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Numero do processo: 19647.007138/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente, a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 27/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Déroulède e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente, a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Déroulède e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de PIS e de Cofins do ano de 2003, tendo em vista que a Fiscalização constatou a falta de recolhimento das exações sobre a receita de revenda de mercadorias. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 07 13 8/ 20 09 -1 7 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.007138/200917 Resolução nº 3302000.408 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujos fundamentos da contestação foram resumidos pela decisão recorrida nos seguintes termos: 3.1 no que concerne à Cofins, não merece prosperar a autuação, tendo em vista que não foram consideradas deduções a que faz jus a Impugnante; 3.2 é sabido que o art. 2° e 3º da Lei n° 9.718/98, ao alterar a base de cálculo da Cofins violou o art. 110 do Código Tributário Nacional, por pretender modificar o conceito jurídico de faturamento, equiparando a receita bruta; 3.3 a referida lei ordinária impôs uma concepção plástica da base de cálculo da Cofins prejudicial aos contribuintes, comportando tamanho elastério a ponto de, praticamente, criar uma nova contribuição; 3.4 não poderia o art. 3° da Lei n° 9.718/98 alterar o conceito do faturamento, implicando numa equiparação da espécie (faturamento) com o gênero (receita). Nessa medida, a mencionada lei não apenas alterou a base de cálculo da Cofins, como criou uma camuflada e ilegal nova fonte de custeio para a seguridade social; 3.5 não se diga que a EC n° 20 teve o condão de validar a Lei n° 9.718/98, posto que é regra primária que a Constituição Federal (também suas emendas) não pode recepcionar Lei Infraconstitucional que, à época de sua promulgação, era inconstitucional. Mesmo após a EC 20, seria indispensável a edição de nova lei versando sobre a matéria o que inexiste com relação a Cofins; 3.6 impende também registrar que o ICMS incidente sobre as operações da Impugnante deve ser, totalmente e não apenas quando recolhido na condição de substituto tributário deduzido da base de cálculo da Cofins, para esse fim. O auditor não destacou da base de cálculo tais valores que não compõem o faturamento da Impugnante; 3.7 a própria Lei n° 9.718/98, embora de constitucionalidade duvidosa, reconhece o direito do contribuinte de ser deduzido da base de cálculo os valores correspondentes aos recolhimentos de ICMS antecipados, conforme § 2° do art. 3° da mencionada lei; 3.8 ocorre que para o fim de obter a base de cálculo da Cofins, a exclusão do ICMS substituição, valendo observar os dados disponibilizados pela própria Secretaria da Fazenda acerca dos recolhimentos efetuados pela Impugnante; 3.9 impõese a exclusão da base de cálculo da Cofins do montante recolhido pela Impugnante a titulo de ICMS substituição no período da autuação, conforme valores informados pela própria Secretaria da Fazenda (doc. 04) lembrando que os códigos de receita 0094 e 0426 dizem respeito exatamente ao ICMS substituto (art. 247 do R1CMSPE e Portaria SF 12/03 doc 05), totalizando, no período autuado, respectivamente o montante de R$ 653.228,00 (seiscentos e cinqüenta e três mil, duzentos e vinte e oito reais) e R$ 6.906,30 (seis mil, novecentos e seis reais e trinta centavos) a ser excluído da base de cálculo da Cofins conforme expressa disposição do § 2°, do art. 3° da Lei n° 9.718/98, bem assim, consectariamente, os juros e a multa aplicados sobre esta equivocada base de cálculo; 3.10 tanto no que concerne à exação do PIS como quanto à Cofins, diz respeito ao fato do auditor fiscal não haver suprimido da autuação o montante retido na fonte, no período autuado, concernente ao PIS e à Cofins. Estes valores estão representados na Fl. 472DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.007138/200917 Resolução nº 3302000.408 S3C3T2 Fl. 4 3 planilha anexa (doc. 08) em valores extraídos das aquisições operadas através das notas fiscais também inclusas (doc. 07); 3.11 não bastassem as inconstitucionalidades e ilegalidades noticiadas, uma outra inconstitucionalidade aflora, consistindo na adoção da taxa selic como critério de atualização monetária, fls. 181/188; 3.12 às fls. 188/191, trata da multa como confiscatória; 3.13 requer: 3.13.1 seja julgado improcedente o lançamento quanto a Cofins, por ofensa ao § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 e pelos demais fundamentos apontados nesta peça, ou, caso assim não entenda, que determine a exclusão da sua base de cálculo dos valores comprovadamente pagos pela Impugnante a título de ICMS substituição, conforme documentos em anexo, bem assim, consectariamente, a exclusão dos juros e multa incidentes sobre os valores excluídos da base de cálculo; 3.13.2 seja julgado improcedente a lançamento do PIS e da Cofias pela ausência de exclusão dos valores recolhidos a este título na fonte, ou, assim não entendendo, que seja determinada a exclusão de tais valores e seus consectários naturais (multa e juros) representados na planilha e documentos anexos; 3.13.3 caso concluase pela procedência da autuação, que seja determinada a exclusão dos valores agregados ao suposto crédito tributário a título de taxa selic, tendo em vista sua demonstrada inconstitucionalidade e ilegalidade, bem assim a redução da multa, adequandoa aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Recife PE julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 1127.340, de 20/08/2009, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 BASE DE CALCULO. A base de cálculo para o PIS/PASEP é o faturamento do mês, que corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, entendendose por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada, com as exclusões previstas em lei. COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. A exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, por falta de previsão legal, não é permitida, quando cobrado na condição de contribuinte. O ICMS integra a base de cálculo a ser tributada pela contribuição em tela. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negar lhe execução. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.007138/200917 Resolução nº 3302000.408 S3C3T2 Fl. 5 4 TRIBUTOS E MULTA. CONFISCO. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos, se refere aos tributos e não às multas e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato específico do Sr. Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os juros de mora incidem, sempre, seja nos pagamentos espontâneos após o prazo de vencimento da exação fiscal, seja nos lançamentos de oficio. A justificativa legal, para tanto, decorre do fato dos juros de mora não terem natureza de penalidade, mas sim natureza compensatória; são remuneração do capital da Fazenda Pública em posse do contribuinte moroso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 BASE DE CALCULO. A base de cálculo para a Cofins é o faturamento do mês, que corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, entendendose por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada, com as exclusões previstas em lei. PIS. EXCLUSÃO DO 1CMS. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL A exclusão do 1CMS da base de cálculo do PIS, por falta de previsão legal, não é permitida, quando cobrado na condição de contribuinte. O ICMS integra a base de cálculo a ser tributada pela contribuição em tela. COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. A exclusão do ICMS da base de cálculo da COF1NS, por falta de previsão legal, não é permitida, quando cobrado na condição de contribuinte. O ICMS integra a base de cálculo a ser tributada pela contribuição em tela. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negar lhe execução. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.007138/200917 Resolução nº 3302000.408 S3C3T2 Fl. 6 5 TRIBUTOS E MULTA. CONFISCO. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos, se refere aos tributos e não às multas e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato especifico do Sr. Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os juros de mora incidem, sempre, seja nos pagamentos espontâneos após o prazo de vencimento da exação fiscal, seja nos lançamentos de ofício. A justificativa legal, para tanto, decorre do fato dos juros de mora não terem natureza de penalidade, mas sim natureza compensatória; são remuneração do capital da Fazenda Pública em posse do contribuinte moroso. Ciente desta decisão em 14/12/2009 (conforme AR), a interessada ingressou, no dia 07/01/2010, com Recurso Voluntário, no qual renova os argumentos da impugnação e levanta a preliminar de que o Acórdão recorrido deixou de analisar a tesa de inconstitucionalidade de base de cálculo do PIS e da Cofins e de aplicar as disposições do disposto no inciso I, do parágrafo único, do art. 26A, do Decreto nº 70.235/72, posto que o Pleno do STF declarou inconstitucional o § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório. Relatório Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, trata o presente de autos de infração de PIS e de Cofins lavrados em razão da falta de recolhimento das exações. Na impugnação, a empresa Recorrente alegou: (i) a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98; (ii) a falta de exclusão do ICMS (substituição e normal) da base de cálculo das exações; (iii) a falta de dedução do valor pago na fonte a título de PIS e Cofins (monofásicos); (iv) a multa de ofício; e (v) os juros de mora pela selic. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.007138/200917 Resolução nº 3302000.408 S3C3T2 Fl. 7 6 Ainda na impugnação, a empresa fez um demonstrativo das compras com tributação monofásica de PIS e de Cofins, destacando o valor da compra e o valor do correspondente PIS e Cofins incidentes nessas operações, cuja dedução está pleiteando. Juntou, também, demonstrativo dos recolhimento do ICMS nos códigos 0094 e 0426 (Portaria SF nº 12/2003), que se destinam aos seguintes recolhimentos: 0094 – ICMS – Substituição pelas entradas sem deferimento. 0426 – ICMS – Substituição tributária – contribuinte de outro Estado. Com relação às operações de compra e venda de produtos farmacêuticos e de higiene pessoal sujeitas à incidência na forma do inciso I do art. 54 do Regulamento do PIS e da Cofins (Decreto nº 4.524/2002), não há previsão legal para a dedução do valor do PIS e da Cofins recolhidos pelos fornecedores da Recorrente. No entanto, a receita da venda desses produtos está sujeita à alíquota zero, conforme dispõe o inciso IV, do art. 58 do citado Regulamento do PIS e da Cofins. Portanto, as notas fiscais de compra dos referidos produtos, juntadas aos autos pela Recorrente, provam que ela adquiriu tais produtos para revenda e, conseqüentemente, a receita da revenda dos mesmos está sujeitas à alíquota zero do PIS e da Cofins, cabendo à Recorrente demonstrar e provar o valor da referida receita. Como a Recorrente não trouxe aos autos a prova da receita auferida com a venda dos produtos adquiridos, e que foram tributados na forma prevista no art. 58, I, do Regulamento do PIS e Cofins, aprovado pelo Decreto nº 4.524/2002, entendo necessário que os autos retornem à DRF para que a Recorrente seja intimada a demonstrar e provar o valor da receita sujeita à alíquota zero. Com relação à exclusão do ICMS substituição tributária, a que se refere o § 2º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, abaixo reproduzido, a Recorrente está pleiteando a dedução da base de cálculo das exações (receita de revenda de mercadorias) o valor do ICMS substituição pelas entradas de mercadorias (código 0094), ou seja, compras de mercadorias e não pela venda de mercadorias, quando o valor do ICMS substituição está incluído no preço de venda e, portanto, no valor da receita de revenda de mercadorias, base de cálculo das exações. Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. [...]§ 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto. (grifei). Por outro lado, para os recolhimentos de ICMS eventualmente feitos no código “0426 ICMS Substituição tributária contribuinte de outro Estado” não foi possível Fl. 476DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.007138/200917 Resolução nº 3302000.408 S3C3T2 Fl. 8 7 identificar se se refere à operações de venda (saída) ou operações de compra (entrada) de mercadorias. É necessário esclarecer essa dúvida antes do julgamento da lide. Por fim, em relação à alegação de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98, deve a Recorrente ser intimada a demonstrar quais as receitas, além da receita de revenda de mercadorias, foram incluídas na base de cálculo dos autos de infração objeto da contestação e que ela Recorrente está pleiteando a exclusão. Isto porque este Conselheiro Relator não identificou nenhuma outra receita, além da receita de revenda de mercadorias, incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins dos lançamentos contestados. Isto posto, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem da RFB para as seguintes providências: 1 intimar a Recorrente a demonstrar e comprovar, para cada período de apuração, o valor da receita de revenda de mercadoria tributada com alíquota zero (inciso IV, do art. 58 do Regulamento dos PIS e da Cofins); 2 apurar e informar se os recolhimentos de ICMS no código “0426 ICMS Substituição tributária contribuinte de outro Estado” referemse a operações de entrada ou operações de saída de mercadorias. Caso se refira a operações de saídas de mercadorias (vendas), intimar a Recorrente a provar a efetividade das operações e, também, que o valor do ICMS recolhido integra o preço da mercadoria vendida, em cada período de apuração. 3 intimar a Recorrente a identificar quais receitas, dentre aquelas acrescidas à base de cálculo do PIS e da Cofins pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 (declarado inconstitucional pelo Pleno do STF), foram incluídas pela Autoridade Lançadora na base de cálculo dos autos de infração contestados; 4 apurar a veracidade das informações prestadas pela Recorrente, em resposta aos itens acima, e manifestarse de forma conclusiva sobre eventual alteração da base de cálculo e do crédito tributário lançado de ofício. 5 dar ciência à recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindo lhe o prazo previsto no Parágrafo Único, do art. 35, do Decreto nº 7.574/11, para manifestação. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 477DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10620.000797/2007-86
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/12/2006
MULTA POR ENTREGA DE GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU COM OMISSÃO. LEI 13.097/2015. APLICAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso contrato, cominando a anistia ali prevista como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2803-004.228
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti, para aplicar ao caso concreto o disposto no artigo 49 da Lei n. 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória em questão, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
assinado digitalmente
Ricardo Magaldi Messetti Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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LEI 13.097/2015. APLICAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso contrato, cominando a anistia ali prevista como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti, para aplicar ao caso concreto o disposto no artigo 49 da Lei n. 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória em questão, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 62 0. 00 07 97 /2 00 7- 86 Fl. 3828DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 3 2 Oséas Coimbra Relator. assinado digitalmente Ricardo Magaldi Messetti – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 3829DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, por ter o Hospital Imaculada Conceição apresentado as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social — GFIP, do período de 01/2000 a 13/2006, com omissão de valores pagos aos empregados e contribuintes individuais. O r. acórdão – fls 3761 e ss, conclui pela procedência parcial da impugnação apresentada, retificando o auto de infração lavrado em razão da decadência parcial reconhecida e da retificação de fls 2674/2675. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Decadência do direito de lançar · Não pode também prosperar o desacolhimento, pelo acórdão, da natureza nãosalarial de abono assim expressamente qualificado, legitimamente concedido no âmbito de processo trabalhista de dissídio coletivo. · Desde a autuação tem sido demonstrado pelo recorrente que o auto de infração resultou do fato de o sr. auditor fiscal, à época do procedimento fiscal, não ter atentado para as informações que lhe eram passadas pessoalmente quanto às inconsistências do sistema informatizado, devendo ser levada em conta a documentação física que suportava as informações eletrônicas. · Traz alegações de inconsistências do que informado em GFIP e o que consta da autuação, conforme informação fiscal de fls 2656 e ss. · Requer seja reformada a decisão da Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte, MG, para: a) acolher a decadência na amplitude em que demonstrada neste recurso; b) acatar a natureza indenizatória do abono concedido em processo de dissídio coletivo, para excluílo da composição do salário de contribuição; e c) acatar os dados e informações constantes da documentação anexa, a exemplo dos destacados neste recurso, visando desconstituir o crédito tributário indevidamente lançado.. É o relatório. Fl. 3830DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DA DECADÊNCIA O auto de infração foi entregue ao contribuinte em 26/09/2007. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há de se observar as regras previstas no CTN. Tratandose de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN, que transcrevemos. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Por fim, tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo processual e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos _________________ Fl. 3831DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 6 5 Também os EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782), DJe 26/02/2010: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Consoante as regras retrocitadas, forçoso se faz reconhecer a decadência referente ao período anterior a 11/2001, inclusive. A DN considerou decadentes as competências anteriores à 12/2001, não havendo assim reparo a ser efetivado na via de recurso voluntário. DO ABONO Segundo o dissídio coletivo firmado, o abono em questão é rendimento destinado a todos os empregados da empresa, sem distinção. Após sólida construção jurisprudencial, a Procuradoria da Fazenda Nacional edita o Ato declaratório 16/2011, adequando a interpretação fazendária em consonância com o entendimento de nossos Tribunais em relação aos abonos, especialmente o Superior Tribunal de Justiça. O parecer PGFN/CRJ/Nº 2114/2011, que fundamentou o Ato 16/2011, trouxe balizas a serem observadas quando da interpretação dos variados abonos concedidos aos trabalhadores de diversos setores, para enquadrálos ou não como base de cálculo de contribuição previdenciária. Assim sendo, para que o abono concedido não seja considerado como salário de contribuição, conforme art. 28, §9º, “e”, 7 da lei 8212/91, deve seguir as seguintes premissas: Fl. 3832DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 7 6 Previsão em Acordo ou Convenção Coletiva Desvinculação do salário do empregado Pago em parcela única Sem exigência de contraprestação O acordo firmado se enquadra na regra isentiva, devendo assim ser afastada sua consideração como salário de contribuição. Acerca das possíveis inconsistências trazidas na informação fiscal de fls 2656 e ss, temos que o momento para a impugnação para o que ali consta encontrase precluso. A recorrente não apontou objetivamente nenhuma inconsistência na informação citada, quando de sua manifestação de fls 2680 a 2684, antes da decisão da DRJ e, na linha do que disposto nos arts 16 c/c art. 17 do decreto 70235/72, temos matéria incontroversa, não passível de revisão em sede recursal. Vejamos jurisprudência desse Colegiado. MATÉRIA PRECLUSA – Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. Recurso negado. Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Processo nº. : 13808.000955/200293 Recurso nº.: 156.154. Sessão de: 12 de setembro de 2007. NORMAS PROCESSUAIS MATÉRIA NÃO ABORDADA NA FASE IMPUGNATÓRIA PRECLUSÃO – À inteligência do art. 14 do Decreto 70.235, de 1972, considerase preclusa, na fase recursal, matéria não questionada na fase impugnatória e não tratada na decisão recorrida.(...) Acórdão n° 10248.152. Processo 11080.001460/200541. Sessão de 25 de janeiro de 2007 MATÉRIA PRECLUSA O julgamento administrativo iniciase com o exame do lançamento sobre o qual pode falar o julgador independentemente de argumentação por parte do sujeito passivo. Admitida a legalidade do ato, questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase lítígíosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição ímpugnatíva inicial, constituem matérias preclusas das quais não pode o Conselho tomar conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. O não enfrentamento da matéria na inicial implica em concordância tácita do contribuinte com o tributação do valor omitido, sendo "extra petíta" a decisão que afasta a exigência. Recurso de ofício provido. (Câmara Superior de Recursos Fiscais Primeira Turma/ ACÓRDÃO n.° CSRF/01 03.351 de 17/04/2001, publicado no D.O.U de 28/09/2001) Fl. 3833DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 8 7 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação, não competindo ao Conselho de Contribuintes apreciála (Decreto no 70.235/72, art. 17, com a redação dada pelo art. 67 da Lei no 9.532/97). Processo nº. : 10280.004214/200280 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva. Processo nº. 35464.002340/200604 MATÉRIA PRECLUSA – Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. Processo nº. : 15374.004371/200189 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA – PRECLUSÃO – Nos termos do art. 17 do Decreto 70235/72, a matéria não contestada pelo sujeito passivo está fora do litígio e o crédito tributário a ela relativo tornase consolidado. Processo nº. : 11516.001652/200591 RECURSO VOLUNTÁRIO – MATÉRIA NÃO IMPUGNADA – PRECLUSÃO – é preclusa a discussão em sede recursal de matéria para a qual não houve impugnação, tendo como efeito a constituição definitiva do crédito tributário no âmbito administrativo. Processo nº. : 10980.008007/200398 MATÉRIA INCONTROVERSA. Considerase incontroversa a matéria objeto de recurso, quando não impugnada em primeiro grau. Processo nº. : 10540.000616/200388 Nessa linha, citamos precedente do Supremo Tribunal: RMS N. 28.456DF RELATORA: MIN. CÁRMEN LÚCIA EMENTA: RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE Fl. 3834DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 9 8 SEGURANÇA CONTRA ACÓRDÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RENOVAÇÃO DO CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – CEBAS. APLICAÇÃO DE VINTE POR CENTO DA RECEITA BRUTA EM GRATUIDADE. EXIGÊNCIA DOS DECRETOS N. 752/1993 E 2.536/1998 E DA RESOLUÇÃO MPAS/CNAS N. 46/1994. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA NÃO PROVIDO. 1. Argumentos novos, suscitados apenas no recurso ordinário e que, portanto, não foram objeto do acórdão recorrido, não podem ser analisados, sob pena de ofensa ao princípio do duplo grau de jurisdição. 2. O Decreto n. 2.536/1998 e a Resolução MPAS/CNAS n. 46/1994 são regulamentos autorizados pelas Leis n. 8.742/1993 e 8.909/1994. (...) APLICAÇÃO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE O art. 106, inciso II,”c” do CTN determina a aplicação de legislação superveniente, caso esta seja mais benéfica ao contribuinte. As multas em GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, o que pode beneficiar o recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, senão vejamos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 3835DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 10 9 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Dessarte, o valor do Auto de Infração deve ser calculado segundo a nova norma legal art. 32A,I, da lei 8.212/91, somente, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. No cálculo da multa devem se observados os valores mínimos, por competência, elencados no parágrafo 3º do mesmo artigo 32A. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do presente recurso e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para que seja afastada a rubrica referente ao ABONO SALARIAL, seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 3836DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 11 10 Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Pedi vista do presente processo tão somente para averiguar a aplicabilidade da Lei nº 13.097/2015 ao caso concreto, e não por duvidar das razões de decidir do Nobre Conselheiro Relator, a quem rendo aqui as mais sinceras homenagens. Da Anistia Instituída pela Lei n. 13.097/2015 A Lei n. 13.097, publicada em 19 de janeiro de 2015, inovou o ordemanento jurídico, sendo que a multa prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/1991, pela falta de entrega da GFIP, deixou de produzir efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 27/05/2009 a 31/12/2013, no caso de entrega de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária – GFIP sem Movimento. Ficaram, ainda, anistiadas as multas pela entrega da GFIP fora do prazo ou apresentada com incorreções ou omissões, desde que a declaração (GFIP) tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega, in verbis: (...) Seção XIV Da Apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP Art. 48. O disposto no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, deixa de produzir efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 27 de maio de 2009 a 31 de dezembro de 2013, no caso de entrega de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Art. 50. O disposto nos arts. 48 e 49 não implica restituição ou compensação de quantias pagas. Todavia, antes de adentrar na anistia específica trazida pela Lei 12.093/2015, faço um apertado escorço sobre o instituto da anistia em matéria tributária. Ora, a anistia é classificada como o perdão legal da infração, o que obsta a constituição do crédito tributário referente às correspondentes penalidades. É causa de exclusão do crédito tributário, o que significa dizer que impede a constituição do crédito através do Fl. 3837DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 12 11 lançamento, consoante a norma do art. 175 do CTN, e, como todo benefício fiscal, somente pode ser concedida por Lei tributária específica. Insta salientar, outrossim, que a a anistia não se confunde com a remissão. Esta é causa de extinção do crédito tributário, ou seja, operase após o lançamento e consequente constituição do crédito. Além disso, consoante o art. 172 do CTN, a remissão exige justificativa para sua concessão (casos de admissibilidade), ao passo que a anistia pode ser absoluta e concedida incondicionalmente, desde que referente às penalidades ocorridas até a vigência da lei concessiva. Além disso, a anistia abrange apenas as infrações. A remissão, por sua vez, pode ser apenas referente às infrações ou ao crédito tributário como um todo. O catedrático da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Professor Paulo de Barros Carvalho, discorrendo sobre a conceituação da Anistia e da Remissão, em sua renomada obra Curso de Direito Tributário, ensina: "Anistia fiscal é o perdão de falta cometida pelo infrator de deveres tributários e também quer dizer o perdão da penalidade a ele imposta por ter infringido mandamento legal. Tem, como se vê, duas acepções: a de perdão pelo ilícito e a de perdão da multa. As duas proporções semânticas do vocabulário anistia oferecem matéria de relevo para o Direito Penal, razão porque os penalistas designam anistia o perdão do delito e o indulto o perdão da pena cominada para o crime. Voltandose para apagar o ilícito tributário ou a penalidade infligida ao autor da ilicitude, o instituto da anistia traz em si indiscutível caráter retroativo, pois alcança fatos que se compuseram antes do termo inicial da lei que a introduz no ordenamento. Apresenta grande similitude com a remissão, mas com ela não se confunde. Ao remir, o legislador tributário perdoa o débito tributário, abrindo mão do seu direito subjetivo de percebêlo; ao anistiar, todavia, a desculpa recai sobre o ato da infração ou sobre a penalidade que lhe foi aplicada. Ambas retroagem, operando em relação jurídica já constituídas, porém de índole diversa: a remissão, em vínculo obrigacional de natureza estritamente tributária; a anistia, igualmente em liames de obrigação, mas de cunho sancionatório." Diferente não é o entendimento do saudoso mestre Aliomar Baleeiro, no seu consagrado Direito Tributário Brasileiro: "A anistia não se confunde com a remissão. Esta pode dispensar o tributo, ao passo que a anistia fiscal é limitada à exclusão das infracões cometidas anteriormente à vigência da lei. que a decreta." Assim, utilizandose das lapidares lições do mestre Aliomar Baleeiro, temse que o CTN, para a anistia, tomou de empréstimo o milenar instituto político de clemência, esquecimento e concórdia, com este, porém, não se confundindo, apesar da mesma natureza perdão, esquecimento , de um lado, por restringilo, posto que a anistia fiscal exclui os atos qualificados como crime ou contravenção ou atos que, sem este qualificativo, envolvem dolo, fraude, simulação ou conluio, de outro, por ampliálo, posto que se estende, para além do legislador federal, aos legisladores estaduais e municipais. Quanto à remissão esclarece que o CTN se refere ao mesmo instituto de Direito Privado de que trata o Código Civil, arts. 1.053 a 1.055. que tem, como a anistia política, o mesmo cerne significativo na ideia de perdão (remitir ou perdoar a dívida). Fl. 3838DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 13 12 Embeberando os sempre maestrais ensinamentos de Tarcio Sampaio Ferraz Jr, em artigo reproduzido na Revista Dialética de Direito Tributário n. 92, a distinção entre os dois institutos, no âmbito tributário (sistematicidade orgânica da matéria), é importante porque produzem efeitos diferentes a remissão é modalidade de extinção do crédito (CTN. art. 156), a anistia exclui o crédito (CTN. art. 175). Mas reduzir a distinção entre ambos a perdão de infração e penalidades correspondentes (a anistia) e a perdão do crédito (a remissão) é, data venia, uma fórmula muito pobre, já pela origem diferente que manifestam. O exame da sistematicidade orgânica exige, para além da estrutura do contexto normativo, a consideração da gênese dos conceitos. O transporte para o Direito Tributário não apaga as origens e ignorálas pode conduzir a perigosas simplificações. Afinal o direito é um fenômeno da vida humana e não um texto sem contexto. Assim, a remissão, dentre as modalidades de extinção, é um dos casos em que o CTN se serve "de institutos e conceitos de Direito Privado, no mesmo sentido em que este os criou e estruturou (CTN, arts. 109 e 110)", lembrando, por sua vez. que a anistia fiscal, "como a anistia política", pode ser absoluta ou condicional, geral ou restrita. O fato de a anistia fiscal, como a anistia política, poder ser absoluta é já um primeiro dado a ser considerado. Ao contrário da remissão, que o CTN vincula à racionalidade de uma relação meio/fim casos de admissibilidade, conforme o art. 172 do CTN , a anistia, que pode ser absoluta, poderá ser então concedida incondicionalmente ("irrestritamente pela lei sem quaisquer condições", nas palavras de Aliomar Baleeiro, op. cit., p. 533), alheia ao cálculo limitador da racionalidade. Isto a aproxima de suas origens mais remotas, quando era concedida em alusão a eventos que não guardavam nenhuma relação com os efeitos do ato soberano. Por isso, no direito moderno, a anistia não é vista, basicamente, como um favorecimento individual, posto que seu destinatário imediato é a pessoa humana e a sociedade. Nesse sentido, não pede nenhuma justificação condicional ao ato da autoridade que a concede, ainda que, secundariamente, possa atingir certas finalidades (como por exemplo, a paz social ou um benefício econômico). Ou seja, ela não é concedida por que nem para que um conjunto de beneficiários por meio dela ela se beneficie, mas no interesse soberano da própria sociedade. Além disso, sendo oblívio, esquecimento, juridicamente ela "provoca a criação de uma ficção legal", ela não "apaga" propriamente a infração, mas "o direito de punir", razão pela qual aparece depois de ter surgido o fato violador, não se confundindo com uma novação legislativa. Entendese, assim, porque a anistia fiscal é capitulada como exclusão do crédito (gerado pela infração) e não como extinção (caso da remissão), pois se trata de créditos que aparecem depois do fato violador, abrangendo a fortiori apenas infrações cometidas anteriormente à vigência da lei que a concede. E, como na anistia política, da qual segue o cancelamento das penalidades ou a revisão das penas correspondentemente à infração anistiada, também a anistia fiscal será seguida de cancelamento de multas, eventualmente sob condição de pagamento do tributo, cujo crédito então não se extingue. Ou seja, o crédito gerado pela infração se exclui porque a infração se anistia. isto é, desaparece o direito de punir. Desaparecido esse, desaparecem as penalidades, embora, obviamente, a recíproca não seja verdadeira, isto é, as penalidades podem ser extintas (por exemplo, pelo pagamento) sem que desapareça infração e, em consequência, sem que o crédito tenha sido excluído. Fl. 3839DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 14 13 O CTN, no art. 180, fala, assim, em anistia de infrações e não de anistia de penalidade. Afinal, como esclarece o inúmeras vezes clamado Aliomar Baleeiro, "o Fisco, se há infração legal por parte do sujeito passivo, pode cumular o crédito fiscal e a penalidade. exigindo esta e aquele". Esta autonomia da exigência da penalidade que, como crédito, nasce da infração. explica que a anistia desta exclua a exigência daquela que, em consequência, se cancela. Mas a mesma autonomia tem de admitir a hipótese de mera redução de multas e penalidades, isto é, do crédito correspondente, sem que haja. obviamente, perdão da infração ou de que o crédito gerado pela infração possa ser extinto (e não excluído) por qualquer das modalidades de extinção de crédito. Afinal, não se pode anistiar um "pedaço" de uma infração, embora se possa perdoar parte de um crédito. Já a remissão é. justamente, uma dessas modalidades, cuja estrutura, como diz Aliomar Baleeiro, vem do Direito Privado. A remissão de dívida é negócio jurídico unilateral, que pode ser abstrato ou causal. Se causal, faz depender de solução de outra obrigação a sua eficácia. A eventual bilateralidade da remissão depende do que o credor quer. Ou seja, a bilateralidade não lhe é essencial. Entendese, desse modo. que a remissão tributária seja ato fundamentado e que a lei concedente preencha os requisitos estabelecidos pela lei complementar. Na verdade, a remissão privada pode ser da dívida ou da pena. Ou seja, se a anistia só se refere à infração, isto não exclui a possibilidade de a remissão referirse também e mesmo apenas ao crédito resultante da pena pecuniária imposta, e até somente a uma parte deste crédito. Ora, a possibilidade da remissão da pena tem uma consequência que não pode ser menosprezada. Afinal, no campo tributário, há de se reconhecer que haverá casos em que a lei anistia a infração, donde se segue a extinção da pena. mas outros há em que ela cancela a penalidade sem ter anistiado a infração. Neste último caso, qual o instituto que estará sendo aplicado; o de origem política (penal) ou o de origem privada? Ora. tenhase em conta que. quando se trata de perdão de pena criminal, não se fala em anistia, mas em indulto. "Ao contrário da anistia, o indulto não extingue o crime, impede tãosó a execução da pena a que tenham sido condenados os que dele se beneficiam" (Aníbal Bruno. Direito Penal, tomo 3°. Rio de Janeiro/São Paulo. 1966. p. 204). Mas de indulto não fala a lei tributária. E quando fala em concessão de anistia, limitadamente (CTN. art. 182 11), não prevê nenhuma hipótese de limitação referente a uma (parcial!) redução de penalidades pecuniárias. Mesmo porque, nesse caso, não haveria anistia, mas indulto. Não obstante, a doutrina tributária fala em anistia de penalidades, argumentando que. em tal caso. sendo a sanção a negação da negação do direito provocada pela infração, ela é a afirmação daquele direito (a dupla negação é uma afirmação). Donde se segue que a supressão da pena equivaleria à supressão do direito que ela confirma, isto é, a anistia da pena equivaleria à anistia da infração correspondente. Daí, apesar de o CTN falar apenas em anistia de infração, poderse admitir também a anistia (imprópria?) de penalidade (cf. Zelmo Denari; Comentários ao Código Tributário Nacional, vol. 4, São Paulo, 1978, pp. 181 e ss.). Esse argumento, que admite a anistia da infração por força da anistia da pena, valeria quando ocorresse o cancelamento total da pena, mas é impróprio quando o caso é de mera redução, pois seria então de se perguntar se estaria ocorrendo a anistia (em parte?!) da Fl. 3840DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10620.000797/200786 Acórdão n.º 2803004.228 S2TE03 Fl. 15 14 infração, em relação à qual, como se sabe, a pena pecuniária não tem função compensatória de crédito. Podese anistiar uma infração e não outra, a infração referente a um tributo e não a outro, as infrações punidas com multa até certo montante, mas não um "pedaço" de infração nem penas até certo montante de tal modo que a infração ou o direito de punir ficassem "meio" anistiados. A possibilidade legal de perdão de parte de penalidades, com a utilização da fórmula "cancelamento ou redução de multas e penalidades", merece, pois, uma outra explicação. Segue, pois, que é irrecusável a hipótese de mero perdão de penalidade, isto é, de perdão do crédito correspondente, independente do oblívio da infração. Ou seja, quando o legislador tributário disciplina o perdão de penalidades ou vê na sua anistia uma correlação com a anistia da infração (por inteiro) ou, querendo referirse apenas à penalidade (ao crédito correspondente) mantendose a infração e não recorrendo impropriamente ao instituto da anistia, só pode estar a falar em remissão. Assim, a remissão tributária sendo modalidade de extinção do crédito tributário tal como ele é constituído pelo lançamento e, no caso de penalidades, o crédito se constituindo por lançamento de ofício, quando a lei prevê o cancelamento ou redução de penalidades nada impede que estejamos diante de remissão e não de anistia. Desta feita, observase que a “anistia” trazida pela Lei 13.097/2015 atinge as infrações de não entrega de GFIP no prazo correto, desde que entregue no mês subsequente e a entrega de GFIP com incorreções ou omissões, não necessitando, neste segundo caso, qualquer entrega posterior, pois não há na lei em questão a exigência para a entrega com correções. Assim, entendo que a anistia trazida pelo artigo 49 da Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso concreto como remissão, extinguindo o crédito tributário referente à obrigação acessória em comento. Destaco, outrossim, que a norma tributária não há de trazer palavras inúteis, deste feito entendo que à remissão da multa por entrega de GFIP apresentada com incorreções ou omissões não há qualquer condição, devento ser de imediato aplicado os termos propostos, com a corolária extinção do crédito tributário lançado. Conclusão Por todo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para no mérito darlhe provimento, aplicando ao caso concreto o disposto no artigo 49 da Lei n. 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória em questão, nos termos do art. 156, IV, do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti – Redator designado Fl. 3841DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI
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Numero do processo: 10680.723540/2008-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-001.365
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah no tocante à exigência do ADA para a área de preservação permanente.
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1812; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.723540/200872 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 220101.365 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01º de dezembro de 2011 Matéria ITR Recorrente MINERAÇÕES BRASILEIRAS REUNIDAS S.A. MBR Recorrida DRJBRASÍLIA/DF Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 Ementa: ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah no tocante à exigência do ADA para a área de preservação permanente. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 03/12/2011 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 2 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório MINERAÇÕES BRASILEIRAS REUNIDAS S.A. MBR interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJBRASÍLIA/DF (fls. 121) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notificaçao de lançamento de fls.01/08, para exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, referente ao exercício de 2005, no valor de R$ 27.334,46, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 58.856,55. Segundo o relatório fiscal o lançamento decorre da revisão da DITR/2005 da qual foram glosados valores declarados como área de preservação permanente (8,9ha), de reserva legal (225,2ha) e foi alterado o VTN de R$ 80.903,09 para R$ 909.220,00, conforme descrição dos fatos a seguir reproduzida: Área de Preservação Permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de preservação permanente no imóvel rural. 0 Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Área de Reserva Legal não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de reserva legal no imóvel rural. 0 Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Complemento da Descriçao dos Fatos: A Lei 9.393/96 estabelece, em seu art. 14, que no caso de subavaliagao do valor do imóvel, a Secretaria da Receita Federal procederá A determinação e ao lançamento de oficio Fl. 164DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 10680.723540/200872 Acórdão n.º 220101.365 S2C2T1 Fl. 2 3 do imposto, considerando informações sobre pregos de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de Área total, Area tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Determina ainda que as informações sobre pregos de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1°., inciso II da Lei n.. 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Para o município de Nova Lima/MG, os valores constantes do SIPT Sistema de Pregos de Terra, instituido através da Portaria SRF n. 447 de 28/03/02, informados pela Secretaria Estadual de Agricultura de Minas Gerais para o exercício de 2004, estão evidenciados no extrato anexo. Com base nesses dados, foi então arbitrado o valor da terra nua VTN para 2005 em R$2.600,0/ha, perfazendo um total de R$909.220,00, conforme demonstrado abaixo: Area Total do Imóvel declarada 349,7ha VTN/ha = R$2.600,00 VTN do Imóvel = VTN/ha X área do Imóvel OVTN do Imóvel = 2.600,00 * 349,7 = R$909.220,00 A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que, pela sistemática do lançamento do ITR, o ônus de comprovar a inexistência das áreas ambientais declaradas é do Fisco e, no caso, o Fisco não logrou demonstrar a inexistência das áreas de preservação permanente e de reserva legal. Afirma que a área de reserva legal foi averbada muito tempo antes da autuação e se insurge contra a exigência do ADA como condição para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal. Sobre o arbitramento do VTN a Contribuinte se insurge contra a utilização do SIPT. Diz que os parâmetros que alimentam esse sistema não são explicitados e que o sistema é alimentado indiscriminadamente pela própria Receita Federal e argumenta que a atividade de lançamento deve ser plenamente vinculada. Ainda sobre o VTN, o Contribuinte diz que apresenta laudo de avaliação elaborado por empresa com capacidade técnica e assinado por profissionais qualificados e, inda, elaborado dentro das normas da ABNT e diz esperar que o mesmo seja acatado como prova objetiva do VTN. A DRJBRASÍLIA/DF julgou procedente em parte o lançamento, acatando o Laudo de Avaliação apresentado e reduzindo o VTN tributado para R$ 271.449,08. A DRJ manteve as glosas das áreas de preservação permanente e de reserva legal com base, em síntese, na consideração de que não foi apresentado o Ato Declaratório Ambienta – ADA e que esta seria uma condição imprescindível para a exclusão das áreas ambientais em questão. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 16/09/2009 (fls. 144) e, em 13/10/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 145/153, que ora Fl. 165DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 4 se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumento da impugnação a respeito do ADA como condição para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal. É relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o litígio persiste apenas quanto à glosa da área de reserva legal e o fundamento da autuação e da decisão de primeira instância neste ponto é a falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA. Vale registrar que, como relação à área de preservação permanente, a mesma foi devidamente averbada, conforme reconheceu a DRJ. Cumpre examinar, portanto, a questão da necessidade ou não do ADA como condição para a exclusão das áreas ambientais. O dispositivo que trata da obrigatoriedade do ADA, e que é o fundamento legal da autuação, é o art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. [...] Inicialmente, embora admitindo como possibilidade a interpretação de que o dispositivo esteja a prescrever a necessidade do ADA para todas as situações de áreas ambientais como condição para a redução dessas áreas para fins de apuração do valor do ITR a pagar, conforme os atos normativos da RFB e do Ibama, não me parece que este sentido e alcance da norma estejam claramente delineados, a ponto de dispensar o esforço de interpretação. Isto é, não me parece que se aplique aqui o brocardo in claris cessat interpretatio. Não basta, portanto, simplesmente dizer que a lei impõe a necessidade do ADA, é preciso expor as razões que levam a esta conclusão. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 10680.723540/200872 Acórdão n.º 220101.365 S2C2T1 Fl. 3 5 O que chama a atenção no dispositivo em apreço é que o mesmo tem como escopo claro a instituição de uma Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, de uma taxa que tem como fato gerador o serviço público específico e divisível de realização da vistoria, que presumivelmente será realizada nos casos de apresentação do ADA, e não de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou de regular procedimento de apuração do ITR. Também não se deve desprezar o fato de que a referência à obrigatoriedade do ADA vem apenas no parágrafo primeiro e, portanto, deve ser entendido levando em conta o quanto disposto no caput. E este, como se viu, restringe a tal taxa às situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, o que implica no reconhecimento da existência de reduções que não sejam baseadas no ADA. Aliás, a função sintática da expressão “com base em Ato Declaratório Ambiental” é exatamente denotar uma circunstância do fato expresso pelo verbo”beneficiar”. Ora, entendendose o chamado “benefício de redução” como sendo a exclusão de áreas ambientais para fins de apuração da base de cálculo do ITR, indagase se a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Penso que não. Vejase o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 2º da lei nº 4.771, de 1965, e que existe “pelo só efeito desta lei”, in verbis: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: (sublinhei) E também o caso da área de reserva legal do art. 16 da mesma lei, a saber; Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) No caso da área de preservação permanente, a lei define, objetivamente, por exemplo, que tanto metros à margem dos rios, conforme a largura deste, é área de preservação permanente, independentemente de qualquer ato do Poder Público. É a própria lei que impõe ao proprietário o dever de preservar essa área e, para tanto, este não deve esperar qualquer ato Fl. 167DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 6 determinação do Poder Público. O mesmo ocorre com relação à área de reserva legal. A lei impõe que, conforme certas circunstâncias de localização etc. da propriedade, um mínimo das florestas e outras formas de vegetação nativa devem ser preservadas de forma permanente. E a lei também exige que estas áreas, identificadas mediante termo de compromisso com o órgão ambiental competente, sejam averbadas à margem da matricula do imóvel, vedada sua alteração em caso de transmissão a qualquer título. Também neste caso o proprietário não deve esperar qualquer ato do Poder Público determinando que tal ou qual área deve ser preservada. Por outro lado, a Lei nº 9.393, de 1996, ao cuidar da apuração do ITR define a área tributável como sendo a área total do imóvel subtraída de áreas diversas, dentre elas as de preservação permanente e de reserva legal, sem impor qualquer condição, in verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) Se as áreas de preservação permanente e as de reserva legal independem de manifestação do Poder Público, outras áreas ambientais, passíveis de exclusão, para fins de apuração do ITR, dependem da manifestação de vontade do proprietário ou da imposição do próprio órgão ambiental, observadas certas circunstâncias específicas do imóvel. Vejase, por exemplo, o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 3º da Lei nº 4.771, de 1965, in verbis: Fl. 168DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 10680.723540/200872 Acórdão n.º 220101.365 S2C2T1 Fl. 4 7 Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Aqui, a declaração da área como de preservação permanente deve ocorrer em cada caso, conforme entenda o órgão ambiental, considerada a necessidade específica em face de alguma circunstância de risco ao meio ambiente ou de preservação da fauna ou da flora. O mesmo se pode dizer das áreas de que trata a alínea “b” do § 1º do inciso II da lei nº 9.393, de 1996. Ali a área deve ser declarada de interesse ecológico visando à proteção de um determinado ecossistema. Ela não existe “pelo só efeito da lei”, e nem decorre de uma imposição legal genérica de preservação, de uma fração determinada da floresta ou mata nativa. Decorre do entendimento por parte do Poder Público, com base no exame do caso concreto, que aquela área deve ser preservada. Existe, portanto, uma clara diferença entre áreas ambientais: umas cujas existências decorrem diretamente da lei, sem necessidade de prévia manifestação por parte do Poder Público por meio de qualquer ato, e outras que devem ser declaradas ou reconhecidas pelo poder Público por meio de ato próprio. Dito isto, não me parece minimamente razoável que a exclusão, prevista em lei, de uma área ambiental, cuja existência independe de manifestação do Poder Público, fique condicionada a um ato formal de apresentação do tal ADA. Mas não há dúvida de que a lei poderia criar tal exigência: A questão aqui, entretanto, é se o art. 170, em que se baseiam os que defendem esta posição, permite esta interpretação; se é este o sentido e o alcance que se deve extrair da norma que melhor a harmonize com os demais princípios e normas que regem a tributação do ITR e a preservação do meio ambiente. Assim, em conclusão, penso que o art. 170 da Lei nº 6.938/81 impõe a exigência da apresentação tempestiva do ADA apenas nos casos em que a existência da área ambiental dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público. A não apresentação do ADA, portanto, não seria um obstáculo para a admissibilidade das exclusões das áreas ambientais pretendida pelo Contribuinte. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 8 Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 170DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 10680.723540/200872 Acórdão n.º 220101.365 S2C2T1 Fl. 5 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CAMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10680.723540/200872 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 220101.366. Brasília/DF, 03 de dezembro de 2011. ______________________________________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JÚNIOR Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: // Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 171DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/ 12/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10209.000398/2005-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 24/05/2000
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DA ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS.
A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da Aladi, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil, impõem a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-00.691
Decisão: Acordam os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. A conselheira Nanci Gama declarou-se impedida de votar.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da Aladi, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil, impõem a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário, Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. A conselheira Nanci Gama declarou-se impedida de votar, Itlis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator EDITADO EM: 26/07/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Elias Femandes Eufiásio (Suplente). Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação e respectivos acréscimos legais, no valor total de RS 671.196,69 objeto do Auto de Infração fls,07 /11. Segundo descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa em epígrafe através da Declaração de Importação de n" 00/0463220-0, registrada em 24/05/2000, pkiteou redução tarifária da aliquota "ad valorem" de 6%, para os produtos classificados no código NCM 2710 00.41, que à época era a aliquota normal vigente, para a aliqueta reduzida de 1,20% para o imposto de importação, prevista no Acordo de Complementação Econômica n'39 (ACE 39), conforme Decreto de execução n°3.138, de 16/08/1999, firmado entre Brasil e os seguintes países: Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, (Países- Membros da Comunidade Andina) Esclarece a Fiscalização, quanto à operação, o seguinte: a) o certificado de origem n° ALD 1000526252, fl .22 emitido na Venezuela, em 23/05/2000, indicou como país de origem da mercadoria, a Venezuela e declarou como empresa exportadora a PDVSA PETROLEO Y GÁS, S.A; b) o certificado de origem registra em seu corpo como país exportador a Venezuela, fazendo referência expressa à fatura comercial n° 98438-0, emitida pela empresa PDVSA PETRÓLEO Y GÁS S/A e não apresentada no despacho; c) a Fatura Comercial que instruiu o despacho de importação foi a de n° PIFSB 471/2000, fl. 21, emitida em 03.072000 pela Pefrobras International Finance (2'ompany (Pifco) empresa com sede nas Ilhas Cqyman, pais não membro da ALADI; d) no conhecimento de embarque, fl 20, documento que assegura a propriedade da mercadoria, esta foi consignada a Petrobras International Finance Company, logo essa empresa situada nas Ilhas (ayman era a proprietária da mercadoria; c) diante dos fatos e documentos apresentados, a operação comercial foi analisada à luz da Resolução n°252, do Comitê de Representantes da ALADI, recepcionada na legislação brasileira através do Decreto n° 3.325/99 Oferece ainda a Fiscalização os seguintes esclarecimentos, lis. 07: Embora o artigo nono da Resolução n° 252, do Comitê de Representantes da ALADI, recepcionaria na legislação brasileira através do Decreto n°3.325/99 admita que a mercadoria objeto de intercâmbio possa ser faturada por um operador de um terceiro país, não se aplica ao caso, uma vez que não há interveniente de uni operador, nos termos da citada Resolução, 2 Processo tf 10209 000398/2005-14 S3-C1T2 Acórdão n ." 3102-00491 EL 119 mas a participação de um terceiro país na qualidade de exportador, na medida e que uma empresa situada nas Ilhas Cayman, fatura e exporta para o Brasil uma mercadoria objeto de preferencias tarifárias no âmbito da ALADI O importador, através da correspondência UM-REMArVI/CMB 019/02, de 19/08/02, lis 30/32, confirma que adquire a mercadoria da Venezuela, revende para sua subsidiária, a empresa Petrobras International Finance Company e posteriormente a recompra, fato que caracteriza a participação de um terceiro país na qualidade de exportador, isto é, uma operação comercial entre unia empresa brasileira e outra nas Ilhas Cayman sem respaldo em certificado de origem: Conclui a fiscalização que a importação não contempla o acordo tarifário, em razão da divergência entre a fatura Comercial, .11.21 e o Certificado de Origem n" ALD 10005262.52,0.22, seja também porque o produto ..foi comercializado por terceiro país sem que tenham sido atendidos os requisitos estabelecidos na legislação vigente. Cientificado do lançamento em 18/05/200.5, conforme .11s. 01, o contribuinte insurgiu-se contra a exigência, apresentando em 17/06/2005 a impugnação de fls. 36/46, nos seguintes termos a seguir resumidos em apertada síntese:- - inicia/mente se reporta aos fatos que ensejaram a ação fiscal esclarecendo que a operação comercial em .foco, ou seja, Petróleo Brasileiro S.A — PETROBRAS, através de empresa integrante de seu grupo econômico, a Petrobras International Finance Company (Pifco), sediada nas Ilhas Cayman, adquiriu butano em bruto liquefeito, produzido na Venezuela, .junto à PDVSA — Petróleo e Gás S/A, empresa sediada no mesmo país, com redução de 80% da aliquota do Imposto de Importação, com base no Acordo de Complementação Económica n" 39 (ACE-39), conforme Decreto de execução n°3.138/99; - destaca ainda que o envolvimento das três empresas na operação comercial gerou a expedição de duas faturas comerciais, sendo a primeira, emitida pela PDVSA e destinada à PFICO e, a segunda, PIFSF1, expedida pela PFICO para a Petróleo Brasileiro SA PETROBRAS Esclarece que a última fatura que instruiu a declaração de importação, .fez referência expressa à fatura comercial originária (PDVSA),- - a operação comercial acima explicitar-ia é conhecida por triangulação comercial que consiste numa prática internacional comum, adotada por razões comerciais de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos; - o Certificado de Origem foi expedido na Venezuela contendo a declaração da produtora e exportadora do produto. a PDVSA, e a certificação propriamente dita, do Ministério da Indústria e Comércio daquele país, assim o Certificado de Origem trouxe a indicação da faiura comercial expedida pela PDVSA n° 98438-0, conforme previsto no artigo 10 da Resolução; . 3 - razão alguma assiste ao Órgão autuante quanto à suposta falta de correspondência entre o Certificado de Origem e a ,fatura expedida pela PFICO, vez que essa fatura traz informações condiriz,entes com aquelas contidas no Certificado, inclusive faz referência a ele em seu corpo Tudo em consonância com o disposto no artigo oitavo da Resolução 252, aprovada pelo Decreto n°3.325, de 30/12/1999; - o órgão autuante ainda impôs multa regulamentar à impugnante alegando que mencionada fatura, emitida pela PFICO, apresentada no despacho aduaneiro, não cumpriu as exigências estabelecidas no ar!, 425, alíneas "a", "h", "i" e do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n°91.030/85; - defende que a triangulação comercial não elide a aplicação de redução tarifiála prevista em acordo firmado no âmbito da ALAM; - ressalta que a impugnante procedeu em sua atividade realizando comércio com a Venezuela, país integrante da ALADI, utilizando-se de suas subsidiárias, no caso a PIFCO, sediada nas Ilhas Cnyman e não em Trinidad Tobago (como por equivoco ..foi preenchido na Declaração de Importação), na qualidade de operadoras comerciais e não de exportadoras, ao contrário do que qfirmou a fiscalização; -a PFICO, sequer teve a posse da mercadoria ou lucrou com sua revenda, inclusive o transporte da mercadoria ocorreu diretamente da Venezuela para o Brasil, corno demonstram o Certificado de Origem e o Conhecimento de Embarque; - ressalta o caráter instrumental do Imposto de Importação, enfatizando que este é um i1131111111ent0 regulador do comércio exterior, possuindo assim, .função extrafis cal e não arrecadató ria, como a maioria dos impostos; - nesse sentido traz á colação os dispositivos da Constituição Federal e do Código Tributário Nacional que regem o citado imposto bem como respeitável doutrina, - o alegado descumprimento dos requisitos previstos no art. 425 do Regulamento Aduaneiro está vinculado á questão da falta de previsão de procedimento especifico para os casos de triangulação comercial, pois na ausência de norma especifica, o importador apresentou somente urna fatura, mas dihgeliciou para que no corpo desse documento fossem anotados os números do certificado de origem e da fatura originária, - o art 425 impõe regras voltadas paia o exportador e, no caso, a PIFCO atuou na qualidade de simples operadora; - invoca o Ato Declarató rio Interpretativo SRF n" 13 de 10/09/2002, destacando os artigos 100, I e 106, I, ambos do Código Tributará; Nacional — CTN, a fim de seja afastada a multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei n"9.430/96, - tendo sido o C. TN recepcionado pela Constituição Federal, argúi que a instituição de ta.xa de juros diferente daquela prevista no § 1", do artigo 161 do CTN, somente pode ocorrer 4 /1 Processo rl° 10209.000398/2005-14 S3-C1T2 Acórdão n 4' 3102-00.691 F1 120 através de Lei Complementar; o que não aconteceu no caso da aplicação da SELIC, que decorre da Lei Ordinária n" 9.065/95; - ademais a ilegalidade não está apenas na forma da instituição da SELIC, corno taxa de juros, mas também na sua essência, uma vez que não foi instituída para remunerar a mora, assim requer que seja excluída a aplicação da taxa SEL1C em face da impossibilidade de se utilizar a taxa SELIC como taxa de juros nionatórios; - tendo a taxa SEL1 C a característica de taxa de remuneração de capital investido, quando o Fisco aplica a laxa SELIC sobre créditos em atraso, ele está, em verdade agindo corno avente .financeiro, equiparando a relação tributária a urna operação de financiamento, o que carece de sustentação legal; - Ao .final, com base nos fundamentos acima elencados, a impugnante requer que o lançamento seja considerado totalmente insubsistente protestando o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente a documental ora apresentada, Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Importação - Data do fato gerador. 24/0.5/2000 Ementa: PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual em caso de divergência entre Certificado de Origem e .fatura comercial bem corno quando o produto importado é comercializado por terceiro pais, sem que tenham sido atendidos as requisitos previstos na legislação de regência. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador. • 24/05/2000 Ementa: MULTA DE OFICIO. INEXIGIBILIDADE. incabível a exigência da multa de oficio capitulada no artigo 44, inciso I da lei n° 9.430/96, quando a mercadoria se encontra corretamente descrita na declaração de importação, com todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário, em consonância com Ato Declaratario Interpretativo SRF n°13/2002. JUROS DE MORA. TAXA SELIC ALEGAÇÃO DE INSUBSISTÊNCIA FORMAL DAS LEIS. FORO ADMINISTRATIVO INCOMPETÊNCIA PARA ANÁLISE DO MÉRITO. CG"5 O processo administrativo está adstrito à observação do cumprimento da legislação vigente, sendo o mesmo inaplicável à análise de questões atinentes a supostas incongruências formais existentes no texto legal ou no processo legislativo, Lançamento Procedente em Parte. Após tomar ciência da decisão recorrida em 31/07/2009 (sexta-feira), comparece a recorrente mais uma vez aos autos em 31/08/2009, para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Torno conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afta a esta Terceira Seção, Em síntese, a alegação de descumprimento do regime de origem está calcada no suposto descompasso entre a operação alvo de litígio e a resolução 252 da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), promulgada por meio do Decreto n° 3325, de 30 de dezembro de 1999. Segundo aduz a autoridade fiscal: a) há um descompasso entre o certificado de origem e a fatura comercial apresentados por ocasião do despacho de importação; b) a Resolução 252 exigiria a expedição direta da mercadoria; c) a Petrobras Finance Corp (Pifco), pessoa jurídica estabelecida um país não signatário da Aladi, atuara na operação na qualidade de exportador, hipótese não admitida pelo acordo, que só admitiria essa intervenção na qualidade de "operador"; d) ainda que a Pife° atuasse como operador, restariam deseumpridas as exigências fixadas pela Resolução Aladi, eis que o certificado de origem apresentado não consignaria a informação de que a mercadoria seria faturada por meio de um terceiro país, nem identificara o nome, denominação ou razão social e domicílio daquele operador. Aduz, ainda, com relação a esta última exigência, que não fora apresentada declaração juramentada capaz de suprir a referida falha documental. Apesar do zelo demonstrado pela autoridade Fiscal, penso, com o máximo respeito, que tais fundamentos não dão suporte à manutenção da exigência, Explico. Em primeiro lugar, considero que a falha documental na instrução do despacho de importação fui devidamente saneada pela apresentação da fatura comercial n" 6 '11/7 Processo n" 10209. 000398/2005-14 S3-C1T2 Acórdão n " 3102-00.691 11 121 984.38-0 1 , o que permitiu o cotejamento entre a mercadoria submetida ao crivo do Fisco e a constante do certificado de origem objeto do presente litígio. Em segundo, diferentemente do que se verificou em outras operações análogas envolvendo a recorrente, no caso do presente recurso, a mercadoria que tem sua origem questionada pelo Fisco embarcou no porto de Arnuay Bay, Venezuela, a bordo do Navio BRALI, com destino ao Brasil, tendo sido descarregada no Porto de Belém, conforme se constata na leitura da averbação consignada no extrato da Declaração de Importação e no conhecimento de transporte2. Cabe aqui destacar o que diz o artigo QUARTO da Resolução .252 (os destaques não constam do original): MIRTO- Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos prefèrenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador Para tais efeitos, considera-se como expedição direta.. a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. Sendo certo que a mercadoria não transitou pelas Ilhas Cayman, encontra-se satisfeita a exigência de expedição direta. Também discordo que a intervenção da pessoa jurídica Pifco tenha ocorrido em desacordo com o que preceitua o regime de origem da Aladi. Cabe relembrar, nessa esteira, a distinção entre país de origem, procedência e aquisição gizada nas alíneas "h", "i" e "j" do art. 425 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n" 91.0.30, de 1985: h) país de origem, como tal entendido aquele onde houver sido produzida a mercadoria, ou onde tiver ocorrido a última transformação substancial; i) país de aquisição, assim considerado aquele do qual a mercadoria fbi adquirida para ser exportada para o Brasil, independentemente do pais de origem da mercadoria ou de seus instemos,- j) país de procedéneia, assim considerado aquele onde se encontrava a mercadoria no momento de sua aquisição; Cotejando os elementos carreados ao processo com os conceitos regulamentares, em especial o consignado na alínea "i", vê-se que as Ilhas Cayman, em verdade, representam o país de aquisição e não, como restou consignado, como país de origem ou procedência. I Cópia à 11 61 2 Documentos juntados por cópia às fis. 13 e 20. 7 Nessa linha, não há como afirmar validamente que o acordo proíba que a mercadoria seja faturada por um operador situado em um país não membro da Aladi. Ora, o artigo NONO da Resolução Aladi n° 252 nesse ponto é explícito: NONO.- Quando a inercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro pais, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro pais, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino (os destaques não constam do original) Ora, a mercadoria, diversamente do afirmado no auto de infração, é unicamente faturada a partir das Ilhas Cayman, na medida em que, conforme já mencionado anteriormente, é embarcada diretamente da Venezuela para o Brasil. Não se discute, ademais, sua extração em país diverso. Restaria, finalmente, avaliar se há vício formal no certificado de origem n" 207673 capaz de invalidá-lo. Chamo atenção para algumas informações consignadas no certificado que se entende imprestável para comprovar a origem da mercadoria: no campo 1 consigna-se expressamente a intervenção da Venezuela como país exportador; no campo 2, o Brasil, como país importador, já no campo 9, identifica-se a pessoa jurídica PDVSA Petroleo Y GAS S.A. como produtor. Finalmente, no campo observações, indica-se a participação da pessoa jurídica Petrobras Internacional Finance Company, o navio que transportará a mercadoria e a data de emissão do conhecimento de transporte. Ora, se foi indicado o país de destino da mercadoria, a intervenção do operador estabelecido em terceiro país e, a partir da apresentação da fatura comercial atrelada ao referido ceritificado, identificam-se claramente todos os elos da cadeia comercial, não há como afirmar que o certificado esteja em desacordo com as regras do acordo, máxime em razão de que as informações relativas ao domicílio da Pifbo estão perfeitamente identificadas na fatura acreditada por tal certificado. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. C <..1Lurá- ar e o Guerra de Castro 3 Juntado por cópia à ff 22 8
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Numero do processo: 10380.011297/2003-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO.
Consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO.
Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. Não dão direito a crédito: i) Gastos com embalagens utilizadas no transporte de produtos acabados e acondicionados em embalagens de apresentação; ii) Gastos com caixas de isopor utilizadas repetidas vezes no transporte de matéria-prima que não são consumidas no processo produtivo.
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. PROVA.
Gastos com fretes vinculados a aquisições de insumos somente dão direito a crédito se comprovada pela contribuinte esta vinculação.
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES SOBRE VENDAS. DIREITO A CRÉDITO. VIGÊNCIA.
Os gastos com fretes sobre vendas somente passaram a dar direito ao desconto de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativo a partir de 1º/02/2004.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-005.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário quanto à atualização monetária dos créditos pleiteados; II) Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a glosa referente à aquisição acobertada pela Nota Fiscal nº 022, da empresa CELPEX Indústria do Pescado Ltda, no valor de R$ 62.954,14. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento nas demais matérias. Fez sustentação oral pela recorrente o Sr. Sérgio Silveira Melo, Ident. 2.198.236 IFP/RJ.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. Não dão direito a crédito: i) Gastos com embalagens utilizadas no transporte de produtos acabados e acondicionados em embalagens de apresentação; ii) Gastos com caixas de isopor utilizadas repetidas vezes no transporte de matéria-prima que não são consumidas no processo produtivo. PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. PROVA. Gastos com fretes vinculados a aquisições de insumos somente dão direito a crédito se comprovada pela contribuinte esta vinculação. PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES SOBRE VENDAS. DIREITO A CRÉDITO. VIGÊNCIA. Os gastos com fretes sobre vendas somente passaram a dar direito ao desconto de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativo a partir de 1º/02/2004. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2294; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.011297/200316 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801005.362 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de março de 2015 Matéria PIS/PASEP PEDIDO DE RESSARCIMENTO Recorrente SM PESCADOS INDÚSTRIA, COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. Não dão direito a crédito: i) Gastos com embalagens utilizadas no transporte de produtos acabados e acondicionados em embalagens de apresentação; ii) Gastos com caixas de isopor utilizadas repetidas vezes no transporte de matériaprima que não são consumidas no processo produtivo. PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. PROVA. Gastos com fretes vinculados a aquisições de insumos somente dão direito a crédito se comprovada pela contribuinte esta vinculação. PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES SOBRE VENDAS. DIREITO A CRÉDITO. VIGÊNCIA. Os gastos com fretes sobre vendas somente passaram a dar direito ao desconto de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativo a partir de 1º/02/2004. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 12 97 /2 00 3- 16 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 3 2 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário quanto à atualização monetária dos créditos pleiteados; II) Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a glosa referente à aquisição acobertada pela Nota Fiscal nº 022, da empresa CELPEX Indústria do Pescado Ltda, no valor de R$ 62.954,14. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento nas demais matérias. Fez sustentação oral pela recorrente o Sr. Sérgio Silveira Melo, Ident. 2.198.236 IFP/RJ. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Transcrevo o relatório do acórdão recorrido, na parte que interessa a este julgamento, por descrever suficientemente a lide: “Tratase de pedido de ressarcimento de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep Não Cumulativa – Exportação (art. 5º. da Lei nº. 10.637/2002), relativo ao 1º. trimestre de 2003, no valor de R$ 105.529,06 (cento e cinco mil, quinhentos e vinte e nove reais e seis centavos). Constatou o fisco que a apuração do crédito demonstrada no Dacon e na DIPJ – anocalendário 2003 – divergia dos valores informados no pedido de ressarcimento, perfazendo o valor de R$ 104.493,82. Da análise do processo produtivo e seus insumos Conforme a informação fiscal, a contribuinte tem por objetivo a importação e exportação em geral, especialmente de produtos alimentícios, secos e molhados, bem como a indústria e comércio de produtos pesqueiros em geral. Adota a industrialização por encomenda (beneficiamento), não possuindo parque industrial próprio, apenas salas comerciais. A atividade industrial consiste na aquisição de camarão in natura diretamente dos fornecedores, mediante processo de despesca manual. Nesta fase, são adquiridos e fornecidos pela interessada caixas de isopor, gelo e metabissulfito de sódio (conservante), para acondicionamento e conservação do camarão in natura. As caixas de isopor (contendo o camarão, o gelo e o conservante) são transportadas até a empresa terceirizada (frigorífico) responsável pela industrialização (beneficiamento), a qual produz o camarão inteiro congelado (camarão com cabeça) e camarão em partes congeladas (camarão sem cabeça), classificação NCM/TIPI 0306.1391 e 0306.13.99, respectivamente. O produto é acondicionado em embalagem primária e, posteriormente, agrupado em embalagem secundária. Todos os bens utilizados na produção são fornecidos pela interessada. O produto acabado é transportado diretamente da empresa terceirizada para o porto de exportação através de transportadora (pessoa jurídica domiciliada no país), contratada pela interessada. Com base no conceito de insumo contido no inciso I do § 5º do art. 66 da Instrução Normativa SRF nº. 247/2002, a atividade industrial da contribuinte permite enquadrar no conceito de insumo os seguintes bens utilizados e consumidos diretamente na elaboração dos produtos exportados (camarão com cabeça e sem cabeça congelados): gelo, metabissulfito de sódio (conservante), camarão in natura, saco plástico, película, embalagem primária, bem como o serviço de beneficiamento pago aos frigoríficos especializados. Quanto aos serviços de frete (exceto os fretes nas vendas), as cópias das notas fiscais não possibilitaram a vinculação desses serviços à condição de insumos no processo produtivo, ainda que o ônus tenha sido suportado pela interessada. Em relação às caixas de isopor, considerou o fisco que estas não se enquadravam no conceito de insumo (nãocumulatividade) por não serem consumidas no processo produtivo, mas tãosomente utilizadas (e reutilizadas) para fins de acondicionamento provisório da matériaprima para o transporte até o frigorífico no qual era Fl. 469DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 5 4 beneficiada. Remete ao art. 6º. do Decreto nº. 7.212 de 15 de junho de 2010 (Regulamento do IPIRIPI/2010). Nos itens 21/25, o Termo Fiscal detalha as rotinas aplicadas no processo de beneficiamento do camarão, onde conclui que o saco plástico, a película e a embalagem primária (“caixinha”) compõe a embalagem de apresentação do produto; que a embalagem secundária (“Master Box”), a fita adesiva, a fita de arquear, a fivela e a etiqueta compõem a embalagem para transporte do produto; e que esta última, por ser embalagem para transporte, bem como os seus acessórios, afastamse do conceito de insumos, nos termos da legislação afeita à nãocumulatividade. Das aquisições de insumos realizadas com o fim específico de exportação Da análise das cópias das notas fiscais referentes às aquisições de camarão, verificouse que algumas delas possuíam a notação “mercadoria destinada à exportação” ou, ainda. “mercadoria destinada com fins específicos de exportação”. Foram desconsideradas pela auditoria as notas fiscais referentes às aquisições de bens com o fim específico de exportação, em face do comando do inciso I do art. 5º. da Lei nº. 10.637/2002, bem como do §4º. do art. 6º. da Lei nº. 10.833/2003, pelo qual a contribuição para o PIS/Pasep não incide sobre as receitas decorrentes das vendas de mercadoria para o exterior, ou sobre as receitas das vendas efetuadas à empresa exportadora com o fim específico de exportação, conforme previsto no inciso III do artigo em comento. Das aquisições de insumos junto à pessoa física – crédito presumido Foram consideradas pela auditoria as notas fiscais de aquisição de camarão in natura (mercadorias de origem animal classificadas no capítulo 3 da NCM) obtido diretamente de pessoas físicas domiciliadas no país, emitidas de 01/02/2003 a 31/07/2004. Das despesas de frete na operação de venda Foram desconsideradas na apuração da base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep as despesas de fretes referentes às operações de venda realizadas até 31/01/2004, em razão de que esta possibilidade somente passou a vigorar a partir de 01/02/2004, por força do inciso I do art. 93 da Lei nº. 10.833/2003. Das glosas No item 46 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 248/ss), encontramse demonstradas todas as glosas efetuadas na base de cálculo dos créditos: a data da aquisição, a compra, o número da nota fiscal, o valor, o crédito e o motivo para a glosa. Da Decisão O pedido de ressarcimento foi deferido parcialmente no valor de R$ 15.182,43 (quinze mil, cento e oitenta e dois reais e quarenta e três centavos), sem o acréscimo de juros compensatórios, a título do crédito da contribuição para o PIS/Pasep – Exportação apurado no 1º. trimestre de 2003. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 470DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 6 5 Em síntese, a contribuinte inicialmente remete aos fatos que remontam ao seu pedido de ressarcimento, à data de 12/11/2003, quando instruiu o pedido de ressarcimento de créditos da contribuição para o PIS/Pasep do regime não cumulativo, à extrema demora na análise da demanda, ao Mandado de Segurança onde teria obtido a liminar para que fossem apreciados os pedidos de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins no período e ao despacho decisório objeto da manifestação de inconformidade pelo qual se insurge, com as alegações que se traz abaixo, em resumo. 1. Das aquisições de Insumos com fim específico de exportação: Aduz, sob este item, que o simples fato de algumas notas fiscais possuírem a notação “mercadorias destinadas à exportação” ou “mercadoria exclusiva para exportação”, não implica dizer que todas as mercadorias listadas pela fiscalização tratavamse de produtos acabados destinados à exportação, em outras palavras, mercadorias adquiridas no mercado interno para revenda no mercado externo. Alega que a fiscalização deveria ter identificado quais mercadorias eram realmente produtos acabados destinados à exportação, as quais se denominam “Camarão congelado com ou sem cabeça (NCM 0306.13.91 camarão congelado inteiro e NCM 0306.13.99 – camarão congelado em partes) e quais eram insumos utilizados na elaboração das mercadorias que produz (Camarão fresco – NCM 0306.13.91 ou 0306.13.99). Das notas listadas pelo fisco, admite como glosas para o cálculo do crédito de PIS/Pasep nãocumulativo aquelas listadas no Quadro 02 – NF de aquisição de camarão congelado destinado à exportação – Glosas Procedentes (fl. 267/ss da manifestação). Já as notas fiscais constantes do Quadro 03 (da manifestação) se referem às aquisições de matériaprima (camarão in natura – NCM 0306.23.00), utilizadas nos produtos fabricados pela manifestante (cópias das notas fiscais no Anexo I). Reitera que os produtos exportados são o camarão inteiro congelado (com cabeça) e camarão em partes congelado (sem cabeça), com classificação TIPI sob os NCM 0306.13.91 e 0306.13.99, respectivamente; que a matériaprima básica destes produtos é o camarão fresco (“in natura”), classificado na TIPI sob o NCM 0306.23.00, o qual representa aproximadamente 90% dos custos aplicados na produção – o restante seriam produtos químicos e material de embalagem; que, no caso específico, o camarão “in natura” utilizado é o camarão de cultivo, adquirido junto a pessoas jurídicas exploradoras dessa atividade (carcinicultura); que, tal mercadoria “in natura” é imprópria para exportação, já que uma vez retirado do seu habitat natural, deve ser consumido em curto espaço de tempo ou sofrer o processo de beneficiamento para que seja mantido o seu valor protéico e não haja deterioração do animal, bem como o seu valor econômico; e mais, que as exportações de camarão “in natura” realizadas pelo país, na verdade são matrizes do animal, acondicionadas de forma tal que cheguem vivas ao seu destino, o que não é o caso das exportações da manifestante. Quanto às notas fiscais listadas pelo fisco, sustenta que não é porque o fornecedor informa na sua nota fiscal que o seu produto é destinado à exportação que este produto tenha sido importado; que a exportação é um processo subordinado a leis e regras emanadas da Receita Federal e do MDIC; que, para a manifestante é irrelevante se os fornecedores pagaram ou não os tributos devidos, cuja tarefa é da competência da Receita Federal. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 7 6 Aduz que o vendedor/fornecedor, para usufruir deste benefício, tem que comprovar que os produtos por ele vendidos foram realmente exportados, na forma prevista do ConvênioConfaz nº. 113/96 e atualizações posteriores, cuja comprovação se dá através do “MemorandoExportação”. Não basta constar na nota fiscal qualquer tipo de expressão, informando que a mercadoria vendida tem “fim específico de exportação” para que o fornecedor do produto a ser exportado se beneficie dos incentivos de exportação, como é o caso da isenção de tributos. Mesmo que o camarão “in natura” em questão pudesse ser exportado sem que houvesse qualquer tipo de processamento industrial, tal fato não ocorreu e não há nos autos uma única prova que as mercadorias adquiridas pelas notas fiscais relacionadas no Quadro 03 (da manifestação) foram exportadas na condição em que foram adquiridas (“in natura”). Traz ementa de Acórdão nº. 380301.798 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processo cuja contribuinte é de ramo semelhante de atividades 2. Aquisições de outros insumos: embalagem secundária;caixa de isopor; fretes no transporte de matériasprimas (camarão); fretes de venda. A contribuinte alega, em síntese, que o conceito de insumo para fins de crédito de PIS/Pasep nãocumulativo é mais amplo do que aquele previsto para o IPI e está mais próximo do conceito de custos/despesas necessárias previsto para fins de cálculo do IRPJ. Desta forma, os materiais mencionado no título, como gastos necessários à atividade operacional da manifestante, seriam passíveis de créditos. Neste sentido, colaciona excertos de doutrinas, ementas de acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, bem como jurisprudência dos tribunais. 3. Da atualização monetária do ressarcimento: Em síntese, a contribuinte entende ser uma afronta ao seu direito o ressarcimento sem o acréscimo de juros compensatórios, considerando a demora com que foi tratada a análise do seu pedido de ressarcimento pela Delegacia da Receita Federal de sua região, obrigandoo a buscar a força judicial. Alega que fica evidenciado um enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Nacional. Cita decisão judicial que autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (Resp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 2004.2010, Dje 03.05.2010). Ressalta que o REsp em comento é representativo da controvérsia, e nesses casos, tanto a PGFN, como o próprio CARF entendem que as decisões do STJ não devem ser contestadas, como se vê no artigo 62A do Anexo I, da Portaria do MF nº. 256/09 (transcreve no texto). Ainda, que mesmo antes da inclusão do art. 62A, o próprio CARF em seus julgados, tem tido a mesma linha do judiciário, pelo qual cita os Acórdãos CSRF/02.770 e CSRF/02.02.705. Alega ser incontestável a atualização monetária do valor do crédito, seja para fins de ressarcimento, seja para fins de compensações permitidas em lei. 4. Do pedido: Requer, por fim: Fl. 472DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 8 7 que seja reconhecido o direito ao crédito do PIS/Pasep nãocumulativo relativamente à aquisição de camarão “in natura”, constantes do Quadro 03 da manifestação; que seja reconhecido o direito aos créditos relativamente às aquisições de “material de embalagem secundária”, “caixa de isopor para acondicionamento provisório de matériaprima”, “fretes na aquisição de matériaprima”, “frete na venda de produto”; que o ressarcimento do crédito seja efetivado com a devida atualização monetária, com base na variação da Taxa Selic entre a data do protocolo do pedido e a sua efetiva utilização, seja em moeda corrente, seja através de compensações deste crédito na liquidação de débitos tributários da Manifestante administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; que o valor de R$ 15.182,43 (quinze mil, cento e oitenta e dois reais e quarenta e três centavos) reconhecido e aprovado no Despacho Decisório seja atualizado monetariamente pelas mesmas razões acima indicadas.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis DRJ/FNS julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade. A ementa do acórdão é a seguinte: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto fabricado. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo Fl. 473DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 9 8 produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. FRETE NA VENDA. O aproveitamento de créditos das contribuições para o PIS/Pasep sobre as despesas de fretes de mercadorias só foi possível a partir da vigência do inciso IX do art. 3º. da Lei nº. 10.833/2003, referentes às operações de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. Os dispositivos legais em vigor relativos aos créditos de não cumulatividade afastam expressamente a aplicação de juros compensatórios no ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório.” Contra a decisão da DRJ/FNS a contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando que: A) Preliminarmente: i) No acórdão recorrido há contradição entre a ementa e o voto, pois ficou consignado no “Assunto” da ementa “Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins”, quando o processo trata de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep; e, no fechamento do acórdão consta intimação para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, quando o correto seria constar determinação à DRF em Fortaleza para tomar providência para o ressarcimento do valor reconhecido no julgamento realizado. ii) A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB não poderia efetuar glosas em seu pedido, pois este foi apreciado muito tempo após o prazo de 360 dias, previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, após o prazo decadencial para o lançamento de tributos e após o prazo previsto para homologação tácita de declarações de compensação. B) No mérito: Fl. 474DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 10 9 i) Que a DRJ/FNS errou ao não aceitar uma única aquisição de camarão como passível de ser computada no crédito da contribuição, sob o entendimento de que a nota fiscal que acobertou esta aquisição não continha elementos suficientes para concluir que se tratava de venda para industrialização/beneficiamento, sendo que outras notas fiscais foram entendidas como passíveis de gerar direito a crédito, apesar de conterem a notação “mercadoria destinada à exportação” ou outra semelhante. Afirma que a aquisição glosada referese a matériaprima que foi destinada para seu endereço e passou por processo de industrialização, devendo ser integrar a base do ressarcimento. ii) Ratificou e reforçou seu posicionamento na manifestação de inconformidade em relação às aquisições dos insumos: embalagem secundária, caixa de isopor, fretes no transporte de matériasprimas, fretes de venda. iii) As embalagens de transporte são essenciais a suas atividades, sendo as vendas efetuadas em caixas (máster box) de 20 kg de camarão, logo, estas caixas não podem ser consideradas apenas embalagens de transporte. iv) As caixas de isopor são utilizadas na fase operacional de despesca e de transporte de matériaprima (camarão in natura) entre a fazenda de criação e a indústria (frigorífico), sendo contabilizada como custo de produção e não como imobilizado. v) Os fretes são contratados para levar gelo, utilizado para conservar o camarão in natura a ser despescado e, uma vez realizada a despesca, para levar o camarão para o frigorífico, que providenciará a industrialização do pescado. Estes serviços são repetidos várias vezes até a conclusão da despesca de um tanque de criação, de modo que o serviço de frete transporta os bens adquiridos com mais de uma nota fiscal de gelo e mais de uma nota fiscal de camarão. Apenas ao final da despesca, o fornecedor do frete emite sua nota fiscal de serviço, baseandose na quantidade de camarão transportado, sem identificar as notas fiscais, de modo que é muito difícil vincular as notas fiscais de insumos com as notas fiscais de fretes realizados. vi) Quanto às despesas com fretes nas operações de vendas, não é verdade que a possibilidade de estes gastos darem direito ao crédito da contribuição apenas surgiu com a entrada em vigor do art. 93, I, da Lei nº 10.833, de 2003. Esta norma corrobora os argumentos de que todas as despesas necessárias à sua atividade são passíveis de geração de crédito. vii) O ressarcimento deve ser efetivado com atualização monetária em decorrência da demora injustificável do Fisco em analisar o pedido, não se aplicando ao caso a vedação contida no art. 13, da Lei nº 10.833, de 2003. Ao final, requer que: o pedido de ressarcimento seja deferido tacitamente; ou seja reconhecido o pleito para ressarcimento em sua integralidade e seja atualizado pela taxa Selic entre a data do protocolo do PER/DCOMP e a data do efetivo ressarcimento ou utilização. É o relatório Fl. 475DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Paulo Sérgio Celani Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento por esta Turma Especial. Preliminares. Erros de escrita no acórdão recorrido. O fato de constar no acórdão da DRJ incorretamente intimação para pagamento e, como assunto, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, quanto o correto seria Contribuição para o PIS/Pasep, não é causa de nulidade. Não há previsão legal ou regimental de embargo da decisão de primeira instância administrativa, nem de retificação do acórdão recorrido pelo CARF. A recorrente não alegou nem demonstrou ter sofrido prejuízo com os erros de escrita e não houve cerceamento do direito de defesa. Por outro lado, o acórdão decorrente do presente julgamento sobreporseá ao acórdão da DRJ/FNS, de modo que não há necessidade de retificar o acórdão recorrido. Sobre a demora na apreciação do pedido. É desejável que os pedidos administrativos demorem pouco para serem analisados e decididos, porém não é razoável que todo pedido administrativo relativo a tributo, direito indisponível do Estado, seja automaticamente deferido se o prazo não for atendido. O art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, ao estabelecer que “é obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta dias) a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte” não diz que a conseqüência do descumprimento deste prazo acarreta o deferimento tácito do pedido. O prazo de cinco anos para homologação de declaração de compensação, sob pena de ser considerada homologada tacitamente, não se aplica a pedidos de ressarcimentos. Assim, por falta de previsão legal, não se pode considerar homologado o pedido de ressarcimento pleiteado neste processo. Acrescentese que, conforme a própria recorrente afirma, ela obteve provimento judicial determinando a atualização monetária dos valores ressarcidos ou que vierem a ser ressarcidos neste processo, o que diminui os efeitos da demora na apreciação do pedido. Mérito. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 12 11 Atualização monetária. Está em julgamento nesta sessão outros dois processos das mesma empresa versando sobre as mesmas matérias aqui discutidas. No processo nº 10380.011296/200371, verifico que, em 3/2/2015, a recorrente protocolou requerimento, por meio do qual informou ter interposto ação ordinária contra a União, processada sob o número 080038359.2013.4.05.8100, com o objetivo de ter reconhecido seu direito à atualização monetária em vários processos administrativos, entre os quais este se inclui. A ação ordinária transitou em julgado em 11/12/2014 em favor da recorrente, motivo pelo qual solicita seja observado o princípio da coisa julgada e reconhecido o direito à atualização monetária pela taxa Selic. Foram juntadas cópias das decisões judiciais e Certidão de Trânsito (2º Grau) àquele processo. Pelo princípio da unicidade da jurisdição, a decisão judicial prevalece sobre a decisão administrativa, logo, não cabe a este Colegiado pronunciarse sobre esta matéria. Com base neste princípio, foi editada a Súmula CARF nº 1, cujo enunciado é o seguinte: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O que fundamenta esta súmula é o fato de a interessada submeter ao Poder Judicial a mesma matéria discutida em processo administrativo e o fato de as decisões judiciais se sobreporem às administrativas. Logo, seja no caso de concomitância seja no caso de coisa julgada, o CARF só pode apreciar matéria distinta da constate de processo judicial, por força da Súmula CARF nº 1 e do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARFRICARF. Por estas razões, voto por não conhecer o recurso voluntário quanto à matéria atualização monetária dos valores ressarcidos ou a ressarcir, assentando que a decisão judicial deverá ser observada pela Unidade da RFB. Aquisições de insumos com fim específico de exportação. Depreendese da decisão da DRF de origem e do acórdão recorrido que o fundamento para a glosa em relação a esta matéria foi que a legislação estabelece isenção da Contribuição para o PIS/Pasep sobre as receitas de vendas com fim específico de exportação para o exterior a empresas exportadoras, considerandose adquiridos com este fim os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 13 12 Sendo tais vendas isentas, o adquirente não pode aproveitar créditos nelas baseados. A isenção está regulamentada no art. 45, IX, §1º, do Decreto nº 4.524, de 2002, e fundamentada no art. 14, da MP nº 2.15835, art. 39, §2º, da Lei nº 9.532, de 1997, art. 3º, da Lei nº 10.560, de 2002, e art. 7º, da Medida Provisória nº 75, de 2002. Assim, aquisições acobertadas por notas fiscais que continham a expressão “mercadoria destinada à exportação” ou outra semelhante foram glosadas pela fiscalização. A DRJ/FNS entendeu que a simples menção nas notas fiscais de que as mercadorias se destinavam à exportação não era suficiente para a glosa e, baseandose em outras informações, tais como o CFOP constantes das notas, o processo produtivo e o fato de constar nas notas que o produto foi remetido para beneficiamento/industrialização, entendeu que havia evidências de que os produtos não foram de fato adquiridos com o fim específico de exportação. Após análise da DRJ, apenas uma nota fiscal, da empresa “Celpex”, manteve se glosada, sob o argumento de que não trazia indicações de que a mercadoria se tratava de camarões in natura ou que foram enviados para o beneficiamento em outra empresa. Ao contrário do que alega a recorrente, não há aqui uma contradição, pois, as demais notas fiscais contêm mais elementos em favor da contribuinte do que esta. Entretanto, entendo que a glosa deva ser cancelada. É que a impossibilidade de ensejar direito ao crédito decorre da isenção da operação de venda efetuada nos moldes da legislação acima referida, de modo que, para fazerem jus à isenção, os produtos devem ser exportados diretamente ou remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Cito o Decreto nº 4.524, de 2002: “Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 14, Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º , e Lei nº 10.560, de 2002, art. 3º , e Medida Provisória nº 75, de 2002, art. 7º ): (...) IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. § 1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.” Fl. 478DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 14 13 A nota fiscal glosada não preenche requisitos que permitam considerar a operação por ela acobertada isenta da contribuição: não se refere a exportação direta e não contém no seu corpo expressão de que os produtos estão sendo remetidos para recinto alfandegado, por conta e ordem de empresa comercial exportadora. Ora, se a operação não é isenta, a glosa fundada na isenção não se sustenta. Por estas razões, voto por cancelar a glosa da aquisição amparada pela Nota Fiscal nº 022, emitida pela empresa Celpex Indústria do Pescado, no valor de R$ 62.954,14. Insumo e a contribuição para o PIS/Pasep sob a regência da Lei nº 10.637, de 2002. Com fundamento em doutrina e jurisprudência do CARF, a recorrente argumenta que o conceito de insumo utilizado na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep é mais amplo que o utilizado na legislação do IPI. É verdade que várias turmas de julgamento do CARF adotam um entendimento do conceito de “insumo” mais amplo para a aferição de quais gastos ensejam direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep do que o adotado em relação aos créditos de IPI. Entretanto, esta Turma, por voto de qualidade, tem decidido em sentido contrário, entendendo que o conceito de “insumo” é bem mais restritivo, senão vejamos. A Lei nº 10.637, de 2002, determina: “Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 479DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 15 14 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Para gerarem crédito, os gastos glosados pela fiscalização deveriam enquadrarse no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, pois não se enquadram em nenhum dos demais incisos deste artigo. Tendo em vista que a recorrente alega justamente isto, pois, segundo ela, todos os gastos necessários ao processo produtivo poderiam ser incluídos no cálculo dos créditos a serem deduzidos dos valores a recolher, seja da Cofins, seja da Contribuição para o PIS/Pasep, tratemos do conceito de insumo. Conforme o art. 153, IV, § 3º II, da CF/88, o imposto sobre produtos industrializados (IPI), de competência da União, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. E, segundo o art. 155, II, §2º, I, da CF/88, o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS), de competência dos Estados e do Distrito Federal, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelos Estados ou pelo Distrito Federal. Até pouco tempo atrás, apenas a estes dois tributos, classificados no CTN como impostos sobre a produção e a circulação, aplicavase a nãocumulatividade. Muito se discutiu sobre que bens e serviços, uma vez adquiridos, ensejariam crédito para compensar com o que seria devido nas operações tributadas por estes impostos, de modo que o que se entende por “insumo” está atrelado à materialidade deles. Vale dizer, o conteúdo do conceito de “insumo” decorre dos entendimentos firmados sobre quais bens e serviços seriam alcançados pela nãocumulatividade própria de impostos incidentes sobre a produção e a circulação. É este conteúdo que o legislador tinha em mente, quando se referiu a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda como aqueles que dariam direito a créditos para abatimento da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep a serem recolhidas. Ao não elucidar o que deveria ser entendido por “insumo”, o legislador, por certo, admitiu que aquilo que se tinha como o seu conteúdo deveria servir para nortear a concretização do comando legal bem como as condutas das pessoas a quem a norma se destinava. Fosse intenção do legislador que o termo “insumo” tivesse um alcance maior do que o já consolidado, teria ele expressado um conceito de insumo diferente. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 16 15 Assim, devem ser rechaçados argumentos segundo os quais o conceito de “insumo” somente poderia ser igual ao utilizado pela legislação do IPI se a lei assim determinasse. Pelo contrário, por serem, Cofins e PIS/Pasep, contribuições instituídas por lei federal, a legislação do IPI, que também é tributo federal nãocumulativo, pode e deve ser utilizada para obtenção do conceito de “insumo”. Também não deve ser aceito argumento segundo o qual todos os gastos dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incluirseiam no conceito de insumo para fins de abatimento dos valores a serem recolhidos como Cofins e contribuição para o PIS/Pasep, pois, isto implicaria considerar letra morta muitos dos dispositivos das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, que apresentam rol de bens, cujas aquisições podem ser incluídas na apuração de créditos a serem descontados destas contribuições. Quisesse o legislador que todos os gastos necessários à produção, fabricação ou prestação de serviços ensejassem o direito ao crédito, não usaria o termo “insumo”; reproduziria legislação do IRPJ ou evidenciaria que todos os gastos dedutíveis em relação ao IRPJ dariam aquele direito. Assim, da leitura dos dispositivos que trataram da nãocumulatividade da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, com base no que foi dito acima, aos bens conceituados como insumo à luz da legislação do IPI, a saber, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos, em decorrência de contato direto com estes, devem ser acrescentados: os serviços utilizados na prestação de serviços e na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda; outros bens utilizados na prestação de serviços e na produção, ainda que não industrial, de bens destinados à venda; outros gastos expressamente citados nas Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Em reforço a tal entendimento, vejamse alguns trechos da Exposição de Motivos da MP nº 66, de 26/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002: “2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretende, na forma desta Medida Provisória, é, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep. (...) Fl. 481DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 17 16 7. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. (...) 9. A alíquota foi fixada em 1,65% e incidirá sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, admitido o aproveitamento de créditos vinculados à aquisição de insumos, bens para revenda e bens destinados ao ativo imobilizado, ademais de, entre outras, despesas financeiras. (...) 44. Com relação ao atendimento das condições e restrições estabelecidas pelo art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, cumpre esclarecer que: a) a introdução da incidência não cumulativa na cobrança do PIS/Pasep, prevista nos arts. 1º a 7º, é rigorosamente neutra do ponto de vista fiscal, porquanto a alíquota estabelecida para esse tipo de incidência foi projetada, precisamente, para compensar o estreitamento da base de cálculo; ... (...)” E, na Mensagem de Veto nº 1.243, de 30/12/2002, a razão que levou o Presidente da República a vetar dispositivos, por meio dos quais se tentava alterar a MP, foi que, se fossem sancionados, romperseia a premissa sobre a qual foi construída a nova modalidade de incidência da contribuição, devidamente acertada com a comissão especial constituída no âmbito da Câmara dos Deputados para tratar da matéria, a qual previa neutralidade sob o ponto de vista da arrecadação. Havia, pois, preocupação quanto ao atendimento às condições e restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal, de modo que o equilíbrio das contas públicas não seria posto em risco pela introdução da cobrança nãocumulativa, e a carga tributária correspondente ao que se arrecadava com a cobrança do PIS/Pasep seria mantida. Assim, caberia à RFB, para fins de controle do crédito presumido, estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. É razoável acreditar que, segundo expectativas da época, se fossem incluídos todos os gastos na apuração do crédito a ser descontado, a arrecadação tributária não se manteria, o que nos leva a concluir que o conceito de insumo não poderia ser alargado em relação àquele então aceito. Por tudo isso, correto o entendimento expressado pela RFB órgão responsável pela administração tributária da União, a quem compete interpretar e aplicar a legislação tributária federal, ao editar os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução que, ao expedir a Instrução Normativa nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, e a IN SRF nº 404/2004, adotou interpretação para o conceito de insumo, com base na concepção tradicional da legislação do IPI: Cito a IN/SRF nº 247, de 2/11/2002, com alterações da IN SRF nº 358, de 9/9/2003, que dispôs sobre a incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep: Fl. 482DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 18 17 Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do art. 19; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (grifei) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (gn) Esta turma decidiu no mesmo sentido, por voto de qualidade, conforme acórdão nº 3801002.668, de 29/01/2014, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, de cujo voto extraio a seguinte passagem, com grifos no original: “Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) Fl. 483DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 19 18 §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 20 19 (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse)” Mercadorias e Serviços não aplicados no sistema produtivo da empresa. Assentada abrangência do conceito de insumo, passamos aos gastos glosados pela fiscalização. Gastos com embalagens, caixas de isopor, fretes de camarão in natura e gelo, fretes de vendas. No recurso voluntário, os gastos especificamente abordados pela recorrente são os seguintes, já tratados na manifestação de inconformidade: embalagem secundária, em especial caixas (máster Box) com capacidade para 20 kg de camarão, caixa de isopor utilizadas na despesca e de transporte de camarão in natura entre a fazenda de criação e o frigorífico, que faz a industrialização do pescado, fretes pagos no transporte de gelo e camarão e fretes de vendas. Para gerarem direito a crédito, as embalagens devem ser utilizadas na produção do bem, caracterizandose como tal aquelas que, ao envolverem o produto, alteram a Fl. 485DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 21 20 sua apresentação, conforme se verifica no art. 4º, inc. IV, do Regulamento do IPI de 2002 (Decreto nº 4.544, de 2002). Se forem incorporadas após o produto estar pronto, como é o caso das embalagens de transporte, não se caracterizam insumo, não sendo passíveis de gerarem crédito da contribuição não cumulativa. No presente caso, agiu com acerto a fiscalização ao considerar apenas as embalagens de apresentação do produto, aqui chamadas embalagens primárias, como capazes de gerar o direito ao crédito e glosar as aquisições das chamadas embalagens secundárias, embalagens que contêm um conjunto de produtos acondicionadas nas embalagens primárias, pois são embalagens de transporte do produto já acabado e embalado. As caixas de isopor usadas para transportar gelo e camarão in natura não são consumidas no processo produtivo, logo, não se enquadram no conceito de insumo adotado Quanto aos gastos com fretes, tendo em vista que a lei permite que se incluam no cálculo do crédito as aquisições de bens adquiridos para revenda e de insumos utilizados na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens destinados à venda; e que incluem o custo dos bens adquiridos e dos insumos, os gastos com o transporte destes bens e insumos, desde que tenha havido a cobrança da contribuição na sua aquisição, por força do art. 3º, §2º, inc. II, da Lei nº 10.637, de 2002, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004; então, em princípio, poderiam ser admitidos os créditos com estes gastos. Porém, para tal aproveitamento, tendo em vista que o crédito deve ser líquido e certo, conforme artigos 165 e 170 do CTN, e que incumbe àquele que alega um direito o ônus de provar os fatos em que se funda, art. 333 do Código de Processo Civil, a contribuinte deveria comprovar que os gastos com fretes decorreram do transporte de insumos, o que não ocorreu no presente caso. Destaquese que a própria recorrente, após explicar como é feito o transporte do camarão in natura e do gelo utilizado na despesca e como são emitidas as notas fiscais, conclui que é muito difícil vincular as notas fiscais de insumos com as notas fiscais de fretes realizados. Quanto ao frete das vendas, tratase de gasto com transporte efetuado após o bem ter sido produzido, logo, não pode ser considerado insumo. Por outro lado, conforme assentado na decisão recorrida, os gastos com fretes sobre vendas passaram a dar direito ao crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas a partir de 1º/02/2004, quando entrou em vigor o inciso IX, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, por força do disposto no art. 93, inciso I, da mesma lei, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor. Uma vez que foram glosados os gastos com fretes de vendas suportados pelo vendedor anteriores a 1º/2/2004, não há reparos a serem feitos. Por estas razões, devem ser mantidas as glosas referentes aos gastos com caixas (máster box), caixas de isopor, fretes de vendas referentes a transportes realizados antes de 1º/02/2004 e fretes que não tenham sido comprovados como vinculados a aquisições de insumos segundo o conceito adotado neste voto. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011297/200316 Acórdão n.º 3801005.362 S3TE01 Fl. 22 21 Conclusão. Pelas razões expostas, voto por não conhecer o recurso voluntário quanto à atualização monetária dos créditos pleiteados, assentando que a Unidade da RFB deverá cumprir a decisão judicial transitada em julgado. Na parte conhecida, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a glosa referente à aquisição acobertada pela Nota Fiscal nº 022, da empresa CELPEX Indústria do Pescado Ltda, no valor de R$ 62.954,14; nas demais matérias, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 487DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10925.000486/2005-21
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jul 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2006
EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE ECONÔMICA.
Não se tratando de atividade vedada pela sistemática do simples, não cabe a exclusão da empresa. A caracterização da cessão de mão de obra depende do conjunto probatório e do contrato firmado e não se tratando dessa subespécie de locação de mão de obra efetivamente, a empresa permance sob a égide da sistemática simplificada.
Numero da decisão: 1803-002.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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ATIVIDADE ECONÔMICA. Não se tratando de atividade vedada pela sistemática do simples, não cabe a exclusão da empresa. A caracterização da cessão de mão de obra depende do conjunto probatório e do contrato firmado e não se tratando dessa subespécie de locação de mão de obra efetivamente, a empresa permance sob a égide da sistemática simplificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 04 86 /2 00 5- 21 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.000486/200521 Acórdão n.º 1803002.603 S1TE03 Fl. 159 2 Tratase, o presente feito, de exclusão da sistemática do simples, por motivo de exercício de atividade vedada, qual seja: locação de mão de obra, conforme ADE nº 28/2005. O fundamento se encontra nos art. 9º a 16 da Lei 9.317/96. Devidamente cientificada, a ampresa recorrente apresenta suas razões em seara de manifestação, de forma tempestiva, alegando, em apertada síntese, que não sua atividade: sexagem de aves, não se trata de locação de mão de obra e sim prestação de serviços de identificação do sexo de aves. Junta ao feito os contratos firmados com a SADIA. Prossegue aduzindo que o fato de prestar serviços exclusivamente, por meio de seus sócios, sem a utilização de empregados, comprova a não ocorrência de locação de mão deobra. Afere, de igual modo, que a sua atividade não pode ser enquadrada no conceito de locação de mão de obra, conforme determina o Parecer COSIT nº 69/99. Salienta que não contrata funcionários e os cede às constratantes, mas sim exercem os próprios sócios a atividade de sexagem de aves. Afirma que os serviços não são prestados para suprir necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou acréscimo extraordinário de tarefas. Ademais, aduz que as prestações de serviços ocorrem com completa autonomia e que a remuneração é paga com base na quantidade de aves sexadas. Junta ao feito ações pertinentes a sua atividade já julgadas pelo Poder Judiciário. A autoridade de primeira instância entendeu por bem manter a exclusão do sistema simples, sob o fundamento de se tratar de locação de mão de obra. Argumenta a autoridade, em apertada síntese, que o Parecer COSIT n. 69/99 deixa claro que a locação de mão de obra referenciada na alínea "f" do inciso XII, do art. 9º, da Lei 9317/96 deve ser interpretada de forma ampla, englobando institutos semelhantes ao da locação de mãodeobra em sentido estrito, como a cessão de mãodeobra e a empreitada exclusiva de mãodeobra. Afere que estão impedidas de optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que prestam serviços mediante cessão de mãodeobra, empreitada exclusiva de mãodeobra e locação de mãodeobra em sentido estrito. Atenta que no presente caso, restou claro que a atividade prestada pela recorrente empresa o uso da cessão de mão de obra. Discorre sobre as podenrações da cessão de mão de obra e as leis que envolve esse instituto. De igual modo, atenta o julgador de primeira instância que os contratos realizdos entre a empresa recorrente e suas contratantes deixa claro tratarse de prestação de serviço com cessão de mão de obra. Cita cláusulas contratuais. E, entende que o simples fato dos serviços serem prestados pelos sócios da recorrente, sem o concurso de empregados, ao contrário do que é aduzido na manifestação de inconformidade, não desnatura a configuração da cessão de mãodeobra, já que o §3°, do artigo 31 da Lei n° 8.212/1991, ao definir tal instituto, não exige a colocação à disposição do contratante de empregados da contratada, e sim de segurados (da Previdência Social) desta (contratada). Prossegue aduzindo que a afirmação feita na manifestação de Inconformidade de que os serviços prestados pela recorrente não visam suprir necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente da contratante ou acréscimo extraordinário de tarefas desta (contratante), apenas reforça a configuração da cessão de mãodeobra, já que nesta, ao contrário do que ocorre na locação de mãodeobra em sentido estrito, os serviços Fl. 159DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.000486/200521 Acórdão n.º 1803002.603 S1TE03 Fl. 160 3 prestados, por se repetirem periódica ou sistematicamente, constituem necessidade permanente da contratante (serviços contínuos). Acrescenta dizendo que o mero fato do pagamento dos serviços ser feito com base na quantidade de aves sexadas não tem o condão de desnaturar a configuração da cessão de mãodeobra, porquanto, conforme demonstrado acima, encontram se presentes todos os requisitos previstos no §3°, do artigo 31, da Lei n° 8.212/ 1991. Foi apresentada declaração de voto, na qual o julgador entende que não há locação de mão de obra e que sequer há como configurar e enquadrar nas atividades exercídas pela empresa, através exclusivamente dos seus sócio, como cessão de mão de obra. Entende que não há como subsumir, na norma que disciplina a matéria correspondente a atividade vedada pela sistemática do Simples, a atividade praticada pela empresa recorrente. De igual modo, entende que a elaboração de contratos sem o apuro necessário não tem o condão de retirar da atividade a possibilidade de se enquadrar no sistema Simples. Cita doutrina e norma nesse sentido. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância em 30.11.2009, a empresa recorrente apresenta em 30.12.2009 de forma tempestiva suas razões em seara de recurso voluntário. Aduz sinteticamente o já disposto na impugnação. De ordem, por designação como redatora ad hoc, cabe formalizar a presente decisão conforme apresentada em plenário, dado que a relatora original não mais compõe o colegiado, nos termos da Portaria MF nº 217 publicada no DOU de 28.04.2015 e do art. 17 e do art. 18, ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256, 22 de junho de 2009. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos vinte e quatro dias do mês de março do ano de dois mil e quinze, às nove horas, Pauta de julgamento dos recursos das sessões ordinárias a serem realizadas nas datas a seguir mencionadas, no Setor Comercial Sul, Quadra 01, Edifício Alvorada, 3º Andar, Sala 306, em Brasília Distrito Federal, reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, MEIGAN SACK RODRIGUES, ROBERTO ARMOND FERREIRA DA SILVA, RICARDO DIEFENTHAELER, FERNANDO FERREIRA CASTELLANI e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): MEIGAN SACK RODRIGUES Processo: 10925.000486/200521 Recorrente: DIOGO N YAMAKAWA & CIA LTDA ME e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1803002.603 Decisão: Por unanimidade de votos deram provimento ao recurso voluntário. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.000486/200521 Acórdão n.º 1803002.603 S1TE03 Fl. 161 4 Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO Resultado: Recurso Voluntário Provido Sem Crédito em Litígio É o relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada Ad Hoc O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Tratase, o presente feito, de exclusão da sistemática do simples, por motivo de exercício de atividade vedada, qual seja: locação de mão de obra, conforme ADE nº 28/2005. O fundamento se encontra nos art. 9º a 16 da Lei 9.317/96. A autoridade de primeia instância entende tratarse de atividade exercida através da cessão de mão de obra e que sendo a cessão de mão de obra uma subespécie da locação de mão de obra, estaria vedada sob a égide da Lei 9.317/96, em seu art. 9º, inciso XII, alínea "f". Sustenta todo o seu entendimento nos contratos firmados entre a empresa recorrente e a contratante Sadia. Entendo que não merece apreço a decisão proferida pela instância a quo. Isso porque a decisão fundamentouse apenas e tão somente em cláusulas, não bem apuradas e redigidas, da empresa recorrente com uma contratantes (SADIA SA), deixando de cotejar as demais provas carreadas aos autos que vão de encontro ao posicionamento do julgador. Embora tenha apreciado todas as provas, achouas irrelevantes para a desconfiguração da cessão de mão de obra. Contudo, entendo que as provas carreadas aos autos são imprescindíveis e na realidade descaracterizam a cessão ou locação de mão de obra. No caso, há que se levar em conta que a atividade exercida pela recorrente nãos e constitui em locação de mão de obra, muito menos em uma subespécie ou derivativo dessa. Tratase, ao meu ver, de uma prestação de serviços, cujo objetivo é a separação por sexo de aves de um dia (sexagem), em que o pagamento será realizado na conformidade com o número de aves examinadas. Do exposto, aferese que há autonomina entre a empresa recorrente e a contratante e isso por si só já torna incompatível com o contrato de locação de mão de obra ou mesmo com o de cessão de mão de obra. Outro ponto relevante é o fato da empresa recorrente não possuir empregados. Atentamos para o fato de que foi juntado ao feito o RAIS Relação Anula de Informações Socias. Tal documento é imprescindível para a verificação de que não se está diante de locação de mão de obra, vez que esta pressupõe a utilização de trabalho alheio, sendo Fl. 161DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.000486/200521 Acórdão n.º 1803002.603 S1TE03 Fl. 162 5 que o documento demonstra que o serviço de sexagem é realizado pelos sócios da empresa recorrente. Assim, ainda que adentrássemos no conceito do que seja locação de mão de obra, sua diferenciação para cessão de mão de obra, as normas e pareceres na qual estão dispostas, em nada influenciaria tomando em conta o fato de que para restar configurada a cessão de mão de obra, como intenta a decisão a quo, importa que haja colocação de funcionários à disposição da contratante (SADIA), em suas dependências, para a realização de serviço contínuo. Claro e evidente está que a empresa não preenche os três requisitos acima dispostos e tão pouco é da natureza da prestação do seu serviço (sexagem de aves) a cessão de mão de obra. Convém verificar que o contrato de prestação de serviço de sexagem estabelece que a recorrente tem a obrigação de entregar à empresa contratante um produto final, qual seja: a ave comercial de um dia sexado. Ademais, o contrato também revela que o valor será estipulado em razão do número de perus sexados, sendo que a recorrente indenizará a contratante (SADIA) no caso do erro de sexagem ultrapassar a 2%. Ademais, devemos atentar para o fato de que os prestadores de serviços não ficam à disposição da contratante (SADIA), antes são eles que tem a obrigação de estabelecer os horários de incubação e eclosão, com a finalidade de adequar os métodos de sexagem dentro dos padrões de qualidade internacional. Assim, entendo mercer procedência ao recurso voluntário interposto pela empresa recorrente, tomando em conta a sua atividade exercida não se encontrar elencadas entre as atividades vedadas pela sistemática do Simples. Ainda, tratandose de uma contratação de um produto acabado, jamais poderia subsumir no conceito de cessão de mão de obra. Em assim sucedendo, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 162DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10611.720210/2014-97
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados na Importação
Período de Apuração: 01/10/2012 - 31/10/2012
NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA EM LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA QUANDO HAJA DEPÓSITO TEMPESTIVO DO MONTANTE INTEGRAL DO TRIBUTO.
A teor da Súmula 5 do CARF, descabe incidência de juros de mora em lançamento levado a efeito para prevenir a decadência quando inconteste que o montante integral do tributo foi depositado tempestivamente, uma vez que não há se falar em mora na espécie.
Numero da decisão: 3403-003.635
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, unanimidades de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Matéria AI - IPI Recorrente LÍDER TÁXI AÉREO S/A BRASIL Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados na Importação Período de Apuração: 01/10/2012 - 31/10/2012 NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA EM LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA QUANDO HAJA DEPÓSITO TEMPESTIVO DO MONTANTE INTEGRAL DO TRIBUTO. A teor da Súmula 5 do CARF, descabe incidência de juros de mora em lançamento levado a efeito para prevenir a decadência quando inconteste que o montante integral do tributo foi depositado tempestivamente, uma vez que não há se falar em mora na espécie. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, unanimidades de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ANTÔNIO CARLOS ATULIM - Presidente. (assinado digitalmente) JORGE FREIRE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Ivan Alegretti, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaia Batista e Jorge Freire. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Versam os autos recurso voluntário que tem como objeto o pedido de reforma da decisão a quo para que sejam excluídos os juros de mora aplicado em lançamento que teve por fulcro prevenir a decadência, uma vez que o mérito da matéria em litígio está sob apreciação do Poder Judiciário em instância recursal e o montante integral do valor litigado foi depositado tempestivamente. O Auto de Infração foi motivado para constituir crédito tributário de IPI, uma vez que a recorrente importou sob regime de admissão temporária para utilização econômica o helicóptero (NCM 8802.12.10) de número de série 920170, nos termos da Declaração de Importação (DI) 12/1962021-3. Ao valor do principal foram acrescidos juros de mora. O lançamento foi lavrado com exigibilidade suspensa com fulcro no art. 151, II, do CTN. É o relatório. Voto Dessume-se do relatado que a empresa importou mercadoria para uso em seus fins estatutários sob regime de admissão temporária nos termos da IN SRF 285, de 14/01/2013. Contudo, previamente ao registro da DI ajuizou mandado de segurança para ver afastada a incidência do IPI nessa importação. Foi concedida a liminar nos termo postulados e, no mérito, o juízo monocrático denegou a segurança, tendo dessa decisão a empresa recorrido, restando o mesmo ainda sem julgamento. Sendo inconteste nos autos que houve depósito do montante integral do IPI incidente sobre a importação e que o mesmo foi tempestivo, descabe a incidência dos juros de mora uma vez que mora não houve. Nesse sentido, a Súmula nº 5 do CARF, cujo enunciado foi vazado nos seguintes termos: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para afastar a incidência dos juros de mora. Jorge Freire Fl. 822DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10611.720210/2014-97 Acórdão n.º 3403-003.635 S3-C4T3 Fl. 2 3 Fl. 823DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Relatório Voto
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Numero do processo: 10882.901021/2008-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001
ISENÇÃO. RECEITAS. ZONA FRANCA DE MANAUS.
As receitas decorrentes de vendas mercadorias e serviços e/ ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ ou industrialização, realizadas até a data de 21/12/2000 estavam sujeitas ao PIS, tornando-se isenta dessa contribuição somente a partir de 22/12/2000.
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
A Cofins apurada e paga sobre as receitas de vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, efetivamente internalizadas naquela zona franca, a partir de 22/12/2000, constitui indébito tributário passível de restituição/compensação.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-002.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Joel Miyazaki e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões. A Conselheira Nanci Gama apresentará declaração de voto com as conclusões da maioria.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2200; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 148 1 147 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10882.901021/200885 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303002.650 – 3ª Turma Sessão de 13 de novembro de 2013 Matéria DCOMP RECOLHIMENTO INDEVIDO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SHERWIN WILLLIAMS DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 ISENÇÃO. RECEITAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. As receitas decorrentes de vendas mercadorias e serviços e/ ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ ou industrialização, realizadas até a data de 21/12/2000 estavam sujeitas ao PIS, tornandose isenta dessa contribuição somente a partir de 22/12/2000. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. A Cofins apurada e paga sobre as receitas de vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, efetivamente internalizadas naquela zona franca, a partir de 22/12/2000, constitui indébito tributário passível de restituição/compensação. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Joel Miyazaki e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões. A Conselheira Nanci Gama apresentará declaração de voto com as conclusões da maioria. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 10 21 /2 00 8- 85 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente e m 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10882.901021/200885 Acórdão n.º 9303002.650 CSRFT3 Fl. 149 2 Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão proferido pela Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, sob a seguinte ementa: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. COFINS. BASE DE CÁLCULO. VENDAS A EMPRESA LOCALIZADA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. Nos termos do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida "com suas características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição". Entre as "características" que tipificam a Zona Franca destacase esta de que trata o art. 4º do Decretolei 288/67, segundo o qual "a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro". Portanto, urante o período previsto no art. 40 do ADCT e enquanto não alterado ou revogado o art. 4º do DL 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a Zona Franca de Manaus são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Provido É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente e m 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10882.901021/200885 Acórdão n.º 9303002.650 CSRFT3 Fl. 150 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas as formalidades previstas no RICARF. O presente recurso trata do aspecto temporal da isenção concedida em relação às contribuições sociais – PIS e Cofins – apuradas e pagas sobre as receitas de vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, efetivamente internalizadas naquela zona franca. A exigência dessa contribuição, naquele período, estava regulada pela Lei nº 9.718, de 1998, que assim dispunha: “Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. §1º (revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) §2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente e m 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10882.901021/200885 Acórdão n.º 9303002.650 CSRFT3 Fl. 151 4 (...).” Posteriormente, o assunto foi tratado na edição da Medida Provisória (MP) nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, e reedições até a MP nº 2.03724, de 23 de novembro de 2000. O art. 14, caput e parágrafos, adiante transcritos, que redefiniram as regras de desoneração das referidas contribuições, assim dispõem: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: (...); II da exportação de mercadorias para o exterior; (...). § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...)” (destaques não originais) Portanto, de conformidade com estes dispositivos legais, as receitas decorrentes de vendas efetuadas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, até a data de 21 de dezembro de 2000, não gozavam da isenção da Cofins. Assim, para as receitas auferidas até aquela data, a contribuição apurada e recolhida mensalmente pela recorrente era devida, não se constituindo em indébito tributário passível de restituição/compensação, conforme seu entendimento. No entanto, para os períodos de competência subsequentes, as receitas decorrentes de vendas de mercadorias destinadas a empresas localizadas naquela zona França e que efetivamente foram nela internadas passaram a gozar da isenção dessa contribuição, por força da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na ADIN nº 2.348, impetrada pelo Governo do Estado do Amazonas. Naquela ADIN, em sessão plenária de 7 de dezembro de 2000, o STF deferiu Medida Cautelar suspendendo, “ex nunc”, a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, até então contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de novembro de 2000. Em face desta decisão, o Poder Executivo editou a MP nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000 (atualmente MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001), na qual foi suprimida a expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I do § 2º do art. 14, assim dispondo: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...); II da exportação de mercadorias para o exterior; § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente e m 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10882.901021/200885 Acórdão n.º 9303002.650 CSRFT3 Fl. 152 5 § 2º As isenções previstas no caput e no § 1º não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...).” Dessa forma, concluise que a isenção da Cofins até então vedada pelo § 2º, inciso I do art. 14 da MP nº 1.8586, de 29/06/1999, e reedições até a MP nº 2.03724, de 23/11/2000, sobre as receitas de vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, com a reedição daquela MP sob o nº 2.03725, em 21/12/2000, dando nova redação àquele dispositivo, dessa vez, excluindo a vedação de isenção sobre receitas de vendas para aquela zona franca, essas passaram a gozar da isenção, nos termos dessa MP, art. 14, c/c o DecretoLei nº 288, de 26/02/1967, art. 4º, que assim dispõe: “Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” A título de informação, este é também o entendimento da própria Secretaria da Receita Federal manifestado nas Soluções de Consulta nºs 102; 113 e 135, por meio da Superintendência da Receita Federal em São Paulo, publicadas no Diário Oficial da União (DOU) de 08 e 28 de junho de 2001. Assim, a contribuição apurada e recolhida pela recorrente sobre as receitas de vendas mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2000, constitui indébito tributário passível de restituição/compensação. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela PGFN. Rodrigo da Costa Possas Declaração de Voto Conselheira Nanci Gama A presente declaração de voto se faz necessária para consignar que não obstante a concordância com a conclusão a que o Conselheiro relator chegou em seu voto, quanto os fundamentos, ao menos em parte, o mesmo não ocorre. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente e m 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10882.901021/200885 Acórdão n.º 9303002.650 CSRFT3 Fl. 153 6 Isto porque, com fundamento no artigo 4º do DecretoLei n° 288/1967, combinado com a previsão contida no artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as receitas provenientes de vendas a Zona Franca de Manaus jamais poderiam ser tributadas pela Cofins ou pelo PIS. E o posicionamento aqui defendido pode ser sintetizado pelo entendimento do Ministro Teori Albino Zavascki, quando do julgamento do REsp. 1084.380/RS, em 29.03.09, segundo o qual: “Nos termos do art. 40 do ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida “com suas características de área de livre comercio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por 25 ano, a partir da promulgação da Constituição”. Ora, entre as “características” que tipificam a ZAFM destacase esta de que trata o art. 4º do Decreto Lei 288/67, segundo o qual “a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na ZFM, ou reexportação pra o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e enquanto não alterado ou revogado o art. 4º do DL 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a ZFM são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à ZF. Essas razões é que justificam o posicionamento daqueles que votaram com pelas conclusões. Nanci Gama Fl. 153DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente e m 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10845.001219/2005-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3302-000.060
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rogério do Amaral S. Miranda de Carvalho, OAB/SP nº 120.627.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rogério do Amaral S,. Miranda de Carvalho, OAB/SP II 120.627. (Assinado digitalmente.) Walber José da Silva - Presidente (Assinado digitalmente.) José Antonio Francisco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Andréa Medrado Darze, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Processo n" 10845.001219/2005-61 Resolução n " 3302-00.060 S3-C312 El 406 RELATÓRIO 'Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Acórdão da 9 Turma de Julgamento da DRJ São Paulo 1 / SP, que, relativamente a declaração de compensação apresentada pela Interessada em 25 de abril de 2005 de Cotins não cumulativa do período de novembro de 2004, indeferiu sua solicitação, nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO . NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício 2004 PETIÇÃO À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA AÇÃO .JUDICIAL CONCOMITÁNCIA INOCORRÊNCIA Cabe apreciar o pleito do contribuinte no que toca à matéria não submetida à apreciação da Justiça Ocor te que, notando-se de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, apenas não se conhece da manifestação de incordbrmidade, quanto ao mérito, qucmclo se tenha o mesmo objeto da ação judicial, em respeito ao pi incipio da unicidade de fui isdição contemplado na Constituição Feder al de 1988. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DOS ATOS ADMINISTR411 VOS INORRÊNCIA DE NULIDADE À Administração Pública, para assegurar-lhe a autoridade necessária à consecução de seus .fins, são-lhe outorgados prerrogativas e privilégios que permita assegurar a supremacia do interesse público sobre o particular. Entre estes privilégios tem-se a presunção cia veracidade dos seus atos PROCESSO ADMINISTRA= FISCAL PERICIA CONTÁBIL DILIGÊNCIAS PRESCINDIBILIDADE A diligência ou perícia contábil objetiva subsidiar a convicção do julgador e não inverter o ônus da prova já definido na legislação A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando, quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos É prescindivel a pericia quando presentes, nos autos, os elementos necessários e suficientes à firmação da convicção cio julgador para proferir sua decisão. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao _julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Solicitação indeferida O pedido foi inicialmente indeferido pelo despacho decisório de Os. 102 a 116 em 17 de março de 2008, com base na informação fiscal de fls. 21 e 22 e 95, que teve o seguinte teor: 2 Processo o" 10845 001219/2005-6 I S3-C312 Resolução o " 3302-00,060 ri 407 No exercício das )(Unções de Auditor Fiscal da Receita Federal, em campalmente ao determinado no MN. .2006/00030-0, cujo objeto é a análise da COFINS, créditos decorrentes da não-cutindatividade, abrangendo o período de 08/2005 a 12/2004 e 02/2005, e originado do despacho contido no processo supracitado, encerramos a referida ação Fiscal no contribuinte acima identificado, cuja conclusão está representada pelo teor da presente, conforme segue.' 1. O presente processo consiste na Declaração (Fls. 1/17 ) em que o contribuinte solicita seja reconhecida e homologada a compensação do total de RS 2 871,601,60, à titulo de crédito da COF1NS não cumulativa, decorrente da soma dos créditos mensais por ele indicados às fls. 2/7, com o valor original de R$ 2.418 682,83, referentes ao imposto de renda e contribuição social sobre o lucro liquido, conforme processo e Fls em anexo. 2. Em cumprimento aos termos cie intimação e posteriore.s reintimações, o contribuinte exibiu os livros comerciais e fiscais, apresentou documentos, demonstrativos de cálculo e esclarecimentos, no sentido de identificar os valores que constituem os créditos aparados c aos quais alega ler direito de compensa-los com os débitos já, também, identificados. Em consequência do exame fiscal realizado, verificamos que: 3. A atividade da empresa,- cuja contabilidade é centralizada em sua sede, na cidade de Santos-SP -, consiste no comércio de compra e venda de mercadoria (café cru em grão) no mercado interne e externo ( exportação), sendo este responsável por mais de 80% do total mensal de sua receita, a qual é adicionada, mensalmente, valores relativos a outras receitas, 4 Os expedientes e a respectiva planilha em anexo (Fls 3/5) identificam e relacionam os totais mensais e acumulados correspondentes a a-) Receita da Atividade e Outras Receitas,. b-) Base de cálculo da Cafins e o seu correspondente valor devido mensalmente, c-) Apuração dos créditos da contribuição, decorrentes das compras e insumos, considera dos proporcionalmente com os totais das vendas no mercado interno e externo (exportação). cl-) Compensação da Cotins devida ( alínea "a") com os créditos apuradas ( alínea "c"). 5) Constam das Dipj, Dacon e Planilha elaborada, os valores mensais da COFINS devida, os respectivos créditos apurados e os saldos decorrentes das compensações. Em anexo (fls. 6/28) cópias da Dacon e Planilha, Dipj (fls. 33/45) Finalizando, após a compensação com o COFINS devida, os remanescentes saldos mensais dos créditos são utilizados para nova compensação, conforme exposto no item supra. No presente processo • tJa2o-io; -• • 3 Processo n'' 101“5.00 1219)2005-6 I S3-C3 1 2 Resolução n ." 3302-00.069 F. I 408 (Fls. 2/7), tais saldos estão indicados mês a mês, de agosto a dezembro de 2004 e fevereiro de 200.5 6 ConfimUados os valores acima (e demais elementos fin necidos pelo Conn ibuinte ) com a sua escrituração, notadamente no livrortrzao, não foi possível concluir pela exata constituição de tais saldos, em vir tilde da sistemática por ele adotada quando efetuados os í espectivos lançamentos contábeis, em que pese a existência de todas as contas referentes à contribuição, desde a sua origem, ate os saldos mensais e acumulados De fato Do crédito acumulado até novembro de 2004 na conta própria da COPINS, o contribuinte utilizou em tal mês, RS 3 518 916 04 para a compensação constante da DACON e em sua escrituração (fls 29 em anexo), não coincidindo, portanto, com 0.5 dados relativos à compensação no processo cujo periodo dever ia ter se limitado no mês de novembro de 2004 7 Em aditamento aos vários esclarecimentos verbais e .formais prestados, o contribuinte são conseguiu demonstrar a sistemática utilizada nos lançamentos e respectivas comas em sua contabilidade, e o consequente lançamento do valor de R$ 3 ,518 916.04. Reconhecida a impossibilidade do prosseguimento do presente processo, sem que se façam as regularizações necessárias o contribuinte pretende saná-las e, ato continuo, ingressar com novo expediente junto ao titular desta DRE para nova apreciação da matéria, no qual requererá, também, a anexação do processo ora analisado, tudo conforme doc /is 30 em anexo 1.1 Encerrada a ação fiscal no contribuinte supracitado e identificado, em cumprimento ao 110E2007-00341-8, lemos a relata, o quanto segue I. O processo em tela refere-se a Declaração de Compensação elaborada pelo contribuinte, que pretende utilizar-se de cr édito no montante de RS 2 871.601,60 para compensação com Os débitos de RS 1 629 425,85, de 2005, e os de R$ .595 723,17 e RS 223 533 81 ambos de 2004. 2. .4 ação fiscal teve inicio em 15/10/2007, cmdbrine termo law ado do qual o contribuinte tornou ciência em 17/10/2008; posteriormente, Mi ele reintimado conforme termo cia 17/12/2007 com ciência na mesma data, finalmente, em 20/12/2007, requereu a prorrogação de prazo para atender plenamente o Fisco, o que não ocorreu (cópias de termos e requerimento em anexo) 3 De Mio Embora o contribuinte enCOnnr-se com os livros comerciais e fiscais escriturados, não identificou (nem o demonstrou) os valoi es componentes do cálculo por ele efetuado e que resultou no crédito pleiteado, bem como não identificou quais os valores cio período mencionado, e os de seus respectivos saldos inicial e final Em síntese, não apresentou demonstrativo analítico dos valores que resultaram no total indicado como crédito,. no mesmo sentido quanto ao débito objeto de compensação 4 Exerce o contribuinte o seu pretenso direito à compensação de seu suposto crédito, mas, "conditio sina qua 11011", não o de/11012st' a, 4 Processo n" 10845.001219/2005-61 S3-C312 Resoluçào n "3302-00.060 ri 409 inviabiliza, assim, qualquer- verificação dos valores componentes de tal crédito com os lançamentos contábeis e respectivos documentos fiscais nos quais se fundamenta Isto posto, não tendo como atestar a liquidez e certeza do valores objeto do presente processo, propomos o seu retomo ao setor de origem para as providências na esfera de sua competência Era o que tínhamos a informar De acordo com o despacho decisório: Os créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, no regime da não cumulatividade, apurados CO??! base em autorização legal, devem ser escriturados e controlados contabihnente, conforme determinam os 8, 9 e 10 do Artigo 30 da Lei IP 10.637/2002. Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cianulativa do PIS/PASEP, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas Portanto, devem ser comprovados os custos, despesas e encargos que germanz os créditos. A falta de comprovação dos créditos alegados não permite a homologação da compensação. Na manifestação de inconformidade apresentada em 21 de maio de 2008 (fis, 121 e segs.), a Interessada requereu inicialmente a análise conjunta dos processos administrativos n' "10845.. 000186/ 2006- 12, 10845. 000184/ 2006- 23, 10845, 000398/ 2006- 08, 10845. 000399/ 2006- 44, 10845, 000524/2005- 35, 10845. 001219/ 200561, 10845, 001220/ 2005- 95, 10845, 003161/ 2005- 90, 10845. 003162/ 2005- .34, 10845, 00.3414/ 2005- .35, 10845. 00.3415/ 2005- 70, 10845. 003528/ 2004- 94, objetos da mesma diligência fiscal," A seguir, fez um "histórico da lide", mencionando as intimações efetuadas pela Fiscalização e as respostas apresentadas. Afirmou que, "Inexplicavelmente, em 07/02/2008, data próxima à prorrogação acima narrada, a Impugnante recebeu do Sr. Fiscal um 'Termo de Encerramento de Ação Fiscal', tomando por encerrado todos os procedimentos fiscais existentes, tendo em vista que foram encaminhados os documentos solicitados e a planilha com os valores apurados/compensados haviam sido enviadas para o Sr. Fiscal responsável pela auditoria, (Doo. n' 5-B anexo)." Acrescentou que, "Embora a Impugnante já houvesse dado por encerrada a auditor-ia fiscal, uma vez que desde dezembro não ocorrera mais qualquer comunicação ou visita do Sr, Fiscal, para evitar dúvidas, a 1mpugnante apresentou junto à Delegacia da Receita Federal no dia 1.3/03/2008 correspondência informando sobre os fatos ocorridos e sobre a . apresentação dos documentos solicitados, reafirmando que todos os documentos estavam à disposição da fiscalização para análise, nos moldes • do anteriormente pactuado com o Sr. Fiscal (Doc. n' 6-B anexo)." Passou a defender o direito de crédito, com base na legislação vigente. Requereu, também, um pedido de perícia, indicando perito e os seguintes quesitos: 5 Processo n" 10845.0012 19/2005-61 Resolução ri '3302-00,060 83-C31.2 II 410 I Possui a Impugnante seus livros revestidos das fOrmalidades legais e estão eles regularmente escriturados, sem rasuras, emendas ou vícios que os possam invalidar? 2. As compras de cafés para exportação estão escrituradas corretamente ? 3 Não é verdade que as vendas para o exterior são imunes de PIS/CUPINS, gerando crédito tributário ? 4 A legislação Metal autoriza a compensação dos créditos excedentes na quitação dos débitos dos demais tributos con entes da pessoa juridica Isso figi feito pela Impugnante 5 As obrigaçães acessórias do período Paru apresentadas ? 6. Os créditos aproveitados acorrer arn confirme as permissivas legais 7 Preste o Sr Perito as necessárias inibi mações que achar pertinentes, no sentido da possibilidade da apuração do resultado da Impugnante através da documentação cuja apresentação está sendo aqui requerida. Dentre os documentos apresentados pela Interessada, constaram cópias de impugnação apresentada contra um auto de infração (fls. 217 e segs.) lavrado no processo n' 1598100010312005-76 (fls. 181 e segs), de processo judicial relacionado àquele processo (fls. 265 e segs.). Nas fis, 334 a 342, requereu correção do pedido de compensação anteriormente apresentado, relativamente à indicação da origem do crédito.. A DM, no entanto, indeferiu a solicitação, conforme ementa anteriormente reproduzida. No recurso, após fazer novo histórico do processo, a Interessada alegou e requereu o seguinte: 48 Alega a decisão recorrida que não é possivel se atender ao pedido de prova em virtude de negativa geral do contribuinte, além de não haver no procedimento administrativo novas provas relativas ao direito de crédito. 49. Pois bem, a função do procedimento fiscal administrativo é se evitar que se mandem ao judiciário processos que poderiam ter se findado pela análise da administração. 50 Há nos autos vesirgio de prova que não pode ser desprezado, sob pena de tornar a forma superior ao mérito Agora a Recorrida junta nova prova que demonstra a má prática da Fiscalização, que /vali] ma o seu direito de provar que tinha crédito suficiente e apenas o Sr Fiscal não buscou analisar os documentos que lhe foram facultados 51 Da mesma forma, fincada no Ar! 38 da Lei IP 9 784/99, a Recorrente pediu a juntada de novos elementos para a insn tição • processual, que só estão sendo conseguidos agora Verifique-se que o 6 I -1 Processo n" 10845.001219/2005-61 S3-C312 Resolução n." 3302-00.060 P1. 411 Sr. Fiscal esteve por mais de 2 anos em auditoria e não conseguiu efetuar seu trabalho. .52 Ainda, em breve a Recorrente juntará aos autos prova de Auditoria Externa Independente, já elaborada pela KPMG, mas ainda pendente de lavratura do termo ,final, que apurou a existência de crédito suficiente para a quitação dos tributos lançados pela Recorrente nas Per/Deomp 53 Assim, para que não se mantenha lançamento fiscal sem base contábil, reitera o pedido de perícia ou diligência, inicialmente fOrmulado. 54. Em face do exposto, pede e espera a Recorrente seja tola/mente acolhido o presente recurso para o .fim de ser reconhecido o direito total ao crédito tributário constante do processo administrativo. 55. Pede ainda, seja o julgamento convertido em diligência, em face da farta prova que há nos autos, que demonstra o erro na fiscalização, e que demonstrará a existência de créditos [ . ] Apresentou "laudo pericial contábil", relativo a ação judicial canelar apresentada pela Interessada (processo 2008,61.04,007658-D, com o objetivo de verificar o especificado no termo de diligência. Apresentou, também, cópia de proposta de prestação serviços profissionais firmada com empresa de auditoria, "para a revisão dos Pedidos Eletrônicos de Restituição/Compensação - PER/DCOMP apresentados pela Volcafé à Receita Federal do Brasil - RFB, referentes ao período de Dezembro de 2002 a Dezembro de 2007." Ainda a Interessada apresentou requerimento, apresentando o resultado da referida auditoria em dois anexos, relativamente à regulação dos pedidos e aos demonstrativos de cálculos. Quanto à regularização, foram apresentadas considerações sobre a adoção de conta contábil única para registro dos créditos de PIS e Cotins e a consequência de haver ocasionado compensações indevidas de PIS; sobre a compensação de débitos da Cotins utilizando créditos de PIS sem a elaboração de PER/DCOMP; sobre as compensações indevidas de PIS; sobre a falta de acréscimo de juros e multa de mora e a sua regularização; sobre a necessidade de retificação das declarações; sobre a apresentação de PER/DCOMP em formulário papel para os períodos de janeiro e fevereiro de 2006, em desacordo com a IN SRF nQ 598, de 2005; sobre a elaboração de "pedidos de ressarcimento informando os créditos relativos a um único mês e com valor correspondente ao debito compensado"; sobre compensação não identificadas no livre Razão; sobre a apropriação indevida de despesas diversas para os períodos de dezembro de 2002 a janeiro de 2007 (PIS) e fevereiro de 2004 a . janeiro de 2007 (Cofins); sobre a apropriação indevida de despesas de estufagens, transporte nas docas, taxa de entrada e saída com descarga de caminhões, seguros, telefone, taxa de manutenção de PABX. Quanto aos cálculos, a auditoria apresentou demonstrativos resumidos. É o relatório. 7 Processo e 10845.001219/2005-61 S3-(112 Resolução n.' 3302-00.060 1'1 412 VOTO Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. O indeferimento inicial do pedido ocorreu à vista de uma consideração da Fiscalização, resumida na afirmação de que a Interessada não teria demonstrado o direito. 'Tal afirmação não foi acompanhada de instrução de maiores informações ou documentos, ao menos por amostragem, das razões especificas da -falta de prova. Por outro lado, a Interessada esforçou-se ao máximo para demonstrar que, antes da finalização da ação fiscal, teria tentado apresentar a documentação. Para isso, apresentou até ação judicial, no âmbito da qual requereu diligência para provar suas alegações. Além disso, na fase recursal, apresentou nova documentação e parecer de auditoria fiscal, com base no que requereu o provimento do recurso, à vista de haver tido demonstrado ter saldo suficiente para as compensações. A auditoria fiscal, por sua vez, revelou haver problemas formais e materiais com as declarações de compensação e com a apuração dos créditos. Diante desse contexto, é preciso converter o julgamento do recurso em diligência, com a finalidade de esclarecer o seguinte: 1) Especificamente, quais as razões do indeferimento inicial (se falta de apresentação de documentos ou se os livros não permitiam a apuração e, nesse ultimo caso, se há alguma incompatibilidade em relação ao apurado na auditoria apresentada pela interessada). 2) Verificar se os seguintes problemas formais com as declarações cie compensação eram sanáveis e se foram resolvidos: a) a adoção de conta contábil única para registro dos créditos de PIS e Cofins e a consequência de haver ocasionado compensações indevidas de PIS; b) compensação de débitos da Cotins utilizando créditos de PIS sem a elaboração de PER/DCOMP; c) compensações indevidas de PIS; sobre a falta de acréscimo de juros e multa de mora e a sua regularização; d) necessidade de retificação das declarações; sobre a apresentação de PERJDCOMP em formulário papel para os períodos de janeiro e fevereiro de 2006, em desacordo com a IN SM' nQ 598, de 2005; e) elaboração de "pedidos de ressarcimento iPdbmando os créditos relativos a um único mês e com valor correspondente ao debito compensado"; f) compensações não identificadas no livro Razão; g) apropriação indevida de despesas diversas para os períodos de dezembro de 2002 a janeiro de 2007 (PIS) e fevereiro de 2004 a janeiro de 2007 (Cotins); h) apropriação indevida de despesas de estufagens, transporte nas docas, taxa de entrada e saída com descarga de caminhões, seguros, telefone, taxa de manutenção de PABX. 3) Esclarecer se a apuração dos créditos foi, de fato, demonstrada após a auditoria, e se se, por amostragem, a critério da Fiscalização, os cálculos estão corretos e são suficientes para a compensação, abrangendo, eventualmente, juros e multa de mora. 8 9 i Processo n" 10845.001219/2005-61 S3-C3-12 Resolução n ." 3302-00..060 1:1 413 Ademais, a Interessada deverá ser intimada a apresentar- certidão de objeto-e-pé da ação judicial cautelar apresentada e cópias de eventuais nela decisões proferidas. As questões de apresentação de documentação e provas devem ser analisadas e relatadas pela Fiscalização em termo circunstanciado. Posteriormente, os aspectos formais e materiais das declarações de compensação devem ser analisados pela seção competente da Sacat ou seção equivalente, que também deverá lavrar relatório conclusivo, dando ciência de ambos os relatórios à recorrente, que poderá apresentar resposta no prazo de trinta dias. Sala das Sessões, em 23 de agosto de 2010 (Assinado digitalmente.) José Antonio Francisco
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Numero do processo: 10820.002296/2005-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 19 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1202-000.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcus Vinicius Barros Ottoni, Orlando José Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcus Vinicius Barros Ottoni, Orlando José Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 20 .0 02 29 6/ 20 05 -1 6 Fl. 635DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 15 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado pela contribuinte acima identificada em face de decisão que manteve a autuação decorrente de exclusão do Simples, consoante relatório que, com a devida vênia, reproduzo parcialmente abaixo, por bem esclarecer os fatos de interesse para o julgamento: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado foi apurado que a receita operacional auferida nos anos de 2000, 2001 e 2002 não foi declarada, havendo o contribuinte optado indevidamente pelo Simples. Tendo em vista que a escrituração comercial e fiscal se mostrou imprestável para a apuração dos tributos, o lucro foi arbitrado para os fatos geradores relativos a todos os trimestres dos anos de 2000, 2001 e 2002. Como conseqüência, foi lavrado o auto de infração de fls. 291297, integrado pelos termos, demonstrativos e documentos nele mencionados, para lançar o imposto sobre a renda devido para estes fatos geradores. O crédito tributário de IRPJ lançado perfaz o total de R$ 18.210.909,77, composto pelo imposto, pela multa de 150% e pelos juros moratórios, calculados até 30/11/2005. 2. Como reflexos da ação fiscal, foram lançados também os seguintes créditos tributários: 1 PIS (auto de infração de fls. 306311), perfazendo o total de R$ 5.018.152,32, incluído neste montante o valor da contribuição, da multa de 150% e dos juros de mora, calculados até 30/11/2005; 2 CSLL (auto de infração de fls. 319324), perfazendo o total de R$ 8.330.689,38, incluído neste montante o valor da contribuição, da multa de 150% e dos juros de mora, calculados até 30/11/2005; COFINS (auto de infração de fls. 334339), perfazendo o total de R$ 23.160.706,46, incluído neste montante o valor da contribuição, da multa de 150% e dos juros de mora, calculados até 30/11/2005. 3. As irregularidades apuradas foram descritas no “Termo de Constatação Fiscal” de fls. 178252, discriminandose, a seguir, seus aspectos essenciais: 3.1. Inicialmente, foi detectada que a movimentação financeira do contribuinte FRIGORÍFICO BABY BEEF LTDA. (doravante designado apenas como BABY BEEF), apurada através da CPMF, era incompatível com as receitas declaradas relativas aos anoscalendário 1999 a 2001, ressaltandose que o contribuinte apurou os tributos pelo Simples para todos estes fatos geradores. 3.2. Relativamente ao anocalendário 1999, foi lavrado o auto de infração de que trata o processo administrativo 10820.002512/2004 42. Ademais, por meio do processo administrativo 10820.002515/2004 86 efetuouse representação fiscal para fins de exclusão do BABY BEEF do Simples, tendo resultado na expedição do Ato Declaratório Executivo nº 01, de 13/01/2005, aplicandose os efeitos da exclusão a partir de 01/01/2000. Paralelamente, foi lavrada representação fiscal para fins de declaração de inaptidão do contribuinte DISTRIBUIDORA Fl. 636DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 16 3 DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO LTDA. (doravante designado apenas como DISTRIBUIDORA), CNPJ 68.207.463/0001 62, processada sob o nº 10820.002518/200410, da qual resultou o Ato Declaratório Executivo nº 44, de 03/11/2005, aplicandose os efeitos da inaptidão a partir de 01/01/1999. Igualmente, foi lavrada representação fiscal para declaração de inaptidão do contribuinte FRIGORÍFICO ABAETÉ LTDA (doravante designado apenas como ABAETÉ), CNPJ 01.180.149/000162, processada sob o nº 10820.002519/200464, da qual resultou a expedição do Ato Declaratório Executivo nº 26, de 05/04/2005, aplicandose os efeitos da inaptidão a partir de 27/02/1999. [...] 3.4. Foi constatado que não há nos Livros Caixa a escrituração da movimentação bancária e tampouco há documentação comprobatória desta movimentação. 3.5. A primeira nota fiscal emitida pelo BABY BEEF data de 02/06/2000. A operação registrada nesta nota fiscal foi indevidamente caracterizada com a natureza de prestação de serviço, ocultando a real atividade do BABY BEEF que é a compra, abate e comercialização de carne e seus subprodutos. Entre 02/99 e 05/2000 a DISTRIBUIDORA se valeu dos dados cadastrais do ABAETÉ, que havia sido arrendado em 12/98 pelo BABY BEEF, para emitir notas fiscais. 3.6. Ao responder intimação, o contribuinte BABY BEEF afirma que a atividade por ele desempenhada foi a de transporte rodoviário de cargas no período de 1999 a 05/2000 e de abate e frigorificação de bovinos para terceiros no período de 06/2000 a 12/2001. Afirma que não efetuou compras de gado para abate por conta própria nos anos de 1999, 2000 e 2001. Assevera que as instalações do ABAETÉ foram arrendadas em janeiro de 1999, mas as atividades tiveram início apenas em junho de 2000, em razão da liberação do posto fiscal de Andradina/SP. Finalmente, sustenta que, a partir de janeiro de 2003, o imóvel foi adquirido por Marcelo Aparecido Pompei, sendo que a escritura definitiva está sendo providenciada, assim como o contrato de aluguel. [...] 3.8. Em 18/07/2003, o BABY BEEF respondeu intimação informando que não apresentaria a documentação relativa a sua movimentação bancária tendo em vista que os recursos movimentados em suas contas seriam de titularidade da DISTRIBUIDORA, de modo que estaria resguardando o sigilo bancário desta. 3.9. Foi apresentado contrato de prestação de serviços, datado de 02/01/99, firmado entre BABY BEEF e DISTRIBUIDORA, mediante o qual o primeiro se compromete a abater gado bovino e suíno por meio de entrega em seu estabelecimento de animais, entregando os produtos que resultarem em caminhões contratados pela DISTRIBUIDORA ou por quem esta indicar. Ademais, estipulase que os pagamentos aos pecuaristas fornecedores de animais serão realizados por meio de repasses de numerários em contacorrente bancária, assim como os Fl. 637DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 17 4 recebimentos dos valores relativos às vendas realizadas pela DISTRIBUIDORA. 3.10. Tendo em vista o contrato de que trata o item anterior, BABY BEEF deveria escriturar toda a movimentação financeira relativa ao repasse de numerários da DISTRIBUIDORA, porém, tais informações não constam de sua contabilidade, que restou incompleta, irregular e imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. 3.11. Em 31/05/2000, a DISTRIBUIDORA alterou seu contrato social para incluir a atividade de abate através de terceiros, em descompasso com a data (02/01/99) do contrato firmado com BABY BEEF. Também o contrato social de BABY BEEF foi alterado em 21/06/99, portanto em data posterior à do arrendamento do ABAETÉ (janeiro de 1999), passando seu objeto social de transporte rodoviário de cargas para abate e frigorificação de bovinos e suínos próprios e para terceiros, industrialização de carnes bovinas, suínas, ovinas, caprinas e seus derivados e subprodutos, ração animal, gordura e óleos animais, embutidos de carne bovina, suína e outras e transporte rodoviário de cargas. 3.12. Constatouse a existência de cheque pago em 1999 ao procurador do ABAETÉ, Sr. Fábio Antônio Óbice, relativo ao pagamento do arrendamento pelo BABY BEEF, revelando que é falsa a alegação de que este só operou a partir de junho de 2000, assim como é falsa a afirmação da DISTRIBUIDORA de que, de fevereiro de 1999 a maio de 2000, quem prestou serviço de abate foi o ABAETÉ. 3.13. Constatouse que o Sr. Marcos Antônio Pompei firmou grande parte dos cheques e autorizações para pagamentos emitidos pelo BABY BEEF, sem que nenhuma assinatura fosse verificada de pessoa da DISTRIBUIDORA, contrariando a informação de que a movimentação financeira era desta. 3.14. Verificouse que havia procurações para empregados e prepostos do BABY BEEF para que estes movimentassem contas bancárias não apenas do BABY BEEF, mas também da DISTRIBUIDORA, demonstrado que, a rigor, as contas desta eram controladas por aquele. [...] 3.18. Os extratos bancários do BABY BEEF foram apresentados pelo Sr. Vanderlei Antunes Rodrigues, contador da DISTRIBUIDORA. 3.19. A Srta. Maria dos Anjos de Medeiros, empregada da DISTRIBUIDORA, declarou que os compradores e vendedores desta atuam nos frigoríficos e são remunerados a título de comissão. Constatouse, porém, que não há registro desses empregados nem escrituração dos pagamentos de salários ou comissões nos livros da DISTRIBUIDORA. 3.20. A Sra Cláudia Regina Barra Moreno (sócia da DISTRIBUIDORA) informa que recebe prólabore, sem que conste qualquer recibo dos respectivos pagamentos, e que seu nome consta no Fl. 638DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 18 5 quadro social da DISTRIBUIDORA a pedido do Sr. Valder Antônio Alves, para que a empresa pudesse ser registrada como sociedade limitada, em troca da remuneração mencionada. 3.21. O Sr. Vanderlei Antunes Rodrigues, a despeito de ser o contador da DISTRIBUIDORA, não esclarece quanto às instituições financeiras com as quais esta opera. 3.22. A DISTRIBUIDORA informa, contradizendo afirmação da Srta. Maria dos Anjos Medeiros, que as dependências térreas de suas instalações, nas quais se localizam as câmaras frias, são utilizadas por ela e não por outra empresa. Informa, ademais, que não tem contratos de prestação de serviços com compradores e vendedores que efetuam operações de compra e venda comissionada, que não faz retenção de IR e que os acertos com estes são realizados mensalmente em dinheiro. 3.23. Constatouse a existência de contrato firmado entre BABY BEEF e ELECTRO ELETRICIDADE S/A, em 13/01/99, bem como pagamentos do consumo ocorrido a partir de março de 1999. Verificouse que foi interrompido o fornecimento de energia entre janeiro de 1998 (último período de funcionamento do ABAETÉ) e janeiro de 1999. 3.24. Constatouse, por circularização, que os pagamentos dos clientes não eram feitos à DISTRIBUIDORA, mas ao BABY BEEF. 3.25. Constatouse que o ABAETÉ não demonstra quaisquer recebimentos que correspondam a prestação de serviço. Não foi localizado no livro Diário da DISTRIBUIDORA quaisquer menções a pagamentos ou históricos de prestação de serviço, tanto do BABY BEEF quanto do ABAETÉ. O Sr. Ricardo Aparecido Quinhones, funcionário do BABY BEEF, consta como responsável pelo preenchimento e entrega das DIRPJ’s do ABAETÉ, declarações estas de valores condizentes apenas com os recebimentos do arrendamento para o anocalendário 1999 e não de atividade de abate. 3.26. Constatouse, por cruzamento de dados entre extratos bancários e recolhimentos do ICMS, que o BABY BEEF pagou até a dívida de ICMS do ABAETÉ. 3.27. Constatouse que o ABAETÉ não efetuou recolhimentos do INSS, de modo que não tinha empregados e, portanto, não poderia operar o frigorífico. 3.28. Constatouse que o ABAETÉ não teve movimentação financeira de 1999 em diante e que sua última movimentação financeira foi em abril de 1998, corroborando a informação da Elektro de que ocorreu um corte no fornecimento de energia de junho de 1998 a janeiro de 1999, período em que o ABAETÉ esteve inativo. 3.29. Constatouse que o Sr. Marcelo Aparecido Pompei e o Sr. Marcos Antônio Pompei praticaram atos de administração no BABY BEEF quando não constavam no quadro social da empresa. 3.30. Constatouse que a movimentação financeira do BABY BEEF foi muito superior à da DISTRIBUIDORA e que a primeira utilizou as Fl. 639DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 19 6 contas bancárias da segunda para transitar seus recursos, inclusive por meio do Sr. Alex Sandro Pereira da Silva que, a despeito de constar como funcionário do BABY BEEF, atuou como procurador deste (a partir de 06/10/1999) e como procurador da DISTRIBUIDORA (a partir de 05/03/2001). 3.31. Constatouse que no anocalendário 1999 não se localizou qualquer repasse de recursos das contascorrentes do BABY BEEF para as contascorrentes da DISTRIBUIDORA. Nos anoscalendário 2000 a 2002 somente se encontraram três cheques nominais à Distribuidora, nos valores de R$ 36.000,00 (29/10/2001), R$ 15.000,00 (20/02/2002) e R$ 141.000,00 (28/03/2002), e foi efetuado um depósito pela DISTRIBUIDORA na contacorrente do BABY BEEF, no valor de R$ 12.496,00 (27/06/2000), que, pela insignificância diante da movimentação financeira verificada, demonstra que não houve os repasses previstos nos itens 2.4 e 6.3 do contrato de prestação de serviços firmado entre ambas. Verificouse, ademais, que não há no referido contrato a indicação do método a ser utilizado para quantificar os valores devidos pela prestação de serviços, além de não constar comprovação desses pagamentos. 3.32. Constatouse que não há registro de veículos da DISTRIBUIDORA no Renavam, que seu prédio é alugado e que os valores declarados na DIRPF pelo Sr. Valder Antônio Alves são incompatíveis com as vendas declaradas pela DISTRIBUIDORA em DIPJ. Verificouse que a movimentação financeira (1999) do Sr. Valder Antônio Alves é irrisória e os bens constantes de sua declaração são de pequena monta. Por outro lado, o Sr. Marcos Antônio Pompei possui movimentação financeira elevadíssima na pessoa física (1998/1999), além de possuir patrimônio de valor altíssimo quando comparado ao do Sr. Valder. 3.33. Em 28/09/2005, foi arquivada na JUCESP alteração contratual do BABY BEEF por meio da qual saíram do quadro social o Sr. Marcos Antônio Pompei e a Sra. Sinézia de Lima e entraram o Sr. Vinicius dos Santos Vulpini (sócio da empresa NORTE RIO PRETENSE) e a DISTRIBUIDORA. Verificouse que o Sr. Valder Antônio Alves, sócio da DISTRIBUIDORA, constou na referida alteração contratual do BABY BEEF como residente à Rua São Paulo, nº 1.439, casa 2, Jardim Paulista, São José do Rio Preto/SP, fato este que não corresponde à verdade, conforme constatado pela Fiscalização. 3.34. O INSS informou que o BABY BEEF realizou recolhimentos de contribuição previdenciária descontada dos empregados a partir de novembro de 1998, sendo que a partir de julho de 1999 os valores pagos triplicaram em relação ao mês de junho de 1999, crescendo nos meses seguintes, informações estas condizentes com o crescimento dos abates informados pelo SIF. 3.35. Constatouse que no dia 30/12/2002 o Sr. Marcos Antônio Pompei sacou mais de R$ 800.000,00 em espécie da conta bancária do Banco Bradesco de titularidade do BABY BEEF. 3.36. Em conclusão, o BABY BEEF exerceu a atividade de compra de bovinos para abate e comercialização (frigorífico) desde fevereiro de Fl. 640DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 20 7 1999 até os dias atuais, vez que ele próprio sempre adquiriu, industrializou e comercializou seus produtos com plena autonomia financeira, utilizandose da DISTRIBUIDORA apenas para acobertar operações comerciais, além do que, no período de fevereiro de 1999 a maio de 2000, também se valeu dos dados do ABAETÉ, acobertando suas operações comerciais. Na impugnação (fls. 371466), o contribuinte aduz, dentre outras, a seguinte alegação: 4.3. Para a constituição dos créditos tributários foram utilizados dados da CPMF, aplicandose de forma retroativa o disposto no art. 3º da Lei 10.174/2001. Esta Lei entrou em vigor na data de sua publicação (10/01/2001), de modo que a autoridade não estava autorizada a requisitar informações bancárias relativas a períodos anteriores, sob pena de violação ao princípio da irretroatividade das leis, ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido. As provas, portanto, foram obtidas por meios ilícitos, em afronta ao princípio da moralidade administrativa, ao art. 5º, LVI, da Constituição Federal, ao art. 30 da Lei 9.784/99 e ao art. 105 do CTN. A jurisprudência do STF adota a teoria constitucional dos “frutos da árvore envenenada”, segundo a qual a prova obtida por meio ilícito contamina de ilicitude todas as demais constantes do processo. Assim, tendo em vista que os dados da CPMF foram utilizados para alcançar fatos geradores ocorridos antes de 2001, concluise que todo o procedimento restou maculado. Este é o entendimento do Conselho de Contribuintes e da doutrina. A DRJ manteve integralmente a autuação, motivando assim a decisão quanto ao tema referido: 8.2. Vejase que o § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311/1996 foi alterado pela Lei nº 10.174/2001, possibilitando ao Fisco a utilização dos dados da CPMF para instauração de procedimento administrativo que indique a exigência de outros tributos. De outro lado, a Lei Complementar nº 105/2001 abriu a possibilidade de o Fisco obter informações diretamente das instituições financeiras. Nos dois casos, em face do § 1º do art. 144 do CTN, a utilização de tais dados pode abranger fatos geradores anteriores à publicação de ambos os diplomas legais. A esse respeito, cabe esclarecer que a questão já se encontra pacificada no STJ, conforme se pode observar do seguinte acórdão ora transcrito [...] Cientificada da decisão em 16/01/2007 (AR à fl.532), a contribuinte, inconformada, apresentou recurso voluntário ao CARF, em 14/02/2007 (fls.533 e seguintes), em que contesta a decisão recorrida, trazendo, especificamente quanto à questão do sigilo bancário, os argumentos abaixo sintetizados. Alega que dois fatos interferem na legalidade da constituição do crédito tributário: a) lapso temporal da efetiva vigência do art.11, § 3° da Lei n° 9.311/96, e b) criação, pela Lei n° 10.174/2001, de uma nova forma de lançamento. Aduz que a utilização da Lei n° 10.174 de 09/01/2001, que entrou em vigor na data da sua publicação em 10 de janeiro de 2001, não autoriza a utilização da CPMF para instaurar procedimento administrativo em data anterior ao seu surgimento no mundo jurídico, Fl. 641DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 21 8 como é o caso da autuação fiscal, que decorre da utilização de dados da CPMF abrangendo os anos de 1999 a 2000, período anterior à vigência da Lei Complementar n° 105/2001 e da Lei n° 10.174/2001. Segundo ela, a permissão desse procedimento constituiria clara afronta a irretroatividade das leis, ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido. Pede a anulação da autuação com base nessa preliminar, antes de prosseguir com as alegações de mérito. É o relatório. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 22 9 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei, devendo ser conhecido. Contudo, do exame dos autos depreendese a impossibilidade de julgamento do recurso neste momento, pois, dentre as matérias afetas ao julgamento está, preliminarmente, a aplicação retroativa da Lei nº 10.174, de 2001. O Termo de Constatação Fiscal de 22/02/2005 (fls.173 e seguintes) esclarece que os valores da movimentação financeira da contribuinte foram obtidos com base nas informações prestadas à Secretaria da Receita Federal, pelas instituições financeiras, de acordo com o art. 11, § 2°, da Lei n°9.311, de 24 de outubro de 1996, que trata de nova instituição da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), consoante trechos abaixo reproduzidos: 48) Solicitaramse às instituições financeiras os extratos (em papel e em meio magnético — ver itens 108 a 120) dados cadastrais, procurações etc., através de Requisições de Movimentação Financeira — RMFs 48, em 23/07/2003, que foram emitidas em 31/07/2003, para todas as instituições bancárias constantes do Termo de Inicio de Fiscalização, e que as respectivas destinatárias foram cientificadas em 05/08/200347 . [...] 55) Também foi apresentada parte dos documentos solicitados nas RMFs, referentes aos anoscalendário 1999 a 2001 em que se constata na ficha cadastral da Fiscalizada que os dados ali consignados são dela própria52 e não os da Distribuidora, como não poderia deixar de ser; além de haver históricos de transações de créditos com as informações de "carnets e assemelhados" e "liberação de capital de giro" que são pagamentos de despesas mediante débito automático e de empréstimos de capital de giro para a Fiscalizada, respectivamente, que não foram contabilizados em seus livros contábeis e fiscais 53 56) Em 02/09/2003 a Fiscalizada informou que não apresentaria a documentação por motivo de sigilo bancário 54. Assim em 09/10/2003 foram emitidas novas RMFs para o período de 2002, solicitando os extratos e demais documentos cadastrais, cujas ciências ocorreram em 14 e 16/10/200355 . 57) Em 13/10/2003 emitiuse duas RMFs para apresentação de cópia dos documentos relativos a valores creditados ou depositados (cheques, comprovantes de depósitos etc.) dos bancos Itaú e Bradesco, cujas ciências ocorreram em 15/10/2003 56. Antes de se il receber os documentos, verificouse, pelos extratos, que há uma movimentação financeira elevada 57. [...] Fl. 643DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 23 10 77) No final do mesmo dia da realização da diligência, compareceuse ao endereço do escritório contábil do Sr. Vanderlei Antunes Rodrigues, conforme indicado pela Srta. Maria dos Anjos Medeiros, que prestou, pessoalmente, algumas informações, conforme Ref. —Termo de Diligência Fiscal/Intimação n° 106, datado de 30/10/2003. Indagado a respeito da documentação da Fiscalizada, ele apresentou todos os extratos bancários da Fiscalizada do período que se estava fiscalizando (entretanto, a Fiscalizada não os apresentou a esta fiscalização em nenhum momento), informando que tais extratos foram apresentados para que fosse analisada a possibilidade de incluílos na escrituração da Distribuidora. Diante do fato, solicitou selhe que esclarecesse a presença dos extratos em seu escritório. As Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) foram emitidas em consonância com o disposto no art. 4º, §6º, do Decreto nº 3.724, de 10/10/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001. No recurso voluntário, assim como na impugnação, a contribuinte alega a impossibilidade de aplicação retroativa da Lei nº 10.174, de 2001. A discussão sobre a questão do sigilo bancário encontrase em fase de julgamento no Supremo Tribunal Federal, ainda sem decisão definitiva. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do STF, por maioria, proferiu a decisão abaixo (DJe086 em 10052011): SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pesquisa realizada no site do STF demonstra que os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda se encontram pendentes de julgamento. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais, nos casos de julgamentos no STF, decorre do disposto no art. 543B, do CPC: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). Fl. 644DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 24 11 § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Cabe, assim, aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos extraordinários quando versarem sobre matéria de múltiplos recursos, com repercussão geral reconhecida. Recentemente, o STF vem utilizando a regra prevista no § 2o do art.543C, que se refere ao STJ, para expedir atos nesse sentido. Vale lembrar que, quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existiam processos já admitidos pelos tribunais de origem pendentes de julgamento no STF e no STJ. Em relação a esses processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). O dispositivo transcrito acima prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 25 12 A questão do sigilo bancário também está sendo tratada no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, no qual a Suprema Corte, em 20/11/2009, reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos seguintes moldes: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de repercussão geral. Embora naqueles autos inexista pronunciamento específico do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário, sobre o mesmo tema, verificouse que, no exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, o mesmo relator do processo acerca do sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral proferiu, em 19/10/2010, a seguinte decisão: “Tratase de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos Fl. 646DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 26 13 ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, a meu ver, evidencia o sobrestamento, exatamente nos termos do art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, que atribui tal procedimento ao relator ou ao Presidente da Corte. À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do CARF somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... Fl. 647DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 27 14 § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Considerando que a decisão resultante do RE 389.808/PR ainda não transitou em julgado, não é possível, nesta instância administrativa, discutir sobre a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 2001 e da Lei nº 10.174, de 2001. Por outro lado, quanto ao processamento e julgamento junto ao CARF, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62 [....] § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Assim, a partir da constatação de que, no caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficassem sobrestados, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP, concluise pela ocorrência de hipótese de sobrestamento previsto no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF (RICARF). Diante de todo o exposto, voto por sobrestar o julgamento do presente recurso, até que seja proferida decisão definitiva nos autos do Recurso ExtraordinárioRE nº 601.314/MG, em trâmite perante o E. Supremo Tribunal Federal. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 648DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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