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Numero do processo: 10660.001767/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÃO. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. DECUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INOCORRÊNCIA.
1. O auto de infração destinado à formalização da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep devida em razão do descumprimento dos requisitos da imunidade prevista no art. 195, § 7º, da CF/88, rege-se pelo rito processual do art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009, que não exige a emissão prévia de ato declaratório suspensivo da imunidade.
2. O rito processual estabelecido no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, aplica-se apenas à imunidade tributária relativa aos impostos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral a Dra. Viviane Angélica Ferreira Zica, OAB 64.145, advogada do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Mônica Elisa de Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Demes Brito e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS PREVISTOS EM LEI. IMPOSSIBILIDADE. As entidades de assistência social que não cumprem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, e do art. 14 do CTN não fazem jus a imunidade das contribuições para seguridade social, prevista no art. 195, § 7º, da CF/88, e fica sujeita a cobrança do crédito tributário devido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÃO. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. DECUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INOCORRÊNCIA. 1. O auto de infração destinado à formalização da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep devida em razão do descumprimento dos requisitos da imunidade prevista no art. 195, § 7º, da CF/88, regese pelo rito processual do art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009, que não exige a emissão prévia de ato declaratório suspensivo da imunidade. 2. O rito processual estabelecido no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicase apenas à imunidade tributária relativa aos impostos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 17 67 /2 00 9- 82 Fl. 875DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 do voto do Relator. Fez sustentação oral a Dra. Viviane Angélica Ferreira Zica, OAB 64.145, advogada do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Mônica Elisa de Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Demes Brito e Nanci Gama. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 5/14), em que formalizada a exigência da Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de janeiro a dezembro de 2004, no valor de R$ 307.653,85, que acrescido de juros moratórios no valor de R$ 212.025,14, calculados até 30/11/2009, totalizou a importância de R$ 519.678,99. No Termo de Verificação de fls. 15/35, a fiscalização informou que a recorrente não atendia os requisitos exigidos das entidades beneficentes de assistência social para gozo da imunidade da Contribuição para o PIS/Pasep nos meses de janeiro a dezembro de 2004, pois não havia cumprido as condições estabelecidas nos incisos IV e V do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, e, em caráter subsidário, também havia descumprido os requisitos fixados nos incisos I e II do art. 14 do CTN. Em sede de impugnação, a interessa alegou, em preliminar, a nulidade do auto de infração, sob argumento de que (i) não fora expedido o ato declaratrório de suspensão da imunidade, condição necessária para a prática do ato de lançamento, e que a autuação afrontava dispositivo da sentença proferida nos autos do Mandado de Seguranção nº 2004.38.00.046338565, que determinara a abstenção da cobrança da referida Contribuição. No mérito, alegou que: a) sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, a lei a que se refere o § 7º do art. 195 da CF/1988 era lei complementar, porém como esta não foi editada, as exigências a serem atendidas são aquelas do art. 14 do CTN; b) se entendido que os requisitos para gozo da referida imunidade poderia ser disciplinada por lei ordinária, a fiscalização deveria restringirse à verificação do cumprimento das exigências constantes exclusivamente de lei, porém, no anocalendário de 2004, não havia lei que lhe obrigasse comprovar a aplicação de 20% (vinte por cento) da sua receita bruta em gratuidade; c) na condição de entidade beneficente de assistência social, assim reconhecida pelo Poder Público desde 1988, estava imune da Contribuição para o PIS/Pasep, pois atendia as exigências estabelecidas no art. 14 do CTN e no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991; d) não houve descumprimento dos requisitos do inciso IV do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, nem do inciso I do art. 14 do CTN, uma vez que fora vítima e não infratora dos Fl. 876DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10660.001767/200982 Acórdão n.º 3102002.223 S3C1T2 Fl. 101 3 atos lesivos praticados por seus anteriores Presidente e VicePresidente, os quais exerceram nos anos 2000 a 2007, respectivamente, os cargos de ViceReitor e Reitor da Universidade Vale do Rio Verde, instituição de ensino superior mantida pela recorrente. Ademais, embora a fiscalização tivesse afirmado que os valores pagos aos citados dirigentes fossem incompatíveis com as funções por eles exercidas, não trouxera aos autos quaisquer parâmetros que corroborassem tal assertiva; e) a fiscalização equivocouse ao fundamentar a infração ao inciso I do art. 14 do CTN, com base nos mesmos fatos elencados para fundamentar a infração no inciso IV do art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991, pois remuneração de dirigentes era diferente de distribuição, a qualquer título, de qualquer parcela do patrimônio ou das rendas das entidades imunes; f) o suposto descumprimento do inciso V do art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991, não se baseou em provas colhidas pela fiscalização, mas tão somente em razão da impossibilidade de atendimento do Termo de Intimação Fiscal n° 05/2009; e g) quando do lançamento, os artigos 13 e 14 da MP 2.15835, de 2001, não foram observados pela fiscalização. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 495/499), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 COFINS. EXIGIBILIDADE DE ENTIDADE DE INSTITUIÇÃO EDUCACIONAL. Se a instituição educacional não comprovar ser uma entidade beneficente de assistência social, suas receitas submetemse às contribuições sociais. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. REQUISITOS. Para ser considerada entidade beneficente de assistência social, a instituição não pode remunerar seus dirigentes, e deve aplicar anualmente, em gratuidade, pelo menos vinte por cento da receita bruta proveniente da venda. Em 25/7/2011, a autuada foi cientificada da referida decisão (fl. 514). Inconformada, em 24/8/2011, protocolou o recurso voluntário de fls. 855/866, em que, reafirmou a preliminar de nulidade em face da ausência de ato suspensivo da imunidade ou isenção condicionada. No mérito, reafirmou as razões de defesa suscitadas na fase impugnatória, em relação ao descumprimento do percentual de 20% (vinto por cento) de gratuidade e dos requisitos do art. 55, IV, da Lei nº 8.212, de 1991, e do art. 14, I, do CTN. Espeficamente, em relação a este último ponto da controvérsia, em aditamento, alegou que a Turma de Julgamento de primeiro grau: Fl. 877DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 a) não refutara o abuso praticado pelos anteriores dirigentes e, sem respaldo nos autos ou no Termo de Verificação Fiscal, concluíra que houve culpa da recorrente por presumida omissão dos membros dos Conselhos Diretor e Curador; e b) não foi descumprido o disposto no art. 14, I, do CTN, utilizado como fundamento para a autuação, pois a finalidade geral do citado preceito legal era impedir o uso fraudulento da pessoa jurídica imune, logo este dispositivo não se aplicaria nas hipóteses em que a eventual distribuição de parcela das rendas ou patrimônios se desse mediante fraude, praticada por terceiros, como ocorrera no presente caso. Outrossim, asseverou que o referido comando legal, destinase a idenficar o denominado desvio de finalidade, em que os atributos da personalidade jurídica desaparecem, situação que não ficou evidenciada nos autos. O que ficara evidenciado foi que a recorrente fora vítima de dilapidação de seu patrimônio. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia compreende questões de natureza preliminar e de mérito. Em preliminar, a lide cingese à alegação de nulidade do Auto de Infração por falta de edição prévia do ato declaratório suspensivo da imunidade, enquanto que no mérito o ponto fulcral da contenda cingese à questão atinente ao atendimento das condiçoes ou requisitos para fruição da imunidade ou da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep, conferida às entidades beneficentes de assistência social. I Da Preliminar de Nulidade do Auto de Infração. Em preliminar, a recorrente alegou nulidade da autuação, sob o argumento de que, na condição de entidade imune, a lavratura do Auto de Infração somente poderia ser realizada após edição de ato declaratório de suspensão dos efeitos da imunidade (ou da isenção condicionada) da Contribuição para o PIS/Pasep, conforme determina o art. 32 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a seguir transcrito: Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. §1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, §1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. Fl. 878DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10660.001767/200982 Acórdão n.º 3102002.223 S3C1T2 Fl. 102 5 § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. §4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da parte interessada. § 5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. § 6º Efetivada a suspensão da imunidade: I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. § 7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. § 8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. § 9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. § 11. Somente se inicia o procedimento que visa à suspensão da imunidade tributária dos partidos políticos após trânsito em julgado de decisão do Tribunal Superior Eleitoral que julgar irregulares ou não prestadas, nos termos da Lei, as devidas contas à Justiça Eleitoral. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 12. A entidade interessada disporá de todos os meios legais para impugnar os fatos que determinam a suspensão do benefício. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) – Grifos não originais. O preceito legal transcrito, evidentemene, disciplina os procedimentos administrativos concernentes à suspensão da imunidade tributária, prevista no art. 150, VI, “c”, da CF/1988, e ao lançamento do crédito tributário devido em face de utilização indevida da dita imunidade. E sua aplicação restringese apenas à imunidade dos impostos, bem com às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas relativa à referida modalidade de tributo. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 A contrário senso, inequivocamente, o referido preceito legal não se aplica ao caso em tela, que trata de imunidade de contribuição para seguridade social, que tem previsão constitucional específica, instituída no art. 195, § 7º, da CF/1988. No mesmo sentido, os seguintes julgados do extinto Segundo Conselho de Contribuintes: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. Período de apuração: 31/01/2000 a 31/12/2003 [...]. O procedimento prévio a que alude o art. 32 da lei n. 9430/96 se aplica apenas para a suspensão da imunidade de impostos e não de contribuições sociais e tal dispositivo se encontra suspenso por força da ADIN 1802. [...] (2º Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Ac. 20311.969, de 28/3/2007, Rel. Eric Moraes de Castro e Silva) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. A submissão ao rito do art. 32 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não atinge a Cofins, por envolver apenas a imunidade tributária relativa a impostos, prevista na alínea “c”, do inciso VI, do artigo 150, da Constituição Federal. Preliminar rejeitada. [...] (2º Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Ac. 20310.664, de 25/1/2006, Rel. Leonardo de Andrade Couto) Também é pertinente ressaltar que, na data da lavratura do auto de infração, já se encontrava vigente o art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009, que dispõe “sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social” e “regula os procedimentos de isenção de contribuições para a seguridade social”. O referido preceito legal, expressamente, determina que havendo o descumprimento, pela entidade de assistência social, dos requisitos estabelecidos para fruição da imunidade (ou isenção) das mencionadas contribuições, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) deverá lavrar o auto de infração relativo ao período correspondente e relatar os fatos que demonstram o não atendimento dos correspondentes requisitos para o gozo da imunidade/isenção. Para que não paire qualquer dúvida a respeito, para uma melhor análise, segue transcrito o citado preceito legal: Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. (grifos não originais) Fl. 880DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10660.001767/200982 Acórdão n.º 3102002.223 S3C1T2 Fl. 103 7 É oportuno esclarecer ainda que, por se tratar de norma de natureza procedimental, em consonância com disposto no art. 144, § 1º, do CTN, o comando normativo veiculado pelo art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009 deve ser aplicado na data da formalização do lançamento. Por todas essas razões, rejeitase a preliminar de nulidade do Auto de Infração suscitada pela recorrente. II Do mérito Em relação ao mérito, é oportuno inicialmente esclarecer que, na condição de entidade beneficente de assistência educacional, nos presentes autos inexiste discussão acerca da extensão à recorrente dos efeitos da imunidade da Contribuição para o PIS/Pasep, prevista no art. 195, § 7º, da CF/1988, até porque, conforme consignado no citadoTermo de Verificação Fiscal, colacionado aos autos, tal matéria encontra sub judice, no âmbito dos autos do Mandado de Segurança nº 2004.38.00.0463865, onde foi conferida tutela jurisdicional para obstar a cobrança da citada contribuição e, por esse motivo, o lançamento foi realizado para fim de prevenir a decadência, estando o crédito tributário constituído com a exigilidade suspensa, em face da determinação exarada no âmbito da referida ação judicial. Também não é objeto de controvérsia, por ser matéria estranha aos autos, o descumprimento do limite de mínimo de 20% (vinte por cento) de aplicação de recursos em gratuidade, que era instituído no art. 3º, VI, do revogado Decreto nº 2.536, de 1998. De fato, compulsando o item IV do citado Termo de Verificação de Fiscal (fls. 27/33), constatase que a fiscalização não fez qualquer menção ao descumprimento do citado comando normativo. Por essa razão, não se toma conhecimento dessa matéria. O cerne da controvérsia cingese somente à questão atinente ao atendimento das condiçoes ou requisitos para fruição da imunidade ou da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep, conferida às entidades beneficentes de assistência social, especificamente estabelecidos no art. 55, IV, da Lei nº 8.212, de 1991, e do art. 14, I, do CTN, que, respectivamente, têm a seguinte redação: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente:(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) [...] IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título;(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) [...]. Art. 14 O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: Fl. 881DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A 8 I não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (redação dada pela LC000.104 2001) [...]. Da leitura dos referidos preceitos legais, inferese que, para gozo da imunidade/isenção das contribuições para seguridade social, que certamente compreende a Contribuição para o PIS/Pasep, é requisito necessário que a entidade beneficiada e os seus dirigentes não seja remunerados nem auferiram vantagens financeiras a qualquer título. No caso, segundo a fiscalização (fls. 28/31), durante o período objeto do procedimento fiscal (janeiro a dezembro de 2004), a recorrente (mantenedora) e a entidade por ela mantida (UNINCOR) tiveram como dirigentes máximos os Srs. Luiz Edmundo Baldim (Presidente da recorrente e ViceReitor da UNINCOR) e Adair Ribeiro (Reitor da UNINCOR). É pertinente ressaltar ainda que tais dirigentes estiveram no exercício dos referidos cargos, por dois mandatos consecutivos, nos anos de 2000 a 2007. De acordo com os valores das remunerações consignados nas planilhas de fl. 30, obtidos com base nas Dirf apresentadas pela recorrente, observase que os citados dirigenres recebiam, como remuneração, menos da metade do valor que passaram a receber em decorrência do exercício dos novos cargos. Evidencia tal discrepância, o fato de, no ano 1999 (antes de assumir os cargos), os Srs. Luiz Edmundo Baldim e Adair Ribeiro terem auferidos, respectivamente, os valores totais anuais de R$ 188.417,13 e R$ 126.207,87, enquanto que no ano 2004 (após assumir os cargos), auferidos, respectivamente, os valores totais anuais de R$ 444.770,52 e R$ 391.243,57. Além disso, informa a fiscalização que os valores percebidos pelos mencionados dirigentes, durante o período de exercício dos citados cargos, não se coadunavam com os valores dos salários pagos aos demais professores, o que evidenciava que os valores exorbitantes por eles auferidos, a título de remuneração, eram provenientes da remuneração pelo exercício dos cargos de administradores/dirigentes da recorrente e da entendida educacional por ela mantida. Tais dados, não contestados pela recorrente, e corroborados por provas materiais, evidenciam que os requisitos determinados tanto no art. 55, IV, da Lei nº 8.212, de 1991, quanto no art. 14, I, do CTN, foram explicitamente descumpridos. Em relação ao primeiro preceito legal, porque ficou sobejamente demonstrado que os referidos dirigentes foram remunerados pelo exercício dos respectivos cargos, enquanto que em relação ao segundo preceito legal, ficou evidenciado que a exorbitância das remunerações pagas, certamente, configura uma forma implicita de distribuição de rendas da entidade para os seus dirigentes, o que é expressamente vendado, seja a que título for, inclusive sob a forma de remuneração. No recurso em apreço, alegou a recorrente que fora vítima de atos lesivos (fraudes) praticados pelos citados exdirigentes, que somente foram detectadas, em toda sua extensão, a partir das constatações feitas pela fiscalização. Em consequência, não podia ser responsabilizada por tais fraudes, o que implicaria “o absurdo de dupla punição à vítima”. Tal argumento não tem procedência. A uma, porque não foi provada, nos autos, a ocorrência da alegada fraude. A duas, porque a responsabilidade por infrações à legislação tributária, nos termso do art. 136 do CTN, tem natureza objetiva, o que torna irrelevante as circunstâncias de natureza subjetiva, tais como a intenção do agente ou responsável e da efetividade, natureza e extensão do ato. Fl. 882DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10660.001767/200982 Acórdão n.º 3102002.223 S3C1T2 Fl. 104 9 Além disso, o fato de os referidos dirigentes terem abusado do exercício de seus cargos e de forma irregular e sem autorização do Conselho Diretor e Curador terem determinados que lhes fossem pagos verbas remuneratórias incompatíveis com os valores de mercado, como alegou a recorrente na peça impugnatória (fl. 404), além de não ter qualquer efeito para fins de responsabilidade tributária, representa a confissão de que o comando máximo da entidade, durante o período de 8 (oito) anos em que tais administradores estiveram na direção administrativa da entidade, não cumpriu com suas obrigações estatutárias nem adotou providências que eram da sua atribuição fiscalizadora. Nesse sentido, é oportuno ressaltar que nos termos do artigo 15 de Estatuto da recorrente, “ao Conselho Curador, além das funções de gestão e de administração econômicofinanceira da Fundação, compete referendar os atos do Presidente não previstos” no Estatuto. No que tange ao controle da gestão contábil e financeira da Entidade, o artigo 21 estabelece que ao Conselho Curador compete, entre outras, a atribuição de “examinar os livros contábeis, balancetes, balanços, inventários e papeis de escrituração da Fundação, o estado do caixa e os valores em depósito, devendo os demais administradores fornecer as informações que forem solicitadas” e “apresentar ao Conselho Diretor parecer sobre as atividades econômicas e financeiras da Fundação no exercício em que servir.” Se durante 8 (oito) anos de gestão dos citados dirigentes, o citado Conselho foi omisso, com vistas a apuração das irregularidades apontadas pela fiscalização, a Entidade deve arcar com o ônus decorrente dessa omissão. Também não procede a alegação da recorrente de que a exigência estatuída no art. 14, I, do CTN, tem por objetivo evitar o denominado desvio de finalidade, configurado pela “confusão de personalidades, confusão patrimonial e indistinção entre a vida pessoal dos dirigentes e vida institucional.” Diferentemente, do alegado pela recorrente, o citado preceito legal veicula, de forma expressa, norma de conduta dirigida às entidades beneficiárias da mencionada imunidade/isenção, proibindolhes de distribuir “qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título”, ao passo que o desvio de finalidade constitui forma de exercício abusivo da personalidade jurídica, direcionado a um fim estranho ao seu objeto social. Logo, a prática de desvio de finalidade constitui motivo para desconsideração da personalidade da pessoa jurídica, conforme estabelece o art. 501 do Código Civil de 2002, matéria estranha aos autos. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) 1 "Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica." Fl. 883DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A 10 José Fernandes do Nascimento Fl. 884DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10882.000876/2004-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1997, 1998,1999, 2000, 2001, 2002, 2003
Crédito Tributário. Prazo Decadencial. Lançamento de Ofício.
Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo disposto no Código Tributário Nacional. Cancela-se o crédito tributário lançado referente aos fatos geradores ocorridos entre o ano de 1997 e abril de 1999 que já tinha sido extinto pelo transcurso do prazo decadencial.
LANÇAMENTO. NULIDADE.
Identificados todos os elementos do fato jurídico tributário previsto na regra matriz de incidência na contribuição exigida, por meio dos demonstrativos e da descrição dos fatos presentes no auto de infração, além do enquadramento legal, não ocorre nulidade do lançamento.
FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurado, a partir da escrituração efetuada pela contribuinte, que as bases de cálculo efetivas mostram-se superiores às declaradas à Secretaria da Receita Federal, com o consequente recolhimento a menor da contribuição devida, é cabível o lançamento de ofício que formaliza a exigência.
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A retificação das DCTF não pode ser formalizada depois de iniciado o procedimento de fiscalização. Eventuais erros de preenchimento podem ser corrigidos desde que apresentados, na impugnação, os livros fiscais e contábeis, em especial o Livro Razão, onde se comprove a apuração das bases de cálculo que a contribuinte entende efetivas.
Por sua vez, eventuais compensações que teriam efetuado com recolhimentos efetuados a maior em períodos de apuração não autuados, também deveriam ser comprovadas por meio da apresentação do Livro Razão.
Não apresentados os livros fiscais necessários e suficientes, não há como acolher as razões de defesa nesse sentido.
RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO
Numero da decisão: 3101-001.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para considerar a decadência para os fatos geradores ocorridos até abril de 1.999.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e José Henrique Mauri.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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E COM. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1997, 1998,1999, 2000, 2001, 2002, 2003 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Cancelase o crédito tributário lançado referente aos fatos geradores ocorridos entre o ano de 1997 e abril de 1999 que já tinha sido extinto pelo transcurso do prazo decadencial. LANÇAMENTO. NULIDADE. Identificados todos os elementos do fato jurídico tributário previsto na regra matriz de incidência na contribuição exigida, por meio dos demonstrativos e da descrição dos fatos presentes no auto de infração, além do enquadramento legal, não ocorre nulidade do lançamento. FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurado, a partir da escrituração efetuada pela contribuinte, que as bases de cálculo efetivas mostramse superiores às declaradas à Secretaria da Receita Federal, com o consequente recolhimento a menor da contribuição devida, é cabível o lançamento de ofício que formaliza a exigência. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A retificação das DCTF não pode ser formalizada depois de iniciado o procedimento de fiscalização. Eventuais erros de preenchimento podem ser corrigidos desde que apresentados, na impugnação, os livros fiscais e contábeis, em especial o Livro Razão, onde se comprove a apuração das bases de cálculo que a contribuinte entende efetivas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 08 76 /2 00 4- 63 Fl. 603DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.000876/200463 Acórdão n.º 3101001.582 S3C1T1 Fl. 4 2 Por sua vez, eventuais compensações que teriam efetuado com recolhimentos efetuados a maior em períodos de apuração não autuados, também deveriam ser comprovadas por meio da apresentação do Livro Razão. Não apresentados os livros fiscais necessários e suficientes, não há como acolher as razões de defesa nesse sentido. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para considerar a decadência para os fatos geradores ocorridos até abril de 1.999. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e José Henrique Mauri. Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls.524 a 525 dos autos emanados da decisão da DRJ/CPS, por meio do voto do relator José Carlos Ortolani nos seguintes termos: “Tratase do auto de infração relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, cientificado à contribuinte em 11 de maio de 2004, no valor total de R$ 106.749,60, devido às irregularidades assim descritas à fls. 147/149: "001 — Pis Faturamento Diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago (Verificações Obrigatórias) Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, conforme descrito no Termo de Verificação fiscal em anexo, o qual integra de forma indissociável o presente auto de infração. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.000876/200463 Acórdão n.º 3101001.582 S3C1T1 Fl. 5 3 [Demonstrativo com fatos geradores de 31/10/1997 a 31/10/2002, valor tributável ou contribuição e percentual da multa] Enquadramento Legal: art. 77, inciso III, do Decretolei n.º 5.844/43; art. 149 da Lei n.º 5.172/66; arts. 1° e 3°, alínea "b", da Lei Complementar n.º 07/70, art. 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n.º 17/73, Título 5, capítulo 1, seção 1, alínea "b", itens I e II, do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF n.º 142/82; arts. 2°, inciso I, 3°, 8°, inciso I, e 9°, da Media Provisória n.º 1.212/95 e suas reedições, convalidadas pela Lei n.º 9.715/98; arts. 2°, 3°e 17, da Lei n.º 9.718/98. 002— Pis Faturamento. Incidência NãoCumulativa. Diferença Apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago (Verificações Obrigatórias) Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal em anexo, o qual integra de forma indissociável, o presente auto de infração. [Demonstrativo com fatos geradores de 31/12/2002 a 30/09/2003, valor tributável ou contribuição e percentual da multa] Enquadramento legal: arts. 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 23, 59 e 63 do Decreto n.º 4.524/02." 2. Consta, ainda, a seguinte descrição dos fatos no Termo de Verificação Fiscal de fls. 144/145: "Em 13/11/2002 o representante legal da empresa tomou ciência do Termo de Início da Ação Fiscal pelo qual foram solicitados os documentos necessários ao início dos trabalhos relacionados à operação Ressarcimento de IPI, bem como informações a respeito das bases de cálculo das contribuições federais com o fornecimento do programa "Informações a SRF". Em 05/12/2002 o representante legal da contribuinte solicitou dilação do prazo de entrega da documentação e em 22/12/2002 foi entregue parte da documentação, bem como questionário e demonstrativo de informações à SRF, acompanhado do respectivo disquete. A ação fiscal prosseguiu e em 15/03/2004 foram atualizados os dados constantes da planilha Informações à SRF, com as alterações relativas à nãocumulatividade da base de cálculo do PIS. As informações apresentadas pela empresa contribuinte através do sistema "Informações à SRF" foram inseridas no sistema "Papéis de Fiscalização" que efetuou o cotejo das informações prestadas com aquelas constantes dos sistemas internos da SRF a respeito das bases de cálculo e pagamentos. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.000876/200463 Acórdão n.º 3101001.582 S3C1T1 Fl. 6 4 Além desse procedimento, foram verificadas as bases de cálculo pela análise dos Balancetes Analíticos constantes dos Livros Diário dos períodos objeto da auditoria fiscal, conforme intimação de 04/03/2004. Como resultado da análise das informações apresentadas pela empresa, contatouse a existência de diferenças nas bases de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, em determinados períodos. A empresa foi intimada, em 06/04/2004, a justificar as diferenças apuradas e consignadas na planilha em anexo a este termo —planilha I — que lhe foi apresentada em anexo àquela intimação (fls. 25). Em 14/04/2004 a empresa forneceu planilhas apontando as diferenças que já haviam sido verificadas por esta auditoria fiscal. No entanto, nenhuma justificativa plausível foi apresentada. Diante dessa constatação, da falta de apresentação de documentação comprobatória por parte da contribuinte, em vista das oportunidades oferecidas para apresentar suas justificativas e tendo em conta o tempo decorrido entre o início da ação fiscal e a presente data, bem como no intuito de salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, não resta outra alternativa a esta auditoria senão a lavratura de auto de infração para exigência de crédito tributário a favor da Fazenda Nacional relativo às contribuições ao PIS e COFINS." 3. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por meio de seus representantes legais, apresentou a impugnação de fls. 167/189, em 09 de junho de 2004, com as seguintes razões de defesa. 3.1. Pleiteia a decadência relativa aos fatos geradores ocorridos entre o ano de 1997 e o mês de maio de 1999, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, conforme doutrina e jurisprudência que elenca. 3.2. Faz ampla dissertação sobre o princípio da verdade material, para concluir que a autoridade fiscal não teria reconhecido as provas apresentadas, as quais seriam de suma importância, mas foram simplesmente ignoradas. 3.3. Aduz que teria havido erro de fato quando do cumprimento de suas obrigações acessórias. Em suas palavras: "27. Como pode ser observado pela documentação apresentada pela Impugnante (dcto. 04), as diferenças apontadas pela fiscalização derivam de diferenças entre o valor de Pis devido, informado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) bem como na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), e o valor do PIS devido, de acordo com os registros contábeis da Impugnante. 28. Em suma, os valores informados como devidos na DCTF não correspondem aos valores DE FATO devidos, como pode ser observado pela análise dos documentos contábeis da Impugnante: demonstrações de resultados mensais e controles gerenciais. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.000876/200463 Acórdão n.º 3101001.582 S3C1T1 Fl. 7 5 29. O que ocorreu no caso em tela foi em Erro de Preenchimento da DCTF e não a falta de recolhimento de PISs, uma vez que este não era devido." 3.4. Reitera que não existe contribuição a ser exigida, conforme estaria claramente comprovado através das planilhas que anexa e por meio dos balancetes dos respectivos anoscalendário. Acrescenta que a documentação apresentada é a legalmente reconhecida, a qual tem por função o registro das operações mercantis e financeiras da empresa, por meio dos quais se apuração a base de cálculo da contribuição. 3.5. Afirma que as declarações apresentadas (DCTF e DIPJ) constituemse em obrigações acessórias, que expressam em linguagem competente os efeitos tributários da relação jurídicotributária manifestada por meio da lei, ou descrição hipotética dos fatos que, se concretizados, desencadeiam os efeitos jurídicos previstos. 3.6. Continua em sua diferenciação sobre obrigações acessórias e principais para concluir que jamais a contribuinte poderia ser obrigada a pagar a contribuição declarada em DCTF ou DIPJ. Transcreve jurisprudência sobre erro material no preenchimento da DCTF. 3.7. Discorre sobre os critérios previstos na regra matriz de incidência da contribuição, focando seus argumentos nos critérios material e quantitativo. Em suas palavras: "59. Pois bem, em havendo a ocorrência, no plano concreto, do fato jurídico descrito em lei, a pessoa jurídica (contribuinte) deverá recolher aos cofres públicos a contribuição do PIS, cuja base de cálculos era o próprio faturamento. (...) 65. O documento hábil que demonstra o montante do faturamento que servirá de base de cálculo para a contribuição do PIS são os documentos contábeis, ora juntados neste processo, a fim de comprovar que as quantias pagas do PIS estão de acordo com a competente legislação. (...) 68. Assim, sendo, não é a DIPJ nem tampouco a DCTF a base de cálculo para fins de apuração do PIS. É a documentação contábil. É nesta em que o contribuinte traduz em linguagem competente e apropriada o quantum de seu faturamento. Quer seja entendido como a totalidade da receita, que ser ele entendido como a receita bruta." 3.8. Alega que teria havido erro no enquadramento legal do lançamento, ensejando a preterição de seu direito de defesa, tendo em conta que não houve falta de recolhimento da contribuição, mas sim um erro de declaração. Requer a nulidade do auto de infração, conforme jurisprudência que transcreve.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº 05.17.760 de fls. 523 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 607DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.000876/200463 Acórdão n.º 3101001.582 S3C1T1 Fl. 8 6 Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 LANÇAMENTO. NULIDADE. Identificados todos os elementos do fato jurídico tributário previsto na regra matriz de incidência na contribuição exigida, por meio dos demonstrativos e da descrição dos fatos presentes no auto de infração, além do enquadramento legal, não ocorre nulidade do lançamento. DECADÊNCIA. Na forma do artigo 45 da Lei n.º 8.212, de 1991, o direito de a Fazenda Pública apurar e constituir seus créditos extinguese em 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurado, a partir da escrituração efetuada pela contribuinte, que as bases de cálculo efetivas mostramse superiores às declaradas à Secretaria da Receita Federal, com o consequente recolhimento a menor da contribuição devida, é cabível o lançamento de ofício que formaliza a exigência. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A retificação das DCTF não pode ser formalizada depois de iniciado o procedimento de fiscalização. Eventuais erros de preenchimento podem ser corrigidos desde que apresentados, na impugnação, os livros fiscais e contábeis, em especial o Livro Razão, onde se comprove a apuração das bases de cálculo que a contribuinte entende efetivas. Por sua vez, eventuais compensações que teriam efetuado com recolhimentos efetuados a maior em períodos de apuração não autuados, também deveriam ser comprovadas por meio da apresentação do Livro Razão. Não apresentados os livros fiscais necessários e suficientes, não há como acolher as razões de defesa nesse sentido. Lançamento Procedente. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF (fls. 524 a 525) onde faz as mesmas alegações apresentadas em sua impugnação. Finalmente, requer: a) Decadência do período compreendido entre ano de 1997 e maio de 1999; b) Referentemente aos demais períodos, a tipificação alegada no auto de infração está incorreta, posto que este possui por base o descumprimento da obrigação principal quando, na realidade, o que ocorreu foi um erro de fato relativamente à obrigação acessória (preenchimento de DCTF e DIPJ), conforme atestado pela DRJ de Campinas (itens 31 a 34 dos r. Despacho) e comprovado através da documentação juntada (Anexos I ao VII); Fl. 608DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.000876/200463 Acórdão n.º 3101001.582 S3C1T1 Fl. 9 7 Requer, ainda, seja afastado qualquer tipo de cobrança face à decadência do direito de constituir qualquer débito com relação aos períodos de apuração objeto do procedimento administrativo de restituição/compensação. Por fim, requer que sejam analisados os documentos contábeis juntados ao presente processo a fim de verificar a veracidade das alegações ora feitas, ainda que tenha que ser determinado o retorno dos autos à Delegacia de origem para esse fim. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, Tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, cabe enfrentar a questão preliminar de Decadência, assim: DECADÊNCIA – A respeito da alegação de decadência, importa destacar que o entendimento administrativo que vinha se consolidando era no sentido de ser de dez anos o prazo para a constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais, nos termos do artigo 45 da Lei nº 8.212, de 24 de Julho de 1991 conforme voto condutor da decisão recorrida. No entanto, em 20/06/2008, foi publicada a Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal, com o seguinte teor: Súmula Vinculante STF nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Por seu turno, o art. 2º da Lei nº 11.417, de 19 de dezembro de 2006, define os efeitos da edição de súmula vinculante nos seguintes termos: Lei nº 11.417, de 2006: Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.000876/200463 Acórdão n.º 3101001.582 S3C1T1 Fl. 10 8 O Parecer PGFN/CAT Nº 1617/2008, aprovado por Despacho do Ministro da Fazenda em 18/08/2008, estabeleceu orientações a serem observadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, em face da edição pelo Supremo Tribunal Federal da Súmula Vinculante nº 8, assim dispondo quanto à fixação do dies a quo dos prazos decadenciais das contribuições para a seguridade social, uma vez afastadas do mundo jurídico as normas contidas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991: d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. . 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; (...) Dizem os artigos 150 e 173 do Código Tributário Nacional: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifos acrescidos) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Fl. 610DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.000876/200463 Acórdão n.º 3101001.582 S3C1T1 Fl. 11 9 No caso em exame, tendo por norte o entendimento disposto no Parecer PGFN/CAT Nº 1617/2008, temse que as exigências relativas aos fatos geradores ocorridos entre o ano de 1997 e o mês de abril de 1999, que tiveram seus vencimentos correspondentes e é uma cobrança parcial aplicase o artigo 150 § 4º do CTN, pois, a ciência do auto de infração ocorreu em 11/05/2004. Os demais argumentos apresentados pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, como são os mesmos de sua impugnação, foram devidamente enfrentados pelo voto condutor da decisão recorrida e desses corroboro e os adoto, também, como razões de decidir, deixando de repetilos aqui por entender desnecessário, mas podendo ser lidos em sessão se necessário. Isto posto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para cancelar a exigência do tributo, referente aos fatos geradores ocorridos entre o ano de 1997 e o mês de abril de 1999, por ter ocorrido a Decadência na forma do artigo 150 § 4º do CTN. E como voto. Relatora – VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Fl. 611DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10580.726261/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
RECOMPOSIÇÃO SALARIAL. ABONO URV. São tributáveis as parcelas recebidas a título de recomposição salarial para compensar os efeitos inflacionários. Inexistência de dispositivo legal autorizativo da não incidência/isenção.
IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA UNIÃO. A competência para legislar sobre Imposto de Renda é da União. Não se reconhece legislação que seja emitida sem esse requisito formal.
MULTA DE OFÍCIO. Comprovado que a fonte pagadora induziu o contribuinte ao erro, considera-se que houve boa-fé do contribuinte e exonera-se a multa de ofício.
Numero da decisão: 2101-002.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 RECOMPOSIÇÃO SALARIAL. ABONO URV. São tributáveis as parcelas recebidas a título de recomposição salarial para compensar os efeitos inflacionários. Inexistência de dispositivo legal autorizativo da não incidência/isenção. IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA UNIÃO. A competência para legislar sobre Imposto de Renda é da União. Não se reconhece legislação que seja emitida sem esse requisito formal. MULTA DE OFÍCIO. Comprovado que a fonte pagadora induziu o contribuinte ao erro, considera-se que houve boa-fé do contribuinte e exonera-se a multa de ofício.
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ABONO URV. São tributáveis as parcelas recebidas a título de recomposição salarial para compensar os efeitos inflacionários. Inexistência de dispositivo legal autorizativo da não incidência/isenção. IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA UNIÃO. A competência para legislar sobre Imposto de Renda é da União. Não se reconhece legislação que seja emitida sem esse requisito formal. MULTA DE OFÍCIO. Comprovado que a fonte pagadora induziu o contribuinte ao erro, considerase que houve boafé do contribuinte e exonerase a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 62 61 /2 00 9- 70 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório O recurso voluntário visa reverter a decisão do Acórdão 1523.315 3ª Turma da DRJ/SDR, que manteve integralmente o lançamento tributário do contribuinte. Na autuação foram lançadas as parcelas mensais recebidas em 36 parcelas iguais, de janeiro/2004 a dezembro 2006 (exercícios 2005, 2006 e 2007), a título de URV, relativamente aos períodos 1/04/1994 a 31/08/2001. Tendo em vista o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009, o recurso foi sobrestado para aguardar o julgamento do recurso 614.406/RS que versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente, conforme Resolução 2101000.030. Contudo, em virtude da revogação desse dispositivo de sobrestamento pela Portaria MF 545/2013, estáse procedendo o julgamento do recurso voluntário. No recurso voluntário, o contribuinte apresenta os seguintes argumentos. a) A parcela recebida acumuladamente referese à recomposição salarial, correção do capital, porque não implementada no tempo certo. Essa parcela referese à diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. b) Isonomia com o estabelecido na Resolução/STF nº 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais. c) Entende que se os valores fossem calculados mês a mês, e refazendo as DIRF´s (2004, 2005 e 2006) poderia ser beneficiado. d) Mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamenta em lei Estadual. Colaciona decisões sobre o assunto e também sobre pareceres administrativos (PGFN, AGU). e) O lançamento deve ser considerado nulo tendo em vista vício de forma na apuração da base de cálculo do tributo, tendo em vista o entendimento do STJ referente ao assunto. f) Falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado. Esta questão não teria sido enfrentada na primeira instância. Por último, colaciona decisões judiciais e deste Conselho sobre o assunto e requer a improcedência do auto de infração e, caso seja mantida a ação fiscal, que seja excluída a multa no importe de 75% do débito e os juros de mora. Importante observar que o lançamento já considerou o cálculo do tributo tendo em vista jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. No novo cálculo o imposto de Fl. 131DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.726261/200970 Acórdão n.º 2101002.536 S2C1T1 Fl. 3 3 renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente foi calculado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. É o relatório. Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins O recurso é tempestivo, e atende aos requisitos legais e dele conheço. Preliminarmente o contribuinte alega ilegitimidade ativa da União para cobrar imposto de renda com base no art. 157, I da Constituição Federal de 1988. A Turma a quo assim se pronunciou sobre o assunto: "É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União". Grifei Não merece reparos a decisão a quo quanto a esse aspecto, pois a competência constitucional para instituir e legislar (além de fiscalizar, cobrar, autuar, etc.) sobre o imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza é da União, conforme art. 153, inc. III da CF/88 e art. 6 da lei 5172/66. Tal competência é indelegável. Como a competência legislativa sobre o tributo em questão é única e exclusiva da União, não se reconhece, no âmbito deste processo administrativo federal tributário, diplomas legais que não sejam oriundos de tal competência, como por exemplo, legislação estadual que teria considerado tal verba como indenizatória. Assim, não há que se falar em supressão de instâncias, violação do contraditório ou da ampla defesa. Também não deve prosperar o argumento de isonomia com os magistrados federais, tendo em vista a Resolução/STF 245/2002. Tal resolução não é lei federal (i.e. não seguiu os trâmites previstos para a elaboração e aprovação dentro das casas legislativas que compõem o Congresso Nacional) e abrange apenas membros do Poder Judiciário da União. Portanto, não pode ser considerada no âmbito deste processo administrativo tributário federal. Considero afastada a possibilidade de sobrestamento do processo tendo em vista a alteração no Regimento Interno deste CARF conforme consta do relatório. Relativamente ao mérito, o contribuinte alega que a natureza da URV é indenizatória, porque visava corrigir o poder aquisitivo do cruzeiro real em relação à URV. Assim, a nova moeda (URV) não seria contaminada pelo ciclo inflacionário e evitaria a perda Fl. 132DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 do poder aquisitivo da moeda antiga, o cruzeiro real. Em que pese o argumento da defasagem salarial ante o aumento da inflação e, neste caso a correção salarial não representaria aumento de patrimônio ou renda, mas manutenção dos mesmos observase que não existem dispositivos legais que definam, em caso de aumento salarial, o que seria reposição salarial e o que seria aumento de renda/patrimônio e tampouco essa distinção na forma de tributação. São tributados igualmente os aumentos salariais que corrigem defasagem em relação à inflação e aqueles aumentos de salário reais, que realmente significam aumento de patrimônio do trabalhador. Assim, não se pode considerar o argumento do contribuinte por falta de previsão legal. Considerar o reajuste salarial motivo do rendimento recebido acumuladamente como parcela indenizatória, seria tratar de forma não isonômica os contribuintes que recebem reajustes salariais para corrigir o valor da inflação e têm esses valores tributados como se aumento salarial fosse. Sob outro ângulo, o par. 2, art. 108 do Código Tributário Nacional estabelece que "o emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento do devido tributo" e, no caso deste processo, não há que se falar em quebra da capacidade contributiva, pois os rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte estão sendo tributados conforme legislação federal vigente no País. Não tributar tais rendimentos, seria dispensar tratamento diferenciado ao contribuinte, o que não condiz com um Estado Democrático de Direito. Observase ainda que o constituinte elegeu como direitos dos trabalhadores (art. 7, IV, CF/88) "salário mínimo nacionalmente unificado,... com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo..", contudo, não definiu qualquer dispositivo isentivo de imposto de renda para os tais reajustes periódicos que somente preservariam o poder aquisitivo do salário. Entendo que as diferenças salariais decorrentes da URV são acréscimos salariais (não importando se seriam reajustes em decorrência da inflação ou aumento real de salário) que não teriam sido incorporados aos salários na época própria. A partir do momento em que são recebidos, se constituem em renda tributável cujo fato gerador é definido pelo art. 43 do Código Tributário Nacional. Caso tivessem sido recebidos na época certa, teriam sido devidamente tributados. Então, os valores do principal recebidos acumuladamente são sim produto de trabalho e, como tal, devem ser tributados. O art. 43 da Lei 5172/66 (Código Tributário Nacional) define como fato gerador do imposto a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda (o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) e de proventos de qualquer natureza, (quaisquer acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior). Mais ainda, no par. 1o. do mesmo artigo fica claro que "a incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento". Com relação ao lançamento do tributo que deveria ter sido retido na fonte, o entendimento consolidado deste Conselho está expresso na Sumula CARF n. 12 determina que: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” Compulsandose os autos, verificouse que a fonte pagadora realmente fez constar no informe de rendimentos os valores recebidos acumuladamente como não tributáveis, Fl. 133DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.726261/200970 Acórdão n.º 2101002.536 S2C1T1 Fl. 4 5 e o próprio contribuinte entende que tais valores realmente não seriam tributáveis. Não obstante, a existência de um dispositivo legal considerando a verba não tributável foi decisiva para que o requerente adotasse o procedimento incorreto. Desta forma, entendo que o erro é escusável, em acordo com a súmula 73 do CARF, a seguir transcrita. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Os valores devidos já estão calculados conforme o parecer PGFN/CRJ N. 287/2009, que está em consonância com a Jurisprudência do STJ, ou seja os valores recebidos pelo contribuinte foram tributados pelo regime de competência. O referido parecer está assim ementado. "Tributário. Rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente. O imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça." Há que se esclarecer que o recolhimento mensal do tributo, cuja retenção seja feita na fonte, constituise numa antecipação do imposto devido a ser calculado definitivamente na declaração de ajuste anual. Assim, caso tenha sido retido um valor mensal inferior ao necessário, haverá que ser compensado no imposto a pagar da declaração de ajuste anual. Observase ainda que o acórdão de primeira instância explicitou a forma de cálculo dos valores devidos enfatizando que, "nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como, já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas legalmente. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão". Não se pode confundir anocalendário (ano em que o rendimento é recebido) com exercício, que se refere ao ano em que é feito o ajuste anual (normalmente no ano seguinte). Assim, como exemplo, os rendimentos recebidos relativamente ao anocalendário 1994 referemse à tributação ocorrida no exercício 1995, que na tabela progressiva de IRPF, na faixa de tributação do contribuinte consta 26,6%, corretamente aplicado pela autoridade fiscal. O contribuinte se insurge contra a tributação dos juros recebidos acumuladamente. Entretanto, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Fl. 134DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts.24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; O presente processo não trata de verbas decorrentes de rescisão de contrato de trabalho e, portanto, não se lhe pode aplicar o decidido no REsp 1089720/RS. Recurso voluntário provido em parte para exonerar o contribuinte da multa de ofício em decorrência de erro escusável, consoante jurisprudência deste Conselho. Maria Cleci Coti Martins Relatora Fl. 135DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001557/2002-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1990, 1991
COMPETÊNCIA.
Nos termos do disposto no artigo 2º, I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, compete à Primeira Seção o julgamento de recurso voluntário que verse sobre aplicação da legislação do IRPJ.
Numero da decisão: 3101-000.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, para declinar a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
(assinado digitalmente)
MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS - Redatora designada.
EDITADO EM: 05/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1990, 1991 COMPETÊNCIA. Nos termos do disposto no artigo 2º, I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, compete à Primeira Seção o julgamento de recurso voluntário que verse sobre aplicação da legislação do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, para declinar a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. (assinado digitalmente) MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Redatora designada. EDITADO EM: 05/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 15 57 /2 00 2- 44 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11516.001557/200244 Acórdão n.º 3101000.823 S3C1T1 Fl. 154 2 Trata o presente processo do pedido fl. 01, por intermédio do qual foi pleiteada a restituição de valores relativos a recolhimentos efetuados em 30.04.1990, 30.04.1991 e 31.05.1991, a titulo de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o Lucro Líquido (ILL). O crédito em comento foi utilizado na compensação de débito da COFINS, conforme declaração de fls. 88. A Autoridade Administrativa, por meio do Despacho Decisório de fls. 93/95, denegou a solicitação, por considerar que o direito do contribuinte à restituição estava decaído. Em consequência, indeferiu o pedido de restituição e não homologou a compensação declarada. A DRJ competente manteve o indeferimento do pleito, também sob o fundamento da prescrição do direito, e o contribuinte recorreu a este Conselho. Voto Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios – redatora ad hoc Por intermédio do Despacho de efolha 152, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar o Acórdão 3101000.823, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relatora original, que foi acompanhada, por unanimidade, pelos demais integrantes do colegiado. As referências dos autos são de que o pleito referese a pedido de restituição do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o Lucro Líquido (ILL). Todavia, o pleito foi tratado pelo colegiado como relativo a aplicação da legislação do IRPJ. Considerando o pleito relativo ao IRPJ, o julgamento do recurso voluntário não cabe a esta Terceira Seção de Julgamento, sendo de competência da Primeira Seção, segundo disposição do artigo 2º, I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22/06/2009. Com base nesses fundamentos, votouse por não conhecer do recurso voluntário apresentado, para declinar a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 154DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11516.001557/200244 Acórdão n.º 3101000.823 S3C1T1 Fl. 155 3 E são essas as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. Mônica Monteiro Garcia de Los Rios – Redatora ad hoc Fl. 155DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS
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Numero do processo: 10865.001937/2005-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2102-000.062
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
SOBRESTAR o julgamento, aguardando que o Supremo Tribunal Federal julgue a constitucionalidade da transferência compulsória do sigilo bancário dos contribuintes para o fisco (art. 62-A,
§§, do Anexo II, do RICARF). Fez sustentação o Dr. Onivaldo José Squizzato, OAB-SP 68.531, patrono do recorrente.
Nome do relator: Núbia Matos Moura
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, aguardando que o Supremo Tribunal Federal julgue a constitucionalidade da transferência compulsória do sigilo bancário dos contribuintes para o fisco (art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF). Fez sustentação o Dr. Onivaldo José Squizzato, OABSP 68.531, patrono do recorrente. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 29/06/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10865.001937/200507 Resolução n.º 2102000.062 S2C1T2 Fl. 2 2 Relatório Contra EDUARDO ANTONIO LUCATO foi lavrado Auto de Infração, fls.03/15, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2000 a 2003, exercícios 2001 a 2004, no valor total de R$1.145.141,40, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/09/2005. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Verificação de Irregularidade Fiscal, fls. 16/29, foram omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos da empresa Lucato Indústria e Comércio de Máquinas Ltda, omissão de rendimentos de aluguéis (arrendamento), omissão de rendimentos da atividade rural e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls.1169/1194, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte o lançamento, para excluir da base de cálculo da infração de depósitos bancários, os seguintes valores, relativos a resgates de aplicações financeiras e transferências entre contas do contribuinte (R$21.452,59 em 2000, R$900,00 em 2001, R$12.363,95 em 2002 e R$33.945,72 em 2003), conforme Acórdão DRJ/CGE nº 0416.500, de 29/01/2009, fls. 1781/1803. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 30/04/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 1805, o contribuinte apresentou, em 02/06/2009, (envelope de encaminhamento, fls. 1862), recurso voluntário, fls. 1810/1838, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Dos depósitos bancários. Da não configuração como renda tributável – Movimentação financeira jamais deve ser confundida com rendimento tributável a título de imposto de renda, tendo em vista que não atinge a materialidade permitida pela Constituição Federal. Depósitos bancários. Comprovações A) Recursos da atividade agrícola – Quando da apresentação da impugnação foram juntados aos autos, docs. nº 741/778 que comprovam que os valores relacionados, na planilha, fls. 1219, são decorrentes da atividade rural. Os docs. nº 743/753 se referem a depósitos de compras de produtos rurais/frutas do cliente Robertinho. No Auto de Infração a autoridade fiscal procedeu de forma incorreta quando da apuração dos valores a serem imputados como base de cálculo a cada um dos proprietários das fazendas Terra Dourada e Santo Antonio. Não há qualquer motivo ou lógica para que o valor total do espólio seja atribuído somente ao recorrente, e sim, uma vez que se tem 04 herdeiros, o correto seria que fosse rateado por este exato número. B) Recursos financeiros da empresa Lucato e suas devoluções (Pagamentos) Os docs. nºs. 01/710, apresentados durante a impugnação e relacionados na planilha, fls. 1841/1859, que perfazem o valor total de R$297.489,30 (anos calendário 2000 e 2001) comprovam que o contribuinte devolveu tal quantia à empresa Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10865.001937/200507 Resolução n.º 2102000.062 S2C1T2 Fl. 3 3 Lucato, logo a omissão de rendimentos recebidos da referida pessoa jurídica deve ser reduzida para de R$345.537,70. Transferência de mesma titularidade – Quando da apresentação da impugnação foi demonstrada a existência de transferências entre contas do contribuinte, no total de R$92.757,66, entretanto, a decisão recorrida reconheceu em parte o pleito do recorrente. Assim, para comprovar o restante, de R$22.521,00, trazse o anexo II, fls. 1861. Venda de veículo – Na fase impugnatória juntouse aos autos documento de venda do veículo Blazer/GM. O recibo de venda é datado de 31/12/2002, e consta em seu corpo uma anotação que menciona as condições de pagamento, os quais se dariam entre os meses de novembro ou dezembro, no valor de R$25.000,00, e R$10.000,00 para o mês de janeiro de 2003. Do princípio da verdade real x necessidade de realização de diligências e comprovação de mais origens – Necessário se faz que se baixe o processo para diligência e, através de nova análise na documentação ora apresentada e com base em auditoria contábil e fiscal desde já requerida, apurese a efetiva renda obtida através dos depósitos bancários. Da multa aplicada Deverá ser reconhecida a natureza absolutamente confiscatória da multa punitiva aplicada, a qual fere gravemente os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Consta, ainda dos autos, documento, fls. 1866/1867, onde o contribuinte assim se manifesta: 1) O recorrente desiste dos seguintes direitos que se fundam a ação: a) Não configuração em renda dos depósitos bancários (art. 42, Lei 9430/1996). 2) Por outro lado, o processo administrativo em questão deverá ter seu prosseguimento, com as seguintes questões: a) Exclusão da Multa de 75% (setenta e cinco por cento); b) Decadência para o período de Janeiro a Setembro de 2000; c) Parte probatória a que se refere as planilhas e documentos acostados, comprovando justificativas quanto aos depósitos ou créditos mantidos nas contas bancárias em questão, e d) Tudo o que mais constar do processo, excetuado o item 1. Também foi juntado aos autos documento protocolizado neste CARF em 02/06/2011, onde o contribuinte discrimina as quantias que deverão compor o parcelamento solicitado. É o Relatório. Fl. 2222DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10865.001937/200507 Resolução n.º 2102000.062 S2C1T2 Fl. 4 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, cumpre dizer que da tribuna o patrono do contribuinte argüiu a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 2001, e solicitou o sobrestamento do julgamento. Na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, abaixo transcrito, sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), devem as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica em recurso administrativo, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º. Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. A interpretação conjunta da cabeça e do parágrafo primeiro do dispositivo regimental citado indicava que bastava o reconhecimento da repercussão geral para o sobrestamento do trâmite do recurso administrativo fiscal, não se fazendo maiores considerações sobre o procedimento de sobrestamento dos recursos extraordinários do próprio judiciário, como condicionante para o sobrestamento dos recursos da via administrativa. Essa era a interpretação das Turmas de julgamento do CARF. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, as controvérsias sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente e a incidente a partir da transferência compulsória do sigilo bancário dos contribuintes para o fisco (e aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001) vinham tendo o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF havia reconhecido a repercussão geral em ambas as matérias, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. RE 601.314 – Relator o Min. Ricardo Lewandowski. Tema 228 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. Fl. 2223DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10865.001937/200507 Resolução n.º 2102000.062 S2C1T2 Fl. 5 5 Com a publicação da Portaria CARF nº 001/2012, que objetiva disciplinar os procedimentos do sobrestamento no âmbito do CARF, surgiram dúvidas sobre o cabimento do sobrestamento para o Tema 225, acima, em decorrência da redação do art. 1º, parágrafo único, da referida Portaria (O procedimento de sobrestamento de que trata o caput [rito do art. 543B do CPC] somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso), pois o STF não teria determinado o sobrestamento dos recursos extraordinários que versavam sobre a transferência compulsória do sigilo bancário para o fisco (e retroatividade da Lei nº 10.174/2001), como se poderia ver na decisão que reconheceu a repercussão geral para o tema, no RE 601.314. Apreciando a controvérsia acima, no julgamento do processo 19647.009419/200653, sessão de 09 de fevereiro de 2012, pela Resolução 2102000.045, esta Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção entendeu que a controvérsia espelhada no Tema 225 do STF deveria continuar tendo os julgamentos administrativos sobrestados, pois “o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por si só, tem como consectário lógico e inafastável o sobrestamento do julgamento de todos os recursos extraordinários sobre a mesma matéria, pois não se pode imaginar que o STF reconheça a repercussão geral e os RE possam continuar a tramitar, isso sem qualquer possibilidade de julgamento no STF, pois na Suprema Corte somente se apreciará o RE leading case”. E como exemplo do entendimento que tem obstado o julgamento dos recursos extraordinários, com devolução do apelo extremo aos tribunais de origem no Tema 225, vejase despacho no Recurso Extraordinário 611.139, relator o Min. Luiz Fux, decisão de 07 de fevereiro de 2012. Ora se há o sobrestamento dos recursos extraordinários no rito da repercussão geral, aplicável o art. 62A, § 1º, do RICARF nos recursos com o Tema 225 no âmbito administrativo. Por tudo, no caso de controvérsias sobre a transferência compulsória do sigilo bancário (Lei complementar nº 105/2001) e retroatividade da Lei nº 10.174/2001, considerando que o STF também vem sobrestando o julgamento dos recursos extraordinários dessa matéria, devemse igualmente sobrestar os julgamentos administrativos nesta Turma de Julgamento, na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, aguardando que o STF resolva em definitivo a controvérsia sobre o Tema 225. Nestes termos, considerando que o contribuinte apesar de ter apresentado seus extratos bancários à autoridade fiscal, durante o procedimento fiscal, o fez sob protesto, conforme consta do Termo de Verificação de Irregularidade Fiscal, fls. 17 e também considerando que patrono do recorrente suscitou da tribuna a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 2001, VOTO pelo sobrestamento do julgamento do presente recurso voluntário, que versa sobre o Tema 225, cumprindo o procedimento do art. 2º, § 1º, I, da Portaria CARF nº 001/2012. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 2224DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 16327.000903/2006-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
PERC. VERIFICAÇÃO DA SITUAÇÃO FISCAL DA REQUERENTE.
O Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), por não representar pleito de concessão ou de reconhecimento de incentivo ou de beneficio fiscal - mas, tão somente, pedido de revisão de decisão administrativa -, não se subsume à norma trazida como fundamento para a verificação da situação fiscal da requerente (artigo 60 da Lei n° 9.069/95). Não admitir tal postulação, preliminarmente, com base na alegação de surgimento de débitos supervenientes ao exercício da opção - não possibilitando, assim, a revisão dos motivos que levaram às alterações da eleição engendrada -, representa supressão de instância e frontal violação ao contraditório. Em consequência, deve ser declarada a nulidade de todos os atos processuais praticados a partir do despacho decisório que indeferiu o PERC, inclusive. De toda forma, certo é que, para fins de concessão do pleito, a exigência de comprovação de regularidade fiscal deveria se ater, acaso lídima fosse, ao período a que se referisse a DIPJ na qual se deu a opção pelo incentivo. Admitir-se-ia, nesse caso, prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1101-000.740
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, votando pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e o Presidente Valmar Fonseca de Menezes, e divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que dava provimento parcial ao recurso voluntário. Fizeram declaração de voto os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente
(assinado digitalmente)
Benedicto Celso Benício Júnior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, João Carlos de Figueiredo Neto e Antônio Lisboa Cardoso. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ARRENDAMENTO MERCANTIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PERC. VERIFICAÇÃO DA SITUAÇÃO FISCAL DA REQUERENTE. O Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), por não representar pleito de concessão ou de reconhecimento de incentivo ou de beneficio fiscal mas, tão somente, pedido de revisão de decisão administrativa , não se subsume à norma trazida como fundamento para a verificação da situação fiscal da requerente (artigo 60 da Lei n° 9.069/95). Não admitir tal postulação, preliminarmente, com base na alegação de surgimento de débitos supervenientes ao exercício da opção não possibilitando, assim, a revisão dos motivos que levaram às alterações da eleição engendrada , representa supressão de instância e frontal violação ao contraditório. Em consequência, deve ser declarada a nulidade de todos os atos processuais praticados a partir do despacho decisório que indeferiu o PERC, inclusive. De toda forma, certo é que, para fins de concessão do pleito, a exigência de comprovação de regularidade fiscal deveria se ater, acaso lídima fosse, ao período a que se referisse a DIPJ na qual se deu a opção pelo incentivo. Admitirseia, nesse caso, prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, votando pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e o Presidente Valmar Fonseca de Menezes, e divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 03 /2 00 6- 41 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.000903/200641 Acórdão n.º 1101000.740 S1C1T1 Fl. 3 2 dava provimento parcial ao recurso voluntário. Fizeram declaração de voto os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Benedicto Celso Benício Júnior Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, João Carlos de Figueiredo Neto e Antônio Lisboa Cardoso. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório O contribuinte acima identificado ingressou, em 30.06.2006, com o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC de fls. 01/02, tendo em vista que “não houve ordem de emissão para o FINAM e o contribuinte consta do sistema IRPJOEIF", relativamente à sua opção por aplicação de parte do IRPJ, relativo ao anocalendário de 2003, exercício 2002, no FINAM. Por meio do despacho decisório de fls. 48/50, proferido em agosto de 2007, a autoridade administrativa competente indeferiu o pedido, tendo em vista o resultado de consultas ao CADIN e aos registros de regularidade mantidos pela Receita Federal do Brasil – RFB, pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN, pelo Instituto Nacional da Seguridade Social – INSS e pela Caixa Econômica Federal – CEF/FGTS, apontando a existência de débitos tributários, ao arrepio do artigo 60 da Lei n° 9.069/95. O auditor fiscal designado para apreciar o pedido assim informou: “6 – A situação cadastral atual da interessada junto ao CNPJ é ‘Baixada’, tendo a mesma sido incorporada pela SANTANDER BANESPA S/A — ARRENDAMENTO MERCANTIL, CNPJ 88.337.985/000196 (fls. 11), e esta incorporada pela atualmente denominada SANTANDER BANESPA COMPANHIA DE ARRENDAMENTO MERCANTIL, CNPJ — 42.291.245/000165, responsável portanto pela interessada sendo esta "Ativa", pertencendo à jurisdição desta unidade administrativa, conforme extrato de folhas 16. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.000903/200641 Acórdão n.º 1101000.740 S1C1T1 Fl. 4 3 7 – A interessada apresentou uma única DIPJ relativa ao exercício de 2002, abrangendo o período de 01.01.2002 a 28.03.2002 (fls. 19) por ter sido encerrada nesta data as suas atividades, devido à incorporação mencionada no parágrafo anterior, tendo sido referida Declaração processada e liberada sem o registro de eventos, (fls. 20). Os valores declarados da base de cálculo e do valor líquido do incentivo e seus correspondentes normalizados — que são os valores declarados ajustados por processamento eletrônico aos limites determinados pela legislação — são coincidentes e indicam opção de aplicação dirigida ao FINAM, no valor de R$ 263.439,16, que corresponde ao percentual de 18%, da base de cálculo, no montante de R$ 1.453.550,89, como se verifica à fl. 25, valores estes confirmados no sistema IRPJOEIF, PERC 2003, fls. 32/33. 8 – Antes da apreciação do pedido da interessada, quanto ao mérito, convém verificar, em caráter preliminar, se a interessada pode usufruir o incentivo fiscal em questão, considerando o que dispõe a legislação que rege a matéria. Nesse intuito foram consultados o CADIN/SISBACEN e os registros de regularidade mantidos pela Secretaria da Receita Federal/PGFN, INSS, CEF/FGTS. 9 – A aludida consulta indica que a interessada está, também nesta data, em situação irregular junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil/PGF1V, como se verifica a fls. 34 a 44 e constam débitos inscritos em Dívida Ativa da União, em cobrança, como se verifica à fl. 40, impedindoa de comprovar quitação de tributos e contribuições federais, com o que fica materializada a vedação abaixo transcrita: (...)” O referido despacho decisório encontrase assim ementado: “Assunto: Pedido de revisão de ordem de emissão de incentivo (PERC), relativo ao IRPJ/2003, ano base 2002. Ementa: INCENTIVOS FISCAIS. PERC. A legislação veda a concessão de incentivos fiscais nas situações em que o pleiteante não estiver regular junto à Fazenda Pública, e perante ao fundo de Garantia.” Inconformada com o referido decisum, do qual foi devidamente cientificada em 24.08.2007 (AR de fl. 53), a interessada, por intermédio de seu advogado e procurador (fls. 91/97), apresentou, em 21.09.2007, a manifestação de inconformidade de fls. 78/90, acompanhada da documentação de fls. 91/121. Na peça de defesa, a interessada arguiu: preliminarmente, a nulidade da decisão, expondo que o indeferimento do pedido sem que a Recorrente seja intimada a regularizar a sua situação junto aos Órgãos Administrativos fere os princípios constitucionais do contraditório e da Fl. 226DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.000903/200641 Acórdão n.º 1101000.740 S1C1T1 Fl. 5 4 ampla defesa, configurando nítido cerceamento do direito de defesa da Recorrente, revestindo, portanto, da nulidade a decisão ora recorrida; o momento da análise de pendências fiscais para fins da fruição do beneficio fiscal é a época da opção pelo Incentivo Fiscal em comento, discordando assim da análise feita decorridos 03 (três) anos de sua opção; neste diapasão, acusa o procedimento adotado de ser contrário a qualquer tipo de eficiência e razoabilidade e reclama que não pode o pedido ser apreciado no momento que mais interessar à Fazenda como vem entendendo a Administração Pública; a utilização de débitos em momento posterior ao da opção pela utilização do beneficio fiscal pretendido, não obstante não estar claramente definida na legislação regulamentadora, fere o princípio da moralidade administrativa à medida que permite à Administração Pública aguardar pacientemente a existência de qualquer débito – e, no presente caso, QUALQUER MESMO – para indeferir um direito garantido aos contribuintes; é descabida a indicação de débitos no relatório acostados nos autos, pois tais débitos encontrarseiam com a exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151 do Código Tributário Nacional, reportandose ao documento de fls. 121/128, pertinente ao reconhecimento de direito creditório e declarações de compensações parcialmente homologadas; resta concluída que não havia no momento do pedido, assim como de sua análise nenhum óbice que justifique o indeferimento, haja vista estarem todos os débitos fiscais federais da Recorrente com a exigibilidade suspensa, conforme se pode verificar da Certidão Conjunta Positiva de Débitos com Efeitos de Negativa com liberação tanto da Secretaria da Receita Federal (SRF) quanto da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN (doc. 04); por fim, postulouse o conhecimento da Manifestação de Inconformidade em apreço, para reforma da decisão recorrida, reconhecendose o direito da interessada a usufruir o incentivo fiscal, tendo em vista ausência de prova quanto a qualquer irregularidade fiscal na época da opção pelo investimento em questão. A 8ª TURMA DA DRJ EM SÃO PAULO – SP I, ao julgar a manifestação de inconformidade protocolada, houve por bem manter incólume o despacho decisório de fls. 48/50, consoante aresto (fls. 123/134) assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PERC – QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS – PROVA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da Fl. 227DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.000903/200641 Acórdão n.º 1101000.740 S1C1T1 Fl. 6 5 quitação de tributos e contribuições federais. Diante da ausência desta prova o PERC não pode ser deferido. Solicitação Indeferida” Cientificada desse acórdão em 07.08.2008 (fl. 136), a interessada interpôs o Recurso Voluntário sob análise (fls. 137/150), buscando repisar os argumentos suscitados em primeiro grau. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR, Relator: O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. O remédio recursal sob perscrutação desafia o despacho decisório de fls. 48/50, responsável por denegar o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC de fls. 01/02, exarado sob o fundamento de que o contribuinte estaria em situação de irregularidade fiscal perante a Receita Federal do Brasil (RFB) e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), na forma dos extratos de situação entranhados às fls. 34/44. A operada denegação do PERC exordial calcou suposto fundamento legal, nesse sentido, no artigo 60 da Lei nº 9.069/95, in verbis: “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais.” Na instância de julgamento presente, buscou o sujeito passivo elucidar, especificamente, que as contingências tributárias aventadas não constituiriam óbice para a concessão do pedido – quer porquanto já extintas, quer porque suspensas as correlatas exigibilidades, quer, ainda, em razão de estarem elas sendo discutidas em sede judicial. Parece, contudo, a nós, que o cerne do debate está sendo enfrentado de maneira completamente equivocada. Os incentivos fiscais atrelados ao FINAM são operacionalizados segundo distintas e sucessivas etapas. Em primeiro lugar, as pessoas jurídicas ou os grupos de empresas de que trata o artigo 9º da Lei nº 8.167/91, detentoras de cinquenta e um por cento do capital votante de sociedade titular de projetos com pleitos aprovados, no órgão competente, até 02.05. 2001, enquadrados em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional, podem, mediante opção manifestada em DIPJ, aplicar parcela do IRPJ devido em incentivos fiscais atrelados ao FINAM. A parcela do IRPJ passível de alocação nesses Fl. 228DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.000903/200641 Acórdão n.º 1101000.740 S1C1T1 Fl. 7 6 benefícios está restrita, em todo caso, aos percentuais máximos elencados pela legislação – mais especificamente, para o caso do FINAM, em relação ao anobase de 2002, pelo artigo 601, § 1º, inciso I, do Decreto nº 3.000/99: “Art. 601. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais (arts. 609, 611 e 613) na declaração de rendimentos ou no curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado (art. 222), apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º). § 1º A opção, no curso do anocalendário, será manifestada mediante o recolhimento, por meio de documento de arrecadação (DARF) específico, de parte do mposto sobre a renda de valor equivalente a até (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º, § 1º): I – dezoito por cento para o FINOR e FINAM e vinte e cinco por cento para o FUNRES, a partir de janeiro de 1998 até dezembro de 2003; (...)” No caso, a opção pela aplicação de parte do IRPJ nos benefícios fiscais vinculados ao FINAM fora efetivada, pela recorrente, na Ficha 29 Aplicações em Incentivos Fiscais da DIPJ/2003 (fl. 24), até o limite máximo permitido, de R$ 263.439,16 (duzentos e sessenta e três mil, quatrocentos e trinta e nove reais e dezesseis centavos), correspondente a 18% (dezoito por cento) do IRPJ do período, desconsiderado o adicional da exação e excluídos as deduções e reduções pertinentes. Transmitida a DIPJ, os dados nela constantes são, em regra, processados e tratados, para averiguação da correção da cifra a ser aplicada no FINAM. Nesse momento, a autoridade fazendária averigua, também, a observância dos demais requisitos postos à fruição do incentivo – dentre os quais, no que nos interessa, a constatação da regularidade fiscal do contribuinte, nos exatos termos do artigo 60 Lei nº 9.069/95, alhures transcrito. Realizados os devidos ajustes, o órgão de análise responsável emitirá, ao contribuinte, Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, no qual jazerá pormenorizado o montante reconhecido para versão no fundo regional. Simultaneamente, será gerada e encaminhada, ao FINAM, as Ordens de Emissão de Incentivos Fiscais, via arquivo magnético, indicativas da situação do contribuinte e do valor da aplicação correspondente. Com isso, a instituição financeira mantenedora lançará, em prol do sujeito passivo, as respectivas Quotas dos Fundos de Investimentos, representadas por Certificados de Investimentos (CI’s), que poderão ser negociados, em pregão, nas bolsas de valores ou convertidas, também em bolsa, mediante leilões especiais, em ações do capital social das companhias componentes da Carteira de Ações do FINAM. In casu, em razão do suposto óbice averiguado, o Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais foi emitido, para a recorrente, com valores zerados (fl. 04). Não se efetivou, destarte, a prolação da competente Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais. Notese que a negativa de processamento e de liberação dos valores de incentivo foi realizada, pelo agente fazendário de origem, sem qualquer consulta ao Fl. 229DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.000903/200641 Acórdão n.º 1101000.740 S1C1T1 Fl. 8 7 contribuinte. Pela própria natureza do rito em comento, não se pode falar que o sujeito passivo tenha participado da formação da convicção fiscal acerca do deferimento ou do indeferimento da opção pela versão de parcela do IRPJ em favor do FINAM. Justamente, então, para amainar a natureza inquisitória do procedimento, facultado é, ao sujeito passivo, questionar os termos do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, mediante protocolo do PERC. Nessa oportunidade, o contribuinte pode peticionar pela reconsideração da inicial conclusão fiscal, trazendo à superfície, em homenagem ao princípio do contraditório, os contraargumentos e as contraprovas que entender cabíveis. Vale recordar, contudo, que o PERC não serve a pleitear, especificamente, a concessão do incentivo fiscal em si, uma vez que a eleição por esta benesse já foi realizada mediante a entrega da DIPJ/2003. O pedido telado, a bem da verdade, busca, isto sim, provocar a reforma do ato decisório administrativo precedente, do qual redundou a não emissão do devido Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais. Ocorre que, na situação corrente, o despacho decisório de fls. 48/50 não apreciou o mérito do pleito revisional, à medida que aquela autoridade julgadora entendeu, ainda em campo preliminar, pela impossibilidade de fruição dos incentivos fiscais, em razão da sumária constatação da existência dos passivos inadimplidos e exigíveis relacionados nos extratos de fls. 34/44. Colacionese, para elucidação, o seguinte excerto deste despacho, colhido à fl. 49: “8 – Antes da apreciação do pedido da interessada, quanto ao mérito, convém verificar, em caráter preliminar, se a interessada pode usufruir o incentivo fiscal em questão, considerando o que dispõe a legislação que rege a matéria. Nesse intuito foram consultados o CADIN/ SISBACEN e os registros de regularidade mantidos pela Secretaria da Receita Federal/ PGFN, INSS, CEF/FGTS. 9 – A aludida consulta indica que a interessada está, também nesta data, em situação irregular junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil/PGFN, como se verifica a fls. 34 a 44 e constam débitos inscritos em Dívida Ativa da União, em cobrança, como se verifica afls. 40, impedindoa de comprovar quitação de tributos e contribuições federais, com o que fica materializada a vedação abaixo prescrita: (...)” Ora, não se pode admitir, por evidente, que o PERC seja indeferido, preliminarmente, em face da averiguação de pretensos débitos em aberto, mormente se estes tenham surgido ou sido verificados em átimo posterior ao da opção veiculada em Declaração de Rendimentos. Repisese: o PERC não representa pedido de concessão ou de reconhecimento de incentivos fiscais, mas, sim, postulação de revisão das alterações ou “glosas” oficiosas engendradas pela Fazenda, em relação aos termos da eleição feita pela recorrente. Destarte, não há como reconhecer seja possível que o artigo 60 da Lei nº 9.069/95 impeça a concessão do PERC. O despacho decisório de fls. 48/50, ao deixar de versar sobre o mérito do pedido revisional, com amparo na alegação de existência de passivos ulteriores, resultou em notória supressão de instância e em fulcral afronta ao contraditório e à Fl. 230DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.000903/200641 Acórdão n.º 1101000.740 S1C1T1 Fl. 9 8 ampla defesa. Nulos, pois, são todos os andamentos processuais ocorridos a partir daquele decisum, inclusive. Sedimentese, para que fique claro: a irregularidade fiscal do contribuinte pode obstar a emissão da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, mas não o provimento do PERC – ou, conseguintemente, do Recurso Voluntário sob apreço. De mais a mais, ainda que assim não fosse, devese ressaltar que a higidez passiva do optante pelo benefício atrelado ao FINAM deveria ser apurada em atenção ao átimo temporal de transmissão da DIPJ/2003, firmado pela extinção (incorporação) da recorrente. A autoridade fiscal, em princípio, não poderia transpassar o momento de averiguação da existência de pendências para a data do julgamento inaugural do PERC. Isso é o que restou sedimentado no seio deste órgão julgador, a teor da Súmula CARF nº 37: “Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72” Várias foram as oportunidades em que o presente colegiado confirmou tal leitura a respeito da controvérsia. Ilustrativamente, dentre vasto campo amostral, podese cotejar o seguinte julgado: “INCENTIVOS FISCAIS PERCREGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidões negativas ou positivas com efeitos de negativa dentro do prazo de validade, no momento do despacho denegatório do seu pleito. É ilegal o indeferimento de PERC em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento.” (Ac. nº 10709.323/08) Não consta dos autos qualquer prova fazendária da existência, ao tempo da apresentação da DIPJ/2003, de passivos tributários insolvidos, que pudessem, em tese, atalhar o gozo do benefício pleiteado. Os extratos de fls. 34/44, enunciadores dos impedimentos averiguados junto à RFB e à PGFN, foram emitidos em meandros do mês de agosto de 2007, reportandose apenas àquela ocasião. Isto posto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, a fim de determinar que os autos retornem à Diort/Deinf/SPO, para que seja o PERC analisado em seu mérito, desconsiderandose a existência de quaisquer débitos posteriores ao período de entrega da DIPJ/2003. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR – Conselheiro Fl. 231DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.000903/200641 Acórdão n.º 1101000.740 S1C1T1 Fl. 10 9 Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Divirjo do I. Relator, pois assim já me manifestei ao interpretar a Súmula CARF nº 37 nos autos do processo administrativo nº 10768.009469/200266, em Acórdão formalizado sob nº 110100.315: A solução do litígio presente nestes autos deve se orientar pelo entendimento já pacificado em Súmula do CARF: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Da leitura deste enunciado, extraise de sua primeira parte que a aplicação em incentivos fiscais somente deixará de ser admitida se a contribuinte apresentar débitos relativos ao período de apuração abrangido pela DIPJ na qual formalizou sua opção. Já relativamente à segunda parte, não resta claro se, para ter direito ao incentivo, o interessado pode apresentar a prova da quitação daqueles débitos em qualquer momento do processo administrativo, ou se a própria quitação é admitida até o final do processo administrativo. Notase na jurisprudência administrativa a interpretação de que o art. 60 da Lei nº 9.069/95 não tinha por objetivo vedar a fruição de incentivo por quem estivesse em débito para com a Fazenda Nacional em relação a tributos ou contribuições federais, mas sim impor a quitação de tais débitos como condição para reconhecimento do benefício. O referido dispositivo legal está assim redigido: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. (grifouse) Destes termos, porém, também é possível extrair que será valido o ato administrativo que deixar de conceder ou reconhecer o incentivo fiscal porque provada a existência de tributos e contribuições federais não quitados pelo interessado, cumprindo a este, no curso do processo administrativo, desconstituir aquela prova, e não desfazer a situação por ela demonstrada. Vejase, inclusive, que várias ementas de julgados anteriores à edição da referida súmula admitem a aplicação em incentivos fiscais se apresentada certidão negativa, ou positiva com efeitos de negativa, até a data de protocolo do PERC, ou de sua apreciação: INCENTIVOS FISCAIS PERC REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Não deve Fl. 232DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.000903/200641 Acórdão n.º 1101000.740 S1C1T1 Fl. 11 10 persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidões negativas ou positivas com efeitos de negativa dentro do prazo de validade, no momento do despacho denegatório do seu pleito. É ilegal o indeferimento de PERC em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento. (Acórdão 10809808, Sessão de 18/12/2008) INCENTIVOS FISCAIS "PERC" COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL A comprovação da regularidade fiscal deve se reportar à data da opção do benefício, pelo contribuinte, com a entrega da declaração de rendimentos. Comprovada a regularidade fiscal ou não logrando a administração tributária comprovar irregularidades que se reportem ao momento da opção pelo benefício, deve ser deferida a apreciação do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais PERC. (Acórdão 19500079, Sessão de 09/12/2008) INCENTIVOS FISCAIS PERC – REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidões negativas ou positivas com efeitos de negativa dentro do prazo de validade, no momento do despacho denegatório do seu pleito. É ilegal o indeferimento de PERC em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento.(Acórdão 10709323, Sessão de 06/03/2008) PERC. DEMONSTRAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. A apresentação, por ocasião do protocolo do PERC, de Certidão Negativa com Efeito de Positiva faz prova da regularidade fiscal em relação à quitação dos tributos e contribuições federais. Débitos fiscais posteriores não justificam o indeferimento do pedido. (Acórdão 10709202, Sessão de 18/10/2007) INCENTIVOS FISCAIS – PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS – PERC – não deve prevalecer o indeferimento do PERC, quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal com a indicação de existência de certidão negativa dentro do prazo de validade, no momento do despacho denegatório de seu pleito. PERC – MOMENTO DE COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE o momento em que deve ser comprovada a regularidade fiscal, pelo sujeito passivo, com vistas ao gozo do benefício fiscal é a data da apresentação da DIRPJ, na qual foi manifestada a opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos correspondentes. (Acórdão 10196213 (Sessão de 14/06/2007) Relevante anotar, ainda, que a ênfase dada à prova por meio de certidão de regularidade fiscal durante o procedimento de análise do PERC decorre do fato de o Extrato de Aplicação em Incentivos Fiscais indicar a existência de pendências fiscais em face do interessado, mas não discriminálas, permitindo a desconstituição desta acusação por meio da apresentação de Certidões Negativas, ou Positiva com Efeitos de Negativa, mesmo que emitidas posteriormente. Firmadas, assim, as interpretações vislumbradas a partir da Súmula CARF nº 37, importa analisar os fatos presentes nestes autos. No presente caso, embora observando que a não expedição da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (OEIF) ao FINAM/FINOR foi motivada pelas ocorrências 04 Redução de Valor por Recolhimento Incompleto do Imposto, e 11 Contribuinte com Débitos de Tributos e Contribuições Federais (Lei 9.069/95), a autoridade administrativa indeferiu o pedido de revisão em análise preliminar, por constatar a existência de débitos inscritos em Dívida Ativa da União, em cobrança, como se verifica à fl. 40. As informações de fls. 40 apontam débitos provenientes de processos administrativos formalizados em 1997, 2001 e 2007. Quanto aos processos administrativos nº Fl. 233DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.000903/200641 Acórdão n.º 1101000.740 S1C1T1 Fl. 12 11 10768.019572/9712 e 10768.008948/200184, é razoável supor que ali não existam débitos pertinentes ao anocalendário 2002 (01/01/2002 a 28/03/2002). Quanto ao processo administrativo nº 16327.500065/200792, a própria autoridade julgadora de 1ª instância desconsiderou sua influência no indeferimento do PERC, possivelmente porque a inscrição se encontra na situação ativa não ajuizável com exigibilidade do crédito suspensa. Contudo, como disse, a autoridade administrativa foi expressa no sentido de que sua análise do PERC foi preliminar, e limitouse à confirmação da ocorrência 11 Contribuinte com Débitos de Tributos e Contribuições Federais (Lei 9.069/95), a qual, agora afastada, impede o deferimento do PERC, na medida em que ainda subsiste a segunda ocorrência indicada 04 Redução de Valor por Recolhimento Incompleto do Imposto. Acrescento que não vislumbro na legislação qualquer prazo para a autoridade administrativa apreciar Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, e, em consequência, entendo que a irregularidade inicialmente apontada não resta convalidada por ausência de seu enfrentamento no despacho decisório que analisa o referido pedido. Ademais, a autoridade administrativa foi expressa no sentido de que sua análise era preliminar e restringiase a uma das causas da não emissão do Certificado de Incentivos Fiscais, sem abordar a segunda causa que reconheceu existente, motivo pelo qual não considero possível inferir que aquela causa tenha sido superada. Assim, porque não caracterizada irregularidade fiscal no período, e subsistindo outra causa impedida para reconhecimento do incentivo fiscal, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário e devolver os autos à autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte para prosseguir na análise do PERC. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Fl. 234DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10510.000005/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE AÇÃO TRABALHISTA. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2101-002.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os conselheiros, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, afastando da tributação os valores recebidos acumuladamente. Vencidos os conselheiros Heitor de Souza Lima Júnior e Alexandre Naoki Nishioka, que votaram por dar provimento em parte ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 17/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma),ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE AÇÃO TRABALHISTA. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os conselheiros, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, afastando da tributação os valores recebidos acumuladamente. Vencidos os conselheiros Heitor de Souza Lima Júnior e Alexandre Naoki Nishioka, que votaram por dar provimento em parte ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 00 05 /2 00 7- 11 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 EDITADO EM: 17/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma),ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso Voluntário objetivando a reforma do Acórdão de nº 15 21.930 da 3ª Turma da DRJ/SDR (fls. 105/107), que, por unanimidade de votos, julgou procedente Lançamento Fiscal lavrado para incluir na tributação valores omitidos no montante de R$ 274.966,23 (fls. 18), correspondentes a rendimentos recebidos pelo Contribuinte em razão de ação trabalhista, tomados como isentos. Os argumentos de Impugnação arguidos foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “O impugnante argumenta, em síntese, que o lançamento deveria ser cancelado porque a matéria já havia sido submetida anteriormente à análise do órgão, com base nos documentos que apresentara, resultando na notificação recebida em fevereiro de 2006, em que foram homologados os dados da sua declaração.” A decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Salvador (BA), restou assim ementada: “ALTERAÇÃO DO LANÇAMENTO APÓS NOTIFICAÇÃO. O lançamento pode ser alterado quando constatado erro ou fato novo que deva ser apreciado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 125DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10510.000005/200711 Acórdão n.º 2101002.477 S2C1T1 Fl. 3 3 No Recurso de fls. 113/117, o Recorrente alega que, por ocasião da apresentação da declaração de ajuste, entendia que as verbas às quais se reporta o Auto de Infração eram indenizatórias, isentas da incidência do imposto de renda. Todavia, devido a fatos supervenientes, considera não discutir mais se as verbas recebidas são ou não tributáveis. Desta feita entende que se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, razão pela qual o imposto deveria ser calculado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. Por fim, esclarecendo que os rendimentos recebidos correspondem ao período de dezembro de 1983 a dezembro de 1990, de modo que a apuração do imposto sobre a renda deveria ter levado em conta as tabelas e alíquotas deste período, o que não foi feito, requer o cancelamento do Auto de Infração. No entendimento de que o Lançamento Tributário, objeto deste processo, versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte, atentando a norma do artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, cuja matéria estaria sob apreciação do STF no julgamento do RE 614406RS, este Colegiado emitiu decisão (fls. 120/123) sobrestando a apreciação do presente Recurso Voluntário, até que houvesse decisão definitiva da Corte Suprema, nos termos do disposto no artigo 62A, §§1º e 2º, do RICARF, vigente à época. Ocorre que os §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF foram revogados pelo Sr. Ministro da Fazenda, por meio da Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013. Deste modo, coloco o feito em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Conforme se verifica nos autos, resta em litígio apenas parte do lançamento relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente, em razão da ação da ação trabalhista movida em face da Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), no valor de R$ 47.009,87. Também observo que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, firmou o entendimento de que, no caso de recebimento acumulado de valores, decorrente de ações trabalhistas, revisionais, e etc., o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF não deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência; obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês): “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 14/05/2010). Este posicionamento vem sendo mantido de forma pacífica na Colenda Corte Superior de Justiça, conforme ementas transcritas apenas a título de exemplo: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. SOBRESTAMENTO. DESNECESSIDADE. 1. No julgamento do REsp 1.118.429/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJe 14.5.2010, submetido à sistemática do art. 543c do CPC, a Primeira Seção decidiu que o imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos a destempo e acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo Fl. 127DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10510.000005/200711 Acórdão n.º 2101002.477 S2C1T1 Fl. 4 5 segurado. Disso resulta que não seria legítima a cobrança do tributo sobre o valor global pago fora do prazo legal. 2. O reconhecimento da repercussão geral pela Suprema Corte não enseja o sobrestamento do julgamento dos recursos especiais que tramitam no Superior Tribunal de Justiça. Agravo regimental improvido. (AgRg nos EDcl no REsp 1427079/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe 07/04/2014) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO ART. 535, II, DO CPC. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. PRETENDIDA REDUÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS FIXADOS COM BASE NO CRITÉRIO DE APRECIAÇÃO EQUITATIVA. INADMISSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. Não procede a alegação de ofensa ao art. 535, II, do CPC, pois, ao julgar os embargos de declaração, embora os tenha rejeitado, o Tribunal de origem pronunciouse sobre a questão neles suscitada como omissa. 2. O art. 295, caput, inciso I e parágrafo único, do CPC, dispõe que a petição inicial será indeferida quando for inepta, dispondo, ainda, quando se considera inepta a petição inicial. Tendo em vista que a alegação de falta de documentos suscitada pela Procuradoria da Fazenda Nacional não se insere nas hipóteses de petição inicial inepta, o dispositivo processual tido como contrariado não possui comando normativo suficiente para reformar o acórdão recorrido no ponto em que o Tribunal de origem rejeitou a alegação fazendária de ausência de documentos que comprovem a remuneração recebida pelo autor. Quanto a este aspecto, incide na espécie a Súmula 284/STF, aplicável por analogia ao recurso especial. 3. De acordo com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), "o imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente". 4. Ressalvadas as hipóteses de valor irrisório ou excessivo, a reavaliação do critério de apreciação equitativa adotado para o arbitramento da verba honorária, quando vencida a Fazenda Pública, não se coaduna com a natureza dos recursos especial e extraordinário, consoante enunciam as Súmulas 7/STJ e 389/STF. Nos presentes autos, o Tribunal de origem elevou os honorários advocatícios para R$ 3.000,00, quantia esta que, conforme consta do acórdão recorrido, equivale a 5% do valor dado à causa. Dadas as peculiaridades Fl. 128DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 fáticas do presente caso, não se apresenta exorbitante a verba honorária fixada pelo Tribunal de origem. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1410118/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe 11/03/2014 grifamos). Nos termos do art. 62A do seu Regimento Interno, este Conselho está obrigado a respeitar as decisões do STJ, nos exatos moldes em que proferidas, sem modificações ou ressalvas do seu alcance e/ou conteúdo. Tanto que em diversos julgados foi manifesta a posição neste sentido: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. O recebimento de rendimentos decorrentes de revisão do valor da aposentadoria/benefício, em ação judicial, não é sujeito à tributação exclusiva na fonte, mas pelo regime de antecipação do imposto devido, sujeito ao ajuste anual. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REVISÃO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ em Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 2801003.442, Processo nº 10580.723157/201148, Relator MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, 1ª TE / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF) IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido (Acórdão nº 2801003.436, Processo nº 10166.003649/200990, Redator Designado CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE, 1ª TE / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF); Fl. 129DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10510.000005/200711 Acórdão n.º 2101002.477 S2C1T1 Fl. 5 7 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido (Acórdão nº 2801003.427, Processo nº 10166.007073/200514, Relator CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 1ª TE / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF). O Direito Tributário admite, na aplicação da lei, o recurso à equidade, que é a justiça no caso concreto. Ora, não se pode tributar proventos recebidos acumuladamente, em razão de decisão trabalhista, sem observar se seriam tributáveis caso recebidos normalmente em época própria. Ocorrendo o equívoco do empregador, o resultado judicial da ação que corrige a ilegalidade não pode servir de base à incidência, sob pena de sancionarse o trabalhador/contribuinte por antijuridicidade de outros. Assim, tendo o lançamento sido fundamentado na regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, é dever julgálo improcedente, respeitando ao julgado representativo da controvérsia no STJ. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto no sentido de por dar provimento ao recurso, afastando da tributação os valores recebidos acumuladamente. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 130DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13808.003633/00-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Fisica IRPF -
IRPF Exercício: 1998
Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INFORMAÇÃO DA DIRF EM CONFRONTO COM O COMPROVANTE DE RENDIMENTOS EMITIDO PELA FONTE PAGADORA. AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO, PRIVILÉGIO DA INFORMAÇÃO MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE.
Havendo fundada dúvida sobre o montante dos rendimentos percebidos pelo beneficiário, pela divergência entre a informação da DIRF e a do comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora, deve-se privilegiar a informação mais benéfica ao autuado, à luz da inteligência do art, 112 do Código Tributário Nacional.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-000.833
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unamidade de votos, em provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos
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EDITAIQO EM: 20/~01 S2-C1T2 Fl 81 MINISTÉRIO DA FAZENDA - CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13808,0036.33/00-63 Recurso n0 167.156 Voluntário Acórdão n° 2102-00.833 — 1° Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 22 de setembro de 2010 Matéria IRPF Recorrente Sônia Ferreira Pedroza Recorrida 2" Turma da DRJ/CGE Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Fisica IRPF Exercício: 1998 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INFORMAÇÃO DA DIRF EM CONFRONTO COM O COMPROVANTE DE RENDIMENTOS EMITIDO PELA FONTE PAGADORA. AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO, PRIVILÉGIO DA INFORMAÇÃO MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE, Havendo fundada dúvida sobre o montante dos rendimentos percebidos pelo beneficiário, pela divergência entre a informação da DIRF e a do comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora, deve-se privilegiar a informação mais benéfica ao autuado, à luz da inteligência do art, 112 do Código Tributário Nacional. Recurso provido. GIOVANNI CHRISTIANNUNES CAMPOS - Relatar e Presidente R$ 4.613,20IMPOSTO MULTA DE OFICIO R$ 3.459,90 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Acácia Sayuri Wakasugi, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Giovanni Cluistian Nunes Campos. Relatório Em face da contribuinte SONIA FERREIRA PEDROZA, CPF/MF n" 033.164,591-20, já qualificada neste processo, foi lavrado, em 12/06/2000, auto de inflação, em decorrência da revisão de sua declaração de ajuste anual do exercício 1998. Abaixo, discrimina-se o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: À contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos pela fiscalização, o que implicou na alteração dos rendimentos tributáveis de R$ 50,853,50 (originalmente declarado na declaração simplificada) para R$ 85.248,89. A fiscalização considerou como fontes tributáveis o Ministério da Saúde (R$ 12.781,29), a Prefeitura Municipal de Guarulhos (R$ 34,395,39), a Prefeitura Municipal de Osasco (R$ 23.682,14) e a Prefeitura municipal de São Paulo (R$ 14.380,07), conforme informações das DIRF (fis. 4 e 39). Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de julgamento, combatendo os rendimentos percebidos da Prefeitura Municipal de Guamlhos, os quais teriam sido de R$ 8.501,52 e não R$ 34.395,39. Juntou comprovante de rendimentos emitido por essa municipalidade, no menor valor antes informado. A 2 Turma da DRJ-Campo Grande (MS), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 7.988, de 02 de dezembro de 2005 (fls. 44 a 46). Entendeu a Turma de Julgamento que o comprovante de rendimentos emitido pela Prefeitura Municipal de Guarulhos não seria meio hábil para confrontar as informações provenientes da DIRF dessa mesma municipalidade, e que, no caso de incorreção da informação da DIRF, deveria a Prefeitura apresentar uma DIRF retificadora, Não foi juntada cópia do AR aos autos, mas somente um extrato do site da intemet dos correios, informando que a correspondência com a decisão acima tinha sido entregue em 14/12/2007. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 16/01/2008 (fl. 52), No voluntário, a recorrente alegou, em síntese, que não pode ser responsabilizada pela informação incorreta da DIRF da fonte pagadora e que a autoridade julgadora a quo deveria ter aprofundado a investigação sobre qual a informação correta, a do comprovante de rendimentos ou da DIRF, não se fiando apenas na mais gravosa em desfavor da impugnante. Ainda trouxe os contracheques mensais do ano-calendário 1998, comprovando que percebeu um total de R$ 18.885,60. Assim, pede a improcedência do lançamento. É o relatório. 2 3 Processo n° 13808.003633/00-63 S2-C11.2 Acórdão n " 2102-00.833 Fl 82 Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, R-elator Inicialmente, deve-se anotar que não foi juntado aos autos o AR com a ciência da decisão de primeira instância, mas somente um registro do site da internet dos correios, com data de entrega em 14/12/2007, sexta-feira. Considerando esta data, o recurso interposto em 16/01/2008, quarta-feira, estaria perempto, pois o prazo fatal teria terminado no dia 15/01/2008, terça-feira. Ocorre que não se pode considerar o extrato do site do correio como instrumento hábil a comprovar a ciência da decisão recorrida, já que tal extrato não substitui o AR, o qual identifica quem e quando foi recebida a intimação. Ademais, não se deve esquecer que, na ausência da aposição da data de recebimento no AR, o prazo de ciência é postergado por 15 dias após a data da expedição da intimação, o que demonstra a relevância da juntada do AR para aperfeiçoar a ciência da intimação da decisão recorrida. Assim, não juntado o AR, forçoso considerar como data da ciência da decisão recorrida o próprio momento em que o contribuinte veio aos autos para recorrer para este CARF, isso em 16/01/2008, ou mesmo a data final da postergação quinzenal acima citada, o que leva forçosamente a reconhecer a tempestividade do recurso voluntário. Tempestivo o apelo e cumpridas as demais formalidades, tomo conhecimento do recurso voluntário. De plano, vê-se que a recorrente incorreu em grave equívoco no recurso voluntário, quando discorreu sobre os estipêndios recebidos da Prefeitura Municipal de Guarulhos no ano de 1998, acostando cópias dos contracheques desse ano, subseqüente ao aqui autuado. Os contracheques são do ano-calendário 1998, e a autuação versa sobre o exercício 1998, ano-calendário 1997 (renda auferida no ano de 1997), mostrando o descompasso da defesa. Apesar do equívoco acima, pode-se conhecer da controvérsia, que é única e se refere ao montante dos rendimentos percebidos pela recorrente da Prefeitura Municipal de Guarulhos, se R$ 34.395,39, como consta da DIR_F dessa municipalidade, ou se R$ 8,501,52, como consta do Comprovante de Rendimentos apresentado pela então impugnante, Não me parece que o equívoco na documentação trazida no recurso voluntário possa fulminar, por si só, a pretensão da recorrente, quando parece cristalino o teor do debate. Ademais, a contribuinte trouxe apenas uma prova equivocada, porém não remanesceu qualquer dúvida quanto ao seu desiderato, qual seja, combater a omissão de rendimentos apontada pela fiscalização no tocante à Prefeitura Municipal de Guarulhos. Fixada claramente a controvérsia, passa-se a decidi-Ia. De plano se vê que a decisão recorrida merece reparos. Ora, no momento em que a contribuinte trouxe aos autos o comprovante de rendimentos emitido pela Prefeitura Municipal de Guarulhos, no montante de R$ 8.501,52, não Giovanrá Christian I4. poderia a decisão se fiar unicamente na DIRF apresentada, Nessa situação, instaurou-se grave controvérsia sobre o montante do rendimento pago pela Prefeitura Municipal de Guarulhos à então impugnante, e a solução somente poderia ser a conversão do julgamento em diligência, para esclarecimento do real valor pago, ou acatar o comprovante de rendimentos apresentado, decidindo o feito a favor da impugnante, interpretando o caso de mais favorável ao autuado, à luz da inteligência do art. 112 do CTN. Jamais a decisão recorrida poderia se alicerçar na DIRF, ao argumento de que as informações dela somente poderiam ser consideradas de forma diversa no caso de retificação dela, procedimento que não pode ser imputado como ônus ao beneficiário do rendimento da fonte pagadora, pois somente esta tem poderes para retificar a DIRF apresentada. Superada a instância a quo na forma acima, cristalizaram-se as provas apresentadas e a controvérsia deve agora ser decidida à luz delas. Havendo fundada dúvida sobre o montante do rendimento pago à recorrente, pela contradição entre a DIRF e o comprovante de rendimento, entendo que se deve decidir a favor da recorrente, aplicando a inteligência do art. 112 do CTN. Ademais, deve-se anotar que até no ano-calendário subseqüente a recorrente não logrou perceber o rendimento de R$ 34.395,39, mas apenas R$ 18.885,60, a demonstrar a plausibilidade da percepção do montante de R$ 8.501,52, da Prefeitura Municipal de Guarulhos, no ano-calendário 1997. Assim, a autoridade preparadora responsável pela execução desse Acórdão deve considerar os valores constantes no comprovante de rendimentos emitido pela Prefeitura Municipal de Guarulhos, daí apurando o imposto suplementar, referente ao ano-calendário 1997. Ante o exposto, voto no . entrd"Re. DAR provimento ao recurso. 4
score : 1.0
Numero do processo: 10935.008434/2008-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2101-000.078
Decisão: RESOLVEM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, no sentido de determinar o sobrestamento do julgamento do presente recurso, até o trânsito em julgado da decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto pelos artigos 62-A, §§1º e 2º, do RICARF.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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RESOLVEM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, no sentido de determinar o sobrestamento do julgamento do presente recurso, até o trânsito em julgado da decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto pelos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/05/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10935.008434/200826 Resolução n.º 2101000.078 S2C1T1 Fl. 124 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fl. 108/122) interposto em 04 de agosto de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) (fls. 90/98), do qual o Recorrente teve ciência em 24 de julho de 2011 (fl. 107), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 03/07, lavrado em 23 de setembro de 2008, em virtude de omissão de rendimentos do trabalho e de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, verificadas no anocalendário de 2003. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 AJUSTE ANUAL. RENDIMENTOS. O imposto será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste no qual a pessoa física deverá apurar o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. JUROS. INCIDÊNCIA DE IRPF. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 90). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fl. 108/122), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Antes de adentrar no mérito, propriamente dito, das alegações veiculadas na peça recursal, observo que o presente recurso versa a respeito de rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Referida questão foi levada à apreciação, em caráter difuso, do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema, nos seguintes termos: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA Fl. 126DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/05/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10935.008434/200826 Resolução n.º 2101000.078 S2C1T1 Fl. 125 3 SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614.406 AgRQORG, Relatora Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043, DIVULG 03/03/2011) Vale frisar, nesse sentido, que, recentemente, foi alterado (Portaria MF n.º 586/2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256/09, determinandose, explicitamente, o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema pelo Supremo Tribunal Federal. A este respeito, confirase o teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, in verbis: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Eis os motivos pelos quais voto no sentido de determinar o sobrestamento do julgamento do presente recurso, até o trânsito em julgado da decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto pelos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/05/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000696/2004-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2000
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa.
NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE INEXISTENTE.
Irregularidade formal em MPF não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória, prevista no art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato.
OMISSÃO DE RECEITAS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA TOTALIDADE.
Os juros sobre capital próprio recebidos têm por finalidade a renumeração do capital investido pela empresa e integram a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. Comprovado nos autos que parte das receitas de juros sobre capital próprio foi oferecida à tributação no exercício seguinte (postergação do pagamento do imposto) é de se excluir estas parcelas da tributação. Por outro, ficam mantidas as parcelas não comprovadas.
INOBSERVÂNCIA DO PERÍODO DE COMPETÊNCIA. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. CARACTERIZAÇÃO. RECOMPOSIÇÃO NA FASE DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
A inobservância quanto ao período de competência por apropriação de receita em exercício posterior implica em postergação do pagamento do imposto devido. Na recomposição da base de cálculo do imposto, em decorrência da inobservância do regime de competência, devem-se observar as orientações contidas no Parecer Normativo COSIT n° 2, de 28 de agosto de 1996, sob pena de insubsistência do lançamento, neste particular. Assim, inaplicável a recomposição da base de cálculo do imposto na fase de julgamento.
FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO NA FASE RECURSAL.
Incabível a manutenção do lançamento sobre a falta de recolhimento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, quando restar comprovado, na fase recursal, as alegadas compensações dos valores de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurados na declaração de rendimentos com Imposto de Renda Pessoa Jurídica paga a maior em declarações de rendimentos anteriores.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI. EXTINÇÃO DE PENALIDADE. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA POR FALTA DO RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA.
Com a edição da Lei nº 11.488, de 2007, cujo artigo 14 deu nova redação ao artigo 44 da Lei n( 9.430, de 1996, deixou de existir a exigência da multa de ofício isolada de setenta e cinco por cento por recolhimento de tributos em atraso sem o acréscimo da multa de mora. Portanto, as multas aplicadas com base nas regras anteriores devem ser adaptadas às novas determinações, conforme preceitua o art. 106, inciso II, alínea a, do Código Tributário Nacional.
JUROS DE MORA ISOLADOS. IMPUTAÇÃO LINEAR. IMPOSSIBILIDADE.
No caso de postergação de imposto devido e recolhido em período posterior, a autuação deve imputar o recolhimento postergado proporcionalmente ao valor devido com os acréscimos moratórios previstos em lei, determinando o valor principal que, não recolhido, sujeita-se aos acréscimos devidos em procedimento de ofício. A imputação linear não tem amparo no Código Tributário Nacional.
CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. MANDADOS DE SEGURANÇA COM OBJETO DISTINTO DA MATÉRIA AUTUADA. A segurança concedida em mandados de segurança não enseja suspensão da exigibilidade das contribuições se a matéria tributada de ofício é distinta da discutida na esfera judicial
PROCEDIMENTO REFLEXO. DECORRÊNCIA. CSLL.
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 1101-000.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, [1) em preliminar, por unanimidade de votos, em REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento; e 2) no mérito: 2.1) relativamente às exigências de IRPJ e CSLL incidentes sobre a omissão de receitas de juros sobre o capital próprio, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa e o Presidente Valmar Fonseca de Menezes, que davam provimento parcial em menor extensão; 2.2) relativamente à falta de recolhimento de IRPJ, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário; 2.3) relativamente à multa de ofício e juros de mora isolados, por voto de qualidade, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro José Ricardo da Silva que dava provimento parcial ao recurso, acompanhado pelos Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Nara Cristina Takeda Taga, votando pelas conclusões da divergência o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro; 2.4) relativamente às exigências de Contribuição ao PIS e Cofins, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro José Ricardo da Silva, acompanhado pelo Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, e designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; e 2.5) relativamente aos juros de mora, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que também fez declaração de voto Tabela de Resultados]
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente para efeito de formalização de acórdão.
RELATORA "AD HOC" JOSELAINE BOEIRA ZATORRE Relatora designada para formalização do acórdão.
EDELI PEREIRA BESSA Relatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Nara Cristina Takeda Taga, José Ricardo da Silva e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE INEXISTENTE. Irregularidade formal em MPF não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória, prevista no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato. OMISSÃO DE RECEITAS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA TOTALIDADE. Os juros sobre capital próprio recebidos têm por finalidade a renumeração do capital investido pela empresa e integram a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. Comprovado nos autos que parte das receitas de juros sobre capital próprio foi oferecida à tributação no exercício seguinte (postergação do pagamento do imposto) é de se excluir estas parcelas da tributação. Por outro, ficam mantidas as parcelas não comprovadas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 96 /2 00 4- 34 Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 45 2 INOBSERVÂNCIA DO PERÍODO DE COMPETÊNCIA. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. CARACTERIZAÇÃO. RECOMPOSIÇÃO NA FASE DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A inobservância quanto ao período de competência por apropriação de receita em exercício posterior implica em postergação do pagamento do imposto devido. Na recomposição da base de cálculo do imposto, em decorrência da inobservância do regime de competência, devemse observar as orientações contidas no Parecer Normativo COSIT n° 2, de 28 de agosto de 1996, sob pena de insubsistência do lançamento, neste particular. Assim, inaplicável a recomposição da base de cálculo do imposto na fase de julgamento. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO NA FASE RECURSAL. Incabível a manutenção do lançamento sobre a falta de recolhimento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, quando restar comprovado, na fase recursal, as alegadas compensações dos valores de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurados na declaração de rendimentos com Imposto de Renda Pessoa Jurídica paga a maior em declarações de rendimentos anteriores. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI. EXTINÇÃO DE PENALIDADE. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA POR FALTA DO RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA. Com a edição da Lei nº 11.488, de 2007, cujo artigo 14 deu nova redação ao artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, deixou de existir a exigência da multa de ofício isolada de setenta e cinco por cento por recolhimento de tributos em atraso sem o acréscimo da multa de mora. Portanto, as multas aplicadas com base nas regras anteriores devem ser adaptadas às novas determinações, conforme preceitua o art. 106, inciso II, alínea “a”, do Código Tributário Nacional. JUROS DE MORA ISOLADOS. IMPUTAÇÃO LINEAR. IMPOSSIBILIDADE. No caso de postergação de imposto devido e recolhido em período posterior, a autuação deve imputar o recolhimento postergado proporcionalmente ao valor devido com os acréscimos moratórios previstos em lei, determinando o valor principal que, não recolhido, sujeitase aos acréscimos devidos em procedimento de ofício. A imputação linear não tem amparo no Código Tributário Nacional. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. MANDADOS DE SEGURANÇA COM OBJETO DISTINTO DA MATÉRIA AUTUADA. A segurança concedida em mandados de segurança não enseja suspensão da exigibilidade das contribuições se a matéria tributada de ofício é distinta da discutida na esfera judicial PROCEDIMENTO REFLEXO. DECORRÊNCIA. CSLL. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 46 3 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, [1) em preliminar, por unanimidade de votos, em REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento; e 2) no mérito: 2.1) relativamente às exigências de IRPJ e CSLL incidentes sobre a omissão de receitas de juros sobre o capital próprio, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa e o Presidente Valmar Fonseca de Menezes, que davam provimento parcial em menor extensão; 2.2) relativamente à falta de recolhimento de IRPJ, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário; 2.3) relativamente à multa de ofício e juros de mora isolados, por voto de qualidade, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro José Ricardo da Silva que dava provimento parcial ao recurso, acompanhado pelos Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Nara Cristina Takeda Taga, votando pelas conclusões da divergência o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro; 2.4) relativamente às exigências de Contribuição ao PIS e Cofins, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro José Ricardo da Silva, acompanhado pelo Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, e designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; e 2.5) relativamente aos juros de mora, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que também fez declaração de voto Tabela de Resultados] VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente para efeito de formalização de acórdão. RELATORA "AD HOC" JOSELAINE BOEIRA ZATORRE – Relatora designada para formalização do acórdão. EDELI PEREIRA BESSA – Relatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Nara Cristina Takeda Taga, José Ricardo da Silva e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 47 4 Relatório MERRILL LYNCH PARTICIPAÇÕES, FINANÇAS E SERVIÇOS LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, recorre a este Conselho em razão do acórdão de lavra da DRJ I em São Paulo SP n° 5.956, de 23 de setembro de 2004, que julgou parcialmente procedentes os lançamentos consubstanciados nos autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ (fls. 269/279), da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 280/283), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (fls. 288/294) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 283/287), relativos ao anocalendário de 1999. Às fls. 258/264 encontrase o Termo de Verificação Fiscal, parte integrante daqueles autos de infração. A autuação dá conta do cometimento de quatro infrações, a saber: 1. omissão de receita pela falta de contabilização das receitas de juros sobre o capital próprio recebidos, o que teria diminuído o lucro tributável do período; 2. insuficiência de recolhimento e /ou declaração do imposto de renda devido, que teriam sido compensados em meses posteriores das quais não houve comprovação; 3. glosa de valores deduzidos como IRRF sobre receitas de serviços, rendimentos de aplicação financeira, pagamentos a órgãos públicos ou sobre aplicação de renda variável, cujas ocorrências não foram devidamente comprovadas; 4. inobservância do regime de apuração do IRPJ em relação aos valores das receitas de juros sobre o capital próprio, o que teria gerado postergação do IRPJ dos valores devidos em 12/1999 para 11/2000. Os lançamentos do PIS, COFINS e da CSLL são reflexos apenas da primeira infração apontada (omissão de receitas pela falta de contabilização das receitas sobre juros de capital próprio recebidos). A multa de oficio foi qualificada para o percentual de 150% em relação à primeira infração, mas a DRJ a desqualificou, reduzindoa ao percentual de 75%, tendo em vista a ausência do evidente intuito de fraude. Tendo tomado ciência dos lançamentos em 29 de março de 2004, a autuada insurgiuse contra tais exigências, tendo apresentado impugnação (fls. 306/345) em 28 de abril de 2004, em que apresentou as seguintes razões de defesa, em síntese elaborada pela autoridade julgadora de primeira instância: Preliminar de nulidade do procedimento de fiscalização: que verificase a nulidade do auto de infração, tendo em vista que ao agente fiscal foram conferidos poderes para coletar informações com a única finalidade de instrução dos processos de restituição/compensação, mediante o Mandado de Procedimento Fiscal — Diligência ("MPF — Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 48 5 D") n° 08.1.90.002003027456, e não para verificar o cumprimento das obrigações tributárias da impugnante; que a função da Delegacia de Fiscalização no procedimento de diligência, efetuado em processo administrativo movido pela contribuinte para restituir e/ou compensar tributos é o de simplesmente verificar o que lhe foi determinado pela Divisão competente para a análise do processo (DIORT) e, caso detecte qualquer irregularidade, relatála para que a DIORT analise e profira o despacho, conforme disposto na Instrução Normativa SRF n° 210/2002, art. 4°; que a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização ("MPF — F') n° 08.1.90.002004005464 nove dias antes da lavratura do auto de infração, bem como o Mandado de Procedimento Fiscal — Complementar (“ MPF — C") n° 08.1.90.002004 005464, quatro dias antes da lavratura, cujas ciências à impugnante deramse no mesmo dia da lavratura, não têm o condão de conferir legitimidade ao procedimento fiscalizatório; que com o desvirtuamento do foco fiscal, a impugnante não pode dar o atendimento necessário para que a autuação não fosse levada a efeito, já que o objeto primordial foi a demonstração da existência de créditos compensados nos processos administrativos nºs 13807.007541/200203 e 13807.007542/200240 — o que sequer foi contestado pela fiscalização , tendo sido ferido, assim, o principio da audiência da interessada, que rege o procedimento administrativo fiscal. Suposta omissão de receitas: que as receitas auferidas pelo recebimento de juros sobre o capital próprio relacionadas ao objeto da autuação foram oferecidas à tributação, esclarecendose que contabilizava o recebimento daqueles juros pelo regime de caixa e, em alguns casos, a contabilização deuse pelo valor liquido das receitas, já descontado do IR/Fonte, e por vezes, o valor da receita de juros foi indevidamente registrado sob a rubrica contábil "dividendos a receber", muito embora tenham recebido o tratamento tributário de juros sobre o capital próprio; que talvez tenham sido estes os motivos pelos quais o senhor agente fiscal não localizou as receitas de juros, ao tentar cruzar as informações contidas nas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte ("DIRF") apresentadas pelas fontes pagadoras, que mencionavam a retenção do IR/Fonte por competência; que relativamente às receitas omitidas de juros sobre capital próprio apuradas pela fiscalização, valores discriminados no quadro que fez parte do Termo de Verificação Fiscal (fl. 261), a impugnante descreve, item por item, quanto à data de recebimento e ao devedor e, na maioria dos itens relacionados, identifica a conta contábil em que teriam sido registrados. Ilegalidade da exigência da multa agravada: que a fiscalização lavrou parte do auto de infração de IRPJ, bem como os autos de infração de CSLL, COFINS e PIS, aplicando a multa qualificada de 150%, para os fatos discriminados no item "a" do Termo de Verificação Fiscal, cuja única hipótese de aplicação se dá no caso de evidente intuito de fraude, previsto no inciso II do art. 44, da Lei n° 9.430/1996; que em momento algum no Termo de Verificação Fiscal a autoridade fez menção às supostas fraudes ou condutas ilícitas promovidas pela impugnante, causando estranheza a adoção da multa agravada; Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 49 6 que não houve omissão de qualquer informação requerida pelo sr. Fiscal e no próprio relatório da fiscalização inexiste menção a qualquer comportamento omissivo ou evasivo da impugnante; que a fiscalização não tipificou o ato ilícito do qual estava tratando, não permitindo à impugnante se defender da acusação imposta, de fraude, operação simulada ou conluio, com preterição ao seu direito de defesa, e embora não saiba qual a acusação, demonstra que o fato praticado não se subsume a nenhum destes ilícitos. Postergação do pagamento de tributos: que conforme demonstrado, o que houve foi a simples postergação do pagamento dos tributos em razão da contabilização das receitas de juros sobre o capital próprio pelo regime de caixa; que verificada a postergação do pagamento do tributo, não pode ser exigido nem o valor do tributo nem multa sobre o principal, mas somente os juros de mora, vez que caracterizada está a denúncia espontânea; que as normas legais são claras e incisivas ao determinar a recomposição do lucro liquido dos exercícios em que tiver ocorrido a postergação, a fim de se exigir apenas a diferença de imposto resultante da inobservância quanto ao períodobase de escrituração de receita; que outro não é o entendimento do E. Conselho de Contribuintes, que vem entendendo que a inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de valores relativos a receitas e/ou custos e despesas constitui fundamento para lançamento do imposto de renda, acrescido de multa e juros de mora, pelo valor líquido, ou seja, após compensada a diminuição do imposto lançado em outro períodobase; que o próprio fisco, consciente das dúvidas remanescentes sobre a matéria e preocupado com a correta aplicação do então artigo 219 do RIR/1994, editou o Parecer Normativo COSIT n° 2, de 02/08/1996, no intuito de esclarecer o dispositivo legal e estabelecer os procedimentos a serem observados para a correta determinação do montante tributável nestes casos; que caso reste caracterizado que houve postergação no pagamento dos tributos, somente pode ser exigido da impugnante a diferença, acrescida de juros moratórios; que, contudo, para tanto se faz necessária a lavratura de um novo auto de infração, pois o presente está eivado de vício de mérito insanável; que é importante mencionar que, relativamente ao valor de R$ 10.268,59, correspondente aos juros sobre capital próprio recebidos da Cia. Cemig MG, em dezembro de 1999, o senhor agente fiscal imputou o tratamento da postergação, vez que foi o único valor recebido a título de juros sobre o capital próprio que, muito embora tenha sido contabilizado fora do seu período de competência, foi identificado pelo fiscal, mas está a exigir a multa de oficio sobre tal valor, o que não é lícito em razão da espontaneidade do recolhimento; que relativamente a este valor, a impugnante pagou, conforme se verifica pela PER/DCOMP anexa, somente o valor correspondente aos juros de mora exigidos isoladamente. Tributação pelo valor líquido: Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 50 7 que o fato de a impugnante ter registrado as receitas pelo valor líquido não gerou prejuízo ao fisco porque todos os valores relativos ao IR/Fonte retidos sobre a parcela dos juros recebidos transformarseiam em crédito tributário; que para elucidar este argumento, transcreve um exemplo prático: verifiquese o valor de R$ 5.331,89, correspondente ao direito de recebimento dos juros sobre o capital próprio, em 05/04/1999; quando do recebimento, efetuou lançamento a crédito do valor líquido de R$ 4.532,11, descontado o valor do 1R/Fonte, de R$ 799,78; pela falta de contabilização de R$ 799,78, a título de receita, a grosso modo teria deixado de recolher IRPJ (à alíquota de 25%), CSLL (à alíquota de 8%), COFINS (à alíquota de 3%) e PIS (à alíquota de 0,65%), sendo a carga tributária incidente, de 36,65%; aplicandose 36,65% sobre os R$ 799,78, a impugnante teria deixado de recolher, hipoteticamente, a quantia de RS 293,12; por outro lado, deixou de registrar o seu crédito de R$ 799,78, detendo, ainda, um crédito de R$ 506,66 (R$ 799,78— R$ 293,12), passível de restituição; Suposta insuficiência de IR/Fonte — suposta dedução indevida: que ao final dos 2°, 3° e 4º trimestres de 1999 compensou créditos tributários de IR/Fonte que possuía com os débitos de IRPJ devidos, mas não conseguiu localizar informes de rendimentos correspondentes a R$ 20.909,83, do total de R$ 424.042,50, referente ao 2° trimestre, R$ 30.343,62, do total de R$ 1.430.995,56, referente ao 3° trimestre, e R$ 197.952,13, do total de R$ 2.130.749,00, referente ao 4° trimestre, razão por que resolveu extinguilos, por intermédio da compensação tributária, conforme comprova a declaração de compensação ("PER/DCO1V1P") anexa. Suposta falta de recolhimento do IRPJ: que apresentou esclarecimentos, planilhas e documentos contábeis e fiscais, informando que os valores de IRPJ questionados foram objeto de compensação com créditos de IR de meses e períodos anteriores, restando claro que tais planilhas não foram contestadas pela fiscalização; que a fiscalização está exigindo valores de IRPJ pelo fato de a contribuinte não ter preenchido corretamente as suas DCTF, embora, nos termos do art. 3° do CTN, não se possa exigir tributo por "sanção por ato ilícito", e muito menos pelo descumprimento de mera obrigação acessória; que se o fisco entendesse que a infração cometida pela impugnante foi a falta de declaração em DCTF, o único procedimento aceitável seria a exigência de multa isolada pelo não cumprimento de obrigação acessória, uma vez que a penalidade aplicável em face da apresentação de DCTF com incorreções ou com informações omitidas seria a aplicação de multa de R$ 20,00 para cada grupo de dez informações supostamente omitidas, bem como a intimação do contribuinte para apresentar nova DCTF, conforme disposto no art. 7° da Lei n° 10.426/2002. Multa e juros exigidos isoladamente: que a fiscalização não descreve o fundamento que motivou a exigência tanto da multa quanto dos juros cobrados isoladamente, e assim, estáse diante de típico cerceamento ao direito de defesa da impugnante; que caso esteja se tratando de uma hipótese de tributação da multa isolada cumulativamente à exigência da multa de oficio, é ilegal tal exigência em duplicidade, conforme ampla jurisprudência do Conselho de Contribuintes; Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 51 8 que demonstrado está a nulidade da exigência da multa e dos juros isolados, seja pela falta de motivação, seja pelo não cabimento da cobrança cumulativa da multa de oficio e da multa isolada. Tributação pelo PIS e pela COF1NS das receitas de juros sobre o capital próprio — Impossibilidade de exigência da multa de oficio: que impetrou Mandado de Segurança n° 2000.61.00.0348390 perante a 23ª Vara Cível Federal de São Paulo, no qual possui decisão assegurando o direito de recolher a contribuição ao PIS, nos termos da Lei Complementar n° 7/1970, ou seja, sem que seja tributada a receita financeira, mas tão somente o faturamento; que da mesma forma, impetrou Mandado de Segurança n° 2000.61.00.348418, perante a 17° Vara Cível Federal de São Paulo, no qual possui decisão que lhe assegura o direito de recolher a Cofins nos termos da Lei Complementar n° 70/1991, sem que seja tributada a receita financeira, mantendose a aplicabilidade da alíquota prevista na Lei n° 9.718/1998, ou seja, à alíquota de 3%; que, assim, no que tange às autuações para a exigência do PIS e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras de juros sobre o capital próprio, deve ser cancelado o lançamento da multa, em razão do fato de a impugnante possuir autorização judicial para não tributar esses valores. Inaplicabilidade da taxa Selic como juros de mora: que a taxa Selic, criada pela Resolução n° 1.124/1996, do Conselho Monetário Nacional e definida pela Resolução n° 2.868/1999 e pela Circular n° 2.900/1999, do Banco Central do Brasil, para medir a variação apontada nas operações do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, sendo uma taxa de juros remuneratórios, e portanto, não poderia ser utilizada como juros moratórios; que a referida taxa foi criada e definida por Resolução do Banco Central do Brasil, o que ofende o principio constitucional da legalidade, bem como o disposto no art. 161, § 1°, do CTN; que o art. 161, parágrafo 1 0, do C1N não veda a utilização de percentual diferente, desde que este seja fixado em lei, e portanto, não existindo previsão legal, devese aplicar aos juros de mora a taxa de 1% ao mês. Tributação reflexa — CSLL, PIS e COFINS que reportase a todas as alegações expostas, também para contestar os lançamentos relativos à CSLL, PIS e COF1NS. A autoridade julgadora de primeira instância decidiu a questão por meio do acórdão n° 5.956/2004 julgando parcialmente procedentes os lançamentos, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. O auto de infração é nulo somente se lavrado por pessoa incompetente. Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 52 9 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos de auditoria fiscal OMISSÃO DE RECEITAS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. Não comprovado nos autos que as receitas de juros sobre capital próprio foram oferecidas à tributação, fica mantida a exigência. MULTA QUALIFICADA. Não comprovado o evidente intuito de fraude, é incabível a aplicação da multa qualificada. DEDUÇÃO INDEVIDA DE IRRF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fica mantida a glosa de IRRF compensado na apuração do IRPJ, por não ter sido impugnada. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ. COMPENSAÇÃO. A alegada compensação dos valores de IRPJ apurados na DIPJ com IRPJ pago a maior em declarações de rendimentos anteriores mão foi comprovada. MULTA DE OFÍCIO E JUROS MORA TÓRIOS EXIGIDOS ISOLADAMENTE. Apurada a postergação de receitas, é cabível a exigência da multa de ofício e dos juros de mora. JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros moratários decorre de lei, que deve ser observada no lançamento efetuado pela autoridade fiscal. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS E COFINS. MANDADOS DE SEGURANÇA COM OBJETO DISTINTO DA MATÉRIA AUTUADA Ficam parcialmente mantidos os autos de infração, reduzindose a multa exigida, em consonância com o decidido relativamente ao auto de infração de IRPJ. A segurança concedida em mandados de segurança não implica suspensão da exigibilidade das contribuições, por ser a matéria tributada de oficio distinta da discutida na esfera judicial . CSLL Fica mantida em parte a exigência, reduzindose a multa aplicada, em conformidade com o decidido quanto ao auto de infração principal Lançamento Procedente em Parte. O referido acórdão concluiu por manter parcialmente os lançamentos excluindo a qualificação da multa de oficio, reduzindo seu percentual para 75%, pelas seguintes razões de decidir: 1. Em relação à preliminar de nulidade do procedimento de fiscalização: que afirma a recorrente que o procedimento de fiscalização teria se baseado em Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência, que não poderia ter resultado em sua autuação. Afirma que o MPF Fiscalização e o MPF — Complementar só foram emitidos nove e quatro dias antes da autuação, respectivamente. que a DRJ afastou tal preliminar assinalando que o MPF foi criado como forma de controle da atividade fiscal dando segurança tanto à SRF quanto ao contribuinte, mas que no caso não Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 53 10 teria ocorrido nulidade do feito tendo em vista que o agente autuante tinha competência derivada da legislação de regência da matéria, especialmente do artigo 142 do CTN e do artigo 10 do Decreto n° 3.611/2000; que afirmou ainda que as infrações apuradas foram minuciosamente rebatidas na impugnação, não tendo ocorrido cerceamento do direito de defesa da contribuinte. 2. Da omissão de receitas de juros sobre o capital próprio: que na Demonstração do Resultado (Ficha 07 A) da DIPJ do anocalendário de 1999 não foram informados quaisquer valores referentes a "Receitas de Juros sobre Capital Próprio" (linha 23), fls. 15 a 18, razão pela qual, em face dos informes de rendimentos financeiros emitidos por diversas pessoas jurídicas, consignando pagamentos relativos a tais juros; que da análise dos documentos apresentados, o autor da ação fiscal concluiu que houve omissão de receitas referentes aos juros sobre capital próprio no anocalendário de 1999; que na impugnação a contribuinte alega que contabilizou as receitas de juros sobre capital próprio pelo regime de caixa, e pelo valor líquido, já descontado o IRRF, além de registrálos, por vezes, sob a rubrica de dividendos a receber, juntando, basicamente, os mesmos documentos apresentados durante a ação fiscal; que analisando os lançamentos no Razão Analítico, à vista das alegações apresentadas pela impugnante, pelas seguintes razões: (i) não consta a fonte pagadora no histórico de vários lançamentos (ii) não foi identificada a receita como sendo de juros sobre capital próprio em outros e (iii) em alguns casos, embora tendo sido alegado que o valor em foco estaria englobado em um outro, não houve a respectiva comprovação; que não restou comprovado que os valores referentes aos juros sobre o capital próprio foram oferecidos à tributação; que conforme já mencionado, não houve informação de qualquer valor na linha 23, da ficha 07A, da DIPJ do anocalendário de 1999, embora, de acordo com a impugnante, as receitas que a fiscalização considerou auferidas em fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto e setembro, de 1999, tivessem sido escriturados neste ano, e parte das receitas auferidas em dezembro de 1999, no ano de 2000. Se, eventualmente, os juros sobre o capital próprio foram incluídos em outro item da DIPJ, caberia à impugnante demonstrálo. 3. por não ter sido comprovado o evidente intuito fraudulento a multa de oficio aplicada foi desagravada para o percentual de 75%. 4. No tocante à dedução indevida do IRRF, afirmou a impugnante que não teria conseguido localizar os informes de rendimentos relativos ao IRRF deduzido do IRPJ pelo que acatou a tributação quanto a este item, apresentando declaração de compensação com o fito de quitálo. 5. Da falta do recolhimento do IRPJ: que o contribuinte deveria ter indicado, nas DCTF apresentadas trimestralmente no anocalendário de 1999, as alegadas compensações do IRPJ, apurado no anocalendário de 1999, com os créditos do mesmo imposto referentes ao anocalendário de 1998; Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 54 11 que a autuação não teve por base a sanção por falta de declaração em DCTF, com descumprimento de obrigação acessória, como pretende a impugnante, mas sim de falta de comprovação das compensações que a impugnante alega ter efetuado; que o parágrafo 1° do artigo 7° da IN SRF n° 126/1998, que instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, prevê que os saldos a pagar, relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, são enviados para inscrição em Divida Ativa da União, imediatamente após a entrega desta Declaração. Tais valores são considerados confessados, portanto; que a impugnante não apresentou os registros contábeis das propaladas compensações, os quais, se devidamente efetuados, permitiriam a fiscalização, por parte da SRF, quanto à utilização do crédito. Os quadros demonstrativos apresentados durante a ação fiscal não são suficientes para comprovar a efetiva realização das compensações. 6. Da multa e dos juros de mora exigidos isoladamente em função da postergação de receitas dos juros sobre o capital próprio: que a recorrente concordou com a cobrança dos juros moratórios tendo discordado apenas da imposição da multa, por ter, segundo ela, procedido à denúncia espontânea da infração; que a autuação encontra sua base legal no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, por ter havido a perfeita subsunção do fato à norma jurídica. 7. não acolhe a discussão acerca da inaplicabilidade da taxa SELIC como juros de mora. 8. Em relação à tributação do PIS e da COFINS: que a recorrente se insurge contra a aplicação da multa de oficio por entender que a exigibilidade do crédito tributário estaria suspensa em face de mandados de segurança impetrados em que teria sido concedida a segurança para que não fosse tributada a receita financeira. que a autuação teve por base o entendimento de que as receitas de juros sobre capital próprio decorriam do exercício das atividades previstas como objeto da empresa no seu contrato social, estando sua tributação de acordo com a segurança concedida. Consta do contrato social da impugnante "a participação em outras sociedades, empresárias ou não, como sócio, acionista ou quotista"; que as receitas de juros sobre o capital próprio correspondem a juros, calculados sobre as contas do patrimônio líquido, recebidos de pessoa jurídica da qual a empresa seja sócia ou acionista, a título de remuneração do capital próprio; que no presente caso, tais receitas foram auferidas no exercício de atividade prevista em contrato social como objeto da sociedade, sendo, portanto, parte integrante da receita bruta, não se tratando de receitas auferidas em aplicações financeiras efetuadas paralelamente ao exercício das atividades precípuas da empresa, mas obtidas em conseqüência do exercício destas atividades; que, assim, a constituição dos créditos tributários referentes à contribuição para o PIS e à COFINS foi efetuada corretamente, com a exigência da multa de oficio, uma vez que a sua Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 55 12 exigibilidade não estava suspensa, por não estar amparada, a matéria, pelas ações judiciais interpostas; que a multa de oficio aplicada, fica reduzida de 150% para 75% dos valores das contribuições, em consonância com o decidido relativamente ao auto de infração de IRPJ. 9. com relação ao auto de infração reflexo, de CSLL, fica mantida em parte, em conformidade com o decidido quanto ao auto de infração de 1RPJ, exonerandose parte da multa exigida, reduzindo —se o seu percentual, de 150% para 75%. Cientificado da decisão de primeira instância em 19 de abril de 2005, irresignado pela manutenção parcial do lançamento, o sujeito passivo apresentou em 18 de maio de 2005 o recurso voluntário de fls. 473/511, em que reapresenta suas seguintes razões de defesa, inovando no que se segue: que o fato de não constar a identificação da fonte pagadora no histórico dos lançamentos contábeis não é justificativa suficiente para que não se acate a prova feita pela recorrente, mormente quando corroborados por outros documentos apresentados; que quanto às compensações não comprovadas: (a) bastaria a prova de sua existência para que a autoridade julgadora reconhecesse a inexistência da falta de recolhimento do IRPJ, em face do quê, indica os meios de prova que entende serem suficientes para tanto, inclusive com laudo contábil de auditoria independente; (b) que a fiscalização reconheceu expressamente a existência dos créditos indicados na compensação, nos autos do PAF n° 13807.007542/200240; (c) que o lançamento se deu pela falta de informação na DCTF de tais compensações, o que é penalidade contrária às normas vigentes no ordenamento jurídico pátrio; que em relação aos juros de mora e à multa de oficio exigida isoladamente na postergação de receitas: (a) que embora a decisão recorrida tenha reconhecido a liquidação dos juros de mora por compensação tal valor encontrase equivocadamente no Demonstrativo de Crédito Tributário; (b) que a multa de oficio não deve prevalecer tendo em vista ter ocorrido denúncia espontânea da infração; que em relação ao lançamento do PIS e da COFINS: (a) reafirma que os provimentos jurisdicionais de que é parte lhe assegura que na base de cálculo do PIS e da COFINS não sejam incluídas as receitas financeiras ou operacionais, ou qualquer outra receita que não seja decorrente da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços; (b) que os valores recebidos como JCP são equiparados, para fins de tributação, à aplicações de renda fixa, por força do artigo 730 do RIR/1999, pelo quê não estariam sujeitos ao PIS e à COFINS. Na Sessão de Julgamento de 05 de dezembro de 2007, através da Resolução nº 101 02637, resolvem os membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a autoridade tributária do domicílio fiscal da recorrente informe e providencie o seguinte: 1 – Em relação à imputação de omissão de receitas: (a). verifique se os lançamentos indicados pela recorrente e constantes do Livro Razão Analítico estão substanciados em documentação hábil e idônea guardam relação com os valores dos Juros sobre o Capital Próprio objeto do lançamento questionado; (b). se, em conseqüência do quesito n° 1, concluir que tais valores forem os mesmos tributados nestes autos, verificar se já compuseram a base de cálculo do IRPJ, da Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 56 13 CSLL, do PIS e da COFINS nos períodos em que foram escriturados. Caso positivo, demonstrar os efeitos da postergação de receitas e os valores que devam resultar no lançamento objeto deste PAF. 2. por fim, dê ciência à recorrente do resultado da diligência, para que, querendo, se manifeste acerca do mesmo. Em 16/06/2009, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras – DEIF/SP, através da Divisão de Fiscalização, emite o Relatório de Diligência Fiscal, de fls. 1111/1120, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que elaboramos com base nas informações prestadas pelo contribuinte, um quadro demonstrativo dos valores registrados contabilmente dos Juros Sobre o Capital Próprio objeto do lançamento ; que em resumo, este quadro demonstra quais valores foram oferecidos à tributação e quais não foram: (a). Valores oferecidos à tributação em 1999: R$ 68.680,30; (b). Valores oferecidos à tributação em 2000: R$ 2.050.134,15; (c). Valores não oferecidos à tributação: R$ 368.708,16; e (d). Valor total lançado: R$ 2.487.522,61; que tendo em vista que a competência, em última instância, para acatar e julgar se a documentação apresentada é hábil para comprovar o registro contábil é do CARF, fazse necessário demonstrar por item do Anexo I, o entendimento do trabalho desta diligência, cujos comprovantes estão compilados no Anexo III; que o contribuinte foi intimado a demonstrar que os valores registrados no razão compuseram a base de cálculo do PIS e da COFINS. Em resposta o contribuinte informa que as receitas compuseram a base de cálculo apresentando a receita bruta / faturamento, contudo não discrimina as contas do razão que compõem a referida receita. Assim, entendo não comprovado o oferecimento a tributação do PIS e da COFINS dos valores de JCP registrados no razão que foram considerados como explicados; que o contribuinte informa a existência de mandados de segurança impetrados com o objetivo de suspender a exigibilidade da COFINS e PIS nos moldes estipulados pelos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, no período base de agosto de 2000 e subseqüentes, bem como obtenção do direito de compensação dos valores recolhidos entre fevereiro de 1999 a julho 2000. Foram anexadas aos autos as cópias das peças dos processos judiciais nº 2000.61.00.0348390 (PIS) e nº 2000.61.00.0348418 (COFINS); que do trabalho de diligência resultou que dos valores de JCP considerados como omissão de receita no ano de 1999 parte foi oferecido à tributação, conforme demonstrado, em resumo, no quadro abaixo; que o valor de omissão de receita de R$ 10.268,59 é referente ao pagamento de JCP da Cemig, que no auto de infração já foi considerado e efeito da postergação, portanto, não foi objeto de cálculo neste trabalho de diligência; que os valores de IRPJ lançados no sistema Safira são correspondentes ao adicional de 10%, pois os valores retidos de fonte foram compensados com os valores devidos a 15%, conforme se observa no quadro abaixo; Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 57 14 que os anexos II e III, folhas 1108/1119 demonstram os ajustes no lucro líquido efetuados em virtude da inobservância do regime de competência no registro das receitas que resultou na postergação do pagamento de imposto e contribuição, que foram por sua vez devidamente considerados como imposto pago para fins de determinação no saldo de imposto devido; que o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28/08/1986 determina que na apuração do saldo do imposto devido pela postergação do pagamento de imposto em virtude da inobservância do regime de competência na escrituração de receita, o procedimento é de excluir a receita do lucro líquido correspondente ao período base indevido e adicionálo ao lucro líquido do período base competente; que, nesse sentido, no lançamento de ofício a adição foi realizada no período de competência, cabendo nesta diligência o ajuste do período base indevido, conforme demonstrado no anexo II. No 4º trimestre o lançamento de ofício resultou na constituição do IRPJ sobre a receita omitida, no valor de R$ 237.892,06, a postergação considerou o valor pago de adicional de R$ 151.045,03, conforme demonstrado no Anexo II. Resultou como saldo de imposto devido o valor de R$ 86.847,02; que os valores lançados de CSLL sobre a omissão de receita dos JCP foram de R$ 10.712,92; que no 4º trimestre de 1999, a base de cálculo da CSSL declarada é negativa. Com base no referido parecer anteriormente citado, o autuante realizou o ajuste do lucro líquido no valor de R$ 3.394.352,51 o que resultou na diminuição da base de cálculo negativa de R$ (9.470.397,88) para R$ (7.076.045,78). Entendese que no caso em questão não ocorreu a postergação, pois não houve apuração de CSLL devida no 4º trimestre de 1999, mas sim, a redução indevida da base de cálculo negativa da CSLL. E observase que no período de 2000 a 2007 não foi compensado a maior o valor reduzido de base de cálculo no 4º trimestre de 1999, com base nos Demonstrativos da Base de Cálculo Negativa da CSLL emitidos pelo Sistema SAPLI (Anexo III); que com base no Parecer Normativo Cosit nº 2 foi efetuado o ajuste no lucro líquido do exercício de 2000, excluindose os JCP oferecidos à tributação no valor de R$ 2.050.134,15 o que implicou numa base de cálculo de CSLL reduzida de R$ 9.505.722,91 para R$ 7.455.588,76 Como o contribuinte na declaração compensou R$ 2.671.330,36 de base de cálculo negativa de anos anteriores, e como a base de cálculo do ano de 2000 foi alterada pelo ajuste da inobservância do regime de competência para o registro da receita, o limite de 30% para compensação restou ultrapassado, conforme demonstrado no anexo III. Por conseqüência observase um crédito de R$ 145.393,24 cujo aproveitamento dependerá do julgamento dos lançamentos que alteram a declaração, assim como da legislação vigente. Em 08/07/2009, a recorrente apresenta a sua manifestação quanto ao Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1127/1133, instruído pelo documentos de fls. 1134/1151). É o Relatório. Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 58 15 Voto Vencido Conselheiro José Ricardo da Silva O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Restam a serem analisadas neste recurso voluntário as seguintes matérias de recurso: 1 Omissão de receita pela falta de contabilização das receitas de juros sobre o capital próprio recebidos, o que teria diminuído o lucro tributável do período; 2 Insuficiência de recolhimento e /ou declaração do imposto de renda devido, que teriam sido compensados em meses posteriores das quais não houve comprovação; 3 Inobservância do regime de apuração do IRPJ em relação aos valores das receitas de juros sobre o capital próprio, o que teria gerado postergação do IRPJ dos valores devidos em 12/1999 para 11/2000. É de se observar, que em relação à dedução indevida do IRRF na DIPJ foi acatado pelo sujeito passivo não restando em relação à ela estabelecida a lide. Da mesma forma, se faz necessário observar, que a autoridade julgadora de primeira instância exonerou o agravamento da multa de oficio, restabelecendo seu percentual em 75%. 1 DAS PRELIMINARES SUSCITADAS Quanto às preliminares de nulidade do lançamento argüida pelo suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais. Tais como: transformação do MPF Diligência em MPF – Fiscal; emissão de MPF – Complementar; emissão de MPF – Fiscalização nove dias antes da lavratura dos autos de infrações; ciência dos MPF no mesmo dia da lavratura dos autos de infrações, etc. Com a devida vênia dos que assim não entendem, estou com a decisão recorrida, já que o procedimento fiscal realizado pela agente do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 59 16 contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo. Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração e a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ademais, a jurisprudência é mansa e pacífica no sentido de que quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Da mesma forma, não procede à nulidade do lançamento argüida sob os argumentos de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Inicialmente, verificase que para a contribuinte foi concedido o prazo legal de 30(trinta) dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação, sendolhe assegurado vistas ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias a sua defesa, caso quisesse, garantindose desta forma o contraditório e a ampla defesa. Quanto ao procedimento fiscal realizado pelo agente do fisco, verificase que foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. Verificase, ainda, que os Autos de Infrações e o Termo de Verificação identifica por nome e CNPJ da autuada, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo SP, cuja ciência foi pessoal e descreve as Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 60 17 irregularidades praticadas, bem como o seu enquadramento legal assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação de omissão de receitas caracterizada pelo recebimento de juros sobre capital próprio. O enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita compreensão do procedimento adotado, da base tributável apurada e do cálculo do imposto resultante, permitindo a interessada o pleno exercício do seu direito de defesa. Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através dos Autos de Infrações lavrados. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Da análise dos autos, constatase que a autuação é plenamente válida. Ademais, o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235, de 1972 manifestase da seguinte forma: Art. 59 São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como se verifica do dispositivo legal, não ocorreu, no caso do presente processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por funcionários com competência para tal. Ora, a autoridade lançadora cumpriu todos os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre o suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade dos Autos de Infrações lavrados. Haveria possibilidade de se admitir a nulidade por falta de conteúdo ou objeto, quando o lançamento que, embora tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, ou seja, não restou Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 61 18 provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o caso em questão, pois a discussão se prende a interpretação de normas legais de regência sobre o assunto. É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, quando a descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, temse o vício material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações imputadas. Além disso, o art. 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972, prevê que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do mesmo Decreto não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No que diz respeito ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, é de se dizer que, como visto no relatório a suplicante argúi a nulidade do auto de infração sob o argumento de que os Mandados de Procedimento Fiscal – MPF foram emitidos fora dos critérios estabelecidos na legislação de regência. Indiscutivelmente, o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, disciplinado pela Portaria SRF nº 1.265, de 1999, com as alterações incluídas pela Portaria SRF nº 1.614, de 2000 e Portaria SRF nº 3.007, de 2001, é um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativo aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Desta forma, o mandado consiste em uma ordem emanada de dirigentes das unidades da Receita Federal para que seus auditores, em nome desta, executem atividades fiscais, tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Ora, com a devida vênia, neste processo, não há que se falar em nulidade, porquanto, todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados quando da lavratura do auto de infração. É equivocada a conclusão da suplicante no sentido de que as informações sucintas e falhas na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, levaria à incompetência do agente fiscal para o ato. A competência do auditor fiscal para os procedimentos de fiscalização e lavratura dos autos de infração não advém da existência do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, mas de lei que determina as atribuições do agente, estabelecendo os limites de sua atuação. A elementar alegação da recorrente de que o procedimentos fiscal teve início com base no MPFD e do Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 56), onde estavam delimitados os tributos sobre os quais recairia a diligência fiscal (IRPJ, CSLL e IRRF) e o período a ser analisado (anoscalendário de 1999 a 2001), jamais provocaria a nulidade do auto de lançamento. Muito menos no caso em questão onde não assiste razão a recorrente já que com base naquela diligência fiscal a autoridade tributária entendeu haver matéria a ser tributada, em conseqüência do quê emitiu o MPFF (fls. 01). O curto lapso temporal existente entre a data de emissão do MPFF e a autuação, não é suficiente para decretar a nulidade do procedimento Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 62 19 fiscal, tendo em vista que o sujeito passivo já conhecia, anteriormente, os limites da ação fiscal, por meio do termo de início e dos outros termos que lhe foram entregues no decorrer do procedimento fiscal. Ademais, é posição majoritária nesta Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que a alguma irregularidade, por ventura, existente no Mandado de Procedimento Fiscal não provoca nulidade do lançamento, conforme se observa nas ementas dos Acórdãos abaixo citados: Acórdão n° 20177049 PAF. MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) advém de norma administrativa que tem por objetivo o gerenciamento da ação fiscal. Por tal, eventuais vícios em relação ao mesmo, desde que evidenciado que não houve qualquer afronta aos direitos do administrado, não ensejam a nulidade do lançamento .” Acórdão n° 108.07458 NULIDADE – INOCORRÊNCIA – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância de norma infralegal não pode gerar nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal. Acórdão n° 202.14949 NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE INEXISTENTE. Irregularidade formal em MPF não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória (art. 142, CTN), se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato. Acórdão n° 107.06797 MPF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSTULADOS. INOBSERVÂNCIA. CAUSA DE NULIDADE. ARGÜIÇÃO RECURSAL. IMPROCEDÊNCIA. O Mandado de procedimento Fiscal (MPF) fora concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Não atinge a competência impositiva dos seus Auditores Fiscais que, decorrente de ato político por outorga da sociedade democraticamente organizada e em benefício desta, há de subsistir em qualquer atos de natureza restrita e especificamente voltados para as atividades de controle e planejamento das ações fiscais. A não observância – na instauração ou amplitude do MPF – poderá ser objeto de Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 63 20 repreensão disciplinar, mas não terá fôlego jurídico para retirar a competência das autoridades fiscais na concreção plena de suas atividades legalmente próprias. A incompetência só ficará caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. Acórdão n° 107.06820 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF – A atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discricionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverencia o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo disciplinar e não tem o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN. Verificase, pelo exame do processo, que não ocorreram os pressupostos previstos no Processo Administrativo Fiscal, tendo sido concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, na fase de instrução do processo, em resposta às intimações que recebeu, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela fiscalização. Dessa maneira, se revela totalmente improfícua sua alegação de nulidade, porque a apuração da infração foi feita com estrita observância das normas legais e com obediência a Portaria SRF nº 1.265, de 1999 (e portarias posteriores). Mesmo verdadeira fosse a assertiva do recorrente, é de se dizer que eventuais falhas na emissão ou na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não têm o condão de macular ação fiscal e tampouco o lançamento dela decorrente. 2 – DA OMISSÃO DE RECEITAS DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO No que diz respeito da omissão de receitas de juros sobre o capital próprio, e de se dizer, que em razão da recorrente ter apresentado na sua defesa na fase recursal a identificação cada um dos lançamentos contábeis no Livro Razão Analítico, do qual junta cópias, relacionando aos lançamentos constantes no extrato de contacorrente junto à Bolsa de Valores do Estado de São Paulo de sua corretora de valores mobiliários, na Sessão de Julgamento de 05 de dezembro de 2007, através da Resolução nº 10102637, resolveram os membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a autoridade tributária do domicílio fiscal da recorrente informe e providencie o seguinte: 1 – Em relação à imputação de omissão de receitas: Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 64 21 a. verifique se os lançamentos indicados pela recorrente e constantes do Livro Razão Analítico estão substanciados em documentação hábil e idônea guardam relação com os valores dos Juros sobre o Capital Próprio objeto do lançamento questionado. b. se, em conseqüência do quesito n° 1, concluir que tais valores forem os mesmos tributados nestes autos, verificar se já compuseram a base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS nos períodos em que foram escriturados. Caso positivo, demonstrar os efeitos da postergação de receitas e os valores que devam resultar no lançamento objeto deste PAF. 2. por fim, dê ciência à recorrente do resultado da diligência, para que, querendo, se manifeste acerca do mesmo. Diante da clareza do Relatório de Diligência Fiscal apresentado, peço vênia, para adotálo e faço dele as minhas razões de decidir e para que não surjam dúvidas a respeito transcrevo os excertos abaixo: 3. E elaboramos com base nas informações prestadas pelo contribuinte, um quadro demonstrativo dos valores registrados contabilmente dos Juros Sobre o Capital Próprio objeto do lançamento referenciado acima (Anexo I, folhas 1207). 4. Em resumo, este quadro demonstra quais valores foram oferecidos à tributação e quais não foram: Valores oferecidos à tributação em 1999: R$ 68.680,30; Valores oferecidos à tributação em 2000: R$ 2.050.134,15; Valores não oferecidos à tributação: R$ 368.708,16; e Valor total lançado: R$ 2.487.522,61. 5.Tendo em vista que a competência, em última instância, para acatar e julgar se a documentação apresentada é hábil para comprovar o registro contábil é do CARF, fazse necessário demonstrar por item do Anexo I, o entendimento do trabalho desta diligência, cujos comprovantes estão compilados no Anexo III: (...). 7. O contribuinte foi intimado a demonstrar que os valores registrados no razão compuseram a base de cálculo do PIS e da COFINS. Em resposta o contribuinte informa que as receitas compuseram a base de cálculo apresentando a receita bruta / faturamento, contudo não discrimina as contas do razão que compõem a referida receita. Assim, entendo não comprovado o oferecimento a tributação do PIS e da COFINS dos valores de JCP registrados no razão que foram considerados como explicados. 8. O contribuinte informa a existência de mandados de segurança impetrados com o objetivo de suspender a Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 65 22 exigibilidade da COFINS e PIS nos moldes estipulados pelos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, no período base de agosto de 2000 e subseqüentes, bem como obtenção do direito de compensação dos valores recolhidos entre fevereiro de 1999 a julho 2000. Foram anexadas aos autos as cópias das peças dos processos judiciais nº 2000.61.00.0348390 (PIS) e nº 2000.61.00.0348418 (COFINS). 9. Do trabalho de diligência resultou que dos valores de JCP considerados como omissão de receita no ano de 1999 parte foi oferecido à tributação, conforme demonstrado, em resumo, no quadro abaixo: (...). 10. O valor de omissão de receita de R$ 10.268,59 é referente ao pagamento de JCP da Cemig, que no auto de infração já foi considerado e efeito da postergação, portanto, não foi objeto de cálculo neste trabalho de diligência; 11. Os valores de IRPJ lançados no sistema Safira são correspondentes ao adicional de 10%, pois os valores retidos de fonte foram compensados com os valores devidos a 15%, conforme se observa no quadro abaixo: (...). 12. Os anexos II e III, folhas 1108/1119 demonstram os ajustes no lucro líquido efetuados em virtude da inobservância do regime de competência no registro das receitas que resultou na postergação do pagamento de imposto e contribuição, que foram por sua vez devidamente considerados como imposto pago para fins de determinação no saldo de imposto devido; 13. O Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28/08/1986 determina que na apuração do saldo do imposto devido pela postergação do pagamento de imposto em virtude da inobservância do regime de competência na escrituração de receita, o procedimento é de excluir a receita do lucro líquido correspondente ao período base indevido e adicionálo ao lucro líquido do período base competente; 14. Nesse sentido, no lançamento de ofício a adição foi realizada no período de competência, cabendo nesta diligência o ajuste do período base indevido, conforme demonstrado no anexo II. No 4º trimestre o lançamento de ofício resultou na constituição do IRPJ sobre a receita omitida, no valor de R$ 237.892,06, a postergação considerou o valor pago de adicional de R$ 151.045,03, conforme demonstrado no Anexo II. Resultou como saldo de imposto devido o valor de R$ 86.847,02; 15. Os valores lançados de CSLL sobre a omissão de receita dos JCP foram de: (...). Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 66 23 16. No 4º trimestre de 1999, a base de cálculo da CSSL declarada é negativa. Com base no referido parecer anteriormente citado, o autuante realizou o ajuste do lucro líquido no valor de R$ 3.394.352,51 o que resultou na diminuição da base de cálculo negativa de R$ (9.470.397,88) para R$ (7.076.045,78). Entendese que no caso em questão não ocorreu a postergação, pois não houve apuração de CSLL devida no 4º trimestre de 1999, mas sim, a redução indevida da base de cálculo negativa da CSLL. E observase que no período de 2000 a 2007 não foi compensado a maior o valor reduzido de base de cálculo no 4º trimestre de 1999, com base nos Demonstrativos da Base de Cálculo Negativa da CSLL emitidos pelo Sistema SAPLI (Anexo III); 17. Com base no Parecer Normativo Cosit nº 2 foi efetuado o ajuste no lucro líquido do exercício de 2000, excluindose os JCP oferecidos à tributação no valor de R$ 2.050.134,15 o que implicou numa base de cálculo de CSLL reduzida de R$ 9.505.722,91 para R$ 7.455.588,76 Como o contribuinte na declaração compensou R$ 2.671.330,36 de base de cálculo negativa de anos anteriores, e como a base de cálculo do ano de 2000 foi alterada pelo ajuste da inobservância do regime de competência para o registro da receita, o limite de 30% para compensação restou ultrapassado, conforme demonstrado no anexo III. Por conseqüência observase um crédito de R$ 145.393,24 cujo aproveitamento dependerá do julgamento dos lançamentos que alteram a declaração, assim como da legislação vigente. Não restam dúvidas de que os juros sobre capital próprio recebidos têm por finalidade a renumeração do capital investido pela empresa e integram a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. Comprovado nos autos que parte das receitas de juros sobre capital próprio foram oferecidas à tributação é de se excluir estas parcelas da tributação. Por outro, ficam mantidas as parcelas não comprovadas. Assim sendo, observase que do total das receitas omitidas apuradas pela autoridade fiscal lançadora no valor de R$ 2.497.791,20, foram oferecidas a tributação o valor de R$ 2.129.083,04 e não oferecidos a tributação o valor de R$ 368.708,16. Nesta linha de raciocínio é de se excluir da base de cálculo do IRPJ o valor de R$ 2.129.083,04, mantendo na base de cálculo tributável o valor de R$ 368.708,16. No que diz respeito aos valores contestados (fls. 1127/1133) em resposta ao Relatório de Diligência Fiscal é de se dizer que o relatório é claro e justifica cada valor tributável mantido, conforme é possível se constatar às fls. 1107 e 113/1117, razões estas adotadas pelo Relator da matéria. No que diz respeito ao ajuste do lucro líquido em virtude da inobservância do regime de competência é de se dizer que a apuração do imposto deve observar criteriosamente os procedimentos preconizados pelo Parecer Normativo COSIT n° 2, de 28 de agosto de 1996, editado com o fim específico de fixar o posicionamento da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação a respeito dos procedimentos que a Administração Tributária entende aplicáveis para a perfeita determinação do imposto devido nesses casos. Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 67 24 Com efeito, transcrevo o seguinte trecho deste ato normativo, relativo aos procedimentos a serem adotados na determinação da base de cálculo do tributo em cada períodobase, e, por conseqüência, do imposto devido: 5.3 Chamase a atenção para a letra da lei: o comando á para se ajustar o lucro líquido, que será o ponto de partida para a determinação do lucro real, não se trata, portanto, de simplesmente ajustar o lucro real, mas que este resulte ajustado quando considerados os efeitos das exclusões e adições procedidas no lucro líquido do exercício, na forma do subitem 5.2. Dessa forma, constatados quaisquer fatos que possam caracterizar postergação do pagamento do imposto ou da contribuição social, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) tratandose de receita, rendimento ou lucro postecipado: excluir o seu montante do lucro líquido do períodobase em que houver sido reconhecido e adicionálo ao lucro líquido do períodobase de competência; b) tratandose de custo ou despesa antecipada: adicionar o seu montante ao lucro líquido do períodobase em que houver ocorrido a dedução e excluílo do lucro líquido do períodobase de competência; c) apurar o lucro real correto, correspondente ao períodobase do início do prazo de postergação e a respectiva diferença de imposto, inclusive adicional, e de contribuição social sobre o lucro líquido; d) efetuar a correção monetária dos valores acrescidos ao lucro líquido correspondente ao períodobase de início do prazo de postergação, bem assim dos valores das diferenças do imposto e da contribuição social, consideram seus efeitos em cada balanço de encerramento de períodobase subseqüente, até o período base de término da postergação; e) deduzir, do lucro líquido de cada períodobase subseqüente, inclusive o de término da postergação, o valor correspondente à correção monetária dos valores mencionados na alínea anterior; f) apurar o lucro real e a base de cálculo da contribuição social, corretos, correspondentes a cada períodobase, inclusive o de término da postergação, considerando os efeitos de todos os ajustes procedidos, inclusive o da correção monetária, e a dedução da diferença da contribuição social sobre o lucro líquido; g) apurar as diferenças entre os valores pagos e devidos, correspondentes ao imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro líquido. 6. O § 5°, transcrito no item 5, determina que a inexatidão de que se trata, somente constitui fundamento para o lançamento de imposto, diferença de imposto, inclusive adicional, correção monetária e multa se dela resultar postergação do pagamento de Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 68 25 imposto para exercício posterior ao em que seria devido ou redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. 6.1 Considerase postergada a parcela de imposto ou de contribuição social relativa a determinado períodobase, quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior. 6.2 O fato de o contribuinte ter procedido espontaneamente, em períodobase posterior, ao pagamento dos valores do imposto ou da contribuição social postergados, deve ser considerado no momento do lançamento de ofício, o qual, em relação às parcelas do imposto e da contribuição social que houverem sido pagas, deve ser efetuado para exigir, exclusivamente, os acréscimos relativos a juros e multa, caso o contribuinte já não os tenha pago. 6.3 A redução indevida do lucro líquido de um períodobase, sem qualquer ajuste pelo pagamento espontâneo do imposto ou da contribuição social em períodobase posterior, nada tem a ver com postergação, cabendo a exigência do imposto e da contribuição social correspondentes, com os devidos acréscimos legais. Qualquer ajuste daí decorrente, que venha a ser efetuado posteriormente pelo contribuinte, não tem as características dos procedimentos espontâneos e, por conseguinte, não poderá ser pleiteado para produzir efeito no próprio lançamento. As normas legais são claras e incisivas ao determinar a recomposição do lucro líquido dos exercícios em que tiver ocorrido a postergação, a fim de se exigir do contribuinte apenas a diferença de imposto resultante da inobservância quanto ao períodobase de escrituração de receita, já que nesses casos ocorre, quando muito, simples postergação do pagamento do tributo para o exercício posterior. Daí a lei prever tão somente a cobrança de eventual diferença de imposto acrescido de juros, se houver esta diferença. Ora, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem a competência lançadora. Assim, eventuais diferenças de impostos, por ventura havidas, na postergação de receitas sobre juros de capital próprio no valor de R$ 2.129.083,04 (competência de 1999) não serão consideradas na presente decisão. 3 – DA FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ No que diz respeito a falta de recolhimento do IRPJ, é de se dizer, que a contribuinte intimada pela autoridade fiscal a esclarecer a falta de recolhimento de IRPJ devido, apurado na confrontação das informações contidas nos livros e documentos fiscais apresentados na fase fiscalizatória e as constantes da DIPJ, bem como do SIEF/IRF e DCTF, informou que os valores de IRPJ questionados foram objeto de compensação com créditos de imposto de renda de meses e períodos anteriores. A autoridade fiscal lançadora entendeu, ao examinar as DCTF, a inexistência de qualquer informação relativa ao IRPJ devido, pagamento e/ou compensação, razão pela qual entendeu que havia falta de recolhimento do IRPJ devido, como segue: março/1999, valor equivalente a R$ 1.032.989,66; junho/1999, valor equivalente a R$ 1.187.221,88 e dezembro/1999, valor equivalente a R$ 1.847.430,74. Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 69 26 A autoridade julgadora de primeira instância manteve o lançamento, nesta parte, sob o argumento básico de que a contribuinte não havia apresentado os registros contábeis das compensações em questão e que os quadros demonstrativos apresentados (fls. 82, 85, 86) não são suficientes para comprovar a efetiva realização das compensações. Agora na fase recursal a contribuinte apresenta os documentos de fls. 545/556, onde resta claro a demonstração das referidas compensações. Ora, incabível a manutenção do lançamento sobre a falta de recolhimento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, quando restar comprovado, na fase recursal, as alegadas compensações dos valores de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurados na declaração de rendimentos com Imposto de Renda Pessoa Jurídica pago a maior em declarações de rendimentos anteriores. Assim sendo, é de se excluir da tributação o item que versa sobre falta de recolhimento do IRPJ. 4 – DA MULTA E DOS JUROS EXIGIDOS ISOLADAMENTE Aqui se faz necessário abrir a discussão sobre a aplicação da multa isolada de 75% sobre o imposto recolhido fora do prazo sem o acréscimo da multa de mora. Resta claro nos autos de que a multa e os juros moratórios exigidos isoladamente referemse à postergação de receitas de juros de capital próprio, no valor de R$ 10.268,59, tendo sido demonstrados às fls. 272/273. Alega a decisão recorrida que com a postergação da receita houve o pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa moratório, sendo cabível a multa de ofício aplicada de forma isolada. Não há dúvidas, que em razão do entendimento de que a recorrente teria efetuado o recolhimento de imposto de renda na fonte fora do prazo estipulado pelas normas legais, a autoridade lançadora efetuou o lançamento cobrando, no seu entender, a penalidade prevista na legislação de regência, ou seja, lançou a multa isolada prevista no item II do § 1º, inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. De nossa parte, não duvidando da dificuldade que o assunto oferta, entendemos, que seja incontestável que erro material seja devidamente justificado, cujo ônus cabe a quem invoca o erro material. No mesmo sentido converge o caso de calamidade pública. Entretanto, com a edição da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, cujo artigo 14 dá nova redação ao artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a discussão dos efeitos do erro material ou da calamidade pública se torna irrelevante para a solução deste litígio, tendo em vista o inciso II, letra “a”, do artigo 106, do Código Tributário Nacional. Na regra geral a lei tributária que agrava a situação dos contribuintes não pode retroagir, mas, por outro lado, as alíneas “a” e “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional admitem a retroatividade, em favor do contribuinte, da lei mais benigna, nos casos não definitivamente julgados. Sobre o assunto manifestase a Lei n.º 9.430, de 1996 da seguinte forma: Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 70 27 Art. 43 – Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único – Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 44 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II – (omissis). § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I – juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II – isoladamente quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora. Sobre o assunto manifestase a Lei nº 11.488, de 2007 da seguinte forma: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 71 28 § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Da exegese dos mandamentos acima transcritos, verificase que tal dispositivo de lei deixou de definir como infração o fato do sujeito passivo recolher imposto de renda após o vencimento do prazo previsto na legislação de regência sem o acréscimo de multa de mora. Sobre o assunto manifestase o Código Tributário Nacional da seguinte forma: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação da penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II – tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; (...). c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Não há dúvidas de que, no caso concreto, a recorrente foi acusada de recolher o tributo com atraso, sem o acréscimo da multa de mora. Assim, é terminal a necessidade de se aplicar à retroatividade benigna para o caso em tela, já que no nosso sistema tributário tem o princípio da legalidade como elemento fundamental para que flore o fato gerador de uma obrigação tributária, ou seja, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Seria por demais mencionar, que a Lei Complementar não pode ser conflitada ou contraditada por legislação ordinária. E que, ante o princípio da reserva legal (CTN, art. 97), e o pressuposto da estrita legalidade, ínsito em qualquer processo de determinação e exigência de crédito tributário em favor da Fazenda Nacional, insustentável o procedimento administrativo que, ao arrepio do objetivo, finalidade e alcance de dispositivo legal, imponha ou venha impor exação. Assim, o fornecimento e manutenção da segurança jurídica pelo Estado de Direito no campo dos tributos assume posição fundamental, razão pela qual o princípio da Legalidade se configura como uma reserva absoluta de lei, de modo que para efeitos de criação ou majoração de tributo é indispensável que a lei tributária exista e encerre todos os elementos da obrigação tributária. À Administração Tributária está reservado pela lei o direito de questionar a matéria, mediante processo regular, mas sem sobra de dúvida deve se atrelar à lei existente. Com efeito, a convergência do fato imponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 72 29 demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias somente se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Diante do exposto se faz necessário a exclusão da aplicação da multa de oficio lançada de forma isolada. Quanto aos juros de mora cobrados de forma isolada, restou claro na decisão recorrida (fls. 579) de que no item em que a recorrente discorreu sobre esta infração a mesma concordou com a sua ocorrência, por outro lado, discordou com a aplicação da multa de ofício exigida de forma isolada. Disse textualmente (fls. 334): Desta forma, relativamente a este valor, no qual a fiscalização procedeu ao cálculo da postergação, a impugnante pagou, conforme se verifica pela PERD/COMP anexa, somente o valor correspondentes aos juros de mora exigidos isoladamente. Ou seja, a multa, em razão da denúncia espontânea, não será quitada, uma vez que indevida. Assim sendo, para fins de julgamento fica mantida os juros de mora cobrados de forma isolada na forma do lançamento. Observando, que o acerto de sua exclusão do montante a ser cobrado será tratado pela autoridade incumbida da execução do presente acórdão, já que os pagamentos efetuados após o lançamento deverão ser tratados como matéria de execução pela autoridade competente. 5 – DA TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS DAS RECEITAS DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO – IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DA MULTA DE OFÍCIO Alega a recorrente que conforme consignado nos autos de infração lavrados para a exigência tanto do PIS como da COFINS, impetrou Mandado de Segurança nº 2000.61.00.0348390 perante a 23ª Vara Cível Federal de São Paulo, no qual possui decisão que lhe assegura o direito de recolher a Contribuição ao PIS, nos termos da Lei Complementar nº 7/70, ou seja, sem que seja tributada a receita financeira, mas somente o faturamento (receita bruta da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza). Da mesma maneira, a recorrente impetrou outro Mandado de Segurança de nº 2000.61.00.348418, perante a 17ª Vara Cível Federal de São Paulo, no qual possui decisão que lhe assegura o direito de recolher a COFINS nos termos da Lei Complementar nº 70/91, ou seja, sem que seja tributada a receita financeira, mantendose a aplicabilidade da alíquota prevista na Lei nº 9.718/98, ou seja, a alíquota de 3%. É de se observar, ainda, que os referidos provimentos jurisdicionais, que asseguram tal sistemática de recolhimento do PIS e da COFINS pela recorrente, foram conferidos em período anterior à lavratura dos autos de infração. É certo de que os juros sobre capital próprio distribuídos têm por finalidade a renumeração do capital investido na empresa, não o resultado. Assim, a princípio, os juros sobre capital próprio distribuídos integram a base de cálculo do PIS/COFINS como receita financeira. Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 73 30 Ao apreciar o assunto a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (Resp no 921.269RS), negou provimento ao recurso, por unanimidade de votos, em decisão assim ementada (na parte que interessa o litígio): II — os juros sobre capital próprio não possuem natureza de lucro ou dividendo, mas de receita financeira. Em seu voto, Ministro Relator Francisco Falcão alicerçou sua decisão nos seguintes argumentos, os quais adoto como fundamento de minha proposição (os grifos são meus): Discutese, nos presentes autos, a incidência na base de calculo do PIS e da COFINS dos juros sobre capital próprio (JCP), com base no Decreto nº 5.164/2004, o qual reduziu a zero a alíquota das referidas contribuições, excluindo as receitas decorrentes dos JCP e de operações de hedge. Nesse sentido, confirase o texto do art. 1º da citada norma verbis: "Art. 1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das referidas contribuições. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica as receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge." Sendo assim, entende o Fisco justificada a tributação dos juros sobre capital próprio pelo PIS e pela COFINS, previstos, respectivamente, de acordo com as previsões contidas nas Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Por meio do art. 9", caput, da Lei n" 9.249/95, à pessoa jurídica é dado deduzir, da apuração do lucro real, os juros pagos aos sócios e aos acionistas a titulo de remuneração sobre capital próprio, prevendo em seu § 1º que o pagamento dos JCP fica condicionado a existência de lucro. Neste sentido, confiramse os referidos dispositivos legais, litteris: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a titulo de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio liquido e limitados variação pro rata dia da Taxa de Juros de Longo Prazo —TJLP. Os juros sobre o capital próprio, criado pela Lei n° 4.506/64, vem recebendo a denominação de receita financeira, de acordo com o que prevê a Instrução Normativa n°11/96, em seu artigo 29: "Juros Sobre Capital Próprio Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observando o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 74 31 creditados individualmente ao titular, sócios ou acionistas, a titulo de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio liquido e limitados à variação, pro rata die, da Taxa de Juros de Longo Prazo — TJLP. § 4° Os juros a que se refere este artigo, inclusive quando exercida a opção de que trata o § 1° ou quando imputados aos dividendos, auferidos por beneficiário pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no: a) — lucro real, serão registrados em conta de receita financeira e integrarão lucro real e a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro; (...). Com isso, para fins de apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), se o contribuinte for tributado pelo regime do lucro real, os juros sobre capital próprio devem ser registrados contabilmente como receita financeira. Segundo a recorrente, os juros sobre capital próprio teriam natureza de lucro/dividendo, o que permitiria a isenção do pagamento do PIS e da COFINS, de acordo com as previs5es dos arts. 1°, § 3°, inciso V. alínea "b", da Lei n° 10.637/2002 e 1°, § 3°, inciso V, alínea "b", da Lei n° 10.833/2003, que assim prevêem, respectivamente, litteris: Art. 1º A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (....). V referentes a: (....). b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio liquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita." "Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (...). Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 75 32 § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: V referentes a: (...). b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio liquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita." No entanto, conforme exposto alhures os juros sobre capital próprio se caracterizam como receita financeira, não possuindo natureza de lucro ou de dividendo. Os dividendos têm previsão na Lei n° 6.404/76, em que se determina a obrigatoriedade de sua distribuição mínima, por meio da remuneração em dinheiro dos sócios/acionistas em razão da aplicação de seu capital, estabelecendose condições para as sociedades abertas para a constituição e destinação daqueles recursos. Ainda, os dividendos estão condicionados ao desempenho da empresa no respectivo exercício social. Contudo, os juros sobre capital próprio, de acordo com a Lei n° 9.249/95, apresentamse como uma faculdade a pessoa jurídica, que pode fazer valer de seu creditamento sem que ocorra o efetivo pagamento de maneira imediata, aproveitandose da capitalização durante esse tempo. Além do mais, ao contrário dos dividendos, os JCP dizem respeito ao patrimônio liquido da empresa, o que permite que sejam creditados de acordo com os lucros e reservas acumulados. Mesmo no caso da imputação dos juros sobre capital próprio aos dividendos obrigatórios, conforme previsão do § 7°, do art. 9°, da Lei n° 9.249/95 e 202 da Lei n° 6.404116, haverá incidência do imposto de renda na fonte, sendo caracterizados os JCP como despesas financeiras. O MinistroRelator ainda concluiu que: […] as normas instituidoras de isenção (art. 111 do CTN), por preverem exceções ao exercício de competência tributária, estão sujeitas à regra de hermenêutica que determina a interpretação restritiva, dada à sua natureza. Sendo assim, não prevista, expressamente, a hipótese de exclusão dos juros de capital próprio da base de cálculo do PIS e da COFINS, pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, incabível por analogia. Por fim, conforme ressaltado pelo acórdão hostilizado, a Deliberação n° 297/96 da CVM não possui implicância na interpretação das disposições de cunho tributário, ante à Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 76 33 irrelevância da escrituração contábil dos juros com relação à legislação fiscal. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente recurso especial. A ementa do Recurso Especial nº 021.269 – RS (2007/00196184, de 22 de maio de 2007, foi a seguinte: MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DISTRIBUÍDOS AOS SÓCIOS/ACIONISTAS. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. NATUREZA DE DIVIDENDOS. IMPOSSIBILIDADE. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. ART. 111 DO CTN. OMISSÃO QUANTO A DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. I Incabível a análise de omissão quanto à análise de dispositivo constitucional, em razão da falta de interesse da parte, eis que suficiente a oposição de embargos declaratórios para ensejar o prequestionamento na via do recurso extraordinário. Precedente: AgRg no Ag nº 799.362/RS, Rel. Min. FELIX FISCHER, DJ de 05/03/07. II Discutese, nos presentes autos, a incidência na base de cálculo do PIS e da COFINS dos juros sobre capital próprio (JCP), com base no Decreto nº 5.164/2004, o qual reduziu a zero a alíquota das referidas contribuições, excluindo as receitas decorrentes dos JCP e de operações de hedge. III Os juros sobre capital próprio não possuem natureza de lucro ou dividendo, mas de receita financeira. IV De acordo com a Lei nº 9.249/95, apresentamse os juros sobre capital próprio como uma faculdade à pessoa jurídica, que pode fazer valer de seu creditamento sem que ocorra o efetivo pagamento de maneira imediata, aproveitandose da capitalização durante esse tempo. Além do mais, ao contrário dos dividendos, os JCP dizem respeito ao patrimônio líqüido da empresa, o que permite que sejam creditados de acordo com os lucros e reservas acumulados. V As normas instituidoras de isenção (art. 111 do CTN), por preverem exceções ao exercício de competência tributária, estão sujeitas à regra de hermenêutica que determina a interpretação restritiva, dada à sua natureza. Não prevista, expressamente, a hipótese de exclusão dos juros de capital próprio da base de cálculo do PIS e da COFINS, pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, incabível fazêlo por analogia. VI Recurso especial improvido. Assim sendo, resta claro de que os juros sobre o capital próprio recebidos pela empresa tem caráter de receitas financeiras passível de ser incluída na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 77 34 Por outro lado, resta claro, da análise dos autos, que a presente matéria está ao amparo de decisão judicial. De acordo com o texto Constitucional vigente (art. 5º, inciso XXV), todas as questões podem ser levadas ao Judiciário, donde, facilmente, se deduz que somente o Poder Judiciário detém, no sistema jurídico pátrio, o poder jurisdicional, ou seja, somente ao Poder Judiciário é outorgado o poder de examinar as questões a ele submetido de forma definitiva com efeito de coisa julgada. No entanto, a busca da tutela jurisdicional não impede, entretanto, que a autoridade administrativa promova a constituição do crédito tributário, objetivando salvaguardar o interesse da Fazenda Pública, tendo em vista o prazo decadencial, mesmo porque tal procedimento é vinculado e obrigatório conforme dispõem o art. 142 do Código Tributário Nacional. Com efeito, como é tradição no Brasil, optouse por um regime constitucional de separação dos poderes, cabendo ao Poder Judiciário dirimir os conflitos de interesses de particulares e entre particulares e o Poder Público. Idêntica prerrogativa conferida ao Poder Executivo será sempre subsidiária e subordinada à do Judiciário, pois não se pode cogitar de que o provimento administrativo se sobreponha ao provimento judicial. Para resguardar este princípio constitucional, reiterado pelo art. 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830, de 1980 e no art. 16, § 2°, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, a Secretaria da Receita Federal baixou, em boa hora, o Ato Declaratório n° 03, de 14/02/1996, determinando que a matéria levada a conhecimento do Judiciário não seja renovada na instância administrativa, bem assim detalhando os procedimentos aplicáveis em tal hipótese. Com a aplicação da norma complementar, o princípio do contraditório não resultou ferido, porque este já está assegurado na instância judicial, a cujas decisões haverá obrigatoriamente o fisco de se submeter. Tampouco o direito de petição foi obstruído, mas tal direito não está em absoluto subordinado à obrigatoriedade da Administração em examinar o mérito da matéria posta nas petições. Assim, a medida judicial não exclui a ocorrência do fato gerador e nem a constituição do crédito tributário, mas, sim a exigibilidade do crédito tributário constituído. É lógica tal conclusão que a despeito da decisão judicial, pode ser estabelecida à exigência por tributo não recolhido à data de seu vencimento mediante procedimento de ofício, instaurando procedimento de cobrança pela fiscalização, suspenso em seu seguimento pela medida sustadora da exigibilidade. A medida judicial não tem o condão de inibir a ação fiscalizadora tendente a prevenir a fluência do prazo decadencial, mas, apenas tolher a efetivação da cobrança até decisão definitiva. É importante tecer alguns comentários sobre os julgamentos administrativos. Estes se revestem como um autocontrole da legalidade dos atos administrativos, que gozam de uma presunção relativa de legalidade e, em principio, se reputam válidos. Assim, esta presunção de legalidade admite prova em contrário e, a administrativa jurisdicional, exercendo o controle da legalidade de seus atos ao decidir se a pretensão do Fisco está ou não de acordo com a lei. No entanto, tal autocontrole não impede o controle do Poder Judiciário, quando este for impulsionado pelo sujeito passivo à apreciação do Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 78 35 ato administrativo. Mas o controle do judiciário se sobrepõe ao controle administrativo, ou autocontrole, porquanto não se pode excluir do Poder Judiciário ameaça ou lesão a direito individual, conforme previsto no artigo 5°, .100X, da Constituição Federal. Desta forma, sujeitandose os atos administrativos às discrições do Poder Judiciário, por principio, se o contribuinte ingressar na via judicial estará renunciando às instâncias administrativas, uma vez que qualquer decisão administrativa que for prolatada não terá eficácia frente à decisão judicial, que a ela se sobrepõe. Destarte, tornase ilógico continuar os procedimentos administrativos judicantes, quando judicialmente se discute idêntica matéria e com a mesma finalidade. Existindo controvérsia já estabelecida previamente no judiciário, sobre uma determinada hipótese jurídica não é lógico e nem possível admitirse uma discussão sobre a mesma questão através de ato administrativo de revisão, pois a solução desta jamais poderá sobreporse àquela. Ora, não sendo nulo o lançamento, mas apenas passível ou não de exclusão de valores indevidos nele constantes, resta examinar o fato do sujeito passivo estar discutindo a mesma matéria na esfera judicial. Assim, a discussão sobre a exigência da tributação pelo PIS e pela COFINS das receitas financeiras provenientes de juros sobre o capital próprio recebidos pela empresa, não pairam dúvidas, para este relator, que a matéria está submetida à apreciação do Poder Judiciário. É cristalino, para este relator, que o contribuinte discute judicialmente a mesma matéria tributária e a Jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, firmouse no sentido de que as questões postas ao conhecimento do Judiciário implica em impossibilidade de discutir o mesmo mérito na instância administrativa, seja antes ou após o lançamento, posto que a decisão daquele Poder detém, no sistema jurídico pátrio, o poder jurisdicional. Ou seja, somente ao Poder Judiciário é outorgado o poder de examinar as questões a ele submetido de forma definitiva, com efeito, de coisa julgada. Não há como divergir desta jurisprudência, já que compete ao Judiciário, em última análise, dizer qual seria o direito aplicável à espécie. Assim, proposta a ação perante o Poder Judiciário, não é lógico, muito menos correto, querer atribuir aos Tribunais Administrativos o poder de resolver a lide, já que a matéria “sub judice” foi atribuída à solução daquele poder, competente, para, repitase, em derradeira instância, dizer qual o direito efetivamente aplicável à espécie. Ademais, o então Presidente do Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Para o caso dos autos aplicase a Súmula 1º CC nº 1, agora Súmula CARF nº 1: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 79 36 mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.”. Por outro lado, sendo a autuação posterior à demanda judicial, nada obsta que se conheça o recurso quanto à legalidade do lançamento em si, que não o mérito litigado no Judiciário. Assim, se faz necessário saber se sobre créditos tributários com exigibilidade suspensa, constituídos com objetivo de prevenir a decadência, cabe lançamento de multa lançamento de ofício. Diante da vasta jurisprudência firmada em julgados anteriores, nas Câmaras integrantes do Primeiro Conselho de Contribuintes, não há como discordar do entendimento manifestado pela autuada quando impugnou a matéria em discussão. Como visto no relatório, o crédito tributário lançado, relativo a exigência pelo PIS e pela COFINS, relativo a receitas financeiras oriundas dos juros recebidos sobre o capital próprio, através do Auto de Infração original, estão com a exigibilidade suspensa por força de decisão judicial concedida nos autos dos processos nº 2000.61.00.0348390 perante a 23ª Vara Cível Federal de São Paulo, no qual possui decisão que lhe assegura o direito de recolher a Contribuição ao PIS, nos termos da Lei Complementar nº 7/70, ou seja, sem que seja tributada a receita financeira, mas somente o faturamento (receita bruta da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza) e do Mandado de Segurança de nº 2000.61.00.348418, perante a 17ª Vara Cível Federal de São Paulo, no qual possui decisão que lhe assegura o direito de recolher a COFINS nos termos da Lei Complementar nº 70/91, ou seja, sem que seja tributada a receita financeira, mantendose a aplicabilidade da alíquota prevista na Lei nº 9.718/98, ou seja, a alíquota de 3%. Sendo a autuação posterior à demanda judicial, entendo que nada obsta que se conheça da impugnação ou do recurso quanto à legalidade no lançamento em si, que não o mérito litigado no Judiciário. Desta forma, fazse necessário avaliarmos a legalidade da aplicação da multa de ofício, tendo em vista que, no caso, está, na forma prevista no art. 151, inciso IV do Código Tributário Nacional, suspenso o crédito tributário, aqui discutido. Inicialmente é de se esclarecer, que havendo o depósito do montante integral do crédito tributário discutido (tributo ou contribuição), efetuado nos prazos previstos na legislação tributária, este, além de suspender a exigibilidade do crédito, resguarda integralmente a impetrante, pois, conforme preceitua o art. 156, VI, do Código Tributário Nacional, a conversão do depósito em renda é uma das formas de extinção do crédito tributário. Neste sentido, não obtendo êxito em sua tese, a conversão em renda extingue o valor principal, portanto, não lhe deve ser imputada multa de ofício e juros de mora, ou melhor, não há que se falar em encargos legais. Entretanto, existem outras situações, quais sejam: concessão de medida liminar em mandado de segurança sem depósito do montante do crédito tributário discutido, concessão de medida liminar em mandado de segurança com depósito parcial do montante do crédito tributário discutido, concessão de segurança com apelação por parte da União, interposição de ação judicial em andamento, sem concessão de medida liminar ou sentença (débitos sem suspensão de exigibilidade). Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 80 37 Sobre o assunto dispõe a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o seguinte: Débitos com Exigibilidade Suspensa: Art. 63. Não caberá lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativos a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151, da Lei nº 5.171, de 25 de outubro de 1966. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Disso tudo, é de se concluir que é indevida a multa de lançamento de ofício quando o contribuinte esteja albergado por decisão judicial que suspenda a exigibilidade dos tributos. Como, também, é indevida quando a exigência está suspensa mediante depósito judicial efetuado antes da lavratura do auto de infração. 6 – DA INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC Alega a recorrente, que considerandose a natureza remuneratória da taxa SELIC, a inconstitucionalidade de sua aplicação, bem como a sua ilegalidade, não há que se admitir a sua utilização no presente caso, com a natureza de juros de mora. Ora, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n.º 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC). É meu entendimento, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 81 38 Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Para o caso dos autos (inconstitucionalidade e Taxa Selic) aplicamse as Súmulas: “O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1º CC nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº 4).”. 7 – QUANTO A TRIBUTAÇÃO DECORRENTE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO Como se infere do relato, a exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorre do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e, especificamente, em razão da irregularidade apurada pela autoridade fiscal lançadora mantida de forma parcial. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 82 39 Em observância ao princípio da decorrência, e sendo certo a relação de causa e efeito existente entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir no presente julgado, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, o autuado não conseguiu elidir a totalidade da irregularidade apurada (omissão de receitas sobre juros de capital próprio), devese manter, em parte, o exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas exigências que a formalizada no processo principal quer a dele originada (lançamento decorrente) repousam sobre o mesmo suporte fático. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do IRPJ o valor de R$ 2.129.083,04, bem como excluir da tributação o item falta de recolhimento de IRPJ e a multa isolada. No que diz respeito a tributação pelo PIS e da COFINS, conhecer do recurso na parte não questionada junto ao Poder Judiciário (multa de ofício) para darlhe provimento. Quanto à matéria concomitante, não conhecer do recurso. Observando, que quanto a tributação pelo PIS e pela COFINS, deve a autoridade executora do acórdão aguardar a decisão judicial final para tomar as providências cabíveis, ou seja, o presente processo administrativo, nesta parte, deverá ficar suspenso até a decisão final, transitada em julgado, no âmbito do judiciário. José Ricardo da Silva Relator Joselaine Boeira Zatorre – relatora ‘ad hoc’ designada para formalização do acórdão. Ressalto que não estou vinculada ao conteúdo dessa decisão. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 83 40 Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A maioria qualificada da Turma de Julgamento discordou do entendimento do I. Relator acerca da manutenção dos juros de mora isolados exigidos em razão da postergação de receita de juros de capital próprio no valor de R$ 10.268,59. A postergação de recolhimento do IRPJ está tratada no art. 6º, §§ 5º a 7º, do Decretolei nº 1.598/77, dos quais ressaltase a determinação de que o lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro períodobase a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4º. Neste contexto, a autoridade lançadora apurou o montante devido mediante aplicação do método de imputação ou amortização linear, de modo que, liquidado o valor de principal devido num período, restou apenas a cobrança isolada dos acréscimos legais devidos. Ocorre, porém, que o Código Tributário Nacional não ampara a amortização linear, na medida em que se limita a abordar a imputação de pagamentos nos seguintes termos: Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação, obedecidas as seguintes regras, na ordem em que enumeradas: I em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria, e em segundo lugar aos decorrentes de responsabilidade tributária; II primeiramente, às contribuições de melhoria, depois às taxas e por fim aos impostos; III na ordem crescente dos prazos de prescrição; IV na ordem decrescente dos montantes. Inexistindo neste, ou em outros dispositivos do CTN, regra expressa de precedência entre tributo, multa (de mora ou de ofício) e juros moratórios, a forma de alocação de pagamentos entre as parcelas componentes de um mesmo crédito tributário deve ser definida mediante utilização da analogia admitida no art. 108 do CTN, tendo em conta o que estabelecido em outro ponto daquele Código: Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição. Portanto, se a restituição obedece a critério proporcional, por analogia e simetria, a imputação do pagamento também deverá observálo. Significa dizer que o valor total pago deve ser distribuído proporcionalmente para quitação do principal, multa e juros de Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 84 41 mora devidos na data do recolhimento inicial, exigindose ou cobrandose o principal remanescente, que será acrescido de multa e juros de mora calculados até a data em que o recolhimento complementar venha a ser efetivado, como procedeu a Fiscalização. Como bem observa o I. Relator, a possibilidade de se exigir, isoladamente, penalidades em razão da inobservância do prazo de recolhimento de tributos, cumulada com a falta de recolhimento de multa de mora, deixou de existir com a revogação do art. 44, §1º, inciso II, da Lei nº 9.430/96, pela Lei nº 11.488/2007. Assim, o art. 43 da Lei nº 9.430/96 somente resta aplicável para fins de constituição de juros de mora isolados, nas hipóteses em que o sujeito passivo deixa de recolhêlos em razão de ordem judicial, e a constituição deste crédito tributário se faz necessária para prevenir a decadência. Registrese, ainda, que o Superior Tribunal de Justiça já firmou interpretação, no âmbito do REsp nº 921.911/RS, em favor da imputação procedida pela Receita Federal, nos casos de reconhecimento de direito creditório utilizado para compensação de débitos em atraso, sem acréscimos moratórios. A ementa do referido julgado, proferido pela Primeira Turma daquele Tribunal em 01/04/2008, deixa claro o entendimento ali firmado: TRIBUTÁRIO. INTERPRETAÇÃO DO ART. 163 DO CTN. PRETENSÃO DE, NA COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA, APLICAREMSE REGRAS DO CÓDIGO CIVIL SOBRE IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO. 1. A regra dos arts. 374 e 379 do CC de 2002 não se aplica às compensações tributárias. 2. Impossível, juridicamente, o acolhimento de pretensão no sentido de que, primeiramente, na compensação, sejam os juros devidos considerados em primeiro lugar como pagamento e, em seguida, o principal. 3. O art. 163 do CTN regula, exaustivamente, a imputação do pagamento nas relações jurídicotributárias. 4. A compensação tributária deve ser feita de acordo com as regras específicas estabelecidas para regular tal forma de extinção do débito. Nãoaplicabilidade do sistema adotado pelo Código Civil. 5. Nãoaplicação de analogia para decidir litígio tributário quando a questão enfrentada não é disciplinada pelo CTN. 6. Recurso especial conhecido e parcialmente provido. O Ministro José Delgado, citando doutrina e outras decisões judicias, afastou a aplicação subsidiária do Código Civil em matéria tributária em razão da revogação expressa do art. 374 daquele diploma legal, e complementou que proceder de forma distinta daquela adotada pela Receita Federal ensejaria quebrar de isonomia entre os critérios para a cobrança de débitos e créditos fiscais. Reforçou, ainda, que o caput do art. 163 do CTN, bem como a natureza indexadora da taxa SELIC, permitem concluir que o montante do crédito tributário é uno e indivisível, justificando a imputação proporcional, além do fato de a capitalização de juros ser vedada pelo art. 167 do CTN. Posteriormente, em acórdão proferido em 14/10/2008, sob relatoria do Ministro Castro Meira, a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça adotou o mesmo entendimento, acrescentando o reconhecimento da validade das Instruções Normativas que disciplinaram a imputação na forma aqui adotada. Reproduzse a ementa do referido acórdão, decorrente do AgRg no Resp nº 971.016/SC: Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 85 42 TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CÓDIGO CIVIL. IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO. AMORTIZAÇÃO DOS JUROS ANTES DO PRINCIPAL. ART. 354 DO CC/2002. INAPLICABILIDADE. OFENSA AO ART. 108 CTN. INOCORRÊNCIA. 1. "Se as normas que regulam a compensação tributária não prevêem a forma de imputação do pagamento, não se pode aplicar por analogia o art. 354 do CC/2002 (art. 993 do CC/1916) e não se pode concluir que houve lacuna legislativa, mas silêncio eloqüente do legislador que não quis aplicar à compensação de tributos indevidamente pagos as regras do Direito Privado. E a prova da assertiva é que o art. 374 do CC/2002, que determinava que a compensação das dívidas fiscais e parafiscais seria regida pelo disposto no Capítulo VII daquele diploma legal foi revogado pela Lei 10.677/2003, logo após a entrada em vigor do CC/2002" (REsp 987.943/SC, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 28.02.2008). 2. A imputação de pagamento não é causa de extinção do crédito tributário, representa apenas a forma de processamento da modalidade extintiva, que é o pagamento. Daí porque, silenciando o Código Tributário sobre esse ponto específico, nada impede que a Administração expeça atos normativos que regulem o processamento da causa extintiva. 3. O fato de, na seara tributária, a imputação vir regulamentada em atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal – IN's 21/97, 210/2002, 323/2003 e 600/2005 –não implica qualquer violação da ordem constitucional ou legal, uma vez que a reserva de lei complementar (art. 146 da CRFB/88) não abrange essa matéria e o art. 97 do CTN não exige a edição de lei formal para tratar do tema. 4. Nos termos do art. 108 do CTN, a analogia só é aplicada na ausência de disposição expressa na "legislação tributária". Por essa expressão, identificamse não apenas as leis, tratados e decretos, mas, também, os atos normativos expedidos pela autoridade administrativa (arts. 96 e 100 do CTN). Dessa forma, não há lacuna na legislação tributária sobre o tema imputação de pagamento, o qual, como dito, não é objeto de reserva legal. 5. Inexistência de ofensa aos arts. 354 do CC/2002 e 108 do CTN. 6. Agravo regimental não provido. Acórdão recente, proferido em 10/02/2011 em razão do REsp nº 1.115.604/RS, confirma a manutenção deste entendimento no âmbito do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DOS AT. 165, 458 E 535, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. PRECATÓRIO. MORATÓRIA DO ART. 78 DO ADCT. JUROS DE MORA EM CONTINUAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE NA HIPÓTESE. RESPEITO DO PRAZO CONSTITUCIONAL. PRECEDENTES. IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO. ART. 354 DO CC/02. INAPLICABILIDADE NA SEARA TRIBUTÁRIA. PRECEDENTES. 1. Cumpre afastar a alegada ofensa dos arts. 165, 458, II e 535 do CPC, eis que o acórdão recorrido se manifestou de forma clara e fundamentada sobre as questões que foram postas à deslinde, adotando, contudo, orientação contrária à pretensão dos ora recorrentes, não havendo que se falar em deficiência ou omissão na prestação jurisdicional conferida na origem. 2. A jurisprudência desta Corte é pacífica quanto à não incidência de juros moratórios em continuação quando do pagamento das parcelas do precatório na Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 86 43 forma do art. 78 do ADCT, desde que respeitado o prazo constitucional. Precedentes. 3. Não havendo direito ao cômputo de juros moratórios na hipótese, resta prejudicada a análise da alegada ofensa dos arts. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95 e 161, § 1º, do CTN. Contudo, em razão do princípio da non reformatio in pejus, deve ser mantido o acórdão recorrido na parte que determinou a incidência de juros legais de 6% ao ano, a partir da segunda parcela. 4. A imputação do pagamento na seara tributária tem regime diverso àquele do direito privado (artigo 354 do Código Civil), inexistindo regra segundo a qual o pagamento parcial imputarseá primeiro sobre os juros para, só depois de findos estes, amortizarse o capital. Precedentes. 5. Recurso especial não provido. Estas as razões, portanto, para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, também neste ponto, e cancelar a exigência de juros de mora isolados. A maioria da Turma Julgadora também discordou do I. Relator no que tange à incidência de Contribuição ao PIS e Cofins sobre as receitas de juros sobre o capital próprio. Prevaleceu o entendimento de que a ação judicial proposta pela contribuinte não atingiria tais receitas, tendo em conta que, de acordo com o objeto social da pessoa jurídica, ela não se caracterizaria como receita financeira, mas sim receita bruta. Os fundamentos da decisão recorrida são apropriados para justificar o entendimento majoritário desta Turma: 53. Os valores que serviram de base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins são os de receitas omitidas referentes a juros sobre capital próprio. 54. A impugnante insurgese contra a exigência da multa de ofício por entender que a exigibilidade dessas contribuições estaria suspensa em face de mandados de segurança impetrados, nos quais foilhe concedida a segurança para que não fosse tributada a receita financeira. 55. Nas certidões de objeto e pé anexadas às fls. 255 e 256, referentes aos mandados de segurança nºs 2000.61.00.0348418 e 2000.61.00.0348390, consta que: 55.1 O MS nº 2000.61.003.0348418 objetivou “a concessão de segurança para o fim de suspender a exigibilidade da Cofins nos moldes estipulados pelos arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, no períodobase de agosto/2000 e subseqüentes, subsistindo a obrigação nos termos da Lei Complementar nº 70/91, bem como para que possa proceder à compensação dos valores indevidamente recolhidos a esse título, no período de fevereiro/1999 a julho/2000, com parcelas vincendas dessa mesma exação, e mediante acréscimos da taxa de juros do SELIC a partir de 1996, conforme determinado pela Lei nº 9.250/95”. 55.2 O MS nº 2000.61.00.0348390 tem por objeto “Recolhimento da contribuição para o PIS, com a base de cálculo e alíquota previstas na Lei nº 9.715/98, afastandose, via incidental, por inconstitucionais, os dispositivos da Lei nº 9.718/98, bem como para resguardar o direito da impetrante de proceder à compensação dos valores indevidamente recolhidos no período de fevereiro de 1999 a julho de 2000, com parcelas vincendas da mesma exação, acrescidos da taxa de juros do SELIC a partir de 1996, conforme determinado pela Lei nº 9.250, de 29.12.95”. 56. A citada Lei nº 9.718/1998 determina: Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 87 44 “Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. 57. A legislação cuja aplicação a contribuinte solicita nos mandados de segurança assim dispôs, relativamente às bases de cálculo de PIS e Cofins: 57.1 Lei 9.715/1998: “Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: I – pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês; (..) Art. 3º Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia”. 57.2 Lei Complementar nº 70/1991: “Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza”. 58. A definição de Receita Bruta dada pela legislação do imposto sobre a renda é a seguinte: Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda, de 1999): “Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12)”. 59. No presente caso, o autor do procedimento fiscal entendeu que, sendo as receitas de juros sobre capital próprio decorrentes do exercício das atividades previstas como objeto da empresa no seu contrato social, a sua tributação estaria de acordo com a segurança concedida. 60. De fato, no contrato social está previsto (fls. 351 e 352): “OBJETO SOCIAL Artigo 2º A sociedade tem por objeto: (a) ... (b) ... Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 88 45 (c) ... (d) a participação em outras sociedades, empresárias ou não, como sócio, acionista ou quotista”(grifouse). 61. As receitas de juros sobre o capital próprio correspondem a juros, calculados sobre as contas do patrimônio líquido, recebidos de pessoa jurídica da qual a empresa seja sócia ou acionista, a título de remuneração do capital próprio (art. 9º da Lei nº 9.249/1995 e Manual de Informações da Pessoa Jurídica (MIPJ) 2000, de autoria de Adherbal Corrêa Bernardes, Wilson Chamie Pereira, Silvério das Neves e Amaury Maciel, Donnelley Cochrane Gráfica Editora do Brasil Ltda.). 62. No presente caso, tais receitas foram auferidas no exercício de atividade prevista em contrato social como objeto da sociedade, sendo, portanto, parte integrante da receita bruta, conforme Decisão da 7ª RF nº 148/1998, citada da NOTA 821, do artigo 279 do RIR/1999, nos seguintes termos: “A receita bruta significa aquela obtida pela empresa mediante atividade que constitua seu objeto social, seja por menção expressa de seus atos constitutivos, seja pela realidade fática da sociedade, quando esta se afasta dos objetivos mencionados em seus estatutos.” 63. Não se trata, no caso, de receitas auferidas em aplicações financeiras efetuadas paralelamente ao exercício das atividades precípuas da empresa, mas obtidas em conseqüência do exercício destas atividades. Assim, o presente voto, além de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar a exigência de juros de mora isolados, prestase a NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter integralmente as exigências de Contribuição ao PIS e Cofins que subsistiram após o julgamento de 1a instância. EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000696/200434 Acórdão n.º 1101000.838 S1C1T1 Fl. 89 46 Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Divirjo do I. Relator acerca da exclusão integral do crédito tributário decorrente da constatação de omissão de receitas de juros sobre o capital próprio. Em que pese a legislação, de fato, determine a recomposição do lucro líquido dos exercícios em que tiver ocorrido a postergação, a fim de se exigir do sujeito passivo apenas a diferença de imposto resultante da inobservância quanto ao períodobase de escrituração de receita, observase nos autos que, intimada, a contribuinte não esclareceu que tratamento havia dado às receitas questionadas. Se a fiscalizada houvesse prestado ao Fisco os esclarecimentos que tardiamente vieram aos autos, a autoridade lançadora teria dado à omissão constatada o tratamento de postergação, assim como fez em relação à omissão identificada em outro período de apuração, na qual foi demonstrado seu reconhecimento posterior. Assim, confirmados os fatos alegados em diligência, cabe apenas reduzir a exigência tributária pelos tributos posteriormente recolhidos, motivo pelo qual, relativamente às exigências de IRPJ e CSLL incidentes sobre a omissão de receitas de juros sobre o capital próprio, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário. EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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