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Numero do processo: 13896.912285/2009-84
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO LASTREADO EM SALDO CREDOR DECORRENTE DE LEGÍTIMA RETIFICAÇÃO DE DÉBITOS EM DCTF. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. COMPENSAÇÃO ADMITIDA.
A tempestiva retificação de DCTF, observadas as demais condições exigidas pela Receita Federal, dá à mesma idêntica natureza da declaração original, substituindo-a integralmente. Assim, deverá ser reapreciado o pedido de compensação indeferido por ter se alicerçado em informações declaradas erroneamente na DCTF original, uma vez comprovado que a retificação da declaração ocorreu antes da ciência do despacho decisório não homologatório da compensação tributária pleiteada, e ainda, estando demonstrado nos autos o erro de fato perpetrado pelo sujeito passivo.
Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3802-001.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO LASTREADO EM SALDO CREDOR DECORRENTE DE LEGÍTIMA RETIFICAÇÃO DE DÉBITOS EM DCTF. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. COMPENSAÇÃO ADMITIDA. A tempestiva retificação de DCTF, observadas as demais condições exigidas pela Receita Federal, dá à mesma idêntica natureza da declaração original, substituindo-a integralmente. Assim, deverá ser reapreciado o pedido de compensação indeferido por ter se alicerçado em informações declaradas erroneamente na DCTF original, uma vez comprovado que a retificação da declaração ocorreu antes da ciência do despacho decisório não homologatório da compensação tributária pleiteada, e ainda, estando demonstrado nos autos o erro de fato perpetrado pelo sujeito passivo. Recurso ao qual se dá provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO LASTREADO EM SALDO CREDOR DECORRENTE DE LEGÍTIMA RETIFICAÇÃO DE DÉBITOS EM DCTF. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. COMPENSAÇÃO ADMITIDA. A tempestiva retificação de DCTF, observadas as demais condições exigidas pela Receita Federal, dá à mesma idêntica natureza da declaração original, substituindoa integralmente. Assim, deverá ser reapreciado o pedido de compensação indeferido por ter se alicerçado em informações declaradas erroneamente na DCTF original, uma vez comprovado que a retificação da declaração ocorreu antes da ciência do despacho decisório não homologatório da compensação tributária pleiteada, e ainda, estando demonstrado nos autos o erro de fato perpetrado pelo sujeito passivo. Recurso ao qual se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 22 85 /2 00 9- 84 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ Campinas (fls. 30/36), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente contra a não homologação de compensação de supostos créditos do PIS, de competência do mês de abril de 2008, no valor de R$ 172.440,52. O saldo devedor decorrente da não homologação da compensação é de R$ 7.568,15 (valor principal). Segundo o despacho decisório eletrônico não homologatório da compensação, o DARF informado pela recorrente na DCOMP já se encontrava vinculado a outros débitos, razão pela qual não restou crédito disponível para a compensação vislumbrada pela interessada. Inconformada, a reclamante apresentou manifestação de inconformidade onde alegou o cometimento de equívoco nas informações prestadas em DCTF, tendo procedido, posteriormente, à sua retificação, antes da ciência do despacho decisório. A primeira instância de julgamento reconheceu que a DCTF retificadora do primeiro semestre de 2008 foi apresentada antes da ciência do despacho decisório (data da emissão do despacho decisório: 07/10/2009; data da ciência do despacho decisório: 20/10/2009; retificação da DCTF: 15/10/2009). Contudo, o pleito foi indeferido pelo fato de a retificação haver sido realizada depois da compensação efetuado pela interessada, e ainda, em vista da não comprovação da liquidez e certeza dos créditos alegados. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 04/06/2012 (fls. 41). Inconformada, a autuada apresentou, em 29/06/2012, o recurso voluntário de fls. 43/52, onde alega que realmente incorrera em erro quando do preenchimento da declaração original, apresentando, a título de comprovação, dentre outros documentos, cópia do Livro Razão de janeiro/2007 a maio/2012, planilha de apuração do PIS e Livro Diário. Diante do exposto, requer seja provido integralmente seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, vêse que a primeira instância de julgamento reconheceu que a DCTF retificadora do primeiro semestre de 2008 foi apresentada antes da ciência do despacho decisório que não homologou a compensação formalizada pela reclamante. De fato, enquanto a retificação da DCTF ocorreu em 15/10/2009, a ciência do referido despacho só se deu em 20/10/2009. Irrelevante que o despacho decisório tenha sido emitido antes da apresentação da declaração retificadora. À época dos fatos vigorava a IN RFB no 903, de 30/12/2008, onde está consignado que a DCTF retificadora tem a “[...] mesma natureza da declaração Fl. 159DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13896.912285/200984 Acórdão n.º 3802001.715 S3TE02 Fl. 159 3 originariamente apresentada, substituindoa integralmente [...]”(ver artigo 11, § 1º). A retificação automática somente não produziria efeitos nos casos em que os saldos a pagar ou os valores apurados em procedimentos de auditoria interna já tivessem sido enviados à PGFN para inscrição em dívida ativa, ou ainda, acaso a pessoa jurídica já tivesse sido intimada de início de procedimento fiscal. Reproduzo, abaixo, o mencionado artigo 11 da IN RFB no 903, de 2008, onde estão destacados os dispositivos relevantes para a solução da lide: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. § 5º A pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora, relativa ao ano calendário utilizado como referência para o enquadramento no disposto no art. 3º, nos casos em que a retificação implicar seu desenquadramento dessa condição, poderá pedir dispensa de apresentação da DCTF Mensal. § 6º O pedido de dispensa de que trata o § 5º será formalizado, mediante processo administrativo, perante a unidade da RFB do domicílio tributário da pessoa jurídica. § 7º Em caso de deferimento do pedido de que trata o § 5º, a pessoa jurídica estará dispensada da apresentação da DCTF Mensal a partir do ano calendário em que ocorreu o enquadramento com base na declaração retificada, desde que não se enquadre, novamente, na condição de obrigada à DCTF Mensal. § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: Fl. 160DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. § 9º A retificação de declarações, cuja alteração de valores resulte no enquadramento da pessoa jurídica segundo as hipóteses do art. 3º, obriga a apresentação da DCTF Mensal desde o início do anocalendário a que estaria obrigada com base na declaração retificada, sendo devidas as multas pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado, calculadas na forma do art. 9º. § 10. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. Portanto, diante dos fatos retratados nos autos, quando da apresentação da DCTF retificadora não havia nenhum vedação na norma tributária que impedisse fosse referida retificação regularmente acatada e processada pela Administração Tributária. Não fosse só isso, a recorrente apresenta documentos que demonstram haver incorrido em erro de fato quando do preenchimento da DCTF original. Segundo a recorrente, o valor correto do PIS no mês de abril de 2008 é de R$ 44.322,47; no entanto, equivocadamente, para o mesmo período, declarou inicialmente que devia o montante de R$ 221.054,89, de sorte que teria em seu favor um direito creditório de R$ 176.732,42, já que recolhera a importância erroneamente declarada. De fato, de acordo com as folhas dos Livros Razão e Diário da conta “provisão para PIS”, referentes ao mês de abril de 2008, a quantia provisionada corresponde, de fato, à declarada pela interessada na DCTF retificadora, ou seja, R$ 44.322,47 (v. fls. 135 e 144), valor o qual corresponde ao demonstrado na planilha “Apuração dos Impostos 2008 – Lucro Presumido” (fls. 140). Diante do exposto, e considerando que a DCTF retificadora foi apresentada antes da ciência da interessada da não homologação das compensações pleiteadas, e ainda, que os documentos acostados aos autos comprovam a retificação do PIS implementada na DCTF retificadora do primeiro semestre de 2008 (mês de abril), há que se acatar a alteração do débito vislumbrada pela recorrente e implementar as compensações requeridas até o exaurimento do crédito decorrente do pagamento a maior frente ao débito retificado. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada, reconhecendo a legitimidade da retificação do débito do PIS implementada na DCTF do primeiro semestre de 2008, devendo ser operacionalizada a compensação desejada, nos termos acima tratados. Sala de Sessões, em 20 de março de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 161DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13896.912285/200984 Acórdão n.º 3802001.715 S3TE02 Fl. 160 5 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002309/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias
Período de Apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009 NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS SOLICITADOS PELA
FISCALIZAÇÃO. ART. 32, III DA LEI 8.212/1991. AFIRMAÇÃO NÃO
ILIDIDA PELA RECORRENTE.
Cabe a aplicação de penalidade ao contribuinte que deixa apresentar
documentos comprobatórios de lançamentos solicitados pela fiscalização.
Numero da decisão: 2301-002.538
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1865; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.002309/200942 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301002.538 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de janeiro de 2012 Matéria Auto de Infração: Obrigações Acessórias em Geral. Recorrente ATENDE BEM SOLUÇÕES DE ATENDIMENTO, INFORMAÇÃO COMUNICAÇÃO, INFORMÁTICA, LOCAÇÃO, COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009 NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS SOLICITADOS PELA FISCALIZAÇÃO. ART. 32, III DA LEI 8.212/1991. AFIRMAÇÃO NÃO ILIDIDA PELA RECORRENTE. Cabe a aplicação de penalidade ao contribuinte que deixa apresentar documentos comprobatórios de lançamentos solicitados pela fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 13/10/2009, em desfavor de ATENDE BEM SOLUÇÕES DE ATENDIMENTO, INFORMAÇÃO COMUNICAÇÃO, Fl. 229DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 11065.002309/200942 Acórdão n.º 2301002.538 S2C3T1 Fl. 2 2 INFORMÁTICA, LOCAÇÃO, COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA, sob o fundamento de que a empresa em epígrafe deixou de prestar informações solicitadas pela fiscalização. Consta do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa de fl. 07, que a multa, no valor de R$ 13.291,66 (treze mil, duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos), foi aplicada com base na Lei n° 8.212/91, artigos 92 e 102 e RPS art. 283, II, alínea “b” e art. 373. Inconformado, o contribuinte ofereceu Defesa tempestiva de fls. 101/110, tendo, posteriormente, requerido a desistência da impugnação dos processos 11065.002307/200953, 11065.002308/200906, 11065.002310/200977 e 11065.002309/200942, objetivando incluir o débito no programa de parcelamento da Lei 11.941/09, visto que o aderiu em 18/08/2009. Depois do pedido de desistência manifestado pelo contribuinte, o SECAT se pronunciou, através de despacho, acerca da possibilidade de parcelamento através da Lei n° 11.941/09 (fl. 182), verificando que o presente processo não é passível de parcelamento, vez que este Auto de Infração foi constituído em 10/2009, período este que não está abrangido pela referida Lei. Do exposto, foi exarado acórdão de fls. 183/188 julgado procedente a autuação e mantido o crédito tributário, conforme se pode observar da ementa a seguir transcrita: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 13/10/2009 AI Debcad n° 37.088.8880 AUTO DE INFRAÇÃO. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS. MULTA, AGRAVANTE. SOPREPOSIÇÃO DE PENALIDADE. INEXISTÊNCIA. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. O valor da multa aplicada decorre do disposto na Lei, tendo em vista infração cometida pelo contribuinte, por descumprimento de obrigação acessória. A multa aplicada referese ao valor mínimo estabelecido na legislação, sem a caracterização de agravante. Não se confirma a duplicidade de autuações quando se constata obrigações acessórias distintas, com diferentes fundamentos legais que se coadunam com diversos elementos fáticos demonstrados pela autoridade lançadora. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido Irresignada, a empresa interpôs Recurso Voluntário de fls. 194/208, alegando, em síntese, que: Fl. 230DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 11065.002309/200942 Acórdão n.º 2301002.538 S2C3T1 Fl. 3 3 a) Toda a documentação relativa ao período fiscalizado foi colocada à disposição do fiscal, não tendo incorrido na infração referente à penalidade culminada; b) Não pode ser imposta penalidade agravada, equivalente ao dobro do mínimo legal. Vieram os autos a este Conselho por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Da penalidade aplicada A ora Recorrente afirma, de forma genérica, que apresentou toda a documentação solicitada pela fiscalização. Ocorre que o Relatório Fiscal deixou clara a conduta infracional do contribuinte, indicando especificamente a documentação que teria sido omitida, bem como a importância desta para a fiscalização. Conforme afirmado na decisão recorrida, os documentos acostados pela empresa não comprovam os lançamentos cuja demonstração foram considerados insuficientes, mantendose a condição de embaraço à fiscalização apontada. A Recorrente, por sua vez, não afastou tal alegação, devendo, portanto, ser mantida a penalidade ora em comento. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para LHE NEGAR PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 19 de janeiro de 2012. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 231DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 11065.002309/200942 Acórdão n.º 2301002.538 S2C3T1 Fl. 4 4 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S
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Numero do processo: 10530.722827/2009-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006, 2007
FORNECIMENTO DE COMMODITIES. COTAÇÃO. MOEDA ESTRANGEIRA. Nos casos de operações que envolvam o fornecimento de commodities (mercadorias), cuja cotação no mercado nacional e internacional é estabelecida em moeda estrangeira, é legítima a adoção de tal cotação na definição do preço da mercadoria objeto do contrato de compra e venda celebrado entre as partes.
CONTRATO DE COMPRA E VENDA. COMMODITIES. PREÇO DETERMINÁVEL NO FUTURO MEDIANTE COTAÇÃO EM BOLSA. SITUAÇÃO QUE REVELA RECEITA OPERACIONAL QUE NÃO SE CONFUNDE COM VARIAÇÃO CAMBIAL. Em se tratando de contrato de compra e venda de mercadorias com o preço determinável a ser fixado pela cotação da mercadoria prevista em bolsa e com execução diferida ao longo do tempo, cuja saída se deu com base em preço e quantidades estimadas, ambos em caráter provisório, verifica-se incabível qualificar, a título de variação cambial, os valores relativos aos ajustes de preços previstos contratualmente e registrados na contabilidade que foram realizados para fins de se determinar o preço definitivo da mercadoria vendida, uma vez que tais ajustes, por serem parte do preço de venda da mercadoria, se constituem em receita operacional.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 1402-001.254
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório o voto.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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COTAÇÃO. MOEDA ESTRANGEIRA. Nos casos de operações que envolvam o fornecimento de “commodities” (mercadorias), cuja cotação no mercado nacional e internacional é estabelecida em moeda estrangeira, é legítima a adoção de tal cotação na definição do preço da mercadoria objeto do contrato de compra e venda celebrado entre as partes. CONTRATO DE COMPRA E VENDA. “COMMODITIES”. PREÇO DETERMINÁVEL NO FUTURO MEDIANTE COTAÇÃO EM BOLSA. SITUAÇÃO QUE REVELA RECEITA OPERACIONAL QUE NÃO SE CONFUNDE COM VARIAÇÃO CAMBIAL. Em se tratando de contrato de compra e venda de mercadorias com o preço determinável a ser fixado pela cotação da mercadoria prevista em bolsa e com execução diferida ao longo do tempo, cuja saída se deu com base em preço e quantidades estimadas, ambos em caráter provisório, verificase incabível qualificar, a título de variação cambial, os valores relativos aos ajustes de preços previstos contratualmente e registrados na contabilidade que foram realizados para fins de se determinar o preço definitivo da mercadoria vendida, uma vez que tais ajustes, por serem parte do preço de venda da mercadoria, se constituem em receita operacional. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório o voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 28 27 /2 00 9- 80 Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10530.722827/200980 Acórdão n.º 1402001.254 S1C4T2 Fl. 1.336 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório O demonstrativo de fls. 02 e seguintes indica que a recorrente, em 2912 2008, foi notificada de autuação relativa aos dois últimos trimestres do anocalendário de 2006 e em relação a cada um dos anoscalendário de 2007, exigindolhe CSLL no valor de R$ 2.060.320,25, mais multa de ofício de 75% e juros de mora, totalizando crédito tributário no valor de R$ 3.936.697,26. A infração descrita foi “diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago.” Notificada, a contribuinte apresentou planilhas e alegou que a autoridade fiscal não havia se atido aos esclarecimentos prestados pela impugnante durante o procedimento fiscal, especificando, dentre outras questões, que adotava o regime de caixa, para fins de apuração dos tributos federais, o que torna imprestável o cotejo de provisões contábeis, constituídas sob o “regime de competência”, com dados da DCTF, sob o “regime de caixa.” Diante da impugnação apresentada, a DRJ, por meio da Resolução de fls. 913/918, decidiu converter o julgamento em diligência para a Fiscalização: a) se manifestar sobre os esclarecimentos prestados pela impugnante em resposta à intimação datada de 05122008, cientificada em 12122008; b) elaborar demonstrativo das bases de cálculo lançadas; c) examinar a contabilidade da impugnante no sentido de verificar se ela dá suporte à alegada apuração do lucro presumido com base no “regime de caixa”, no ano calendário de 2007, apresentando os correspondentes demonstrativos; d) elaborar relatório conclusivo com o resultado da diligência, dando ciência à Impugnante para esta se manifestar. Em face da diligência antes apontada, a autoridade fiscal lavrou o auto complementar de fls. 944 e seguintes, notificado à recorrente em 12012011, exigindolhe CSLL para cada um dos trimestres dos anoscalendário de 2006 e 2007, no valor de 18.774.290,92, mais multa de ofício de 75% e juros de mora, totalizando crédito tributário no Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10530.722827/200980 Acórdão n.º 1402001.254 S1C4T2 Fl. 1.337 3 de R$ 40.716.573,930. A infração descrita foi “falta ou insuficiência de recolhimento de contribuição” e o fundamento legal os artigos 2º e §§, da Lei n° 7.689, de 1998 e artigo 29 da Lei n° 9.430, de 1996. À fl. 984 está expressamente registrado que o auto de infração acima referido foi safrado em substituição ao auto de infração original, o qual citei no início deste relatório. Segundo consta da fl. 955 dos autos, a irregularidade apurada foi verificada pelo cotejamento entre a escrituração contábilfiscal e as planilhas de apuração de tributos federais apresentadas pelo contribuinte em sua impugnação – a Omissão de Receitas decorre apuração incorreta de Variações Cambiais e outras receitas apuradas. As omissões verificadas estão descritas a partir do item 4 do termo de verificação fiscal, à fl. 956, de onde transcrevo a seguinte passagem: 1 – A contribuinte foi optante pela tributação com base no lucro presumido em 2006 e 2007. No anocalendário de 2006 pelo regime de competência e no anocalendário de 2007 pelo regime de caixa. 2 – Ao fazer escolha pelo Lucro Presumido não há previsão para diminuição de quaisquer encargos, inclusive variações cambiais passivas. (grifo no original); 3 – Desta forma, não poderão ser deduzidas as contrapartidas de variações monetárias de obrigações e perdas cambiais; 4 – Em relação ao anocalendário de 2006, a fiscalização transcreveu a planilha de fls. 414/415 que, para fins de ilustração, transcrevo em parte: .... Após transcrever a planilha acima, a autoridade fiscal deixa consignado que: Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10530.722827/200980 Acórdão n.º 1402001.254 S1C4T2 Fl. 1.338 4 A planilha a que se reporta a fiscalização consta das fls. 415/416 e especifica, mês a mês, as respectivas variações. Sustenta a autoridade fiscal que em virtude da contribuinte estar sob a ótica do Lucro Presumido, essas variações cambiais positivas (receitas financeiras) deveriam fazer parte da base de cálculo no percentual de 100%. Às fls 973 e seguintes a autoridade fiscal identifica, mês a mês, no ano calendário de 2007, os valores recebidos, em reais, pela recorrente, nos seguintes montantes: Após transcrever a planilha acima referida a autoridade fiscal, à fl. 973, elabora planilha com as VARIAÇÕES LME – POSITIVAS, EM 2007, nos seguintes montantes: Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10530.722827/200980 Acórdão n.º 1402001.254 S1C4T2 Fl. 1.339 5 Pelo que se extrai da planilha de fl. 972, em relação à CSLL, a autoridade fiscal considerou os valores recebidos em reais, em cada trimestre e aplicou alíquota de 12% para encontrar a base de cálculo. Encontrado a base de cálculo a esta adicionou os valores considerados ajuste variação de LME, em percentual de 100%, considerandoos integralmente como base de cálculo. Sobre a soma destes dois valores calculou a CSLL, em percentual de 9%, conforme ilustração simplificada que segue: OUTRAS RECEITAS 31.10.020 Ajuste Variação de LME 11.247.593,88 19.585.084,94 11.122.324,23 5.850.990,45 Notificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 1.097 e seguintes, calcadas, dentre outros, nos seguintes pontos: a) que reconhece que, por equívoco, deixou de registrar as receitas decorrentes de baixas de duplicatas ocorridas nos meses de setembro e outubro de 2007; Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10530.722827/200980 Acórdão n.º 1402001.254 S1C4T2 Fl. 1.340 6 b) que é perfeitamente lícito aos contratantes pactuar que o preço da mercadoria vendida seja futuramente determinado com base na média dos preços praticados para determinados produtos em certo período. Neste sentido, se não há uma definitiva obrigação pecuniária, não há o que se supor em existência de variação cambial do preço; c) que a diferença entre o preço precário e o efetivamente devido em razão de variação na cotação internacional de preços de mercadorias, não corresponde à variação cambial, mas sim receita de venda própria de mercadoria. A DRJ de Salvador, por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE EM PARTE a impugnação para manter o crédito tributário relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL no valor de R$ 1.316,40 (um mil, trezentos e dezesseis reais e quarenta centavos) e exonerar o montante de R$ 18.286.650,07 (dezoito milhões, duzentos e oitenta e seis mil, seiscentos e cinquenta reais e sete centavos), juntamente com os correspondentes acréscimos legais. AUTOS DE INFRAÇÃO. JUNTADA. PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS. Descabe a juntada de autos de infração de tributos diversos em um único processo administrativo fiscal, quando não se encontram presentes os pressupostos processuais que a justifique. LANÇAMENTO. NULIDADE. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. Incabível a nulidade do lançamento sob o fundamento de cerceamento ao direito de defesa quando se verifica que o contribuinte foi regularmente intimado no decorrer do procedimento fiscal, compareceu ao processo e demonstrou conhecer todos os elementos e fatos que suportaram o lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE COMPETÊNCIA E DE CAIXA. Insustentável o lançamento realizado tendo como base de cálculo o saldo da contribuição a pagar apurada pelo confronto, apenas, entre os valores do tributo devido extraído da conta de obrigação a pagar e aquele objeto de confissão de dívida, via “DCTF”, uma vez que não foi demonstrado o correspondente fato gerador, nem a matéria tributável, ademais se os registros contábeis espelham o regime de competência, enquanto a opção de tributação regularmente adotada pela contribuinte foi com base no lucro presumido pelo regime de caixa. FORNECIMENTO DE “COMMODITIES”. COTAÇÃO. MOEDA ESTRANGEIRA. Nos casos de operações que envolvam o fornecimento de “commodities” (mercadorias), cuja cotação no mercado nacional e internacional é estabelecida em moeda estrangeira, é legítima a adoção de tal cotação na definição do preço da mercadoria objeto do contrato de compra e venda celebrado entre as partes. CONTRATO DE COMPRA E VENDA. MERCADORIAS. PREÇO DETERMINÁVEL. COTAÇÃO EM BOLSA. VARIAÇÃO CAMBIAL. RECEITA OPERACIONAL. Em se tratando de contrato de compra e venda de mercadorias com o preço determinável a ser fixado pela cotação da mercadoria prevista em bolsa e com Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10530.722827/200980 Acórdão n.º 1402001.254 S1C4T2 Fl. 1.341 7 execução diferida ao longo do tempo, cuja saída se deu com base em preço e quantidade estimadas, ambos em caráter provisório, verificase incabível qualificar, a título de variação cambial, os valores relativos aos ajustes de preços previstos contratualmente e registrados na contabilidade que foram realizados para fins de se determinar o preço definitivo da mercadoria vendida, uma vez que tais ajustes, por serem parte do preço de venda da mercadoria, se constituem em receita operacional. CSLL. ATIVIDADES. PESSOAS JURÍDICAS. ALÍQUOTA. Nos anoscalendário de 2006 e de 2007, para fins do cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido incidente sobre as atividades das pessoas jurídicas em geral, a alíquota a ser aplicada é de 9% (nove por cento). LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO A PAGAR. ERRO DE CÁLCULO. Cabível o lançamento relativo aos valores decorrentes de erro no cálculo da CSLL a pagar apurado em procedimento de ofício. Conforme AR de fls. a parte interessada foi intimada da decisão em 05/03²012 e não ingressou com recurso, razão pela qual o presente julgamento diz respeito apenas em reexame necessário. É o relatório. Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10530.722827/200980 Acórdão n.º 1402001.254 S1C4T2 Fl. 1.342 8 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. No caso em análise foi excluído crédito tributário de valor superior ao limite de alçada em relação ao qual há necessidade de reexame necessário. Assim, conheço do recurso de ofício. Apesar do acórdão recorrido fazer menção ao primeiro auto de infração, na medida em que o auto complementar incluiu a matéria e o período de apuração especificado no primeiro lançamento, tendo a autoridade lançadora declarado, de forma expressa, que o segundo auto de infração substituía o primeiro (fl. 984), o que deve ser analisado são as questões atinentes ao segundo auto de infração, cuja questão, em sua essência, diz respeito, a suposta omissão decorrente de variações cambiais na exportação de minério. Desta forma, necessário que se avalie o conteúdo do contrato de fls., em especial no que diz respeito ao preço, de onde transcrevo as seguintes cláusulas: CLÁUSULA SÉTIMA – PREÇO O preço para pagamento dos metais é formado pela soma dos pagamentos do cobre, prata e ouro, contidos no Concentrado, pela dedução de teor de cobre, das despesas de tratamento e refino do cobre, dos valores de Participação no Preço, do Frete Compartilhado e pela dedução de penalidades, como a seguir indicado: COBRE – O pagamento do conteúdo total do metal, menos a dedução de teor de cobre, deve ser feito pela média mensal das cotações diárias "settlement" do Cobre Grau A, da Bolsa de Metais de Londres (LME), relativa ao terceiro mês posterior ao mês programado para embarque (M+3), como publicado pela Revista Metal Bulletin. PRATA – Pagamento com dedução de 10g/tms no total contido de prata, pela média do valor mensal "settlement" da prata, relativa ao mês anterior ao mês programado para embarque (M1) da Bolsa de Metais de Londres (LME), como publicado pela Revista Metal Bulletin. OURO – Pagamento de 90% (noventa por cento) do conteúdo total do metal, pela média do valor das determinações diárias AM/PM de Londres, relativa ao mês anterior ao mês programado para embarque (M1), como publicado na Revista Metal Bulletin, e a METALURGIA a adquirilo, mediante os preços, prazos e especificações técnicas adiante discriminados, e as demais condições estabelecidas neste Contrato e seus anexos. DEDUÇÃO DE TEOR DE COBRE Corresponde a uma dedução percentual que varia em função do conteúdo de cobre total do lote, conforme a seguinte tabela: Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10530.722827/200980 Acórdão n.º 1402001.254 S1C4T2 Fl. 1.343 9 DESPESAS DE TRATAMENTO Para as entregas de Concentrado no ano de 2006 deve ser deduzida uma taxa de tratamento (Treatment Charge – TC) expressa em US$ 95,00 (noventa e cinco dólares americanos) por tonelada métrica seca de concentrado (tms). DESPESAS DE REFINO DO COBRE Para as entregas de Concentrado no ano de 2006 deve ser deduzida uma taxa de refino (Refining Charge – RC) no valor de cts US$ 9,5 (nove virgula cinco centavos de dólar americanos) por libra peso de cobre pagável. DESPESAS DE REFINO DO OURO Para as entregas de Concentrado no ano de 2006 deve ser deduzida uma taxa de refino do ouro (Refining Charge – RC) no valor de US$ 5,00 (cinco dólares americanos) por onça troy de ouro pagável. PARTICIPAÇÃO NO PREÇO Será deduzida ou acrescida do preço por tonelada métrica seca (tms) de Concentrado, com base no conteúdo de cobre pagável, 10% (dez por cento) da diferença apurada entre o preço LME do cobre do mês considerado, limitado ao valor mínimo de US$ 1.700,00, e o preço base de US$ 1.984,00, calculada pela seguinte fórmula: a) Se Cotação LME do cobre for menor ou igual a US$1.700,00 PP = (US$1700 US$ 1.984,00) x 0,10 x % Cu pagável b) Se Cotação LME do cobre for maior que US$1.700,00 PP = (Cotação LME em US$ US$ 1.984,00) x 0,10 x % Cu pagável FRETE COMPARTILHADO Para as entregas de Concentrado no ano de 2006 deve ser deduzida uma taxa de frete compartilhado no valor de US$ 10,00 (dez dólares americanos) por tonelada métrica úmida de concentrado efetivamente entregue. DESCONTO SOBRE A LME Para a quantidade contratada de concentrado para o ano 2006 a Mineração Caraíba concederá um desconto no preço LME de US$ 48,00 (quarenta e oito dólares americanos) por tonelada de cobre pagável. DEDUÇÃO DE PENALIDADES O preço por tonelada métrica seca sofrerá deduções de penalidades quando os teores dos elementos ou substâncias abaixo listadas apresentarem variações entre as análises típica e final e forem superiores aos limites fixados a seguir: – Dedução na proporção de US$ 0,26/tms para cada 1% (hum por cento) de SÍO2 acima do limite máximo de 14% (quatorze por cento) – Dedução na proporção de US$ 0,18/tms, para cada 1% (hum por cento) de AI2O3 acima do limite máximo de 3% (três por cento). Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10530.722827/200980 Acórdão n.º 1402001.254 S1C4T2 Fl. 1.344 10 – Dedução na proporção de US$ 0,18/tms, para cada 0,5% (meio por cento) de MgO acima do limite máximo de 4,5% (quatro e meio por cento). – Dedução na proporção de US$ 0,18/tms, para cada 50 ppm de Bi acima do limite máximo de 250 ppm. – Dedução na proporção de US$ 0,09/tms, para cada 50 ppm de F acima do limite máximo de 200 ppm. – Dedução na proporção de US$ 0,09/tms, para cada 50 ppm de Sb acima do limite máximo de 200ppm. Parágrafo Primeiro A MINERAÇÃO acrescentará ao preço o percentual de 17% (dezessete por cento) sobre o preço do concentrado, relativo ao valor do ICMS recuperado pela METALURGIA (o cálculo será feito na modalidade do "cálculo por dentro") Parágrafo Segundo. A MINERAÇÃO acrescentará ao preço o percentual de 7,425% (sete inteiros e quatrocentos e vinte e cinco milésimos por cento) sobre o preço do concentrado, relativa a parte dos valores do PIS e da COFINS recuperados pela METALURGIA. (O cálculo será efetuado na modalidade de "cálculo por dentro", cumulativamente com os 17% do ICMS estabelecido no item anterior, ou seja, o preço base deve ser dividido por 0,75575 (1,0 0,170,07425). Transcritas as disposições contratuais, retomo a análise da matéria observando que nos contratos de compra e venda o preço pode ser determinado ou determinável. Preço determinado, conforme lição de PONTES DE MIRANDA, é aquele para o qual não se necessita de qualquer critério para posterior determinação. Preço determinável é aquele de que não se tem conhecimento objetivo do quanto, ou dele não se tem conhecimento subjetivo, mas já se sabe como se há de determinar. Temse o critério de fixação, não se tem a fixação. Pelo que se verifica da cláusula acima transcrita, o preço das commodities antes nominadas, estava ligado há várias condicionantes, verificadas após a entrega. O cobre, por exemplo, principal produto negociado, tinha como preço de venda a média mensal (do 3° mês) de sua cotação na Bolsa de Metais em Londres, ou, no original: “London Metal Exchange (LME)”, onde, segundo informações extraídas da internet, no seu site “www.lme.com”, a Bolsa de Metais de Londres (LME) existe há mais de 130 (cento e trinta) anos e está localizada no coração da cidade de Londres, sendo considerada a mais importante bolsa de mercado de metais não ferrosos no mundo. A decisão recorrida é precisa ao concluir que no presente caso, tratase de um contrato de compra e venda de mercadorias com o preço determinável a ser fixado pela cotação da mercadoria prevista em bolsa e com execução diferida ao longo do tempo (a apuração da quantidade definitiva da mercadoria vendida, que só será conhecida após o resultado da análise, e a fixação do preço definitivo que ocorrerá no 3º mês com base no valor da mercadoria negociado em bolsa de valores). Como razões de decidir, do acórdão recorrido transcrevo os seguintes pontos: 32. Conforme aqui visto, o referido lançamento complementar seria decorrente de duas situações, uma a apontada falta de oferecimento à tributação de receitas Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10530.722827/200980 Acórdão n.º 1402001.254 S1C4T2 Fl. 1.345 11 financeiras nos anoscalendário de 2006 e 2007, que, segundo a Fiscalização, seriam originárias das variações cambiais, as quais estariam controladas na conta “31.10.020 – AJUSTE LME – VARIAÇÃO POSITIVA” ... 34. Dessa forma, verificase que o litígio, prendese, a apontada falta de oferecimento à tributação dos valores correspondentes ao “AJUSTE LME – VARIAÇÃO POSITIVA”, que, segundo à Fiscalização, seriam variação cambial, e, por isso, tais valores deveriam ter sido oferecidos à tributação a título de receitas financeiras, como também, ao apontado erro de cálculo da CSLL DEVIDA apurada no lançamento, que, segundo a Impugnante, a Fiscalização teria aplicado a alíquota de 15% (quinze por cento), quando o correto seria a alíquota de 9% (nove por cento). ... 43. Com base nas negociações ali realizadas, a Bolsa de Metais de Londres publica um conjunto de preços de referência diária, inclusive do cobre, que são extraídos das negociações ali realizadas no decorrer do dia, e são usados em todo o mundo a título de parâmetro pelas pessoas que negociam com aquelas “comoditties”. 44. Ou seja, não há qualquer irregularidade na utilização de tais preços, os quais são corriqueiramente adotados no mercado como referência, tanto em operações realizadas no mercado interno (nacional), quanto em operações no mercado externo (exportação). 45. Por sua vez, e conforme bem lembrado pela Impugnante, o novo Código de Civil, no transcrito artigo 486, prevê que no contrato de compra e venda o preço do bem pode ser fixado com base em cotação de bolsa, que seria a situação de preço determinável. Neste sentido, vejase as seguintes lições extraídas do livro “Novo Curso de Direito Civil”, relativas ao contrato de compra e venda, tendo como autores Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho, Editora Saraiva (2ª edição 2009, página 5 .... 46. No tocante ao estabelecimento do preço no contrato de compra e venda, tem razão a Impugnante quando afirma que ele pode ser determinado ou determinável, pois além dos doutrinadores citados em respaldo as suas alegações, vejase Pontes de Miranda, em sua obra Tratado de Direito Privado, Parte Especial, Direito das Obrigações, define que “preço determinado é aquele para o qual não se necessita de qualquer critério para posterior determinação. Preço determinável é aquele de que não se tem conhecimento objetivo do quanto, ou dele não se tem conhecimento subjetivo, mas já se sabe como se há de determinar. Temse o critério de fixação, não se tem a fixação” (destaquei). 47. No presente caso, tratase de um contrato de compra e venda de mercadorias com o preço determinável a ser fixado pela cotação da mercadoria prevista em bolsa e com execução diferida ao longo do tempo (a apuração da quantidade definitiva da mercadoria vendida, que só será conhecida após o resultado da análise, e a fixação do preço definitivo que ocorrerá no 3º mês com base no valor da mercadoria negociado em bolsa de valores). 48. Dessa forma, cabe concluir que a doutrina, também, confirma a legalidade de tais contratos, os quais podem ser caracterizados como de execução diferida – Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10530.722827/200980 Acórdão n.º 1402001.254 S1C4T2 Fl. 1.346 12 quando as partes fixam prazo para a sua exigibilidade ou cumprimento –, em contraposição àqueles de execução imediata – que se consuma no momento da celebração, com a entrega do bem móvel (mercadoria), cujo preço e quantidade já sejam conhecidos e as demais condições já foram cumpridas. 49. Assim, é lícito concluir que diante das variáveis previstas para a apuração da quantidade da mercadoria fornecida e para a apuração do preço definitivo, não se pode simplesmente qualificar, à título de variação cambial positiva ou negativa, os valores registrados na contabilidade da Impugnante na conta de LME, sem a indicação de quais critérios foram utilizados para fazer tal qualificação, como assim o fez a Fiscalização, verbis: ... 51. Por sua vez, é de senso comum que a variação cambial ocorre toda vez que a paridade existente entre duas moedas de países diferentes apresenta alteração em relação aos seus valores. 52. Portanto, cabe indagar se um contrato feito para fornecimento de mercadoria, a qual tem sua cotação estabelecida com base no valor da mercadoria negociada em bolsa de valores, cuja moeda é única (dólares americanos), se qualifica como variação cambial? 53. Conforme bem definido pela Impugnante em sua defesa, “para que uma variação cambial ocorra é fundamental que um valor prévio e definitivamente determinado em certa moeda varie em função da taxa de câmbio aplicável para conversão daquela unidade monetária em outra”. 54. Exemplo mais comum dessas situações são nas operações de exportação de mercadorias, onde o preço contratado, geralmente em moeda estrangeira (dólares), já está definido e conhecido desde o momento da entrega da mercadoria para o comprador (a exemplo do preço com a cláusula FOB), constituindose em variação cambial somente a variação da moeda (a exemplo do real para o dólar), ocorrida entre a data da entrega da mercadoria e a data do fechamento do câmbio, que, para sua ocorrência (o fechamento do câmbio), se faz necessário, além do contrato de compra e venda da mercadoria (este já pronto e acabado, inclusive com o preço previamente definido e determinado, evidentemente em moeda estrangeira), um outro contrato que é o de câmbio, o qual, em regra, é realizado entre o exportador e a instituição financeira intermediária da operação de exportação. 55. Assim, é lícito concluir que no presente caso a dita receita contabilizada na conta de LME, não se classifica como variação cambial, e, por conseqüência receita financeira, como assim o quer a Fiscalização, pois conforme consta nas transcritas cláusulas contratuais, após o faturamento provisório, o preço final da mercadoria, estabelecido em moeda estrangeira, só será conhecido após o 3º mês da entrega, o que demonstra o seu caráter provisório, da mesma forma que a quantidade fornecida é também em caráter precário, uma vez que é feita uma estimativa do minério fornecido, do qual são extraídas amostras, que, definirão, em um prazo originalmente previsto de 1 (um) mês após a entrega da mercadoria do vendedor (a Impugnante) ao comprador, qual é a real concentração do teor do minério fornecido em estado bruto (principalmente o cobre). ... 60. Logo, considerando que no momento da entrega da mercadoria estão pendentes a quantidade exata da mercadoria fornecida, e o preço definitivo, o qual só será conhecido futuramente, não se pode configurar de variação cambial os valores correspondentes aos Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10530.722827/200980 Acórdão n.º 1402001.254 S1C4T2 Fl. 1.347 13 ajustes de quantidade e do preço a ser efetivado quando de sua definição, uma vez que o contrato de compra e venda só se considera perfeito e acabado quando todas as condições estiverem implementadas, dentre elas a quantidade exata da mercadoria fornecida e o seu preço definitivo. 61. Ou seja, para que ocorra a variação monetária, seja ela ativa ou passiva, é necessário que a obrigação (de pagar) esteja perfeitamente definida, que, no caso presente, seria o preço do concentrado de cobre fornecido pelo vendedor ao comprador, o qual, como já aqui visto, só estará definido após o 3º mês de seu fornecimento. Conseqüentemente, variação monetária só poderia ocorrer após a definição do preço final, quando o contrato de compra e venda se torna pronto e acabado, que, no presente caso foi o momento em que ficou conhecido o preço definitivo. ... Dessa forma, não se pode classificar de receitas financeiras ou de despesas financeiras, os valores registrados nas contas de LME, da Impugnante, constituindose sim, em parte do preço da mercadoria vendida, conseqüentemente, relativamente ao anocalendário de 2006, devem ser tributados como receitas da atividade operacional os saldos (positivos) da referida conta, e, por isso, também, devem ser incluídos no cálculo da ISENÇÃO SUDENE, via lucro de exploração, conforme pleiteia a Impugnante. Dos fundamentos acima transcrito, assim como os que constam do acórdão recorrido, resta claro que não se pode confundir variação cambial com definição do preço da mercadoria. Nos casos em que se apura o preço final do produto com base em cotações de mercado cujos elementos só são conhecidos após a entrega do produto, tal fato não se enquadra no conceito de variação cambial, mas sim na definição do preço. A única hipótese de autuação possível se verificaria caso a autoridade fiscal tivesse apontado o recebimento de eventuais recursos, decorrente da venda de mercadorias, sem que estes fossem oferecidos à tributação. ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 13808.001998/98-85
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1993 IRPJ E CSLL. APURAÇÃO MENSAL/ANUAL. ESTIMATIVAS. Não esclarecido nos Autos de Infração o porquê de a autoridade revisora da DIPJ/94 haver considerado os tributos como devidos mensalmente, em confronto com a opção pela tributação anual exercida na própria DIPJ/94 preenchida pela contribuinte, insubsistentes os lançamentos tributários.
Numero da decisão: 1801-001.033
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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APURAÇÃO MENSAL/ANUAL. ESTIMATIVAS. Não esclarecido nos Autos de Infração o porquê de a autoridade revisora da DIPJ/94 haver considerado os tributos como devidos mensalmente, em confronto com a opção pela tributação anual exercida na própria DIPJ/94 preenchida pela contribuinte, insubsistentes os lançamentos tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Cristiane Silva Costa, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 A empresa sofreu revisão de malha fiscal, sumária, em sua DIPJ/94, ano calendário 1993, e sofreu autuação para exigência de CSLL e IRPJ, mais os acréscimos legais correspondentes (multa de ofício e juros) – fls. 06 a 15. Os Autos de Infração eletrônicos acusaram, para exigir CSLL, “erro de cálculo na CSLL”, para os meses de janeiro, fevereiro, março, abril, julho, novembro e dezembro de 1993, enquanto para a exigência de IRPJ, “conversão incorreta do lucro real para UFIR”, relativamente aos meses de janeiro, março, abril e novembro de 1993, e “valor do adicional de imposto de renda menor que o estabelecido pela legislação”. A empresa impugnou os Autos argumentando que os cálculos consideraram os valores mensais a pagar, mas que optou pelo regime anual de apuração de tributos, o que invalida as exigências, juntando a cópia da DIPJ/94 para comprovar o alegado – fls. 23 e ss. Invoca as disposições legais contidas na Lei nº 8.541/92, que estabeleceu as apurações mensais de impostos e contribuições sociais, porém sujeitas à compensação ao final do exercício, no ajuste anual (art. 3º, § 6º). Sobre o adicional, esclarece que o artigo 10 da Lei nº 8.541/92 estabeleceu o percentual de 10% sobre as parcelas que ultrapassassem 25.000 UFIR para as pessoas que apurassem mensalmente o imposto, e 300.000 UFIR para aquelas que optassem pela apuração anual. Argumenta, ainda, que a autuação está totalmente distorcida com as informações prestadas na DIPJ, valor dos tributos devidos e aqueles recolhidos antecipadamente. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, às fls. 42, determinou o retorno dos autos à Delegacia de origem para que instruísse o processo acerca dos fatos que ensejaram a autuação, em face da impugnação interposta, e observou que a empresa não havia sido previamente intimada para prestação de esclarecimentos – Resolução nº 307/99. A autoridade fiscal informou às fls. 44 que o procedimento de revisão interna de declarações dispensa a intimação prévia do contribuinte quando a infração estiver claramente demonstrada e apurada na própria DIPJ preenchida pelo contribuinte. A Primeira Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SP exarou o Acórdão nº 2.804/03, fls. 50 a 55, mantendo o lançamento fiscal. Apesar de assinalar no assunto da ementa “IRPJ”, no texto decisório apreciou o litígio somente em relação à autuação para a exigência de CSLL, equivocandose, e afirmando inexistir lançamento de IRPJ nos autos. A manutenção do crédito tributário de CSLL restou fundamentada no preenchimento da DIPJ/94 pela empresa e nas informações do Manual de Pessoas Jurídicas – MAJUR. Segundo a turma julgadora, da análise sumária da DIPJ notase que a opção de pagamento dos tributos efetuada pela contribuinte foi mensal, e não anual, ainda que tenha preenchido o quadro 10 da referida declaração como se fosse anual a sua opção. Transcrevo trecho do decisório: “[...] Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.001998/9885 Acórdão n.º 180101.033 S1TE01 Fl. 106 3 O exame da Declaração de Rendimentos acostada pela autuada às fls. 23 a 32 revela que, apesar de a autuada ter informado no Quadro 10 do Formulário I a opção pela apuração anual do lucro em 1993, a Apuração do Imposto de Renda, presente no Anexo 1 da declaração, foi mensal, o que afasta o cerne de sua argumentação. [...] As instruções do MAJUR/94 são claras: as empresas que optaram pela apuração mensal do lucro real deveriam preencher as colunas correspondentes a cada um dos meses do anocalendário, ao passo que as pessoas jurídicas submetidas à apuração anual do imposto, que optaram pelo recolhimento por estimativa, durante o ano calendário, deveriam demonstrar o resultado na coluna correspondente ao mês de encerramento do períodobase, ou seja, do mês de dezembro. Em uma análise sumária da Declaração de Rendimentos da impugnante já percebe se que a opção adotada foi de apuração mensal do lucro, visto que todas as colunas do Anexo 1 (APURAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO PERÍODOBASE), referentes aos meses de janeiro a dezembro de 1993, encontramse preenchidas. Apesar disso, a autuada deixou de realizar o cálculo da CSLL devida nos meses em que obteve lucro, dando ensejo ao presente lançamento.” Tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso de fls. 60 e 61 reiterando que a sua opção foi a de apurar os tributos de forma anual e não mensal e que a legislação tributária permitia a escolha a ser realizada pelos contribuintes até o encerramento do período de apuração. A empresa optou pelo lucro real e demonstrou mensalmente as apurações, para ao final do período, em dezembro, apurar definitivamente os tributos devidos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora. Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Preliminarmente, observo que a recorrente foi autuada tanto para a exigência de IRPJ, como CSLL, e impugnou ambos Autos de Infração, pelo que, a princípio o acórdão vergastado deveria ser julgado nulo e determinado o retorno dos autos à turma julgadora a quo. Todavia, supero esta omissão judicante pelo fato de acolher as razões recursais da empresa, sob a guarida do artigo 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal – PAF: Art. 59. São nulos: [...] § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) A fundamentação para acolher as razões meritórias esposadas no recurso erguese sobre a fragilidade da autuação em si e dos fundamentos de decidir da turma julgadora de primeira instância. Como bem observado na triagem realizada pela Delegacia de Julgamento de fls. 42, a autoridade fiscal revisora da DIPJ entregue pela recorrente deveria antes de proceder à autuação, intimar a empresa para esclarecer a flagrante divergência apontada pela autoridade julgadora. Esta intimação prévia não é necessária quando a infração está patente e suficientemente demonstrada na DIPJ, o que não é o caso. A recorrente preencheu a opção pela apuração anual dos tributos, IRPJ e CSLL, inequivocamente – fls. 24. O Anexo I da DIPJ também foi preenchido e, ao contrário do que assinalouse no votocondutor, a orientação no próprio anexo é que todas as pessoas jurídicas que optaram pelo lucro real deveriam preenchê lo, e não somente aquelas que optaram pela apuração mensal (e definitiva) dos tributos. A recorrente juntou também à impugnação cópias de DARF que assinalam a sua opção pelo lucro presumido naquele ano – fls. 33 e 34. Estes DARF também foram ignorados pela turma julgadora de primeira instância. Destarte, estes fatos, entrega do formulário da DIPJ/94 com opção pelo Lucro Real, apuração anual, pagamento do IRPJ (anocalendário de 1993) anual e pagamentos durante o anocalendário pelo lucro presumido (código 2089) deveriam ter impulsionado a autoridade revisora a intimar a contribuinte a prestar esclarecimentos e, quiçá, submetêla à fiscalização normal, não efetuada de forma sumária. O preenchimento de um Anexo, ainda que de forma equivocada, não pode servir como fundamento para a exigência de tributação, sem que se verifique, ou investigue, a verdade material dos fatos. O Regulamento do Imposto de Renda vigente à época da autuação (Decreto nº 1.041/94) – RIR/94 – estabelecia em seus artigos, sobre a matéria em questão: Subseção II Apuração Anual do Resultado Lucro Real Art. 185. A pessoa jurídica que efetuar o pagamento mensal do imposto por ESTIMATIVA (arts. 513 a 520), desde o início do anocalendário ou de suas atividades, deverá apurar o lucro real ao final do anocalendário, ou no encerramento de suas atividades, exceto se, quando não obrigada à apuração do lucro real (art. 190), optar pela tributação com base no lucro presumido (Lei nº 8.541/92, arts. 25 e 26). § 1º Anocalendário é o período de doze meses consecutivos contados de 1º de janeiro a 31 de dezembro (Decretolei nº 1.381/74, art. 2º, III). § 2º O disposto neste artigo aplicase à pessoa jurídica que, durante o anocalendário, efetuar o pagamento do imposto sobre a renda mensal com base nas regras aplicáveis ao regime de tributação com base no lucro presumido (arts. 521 a 537), e Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.001998/9885 Acórdão n.º 180101.033 S1TE01 Fl. 107 5 não exercer a opção definitiva por essa forma de tributação (Lei nº 8.541/92, art. 13, §§ 2º e 4º). Entendo que a recorrente efetuou os pagamentos devidos com base nas regras aplicáveis ao regime de tributação do lucro presumido, em vista de haver se utilizado deste código de receita nos DARF apresentados juntos à impugnação e, ao final do exercício financeiro, não optou por este regime de tributação, preferindo apurar os tributos de forma anual, pelo lucro real. Daí a falha do procedimento sumário para averiguar se os valores apurados pelo lucro real estavam em conformidade com a legislação tributária, ou não, e a tributação dos valores mensais, quando a norma tributária facultou ao contribuinte optar pela forma anual. O fato de a recorrente não ter utilizado nos DARF o código de receita específico para os recolhimentos dos tributos por estimativas não têm o condão de anular a opção feita na DIPJ, para o anocalendário em questão. Ademais, se a autuação deveuse pela forma mensal, definitiva, de tributação, (e não verifico nos autos se foi considerada a apuração por lucro real ou presumido), os meses após o prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador decaíram. Por ser matéria de ordem pública, esta ocorrência deveria ter sido assinalada na decisão de primeiro grau. A saber, as exigências após março de 1993 estão decaídas, visto a ciência ter sido considerada como dada em 31/03/98. Por todo o exposto, entendo insubsistentes os lançamentos tributários de IRPJ e CSLL pela ausência de elementos que possam esclarecer e justificar a sua motivação. Voto em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13963.000199/97-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DA FAZENDA NACIONAL DE DESPACHO QUE DEU PARCIAL SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. IMPEDIMENTO À POSSIBILIDADE DE INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO. PREVISÃO DO ARTIGO 37, §2°, DA PORTARIA MF n° 55, de 1998, VIGENTE À ÉPOCA. Deve-se declarar a nulidade do processo, a partir do despacho de admissibilidade do recurso especial da Fazenda Nacional, em que se deu parcial seguimento, se de tal despacho a Fazenda não foi intimada, impossibilitando-lhe a interposição de agravo. Previsão expressa, neste sentido, do Regimento Interno vigente à época.
Numero da decisão: 9303-001.963
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão no Acórdão n° 03-05.721, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DA FAZENDA NACIONAL DE DESPACHO QUE DEU PARCIAL SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. IMPEDIMENTO À POSSIBILIDADE DE INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO. PREVISÃO DO ARTIGO 37, §2°, DA PORTARIA MF n° 55, de 1998, VIGENTE À ÉPOCA. Devese declarar a nulidade do processo, a partir do despacho de admissibilidade do recurso especial da Fazenda Nacional, em que se deu parcial seguimento, se de tal despacho a Fazenda não foi intimada, impossibilitandolhe a interposição de agravo. Previsão expressa, neste sentido, do Regimento Interno vigente à época. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão no Acórdão n° 0305.721, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Fl. 222DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13963.000199/9717 Acórdão n.º 9303001.963 CSRFT3 Fl. 2 2 Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, alegando a ocorrência de omissão na decisão embargada. Segundo a embargante: “Sendo intimada do Acórdão as fls. 137, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência e por Maioria (fls. 138/148). 0 recurso por maioria justificouse em função da violação ao art. 38 da Lei 6.830/80, na medida em que a e. Câmara a quo apreciou o pedido de restituição formulado pelo contribuinte, a despeito da existência de ação judicial de mesmo objeto, afastandose a concomitância da via judicial com a via administrativa. A divergência suscitada, por sua vez, dizia respeito ao prazo prescricional para se pleitear a restituição dos valores pagos indevidamente a titulo de FINSOCIAL (cinco anos contados da extinção do crédito tributário através do pagamento), anexando se o Acórdão 302 35782, para se comprovar o referido dissídio jurisprudencial. Contudo, conforme consignado no Despacho de n° 0105/2006, o recurso Especial da Fazenda Nacional foi conhecido apenas parcialmente. dandose seguimento apenas à matéria atinente à violação da legislação tributária.” Embora se tenha dado seguimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, “a então Douta Presidente da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes NÃO determinou a intimação da Procuradoria da Fazenda com o fim específico de tomar ciência do despacho, e por assim proceder, acabou por obstacularizar a eventual interposição de Agravo, para combater o decisum”. A omissão do acórdão embargado consistiu justamente na ausência de análise da nulidade em questão. Voto Fl. 223DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13963.000199/9717 Acórdão n.º 9303001.963 CSRFT3 Fl. 3 3 Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora Verificando os autos, constatase que, efetivamente, a Procuradoria da Fazenda Nacional não foi intimada do despacho, no qual se deu parcial seguimento ao recurso especial da Fazenda. Conforme disposição expressa do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes vigente à época dos fatos (artigo 37, §2°, da Portaria MF n° 55, de 1998): “§2°. Sob pena de nulidade, os Procuradores da Fazenda Nacional credenciados serão intimados dos despachos relativos aos embargos e à admissibilidade de recurso especial e dos acórdãos contrários ao interesse da Fazenda Nacional”. A intimação do despacho de admissibilidade em que houve negativa de seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional faziase por tudo inafastável, na medida em que havia a possibilidade de interposição do agravo contra aquela decisão. A ausência de tal intimação, portanto, tolheu a Fazenda do seu direito de interposição do Agravo (ferindo, por conseqüência, os princípios do contraditório e da ampla defesa). Ademais, como visto, a nulidade era expressamente prevista. Neste sentido, é de se reconhecer que, efetivamente, houve omissão no acórdão embargado, por não se ter atentado para a ausência de intimação da Fazenda Nacional. Acolho, pois, os Embargos de Declaração, para a decretação da nulidade do processo desde o despacho de admissibilidade constante de fls. 178/181 dos autos, a fim de que, intimada a Fazenda Nacional de tal despacho, seja aberto novo prazo para a interposição de agravo. Sala das Sessões, em 12 de abril de 2012 12 de abril de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 224DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13963.000199/9717 Acórdão n.º 9303001.963 CSRFT3 Fl. 4 4 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 14041.000793/2005-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA - BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA.
Não pode persistir a exigência da penalidade isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre o imposto apurado em razão da omissão de rendimentos de fonte situada no exterior, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.297
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator) e Henrique Pinheiro Torres que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1616; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 253 1 252 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 14041.000793/200516 Recurso nº 152.541 Especial do Procurador Acórdão nº 920202.297 – 2ª Turma Sessão de 09 de agosto de 2012 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JOEL GUILHERME DA SILVA FILHO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA. Não pode persistir a exigência da penalidade isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre o imposto apurado em razão da omissão de rendimentos de fonte situada no exterior, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator) e Henrique Pinheiro Torres que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 14041.000793/200516 Acórdão n.º 920202.297 CSRFT2 Fl. 254 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – RedatorDesignado EDITADO EM: 14/08/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 14041.000793/200516 Acórdão n.º 920202.297 CSRFT2 Fl. 255 3 Relatório O Acórdão nº 280200.074, da 2a Turma Especial 3a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 184 a 213), julgado na sessão plenária de 27 de julho de 2008, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para excluir a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão. Transcreve se a ementa do julgado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 RENDIMENTOS PAGOS POR AGÊNCIA ESPECIALIZADA VINCULADA A ORGANISMOS INTERNACIONAIS. TÉCNICO, PERITO OU CONTRATADO PARA PRESTAR SERVIÇOS, COM OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. ALCANCE. A isenção do imposto de renda sobre rendimentos pagos por agências especializadas vinculadas a organismos tais como a UNESCO é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com tais organizações e foram incluídos nas categorias assim contempladas pelo mais Alto Comando dessas instituições. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço das referidas organizações, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. SUJEIÇÃO PASSIVA. UNESCO E OEA. NÃO RETENÇÃO NA FONTE. AUTUAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. A UNESCO goza de imunidade tributária fixada nas convenções assinadas pela República Federativa do Brasil. Ainda, mesmo que pudesse ser superado esse óbice, no caso vertente, cabível a incidência da Súmula 1°CC n° 12: "Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legitima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido a respectiva retenção". MULTA ISOLADA DE OFÍCIO. CARNÊLEÃO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO CONSECTÁRIA DO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL EM DECORRÊNCIA DA COLAÇÃO DO RENDIMENTO QUE NÃO FOI OBJETO DO RECOLHIMENTO MENSAL OBRIGATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. Está mansamente assentada na jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que a Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 14041.000793/200516 Acórdão n.º 920202.297 CSRFT2 Fl. 256 4 multa isolada do carnêledo não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre o imposto lançado, em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório e não o foi, pois ambas têm a mesma base de cálculo. Recurso provido parcialmente. Crédito tributário mantido em parte. Cientificada dessa decisão, a Fazenda Nacional manejou recurso especial por contrariedade à lei (fls. 217 a 224), para defender ser possível a aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício. O despacho de fls. 225 a 226 deu seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Cientificado do acórdão e do recurso especial (fl. 233), o contribuinte não apresentou recurso especial da parte que lhe foi desfavorável, nem contrarrazões ao especial da Fazenda. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Tratase de recurso especial da Fazenda Nacional para discutir a possibilidade de se cumular a multa isolada por falta do recolhimento do carnêleão com a multa de ofício incidente sobre o imposto lançado no ajuste anual sobre o mesmo rendimento. Verifico que a presente autuação aplicou a multa de ofício de 75% sobre os rendimentos omitidos recebidos de fontes no exterior e a multa isolada de 75% sobre os mesmos valores, a título de falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnêleão (fls. 63 a 65). Sou forçado a reconhecer que a jurisprudência deste Conselho há muito se assentou no sentido de não admitir a cobrança concomitante de multa de ofício incidente sobre os rendimentos omitidos e da multa isolada por falta do recolhimento mensal do carnêleão, calculada sobe os mesmos rendimentos. Afirmase que aplicar duas penalidades sobre a mesma base de cálculo resulta em verdadeiro bin in idem, o que não é admitido no direito pátrio. Apesar da força dos argumentos, ainda não consegui me convencer de sua correção. Penso que a aplicação conjunta das duas multas é decorrência direta do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e de que não existe dupla penalidade pela mesma infração, uma vez que a multa isolada pune o não recolhimento mensal do carnêleão, Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 14041.000793/200516 Acórdão n.º 920202.297 CSRFT2 Fl. 257 5 nos termos do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, enquanto a multa de ofício pune a falta de tributação dos rendimentos omitidos na declaração de ajuste anual, sendo necessárias punições diferentes para condutas ilícitas diversas. Do mesmo modo, não encontro qualquer óbice na legislação tributária para a adoção da mesma base de cálculo para penalidades relativas a duas infrações distintas. Não vejo qualquer semelhança com o fenômeno do bis in idem, onde se cobra o mesmo tributo de um mesmo contribuinte sobre um mesmo fato gerador. Entretanto, como o art. 14 da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho 2007, reduziu o percentual dessa multa de 75% para 50%, há que se aplicar a retroatividade benigna do art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento parcial ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional para restabelecer a multa de ofício isolada no percentual de 50%. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 14041.000793/200516 Acórdão n.º 920202.297 CSRFT2 Fl. 258 6 Voto Vencedor Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Designado Não obstante a respeitável posição defendida pelo Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), tenho adotado entendimento diverso para situações como esta. Segundo a recorrente, inexiste fundamento que autorize o afastamento da exigência da multa isolada incidente sobre a falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Sob minha ótica, tal pretensão não merece prosperar. Não se pode admitir a incidência de duas penalidades (isolada e de ofício) sobre uma única base de cálculo ou sobre um único rendimento omitido, conforme, aliás, tem decidido de forma amplamente majoritária o Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, cuja jurisprudência pode ser ilustrada através das ementas dos seguintes acórdãos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. INDEVIDO BIS IN IDEM. AFASTAMENTO DA MULTA ISOLADA. Não se concebe a aplicação simultânea da multa isolada (fundamentada na falta de recolhimento por estimativa) e multa de ofício (baseada na falta de recolhimento de IRPJ) porque implica em dupla punição sobre o mesmo fato: a falta de recolhimento do IRPJ. DECADÊNCIA. REALIZAÇÃO. LUCROS INFLACIONÁRIOS. TERMO INICIAL. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ARTIGO 150, §4°, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. SÚMULA N° 10 DO CARF. Conforme a súmula n° 10 do CARF, “o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos”. Constatandose a existência de pagamento antecipado do tributo, e aplicandose a decisão do STJ a respeito do tema, em sede de recurso repetitivo, nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, temse a incidência, na hipótese, do artigo 150, §4°, do CTN. Recaindo a discussão sobre fato gerador ocorrido no ano de 1998, e tendo a cientificação do contribuinte ocorrido no dia 03/12/2004, temse por Fl. 6DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 14041.000793/200516 Acórdão n.º 920202.297 CSRFT2 Fl. 259 7 caracterizada a decadência. Recurso especial a que se nega provimento. (CSRF, 1ª Turma, Processo n° 10540.001239/200485, Acórdão n° 910101.358, Relatora Conselheira Susy Gomes Hoffmann, julgado em 16/05/2012) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnêleão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS EXTERIOR. TRIBUTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL DA DIRPF. DECADÊNCIA MENSAL. NÃO APLICABILIDADE. FATO GERADOR COMPLEXIVO. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE. De conformidade com a jurisprudência consolidada neste Colegiado, tratandose de tributo sujeito ao ajuste anual na DIRPF, ainda que submetidas a antecipações mensais no decorrer do período, o fato gerador do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, exigido a partir da omissão de rendimentos é complexivo, operandose em 31 de dezembro do correspondente anocalendário, contandose o prazo decadencial para constituição do crédito tributário a partir daquela data. Recursos especiais do Procurador e do Contribuinte negados. (CSRF, 2ª Turma, Processo n° 10830.006705/200615, Acórdão n° 920201.976, Relator Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, julgado em 16/02/2012) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO No 10616.281 NORMAS PROCESSUAIS – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – PROCEDÊNCIA – RERRATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO – Confirmadas as omissões do acórdão, outro deve ser proferido na devida forma, para que sejam sanadas. IRPF – ORGANISMO INTERNACIONAL DA ONU ISENÇÃO A isenção de imposto sobre rendimentos pagos por Organismo Internacional da ONU é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu SecretárioGeral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão Fl. 7DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 14041.000793/200516 Acórdão n.º 920202.297 CSRFT2 Fl. 260 8 albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. (Precedente da CSRF/MF) MULTA ISOLADA – MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – É inaplicável a multa isolada concomitantemente com a multa de ofício, tendo ambas a mesma base de cálculo. Embargos acolhidos. (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, Recurso n° 153.931, acórdão n° 10616.820, Relatora Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, julgado em 07/03/2008) IRPF – RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL – Reflete omissão de rendimentos quando o contribuinte deixe de comprovar, de forma cabal, a origem dos rendimentos utilizados no incremento do seu patrimônio. RECURSOS – Empréstimo comprovado por Nota Promissória, devidamente autenticada, registrado nas declarações de ajustes anuais tempestivamente apresentadas, tanto da devedora como da credora e demonstrada a capacidade financeira das contratantes, justifica a origem dos recursos. IRPF. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS ORIGENS COMPROVAÇÃO – A comprovação pela Contribuinte do exercício regular de atividade econômica e da correlação entre os ingressos financeiros decorrentes de empréstimos e os créditos/depósitos bancários realizados em suas contas correntes, afastam a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos de origem não comprovada. MULTA ISOLADA – MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – É inaplicável a multa isolada apenas quando aplicada em concomitância com a multa de ofício, tendo ambas a mesma base de cálculo. Recurso provido parcialmente. (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, acórdão n° 10615.245, Relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula, julgado em 25/01/2006) IRPF – IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – Incide a tributação do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos a título de honorários advocatícios sendo estes pagos mediante dação em pagamento de imóveis certificada em Escritura Pública cuja cláusula de retrovenda não foi exercida no prazo estabelecido. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n Fl. 8DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 14041.000793/200516 Acórdão n.º 920202.297 CSRFT2 Fl. 261 9 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso provido parcialmente. (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, acórdão n° 10615.013, Relator Conselheiro José Ribamar Barros Penha, julgado em 25/10/2005) Entendo, seguindo o entendimento amplamente majoritário deste Tribunal Administrativo, que não pode haver incidência concomitante de multa de ofício e de multa isolada sobre uma única base de cálculo, de modo que a decisão recorrida deve ser confirmada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 9DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE
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Numero do processo: 10715.007819/2007-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 03/10/2007 Mercadoria Extraviada. Responsabilidade do Depositário. Presume-se de responsabilidade do depositário a avaria ou extravio de mercadoria sob sua custódia, salvo se, quando da sua recepção, forem efetuados os competentes ressalva ou protesto. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.240
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Responsabilidade do Depositário. Presumese de responsabilidade do depositário a avaria ou extravio de mercadoria sob sua custódia, salvo se, quando da sua recepção, forem efetuados os competentes ressalva ou protesto. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Almeida Filho, Winderley Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento lavrada para constituição de crédito tributário no valor de R$ 197,94, referentes a imposto de importação e multa proporcional e Fl. 102DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 imposto sobre produtos industrializados, decorrente do extravio de mercadoria constatado em ato de Vistoria Aduaneira, que atribuiu a responsabilidade ao depositário. A mercadoria havia sido objeto do Termo de Retenção e Guarda de Mercadorias n° 315, e submetida a despacho aduaneiro através da Declaração Simplificada de Importação (DSI) n° 07/00309747. Cientificada (AR fl. 28), a interessada apresentou impugnação de folhas 31 a 33, anexando os documentos de folhas 34 a 54. Traz as seguintes alegações, em síntese: Que, a vistoria aduaneira realizada em 03/10/2007 constatou o extravio dos referidos materiais, acondicionados em apenas um volume, o qual não apresentou indícios de violação, consoante subitem 10.3 do Termo de Vistoria e declaração do campo “Observações”; Que, a ausência de indícios externos de violação é fato que por si só exclui a INFRAERO de qualquer responsabilidade; Que, a legislação aplicável à espécie foge em muito à seara do Direito Tributário, estando intrinsecamente adstrita ao campo do Direito Civil; Requer seja o lançamento tributário anulado ou cancelado. Ponderando os argumentos suscitados pelo sujeito passivo juntamente com o exposto no voto condutor, decidiu o órgão recorrido acatar parcialmente a impugnação para manter o crédito tributário no valor de R$ 117,68 e exonerar o valor de R$ 80,26. Tal fração não é alvo de recurso de ofício. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção. Enfrento separadamente cada uma das razões re recurso aduzidas. Em primeiro lugar, com o devido respeito, não vejo como acolher a alegação de que a ausência de indícios de violação eximiria a pessoa jurídica depositária da responsabilidade pelo extravio de mercadorias sob sua custódia. Nesse aspecto, o parágrafo único do art. 592 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 2002, já mencionado pelo acórdão de primeira instância é extremanente claro: Fl. 103DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10715.007819/200780 Acórdão n.º 310201.240 S3C1T2 Fl. 86 3 Parágrafo único. Presumese a responsabilidade do depositário no caso de volumes recebidos sem ressalva ou sem protesto. Com base em tal dispositivo, fica claro que a ausência de ressalva quando da recepção dos volumes, ainda que alegadamente uma praxe, atrai a presunção de responsabilidade pelo extravio. Assim, não havendo dúvida de que o preposto da recorrente confirmou o recebimento das mercadorias retidas, não há como afastar o dispositivo regulamentar. Da mesma forma, não merece guarida a alegação de que a relação jurídica entre o Fisco e o sujeito passivo seria de ordem contratual e, consequentemente, estranha à matéria tributária. Mais uma vez, tomo emprestado dispositivo já trazido à colação pelo órgão julgador de primeira instância, no caso, o art. 104 do Regulamento Aduaneiro de 2002, que, dentre os responsáveis pelo imposto, enumera o depositário. Confirase: Art. 104. É responsável pelo imposto: (...). II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incumbida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro (Decretolei no 37, de 1966, art. 32, inciso II, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o); ou Ora, sendo indiscutível que as mercadorias encontravamse sob controle aduaneiro e sob custódia da recorrente, não há como afastar a responsabilidade tributária decorrente de tais fatores. Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 10 de novembro de 2011 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 104DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10730.720162/2010-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: COMPENSAÇÃO.
Incabível a imputação da multa de mora não recolhida em 04/04/2006, juntamente com o IRRF que integra o saldo negativo do IRPJ apurado em 31/12/2005, por se tratar de recolhimento indevido passível de restituição a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração.
Numero da decisão: 1301-000.986
Decisão: Os membros da Turma acordam, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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Incabível a imputação da multa de mora não recolhida em 04/04/2006, juntamente com o IRRF que integra o saldo negativo do IRPJ apurado em 31/12/2005, por se tratar de recolhimento indevido passível de restituição a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Versa este processo sobre DCOMP. Através do Despacho Decisório e Parecer Seort/DRF/Niterói n° 3.211/2010 (fls. 343/347), foi reconhecido parcialmente o direito creditório no valor de R$186.494,57, advindo de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2005, acrescido de juros Selic a partir de maio de 2006, e, em consequência, foi homologada parcialmente a compensação efetuada por meio da DCOMP 10945.33007.020606.1.3.045550 e determinada a imediata cobrança do débito indevidamente compensado relacionado. No Parecer Seort, temse, em síntese, que: o interessado estava obrigado a recolher o IRRF em função da decisão judicial de fls. 103/112, publicada em 06/09/2005, que deu provimento ao recurso da União, não havendo, por conseguinte, pagamento indevido; para se beneficiar da exclusão da multa de mora (§ 2o , do art. 63, da Lei n° 9.430/1996), o pagamento deveria ter sido efetuado até 07/10/2005, conforme manifestação da PSFN/NIT; de acordo como Parecer Normativo SRF n° 1, de 24/09/2002, tratandose de rendimento sujeito a antecipação, considerase vencido o imposto na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado (31/12/2005); "em 04 de abril de 2006, data do recolhimento de fl. 58, para quitar o IRRF, código 5273, no valor originário de R$222.017,35, o contribuinte deveria ter recolhido um valor consolidado de R$277.521,59, incluída a multa de mora efetivamente devida no valor de R$44.403,37, e os juros de mora de R$11.100,87"; como não houve a inclusão da multa, cabe imputação proporcional do pagamento (como demonstra); o valor recolhido a título de IRRF compõe o saldo negativo do ano calendário de 2005, posto que os esclarecimentos e documentos anexados "comprovam que os rendimentos auferidos nas operações de swap foram devidamente contabilizados e submetidos à tributação na DIPJ"; "como regra geral, o crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ está disponível a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente", entretanto, como o pagamento ocorreu somente em 04/04/2006, a regra geral não pode ser aplicada; no caso, o crédito estará disponível a partir do evento em que seu direito se constituiu, ou seja, a partir do mês subsequente ao do pagamento (maio de 2006). O interessado, cientificado em 25/10/2010 (fl. 349), apresentou, em 24/11/2010, a manifestação de inconformidade de fls. 352/375. Nesta peça, alega, em síntese, que: no dia 04/04/2006, no prazo de 30 dias contados da publicação do acórdão que negou provimento aos seus embargos de declaração, recolheu o imposto de renda não Fl. 465DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10730.720162/201057 Acórdão n.º 1301000.986 S1C3T1 Fl. 2 3 retido pela fonte pagadora por força de liminar e sentença judicial, no total de R$233.118,22, como atesta o darf acostado à fl. 58; encerrado o ano calendário de 2005, materializado estava o fato gerador do IRPJ, donde, a partir de então, nunca poderia ser exigido o IRRF; quando percebeu que o aludido recolhimento foi indevido, apresentou DCOMP; a Receita Federal, escorada na opinião da PSFN/NIT, concluiu que era devida a multa de mora e efetuou imputação proporcional do darf pago; não cabe a exigência de multa de mora, por terem os embargos de declaração sido recebidos no duplo efeito, conforme jurisprudência; como o IRRF não foi retido pela fonte pagadora, não há como compor o saldo negativo; jamais alegou que os rendimentos auferidos em operações de swap não deviam ser computados no lucro real e não os excluiu da determinação deste, conforme reconhecido de modo inconteste no Despacho Decisório; em março de 2006, não devia imposto de renda algum, de modo que o recolhimento configurou pagamento indevido; ainda que se tratasse de pagamento devido, cujo valor deveria integrar o saldo negativo, o crédito passível de compensação corresponderia ao valor do principal do imposto recolhido, acrescido de juros SELIC a partir de janeiro de 2006, nos termos do inciso IV, do § Io , do art. 72, da IN RFB n° 900/2008. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/RJI) decidiu a matéria por meio do Acórdão 1236.239, de 24/03/2011 (fls. 390), julgando procedente em parte a manifestação de inconformidade e crédito tributário não reconhecido, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. O IRRF recolhido em função de decisão judicial desfavorável não constitui pagamento indevido, mas o valor do principal (considerada a imputação em face do não recolhimento de multa de mora) pode integrar o saldo negativo do IRPJ, passível de restituição a partir do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração. E o relatório. Passo ao voto. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Como visto no Relatório, através do Despacho Decisório e Parecer da DRF de Niterói foi reconhecido parcialmente o direito creditório no valor de R$186.494,57. O crédito alegado e pleiteado tem origem no darf (fl. 58) recolhido em 04/04/2006, no valor total de R$233.118,22 (principal R$222.017,35 e juros R$11.100,87). A diferença dos valores diz respeito a imputação feita pela DRF de Niterói do valor relativo a multa de mora não recolhida. Por elucidativo transcrevo os argumentos do voto combatido: “O recolhimento foi devido, uma vez que a decisão no mandado de segurança impetrado pelo interessado lhe foi desfavorável. Assim, não cabe restituição do valor total do darf (IRRF, multa e juros) apenas o valor do principal (IRRF) pode vir a ser restituído, posto que pode compor o saldo negativo do IRPJ (ainda que o recolhimento tenha sido efetuado pelo próprio interessado, em decorrência de responsabilidade tributária em face de não retenção pela fonte pagadora por força de decisão judicial), desde que comprovada a tributação dos rendimentos (fato inconteste). O Seort apontou que, para se beneficiar da exclusão da multa de mora (§ 2o. , do art. 63, da Lei n° 9.430/1996), o pagamento deveria ter sido efetuado até 07/10/2005, conforme manifestação da Procuradoria Secional da Fazenda Nacional em Niterói. A Procuradoria da Fazenda Nacional, na forma de seu Regimento Interno, tem por finalidade, entre outras, fixar a interpretação da Constituição, das leis, dos tratados e demais atos normativos, a ser uniformemente seguida em suas áreas de atuação e coordenação (salvo se já houver orientação normativa do AdvogadoGeral da União); entre as suas áreas de atuação, encontrase o desempenho das atividades de consultoria e assessoramento jurídicos no âmbito do Ministério da Fazenda e entidades a este vinculadas. Assim, o entendimento da PSFN/NIT deve ser acatado, prevalecendo a imputação efetuada pelo Seort. A jurisprudência não tem força vinculante. No entanto, assiste razão ao interessado quando alega que, tratandose de pagamento devido, cujo valor deveria integrar o saldo negativo, o crédito passível de compensação corresponderia ao valor do principal do imposto recolhido, acrescido de juros SELIC a partir de janeiro de 2006, nos termos do inciso IV, do § 1o. , do art. 72, da IN RFB n° 900/2008. O fato de o pagamento ter ocorrido somente em 04/04/2006 não faz com que não se aplique a regra relativa a crédito de saldo negativo de IRPJ. Não pode se entender que o pagamento é devido e se aplicar a regra de pagamento indevido, como pretende o Seort. Pelo fato de o pagamento somente ter ocorrido em 04/04/2006, houve o recolhimento de juros de mora no valor R$11.100,87 (valor que coincide com o apontado pelo Seort como devido). O Despacho Decisório Parecer Conclusivo deve, então, ser reformado, mantendose o direito creditório reconhecido pela DRF no valor de R$186.494,57, Fl. 467DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10730.720162/201057 Acórdão n.º 1301000.986 S1C3T1 Fl. 3 5 advindo de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2005, que, no entanto, deverá ser acrescido de juros Selic a partir de janeiro de 2006.” Cabe transcrever, por oportuno, a manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional que embasou a decisão da DRF de Niterói: 1) Os efeitos suspensivo, e, atualmente, interruptivo dos embargos do declaração dizem respeito ao prazo para interposição do recurso processual cabível e não ao momento do pagamento do tributo e encargos legais; 2) O prazo estabelecido no artigo 63, § 2o. o da Lei n° 9.430/96 deve ser contado a partir do ato judicial que cassou a liminar ou antecipação de tutela favorável ao contribuinte, no caso concreto, o primeiro acórdão de fls.107/116; 3) Apesar de ter sido requerido pelo contribuinte o efeito suspensivo aos embargos de declaração, o mesmo não foi deferido pelo relator, conforme se constata no segundo acórdão de fls. 102/106; 4) Não tendo ocorrido o pagamento em até 30 (trinta) dias contados da publicação do acórdão que cassou a liminar ou substituiu a sentença é cabível a cobrança da multa moratória de forma integral.” Nesta fase recursal aduz a recorrente que opôs Embargos de Declaração postulando: (i) que tal recurso fosse recebido no seu efeito suspensivo e, (ii) a expedição de ofício a DRF de Niterói determinando a suspensão de qualquer ato de cobrança até a decisão final dos embargos. Afirma, mais, em sua peça de defesa: “o referido recurso foi recebido no duplo efeito (fl. 119), ou seja, no efeito devolutivo e no efeito suspensivo. Posteriormente, aqueles embargos de declaração foram desprovidos pelo acórdão publicado em 06.03.2006 (fls. 138/147), cuja ementa, contudo, ratificou o seu recebimento no duplo efeito. (...) Em 04.04.2006, antes, portanto, de transcorrido o prazo de 30 dias contados da publicação do acórdão que negou provimento aos seus embargos de declaração, a RECORRENTE efetuou o pagamento do valor total de R$ R$233.118,22 (principal R$222.017,35 e juros R$11.100,87), conforme atesta o comprovante de arrecadação acostado às fls. 58, no qual se observa, inclusive, que o respectivo DARF foi preenchido com o código de arrecadação n° 5273, relativo ao IRRF incidente sobre rendimentos auferidos em operações de "swap". A rigor, a indicação desse código foi incorreta, uma vez que, ainda que algum imposto fosse devido, encerrado o anocalendário de 2005, materializado estava o fato gerador do IRPJ, donde, a partir de então, o imposto cobrado da RECORRENTE sobre rendimentos com relação aos quais ela figurava como contribuinte só poderia ser o IRPJ, nunca o IRRF, como se infere dos itens 11, 14 e 16 do PN COSIT n° 01/2002. Assim, quando a RECORRENTE percebeu que o aludido recolhimento foi indevido, apresentou a PER/DCOMP que originou o presente feito, compensando o correspondente crédito, no valor principal de R$ 222.017,35 (consolidado de R$ Fl. 468DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 233.118,22 na data do recolhimento), com débito administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, consubstanciado na Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) relativa ao período de apuração encerrado em 31.05.2006.” Pois bem, a lide do presente processo restringese em saber: (I) se os Embargos de Declaração opostos pela recorrente, de fato, foram recepcionados no duplo efeito (devolutivo e suspensivo) conforme alegado e, (II) em conseqüência se é cabível ou não a multa moratória (imputada). Ao contrário das afirmações da recorrente, vêse de forma concisa da leitura do Acórdão aos Embargos de Declaração que não houve o alegado recebimento em duplo efeito, vejamos: "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. OPERAÇÕES DE SWAP PARA FINS DE HEDGE. TRIBUTAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. PREQUESTIONAMENTO. RECURSO ESPECIAL E RECURSO EXTRAORDINÁRIO. LEI 9.430/96, ARTIGO 63 § 2o.. INÍCIO DO PRAZO. RECURSO RECEBIDO NO DUPLO EFEITO. EXPEDIÇÃO DE OFÍCIO À RECEITA FEDERAL. NÃOCABIMENTO. 1. A questão acerca do momento em que começará a fluir o prazo previsto no § 2o. do artigo 63 da Lei 9.430/96, bem como a expedição de ofício à Receita Federal, não são objetos do processo, razão pela qual não serão analisados nos embargos opostos. 2. O acórdão enfrentou a questão referente à tributação nas operações de swap para fins de hedge de forma clara, inexistindo obscuridade. 3. Para fins de prequestionamento, basta que a questão tenha sido debatida e enfrentada no corpo do acórdão, sendo desnecessária a indicação de dispositivo legal ou constitucional. 4. Embargos de declaração conhecidos e improvidos”. Claro está no que se relaciona ao prequestionamento que tais matérias não foram analisadas nos embargos opostos pelo não cabimento. Da mesma forma constatase no corpo do voto nos embargos de declaração: “Tratase de embargos de declaração opostos por Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro CERJ, às fls. 312/326, contra a decisão de fls. 296/303 que deu provimento ao recurso para denegar a segurança. Inicialmente, vale ressaltar que a questão acerca do momento em que começará a fluir o prazo previsto no § 2o. do artigo 63 da Lei 9.430/96, bem como a expedição de ofício à Receita Federal, não são objetos do processo, razão pela qual não serão analisados nos embargos opostos.” Portanto, resta claro, que os embargos de declaração interpostos pela ora recorrente não tiveram o condão de suspender a execução do primeiro acórdão (decisão judicial publicada em 06/09/2005). No entanto, o Imposto de Renda na Fonte que ora se discute veio a compor, no seu valor total, o Saldo Negativo do Imposto de Renda apurado no encerramento do exercício (31/12/2005). Logo, no meu entender, o seu recolhimento (IRRF: valor principal e juros)) através do DARF de fl. 58, em 04/04/2006, restou totalmente indevido, não havendo, no caso, que se falar em imputação do valor da multa de mora que deixou de ser recolhida. Pelo exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10730.720162/201057 Acórdão n.º 1301000.986 S1C3T1 Fl. 4 7 (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 470DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000081/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002
ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA.
Em observância ao principio da consunção, há que se afastar a multa isolada aplicada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, até o montante da multa proporcional ao imposto e à contribuição devidos ao final do período.
Numero da decisão: 1201-000.669
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR PARCIAL
provimento ao recurso para afastar a multa isolada até o montante concomitante com a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Rafael Correio Fuso, André Almeida Blanco, João Carlos de Lima Júnior e Claudemir Rodrigues Malaquias, acompanharam o Relator pelas suas conclusões, quanto à manutenção da multa isolada no montante que excedeu a multa de ofício.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2002 ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. Em observância ao principio da consunção, há que se afastar a multa isolada aplicada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, até o montante da multa proporcional ao imposto e à contribuição devidos ao final do período.
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MULTA ISOLADA. Em observância ao principio da consunção, há que se afastar a multa isolada aplicada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, até o montante da multa proporcional ao imposto e à contribuição devidos ao final do período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR PARCIAL provimento ao recurso para afastar a multa isolada até o montante concomitante com a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Rafael Correio Fuso, André Almeida Blanco, João Carlos de Lima Júnior e Claudemir Rodrigues Malaquias, acompanharam o Relator pelas suas conclusões, quanto à manutenção da multa isolada no montante que excedeu a multa de ofício. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), André Almeida Blanco, Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior, Marcelo Cuba Netto e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 14120.000081/200771 Acórdão n.º 120100.669 S1C2T1 Fl. 621 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Por bem descrever os fatos litigiosos de que cuida o presente processo, adoto aqui o relatório contido na decisão de primeira instância: Versa o presente processo do Auto de Infração de fls. 487/493, lavrado contra a contribuinte em epígrafe para exigência de crédito tributário do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, relativo a infrações ocorridas no período de apuração de 01/01/2002 a 31/12/2002, exercício de 2003, no valor de R$ 118.124,40 a título de imposto, juros de mora, multa proporcional, bem como a multa exigida isoladamente em relação aos meses de março a maio e agosto a dezembro de 2002. Por meio do Auto de Infração de fls. 496/502, exigiuse também o crédito tributário referente ao mesmo período, no valor de R$ 89.879,96, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, juros de mora e multa proporcional, bem como a título de multa exigida isoladamente, em relação aos meses de março a maio e agosto a dezembro de 2002. De acordo com a descrição dos fatos às fls. 489/490 e 498/499 e do Relatório de Auditoria, às fls. 503/517, os lançamentos do IRPJ, da CSLL e das Multas Exigidas Isoladamente decorreram de procedimento de revisão da Declaração de Informações Econômico Fiscais — DIPJ, relativa ao anocalendário de 2002, que apurou as seguintes infrações à legislação tributária: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ: 001 — FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO. O contribuinte apresentou DIPJ relativo ao períodobase 2002, tendo apurado no encerramento do exercício lucro tributável e consequentemente Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ a pagar, porém, tais valores não constam em DCTF e nem foi efetuado qualquer recolhimento. No Relatório de Auditoria, anexo e parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração estão detalhados todos procedimentos fiscais efetuados pela fiscalização. Enquadramento legal: Art. 841, incisos I, III e IV, do RIR/99. 002 MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 14120.000081/200771 Acórdão n.º 120100.669 S1C2T1 Fl. 622 3 Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, relativo ao ano de 2002. Os procedimentos fiscais efetuados pela fiscalização estão detalhados no Relatório de Auditoria, que é parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. Enquadramento legal: Arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § 1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/07 c/c art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n°5.172/66. Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL: 001 — FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DA CSLL. O contribuinte apresentou DIPJ relativo ao períodobase 2002, resultado tributável no encerramento do exercício, tendo apurado saldo de Contribuição Social sobre o Lucro a recolher. Ocorre que o contribuinte não declarou em DCTF e nem efetuou qualquer recolhimento do valor devido. No Relatório de Auditoria, anexo e parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração estão detalhados todos procedimentos efetuados pela fiscalização. Enquadramento legal: Art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; art. 19 da Lei n°9.249/95; art. 28 da Lei n° 9.430/96; art. 6° da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições. 002 MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA. Falta de pagamento da Contribuição Social incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, relativo ao ano de 2002. No Relatório de Auditoria, anexo e parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração, estão detalhados os procedimentos fiscais efetuados pela fiscalização. Enquadramento legal: Arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § 1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/07 c/c art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n°5.172/66. A contribuinte foi cientificada dos autos de infração em 17 de maio de 2007 (AR à fl. 521) e, inconformada com as exigências apresentou a impugnação de fls. 535/544, que foi recepcionada em 14 de junho de 2007, alegando, em síntese, que: a) por não haver declarado ao fisco as operações de compensação de tributos que realizou nos termos da IN/SRF n° 21/1997, o fiscal entendeu que não fazia jus a tal beneficio, o que gerou os saldos devedores que estão sendo cobrados nos autos de infração; Fl. 622DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 14120.000081/200771 Acórdão n.º 120100.669 S1C2T1 Fl. 623 4 b) o agente fiscalizador ao verificar os livros fiscais e contábeis e a DIPJ reconheceu que as operações foram escrituradas e declaradas, afastando assim qualquer dolo relativo à evasão fiscal ou mesmo de sonegação por parte do contribuinte; c) as DCTF relativas aos períodos da compensação foram regularmente processadas e entregues pelo contribuinte que, por falha administrativa no processamento, apenas deixou de fazer constar a operação de compensação em obrigação acessória; d) diante do exposto, tratase de falta de cumprimento de obrigação acessória e não de apropriação indevida de saldos credores de tributos; e) o entendimento da doutrina e da jurisprudência é que as obrigações principais e acessórias são independentes entre si, e se houve irregularidade praticada pelo contribuinte, esta se resume ao fato de que as informações constantes da DCTF seguiram de forma imprecisa, mas tal ato não ensejaria a reversibilidade da compensação realizada, pois se assim fosse estaria sendo revertido o próprio direito material à compensação, jogando por te a segurança jurídica sobre a qual se funda o Estado Democrático de Direito; f) a infração realmente cometida, de imprecisão nas informações prestadas na DCTF, possui previsão legal para sua correção, inclusive com aplicação de multa cabível ao caso (artigo 8° da IN/SRF n° 482/2004), restando demonstrado o erro na capitulação legal da infração apontada nos autos de infração; g) ao desconsiderar a correta capitulação legal pertinente à infração cometida pelo contribuinte, o agente fiscalizador extrapolou suas atribuições, revelando a arbitrariedade de seus atos de forma insustentável frente à segurança jurídica das relações entre Fisco e Contribuinte; h) o direito material à compensação subsiste para o contribuinte, independentemente da falha pela informação na obrigação acessória; i) dessa forma, no caso de a compensação realizada pelo contribuinte seja revertida nos moldes que deseja o agente fiscal, nasceriam novamente para o contribuinte os saldos credores que deram origem à compensação; j) de posse do crédito, renascido do atendimento do que deseja o fiscal da Receita Federal, o contribuinte novamente utilizará tal saldo credor para requerer novo pedido de compensação, gerando mais trabalho, retrabalho, e ferindo o princípio da eficiência nos atos administrativos. Com a impugnação a defendente juntou aos autos cópias reprográficas de documentos às fls. 545/561. Apreciadas as razões de defesa, a DRJ de origem decidiu pela procedência do lançamento (fls. 553/570). Fl. 623DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 14120.000081/200771 Acórdão n.º 120100.669 S1C2T1 Fl. 624 5 Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 580/591) pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, repisando os argumentos já expostos na impugnação. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Alegada Compensação A autoridade fiscal lançou de ofício o IRPJ e a CSLL devidos ao final do anocalendário de 2002, pelos valores informados pela própria contribuinte em sua DIPJ/2003. Diz o auditor que a exigência revelase necessária uma vez que não se confirmaram os pagamentos mensais do imposto e da contribuição calculados por estimativa, também informados naquela DIPJ. Afirma ainda que nem os valores de IRPJ e CSLL devidos por estimativa, nem os devidos ao final do período, foram informados nas DCTFs apresentadas pela empresa. Em sua defesa alega a recorrente ter realizado a compensação entre os valores devidos a título de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, e saldos credores de períodos anteriores. Admite que as compensações, por erro, deixaram de ser informadas nas DCTFs, todavia, foram regularmente registradas em sua contabilidade. Diz que tal omissão representa mera violação a uma obrigação acessória, para a qual há punição específica, conforme estabelecido no art. 8° da Instrução Normativa SRF n° 482/2004: Pois bem, no caso, além de não informar as compensações em DCTF, a interessada, ao contrário do alegado, não comprova ter realizado as compensações em sua contabilidade, já que deixou de juntar cópia das respectivas páginas dos livros Razão ou Diário. Aliás, não foi juntado pela defesa sequer um demonstrativo que aponte a natureza, a origem e o montante de seu alegado direito creditório. 3) Da Multa Isolada Embora não tenha sido objeto de contestação expressa pela interessada, é de se reconhecer que esta Turma, em observância ao princípio da consunção, vem afastando a exigência da multa isolada decorrente da falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, quando no lançamento há também exigência de multa de ofício proporcional pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do período de apuração anual. No caso, como o montante da multa isolada é superior ao montante da multa de ofício, devese manter aqui apenas a parcela excedente. 4) Conclusão Fl. 624DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 14120.000081/200771 Acórdão n.º 120100.669 S1C2T1 Fl. 625 6 Tendo em vista todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a parcela da multa isolada que não exceder o montante da multa de ofício proporcional. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 625DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10380.006592/2007-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/01/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO
ACESSÓRIA. ARTIGO 30, INCISO I, ALÍNEA “A”, LEI N° 8.212/91.
NÃO CONFIGURAÇÃO.
A ausência de arrecadação das contribuições previdenciárias, mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados e/ou contribuintes individuais, não caracteriza infração ao disposto no artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, quando ocorrer parcialmente, tão somente em relação aos valores arrecadados a menor, consoante precedentes deste Colegiado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.429
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, dar
provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/01/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 30, INCISO I, ALÍNEA “A”, LEI N° 8.212/91. NÃO CONFIGURAÇÃO. A ausência de arrecadação das contribuições previdenciárias, mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados e/ou contribuintes individuais, não caracteriza infração ao disposto no artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, quando ocorrer parcialmente, tão somente em relação aos valores arrecadados a menor, consoante precedentes deste Colegiado. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/01/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 30, INCISO I, ALÍNEA “A”, LEI N° 8.212/91. NÃO CONFIGURAÇÃO. A ausência de arrecadação das contribuições previdenciárias, mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados e/ou contribuintes individuais, não caracteriza infração ao disposto no artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, quando ocorrer parcialmente, tão somente em relação aos valores arrecadados a menor, consoante precedentes deste Colegiado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Fl. 100DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10380.006592/200784 Acórdão n.º 2401002.429 S2C4T1 Fl. 100 3 Relatório PARAGÁS DISTRIBUIDORA LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Recife/PE, Acórdão nº 1123.145/2008, às fls. 60/68, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a empresa, nos termos do artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 216, inciso I, alínea “a”, do RPS, por ter deixado de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço, em relação ao período de 09/2003 a 01/2006, conforme Relatório Fiscal, às fls. 06/10. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 27/04/2007, nos termos do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 1.195,13 (Um mil, cento e noventa e cinco reais e treze centavos), com base nos artigos 283, inciso I, alínea “g”, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. De conformidade com o Relatório Fiscal, a empresa deixou de arrecadar a contribuição dos segurados ali relacionados, sobre os respectivos valores recebidos, por meio de cartão de premiação, a título de prêmio em programa de incentivo, conforme Contrato de Prestação de Serviços celebrado entre o sujeito passivo e a Empresa Salles Adan Associados Marketing de Incentivos S/C Ltda. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 72/88, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases e fatos ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, pretende seja reconhecida sua ilegitimidade passiva aduzindo que a Recorrente efetuou repasse financeiro a empresa contratada, sendo a mesma responsável pela concessão do cartão premiação aos empregados, não sendo a Recorrente a responsável pelos valores repassados aos empregados. Em defesa de sua pretensão, assevera que não efetua pagamentos aos seus funcionários a este título, repassando as importâncias devidas à empresa prestadora de serviços de marketing, a qual paga os empregados premiados. Neste sentido, pugna pela decretação da nulidade do lançamento, tendo em vista que a autoridade lançadora deixou de identificar perfeitamente o sujeito passivo da obrigação tributária em total afronta à legislação de regência, especialmente artigo 11 do Decreto nº 70.235/72, c/c artigos 121 e 142 do Código Tributário Nacional. Aduz ser ilegal a cobrança de contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos mediante cartão de premiação, os quais não podem ser considerados como fato gerados da obrigação tributária em questão. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 4 Traz à colação argumentos vinculados ao procedimento adotado pela autoridade lançadora ao constituir o crédito tributário nos autos do processo que contempla a obrigação principal incidente sobre os valores pagos a título de premiação, insurgindose contra o arbitramento e, bem assim, a inversão do ônus da prova. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10380.006592/200784 Acórdão n.º 2401002.429 S2C4T1 Fl. 101 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Inicialmente devese frisar que, não obstante tratarse de autuação face a inobservância de obrigações acessórias, os argumentos da recorrente estão ligados basicamente à procedência da exigência fiscal consubstanciada nos autos do processo que foram lançadas as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a título de premiação. Registrese, que em nenhum momento a contribuinte alega não ter incorrido na falta imputada, se limitando a questionar o mérito daquela autuação correlata. Em verdade, a contribuinte faz confusão ao tratar da questão, trazendo à colação argumentos relativos a constituição de créditos previdenciários decorrentes do descumprimento de obrigações principais. Consoante se positiva do artigo 113 do Código Tributário Nacional, as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, obrigação principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação tributária de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento a contribuinte deixar de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, a totalidade das contribuições dos segurados a seu serviço, infringindo, a princípio, o disposto no artigo 30, inciso “I”, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, o que ensejou, in casu, a constituição do crédito previdenciário decorrente da penalidade aplicada nos termos do artigo 283, inciso “I”, alínea “g”, do RPS, que assim prescrevem: “Lei 8.212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I – A empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração;” Regulamento da Previdência Social Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 6 “Art. 283. Por infração a qualquer dispositivos das Leis 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 08 de mais de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável [...], conforme gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I – a partir de R$ 636,17 nas seguintes infrações: g) deixar a empresa de efetuar os descontos das contribuições das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço;” No entanto, em que pese à impertinência das alegações recursais da contribuinte ao aduzir sua pretensão, bem como as razões de fato e de direito das autoridades fiscais em defesa da autuação, impende suscitar, de ofício, que essa Câmara ao analisar questões da mesma natureza vem afastando a penalidade aplicada, em face da não configuração da infração apontada, como passaremos a demonstrar. Consoante entendimento levado a efeito pelo ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, integrante desta Colenda Câmara, e compartilhado por este julgador, a infração atribuída à recorrente somente se confirmaria se a autoridade lançadora comprovasse que a contribuinte não arrecadou, mediante desconto na respectiva remuneração, nenhuma contribuição previdenciária, conforme se extrai do excerto de seu voto, exarado nos autos do processo nº 37280.001458/200691, Recurso nº 142.069, de onde peço vênia para transcrever e adotar como razões de decidir, como segue: “ [...] Não vou entrar no mérito quanto à incidência ou não de contribuições previdenciárias sobre os valores relativos ao fornecimento de alimentação aos trabalhadores, no período em que a empresa ainda não havia formalizado a adesão ao PAT. Entendo que o cerne da questão, qual seja, a ocorrência da infração apontada pelo fisco, passa ao largo dessa problemática. A Auditoria invoca o art. 30, I, “a”, da Lei n.º 8.212/1991 combinado com o art. 216, I, “a”, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999, para fundamentar a existência da infração. Vale a pena transcrever os preceptivos: Lei n.º 8.212/1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; (...) RPS Art.216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10380.006592/200784 Acórdão n.º 2401002.429 S2C4T1 Fl. 102 7 observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: Ia empresa é obrigada a: a)arrecadar a contribuição do segurado empregado, do trabalhador avulso e do contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração; (...) A conduta apontada como violadora das normas acima, como se pode ver do Relatório Fiscal da Infração, fls. 12/18, foi a ausência do desconto das contribuição apenas com relação aos valores relativos ao fornecimento de alimentação. Eis os termos do relatório: “Durante a ação fiscal a empresa apresentou diversos documentos solicitados pela fiscalização, demonstrando profissionalismo e boafé. Verificouse que a empresa elaborou corretamente as folhas de pagamento dos empregados, restando o demonstrado descuidado em formalizar a sua inscrição no PAT, descaracterizando o fornecimento de alimentação como parcela de não incidência da contribuição previdenciária.”(fl. 14, 7.º parágrafo) “Concluise que a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto dos valores pagos a título de alimentação, as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, uma vez que a empresa não incluiu na folha de pagamento de 04/2002 a 02/2004, os valores pagos aos seus empregados a título de alimentação. Tal fato deuse porque as folhas de pagamento apresentadas, de 04/2002 a 02/2004, são deficientes, pois não respeitaram as formalidades legais, ao não discriminar como parcela integrante da remuneração para cada empregado os valores pagos a título de alimentação.”(fl. 18, 3.º parágrafo) Entendo que a conduta apontada não se amolda as normas citadas na fundamentação do lançamento. Somente se configura esse tipo de infração quando o sujeito passivo deixa de efetuar a retenção da contribuição ao efetuar o pagamento da remuneração aos segurados. A situação posta a lume é outra. Pelo que ficou claramente explicitado no relatório da Auditoria, não houve omissão na retenção, mas uma suposta retenção efetuada a menor em razão da recorrente não haver considerado determinada verba como sujeita à incidência tributária. Há de se levar em conta que a norma que instituiu esse dever legal prescreve a como núcleo da conduta o verbo “arrecadar”, do qual a empresa efetivamente não se afastou, pois, reconhecidamente, houve desconto das contribuições nos pagamentos efetuados aos empregados e lançados nas folhas de salário. Eis que as normas de regência não mencionam o termo Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 8 “arrecadar todas as contribuições”, mas se refere apenas a conduta de efetuar o desconto. Não se deve olvidar que, no caso concreto, o próprio Auditor informa que as folhas de pagamento foram confeccionadas com perfeição, somente se afastando do seu entendimento no que concerne aos valores disponibilizados aos empregados a título de alimentação. Tivesse o fisco apontado que não houve o desconto da contribuição de um segurado que fosse, sem dúvida estaríamos diante da infração que deu ensejo à presente autuação, conduto, estou convencido que não foi isso que ocorreu. Diferentemente, v. g., ocorre com a infração de omitir fatos geradores em GFIP, haja vista que a conduta é prestar as informações com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, assim, caso não se declare as remunerações na totalidade ferese a norma. Também a preparação folha de pagamento nos padrões estabelecidos pelo órgão arrecadador constitui infração à legislação, posto que obrigatoriamente têm que ser lançadas na folha todas as parcelas incidentes e não incidentes de contribuição. Assim, não havendo subsunção da conduta apontada à norma legal que fundamenta a autuação, voto pelo provimento do recurso.” No mesmo sentido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, vem afastando a penalidade aplicada ao caso em comento, quando a contribuinte arrecada a menor as contribuições dos segurados, consoante se positiva do Acórdão prolatado nos autos do processo administrativo n° 37166.000545/200718, da lavra do Conselheiro Francisco de Assis Oliveira Junior, assim ementado: “ Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 20/11/2006 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. RUBRICA ESPECÍFICA. ARRECADAÇÃO PARCIAL. INEXISTÊNCIA DA INFRAÇÃO. A infração consistente em deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados não se configura quando o sujeito passivo deixa de arrecadar apenas as contribuições incidentes sobre verbas que entende não serem passíveis de tributação. Recurso Especial do Procurador Negado.” Na hipótese dos autos, tratandose de auto de infração decorrente da NFLD onde foram lançadas contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, arrecadas a menor pela contribuinte, a situação fática é exatamente a mesma do voto encimado. Em outras palavras, a contribuinte somente deixou de arrecadar, mediante desconto nas remunerações dos segurados parte das contribuições dos empregados, relativamente aos valores pagos a título de prêmio, o tendo feito sobre a importância admitida originalmente como remuneração, não se cogitando, assim, na infração tipificada no artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10380.006592/200784 Acórdão n.º 2401002.429 S2C4T1 Fl. 103 9 Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância com os dispositivos que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para decretar, de ofício, a improcedência do feito, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL
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