência que deve prevalecer sobre a forma, conforme consignado nos arts. 114, 116 e 149 do CTN. Apresenta julgado do STF no qual foi reconhecido que uma determinada situação não prevista em lei, por constituir se um fato corriqueiro da vida não pode o direito desconhecer, conforme Súmula 380 do STF. Nesta linha, informa que os usos e costumes são fontes de direito em razão do art. 375 do CPC/2015. Que o SEBRAE fez estudos que indicam que é cada vez maior o número de micro e pequenas empresas que se associam para determinados Fl. 420DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-002.932 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.721375/2019-09 fins, caracterizando costume, que o fisco, vem definindo de forma simplória como Grupo Econômico de Fato. Da Solidariedade Passiva Entende que as empresas autuadas, como solidariamente responsáveis, não podem ser consideradas devedoras, visto que somente haveria a solidariedade quando ocorresse a responsabilidade dos sócios, nos termos do art. 50 do CC, consoante entendimento do STJ. Assevera que também seria possível haver a responsabilidade solidária quando houvesse o descumprimento do §4º do art. 56 da LC nº 123/06, ou seja, quando uma das empresas participasse de mais de uma SPE, o que não é o caso dos autos. Explica que o STJ vem entendendo que a responsabilidade solidária dos sócios ocorreria na hipótese de encerramento irregular da sociedade e que a simples insolvência ou dissolução, ainda que irregular, não são suficientes para a invasão patrimonial dos sócios. Aduz que também não se aplica o art. 135 do CTN, visto que não houve infração a lei e nem ao contrato social, pelo contrário as empresas teriam apenas se utilizado de previsão contida em lei para visando constituir uma SPE. Aduz que ainda que houvesse a solidariedade, esta não autoriza o cômputo global do faturamento das empresas integrantes do grupo para o efeito de excluí-las do Simples Nacional e nem a apuração do crédito tributário. Traz diversos arts. da LC nº 123/06 e das Resoluções CGSN nº 140/2018 e afirma que não ocorreu qualquer das hipóteses de exclusão, sendo que o faturamento se manteve dentro do permitido, não havendo interposição de pessoas na constituição das empresas e nem há provas nos autos que confirmam a decisão da Auditoria Fiscal. Interposta Pessoa Informa que não houve a interposição de pessoas no Grupo de Empresas, o que ocorreu é que devido a demanda de diversos trabalhos criou-se novas empresas, porém todas com vida própria. Esclarece que para haver a caracterização de simulação na constituição das empresas deveria a Fiscalização ter demonstrado que as empresas ocupavam o mesmo espaço físico, desenvolviam o mesmo objeto social, utilizavam se dos mesmos colaboradores e maquinários. Quanto ao grau de parentesco entende que pode existir, visto que as empresas desenvolviam atividades próprias, o que não caracteriza a constituição de um grupo econômico familiar. Salienta que em momento algum o Fisco demonstrou a falta de realização de serviços, que as empresas são de fachada, que houve confusão patrimonial, contábil ou financeira ou que as empresas utilizavam o mesmo prédio comercial, posto que os imóveis foram adquiridos a mesma época, e cada empresa tem sua sala específica. Entende que as provas colhidas pela Fiscalização não permitem concluir que houve interposição de pessoas, que tinham o mesmo administrador, que os empreendimentos eram fragmentados de forma fraudulenta e nem que houve formação de grupo econômico de fato, motivos pelos quais não há razão para a exclusão das empresas do Simples Nacional. Argumenta que o fato de um dos sócios estar fora do Brasil não é motivo para o seu afastamento do quadro social, visto que ele produzia as tarefas mesmo fora da sede da empresa. Apresenta julgado da JF de DF a respeito de uma Procuradora da Fazenda Nacional exercer suas atividades na França, por meio do regime de teletrabalho. Fl. 421DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-002.932 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.721375/2019-09 Pedido Por fim, requer o acolhimento da Manifestação de Inconformidade para julgar improcedente o ato de exclusão, visto que não se comprovam os fatos narrados pela Fiscalização, que não há prova de interposta pessoa no quadro social das defendentes, que não possuíam o mesmo objeto social. Ainda, solicita que os processos de exclusão das três empresas envolvidas sejam julgados em conjunto (10882.721375/2019-09, 10882.721373/2019-10 e 10882.721374/2019-56) e que seja dado efeito suspensivo aos atos de exclusão”. Por sua vez, a 7ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja decisão restou assim ementada: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2013, 2014, 2015 COMPETÊNCIA. ATIVIDADE FISCALIZADORA. Compete a autoridade administrativa apurar os fatos tal como efetivamente ocorridos, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora que não pode ficar adstrita aos aspectos formais dos atos e fatos. SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO. FINALIDADES DAS ATIVIDADES. As microempresas ou as empresas de pequeno porte poderão realizar negócios de compra e venda de bens e serviços para os mercados nacional e internacional, por meio de sociedade de propósito específico, nos termos do disposto no inciso II do § 2º do art. 56 da LC n° 123/2006. SIMPLES NACIONAL. GRUPO ECONÔMICO. APURAÇÃO RECEITA BRUTA GLOBAL. ADMISSIBILIDADE. Constatada a existência de grupo econômico de fato, caracterizado pela administração única e direta de diversas empresas, por parte de integrantes de mesmo núcleo familiar, havendo controle societário comum e poderes de mando concentrado, é cabível a apuração da receita bruta global, para fins de análise quanto à exclusão do Simples Nacional das empresas integrantes do grupo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário reiterando argumentos já elencados por ocasião da manifestação de inconformidade, que podem assim ser resumidos: a) Em decorrência de processos administrativos (10882.721375/2019-09, 10882.721373/2019-10, 10.882.721374/2019-56, onde sequer se apurou créditos tributários não quitados, houve o ADE excluindo 3 (três) empresas (DUBHAY SERVIÇOS GERAIS LTDA, CNPJ 14.042.787/0001-69, DUBHAY SISTEMAS E SERVIÇOS CADASTRAIS LTDA, CNPJ 08.670.164/0001-38, DUBHAY SERVIÇOS E REFORMAS EM INSTALAÇÕES LTDA, CNPJ 10.655.080/0001-77, do sistema de recolhimento de tributo do Simples Nacional. Fl. 422DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-002.932 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.721375/2019-09 b) Para a exclusão das empresas integrantes do Simples Nacional o Fisco considerou, erroneamente, que as empresas mencionadas constituíam um grupo econômico de fato, isso em razão de supostamente serem interligadas e dependentes entre si. Acontece, porém que, segundo a Recorrente, a interpretação do Fisco está totalmente equivocada, pois, na verdade, a situação fática das empresas integrantes do Simples Nacional é a constituição de sociedades com propósitos diversos, não havendo interdependência entre as mesmas; c) Diante disto, para a Recorrente, a interpretação do Fisco, no sentido de existência de grupo econômico de fato para estabelecer a responsabilidade solidária das empresas integrantes do simples nacional está, data vênia, equivocada, pois na verdade o que existe são 3 sociedades cada uma com propósito especifico, ainda que de fato, constituídas como se fossem grupo econômico, pelo uso da marca DUBHAY; d) Não há nenhuma referência, na legislação do Simples Nacional, à formação de grupo econômico como causa de exclusão do Simples Nacional e nem autorização para o somatório de receitas a fim de configurar excesso do limite previsto no referido regime, mas sim a figura jurídica da sociedade de propósito específico prevista no artigo 56 da lei Complementar nº 123/2006; e) Não restou comprovado nos autos do processo a ocorrência de "confusão patrimonial", nem de “caixa único”, muito menos a existência de hierarquia ou subordinação em que uma empresa exerce o poder de dominação em face das demais; f) Não houve prática de simulação na constituição de pessoas jurídicas formalmente autônomas, nem abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial" e nem "atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não autorizando o procedimento de considerá-las como pertencentes a um grupo econômico, portanto, não passíveis de responsabilização solidária; g) Não há provas que demonstrem que efetivamente há unicidade de comando e estratégico entre as empresas, e que as questões administrativas, contábeis, operacionais e de recursos humanos se confundem entre elas a demonstrar o efetivo interesse jurídico comum no fato gerador do tributo. h) Não restou demonstrada a ocorrência de qualquer das hipóteses taxativas de exclusão de uma empresa do Simples Nacional, logo, é absolutamente indevida a exclusão das Recorrentes, por ausência de fundamentação leal para tal medida. Por fim, a Recorrente requereu: “DO PEDIDO. Por fim, requer seja acolhida o Presente Recurso Ordinário, para se julgar improcedente o ato de exclusão (Atos Declaratórios Executivos), mantendo as requerentes no SIMPLES NACIONAL como medida de legalidade Não se comprovam os fatos narrados pelo Auditor Fiscal para justificar o ato de exclusão com os elementos trazidos aos autos. Fl. 423DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-002.932 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.721375/2019-09 Não há qualquer prova de interposta pessoa no quadro social das Recorrentes. Não pode o Fisco desqualificar os atos constitutivos das Recorrentes, sem prova contundente de que, nos documentos apresentados pelo contribuinte. Reside o vício de inidoneidade ou inconsistência, justo porque o resultado implicará pagamento de tributo. O fato de que um dos sócios esteve períodos fora do Brasil não é motivo de seu afastamento do quadro social, de vez que ele pode produzir as suas tarefas mesmo fora da sede da empresa. Este sócio não comunicou à Receita Federal a mudança de domicílio para o Exterior. Aliás, a Justiça Federal de Brasília assim decidiu em relação a uma Procurada da Fazenda Nacional, determinado que a procuradora da Fazenda Nacional Fabíola de Castro pode exercer suas atividades profissionais na França, por meio do regime de teletrabalho – também conhecido como home office Desde 2017, a procuradora pedia para mudar seu domicílio para o país europeu e continuar com seu trabalho. Ela é casada com o diplomata Pedro Marcos de Castro Saldanha, que foi removido para exercer missão permanente na Embaixada do Brasil em Paris. O casal tem duas filhas. A procuradora, que é da Coordenação de Atuação Judicial no Superior Tribunal de Justiça (STJ), já estava trabalhando no país Europeu desde a mudança de local de trabalho de seu marido. Entretanto, ela queria a confirmação da mudança de seu domicílio para a França para, assim, manter suas atividades por home office de forma definitiva. Em uma primeira tentativa, ainda em 2017, ela pleiteou administrativamente pela mudança de domicílio. Entretanto, o pedido foi negado por falta de conclusão sobre o assunto por parte da Controladoria-Geral da União (CGU). “Como não se tem notícia da conclusão dessa análise, não me parece prudente deferir o pedido, ainda que eu reconheça, friso, o interesse da PGFN em continuar contando com a força de trabalho representada pela Interessada. Por tal razão, indefiro o pedido formulado pela Interessada”, assevera a decisão. Com isso, a procuradora procurou o Judiciário para tentar obter uma autorização definitiva para ficar na França. Primeiramente, a juíza federal Luciana Raquel Tolentino de Moura, da 7ª Vara cível da Seção Judiciária do Distrito Federal concedeu tutela de urgência para permitir que Fabíola exerça suas funções por home office. Agora, nesta terça-feira (11/6/2019), a mesma magistrada julgou procedente o pedido da procuradora, analisando o mérito do processo. “O pedido do demandante não prejudica a Administração Pública, haja vista que a servidora continuará a exercer as suas funções e submetida a uma carga [de processos] superior de, no mínimo quinze por cento, consoante determina o art. 5º da Portaria nº. 487/2016, da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional”, afirmou a magistrada. Ela acrescenta que a própria PGFN já manifestou, ao analisar o pedido da procuradora para ficar na França, o interesse de que Fabíola mantivesse suas atividades de trabalho mesmo que não estivesse em território brasileiro. No pedido administrativo feito pela procuradora, apesar da solicitação ter sido indeferida por falta de conclusão na análise da CGU, a PGFN afirma que “haveria real interesse da PGFN no deferimento do pedido”. “Todavia, sob o aspecto jurídico, por não haver um tratamento legal específico para a hipótese, esta PGFN, em janeiro de 2017, consultou a CGU/AGU, para que aquele órgão pudesse fixar um entendimento a ser seguido uniformemente pelos órgãos da AGU. Todavia, a manifestação exarada pela Fl. 424DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-002.932 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.721375/2019-09 CGU/AGU não foi conclusiva”, assevera a decisão da PGFN, que agora foi revertida pela Justiça Federal. O processo tramita sob o número 1013078-68.2017.4.01.3400. Ressalte-se ainda que as Empresas não tinham o mesmo objetivo social, cada uma estava estabelecida em um determinado foco de atividade, não havia mesmo tipo de clientela para o mesmo serviço em mais de uma das empresas. Requer mais, que os processos abaixo sejam objeto de julgamento conjunto do Recurso Ordinário: 10882.721375/2019-09 10882.721373/2019-10 10.882.721374/2019-56” É o relatório Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Em que pese a Recorrente ter apresentado uma única peça recursal com argumentos alusivo a este processo e a outro dois, destaco que serão objeto de análise somente aqueles relacionados à presente lide. Exclusão do Simples Nacional - Interposição de Pessoas, Formação de Grupo Econômico de Fato, Simulação, Não caracterização de Sociedades de Propósito Específico - SPE Conforme já relatado, a discussão do mérito restringe-se ao fato de ter a Recorrente sido excluída do Simples Nacional, a partir de 02/2009, nos termos da Representação Fiscal para Fins de Exclusão do Simples Nacional e do Termo de Exclusão SRRF08/EASIN nº 56, de 14 de maio de 2019, em razão do excesso de receita bruta global, hipótese de exclusão a que se refere o art. 3º, §4º, incisos III e IV, bem como do disposto no art. 29, incisos I e IV e art. 31, inciso II, todos da Lei Complementar n°. 123, de 14 de dezembro de 2006. Desta maneira, a exclusão em questão foi precedida pela Representação Fiscal para Fins de Exclusão do Simples Nacional em que constatou que as empresas Dubhay - Serviços Cadastrais Ltda, Dubhay - Serviços e Reformas em Instalações Ltda e Dubhay - Serviços Gerais Ltda., ora Recorrente, integravam um mesmo grupo econômico de fato “DUBHAY Terceirização Especializada”. Restou comprovado, também que os Srs. Humberto Caetano Fazzi e Ademir Donizete Prestes e respectivos cônjuges são os reais sócios das três Fl. 425DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-002.932 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.721375/2019-09 empresas, tendo os mesmos interpostos seus filhos nos quadros societários das empresas Dubhay - Serviços e Reformas em Instalações Ltda e Dubhay - Serviços Gerais Ltda. Além de tais fatos, ficou demonstrado na Representação Fiscal que todas as empresas seriam de propriedade e controle dos sócios Srs. Humberto e Ademir e que ao constatar tal situação procedeu-se ao somatório das receitas das três empresas e verificou-se que estas ultrapassavam o limite legal para a permanência das empresas no regime diferenciado, motivo pelo qual foi emitido o Termo de Exclusão da Empresa do Simples Nacional, para cada uma das três empresas. A Recorrente discorda de sua exclusão do Simples Nacional, contudo, razão não lhe assiste, conforme será demonstrado. Incialmente, há se frisar que o tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória é aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte. Elevado à condição de princípio constitucional da atividade econômica orienta os entes federados visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações tributárias (art. 170 e art. 179 da Constituição Federal). A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - Simples Nacional, que é gerido pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A pessoa jurídica que preenche as condições legais realiza a opção irretratável para todo o ano-calendário por meio eletrônico no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia. Na hipótese do início de atividade a opção é exercida nos termos legais. A optante deve efetivar o pagamento do valor devido determinado mediante aplicação das alíquotas efetivas sobre a base de cálculo, ou seja, receita bruta auferida no mês, bem como apresentar a RFB anualmente declaração única e simplificada de informações socioeconômicas e fiscais com natureza de confissão de dívida. A manifestação unilateral da RFB deve ser formalizada por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade. Para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente (art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965 e Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). A exclusão é feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes. Verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória no caso de incorrer em qualquer das situações de vedação ou em condutas incompatíveis o procedimento é efetivado de ofício mediante emissão de ato próprio pela autoridade competente. A pessoa jurídica excluída do Simples Nacional sujeita-se, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (art. 29 e art. 32 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Fl. 426DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-002.932 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.721375/2019-09 A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, prevê: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando: [...] IV - a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas; Conforme o Vocabulário Jurídico Tesauro do Supremo Tribunal Federal (STF) tem-se que: Interposta Pessoa [...] 1. Pessoa que age em nome de outra, utilizando nome próprio. Também conhecida como testa-de-ferro ou presta-nome. A Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que institui o Código Civil, determina: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados. A Lei nº 4.502, de 30 de dezembro de 1964, prescreve: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Infere-se que o instituto da interposição de pessoas trata-se de simulação de natureza subjetiva relativa. Por outro lado, sobre a formação de grupo econômico, o Parecer Normativo Cosit/RFB, nº 04, de 10 de dezembro de 2018, esclarece: Fl. 427DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-002.932 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.721375/2019-09 Grupo econômico irregular 20. O primeiro questionamento da consulta interna que ensejou o presente Parecer Normativo foi: "o art. 124, do CTN, admite a responsabilização solidária por débitos tributários entre componentes do mesmo grupo econômico quando restar comprovada a existência de liame inequívoco entre as atividades desempenhadas por seus integrantes mediante comprovação de confusão patrimonial ou de outro ato ilícito contrário às regras societárias?". 20.1. Na jurisprudência e na doutrina, a hipótese mais tratada para a responsabilização solidária é para o que se denominou "grupo econômico", especificamente quando há abuso da personalidade jurídica em que se desrespeita a autonomia patrimonial e operacional das pessoas jurídicas mediante direção única. [...] 22. Desta feita, não é a caracterização em si do grupo econômico que enseja a responsabilização solidária, mas sim o abuso da personalidade jurídica de pessoa jurídica, a qual existe apenas formalmente, uma vez que inexiste autonomia patrimonial e operacional. Nesta hipótese, a divisão de uma empresa em diversas pessoas jurídicas é fictícia. A direção e/ou operacionalização de todas as pessoas jurídicas é única. O que se verifica nesta hipótese é a existência de um grupo econômico irregular, terminologia a ser utilizada no presente Parecer Normativo. [...] Está comprovado nos autos que a Recorrente e as demais empresas compõem um único negócio. A liberdade de organização permite que o contribuinte organize o seu negócio da maneira que lhe aproveitar, entretanto, não pode fazê-lo de forma abusiva, simulando e enganando o Fisco para aproveitar benefícios tributários a que não faz jus. Conquanto a interposição de pessoas não possa realmente ser deduzida de um único indício, entendo que o arcabouço probatório levantado pela fiscalização demonstra a ocorrência de simulação subjetiva. Aliás, a comprovação de simulação, em geral, se dá por provas indiretas, sendo raro se projetar através de provas diretas. As provas carreadas aos autos, em seu conjunto, demonstram a interposição de pessoas. Ademais, o fundamento para a exclusão não é, pura e simplesmente, a caracterização do grupo econômico de fato ou a solidariedade passiva que responsabiliza às empresas do grupo por débitos constituídos, mas sim a realidade subjacente que advém dessa caracterização, qual seja, a dependência entre as empresas, que atuam com sócios e administradores em comum. Nessa hipótese, o faturamento para fins de apuração do limite legal não pode ser considerado individualmente (por empresa integrante do grupo), mas na sua totalidade, fazendo com que ultrapasse o limite permitido pela legislação de regência do Simples Nacional. Destarte, repise-se: o conjunto de provas dos autos demonstrou a artificialidade da estrutura operacional da Recorrente. A conduta fraudulenta, com a constituição de pessoa jurídica supostamente independente, objetivou a inclusão indevida no Simples Nacional e a obtenção do benefício da redução dos tributos e contribuições. Fl. 428DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1003-002.932 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.721375/2019-09 Evidenciado o caso concreto, o Fisco encontra-se autorizado legalmente a determinar os efeitos tributários decorrentes do negócio realmente realizado no lugar daqueles que seriam produzidos pelo negócio retratado na forma simulada pelas partes. Em tempo, no Acórdão 9101.004.333, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu que configura-se simulação e fraude quando os elementos probatórios indicam que duas ou mais sociedades empresárias constituem um único empreendimento de fato, sendo que uma delas de utiliza na execução de suas atividades fins da força de trabalho formalmente vinculada à outra que, por sua vez é optante do Simples Nacional. Segue trecho da ementa da dita decisão: FRAUDE E SIMULAÇÃO. PESSOA INTERPOSTA Configura-se simulação e fraude quando os elementos probatórios indicam que duas ou mais sociedades empresárias constituem um único empreendimento de fato, sendo que uma delas se utiliza, na execução das suas atividades fins, da força de trabalho formalmente vinculada à outra que, por sua vez, é optante pelo regime simplificado de tributação (Simples Nacional). Vale frisar, ainda, não prevalecer o argumento da Recorrente no sentido de que a associação das três empresas em razão do nome ((DUBHAY SERVIÇOS GERAIS LTDA, CNPJ 14.042.787/0001-69, DUBHAY SISTEMAS E SERVIÇOS CADASTRAIS LTDA, CNPJ 08.670.164/0001-38, DUBHAY SERVIÇOS E REFORMAS EM INSTALAÇÕES LTDA, CNPJ 10.655.080/0001-77) configuraria uma Sociedade de Propósito Específico, mesmo que não registradas como tal, visto que de fato as atividades desenvolvidas pelas empresas encontrariam amparo nos requisitos necessários para tal caracterização. Tal argumento não merece prosperar, pois não há, in casu, a caracterização de uma SPE. Ora, de acordo com o art. 56 da Lei Complementar nº 123, de 2006, as ME e EPP optantes pelo Simples Nacional poderão realizar negócios de compra e venda de bens, para os mercados nacional e internacional, por meio de sociedade de propósito específico, sendo que não poderão integrar esta sociedade pessoas jurídicas não optantes por aquele regime de tributação, verbis: “Art. 56. As microempresas ou as empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional poderão realizar negócios de compra e venda de bens, para os mercados nacional e internacional, por meio de sociedade de propósito específico nos termos e condições estabelecidos pelo Poder Executivo federal. § 1º Não poderão integrar a sociedade de que trata o caput deste artigo pessoas jurídicas não optantes pelo Simples Nacional. § 2º A sociedade de propósito específico de que trata este artigo: I - terá seus atos arquivados no Registro Público de Empresas Mercantis; II - terá por finalidade realizar: a) operações de compras para revenda às microempresas ou empresas de pequeno porte que sejam suas sócias; Fl. 429DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1003-002.932 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.721375/2019-09 b) operações de venda de bens adquiridos das microempresas e empresas de pequeno porte que sejam suas sócias para pessoas jurídicas que não sejam suas sócias; [...]” Deve-se ressaltar que Sociedade de Propósito Específico (SPE) não constitui um tipo societário próprio e previsto na legislação societária – como, por exemplo, as Sociedades em Conta de Participação. Trata-se apenas de uma classificação dada a sociedades cujo objeto social seja específico e determinado. No caso do Simples Nacional, são definidas quais características devem possuir a SPE, além de um objeto social restringido, para que a participação em seu capital não constitua óbice à admissão de uma sua sócia na sistemática do Simples Nacional (Art. 56, LC nº 123/2006) No caso sob exame, constata-se que as empresas não executam as atividades determinadas pela lei, visto que uma das empresas atua em atividades corporativas, outra com clientes sem atividades econômicas e a terceira cuida de reformas e instalações, conforme pode- se observar do contido no objeto social destas, como bem demonstrado no acórdão de piso. Neste contexto, analisando as atividades constantes de seus objetos sociais verifica- se que as empresas exploram ramo de atividades que não se amoldam ao contido no inciso II do §2º do art. 56 da LC nº 123/2006. Para que as empresas pudessem constituir uma SPE, necessário que realizem atividades de operações de compras para revenda às empresas que sejam suas sócias e/ou operações de venda de bens adquiridas das suas sócias para pessoas jurídicas que não sejam suas sócias, o que não ocorre no caso. O acontece, na verdade, é que as empresas exercem atividades de terceirização de serviços e não propriamente de comercialização de produtos adquiridos por meio de uma empresa centralizadora – SPE. Portanto, o objeto social realizado pelas empresas não permite que se unam para fins de se criar uma SPE, mesmo que a posteriori, uma vez que as atividades não se coadunam com o previsto no inciso II do § 2º do art. 56 da LC nº 123/06. Destarte, divergentemente do entendimento da Recorrente, do conjunto de fatos cabalmente provados nos autos verifica-se a correta exclusão da Recorrente do Simples Nacional. Assim sendo, a decisão de primeira instância está perfeitamente motivada de forma explícita, clara e congruente e em harmonia com a legislação tributária, razão pela qual está correta. E, como as razões recursais são as mesmas já elencadas pela Recorrente em sede de manifestação de inconformidade, as quais foram apreciadas pela decisão de primeira instância e com a qual manifesto minha concordância, valho-me da prerrogativa estatuída no art. 57, § 3º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, adotando em complemento as minhas as razões de decidir, aquelas expendidas no acórdão de piso conforme reprodução abaixo: Fl. 430DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 1003-002.932 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.721375/2019-09 “Da Situação Fática das Empresas A exclusão da empresa do Simples Nacional estão amparadas nas vedações contidas na LC nº 123/06, conforme abaixo: Art.3 Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se microempresas ou empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: (...) § 4º Não se inclui no regime diferenciado e favorecido previsto nesta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: III - de cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empresário ou seja sócia de outra empresa que receba tratamento jurídico diferenciado nos termos desta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; (...) V – cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; ... Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar- se-á quando: I - verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória”; De início, deve restar consignado que a autoridade administrativa possui a prerrogativa de identificar corretamente os fatos tal como efetivamente ocorridos, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora que não pode ficar adstrita aos aspectos formais dos atos e fatos. Explica-se. Um dos pilares do direito tributário está consignado no CTN, artigos 114 (que define o fato gerador), 1161 e 149, os quais prevêem a possibilidade de buscar a realidade subjacente a quaisquer formalidades jurídicas, a partir da identificação concreta e material da situação legalmente necessária à ocorrência do fato gerador. Corolário de tal premissa culmina no poder de requalificar o negócio/vínculo aparente entre empresas e trabalhadores, apurando e cobrando o tributo efetivamente devido nos termos do art. 142 do CTN. Tais disposições regulamentares decorrem da própria natureza da atividade fiscalizatória, inerente ao poder-dever estatal de tributar, previsto, dentre outros, no art. 114 do CTN. Assim, a fiscalização nada mais fez do que buscar a verdade material, identificando os fatos geradores ocorridos vinculados ao seu respectivo sujeito passivo, aplicar a legislação tributária de acordo com os fatos por ela constatados, em detrimento da verdade jurídica aparente. É certo que o sujeito passivo, ao encontrar-se diante de vários caminhos lícitos, pode optar por aquele que lhe seja mais vantajoso. Este espaço de escolha decorre da Fl. 431DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 1003-002.932 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.721375/2019-09 premissa de que ninguém pode ser obrigado a adotar a opção que lhe implica maior ônus fiscal e encontra-se respaldado na legalidade consagrada pelo artigo 5°, II da Constituição Federal. No entanto, esta liberdade de escolha não vai além dos limites traçados pelo ordenamento jurídico, e é justamente na quebra da legalidade que deve a fiscalização se pautar quando atribui a responsabilidade pelos tributos apurados a sujeito diverso daquele que seria responsável à luz das formalidades com as quais se revestem os atos e negócios jurídicos praticados. O fato é que – diante de todos os demais indícios e elementos encontrados, in loco, pela fiscalização, aliados aos documentos trazidos aos autos – o regime de tributação por meio de empresas optantes do Simples podem ser desconsiderados ou desqualificados, para fins exclusivamente tributários. O conjunto probatório relatado pela fiscalização - ancorado em elementos e evidências, não de forma isolada, mas dentro de um contexto abrangente -, dão-nos forma de uma disposição empresarial atípica em que os dispêndios com a mão-de-obra são ônus que se encontram concentrados nas empresas do Simples Nacional, permitindo as empresas beneficiar-se das prerrogativas de tributação que, de outra forma, não lhe seria possível usufruir. Assim temos que a realidade tributária essencial das atividades realizadas pelas empresas foi modificada artificialmente e tal artifício teve como propósito oferecer validade jurídica e formal a uma disposição negocial exclusivamente concebida e destinada a obter vantagens fiscais indevidas. Além do que, se à Autoridade Fiscal é permitido carrear as provas que entender necessárias para comprovação da infração, ao julgador administrativo lhe é assegurado o princípio do livre convencimento, esculpido no artigo 29 do Decreto n.° 70.235, de 1972: Art. 29 - Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. (destacou-se) Neste ponto é importante que se avalie os elementos de convicção trazidos pela Fiscalização para fins de se verificar se as empresas do Grupo Dubhay, funcionavam, na prática, com o intuito de suprimir o pagamento de tributos, tendo em vista que as três empresas eram optantes do Simples Nacional. Da Sociedade de Propósito Específico - SPE O Manifestante alega que as empresas devem ser consideradas como formadores de uma SPE, nos termos da previsão contida no art. 56 da LC nº 123/06, mesmo que não registrada como tal, visto que de fato as atividades desenvolvidas pelas empresas encontrariam amparo nos requisitos necessários para tal caracterização. Tal argumento não merece apreço. Para que as empresas possam constituir uma SPE é necessário que elas realizem as atividades compreendidas no inciso II do § 2º do art. 56 da LC nº 123/06, conforme abaixo: Art. 56. As microempresas ou as empresas de pequeno porte poderão realizar negócios de compra e venda de bens e serviços para os mercados nacional e internacional, por meio de sociedade de propósito específico, nos termos e condições estabelecidos pelo Poder Executivo federal. (Redação dada pela Lei Complementar nº 147, de 2014) Fl. 432DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 1003-002.932 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.721375/2019-09 § 1º Não poderão integrar a sociedade de que trata o caput deste artigo pessoas jurídicas não optantes pelo Simples Nacional. § 2º A sociedade de propósito específico de que trata este artigo: I - terá seus atos arquivados no Registro Público de Empresas Mercantis; II - terá por finalidade realizar: a) operações de compras para revenda às microempresas ou empresas de pequeno porte que sejam suas sócias; b) operações de venda de bens adquiridos das microempresas e empresas de pequeno porte que sejam suas sócias para pessoas jurídicas que não sejam suas sócias; III - poderá exercer atividades de promoção dos bens referidos na alínea b do inciso II deste parágrafo; IV - apurará o imposto de renda das pessoas jurídicas com base no lucro real, devendo manter a escrituração dos livros Diário e Razão; V - apurará a Cofins e a Contribuição para o PIS/Pasep de modo não-cumulativo; VI - exportará, exclusivamente, bens a ela destinados pelas microempresas e empresas de pequeno porte que dela façam parte; VII - será constituída como sociedade limitada; VIII - deverá, nas revendas às microempresas ou empresas de pequeno porte que sejam suas sócias, observar preço no mínimo igual ao das aquisições realizadas para revenda; e IX - deverá, nas revendas de bens adquiridos de microempresas ou empresas de pequeno porte que sejam suas sócias, observar preço no mínimo igual ao das aquisições desses bens. § 3º A aquisição de bens destinados à exportação pela sociedade de propósito específico não gera direito a créditos relativos a impostos ou contribuições abrangidos pelo Simples Nacional. § 4º A microempresa ou a empresa de pequeno porte não poderá participar simultaneamente de mais de uma sociedade de propósito específico de que trata este artigo. § 5º A sociedade de propósito específico de que trata este artigo não poderá: I - ser filial, sucursal, agência ou representação, no País, de pessoa jurídica com sede no exterior; II - ser constituída sob a forma de cooperativas, inclusive de consumo; III - participar do capital de outra pessoa jurídica; IV - exercer atividade de banco comercial, de investimentos e de desenvolvimento, de caixa econômica, de sociedade de crédito, financiamento e investimento ou de crédito imobiliário, de corretora ou de distribuidora de títulos, valores mobiliários e câmbio, de empresa de arrendamento mercantil, de seguros privados e de capitalização ou de previdência complementar; Fl. 433DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 1003-002.932 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.721375/2019-09 V - ser resultante ou remanescente de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento de pessoa jurídica que tenha ocorrido em um dos 5 (cinco) anos-calendário anteriores; VI - exercer a atividade vedada às microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional. § 6 A inobservância do disposto no § 4º deste artigo acarretará a responsabilidade solidária das microempresas ou empresas de pequeno porte sócias da sociedade de propósito específico de que trata este artigo na hipótese em que seus titulares, sócios ou administradores conhecessem ou devessem conhecer tal inobservância. § 7 O Poder Executivo regulamentará o disposto neste artigo até 31 de dezembro de 2008. § 8º (VETADO). (Incluído pela Lei Complementar nº 155, de 2016) Produção de efeito No caso, constata-se que as empresas não executam as atividades determinadas pela lei, visto que uma das empresas atua em atividades corporativas, outra com clientes sem atividades econômicas e a terceira cuida de reformas e instalações, conforme pode-se observar do contido no objeto social destas: DUBHAY – SISTEMAS E SERVIÇOS CADASTRAIS LTDA CLÁUSULA 3" A sociedade tem por objetivo social a exploração no ramo de informações comerciais e cadastrais, coleta, análises c pesquisas junto à junta comercial, cartórios, bancos e Serasa, cobranças extrajudiciais, na elaboração de fichas cadastrais, exclusivamente à terceiros para empresas e pessoas. ... DUBHAY - SERVIÇOS GERAIS LTDA - EPP CLÁUSULA – III- A sociedade tem por objetivo social: a) - informações comerciais e cadastrais, coleta , analise e pesquisa de informações de controle de acesso, junto à junta comercial, cartórios, bancos, Serasa, cobrança extra judicial, fiscalização de patrimônio, elaboração de controles cadastrais manuais ou eletrônicos, exclusivamente a terceiros para empresas e pessoas físicas; e b) - Serviço de fornecimento de pessoal para prestar serviços em instalações prediais, residenciais e comerciais de clientes, desenvolvendo uma combinação de serviços, como limpeza em geral, recepção, zeladoria, portaria, manutenção, conservação do interior e exterior destas instalações. c) - Prestação de serviços de limpeza geral de prédios de qualquer tipo: residenciais, escritórios, fabricas, armazéns, hospitais, prédios públicos e outros prédios que desenvolvem atividades comerciais. ... Fl. 434DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 1003-002.932 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.721375/2019-09 DUBHAY - SERVIÇOS E REFORMAS EM INSTALAÇÕES LTDA.-ME O OBJETIVO, CAPITAL, DURAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO CLÁUSULA 3ª A sociedade tem por objetivo social a exploração no ramo de serviços de reparos hidráulicos, elétricos, pintura e carpintaria em residências ou estabelecimentos civis ou empresariais, bem como manutenção e reparação de equipamentos elétricos e eletrônicos. Ou seja, analisando as atividades constantes de seus objetos sociais verifica-se que as empresas exploram ramo de atividades que não se amoldam ao contido no inciso II do §2º do art. 56 da LC nº 123/2006. Para que as empresas pudessem constituir uma SPE, necessário que realizem atividades de operações de compras para revenda às empresas que sejam suas sócias e/ou operações de venda de bens adquiridas das suas sócias para pessoas jurídicas que não sejam suas sócias, o que não ocorre no caso. Em verdade as empresas exercem atividades de terceirização de serviços e não propriamente de comercialização de produtos adquiridos por meio de uma empresa centralizadora – SPE. Portanto, o objeto social realizado pelas empresas não permite que se unam para fins de se criar uma SPE, mesmo que a posteriori, uma vez que as atividades não se coadunam com o previsto no inciso II do § 2º do art. 56 da LC nº 123/06. Da Administração das Empresas e da Interposição de Pessoas O Manifestante alega que as empresas são autônomas não havendo nenhum documento que demonstre confusão patrimonial, ou utilização de maquinários e espaço físico em conjunto pelas empresas a fim de justificar a imputação de fraude. Tal argumento não merecem prosperar. A Fiscalização descreve que as três empresas utilizavam-se de mesmos espaços físicos para realizarem suas atividades, para tanto, realizaram-se diligências in loco nestas empresas para fazer tal constatação, conforme consta dos itens 7 a 9 da Representação Fiscal: 7. Consigna-se que, enquanto à empresa DUBHAY - SISTEMAS E SERVIÇOS CADASTRAIS LTDA tem endereço cadastral à ESTRADA DO CAPUAVA, 4421, SALA 301-A ANDAR 3 COND VINTAGE OFFICE, a empresa DUBHAY - SERVIÇOS E REFORMAS EM INSTALAÇÕES LTDA tem endereço cadastral à ESTRADA DO CAPUAVA, 4421, SALA 301-B ANDAR 3 COND VINTAGE OFFICE. Já a empresa DUBHAY - SERVIÇOS GERAIS LTDA tem endereço cadastral à ESTRADA DO CAPUAVA, 4421, SALA 302 ANDAR 3 COND VINTAGEM OFFICE. 8. Chegando ao local, foi constatado pelos auditores-flscais que no endereço há duas salas, de números 301 e 302, contíguas, ambas com placa de identificação com indicação de "DUBHAY TERCEIRIZAÇÃO", constatando-se a inexistência de qualquer sala com indicação de 301-A ou 301-B. 9. No local, os auditores-fiscais foram recebidos pela Sra. PALOMA CASTRO DA SILVA, CPF 414.467.728-10, na recepção constante da sala 301. A Sra. Paloma informou que os responsáveis pela empresa, Sr. Humberto e Sr. Ademir, não se encontravam. Questionada pelas autoridades fiscais, a mesma informou que a recepção da sala 301 atendia às três empresas, e que na sala 302 funcionava a sala de treinamento, que também atendia as três empresas. Em consulta ao CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais), verifica-se que a Sra. Paloma possui vínculo empregatício junto à empresa DUBHAY - Fl. 435DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 1003-002.932 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.721375/2019-09 SERVIÇOS GERAIS LTDA, cujo endereço cadastral reporta-se à sala 302. Adicionalmente, tem-se que o Sr. ADEMIR DONIZETE PRESTES, informado pela Sra. Paloma, é formalmente sócio da empresa DUBHAY - SERVIÇOS E REFORMAS EM INSTALAÇÕES LTDA e cônjuge da Sra. MARTA REGINA CORREA PRESTES, formalmente sócia da empresa DUBHAY - SISTEMAS E SERVIÇOS CADASTRAIS LTDA, juntamente do Sr. HUMBERTO CAETANO FAZZI. O que se pode concluir a respeito é que os imóveis adquiridos de forma individualizada e registrados como tais, não afastam as provas colhidas pela Fiscalização, visto que os imóveis eram compartilhados pelas empresas de forma indiscriminada, como pode-se observar da existência de secretaria única para atender as três empresas, a falta de identificação visual individualizada das empresas no local, ainda, que a sede de uma das empresas era utilizada para treinamento dos empregados das três empresas. Diante destas evidências é possível afirmar que de fato as empresas não possuíam espaços físicos distintos para realizarem suas atividades, mas o utilizavam de forma compartilhada. Outros evidências da fraude realizada pelas empresas que pode ser identificada é que as empresas do grupo foram constituídas por meio de interpostas pessoas, conforme descrito pela Fiscalização na Representação Fiscal abaixo: B.3. PESSOAS INTERPOSTAS 16. No que tange às empresas DUBHAY - SERVIÇOS E REFORMAS EM INSTALAÇÕES LTDA e DUBHAY - SERVIÇOS GERAIS LTDA, tem-se que em ambas, há a interposição de pessoas no quadro societário. 17. Embora o Sr. THIAGO LOPES FAZZI, conste do quadro societário da empresa DUBHAY -SERVIÇOS E REFORMAS EM INSTALAÇÕES LTDA, verificou-se tratar-se do filho do Sr. HUMBERTO CAETANO FAZZI, interposto no quadro societário, na tentativa da manutenção da empresa no regime privilegiado do Simples Nacional. Formalmente sócio da empresa, constando inclusive como sócio administrador da sociedade, o Sr. THIAGO LOPES FAZZI reside fora do país, tendo se ausentado 23/01/2017, sem registro de retorno. E ainda que, na tentativa de dar aparência de legalidade aos registros contábeis da empresa, tendo sido atribuído ao mesmo o pagamento de "pro-labore" em todo o ano-calendário de 2017, quando intimada a comprovar a prestação de serviços pelo referido sócio, que justificasse o pagamento de valores de pró- labore, com a respectiva documentação comprobatória (atas de reunião de diretoria / reunião junto a clientes / e-mails / etc ), a empresa não apresentou qualquer documentação, tendo alegado que "trata-se de pagamento de PRÓ LABORE, previsto no contrato social. Mesmo fora do país o referido sócio continuou prestando serviços, posto que é sabido que se trabalha também remotamente, fora do local de trabalho, posto que o retendo sócio tinha acesso a todo o sistema da empresa demonstrado que o sr. THIAGO não é, e nunca foi sócio da empresa DUBHAY - SERVIÇOS E REFORMAS EM INSTALAÇÕES LTDA, sendo interposto no quadro societário da empresa meramente para representar o capital detido pelo seu pai, Sr. HUMBERTO CAETANO FAZZI, tendo ainda a empresa simulado o pagamento de pró-labore na tentativa de dar aparência de legalidade aos fatos aqui narrados. Em época coincidente com a constituição da empresa, 02/2009, o Sr. THIAGO possuía vínculo empregatício com a empresa BATTUTO COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA - 04.832.188/0001-95, entre 05/2007 e 01/2008, na função de COZINHEIRO GERAL, com remuneração entre R$816,39 (06/2007) e R$837,85 (12/2007), não tendo entregue DIRPF (Declaração Anual de Ajuste - Imposto de Renda da Pessoa Física) até o ano-calendário 2009, na qual informa receita tributável de Fl. 436DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 1003-002.932 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.721375/2019-09 R$3.720,00, juntamente de suposto recebimento de dividendos no valor de R$10.000,00, referente a empresa recém criada, a partir de suposto capital social integralizado de R$3.000,00, a partir do qual a empresa teria se estabelecido. 18. Embora as Sras. CAROLINE FAZZI e HELLEN JENIFER PRESTES constem do quadro societário da empresa DUBHAY - SERVIÇOS GERAIS LTDA, verificou tratarem-se de filhas, respectivamente, do Sr. HUMBERTO CAETANO FAZZI e do Sr. ADEMIR DONIZETE PRESTES, interpostas no quadro societário, na tentativa da manutenção da empresa no regime privilegiado do Simples Nacional. Formalmente sócia da empresa, constando inclusive como SÓCIA ADMINISTRADORA da sociedade, a Sra. CAROLINE FAZZI consta como empregada da empresa AZZI - GESTÃO CONDOMINIAL, SERVIÇOS E DESIGN LTDA - CNPJ 65.691.354/0001-75, desde 01/04/2009, recebendo remuneração entre R$1.200,00 (04/2009), e R$6.675,00 (12/2017), na função de Administrador. A empresa AZZI - GESTÃO CONDOMINIAL, SERVIÇOS E DESIGN LTDA tem como sócios formais o Sr. CARLOS ALBERTO ROMERO - CPF 525.752.848-72, e a Sra. CONCEIÇÃO APARECIDA ROMERO FAZZI, CPF 032.688.568-45, esposa do Sr. HUMBERTO CAETANO FAZZI. Na tentativa de dar aparência de legalidade aos registros contábeis da empresa tendo sido atribuído à mesma o pagamento de "pro-labore" em todo o ano-calendário de 2016 e 2017, quando intimada a comprovar a prestação de serviços pela referida sócia, que justifique o pagamento de valores de pró-labore, com a respectiva documentação comprobatória (atas de reunião de diretoria / reunião junto a clientes / e-mails / etc ), a empresa não apresentou qualquer documentação, tendo alegado que "trata-se de pagamento de PRÓ LABORE, previsto no contrato social. Mesmo tendo vínculo com outra empresa, os segurados prestaram serviços ao contribuinte ora sob ação fiscal, em horário diverso àquele com outro vínculo, certo que os referidos sócios tinham acesso a todo o sistema aa empresa , demonstrando tratarem os pagamentos de conduta simulada com vistas a dar aparência de legalidade aos registros contábeis. 19. Em relação a Sra. HELLEN JENIFER PRESTES, formalmente sócia da empresa, constando inclusive como sócia administradora da sociedade, a mesma consta como empregada das empresas PEOPLE SOLUTIONS TECNOLOGIA EM INFORMÁTICA LTDA - CNPJ 02.442.156/0001-58, entre 08/2011 e 09/2012, com remuneração entre R$992,00 (09/2011) e R$1.082,00 (08/2012), na função de ANALISTA DE SUPORTE COMPUTACIONAL, LINX SISTEMAS E CONSULTORIA LTDA - CNPJ 54.517.628/0001-98, entre 01/2013 e 12/2017, com remuneração entre R$1.761,31 (02/2013) e R$3.757,51 (11/2017), na função de ANALISTA DE SUPORTE COMPUTACIONAL. Na tentativa de dar aparência de legalidade aos registros contábeis da empresa, tendo sido atribuído à mesma o pagamento de "pro-labore" em todo o ano-calendário de 2016 e 2017, quando intimada a comprovar a prestação de serviços pela referida sócia, que justificasse o pagamento de valores de pró-labore, com a respectiva documentação comprobatória (atas de reunião de diretoria / reunião junto a clientes / e-mails / etc ), a empresa não apresentou qualquer documentação, tendo alegado que "rata-se de pagamento de PRÓ LABORE, previsto no contrato social. Mesmo tendo vínculo com outra empresa, os segurados prestaram serviços ao contribuinte ora sob ação fiscal, em horário diverso àquele com outro vínculo, certo que os referidos sócios tinham acesso a todo o sistema da empresa". Fl. 437DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 1003-002.932 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.721375/2019-09 Ressalta-se que a explicação da Manifestante de que tais sócios trabalhavam de forma remota por teletrabalho, não convence, pois a empresa não comprovou que de fato estes sócios realizavam efetivamente tal função. Salienta-se que apesar de intimadas para fazer tal prova por meio documentos tais como: atas de reuniões de diretoria, reunião junto a clientes, e-mails trocados por estes, etc, nada foi apresentado. É certo que se estes sócios efetivamente participassem do dia a dia da empresa com certeza, mesmo na modalidade de teletrabalho, dariam ordens, fariam comunicados, enfim facilmente demonstrariam a participação destes no desenvolvimento das atividades das empresas. Vale lembrar que o simples pagamento de um pró-labore não permite demonstrar que efetivamente os sócios participavam das atividades da empresa, ainda mais que distante do domicílio desta. No mesmo sentido, merece destaque o fato dos sócios Thiago, Helen e Caroline não possuírem condições materiais (financeiras) para serem sócios das referidas empresas, como pode-se se observar nos itens 10 e 11 da Representação Fiscal: 10. Vários elementos demonstram terem as empresas DUBHAY - SERVIÇOS GERAIS LTDA e DUBHAY - SERVIÇOS E REFORMAS EM INSTALAÇÕES LTDA sido constituídas a partir de interpostas pessoas. Além de se verificar que todas as empresas do grupo possuem um comando único, Srs. ADEMIR e HUMBERTO, conforme confirmado em sede de diligência física na sede das empresas, verificou-se que os sócios interpostos THIAGO, HELEN e CAROLINE não detinham condições materiais da condição de sócio, assim entendida a capacidade financeira de assumirem os encargos, riscos e benefícios decorrentes da atividade comercial. No que tange à empresa DUBHAY - SERVIÇOS E REFORMAS EM INSTALAÇÕES LTDA, constituída em 02/2009, a partir de capital social de R$6.000,00, certo que o emprego anterior do Sr. THIAGO lhe conferia o rendimento de R$837,35, na função de cozinheiro, o referido sócio constante do quadro societário e filho do verdadeiro sócio da empresa, declarou R$0,00 de bens em sua DIRPF no ano anterior (31/12/2008). A empresa teve faturamento de R$ 71.424,97 em 05/2009, primeiro mês em que declarou receita, totalizando R$720.294,47 no referido ano-calendário, correspondente a oito meses. 11. Mesmo cenário se verifica para a empresa DUBHAY - SERVIÇOS GERAIS LTDA , formalmente em nome HELEN e CAROLINE, filhas de ADEMIR e HUMBERTO, respectivamente. Criada a partir de capital social de R$10.000,00 em 07/2011, por supostas sócias que na época dos fatos (antes, durante e após a constituição da empresa) possuíam vínculo empregatício com empresas diversas, teve faturamento de R$144.064,45 em 09/2011, primeiro mês em que declara receita, e R$324.621,71 no mês seguinte, totalizando R$602.723,48 nos últimos quatro meses do referido ano. Tal cenário não se verifica plausível com o quadro proposto pelos diligenciados, referentes a empresa ou seus sócios sem qualquer capital compatível com referidos valores Insta ressaltar que em relação a falta de condições financeiras para os sócios constituírem as empresas feitos pela Fiscalização o Manifestante nada justifica para esclarecer tais situações, o que permite concluir, sem sombra de dúvidas, que tais pessoas compunham o quadro societário nas empresas como interpostas pessoas. Tal situação fica mais patente ao se constatar que os Srs. Humberto e Ademir, por meio de procurações com amplos e irrestritos poderes, é quem de fato gerenciavam as empresas, conforme pode-se observar do contido no item 14 e 15 da Representação Fiscal: Fl. 438DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 1003-002.932 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.721375/2019-09 B.2. PROCURAÇÕES 14. Dentre os poderes outorgados aos senhores Srs. HUMBERTO e ADEMIR, constam "assinar todo e qualquer documento de natureza fiscal e trabalhista, admitir e demitir empregados, combinar salários, vencimentos, abonos, férias e outras vantagens, assinar carteiras de trabalho, movimentar constas vinculadas ao FGTS - Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (...) representar perante Bancos e instituições Financeiras em geral, podendo abrir, movimentar e encerrar contas correntes, depositando, retirando e transferindo quantias, inclusive juros e correção monetária, retirar cartões magnéticos, cadastrar senhas depositar valores e outros objetos em cofres e depósitos, emitir, assinar e sacar cheques, endossar cheques (...) fazer remessa de dinheiro e autorizar pagamentos para qualquer parte do território nacional e para o exterior, (...) emitir, sacar, aceitar, endossar, caucionar, descontar, avaliar, reformar, protestar cheques, duplicatas, letras de câmbio, notas promissórias e quaisquer títulos de crédito (...) assinar contratos bancários e quaisquer papéis necessários, (...) declarar bens, dívidas e créditos (...) vender, prometer vender, comprar, prometer comprar, ceder, prometer ceder, hipotecar, permutar, transferir, dar em pagamento ou por qualquer outra forma, alienar ou onerar bens móveis, direitos, veículos (...) dar ou contrair empréstimos e financiamentos, confessar dívidas, apresentar ou recusar fiadores, pedir, comprar, pagar, devolver e estocar mercadorias de toda natureza, constituir advogados com os poderes da clausula "ad judicia" (...)". Não se trata de mera procuração de representação. Trata-se da outorga, em plena essência, das gestões administrativa, financeira e operacional, plena administração da sociedade empresária. 15. Verificou-se a existência das seguintes procurações, todas referentes a outorga de amplos e irrestritos poderes de gestão da sociedade, outorgadas ao Sr. HUMBERTO CAETANO FAZZI (e também ao Sr. ADEMIR DONIZETE PRESTES, no caso da DUBHAY SERVIÇOS GERAIS LTDA): O que se constata é que o Srs. Humberto e Ademir não poderiam participar como sócios concomitantemente nas empresas arroladas, pois tal fato os impediria de permanecerem no Simples Nacional, por outro lado, era necessário ter o controle e o gerenciamento destas empresas, inserindo nos seus contratos sócios que detivessem vínculo de parentesco com as empresas. Cumpre registrar que a legislação não impede que parentes sejam sócios de uma empresa ou componham sociedades separadamente, todavia cabe assinalar que não há nos documentos lavrados pelo fiscal nenhuma afirmação nesse sentido. Este fato foi mencionado pelo auditor no sentido de se constituir em mais um indício, dentre outros, de que os sócios da autuada somente constavam de seus quadros societários, visto que não ficou comprovado qualquer participação destes nas atividades da empresas. Tal fato visou criar uma estrutura formalmente separada, mas sempre no controle dos referidos administradores, para fins de obter benefícios de um regime tributário mais favorecido a todas as empresas, uma vez que todas eram optantes pelo Simples Nacional. Outro ponto trazido pela Manifestante e que não encontra amparo no presente procedimento administrativo é em relação aos limites impostos ao Poder Público trazidos pela Lei nº 13.874/2019, conhecida como Lei da Liberdade Econômica, visto que na presença de simulação e/ou fraude com vista a sonegação fiscal a referida lei não o socorre. Fl. 439DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 23 do Acórdão n.º 1003-002.932 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.721375/2019-09 Do Grupo Econômico de Fato O Manifestante afirma que as três empresas são distintas, possuem objetivo social, contabilidade e patrimônio próprio, sendo assim, não poderiam ser consideradas com um grupo econômico de fato. Tal argumento não merece amparo. A Fiscalização, como já vimos ao longo deste voto, demonstrou a interdependência das empresas entre si e a forma como eram administradas pelos Srs. Humberto e Ademir formando um grupo econômico de fato, reitera tal fato o item 12 da Representação Fiscal, conforme abaixo: 12. Constatou-se, no decorrer do procedimento fiscal, que as três empresas integravam um mesmo grupo, "DUBHAY Terceirização Especializada", o que, frisa-se, não representaria a princípio, qualquer óbice ou infração à legislação aplicável, sendo verificado, no entanto, que os Srs. HUMBERTO CAETANO FAZZI e ADEMIR DONIZETE PRESTES e respectivos cônjuges são os reais sócios das três empresas, tendo os mesmos interpostos seus filhos nos quadros societários das empresas DUBHAY - SERVIÇOS E REFORMAS EM INSTALAÇÕES LTDA e DUBHAY - SERVIÇOS GERAIS LTDA, ficando claro tratarem-se estarem todas as empresas sob a propriedade e controle dos sócios originalmente constituídos sob a denominação da empresa DUBHAY SERVIÇOS CADASTRAIS LTDA. Adicionalmente, os Srs. HUMBERTO e ADEMIR são os administradores de fato das três empresas, diretamente, quando formalmente constante do quadro societário, e através de procurações de amplos e irrestritos poderes a eles outorgados, nas hipóteses em que o quadro societário é constituído das interpostas pessoas. Depreende-se que o comando e a direção das empresas eram realizadas por administradores em comum, o que aponta para a formação de um grupo econômico de fato. Este entendimento também é compactuado pelo professor e magistrado Sérgio Pinto Martins: Não é necessário que entre empresas haja controle acionário, nem que exista a empresa-mãe, a holding. O importante é que existam obrigações entre as empresas, determinadas por lei. É possível, também, a configuração do grupo de empresas quando o citado grupo seja dirigido por pessoas físicas com controle acionário majoritário de diversas empresas, havendo um controle comum, pois há unidade de comando, unidade de controle. A Lei nº 6.404/76 estabelece que o grupo deve ser necessariamente de sociedades, mas no Direito do Trabalho o grupo é mais amplo, pois é o grupo de empresas, dando margem à existência do grupo de fato ou do grupo formado por pessoas físicas. Assim, as pessoas físicas de uma mesma família que controlam e administram várias empresas formarão o grupo econômico, pois comandam e dirigem o empreendimento, não importando que tipo de pessoa detenha a titularidade do controle, se pessoa física ou jurídica. (destacou-se) (MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. 21. ed. São Paulo: Atlas, 2005. p. 126) Extrai-se da doutrina supracitada que a caracterização de um grupo econômico de fato passa essencialmente pela unidade de gestão sobre uma pluralidade de sociedades formalmente independentes que atuam de forma integrada e coordenada. Portanto, sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a mesma direção, controle ou administração de outra ou de uma pessoa física ou um grupo de pessoas, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão consideradas como um grupo econômico. Fl. 440DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 24 do Acórdão n.º 1003-002.932 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.721375/2019-09 Assim, não resta dúvida de que as empresas arroladas integravam um mesmo grupo econômico de fato. Da Apuração da Receita Global para Fins de Exclusão do Simples Nacional O Manifestante entende que somente seria possível considerar a solidariedade entre as empresas nos termos do art. 50 CC e/ou nos termos do § 4º do art. 56 da LC nº 123/06 e/ou em casos de encerramento irregular da sociedade. Ressalta, ainda, que mesmo que se considere a solidariedade entre as empresas esta não permite o cômputo global do faturamento das empresas para o efeito de excluí-las do Simples Nacional. Tais argumentos não procedem. É de se esclarecer que as três empresas formavam um grupo econômico de fato e eram administradas de fato pelos Srs. Humberto e Ademir, nesta situação, não há necessidade de aplicar o art. 50 CC, bem como desconsiderar-se as pessoas jurídicas para fins de excluí-las do Simples Nacional, visto que a exclusão das empresas deu-se com base em fundamento legal diverso, conforme contido no Termo de Exclusão. Também não é necessário comprovar que uma das empresas esteja registrada em outra SPE para fins de se excluir as empresas do Simples Nacional, nos termos do § 4º da art. 56 da LC nº 123/06, pois como já vimos tal dispositivo legal sequer se aplica aos presentes autos. Assim, diversamente do que entende o Manifestante, para se excluir as empresas do Simples Nacional não é condição única e necessária a demonstração da infringência dos dispositivos elencados pelos Manifestantes, visto que outros dispositivos legais também têm esta função. É de se esclarecer que não existe previsão legal de exclusão do Simples em decorrência da caracterização de formação de grupo econômico entre as empresas, todavia, essa situação jurídica está interrelacionada com a infração ensejadora da exclusão da manifestante do Simples, devido à extrapolação do limite da receita bruta anual do grupo econômico, ocasionado pela participação de sócios e administradores comuns ao grupo, conforme dispõe o art. 3º, §4º, incisos III e V da LC nº 123/06. Assim, o fundamento para a exclusão não é a caracterização do grupo econômico de fato ou a solidariedade passiva que responsabiliza às empresas do grupo por débitos constituídos, mas sim a realidade subjacente que advém dessa caracterização, qual seja, a dependência entre as empresas, que atuam com sócios e administradores em comum. Nessa hipótese, o faturamento para fins de apuração do limite legal não pode ser considerado individualmente (por empresa integrante do grupo), mas na sua totalidade. (...) Conclusão Diante de todo exposto, voto no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade, devendo-se manter o Termo de Exclusão”. Deste modo, a decisão de primeira instância está perfeitamente motivada de forma explícita, clara e congruente e em harmonia com a legislação tributária, razão pela qual está correta. Ressalte-se que todos os documentos constantes nos autos foram regularmente examinados com minudência, conforme a legislação de regência da matéria. Diferente do entendimento da Recorrente, os supostos fatos indicados na peça recursal não podem ser corroborados, nos termos do art. 145 e art. 147 do Código Tributário Nacional, bem como art. 15, art. 16 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que estabelecem critérios de Fl. 441DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 25 do Acórdão n.º 1003-002.932 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.721375/2019-09 adoção do princípio da verdade material. O procedimento fiscal decorre de expressa previsão legal que é de observância obrigatória pela autoridade tributária, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional). No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Ante o exposto, oriento meu voto no sentido do negar provimento ao recurso voluntário sob exame. (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 442DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10880.008187/86-00
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 1988
Numero da decisão: 301-00.341
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência ao Instituto Nacional de Tecnologia (INT), através da Repartição de origem para juntada de amostra, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ROSA MARTA MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 13629.000915/2010-60
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA.
ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2403-001.481
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda
SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o
valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido Em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora Carlos Alberto Mees Stringari AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 09 15 /2 01 0- 60 2 Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto. Processo nº 13629.000915/201060 Acórdão n.º 2403001.481 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0230.509 da 6ª Turma, que julgou improcedente a impugnação em face de alegações genéricas sem prova. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Descrição falha dos fatos geradores. · Descrição falha da fundamentação legal do lançamento. É o relatório. 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. NULIDADE Recorrente alega cerceamento de defesa por entender que os fatos que ensejaram o lançamento não foram descritos com clareza e falha na descrição da fundamentação legal do lançamento. Entendo de forma diversa e por esse motivo não dou razão à recorrente. O lançamento é composto por um conjunto de relatórios que tem por objetivo demonstrar e descrever os fatos geradores ali presentes, o cálculo do tributo e seus acréscimos, identificar o sujeito passivo e a fundamentação legal. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Conforme descrito na folha 1, a discriminação dos fatos geradores , das contribuições devidas, dos períodos a que se referem e a fundamentação legal constam dos anexos especificados. Processo nº 13629.000915/201060 Acórdão n.º 2403001.481 S2C4T3 Fl. 4 5 Consta do relatório Fiscal a descrição dos fatos geradores e os períodos a que se refere cada levantamento. O Relatório Discriminativo do Débito apresenta por estabelecimento, competência e levantamento as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, valores recolhidos , multa e juros. O Relatório de Lançamentos especifica os lançamento efetuados para apuração dos valores devidos. O relatório Fundamentos Legais do Débito informa os dispositivos legais que fundamentaram o lançamento. Enfim, entendo o lançamento bem descrito e fundamentado. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. 6 Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari
score : 1.0
Numero do processo: 10845.003793/89-81
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 1992
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 1992
Ementa: "IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO.
Classificação fiscal de mercadoria.
Identificada pelo LABANA, o produto importado trata-se de uma preparação à base de óleo vegetal e surfactante não iônico, com características tenso-ativas; a sua classificação fiscal far-se-á no código 34.02.08.00.
Numero da decisão: 301-26.911
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, excluída a multa de mora, vencido o Cons. Fausto de Freitas e Castro Neto. na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LUIZ ANTÔNIO JACQUES
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ementa_s : "IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. Classificação fiscal de mercadoria. Identificada pelo LABANA, o produto importado trata-se de uma preparação à base de óleo vegetal e surfactante não iônico, com características tenso-ativas; a sua classificação fiscal far-se-á no código 34.02.08.00.
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A. • "IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO .Clas~ificaç~o fiscal de mercadoria.Identificada pelo LABANA,Q produtoimpottado trata-se deuma preparaç~o à base de óleo vegetal e surfactante mo iô n ico, com car ac te rí S t ic a s te nso -at iva s; a sua cl a s s ifi cação fiscal far-se-á no código 34.02.08.00. VISTOS, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os Membros da Primeira Cãmara do Terceiro Con- selho de Contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, excluída a multa de mora, vencido o Cons. Fausto de Freitas e Castro Neto. na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 25 de março de 1992. Fazenda Nacional '---",/ DA COSTA - PresidenteITAMAR ~lJESDA SILVA- O 5 JUN 1992VISTO EMSESSÃO DE: • Participaram, ainda. do presente julgamento os seguintes Conselheiros: SANDRA MIRIAM DE AZEVEDO MELLO, JOS~ THEODORO MASCARENHAS MENCK, OTA CfLIO DANTAS CARTAXO e JOÃO BAPTISTA MOREIRA. •• • SEnv!ço PUBl.ICO t'EOHIAL MEFP - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - PRIMEIRA CÂMARA 02.RECURSO NQ 112.969 - Ac6RDÃO NQ 301-26.911 RECORRENTE: JOHNSON & JOHNSON S.A. RECORRIDA DRF - SANTOS - SP RELATOR LUIZ ANTÔNIO JACQUES R E L A T 6 R I O Retorna o presente processo de diligência ao LABANA / SANTOS, conforme determinou a Resolução nQ"301-660, de 14 de maio de 1991, às fls. 134, em ra.zão do Relatório e Voto, às fls. I35/l37,que leio em sessao. A Informação Técnica do LABANA/SANTOS, às fls. 139/140 e nos seguintes termos: "Em atendimento à solicitação de.informação ' técnica exarada à folha 137 do presente processo, ref-ª rente às mercadorias "LABRAFIL M 1944 CS" e "I.E.O/GP- 4", de interesse da firma em epfgrafe, informamos: Ratificamos, integralmente, o Laudo de Análi se nQ 0255/87 do Pedido de Exame nQ 032/159 (fls. 85 e 84), ou seja, a mercadoria analisada trata-se de prep~ ração tenso-ativa à base de 61eo Vegeta~ e Surfactante Não Iônico. Segundo referência bibliográfica, o 61eo Ve- getal ou Animal misturado em determinadas proporções' com produtos emulsionantes não iônico servem p~ra lim- par a epiderme sem desengraxá-Ia . A penetração do excipiente graxo na epiderme é possfvel graças a absorção cutânea das substâncias li possolúveis, quando conjugado com o princfpio ativo(ffir maco), este se une com a ação dos constituintes do 61eo Vegetal que reaviva as funções normais e reinte - gra o seu equilfbrio fisiológico. Segundo literatura técnica especffica, o cr-ª me medicinal a ser fabricado é à base do princfpio ati vo Nitrato de Miconazol de atividade fungicida. Portanto, mercadorais dessa natureza são uti lizadas comoemulsificantes para preparação de produ - Imprensa NacIonal • • S[RVICO PUBLICO H:DERAl Implonso NAclonsl tos farmaciuticos'como - NENAB i p6gina 450" . 03 . ._, Reéurso: 112.969 Acórdão:30l-26.9Il descrito nas Notas Explicativas '. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Recurso: Acórdão: , 04. 112.969 301--26.911 v O T O ao r,gsentido de negar provimento mora (art. 23, Lei 7738/89) . Em razão de que o LABANA/RIO, ratifica o Laudo, às fls. B5/84, em sua íntegra, definindo o produto tratado nos autos como "mercadoria analisada trata-se de preparação tenso-ativa à base de Óleo Vegetal e Surfactante Não I&nico". Com isso, dirimindo a definição de que precisava para ter a Posição desejada. Assim sendo, voto no curso, excluo de ofício a multa de ~ como voto. Sala das Sessões, em 25 de março de 1992.• •• Ig I , Relator Irlllmmsn NllclonaJ. 00000001 00000002 00000003 00000004
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Numero do processo: 10711.004772/88-36
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 1991
Numero da decisão: 301-00.666
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência ao LABANA/RJ, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: WLADEMIR CLOVIS MOREIRA
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