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Numero do processo: 13861.000114/2002-31
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1003-000.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 09.08.2002, efls. 01 e 5859, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2001 no valor de R$97.077,11 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos ali confessados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 1. 00 01 14 /2 00 2- 31 Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13861.000114/200231 Acórdão n.º 1003000.206 S1C0T3 Fl. 431 2 Em conformidade com o Despacho Decisório DRF/Santos/SP nº 70, de 29.05.2007, fls. 108112, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido: Discriminação (A) Valores Declarados R$ (B) Valores Confirmados R$ (C) IRPJ Alíquota 15% 93.500,87 93.500,87 IRPJ Alíquota 10% 38.333,92 38.333,92 () PAT (4.675,01) (4.675,01) () IRRF (21.405,99) (21.405,99) () IRPJ Estimativa Paga (202.828,87) (156.267,65) IRPJ a Pagar (97.075,11) (50.513,86) Cientificada em 12.06.2007, fl. 121, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 3ª Turma/DRJ/SPO/SP nº 16 74.055, de 08.07.2016, efls. 300312: PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. COMPROVAÇÃO DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO. A compensação tem como pressuposto de validade crédito líquido e certo em favor do sujeito passivo, cabendo a ele fazer prova de que é titular desse direito. Não reconhecido o direito creditório pleiteado, parte do saldo negativo do IRPJ, do ano calendário de 2001, glosado conforme Despacho Decisório DRF/STS nº 070. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 30.08.2016, efl. 320, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 29.09.2016, efls. 321340, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: II PRELIMINARMENTE II. 1 DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Conforme descrito nos fatos que contornam a controvérsia instaurada nestes autos, diante do reconhecimento parcial do crédito pleiteado pela Recorrente, as compensações declaradas neste feito foram parcialmente homologadas até o limite do crédito reconhecido, o que motivou a abertura do processo de cobrança n.° 10845720.336/201175. Manifestação de Inconformidade Improcedente Nos termos do § 11 da Lei n.° 9.430/96, tanto a manifestação de inconformidade, quanto o recurso voluntário obedecerão ao rito processual do Decreto n.° 70.235/72, bem como se enquadram no disposto no inciso III, do art. 151, do CTN, relativamente ao débito objeto da compensação. Ou seja, a combinação dos referidos artigos implica diretamente na suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto da compensação. Portanto, com a interposição do presente Recurso Voluntário, o débito exigido através do processo de cobrança n.° 10845720.336/201175 deve permanecer com Fl. 431DF CARF MF Processo nº 13861.000114/200231 Acórdão n.º 1003000.206 S1C0T3 Fl. 432 3 sua exigibilidade suspensa até o julgamento a ser realizado pelo E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. III DAS RAZÕES DE REFORMA DO V. ACÓRDÃO RECORRIDO III. 1 DA LEGITIMIDADE DO CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO IRPJ Conforme noticiado acima, a Recorrente teve parte de seu crédito glosado, sob o fundamento de que a inexistência de crédito decorrente do processo n.° 13808.005.359/200119 implica na homologação das compensações do IRPJ devido por estimativa mensal nos meses de setembro e outubro de 2001, exatamente como exarado no Despacho Decisório DRF/STS n° 070. [...]Vê se que a negativa do crédito pleiteado está atrelada aos processos n.°s 13808.003453/0081 (AC1999) e 13808.005359/200119 (AC2000). Diante disso, a Recorrente resumirá abaixo o deslinde dos referidos processos e, por conseguinte, demonstrará a improcedências das decisões proferidas neste feito. Processo nº 13808.003453/0081 (Saldo Negativo de IRPJ AC1999) A ora Recorrente protocolizou, em 30.10.2000, pedido de restituição de Saldo Negativo de IRPJ apurados na DIPJ/2000, relativo ao ano calendário de 1999, no valor de R$ 368.313,27 (doc. 03). Decisão Após 11 anos, a d. Autoridade Administrativa competente julgou parcialmente procedente o pedido, para deferir o crédito no montante de R$ 303.928,83 [...], bem como homologar as compensações realizadas até o limite do crédito reconhecido. [...]Notase que o valor reconhecido do crédito fora suficiente para homologar as compensações realizadas, remanescendo saldo no montante de R$ 107.335,63 (valor original em janeiro de 2000), suficiente para homologar as compensações de débitos de IRPJ devido por estimativa mensal realizadas no processo n.° 13808.005359/200119. [...] Ressaltase, por oportuno, que ao contrário do quanto afirmado pela DRJSPO no v. acórdão recorrido, o Contribuinte apresentou SIM a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE contra o r. Despacho Decisório ora mencionado, impugnando a diferença dos créditos que não foram reconhecidos[...]. Vêse, portanto, o total desrespeito ao devido processo legal, bem como a ausência de esgotamento da matéria tributável pelo d. Julgador "a quo" que, muito embora tenha noticiado a existência de crédito no referido processo, menciona de maneira equivocada que a ora Recorrente deixou de impugnar o r. Despacho Decisório proferido nos autos do processo n.° 13808.003453/0081. Por outro lado, tendo sido reconhecido o crédito (quase que integral) no referido processo n.° 13808.003453/0081 (AC1999), não haveria como negar a compensação com débitos do IRPJ devido por estimativa mensal do ano posterior, ou seja, ano calendário de 2000, sendo esses montantes utilizados para compor o Saldo Negativo de IRPJ apurado na DIPJ/2001, de modo que convém demonstrar o desfecho do processo n.° 13808.005359/2001 (AC2000). Processo n.° 13808.005359/200119 (Saldo Negativo de IRPJ AC 2000) A Contribuinte protocolizou, em 13.09.2001, pedido de restituição de Saldo Negativo de IRPJ apurado na DIPJ/2001, relativamente ao ano calendário de 2000, no valor de R$ 132.133,45 (processo n.° 13808.005359/200119). Passados quase 06 anos, a d. Autoridade Administrativa competente indeferiu o crédito pleiteado ao exarar o Despacho Decisório DRF/STS n.° 075, de 16.05.2007. [...]A d. Autoridade Administrativa competente pela análise do crédito Fl. 432DF CARF MF Processo nº 13861.000114/200231 Acórdão n.º 1003000.206 S1C0T3 Fl. 433 4 solicitado no processo em referência adotou a premissa equivocada no sentido de que a razão da recursa do crédito "devese à irregularidade pratica pela contribuinte que, ao mesmo tempo que direcionou parte do saldo negativo do exercício de 2000 para pagar antecipações do mês seguinte, protocolizou pedido de restituição perante a RFB, sob o n° 13808.003453/0081, pretendendo reaver o total desse saldo, inclusive na forma de compensação com tributos diversos". [...]Ou seja: a) a ora Recorrente teve seu crédito quase que integralmente reconhecido nos autos do processo n.° 13808.003453/0081, no montante de R$ 303.928,83; b) Contra o crédito não reconhecido naqueles autos a ora Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade (que até hoje sequer fora processada); c) Mesmo reconhecendo crédito a d. Autoridade Administrativa não admitiu a compensação com débitos de IRPJ devidos por estimativa mensal no ano subsequente. Ora, reconhecido o crédito no processo n.° 13808.003453/0081, a d. Autoridade Administrativa deveria homologar as compensações com débitos de IRPJ devido por estimativa no ano calendário de 2000 até o limite do crédito reconhecido. Com efeito, o v. acórdão ora recorrido, alicerçado no Despacho Decisório DRF/STS n.° 70/2007, não respeita os direitos e garantias do contribuinte, na medida em que, muito embora tenha reconhecido (quase que integralmente) o crédito pleiteado nos autos do processo n.° 13808.003453/0081, não promoveu a compensação (encontro de contas) com os débitos compensados de IRPJ devidos por estimativa nos meses de julho até novembro de 2000. Ao assim proceder, o Fisco deixou de convalidar pagamento de IRPJ por estimativa, fato que implicou na ausência de crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ apurados no ano calendário de 2000 e 2001. Considerando o efeito cascata dos créditos pleiteados, não há como prosperar qualquer análise sem que haja a efetiva compensação do crédito reconhecido nos autos do processo n.° 13808.003453/0081. Uma vez homologadas as compensações realizadas com o referido crédito, a d. Fiscalização deve convalidar os pagamentos de IRPJ devido por estimativa efetuados no ano calendário de 2000 e também no ano de 2001, razão pela qual o v. acórdão ora recorrido merece ser reformado. No que tange ao crédito pleiteado nos autos do processo n.° 13861.000114/200231, sua legitimidade decorre do crédito reconhecido pelo Fisco nos autos do processo n.° 13808.003453/0081. Isso porque, tal reconhecimento cria verdadeiro efeito cascata, atingindo os anos subsequentes. Ademais, a legitimidade dos créditos pleiteados nos processos n.°s 13808.003453/0081 e 13808.005359/200119 está devidamente comprovada pela homologação tácita. De fato, o Fisco dispõe do prazo de 05 anos para analisar o crédito pleiteado pelo contribuinte, não sendo feita tal análise o crédito deve ser reconhecido tacitamente e homologada as compensações até o limite do referido crédito, conforme adiante será demonstrado. [...] III.2 DO PRAZO DECADENCIAL PARA HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES DECLARADAS NOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS N.S 13808.003453/0081 E 13808.005359/200119 Fl. 433DF CARF MF Processo nº 13861.000114/200231 Acórdão n.º 1003000.206 S1C0T3 Fl. 434 5 Conforme visto acima, o crédito pleiteado nos processos administrativos n.° 13808.003453/0081 e 13808.005359/200119 foram analisados após o transcurso do período de 05 anos [...]. Como cediço, o Fisco dispõe do prazo de 05 anos para analisar e reconhecer o direito creditório formulado pelo contribuinte, sob pena de homologação tácita tanto do crédito pleiteado como também das compensações realizadas com tal crédito. [...] Vê se que o crédito pleiteado, por não ter sido analisado dentro do prazo decadencial de 05 anos, restou homologado tacitamente e serviu para convalidar as compensações realizadas com respectivos créditos. Considerando que tratamse de créditos de Saldo Negativo de IRPJ (AC 1999 e 2000), a homologação tácita de tais créditos implica na homologação dos débitos compensados nos autos do processo n.° 13861.000114/200231, ora recorrido, consoante a jurisprudência pacífica deste E. CARF. Dessa forma, reconhecendo que houve a homologação tácita dos créditos pleiteados nos processos n.°s 13808.003453/0081 e 13808.005359/200119, o v. acórdão ora recorrido merece ser reformado para reconhecer a integralidade do crédito pleiteado nestes autos, bem como a homologação da compensação realizada. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: Ante o exposto, requer a Recorrente seja o presente Recurso Voluntário recebido, admitido e provido, para o fim de anular o v. acórdão na parte ora recorrida, a fim de que reste integralmente reconhecido o crédito decorrente do saldo negativo do IRPJ pleiteado pela Recorrente, na melhor medida de direto. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que o direito creditório deve ser reconhecido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da Fl. 434DF CARF MF Processo nº 13861.000114/200231 Acórdão n.º 1003000.206 S1C0T3 Fl. 435 6 compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza3. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 13861.000114/200231 Acórdão n.º 1003000.206 S1C0T3 Fl. 436 7 Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. O Per/DComp foi apresentado em 09.08.2002, efls. 01 e 5859. A Recorrente foi cientificada em 12.06.2007, fl. 121, do Despacho Decisório DRF/Santos/SP nº 70, de 29.05.2007, fls. 108112. Assim, não há que se falar em homologação tácita. Observese que os saldos negativos dos anoscalendário de 1999 e 2000 são objeto, respectivamente dos processos autônomos nºs 13808.003453/0081 e 13808.005359/200119, efls. 423429, cujos Despachos Decisórios, até a presente data não foram reformados, efls. 378394. As alegações pertinentes aos referidos processos autônomos devem ser ali tratadas e não podem ser analisadas nos presentes autos. Reiterese que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Em conformidade com a Análise do Crédito que acompanha o Despacho Decisório DRF/Santos/SP nº 70, de 29.05.2007, fls. 108112, todas as informações constantes nos sistemas internos da RFB foram analisadas de forma minuciosa. Assim, não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. Consta no Acórdão da 3ª Turma/DRJ/SPO/SP nº 1674.055, de 08.07.2016, efls. 300312, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): 11. Entrando no mérito da questão, destacase que o processo em discussão é o de Compensação de nº 13861.000114/200231 (Ac2001). Em decorrência da análise realizada neste processo foi emitido o Despacho Decisório DRF/STS nº 070, que glosou as estimativas compensadas dos meses de setembro e outubro de 2001, com o saldo negativo do ano calendário de 2000. 11.1. Em decorrência da glosa processada no processo nº 13861.000114/2002 31 (Ac2001), o saldo negativo do imposto de renda na quantia de R$97.075,11 passou a ser de R$50.513,86. Ou seja, o valor em discussão é o de R$46.561,25. 11.2. Essa glosa foi em decorrência do resultado da análise processada na compensação apresentada por meio do processo nº 13808.005359/200119 (Ac 2000), que resultou no Despacho Decisório DRF/STS nº 075, que glosou as estimativas compensadas dos meses de: janeiro; julho; agosto; setembro; outubro e novembro de 2000. Estas estimativas foram compensadas com o saldo negativo do IR do ano calendário de 1999, tratado por meio do processo nº 13808.003453/0081 (AC1999). Este processo não tinha sido analisado até a apresentação da Manifestação de Inconformidade do processo nº 13861.000114/200231 (Ac2001). 11.3. Porém, a fiscalização constatou que no processo de compensação do saldo negativo do ano calendário de 1999, processo nº 13808.003453/0081, não foi solicitada a compensação de débitos das estimativas do IR do ano calendário de 2000, mas sim de outros débitos tributários. Esta é razão do Despacho Decisório 075, referente ao saldo negativo do IR do ano calendário de 2000, ter glosado as Fl. 436DF CARF MF Processo nº 13861.000114/200231 Acórdão n.º 1003000.206 S1C0T3 Fl. 437 8 estimativas compensadas e ter apurado ao invés de saldo negativo do IR saldo a pagar. 11.4. Atendendo ao reivindicado pela Impugnante foi enviado o presente processo para ser anexado aos de nº 13808.005359/200119 (AC2000) e o de nº 13808.003453/0081 (AC1999) para que fosse processada a análise deste último, o que foi feita pela DERAT. Foi emitido o Despacho Decisório DERAT/SP/EQPIR que confirmou o que já era do conhecimento da DRF/STS, que não havia neste processo a compensação das estimativas devidas dos meses do ano calendário de 2000. 11.5. Conforme pode ser comprovado pelos débitos compensados e listados no item 6.1., não havia débitos relacionados a compensações de estimativas de imposto de renda devidas do ano calendário de 2000. 11.6. Neste processo do saldo negativo do ano calendário de 1999, foi aceito pela DERAT o valor do crédito de R$303.928,83 dos R$368.313,27 pleiteados. Além disso, foram compensados todos os débitos apresentados nos pedidos de compensação, restando um crédito a favor da Impugnante que foi transferido para o processo nº 10880.725794/201506. 11.7. A Impugnante, como está relatado no item 7., não apresentou Manifestação de Inconformidade com relação ao Despacho Decisório da DERAT/SP/EQPIR do processo nº 13808.003453/0081 (AC1999). 11.8. Como os saldos negativos do imposto de renda dos anos calendário de 1999 e 2000 se refletem diretamente no saldo negativo do ano calendário de 2001, pois, são compensadas estimativas devidas nesse ano com os saldos negativos de anos anteriores, que foram analisados e glosados, o Despacho Decisório DRF/STS nº 070, em discussão, deve ser integralmente mantido. 12. Com referência a alegação da Impugnante de que as compensações realizadas nos autos dos processos n°s 13808.003453/0081 e 13808.005359/2001 19 já estariam tacitamente homologadas pela Fiscalização, em face da manifesta ocorrência de decadência, não pode ser aceita. 12.1. A homologação tácita de declaração de compensação extingue o crédito tributário, não podendo mais ser efetuado lançamento suplementar referente àquele período. Porém, não há previsão legal de homologação tácita de saldos negativos ou pagamentos a maior, devendo a repetição de indébito por meio de declaração de compensação obedecer aos dispositivos legais pertinentes. 12.2. A documentação pertinente ao saldo negativo a ser aproveitado em exercícios posteriores deverá ser mantida até o encerramento dos processos que tratam da utilização daquele crédito. 12.3. Pode a Administração Tributária, dentro do lapso de que dispõe o artigo 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, não homologar a compensação declarada em momento posterior, em que se utilizem créditos de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, inclusive os oriundos de estimativas quitadas por meio de Dcomps homologadas tacitamente, se verificada a inexistência de liquidez e certeza desses créditos. [...] 13. Diante de todo o acima exposto, (não provando a Impugnante possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda pública) voto no sentido de considerar Fl. 437DF CARF MF Processo nº 13861.000114/200231 Acórdão n.º 1003000.206 S1C0T3 Fl. 438 9 IMPROCEDENTE a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, mantendose integralmente o despacho decisório recorrido. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade4. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 4 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 438DF CARF MF
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Numero do processo: 15521.000149/2010-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2005
DECADÊNCIA.
Nos casos de lançamento por homologação, em que os tributos são recolhidos pelo sujeito passivo sem o prévio exame do Fisco, a jurisprudência se consolidou no sentido de que havendo pagamento, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário é de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 1302-001.279
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
Nome do relator: Guilherme Pollastri Gomes da Silva
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Nos casos de lançamento por homologação, em que os tributos são recolhidos pelo sujeito passivo sem o prévio exame do Fisco, a jurisprudência se consolidou no sentido de que havendo pagamento, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário é de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha. Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 01 49 /2 01 0- 67 Fl. 656DF CARF MF Documento de 6 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.1018.09559.ZJ85. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório Trata o presente processo de exigência fiscal contra o interessado, inscrito no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples, relativamente ao anocalendário de 2005, de IRPJ/SIMPLES, do PIS/SIMPLES, da CSLL/SIMPLES, da COFINS/SIMPLES, e do INSS/SIMPLES, todos acrescidos de multa de ofício de 75%, e de juros de mora. Os lançamentos estão baseados em omissão de receitas, por depósitos bancários sem comprovação de origem e insuficiência de recolhimento de impostos e contribuições sobre valores declarados, fatos estes que foram minuciosamente explicitados na fundamentação legal da exigência. A Insuficiência de Recolhimentos decorre da omissão de receitas que gerou o recálculo nos valores mensais devidos. O Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis Sobre a Receita Bruta e Diferenças Apuradas, indica que a receita bruta da Interessada acumulada foi de R$ 16.212.102,41 e ultrapassou o limite estabelecido de R$ 2.400.000,00, sujeitando à exclusão de ofício a partir de 01/01/2007 de acordo com o art. 9o, II, e o art.14, I, combinados com o art. 15, IV, da Lei nº 9.317/1996 (Redação dada pela Lei nº 11.307, de 2006). Regularmente cientificada, em 02/09/2010, a Interessada apresentou, impugnação, tempestiva, alegando em síntese que: é optante pelo parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009 e para tanto tem cumprido todos os requisitos necessários. solicita que as competências referentes aos meses de 09/2005, 10/2005, 11/2005 e 12/2005, constituídas pela atuação em questão, cujo valor consolidado original monta em R$ 1.130.663,60, sejam incluídas no citado Parcelamento Especial, tendo por finalidade a sua liquidação parcelada e conseqüente extinção. no tocante às demais competências constituídas, que vão de 01/2005 a 08/2005, as respectivas exigências não devem ser mantidas ante a ocorrência da decadência. A 15ª Turma da DRJ/RJ1, pelo Acórdão nº 12048.444, por unnimidade de votos, acolheu a preliminar de decadência quanto aos fatos geradores ocorridos até agosto de 2005 considerou não impugnada as parcelas posteriores a setembro, conforme ementa a seguir: Anocalendário: 2005 DECADÊNCIA. Os recolhimentos de tributos efetuados dentro da sistemática do SIMPLES seguem o regime de lançamento por homologação. Sendo assim, o direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário, nesta Fl. 657DF CARF MF Documento de 6 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.1018.09559.ZJ85. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15521.000149/201067 Acórdão n.º 1302001.279 S1C3T2 Fl. 657 3 sistemática, decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto se não houver o pagamento antecipado, ou se tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação, hipótese que não se verificou no caso concreto. OMISSÃO DE RECEITAS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. PARCELA NÃO ATINGIDA PELA DECADÊNCIA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. O crédito tributário relativo à matéria não impugnada pelo sujeito passivo considerase definitivamente constituído na esfera administrativa. O presidente da turma recorreu de ofício da decisão, tendo em vista que o crédito exonerado excedeu o limite estabelecido na Portaria MF nº 03 de 03/01/2008. Cientificado da decisão da DRJ em 14/08/2012 a interessada restou silente. É o relatório. Fl. 658DF CARF MF Documento de 6 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.1018.09559.ZJ85. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator O recurso de oficio reúne os requisitos de admissibilidade previsto na Legislação de regência, razão porque dele tomo conhecimento. No lançamento por homologação, se a lei não fixar prazo, darseá a homologação em 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, conforme estatui o art. 150, § 4º, do mesmo diploma legal. “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. ... § 4º. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação “ Durante muitos anos, a jurisprudência predominante no CARF foi no sentido de que, em se tratando de lançamento por homologação, o que definia se o termo inicial para a contagem da decadência era a data da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN) ou o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I do CTN) era a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na presença desses vícios, o termo inicial, sem voz dissonante, era fixado pelo art. 173, I. A divergência que havia era apenas para os casos em que, não apresente dolo, fraude ou simulação, não tivesse havido o pagamento antecipado. Nesses casos, havia uma corrente que afastava a aplicação do art. 150 e seu § 4º, deslocando o termo inicial para o art. 173. Com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, essa questão não mais comporta discussões, eis que foi objeto de decisão do STJ na sistemática de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 973.333SC, de relatoria do Ministro Luiz Fux, com a seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) Fl. 659DF CARF MF Documento de 6 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.1018.09559.ZJ85. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15521.000149/201067 Acórdão n.º 1302001.279 S1C3T2 Fl. 658 5 RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR : PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR : MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) RECORRIDO : ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR : CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS RTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A partir desse julgamento, dando comprimento ao art. 62A do Regimento, o termo inicial para a contagem do prazo fatal para a Fazenda promover o lançamento de ofício, nos casos de tributos que, por sua legislação específica, estejam sujeitos a lançamento por homologação, pode assim ser resumida: Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação: primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN); Não sendo o caso de dolo, fraude ou simulação: Fl. 660DF CARF MF Documento de 6 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.1018.09559.ZJ85. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 b.1) Tendo havido pagamento (ou confissão em DCTF): data da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), b.2) Não tendo havido pagamento (ou confissão em DCTF): primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN). No caso do SIMPLES, a legislação determina que os tributos sejam recolhidos pelo sujeito passivo sem o prévio exame do Fisco, por se tratar de lançamento por homologação cujo prazo decadencial para constituição do crédito tributário é de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador, exceto se não houver pagamento. Neste último caso, aplicase a regra do artigo 173, do CTN, pela qual o prazo de cinco anos é contado a partir primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso em questão, como ocorreram pagamentos, o prazo decadencial deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador e deste modo, como o interessado foi cientificado do auto de infração em 02/09/2010, a DRJ corretamente declarou a decadência do direito de lançar para os fatos geradores ocorridos entre 01/01/2005 a 31/08/2005. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício em questão. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 661DF CARF MF Documento de 6 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.1018.09559.ZJ85. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por EVA RIBEIRO BARROS em 19/03/2014 09:32:00. Documento autenticado digitalmente por EVA RIBEIRO BARROS em 19/03/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 11/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP11.1018.09559.ZJ85 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 64872A10F1D569231EA14DCCCF602C65DB9B4CCC Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 15521.000149/2010-67. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10665.720877/2015-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013
PRELIMINAR. DECADÊNCIA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DCTF. APLICAÇÃO DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN
O contribuinte não efetuou o lançamento, por meio da DCTF. Desta forma, deve ser aplicado o inciso I do art. 173 do CTN.
Para os períodos de apuração do ano-calendário de 2010, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é 01/01/11. Como a ciência do lançamento ocorreu em 25/05/15, não há que se falar em decadência.
RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA
Há de se atribuir ao sócio a responsabilidade tributária solidária, com fulcro no inciso III do art. 135 do CTN, uma vez que restou comprovado cometimento de infração a lei.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013
ANOS DE 2010 A 2013. FORMALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO. DCTF
Nos anos de 2010 a 2013, a DIPJ já não mais se prestava para a formalização do lançamento tributário. Necessária a apresentação da DCTF, instituída pela IN SRF n° 126/98, sob o amparo do DL n° 2.124/84.
MULTA DE OFÍCIO. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS
Por força do art. 60 do RICARF e Súmula CARF n° 2, as turmas de julgamento não podem afastar a aplicação de lei - no caso, inciso I do art. 80 da Lei n° 4.502/64 - com fundamento em inconstitucionalidade.
JUROS SELIC, INCIDÊNCIA SOBRE TRIBUTO E MULTA DE OFÍCIO
É lícita a incidência de juros Selic sobre tributos e multa de ofício - Súmula CARF n° 4.
Numero da decisão: 3301-005.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Salvador Candido Brandão Junior. Apresentou declaração de voto o Conselheiro Salvador Candido Brandão Junior.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DCTF. APLICAÇÃO DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN O contribuinte não efetuou o lançamento, por meio da DCTF. Desta forma, deve ser aplicado o inciso I do art. 173 do CTN. Para os períodos de apuração do ano-calendário de 2010, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é 01/01/11. Como a ciência do lançamento ocorreu em 25/05/15, não há que se falar em decadência. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA Há de se atribuir ao sócio a responsabilidade tributária solidária, com fulcro no inciso III do art. 135 do CTN, uma vez que restou comprovado cometimento de infração a lei. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013 ANOS DE 2010 A 2013. FORMALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO. DCTF Nos anos de 2010 a 2013, a DIPJ já não mais se prestava para a formalização do lançamento tributário. Necessária a apresentação da DCTF, instituída pela IN SRF n° 126/98, sob o amparo do DL n° 2.124/84. MULTA DE OFÍCIO. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Por força do art. 60 do RICARF e Súmula CARF n° 2, as turmas de julgamento não podem afastar a aplicação de lei - no caso, inciso I do art. 80 da Lei n° 4.502/64 - com fundamento em inconstitucionalidade. JUROS SELIC, INCIDÊNCIA SOBRE TRIBUTO E MULTA DE OFÍCIO É lícita a incidência de juros Selic sobre tributos e multa de ofício - Súmula CARF n° 4.
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DECADÊNCIA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DCTF. APLICAÇÃO DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN O contribuinte não efetuou o lançamento, por meio da DCTF. Desta forma, deve ser aplicado o inciso I do art. 173 do CTN. Para os períodos de apuração do anocalendário de 2010, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é 01/01/11. Como a ciência do lançamento ocorreu em 25/05/15, não há que se falar em decadência. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA Há de se atribuir ao sócio a responsabilidade tributária solidária, com fulcro no inciso III do art. 135 do CTN, uma vez que restou comprovado cometimento de infração a lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 ANOS DE 2010 A 2013. FORMALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO. DCTF Nos anos de 2010 a 2013, a DIPJ já não mais se prestava para a formalização do lançamento tributário. Necessária a apresentação da DCTF, instituída pela IN SRF n° 126/98, sob o amparo do DL n° 2.124/84. MULTA DE OFÍCIO. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Por força do art. 60 do RICARF e Súmula CARF n° 2, as turmas de julgamento não podem afastar a aplicação de lei no caso, inciso I do art. 80 da Lei n° 4.502/64 com fundamento em inconstitucionalidade. JUROS SELIC, INCIDÊNCIA SOBRE TRIBUTO E MULTA DE OFÍCIO É lícita a incidência de juros Selic sobre tributos e multa de ofício Súmula CARF n° 4. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 08 77 /2 01 5- 45 Fl. 10881DF CARF MF Processo nº 10665.720877/201545 Acórdão n.º 3301005.056 S3C3T1 Fl. 10.882 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Salvador Candido Brandão Junior. Apresentou declaração de voto o Conselheiro Salvador Candido Brandão Junior. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância. "Contra a empresa em epígrafe foi lavrado auto de infração relativo a divergências entre os valores declarados ao Fisco e os valores escriturados em documentos contábeis e fiscais, no montante de R$ 21.908.693,98, inclusos juros de mora e multa de ofício. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a Fiscalização verificou que o sujeito passivo apurou saldos mensais devedores de IPI (portanto valores que deveriam ser recolhidos aos cofres públicos) para o período de janeiro/2010 a dezembro/2013, mas não recolheu e não declarou em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF ou Declaração de Compensação DCOMP quaisquer valores de IPI devidos referentes aos períodos de apuração fiscalizados. O Fisco também elaborou termo de responsabilização ao sócio administrador, alegando que este responde solidariamente em decorrência do artigo 8º do Decreto Lei 1.736/79 combinado com o artigo 124, inciso II do CTN. A fundamentação legal para o lançamento consta dos autos à fl. 6 , 7 e 13 do auto de infração. Cientificado da autuação, o contribuinte ingressou com impugnação, alegando, em preliminar, ocorrência da decadência de parte do período autuado Fatos geradores anteriores à 15/12/2009 – pela aplicação do art. 150, § 4o, do CTN, sendo que o direito de a Fazenda Pública Federal constituir o crédito tributário relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados, pretensamente não recolhido, antes de 24/05/2010, já havia decaído, em virtude do Fisco ter conhecimento da data da ocorrência do respectivo fato. Fl. 10882DF CARF MF Processo nº 10665.720877/201545 Acórdão n.º 3301005.056 S3C3T1 Fl. 10.883 3 No mérito, fez, em síntese, as seguintes considerações: 1. Ao contrário do que consta no termo de verificação fiscal, em nenhum momento a Contribuinte, ora Impugnante, deixou de declarar o IPI devido referente ao período de apuração dos anos de 2010 a 2013. Todo o IPI foi devidamente declarado em DIPJ que é meio idôneo para que o Contribuinte declare o imposto devido. Tratase, portanto, de nítido caso de denúncia espontânea, que foi totalmente desconsiderado pelo agente da fiscalização. Desta forma, resta cristalino que é incabível a aplicação da multa de ofício, uma vez totalmente contrario ao disposto no art. 138 do CTN, ao excluir a responsabilidade por infrações que sejam objeto da denúncia espontânea. 2. Cingese a matéria litigiosa à exigência da multa de ofício incidente sobre pretenso débito decorrente de compensações não homologadas, equivocadamente, pela fiscalização. Sem querer trespassar pela seara da discussão se tal princípio se estende às multas, é forçoso reconhecer que as excessivamente onerosas devem ser retiradas de nosso ordenamento jurídico, em virtude de, a despeito de não estarem incluídas na norma constitucional supramencionada, não só ferirem o direito de propriedade (art. 5o, XXII3, CF), mas sobretudo os princípios da proporcionalidade e equidade. A desproporção, in casu, é evidente, visto que o valor da multa aplicada atinge quase a totalidade do valor do imposto levantado. É importante aduzir que, o Colendo Supremo Tribunal Federal estende a aplicação do princípio da vedação ao confisco, de modo a abranger, também, as multas confiscatórias. É flagrante a infração ao princípio da vedação ao confisco, já que a multa, no caso em tela, impõe ao Contribuinte, contraditoriamente, valores que podem, inclusive, inviabilizar a sua atividade. 3. A exigência da multa em questão, portanto, foge aos preceitos constitucionais, devendo se pautar no princípio da equidade, limitandoa para evitar se o confisco, devendo a multa valerse da inovação do art. 61 da Lei 9.340/96, que, ao fixar a multa diária, limitoua em seu § 2o, a 20% (vinte por cento). Deste modo, a Impugnante requer seja aplicado o Princípio da Equidade e da Razoabilidade no valor da multa cominada, a fim de reduzir o ônus excessivo em face à situação de dificuldades da empresa. 4. É cediço que não é cabível a aplicação da taxa SELIC para atualização de tributos, ante a própria natureza da referida taxa e a ausência de Lei que fixe sua utilização. No STJ, vem se formando uma forte jurisprudência contra a aplicação da taxa SELIC. Assim, requer seja afastada a incidência da taxa SELIC sobre os tributos lançados em detrimento à ora Impugnante. O Sr. Antônio Kleber Alvares de Abreu Machado, também ingressou com impugnação, alegando, em suma que: 1. A responsabilidade tributária do administrador somente é direta e pessoal em face da conduta DOLOSA do mesmo. Isso porque o simples não recolhimento do tributo constituiria, em tese, uma ilicitude. Exatamente por isso que a infração a que se refere o art. 135 do CTN evidentemente não é objetiva, e sim subjetiva, ou seja, dolosa. Tanto o é que para os casos de descumprimento de obrigações fiscais por mera culpa dos administradores, nos atos em que intervierem e pelas omissões de que forem responsáveis, como pretensamente entendeu o Sr. Auditor Fiscal in casu, não recai a responsabilidade tributária aos mesmos. 2. O atraso ou o não pagamento do tributo não pode ser considerado como infração à lei ou ao contrato social praticada pelo sócio, sob o simples, mas invencível argumento de que, se assim não o fosse, não haveria hipótese de exceção, Fl. 10883DF CARF MF Processo nº 10665.720877/201545 Acórdão n.º 3301005.056 S3C3T1 Fl. 10.884 4 ou seja, sempre o sócio seria responsável pelo débito tributário. Desta forma, ainda que haja infração à lei pelo não pagamento do tributo, para que haja a correta aplicação do art. 135, é necessário perscrutar quem infringiu a lei, se foi a pessoa jurídica ou se foram os sócios, o que não restou caracterizado pelo r. auditor. 3. Os sócios apenas praticam ilícitos ao atuarem além de sua competências, ou seja, se sua atuação for própria / pessoal, não se caracterizando como um ato da empresa. Assim, os sócios somente podem ser responsabilizados quando ultrapassarem os limites de seus atos normais como gerentes, infringindo as normas societárias e as do contrato social que regulam a abrangência de sua atuação. 4. Portanto, o sócio, administrador ou titular somente será responsabilizado, neste quesito, na hipótese de praticar atos ilícitos além de suas funções, contrariando a lei societária e as suas atribuições estabelecidas no contrato social, ou seja, quando age por si mesmo, e não em nome da sociedade. Nesse lume, por mais que se leia e releia o 'Relatório de Procedimento Fiscal' emitido pelo Sr. Auditor Fiscal, não há descrição de ato algum que tenha sido praticado pelo ora Impugnante que poderia caracterizar excesso de poderes e infração de lei ou contrato social da sociedade. 5. O CARF já julgou situações como a presente, afastando devidamente a responsabilização tributária solidária quando não comprovadas as situações legais que autorizam tal imposição. 6. Ressaltese, ainda, que a empresa declarou os impostos em DIPJ devidamente entregues ao r. auditor fiscal quando do início da fiscalização, demonstrando, inequivocamente, que não houve dolo do Impugnante. Todos os valores referentes ao IPI foram devidamente escriturados nos registros contábeis e enviados a Receita Federal do Brasil através do ECD Escrituração Contábil Digital, denominado também SPED CONTÁBIL, nas formas e datas determinas pelo Órgão. 7. O não recolhimento deuse, tão somente, em virtude da crise financeira que atingiu o mercado de gusa e, conseqüentemente, a empresa de propriedade do Impugnante. Por fim, requereu que seja afastada sua responsabilidade tributária, bem como eventual Representação Fiscal, para Fins Penais, julgada insubsistente, com a anulação do ato de abertura da referida Representação. É o essencial." Em 21 de dezembro de 2015, a DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a impugnação improcedente e o Acórdão n° 1459.562 foi assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte destaca o IPI na nota fiscal de saída, apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência pagamento de IPI não há que se falar em lançamento por homologação, regendose o instituto da decadência pelos ditames do artigo 173 do Código Tributário Nacional CTN. Fl. 10884DF CARF MF Processo nº 10665.720877/201545 Acórdão n.º 3301005.056 S3C3T1 Fl. 10.885 5 CONFISSÃO DE DÍVIDA. DIPJ, EXERCÍCIOS 2000 EM DIANTE. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Os saldos a pagar de impostos e contribuições informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), a partir do exercício 2000, anocalendário 1999, não mais se constituem em confissão de dívida, carecendo de lançamento de ofício, com aplicação da multa própria, exceto se os valores estiverem confessados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Somente até o exercício 1999, anocalendário 1998, é que as declarações de rendimentos da pessoa jurídica se constituem em meio de confissão de dívida, ao lado da DCTF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO DEPENDENTE DE DISPOSIÇÃO LEGAL EXPRESSA. Os julgados, mesmo quando administrativos, e a doutrina somente vinculam os julgadores administrativos de 1ª instância nas situações expressamente previstas nas normas legais. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO. A denúncia espontânea somente ocorre com a confissão do débito e o pagamento deste juntamente com o recolhimento da multa de mora. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá la, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic, porquanto o Código Tributário Nacional (art. 161, § 1º) outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Não é da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. Fl. 10885DF CARF MF Processo nº 10665.720877/201545 Acórdão n.º 3301005.056 S3C3T1 Fl. 10.886 6 SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 8º DO DECRETO LEI Nº 1.736, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1979 (ARTIGO 28 DO DECRETO 7.212/2010). São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, os acionistas controladores e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. ARTIGO 135, III, DO CTN. RESPONSABILIDADE PESSOAL E SOLIDÁRIA. No artigo 135, II e III, além da norma que incide na situação que constitua o fato gerador, há outra norma, de natureza sancionatória, que incide sobre a conduta de terceiro que, não participando na situação que constitua o fato gerador, se torna responsável por praticar ato ou conjunto de atos que extrapolam seus poderes de comando frente à empresa ou resultam, por ação própria, em violação de normas legais vinculadas à obrigação de pagar tributos devidos pela empresa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O sujeito passivo e o responsável solidário, Sr. Antônio Kleber Alvares de Abreu Machado, administrador da empresa, interpuseram recurso voluntário. Repetiram os argumentos contidos nas impugnações, sendo que o sujeito passivo trouxe os seguintes novos argumentos para contestar a aplicação da multa de ofício: a IN SRF n° 14/00, citada no acórdão recorrido, não se aplica ao caso, pois dispõe sobre a inscrição de débitos na dívida ativa; e "(. . .) constatase que a Instrução Normativa n°. 126/98 não é veículo próprio a criar, alterar ou extinguir direitos, seja porque não encontra em lei seu fundamento de validade material, seja porque a delegação pela qual se origina é malversação da competência que pertine ao Decretolei (Decretolei 2.124/84) ou seja porque inova o ordenamento extrapolando sua própria competência." É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 10886DF CARF MF Processo nº 10665.720877/201545 Acórdão n.º 3301005.056 S3C3T1 Fl. 10.887 7 Os recursos voluntários apresentados pelo sujeito passivo, SIDERÚRGICA GAFANHOTO EIRELI, e pelo responsável solidário, ANTONIO KLEBER ALVARES DE ABREU MACHADO, preenchem os requisitos legais de admissibilidade, pelo que deles tomo conhecimento. Foi lavrado auto de infração de IPI, no montante de R$ 21.908.693,98, inclusos juros de mora e multa de ofício de 75%. A Fiscalização verificou que o contribuinte apurara saldos mensais devedores de IPI para o período de janeiro/2010 a dezembro/2013, mas não os recolheu e tampouco declarou em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Foi atribuída responsabilidade solidária ao sócio administrador, alegando que este responde solidariamente em decorrência do artigo 8º do DecretoLei 1.736/79 combinado com o artigo 124, inciso II do CTN. Conforme consta no relatório anteriormente apresentado, o auto de infração foi contestado, porém a impugnação foi julgada integralmente improcedente. Examinarei cada um dos recursos, separadamente. RECORRENTE: SIDERÚRGICA GAFANHOTO EIRELI Preliminar A autuação abrangeu os períodos de apuração (PA) compreendidos entre os dias 01/01/10 e 31/12/13, da qual o contribuinte tomou ciência no dia 25/05/15 (fl. 10.782). A recorrente alega que decaiu o direito de o Fisco lançar o IPI relativo aos fatos geradores ocorridos antes de 25/05/10, com base no § 4° do art. 150 do CTN cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. A DRJ ratificou o procedimento fiscal, sob o argumento de que deve ser aplicado o inciso I do art. 173 do CTN cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado , em razão de o contribuinte não ter efetuado pagamento algum. Mencionou ainda os art. 181 a 184 do RIPI/10. Divirjo da recorrente. Em tributos lançados por homologação, tal qual o IPI, adotase o § 4° do art. 150 do CTN, quando o contribuinte dá conhecimento à autoridade tributária da ocorrência do fato gerador, por meio realização do lançamento e do correspondente pagamento, ainda que parcial. No caso do IPI, entendo que aplicase o § 4° do art. 150 do CTN inclusive quando não houver pagamento, porém tiver ocorrido compensação de créditos, ainda que não suficiente para zerar o saldo devedor. Esta é minha interpretação do art. 124 do RIPI/02, ainda vigente nos meses de janeiro a maio de 2010: "Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e Fl. 10887DF CARF MF Processo nº 10665.720877/201545 Acórdão n.º 3301005.056 S3C3T1 Fl. 10.888 8 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher."(g.n.) Na situação em comento, houve compensação de créditos e os saldos devedores mensais de IPI foram escriturados no Livro de Apuração do IPI e informados na DIPJ. Entretanto, não foram incluídos nas DCTF dos respectivos meses. E a DCTF era a declaração por meio da qual era formalizado o lançamento do IPI no tópico seguinte, trato da necessidade de incluir os débitos do IPI na DCTF, para fins de formalização e concretização do lançamento do IPI. Desta forma, como o lançamento não foi efetuado, não foi dado à autoridade fiscal o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores. Portanto, deve ser aplicada a regra de decadência do inciso I do art. 173 do CTN: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Uma vez adotado o dispositivo legal acima mencionado, em relação aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a maio de 2010, temse que o termo inicial do prazo decadencial é no dia 01/01/11. Como a recorrente tomou ciência do lançamento no dia 25/05/15, não se verificou a decadência. Com base no acima exposto, nego provimento aos argumentos da recorrente contidos no presente tópico. Mérito Lançamento por meio da DIPJ e ilegalidade da IN n° 126/98 que instituiu a DCTF Fl. 10888DF CARF MF Processo nº 10665.720877/201545 Acórdão n.º 3301005.056 S3C3T1 Fl. 10.889 9 A fiscalização identificou saldos devedores de IPI escriturados nos livros fiscais, porém não declarados em DCTF e tampouco pagos. Como a DCTF é o instrumento por meio do qual é formalizado o lançamento do tributo, efetuouo de ofício, com multa de 75%. Na impugnação, a recorrente alega que o IPI foi declarado, por meio das DIPJ dos respectivos anoscalendário, "(. . .) que é meio idôneo para que o Contribuinte declare o imposto devido. Tratase, portanto, de nítido caso de denúncia espontânea, que foi totalmente desconsiderado pelo agente da fiscalização." A impugnação foi plenamente rechaçada pela DRJ. Robusteceu então seus argumentos de defesa no recurso voluntário, aduzindo, em síntese, que: A IN SRF n° 14/00, citada pela decisão recorrida como prova de que a DIPJ não mais se prestava para efetuar lançamento tributário, não se aplica ao caso em tela, uma vez dispõe sobre comunicação de débitos à PFN para inscrição na dívida ativa e o débito em discussão foi informado diretamente para a RFB, via DIPJ. Os débitos foram informados por meio de DIPJ, o que "(. . .) torna despiciendo a lançamento de ofício (. . .)". A fonte formal da IN SRF n° 126/98 é uma portaria do Ministério da Fazenda, que delegou ao Secretário da RFB competência para eliminar ou instituir obrigações acessórias. O Decretolei n° 2.124/84 deu poderes ao Ministro da Fazenda para a instituição de obrigações acessórias. Ocorre que foi editado sob a égide da Constituição Federal de 1967, que, em seu art. 55, teria concedido tal prerrogativa ao Presidente da República. Portanto, o Ministro da Fazenda não poderia ter criado a DCTF e, tampouco, como o fez, ter delegado tal função ao Secretário da Receita Federal. Aduz que art. 113 do CTN dispõe que a obrigação pode ser principal ou acessória. Que o art. 97 do CTN estabelece que somente lei pode cominar penalidade para infrações aos dispositivos do CTN ou para infrações previstas em outras leis. Nestes termos, a entrega da DCTF, cujo inadimplemento ocasiona a aplicação de multa, deveria ter sido instituída por lei e não pela IN SRF n° 126/98. E não se pode dar como fundamento legal o art. 100 do CTN, que considera os atos normativos como normas complementares das leis, pois o art. 97 dispõe sobre aplicação de sanções a "dispositivos do CTN" e não a normas complementares, como a IN SRF n° 126/98. Não obstante o disposto no item anterior, o Decretolei n° 2.124/84 foi editado sob o amparo da Constituição Federal de 1967. Como tal figura deixou de existir, com a promulgação do Constituição Federal de 1988, à luz do art. 25 dos ADCT, já estaria revogado, desde abril de 1999. Portanto, também sob este prisma, a IN SRF n° 125/98 não teria fundamento de validade. Caso nenhum dos argumentos seja acatado, que, pelos princípios da Boafé e razoabilidade, seja o IPI considerado como lançado, em razão de ter sido regularmente confessado por meio das DIPJ. Com a devida vênia, não concordo com o entendimento da recorrente. Fl. 10889DF CARF MF Processo nº 10665.720877/201545 Acórdão n.º 3301005.056 S3C3T1 Fl. 10.890 10 Entendo que o Decretolei n° 2.128/84 foi recepcionado pela nova ordem constitucional, pois com ela é plenamente compatível Com efeito, esta é a leitura da jurisprudência dominante sobre a matéria. Também não vejo qualquer exarcebação de poderes, quando o Ministro da Fazenda delega ao Secretário da RFB, órgão sob seu comando, a função de baixar norma, instituindo obrigações acessórias. Assim, não vejo vícios formais ou materiais na IN SRF n° 126/98, que instituiu a DCTF e dela fez o instrumento de confissão de dívida e, por conseguinte, de formalização do lançamento tributário. Para enfrentamento do argumento que tinha como objetivo contestar a necessidade da apresentação da DCTF, uma vez que os débitos foram informados nas DIPJ, e também robustecer o entendimento acerca do fundamento de validade da norma que instituiu a DCTF, reproduzo trecho do voto condutor da decisão de primeira instância e dele faço uso como parte de minhas razões de decidir (§ 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/98): "O contribuinte alegou que, ao contrário do que consta no termo de verificação fiscal, em nenhum momento deixou de declarar o IPI devido referente ao período de apuração dos anos de 2010 a 2013. Todo o IPI foi devidamente declarado em DIPJ que é meio idôneo para que o Contribuinte declare o imposto devido. Finalizou dizendo que se trata de nítido caso de denúncia espontânea, que foi totalmente desconsiderado pelo agente da fiscalização, sendo incabível a aplicação da multa de ofício, uma vez totalmente contrario ao disposto no art. 138 do CTN. O Sr. Antônio Kleber Alvares de Abreu Machado, acrescentou que o não recolhimento deuse, tão somente, em virtude da crise financeira que atingiu o mercado de gusa. Por sua vez, o Fisco constatou que o estabelecimento industrial não efetuou o recolhimento dos valores devidos de IPI no período de jan/2010 a dez/2013 nos prazos estabelecidos pela legislação, nem tampouco os declarou nas DCTF Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais vinculadas ao mesmo período e nem os compensou mediante entrega de DCOMP (declarações de dívidas). Primeiramente há que se observar que o fato de o contribuinte ter informado valores de IPI apurados na DIPJ não impede o lançamento da multa de ofício, nem a cobrança do imposto por meio de auto de infração. Isto porque o instrumento hábil para a confissão de dívida e para a vinculação de pagamentos/compensações (créditos) aos débitos dos contribuintes é a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF. A DIPJ – Declaração de Informações EconômicoFiscais da PJ tem natureza meramente declaratória, não sendo instrumento de confissão de dívida tributária. Portanto, os valores não informados como saldos a pagar em DCTF devem ser lançados de ofício, mesmo que constem de DIPJ. Explico: somente até o exercício 1999, anocalendário 1998, é que as declarações de rendimentos da pessoa jurídica se constituem em meio de confissão de dívida, ao lado da DCTF. A base legal para tal entendimento se dá pelo artigo 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984 e pela legislação infralegal que lhe tem como supedâneo. Fl. 10890DF CARF MF Processo nº 10665.720877/201545 Acórdão n.º 3301005.056 S3C3T1 Fl. 10.891 11 'DecretoLei nº 2.124/84 Art. 5º. O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. §1º. O documento que formaliza o cumprimento da obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência do referido crédito.' 'Instrução Normativa SRF nº 14, de 14 de fevereiro de 2000 Art. 1º. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.’ Na redação acima transcrita, observese a retirada da expressão “e jurídicas”, referindose à declaração de rendimentos das pessoas jurídicas – DIPJ, contida no artigo 1º da IN SRF nº 77, de 24 de julho de 1998, que dispunha: 'Art 1º. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda nacional para fins de inscrição como dívida Ativa da União. (negrito ausente do original).' Assim, nos termos da IN SRF nº 14/2000, apenas a declaração de rendimentos da pessoa física e a declaração do ITR é que continuaram como confissão de dívida, sendo que as pessoas jurídicas passaram a confessar os tributos devidos apenas na DCTF. Em consonância com as duas Instruções Normativas citadas acima, até o ano calendário de 1998 os valores informados como devidos nas declarações de rendimentos das pessoas jurídicas DIPJ podiam ser cobrados independentemente de lançamento, já que confessados. Neste sentido é que o manual de instrução para preenchimento que a acompanhava continha referências expressas acerca da confissão de dívida. Diferentemente, a partir do anocalendário de 1999, exercício 2000, o recibo da DIPJ, bem assim o seu manual de instrução para preenchimento, não contêm a informação que a DIPJ constitui confissão de dívida . Portanto, os valores declarados apenas em DIPJ a partir do anocalendário 1999 não podem mais ser cobrados sem que haja o lançamento próprio. A partir daquele ano, somente os valores constantes de DCTF é que podem ser inscritos na Dívida Ativa e cobrados por meio da execução fiscal própria. Ou seja, a partir do anocalendário 1999 os valores não confessados em DCTF, mesmo quando informados em DIPJ, somente podem ser cobrados após o lançamento de ofício, com aplicação da multa própria, determinada pelo art. 44, da Lei nº 9.430/96. Daí a necessidade de lançamento, que deve ser mantido. Fl. 10891DF CARF MF Processo nº 10665.720877/201545 Acórdão n.º 3301005.056 S3C3T1 Fl. 10.892 12 Como o impugnante não informou os valores lançados nem nas DCTF dos anoscalendários de 2010, 2011, 2012 e 2013, nem em Dcomp os dois meios de confissão de dívidas administrativas, cabe manter o lançamento para esses períodos. Com respeito à denúncia espontânea, cabe fazer as seguintes considerações: O comando normativo em comento (CTN, art. 138) está assim disposto, ipsis literis: 'Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo depende de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.' É de clareza hialina que a responsabilidade do sujeito passivo pela infração é excluída pela denúncia espontânea desta, acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Ora, conforme já citado várias vezes nos autos, apensar de a obrigação tributária ter sido informada em DIPJ, o contribuinte não efetuou pagamento nem compensação dos débitos de IPI, ou seja, não cumpriu a condição para se considerar denúncia espontânea. Logo, a defesa não tem razão." Com base no acima exposto, nego provimento aos argumentos contidos no presente tópico. Da multa de ofício A recorrente alegou que a multa de ofício de 75% viola o direito de propriedade (inciso XXII do art. 5° da CF), o princípio do não confisco (inciso IV do art. 150 da CF) e, sobretudo, os princípios da proporcionalidade e da equidade. Cita decisão do STF (ADI 551/RJ), que dispõe que a desproporção entre a norma descumprida e a multa aplicada configuram confisco. No caso em tela, a multa foi aplicada tão somente por pretensa omissão da recorrente. E, por fim, com base em tais argumentos, requer a redução da multa para o patamar de 20%, previsto no art. 61 da Lei n° 9.430/96. A multa de ofício foi aplicada com base no inciso I do art. 80 da Lei n° 4.502/64, a saber: "Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de oficio: Fl. 10892DF CARF MF Processo nº 10665.720877/201545 Acórdão n.º 3301005.056 S3C3T1 Fl. 10.893 13 I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; II cento e cinqüenta por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido, quando se tratar de infração qualificada." O art. 60 da Portaria MF n° 343/15 (RICARF) dispõe que "Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade". Este dispositivo regimental deu origem à Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Assim, nego provimento aos argumentos. Inaplicabilidade dos juros Selic em matéria tributária Alega que não podem ser aplicados juros Selic sobre tributos, em razão de sua natureza e a ausência de lei que fixe sua utilização. Cita decisão do STJ, em sede do REsp n° 215.881/PR, que dispõe ser ilegal e inconstitucional a aplicação da taxa Selic para fins tributários. Tenho outra interpretação da legislação aplicável. Dispõe o art. 113 do CTN: " Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (. . .)" (grifo nosso) A redação do art. 113 do CTN já foi objeto de inúmeras críticas por parte de conceituados tributaristas, que repudiam o fato de o conceito de obrigação tributária compreender tributo e penalidade. Contudo, não podemos nos furtar a aplicálo. Assim, no caso em tela, a obrigação tributária abrange o IPI e a multa de ofício. Sobre a incidência dos juros, temos o art. 161 do CTN: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (. . .)" (grifo nosso) Fl. 10893DF CARF MF Processo nº 10665.720877/201545 Acórdão n.º 3301005.056 S3C3T1 Fl. 10.894 14 Portanto, é lícita a incidência de juros sobre a obrigação tributária, consistente em tributo e/ou penalidade pecuniária. Neste sentido, apresentouse o entendimento do STJ no AgRg no REsp n° 1335688/PR (DJ de 10/12/2012): "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido." (grifo nosso) Sobre a taxa de juros a ser aplicada, reportome à Súmula CARF n° 4, à qual está vinculado este colegiado: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Com base no acima exposto, nego provimento às alegações concernentes à ausência de base legal para a cobrança de juros Selic sobre o principal do IPI e a multa de ofício não recolhida no prazo. Conclusão Nego provimento ao recurso voluntário apresentado pela SIDERÚRGICA GAFANHOTO EIRELI. RECORRENTE: ANTONIO KLEBER ALVARES DE ABREU MACHADO Na impugnação, julgada improcedente pela DRJ, e no recurso voluntário, o recorrente alega ser descabida a responsabilização tributária solidária com base no inciso III do art. 135 do CTN, pois esta não é objetiva e sim subjetiva, podendo tão somente ser atribuída se restasse comprovado que agiu com dolo, o que não ocorreu. Houve apenas inadimplemento de obrigação tributária. Colaciona decisão do CARF (Ac. n° 1402001.951, de 24/03/15), que dispõe que, em caso de inadimplemento de tributos, a responsabilidade solidária não pode ser atribuída pelo simples fato de serem sócios e com poder de gerência. No mesmo sentido, menciona a Súmula STJ n° 430. Para afastar qualquer possibilidade de ser apontado dolo na sua conduta, menciona que os débitos de IPI foram regularmente contabilizados, cuja escrituração foi Fl. 10894DF CARF MF Processo nº 10665.720877/201545 Acórdão n.º 3301005.056 S3C3T1 Fl. 10.895 15 transmitida para a RFB por meio da Escrituração Contábil Digital ECD. Adicionalmente, também foram informados na DIPJ. A meu ver, é correta a atribuição da responsabilidade tributária solidária prevista no inciso III do art, 135 do CTN, o que foi adequadamente fundamentado no "Termo de Sujeição Passiva Tributária" (fls. 28 a 31), do qual extraio os trechos que julgo necessários para prover a turma dos devidos esclarecimentos e dos quais faço uma de minhas razões de decidir (§ 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99): "(. . .) O IPI é um imposto não cumulativo, ou seja, o valor a recolher pelo contribuinte decorre da diferença entre o IPI pago na aquisição de insumos utilizados na fabricação de seus produtos (crédito) e aquele cobrado na saída destes produtos (débito). Esta sistemática permite o repasse do ônus do imposto que é recolhido pelas empresas (contribuinte de direito) aos seus consumidores (contribuinte de fato). Tanto é assim, que a legislação obriga a empresa a, no caso de solicitação de restituição de IPI, conseguir autorização junto ao adquirente do produto fabricado por ela para requerer a mesma. O estabelecimento vendeu produto de sua fabricação e destacou o valor do IPI devido nas notas fiscais de venda (saída). O valor total da venda, que é o valor dos produtos mais o IPI, foi cobrado e recebido do comprador, e não repassado aos cofres públicos. Assim sendo, a empresa não recolheu os valores devidos de IPI, que foram lançados em auto de infração, caracterizando, em tese, crime contra a ordem tributária especificado no Inciso II, do Art. 2º da Lei 8.137/90: 'Dos crimes praticados por particulares Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório mediante as seguintes condutas: (...) Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: II – deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos' Verificouse que, à época dos fatos, o Sr. ANTONIO KLEBER ALVARES DE ABREU MACHADO, CPF 515.395.43668 era o único sócio administrador do sujeito passivo, com 99% de seu capital social, até sua transformação em empresa individual de responsabilidade limitada, da qual se tornou titular administrador. É de se acrescentar que, no presente caso, não se trata de mero inadimplemento. O não pagamento aqui revela o descumprimento do dever jurídico de repassar aos cofres públicos o valor cobrado e efetivamente recebido de terceiros, situação tipificada como crime contra a ordem tributária estabelecido no inciso II, do art. 2º, da Lei 8.137/1990. Fl. 10895DF CARF MF Processo nº 10665.720877/201545 Acórdão n.º 3301005.056 S3C3T1 Fl. 10.896 16 Ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária do sócio administrador em relação ao tributo IPI cobrado do comprador dos produtos e que deixou de ser recolhido aos cofres públicos no período de 01/01/2010 a 31/12/2013, em virtude de prática de infração à lei, nos termos do art. 135, inciso III, da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): 'Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.' E por se tratar do IPI, a sujeição passiva solidária, no caso, ocorreu também em virtude de expressa previsão legal inseria no art. 8º do DecretoLei 1.736/1979 (art. 28 do Regulamento do IPI/2010), combinado com art. 124, inciso II, do CTN. DecretoLei 1.736/79: 'Art 8º São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto sobre produtos industrializados e do imposto sobre a renda descontado na fonte. Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringese ao período da respectiva administração, gestão ou representação.' Código Tributário Nacional – CTN: 'Art. 124. São solidariamente obrigadas: II as pessoas expressamente designadas por lei.' (. . .)" Como muito bem explanado pela fiscalização, o contribuinte do IPI é mero depositário do montante do imposto, que é por ele adicionado ao preço e cobrado do adquirente, para então recolhêlo aos cofres públicos. Assim, os valores do IPI foram recebidos pela SIDERÚRGICA GAFANHOTO EIRELI, porém não foram repassados para o Fisco. No Termo de Sujeição Passiva (fls. 22 a 25), também constam como motivos para atribuirse aos sócios responsabilidade tributária solidária os fatos de os saldos devedores do extenso período fiscalizado (janeiro de 2010 a dezembro de 2013) terem sido contabilizados e escriturados no Livro de Apuração do IPI, porém não lançados, por meio de DCTF, e tampouco pagos. Resta, assim, comprovada a infração à lei a que se refere o inciso III do art. 135 do CTN, anteriormente transcrito. Portanto, agiu corretamente o agente fiscal, cujo procedimento ratifico, negando provimento aos argumentos do recorrente. CONCLUSÃO Fl. 10896DF CARF MF Processo nº 10665.720877/201545 Acórdão n.º 3301005.056 S3C3T1 Fl. 10.897 17 Nego provimento aos recursos voluntários apresentados pela SIDERÚRGICA GAFANHOTO EIRELI e pelo Sr. ANTONIO KLEBER ALVARES DE ABREU MACHADO. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Declaração de Voto Conselheiro Salvador Cândido Brandão Júnior A declaração de voto cingese apenas para trazer uma observação acerca do quanto decidido no presente caso concreto em relação à responsabilidade tributária do sócio administrador, Sr. Antônio Kleber Alvares de Abreu Machado. Quanto à este ponto, conforme termo de sujeição passiva de fls. 2225, a atribuição de responsabilidade decorre da aplicação do art. 135, III do CTN, conjugado com o art. 124, II do CTN e art. 8º do DecretoLei 1.736/1979. Neste ponto, não há discordância em relação ao muito bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Conselheiro Relator, tanto que a votação da turma foi unânime. Isso porque a responsabilidade tributária atribuída ao referido sócio foi levada a efeito não por mero inadimplemento, mas sim porque a pessoa jurídica, em que pese a escrituração do saldo devedor do IPI na contabilidade, livro de apuração do IPI, EFD e SPED por todo o período autuado, não realizou a constituição do crédito tributário por meio da DCTF, muito menos o recolhimento do imposto devido. Em vista disso, a autoridade administrativa entendeu, também, pela aplicação do art. 2º, II da Lei 8.137/1990. Não há dúvidas de que a atribuição da responsabilidade tributária não decorre de mero inadimplemento, mas sim porque não foi elaborada a declaração do tributo devido (DCTF). No entanto, o que se quer destacar, apenas, é uma observação sobre o seguinte ponto do termo de sujeição passiva solidária (fl. 24) Ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária do sócio administrador em relação ao tributo IPI cobrado do comprador dos produtos e que deixou de ser recolhido aos cofres públicos no período de 01/01/2010 a 31/12/2013, em virtude de prática de infração à lei, nos termos do art. 135, inciso III, da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Fl. 10897DF CARF MF Processo nº 10665.720877/201545 Acórdão n.º 3301005.056 S3C3T1 Fl. 10.898 18 O ponto de discordância que ser busca esclarecer aqui pode ser também encontrado no termo de verificação fiscal (fl. 19): 18) O estabelecimento vendeu produtos de sua fabricação e destacou o valor do IPI devido nas notas fiscais de vendas (saídas). Os valores totais das vendas, que são compostos pelo valor dos produtos mais o valor do IPI incidente, foram cobrados e recebidos dos compradores, e os saldos devedores mensais do IPI (depois de deduzidos os créditos do imposto) não foram repassados aos cofres públicos. (grifo não consta do original) Esclareçase que a responsabilidade tributária não deriva do fato de que nas operações de saída o imposto foi destacado na nota fiscal e cobrado do adquirente, mas sim porque não houve declaração do saldo devedor de IPI no período de apuração em DCTF e repassado este montante destacado na nota fiscal aos cofres públicos. Isso porque o IPI é um imposto não cumulativo em que se apura o montante devido de imposto ao final de um período de apuração após o confronto de todos os débitos e créditos: se houver saldo devedor, recolhese o tributo; se houver saldo credor, transferese para o próximo período de apuração. Assim, o montante de IPI destacado na nota fiscal, em síntese, não é o montante de imposto que se deve recolher ao Fisco. Muito ao contrário, este montante destacado em nota fiscal, embora seja um elemento de débito que comporá a apuração mensal do imposto, não corresponde ao montante devido aos cofres públicos. Pode ser que no final do período de apuração não exista saldo devedor e nem seja necessária a DCTF. Assim, a infração é detectada quando há saldo devedor e não se recolhe o imposto. Daí que se destacou o trecho acima, acertadamente mencionado pela autuação fiscal, "os saldos devedores mensais do IPI (depois de deduzidos os créditos do imposto) não foram repassados aos cofres públicos", pois foi esta falta de declaração diante da existência do saldo devedor que gerou a responsabilidade tributária do sócio administrador. Tornar a responsabilidade cabível em razão do destaque na nota fiscal é tornar o IPI um imposto de retenção, o que não se cogita, na medida em que o contribuinte é o próprio industrial ou equiparado que realiza a saída do produto industrializado e, ainda, o montante veramente devido só será encontrado após o período de apuração. (assinado digitalmente) Salvador Cândido Brandão Júnior Fl. 10898DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.014081/2007-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
MULTA ISOLADA. IRPJ E CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO.
Provido o recurso voluntário no processo matriz, o mesmo veredicto deve ser proferido nestes autos conexos ou reflexivos dada à vinculação existente entre os dois autos.
Numero da decisão: 1302-000.619
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso.
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
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IRPJ E CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Provido o recurso voluntário no processo matriz, o mesmo veredicto deve ser proferido nestes autos conexos ou reflexivos dada à vinculação existente entre os dois autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso. MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” IRINEU BIANCHI Relator. “documento assinado digitalmente” Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Wilson Fernandes Guimarães e Irineu Bianchi. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 20/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 25/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.014081/200783 Acórdão n.º 130200.619 S1C3T2 Fl. 568 2 Relatório SIPAR – SOCIEDADE DE INCORPORAÇÕES E PARTICIPAÇÕES S/A, empresa inscrita no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas sob n° 91.325.365/000141, inconformada com a decisão de 1° grau proferida pela 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), apresenta recurso voluntário a este Colegiado objetivando a reforma da decisão recorrida. A exigência inicial contida nos autos de infração (fls. 429/719), diz respeito à multa lançada isoladamente por falta de recolhimento de estimativa de IRPJ (R$ 26.995,82) e CSLL (R$ 5.606,13). Estas multas foram aplicadas por falta de pagamento de IRPJ e CSLL incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. O relatório da ação fiscal, no processo matriz de nº 11080.012499/200756, explicita que foram cometidas as seguintes irregularidades pelo sujeito passivo: ITEM IRREGULARIDADES COMETIDAS PAGAMENTO – R$ 01 Falta de apresentação de documentos comprobatórios da operação ou causa 41.917,51 02 Documentação apresentada insuficiente ou não hábil para a comprovação da operação ou causa 72.160,84 03 Documentação apresentada comprova a operação, mas as despesas são indedutiveis 10.502,33 TOTAL 124.580,68 Nestes autos, a fiscalirzação recalculou os valores de pagamentos por estimativas que deveriam ter sido realizados em virtude de lançamentos suplementares de ofício de IRPJ e CSLL apurados naquele processo administrativo fiscal. Na decisão de fls. 445 a 446, a autoridade julgadora de 1º grau examinou os argumentos expendidos pelo sujeito passivo na impugnação apresentada às fls. 441, onde reitera os pleitos já expendidos na impugnação de fls. 1511 a 1538, do processo nº 11080.012466/200756, bem como as provas documentais acostadas aos autos e, principalmente, o argumento de que a fiscalização indagou apenas os pagamentos efetuados sem cogitarse quanto à dedutibilidade das despesas para a determinação do lucro real, conforme estabelecido na legislação tributaria federal. A decisão de 1º grau, de fls. 445/446, tem a seguinte ementa: IRPJ/CSLL. BALANCETES DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO CONEXO. Se a multa isolada, aplicada pela falta de recolhimento do imposto devido com base em balancetes de suspensão ou redução, decorre dos mesmos fatos já examinados em processo próprio, no qual se decidiu de forma Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 20/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 25/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.014081/200783 Acórdão n.º 130200.619 S1C3T2 Fl. 569 3 favorável ao contribuinte, é de reconhecer neste processo os efeitos daquela decisão. Lançamento Procedente em Parte. Como se vê, a autoridade julgadora de 1º grau estendeu todos os fundamentos de fato e de direito espelhados no julgamento do litígio contido no processo administrativo fiscal nº 11080.012499/200756, reconhecendo o estreito vinculo entre os dois autos e, ainda, deu provimento parcial para adequarse ao decidido no processo matriz e reduzindo parte da multa isolada. No recurso voluntário (fls. 465/471), a recorrente sustenta que não pode coexistir a concomitância da multa de lançamento de ofício pela insuficiência de recolhimento de tributos e contribuições apurados no processo administrativo fiscal nº 11080.012466/2007 56 e a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativa em decorrência da mesma infração. Argumenta que a exigência de pagamento por estimativa nada mais é que uma antecipação do pagamento dos tributos e contribuições a serem apuradas no ajuste anual e, transcreve as ementas dos seguintes precedentes julgados do Primeiro Conselho de Contribuintes: CSRF/0105.875, DE 23/06/2009, CSRF/0105.838, CSRF/0105.845, de 15/04/2008 e 10195.907, de 07/12/2006. Ao final, solicita que este litígio seja examinado conjuntamente com o processo administrativo fiscal nº 11080.012466/200756 e julgado simultaneamente, ou este após aquele, considerandose o nele decidido, para decretar a insubsistência integral dos lançamentos de multas isoladas contidas neste processo, por improcedentes as alegações em que se assentam. É o Relatório. Voto Conselheiro IRINEU BIANCHI O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade e, em se tratando de lançamento conexo ou lançamento reflexivo, o decidido no processo matriz estendese a estes autos. No processo matriz de nº 11080.012466/200456, os fundamentos de fato e de direito apresentados pela recorrente foram examinados e foi inobstabte não ter sido admitida a preliminar de decadência, no mérito foi dado provimento ao recurso, conforme a seguinte ementa: IRPJ. CSLL. APURAÇÃO DE RESULTADOS. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA E CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS. A apuração de resultados nas empresas que se dedicam a incorporação imobiliária ou construção de edifícios deve ser efetuada por ocasião da vendas das unidades imobiliárias construídas ou a construir. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 20/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 25/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.014081/200783 Acórdão n.º 130200.619 S1C3T2 Fl. 570 4 IRPJ. CSLL. APURAÇÃO DE RESULTADOS. Os pagamentos efetuados e contabilizados nas contas de sociedades em conta de participação para incorporação imobiliária ou construção de edifícios em condomínios ou em conta de Ativo Permanente representativo de obras em andamento, não interfere na Conta de Resultados de Pessoas Jurídicas e não comporta a autuação de glosa de custos ou despesas operacionais, em face da legislação tributária que estabelece sistemática especifica de apuração de resultados apenas quando da venda das unidades imobiliárias. No processo matriz, além da análise de cada pagamento objeto de autuação, foram examinados diversos aspectos relacionados com o mérito do lançamento e arroladas diversas assertivas que culminaram com o provimento do recurso voluntário. Desta forma, mesmo que fosse o caso de exame do mérito, os pagamentos objetos de autuação, no processo matriz, foram escriturados em contas patrimoniais – Ativo Permanente ou obras em andamento e especificamente em Sociedades em Conta de Participação. A legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (RIR/99) dispõe: Art. 148. As sociedades em conta de participação são equiparadas às pessoas jurídicas (Decretolei nº 2.303, de 21 de novembro de 1986, art. 7º, e Decretolei nº 2.308, de 19 de dezembro de 1986, art. 3º). Art. 149. Na apuração dos resultados dessas sociedades, assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos, serão observadas as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral e o disposto no art. 254, II (Decretolei nº 2.303, de 1986, art. 7º, parágrafo único). Como se vê, a movimentação financeira de transferência de valores para uma Sociedade em Conta de Participação não tem qualquer relação com a Conta de Resultados do sujeito passivo e mesmo que não fosse o caso da mencionada sociedade, a legislação do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica estabelece em seu Capítulo VI – DISPOSIÇÕES ESPECIAIS SOBRE ATIVIDADES E PESSOAS JURÍDICAS – Seção X – Compra e Venda, Loteamento, Incorporação e Construção de Imóveis, o seguinte: Art. 410. O contribuinte que comprar imóvel para venda ou promover empreendimento de desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária ou construção de prédio destinado à venda, deverá, para efeito de determinar o lucro real, manter, com observância das normas seguintes, registro permanente de estoque para determinar o custo dos imóveis vendidos. Art. 411. O lucro bruto na venda de cada unidade será apurado e reconhecido quando contratada a venda, ainda que mediante instrumento de promessa, ou quando implementada a condição suspensiva a que estiver sujeita a venda (Decretolei nº 1598, de 1977, art. 27, § 1º). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 20/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 25/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.014081/200783 Acórdão n.º 130200.619 S1C3T2 Fl. 571 5 Verificase, pois, que existe dispositivo expresso na legislação para a apuração de resultados das atividades relacionadas com a incorporação imobiliária e construção de prédio e, portanto, a sociedade em conta de participação para cada empreendimento imobiliário pode ser equiparada a um registro permanente de estoque para a determinação do custo da unidade imobiliária. De qualquer forma, como sociedade em conta de participação ou como registro permanente de estoque, o resultado só pode ser apurado quando da venda da unidade imobiliária. Desta forma, a tributação pretendida nestes autos, pela glosa de pagamentos, custos ou despesas operacionais não tem amparo na legislação tributária vigente. Diante do exposto e tendo sido provido o recurso voluntário no processo matriz, a mesma sorte deve ser dada a estes autos para cancelar as multas lançadas isoladamente, dada a relação de vinculo entre os dois autos. Sala das Sessões, “documento assinado digitalmente” IRINEU BIANCHI Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 20/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 25/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 13312.720581/2017-84
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA MONOCULAR.
Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Súmula CARF nº 121: A isenção do imposto de renda prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, referente à cegueira, inclui a cegueira monocular.
Numero da decisão: 2002-000.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA MONOCULAR. Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº 121: A isenção do imposto de renda prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, referente à cegueira, inclui a cegueira monocular.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA MONOCULAR. Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº 121: A isenção do imposto de renda prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, referente à cegueira, inclui a cegueira monocular. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 2. 72 05 81 /2 01 7- 84 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13312.720581/201784 Acórdão n.º 2002000.328 S2C0T2 Fl. 3 2 Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 31/34) contra decisão de primeira instância (fls. 19/24), que julgou pela improcedência da impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Contra o contribuinte foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls.05/10 relativa ao Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, anocalendário 2014, alterando o imposto a restituir declarado de R$ 4.950,77 para a restituir apurado de R$ 2.292,13 (fl.09), devendo ser ressaltado que o resultado da Notificação de Lançamento é R$ 0,00, ou seja, sem saldo de imposto. O lançamento é decorrente das seguintes infrações: * rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave de R$ 52.451,41. * compensação indevida de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos declarados como isentos por moléstia grave – não comprovação da moléstia ou sua condição de aposentado (IRRF 13º) de R$ 413,20. O enquadramento legal encontrase às fls. 06, 07 e 10. Inconformado, o interessado ingressou com a impugnação de fls.02/03, argumentando que: 1. é aposentado por invalidez, benefício nº 5402118481, desde 04/03/2010 (anexo INFBEN– Informações do Benefício); 2. é portador de moléstia gravecegueira do olho direito CID H54.4, conforme laudo pericial do INSS anexado; 3. em 10/11/2016 foi solicitado junto ao INSS a isenção do imposto de renda retido na fonte; 4. em 15/03/2017 retificou suas declarações de imposto de renda pessoa física , relativas aos anoscalendário 2012, 2013, 2014 e 2015; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13312.720581/201784 Acórdão n.º 2002000.328 S2C0T2 Fl. 4 3 5. as retificadoras resultaram em lançamentos para cada exercício 2013, 2014, 2015 e 2016; 6. ressalta que a visão monocular é sinônimo de cegueira parcial ou cegueira monocular, se enquandrando no art. 6º, XIV da Lei nº 7.713/88 que favorece ao portador de qualquer tipo de cegueira, desde que assim caracterizada por definição médica, isenção do imposto de renda pessoa física sobre os proventos de aposentadoria; 7. entretanto, a autoridade fiscal julgou que a cegueira monocular não está prevista na relação de doenças consideradas graves para isentar do imposto de renda os rendimentos recebidos de aposentadoria; 8. por fim, solicita seja julgada procedente sua peça defensória e, como conseqüência, a liberação das restituições relativas aos anoscalendário 2012,2013,2014 e 2015. Os autos foram encaminhados a esta Delegacia de Julgamento, em 24/08/2017, conforme Despacho de fl.18. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que o contribuinte não tenha expressamente impugnado em sua peça defensória (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. MOLÉSTIA GRAVE. É de se informar que a isenção para portadores de moléstia grave só poderá ser concedida quando o contribuinte preenche os dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção: a natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria/reforma ou pensão, e o outro que relacionase à existência da moléstia tipificada no texto legal. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e juntando documentos. Requer ainda, a restituição do valor de R$ 2.658,64. É o relatório. Passo ao voto. Voto Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13312.720581/201784 Acórdão n.º 2002000.328 S2C0T2 Fl. 5 4 Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi notificado através mensagem enviada para Caixa Postal (fl. 26) e dada ciência em 06/10/2017 (fl. 27) por decurso de prazo; Recurso Voluntário protocolado dia 01/11/2017 (fl. 31), assinado pelo próprio contribuinte. O contribuinte responde nestes autos, pela seguinte infração: Rendimentos Indevidamente considerados como isentos por moléstia Grave – Não comprovação da Moléstia ou sua condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado. Foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 05/10, relativa ao Imposto de Renda de Pessoa Física anocalendário 2014, alterando o imposto a restituir declarado. O contribuinte impugnou o lançamento, alegando ser aposentado por invalidez, eis que é portador de moléstia grave assim considerada (cegueira monocular), desde 04/03/2010, segundo (anexo INFBEN – Informações do Benefício). Em sua peça de resistência o recorrente, combate a r. decisão, invocando a Lei nº 7.713/1988, em seu art. 6º, incisos XIV e XXI, com a redação dada pela Lei nº 11.052 de 29/12/2004. O laudo pericial encartado aos autos, elaborado pelo INSS, diz que o recorrente, desde 09/2008 é portador de cegueira monocular. O documento do INFBEN, assevera que sua aposentadoria se deu por invalidez previdenciária. Sendo assim, assiste razão ao recorrente, sendo certo que seu recurso deve ser provido. Ademais, a matéria discutida nos autos já encontra pacificada pela combinação das Súmulas 63 e 121 do CARF. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito, dáse provimento ao mesmo, para cancelar a ação fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720148/2015-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM VERBA DE PROPAGANDA COOPERADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE.
No regime de incidência não cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS não há previsão legal para a dedução da base de cálculo da contribuição em face de despesas com verba de propaganda cooperada.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS NA PREPARAÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS. ATIVIDADE COMERCIAL. VEDAÇÃO.
Não está previsto o desconto de crédito de gastos com bens e serviços utilizados como insumos para pessoas jurídicas que exerçam a atividade comercial, uma vez que a legislação tributária restringe o aproveitamento de créditos com insumos para pessoas jurídicas que exerçam atividade ligada à produção de bens ou prestação de serviços.
DESPESAS CONDOMINIAIS E RATEIO DE GASTOS COM REFRIGERAÇÃO CENTRAL. CRÉDITO. EQUIPARAÇÃO A ALUGUEL. IMPOSSIBILIDADE.
As despesas condominiais e o rateio de gastos com manutenção e funcionamento de equipamentos de refrigeração central, instalados em centros de compras (shoppings centers), não se equiparam a aluguel de prédios utilizados nas atividades da empresa, inexistindo previsão legal para dita apropriação.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM VERBA DE PROPAGANDA COOPERADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE.
No regime de incidência não cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS não há previsão legal para a dedução da base de cálculo da contribuição em face de despesas com verba de propaganda cooperada.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS NA PREPARAÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS. ATIVIDADE COMERCIAL. VEDAÇÃO.
Não está previsto o desconto de crédito de gastos com bens e serviços utilizados como insumos para pessoas jurídicas que exerçam a atividade comercial, uma vez que a legislação tributária restringe o aproveitamento de créditos com insumos para pessoas jurídicas que exerçam atividade ligada à produção de bens ou prestação de serviços.
DESPESAS CONDOMINIAIS E RATEIO DE GASTOS COM REFRIGERAÇÃO CENTRAL. CRÉDITO. EQUIPARAÇÃO A ALUGUEL. IMPOSSIBILIDADE.
As despesas condominiais e o rateio de gastos com manutenção e funcionamento de equipamentos de refrigeração central, instalados em centros de compras (shoppings centers), não se equiparam a aluguel de prédios utilizados nas atividades da empresa, inexistindo previsão legal para dita apropriação.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, quanto ao tópico "Exclusão indevida da base de cálculo de despesas com propagandas compartilhadas". Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Maysa de Sá Pittondo Deligne acompanharam o relator pelas conclusões; (ii) por maioria de votos, quanto ao tópico "Do direito aos créditos decorrentes de despesas com condomínio e refrigeração". Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne, Renato Vieira de Avila e Cynthia Elena de Campos que davam provimento ao recurso nesse ponto.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM VERBA DE PROPAGANDA COOPERADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. No regime de incidência não cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS não há previsão legal para a dedução da base de cálculo da contribuição em face de despesas com verba de propaganda cooperada. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS NA PREPARAÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS. ATIVIDADE COMERCIAL. VEDAÇÃO. Não está previsto o desconto de crédito de gastos com bens e serviços utilizados como insumos para pessoas jurídicas que exerçam a atividade comercial, uma vez que a legislação tributária restringe o aproveitamento de créditos com insumos para pessoas jurídicas que exerçam atividade ligada à produção de bens ou prestação de serviços. DESPESAS CONDOMINIAIS E RATEIO DE GASTOS COM REFRIGERAÇÃO CENTRAL. CRÉDITO. EQUIPARAÇÃO A ALUGUEL. IMPOSSIBILIDADE. As despesas condominiais e o rateio de gastos com manutenção e funcionamento de equipamentos de refrigeração central, instalados em centros de compras (shoppings centers), não se equiparam a aluguel de prédios utilizados nas atividades da empresa, inexistindo previsão legal para dita apropriação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 01 48 /2 01 5- 67 Fl. 1214DF CARF MF 2 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM VERBA DE PROPAGANDA COOPERADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. No regime de incidência não cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS não há previsão legal para a dedução da base de cálculo da contribuição em face de despesas com verba de propaganda cooperada. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS NA PREPARAÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS. ATIVIDADE COMERCIAL. VEDAÇÃO. Não está previsto o desconto de crédito de gastos com bens e serviços utilizados como insumos para pessoas jurídicas que exerçam a atividade comercial, uma vez que a legislação tributária restringe o aproveitamento de créditos com insumos para pessoas jurídicas que exerçam atividade ligada à produção de bens ou prestação de serviços. DESPESAS CONDOMINIAIS E RATEIO DE GASTOS COM REFRIGERAÇÃO CENTRAL. CRÉDITO. EQUIPARAÇÃO A ALUGUEL. IMPOSSIBILIDADE. As despesas condominiais e o rateio de gastos com manutenção e funcionamento de equipamentos de refrigeração central, instalados em centros de compras (shoppings centers), não se equiparam a aluguel de prédios utilizados nas atividades da empresa, inexistindo previsão legal para dita apropriação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, quanto ao tópico "Exclusão indevida da base de cálculo de despesas com propagandas compartilhadas". Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Maysa de Sá Pittondo Deligne acompanharam o relator pelas conclusões; (ii) por maioria de votos, quanto ao tópico "Do direito aos créditos decorrentes de despesas com condomínio e refrigeração". Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne, Renato Vieira de Avila e Cynthia Elena de Campos que davam provimento ao recurso nesse ponto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 16682.720148/201567 Acórdão n.º 3402005.553 S3C4T2 Fl. 1.215 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: O presente processo trata de Impugnação aos Autos de Infração de PIS e COFINS nãocumulativos, relativos ao período de Janeiro/2010 a Dezembro/2010, decorrentes do mandado de procedimento fiscal nº 0718500.2014.00184, no valor total de R$ 2.288.043,89, referente ao PIS, e R$ 10.538.869,09, referente à COFINS, tendo sido constatadas as infrações de redução indevida da base de cálculo, pelo cômputo de despesas de propaganda e publicidade, de despesas de ar condicionado e energia térmica, de despesas de locação de PABX, conforme Termo de Verificação Fiscal, cujo trechos transcrevemos abaixo. “(...) 5. DOS AJUSTES DAS BASES DE CÁLCULO EFETUADOS PELA FISCALIZAÇÃO 5.1. REDUÇÃO INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO, PELO CÔMPUTO DE DESPESAS DE PROPAGANDA E PUBLICIDADE Como visto, a empresa computou, nas bases mensais de PIS/COFINS, o chamado “resultado de propaganda e publicidade”, isto é, a diferença positiva entre as verbas de propaganda compartilhada, recebidas de seus fornecedores, e as despesas de propaganda efetuadas no período. Contudo, não há previsão legal para a dedução das despesas de propaganda e publicidade, na apuração das bases de cálculo de PIS/COFINS nãocumulativo. As verbas de propaganda cooperada assumem a forma de valores pagos à contribuinte por seus fornecedores, ou de abatimentos dos valores devidos pela contribuinte a estes fornecedores. Como contrapartida, a contribuinte assume uma obrigação de fazer, qual seja, a de divulgar os produtos do fornecedor em seu material publicitário – encartes, anúncios, material promocional – ou a de designar espaço de venda e promotores de venda para os produtos do fornecedor. O fornecedor é beneficiado, e paga por isso – este pagamento é receita auferida pela contribuinte, tributável pelo PIS e pela COFINS. Já as despesas de publicidade e propaganda porventura efetuadas pela fiscalizada não podem ser deduzidas das bases de cálculo de PIS/COFINS, por falta de previsão legal. Por esta razão, efetuamos o correspondente ajuste, nas bases de cálculo de PIS/COFINS de Janeiro/2010 a Dezembro/2010. 5.2 – CRÉDITO INDEVIDO – DESPESAS DE AR CONDICIONADO/ÁGUA GELADA Fl. 1216DF CARF MF 4 A fiscalizada justificou a apuração de créditos de PIS/COFINS nãocumulativos, sobre despesas denominadas “ar condicionado/água gelada”, descrevendoas como “gastos com o fornecimento de energia térmica pelo condomínio em shopping center, que é indissociável do contrato de locação e tem por objetivo permitir a refrigeração das lojas, imprescindível para permitir aos clientes condições para adquirir as mercadorias”. A legislação que rege a matéria prevê a apuração de créditos calculados sobre despesas de “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica” (art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/2002, e art. 3º, inciso III, da Lei 10.833/2003, com novas redações dadas pelos arts. 17 e 18 da Lei 11.488/2007). Entendemos que, no caso concreto, a despesa não corresponde à hipótese de crédito prevista na legislação. A legislação autoriza que as empresas se creditem das despesas com energia térmica consumida em seus estabelecimentos, inclusive sob a forma de vapor. É o caso, por exemplo, de estabelecimentos industriais que utilizem máquinas e equipamentos movidos a energia térmica, no processo de fabricação de seus produtos, caso em que o crédito seria calculado sobre o custo da energia consumida no processo. Já a despesa considerada pela fiscalizada corresponde a gastos com sistema de refrigeração de ar ambiente, por meio de água gelada. Sistemas de climatização deste tipo utilizam uma central de água gelada. A água é retirada da central por bombas e distribuída por diversos ambientes. Tratase de sistema comumente utilizado em grandes estabelecimentos, tais como shoppings e prédios corporativos, em que os custos são suportados pelos diversos estabelecimentos usuários, e englobam tanto o consumo de água como a manutenção do sistema. Nos termos da lei, a despesa que dá direito ao crédito contém dois elementos fundamentais: a) o consumo de energia elétrica ou térmica; e b) a mensuração individualizada deste consumo, isto é, a quantificação do consumo específico de energia pelo estabelecimento da contribuinte. Não vislumbramos, no caso, a hipótese escrita na legislação, qual seja, a de energia térmica consumida no estabelecimento da pessoa jurídica. Em face do exposto, as bases de cálculo elaboradas pela Fiscalização não calculam créditos sobre as despesas com ar condicionado/água gelada. 5.3 – CRÉDITO INDEVIDO – DESPESAS DE LOCAÇÃO DE PABX A fiscalizada justificou a apuração de créditos de PIS/COFINS nãocumulativos, sobre despesas de LOCAÇÃO DE PABX (51070041), alegando tratarse de aluguel de “máquinas e equipamentos utilizados na atividade da empresa”, nos termos do art. 3o, inciso IV, da Lei 10.833/2003. Também aqui entendemos equivocado o critério adotado pela empresa. O dispositivo legal referese ao aluguel de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na atividadefim da pessoa jurídica; é o caso do aluguel de veículos por uma empresa Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 16682.720148/201567 Acórdão n.º 3402005.553 S3C4T2 Fl. 1.216 5 transportadora, do aluguel de máquinas para o setor produtivo de uma empresa industrial, do aluguel de equipamentos de diagnóstico por uma clínica médica, e assim por diante. A fiscalizada é empresa comercial de venda a varejo em ampla rede de lojas físicas, cuja atividade não parece resultado direto do emprego de equipamentos de telefonia (PABX). Em face do exposto, as bases de cálculo elaboradas pela Fiscalização não calculam créditos sobre despesas de locação de PABX. Estes, portanto, os ajustes às bases de cálculo, efetuados pela Fiscalização. Elaboramos demonstrativos das bases de cálculo mensais de PIS e COFINS não cumulativos, apuradas pela Fiscalização, bem como demonstrativos dos ajustes na apuração e utilização de créditos de nãocumulatividade, abrangendo o período de Janeiro/2010 a Dezembro/2010. Estes demonstrativos são partes integrantes do auto de infração. (...)” O contribuinte foi cientificado dos Autos de Infração em 19/01/2015 (fls. 935/936) e apresentou a impugnação de fls. 946/986, em 13/02/2015 (fls. 994), alegando, em síntese, que: III – DAS RAZÕES DE MÉRITO III.1 – DA NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E À COFINS E O CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE CREDITAMENTO, INTERPRETADO À LUZ DA LEGISLAÇÃO O conceito de "insumo" tal como empregado pela legislação do PIS e da COFINS, sem sombra de dúvidas é muito mais abrangente do que o empregado pela legislação do IPI. Pois, enquanto que para efeitos de creditamento do IPI é necessário que o "insumo” adquirido sofra desgaste, ou seja consumido no processo de industrialização, para o PIS e a COFINS o direito ao crédito é conferido em decorrência de todos os custos e despesas incorridas e necessárias à produção dos bens, da prestação dos serviços e do comércio varejista. Cita a jurisprudência do CARF, refletida no trecho transcrito abaixo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP REGIME NAO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e COFINS deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária a atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Fl. 1218DF CARF MF 6 Deste modo, inequívoco o direito de crédito das Contribuições decorrente dos custos e demais despesas incorridas pela Impugnante e necessários à consecução de suas atividades, tais como originados pela despesa com condomínio, incluídas o rateio das despesas com ar condicionado central e de gastos com o fornecimento de energia térmica necessários ao sistema de resfriamento; aluguel de equipamentos de telefonia, propaganda, dentre os itens que foram indevida e ilegalmente glosados. Neste sentido, cumpre transcrever trecho de voto proferido pela i. Conselheira Susy Gomes Hoffman no Acórdão n.° 930301.740, da 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, que discorre sobre todo o histórico da recente Jurisprudência do CARF para construir o conceito de "insumo" para efeitos de creditamento do PIS e da COFINS, para concluir que: (...) Assim, entendo que todos os gastos gerais gue a pessoa jurídica precisa incorrer na produção dos serviços e bens por ela realizada devem servir de crédito para apuração do PIS e da COFINS. (...) Neste sentido, adotando o critério de que o bem ou o serviço para ser classificado como insumo apto a gerar crédito de PIS e COFINS precisa ser inerente à atividade empresarial (mas não necessariamente parte integrante do processo produtivo, no sentido de nele ser consumida), o que neste caso se reveste pelo fato de que, sem a utilização deste bem (uniformes obrigatórios por lei) o bem a ser produzido não alcança um requisito legal para ser disponibilizado à venda", (destacouse). III. 2 DO DIREITO AOS CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS COM AR CONDICIONADO CENTRAL E DE GASTOS COM O FORNECIMENTO DE ENERGIA TÉRMICA NECESSÁRIOS AO SISTEMA DE RESFRIAMENTO. A impugnante, por força de norma legal e de cláusula contratual é obrigada a suportar os ônus dessas despesas que são, inegavelmente, necessárias às suas atividades, pois decorrem de contratos de locação de instalações comerciais nas quais a Impugnante exerce o seu comércio varejista. Vale dizer, se o artigo 3º, tanto da Lei nº 10.637, quanto da Lei nº 10.833 asseguram o direito de crédito decorrente da obrigação principal relativa a despesas de aluguel pago a pessoas jurídicas, por igual assegura o crédito em relação à obrigação acessória, que diz respeito às despesas daquela decorrentes, como as condominiais, de ar condicionado central e de gastos com o fornecimento de energia térmica necessários ao sistema de resfriamento. Com efeito, os créditos apurados pela Impugnante referemse a contratos de aluguel de lojas situadas em shopping centers, que por obrigação contratual obriga o locador (Impugnante) ao rateio do custo do ar condicionado necessário para a refrigeração de todo o complexo comercial e também do interior das lojas, de gastos com o fornecimento de energia térmica necessários ao sistema de resfriamento, inclusos na taxa de condomínio. Assim, para a comercialização dos produtos vendidos pela Impugnante em lojas situadas em shopping centers, o custo com despesas condominiais e demais despesas contratualmente previstas incluemse entre aquelas necessárias à consecução de sua atividade. III. 3 DO DIREITO AO CRÉDITO DECORRENTE DE DESPESAS DE ALUGUÉIS DE EQUIPAMENTOS. Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 16682.720148/201567 Acórdão n.º 3402005.553 S3C4T2 Fl. 1.217 7 O CARF, ao analisar o direito ao crédito decorrente dos custos incorridos com aluguéis de equipamentos , porfiou o entendimento, com interpretação da norma, pelo qual é devido crédito decorrente do aluguel de equipamentos utilizados em qualquer atividade da Empresa, o que não se confunde com a necessidade do serviço estar vinculado às atividades industriais da Empresa. Sem dúvida deve ser analisado e conferido o direito de crédito decorrente de despesa de locação de equipamentos PABX, utilizados nas atividades da Impugnante, nos termos do inciso, do art. 3º das Leis em Comento. Não é desconhecido pelos E. Julgadores que no comércio varejista o pagamento do preço das mercadorias vendidas se processa maciçamente por meio da utilização pelos consumidores de cartões emitidos por instituições financeiras, mediante uma das suas modalidades: a crédito com pagamento vista, a crédito com pagamento parcelado e a débito. Para que essa modalidade de pagamentos possam ser viabilizadas, necessário se faz a utilização de sistema de telefonia, com a utilização de PABX, para conexão com as administradoras dos cartões, para aprovação da operação. IV DO DIREITO DA RECUPERAÇÃO DE DESPESAS COM PROPAGANDA. A Impugnante promove a veiculação de propaganda não só na televisão (aberta e fechada), rádio, mas também nos demais meios de comunicação impressa (jornais, revistas, panfletos e encartes) e eletrônica (sítios eletrônicos na internet e email), visando o incremento de suas vendas e, por conseguinte, a dos seus fornecedores. Em virtude desse esforço de vendas que envolve toda a cadeia do comércio, como os fornecedores, logística e mídia, a Impugnante ajusta com os fornecedores a recuperação dos custos envolvidos com a campanha de promoções. O fato de a recuperação dos custos e despesas incorridas “assumir a forma de valores pagos à contribuinte por seus fornecedores, ou de abatimentos dos valores devidos pela contribuinte a estes fornecedores” (fls. 15 do TVF) não lhes retira sua real natureza jurídica, qual seja, a de recuperação de custos ou de receitas financeiras. Independente da controvérsia suscitada pela autoridade lançadora no Termo de Verificação Fiscal acerca do critério para a recuperação do custo da propaganda, é fato incontroverso que os valores efetivamente recuperados e que ultrapassam os valores despendidos (saldo credor da conta, de fato, representam uma receita e foram tributados espontaneamente, encontrandose devidamente declarados na base de cálculo das Contribuições (fls. 15 do TVF). No caso em exame a Impugnante não está recebendo quantia nova, mas sim, deixando de pagar, parcialmente, suas obrigações, em virtude das situações registradas nas contas contábeis em virtude de abatimento dos valores então por ela devidos aos seus fornecedores (fls. 15 do TVF), diminuindo o montante das obrigações então assumidas, fato que não representa a percepção de algo novo, mas sim redução do endividamento e das obrigações a serem pagas aos fornecedores. Por último, mas não menos importante, ainda que recuperação de custos não se considere, improcede a cobrança das Contribuições sobre as pretensas “receitas” apuradas pela autoridade lançadora, porquanto os valores em litígio possuem natureza financeira, enquanto representativas de resultados operacionais. Diante das razões expostas acima, é evidente que ditos valores não constituem receita, na verdadeira e estrita acepção legal do vocábulo. Na realidade está identificada sua natureza financeira, pois decorrente de negociação entre a Impugnante e seus fornecedores e que redundaram em diminuição do valor das obrigações antes assumidas por aquela em face destes. Fl. 1220DF CARF MF 8 Com efeito, verificase às fls. 15 do TVF que a própria autoridade fazendária reconhece que as “verbas de propaganda cooperada assumem a forma de valores pagos à contribuinte por seus fornecedores, ou de abatimentos dos valores devidos pela contribuinte a estes fornecedores”. Ao qualificar a natureza dos valores recuperados pela Impugnante como sendo “abatimentos dos valores devidos” a autoridade fazendária está atribuindo às mesmas como sendo de natureza jurídica de receita financeira. Pois bem, como é de notório conhecimento, desde a publicação do Decreto nº 5.442, de 09/05/2005, as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas contribuintes das Contribuições ao PIS/PASEP e da COFINS com base em regime não cumulativo encontramse tributadas a alíquota zero. Portanto, ainda que pudessem ser superados todos os argumentos antes aduzidos, o que aqui se cogita tão somente para fins de estabelecer a controvérsia, a exigência ora impugnada em face de pretensas receitas auferidas é manifestamente equivocada, vez que, se receitas fossem, seriam de natureza financeira, encontrandose atualmente tributadas a alíquota zero. Por último, a Impugnante vem sustentar ainda que na hipótese de que os valores recebidos não sejam considerados como tendo natureza jurídica de recuperação de custos ou de receitas financeiras, o que se admite apenas por amor a controvérsia, ainda assim improcede a exigência fiscal. Com efeito, as despesas incorridas pela Impugnante com a veiculação de propaganda indubitavelmente inseremse entre aquelas necessárias e imprescindíveis ao desempenho de suas atividades de comércio varejista. De fato, para a atividade da Impugnante, comércio varejista, as despesas com propaganda são indissociáveis ao seu objeto social, até porque tratase de setor econômico em que a competição é acirrada, intensa e permanente. Por meio da propaganda é que se desenvolve negócio e alavancamse as vendas, cuja receita é tributada pelas Contribuições. Dessa forma, também por este motivo deve ser cancelada a exigência em tela, uma vez que a Impugnante faz jus ao crédito pelos custos incorridos para consecução de suas atividades. V DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA Conforme alegado linhas acima e demonstrado com trechos extraídos do TVF não há dúvidas que a Impugnante submeteu à base de cálculo e recolheu o PIS/COFINS sobre o considerado “saldo credor” decorrente da recuperação de despesas com propaganda junto a seus Fornecedores. Quanto mais não seja, caso haja qualquer dúvida pelo fato do “saldo credor” não ter sido tributado, o que se admite apenas por amor à argumentação, a Impugnante desde já pugna pela realização de perícia contábil. Assim, a Impugnante, com arrimo no artigo 30, do Decreto nº 70.235/72 combinado com os artigos 36 e 57, caput e inciso IV, do Decreto nº 7.574/2011, protesta, desde logo, e requer o deferimento pela autoridade julgadora, pela realização de perícia técnica, a fim de demonstrar: se o valor a título de “saldo credor” das Contas Contábeis 51150003 – RECUPERAÇÃO PROPAGANDA – CADASTRO E 51150007 – PROPAGANDA – CARTAS foram informados na DACON a título de “Demais Receitas”; se os valores a título de “saldo credor” foram computados na base de cálculo do PIS/COFINS objeto de recolhimento pela Impugnante. VI DOS PEDIDOS Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 16682.720148/201567 Acórdão n.º 3402005.553 S3C4T2 Fl. 1.218 9 Pelas razões expostas acima, a melhor jurisprudência sobre a matéria, e as provas carreadas aos presentes autos, a Impugnante requer: Sejam julgados inteiramente improcedentes os lançamentos ora impugnados, determinando o cancelamento dos créditos tributários de contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS, referentes ao ano calendário de 2010, multas de lançamento de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e demais consectários moratórios que do lançamento principal decorram, consoante as razões de defesa expendidas nos itens III.2, III.3 e IV, por ser medida da mais lídima e exemplar justiça. Seja deferida a realização de prova pericial técnica, contábil e documental. A impugnante protesta pela posterior juntada de documentos, na forma prevista pelo Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, artigo 16, inciso IV, parágrafo 4º, alíneas “a”, “b” e “c”. Ato contínuo, a DRJFORTALEZA (CE) julgou a Impugnação do Contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM VERBA DE PROPAGANDA COOPERADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. No regime de incidência não cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS não há previsão legal para a dedução da base de cálculo da contribuição em face de despesas com verba de propaganda cooperada. Não configuram descontos incondicionais ou condicionais os abatimentos do valor das compras de mercadorias de fornecedor beneficiado pelo serviço de propaganda cooperada prestado pelo comprador. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM SISTEMA DE ARCONDICIONADO. ENERGIA TÉRMICA. DESPESAS DE CONDOMÍNIO. O valor pago a título de despesa de condomínio está fora do conceito de insumo, não dando direito a crédito a ser descontado na apuração nãocumulativa da contribuição. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM ALUGUEL DE EQUIPAMENTO DE PABX PARA UTILIZAÇÃO DE MÁQUINAS DE CARTÕES DE DÉBITO E CRÉDITO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 Fl. 1222DF CARF MF 10 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM VERBA DE PROPAGANDA COOPERADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. No regime de incidência não cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS não há previsão legal para a dedução da base de cálculo da contribuição em face de despesas com verba de propaganda cooperada. Não configuram descontos incondicionais ou condicionais os abatimentos do valor das compras de mercadorias de fornecedor beneficiado pelo serviço de propaganda cooperada prestado pelo comprador. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM SISTEMA DE ARCONDICIONADO. ENERGIA TÉRMICA. DESPESAS DE CONDOMÍNIO. O valor pago a título de despesa de condomínio está fora do conceito de insumo, não dando direito a crédito a ser descontado na apuração nãocumulativa da contribuição. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM ALUGUEL DE EQUIPAMENTO DE PABX PARA UTILIZAÇÃO DE MÁQUINAS DE CARTÕES DE DÉBITO E CRÉDITO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PEDIDO DE PERÍCIA. CARÁTER TÉCNICO DA PROVA. A perícia é meio de prova destinado a exames que requeiram conhecimento técnico específico. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a Empresa suscitou as mesmas argumentações apresentadas na sua impugnação. É o relatório. Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 16682.720148/201567 Acórdão n.º 3402005.553 S3C4T2 Fl. 1.219 11 Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Conforme se depreende da leitura dos autos, a lide trata de lançamento fiscal efetuado pela Unidade de Origem para cobrança de diferenças das contribuições para o PIS e COFINS em decorrência de exclusão indevida da base de cálculo de despesas com propagandas compartilhadas, bem como glosa de créditos calculados sobre as rubricas relativas às despesas com aluguel de PABX e despesas com energia térmica partilhada destinada ao ar condicionado (despesa de condomínio). Uma vez que a primeira instância administrativa deu provimento a impugnação quanto a matéria referente a despesas com aluguel de PABX, restou em discussão na lide para esta segunda instância recursal apenas, no mérito, os itens relativos exclusão indevida da base de cálculo de despesas com propagandas compartilhadas e despesas com energia térmica partilhada ao ar condicionado (despesa de condomínio). Passase a análise de cada item glosado. Exclusão indevida na base de cálculo de despesas com propagandas compartilhadas Segundo a Fiscalização, as verbas de propaganda cooperada assumem a forma de valores pagos à contribuinte por seus fornecedores, ou de abatimentos dos valores devidos pela contribuinte a estes fornecedores, pela divulgação dos produtos em seu material publicitário – encartes, anúncios, material promocional – ou a de designar espaço de venda e promotores de venda pela Recorrente para os produtos do fornecedor. Tais valores se subsumiriam ao conceito de receita auferida pelo Contribuinte, tributável pelo PIS e pela COFINS. Nessa mesma direção, concluiu também a Autoridade Fiscal que não há previsão legal para a dedução das despesas de propaganda e publicidade na apuração das bases de cálculo de PIS/COFINS nãocumulativo. Os valores lançados como receita foram obtidos das contas contábeis da empresa: 51150003Recuperação PropagandaCadastro e 51150007Propaganda Cartas. O ramo de atividade desenvolvido pela Recorrente de comércio varejista exige a utilização freqüente dos mais diversos veículos de comunicação para divulgar os seus produtos postos à venda nas prateleiras, visando incrementar as suas vendas e divulgar as marcas com as quais opera. Nessa sistemática, aqueles fornecedores que são beneficiados pela divulgação das suas marcas nas propagandas veiculas retribuem a Recorrente por meio de abatimentos dos valores devidos pela contribuinte a estes fornecedores. Inicialmente, a Recorrente sustenta que os valores recebidos dos fornecedores por pagamentos ou por meio de abatimentos de valores devidos por ela têm natureza jurídica de recuperação de custos. Argumenta que não está recebendo quantia nova, mas sim, deixando de pagar, parcialmente, suas obrigações, em virtude das situações registradas nas contas contábeis Fl. 1224DF CARF MF 12 referentes aos abatimentos dos valores então por ela devidos aos seus fornecedores (fls. 15 do TVF), diminuindo o montante das obrigações então assumidas, fato que não representa a percepção de algo novo, mas sim redução do endividamento e das obrigações a serem pagas aos fornecedores. Embora tenha argumentado que a natureza jurídica desses recebimentos seja de recuperação de custos ou despesas, a Recorrente admite que considerou como Receita e ofereceu a tributação das contribuições em comento a diferença positiva entre as citadas contas de Receita e aquelas que registraram os custos e despesas envolvidos com propaganda e marketing, conforme o seu demonstrativo abaixo reproduzido: RECEITAS 51150003 Recuperação Propaganda – Cadastro …................ R$ 19.203.656,49 51150007 Propaganda – Cartas …...........................................R$ 58.855.952,55 DESPESAS 51070011 Anúncios e Publicações …........................................(R$ 470.744,53) 51150001 Propaganda Custo …............................................(R$ 59.332.678,71) ___________________ RESULTADO (credor)........................................................... R$ 18.256.185,80 Ainda aduz que o procedimento adotado pela Fiscalização de considerar para efeitos de tributação das contribuições os valores integrais das contas 51150003 Recuperação Propaganda – Cadastro e 51150007 Propaganda – Cartas não se encontra correto, pois não considerou o valor líquido, deduzido das despesas envolvidas nos anúncios e propagandas por tratarem tais valores efetivamente de recuperação de custos e despesas, não possuindo, esses valores, portanto, natureza de receitas tributáveis para o PIS e COFINS. Nesse sentido, solicita diligência para que sejam apurados e excluídos do lançamento os valores já declarados e pagos sobre a diferença positiva que foram tributados duplamente. A Fiscalização, por sua vez, deixa claro no Termo de Verificação Fiscal que a controvérsia quanto a esse ponto se centra nos valores das contas de custos e despesas que foram excluídas indevidamente das Receitas apuradas, conforme a seguir reproduzido: A fiscalizada explicou a movimentação das contas relacionadas a propaganda/publicidade da seguinte forma: 51150003 RECUPERAÇÃO PROPAGANDA CADASTRO – Descrita como conta de natureza credora, para registro das chamadas “verbas de cadastro”. As verbas de cadastro seriam percentuais fixos negociados com fornecedores. Estes percentuais seriam deduzidos dos valores devidos pela fiscalizada a seus fornecedores. Os valores deduzidos serviriam ao custeio da propaganda dos produtos daqueles fornecedores, nos meios de comunicação e nas lojas da fiscalizada. 51150007 PROPAGANDA CARTAS – Descrita como conta de natureza credora, para registro da recuperação de gastos com propaganda em campanhas especiais, como Natal, Páscoa, etc.. Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 16682.720148/201567 Acórdão n.º 3402005.553 S3C4T2 Fl. 1.220 13 51150001 PROPAGANDA CUSTO – Descrita como conta de natureza devedora, para registro do custo de propaganda nos meios de comunicação, dentre outros. A contribuinte também informa que os valores acima (receitas e despesas de publicidade e propaganda) compuseram as bases de cálculo mensais de PIS/COFINS, o que é confirmado pelas bases de cálculo apresentadas à Fiscalização. Ocorre que a empresa computou, nas bases de cálculo, tanto as receitas como as despesas. Vale dizer, a fiscalizada abateu as despesas com propaganda e publicidade, na apuração das bases de PIS/COFINS. Voltaremos a este ponto mais adiante. () 5.1. REDUÇÃO INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO, PELO CÔMPUTO DE DESPESAS DE PROPAGANDA E PUBLICIDADE Como visto, a empresa computou, nas bases mensais de PIS/COFINS, o chamado “resultado de propaganda e publicidade”, isto é, a diferença positiva entre as verbas de propaganda compartilhada, recebidas de seus fornecedores, e as despesas de propaganda efetuadas no período. Contudo, não há previsão legal para a dedução das despesas de propaganda e publicidade, na apuração das bases de cálculo de PIS/COFINS nãocumulativo. As verbas de propaganda cooperada assumem a forma de valores pagos à contribuinte por seus fornecedores, ou de abatimentos dos valores devidos pela contribuinte a estes fornecedores. Como contrapartida, a contribuinte assume uma obrigação de fazer, qual seja, a de divulgar os produtos do fornecedor em seu material publicitário – encartes, anúncios, material promocional – ou a de designar espaço de venda e promotores de venda para os produtos do fornecedor. O fornecedor é beneficiado, e paga por isso – este pagamento é receita auferida pela contribuinte, tributável pelo PIS e pela COFINS. Já as despesas de publicidade e propaganda porventura efetuadas pela fiscalizada não podem ser deduzidas das bases de cálculo de PIS/COFINS, por falta de previsão legal. Por esta razão, efetuamos o correspondente ajuste, nas bases de cálculo de PIS/COFINS de Janeiro/2010 a Dezembro/2010. (negritos nossos) Pelo trecho transcrito, percebese que, ao contrário do que afirma a Recorrente, a Fiscalização tributou apenas os valores equivalentes às deduções a base de cálculo das contribuições referentes a custos e despesas efetuadas pela empresa que não possuem amparo legal. Aqui, de plano, já se mostra desnecessária a realização da diligência solicitada, pois resta claro, consignado no TVF, que o resultado positivo apurado pela Recorrente, na forma anteriormente indicada, não foi objeto da autuação. Assim, a questão Fl. 1226DF CARF MF 14 posta a ser decidida por este Colegiado diz respeito a possibilidade da empresa de deduzir os custos e despesas envolvidas na propaganda e marketing daquelas receitas obtidas de seus fornecedores relacionadas com a divulgação da suas marcas pela Recorrente. Com efeito, é incontroverso nos autos que a empresa recebe valores de seus fornecedores destinados a promoção com propagandas de seus produtos, fato detalhado no Termo de Verificação e admitido pela Recorrente em seu Recurso. Temse pela leitura dos autos que a Recorrente é sujeita ao regime não cumulativo das contribuições e aos comandos do artigo 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, cujas redações, à época de ocorrência dos fatos, eram as abaixo transcritas: Lei nº 10.637/2002: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Produção de efeito § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI – não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (a Lei nº 10.833/2003 ampliou a exclusão para "não operacionais, decorrentes da venda do ativo permanente", aplicandose ao PIS/Pasep, de acordo com o artigo 15 da referida lei) Lei nº 10.833/2003: Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 16682.720148/201567 Acórdão n.º 3402005.553 S3C4T2 Fl. 1.221 15 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeito). Constatase pela legislação transcrita que a base de cálculo das contribuições na sistemática não cumulativa é bem ampla, incluindo todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica independentemente de sua denominação ou classificação contábil, restando evidente que as receitas contabilizadas nas contas 51150003 RECUPERAÇÃO PROPAGANDA – CADASTRO, 51150007 PROPAGANDA – CARTAS se subsumem ao referido dispositivo legal. Além disso, a legislação também prevê as exclusões desta base de cálculo, dentre as quais se destacam as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perdas. No entanto, não se identifica no Fl. 1228DF CARF MF 16 dispositivo legal transcrito qualquer previsão para a exclusão dos custos ou despesas com propaganda sobre as receitas na incidência do PIS e da COFINS não cumulativos. Esse mesmo entendimento foi adotado pelo Conselheiro Relator Francisco José Barroso Rios no Acórdão nº 3301002.917, da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, cuja ementa transcrevo abaixo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM VERBA DE PROPAGANDA COOPERADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. No regime de incidência não cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS não há previsão legal para a dedução da base de cálculo da contribuição em face de despesas com verba de propaganda cooperada. Em sua defesa, a Empresa inicialmente pugna que os valores recebidos dos fornecedores, até o limite dos custos incorridos, objeto da autuação, sejam considerados redução de custo ou despesa, porque tais parcelas não implicam em ingresso financeiro, fator que seria determinante para a sua caracterização como receitas. Nesse diapasão, insistiu a Recorrente na tese da necessidade de ingresso positivo de recurso que implique repercussão patrimonial positiva para que o evento seja caracterizado como receita para quem aufere. Tal entendimento é equivocado, uma vez que não apenas o ingresso de recursos na entidade com aumento do seu ativo (sem contrapartida no passivo) representa receita, mas também aqueles benefícios econômicos decorrentes de diminuição de passivo (sem contrapartida no ativo) também têm efeito positivo patrimônio líquido da entidade, da mesma forma se caracterizando como receita. O Pronunciamento Técnico CPC 30 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis confirma esse entendimento na sua definição de receita: Objetivo A receita é definida no Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. As receitas englobam tanto as receitas propriamente ditas como os ganhos. A receita surge no curso das atividades ordinárias da entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos e royalties. Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 16682.720148/201567 Acórdão n.º 3402005.553 S3C4T2 Fl. 1.222 17 O objetivo deste Pronunciamento é estabelecer o tratamento contábil de receitas provenientes de certos tipos de transações e eventos. A questão primordial na contabilização da receita é determinar quando reconhecêla. A receita é reconhecida quando for provável que benefícios econômicos futuros fluam para a entidade e esses benefícios possam ser confiavelmente mensurados. Este Pronunciamento identifica as circunstâncias em que esses critérios são satisfeitos e, por isso, a receita deve ser reconhecida. Ele também fornece orientação prática sobre a aplicação desses critérios. Com efeito, receita é o ingresso econômico representado por um aumento de ativo ou diminuição de passivo que resultam em aumentos de patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. Os artigos 1º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 determinam que a incidência independe da denominação ou classificação contábil, dispondo em seu §3º sobre as receitas que não integram a base de cálculo, mencionando expressamente as reversões de provisões e as recuperações de crédito baixados como perda (que é uma recuperação de despesa), e indicando a abrangência da definição de receita e a necessidade de a lei definir expressamente as exclusões. Disso se conclui que, ainda tais ingressos se configurando como recuperações de custos ou despesas, estes são conceitualmente receitas e sua exclusão da base de cálculo deveria ser veiculada em lei. Confirmando esta natureza, transcrevese o artigo 44 da Lei nº 4.506/1964: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. As reduções de custo da compra, portanto, impactam de modo positivo no resultado, tendo natureza de receita, conforme expressamente dispõe o dispositivo transcrito. Nesse mesmo sentido, há decisão deste colegiado caracterizando como receita a recuperação de despesas/custo, a teor do Acórdão nº 3302003.653, cuja ementa transcrevese a seguir: BASE DE CÁLCULO. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. As receitas decorrentes de recuperação de despesas não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições PIS/Cofins, por falta de previsão legal. Fl. 1230DF CARF MF 18 (Acórdão nº 3302003.653 de 22 de fevereiro de 2017 da Terceira Câmara, Segunda Turma, da Terceira Seção) Dessa forma, as recuperações de custo/despesa possuem a natureza de receitas e devem ser tributados. Todavia, para aqueles que entendem, em tese, que recuperação de custos/despesas não têm natureza jurídica de receita, oportuno aqui esclarecer que nos autos não restou comprovada esta natureza dos valores ora discutidos. O Contribuinte não demonstrou, por meio de documentos, a existência de correspondência direta entre os custos de propaganda e os reembolsos recebidos pela Empresa. As argumentações teóricas sobre o tema expostas pela Recorrente não vieram lastreadas por quaisquer documentos comprobatórios, tais como contratos e planilhas de custos/despesas incorridos em correspondência com os valores recebidos. Como se sabe, o momento adequado para apresentação da prova documental pela empresa é na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos em caso de impossibilidade de apresentação por motivo de força maior, ou se refira a direito ou fato superveniente, ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos (§4° do art. 16 do Decreto n.° 70.235/72, inserido pela Lei n.° 9.532/97) , situações que não foram identificadas no presente processo. Subsidiariamente, caso não seja acolhida a sua tese dos descontos serem considerados redução de custos, a Recorrente pugna, que os valores discutidos sejam considerados receitas financeiras, sujeitas à alíquota zero para as contribuições ao PIS/COFINS. Equivocase a Recorrente, uma vez que é considerada receita financeira aquela remuneração pelo uso do capital financeiro, que pode derivar de uma aplicação de um fundo de investimento, um empréstimo (mútuo) ou de um pagamento antecipado (descontos financeiros), normalmente, aquele decorrente da antecipação do pagamento de duplicata, o que não é o caso da empresa, conforme já mostrado anteriormente. Portanto, a rubrica aqui analisada não guarda qualquer correspondência com receita financeira. Também, de forma subsidiária, no caso de não acolhimento das suas teses anteriores, a Recorrente pleiteia o direito a se creditar das contribuições sobre as despesas/custos incorridos com propaganda e divulgação. Discorre longamente sobre a evolução do entendimento sobre o conceito de insumo no regime da não cumulatividade e, por fim, conclui que este deve ser entendido como qualquer custo ou despesa necessário à atividade da empresa. Afirma ainda que no seu ramo de atividade ligado ao comércio varejista as despesas com propaganda são indissociáveis ao seu objeto social, até porque tratase de setor econômico em que a competição é acirrada, intensa e permanentemente. Daí a essencialidade de tais custos/despesas, caracterizados como insumos e com conseqüente direito ao creditamento das contribuições em comento. Para a solução da lide, oportuno a delimitação breve do conceito de insumo aplicável às contribuições em comento (COFINS e PIS/PASEP), em consonância com os artigos 3º, inciso II, das Leis nº10.637/02 e 10.833/03, principalmente para saber quais são os insumos que conferem, ou não, ao contribuinte o direito de apropriar créditos sobre suas respectivas aquisições. Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 16682.720148/201567 Acórdão n.º 3402005.553 S3C4T2 Fl. 1.223 19 Após intensos debates ocorridos nas turmas colegiadas do CARF, a maioria dos Conselheiros adotou uma posição intermediária quanto ao alcance do conceito de insumo, não tão restritivo quanto o presente na legislação de IPI e não excessivamente alargado como aquele presente na legislação de IRPJ. Nessa direção, os Conselheiros deste Colegiado têm aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que eles sejam empregados indiretamente. Transcrevo parcialmente as ementas de acórdãos deste Colegiado que referendam o entendimento adotado quanto ao conceito de insumo, ao qual me filio: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os “bens e serviços” que integram o custo de produção. (Acórdão 3402003.169, Rel. Cons. Antônio Carlos Atulim, sessão de 20.jul.2016) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...). (Acórdão 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) No entanto, requer a interessada que o conceito de insumo seja aplicada também ao seu ramo de atividade (comércio varejista), mormente quanto as despesas incorridas com propaganda e divulgação. Os dispositivos legais que definem os critérios para o direito de crédito são os artigos 3º, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, in verbis: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...) (negrito nosso) Resta claro pelo texto do dispositivo transcrito que os gastos com propaganda e divulgação não se enquadram ao caso, uma vez que não se trata de atividade de industrialização e nem prestação de serviços. As despesas incorridas com propaganda, embora Fl. 1232DF CARF MF 20 possam ser essenciais à atividade comercial de revenda desenvolvida Recorrente, não podem dar direito a crédito por falta de previsão legal. Dessa forma, não se pode admitir esse alargamento do conceito de insumo visando a aplicação em sua atividade de comércio, por inexistir autorização legal para tanto. Pedido de Diligência/Perícia A Recorrente pugna pela necessidade de realização de diligência/perícia tendo em vista que recolheu o PIS/COFINS sobre o considerado “saldo credor” decorrente da recuperação de despesas com propaganda junto aos seus fornecedores. A Fiscalização teria tributado a totalidade das contas de recuperação de despesas com propagando, ocasionando uma duplicidade na tributação deste saldo credor. Daí a necessidade de deligência/perícia para comprovar esse erro cometido pela Fiscalização. Conforme já demonstrado anteriormente, restou comprovado nos autos que, ao contrário do que afirma a Recorrente, a Fiscalização tributou apenas os valores equivalentes às deduções a base de cálculo das contribuições referentes a custos e despesas efetuadas pela empresa que não possuem amparo legal. Assim, mostrase desnecessária a realização da diligência/perícia solicitada, pois resta claro, consignado no TVF e nos documentos juntados aos autos, que o resultado positivo apurado pela Recorrente, na forma anteriormente indicada, não foi objeto da autuação. Além disso, já constam nos autos todos os elementos suficientes para se decidir a respeito da questão de mérito posta quanto a natureza de receitas tributáveis dos valores lançados. Do direito aos créditos decorrentes de despesas com condomínio e refrigeração Neste ponto, argumenta a Recorrente que a despesa de condomínio, na qual estão incluídas as de refrigeração, consiste em encargo necessário e indispensável à atividade da Recorrente, sendo assegurado o direito de crédito para ser abatido do valor a ser recolhido a título de PIS/COFINS. Segundo a sua argumentação, por força contratual, a Empresa deve arcar com as despesas de condomínio que são acessórias ao aluguel pago pela utilização do imóvel no shopping center. Assim, para a comercialização dos produtos vendidos pela Recorrente o custo com aluguel, condomínio e refrigeração, como encargos e despesas contratualmente estipuladas, são necessárias para a consecução de sua atividade. Aduz que sem a refrigeração, que compõe a despesa de condomínio, não há como atender os seus clientes, tampouco manter conservados determinados produtos perecíveis, a exemplo dos alimentos, dentre outros, sem uso de refrigeração. Arremata afirmando que, na sua essência, a despesa com refrigeração também pode ser entendida como despesa com energia pois ela nada mais é do que uma energia térmica gerada por terceiro em forma de água gelada fornecida à Empresa, subsumindose ao direito creditório previsto na Lei nº10.833/2003, art.3º, III e na Lei nº10.637/2002, art.3º, IX. Embora se reconheça o esforço da Recorrente em buscar uma forma de incluir a sua despesa com condomínio entre aquelas previstas com direito a crédito, ora afirmando que são acessórias ao aluguel pago e depois afirmando que na sua essência possui natureza de despesa com energia, não se pode acolher tais pretensões por falta de suporte fático e legal para creditamento de tal despesa. Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 16682.720148/201567 Acórdão n.º 3402005.553 S3C4T2 Fl. 1.224 21 De fato, os inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, prevêem a possibilidade das despesas incorridas com aluguel gerarem crédito na apuração não cumulativa das contribuições. Entretanto, não é possível se ampliar o conceito de aluguel para abarcar as despesas com o condomínio correspondentes. Primeiro porque não há relação acessoriedade entre aluguel e condomínio, pois ausente o vínculo de casualidade entre eles. O condomínio é uma contraprestação às utilidades compartilhadas pelos proprietários ou usuários dos prédios, servindose para fazer frente aos gastos compartilhados, como, por exemplo, os salários de empregados, materiais de consumo, equipamentos, serviços prestados ao condomínio, etc. Já o aluguel é conceituado pelo Código Civil como um negócio jurídico onde uma das partes cede à outra o usufruto de um bem de sua propriedade em troca de um pagamento. Percebese que as despesas de condomínio não têm uma relação direta com o aluguel, podendose até mesmo pagar condomínio sem pagar aluguel, como no caso dos proprietários de imóveis. Dessa forma, incorreto está o entendimento da Recorrente de ampliar, por analogia, o conceito de aluguel para incluir as despesas de condomínio, pois estes não se confundem e têm naturezas diversas. Enquanto os aluguéis possuem fundamento legal para credito das contribuições sobre as despesas incorridas, para as despesas de condomínio o legislador não as previram como uma das hipóteses de creditamento para as empresas do ramo varejista (comércio), previstas nas Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Quanto a possível identidade de parte das despesas de condomínio com energia térmica, inicialmente cabe frisar que a previsão legal de creditamento dos gastos com energia térmica se encontra nas Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, conforme a seguir reproduzido o conteúdo da primeira: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (negrito nosso) A energia térmica é aquela formada como consequência da energia cinética (movimentação) das moléculas e partículas de um determinado corpo para geração de calor. Normalmente, produzse eletricidade, com base na energia térmica utilizandose algumas matériasprimas combustíveis (como o petróleo, a gasolina, o gás natural ou o carvão). Temse que tais características da energia térmica nos leva a crer que o caso ora analisado não tem qualquer relação com essa modalidade de energia. Nessa questão, compartilho do mesmo entendimento expresso no acórdão nº 3401004.398 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de lavra do Conselheiro Robson José Bayerl, que, na análise da mesma questão da própria Recorrente, concluiu que fornecimento de água gelada para funcionamento dos equipamentos de refrigeração não se equipara a energia térmica, conforme o trecho a seguir reproduzido: O mesmo raciocínio é válido para as despesas de refrigeração, não sendo possível, também, equiparar o fornecimento de água gelada para funcionamento dos equipamentos à energia térmica a que alude o art 3º, III, ao passo que a energia, seja ela elétrica Fl. 1234DF CARF MF 22 ou térmica, deve ser consumida diretamente no estabelecimento da pessoa jurídica e, no caso vertente , os pontos de venda da recorrente não consomem energia térmica alguma, tampouco a energia elétrica exigida para funcionamento desses aparelhos, cujo custo e que se pretende crédito advém das despesas proporcionais de manutenção e funcionamento desses aparelhos (sistema de ar condicionado central instalados em centros de compras). Dessa forma, resta evidente que a empresa não recebe energia térmica alguma, mas sim ar/água refrigerado produzido por uma central de refrigeração do condomínio, que tem as suas despesas de manutenção e funcionamento rateadas proporcionalmente entre os condôminos. Por fim, quanto a caracterização das despesas de condomínio como insumos, valem as mesmas considerações feitas no item quanto a caracterização de despesas de propaganda como insumos, restando apenas reafirmar que as despesas aqui envolvidas não se subsumem aos critérios para o direito de crédito de insumos, contidos nos artigos 3º, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, in verbis: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...) (negrito nosso) Resta claro pelo texto do dispositivo transcrito que os gastos com condomínio não se enquadram ao caso, uma vez que não se trata de atividade de industrialização e nem prestação de serviços. As despesas incorridas com condomínio, embora possam ser essenciais à atividade comercial de revenda desenvolvida Recorrente, não podem dar direito a crédito por falta de previsão legal. Dessa forma, não se pode admitir esse alargamento do conceito de insumo visando a aplicação em sua atividade de comércio, por inexistir autorização legal para tanto. Deve ser mantida, portanto, a glosa. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 16682.720148/201567 Acórdão n.º 3402005.553 S3C4T2 Fl. 1.225 23 Fl. 1236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.900410/2005-49
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
PER/DCOMP RETIFICADA. PRAZO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA.
PER/DECOMP apresentada em razão de outra retificada em data anterior tem como prazo decadencial sua contagem iniciada a partir da data da declaração retificada, conforme prazo de homologação tácita.
Numero da decisão: 1003-000.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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PRAZO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. PER/DECOMP apresentada em razão de outra retificada em data anterior tem como prazo decadencial sua contagem iniciada a partir da data da declaração retificada, conforme prazo de homologação tácita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 04 10 /2 00 5- 49 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11080.900410/200549 Acórdão n.º 1003000.231 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1037.352, de 15 de março de 2012, da 5ª Turma da DRJ/POA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. A Recorrente para compensar saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, no valor de R$ 158.259,65, apresentou, em 15/05/2003, Declaração de Compensação perante a Receita Federal PER/DCOMP nº 37556.54678.150503.1.3.020254, a qual foi retificada/cancelada pela PER/DCOMP nº 39322.91058.280408.1.7.029300, que, por sua vez, foi novamente retificada/cancelada pela PER/DCOMP nº 04208.66840.130808.1.7.022688. Além desses PER/DCOMP, a Recorrente também apresentou o PER/DCOMP nº 06522.93339.290408.1.3.020559 em 29/04/2008. Conforme se depreende do resumo abaixo acostado ao Relatório do acórdão da DRJ: Em 02/08/2011, a DRF de Porto Alegre emitiu Despacho Decisório pelo qual reconheceu o direito creditório no valor de R$ 158.259,65, contudo não homologou as compensações do PER/Dcomp 06522.93339.290408.1.3.020559, destacando que o crédito foi insuficiente, porque considerou que R$ 26.902,92 do crédito total não foi utilizado no prazo legal. As compensações não homologadas do PER/Dcomp 06522.93339 representavam a parcela de crédito correspondente a R$ 24.275,99. A Recorrente apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade. O relatório do acórdão recorrido, em síntese, destaca: Na manifestação de inconformidade, a contribuinte requer a modificação do despacho decisório para que sejam homologadas as compensações pendentes. Defende que não houve a decadência, pois os valores do PER/Dcomp 06522.93339 teriam sido utilizados dentro do prazo legal previsto no art. 34, § 10, da IN RFB 900/08, eis que o PER/Dcomp original – utilizado para informar o crédito à Receita – foi transmitido em 15/3/03. Acrescenta que o prazo estabelecido no art. 168 do CTN somente seria aplicável quando o crédito do sujeito passivo fosse maior que o total dos débitos compensados. Em seu caso, os débitos compensados estariam integralmente cobertos pelo saldo negativo do IRPJ, acrescido dos juros à taxa Selic, conforme estabelece o art. 36 de IN RFB 900/08. O litígio a ser analisado corresponde a R$ 24.275,99, que equivale ao montante do crédito relativo às compensações não homologadas. Através do acórdão de nº 1037.352, a DRJ julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da Recorrente com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11080.900410/200549 Acórdão n.º 1003000.231 S1C0T3 Fl. 4 3 Anocalendário: 2002 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA. O direito de compensar indébito tributário decai em cinco anos, contados da extinção do crédito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: (i) que a DCOMP em análise foi assinalada a opção Crédito Informado em Outro PER/DCOMP, indicando o documento que o credito foi detalhado e constituído em PER/DCOMP transmitida e retificada em 15/05/2003, a qual foi homologada na sua integralidade. em razão disso, o prazo deve ser contado do PER/DCOMP que constituiu o crédito (15/05/03), não sendo possível falar em decadência do documento transmitido em 29/04/2008; (ii) que uma vez admitida a retificação da Declaração de Compensação anterior, o termo inicial da contagem do prazo de 5 anos para homologação desses créditos começou a ser contado da data da apresentação da declaração retificadora. Uma vez aceita a retificadora, não decaiu o direito da Recorrente de restituir o indébito que foi reconhecido na sua totalidade pela DRF de Porto Alegre; (iii) que os valores da PER/DCOMP foram utilizados dentro do estabelecido pela IN RFB nº 900/2008 no seu art. 34, § 10; Por fim, requereu a reforma do r. acórdão para que seja reconhecido o direito creditório da Recorrente e a conseqüente homologação das compensações efetuadas. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. Conforme se verifica do Despacho Decisório, o valor original do pedido de ressarcimento relativo aos créditos referentes a saldo negativo do IRPJ em relação ao exercício de 2003, era de R$ 158.259,65, contudo destacou que R$ 26.902,92 não deveria ser homologado porque não teria sido utilizado no prazo legal e, com isso, a PER/DCOMP 06522.93339.290408.1.3.020559 não foi homologada. Segundo se depreende do documento juntado ao processo Recibo de Entrega da Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 37556.54678.150503.1.3.020254, a Recorrente efetuou tão somente a Declaração de Compensação, isto é, por esse documento, a Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11080.900410/200549 Acórdão n.º 1003000.231 S1C0T3 Fl. 5 4 mesma não apresentou o PER Pedido de Restituição, mas apenas a Declaração de Compensação. O PER/Dcomp 04208.66840.130808.1.7.022688, apresentado em 13/8/08, retificou/cancelou o de nº 39322.91058.280408.1.7.029300, apresentado em 28/4/08, esse, por sua vez, também já havia retificado/cancelado o de nº 37556.54678.150503.1.3.020254, apresentado em 15/5/03. Um outro DCOMP, que não fez parte da cadeia de retificações/cancelamentos acima referidos, foi apresentado em 29/04/2008 e se referia ao mesmo crédito daquele inicialmente apresentado na DCOMP 37556.54678.150503.1.3.02 0254. A Recorrente se insurge contra o despacho decisório, que foi mantido pela DRJ, no tocante ao decurso de prazo de 5 anos para utilização do crédito. Ela alega que a DCOMP nº 06522.93339.290408.1.3.020559 foi originada em razão de Crédito Informado em Outro PER/DCOMP, a qual teria sido protocolizada dentro do prazo legal. De fato, as compensações do PER/ DCOMP 04208.66840, de 13/8/08, foram homologadas porque foram formalizadas originalmente na primeira declaração retificada, em 15/3/03. Ocorre que a Recorrente, em 15/3/03, apresentou apenas a Declaração de Compensação (vide documento dos autos fls. 4853), naquela oportunidade não foi apresentado o pedido de restituição (PER). Se, em 15/3/03, a Recorrente tivesse apresentado o PER, teria pleiteado todo o crédito e, por essa razão, poderia transmitir quantas DCOMPs fossem suficientes para utilizar todo o crédito, não importando o prazo. Contudo, se não houve o PER, o contribuinte só pode compensar créditos dentro do limite de 5 anos. Na DCOMP há apenas a informação do crédito e a declaração de compensação do(s) débito(s) ali apontados. Não importa a informação da DCOMP que o crédito declarado é anterior, tal informação servirá para saber se ainda sobrou crédito de eventual PER, porém não tem efeitos quanto à decadência. As outras DCOMPs homologadas eram retificadoras e, nesse caso, contase a decadência considerando a data da transmissão original, porém a PER/DCOMP nº 06522.93339.290408 era original e não retificava nenhuma outra anterior. O acórdão da DRJ destacou no voto: Vale lembrar que a restituição seria pressuposto para a compensação declarada, conforme estabelecido no caput do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11080.900410/200549 Acórdão n.º 1003000.231 S1C0T3 Fl. 6 5 pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Sublinhei.) A Recorrente equivocase quanto à interpretação do § 10º do art. 34, da IN RFB nº 900/2008, visto que esse parágrafo explica exatamente o que foi dito acima, isto é, uma vez apresentado o Pedido de Restituição, o sujeito passivo poderá apresentar a Declaração de Compensação que tenha objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos, contudo o mesmo parágrafo destaca que esse crédito apurado há mais de 5 anos só poderá ser utilizado se o mesmo tiver sido objeto de pedido de restituição apresentado dentro do prazo legal. Vide a redação in verbis: § 10. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo e, ainda, que sejam satisfeitas as condições previstas no § 5º. (grifos nossos) Como a Recorrente apresentou Declaração de Compensação em 2003, analisouse a existência do crédito tributário, contudo a declaração não efetiva o pedido de restituição da totalidade do crédito informado, mas apenas da parcela do crédito requerida na compensação específica apresentada. Isto posto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16020.720077/2012-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 9202-007.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal.
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REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 0. 72 00 77 /2 01 2- 43 Fl. 180DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte contra o Acórdão n.º 2301004.701 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 12 de maio de 2016, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 61: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Devem ser excluídos da base de cálculo os valores comprovadamente referentes as verbas de períodos pretéritos e dentro do limite de isenção, pois, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ sujeitos ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil; portanto, de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A de seu Regimento Interno. Recurso Voluntário Provido em Parte O Recurso Especial referido anteriormente, fls. 150 e seguintes, foi admitido, por meio do Despacho de fls. 169 a 170, para rediscutir a decisão recorrida, no tocante ao regime de cálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente. Aduz o Contribuinte, em síntese, que, do cotejo dos acórdãos paradigmas com o recorrido deve prevalecer o entendimento daqueles, por ser mais consentâneo com a legislação aplicável à matéria, considerando que o lançamento fiscal foi fundamentado em lei declarada inconstitucional e teve a sua base de cálculo e alíquota alteradas, ele é totalmente nulo, conforme o art. 142 do CTN, sendo impossível a sua revisão pela aplicação de outro fundamento legal, não constante da notificação inicial, sob pena de nulidade, sobretudo, por cerceamento de defesa. Intimada, a Fazenda apresentou Contrarrazões, fls. 287 e seguintes, nas quais sustenta, em síntese: a) temos que não se justifica a derrubada integral do auto de infração, mas, que seja recalculado o valor do imposto, tomandose como base o decidido em sede de recurso repetitivo e recentemente pelo Excelso Pretório; b) deve ser MANTIDO o v. acórdão recorrido, para que seja o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 16020.720077/201243 Acórdão n.º 9202007.186 CSRFT2 Fl. 3 3 Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Consoante narrado, a controvérsia suscitada tem como objeto a discussão acerca da manutenção do lançamento referente à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, em decorrência do regime contábil aplicado ao lançamento, que teve reconhecida sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. Muito se discute, neste Colegiado, sobre os efeitos da decisão proferida no mencionado RE, que tratou da aplicação do regime de cobrança do imposto de renda incidente "sobre as verbas recebidas, de forma acumulada, em ação judicial", se regime de caixa, previsto no art. 12 da Lei 7.713/88 ou de competência (posteriormente positivado pelo art. 12 A do mesmo diploma legal). Com o reconhecimento da inconstitucionalidade parcial sem redução de texto do art. 12 da Lei 7.713/88, o que determinou a orientação para aplicação do regime de competência, para alguns Conselheiros, os lançamentos relativos aos períodos anteriores à MP 497/2010, que alterou a redação do art. 12A da Lei 7.713/88, devem ser desconstituídos em sua integralidade, pois eivado de vício material, em razão da utilização de critério jurídico equivocado (regime de caixa, quando deveria ser regime de competência). Por outro lado, há entendimento diverso no sentido da manutenção parcial do lançamento com a adequação do lançamento ao regime de competência, pois não há que se falar em vício, mas sim em procedência parcial do lançamento. Compulsandose o RE 614.406, temse que a inconstitucionalidade reconhecida foi parcial e sem redução de texto, ou seja, em uma interpretação conforme a constituição, como se extrai do trecho abaixo da ementa do Acórdão do TRF4: 3. Afastado o regime de caixa, no caso concreto, situação excepcional a justificar a adoção da técnica de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto ou interpretação conforme a constituição, diante da presunção de legitimidade e constitucionalidade dos atos emanados do Poder Legislativo e porque casos símeis a este não possuem espectro de abrangência universal. (...). Segundo ensina Pedro Lenza, o STF pode determinar que a mácula da inconstitucionalidade reside em determinada aplicação da lei, ou em dado sentido interpretativo. Neste último caso, o STF indica qual seria a interpretação conforme, pela qual não se configura a inconstitucionalidade. Fl. 182DF CARF MF 4 Cabe destacar que não foi declarada a inconstitucionalidade do artigo de lei, razão pela qual não se poderia considerar a nulidade do dispositivo, mas sim a aplicação de uma interpretação conforme, o que afasta a existência de tal nulidade. Corroborando o exposto, cabe mencionar o art. 97 da CF que estabelece a cláusula de reserva de plenário, de modo que "somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público". Destacase a existência de mitigação da mencionada cláusula, dentre outras, quando o Tribunal utilizar a técnica de interpretação conforme a Constituição, pois não haverá declaração de inconstitucionalidade propriamente dita. Portanto, restou decidida, na ocasião do julgamento do RE em comento, a aplicação do regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, sendo mantida a exação, naquele caso, em razão da interpretação atribuída. Ademais, não se vislumbra a existência de prejuízo ao contribuinte, tendo em vista que o recálculo a ser aplicado se mostra mais benéfico que o originário, motivo deve ser reformada a decisão recorrida. Assim, entendo inexistente vício insanável apto a macular o lançamento, sendo imperiosa apenas a aplicação do regime de competência, a fim de atender a interpretação conforme a constituição decorrente da análise do RE 614.406. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.725260/2017-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
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Numero do processo: 13811.000779/99-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/03/1990 a 31/03/1995
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DCOMP.
Os pedidos de compensação de CRÉDITOS DE TERCEIROS não foram convertidos em declaração de compensação e, portanto, a eles não se aplicam as regras de homologação tácita previstas na Lei n° 10.833/2003.
Numero da decisão: 9303-007.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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CRÉDITOS DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DCOMP. Os pedidos de compensação de CRÉDITOS DE TERCEIROS não foram convertidos em declaração de compensação e, portanto, a eles não se aplicam as regras de homologação tácita previstas na Lei n° 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 07 79 /9 9- 29 Fl. 2852DF CARF MF 2 Trata o presente processo de pedido de restituição, protocolizado em 09/04/1999, à efl. 02, pelo qual a contribuinte pretende reaver valores depositados de contribuições para o PIS, no período de 03/1990 a 03/1995, apurados com base nos Decretos lei nº 2.445/1988 e 2.449/1988, declarados inconstitucionais, e seguido de vários pedidos de compensação com débitos próprios e de terceiros (estes últimos cadastrados e juntados a dos processos de números 10880.010117/0089, 10880.010118/0041 e 10880.010119/0012). A Divisão de Orientação e Análise Tributária da DRF em São Paulo, nos documentos de efls. 171 a 191, em 19/05/2004, indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações de débitos próprios declaradas no processo, afirmando, sem resumo, que (i) o direito da requerente a eventual restituição foi atingido pela prescrição; e (ii) o procedimento da requerente apresenta vícios formais e materiais, que impedem o seu prosseguimento. Irresignada, em 30/06/2004, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 248 a 272, no qual além de apresentar razões para aproveitamento dos créditos rebatendo as razões da denegação dos pedidos, afirma que teria havido ainda extinção dos débitos cuja homologação fora solicitada até 10/05/1999, por transcurso do prazo para homologação tácita, pois a intimação da decisão de não homologação só ocorrera em 04/06/2004. A 9ª Turma da DRJ/SPI, apreciou a manifestação em 04/07/2007, e no acórdão nº 1613.969, às efls. 1936 a 1957, deferiu em parte a solicitação de restituição. Como resultado da análise, tivemos: foi denegado o pedido de restituição por não tratarse de pagamentos, mas de depósitos em juízo à disposição da Justiça Federal; foi homologado tacitamente o pedido de compensação dos débitos correspondentes aos períodos de apuração de 04/1999, efetuado em 10/05/1999; foram indeferidos os pedidos de compensação com CRÉDITOS DE TERCEIROS; e não foram homologadas todas as demais compensações declaradas. Ainda inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, às efls. 1972 a 2007, em 28/08/2007. Os argumentos da contribuinte são, em resumo, os seguintes: a) não houve decadência de seu direito pois os tributos pleiteados foram declarados inconstitucionais e assim o prazo prescricional seria contado a partir da Resolução nº 49 do Senado Federal, publicada em 10/10/1995, termo inicial da sua contagem, independentemente da data de recolhimento da contribuição, expirando em 10/10/2000, tendo o pedido sido realizado em 09/04/1999; b) não fosse prestigiado o entendimento supra, o fato de o tributo ser sujeito ao lançamento por homologação implicava que a extinção definitiva dos créditos correspondentes só se dá após a homologação que, não sendo expressa (caso em questão), ocorre cinco anos após a data do fato gerador e somente após cinco anos desta extinção extinguirseia o direito de a contribuinte pleitear a restituição; c) houve correto cálculo dos valores a restituir, considerando a base de cálculo como sendo o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, conforme determinação da Lei Complementar nº 7/70; d) houve induvidosa desistência da contribuinte em relação ao levantamento dos depósitos por ela, com o objetivo de proceder às compensações administrativas e com o que concordara a Fazenda Nacional; Fl. 2853DF CARF MF Processo nº 13811.000779/9929 Acórdão n.º 9303007.444 CSRFT3 Fl. 2.853 3 e) há que se considerar ainda a ocorrência de homologação tácita também para aquelas compensações de CRÉDITOS DE TERCEIROS das efls. 81 e 92, conforme instrução normativa vigente à época das fatos, haja vista que a legislação que converteu os "pedidos de compensação" em "declarações de compensação" não faziam reservas quanto a CRÉDITOS DE TERCEIROS . A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento apreciou o recurso na sessão de 26/06/2012, resultando no acórdão de nº 3302001.645, às e fls. 2067 a 2080, o qual teve as seguintes ementas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1990 a 31/03/1995 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO E HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Os pedidos de compensação não analisados originalmente até setembro de 2002 converteramse em declarações de compensação e passaram a sujeitarse ao prazo de homologação tácita de cinco anos do pedido, exceto os com CRÉDITOS DE TERCEIROS, por não ser tal espécie de compensação permitida pela nova legislação, não se submetendo, assim, a prazo de homologação tácita. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1990 a 31/03/1995 SEMESTRALIDADE DO PIS. APLICAÇÃO. SÚMULA 15 DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF. Devem ser respeitadas as decisões do Supremo Tribunal Federal e do Senado Federal que declararam a inconstitucionalidade dos Decretos nº 2445 e 2449, ambos de 1988, bem como e, por consequência lógica, o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça que reconheceu a manutenção da Lei Complementar 7/70 em sua plenitude, inclusive com a aplicação da semestralidade para cômputo da base de cálculo do tributo... O acórdão foi assim lavrado: Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: por maioria de votos, rejeitar a preliminar de inexistência de pagamento na data do pedido da restituição, vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó; pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de homologação tácita da compensação de CRÉDITOS DE TERCEIROS, vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto; por unanimidade de voto, para reconhecer a semestralidade da base de cálculo do PIS e a não ocorrência da extinção do direito de a recorrente pleitear a Fl. 2854DF CARF MF 4 restituição, nos termos do voto da relatora. O conselheiro Walber José da Silva acompanhou a relatora pelas conclusões. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor quanto à preliminar de homologação tácita da compensação de CRÉDITOS DE TERCEIROS. O Conselheiro Walber José da Silva fará declaração de voto. Embargos da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada do acórdão nº 3302 001.645 em 22/11/2012 (efl. 2082), e manejou embargos de declaração em 07/12/2012, às e fls. 2083 a 2086. A Procuradora indica existência de omissão relativamente à fundamentação para considerar que houve pagamentos a serem restituídos na data da realização do pedido, tanto no voto vencido da relatora, quanto no vencedor, sendo tal matéria apenas ventilada em declaração de voto desfavorável à pretensão da contribuinte. O Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF afirmando que tal matéria havia sido ventilada em sede de julgamento da DRJ, conclui pela omissão do acórdão embargado e por isso acolheu os embargos, no despacho às efls. 2089 e 2090, em 05/03/2012. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara apreciou os embargos em sessão de 25/08/2016, resultando na prolação do acórdão nº 3302003.358, às efls. 2777 a 2781, com a seguinte ementa: OMISSÃO. FUNDAMENTO. DEPÓSITO JUDICIAL. MONTANTE INTEGRAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA OMISSÃO. O fundamento do julgado atribui ao depósito judicial no montante do crédito tributário efeitos de pagamento, convertidos em renda, podem ser objeto de ressarcimento e compensação, a matéria restou enfrentada, motivo pelo qual inexiste a omissão apontada. O resultado acordado foi: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, foi rejeitado os Embargos de Declaração, tendo em vista não existir a omissão alegada. Logo, não houve alteração no mérito do acórdão nº 3302001.645. Recurso especial da contribuinte A contribuinte havia tomado ciência do processo em 22/08/2016 (efl. 2794), anteriormente ao acórdão dos embargos, de nº 3302003.358, e interpôs recurso especial de divergência, em 05/09/2016 (efl. 2719), às efls. 2720 a 2742. Em 12/01/2017, representante da contribuinte recebeu cópia do processo (efl. 2826), porém, somente foi intimada (efl. 2786) do acórdão de embargos de declaração em 20/02/2017 (AR à efl. 2804). Fl. 2855DF CARF MF Processo nº 13811.000779/9929 Acórdão n.º 9303007.444 CSRFT3 Fl. 2.854 5 Contudo, já em 27/01/2017, apresentou o documento de efls. 2798 e 2799, pelo qual registrou ter tomado ciência do acórdão 3302003.358 , reiterando e ratificando o recurso especial anteriormente interposto. Aponta divergência entre o acórdão a quo e o paradigma de nº 9101001.338, pois neste, para pedidos de compensação envolvendo créditos próprio e CRÉDITOS DE TERCEIROS protocolizados em meados de 1999, entendeuse que na época do encontro de contas não havia vedação à utilização de créditos de terceiros ou distinção de natureza quanto a compensação desses débitos; ausente as distinções, possível a homologação tácita prevista pela legislação em 2002. No acórdão recorrido, o entendimento foi de que as declarações de compensação previstas no art. 74, caput, somente se referia a débitos próprios, por isso, se não analisadas até setembro de 2002, não se submeteriam ao prazo de cinco anos para homologação. Além desse paradigma, a contribuinte informa que o acórdão nº 3403 002.544, também traria orientação distinta para mesma matéria, porém à luz do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 4º da Lei nº 11051/2004, e que também entendeu por ser possível a homologação tácita de pedido de compensação com créditos de terceiros. O Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARFc apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte em 20/04/2017, no despacho de e fls. 2834 a 2837, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento, baseando a análise apenas no paradigma 9101001.388. Contrarrazões da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional teve ciência do despacho de efls. 2384 a 2387 em 22/05/2017 (efl. 2838), tendo oferecido suas contrarrazões na mesma data, às efls. 2839 a 2849. Em seu contrarrazoado, resumidamente se argumenta que os pedidos de compensação que estivessem pendentes de apreciação quando do advento das modificações da nova legislação (Lei nº 10.637/2002 e Lein nº 10.833/2003) somente seriam convertidos em declaração de compensação Dcomp, sujeitas à homologação tácita, caso atendidos os requisitos do caput do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 por ela alterada. Não haveria como considerar a questão de impossibilidade de conversão em Dcomp e aceitação de homologação tácita a ela aplicável; tudo decorrendo de análise com base no princípio da legalidade. Conclui com as assertivas: Diante do contexto normativo delineado sobre a matéria, sob o enfoque da legalidade, conforme já registrado anteriormente, o § 4º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que converteu os pedidos de compensação então pendentes de apreciação em declarações de compensação, deve ser interpretado em consonância com as disposições do caput e do § 1º do mesmo dispositivo legal, que estabelecem que as declarações de compensação são instrumento hábil para a formalização de compensação de débitos próprios, mas não de CRÉDITOS DE TERCEIROS, impedindo, assim, que os Fl. 2856DF CARF MF 6 pedidos relativos a débitos de terceiro sejam convertidos em declarações de compensação. Consequentemente, nas hipóteses dos pedidos de compensação de créditos com CRÉDITOS DE TERCEIROS, como é o caso ora em discussão nos autos, não há que se falar em homologação tácita da compensação, uma vez que aqueles não foram convertidos em Declaração de Compensação, não se submetendo ao prazo de cinco anos para exame do pedido a partir da data do protocolo. (Destaques do original) É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e por isso dele conheço. A divergência que aqui se aprecia, limitase a dizer se os pedidos de compensação de CRÉDITOS DE TERCEIROS, havidos em 1999, enquanto não apreciados pela então SRF e alcançados pelas alterações legislativas sofridas pelo art. 74 da Lei nº 9.430/1996, havidas a partir de setembro de 2002, se tornam declarações de compensação (§ 4º) e assim suscetíveis à homologação tácita (§ 5º). Entendo que o voto do i. conselheiro José Antonio Francisco, redator do voto vencedor no acórdão a quo, abordou de forma correta e concisa a matéria sob divergência. Observemos o texto legal: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Negritei.) Fl. 2857DF CARF MF Processo nº 13811.000779/9929 Acórdão n.º 9303007.444 CSRFT3 Fl. 2.855 7 A conversão dos pedidos de compensação em declaração de compensação, a partir de outubro de 2002, com a publicação da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que incluiu o § 4º no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, não pode ser tomada isoladamente do seu caput, alterado pela mesma norma, que determinou que o contribuinte só poderia utilizar créditos por ele apurados para compensação de "débitos próprios". Ora, o parágrafo pode explicar, restringir ou modificar o caput, mas não pode ser interpretado sem qualquer referência aos débitos que se podem compensar, eles só podem ser compensados por declaração sendo débitos próprios, não de terceiros. Assim, não sendo os pedidos da contribuinte passíveis de conversão em declaração de compensação, por consequência, não há se falar em prazo de homologação para compensações declaradas, referido no § 5º. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 2858DF CARF MF
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