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Numero do processo: 10935.008273/2007-90
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/09/2007
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
COOPERATIVAS DE TRABALHO.
Empresa é tributada em 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2403-001.351
Decisão: Recurso voluntário provido em parte
Crédito tributário mantido em parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, Nas preliminares, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência até 11/2002 com base no Art. 150, § 4º do CTN. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente), PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, IVACIR JULIO DE SOUZA, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS, CID MARCONI GURGEL DE SOUZA e MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. COOPERATIVAS DE TRABALHO. Empresa é tributada em 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso voluntário provido em parte Crédito tributário mantido em parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 82 73 /2 00 7- 90 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Nas preliminares, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência até 11/2002 com base no Art. 150, § 4º do CTN. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente), PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, IVACIR JULIO DE SOUZA, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS, CID MARCONI GURGEL DE SOUZA e MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10935.008273/200790 Acórdão n.º 2403001.351 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, Acórdão 0327.372 da 7ª Turma, que julgou procedente em parte o lançamento. Para fins de decadência aplicouse a regra do artigo 173 do CTN. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração (AI: 37.109.4810) lavrado em desfavor da empresa em epígrafe, consolidado em 18/12/2007, em razão de infração ao dispositivo previsto na Lei n° 8.212, *de 24.07.91, art. 32, inc. IV e §5°, também acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10.12.97 combinado com art. 225, IV, §4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99. Segundo o Relatório Fiscal, de fls. 06/07, a empresa Pedro Muffato & CIA LTDA apresentou a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, referente ao período de 03/2000 a 09/2007. A empresa deixou de informar a contratação de serviços por intermédio de cooperativa de trabalho (UNIMED e UNIODONTO) em GFIP, sendo que tais serviços constituem fato gerador de contribuições previdenciárias nos termos do art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/91. Aduz, ainda, o Relatório Fiscal que a identificação das notas fiscais emitidas pelas empresas contratadas, os valores dos serviços, bases de cálculo do INSS, contribuições previdenciárias devidas em cada competência e estabelecimento tomador dos serviços estão relacionados na planilha anexa "Contratação de Serviços por Intermédio de Cooperativa de Trabalho". Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Ausência de Fundamento Legal para exigência mensal · Decadência do Direito de Lançar · Valor da multa imposta. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 · Ilegitimidade Passiva É orelatório. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10935.008273/200790 Acórdão n.º 2403001.351 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DECADÊNCIA O lançamento fundamentouse no artigo 45 da Lei 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade desse artigo, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN), o art. 173 ou o art. 150 (este último diz respeito ao lançamento por homologação). Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado Fl. 303DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Trata o lançamento de não cumprimento de obrigação acessória constituidora de crédito tributário. Por essa característica e pelo fato de a fiscalização apontar que não foram informados parte dos fatos geradores, entendo que devese aplicar o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN. O período do lançamento é de 03/2000 a 09/2007. A ciência do lançamento ocorreu em 21/12/2007. Entendo decadentes as competências até 11/2002, inclusive. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL Alega a recorrente que não consta da legislação citada para dar sustentação ao decidido, nenhum dispositivo para amparar a exigência mensal da penalidade. Não procede a manutenção da multa na forma como exigida, eis que não consta da legislação citada para dar sustentação ao Fl. 304DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10935.008273/200790 Acórdão n.º 2403001.351 S2C4T3 Fl. 5 7 decidido, nenhum dispositivo para amparar a exigência mensal da penalidade. Entendo não caber razão à recorrente visto constar do Auto de Infração descrição sumaria da infração e dispositivo legal infringido, dispositivo legal da multa aplicada e dispositivos legais da gradação da multa aplicada. DESCRIÇÃO SUMARIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5., também acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, parágrafo 5° acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 284, inciso II (com a redação dada pelo Decreto n. 4.729, de 09.06.03) e art. 373. DISPOSITIVOS LEGAIS DA GRADAÇÃO DA MULTA APLICADA Art. 292, inciso I, do RPS. Complementando o lançamento, também foi apresentado à recorrente o Relatório Fiscal da Infração que especifica os fatos geradores não declarados. 0 Art. 32, inciso IV, da Lei 8.212/91, determina que todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias devem ser informados ao INSS por intermédio da GFIP. Analisando as GFIPs entregues pelo contribuinte em cada competência verificase a ausência de informações relativas à contratação de serviços por intermédio de cooperativa de trabalho (UNIMED e UNIODONTO), os quais constituem fato gerador de contribuições previdenciárias nos termos do art. 22, inciso IV da Lei 8.212/91, pela alíquota de 15% sobre a base de cálculo apurada. A omissão das informações ocorreu em todas as competências do período compreendido entre 03/2000 a 09/2007. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 ILEGITIMIDADE PASSIVA Alega a recorrente que não é a empresa a beneficiária dos serviços médicos e odontológicos prestados. São sim, seus funcionários, pessoas físicas e não a jurídica que apenas intermedeia a contratação. Abaixo ficará demonstrada a improcedência de tal tese. Está reconhecido pela recorrente que contratou as cooperativas de trabalho. O inciso IV, do artigo 22 da Lei 8.212/91 estabelece a obrigação de a empresa contribuir com 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.(Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Entendo a recorrente como contratante e tomadora dos serviços prestados. CÁLCULO DA MULTA No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e Fl. 306DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10935.008273/200790 Acórdão n.º 2403001.351 S2C4T3 Fl. 6 9 II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 CONCLUSÃO Voto por, nas preliminares, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência até 11/2002 com base no Art. 150, § 4º do CTN. No mérito, dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 308DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13819.003882/2003-43
Data da sessão: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2001
MULTA 75% - PREVISÃO LEGAL - IMPOSSIBILIDADE DE ANALISAR ASPECTOS CONSTITUCIONAIS
A incidência da multa punitiva no patamar de 75% está prevista na Lei n° 9.430/96, devendo, portanto, ser aplicada. As questões constitucionais que fulminam a validade de lei não estão no escopo deste tribunal administrativo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-00.274
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Fabíola Cassiano Keramidas
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ementa_s : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2001 MULTA 75% - PREVISÃO LEGAL - IMPOSSIBILIDADE DE ANALISAR ASPECTOS CONSTITUCIONAIS A incidência da multa punitiva no patamar de 75% está prevista na Lei n° 9.430/96, devendo, portanto, ser aplicada. As questões constitucionais que fulminam a validade de lei não estão no escopo deste tribunal administrativo. Recurso Voluntário Negado.
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Numero do processo: 10670.001848/2002-97
Data da sessão: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1998
EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ADA. OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.
Ofende o Princípio da Legalidade a imposição de condição que modifique a base de cálculo, com majoração do tributo, por ato infra-legal, no caso Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL.
Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação ser
anterior ao fato gerador da obrigação tributária.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-000.006
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso especial para manter a tributação sobre a área declarada como de reserva legal. Vencidos os conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada),
Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento ao recurso.
Nome do relator: Caio Marcos Cândido
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1998 EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ADA. OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Ofende o Princípio da Legalidade a imposição de condição que modifique a base de cálculo, com majoração do tributo, por ato infra-legal, no caso Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL. Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação ser anterior ao fato gerador da obrigação tributária. Recurso especial provido em parte.
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E ADM. DE REFLORESTAMENTOS Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1998 EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ADA. OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Ofende o Princípio da Legalidade a imposição de condição que modifique a base de cálculo, com majoração do tributo, por ato infra-legal, no caso Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL. Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação ser anterior ao fato gerador da obrigação tributária. Recurso especial provido em parte.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para manter a tributação sobre a área declarada como de reserva legal. Vencidos os conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento ao recurso. CARLOS ALBERT* 'AS B ''TO - Presidente AIO r '.- s AIO MARCOS , A DIDO — Relator EDITADO EMor, • T (6-9 'articiparam da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão n° 303-32.730, exarado na sessão de julgamento de 25 de janeiro de 2006. A interposição do recurso de deu com supedâneo no inciso II do art. 50 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF rio 55, de 16 de março de 1998, vigente à época de sua interposição: Art. 5° Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra: (.) II. decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Hodiernamente tal recurso tem supedâneo no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Despacho em que se admite o recurso às fls. 190/192. Recurso da Fazenda Nacional às fls. 163/181. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 197/205. É o relatório. Passo ao voto. 2 Processo n° 10670.001848/2002-97 CSRE-T2 Acórdão n.° 9202-00.006 Fl. 2 Voto Conselheiro CAIO MARCOS CANDIDO, Relator Recurso Especial de Divergência tempestivo. Passo a verificar o outro requisito de admissibilidade: a comprovação da divergência na interpretação de lei tributária entre duas câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou de turma da CSRF. A 3' Câmara do 3° Conselho de Contribuintes no acórdão recorrido decidiu: ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA A declaração do recorrente, para fins de isenção do ITR, relativa a área de preservação permanente, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, conforme dispõe o art. 10, parágrafo 1°, da Lei n° 9.393/96, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. ITR.- RESERVA LEGAL A falta de averbaçã o da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR. A Fazenda Nacional recorre à instância especial sob a alegação de que deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização das áreas de preservação permanente, pois o contribuinte apresentou o ADA fora do prazo previsto na legislação de regência. Argumentou ainda que a glosa das áreas de reserva legal também devem ser mantida, tendo em vista a ausência de averbação da área declarada no Registro de Imóveis. Para comprovar as duas divergências apresentou como paradigma o acórdão n° 302-36.278, de 09 de julho de 2004, exarada pela 2' Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, com o qual pretende comprovar a divergência suscitada, in verbis: ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE )ff UTILIZAÇÃO LIMITADA. A existência de área de preservação permanente deve ser reconhecida mediante ato declarató rio do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio. As áreas de reserva devem ser averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Conforme visto, restou estabelecida as divergências de interpretação de lei tributária entre a 2' e 3' Câmaras do 3° Conselho de Contribuintes, pelo quê o recurso especial deve ser admitido. Previamente, há que se esclarecer que não se coaduna com a melhor interpretação a argumentação acerca da desnecessidade de produção de prova da existência das 3 áreas declaradas tem base no disposto no § 7° da Lei n° 9.393/96, incluído pela Medida Provisória n°2.166-67, de 24 de agosto de 2001, verbis: § 70 A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1°, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. Da simples leitura do dispositivo transcrito chega-se à conclusão de que o que não é necessária é a prévia comprovação das áreas declaradas. É da essência da atividade de fiscalização que a autoridade tributária, com o fito de comprovar informação constante das diversas declarações elaboradas pelos contribuintes, intime-os a proceder a comprovação daquilo que foi declarado. Assim, a lei desobriga da prévia comprovação, mas não limita a atividade de fiscalização, impedindo a autoridade tributária de proceder seu mister de averiguar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ou de outros aspectos que possam impactar o dimensionamento do crédito tributário devido. Sendo assim, há de se verificar se houve a comprovação nos autos da existência das áreas declaradas. No mérito. A primeira discussão que se trava nestes autos cinge-se em saber se a comprovação da existência das áreas de preservação permanente, para fins de exclusão das mesmas da base de incidência do ITR, depende, ou não, do cumprimento da exigência da protocolização tempestiva do ADA, a ser emitido pelo IBAMA ou órgão conveniado. Vejamos a legislação de regência da matéria. A legislação aplicável estabelece que não serão consideradas para a formação da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente, ex vi da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393/1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a - homologação posterior. ssÇ 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (.) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Conforme visto, as áreas de preservação permanente são aquelas descritas nos § 2° e § 3° do art. 16 da lei n° 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n° 7.803, de 1989: 4 Processo n° 10670.001848/2002-97 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.006 Fl. 3 Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: (.) § 2°Á reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. § 3 0 Aplica-se às áreas de cerrado a reserva legal de 20% (vinte por cento) para todos os efeitos legais. A exigência do ADA como requisito para a exclusão das áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR encontra-se estabelecida no 10 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 43, de 1997, com redação da IN SRF n° 67, de 1997: Art 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: 1- de preservação permanente; II - de utilização limitada. (.) § 40 As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: I - as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declarató rio do IBAII,L4, deverão estar averbadas à margem da t 4 . trIscrrçao da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei n° 4.771, de 1965; II - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do f>"ato declarató rio junto ao IBAMA; III - se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAJ1L4, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido. A exigência da apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente, estabelecida em legislação infra-legal, contrapõe-se ao principio da reserva legal, posto que a desconsideração das áreas de preservação permanente e de reserva legal, como tal, representam sua inclusão na área tributável pelo ITR. 5 Assim, qualquer restrição à exclusão de áreas da tributação do ITR, por corresponder a aumento de tributo, deve ser instituída por lei, ex vi do inciso II combinado com o § 1° do art. 97 do Código Tributário Nacional: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (.) II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; (.) sç' 1° Equipara-se à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em torná-lo mais oneroso. Tanto é assim que o art. 1° da Lei n° 10.165, de 2000 estabeleceu aquela condição ao incluir o art. 17-0 na Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17-0 Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao lbama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei /1' 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo de Taxa de Vistoria." (NR) (.) § 1 Q A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Portanto, se a obrigação de apresentação do ADA foi instituída posteriormente por lei, não poderia o órgão de administração tributária antecipar tal exigência, que resulta majoração de tributo, por meio de instrução normativa. Assim, a área de preservação permanente deve ser excluída da tributação do ITR, salvo no tocante à área de reserva legal que passaremos a analisar. Em relação à obrigatoriedade, para fins de não incidência do ITR, da averbação no registro de imóveis competente, de área declarada pelo contibuinte como sendo de reserva legal, realizada previamente à data de ocorrência do fato gerador (condição prevista no Código Florestal Brasileiro (Lei n° 4.771, de 1965), incluída pelo § 2° do art. 16 da lei n° 7.803, de 1989. A 3' Turma da CSRF vinha decidindo no sentido de que a comprovação da área declarada como de reserva legal, para fins de exclusão da tributação do ITR, poderia dar- se por outros meios de prova, independendo da averbação de tal área à margem da matricula do imóvel rural no registro de imóveis competente ou mesmo de sua averbação posterior. Neste sentido reproduzo a ementa do acórdão CSRF/03-05.505, de 12 de novembro de 2007: Ementa: ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. - A comprovação da área de reserva legal para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR não depende exclusivamente de sua prévia averbação no cartório competente, e seu reconhecimento pode serfeito por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais 6 Processo n° 10670.001848/2002-97 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.006 Fl. 4 idôneas, inclusive a sua averbação procedida posteriormente à data do fato gerador. Peço vênia para discordar do posicionamento, então adotado, pelas razões a seguir apresentadas. A legislação aplicável à matéria estabelece que não serão consideradas para a formação da base de cálculo do ITR as áreas de reserva legal, ex vi da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393/1996, supra transcrito. Conforme visto, a definição do que seja "área de reserva legal" encontra-se estabelecida no § 2° do art. 16 da lei n°4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n° 7.803, de 1989: § 2°A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. A reserva legal é uma restrição ao direito de exploração das áreas de vegetações nativas e sua discutida averbação tem a função de dar publicidade a terceiros daquela restrição. Tal posicionamento é corroborado pelo Supremo Tribunal Federal a partir do julgamento do Mandado de Segurança n° 22.6881PB (Tribunal Pleno, sessão de 28 de abril de 2000) em que se discutia tal tema relativamente à produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. Veja-se o tratamento dado à matéria em voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (.) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. 2if Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. 7 Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n° 4.771/1965 não existe reserva legal. Esta posição continua sendo adotado pelo STF, conforme se pode verificar nos autos do MS 28.156/DF, cujo acórdão foi publicado no Diário de Justiça de 02 de março de 2007. Assim sendo, a afirmativa de que a existência da área declarada como de reserva legal ou de que sua comprovação por outros meios, ou ainda de que sua averbação posteriormente à ocorrência do fato gerador, supriria a condição estabelecida na lei não condiz com a norma que emana da análise conjunta da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei no 9.393, de 1996 e do § 2° do art. 16 da lei n° 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n°7.803, de 1989. Tal norma estabelece a obrigação de dar publicidade a terceiros da criação de área correspondente a, no mínimo, 20% da propriedade rural protegida do uso indiscriminado, impondo ao proprietário um controle social em relação à conservação da cobertura vegetal daquela área. Quando a Lei no 9.393, de 1996 reproduziu a obrigatoriedade de averbaç'ào estabelecida no Código Florestal, não estava criando obrigação acessória, com vista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, mas, sim, repercutindo condição essencial à instituição de área de reserva legal, que deve ser cumprida pelo interessado para fruição da exclusão de tais áreas da base de cálculo do ITR. O conceito de obrigação acessória, à luz do §2° do artigo 113 do CTN, confirma a conclusão trazida no parágrafo anterior, posto que a obrigatoriedade da averbação não foi criada por legislação tributária, sendo assim não há que se falar em obrigação tributária acessória: 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (.) 2 0 A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Neste sentido, entendo ser condição essencial para a constituição de reserva legal a averbação de tal área à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Apenas cumprida tal condição será possível a exclusão de tal área da base de cálculo do tributo. Sendo assim, apenas posteriormente à averbação considera-se constituída a área de reserva legal, não produzindo efeitos para períodos de apuração anteriores. Na forma do art. 144 do CTN, o lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Tendo em vista que a ausência de averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador, tais área deverão compor a base de cálculo para tributação do ITR. 8 Processo n° 10670.001848/2002-97 CSFtF-T2 Acórdão n.° 9202-00.006 Fl. 5 Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recursos para manter a tributação do ITR sobre a área de reserva legal. // tie Caio M.1 cos Candido - Relatot 9
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Numero do processo: 37356.000239/2007-44
Data da sessão: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/2000 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS
LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado,
Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas
pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.
ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA QUE MANTÉM EQUIPE DE FUTEBOL PROFISSIONAL. REPASSES EFETUADOS.
PATROCÍNIO. - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Os pagamentos efetuados à associação desportiva que mantém equipe
de futebol profissional são fatos geradores de contribuições
previdenciárias. A empresa patrocinadora tem o dever de realizar o desconto da contribuição devida pela associação e recolher o produto descontado aos cofres previdenciários.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-000.094
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por maioria de votos, com fundamento no artigo 173, I do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial do recurso, vencidos os Conselheiros Edgar Silva Vidal e Manoel Coelho Arruda Junior que entendem que se aplica o artigo 150, 4º do CTN, e no mérito, por unanimidade de votos, mantidos os demais valores.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERIMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO C'TN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA QUE MANTÉM EQUIPE DE FUTEBOL PROFISSIONAL. REPASSES EFETUADOS. PATROCÍNIO. - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. 1 , Processo n° 37356.000239/2007-44 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.094 Fl. 189 Os pagamentos efetuados à associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional são fatos geradores de contribuições previdenciárias. A empresa patrocinadora tem o dever de realizar o desconto da contribuição devida pela associação e recolher o produto descontado aos cofres previdenciários. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. il .4 Processo n° 37356.000239/2007-44 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.094 Fl. 190 ACORDAM os membros da 3' Câmara / 2 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, com fundamento no artigo 173, I do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial do recurso, vencidos os Conselheiros Edgar Silva Vidal e Manoel Coelho Arruda Junior que entendem que se aplica o artigo 150, 40 do CTN, e no mérito, por unanimidade de votos, mantidos os demais valores. - LIÉGE L CROIX THOMASI Presidente ,...4.6 " brusfigítálad7r. . e'v• 41W, Relator • • Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Adriana Sato, Edgar Silva Vidal (Suplente), Bemadete de Oliveira Barros (Suplente), Manoel Coelho Arruda Junior e Liége Lacroix Thomasi (Presidente). Fez sustentação oral o advogado da recorrente André Luiz Máximo Fogaça, OAB/SC n° 13.298. 3 Processo no 37356.00023912007-44 S2-C3T2 Acórdão n." 2302-00.094 Fl. 191 Relatório • A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social correspondente ao percentual de cinco por cento pelo repasse a associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional a título de patrocínio no período de janeiro de 1997 a dezembro de 2000; bem corno pagamentos efetuados a contribuintes individuais no período de maio de 1996 a outubro de 1996, conforme relatório fiscal às fls. 42 a 44. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 92 a 108. A Decisão-Notificação confirmou a procedência do lançamento, fls. 120 a 128. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, fls. 132 a 151. Em síntese alega o seguinte: o prazo de decadência para constituição do crédito é de cinco anos; é inconstitucional o art. 22, parágrafo 90 da Lei n ° 8.212 de 1991; os materiais fornecidos aos clubes não se enquadram no conceito de faturamento; requerendo provimento ao recurso interposto. É o relatório. ‘.. 1 Processo n° 37356.000239/2007-44 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.094 Fl. 192 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 161; pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Quanto à questão preliminar suscitada pela recorrente, na peça recursal, de que o lançamento já fora atingido pela decadência de acordo com o disposto no art. 173 do CTN, razão lhe confiro em parte. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A, O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. No presente caso trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; a obrigação não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de maio de 1996 a dezembro de 2000. O lançamento foi realizado em 12 de setembro de 2006, fl. 01. Seguindo a interpretação da l a Seção do STJ, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário quando, a despeito da previsão legal para pagamento antecipado, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. s Processo n° 37356.000239/2007-44 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.094 Fl. 193 Pelo exposto encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência novembro de 2000, inclusive esta. A competência dezembro de 2000 não decaiu, pois o crédito somente poderia ser constituído após o vencimento, ou seja em 2 de janeiro de 2001; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja o dia 10 de janeiro de 2002, a qual findaria em 10 de janeiro de 2007. Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presume-se constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitá-la. A alegação de inconstitucionalidade de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2° Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. De acordo com a legislação previdenciária, qualquer modalidade de Patrocínio está sujeito à incidência de contribuições previdenciárias, nestas palavras (art. 22, § 6° da Lei n ° 8.212/1991): Art. 22 (.) § 6° A contribuição empresarial da associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional destinada à Seguridade Social, em substituição à prevista nos incisos I e II deste artigo, corresponde a cinco por cento da receita bruta, decorrente dos espetáculos desportivos de que participem em todo território nacional em qualquer modalidade desportiva, inclusive jogos internacionais, e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e de transmissão de espetáculos desportivos. (Parágrafo acrescentado pela Lei n°9.528, de 10/012/.97) grifei. O fornecimento de materiais esportivos sem dúvida configura patrocínio. O patrocínio nada mais é do que uma forma de amparo, de auxílio e de proteção. Portanto, ao efetuar o pagamento à associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, por meio da entrega de materiais desportivos, a recorrente possuía o dever legal de efetuar o desconto de cinco por cento e recolher aos cofres previdenciários. 6 Processo n° 37356.000239/2007-44 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.094 Fl. 194 CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso, para no mérito CONCEDER-LHE PROVIMENTO PARCIAL. Devem ser excluídas as competências anteriores a novembro de 2000, inclusive esta, em virtude da fluência do prazo decadencial.. É o voto. Sala das Sessões, em 10 de julho de 2009 dg • I b.n1:11 °V. •-1,111/fe VIEMA - 1" e .tor
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000959/2006-77
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
Ementa:
Adições no LALUR. Prova.
Cabe ao contribuinte demonstrar que adicionou no LALUR despesas que o próprio contribuinte reconhece como indedutiveis.
DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA, CIENTÍFICA OU TECNOLÓGICA. BENEFICIÁRIOS NO EXTERIOR.
A soma das quantias devidas a titulo de remuneração que envolve a
transferência de tecnologia está sujeita ao limite máximo de 5% da receita liquida e não do lucro bruto.
Dedutibilidade de despesas.
Provado pela recorrente com documentação idônea a despesa, esta deve ser aceita e a glosa desconsiderada.
Numero da decisão: 1301-000.130
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento PARCIAL ao recurso voluntário restabelecido a dcdutibilidade das despesas de R$ 14.350,00, R$ 10.650,00 e R$ 3.000,00, glosadas pela fiscalização e também a despesas de
assistência técnica no valor de R$ 5.200.546,57 que havia sido glosada por ter ultrapassado o limite de 5% da receita liquida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente
julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Marcos Rodrigues de Mello
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Processo n° 19515.00095912006-77 Recurso n° 165.555 Voluntário Acórdão II" 1301-00.130 - 3' Câmara I la Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2009 Matéria IRPJ E OUTRO Recorrente CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO CAMARGO CORREA S. A. Recorrida r TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002 Ementa: Adições no LALUR. Prova. Cabe ao contribuinte demonstrar que adicionou no LALUR despesas que o próprio contribuinte reconhece como indedutiveis. DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA, CIENTÍFICA OU TECNOLÓGICA. BENEFICIÁRIOS NO EXTERIOR. A soma das quantias devidas a titulo de remuneração que envolve a transferência de tecnologia está sujeita ao limite máximo de 5% da receita liquida e não do lucro bruto. Dedutibilidade de despesas. Provado pela recorrente com documentação idônea a despesa, esta deve ser aceita e a glosa desconsiderada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário restabelecido a dcdutibilidade das despesas de R$ 14.350,00, R$ 10.650,00 e R$ 3.000,00, glosadas pela fiscalização e também a despesas de assistência técnica no valor de R$ 5.200.546,57 que havia sido glosada por ter ultrapassado o limite de 5% da receita liquida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Jà/OVFIS VES - Presidente fl/ i MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Relator EDITADO EM: '15 MAR 21711 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Wilson Femandes Guimarães, Paulo Jacinto do Nascimento, Leonardo Henrique M. de Oliveira, Waldir Veiga Rocha, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira e Benedicto Celso Benicio Júnior (suplente convocado) e José Clóvis Alves. Relatório • Versa o presente processo sobre os Autos de Infração de fls. 526/536 (que têm como parte integrante o Termo de Verificação de fls. 521/525), lavrados pela DEFIC/SPO, com ciência em 12/05/2006 (fls. 528 e 534), para a exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$3.390.040,68, e de Contribuição Social (CSLL), no valor de R$544.792,66, ambos com multa de 75% e juros de mora. O crédito total lançado monta a R$9.839.837,72. O lançamento foi efetuado em virtude de, em procedimento fiscal, terem sido apuradas as infrações abaixo: DESPESAS COM CONSTITUIÇÃO DE PROVISÕES NÃO AUTORIZADAS. Despesas com constituição de provisões não autorizadas e/ou decorrentes de acertos contábeis não comprovados, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA, CIENTIFICA OU TECNOLÓGICA. BENEFICIÁRIOS NO PAIS. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. Despesas com assistência técnica, sem que o interessado observasse os requisitos legais, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA, CIENTIFICA OU TECNOLÓGICA. BENEFICIÁRIOS NO EXTERIOR. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. Despesas com assistência técnica deduzidas acima do limite máximo de 5% da receita líquida, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. DESPESAS INDEDUTIVEIS. DESPESAS COM CONDOMÍNIO. Despesas de condomínio apropriadas mediante rateio entre as empresas do grupo, sem que ficassem comprovados o critério de rateio, a necessidade e a vinculação às atividades da empresa conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. O enquadramento legal consta dos Autos de Infração. O interessado apresentou, em 13/0612006, a impugnação de fls. 549/563. Na referida peça de defesa, alega, em síntese, que: - da nulidade da autuação: os agentes fiscais extrapolaram suas funções, pois ousaram dar interpretação própria às normas legais; 2 • Processo n° 19515.000959/2006-77 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00:130 Fl. 2 - despesas com constituição de provisões: os valores lançados a titulo de provisões foram efetivamente dispêndios, conforme atestam os documentos juntados aos Autos; - despesas de assistência técnica: celebrou contrato com a Hochtief International do Brasil (FITO para transferência de informações técnicas, sendo a despesa dedutivel, a teor do artigo 355 do RIR/1999; foram apresentados, além do contrato, documentos comprobatórios dos pagamentos; - rateio não comprovado: não lhe cabe comprovar o gasto das demais empresas no rateio; o critério de rateio é a proporcionalidade da área ocupada, exceto quanto às despesas de comunicação, que são rateadas proporcionalmente ao número de funcionários; - taxa Selic: a aplicação da taxa Selic é ilegal e inconstitucional. Encerra solicitando a improcedência do lançamento. A DRJ decidiu conforma ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF. DESPESAS COM CONSTITUIÇÃO DE PROVISÕES. Os valores escriturados devem estar embasados em documentos hábeis e idôneos. DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA, CIENTÍFICA OU TECNOLÓGICA. BENEFICIÁRIOS NO PAIS. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. A dedutibitidade das importâncias pagas a título de remuneração que envolva a transferência de tecnologia somente será admitida a partir da averbação do contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial - INPI. DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA, CIENTIFICA OU TECNOLÓGICA. BENEFICIÁRIOS NO EXTERIOR. DEDUÇÃO A MAIOR. A soma das quantias devidas a titulo de remuneração que envolve a transferência de tecnologia está sujeita ao limite máximo de 5% da receita liquida. DESPESAS INDEDUTiVEIS. DESPESAS COM CONDOMÍNIO. Despesas sujeitas a rateio só são dedutiveis quando comprovadas e mediante demonstração do critério de rateio. 3 JUROS DE MORA. É procedente a exigência de juros de mora com base na taxa SELIC, por expressa determinação legal. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 TRIBUTAÇÃO REFLEXA• Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. A recorrente foi cientificada cru 05/11/2007 apresentou recurso em 04/12/2007. Em seu recurso alega: - em relação à falta de apresentação de documentação comprobatária que teria levado à glosa de despesas: R$ 1.165.000,00 - trata-se de valor contabilizado no mês de julho de 2001, ocasião em que foi devidamente adicionado quando da apuração do lucro real do mês de julho de 2001, juntamente com outros, no montante de R$ 55.652.843,92, sob o título "Provisões de serviços das obras e consórcios". No mês de novembro de 2002, este valor foi contabilmente estornado e devidamente excluído quando da apuração do lucro real, juntamente com outros valores, no montante de R$ 65.332.068,96. R$ 1.230.819,30 — este valor foi contabilizado em dezembro de 2001 quando foi adicionado na Lalur, juntamente com outros valores, no montante de R$ 65.332.068,96. Posteriormente, foi contabilmente estornado em 25 de abril de 2002, quando foi excluído no Lalur juntamente com outros valores, no montante de R$ 65.332.068,96; R$ 14.350,00, R$ 10.650,00 e R$ 3.000,00 — a recorrente está anexando cópias das notas fiscais relativas a estes dispêndios, bem como os comprovantes de seus respectivos pagamentos. Referem-se a serviços prestados pela empresa Premont. Em relação aos dois primeiros valores verifica-se que as respectivas despesas foram consideradas indedutiveis pela ora recorrente, que procedeu as devidas adições no LALUR, e no que refere aos três últimos valores as importâncias pagas atendem aos requisitos legais para sua dedutibilidade. - Despesas com assistência técnica, cientifica ou tecnológica — beneficiários no pais — inobservância dos requisitos legais — alega que a decisão cometeu um equivoco ao manter esta parte do lançamento porque a exigência fiscal foi fundamentada unicamente na falta de atendimento aos requisitos para a dedutibilidade previstos no § 30 do art. 355 do RIR/99 e que estes limites somente poderiam ser estabelecidos por lei, o que não ocorreu; que a lei 9249 de 1996 regula tão somente direitos e obrigações relativos à propriedade industrial, ou seja, não regula limites e condições de dedutibilidade tributaria, não existindo lei que determine que a simples falta de registro dos contratos que impliquem transferência de tecnologia impeça ou limite a dedução dos valores das despesas correspondentes; 4 Processo n° 19515.000959/2006-77 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-01130 EL 1 - Despesas com assistência técnica, científica ou tecnológica no exterior — inobservância dos requisitos legais — que a decisão recorrida sacramentou erro material cometido pela fiscalização: a apuração da receita liquida da usina UT 446 realizada pela fiscalização (item 3 do TVF), está equivocada porque o valor calculado corno sendo receita líquida, em verdade corresponde ao lucro bruto; - Despesas com condomínio: que as despesas de condomínio são rateadas entre as pessoas jurídicas ocupantes, na proporção das áreas utilizadas. Voto Conselheiro Marcos Rodrigues de Mello, Relator O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Em relação à glosa de despesas, a fiscalização afirma no TVF de fis 521: " Pudemos verificar que os documentos que não foram apresentados se referem a despesas com constituição de provisões de serviços e/ou ajustes contábeis efetuados..., inclusive no que se refere ao valor de R$ 1.165.000,00, relacionado no anexo 11 e que, por interpretação indevida, os referidos valores não foram adicionados ao lucro líquido apurado em 31/12/2001, como determinam as normas pertinentes." Na impugnação (fls. 555), afirma o contribuinte; "Ocorre, entretanto, que conforme atestam os documentos neste juntados, os valores lançados, inicialmente a titulo de provisões de serviços, foram efetivamente dispendidos o que não foi observado pelos auditores fiscais." A DRJ se pronunciou sobre o tema: "Os documentos juntados, fis. 569/605, são meros lançamentos contábeis. Os valores escriturados devem estar embasados em documentos hábeis e idôneos. A dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de despesas operacionais requer a prova documental hábil e idônea das respectivas operações e do preenchimento dos requisitos legais. Portanto, a alegação de se tratarem de efetivos dispêndios, sem a apresentação de prova documental, não elide o lançamento." No recurso, afirma a recorrente: "R$ 1.165.000,00- trata-se de valor contabilizado no mês de julho de 2001, ocasião em que foi devidamente adicionado quando da apuração do lucro real do mês de julho de 2001, juntamente com outros, no montante de R$ 55.652.843,92, sob o titulo "Provisões de serviços das obras e consórcios". No mês de novembro de 2002, este valor foi contabilmente estornado e devidamente excluído quando da apuração do lucro real, juntamente com outros valores, no montante de R$ 65.332.068,96." Não encontro entre os documentos trazidos com a impugnação nenhum que se refira a tal despesa, exceto extrato de lançamento contábil de fis. 570. g)? 5 • • O lançamento foi realizado porque o contribuinte não trouxe documentação relativa à despesa e porque tal despesa (provisão) é indedutivel. Na impugnação, o contribuinte afirma que a despesa seria incorrida e, portanto, dedutivel. A DRJ não aceita o argumento porque a impugnante trouxe apenas lançamentos contábeis na impugnação, desacompanhados de documentação comprobatória. No recurso, o contribuinte afirma que o valor foi adicionado no Lalur, pois a própria recorrente considerou as despesas indedutiveis. • Além da constante mudança da argumentação, pesa contra a tese defendida pela recorrente o fato de não trazer provas da alegação. Afirmar que o valor que foi deduzido como despesa está incluído na valor adicionado de R$55.652.843,92 no Lalur, nada prova, se não foram apresentadas provas do afirmado. A recorrente teve pelo menos três oportunidades para trazer aos autos documentos que provassem seus argumentos em relação a esta determinada despesa e, mesmo assim, não o fez. Sendo prova cujo ônus cabe à recorrente, voto por negar provimento ao recurso em relação ao valor glosado de R$ 1.165.000,00. O mesmo ocorre em relação ao valor de R$ 1.230.819,30, que teria sido adicionado ao Lalur , juntamente com outros valores, no montante de R$ 65.332.068,96. Durante a fiscalização o contribuinte mantém a afirmação que se trata de provisão; na impugnação afirma ser despesa incorrida (sem provar) e no recurso afirma que adicionou no Lalur, sem provar que o valor está incluso no toal de R$ 65.332.068,96. Também neste caso, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Em relação às despesas no valor de R$ 14.350,00, R$ 10.650,00 e R$ 3.000,00 que foram glosadas pela fiscalização, tendo sido a glosa mantida pela DRJ por falta de apresentação de documentação comprobatória, a recorrente apresenta a fls. 786/794, cópias de documentos que demonstram a despesa. Poderia se argumentar que a apresentação foi feita apenas na fase recursal, havendo preclusão do direito de fazê-lo. No entanto no caso concreto, entendo que deve ser aplicado o Princípio da Verdade Material associado ao Principio da Razoabilidade, tendo em vista que a fiscalização foi realizada com base em arquivos magnéticos e o contribuinte apresentou trezentas e nove folhas de documentos, conforme relato da própria fiscalização (fis. 521). Não me parece ter havido qualquer premeditação na não entrega dos documentos e trata- se de menos de I% do total de documentos. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário restabelecendo a dedutibilidade das despesas de R$ 14.350,00, R$ 10.650,00 e RS 3.000,00, glosadas pela fiscalização. Em relação às despesas com assistência técnica que foram glosadas por falta de atendimento ao § 3 0 do art. 355 do RIR199, segundo a recorrente. Segundo a recorrente tal parágrafo não tem origem em Lei e que a Lei 9279 ali citada apenas regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial, não regulando limites e condições de dedutibilidade tributária. Entendo que não há como acolher a argumentação da recorrente. A condição para dedutibilidade prevista atualmente no art. 355 do RIR/99 já vinha prevista no § 3° do art. 294 do RIR199, que tem previsão legal no art. 12 da lei 4131 de 1962, não se podendo falar em falta de previsão legal para aquela condição. • Processo n° 19515.000959/2006-77 51-C3T/ Acórdào n.° 1301-00.130 El 4 Art. 12. As somas das quantias devidas a titulo de "royalties" pela exploração de patentes de invenção, ou uso da marcas de indústria e de comércio e por assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, poderão ser deduzidas, nas declarações de renda, para o efeito do art. 37 do Decreto n°47.373 de 07/12/1959, até o limite máximo de cinco por cento (5%) da receita bruta do produto fabricado ou vendido. § I° Serão estabelecidos e revistos periodicamente, mediante ato do Ministro da Fazenda, os coeficientes percentuais admitidos para as deduções a que se refere este artigo, considerados os tipos de produção ou atividades reunidos em grupos, segundo o grau de essencialidade. § 2° As deduções de que este artigo trata, serão admitidas quando comprovadas as despesas de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, desde que efetivamente prestados tais serviços, bem como mediante o contrato de cessão ou licença de uso de marcas e de patentes de invenção, regularmente registrado no País, de acordo com as prescrições do Código de Propriedade Industrial. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário também em relação a esta matéria. Despesas com assistência técnica — inobservância dos requisitos legais. A recorrente alega que houve erro material da fiscalização que teria utilizado o lucro bruto e não a receita liquida para verificar o limite de dedutibilidade. Afirma que a receita liquida foi de R$ 160.650.878,92 que, aplicado o percentual de 5%, resulta em um limite de R$ 8.032.543,95 e, tendo sido deduzida despesa de R$ 6.307.482,38, este último valor é inferior ao limite legal. Conforme a DRJ, a impugnante alegou que as despesas são dedutiveis e que foram apresentados documentos comprobatórios, mas que, no caso, a glosa não foi feita por falta de comprovação, mas por exceder o limite legal e que a impugnante não teria contestado os cálculos da fiscalização. Me parece que assiste razão à recorrente. A planilha de fls. 523 deixa claro que a fiscalização chegou ao valor dedutivel aplicando o percentual de 5% sobre o valor de R$ 22.136.736,12, que, por sua vez foi obtido subtraindo da Receita total de R$ 170.725.428,59 o valor de R$ 148.588.692,47. Não resta dúvida que a fiscalização utilizou o lucro bruto como base para calcular o limite, em desrespeito à legislação que prescreve que a base tem de ser a receita líquida. O fato da reconente não ter contestado os cálculos não me parecem ter influência nesta , questão, pois houve manifesto erro de fato, pois a fiscalização afirma ter calculado a receita liquida mas, na verdade, apurou o lucro bruto. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Despesas com condomínios — indedutibilidade. A DRJ se pronunciou sobre a questão: (L-7) 7 "No Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização aponta que o interessado apropriou despesas de condomínio, mediante rateio entre as empresas do grupo empresarial Camargo Correa. Acrescenta que "no contrato de locação apresentado (fls. 284 a 292) não consta que o referido imóvel locado pela CCCC faça parte de qualquer condomínio nem tampouco o referido contrato prevê algum tipo de remuneração pela administração do imóvel locado, além do fato de não existir juridicamente a figura de condomínio no citado grupo empresarial". Conclui que, então, não ficaram comprovados o critério de rateio, a necessidade e a vinculação às atividades da empresa. Despesas sujeitas a rateio, de acordo como efetivo gasto de cada empresa, só são dedutiveis quando comprovadas e mediante demonstração do critério de rateio." "Na impugnação, o interessado alega que o critério de rateio é a proporcionalidade da área ocupada, exceto quanto às despesas de comunicação, que são rateadas proporcionalmente ao número de funcionários. No entanto, dentre os documentos apresentados (fls. 658/733), não consta contrato ou demonstração do critério de rateio. Uma vez que, mesmo em sede de impugnação, não foi comprovado o critério de rateio, deve ser mantido o lançamento deste item." No recurso a recorrente afirma que a proporcionalidade está prevista no contrato de locação, clausula 5 a, (fls. 286). No entanto, esta clausula diz respeito ao rateio de despesas entre a recorrente (locatária) e a locadora e não entre aquela e terceiros. Não há nos autos qualquer outra indicação de que exista no prédio um condomínio e, se existe, qual o critério de rateio das despesas. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário restabelecendo a dedutibilidade das despesas de R$ 14.350,00, R$ 10.650,00 e R$ 3.000,00, glosadas pela fiscalização e também a despesas de assistência técnica no valor de R$ 5.200.546,57 que havia sido glosada por ter ultrapassado o limite de 5% da receita líquida. Marcos Rodrigues De Mello - Relator 9(2
score : 1.0
Numero do processo: 13706.002086/2005-22
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
IRPF. MOLÉSTIA GRAVE - DOENÇA DE ALZHEIMER - DEMÊNCIA
O estado de alienação mental ou a síndrome demencial ou constituída da demência senil causada pela Doença de Alzheimer configura o pressuposto de moléstia grave previsto na legislação para fins de isenção do imposto sobre proventos de aposentadoria e pensão.
Numero da decisão: 2101-001.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka. Ausente o conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
1.0 = *:*
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MOLÉSTIA GRAVE DOENÇA DE ALZHEIMER DEMÊNCIA O estado de alienação mental ou a síndrome demencial ou constituída da demência senil causada pela Doença de Alzheimer configura o pressuposto de “moléstia grave” previsto na legislação para fins de isenção do imposto sobre proventos de aposentadoria e pensão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka. Ausente o conselheiro Gonçalo Bonet Allage. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 20 86 /2 00 5- 22 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls.79) interposto em 14 de março de 2008 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro II (RJ), (fls. 69/72), do qual a Recorrente teve ciência em 10 de março de 2008 (fls.75), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de folhas 06/14, lavrado em 29/12/2004, em decorrência de rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, no valor de R$ 6.089,58, mais acréscimos legais, no exercício de 2001. A mensagem às folhas 8, da lavra da autoridade fiscal autuante, informa: “O presente auto de infração originouse da revisão de sua declaração de ajuste anual referente ao exercício de 2001, ano calendário 2000, efetuada com base nos artigos 788, 835 a 839, 844, 871, 926 e 992, do regulamento do imposto de renda, Decreto 3.000, de 26 de março de 1999. Foi constatada a existência de irregularidades na declaração conforme descrito e capitulado em anexo.” No julgamento à quo dispensouse a ementa conforme Portaria SRF nº 1.364, de 10 de novembro de 2004. Não se conformando, a Recorrente, através de seu filho, Murilo Ximenes Brotherhood (documento de representação às folhas 80), interpôs recurso voluntário em 14 de março de 2008 (fls. 79), onde argumenta, em síntese, que: a) Marinha do Brasil, Prefeitura do Rio de Janeiro, Banco do Brasil e INSS, todas fontes pagadoras, já realizaram perícia e a isentaram de recolher imposto na fonte; b) Somente a Secretaria da Receita Federal ainda não está reconhecendo o estado de saúde da contribuinte e, por conseguinte, recusandose a restituir os impostos pagos no período de 1998 e 2002. c) A contribuinte encontrase internada em clínica especializada, requerendo cuidados 24hs e necessitado de recursos adicionais para seu sustento. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13706.002086/200522 Acórdão n.º 2101001.896 S2C1T1 Fl. 96 3 Trata o presente processo de pedido de restituição referente à isenção do IRPF do exercício de 2001, amparado no art. 6º, inciso XIV, da Lei n.° 7.713/88, que assim determina: "Art. 6.° Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidentes em serviço, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma." O artigo 30 da Lei nº 9.250, de 26/12/1995, estabeleceu que para efeito de reconhecimento das moléstias acima elencadas deverão as mesmas ser comprovadas mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Assim, para a configuração da isenção do imposto de renda, aos portadores de moléstia grave, dois requisitos precisam estar presentes, simultaneamente, quais sejam, a comprovação da doença por intermédio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios e, ainda, os rendimentos devem estar relacionados à aposentadoria, reforma ou pensão. A controvérsia dos autos cingese, essencialmente, na isenção de rendimentos por moléstia grave, in casu, Doença de Alzheimer. Segundo o Dr. Norton Sayeg, Editor Médico da AlzheimerMed, informativo encontrado no sítio www.alzheimermed.com.br, “a doença de Alzheimer é a mais freqüente forma de demência entre idosos. É caracterizada por um progressivo e irreversível declínio em certas funções intelectuais: memória, orientação no tempo e no espaço, pensamento abstrato, aprendizado, incapacidade de realizar cálculos simples, distúrbios da linguagem, da comunicação e da capacidade de realizar as tarefas cotidianas.” O renomado especialista informa, ainda, que “Demência é um grupo de sintomas caracterizado por um declínio progressivo das funções intelectuais, severo o bastante para interferir com as atividades sociais e do cotidiano. A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência.” Destarte, no concernente à doença de Alzheimer estar sob o alcance do art. 6º, inciso XIV, da Lei n.° 7.713/88, temse que o assunto já foi objeto de estudo, no âmbito da Sexta Câmara, pelo Conselheiro Antônio Augusto Silva Pereira de Carvalho, formado em Medicina e Advocacia, advindo o Acórdão 10613.418, de 02.07.2003, cuja ementa é a seguinte: IRPF PEDIDO DE RESTITUIÇÃO VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE PENSÃO ISENÇÃO DEMÊNCIA NA DOENÇA DE ALZHEIMER 1. A demência na Doença de Alzheimer tem como uma de suas manifestações o que, na falta de melhor expressão, tratase como "alienação mental"; via de conseqüência, segundo dispõem os incisos XIV e XXI do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988, na redação que lhes foi dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.451/92, estão isentos do imposto de renda os valores que o doente receber a título de pensão. 2. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 A fixação de um termo no qual se tem como estabelecida determinada enfermidade, na falta de informação constante de laudo oficial, deve levar em conta outros elementos de convicção, desde que não impugnados pelo Estado Administração e merecedores de fé. Recurso provido. Dito Acórdão da Sexta Câmara foi submetido ao crivo da Câmara Superior de Recursos Fiscais na sessão de 29.11.2004, que sob a relatoria do Conselheiro Remis Almeida Estol, foi confirmado nos termos do Acórdão CSRF/01 05.165, ementa, verbis: IRPF RESTITUIÇÃO MOLÉSTIA GRAVE ALIENAÇÃO MENTAL DOENÇA DE ALZHEIMER Quando o quadro clínico de "alienação mental e/ou demência" decorrer da Doença de Alzheimer, fica caracterizado o pressuposto de "moléstia grave" previsto na legislação, devendo ser reconhecida a isenção do imposto sobre os rendimentos da aposentadoria percebidos pelo paciente. Recurso especial negado. Nesse sentido também dispõe a Súmula CARF nº 43: os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Compulsandose os autos verificase que inegavelmente os rendimentos são relativos à aposentadoria e pensão. Quanto ao Laudo médico, verificase atendida a formalidade exigida pela Lei nº 9.250, de 1995. Foi emitido por órgão médico oficial, municipal, qual seja, Prefeitura Municipal de Mesquita – RJ. Consta no referido laudo a informação de que a contribuinte é portadora da doença de Alzheimer, estando sob cuidados médicos desde 1993 (fls.21). Ante tudo acima exposto, e o que consta nos autos, voto por dar provimento ao recurso. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 98DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13808.001124/99-63
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1995
Ementa:REDUÇÃO DE CAPITAL. SÓCIO OU ACIONISTA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR. - A redução de capital social com devolução a sócio não residente, devidamente registrado no Banco Central do Brasil, será procedida sem a incidência do imposto de renda até o limite do valor do investimento registrado, nos termos do art. 755, inciso II do RIR/94 (art. 690, inciso II do RIR/99). O critério de proporcionalidade do custo de aquisição previsto na Portaria MF n. 550, de 1994, não deve prevalecer se resultar em exigência de imposto de renda antes de atingido o limite acima referido, por não atender à exigência de tributação sobre acréscimo patrimonial.
Numero da decisão: 104-23.711
Decisão: ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Antonio Lopo Martinez, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Gustavo Lian Haddad
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ementa_s : Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1995 Ementa:REDUÇÃO DE CAPITAL. SÓCIO OU ACIONISTA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR. - A redução de capital social com devolução a sócio não residente, devidamente registrado no Banco Central do Brasil, será procedida sem a incidência do imposto de renda até o limite do valor do investimento registrado, nos termos do art. 755, inciso II do RIR/94 (art. 690, inciso II do RIR/99). O critério de proporcionalidade do custo de aquisição previsto na Portaria MF n. 550, de 1994, não deve prevalecer se resultar em exigência de imposto de renda antes de atingido o limite acima referido, por não atender à exigência de tributação sobre acréscimo patrimonial.
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SÓCIO OU ACIONISTA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR. A redução de capital social com devolução a sócio não residente, devidamente registrado no Banco Central do Brasil, será procedida sem a incidência do imposto de renda até o limite do valor do investimento registrado, nos termos do art. 755, inciso II do RIR/94 (art. 690, inciso II do RIR/99). O critério de proporcionalidade do custo de aquisição previsto na Portaria MF n. 550, de 1994, não deve prevalecer se resultar em exigência de imposto de renda antes de atingido o limite acima referido, por não atender à exigência de tributação sobre acréscimo patrimonial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Antonio Lopo Martinez, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo n.º 13808.001124/9963 Acórdão n.º 10423711 Fls. 2 ___________ GUSTAVO LIAN HADDAD Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Nelson Mallmann, Heloísa Guarita Souza, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior e Amarylles Reinaldi e Henriques Resende (Suplente convocada). Fl. 213DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo n.º 13808.001124/9963 Acórdão n.º 10423711 Fls. 3 ___________ Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado, em 25/08/1999, o auto de Infração de fls. 129/130 relativo ao Imposto de Renda Retido a Fonte do anocalendário de 1995, por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$793.922,67, dos quais R$276.666,67 correspondem a imposto, R$207.500,00 a multa de ofício, e R$309.756,00, a juros de mora calculados até julho de 1999. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais (fls. 130), a autoridade fiscal apurou a seguinte infração: “1 – FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRRF SOBRE JUROS PAGOS/CREDITADO CAPITAL PRÓPRIO O contribuinte não efetuou a retenção do Imposto de Renda retido conforme art. 776, parag. Primeiro do RIR/94, Portaria do Ministério da Fazenda 550 de 03.11.94 e Carta Circular Bacen 2313 de 01.09.92, conforme Termo de verificação que fica fazendo parte integrante do presente Auto de Infração..” Cientificada do Auto de Infração em 25/08/1999 (ciência pessoal às fls. 129) a contribuinte apresentou, em 23/09/1999, a impugnação de fls. 133/154, cujas alegações foram assim sintetizadas pela autoridade julgadora de primeira instância: “4. Cientificado da autuação em 25/08/1999, nos termos do art. 23, inciso I do decreto nº 70.235/1972, o sujeito passivo se insurgiu contra a exigência fiscal, apresentando impugnação protocolizada em 23/09/1999 ( fls. 133/154), cujo teor a seguir se resume: 4.1 Em relação à preliminar de nulidade: a) que o auto de infração não foi elaborado em conformidade com ao requisitos previstos no IN SRF nº 94/1997, contendo vício formal insanável. Tal ato normativo prevê que o auto de infração deve conter a descrição dos fatos, a norma legal infringida e a base de cálculo, requisitos cuja ausência viola os princípios constitucionais da legalidade e da ampla defesa; b) que a norma legal mencionada pelo autuante, a descrição dos fatos contida no Termo de Constatação e a base de cálculo apresentadas são contraditórias e, em grande parte, dificultam o exercício do direito de ampla defesa; c) que dentre os dispositivos citados está o art. 71 da Lei nº 7.799/1989, a qual se reporta à incorporação de reservas de lucros seguida da conseqüente redução de capital, o que supostamente implicaria a tributação de tais valores a título de lucros distribuídos. d) que da mesma forma, foi citado o art. 776 do RIR/1994, o qual repete a redação do art.71 da lei 7.799/1989, referindose à capitalização de lucros ou reservas de lucros e subseqüente redução; Fl. 214DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo n.º 13808.001124/9963 Acórdão n.º 10423711 Fls. 4 ___________ e) que de outra forma, ao se reportar ao cálculo do imposto devido, agente fiscal, utilizouse de normas secundárias do direito tributário (Portaria nº 550/1994, PN nº 12/1992 e IN nº 139/1989), que na são lei e que cuidam do ganho de capital decorrente da redução de capital; f) que resta dúvida se o autuante pretendeu tributar o valor decorrente da redução de capital como lucros distribuídos aos sócios ou como ganho de capital; g) que a descrição dos fatos também não esclarece se o que deve prevalecer é o cálculo do imposto supostamente devido, ou se é a base legal supostamente infringida. Assim, resta clara a incoerência do auto de infração, o qual não esclarece a natureza do fato gerador, a base de cálculo aplicável, a alíquota aplicável e nem mesmo a correta descrição dos fatos ocorridos; h) que o auto de infração, nessas condições, deve ser declarado nulo, conforme se depreende do art. 6º da IN SRF nº 94/1997, visto que tal dispositivo estabelece que o lançamento que houver sido constituído em desacordo com os requisitos ali estabelecidos, deverá ser declarado nulo pelo Delegado de Julgamento, inclusive no que se refere aos processos pendentes de julgamento, ainda que essa preliminar não tenha sido suscitada pelo sujeito passivo; i) que o auto de infração, a despeito de ser totalmente improcedente, ainda incorreu em vício formal ao não esclarecer os fatos, a base de cálculo, a alíquota e a base legal infringida, dificultando, de forma determinante, a sua regular defesa na esfera administrativa. A alíquota relativa aos artigos 71 da Lei nº 7.799/1989 e 776, do RIR/1994 é de 15% (lucro distribuído), enquanto que a alíquota aplicada foi de 25% (ganho de capital decorrente de redução de capital) indicada apenas na Portaria nº 550/1994; 4.2 Em relação ao mérito: a) que o art. 776/ do RIR/1994 se refere às capitalizações de lucros, as quais poderiam ser realizadas sem a incidência do IRF incidente sobre os lucros distribuídos. Não obstante, na hipótese de, dentro dos cinco anos posteriores à capitalização dos lucros ou das reservas de lucros, a sociedade reduzisse o capital social para restituir capital aos sócios, tais valores seriam considerados como lucros distribuídos e tributados como tais; b) que ainda que a indicação do autuante estivesse correta, ele não aplicou a proporcionalidade prevista no art. 776, § 2º do RIR/1994 para determinar a base de cálculo de incidência do IRF; c) que além disso, em razão do art. 77 da Lei nº 8.383/1991, a partir de 01/01/1993, a alíquota do IRF incidente sobre lucros e dividendos distribuídos a residentes no exterior passou a ser de 15%; d) que além de todos os erros incorridos, o autuante cometeu um equívoco ainda maior ao equiparar a capitalização de lucros à capitalização de reserva de capital; Fl. 215DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo n.º 13808.001124/9963 Acórdão n.º 10423711 Fls. 5 ___________ e) que o art. 182 da Lei das Sociedades Anônimas estabelece que será classificada como reserva de capital o resultado da correção monetária do capital realizado, enquanto não capitalizado; f) que o art. 200 da Lei das Sociedades Anônimas estabelece que a reserva de capital poderá ser utilizada para a incorporação ao capital social; g) que em razão das restrições impostas pela legislação comercial e por se tratar de valores contabilizados que não se confundem com lucros ou reservas de lucros, o art. 3º, § 5º, da Lei nº 8.849/1994, alterada pela Lei nº 9.064/1995 expressamente estabeleceu que a restrição imposta à capitalização de lucros ou de reservas de lucros, com relação às reduções de capital realizadas no qüinqüênio subseqüente ao da capitalização, não se aplica no caso de aumento de capital social mediante a incorporação de reserva de capital formada com ágio na emissão de ações, com os produtos da alienação de partes beneficiárias ou bônus de subscrição, ou com correção monetária do capital; h) que resta evidente a improcedência da exigência do IRF sobre os valores do capital reduzidos antes de cinco anos após a sua capitalização, ma vez que os valores restituídos eram decorrentes da incorporação de reserva de capital, a qual, por expressa determinação legal (Lei nº 8.849/1994) não estava sujeita ao disposto no art. 71 da Lei nº 7.799/1989); i) que a base legal mencionada pelo auditorfiscal se refere à capitalização de lucros ou de reservas de lucros, as quais, em nada se relacionam com a realidade dos fatos efetivamente verificados. Todavia, para a realização dos cálculos, a fiscalização utilizou normas secundárias de direito referentes ao ganho de capital apurado por não residente; j) que a após a capitalização da reserva de capital, a RAS Holding alienou seu investimento detido na requerente para pessoas físicas residentes no Brasil; k) que a remessa dos valores referentes ao cancelamento do certificado de registro de investimento do Banco central foi realizada em 22/06/1995. Naquela ocasião, o residente no exterior recebeu, em troca de um investimento registrado no Banco Central de US$5. 350.000,00 o valor de US$ 3.351,194,19. Assim, não poderia a fiscalização exigir IRF sobre o ganho de capital experimentado na alienação do investimento, já que o residente no exterior trocou um certificado de investimento de US$ 5.350.000,00 por US$ 3.351.194,19; l) que ao pretender tributar suposto ganho de capital na alienação do investimento, ferese frontalmente o conceito de renda estabelecido no art. 153, inciso III, da Constituição Federal, o qual foi regulamentado pelo art. 43 do CTN; m) que no caso em análise, o residente no exterior não auferiu nenhum acréscimo patrimonial; pelo contrário ao alienar o investimento detido no Brasil, o residente no exterior experimentou uma significativa perda patrimonial, sendo incabível a cobrança do IRF sobre tal operação; Fl. 216DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo n.º 13808.001124/9963 Acórdão n.º 10423711 Fls. 6 ___________ n) que sem prejuízo do questionamento da legalidade da Portaria 550/1994, a aplicação dessa norma reside na presunção de que na alienação de parte do investimento, ou em sua liquidação parcial, no caso de redução, estaria havendo a antecipação de um ganho que seria verificado quando da liquidação total do investimento, ou seja, somente faria sentido tributar o ganho de capital na redução, aplicada a proporcionalidade da redução, nos termos da Portaria 550/1994, se de fato na liquidação total do investimento houvesse ganho de capital não pode ser considerada isoladamente, mas sim em conjunto com a alienação das quotas detidas pelas RAS HOLDING na então denominada Adriática Empreendimentos, alienação esta realizada na mesma data; o) que resta claro que a investidora estrangeira recebeu, mediante remessas efetuadas na mesma data, pela liquidação da totalidade de seu investimento na Adriática Empreendimentos, a quantia de US$ 3.351.194,19, sendo US$ 901.194,19 a título de redução de capital e US$ 2.450.000,00 como preço de venda do investimento; p) que o art. 1º da Portaria 550/1994estabelece que incidirá o imposto de renda à alíquota de 25% sobre o ganho de capital auferido por residentes ou domiciliados no exterior em razão da alienação de ações ou quotas, redução de capital para restituição aos sócios ou liquidação de empresas. Todavia, vale ressaltar que a expressão “redução de capital” não tem base em qualquer lei; q) que é imperioso que as operações de redução de capital e de alienação de investimento sejam analisadas em conjunto, uma vez que a remessa decorrente dessas operações foi realizada na mesma data, deixando claro que não houve qualquer ganho de capital auferido pelo residente no exterior; r) que é flagrante a ilegalidade da Portaria 550/1994, uma vez que, por via indireta, acaba determinando a tributação do patrimônio do não residente e não a renda ou os acréscimos patrimoniais eventualmente verificados. Dessa forma, a Portaria 550/1994 contraria o conceito de renda previsto no art. 43 do CTN; s) que a Portaria 550/1994 não possui base legal para desconsiderar o custo de aquisição registrado de acordo com a legislação comercial. Se o art. 200 da Lei das Sociedades Anônimas determina que a reserva de capital somente poderá ser utilizada para aumentar o capital social da empresa, e se essa reserva é composta por saldo de correção monetária da contas de capital, é evidente que o não residente não auferiu nenhum ganho, uma vez que a capitalização dessa reserva representa apenas a recomposição do patrimônio corroído pela inflação; t) que a referida Portaria não tem base na lei ao determinar que a redução de capital é fato gerador do IRF. Entretanto, se fosse admitida a apuração de eventual ganho de capital, o art. 4º da Portaria 550/1994 expressamente determina que no caso de redução de capital, a determinação do custo de aquisição será efetuada mediante a aplicação sobre o total do investimento e reinvestimento registrado em moeda estrangeira, do percentual representado pelas quotas Fl. 217DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo n.º 13808.001124/9963 Acórdão n.º 10423711 Fls. 7 ___________ representativas da redução de capital, em relação à totalidade das quotas do capital social da empresa, esse cálculo deve ser feito de forma proporcional, não considerando todo o valor reduzido como ganho de capital, mas apenas a parcela proporcional que ultrapassar o valor proporcional do certificado de investimento; u) que para reforçar o equivoco incorrido pela fiscalização, o PN 12/1992 se refere à tributação de lucros e dividendos em razão da redução de capital incorrida posteriormente à capitalização de lucros ou de reservas de lucros, ou seja, claramente o autuante não pretendeu tributar o ganho de capital, mas sim os pretensos lucros distribuídos através da redução de capital; v) que a multa de 75% imposta se revela abusiva e de nítido caráter confiscatório, o que é vedado pelo art. 150, inciso IV, da Constituição Federal.” A 7ª Turma da DRJ em São Paulo decidiu, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte o lançamento, em acórdão assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF Data do fato gerador: 04/05/1995 Ementa: IRRF. REDUÇÃO DE CAPITAL PARA RESTITUIÇÃO AOS SÓCIOS NO EXTERIOR. GANHO DE CAPITAL. Incide imposto de renda sobre o ganho de capital auferido por residentes ou domiciliados no exterior em razão de redução de capital para restituição aos sócios. GANHO DE CAPITAL. BASE DE CÁLCULO. O ganho de capital corresponde à diferença positiva entre o valor da redução e o custo da aquisição da participação societária. Deve ser exonerada a parcela da exigência correspondente ao custo de aquisição não considerado na autuação. Lançamento procedente em parte” A referida decisão cancelou parte do lançamento tendo em vista que o agente fiscal autuante não havia considerado custo de aquisição do capital reduzido, apurado proporcionalmente ao investimento total registrado conforme planilhas de fls. 219/220. Cientificado da decisão de primeira instância em 27/06/2007, conforme AR de fls. 225vº, e com ela não se conformando, a recorrente interpôs, em 25/07/2007, o recurso voluntário de fls. 232/249, por meio do qual pleiteia o cancelamento da parcela remanescente do lançamento tendo em vista a existência de prejuízo e não ganho quando considerado o resultado global das duas operações realizadas, além de questionar a aplicação da multa e incidência de juros de mora pela taxa SELIC. É o Relatório. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo n.º 13808.001124/9963 Acórdão n.º 10423711 Fls. 8 ___________ Voto Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A questão ser enfrentada no exame do recurso voluntário se relaciona à tributação do ganho de capital supostamente auferido por residente no exterior em razão do recebimento de valores em decorrência da redução de capital de pessoa jurírica situada no Brasi no ano de 1995. Segundo se depreende dos autos o quadrante fático que deu ensejo à exigência ora contestada foi o seguinte: 1. A pessoa jurídica RAS Holding, residente no exterior, era titular de quotas representativas do capital social da Adriática Investimentos, pessoa jurídica residente no Brasil e posteriormente incorporada à Recorrente. Tal investimento estava devidamente registrado no Banco Central do Brasil pelo valor de USD 5.350.000,00. 2. Por deliberação dos sócios a Adriática promoveu a incorporação de reservas de capital (não de lucros), aumentando seu capital social (o que não resulta em aumento do capital registrado no Banco Central, por não se tratar de ingresso de novos recursos no país ou de reinvestimento de lucros passíveis de distribuição); 3. Em 22 de junho de 1995 foram realizadas duas transações: a) redução de capital da Adriática com restituição de valores à RAS Holding no valor de USD 901.194,19; e, b) venda da participação societária remanescente pela RAS Holding a pessoas físicas residentes no país, pelo valor de US$ 2.450.000,00. 4. Com a realização das operações acima a RAS Holding recebeu valor total de USD 3.351.194,19. A autoridade fiscal autuante entendeu que com a operação referida em 3.a – redução de capital – houve remessa de ganho de capital/rendimentos a não residente sem apuração e retenção do Imposto de Renda na Fonte (IRF) devido, formalizando exigência de imposto acrescida de multa e juros. A decisão de primeira instância, embora tendo reconhecido como devida a exigência de IRF na redução de capital, considerou que deveria ser deduzido, na apuração do ganho de capital, o custo de aquisição da participação societária proporcionalmente à quantidade de quotas canceladas na redução de capital, nos termos do previsto na Portaria n. 550/1994. Ao fazêlo a decisão de primeira instância exonerou parte substancial da exigência, exoneração esta que se tornou definitiva por não se aplicável ao caso recurso de ofício. A Recorrente mantém a insurgência contra a parcela remanescente da autuação. Além da argumentação alinhavada na impugnação defende a Recorrente, em síntese, que a operação de redução de capital não deveria ser considerada autonomamente, mas sim em Fl. 219DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo n.º 13808.001124/9963 Acórdão n.º 10423711 Fls. 9 ___________ conjunto com a operação de venda realizada na mesma data (descritas ambas em 3, itens a e b acima). Naquela ocasião o residente no exterior recebeu, em troca de um investimento registrado no Banco Central de USD 5.350.000,00, o valor total de USD 3.351,194,19, sendo USD 901.194,19 a título de redução de capital e USD 2.450.000,00 como preço de venda da participação remanescente. Seguindo a linha de raciocínio teria o não residente auferido perda de capital e não ganho de capital quando examinadas as duas operações em conjunto. Inicialmente, ressalto que à época dos fatos geradores em questão não se encontrava em vigor o enunciado do artigo 18 da Lei nº 9.249/1995, segundo o qual o ganho de capital do não residente será apurado segundo as mesmas regras aplicáveis aos residentes. Tal dispositivo, que gera diferenças de interpretação quando a sua abrangência normativa, não terá assim impacto nos fundamentos adotados no presente voto. Os não residentes estão sujeitos, no Brasil, a tributação pelo imposto de renda quanto a renda ou acréscimo patrimonial que guardem conexão com o território brasileiro. Tratase, ao inverso do que ocorre em relação aos residentes, de tributação informada pelo princípio da territorialidade, adotado no direito comparado para a imposição fiscal aos não residentes, com respeito à soberania de cada Estado. Há dois regimes de tributação possíveis aplicáveis aos não residentes. Pelo primeiro a atuação do não residente no território brasileiro é de tal magnitude e frequência que a lei opta por equipálo a pessoa jurídica residente, sendo a tributação de todas as operações realizadas no território brasileiro ou a ele conexas efetuada pelo seu resultado em conjunto, de maneira sintética, como sucede com pessoa jurídica residente no Brasil. Pelo segundo e mais comumente verificado a tributação é analítica, sendo aplicável a cada operação isoladamente considerada, segundo regime jurídico próprio previsto em lei. Nestes casos o elemento de conexão com o território é a fonte, variando conforme a opção adotada pelo legislador para cada tipo de rendimento ou acréscimo – fonte de pagamento, fonte de produção, locus rei site, etc. Alberto Xavier explica (in Direito Tributário Internacional do Brasil, 6ª Edição, 2007, pg. 599), in verbis: “Mas quanto a estes há que distinguir o regime de tributação em que os residentes no exterior são considerados como tal, sujeitandose a uma tributação definitiva sobre os rendimentos provenientes de fontes nacionais, do regime de tributação pelo qual os residentes no exterior são equiparados a pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, sujeitandose às mesmas regras que a estes são aplicáveis: é este último regime que vigora para os não residentes que dispõem no Brasil de estabelecimentos permanentes, na forma de filiais, sucursais ou representantes. No primeiro caso, a lei considera os rendimentos auferidos pelos não residentes isolada ou analiticamente, submetendo cada um, de per si, ao tratamento que lhe for individualizadamente aplicável (juro, royalty, aluguel, dividendo, salário, etc.): é a isolierende Fl. 220DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo n.º 13808.001124/9963 Acórdão n.º 10423711 Fls. 10 ___________ Betrachtungsweise de que fala a doutrina alemã. No segundo caso, a lei considera os rendimentos auferidos pelos não residentes complexiva ou sinteticamente, submetendoos a todos ao regime do lucro da empresa, apurado pela sistemática própria de apuração do lucro das pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, às quais são equiparadas as filiais, sucursais e os representantes de empresas estrangeiras.” (grifamos) No caso em exame, a tributação do ganho de capital segue o regime analítico, sendo aplicável a cada operação isoladamente considerada, qualquer que seja o resultado, favorável ou desfavorável ao fisco. Neste diapasão, não há como acatar a alegação da Recorrente no sentido de que o resultado das duas operações descritas em 3.a e 3.b deveria seria considerado no seu conjunto, apurandose em razão disto perda e não ganho de capital. Entendo que andou bem a decisão de primeira instância quando tratou cada operação isoladamente (on a stand alone basis) para fins de apuração de ganho ou perda de capital, sendo este o regime aplicável à mingua de dispositivo que permita a consolidação de resultados. Não obstante a constatação acima, entendo que a tributação remanescente não merece prosperar, ainda que considerada a operação de redução de capital (item 3.a) de maneira isolada. Explicome. O artigo 4º do DecretoLei 1.401/1975 determinou que estão sujeitos ao imposto de renda na fonte os ganhos de capital auferidos pelas pessoas físicas ou jurídicas residentes no exterior relativos a investimentos em moeda estrangeira no país. Tal dispositivo foi incorporado ao artigo 745, inciso I do RIR/94, vigente à época do suposto fato gerador objeto da autuação. A operação objeto da autação, descrita em 3.a acima, resultou em devolução de capital à sócia RAS Holding no valor de USD 901.194,19. Naquele momento o valor do investimento da sócia RAS Holding na sociedade que efetuou a redução de capital era, conforme certificado de registro de investimento junto ao Banco Central (fls. 180/182), de USD 5.350.000,00. O valor registrado no Banco Central reflete o ingresso de moeda no país para efetivação do investimento, que corresponde, nas circunstâncias em que o investimento foi adquirido via injeções de capital (e não aquisição de terceiros), ao custo sob a ótica do sistema do imposto de renda. Por tal razão, o retorno do investimento ao sócio não residente até o limite deste valor não resulta em ganho para o não residente, mas apenas devolução de capital, sem acréscimo patrimonial a justificar a incidência do imposto de renda a teor do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Não é por outra razão que o art. 755, inciso II do RIR/1994, vigente á época dos fatos geradores e atualmente reproduzido no art. 690, inciso II do RIR/1999, estabelece a não incidência de imposto de renda sobre os valores em moeda estrangeira registrados no Banco Central e retornados ao país de origem, verbis: Fl. 221DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo n.º 13808.001124/9963 Acórdão n.º 10423711 Fls. 11 ___________ Art. 755. Não se sujeitam à retenção de que trata o art. 743 as seguintes remessas destinadas ao exterior: (...) II os valores, em moeda estrangeira, registrados no Banco Central do Brasil, como investimentos ou reinvestimentos, retornados ao seu país de origem; A meu ver o caso em exame comporta com clareza a aplicação do dispositivo acima, haja vista que o valor da devolução de capital (USD 901194,14) não excedeu ao valor registrado no Banco Central (USD 2.450.000,00), caracterizando retorno de principal, sem incidência do imposto. O critério de proporcionalidade previsto na Portaria do Ministro da Fazenda nº 550, de 3 de novembro de 1994, e aplicado pela decisão de primeira instância, não pode prevalecer na hipótese ora tratada. A aplicação de tal critério, em determinados casos (normalmente quando houve valorização da moeda brasileira face à moeda de registro), acaba por impor tributação sobre ganho de capital ainda não auferido, antes de ser “esgotado” o valor do investimento originalmente feito e registrado no Banco Central. Nestas hipóteses ele acaba por contrariar tanto a noção de acréscimo patrimonial a que refere o art. 43 do Código Tributário Nacional quanto mais diretamente a previsão do art. 755 acima referido, aprovado por decreto do Presidente da República, diploma normativo de hierarquia superior às regulamentações editadas por ministros de Estado. Vejase o seguinte exemplo. Considerese investimento de USD 1.000, feito quando a cotação da moeda estrangeira face à nacional era de 1 USD = R$ 2. Teremos, neste caso, investimento registrado no Banco Central de USD 1.000 e capital social na pessoa jurídica receptora de R$ 2.000, correspondente à conversão para moeda nacional do valor ingressado. Dois anos depois deliberase redução de capital de R$ 1.000, com cancelamento de 50% das quotas representativas do capital social de R$ 2.000. Neste momento, a cotação da moeda estrangeira face à nacional é de 1 USD = R$ 1,7. Neste caso, o valor da redução de capital remetido ao exterior representa cerca de USD 588 (R$ 1.000 / R$ 1,7). Adotandose o critério de proporcionalização do custo de aquisição previsto na Portaria MF 550 terseia: valor de alienação = USD 588 custo de aquisição proporcional = USD 1,000 (investimento original) X 50% (parcela do capital social objeto da redução – R$ 1.000 / R$ 2.000) = USD 500. Custo remanescente = USD 500. ganho de capital = USD 88 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo n.º 13808.001124/9963 Acórdão n.º 10423711 Fls. 12 ___________ Aplicandose o critério estabelecido no art. 755 do RIR/94 não há ganho de capital a tributar, eis que o valor do retorno de capital (USD 588) não excedeu ao custo de aquisição do investimento (USD 1.000), remanescendo USD 412 de custo. Estou convencido de que o segundo critério explicado acima é o que mais adequadamente atende a noção de acréscimo patrimonial que norteia o art. 43 do CTN e o art. 755 do RIR/94, devendo ser aplicada ao caso presente para afastar a tributação por ausência de ganho de capital do não residente na operação, em que houve retorno de USD 901.194,19 para investimento original de USD 5.350.000,00. Embora a meu ver isto não fosse relevante para o deslinde da questão, cabe ainda mencionar que o custo remanescente para a operação seguinte (3.b – venda de participação societária) seria de USD 4.448.805,51, inferior ao preço de venda adotado naquela operação (USD 2.450.000,00), pelo que também não aqui haveria ganho de capital a tributar. Ante o exposto, conheço do recurso para, no mérito, darlhe provimento e cancelar a exigência formalizada no auto de infração e remanescente da decisão de primeira instância. Sala das Sessões, em 4 de fevereiro de 2009. GUSTAVO LIAN HADDAD Fl. 223DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD
score : 1.0
Numero do processo: 13819.000926/2003-83
Data da sessão: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 30/03/1993 a 27/03/1998
COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DA EGRÉGIA PRIMEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS.
Uma vez que o processo versa sobre crédito de Imposto de Renda, cumpre declinar a competência para julgamento para a Primeira Seção, por força do art. 2°, do anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF.
Numero da decisão: 3102-00.483
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, para declinar a competência em favor da 1ª Seção do CARF.
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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Recorrida DRJ-Campinas/SP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/03/1993 a 27/03/1998 COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DA EGRÉGIA PRIMEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. Uma vez que o processo versa sobre crédito de Imposto de Renda, cumpre declinar a competência para julgamento para a Primeira Seção, por força do art. 2°, do anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, para declinar a competência em favor da 1' Seção do CARF. IS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente , -------------- BE RIZ VERÍSSIMO DE SENA — Relatora EDITADO EM: 02/09/2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Beatriz Veríssimo de Sena, Anelise Daudt Prieto, Nilton Luiz Bartoli, Celso Lopes Pereira Neto e Nanci Gama. , 1 Relatório Cuida o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, referente a saldos negativos apurados entre 1996 e 2000. A interessada, qualificada em epígrafe, apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 1198/1211, em face do despacho decisório de fls. 1116/1136, exarado pela Eqitd/Diort/Derat/SPO, mediante o qual foi reconhecido parcialmente o direito creditório pleiteado, bem como homologada, na mesma proporção, a compensação efetuada pela Contribuinte. A DRJ-São Paulo/SP julgou o pedido de restituição procedente em parte, por meio de acórdão assim ementado (fls. 1409-1410): Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/1996, 31/03/1997, 31/12/1997, 31/12/1998, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 31/12/2000, 06/02/2004 PEDIDO DE PERÍCIA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. PRESCINDIBILIDADE. É prescindível a realização de perícia que visa provar fatos passíveis de demonstração mediante mera apresentação de documentos e cujo objeto é inerente as atribuições de ocupante de cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal, investido em função de julgador administrativo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/1996, 31/03/1997, 31/12/1997, 31/12/1998, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 31/12/2000, 06/02/2004 LUCRO DA EXPLORAÇÃO. RECEITA LÍQUIDA DA ATIVIDADE. RECEITA DE FRETES. EXCLUSÃO. A receita de fretes não deve integrar a receita líquida da atividade incentivada para fins de apuração do benefício fiscal de isenção ou redução do imposto de renda calculado com base no lucro da exploração, a não ser que exista expressa previsão legal para tal procedimento. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. CSLL DEVIDA. Adiciona-se ao lucro líquido do período de apuração, antes de deduzida a provisão para o imposto de renda, para efeito de cálculo do lucro da exploração, a parcela da Cofins que houver sido compensada com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, nos termos do art. 8° da lei n° 9.718/1998, e a CSLL devida depois da referida compensação. DIPJ. SALDO NEGATIVO. IR1?F. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. 21 Processo n° 13819.000926/2003-83 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.483 Fl. 419 - O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa jurídica e, eventualmente compor o saldo negativo do imposto de renda apurado, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido com observância dos requisitos previstos pela legislação. Em face do acórdão proferido pela DRJ-São Paulo/SP, foi interposto recurso ordinário, no qual o contribuinte argumentou, em síntese, que os créditos apurados pela Autoridade Fiscal do foram corretamente calculados. É o Relatório. Voto Conselheira BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA, Relatora A matéria sobre a qual versa o presente recurso voluntário foge à competência deste Colegiado, pois se discute a compensação/restituição de Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas, matéria de competência da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 2°, do Anexo II, do Regimento Interno deste órgão administrativo. Pelo exposto, voto no sentido de declinar a competência para julgamento deste recurso à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na forma regimental. B ATRIZ VERISSIMO DE SENA 4
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Numero do processo: 10580.001387/2001-81
Data da sessão: Tue Feb 17 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Tue Feb 17 00:00:00 UTC 2004
Ementa: DECADÊNCIA – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – TERMO INICIAL – Em caso de conflito quanto à legalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se:
a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN;
b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inscontitucionalidade de tributo;
c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária.
Recurso conhecido e improvido.
Numero da decisão: CSRF/01-04.902
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber e Leila Maria Scherrer Leitão.
Matéria: IRPF- processos que não versem s/exigência cred.tribut.(NT)
Nome do relator: Wilfrido Augusto Marques
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Recurso conhecido e improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber e Leila Maria Scherrer Leitão. •l\T PER4P— A RI RIGUES PRESIDENTE WILF ' IDO VGUST E S RELATOR FORMALIZADO EM: 1 9 ABR 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CELSO ALVES FEITOSA, ANTONIO DE FREITAS DUTRA, MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO, VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, REMIS ALMEIDA ESTOL, DORIVAL PADOVAN, Processo n° : 10580.001387/01-81 Acórdão n° : CSRF/01-04.902 JOSÉ CARLOS PASSUELLO, JOSÉ RIBAMAR DE BARROS PENHA, JOSÉ CLÓVIS ALVES, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR e MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS. 2 Processo n° :10580.001387/01-81 Acórdão n° : CSRF/01-04.902 Recurso n° : RP/102-131021 Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Em 08 de março de 2001 formulou o contribuinte pedido de restituição de imposto retido na fonte sobre verba auferida no ano de 1993 em decorrência de adesão a Programa de Desligamento Voluntário instituído pelo Petróleo Brasileiro S.A — PETROBRÁS. O pleito foi indeferido pela DRF em Salvador/BA (fls.17/18), tendo o Requerente interposto a Impugnação de fl. 22, que não logrou provimento pela 3' Turma da DRJ em Salvador/BA (fls. 24/28) posto ter considerado decadente o pleito, na forma preconizada no Ato Declaratório 96/99. Insurgiu-se o sujeito passivo mediante o Recurso Voluntário de fls. 29/33, ao qual a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria, deu provimento (fls. 37/42), estando a ementa do acórdão assim gizada: "IRPF — RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO (RETIDO) INDEVIDAMENTE — PRAZO — DECADÊNCIA — INOCORRÊNCIA — Concede-se o prazo de 05 anos para restituição do tributo pago indevidamente contado a partir do ato administrativo que reconhece no âmbito administrativo fiscal, o indébito tributário, in casu, a Instrução Normativa n° 165, de 31/12/98 e n° 04, de 13/01/1999. PDV — ALCANCE — Tendo a administração considerado indevida a tributação dos valores percebidos como indenização relativos aos Programas de Desligamento Voluntário em 06/01/99, data da publicação da Instrução Normativa n° 165, de 31 de dezembro de 1998, é irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do prazo extintivo. Recurso provido." Inconformada, aviou a Fazenda Nacional Recurso Especial (fls. 43/53) com fundamento em violação ao artigo 168, inciso I, do CTN, tendo alegado que: 3 Processo n° : 10580.001387/01-81 Acórdão n° : CSRF/01-04.902 - os prazos prescricionais e decadenciais são de exclusiva alçada da lei, não se admitindo interpretação não literal; - o artigo 168, inciso I, do CTN, não faz menção à futura ciência do indébito tributário, eis que se reporta apenas à extinção do crédito tributário, sendo este considerado extinto a partir do pagamento; - a decisão que reconhece a inconstitucionalidade do tributo tem efeito repristinatório, ou seja, restabelece o status quo ante, sem poder, contudo, atingir o ato jurídico perfeito, a coisa julgada e o direito adquirido, ou seja, as situações definitivamente constituídas pela decadência tributária, posto que o direito não socorre aos que dormem; - "Significa isto que qualquer que seja a decisão de inconstitucionalidade (...), situações definitivamente constituídas não podem ser afastadas pela decisão. (...) Em outras palavras: a decisão produz efeitos repristinatórios, no que diz respeito à repetição de tributos, apenas nos cinco anos imediatamente anteriores ao seu proferimento, não atingindo as situações definitivamente constituídas pela decadência tributária. (...)" (grifos do autor) - "Portanto, pode até ser que, sob o ponto de vista Moral, não seja correto revoltar o contribuinte por algo que não possa mais obter por conta da decadência, sobretudo, naqueles casos nos quais não sabia que pagou indevidamente. Mas estamos na seara tributária e, como sobejamente sabido de Vós, não há espaços para aquilatar o que é moralmente correto, senão o que é legalmente determinado ". (grifos do autor). O recurso foi admitido (fl. 54), tendo o interessado apresentado contra-razões de fls. 57/59 em que sustenta não merecer reparo o acórdão recorrido. É o Relatório. 4 Processo n° :10580.001387/01-81 Acórdão n° : CSRF/01-04.902 VOTO Conselheiro WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 32 do Regimento Interno dessa Câmara, tendo sido interposto por parte legítima e preenchidos os requisitos de admissibilidade, razão porque dele tomo conhecimento. O litígio versa sobre o início do prazo decadencial para a formalização de pedido de restituição. Esta Egrégia Câmara, no acórdão n° CSRF/01-03.329, pacificou as divergências existentes acerca da matéria, sufragando o entendimento de que no caso de existência de controvérsia sobre a legalidade do tributo o prazo tem início a partir da publicação do ato administrativo que reconheceu o caráter indevido do tributo, não merecendo reforma, portanto, o acórdão vergastado. Com efeito, a despeito do brilhante Recurso interposto pelo Procurador, cabe enfatizar que a morosidade, especialmente nos casos de ADIn, não deriva de culpa do contribuinte, mas sim do Judiciário que repleto de milhares de processos para julgar -, neste passo evidenciando-se a culpa do próprio Poder Público e mais significativamente do Executivo, - nem sempre consegue oferecer a prestação jurisdicional da forma ideal, ou seja, com agilidade e segurança jurídica a um só tempo. É justamente em razão da delonga e da impossibilidade de locupletamento pelo Estado - diante da figura do Estado Democrático de Direito e do Princípio da Moralidade, - que se apresenta a única solução passível de gerar segurança jurídica para os Administrados, como brilhantemente já decidiu esta Turma. 5 Processo n° : 10580.001387/01-81 Acórdão n° : CSRF/01-04.902 • O tema é bastante polêmico, oferecendo inúmeras discussões doutrinárias e jurisprudenciais, tudo em razão do fato de que o Código Tributário Nacional, por ser muito antigo, não previu todas as possibilidades de restituição do crédito tributário, dentre estas a atinente à restituição em caso de ser o tributo posteriormente reconhecido como indevido. O artigo 168 do CTN dispõe que o prazo para pleitear a restituição é sempre de 05 anos, diferenciando-se o termo inicial de contagem de acordo com as regras dispostas no artigo 165 do mesmo codex, o qual prevê, in verbis, as seguintes hipóteses: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de seu pagamento, ressalvado o disposto no §4° do art. 162, nos seguintes casos: I — cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou de natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II — erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III — reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória" Como se vê, tal dispositivo contém lacunas quanto às hipóteses em que pode haver restituição. O legislador não cuidou da tipificação de todas as situações passíveis de ensejar o direito à restituição de indébito, pelo que cabe à doutrina e jurisprudência realizar interpretação analógica. Isto porque, apesar de estarem listadas no CTN apenas três hipóteses de restituição, certo é que tendo o pagamento do tributo ocorrido a maior, este valor será sempre devido, nos termos do artigo 964 do Código Civil. O referido dispositivo prevê que: "Art. 964. Todo aquele que recebeu o que lhe não era devido fica obrigado a restituir". 6 Processo n° : 10580.001387/01-81 Acórdão n° : CSRF/01-04.902 Consoante lição de Maria Helena Diniz aposta em sua obra Código Civil Anotado. "O pagamento indevido é uma das formas de enriquecimento ilícito, por decorrer de prestação feita, espontaneamente, por algúem com o intuito de extinguir uma obrigação erroneamente pressuposta, gerando ao accipiens, por imposição legal, o dever de restituir, uma vez estabelecido que a relação obrigacional não existia, tinha cessado de existir ou que o devedor não era o solvens ou que o accipiens não era o credor". Como o CTN é omisso no que toca ao prazo decadencial quando o caráter indevido do tributo é reconhecido pela Administração, cabe ao intérprete sanar tal lacuna legal, ante à proibição em nosso ordenamento jurídico do enriquecimento sem causa. Se a Lei Civil, que se aplica às relações particulares, prevê que o direito de restituir persiste sempre que houver sido paga obrigação não devida, mais razão há para que à Administração Pública seja aplicado tal dispositivo. No dizer de Celso Antônio Bandeira de Mello, in Curso de Direito Administrativo, págs. 54/55: "Convém finalmente reiterar, e agora com maior detença, considerações dantes feitas, para prevenir intelecção equivocada ou desabrida sobre o interesse privado na esfera administrativa. A saber: as prerrogativas que nesta via exprimem tal supremacia que não são manejáveis ao sabor da Administração, porque esta jamais dispõe de "poderes", sic et simpliciter. Na verdade o que nela se encontram são "deveres-poderes", como a seguir se aclara. Isto porque a atividade administrativa é desempenho de "função". Tem-se função apenas quando alguém está assujeitado ao dever de buscar, no interesse de outrem, o atendimento de certa finalidade. Para desincumbir-se de tal dever, o sujeito de função necessita manejar poderes, sem os quais não teria como atender à finalidade que deve perseguir para a satisfação do interesse alheio. (...) Segue-se que tais poderes são instrumentais: servientes do dever de bem cumprir a finalidade a que estão indissoluvelmente atrelados. (•••) Ora, a Administração Pública está, por lei, adstrita ao cumprimento de certas finalidades, sendo-lhe obrigatório objetivá-las para colimar interesse de outrem: o da coletividade. É em nome do interesse público --o do corpo social — que tem de agir, fazendo-o na conformidade do intentio legis. 17 Processo n° : 10580.001387/01-81 Acórdão n° : CSRF/01-04.902 A Administração Pública tem o dever de arrecadar o tributo instituído por Lei e o poder para fazê-lo. Contudo, em sendo reconhecida que a exação não era devida, impende, por outro lado, seja o valor recolhido restituído, sob pena de violação ao direito do cidadão que confia no Estado. Se não há causa para o pagamento, se o contribuinte recolheu aos cofres públicos tributo indevido, tem o Fisco o dever de devolver o valor àquele, sob pena de enriquecimento indevido, repugnado em nosso ordenamento jurídico, conforme lição extraída da obra Direito Civil, Vol. II, de Sílvio Rodrigues: "O pagamento indevido constitui no plano teórico, apenas, um capítulo de assunto mais amplo, que é o enriquecimento sem causa. Este representa um gênero, do qual aquele não passe de espécie.(...) De fato, além de coibir o enriquecimento injusto quando manifestado através de pagamento indevido (CC, arts. 964 e s.), o Código, em numerosas instâncias, o proíbe, em casos específicos.(...) O repúdio ao enriquecimento indevido estriba-se no princípio maior da eqüidade, que não permite o ganho de um, em detrimento do outro, sem uma causa que o justifique." Premiar o entendimento de que o prazo decadencial de cinco anos deve ter sua contagem iniciada a partir da data de extinção do crédito tributário é pretender que o contribuinte sempre desconfie da regularidade das leis instituidoras de tributo, realizando, desde logo, pedido de restituição. Foi por esta razão que a doutrina e a jurisprudência se ocuparam da tarefa de suprir a lacuna legal do CTN, conforme lição de Ives Gandra da Silva Martins: "2.4. Acredito que, quando o contribuinte é levado, por uma lei inconstitucional, a recolher aos cofres públicos determinados valores a titulo de tributo, a questão refoge ao âmbito da mera repetição de indébito, prevista no CTN, para assumir os contornos de direito à plena recomposição dos danos que lhe foram causados pelo ato legislativo inválido, nos moldes do que estabelece o art. 37, §6° da CF. 8 Processo n° : 10580.001387/01-81 Acórdão n° : CSRF/01-04.902 Em tais casos, a actio nata ocorre com o reconhecimento do vício por decisão judicial transitada em julgado, pois até então vale a presunção de legitimidade do ato legislativo" (Repetição do Indébito e Compensação no Direito Tributário, ob. cit., pág. 178) Este também é o entendimento do Sistema de Tributação, que, por meio do Parecer COSIT n° 58/98, realizou a seguinte abordagem quanto ao tema: "25. Para que se possa cogitar de decadência., é mister que o direito seja exercitável: que, no caso, o crédito (restituição) seja exigível. Assim, antes da lei ser declarada inconstitucional não há que se falar em pagamento indevido, pois, até então, por resun ão eram a lei constitucional e os a amentos efetuados efetivamente devidos. 26.Logo, para o contribuinte que foi parte na relação processual que resultou na declaração incidental de inconstitucionalidade, o início da decadência é contado a partir do trânsito em julgado da decisão judicial. Quanto aos demais, só se pode falar em prazo decadencial quando os efeitos da decisão forem válidos ", erga omnes", que, conforme já dito no item 12, ocorre apenas após a publicação da Resolução do Senado ou após a edição do ato específico do Secretário da Receita Federal (hipótese do Decreto n° 2.346/1997, art. 4°). 26.1 Quanto à declaração de inconstitucionalidade de lei por meio de ADIN o termo inicial ara a conta • em do • razo de decadência é a data do trânsito em julgado da decisão do STF". Não se legitima a ausência de prazo para a realização do pedido de restituição, posto que até mesmo para a propositura da ação de in rem verso, cabível nos casos de pagamento indevido, estabelece o Código Civil prazo prescricional. Trata-se, porém, de reconhecer que o direito somente é exercitável a partir do momento em que a exação é reconhecida como indevida. Diante da lacuna legal, há que se interpretar a situação fática de acordo com a intenção do legislador. O CTN, embora estabelecendo que o prazo seria sempre de cinco anos, diferencia o início de sua contagem conforme a situação que rege, em clara mensagem de que a circunstância material aplicável a cada situação jurídica de que se tratar é que determina o Ir 9 Processo n° : 10580.001387/01-81 Acórdão n° : CSRF/01-04.902 prazo de restituição, que é sempre de cinco anos. Ora, para situações conflituosas, verifica-se que o legislador, no inciso III, do artigo 165 do CTN, dispôs que o prazo decadencial somente se inicia a partir da decisão condenatória. Em inexistindo ação condenatória, mas havendo discussão quanto à legalidade/constitucionalidade da Lei que instituiu o tributo, ou seja, situação conflituosa quanto ao imposto recolhido, certamente somente a partir do momento em que tal questão é solucionada com efeito erga omnes nascerá o direito do contribuinte de receber o que foi pago a maior. A hipótese, portanto, embora não prevista legalmente, guarda grande similitude com o disposto no artigo 165, inciso III, do CTN, pelo que, para as situações conflituosas, o prazo do artigo 168 deve ser contado a partir do momento em que o conflito é sanado, seja por meio da edição de Resolução pelo Senado Federal reconhecendo a inconstitucionalidade da Lei, em conformidade com entendimento do STF exarado em controle difuso; seja por meio de edição de ato administrativo reconhecendo o caráter indevido da cobrança e dispensando-a; seja através de acórdão do STF declarando a inconstitucionalidade em controle concentrado. Este entendimento foi brilhantemente anotado por ocasião do julgamento do Recurso Voluntário n° 118.858, quando o Ilustre Conselheiro José Antônio Minatel, da 8' Câmara, asseverou em seu voto que para o início da contagem do prazo decadencial há que se distinguir a forma como se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear restituição tem inicio a partir da data do pagamento que se considera indevido. Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução administrativa conflituosa, o prazo deve iniciar a partir da decisão definitiva da controvérsia. Y1-0 Processo n° : 10580.001387/01-81 Acórdão n° : CSRF/01-04.902 Admitir entendimento contrário ao acima reproduzido é certamente vedar a devolução do valor pretendido e, conseqüentemente, enriquecer ilicitamente o Estado, uma vez que à Administração não é dado manifestar-se quanto à legalidade e constitucionalidade de lei, razão porque os pedidos seriam sempre indeferidos, facultando ao contribuinte apenas o socorro perante ao Poder Judiciário. ANTE O EXPOSTO, conheço do recurso e nego-lhe provimento. É o voto. Sala das Sessões — DF, em 17 de fevereiro de 2004 WIL RIDO AUGUS 'O M QUES 11 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1
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Numero do processo: 11176.000213/2007-21
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 21/11/2006
RETROATIVIDADE BENIGNA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DE DIRIGENTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Com a revogação do art. 41 da lei 8.212/91, através da lei 11.941/09, os dirigentes de órgãos e entidades da Administração Pública deixaram de ser pessoalmente responsáveis por multas aplicadas por infração à prefalada lei previdenciária e seu regulamento, sendo cabível tal desoneração retroativa por ser mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-001.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 21/11/2006 RETROATIVIDADE BENIGNA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DE DIRIGENTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Com a revogação do art. 41 da lei 8.212/91, através da lei 11.941/09, os dirigentes de órgãos e entidades da Administração Pública deixaram de ser pessoalmente responsáveis por multas aplicadas por infração à prefalada lei previdenciária e seu regulamento, sendo cabível tal desoneração retroativa por ser mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido
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Obrigação Acessória Recorrente VALDEMAR FERNANDES DA CRUZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/11/2006 RETROATIVIDADE BENIGNA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DE DIRIGENTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Com a revogação do art. 41 da lei 8.212/91, através da lei 11.941/09, os dirigentes de órgãos e entidades da Administração Pública deixaram de ser pessoalmente responsáveis por multas aplicadas por infração à prefalada lei previdenciária e seu regulamento, sendo cabível tal desoneração retroativa por ser mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 17 6. 00 02 13 /2 00 7- 21 Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11176.000213/200721 Acórdão n.º 2803001.993 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11176.000213/200721 Acórdão n.º 2803001.993 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório O contribuinte foi autuado por descumprimento da legislação previdenciária, por ter apresentado GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social com ausência de fatos geradores. O recorrente era responsável pelo preenchimento e entrega das GFIPs no período citado, e a infração diz respeito à GFIP do Município de Foz do Iguaçu. O r. acórdão – fls 1.305 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, relevando parcialmente o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese que procedeu todas as alterações necessárias para o deferimento da relevação total do auto lavrado. É o relatório. Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11176.000213/200721 Acórdão n.º 2803001.993 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento referese a auto de infração aplicado contra a Sra. Valdemar Fernandes da Cruz, que era responsável pelo preenchimento e entrega das GFIPs, por deixar de informar todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias do Município de Foz do Iguaçu. A responsabilidade do dirigente dos órgãos públicos encontrava respaldo no art. 41 da Lei 8.212/1991, como segue: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Referido artigo foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, afastando assim a base legal de imputação de responsabilidade ao dirigente de órgão público, na hipótese sub examine. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim sendo, revogada a lei que determinava a responsabilidade pela infração, há que se dar provimento ao presente recurso. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11176.000213/200721 Acórdão n.º 2803001.993 S2TE03 Fl. 6 5 Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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