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Numero do processo: 10215.720378/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procede a alegação de cerceamento do direito de defesa por falta de motivação do lançamento, quando restam apontadas, de forma expressa, a fundamentação fática e jurídica da autuação. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigo 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62-A do Regimento Interno. DENÚNCIA ESPONTÊNEA. TRIBUTO DECLARADO, MAS PAGO A DESTEMPO. RESP 962.379/RS Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.610
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE ALTAMIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição Para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procede a alegação de cerceamento do direito de defesa por falta de motivação do lançamento, quando restam apontadas, de forma expressa, a fundamentação fática e jurídica da autuação. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62A do Regimento Interno. DENÚNCIA ESPONTÊNEA. TRIBUTO DECLARADO, MAS PAGO A DESTEMPO. RESP 962.379/RS Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Belém que manteve em parte o Auto de Infração, apenas para afastar a multa de ofício em face da retroatividade benigna. O presente Auto de Infração foi lavrado para exigir Contribuição para o Pasep, do período de apuração de 01/01/2006 a 31/12/2009, no valor de R$ 5.439.489,81 (fl. 54), compreendendo principal, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 30/12/2010. A autoridade fiscal, nos termos da descrição dos fatos de fl. 56, informa que o lançamento referese a insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Pasep incidente sobre receitas e transferências correntes e receitas de transferências de capital recebidas, conforme Termo de Verificação de Infração, no qual restou consignado: A Contribuição para o Pasep é apurada mensalmente (...) à razão de 1% sobre o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas (...). (...) O somatório mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas pelo sujeito passivo no período fiscalizado está disposto no Demonstrativo de Apuração do Pasep, às fls. 40/41 (...). (...) Comprovada a ocorrência do fato gerador e a insuficiência de recolhimento da contribuição devida, os valores devidos foram lançados de oficio, acrescidos de multa de oficio de 75% e de juros de mora calculados em percentual equivalente à taxa Selic (...). (...) Em pesquisa nos sistemas da Receita Federal, constatouse a existência dos recolhimentos às fls. 10/41, efetuados antes do início do procedimento fiscal. Eles decorrem de pagamentos efetuados a maior do que o declarado, visto que o sujeito passivo informou não possuir débitos nas DCTFs às fls. 2/9. Os recolhimentos poderiam ser aproveitados quando do cálculo da contribuição devida em procedimento de oficio. Entretanto, deve ser considerado o fato de que o sujeito passivo pode não concordar com o lançamento tributário e, por conseguinte, com a utilização de oficio do respectivo crédito na apuração da contribuição devida, tendo o direito de impugnar esse lançamento. " Fl. 769DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10215.720378/201041 Acórdão n.º 3301001.610 S3C3T1 Fl. 93 3 Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 74/78, alegando, em estreita síntese que: a) o auto de infração contém falhas formais que maculam o direito de defesa e contraditório. Os autos do processo mencionam numeração de páginas que não conseguimos identificar, ou mesmo partes do processo estão sem numeração de página, tais como auto de infração, termo de encerramento e demonstrativos; b) no termo de encerramento é mencionado que o cumprimento das obrigações tributárias relativas à contribuição para o PASEP foi levantado por amostragem e, no entanto, não foram indicados os elementos numéricos que compuseram esta amostragem, cerceando o direito de defesa, haja vista que a não identificação desses elementos de amostragem comprometem a perfeita análise dos elementos que compuseram o débito. c) nas instruções contidas no termo de encerramento, no item III, é definido como local para entrega da impugnação provável o CACSantarém, sendo que tal definição vem novamente ferir ou no mínimo dificultar o direito de defesa, tendo em vista que reduziria o prazo de trinta dias para a impugnação, pois obrigatoriamente teria que se deslocar à cidade de Santarém, sendo que existe no município de Altamira uma Agência da Receita Federal do Brasil; d) ao longo do processo são citados anexos contendo planilhas informativas da elaboração do débito. No entanto, verificase que tais anexos não possuem identificação, como mencionado na folha 3 do Termo de Verificação de infração. Esta falha dificulta a leitura e o entendimento da peça, provocando o descumprimento do princípio da clareza e objetividade das informações; e) foram desconsiderados os recolhimentos feitos pelo município em DARF para o referido tributo (PASEP), indicando a possibilidade de pedido de restituição ou compensação. A opção por este procedimento, em contraposição à possibilidade de deduzir imediatamente do auto de infração, gera um ônus maior para o município, pois os encargos oneram bem mais que as atualizações em favor do contribuinte. Se a razão do não reconhecimento de tais pagamentos foram as DCTFs informadas pelo município, há de se convir que o auto de infração descaracterizouas, reconhecendo o fato gerador, logo reconheceria também no próprio auto de infração seus recolhimentos, inclusive porque as retenções efetuadas na fonte pelo Banco do Brasil S/A, destinadas ao pagamento do PASEP, não foram informadas nas DCTFs, mas foram deduzidas do valor total do débito pelo auto de infração da Receita Federal do Brasil. Se existe na legislação alguma justificativa para não se considerar os pagamentos feitos através de DARF, pelo menos o contribuinte precisaria ser informado. A matéria discutida impacta diretamente no valor apurado no auto de infração, permitindo ao Estado que arrecade juros e multa sobre valores já pagos pelo contribuinte e, desta forma, ferindo o princípio do não enriquecimento ilícito. A DRJ em Belém julgou o lançamento procedente em parte, nos seguintes termos: Fl. 770DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 LANÇAMENTO. REQUISITOS DE VALIDADE. VÍCIO. INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade em lançamento que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, com as alterações da Lei n° 8.748, de 1993. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade no ato administrativo que indica seus fundamentos determinantes, fornecendo e colocando à disposição do sujeito passivo os documentos que lhe servem de baliza. Se com a impugnação o contribuinte apresenta alegações que visam refutar o ato administrativo controvertido, demonstrando a plena cognição de seu teor, inexiste qualquer cerceamento ao seu direito de defesa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/1972. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EFEITOS. A denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN apresentase hábil a afastar a incidência da multa de ofício, quando acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora respectivos. Lançamento Procedente em Parte. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, restringindose a repetir as razões apresentadas na sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a ora Recorrente apresentou dois argumentos em sua defesa (i) nulidade do Auto de Infração por cerceamento do direito de defesa; (ii) configuração da denúncia espontânea e, consequentemente, aplicabilidade dos benefícios dela decorrentes, mesmo nas hipóteses em que há declaração do contribuinte e, só após, em atraso, é efetuado o pagamento da dívida. Passemos à analise de cada um deles. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10215.720378/201041 Acórdão n.º 3301001.610 S3C3T1 Fl. 94 5 Nulidade: cerceamento do direito de defesa Preliminarmente, alega a Recorrente que o presente Auto de Infração seria nulo por não indicar os valores retidos pela empresa, tampouco a forma de sua amortização, cerceando, assim, seu direito de defesa. Neste ponto concordo com a autoridade recorrida quando afirma que o Auto de Infração, além de indicar as razões de fato e de direito em que se funda, descreve e delimita a matéria tributável, apontando expressamente os documentos que lhe servem de baliza, os quais foram inclusive disponibilizados ao sujeito passivo ao longo do prazo para apresentação de impugnação escrita. Ademais, restou expressamente consignado no Termo de Verificação de Infração o método de apuração do tributo. Com efeito, esclareceu a fiscalização, claramente, o seguinte. A Contribuição para o Pasep é apurada mensalmente pela União, Estados, Municípios e Distrito Federal. Incide à razão de 1% sobre o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Ressaltando que nas receitas correntes devem ser incluídas as receitas tributárias arrecadadas por outra entidade da Administração Pública e deduzidas as transferências efetuadas a certas entidades públicas (arts. 2º, inciso III, 7o e 8o , inciso III, da Lei n° 9.715, de 1998) (...) Contudo, antes da apuração da contribuição devida, devem ser excluídas as transferências de recursos anteriormente tributadas. São elas as transferências correntes e de capital da União para as pessoas jurídicas de direito público interno, as quais sofrem retenção do Pasep, promovida pelo Banco do Brasil S/A, no ato do seu pagamento ou crédito (art. 68 do Decreto n° 4.524, de 2002; art. 65 da Lei n° 9.430, de 1996). Mais adiante esclareceu que as transferências sujeitas à retenção da contribuição estão relacionadas nos Demonstrativos de Distribuição de Arrecadação constantes do Anexo III, publicados pelo Banco do Brasil no site https://wvvwl7.bb.com.br/portalbb/djo/daf/Demor.strativo5802,4647,4652,12,l.bbx. São elas: o Auxilio Financeiro para Fomento das Exportações FEX; a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico ODE; o Fundo Especial do Petróleo FEP; o Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos e Valores Mobiliários – IOF sobre o ouro; o Imposto Territorial Rural ITR; e o Fundo de Participação dos Municípios FPM. Neste contexto, verificase que não pode prosperar a presente alegação, tendo em vista que a fiscalização foi bastante clara e precisa ao relacionar os valores retidos na fonte, bem como a forma de sua amortização. Denúncia espontânea Fl. 772DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 Sustenta, ainda, a Recorrente que o presente AI deveria ser cancelado em face da configuração da denuncia espontânea, uma vez que teria recolhido integralmente o tributo, previamente declarado, antes do início de qualquer procedimento de fiscalização. Pois bem. O Superior Tribunal de Justiça, valendose da sistemática prevista no art. 543, “c”, do CPC, pacificou, no REsp 962.379, o entendimento já consolidado na Súmula STJ nº 360, no sentido de que o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 962379/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 28/10/2008) Por conta disso, mesmo tendo entendimento pessoal em sentido diverso, devese aplicar ao presente caso o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 773DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10215.720378/201041 Acórdão n.º 3301001.610 S3C3T1 Fl. 95 7 Fl. 774DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE
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Numero do processo: 10880.014764/00-88
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999
CERCEAMENTO DE DEFESA. DESPACHO DECISÓRIO NULO. ANULAÇÃO DE TODOS OS ATOS POSTERIORES.
São nulos, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, o despacho decisório e a decisão de primeira instância que se fundamentam em premissas falsas. A nulidade do despacho decisório implica no expurgo dos seus efeitos do mundo jurídico.
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA - NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO
O CARF não pode declarar a ocorrência de homologação tácita que decorra do escoamento do prazo em face da declaração de nulidade do despacho decisório.
Recurso Voluntário Provido em parte
Numero da decisão: 3801-001.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a nulidade do despacho decisório da delegacia de origem por cerceamento do direito de defesa. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Jose Luiz Bordignon; e por maioria de votos, não reconhecer as homologações tácitas. Vencido o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl (Relator). Designado o Conselheiro Marcos Antônio Borges para elaborar o voto vencedor referente a esta matéria.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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DESPACHO DECISÓRIO NULO. ANULAÇÃO DE TODOS OS ATOS POSTERIORES. São nulos, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, o despacho decisório e a decisão de primeira instância que se fundamentam em premissas falsas. A nulidade do despacho decisório implica no expurgo dos seus efeitos do mundo jurídico. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO O CARF não pode declarar a ocorrência de homologação tácita que decorra do escoamento do prazo em face da declaração de nulidade do despacho decisório. Recurso Voluntário Provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a nulidade do despacho decisório da delegacia de origem por cerceamento do direito de defesa. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Jose Luiz Bordignon; e por maioria de votos, não reconhecer as homologações tácitas. Vencido o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl (Relator). Designado o Conselheiro Marcos Antônio Borges para elaborar o voto vencedor referente a esta matéria. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 47 64 /0 0- 88 Fl. 4706DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinad o digitalmente em 08/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.014764/0088 Acórdão n.º 3801001.608 S3TE01 Fl. 4.707 2 (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 4707DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinad o digitalmente em 08/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.014764/0088 Acórdão n.º 3801001.608 S3TE01 Fl. 4.708 3 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI referente ao 2º trimestre de 1999, apresentado em 28 de setembro de 2000, no valor total de R$ 85,637,31, ao qual se vinculam as Declarações de Compensação de nº 15177.19434.150605.1.3.010305, 06165.80067.150405.1.3.014383 e 39561.46929.140705.1.3.012012 (fls. 220/231), transmitidas respectivamente em 15/06/2005, 15/04/2005 e 14/07/2005, computando valor total de R$ 85.637,31. A Recorrente foi intimada em 04 de janeiro de 2010 para apresentar no prazo de 20 dias os documentos comprobatórios da origem do crédito (fl. 235/236– pedido esse feito em conjunto para os processos nº 10880.014765/0041, 10880.014766/0011 e 10880.014763/0015), a saber: 1. Apresentar original e cópia do livro registro de entradas referente ao período de janeiro a dezembro de 1999; 2. Apresentar original e cópia do livro registro apuração de IPI referente ao período de janeiro a dezembro de 1999; 3. Apresentar original e cópia do livro registro de apuração de IPI em que conste o estorno do crédito pleiteado; 4. Apresentar a relação dos produtos fabricados no ano de 1999 e a sua classificação fiscal; 5. Apresentar listagem completa de todas as notas fiscais de venda emitidas nos meses de março, maio, setembro e outubro de 1999; 6. Esclarecer se o crédito de Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI pleiteado foi gerado com fundamento no art. 11 da lei n° 9.779/99, ou com fundamento na portaria MF n° 38/97 como consta no pedido protocolizado; Em 02/02/2012 a DRF de origem proferiu despacho decisório (fls. 238/240) indeferindo o pedido de ressarcimento e não homologando as compensações formuladas sob a alegação de que não houve apresentação de documentos pedidos na referida intimação e nem apreciou a solicitação de dilação do prazo requerida pela Contribuinte. Inconformado, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em 20 de abril de 2010 (fls243/262), alegando cerceamento de defesa, tendo comprovado que havia protocolizado pedido de prazo suplementar de 30 dias para apresentação da documentação exigida ainda no prazo para apresentação dos documentos, em 28 de janeiro de 2010, juntando todos os documentos solicitados e os esclarecimentos necessários (fls. 270), alegando, ainda, que a decisão se deu com supedâneo na IN 900/2008, posterior à data do pedido e que deveria se dar com base na IN 21/1997 e ainda sustentando que o procedimento Fl. 4708DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinad o digitalmente em 08/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.014764/0088 Acórdão n.º 3801001.608 S3TE01 Fl. 4.709 4 não seguiu os mínimos princípios básicos da administração tais como a razoabilidade e verdade material. A DRJ em Ribeirão PretoSP, por sua vez, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade ofertada pela Recorrente, através do acórdão de fls. 619/630, cuja ementa tem o seguinte teor: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999 Ementa: RESSARCIMENTO DE IPI. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. IPI. RESSARCIMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que, regularmente intimado, tenha deixado de apresentar as provas solicitadas, visando à comprovação do direito reclamado. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. E ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente intimado para tanto, fls. 632, interpôs a Recorrente o presente Recurso Voluntário de fls. 797/807, em 10/05/2011, e que se vale dos mesmos argumentos perpretados em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 4709DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinad o digitalmente em 08/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.014764/0088 Acórdão n.º 3801001.608 S3TE01 Fl. 4.710 5 Voto Vencido Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. A questão aqui posta se resume em saber se houve por parte da Recorrente negligência que implicasse em perda do direito de apresentar as provas que juntou somente em sede de Manifestação de Inconformidade, ou não. Para tanto, peço vênia aos meus pares para apresentar a cronologia dos fatos aqui passados. A Recorrente apresentou pedido de Ressarcimento em 28/09/2000, acompanhada de documentos – notas fiscais e registro de entrada (01 a 03/1999). Em 15/06/2005, 15/04/2005 e 14/07/2005 apresentou pedidos de compensação. Em 07/01/2010, ou seja, 4 anos e 7 meses (1646 dias) após o pedido de compensação mais recente e 9 anos, 3 meses e 11 dias (3.388 dias) após o protocolo do pedido de ressarcimento a DRF intima a Recorrente a apresentar documentos, concedendolhe ora prazo de 20 dias, ora de 10 dias, nos processos relatados nessa data por este Conselheiro. A Recorrente protocoliza pedido de prorrogação de prazo para a entrega de documentos antes do julgamento do seu pedido. A DRF prolata o despacho decisório após o prazo do protocolo do pedido de prorrogação e o faz negando o direito do contribuinte sob o fundamento de que ficou inviabilizado o exame do crédito porque a contribuinte deixou de apresentar os documentos solicitados no prazo. e o pedido deveria ser indeferido. A Recorrente intimada dessa decisão interpõe a Manifestação de Inconformidade em 13/04/2010, juntando toda a documentação constante da intimação. Em 01/02/2011 a DRJ de Ribeirão Preto julga a Manifestação de Inconformidade. Tenho que poderia, após a exposição feita acima, poupar os meus pares de uma argumentação mais pormenorizada para sustentar o meu entendimento sobre o caso, mas me é defeso fazêlo, não só em respeito a minha obrigação de fundamentar as decisões, mas também em respeito a todos que se manifestaram nesse processo. Nesse sentido quero dividir um trecho do acórdão recorrido (fls 516), que tomo a liberdade de destacar: Fl. 4710DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinad o digitalmente em 08/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.014764/0088 Acórdão n.º 3801001.608 S3TE01 Fl. 4.711 6 “E, mesmo tendo a recorrente alegado que apresentou pedido de prorrogação de prazo, não vislumbro qualquer irregularidade na decisão ora recorrida, pois a autoridade administrativa pode recusar tal prorrogação, fato que ficou tacitamente demonstrado pela prolação da decisão em 4/02/2010. E, nenhuma prova foi apresentada para que a autoridade administrativa pudesse decidir se o motivo alegado para a solicitação de prorrogação era verídico.” Portanto, a ilustre relatora do acórdão na DRJ entendeu que houve recusa tácita do pedido de prorrogação de prazo feito pela Recorrente, por conta da prolação do despacho decisório e que nenhuma prova foi apregoada aos autos que justificasse o pedido de prorrogação. Não posso concordar com tal entendimento. Primeiro, porque é defeso à administração fazêlo – não há para a administração como fazer qualquer indeferimento tácito, porque suas decisões devem ser fundamentadas. Segundo, porque o que de fato fundamentou o despacho decisório e motivou o indeferimento do ressarcimento e a nãohomologação das compensações foi o fato dos documentos não terem sido apresentados no prazo determinado e a inação da Recorrente, o que na realidade não aconteceu, porque a Contribuinte não só requereu a dilação do prazo, mas justificou o pedido. A contribuinte juntou documentos demonstrando que a documentação requisitada estava em dividida em diversos lugares por conta de um sinistro ocorrido dois anos antes na empresa. Mas, se vale o meu palpite, se mesmo assim não tivesse ocorrido, razoável seria conceder um prazo maior para recolher documentos fiscais que tinham cerca de dez anos e não mais estavam tramitando pela diuturnidade da Recorrente. Pelo que me lembro, era Nelson Rodrigues que dizia que o mais persuasivo meio de convencer alguém é a pancada. Mas no Estado de Direito não é assim que se procede. O direito deve ser dito e justificado. Agora sim, tenho que já está suficientemente justificado o meu entendimento. E nem acho que é preciso discutir e apresentar aqui toda a retórica referente aos princípios constitucionais e legais que norteiam a administração – legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência –, porque não há nenhuma razão para carregálos de culturalismo jurídico, quando estamos nos deparando com o instituto preliminar a todos esses: o ético. Na realidade a decisão da DRF se sustentou em premissa errônea. Alegou que houve inércia da contribuinte. Fato esse inexistiu. Ficou evidenciado que a recorrente apresentou pedido de prorrogação no prazo e o indeferimento e nãohomologação se deram motivados pela inação da contribuinte, ou seja, a decisão se fundamentou em premissa falsa. No mais a autoridade não examinou documento que deveria examinar, protocolizado antes do julgamento, o pedido de prorrogação, que não pode ser tacitamente negado. Tenho que o despacho decisório é nulo. Fl. 4711DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinad o digitalmente em 08/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.014764/0088 Acórdão n.º 3801001.608 S3TE01 Fl. 4.712 7 As provas contradizem a fundamentação do despacho decisório, isso é incontestável e, nesse sentido, a decisão cerceou o direito a defesa da Recorrente que nos termos do artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/1972, implica em nulidade do despacho, a saber (os grifos são meus): Art. 59. São nulos: II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Quanto à matéria acima exposta, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem sido firme quanto à anulação da decisão em casos análogos a este, conforme se verifica nos julgamentos colacionados abaixo: PEDIDO DE EXECUÇÃO DE DECISÃO JUDICIAL. MATÉRIA NÃO APRECIADA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. São nulos, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, o despacho decisório e a decisão de primeira instância que deixam de apreciar o efetivo pedido formulado pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido Processo nº 11610.003783/200372, Ac. 210201.005 – Segunda Seção,1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária. PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. São nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa da parte, nos termos do art. 59, inc. II do Decreto n° 70.235/72. A falta de análise da documentação acostada aos autos pela Impugnante implica em flagrante cerceamento do seu direito de defesa, devendo a nulidade ser reconhecida de oficio. Preliminar acolhida Processo n° 16045.000216/200510, Ac. 210200.712, – Segunda Seção, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Fl. 4712DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinad o digitalmente em 08/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.014764/0088 Acórdão n.º 3801001.608 S3TE01 Fl. 4.713 8 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. Caracterizase cerceamento do direito de defesa a não apreciação do parecer jurídico trazido aos autos antes do julgamento, bem como, a recusa da administração em juntar aos autos cópias de documentos que estavam em seu poder, considerados pelo sujeito passivo como provas de suas razões de impugnação. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. IMPEDIMENTO DE AUTORIDADE JULGADORA. Configurase hipótese de impedimento da autoridade julgadora de 1ª instancia quando restar caracterizada a sua participação, direta ou indiretamente, na ação fiscal. (Portaria MF 258, de 24 de agosto de 2001). Processo Anulado. Processo n° 10283.002649/200421, Ac. 310100.363 , Terceira Seção, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sendo nulo o despacho decisório, tudo o que dele decorrer também é nulo. É essa a determinação legal, tanto do PAF quanto do CPC1, ou seja, nesse caso a correção somente pode ser realizada através da invalidação retroativa, leiase ex tunc, desde o momento do ato praticado, conforme nos ensina Pontes de Miranda2: “... de regra, as nulidades podem ser decretadas de oficio, quando o juiz as encontra. A eficácia constitutiva negativa da anulação é ex tunc. Tudo que a sentença pode alcançar é expelido do mundo jurídico. Se ato jurídico de disposição foi anulado, a disposição temse como se não houvesse acontecido: o direito, a pretensão, a ação...”. Muito bem, nesse vetor, tendo sido expurgada a única decisão que examinou as compensações requeridas tenho que nada mais há que se fazer senão homologálas tacitamente nos termos da Lei, vejamos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão 1 Art. 248. Anulado o ato, reputamse de nenhum efeito todos os subseqüentes, que dele dependam; todavia, a nulidade de uma parte do ato não prejudicará as outras, que dela sejam independentes. 2 Miranda, Pontes de. Tratado das Ações, Campinas: Bookseller, 1998, p.130. Fl. 4713DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinad o digitalmente em 08/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.014764/0088 Acórdão n.º 3801001.608 S3TE01 Fl. 4.714 9 informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Assim, nenhuma das compensações, no meu entender foi examinada até o presente momento porque nula a decisão que as examinou. Conseqüentemente, voto por julgar procedente o presente recurso voluntário para declarar a nulidade do despacho decisório e de todos os atos posteriores que dele dependam e declarar homologadas tacitamente as compensações ora pleiteadas e, ainda, para determinar o retorno dos autos para a DRF de origem para que examine o pedido de ressarcimento. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Fl. 4714DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinad o digitalmente em 08/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.014764/0088 Acórdão n.º 3801001.608 S3TE01 Fl. 4.715 10 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Borges, Redator Designado Com o devido acatamento, permito me divergir do voto do Ilmo. Sr. Relator em relação ao reconhecimento das homologações tácitas. O artigo 59 do Decreto n.º 70.235/1972 tem três parágrafos, nos quais estão postos os limites e a extensão da declaração de nulidade dos atos que compõem o processo administrativo fiscal: Art. 59. [...] § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Tais regras reproduzem regras similares constantes dos artigos 248 e 249 do Código de Processo Civil, e têm um claro objetivo de privilegiar a economia processual; sim, porque não há porque anular os atos que não tenham sido resultado, direto ou indireto, do ato declarado nulo. Por conta disto os dispositivos comandam que a autoridade, ao declarar a nulidade, especifique todos os atos atingidos e determine as providências necessárias ao prosseguimento regular do processo. A disposição do parágrafo 3º também visa a economia processual. Se a autoridade julgadora percebe que no mérito o lançamento é improcedente, não deve declarar a nulidade, pois se assim não for, a nulidade pode ser saneada e o lançamento, desde sempre irregular, voltará a ser efetuado e uma vez mais submetido a uma evidentemente inútil reapreciação administrativa. No entanto, uma vez declarada a nulidade do despacho decisório, conforme expresso no voto do eminente relator, não há que se entrar no mérito do pedido administrativo, devendo o processo retornar a DRF de origem para que essa se posicione quanto à procedência e ao montante do crédito do sujeito passivo para com a União. No caso em tela, por se tratar de pedido de ressarcimento cumulado com pedido de compensação, caso o crédito seja reconhecido e tiver valor superior ao total do débito objeto da compensação, a autoridade competente da Receita Federal do Brasil deverá promover o ressarcimento do saldo creditório remanescente, desde que inexistam outros débitos a serem compensados com o referido crédito. Ainda que haja o reconhecimento da homologação tácita da compensação pela autoridade competente da Receita Federal do Brasil, é cabível a apresentação de Fl. 4715DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinad o digitalmente em 08/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.014764/0088 Acórdão n.º 3801001.608 S3TE01 Fl. 4.716 11 manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento do direito creditório quando o crédito informado pelo sujeito passivo em seu pedido de ressarcimento cumulado com pedido de compensação não for integralmente reconhecido. Com estas considerações, voto no sentido de julgar procedente em parte o presente recurso voluntário para declarar a nulidade do despacho decisório e de todos os atos posteriores que dele dependam, não declarar a homologação tácita das compensações ora pleiteadas e, ainda, para determinar o retorno dos autos para a DRF de origem para que essa se posicione quanto à procedência e ao montante do crédito do sujeito passivo para com a União. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 4716DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinad o digitalmente em 08/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 13888.005624/2010-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.351
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Presente no julgamento o seu representante legal Dr. Fernando Ferreira Castellani, inscrito na OAB/SP sob o nº 209.877.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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Competência da 2ª e 3ª Seção Recorrente MICROSAL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Ref.: PIS/COFINS/IRRF Cumulação de matéria. Competência da 2ª e 3ª Seção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Presente no julgamento o seu representante legal Dr. Fernando Ferreira Castellani, inscrito na OAB/SP sob o nº 209.877. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Rafael Pandolfo. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 4101DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13888.005624/201015 Error! Reference source not found. n.º 220200.351 S2C2T2 Fl. 2 2 Relatório. Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Ribeirão Preto/SP, que manteve a autuação sobre as Contribuições ao PIS (fls. 1.687/1.691, e 1.693/1.697) e da Cofins (fls. 1.699/1.703 e 1.705/1.709) e do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF (fls. 1.711/1.758), com multa qualificada. Auto de Infração a fls. 3.617/3.629. Termo de Verificação Fiscal a fls. 2.805/2.825. Autuação lavrado em 17.12.2010, por falta/insuficiência de recolhimento da PIS e da Cofins e do IRRF sobre pagamento a beneficiários não identificados de setembro/2005 a novembro/2007, além de multa e juros, conforme relatório da decisão recorrida que adoto: “Trata o presente processo de autos de infração de contribuição para o Programa de Integração Social PIS, às fls. 1.687/1.691, e 1.693/1.697, este com multa qualificada; de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, às fls. 1.699/1.703, e 1.705/1.709, este com multa qualificada, e, também, de Imposto de Renda Retido na Fonte, fls. 1.711/1.758, com multa qualificada, lavrados, em 17/12/2010. No que se refere à contribuição para o PIS, a contribuição exigida de ofício é de R$ 19.379,97 (fls. l.687) e R$155.605,07 (fls. l.693), multa de ofício de R$ 14.534,97 e de R$233.407,60(150%), respectivamente, além dos acréscimos legais, referindose aos períodos de apuração de janeiro e junho de 2005; fevereiro e março de 2007, consoante descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 1.689 e fl. 1.695 e demonstrativos de apuração e de multa e juros de mora de fls. 1.690/1.691 e 1.696/1.697. A título de Cofins a contribuição exigida de ofício é de R$ 278.264,20(fl.l.699) e R$716.726,36(fl. 1.705), multa de ofício de R$208.698,15 e de R$1.075.089,53(150%), respectivamente, além dos acréscimos legais, referindose aos períodos de apuração de janeiro e junho de 2005; fevereiro, março e abril de 2007, consoante descrição dos fatos e enquadramento legal de fl.1.701 e fl.1.707 e demonstrativos de apuração e de multa e juros de mora de fls. 1.702/1.703 e 1.707/1.708. No campo "descrição dos fatos" dos autos de infração consta: "Valores apurados conforme Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante e inseparável deste Auto de Infração". Quanto ao IRRF, o imposto exigido de ofício é de R$ 3.173.783,88(fl.l.711) e multa de ofício de R$4.760.675,45(150%), além dos acréscimos legais, referindose aos períodos de apuração de setembro de 2005 a novembro de 2007, consoante descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 1.713 a fl. 1.723 e demonstrativos de apuração e de multa e juros de mora de fls. 1.724/1.742 e 1.744/1.758. O Termo de Verificação Fiscal, fls. 1.760/1.782, nos dá conta de toda a ação fiscal desenvolvida na empresa, especificando os termos de intimações lavrados, os esclarecimentos exigidos, os documentos solicitados, as diligências realizadas, as glosas efetuadas e a descrição de fatos que levaram a autoridade fiscal à conclusão de que, além da própria contribuinte fiscalizada, são responsabilizados pessoalmente, com base no art. 135, III, Fl. 4102DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13888.005624/201015 Error! Reference source not found. n.º 220200.351 S2C2T2 Fl. 3 3 do CTN, Everaldo de Jesus Cuan, CPF 079.704.79804; Ibraim Menegon, CPF 865.755.038 53; Laércio Cuan, CPF 158.354.09893; Onivaldo Cuan, CPF 055.128.00850; e Paulo Sérgio Cuan, CPF 079.708.76803. De acordo com a Fiscalização da análise por amostragem da documentação fiscal de saída das mercadorias não se constatou irregularidade. Entretanto, com relação a documentação fiscal e contábil das entradas de insumos, que formam a base de cálculo dos créditos no regime não cumulativo foram constatadas divergências entre os valores contidos nas diversas fontes analisadas: DACON, contabilidade, livro de Entradas, planilha Excel do contador, relatório da Consultoria Marcondes Advogados Associados. A vista disso, a empresa foi intimada a apresentar nova planilha relacionando todas as notas fiscais de entrada do período 01/2005 a 03/2007. De posse dessa planilha, e após conferência por amostragem, com diversas notas fiscais, que considerou corretas, a fiscalização passou a análise dos itens que geraram créditos tendo excluído da base de cálculo diversos itens. Especificamente quanto as glosas efetuadas dos créditos de PIS e Cofíns, a fiscalização apontou as seguintes razões: A) Glosa n° 01 Itens não considerados Insumos A fiscalização glosou os custos/despesas apropriados pela contribuinte com direito a crédito de PIS/Cofins, que não são vinculados diretamente com a produção dos produtos vendidos, tais como, combustível de veículos, manutenção de imobilizado, manutenção de veículos, material de consumo, material para construção, pneus e câmaras de ar, honorários profissionais, refeições, propaganda, material de escritório, material de laboratório, conserto de máquina de escrever, mobília, exaustores, material elétrico, material de segurança, despesas com farmácia, comissões, acessórios de veículos, despesas com telefone, ferramentas, jornais e revistas. Elaborou o demonstrativo de fls. 1604 a 1618 onde estão relacionados todos os itens, as bases e os créditos glosados. B) Glosa n° 02 Compra de Sucata de Cobre Foram glosadas as aquisições posteriores a 01/03/2006, vedadas expressamente pelo art. 47 da Lei n° 11.196, de 2005. C) Glosa n° 03 Notas Fiscais de Importação Foram glosados os valores constantes das notas fiscais n° 1.850 a 1.854, por tratarse de remessa parcial da nota fiscal n° 1.849, e o valor constante da nota fiscal n° 2.370, por ser duplicidade da nota fiscal n° 2.369. D) Glosa n° 04 Compra de pessoas físicas Foram glosadas as aquisições de pessoas físicas conforme informado pela contribuinte, que admitiu que erroneamente as relacionou como tendo gerado créditos. E) Glosa de Notas Fiscais Inidôneas Fl. 4103DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13888.005624/201015 Error! Reference source not found. n.º 220200.351 S2C2T2 Fl. 4 4 Foram glosadas todas as notas fiscais emitidas pelas empresas Macme Comércio de Sucatas Ltda., J.L.B. Comércio de Sucatas Ltda. e RJ. Comércio e Equipamentos Hidráulicos Ltda ME. F) Do Imposto de Renda Retido na Fonte Foi exigido o IRRF sobre todos os pagamentos efetuados às empresas Macme, JLB e RJ, que segundo a fiscalização teriam emitido notas fiscais frias de vendas de sucata de cobre para a Microsal. G) Da solidariedade passiva dos Responsáveis Diante dos fatos apurados, concluiu a autoridade autuante que "são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, a teor do art. 135, III, do CTN". Como consequência, foi atribuída responsabilidade pessoal pelos créditos tributários lançados, aos responsáveis legais pela MICROSAL, Ibraim Menegon, Onivaldo Cuan, Everaldo de Jesus Cuan, Paulo Sérgio Cuan e Laércio Cuan. A Fiscalização fez constar no referido Termo que a sujeição passiva solidária referese aos autos de infração do PIS/PASEP, Cofins e IRRF, lavrados com a multa de 150%. Termo de sujeição passiva solidária e intimação fiscal dos sócios da empresa, Nivaldo, Laércio, Paulo, Everaldo e Sara a fls. 3.666/3676. Impugnação a fls. 1.828 a 1.859: Decisão recorrida a fls. 3.677/3.707, com ciência em 06/06/2011 (fls. 3.718), manteve a autuação. Recurso Voluntário de fls. 3.725/3.782 da Microsal a fls. 3.929/3.977 e dos sócios da Microsal. Demais recorrentes, Nivaldo e Laércio, em 12/07/2011 (fls. 3.919/3.921), Paulo e Everaldo, em 14/07/2011 (fls. 3.923/3.925), e Sara, às fls. 3927, em 20/07/2011, sustentam em síntese: Em preliminar sustentam a impossibilidade de responsabilização pessoal por falta de prova da responsabilidade, sem ligação entre as pessoas dos sócios e o fato ilícito originário da autuação, com base no art. 135, III, do CTN. Argúem decadência parcial referente aos fatos geradores do período de janeiro a novembro/2005; No mérito, pedem o cancelamento da autuação, tendo em vista a comprovação da efetiva ocorrência das operações realizadas com as empresas “Macme Comércio de Sucatas Ltda”, “JLB Comércio de Sucatas Ltda” e “RJ Comércio e Equipamentos Hidráulicos Ltda ME”; Pedem o cancelamento da autuação do Imposto de Renda Retido na Fonte, mediante o reconhecimento e a comprovação de identificação dos beneficiários dos pagamentos bem como a efetividade das operações, assim como a sua imputação penal; Fl. 4104DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13888.005624/201015 Error! Reference source not found. n.º 220200.351 S2C2T2 Fl. 5 5 Pugnam, ainda, pelo afastamento da multa qualificada, ou redução a multa de ofício (75%), pela ausência da o comprovação de dolo ou fraude; É o relatório. Fl. 4105DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13888.005624/201015 Error! Reference source not found. n.º 220200.351 S2C2T2 Fl. 6 6 Voto Cuidase de Recurso Voluntário da decisão que manteve a autuação do Pis/Pasep e do IRRF, com a seguinte ementa : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Exegese que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173,1, do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2007 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO INDEVIDO DE CRÉDITOS. GLOSA. O desconto indevido de créditos na apuração da Cofins não cumulativa, autoriza a glosa e a tributação dos valores correspondentes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2007 PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO INDEVIDO DE CRÉDITOS. GLOSA. O desconto indevido de créditos na apuração do PIS nãocumulativo, autoriza a glosa e a tributação dos valores correspondentes. ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PAGAMENTOS A EMPRESAS INEXISTENTES DE FATO. COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS, INCLUSIVE COM OS CHEQUES EMITIDOS, NOMINAIS E CRUZADOS, AOS FORNECEDORES. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA IRRISÓRIA EM NOME DOS FORNECEDORES, DO SEU REPRESENTANTE LEGAL E DE SEUS SÓCIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO RECEBIMENTO DOS PRODUTOS ADQUIRIDOS. Comprovado por diligências in loco nos pretensos domicílios tributários dos fornecedores de que estes não existem, aliado a inexistência de movimentação financeira dessas empresas e de seus Fl. 4106DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13888.005624/201015 Error! Reference source not found. n.º 220200.351 S2C2T2 Fl. 7 7 sócios, à ausência de comprovação entre os pagamentos e o efetivo recebimento dos produtos adquiridos, tudo isso faz robusta prova de que os pagamentos não tiveram causa. MULTA QUALIFICADA. CUSTOS NÃO COMPROVADOS. O lançamento como custos e despesas operacionais, cujos comprovantes foram fornecidos por empresas inexistentes de fato, ou, comprovadamente incapazes de haver fornecido as mercadorias neles constantes, autoriza a glosa de tais custos e/ou despesas por incomprovados e, ao mesmo tempo, comprova o evidente intuito defraude, sujeitando a empresa fiscalizada à multa de 150%. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. SÓCIO DE PESSOAS JURÍDICAS. PRÁTICA DE ATOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO À LEI. CTN, ART. 135. CONFIGURAÇÃO. Provado pela fiscalização nos autos do processo que os sócios agiram com excesso de poderes e/ou com infração à lei, a teor do art. 135, III, do CTN, ao lado da sociedade contribuinte dos tributos, são também responsáveis pelos créditos correspondentes. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTE. RESPONSÁVEL. O lançamento de ofício, efetuado sobre pessoa jurídica legalmente estabelecida, ensejalhe a condição de contribuinte direito, tendo a identificação dos sócios na ação fiscal, o objetivo de fornecer subsídios para considerálos responsáveis pelo crédito tributário quando da execução fiscal. As matéria discutidas nestes autos são de competência da 2ª e da 3ª Seção deste Conselho, conforme podemos ler no Regimento Interno: Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF); II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); ...... V penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. Art. 4° À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), inclusive as incidentes na importação de bens e serviços; .... Fl. 4107DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13888.005624/201015 Error! Reference source not found. n.º 220200.351 S2C2T2 Fl. 8 8 XXI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. Art. 6° Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo. Parágrafo único. Os processos referidos no caput serão julgados com observância do rito previsto neste Regimento. O art. 6ª do RICARF traz regra de conexão e da prevenção à Câmara que primeiro tomar conhecimento dos processos pendente de julgamento (prevenção) com os mesmos fatos (conexão), ainda que o sujeito passivo seja distinto, poderá ficar preventa. O verbo é condicional, o processo poderá ser distribuído. A competência atribuída às três Seções de julgamento do Carf é privativa e ratione materiae, isto é, a competência se dá conforme a matéria relativa ao tributo envolvido na autuação. Nesta autuação parte da matéria é de competência privativa da 2ª Seção da omissão da retenção do imposto de renda na fonte – IRRF e da 3ª Seção na exigência das Contribuições do PIS e da COFINS.. Aqui os fatos são os mesmos, mas a matéria os tributos da autuação são distintos. O Regimento Interno não permite solução seja pela prevenção ou pela conexão. Com a lacuna é necessário o desmembramento do processo e da autuação para distribuição à devida Seção de julgamento do Carf com competência para decidir a matéria. Para os fins expostos, pelo meu voto, converto os autos em diligencias para que a digna autoridade lançadora proceda ao desmembramento dos autos conforme a competência da matéria atribuída as Seções de julgamento do Carf. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator Fl. 4108DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 19647.001961/2005-87
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
Ementa:
IMUNIDADE IRRF SOBRE RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS – RESTITUIÇÃO CERTEZA E LIQUIDEZ
Embora a cautelar concedida na ADI 1.8023 tenha suspendido a vigência do § 1º do art. 12 da Lei 9.532/97 até o final da ação, o julgamento não se concluiu, com que se têm ausentes a certeza e a liquidez do crédito postulado.
Numero da decisão: 1103-000.764
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 Ementa: IMUNIDADE IRRF SOBRE RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS – RESTITUIÇÃO CERTEZA E LIQUIDEZ Embora a cautelar concedida na ADI 1.8023 tenha suspendido a vigência do § 1º do art. 12 da Lei 9.532/97 até o final da ação, o julgamento não se concluiu, com que se têm ausentes a certeza e a liquidez do crédito postulado.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 29/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.001961/200587 Acórdão n.º 110300.764 S1C1T3 Fl. 178 2 Relatório DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Tratase de pedido de restituição em que a postulante é sociedade civil de caráter religioso, beneficente, educacional, cultural e de fins filantrópicos, aduzindo ser beneficiada pela imunidade tributária de impostos sobre a renda. A postulante reivindicou junto ao Banco Bradesco, sucessor do Banco Bilbao Vizcaya, onde possui conta corrente e realiza suas aplicações financeiras, a restituição dos valores que teve, indevidamente, retidos na fonte. Em resposta, a instituição financeira se negou a atender à solicitação da postulante sob argumentação de que os valores outrora retidos já haviam sido repassados para a Receita Federal. Afirmou que, em cumprimento à disposição do art. 150, § 4º, da Constituição Federal, o patrimônio, as rendas e os serviços da postulante são estritamente relacionados com suas finalidades essenciais. E, inclusive, é possível comprovar facilmente que todos os seus recursos são aplicados integralmente na manutenção dos objetivos institucionais. Em função da proibição constitucional, assegurada pelo art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, e de seu enquadramento no disposto pelo art. 2º do Decreto 2.536/98, restou evidente seu direito de restituição sobre o imposto indevidamente retido na fonte. Pelo exposto, requereu a restituição dos valores repassados pelo Banco Bradesco à Receita Federal, tendo em vista serem indevidas as retenções efetuadas, uma vez que beneficiária de imunidade tributária. DO DESPACHO DECISÓRIO Em 19/10/2006, foi proferido despacho decisório pela DRF de Recife, à fl. 93. Foi indeferido o pedido de restituição, com fulcro no art. 12, § 1º, da Lei 9.532/97 e alterações posteriores. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Intimada e inconformada com o despacho decisório retro, a postulante apresentou, em 24/11/2006, manifestação de inconformidade de fls. 96 a 102, com os argumentos que seguem. Além de reiterar o que anteriormente afirmado no pedido de restituição, a postulante abordou questão sobre inconstitucionalidade de lei infraconstitucional. Apresentou Fl. 197DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 29/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.001961/200587 Acórdão n.º 110300.764 S1C1T3 Fl. 179 3 entendimento do Supremo Tribunal Federal no sentido de que “as imunidade tributárias devem ser interpretadas finalisticamente”. Sendo assim, através de uma interpretação teleológica, seria necessária maior averiguação das circunstâncias fáticas e jurídicas sobre cada entidade, de forma a não ocorrerem abusos na utilização do benefício constitucional. Diante do exposto, requereu a revisão da decisão constante do despacho de fl. 93 para que obtenha as restituições dos valores repassados pelo Banco Bradesco à Receita Federal através de indevidas retenções na fonte. DA DECISÃO DA DRJ Em 12/05/2009 acordaram os membros da 5ª Turma de Julgamento da DRJ de Recife, por unanimidade de votos, negar provimento à manifestação de inconformidade, de acordo com o entendimento que segue. Foi abordada a questão da incompetência das instâncias administrativas no tocante à inconstitucionalidade das leis, nos termos do Decreto 2.346/97. Nesse sentido também o Parecer Normativo CST 329/70 e o Acórdão 10607.303 de 5/06/95 proferido pelo 1º Conselho de Contribuintes. Sendo assim, afirmou não haver possibilidade de, em sede administrativa, ser apreciado o argumento de defesa da postulante. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário de fls. 120 a 131, em 28/04/2008, basicamente reiterando os argumentos deduzidos na peça inaugural e acrescentou: A postulante aduziu em seu recurso voluntário pela Ação Direta de Inconstitucionalidade 1.8023, em que o Supremo Tribunal Federal deferiu, por unanimidade de votos, pedido de medida cautelar para suspensão da vigência do art. 12, § 1º, e § 2º, “f”, da Lei 9.535/97, até o momento da decisão final da ação. Instruiu o recurso voluntário com a íntegra da referida ADI. Em vista do exposto, requereu a restituição dos valores indevidamente retidos na fonte pelo Banco Bradesco. É o relatório. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 29/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.001961/200587 Acórdão n.º 110300.764 S1C1T3 Fl. 180 4 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 119 e 121). Dele, pois, conheço. Como se viu do relatório, tratase de pedido de restituição de IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras no Banco Bilbao Vizcaya, sucedido pelo Banco Bradesco. A recorrente invoca ser titular de direito subjetivo à imunidade sobre a renda do art. 150, § 4º, “c”, da CF, porquanto conforma instituição de assistência social, nos termos do art. 2º do Decreto 2.536/98. Segundo seu estatuto social, a recorrente tem por finalidade (fl. 11): a) oferecer e desenvolver o ensino em seus vários graus, a educação moral, cívica e religiosa; b) promover atividades culturais; c) dedicarse às obras de promoção humana, beneficente, filantrópica e de assistência social; d) assistir através de convênios filantrópicos, instituições de educação, cultura e assistência social. Diante de seu direito subjetivo à imunidade sobre sua renda, deduz seu pedido de repetição do IRRF suprarreferido, com esteio na inconstitucionalidade dos arts. 12, §§ 1º e 2º, “f” e 13, da Lei 9.532/97: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º. Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º. Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; Fl. 199DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 29/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.001961/200587 Acórdão n.º 110300.764 S1C1T3 Fl. 181 5 e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3°. Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anos calendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considerase, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. Em abono a seu pedido, lembra que o art. 12, §§ 1º e 2º, “f”, o art. 13 e o art. 14, da Lei 9.532/97 se encontram com sua vigência suspensa até o final da ação. Isso, em face da medida cautelar concedida em tais termos, pelo STF, na ADI nº 1.8023. É bem conhecida essa ADI e a cautelar que determinou a suspensão da eficácia dos antecitados preceitos legais. O Decreto 2.53/98 foi revogado pelo Decreto 7.237/10, posterior à formulação do pedido em jogo. Ainda, observo que a chamado CEBAS – Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social e o anterior Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos soem serem exigidos somente para reconhecimento da imunidade sobre as contribuições da seguridade social, não para a imunidade de impostos. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 29/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.001961/200587 Acórdão n.º 110300.764 S1C1T3 Fl. 182 6 Não se pode esquecer, contudo, que a repetição de indébito tributário reclama certeza e liquidez do crédito postulado. E o julgamento da ADI 1.8023 não se concluiu, para declaração da inconstitucionalidade dos mencionados preceitos legais. Ainda, é o teor do art. 170A do CTN: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Diria que, para a restituição, sequer seria necessária tal preceituação, ou melhor, nem se reclamaria o apoio no art. 170A do CTN, para infirmar a liquidez e certeza do crédito postulado. Noto, ainda, que a recorrente sequer se dignou a indicar o valor da repetição postulada (fls. 1 a 6). Foram anexadas ao pedido cópias de extratos de aplicações financeiras de 2002 a 2004 (fls. 20 a 89). Não constam para todo esse período os informes de rendimentos financeiros, que destacam o valor de IRRF, e que constituem o documento bastante para aproveitamento do IRRF, conforme o art. 943, § 2º, do RIR/99. Por outro lado, pessoalmente, não vejo como se possa se cogitar de inércia, muito mais se imputar a pena consequente à inércia de contribuinte para aquela que, judiciosamente, aguarda o fecho quanto à inconstitucionalidade de certa exação, para, só com trânsito em julgado nesse sentido, exercer seu direito à restituição. É a pessoa que contribui para não abarrotar o Judiciário com feitos cujo desfecho dependerá do reconhecimento final da constitucionalidade ou não da exação, em julgamento hoje, sob repercussão geral ou mesmo sob procedimento repetitivo. Que se dirá quando haja também uma ADI ou ADC? Muita vez tal contribuinte é a que se curva à presunção de constitucionalidade de leis ou de legalidade de atos administrativos, e que assim se mantém enquanto tais presunções não sejam definitivamente afastadas pelo Judiciário. Entretanto, não se pode ignorar que em julgamento de REsp sob procedimento repetitivo, o STJ consagrou o entendimento de que o prazo prescricional para repetição de indébito tributário se conta a partir do recolhimento do tributo, e não de quando haja transitado em julgado o reconhecimento da inconstitucionalidade de sua exigência. Isso se deu no julgamento do REsp nº 1.110.578SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux (julgamento de 12/05/10, DJe de 21/05/10) . E, no julgamento do recurso afetado sob repercussão geral, e que se deu por maioria, o STF conferiu entendimento diverso ao deduzido pelo STJ em sede de repetitivo, ao consagrar que o prazo reduzido é aplicável em relação às ações ajuizadas após a vacatio legis de 120 dias da publicação da Lei Complementar (LC) 118/05, portanto, às ações ajuizadas a partir de 9/06/05. Eis o problema que se põe à contribuinte. Diante disso, já tive a oportunidade de reconhecer no Acórdão nº 1103 00.750, da sessão de 11 de setembro de 2012, que cabe interpretar o acórdão do STF no sentido de se considerar como data do ajuizamento da ação a data do pedido administrativo da repetição, para aplicação da exegese consagrada pelo STF aos feitos administrativos. Do Fl. 201DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 29/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.001961/200587 Acórdão n.º 110300.764 S1C1T3 Fl. 183 7 contrário, ou estenderemos indiretamente o prazo “maior” para repetição de indébito tributário, conforme fixado pelo STF, ou simplesmente o mutilaremos, por o contribuinte exercer seu direito administrativamente, nos expressos termos do art. 168 c/c o art. 169, do CTN. Na mesma linha, cito o julgamento pela 2ª Turma do STJ, de 2/8/12, do REsp nº 1.089.356PR, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques. A mesma inteligência é cabível, evidentemente, sob o curso do prazo corrente de 5 anos para decadência, ou de prescrição, como entende o STJ. De todo modo, tais considerações as faço obter dictum, vez que não se põe nos limites objetivos da presente lide. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 13 de setembro de 2012 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 202DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 29/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13748.000249/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/11/2005
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO. COMPENSAÇÃO.
Provado e demonstrado que o indébito tributário declarado na Dcomp, como crédito financeiro, já havia sido integralmente utilizado para amortização de parcelamento acordado no PAES, não se homologa a compensação declarada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-001.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 30/11/2005 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Provado e demonstrado que o indébito tributário declarado na Dcomp, como crédito financeiro, já havia sido integralmente utilizado para amortização de parcelamento acordado no PAES, não se homologa a compensação declarada. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/11/2005 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Provado e demonstrado que o indébito tributário declarado na Dcomp, como crédito financeiro, já havia sido integralmente utilizado para amortização de parcelamento acordado no PAES, não se homologa a compensação declarada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Rio de Janeiro I que julgou improcedente manifestação de inconformidade interposta contra despacho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 02 49 /2 00 9- 70 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 decisório que não homologou a compensação do débito de Cofins, no valor de R$46.503,66, vencido em 25/2/2009, declarado na Dcomp às fls. 2, protocolada em 26/2/2009, com crédito financeiro decorrente de pagamento a maior desta mesma contribuição, no valor de R$16.333,43, referente à competência de outubro de 2005, recolhida em 30/11/2005, por meio de darf, no valor de R$11.607,34, conforme demonstrativo às fls. 4, denominado “Pagamento Indevido ou a Maior”. Por meio do Parecer Saort nº 470/2009/Despacho Decisório às fls. 44/47, a DRF em Nova Iguaçu, RJ, não homologou a compensação do débito tributário sob o fundamento de inexistência do crédito financeiro declarado, tendo em vista que o valor constante do darf indicado para comprovar o pagamento indevido foi integralmente utilizado para amortizar parcelamento de débitos via PAES. Cientificada daquele despacho decisório, inconformada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 49/20 e fls. 88/89), insistindo na homologação da compensação do débito declarado, alegando razões, assim resumidas por aquela DRJ: “a) Não teve ciência das folhas 28/29 dos autos, as quais, segundo o Parecer Seort, demonstrariam que o pagamento já estava apropriado no parcelamento PAES, o que o impede de conferir tais apropriações; e b) Assim, requer o fornecimento de tais documentos bem como vista dos autos, para que possa verificar a alocação e melhor se defender;” Em face dessa manifestação e requerimento, a recorrente foi intimada de que os autos do processo ficariam a sua disposição na repartição, por trinta dias, para vista, solicitação de cópias e eventual aditamento das razões de defesa (fls. 80). Em 14.12.2009, a recorrente recebeu cópia de todas as folhas dos autos e em 22.12.2009, apresentou aditamento de sua defesa, alegando razões assim resumidas pela DRJ: “a) As folhas 28/29, citadas no Parecer Seort, demonstram que o pagamento foi alocado, mas não indicam em que débitos, sem possibilidade de o interessado verificar se a alocação foi correta; b) Sua preocupação é saber se o pagamento não foi alocado em débitos que já teriam sido excluídos do programa de parcelamento PAES, em virtude da inclusão indevida, já que durante a consolidação dos débitos houve diversas solicitações de exclusão de débitos e que parte do montante foi transferida para o parcelamento PAEX; c) Assim, requer que lhe seja demonstrado onde o pagamento foi alocado (que tributos e que datas);” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 1229.391, datado de 23 de março de 2010, às fls. 94/97, sob a seguinte ementa: “RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Comprovado que o alegado pagamento indevido fora usado para amortizar saldo devedor do parcelamento PAES, não há crédito em favor do contribuinte.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 101/105), requerendo sua reforma a fim de que se homologue a compensação do débito declarado, alegando, em síntese, que não teve conhecimento ao conta corrente do parcelamento Fl. 112DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13748.000249/200970 Acórdão n.º 3301001.771 S3C3T1 Fl. 112 3 de seus débitos e assim não tem como saber quais pagamentos foram alocados para os débitos parcelados no PAES. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Conforme demonstrado na decisão recorrida, a compensação do débito declarado na Dcomp, em discussão, não foi homologada sob o fundamento de que o crédito financeiro (indébito) declarado já havia sido utilizado para amortizar parte de cota do PAES, inexistindo saldo remanescente a ser compensado. Nesta fase recursal, a recorrente simplesmente alega que não teve conhecimento ao conta corrente do parcelamento de seus débitos e assim não tem como saber quais pagamentos foram alocados para os débitos parcelados no PAES. Conforme consta daquela decisão, o montante inicial dos débitos parcelados, via PAES, foi de R$6.342.752,70, conforme Extrato da Dívida às fls. 40 (fls. 27), que foi posteriormente reduzido para R$1.969.178,74., conforme Extrato Conta PAES às fls. 93 (fls. 67). Ambos os Extratos da dívida original às fls. 40 (fls. 27) e da reduzida às fls. 93 (fls. 67) comprovam amortizações no valor de R$371.449,99. A composição do total dos valores utilizados na amortização da dívida PAES está discriminada na planilha às fls. 41 (fls. 28), denominada “Demonstrativo de Pagamentos”, em que constam os valores dos pagamentos indevidos e utilizados com as seguintes informações: a) data de vencimento – DARF; b) data de arrecadação; c) valor arrecado; valor da TJLP; e, d) valor da amortização, todos mês a mês. O valor do darf declarado como crédito financeiro – R$11.607,04 – na Dcomp em discussão, consta daquela planilha. O total dos valores da planilha, atualizados pela TJLP, soma exatamente o valor de R$371.449,99 que foi utilizado para amortizar parte da dívida PAES. Assim, demonstrado que o crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão já havia sido integralmente utilizado para amortizar parte da dívida PAES, não há que se falar em homologação do débito declarado. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10510.003314/2010-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2006 a 30/09/2008
ADESÃO AO PARCELAMENTO AUTORIZADO PELAS LEIS 11.196/1995 E 11.960/2009
Alega a Recorrente que aderiu ao parcelamento autorizado pelas leis acima. Contudo, o parcelamento antes aderido não foi contabilizado pela Fiscalização para efeito da autuação, uma fez que já declarado na GFIP. E, quanto as rubricas consideradas para efeito da autuação a Recorrente não provou a sua adesão, ao contrário, o documento juntado não passa de papelucho sem expressão no mundo jurídico.
MULTA CONFISCATÓRIA.
Não é multa confiscatória aquela que se enquadra à determinação legal. Bem como não há de se falar em concorrência de normas, se a que serviu de parâmetro trata de consumo e a legislação previdenciária tributária tem lei específica, não podendo aplicar multa de 2% (Lei 9.298/96)
Entretanto, segundo o CTN, Artigo 106, II, C se aplica a fato pretérito, quando a lei lhe comine penalidade menos gravosa que a prevista na lei Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente.
No caso em tela deve-se aplicar a Lei 8.212/91 Artigo 32-A, já que no caso em tela foi aplicada tão somente a multa de mora.
INEXISTÊNCIA DE FRAUDE.
Para comprovar a existência de fraude, mister que seja configurado o animus fraudandi. Não ocorrência. Também não alegado pela Fiscalização.
TAXA SELIC E JUROS
A aplicação da taxa SELIC nas autuações fiscais é determinação da legislação previdenciária, quando não é recolhido em tempo hábil as contribuições previdenciárias. Juros com base na taxa SELIC são autorizados pelo Artigo 34, da Lei n.º 8.212/91.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
Esta Casa não pode avaliar inconstitucionalidade de lei, sendo o STF o Colegiado guardião da Constituição Federal.
Questão já resolvida pelo CARF em seu Regimento Interno, Artigo 62.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente
(assinado digitalmente)
Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Damião Cordeiro de Moraes.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2006 a 30/09/2008 ADESÃO AO PARCELAMENTO AUTORIZADO PELAS LEIS 11.196/1995 E 11.960/2009 Alega a Recorrente que aderiu ao parcelamento autorizado pelas leis acima. Contudo, o parcelamento antes aderido não foi contabilizado pela Fiscalização para efeito da autuação, uma fez que já declarado na GFIP. E, quanto as rubricas consideradas para efeito da autuação a Recorrente não provou a sua adesão, ao contrário, o documento juntado não passa de papelucho sem expressão no mundo jurídico. MULTA CONFISCATÓRIA. Não é multa confiscatória aquela que se enquadra à determinação legal. Bem como não há de se falar em concorrência de normas, se a que serviu de parâmetro trata de consumo e a legislação previdenciária tributária tem lei específica, não podendo aplicar multa de 2% (Lei 9.298/96) Entretanto, segundo o CTN, Artigo 106, II, C se aplica a fato pretérito, quando a lei lhe comine penalidade menos gravosa que a prevista na lei Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente. No caso em tela deve-se aplicar a Lei 8.212/91 Artigo 32-A, já que no caso em tela foi aplicada tão somente a multa de mora. INEXISTÊNCIA DE FRAUDE. Para comprovar a existência de fraude, mister que seja configurado o animus fraudandi. Não ocorrência. Também não alegado pela Fiscalização. TAXA SELIC E JUROS A aplicação da taxa SELIC nas autuações fiscais é determinação da legislação previdenciária, quando não é recolhido em tempo hábil as contribuições previdenciárias. Juros com base na taxa SELIC são autorizados pelo Artigo 34, da Lei n.º 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Esta Casa não pode avaliar inconstitucionalidade de lei, sendo o STF o Colegiado guardião da Constituição Federal. Questão já resolvida pelo CARF em seu Regimento Interno, Artigo 62. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Damião Cordeiro de Moraes.
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Voluntário Acórdão nº 2301003.179 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de novembro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente MUNICÍPIO DE CEDRO DE SAO JOÃO PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2006 a 30/09/2008 ADESÃO AO PARCELAMENTO AUTORIZADO PELAS LEIS 11.196/1995 E 11.960/2009 Alega a Recorrente que aderiu ao parcelamento autorizado pelas leis acima. Contudo, o parcelamento antes aderido não foi contabilizado pela Fiscalização para efeito da autuação, uma fez que já declarado na GFIP. E, quanto as rubricas consideradas para efeito da autuação a Recorrente não provou a sua adesão, ao contrário, o documento juntado não passa de papelucho sem expressão no mundo jurídico. MULTA CONFISCATÓRIA. Não é multa confiscatória aquela que se enquadra à determinação legal. Bem como não há de se falar em concorrência de normas, se a que serviu de parâmetro trata de consumo e a legislação previdenciária tributária tem lei específica, não podendo aplicar multa de 2% (Lei 9.298/96) Entretanto, segundo o CTN, Artigo 106, II, C se aplica a fato pretérito, quando a lei lhe comine penalidade menos gravosa que a prevista na lei Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente. No caso em tela devese aplicar a Lei 8.212/91 Artigo 32A, já que no caso em tela foi aplicada tão somente a multa de mora. INEXISTÊNCIA DE FRAUDE. Para comprovar a existência de fraude, mister que seja configurado o ‘animus fraudandi’. Não ocorrência. Também não alegado pela Fiscalização. TAXA SELIC E JUROS A aplicação da taxa SELIC nas autuações fiscais é determinação da legislação previdenciária, quando não é recolhido em tempo hábil as AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 33 14 /2 01 0- 48 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVE IRA 2 contribuições previdenciárias. Juros com base na taxa SELIC são autorizados pelo Artigo 34, da Lei n.º 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Esta Casa não pode avaliar inconstitucionalidade de lei, sendo o STF o Colegiado guardião da Constituição Federal. Questão já resolvida pelo CARF em seu Regimento Interno, Artigo 62. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Côrrea – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Damião Cordeiro de Moraes. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10510.003314/201048 Acórdão n.º 2301003.179 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Auto de Infração lavrado contra a Recorrente para a constituição do crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias devidas nas competências outubro de 2006; novembro de 2006; março a dezembro de 2007; abril de 2008; junho de 2008 e setembro de 2008. Foram lançadas as contribuições devidas pela empresa da retenção de 11% incidente sobre as Notas Fiscais de prestação de serviços de cessão de mão de obra, com fundamento no caput do art. 31 da Lei n° 8.212, de 1991. As contribuições lançadas foram agrupadas no levantamento RE RETENÇÃO 11, onde estão inseridas as contribuições incidentes sobre os valores retidos da empresa CÉLIO FERREIRA LEÃO, apuradas pela fiscalização após verificação e análise nas notas fiscais, contratos, empenhos, registro contábeis e relatórios informatizados fornecidos pelo município. Tomou ciência e tempestivamente anatematizou o AI, através de impugnação, cuja qual foi julgada improcedente pela DRJ. Em 21.MAR.2011 foi notificada da DN e em 18 de abril do mesmo ano aviou o presente Remédio Recursal com as seguintes alegações: i) adesão ao parcelamento autorizado pelas Leis 11.196/1995 e 11.960/2009; ii) caráter confiscatório da multa; iii) inexistência de fraude; iv) juros – aplicação SELIC – Inconstitucionalidade; ao final requer a procedência do Recurso Voluntário, modificando a decisão anatematizada. É a síntese do necessário. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVE IRA 4 Voto Conselheiro Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator O presente Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço. ADESÃO AO PARCELAMENTO AUTORIZADO PELAS LEIS 11.196/1995 E 11.960/2009 Alega a Recorrente que aderiu ao parcelamento autorizado pelas leis 11.196/1995 e 11.960/2009, cujo comprovante foi juntado com a peça de impugnação. Todavia, com todo respeito à Defesa, mas o documento que foi acostado com a peça defensiva às fls. 39 em PDF do segundo volume, não passa de um papelucho, sem expressão jurídica, pois nem mesmo preenchido está, e, se quer tem número de protocolo. Se a intenção foi criar imbróglio para dificultar o profícuo conhecimento dos fatos, não foi feliz, pois o relapso sinalizou com mais evidência. Mas, por outro lado, no item 08 do Relatório Fiscal informa que foram considerados a crédito do contribuinte os valores parcelados constantes nos DCG Débito Confessado em GFIP existentes em nome do impugnante nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil RFB, identificados. De forma que os valores já parcelados foram abatidos das contribuições apuradas na fiscalização. Este abatimento pode ser constatado no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA, fls. 29 a 34, onde os parcelamentos encontramse identificados pela sigla LDC Lançamento de Débito Confessado. Quanto as divagações a respeito das leis de concessão ao parcelamento de nada servem, pois se não provou a adesão infrutífera é, e, ainda, não foram lançados débitos já conhecidos pela fiscalização como parcelados e confessados em GFIP. Neste quesito não assiste razão a Recorrente. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Requer em sua peça recursiva a não aplicação da multa, porque insiste que houve adesão ao parcelamento das leis acima mencionadas. E, argumenta também que em caso de aplicação da multa tem que ser aplicada a de 2% conforme preconiza a Lei 9.298/96, por ser a mais benéfica, já que a doutrina, segundo a Recorrente, e a Jurisprudência, no caso de concurso de lei, aplicase a mais favorável ao contribuinte. Quanto ao parcelamento, tratase de questão já ultrapassada e decidida, onde não se conheceu dele porque não houve prova cabal de sua adesão. Então, há aplicação da multa, se a tese defensiva é esta. E, referente ao concurso de leis, onde se roga aplicação da multa de 2% com fulcro na Lei n° 9.298/96, por haver concurso de leis e por ser a mais benéfica, urge trazer à Fl. 129DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10510.003314/201048 Acórdão n.º 2301003.179 S2C3T1 Fl. 4 5 baila uma breve noção de que isto ocorre quando um mesmo fato possui tipicidade em relação a mais de uma norma aparentemente iguais, ou seja, seria duas ou mais normas aplicáveis a um mesmo caso concreto. Evidente que existe somente a aparência, porque não há de fato o chamado concurso de normas. E, em caso de aparência apenas uma só será aplicada, mas não como diz a Recorrente, no caso em tela, pois prevalecerá a especialidade da lei. É necessário que se diga que no presente caso não houve conflito de leis, uma vez que a apontada pela Recorrente trata de relação de consumo, caso que não guarda se quer aparência com relação de contribuição. Admitindose, por amor a dialética jurídica, que houve concurso de normas, temos que a apontada pela Recorrente, ou seja, a Lei 9.298/96 dispõe sobre a proteção do consumidor, ao passo que a relação existente entre as partes não é de consumo, mas sim de contribuinte, portanto, pela especialidade temse que a Lei 8.212/91 é específica para o caso. Mas, uma coisa o Recorrente tem razão, quanto a aplicação mais benéfica do dispositivo da norma, conforme prevê o CTN, Artigo 106, inciso II, C, que a lei se aplica a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos gravosa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Neste caso, como parte do período de apuração é anterior à data da edição da MP 449, é necessário verificar qual penalidade de multa é a menos onerosa ao contribuinte, qual seja, a oriunda da legislação ao tempo da prática ou a da legislação atual. Assim, como no presente caso tratase tão somente da multa de mora, e, para aplicação dela penso que a menos gravosa seja o dispositivo da lei atual, assim, tenho que o Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, até 11/2008, deve ser aplicada, se mais benéfica à Recorrente. INEXISTÊNCIA DE FRAUDE Diz a Recorrente que não houve fraude, mas sim parcelamento que a própria Fiscalização reconhece, razão pela qual não há inadimplência e tão pouco fraude. De fato, como alhures dito a Fiscalização reconheceu o parcelamento de outros débitos antes já declarados em GFIP, cujos quais não fizeram parte da autuação. O que não houve foi a dita adesão as leis antes mencionadas, onde o Recorrente informou ter juntado documento comprovando o seu reconhecimento de parcelamento das rubricas autuadas, o que não é verdade. Mas, isto, por si só não configura fraude, assistindo razão a Recorrente. Mas, que não confunda aplicação de pena por fraude, com punição de não cumprimento de obrigação previdenciária. Por outro lado, a Fiscalização não fulcrou sua atuação nesta questão, cuja qual nem foi cogitada. TAXA SELIC E JUROS Fl. 130DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVE IRA 6 Quanto a desejada exclusão dos juros e da dita ilegalidade na aplicação da taxa SELIC, não assiste razão a Recorrente, porque a fiscalização não inventou as suas aplicações. Ao contrário, é determinação da legislação previdenciária. Em não sendo recolhido no tempo adequado as contribuições previdenciárias, o contribuinte ‘atrasado’ tem que honrar com a sua desídia ou outra razão qualquer, que não importa ao fisco. Mas, o certo é que, tal exigência serve para não permitir a agressão ao principio da isonomia, tão bem defendida pela Carta Cidadã, uma fez que o contribuinte que não recolher no prazo fixado, não pode ter o mesmo tratamento daquele outro que cumpri regularmente as suas obrigações fiscais. Quanta as ditas aplicações ilegais dos juros com base na taxa SELIC, urge verificar que a sua utilização está disciplinada no artigo 34, da Lei n.º 8.212/91: “Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei)” Em 18 de setembro de 2007 o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a SÚMULA Nº 3, com o seguinte teor, que põe uma pá de cal na argumentação defensiva, ‘ex vi’: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” Dito isto, não há dúvida da regularidade e acerto cometido pela Fiscalização em sua autuação, onde usou os juros com base na taxa SELIC. INCOSTITUCIONALIDADE DE LEI. Esta Corte administrativa, como todas as demais, inclusive judicial, exceto o Supremo Tribunal Federal, não têm competência para distribuir, analisar e julgar processos e ou matérias que tratam de inconstitucionalidade de lei. Devese ater o Recorrente ao entendimento anotado no Parecer CJ 771/97 que: “O guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10510.003314/201048 Acórdão n.º 2301003.179 S2C3T1 Fl. 5 7 De forma que, ainda que seja uma vírgula mal distribuída num parágrafo da lei anatematizada pelo Recorrente, o caminho a postular inconstitucionalidade e perquirir direitos é o Pretório Excelsior, e não esta via. Mais ainda, há de destacar que a atividade administrativa encontrase com vinculo ao que determina a lei, como dito por muitos, ‘as ações do gestor público é escravizada pela lei’. Neste sentido, peço vênia para juntar escólio do perleúdo jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “O tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” E, de mais a mais, observase que o o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256, de 22/06/2009, veda aos Conselheiros de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Para finalizar, trago à baila que o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre tal matéria, por meio do Enunciado 02/2007, ‘in verbis’: Enunciado nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Portanto, neste quesito, pelas fortes razões acima, não merece nenhuma reforma a decisão ‘a quo’. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO quanto aplicação da multa deve ser aplidada a do Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, e, nas demais questões, manter a decisão hostilizada. É o voto. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVE IRA 8 (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator . Fl. 133DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.006690/2008-29
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.
São dedutíveis, do rendimento recebido em ação trabalhista, os honorários profissionais pagos a advogado, cujo pagamento restar comprovado.
IRRF. COMPENSAÇÃO.
Restabelece-se a compensação de imposto de renda retido na fonte, quando o contribuinte comprova o correspondente pagamento.
DESCONTO SIMPLIFICADO. OPÇÃO. EFEITOS.
A opção pelo desconto simplificado substitui o direito de pleitear as demais deduções previstas na legislação
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar a dedução de honorários advocatícios no valor de R$ 17.871,14, bem como restabelecer IRRF no valor de R$ 22.358,56, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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São dedutíveis, do rendimento recebido em ação trabalhista, os honorários profissionais pagos a advogado, cujo pagamento restar comprovado. IRRF. COMPENSAÇÃO. Restabelecese a compensação de imposto de renda retido na fonte, quando o contribuinte comprova o correspondente pagamento. DESCONTO SIMPLIFICADO. OPÇÃO. EFEITOS. A opção pelo desconto simplificado substitui o direito de pleitear as demais deduções previstas na legislação Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar a dedução de honorários advocatícios no valor de R$ 17.871,14, bem como restabelecer IRRF no valor de R$ 22.358,56, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 66 90 /2 00 8- 29 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10930.006690/200829 Acórdão n.º 2801002.938 S2TE01 Fl. 197 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/CTA/PR. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Trata o processo de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, de fls. 05/09, resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA correspondente ao exercício de 2006, anocalendário de 2005, da qual resulta um imposto a restituir após a revisão de R$ 38.652,59, em virtude de omissão de rendimentos e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. 2. Cientificado do lançamento em 02/12/2008 (fls. 20), o interessado apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 01/03 em 22/12/2008 (fl. 01 verso), acompanhada dos documentos de fls. 04/15, alegando, em síntese: a) Em relação à omissão de rendimentos de R$ 30.799,46, houve pagamento de honorários profissionais no valor de R$ 21.096,00 e R$ 9.487,53 de verbas indenizatórias, totalizando R$ 30.583,53. b) Em relação ao imposto de renda retido na fonte declarado de R$ 22.358,56, apresenta cópia do DARF, código de receita 5936, com número de referência 21 RT3223/2000, arrecadado em 07/10/2005, no valor de R$ 25.231,30. c) Apresenta cópia da homologação judicial dos cálculos periciais, do recibo de honorários profissionais no valor de R$ 21.096,00, de guia de retirada com respectivo DARF no valor de R$ 25.231,30, cópia do quadro demonstrativo dos cálculos periciais.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 30/31, que restou assim ementado: RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. PROVA. A legislação prevê a compensação do imposto de renda retido na fonte na Declaração de Ajuste Anual, mas desde que devidamente comprovado. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10930.006690/200829 Acórdão n.º 2801002.938 S2TE01 Fl. 198 3 Regularmente cientificado daquele Acórdão em 24/08/2011 (AR fl. 41), o interessado interpôs o recurso de fls. 42/47, em 22/09/2011. Em sua defesa, pretende seja reformada a decisão recorrida para: · acolher o documento de arrecadação DARF, emitido pela SRFB quanto à Retenção do Imposto de Renda, tendo em vista que houve alteração do DARF original, através de Oficio da Juíza do Trabalho, MM Adelaide Aparecida Pelegrinello Panage; · deduzir dos valores tributáveis R$ 17.871,14 a título de honorários advocatícios sobre verbas tributáveis, correspondente a 81,7424% do valor pago(R$ 21.862,76) dos valores recebidos a título de verbas tributáveis; · deduzir o valor de R$ 558,87 a título de descontos previdenciários de R$ 558,87. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Examinando os documentos constantes dos autos, é de se levar em conta na apuração do resultado da DIRPF em tela a dedução pleiteada pelo recorrente de R$ 17.871,14 a título de honorários advocatícios e a compensação do IRRF de R$ 22.358,56. As Guias de Retiradas (fls. 53/54) com a indicação dos advogados que representaram o contribuinte nos autos de Reclamação Trabalhista contra a empresa Zambon Laboratórios Farmacêuticos Ltda. e os recibos (fl. 55) firmados pelo contribuinte e pelos indicados advogados comprovam o pagamento de honorários advocatícios no montante de R$ R$ 21.862,76, devendo, portanto, a parcela de R$ 17.871,14 correspondente às verbas tributáveis ser deduzida da base de cálculo, em atenção ao disposto no parágrafo único do art. 56 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999. Quanto à compensação do imposto de renda retida na fonte, a Certidão da Justiça do Trabalho de fl 187 atesta que foi dirigido um ofício a SRF para solicitar a retificação do contribuinte do DARF, recolhido em 07/10/2005, no valor de R$ 25.231,30 para o CPF do contribuinte (361.345.54987), uma vez que constou equivocadamente o CNPJ do réu na guia DARF (Zambon Laboratórios Farmacêuticos Ltda. O extrato de fl. 31 confirma tal alteração, comprovando portanto o recolhimento do correspondente imposto. Assim, deve ser restabelecido o IRRF, no valor de R$ 22.358,56. Por fim, ressaltese que não há como aceitar a dedução a titulo de contribuição à previdência oficial, no valor de R$ 558,87, pois, ao apresentar a declaração no Fl. 198DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10930.006690/200829 Acórdão n.º 2801002.938 S2TE01 Fl. 199 4 modelo simplificado, o contribuinte optou pelo desconto simplificado, abrindo mão dos outros previstos na legislação do imposto de renda. Diante do exposto, voto dar provimento parcial ao recurso para considerar a dedução de honorários advocatícios, no valor de R$ 17.871,14, bem como restabelecer o IRRF, no valor de R$ 22.358,56. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 199DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000125/2007-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2102-000.048
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relatora.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relatora. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 09/02/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima. Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10865.000125/200706 Resolução n.º 2102000.048 S1C1T2 Fl. 1.264 2 RELATÓRIO Em face do contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04/12 para exigência de IRPF em razão da presunção de omissão de rendimentos, fundada na existência de depósitos bancários de origem não comprovada, em contas de sua titularidade. O lançamento abrangeu fatos geradores ocorridos entre os anos de 2001 e 2005, e o contribuinte dele foi cientificado em 05.02.2007. Nesta ocasião, apresentou a impugnação de fls. 697/729, na qual alegou que: seria nulo o auto de infração pela flagrante inconstitucionalidade da Lei n° 10.174, de 2001; o início do procedimento fiscal teve início com a quebra do sigilo bancário, quando em 27/06/2006 lhe foi solicitada a entrega de todos os extratos de contas bancários mantidas em instituições financeiras; em 06/12/2006, após solicitações de prorrogação de prazo, apresentou sob protesto e para evitar embaraço à fiscalização os referidos extratos, porém solicitando motivação no sentido de saber em que dispositivo do art. 3° do Decreto n° 3.724, de 2001, se enquadrava a situação fática do mesmo; em nenhuma das condições elencadas de forma taxativa no art. 3° do Decreto n° 3.724, de 2001, se enquadra a sua situação; o lançamento do imposto de renda tendo como base apenas a movimentação financeira é incorreto, por ser apenas presunção, suposição ou indício, pois não existe renda presumida. Cita a Súmula n° 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos; o uso da presunção do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, subsiste unicamente na finalidade de demonstrar a existência do fato jurídico tributário por meio de provas indiretamente relacionadas a ele, desde que seja impossível chegar à verdade real através de provas diretas, porém, sempre em atendimento aos princípios constitucionais da segurança jurídica, da capacidade contributiva e do não confisco; como se verifica em sua Declarações de Ajuste Anual Exercícios 2002 a 2006, não houve acréscimo patrimonial; apresenta justificativas às fls. 712/720, juntando os documentos de fls.730/1.021; por ser pessoa física não está obrigado a manter sistema de contabilidade em que são registradas as operações bancárias de entrada e saída de numerário; pede a realização de diligências e perícias, para obtenção de novos documentos, bem como a sustentação oral e discorre acerca dos princípios da verdade material, da proporcionalidade e da razoabilidade, para concluir pelo descabimento do auto de infração. Na análise de tais argumentos, os integrantes da DRJ II em São Paulo decidiram pela parcial manutenção do lançamento, em julgado do qual se extrai a seguinte ementa: Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10865.000125/200706 Resolução n.º 2102000.048 S1C1T2 Fl. 1.265 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INEXISTÊNCIA DE FATOS A ESCLARECER. DESNECESSIDADE. A diligência e a perícia são reservadas a esclarecimentos: de fatos ou circunstancias obscuras, não cabendo realizálas quando as informações contidas nos autos são suficientes ao convencimento do julgador e a solução do litígio dela independe. SIGILO BANCÁRIO. É equivocada a alegação de quebra indevida do sigilo bancário, quando as Requisições de Movimentação Financeira foram feitas em face da negativa do sujeito passivo em atender às intimações fiscais, na sua totalidade, tendo a fiscalização observado as normas regulamentadoras da matéria. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997 A Lei n° 9430/96, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu. artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. Excluemse da base de cálculo do lançamento de ofício os valores dos depósitos bancários, cuja origem foi comprovada pelo sujeito passivo na fase impugnatória. Lançamento Procedente em Parte Entenderam como comprovada a origem de parte dos depósitos que ensejaram o lançamento, conforme tabelas de fls. 1042 a 1044. Não tendo se conformado, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 1.047/1078, no qual reiterou os argumentos expostos em sede de impugnação, e alegou que depósitos bancários não podem ser considerados como renda, que deveria ser aplicado ao caso o § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, diante da existência em sua conta de valores que não lhe pertenciam, e que fora indevidamente quebrado o seu sigilo bancário, já que os extratos bancários foram por ele apresentados à fiscalização “sob protesto”. Afirmou ainda que o lançamento teria deixado de individualizar os depósitos que foram considerados como de origem não comprovada, e por isso ele nunca fora intimado a apresentar a justificativa da origem de nada. Em seguida, discorreu sobre as comprovações apresentadas acerca da origem dos depósitos. Discorreu sobre o princípio da verdade real e a necessidade da realização de diligências para a comprovação de outros depósitos, e ainda que o Auto de Infração teria violado ao princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Por fim, discorreu sobre a jurisprudência administrativa a respeito da matéria e alegou ser confiscatória a multa aplicada, que deveria ser revista. Os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10865.000125/200706 Resolução n.º 2102000.048 S1C1T2 Fl. 1.266 4 Às fls. 1219/1220, o Recorrente apresenta petição por meio da qual afirma, nos termos da Lei nº 11.941/09, que: 1) O recorrente desiste dos seguintes direitos que se fundam a ação: a) Não configuração em renda dos depósitos bancários (art. 42, Lei 943011996). 2) Por outro lado, o processo administrativo em questão deverá ter seu prosseguimento, com as seguintes questões: a) Exclusão da Multa de 75% (setenta e cinco por cento); b) Decadência para o exercício de 2001 e período de Janeiro de 2002 c) Parte probatória a que se refere as planilhas e documentos acostados, comprovando justificativas quanto aos depósitos ou créditos mantidos nas contas bancárias em questão, e d) Tudo o que mais constar no processo, excetuado o item 1. (...) Durante a sessão de julgamentos, foi trazida aos autos petição por meio da qual o Recorrente detalhava quais seriam os valores relativos à desistência para fins de parcelamento. É o Relatório. VOTO Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 14.05.2009, como atesta o AR de fls. 1.046v.. O Recurso Voluntário foi interposto em 12.06.2009 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Como se viu, a discussão travada nestes autos versa sobre lançamento para exigência de IRPF em razão da presunção de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Antes porém de entrar no mérito desta discussão, é imperioso analisar o pedido de desistência parcial do Recurso Voluntário, manifestado pelo Recorrente nos termos da Lei nº 11.941/2009. Antes de iniciado o julgamento, não havia ainda sido anexado aos autos o pedido do Recorrente no qual especifica quais são os valores em relação aos quais estava desistindo do recurso. No entanto, foi apresentada por ele uma petição detalhando quais seriam tais valores, os quais devem, por certo, ser objeto de cobrança em apartado, já que não mais fazem parte da lide travada nestes autos. Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10865.000125/200706 Resolução n.º 2102000.048 S1C1T2 Fl. 1.267 5 Por isso, entendo que o processo deve ser remetido à DRFLimeira para que tome as medidas necessárias no sentido de segregar a parcela relativa ao valores para os quais houve a desistência expressa do contribuinte, os quais deverão ser objeto de cobrança em apartado, permitindo ao contribuinte que se beneficie das formas de quitação previstas na Lei nº 11.941/09. Feito isto, devem os autos retornar a este Conselho para apreciação das razões do Recurso Voluntário no que diz respeito à parcela do lançamento que não foi objeto de desistência. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 13302.000051/2007-63
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1996 a 30/06/2004
RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA
Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, deve-se verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas.
No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas - que levaram às conseqüentes decisões - são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido
Numero da decisão: 9202-002.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage (Relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Gonçalo Bonet Allage Relator
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Redator Designado
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1996 a 30/06/2004 RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, deve-se verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas. No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas - que levaram às conseqüentes decisões - são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage (Relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Relator (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator Designado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 30/06/2004 RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, devese verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas. No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas que levaram às conseqüentes decisões são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage (Relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 30 2. 00 00 51 /2 00 7- 63 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado dig italmente em 26/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13302.000051/200763 Acórdão n.º 9202002.376 CSRFT2 Fl. 262 2 (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Redator Designado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado dig italmente em 26/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13302.000051/200763 Acórdão n.º 9202002.376 CSRFT2 Fl. 263 3 Relatório Em face de Compescal Comércio de Pescado Aracatiense Ltda., CNPJ n° 07.108.145/000150, foi lavrada a notificação fiscal de lançamento de débito n° 37.043.8140 (fls. 01140), para a exigência de contribuições previdenciárias, do segurado especial e do produtor rural pessoa física, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, destinada à Seguridade Social e também para o financiamento das prestações por acidente do trabalho, além da contribuição destinada ao SENAR, relativamente a fatos ocorridos entre as competências 01/2001 e 05/2005. O lançamento foi efetuado para prevenir a decadência e sua ciência se deu em 21/06/2007 (fls. 01). Segundo a autoridade lançadora (fls. 148): 1. O presente relatório é parte integrante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, no valor de R$ 2.147.865,19 (dois milhões, cento e quarenta e sete mil, oitocentos e sessenta e cinco reais e dezenove centavos), relativa às seguintes contribuições: Contribuição do segurado especial e do produtor rural pessoa física, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, destinada à Seguridade Social (art. 25, inciso I da Lei 8.212/91); Contribuição do segurado especial e do produtor rural pessoa física, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, destinada à Seguridade Social para o financiamento das prestações por acidente de trabalho ((art. 25, inciso II da Lei 8.212/91) e Contribuição destinada a Terceiros (SENAR — Serviço Nacional de Aprendizagem Rural). 2. A responsabilidade pela retenção e recolhimento das referidas contribuições é da notificada (subrogada nas obrigações dos segurados especiais e produtores rurais — pessoa física), como adquirente dos produtos rurais (camarão, lagosta e peixe), conforme previsto no incisos III e IV do art. 30 da Lei 8.212 de 24 de julho de 1991. 3. É importante ressaltar que as contribuições foram objeto de depósito judicial, no âmbito do Processo 2000.81.00.0166347 (3ª Vara da Justiça Federal do Ceará), estando, portanto, com a exigibilidade suspensa. 4. O presente lançamento foi efetuado para prevenir a decadência. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado dig italmente em 26/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13302.000051/200763 Acórdão n.º 9202002.376 CSRFT2 Fl. 264 4 A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) considerou o lançamento procedente (fls. 211216). Por sua vez, a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, apreciando o recurso voluntário interposto pela contribuinte, proferiu o acórdão n° 240101.076, que se encontra às fls. 236240, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. Não se verificando antecipação de pagamento das contribuições, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PERÍCIA DESNECESSIDADE Não restando comprovada a sua necessidade e os requisitos a ela ensejadores, a perícia não se justifica. ARROLAMENTO DE BENS Lei 9.532/97 O arrolamento previsto na Lei 9532/97 é apenas uma averbação nos registros competentes sobre a existência do arrolamento promovido pelo fisco, ocorre sempre que o valor dos créditos tributários lançados superar 30% do patrimônio conhecido da empresa e não se confunde com o arrolamento como condição de seguimento de recurso. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO A decisão recorrida, por maioria de votos, declarou a decadência até a competência 11/2001, vencidos os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa (Relator) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por declarar a decadência até 05/2002. Além disso, por unanimidade de votos, rejeitou as demais preliminares e, no mérito, deu provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à decadência, o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Intimada do acórdão em 12/07/2010 (fls. 241), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento na Portaria MF n° 256/2009, recurso especial às fls. 244249, acompanhado dos documentos de fls. 250253, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Tratase de NFLD lavrada por descumprimento de obrigação principal contida na Lei 8212/91 no art. 25, incisos I e II; b) De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 148/152, a NFLD foi lavrada em face a não retenção das contribuições sociais incidentes sobre a comercialização da produção rural (camarão, peixe e lagosta) por Fl. 275DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado dig italmente em 26/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13302.000051/200763 Acórdão n.º 9202002.376 CSRFT2 Fl. 265 5 segurado especial e produtor rural pessoa física no período compreendido entre janeiro de 2001 a maio de 2005; c) Inconformada com a autuação bem como com a decisão de Primeira Instância, a Contribuinte ofereceu recurso voluntário onde pugnou pela improcedência do lançamento; d) Nesta Superior Instância, contudo, o Douto Relator se afastando das razões do recurso entendeu por bem em dar provimento ao recurso, sendo que tal entendimento, embora nuclear da decisão, não consta da ementa do acórdão; e) O fundamento da v. decisão atacada é no sentido de que “Porém, a questão da subrogação sobre receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores pessoas naturais, foi matéria de decisão proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal STF, que em caso idêntico ao presente, julgou inconstitucional o artigo 1° da Lei 8540/92, que deu nova redação aos 12, incisos V e VII; 25, incisos II, e 30, inciso IV, da Lei 8212/91 (Lei Geral da Previdência), com redação atualizada até a Lei 9.528/97.” (fl. 239verso); f) O acórdão n° 20500.676 diverge frontalmente da decisão recorrida; g) Também em sentido diametralmente oposto ao da v. decisão atacada, conferir o v. Acórdão 20500.557; h) O Voto condutor do v. acórdão recorrido, fundamentase exclusivamente, no julgamento, ainda em curso, do RE n° 363852; i) Mais, aplicou a mencionada decisão do STF, sem, contudo, cotejar os dispositivos legais tidos por inconstitucionais e a capitulação levada à efeito pela autoridades fiscais e pelo Órgão Julgador de primeira instância, incorrendo, assim em equívocos que devem ser corrigidos por ocasião do julgamento do presente recurso; j) Conforme relatório sucinto que fizemos com apoio nos documentos constantes dos autos e, ainda, segundo o Órgão Julgador de primeira instância, “Em relação a essa exação, o lançamento teve por base o disposto no artigo 25, inciso II, da Lei n° 8.212/91, que estabelece, para o produtor rural pessoa física em substituição àquela prevista no artigo 22, inciso II, da Lei 8212/91, a contribuição calcada mediante a utilização da alíquota única de 0,1%, aplicada sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural dessa mesma pessoa física.”. (109); k) Outrossim, importante, também, lembrar que naquela assentada proclamouse que “O recolhimento dessa contribuição é de responsabilidade da empresa notificada, na condição de adquirente dos produtos rurais de produtor rural pessoa física, consoante o disposto no art. 30, inciso III, da Lei n°8.212, e alterações.” fl. 109; Fl. 276DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado dig italmente em 26/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13302.000051/200763 Acórdão n.º 9202002.376 CSRFT2 Fl. 266 6 l) A leitura da ementa do r. Acórdão do STF, invocado pelo órgão Julgador recorrido, não há indicação destes dispositivos terem sido declarados inconstitucionais; m) Outra questão importante para exame da questão é que diz respeito interpretação que os Tribunais vêm fazendo do julgado do STF; n) Notese, outrossim, que a previsão do acórdão (“até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição”) já foi cumprida, tendo em vista a edição da Lei n° 10.256/01, que deu a atual redação do art. 25 da Lei n° 8.212/98. Vejamos, acerca do tema o recente posicionamento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região na APELAÇÃO CÍVEL N° 2007.70.03.0049589/PR, que declarou a constitucionalidade dessa norma e, consequentemente, a constitucionalidade da cobrança da contribuição rural após 2001; o) É importante também lembrar que o acórdão citado do STF ainda não transitou em julgado e que pode inclusive vir a sofrer modificações e/ou modulações, razões mais do que suficientes para não se aguardar o veredicto final e não se antecipar na declaração de inconstitucionalidade de tudo em favor de todos; p) Resta claro que a o voto condutor da v. decisão recorrida, precipita em ter como inconstitucional dispositivos legais que sequer foram apontados no Julgado do STF em comento, e, ainda precipita em relação a interpretação que devemos fazer do v. Acórdão do STF e, finalmente, se precipita em não aguardar o trânsito em julgado do v. Acórdão que seguramente, ao apreciar os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, fará os aclaratórios necessários a correta interpretação da legislação reguladora da matéria; q) Pelo exposto, requer a Fazenda Nacional seja conhecido e provido o presente recurso, de modo que seja a mantida a decisão proferida pela primeira instância. Admitido o recurso por meio do despacho n° 2400236/2010 (fls. 254256), a contribuinte foi intimada e deixou de se manifestar, conforme informou a repartição de origem às fls. 260. É o Relatório. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado dig italmente em 26/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13302.000051/200763 Acórdão n.º 9202002.376 CSRFT2 Fl. 267 7 Voto Vencido Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O recurso especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF, por maioria de votos, reconheceu a decadência para os fatos ocorridos até a competência 11/2001, além do que, por unanimidade de votos, rejeitou as demais preliminares e, no mérito, deu provimento ao recurso. Embora não conste da ementa do julgado, o provimento do recurso voluntário, quanto ao mérito, está alicerçado nos seguintes fundamentos (fls. 239v): Porém, a questão da subrogação sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores pessoas naturais, foi matéria de decisão proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal — STF, que em caso idêntico ao presente, julgou inconstitucional o artigo 1° da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII; 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91 (Lei geral da Previdência), com redação atualizada até a Lei 9.528/97. Embora a decisão não vincule este órgão colegiado, entendo ser aplicável o entendimento da Corte Superior ao caso sob análise, desobrigando a recorrente da retenção e do recolhimento da contribuição social ou de seu recolhimento por subrogação sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de produtores pessoas físicas, fornecedores de camarão, peixe e lagosta. A alegação da recorrente é no sentido de que: i) não cabe ao CARF declarar a inconstitucionalidade de leis; ii) a decisão proferida pelo Egrégio STF no julgamento do RE n° 363.852 ainda não teria transitado em julgado à época (o que já ocorreu); e iii) a inconstitucionalidade proferida pelo STF foi suprida com o advento da Lei n° 10.256/2001. Invocou como paradigmas os acórdãos nos 20500.676 e 20500.557. Esta deveria ser a matéria em litígio. Contudo, a análise dos autos indica que há clara e evidente coincidência entre o objeto da ação judicial n° 2000.81.00.0166347 (movida pela contribuinte em face da União Federal, perante a 3ª Vara Federal do Ceará) e a matéria discutida neste processo administrativo fiscal. O lançamento foi efetuado para prevenir a decadência. Trago novamente à colação as seguintes passagens do relatório fiscal (fls. 148): Fl. 278DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado dig italmente em 26/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13302.000051/200763 Acórdão n.º 9202002.376 CSRFT2 Fl. 268 8 3. É importante ressaltar que as contribuições foram objeto de depósito judicial, no âmbito do Processo 2000.81.00.0166347 (3ª Vara da Justiça Federal do Ceará), estando, portanto, com a exigibilidade suspensa. 4. O presente lançamento foi efetuado para prevenir a decadência. Em sede de recurso voluntário a contribuinte afirmou que (fls. 129130): 10. A presente Notificação Fiscal de lançamento de Débito — NFLD é NULA de pleno direito! 11. Eis que a presente NFLD tem por objetivo contribuições que são objeto de ação judicial com depósito em garantia — processo n° 2000.81.00.0166347, que tramita na 3ª vara federal da Seção Judiciária no Estado do Ceará o que configura expressa hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, previsto no art. 151, II, do CTN, c/c art. 258, IV, do Decreto n° 3.048/99 — Regulamento da Previdência Social. 12. Considerando tal fato, nenhum ato tendente a cobrar as contribuições pode ser perpetrado, sob pena de sua invalidade, por confronto direto com disposição legal, incorrendo o previsto no art. 2°, da lei n° 4.717/65, notadamente inobservância de disposição legal, que implica a NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. Sob minha ótica, há flagrante coincidência entre os objetos das demandas, motivo pelo qual tenho como aplicável ao caso o artigo 38, § único, da Lei n° 6.830/80, que assim determina: Art. 38. A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição de indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (Grifei) Portanto, a matéria questionada perante o Poder Judiciário não pode ser discutida, de forma concomitante, na esfera administrativa. Nesse sentido, ressalto que no mês de dezembro de 2009, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovou diversas Súmulas e consolidou aquelas aplicáveis no âmbito do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sendo que o Enunciado CARF n° 1 tem o seguinte conteúdo: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade Fl. 279DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado dig italmente em 26/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13302.000051/200763 Acórdão n.º 9202002.376 CSRFT2 Fl. 269 9 processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Por força do que dispõe o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal enunciado é de adoção obrigatória por este julgador. Assim, no âmbito deste Colegiado não se pode apreciar matéria também questionada perante o Poder Judiciário. Nessa ordem de juízos, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional1, por força da concomitância (Súmula 01 do CARF), devendo ser aplicada a este feito a solução dada pelo Poder Judiciário na ação n° 2000.81.00.0166347, da 3ª Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará. (assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage 1 No que se refere à decadência, a decisão recorrida não merece reparos, pois em relação a este tema não há concomitância e deve prevalecer a decisão administrativa. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado dig italmente em 26/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13302.000051/200763 Acórdão n.º 9202002.376 CSRFT2 Fl. 270 10 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Designado Com todo respeito ao excelso Relator. divirjo de seu entendimento quanto à admissibilidade do recurso. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), recorrente, apresenta Recurso Especial, fundamentado na Portaria MF 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF. A Portaria citada possui determinação para a apresentação do recurso em questão. Portaria MF 256/2009: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Pois bem, para fundamentar a divergência necessária, segundo o dispositivo acima, a PGFN apresenta dois acórdãos: 1. 20500676 (fls. 0246); e 2. 205.00557 (fls. 0247). O acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, em síntese, por existência de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que julgou inconstitucional a exigência do tributo previdenciário quanto à subrogação sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores pessoas naturais. Já os dois acórdãos apontados como divergentes chegaram às suas conclusões por motivos diferentes. ACÓRDÃO 2050676: A recorrente afirma que a contribuição do produtor rural pessoa física sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção é inconstitucional, pela equivalência da sua base de cálculo com base da contribuição do segurado especial, por Fl. 281DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado dig italmente em 26/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13302.000051/200763 Acórdão n.º 9202002.376 CSRFT2 Fl. 271 11 ter instituída por lei ordinária, quando deveria ter sido por lei complementar e por violação ao princípio constitucional da igualdade. Alega que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do § 2° do art. 25 da Lei n° 8.870/1994 . De fato, entretanto, o citado dispositivo não tem qualquer pertinência com o caso em questão. O citado dispositivo se referia ao caso das agroindústrias que deveriam recolher sobre a comercialização da produção rural, as contribuições incidentes sobre as remunerações do pessoal que trabalhava na parte agrícola do empreendimento. Portanto, como o acórdão recorrido usou como razão de decidir decisão do STF sobre a a exigência do tributo previdenciário quanto à subrogação sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores pessoas naturais e o acórdão paradigma analisou e não deu razão ao sujeito passivo no caso de julgamento do STF sobre a contribuição das agroindústrias, verificase que não há a similitude necessária entre as razões, motivo de não se admitir o recurso por esse paradigma. ACÓRDÃO 205.00557: Quanto ao mérito de serem devidas ou não as contribuições sobre aquisição de produção rural, a matéria não foi devolvida a este Colegiado em grau de recurso. O contribuinte recorreu de contribuiçi5es destinadas ao Senar, que não foram objeto do presente lançamento. ... Uma vez que a recorrente adquiriu produtos rurais de pessoas físicas, fls. 16 a 18, deveria ter efetuado o desconto e posterior recolhimento à Previdência Social; não o fazendo deve arcar com a responsabilidade de sua inadimplência. Desse modo, há que ser mantido o levantamento. Já neste paradigma, o relator afirma que a matéria nem sequer deve ser apreciada, pois não constava do recurso. Mesmo assim, o nobre relator analisa a questão, mas não utiliza a decisão do STF como razão de decidir, motivo da não demonstração da divergência. Por fim, cabe ressaltar que a divergência do recorrido com os paradigmas não poderia ser demonstrada por um simples motivo, na data das decisões expressas nos paradigmas não existia a decisão do STF no caos em questão. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado dig italmente em 26/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13302.000051/200763 Acórdão n.º 9202002.376 CSRFT2 Fl. 272 12 CONCLUSÃO: Pelos motivos expostos, votam em NÃO CONHECER do presente recurso, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 283DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado dig italmente em 26/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 13736.000033/2008-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2005.
IRPF. GRATIFICAÇÃO. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. A LEI Nº 8.852 NÃO AUTORGA ISENÇÃO.
A lei que concede isenção, nos termos do § 6º do art. 150 da Constituição Federal, deve ser específica. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos e da forma de percepção das rendas ou proventos. A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Numero da decisão: 2102-002.148
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005. IRPF. GRATIFICAÇÃO. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. A LEI Nº 8.852 NÃO AUTORGA ISENÇÃO. A lei que concede isenção, nos termos do § 6º do art. 150 da Constituição Federal, deve ser específica. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos e da forma de percepção das rendas ou proventos. A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
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IRPF. GRATIFICAÇÃO. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. A LEI Nº 8.852 NÃO AUTORGA ISENÇÃO. A lei que concede isenção, nos termos do § 6º do art. 150 da Constituição Federal, deve ser específica. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos e da forma de percepção das rendas ou proventos. A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Atílio Pitarelli, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005 (fls. 3/7), referente a omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 6.093,36 (seis mil e noventa e três reais e trinta e seis centavos), que reduziu o imposto a restituir. O contribuinte apresentou impugnação solicitando a improcedência do lançamento, tendo em vista que os rendimentos recebidos da Marinha do Brasil a título de “Adicional por tempo de serviço e compensação orgânica”, no valor de R$ 6.093,36, estariam entre as hipóteses de exclusão de incidência de tributação do imposto de renda pessoa física, nos termos do inciso III do art. 1º, inciso III, alínea “d” e “n” da Lei nº 8.852, de 1994. A Primeira Turma de Julgamento da DRJ/RIO II, por meio do Acórdão nº 1319.381, entendeu ser procedente o lançamento. Cientificado em 30 de maio de 2008 (fl. 29), o contribuinte interpôs recurso voluntário no dia 6 do mês seguinte (fls. 30/31), alegando que: a) os rendimentos correspondem ao “Adicional por Tempo de Serviço e Compensação Orgânica”, indevidamente incluído como rendimentos tributável; e b) a lei nº 8.852, de 1994, no art. 1º, inciso III, alíneas “d” e “n”, reconheceu a ilegalidade da incidência do adicional por tempo de serviço, e assegurou, expressamente, a exclusão das referidas vantagens. É o relatório. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA Processo nº 13736.000033/200862 Acórdão n.º 210202.148 S2C1T2 Fl. 35 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. O requerente solicita que seja considerada isenta do imposto de renda a gratificação denominada “Adicional por Tempo de Serviço e Compensação Orgânica”. Não procede a argumentação do contribuinte, haja vista que a Lei nº 8.852, de 1994, no dispositivo citado, não contempla as hipóteses de incidência ou isenção do imposto de renda pessoa física. A lei – que dispõe sobre a aplicação dos art. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal – apenas define o que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para efeitos dos seus dispositivos. As exclusões referemse unicamente ao conceito de remuneração. A lei que concede isenção, nos termos do § 6º do art. 150 da Constituição Federal, deve ser específica. Ainda, conforme expresso no Código Tributário Nacional, art. 11, a legislação tributária deve ser interpretada literalmente. De acordo com a Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, a tributação independe “da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos [...] e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.” Os rendimentos isentos do imposto de renda estão consolidados no Capítulo II do Título IV do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 (arts. 39 a 42). E a gratificação referida não está computada entre os rendimentos isentos e não tributáveis. Esse entendimento está expresso na Súmula CARF nº 68: “A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física”. Portanto, de aplicação obrigatória pelos membros deste Colegiado. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 38DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA 4 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA
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