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Numero do processo: 11610.001857/2001-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2000
Ementa: SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO
Comprovada nos autos a regularidade dos valores que compuseram o saldo devedor do IRPJ, deve ser homologada a compensação desse crédito com débitos do sujeito passivo, até o limite demonstrado.
Numero da decisão: 1102-000.465
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro João Carlos de Lima Júnior, em relação ao ano-calendário de 1998, acompanhou pelas conclusões.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Leonardo de Andrade Couto
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COMPENSAÇÃO Comprovada nos autos a regularidade dos valores que compuseram o saldo devedor do IRPJ, deve ser homologada a compensação desse crédito com débitos do sujeito passivo, até o limite demonstrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro João Carlos de Lima Júnior, em relação ao anocalendário de 1998, acompanhou pelas conclusões. IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Presidente. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Leonardo de Andrade Couto e João Carlos de Lima Junior. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 11/07/2011 por IVETE MALAQUIAS PE SSOA MONTEIRO 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: DO DESPACHO DECISORIO Tratase de manifestação de inconformidade apresentada contra Despacho Decisório de fls.179/182, no qual foi reconhecido em parte o direito creditório alegado pelo contribuinte e, em conseqüência, foram homologadas em parte as compensações pleiteadas no limite do crédito reconhecido. Da leitura do referido Despacho Decisório,às fls.179, verificase que “o pleito tem por fulcro o saldo negativo da DIPJ/2001 originandose do IRRF de R$ 7.687.159,23 e estimativas no total de R$ 9.536.793,29 em confronto com o IRPJ calculado sobre o Lucro Real (segundo cálculos na Ficha 12A apresentada pela interessada à fl.24)”. Expõe a autoridade administrativa que foi expedida Intimação Fiscal à fl.133 e analisando os elementos apresentados, às fls.135/167, constatou que a intimada não demonstrou/comprovou a origem dos créditos (saldo negativo do IRPJ) os quais utilizara na compensação das estimativas do imposto calculadas no anocalendário de 2000 como declarou em DCTF, em razão do que indeferiu o reconhecimento ao direito creditório, quanto ao valor de R$ 9.536.793,29, apontado na DIPJ/AC 2000 a título de Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa (fls.24). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Ciente do Despacho Decisório em 21 de junho de 2004, conforme fls.202/203, o interessado apresenta manifestação de inconformidade em 21 de julho de 2004, com os argumentos de fls. 251/256, acompanhada dos documentos de fls. 257/605. Argumenta o interessado que: os procedimentos de compensação foram realizados em conformidade com as exigências legais vigentes à época, tanto no que diz respeito às declarações entregues, como no que afeta aos pedidos de restituição apresentados à Receita, inexistindo qualquer empeço formal à integral homologação ora perseguida; a existência dos créditos compensados pode ser devidamente verificada e comprovada a partir de breve análise das DIPJs entregues pela Requerente nos exercícios de 1998 a 2000 (anoscalendário de 1997 a 1999); conforme consta da DIPJ/98 (AC 1997), a Requerente apurou débito de IRPJ no montante de R$ 2.668.192,36, tendo efetuado dois recolhimentos que, a título de principal, totalizam R$ 2.670.731,89, restando uma diferença paga a maior de R$ 2.539,57 (doc.3); conforme DIPJ/99 (AC 1998), a Requerente reteve na fonte e pagou “por estimativa” valor superior ao efetivamente devido no respectivo ajuste, apurando saldo negativo de IRPJ a pagar equivalente a R$ 1.541.742,85 (doc.4); conforme DIPJ/2000 (AC 1999), a diferença existente entre o valor retido na fonte e pago “por estimativa” e o montante efetivamente devido no ajuste gerou saldo negativo de IRPJ a pagar equivalente a R$ 16.400.209,99 (doc.5); Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 11/07/2011 por IVETE MALAQUIAS PE SSOA MONTEIRO Processo nº 11610.001857/200174 Acórdão n.º 1102 00465 S1C1T2 Fl. 2 3 com arrimo nesses créditos acumulados, no anocalendário de 2000, passou a Requerente a compensar os haveres com o Fisco, nos seguintes termos (...) como visto, não apenas os valores compensados nos meses de janeiro, abril, maio e junho têm sua origem comprovada – tendo sido, nos anos anteriores, efetivamente desembolsados – como também restou à Requerente um crédito a compensar, dali para frente de R$ 9.536.509,86, em valores de dezembro de 1999 (doc.5); a regularidade dos procedimentos de compensação adotados pela Requerente não apenas pode ser confirmada pela análise das declarações entregues à Receita nos anos de 1998 a 2002 (doc.6), como também em sua contabilidade (doc.7); cumpridas as formalidades legais exigidas para o procedimento levado a cabo na época, bem como comprovada a origem dos valores objeto de compensação, resta impositiva a conclusão de que o Despacho Decisório não deve prosperar, impondose o integral acolhimento da presente manifestação de inconformidade. Requer o interessado, ao final, que seja julgado improcedente e sem efeito a parcela do Despacho Decisório que lhe foi desfavorável, reconhecendose a integralidade dos créditos declarados e compensados. A Delegacia de Julgamento prolatou o Acórdão 1617.473 (fls. 661/669) indeferindo o pleito, pelo motivo de não terem sido comprovados os saldos devedores do IRPJ nos anoscalendário de 1997, 1998 e 1999; compensados com parte das estimativas devidas no anocalendário de 2000. Devidamente cientificado (fl.673), o sujeito passivo recorre a este Colegiado (fls. 685/695, com documentos de fls. 696/1.319)reclamando que a decisão recorrida deveria ter sido precedida de diligência para que fosse apurada a veracidade dos saldos devedores do IRPJ, utilizados nas compensações não acatadas. Traz aos autos grande volume de documentos (fls.696/1.319) que comprovariam suas alegações. Em primeira apreciação neste Colegiado, a turma julgadora converteu o julgamento do recurso em diligência para que fosse examinada a documentação trazida aos autos com a peça recursal. Em atendimento ao requerido, a autoridade administrativa trouxe ao processo extratos dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (fls. 1.329/1.355) e Relatório de fls. 1.356/1.358) onde atesta, em conclusão que: Confirmamos os pagamentos em DARF no ano calendário de 1997, no valor total de R$ 2.670.731,89; no ano calendário de 1998, no valor total de R$ 93.443,31; e no ano calendário de 1999, no valor total de R$ 10.269.906,94 (vide tabela 01). Confirmamos os créditos de Imposto de Renda retido na Fonte no ano calendário de 1998, no valor total de R$ 2.150.618,28 (vide tabela 02); e no ano calendário de 1999, no valor total de R$ 16.430.259,52 (vide tabelas 03 e 04). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 11/07/2011 por IVETE MALAQUIAS PE SSOA MONTEIRO 4 Devidamente cientificado, o sujeito passivo manifestase (fls. 1.361/1.367) alegando que o resultado da diligência confirma as razões de defesa, aduzindo ainda que a única divergência encontrada pela autoridade não afeta o valor do crédito pleiteado. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 11/07/2011 por IVETE MALAQUIAS PE SSOA MONTEIRO Processo nº 11610.001857/200174 Acórdão n.º 1102 00465 S1C1T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O pedido de compensação apresentado pela interessada trouxe como crédito o saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 2000. Na composição desse saldo, foi considerado o valor de R$ 9.536.793,29 referente ao imposto recolhido a título de estimativas que, por não terem sido localizados os pagamentos, não foi aceito pela autoridade administrativa que primeiro analisou o feito. Na manifestação de inconformidade, a interessada sustenta que o valor em questão foi quitado mediante compensação com pagamento a maior do IRPJ referente ao ano calendário de 1997 e saldos devedores desse tributo apurados no ajuste dos anoscalendário de 1998 e 1999. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não acatou o pleito pois, em relação ao anocalendário de 1997, os pagamentos supostamente feitos a maior não se refeririam ao IRPJ do ajuste e, no que se refere aos anos calendário de 1998 e 1999, não estaria demonstrado o valor do IRRF e do imposto recolhido a título de estimativas que compuseram a apuração do saldo negativo utilizado na compensação. Na peça recursal, a interessada reitera os argumentos e traz farta documentação que embasaria as alegações. Convertido o julgamento em diligência para que os documentos fossem analisados, a autoridade responsável pelo procedimento atestou o recolhimento das estimativas e o IRRF nos anos de 1998 e 1999, bem como o pagamento a maior do IRPJ referente ao ano de 1997. Tendo em vista que o indeferimento do pleito teve como base a não comprovação dos valores que foram, posteriormente, atestados pela diligência, não há mais razão para negar a compensação requerida. Nesses termos, voto por dar provimento ao recurso do sujeito passivo e reconhecer o crédito correspondente ao saldo devedor do IRPJ apurado no anocalendário de 2000, deduzindose o valor já reconhecido na instância inferior. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 11/07/2011 por IVETE MALAQUIAS PE SSOA MONTEIRO 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 11/07/2011 por IVETE MALAQUIAS PE SSOA MONTEIRO
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Numero do processo: 10830.006656/2007-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 05/12/2005
Ementa: INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-001.881
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 05/12/2005 Ementa: INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Constitui infração, punível na forma da Lei, a falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrente LIX EMPREENDIMENTOS E CONSTRUÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 05/12/2005 Ementa: INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Constitui infração, punível na forma da Lei, a falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. MARCELO OLIVEIRA Presidente Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Leôncio Nobre de Medeiros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério E Damião Cordeiro de Moraes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), Campinas / SP, fls. 0118 a 0122, que julgou procedente a autuação motivada por descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 08, a autuação referese a recorrente não ter apresentado os documentos solicitados pelo Fisco. Os motivos que ensejaram a autuação estão descritos no RF e nos demais anexos da autuação. Em 05/12/2005 foi dada ciência à recorrente da autuação, fls. 001. Contra a autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 019 a 023, acompanhada de anexos. A Delegacia analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0133 a 0136, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. A recorrente tinha direito ao prazo de dez dias para apresentar a documentação, mas o Fisco só concedeu três dias; 2. Somente cinco notas fiscais não foram apresentadas e agora a recorrente apresenta quatro dessas notas; 3. A decisão não observou o esforço da recorrente em juntar todos os documentos e a multa deve ser reduzida na proporção dos documentos juntados; 4. Pelas razões expostas, a recorrente espera o recebimento e o acolhimento do recurso. A Quarta Câmara de Julgamento (CAJ), do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), analisou o processo e converteu o julgamento em diligência para a comprovação do depósito recursal obrigatório, fls. 0191 a 0194. No retorno do processo ao CRPS, a CAJ, novamente, converteu o julgamento em diligência para esclarecimentos quanto a suposta autuação em dobro na mesma ação fiscal, pelo mesmo motivo, fls. 0203 a 0206. O Fisco respondeu os questionamentos, fls. 0211. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10830.006656/200700 Acórdão n.º 23012301.001.881 S2C3T1 Fl. 234 3 Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 0213. A Segunda Turma Ordinária, da Quarta Câmara, da Segunda Seção, do CARF, decidiu converter o julgamento em diligência, a fim de que a recorrente fosse cientificada da diligência e que fosse possibilitada a apresentação de argumentos, fls. 0214 a 0218. A recorrente apresentou novos argumentos, a partir das fls. 0225, alegando, em síntese, que: 1. A recorrente é sócia da outra empresa autuada em período concomitante; 2. Portanto, configurase uma única fiscalização, além de implicar em grande dificuldade para o levantamento da elevada quantidade de documentos em tão pouco tempo; 3. Pelo exposto, solicita que seja julgado totalmente insubsistente o auto de infração. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro MARCELO OLIVEIRA, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Quanto às preliminares, esclarecemos à recorrente que o Fisco concedeu prazo suficiente para a apresentação de documentos. O Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) foi lavrado em 18/11/2005 e a autuação foi lavrada em 05/12/2005. Portanto, a recorrente teve mais que os dez dias solicitados para a apresentação dos documentos. Como não cumpriu com a obrigação tributária acessória, correta a autuação. Quanto à dificuldade em apresentar documentos, esclarecemos que as empresas autuadas são organizações diversas, com personalidades jurídicas diversas e administrações diversas. Portanto, cada uma deve responder pela obrigação tributária acessória imposta, na forma e nos prazos determinados pela legislação. Por fim, a Decisão proferida encontrase revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, não havendo o que se alegar quanto a nulidades. DO MÉRITO Quanto ao mérito, a recorrente alega que somente cinco notas fiscais não foram apresentadas e que agora a recorrente apresenta quatro dessas notas. Ressalta que a Decisão não observou o esforço da recorrente em juntar todos os documentos e que a multa deve ser reduzida na proporção dos documentos juntados. Esclarecemos à recorrente que, no presente caso, tratase de autodeinfração decorrente do descumprimento da empresa em apresentar documentos. A multa pela infringência da obrigação em tela não leva em conta a quantidade de documentos que não foram apresentados, mas uma única ocorrência é assaz para sua imposição, ou seja, ainda que se apresentem quase todos os documentos solicitados na defesa, para fins de relevação, o fato de existir a infração por um único documento não apresentado faz com que a multa não seja alterada. Assim, a multa deve prevalecer, pois persiste o descumprimento da obrigação acessória, conforme determina a legislação. Finalmente, pela análise dos autos, chegamos à conclusão de que o lançamento e a decisão foram lavrados na estrita observância das determinações legais vigentes, sendo que tiveram por base o que determina a Legislação. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10830.006656/200700 Acórdão n.º 23012301.001.881 S2C3T1 Fl. 235 5 CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pro negar provimento ao recurso, nos termos do voto. MARCELO OLIVEIRA Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10215.720096/2007-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004, 2005
REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. NECESSIDADE. As diligências
destinam-se à formação da convicção do julgador, e servem para que se aprofunde ou complemente matéria probatória existente nos autos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracteriza-se
omissão de rendimento o crédito bancário sem origem comprovada.
Numero da decisão: 2101-001.048
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido para realização de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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NECESSIDADE. As diligências destinamse à formação da convicção do julgador, e servem para que se aprofunde ou complemente matéria probatória existente nos autos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracteriza se omissão de rendimento o crédito bancário sem origem comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido para realização de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente e relator. EDITADO EM: 20/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Goncalo Bonet Allage, Odmir Fernandes, José Evande Carvalho Araujo, Walter Reinaldo Falcão Lima e Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Fl. 98DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0112.169 (fls. 275/282), proferido pela 2ª Turma da DRJ Belém, que, por unanimidade de votos, julgou procedente o Auto de Infração de fls. 224/246, sob a acusação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada. Ao apreciar o litígio instaurado com a impugnação tempestiva de fls. 248/253, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005 Omissão. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lançamento Procedente O recurso voluntário interposto (fls. 288/293) reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo. Aduz que a decisão da Delegacia de Julgamento em Belém deve ser reformada ou que seja providenciada diligência para exigir dos Tribunais de Contas dos Municípios e do Estado, consoante dispõe o artigo 37 da Lei nº 9.784/99, para comprovação de que usava os recursos da Prefeitura Municipal de Novo Progresso em sua conta corrente para investimento e pagamento de despesas do Município, já que a burocracia impedia a liberação imediata dos recursos públicos em obras de emergência. Assim, conclui que todos os valores depositados para as suas contas bancárias foram transferência da conta corrente da Prefeitura de Novo Progresso, para efetuar pagamento de interesse público. Argumenta que não vulnerou os dispositivos legais inseridos no auto de infração, que deve ser anulado desde seu nascedouro em face da sua impropriedade como lançamento. Ressalta que a legislação autoriza a presunção, porém no caso presente, ficou claro que os valores depositados foram de origem da Prefeitura Municipal de Novo Progresso, informado ao Auditor Fiscal, que não investigou, atendendo o artigo 142 do CTN, já que este obteve extrato bancário da Prefeitura e poderia ter confrontado as datas e valores debitados na conta corrente da Prefeitura e com as datas e valores dos créditos ingressados em suas contas bancárias. Voto Conselheiro José Raimundo tosta Santos O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Fl. 99DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10215.720096/200749 Acórdão n.º 210101.048 S2C1T1 Fl. 296 3 Preliminarmente, pacífico o entendimento desta Câmara de que o indeferimento fundamentado do pedido para realização de perícias, pelo Órgão julgador de primeiro grau, não implica em cerceamento do direito de defesa, nem ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa, já que é regra consagrada no direito processual brasileiro que o ônus da prova recai sobre aquele que alega fato constitutivo do seu direito. Ao se contrapor à pretensão, cabe ao sujeito passivo provar os fatos alegados como impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do fisco. O contribuinte poderia ter apresentado todas as provas que julgasse cabível dentro do prazo de impugnação, pois esta deve estar acompanhada dos documentos que lhes dê suporte, consoante artigo 15, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (in verbis): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta dias), contados da data em que for feita a intimação da exigência”. O art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto 70.235/1972 assim se posiciona em relação ao tema: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Parágrafo e alíneas acrescentados pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) (grifos acrescidos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) As diligências destinamse à formação da convicção do julgador, e servem para que se aprofunde ou complemente matéria probatória existente nos autos. Jamais poderão estenderse à produção de novas provas ou à reabertura, por via indireta, da ação fiscal. Não se pode conceber, portanto, o uso da diligência para fins de suprir material probatório da parte obrigada pela sua produção. No presente caso, não foi apresentado nenhum elemento de prova destinado a pelo menos evidenciar a necessidade de esclarecimentos ou solicitação de documentos junto aos Tribunais de Conta ou de verificações na contabilidade da Prefeitura Municipal de Novo Progresso. É cristalino que o contribuinte, mesmo não possuindo todos os comprovantes relacionados à origem dos créditos efetuados em suas contas bancárias, poderia ter trazido aos autos cheques emitidos da sua conta pessoal para pagamento de obrigações da Prefeitura ou qualquer outro documento neste sentido. Não o fez durante o procedimento de fiscalização, conforme se verifica na petição de fl. 223, dando Fl. 100DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 suporte à aplicação da norma do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Esperavase que a impugnação ao lançamento fosse robustecida por elementos de prova de suas alegações. Nenhuma prova também foi colacionada aos autos com a interposição do recurso voluntário. Neste diapasão, rejeito o pedido para realização de diligência. Vale ressaltar que não se aplica ao caso em exame a norma do artigo 37 da Lei nº 9.784, de 1999, por sua natureza apenas subsidiária às disposições do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe de regramento específico sobre a realização de diligências e perícias. Ademais, o interessado não nomeia quais documentos existentes em órgão administrativo comprovariam a origem dos créditos em suas contas bancárias. Menciona vagamente que estariam na contabilidade da Prefeitura, no Tribunal de Contas do Estado e no Tribunal de Contas dos Municípios. Diferentemente do que alega o recorrente, em momento algum durante o procedimento de fiscalização, consoante se verifica às fls. 28, 30, 33, 35, 208 e 223, informou ao auditor fiscal sobre a origem dos créditos bancários – que decorriam de recursos transferidos de conta bancária da Prefeitura para sua conta pessoal, nem solicitou auxílio para obter documentos comprobatórios junto à Prefeitura ou dos Tribunais de Conta. Talvez tenha assim procedido para evitar justamente o aprofundamento da fiscalização, pelo menos naquele momento, pois ainda não havia transcorrido o prazo decadencial. Ademais, a movimentação bancária pessoal do Prefeito em nada se relaciona com a movimentação de conta bancária pertencente ao Município – o princípio contábil da entidade impõe que se separe integralmente a pessoa física do Prefeito da pessoa jurídica de direito público interno (Prefeitura Municipal de Novo Progresso). Nenhum órgão público repassa recursos do Município para a conta pessoal do Prefeito, nem este pode transferir recursos da Prefeitura para sua conta pessoal, até porque na sua falta ou impedimento os recursos pertenceriam a seus herdeiros. O recurso mantido em conta bancária da prefeitura normalmente é movimentado pelo prefeito ou secretário municipal (conforme se verifica na correspondência à fl. 199), enquanto recurso da prefeitura em conta alheia poderá ser desviado. Para o estado de calamidade pública ou a situação de emergência a lei possibilita a movimentação de recursos com maior celeridade pelo próprio prefeito, inclusive com dispensa de licitação. A burocracia existente para os períodos de normalidade não deve ser considerada óbice a uma atuação eficiente, mas a salvaguarda de uma administração em prol do interesse público. Os extratos bancários às fls. 186/205 referemse a recursos pertencentes à Prefeitura Municipal de Novo Progresso e não integraram a exigência tributária em exame, apesar de compor o Anexo da Intimação de fls. 209/210. Esses extratos foram enviados à fiscalização, através da Requisição de fl. 153, dirigida à Caixa Econômica Federal, por constar o CPF de Juscelino Alves Rodrigues como responsável. Verificase que os débitos nesses extratos não correspondem a créditos nas contas bancárias do próprio autuado, circunstância que afasta o argumento suscitado pelo contribuinte de que os depósitos em suas contas poderiam ser confrontados em datas e valores com saídas de valores da conta corrente da Prefeitura. Por oportuno, cabe ressaltar que comprovar a origem dos depósitos não é tão somente comprovar de onde veio o dinheiro, mas também comprovar a natureza da operação. Tanto isso é verdade que o § 2° do artigo 42 da Lei 9.430/96 estabelece que os valores com origem comprovada e que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos a que estiverem sujeitos, submetendose às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Se acaso houvesse a comprovação da transferência de recursos entre as contas bancárias da Prefeitura e do Prefeito, seria ainda necessário comprovar a sua devolução ou utilização em pagamentos de obrigações da Prefeitura. Caso contrário, restaria configurado o acréscimo patrimonial do Prefeito, fato igualmente tributável, com a mesma alíquota e sob a mesma base de cálculo da exigência tributária em exame. Fl. 101DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10215.720096/200749 Acórdão n.º 210101.048 S2C1T1 Fl. 297 5 A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/97 é regida pelo art. 42, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confirase: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).(Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). Fl. 102DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 O fato gerador do imposto de renda é sempre a renda auferida. Os depósitos bancários (entrada de recursos), por si só, não se constituem em rendimentos. Daí por que não se confunde com a tributação da CPMF, que incide sobre a mera movimentação financeira, pela saída de recursos da conta bancária do titular. Por força do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o depósito bancário foi apontado como fato presuntivo da omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. Alfredo Augusto Becker1, alicerçado na doutrina francesa e espanhola, ao distinguir presunção legal e ficção legal, assim escreveu: Existe uma diferença radical entre a presunção legal e a ficção legal. ‘A presunção tem por ponto de partida a verdade de um fato: de um fato conhecido se infere outro desconhecido. A ficção, todavia, nasce de uma falsidade. Na ficção, a lei estabelece como verdadeiro um fato que é provavelmente (ou com toda a certeza) falso. Na presunção a lei estabelece como verdadeiro um fato que é provavelmente verdadeiro. A verdade jurídica imposta pela lei, quando se baseia numa provável (ou certa) falsidade é ficção, quando se fundamenta numa provável veracidade é presunção legal`. A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é certa, impõese a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos. A regra jurídica cria uma ficção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é improvável (ou falsa) porque falta correlação natural de existência entre os dois fatos. Para Pontes de Miranda2, presunções são fatos que podem ser verdadeiros ou falsos, mas o legislador os têm como verdadeiros e divide as presunções em iuris et de iure (absolutas) e iuris tantum (relativas). As presunções absolutas, na lição deste autor, são irrefragáveis, nenhuma prova contrária se admite; quando, em vez disso, a presunção for iuris tantum, cabe a prova em contrário. Conforme destacado anteriormente, na presunção o legislador apanha um fato conhecido, no caso o depósito bancário e, deste dado, mediante raciocínio lógico, chega a um fato desconhecido que é a obtenção de rendimentos. A obtenção de renda presumida a partir de depósito bancário é um fato que pode ser verdadeiro ou falso, mas o legislador o tem como verdadeiro, cabendo à parte que tem contra si presunção legal fazer prova em contrário. Neste sentido, não se pode ignorar que a lei, estabelecendo uma presunção legal de omissão de rendimentos, autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Em síntese, a lei considera que os depósitos bancários, de origem não comprovada, analisados individualizadamente, caracterizam omissão de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. 1 BECKER, Alfredo Augusto, Teoria Geral do Direito Tributário, 3ª. ed. – São Paulo: Lejus, 1998, pág. 509. Ed. Lejus 2 MIRANDA, Pontes, Comentários ao Código de Processo Civil, vol. IV, pág. 234, Ed. Forense, 1974. Fl. 103DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10215.720096/200749 Acórdão n.º 210101.048 S2C1T1 Fl. 298 7 A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente. Pelo contrário, a presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos recursos depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Portanto, claro está que o fato gerador do imposto de renda, no caso, não está vinculado ao crédito efetuado na conta bancária, pois, se o crédito tiver por origem transferência de outra conta do mesmo titular, ou a alienação de bens do patrimônio do contribuinte, ou a assunção de exigibilidade, como dito anteriormente, não cabe falar em rendimentos ou ganhos, justamente porque o patrimônio da pessoa não terá sofrido qualquer alteração quantitativa. O fato gerador é a circunstância de tratarse de dinheiro novo no seu patrimônio, assim presumido pela lei em face da ausência de esclarecimentos da origem respectiva. Quanto à tese de ausência de evolução patrimonial ou consumo capaz de justificar o fato gerador do imposto de renda, é verdade que este imposto, conforme prevê o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. A atuação da administração tributária é vinculada à lei (artigo 142 do CTN), sendo vedado ao fisco declarar a inconstitucionalidade de lei devidamente aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República. Neste diapasão, o Primeiro Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula n° 02 consolidando sua jurisprudência no sentido de que o Órgão “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” A jurisprudência do CARF, consubstanciada na Súmula 26, é mansa e pacífica a esse respeito: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. A partir da vigência do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser “modalidade de arbitramento” — que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo poder judiciário (súmula TFR 182) e pelo Primeiro Conselho de Contribuintes (conforme arestos colacionados no recurso) e artigo 9º, inciso VII, do DecretoLei nº 2.471/88, que determinava o cancelamento dos lançamentos do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários — para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Pública Federal. Durante o procedimento de fiscalização o contribuinte foi devidamente intimado a comprovar a origem dos créditos bancários, cumprindo requisito fundamental estabelecido pelo artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, para que a presunção legal utilizada no lançamento em exame possa ser validamente aplicada. Nenhum elemento de prova, hábil e idôneo a comprovar a origem dos recursos que ingressaram em conta bancária do autuado foi apresentado durante o procedimento de fiscalização, em sede de impugnação ou de recurso voluntário. Fl. 104DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 Em face ao exposto, rejeito o pedido para realização de diligência e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 105DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 14337.000047/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2005 a 30/11/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA.
O ordenamento jurídico pátrio não permite a compensação de contribuições previdenciárias com créditos em face de outras entidades e fundos, mesmo que as atividades de arrecadação e cobrança sejam da responsabilidade da autarquia previdenciária federal.
COMPENSAÇÃO. DIREITO SUBJETIVO E FACULDADE DO SUJEITO PASSIVO.
O instituto da compensação tributária apresenta-se como uma faculdade
deferida legalmente ao sujeito passivo, a qual deve ser realizada nas hipóteses e condições de contorno fixadas pela Lei.
COMPENSAÇÃO DE OFICIO. IMPOSSIBILIDADE.
A compensação de ofício somente é autorizada nas hipóteses de verificação de débitos do requerente em favor da Fazenda Pública quando da análise de pedido de restituição.
GFIP RETIFICADORA. EXCLUSÃO DE TRIBUTO. IMPOSSIBILIDADE.
A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.988
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. O ordenamento jurídico pátrio não permite a compensação de contribuições previdenciárias com créditos em face de outras entidades e fundos, mesmo que as atividades de arrecadação e cobrança sejam da responsabilidade da autarquia previdenciária federal. COMPENSAÇÃO. DIREITO SUBJETIVO E FACULDADE DO SUJEITO PASSIVO. O instituto da compensação tributária apresentase como uma faculdade deferida legalmente ao sujeito passivo, a qual deve ser realizada nas hipóteses e condições de contorno fixadas pela Lei. COMPENSAÇÃO DE OFICIO. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de ofício somente é autorizada nas hipóteses de verificação de débitos do requerente em favor da Fazenda Pública quando da análise de pedido de restituição. GFIP RETIFICADORA. EXCLUSÃO DE TRIBUTO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Thiago d’Avila Melo Fernandes. Relatório Período de apuração: 01/02/2005 a 30/11/2006. Data da lavratura da NFLD: 16/10/2007. Data da Ciência do NFLD : 27/11/2007. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, a saber, Salário Educação (2,5 %), INCRA (0,2 %), SENAI (1,0 %), SESI (1,5 %) e SEBRAE (0,6 %), incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, no decorrer do mês, a segurados empregados lotados na obra de construção civil matriculada no Cadastro Específico do INSS CEI sob o número 43.510.0896677, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 432/449. Informa a Autoridade Lançadora que as diferenças de contribuição que constam no presente lançamento são provenientes das bases de cálculo constatadas nas folhas de pagamento, recibos de férias, termos de rescisão de contrato de trabalho, GFIP e GRFP. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 452/473. A Seção do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária baixou o feito em diligência, para que fossem esclarecidos pontos controversos no lançamento, conforme Despacho a fl. 121. Informação fiscal a fls. 122/124. Promovida a ciência da referida Informação Fiscal ao sujeito passivo, este se manifestou a fls. 129/130. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 14337.000047/200841 Acórdão n.º 230200.988 S2C3T2 Fl. 606 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA lavrou Decisão Administrativa a fls. 487/511 julgando procedente em parte a Notificação Fiscal e retificando o crédito tributário na forma descrita no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 512/515. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 24/06/2008, conforme Aviso de Recebimento a fl. 518. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 519/547, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Que, ao ser comprovada a existência de recolhimentos indevidos ou a maior por parte do contribuinte no tocante a Contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos, caberia à União avaliar a possibilidade de compensação, por parte do contribuinte, e não se escusar de fazêlo sob a necessária e útil argumentação de que a receita advinda destas mesmas Contribuições pertence a outras entidades ou fundos e não à própria União; • Que não foram considerados recolhimentos feitos ao SAT através de Depósitos Judiciais; • Requer o reconhecimento dos créditos oriundos das retenções de 11% feitas por tomadores de serviços, devidamente recolhidas e comprovadas através das notas fiscais de serviços emitidas, dos recibos ou de qualquer outro elemento indiciário comprobatório levantado pela fiscalização, bem como dos pagamentos a maior realizados em cada matrícula CEI, para que, após, seja realizado o confrontamento dos créditos identificados, mediante compensação de ofício daquilo que não houvesse sido compensado em GFIP, com os valores levantados por ocasião dos trabalhos fiscalizatórios; • Que existe possibilidade normativa de compensação ex officio por parte da Autoridade Pública dos créditos identificados pela própria Autoridade Fiscalizatória, notadamente para os casos de reconhecimento inequívoco de crédito líquidos e certos do contribuinte com débitos lançados em procedimento de ofício; • Que sejam examinadas e consideradas na apuração do débito as GFIP retificadoras acostadas a fls. 550/564. Ao fim, requer que o cancelamento dos valores totalizados no referido auto de infração (sic). Alternativamente, requer a conversão do julgamento em diligência, determinando à baixa dos autos à instância de origem, a fim de que, considerandose os argumentos aduzidos e os documentos trazidos aos Autos, seja corretamente dimensionado o valore devido. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 24/06/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 09 de julho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso. Dele conheço. Ante a ausência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre assentar inicialmente que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 2.1. DA COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS O Recorrente alega que, ao ser comprovada a existência de recolhimentos indevidos ou a maior por parte do contribuinte no tocante a Contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos, caberia à União avaliar a possibilidade de compensação, por parte do contribuinte, e não se escusar de fazêlo sob a necessária e útil argumentação de que a receita advinda destas mesmas Contribuições pertence a outras entidades ou fundos e não à própria União. A rogativa exortada pelo Recorrente atrita com o Direito Pátrio. No capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre crédito tributário, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 14337.000047/200841 Acórdão n.º 230200.988 S2C3T2 Fl. 607 5 (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o Código Tributário Nacional CTN conferiu ao instituto da compensação os contornos jurídicos de modalidade de extinção do crédito tributário da fazenda pública em face do sujeito passivo da obrigação tributária, nos termos dos seus artigos 156, II ; 170 e 170A. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL – CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela LC nº 104, de 10.1.2001) Notese que, ao estabelecer normas gerais em matéria de crédito tributário, através do regramento de uma de suas modalidades de extinção, o art. 170 do CTN estatuiu que a lei poderia, nas condições e sob as garantias que estipulasse, ou cuja estipulação em cada caso atribuísse à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessarte, o instituto da compensação, no Direito Tributário, depende pois de previsão legal. Atendendo ao comando do CTN, no âmbito federal, o instituto da compensação de tributos federais foi regulamentado pela Lei 8.383/91, cujo Art. 66 dispôs que, nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderia efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. Ao mesmo tempo, o parágrafo único do referido dispositivo legal impôs uma restrição à compensação Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 6 tributária ao dispor que a compensação, no âmbito tributário, só poderia ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. LEI N° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. (com Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) §1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (grifos nossos) §2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. §3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. §4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Em se tratando de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, o instituto da compensação tributária foi regulamentado pelo Art. 89 da Lei Nº 8.212/91, o qual reproduzimos, in totum, a seguir : LEI Nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) (grifos nossos) §1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas atualizadas monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 14337.000047/200841 Acórdão n.º 230200.988 S2C3T2 Fl. 608 7 própria contribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §7º Não será permitida ao beneficiário a antecipação do pagamento de contribuições para efeito de recebimento de benefícios.(Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §8º Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) A redação do caput do Art. 89 da lei 8212/91 é de uma clareza solar ao dispor que somente os créditos do sujeito passivo em face da fazenda pública, decorrentes de pagamento ou recolhimento indevido de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, é que podem ser objeto de compensação ou de restituição. Para tornar esse entendimento o mais livre de dúvidas possível, o parágrafo segundo do mesmo Art. 89 complementou o respectivo caput dispondo que somente pode ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do Art. 11 da Lei Nº 8.212/91, ou seja, as contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social: a) A cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, nos termos do Art. 22, I, II e III da Lei Nº 8.212/91. b) As contribuições sociais a cargo dos empregadores domésticos, de acordo com o Art. 24 da Lei Nº 8.212/91. c) As contribuições sociais a cargo dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriodecontribuição, conforme Art. 20 da Lei Nº 8.212/91. LEI Nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I receitas da União; II receitas das contribuições sociais; III receitas de outras fontes. Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriode contribuição; As disposições inscritas no parágrafo segundo do Art. 89 combinadas com as do parágrafo único do Art. 11, ambos da Lei Nº 8.212/91, excluem da compensação toda e qualquer espécie de crédito da empresa em face da fazenda pública que não sejam aquelas Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 8 decorrentes das contribuições sociais instituídas pelos artigos 20, 22, I, II e III e 24, todos da Lei Orgânica da Seguridade Social LOSS. Ocorre que as restrições impostas à compensação de contribuições previdenciárias a não partiu de decisão política nem da consciência social do legislador ordinário. Antes, tem matriz constitucional. O inciso XI do Art. 167 da Constituição da República determina ser vedada a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais de que trata o art. 195, I, ‘a’, e II, da CF/88 para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social – RGPS de que trata o art. 201 da CF/88. Constituição Federal Art. 167. São vedados: XI a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais de que trata o art. 195, I, a, e II, para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (...) Dessarte, pela perspectiva constitucional, a destinação dos recursos provenientes das contribuições sociais a cargo do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; e das contribuições sociais a cargo do trabalhador e dos demais segurados da previdência social não pode ser outra que não o pagamento dos benefícios do RGPS, o que afasta, por completo, qualquer possibilidade de compensação tributária que não seja com contribuições previdenciárias. Não havendo previsão legal para realizar a compensação pretendida, e considerando a expressa vedação constitucional já debatida, figura o pedido do Recorrente como juridicamente impossível. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 14337.000047/200841 Acórdão n.º 230200.988 S2C3T2 Fl. 609 9 2.2. DOS RECOLHIMENTOS AO SAT ATRAVÉS DE DEPOSITOS JUDICIAIS. Argumenta o Recorrente que não foram considerados na apuração do débito os recolhimentos feitos ao SAT através de Depósitos Judiciais. E nem poderiam. Avulta expressamente consignado nos relatórios que compõem a presente notificação de lançamento, que o período de apuração objeto desta NFLD é de fevereiro de 2005 a novembro de 2006. Conforme dessai das cópias das Guias de Depósitos judiciais e Extrajudiciais, a fls. 565/598, os depósitos efetuados pelo Recorrente referemse, tão somente, às competências de outubro de 2000 ao 13º salário de 2001, compondo assim um horizonte temporal totalmente descompassado e alheio ao vertente lançamento. 2.3. DO RECONHECIMENTO DE RETENÇÕES. Requer o Recorrente o reconhecimento dos créditos oriundos das retenções de 11% feitas por tomadores de Serviços, devidamente recolhidas e comprovadas através das notas fiscais de serviços emitidas, dos recibos ou de qualquer outro elemento indiciário comprobatório levantado pela fiscalização, bem como dos pagamentos a maior realizados em cada matrícula CEI, para que, após, seja realizado o confrontamento dos créditos identificados, mediante compensação de ofício daquilo que não houvesse sido compensado em GFIP, com os valores levantados por ocasião dos trabalhos fiscalizatórios; O pedido formulado pelo Recorrente já foi atendido, em parte, naquilo que permite a lei, pela decisão de primeira instância, conforme assentado no Acórdão nº 0110.783 – 4ª Turma da DRJ/BEL, a fl. 499, 501 e 511, cujos excertos de interesse transcrevemos a seguir. “Ainda em pesquisa realizada no banco de dados informatizados desta Instituição, constatei que a defendente informou, antes do início da ação fiscal, valores de retenção (campo "RETENÇÃO") nas GFIP das competências 05, 06, 08 e 12/2005, evidenciando assim, ainda que parcialmente posto que existem outros procedimentos normativos a serem observados o exercício do seu direito de se compensar de tais valores. Para estas competências não consta do sistema informatizado desta Instituição qualquer GPS de retenção. Ressaltese que a inexistência de GPS de retenção, por si só, não justifica a não consideração, por parte do Fisco, do valor retido informado em GFIP, para efeito de dedução do débito apurado da postulante. Pela análise dos relatórios anexos desta NFLD, constatei que nestas competências a autoridade lançadora não levou em conta estes valores de retenção informados pela empresa em GFIP para a apuração do débito em análise, nem esclareceu a razão Fl. 9DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 10 de tal "glosa", de modo que a notificada pudesse exercer o seu direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa, maculando o lançamento em sua essência nesse aspecto. Assim, procede a reclamação da suplicante de que valores de retenção deixaram de ser abatidos do débito ora analisado, sem que fosse apresentada qualquer justificativa por parte da autoridade fiscal lançadora, cerceando o seu direito de defesa. (...) Face ao arcabouço jurídico supraaventado, é imperiosa a nulidade do crédito previdenciário no que diz respeito às competências que trazem em si lançamentos com o vício do cerceamento de defesa, quais sejam: 05, 06, 08 e 12/2005. Tais lançamentos, na forma como foram efetuados, não atenderam ao disposto no art. 37 da Lei n° 8.212/91, uma vez que não se encontram devidamente motivados, ferindo o princípio da legalidade ao qual está submetido todo o procedimento do lançamento fiscal, e cerceando o direito de defesa do contribuinte, já que não lhe permite saber exatamente em quais pressupostos foi baseada a constituição do crédito lançado em seu desfavor. (...) Em razão da nulidade dos lançamentos relativos às competências 05, 06, 08 e 12/2005 já bastante discorrida no tópico Do Cerceamento De Defesa retifico o presente crédito previdenciário, excluindoas, ficando o seu valor total retificado na forma discriminada no relatório DADR Discriminativo Analítico de Débito Retificado em anexo, que totaliza R$ 114.207,06 (cento e quatorze mil, duzentos e sete reais e seis centavos), nada obstando que a fiscalização, uma vez persistindo os fatos geradores, promova novo lançamento, se assim entender devido. Como visto, as retenções informadas em GFIP foram devidamente consideradas na decisão recorrida, uma vez que esta se pautou pela exclusão do débito de todas as obrigações tributárias referentes às competências maio, junho, agosto e dezembro de 2005. Além das citadas GFIP, o Recorrente não logrou acostar aos autos qualquer outro elemento comprobatório de que houvesse sofrido, efetivamente, a retenção de contribuições previdenciárias de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.711/98, apoiando sua pretensão única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, visto não se encontrarem cortejadas por qualquer indício de prova material. No Processo Administrativo Fiscal, tanto quanto no judicial, não basta à sustentação de um direito a mera argumentação graciosa. Necessita o postulante, além de fundamentálo juridicamente, comproválo com meios de prova idôneos, eis que alegar sem provar produz o mesmo efeito que nada alegar. 2.4. DA COMPENSAÇÃO DE OFICIO. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 14337.000047/200841 Acórdão n.º 230200.988 S2C3T2 Fl. 610 11 Pondera o Recorrente existir possibilidade normativa de compensação de ofício por parte da Autoridade Pública dos créditos identificados pela própria Autoridade Fiscalizatória, notadamente para os casos de reconhecimento inequívoco de crédito líquidos e certos do contribuinte com débitos lançados em procedimento de ofício. Equivocase o Recorrente. A compensação tributária, a ser realizada nas condições de contorno fixadas na lei, é um direito subjetivo do sujeito passivo. Tratase de uma faculdade de que dispõe o titular de um crédito tributário em face da fazenda pública para extinguir um débito que lhe é imposto pelo fisco. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no caput do art. 66 da Lei nº 8.383/91, o qual reza que, nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. Outra não é a linguagem do direito legislado nas Instruções Normativas INSS/DC nº100/2003 e SRP nº 3/2005, sob cuja égide se deram os fatos geradores objeto da presente Notificação Fiscal. Instrução Normativa INSS/DC nº100 de 18.12.2003 Art. 201. Compensação é o procedimento facultativo pelo qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 192. Compensação é o procedimento facultativo pelo qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social. Cabe salientar, por relevante, que as disposições de que trata a Portaria Interministerial MF/MPS 23/06, trazida à colação pelo Recorrente, tem sua aplicabilidade tão somente nos processos de restituição e ressarcimento de créditos postulados pelo contribuinte, decorrentes de tributos arrecadados mediante DARF Documento de Arrecadação de Receitas Federais, o que não é o caso destes autos. PORTARIA INTERMINISTERIAL MF/MPS Nº 23, DE 02 DE FEVEREIRO DE 2006. Art. 1º A compensação de ofício de débitos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF) e de débitos inscritos em Dívida Ativa da União e a extinção de débito, em nome do sujeito passivo pessoa jurídica, relativo às contribuições sociais, previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de Fl. 11DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 12 1991, ou às contribuições instituídas a título de substituição e em relação à Dívida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), na forma do disposto no art. 7º do DecretoLei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, alterado pelo art. 114 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005 será efetuada conforme o disposto nesta Portaria. Parágrafo único. O disposto no caput aplicase a crédito em nome do sujeito passivo pessoa jurídica, passível de restituição ou de ressarcimento, relativo a tributos arrecadados mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF). (grifos nossos) Art. 2º A SRF, antes de proceder à restituição ou ao ressarcimento de crédito do sujeito passivo pessoa jurídica, deverá verificar a existência de débitos em seu nome no âmbito da SRF e da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). (grifos nossos) Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos. 2.5. DAS GFIP RETIFICADORAS Postula o Recorrente que sejam examinadas e consideradas na apuração do débito as GFIP retificadoras acostadas a fls. 550/564. O Recorrente fez coligir aos autos, em sede de Recurso Voluntário, GFIP retificadoras referentes às competências 07/2006, 11/2006 e 13/2006, argumentando que não as apresentou em sede de impugnação em virtude da exiguidade do prazo para a confecção dos documentos de retificação e da grande quantidade de autuações. Ocorre que as suso referidas GFIP não podem ser apreciadas por esta Corte Administrativa com os olhos pretendidos pelo Recorrente. A uma, porque apresentadas fora do prazo de impugnação, não logrando o Notificado comprovar nenhuma das hipóteses de afastamento da preclusão de que trata o §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, verbis: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Fl. 12DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 14337.000047/200841 Acórdão n.º 230200.988 S2C3T2 Fl. 611 13 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Com efeito, foram lavrados em face do Recorrente, na mesma ação fiscal, 2 autos de infração e 57 Notificações Fiscais de Lançamento de Débito – NFLD, o que poderia demonstrar não a impossibilidade, mas sim, a dificuldade de se elaborar tais retificações. Todavia, encontrase a juntada das GFIP retificadoras carente da indispensável petição prevista no §5º do dispositivo legal acima transcrito, mediante a qual o Recorrente deveria demonstrar a efetiva ocorrência de, ao menos, uma das hipóteses elencadas no §4º já destacado. A duas, porque a mera apresentação de GFIP retificadoras, desacompanhadas da comprovação documental do erro material que motivou as respectivas retificações, não tem o poderio bélico de extinguir crédito tributário já lançado, como nesse sentido determina o art. 147, §1º do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifos nossos) §2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que o presente lançamento não demanda, alfim, qualquer reparo. 4. CONCLUSÃO: Fl. 13DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 14 Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 14DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.900810/2008-26
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1999
Ementa:
COMPENSAÇÃO – ÔNUS DA PROVA – LUCRO PRESUMIDO DO 2º TRIMESTRE – COEFICIENTE DE 8% OU DE 32% Se a pretensão é da contribuinte, dela é o onus probandi, de modo que, se ela se insurge contra despacho decisório sobre sua pretensão, a demonstração e
comprovação de seu direito deve ser exercida em seu momento próprio.
Sem embargo da questão da produção probatória no momento próprio,
competia à contribuinte, no mínimo, anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil do Livro Diário e indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os lançamentos referentes a compras (custos). Isso, para comprovar que a receita bruta do trimestre era somente de atividade de construção civil com emprego
de materiais, para aplicação do coeficiente de 8%. O princípio da verdade material ou do formalismo moderado não é absoluto, a permitir a substituição do ônus “primário” das partes, e divorciado da finalidade de eficiência e de não eternização do processo.
Numero da decisão: 1103-000.418
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva (Presidente).
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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Sem embargo da questão da produção probatória no momento próprio, competia à contribuinte, no mínimo, anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil do Livro Diário e indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os lançamentos referentes a compras (custos). Isso, para comprovar que a receita bruta do trimestre era somente de atividade de construção civil com emprego de materiais, para aplicação do coeficiente de 8%. O princípio da verdade material ou do formalismo moderado não é absoluto, a permitir a substituição do ônus “primário” das partes, e divorciado da finalidade de eficiência e de não eternização do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva (Presidente). Fl. 271DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO Processo nº 10855.900810/200826 Acórdão n.º 110300.418 S1C1T3 Fl. 272 2 (assinado digitalmente) HUGO CORREIA SOTERO – VicePresidente no exercício da Presidência (assinado digitalmente) MARCOS TAKATA Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Hugo Correia Sotero (VicePresidente em exercício da Presidência), Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata (Relator), Gervásio Nicolau Recktenvald, Eric Moraes de Castro e Silva, José Sérgio Gomes (Suplente convocado). Fl. 272DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO Processo nº 10855.900810/200826 Acórdão n.º 110300.418 S1C1T3 Fl. 273 3 Relatório DO DESPACHO DECISÓRIO Em 24/04/2008, por intermédio do Despacho Decisório (fl. 03), não foi reconhecido nenhum direito creditório a favor da recorrente e, por conseguinte, não foi homologada a compensação declarada na DCOMP (fls. 1 e 2), por meio da qual a recorrente pretendia compensar débito de CSL (código de receita: 2372) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O motivo da não homologação se fundou na constatação de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Irresignada, em 27/05/2008, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 6 a 9), na qual alegou, em síntese, que: a) A sociedade em questão tem como atividade principal a exploração da construção civil, destacandose a prestação de diversos serviços; b) Em 23/01/2003, a recorrente formulou consulta fiscal, processo administrativo nº 10855.000267/20031 (fls. 18 a 21), requerendo solução acerca do percentual aplicável sobre a receita bruta da pessoa jurídica prestadora de serviços na área da construção civil, quando houver emprego de materiais, para fins de apuração do lucro presumido e obteve como resposta o percentual de 8%; c) Constatou que sempre apurou o lucro presumido pelo percentual de 32% sobre a receita bruta, mesmo empregando materiais nas obras, e, consequentemente, sempre recolheu IRPJ a maior, pelo quádruplo do valor devido; d) Procedeu à compensação do tributo pago a maior com tributos e contribuições arrecadados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB); e) Deixou de retificar o valor do débito de IRPJ declarado na DCTF e na DIPJ de modo que o sistema não constatou o pagamento a maior do imposto; f) Embora não tenha havido a retificação da DCTF e da DIPJ para permitir que o sistema constatasse o pagamento a maior do IRPJ e o seu decorrente crédito, os documentos anexos comprovam claramente a sua existência, bem como a veracidade das informações prestadas; Fl. 273DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO Processo nº 10855.900810/200826 Acórdão n.º 110300.418 S1C1T3 Fl. 274 4 g) A não retificação do débito de IRPJ na DCTF e na DIPJ não decorreu de dolo da recorrente e sim do entendimento equivocado de que as informações prestadas na Declaração de Compensação supririam a sua necessidade; h) Requereu, além da procedência da manifestação de inconformidade, o apensamento do feito ao processo nº 10855.900739/200881. Anexou aos autos notas fiscais emitidas em junho do anocalendário de 1999, os contratos com a SABESP e com a Prefeitura da Estância Turística de São Roque e notas fiscais dos materiais empregados nas obras. DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 26/01/2010, acordaram os julgadores da 5ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, pelos motivos abaixo sintetizados: a) Ao analisar o contrato social da recorrente, constatouse que a empresa exerce diversas modalidades de prestação de serviços. Por conseguinte, os contratos por ela firmados podem abrigar uma ou mais de uma atividade, o que torna imprescindível a apresentação de toda a documentação fiscal cabível para a apuração da base de cálculo do IRPJ do 2º trimestre de 1999, para demonstrar o montante do tributo devido; b) A recorrente apresentou notas fiscais, porém o direito à repetição do indébito não diz respeito a cada nota fiscal, vez que a recorrente pleiteia como indébito o IRPJ pago com base na apuração do lucro presumido do 2º trimestre de 1999, que incide sobre uma base de cálculo, e não incide em relação a cada nota fiscal em particular; c) Portanto, a recorrente deveria ter trazido aos autos demonstrativo da apuração do lucro presumido do 2º trimestre de 1999, com a aplicação, no caso de atividades diversificadas, do percentual correspondente a cada atividade, a fim de se determinar a base de cálculo e o imposto de renda devido e, em consequência, cotejar o IRPJ pago com aquele efetivamente devido; d) Ainda, deveria ter apresentado provas que permitissem albergar a tese de pagamento indevido ou a maior, pois há na DCTF declaração da existência de débito de IRPJ e não é suficiente para desnaturála a simples alegação em contrário; e) O indébito, portanto, não contém os atributos necessários de liquidez e certeza e não cabe o apensamento ao processo administrativo de nº 10855.900739/200881 por referiremse a períodos de apuração distintos. Cientificada da decisão em 22/02/2010, interpôs a recorrente recurso voluntário de fls. 170 a 174 em 10/03/2010, reiterando, basicamente, as alegações feitas na manifestação de inconformidade, e juntou aos autos cópias do Livro Diário correspondente ao 2º trimestre do anocalendário de 1999, das notas fiscais emitidas nesse trimestre, do contrato Fl. 274DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO Processo nº 10855.900810/200826 Acórdão n.º 110300.418 S1C1T3 Fl. 275 5 com a Prefeitura da Estância Turística de São Roque, das notas fiscais dos materiais empregados nas obras e o balancete de junho/1999. É o relatório. Fl. 275DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO Processo nº 10855.900810/200826 Acórdão n.º 110300.418 S1C1T3 Fl. 276 6 Voto Conselheiro MARCOS TAKATA O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. A não homologação da DCOMP se deu por despacho decisório “eletrônico” com fundamento na existência de pagamento localizado para solução de débito do mesmo código (2089 – lucro presumido) e mesmo período de apuração (2º trimestre de 1999), não restando crédito disponível para compensação (fl. 3). A recorrente alega erro no preenchimento da DCTF e da DIPJ, que não forma retificadas. O erro defluiria do pagamento de IRPJ sob o regime do lucro presumido, pela aplicação da alíquota de 32% sobre a receita bruta para a determinação daquela, quando o correto seria a aplicação da alíquota de 8% sobre a receita bruta. A controvérsia acerca do direito creditório postulado pela recorrente de IRPJ pago a maior gravita em torno da aplicação da alíquota de 8% sobre a receita bruta do 2º trimestre de 1999 na determinação do lucro presumido, ao invés da alíquota de 32% sobre tal receita bruta – o que teria gerado o direito creditório da recorrente. Invoca a recorrente a Solução de Consulta a ela conferida pela SRRF da 8ª Região Fiscal, de março de 2005, no processo administrativo 10855.000267/200351. Nela se reconheceu a aplicação da alíquota de 8% na apuração do lucro presumido, na atividade de construção por empreitada, quando houver emprego de materiais em qualquer quantidade, e a alíquota de 32% na apuração do lucro presumido, quando houver unicamente emprego de mão deobra. Segundo o contrato social da recorrente, seu objeto social inclui atividades diversificadas na área da construção civil. Com a manifestação de inconformidade, a recorrente carreou aos autos cópia do contrato firmado com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP e com a Prefeitura da Estância Turística de São Roque, cópias de notas fiscais emitidas para aquela e de nota fiscal emitida para essa, além de cópias de notas fiscais de compra de matérias de construção civil. Documentação que fora acostada aos autos com a peça inaugural, para comprovar que as receitas auferidas pela recorrente no 2º trimestre do ano calendário de 1999 foram somente de construção civil com emprego de materiais. Na peça recursiva, a recorrente juntou aos autos cópia do Livro Diário correspondente ao 2º trimestre do anocalendário de 1999, novamente cópia do contrato firmado com a Prefeitura da Estância Turística de São Roque, e cópia alegadamente de todas as notas fiscais emitidas nesse trimestre e de todas as notas fiscais dos materiais empregados nas obras. Fl. 276DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO Processo nº 10855.900810/200826 Acórdão n.º 110300.418 S1C1T3 Fl. 277 7 Posto isso, é curial registrar que se a pretensão em jogo é da recorrente, desta é o onus probandi. E, assim, se ela se insurge contra despacho decisório que infirma total ou parcialmente sua pretensão, a demonstração e comprovação de seu direito deve ser exercida em seu momento próprio. Sendo a pretensão deduzida a da recorrente, a produção de provas devese limitar, em princípio, ao momento da manifestação de inconformidade. Reputo ser aceitável a apresentação de provas na fase recursiva, quando se tratar de comprovantes de rendimentos e de retenções de tributos, ou no caso de provas complementares às já apresentadas anteriormente. Diverso do que sucede (produção de provas) quando a pretensão em causa é do fisco. Em sede de processo de compensação, em que o onus probandi compete à recorrente, que postula o direito em causa, entendo não ser cabível convolar este juízo em fase de procedimento de auditoria, com a determinação de diligências para substituir papel “primário” que caberia ter sido levado a termo pela contraparte, à qual instaria provar ou demonstrar. Da mesma forma, se a pretensão for do fisco, minha intelecção é a de que não cabe transformar o órgão julgador ad quem em órgão de auditoria, com a determinação de diligências para substituir papel ou ônus “primário” (que compõe o que a doutrina italiana chama de instrução primária, a qual orienta a relação jurídicoformal do lançamento, em contraposição à instrução secundária, que se desenvolve na relação jurídicoformal processual) do fisco. A carência de certeza do crédito, nesse caso, implica nulidade (total ou parcial) do lançamento, a meu ver. O princípio da verdade material ou do formalismo moderado não é absoluto, a permitir a substituição do ônus “primário” das partes, e divorciado da finalidade de eficiência e de não eternização do processo. Compulsando os autos, vejo que há cópias: a) de notas fiscais emitidas pela recorrente; b) de notas fiscais de compra de materiais para construção civil; c) do contrato com a SABESP para execução de rede e ligações de água e esgoto, de rede de distribuição de água, de rede coletora de esgotos, de ligações de água e ligações de esgoto; d) do contrato com a Prefeitura da Estância Turística de São Roque para execução de serviços de infraestrutura e obras complementares para implantação de sistema de abastecimento de água, com fornecimento de materiais; e) do Livro Diário do 2º trimestre de 1999 e do balancete mensal de junho de 1999. Fl. 277DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO Processo nº 10855.900810/200826 Acórdão n.º 110300.418 S1C1T3 Fl. 278 8 As cópias do Livro Diário do 2º trimestre de 1999 e do balancete de junho de 1999, bem como as cópias das notas fiscais emitidas em abril e maio de 1999, e das notas fiscais de compra de abril e maio de 1999 somente foram trazidas aos autos com a peça recursiva. A documentação contábil, conectada às notas fiscais que dão lastro aos lançamentos contábeis, é fundamental para aferir se a recorrente não auferira receitas no trimestre em questão por atividade de construção civil sem emprego de materiais. Importa registrar, nesse passo, que a recorrente se limitou a juntar cópia do Livro Diário do trimestre em discussão, sem anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil, e sem indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os registros de compras. Além disso, não juntou o plano de contas, nem a demonstração de resultado do trimestre ou ao menos os balancetes dos meses de abril e maio: não há anotação da somatória dos lançamentos a crédito em conta de receita da atividade do Diário que teriam sido com emprego de materiais em “batimento” com a receita da atividade dos balancetes de abril, maio e junho (ou com a demonstração do resultado do trimestre). Tampouco elaborou planilha demonstrativa de tais receitas indicando a “fonte” contábil, e demonstrativa das compras (custos) e indicação da “fonte contábil”, com um mínimo de conexão entre elas as receitas que supostamente seriam com emprego de matérias e as compras (custos). Ademais disso, a cópia do Diário e do balancete de junho de 1999 só foi juntada aos autos no momento processual recursivo (além, é claro, da cópia de notas fiscais emitidas em abril e maio, e de notas fiscais de compra). Nesse passo, retomo o que deduzi acima, sobre o onus probandi, sobre o momento processual para produção de provas no caso de pretensão do contribuinte, sobre o princípio da verdade material não ser absoluto. Também, como disse alhures, não cabe transformar este juízo em fase de procedimento de auditoria. Sem embargo da questão da produção probatória no momento próprio, competia à recorrente, no mínimo, anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil do Livro Diário e indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os lançamentos referentes a compras (custos). De outra parte, a determinação de diligência se presta para esclarecer produção probatória adequada feita por quem tem seu ônus, se o quanto consta nos autos reclama essa constatação (esclarecimentos); ou, eventualmente, a diligência se orienta a complementar produção probatória não imputável à parte que tenha o ônus da prova (por ex., o contribuinte carreia aos autos documento que comprova o pedido, à fonte pagadora, de entrega do informe de rendimentos, mas não o recebe). Ainda assim, apreciando os autos, encontro: Fl. 278DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO Processo nº 10855.900810/200826 Acórdão n.º 110300.418 S1C1T3 Fl. 279 9 o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico do Estado de SP” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (supostamente a conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 38, no valor de R$ 19.740,00 (fl. 192 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Prefeitura da Estância Turística de S. Roque” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (supostamente a conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 40, no valor de R$ 14.434,92 (fl. 210 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico do Estado de SP” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (supostamente a conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 41, no valor de R$ 7.700,00 (fl. 215 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico do Estado de SP” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (supostamente a conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 42, no valor de R$ 24.504,22 (fl. 220 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Prefeitura da Estância Turística de S. Roque” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (supostamente a conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 44, no valor de R$ 12.818,99 (fl. 223 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico do Estado de SP” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (supostamente a conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 45, no valor de R$ 2.046,00 (fl. 234 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico do Estado de SP” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (supostamente a conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 46, no valor de R$ 20.545,00 (fl. 237 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Prefeitura da Estância Turística de S. Roque” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (supostamente a conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 48, no valor de R$ 40.673,37 (fl. 241 do processo). Mas isso é insuficiente para comprovar a alegação da recorrente, ademais do que tal documentação contábil foi carreada aos autos somente no recurso. Diante de tudo quanto deduzi, padece de falta de certeza o crédito postulado pela recorrente, conforme o art. 170 do CTN. Fl. 279DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO Processo nº 10855.900810/200826 Acórdão n.º 110300.418 S1C1T3 Fl. 280 10 Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2011 (assinado digitalmente) MARCOS TAKATA Relator Fl. 280DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO
score : 1.0
Numero do processo: 10510.000367/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005
ISENÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
Fazem jus à isenção do imposto os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por contribuinte portador de doença especificada em lei, comprovada por meio de laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados e dos Municípios.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2102-001.107
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PARCIAL provimento ao recurso para que, seja reduzida a omissão de rendimentos na autuação de R$ 30.120,75 para RS 1.000,00, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Fazem jus à isenção do imposto os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por contribuinte portador de doença especificada em lei, comprovada por meio de laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados e dos Municípios. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutido _os-presentes autos. Acordam os mem s do Colegiado l, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recu, s6 para que, seja reduzida a omissão de rendimentos na autuação de R$ 30.120,75 para RS 1.000,00, nis termos do voto do Relator. Giova ni Christian Nunes dente Particip_ar.am—da sess de julga ento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Eivanice Canário da ilva , NU8ia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 21 a 22 da instância a quo, in verbis: A interessada impugna lançamento do imposto de renda do ano-calendário 2004, em que foram incluídos rendimentos omitidos. 0 imposto resultante foi de R$ 1.466,91. Argumenta, em síntese, que é portadora de moléstia que isenta os seus rendimentos de aposentadoria. Apresenta atestado médico emitido em 17/01/2007, confirmando a sua condição desde agosto de 2004. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que o atestado de fl. 02, foi insuficiente para atender a demanda legislativa de apresentação de laudo médico para que o contribuinte possa usufruir da isenção do IR por ser portador de moléstia grave, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO OFICIAL. A condição de portador de moléstia que dá direito a isenção do imposto deve ser comprovada por laudo pericial oficial. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 26/27 aditando o processo com os laudos médicos de fls. 32 a 38 para superar a razão do indeferimento da DRJ, requerendo ao final, pelo provimento ao recurso. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho. ADMISSIBILIDADE 0 recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Pleiteia o reconhecimento de isenção do IRPF sobre seus rendimentos tributáveis por ser aposentado e portador de moléstia grave. De acordo com o RIR/99, a isenção relativa aos rendimentos percebidos a titulo de aposentadoria ou pe ao por contribuintes portadores de doença grave somente se 2 Processo n° 10510.000367/2007-10 S2-CIT2 Acórddo n.° 2102-01.107 Fl. 13 inicia na data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial (art. 39, §5o do Decreto n. 3.000/99). Como se vê o fundamento do indeferimento da decisão recorrida, a solução da lide cinge-se somente à comprovação da moléstia por laudo médico, fl. 21-verso. Nessa linha, para provar que é portador de moléstia grave foram apresentados os Laudos Periciais do INSS, fl. 32 e da Secretaria de Estado da Saúde do Governo do Sergipe, atestando que o recorrente é portador de moléstia grave, neoplasia maligna de mama, desde 12/08/2004. Ocorre que sendo o rendimento, objeto dessa lide, percebido ao longo do ano-calendário 2004, reconheço que a contribuinte faz jus a isenção pleiteada, contudo, somente a partir do mês de agosto de 2004. Assim, sendo, analisando a Dirf de fl. 20, obtemos a seguinte tabela: Jan R$ 3.524,25 fey R$ 3.524,25 mar R$ 3.524,25 abr R$ 3.524,25 mai R$ 3.524,25 jun R$ 3.524,25 Jul R$ 3.524,25 R$ 24.669,75 Subtotal de rendimentos tributáveis ago R$ 3.324,25 set R$ 3.324,25 out R$ 3.324,25 nov R$ 4.150,00 dez R$ 14.998,00 R$ 29.120,75 Subtotal de rendimentos isentos R$ 53.790,50 Dessa forma, entendo que deve ser retificada a autuação. Para isso, com base no Demonstrativo da notificação de fl. 03 e na tabela acima, obtemos o seguinte: Notificação, fl. 3 Tabela acima Rendimento Tributável 53.790,50 24.669,75 Declarado 23.669,75 23.669,75 Rendimento Omitido 30.120,75 1.000,00 Do exposto, estou convencido que as formalidades legais, laudo pericial emitido por serviço medico oficial e rendimento de aposentadoria estão presentes e assim a contribuinte faz jus ao beneficio da isenção pleiteada a partir de agosto de 2004. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO, para que seja reduzida a omissão de rendimentos n a tila do de R$ 30.120,75 para R$ 1.000,0 ! 3 t 4
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Numero do processo: 10976.000394/2009-79
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1995
OMISSÃO DE RECEITA PASSIVO FICTÍCIO
Caracteriza-se como omissão de receita a manutenção de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada.
OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS EM CONTA BANCÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO ANTES DO TÉRMINO DO PRAZO FIXADO EM INTIMAÇÃO. A presunção de omissão de receitas com base em créditos em conta bancária de origem incomprovada pressupõe a regular intimação do
contribuinte fiscalizado, no regime do art. 42 da Lei 9.430/1996. A autoridade fiscal deve aguardar o prazo fixado na intimação para, só então, realizar a lavratura do auto de infração.
MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. A presunção legal de omissão de receitas não autoriza, por si só,
a imposição de multa qualificada.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA (CSLL PIS COFINS)
No lançamento decorrente, a relação de causa e efeito que informa o procedimento leva a que o resultado do julgamento do feito reflexo acompanhe aquele foi dado ao lançamento principal.
Numero da decisão: 1103-000.425
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR
provimento PARCIAL ao recurso para excluir a parcela do crédito tributário correspondente à omissão de receitas apurada com base em depósitos bancários e reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%, vencido o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso (Relator).
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS EM CONTA BANCÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO ANTES DO TÉRMINO DO PRAZO FIXADO EM INTIMAÇÃO. A presunção de omissão de receitas com base em créditos em conta bancária de origem incomprovada pressupõe a regular intimação do contribuinte fiscalizado, no regime do art. 42 da Lei 9.430/1996. A autoridade fiscal deve aguardar o prazo fixado na intimação para, só então, realizar a lavratura do auto de infração. MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. A presunção legal de omissão de receitas não autoriza, por si só, a imposição de multa qualificada. TRIBUTAÇÃO REFLEXA (CSLL PIS COFINS) No lançamento decorrente, a relação de causa e efeito que informa o procedimento leva a que o resultado do julgamento do feito reflexo acompanhe aquele foi dado ao lançamento principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a parcela do crédito tributário correspondente à omissão de receitas apurada com base em depósitos bancários e reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%, vencido o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso (Relator). Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Aloysio José Percínio Da Silva – Presidente e redator designado (assinatura digital) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator (assinatura digital) Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Gervasio Nicolau Recktenvald, Eric Moraes de Castro e Silva e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratasse de recurso voluntário a respeito da decisão da DRJ que deferiu parcialmente a impugnação da contribuinte. Contra a empresa anteriormente identificada foi lavrado o Auto de Infração do Imposto de Renda e os seus reflexos nos seguintes montantes de crédito tributário total (principal, multa e juros): Tributo Crédito Tributário – R$ IRPJ 2.686.597,01 Contribuição para o PIS/Pasep 185.035,49 Contribuição Social s/ o Lucro líquido CSLL 992.961,37 Contribuição p/ Fin. Seguridade Social Cofins 852.285,54 Crédito tributário total 4.716.879,41 O enquadramento legal encontrase discriminado nos Autos de Infração mencionados. Termo de Verificação Fiscal No Termo de Verificação Fiscal de fls. 07/33 a autoridade fiscal descreve como foi procedida a fiscalização, e o lançamento foi decorrente das seguintes infrações: 1 Glosa da Conta Adiantamento de Clientes Verificou a fiscalização a ocorrência de saldos irreais, decorrentes de obrigações cuja exigibilidade não foi comprovada pela empresa, na conta 2.1.1.06.0004 – Adiantamento de Clientes – Outras Obrigações, constante do Passivo Circulante da pessoa jurídica. A Relação de fls. 63/70 contém todos os lançamentos decorrentes de crédito bancário em conta da fiscalizada e que foram lançados a crédito na conta Adiantamento de Clientes; o Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10976.000394/200979 Acórdão n.º 110300.425 S1C1T3 Fl. 2 3 somatório desta relação, juntamente com o seu saldo inicial, foi lançado de ofício para apuração do lucro tributável pelo IRPJ e seus reflexos, conforme o Demonstrativo de fls. 34/37. 2 Omissão de Receita – Depósitos Bancários não Contabilizados Detectou a fiscalização que a empresa deixou de escriturar os lançamentos bancários de sua conta 27666942, agência 097, do Banco ABC AMRO REAL S/A. Os lançamentos nesta conta bancária, ao contrário das demais, não constam de seus livros Diário e Razão, não fazendo parte de suas Demonstrações Financeiras. Não logrando a contribuinte, depois de repetidas intimações, comprovar a origem dos lançamentos a crédito constantes dos Extratos Bancários da conta de sua titularidade, o autuante caracterizou tais valores como omissão de receita do anocalendário de 2005, amparado no artigo 849 do RIR/99 e 42 da Lei nº 9.430/96. Salienta a fiscalização que cuidou de identificar transferências entre contas de mesma titularidade, os estornos de débitos, os financiamentos creditados à conta analisada, dentre outros valores creditados de acordo com extrato bancário, para exclusão da apuração do valor tributável omitido. Impugnação Irresignada, a empresa apresentou impugnação de fls. 2.480/2.522 e Anexo II – Volumes de 01 a 06. Na defesa os seguintes tópicos são abordados: 1 Inobservância ao Princípio Constitucional da Ampla Defesa e do Devido Processo Legal – Nulidade do Procedimento Administrativo Alega que a fiscalização cerceou indevidamente a garantia do devido processo legal e da ampla defesa. O Auto de Infração foi lavrado em seu desfavor em 16/08/2009, sendo que o mesmo foi recebido em 24/08/2009. Ocorre que, durante a fiscalização, recebeu diversas solicitações de dados e documentos. Dentre eles o Termo de Intimação, anexo à Impugnação – fls. 2.514/2.520, cujo recebimento se deu em 12/08/2009, no qual a empresa foi instada a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contascorrentes, conforme relação anexa ao Termo. Entretanto, antes mesmo de findo o prazo para apresentação dos documentos solicitados, o Auto de infração foi lavrado, impossibilitando, ilicitamente, que o contribuinte atendesse à solicitação fiscal. Face à ilicitude, requer a nulidade do lançamento no que se refere à infração destacada, cancelandose a exigência desta parcela. 2 Utilização Indevida da Escrita Fiscal da Empresa para Composição de Base de Cálculo e Capitulação da Infração A impugnante argumenta que, em diversas passagens no curso do procedimento fiscalizatório, o autor do feito considera como imprestáveis os documentos Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 entregues pela fiscalizada, mas mesmo assim, foram utilizados para obtenção da suposta omissão de receita. Ora, em face à deficiência da escrituração contábil e dos documentos – palavras do próprio auditor, a comprovar a omissão de receita suscitada, não poderia o Fisco valerse de tais documentos para obtenção dos rendimentos tributáveis, mas sim, terse utilizado da prerrogativa do arbitramento do lucro no período, conforme o artigo 535 do RIR/99. Portanto, ilegítimo é o procedimento levado a efeito, o que se requer seja reconhecido. 3 Ilegítima Glosa da Conta “Adiantamento de Clientes”. Ultrapassadas as considerações anteriores, a impugnante contesta a infração sob este título. Primeiramente, reclama da falta de zelo do autuante ao aproveitar integralmente o saldo inicial da conta de Adiantamento de Clientes, cujo montante apurado equivalia a R$ 1.121.791,74. Como forma de sustentar tais alegações, anexa o documento nº 04, fls. 2.522, a recomposição do saldo da aludida conta, através do qual se infere a evolução dos valores, decorrentes de exercícios anteriores, para a obtenção do montante verificado em janeiro de 2005, a que se baseou o Fisco. O Fisco desconsiderou o montante acumulado originado de períodos anteriores e considerou todo o valor como se omitido fosse no próprio exercício de 2005, ausente qualquer parâmetro que embase tal procedimento. Da leitura da evolução do saldo da conta em anos anteriores, bem como, no próprio ano de 2005, verificase uma elevação regular, em nada se comparando ao valor absolutamente desproporcional determinado pela Fazenda como saldo inicial para o ano fiscalizado. Requer, desta forma, que deve ser decotado do lançamento fiscal todas as operações comprovadas e amparadas por documentos fiscais idôneos, adotandose, ainda, as variações de saldo na conta restritas ao exercício de 2005. 4 Depósitos Bancários – Inexistência de Omissão de Receitas Inicia sua contestação sobre esta matéria relatando que, segundo a fiscalização, a empresa teria deixado de escriturar os lançamentos contábeis de sua conta 27666942, agência 097, do Banco ABN AMRO REAL S/A. Reforça o argumento de cerceamento do direito de defesa registrado em tópico anterior, que ensejaria a nulidade do auto nesta parcela. Adentrando no mérito, alega não assistir razão ao autuante, pois o numerário equivalente às receitas omitidas encontra lastro em documentos fiscais de indiscutível idoneidade, estando as operações acobertadas pelas notas fiscais a elas vinculadas, estando devidamente registradas no livro diário referente ao ano de 2005 (Doc. nº 07). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10976.000394/200979 Acórdão n.º 110300.425 S1C1T3 Fl. 3 5 Assim, seja pelo fato de não ter sido conferido à Autuada oportunidade legítima para comprovação das alegações ora postas, seja pela comprovação das origens e faturamento dos valores creditados, defende a insuficiência dos argumentos que levaram o Fisco a proceder ao lançamento sob o enfoque de depósitos bancários não contabilizados. 5 Ilegitimidade do Lançamento referente ao PIS e á COFINS Em que pese o fato da exigência do PIS e da COFINS consistirem em lançamento por decorrência, verificase que o Fisco deixou de considerar os créditos das contribuições acumuladas pela empresa durante o exercício de 2005, conforme se verifica do saldo inicial apontado pela DACON apresentada em 2006. 6 Ilegitimidade da Cobrança da Multa Mesmo que sejam ultrapassados todos os argumentos anteriores, e se considere legítimo o procedimento fiscal, a impugnante entende que deve ser afastada a aplicação da multa de ofício no percentual de 150%. Em primeiro lugar, questiona a capitulação legal adotada pelo auditor fiscal, na medida que o indicado artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, que pressupõe a aplicação do percentual de 50% sobre os tributos exigidos, não se coaduna com o percentual utilizado na autuação, o que a vicia. Todavia, caso se entenda pela suplantação do vício indicado e supondo apenas que a multa foi cominada em percentual que indicaria a presença de fraude, a autuada argumenta que não houve, por sua parte, intenção de fraudar o Erário, ocultando dolosamente a existência de fatos tributáveis. Caso houvesse a intenção de burlar, a empresa não teria a preocupação de escriturar os livros e tampouco fornecêlos ao Fisco, não se aplicando os artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. No decorrer da fiscalização respondeu às Intimações e esclareceu a situação ocorrida e a dificuldade de atendimento das mesmas, deixando à disposição do Fisco os demais documentos que estavam em seu poder, o que demonstra sua boafé. Além disso, sustenta o caráter confiscatório da multa, o que conduziria o seu afastamento, tendo em vista o direito de propriedade assegurado pela Constituição Federal, artigo 5º, inciso XII. A DRJ decidiu (ementa): “NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA FASE INQUISITORIAL. PRELIMINAR REJEITADA. Iinexiste cerceamento de defesa em sede de procedimento de fiscalização, pois inexiste acusação ou imputação de infração, mas apenas apuração de fatos e colheita de provas no interesse e por iniciativa do fisco. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. ENQUADRAMENTO LEGAL DA INFRAÇÃO. REJEIÇÃO DA PRELIMINAR. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 6 O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Se a impugnante revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante defesa, abrangendo não só questão preliminar como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. ESCRITURAÇÃO FISCAL ARBITRAMENTO O arbitramento do lucro é medida de exceção, somente aplicável quando as falhas na escrituração constituem em acontecimentos que, descaracterizando ou escondendo os fatos relevantes da obrigação tributária, impossibilitam a apuração do resultado em que se basearia o cálculo do imposto. OMISSÃO DE RECEITA PASSIVO FICTÍCIO Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a manutenção de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. Caracterizase omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. A multa qualificada se aplica aos casos em que se verifica evidente intuito de fraude ou sonegação fiscal, caracterizado pela prática repetida de ações visando reduzir a base de cálculo dos tributos devidos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA (CSLL PIS COFINS) Tratandose de lançamento decorrente, a relação de causa e efeito que informa o procedimento leva a que o resultado do julgamento do feito reflexo acompanhe aquele foi dado ao lançamento principal.” A recorrente fl. 2.551/2.566 alega (resumo): Preliminar de nulidade, pois alega que a fiscalização cerceou indevidamente a garantia do devido processo legal e da ampla defesa. O Auto de Infração foi lavrado em seu desfavor em 16/08/2009, sendo que o mesmo foi recebido em 24/08/2009. Ocorre que, durante a fiscalização, recebeu diversas solicitações de dados e documentos. Dentre eles o Termo de Intimação, anexo à Impugnação – fls. 2.514/2.520, cujo recebimento se deu em 12/08/2009, no qual a empresa foi instada a Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10976.000394/200979 Acórdão n.º 110300.425 S1C1T3 Fl. 4 7 comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contascorrentes, conforme relação anexa ao Termo. Entretanto, antes mesmo de findo o prazo para apresentação dos documentos solicitados, o Auto de infração foi lavrado, impossibilitando, ilicitamente, que o contribuinte atendesse à solicitação fiscal. Isso porque, após a instauração de Mandado de Procedimento •Fiscal (MPF), foi recebido Termo de Intimação pela Recorrente em 12.08.09, tendo sido lavrado o Auto de Infração em seu desfavor em 16.08.09, e recebido em 24.08.09. Ou seja, antes mesmo de findo o prazo para apresentação dos documentos solicitados, que objetivariam comprovar a origem de diversos depósitos efetuados, referentes a conta corrente de titularidade da empresa mantida no Banco Real, o i. Auditor finalizou a autuação em epígrafe, impossibilitando, ilicitamente, que o contribuinte atendesse , à solicitação fiscal, fato este inconteste. O próprio artigo 42 da Lei n.° 9.430/96, que estabelece a presunção de que os depósitos não justificados constituem receita, se o contribuinte, "regularmente intimado", não os comprove. Ora, a regular intimação pressupõe que o contribuinte tenha usufruído, integralmente, do prazo assinalado pelo Fisco, o que, sabidamente, não sucedeu. Destarte, a conduta do agente público cerceou indevidamente a garantia do devido processo legal e da ampla defesa, ocasionando infringência aos direitos do contribuinte e princípio; da administração pública, devendo ser reformada a decisão para que seja integralmente cancelada a exigência fiscal. Utilização Indevida da Escrita Fiscal da Empresa para Composição de Base de Cálculo e Capitulação da Infração A recorrente argumenta que, em diversas passagens no curso do procedimento fiscalizatório, o autor do feito considera como imprestáveis os documentos entregues pela fiscalizada, mas mesmo assim, foram utilizados para obtenção da suposta omissão de receita. Ora, em face à deficiência da escrituração contábil e dos documentos – palavras do próprio auditor, a comprovar a omissão de receita suscitada, não poderia o Fisco valerse de tais documentos para obtenção dos rendimentos tributáveis, mas sim, terse utilizado da prerrogativa do arbitramento do lucro no período, conforme o artigo 535 do RIR/99. Portanto, ilegítimo é o procedimento levado a efeito, o que se requer seja reconhecido. Ilegítima Glosa da Conta “Adiantamento de Clientes” Em que pese a decisão atacada haver extirpado do crédito tributário o montante de R$ 1.121.791,74, por se tratar de "saldo final de 2004. Saldo inicial de 2005, exatamente por não corresponder aos lançamentos verificados ao longo do ano fiscalizado" é de se ver que a mesma não deve subsistir também para os valores mantidos. Com efeito, atendose às razões postas para manutenção do saldo remanescente na conta Adiantamento de Clientes como tributável declarou o i julgador –“não Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 8 ter sido comprovada a exigibilidade dos valores mantidos no Passivo correspondente a tais valores." Todavia, desconsidera a decisão recorrida, que os valores demonstrados na planilha citada encontram respaldo nos documentos fiscais regularmente emitidos, de modo que as quantias tomadas como referência pelo i. Auditor não transparecem a realidade das transações efetuadas pela Recorrente, cuja materialidade restou certificada pelas notas fiscais, declarações e livros apresentados. A esse respeito, apesar de tentar descaracterizar a correção dos lançamentos contábeis da Recorrente; através de exemplos que em nada corroboram o alegado pelo Fisco, fato é que em momento algum se conseguiu comprovar a ausência de materialidade de aludidas operações comerciais, a justificar a presunção de irregularidade pretendida que levou à tributação indiscriminada e aleatória de valores. Frente a tais argumentos, e com base no material probatório apresentado, deve ser decotado do lançamento fiscal todas as operações comprovadas e amparados por documentos fiscais idôneos constatadas na conta Adiantamento de Clientes. 4 Depósitos Bancários – Inexistência de Omissão de Receitas Por sua vez, no que se refere ao presente tópico, mesmo com a demonstração de que o numerário equivalente às receitas tidas como omitidas encontram lastro em documentos fiscals de indiscutível idoneidade, estando as operações acobertadas pelas notas fiscais a elas vinculadas, a r. decisão atacada manteve o lançamento fiscal nesta parcela. Nesse particular, sustenta a r. decisão que a Recorrente "não consegue estabelecer a identificação dos lançamentos bancários glosados no Diário. Em nenhum dia escriturado é possível definir um lançamento vinculado aos valores creditados em sua conta 27666942, Banco ABN AMRO REAL S'/À 1 ;agência 097." Em primeiro lugar, conforme se infere da documentação ora juntada, as transações foram sim escriturados consoante determina a prática contábil, estando devidamente registradas no livro diário referente ao ano de 2005, os valores glosados pela Fiscalização. E a planilha juntada (doc. n.° 08 da Impugnação), através da qual trazemos extrato de entradas bancárias ocorridas no segundo semestre de 2005, verificase a correspondência material como certificada por recibos e notas presentes na coluna "Dados do comprovante de recebimento". Assim sendo, mediante comprovação das origens e faturamento dos valores creditados, força é convir pela insuficiência dos argumentos que levaram a decisão a confirmar o lançamento sob o enfoque de depósitos bancários não contabilizados. PIS / COFINS REFLEXOS Nesse mesmo turno, no que tange aos lançamentos reflexos de PIS e COFINS, em razão de os mesmos basearemse em base de cálculo inexata, devem os mesmos ser extirpados da Autuação, a teor dos valores à título de IRPJ e CSLL questionados no presente recurso. DESCABIMENTO DA MANUTENÇÃO DA MULTA QUALIFICADA Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10976.000394/200979 Acórdão n.º 110300.425 S1C1T3 Fl. 5 9 Mesmo que sejam ultrapassados todos os argumentos anteriores, e se considere legítimo o procedimento fiscal, a impugnante entende que deve ser afastada a aplicação da multa de ofício no percentual de 150%. Em primeiro lugar, questiona a capitulação legal adotada pelo auditor fiscal, na medida que o indicado artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, que pressupõe a aplicação do percentual de 50% sobre os tributos exigidos, não se coaduna com o percentual utilizado na autuação, o que a vicia. Todavia, caso se entenda pela suplantação do vício indicado e supondo apenas que a multa foi cominada em percentual que indicaria a presença de fraude, a autuada argumenta que não houve, por sua parte, intenção de fraudar o Erário, ocultando dolosamente a existência de fatos tributáveis. Caso houvesse a intenção de burlar, a empresa não teria a preocupação de escriturar os livros e tampouco fornecêlos ao Fisco, não se aplicando os artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. No decorrer da fiscalização respondeu às Intimações e esclareceu a situação ocorrida e a dificuldade de atendimento das mesmas, deixando à disposição do Fisco os demais documentos que estavam em seu poder, o que demonstra sua boafé. Nesse sentido, cabenos reiterar entendimento pacificado pelo E.CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS do Ministério da Fazenda que, em diversas oportunidades, manifestou pela absoluta necessidade de que o dolo ou a fraude estejam perfeitamente caracterizados, para fins do agravamento da penalidade. Além disso, sustenta o caráter confiscatório da multa, o que conduziria o seu afastamento, tendo em vista o direito de propriedade assegurado pela Constituição Federal, artigo 5º, inciso XII. Voto Vencido Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Preliminar de nulidade, pois alega que a fiscalização cerceou indevidamente a garantia do devido processo legal e da ampla defesa. A recorrente trata como preliminar de nulidade a questão da irregularidade da intimação na questão dos depósitos bancários.Teria havido cerceamento ao direito de defesa. Como reconhecido pela própria DRJ em sua decisão o Termo de Intimação questionado pela recorrente é a reiteração de outro anterior, anexado ao presente às fls. 150/160, cuja ciência foi efetivada em 29 de julho de 2009, AR de fl. 161. Assim, pela Intimação do dia 29, a contribuinte teria 10 dias para a proceder conforme solicitado. Este Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 10 prazo, desta regular intimação, se extinguira no dia 10 de agosto, em segunda intimação Termo Intimação, recebida em 12 de agosto, houve novo prazo, de mais 10 dias, este novo prazo se extinguira em 24 de agosto. No mesmo dia 24 de agosto, a contribuinte recebera o auto de infração. O ar. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996 dispõe: “Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Grifado Assim, primeiramente, observo que a fiscalização cumpriu a determinação legal, pois, teve uma regular intimação. A segunda foi uma nova chance, e o fato da contribuinte ter sido intimada do auto de infração no último dia do prazo de sua segunda intimação, não macula em nada o procedimento. Uma porque, a contribuinte já tinha recebido uma regular intimação, outra, pois teve mais doze dias corridos para a apresentação de seus esclarecimentos, e não o fizera. Mesmo assim, para quem entende que pudesse haver uma nulidade cito e transcrevo o § 1.º do art. 249, do Código de Processo Civil (CPC): “§1.º O ato não se repetirá nem se lhe suprirá a falta quando não prejudicar a parte. Assim, em nada foi prejudicado a contribuinte, pois, depois de intimado o auto a contribuinte teve todos os prazos do Processo Administrativo Fiscal. Quanto a alegação de cerceamento ao direito de defesa, este não se faz real, pois, além dos prazos já narrados, a contribuinte teve, como dito, os prazos para impugnação e recurso, onde ele utilizou adequadamente para se defender. Utilização Indevida da Escrita Fiscal da Empresa para Composição de Base de Cálculo e Capitulação da Infração Do Termo de Verificação Fiscal (TVF) extraio: Em 01/09/2008 o sócio Pablo Moreira recebe novo Termo de Intimação, fls. 89 a 91, e através deste renovamse as oportunidades para que a fiscalizada apresente seus livros contábeis e fiscais obrigatórios, tendo em vista as solicitações de prorrogação de prazo e alegações de esforços realizados por parte da Chaperfil para cumprimento desta obrigação tributária (...) “(..) os Livros Diário e Razão, fls. 676 a 1.407 são aceitos e admitidos ao final deste procedimento, no interesse da administração tributária, embora contenham lançamentos sem a Fl. 10DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10976.000394/200979 Acórdão n.º 110300.425 S1C1T3 Fl. 6 11 identificação imediata de cada operação, dos clientes e fornecedores, por exemplo, havendo, entretanto, vinculação aos extratos bancários apresentados pela fiscalizada. Desta forma foi repetida através de diversos Termos a exigência da apresentação dos livros contábeis contendo escrituração mais próxima da boa forma contábil; por fim, os livros apresentados foram admitidos no procedimento de fiscalização, conforme expediente recebido em 17/07/2009” Assim, observamos que a contribuinte teve oportunidade de acertar sua escrita, e fez. Como frisado na decisão da DRJ Além do Termo de Início de Ação Fiscal, de 09/06/2008, fls.81/83, a fiscalização lavrou 15 (quinze) Termos, fls. 84/160, requisitando informações, documentação, esclarecimentos e visando ofertar à fiscalizada opções de sanar falhas que prejudicassem a quantificação dos resultados. Em outro ponto a decisão da DRJ transcreveu parte da impugnação da contribuinte a saber: Em primeiro lugar, conforme se infere da documentação ora juntada, as transações foram sim escrituradas consoante determina a prática contábil, estando devidamente registradas no livro diário referente ao ano de 2005 (DOC. nº 07), os valores glosados pela Fiscalização. (item 19, fls. 2.494). E tanto é assim que, a despeito da falta de disponibilização dos livros contábeis, a Impugnante procedeu à escrituração dos Livros Fiscais, através dos quais o Fisco pode, segundo o critério adotado por esta autuação, delimitar uma base tributável. (item 23, fls. 2.497). Quanto aos depósitos bancários, detectou a fiscalização que a empresa deixou de escriturar os lançamentos bancários de sua conta 27666942, agência 097, do Banco ABC AMRO REAL S/A, (cerca de R$ 1.100.000,00 de valor tributável). Os lançamentos nesta conta bancária, ao contrário das demais, não constam de seus livros Diário e Razão, não fazendo parte de suas Demonstrações Financeiras. Assim, em absoluto, não concordo com a afirmação da recorrente que o auditor não poderia utilizar a escrita da recorrente, mas sim arbitrar o lucro. Haja vista que para a contribuinte fora disponibilizado oportunidade de sanar sua escrita, e ela o fez satisfatoriamente, não podendo, agora alegar sua própria torpeza. Ilegítima Glosa da Conta “Adiantamento de Clientes” Resumidamente, a fiscalização, quanto a conta Adiantamento de Clientes, código 2.1.1.06.0004, que foi objeto dos seguintes Termos de Intimação – TI temos: Fl. 11DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 12 TI, de 10/12/2008, no item 4 a contribuinte é intimada a apresentar a documentação que embasa o lançamento 331, datado de 09/02/2005, no valor de R$ 828.514,35, cópia do Razão anexado às fls. 1.343, e o lançamento 442, datado de 30/05/2005, no valor de R$ 750.000,00, cópia do Razão anexado às fls. 1.351. Sua resposta foi: Este lançamento referese ao reconhecimento de adiantamento de clientes quando nesta época ocorreu a entrega dos produtos e mercadorias aos nossos clientes. A Chaperfil emitiu notas fiscais de vendas conforme descrito no arquivo magnético saída fevereiro (e maio). Vale lembrar que toda venda é realizada por encomenda por nosso cliente. Esta explicação não satisfez a fiscalização. Ora, uma conta do passivo, como – Adiantamento de Clientes, significa uma obrigação da fiscalizada, uma dívida. Imaginase que tenha recebido recurso adiantado, na expectativa de posterior entrega de mercadoria. Se a empresa diz que naquela data, dos lançamentos 331 e 442, ocorreu a entrega dos produtos não haveria razão de haver um adiantamento e sim um pagamento. Simplificadamente podemos dizer que a venda de um produto por parte da empresa representa uma receita e sua contrapartida pode ser a entrada de dinheiro ou de um direito a receber, contas constantes do ativo. TI de 13/01/2009, fls. 105/107, para o qual não houve resposta; TI de 26/02/2009, fls. 108/111. Apresenta às fls. 254/257 planilha contendo relação de valores que comporiam os lançamentos, sem, contudo, especificar os documentos de origem de cada operação comercial. No próprio corpo do expediente da fiscalizada, fls. 253, a autoridade fiscal ressalvou o recebimento do expediente, exigindo posterior apresentação dos documentos que os embasariam. Em 02/04/2009, a empresa apresenta outra planilha, fls. 259/263, que contém referências aos documentos apresentados que comprovariam a origem das operações comerciais. Tais documentos seriam centenas de duplicatas emitidas pela Chaperfil, agrupadas em pequenos grupos, correspondente a um depósito bancário efetuado numa de suas contas. Segundo verificado pela fiscalização os documentos tratam de outras vendas ordinárias, de diferentes períodos ou com contrapartida a outras contas contábeis, que não constam dos lançamentos a crédito encontrados na conta 2.1.1.06.0004 (Razão anexado por cópia às fls. 1.342/1.352); TI de 14/05/2005, fls. 112/115, não foi respondido; TI de 02/06/2009, fls. 116/119, a empresa solicita mais prazo para a entrega dos documentos; TI de 22/06/2009, fls. 120/121, e TI de 06/07/2009, fls. 134/135, a sócia Patrícia Jussara Moreira Lourenço apresentou expediente de fls. 265/270, que nada acrescentou aos questionamentos da citada conta. Durante o período em que esteve sob procedimento fiscal, como visto, a empresa não forneceu esclarecimento ou apresentou documentação que lastreasse os lançamentos questionados. Do acórdão da DRJ transcrevo: “A conta passiva Adiantamento de Clientes significa uma obrigação da fiscalizada, uma dívida. Imaginase que tenha recebido recurso adiantado, na expectativa de posterior entrega de mercadoria. Simplificadamente podemos dizer que a venda de Fl. 12DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10976.000394/200979 Acórdão n.º 110300.425 S1C1T3 Fl. 7 13 um produto por parte da empresa representa uma receita e sua contrapartida pode ser a entrada de dinheiro ou de um direito a receber, contas constantes do ativo, conforme dito anteriormente. A empresa lançava a débito na referida conta valores recebidos em sua conta bancária. Tomemos como exemplo alguns dos lançamentos. Dia/2005 Valor – R$ Razão–Adiantamento de Clientes Histórico Débito Fls. Extrato Bancário Histórico Fls. 04/02 90.000,00 Provisão Clientes 1.342 Depósito em Cheque 512 04/02 2.867,00 Provisão Clientes 1.342 Cheque Custódia 512 10/02 15.469,99 Provisão Clientes 1.343 Liquidação de Cobrança 513 15/02 12.169,51 Provisão Clientes 1.343 Depósito Cheque/Dinheiro 513 15/02 25.619,04 Provisão Clientes 1.343 Liquidação /Cobrança 513 09/03 36.965,34 Depósito de Cliente 1.345 Depósito em Cheque 516 Estes são alguns exemplos, mas que se repetem na conta Adiantamento de Clientes.” Da mesma forma que o acórdão da DRJ, entendo que se tais valores foram recebidos adiantados, alguma conseqüência isto teve depois: a empresa entregou produto ou mercadoria correspondente a quem fez o adiantamento; ou não entregou a mercadoria e devolveu a quantia. O acórdão citado também afirma: “Ou seja, haveria um evento intrinsecamente relacionado com o lançamento o qual a empresa nunca demonstrou ter ocorrido. A título de exemplo, destaquese, do quadro acima, o recebimento pela empresa da quantia de R$ 90.000,00, depósito em cheque no dia 04/02/2005, em sua conta corrente nº 270.827 2, agência 04669, do BRADESCO, fls. 512. Tal quantia foi lançada na sua conta contábil Adiantamento de Clientes. Vinculado ao fato deveria haver como conseqüência um evento futuro de entrega de mercadorias, nunca demonstrado (neste caso a impugnante até admite a infração conforme planilha de fls 469/472 do Anexo II). Em 15/02/2005, foi creditada a importância de R$ 25.619,04, na mesma conta citada no parágrafo anterior, cujo histórico é liquidação de cobrança. A empresa quer justificar este valor com as duplicatas de fls. 125/130 do Anexo II. Entretanto, a empresa não demonstrou que operações mercantis estariam vinculadas a entrada destes recursos e porque razão estaria reduzindo o passivo. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 14 Ou seja, os recebimentos de recursos que são lançados a crédito na conta Adiantamento de Clientes não tem vinculação ou correspondência com os lançamentos 331 e 442. As exigibilidades não foram comprovadas pela empresa, constituindose instrumento de omissão de receita.” Desta maneira, ficou configurada a situação descrita pela fiscalização: De acordo com a escrita apresentada pela fiscalizada temos lançamentos de crédito bancários, que a própria fiscalizada denomina “recebimento de clientes”, vide extratos bancários, especialmente aqueles dos bancos do Brasil e BRADESCO, fls. 328 a 587, e a Conta Contábil Banco Movimento fls. 1133 a 1244, que constituem, de fato, meros recebimentos de operações de venda comercial com pagamento em conta bancária, sem qualquer detalhamento na escrita contábil apresentada. Estes recebimentos são omitidos pela fiscalizada através do artifício contábil ora detectado: ao invés de serem lançados na apuração de resultado diretamente ou via a usual conta Duplicatas a Receber, são despachados à conta do Passivo; é este passivo não comprovado que será objeto de lançamento de ofício neste procedimento fiscal. Assim, devem ser mantidos os valores remanescentes dos lançamentos da conta Adiantamento de Clientes, por não terem sido comprovada a exigibilidade dos valores mantidos no Passivo. Depósitos Bancários – Inexistência de Omissão de Receitas Neste item, a recorrente não traz novos argumentos ou provas, apenas refuta as conclusões do acórdão da DRJ. Contudo, de acordo com a fiscalização, a empresa deixou de escriturar os lançamentos bancários de sua conta 27666942, Banco ABN AMRO REAL S/A, agência 097. Os lançamentos desta conta bancária, ao contrário das demais contas movimentadas, não constam de seus livros Diário e Razão, não fazendo parte de suas demonstrações financeiras. A fiscalizada foi intimada a justificar tal situação pelo Termo de fl. 150/151, o qual trazia em anexo a relação pormenorizada dos lançamentos na citada conta. Durante o período em que esteve sob fiscalização, não logrando comprovar a origem dos lançamentos na conta de sua titularidade, foi autuada com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Do acórdão da DRJ transcrevo: “Em sua impugnação a empresa no Anexo II do processo traz às fls. 473/589, o documento 07, que é a cópia do Diário de 2005; às fls. 590/604, documento 08, planilha “através da qual trazemos extrato de entradas bancárias ocorridas no segundo semestre de 2005, cuja correspondência material é certificada na coluna Dados do comprovante de recebimento”; e o documento 09, fls. 605/1.110, cópias de diversas duplicatas de sua emissão. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10976.000394/200979 Acórdão n.º 110300.425 S1C1T3 Fl. 8 15 Tenta com tais documentos comprovar que os valores glosados pela Fiscalização estariam devidamente registrados no livro diário referente ao ano de 2005. Contudo, não consegue estabelecer a identificação dos lançamentos bancários glosados no Diário. Em nenhum dia escriturado é possível definir um lançamento vinculado aos valores creditados em sua conta 27666942, Banco ABN AMRO REAL S/A, agência 097. Por outro lado, as duplicatas de fls. 605/1.110, também são imprestáveis para o fim desejado pela impugnante. Além de não traduzirem qualquer vinculação com os tais lançamentos bancários, inúmeras delas foram emitidas em data bem posterior ao dia do crédito bancário. Na planilha que se segue, está detalhado o equívoco da defesa. O levantamento se refere somente até a data de 20 de setembro de 2005, a título de exemplificação, mas a situação se repete até o fim de 2005. Fatura nº Data Emissão da Duplicata Data do crédito bancário considerada pela empresa Sacado Valor Fls.Anexo II 41345 03/03/2006 31/08/2005 PREMOL 716,75 607 39454 04/11/2005 31/08/2005 Metallium 183,96 607 42611 15/05/2006 08/09/2005 Estrutural 320,74 630 40683 20/01/2006 12/09/2005 DKW 492,03 640 20405 26/04/2002 12/09/2005 Multichapa 3.207,17 640 41221 22/02/2006 12/09/2005 Vania Mara 4.032,95 643 43013 01/06/2006 12/09/2005 Ernani Costa 5.725,55 643 41264 24/02/2006 13/09/2005 Priscila Carla 380,36 648 42190 19/04/2006 13/09/2005 Guilherme da Silva 486,00 648 39279 26/10/2005 13/09/2005 GL Manutenção 486,95 649 39237 24/10/2005 13/09/2005 Perfeição 498,58 649 40688 20/01/2006 13/09/2005 Maria Aparecida 499,97 650 41840 31/03/2006 13/09/2005 GL Manutenção 505,58 650 42791 23/05/2006 13/09/2005 APLICAR 510,00 651 42546 14/06/2006 13/09/2005 Renato Marques 519,96 652 39952 01/12/2005 13/09/2005 José Geraldo 528,44 652 38652 21/09/2005 13/09/2005 Alfredo Luiz 529,13 653 39788 23/11/2005 13/09/2005 ANTAR 532,54 653 40649 19/01/2006 13/09/2005 Ireny Cesario 533,98 654 38749 28/09/2005 13/09/2005 José Sidiney 535,01 654 40279 22/12/2005 13/09/2005 SAMA 535,50 655 40615/2 17/01/2006 13/09/2005 PREMOL 537,49 655 40615/1 17/01/2006 13/09/2005 PREMOL 537,48 656 42725 22/05/2006 13/09/2005 TECNA 564,48 656 41795 29/03/2006 13/09/2005 Ferragens JK 577,50 657 39455 04/11/2005 13/09/2005 Metallium 579,39 657 Fl. 15DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 16 41909 05/04/2006 14/09/2005 Thomson 80,01 666 41953 06/04/2006 14/09/2006 Thomson 80,33 666 41333 02/03/2006 14/09/2005 GL Manutenção 423,78 667 40743 25/01/2006 14/09/2005 José de Assis 941,07 667 41906/1 05/04/2006 14/09/2005 GL Manutenção 950,60 668 41906/2 05/04/2006 14/09/2005 GL Manutenção 950,60 668 42568 11/05/2006 14/09/2005 Centro Social 985,35 669 41419 09/03/2006 14/09/2005 Cond. Ed. Nico 987,84 669 39770 23/11/2005 14/09/2005 Cond. Estancia 245,28 670 40601 17/01/2006 14/09/2005 Porto Forte 689,99 670 38787 29/09/2005 14/09/2005 Paróquia S. Luzia 662,53 671 41496 14/03/2006 14/09/2005 Adonias 200,97 671 39749 22/11/2005 14/09/2005 Ant. Lourenço 370,00 672 41787 29/03/2006 14/09/2005 GL Manutenção 511,56 672 43067 05/06/2006 14/09/2005 Leonardo Rander 909,30 673 42000 07/04/2006 14/09/2005 Embratelas 1.056,13 673 39059 14/10/2005 14/09/2005 Carlos Luiz 2.350,09 674 38891 04/10/2005 14/09/2005 Cer. Gorutuba 2.390,01 674 40821 31/01/2006 16/09/2005 SMM Eng. 526,96 687 40346 19/12/2005 16/09/2005 Premol 1.016,61 687 20405 26/04/2002 16/09/2005 Multichapa 3.207,16 688 43043 05/06/2006 16/09/2005 J.M. Manut. 3.929,00 688 40048 06/12/2005 19/09/2005 Ricardo Egídio 252,00 689 40861/3 02/02/2006 19/09/2005 GL Manut. 1.118,18 689 40861/2 02/02/2006 19/09/2005 GL. Manut. 1.118,18 690 40080 09/12/2005 19/09/2005 Posto Coelho 1.125,94 690 40469 06/01/2006 20/09/2005 Jean Henrique 435,11 692 42346 27/04/2006 20/09/2005 Posto Barão 471,60 692 40308 26/12/2005 20/09/2005 Metalúrgica JS 543,90 693 41696 24/03/2006 20/09/2005 MRL Tecnologia 541,80 693 40340 28/12/2005 20/09/2005 Posto Coelho 370,96 694 39938 06/10/2005 20/09/2005 Agmar Soares 1.692,45 694 41841/1 31/03/2006 20/09/2005 GL. Manut. 1.271,48 695 42895 26/05/2006 20/09/2005 Fóssil Saneam. 5.773,79 695 Como é possível, por exemplo, uma duplicata que somente foi emitida em 26/05/2006 justificar um crédito bancário na conta corrente da empresa em 20/09/2005, nove meses antes. Como é possível uma duplicata emitida em 2006 estar escriturada em 2005? A documentação e as alegações trazidas aos autos pela defesa não descaracterizam a infração detectada pela fiscalização, que apontou claramente a falta de escrituração de créditos lançados em conta de sua titularidade, listados um a um às fls. 152/160, resultando correta a autuação como omissão de receita com base no artigo 849 do RIR/99 e 42 da Lei nº 9.430/96.” Fl. 16DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10976.000394/200979 Acórdão n.º 110300.425 S1C1T3 Fl. 9 17 PIS / COFINS REFLEXOS Neste item, a recorrente apenas afirma que a base de cálculo estaria errada, contudo, não é o que foi provado. DESCABIMENTO DA MANUTENÇÃO DA MULTA QUALIFICADA Do enquadramento legal errôneo Neste ponto socorrome do acórdão da DRJ a saber: “O AuditorFiscal, no enquadramento legal da multa, definiu o inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, para a alíquota de 150% aplicada nos autos de infração, que era a redação original da citada Lei. Com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 15/06/2007, o enquadramento passou a ser o art. 44, I, § 1º. No entanto, ele, no Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 07/33), parte dos Autos de Infração, mais precisamente às fls. 32, deixou claro qual foi o motivo e quais os dispositivos legais que levaram ao lançamento da multa de ofício, com ocorrência de sonegação e fraude, previstos nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. De modo que isso não constituiu vício algum de enquadramento legal, mas mera irregularidade sem conseqüência. Vale dizer: ele indicou todos os atos legais pertinentes, que, analisados conjuntamente ou sistematicamente, dão a plena certeza que a multa aplicada é a que se refere o art. 44, I, § 1º, da Lei nº 9.430/96 (redação dada pela Lei nº 11.488/2007). A impropriedade apontada no enquadramento legal não implicou prejuízo algum à defesa. Pelo contrário, a impugnante revelou conhecer plenamente os fatos e a legislação, apontando, inclusive, a citada impropriedade na fundamentação legal.” Assim, quanto a este ponto não vejo nenhuma vício que implicasse prejuízo ao recorrente. Quanto a qualificação da multa em si, não vejo por onde fugir, pois, quando ao passivo fictício, este foi, comprovado, e ele ocorreu em vários meses seguidos. Da mesma forma, a omissão de receitas ocorrera de forma reiterada durante vários meses calendário. Do acórdão da DRJ extraio: “Segundo constatado pela fiscalização e anotado no Termo de Verificação Fiscal, a empresa entregou sua DIPJ do período fiscalizado com os valores zerados, fls. 279/318 e Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, com valores ínfimos de débitos oriundos apenas do IRRF. A despeito disso, Fl. 17DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 18 foi detectada movimentação bancária superior a R$ 10.000.000,00.” Assim, é devida a multa qualificada, uma pela reiteração, outra pela declaração zerada. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Mário Sérgio Fernandes Barroso Voto Vencedor Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Redator designado Viuse no relatório o protesto da contribuinte alegando ter sido impossibilitada de atender à intimação para comprovação da origem de depósitos em conta bancária. O auto de infração foi lavrado antes do término do prazo fixado na intimação, segundo sustentou. No seu voto, o i. relator esclareceu o caso, informando que já houvera uma primeira intimação que não fora atendida. A autoridade fiscal expediu nova intimação, cujo prazo expiraria no dia 24 de agosto de 2009 (fls. 168), data em que o auto de infração foi cientificado ao contribuinte (fls. 03). Na visão do conselheiro relator, o pressuposto da intimação prévia, prevista no art. 42 da Lei 9.430/1996 foi atendido pela autoridade fiscal já a partir da primeira intimação, não resultando qualquer prejuízo à contribuinte o fato de a lavratura do auto de infração ter ocorrido ainda dentro do prazo da última intimação. Em que pese o respeitável entendimento adotado, penso de outra forma. O referido dispositivo legal assim prescreve: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Vêse no texto legal que a presunção de omissão de receitas está necessariamente apoiada na ausência de comprovação pela contribuinte fiscalizada da origem dos créditos na conta bancária. A ausência de comprovação autoriza o tratamento dos recursos como receitas omitidas. O prazo concedido pela autoridade fiscal deve ser por ela observado não apenas na primeira intimação, mas em tantas quantas forem expedidas. Sempre que há nova intimação, com o correspondente prazo, repassase ao contribuinte a certeza da renovação da oportunidade para apresentação dos esclarecimentos e documentos requeridos. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10976.000394/200979 Acórdão n.º 110300.425 S1C1T3 Fl. 10 19 No regime do art. 42 da Lei 9.430/1996, o ato de lançamento realizado ainda no prazo para comprovação documental da origem dos créditos certamente não terá observado o requisito da regular intimação, necessário para autorização da presunção de omissão de receitas. Retornando ao exame dos fatos, constatase que o auto de infração foi lavrado no dia 16/08/2009 (fls. 02), portanto, 9 (nove) dias antes do prazo fixado na última intimação, cuja ciência pelo contribuinte ocorreu no dia 12 do mesmo mês, conforme aviso de recebimento (fls. 173). Assim, nesse particular, voto pela exclusão da parcela do lançamento relativa à omissão de receitas com base em créditos em conta bancária de origem incomprovada. Afastado neste voto o item de autuação relativo à omisão de receitas com base em créditos bancários incomprovados, conforme acima exposto, sigo a conclusão do relator quanto à exigência decorrente de passivo fictício. A respeito da multa qualificada, deve ser examinada apenas em relação à infração remanescente. Encontrase no termo de verificação fiscal (TVF) a seguinte justificativa para a sua aplicação (fls. 32): “Todos os fatos aqui descritos evidenciam a prática, por parte dos mandatários da empresa fiscalizada, de crime contra a ordem tributária, previsto nos artigos 1º, incisos I, II e III e 2°, inciso I da Lei n° 8.137 de 27 de dezembro de 1990, pela prestação de informações falsas à autoridade fazendária e por fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos e omitindo operações em documento e livro exigido pela lei fiscal, ao manter conta passivo fictício e omitir escrituração de movimentação bancária no ano fiscalizado conforme exaustivamente descrito, além da prática de entrega de DIPJ com campos de valores zerados, atitudes que caracterizam a sonegação e a fraude, previstos nos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502 de 30 de novembro de 1964, s.m.j., tendo sido emitida concomitantemente a competente Representação Fiscal para Fins Penais.” A omissão de receitas por passivo não comprovado decorre de presunção legal prevista no art. 281, III, do RIR/99, conforme indicado no auto de infração (fls. 05). A jurisprudência administrativa é pacífica ao considerar que a omissão de receitas identificada por meio de presunção legal não é suficiente para justificar a imposição de multa qualificada, entendimento já incluído em súmula deste Conselho, com o seguinte enunciado: “Súmula CARF nº 25. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.” A qualificação da penalidade pressupõe a comprovação de fraude, o que não logrou fazer a fiscalização. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 20 Com efeito, as irregularidades descritas caracterizam a ocorrência de declaração inexata, para o que deve ser aplicada a multa de 75% prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996, que assim prescreve: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...)” Conclusão Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para (i) excluir da exigência a parcela correspondente à omissão de receitas com base em créditos em conta bancária e para (ii) reduzir a multa ao seu percentual ordinário de 75%. No mais, adoto as conclusões do e. relator. Aloysio José Percínio da Silva Fl. 20DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Numero do processo: 13807.002113/2005-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2005
DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA.
Decorrido o prazo legal sem que a interessada exercesse a faculdade de propor a manifestação de inconformidade, o ato administrativo que a excluiu do Simples torna-se definitivo, não podendo ser revisto por este Conselho.
Numero da decisão: 1201-000.430
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA. Decorrido o prazo legal sem que a interessada exercesse a faculdade de propor a manifestação de inconformidade, o ato administrativo que a excluiu do Simples tornase definitivo, não podendo ser revisto por este Conselho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Antonio Carlos Guidoni Filho, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto, Natanael Vieira dos Santos e Rafael Correia Fuso. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Por bem descrever os fatos ocorridos adoto, a seguir, o relatório presente na decisão de primeiro grau: Fl. 74DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 09/03/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 13807.002113/200529 Acórdão n.º 120100.430 S1C2T1 Fl. 68 2 Trata o presente processo, formalizado em 29/03/2005, de solicitação de reenquadramento no Simples (a interessada optou pela sistemática simplificada na data de sua constituição, em 04/12/2001, e foi excluída do regime em 04/12/2001 — fl. 17). 2. Em sua petição inicial a requerente registra que ao requerer uma CND não foi possível sua emissão tendo em vista constar sua exclusão do regime simplificado, e solicita que "esse problema seja analisado e solucionado o mais rápido possível". 3. Tal pleito foi deferido parcialmente em 10/06/2005, pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, por meio da Decisão DICAT N° 2824/2005 (fls. 27 e 28). 4. Inicialmente, relata o órgão de competência originária que a interessada foi excluída da sistemática simplificada em razão da emissão do Ato Declaratório Executivo n° 576.647, com efeitos retroativos a partir de 04/12/2001, por ter sido constatado atividade econômica vedada ao regime em questão, consubstanciada no CNAEFiscal 3340505 (Manutenção e reparação de aparelhos e instrumentos ópticos e cinematográficos), não constando nos registros da RFB que a interessada tenha apresentado contraditório ao ADE. Prossegue o relato com a informação de que às fls. 17 e 18 constam cópias do ADE e do Aviso de Recebimento (AR), respectivamente, não existindo qualquer indício de que o ADE em comento contenha vícios, tanto em seu aspecto formal quanto em seu fundamento legal. 5. Na referida decisão consignouse, ainda, que desde o ano calendário 2001 a requerente vem apresentando Declarações Simplificadas (fl. 20) e efetuando os recolhimentos respectivos (fls. 21 a 25), demonstrando sua intenção inequívoca em aderir ao Simples, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16, de 02/10/2002. 6. Acrescentouse que de acordo com a Nota Técnica CORAT/CODAT/DIPEJ/N° 044, de 12/05/2004, promoveuse a simulação da opção pelo Simples no sistema PGDCNPJ (versão contribuinte) e o resultado da Pesquisa Prévia Automática (fl. 19) não acusou fatores impeditivos à opção pelo Simples. 7. Esclareceuse que em consulta ao sistema CNPJ constatouse que a interessada passou a operar com outro CNAE, 5242602 (Comércio varejista de artigos fotográficos e cinematográficos), o que permitiu a verificação positiva na PPA. 8. Finalizouse que a requerente promoveu Alteração Contratual em agosto de 2004, incluindo a atividade de comércio em seu objeto social, o que viabiliza, à luz da legislação de regência do Simples, sua reinclusão na sistemática simplificada com efeitos retroativos a partir de 01/01/2005. 9. Comunicada do indeferimento em 07/07/2005 (fl. 30 verso), a requerente apresentou manifestação de inconformidade ao Fl. 75DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 09/03/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 13807.002113/200529 Acórdão n.º 120100.430 S1C2T1 Fl. 69 3 despacho denegatório em 02/08/2005 (razões à fl. 33, com anexos às fls. 34 a 39), com a seguinte alegação: "Tendo em vista existir o ato declaratório 576.647, o qual a empresa está excluída do simples, a empresa em nenhum momento fez mal juízo de toda essa situação a qual está passando até o momento, foi levado em consideração o cadastro efetuado quando feito a inscrição da empresa no CNPJ e as declarações PJSimples entregue em todos esses anos, os tributos foram pagos com o código 6106 a empresa também obedeceu em todos os momentos o faturamento estipulado em lei, hábito da empresa efetuar consulta de opção do simples para comunicar aos seus clientes a situação da mesma. Mediante tal exposição dos fatos, manifesto minha inconformidade e solicito que seja retroagido o enquadrante da empresa como optante do simples desde 04/12/2001. Consta na Receita Federal nos anos de 2001 a 2004, que a empresa é optante pelo simples, em 10.06.2005, foi emitido auto de infração1, multa por entrega da declaração simplificada, referente ao ano 2001, forma de tributação simples. Informo que abri essa empresa, devido a forma de tributação e permaneço no mercado devido à mesma." Havendo a DRJ de origem indeferido o seu pleito (fls. 55/59), a interessada interpôs recurso voluntário (fl. 62) pedindo a reforma da decisão a quo, sob a alegação de que no período de 2001 a 2004 o serviço executado pela empresa consistia em consertar flashes fotográficos, e que para tanto não empregava mãodeobra técnica. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Decisão Administrativa Definitiva Conforme Ato Declaratório Executivo Derat nº 576647, de 02/08/2004 (fl. 17), cientificado à contribuinte em 26/08/2004 (fl. 18), a empresa foi excluída do Simples com efeitos a partir de 04/12/2001, data de sua constituição, por exercer atividade vedada, a teor do disposto no art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96. Não havendo a interessada se insurgido contra a sua exclusão do Simples, conforme lhe faculta o art. 15, § 3º, da Lei nº 9.317/96, a decisão contida no referido Ato Declaratório Executivo tornouse definitiva no âmbito administrativo. Fl. 76DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 09/03/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 13807.002113/200529 Acórdão n.º 120100.430 S1C2T1 Fl. 70 4 Realizada alteração no objeto social da pessoa jurídica em 19/08/2004, registrada em 20/09/2004 (fls. 5/8), a autoridade que expediu a Decisão Dicat nº 2824, de 10/06/2005 (fls. 25/26) entendeu não mais existir impedimento legal para que a contribuinte optasse pelo Simples, razão pela qual procedeu à sua inclusão, com efeitos a partir de 01/01/2005. A lide, portanto, resumese à exclusão do Simples no período de 04/12/2001 a 31/12/2004. Todavia, como dito antes, nesse período a contribuinte foi excluída do sistema simplificado por força do Ato Declaratório Executivo Derat nº 576647, que tornouse definitivo por não haver sido contestado no prazo de trinta dias de sua ciência (art. 15 do Decreto nº 70.235/72). 3) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 77DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 09/03/2011 por MARCELO CUBA N ETTO
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Numero do processo: 35335.000278/2006-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1999 a 01/12/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL.
CINCO ANOS. SÚMULA VINCULANTE N°08 DO STF. CADUCIDADE
PARCIAL.
0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 e 46 da Lei nº 8.212 de 1991, declarando ser qüinqüenal o prazo decadencial e prescricional.
As contribuições devidas referem-se ao período de 02/1999 a 12/2002, tendo sido constituída a obrigação mediante ato de lançamento em 27/12/2005, impõe a decretação da decadência dos valores apurados anteriores a janeiro de 2000, nos termos do Art. 173, I, do CTN.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MAO DE OBRA.
OBRIGATORIEDADE DA RETENÇÃO DE 11% SOBRE VALOR DA NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PREVISTA NO ART. 31 DA LEI Nº 8.212/91. IMPOSSIBILIDADE DE OMISSÃO LEGAL AO RECOLHIMENTO.
DISPENSABILIDADE DE GPS E GFIP'S DAS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS.
A juntada de GFIP's e GPS das Empresas Prestadoras de Serviço, não eximem a obrigação tributária do Contribuinte Tomador de recolher as contribuições previdenciárias instituídas pelo Art. 31 da Lei nº 8.21 /91, relativas à retenção no percentual de 11% sobre o valor da nota fiscal de prestação de serviços.
As obrigações tributárias recolhidas pelas Empresas Prestadoras referem-se às contribuições previstas no Art. 20 e 22, incisos I e II, da Lei nº 8.212/91, posto que não se confundem com as obrigações do Art. 31 do mesmo diploma legal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-000.863
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior que entendeu aplicar-se o art. 150, parágrafo 4ª do CTN.
Nome do relator: Thiago D’Ávila Melo Fernandes
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CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. Recorrente ESTADO DE RONDÔNIA SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE Recorrida SRP - SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 01/12/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. SÚMULA VINCULANTE N°08 DO STF. CADUCIDADE PARCIAL. 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 e 46 da Lei n " 8.212 de 1991, declarando ser qüinqüenal o prazo decadencial e prescricional. As contribuições devidas referem-se ao período de 02/1999 a 12/2002, tendo sido constituída a obrigação mediante ato de lançamento em 27/12/2005, impõe a decretação da decadência dos valores apurados anteriores a janeiro de 2000, nos termos do Art. 173, I, do CTN. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MAO-DE- OBRA. OBRIGATORIEDADE DA RETENÇÃO DE 11% SOBRE VALOR DA NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PREVISTA NO ART. 31 DA LEI N" 8.212/91. IMPOSSIBILIDADE DE OMISSÃO LEGAL AO RECOLHIMENTO. DISPENSABILIDADE DE GPS E GF1P'S DAS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. A juntada de GFIP's e GPS das Empresas Prestadoras de Serviç , não eximem a obrigação tributária do Contribuinte Tomador de recoil er as contribuições previdencidrias instituidas pelo Art. 31 da Lei n" 8.21 /91, relativas à retenção no percentual de 11% sobre o valor da nota fisca prestação de serviços. As obrigações tributárias recolhidas pelas Empresas Prestadoras referem-se às contribuições previstas no Art. 20 e 22, incisos I e II, da Lei `)" 8.212/91, posto que não se confundem com as obrigações do Art. 31 do mesmo diploma legal. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Camara / 2a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior que entendeu aplicar-se o art. 150, parágrafo 4' do CTN. THIAGO D'AVILA MELO FERNANDES - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo Costa e Silva, Thiago D'Avila Melo Fernandes, Manoel Coelho An-uda Junior e Marco André Ramos Vieira (presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 108/121) contra a Decisão Notificação 26.401.4/0099/2006, de fls. 96/99, proferido pela Delegacia da Receita Previdencidria em Porto Velho — Rondônia, que indeferiu a defesa administrativa apresentada pelo Contribuinte, julgando subsistente o lançamento tributário formulado. Como demonstra o Relatório Fiscal de fls. 43/46, a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD - DEBCAD no 35.818.241-7, lavrada pela fiscalização contra a Empresa, ora Recorrente, refere-se as contribuições devidas à Seguridade Social, com fulcro no Art. 31 da Lei n° 8. /91, que o Contribuinte deixou de reter e repassar ao INSS, calculadas no percentual de 1 % sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços realizados med nte o regime de cessão de mão-de-obra, totalizando o valor de R$ 2.449.581,39 dois milhões, quatrocentos e quarenta e nove reais e quinhentos e oitenta e um reais e trint e nove centavos) consolidado em 27/12/2005, correspondente às competências de 02/1999 2/2002. 2 Processo IV 35335.000278/2006-83 S2-C3T2 Acórclao rt.° 2302-00.863 Fl. 236 Inconformada corn a autuação, a Recorrente apresentou defesa tempestiva As fls. 85/88. A Delegacia da Receita Previdencidria em Porto Velho/RO emitiu a Decisão- Notificação ri° 26.401.4/0099/2006 de fls. 96/99, julgando o lançamento PROCEDENTE em todos os seus termos. A Recorrente se insurgiu contra o acórdão emitido pelo órgão administrativo, por meio de Recurso Voluntário residente As fls. 108/121 dos autos, acompanhada de documentos, requerendo, em síntese: a) A improcedência do débito em relevo, eis que não pode haver duas hipóteses de incidência distintas para urna mesma obrigação tributária, urna prevista nos Arts. 20 e 22, incisos I e II; e outra prevista no Art. 31, ambos da Lei n" 8.212/91, configurando a exigência bis in idem, fenômeno vedado pelo ordenamento jurídico pátrio; b) A nulidade da decisão-notificação exarada pela DRJ de Porto Velho/RO, eis que a Autoridade Fiscalizadora violou o Principio da Ampla Defesa e da Verdade Material, ao não determinar ajuntada, pelo próprio Fisco, das GFIP's e GPS das empresas prestadoras de serviços. c) A exclusão da NFLD dos valores lançados, por ocasião do recolhimento das contribuições incidentes sobre as folhas de salários pela Empresa prestadora de serviços, Clinica Radiológica Dr. Samuel Castiel Júnior; d) 0 acatamento da preliminar de decadência do débito que embasa a presente NFLD, por aplicação do Art. 150, §4° do CTN. Apresentadas contranazões, o Fisco reiterou todos os argumentos despendidos na Decisão-Notificação, segundo os quais: a) A obrigação do Contratante-Tomador de reter o percentual de 11% sobre o valor da nota fiscal, a titulo de contribuições previdenciárias, independe do recolhimento dos tributos previstos no Art. 20, I e II, por se trataram de obrigações tributárias distintas. b) Ainda que as Prestadoras de Serviços juntassem as GFIP's e as GPS's, comprovando o recolhimento, a obrigação prevista no Art. 31 e Art. 33, §5", ambos da Lei n° 8.212/91, não estaria sendo devidamente adimplida; c) Com relação As GFIP's e GPS's juntadas, o pagamento das contribuições recolhidas pelas prestadoras, não afasta a responsabilidade da Tom dora de efetuar a retenção de 11%; d) A aplicação das normais gerais de Direito Tributário, dispostas no Odigo Tributário Nacional, possuem caráter supletivo, devendo ser utilizado Art. 45 da Lei n" 8.212/91 para o cômputo do prazo decadencial; o relatório. 3 Voto Conselheiro THIAGO D'AVILA MELO FERNANDES, Relator 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Como se aduz da simples vista das fls. 103 dos autos, a Recorrente foi intimada da Decisão-Notificação n° 26.401.4/0099/2006 em 05 de junho de 2006 e interpôs o Recurso no dia 05 de julho de 2006 (v. fls. 108). Sendo assim, atestada está a tempestividade do recurso interposto. Frente à tempestividade do recurso, dele tomo conhecimento atribuindo-lhe o efeito suspensivo da decisão de primeira instância, consoante determinação contida no art. 33 do Decreto 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal. Assim sendo, impõe-se a análise do presente Recurso Voluntário, com relação As questões ventiladas, sendo vejamos. 2. DA QUESTÃO PRELIMINAR 2.2. DA DECADÊNCIA 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante n" 8, aprovada em sessão realizada em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante le 8 - "Sao inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Por sua vez, o artigo 103-A da Constituição Federal estatuiu que as súmulas vinculantes são de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário, quanto pela Administração Pública, devendo este .Colegiado aplicá-la de imediato. Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre ma ria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa ' m zcial, terá efeito vinculante e relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, benz como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecido em lei. 4 Processo n° 35335.000278/2006-83 S2-C3T2 Acórd5o n.° 2302-00.863 Fl. 237 Seguindo o posicionamento consolidado na Suprema Corte, o legislativo federal revogou os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91 por meio da Lei Complementar IV 128 de 19 de dezembro de 2008. Sendo assim, afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e posteriormente revogadas as suas disposições pela LC n" 128/2008, e em atendimento a Súmula 08 do STF e Art. 103-A da CF, devem ser aplicadas as regras relativas A. matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional — CTN e nas demais leis de regência. Uma vez que as contribuições previdencidrias são tributos sujeitos a lançamento por homologação, a Doutrina e a Jurisprudência pátrias são unanimes em preceituar que se aplica a regra do art. 150, § 4' do CTN (e não a do art. 173, I do mesmo diploma) para o cômputo da decadência, qual seja, prazo de 5 anos a contar da data do fato gerador, desde que tenha ocorrido algum pagamento antecipado, ainda que parcial. Embora a hipótese vertente trate de contribuições previdencidrias — tributos sujeitos a lançamento por homologação — o Contribuinte deixou de realizar o recolhimento, das contribuições devidas, o que leva diretamente a aplicação do Art. 173, I, do CTN, pela qual o prazo decadencial de 05 (cinco) anos deve ser computado a partir do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter ocorrido, senão vejamos: Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Sendo assim, uma vez que as contribuições devidas referem-se ao período de 02/1999 a 12/2002, tendo sido constituída a obrigação mediante lançamento de débito consolidado, levado a efeito em 27/12/2005, imp -6e a decretação da decadência dos valores apurados até 31 de dezembro de 1999, nos termos do Art. 173, I, do CTN. 2.2. DO CERCEAMENTO DE DEFESA. DA NECESSIDADE DE JUNTADA DAS GFIP'S E GPS. DISPENSABILIDADE. Por derradeiro, o Contribuinte levanta corno principal argumento, a impossibilidade da cobrança das contribuições previdencidrias lançadas, segundo o argumento de que a Fiscalização não considerou as contribuições recolhidas pelas Empresas Contratadas, uma vez que por ocasião da contratação e do pagamento das notas fiscais de presitação de serviços, lhe foram apresentadas GPS's e Certidões Negativas de Débitos — CND, doc mentos que comprovariam o recolhimento das contribuições. Corn base nesses dados, o Contribuinte requereu que o próprio Fisco zesse juntar, nos autos, as GFIP's e GPS's relativas a cada fato gerador que da ensej as contribuições cobradas por intermédio da presente NFLD, de cada urna das empr s prestadoras citadas no anexo do Relatório Fiscal. 5 Contudo, o presente débito consolidado refere-se à ausência de recolhimento das contribuições previdencidrias, cuja hipótese de incidência está prevista no Art. 31 da Lei n" 8.212/1991. O mencionado dispositivo aduz que, nos casos de contrato de prestação de serviços, sob o regime da cessão de mão de obra, o Contratante estará obrigado a reter o percentual de 11% sob o valor bruto das notas fiscais emitidas pelas empresas prestadoras, a titulo de recolhimento das contribuições previdencidrias. 0 disposto no Art. 31, lido se trata de uma faculdade atribuida ao Contratante em que, ou a Empresa Tomadora retém o percentual e recolhe no nome da Contratada; ou a Empresa Contratada efetua o recolhimento a partir do momento em que recebe a contraprestação pecuniária devida em virtude da celebração do pacto negocial. A responsabilidade pela retenção no percentual de 11% é sempre da Empresa Tomadora do Serviço, não existindo qualquer possibilidade legal, ate esta oportunidade, que garanta a transferência da obrigação. E o que menciona o Art. 33, § 5', da Lei no 8.212/1991, vejamos: Art. 33. 1.-1 ,sç 5" 0 desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo licito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Ora, o caso em debate é um clássico exemplo de substituição tributária, em que a lei pode atribuir a um sujeito passivo a responsabilidade pelo recolhimento de determinadas obrigações pendentes de acontecer. Tal regime, instaurado com o objetivo de se obter maior celeridade e segurança no processo arrecadatório, aparece no Art. 150, §7° da Constituição Federal, in verbis: Art. 150. 1-1 sç 7.° A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. Assim, é irrelevante considerar se as Empresas Contratadas fizeram ou não o recolhimento das contribuições sobre as folhas de salário, visto que a obrigação do Art. 31 abrange tão somente a Empresa Contratante. Não se confundem as obrigações tributárias previstas no Art. 31, e as aduzidas nos Arts. 20 e 22, incisos I e II, todas da Lei n° 8.212/1991, por se tratarem de tributos de espécies distintas. Ademais, corn relação As GFIP's e GPS's, apresentadas com o recurso, atestando o ecolhimento feito pela Clinica Radiológica Samuel Castiel Junior relativo as contribui •es previdencidrias sobre a folha de salários, o pagamento pela Prestadora não exime a Rec rente de efetuar seu recolhimento, eis que conforme já fartamente explanado, a 6 Processo n" 35335.000278/2006-83 82-C3T2 Acórdiio n.° 2302-00.863 Fl. 238 obrigação tributária do Art. 31 difere da exigência fiscal do Art. 20 e 22, incisos I e II, da Lei 8.212/1991. Destarte, deixo de acolher a tese da Recorrente, eis que, em momento algum, fez constar nos autos a prova de que efetuou a retenção, não cabendo ao Fisco proceder a juntada das GFIP's e GPS's, que comprovam tão somente o recolhimento das contribuições a cargo das Empresas Contratadas. 3. CONCLUSÃO: Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para acolher a preliminar de decadência e DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, reconhecendo a caducidade de parte das contribuições previdencidrias objeto do lançamento fiscal, relativos ao ano calendário de 1999, devendo permanecer o lançamento no tocante as contribuições de janeiro de 2000 a dezembro de 2002. corno voto. Sala das Sessões, em 10 de fevereiro de 2011 THIAGO D'AVILA MELO FERNANDES 7
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Numero do processo: 10930.001274/2007-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2007
INCLUSÃO RETROATIVA.
Não havendo o Fisco recepcionado a declaração simplificada transmitida pela contribuinte, é de se considerar que os DARF Simples apresentados são suficientes à comprovação da vontade inequívoca da pessoa jurídica em optar pelo Simples.
Numero da decisão: 1201-000.465
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 INCLUSÃO RETROATIVA. Não havendo o Fisco recepcionado a declaração simplificada transmitida pela contribuinte, é de se considerar que os DARFSimples apresentados são suficientes à comprovação da vontade inequívoca da pessoa jurídica em optar pelo Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Fl. 234DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10930.001274/200753 Acórdão n.º 120100.465 S1C2T1 Fl. 224 2 Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Conforme relatado no despacho decisório de fls. 165/167, a autoridade tributária indeferiu o pedido da contribuinte relativo à sua inclusão retroativa no Simples Federal para o período anterior a 01/01/2007 (fls. 1/4), sob o argumento de que, além do fato de a contribuinte não haver manifestado na FCPJ a sua opção pelo Simples, também não restou configurada a sua intenção inequívoca de aderir a essa forma simplificada de pagamentos de tributos federais, pois, apesar de haver recolhido o tributo por meio de DARFSimples, não apresentou declaração DSPJ e sim DIPJ com base no lucro real. Apresentada manifestação de inconformidade (fls. 161/163), a DRJ de origem decidiu pelo indeferimento do pleito da interessada (fls. 170/172). Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 176/182) pedindo seja reformada a decisão de primeiro grau, alegando, em síntese, que só apresentou DIPJ relativamente ao anocalendário de 2006 para não perder o prazo, já que o programa Receitanet impediu a transmissão da respectiva DSPJ apresentando a seguinte mensagem: “Declaração não transmitida por não estar enquadrada no regime tributário SIMPLES”. Afirma a recorrente que os pagamentos realizados em DARFSimples revelam a sua inequívoca intenção de optar por esta forma de recolhimento. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Opção pelo Simples Federal A pessoa jurídica ora recorrente foi constituída em 17/07/2006 (fl. 9) e inscrita no CNPJ em 21/07/2006 (fl. 10). Para manifestar expressamente a sua opção pelo Simples já a partir da data do início de suas atividades, a contribuinte deveria ter informado tal situação na ficha cadastral da pessoa jurídica (FCPJ), conforme disposto nos art. 16 e 17 da Instrução Normativa SRF nº 608/2006, verbis: Art. 16. A opção pelo Simples darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou de empresa de pequeno porte no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: (...) § 2º A pessoa jurídica em início de atividade poderá formalizar sua opção para adesão ao Simples imediatamente, mediante utilização da própria Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ). Fl. 235DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10930.001274/200753 Acórdão n.º 120100.465 S1C2T1 Fl. 225 3 (...) Art. 17. A opção exercida de conformidade com o art. 16 será definitiva para todo o período a que corresponder e submeterá a pessoa jurídica à sistemática do Simples a partir: (...) III do início de atividade, na hipótese do § 2º do art. 16. (...) Em virtude da grande quantidade de casos em que os contribuintes vieram a preencher erroneamente a FCPJ, deixando assim de manifestar expressamente a sua vontade de optar pelo Simples, a SRF entendeu por bem expedir o ADI nº 16/2002, nos seguintes termos: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o disposto no art. 8° da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, no art. 16 da Instrução Normativa SRF n° 34, de 30 de março de 2001, e no processo 10168.004370/200237, declara: Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. Em outras palavras, a própria SRF entendeu que comprovação da vontade inequívoca do contribuinte em optar pelo Simples supriria a omissão da manifestação expressa dessa vontade na FCPJ. Admitiu ainda a SRF que a vontade inequívoca do contribuinte em optar pelo Simples poderia ser comprovada pelo pagamento mensal dos tributos através de DARFSimples, e pela apresentação da respectiva DSPJ. Pois bem, a ora recorrente comprovou haver recolhido os tributos federais devidos no ano de 2006 através de DARFSimples (fls. 115/117). Por outro lado, é notório para a administração tributária, e portanto independe de prova a ser produzida pela contribuinte (art. 334 do CPC), o fato de que em anos passados o sistema da RFB inicialmente não recepcionava as DSPJs de contribuintes que não constavam no CNPJ como inscritos no Simples, somente o fazendo próximo ao encerramento do prazo para transmissão da referida declaração. Assim sendo, diante da dificuldade de transmissão da DSPJ/2007 imposta à contribuinte pelo próprio Fisco, entendo que, no caso, os mencionados DARFSimples são suficientes à comprovação da vontade inequívoca da empresa em optar pelo Simples. 3) Conclusão Fl. 236DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10930.001274/200753 Acórdão n.º 120100.465 S1C2T1 Fl. 226 4 Tendo em vista todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 237DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO
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