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Numero do processo: 10920.002584/2004-61
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
IRPF - AUXILIO COMBUSTÍVEL - INDENIZAÇÃO
A verba paga sob a rubrica "auxilio combustível" constitui ressarcimento de custos e por força de sua natureza indenizatória, encontra-se externa ao campo de incidência do tributo.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.767
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. SUSYiek..enk 1-10e4l — Presidente em exercício 111 ELIAS SA, PAIO F • ETRE — Relator EDITADO EM: 1 4 MAIO 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, temporariamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em virtude de o acórdão recorrido ter concluído que a verba paga sob a rubrica "auxilio combustível" constitui ressarcimento de custos, ônus do sujeito passivo e, por força de sua natureza indenizatória, encontra-se externa ao campo de incidência do tributo. A Fazenda Nacional, em síntese alega que: a) por força do que prescreve o art. 70 da Portaria n° 250/2001, a verba em discussão tem natureza remuneratória, não obstante apresentar-se sob a denominação de auxilio combustível ou indenização de transporte; b) a verba á paga pelo simples "exercício de cargo ou função em órgão., da estrutura organizacional da Secretaria de Estado do Planejamento e Fazenda", conforme previsto no inciso I do art. 3°, do Decreto n° 4.606/1990, o que indica a desvinculação com gastos com combustível ou transporte, que podem até inexistir. -O contribuinte apresentou contra-razões. É o relatório. Voto Conselheiro ELIAS SAMPAIO FREIRE, Relator O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recurso Especial. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. O litígio que ora se apresenta versa sobre a incidência, ou não, do imposto de renda sobre as verbas recebidas pelo contribuinte a titulo de auxilio combustível. Jurisprudência das Câmaras do 1° Conselho de Contribuintes são no sentido de que verba paga sob a rubrica 'auxílio combustível' tem por objetivo indenizar gastos com uso de veiculo próprio para realização de serviços externos de fiscalização. Neste contexto, é verba de natureza indenizatória, que não se incorpora à remuneração do fiscal para qualquer efeito e, portanto, está fora do campo de incidência do IRPF. QS,,\ 2 Processo n° 10920.002584/2004-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.767 Fl. 2 De modo que, a fim de evitar tautologia, reporto-me a excertos do voto condutor do Acórdão 106-15.455, de 23/03/2006, de relatoria do conselheiro Wilfrido Augusto Marques, que apreciou o tema com a atenção que merece: No mérito, a discussão cinge-se em tomo da natureza da verba percebida pelo contribuinte. Para a fiscalização o auxílio combustível tem natureza remuneratória, enquanto que para o contribuinte cuida-se de verba indenizatória. O entendimento do Fisco foi vazado em vista a percepção de que o "auxílio combustível" seria recebido por todos os Auditores Fiscais do Estado de Santa Catarina, independente da realização ou não de serviço externo. Em sendo assim, não haveria que se falar em indenização por uso de veículo próprio para prestação de serviços públicos em decorrência do trabalho desempenhado e, de fato, se estaria diante de uma verba de cunho remuneratório. Ocorre que não é esse o caso. Não há percepção indistinta, por todos os funcionários, do auxílio combustível. Ao revés, apenas aqueles que pertencem ao quadro do OFA, Grupo de Operações de Fiscalização e Arrecadação, é que percebem a referida verba. De fato, o dispositivo que prevê a forma de pagamento da referida indenização, já deixa antever que há nítida co-relação entre o serviço externo desempenhado e a indenização recebida. Dispõe o art. 3° do Decreto n° 4.606/90, do Estado de Santa Catarina: Art. 3°- A indenização pelo uso de veículo próprio de que trata o inciso VIII do §2° do artigo 1° da Lei n° 7.881, de 22 de dezembro de 1989, fica limitada a 25% (vinte e cinco por cento) do valor máximo da remuneração nele previsto e será conferida mediante a utilização dos seguintes critérios: I — 12,5% (doze inteiros e cinco décimos por cento) pelo desempenho das atividades previstas no item 1 do Anexo I ou pelo exercício de função em órgão da estrutura organizacional de Secretaria da Fazenda; II— 12,5% (doze Inteiros e cinco décimos por cento) pelo desempenho das atividades previstas nos itens Z 3 ou 4 pela antecipação prevista na alínea "a" da Nota 111 do Anexo 1 ou pelo exercício de cargos de Inspetor Auxiliar de Fiscalização de Mercadorias em Trânsito, Assessor de Coordenador Regional da Fazenda Estadual ou Coordenador Regional da Fazenda Estadual ou da Função de Supervisor do Posto Fiscal. Pois bem, mesmo no caso do inciso I, as atividades realizadas pelos fiscais compreendem uso de veículo próprio para serviço externo, conforme demonstra a transcrição abaixo: ANEXO I FISCAL DE TRIBUTOS ESTADUAIS E FISCAL DE MERCADORIAS EM TRÂNSITO TAREFA DESENVOLVIDA 3 Pelo exercício das funções inerentes à fiscalização de tributos, inclusive informação em processos, inscrição e alteração cadastral, verificação em máquina registradora e/ou terminal ponto de venda, plantões fiscais em Coordenadorias Regionais, Setores Fiscais, Postos Fiscais fixos e móveis ou em voltantes, devidamente certificados pelo Corte. Por outro lado, o pagamento é diferenciado conforme a carga de serviço externo seja maior ou menor, variando entre o percentual de 12,5% a 25% do valor máximo de remuneração recebida Não há que se falar, portanto, em verba paga a todos os funcionários indistintamente. O "auxílio combustível" somente é pago àqueles que efetivamente realizam serviço externo, e apenas a um grupo determinado de Fiscais. Isso é que se extrai do art. , §2°, inciso VIII da Lei 7.881/89 do Estado de Santa Catarina: Art. 1° - Ressalvados os casos de acumulação lícita, nenhum servidor ativo e inativo da Administração Direta, Indireta, de Autarquia ou Fundação instituída pelo Estado, poderá receber mensalmente, a qualquer título, dos cofres públicos estaduais, importância superior ao valor percebido como remuneração, em espécie, a qualquer título, por Deputado Estadual, Secretário de Estado e Desembargador. §2° - Fica excluídas do limite previsto neste artigo as importâncias percebidas a título de: VIII— indenização pelo uso de veículo próprio, pra desempenho de funções de inspeção ou fiscalização de tributos, por ocupantes dos cargos de Grupo: Fiscalização e Arrecadação — FAR e cargos isolados de Inspetor de Exatoria e Inspetor Auxiliar de Fiscalização de Mercadorias em Trânsito, no âmbito da região administrativo-fiscal, na forma a ser prevista em regulamento. Há várias decisões do Tribunal de Justiça de Santa Catarina sobre o tema, conforme identificou o contribuinte em Impugnação e Recurso Voluntário, e pude confirmar no endereço eletrônico do Tribunal. Essas decisões, foram vazadas em vista as provas colacionadas aos autos, e todas são contestes no sentido de tratar-se de verba de cunho indenizató rio. A hipótese de incidência do imposto de renda está prevista no artigo 43 do CTN. Segundo referido dispositivo não é a disponibilidade de qualquer renda ou proventos que representa hipótese de incidência do Imposto de Renda, mas apenas aqueles que provoquem acréscimo patrimonial. Na lição de Sacha Calmon, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, pág. 448: Seja lá como for, quer a renda, produto do capital, do trabalho e da combinação de ambos, quer os demais proventos não compreendidos na definição, devem traduzir um aumento patrimonial dentre dois • momentos de tempo. É o acréscimo patrimonial, em seu dinamismo acrescentador de mais patrimônio, que constitui substância tributável pelo imposto. Processo n° 10920.002584/2004-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.767 Fl. 3 No caso, a verba percebida pelo Recorrente tem natureza de rendimentos, cabendo analisar somente se ocorreu ou não hipótese de acréscimo patrimonial que permita a incidência do imposto de renda. Com efeito, no sistema tributário pátrio não é todo e qualquer acréscimo patrimonial que permite a incidência do IR. Somente os acréscimos patrimoniais a titulo oneroso estão sujeitos a incidência do imposto de renda, já que todos os demais são considerados como de natureza indeniza tória e, portanto, fora do campo de incidência. Neste sentido, segue lição de Henry Tilbery in Comentários ao Código Tributário Nacional, pág. 289: A pesquisa citada conclui pela manutenção do conceito oneroso de imposto de renda no atual sistema constitucional, conclusão essa que nos parece correta. Por outro lado a possibilidade da interpretação do art. 43 do CIN em sentido mais amplo não é totalmente afastada, embora a referência expressa do Projeto ao acréscimo patrimonial a titulo gratuito na redação final tenha sido eliminada. Por outro lado o teor do art. 43, inciso II, não distingue, o que, em principio, abriria a faculdade para um entendimento fiscalista, abrangendo todos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior — sejam onerosos ou gratuitos. Repetimos, tal alargamento, todavia, não se coaduna com o conceito tradicional constitucional que vem das Constituições anteriores e foi mantido na Magna Carta vigente, sem alterações. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, no mesmo Recurso Extraordinário n. 117.887-6 (ementa retrotranscrita), Rel. Min. Carlos Mário Velloso, em decisão de 25-5-1988, confirmou a intributabilidade dos acréscimos patrimoniais gratuitos nos seguintes termos: "Rendas e proventos de qualquer natureza: o conceito implica reconhecer a existência de receita, lucro, proveito, ganho, acréscimo patrimonial, que ocorrem mediante o ingresso ou o auferímento de algo, a título oneroso. (DJ de 23-4-1993, p. 6923). O auxílio combustível recebido visa ressarcir gastos do Auditor Fiscal com a realização de serviço externo em veículo próprio. Tem, assim, nítida feição indenizatória, assim como o auxílio combustível recebido pelos servidores da União. Está, portanto, fora do campo de incidência do imposto de renda. Frise-se, ademais, que tal verba não se incorpora para qualquer efeito a remuneração do Fiscal, o que evidencia ainda mais seu caráter indenizató rio, e denota a impossibilidade de incidência do imposto de renda. çcir1.7„ 5 Ante o exposto, conheço do recurso e dou-lhe provimento. É cediço que o fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou jurídica da renda e de proventos de qualquer natureza, a teor do art. 43 do CTN. Por certo, as verbas de caráter indenizatório (reposição ou recomposição patrimonial) não se submetem a tal tributo. Partilho do entendimento de que aqui se trata de não-incidência, e não de isenção, o que, se correto for, dispensaria, de fato, a edição de lei com a finalidade de não se cobrar o tributo. Não há por que isentar aquilo que está fora do campo de incidência. Trago à colação as ementas de dois julgados do 1° Conselho de Contribuintes, que decidiram exatamente na linha do reconhecimento da não incidência do IR sobre o "auxílio combustível": "AUXÍLIO COMBUSTÍVEL — INDENIZAÇÃO — A verba paga sob a rubrica 'auxílio combustível' tem por objetivo indenizar gastos com uso de veiculo próprio para realização de serviços externos de fiscalização. Neste contexto, é verba de natureza indenizatória, que não se incorpora à remuneração do fiscal para qualquer efeito e, portanto, está fora do campo de incidência do IRPF." (Acórdão n° 102-47.982, de 19.10.2006, da 2" Câmara do 1°CC) "INDENIZAÇÃO POR UTILIZAÇÃO DE VEÍCULO PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO — A tributação independe da denominação dos rendimentos bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título, situação que não se verifica em relação à indenização pelo uso de veículo próprio para o desempenho de funções de inspeção ou fiscalização de tributos recebidas por ocupantes do 'cargo de Auditor Fiscal de Tributos Estaduais, posto que de mesma natureza jurídica daquela paga a Servidor Público da União." (Acórdão n° 106-15287, de 26.01.2006, da 6" Câmara do 1° CC) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. •É como veto. A10,0 Elias Sampa o reire - Re ator 6
score : 1.0
Numero do processo: 10167.001726/2007-03
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 30/08/2004
NORMAS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO VOLUNTÁRIO, PRAZO. INTEMPESTIVIDADE, Nos termos do artigo 305, § 1º, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 23, § 1°, da Portaria MPS 520/2004, aplicáveis à época, o prazo para recorrer da decisão administrativa de primeira instância é de 30 (trinta) dias, contados a partir da data em que o contribuinte foi devidamente cientificado da decisão, não sendo conhecido o recurso interposto fora do trintídio legal.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO,
Numero da decisão: 2401-001.464
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 30/08/2004 NORMAS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO VOLUNTÁRIO, PRAZO. INTEMPESTIVIDADE, Nos termos do artigo 305, § 1º, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 23, § 1°, da Portaria MPS 520/2004, aplicáveis à época, o prazo para recorrer da decisão administrativa de primeira instância é de 30 (trinta) dias, contados a partir da data em que o contribuinte foi devidamente cientificado da decisão, não sendo conhecido o recurso interposto fora do trintídio legal. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO,
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INTEMPESTIVIDADE, Nos termos do artigo 305, § I', do RPS, aprovado pelo Decreto n" 3,048/99, c/c artigo 2.3, § 1°, da Portaria MPS 520/2004, aplicáveis à época, o prazo para recorrer da decisão administrativa de primeira instância é de .30 (trinta) dias, contados a partir da data em que o contribuinte foi devidamente cientificado da decisão, não sendo conhecido o recurso interposto fora do trintídio legal. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, •--\ ti ELIAS SAMPAIO FREE - Presidente IPIN ilrro 4111 11 ii "ui e * - RYCARDO/HENRItl, E MA ALLLÃE MA ALHÃES DEI—OLIVEIRA - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira 2 Processo n" 10167 001726/2007-03 S2-C4T1 Acórdão n. 2401-01.464 Fl 513 Relatório PRIMAR FRIGORÍFICO ARAGUAÉNA S/A, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho do Acórdão IV 03-21.987/.2007, da 6' Turma da DRJ em Brasília/DF, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a empresa, nos termos do artigo .33, § 2°, da Lei n° 8212/91, c/c artigo 232 do RPS, por ter deixado de apresentar à fiscalização documentos relacionados com as contribuições previdenciárias inscritos nos autos, muito embora devidamente intimada para tanto mediante T1AD's, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 07/08, e demais elementos que instruem o processo. Trata-se de Auto de Infração, lavrado em 30/08/2004, nos termos do artigo 29.3 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindo-se multa no valor de R$ 31.077,42 (Trinta e um mil e setenta e sete reais e quarenta e dois centavos), com base nos artigos 28.3, inciso II, alínea "j", e .373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° .3„048/99. Esclarece, ainda, o fiscal autuante que da análise dos documentos apresentados durante a fiscalização desenvolvida na notificada, restou constatada a existência de grupo econômico de fato formado entre as empresas FRIMAR — Frigoríficos Araguaína S/A, Frigorifico BOINORTE Ltda,, BOIFORTE Frigoríficos Ltda., COOPERBOVINO — Cooperativa dos Produtores Agropecuários do Tocantins Ltda., e COOPERCARNE — Cooperativa dos Produtores de Bovinos, Carnes e Derivados do Tocantins, consoante se infere do Relatório Fiscal Aditivo, às fls. 65/68. Inconformada com a Decisão recorrida, a notificada apresentou Recurso Voluntário, às fls. 397/443, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato dos fatos ocorridos durante a fiscalização e demais atos do processo administrativo fiscal, preliminarmente, pugna pela decretação da nulidade do lançamento, por entender que o fiscal autuante, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, notadamente no que tange a caracterização dos segurados empregados da COOPRESTO como funcionários da recorrente, contrariando o princípio da verdade material, bem como o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da notificada, conforme se extrai da doutrina e jurisprudência, baseando a notificação em meras presunções. Assevera que a fiscalização não examinou a documentação acostada aos autos da forma que a legislação que regulamenta a matéria impõe, sobretudo em relação à inexistência do "Grupo Econômico Primar", Insurge-se contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, notadamente em relação à caracterização de grupo econômico de fato, alegando inexistir Grupo Econômico sob qualquer enfoque que se analise a questão, de maneira a autorizar a co- responsabilização pretendida pela autoridade lançadora.. Contrapõe-se ao grupo econômico de fato caracterizado pela fiscalização, argumentando que a MIMAR S.A, não é signatária de qualquer convenção de grupo de sociedades com as demais empresas . fiscalizadas, não mantendo, igualmente, relações de coligação e controle com as mesmas, requisitos necessários à caracterização de Grupo Econômico, insculpidos na Lei das SA (Lei n" 6,404/1976), a qual deve ser aplicada ao caso, uma vez que a legislação tributária/previdenciária, em que pese contemplar a responsabilidade solidária na hipótese de grupo econômico, não estabelece sua conceituação, Suscita que o Código Tributário Nacional e, bem assim, a Lei IV 6A04/76 (Lei das Sociedades Anônimas), não autorizam a co-responsabilização das contribuintes integrantes do suposto Grupo Econômico por crédito previdenciário da empresa originalmente autuada, uma vez que referidas pessoas jurídicas não se vinculam ao fato gerador, se apresentando como empresas absolutamente independentes e autônomas, com administrações e sócios distintos. Defende não ser aplicável à espécie (caracterização de grupo econômico) a legislação trabalhista, mas, sim, as disposições legais do Código Civil e da Lei das S/A, mormente quando a relação pretendida não tem natureza de vínculo empregatício, Traz à colação vasta explanação a propósito do histórico e das operações realizadas pela Frimar e demais contribuintes, ora adotadas como responsáveis solidárias, concluindo inexistir o malfadado Grupo Econômico Frimar, ao contrário da pretensão fiscal, sendo prova de tais fatos as inúmeras ações judiciais travadas entre esta e as arrendatárias COOPERCARNE e BOIFORTE. Aduz que a fiscalização não levou em consideração que logo após o óbito do Sr, Benedito Vicente Ferreira, a sua viúva, Sra. Dirce Inácio Ferreira, procurou desvencilhar-se da relação comercial com a COOPERCARNE, alugando seu parque industrial à empresa frigorífica paulista FRANCO FABRIL, contrato que não veio a prosperar em virtude da interpelação judicial promovida pela COOPERCARNE contra MIMAR, pleiteando direito de preferência, suscitando, ainda, várias ameaças e intrigas à própria integridade física da família Vicente Ferreira. Esclarece que, diante dos fatos encimados, a Sra.. Dirce Inácio Ferreira, então Vice-Presidente, fbra deposta da COOPERCARNE, em reunião extraordinária realizada em dezembro de 1999, sob a justificativa de prejudicar os interesses da cooperativa. Relata que na noite seguinte àquela reunião extraordinária da COOPERCARNE, ainda no ano de 1999, a Sra. Regina Vicente Peneira, tida pela própria auditoria-fiscal como o elo inquestionável entre PRIMAR e demais autuadas, sofiera intenso atentado a bala, na casa onde residia, ausentando-se definitivamente do estado do Tocantins e nunca mais pisando em Araguaina, temendo por sua própria vida., Acrescenta que, à época, o Ministério Público apontou o mais novo cooperado e presidente da COOPERCARNE, Sr. Carlos Sabino dos Santos, vulgo Marlon, sócio majoritário da BOIFORTE, como mandante de aludido atentado. Sustenta que a fiscalização deixou de considerar o fato que diante da pífia alegação de que FRIMAR haveria simulado um terceiro interessado para inflacionar o preço da renovação do arrendamento e conseqüente continuidade da BOIFORTE, esta empresa unilateralmente suspendera os pagamentos devidos ao arrendante FRIMAR, levando este a denunciar o contrato em tela e proposto Ação de Despejo contra sua arrendatária, naquele exato momento em que declarariam serem estas empresas de um mesmo grupo econômico. 4 Processo n" 10167.001726/2007-03 S2-C4T1 Acórdão n " 2401-01464 Fl 514 Alega que todas esses fatos narrados, e outros, bem como as ações judiciais em que figuram partes contrárias a recorrente e a BOIFORTE E COOPERCARNE, encontram- se comprovados a partir da documentação acostada aos autos, reforçando a inexistência de qualquer grupo econômico. Traça histórico das atividades e quadro societário das empresas BOINORTE, BOIFORTE, COOPERCARNE, COOPRESTO e COOPERBOVINO, inferindo que o Sr. Benedito Vicente Peneira se viu obrigado a arrendar parte de seu ftigorifico àquelas contribuintes em função de sua doença. Afirma, ainda, que a constituição das Cooperativas retro decorreu do entendimento de que seria a solução ideal e legal a todos os anseios dos trabalhadores, produtores rurais da região e do próprio parque fabril em comento, não havendo que se falar em formação de grupo econômico, como a própria autoridade previdenciária confirmou em manifestação constante dos autos. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, tornando-a sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contra-razões. Incluído na pauta de 04 de março de 2009, esta Egrégia Câmara achou por bem converter o julgamento em diligência, com o fito de elucidar algumas questões a propósito da data da cientificação da decisão recorrida pela recorrente, consoante Resolução n° 2401- 000l3, às fls. 482/487. Em observância à diligência encimada, a autoridade fazendária elaborou Informação Fiscal, às fls. 495/496, esclarecendo que no dia 16/11/2007 houve expediente normal na repartição competente, inexistindo qualquer registro da ocorrência de ponto facultativo neste dia, acostando aos autos, ainda, Portaria n° 740/2006, da Secretaria Executiva do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, a qual divulga os dias de feriado nacional e de ponto facultativo concernente ao ano de 2007. Instada a se manifestar a respeito do resultado da diligência supra, a contribuinte assim não o fez, conforme se extrai das informações de fls. 500/501. É o relatório. 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator O recurso é intempestivo. O prazo para recorrer da decisão de primeira instância, com fulcro no artigo 305, § 1 0, do RPS c/c artigo 23, § 1 0, da Portaria MPS 520/2004, aplicáveis ao caso a época, é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão recorrida, senão vejamos: DECRETO 3048/99 — RPS Art. .305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme disposto neste regulamento e no Regimento Interno daquele Conselho, § 1" É de trinta dias o prazo para interposição de recurso e para o oferecimento de contra-razões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente," (grifamos) PORTARIA MPS N" 520 Art. 23 Das decisões do Instituto do Seguro Social caberá recurso voluntário, com efeito suspensivo, dirigido ao Conselho de Recursos cia Previdência Social. § .1" É de trinta dias o prazo para interposição do recurso ou oferecimento de contra-razões, contados, respectivamente, da ciência da decisão ou da entrada do processo no órgão responsável pelo Julgamento." (grifamos) No mesmo sentido, os artigos 5" e 33 do Decreto 70235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito do CARF, atualmente aplicável, assim preceituam: " Art. 5" Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Parágralb único Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 33 Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão." Como se observa, a contagem do prazo para recurso voluntário inicia-se no primeiro dia útil após o recebimento da intimação da decisão, com seu encerramento 30 (trinta) dias após. Na hipótese dos autos, conforme se verifica do Aviso de Recebimento-AR, às tis, 387, a recorrente foi intimada da decisão da 6 0 Turma da DRJ de Brasília/DE em 16/10/2007 (terça-feira), passando a fluir no dia 17/10/2007 (quarta-feira), encenando-se o Sala das 5 ,sões, em 21 de outubro de 2010 1 RYCARDRYCARD 71.1.IQUE MA AL,HÃESUQUE MA ALHAES DE OLIVEIRA — Relator Processo n° 10167001726/2007-03 S2-C4T1 Acórdão n '2401-0L464 Fl. 515 prazo para interposição de recurso voluntário no dia 15/11/2007 (quinta-feira), feriado (Proclamação da República), deslocando-se, assim, para o dia 16/11/2007 (sexta-feira). Dessa forma, tendo a contribuinte interposto recurso voluntário, às fls. 397/443, em 19/11/2007 (segunda-feira), consoante se infere da informação constante da folha de rosto da peça recursal e do documento de fls. 447, apresenta-se intempestivo, não devendo ser conhecido, Cumpre observar que em suas alegações recursais, inferiu a contribuinte que o recurso fora protocolizado em 19/11/2007 (segunda-feira) tendo em vista que no dia 16/11/2007 (sexta-feira), após feriado, não houve expediente na DRF de origem, por decretação de ponto facultativo, impossibilitando a interposição da peça recursal naquele dia. Diante de aludida argumentação, esta Egrégia Câmara entendeu por bem converter o julgamento em diligência, objetivando elucidar essa questão, tendo a autoridade fazendária elaborado Informação Fiscal, às fls. 495/496, esclarecendo que no dia 16/11/2007 houve expediente normal na repartição competente, inexistindo qualquer registro da ocorrência de ponto facultativo neste dia, acostando aos autos, ainda, Portaria ri' 740/2006, da Secretaria Executiva do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, a qual divulga os dias de feriado nacional e de ponto facultativo concernente ao ano de 2007. Por sua vez, instada a se manifestar a respeito do resultado da diligência supra, a contribuinte assim não o fez, conforme se extrai das informações de fls. 500/501, razão pela qual não merece prosperar seu insurgimento. Alfim, impende suscitar que em outras notificações de interesse do Grupo Econômico de Fato caracterizado pela fiscalização, este Colegiado converteu o julgamento em diligência para cientificar da decisão de primeira instância todos os responsáveis solidários, que interpuseram impugnação, de maneira a oportunizar-lhes a apresentação de recursos voluntários, conduta que deixamos de proceder nestes autos, tendo em vista que somente a PRIMAR FRIGORÍFICO ARAGUAÍNA S/A, ora recorrente, insurgiu-se contra a notificação mediante defesa administrativa, só instaurando o processo administrativo, por conseguinte, para as alegações desta empresa. Para as demais empresas, que não apresentaram impugnação, não se cogita intimar da decisão de primeira instância, em face da preclusão processual, não cabendo a interposição de recurso voluntário. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, em vista das razões encimadas, mantendo incólume a decisão de primeira instância, pelos seus próprios fundamentos. 7
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007331/2004-93
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2000, 2001
IRPJ, CSLL, PIS, COFINS. MULTA QUALIFICADA.
Não se conhece do resurso especial se não demonstrados fundamentadamente os pontos de semelhança entre os fatos dos acórdãos recorrido e paradigma para fins de verificação da divergência jurisprudencial.
IRPJ, CSLL, PIS, COFINS. PRAZO DECADENCIAL.
Não se conhece do recurso especial quando unânime a decisão recorrida objeto de contrariedade à lei ou à evidência da prova de que trata o inciso I do art. 7° do RICSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 22 de junho de 2007.
CSLL, PIS, COFINS. PRAZO DECADENCIAL.
Não deve ser conhecido o recurso especial do Procurador contra decisão não-unânime contrária à lei, quando a norma ofendida já foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e objeto de Súmula Vinculante, a qual, por força do caput do art. 103-A da Constituição Federal de 1988, tem efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Numero da decisão: 9101-001.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto.
Plínio Rodrigues Lima - Relator.
EDITADO EM: 17/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Mario Sérgio Fernandes Barroso (Suplente Convocado), Valmir Sandri, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima
Nome do relator: PLINIO RODRIGUES LIMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2000, 2001 IRPJ, CSLL, PIS, COFINS. MULTA QUALIFICADA. Não se conhece do resurso especial se não demonstrados fundamentadamente os pontos de semelhança entre os fatos dos acórdãos recorrido e paradigma para fins de verificação da divergência jurisprudencial. IRPJ, CSLL, PIS, COFINS. PRAZO DECADENCIAL. Não se conhece do recurso especial quando unânime a decisão recorrida objeto de contrariedade à lei ou à evidência da prova de que trata o inciso I do art. 7° do RICSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 22 de junho de 2007. CSLL, PIS, COFINS. PRAZO DECADENCIAL. Não deve ser conhecido o recurso especial do Procurador contra decisão não-unânime contrária à lei, quando a norma ofendida já foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e objeto de Súmula Vinculante, a qual, por força do caput do art. 103-A da Constituição Federal de 1988, tem efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto. Plínio Rodrigues Lima - Relator. EDITADO EM: 17/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Mario Sérgio Fernandes Barroso (Suplente Convocado), Valmir Sandri, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima
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MULTA QUALIFICADA. Não se conhece do resurso especial se não demonstrados fundamentadamente os pontos de semelhança entre os fatos dos acórdãos recorrido e paradigma para fins de verificação da divergência jurisprudencial. IRPJ, CSLL, PIS, COFINS. PRAZO DECADENCIAL. Não se conhece do recurso especial quando unânime a decisão recorrida objeto de contrariedade à lei ou à evidência da prova de que trata o inciso I do art. 7° do RICSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 22 de junho de 2007. CSLL, PIS, COFINS. PRAZO DECADENCIAL. Não deve ser conhecido o recurso especial do Procurador contra decisão não unânime contrária à lei, quando a norma ofendida já foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e objeto de Súmula Vinculante, a qual, por força do caput do art. 103A da Constituição Federal de 1988, tem efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 73 31 /2 00 4- 93 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Henrique Pinheiro Torres – Presidente Substituto. Plínio Rodrigues Lima Relator. EDITADO EM: 17/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Mario Sérgio Fernandes Barroso (Suplente Convocado), Valmir Sandri, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima Relatório Em ação fiscal iniciada em 16/04/2004 com o objetivo de instruir inquérito do Ministério Público Federal contra a interessada, a Autoridade Fiscal assim descreveu os fatos no Termo deVerificação Fiscal (Fls. 259 a 324): 2) Esta fiscalização visou averiguar a prática de ilícitos fiscais praticado pelo contribuinte em relação ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e seus tributos reflexos, em relação aos anos calendário 1999 e 2000, bem como atestar a regularidade de recolhimento dos demais tributos federais (IRPJ, IRRF, CSLL, IPI, PIS, COFINS) através das verificações preliminares em relação ao período de abril/1999 a set/2004; 3) Tratase de pessoa jurídica, inserida na situação de Inapta em 14/10/2004, pelo motivo de "inexistência de fato", tendo como objeto social o comércio de exportação e importação de produtos variados, permitidos por lei; (...) 10) Em relação aos anos calendários 1999 e 2.000, a partir das informações obtidas junto às instituições financeiras, constatase ainda que o fiscalizado apresenta movimentação financeira (base CPMF) expressivamente superior aos rendimentos declarados em suas respectivas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ conforme demonstrado no quadro 1 a seguir: Fl. 503DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10830.007331/200493 Acórdão n.º 9101001.606 CSRFT1 Fl. 3 3 Quadro 1 Resumo da Movimentação Financeira base CPMF em Reais ( R$) Instituição Financeira CNPJ 1.999 2.000 Banco Santander do Brasil S/A 61.472.676/000172 80.009,72 114.148,66 Banco Sudameris Brasil S/A 60.942.638/000173 391.634,01 336.356,79 Banco Safra S/A 58.160.7891000128 15.668,35 36.619,09 a) Total 487.312,08 487.124,54 b) Rendimentos Declarados 1.187,00 643,00 c) Diferença Apurada (ab) 486.125,08 486.481,54 d) índice ( c/ b) 409,54 756,58 11) Através do Termo de Início de Fiscalização lavrado em 16/04/04, o contribuinte foi intimado dentre outras: Em relação aos anos calendários 1999 a 2000 Com base nos fatos relatados no 10 e 11 acima, apresentar declaração formal quanto à veracidade ou não dos indícios apontados, de que os cartões de crédito de titularidade do Sr. O.Z.F., foram utilizados para efetuar pagamentos de compras, realizadas em outros países, de produtos estrangeiros comercializados pela empresa fiscalizada; Apresentar relatório detalhado de todas as compras efetuadas à ordem da fiscalizada no Brasil e/ou outros países, anexando os respectivos documentos legais/comerciais que embasaram tais operações, bem como esclarecer a destinação dos produtos adquiridos no estrangeiro informando inclusive a data/forma/valor do ingresso no Brasil; Apresentar o livro Diário e Razão (ou livro caixa) onde consta de toda movimentação financeira, inclusive bancária, devidamente escriturada bem como a documentação que lhe deu suporte ( Notas fiscais de vendas / compras, recibos, boletos, etc.); Disponibilizar Livro Registro de Entrada e Saída /Apuração ICMS; Apresentar Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes po ,início, e término do ano calendário 1.999 e 2000; 12) Porém, em 06/08/04, após sucessivos pedidos de prorrogação, o contribuinte formalizou resposta ao referido Termo esclarecendo em suma para cada item intimado: Item "4 que a diferença declarada entre a movimentação bancária e a declaração de imposto de renda foram pelo fato de pagamento de cartões de créditos". Fl. 504DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Item "5 Os produtos adquiridos no exterior foram comprados e vendidos no próprio país de origem (TailândiaBangkok)". Itens "6, 7, 8,10" que trata da exibição dos Livros e escrituração contábil /fiscal de 1998 a 2004, foram extraviados conforme edital de extravio enviado anteriormente "; 13) Em face da resposta do contribuinte, foi lavrado na data de 30/08/2004, Termo de Constatação Intimação Fiscal, no qual foi intimado, no prazo de 20 dias dentre outros: Haja vista a alegação de extravio de todos os documentos/livros fiscais e contábeis, reescriturar e apresentar toda escrituração fiscal (todos livros fiscais/contábil obrigatórios) relativo ao período de 1999 a 2004 na forma da legislação em vigor à época dos fatos geradores, anexando, impreterivelmente, todos os documentos hábeis, que embasaram os respectivos registros possibilitando a fiel comprovação dos mesmos; exibir todos os extratos bancário relativo à movimentação financeira dos anoscalendário 1999 e 2000, bem como apresentar comprovação de origem de todos créditos/ depósitos neles contidos, esclarecendo inclusive o motivo das expressivas diferenças apuradas conforme quadro 1 acima; 14) Em 13/09/2004 o contribuinte formalizou carta resposta ao referido termo, alegando em suma: que as diferenças apuradas em relação à movimentação financeira de 1999 e..2000 devemse às "dívidas que tinha com os cartões de crédito" e para "cobrir os limites de cheque especial"; que não é possível a reescrituração dos livros fiscais/contábil obrigatório e o livro caixa; 15) Em face à alegação apresentada, esta fiscalização, em última tentativa, concedeu dilação de prazo de mais 45 dias; 16) Expirado o prazo, em 28/10/2004, o contribuinte não apresentou quaisquer documentos, livros fiscal/contábil conforme fora intimado em relação ao período de 1999 a 2004, limitandose apresentar apenas os extratos bancários das respectivas instituições financeiras conforme a seguir: Banco Sudameris S/A Agência / CC 16019551 período de 01/06/99 a 30/06/2000 Banco Santander S/A Agência C/C 027 506 440.94 período de 01/01/99 a 30/06/2000 Banco Safra S/A Agência C/C 01000 123 9823 período de 01/01/99 a 31/05/2000 Fl. 505DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10830.007331/200493 Acórdão n.º 9101001.606 CSRFT1 Fl. 4 5 17) Com base nos extratos apresentados, foram constatados créditos/depósitos, resumidamente demonstrados no quadro 2 a seguir: Quadro 2 — Resumo dos Depósitos/Créditos a Comprovar em Reais (R$) Instituição Financeira CNPJ 1.999 2.000 Banco Santander do Brasil S/A 61.472.676/000172 373.000,69 51.453,12 Banco Sudameris Brasil S/A 60.942.638/000173 282.459,41 159.638,10 Banco Safra S/A 58.160.789/000128 61.321,23 23.627,00 a) Total 716.781.33 234.718,22 b) Rendimentos Declarados 1.187,00 643,00 c) Diferença Apurada (ab) 715.594,33 234.075,22 d) índice ( c / b) 602,86 364,04 18)Na data de 03/11/2004, através da lavratura de Termo de Constatação e Intimação Fiscal, o contribuinte foi intimado, no prazo de 10(dez) dias, a comprovar, mediante exibição de documentos hábeis, a origem dos depósitos/créditos resumidos no quadro 2 acima; 19) Até a presente data, o contribuinte não apresentou carta .resposta. ao Termo retro, nem apresentou quaisquer documentos solicitados, levando a concluir manutenção quadro anterior, quando alega a impossibilidade de apresentar/re escriturar os livros fiscais/contábil; 20) Diante da omissão acima relatada, esta fiscalização não tem alternativa senão a de considerar os depósitos bancários de origem não comprovada como omissão de receita nos respectivos anos calendário 1999 e 2000 conforme demonstrado a seguir, implicando portanto, na lavratura de Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e seus tributos reflexos; (Fls. 264) DO ARBITRAMENTO DO LUCRO 21) Com base nos artigos 527 e 530 do Regulamento do Imposto de Renda/99 e tendo em vista a não exibição/ reescrituração dos livros fiscais/contábil e/ou caixa em relação aos anos calendários 1999 e 2000, não resta alternativa a esta fiscalização, senão a de recorrer ao recurso extremo do Arbitramento do Lucro de ofício, com base nas receita omitidas em face os depósitos bancários de origem não comprovada conforme acima demonstrado: Por oportuno transcrevemos abaixo a integra do artigo 527 e parte do artigo 539 do RIR/99: "Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei na 8.981, de 1995, art. 45): Fl. 506DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei n n 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). "Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n°8.981, de 1995, art. 47, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 1°): ........... III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527" DA MAJORAÇÃO DAS PENALIDADES — EVIDÊNCIA DE INTUITO DE FRAUDE 22)Tornase evidente o intuito de fraude nas infrações ora apuradas e está caracterizado, conforme os fatos abaixo a serem descritos, pela prática sistemática e reiterada adotada pelo contribuinte em omitir receitas ao Fisco em ambos anos calendário fiscalizados. é claro e evidente o intuito doloso do contribuinte no sentido de impedir, ou ao menos entravar temporariamente, o alcance, por parte desta fiscalização, às infrações tributárias praticadas sistemática e reiteradamente no período de jan/99 a dez/00, o qual sucessivamente ocultou a realidade dos rendimentos auferidos, uma vez que havia oferecido à tributação, através de Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica —DIPJ, valores muito inferiores aos realmente devidos ao Fisco Federal conforme já oportunamente demonstrado no quadro 2 acima; ressaltase que tal prática, não abrange apenas um mês, mas praticamente todo o período auditado, onde o contribuinte também não comprovou a origem dos depósitos bancários; finalmente, ressaltase que já tramita processo crime em curso na 1ª Vara Criminal Federal de Campinas, pela prática de outros ilícitos fiscais, em tese, praticado pelo contribuinte também com intenção de fraudar o Fisco Federal; Fl. 507DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10830.007331/200493 Acórdão n.º 9101001.606 CSRFT1 Fl. 5 7 23)Concluindo, com base os fatos acima, o contribuinte encontrase enquadrado na situação prevista no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96, pela prática prevista no art. 71 da Lei n° 4.502/64, cabendo portanto a majoração da multa de ofício para 150%; Baseado nessa ação fiscal, apurouse como crédito tributário, conforme o Termo de Encerramento em 10/12/2004 (Fls. 325): Imposto de Renda Pessoa Jurídica .......................R$ 46.230,42 Programa Integração Social ................................R$ 20.985,89 Contribuição p/Financiamento S. Social ............R$ 92.740,25 Contribuição Social ............................................R$ 38.761,15 Cientificada do auto de infração em 14/12/2004, a interessada apresentou impugnação com base em negativa genérica em 13/01/2005 (Fls 335). A DRJ/Campinas considerou procedente o lançamento em acórdão de 27/01/2005 (Fls. 337 a 342). Intimada do acórdão em 15/04/2005 (Fls. 358), a interessada interpôs Recurso Voluntário ao Primeiro Conselho de Contribuintes em 04/05/2005 (Fls. 360 a 383), sustentando, em síntese, a decadência do direito de o Fisco constituir créditos tributários relativos a fatos geradores anteriores a novembro/1999, considerados a data do lançamento (14/12/2004) e o disposto no art. 150, §4° do CTN; a nulidade do arbitramento, com base apenas no valor dos depósitos em contacorrente de sua titularidade e a ilegitimidade da qualificação da multa de ofício, por mera presunção de omissão de receitas. Em 25/05/2007, acordaram os membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: por maioria de votos : TOMAR CONHECIMENTO do recurso, vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, que não tomaram conhecimento; por maioria de votos ACOLHER a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao IRPJ e CSLL dos fatos geradores até o 3° trimestre de 1999, inclusive, e quanto às contribuições ao PIS e COFINS, para os fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 1999, inclusive, vencidos o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que admitiu apenas em relação ao PIS e IRPJ e o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes que acolheu a preliminar apenas em relação ao IRPJ e, no mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de lançamento ex officio qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento) (Fls. 397 a 416). Assim destaca a ementa: Fl. 508DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, tal como o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, o termo inicial para a contagem do prazo qüinqüenal de decadência para constituição do crédito tributário é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 4°, do CTN. No caso dos autos, dada a ciência do lançamento ao contribuinte em 14.12.2004, é de se reconhecer a decadência do direito do Fisco de constituir crédito relativo a fatos geradores ocorridos em períodos anteriores a 30/11/1999, inclusive. Preliminar de decadência acolhida. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. FRAUDE. Não caracteriza o evidente intuito de fraude indispensável à qualificação da multa de oficio a mera existência de depósitos de valores de origem não comprovada em conta corrente de titularidade do contribuinte. Precedentes. OMISSÃO DE RECEITAS. ART. 42 DA LEI N. 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Precedentes. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A não apresentação dos livros e documentos necessários à apuração do lucro real trimestral imica arbitramento do lucro, que se dará mediante a aplicação dos percentuais fixados no RIR/99, acrescidos de vinte por cento. A aplicação desses percentuais sobre a receita conhecida para a apuração do lucro considera fictamente os custos e despesas incorridos pelo contribuinte no curso de suas atividades. Recurso voluntário a que se dá parcial provimento. Cientificada do referido Acórdão em 17/12/2007 (Fls. 417), por meio da Procuradoria da Fazenda Nacional, a União interpôs, na mesma data, o presente recurso (Fls. 421 a 430), insurgindose, primeiramente, com base no art. 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, contra a redução do percentual da multa de ofício para 75% (setenta e cinco por cento), contrariando decisões da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, referentes aos acórdãos paradigmas n° 10613742 e 10615542 com as seguintes ementas: Acórdão n° 10613742 MULTA DE OFÍCIO, QUALIFICADA. No caso de lançamento de ofício, será aplicada multa calculada sobre o crédito tributário apurado no percentual de 150% nos casos de evidente intuito de fraude em face dos levantamentos realizados pela autoridade autuante e fatos revelados nos autos do processo. Acórdão 10615542 MULTA QUALIFICADA — Aplicase a multa qualificada de 150% ao lançamento nas hipóteses previstas no art. 44, II. Caracterizando o intuito defraude, a multa deve ser mantida. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10830.007331/200493 Acórdão n.º 9101001.606 CSRFT1 Fl. 6 9 Insurgiuse, em segundo lugar, com base no art. 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, contra a decadência do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS pela seguinte razão: 17. A ilustre maioria, a despeito das considerações acima, decidiu pela desqualificação da multa, mantendo a contagem do prazo decadencial nos termos do art. 150 do CTN. 18. Entretanto, comprovada a fraude, a contagem do prazo se dá nos termos do art. 173, I, do CTN. 19. Dessa forma, o caso versado nos presentes autos reclama a aplicação da contagem do prazo decadencial estabelecida no Art. 173, I do CTN. Por essa razão, merece reparo o acórdão da e. Câmara a quo de forma a ser mantido o lançamento para todos os períodos do exercício de 2000. 20. Ademais, quanto ao prazo decadencial decenal, não pode a e. Câmara a quo afastar a incidência do artigo 45 da Lei n. o 8.212/91, quanto à CSLL, PIS e COFINS, pois o Conselho de Contribuintes não possui competência para apreciar a validade de normas legais frente à Constituição Federal de 1988. O recurso foi admitido em 01/04/2008 (Fls. 454 a 457) quanto às seguintes matérias: decadência das contribuições sociais e qualificação da multa. Regularmente intimado em 30/06/2008 (Fls. 461 a 466), a interessada não efetuou o recolhimento do crédito tributário mantido pelo Egrégio Conselho (Fls. 467) nem apresentou contrarrazões ao presente recurso. O crédito tributário mantido no Acórdão n° 10323047 foi transferido para o processo de autos n° 10830008255/200867 (Fls. 470 a 472) para fins de inscrição em Dívida Ativa da União. Subiram os autos a este Colegiado, distribuídos por sorteio em 15/10/2012 a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, apresentado tempestivamente (Fls. 147), conforme estabelecido no caput do art. 15 do RICSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007: Fl. 510DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. Superada a tempestividade, passo a novo juízo de admissibilidade, com base no inciso I, quanto à decadência do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, relativa a fatos geradores ocorridos em períodos anteriores a 30/11/1999, e com base no inciso II, quanto à redução do percentual da multa de ofício para 75% (setenta e cicnco por cento), do art. 7°, do RICSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007. Inicio pela matéria deste inciso, que assim dispõe: Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: (...) II decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Uma vez que foram carreadas aos autos cópias das ementas dos dois acórdãos apontados como paradigmas, emitidos por câmara distinta do recorrido e, à época, sem reforma pela CSRF, restaram cumpridos os seguintes requisitos formais: Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: (...) § 2º Para efeito da aplicação do inciso II, entendese como outra Câmara as que integram a atual estrutura dos Conselhos de Contribuintes ou as que vierem a integrála. Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. (...) § 2º Na hipótese de que trata o inciso II do art. 7º deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovandoa mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente da Câmara recorrida (sem destaque no original) (...) § 5º Não servirá de paradigma para a interposição do recurso de que trata o inciso II do art. 7º deste Regimento o acórdão que já tenha sido reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10830.007331/200493 Acórdão n.º 9101001.606 CSRFT1 Fl. 7 11 Quanto à divergência jurisprudencial, fazse necessária a sua demonstração fundamentada e comprovada, ou seja, a recorrente deve demonstrar que em situações fáticas semelhantes, o acórdão recorrido e o paradigma chegam a conclusões distintas, consoante o §2° do art. 15 do RICSRF: Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão (...) § 2º Na hipótese de que trata o inciso II do art. 7º deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovandoa mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente da Câmara recorrida. No caso, conforme o exposto no Relatório, a Fazenda Nacional limitouse a transcrever as ementas, sem indicar e demonstrar nos correspondentes acórdãos os pontos em que ocorre a semelhança entre as respectivas situações fáticas e a do acórdão recorrido. Portanto, no que diz respeito à qualificação da multa, NÃO CONHEÇO do presente recurso por ausência de demonstração fundamentadada divergência jurisprudencial. A seguir, passo à análise da admissibilidade do presente recurso quanto à decadência do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, relativa a fatos geradores ocorridos em períodos anteriores a 30/11/1999. Nesse ponto, entende a Recorrente que o acórdão recorrido afrontou a legislação tributária (Fls. 423). Consoante inciso I do art. 7°, do RICSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007: Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; Assim dispõe o art. 4° da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por sua vez, assim preconiza o art. 15, do RICSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007: Fl. 512DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § 1º Na hipótese de que trata o inciso I do art. 7º deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência da prova e, havendo matérias autônomas, o recurso especial alcançará apenas a parte da decisão não unânime contrária à Fazenda Nacional. Portanto, é preciso que o acórdão recorrido não tenha sido unânime em relação ao reconhecimento da decadência. Na espécie, informa a recorrente (Fls. 422 e 423): Insurgese a Fazenda Nacional contra o r. acórdão proferido pela e. Câmara a quo, que, por unanimidade de votos , deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo ora Recorrido, reduzindo a multa para 75% e, como conseqüência, por maioria de votos, reconheceu a decadência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS em determinados períodos. (...) 4. De acordo com o art. 7°, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, caberá, privativamente ao Procurador da Fazenda Nacional, recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, de "decisão não unânime da Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova". O voto condutor do aresto, quanto ao reconhecimento da decadência, não foi acompanhado pela unanimidade da e. Câmara a quo. Por sua vez, assim dispôs, conforme exposto no relatório, o acórdão recorrido (Fls. 397 e 398): ACORDAM os Membros da Terceira Câmara, do Primeiro Conselho de ContribUintes, por maioria de votos TOMAR CONHECIMENTO do recurso vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Guilherme Adolfo dos santo Mendes que não tomaram conhecimento; por maioria de votos ACOLHER a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao IRPJ e CSLL dos fatos geradores até o 3° trimestre de 1999, inclusive, e quanto às contribuições ao PIS e COFINS, para os fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 1999, inclusive, vencidos o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que admitiu apenas em relação ao PIS e IRPJ e o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes que acolheu a preliminar apenas em relação ao IRPJ e, no mérito, por unanimidade de voto, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir multa de lançamento ex officio qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) ao seu percentual normal de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Portanto, a prejudicial de decadência relativamente ao IRPJ foi acolhida por unanimidade, em desacordo com a condição do inciso I do art. 7°, do RICSRF, aprovado pela Fl. 513DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10830.007331/200493 Acórdão n.º 9101001.606 CSRFT1 Fl. 8 13 Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007. Destarte, NÃO CONHEÇO do presente recurso nesse ponto. Quanto à decadência da CSLL, PIS e COFINS, argumenta a Recorrente que deveria ser aplicado o disposto no art. 173, I, do CTN por restar comprovada a fraude. Porém, nesse ponto, a decisão recorrida de aplicar o §4° do art. 150, do CTN, para contagem do prazo decadencial também foi unânime, em desacordo com a condição do inciso I do art. 7°, do RICSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007. Por conseguinte, NÃO CONHEÇO do presente recurso nesse ponto. Por fim, quanto à alegação do prazo decenal do art. 45 da Lei n° 8.212/91 para CSLL, PIS e COFINS, a condição da decisão nãounânime foi atingida. Porém, o presente recurso data de 17/12/2007 e em 20/06/2008 publicouse o enunciado n° 8 da Súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF): São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decreto lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Assim decidiu este Colegiado no Acórdão n° 910101.282 em relação à aplicação do enunciado n° 8 da Súmula vinculante do STF: CSLL, PIS e COFINS. Prazo de decadência. Não deve ser conhecido o recurso especial do Procurador contra decisão nãounânime contrária à lei, quando a norma ofendida já foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e objeto de Súmula Vinculante, a qual, por força do caput do art. 103A da Constituição Federal de 1988, tem efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Por esta razão, NÃO CONHEÇO do presente recurso nesse ponto. Pelos motivos expostos e por tudo mais que consta dos autos: quanto à redução do percentual da multa de ofício para 75% (setenta e cicnco por cento), NÃO CONHEÇO do presente recurso por falta de demonstração pela Recorrente de divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigama; quanto à ausência de decadência do IRPJ, relativa a fatos geradores ocorridos em períodos anteriores a 30/11/1999, NÃO CONHEÇO do presente recurso por unanimidade da decisão recorrida; quanto à ausência de decadência da CSLL, do PIS e da COFINS, relativa a fatos geradores ocorridos em períodos anteriores a 30/11/1999, sob o argumento da prática de fraude, NÃO CONHEÇO do presente recurso por unanimidade da decisão recorrida quanto à ausência decadência da CSLL, do PIS e da COFINS, relativa a fatos geradores ocorridos em períodos anteriores a 30/11/1999, sob o argumento da aplicação do art. 45 da Lei n° 8.212/91, NÃO CONHEÇO do presente recurso pelo disposto no Fl. 514DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 14 enunciado n° 8 da Súmula vinculante do STF e no caput do art. 103A da Constituição Federal de 1988. É como voto. Plínio Rodrigues Lima Relator Fl. 515DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11080.007814/2003-08
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
ESTIMATIVA NÃO RECOLHIDA. ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO.
Após o encerramento do ano-calendário, não cabe mais falar em lançamento das eventuais estimativas não recolhidas, sendo, portanto, descabida a cobrança do IRPJ ou CSLL supostamente devidos.
Numero da decisão: 1301-001.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca De Menezes (Presidente), Paulo Jakson Da Silva Lucas, Carlos Augusto De Andrade Jenier, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Estimativa declara e não recolhida Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RIO GRANDE ENERGIA S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 ESTIMATIVA NÃO RECOLHIDA. ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. Após o encerramento do anocalendário, não cabe mais falar em lançamento das eventuais estimativas não recolhidas, sendo, portanto, descabida a cobrança do IRPJ ou CSLL supostamente devidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca De Menezes (Presidente), Paulo Jakson Da Silva Lucas, Carlos Augusto De Andrade Jenier, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 78 14 /2 00 3- 08 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 11/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 2 O sintético relatório apresentado pela r. decisão de primeira instância assim destaca: Tratase do lançamento de ofício de fls. 08/14, no valor total de R$9.163.870,69, relativo a Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. A exigência fiscal originouse de auditoria interna na DCTF, quando foi constatada a falta de recolhimento do débito de fl. 11 (código de arrecadação 2362: "IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL"). Como conseqüência, houve o lançamento de ofício do débito não recolhido, mais multa de ofício e juros de mora, nos termos dos artigos 43 e 61 da Lei no 9.430/1996 (item 4.1 do auto de infração, fl. 09). Intimada da autuação, a contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls. 01/06). Reclama que a autuação deveuse, exclusivamente, à existência de erro material no preenchimento da DCTF do quarto trimestre de 1998. Defende que, conforme balancete de suspensão apurado em 31/12/1998 (cópia à fl. 44), não havia valor devido a título de estimativa de IRPJ, em dezembro de 1998. Os valores alegados como corretos (ver fl. 03) são semelhantes àqueles declarados na DIPJ/99, conforme quadro abaixo, extraído do sistema IRPJ da RFB: Diante dessas circunstâncias fáticas, pronunciouse a douta 1a Turma da DRJ/POÁ, na sessão de 21 de maio de 2009, pela IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO, em julgamento que, inclusive, assim restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: ESTIMATIVA DECLARADA EM DCTF E NÃO RECOLHIDA. É descabido o lançamento de oficio para a cobrança do IRPJ ou CSLL devidos por estimativa em 1998, cabendo, se for o caso, apenas a imposição de penalidade isolada. Lançamento Improcedente Fl. 79DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 11/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 11080.007814/200308 Acórdão n.º 1301001.330 S1C3T1 Fl. 3 3 Tendo em vista a integral exoneração do crédito tributário, vieram então os autos em Recurso de Ofício para a análise deste colegiado, nos termos ali então especificamente apontados. É o relatório. Passo agora ao meu voto. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Sendo regular o recurso de ofício interposto, dele conheço. A questão discutida nos presentes autos referese, específica e exclusivamente, ao lançamento efetivado de ofício em decorrência do suposto não recolhimento de estimativas mensais de IRPJ em DCTF pela própria contribuinte, após o específico encerramento do anocalendário. A questão em foco, de fato, encontrase hoje perfeitamente pacificada neste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo em vista, inclusive, as expressas disposições contidas no art. 2o da Lei 9.430/96, que, a respeito da matéria, assim especificamente se apresenta: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Regulamento) § 1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; Fl. 80DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 11/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 4 III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. As disposições da IN SRF 93/97 bem delineiam a questão, quando estabelecem o seguinte: Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. A questão, então, relativa à viabilidade/possibilidade de cobrança de parcelas declaradamente devidas a título de estimativas mensais (IRPJ – Lucro Real Anual) após o encerramento do anocalendário é tema hoje perfeitamente pacificado na jurisprudência deste E. CARF, sendo destacável aqui, apenas a título de exemplo, o seguinte e específico aresto: Número do Processo10932.000513/201033 Contribuinte EMPARSANCO S/A Tipo do RecursoRECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão Relator(a) MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Nº Acórdão 1402001.415 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso: i) por unanimidade de votos, para cancelar a exigência referente ao anocalendário de 2005; e ii) por maioria de votos para cancelar a multa isolada. Vencidos nessa matéria os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Leonardo de Andrade Couto, que votaram por manter a exigência da multa. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Ementa Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005, 2006 LUCRO REAL. REGRA GERAL. APURAÇÃO TRIMESTRAL. PRETENSÃO DE APURAÇÃO ANUAL SEM OBSERVÂNCIA DAS SITUAÇÕES PREVISTAS EM LEI. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do artigo 220, do Regulamento do Imposto de Renda, a regra geral é a exigência do imposto de renda por período de apuração trimestral. Para que o critério temporal passe de trimestral para anual é necessário expressa manifestação do sujeito passivo, acompanhada do pagamento das estimativas, conforme previstos nos artigos 222, parágrafo único do Regulamento do Imposto de Renda. Em não havendo manifestação de opção pelo lucro real anual, acompanhado do recolhimento de estimativas, prevalece a regra geral de apuração trimestral, sendo incabível, nestas situações, a exigência de imposto de renda de forma anual. O argumento de que, no caso concreto, a apuração de forma trimestral, no ano de 2005, resultaria em imposto superior ao que foi exigido não se constitui em razão para validar lançamento que deve ser efetuado observando os critérios previstos em lei. JUROS MORATÓRIOS E IMPOSTO DE RENDA. NECESSIDADE DE SE AVALIAR A NATUREZA DOS RECURSOS RECEBIDOS. SE A PARCELA PRINCIPAL FOR ISENTA NÃO INCIDE IMPOSTO DE RENDA SOBRE OS JUROS. SE A PARCELA FOR TRIBUTÁVEL OS JUROS DESTAS, QUE SE CONSTITUEM EM ACESSÓRIO, SÃO TRIBUTÁVEIS. Se a verba ou receita principal está sujeita ao imposto de renda, em relação ao acessório desta, no caso os juros, também incide imposto de renda. Nos casos de rendimentos ou receita isenta, como é o caso, por exemplo, de indenização em desapropriação, os juros correspondentes não Fl. 81DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 11/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 11080.007814/200308 Acórdão n.º 1301001.330 S1C3T1 Fl. 4 5 estão sujeitos ao imposto de renda. ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO. LANÇAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO ACRESCIDO DE MULTA DE OFÍCIO E DE MULTA ISOLADA EM RELAÇÃO ÀS ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. A multa isolada é sanção aplicável nos casos em que o sujeito passivo, no decorrer do anocalendário, deixar de recolher o valor devido a título de estimativas ou carnêleão. Encerrado o anocalendário não há o que se falar em recolhimento de carnêleão ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Nas situações em que o sujeito passivo, de forma espontânea, oferece os rendimentos ou lucros à tributação, acompanhado do pagamento dos tributos e juros, aplicase o instituto da denúncia espontânea previsto no disposto no artigo 138 do CTN. Nos casos de omissão, verificada a infração, apurase a base de cálculo e sobre o montante dos tributos devidos e aplicase a multa de ofício, sendo incabível a exigência da multa isolada cumulada com a multa de ofício. A alteração do artigo 44, II, alíneas a e b, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488, de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória 351, de 2007, não teve o condão de cumular a multa de ofício com a multa isolada, mas sim reduzir o percentual desta por se tratar de infração de menor gravidade. Ademais, o item 8 da exposição de motivos da citada Medida Provisória fala em “multa lançada isoladamente nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnêleão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa. Assim, se estamos falando de multa isolada ela não pode ser cumulada com outra multa, sendo a primeira exigida no decorrer do anocalendário, nas circunstâncias em que o contribuinte deixar de recolher os valores devidos a título carnêleão ou de estimativas e a segunda, quando verificado omissão após o período de apuração e prazo para entrega da declaração. Recurso Voluntário Parcialmente provido. (Destaque nosso) Definida essa premissa, entendo, pois, irretocável a r. decisão de primeira instância que, no caso, entendeu pelo total descabimento do lançamento efetivado, devendo, assim, ser aqui mantida integralmente, nos termos em que então apresentada. Em face dessas sumárias considerações, encaminho o meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO, mantendo, assim, a desoneração tributária indicada, nos termos e fundamentos aqui então especificamente invocados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 11/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 6 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 11/02/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 13609.002066/2008-01
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/08/2007
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELA EMPRESA. FATOS GERADORES NÃO INFORMADOS EM GFIP. NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE.
Foram atendidos os pressupostos legais, não ensejando a nulidade do ato administrativo, pois são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damiao Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/08/2007 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELA EMPRESA. FATOS GERADORES NÃO INFORMADOS EM GFIP. NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. Foram atendidos os pressupostos legais, não ensejando a nulidade do ato administrativo, pois são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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FATOS GERADORES NÃO INFORMADOS EM GFIP. NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. Foram atendidos os pressupostos legais, não ensejando a nulidade do ato administrativo, pois são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 20 66 /2 00 8- 01 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damiao Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa VEREDAS SIDERÚRGIA LTDA em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada, referente ao lançamento de crédito tributário do período de 01/2003 a 08/2007. 2. A fiscalização esclarece em seu relatório, ff. 23/33, que embora conste no TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal o período a fiscalizar de 01/1998 a 08/2007, o mesmo foi alterado para 01/2003 a 08/2007, tendo em vista o disposto na Súmula Vinculante n.º 08 do STF que pacificou o entendimento de que o prazo para a apuração e cobrança de todas as contribuições da Seguridade Social deve guardar observância às disposições do CTN, que estipulam o lapso de cinco anos para a prescrição e decadência. 3. Narra o relatório fiscal que o auto de infração referese a contribuições não declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social (GFIP), a cargo da empresa e destinadas à Seguridade Social. Tratase aqui do levantamento PRO (retirada prólabore 507), como se depreende do levantamento contido no relatório fiscal: “Levantamento PRO Referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, não informadas em GFIP e não recolhidas em época própria, conforme demonstrativo abaixo.” 4. Ainda em consonância com a peça introdutória, constituem fatos geradores da autuação “a prestação de serviços remunerados por parte dos segurados empregados e contribuintes individuais e a comercialização de produto rural (carvão vegetal)”. (f. 26) 5. O acórdão de primeira instância refutou os argumentos trazidos pelo contribuinte, restando ementado nos termos que transcrevo abaixo: “FATOS GERADORES INFORMADOS EM GFIP. DÉBITO DECLARADO. NÃO RECOLHIMENTO. MULTA DE MORA. ALTERAÇÕES NA LEGISLAÇÃO. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13609.002066/200801 Acórdão n.º 2301003.082 S2C3T1 Fl. 66 3 A empresa fica obrigada a recolher as contribuições sociais decorrentes das divergências verificadas entre o valor declarado em GFIP pelo próprio sujeito passivo e os valores recolhidos através de Guias da Previdência Social. Havendo legislação posterior que altere os parâmetros de aplicação de penalidades, necessário se faz o cotejo dos cálculos matemáticos para verificação da possibilidade de retificação do crédito tributário, através da aplicação da retroatividade benigna a que alude o artigo 106, II, "c" do Código Tributário Nacional. Confronto das multas aplicadas conforme artigos 32, § 5° e 35, II, "a" da Lei 8.212, de 1991 na redação vigente à época do lançamento com aquela prevista no novo artigo 35A desta Lei, inserido pela MP 449, de 2008.” 6. Buscando reverter a decisão a quo, que manteve o lançamento de débito, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando em síntese: a) cancelamento do auto de infração para que seja novamente realizado com oportunidade para a apresentação da defesa cabível em razão do valor efetivo, considerando a existência de GFIP retificadora; b) pugna pela retificação dos valores punitivos, diante da aplicação da legislação concernente a multa mais benéfica, pois a aplicação da multa deu se em patamar superior a vinte por cento. 7. Não houve apresentação de contrarrazões pelo fisco e os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE 2. Preliminarmente, aduz o contribuinte que o auto de infração deve ser considerado nulo, diante da existência de GFIP retificadora que altera substancialmente o Auto de Infração. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 3. No que se refere a este argumento, não assiste razão a recorrente, pois, pelo que se depreende dos autos, não se verifica a ocorrência de tal GFIP retificadora, sendo que, dessa forma, não há que se falar alteração substancial do auto. 4. Assim, conforme dispõe o Decreto 70.235/72, foram atendidos os pressupostos legais, não ensejando a nulidade do ato administrativo em questão, pois as situações de nulidade previstas no decreto tais como: atos e termos lavrados por pessoa incompetente, despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; não foram vislumbradas no contexto ora analisado. 5. Por fim, entendo que o auto de infração está em conformidade com os dispositivos legais vigentes, do mesmo modo que a decisão recorrida o considerou válido. DA MULTA APLICADA 6. Inicialmente, cumpre salientar que as razões recursais trazidas pelo contribuinte limitamse à aplicação da multa, como passo a expor. 7. A empresa, em suas alegações, pugna pela retificação dos valores punitivos, pois com as alterações trazidas na MP 449, houve revogação do artigo 35 da Lei 8.212/91, sendo que a aplicação da multa passou se pautar pela previsão do artigo 61 da lei 9.430/96, ou seja, com a limitação ao patamar máximo de 20% (vinte por cento). E, conforme a recorrente, foi aplicada multa superior a esse montante. 8. Dessa forma, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 9. De tal modo, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 10. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) Fl. 70DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13609.002066/200801 Acórdão n.º 2301003.082 S2C3T1 Fl. 67 5 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 11. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 12. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 13. Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL a fim de que seja aplicada a multa prevista no art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 71DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10820.900126/2008-41
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE. EMPREITADA.
Somente pode ser aplicado o percentual sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal de 8% (oito por cento), no caso de empreitada comprovadamente em que há emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE. EMPREITADA. Somente pode ser aplicado o percentual sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal de 8% (oito por cento), no caso de empreitada comprovadamente em que há emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE. EMPREITADA. Somente pode ser aplicado o percentual sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal de 8% (oito por cento), no caso de empreitada comprovadamente em que há emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 01 26 /2 00 8- 41 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.900126/200841 Acórdão n.º 1801001.509 S1TE01 Fl. 390 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DComp) nº 23798.41051.150104.1.3.044000 em 15.01.2004, fls. 1723, acompanhado da Planilha de fls. 25, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor de R$3.282,72 do DARF de R$4.215,85 relativo ao recolhimento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre o lucro presumido, código nº 2089, efetuado em 29.11.2002 do qual R$4.174,11 é o principal e R$41,74 é o juros de mora. Para tanto, junta aos autos a cópia do DARF à fl. 04, referente à segunda quota de IRPJ do 3º trimestre de 2002, conforme informações contidas na Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) original, fl. 96: (a) receita bruta sujeita ao percentual de 32% R$173.921,44; (b) resultado da aplicação do percentual sobre a receita bruta – R$55.654,66; (c) IRPJ apurado com base no lucro presumido à alíquota de 15% R$8.348,23 a pagar em duas quotas, a saber: a 1ª quota no valor de R$4.174,11 com vencimento em 31.10.2002 e a 2ª quota no valor de R$4.215,85 com vencimento em 29.11.2002. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 03, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 3.282,72 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizadas um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas Fl. 390DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.900126/200841 Acórdão n.º 1801001.509 S1TE01 Fl. 391 3 integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada em 05.05.2008, fl. 26, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 28.05.2008, fls. 0506, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que equivocadamente calculou o lucro presumido adotando um coeficiente de 32% sobre a receita bruta. Aduz que como exerce a atividade econômica de construção por empreitada com emprego de materiais próprios (Ato Declaratório Normativo Cosit nº 06, de 13 de janeiro de 1997) está sujeita ao lucro presumido calculado pelo coeficiente de 8% sobre a receita bruta. Defende que entregou a Per/DComp utilizando o crédito decorrente. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Após o exposto e o contribuinte ter realizado a retificação da DCTF para que fique demonstrado que o mesmo possuía o crédito com a Receita Federal do Brasil, solicito a HOMOLOGAÇÃO da referida PER/DCOMP e ANULAÇÃO DA COBRANÇA. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1422.679, de 20.03.2009, fls. 2934: “Solicitação Indeferida”. Consta que ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Notificada em 25.05.2009, fl. 37, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 24.06.2009, fls. 3841, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.900126/200841 Acórdão n.º 1801001.509 S1TE01 Fl. 392 4 Conclui Diante do exposto é o presente para REQUERER: a) seja o presente recurso, juntamente com os seus anexos, recebido e encaminhado à(s) autoridade(s) fazendária(s) competente(s) para o seu julgamento; b) a reforma da decisão atacada, com o reconhecimento do crédito da contribuinte para com a Fazenda Nacional e a conseqüente HOMOLOGAÇÃO da PER/Dcomp em testilha, bem como o CANCELAMENTO/ANULAÇÃO da cobrança nela referida. Nesses termos, Pede espera Deferimento. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.043, de 09.11.2010, fls. 223226 para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente a intime “a apresentar comprovação de que se dedica à atividade de construção por empreitada com emprego de material e assim fica sujeita ao coeficiente de 8% a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração do lucro presumido no período”, tendo em vista o conjunto probatório já produzido nos autos. Foi proferido o PARECER SAORT N° 10820/002/2012, fls. 370372, do qual a Recorrente foi regularmente noticiada em 09.01.2012, fl. 374 e apresentou suas razões de defesa em 08.02.2012, fls. 376379, esclarecendo que, embora a Prefeitura Municipal de Estrela D’Oeste não tenha lhe fornecido a cópia do contrato de empreitada devidamente assinada afirma que o serviço foi prestado com fornecimento de mãodeobra e de materiais, conforme publicação nos jornais oficiais e nos documentos fiscais que junta aos autos. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.900126/200841 Acórdão n.º 1801001.509 S1TE01 Fl. 393 5 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. O Despacho Decisório Eletrônico foi lavrado por servidor competente que verificou a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de direito creditório para fins de compensação de débito confessado até o valor reconhecido, com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais todos os atos administrativos que instruem os autos estão regularmente motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos de modo explícito, claro e congruente1. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância, com base inclusive no princípio da persuasão racional2. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente suscita que as compensações formalizadas no Per/DComp devem ser homologadas, pois está sujeita ao lucro presumido calculado pelo coeficiente de 8% sobre a receita bruta, uma vez que se dedica à construção civil com emprego de materiais e de mão de obra. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior3. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 2 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.900126/200841 Acórdão n.º 1801001.509 S1TE01 Fl. 394 6 favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 4. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. A pessoa jurídica pode optar pelo pagamento do IRPJ devido em até três quotas mensais, iguais e sucessivas, vencíveis no último dia dos três meses subseqüentes ao de encerramento do período de apuração a que corresponder. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Por via de regra, o lucro presumido é apurado mediante a aplicação do coeficiente de oito por cento sobre a receita bruta. Para as atividades expressamente relacionadas, entretanto, o coeficiente é distinto, já que o parâmetro de fixação relacionase diretamente aos custos e às despesas incorridas para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. Especificamente na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal deve ser de (a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de 4 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.900126/200841 Acórdão n.º 1801001.509 S1TE01 Fl. 395 7 obra ou de (b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais 5. O pedido de reconhecimento do direito creditório de IRPJ se fundamenta na aplicação incorreta do coeficiente de determinação do lucro presumido de 32% (trinta e dois por cento) ao invés de 8% (oito por cento), tendo em vista que no período exerceu a atividade de construção por empreitada e o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal deve ser de 8% (oito por cento), uma vez que houve emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra. O empreiteiro de uma obra pode contribuir para ela só com seu trabalho ou com ele e os materiais. A obrigação de fornecer os materiais não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes. O contrato para elaboração de um projeto não implica a obrigação de executálo, ou de fiscalizarlhe a execução. No caso em que o empreiteiro fornece os materiais, correm por sua conta os riscos até o momento da entrega da obra, a contento de quem a encomendou, se este não estiver em mora de receber. Mas se estiver, por sua conta correrão os riscos. Se a obra constar de partes distintas, ou for de natureza das que se determinam por medida, o empreiteiro terá direito a que também se verifique por medida, ou segundo as partes em que se dividir, podendo exigir o pagamento na proporção da obra executada. Tudo o que se pagou presumese verificado. O que se mediu presumese verificado se, em trinta dias, a contar da medição, não forem denunciados os vícios ou defeitos pelo dono da obra ou por quem estiver incumbido da sua fiscalização. Concluída a obra de acordo com o ajuste, ou o costume do lugar, o dono é obrigado a recebêla. Poderá, porém, rejeitála, se o empreiteiro se afastou das instruções recebidas e dos planos dados, ou das regras técnicas em trabalhos de tal natureza 6. No presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelecem que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar7. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior8. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Cabe esclarecer que na análise do conjunto probatório constante nos autos somente puderam ser tomados em consideração os documentos equivalentes ao 3º trimestre de 2002, objeto do Per/Dcomp de fls. 1723. Os demais documentos não foram levados em conta porque não se referem ao período em exame nos presentes autos. A Recorrente procurou produzir um conjunto probatório de que teria direito de adotar o coeficiente de determinação do lucro presumido 8% (oito por cento) relativamente 5 Fundamentação legal: Fundamentação legal: art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 5º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.art. 29 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 e Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997. 6 Fundamento legal: arts. 610 a 626 do Código Civil. 7 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 8 Fundamentação legal: art. 147 e art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.900126/200841 Acórdão n.º 1801001.509 S1TE01 Fl. 396 8 à atividade de construção por empreitada pelo emprego de mão de obra e de materiais, em qualquer quantidade. Por seu turno, a autoridade de primeira instância de julgamento diz que “incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa”. Tendo em vista a controvérsia entre o argumento da Recorrente e a alegação do Erário, houve realização de diligência para esclarecer a situação fática (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972) em que a Autoridade Fiscalizadora constatou efetivamente, fls. 370372: a) A requerente não demonstrou o fornecimento de mercadorias por meio do documento hábil (NF de remessa de mercadorias como natureza da operação, "Simples Remessa" §2° do art. 4 o do Anexo XI do RICMSSP/2000); b) O contrato n° 41/2002 (fls. 286 a 288), entre a requerente e a Prefeitura do Município de Estrela D'Oeste – SP não possui as assinaturas dos pactuantes; c) As operações com as NF n° 580, 584, 586, 588, 590, 592 e 593 não possuem contrato de empreitada; d) As operações com mercadorias (NF de mercadorias) podem repercutir na apuração da Receita Bruta (podem existir outras operações de natureza diferente a de Simples Remessa, ex.: Venda) e, por conseguinte, no Imposto de Renda devido. Concluise que, embora todas as NF de Serviços (nºs 576 a 593) especifiquem a prestação de serviço (mãodeobra) com o fornecimento de material, não há prova legal (NF – Simples Remessa) que as mercadorias foram remetidas/empregadas/fornecidas pela requerente e, por conseguinte, não é possível afirmar que a prestação de serviço (empreitada) tenha sido realizada com o fornecimento de mercadorias, bem como, se as operações com mercadorias não repercutiram na Receita Bruta da requerente. Está registrado no Contrato Social como objeto, fl. 1216, “construção civil, projetos, administração de obras, fabricação de artefatos de cimento para construção e prestação de serviços na área de construção civil.” Nas Notas Fiscais de Saída de fornecedores de materiais para a Recorrente emitidas nos meses de julho, agosto e setembro de 2002 estão incluídos, entre outros, os seguintes produtos, fls. 196219: [...] cimento, barra de ferro, prego, tubo de polietileno, caixa de luz, arame recozido, anel de borracha, rejunte, estrutura metálica, portão de correr, abraçadeiras de chapa, vitrox, grades de tela móvel, telha, batente, registro gaveta, parafuso, fita isolante, fio de telefone, barra de tubo, plug rosca, veda rosca, falange, bucha esgoto, joelho esgoto, cola para PVC, luva esgoto, junção esgoto, caixa d’água, cotovelo, válvula, caixa de incêndio, adaptador, tubo soldável, válvula de retenção, mangueira de incêndio, lata de tinta, esmalte, lixa de madeira, fita crepe, água raz, palha de aço, rolo de espuma, argamassa, sinteco, selador, piso, grelha cromada, porta grelha, sifão, filtro de ar, betoneira, torneira [...]. Está registrado no Contrato nº 009/SL/2002 de Execução de Obras com Entrega de Material por Preço Global referente ao Convite nº 004/SL/2002 do Processo nº Fl. 396DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.900126/200841 Acórdão n.º 1801001.509 S1TE01 Fl. 397 9 006/SL/2002 de 18.03.2002, pactuado entre a Recorrente/Contratada e a Prefeitura Municipal de Estrela d’Oeste/Contratante, fls. 174176 e 290293: Contratação de empresa especializada, com fornecimento de material e mão deobra, sob o regime de execução indireta com empreitada por preço global, para a execução no âmbito do Programa HABITARBRASIL, de ações objetivando a CONSTRUÇÃO DE 15 (QUINZE) UNIDADES HABITACIONAIS E MELHORIA DA INFRAESTRUTURA URBANA neste Município de ESTRELA D'OESTESP, de acordo com o Plano de Trabalho, Projeto Básico, Orçamento, Memorial Descritivo, Cronograma de Execução, Cronograma de Desembolso e Cronograma Físicofinanceiro, em anexo. [...] Os pagamentos serão liberados conforme medições realizadas pelo Setor de Engenharia da Prefeitura, à pedido formal, da empresa vencedora, e ocorrerá em conformidade com o cronograma físicofinanceiro aprovado, após desbloqueio dos recursos creditados na conta da municipalidade, para o devido pagamento em até 05 (cinco) dias úteis, a contar da apresentação da nota fiscal fatura, sem quaisquer reajuste. [...] A Contratada se obriga a executar a obra e o fornecimento de materiais, respeitando a qualidade e quantidade declinadas na proposta de licitação, substituindo os materiais, às suas expensas, no total ou em parte, que não atenderem as qualidades declinadas na presente proposta de licitação. [...] O prazo para execução da obra é de 06 (seis) meses após à assinatura de Contrato, sendo que o mesmo será assinado de imediato após o Termo de Homologação e Adjudicação. Na Nota Fatura de Prestação de Serviços nº 577, de 01.07.2002, no valor de R$21.247,44 emitida pela Recorrente em nome da Prefeitura Municipal de Estrela d’Oeste consta como discriminação dos serviços: “prestação de serviço no tocante ao material de mão de obra relativo ao Programa HabitarBrasil no Município Estrela d’Oeste, nos termos do Contrato de Repasse nº 007176565/98/MPO/CAIXA/ e Processo nº 006/SL/2002”, fls. 179 e 261. Na Nota Fatura de Prestação de Serviços nº 583, de 09.08.2002, no valor de R$11.977,95 emitida pela Recorrente em nome da Prefeitura Municipal de Estrela d’Oeste consta como discriminação dos serviços: “prestação de serviço no tocante ao material de mão de obra relativo ao Programa HabitarBrasil no Município Estrela d’Oeste, nos termos do Contrato de Repasse nº 007176565/98/MPO/CAIXA/ e Processo nº 006/SL/2002”, fls. 184 e 267. Está registrado no Contrato nº 012/SL/2002 de Execução de Obras com Entrega de Material por Preço Global referente ao Convite nº 006/SL/2002 do Processo nº 008/SL/2002 de 11.06.2002, pactuado entre a Recorrente/Contratada e a Prefeitura do Município Estrela d’Oeste/Contratante, fls. 294295: Contratação de empresa especializada com fornecimento de.material e mão deobra, sob o regime de execução indireta com empreitada por preço global, para à construção de base para instalação de balança no prolongamento da Rua Brasil; conforme projeto, memorial descritivo, planilha, orçamentária e cronograma físico financeiro; objeto do Convênio n.° 106/2002 do Processo SEP 0154/2002, celebrado entre o Estado de São Paulo e o Município de Estrela d'OesteSP. [...] Fl. 397DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.900126/200841 Acórdão n.º 1801001.509 S1TE01 Fl. 398 10 O prazo para execução da obra é de 90 (noventa) dias após à assinatura de Contrato e da emissão da ordem de início dos serviços, sendo que o mesmo será assinado de imediato após o Termo de Homologação e Adjudicação. Não constam nos autos as Notas Faturas de Prestação de Serviços correspondentes a esse contrato. Está registrado no Contrato nº 41/02 de Contratação de Empresa para Reforma de Praças Esportivas com Fornecimento de Material para os Jogos Regionais Execução de Obras com Entrega de Material por Preço Global referente ao Convite nº 23/02 do Processo nº 35/02 de 20.05.2002, pactuado entre a Recorrente/Contratada e a Prefeitura Municipal de Jales/Contratante, fls. 296298: O presente contrato tem por objeto a execução de obras e serviços de engenharia para reforma de praças esportivas com fornecimento de material para os jogos regionais de acordo com o Edital e respectivos anexos e propostas. Parágrafo único: A obra e serviços serão executados nas seguintes praças esportivas: Quadra da FAI Jales; Jales Clube. [...] O prazo máximo para execução das obras e serviços é de 50 (Cinqüenta) dias consecutivos e ininterruptos, contados da data da expedição da ordem de serviço. Na Nota Fatura de Prestação de Serviços nº 579, de 26.07.2002, no valor de R$10.000,00 emitida pela Recorrente em nome da Prefeitura Municipal de Jales e consta como discriminação dos serviços: “[...] conforme vistoria efetuada nos serviços de mão de obra com fornecimento de material, empreitados à [Recorrente] visando a realização dos Jogos Regionais nesta cidade de Jales/SP, objeto do Proc. 35/02, Convite 23/02, Contrato 41/02 foi constatado parte da execução dos serviços”, fl. 263. Na Nota Fatura de Prestação de Serviços nº 589, de 13.09.2002, no valor de R$13.000,00 emitida pela Recorrente em nome da Prefeitura Municipal de Jales e consta como discriminação dos serviços: “[...] prestação de serviços no tocante ao material e mão de obra [para os] Jogos Regionais conforme objeto do Processo 35/02, Convite 23/02, Contrato 41/02, medição parcial”, fl. 273. Está registrado no Contrato nº 35/02 de Contratação de Empresa para Adaptação de Piscina e Construção de Vestiário referente ao Convite nº 21/02 do Processo nº 33/02 de 20.05.2002, pactuado entre a Recorrente/Contratada e a Prefeitura Municipal de Jales/Contratante, fls. 312314: O presente contrato tem por objeto a execução de obras e serviços de engenharia para adaptação da piscina e construção de vestiário de acordo com o Edital e respectivos anexos e propostas. Parágrafo único: A obra e serviços serão executados na APAE rua dos Girassóis Bairro Santo Expedito município de Jales. [...] O prazo para execução das obras e serviços é de 180 (Cento e Oitenta) dias consecutivos e ininterruptos, contados da data da expedição da ordem de serviço. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.900126/200841 Acórdão n.º 1801001.509 S1TE01 Fl. 399 11 Na Nota Fatura de Prestação de Serviços nº 576, de 01.07.2002, no valor de R$5.454,54 emitida pela Recorrente em nome da Prefeitura Municipal de Jales e consta como discriminação dos serviços: “[...] prestação de serviço no tocante ao material e mão de obra para cobertura e adaptação nas piscinas e construção de vestiários nas dependências da APAE de Jales, conforme Convite nº 021/2002 do Processo nº 033/2002 – Convênio Processo nº 44005.001176/200101”, fl. 260. Na Nota Fatura de Prestação de Serviços nº 578, de 18.07.2002, no valor de R$3.636,36 emitida pela Recorrente em nome da Prefeitura Municipal de Jales e consta como discriminação dos serviços: “[...] prestação de serviço no tocante ao material e mão de obra para cobertura e adaptação nas piscinas e construção de vestiários nas dependências da APAE de Jales, conforme Convite nº 021/2002 do Processo nº 033/2002 – Convênio Processo nº 44005.001176/200101”, fl. 262. Na Nota Fatura de Prestação de Serviços nº 581, de 02.08.2002, no valor de R$8.181,81 emitida pela Recorrente em nome da Prefeitura Municipal de Jales e consta como discriminação dos serviços: “[...] prestação de serviço no tocante ao material e mão de obra para cobertura e adaptação nas piscinas e construção de vestiários nas dependências da APAE de Jales, conforme Convite nº 021/2002 do Processo nº 033/2002 – Convênio Processo nº 44005.001176/200101”, fl. 262. Na Nota Fatura de Prestação de Serviços nº 585, de 20.08.2002, no valor de R$9.090,90 emitida pela Recorrente em nome da Prefeitura Municipal de Jales e consta como discriminação dos serviços: “[...] prestação de serviço no tocante ao material de mão de obra para cobertura e adaptação nas piscinas e construção de vestiários nas dependências da APAE de Jales, conforme Convite nº 021/2002 do Processo nº 033/2002 – Convênio Processo nº 44005.001176/200101”, fl. 269. Na Nota Fatura de Prestação de Serviços nº 587, de 05.09.2002, no valor de R$36.363,62 emitida pela Recorrente em nome da Prefeitura Municipal de Jales e consta como discriminação dos serviços: “[...] prestação de serviço no tocante ao material de mão de obra para cobertura e adaptação nas piscinas e construção de vestiários nas dependências da APAE de Jales, conforme Convite nº 021/2002 do Processo nº 033/2002 – Convênio Processo nº 44005.001176/200101”, fl. 271. Nesse sentido, restou comprovado que em relação a esses documentos a Recorrente tem direito de adotar o coeficiente de determinação do lucro presumido 8% (oito por cento) relativamente à atividade de construção por empreitada pelo emprego de mão de obra e de materiais, em qualquer quantidade. Por outro lado, as Notas Faturas de Prestação de Serviços nº 580, de 30.07.2002, fl. 264, nº 584, de 19.08.2002, fl. 268, nº 586, de 22.08.2002, fl. 270, nº 588, de 13.09.2002, fl. 272, nº 590, de 19.09.2002, fl. 274, nº 591, de 20.09.2002, fl. 275, nº 592, de 23.09.2002, fl. 276 e nº 593, de 26.09.2002, fl. 277 não podem ser levadas em conta para fins de reconhecimento do direito creditório pleiteado, uma vez que a Recorrente não trouxe aos autos os contratos correspondentes às avenças então ajustadas com as tomadoras dos serviços, de modo a evidenciar de forma inequívoca que os negócios jurídicos foram praticados no exercício de atividade de construção por empreitada. Refazendo os cálculos a partir das informações constantes na DIPJ, fl. 96, e do conjunto probatório produzido nos autos, temse que: Fl. 399DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.900126/200841 Acórdão n.º 1801001.509 S1TE01 Fl. 400 12 (a) receita bruta sujeita ao percentual de 32% R$54.968,82; (b) receita bruta sujeita ao percentual de 8% R$118.952,62; (c) resultado da aplicação do percentual sobre a receita bruta – R$27.106,23; (d) IRPJ apurado com base no lucro presumido à alíquota de 15% R$4.065,93 IRPJ apurado com base no lucro presumido a pagar em duas quotas, a saber: a 1ª quota no valor de R$2.032,97 com vencimento em 31.10.2002 e a 2ª quota no valor de R$2.053,30 com vencimento em 29.11.2002. Assim, deve ser reconhecido à Recorrente o valor de R$2.162,55 (R$4.215,82 – R$2.053,30) referente à segunda quota de IRPJ do 3º trimestre de 2002 em 29.11.2002. A Recorrente, embora ciente de todas as discrepâncias quantitativas, não juntou aos autos os outros elementos de prova respectivos, pois nesse caso, cabelhe produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior9. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca dos registros contábeis e documentos hábeis de que suas alegações estão corretas. Não foram produzidos nos autos elementos de prova que comprovem a correção das informações indicadas na peça de defesa. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, está comprovada parcialmente. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso10. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade11. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório no valor de R$2.162,55 pago a maior em 29.11.2002. 9 Fundamentação legal: art. 147 e art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 10 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 11 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10820.900126/200841 Acórdão n.º 1801001.509 S1TE01 Fl. 401 13 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 401DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11080.732210/2011-03
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE ATIVOS. OPERAÇÃO CASA-SEPARA. SIMULAÇÃO.
Deve ser mantida a exigência, ao restar comprovado que as complexas operações societárias levadas a efeito pela interessada nunca objetivaram a admissão de novo sócio ou investidor, mas sim a alienação de participações societárias. A existência de prévio contrato escrito entre as partes, em que são detalhados todos os passos e valores envolvidos nas operações, reforça tal conclusão. Irrelevante o lapso temporal entre o início e o final das operações ter sido superior a um ano, se todas as etapas estavam previamente acordadas entre as partes. O descompasso entre a vontade aparente e a vontade real conduz à conclusão de simulação. O ganho de capital na alienação foi artificialmente reduzido, com a igualmente artificial majoração do custo de aquisição. O lançamento deve, assim, ser mantido.
MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO.
É cabível a qualificação da multa de lançamento de ofício nos casos em que ficar demonstrada a conduta dolosa do sujeito passivo ao praticar atos simulados, com o objetivo de ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador tributário.
Numero da decisão: 1302-001.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, em conhecer do recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Alberto Pinto e Hélio Araújo, para, no mérito, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Hélio Araújo e Márcio Frizzo.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE ATIVOS. OPERAÇÃO CASA-SEPARA. SIMULAÇÃO. Deve ser mantida a exigência, ao restar comprovado que as complexas operações societárias levadas a efeito pela interessada nunca objetivaram a admissão de novo sócio ou investidor, mas sim a alienação de participações societárias. A existência de prévio contrato escrito entre as partes, em que são detalhados todos os passos e valores envolvidos nas operações, reforça tal conclusão. Irrelevante o lapso temporal entre o início e o final das operações ter sido superior a um ano, se todas as etapas estavam previamente acordadas entre as partes. O descompasso entre a vontade aparente e a vontade real conduz à conclusão de simulação. O ganho de capital na alienação foi artificialmente reduzido, com a igualmente artificial majoração do custo de aquisição. O lançamento deve, assim, ser mantido. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. É cabível a qualificação da multa de lançamento de ofício nos casos em que ficar demonstrada a conduta dolosa do sujeito passivo ao praticar atos simulados, com o objetivo de ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador tributário.
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ALIENAÇÃO DE ATIVOS. OPERAÇÃO “CASA SEPARA”. SIMULAÇÃO. Deve ser mantida a exigência, ao restar comprovado que as complexas operações societárias levadas a efeito pela interessada nunca objetivaram a admissão de novo sócio ou investidor, mas sim a alienação de participações societárias. A existência de prévio contrato escrito entre as partes, em que são detalhados todos os passos e valores envolvidos nas operações, reforça tal conclusão. Irrelevante o lapso temporal entre o início e o final das operações ter sido superior a um ano, se todas as etapas estavam previamente acordadas entre as partes. O descompasso entre a vontade aparente e a vontade real conduz à conclusão de simulação. O ganho de capital na alienação foi artificialmente reduzido, com a igualmente artificial majoração do custo de aquisição. O lançamento deve, assim, ser mantido. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. É cabível a qualificação da multa de lançamento de ofício nos casos em que ficar demonstrada a conduta dolosa do sujeito passivo ao praticar atos simulados, com o objetivo de ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, em conhecer do recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Alberto Pinto e Hélio Araújo, para, no mérito, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Hélio Araújo e Márcio Frizzo. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 22 10 /2 01 1- 03 Fl. 2355DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.710 S1C3T2 Fl. 2.356 2 Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório PEDRASUL CONSTRUTORA S/A, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1038.159, de 26/04/2012, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Os fundamentos da autuação e as razões de impugnação foram minuciosamente descritos no relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, que reproduzo a seguir: Contra o contribuinte foram lavrados autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 1609/1616) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 1617/1623), exigindo um total de crédito tributário de R$ 325.445,84. Segundo o Relatório da Ação fiscal (fls. 1624/1654), a autuação decorre de ganho de capital obtido na alienação de participação societária que o contribuinte detinha junto a Univias Participações S/A, utilizandose de operações simuladas em conluio com outros interessados. Em janeiro de 1998, foram constituídas as pessoas jurídicas Metrovias, Convias e Sulvias, tendo como objeto social a exploração, sob o regime de concessão, dos complexos rodoviários denominados pólos Metropolitano, Caxias do Sul e Lajeado, conforme o seguinte quadro societário: Fl. 2356DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.710 S1C3T2 Fl. 2.357 3 Em 29/12/2004, a Pedrasul, a Construtora Sultepa e a BGPAR, transferiram para CP Construções e Participações Ltda., em aumento de capital, parte das ações que detinham na Metrovias, na Convias e na Sulvias. Dos sócios originais das concessionárias, apenas a Castilho não transferiu ações para a CP, mantendo inalterada sua participação diretas nas referidas concessionárias. Até setembro de 2006, a estrutura de controle das concessionárias permaneceu da seguinte forma: Observase que a Pedrasul transferiu para a CP 24% das ações da Convias e manteve uma participação direta de 2,47% naquela concessionária. A autuação trata da alienação desta participação na Convias, que se deu através da Univias, conforme procedimento que será descrito na sequência. Em 15/09/2006, foi efetuada uma cisão parcial da CP, que resultou na saída da sócia Monte Bérico e na redução da participação da Construtora Sultepa. A Monte Bérico se retirou da CP recebendo ações da Metrovias, da Convias e da Sulvias, que foram transferidas diretamente para a TBPAR, controlada pela Monte Fl. 2357DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.710 S1C3T2 Fl. 2.358 4 Bérico (99,99%). A Construtora Sultepa reduziu a participação na CP (apesar de ter aumentado em termos percentuais, pela saída da Monte Bérico), recebendo ações da Sulvias e da Metrovias, que foram transferidas diretamente para a Sultepa Construções e Comércio. Em consequência, a estrutura de controle das concessionárias ficou a seguinte: A cisão da CP Construções e Participações Ltda. foi a primeira etapa de uma sequência de atos objetivando a alienação do controle das concessionárias para a Robina Empreendimentos e Participações Ltda. A saída da Monte Bérico do quadro societário da CP ocorreu porque o grupo Toniolo Busnello não tinha a intenção de se desfazer de sua participação nas concessionárias. Assim, saiu da CP e voltou a ter participação direta nas três concessionárias, através da TBPAR, permitindo que os sócios remanescentes (grupo Sultepa e Brasília Guaíba) alienassem para a Robina suas participações nas concessionárias. A Castilho Engenharia também alienou sua participação nas concessionárias para a Robina, mas não o fez através da CP. A etapa seguinte foi a utilização da Univias Participações S/A, que havia sido constituída em 11/04/2006 sob a denominação de EDSR19 Participações e Empreendimentos Imobiliários S/A, com capital de R$ 1.000,00. A EDSR19 era uma típica empresa de gaveta, criada por Eduardo Duarte, atualmente responsável por mais de duzentas empresas perante a Receita Federal, muitas denominadas com números e já envolvidas em outras fraudes. A EDSR19 teve sua denominação alterada para Univias Participações S/A em 18/09/2006, quando ingressaram na sociedade a Pedrasul, a BGPAR, a Castilho e a CP. A Pedrasul recebeu 4 ações com valor total de R$ 4,00. Em 10/06/2006 ocorreu um aumento de capital na Univias, integralizado pelos quatro sócios através da conferência pelo valor contábil de ações das concessionárias, resultando na seguinte estrutura: Fl. 2358DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.710 S1C3T2 Fl. 2.359 5 Em 10/10/2006 foram realizadas quatro assembléias da Univias, em cada uma delas subscreveram capital a Pedrasul, BGPAR, Castilho e CP, no valor de R$ 1.000,00 e reserva de capital (ágio na emissão de ações) de R$ 66.689.036,74 (fls. 938/940). Na contabilidade da Pedrasul os investimentos nas concessionárias foram substituídos pelo investimento na Univias (fls. 06 e 108). Em 11/10/2006 a Univias emitiu bônus de subscrição (fls. 876), conferindo ao titular desses bônus o direito de subscrever 80.000.800 ações ao preço total de R$ 20.618.627,53. O prêmio a ser pago à Univias pela subscrição do bônus foi estabelecido em R$ 118.322.660,47. Na mesma assembléia, os acionistas renunciaram ao direito de preferência para subscrição do bônus e aprovaram que a subscrição fosse efetuada pela Robina. De acordo com o Boletim de Subscrição de 11/10/2006, o bônus foi pago pela Robina da seguinte forma: R$ 17.400.391,24 no ato, em moeda corrente nacional, e R$ 100.922.269,22 por duas notas promissórias de R$ 50.461.134,61, com vencimento em 26/02/2007, emitidas por Empate Engenharia e Comércio Ltda. e Heber Participações Ltda., controladores da Robina. As notas promissórias foram resgatadas antecipadamente, em 16/11/2006. Os valores recebidos pela Univias referentes à subscrição do bônus foram repassados aos sócios CP, BGPAR, Castilho e Pedrasul, por conta de mútuo. A Pedrasul recebeu R$ 450.412,32, em 11/10, 16/10 e 17/10/2006. Fl. 2359DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.710 S1C3T2 Fl. 2.360 6 Esse procedimento todo foi a primeira etapa da venda, apesar de não ter sido formalmente tratada pelos alienantes como venda de ações, mas sim dissimulada sob suposta reorganização societária (emissão de bônus, pagamento de bônus pela Robina e repasse dos valores recebidos pela Univias aos sócios, através de mútuo, para quitação com futuro resgate de ações). Em 16/11/2006 foi celebrado um contrato de compra e venda entre Robina e os sócios da Univias, relativo a 18,622% das ações da Univias, divididos proporcionalmente à participação de cada um dos sócios (BGPAR 0,63%), pelo valor total de R$ 35.212.734,80. À Pedrasul coube uma parcela de R$ 133.104,14, transferidos pela Robina em 16/11/2006. A Pedrasul contabilizou a operação a crédito de investimentos (Univias) e a débito Baixas de Investimentos, ou seja, baixou o custo total registrado na conta investimentos na Univias, quando na verdade estava alienando 18,62% da participação. Essa foi a segunda etapa da venda que resultou nos autos de infração. Depois dessa venda, o quadro societário da Univias ficou da seguinte forma: Em 28/12/2006 foi efetuada uma redução de capital na CP, com o cancelamento de 6.895.914 ações dos sócios BGPAR, Pedrasul e Construtora Sultepa, que receberam em troca 3.362.020 ações da Univias. A Pedrasul recebeu 364.703 ações preferenciais da Univias. Com redução de capital na CP o quadro societário da Univias ficou o seguinte: Em 28/03/2007 foi efetuado um resgate parcial de 64.759.233 ações da Univias, quando as sócias CP, Castilho, BGPAR e Pedrasul receberam um total de R$ 119.064.979,27, proporcionalmente ao número de ações resgatadas. Na Univias o resgate foi efetuado à conta reserva de capital e a contrapartida foi a baixa do mútuo que havia sido concedido aos acionistas anteriormente (fls. 989). À Pedrasul coube o valor de R$ 450.412,32, contabilizado a débito de mútuo com partes relacionadas no passivo exigível à longo prazo e a crédito de investimentos na Univias (fls. 07 e 121). Esse valor foi tratado indevidamente como mútuo, quitado com resgate posterior de ações em março de 2007. recebeu, ainda, em novembro de 2006, R$ 133.104,14 pela venda direta à Robina de 18,62%, através de verdadeiro contrato de compra e venda. O custo total de aquisição do Fl. 2360DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.710 S1C3T2 Fl. 2.361 7 investimento na Univias era apenas R$ 14.386,72, e somente uma parcela desse custo deveria ter sido atribuído à venda, proporcionalmente à quantidade de ações alienadas. Mas não foi isso que a Pedrasul fez, baixou todo o custo na venda de 18,62% das ações e depois lançou a equivalência patrimonial para dar suporte à baixa no resgate de ações em março de 2007. Depois dessa operação, o quadro societário da Univias ficou da seguinte forma: Na mesma data, 28/03/07, foi realizada uma assembléia na CP para aprovar a distribuição de dividendos, no valor de r$ 65.920.611,00, e a redução de capital no montante de R$ 34.414.602,00 (fls. 460). Na Pedrasul a contabilização do recebimento dos dividendos e da redução do capital se deu contra o mútuo com a CP no passivo (fls. 122/123), no total de R$ 10.876.550,87. Em 05/06/2007 ocorreu nova redução de capital na Univias, acarretando a saída da BGPAR e da CP, e a redução da participação da Castilho e da Pedrasul (fls. 890). Na mesma data a Robina subscreveu 80.800.800 ações por R$ 22.565.618,44, exercendo o direito de subscrição pelo qual havia pagado anteriormente o bônus. Os recursos provenientes da subscrição das ações pela Robina foram utilizados para o resgate de ações. À BGPAR coube uma parcela de R$ 85.295,00 (0,3779%). Juntamente com esse valor, a Pedrasul recebeu a parcela que lhe cabia pela participação indireta na Univias através da CP, contabilizados parte a crédito de mútuo da CP e o restante, R$ 80.718,73, a crédito de receita (fls. 08 e 124). Não houve baixa na conta de investimento da Univias. Essa foi a terceira etapa da venda. Depois dessa operação a Robina passou a deter 95% do capital da Univias, conforme abaixo: Nessa data (05/06/2007) a Robina segregou um ágio de R$ 114.020.009,66, que, somado ao ágio de R$ 494.448,54 contabilizado anteriormente quando da aquisição de 18,62% das ações, resultou num total de R$ 114.514.458,20 (fls. 1307). Esse ágio foi transferido para a univias em 01/12/2008 (fls. 1089), quando da Fl. 2361DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.710 S1C3T2 Fl. 2.362 8 incorporação da Robina, e repassado para as concessionárias Metrovias, Sulvias e Convias em 02/12/2008, pela cisão total da Univias (fls. 1090). Nas concessionárias passou a ser dedutível por força do art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997. Com isso, concluise que o suposto planejamento, na verdade tratouse de uma simulação, cuidou de evitar o ganho de capital para os alienantes, mas preservou o ágio dedutível para os adquirentes. Posteriormente, outros atos complementaram a operação de aquisição do controle das concessionárias pela Robina. Ainda, em 05/06/2007, a Robina adquiriu as ações que a Construtora Sultepa e a Sultepa Construções detinham diretamente na Sulvias e na Metrovias (fls. 1558). Em 01/12/2008 a Univias incorporou a Robina, e a CIBE, que detinha 100% da Robina, recebeu as ações da Univias que eram de titularidade da Robina. Em 02/12/2008 a Univias foi extinta por cisão total, sendo seu acervo vertido para as concessionárias Sulvias, Convias e Metrovias. Em troca de sua participação na sociedade extinta, os sócios da Univias receberam ações das concessionárias, que passaram a ser controladas diretamente pela CIBE (71,94% da Metrovias; 71,72% da Convias e 72,03% da Sulvias). O grupo Toniolo Busnello, através da TBPAR e da Monte Bérico, manteve a participação direta de 24,50% em cada uma das concessionárias. O restante das ações das concessionárias ficou com pessoas físicas e jurídicas vinculadas aos antigos sócios minoritários da Univias. Em abril de 2009 ocorreu a transferência das ações desses minoritários para a CIBE. O quadro societário ficou da seguinte forma: Em razão dos fatos acima descritos, o autuante afirma que a posição final do quadro societário das concessionárias demonstra a saída dos grupos Sultepa, Brasília Guaíba e Castilho, substituídos pela CIBE. Os dois primeiros utilizaram a CP e a Univias para reduzir indevidamente o ganho de capital auferido na operação. A operação, embora revestida de aparente legalidade formal, se trata de uma simulação, que não pode produzir os efeitos tributários desejados pelos contribuintes. A sequência de atos praticados, por si só evidencia um descompasso entre a real intenção do negócio e o aspecto formal conferido à operação. A utilização do bônus de subscrição como mero recurso para a majoração do custo do investimento detido pela Pedrasul na Univias, seguido da imediata alienação da participação, parte através de verdadeiro contrato de compra e venda de ações e Fl. 2362DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.710 S1C3T2 Fl. 2.363 9 parte através de resgate de ações, caracteriza uma distorção daquele instrumento do direito societário. Para o autuante, a simulação tornase irrefutável diante do documento “Acordo de Investimentos e Outros Pactos” de 27/09/2006 (fls. 528/572), firmado previamente entre os adquirentes e os alienantes da participação societária objeto da negociação. Em tal documento fica evidente que nunca houve, por parte dos alienantes, a intenção de admitir um novo sócio (ou “investidor”, como foi denominada a Robina no acordo), mas sim se retirar da Univias e, indiretamente, alienar a participação societária detida nas concessionárias. O Acordo de Investimentos expõe de tal forma a simulação, que o documento foi sonegado da Receita Federal por todos os envolvidos na operação, que, intimados, informaram não ter localizado o documento em seus arquivos. Somente depois de tomarem conhecimento de que a Receita Federal poderia obter o documento diretamente no CADE, a Metrovias entregou o referido documento, ainda que sem os diversos anexos nele referidos, alegando não dispor dos documentos e que os mesmos não constavam no processo do CADE. No “Acordo de Investimentos” a operação foi previamente detalhada, garantindo às partes o efeito final desejado, qual seja, a alienação das ações sem ganho de capital para os alienantes e com ágio para o adquirente. O detalhamento da operação, que foi dividida em três etapas, denominadas “primeiro préfechamento”, “segundo préfechamento” e “fechamento”, descreve as condições do negócio, desde os procedimentos junto à Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul, DAER/RS, BNDES, a realização das assembléias, a emissão de bônus de subscrição e o repasse dos recursos como mútuo, acompanhamento pela Robina dos negócios das concessionárias, possibilidade de rescisão do contrato caso a operação não fosse aprovada pelo DAER, contratos de compra de ações, enfim, todos os passos que culminaram com a extinção da Univias e com o controle acionário das concessionárias pela CIBE. A capitalização inexistiu de fato. Basta comparar o patrimônio da Univias em 10/10/2006, imediatamente anterior à subscrição do bônus, representado unicamente pelos investimentos junto às concessionárias, e o patrimônio depois da conclusão da operação, em 30/06/2007, representado pelos mesmos investimentos. A Univias emitiu o bônus, mas os recursos foram pagos diretamente aos sócios, sob a forma de um mútuo simulado, cuja liquidação, através de resgate de ações, já estava previamente acordada. O ganho foi dos sócios e não da Univias. A classificação como reserva de capital do valor recebido a título de alienação do bônus de subscrição e, ato contínuo, resgatar ações a débito dessa mesma conta, mostra que a intenção não era receber aquele valor como verdadeiro prêmio de emissão e mantê lo como recurso à disposição da Univias, mas sim repassálo de imediato aos sócios, por se tratar de produto de alienação das ações. A distorção da utilização da figura do bônus fica evidente também diante da redução de capital que já estava previamente definida no acordo de investimentos. Foi emitido um bônus vinculado à emissão de ações para uma suposta capitalização, quando, na verdade, o resultado final previsto era a manutenção aproximada do número de ações e a entrega do produto da pseudocapitalização para os sócios. No momento da emissão do bônus, o capital da Univias era representado por 100.001.000 de ações, com previsão de emissão de mais 80.000.800 ações, a serem subscritas pela Robina, o que totalizaria 180.001.800 ações. Isso nunca ocorreu, porque quando a Robina subscreveu as 80.000.800 ações em 05/06/2007, já haviam Fl. 2363DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.710 S1C3T2 Fl. 2.364 10 sido resgatadas pelos antigos sócios 76.187.332 ações (parte em 28/03/2007 e parte na própria assembléia de 05/06/07). Ao final, o capital da Univias restou representado por 103.814.468 ações, muito próximo das 100.001.000 ações originais, ainda que distribuído de forma diversa entre ações ordinárias e preferenciais. O investimento da Pedrasul na Univias deveria, a princípio, estar avaliado pelo custo de aquisição, por não se enquadrar nos conceitos de coligada ou controlada, definidos no art. 384 do RIR/99, pois a Pedrasul em momento algum deteve 10% ou mais do capital da Univias, ainda que fosse considerada sua participação indireta através da CP. Mesmo que se enquadrasse nas hipóteses de avaliação baseada no patrimônio líquido, a equivalência realizada em 31/12/2006 seria indevida, por se fundamentar em operação simulada ocorrida na Univias, que utilizou de forma distorcida o bônus de subscrição, previsto nos arts. 75 a 79 da Lei nº 6.404, de 1976. Os fatos acima descritos revelam que a verdadeira intenção da Pedrasul sempre foi alienar para a Robina sua participação direta na Univias, e, por consequência, sua participação indireta nas concessionárias. A vontade formalmente externada não é verdadeira, oculta, de forma deliberada, a real intenção das partes, caracterizada por simulação no art. 167 do Código Civil, cujo efeitos tributários não devem prevalecer, mas sim os efeitos tributários dos atos que se buscou dissimular, qual seja, a alienação da participação societária com ganho de capital sujeito à tributação na forma dos arts. 418 e 426 do RIR/99. O crédito tributário foi lançado com a multa de 150%, prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. O contribuinte apresentou a impugnação de folhas 1660 a 1697, alegando, preliminarmente, que os autos de infração são nulos por incompetência das autoridades fiscais autuantes, adstritos à DRF Porto Alegre, pois o primeiro Termo de Intimação Fiscal que deu início à fiscalização (na oportunidade, em face da Convias), acarretando na formalização da exigência, foi lavrado em Caxias do Sul. E, segundo o art. 38, § 4º, do Decreto nº 7.574, de 2011, a formalização da exigência previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. Além disso, o evento que trouxe o suposto fato gerador do tributo ocorreu perante a Univias, que, por sua vez, foi submetida à fiscalização da DEFIS, em São Paulo, por ser este o local do seu domicílio fiscal. Assim, sob qualquer ângulo, é inquestionável a incompetência das autoridades fiscais de Porto Alegre para efetuar o lançamento; seja porque não foram os primeiros que obtiveram conhecimento da operação societária; seja porque não pertencem ao domicílio fiscal onde ocorreu o fato desconsiderado para fins de tributação. No mérito, alega que a fiscalização parece mergulhar em uma teoria conspiratória, da qual fazem parte, também, os demais subscritores do Acordo de Investimentos e as entidades da Administração Pública, como o BNDES, o DAER/RS, o CADE, a AGERGS, todos atuando em conluio com o único objetivo de lesar o Fisco. Entretanto, esqueceu a fiscalização de investigar a fundo o contexto político e econômico que permeava a admissão da Robina como nova investidora do Consórcio Univias é esse contexto que comprova, de forma inequívoca, a existência Fl. 2364DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.710 S1C3T2 Fl. 2.365 11 de propósito negocial para a realização da operação, que na época o contexto político e econômico, relacionado à exploração de concessões rodoviárias no Brasil e, em especial, no Estado do Rio Grande do Sul, era necessário o ingresso de novo investidor para exploração do Consórcio Univias, que aportasse os recursos necessários para a continuidade da execução dos projetos, bem como partilhasse os riscos atrelados ao empreendimento. Mais. A fiscalização desconsiderou que todos os atos listados no Acordo de Investimentos foram realmente praticados e que as empresas envolvidas submeteramse aos efeitos desses atos (inclusive fiscais), com efetiva vivência das operações praticadas e a assunção dos riscos e efeitos típicos desses negócios. Desconsiderou ainda todos os elementos (adotados pelo próprio Conselho de Contribuintes e pela doutrina) que indicam a validade das operações que geram economia fiscal, quais sejam: (a) adequado intervalo temporal entre as operações; (b) a independência das partes envolvidas; (c) existência de várias condições suspensivas que pendiam para o ingresso do novo sócio, o que demonstra que a operação não se qualificava como alienação de investimento, mas sim de verdadeira captação de recursos condicionada ao cumprimento de certos requisitos. Não tendo sido a operação de captação de recursos simulada, improcedente é o argumento da fiscalização no sentido de que o investimento da Pedrasul na Univias deveria estar avaliado pelo custo de aquisição, pois na época, a Construtora Sultepa S/A, companhia aberta, era proprietária de ações da Pedrasul representativas de mais de 99% do seu capital. As companhias, portanto, detinham, direta e indiretamente, mais de 30% do capital social da Univias Participações S/A, o que justifica a avaliação do investimento pelo método da equivalência patrimonial. No ano de 2004 foi constituída a CP Construções e Participações Ltda., com vistas a atuar em um importante projeto licitado em 1997, relacionado à exploração do Complexo Rodoviário Metropolitano que, devido a problemas judiciais entre os participantes da licitação, teve retardada a homologação, adjudicação e o início da execução dos contratos. Depois de inúmeras tentativas frustradas de acordo, as concessionárias continuavam a pleitear a execução do Termo Aditivo para reequilíbrio econômico financeiro, sob pena de inviabilização da continuidade da execução dos contratos. Em janeiro de 2006 foram rerratificadas as cláusulas do Termo Aditivo celebrado entre as partes, op que demandaria, necessariamente, a captação de recursos no mercado para atendimento às novas exigências dele constantes. Paralelamente, depois de um ano de extensos debates, o Governo Federal decidiu realizar investimentos com recursos públicos, não levando adiante a contratação com o Consórcio Metropolo. Para as concessionárias, a continuidade da execução dos contratos, mediante a celebração do Termo Aditivo, estava condicionada a aportes substanciais de capita, pois não dispunham de todos os recursos. Por outro lado, o contexto político das concessões de rodovias, ao longo de 2005, dava indícios do lançamento da 2ª etapa do Programa Federal de Concessões, que poderia alavancar, novamente, os negócios da companhia. Em 07 de junho de 2005 foi aprovado o lançamento das licitações relativas à 2ª etapa do Programa Federal de Licitações, mostrandose ainda mais necessária a associação com um grupo economicamente forte, que injetaria recursos na Univias e viabilizaria o desenvolvimento de novos negócios. Fl. 2365DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.710 S1C3T2 Fl. 2.366 12 Assim, em setembro de 2006, ocorreu a formalização do Acordo de Investimentos, que previa o ingresso na Robina como investidora e a emissão de bônus de subscrição como forma de captação dos recursos necessários para a continuidade dos contratos de concessão. Em 2007, a 2ª etapa do Programa Federal de Concessões foi lançado, mas mostrouse de grande frustração para as concessionárias, pois outro grupo ganhou a disputa de 5 dos 9 lotes disputados. Isso mudou totalmente a estrutura de capitais desses negócios, que exigia agora ter o capital aberto. O grupo Univias perdeu escala, pois a estrutura de capitais mudou radicalmente, tornando inviável a sua participação em outras concorrências – ficaram pequenas demais para o negócio. Isso resultou no desinteresse pelo negócio de concessões, culminando na saída da CP e da própria impugnante do Consórcio Univias. A realização completa da reestruturação societária empreendida, de cunho de reorganização empresarial, levou quase um ano, o que demonstra que os atos praticados não eram meros atos formais, desprovidos de qualquer substrato econômico ou motivação negocial. O lapso temporal do procedimento é elemento que indica a validade da reestruturação executada como um instrumento legítimo para os fins almejados, a captação de novo investidor para a exploração do Consórcio univias. Outro elemento que indica a validade da reestruturação executada é a desvinculação existente, não apenas entre as partes que subscreveram o Acordo de Investimento, como também as entidades pertencentes à Administração Pública (como o BNDES, DAER/RS, CADE e AGERGS). Em cada uma das três etapas do Acordo de Investimentos existiam condições suspensivas que pendiam para o ingresso do novo sócio, conforme a própria fiscalização relacionou. Além disso, havia a possibilidade de rescisão do Acordo, caso não fosse autorizada pelo DAER a transferência do controle das concessionárias para a Univias e, posteriormente, a transferência do controle da Univias e das concessionárias para a Robina, conforme itens 5.2.2 e 5.3.2 do acordo. Quanto à multa, alega que inexiste fraude e conluio na operação, o que torna impossível a sua qualificação, pois o elemento essencial da conduta, que enseja a aplicação de multa qualificada, a tentativa dolosa de ocultar o fato gerador ou seus elementos, de enganar o Fisco, não se faz presente no caso. Quanto o contribuinte pratica o negócio lícito e feito às claras, não poderá ser aplicada multa qualificada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que é reservada às situações em que o sujeito passivo, mediante a prática de fraude ou sonegação, condutas ilícitas, busca ocultar do Fisco a ocorrência do fato gerador ou de algum de seus elementos, de modo a impedir que a Administração Tributária tome conhecimento dos mesmos. Todas as operações das quais tomou parte eram lícitas e foram devidamente escrituradas; o Acordo de Investimentos foi divulgado em Comunicado ao Mercado pela Construtora Sultepa S/A; além disso, o Acordo de Investimentos encontravase registrado no CADE; o Acordo de Investimentos, ao contrário do entendimento do Fisco, revela verdadeiramente que o objetivo da operação era receber um novo investidor; embora o Acordo de Investimentos não tenha sido localizado, todos os documentos societários e contratuais nele mencionados, solicitados pela fiscalização foram devidamente apresentados; não houve qualquer prejuízo à fiscalização, uma vez que a mesma teve acesso ao Acordo de Investimentos através da Metrovias. Fl. 2366DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.710 S1C3T2 Fl. 2.367 13 Por fim, não há como se cogitar de conluio na operação para execução da fraude alegada pela fiscalização, tendo em vista que a outra parte signatária do Acordo de Investimentos (a Metrovias, na qualidade de sucessora da Robina), também estava sujeita à ação fiscal, tendo a fiscalização sido encerrada sem o questionamento de qualquer aspecto atinente à legitimidade da operação, conforme documentos em anexo, que, ressaltese, é a mesma para ambas as partes. Por fim, requer que seja acolhida a preliminar de nulidade e, no mérito, sejam julgados improcedentes os lançamentos, ou, ao menos, seja excluída das autuações a multa qualificada. O contribuinte apresentou para provar suas alegações os documentos de folhas 1723 a 2131. A 1ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1038.159, de 26/04/2012 (fls. 2139/2158), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 IRPJ/CSLL NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL AUTUANTE. INOCORRÊNCIA A competência territorial do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é nacional. Informações colhidas em procedimentos fiscais podem ser compartilhadas entre as diversas unidades administrativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, independentemente da sua jurisdição territorial. No caso dos autos, os fatos que deram origem ao lançamento foram identificados em jurisdição diversa da jurisdição do contribuinte, entretanto, foi a autoridade administrativa de sua jurisdição que primeiro tomou conhecimento da infração (não tributação do ganho de capital) e efetuou o lançamento. IRPJ/CSLL SIMULAÇÃO As declarações de vontade de mera aparência, reveladoras da prática de ato simulado, uma vez afastadas, fazem emergir os atos que se buscou dissimular. A alienação de participação societária utilizandose de artifícios que, ao final, resultaram em redução do ganho de capital obtido na operação, deve ser desconsiderada, recompondose as bases de cálculo desconsiderandose os fatos dissimulados. IRPJ/CSLL MULTA AGRAVADA É cabível o agravamento da multa de lançamento de ofício nos casos em que ficar demonstrada a conduta dolosa do sujeito passivo visando o escamoteamento da base de cálculo tributável. Ciente da decisão de primeira instância por meio eletrônico em 29/05/2012, conforme Termo de Ciência por Decurso de Prazo à fl. 2164, a contribuinte apresentou recurso Fl. 2367DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.710 S1C3T2 Fl. 2.368 14 voluntário em 21/06/2012 conforme carimbo de recepção à folha 2165. A peça recursal se encontra às fls. 2165/2205. Após sintetizar os fatos, sob sua ótica, a recorrente discorre contra o procedimento fiscal e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Acrescenta que: A argumentação da fiscalização, baseada em meras suposições e presunções, tem por objetivo desconsiderar a sequência de atos – ressaltese, revestidos de legalidade e condizentes com a real intenção das partes envolvidas – por meio da alegação de simulação, não obstante a reorganização societária empreendida: Apresentasse notável propósito negocial, conforme restará cabalmente demonstrado a seguir, o que se depreende ainda pela verificação (a) de adequado intervalo temporal entre as operações realizadas; (b) da independência das partes envolvidas na operação; (c) da existência de várias condições suspensivas que pendiam para ingresso do novo sócio, o que demonstra que a operação não se qualificava como alienação de investimento, mas sim de verdadeira captação de recursos condicionada ao cumprimento de certos requisitos para admissão do novo investidor; Tenha ocorrido tal como descrita pela Recorrente, que, agindo de boafé, reportou em seus livros contábeis e fiscais todos os atos executados, bem como autorizou a divulgação pública das bases para realização do negócio, por meio da comunicação ao mercado feita pela Construtora Sultepa S/A (sócia da Univias), acerca da realização do Acordo de Investimentos para admissão de novo investidor e arquivamento desse documento no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). [...] A simulação ora alegada é baseada em meras suposições e presunções, não comprovadas. [...] Com isso, muitas das vezes o Fisco acaba por violar o comando inserto no art. 110 do CTN, o que, definitivamente, não deixou de ocorrer no caso concreto, na medida em que admite a legalidade da operação sob a égide do direito societário e administrativo, mas, ao mesmo tempo, a repudia sob o ponto de vista fiscal [...] [ou seja] a validade da operação sob o aspecto tributário [...]. Nunca é demais repetir que se o Fisco não atender ao seu duplo ônus de prova, se não demonstrar a qualificação jurídica pertinente ou se houver um insuperável empate (...), o critério de decisão do caso deve ser o de prestigiar a liberdade de o contribuinte organizar seus negócios [...]. Ora, a fiscalização deve estar munida de elementos suficientes para, com precisão, afirmar que a conduta do contribuinte encontrase eivada em vícios [fraude e concluio]. Nesse contexto, partindo da premissa de ser ônus da Administração a precisa demonstração das circunstâncias fáticas que circulam o objeto da autuação, vale ressaltar que não há, no caso em tela, elementos suficientes para manutenção do presente Auto de Infração.[...] Cumpre ressaltar que as consequências decorrentes do agravamento da penalidade não se limitam ao seu caráter financeiro, já que, nesses casos, exigese da autoridade fazendária a elaboração de representação fiscal para fins penais ao Ministério Público, com a consequente abertura de processo criminal contra o contribuinte. Fl. 2368DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.710 S1C3T2 Fl. 2.369 15 Logo, é mandatório que a imposição de multa qualificada pelo Fisco decorra de uma análise minuciosa dos elementos caracterizadores da sonegação, fraude ou conluio (fatos que ensejam tal qualificação) o que não ocorreu no caso em tela [...]. Apesar de todo o exposto, a 1ª Turma da DRJ/POA entendeu por bem manter o lançamento operado nos autos, e assim, julgar improcedente a Impugnação, com base nos mesmos argumentos utilizados no Relatório Fiscal do Auto de Infração Assim, resta inconteste a robusta prova documental carreada à Impugnação, assim como incontroversos os fatos notórios que traduzem, por exemplo, o contexto histórico e político da exploração das concessões no Rio Grande do Sul à época dos fatos, de modo a evidenciar o real propósito negocial da operação societária tratada nos autos. [...] Considerações Preliminares [...] A relação Fisco e contribuinte é norteada pelo principio da boafé, o que impede a presunção, a priori, de que a atuação do contribuinte que resulte em economia fiscal é ilegítima, desleal e tem por propósito lesar o Fisco [...] Além da infundada alegação de simulação, associada à tentativa de qualificação da multa mediante a caracterização de fraude e conluio na operação, a autoridade fiscal tenta "demonizar" as partes envolvidas na reestruturação societária analisada, ao insinuar que a Univias Participações S/A estaria inserida em operações de fraudes e lesões ao Erário [...]. Diante do exposto, resta inequívoca a tentativa da autoridade fiscal de desmoralizar as empresas que participaram da reestruturação societária analisada inclusive a Recorrente, ao vincular a Univias a empresas de fachada, comprovadamente utilizadas como veículos para lesão ao Erário, com o objetivo de deslegitimar a reestruturação societária executada. Direito – Razões de Improcedência do Lançamento Inexistência de Simulação no Caso em Tela [...] O Auto de Infração ora guerreado foi lavrado para cobrança do IRPJ e CSLL incidentes sobre ganho de capital supostamente auferido na alienação de ações da Univias. De acordo com o entendimento da fiscalização, o suposto ganho não foi tributado em razão de majoração indevida do custo de aquisição do investimento, pela contabilização de equivalência patrimonial que teria decorrido da sequência de atos, no entendimento do Fisco, "simulados, que buscaram conferir à operação uma aparência (falsa) de reorganização societária". A alegação de simulação pela fiscalização está fundamentada aos seguintes argumentos: "A utilização do bônus de subscrição como recurso para a majoração do custo do investimento detido pela Pedrasul na Univias, por equivalência registrada em 31/12/06, seguido de resgate de ações em 28/03/07, caracteriza uma distorção daquele instrumento de direito societário". "A simulação se torna irrefutável diante do Acordo de Investimentos e Outros Pactos, firmado previamente entre os adquirentes e os alienantes da participação societária objeto da negociação. Nunca houve, por parte dos alienantes, a intenção de admitir um novo sócio (ou investidor, como foi denominada a Robina no acordo), mas sim de se retirar da Univias e, indiretamente, alienar sua participação nas concessionárias". Fl. 2369DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.710 S1C3T2 Fl. 2.370 16 "A Univias emitiu o bônus, mas os recursos foram pagos diretamente aos sócios, sob a forma de um mútuo simulado, cuja liquidação, através de resgate de ações, já estava previamente acordada. (...) A distorção na utilização da figura do bônus fica evidente também diante da redução de capital que já estava previamente definida no acordo de investimentos". Em síntese, nos dizeres do próprio Fisco, "tratase, portanto, de uma sequência de atos simulados, envolvendo a distorção da figura do bônus de subscrição (instrumento que deveria estar associado a uma verdadeira capitalização), seguida da utilização indevida de equivalência patrimonial e de mútuo fictício, tudo previamente descrito em pseudo acordo de investimentos". [...] A fiscalização desconsidera que os atos listados no Acordo de Investimentos foram realmente praticados e que as empresas envolvidas submeteramse aos efeitos destes atos (inclusive fiscais), com efetiva vivência das operações praticadas e a assunção dos riscos e efeitos típicos destes negócios. Nessa linha de raciocínio, cabe ressaltar que: Todos os atos societários e contratuais mencionados no Acordo foram efetivamente executados e arquivados perante as Juntas Comerciais competentes; O bônus de subscrição, que é um instrumento previsto na legislação societária para captação de recursos por companhias, foi efetivamente emitido e o preço pela sua emissão e exercício foi devidamente pago pela Robina. A operação apresentava riscos inerentes e usuais ao tipo de negócio executado a admissão de um novo investidor. Por exemplo, antes do fechamento da operação, foi rescindido o Contrato de Empreitada entre as concessionárias e o Consórcio Construtor Sul, por exigência da nova investidora (primeiro pré fechamento). Isso comprova que os controladores da Univias inclusive a Recorrente estavam dispostos a correr o risco de rescindir um contrato em vigor, por exigência da investidora, com o objetivo de dar seguimento à operação o que demonstra a efetiva vivência das operações praticadas. Logo, não se verifica, no caso em tela, os elementos que caracterizam a simulação prevista no art. 167 do Código Civil. De acordo com essa norma, haverá simulação nos negócios jurídicos quando (i) aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; (ii) contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira ou (iii) os instrumentos particulares forem antedatados ou pósdatados. Nenhuma dessas hipóteses foi verificada na operação analisada como um todo, tampouco no que diz respeito ao mútuo concedido aos sócios, pois estes, diferentemente do que dispõe a norma do citado art. 167, foram de fato quem receberam o valor do empréstimo, na data em que registrado, e diante de uma necessidade momentânea, já que haviam investido muito naquela empresa, e, posteriormente, o quitaram quando de suas retiradas da sociedade. O que nos leva à única conclusão plausível: de que a alegação de simulação que fundamenta a autuação não merece prosperar. [...] Não tendo sido a operação de captação de recursos simulada, improcedente é o argumento da fiscalização no sentido de que o investimento da Pedrasul na Univias deveria estar avaliado pelo custo de aquisição, ao mencionar que "a Pedrasul em momento algum deteve 10% ou mais do capital da Univias, ainda que considerada sua participação indireta através da CP" [...]. Fl. 2370DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.710 S1C3T2 Fl. 2.371 17 Vale mencionar que, ao contrário do que alega a fiscalização, a Recorrente respondeu, em 07/12/2011, [...] o questionamento acerca da utilização do Método de Equivalência Patrimonial para registro do investimento na Univias, nos seguintes termos: "na época, a Construtora Sultepa S/A, companhia aberta, era proprietária de ações da Pedrasul Construtora S/A representativas de mais de 99% do seu capital social. As companhias, portanto, detinham, direta e indiretamente, mais de 30% do capital social da Univias Participações S/A, o que justifica a avaliação do investimento pelo método de equivalência patrimonial." Logo, resta inequívoca a obrigatoriedade de registro do investimento, pela Recorrente, das ações que detinha na Univias, pelo método de equivalência patrimonial. A fiscalização desconsidera ainda a presença, no caso vertente, de todos os elementos [...] que indicam a validade das operações que geram economia fiscal, quais sejam: (a) o adequado intervalo temporal entre as operações realizadas; (b) a independência das partes envolvidas na operação; (c) a existência de várias condições suspensivas que pendiam para ingresso do novo sócio, o que demonstra que a operação não se qualificava como alienação de investimento, mas sim de verdadeira captação de recursos condicionada ao cumprimento de certos requisitos para admissão do novo investidor. [...] Propósito Negocial [...] Ocorre que, no caso em tela, havia motivação extratributária para realização da operação. Dado o contexto político e econômico da época, relacionado à exploração de concessões rodoviárias no Brasil e no Estado do Rio Grande do Sul, era necessário o ingresso de novo investidor para exploração do Consórcio Univias, que aportasse os recursos necessários para a continuidade da execução dos projetos, bem como compartilhasse os riscos atrelados ao empreendimento. [...] Contexto Histórico e Político Relacionado à Exploração de Concessões no Brasil e Rio Grande do Sul [...] Com a promulgação da Lei nº 9.277, em maio de 1996 [...], criouse a possibilidade de Estados, Municípios e Distrito Federal solicitarem a delegação de trechos de rodovias federais para incluílos em seus Programas de Concessão de Rodovias, mediante a celebração de Convênios com a União. [...] O modelo gaúcho baseouse na licitação de polos, que consistiam em pontos centrais para os quais convergiam pelo menos três rodovias com cobrança de pedágio, consolidando um subsidio cruzado, em que as rodovias com menor volume de tráfego eram mantidas, também, por aquelas que apresentam volumes maiores. A tarifa foi determinada pelo poder público, e o vencedor da licitação foi quem ofereceu a maior rede de rodovias a ser atendida no polo. Assim, conforme mencionado anteriormente, em 1998 foram licitados 08 (oito) polos pelo Estado do Rio Grande do Sul, cabendo a Convias, Sulvias e Metrovias aqueles listados a seguir: Concessionária Polo Duração do Contrato Convias Caxias do Sul 15 anos Sulvias Lajeado 15 anos Metrovias Metropolitano 15 anos [...] Fl. 2371DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.710 S1C3T2 Fl. 2.372 18 [Esclarece que] parte das rodovias eram federais e tiveram sua administração delegada ao Estado do Rio Grande do Sul em decorrência de convênio firmado com a União, que poderia ser denunciado a qualquer tempo. No ano de 2004 foi constituída a CP Construções e Participações Ltda. (doravante "CP") pela Recorrente, BGPAR S/A e Construtora Sultepa, com vistas a atuar em um importante projeto licitado em 1997, relacionado à exploração do Complexo Rodoviário Metropolitano vencido pelo Consórcio Metropolo (composto pela CCR Companhia de Concessões e Rodovias e as empresas gaúchas Brasília Guaíba, Sultepa e Toniolo Busnello), mas que, devido a problemas judiciais entre os participantes da licitação, teve retardada a sua homologação, adjudicação e o início da execução dos contratos. [...] Assim, em setembro de 2006, ocorreu a formalização do Acordo de Investimentos, que previa o ingresso da Robina como investidora e a emissão de bônus de subscrição como forma de captação dos recursos necessários para continuidade dos contratos de concessão. [...] Em 2007, a 2ª etapa do referido Programa Federal de Concessões foi lançado, [...] e a OHL – Grupo Espanhol ganhou 05 dos 09 lotes disputados [...]. Isso mudou totalmente a estrutura de capitais para realização desses negócios. [...] O Grupo Univias perdeu escala [...] tornando inviável a sua participação em outras concorrências [...]. Isso resultou no desinteresse pelo negócio de concessões, culminando na saída da CP e da própria Recorrente do Consórcio Univias. Lapso Temporal Razoável entre as Operações Realizadas O elemento temporal costuma definirse, na prática, como uma das circunstâncias que confirmam o propósito negociai de uma transação. [...] A reestruturação societária empreendida tinha verdadeiro cunho de reorganização empresarial, com o objetivo de captação de recursos no mercado, que dependiam da aprovação de terceiros. Nesse contexto, percebese que a realização completa da operação levou quase um ano, o que demonstra que os atos praticados não eram meros atos formais, desprovidos de qualquer substrato econômico ou motivação negocial. Assim, a existência de lapso temporal razoável entre as operações realizadas denota a substância econômica dos atos executados, que não se realizaram meramente sob o aspecto formal. Tratase, por conseguinte, de elemento que indica a validade da reestruturação executada como um instrumento legítimo para os fins almejados (captação de novo investidor para a exploração do Consórcio Univias). Independência das Partes Envolvidas na Operação A independência das partes, como requisito que indica a validade das operações que resultam em economia fiscal, está relacionada à investigação das operações ditas "em casa": que não geram quaisquer efeitos econômicos perante terceiros e têm por único objetivo gerar algum benefício fiscal. No caso em tela, resta inequívoco que, não apenas as partes que.subscreveram o Acordo de Investimentos eram independentes, como também as entidades pertencentes à Administração Pública [...]. Assim, a independência das partes envolvidas na operação denota a substância econômica dos atos executados, que não se realizaram meramente sob o aspecto Fl. 2372DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.710 S1C3T2 Fl. 2.373 19 formal. Mais um elemento a qualificar a reestruturação executada como um instrumento legitimo para os fins almejados (captação de novo investidor para a exploração do Consórcio Univias). Condições Suspensivas para Realização da Operação Conforme se depreende da análise do Acordo de Investimentos, a operação foi dividida em três etapas, denominadas: "primeiro préfechamento", "segundo pré fechamento" e "fechamento". Em cada uma dessas etapas, existiam condições suspensivas que pendiam para ingresso do novo sócio, relacionadas pela própria fiscalização [...]. Tudo isso demonstra que a operação não pode ser qualificada como alienação de investimento, como pretendem as autoridades fazendárias. Observe que, na linha de raciocínio desenvolvida pela fiscalização, a subscrição da totalidade do bônus pela Robina, parte em moeda corrente (R$17.182.189,61), parte em nota promissória (R$99.656.699,74), corresponderia, na verdade, à aquisição de participação societária e pagamento do preço, o que vai de encontro à possibilidade de rescisão do Acordo [...]. Assim, a existência de condições suspensivas para realização da operação e previsão de rescisão contratual,caso não observadas as condições precedentes, revela a verdadeira natureza jurídica do Acordo de Investimentos: um instrumento que permitia, mediante o cumprimento de certos requisitos, o ingresso de novo investidor para exploração do Consórcio Univias, que aportasse os recursos necessários para a continuidade da execução dos projetos, bem como compartilhasse os riscos atrelados ao empreendimento. Inexistência de Fraude e Conluio na Operação: Impossibilidade de Qualificação da Multa [...] A essência comum à fraude, sonegação e conluio, que ensejam a aplicação de multa qualificada,é a tentativa dolosa de ocultar o fato gerador ou seus elementos, de enganar o Fisco. [...] Podese dizer que quando o contribuinte praticar negócio licito e feito às claras poderá ser aplicada multa qualificada prevista no parágrafo primeiro do art. 44 da Lei 9.430/96, que é reservada às situações em que o sujeito passivo, mediante a prática de fraude ou sonegação, condutas ilícitas, busca ocultar do Fisco a ocorrência do fato gerador ou de algum de seus elementos, de modo a impedir que a Administração Tributária tome conhecimento dos mesmos. Diante de todos os argumentos aduzidos acima, ao contrário do que alega a fiscalização, não há como se cogitar de fraude na operação: A uma, pois, de fato, todas as operações das quais a Recorrente tomou parte eram licitas e foram devidamente escrituradas nos documentos, livros e declarações fiscais obrigatórios. Logo, não houve qualquer intenção dolosa da Recorrente em ocultar os efeitos fiscais decorrentes das operações executadas, uma vez que tais efeitos foram reconhecidos em sua contabilidade e reportados ao Fisco nas Declarações pertinentes; A duas, pois além de terem sido devidamente contabilizadas e reportadas nas Declarações Fiscais, o Acordo de Investimentos foi divulgado em Comunicado ao Mercado pela Construtora Sultepa S/A (companhia de capital aberto), em 28 de setembro de 2006, por exigência regulamentar da CVM. Tal Comunicado, além de Fl. 2373DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.710 S1C3T2 Fl. 2.374 20 ter sido publicado em jornais de grande circulação à época, encontrase disponível no site da BOVESPA [...]. A três, pois, além de ter se tornado público através do Comunicado ao Mercado feito pela Sultepa, o Acordo de Investimentos encontravase registrado no CADE, bastando um simples requerimento por parte da fiscalização para disponibilização desse documento por aquele órgão. A quatro, pois, ao contrário do que entende o Fisco, o Acordo de Investimentos supostamente "sonegado" revela verdadeiramente que o objetivo da operação consistia em receber um novo "investidor" (como foi denominada a Robina no Acordo) e não alienar as ações. Isso se comprova (i) pela existência de diversas condições suspensivas que pendiam para ingresso do novo sócio, o que demonstra que a operação não se qualificava como alienação de investimento, mas sim de verdadeira captação de recursos condicionada ao cumprimento de certos requisitos para admissão do novo investidor, conforme demonstrado anteriormente; (ii) pela participação de entidades da Administração Pública, tais como o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Departamento Autônomo de Estradas e Rodagens do Rio Grande do Sul (DAER/RS), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (AGERGS) , que deveriam concordar com a admissão do novo investidor, sob pena do desfazimento do negócio o que, por si só, já serviria como indício de legitimidade da operação. Assim, o Acordo de Investimentos não expõe a simulação como quer fazer crer o Fisco, mas corrobora que a reestruturação societária engendrada para admissão do novo sócio era legitima e válida; A cinco, pois, embora o Acordo de Investimentos não tenha sido localizado pela Recorrente, todos os documentos societários e contratuais nele mencionados, solicitados pela fiscalização, foram devidamente apresentados o que afasta qualquer insinuação da fiscalização no sentido de que houve a tentativa de ocultação dos fatos por parte da Recorrente. Ademais, vale lembrar que o Acordo de Investimentos não é um documento de guarda obrigatória por parte das suas signatárias, ao contrário dos documentos societários e contratuais que dão forma aos atos nele descritos os quais servem como base para os lançamentos contábeis e reportes nas Declarações fiscais pertinentes, e que foram devidamente apresentados à fiscalização. Nessa linha de raciocínio, não se pode perder de vista que a obrigatoriedade de prestar informações à fiscalização se limita à apresentação dos livros fiscais e documentos previstos em normas legais o que impede o Fisco de aplicar qualquer sanção ao contribuinte por não ter prestado as informações que lhe foram requeridas e que extrapolaram a legalidade. Em última análise, os pedidos de esclarecimentos que extrapolam a legalidade, exigindo informações e documentos que não aqueles exigidos por lei, são claras tentativas de inverter o ônus da prova no processo administrativo fiscal o que é repudiado [...]. A seis, pois não houve qualquer prejuízo à fiscalização, uma vez que a mesma teve acesso ao Acordo de Investimentos através da Metrovias, conforme mencionado em seu próprio Relatório Fiscal, [...]. Por fim, não há como se cogitar de conluio na operação, para execução da fraude alegada pela fiscalização. Essa é a única conclusão possível para o caso em tela, tendo em vista que a outra parte signatária do Acordo de Investimentos Metrovias (na qualidade de sucessora da Robina), também estava sujeita à ação fiscal, tendo sido a fiscalização encerrada sem o questionamento de qualquer aspecto Fl. 2374DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.710 S1C3T2 Fl. 2.375 21 atinente à legitimidade da operação (que, ressaltese, é a mesma, para ambas as partes) [...]. Assim, não há como se entender que uma mesma operação é válida e legítima para uma parte (no caso, a Metrovias, na qualidade de sucessora da Robina e Univias), mas inválida e fraudulenta, celebrada em conluio para a outra parte (no caso, a Recorrente). A acolhida dessa alegação representaria violação frontal ao princípio da confiança legítima que rege as relações entre Fisco e contribuinte, por frustrar a legítima expectativa da Recorrente de ver reconhecida a legitimidade da operação ora analisada, já reconhecida pelo Fisco em oportunidade anterior, ao encerrar a fiscalização da Metrovias sem questionar esse aspecto da operação. Conclusão Diante de tais considerações, temse que a autuação guerreada pautouse, única e exclusivamente, em um suposto abuso de direito, eis que toda a operação societária tida como "simulada" encontrase em absoluta conformidade com os ditames legais. Nesse aspecto, aduz o acórdão recorrido que "o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, há que haver uma conformação entre a existência do direito e o modo como se exerceu esse direito, sob pena de incorrerse em abuso de direito" (fl. 2155). E, exatamente sobre o mesmo tema, expôs com precisão esse E. Conselho administrativo: "Não há base no sistema jurídico brasileiro para o Fisco afastar a incidência legal, sob a alegação de entender estar havendo abuso de direito. O conceito de abuso de direito é louvável e aplicado pela Justiça para solução de alguns litígios. Não existe previsão do Fisco utilizar tal conceito para efetuar lançamentos de oficio, ao menos até os dias atuais. O lançamento é vinculado à lei, que não pode ser afastada sob alegações subjetivas de abuso de direito. A recorrente apresenta sua interpretação da legislação pertinente, indica princípios constitucionais que teriam sido violados e colaciona doutrina e jurisprudência em favor de seu entendimento. E conclui como segue: Por todo o exposto, [...] requer a Recorrente: (i) [...]; ii) seja integralmente acolhido e provido o presente Recurso Voluntário, para que o lançamento em questão seja definitivamente cancelado em razão da sua evidente improcedência, com o consequente arquivamento do feito; (iii) ou, caso assim não entenda esse E. CARF, ao menos, seja excluída da autuação a multa qualificada no patamar de 150% (cento e cinquenta por cento), em razão de a Recorrente não ter concorrido em qualquer das hipóteses para sua imposição. Caso ainda remanesçam dúvidas acerca do direito evidenciado nos autos pela Recorrente, requer a conversão do julgamento em diligência para produção da competente prova pericial. Fl. 2375DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.710 S1C3T2 Fl. 2.376 22 O processo foi, inicialmente, submetido à apreciação da Terceira Turma Especial desta Primeira Seção de Julgamento do CARF, em 30/07/2014. Por maioria de votos, aquele Colegiado decidiu declinar da competência de julgamento do recurso voluntário em favor desta Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF. O acórdão nº 1803002.262 (fls. 2301/2352) restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 DISTRIBUIÇÃO DE PROCESSOS. PROCESSOS CONEXOS. De conformidade com os arts. 47 e 49, § 7º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos, devendo os processos conexos, decorrentes ou reflexos ser distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso voluntário é tempestivo e dele conheço. Os aspectos fáticos já foram clara e minuciosamente expostos no relatório, pelo que se torna desnecessário buscar aqui rememorálos. Além disso, tanto as questões fáticas quanto as questões de direito já foram examinadas e debatidas em profundidade por este Colegiado, com a mesma composição, por ocasião do julgamento das autuações da BGPAR S/A (processo nº 11080.731774/201111, acórdão nº 1302001.331, de 11/03/2014) e da CP CONSTRUÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA (processo nº 11080.730002/201161, acórdão nº 1302001.330, de 11/03/2014). Peço vênia para transcrever, a seguir, meu voto proferido no processo da BGPAR, o qual, afinal, refletiu a posição predominante no Colegiado, ainda que por voto de qualidade, naquela ocasião: Ao analisar as operações como um todo, o Colegiado concluiu estar diante de situação que a doutrina e outros julgamentos deste CARF têm denominado “casa separa”. Tal é o contexto, quando o possuidor de determinado ativo (no caso concreto, participações societárias) resolve dele se desfazer. No entanto, em vez de alienálo em simples operação de compra e venda, com a apuração de ganho de capital, engendra complexas alterações societárias com entrada de novo sócio com Fl. 2376DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.710 S1C3T2 Fl. 2.377 23 recursos financeiros e posterior retirada de sócio, de tal forma que o resultado final é que o “novo sócio”, que havia ingressado na sociedade com recursos financeiros, nela permanece com o ativo (objeto da alienação) e o “antigo sócio”, até então dono do ativo, se retira da sociedade com recursos financeiros. O ativo muda de mãos, também os recursos financeiros, tal e qual se daria em operação de compra e venda, mas aqui sem a apuração de ganho de capital. O apelido “casasepara” vem da constatação de que nunca houve qualquer intenção de constituir uma sociedade, sendo certo que os “sócios” já sabiam de antemão que nunca haveriam de explorar um negócio de forma conjunta e que à entrada de um sucederia inevitavelmente a saída do outro. No caso sob análise, o Acordo de Investimentos e Outros Pactos (fls. 492/536) evidencia exatamente isso. A intenção de admitir um novo sócio ou investidor (supostamente a Robina) nunca esteve presente, e a intenção desde o início era alienar a participação societária que os envolvidos detinham junto às concessionárias. O acórdão recorrido bem enfatizou aspectos do negócio que evidenciam seus efeitos financeiros, com a imediata transferência dos recursos aportados pela Robina aos alienantes, confirase o seguinte excerto (fls. 2099): Esse aspecto fica mais claro quando se verifica que na mesma assembléia em que se aprovou a emissão de bônus de subscrição também houve a renúncia do direito de subscrição pelos acionistas e a aprovação da subscrição do bônus pela Robina. E, também, quando se verifica que os valores recebidos pela Univias, referentes à subscrição do bônus, foram repassados imediatamente aos sócios CP, BGPAR, Castilho e Pedrasul, por conta de mútuo, que posteriormente foi quitado mediante resgate de ações, com lançamento contábil à débito de mútuo e à crédito de investimentos. Outro aspecto de profunda relevância a demonstrar que nunca houve, de fato, um “novo investidor” é a constatação de que, quando a Robina subscreveu as ações, já havia ocorrido redução de ações na Univias, de tal forma que o número de ações ficou quase inaterado (100 milhões contra 103 milhões, vide descrição detalhada às fls. 1610/1611). Alega a recorrente que, ao contrário de outras situações caracterizadas como “casasepara”, neste caso teria havido o transcurso de um lapso temporal significativo, superior a um ano. No entanto, tal lapso temporal, aqui, se torna irrelevante, visto que todos os passos estavam previamente pactuados entre as partes, até mesmo quanto a valores. Também deve ser refutada a afirmação de que não seria possível a alienação direta, mediante compra e venda, pela necessidade de autorização expressa dos órgãos concedentes. É verdade que tal autorização era indispensável para a alienação das participações societárias, mas não é menos verdade que também o foi dentro da complexa operação engendrada pelas alienantes, aqui discutida. Confirase, por exemplo, no Acordo de Investimentos e Outros Pactos (fls. 492/536), os itens 5.2 (b); 5.2.1 (f); e 5.3 (b). Acrescentese a essa observação que a hipotética ausência das indispensáveis autorizações dos órgãos reguladores seria a única situação capaz de desobrigar os pactuantes e levar à rescisão do contrato (item 5.2.2). De outra sorte, os pactuantes estavam irevogavel e irretratavelmente obrigados (item 5.1) a prosseguir nas etapas contratadas. Resta, pois, demonstrada que a autorização dos órgãos reguladores seria indispensável, como o foi, qualquer que fosse a forma negocial adotada. Assim, Fl. 2377DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.710 S1C3T2 Fl. 2.378 24 afastada qualquer motivação extrafiscal, remanesce tão somente a motivação de redução ou supressão dos tributos devidos na alienação da participação societária. Cumpre, ainda, ressaltar que, em se tratando de operações deste tipo, não é necessária a caracterização de negócios feitos entre partes vinculadas. Ao contrário, é até comum que as partes (alienante e adquirente do ativo objeto do negócio) não possuam qualquer vínculo. Essa ausência de vínculo no caso concreto, aliás, é que tornou necessário que a minuciosa seqüência de operações, cada uma ligada à anterior, fosse objeto de contrato escrito (o já mencionado Acordo de Investimentos e Outros Pactos). Fica evidenciado, por todo o exposto, que a complexa operação societária nunca pretendeu admitir novo sócio ou investidor, mas tão somente fazer com que as participações societárias mudassem de dono. Há portanto, o descasamento entre a vontade aparente, aquela manifestada nos atos formais e exteriores, e a vontade real, aquela que exsurge da comparação entre a situação inicial e a final obtida. Toda a seqüência de atos praticados entre uma e outra nada mais são do que simulação, com o intuito de ocultar a ocorrência do fato gerador tributário. Especificamente no que tange à presente autuação, em que se exigem os tributos incidentes sobre o ganho de capital, de se observar que a verdadeira intenção da BGPAR sempre foi alienar para a Robina sua participação direta na Univias e, por consequência, sua participação indireta nas concessionárias. Patente o descompasso entre o revestimento formal concedido aos atos e a verdadeira operação praticada. O custo de aquisição foi artificialmente majorado, em face das operações simuladas, com o que o ganho de capital foi também indevidamente reduzido. Ressalto, ainda, que não houve questionamentos da recorrente quanto a aspectos outros da apuração do ganho de capital além da acusação de majoração indevida do custo de aquisição. Em assim sendo, a exigência deve ser mantida. No que toca à multa qualificada (150%) aplicada ao lançamento, seu fundamento foram os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, verbis: Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; [...] Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Por certo que os atos simulados aqui descritos, praticados seqüencial e conscientemente pela contribuinte (em conluio com as demais pessoas jurídicas envolvidas, subscritoras do Acordo de Investimentos), em cumprimento de pacto Fl. 2378DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.710 S1C3T2 Fl. 2.379 25 previamente firmado, demonstra a ação firme, consciente, abusiva e sistemática no sentido de ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador tributário, na exata dicção dos dispositivos legais acima transcritos. A multa qualificada deve, então, ser mantida. A situação é rigorosamente a mesma. No presente caso, a exigência é do ganho de capital, apurado pela Pedrasul na alienação de participação societária detida diretamente na Univias, cujo custo de aquisição foi indevidamente “inflado” pelos atos simulados descritos. Também aqui, e pelos mesmos fundamentos, é de se manter a autuação, inclusive a multa qualificada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 2379DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16327.004109/2002-43
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1997, 1998
IRPJ e CSLL APURADOS PELO REGIME DO LUCRO REAL ANUAL. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO-CALENDÁRIO, DECADÊNCIA DO DIREITO DO LANÇAMENTO SUPLEMENTAR OU DA REPETIÇÃO.
Os recolhimentos mensais do IRPJ e CSLL calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do imposto apurado com o balanço patrimonial levantado no final do ano-calendário, mas sim meras antecipações. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual e no qual o real valor do tributo se exterioriza, marco esse em que se inicia a contagem do prazo decadencial para o fisco exercer seu direito de constituir crédito tributário suplementar ou para o contribuinte exercer seu direito de repetição de valor eventualmente antecipado a maior que o devido, o denominado saldo negativo. Lançamento efetuado em 21/11/2002, afeto ao ano-calendário de 1997, não atrai o fenômeno decadencial,
LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL. JUROS DE MORA.
O depósito efetuado à ordem do Juízo suspende a exigibilidade do crédito tributário, mas não representa óbice à sua constituição, mediante lançamento de ofício, como meio de prevenir à decadência, dele se excluindo, contudo, os juros de mora, salvo o acréscimo condizente ao período que medeia entre a data do vencimento da obrigação tributária e a data em que efetuado.
Numero da decisão: 1102-000.258
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, DAR parcial provimento do recurso para decotar do enunciado de exigência de juros de mota a parcela condizente ao período de 30/04/2002 (data do depósito) até 30/10/2002 (data da confecção do auto de infração), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1997, 1998 IRPJ e CSLL APURADOS PELO REGIME DO LUCRO REAL ANUAL. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO-CALENDÁRIO, DECADÊNCIA DO DIREITO DO LANÇAMENTO SUPLEMENTAR OU DA REPETIÇÃO. Os recolhimentos mensais do IRPJ e CSLL calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do imposto apurado com o balanço patrimonial levantado no final do ano-calendário, mas sim meras antecipações. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual e no qual o real valor do tributo se exterioriza, marco esse em que se inicia a contagem do prazo decadencial para o fisco exercer seu direito de constituir crédito tributário suplementar ou para o contribuinte exercer seu direito de repetição de valor eventualmente antecipado a maior que o devido, o denominado saldo negativo. Lançamento efetuado em 21/11/2002, afeto ao ano-calendário de 1997, não atrai o fenômeno decadencial, LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL. JUROS DE MORA. O depósito efetuado à ordem do Juízo suspende a exigibilidade do crédito tributário, mas não representa óbice à sua constituição, mediante lançamento de ofício, como meio de prevenir à decadência, dele se excluindo, contudo, os juros de mora, salvo o acréscimo condizente ao período que medeia entre a data do vencimento da obrigação tributária e a data em que efetuado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-22T13:59:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-22T13:59:27Z; Last-Modified: 2010-09-22T13:59:27Z; dcterms:modified: 2010-09-22T13:59:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:d8911310-0c1c-4a56-8368-829c07593d94; Last-Save-Date: 2010-09-22T13:59:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-22T13:59:27Z; meta:save-date: 2010-09-22T13:59:27Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-22T13:59:27Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-22T13:59:27Z; created: 2010-09-22T13:59:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2010-09-22T13:59:27Z; pdf:charsPerPage: 1992; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-22T13:59:27Z | Conteúdo => SI-C112 El 314 .:. .,:::.::;:......:-. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 16327,004109/2002-43 Recurso n" 173,908 Voluntário Acórdão n" 1102-00.258 — 1" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 06 de julho de 2010 Matéria IRPJ e outro Recorrente Corumbal Corretora de Seguros Ltda. Recorrida 8" Turma de Julgamento da DR,J-I em São Paulo/SP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1997, 1998 IRPJ e CSLL APURADOS PELO REGIME DO LUCRO REAL ANUAL. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO- CALENDÁRIO, DECADÊNCIA DO DIREITO DO LANÇAMENTO SUPLEMENTAR OU DA REPETIÇÃO. Os recolhimentos mensais do IRPJ e CSLL calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do imposto apurado com o balanço patrimonial levantado no final do ano-calendário, mas sim meras antecipações. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual e no qual o real valor do tributo se exterioriza, marco esse em que se inicia a contagem do prazo decadencial para o fisco exercer seu direito de constituir crédito tributário suplementar ou para o contribuinte exercer seu direito de repetição de valor eventualmente antecipado a maior que o devido, o denominado saldo negativo. Lançamento efetuado em 21/11/2002, afeto ao ano-calendário de 1997, não atrai o fenômeno decadencial, LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA, DEPÓSITO JUDICIAL, JUROS DE MORA, O depósito efetuado à ordem do Juízo suspende a exigibilidade do crédito tributário, mas não representa óbice à sua constituição, mediante lançamento K \\,n, de oficio, como meio de prevenir à decadência, dele se excluindo, contudo, W. os juros de mora, salvo o acréscimo condizente ao período que medeia entre a data do vencimento da obrigação tributária e a data em que efetuado, "A , i Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, DAR parcial provimento do recurso para decotar do enunciado de exigência de juros de mota a parcela condizente ao período de 30/04/2002 (data do depósito) até 30/10/2002 (data da confecção do auto de infração), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. IVETV: - ':QU" IA'r. S-P—E-S-SOA MONTEIRO - Presidente( , i f4, utÁguiai JOSE'S: Gie GOMES — Relator ../\ EDITADO EM.' P1 SET 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente), João Otávio Opperman 'Thomé (Relator), Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes e Manoel Mota Fonseca (Suplente Convocado), 2 Processo n" 16.327 004109/20112-43 Acórdão n' 1102-00.258 El 315 Relatório Em foco recurso voluntário visando a reforma da decisão da 8" Turma de Julgamento da DRJ-I em São Paulo/SP que julgou procedente o lançamento efetuado em 21 de novembro de 2002 pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo/SP com vistas a exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRM), afeto aos anos- calendário de 1997 e 1998, acrescido juros moratórios calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SEL1C), A ação fiscal consistiu na adição ao lucro real dos valores dispendidos pela contribuinte por conta da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) desses anos- calendário, ao pressuposto de contrariedade ao disposto nos artigos I", parágrafo único, e 4" da Lei n" 9.316, de 22 de novembro de 1996, segundo o qual o valor da CSLL não poderá ser deduzido para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda (lucro real).. Foi apurada a existência da ação de Mandado de Segurança n" 98.0005827-3, distribuída em 05 de fevereiro de 1998 na 6" Vara Federal Civil da Seção Judiciária de São Paulo, a fim de salvaguarda-lhe o direito de deduzir, na formação da base de cálculo do imposto de renda e da própria contribuição social, a despesa relativa ao pagamento da contribuição, no período-base de 1997 e subseqüentes, com Medida liminar concedida e posteriormente cassada, do que resultou o aviamento da Medida Cautelar n" 1999.03.00.042570-3 em que se fez depósito judicial no valor de R$ L365,795,64, Diante desses fatos o auto de infração foi lavrado com exigibilidade suspensa e sem a exigência de multa de oficio, na forma do artigo 63 da Lei n" 9,430, de 27 de dezembro de 1996. Impugnando o lançamento a contribuinte apontou que a matéria impugnada não se identifica com aquela argüida judicialmente e, por conseguinte, deveria ser reconhecida. Assim, levantou preliminar de que o Fisco decaiu do direito- de lançar o tributo correspondente ao fato gerador ocorrido em 1997, vez que regido pelo regime de lançamento conhecido por homologação, em que o termo inicial da contagem do prazo de cinco anos se inicia na ocorrência do fato gerador, consoante artigo 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional (CTN), Afirmou, também, descaber a imputação de juros de mora em face do depósito judicial efetuado em 30/04/2002.. Aquele Colegiado (8" Turma de Julgamento) admitiu a impugnação e consignou entendimento que as matérias objeto da impugnação realmente são distintas daquelas levadas ao crivo do Poder Judiciário, motivo pelo qual passou a apreciá-las, embasado no item "b" do Ato Declaratório Normativo (ADN) n° 3/1996, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal,. Assim, rejeitou a preliminar de decadência consignando que não se aplica o \,rtigo 150 do CTN porque a exigência diz respeito a lançamento de oficio decorrente de 3 revisão interna da Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica , do ano calendário de 1997 (DIRPJ/98), que deve obedecer ao contido no artigo 173, inciso I, deste codex, isto é, o termo inicial de contagem cio prazo &cadencia] ocorre no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Além disso, ainda que prevalecesse o entendimento da impugnante também não teria ocorrido a decadência na medida em que o fato gerador ocorreu em 31/12/1997 e o lançamento se deu em 21/11/2002, antes, portanto, da data final. Em relação aos juros de mora registrou que o depósito judicial não configura pagamento e assim aplica-se a regra de incidência prevista no artigo 161 do CTN, mesmo porque o artigo 5" do Decreto-lei n" 1,736, de dezembro de 1979, ratifica o entendimento que os jures de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial.: Ciente do decisório em 24 de março de 2008 a contribuinte apresentou em 17 do mês seguinte o recurso de fis. 272/288 no qual reprisa a tese de ocorrência da decadência dos periodos de janeiro a outubro de 1997 em face do lançamento ter ocorrido em 21/11/2002, quando já ultrapassado o prazo de cinco anos contados dos respectivos fatos geradores (artigo 150, § 4", do CTN). Também manifesta discordância com a decisão recorrida no que toca aos juros de mora, argumentando que no momento da lavratura do auto de infração o próprio Fisco reconheceu que a exigibilidade estava suspensa em razão do depósito judicial, de forma que não restam motivos para que sobre o montante principal autuado incidam ditos acréscimos, consoante tem entendido o Conselho de Contribuintes em reiterados julgados, inclusive já existindo ao Enunciado n" 5 daquele Órgão, ',.. É o relatório, em apertada síntese, \ ! 1, 4 . 1 1 Processo o" 16327 004109/2002-43 SI-CM Acórdão o " 1102-00.258 R 316 Voto Conselheiro JOSÉ SÉRGIO GOMES Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintidio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. A regra de apuração do IRPJ com base no lucro real se dá nos trimestres civis do ano calendário, mediante o levantamento de balanços patrimoniais e elaboração de demonstrativos de resultados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro, consoante dispõe o artigo 220 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR, aprovado pelo Decreto n" 3.000, de 26 de março de 1999 A apuração anual é uma alternativa dada pelos artigos 222 e 22.3 do RIR/99 que, para o seu exercício, requer pagamentos mensais calculados sobre base de cálculo estimada, isto é, determinados mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, sendo certo que em determinados tipos de atividade econômica dito percentual poderá ser de um inteiro e seis décimos por cento; dezesseis por cento ou trinta e dois por cento. Com base na receita, então, estima-se o lucro, daí a denominação de pagamentos por estimativa. Exercida a opção, com o pagamento do imposto correspondente ao mês de .janeiro ou do início de atividade, a pessoa jurídica somente poderá suspender ou reduzir os recolhimentos devidos em cada mês se demonstrar, através de balanços e balancetes mensais, que o valor acumulado já recolhido excede o valor do imposto, inclusive o adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (RIR/99, art, 230). Acresça-se que a opção, uma vez exercida, é de caráter irretratável (RIR/99, art, 2.32). Apurado o imposto devido no ano-calendário, mediante o levantamento do balanço em .31 de dezembro, dele deduz-se, entre outros elementos, as antecipações efetuadas. Acaso a somatória dessas quantias ultrapassar aquele valor estará exteriorizada a figura do saldo de imposto a ser restituído ou compensado (RIR, art. 231), também chamado de saldo negativo de 'RN; inversamente, afigura-se o saldo de imposto a pagar. Significa, pois, que o termo inicial de contagem de decadência se dá na data em que se afeiçoa o fato gerador, qual seja, em .31 de dezembro cio ano-calendário, da mesma forma que, em se tratando de repetição ou compensação do saldo negativo de IRPJ, igualmente a data de inicio do prazo (também) decadencial para a restituição se conta dessa mesma data. No caso dos autos não há divergência quanto ao fato de que a contribuinte optou pela sistemática de apuração do lucro real anual, como bem mostra a DIRRI/98 de fls. 40 \ e seguintes, na qual também se exteriorizam os valores das estimativas em todos os meses do \ • ano-calendário de 1997, 5 A tese trazida nas razões recursais no sentido de que os lançamentos relativos às operações compreendidas entre os meses de janeiro de 1997 a outubro de 1997 foram tacitamente homologados nos meses de janeiro de 2002 a outubro de 2002 não tem subsistência, salvo para os períodos de apuração anteriores à lei n" 9,430, de 27 de dezembro de 1996. Assim, no caso presente, considerando que o fato gerador do IRPJ, na parte objeto do litígio, ocorreu em 31 de dezembro de 1997 e que o lançamento ultimou-se em 21 de dezembro de 2004, não há cogitar-se no fenômeno decadencial.. No que se refere à incidência de juros de mora em lançamento com exigibilidade suspensa, em face de depósito efetuado judicial ou extrajudicialmente, tenho pela improcedência da exigência. Com efeito, não pairando dúvidas quanto a suficiência do depósito, na data em que efetuado, o lançamento não poderia exteriorizar valores a título de juros de mora, salvo os referentes ao período que medeia entre a data do vencimento da obrigação tributária e a data em que efetivamente os valores foram colocados à conta e ordem da autoridade administrativa ou judicial. Em sendo um dos objetivos primeiros visados com a figura do depósito suspensivo da exigibilidade o forrar-se justamente da incidência de juros de mora, opção facultada ao sujeito passivo pelo artigo 4' do Decreto-lei n" 1.737, de 1979, falece fundamento à exigência. Neste sentido, inclusive, a Súmula n" 5 deste Conselho, a ver: Súmula CART' n°5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integrahnente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante. integral Contudo, no caso presente vê-se que o auto de infração de fi 07 enuncia juros de mora incidentes sobre o IRPJ dos anos-calendário de 1997 e 1998 calculados até a data de sua confecção, em 31/10/2002, enquanto o comprovante do depósito judicial à fl. 126 mostra que o numerário fora colocado à ordem do Juízo em 30/04/2002, Assim, deve ser mantido o enunciado de exigência de juros de mora no que toca à parcela concernente ao período decorrido entre I' de fevereiro de 1998 e 1999 (RIR/99, art., 858, § 2"), respectivamente, e a data de 30/04/2002, Com tais razões VOTO pela rejeição da preliminar de decadência e, no mérito, pelo parcial provimento do recurso para decotar do enunciado de exigência de juros de mora a parcela condizente ao período de 30/04/2002 (data do depósito) até 30/10/2002 (data da confecção do auto de inf ( JOSÉ S RGIO OMES 6 .• Processo rl" 16327 004109/2002-43 S1-C1T2 Açórdão n " i 102-00.258 El .317 1 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009, Brasília, É) I SEI 2010 d] JOSÉ, ANTONIO DA SILVA Chefe de Equipe da l a Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-ME Ciência Data: / / Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração; [ 1 . 7
score : 1.0
Numero do processo: 10510.001131/84-53
Data da sessão: Tue Oct 11 00:00:00 UTC 1988
Ementa: I.R.P.J. - ARBITRAMENTO DO LUCRO.
A escrituração contábil que apresente insuficiência,
incorreção ou erros não devida -
mente justificados e comprovados, como também
é feita por partidas mensais, sem a devida
individuação e clareza de seus lançamentos,
é passível de desclassificação e, em
consequência, a pessoa jurídica estará sujeita
a tributação com base no lucro arbitrado.
Numero da decisão: 103-08.675
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso
Nome do relator: Sebastião Rodrigues Cabral
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Recurso n.• 92.734 - IREU - EX: DE 1982 Recorrente ALMEIDA & CAETANO COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA Recorrld DRF em ARACAJC - SE I.R.P.J. - ARBITRAMENTO DO LUCRO. A escrituração contábil que apresente insu- ficiência, incorreção ou erros não devida - mente justificados e comprovados, como tam- bém é feita por partidas mensais, sem a de- vida individuação e clareza de seus lança- mentos, é passível de desclassificação e, em consequência, a pessoa jurídica estará su- jeita a tributação com base no lucro arbi- trado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ALMEIDA & CAETANO COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Con selho de Cont ibuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. ......4:11(das Sessões-DF., 11 de ubro de 1988. NIO D . SIL A CABRAL - P ENTEf $ RAS I412010,e - UES CABRAL - RELATOR VISTO EM Z C . '1 P A - PROCURADOR DA FAZENDANA SESSÃO DE: MA11989 CIONAL Participarám, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei ros: CARLOS AUGUSTO DE VILHENA, AMAURY JOSÉ DE AQUINO CARVALHO, La GIO RIBEIRO, D1CLER DE ASSUNÇÃO, FRANCISCO XAVIER DA SILVA GUINA= RAES e RICHARD ULRICH KREUTZER. SÍMIO PCMICO PEDERAL Processo n9 10510/001.131/84-53 Recurso n9 92,734 Acórdão n9 103-08.675 Recorrente: ALMEIDA & CAETANO COMERCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA. RELATÓRIO ALMEIDA & CAETANO COMERCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CGC-MF sob n9 15.585.730/0001-79, não se conformando com a decisão que lhe foi desfavorável, proferida pelo Delegado da Receita Federal em Ara cajti-SE, que apreciando sua impugnação tempestivamente apresen tada, manteve a exigência do crédito tributário formalizado atra vés do Auto de Infração de fls. 01, recorre a este Conselho na pretensão de reforma da mencionada decisão da autoridade julga- dora singular. Segundo nos dá conta a peça básica, a contribuin te teve seu lucro tributável no exercício de 1982, ano-base de 1981, arbitrado com fulcro nos artigos 399 e 400, ambosdb R.I.R. aprovado com o Decreto n9 85.450, de 1980, em razão das irregu- laridades constatadas, mais especificamente os "estornos e ajus tes" que tornaram "a escrituração imprestável ~determinação, com segurança, do Lucro Real...". Tempestivamente a autuada impugnou o lançamento tributário, dando causa à decisão da autoridade julgadora singu lar, conforme se constata às fls. 545/550. Dessa decisão foi interposto recurso a este Co- lando Conselho, o que proporcionou decisão através do Acórdão n9 103-07,347, de 14.4.86, assim ementado: "IRPJ - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APERFEI- ÇOAMENTO DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DECIM-gfrl- GULAR. As razões endereçadas a esta segunda Instância Administrativa devem ser apreciadas como impug- nação, quando a decisão proferida pela autorida de julgadora mohocrática, além de aperfeiçoar i:,- lançamento, al ra-lhe o fundamento legal." mmlimoraumnmma Processo n9 10510/001.131/84-53 2. Acórdão n9 103-08.675 Em seu novo ato decisório a autoridade a quo as- sim se fundamentou, verbis: "2.2 - Trata-se do exame, neste processo do arbi tramento do lucro da empresa supra, em virtude de os documentos apresentados como comprobató- rios de todos os lançamentos contábeis referen - tes aos meses de abril de dezembro de 1981 serem insuficientes para justificar e comprovar os di- versos ajustes e estornos contabilizados, bem co mo os registros contábeis serem feitos de forma global, em lançamentos por partida mensal única, sem apoio em assentamento pormenorizado em li- vros auxiliares, conforme explicitado pelo autuan_ te às fls. 541/543. 2.3 - Da análise de todo o processo e, especial- mente das alegações do contribuinte constantes do Recurso às fls. 553/559, ora transformado em impugnação, conclui-se que: a) as notas fiscais de n9s 075, 077, 078, 106, 107, 108 e 109, às fls. 119, 120, 121, 126, 127, 128 e 129, respectivamen te, que tratam das devoluções ocorridas no mês de abril de 1981, apresentadas em atendimento à Notificação datada de 23.05.84, demonstram flagrantes rasuras na data de emissão de modo a ajustâ -la à data de lançamento no livro registro de Saídas, às fls. 134, em infração no art. 167 do Decreto n9 85.450/80, fato que invalida tais documentos como pro- vas hábeis e idôneas dos lançamentosoon tábeis; b) as explicações fornecidas pelo autuado às fls. 135/138 e 595/600, no tocante aos ajustes e estornos registrados no livro "Diário", no mês de dezembro de 1981, são insuficientes para justificar tais fatos por não se referir ao docu- mento primário que deu causa ao lança- mento indevido, como pode ficar compro- vado pelos históricos no livro acima (exemplo: "valor contabilizado a maior que ora damos abaixo), e por estar des- providas de amparo em prova documental, em infração ao § 19 do art. 160 do De- creto n9 85.450/80; c) as partidas relativas ao movimento de caixa são, em sua maioria, efetuadas de forma global, obrigando a empresa a pos suir o respectivo livro auxiliar parao-s- registros individuados, o qual a impug- x57- nante nã possui, nem tampouco os docu SERVIÇO PODUCO FEDERAL Processo n9 10510/001.131/84-53 3. Acórdão n9 103-08.675 - mentos necessários a uma perfeita veri- ficação, o que constitui infração ao § 19 do art. 160 do Decreto n9 85.450/80; d) as folhas do "Diário n9 01" a que se re fere o contribuinte em sua impugnação (doc. às fls. 581/591, representa ape- nas uma fonte de coleta de dados insufi ciente para ilidir o exposto acima, as- sunto sobre o qual a Cãmara Superior de Recursos Fiscais assim já se pronunciou: Ac. CSRP 101-0.142/81 - "Procede a des- classificação de escrita que não obede- ce ao estabelecido na legislação comer- cial, em razão de: a) lançamentos serem feitos sem individuação e clareza, impos sibilitando a identificação dos devedo- res e credores e, consequentemente, de checar quem efetivamente pagou e quan- tos pagaram; b) a escrituração ser efe- tuada em partidas mensais sem a utiliza cão de livros auxiliares; c)... . A uti lização de alguns dos elementos constaR tes da contabilidade desqualificada, r; presentando, apenas, uma fonte de cole- ta de dados, não tem a virtude de res - taurar-lhe a eficácia que, em face da lei, nunca chegou a ter ou, se a teve, perdeu-a". . 2.4 - Não foi comprovado, também,a entrada de dinheiro em caixa através das devoluções e/ou produtos, dos lançamentos relacionados as fls. 542/543 e registrados no Diário (fls..35,40,44, 53, 60, 81, 85, 86, 96 e 98). 2.5 - Pelo exposto nos subitens 2.3 e 2.4 carac terizada está a infração ao art. 157 e seu § lci,, do Decreto n9 85.450/80, acarretando, com isso, a desclassificação da escrituração com o inevi- tável arbitramento do lucro para efeitos tribu- tãrios, com fulcro nos arts. 399, incisos I e IV e 400, ambos do Diploma Legal supra. 2.6 - Ademais, não foi questionado na presente autuação o fato de o contribuinte ter efetuado os ajustes e estornos necessários ã correção das contas, por ser prática elementar na contabili- dade, nem tampouco a escrituração foi acusada de indícios de fraude. O que se questionou foi a inobervãncia das leis comerciais e fiscais na escrituração: 19) ajustes e estornos indevida - mente historiados; 29) partidas relativas ao mo vimento de caixa efetuadas, na maioria, de for- ma globalizada, sem o assentamento pormenoriza- do e individuado em livro auxiliar e 39) mexi! ( tência de doeu entos hábeis e idóneos suficien- 5E~ POUCO PEDENAL Processo n9 10510/001.131/84-53 4. Acordão n9 103-08.675 tes para corroborar os registros efetuados no "Diário", questionamentos esses para os quais o contribuinte não apresentou resposta satisfa- tória e insofismável. 2.7 - A titulo de ilustração cabe cita os Acór- dãos 19 CC 101-73.862/82 e 103-4.423/82, que assim se reportam sobre a desclassificação da escrita: Ac. 19 CC 101-73.862/82 - "Registros con- tábeis feitos de forma global, em lança- mentos por partida mensal única, sem apoio em assentamentos pormenorizados em livros auxiliares devidamente autenticados, con- trariam, na determinação do lucro real, as disposições das leis comerciais e fis- cais e acarretam desprezo à escrituração, com o inevitável arbitramento do lucro pa ra efeitos tributários". Ac. 19 CC 103-4.423/82 - "A escrituração resumida do Diário, por partidas mensais, deve ser subsidiada por livros auxiliares para registro individuado. Nestes casos, os livros ditos auxiliares, por integra - rem ou subsidiarem o Diário, assumem a feição de livros obrigatórios e devem ser autenticados no registro próprio. A inob- servância desses requisitos autoriza o ar_ bitramento dos lucros". 3. - CONCLUSÃO 3.1 - CONSIDERANDO que o contribuinte procedeu a ajustes e estornos na escrituração sem o res- paldo em documentação hábil e idônea, cujo his- tórico não possibilita a identificação do docu- mento primário que deu causa ao lançamento inde_ vido; 3.2 - CONSIDERANDO que as partidas relativas ao movimento da conta caixa são efetuadas, na maio ria, de forma global, sem assentamento pormeno- rizado e individuado em livro auxiliar; 3.3 - CONSIDERANDO que não ficou comprovada a entrada de dinheiro em caixa decorrente das de- voluções registradas no Diário(lançamentos rela_ cionados às fls. 542/543); 3.4 - CONSIDERANDO que ficou caracterizada a in fração aos artigos 157, 160, § 19 e 167, todos do Decreto n9 85.450/80; 3.5 - CONSIDERANDO que a escrituração do contri buinte foi desclassificada e o lucro arbitrado com fulcro nos artigos 399, 1 e IV e 400, do Di i ploma Legal supra; SERVIÇO ~CO FEDERAL Processo n9 10510/001.131/84-53 5. Acórdão n9 103-08.675 3.6 - CONSIDERANDO a legislação aplicável ã épo ca do fato gerador, no tocante a apuração da ba_ se de cálculo; 3.7 - CONSIDERANDO o disposto no art. 19, §§ 19 e 29, e art. 41, ambos do Decreto-lein92.284/86." Cientificada dessa decisão em 15 de junho de 1988, no dia 15 do mês seguinte a empresa protocolizou sua peça recur sal de fls. 636 e 650, onde sustenta em resumo: a) em nenhum momento foram trazidos, pelos autuantes e pe- lo julgador a quo, elementos de convicção, suficientes para sustentação do lançamento tributário, por faltar segurança ao feito, vez que a fiscalização tomou por ba se apenas dois meses e não todo o período-base; b) a desclassificação da escrita é medida somente recomen- dada guando por todos os meios e esforços a fiscaliza - ção conclui ser impossível, impraticável mesmo, a apura ção do lucro real; c) apesar de usar de lançamentos por partida mensal, a au- tuada usou de individuação, clareza, ordem cronológica mês a mês e observando ainda as demais disposições le- gais, o que está provado nos autos; d) demais, foi utilizado o livro "Razão" em forma de fi- chas, como auxiliar ao "Diário", além de manter todos os demais livros auxiliares; e) o fato de haver ocorrido alguns borrões em Notas Pis- cais de devoluções de mercadorias, relativamente apenas ao mês de abril de 1981, não enseja o abandono da escri turação contábil; f) também não é motivo para desclassificação da escrita o fato de haver estornos e ajustes nos lançamentos do mês de dezembro de 1981, conforme entendeu a autoridade jul gadora singular;19 1 uffiNomemon" Processo n9 10510/001.131/84-53 6. Acórdão n9 103-08.675 g) não concorda com a assertiva feita pela autoridade re- corrida, no sentido de que os lançamentos são efetuados de forma global, além de não possuir os documentos ne- cessários a uma perfeita identificação, pois ocorre exa tamente o contrário, conforme provas acostadas aos pre- sentes autos; h) não deve ser motivo para desclassificação da escrita o contido na decisão a quo, relativamente a falta de com- provação do ingresso de recursos no "Caixa", pois efeti vamente ocorreram as devoluções escrituradas, houve . a emissão das notas fiscais correspondentes e, no final, foram tributados na forma da lei; i) o arbitramento deve ser usado nos casos de falta da es- crituração contábil, quando inocorrer a elaboração das demonstrações financeiras, ou quando a escrita contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável. É o relatório. VOTO Conselheiro SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, Relator. O recurso foi manifestado no prazo legal. Conhe- ço-o por tempestivo. Este Colegiado tem decidido, de forma reiterada, que é cabível o arbitramento dos lucros quando a escrituração mantida pela pessoa jurídica, contiver erros, vícios ou defi- ciências que a tornem imprestável ou inconfiável para fins de apuração do lucro real. A propósito, transcrevemos as ementas dos Arestos: "ESCRITURAÇÃO INCOMPLETA - A escrituração contá- bil é o meio material concreto de conferir-se o of esultado operacional da pessoa jurídica. Se es SERVIÇO ~CO FEDERAL Processo n9 10510/001.131/84-53 7. Acórdão n9 103-08.675 ta, quando se inicia a fiscalização, não a man- têm na forma da legislação de regência, seja por que não escriturou as operações mercantis efetua das no ano-base, seja porque a fez insuficiente- mente e, mesmo após haver-lhe sido concedido pra zo para atualizá-la, não consegue pó-la em or- dem, cabível se torna o arbitramento do lucro feito com base na receita bruta." Acórdão n9 101-73.982, de 1983. "PARTIDAS MENSAIS - INVENTÁRIO POR ESTIMATIVAS. Registros contábeis feitos de forma global, em lançamentos por partida mensal única, sem apoio em assentamentos pormenorizados em livros auxi- liares devidamente autenticados, e bem assim in- ventário de mercadorias tomado, em grosso, por estimativa, contrariam, na determinação do lucro real, as disposições das leis comerciais e fis- cais e acarretam desprezo a escrituração com o inevitável arbitramento do lucro para efeitos tri_ butários." Acórdão n9 101-73.862, de 1982. No caso sob exame, pode-se constatar que foram efetuados diversos lançamentos de ajustes e correções, envolven- do valores elevados, sem que restasse demonstrado, de forma ca- bal, a ocorrência dos erros que deram causa aos referidos ajus- tes. Também é certo que os lançamentos contábeis, em sua maio- ria, foram efetuados de forma englobada, sem a individuação e a clareza necessários ã identificação do ato ou fato que lhes deu causa. Outro fator que tem relevância na conclusão de que a escrituração contábil mantida pela recorrente não é confia vel, diz respeito as notas fiscais de devoluções, que apresentam visíveis rasuras, além de não ter sido comprovada a efetiva rea- lização das correspondentes operações. Em razão das /numeras falhas ou deficiências apre sentadas, entendo que a decisão recorrida, por seus doutos funda mentos, não merece reparos. Voto, pois, pelo não provimento do recurso. 41 Brasília-DF. te dloutubro de 1988. SEBASTIAO RI #1000'BRAL - RELA ORIlii MFCT. Page 1 _0099700.PDF Page 1 _0099900.PDF Page 1 _0100100.PDF Page 1 _0100300.PDF Page 1 _0100500.PDF Page 1 _0100700.PDF Page 1 _0100900.PDF Page 1
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Numero do processo: 12893.000071/2007-69
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS. O prazo prescricional para pedir a restituição começa a contar da data do pagamento. No caso de recolhimento a data é a da autenticação do DARF e no caso de compensação é a data do protocolo do pedido de compensação.
Omissão inexistente. Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3403-003.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinatura digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinatura digital)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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PRESSUPOSTOS. O prazo prescricional para pedir a restituição começa a contar da data do pagamento. No caso de recolhimento a data é a da autenticação do DARF e no caso de compensação é a data do protocolo do pedido de compensação. Omissão inexistente. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinatura digital) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinatura digital) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3403002.929, de 24 de abril de 2014 (fls. 206/209), por meio do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 3. 00 00 71 /2 00 7- 69 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 qual houve o provimento parcial do recurso voluntário do contribuinte, baseado no seguinte entendimento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2002 PIS/COFINS. REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS. APLICAÇÕES DAYTRADE. JUROS ATIVOS. VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA. DESCONTOS OBTIDOS. ALUGUEL. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. Não configuram receita da venda de bens e serviços, assim não se submetendo à incidência de PIS/Cofins, as receitas financeiras tais como ganhos com operações daytrade, juros ativos e variações monetárias ativas , além de descontos incondicionais obtidos e de receitas de aluguel, quando o objeto social não alcança a atividade locatícia. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO ICMS. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. Na apuração da base de cálculo da Cofins não se pode excluir o valor do ICMS pago pelo contribuinte, pois o valor constante da nota fiscal, pelo qual se realiza a operação de venda do produto, configura o faturamento sujeito ao PIS/Cofins, de modo que, ainda que o recolhimento do ICMS aconteça em momento concomitante à operação de venda, isto não altera o valor da operação de compra e venda. Precedentes deste Conselho e do Superior Tribunal de Justiça. A possibilidade de se excluir o ICMS da base de cálculo da Cofins pelo argumento de obediência ao conceito constitucional de faturamento, previsto no art. 195, II da Constituição, exigiria pronunciamento quanto à constitucionalidade das leis de regência, o que extrapola a competência do Conselho (Súmula CARF nº 2). Encontrase em andamento o julgamento do Recurso Extraordinário n° 240.785 e da ADC nº 18, não se podendo dizer que já exista decisão do Supremo Tribunal Federal quanto ao tema. Recurso parcialmente provido A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração (fl. 221), alegando o seguinte: Pelo exame do Acórdão 3403002.929, constatase a existência de omissão, pois a e. 3ª Turma Ordinária não se pronunciou sobre a prescrição do pedido de restituição feito pela contribuinte. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12893.000071/200769 Acórdão n.º 3403003.452 S3C4T3 Fl. 225 3 O contribuinte efetuou recolhimento a maior de Cofins em 30/04/2002, mas somente em 09/05/2007 protocolou o pedido de restituição. Convém destacar que o STF, no RE 566.621/RS, reconheceu a aplicação do prazo prescricional de dez anos somente para os pedidos de restituição ajuizados antes do início de vigência da LC nº 118/2005. Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para que seja reconhecido que o pedido foi realizado após de prazo prescricional de 5 anos. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator Os autos foram expedidos para a Procuradoria em 09/09/2014 (fl. 220) enquanto a interposição dos embargos apenas aconteceu por meio de petição assinada em 16/09/2014 (fl. 221). Caracterizase, assim, a intempestividade do recurso, motivo pelo qual não deve ser conhecido. Ademais, equivocase o embargante ao dizer que “o contribuinte efetuou recolhimento a maior de cofins em 30/04/2002”, visto que tal data assinala o momento da ocorrência do fato gerador da contribuição, e não o recolhimento! A data de vencimento era 15/05/2002 e o pagamento da contribuição aconteceu em 14/05/2002, por meio de compensação (fl. 4). Ou seja, o pagamento aconteceu em 14/05/2002, de maneira que não houve prescrição do presente pedido de restituição, protocolado em 09/05/2007. Por tais fundamentos, devem ser rejeitados os embargos. (assinatura digital) Ivan Allegretti Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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