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Numero do processo: 19515.006661/2008-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2003
GANHO DE CAPITAL. CISÃO. ACERVO LIQUIDO TRANSFERIDO SUPERIOR AO VALOR DO INVESTIMENTO CORRIGIDO POR EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. DESCONSIDERAÇÃO DE AUMENTO DE CAPITAL INCOMPROVADO. Resta caracterizado o ganho de capital nos casos em que o acervo liquido transferido supera o quinhão a que fazia jus o sócio da pessoa jurídica cindida. Ademais, se evidenciado o caráter inveridico do aumento de capital realizado com a única
finalidade de afastar a ocorrência do ganho de capital, é imperiosa a sua desconsideração e a apuração do ganho de capital corn base no patrimônio efetivamente transferido, deduzido do valor do investimento anteriormente titulado pelo sócio da pessoa jurídica cindida.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. É cabível a
exigência da multa de oficio qualificada no percentual de 150% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, quando restar comprovada a ocorrência de uma das condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.
APLICAÇÃO TAXA SELIC PARA CÁLCULO DOS JUROS DE MORA.
MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ EM RITO DE RECURSO REPETITIVO. MATÉRIA EM APRECIAÇÃO PELO STF COM RECONHECIMENTO DE REPERCUSSÃO GERAL. SOBRESTAMENTO.
DESNECESSIDADE. As decisões dos Tribunais Superiores, nas quais tem se em conta a aplicação da taxa SEL1C para cálculo de juros de mora com base em legislação estadual, não se sobrepõem à Sumula CARF n° 4, a qual aborda a aplicação da mesma taxa, mas com fundamento em legislação federal.
Numero da decisão: 1101-000.496
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Divergiu o Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior que afastava a qualificação da
penalidade.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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CISÃO. ACERVO LIQUIDO TRANSFERIDO SUPERIOR AO VALOR DO INVESTIMENTO CORRIGIDO POR EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. DESCONSIDERAÇÃO DE AUMENTO DE CAPITAL INCOMPROVADO. Resta caracterizado o ganho de capital nos casos em que o acervo liquido transferido supera o quinhão a que fazia jus o sócio da pessoa jurídica cindida. Ademais, se evidenciado o caráter inveridico do aumento de capital realizado com a única finalidade de afastar a ocorrência do ganho de capital, é imperiosa a sua desconsideração e a apuração do ganho de capital corn base no patrimônio efetivamente transferido, deduzido do valor do investimento anteriormente titulado pelo sócio da pessoa jurídica cindida. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. É cabível a exigência da multa de oficio qualificada no percentual de 150% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, quando restar comprovada a ocorrência de uma das condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. APLICAÇÃO TAXA SELIC PARA CÁLCULO DOS JUROS DE MORA. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ EM RITO DE RECURSO REPETITIVO. MATÉRIA EM APRECIAÇÃO PELO STF COM RECONHECIMENTO DE REPERCUSSÃO GERAL. SOBRESTAMENTO. DESNECESSIDADE. As decisões dos Tribunais Superiores, nas quais tem- se em conta a aplicação da taxa SEL1C para cálculo de juros de mora corn base em legislação estadual, não se sobrepõem à Sumula CARF n° 4, a qual aborda a aplicação da mesma taxa, mas com fundamento em legislação federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. FRANCISC , Pt DE SAL ri BEIRO DE QUEIROZ - Presidente. atm-a ELI PEREIRA BESSA - Relatora Processo n° 19515.006661/2008-32 SI-CITI AcOrd5o n.° 1101-00.496 Fl. 285 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Divergiu o Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior que afastava a qualificação da penalidade. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. 2 Processo n° 19515.006661/200S-32 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.496 Fl. 289 Relatório CONSTRUTORA LJA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo-I que, por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE lançamento formalizado em 22/10/2008, exigindo credito tributário no valor total de R$ 7.226.083,42. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: DO PROCEDIMENTO FISCAL I. Trata o presente processo de lançamentos de Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica — IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL, que constituíram o crédito tributário total de R$ 7.226.083,42 (sete milhões, duzentos e vinte e seis mil, oitenta e três Reais e quarenta e dois centavos), incluídos o principal, multa de oficio e juros de mora calculados até 22/10/2008 (fls. 01), conforme abaixo demonstrado: L.] 2. Nos termos expostos no Termo de Verifica cão de Infração Ws. 152/155), o lançamento CI71 . foco decorreu dos seguintes fatos apurados no curso do procedimento .fiscal: 2.1. Consta da 23" alteração do contrato social da empresa Construtora Gautama Ltda. — CNPJ 17 ". 00.725.347/0001-00, datada de 30/10/2003 e protocolizada junto JUCESP em 17/12/2003, que seus sécios (Construtora LJA Ltda. e S1LTE Participações S/A — CNPJ no. 01.583.816/0001-58) acordaram em proceder à sua cisão parcial„ rendo que a parcela cindida foi incorporada pela empresa Construtora LJA Ltda. 2.2. A época da cisão, cada uma das sécias detinha 50% (cinqüenta por cento) das quotas representativas do capital social da Construtora Gautama Ltda., e, assim, o seu patrimônio liquido, no valor de R$ 54.523.534,37 (cinqüenta e quatro quinhentos e vinte e três mil, quinhentos e trinta e quatro Reais e trinta e sete centavos), .foi dividido eqüitativamente entre ambas. 2.3. Conforme se observa da 22" alteração do contrato social da Construtora Gautama Ltda., datada de 29/09/2003 e protocolizada apenas em 17/12/2003 (mesma data em que foi protocolizada sua 23" alteração), houve uma alteração no percentual de participação de suas sécias, pois a Construtora LJA Ltda. subscreveu 5.000.000 (cinco milhões) de novas cotas por R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de Reais), aumentando sua participação de 30% (trinta por cento) para 50% (cinqüenta por cento), nos termos resumidos abaixo: Sócio SITUAÇÃO ANTERIOR % AUMENTO DE CAPITAL SITUAÇÃO FINAL % LJA R$ 3.750.000,00 30% R$ 5.000.000,00 R$ 8.750.000,00 50% SILTE R$ 8.750.000,00 70% R$ 0,00 R$ 8.750.000,00 50% 2.3,1. Entretanto, o aumento de capital mencionado acima, no valor de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de Reais), efetuado pela Construtora LIA Ltda. lhe Processo n° 19515.006661/2008-32 Sl-CITI Acórdzio n.° 1101-00.496 Fl. 290 rendeu, de imediato, um ganho patrimonial de RS 7.404.706,87 (sete milhões, quatrocentos e quatro mil, setecentos e seis Reais e oitenta e sete centavos), os quais deixaram de ser oferecidos à tributação, conforme explicitado pela fiscalização com base no raciocínio abaixo relembrado. 2.3.1.1. 0 Código Civil estabelece em seu art. 1.151, §2", que os atos jurídicos realizados pelas sociedades empresárias e que estejam sujeitos a registro só produzem efeitos a partir da concessão deste registro quando requerido após o prazo de trinta dias de sua lavratura. Deste modo, a 22" e a 23" alterações contratuais da Construtora Gautama Ltda. ocorreram, para todos os efeitos, na mesma data (17/12/2003). 2.3.1.2. Ainda em 17/12/2003, a sócia Construtora LIA Ltda. participava do capital da Construtora Gaittama Ltda. em 30% (trinta por cento) e, dessa forma, deveria receber o correspondente a 30% (trinta por cento) de seu patrimônio liquido (antes do aumento de capital de R$ 5.000.000,00 — cinco milhões de Reais), ou seja, R$ 14.857.060,31 (quatorze milhões, oitocentos e cinqüenta e sete ma, sessenta Reais e trinta e um centavos). 2.3.1.3. Na Illes112(1 data de 17/12/2003, a Construtora LJA Ltda. "aumenta" o capital da Construtora Gautama Ltda. em RS 5.000.000,00 (cinco milhões de Reais), por intermédio do endosso e entrega de uma nota promissória, de mesmo valor, emitida pelo Sr. Latif Mikhaiel Jabur Abud — CPF n". 115.463.795-68 (sócio da Construtora LIA Ltda.) em favor da Construtora LIA Ltda. 2.3.1.4. Na seqüência, a Construtora Gataama Ltda. foi cindida, sendo que Construtora LIA Ltda. recebe o correspondente a R$ 27.261.767,19 (vinte e sete milhões, duzentos e sessenta e um mil, setecentos e sessenta e sete Reais e dezenove centavos), sendo que a referida nota promissória fez, parte do acervo recebido. 2.3.2. Em decorrência dos fatos acima relembrados, a fiscalização intimou a Construtora LIA Ltda. a apresentar a referida nota promissória, informando e comprovando a data de emissiio da mesma e justificando a causa econômica de sua emissão, e a demonstrar a contabilização dos seguintes eventos: * recebimento da referida nota promissória pela Construtora LIA Ltda., no momento de slat emissão pelo Sr. Latif Mikhaiel Jabur Abud — CPF mm". 115.463.795- 68; * aumento de capital na empresa Construtora Gautama Ltda. — CNPJ n". 00.725.347/0001-00, por intermédio do endosso da referida nota promissória. 2.3.3. A Construtora LIA Lida. , em resposta datada de 10/10/2008, deixa de apresentar a referida nota promissória alegando sua "inutilização" e informa que o único objetivo de sua emissão foi o de propiciar a transferência de patrimônio da Construtora Gautama Lida. para sua sócio Construtora LIA Ltda. em percentual distinto da participação que esta última possuía no capital daquela. Admite que sua contabilidade não retrata adequadamente esta situação. 2.3.4. A .fiscalização, ao analisar os livros contábeis e o "Balancete Analítico de Janeiro a Dezembro de 2003" da Construtora LIA Ltda., identificou as contas contábeis n". 1.1.9.01.002 — Outros Créditos — Títulos a Receber — Lauf M. J. Abud e 11.3.1.01.001 — Permanente — Investimentos — Partic. em Coligadas — Construtora Gctuatma Ltda., cujos Razões demonstram que: * A Construtora LIA Ltda , só passou à condição de credor de seu sócio (Latif M. J. Abud) ema 28/10/2003 pelo advento de cisão da Construtora Gautama Ltda. e, portanto, a referida nota promissória que a Construtora LIA Ltda. feria usado no aumento do capital da Construtora Gautanma Ltda. não existia em sua contabilidade; 4 Processo n" 19515.006661/2008-32 S1-C1T1 Acórao n.° 1101-00.496 Fl. 291 * O aumento de capital que teria siclo efetuado na coligada Construtora Gatactnia Ltda. em 29/09/2003 também não consta de stir! contabilidade. 2.3.5. Portanto, restou evidenciado que a nota promissória em comento, se existiu, teve por 1%111.00 objetivo encobrir o real fato econômico que residiu na entrega (doação) de parte do património da Construtora Gautania Ltda. à Construtora LJA Ltda. sent que este oferecesse esse resultado não-operacional à tributação. 2.3.6. Para se obter o valor desta doação, houve a necessidade c/c eliminar-se o efeito causado pela simulação de aumento do capital social da Construtora Gautania Lida. Assim, apurou-se que caberia à Construtora LJA Lida. 30% (trinta por cento) do patrimônio líquido da cindida (sein o fictício aumento de capital), ou seja, R$ 14.857.060,31 (quatorze milhões, oitocentos e cinqüenta e sete mil, sessenta Reais e trinta e um centavos). Entretanto, este recebeu 50% (cinqüenta pot- cento) cio PL da Construtora Gautania Ltda. (R$ 27.261.767,19 — vinte e sete milhões, duzentos e sessenta e um unI, setecentos e sessenta e sete Reais e dezenove centavo.$), que, retificado pela exclusão do recebimento ficto da nota promissória no valor de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de Reais), corresponde a R$ 22.261.767,19 (vinte e dois milhões, duzentos e sessenta e um mil, setecentos e sessenta e sete Reais e dezenove centavos), ou seja, unia doação de R$ 7.404.706,87 (sete milhões, quatrocentos e quatro mil, setecentos e seis Reais e oitenta e sete centavos). 2.4. Em decorrência da constatação c/c que o contribuinte pretendeu dissimular a ocorrência do verdadeiro fato gerador (ganho de capital) por intermédio de alterações contratuais simultâneas, documentos cuja existência nab foi comprovacla (nota promissória) e alegadas opera cães que não possuem respaldo em sua escrituração contábil, demonstrando a intenção do contribuinte ecu mod? ficcu- as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto devido, caracterizando-se em verdadeira fraude, a multa de oficio foi aplicada no patamar de 150% (cento e cinqüenta por cento). 3. Em decorrência de todo o acima exposto, .foram lavrados, cm 22/10/20008, os seguintes autos de infração: 3.1 Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, com .fundaniento nos arts. 247, 248, 251 e parágrafo único, e 430, todos do RIR/99; 3.2 Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL, com fundamento no art. 2" e c/a Lei n". 7.689/88, art. 1" da Lei 11". 9.316/96, art. 28 da Lei le. 9.430/96 e art. 37 da Lei n". 10.637/2002. DA IMPUGNAÇÃO 4. Cientificado do auto de infração em 05/11/2008 (fls. 170), o contribuinte apresentou, em 04/12/2008, a impugnação de fls. 174/182, aduzindo, em síntese, que: 4.1. A Impugnante destaca que a cisão ocorrida teria sido litigiosa e todos os atos constantes desta operação estariam respaldados exclusivamente na legislação pertinente. Frisa que a cisão ê um negócio jurídico celebrado entre os sécios da sociedade, estando toda a sua sistemática prevista em lei, que teria sido rigorosamente obedecida na operação societária em comento. 4.2. Entretanto, a autoridade fiscal enquadra o aumento de capital constante da 22" alteração contratual da Construtora Gautania Ltda. como cciii ato simulado. Assim procedendo, a fiscalização está desconsiderando tun negócio jurídico efetuado pelos setts sócios com amparo nos arts. 104 e 166 do Código Civil, afrontando a segurança juriclica implementada pelo principio da legalidade (art. 150, inciso I, da Constituição Federal e art. 97 cio Código Tributário Nacional — CTN). Ressalta-se que a operação c/c cisão parcial encontrar-se-ia amparada na legislação vigente, o 5 Processo n° 19515.006661/2008-32 SI-C1T1 Ac6rd5o n.° 1101-00.496 Fl. 292 alimento do capital social feria sido arquivado, com a concordáncia de todos os sócios, com base eni titulo de crédito (nota promissória) que teria sido emitida pelo sócio c/a Autuada. Ademais, aduz-se que não constaria dos autos qualquer evidência de que os atos praticados na operação enz testilha deram-se em direção contrária 1101777a legal, coin o intuito de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária. 4.3. Não haveria que se aventar de qualquer ganho de capital na operação de cisão em .foco, pois a mesma teria sido realizada coin base em laudo dos valores contábeis, não existindo mais-valia de ativos, ou seja, a contabilidade registra as suas operações pelos valores efetivamente incorridos, que correspondem ao custo original de cada operação realizada. Destarte, para que tivesse ocorrido o indigitado ganho capital, seria necessário que os registros contábeis da Autuada (conta contábil n". 1.3.1.01.001) apresentassem um saldo inferior a R$ 27.261.767,19 (vinte e sete milhões, duzentos e sessenta e um mil, setecentos e sessenta e sete Reais e dezenove centavos), o que inocorreu. Logo, restaria afastado o aventado ganho c/c capital, ressaltando-se o conceito de acervo liquido explicitado no Parecer CST n". 51/79. 4.4. A base de cálculo adotada pela fiscalização na presente autuação foi arbitrada, sent suporte na legislação vigente e, por este motivo, não teria sido indicado o respectivo fundamento legal. Neste sentido, como não teria sido evidenciado o lançamento contábil relativo ao ganho de capital alegado pela fiscalização, defluir- se-ia que a autuação foi empreendida com base em presunção desprovida de base 4.5. Visando afitstar quaisquer dúvidas sobre os fatos deduzidos na impugnação, o Defendente requer a realização de diligência ou perícia, nomeando como perito o Sr. Cesar Benedito Santa Rita Pitanga e formulando os seguintes quesitos: * Segundo os registros contábeis da Autuada, o valor representativo das quotas, ou seja, o investimento da Construtora Gautaina Ltda. em 30/09/2003 era de R$ 27.261.767,19 (vinte e sete milhões, duzentos e sessenta e um mil, setecentos sessenta e sete Reais e dezenove centavos), contabilizado na conta n". 1.3.1.01.001 — Construtora Gaittainct Lida.? * 0 valor cio acervo líquido transferido da cindida (Construtora Gautama Ltda.) para a Impugnante, segundo o Protocolo e Justificativa de Cisão e do Laudo de Avaliação do Patrimônio Liquido Contábil é de R$ 27,261.767,19 (vinte e sete milhões, duzentos e sessenta e um mil, setecentos e sessenta e sete Reais e dezenove centavos)? * Existe na Autuada alguma rubrica contábil registrando a diferença entre o valor do investimento na Construtora Gautama Ltda. e o acervo liquido recebido no valor de R$ 7.404.706,87 (sete milhões, quatrocentos e quatro mil, setecentos e seis Reais e oitenta e sete centavos)? * Existe matriz legal para a apuração do ganho de capital pretendido pela .fiscalização, que apura R$ 7.404.706,87 (sete milhões, quatrocentos e quatro setecentos e seis Reais e oitenta e sete centavos)? Qual é a base legal e a mesma consta no enquadramento legal? * ,Existe algum erro con tail na escrituração contábil da Autuada que modifique o saldo contábil no valor de R$ 27.261.767,19 (vinte e sete milhões, duzentos e sessenta e uni nut, setecentos e sessenta e sete Reais e dezenove centavos) da COT7tC1 de investimento na Construtora Gatttama Ltda.? 4.6. 0 pedido é pelo cancelamento da autuação. Processo n° 19515.006661/2008-32 SI-CITI AcOrdElo n.° 1101-00.496 Fl. 293 A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: • 0 procedimento fiscal desenvolvido para apuração da efetividade do aumento de capital vinculado A 22a alteração do contrato social da Construtora Gautama Ltda conduziu A afirmação, pela impugnante, de que a distribuição dos lucros da Construtora Gautania Ltda. sempre foi feita em partes iguais entre seus sócios, apesar da LJA Participações Ltda., atual Construtora LJA Ltda., deter apenas 30% (trinta por cento) de suas quotas. Logo, em decorrência da cisão desta empresa ter que acarretar a repartição do acervo liquido em porções idênticas, foi necessária a subscrição de 5.000.000 (cinco milhões) de cotas pela Impugnante no aumento do capital social da Construtora Gautama Ltda.. Ademais, lido se teria como comprovar a data de emissão da nota promissória, pois a mesma teria sido liquidada e inutilizada, ressaltando-se que a escrituração contábil da Defendente não retrata adequadamente a situação acima descrita. • Ao contrário da impugnante, que entendeu que estes equívocos nos livros contábeis não causaram qualquer prejuízo ao Fisco, a Turma Julgadora concluiu que os esclarecimentos prestados pela Impugnante em 10/10/2008 (fls. 21/22) evidenciam cabalmente que a emissão da nota promissória em comento não se referiu a verdadeira operação crediticia, vez que foi utilizada apenas para aumentar artificialmente participação societária da Defendente no capital social da Construtora Gautania Ltda., ocultando o real e efetivo ganho de capital auferido pela Impugn ante nesta operação societária. • Transcrevendo excerto de declaração da autuada, cuja conclusão é de que a nota promissória Pi emitida com o único objetivo de propiciar a cisão, a autoridade julgadora afirmou estar evidenciado que a opera cão acima mencionada buscou encobrir o verdadeiro ganho de capital auferido pela Impugnante na cisão parcial da Construtora Gamma Lida, na medida em que este aumento fictício do capital social teve como única finalidade, declarada pelo próprio Requerente, de aumentar artificialmente a participação societária da Impugnante, o que lhe gerou, de imediato, o ganho patrimonial de R$ 7.404.706,87 (sete milhões, quatrocentos e quatro Mil, setecentos e seis Reais e oitenta e sete centavos), que se qualificou COMO ganho de capital na cisão da Construtora Gautanza Ltda. • Destacou que a fiscalização, com perfeita correção, identificou que tanto a 22" alteração do contrato social da Construtora Gautaina Ltda., que registrava o aumento fictício de sell capital social (22" alteração), quanto a que indicava a cisão parcial da mesma (23" alteração) foram registradas na mesma data (17/12/2003 — fls. 85 e 95), o que reforça o mailer artificial do indigitado aumento do capital social. Esclareceu, ainda, que o principio da segurança jurídica não pode ser argüido para impedir a apuração dos reais negócios jurídicos efetuados pelos sujeitos de direito, inclusive para a verificação das hipóteses de incidência materializadas nos mesm os 7 Processo n" 19515.006661/200 8 -32 SI-CITI Acórao 11. 0 1101-00.496 Fl. 294 • Afastou também a alegação de que inexistiria ganho de capital, vez que a escrituração contábil da Impugnante registraria o respectivo investimento pelo valor do acervo liquido recebido, pois o referido aumento de capital não foi contabilizado pela interessada, restando comprometido o lançamento da equivalência patrimonial empreendido na data de 30/09/2003, no valor de R$ 14.961.040,08 (quatorze milhões, novecentos e sessenta e um mil, quarenta Reais e oito centavos), vez que o mesmo deveria remontar a apenas R$ 2.556.333,20 (dois milhões, quinhentos e cinqUenta e seis mil, trezentos e trinta e trés Reais e vinte centavos), que faria com que o registro contábil deste investimento correspondesse a 30% (trinta por cento) do patrimônio liquido da Construtora Gautama Ltda. apurado na mesma data. • Registrou que a base de cálculo adotada no lançamento não foi arbitrada, mas sim resultou da apuração de efetivo ganho de capital, inexistindo qualquer irregularidade formal. • Rejeitou o pedido de diligência, por considerá-la desnecessária, na medida em que as questões levantadas pela impugnante dizem respeito somente a matéria contábil ordinariamente compreendida na esfera de conhecimento do julgador c relativa ét escrituração acostada aos autos, não dependendo do conhecimento técnico especializado de um perito. Além disso, os autos contem elementos suficientes para a formação da convicção do julgador [...]. Explicitou, inclusive, os aspectos questionados no pedido de diligência e já antes abordados no voto condutor do acórdão. • Declarou a pertinência da penalidade de 150%, porque o contribuinte notadamente procurou dissimular a ocorrência do ganho de capital apurado pela fiscalização, vez que engendrou um aumento de capital fictício na Construtora Gautama Ltda., conforme explicitado nesta decisão e es fls. 155 do Termo de Verificação Fiscal. Deste modo, restou evidenciada a intenção do contribuinte el17 modificar as características essenciais da cisão efetivamente realizada, ocultando o efetivo ganho de capital auferido pelo mesmo, sendo que tal conduta encontra subsunçã o na norma veiculada no art. 72 da Lei n". 4.502/64. • Estendeu os efeitos do que decidido h exigência de CSLL. Cientificada da decisão de primeira instância em 30/04/2009 (fl. 248), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 02/06/2009 (fls. 249/268), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Defende a legitimidade do aumento de capital, reafirmando que seu objetivo foi o de fazer com que o capital social da referida empresa ficasse dividido nas mesmas proporções em que os seus lucros eram distribuídos a seus sócios - 50% para cada um. Com a equalização do capital, as parcelas patrimoniais passariam a ser distribuídas nas mesmas proporções, quando ocorresse a cisão. 60 8 Processo n° 19515.006661/2008-32 SI-CITI Acórao n." 1101-00.496 Fl. 295 Argumenta que não há restrição a que um aumento de capital seja realizado mediante a utilização de um titulo de crédito, e aduz que a elevação do percentual de participação da RECORRENTE nos lucros de GAUTAMA representou um ganho potencial para ela; entretanto, como frisado, meramente potencial, dada a ausência de ato subsequente que tivesse importado na sua realização. Descreve a sistemática da equivalência patrimonial, reportando-se aos dispositivos do Decreto-lei ri° 1.598/77 e da Instrução Normativa CVM n" 247/96 especialmente quanto ao registro do ágio/deságio, para argumentar: 3.9. No caso concreto, a RECORRENTE subscreveu por R$ 5.000.000,00 quotas de GAUTAMA cujo valor de PLC era superior a esse montante, em razão de seas sócios terem decidido equalizar o percentual de participação dos sócios no seu capital social ao das respectivas participações nos lucros. Ou seja, as quotas representativas do aumento de capital de GAUTAMA foram adquiridas com deságio e o . fundamento consistiu ema "outras razões econômicas", pois não se verificava, no caso concreto, near a hipótese referida na letra "a" nem na letra "b" do item 3.8 [art. 20, §2° do Decreto-lei 11° 1.598/77]. 3.10. A amortização de ágio ou deságio é .feita pela investidora na medida e na proporção em que ocorrem os fatos que lhe deram origem. Em se tratando de deságio fundamentado em outras razões económicas, como no caso, sua amortização só ocorre no momento em que são alienados os investimentos aos quais o deságio se vincula. Antes desse evento, o deságio não é amortizado, de sorte que sua existência não afeta o lucro liquido da investidora nem, consequentemente, seu lucro real. 3.11. Após a subscrição das quotas de GAUTAMA pela RECORRENTE, coma descigio, as mesmas foram extintas, face a cisão parcial da empresa, com incorporação pela RECORRENTE da parcela patrimonial extinta. Não obstante, a operação ocorrida também não importa na amortização de deságio nem gera efeitos .fiscais. 0 art. 7° da Lei 9.532/77, corn a alteração da Lei n° 9.718, de 27.11.1998, contempla os efeitos da absorção, por nina pessoa jurídica, do patrimônio liquido (le outra, ema virtude de incorporação, fusão on cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DL n° 1.598/77. Não obstante, nenhuma de seus incisos ou parágrafo trata das conseqüências da operacdo quando há extinção de investimentos adquiridos coin deságio fundamentado em outras razões econômicas, como ocorreu no caso concreto. 3.12. Instrução Normativa (IN) da Secretaria da Receita Federal n° 011, de 10 de .fevereiro de 1999, contudo, ao regulamentar o dispositivo legal acima mencionado, supriu essa lacuna legal no inciso III do seu art. I° (o inciso que trata dos ágios e deságio.s .finulamentados em outras razões econômicas), deixando dai-o clue as cisões ou incorporações não afetam deságios com tais características. Coin efeito, dispõe a IN: "‘§' 3° 0 valor registrado coin base no . fundamento de que trata: III — o inciso III , não será amortizado, devendo, no entanto, ser: a) computado na determinação do custo de aquisição, na apuração de ganho ou perda de capital, no caso de alienação do direito que lhe deu causa ou de sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; Processo n° 19515.006661/2008-32 SI-CITI Acórdiio 1101-00.496 Fl. 296 b) deduzido COMO perda, se ágio, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa; c) computado como receita, se deságio, no encerramento das atividades da empresa." 3.13. Eta síntese: (a) a subscrição de aumento de capital de GAUTAMA por valor inferior ao do PLC das quotas subscritas se deu com deságio, o qual se vinculou aos investimentos então adquiridos; (b) a substituição dos investimentos da RECORRENTE em GAUTAMA pelo patrimônio liquido pelos mesmos representado, ocorrida na cisão, não gerou ganho de capital para a RECORRENTE, ila medida em que a incorporação da parcela patrimonial cindida se deu pelo valor contábil dos bens, direitos e obrigações que a representavam; e (c) a incorporação, pela RECORRENTE, da parcela patrimonial cindida de GAUTAMA não gerou, para a RECORRENTE, a obrigação de oferecer tributação o deságio, por força clo disposto na IN mencionada no item anterior. Ressalta que esta foi a única solução viável encontrada, embora nem sequer fosse a mais conveniente a recorrente. Isto porque, como mais à frente pondera ao afirmar a ausência de simulação: 4.2. Ressalte-se, antes de nada, que a afirmativa de que o aliment() de capital visou eliminar ganho de capital da RECORRENTE é equivocada; ressalte-se, ainda, que a solução encontrada pelas partes para separar seus interesses em GAUTAMA não foi a melhor para a RECORRENTE, em termos .fiscais, pois importou na gera cão de deságio capaz de acarretar a incidência de tributos nas situações previstas na IN referida no item 3.12., acima. Sc GAUTAMA houvesse simplesmente (a) distribuído seus lucros e reservas nas proporções que vinha fazendo ate então (50% para cada sócio), creditando aos sócios o valor distribuído ou pagando os 111CS17105 em bens e, a seguir, (b) fosse cindida medicmte o rateio do saldo de seu patrimônio liquido (então apenas capital, na medida em que já teria ocorrido a distribuição de seus lucros e reservas) nas proporções c/c 30% e 70%, 11e111111111 tributo seria devido pela RECORRENTE nem haveria o inconveniente apontado na parte inicial desse item (aplica cão da IN). 4.3. Note-se, ainda, que, na ocorrência dos fatos mencionados no item anterior, a RECORRENTE receberia de GAUTAMA exatamente o que recebeu no caso concreto, com exceção dos . R$ 5.000.000,00 correspondentes à NOTA (pois não teria ocorrido o ciumento de capital); mas esse fato seria irrelevante, pois a NOTA teve origem na própria RECORRENTE. Ou seja, na hipótese mencionada cai 4.2., a RECORRENTE teria recebido 50% clos lucros e reservas de GAUTAMA (como efetivamente recebeu) e exatamente o MeS1110 montante de seu capital, na medida em que a NOTA vinha de ser por ela transferida à GAUTAMA. 4.4. A reestruturação de GAUTAMA nas bases mencionadas no item 4.2., acima, seria a mais direta e económica, em termos fiscais. Mas a variante que prevcdeceu foi a que se mostrou possível, no contexto do relacionamento existente entre os sócios de GAUTAMA. Não se justifica, pois, a assertiva de que o caminho adotado pelos sócios de GAUTAMA representaria uma simulação para propiciar economia .fiscal à RECORRENTE. Invoca, também, o disposto no art. 167 do Código Civil de 2002. E, na medida em que a simulação, em seu entendimento, pressupõe um acerto entre as duas ou mais partes envolvidas, reporta-se também ao art. 1071, V, daquele mesmo diploma legal, para firmar que o aumento de capital social da GUATAMA dependia da concordância da outra Process° n" 19515.006661/2008-32 si-cl Ti Acórcido n." 1101-00.496 Fl. 297 sócia (SILTE PARTICIPAÇÕES S A), corn a qual mantinha relações litigiosas, constituindo- se a cisão corno forma de encerrar as ações judiciais movidas por urna contra a outra. Na medida em que a suposta vantagem fiscal não beneficiaria a SILTE, questiona que razão teria ela para colaborar coin a RECORRENTE na execução de um ato simulado e, por conseguinte, ilícito, arriscando-se, assim, a ser acusada de conluio e ter contra si a cobrança de eventuais multas? Reafirma que o objetivo do aumento de capital em causa foi tão-somente elevar a participa cão societária da RECORRENTE em GAUTAMA a um nível que fosse compatível com o que os sócios consideravam lhe competir, com evidente propósito negocial. De toda sorte, ainda que se entenda que o aumento de capital de GAUTAMA teve por único objetivo a economia fiscal, o que a RECORRENTE admite apenas para argumentar, a posição da Cámara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) tem sido no sentido de que os objetivos visados com a prática dos atos não interferem em sua qualificação jurídica, se legitimas ou não. Transcreve ementas de decisões do 1 0 Conselho de Contribuintes admitindo serem regulares operações ou estruturas sem propósito negocial especifico, destinadas exclusivamente a evitar a incidência de tributos, e conclui que o aumento de capital da GAUTAMA, integralizado pela RECORRENTE mediante a entrega da NOTA, não fbi simulado. Quanto à apresentação, para registro, da 22' e da 23 a Alterações Contratuais apenas em 17/12/2003 — indicio de artificialidade argüido pela fiscalização para não levar em conta, na cisão, o aumento de capital — defende que embora as referidas alterações tenham sido apresentadas para arquivamento no mesmo dia, é evidente que a primeira delas foi realizada antes da segunda, não havendo, portanto, nenhuma razão para os efeitos de 11171a não serem considerados na outra. E fato que os registros de alterações contratuais, quando solicitados depois de trinta dias da realização do ato, só produzem efeitos a partir da data de sua concessão. Mas isso não significa que as datas dos atos sejam desconsideradas nem pressupõe que os mesmos tenham sido realizados no mesmo dia. Entende que os atos apresentados para registro após o prazo de trinta dias contados de sua realização produzem os efeitos que lhe são próprios, normalmente; a única conseqüência da apresentação após o prazo é a não-produção de efeitos retroativos do registro. Reporta-se a acórdão do 1 0 Conselho de Contribuintes que firma que as conseqüências fiscais independem de qualquer formalidade e colaciona ementas de outros julgados no mesmo sentido. Ressalta que ainda que se considerasse que a 22a e a 23° Alterações Contratuais ocorreram no mesmo dia, é evidente que a 22a foi realizada antes da 23' , pois esta última indica valores que só passaram a existir após a realização da primeira. Conclui, assim, que a inobservância do prazo de 30 dias para registro destas alterações não gera as conseqüências que o .fisco quer lhe atribuir. E, relativamente aos equívocos verificados na escrituração contábil da Recorrente, classifica-os de irrelevantes e aduz que erros na escrituração contábil não têm o condão de gerar direitos ou obrigações, quando é evidente que não refletem os fatos efetivamente ocorridos, na forma da jurisprudência administrativa que cita. Processo 0 0 19515.006661 /2008-32 SI-CITI Acórao 6. 0 1101-00.496 Fl. 298 Ressalta a prevalência da 22a Alteração Contratual, firmada por sócios em litígio e devidamente arquivada na JUCESP (ainda que tardiamente), e acrescenta que se não fosse ela, apesar de inconveniente para a RECORRENTE, em termos fiscais, a cisão teria que ter sido estruturada de outra forma, a evidenciar que o aumento de capital efetivamente ocorreu. Opõe-se à aplicação da multa qualificada, reiterando que o procedimento adotado lhe foi desfavorável e somente adotado em razão das dificuldades existentes entre os sócios da GAUTAMA, e acrescenta que a elevação dos já vultosos acréscimos calculados em 75% do principal somados aos juros com base na taxa SELIC, somente se justifica em caso de evidente e consciente intuito de fraude, ou seja, se comprovada a existência de dolo do contribuinte el72 fi-audar a Fazenda Pública. Destacando que as situações nas quais são aplicadas as multas agravadas correspondem a tipos penais dolosos, entende descabida sua exigência quando a fraude é apenas presumida e não provada, mas tão só ante a existência de um elemento de falsidade, inexatidão ou omissão, como firmado em jurisprudência que cita, impondo-se o seu afastamento se ausentes estas premissas, ainda que a conduta da contribuinte tenha concorrido para o não-pagamento do tributo. Invoca a Súmula n" 14 do 1 ° Conselho de Contribuintes, e afirma que em nenhum momento, apresentou documentos falsos ou deixou de responder a alguma intimação da fiscalização (e, nesse ponto, é importante ressaltar que a NOTA não foi entregue porque já havia sido inutilizada, e não por recusa da RECORRENTE), praticando apenas atos lícitos e na forma prescrita em lei. A todos foi dada publicidade e nada foi feito as escondidas, como reconhecido pela Fiscalização e na decisão recorrida. Antes do julgamento, foi entregue a esta relatora memorial elaborado pelo escritório de Ulhõa Canto, Rezende e Guerra Advogados, constituído como representante da interessada para atuar nestes autos, conforme instrumento de procuração datado de 23/05/2011, diversamente do recurso voluntário, que foi elaborado por Abílio Mendes Magina, contador e procurador da interessada, conforme procuração de fl. 285. Consta do referido memorial que a realização de aumento de capital da GAUTAMA antes da sua cisão não decorreu de qualquer ato de liberalidade ("doação') por parte da outra sócia de GAUTAMA, Silte Participações S.A. ("SILTE'), em favor da RECORRENTE, 171i1S, ao contrário, do Instrumento Particular de Transação e Outros Pactos firmado por ambas as partes para por fim em disputa judicial envolvendo a GAUTAMA (DOC. 0 I). A Construtora LJA teria ajuizado medida cautelar contra SILTE e GAUTAMA em 04/07/2003, buscando a suspensão da eficácia de ato societário em que a SILTE deliberou a exclusão da recorrente e outras providências correlatas em favor da participação da Construtora LJA na administração da GAUTAMA. Afirma que estaria provado nos autos da referida ação judicial, em atas de resolução de quotistas (DOC. 03) que a distribuição de lucros da GAUTAMA sempre foi desproporcional, esclarecendo que tal ocorreu porque a participação da recorrente e de SILTE em GAUTAMA na proporção de 30/70 foi concebida de forma provisória, mas restou inalterada por for-0 de desentendimentos ocorridos entre as sócias e que culminaram na propositura da AÇÃO. Processo IV 19515.006661/2008-32 S1-C1T1 Acórdrio n.° 1101-00.496 Fl. 299 Relata, então, as providências adotadas por meio da 22 a e da 23 a Alterações Contratuais da GAUTAMA, aqui já descritas, com o objetivo de equalizar as participações societárias de ambas as partes, adequando-as a proporção que já vinha sendo observada na distribuição dos lucros de GAUTAMA, e em razão das quais a cisão realizada corn base no patrimônio liquido contábil de GAUTAMA, corno autoriza o art. 21 da Lei IV 9.249/95, não resultou em qualquer ganho de capital auferido pela autuada. Novamente menciona que a sociedade poderia ter sido desfeita com a prévia distribuição dos lucros e reservas da GAUTAMA na proporção de 50% para cada sócio, rateando-se o capital remanescente na proporção de 30% e 70%, sem que qualquer ganho de capital fosse auferido, na medida em que os lucros e dividendos provenientes de outras pessoas jurídicas não integram o lucro real do destinatário e também não se tributa a mera restituição de capital. Mais à frente questiona que, se nesta hipótese nenhum tributo seria devido, como justificar a tributação na variante adotada? Acrescenta que assim não se fez porque a distribuição de lucros e reservas na proporção de 50% para cada sócia dependeria da concordância de ambas, o que não era possível tendo em vista o clima de desconfiança e animosidade que pairava entre as sócias. Dai a opção pela prévia equalização do capital, promovida mediante aumento de capital que retornaria à recorrente na cisão, e que assim tanto poderia ser realizado em dinheiro como mediante a transferência da NOTA ou de outro bem qualquer. Reitera que não há restrição, na legislação, ao aumento de capital mediante a entrega de nota promissória, e que ás sócias apenas importava que o capital de GAUTAMA fosse legitimamente aumentado para refletir a real participação de seus sócios, antes da cisão. Mais a frente ressalta que se a NOTA é tratada como um ativo inexistente, sem valor e inapto a realização de aumento de capital de GAUTAMA, deve ela ter o mesmo tratamento quando da quantificação do valor da parcela patrimonial transferida por GAUTAMA a RECORRENTE. Aduz, também, que a RECORRENTE sempre fez jus a 50% dos lucros de GAUTAMA e isso jamais foi contestado pela SILTE. Quando ocorreu a cisão de GAUTAMA, a RECORRENTE apenas recebeu os lucros que já lhe pertenciam e foi reembolsada dos exatos valores aplicados no capital de GAUTAMA. Assim, se a RECORRENTE poderia receber, sem incidência tributária o que efetivamente recebeu, é improcedente a conclusão de que a NOTA teve por objetivo encobrir o real fato económico que residiria na entrega (doação) de parte do património de GAUTAMA sem incidência de tributos. Menciona, por fim, que o Instrumento Particular de Transação e Outros Pactos estabelecia* que tanto o aumento de capital de GAUTAMA como a sua cisão se resolveriam, voltando as partes á situação jurídica que antes se encontravam, caso qualquer um desses atos tivesse o seu arquivamento indeferido pela JUCESP (ver item 2 — DOC. 1). Dessa forma, as partes entenderam que seria conveniente que ambos os atos fossem levados a registro na mesma data, não podendo tal fato, de maneira alguma, ser considerado indicio de simulação das operações. 13 Processo n° 19515.006661/2008-32 SI-C I T I n.° 1101-00.496 Fl. 300 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA 0 ponto central do litígio consiste em definir se o aumento de capital, da ordem de R$ 5.000.000,00, efetivamente existiu e foi subscrito pela autuada, ou foi, de fato, simulado para evitar a apuração de ganho de capital tributável. Argumenta a fiscalização que: • 0 aumento de capital foi veiculado na 22'. alteração contratual da "GAUTAA1A", datada de 29/09/2003 e protocolizada apenas em 17/12/2003 (mesma data em que foi protocolizada sua 23 a alteração), na qual foi formalizada a cisão; • 0 art. 1151, §2° do Código Civil estabelece que os atos jurídicos realizados pelas sociedades empresárias, sujeitos a registro, só produzem efeitos a partir da concessão desse registro quando requerido após o prazo de trinta dias de sua lavratura; • Corno as duas alterações ocorreram, para todos os efeitos, na mesma data (17/12/2003), neste momento a sócia LJA somente detinha 30% do capital da GAUTAMA; • A nota promissória entregue para o aumento de capital da GAUTAMA, emitida pelo sócio da LJA (Latif Mikhaiel Jabur Abud), em favor da LJA, fez parte do acervo recebido pela LJA em razão da cisão; • A autuada deixou de apresentar a referida nota promissória, alegando sua "inutilização", e informando que o único objetivo de sua emissão foi o de propiciar a transferência de patrimônio da "GAUTAMA" para sua sócia "LJA" em percentual distinto da participação que esta última possuía no capital daquela; • A referida nota promissória não existia na contabilidade da LJA, pois esta só passou a condição de credor de seu sócio (Latif M. J. Abud) em 28/10/03 pelo advento da cisão da "Gctutetnza"; • Não consta da contabilidade da autuada o aumento de capital que teria sido efetuado na coligada "Gautama" em 28/09/03; • Torna-se evidente que essa nota promissória, se existiu, teve por único objetivo encobrir o real fato econômico que foi a entrega (doação) de parte do patrimônio da Construtora Gautama Ltda ao Contribuinte sem que este oferecesse esse resultado não operacional tributação. Processo n° 19515.006661/2008-32 SI-C1TI Acórdão n.° 1101-00.496 FL 301 Ainda, para fins de qualificação da penalidade, citando o art. 72 da Lei IV 9.430/96, a autoridade lançadora firmou estar evidente que o contribuinte pretendeu dissimular ocorrência do verdadeiro fato gerador (ganho de capital), através de alterações contratuais simultâneas, documentos cuja existência não foi comprovada (NP) e alegadas operações que não possuem respaldo em sua contabilidade, o que, inequivocamente, demonstra a sua intenção de "modificar as suas características essenciais (do fato gerador) de modo a reduzir (a zero) o montante do imposto devido", caracterizando a fraude definida no legislação citada. A recorrente reconhece, desde o procedimento fiscal, que o referido aumento de capital teve por finalidade, apenas, permitir que a cisão se fizesse em partes iguais para os sócios da empresa. Em sua defesa, a firma expressamente este objetivo:fazer coin que o capital social da referida empresa .ficasse dividido nas mesmas proporções em que os seus lucros eram distribuídos a seus sócios - 50% para cada um. Coin a equalização do capital, as parcelas patrimoniais passariam a ser distribuídas nas mesmas proporções, quando ocorresse a cisão. Ou seja, em momento algum a interessada teve a intenção de aumentar seus investimentos na GAUTAMA. Seu objetivo era, tão só, criar um cenário que lhe permitisse receber, corn a cisão, 50% do patrimônio naquela sociedade. E evidente que não há restrição a que um aumento de capital seja realizado mediante a utilização de um titulo de crédito. Mas isto desde que este titulo de crédito represente, efetivamente, urn recebivel, e não urn mero documento, sem conteúdo, emitido com a exclusiva participação dos beneficiários do ganho de capital que, em razão dele, deixaria de existir — LJA e seu sócio-administrador Latif Mikhaiel Jabur Abud —, e cuja breve existência se presta, apenas, a descaracterizar a versão de patrimônio da GAUTAMA em montante superior Aquele ao qual a interessada, inicialmente, teria direito. A recorrente reporta-se às seguintes disposições do Novo Código Civil: Art. 167. É nulo o negócio juridic° simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1' Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas ás quais realmente se conferem, ou transmitem; II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados. ,sçs 2' Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do negócio jurídico siniu lado. Art. 1.071. Dependem da deliberação dos sócios, além de outras matérias indicadas na lei ou no contrato: V - a modificação do contrato social; Em seu entendimento, não haveria simulação pois, entendida esta C01110 uma declaração enganosa de vontade, emitida com o objetivo de esconder um negócio subjacente Processo IV 19515.006661/200 8 -32 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.496 Fl. 302 para causar prejuízo a terceiros, necessário seria um acerto entre duas ou mais partes envolvidas. Assim, para aumentar de forma fraudulenta o capital social da GAUTAMA, necessária seria a concordância da outra sócia (SILTE), fato que procura desconstituir em sua defesa. Antes, porem, não se deve perder de vista que há urn outro negócio jurídico formalizado em condições anormais, corno já antes dito, que é o suposto empréstimo do sócio Latif Mikhaiel Jabur Abud, formalizado apenas em uma nota promissória, destruída após ter se prestado ao suposto aumento de capital. Empréstimo este que, por alguns instantes, é endossado em favor da GAUTAMA, para, logo na seqüência, retornar ao patrimônio da LJA, e, segundo demonstrado na contabilidade da autuada, ser liquidado em contrapartida à divida decorrente de lucros distribuídos em 30/12/2006, pelo valor original de R$ 5.000.000,00 (fl. 12). Recorde-se, também, que o endosso deste titulo não foi evidenciado na contabilidade, assim como não o foi o aumento de capital em favor da GAUTAMA. Como se vê no Razão da conta contábil n" 1.3.1.01.001 — Construtora Gautama Ltda (if 135), o investimento mantido pela autuada nesta empresa apresentava, em 31/08/2003, o saldo de R$ 12.300.727,11, e na seqüência é ajustado, em razão de equivalência patrimonial, ao valor de R$ 27.261.767,19, montante equivalente a 50% do patrimônio liquido da GAUTAMA, já acrescido da parcela de R$ 5.000.000,00, sem que esta fosse registrada a débito da conta de investimento, com a baixa do correspondente direito de credito em face de Latif Mikhaiel Jabur Abud. 0 que se tern, portanto, é que, ante a decisão de que a cisão da GAUTAMA deveria favorecer a autuada corn 50% do patrimônio da cindida, buscou-se uma forma para que a divisão do capital social permitisse esta partilha, o que exigiu o aporte, pela autuada, de R$ 5.000.000,00 no patrimônio liquido da investida por ocasião da cisão, e se não bastasse o fato de este aumento de capital ter se efetivado fonnalmente por apenas algumas horas, seu lastro foi uma promessa de pagamento do sócio da LJA a esta, mediante a emissão de uma nota promissória cuja existência, ainda que formal, nada representa, pois a autonomia desta espécie de titulo de crédito permite que sua emissão decorra da mera vontade das partes, sem nenhuma operação subjacente que lhe dê conteúdo e sem a necessidade de qualquer disponibilidade financeira por parte de quem promete o pagamento. Feitas estas considerações, cumpre então avaliar os argumentos tecidos pela recorrente em relação à simulação presente no aumento de capital social da GAUTAMA. Aduz a interessada que mantinha relações litigiosas corn a SILTE, constituindo-se a cisão como forma de encerrar as ações judiciais movidas por uma contra a outra. Questiona, assim, que razão teria ela para colaborar coin a RECORRENTE na execução de um ato sillittlado e, por conseguinte, ilícito, arriscando-se, assim, a ser acusada de conluio e ter contra si a cobrança de eventuais multas? Em verdade, a pergunta a ser feita não seria qual o beneficio da SILTE em colaborar com a RECORRENTE na execução de um ato simulado, mas sim qual a razão da SILTE desistir de receber, por ocasião da cisão, 70% do patrimônio da GAUTAMA, equivalente à sua participação societária, e concordar em ver este montante reduzido a 50%, em favor da autuada? Por que permitir que esta redução se efetivasse mediante aumento de capital subscrito exclusivamente pela autuada, sem que isto representasse qualquer aporte 16 Processo n° 19515.006661/2008-32 SI-CIT1 Fl. 303 Acórddo n.° 1101-00.496 efetivo na investida, mas tão só a entrega de um suposto titulo de credito que, logo na seqüência, foi restituído à subscritora em razão da cisão? Aduz a recorrente, inclusive, que o objetivo do aumento de capital em causa foi tão-somente elevar a participa cão societaria da RECORRENTE em GAUTAMA a um nível que fosse compatível com o que os sócios consideravam lhe competir, corn evidente propósito nego cial. Talvez eventos passados tenham resultado em dividas assumidas entre os sócios, justificando a repartição do patrimônio da GAUTAMA em proporção diferente daquela que seria esperada em razão das participações dos sócios LJA e SILTE. Contudo, estas razões permanecem ocultas, restando apenas a evidência de que a autuada recebeu, em razão da cisão, patrimônio superior ao representado pela participação societária que detinha na GAUTAMA. No memorial relatado, afirma-se que desde o inicio a participação dos sócios LJA e SILTE na proporção de 30/70 teria sido definida de forma provisória, e que tal distribuição apenas não foi adequada em razão de desentendimentos ocorridos entre eles. Contudo, o fato alegado não está suportado por qualquer prova ou justificativa admissivel. Também não se verificava, nestes autos, qualquer evidência de que a cisão da Construtora Gautama Ltda tivesse sido litigiosa, como argumenta a recorrente. As referências contidas nos documentos aqui juntados apenas enunciavam divergências na condução dos negócios daquela sociedade, as quais não impediram o acordo na divisão do patrimônio, e ainda permitiram que atividades continuassem a ser praticadas pelos sócios, corn participações idênticas, mas mediante a formação de consórcios. E o que consta do Protocolo e Justificaçao de Cisão Parcial da Construtora Gautaina Ltda com Incorporação da Parcela Cindida Pela Construtora LJA Lida de 28/10/2003, junta& as tls. 106/121 e cujos excertos são, a seguir, transcritos: CONSIDERANDO QUE.. III - No decorrer dos últimos meses, a Si/te e a LIA vêm enfrentando grande divergência no que tange a melhor forma de conduzir os negócios da Gautama; IV - Si/te e LIA, visando solucionar a controvérsia mencionada no item Ill acima, desejam realizar uma operação de cisão parcial e desproporcional com incorporação da parcela cindida na LIA ("Cisão"); V - A Cisão importa na versão para a LIA, de parcela representativa de 50% (cinqüenta por cento) do patrimônio da Gautama, incluindo, entre outros: [...] VI - A Cisão não importará em qualquer solução de continuidade nas atividades da Sociedade. CLAUSULA PRIMEIRA - FINALIDADE E CONDIÇÕES GERAIS [—] 1.4 A Cisão tem C01770 finalidade solucionar a controvérsia entre as Partes no que se refere a melhor forma de conduzir os negócios da Gautama. 1.5 Silte e LIA desde fa concordam com os termos e condiçães da Cisão previstos neste Protocolo e a conseqüente transferência de 50% (cinqüenta por cento do patrimônio da Gautama para a LJA, 17 Processo n° 19515.006661/2008-32 S1-C1T1 Ac6rd5o n.° 1101-00.496 Fl. 304 L.] CLÁUSULA SEXTA — CESSÃO DE CONTRATOS E DE OUTRAS OBRIGAÇÕES E DIREITOS 6.4 Cada um dos contratos celebrados pela Gautama e listados no Anexo 6.4 deste Protocolo, após a Efetivação da cisão, sere-to transferidos para consórcios constituídos por Gautama e LJA, nos quais Gautama e LJA terão participações idênticas. Cada um desses consórcios será liderado conforme o disposto no Anexo L.] CLÁUSULA ONZE - ATESTADOS 11.2 As Partes reconhecem, ainda, que os Atestados são parte relevante cio ativo intangível da Gautanza, e, tendo em vista a sucessão legal em decorrência da Cisão o nexo de continuidade operacional entre a Sociedade e a LJA, as Partes reconhecem que a Gautama e a LJA compartilharão todos os Atestados elli sua integralidade, podendo Gautanza e LJA se utilizar dos Atestados para todos . fins de direito, inclusive em z licitações presentes ou fitaras, ou mesmo em outros processos seletivos públicos ou privados. 11.5 As Partes e a Gautama se obrigam a auxiliar tunas as outras em um eventual processo administrativo ou judicial que tenha por escopo a validade e/ou a eficácia dos Atestados, caso seja requerido por uma das Partes, pela Gautama ou pela LIA, prestando as declarações que se fizerem necessárias para o cumprimento do aqui disposto. 11.5.1 0 não cumprimento das obrigações contempladas no item 11.3 acima, acarretará, a Parte inadimplente, multa não compensatória correspondente a 1% (um por cento) do valor do contrato que for objeto de licitação — independentemente da modalidade adotada — na qual unia das Partes, a Gautama e/ou a LJA venha a ser prejudicada em função da impossibilidade de se utilizar dos Atestados, sem prejuízo de juros de mora de I% (um por cento) ao 111éS e correção monetária (negrejou-se) Logo, também sob este prisma, não é despropositada a conclusão de que a autuada teria buscado urna forma arti ficiosa de aumentar o valor de sua participação societária para evitar a apuração de ganho de capital por ocasião da extinção deste investimento em razão da cisão. Ao memorial antes referido, foram juntadas cópias simples de documentos que expressam as seguintes ocorrências: a) Instrumento Particular de Transação e Outros Pactos, firmado em 25/11/2003 entre os sócios e seus administradores, que traz em seus considerandos o relato de desentendimento entre LJA e SILTE quanto a condução dos negócios da GAUTAMA o qual acarretou a propositura de medida cautelar e ação ordinária, além de agravos de instrumento ali mencionados e de ação ordinária junto à 6a Vara Cível da Comarca de Salvador, após as quais os sócios compuseram-se amigavelmente, acordando a elevação da participação de LJA no capital da GAUTAMA, seguida da cisão parcial e desproporcional desta sociedade, coin versão de parcela de seu patrimônio para a LJA, de sorte que a LJA deixará de ser sócia da GAUTAMA, providências que se materializaram nas 22 a e 23 a Alterações Contratuais, sendo que a 22 a Alteração Contratual, representativa do mencionado aumento de capital, substituiria outro documento de mesma natureza arquivado na JUCESP em 02/07/2003. 0 referido 18 Processo n° 19515.006661/200S-32 SI-CIT1 Acórchlo n.° 1101-00.496 Fl. 305 instrumento é acompanhado de copia simples de petição apresentada nos autos do processo judicial n° 000.03.079976-7, requerendo a sua suspensão ate o registro daquelas alterações na JUCESP; b) Petição inicial de Medida Cautelar Inominada com Pedido de Liminar proposta por LJA Participações Ltda (CNPJ 01.560.379/0001-57) em 04/07/2003, em face de GAUTAMA e SILTE, em razão do arquivamento, perante a Junta Comercial do Estado de Sao Paulo, de ato societório em que a SILTE, sócia majoritária que não possui participação para atingir o quorum exigido para deliberações sociais, deliberou sozinha a exclusão da sócia LJA, atitude classificada de inexplicável, arbitrária, desleal e ilegal, alem de eivada de má-fé. A esta petição segue-se: b.1) cópia simples de aditamento que teria sido protocolado em 07/07/2003, em razão de novos fatos que chegaram ao conhecimento da autora; b.2) cópia simples da decisão liminar que teria sido proferida nesta mesma data, sustando os efeitos da alteração contratual referida; b.3) cópia simples de petição apresentada pela SILTE naqueles autos, informando ter solicitado o cancelamento da alteração contratual e requerendo a extinção do processo sem julgamento do mérito; e b.4) cópia simples da réplica apresentada pela LJA relatando o histórico da composição societária da GAUTAMA e enfatizando a distribuição de dividendos em 50% para cada sócio, para depois debater a impossibilidade de alteração do contrato social exclusivamente pela SILTE e pedir o provimento integral da medida cautelar; c) Atas de Resolução de sócios da Contrutora Gautama Ltda, lavradas em 01/06/2001, 15/05/2002, 16/04/2002, 03/07/2002 e 08/08/2002, estabelecendo a distribuição de dividendos entre os sócios na proporção de 50%, e recibos datados de 06/01/2003, 20/01/2003, 05/02/2003, 07/02/2003, 24/02/2003, 26/02/2003, 27/02/2003, 11/03/2003, 04/04/2003, 07/04/2003 e 17/04/2003, nos quais SILTE e LJA declaram receber valores idênticos a titulo de dividendos referentes ao ano base de 2001. Na petição inicial da Medida Cautelar, novamente afirma-se que, quando do ingresso da LJA na sociedade GAUTAMA, houve acordo no sentido de que a sociedade teria participação igualitária de ambos os sócios, tendo apenas prevalecido a participação na proporção de 30/70 no Contrato Social provisoriamente. Dai as resoluções dos quotistas em distribuir dividendos na proporção de 50% para cada sócio, e as disposições contratuais estabelecendo a gerência conjunta das sócias e as deliberações sociais mediante o mínimo de 75% de votos. Para justificar a concessão de liminar para suspensão dos efeitos da referida deliberação social, afirmou-se naquela petição que o periculum in mora estaria presente, na medida em que SILTE pretenderia praticar atos de esvaziamento do patrimônio da sociedade que dispõe de razoáveis recursos .financeiros em caixa e mantidos em contas correntes, requerendo-se também o bloqueio da movimentação das contas correntes em nome da Contrutora Gautama Ltda. Já na réplica que teria sido apresentada pela LJA naqueles autos, ante as alegações da SILTE, em contestação, acerca de atos questionáveis por parte da LJA na administração da sociedade e da sugestão desta de redistribuir as participações societárias na GAUTAMA nas proporções de 45/45/10 entre SILTE, LJA e "urn funcionário", a autuada relatou os seguintes fatos referentes à concepção e criação da Gautama: 19 Processo O 19515.006661/2008-32 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.496 Fl. 306 • Constituição da Gautama em 1995 por Zuleido Soares Veras e sua esposa, mas corn o objetivo de ser a empresa que congregaria profissionais que haviam trabalhado juntos, no passado; • Acordo, em 1996, entre Zuleido Soares Veras e Latif Mikhaiel Jabur Abud para admissão deste na sociedade corn 50% de participação; • Acordo, ao longo de 1996, entre estas mesmas pessoas, para admissão de novos sócios, mas mantendo-se a participação majoritária e igualitária deles, ensejando a entrada do sócio Eduardo Fialho com 20% de participação, mantendo-se os demais corn 40% cada; • Convite a outros dois sócios para participação em 15% da sociedade, reduzindo-se a participação de Eduardo Fialho a 10% e restando para cada um dos demais 30% de participação; • Formalização do acordo, em dezembro/96, para integrar Latif Mikhaiel Jabur Abud ao quadro societário, corn 30% de participação, de forma que a participação de Zuleido Soares Veras fosse posteriormente reduzida para integração dos demais sócios; • Substituição dos sócios Zuleido Soares Veras e Latif Mikhaiel Jabur Abud por SILTE e LJA, respectivamente, prosseguindo-se as negociações corn os demais sócios, mas corn evolução apenas em relação a Eduardo Fialho, que passaria a deter 10% da participação societária, sendo o restante dividido em 45% para os sócios SILTE e LJA; • Durante 1997 e 1998, tais conversas prosseguiram, mas sempre colocados em tuna posição de "espera" pelo Sr. ZULEIDO, que apresentou diversas justificativas para não concretizar o projeto, mantendo-se até a 21 a Alteração do Contrato Social a composição referida de 30% da participação em favor de LJA e 70% da participação em favor de SILTE. • Abandonada a idéia da repartição entre 3 sócios, prevaleceu a idéia de participação igualitária da SILTE e da LIA, evidenciada pela repartição igualitária dos dividendos auferidos, e pela igual importância e direitos na condução dos negócios sociais da GAUTAMA. No sitio do Tribunal de Justiça de Sao Paulo, na Internet, apenas é possível confirmar a propositura de Medida Cautelar sob n" 000.03.079976-7 e seu arquivamento em 12/09/2008, além do registro de um incidente (possivelmente agravo de instrumento) em 09/09/2008. De forma semelhante, em relação à Ação Ordinária n° 000.03.083452-0, que teria sido distribuída por dependência Aquela Medida Cautelar, há o registro de recursos em 06/10/2004, de agravo de instrumento em 23/05/2005 e seu arquivamento em 15/09/2005. Já no sitio do Tribunal de Justiça da Bahia, nenhuma informação foi localizada a respeito d mencionada ação ordinária IV 140030042844. 20 Processo n° 19515.006661/2008-32 SI-CIT1 Adm.(Ido n.° 1101-00.496 Fl. 307 Portanto, os fatos evidenciados em tais documentos estão sustentados, apenas, em cópias simples juntadas ao memorial antes mencionado. De toda sorte, mesmo que se admitissem como provas os documentos apresentados, eles se prestariam a revelar que houve um desentendimento entre os sócios da GAUTAMA, resolvido em uma composição amigável para saída da sócia LJA, A qual foi entregue 50% do patrimônio liquido da GAUTAMA, mediante elevação da participação da LIA no capital da GAUTAMA. Ou seja, em um momento anterior A cisão houve, sim, um litígio, mas a decisão de cindir a sociedade foi amigável, e não imposta judicialmente. Não houve prova de fatos no âmbito do processo judicial que demonstrasse uma maior participação da sócia LJA na GAUTAMA, mas • sim o já abordado acordo entre as partes para que 50% do acervo patrimonial da investida fosse entregue à LJA, mesmo esta detendo apenas 30% do capital social. Quanto As referidas resoluções dos sócios quotistas, que atribuíram à LJA 50% dos lucros distribuídos naquelas ocasiões, elas em nada alteram o fato de que a participação societária da LJA na GAUTAMA era de 30%. Esta participação é definida em razão do investimento feito pelo sócio quando ingressa na sociedade, e se ele estava estabelecido naquele percentual, isto se deu porque a LJA somente aportou recursos para tanto. Em verdade, o relato dos fatos contido na réplica presta-se a evidenciar que a Latif Mikhaiel Jabur Abud foi prometida urna participação societária equivalente à de Zuleido Soares de Veras, mas o percentual inicialmente fixado em 50%, foi reduzido para 45% e depois para 30%, mas mantendo-se a equivalência mediante a distribuição da participação de Zuleido Soares de Veras a outros sócios. Tais circunstâncias, portanto, apenas confirmam que Latif Mikhaiel Jabur Abud, e depois a LJA, participaram da GAUTAMA com 30% do capital social, e mesmo gerindo a sociedade com os mesmos poderes de Zuleido Soares de Veras/SILTE, isto resultou, tão só, na distribuição de dividendos equivalentes entre ambos, e por concessão deste Ultimo, a quem caberiam 70% destes lucros, nos termos do contrato social, como reconhece a própria LJA na cópia da réplica apresentada corn os memoriais: Se não existisse um real acordo quanto a participação igualitária das partes na sociedade GAUTAMA, apenas excepcional altruísmo, característica que não parece ser a marca pessoal do Sr. ZULEIDO ou da SILTE, poderia explicar semelhante estrutura de divisão de poder (Contrato Social) e de distribuição de dividendos em uma sociedade que, no papel, aponta para a distribuição das quotas em 30/70 para as sécias. Mais que isso, o Contrato social estipula, expressamente, que a distribuição dos lucros entre as sócias seria PROPORCIONAL à sua participação no capital social, comprovando a distribuição efetiva, que sempre se deu na proporção de 50/50, que essa é a real e verdadeira composição do quadro social da GAIITAMA (Cláusula Décima, parágrafo único cio Contrato Social). Obviamente a participação societária da LJA poderia ter sido elevada para 50% por interesse dos sócios, mas desde que houvesse efetivo aporte de capital, e não a mera entrega de uma nota promissória corn as características antes mencionadas. Demais disto, a distribuição de lucros poderia ter em conta, apenas, o esforço desprendido pelos sócios para a obtenção dos resultados repartidos, aspecto que não mantém relação direta com a participação Processo IV 19515.006661/2008-32 SI-C ITI Acórdão n.° 1101-00.496 Fl. 308 destes no capital social, mormente tendo em conta que ambos exerciam a gerência da sociedade. A recorrente reporta-se a entendimentos expressos pela Camara Superior de Recursos Fiscais relativamente à caracterização de simulação nas hipóteses de incorporação "As avessas", com o objetivo de manutenção do direito à utilização de prejuízos fiscais, mencionando expressamente o Acórdão n°01-01.874 cuja conclusão é pela licitude quando o sujeito passivo recorre a ato ou negócio jurídico real, verdadeiro, sem l2 vicio no suporte fálico nem na manifestação da vontade, afirmando que os objetivos visados com a prática do ato não interferem na qualificaçã o do ato praticado. Cita, também, outros entendimentos em favor da regularidade de operações ou estruturas sem propósito negocial especifico, destinadas exclusivamente a evitar a incidência de tributos. Expressam tais acórdãos que para que se possa caracterizar a simulação relativa • e indispensável que o ato praticado, que se pretende dissimular sob o manto do ato ostensivamente praticado, não pudesse ser realizado por vedação legal ou qualquer outra razão. Contudo, o que está em debate, aqui, não é o fato de o que o aumento de capital de GAUTAMA teve por único objetivo a economia fiscal, mas sim a efetiva existência deste aumento de capital. As evidências recolhidas pela autoridade lançadora denotam que esta operação foi simulada, e os argumentos deduzidos pela recorrente não se prestam a infirmá-las. Em verdade, a recon-ente apenas consegue fragilizar os argumentos da fiscalização relativamente ao registro da 22' e da 23' Alterações Contratuais: o fato de ambas terem sido levadas a registro apenas em 17/12/2003, embora altere a data de produção de seus efeitos, não se presta, por si só, a denotar a artificialidade do aumento de capital. Embora sem efeitos retroativos, a 22' Alteração continua a preceder a 23' Alteração Contratual se ambas têm eficácia na mesma data. Por tais razões, inclusive, são irrelevantes as demais justificativas apresentadas no memorial antes mencionado, acerca deste registro simultâneo. Todavia, a artificialidade subsiste, na medida em que estas alterações, com eficácia na mesma data, ensejam aumento de capital e posterior devolução, dentre outros elementos patrimoniais, do direito representativo deste aumento, em favor da mesma investidora, mormente se tal direito 6, tão só, uma nota promissória emitida pelo próprio sócio- administrador da investidora, cujo endosso para fins de aumento do capital não é registrado na contabilidade, nem provado documentalmente. A recorrente, ainda, classifica estes equívocos verificados na escrituração contábil de irrelevantes, pois não têm o condão de gerar direitos ou obrigações, quando evidente que não refletem os fatos efetivamente ocorridos. Contudo, por tudo antes exposto, não é admissivel que a prova dos fatos efetivamente ocorridos esteja na mera declaração da própria interessada de que houve um endosso de nota promissória emitida por seu sócio, para sua entrega a GAUTAMA em razão de efêmero aumento de capital desta. Neste contexto, não há como afirmar que a 22' Alteração Contratual, embora firmada por sócios supostamente em litígio e devidamente arquivada na JUCESP (ainda que tardiamente), tenha se materializado. Em conseqüência, a alegação de que, se não fosse tal -fl Processo no 19515.006661/2008-32 Si -C1T1 Acórdão n.° 1101-00.496 Fl. 309 alteração, a cisão teria que ter sido estruturada de outra forma, apenas confirma a conclusão fiscal de que a simulação ensejou a ocultação de fatos tributáveis. A recorrente ainda estrutura sua defesa cogitando de dois procedimentos alternativos h. conduta questionada, que poderiam ensejar outras realidades no âmbito tributário. Ao reportar-se aos motivos da subscrição de capital social promovida antes da cisão, acrescentou que seu objetivo também seria fazer com que o capital social da GAUTAMA ficasse dividido na mesma proporção em que os seus lucros eram distribuídos a seus sócios - 50% para cada um. E, durante o procedimento fiscal, tal esclarecimento foi prestado em termos semelhantes (fls. 21/22): 1.3. A equalização do capital de GAUTAMA, nos termos do item anterior, teve a finalidade especifica de propiciar sua cisão nas bases ajustadas por seus sócios, ou seja, de forma a que seu patrimônio liquido fosse rateado entre eles nas proporções de metade/metade. Em vista disto, o ali//lento de capital referido em integmlizado por bon que pudesse integrar a parcela patrimonial que nos foi destinada; esse hem foi uma 'iota promissória de emissão de nosso sócio principal, o Sr. La/if Mikhaiel Jabur Abud. Como, por um z lado, cabia a nós subscrever o aumento de capital de GAUTAMA e, por outro, não era pacifica, na doutrina, a possibilidade de o subscritor do aumento de capital integralizar o capital subscrito mediante a entrega de nota -promissória de sua emissão, coube a referido Sr. Latif - e não a nós - emitir nota promissória; a nota foi por nós endossada a GAUTAMA, a titulo de integralização das quotas representativas cio aumento de seu capital por nós subscrito. Todavia, nenhuma evidência havia, nos autos, de que, na prática, a distribuição de lucros era feita na mesma proporção para ambos os sócios. Nos termos do Código Civil (Lei IV 10.406/2002) para proceder à distribuição de lucros em descompasso com a participação de cada sócio, deveria existir disposição expressa neste sentido: Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou publico, que, além z de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: - a quota de cada sócio no capital social, e o modo de realizá-la; [—] VII - a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas; Art. 1.007. Salvo estipulação ciii contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção da media cio valor das quotas. Art. 1.008. É nula a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de participar dos lucros e das perch's. Art. 1.053. A sociedade limitada rege-se, nas omissões deste Capitulo, pelas norma da sociedade simples. 23 e4\1 Processo n° 19515.006661/2008-32 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.496 Fl. 310 Art. 1.054. 0 contrato mencionará, no que couber, as indicações do art. 997, e, se for o caso, a . firma Entretanto, ao promoverem a consolidação do Contrato Social, por ocasião de sua 22' Alteração, de forma a, também, adaptá-lo As novas regras do Código Civil, os sócios acordaram que (fl. 92): CAPITULO VII Exercício Social e Destinação de Lucros CLÁUSULA 18 - O exercício social da Sociedade será encerrado no dia 31 de dezembro de cada ano, quando deverão ser levantados os balanços anuais, podendo tanibém ser levantados balanços intermediários para atender possíveis conveniências da Sociedade. Parágrafo Único - 0 lucro liquido anual apurado, deduzidas as provisões permitidas pela legislação vigente, inclusive imposto de renda, poderá ser rateado entre os sécios na proporção das quotas que possuírem na Sociedade, ou contabilizado em reservas livres, se assim convencionado. Da mesma forma, os prejuízos verificados serão assumidos pelos sécios na proporção das quotas que possuírem na Sociedade, ou, se for o caso, mantidos em conta especifica para futura compensação com lucros ou reservas. No mesmo sentido, o Código Comercial, antes de ser revogado pelo atual Código Civil, assim dispunha: Art. 330 - Os ganhos e perdas são comuns a todos os sócios na razão proporcional dos seus respectivos quinhões no fundo social; salvo se outra coisa for expressamente estipulada no contrato. Por sua vez, o Decreto n° 3.708/19, ao instituir o tipo societário por quotas de responsabilidade limitada, não trouxe qualquer previsão especifica, e, embora tenha ressalvado, em seu art. 18, a aplicação da Lei das S/A nos casos omissos, as peculiaridades da distribuição de lucros neste segundo tipo societário não permitiriam a aplicação da nonnatização correspondente Aquele primeiro tipo societário. Assim, não há qualquer evidência de que os sócios tenham estipulado, contratualmente, a distribuição desproporcional dos lucros, bem como não estava esclarecido nos autos qual a causa de assim se proceder. Em verdade, evidências concretas desta distribuição somente foram trazidas no memorial juntado antes do presente julgamento, mas estavam acompanhadas do reconhecimento de que contratualmente nada foi estipulado neste sentido. De toda sorte, admitir que a distribuição desproporcional vinha acontecendo e, inclusive, poderia ser promovida para liquidar os lucros acumulados e reservas de lucros antes da cisão, em nada favoreceria a recorrente. Pretende a interessada, com sua argumentação, demonstrar que teria direito ao mesmo acervo recebido na cisão, se procedesse à prévia distribuição dos lucros e reservas na proporção de 50% para cada sócio e, na seqüência, rateasse apenas o capital remanescente Processo n° 19515.006661/2008-32 SI-CITI Acárdao n.° 1101-00.496 Fl. 311 nas proporções de 30% e 70%. Em termos numéricos, sua alternativa ao procedimento efetivamente realizado com a cisão pode ser assim demonstrada: a) Procedimento realizado: Patrimônio Liquido GAUTAMA Situação Inicial Aumento de Capital Situação pré-cisão Redução do PL em favor da LJA Capital Social LJA 3.750.000,00 5.000.000,00 8.750.000,00 8.750.000,00 SILTE 8.750.000,00 8.750.000,00 - Total 12.500.000,00 17.500.000,00 8.750.000,00 Reservas 400.000,00 400.000,00 200.000,00 Lucros Acumulados 36.623.534,37 36.623.534,37 18.311.767,19 Totais 49.523.534,37 54.523.534,37 27.261.767,19 b) Procedimento alternativo: Patrimônio Liquido GAUTAMA Situação Inicial Distribuição de Lucros Situação pré-cisão PL vertido ft LJA LJA SILTE Capital Social LJA 3.750.000,00 3.750.000,00 3.750.000,00 SILTE 8.750.000,00 8.750.000,00 - Total 12.500.000,00 12.500.000,00 3.750.000,00 Reservas 400.000,00 200.000,00 200.000,00 - Lucros Acumulados 36.623.534,37 18.311.767,19 18.311.767,19 - - Totais 49.523.534,37 18.511.767,19 18.511.767,19 12.500.000,00 3.750.000,00 Lucros distribuídos previamente 18.511.767,19 Total recebido corn a cisão 22.261.767,19 De inicio observe-se que: 1) para proceder da forma alegada, necessário seria que as Reservas acima mencionadas fossem, efetivamente, Reservas de Lucros, informação que não consta do PROTOCOLO E JUSTIFICAÇÃO DE CISÃO PARCIAL DA CONSTRUTORA GAUTAMA LTDA. COM INCORPORAÇÃO DA PARCELA CINDIDA PELA CONSTRUTORA LJA LTDA (fl. 111); e 2) os lucros acumulados e reservas de lucros deveriam ser totalmente liquidados, mediante distribuição não só em favor da autuada, como também da outra sócia (SILTE), sob pena de remanescer saldos nestas contas que seriam partilhados razão de 30% e 70%, conforme as correspondentes participações societárias. Esta, aliás, é urna justificativa mais crível para a não adoção deste procedimento, do que a mencionada necessidade de concordância de ambas as sócias, que não seria possível tendo em vista o clima de desconfiança e animosidade que pairava entre elas, mas que ainda assim não impediu a composição amigável em outro sentido. Contextualizado o procedimento alternativo aventado pela recorrente, importa esclarecer que a parcela de R$ 18.511.767,19, ainda que totalmente vinculada distribuição de valores contabilizados como lucros acumulados ou reservas de lucros, somente estaria isenta de tributação se correspondesse a lucros apurados a partir de 1996, e apenas até o limite em que possível caracterizá-la corno distribuição de lucros. Processo n° 19515.006661/2008-32 SI-C IT! Acórddo n.° 1101-00.496 Fl. 312 De fato, na ausência de disposição contratual fixando a distribuição desproporcional dos lucros, evidenciada na consolidação do Contrato Social promovida por ocasião de sua 22' Alteração (fl. 92), anterior à. cisão em debate, um suposto acordo informal entre os sócios para, no procedimento alternativo, atribuir à LJA uma parcela superior à sua participação no capital social, resultaria na percepção, por esta, não de lucros distribuídos, mas sim de valores doados pela SILTE. Veja-se, inclusive, que se a recorrente tivesse procedido como alega que poderia fazer, recebendo o montante de R$ 18.511.767,19 em razão da distribuição de 50% dos lucros acumulados e reservas supostamente de lucros, este valor excederia àquele a que teria direito em razão de sua participação social (30% de R$ 400.000,00 e R$ 36.623.534,37, equivalente a R$ 11.107.060,31), exatamente em R$ 7.404.706,87, valor do ganho de capital que se prestou como base de cálculo da presente exigência. Ou seja, o procedimento alternativo aventado pela LJA em seu recurso não se presta a evidenciar sua boa fé, pois a distribuição desproporcional de lucros, entre sócios pessoa jurídica, sem estipulação contratual prévia, ensejaria receita tributável por aquele que recebe parcela superior A que lhe caberia em razão de sua participação no capital social. Tal excedente não estaria amparado pela isenção conferida a estes rendimentos — quando decorrentes de lucros apurados a partir de 1996 — e se constituiria em receita a ser computada no lucro real da autuada, à semelhança do ganho de capital que também por ela não foi oferecido à tributação. Hiromi Higuchi et alli (in Imposto de Renda das Empresas — Interpretação e Prática — Atualizado até 10-01-2011, Sao Paulo: IR Publicações Ltda, 2011, p. 533) confirma esta interpretação em sua abordagem a respeito do terna: No caso de sociedade simples ou limitada, a lei autoriza cláusula contratual de distribuição de lucro não proporcional ao capital para qualquer atividade. Se todos os sócios .forem pessoas .fisicas, a distribuição desproporcional ao capital, mesmo sem cláusula contratual, não há infração tributária .federal, O sócio que recebeu menos ,fez doação para o sócio que recebeu mais. A única incidência é de imposto estadual de doação. Sc os sócios .forem pessoas jurídicas, a distribuição desproporcional sem cláusula contratual acarreta problema tributário porque a doação é indechttivel para a empresa doadora e tributável para a donatária. A Solução de Consulta 11" 46 da 6' RE (DOU de 14-06-10) decidiu que estão abrangidos pela isenção do imposto de renda na fonte os lucros distribuídos aos sócios de forma desproporcional a sua participação no capital social, desde que tal distribuição esteja devidamente estipulada pelas partes no contrato social, em conformidade com a legislação societária. Assim, fazendo uso de alegação da recorrente, a elevação do percentual de participação da RECORRENTE nos lucros de GAUTAMA, não representou, apenas, um ganho potencial para ela, mas sim permitiu que este ganho fosse ocultado na equivalência patrimonial que elevou, sem qualquer incidência tributária, o valor contábil do investimento a 50% do patrimônio liquido da investida antes da cisão realizada no momento imediatamente posterior ao suposto aumento de capital. Impediu-se, desta forma, a alegada realização dos lucros e reservas mediante seu recebimento em parcela superior à participação da autuada na investida, a qual faria corn que aquele ganho deixasse de ser meramente potencial. Processo IV 19515.006661/2008-32 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.496 Fl. 313 A recorrente também menciona a possibilidade de formação de deságio no momento da subscrição da parcela de R$ 5.000.000,00 dô capital social da GAUTAMA, e aborda os efeitos tributários da realização desta parcela. De inicio, é preciso recordar que o aumento de capital referido não foi contabilizado pela autuada, corno descreveu a autoridade lançadora, razão pela qual também não existia o mencionado deságio em sua escrituração. De toda sorte, analisando-se de forma hipotética também este argumento, nota-se que é necessário, primeiramente descrever os movimentos escriturados no Razão da contribuinte, especificamente na conta contábil n" 1.3.1.01.001 — Construtora Gautama Ltda (II. 135), representativa do investimento mantido pela autuada nesta empresa: Data Contra partida Histórico Valor Saldo (D) 8.175.192,60 02/01 4.1.1.04.001 VLR REF COMPL EQUIVALENCIA 2002 NÃO CONTAB. 5.450.138,40 13.625.331,00 02/01 VLR TRANSFERIDO PARA CONTA 476 C/C CONSTRUTORA GAUTAMA LTDA 106.673,97 13.732.004,97 06/01 1.1.1.01.001 VLR DIVID DISTRIB N/ DATA (20.000,00) 13.712.004,97 20/01 1.1.1.01.001 VLR DIVID DISTRIB N/ DATA (20.000,00) 13.692.004,97 05/02 1.1.1.01.001 VLR DIVID DISTRIB N/ DATA (75.000,00) 13.617.004,97 07/02 1.1.1.01.001 VLR DIVID DISTRIB N/ DATA (250.000,00) 13.367.004,97 24/02 1.1.1.01.001' VLR DIVID DISTRIB N/ DATA (25.000,00) 13.342.004,97 26/02 1.1.1.01.001 VLR DIVID DISTRIB N/ DATA (250.000,00) 13.092.004,97 27/02 1.1.1.01.001 VLR DIVID DISTRIB N/ DATA (245.000,00) 12.847.004,97 11/03 1.1.1.01.001 VLR DIVID DISTRIB N/ DATA (170.000,00) 12.677.004,97 04/04 1.1.1.01.001 VLR DIVID DISTRIB N/ DATA (150.000,00) 12.527.004,97 07/04 1.1.1.01.001 VLR DIVID DISTRIB N/ DATA (10.000,00) 12.517.004,97 17/04 1.1.1.01.001 VLR DIVID DISTRIB N/ DATA (25.000,00) 12.492.004,97 27/08 1.1.1.01.002 VLR DIVID DISTRIB N/ DATA (250.000,00) 12.242.004,97 31/08 VLR TRANSFERIDO PARA CONTA 476 C/C CONSTRUTORA GAUTAMA LTDA 58.722,14 12.300.727,11 30/09 4.1.1.04.001 VLR REF EQUIVALENCIA N/ DATA 14.961.040,08 27.261.767,19 28/10 2.4.8.01.001 PARCELA VERTIDA P/ CISÃO DA CONST. GAUTAMA LTDA. (8.750.000,00) 18.511.767,19 28/10 2.4.8.01.001 PARCELA VERTIDA P/ CISÃO DA CONST. GAUTAMA LTDA. (200.000,00) 18.311.767,19 28/10 2.4.8.01.001 PARCELA VERTIDA P/ CISÃO DA CONST. GAUTAMA LTDA. (18.311.767,19) - Como já dito, antes da cisão, a contribuinte limitou-se a registiar, como resultado da equivalência patrimonial, a atualização do valor do investimento ao valor do patrimônio liquido da investida, mas considerando sua participação corno sendo de 50%, e já tendo ocorrido o aumento de capital de R$ 5.000.000,00. Assim não fosse, e o resultado da equivalência patrimonial deveria elevar o valor do investimento para, apenas, R$ 14.857.060,31 (30% de R$ 49.523.534,37, este o total do patrimônio liquido da investida ant da cisão, como antes demonstrado). 27 Processo n° 19515.006661/2008-32 SI-CI Ti Acórdão n.° 1101-00.496 Fl. 314 Imprópria, porém, a alegação da recorrente quanto à formação de deságio, caso o aumento de capital fosse contabilizado. Caso se admitisse que tal aumento efetivamente existiu, o valor do investimento restaria, de fato, elevado a R$ 27.261.767,19, mas não a titulo puramente de equivalência patrimonial, e sim em razão do próprio aumento de capital, e do ganho decorrente da variação na percentagem de participação na coligada. De fato, veja-se o que os integrantes da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras da FEA-USP (FIPECAFI) — Sérgio de ludicibus, Eliseu Martins, Ernesto Rubens Gelbcke e Ariovaldo dos Santos — esclarecem a respeito deste tema no Manual de Contabilidade Societária (Sao Paulo: Editora Atlas, 2010), p. 177/178: 10.4.4 Variação na participação relativa No caso de aumentos c/c capital por subscrição, pode ocorrer de o valor do aumento na conta de investimento, que será o valor da subscrição integralizada, não corresponder ao valor proporcional do aumento no patrimônio liquido da investida, nos casos em que, por exemplo; a) a empresa investidora tiver subscrito, no aumento de capital, 11171 percentual maior que aquele mantido anteriormente, ou seja, implicando na diluição na participação do.s demais sócios, pelo lato de eles não terem exercido seu direito de preferência; Ent qualquer dos casos acima, ocorrerá alteração no percentual de participação da investidora no capital da coligada (ou controlada). Portanto, pela equivalência patrimonial, o valor do investimento deve ser ajustado considerando sua nova participação relativa. Dessa forma, o aumento ou diminuição da participação irá provocar um aumento ou diminuição do valor do investimento pela equivalência patrimonial. Essa diferença, em verdade, não é oriunda de lucros ou prejuízos auferidos pela investida, mas representa para o investidor um ganho ou perda pelo ciumento ou diminuição de slut participação nas dentais contas do patrimônio liquido da investida (outras que não o capital realizado). No caso de lima coligada, essa diferença, portanto, não deve ser creditada na investidora como resultado do período, mas como um resultado abrangente reconhecido diretamente no patrimônio liquido da investidora. [...] Esse tratamento é diferente do previsto no art. 428 do RIR/99, que determina que tal valor seja contabilizado no resultado do período do investidor, especificando que esse resultado não é tributável se ganho, nem declutivel, se perda. Assim, para .fins fiscais o tratamento é outro. A obra referida traz, na seqüência, exemplo teórico semelhante à situação alegada pela recorrente, no qual o aumento de capital é subscrito por apenas urn dos acionistas, elevando sua participação no capital social de 30% para 47,5%. Ali, considerando que o patrimônio liquido da investida aumentou de $5.500,00 para $ 6.500,00, a participação daquela investidora, que subscreveu sozinha o aumento de capital de $1.000,00, passou contabilmente de $1.650,00 para $3.087,50, sendo o diferencial de $1.437,50 contabilizado em Investimentos, mas $1.000,00 em contra partida à saída dos bens entregues na subscrição, e $ 437,50 a crédito de seu Patrimônio Liquido, na conta de Outros Resultados Abrangentes — Ganho por Variação de Participação no Capital de Coligadas. Assim, no presente caso, frente a um investimento que, ajustado pela equivalência patrimonial, representaria R$ 14.857.060,31 (30% de R$ 49.523.534,37), o 28 Processo n° 19515.006661/200S-32 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.496 Fl. 315 aumento do capital social no valor de R$ 5.000.000,00, subscrito exclusivamente pela autuada, faria corn que sua participação societária na investida passasse a, de fato, representar R$ 27.261.767,19 (50% de R$ 49.523.534,37, acrescido de R$ 5.000.000,00), ensejando acréscimo de R$ 12.404.706,87 ao investimento antes avaliado em RS 14.857.060,31, mas em contrapartida á. entrega de R$ 5.000.000,00 à investida e ao registro, no Patrimônio Liquido, na conta de Outros Resultados Abrangentes — Ganho por Variação de Participação no Capital de Coligadas da diferença de R$ 7.404.706,87, montante aqui tributado a titulo de ganho de capital. Veja-se que tal montante também coincide com aquele determinado, na argumentação anterior, a titulo de doação de lucros da SILTE para a autuada. E tal coincidência justifica-se: como dito no excerto doutrinário antes transcrito, a subscrição do aumento de capital por apenas urn dos sócios acaba por favorecê-lo com ganho pelo aumento de sua participação nas demais contas do patrimônio liquido da investida (outras que não o capital realizado). Ou seja, confirma-se, também por esta ótica, que o suposto aumento do capital social subscrito pela autuada teve por objetivo, apenas, transferir-lhe a parcela de R$ 7.404.706,87 dos lucros da investida, os quais, segundo a distribuição das participações societárias até então existentes, caberiam à SILTE. Contudo, em razão do até aqui exposto, somente se pode concluir que o aumento de capital foi simulado, porque destituído de qualquer substrato material, e se prestou, apenas, a gerar um resultado que havia sido acordado entre os sócios da GAUTAMA, mas afastando a conseqüência tributária em desfavor da autuada. A autuada efetivamente investiu, na GAUTAMA, apenas 30% de seu capital social, e ao se retirar da sociedade, com a cisão promovida, deveria ter recebido parcela equivalente de seu patrimônio liquido, sendo qualquer conferência de patrimônio acima deste valor qualificada como ganho de capital, passível de tributação. E, considerando que para esquivar-se desta tributação, a interessada simulou o aumento de capital aqui extensamente abordado, correta se mostra a qualificação da penalidade ao percentual de 150%. Esclareça-se, ainda, que o fato de a fraude aqui estar presumida, em razão das evidências reunidas pela fiscalização, não significa dizer que ela não está provada. Os trabalhos fiscais resultaram na formação de urn consistente conjunto de indícios que autorizaram a presunção da intenção dolosa da contribuinte de simular um aumento de capital para esquivar- se da apuração de urn ganho de capital tributável. Veja-se que a imperatividade do uso da presunção, na esfera tributária, defendida coin sólidos argumentos por Maria Rita Ferragut (in Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação, Revista Dialética de Direito Tributário IV 67, Dialética, São Paulo, 2001, p. 119/120): Por outro lado, insistimos que a preservação dos interesses públicos em causa não SÓ requer, mas imp-5e, a utilização da presunção no caso de dissimula côo, já que a arrecadação pública não pode ser prejudicada corn a alegação de que a segurança jurídica, a legalidade, a tipicidade, dentre outros princípios, estariam sendo desrespeitados. Dentre as possíveis acepções do termo, definimos presunção como sendo norma jurídica lato sensu, de natureza probatória (prova indiciária), que a partir da 29 v41\4 Processo n 0 19515.006661/2008-32 Si -C1T1 Acórdão n.° 1101-00.496 Fl. 316 comprovação do fato diretamente provado (fato indiciário), implica juridicamente o fato indiretamente provado (fato indiciado), descritor de evento de ocorrência fenonlênica provável, e passível de refutação probatória. É a comprovação indireta que distingue a presunção dos demais meios de prova (exceção feita ao arbitramento, que tambémé meio de prova indireta), e não o conhecimento ou não do evento. Com isso, não se trata de considerar que a prova direta veicula um fato conhecido, ao passo que a presunção um fato meramente presumido. Só a manifestação do evento é atingida pelo direito e, portanto, o real não tem como ser alcançado de .fbrma objetiva: independentemente da prova ser direta ou indireta, o fato que se quer provar será ao máximo jurídica certo e .fenomenicamente provável. É a realidade impondo limites ao conhecimento. Com base nessas premissas, entendemos que as presunções nada "prestunem" juridicamente, mas prescrevem o reconhecimento jurídico de 11171 fato provado de forma indireta. Faticamente, tanto elas quanto as provas diretas (perícias, documentos, depointentos pessoais etc.) apenas "presulnen1". E, mais ã frente, abordando diretamente a questão da prova da fraude, a mesma autora acrescenta: As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e má-fe em geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertem-se em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa. Corno se vê, a exigência imposta ã verificação da intenção dolosa, para atribuir-lhe urna conseqüência é a prova, e esta pode se dar por meio de presunção. Os elementos reunidos nos autos apontam, sim, para a falsidade no ato de aumento de capital prévio a cisão, e considerando que esta conduta da contribuinte tenha concorrido para o não- pagamento do tributo, correta é a aplicação da multa qualificada, não se caracterizado, aqui, a hipótese que ensejou a edição da Sumula IV 14 do 1 ° Conselho de Contribuintes. Por fim, esclareça-se que ao determinar o ganho tributável, a autoridade lançadora excluiu todos os efeitos da nota promissória tida como fictícia, corno bem demonstrado na decisão recorrida: Patrimônio Liquido da GAUTAMA antes do aumento fictício do capital social R$ 49.523.534,37 Parcela que caberia a LIA na cisão da GAUTAMA (30%) R$ 14.857.060,31 Acervo recebido pela LIA, descontada a nota supostamente emitida pelo Sr. LW promissória R$ 22.261.76Z 19 Ganho de capital auferido pela LIA R$ 7.404.706,87 Desnecessário, portanto, qualquer ajuste na base de cálculo da presente exigência, como subliminannente mencionado no memorial apresentado antes deste julgamento. Processo n° 19515.006661/2008-32 SI -CITI Acórdao 0. 0 1101-00.496 Fl. 317 A utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora não ensejaria maiores discussões por ser objeto de Súmula do CARF: Stimtda CARFn" 4: A partir de I" de abril de 1995, os juros nzoratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, c't taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Em verdade, esta matéria já se encontrava antes sumulada no âmbito dos Conselhos de Contribuintes (Súmulas 4 do 1" e 3° Conselhos de Contribuinte, e n° 3 do 2° Conselho de Contribuintes), a ensejar a aplicação do que disposto no Anexo II do Regimento Interno do CARF: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARP serão consubstanciadas em súmula de obserwincia obrigatória pelos membros do CARP. § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Todavia a questão tornou-se tormentosa em razão das recentes alterações regimentais, que não só determinaram o sobrestamento do julgamento administrativo das matérias em debate no Supremo Tribunal Federal, sob o rito da repercussão geral, como também a impuseram a observância do que assim decidido por este e pelo Superior Tribunal de Justiça, no rito dos recursos repetitivos. o que consta do Anexo II do Regimento Interno do CARF, a partir da alteração promovida por meio da Portaria MF n° 586/2010: Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em z matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543- B e 543-C da Lei n°5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverdo ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § I" Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543-B. § 2" 0 sobrestanzento (le que trata o § 1" será feito de oficio pelo relator ou por provocação das partes." Ocorre que, relativamente à utilização da taxa SELIC para fins tributárias, o Superior Tribunal de Justiça, embora no âmbito de um dos Estados Membros da Federação, abordou a controvérsia sob o rito dos recursos repetitivos, admitindo sua aplicação nos seguintes termos, extraídos da ementa do acórdão publicado em 25/11/2009, proferido nos autos do REsp 879844 / MG: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. EXECUÇÃO FISCAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO EM LEI ESTADUAL. ART. 535, II, DO CPC. INOCORRENCIA. 2. A Taxa SELIC é legítima como índice c/c correção monetária e c/c juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, diante da existência de Lei Estadual que determina a adoção dos mesmos critérios adotados na correção dos 31 Processo n° 19515.006661/2008-32 SI-C1T1 Aeárdilio n.° 1101-00.496 Fl. 318 débitos fiscais ,federais. (Precedentes: AgRg no Ag 1103085/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/08/2009, Die 03/09/2009; REsp 803.059/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/06/2009, Die 24/06/2009; REsp 1098029/SP, Rei, Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/06/2009, Die 29/06/2009; AgRg no Ag 1107556/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/06/2009, Die 01/07/2009; AgRg no Ag 961.746/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2009, Die 21/08/2009) 3. Raciocínio diverso importaria tratamento anti-isonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerar-se-iam desse critério, gerando desequilíbrio 11C1S receitas.fazendárias. 4. 0 Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 582461, cujo thema iudicandunt restou assim identificado: "ICMS. Inclusão do montante do imposto eat sua própria base de calculo. Principio da vedação do bis in idem. / Taxa SELIC. Aplicação para .fins tributários. Inconstitucionalidade. / Multa moratória estabelecida em 20% do valor do tributo. Natureza confiscatória." 5. Nada obstante, é certo que o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com .fidcro no artigo 543-B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 6. Com efeito, os artigos 543-A e 543-B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, intoposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por outros tribunais, que verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702/RN, Rei. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, Die 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878/5'P, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado eat 18.06.2009, Die 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, Die 26.02.2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, Die 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637/MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, Die 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580/RN, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turmajulgado em 05.06.2008, Die 29.09.2008). 7. Destarte, o sobres/cimento do .feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do Memo iudicamlum, configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 8. 0 art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os .fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso Especial provido. Acórdão submetido ao regime do art.543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. De outro lado, como acima mencionado, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral no âmbito do Recurso Extraordinário n° 582.461/SP, da aplicação da taxa SELIC para fins tributários, mas associada a outros temas pertinent s à 6c, 32 Processo IV 19515.006661/2008-32 sl-C1T1 Fl. 319 Ac6rd6o 6 • 0 1101-00.496 legislação fiscal de outro Estado Membro da Federação. Transcreve-se, abaixo, a ementa do acórdão de 23/10/2009: TRIBUTO. IMPOSTO SOBRE CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS E SERVIÇOS — 1CMS. Inclusão do montante do imposto em sua própria base de cálculo. Principio da vedação ao bis in idem. TAXA SELIC. Aplicação para fins tributários. MULTA. Fixação em 20% do valor do tributo. Alegação de caráter confiscat6rio. Repercussão geral reconhecida. Possui repercussão geral a questão relativa inclusão do ICMS em sua própria base de cálculo, ao emprego da taxa SELIC para fins tributários e a avaliação da natureza cottfiscatória de multa moratoria. 0 referido recurso já foi julgado, mais ainda sem transito em julgado, motivo pelo qual é relevante observar que, restando vencido o Ministro Relator Cezar Peluso, ao votar pelo não reconhecimento da repercussão geral, no que foi acompanhado apenas pelo Ministro Joaquim Barbosa, os votos declarados em favor deste reconhecimento, pelos Ministros Marco Aurélio e Ellen Grácie, apenas mencionaram o cabimento da repercussão geral relativamente as outras duas matérias tratadas no recurso extraordinário — inclusão do ICMS em sua própria base de cálculo e validade da multa moratória de 20% - nada mencionando acerca dos questionamentos dirigidos à aplicação da taxa SELIC, aspecto somente citado no relatório e na ementa acima transcrita. Admitindo-se, porém, a validade desta decisão, poder-se-ia cogitar de três soluções possíveis para o litígio em torno da utilização da taxa SELIC, nestes autos, para cálculo dos juros de mora: manutenção da exigência em razão da aplicação da súmula CARF n° 4, manutenção da exigência em razão da aplicação da decisão do Superior Tribunal de Justiça, sobrestamento do julgamento em razão da decisão do Supremo Tribunal Federal. A escolha, dentre elas, se faz pelo critério da especialidade: considerando que as decisões dos Tribunais Superiores têm em conta hipóteses faticas nas quais a aplicação da taxa SELIC é determinada por lei estadual, deve prevalecer aqui a aplicação da Súmula CARE n° 4, que especificamente trata da aplicação de legislação no âmbito federal. De toda sorte, acrescente-se que a decisão proferida pelo STF, em 18/05/2011, nos autos do Recurso Extraordinário n° 582.461, foi assim publicada o sitio deste Tribunal Superior na Internet: Decisão: 0 Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, conheceu do recurso extraordinório, contra o voto da Senhora Ministra Cármen Lucia, que dele conhecia apenas em parte. No mérito, o Tribunal, por maioria, negou provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Votou o Presidente, Ministro ('czar Peluso. Em seguida, o Presidente apresentou proposta de redação de súmula vinculante, a ser encaminhada à Comissão de Jurisprudência, com o seguinte teor: "E constitucional a inclusão do valor do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Sen ,iços — ICMS na sua própria base de cálculo." Falaram, pelo recorrido, o Dr. Aylton Marcelo Barbosa da Silva, Procurador do Estado e, pelo amicus curiae, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa e, em viagem oficial à Federação da Rússia, o Senhor Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.05.2011. Logo, permanece inexistindo qualquer óbice à utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora no âmbito federal. 33 ELI PEREIRA BESSA — Relatora Processo 11 0 19515.006661/2008-32 SI-CI Ti Acárcl5o n.° 1101-00.496 Fl. 320 Por tais razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. 34
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Numero do processo: 10930.004730/2008-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2004
INTERPOSIÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO DE AÇÃO JUDICIAL COM OBJETO IDÊNTICO AO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia ao
contencioso administrativo, a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com objeto idêntico ao sustentado em recurso administrativo
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2401-001.789
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer recurso.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia ao contencioso administrativo, a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com objeto idêntico ao sustentado em recurso administrativo Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 349DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Fl. 350DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10930.004730/200806 Acórdão n.º 240101.789 S2C4T1 Fl. 345 3 Relatório Tratase de Pedido de restituição formulado pelo contribuinte acima identificado, relativo a contribuições recolhidas indevidamente no período compreendido entre janeiro de 2001 a março de 2004. De acordo com às fls. 01/02 dos autos, o presente pedido foi formulado em setembro de 2008. Inconformado com a Decisão de fls. 325 e 328 que deferiu parcialmente o pleito do contribuinte, fora apresentado recurso à este conselho com os seguintes argumentos: No que se refere ao prazo para restituição do indébito tributário, há tempo os tribunais pátrios fixaram o entendimento de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação (como no caso concreto), os particulares dispõem de 10 anos (5 anos até a homologação do pagamento, acrescidos de mais 5 após esta data) para pleitear a recuperação. Este entendimento decorre da interpretação conjunta dos arts. 150, § 4º, e 173, incisoI,do CTN. Cita julgados do STJ para dizer que não há como se sustentar a prescrição qüinqüenal do direito da recorrente Requer seja reconhecida a prescrição decenal para a restituição do indébito tributário, bem como o conseqüente deferimento do pedido inicialmente formulado pela Recorrente.; É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Segundo se constata dos autos, a empresa propôs ação judicial visando justamente discutir o citado direito a restituição de valores recolhidos indevidamente no período compreendido entre janeiro de 2001 a março de 2004, aduzindo em sede judicial os mesmos argumentos constantes do recurso administrativo ora sob nossa análise. Para demonstrar a identidade dos pedidos constantes nos presentes autos com o processo judicial de nº 2008.70.51.0094455, em trâmite na Justiça Federal, Seção Judiciária do Paraná, transcrevemos abaixo parte da Sentença proferida nos referidos autos, que demonstra a semelhança daquele pedido com o presente processo administrativo: Fl. 351DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 AUTOS: 2008.70.51.0094455 AUTOR: JOÃO BARACO RÉU: UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) SENTENÇA A parte autora ajuizou a presente ação pleiteando a restituição das contribuições previdenciárias descontadas dos subsídios percebidos enquanto vereador no município de Ibiporã/PR, durante o período compreendido entre 01/01/2001 e 31/03/2004. Alega, em síntese, que os descontos foram indevidos porque, na condição de vereador, estava isento de qualquer contribuição para a Previdência Social. A União apresentou defesa postulando a extinção do feito, sem resolução de mérito, por falta de interesse de agir, bem como a declaração da prescrição qüinqüenal. No mérito, não contestou. (...) (...) DISPOSITIVO Diante do exposto, acolho parcialmente a preliminar de falta de interesse de agir quanto à devolução das contribuições vertidas entre 09/2003 e 03/2004, EXTINGUINDO O FEITO, SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO, nos termos do art. 267, VI, do CPC. No mérito dos demais pedidos, afasto a prescrição e JULGOOS PARCIALMENTE PROCEDENTES, determinando à UNIÃO que proceda à restituição das contribuições previdenciárias descontadas dos subsídios do autor na condição de ocupante de cargo eletivo (vereador), e que foram recolhidas pela respectiva Casa Legislativa Municipal, relativamente à parcela devida pelo "segurado", no período entre 01/01/2001 (início das contribuições) e 31/08/2003 (período anterior à restituição deferida no pedido administrativo). Para fins de restituição, HOMOLOGO os cálculos confeccionados pela assessoria deste juízo, sendo devido à parte autora o montante de R$ 10.788,41, na database 11/2009. Para atualização deverão ser aplicados os índices declinados no capítulo da Liquidação de Sentença, não podendo ultrapassar ao montante de sessenta salários mínimos vigentes na data do ajuizamento da ação. O cumprimento da presente estará sujeito ao seu trânsito em julgado. Os valores atrasados serão oportunamente executados, na forma de requisição ou precatório requisitório, conforme o caso, consoante determinado pelo Conselho de Justiça Federal. Expeçase ofício para o Delegado da Receita Federal do Brasil dando Fl. 352DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10930.004730/200806 Acórdão n.º 240101.789 S2C4T1 Fl. 346 5 lhe ciência da presente decisão. Oficiese, ainda, para a Gerência Regional do INSS para que proceda à exclusão das contribuições previdenciárias do período de 01/01/2001 a 31/08/2003 dos sistemas da Previdência Social, uma vez que as contribuições restituídas no presente processo não poderão ser consideradas na concessão de eventual benefício previdenciário. Sem custas e honorários, pois inaplicáveis à espécie, conforme disposto no art. 55 da Lei n.º 9.099/95. Caso haja recurso de qualquer das partes dentro do prazo de 10 (dez) dias, intimemse os recorridos para, querendo, oferecerem resposta escrita no mesmo prazo, nos termos do § 2.º, do art. 42 da Lei n.º 9.099/95, c/c o art. 1.º da Lei n.º 10.259/01. Após, apresentadas ou não as defesas escritas, remetamse os autos à Turma Recursal da Seção Judiciária do Estado do Paraná. Oportunamente, arquivemse os autos. Registrese. Publiquese. Intimemse. (assinado eletronicamente) Márcio Augusto Nascimento Juiz Federal 2º Juizado Especial Federal Cível de Londrina Deste modo, diante da identidade dos pedidos formulados perante o Poder Judiciário, é de se considerar a renúncia do contribuinte ao contencioso administrativo, não cabendo a este Colegiado pronunciarse sobre os fatos discutidos em juízo, nos termos do art. 126 da lei nº 8.213/91 e art. 307 do Dec. 3.048/99. Também nesse sentido é a Súmula n.º 01 do então Segundo Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, que assim dipõe: SÚMULA Nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Diante ao exposto: VOTO no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 353DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Fl. 354DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 19515.002638/2009-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PESSOA JURIDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO DE PREJUIZO FISCAL.
A atividade da Administração Tributária está intimamente vinculada à busca da verdade material, motivo pela qual a autoridade fiscal não deve poupar esforços para verificar exaustivamente os fatos e conseqüentemente apurar a
verdade. O auto de infração lavrado com base nas informações do SAPLI não pode ser julgado procedente caso o contribuinte apresente esclarecimentos e provas que justifiquem a divergência. No caso, a simples realização de ajuste contábil no ano-calendário 2004, recomendado pela empresa de auditoria
Pricewaterhouse, não pode justificar o lançamento, uma vez que não comprovada a supressão de imposto.
CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. REQUERIMENTO DE
DILIGÊNCIA.
A solicitação de diligência, não se evidenciou necessária na medida em que a contribuinte poderia ter apresentado os dados e documentos durante os trabalhos da auditoria fiscal, com a impugnação ou recurso voluntário, razão porque deve ser indeferida, sem que reste configurado qualquer tipo de
cerceamento de defesa.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 1301-000.521
Decisão: Acordam os membros do colegiado, da 3° Câmara/la Turma da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral a advogada Sandra Mara Lopomo OAB/SP no 159.29.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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ementa_s : PESSOA JURIDICA IRPJ Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO DE PREJUIZO FISCAL. A atividade da Administração Tributária está intimamente vinculada à busca da verdade material, motivo pela qual a autoridade fiscal não deve poupar esforços para verificar exaustivamente os fatos e conseqüentemente apurar a verdade. O auto de infração lavrado com base nas informações do SAPLI não pode ser julgado procedente caso o contribuinte apresente esclarecimentos e provas que justifiquem a divergência. No caso, a simples realização de ajuste contábil no ano-calendário 2004, recomendado pela empresa de auditoria Pricewaterhouse, não pode justificar o lançamento, uma vez que não comprovada a supressão de imposto. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA. A solicitação de diligência, não se evidenciou necessária na medida em que a contribuinte poderia ter apresentado os dados e documentos durante os trabalhos da auditoria fiscal, com a impugnação ou recurso voluntário, razão porque deve ser indeferida, sem que reste configurado qualquer tipo de cerceamento de defesa. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, da 3° Câmara/la Turma da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral a advogada Sandra Mara Lopomo OAB/SP no 159.29.
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Recorrente SANTHER FABRICA DE PAPEL SANTA THEREZINHA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURIDICA IRPJ Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO DE PREJUIZO FISCAL. A atividade da Administração Tributária está intimamente vinculada à busca da verdade material, motivo pela qual a autoridade fiscal não deve poupar esforços para verificar exaustivamente os fatos e conseqüentemente apurar a verdade. O auto de infração lavrado com base nas informações do SAPLI não pode ser julgado procedente caso o contribuinte apresente esclarecimentos e provas que justifiquem a divergência. No caso, a simples realização de ajuste contábil no anocalendário 2004, recomendado pela empresa de auditoria Pricewaterhouse, não pode justificar o lançamento, uma vez que não comprovada a supressão de imposto. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA. A solicitação de diligência, não se evidenciou necessária na medida em que a contribuinte poderia ter apresentado os dados e documentos durante os trabalhos da auditoria fiscal, com a impugnação ou recurso voluntário, razão porque deve ser indeferida, sem que reste configurado qualquer tipo de cerceamento de defesa. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto de Souza Junior Presidente. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 1191DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 19515.002638/200950 Acórdão n.º 1301521 S1C3T1 Fl. 2 2 (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: , Waldir Veiga Rocha, André Ricardo Lemes da Silva, Paulo Jackson da Silva Lucas, Guilherme Pollastri Gomes da Silva Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 1192DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 19515.002638/200950 Acórdão n.º 1301521 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Analisando a DIPJ do AC/2004 verificou a fiscalização que o contribuinte realizou a compensação integral de seu Lucro Liquido no valor de R$29.452.091,92 com o saldo dos prejuízos fiscais de anos anteriores sem apurar IRPJ a pagar. Verificou também que a compensação não observou o limite de 30% estabelecido pela legislação de regência e pelo RIR/99. Intimada a esclarecer estes fatos a contribuinte informou que possuía autorização judicial para compensação integral de seus prejuízos fiscais sem o limite de 30% previsto no RIR e no art. 42 da Lei nº 8981/95. Com base nas informações constantes dos controles da SRF a fiscalização verificou que o valor compensado pelo contribuinte em 31.12.2004 referente ao Lucro Real do AC/2004 suplantava o valor do saldo dos prejuízos acumulados. Intimada a contribuinte a apresentar o LALUR a fiscalização confrontou os saldos dos prejuízos Fiscais acumulados em 31.12.2004, com os registros consignados no SAPLI tendo verificado a divergência de R$ 25.673.332,87, conforme demonstrado: SAPLI Prejuízo Fiscal acumulado em 31.12.2003 (ajustado), R$ 9.683.066,89. saldo do livro de apuração do Lucro Real prejuízos fiscais acumulados, R$ 35.356.399,76. divergência verificada R$ 25.673.332,87. A fiscalização estornou o ajuste realizado no SAPLI em 31.12.2001 de R$ 2.194.501,64 referente ao processo administrativo n° 19.515003580/200538, pelo valor original do ajuste promovido pela fiscalização em 12.01.2006 de R$ 5.429.656,08 (fls.311 à 319). R$ 12.918.220,33 + R$ 2.194.501,64 – R$ 5.429.656,08 = R$ 9.683.066,89 Confrontou ainda a fiscalização os saldos acumulados das bases de cálculos negativas da CSLL em 31.12.2004, com os registros consignados no SAPLI tendo verificado a divergência de R$ 37.954.981,19, conformo demonstrativo. Intimada a contribuinte a apresentar o LALUR a fiscalização confrontou os saldos dos prejuízos fiscais acumulados em 31.12.2004, com os registros consignados no LALUR e verificou divergência de R$ 25.673.332,87, conforme demonstrado: . SAPLI prejuízo fiscal acumulado ate 31.12.2003 (ajustado) R$ 30.660.612,63. saldo apresentado no livro de apuração do Lucro Real, saldos acumulados da BCNeg da CSLL, R$ 68.515.593,32. divergência verificada R$ 37.954.981,19. A fiscalização então estornou o ajuste realizado no SAPLI em 31.12.2001 de R$ 2.194.501,64 referente ao processo administrativo n° 19.515003580/200538, pelo valor original do ajuste promovido pela fiscalização em 12.01.2006 de R$ 5.429.656,08. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 1193DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 19515.002638/200950 Acórdão n.º 1301521 S1C3T1 Fl. 4 4 Intimado para esclarecer as divergências o contribuinte apresentou diversos documentos, dentre eles: copia da decisão do processo administrativo nº 19515.003580/200538, através do qual se verifica que a redução promovida pela fiscalização do prejuízo fiscal acumulado em 31.12.2001 foi alterada de R$ 5.429.655,08 para R$ 2.194.501,64. copia do LALUR como o controle dos saldos acumulados das bases negativas da CSLL com os saldos negativos acumulados. informações sobre ajuste realizado no LALUR diretamente nos saldos do prejuízo fiscal acumulado e do saldo acumulado das bases negativas da CSLL, com realização de um credito de R$ 20.399.914,64 da base em 31.12.2003, sob o título de venda para entrega futura. Verificou a fiscalização adição ao saldo de prejuízos acumulados, registrado na parte B do LALUR em 31.12.2003 no valor de R$ 20.399.914,64, sem que houvesse no entanto em contrapartida qualquer ajuste no balanço de 31.12.2003 para fundamentar igual redução do resultado daquele ano, não houve retificação da DIPJ AC/2003 de modo a confirma esse ajuste, as chamadas Vendas de Entrega Futura que queriam refletir a receita de exercícios futuros não foi refletida na contabilidade no ano 2003. .Para fundamentar esse saldo de Vendas de Entrega Futuras existentes em 31/12/2003 a contribuinte apresentou relação das notas fiscais de vendas para entrega futura e de simples remessa que comprovariam a ocorrência de Receitas de 2004 apropriadas indevidamente em 2003. Entretanto a fiscalização encontrou as seguintes diferenças não esclarecidas: Notas Fiscais de Venda Futura em aberto em 31/12/2003 R$ 31,935,825,48 Notas de Simples Remessa entregues em 2003 R$ 11,388,330,53 Saldo das entregas para 2004 R$ 20,547,494,95 Diferença R$ 57,757,94 Notas de Entrega Futura conforme Lalur R$ 20,399,914,64 Notas de Simples Remessa entregue em 2004 R$ 20,489,732,01 Diferença R$ (89.822,37) Ou Seja, nem a própria contribuinte conseguiu chegar ao número correto dessas pretensas Vendas para Entrega Futura. Embora não tenha sido juntada nova documentação, a contribuinte alega que o ajuste teria sido realizado em 2004 à débito de Resultado de Exercícios Anteriores à crédito de Vendas do Mercado Interno e quando resolveu sanar o problema os balanços já haviam sido enviados a CVM e publicados. Concluise então que a empresa ao invés de refazer seu balanço, ou corrigir o seu Lucro Real quando da apresentação da DIPJ do AC 2003, preferiu omitir a informação da Receita Federal. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 1194DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 19515.002638/200950 Acórdão n.º 1301521 S1C3T1 Fl. 5 5 Em vista da pequena amostragem colhida das milhares de notas emitidas a fiscalização encontrou notas fiscais não listadas pela contribuinte como originárias de Vendas para Entrega Futura. Concluiu então a fiscalização que: com relação aos Prejuizos Fiscais Acumulados, o ajuste realizado como Prejuizos Fiscais Acumulados em dez/2003 no valor de R$ 20.399.941,64 a titulo de Vendas para Entrega Futura, não tem efeito e nem pode ser aproveitado para compensação com o resultado de R$ 29.452.091,92 pois essa suposta diferença é do AC 2003. Não houve a retificação obrigatória da DIPJ 2003 e nos Balanços publicados mantem o resultado apurad sem exclusão das Receitas de Exercícios Futuros caracterizando evidente intuito de omissão em declarar aquele valor ao fisco. Não foi comprovado por nenhum documento fidedigno, tais como Relatório da Auditoria de Balanço ou de Auditoria Externa Independente as suas alegações. Não demonstra o valor do reajuste que deveria ser realizado, nem prova os valores supostamente recebidos antecipadamente, assim como não comprovou que os custos foram apropriados em consonância com as respectivas receitas. Não comprovou também que as operações apresentadas foram as únicas realizadas nos exercícios 2003 e 2004 de forma a configurar que as receitas e despesas forma apropriadas nas devidas competências. O acórdão da 4ª Turma da DRJ/SP de 28/02/2008 do paf nº 19515 003580/200538, reduziu o crédito tributário apurado no AC 2001 e em conseqüência reduziu o prejuízo fiscal de R$ 5.429.655,08 para R$ 2.194.501,64. Com relação aos saldos acumulados das Bases Negativas da CSLL, o acórdão da 4ª Turma da DRJ/SP de 28/02/2008 do paf nº 19515003580/200538, reduziu o crédito tributário apurado no AC 2001 e em conseqüência reduziu o saldo acumulado das bases negativas da CSLL que passou de R$ 5.429.655,08 para R$ 2.194.501,64. O crédito realizado em 31/07/2003de R$ 26.485.888,78 a título de desistência da ação de compensação integral da base de cálculo negativa não teve qualquer fundamentação legal razão porque foi estornado por esta fiscalização. O saldo apresentado no Sapli em 31/12/1997 de R$ 9.232.337,54 está incorreto por não constar o registro da compensação realizada em 31/12/1998 de R$ 1.612.124,11. Feitas estas correções o saldo acumulado das bases de cálculo negativas da CSLL passou de R$ 30.660.612,63 para R$ 26.853.986,88 Em função das verificações expostas os prejuízos fiscais acumulados em 31/12/2003 de R$ 12.918.220,33 foram insuficientes para a compensação do Lucro Real apurado no AC 2004 no montante de R$ 29.452.091,92, o que gerou uma compensação a maior na ordem de R$ 16.533.871,59. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 1195DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 19515.002638/200950 Acórdão n.º 1301521 S1C3T1 Fl. 6 6 os saldos acumulados das Bases Negativas da CSLL em 31/12/2003 após as correções desta fiscalização passou para R$ 26.853.986,88 e foram suficientes para a compensação de 30% da Base de Cálculo da CSLL apurada no AC 2004 de R$ 8.607.089,39. Diante dessas irregularidades a fiscalização lançou R$ 16.533.871,59 a título de IRPJ, com base nos arts. 247, 250, III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do RIR/99, reduziu exoficio o prejuízo fiscal acumulado em 30/12/2004 para R$ 0,00 e o saldo acumulado das bases negativas da CSLL para R$ 16.031.302,95. Ajuste este promovido pelo processo 19515 007784/200826. Foi então lavrado Auto de Infração, com ciência datada de 27/07/2009, tempestivamente, impugnado em 26/08/2009 pelos seguintes motivos: Da impossibilidade de contestação dos valores constantes do SAPLI: que apresentou a decisão do Conselho de Contribuintes que admitem a contestação das informações constantes do SAPLI. Do ajuste contábil proposto pela Price: que a diferença que deu origem à autuação, decorreu de um ajuste contábil no anocalendário 2004, recomendado pela Pricewaterhouse Coopers, que alterou alguns procedimentos contábeis que consubstanciavamse no reconhecimento contábil de receitas de vendas para entrega futura no ano de 2003 sem que fossem cumpridos todos os requisitos determinados pela NPC 14 do IBRACON. que a Impugnante agiu de forma adequada, ao reclassificar as receitas das vendas para entrega futuras não realizadas em 2003 para o ano de 2004, efetuando lançamento a crédito do resultado, e, em contrapartida, ajustando os lucros e prejuízos acumulados no ano de 2004, efetuando lançamento à débito de modo a ajustar o patrimônio líquido da empresa sem interferir no exercício de 2004 em que a incorreção foi identificada. que essa informação pode ser confirmada nas Demonstrações das Mutações do Patrimônio Líquido, dos exercícios 2003 e 2004, em que se evidencia o ajuste contábil nos exercícios anteriores no valor de R$ 30.061,00, sendo R$ 20.276,00 referente a venda para entrega futura e R$ 9.785,00 referente a questionamento judicial de tributos. Dos procedimentos adotados pela SANTHER: que feito o ajuste contábil realizouos no LALUR 2004, especificamente nos saldos dos prejuízos fiscais e das bases negativas da CSLL. que para os mencionados ajustes constassem no SAPLI, deveria ter retificado a DIPJ do AC de 2003, ajustando o resultado fiscal informado ao fisco nesse ano, o que não foi feito. que pela análise da DIPJ e LALUR com a escrituração comercial, especialmente o Balanço Patrimonial de 31/12/2004 é possível se concluir que o ajuste não foi considerado na DIPJ/2004, foi refletido nas demonstrações contábeis de 31/12/2004 na conta de patrimônio liquido, foi refletido no LALUR 2004 somente a parte B e tendo em vista que não houve retificação na DIPJ nem na parte A do LALUR um montante de receita de R$ 20.000.000,00 computado em duplicidade em 2003 e 2004. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 1196DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 19515.002638/200950 Acórdão n.º 1301521 S1C3T1 Fl. 7 7 Do necessário reflexo fiscal do ajuste contábil: que o conceito do lucro real parte do conceito do lucro determinado de acordo com os preceitos da lei comercial. que todo ajuste previsto na legislação comercial que repercuta diretamente no conceito de lucro líquido, deverá necessariamente ter o seu reflexo fiscal correspondente. que de acordo com o artigo 510 do RIR/99 não há dentre os requisitos para compensação de prejuízo fiscal, a obrigatoriedade de declaração em DIPJ, mas somente a manutenção de livros e documentos exigidos pela legislação fiscal comprobatórios do montante utilizado. que a DIPJ é mera declaração informativa que sequer tem o condão de constituir crédito tributário. que, portanto, em relação ao controle de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL o LALUR, e não a DIPJ, é o documento que se presta a comprovar os montantes utilizados; Da nãoretificação da DIPJ 2004 (anobase 2003): que ainda que tenha deixado de retificar sua DIPJ, não pode ser afastada a validade e legitimidade do ajuste fiscal realizado, ainda mais porque não houve omissão dado que o valor foi informado no LALUR. que não há previsão legal que determine a desconsideração dos fatos registrados na contabilidade por simples ausência de retificação de DIPJ. que também, não há qualquer previsão legal que determine o procedimento fiscal a ser adotado no caso de ocorrer o ajuste previsto no § 1° do artigo 186 da Lei 6.404/76. que a retificação da DIPJ não é condição sine qua non para a utilização de prejuízos fiscais acrescidos aos já existentes por força de ajuste de exercícios anteriores. que a fiscalização afrontou o princípio da legalidade administrativa e o princípio da busca da verdade material, maculando a validade da autuação, tornandoa nula de pleno direito. Da ausência de efeito fiscal independentemente do ano calendário do ajuste. que de acordo com artigo 273 do RIR/99, a inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita custo ou dedução, ou do reconhecimento do lucro somente constitui fundamento para lançamento de imposto se dela resultar postergação do pagamento do imposto ou redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. que os procedimentos adotados pelo contribuinte estão absolutamente em linha com a legislação, que determina que independentemente do ano que fosse registrado o ajuste de exercícios anteriores, isso aumentaria o prejuízo fiscal da Impugnante em 2003, o qual seria integralmente compensado em 2004, visto que a Impugnante possui decisão judicial que ampara a compensação integral de prejuízos fiscais". Fl. 7DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 1197DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 19515.002638/200950 Acórdão n.º 1301521 S1C3T1 Fl. 8 8 Da ilegalidade da redução de oficio: que a fiscalização ao reduzir o saldo de prejuízos fiscais acumulados em 31/12/2004 para 0,00 (zero) considerou, indevidamente, a decisão da 4a Turma da DRJ/SPOI (processo n° 19515.003580/200538), que reduziu o prejuízo fiscal de 31/12/2001 em R$ 2.194.501,64. que o referido processo administrativo não foi concluído definitivamente, pois, a Impugnante interpôs seu recurso voluntário no CARF. que foi reduzido, indevidamente, saldo da base negativa da CSLL em 31/12/2004 no valor de R$ 2.215.594,54 em decorrência do processo n° 19515.007794/200826. Ocorre que, este processo administrativo também não foi definitivamente concluído, ma vez que contra o auto de infração lavrado foi apresentada impugnação, em 27/04/2009, que ainda aguarda julgamento pela DRJ; que quanto ao auto reflexo apresenta as mesmas considerações. que foi cabalmente demonstrado o ajuste da ordem de R$ 20.276.000,00, porém, reconhece que tal valor não fecha exatamente com o número do ajuste no LALUR. que também acosta ao presente processo um CDROM com todas as notas fiscais da operação de venda para entrega futura e se coloca à disposição para realização de todas as diligências necessárias para apuração do alegado. que o motivo que justifica a realização de diligências é justamente a comprovação do momento da realização das receitas de 2003 e 2004, bem como, do necessário reflexo fiscal. finalmente requer a realização de diligência é justamente a comprovação do momento da realização das receitas de 2003 e 2004, bem como do reflexo fiscal. A 4ª Turma da DRJ/SP, julgou por unanimidade improcedente a impugnação, nos seguintes termos: resumidamente a discussão se concentra no fato da impugnante, no ano calendário de 2004, ter compensado prejuízo a maior do que teria direito na quantia de R$ 16.533.871,59. este prejuízo a maior se originou basicamente do ajuste contábil realizado que reduziu o resultado do anocalendário de 2003, ao considerar nas demonstrações financeiras deste ano "vendas para entrega futura" no valor de R$ 20.399.917,64. o ajuste contábil foi feito no anocalendário de 2004, por orientação da auditoria externa PwC, contra resultados acumulados; porém, a Impugnante não apresentou DIPJ retificadora do anocalendário de 2003 corrigindo o resultado. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 1198DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 19515.002638/200950 Acórdão n.º 1301521 S1C3T1 Fl. 9 9 o lucro real apresentado na DIPJ/2004 (2003) foi de R$ 17.089.384,50 compensado integralmente com prejuízos fiscais, sendo que considerando o ajuste realizado em 2004 o resultado passaria para prejuízo fiscal na quantia de R$ 3.310.533,14. a fiscalização não aceitou a recomposição do saldo de prejuízos fiscais feito na parte B do LALUR no valor de R$ 20.399.914,64, não somente pelo fato da Impugnante não ter retificado sua DIPJ 2004 (2003), mas, também, por ela não ter comprovado o ajuste realizado contabilmente e o reflexo fiscal decorrente. embora a Impugnante apresente declaração e relatório da auditoria externa, mencionando o ajuste proposto, não comprova de forma cabal que refletiu o ajuste mencionado no seu resultado tributável do anocalendário de 2004. apresenta somente no quadro "Demonstrações das Mutações do Patrimônio Líquido", do anocalendário de 2004, preparado pela PwC e publicado, o valor do ajuste de exercícios anteriores na quantia de R$ 30.660,63, que estaria englobando o valor do ajuste de vendas de exercício futuros na quantia de R$ 20.399.914,64. não comprova que o valor do ajuste foi refletido no resultado tributável do anocalendário de 2004, apresentando cópia do livro razão e diário com o devido ajuste contabilizado. também não apresenta o balancete que serviu de base para os registros dos valores das receitas, custos, despesas e o lucro líquido apresentados na DIPJ do anocalendário de 2004, para comprovar a inclusão do ajuste realizado. em relação ao custo destas notas fiscais também não esclarece e demonstra como foi tratado contabilmente e fiscalmente, apresenta, simplesmente um esquema com as contas do razão que teriam sido movimentadas em decorrência do ajuste e informa que foi debitado o valor de R$ 20.273.690,00 na conta de "Lucros ou Prejuizos Acumulados", com contrapartida a crédito na conta "Mercado Interno" na quantia de R$ 13.817.255,00 e a crédito na conta de "Materiais" no valor de R$ 6.839.040,00. ficam pendentes para esclarecer e comprovar o procedimento que foi adotado em relação ao custo, como: i se as vendas se referiam a mercadorias já produzidas, os custos foram considerados em que anocalendário? 2003 ou 2004? ii se foram considerados em 2003 qual a razão do ajuste ter sido realizado pelo total das notas fiscais emitidas para entrega futura? Não teria que ser ajustado também o custo considerado neste ano? O ajuste não teria que ser o valor do lucro bruto destas vendas? iii ou seja, não foi demonstrado claramente, também, a contabilização dos custos e o critério adotado fiscalmente. com relação à retificação da DIPJ/2004 (2003), ao contrário do que entende a Impugnante, é de grande importância para a Receita Federal ter as informações apresentadas na DIPJ e condizentes com os dados registrados nos livros contábeis e fiscais. a informação prestada na DIPJ deve ser interpretada como um ato que, não apenas baliza a autuação do Fisco, mas também se presta a fundamentar eventual autuação, após os devidos exames, que pode ser objeto de recurso, caso o autuado não concorde com seu teor. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 1199DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 19515.002638/200950 Acórdão n.º 1301521 S1C3T1 Fl. 10 10 portanto, a própria declaração deve ser retificada, sempre que ocorrerem alterações motivadas, por parte de quem prestou as informações, não podendo ser desconsideradas pelo Fisco, entendimento contrário conduziria a que um dos atos, iniciais, que compõem o procedimento administrativo de apuração da base tributária e do quanto, através do cumprimento da obrigação necessária de apresentação da DIPJ. conforme disposto no artigo 147, § 1° do Código Tributário Nacional (CTN), a alteração de dados espontaneamente informados pelo Contribuinte em DIPJ, deve ser entendida como excepcional, porém, indispensável. deverá haver a comprovação do erro no qual se tenha fundado a declaração anterior, e, em face da alegação do eventual erro empreendido, terá a autoridade Fiscal liberdade para acatar a nova declaração, ou não, na medida de sua convicção. a fiscalização, quanto ao ajuste realizado pela Impugnante, se aprofundou nos exames, mas não obteve condições de comprovar o que era informado. a fiscalização não presumiu como incorreto o ajuste, somente, pelo fato da ausência de retificação da DIPJ, mas, sim e principalmente, por não ter sido devidamente comprovada a escrituração do ajuste nos seus livros contábeis e demonstrados os reflexos fiscais ocasionados. somente serão dados por nulos, aqueles atos reproduzidos incisos I e II, do Decreto nº 70,235/72, que não ocorreram no presente caso. com relação ao previsto no artigo 273 do RIR199, que somente caberá lançamento de imposto quando da inexatidão do período de apuração de escrituração de receitas ou custos resultar em postergação ou redução em qualquer período de apuração, não se aplica ao lançamento discutido na medida que não foi inteiramente comprovado o ajuste alegado. também, não pode ser aceita a alegação da ilegalidade da redução de ofício do saldo de prejuízos fiscais e bases negativas em decorrência dos processos n° 19515.003580/200538 e 19515.007794/200826, pois, os lançamentos e decisões devem estar refletidos nos controles da Receita Federal do Brasil e nos do contribuinte. no que tange à solicitação de diligência, não se evidenciou a necessidade de sua realização na medida em que a Impugnante poderia ter apresentado o dados e documentos durante os trabalhos da auditoria fiscal ou juntamente com a presente impugnação, razão porque deve ser indefirida, sem que reste configurado qualquer tipo de cerceamento de defesa. com referência a CSLL, o decidido no mérito do IRPJ, quanto ao ajuste de vendas de exercícios futuros, repercute na contribuição. Intimada do acórdão da DRJ/SP em 22/02/2010 a Contribuinte apresenta, tempestivamente, recurso voluntário em 24/03/2010 alegando em síntese que: Fl. 10DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 1200DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 19515.002638/200950 Acórdão n.º 1301521 S1C3T1 Fl. 11 11 preliminarmente conforme se verifica das informações contidas nos termos lavrados no âmbito do processo administrativo em questão, de fato, as informações constantes do SAPLI divergiam dos controles fiscais da recorrente. em diversos julgados, o CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) reconheceu a possibilidade de se cancelar lançamentos efetuados desde que comprovado pelo contribuinte que os seus controles é que são os corretos. destaca decisões do CARF nesse sentido. as decisões que admitem a contestação das informações constantes do SAPLI, partem do princípio de que um mero controle formal não se pode sobrepor à verdade material dos fatos. em se tratando de lançamento de imposto sobre a renda, não é admissível se permitir a tributação sobre valor que não representa o efetivo acréscimo patrimonial do contribuinte por uma mera questão formal. a atividade da Administração Tributária está intimamente vinculada à busca da verdade material, motivo pela qual a autoridade fiscal não deve poupar esforços para verificar exaustivamente os fatos e conseqüentemente apurar a verdade. o auto de infração lavrado com base nas informações do SAPLI não pode ser julgado procedente caso o contribuinte apresente as provas que justifiquem a divergência. o problema decorreu da realização de ajuste contábil no anocalendário 2004, recomendado pela empresa de auditoria Pricewaterhouse, que exigiu a alteração de alguns procedimentos contábeis que vinham sendo adotados até o anocalendário de 2003. tais procedimentos consubstanciavamse no reconhecimento contábil de receitas de vendas para entrega futura no ano de 2003 sem que todos os requisitos determinados pela NPC nº14 do IBRACON fossem cumpridos. isso se confirma através da carta expedida pela PWC, do ITR de 31/03/2004, bem como das Demonstrações Financeiras de 31/12/2004 enviadas para a CVM. conforme se pode observar da Carta emitida pela PwC, assim como na própria Nota Explicativa do BALANÇO PATRIMONIAL de 31/12/2004, auditado pela PwC e publicado, a RECORRENTE reconheceu em 2003 uma receita maior do que a efetivamente auferida, pois a reconheceu antes da concretização de todos os requisitos para reconhecimento contábil de uma receita, conforme ditames do IBRACON. tal receita, na verdade deveria ter sido reconhecida somente no ano de 2004, razão pela qual foi recomendado o ajuste no valor de R$ 20.276.000,00, o qual foi apontado na nota explicativa nº 18 'd' dos documentos enviados para a CVM, bem como do balanço de 31/12/2004. de acordo com o art. 186 da Lei 6.404/76, havendo mudança de critério contábil ou retificação de erro, relativamente a exercícios anteriores, que sejam relevantes, a companhia deverá efetuar ajuste nas demonstrações financeiras, de modo que o resultado do período corrente não seja afetado. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 1201DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 19515.002638/200950 Acórdão n.º 1301521 S1C3T1 Fl. 12 12 a Resolução CFC no 774/94 esclarece que, na existência de receitas e despesas pertencentes a um exercício anterior, que nele deixarem de ser considerados, por qualquer razão, os correspondentes ajustes devem ser realizados no exercício em que se evidenciou a omissão, no presente caso, o exercício de 2004. o ajuste em referência deverá ser refletido nos lucros e prejuízos acumulados para que o lucro do período em que for decidida a realização de tais ajustes não seja afetado pelo resultado dos exercício anteriores, exatamente como feito pela recorrente. atendendo a recomendação da PwC, a empresa decidiu alterar o critério de reconhecimento de receitas das operações de venda para entrega futura até então existentes, tudo conforme o previsto na legislação de regência, acima mencionada. dessa forma, contabilmente a RECORRENTE agiu de forma adequada, pois, reclassificou as receitas das vendas para entrega futuras não realizadas em 2003 para o ano de 2004, ou seja, efetuou lançamento a crédito no resultado, e, em contrapartida, ajustou os lucros e prejuízos acumulados no ano de 2004, efetuando um lançamento a débito, de modo que o patrimônio líquido da empresa ficasse ajustado, bem como, tal ajuste não interferisse no exercício no qual a incorreção foi identificada, ou seja, 2004. essa informação pode ser confirmada nas demonstrações das mutações do patrimônio líquido, correspondentes aos exercícios findos em 31/12/2003 e 31/12/2004, devidamente publicadas, em que se evidencia o ajuste contábil de exercícios anteriores no valor de R$ 30.660.612,63, sendo R$ 20.276,00mil referente a venda para entrega futura e R$ 9.785,00mil (valor este não lançado na parte B do LALUR) referente a questionamento judicial de tributos. feito o ajuste contábil a recorrente houve por bem realizar o respectivo ajuste no LALUR 2004, especificamente nos saldos de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL em decorrência do reflexo da mudança de prática contábil no resultado de 2003. assim a recorrente deveria ter retificado a DIPJ do anocalendário 2003, ajustando o resultado fiscal informado ao Fisco nesse ano, entretanto, não apontou o referido ajuste na Parte A do LALUR e na respectiva DIPJ 2004 (anobase 2003), o que causou a divergência. o ajuste foi efetuado tãosomente na Parte B do LALUR, com suporte justamente no ajuste contábil realizado. o resultado fiscal calculado na Parte A do LALUR e informado ao Fisco através da DIPJ não foi reduzido pelo ajuste em questão através de exclusão ou redução do lucro líquido contábil, o que se evidencia através da análise das bases de cálculo do IRPJ e CSLL constantes do LALUR, bem assim aquelas informadas em DIPJ. os lançamentos feitos na DIP3 2004/2003 e 2005/2004, em especial na Ficha 06A que trata da DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO, o resultado líquido do período informado referente aos anoscalendário 2003, prejuízo de R$ 50.786.915,95 e 2004, lucro de R$ 6.965.951,82, corresponde exatamente ao resultado líquido contábil informado nas DEMONSTRAÇÕES DO RESULTADO constante das DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS publicadas pela recorrente e auditadas pela PwC. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 1202DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 19515.002638/200950 Acórdão n.º 1301521 S1C3T1 Fl. 13 13 em respeito ao art. 248 do Regulamento de Imposto de Renda, o valor consignado nesta ficha deve corresponder ao efetivo lucro ou prejuízo líquido apurado contabilmente, tal como procedido pela recorrente. do cotejo dos documentos fiscais acostados (DIPJ e LALUR) com a escrituração comercial especialmente o Balanço Patrimonial, é possível se concluir com segurança que: i) o ajuste contábil proposto pela PwC não foi considerado na DIPJ 2004/2003 x DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS de 31/12/2003, até porque se tivesse sido o saldo de prejuízo fiscal do sapli seria equivalente ao saldo da recorrente; ii) o ajuste foi refletido nas demonstrações contábeis de 31/12/2004 em conta de patrimônio líquido; iii) tal ajuste foi refletido no LALUR 2004 somente na Parte B; iv) tendo em vista que não houve retificação de DIPJ, para fins de apuração do lucro real/prejuízo fiscal da recorrente,_tanto na DIPJ como na Parte A do LALUR, um montante de receita da ordem de R$ 20 milhões foi computado em duplicidade: no ano de 2003 e no ano de 2004. por questão de cautela, a recorrente, requer a juntada de documentação complementar à já apresentada, de forma a afastar qualquer dúvida que possa persistir sobre o tratamento contábil e fiscal que gerou o ajuste da ordem de R$ 20 milhões no patrimônio líquido e LALUR. para tanto acosta, os balancetes de dezembro/2003 com as respectivas memórias de cálculo de IRPJ, o balancete de dezembro/2004 com as respectivas memórias de cálculo de IRPJ, o livro razão contábil (com ‘razonetes' auxiliares) que demonstra o lançamento a débito, no valor de R$ 20.273.690,00 em conta de lucros e prejuízos acumulados (conta de PL) e a crédito em conta de resultado (R$ 887.267,00 + R$ 6.839.040,00 + R$ 13.817.255,00) o que demonstra que este valor transitou pelo resultado da Santher em 2004, em conta de receita, majorando o lucro líquido contábil que serviu de base para a apuração do IRPJ, o que justifica o aproveitamento do prejuízo fiscal gerado em decorrência do lançamento dos R$ 20.273.690,00, CD's com os Diários contábeis de 2003 e 2004 e o balancete de 31/03/2004, no qual foram feitos os lançamentos de ajuste. conforme explicado na impugnação, os custos em questão foram considerados no anocalendário de 2004, justamente por esta razão foi necessária a reclassificação da receita registrada em 2003 para o ano de 2004. A mesma receita classificada erroneamente em 2003 foi levada a resultado em 2004. como tanto o resultado de 2003 como o de 2004 acabaram ficando majorados por tais receitas, foi necessário o ajuste no patrimônio líquido para que o patrimônio da recorrente não ficasse distorcido. de fato, em março de 2004 foi constatado que em 31/12/2003 a RECORRENTE deveria ter registrado um saldo na conta "provisão venda para entrega futura" Fl. 13DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 1203DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 19515.002638/200950 Acórdão n.º 1301521 S1C3T1 Fl. 14 14 que, somado ao valor correspondente ao ICMS relacionado a tal provisão, totalizaria o valor de R$ 20.273.690,00 correspondente ao somatório de vendas para entrega futura ainda não realizada em 31/12/2003. embora tal valor correspondesse às mercadorias ainda não produzidas e, portanto, cujas vendas não tenham sido efetivadas, foi levado a crédito no resultado de 2003 indevidamente. assim, fezse necessário ajustar o procedimento até então adotado pela RECORRENTE, determinando o 'estorno' da receita de R$ 20.273.690,00 lançado indevidamente. para refletir o estorno na contabilidade da recorrente, em março de 2004 foram feitos os lançamentos através do razão (doc.03). baseada nos princípios contábeis as Notas de Venda para Entrega Futura tiveram toda a Receita registrada no exercício findo em 31/12/2003 e os custos somente foram registrados no Resultado quando houve a emissão das Notas Fiscais de Simples Remessa. assim, o registro contábil que em um primeiro momento cumpria o que diz no Princípio da Realização da Receita, infringia o Princípio do Confronto das Despesas com as Receitas e com os Períodos Contábeis. Para que a situação ficasse regularizada referente às Demonstrações Financeiras de 31/12/2003, durante o exercício de 2004 o ajuste foi feito a débito de Patrimônio Líquido (Resultados Acumulados) e a crédito de Receita de Vendas. por fim, cabe mencionar que por alguma razão que a recorrente não conseguiu identificar, a diferença da ordem de R$ 126 mil entre o valor do ajuste acima mencionado e o valor de R$ 20.399.915 lançado no LALUR. de toda sorte, não há dúvidas quanto à necessidade de se fazer refletir no resultado fiscal da empresa o ajuste comprovado contabilmente, qual seja, no valor de R$ 20.273.690,00. o indeferimento do pedido de diligências formulado na IMPUGNAÇÃO julgada improcedente implica manifesto e evidente cerceamento do direito de defesa da RECORRENTE. em relação ao controle de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL o LALUR, e não a DIPJ, é o documento que se presta a comprovar os montantes utilizados. em princípio o prejuízo fiscal compensável é aquele apurado na demonstração do lucro real, porém, a falta de escrituração concomitante não justifica o lançamento se for possível provar a efetiva existência do prejuízo. de acordo com o artigo 273 do RIR/99, a inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita custo ou dedução, ou do reconhecimento do lucro somente constitui fundamento para lançamento de imposto se dela resultar postergação do pagamento ou redução indevida do lucro real. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 1204DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 19515.002638/200950 Acórdão n.º 1301521 S1C3T1 Fl. 15 15 o contribuinte não pode ser penalizado, sendo compelido a pagar mais imposto do que o efetivamente devido tãosomente por ter se equivocado quanto ao período de apuração de uma receita ou despesa. em linha com a prescrição do dispositivo acima, o art. 26 da IN SRF no 51/1995 permite as exclusões extemporâneas do lucro líquido: “Art. 26. Para efeito de determinação do lucro real, as exclusões do lucro líquido, em anos calendário subseqüentes ao em que deveria ter sido procedido o ajuste, não Poderão produzir efeito diverso daquele que seria obtido, se realizadas na data prevista. § 1° As exclusões que deixarem de ser procedidas, em ano calendário em que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal, terão o mesmo tratamento deste.” o dispositivo em questão demonstra não apenas que o contribuinte não pode se beneficiar de exclusões extemporâneas, reduzindo indevidamente o lucro real, mas principalmente revelam o princípio segundo o qual, o reconhecimento de receitas, despesas, adições e exclusões extemporâneas na base de cálculo do imposto sobre a renda é admitido, desde que não cause prejuízo ao erário. no presente caso os procedimentos do contribuinte estão absolutamente em linha com os dispositivos acima visto que independentemente do ano que fosse registrado o ajuste de exercícios anteriores (2003 ou 2004) as conseqüências seriam exatamente as mesmas. reconhecido em 2003, isso aumentaria o prejuízo fiscal da RECORRENTE em 2003, o qual seria integralmente compensado em 2004, visto que a RECORRENTE possui decisão judicial que ampara a compensação integral de prejuízos fiscais. reconhecido em 2004 reduziria o lucro real de 2004. Dessa forma, uma vez demonstrada a necessidade do ajuste, no presente caso a realização deste em qualquer um dos referidos anos não alteraria em nada a apuração do imposto de renda, não causando postergação do pagamento do imposto ou qualquer efeito diverso. ao contrário do que afirma a r. decisão ora recorrida, cabe à autoridade fiscal (art. 142 do CTN) comprovar a insuficiência do recolhimento do imposto devido, quantificandoa, o que não ocorreu no presente caso. como a RECORRENTE cuidou sim de comprovar todo o alegado, e, uma vez confirmada tal comprovação, não se poderá, deixar de aplicar o art. 273 do RIR/99 ao presente caso. ao reduzir, para R$ 0,00 (zero), o saldo de PREJUÍZO FISCAL ACUMULADO em 31/12/2004, a Autoridade Fiscal fundamenta que, por decisão da 4a Turma da DRJ/SPOI (Acórdão no 1616.528) nos autos do processo administrativo no 19515.003580/200538, o saldo de PREJUÍZO FISCAL ACUMULADO em 31/12/2001 foi reduzido de R$ 5.429.655,08 para R$ 2.194.501,64, sem que tal redução tenha sido observada pela IMPUGNANTE. diante da não observância dessa redução, o saldo de PREJUÍZO FISCAL ACUMULADO em 31/12/2004 acabou sendo majorado indevidamente de R$ 9.683.066,89 para R$ 12.918.220,33. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 1205DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 19515.002638/200950 Acórdão n.º 1301521 S1C3T1 Fl. 16 16 ocorre que o referido processo administrativo no 19515.003580/200538 ainda não foi definitivamente concluído. ademais, ao reduzir de ofício o SALDO ACUMULADO DAS BASES NEGATIVAS DA CSLL em 31/12/2004, de R$ 59.908.507,43 para R$ 16.031.302,95, a Autoridade Fiscal também realizou ajuste decorrente do PAF no 19515.007794/200826, no valor de R$ 2.215.594,54. ocorre que, do mesmo modo que o ajuste decorrente do PAF no 19515.003580/200538, esse ajuste decorrente do PAF no 19515.7794/200826 também é totalmente indevido, porque esse processo ainda não foi definitivamente concluído. o agente fiscal se utilizou de premissa equivocada, quando aplicou ao caso concreto decisão administrativa proferida naqueles PAF 's cuja eficácia se encontra suspensa por força da interposição de RECURSO VOLUNTÁRIO, por isso, aqui não cabe ao contribuinte provar esse suposto "reflexo" nos seus controles ou nos controles da RFB. caberia ao agente demonstrar que as decisões administrativas por ele aplicadas eram eficazes, ou seja, capazes de produzir efeitos no mundo jurídico, todavia, não o fez, o que deixou (absurdamente) de ser corrigido pela DRJ. por fim, há que se reformar a r. decisão recorrida em relação ao efeito reflexo do IRPJ na CSLL, além de constituir o crédito de IRPJ, a D. Autoridade Fiscal também reduziu de oficio o SALDO ACUMULADO DAS BASES NEGATIVAS DA CSLL em 31/12/2004, de R$ 59.908.507.43 para R$ 16.031.302,95. ocorre que, tanto o ajuste decorrente do PAF n. 19515.003580/200538 (R$ 2.194.501,64), como o ajuste referente às operações de "venda para entrega futura" (R$ 20.399.917,64) são indevidos. o motivo que justifica a realização de diligências é justamente a comprovação do momento da realização das receitas de 2003 e 2004, bem como, do necessário reflexo fiscal. Este é o relatório, passo a analisar as razões de recurso. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 1206DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 19515.002638/200950 Acórdão n.º 1301521 S1C3T1 Fl. 17 17 Voto Conselheiro Guilherme Polastri Gomes da Silva – Relator O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão porque dele tomo conhecimento. Como se verifica das informações contidas nos termos lavrados no âmbito do processo administrativo em questão, de fato, as informações constantes do SAPLI divergiam dos controles fiscais da recorrente, porém entendo que um mero controle formal não se pode sobrepor à verdade material dos fatos. Comungo do entendimento que a atividade da Administração Tributária está intimamente vinculada à busca da verdade material, motivo pela qual a autoridade fiscal não deve poupar esforços para verificar exaustivamente os fatos e conseqüentemente apurar a verdade. O auto de infração lavrado com base nas informações do SAPLI não pode ser julgado procedente caso o contribuinte apresente esclarecimentos e provas que justifiquem a divergência. No caso em tela a simples realização de ajuste contábil no anocalendário 2004, recomendado pela empresa de auditoria Pricewaterhouse, não pode justificar o lançamento. Como se pode observar da Carta emitida pela PWC, assim como na própria Nota Explicativa do BALANÇO PATRIMONIAL de 31/12/2004, auditado pela mesma empresa e publicado, a RECORRENTE reconheceu em 2003 uma receita maior do que a efetivamente auferida, pois a reconheceu antes da concretização de todos os requisitos para reconhecimento contábil de uma receita. Tal receita, na verdade deveria ter sido reconhecida somente no ano de 2004, razão pela qual foi recomendado o ajuste apontado na nota explicativa nº 18 'd' dos documentos enviados para a CVM, bem como do balanço de 31/12/2004. De acordo com o art. 186 da Lei 6.404/76, havendo mudança de critério contábil ou retificação de erro, relativamente a exercícios anteriores, que sejam relevantes, a companhia deverá efetuar ajuste nas demonstrações financeiras, de modo que o resultado do período corrente não seja afetado, exatamente como procedeu a recorrente. Neste mesmo sentido a Resolução CFC no 774/94 esclarece que, na existência de receitas e despesas pertencentes a um exercício anterior, que nele deixarem de ser considerados, por qualquer razão, os correspondentes ajustes devem ser realizados no exercício em que se evidenciou a omissão, no presente caso, o exercício de 2004. Este ajuste deve refletir nos lucros e prejuízos acumulados, assim o lucro do período em que forem realizados os ajustes não afetem os resultados do exercício anterior, exatamente como feito pela recorrente. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 1207DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 19515.002638/200950 Acórdão n.º 1301521 S1C3T1 Fl. 18 18 Então atendendo à recomendação da PWC, a empresa decidiu alterar o critério de reconhecimento de receitas das operações de venda para entrega futura até então existentes, conforme o previsto na legislação de regência, acima mencionada. Dessa forma, a recorrente contabilmente agiu de forma adequada, pois, re classificou as receitas das vendas para entrega futuras não realizadas em 2003 para o ano de 2004, efetuando lançamento a crédito no resultado, e, em contrapartida, ajustando os lucros e prejuízos acumulados no ano de 2004, efetuando um lançamento a débito, de modo que o patrimônio líquido da empresa ficasse ajustado e não interferisse no exercício no qual a incorreção foi identificada, ou seja, 2004. Essa informação foi confirmada nas demonstrações das mutações do patrimônio líquido, correspondentes aos exercícios findos em 31/12/2003 e 31/12/2004, onde se evidenciou o ajuste contábil de exercícios anteriores. Feito o ajuste contábil a recorrente realizou o respectivo ajuste no LALUR 2004, especificamente nos saldos de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL em decorrência do reflexo da mudança de prática contábil no resultado de 2003. A recorrente realmente deveria ter retificado a DIPJ do anocalendário 2003, ajustando o resultado fiscal informado ao Fisco nesse ano, entretanto, não apontou o referido ajuste na Parte A do LALUR e na respectiva DIPJ 2004 (anobase 2003), o que causou a divergência. O ajuste foi efetuado tãosomente na Parte B do LALUR. Porém o resultado fiscal calculado na Parte A do LALUR e informado ao Fisco através da DIPJ não foi reduzido pelo ajuste em questão através de exclusão ou redução do lucro líquido contábil, o que se evidencia através da análise das bases de cálculo do IRPJ e CSLL constantes do próprio LALUR e da DIPJ. Nos lançamentos feitos nas DIPJ´s 2004/2003 e 2005/2004, em especial na Ficha 06A que trata da DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO, o resultado líquido do período informado referente aos anoscalendário 2003, acusou prejuízo de R$ 50.786.915,95 e 2004, lucro de R$ 6.965.951,82, corresponde exatamente ao resultado líquido contábil informado nas DEMONSTRAÇÕES DO RESULTADO constante das DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS publicadas pela recorrente e auditadas pela PWC. Em consonância com o art. 248 do RIR, o valor consignado nesta ficha deve corresponder ao efetivo lucro ou prejuízo líquido apurado contabilmente, tal como procedido pela recorrente. Do cotejo destes documentos bem como do Balanço Patrimonial, é possível se concluir que o ajuste contábil proposto pela PWC não foi considerado na DIPJ 2004/2003 x DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS de 31/12/2003, até porque se tivesse sido o saldo de prejuízo fiscal do SAPLI seria equivalente ao saldo da recorrente. O ajuste foi refletido nas demonstrações contábeis de 31/12/2004 em conta de patrimônio líquido e foi refletido no LALUR 2004 somente na Parte B. Uma vez que não houve retificação de DIPJ, para fins de apuração do lucro real/prejuízo fiscal da recorrente, tanto na DIPJ como na Parte A do LALUR, um montante de receita da ordem de R$ 20 milhões foi computado em duplicidade no ano de 2003 e no ano de 2004. Fl. 18DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 1208DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 19515.002638/200950 Acórdão n.º 1301521 S1C3T1 Fl. 19 19 Posteriormente a recorrente ainda juntou documentação complementar à já apresentada, de forma a afastar qualquer dúvida que possa persistir sobre o tratamento contábil e fiscal que gerou o ajuste da ordem de R$ 20 milhões no patrimônio líquido e LALUR e acosta, os balancetes de dezembro/2003 com as respectivas memórias de cálculo de IRPJ, o balancete de dezembro/2004 com as respectivas memórias de cálculo de IRPJ, o livro razão contábil (com ‘razonetes' auxiliares) que demonstra o lançamento a débito, no valor de R$ 20.273.690,00 em conta de lucros e prejuízos acumulados (conta de PL) e a crédito em conta de resultado (R$ 887.267,00 + R$ 6.839.040,00 + R$ 13.817.255,00) o que demonstra que este valor transitou pelo resultado da Santher em 2004, em conta de receita, majorando o lucro líquido contábil que serviu de base para a apuração do IRPJ, o que justifica o aproveitamento do prejuízo fiscal gerado em decorrência do lançamento dos R$ 20.273.690,00, além dos Diários contábeis de 2003 e 2004 e o balancete de 31/03/2004, no qual foram feitos os lançamentos de ajuste. Como os custos em questão foram considerados no anocalendário de 2004, justamente por esta razão foi necessária a reclassificação da receita registrada em 2003 para o ano de 2004. A mesma receita classificada erroneamente em 2003 foi levada a resultado em 2004. Portanto, como tanto o resultado de 2003 como o de 2004 acabaram ficando majorados por tais receitas, foi necessário o ajuste no patrimônio líquido para que o patrimônio da recorrente não ficasse distorcido. Em março de 2004 foi constatado que em 31/12/2003 a RECORRENTE deveria ter registrado um saldo na conta "provisão venda para entrega futura" que, somado ao valor correspondente ao ICMS relacionado a tal provisão, correspondente ao somatório de vendas para entrega futura ainda não realizada em 31/12/2003. Embora tal valor correspondesse às mercadorias ainda não produzidas e, portanto, cujas vendas não tenham sido efetivadas, foi levado a crédito no resultado de 2003 indevidamente. Baseada nos princípios contábeis as Notas de Venda para Entrega Futura tiveram toda a Receita registrada no exercício findo em 31/12/2003 e os custos somente foram registrados no Resultado quando houve a emissão das Notas Fiscais de Simples Remessa. Assim, o registro contábil que em um primeiro momento cumpria o que diz no Princípio da Realização da Receita, infringia o Princípio do Confronto das Despesas com as Receitas e com os Períodos Contábeis. Para que a situação ficasse regularizada referente às Demonstrações Financeiras de 31/12/2003, durante o exercício de 2004 o ajuste foi feito a débito de Patrimônio Líquido (Resultados Acumulados) e a crédito de Receita de Vendas. O indeferimento do pedido de diligências formulado na IMPUGNAÇÃO julgada improcedente no meu entender não implica cerceamento do direito de defesa da RECORRENTE, uma vez que está comprovado nos autos que o ajuste realizado não causou prejuízo ao fisco. Em relação ao controle de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL o LALUR, e não a DIPJ, é o documento que se presta a comprovar os montantes utilizados. O prejuízo fiscal compensável é aquele apurado na demonstração do lucro real, porém, a falta de escrituração concomitante não justifica o lançamento se for possível provar a efetiva existência do prejuízo. Fl. 19DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 1209DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 19515.002638/200950 Acórdão n.º 1301521 S1C3T1 Fl. 20 20 De acordo com o artigo 273 do RIR/99, a inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita custo ou dedução, ou do reconhecimento do lucro somente constitui fundamento para lançamento de imposto se dela resultar postergação do pagamento ou redução indevida do lucro real. O contribuinte não pode ser penalizado, sendo compelido a pagar mais imposto do que o efetivamente devido tãosomente por ter se equivocado quanto ao período de apuração de uma receita ou despesa. Reconhecido em 2003, isso aumentaria o prejuízo fiscal da RECORRENTE em 2003, o qual seria integralmente compensado em 2004, visto que a RECORRENTE possui decisão judicial que ampara a compensação integral de prejuízos fiscais. Reconhecido em 2004 reduziria o lucro real de 2004. Dessa forma, uma vez demonstrada a necessidade do ajuste, no presente caso a realização deste em qualquer um dos referidos anos não alteraria em nada a apuração do imposto de renda, não causando postergação do pagamento do imposto ou qualquer efeito diverso. Concordo com o recorrente no sentido de que cabe à autoridade fiscal (art. 142 do CTN) comprovar a insuficiência do recolhimento do imposto devido, quantificandoa, o que não ocorreu no presente caso. Diante do exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento fiscal. (assinado digitalmente) Guilherme Polastri Gomes da Silva Relator Fl. 20DF CARF MF Impresso em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 1210DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por OSMARINA CARDOSO SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000406/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO IMPOSSIBILIDADE.
Descabe ao Carf manifestarse,
originalmente, em relação à matéria
constitucional, como pressuposto a afastar a aplicação da lei.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA.
PRODUTOS.
A tributação monofásica é específica e distinta da incidência não cumulativa,
que é geral, não havendo que se falar em créditos para a segunda decorrentes
de entradas sujeitas à primeira.
ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS.
MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004.
A manutenção de créditos, que não se confunde com exclusões da base de
cálculo, prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese
às hipóteses
desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação
monofásico previsto em legislação anterior.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.945
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros
Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto apresentaram declaração de voto. Fez
sustentação oral em abril de 2011, pela recorrente, o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no
203.988. Esteve presente ao julgamento em maio de 2011 o Dr. Rodrigo da Rocha Costa,
OAB/SP no 203988.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Descabe ao Carf manifestarse, originalmente, em relação à matéria constitucional, como pressuposto a afastar a aplicação da lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. PRODUTOS. A tributação monofásica é específica e distinta da incidência não cumulativa, que é geral, não havendo que se falar em créditos para a segunda decorrentes de entradas sujeitas à primeira. ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos, que não se confunde com exclusões da base de cálculo, prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Descabe ao Carf manifestarse, originalmente, em relação à matéria constitucional, como pressuposto a afastar a aplicação da lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. PRODUTOS. A tributação monofásica é específica e distinta da incidência não cumulativa, que é geral, não havendo que se falar em créditos para a segunda decorrentes de entradas sujeitas à primeira. ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos, que não se confunde com exclusões da base de cálculo, prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Os conselheiros Fl. 123DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 2 Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto apresentaram declaração de voto. Fez sustentação oral em abril de 2011, pela recorrente, o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no 203.988. Esteve presente ao julgamento em maio de 2011 o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no 203988. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 57 a 77) apresentado em 26 de março de 20100 contra o Acórdão no 1624.041, de 21 de janeiro de 2010, da 6ª Turma da DRJ / SP1 (fls. 45 a 55), cientificado em 02 de março de 2010, que, relativamente a Declaração de Compensação sobre créditos de Cofins do primeiro trimestre de 2006, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS. PEDIDO ELETRÔNICO DE RESSARCIMENTO. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS MONOFÁSICOS PARA REVENDA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. A aquisição de produtos monofásicos para revenda constitui exceção à regra geral da não cumulatividade, não gerando créditos por força da vedação contida no art. 3 , I, da lei nº 10.833/2003. Em razão disso, não se aplica a esses produtos — notadamente aos veículos automotores e autopeças comercializados pela recorrente — o art. 17 da lei nº 11.033/2004. DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente se reputa nulo o despacho decisório nas hipóteses previstas no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não Fl. 124DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000406/200938 Acórdão n.º 330200.945 S3C3T2 Fl. 0 3 compete ao julgador da esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a constitucionalidade de norma legal regularmente editada. ANTINOMIA JURÍDICA. PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE SOBRE O CRITÉRIO CRONOLÓGICO. Segundo a regra de interpretação contida no brocardo latino lex posterior generalis non derogat legi priori speciali, o princípio da especialidade sempre prevalece sobre o critério cronológico. Manifestação de Inconformidade Improcedente A Primeira Instância assim resumiu o litígio: 4. O processo em exame versa sobre pedido eletrônico de ressarcimento formulado nas fls. 1/2, relativo a supostos créditos de Cofins apurados no 1o trimestre de 2006. 5. Em despacho decisório de 26/05/2009 (fls. 6/8), a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da DERAT/SPO indeferiu o pleito, o que levou a recorrente a apresentar a manifestação de inconformidade anexa às fls. 13/33, cujo teor resumo a seguir. 5.1) Observa inicialmente que, com o advento da lei nº 10.485/2002, a receita proveniente da venda de veículos automotores passou a sujeitarse à incidência monofásica do Pis e da Cofins, recaindo sobre o montador ou importador a responsabilidade pelo recolhimento dessas contribuições. 5.2) Afirma que a lei nº 10.865/2004, ao alterar a lei nº 10.485/2002 — com reflexos nas leis nº 10.637/2002 (Pis) e nº 10.833/2003 (Cofins) — se por um lado reduziu a zero a alíquota de ambas as contribuições relativamente às receitas auferidas pelas concessionárias com a comercialização dos produtos sujeitos ao regime monofásico, por outro lado vetou o aproveitamento dos créditos correspondentes a essas operações. 5.3) Depreende daí que as alterações introduzidas pelas leis nº 10.485/2002 e nº 10.865/2004, a par de criar “exação muito superior ao usual” e vetar a não cumulatividade (regime a que faz jus), criaram “carga tributária além da capacidade contributiva do recorrente, em verdadeiro confisco tributário, exigência portanto inconstitucional”(fl. 16). 5.4) Ressalta que, procurando corrigir a distorção, o art. 17 da lei nº 11.033/2004, oriunda da MP nº 206/2004, autorizou de forma expressa o aproveitamento dos créditos vinculados a operações comerciais de venda realizadas com alíquota zero. 5.5) Alega que a Fazenda Pública, ao indeferir o pedido de ressarcimento, negou vigência ao referido dispositivo legal, “que alterou a Legislação atinente a espécie, negando coercitivamente o DIREITO do recorrente de utilizar seus créditos vinculados a suas vendas com alíquota ‘ZERO’, razão Fl. 125DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 4 do inconformismo que traz o recorrente a esta Delegacia de Julgamento” (fl. 17). 5.6) Passando a discorrer sobre o princípio da não cumulatividade, reafirma que o entendimento da DIORT a impede de exercer “DIREITO LÍQUIDO E CERTO de creditar se dos valores recolhidos nas fases anteriores, sob pena de ver se autuado e cobrado judicialmente” (fl. 20). 5.7) Invocando o art. 195 da Constituição Federal e alegando que o sistema monofásico de tributação teria instituído novo imposto sem amparo legal, assevera que a lei nº 10.865/2004, embora determine que a recorrente promova os fatos geradores relativos ao Pis e à Cofins, não lhe permite aproveitar os créditos advindos dos produtos a serem vendidos com alíquota zero. Acrescenta que tal vedação — sobre ser ilegal e inconstitucional — constitui grave ofensa aos ditames da lei nº 11.033/2004. 5.8) Afirmando que a exclusão das operações de venda com alíquota zero do regime não cumulativo implica tributação excessiva ou confisco e que o art. 17 da lei nº 11.033/2004 teria por objetivo precisamente afastar a ilegalidade e a inconstitucionalidade ínsitas a essa sistemática, declara que o indeferimento do pedido de ressarcimento representa “flagrante afronta ao princípio da capacidade contributiva, da isonomia, da estrita legalidade e o desrespeito a vinculação dos atos públicos” (fl. 29). 5.9) Assinala ainda que, em face da recusa do recorrido em atender à determinação legal, não lhe restou alternativa senão recorrer ao Poder Judiciário para que este determine que a Delegacia de Arrecadação de São Paulo respeite a lei, vale dizer, o art. 17 da lei nº 11.033/2004, reconhecendolhe o direito líquido e certo ao crédito vinculado. 5.10) Discorrendo ligeiramente acerca dos princípios da capacidade contributiva, da isonomia e da legalidade, afirma ser “ilegal e nula a exigência” (fl. 31), uma vez que a autoridade administrativa age em desacordo com a lei, que permite à recorrente aproveitar integralmente seu crédito vinculado, inclusive os créditos vinculados a vendas com alíquota zero. 5.11) Acrescenta que, ao afirmar que o pedido da requerente, fundado no art. 17 da lei nº 11.033/2004, não se aplica, excepcionalmente, à revenda de veículos e peças, o chefe da DIORT pretende “fazer legislação anterior modificar a posterior em absoluto descompasso com a Lei natural”(fl. 32). 5.12) Rematando o arrazoado, requer que este órgão julgador lhe assegure o direito de apurar os débitos de Pis e Cofins vincendos mercê do aproveitamento dos créditos vinculados à compra de veículos “zero”, peças e acessórios, nos moldes do art. 17 da lei nº 11.033/2004, bem como a autorize, para determinar tais créditos, a aplicar as alíquotas de 1,65% para o Pis e 7,60% para a Cofins, segundo prevêem respectivamente as leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Requer, em suma, a reforma do despacho decisório impugnado, bem como o Fl. 126DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000406/200938 Acórdão n.º 330200.945 S3C3T2 Fl. 0 5 ressarcimento “dos valores relativos ao crédito vinculado de PIS e COFINS nos termos do art. 17 da Lei 11.033” (fl. 33). No recurso, a Interessada alegou que “vedação ao aproveitamento do crédito vinculado ao faturamento relativo aos bens vendidos com alíquota zero fere a o art. 17 da Lei 11.033/2004 além do principio da igualdade tributária.” Após esclarecer que, “Anteriormente já havia previsão legal, Lei 10.485/2002, que determinava que a exigências, relativas ao PIS e a Cofins, fossem recolhidas por expressa responsabilidade do montador ou importador, ao que se denominou recolhimento por substituição tributária, monofásico, no entendimento do Fisco”, acrescentou que, “Com a transformação das exações, razão do inconformismo, em tributos não cumulativos, a Lei 10.865/04, inovou, determinando que o recorrente (concessionário de veículos) promovesse o fato gerador das contribuições, contudo, determinou que o PIS e a Cofins fossem tributados a alíquota ‘0’, uma vez recolhidos, em porcentagem superior a usual, pelo importador ou montador.” De acordo com a Interessada, “[...] hodiernamente, de forma geral, a exigência quanto ao recolhimento das exações ao PIS e a COFINS é calculada pelo resultado dos custos e despesas subtraídos da receita a que deu origem [...]”. Na sequência, aborda a questão principal do litígio, esclarecendo o seguinte: Ocorre que a mesma Lei 10.865/04, alterou a Lei 10.485/02 com reflexo nas Leis 10.637/02 e 10.833/03, determinando a alíquota zero para a venda de carros zero e vetando o aproveitamento do crédito vinculado, o que leva ao recorrente sofrer tratamento desigual. Tal tratamento desigual ocorreria, no entendimento da Recorrente, pelo fato de não poder utilizar o crédito em relação ao que dispôs as Leis nos 10.865, de 2004, e 10.485, de 2002, que “vetou a não cumulatividade, ainda que determinando o calculo da alíquota do PIS e da COFINS em ‘zero’ criando carga tributária além da capacidade contributiva do recorrente, em verdadeiro confisco tributário, exigência portanto inconstitucional.” Entretanto, segundo a Interessada, somente a partir de agosto de 2004, com a Medida Provisória no 206, foi autorizado o aproveitamento dos créditos vinculados a operações de alíquota zero. A seguir, analisou o princípio da não cumulatividade, citando doutrina e jurisprudência, que lhe daria o direito de “de somar todas os custos e despesas, quaisquer que seja[m], desde que vinculados ao seu faturamento, e diminuir de seu faturamento ou receita, o resultado apurado é a base de cálculo dessas exações incluindo nos valores agregados como despesas vinculadas ao faturamento, aquelas relativas às vendas com alíquota ‘zero’, assim determina a Lei [no 11.033, de 2004]”. Defendeu a tese de que a tributação monofásica seria uma substituição tributária disfarçada e que, continuando a ser tributada sobre o faturamento por determinação constitucional “e ainda em parte pelo valor de venda do veículo ao concessionário”, haveria a “inegável instituição de novo imposto, sem amparo legal.” Analisou, então, a legislação e reafirmou que o entendimento da primeira instância afrontaria vários princípios constitucionais. Fl. 127DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 6 É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. A Interessada não repetiu no recurso as alegações sobre nulidade do despacho decisório, cabendo, portanto, apenas a análise do mérito da matéria. Pretende excluir da base de cálculo da contribuição não cumulativa os custos decorrentes de aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero em face de sujeitaremse ao regime monofásico. Primeiramente, há que se esclarecer que a não cumulatividade não é uma regra geral constitucional. A simples consulta ao texto constitucional e suas alterações permite concluir que a não cumulatividade aplicarseia irrestritamente apenas aos tributos criados na competência residual da União (art. 154, I). Em relação aos tributos originalmente previstos na Constituição, apenas o ICMS e o IPI eram sujeitos à não cumulatividade, que, segundo José Souto Maior Borges, seria uma “simples regra” e não um princípio como pretendido pela maioria da doutrina (Teoria Geral da Isenção Tributária. 3ª ed. São Paulo: Editora Malheiro, 2001, ps. 3412). Portanto, a regra (ou, se se preferir, o princípio) constitucional da não cumulatividade simplesmente não se aplicava às contribuições sociais no texto original da Constituição. Com a Emenda Constitucional no 47, de 2005, a Constituição passou a prever, no art. 195, § 9º, a possibilidade de diferenciação de alíquota e base de cálculo. Entretanto, à vista de matéria constitucional, o Carf não pode deixar de afastar a aplicação de lei, conforme sua Súmula no 2 (Portaria Carf no 106, de 2009): Súmula Carf nº 2: O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, tal impossibilidade é reforçada pelas disposições do art. 62 do seu Regimento Interno (Portaria MF no 256, de 2009). Dessa forma, somente é possível, em sede do presente recurso voluntário, apreciar as alegações da Interessada em relação ao que determina a lei, uma vez que sua aplicação não pode ser afastada. Entretanto, antes cabe esclarecer que, em alguns pontos, as alegações da Interessada são contraditórias, como nos exemplos a seguir. 1. Violação à não cumulatividade Fl. 128DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000406/200938 Acórdão n.º 330200.945 S3C3T2 Fl. 0 7 Parte dos produtos vendidos pela Interessada sujeitase ao regime monofásico, que, pelas próprias disposições legais, como se verá adiante, é um regime distinto do não cumulativo. Dessa forma, tratandose de um regime diverso, paralelo e específico de incidência da contribuição, não há como haver violação de regra aplicável a outro regime. 2. Violação ao princípio da isonomia Isonomia implica tratamento igual aos que estejam em igual situação. Portanto, não faz sentido argumentar violação à isonomia se a regra é aplicável não só à Recorrente como a todos os contribuintes que se encontram na mesma situação. 3. Violação à capacidade contributiva No caso em questão, não é possível violação à capacidade contributiva, uma vez que os produtos vendidos sujeitos à alíquota zero já foram tributados pelo regime monofásico anteriormente. Dessa forma, o valor da contribuição devida pela Recorrente, em relação a tais produtos, é zero. O que a Interessada pretende é, na realidade, ao incluir na dedução da base de cálculo da contribuição devida em relação aos demais produtos, reduzir a base de cálculo destes últimos, cuja contribuição devida nada tem a ver com daqueles. 4. Sugestão de bitributação Em suas alegações, a Interessada sugere aparentemente que estaria sujeita a duas tributações. De fato, está, mas, além de os produtos sujeitos à incidência monofásica não estarem sujeitos à incidência não cumulativa (inexiste bitributação), tais produtos sujeitamse à alíquota zero. De fato, para concluir que a forma de tributação por incidência monofásica seria tão injusta a ponto de exigir deduções das bases de cálculo do revendor, seria preciso demonstrar que o resultado dessa tributação, no geral, seria injustificadamente maior do que a dos demais produtos sujeitos à não cumulatividade, o que sequer foi abordado adequadamente pela Interessada. Feitas as observações acima, passase à análise da legislação. Conforme bem observado pela primeira instância, as leis que instituíram as contribuições não cumulativas previram expressamente que suas disposições não se aplicariam às receitas “decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero” e ainda aos casos de substituição tributária. Vale dizer, o regime de não cumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação concentrada ou monofásico é específico e apurado paralelamente àquele. O que se discute, a seguir, é a aplicação do art. 17 da Lei no 11.033, de 2004, ao caso dos autos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota ‘0’ (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Tal dispositivo deve ser lido atentamente. Fl. 129DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 8 Em primeiro lugar, por que não é uma disposição legal generalista como pretende a Interessada. Vale dizer, não se aplica à toda a legislação de PIS/Pasep e Cofins, por dizer respeito somente às hipóteses previstas na própria lei, que trata do “Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária”. Nesse contexto, a própria lei prevê a incidência de “suspensão”, “isenção”, “não incidência” e especificamente de alíquota zero no art. 14, § 2º. Por isso, no art. 17, prevê a manutenção de créditos. Aí reside a segunda atenção que se deve ter ao ler o dispositivo, uma vez que, especificamente, prevê a “manutenção” dos créditos vinculados às vendas de produtos de alíquota zero. Vale dizer, não trata de exclusões de base de cálculo, mas de créditos que tenham sido escriturados e que, em função da incidência de alíquota zero e das demais hipóteses previstas na própria lei, poderiam ser objeto de uma eventual interpretação restritiva, como a que ocorre no IPI, quanto a seu aproveitamento. Então, a própria lei já previu, para que não houvesse dúvidas sobre a matéria, que a incidência das hipóteses desonerativas não implicaria glosa de créditos. Portanto, as alegações da Interessada fundamse em equívocos de interpretação da legislação, uma vez que as duas modalidades de apuração da contribuição coexistem mas não se comunicam. Por fim, observese que as referências posteriores da legislação ao referido dispositivo legal não têm o condão de estender sua abrangência. Na realidade, limitamse a regular o crédito do “Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária”, conforme esclarecido acima. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Declaração de Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto Da atual possibilidade de tomada de créditos – Lei nº 11.727/08 Primeiramente, cabe relembrar que foi com o advento das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (conversões das MP’s nº 66/02 e nº 135/03) que as contribuições para o PIS/PASEP e COFINS passaram a ter como regime geral o sistema de nãocumulatividade, entretanto, esse dispositivo foi além da aplicação desse regime e também admitiu o direito de Fl. 130DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000406/200938 Acórdão n.º 330200.945 S3C3T2 Fl. 0 9 descontar créditos calculados a partir das etapas anteriores de bens adquiridos para revenda, a saber, independentemente do sujeito detentor do crédito: “Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em ralação a: I – bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) – nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei (...) (...)§ 2º Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação do § 2º dada pela Lei nº 10.865/04)(...) (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9º O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8º, será aplicado consistentemente por todo o ano calendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal.(...)” “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos art. 1 a 8. VII – as receitas decorrentes das operações: Fl. 131DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 10 a) referidas no inciso IV do § 3 do art. 1. b) sujeitas à substituição tributária da COFINS”. Tais dispositivos legais vedavam, entretanto, a tomada de crédito de PIS e COFINS pelas pessoas jurídicas revendedoras, nas operações de revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição fosse exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária e também em relação à venda de álcool para fins carburantes. No entanto, essa situação perdurou até a edição da Lei nº 10.865/04 que alterou consideravelmente as Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. Aquela lei, dentre outras alterações, ampliou o regime não cumulativo para que esse alcançasse também as receitas sujeitas à incidência monofásica do PIS e da COFINS, manteve as alíquotas diferenciadas dispersas na legislação do PIS/COFINS, inseriu as alíneas a e b nos incisos I dos arts. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 e por fim, alterou os parágrafos 2º dos arts. 3º das mencionadas leis, no sentido de indicar a impossibilidade da tomada de crédito relativamente a bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Posteriormente, em 2004 ainda, foi adicionado à MP nº 206/04, posteriormente convertida na Lei nº 11.033, o art. 16 (quando da conversão passou a ser o art. 17) que tratava sobre a manutenção de créditos nas vendas efetuadas com isenção, alíquota zero, suspensão e nãoincidência do PIS e COFINS. Esse dispositivo veio assim redigido: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.(...)” Importantíssimo ressaltar que a partir desse momento, duas normas aparentemente contraditórias passaram a vigorar no ordenamento jurídico relativo às contribuições mencionadas. Porém, por regra geral de hermenêutica, norma específica sobrepõese à norma geral, e assim esses dispositivos deverão ser interpretados a partir da inserção do fato concreto à norma, dentro de suas especificidades. O dispositivo retro estendeu o alcance do direito de manutenção de crédito de PIS e COFINS, alcançando o vendedor, atacadista ou até mesmo varejista, que viesse a efetuar vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e da COFINS como regra geral, exceto quanto a operação porventura estiver sob a égide de norma específica que disponha em contrário. Posteriormente, em janeiro de 2008, foi editada a MP nº 413, que resultou em sua conversão na Lei nº 11.727/08, cujo objetivo precípuo fora adotar medidas de natureza tributária destinadas a estimular os investimentos e a modernização do setor de turismo, reforçar o sistema de proteção tarifária brasileiro e estabelecer a incidência de forma concentrada da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS na produção e comercialização de álcool. Por meio dessa Medida Provisória, o Poder Executivo tentou inserir dispositivo alheio às operações inicialmente objeto da Medida, para obstar a tomada de créditos relativa às operações ora em comento, ao literalmente tentar aprovar o texto dos artigos 14 e 15 em que vedava a apropriação de créditos de PIS/COFINS sobre os custos, encargos e despesas relativos às vendas de produtos onde incidiam o regime monofásico, apropriação antes Fl. 132DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000406/200938 Acórdão n.º 330200.945 S3C3T2 Fl. 0 11 permitida, por meio da inserção do § 14 ao art. 3º das Leis nº 10.637 e § 15 ao art. 3º da Lei nº 10.833/03: “Art. 14. Os arts. 2o e 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam avigorar com a seguinte redação: .................................................................................... § 14. Excetuamse do disposto neste artigo os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1o do art. 2o desta Lei, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, não se aplicando a manutenção de créditos de que trata o art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004.” (NR) Art. 15. Os arts. 2o e 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam avigorar com a seguinte redação: “Art. 2o .................................................................... (...).................................................................................. § 22. Excetuamse do disposto neste artigo os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1o do art. 2o desta Lei, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, não se aplicando a manutenção de créditos de que trata o art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004.” (NR)” Tal pretensa vedação simplesmente foi retirada da MP nº 413 durante seu tramite legislativo, ao qual foram interpostas 185 emendas, de modo que sua conversão em lei (Lei nº 11.727/08) não contém tal vedação. Importante observar o reconhecimento pleno do direito ao crédito pela aplicação do art. 17 da lei nº 11.033/04. Outrossim, consideramos que a pretensa vedação à tomada dos créditos ora em discussão, prevista nos art. 3º, I, b, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 restou totalmente superada com a nova redação conferida ao art. 24 da mencionada Lei nº 11.727/08. Previu esse dispositivo a possibilidade de os revendedores de produtos monofásicos tomarem créditos sobre a aquisição de produtos sujeitos à alíquota monofásica, pelos mesmos valores aos quais elas foram destacadas na etapa anterior, litteris: “Art. 24. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, produtora ou fabricante dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, pode descontar créditos relativos à aquisição desses produtos de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante, para revenda no mercado interno ou para exportação. § 1º Os créditos de que trata o caput deste artigo correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo vendedor em decorrência da operação. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 12 § 2º Não se aplica às aquisições de que trata o caput deste artigo o disposto na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Ademais, corrobora com todo esse entendimento o disposto no art. 16 da Lei nº 11.116/05, ao disciplinar a compensação e o ressarcimento de créditos de PIS e COFINS, referindose expressamente ao art. 17 da Lei nº 11.033/2004, sendo oportuna sua transcrição: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” Nesse sentido, o entendimento atual é de que há o direito de crédito para as pessoas jurídicas que auferem receitas de vendas de produtos sobre os quais incide a alíquota zero, em sendo intrínseca ao regime de nãocumulatividade o direito desse. Ademais, inexiste qualquer vedação legal, prevalecendo o direito subjetivo das pessoas jurídicas à compensação ou recuperação dos créditos, mediante a aplicação das alíquotas pertinentes ao regime não cumulativo, previsto no art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Cabe ressaltar que em 15 de dezembro de 2008 foi publicada a Medida Provisória nº 451, tratandose de mais uma tentativa do Governo em restringir os créditos de PIS e COFINS das distribuidoras e varejistas que comercializam produtos monofásicos. Tal MP em seus artigos 8 e 9 retirava a possibilidade de descontar créditos de PIS e COFINS dos distribuidores, dos comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos (produzidos e importados), quanto aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas com a venda destes produtos. Dentre as 64 emendas apresentadas ressaltase a emenda supressiva número 09, apresentada pelo Deputado Eduardo Gomes, cuja justificativa: “Os artigos 8º e 9º da supracitada Medida Provisória inseriram novos parágrafos aos artigos 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, vedando aos distribuidores e aos comerciantes varejistas e atacadistas de produtos sujeitos às alíquotas monofásicas o reconhecimento de créditos de PIS e COFINS sobre fretes, armazenagem, aluguéis, energia elétrica, dentre outros. Frisese que dispositivos semelhantes haviam sido também incluídos quando da edição da Medida Provisória nº 413, de 03 de janeiro de 2008, tendo sido Fl. 134DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000406/200938 Acórdão n.º 330200.945 S3C3T2 Fl. 0 13 suprimidos pelo Legislativo Federal quando de sua votação para conversão da MP na Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008. As alterações previstas na MP 451 resultariam em injustificado aumento da PIS/COFINS incidente na gasolina, diesel e querosene de aviação, que tem toda a carga tributária concentrada de forma monofásica na refinaria. A vedação dos créditos de PIS/COFINS incidente sobre esses custos inerentes a comercialização destes combustíveis, caracterizase como aumento da carga tributária, com impactos nos preços, e prejuízos para os consumidores finais.” Em parecer proferido em plenário, o Deputadorelator Sr. João Leão votou pela admissibilidade da MP nº 451, acolhendo a emenda nº 09. Por conseguinte, apresentou o Projeto de Lei de Conversão nº 04/2009 como substitutivo à Medida Provisória nº 451/08, que altera a legislação tributária federal, e dá outras providências. Esse Projeto foi aprovado pelo Plenário da Câmara dos Deputados em 07/04/2009 e convertida na Lei nº 11.945 em 05 de junho de 2009. Até que ocorra alguma alteração nos dispositivos retromencionados, entendemos que permanece o direito ao crédito sobre o qual discorremos. Nesse sentido, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário (Assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Fl. 135DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 36750.006936/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/08/2006
DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE
STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à
decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas
federal, estadual e municipal. Decadência parcial do lançamento adotando como critério para o início da contagem do prazo decadencial, art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO.
PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Não devem ser conhecidas as razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 2401-001.680
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 10/2001; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/08/2006 DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência parcial do lançamento adotando como critério para o início da contagem do prazo decadencial, art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Não devem ser conhecidas as razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual. Recurso Voluntário Parcialmente Provido
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Fl. 786DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 787DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36750.006936/200611 Acórdão n.º 240101.680 S2C4T1 Fl. 784 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada contra a empresa acima identificada, referente as contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social e a terceiros, no período de janeiro de 1996 à agosto de 2006 com cientificação do contribuinte em 17 de novembro de 2006. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 242 a 253, as contribuições lançadas referemse à: Contribuição da empresa sobre o pagamento a contribuintes individuais destinada à Previdência Social; Contribuição da empresa sobre o pagamento aos segurados empregados destinada às entidades e fundos (Terceiros): Sal. Educação e Incra; Contribuição da empresa sobre a comercialização de produtos rurais destinada à Previdência Social; Contribuição da empresa sobre a comercialização de produtos rurais destinada ao Seguro Acidente de Trabalho – SAT; Contribuição da empresa sobre a comercialização de produtos rurais destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR.. Ainda segundo o RF, os lançamentos foram efetuados da seguinte forma: 7.1.1RA1ARBITRAMENTO VIA RAIS 1; 7.1.2ARBITRAMENTO PARA COMPETÊNCIAS SEM BASE DE DADOS DECLARADOS; 7.1.3C12CONTRIBUINTE INDIVIDUAL 2; 7.1.4PL1PRÓLABORE INDIRETOS 1 ; 7.1.5PL2PRÓLABORE INDIRETOS 2; 7.1.6PR2PRODUÇÃO RURAL 2; 7.1.7APRAFERIÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL.. Inconformada com a Decisão de fls. 668 a 773, a empresa apresentou recurso à este conselho alegando em síntese: Inicialmente afirma se tratar de recurso parcial pois não objetivava recorrer da decisão de primeira instância que rejeitou a preliminar de decadência e decidiu sobre a procedência das multas e juros. Porém, às fls.778 a 782, a recorrente requer junto à Presidência do CARF, a distribuição prioritária do recurso e pleiteou a aplicação da decadência para os créditos em questão; No mérito, insurgese contra o lançamento alegando existir inúmeras nulidades, que deverão ser apreciadas por este colegiado, independente da matéria ter sido abordada na impugnação da NFLD, passando a descrever os vícios e contradições que teriam sido cometidas pela Auditoria Fiscal, descrevendo os itens e subitens onde se encontram. Requer ao final: 1 Seja julgado improcedente o crédito previdenciário lançado nesta NFLD para o período de 01/2001 a 08/2006, cujo fato gerador decorreu de imputação pela Auditoria, através de aferição indireta, de receita auferida pela suposta comercialização de gado; 2 Para os demais créditos previdenciários lançados nesta NFLD, como aquele que decorreu de fatos geradores oriundo de receita bruta auferida pela comercialização de gado no período de 01/1999 a 12/2000 e os demais citados no Relatório Fiscal, seja Fl. 788DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 decretada a nulidade da presente Notificação, face conter vícios formais insanáveis, como também, contradições que cercearam o direito de defesa e do contraditório. Não houve a apresentação de contrarazões É o relatório. Fl. 789DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36750.006936/200611 Acórdão n.º 240101.680 S2C4T1 Fl. 785 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA A preliminar de decadência merece acolhimento por parte deste colegiado. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. No presente caso o a notificação foi lavrada em novembro de 2006, conforme se verifica às fls. 01 e as contribuições exigidas referemse às competências de janeiro de 1996 a agosto de 2006, o que fulmina em parte o direito do fisco de constituir o lançamento, utilizandose, na opinião deste conselheiro, o entendimento adotado para o início da contagem do prazo decadencial do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN, em face de constatar ter havido recolhimentos no período fiscalizado, conforme se depreende no DAD de fls. 39 a 56 dos autos. Fl. 790DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Pelo exposto encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores ocorridos até outubro de 2001, inclusive. DO MÉRITO A alegação da recorrente de que a notificação estaria eivada de vícios não merece prosperar. Do que se depreende do Relatório Fiscal, todos os fatos geradores foram devidamente discriminados, constam das planilhas elaboradas pela fiscalização e foram constatados através da análise da documentação apresentada pela recorrente, tais como: Relatórios Anuais de Informações Sociais — RAIS; Análise das contas correntes da notificada, confrontandoas com a planilha elaborada pelo AF; Análise da contabilidade, notas fiscais e outros documentos, todos devidamente relatados e com planilhas demonstrativas. Ao contrário do que entende a recorrente a matéria não discutida em sede de impugnação encontrase preclusa e não será analisada em sede de recurso, sobretudo quanto a pretensa nulidade do procedimento fiscal, uma vez já atingidas pela preclusão, eis que não ofertadas em sede de impugnação. Portanto, entendo estar a presente notificação, devidamente dentro dos padrões legais vigentes à época do levantamento. Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, acolher a preliminar de decadência para lhe DAR PROVIMENTO PARCIAL, excluindose do débito todos os lançamentos até outubro de 2001, inclusive, adotando o do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN, e no MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 791DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10245.900321/2009-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Data do Fato Gerador: 31/03/2004
OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade.
DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de não-homologação de compensação
que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
Numero da decisão: 1101-000.548
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez
declaração de voto.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do Fato Gerador: 31/03/2004 OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade. DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do Fato Gerador: 31/03/2004 OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade. DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez declaração de voto. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. Fl. 62DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900321/200933 Acórdão n.º 110100.548 S1C1T1 Fl. 61 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 63DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900321/200933 Acórdão n.º 110100.548 S1C1T1 Fl. 62 3 Relatório VIMEZER FORNC. DE SERV. LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação declarada sob nº 11142.65952.231006.1.7.044324, na qual foi utilizado crédito de R$ 416,88, apurado em recolhimento de IRPJ (código 2089), realizado em 30/04/2004 e relativo à apuração de 31/03/2004. Constou do referido despacho decisório que o recolhimento apontado foi localizado, mas já havia sido utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte informou que o débito apurado no período em questão constou de DIPJ retificadora e foi recolhido a maior, ensejando a apuração de indébito utilizado na compensação questionada. Argumentou que a afirmação fiscal, no sentido de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débito, deixou dúvida quanto a origem do débito considerado como quitado. Acrescentou que a simples falha no preenchimento das declarações não afasta em hipótese alguma a existência do direito material em relação à compensação, e que as informações apresentadas nas peculiares declarações permitiriam a confirmação do crédito utilizado. Discorre sobre o conceito de compensação e afirma que além de ter oferecido indevidamente valores a tributação, não se creditou de valores que foram devidamente retidos na fonte pelas fontes pagadoras, conforme documento anexado e evidenciado quando da exposição dos fatos. Daí a utilização do crédito para compensação de débitos próprios do impugnante, e que também são administrados pela Receita Federal. Ressalta que o crédito utilizado não se enquadra em qualquer das hipóteses do art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96, e afirma ter demonstrado a insubsistência e total improcedência do Despacho Decisório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, acolhendo o voto condutor da decisão recorrida que, depois de destacar o efeito extintivo da Declaração de Compensação DCOMP, e a sua homologação tácita depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, de modo a caracterizar a compensação como um procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita, assim abordou a defesa da interessada: • (...) a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo à receita de código 2089, do período de apuração de 31/03/2004. Ocorre que em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil (telas impressas de fls. 30/32) verificase que o referido DARF encontrase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito Fl. 64DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900321/200933 Acórdão n.º 110100.548 S1C1T1 Fl. 63 4 passivo em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. • (...) o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado à divida ativa da União sem que se faça necessário o lançamento de ofício. O valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. • (...) é condição necessária – embora não suficiente – a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. E nos termos da legislação que rege a matéria, a alteração de informações prestadas em DCTF efetuase mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. • (...) a desconstituição do crédito confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTFRetificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. (...) • (...) No caso concreto, como permanece válida a confissão de dívida originalmente efetuada pela contribuinte, haja vista a não apresentação, ao que consta dos autos, de DCTFRetificadora, resulta notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão. (...) em se tratando de pedido de restituição o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. • Citando os arts. 15 e 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, destacou ser ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, já com sua peça impugnatória, as provas cuja produção encontrese em sua esfera de responsabilidade. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/02/2011 (p. 39 dos autos digitalizados), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/03/2011 (fls. 40/53 dos autos digitalizados). Argumenta que a constituição do crédito tributário por meio de DIPJ ou DCTF é provisória, e somente se torna definitiva com a homologação, sendo que, em caso de retificação da declaração antes desta homologação, seu objeto passa a ser o valor retificado. E, ressaltando que a constituição do crédito tributário por meio de DCTF não exclui a constituição por meio de DIPJ retificadora, e citando o art. 1o da Instrução Normativa SRF nº 166/99, a recorrente discorda da afirmação, contida na decisão recorrida, de que o crédito tributário resulta constituído com a apresentação da DCTF. Fl. 65DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900321/200933 Acórdão n.º 110100.548 S1C1T1 Fl. 64 5 Assevera, também, que o ônus de aprovar ou não a compensação é do Fisco, cabendolhe questionar as informações veiculadas em declarações retificadoras, e exigir a apresentação de documentos comprobatórios, na medida em que não é permitido à contribuinte juntar estes elementos no momento da retificação. Enquanto o Fisco assim não procede, os valores declarados estarão revestidos de veracidade. Reconhece que a prova é de quem alega, mas, na constituição do crédito tributário mediante entrega de declaração, as provas devem ser guardadas na forma do art. 37 da Lei nº 9.430/96, durante o prazo em que o Fisco pode examinálas. Menciona, também, que a autoridade julgadora não atentou para o disposto no art. 9o do Decreto nº 70.235/72, que exige a juntada dos elementos comprobatórios do ilícito para formalização da exigência de crédito tributário, atuando de forma parcial de modo a, apenas, ratificar as decisões dos agentes fiscais. Esclarece que a afirmação fiscal de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos declarados somente é verdadeira de desconsiderada a retificação da DIPJ. Acrescenta que a declaração retificadora foi juntada à impugnação, mas que em momento algum foi mencionada no relatório, como sendo uma prova sem valor, e não motivando o julgador, apresentando as razões que o levaram à aparente glosa injustificada. Reitera que, enquanto não promovida qualquer glosa em face da declaração apresentada, esta subsiste como prova do crédito alegado. E, ainda que a declaração não tivesse sido juntada, na medida em que ela está sob guarda do Fisco, caberia à autoridade julgadora comprovar se a documentação de renda apresentada está em conformidade com o que fora apresentado à época. Aduz que a autoridade julgadora deveria, ao menos, ter procedido a uma diligência para confirmação destas informações, ao invés de optar pela omissão e glosa arbitrária. Conclui estar provado que a argumentação apresentada, no despacho decisório e corroborada pelo órgão julgador de primeira instância, é fraca e insubsistente, pois não respeitou as regras legais consagradas nos diplomas legais, dentre as quais a devida motivação, juntada de provas que corroborem o despacho (Dec. 70.235/72), e negligência na análise das provas carreadas pela Recorrente aos autos, como a ventilada Declaração de Renda Retificadora. Transcrevendo os dispositivos legais que regem a compensação no âmbito da Receita Federal, reafirma a necessidade de motivação e de provas para a nãohomologação da compensação, citando também dispositivos da Lei nº 9.784/99. Novamente menciona a necessidade de que o Fisco intime a contribuinte a apresentar as provas que não foram juntadas à declaração retificadora, e a prevalência das informações nela prestadas enquanto não questionadas. Reportase, também, às hipóteses nas quais a compensação é considerada não declarada (art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96), para afirmar que não se consegue verificar no despacho decisório, nem as provas colacionadas e nem qual das hipóteses elencadas na lei que fora firmada a decisão, ou seja, com base em que regra legal a decisão está embasa (sic). Afirma que dentre as hipóteses previstas no referido dispositivo não se encontra o fato de o pagamento estar vinculado a débito declarado em DCTF, alegado pela autoridade julgadora. Destaca, mais uma vez, que a autoridade julgadora ignorou a DIPJ retificadora, e discorda da prevalência da declaração retificada, pois nada na legislação permite Fl. 66DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900321/200933 Acórdão n.º 110100.548 S1C1T1 Fl. 65 6 concluir que erro de procedimento do contribuinte resultasse na glosa de um direito líquido e certo. Reafirma a validade do que contido na DIPJ retificadora depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, e a necessidade de, na dúvida, se decidir em favor do contribuinte, que figura como parte hipossuficiente na relação jurídica. Quanto à menção à necessidade de DCTF retificadora, a recorrente aduz que não pode o julgador analisar algo, não carreados nos autos pelas partes, sem com isso avaliar as provas trazidas aos autos e anexas ao mesmo (sic). Reafirma as evidências do crédito presentes na DIPJ retificadora e na DCOMP, a possibilidade que tinha o Fisco de exigirlhe as demais provas necessárias, e, mais à frente, acrescenta que não foi apresentada a fundamentação legal para a exigência veiculada na decisão recorrida. Questiona se a DIPJ retificadora e a DCOMP nada valem na análise, e novamente aborda o ônus da prova, destacando que tem o dever de guarda, e não de juntada de provas como cópias de livros contábeis ou de demonstrações contábeis. Quanto aos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, acrescenta que poderia apresentar sua documentação contábil à época da elaboração do despacho decisório, mas ela não lhe foi requerida. Pede, assim, um julgamento eqüidistante e que, se for necessário que seja corrigido o despacho decisório, determinando que o agente fiscal intime a Recorrente para apresentar os livros, se não considerar válido os créditos pretendidos. Que aplique a multa em caso da não apresentação das retificadoras de forma correta, conforme preceitua a lei, mas que o faça sob a égide da lei, respeitando o princípio da legalidade e motivação, peculiares ao procedimento administrativo. Invoca a aplicação do art. 37 da Constituição Federal e do art. 2o da Lei nº 9.784/99, e cita excertos da obra de Celso Antonio Bandeira de Mello, para concluir que o despacho estava divorciado com o regramento legal. Acrescenta que no caderno processual administrativo, não se encontra carreados elementos que fundamentam a decisão do agente fiscal (sic). Complementa que a decisão recorrida foi omissa quanto à apreciação do fato da Recorrente ter informado DIPJRetificadora e ter anexado a presente, ofendendo o disposto no art. 31 do Decreto nº 70.235/72. Na medida em que os agentes fiscais não questionaram as informações prestadas nesta declaração, uma vez apresentada esta prova pela contribuinte, o ônus de desconstituila passa ao Fisco. Por fim, aborda os efeitos das declarações retificadoras, reportase ao dever de retificar a DCTF quando retificada a DIPJ (art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949/2001 e arts. 1o e 4o da Instrução Normativa SRF nº 166/99), mas aduz que o descumprimento desta norma não tem como penalidade a perda do crédito, até porque o próprio art. 2o, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 166/99 reconhece os efeitos da retificação da DIPJ para fins de restituição. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900321/200933 Acórdão n.º 110100.548 S1C1T1 Fl. 66 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A contribuinte alegou, em sua impugnação, que teria informado, em DIPJ, apuração de IRPJ em valor inferior à soma dos três recolhimentos de R$ 15.815,41, dos quais o primeiro foi confirmado na análise eletrônica da DCOMP nº 11142.65952.231006.1.7.044324. Embora não tenha juntado à sua defesa cópia da referida DIPJ, confirmase nos sistemas informatizados da Receita Federal que, no período indicado na DCOMP, constou da declaração retificadora apresentada em 25/11/2005, e processada sob nº 1288756, a apuração de IRPJ incidente sobre o Lucro Presumido no valor de R$ 45.467,71, bem como que três recolhimentos foram efetuados no valor principal de R$ 15.815,41, sendo a 2a e a 3a quotas acrescidas de juros e registradas sob nos 4037245192 e 4037543922. Tais elementos confirmam a alegação de que a retificação de DIPJ promovida pela recorrente evidencia pagamento a maior de IRPJ no valor de R$ 1.978,52, utilizado parcialmente na compensação aqui tratada. Relevante anotar que tal indébito foi também utilizado na DCOMP nº 12175.82080.290906.1.7.042793 (processo administrativo nº 10245.900223/200904), pelo valor de R$ 1.561,66, o qual, somado ao indébito aqui utilizado (R$ 416,88), não supera o pagamento a maior verificado pela diferença entre o débito informado na DIPJ Retificadora (R$ 45.467,71) e o valor principal recolhido (3 quota(s) de R$ 15.815,41). Cabe esclarecer, ainda, que a interessada também formalizou compensações de indébitos apurados em recolhimentos de COFINS e Contribuição ao PIS, as quais restaram, de igual forma, não homologadas, resultando em litígios já apreciados, em sua quase totalidade, pela 3a Seção de Julgamento deste Conselho, cuja 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, por meio dos Acórdãos nº 340101.262 a 340101.317, e 340101.365 a 340101.384, acolheu, à unanimidade, o voto do I. Conselheiro Emannuel Carlos Dantas de Assis, que concluiu pela nulidade da decisão recorrida com base nos seguintes fundamentos: Apesar de a Manifestação de Inconformidade estar centrada na existência de DIPJ retificadora, o acórdão recorrido tratou apenas da DCTF. Considerando que esta não foi retificada e seu valor coincide com o do recolhimento, julgou improcedente a inconformidade sem ao menos fazer menção à retificação da DIPJ. O voto nem ao menos cita a retificação da DIPJ, que para mim é tema crucial para o deslinde do litígio. Seria irrelevante a retificação? A DIPJ retificada deve ser confrontada com a DCTF ou, sem a retificação desta, deve ser simplesmente desprezada? A circunstância de a retificação ter sido anterior à DCOMP tem alguma importância? São indagações a serem respondidas, de modo a completar a fundamentação do acórdão recorrido. Houve, então, omissão do acórdão recorrido, no que desprezou por completo a retificação da DIPJ. E como essa omissão caracteriza preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, necessita ser sanada, sob pena de supressão de instância. Diante da possibilidade deste Colegiado decidir em desfavor da Recorrente, se considerar que a DCTF (não retificada) deve prevalecer Fl. 68DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900321/200933 Acórdão n.º 110100.548 S1C1T1 Fl. 67 8 sobre a DIPJ retificadora, apresentase inaplicável o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72.1 Para a correição do feito fazse necessário que a DRJ trate da retificação da DIPJ, podendo, se julgar pertinente, determinar diligência visando investigar os valores informados pela Recorrente. Afinal, a confissão em DCTF é relativa e admite provas em contrário, cabendo ainda admitir sua retificação se demonstrado, pelo contribuinte, que os valores nela consignados são superiores aos realmente devidos. Para verificação desses valores, pode ser conveniente análise da contabilidade, da escrita fiscal e de documentos fiscais dos perídos em questão. De todo modo, a retificação da DIPJ há de analisada pela DRJ – com ou sem realização de diligência, ao seu juízo, que deve produzir novo acórdão em substituição ao ora anulado. Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância o complemente, pronunciandose, também, sobre a DIPJ retificadora. Em seguida ao novo acórdão a ser prolatado deve ser reaberto o prazo para eventual recurso voluntário, tudo conforme o rito do Decreto nº 70.235/72. Contudo, ante a confirmação, junto aos sistemas da Receita Federal, das informações alegadas pela recorrente em sua impugnação, vislumbrase aqui a possibilidade de aplicação do art. 59, §3o do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: Fl. 69DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900321/200933 Acórdão n.º 110100.548 S1C1T1 Fl. 68 9 “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.189 49/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Fl. 70DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900321/200933 Acórdão n.º 110100.548 S1C1T1 Fl. 69 10 Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900321/200933 Acórdão n.º 110100.548 S1C1T1 Fl. 70 11 §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que Fl. 72DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900321/200933 Acórdão n.º 110100.548 S1C1T1 Fl. 71 12 expressou a nãohomologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não Fl. 73DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900321/200933 Acórdão n.º 110100.548 S1C1T1 Fl. 72 13 apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 74DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900321/200933 Acórdão n.º 110100.548 S1C1T1 Fl. 73 14 Declaração de Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Quando a Administração pratica algum ato que tem por base apenas declaração do próprio contribuinte e o contribuinte refuta ou retifica a declaração, o ato deve ser reformado, pois perde sua base fática. Isso porque, se é verdade que a Administração pode praticar seus atos considerando apenas as próprias declarações do contribuinte, também é verdade que as declarações podem ser retificadas ou infirmadas. Assim, se a Administração se acomoda em adotar como único elemento de convicção uma declaração, fica sujeita a ver seu ato reformado, quando o conteúdo desta declaração é alterado por quem a declarou, quer pela negativa do conteúdo, quer por uma retificação, quer por outra declaração com conteúdo divergente. Já manifestei meu entendimento sobre a questão em voto sobre situação semelhante, que transcrevo abaixo (negritei): ... Assim, o lançamento decorre da convicção do Fisco de que a compensação informada pelo contribuinte era de fato feita com base nos DARFs indicados e na constatação de que estes eram insuficientes. Noutro giro, esta convicção decorre na crença de que a DCTF informasse corretamente a forma pela qual foi feita a compensação. Talvez, até o lançamento tenha decorrido da crença de que os fatos informados em DCTF tornemse verdades absolutas e não possam ser retificados. No entanto, nenhuma destas crenças é pertinente, pois a retificação da DCTF é admitida, já que, como qualquer declaração de informação, pode conter erros. Inclusive, a retificação de DCTF não exige a prova de erro em que se fundamente, como demonstra o art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. A regra pode servir de parâmetro na verificação dos requisitos impostos pela própria RFB para a retificação de DCTF. O texto é o seguinte: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; Fl. 75DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900321/200933 Acórdão n.º 110100.548 S1C1T1 Fl. 74 15 b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Como visto acima, a disciplina posta pela Receita Federal para as alterações da DCTF não obrigam que o contribuinte tenha de comprovar o erro que motiva a alteração. As restrições apenas visam disciplinar as alterações com o instituto da espontaneidade, da inscrição em dívida ativa, e mudança do órgão que administra o título executivo constituído por débitos em aberto. Portanto, o contribuinte pode alterar o que informou em DCTF sem ter que, para isso, provar o seu erro anterior. Também no CTN não consta nenhuma exigência para retificação de DCTF. A única restrição feita no Código sobre retificação de declaração, é posta no art. 147, e referese a retificação de declaração preparatória de lançamento, relativa a tributo lançado por declaração e asssim mesmo aos casos em que esta nova declaração vise reduzir tributo. Ou seja, a única restrição legal se refere a alteração da declaração do sujeito passivo que será usada pela Administração para efetuar com base nela o lançamento, dentro da sistemática dos tributos lançados por declaração. Apenas este tipo de declaração é que sofre a exigencia de que o contribuinte precisa provar o erro que motiva a retificação. As outras declarações a que os contribuintes estão obrigados, não sofrem a restrição feita pela pelo art. 147 do CTN. Assim, submetemse a regra geral que é a da liberdade de modificar o informado sem necessidade de demosntrar o erro que justifique a retificação. Tal regra decorre do princípio constitucional de que o administrado não é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Assim, no caso concreto, era (ou deveria ser) de conhecimento do Fisco que a DCTF poderia estar errada e poderia ser infirmada pelo contribuinte a qualquer Fl. 76DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900321/200933 Acórdão n.º 110100.548 S1C1T1 Fl. 75 16 tempo, sem maior ônus para este do que a simples afirmação do erro. Deste modo, percebese que foi uma opção consciente do Fisco efetuar o lançamento com os poucos dados que ele tinha sobre a questão. O Fisco preferiu se abstrair da realidade, para considerar apenas as informações da DCTF. A fragilidade do lançamento decorre da opção do Fisco pelo nível de investigação dos fatos. Tal como alega o contribuinte, o Fisco, ao constatar que a compensação informada na DCTF não podia ser admitida por falta de crédito, podia e devia ter intimado o contribuinte a esclarecer a matéria. Deveria ter intimado o contribuinte a esclarecer a origem do crédito que fundamentava a compensação indicada. Ao não fazêlo, conformouse em trabalhar com uma situação instável, que poderia ser alterada unilateralmente pelo contribuinte. Bastaria que o contribuinte infirmasse, tal como fez, a compensação declarada e afirmasse que o crédito teria outra origem, que o lançamento perderia sua base fática. Também, vale destacar que a DCTF não era um instrumento pelo qual se solicitasse compensação, mas apenas um instrumento de informação. Recapitulando, é preciso ter em mente que, na época, a DCTF apenas indicava uma compensação que foi feita na contabilidade do contribuinte. Também, é preciso considerar que a DCTF não era um veículo de pedido de compensação, que pudesse ser deferido ou indeferido nos termos em que fosse solicitado, mas era um veículo meramente informativo quanto a compensação feita e registrada na contabilidade. Por isso, a compensação informada na DCTF não está sujeita ao crivo de ser ou não concedida, mas sim ao crivo de ser ou não considerada correta. ... Dentro dos poderes atribuídos ao Fisco para desempenho de sua função, não existe a prerrogativa substituir a investigação da matéria tributável por uma investigação de declaração sobre a matéria tributável. Caso o Fisco opte por investigar apenas os fatos declarados, e não a matéria sobre a qual pretende se manifestar, assume o risco de ver suas presunções feitas com base na declaração refutadas pela simples retificação. O ônus de provar que a compensação eventualmente estivesse errada era do Fisco. Não é razoável pretender inverter este ônus sem haver uma previsão legal para tanto. Portanto, não se pode pretender, como quis a DRJ, que o contribuinte tenha de comprovar sua compensação, sem que ninguém o tenha intimado a fazer isso, apenas porque o Fisco suspeitou da compensação declarada na DCTF. ... Não havendo regra que torne imutável o informado em declaração, não havendo regra que exija a comprovação para retificação de declaração, o uso da declaração como elemento de convicção para autuação é frágil e pode ser refutado pela simples negativa. Isso porque a matéria tributável não é o retratado na declaração, mas sim a que de fato ocorreu. Além disso, no presente caso, o ato da Administração foi praticado tendo por base a DCTF, mas desconsiderando a DIPJ, embora ambas as declarações estivessem disponíveis. Deste modo, mesmo antes do ato, o contribuinte já apresentava elementos divergentes de sorte que era absolutamente impróprio que a Administração considerasse apenas uma das declarações, em detrimento da outra. Essa situação de divergência, por sí só já obrigava que a Administração aprofundasse suas investigações, para analisar a divergência entre as declarações e para buscar elementos que entendesse corroborar sua convicção sobre os fatos. Mas, não foi este o caminho trilhado. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900321/200933 Acórdão n.º 110100.548 S1C1T1 Fl. 76 17 O ato administrativo foi praticado e foi impugnado. Para demonstrar a impertinência do conteúdo da DCTF o contribuinte alega o conteúdo de sua DIPJ. Dessa forma o contribuinte infirma a sua DCTF e, com isso, retira as bases fáticas do despacho. Por tais razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Fl. 78DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 18471.002435/2003-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2002, 2003
Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. Constatada
omissão do acórdão embargado que deixou de expor fundamento de decidir, acolhe-se os embargos para suprir a omissão e adequar o conteúdo do acórdão a estes fundamentos.
Embargos acolhidos.
Acórdão retificado.
Numero da decisão: 2201-001.184
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, retificando o acórdão nº 220100444,
dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada sobre os rendimentos de R$ 35.000,00, e manter o item 5 com a redução dos valores relacionados à omissão reconhecida (R$ 35.000,00) e os rendimentos oferecidos à tributação na declaração de ajuste (R$ 66.612,80).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002, 2003 Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. Constatada omissão do acórdão embargado que deixou de expor fundamento de decidir, acolhe-se os embargos para suprir a omissão e adequar o conteúdo do acórdão a estes fundamentos. Embargos acolhidos. Acórdão retificado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, retificando o acórdão nº 220100444, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada sobre os rendimentos de R$ 35.000,00, e manter o item 5 com a redução dos valores relacionados à omissão reconhecida (R$ 35.000,00) e os rendimentos oferecidos à tributação na declaração de ajuste (R$ 66.612,80).
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OMISSÃO. Constatada omissão do acórdão embargado que deixou de expor fundamento de decidir, acolhese os embargos para suprir a omissão e adequar o conteúdo do acórdão a estes fundamentos. Embargos acolhidos. Acórdão retificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, retificando o acórdão nº 220100444, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada sobre os rendimentos de R$ 35.000,00, e manter o item 5 com a redução dos valores relacionados à omissão reconhecida (R$ 35.000,00) e os rendimentos oferecidos à tributação na declaração de ajuste (R$ 66.612,80). Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 08/06/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Rayana Alves de Oliveira França. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 08/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 2 Relatório Cuidase de Embargos declaratórios interpostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 220100.444. Afirma o Embargante, em síntese, que o acórdão embargado afastou a exigência da multa exigida isoladamente quando a matéria não foi objeto de impugnação ou de recurso. Observou que, inclusive, a decisão de primeira instância ressaltou que a matéria não foi impugnada, declarando definitiva a exigência em relação a ela, e que também a própria decisão recorrida admitiu não ter havido recurso em relação ao tema. Diante do exposto, a Embargante pede o pronunciamento do Colegiado sobre a questão, modificando a decisão, de for o caso. É o relatório. Voto Os embargos foram interpostos tempestivamente. Fundamentação Afirma a Embargante, em síntese, que o acórdão embargado teria se manifestado sobre matéria em relação à qual, reconhecidamente, não se instaurou o contraditório. Compulsando os autos verifico que, de fato, a decisão de primeira instância declarou expressamente que sobre a multa isolada não se instaurou o litígio, considerando definitiva a exigência em relação a esta parte do lançamento. Já o acórdão embargado apreciou o mérito do lançamento neste ponto, afastando a exigência. Compulsando os autos verifico que embora o Recorrente não conteste especificamente a exigência da multa isolada, manifesta irresignação contra a exigência da multa, e isto basta para caracterizar o litígio relativamente a este aspecto do lançamento. O lançamento compreende a exigência de imposto e multa e, em regra, os impugnantes articular razões de defesa quanto aos fundamentos da autuação relativamente ao imposto e, quanto à multa, se limitam a manifestar, genericamente, a inconformidade contra a penalidade ou às vezes nem isso. Mas insto não significa que divergem do lançamento quanto ao imposto e se conformam quanto à exigência da multa. É o que se tem neste caso. Aqui se o Contribuinte deixou de articular razões contra a multa é porque entendeu que já havia demonstrado suficientemente sua irresignação contra o lançamento como um todo ao contestar a exigência do imposto. Nestas condições, penso que se instaurou sim o litígio em relação a este ponto e que, portanto, se houve omissão do acórdão recorrido, foi o de não ter explicitado Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 08/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 18471.002435/200369 Acórdão n.º 220101.184 S2C2T1 Fl. 2 3 melhor as razões que levaram ao exame e acolhimento da defesa quanto a esta matéria e é somente neste aspecto que conheço dos presentes embargos. Notase, todavia, que o acórdão recorrido afastou a multa isolada sob o fundamento de que a mesma fora exigida com concomitância. Porém, observase que apenas parte da multa incidiu sobre rendimentos considerados omitidos, no valor de R$ 35.000,00, os quais, portanto, também foram objeto de autuação por omissão de rendimentos, caracterizando a concomitância; a parte restante da multa isolada incidiu sobre rendimentos que foram declarados pelo Contribuinte, e sobre estes não houve aplicação de outra penalidade além da multa isolada. Cumpre, pois, retificar o acórdão para manter a exclusão da multa isolada apenas com relação à parte em que se verifica a ocorrência da concomitância. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de acolher os embargos para, retificando o acórdão recorrido, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para excluir a multa isolada, que incidiu sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 35.000,00, e manter o item 5 com a redução dos valores relacionados à omissão reconhecida (R$ 35.000,00) e os rendimentos oferecidos à tributação na declaração de ajuste (R$ 66.612,80). Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 08/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI
score : 1.0
Numero do processo: 13736.001637/2008-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HIPÓTESES DE ISENÇÃO.
As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei no. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.074
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Acácia Sayuri Wakasungi
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Participaram da sessd Nunes Campos, Vanessa Pereira Rod Rodrigues Pereira Lima, Rubens Maurici de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian gues Domene, Ntabia Matos Moura, Carlos André • Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Assim, contra ANÍSIO DE SOUZA SIMÕES foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 03/08, para alterar o resultado da Declaração de Ajuste Anual (DAA), ano- calendário 2004, exercício 2005, sendo que confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirt), para o titular constatou-se omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 6.972,25 percebido das fontes pagadoras. Na apuração do imposto devido, nada havia a ser compensado. Em síntese, o presente processo fiscal de lançamento, fora lavrado após o processamento da declaração de ajuste e resultado da solicitação de retificação de lançamento - SRL, por omissão de rendimentos recebidos. Cientificado, o recorrente insurgiu-se contra o lançamento focando primordialmente o inciso III do art 1° da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa fisica e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação, tendo juntado documentos, fls. 03/16. A DRJ em acordão tombado sob o n°. 13-22.343 - l a . Turma da DRJ/RJOII , em sessão de julgamento datado de 26/11/2008, julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, fls. 21/25, tendo a seguinte ementa que ora transcrevo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Lançamento Procedente" Cientificada, por AR em 20/12/2008, fls. 29, o contribuinte apresentou, em 15/01/2009, recurso voluntário, fls. 28/29, onde repisa os argumentos elencados na impugnação ao auto de lançamento, aduzindo ainda que de acordo com a Lei Federal no 8.852/94, em seu art. 1°, inc. III, o IRPF não incidiria sob as parcelas relativas aos vencimentos dos militares/servidores civis, entre outras: Gratificação de tempo de serviço; gratificação ou adicional natalino, ou 13° Salário, Compensação Orgânica e Salário Família. É 0 RELATÓRIO. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi 0 recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Em sede de recurso, não foram apresentados novos argumentos ou elementos de prova para contestar as razões utilizadas pelo relator do voto do acórdão da DRJ, apenas foi solicitada novamente que fosse aceita a tese de isenção sobre parcelas referentes a Processo n° 13736.001637/2008-26 S2-C I 1 2 Acórdão n° 2102-01.074 Fl. 32 Compensação Orgânica e Adicional de Tempo de Serviço e Compensação Orgânica, conforme a Lei 8.852, de 1994. De outro lado, o acórdão recorrido, foi minucioso acerca da impossibilidade legal e fática para que seja aceita a tese da defesa, conforme se vê no voto do julgamento prolatado pela de primeira instância que, aqui transcrevo, em partes: O Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66, define no artigo 43 o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. A Lei 7.713/88, em seu art 3 0, § 10, dispõe que o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (renda), os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, ressalvadas as disposições dos artigos 90 a 14 desta mesma Lei. Ademais, o § 40 do art 3° da Lei 7.713/88 define que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. Todavia, normas legais determinam a exclusão do rendimento bruto, para fins de incidência do imposto de renda da pessoa fisica, por serem isentos ou não tributáveis. Estas exclusões estão elencadas no artigo 39 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). A Lei 8.852/94 dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § I°, da Constituição Federal, além de dar outras providências, mas não contempla em seu artigo 1°, Ill, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa física. 0 artigo 10 da Lei 8.852/94 define meramente aquilo que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para aplicação dos seus dispositivos. Com efeito, não outorga isenção ou enumera hipóteses de não incidência de imposto, mesmo porque, lei que concede isenção deve ser especifica, nos termos do § 6° do artigo 150 da CF/88, ou seja, deve tratar exclusivamente da matéria isentiva ou de determinada espécie tributária. As alíneas de "a" até "r" no inciso III do art 1° da Lei 8.852/94 são exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de imposto de renda da pessoa física, em outras palavras, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do imposto sobre a pessoa física, mas sim, repita-se, de sua exclusão do conceito de remuneração para os objetivos da Lei 8.852/94. Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. No presente processo está clara pela instrução, provas prestadas e confirmadas pelos próprios interessados, que a parcela tributada não é isenta, pois, a Lei 8.852, de 1994 não é competente e não teve o objetivo de definir a isenção tributária sobre o IRPF, obrigando que a autoridade fiscal, em função da seu dever de oficio, promovesse o lançamento atendendo a legislação tributária vigente. Ademais essa matéria sobre o efeito da Lei 8.852, de 1994 ern matéria tributária em tela já fora tema debates neste CARF, havendo pois, uniformidade de entendimentos: taldo correto o lançamento e, por conseguinte, não a instância, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. akasugi - Relatora Dest merecendo reparos forma, isdo de prim, ayuri Processo n°. : 13701.000384/2006-17 Recurso n°. : 155.978 Matéria : 1RPF - Ex(s): 2002 Sessão de : 25 de maio de 2007 Acórdão n°. : 104-22.484 IRPF - RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS SERVIDORES PÚBLICOS A Lei n°. 8.852, de 1994, não veicula isenção do imposto de renda das pessoas físicas. As verbas recebidas a titulo de adicional por tempo de serviço, adicional de férias e gratificação constituem renda ou acréscimo patrimonial e devem ser tributadas, A mingua de enunciado isentivo na legislação. Recurso negado. Assim, constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigênc : 4
score : 1.0
Numero do processo: 11080.000402/2003-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2002
Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não provada violação
das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA DE MORA ESPONTANEIDADE
– A aplicação dos efeitos da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN se limita à exclusão da responsabilidade por
infração à legislação tributária, que não é o caso da multa de mora, cuja natureza é indenizatória.
DIRPF. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. MULTA – As pessoas
físicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no ano-calendário.
O adimplemento da obrigação acessória fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do saldo do imposto a pagar, respeitado o limite do valor máximo de vinte por cento do imposto a pagar e o limite do valor mínimo de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos.
Preliminar rejeitada
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-000.998
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA DE MORA ESPONTANEIDADE – A aplicação dos efeitos da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN se limita à exclusão da responsabilidade por infração à legislação tributária, que não é o caso da multa de mora, cuja natureza é indenizatória. DIRPF. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. MULTA – As pessoas físicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no ano-calendário. O adimplemento da obrigação acessória fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do saldo do imposto a pagar, respeitado o limite do valor máximo de vinte por cento do imposto a pagar e o limite do valor mínimo de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos. Preliminar rejeitada Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2163; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.000402/200339 Recurso nº 165.656 Voluntário Acórdão nº 220100.998 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2011 Matéria MAED Recorrente ILTON CARLOS DEL ANDRÉA Recorrida DRJPORTO ALEGRE/RS Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA DE MORA ESPONTANEIDADE – A aplicação dos efeitos da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN se limita à exclusão da responsabilidade por infração à legislação tributária, que não é o caso da multa de mora, cuja natureza é indenizatória. DIRPF. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. MULTA – As pessoas físicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário. O adimplemento da obrigação acessória fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do saldo do imposto a pagar, respeitado o limite do valor máximo de vinte por cento do imposto a pagar e o limite do valor mínimo de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos. Preliminar rejeitada Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 16/03/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França Relatório ILTON CARLOS DEL ANDRÉA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJPORTO ALEGRE/RS (fls. 28) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 14, para exigência de Multa pelo Atraso na Entrega da Declaração – DIRPF/2002, no valor de R$ 2.282,49. Segundo a notificação de lançamento, a multa foi aplicada no percentual de 8%, correpondente a 6 (seis) meses de atraso (data da entrega em 28/10/2002), e calculada sobre o valor do imposto devido apurado na declaração, de R$ 38.041,50). O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/13 na qual arguiu, preliminarmente, a nulidade do lançamento sob a alegação de que não foram cumpridas as formalidades legais mínimas, como a lavratura de termo de inicio de fiscalização e a verificação da materialidade da ocorrência do fato gerador. Quanto ao mérito, sustenta que é indevida a exigência da multa, pois apresentou a declaração, embora com atraso, espontaneamente. Argumenta, ainda, que, no caso de ser devida a multa, esta deveria ser aplicada no valor de R$ 165,74, conforme previsto no § 6º, inciso I do art. 964, do RIR/99. Ainda quanto ao mérito, diz que a multa foi calculada sobre uma base de cálculo inexistente, pois não foi apurado imposto imposto a pagar na declaração, mas imposto a restituir, questionando oalcançe da locução “imposto devido” constante na legislação.sustenta que a base de cálculo deveria ser o imposto a pagar efetivamente apurado na declaração. Por fim afirma que a multa no valor aplicado é abusiva. A DRJPORTO ALEGRE/RS julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Quanto à arguição de nulidade do lançamento, a DRJ ressalta que o lançamento operouse de acordo com o que determina o art. 142 do CTN, não se identificando nenhum vício no procedimento. Sobre a alegada denúncia espontânea, a decisão de primeira instância observou que este instituto não alcança a práticas do ato puramente formal de entrega da declaração de rendimentos, pois se trata de obriação acessória, sem vinculação direta com o fato gerador do tributo. Observou também que o Impugnante estava obrigado a apresentar a Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 11080.000402/200339 Acórdão n.º 220100.998 S2C2T1 Fl. 2 3 declaração e que o fez conm atraso, sujeitandose à penalidade pelo cumprimento a destempo da obrigação acessória. A DRJ analisou a legislação que rege a matéria e a situação fática, econcluindo pela regularidade da autuação. Quanto à alegada abusividade do valor da multa , anotou que a exigência baseiasse em disposição legal expressa e que não cabe aos órgãos julgadores administrativos fazerem juízo sobre a validade ou não de norma regulamente inserida no ordenamento jurídico. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 21/11/2007 (fls. 35) e, em 05/12/2007, interpôs o recurso voluntário de fls. 36/50, que ora se examina, e no qual reproduz, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É o realtório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, cuidase de lançamento para aplicação de multa pelo atraso na entrega da declaração. O Contribuinte se insurge contra a autuação, inicialmente, arguindo a nulidade do lançamento sob a alegação de que não foram observadas formalidade legais como a lavratura de termo de início de fiscalização e a observação da materialidade do fato gerador. A alegação, todavia, não procede. Tratase aqui de mera aplicação de multa em razão da entrega da declaração com atraso, sendo o próprio fato, a entrega com atraso da declaração, o único elemento necessário para a caracterização da hipótese de incidência da multa. Não se trata, portanto, de situação que exija apuração ou esclarecimentos por parte do contribuinte e de terceiros. Nestas condições, a autuação pode e deve ser feita sem a necessidade da abertura formal de procedimento fiscal. Vale ressaltar, aliás, que no âmbito da Secretaria da Receita Federal, o procedimento fiscal é regido pelo Decreto nº 3.724, de 2001 e normas complementares, ato que instituiu o Mandado de Procedimento Fiscal e que no § 3º, inciso IV, do art. 2º relaciona entre as hipóteses de desnecessidade de emissão de mandado de Procedimento Fiscal, os procedimentos relativos ao tratamento automático das declarações, a saber: § 3o O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 I realizado no curso do despacho aduaneiro; II interno, de revisão aduaneira; III de vigilância e repressão ao contrabando e descaminho, realizado em operação ostensiva; IV relativo ao tratamento automático das declarações (malhas fiscais). É o caso do lançamento da multa pelo atraso na entrega da declaração, que decorre da verificação automática, pelos próprios sistemas da SRF, do cumprimento da obrigação acessória no prazo regulamentar. Por fim, sobre este ponto, registrese que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF editou súmula em que consolida o entendimento de que o Fisco pode proceder a lançamento, sem necessidade de prévia intimação ao contribuinte, quando dispuser de elementos suficientes para a verificação da infração, in verbis: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Portanto, não vislumbro qualquer vício quanto a este aspecto. Quanto à verificação da materialidade do fato gerador, não me parece que a questão se aplique ao caso. De qualquer forma, a materialidade, no caso, é a da verificação da infração e esta está claramente demonstrada na autuação. Rejeito, pois, a preliminar de nulidade do lançamento. Quanto ao mérito, relativamente à alegação de denúncia espontânea, a questão está pacificada no âmbito deste Conselho que editou súmula que consolida a jurisprudência, a saber: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicase, pois, ao caso a referida súmula. Quanto à abusividade da multa, vale ressaltar que a exigência tem origem em lei, cabendo ao agente administrativo apenas aplicála ao caso concreto. A multa tem previsão no art. 964, do RIR/99, que consolida a legislação do Imposto de Renda, a saber: Art. 964. Serão aplicadas as seguintes penalidades: I – multa de mora: a) de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, nos casos de falta de apresentação da declaração de rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo, ainda que o imposto tenha sido pago integralmente, observado o disposto nos §§ 2ºe 5º deste artigo (Lei n2 8.981, de 1995, art. 88, inciso I, e Lei n 2 9.532, de 1997, art. 27); II multa: , Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 11080.000402/200339 Acórdão n.º 220100.998 S2C2T1 Fl. 3 5 a) de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos a seis •mil, seiscentos e vinte nove reais e sessenta centavos no caso de declaração em de que não resulte imposto devido (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, inciso II, e Lei n2 9.249, de 1995, art. 30); [...], § 5º A multa a que se refere a alínea "a" do inciso I deste artigo, é limitada a vinte por cento do imposto devido, respeitado o valor mínimc de que trata o § 2º (Lei n2 9.532, de 1997, art. 27). Como se verifica, a autuação limitouse a aplicar o quanto disposto no inciso I, “a” do art. 964, acima reproduzido. E, como ressaltou a decisão de primeira instância, não cabe aos órgãos julgadores administrativo fazerem juízo a respeito da validade de normas regularmente inseridas no ordenamento jurídico e muito menos negarlhes validade com base em juízo subjetivo sobre os impactos econômicos se sua aplicação. Finalmente, o Contribuinte questiona a base de cálculo do lançamento e sustenta a tese de que esta deveria ser o valor a pagar apurado na declaração, após descontado o imposto retido na fonte. Esta interpretação, contudo, não merece prosperar. O imposto retido na fonte é mera antecipação do imposto devido apurado na declaração e o próprio dispositivo que prevê a incidência da multa é claro ao fixar como base de cálculo o “imposto devido”, “ainda que o imposto tenha sido pago integralmente”. A retenção do imposto na fonte é um mero pagamento antecipado do imposto apurado na declaração, e tanto é assim, que quando se apura imposto maior do que o retido, se promove a restituição. Correto, portanto, o lançamento também quanto a este aspecto. Feitas todas estas considerações concluo, pois, que o lançamento é hígido quanto a seus aspectos formais e materiais. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar e nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 13855.000197/2004-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2002
Ementa: IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Em condições normais, o recibo é documento hábil para comprovar o
pagamento de despesas médicas. Entretanto, diante de indícios de
irregularidades, é lícito ao Fisco exigir elementos adicionais que comprovem a efetividade dos serviços prestados e dos pagamentos realizados, sem os quais justifica-se a glosa da dedução.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.053
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar
provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França, Guilherme Barranco de Souza e Gustavo Lian Haddad que davam provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Em condições normais, o recibo é documento hábil para comprovar o pagamento de despesas médicas. Entretanto, diante de indícios de irregularidades, é lícito ao Fisco exigir elementos adicionais que comprovem a efetividade dos serviços prestados e dos pagamentos realizados, sem os quais justificase a glosa da dedução. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França, Guilherme Barranco de Souza e Gustavo Lian Haddad que davam provimento ao recurso. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 15/04/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Fl. 88DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Relatório RICARDO FERNANDES DA COSTA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSÃO PAULO/SP II (fls. 67) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 57/63, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF suplementar, referente ao exercício de 2002, no valor de R$ 1.727,53, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 3.590,14. DEDUÇÃO INDEVIDA A TÍTULO DE DESPESAS MÉDICAS, TENDO EM VISTA A FALTA DE COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA, SOLICITADA POR INTIMAÇÃO, DO EFETIVO DESEMBOLSO DOS VALORES PAGOS, TODOS EM DINHEIRO, EM RELAÇÃO'AOS RECIBOS DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS APRESENTADOS DOS SEGUINTES PROFISSIONAIS: RENATA CLÁUDIA. EMER R$ 9.000,00, LEANDRA KROLL R$ 8.000,00, 1 RONEI LUIZ SANTOS R$ 10.000,00 E ANA CAROLINA M. COMPARINI R$ 6.000,00. ENQUADRAMENTO LEGAL: ART. 8, INCISO II, ALÍNEA A E PARÁGRAFOS 2 E 3 DA LEI 9.250/95; ARTS. 43 A 48 DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 15/2001.ART. 80, INCISO III, DO RIR (DECRETO 3.000/99). O Contribuinte impugnou o lançamento, aduzindo, em síntese, que não existe comprovação das impressões e presunções que resultam na autuação fiscal; que os recibos juntados e as declarações dos profissionais foram considerados arbitrariamente inidôneos e inábeis pela fiscalização; que caberia á Receita Federal provar a inidoneidade dos documentos. Por fim, disse que estava juntando declarações e recibos que comprovam os serviços prestados ao próprio Contribuinte e a seus filhos. A DRJSÃO PAULO/SP II julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que, nos casos de dúvidas quanto à idoneidade dos recibos apresentados para comprovar despesas médicas, o Fisco poderia, como fez, exigir elementos adicionais de provas da efetividade da prestação dos serviços e dos pagamentos efetuados; que, no caso, o Contribuinte, intimado a fazer tal prova, não o fez. Acrescentou que, embora o Contribuinte alegue que fez os pagamentos em espécie, verificando os extratos bancários apresentados, observou que não existe coincidência ou proximidade entre saques e pagamentos. Argumentou também que, apesar de afirmar que fez os pagamentos em dinheiros, em valores elevados, o Contribuinte emite cheques de pequenos valores. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 16/01/2008 (fls. 73v) e, em 15/02/2008, interpôs o recurso voluntário de fls. 78/81 no qual contesta os fundamentos da decisão recorrida, dizendo que os elementos por ele apresentados comprovam as deduções, como declarações dos profissionais e extratos bancários que demonstram a ocorrência de saques, e que os julgadores de primeira instância rejeitaram essas provas com base apenas em presunções. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 13855.000197/200418 Acórdão n.º 220101.053 S2C2T1 Fl. 2 3 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, a infração objeto da autuação decorre de glosas de deduções de despesas médicas, sob o fundamento de que o Contribuinte não comprovou a efetividade dos pagamentos e da prestação dos serviços. Quanto ao mérito, o cerne da questão está na definição a respeito da comprovação ou não das despesas médicas por parte do Contribuinte, considerando as circunstâncias deste processo. Isto é, se os elementos apresentados pelo Contribuinte, com destaque para os recibos, são suficientes para fazer tal prova ou se, diante da falta da comprovação da efetividade dos pagamentos, podese considerar não comprovada a despesa. Sobre esta questão, tenho me posicionado no sentido de que, em regra, os recibos fornecidos pelos profissionais são suficientes para comprovar a prestação dos serviços e os respectivos pagamentos e, portanto, para comprovar a despesa. Porém, diante de indícios de que pode não ter havido tal prestação de serviços ou pagamento, é lícito o Fisco exigir elementos adicionais de prova. Vejase como exemplo, os seguintes julgados: IRPF DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO DOCUMENTOS INIDÔNEOS Em condições normais, o recibo é documento hábil para comprovar o pagamento de despesas médicas. Entretanto, diante das evidências de que o profissional praticava fraude na emissão de recibos, tendo sido formalmente declarada a inidoneidade dos documentos por ele emitidos, é lícito o Fisco exigir elementos adicionais que comprovem a efetividade dos serviços prestados e do pagamento realizado. (Ac. 10421838, de 17/08/2006) DEDUÇÕES DESPESA MÉDICA GLOSADA ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de meios probatórios consistentes, comprovar a efetividade da despesa médica para afastar a glosa. (Ac. 10246467, de 22/03/2006) A teoria da prova distingue a prova em si, que é a demonstração de um fato, dos meios de prova, que são os recursos que se pode lançar mão para fazer tal demonstração. Pois bem, o processo administrativo tributário brasileiro, por um lado, admite variados meios de prova: documento, diligência,. perícia, indício, presunção, e, por outro lado, atribui ao julgador a liberdade de apreciar e valorar essas provas de acordo com o seu livre convencimento, que, por sua vez, deve ser fundamentado. A legislação do Imposto de Renda, ao tratar da dedução de despesas médicas, é clara ao determinar a necessidade da comprovação da despesa pelo contribuinte, como não poderia deixar de ser, mas em momento algum especifica o recibo como meio de prova; o dispositivo referese a “documentação”, e elege a cópia do cheque como meio de prova que pode substituir todos os demais. Vejamos: Fl. 90DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 Lei nº 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: [...] III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Não há dúvidas, portanto, de que um recibo supostamente emitido por um profissional da saúde, atestando que prestou serviços a uma determinada pessoa e que recebeu dela certa quantia, como remuneração, é um elemento de prova, mas não é a prova em si. Dito isto, penso que, em condições normais, quando há proporcionalidade entre a dedução pleiteada e os rendimentos declarados, quando os valores e os procedimentos envolvidos são compatíveis com no que se verifica entre as pessoas comuns, e não se identifica nenhum outro indício de irregularidade, não há razão para não se aceitar o recibo como elemento suficiente para comprovar essa despesa. Porém, considerando operações envolvendo valores relativamente elevados, que comprometam parcela da renda acima do comum, é lícito ao Fisco exigir outros elementos de prova, e cabe ao julgador valorar as provas levando em conta essas circunstâncias especiais. Por outro lado, não se pode desprezar o fato de que é comum a prática de emissão de recibos inidôneos e/ou fornecidos graciosamente por alguns profissionais os quais são utilizados por alguns contribuintes para pleitear deduções indevidas, fato, aliás, bastante conhecido pelos Conselheiros desta casa que, não raro, de deparam com processos envolvendo este tipo de situação. Ignorar este fato e pretender que o Fisco, como regra, admita o recibo como prova suficiente da despesa, ainda que diante de indícios em sentido contrário, implica em favorecer a prática desse tipo de infração. Notese que não se trata aqui de simplesmente recusar o recibo como meio de prova, de assumir que o documento é frio, inidôneo, mas de buscar elementos adicionais de convencimento que dissipem dúvidas que eventualmente pairem a respeito da efetividade da operação, o que não deveria significar nenhuma dificuldade para o contribuinte. A reunião de elementos de prova da efetividade de um pagamento em valores significativos não é algo tão difícil e poderia ser feita, por exemplo, mediante a indicação de cópia de cheque ou da transferência bancária dos recursos. A propósito desse ponto, embora não haja obrigatoriedade de que os contribuintes realizem seus pagamentos por meio de operação bancária, podendo Fl. 91DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 13855.000197/200418 Acórdão n.º 220101.053 S2C2T1 Fl. 3 5 fazêlo em espécie, convenhamos que tal prática nos dias atuais, tratandose de valores expressivos, é excepcional, para dizer o mínimo. Mas, mesmo assim, mesmo no caso de pagamentos em espécie, é possível reunir elementos de prova outros, como, por exemplo, a indicação da origem dos recursos: a conta bancária, por exemplo. Em reforço do entendimento acima, cabe mencionar, também, que a própria legislação tributária tem disposição expressa inibindo a prática de deduções exageradas em relação aos rendimentos. É o que reza o art. 73, § 1º do RIR/99, cuja matriz legal é o art. 11, § 1º da Lei nºn 5.844, de 1943, in verbis: Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. No presente caso, cuidase exatamente de um caso como esses. Aqui o Contribuinte pleiteou como deduções R$ 40.700,00, sendo que somente com despesas médicas R$ 34.393,36, para um total de renda bruta declarada de R$ 59.565,45. Portanto, pleiteou deduções como despesas médicas de valor equivalente a 57,74% da renda bruta. Intimado a comprovar a efetividade dos pagamentos, o Contribuinte não o fez. Apresentou declarações dos profissionais confirmando a prestação dos serviços e extrato bancários que, segundo o Recorrente, indicariam a existência de saques bancários. Pois bem, as declarações dos profissionais não socorrem o Recorrente, pois quem fornece recibos também pode fornecer declarações. Quanto aos extratos bancários, como observou a decisão de primeira instância, estes não apresentam nenhum indício sequer de que foram sacados recursos para os pagamentos das referidas despesas. Ao contrário, os extratos mostram que o Recorrente habitualmente emitia cheques para fazer pagamentos, o que contrasta com a alegação de que pagou pelas despesas médicas em espécie. Além disto, como também observou a decisão de primeira instância, não se verifica a ocorrência de saques em valores e datas aproximados aos dos supostos pagamentos de despesas médicas. Nestas condições, penso que se justificava a cautela do Fisco em solicitar a comprovação da efetividade dos pagamentos, mediante operações financeiras, como cópias de cheques, transferências bancárias ou, ainda, mediante demonstração da relação entre saques e pagamentos. Entendo até que não seria necessário demonstrar a totalidade dos pagamentos, mas apenas uma parte deles. O que é para mim inaceitável é que, diante de tantos pagamentos que o contribuinte diz ter feito, em valores relativamente elevados, se considerada a renda por ele declarada, o Contribuinte não conseguir demonstrar a efetividade de pelo menos uma parte desses pagamentos. Considerando a soma desses fatores, penso que o Contribuinte não logrou comprovar a realização das despesas e, portanto, deve ser mantida a glosa. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Fl. 92DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 6 Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 93DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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