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Numero do processo: 11080.102583/2004-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 Ementa: DECADÊNCIA PRAZO. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como é o caso do IRPJ e do PIS, extingue-se em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Essa regra aplica-se também à CSLL e à Cofins por força da Súmula nº 8 do STF. Decadência que se reconhece de ofício Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 Ementa: PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. Caracterizam-se como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações
Numero da decisão: 1402-001.114
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para acolher a decadência suscitada de ofício pelo relator, abrangendo o 1º e o 2º trimestres de 1999, em relação ao IRPJ e à CSLL; e os fatos geradores ocorridos até 31/07/1999 inclusive, no que se refere ao PIS e à Cofins; nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999 Ementa: DECADÊNCIA PRAZO. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como é o caso do IRPJ e do PIS, extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Essa regra aplicase também à CSLL e à Cofins por força da Súmula nº 8 do STF. Decadência que se reconhece de ofício Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1999 Ementa: PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1900DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.102583/200418 Acórdão n.º 1402 001.114 S1C4T2 Fl. 2 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para acolher a decadência suscitada de ofício pelo relator, abrangendo o 1º e o 2º trimestres de 1999, em relação ao IRPJ e à CSLL; e os fatos geradores ocorridos até 31/07/1999 inclusive, no que se refere ao PIS e à Cofins; nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto Fl. 1901DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.102583/200418 Acórdão n.º 1402 001.114 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Exigese da interessada Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o PIS/PASEP (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em virtude de omissão de receitas relativa a fatos geradores ocorridos em 1999, período em que contribuinte optou pela tributação do IRPJ e da CSLL com base no lucro real trimestral (fls. 1/59). O total da autuação representa R$ 3.212.976,49. A omissão de receitas foi identificada a partir de depósitos em conta corrente bancária cuja origem não foi comprovada. O anexo I do relatório de ação fiscal enumera os créditos, os históricos referenciados nos extratos bancários e os motivos para considerálos como não comprovados (fls. 8/28). Eles foram apurados a partir de intimações e reintimações formalizadas à fiscalizada para que sobre eles se manifestasse (fls. 350/412 e 415/416), depois de ponderadas as respostas dadas (fls. 436/464). Os autos de infração foram cientificados à contribuinte em 19/8/04 (fls. 29, 37, 44 e 51) e a impugnação foi apresentada em 17/9/04 (fls. 771/827). A impugnante reclama pela insubsistência dos lançamentos e alega, em síntese: a) a falta de juntada ao processo de respostas a diversas intimações fiscais constitui prejuízo à defesa, pois impede a prova das correspondentes entregas e respectivas datas; b) apesar de o início da fiscalização ter ocorrido em 8/10/02, foi somente com a intimação n° 7 de 10/5/04 que o exame fiscal ficou objetivado sobre os "ingressos bancários" do exercício social de 1999; c) a fiscalizada surpreendeuse com autuação efetivada depois de 88 dias da intimação para informações sobre os inúmeros ingressos bancários, enquanto o procedimento ficara centrado em exigências fiscais genéricas por dezenove meses; d) a empresa foi cerceada de apresentar os documentos e esclarecimentos requeridos em razão da exiguidade dos prazos para obter dos estabelecimentos financeiros os elementos que lhe permitiriam atender às intimações fiscais; e) as informações derradeiras pretendidas pelo fiscal dependiam de documentos a serem obtidos juntos a diversos estabelecimentos financeiros, o que demandaria tempo em razão do volume das solicitações e em razão da terceirização do serviço pelos bancos; f) em nome do devido processo legal e da verdade material, é necessário que os julgadores considerem os elementos probantes e esclarecimentos ora adicionados, reparando com justiça o procedimento fiscal; g) os documentos fornecidos pelas entidades financeiras permitem comprovar que os recursos têm origem em vendas representadas por notas fiscais, transferências Fl. 1902DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.102583/200418 Acórdão n.º 1402 001.114 S1C4T2 Fl. 4 4 entre agências bancárias, devolução de cheques sem fundos e receita de venda de imóvel; h) em muitos casos não há coincidência de data e de valor entre os ingressos bancários e as notas fiscais porque os pagamentos teriam ocorrido por cheques pré datados ou em parcelas, ou ainda porque teria havido substituição dos cheques originalmente utilizados no pagamento; i) diferenças nos pesos das mercadorias, verificadas pelos adquirentes, também poderiam gerar disparidades entre valores, e datas em algumas operações de venda, do que resultaria ajuste posterior; j) a presunção legal de omissão de receitas por depósito de origem não comprovada requer a regularidade da intimação, o que implica a concessão de prazo razoável para o implemento das exigências formalizadas, o que não ocorreu; k) dinâmica financeira atual não permite pressupor que o titular de conta bancária possua disponibilidade econômica ou jurídica (renda) do recurso financeiro que transita na conta; 1) a movimentação bancária jamais foi aceita para fins de respaldar exigência tributária, a não ser que tal presunção esteja acompanhada de provas concretas de acréscimo patrimonial por parte do titular da respectiva conta corrente; m)a Súmula 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos confirmou o entendimento de ser "ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários "; n) a receita bruta total de 1999 atingiu o montante de R$ 3.329.779,66, sendo o movimento financeiro compatível com essa receita, depois de excluídos os saques de aplicações financeiras, descontos de duplicatas, empréstimos e devolução de cheques; o) haveria de se pressupor enorme saldo credor de caixa ou empréstimos fictícios no passivo da empresa se o total dos cheques (R$ 3.191.722,89) fosse considerado omissão de receitas; e p) os sócios não apresentam sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial a descoberto. A impugnação ainda contém esclarecimentos sobre diversos documentos vinculados aos depósitos nos bancos Bradesco, Itaú, Finasa e Banco do Brasil, os quais estariam respaldados pelos documentos contidos nos quatro volumes que compõem o anexo I deste processo. No caso específico dos cheques depositados no banco Finasa, a impugnante alerta que os valores envolvidos representariam cheques entregues para cobrir cheques anteriormente depositados, que não tiveram fundos e foram devolvidos. A Delegacia de Julgamento prolatou o Acórdão 1034.292, através do qual deu provimento parcial à impugnação acatando parte das justificativas apresentadas em relação aos depósitos que embasaram a exigência. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresenta recurso a este Colegiado suscitando a ocorrência da prescrição intercorrente em vista do tempo decorrido entre a apresentação da impugnação (17/09/2004) e a ciência da decisão recorrida (11/10/2011). No mais, repisa em essência as razões expedidas na peça impugnatória. Fl. 1903DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.102583/200418 Acórdão n.º 1402 001.114 S1C4T2 Fl. 5 5 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O recurso é tempestivo, foi subscrito por representante da pessoa jurídica legalmente habilitado e preenche as condições de admissibilidade. Em preliminar a recorrente sustenta a ocorrência da prescrição intercorrente, tendo em vista o tempo decorrido entre a interposição da impugnação e a ciência da decisão que a analisou. Quanto ao tema, este Colegiado já firmou posição no sentido da inaplicabilidade da prescrição intercorrente no processo administrativo. A Súmula CARF nº 11 traz o seguinte Enunciado: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Rejeitase, portanto, a preliminar suscitada. Ainda que não tenha sido argüida pela recorrente, merece análise a questão da decadência, por ser matéria de ordem pública. Nesse tema, pauto minha linha de raciocínio no sentido de o prazo decadencial foi definido como regra geral no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (.....) Por outro lado, dentre as modalidades de lançamento definidas pelo CTN, o art. 150 trata do lançamento por homologação. Nesse caso, o § 4º do dispositivo estabeleceu regra específica para a decadência: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (......) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 1904DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.102583/200418 Acórdão n.º 1402 001.114 S1C4T2 Fl. 6 6 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação Hodiernamente, a grande maioria dos tributos submetese ao lançamento por homologação, como é o caso do IRPJ. Assim, circunstancialmente, aquilo que representava uma regra específica tornouse norma geral para efeitos de contagem do prazo decadencial. No que se refere às contribuições sociais sua natureza tributária colocaas, no gênero, como espécies sujeitas ao lançamento por homologação. Aplicamse a elas, portanto, as disposições do art. 150 do Código Tributário Nacional. O já mencionado § 4º do mencionado artigo autoriza que a lei estabeleça prazo diverso dos cinco anos ali determinados. Foi assim que a Lei nº 8.212, de 26 de julho de 1991, regulamentando a Seguridade Social, tratou do prazo decadencial das contribuições sociais da seguinte forma: “Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada.” (grifo nosso) A mencionada lei determina expressamente quais as contribuições sociais, a cargo da empresa, que tenham base no lucro e no faturamento: Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22 são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: (......) II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990. (........). O DecretoLei nº 1.940/82 regulamenta o Finsocial. Posteriormente, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991 criou a Cofins e determinou que essa contribuição seria cobrada em substituição àquela. Assim dispõe o art. 9º da LC: Art. 9° A contribuição social sobre o faturamento de que trata esta lei complementar não extingue as atuais fontes de custeio da Seguridade Social, salvo a prevista no art. 23, inciso I, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual deixará de ser cobrada a partir da data em que for exigível a contribuição ora instituída. (grifo nosso). Vêse, portanto, que sob a ótica da Lei 8.212/91 a contribuição para a Seguridade Social calculada sobre o faturamento é o Finsocial, posteriormente substituído pela Cofins e a contribuição calculada sobre o lucro é a CSLL. Não há menção ao PIS. Fl. 1905DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.102583/200418 Acórdão n.º 1402 001.114 S1C4T2 Fl. 7 7 É certo que o CTN concedeu à lei ordinária a possibilidade de estabelecer prazo decadencial diferente daquele originariamente previsto no § 4º do art. 150 daquele diploma legal. No entanto, não se pode perder de vista que se trata de uma excepcionalidade. Sob essa ótica, constatandose que a Lei nº 8.212/91 em nenhum de seus dispositivos trata do PIS, considerarse que o prazo decadencial previsto no art. 45 daquela norma aplicarseia a essa contribuição seria um abuso interpretativo à concessão feita pelo CTN. O tema do prazo decadencial tem grande importância na relação fisco contribuinte, inclusive pelo impacto no princípio da segurança jurídica. Sendo assim, o tratamento da matéria é prerrogativa da norma positivada. Não havendo disposição expressa no texto legal, não se pode definir o prazo decadencial com base em interpretação do alcance da lei. Entendo, destarte, que ao prazo decadencial do PIS deve ser aplicada a regra geral qüinqüenal estabelecida no § 4º do art. 150 do CTN. Por outro lado, a Cofins e a CSLL estão elencadas entre as contribuições submetidas às regras da Lei nº 8.212/91, incluindo aí o prazo decadencial definido no art. 45 desse diploma legal. Entretanto, com a edição da Súmula Vinculante nº 8 o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o mencionado dispositivo legal. Assim, essas contribuições submetemse ao prazo decadencial nas mesmas regras que os demais tributos sujeitos ao lançamento por homologação: Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Do exposto, na inexistência de dolo fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial para os impostos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação deveria ocorrer sob as regras do parágrafo 4º, do art. 150, do CTN. Registrese que, no presente caso, o sujeito passivo informou valores devidos do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins; que não foram questionados pelo Fisco. Isso significa que deve se considerar a existência de pagamentos desses tributos, ainda que parciais, o que implica na inaplicabilidade do entendimento do STJ relativamente à regra do inciso I, do art. 173, do CTN. Pelo exposto, com ciência da autuação em 19/08/2004, foram atingidos pela caducidade o 1º e o 2º trimestres de 1999, em relação ao IRPJ e à CSLL; e os fatos geradores ocorridos até 31/07/1999, inclusive, no que se refere ao PIS e à Cofins. No mérito, a peça recursal não traz qualquer novo argumento ou elemento de prova que não tenha sido analisado pela decisão recorrida. A necessidade de comprovação da origem dos valores depositados em conta corrente não representa um capricho da autoridade fiscal, mas sim uma presunção legal estabelecida no art. 42, da Lei nº 9.430/96. Ressaltese que o acórdão hostilizado elaborou planilha onde demonstra ter avaliado todos os documentos e alegações apresentadas pela interessada na tentativa de demonstrar a origem dos depósitos questionados. Fl. 1906DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.102583/200418 Acórdão n.º 1402 001.114 S1C4T2 Fl. 8 8 Foram acatados aqueles comprovantes que permitiram a correta identificação, integral ou parcialmente, da origem dos depósitos. Transcrevese aqui o critério utilizado pela decisão recorrida na análise da documentação, frente ao qual a recorrente não apresentou questionamentos substanciais. Constatase, inclusive, que foi adotada certa flexibilização quanto à necessidade da coincidência de datas e valores entre os depósitos e comprovantes a) como regra geral, as comprovações das origens devem coincidir com os depósitos em data e valor; b) as notas fiscais comprovam a origem dos depósitos desde que coincidentes em data e valor, admitindose uma discrepância de até quinze dias corridos entre as datas de emissão das notas fiscais e as dos depósitos, diante da razoabilidade de que o resgate dos cheques não se dê no mesmo dia do recebimento; c) são desprezíveis as diferenças nos centavos; d) pagamentos supostamente a prazo ou parcelados são comprovados somente se a condição do parcelamento constar expressamente na nota fiscal e desde que a anotação esteja no mesmo padrão de escrita dos demais dados da nota; e) as transferências de créditos de uma conta bancária para outra, sendo ambas do mesmo titular, têm origens comprovadas; f) a alegação de que um cheque do titular foi depositado em outra conta do mesmo titular na mesma data somente é comprovada com o registro do cheque no recibo de depósito bancário, exceto se houver registro em extrato bancário consignando tratarse de cheque compensado com CPMF zero; e g) somente as diferenças de peso comprovadas justificam eventual disparidade entre valores e datas Assim, não há qualquer mácula que se possa imputar à decisão recorrida e ratificoa aqui nos termos lá proferidos. De todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, exclusivamente para reconhecer a decadência nos seguintes termos: • IRPJ e CSLL – 1º e 2º trimestres de 1999 • Pis e Cofins – fatos geradores ocorridos até 31/07/1999, inclusive. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 1907DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.102583/200418 Acórdão n.º 1402 001.114 S1C4T2 Fl. 9 9 Fl. 1908DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 15224.002085/2005-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO
Período de apuração: 31/05/1999 a 20/03/2000
PRAZO. RESTITUIÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Por conta da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), é obrigatória a
observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no
Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos
pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim,
para os pedidos efetuados antes de 09/06/2005 deve prevalecer a orientação
da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados
do seu fato gerador; já para os pedidos administrativos formulados após
09/06/2005 devem sujeitarse
à contagem de prazo trazida pela LC 118/05,
ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o
parágrafo 1º do artigo 150/CTN.
Numero da decisão: 3201-001.026
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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RESTITUIÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Por conta da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), é obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados antes de 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; já para os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano DAmorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Nogueira, e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência Justificada de Daniel Mariz Gudiño. Ausência momentânea de Octávio Silva Carneiro Correa. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 4/08/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Tratase de Manifestação de Inconformidade, fls. 235/206, contra Decisão do Inspetor da Alfândega da Receita Federal do Aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus, que indeferiu o pedido de restituição referente ao Imposto de Importação (II), no valor principal de R$ 1.038.046,17 (Hum milhão, trinta e oito mil, quarenta e seis reais e dezessete Centavos). Em seu pedido de restituição, apresentado em 30/09/2005, o contribuinte alega, em síntese, que; Durante os anos de 1999 e 2000 importou carregadores e conversores de bateria para telefone celular, submetendoos à tributação aduaneira. No entanto, à época das importações, por força da Portaria Interministerial no 272, de 17/12/1993, tais produtos poderiam ser importados montados sem a incidência dos impostos; Somente a partir de 01/08/2000, com a publicação da Portaria Interministerial no 26, foi que a legislação passou a exigir, como condição para que o contribuinte pudesse usufruir dos benefícios fiscais inerentes à ZFM, que a montagem dos carregadores ou conversores de bateria de telefones celulares digitais fosse realizada no Território Nacional; Sendo titular de projetos aprovados na SUFRAMA, faz jus a todos os incentivos fiscais pertinentes à Zona Franca de Manaus (ZFM), dentre os quais, isenção do IPI e redução do Imposto de Importação (II), tendo, portanto, direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos nos períodos nos quais tinha direito à redução do II. Tentando demonstrar a pertinência de suas alegações, a pleiteante apresenta decisões do Conselho de Contribuintes versando sobre a matéria e fundamenta seu pedido de restituição no art. 66, da Lei no 8.383/91, no art. 74, da Lei no 9.430/96, e no art. 26, da Instrução Normativa no 460/04. Por fim, requer que lhe seja reconhecido o direito à restituição do II referente às importações de carregadores e conversores de bateria para telefone celular digital realizadas no período de maio de 1999 a março de 2000, no montante atualizado de R$ 2.094.849,65. Em 21/11/2005, a pleiteante apresentou petição (fls. 214/217), onde solicitou que a restituição postulada no presente processo fosse compensada com débitos referentes aos períodos de apuração listados às fls. 218/219, no total de R$ 1.478.605,40, referentes aos anos de 2003 e 2004. Ao examinar o pleito do contribuinte, o inspetor da Alfândega da Receita Federal do Aeroporto Eduardo Gomes, em conformidade com o Parecer Fl. 321DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 4/08/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15224.002085/200526 Acórdão n.º 3201001.026 S3C2T1 Fl. 2 3 SARAT n.º 006/2006 (fls. 229/233), por meio do Despacho Decisório visto à fl. 234, posicionouse no seguinte sentido: No tocante aos incentivos ficais pertinentes à ZFM, assiste razão à pleiteante, fazendo jus à isenção do IPI e à redução do II; No entanto, nos termos do art. 165, I, e do art. 168, I, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), o direito de se pleitear a restituição de valores recolhidos indevidamente extinguese com o decurso do prazo de 5 anos. Assim, como os recolhimentos dos tributos considerados nos autos foram efetuados entre 05/1999 e 03/2000 e o pedido de restituição foi protocolizado em 30/09/2005, referido direito fora atingido pela decadência. O contribuinte foi cientificado do Parecer n.º 6/2006 em 17/03/2006, fl. 234, e apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 235/260, em 18/04/2006, onde alega, em síntese, que, sendo o II um tributo lançado por homologação, o prazo decadencial teria início 5 anos após referida homologação, o que, na prática, representaria um prazo decadencial de 10 anos a partir do pagamento. A pleiteante defende, também, que o art. 3o, da Lei Complementar no 118/05 (LC 118/05), que dispõe sobre o prazo decadencial para restituição de tributos não poderia surtir efeitos retroativos, tendo em vista que tal entendimento provocaria substancial alteração no direito da recorrente e modificações nas relações jurídicas preexistentes, o que afrontaria o preceito constitucional do direito adquirido. Por meio de um extenso texto, a interessada reafirma seu direito à restituição do montante indevidamente recolhido, o qual já havia sido reconhecido no despacho decisório, e, ao final, requer o reconhecimento do direito creditório indeferido em 1a instância.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FOR no 0819.866, de 27/01/2011, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 31/05/1999 a 20/03/2000 CONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. É vedado aos órgãos de julgamento, na esfera administrativa, a apreciação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito a pleitear restituição extinguese em cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Crédito não Reconhecido.” Fl. 322DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 4/08/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 O julgamento foi no sentido de tornar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a decisão do despacho Decisório/Sarat n° 006/2006 com as seguintes conclusões: “Pelo exposto, concluise que o marco inicial para a contagem do prazo decadencial para se pleitear a restituição de tributos é de cinco anos a contar do pagamento indevido. Logo, como já bem salientado no Despacho Decisório, no caso que aqui se trata, ocorreu a decadência do direito à restituição. No que concerne ao pedido de compensação apresentado às fls. 218/219, deve ser esclarecido que a apreciação de tais pedidos no presente julgado extrapolaria os limites da competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, definidos no art. 212, da Portaria MF no 125/09. Portanto, com relação ao mencionado pedido, o presente voto não se pronunciará, cabendo a unidade de origem, sendo o caso, o exame da matéria. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressaltando que o início da contagem do prazo decadencial deve ser de 10 anos, conforme jurisprudência do STJ. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano DAmorim O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o processo de pedido de restituição do Imposto de Importação, referente ao período de apuração de 31/05/1999 a 20/03/2000, cujo pedido deuse em 30/09/2005, com base na redução do II referentes aos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus. Inicialmente, analiso a questão do prazo para pleitear o seu pedido de restituição. Ressalto, que esta conselheira votava no sentido que prazo para que o sujeito passivo exerça seu direito de requerer a restituição de valores que comprove terem sido recolhidos a maior ou indevidamente é aquele expresso no inciso I do artigo 168, combinado com o inciso I artigo 165, do CTN, ou seja, o pedido deveria ser formulado no prazo máximo de 5 anos a contar do pagamento indevido ou a maior, inclusive no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como a COFINS e o PIS, que se extinguem com o pagamento antecipado por força do disposto no parágrafo 1º do artigo 150. O legislador, com intuito de interpretar o artigo 168, I do CTN, em 09 de fevereiro de 2005, por meio da Lei Complementar n° 118, explicitou sua vigência no tempo: Fl. 323DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 4/08/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15224.002085/200526 Acórdão n.º 3201001.026 S3C2T1 Fl. 3 5 Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. No entanto, o STF – Supremo Tribunal Federal – ao julgar o RE 566.621, relatada pela Ministra Ellen Gracie, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da LC no. 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Por conseguinte, para as ações ajuizadas anteriormente a esta data (09/06/2005), o STF decidiu que “quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN” Foi reconhecida a Repercussão Geral, devendo ser aplicado, portanto, o artigo 543B, parágrafo 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Assim sendo, por conta da decisão proferida no RE 566.621, é obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados antes de 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. Diante do exposto, para o período de apuração 31/05/99 a 20/03/2000, ocorreu já a decadência do seu direito de pleitear; considerando que a recorrente protocolizou o seu pedido de restituição em 30/09/2005; considerandose, ainda, o prazo de 5 anos, a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN para os pedidos formulados após 09/06/2005. À vista do exposto, nego provimento ao recurso voluntário; tendo em vista prescrição no seu pedido, daí, prejudicados os demais argumentos. Mércia Helena Trajano DAmorim Relator Fl. 324DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 4/08/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 4/08/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 14041.001062/2008-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
Falta de interesse de agir.
Não deve ser conhecido o recurso voluntário, quando a decisão recorrida cancelou o lançamento tributário em discussão, ainda que por fundamento diverso do apresentado na impugnação.
Numero da decisão: 1302-001.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
EDITADO EM: 13/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 Falta de interesse de agir. Não deve ser conhecido o recurso voluntário, quando a decisão recorrida cancelou o lançamento tributário em discussão, ainda que por fundamento diverso do apresentado na impugnação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. EDUARDO DE ANDRADE - Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator. EDITADO EM: 13/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Waldir Veiga Rocha.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1643; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 407 1 406 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.001062/200822 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.043 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de março de 2013 Matéria Simples Recorrente Juno Veloso Vidal dos Santos Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 Falta de interesse de agir. Não deve ser conhecido o recurso voluntário, quando a decisão recorrida cancelou o lançamento tributário em discussão, ainda que por fundamento diverso do apresentado na impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. EDUARDO DE ANDRADE Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. EDITADO EM: 13/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Waldir Veiga Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 10 62 /2 00 8- 22 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face do Acórdão n˚ 0333.756 da 2ª Turma da DRJ/BSB, cuja ementa assim dispõe: Assunto: Imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ Data do fato Gerador: 30/06/2006, 31/12/2006 Exclusão do Simples. Comunicação do contribuinte. Motivo: opção. Efeitos no anocalendário subsequente. Se a exclusão do Simples decorreu de opção do contribuinte e foi comunicada durante 2006, consoante o disposto no art. 15, I, da Lei n˚ 9.317/96, somente passou a produzir efeitos a partir de janeiro de 2007, ou seja, o contribuinte estava sujeito à apuração no regime simplificado durante todo ano 2006. Assunto: Contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL Data do fato Gerador: 30/06/2006, 31/12/2006 Fatos e elementos de prova idênticos ao do lançamento de IRPJ. Aplicase o decidido em relação ao lançamento do IRPJ, haja vista decorrerem dos mesmos elementos fáticos e de prova. Impugnação Improcedente Crédito tributário exonerado. O contribuinte tomou a inciativa de excluirse do Simples no ano de 2006 e entendeu que não poderia conviver no ano de 2006 com dois regimes de apuração (Lucro Real e Simples), razão pela qual refez sua escrituração para proceder a apuração do IRPJ pelo lucro real trimestral para todo o ano de 2006, como também da CSLL sobre a base ajustada trimestral para todo o ano de 2006. A autoridade fiscal, por sua vez, entendeu que poderia conviver os dois regimes de tributação no mesmo ano, de tal sorte que considerou que o contribuinte estava excluído do Simples (e, consequentemente, obrigado ao lucro real trimestral) somente para o período após a comunicação à Receita Federal da sua exclusão espontânea de tal regime, ou seja, junho de 2006. Assim, para as infrações apuradas a partir de junho de 2006, a autoridade fiscal entendeu que se aplicava o regime geral, de tal forma que lançou o IRPJ e a CSLL, respectivamente, sobre o lucro real e a base ajustada do mês de junho de 2006 e do 4˚ trimestre de 2006. Para as infrações apuradas nos meses de janeiro a maio, foram lançados o IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e Contribuição Previdenciária pelo regime do Simples, sendo que tais lançamentos foram objetos de outro PAF (14041001064/200811). Destarte, a decisão da 2ª Turma da DRJ/BSB, embora tenha julgado improcedente a impugnação, cancelou os lançamentos do IRPJ e da CSLL, pois entendeu que não poderia a autoridade fiscal considerar o contribuinte excluído do Simples a partir do mês em que manifestou a sua opção de ser excluído do sistema (junho de 2006), mas tãosomente a partir do exercício subsequente. Por essa razão, entendeu que os lançamentos do IRPJ e da CSLL eram nulos, pois deveriam ter observado a sistemática do Simples a que estava obrigada o contribuinte por todo o ano de 2006. O contribuinte, devidamente intimado da decisão, apresentou o recurso voluntário a fls. 197 deste processo, o qual se encontra apensado ao PAF n˚ 14041000128/201081. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14041.001062/200822 Acórdão n.º 1302001.043 S1C3T2 Fl. 408 3 É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Não deve ser conhecido o recurso voluntário do contribuinte, pois faltalhe interesse para recorrer, uma vez que os lançamentos do IRPJ e da CSLL foram cancelados pela decisão a quo, logo, não se verifica qualquer utilidade ou necessidade da providência revisional pleiteada. Ressaltese que a autoridade julgadora a quo não interpôs recurso de ofício, já que o limite de alçada não foi alcançado, dessa forma, sequer poderseia tomar o recurso voluntário do contribuinte como contrarrazões. Em face do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário do contribuinte. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 409DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001085/2004-57
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA. Não constitui atividade econômica impeditiva da opção pela sistemática do SIMPLES, de que trata o artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, a organização de festas infantis, incluindo locação do espaço, buffet, decoração, segurança, montagem do salão.
Numero da decisão: 1803-001.379
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
1.0 = *:*
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA. Não constitui atividade econômica impeditiva da opção pela sistemática do SIMPLES, de que trata o artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, a organização de festas infantis, incluindo locação do espaço, buffet, decoração, segurança, montagem do salão.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA. Não constitui atividade econômica impeditiva da opção pela sistemática do SIMPLES, de que trata o artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, a organização de festas infantis, incluindo locação do espaço, buffet, decoração, segurança, montagem do salão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Trata o processo da exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, mediante o Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/J01 n° 463.022, de 07 de agosto de 2003, fl. 47, emitido pelo delegado da Receita Federal em Joinville/PR, devido ao exercício da atividade CNAEFiscal 74993/07 — Serviços de organização de festas e eventos — exceto culturais e desportivos, vedada pelo art. 9°, XIII da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996. 2. Cientificada fl. 52, apresentou a manifestação de inconformidade tempestiva de fl. 1, em 28/05/2004. 3. Relata que optou pelo Simples desde que iniciou as atividades em 15/07/1999 e vinha declarando e recolhendo de acordo, quando, ao entregar a declaração do nãocalendário 2003, tomou conhecimento da exclusão retroativa a 01/01/2002; explica que exerce a atividade de fornecimento de beet, o CNAE Fiscal de 74993/7 é incorreto, o correto é o de 55247/02. 4. 0 processo foi transferido para julgamento nesta DRJ/CTA por força da Portaria SRF n° 179 de 13 de fevereiro de 2007.” A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação, em decisão assim ementada: “LOCAÇÃO DE IMÓVEL A atividade de locação de imóvel é impeditiva ao Simples.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) A Recorrente nada mais é do que uma empresa que organiza festas infantis, conforme fotos anexas (doc. 02), oferecendo para tanto a decoração do local, os serviços de buffet e o local para a realização do evento contratado; não incluindo a contratação de atores, cantores, dançarinos ou assemelhados. b) A atividade fim da Recorrente não é, e nem nunca foi, a realização de operações relativas a locação ou administração de imóveis, atividade esta que, conforme artigo 9° da Lei 9317/1996, impede a opção pelo SIMPLES. c) É evidente que a atividade da Recorrente não se volta à locação de imóveis. Não é esse, a toda prova, o objeto do seu negócio. Findo o evento que, por suas características, dura poucas horas, o contratante (dono da festa) desocupa o imóvel. E se, porventura, recusar se o contratante (dono da festa) desocupar o espaço que lhe foi cedido para realizar o evento, hão haverá a Recorrente, por óbvio; de se prevalecer de ação de Fl. 75DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10920.001085/200457 Acórdão n.º 180301.379 S1TE03 Fl. 2 3 despejo, mesmo porque, vale a pena repetir, entre eles não foi ajustada uma relação de locação. d) A jurisprudência administrativa vein pacificando o entendimento que autoriza a permanência no SIMPLES daqueles que, como a Recorrente, se dedicam à realização de festas. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A recorrente foi excluída do Simples a partir de 1° de janeiro de 2002, por exercer atividade econômica vedada, nos termos do inciso XIII, do art. 9°, da Lei n° 9.317/1996: “Art. 9o Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida;” A decisão recorrida não merece prosperar. Primeiramente porque utiliza fundamento legal não mencionado no ato declaratório. Ao citar o inciso XII, do art. 9° da Lei n° 9.317/1996, a decisão recorrida comete dois equívocos: a alteração do fundamento legal do ato declaratório, e a interpretação errônea da atividade da recorrente. Restou comprovado nos autos, que a atividade econômica exercida é a organização de festas infantis, que envolve a decoração do local, os serviços de buffet e a cessão do espaço para a realização do evento. A cessão do espaço para a realização do evento não é locação de imóvel, como muito bem demonstrado no recurso. A própria administração tributária somente impõe a vedação quando o exercício dessa atividade inclui a contratação de atores, cantores, dançarinos ou assemelhados. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 Não há nos autos nenhum elemento que demonstre a contratação de atores, cantores, dançarinos ou assemelhados. Ante todo o exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 77DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10821.000463/2010-41
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2009 CONTROLE FISCAL CONTÁBIL DE TRANSIÇÃO - FCONT. MULTA POR ATRASO A Contribuinte que não realizou lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, estava desobrigada da elaboração e apresentação do FCONT relativo ao ano-calendário de 2009, por força do § 4º do art. 8º da IN RFB nº 949/2009. Estando desobrigada do FCONT, é incabível a multa pelo atraso em sua entrega.
Numero da decisão: 1802-001.292
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2009 CONTROLE FISCAL CONTÁBIL DE TRANSIÇÃO - FCONT. MULTA POR ATRASO A Contribuinte que não realizou lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, estava desobrigada da elaboração e apresentação do FCONT relativo ao ano-calendário de 2009, por força do § 4º do art. 8º da IN RFB nº 949/2009. Estando desobrigada do FCONT, é incabível a multa pelo atraso em sua entrega.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 CONTROLE FISCAL CONTÁBIL DE TRANSIÇÃO FCONT. MULTA POR ATRASO A Contribuinte que não realizou lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, estava desobrigada da elaboração e apresentação do FCONT relativo ao anocalendário de 2009, por força do § 4º do art. 8º da IN RFB nº 949/2009. Estando desobrigada do FCONT, é incabível a multa pelo atraso em sua entrega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10821.000463/201041 Acórdão n.º 180201.292 S1TE02 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que considerou procedente o lançamento relativo à multa pelo atraso na entrega do Controle Fiscal Contábil de Transição FCONT do ano calendário de 2009, no valor de R$ 35.000,00. Ao tomar ciência da autuação, a Contribuinte apresentou impugnação, alegando, conforme descrito na decisão recorrida, Acórdão nº 05035.900 (fls. 37/38), que o FCONT havia sido entregue indevidamente, uma vez que a legislação não a obrigava a tal. Como mencionado, a DRJ Campinas/SP considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO. MULTA POR ATRASO. Mantémse o lançamento de multa, motivada em descumprimento de obrigação acessória, quando o contribuinte não logra provar , estar desobrigado de tal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento esclareceu que a dispensa da elaboração do FCONT Controle Fiscal Contábil de Transição decorria do disposto no art. 8°, § 4º, da Instrução Normativa RFB nº 949/2009, vigente à data dos fatos, abrangendo os casos em que a Contribuinte não realizava lançamento contábil com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária. Na seqüência desta observação, a decisão recorrida apresentou os seguintes fundamentos para a manutenção da multa: Ora, o Contribuinte veio de apresentar (em atraso) a FCONT Controle Fiscal Contábil de Transição. Logo, há de se supor (ou haveria de se supor), visto o teor do § 4º do art. 8° da Instrução Normativa 949/2009, antes de alterada pela Instrução Normativa 1.139/2011, teria em sua escrituração contábil o “registro [de] lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação”. Em sua impugnação, ao negar a obrigatoriedade de entrega da mencionada FCONTControle Fiscal Contábil de Transição, assume a condição inversa, isto é, que em sua escrituração contábil não contempla “registro [de] lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação”. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10821.000463/201041 Acórdão n.º 180201.292 S1TE02 Fl. 3 3 0 que se tem ai é uma situação que põe em dúvida o acerto do tanto que declarado o Contribuinte, ora afirmando, ora negando uma configuração de sua escrita contábil. A solução de tal dilema, obviamente e pelo que se vê, não pode mais ser solucionada com base em possível fé do que atesta e diz o Interessado. Há, a partir de então, a necessidade de mais elementos que desconfigurem o status anterior sobre a necessidade de apresentação da FCONTControle Fiscal Contábil de Transição. Vejase bem, com esta primeira declaração criou para si o Contribuinte o encargo de provar o contrário. D'outro tanto, não é verdade que a adoção da Escrituração Contábil Digital (ECD), nos termos da Instrução Normativa RFB nº 787/2007, dispense o Contribuinte da apresentação da FCONTControle Fiscal Contábil de Transição. De fato, o que se põe nos §§ 2° e 3º do art. 1° da Instrução Normativa RFB n° 967/2009 é que por meio da ECD pode o Contribuinte gerar a FCONTControle Fiscal Contábil de Transição, e não que estivesse ele dispensado d'um tal obrigação assess6ria. (...) Isto posto, VOTO por julgar improcedente a impugnação e manter integralmente o crédito lançado. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 07/02/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/03/2012, com os argumentos abaixo descritos. PRELIMINAR o r. acórdão de fls. 38 traz a seguinte ementa: “Acordam os membros da 1ª turma de julgamento, por unanimidade de votos, julgar a impugnação procedente, cancelando o crédito tributário exigido. Encaminhese para a DRF de origem para ciência do (a) Contribuinte do teor do presente Acórdão e demais providências cabíveis, mormente no que importa ao direito de recurso voluntária junto ao CARF”. não obstante o acordam no referido julgamento, o técnico da Inspetoria da Receita Federal de São Sebastião enviou um DARF exigindo a multa por atraso na entrega do FCONT referente ao anocalendário de 2009; é de considerar que o referido acórdão julgou procedente a impugnação, devendo ser cancelado o lançamento da multa por atraso da entrega do FCONT, nos termos da fundamentação esposada na impugnação; Fl. 59DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10821.000463/201041 Acórdão n.º 180201.292 S1TE02 Fl. 4 4 a Recorrente não se enquadra no art. 7º da IN/RFB 949/2009, portanto não estava obrigada a entregar o FCONT; a Recorrente, no que pese ser optante pelo lucro real, não optou pelo RTT regime tributário de transição, como faz prova a DIPJ de 2009; o FCONT foi instituído para fins de registros auxiliares destinados obrigatória e exclusivamente às pessoas jurídicas sujeitas cumulativamente ao lucro real e ao RTT; no presente caso, a Recorrente não optou pelo RTT Regime tributário de Transição. Portanto, a recorrente estava na época da entrega (04.08.2010) desobrigada da entrega do FCONT; DOS FATOS a Recorrente é sociedade limitada, com regime jurídico de apuração de Imposto de Renda pelo Lucro Real. Neste sentido, apresentou a DIPJ 2009/2010, já anexada à impugnação, e SPED/ECD devidamente entregue em 05/07/2010, também anexada à impugnação, demonstrando o prejuízo do exercício de 2009 em R$ 689.183,56; ficou devidamente comprovado por meio da entrega daquelas obrigações acessórias (DIPJ e SPED/ECD) que a Recorrente não utilizou nenhum método e critério diferente para a apuração do resultado em 2009, que obrigasse a entrega do FCONT. A sua entrega foi um excesso de zelo do Contabilista responsável; a legislação vigente à época dispensava a entrega do FCONT, caso não existissem lançamentos com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseados nos critérios vigentes em 31.12.2007; FUNDAMENTOS JURÍDICOS QUE DESOBRIGAM A RECORRENTE DE APRESENTAR O FCONT a IN/RFB 949/2009, no art. 7º, instituiu o Controle Fiscal Contábil De Transição FCONT, obrigando a sua entrega quando a empresa utilizava métodos e critérios para apurar o resultado fiscal e previdenciários diferentes dos utilizados para apurar os resultados societários; na DIPJ/2010 “Ficha 6A Demonstração do Resultado” e “Ficha 7A Demonstração do Resultado Critérios em 31/12/2007” (anexas) estão demonstrados o prejuízo do exercício de 2009, no valor de R$ 689.183,56; no presente caso a Recorrente utilizou os mesmos métodos e critérios para apurar o resultado fiscal/previdenciário e societário, portanto, a declaração de escrituração contábil digital SPED/ECD é igual ao FCONT, o que a dispensava da entrega do FCONT: “No caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes até 31.12.2007, nos termos do art. 2º, fica dispensada a elaboração do FCONT.” (g.n.). Fl. 60DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10821.000463/201041 Acórdão n.º 180201.292 S1TE02 Fl. 5 5 sendo assim, o parágrafo 4º do art. 8º da IN/RFB 949/2009 dispensava a sua entrega, e tal dispensa foi ratificada no art. 5º da IN/RFB 967/2009: “Art. 5°. A apresentação de dados, a que se refere o art. 1º, não será exigida da Pessoa Jurídica dispensada, nos termos do §4° do art. 8º da Instrução Normativa RFB 949, de 16 de junho de 2009, da elaboração do FCONT por inexistência de lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles aplicáveis para fins tributários.” e mais, a Recorrente adotou a Escrituração Contábil Digital ECD e a entregou no dia 05.07.2010 via internet. Portanto, mais uma vez, a IN/RFB 967/2009, em seu artigo 2º, desobrigou a recorrente de entregar o FCONT, senão vejamos: “Art. 2º. No caso da pessoa jurídica que tenha adotado a Escrituração Contábil Digital (ECD), nos termos da Instrução Normativa RFB n° 787, de 19 de novembro de 2007, a escrituração contábil para fins societários, referida no §2°, será a própria ECD.” o FCONT tem a finalidade de demonstrar que foi apurado resultado societário diferente do expresso na legislação tributária, enquanto a ECD tem a finalidade de apurar resultado fiscal e previdenciário, mas o artigo 2º da IN/RFB 967/2009 diz que, caso a pessoa jurídico tenha adotado a ECD, será ela também (ECD) a escrituração contábil para fins societários, desde que os resultados apurados não sejam diferentes do expresso na legislação tributária; desta feita, mais uma vez, a Recorrente está desobrigada da entrega do FCONT, porque apurou seu resultado na forma prescrita na legislação vigente, conforme pode ser visto no balanço e na ECD que estão apensados nos autos; DA DATA DA ENTREGA DO FCONT na notificação de lançamento consta como prazo final para entrega do FCONT o dia 29/01/2010, e data de entrega o dia 04/08/2010, enquanto o correto seria constar como prazo final de entrega o dia 31/07/2010, conforme o art. 2º, parágrafo § 2°, da IN/RFB 967/2009. Sendo assim, em função do erro material a notificação é nula e sem efeito; a DRJ sequer analisou o pedido de erro material constante no lançamento do crédito, pois a IN/SRF 967/2009 alterou o prazo de entrega do FCONT para o dia 31/07/2010, e na notificação do crédito tributário consta como termo final para entrega do FCONT o dia 29/01/2010, em afronta à IN/SRF 967/2009; portanto, caso não seja acolhido o recurso para cancelar integralmente o crédito lançado, em razão de a Recorrente estar dispensada da entrega porque não utilizou métodos ou critérios diferentes dos prescritos na legislação tributária vigente até 31/12/2007, requer que seja anulado o crédito lançado para refazer outro lançamento com base na IN/SRF 967/2009, fazendo constar como data final para entrega o dia 31/07/2010, incidindo a multa sobre 04 (quatro) dias, pois a declaração foi entregue no dia 04/08/2010; Fl. 61DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10821.000463/201041 Acórdão n.º 180201.292 S1TE02 Fl. 6 6 DA COMPROVAÇÃO DE NÃO TER UTILIZADO MÉTODOS E CRITÉRIOS DIFERENTES DAQUELES PRESCRITOS PELA LEI TRIBUTÁRIA, BASEADOS NOS CRITÉRIOS CONTÁBEIS VIGENTES EM 31/12/2007 a DIPJ do exercício de 2009 demonstra com clareza o método e critério de apuração do resultado societário, fiscal e tributário da Recorrente. lá está muito claro que a Recorrente não utilizou nenhum método e critério para apurar seus resultados diferentes dos prescritos na legislação tributária vigente até 31/12/2007; o seu resultado foi apurado nos termos da lei; o Balanço acompanhado da DRE faz prova suficiente para demonstrar que a Recorrente apurou seus resultados nos termos da legislação vigente, não utilizando nenhum método e critério diferente do prescrito na legislação vigente até 31/12/2007. Este é o Relatório. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10821.000463/201041 Acórdão n.º 180201.292 S1TE02 Fl. 7 7 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona lançamento para exigência de multa pelo atraso na entrega do Controle Fiscal Contábil de Transição FCONT do ano calendário de 2009, no valor de R$ 35.000,00. A preliminar suscitada pela Recorrente evidencia que houve uma evidente contradição na decisão de primeira instância. Embora todo o conteúdo do voto condutor do acórdão e a respectiva ementa fossem claramente no sentido de manter a multa aplicada, a parte dispositiva do acórdão mencionou que os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, decidiram “julgar a impugnação procedente, cancelando o crédito tributário exigido”. Contudo, não é necessário o retorno dos autos à unidade de origem para a correção do referido erro, com reabertura de prazo para a apresentação de um novo recurso voluntário. Vêse que a decisão recorrida manteve a multa. A Contribuinte, por sua vez, compreendeu claramente a situação, e recorreu da decisão de primeira instância sem qualquer obstáculo ao seu direito de defesa, pelo que o problema foi superado, e nem necessita de ser a esta altura corrigido, posto que, apesar do erro de redação da parte dispositiva, o processo seguiu o seu curso corretamente. O Decreto nº 70.235/1972 – PAF estabelece as seguintes regras sobre nulidade: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 63DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10821.000463/201041 Acórdão n.º 180201.292 S1TE02 Fl. 8 8 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifos acrescidos) Conforme já esclarecido, a irregularidade verificada na decisão recorrida não trouxe qualquer influência na solução do litígio. Deste modo, rejeito a preliminar. Quanto ao mérito, no entanto, entendo que a razão está com a Recorrente. O Controle Fiscal Contábil de Transição FCONT foi introduzido pela IN RFB nº 949/2009: Do Controle Fiscal Contábil de Transição (FCont) Art. 7º Fica instituído o Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) para fins de registros auxiliares previstos no inciso II do § 2º do art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, destinado obrigatória e exclusivamente às pessoas jurídicas sujeitas cumulativamente ao lucro real e ao RTT. Art. 8º O FCONT é uma escrituração, das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária, nos termos do art. 2º. § 1º A utilização do FCONT é necessária à realização dos ajustes previstos no inciso IV do art. 3º, não podendo ser substituído por qualquer outro controle ou memória de cálculo. § 2º Para fins de escrituração do FCONT, poderá ser utilizado critério de atribuição de custos fixos e variáveis aos produtos acabados e em elaboração mediante rateio diverso daquele utilizado para fins societários, desde que esteja integrado e coordenado com o restante da escrituração, nos termos do art. 294 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. § 3º O atendimento à condição prevista no § 2º impede a aplicação do disposto no art. 296 do Decreto nº 3.000, de 1999. 4º No caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2º, fica dispensada a elaboração do FCONT. O prazo final para a entrega do FCONT referente ao anocalendário de 2009 era o dia 30/07/2010, conforme a IN RFB 967/2009, alterada pela IN RFB 1.046/2010, e não o dia 29/01/2010 (conforme consta da notificação de lançamento para a exigência da multa fls. 09). A Contribuinte apresentou o FCONT em 04/08/2010. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10821.000463/201041 Acórdão n.º 180201.292 S1TE02 Fl. 9 9 Sua alegação é de que a entrega deste documento decorreu de um excesso de zelo do Contabilista responsável, posto que não estava obrigada a apresentálo, conforme o § 4º do art. 8º da IN RFB nº 949/2009 (acima transcrito), uma vez que sua escrituração contábil não contemplava lançamentos com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária vigente em 31/12/2007. A Contribuinte alegou também que o prazo final de entrega era o dia 30/07/2010, e não 29/01/2010, como constava da notificação de lançamento. Diante destes argumentos, a Delegacia de Julgamento consignou que a controvérsia sobre a obrigatoriedade ou não do FCONT não poderia ser solucionada simplesmente pelo que atestava e dizia o Interessado; que com a apresentação do FCONT a Contribuinte criou para si o encargo de provar o contrário, ou seja, que estava desobrigada de sua apresentação; e que seriam necessários mais elementos para desconfigurar o status anterior sobre a necessidade de apresentação do FCONT. A Delegacia de Julgamento não se manifestou sobre a questão relativa à data final para a apresentação do FCONT, o que implicaria na delimitação correta do período de atraso. Da mesma forma, tratou genericamente do problema da prova, não se manifestando especificamente sobre os documentos anexados à impugnação. Os documentos de fls. 21 a 24, intitulados “Demonstrativo do Resultado Contábil e Fcont antes do Encerramento Visão Fisco” e “Balancete Fcont com base no Plano de Contas Referencial”, ambos relatórios gerados pelo Sistema Público de Escrituração Digital SPED, evidenciam a ausência de lançamentos de ajustes (expurgos e inclusões) entre os registros para fins societários e os registros para fins tributários Além disso, as fichas “06A Demonstração do Resultado PJ em Geral” e “07A Demonstração do Resultado Critérios em 31.12.2007 PJ em Geral”, ambas constantes da DIPJ referente ao anocalendário de 2009 (fls. 13 e 14), apresentam dados idênticos, o que também comprova que a Contribuinte não realizou lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Desta forma, ela realmente estava desobrigada da elaboração e apresentação do FCONT, por força do § 4º do art. 8º da IN RFB nº 949/2009. Diante do exposto, rejeito a preliminar suscitada, mas, no mérito, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 65DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10821.000463/201041 Acórdão n.º 180201.292 S1TE02 Fl. 10 10 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11030.001826/2004-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ITR - ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis n os 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). A averbação pode se dar, conforme se verifica no caso em apreço, após a ocorrência do fato gerador.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.159
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira (Relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Maria Helena Cotta Cardozo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 ITR - ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis n os 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). A averbação pode se dar, conforme se verifica no caso em apreço, após a ocorrência do fato gerador. Recurso especial provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1775; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 357 1 356 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11030.001826/200497 Recurso nº 336.783 Especial do Contribuinte Acórdão nº 920202.159 – 2ª Turma Sessão de 26 de junho de 2012 Matéria ITR. Recorrente ANTONIO CARLOS XAVIER DE QUADROS Interessado PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN) Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). A averbação pode se dar, conforme se verifica no caso em apreço, após a ocorrência do fato gerador. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira (Relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Maria Helena Cotta Cardozo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – RedatorDesignado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 11030.001826/200497 Acórdão n.º 920202.159 CSRFT2 Fl. 358 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0306, interposto pelo sujeito passivo contra acórdão, fls. 0297, que decidiu, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 ITR — ITR — EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL EXERCÍCIO DE 2001 IMPRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de calculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL — AVERBAÇÃO ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimila da base de cálculo para apuração do ITR. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka que dava provimento parcial ao recurso em relação à área de preservação permanente. Em seu recurso especial o sujeito passivo alega, em síntese, que: 1. Está comprovada a efetiva existência da área de reserva legal (ARL) de 380 hectares e da área de preservação permanente de 35 hectares, constantes da Declaração de ITR do exercício de 2001 (DIAT de fls. 08/09), deduzidas da área tributável e consideradas isentas de tributação, através: 1.1 ADA (Ato Declaratório Ambiental) fl. 19, protocolado junto ao IBAMA em 01.10.2002; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE 4 1.2 Laudo Técnico, fls. 25/27, firmado por Engenheira Florestal (ART de fl. 50) que confirmou a existência da área de reserva legal declarada no DIAT e constante do mapa de fl. 219; 1.3 Averbação da Área de Reserva Legal de 402,5615 hectares, realizada em 03.11.2006, na Matricula do Imóvel, conforme faz prova a averbação n° 26 (fl. 275, verso) da Matricula n° 9.323 (fls. 273/275), do Cartório Registro de Imóveis da Comarca de Carazinho — RS, relativa ao imóvel objeto do presente recurso; 1.4 Relatório de vistoria do IBAMA (fls. 287/295) que comprovou a existência da área de reserva legal e preservação permanente declaradas, de 30.07.2009. 2. Para realizar a glosa da área de reserva legal a fiscalização do ITR argumentou exclusivamente que o ADA não foi protocolado no prazo de 6 meses a contar da entrega da declaração de ITR de 2.001 e que a área de reserva legal declarada como isenta e excluída da tributação não havia sido averbada na matricula do imóvel, conforme preceitua a Lei n° 4.771/65; 3. Quanto à área de reserva legal a decisão divergiu das decisões constantes nos acórdãos CSRF/0305.017 e CSRF/0305.503; 4. Quanto à área de preservação permanente a decisão divergiu das decisões constantes nos acórdãos 303 35725 e 30334034; 5. As decisões paradigmas reconheceram que a isenção do ITR independe da averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis e também independe da informação das áreas de reserva legal e de utilização limitada em ADA quando o contribuinte comprovar a existência dessas Áreas por meio de laudo técnico e outras provas, inclusive averbação no Registro Imobiliário posterior a data da ocorrência do fato gerador; 6. A lei 4.771/65 não tem qualquer aplicação no âmbito tributário, inexiste previsão legal de exigência de averbação na matricula do imóvel da área de reserva legal para fins de exclusão da área tributável e conseqüente isenção da área de reserva legal de 380 hectares do imóvel do contribuinte; 7. Equivocado o entendimento da recorrida decisão de que a área de reserva legal, para fins de isenção, deveria ter sido averbada na matricula do imóvel até a data de ocorrência do fato gerador, em razão de que o Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 11030.001826/200497 Acórdão n.º 920202.159 CSRFT2 Fl. 359 5 lançamento reportase a data dó fato gerador do ITR (art. 144, do CTN, combinado com o art. 1°, da Lei 9.393/96) porque inexiste previsão legal dessa exigência, sendo que o § 7°, do artigo 10, da Lei 9.393/96, determina literalmente a não obrigatoriedade da prévia comprovação da declaração por parte do contribuinte; 8. Face ao exposto, solicita, em síntese, a admissão e o provimento de seu recurso. Por despacho, fls. 0334, deuse seguimento parcial ao recurso especial, somente para a área de reserva legal, pois os paradigmas divergem da necessidade de averbação antes da ocorrência do fato gerador, como decidiu o acórdão recorrido. A Presidência do CARF analisou o despacho sobre o seguimento parcial do recurso e manteve seu entendimento, fls. 0336. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contra razões, fls. 0339, argumentando, em síntese, que: 1. Os paradigmas apresentados pelo contribuinte não servem mais para a comprovação da divergência, pois a CSRF já se posicionou – posteriormente à data de julgamento dos paradigmas sobre a necessidade de averbação da área de reserva legal à margem do registro do imóvel à época do fato gerador como condição para o gozo de isenção; 2. A matéria já está superada na CSRF, portanto não servirá de paradigma; 3. Portanto, o recurso não deve ser admitido; 4. A Lei 9.393/1.996, ao se reportar a Lei 7.803/1989, condicionou a não tributação das áreas de reserva legal ao cumprimento da exigência de averbação à margem da matricula do imóvel; 5. O art. 16, da Lei 4.771/65, dispõe, dentre outros aspectos, sobre a obrigatoriedade da averbação para que as áreas de reserva legal sejam definitivamente delimitadas e protegidas; 6. Sobre a tempestividade da averbação, deve ser levado em consideração que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme prescrito no art. 144 do CTN, enquanto a Lei 9.393/1996 estabelece como marco temporal do fato gerador do ITR o dia 1º de janeiro de cada ano; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE 6 7. Ressaltese que o contribuinte também não apresentou o ADA, necessário e obrigatório para o usufruto do benefício fiscal; 8. Diante do exposto, a PGFN requer que seja inadmitido o recurso especial e, caso, seja superada a preliminar, no mérito, rogase que seja negado provimento ao recurso. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Quanto à admissibilidade, a PGFN alega, em síntese, que o recurso não deve ser admitido, pois a matéria em litígio (averbação tempestiva) já se encontra definida e superada pela CSRF, que decidiu sobre a necessidade de averbação da área de reserva legal na data da ocorrência do fato gerador, para fins de usufruto do benefício fiscal. O Regimento Interno do CARF contém regra a esse respeito: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. Ocorre que a tese (necessidade de averbação da área de reserva legal à época do fato gerador) não foi superada pela CSRF, pois há recentes decisões que vão ao encontro da tese defendida pelo sujeito passivo, não havendo que se falar em superação, como demonstra a decisão abaixo: Órgão Julgador: 2ª TURMA/CSRF/CARF/MF/DF/Câmara Superior de Recursos Fiscais Data da Sessão: 10/05/2012 Contribuinte: MARIA JOSE RIBEIRO Relator(a): ELIAS SAMPAIO FREIRE Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, Fl. 6DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 11030.001826/200497 Acórdão n.º 920202.159 CSRFT2 Fl. 360 7 fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira. Conseqüentemente, presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. No acórdão recorrido o fundamento para a tributação da suposta área de reserva legal foi a não identificação, tempestiva, de tal área no registro imobiliário, fls. 0300. Sobre essa determinação, há regra presente na legislação. Lei 4.771/1965: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: ... § 2º A reserva legal, assim entendida a área de , no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. O contribuinte procedeu a averbação somente em 03/11/2006, fls. 0275, ou seja, após o fato gerador (2001) e a fiscalização (2004). A averbação foi efetuada dias antes da apresentação do recurso voluntário (09/11/2006). Em nosso entender, a averbação junto ao registro de imóveis competente é essencial para a sua constituição como tal, o que implica a inclusão na base de cálculo do ITR da área ainda não averbada quando da ocorrência do fato gerador do tributo. Chegamos à essa conclusão pela determinação contida na legislação acima (Art 16), assim como por decisão do Supremo Tribunal Federal (Mandado de Segurança nº 22.688/PB), que decidiu que a área só pode ser considerada como de reserva legal com sua averbação. EMENTA: Mandado de segurança. Desapropriação de imóvel rural para fins de reforma agrária. Preliminar de perda de objeto da segurança que se rejeita Fl. 7DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE 8 No mérito, não fizerem os impetrantes prova da averbação da área de reserva legal anteriormente à vistoria do imóvel, cujo laudo (fls. 71) é de 09.05.96, ao passo que a averbação existente nos autos data de 26.11.96 (fls. 73 verso), posterior inclusive ao Decreto em causa, que é de 06.09.96. Mandado de segurança indeferido. Cabe ressaltar voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence, no julgado acima, em que há a decisão de que sem a averbação determinada pelo art. 16 da lei nº 4.771/1965 não existe reserva legal. A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (...) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2º do art. 16 da lei nº 4.771/1965 não existe reserva legal. CONCLUSÃO: Devido ao exposto, voto em negar provimento ao recurso do contribuinte, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 8DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 11030.001826/200497 Acórdão n.º 920202.159 CSRFT2 Fl. 361 9 Voto Vencedor Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Designado Não obstante a respeitável posição defendida pelo Conselheiro Marcelo Oliveira (Relator) e seguida pelos Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Maria Helena Cotta Cardozo, tenho adotado entendimento diverso para situações como esta. A questão que chega à apreciação deste Colegiado está relacionada à exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal, averbada à margem da matrícula do imóvel após o fato gerador do tributo. No caso, o fato gerador ocorreu em 01/01/2001 e a averbação de 402,5615 ha se deu em 03/11/2006 (fls. 275). É preciso destacar, desde já, que a área de reserva legal foi reduzida de 380,0 ha para 0,0 ha (fls. 06). Pois bem, o artigo 10 da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal, atualmente com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Fl. 9DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE 10 Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1°. O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3°. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 11030.001826/200497 Acórdão n.º 920202.159 CSRFT2 Fl. 362 11 § 5°. O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8°. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o Fl. 11DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE 12 percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Este julgador, inclusive, chegou a votar no sentido de que, comprovada a existência da área de reserva legal de alguma forma, inexistia o dever de averbála à margem da matrícula do imóvel. Contudo, após profundos debates, principalmente no âmbito da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção, da qual faço parte, alterei meu posicionamento para entender que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Atualmente, a infringência a tal mandamento, inclusive, dá ensejo à aplicação de multas pecuniárias, conforme determina o artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008, na redação dada pelo Decreto n° 7.719/2012. O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental. E, no caso, penso que a decisão de segunda instância não pode ser confirmada, pois o contribuinte atendeu a todas as exigências legais, na medida em que, embora após a ocorrência do fato gerador, que se deu em 01/01/2001, promoveu a averbação da área de utilização limitada de 402,5615 ha, em 03/11/2006, inclusive em extensão maior do que a área declarada, que foi de 380,0 ha. Sob minha ótica, a averbação da área de utilização limitada pode se dar em momento posterior à ocorrência do fato gerador. Conforme asseverou o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no julgamento do recurso voluntário n° 342.455, “...havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou termos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, não me parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR.” Fl. 12DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 11030.001826/200497 Acórdão n.º 920202.159 CSRFT2 Fl. 363 13 Nesse sentido, ainda, trago à colação a ementa do seguinte julgado proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ITR. ISENÇÃO. LEI Nº 9.393/96. AVERBAÇÃO PRÉVIA DA RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. 1. "A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965." (REsp nº 1.060.886/PR, Relator Ministro Luiz Fux, in DJe 18/12/2009). 2. Agravo regimental improvido. (STJ, Primeira Turma, AgRg no REsp n° 1.157.239/DF, Relator Ministro Hamilton Carvalhido, DJE de 04/06/2010) Considerando a averbação da área de reserva legal, ainda que em momento posterior à ocorrência do fato gerador, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, para que seja excluída da base de cálculo do ITR a área de reserva legal averbada, limitada aos 380,0 ha informados na DITR e glosados pela fiscalização. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 13DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE
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Numero do processo: 10980.016660/2008-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE.INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS. O mero fato de existirem nos autos cópias de folhas de processo penal contendo resumos de conversações telefônicas interceptadas com autorização judicial não enseja a nulidade do lançamento, se este não estiver fundamentado em tais provas. DEPÓSITO EM CONTA BANCÁRIA ABERTA NO EXTERIOR EM NOME DE OFF SHORE A instituição financeira nacional que realiza-em suas dependências e com sua estrutura operacional – operações financeiras clandestinas mediante conta aberta por seus diretores em banco no exterior em nome de empresa off shore, responde pelo movimento dessa conta, devendo comprovar a origem dos recursos nela depositados, sob pena de caracterizarem receitas omitidas por força de presunção legal expressa. APREENSÃO DE TÍTULOS DE CRÉDITO E DINHEIRO EM ESPÉCIE.OMISSÃO DE RECEITAS.NÃO CARACTERIZAÇÃO. A mera apreensão de títulos de crédito e dinheiro em espécie não caracteriza omissão de receitas.
Numero da decisão: 1301-000.985
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE.INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS. O mero fato de existirem nos autos cópias de folhas de processo penal contendo resumos de conversações telefônicas interceptadas com autorização judicial não enseja a nulidade do lançamento, se este não estiver fundamentado em tais provas. DEPÓSITO EM CONTA BANCÁRIA ABERTA NO EXTERIOR EM NOME DE OFF SHORE A instituição financeira nacional que realizaem suas dependências e com sua estrutura operacional – operações financeiras clandestinas mediante conta aberta por seus diretores em banco no exterior em nome de empresa off shore, responde pelo movimento dessa conta, devendo comprovar a origem dos recursos nela depositados, sob pena de caracterizarem receitas omitidas por força de presunção legal expressa. APREENSÃO DE TÍTULOS DE CRÉDITO E DINHEIRO EM ESPÉCIE.OMISSÃO DE RECEITAS.NÃO CARACTERIZAÇÃO. A mera apreensão de títulos de crédito e dinheiro em espécie não caracteriza omissão de receitas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Fl. 2434DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ em Curitiba/PR. Versa o processo administrativo em análise, acerca de autos infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 1571 1583), à Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 1.584 1.595), à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (fls. 1.596 1.607), e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 1.608 1.618). Os referidos autos de infração decorreram das constatações inseridas no âmbito do Termo de Verificação e Encerramento (fls. 1.619 1.644), no qual se detalhou os fatos e circunstâncias relevantes, bem como os fundamentos pelos quais a Fiscalização se convenceu da prática do cometimento de infrações fiscais. Verificase que a ação fiscal em comento foi deflagrada pelo recebimento de Ofício (fls. 15 06), pelo qual o Poder Judiciário comunicava a existência de indícios da prática de ilícitos fiscais, o compartilhamento das provas colhidas nos autos criminais e encaminhava diversos documentos, incluindo cópia do recebimento da Denúncia e de depoimentos colhidos na fase inquisitorial. A Fiscalização solicitou e obteve vistas e cópias dos autos da Ação Penal, e após diversas intimações para a prestação de esclarecimentos, e os correspondentes pronunciamentos por parte da fiscalizada, o Fisco se convenceu da prática das infrações assim descritas no campo próprio do auto de infração: I – OMISSÃO DE RECEITAS — RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS: 2 – OMISSÃO DE RECEITAS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS: 3 – OMISSAÃO DE RECEITAS PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE; Fl. 2435DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.016660/200835 Acórdão n.º 1301000.985 S1C3T1 Fl. 2 3 4 – ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – REALIZAÇÃO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO NÃO ADICIONADAS AO LUCRO LÍQUIDO: 5 – ADIÇOES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – LICRO INFLACIONÁRIO REALIZADO – REALIZAÇÃO MÍNIMA. Devidamente cientificada do lançamento (fl. 1.578), a recorrente apresentou Impugnação (fls. 1.662 1.695), alegando em síntese a nulidade do auto de infração pela utilização de provas ilícitas, consistentes em interceptações telefônicas, aduzindo para tanto que a fiscalização teve acesso a reproduções de trechos de interceptações telefônicas o que jamais foi autorizado pelo Poder Judiciário, e que tal fato tornaria nulas as provas e todo o procedimento, porquanto as conclusões da fiscalização estariam todas construídas a partir desses elementos de prova ilícita. Sustentou ainda a ausência de provas dos atos afirmados pela fiscalização — autuação com base em indícios e presunções — ofensas à estrita legalidade e defendeu que o lançamento se baseia, quando muito, em indícios e provas indiretas, acrescentando que não foram realizadas diligências perante os emitentes das notas promissórias ou dos cheques apreendidos tendentes a averiguar o motivo pelo qual os documentos se encontravam em sua posse. Apontou o que seriam “contradições no Termo de Verificação Fiscal”, e afirmou que a conclusão de que as contas TORAN seriam de sua titularidade e que o sr. Nabi agiria sob o manto da pessoa jurídica, careceria de qualquer embasamento probatório, porquanto a fiscalização baseouse unicamente em dois documentos, o laudo da perícia técnica da Policia Federal de folhas 138 a 148 e o documento chamado 'Contact 0563' de folha 830. Seguiu arrazoando a ausência de provas de que seja responsável pelas aludidas contas adicionando que as provas estão a indicar que os valores nela depositados pertenciam a terceiros e que ainda que restasse provada sua responsabilidade sobre as contas, a jurisprudência tanto judicial quanto administrativa — seria pacífica no sentido de ser ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários, a teor da Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Afirmou ainda, no tocante à glosa de Omissão de Receitas — Apreensão de cheques, Notas Promissórias e Dinheiro em Espécie (TIFs OS a 12)— Item 5.2 do TVF, que a fiscalização concluiu ter havido omissão de receitas pela pessoa jurídica, em razão da apreensão de cheques, notas promissórias e dinheiro em espécie em seu estabelecimento, qualificando como contraditória tal conclusão, argumentando que, ao mesmo tempo em que se afirma que a recorrente teria realizado operações de empréstimo de dinheiro e remessa de dinheiro de clientes ao exterior, concluiu que os valores integrais das notas promissórias, cheques e dinheiro em espécie encontrados em sua sede seriam receitas próprias. Afirmou ser evidente a nulidade do auto de infração, seja pelo equívoco na eleição do sujeito passivo, seja por não terem sido realizadas diligências junto aos emitentes dos cheques e notas promissórias para averiguar sua origem, e também se os valores respectivos realmente representavam receita, adicionando que tal apreensão representa mero indício, insuficiente para ensejar sua autuação. Fl. 2436DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 4 Quanto aos cheques apreendidos, afirmou que estes não representavam recebíveis seus, mas que a fiscalização entendeu o contrário, chegando a concluir que um cheque de dez mil euros, sem assinatura do emitente, representaria receita sua, enfatizando que caberia à fiscalização diligenciar junto aos emitentes dos cheques para certificarse a que título lhe foram entregues, o que não ocorreu, tornando inafastável a conclusão de que a autuação se assenta em meros indícios. Afirmou, no mais, que os cheques foram entregues em confiança ao Sr. Nabi Mellen pelos respectivos credores e serviam como forma de garantia dada pelos emitentes a terceiros, em negociações muitas vezes intermediadas pelo Sr. Nabi, como sinal de que os cheques não representavam recebíveis, aduzindo que não haviam sido depositados, apesar de muitos apresentarem datas de emissão bastante antigas e que muitos dos cheques considerados como receitas omitidas já estavam prescritos. Quanto às Notas Promissórias apreendidas, reitera a alegação de que o Fisco deveria diligenciar em face dos emitentes das notas promissórias. Argumentou que a nota promissória representa mera promessa de pagamento e que sua posse não induz à conclusão de que seu titular tenha disponibilidade econômica ou jurídica sobre os valores nela representados. Aduziu que foi considerada omissão de receita nota promissória que sequer foi assinada pelo suposto devedor. Na sequência, teceu considerações individualizadas a diversas notas promissórias, concluindo que nenhuma delas foi sacada em seu favor e que muitas foram sacadas há mais de cinco anos da data da lavratura do auto de infração, o que implicaria a decadência do direito do respectivo lançamento bem como se teria relacionado notas promissórias em duplicidade e algumas que sequer foram assinadas pelos emitentes, ou que não apresentam o nome do devedor ou do credor, ou a data do vencimento não havendo prova do pagamento das notas promissórias, a evidenciar que a recorrente ou seus sócios tiveram disponibilidade econômica ou jurídica dos valores nelas estampados. Quanto ao dinheiro apreendido, afirmou que o fato de ter sido apreendido dinheiro em sua sede e nas residências de familiares de seus sócios não representa prova de omissão de receita, enfatizando que valores encontrados em outros locais que não sua sede não podem levar à conclusão de que se trata de receita omitida da pessoa jurídica, reconhecendo que os valores pertencentes aos familiares e o saldo que estava contabilizado não foram considerados receita omitida, mas reclama que valores comprovadamente pertencentes a Luiz Fernando Araújo Costa o foram, argumentando também que as importâncias de R$ 554.125,00 e R$ 493.416,24 se referem a cheques, mas foram consideradas, equivocadamente, como dinheiro apreendido. Em relação à considerada omissão de receita decorrente de “Pagamento não contabilizado”, sustentou a recorrente, reportandose ao documento que constou do item E do TVF 008, que se trata de possível cópia de email apócrifo no qual, embora se faça referência a um Sr. Nabi, a dita operação não teria envolvido a impugnante nem seu representante legal. Tratando da glosa atinente à “capitalização da reserva de reavaliação”, a recorrente contestou o entendimento da fiscalização e discorreu sobre alterações sofridas pela legislação de regência, que implicariam diferimento da tributação. Por fim, quanto à “realização mínima do lucro inflacionário”, sustentou que o auto de infração aponta como base legal apenas o RIR, que seria um decreto, e não lei em sentido estrito. Também suscita a decadência, afirmando que o art. 8º da Lei nº 9.065/95 prevê a realização mensal do lucro inflacionário, afirmando que o lucro inflacionário não se subsume ao conceito de renda, descrito no art. 43 do CTN. Fl. 2437DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.016660/200835 Acórdão n.º 1301000.985 S1C3T1 Fl. 3 5 A 1ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, nos termos do acórdão e voto de folhas 1.762 a 1.781, julgou o lançamento parcialmente procedente, assentando para tanto, no tocante às alegadas nulidades, que o mero fato de existirem nos autos cópias de folhas de processo penal contendo resumos de conversações telefônicas interceptadas com autorização judicial não enseja a nulidade do lançamento, se este não estiver fundamentado em tais provas, como se deu no caso concreto. Em suma, a DRJ em Curitiba/PR, manteve em parte o auto de infração, afastando os casos pontuais de duplicidade, falta de assinatura dos títulos e demais questões formais que se verificou. Ciente da decisão parcialmente desfavorável (fl. 1.792), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1.793 – 1.820), insistindo na nulidade da autuação, porquanto lastreada em provas ilícitas, já que a Fiscalização teve acesso às interceptações telefônicas, reputando que a autuação careceria de motivação. Reiterou que não haveria provas de que a recorrente seria responsável pelas indicadas contas mantidas no exterior e que os depoimentos dos sócios e responsáveis seriam igualmente imprestáveis para tais conclusões, eis que derivados das provas obtidas de maneira nula. Insistiu que o laudo técnico emitido pela Polícia Federal (fls. 138 – 148), não seria conclusivo para embasar a autuação, afirmando ainda, haver claro erro na identificação do sujeito passivo, pois não se teria demonstrado que os valores glosados pertenciam à Dourada, de sorte que não havendo prova da titularidade dos recursos, não seria aplicável a presunção constante no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Quanto aos cheques, duplicatas e dinheiro em espécie apreendidos, reiterou os argumentos já relatados, inclusive fazendo detida refutação de modo individualizado para cada título glosado. Por fim, requereu a reforma da decisão recorrida e a improcedência dos lançamentos. É o relatório. Voto Fl. 2438DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 6 Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Tal como descrito no relatório acima minudenciado, a recorrente foi autuada no âmbito de ação fiscal deflagrada por ordem do Poder Judiciário Federal, que no curso de ação penal envolvendo as coincidentes condutas da empresa recorrente e de seus sócios/administradores, determinou que se apurassem eventuais descumprimentos da legislação tributária. Em vista os argumentos esboçados pela recorrente, apresentase conveniente, de início, verificar a regularidade formal do feito em análise, porquanto reputa a contribuinte que este se acha acoimado por vício de nulidade, já que a Fiscalização teve acesso a interceptações telefônicas colhidas no curso de ação criminal, situação que geraria a imprestabilidade do auto de infração. Neste tópico específico, entendo que a decisão recorrida não está a merecer qualquer censura. Com efeito, bem delineouse no aresto impugnado que as conclusões da Fiscalização não se lastrearam nas interceptações telefônicas e, seguramente, as imputações feitas, consistentes em omissão de receitas e adições não computadas, não poderiam ser suportadas por conversas interceptadas, porquanto faleceria, fosse este o sustentáculo da autuação, materialidade tributável. Ao contrário do que sustenta a recorrente, a fiscalização procedeu com rigor nas aferições encontrando o que entendeuse como suporte para autuação sem valerse de qualquer gravação telefônica obtida no processo criminal. Tem razão a decisão recorrida, portanto, ao afirmar que não tendo a fiscalização baseado suas conclusões nas interceptações que não lhes foram franqueadas, o mero equívoco de sua juntada neste procedimento administrativo não o inquina de nulidade. Por não embasar qualquer das conclusões da fiscalização ou da decisão recorrida, entendo que no caso concreto, malgrado a juntada indevida de trechos de interceptações telefônicas neste feito, não há falar em nulidade em qualquer dos tópicos da autuação. No tocante às contas mantidas no exterior, cujo controle e titularidade foram imputados à recorrente, argumentase ausência de prova de que o Sr. Nabi era responsável pela Conta TORAN e PART, e ainda mais ausente seria a verificação de que a DOURADA era responsável por tais contas. Em prejuízo do que sustenta a recorrente, contudo, anoto que o conjunto probatório, que como visto alhures não considero comprometido pela vinda aos autos das mencionadas escutas telefônicas, deve ser analisado como um todo, ou seja, devem ser cotejados todos os aspectos que levaram a fiscalização a concluir que a titularidade (real) e a movimentação das indigitadas contas, pertenceram à recorrente. Assento que este esforço investigativo de cotejarse o panorama de evidências, foi satisfatoriamente realizado pela decisão objetada, diria mais, foi exaustivamente analisado, relembrese por oportuno, que a decisão recorrida menciona que no dia 25 de novembro de 2005, o Sr. Nabi Kemmel Mellem, prestou um primeiro depoimento à Policia Federal (fls. 103 – 105), e Interrogatório Complementar (fls. 106 – 113), admitindo ser o Fl. 2439DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.016660/200835 Acórdão n.º 1301000.985 S1C3T1 Fl. 4 7 responsável pela conta denominada TORAN INVESTIMENT CORP, mantida na agência do Banco Credit Lyonnais de Genebra, na Suíça, cujos autorizados a movimentar eram Rafael (seu filho Rafael Augusto Formighieri Mellem) e Sleiman (Sleiman de Castro Fayad, funcionário da impugnante), descrevendo detidamente a maneira como se operava sua movimentação. Com maior razão, situação que também não foi ignorada pela decisão recorrida, foi informado que menos de uma semana antes do depoimento citado acima, liquidouse a conta TORAN, transferindo o saldo, em torno de US$ 100.000,00, para um cliente, identificado como Felipe Hauen e que no dia anterior, em depoimento (fls. 114 – 121), o outro operador da conta TORAN, Rafael Augusto Formighiere Mellem, confirmou a existência desta e a titularidade da ora recorrente, fornecendo detalhes variados sobre como se operava a sua movimentação, sendo que em depoimento que prestou no dia 30/11/2005, a Sra. Irene Genoveva Maier (fls. 122132), então empregada da recorrente, declarou (fls. 126127): "que sabe que a Dourada teve uma conta no exterior que se chamava Toran, mas esta foi recentemente fechada: que não sabe dizer em qual banco esta conta foi aberta: que sabe que a conta Toran era da Dourada porque ouvia falar e também porque Juliana e outros clientes falavam que fizeram transferências para essa conta em pagamento aos reais que recebiam aqui no Brasil”. Sem ignorar o esforço e zelo contido no Recurso Voluntário ora enfrentado, não há como considerar que o conjunto probatório reunido pela fiscalização e encaminhado pela Justiça Federal não indique de forma clara e induvidosa que a recorrente manteve as citadas contas no exterior, utilizandoas para movimentação financeira à margem da legislação de regência. Também não há como não referendarse e subscrever os fundamentos da decisão recorrida que militam nesse mesmo mister de demonstrar a correta eleição do sujeito passivo, com efeito, naquela sede já se destacou que em depoimento prestado no dia 24/11/2005 (fls. 133 137), Sleiman de Castro Fayad, outro operador da conta Toran indicado pelo próprio Sr. Nabi, confirmou a existência da conta, referindose ao banco e à agência exatas, bem como sua recente liquidação, parecendome desarrazoado insistirse na existência da dita conta, bem como a correspondente responsabilidade da ora recorrente, mesmo em prejuízo de responsabilizarse as pessoas físicas dos sócios, pois o elementos e declarações dos autos, não deixam dúvidas que as citadas contas eram utilizadas pela recorrente em suas operações. Anotese ainda, que a recorrente muito embora insista que a fiscalização não comprovou a titularidade das contas bancárias, não refuta materialmente as constatações lançadas acima, de sorte que subsiste o fundamento da decisão recorrida segundo o qual, “em situações normais, as pessoas — físicas ou jurídicas — movimentam seus recursos sempre em contas bancárias abertas em seus próprios nomes, tanto no território nacional como no exterior, e existe inequívoca distinção entre o que pertence às pessoas jurídicas e o que pertence às pessoas físicas que as compõem, sendo que em situações excepcionais, quando prevalece a conveniência ou necessidade de manter os recursos na clandestinidade, por razões óbvias, a movimentação se faz sem observância das formalidades usuais, principalmente aquelas atinentes à titularidade formal ainda que o verdadeiro titular dos recursos adote todas as cautelas a seu alcance para proteger seu patrimônio”. Fl. 2440DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 8 Como se está diante de claro desvirtuamento daquilo que usualmente se apresenta, não prospera o mero argumento de que as contas bancárias estavam em nome de empresas off shore, (TORAN INVESTMENTES CORP fls. 185), mormente porque o próprio Sr. Nabi reconheceu que esta era mera ficção criada para acobertar sua movimentação no exterior, sendo estes suficientes motivos para concluirse que a titularidade de fato pertencia à recorrente. Por outro turno, não prospera o argumento da recorrente de que o laudo apresentado pela perícia técnica da Polícia Federal (fls. 138 – 148), conteria expressões que denotariam incerteza e inconclusão. Como já afirmado acima, a glosa foi implementada tendo em conta todo o conjunto probatório e elementos coligidos no curso da ação fiscal, não se lastreando apenas no indigitado laudo, a revelar que deve prevalecer a conclusão da decisão recorrida, segundo a qual “a instituição financeira nacional que realizava – em suas dependências e com sua estrutura operacional operações financeiras clandestinas mediante utilização de conta aberta por seus diretores em banco no exterior em nome de empresa off shore, responde pelo movimento dessa conta, devendo comprovar a origem dos recursos nela depositados, sob pena de caracterizarem receitas omitidas por força de presunção legal expressa, destacandose ainda que ficou evidente que a conta TORAN não era utilizada pela pessoa física do Sr. Nabi para a custódia de seus recursos particulares no exterior, contrários disso, todas as evidências deixariam absolutamente claro que a conta era empregada em atividade que caracteriza seu titular como instituição financeira, nos termos da literal dicção do art. 17 da Lei 4.595, de 31 de dezembro de 1964”. Superada a questão da titularidade da conta bancária em questão, inegável a aplicação da presunção legal insculpida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, ocorrendo inversão do ônus da prova, cabendo ao contribuinte, devidamente intimado a fazêlo, comprovar a origem dos valores depositados nas contas bancárias em trato, sendo certo que no caso concreto a glosa foi implementada em vista dos depósitos ocorridos na conta n° 25.5851 e na conta n° 24.0879, e com relação aos depósitos ocorridos na primeira, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 006 (N. 812), a recorrente foi intimada a comprovar, mediante documentos hábeis, a origem dos recursos respectivos e com relação aos depósitos ocorridos na segunda, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 0013 (fls. 1.263), também foi intimada a produzir a mesma comprovação, nada esclarecendo, materialmente, as circunstâncias que poderiam afastar a presunção legal, situação que se traduz na prevalência desta parte da autuação e na consequente manutenção da decisão recorrida. Na ordem dos argumentos veiculados pela recorrente, convém o enfretamento da parcela da autuação relacionada à apreensão dos cheques na sede da recorrente, em relação aos quais, entende a contribuinte ser igualmente nula a autuação, situação que pelos mesmo argumentos, afasto por completo, e em relação aos quais, falo dos cheques, a decisão recorrida julgou improcedente a autuação em relação aos títulos que não estavam assinados, excluindo da autuação a importância de R$ 35.270,10, lançada no mês de janeiro de 2005. Assenta a recorrente, na mesma ordem das ideias invocadas na impugnação, que os cheques apreendidos não se traduzem em omissão de receitas, porquanto a mera posse do título de crédito não representa a titularidade da disponibilidade econômica, cumprindo ao fisco diligenciar perante cada emitente e verificar origem dos títulos em questão. Abstraindo, neste momento, as considerações casuísticas de cada título de crédito apreendido, e sem prejuízo de considerar devidamente comprovada a titularidade da recorrente em relação às contas bancárias mantidas no exterior, entendo que a parcela da Fl. 2441DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.016660/200835 Acórdão n.º 1301000.985 S1C3T1 Fl. 5 9 autuação atinente aos títulos de crédito e dinheiro em espécie apreendidos merece ser cancelada. Muito embora se depreenda do presente processo que a recorrente atuou de forma duvidosa no desempenho de suas atividades, não se pode perder de vista que o presente processo versa autuação por omissão de receitas, estas consideradas, no tópico em análise, pela mera apreensão de títulos de crédito e dinheiro em espécie na sede da empresa recorrente. Ora, sabidamente tais apreensões não indicam, por si só, ter havido omissão de receita tributável, e em situação oposta aos depósitos bancários de origem não comprovada, analisados no item precedente, não se tem para a hipótese de apreensão de títulos de crédito e dinheiro em espécie, qualquer presunção legal que desobrigue o fisco de comprovar a materialidade tributável da receita considerada omitida. Reafirmo, portanto, que a independer da análise casuística de cada título de crédito (cheques ou duplicatas), e mesmo de sua natureza jurídica de “ordem de pagamento a vista” ou cártula representativa de conteúdo econômico, é fato que a fiscalização não demonstrou (i) que tais títulos representam receita da recorrente (ii) e que representando receita não foram oferecidos à tributação. Seguramente a obrigação tributária está adstrita à legalidade, e ausentes os elementos capazes de indicar que a recorrente auferiu aquelas receitas e que as omitiu, não se pode considerar que a mera posse, por ocasião da apreensão, de títulos cambiários induza à presunção de disponibilidade econômica ou jurídica sobre os valores neles representados, estando correta a contribuinte ao concluir que os princípios que regem o direito cambiário em nada interferem nessa conclusão. Assento em conclusão, portanto, que a despeito de a recorrente explorar as atividades de intermediação de operações de câmbio e outras expressamente autorizadas, em conjunto, pelo Banco Central do Brasil e pela Comissão de Valores Mobiliários (alínea "s” da Cláusula Terceira do Contrato Social, reproduzido fl. 1.483) e mesmo de manter, comprovadamente, atividades no mercado clandestino de moeda estrangeira (principalmente na modalidade "Cabo”) conforme depoimentos pessoais acostados às folhas 103 a 137, a fiscalização não está autorizada (por lei) a presumir que a posse de títulos de crédito e dinheiro em espécie implique na omissão de receitas. Nem mesmo a considerada atividade de empréstimo de dinheiro, que a recorrente não afasta a constatação de tal prática que fora confessada pelo próprio Sr. Nabi Kernmel Mellem (fls. 111) e corroborada pelo sócio Rafael Augusto Formighieri Mellen (fls. 119) autorizam esta presunção. Por certo não se desconhece que a decisão recorrida ao fundamentar a prevalência de tais glosas o fez de forma a apresentar os fundamentos que resultariam na omissão de receitas, no entanto, data maxima venia, daquele órgão julgador, não me parece suficiente, para indicação de omissão de receitas, elucubrar que não seria crível que a recorrente tivesse em seu poder tantos títulos sem qualquer conteúdo econômico. Ainda que não seja crível, como de fato não é, a circunstância de tais títulos terem conteúdo econômico e serem oponíveis ao sacado, não é fato que por si só indique que tais valores (i) eram receita da recorrente e (ii) que estas receitas são tributáveis e foram omitidas. Fl. 2442DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 10 Muito embora a Câmara Superior deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais reconheça a possibilidade de no âmbito do processo administrativo fiscal ser admitida a prova por presunção, o faz por condicionar a indícios precisos, veementes e convergentes, necessários para se inferir a ocorrência do fato gerador do imposto, a exemplo do que foi decidido no processo nº 10980.003779/200414, de relatoria do eminente Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias, que assim se manifestou, in verbis: (...) A autoridade lançadora deixou de aportar aos autos outros elementos que, de forma convergente apontassem para a ocorrência da omissão. Demonstrar a ocorrência do fato gerador com base em simples presunção requer um trabalho mais detido a investigativo no intuito de trazer aos autos todos os elementos possíveis que, uma vez reunidos, permitem ao julgador formar sua convicção acerca da ocorrência do fato gerador, ainda que as provas acostadas sejam todas indiciárias. (...) Tratandose de omissão de receita, portanto, não me parece indício suficiente a existência de títulos de crédito em favor da contribuinte, de sorte que, por carecer de comprovação da materialidade tributável, deve ser reformada a decisão recorrida para os fins de afastar a glosa que contemple omissão de receitas com base em títulos de crédito e dinheiro em espécie apreendidos. No tocante ao lançamento atinente a pagamento considerado como não contabilizado, de igual forma entendo que os indícios apresentados não permitem as conclusões a que chegou a decisão recorrida. Encontrase documentado nos autos — item 52 do Auto de Apreensão (fls. 1.065) — que no dia 30/11/2005, foi apreendida na sede da recorrente "Uma folha contendo um comprovante de depósito no valor RS 305.000,00. Tendo como favorecido TIBER GROUP EXP MAD LTDA”. Atestou a decisão recorrida que o aludido documento (fl. 1.093), permite a conclusão de que, em realidade, não se trata de um email, e sim de uma correspondência (memorando), por meio do qual o emitente "Rogério" repassa ao destinatário "Alberto" os dados relativos à venda de cem mil dólares americanos, previamente avençada com o "Sr. Nabi", de sorte que uma vez que o memorando foi encontrado na sede da recorrente, relatando a seu operador de mesa "Alberto”, as condições que haviam sido acertadas com seu representante legal, Sr. Nabi, tendo sido referendado pela tesoureira Adriana e estando o depósito devidamente documentado, se encontraria comprovado que se trata de depósito efetivamente implementado pela recorrente com recursos mantidos à margem da escrituração, comprovandose a receita omitida. Com efeito, sem óbice do que argumentou a decisão recorrida, não há nenhuma prova de que a recorrente tenha efetuado o pagamento de R$ 305.000,00 para a Timber Group, ausentes qualquer recibo ou comprovante de depósito, devendose exonerar esta parcela do lançamento. Por fim, quanto à “realização mínima do lucro inflacionário não realizado deve ser mantida, porquanto a recorrente não demonstrou sua realização limitandose a Fl. 2443DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.016660/200835 Acórdão n.º 1301000.985 S1C3T1 Fl. 6 11 argumentar que este não integraria o conceito de renda, situação que, se reconhecida, implicaria no afastamento do quadro legal vigente nesta sede administrativa. Em vista de todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de Dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar as glosas por omissão de receitas, apuradas com base nos títulos de crédito e dinheiro apreendidos, mantendo as demais exigências. Sala das Sessões, em 03 de julho de 2012. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 2444DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 11516.008127/2008-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2402-000.217
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.008127/200849 Resolução n.º 2402000.217 S2C4T2 Fl. 345 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada em 12/12/2008 para constituição de crédito por arbitramento de mão de obra empregada em obra de construção civil, contribuição patronal. Entendeu a fiscalização que a escrituração contábil deveria ser desconsiderada em razão de que: 5 — Verificando a contabilidade da empresa, constatamos que a mesma deixou de lançar no custo da Obra do Edifício Comercial Daros.Com as notas fiscais abaixo discriminadas, emitidas pela DL Empreiteira de Mão de Obra Ltda. As notas fiscais deveriam ter sido lançadas na conta 1.1.04.09.001 — Obras em Andamento, ferindo assim a empresa o Princípio de Competência e por conseqüência os Princípios da Continuidade, pois ambos estão atrelados entre si. Por tratarse de contrato de mão de obra na construção civil, as faturas emitidas pela empreiteira estão sujeitas a retenção dos 11% para a Seguridade Social conforme previsto em Lei e devem ser registradas na contabilidade da empresa em conta específica. Conforme Plano de Contas apresentado as retenções deveriam ter sido contabilizadas na conta 2.1.03.01.001 INSS S/SERVIÇO DE TERCEIROS — Conta de Passivo, por tratarse de uma obrigação tributária da empresa. Emitimos Auto de Infração 37.172.8371, pois a empresa deixou de lançar em títulos próprios de sua contabilidade as notas fiscais abaixo relacionadas bem como as retenções efetuadas sobre a mão de obra contida nas mesmas. ... 6 — Ainda analisando a conta de Obras em Andamento, v' erificamos que na contabilidade apresentada, além da falta de lançamento das notas fiscais acima identificadas, foram lançadas 02 notas fiscais duplicadas. ... 7 — Ainda no ano de 2007, a empresa Daros Edificações Ltda, feriu o Princípio da Entidade quando contabilizou na conta 4.3.01.07.002 Honorários, despesas efetuadas com a Procecon Assessoria Empresarial Ltda, referente Declaração Anual de Imposto de Renda das Pessoas Físicas, Micheline Feltrin Daros, Olímpio Daros e Caroline Feltrin Daros. O Princípio da Entidade estabelece que o patrimônio de uma entidade não se confunde com o patrimônio de outras entidades, nem mesmo com o de seus sócios ou proprietários, portanto não podem ser lançadas despesas de seus sócios, enquanto pessoas físicas, na contabilidade da empresa pessoa jurídica. Verificamos que foram lançadas várias outras despesas de com pagamentos de celular, despesas com pagamento de condomínio, despesas com Plano de saúde, despesas com supermercado e outras, anexamos cópias dos comprovantes de pagamentos. ... 10 — Conforme termos contratuais o valor mensal do aluguel será creditado para a empresa Daros Edificações Ltda através de depósito Fl. 352DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.008127/200849 Resolução n.º 2402000.217 S2C4T2 Fl. 346 3 bancário, portanto na contabilidade da empresa, especificamente na conta Banco, os valores devem estar registrados, bem como deve estar registrada a Receita mensal correspondente. Analisando a conta Bancos verificamos que não houve o registro dos valores correspondentes em vários meses, e em muitos outros houve o registro em valores inferiores ao valor do aluguel mensal. Após impugnação, a decisão de primeira instância foi no sentido de julgar a autuação procedente. Segue transcrição da ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREvIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2006 a 28/02/2008 AIOP DEBCAD n.° 37.172.8363 OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. CONTRIBUIÇÃO APURADA POR AFERIÇÃO INDIRETA, COM BASE NO CUB CUSTO UNITÁRIO BÁSICO. O salário de contribuição decorrente de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica será apurado com base na área construída constante no projeto, e no padrão da obra, quando a empresa não apresentar a contabilidade ou a apresentar de forma deficiente. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. A apresentação de contabilidade irregular autoriza a apuração das contribuições por aferição indireta. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Entretanto, conforme se pode observar do Relatório Fiscal, itens 4 a 17, a contabilidade da empresa não está tão regular quando pretende fazer entender, nem está de acordo com os princípios e convenções contábeis. Como exemplificação relaciona alguns exemplos: irregularidades quanto à escrituração da conta Bancos; confusão quanto à despesa efetuada em suas obras, ferindo o Princípio da Entidade; utilização de históricos que não fornecem informações claras e precisas dos lançamentos; divergências entre os valores das notas fiscais e a contabilização efetuada. etc... Dessa forma, os procedimentos adotados para o levantamento estão de acordo com a legislação em vigor na data do lançamento. Contra a decisão, o recorrente reiterou suas alegações na impugnação; assim sintetizadas pela decisão recorrida: I — Da ilegalidade do arbitramento Fl. 353DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.008127/200849 Resolução n.º 2402000.217 S2C4T2 Fl. 347 4 Alega a Impugnante que o arbitramento das contribuições para a seguridade social pressupõe a ausência de registro ou a existência de vícios substanciais na contabilidade, que inviabilizem a identificação do movimento real de remuneração dos segurados a serviço do contribuinte. Assim, tratase de medida excepcional, que só deve ser utilizada em hipótese de erro substancial na contabilidade. Que no presente caso, os supostos vícios contábeis apontados, além de não afetarem ou prejudicarem a aferição do movimento real de remuneração dos segurados a serviço da Impugnante, estão longe de serem considerados substanciais. São irregularidades sanáveis e sem nenhuma relação com o fato gerador ou com a base de cálculo das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, trabalhadores autônomos ou trabalhadores avulsos; Que no que tange ao item 5 do relatório, no qual a Autoridade Fiscal questiona as notas fiscais emitidas pela IDL, na construção do Edifício Daros cujos pagamentos não se encontram registrados na conta "1.1.04.09.001 Obras em andamento"; apesar de a empresa ter efetuado a retenção dos 11% para a Seguridade Social sobre a mão de obra tal recolhimento não foi lançado na conta "2.1.03.01.001 — INSS s/ serviços de terceiros", não pode ser considerada como erro substancial. porque pode ser corrigido através de lançamento de Ajuste de Exercícios Anteriores. No item 6, a fiscalização aponta a contabilização em duplicidade das notas fiscais n. 1047 e 1268, no valor de R$ 18.015,68 e R$ 20.916,99, respectivamente utilizadas no pagamento da empreiteira de mão de obra do Edifício Comercial Daros.Com. Tal fato resulta de erro operacional, que também pode ser corrigido através de Retificação de Lançamentos Contábeis. com adoção do procedimento de estorno: Frisa que. conforme entendimento jurisprudencial, se os vícios são passíveis de correção, não há que se falar em documentação imprestável ou arbitramento: Ainda no item 6, a Autoridade Fiscal faz referência a lançamentos indevidos na conta "1.1.04.09.001 — Obras em andamento", por se tratarem de despesas com obras que já se encontravam finalizadas desde 2006, relacionadas aos Edifícios Residenciais Mirante do Cais e Fiori de Graziela. Estes valores referemse ao pagamento da taxa de condomínio de algumas unidades que a Impugnante tem em estoque nesses edifícios. O erro quanto à troca de contas pode ser facilmente corrigido; Ressalta que tais alterações não acarretariam em qualquer prejuízo ao fisco, na medida em que a Impugnante é tributada com base no lucro presumido. Que a fiscalização, na tentativa de depreciar a escrita contábil da Impugnante menciona que os lançamentos das despesas relacionadas aos Edifícios Residenciais Mirante do Cais e Fiori de Graziela alteraram significativamente o custo da obra Comercial Daros. Tal alegação, entretanto é totalmente improcedente, uma vez que os lançamentos incorretos totalizam R$ 11.155.68, o que representa menos de 0,70% do custo da obra. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.008127/200849 Resolução n.º 2402000.217 S2C4T2 Fl. 348 5 No item 7 menciona a contabilização na conta 4.3.01.07.002 — Honorários, despesas efetuadas com a Procecon Assessoria Empresarial Ltda.. referente à Declaração Anual de Imposto de Renda dos sócios. O pagamento em comento totaliza RS 420,00, valor este que não pode ser considerado suficientemente relevante para tornar imprestável a escrita contábil da empresa, que efetuou entre os anos de 2003 e 2007, mais de vinte mil lançamentos contábeis e cujo faturamento ultrapassou RS 1.200.000.00; Quanto ao contido no item 9 a ausência de registros dos valores do aluguel em alguns meses, bem como os registros de valores inferiores ao devido mensalmente a Impugnante explica que o Edificio Alameda Center não é de propriedade exclusiva da Daros Edificações e Obras; dessa forma, os valores provenientes da locação são divididos entre os proprietários (quadro, item 26), motivo pelo qual o registro na contabilidade é de valor inferior ao aluguel previsto no contrato; Quanto à ausência de lançamento, dispõe que como é tributada com base no lucro presumido e segue o regime de caixa, a receita proveniente d vendas de bens/direitos ou de prestação de serviços, cujo preço é recebido a prazo ou em parcelas, somente é lançado no mês do efetivo recebimento, não existindo qualquer irregularidade quanto à escrituração dos valores decorrentes do contrato de aluguel firmado com a Secretaria Municipal de Saúde. Que a fiscalização presumiu a ocorrência de irregularidades em sua contabilidade, em relação à folha de paramento ou à utilização de mão de obra própria na construção do Comercial Kosmos: entretanto não logrou demonstrálas. II — Da Obrigatoriedade de adotar o CUB vigente ao tempo do Fato Gerador Dispõe que, embora a obra tenha sido executada quase que integralmente nos anos de 2006 e 2007, quando o CUB variou de R$ 627,08 a RS 980,00, o arbitramento foi realizado com base no CUB vigente em outubro de 2008, no valor de RS1.156,36, implicando no aumento indevido do montante do crédito tributário; Que o cálculo do tributo deve refletir essa variação, devendo ser revisto, porque o fato gerador da contribuição, como se sabe, é o pagamento ou creditamento do salário ou da remuneração, que ocorreu quando da prestação dos serviços e não no momento do lançamento do tributo. III — Da base de Cálculo Efetiva do Tributo Ressalta que possui apenas dois sócios, remunerados por meio de prólabore, e duas empregadas, que exercem funções administrativas dentro da empresa, ou seja, nenhuma delas teve mão de obra utilizada na construção da obra fiscalizada; Que as obras de construção civil foram executadas por meio de terceirização de mão de obra, mediante assinatura de contratos de empreitadas, com a utilização de material próprio; Em tais casos, a empresa. como contratante, tem apenas a obrigação de promover a retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal ou da fatura da prestação de serviços, recolhendo a importância retida, em Fl. 355DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.008127/200849 Resolução n.º 2402000.217 S2C4T2 Fl. 349 6 nome da empresa cedente da mão de obra, o que vem sendo rigorosamente cumprido, nos moldes do art. 31. da Lei Federal n. 8.212/91. Informa que todos estes fatos foram esclarecidos e comprovados durante a fiscalização, mediante apresentação dos documentos solicitados, impondose, assim, o cancelamento do presente auto de infração. IV Do não cabimento da Multa Isolada Alega não ser cabível, no presente caso, a cominação da multa prevista no art. 92 da Lei n." 8.212/91, uma vez que tal multa pressupõe a inexistência de outra penalidade expressamente cominada ao contribuinte, E, no caso, o contribuinte já foi submetido à cominação da multa de oficio prevista no art. 35 da referida Lei. É o Relatório. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.008127/200849 Resolução n.º 2402000.217 S2C4T2 Fl. 350 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Tratase de arbitramento com base no custo da mão de obra divulgado pelo SINDUSCON/SC através da tabela CUB vigente em 10/2008. Há algumas dúvidas que necessitam serem sanadas antes da apreciação de mérito: a) Se a recorrente é tributada com base no lucro presumido, como alega? Caso a resposta seja afirmativa, se as receitas de aluguel foram escrituradas no regime de caixa, nos livros Razão e/ou Caixa? b) Se as incorreções na escrituração dos livros contábeis também implicaram omissões de remunerações de segurados ou teriam sido em razão de registros em contas contábeis impróprias? Caso tenham sido escrituradas, em quais contas contábeis? c) Com relação as notas fiscais por cessão de mão de obra/empreitada sujeitas às retenções, se os valores foram declarados em GFIP e devidamente recolhidos? Caso tenham sido escriturados, em quais contas contábeis? Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que sejam esclarecidas as dúvidas acima e, após, seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 357DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 15983.000670/2010-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
NORMAS PROCEDIMENTAIS. PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA MANIFESTAÇÃO RAZÕES DE IMPUGNAÇÃO CONTRIBUINTE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE.
De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigos 31 e 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, é nula a decisão de primeira instância que, em detrimento aos princípios do devido processo legal e ampla defesa, é proferida sem a devida manifestação a propósito de todas as razões de impugnação, sobretudo quando pertinentes e pretensamente capazes de ensejar a retificação do crédito tributário objeto do lançamento.
Decisão de Primeira Instância Anulada.
Numero da decisão: 2401-002.362
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, anular a
decisão de primeira instância. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elias Sampaio Freire, que votaram por converter o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA MANIFESTAÇÃO RAZÕES DE IMPUGNAÇÃO CONTRIBUINTE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigos 31 e 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, é nula a decisão de primeira instância que, em detrimento aos princípios do devido processo legal e ampla defesa, é proferida sem a devida manifestação a propósito de todas as razões de impugnação, sobretudo quando pertinentes e pretensamente capazes de ensejar a retificação do crédito tributário objeto do lançamento. Decisão de Primeira Instância Anulada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, anular a decisão de primeira instância. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elias Sampaio Freire, que votaram por converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire – Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Fl. 150DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 15983.000670/201067 Acórdão n.º 2401002.362 S2C4T1 Fl. 151 3 Relatório MUNICÍPIO DE ITANHAÉM PREFEITURA MUNICIPAL DA ESTÂNCIA BALNEÁRIA DE ITANHAÉM, contribuinte, pessoa jurídica de direito público, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Campinas/SP, Acórdão nº 0533.562/2011, às fls. 94/97, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a empresa, nos termos do artigo 32, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 225, inciso I, parágrafo 9º, do RPS, por não ter preparado as folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS, em relação ao período de 01/2006 a 12/2006, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05/07, e demais elementos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 13/09/2010, nos termos do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 1.431,79 (Um mil, quatrocentos e trinta e um reais e setenta e nove centavos), com base nos artigos 283, inciso I, alínea “a”, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. De conformidade com o Relatório Fiscal, a autoridade lançadora constatou que a empresa remunerou diversos segurados empregados e contribuintes individuais explicitados nos levantamentos abaixo, que lhe prestaram serviços no período fiscalizado, cuja obrigação tributária principal fora lançada nos autos dos processos administrativos nºs 15983.000665/201054 (contribuições a cargo da empresa) e 15983.000666/201007 (contribuições a cargo dos segurados), sem conquanto incluílos nas respectivas folhas de pagamento, na forma que exige a legislação de regência: 1) DD – Trabalhadores Declarados em DIRF (Não informados em GFIP’s) – remunerações pagas a diversos prestadores de serviços escrituradas na conta 3.3.9036 – Serviços prestados por pessoas físicas nas áreas: a) da saúde, com caráter de eventualidade, e b) da educação (FUNDEF) – referentes a diferenças pagas a professores oriundos do Estado, onde mantêm vínculo empregatício e que, em face da municipalização do ensino, receberam, da prefeitura, complementação salarial, referente ao aumento de carga horária do município; 2) DP – Professores Contratados pelo Município Declarados em DIRF (Não informados em GFIP’s) – Remunerações dos segurados empregados contratados como professores, constantes da relação de funcionários demitidos fornecida pela prefeitura, os quais no período entre o término de um contrato e início de outro, continuaram exercendo suas atividades, porquanto se verifica valores pagos neste lapso temporal; 3) FT – Frentes de Trabalho (Não declarado em GFIP) – Remunerações dos segurados empregados integrantes do Programa Itanhaém Vida de Auxílio Desemprego, anteriormente denominado Programa Emergencial e Provisório de Frentes de Trabalho, o qual tem por objetivo integrar pessoas desempregadas do Município. Informa, o fiscal autuante, que muito embora a lei instituidora de referidos programas estabeleça que a concessão das respectivas bolsas não representa vínculo de emprego, constatouse todos os pressupostos da Fl. 152DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 4 relação laboral, inscritos no artigo 12 da Lei n° 8.212/91, razão pela qual aludidos trabalhadores foram caracterizados como segurados empregados; 4) ND – Contribuintes Individuais não declarados em DIRF (Não Declarados em GFIP) – Remunerações dos segurados contribuintes individuais, referentes a pagamentos a prestadores de serviços pessoas físicas, lançados na conta 3.3.90.36 – Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Física nas Secretarias da Saúde, Educação, Turismo e Cultura; 5) HA – Honorários Advocatícios (Não declarado em GFIP) – Remunerações de segurados contribuintes individuais, mais precisamente importâncias pagas ao advogado Renato Lancellotti em contrapartida a prestação de serviços técnicos profissionais de natureza jurídica, consoante se infere do contrato e relatório analítico da despesa – empenhado – colacionado aos autos, bem como aos profissionais Fausto de Freitas Ferreira, Albertino de Almeida Batista e Ana Lúcia Pereira da Silva, sem identificação de contratos, mas com notas de despesa; Inconformada com a Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às fls. 105/120, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, aduzindo para tanto que o Supremo Tribunal Federal firmou entendimento, nos autos do RE n°434.754, de que as contribuições previdenciárias não podem incidir sobre parcelas não computadas para o cálculo dos benefícios de aposentadoria, o que se vislumbra na hipótese dos autos, uma vez que as pessoas apontadas no auto de infração não possuem a condição de servidores efetivos do quadro da Prefeitura Municipal de Itanhaém, não servindo a remuneração de base de cálculo para a contribuição previdenciária. Acrescenta que os profissionais da área de saúde (médicos plantonistas) atuam em caráter de excepcionalidade, contratados temporariamente para suprir a falta de médicos efetivos. Relativamente aos professores oriundos do Estado, infere que recebem exclusivamente uma complementação salarial do Município, possuindo regime de previdência próprio do Estado, de maneira que a recorrente entende ser desnecessária a informação em GFIP de tais valores, mas tão somente em DIRF para efeito de Imposto de Renda Retido na Fonte. No que concerne aos professores contratados para suprir temporariamente às necessidades do Município (Secretaria de Educação), no decorrer do período entre o término de um contrato e início de outro, igualmente, sustenta não se tratarem de servidores efetivos, sobretudo quando os contratos são temporários por curto prazo de, no máximo, noventa dias, somente para substituição de profissional por outro que se encontra em licença. Contrapõese ao lançamento, sob o argumento de que a Prefeitura de Itanhaém, na condição de Estância Turística e Balneária, realiza uma série de projetos e campanhas durante o período de férias, para incentivo do turismo, recrutando pessoas por um prazo máximo de 03 (três) meses, para desenvolvimento das respectivas atividades, não se podendo cogitar, portanto, em incidência de contribuições previdenciárias sobre tais quantias singelas. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 15983.000670/201067 Acórdão n.º 2401002.362 S2C4T1 Fl. 152 5 Em relação aos valores pagos a título de honorários advocatícios ao profissional Renato Lancellotti, defende ter sido contratado a partir de licitação, na modalidade Carta Convite, em razão da Prefeitura necessitar de contratação de um profissional para assessoria técnica legislativa do Município, sendo certo que referido prestador de serviços não deve ser informado em GFIP, tendo em vista não incidir contribuições previdenciárias sobre tais importâncias. Alega ter havido confusão no julgamento de primeira instância, no que diz respeito ao pagamento do Sr. Renato Lancellotti, a partir de Contrato de Prestação de Serviços, e os valores concedidos aos procuradores concursados do Município (Srs. Albertino de Almeida Batista, Fausto de Freitas Ferreira e Ana Lúcia Pereira da Silva), em decorrência de sucumbência fixada pelo Juiz em autos de execução fiscal, impondo seja afastada a tributação das importâncias em comento, uma vez que pagos pelos contribuintes inadimplentes para com a Municipalidade e não pela Prefeitura, a qual somente os repassa. Em defesa de sua pretensão, assevera que a não incidência de contribuições previdenciárias sobre os honorários sucumbenciais encontrase estabelecida no Parecer PG/CCAR n° 58/96, na Orientação Normativa SPS n° 08/97 e na Ordem de Serviço Conjunta INSSDAF/DSS n° 66/97, pois seriam pagos pela parte vencida na demanda e em razão de condenação, tratandose, portanto, de ônus processual, e não de remuneração pela prestação de serviço, nos termos do artigo 1°, inciso I, da Lei Complementar n° 84/96. Transcreve jurisprudência do STJ corroborando seu entendimento. Opõese, ainda, à incidência de contribuições previdenciárias sobre as importâncias pagas aos prestadores de serviços integrantes do Programa Itanhaém Vida de Auxílio Desemprego, anteriormente denominado Programa Emergencial de Provisório de Frentes de Trabalho, destacando o objetivo da criação de aludidos programas, especialmente para proporcionar ocupação e renda para até 350 pessoas desempregadas com idade mínima de 21 anos, com a concessão de bolsa auxíliodesemprego no valor de 01 (um) salário mínimo, em contrapartida da prestação de serviço de interesse do Município e da comunidade, na forma de colaboração eventual, sem qualquer vínculo empregatício com a recorrente, ressaltando, ainda, a jornada de trabalho de 08 horas por dia no período de 05 dias por semana, além da participação em curso de alfabetização ministrado no período noturno. Aduz que a Secretaria da Receita Federal não detém competência para reconhecer vínculo empregatício, sendo, exclusivamente, da Justiça do Trabalho tal mister, nos termos do artigo 114 da Constituição Federal. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 6 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo ao exame das alegações recursais. De conformidade com os autos, a presente autuação fora lavrada em razão de a contribuinte ter preparado folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS, deixando de incluir os prestadores de serviços pessoas físicas elencados naquele anexo, infringindo o disposto no artigo 32, inciso I, da Lei nº 8.212/91, ensejando a constituição do crédito previdenciário decorrente da multa aplicada nos termos do artigo 283, inciso I, alínea “a”, do RPS, que assim prescrevem: “ Lei nº 8.212/91 Art. 32. A empresa também é obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social;” “Regulamento da Previdência Social – Aprovado pelo Decreto 3.048/99. Art. 283. Por infração a qualquer dispositivos das Leis 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 08 de mais de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável [...], conforme gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: (Valor alterado para R$ 991,03, a partir de 06/2003, conforme Portaria MPS nº 727/03) a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social;” Mais precisamente, a autoridade lançadora constatou que a empresa remunerou diversos segurados empregados e contribuintes individuais explicitados nos levantamentos abaixo, que lhe prestaram serviços no período fiscalizado, cuja obrigação tributária principal fora lançada nos autos dos processos administrativos nºs 15983.000665/201054 (contribuições a cargo da empresa) e 15983.000666/201007 (contribuições a cargo dos segurados), sem conquanto incluílos nas respectivas folhas de pagamento, na forma que exige a legislação de regência: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 15983.000670/201067 Acórdão n.º 2401002.362 S2C4T1 Fl. 153 7 1) DD – Trabalhadores Declarados em DIRF (Não informados em GFIP’s); 2) DP – Professores Contratados pelo Município Declarados em DIRF (Não informados em GFIP’s); 3) FT – Frentes de Trabalho (Não declarado em GFIP); 4) ND – Contribuintes Individuais não declarados em DIRF (Não Declarados em GFIP); 5) HA – Honorários Advocatícios (Não declarado em GFIP) – Remunerações de segurados contribuintes individuais, mais precisamente importâncias pagas ao advogado Renato Lancellotti em contrapartida a prestação de serviços técnicos profissionais de natureza jurídica, consoante se infere do contrato e relatório analítico da despesa – empenhado – colacionado aos autos, bem como aos profissionais Fausto de Freitas Ferreira, Albertino de Almeida Batista e Ana Lúcia Pereira da Silva, sem identificação de contratos, mas com notas de despesa; Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte, especialmente no seu recurso voluntário, há nos autos vício processual sanável, ocorrido no decorrer do processo administrativo fiscal, o qual precisa ser saneado, antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, com o fito de se restabelecer a garantia do devido processo legal, como segue. Em suas razões recursais, em suma, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, insurgindose contra cada um dos levantamentos encimados, por entender que os serviços prestados pelas pessoas físicas elencadas nos autos não são capazes de caracterizálos como segurados empregados e/ou contribuintes individuais, de maneira a fazer incidir contribuições previdenciárias sobre as importâncias pagas a cada um dos prestadores de serviços. Com mais especificidade, relativamente ao ponto nodal da matéria a ser contemplada nesta oportunidade, suscita que o julgador de primeira instância laborou em equívoco ao analisar o pagamento do Sr. Renato Lancellotti, a partir de Contrato de Prestação de Serviços, e os valores concedidos aos procuradores concursados do Município (Srs. Albertino de Almeida Batista, Fausto de Freitas Ferreira e Ana Lúcia Pereira da Silva), em decorrência de sucumbência fixada pelo Juiz em autos de execução fiscal, impondo seja afastada a tributação das importâncias em comento, uma vez que pagos pelos contribuintes inadimplentes para com a Municipalidade e não pela Prefeitura, a qual somente os repassa. Melhor elucidando, aduz que os pagamentos efetuados ao Sr. Renato Lancellotti decorrem de contrato de prestação de serviços jurídicos especializados pelo contratado, que não se confunde com as importâncias repassadas aos procuradores Municipais, retromencionados, a título de honorários de sucumbência estabelecidos nos autos de execuções fiscais em face de contribuintes inadimplentes para com o Munícipio. Acrescenta que o Acórdão recorrido tratou da questão de maneira agrupada, se limitando a fazer referência ao Sr. Renato Lancellotti, em que pese haver alegado em sua defesa inaugural a distinção de tais pagamentos, trazendo à colação Portaria n° 194/98, às fls. 90, da Prefeitura Municipal de Itanhaém admitindo a Sra. Ana Lúcia Pereira da Silva para o Fl. 156DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 8 emprego permanente – CLT de Procurador Jurídica, em virtude de aprovação em concurso público, a qual, inclusive, assina a impugnação, naquela condição. Da análise dos elementos que instruem o processo, especialmente da impugnação, às fls. 77/89, e, bem assim, do Acórdão recorrido, às fls. 94/97, constatase assistir razão à contribuinte em sua assertiva. De fato, o julgador de primeira instância, ao rechaçar a argumentação da então impugnante, relativamente ao levantamento “HA”, se reportou exclusivamente ao Sr. Renato Lancellotti, que fora contratado para a prestação de serviços jurídicos ao Município, admitindo que a alegação dos honorários sucumbenciais dizia respeito àquele contratado, deixando de contemplar, assim, as razões de defesa da autuada concernente a vinculação de tais valores (sucumbência) aos procuradores do Município, senão vejamos: “ [...] Quanto à remuneração do contribuinte individual, Sr. Renato Lancelotti, o contrato de fls. 266/270 dos autos do processo administrativo nº 15983.000665/201054 deixa claro que o referido segurado contribuinte individual fazia jus a pagamentos mensais por conta dos serviços prestados. De outro lado, o demonstrativo de fl. 265 dos autos do processo administrativo nº 15983.000665/201054 deixa claro os pagamentos efetuados em parcela fixa ao segurado em questão. Vejase que todos os pagamentos elencados no demonstrativo de fl. 265 conferem com o valor de remuneração contratual previsto no contrato de fls. 266/270. É induvidoso que os honorários sucumbenciais correspondem a um percentual fixado pelo juiz, nos autos dos embargos à execução fiscal. Assim, este percentual variável somente é conhecido quando da prolação da sentença que põe fim aos embargos. Desta forma, ou o contribuinte tem poderes psíquicos em adivinhar os valores que serão devidos nos embargos à execução e já, de antemão, celebra o contrato com seu causídico em valores fixos, ou, ao alegar que tais valores constituem encargos sucumbenciais está a distorcer a realidade dos pagamentos. Como se deve crer no que seja razoável e amparado ao bom senso, resta claro que os pagamentos identificados não têm natureza de honorários sucumbenciais, mas efetiva contraprestação no curso de contrato celebrado. [...]” Consoante se infere do excerto do Acórdão recorrido acima transcrito, o ilustre relator, ao proferir o voto condutor, partiu de premissa equivocada, olvidandose que a então impugnante sustentou que os valores pagos aos Srs. Albertino de Almeida Batista, Fausto de Freitas Ferreira e Ana Lúcia Pereira da Silva, assim o foram na condição de Procuradores do Município e a título de honorários sucumbenciais decorrentes de execuções fiscais em face de munícipes inadimplentes. Em momento algum a contribuinte aduziu em sua defesa que as importâncias repassadas a título de sucumbência tiveram como destinatário o Sr. Renato Lancelotti, ao contrário do que afirma o decisum guerreado. Repitase, a contribuinte se contrapôs ao levantamento “HA” asseverando que os demais honorários constatados em notas de despesas pagos aos profissionais acima elencados, inobstante inexistir contrato formal, se referem a sucumbências repassadas aos Procuradores do Município. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 15983.000670/201067 Acórdão n.º 2401002.362 S2C4T1 Fl. 154 9 Ocorre que, ao arrepio do princípio do devido processo legal, mais precisamente da ampla defesa, o ilustre julgador de primeira instância não contemplou em seu voto tais razões de defesa, ou melhor, o fazendo de maneira equivocada, deixando, assim, de se manifestar a propósito de referida alegação da contribuinte, pretensamente capaz de ensejar a retificação do crédito tributário lançado, ferindolhe, assim, seu sagrado direito a ampla defesa, inscrito no artigo 5º, inciso LV, da CF, in verbis: “Art. 5º. [...] LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;” A corroborar este entendimento a Lei nº 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, em seus artigos 3º, inciso III, e 38, assim preceitua: “Art. 3º. O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: [...] III – formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.” Na mesma linha de raciocínio, para não deixar dúvidas quanto à nulidade da decisão de primeira instância, os artigos 31 e 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, estabelecem o seguinte: “Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Art. 59. São nulos: [...] Fl. 158DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 10 II – os despachos e decisões proferidos por autoridades incompetentes ou com preterição do direito de defesa;” (grifamos) Por sua vez, a doutrina pátria não discrepa deste entendimento, senão vejamos: “ c. Princípio da ampla defesa. Todo processo administrativo, para que se afigure constitucionalmente válido, deve ensejar ao particular a possibilidade de ver conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter formal e material e de produzir todas as provas necessárias à comprovação de suas alegações. A ampla defesa, desse modo bipartese no direito à cognição formal e material ampla (que corresponde ao princípio da ampla competência decisória) e no direito à produção de provas (que corresponde ao princípio da ampla produção probatória), como veremos abaixo. d. Princípio da ampla competência decisória. Toda a matéria de defesa produzida pelo contribuinte deve ser conhecida e apreciada pelo órgão da administração encarregado do julgamento do conflito fiscal. Não pode se escusar a autoridade julgadora – em homenagem à garantia constitucional da ampla defesa – de apreciar matéria formal ou material, de Direito ou de fato, questões preliminares ou mérito. Quer se tratem de questões concernentes à mera irregularidade formal do auto de infração, quer se trate de alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade de norma jurídica tributária, toda a matéria de defesa deve ser formalmente apreciada. Não se realiza a ampla defesa sem o direito à cognição formal e material ampla, pois em se recusando a Administração a apreciar qualquer dos elementos fáticos ou jurídicos que estejam contidos na impugnação formulada haverá restrição do direito de ampla defesa, a macular o processo administrativo fiscal.” (Marins, James – Direito processual tributário brasileiro: (administrativo e judicial) – 3ª ed. São Paulo: Dialética, 2003 – pág. 194) Igualmente, a jurisprudência administrativa é mansa e pacífica nesse sentido, conforme fazem certo os julgados dos Conselhos de Contribuintes, com suas ementas abaixo transcritas: “ PROCESSUAL NULIDADE. É nula a decisão proferida com preterição do direito de defesa do sujeito passivo. Decreto nº 70.235/72, art. 59, inciso II. ANULADO O PROCESSO A PARTIR DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA INCLUSIVE.” (2ª Câmara do 3° Conselho – Recurso n° 128.080 Acórdão n° 30236.740 – Sessão de 16/03/2005) “ CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE A falta de apreciação pela autoridade julgadora de primeira instância de razões de defesa apresentadas na impugnação constitui preterição do direito de defesa da parte, ensejando a Fl. 159DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 15983.000670/201067 Acórdão n.º 2401002.362 S2C4T1 Fl. 155 11 nulidade da decisão assim proferida, "ex vi" do disposto no art. 59, item II, do Decreto nº 70.235/72. Recurso provido. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, para declarar a nulidade da decisão de primeira instância, para que outra seja proferida em boa e devida forma.” (7ª Câmara do 1° Conselho – Recurso n° 116.769 Acórdão n° 10705538 – Sessão de 24/02/1999) Como se observa, ao deixar de se manifestar a propósito da integralidade das alegações da contribuinte, mais precisamente quanto à argumentação de que os honorários pagos aos Srs. Albertino de Almeida Batista, Fausto de Freitas Ferreira e Ana Lúcia Pereira da Silva, na condição de Procuradores do Município, se referem à sucumbências decorrentes de execuções fiscais, sobretudo quando pertinentes e pretensamente capazes de ensejar a reforma do crédito lançado, incorreu o julgador recorrido em cerceamento do direito de defesa da autuada, em total afronta ao princípio do devido processo legal, o que enseja a nulidade da decisão recorrida, bem como de todos os atos subsequentes, devendo o presente processo ser remetido à DRJ competente, para que seja proferida nova decisão pela autoridade julgadora de primeira instância na boa e devida forma. Não bastassem as razões alhures, impende registrar que a autuação em epígrafe decorre do descumprimento de obrigação acessória, onde as contribuições previdenciárias devidas (obrigação principal) foram lançadas em outros Autos de Infração consubstanciados nos processos administrativos nºs 15983.000665/201054 (contribuições a cargo da empresa) e 15983.000666/201007 (contribuições a cargo dos segurados). Nestes casos, esta Egrégia Câmara entende por bem aguardar o julgamento do lançamento principal para analisar o decorrente (obrigação acessória), ou julgálos conjuntamente, em face do nexo de causa e efeito que os vincula, tal qual nestes autos. Entrementes, o julgador de primeira instância examinou o presente feito de maneira apartada, repisando a decisão proferida no PAF nº 15983.000666/201007, mesmo porque as alegações da autuada são idênticas, razão pela qual o resultado naquele processo se reflete neste, por dois motivos: pela decorrência; e em virtude da mesma preterição do direito de defesa. Alfim, convém frisar que não podemos adentrar à referida questão nesta oportunidade sob pena de supressão de instância, mormente quando a convicção deste Relator dependeria de análise de provas que não foram compulsadas pelo julgador guerreado. Por todo o exposto, estando a Decisão recorrida em dissonância com os dispositivos constitucionais/legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 160DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 12 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL
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Numero do processo: 10283.901823/2008-44
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 RECURSO APRESENTADO INTEMPESTIVAMENTE. NÃO CONHECIMENTO DA MATÉRIA DE MÉRITO. O recurso voluntário para ser conhecido deve ser tempestivo, e preencher os requisitos de admissibilidade. A intempestividade prejudica a análise de mérito.
Numero da decisão: 1802-001.346
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do Recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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NÃO CONHECIMENTO DA MATÉRIA DE MÉRITO. O recurso voluntário para ser conhecido deve ser tempestivo, e preencher os requisitos de admissibilidade. A intempestividade prejudica a análise de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do Recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação, em relação a suposto pagamento indevido/a maior relativo ao IRPJ do código 2430 do período de apuração 12/2003. Por bem descrever os fatos que antecedem a análise do presente recurso voluntário, adoto o relatório proferido pela 3a Turma da DRJ/BEL através do Acórdão 01.19 830 constante às fls. 117: Tratase de declaração de compensação transmitida em 28/08/2006 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 69.603,41 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2430, do período de apuração de 12/2003, no valor originário de R$ 69.603,41. A Delegacia de origem, em análise datada de 18/07/2008 (fl. 06), asseverou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada a interessada apresentou, em 18/08/2008, manifestação de inconformidade (fls. 10/12) na qual, em síntese, alega que: "a) Em 30/04/2004 efetuou o recolhimento de IRPJ (2430 IRPJ/Ajuste Anual no valor de R$ 69.603,41, referente ao ano de 2003. Após apurar o balanço anual e efetuar os devidos ajustes, verificou que não havia débito a ser pago, que os pagamentos das estimativas durante o ano já eram suficientes para quitar o valor do IRPJ efetivamente devido, ficando esse DARF como pagamento indevido, apurando dessa forma um crédito no valor de R$69.603,41. b) A demonstração dessas informações poderá ser confirmada através da DIPJ referente a esse período. c) O erro cometido, referese apenas ao indevido preenchimento da DCTF referente ao ano de 2003, tendo em vista que a declaração foi entregue antes dos devidos ajustes, permanecendo declarado como débito, o valor total do Darf pago. d) Para corrigir esse erro efetuou a entrega da DCTF retificadora em 12/08/2008. Naquela oportunidade, averiguando nos sistemas da Receita Federal, apurou o crédito não estar disponível para compensação, incitandoa a manter a exigência, conforme Ementa às fls. 116: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 243DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.901823/200844 Acórdão n.º 180201.346 S1TE02 Fl. 242 3 Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR..ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Intimada em 08/02/2011 conforme AR constante às fls. 120, não se pronunciou com relação ao julgado. Intimada novamente através de carta de cobrança às fls. 127 e seguintes em 13/07/2011 e, tendo sido lavrado termo de perempção às fls. 132, apresentou Recurso Voluntário em 26/08/2011, requerendo a improcedência da exigência, juntando documentos que comprovariam seu direito ao crédito e por conseqüência, sustentariam a compensação intentada. É o relato do essencial. Voto Conselheiro Marciel Eder Costa Verifico às fls. 132, que o presente recurso é intempestivo, dado o termo de perempção lavrado e tendo em vista a Recorrente ter sido intimada da decisão que não reconheceu o direito creditório em 08/02/2011, vindo a apresentar seu recurso somente em 26/08/2011, após ser intimada em 13/07/2011 através de carta de cobrança dos valores. Tendo em vista a intempestividade na apresentação do recurso, requisito essencial para o pleito recursal, não tomo conhecimento do recurso interposto. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Relator Fl. 244DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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