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Numero do processo: 10670.001357/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 04/06/2007
Ementa: RECURSO INTEMPESTIVO.
O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado.
Numero da decisão: 2302-001.246
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
1.0 = *:*
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 04/06/2007 Ementa: RECURSO INTEMPESTIVO. O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado.
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score : 1.0
Numero do processo: 10840.000405/2005-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Período de apuração: 11/2004
Ementa: PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO.
CRÉDITO. PRESCRIÇÃO E
DECADÊNCIA. Não existe nenhum prazo decadencial ou prescricional em
curso a partir do momento da apropriação dos créditos no regime nãocumulativo
de PIS/Cofins. O prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN aplicase
exclusivamente aos procedimentos de lançamento por homologação, sendo
despropositado referirlhe
aos casos de ressarcimento e compensação. Nos
pedidos de compensação apenas corre o prazo de homologação tácita previsto
no art. 70 da Lei 9.430/96, que começa a contar da data da apresentação da
declaração de compensação.
PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO.
CRÉDITO. ART. 3º, II DA LEI
10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. PERTINÊNCIA COM AS
CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. USINA DE
AÇÚCAR E ÁLCOOL. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES PARA O
MAQUINÁRIO DE CORTE E TRANSPORTE. SERVIÇO DE
TRANSPORTE DE PESSOAS ENTRE A SEDE DA EMPRESA E O
LOCAL DO CORTE DA CANADEAÇÚCAR.
POSSIBILIDADE.
A análise do direito ao crédito deve atentar para as características específicas
da atividade produtiva do contribuinte.
Na atividade de usinagem de canadeaçúcar,
o transporte dos funcionários
até o local do corte da canadeaçúcar
é uma atividade integrante, porquanto
necessária, do processo produtivo.
Situação em que o transporte do funcionário não configura pagamento de um
benefício ao empregado, mas a contratação de um serviço que viabiliza a
produção, integrando o processo produtivo. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA
AGROINDÚSTRIA. ART. 8º DA LEI 10.925/2004. IMPOSSIBILIDADE
DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS.
Em razão do art. 8º, § 2º da Lei 10.925/2004, que se refere expressamente ao
art. 3º, § 4º da Lei 10.637/2002, o tratamento que deve ser dado ao crédito
presumido da agroindústria é o do regime aplicável ao crédito ordinário
relativo ao mercado interno – que apenas pode ser aproveitado para redução
da própria contribuição nos meses subseqüentes – e não o regime do crédito
correspondente à exportação – que pode ser objeto de restituição e
compensação. Legalidade da vedação contida no art. 8º, § 3º, II da IN
660/2006.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3403-001.270
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento
parcial ao recurso para afastar a glosa do “transporte de funcionários” e, em relação ao estoque,
para que sejam computados os bens correspondentes aos Adesivos, Corretivos, Cupinicida,
Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas Produtos,
não devendo computar no estoque o valor de
serviço de transporte de pessoas. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão
quanto aos estoques de insumos aplicados na produção agrícola e quanto ao transporte de mãodeobra.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 11/2004 Ementa: PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA. Não existe nenhum prazo decadencial ou prescricional em curso a partir do momento da apropriação dos créditos no regime nãocumulativo de PIS/Cofins. O prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN aplicase exclusivamente aos procedimentos de lançamento por homologação, sendo despropositado referirlhe aos casos de ressarcimento e compensação. Nos pedidos de compensação apenas corre o prazo de homologação tácita previsto no art. 70 da Lei 9.430/96, que começa a contar da data da apresentação da declaração de compensação. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. ART. 3º, II DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. USINA DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES PARA O MAQUINÁRIO DE CORTE E TRANSPORTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE DE PESSOAS ENTRE A SEDE DA EMPRESA E O LOCAL DO CORTE DA CANADEAÇÚCAR. POSSIBILIDADE. A análise do direito ao crédito deve atentar para as características específicas da atividade produtiva do contribuinte. Na atividade de usinagem de canadeaçúcar, o transporte dos funcionários até o local do corte da canadeaçúcar é uma atividade integrante, porquanto necessária, do processo produtivo. Situação em que o transporte do funcionário não configura pagamento de um benefício ao empregado, mas a contratação de um serviço que viabiliza a produção, integrando o processo produtivo. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. ART. 8º DA LEI 10.925/2004. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS. Em razão do art. 8º, § 2º da Lei 10.925/2004, que se refere expressamente ao art. 3º, § 4º da Lei 10.637/2002, o tratamento que deve ser dado ao crédito presumido da agroindústria é o do regime aplicável ao crédito ordinário relativo ao mercado interno – que apenas pode ser aproveitado para redução da própria contribuição nos meses subseqüentes – e não o regime do crédito correspondente à exportação – que pode ser objeto de restituição e compensação. Legalidade da vedação contida no art. 8º, § 3º, II da IN 660/2006. Recurso provido em parte.
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CRÉDITO. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA. Não existe nenhum prazo decadencial ou prescricional em curso a partir do momento da apropriação dos créditos no regime não cumulativo de PIS/Cofins. O prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN aplica se exclusivamente aos procedimentos de lançamento por homologação, sendo despropositado referirlhe aos casos de ressarcimento e compensação. Nos pedidos de compensação apenas corre o prazo de homologação tácita previsto no art. 70 da Lei 9.430/96, que começa a contar da data da apresentação da declaração de compensação. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. ART. 3º, II DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. USINA DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES PARA O MAQUINÁRIO DE CORTE E TRANSPORTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE DE PESSOAS ENTRE A SEDE DA EMPRESA E O LOCAL DO CORTE DA CANADEAÇÚCAR. POSSIBILIDADE. A análise do direito ao crédito deve atentar para as características específicas da atividade produtiva do contribuinte. Na atividade de usinagem de canadeaçúcar, o transporte dos funcionários até o local do corte da canadeaçúcar é uma atividade integrante, porquanto necessária, do processo produtivo. Situação em que o transporte do funcionário não configura pagamento de um benefício ao empregado, mas a contratação de um serviço que viabiliza a produção, integrando o processo produtivo. Fl. 145DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. ART. 8º DA LEI 10.925/2004. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS. Em razão do art. 8º, § 2º da Lei 10.925/2004, que se refere expressamente ao art. 3º, § 4º da Lei 10.637/2002, o tratamento que deve ser dado ao crédito presumido da agroindústria é o do regime aplicável ao crédito ordinário relativo ao mercado interno – que apenas pode ser aproveitado para redução da própria contribuição nos meses subseqüentes – e não o regime do crédito correspondente à exportação – que pode ser objeto de restituição e compensação. Legalidade da vedação contida no art. 8º, § 3º, II da IN 660/2006. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa do “transporte de funcionários” e, em relação ao estoque, para que sejam computados os bens correspondentes aos Adesivos, Corretivos, Cupinicida, Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas Produtos, não devendo computar no estoque o valor de serviço de transporte de pessoas. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão quanto aos estoques de insumos aplicados na produção agrícola e quanto ao transporte de mão deobra. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Raquel Motta Brandão Minatel e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausentes justificadamente os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de Declarações de Compensação protocoladas pelo contribuinte por meio das quais busca o aproveitamento de crédito de Cofins que teria sido gerado no período de apuração correspondente ao mês 11/2004, correspondente a receitas de exportação, na forma do art. 6º, § 1º da Lei nº 10.833/2003. A Fiscalização, depois da coleta de informações e documentos, apresentou Relatório da Ação Fiscal (fls. 42/51) sugerindo: (a) a glosa dos créditos que entende que não deveriam ser considerados como insumos: (a.1) relativos aos “combustíveis e lubrificantes utilizados no maquinário agrícola ligado ao corte e carregamento da cana de açúcar, assim como, nos caminhões que transportam a cana da lavoura até a unidade industrial da contribuinte para fabricação do açúcar e álcool” por entender que “não podem ser considerados "insumos", tendo em vista que não são utilizados no Fl. 146DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.000405/200522 Acórdão n.º 3403001.270 S3C4T3 Fl. 2 3 processo produtivo de açúcar e álcool da empresa e sim no maquinário agrícola ligado ao plantio, corte e carregamento da cana” (a.2) referentes à aquisição de serviços os quais se resumem ao valores pagos para o transporte de trabalhadores rurais envolvidos na atividade de plantação das mudas e corte de canadeaçúcar esmagada na unidade industrial da contribuinte; A Fiscalização também identificou, em benefício do contribuinte, que na determinação do percentual de repartição entre Mercado Interno e Mercado Externo havia sido adicionado ao Mercado Interno, de maneira equivocada, o valor da venda de álcool (que não deveria ser computado pelo fato de se submeter ao regime cumulativo), o que surtia o efeito de elevar indevidamente o percentual do Mercado Interno e, via de conseqüência, reduzir indevidamente o percentual do Mercado Externo. Ao final, contudo, a Fiscalização concluiu que o contribuinte tinha direito a um valor menor que o pleiteado. O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto/SP (fls. 53/54) apoiouse na conclusão da fiscalização, assim homologando apenas em parte as compensações, na medida dos créditos reconhecidos aos contribuinte. O entendimento do Despacho Decisório é resumido na seguinte ementa: COFINS Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Tributação nãocumulativa – Conceito de Insumos para fins de crédito da COFINS Não Cumulativa – Inciso II do art 3° e inciso II do §1° do art. 6° da Lei n°. 10.833/2003 §4° do art 8° da IN n° 404/2004 A pessoa jurídica pode descontar créditos determinados mediante a aplicação da alíquota de 7,6 % sobre os valores das aquisições efetuadas no mês de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. Entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, bem como, os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Entendese como insumos utilizados na prestação de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado, assim como, os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Fl. 147DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Somente podem ser considerados insumos, para fins de creditamento de COFINS, os bens e serviços intrinsecamente vinculados à fabricação ou produção de bens destinados à venda ou à prestação de serviços, ou seja, quando aplicados ou consumidos diretamente no processo, não podendo ser interpretados como todo e qualquer serviço que gere despesas, mas tãosomente os que efetivamente se relacionem com a atividadefim da empresa. Crédito Presumido de COFINS Agroindústria Inciso II do parágrafo 3° do art. 8° e inciso II do art 11 da IN n° 660/2006 O crédito presumido da agroindústria relativo à canadeaçúcar, adquirida de pessoas físicas e de pessoas jurídicas que exercem atividades agropecuárias só pode ser utilizado para abater os débitos da Cofins nãocumulativa, devendo ser somado aos créditos relativos ao mercado interno, pois não são passíveis de ressarcimento e compensação com outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, a partir de agosto de 2004, com o advento da Lei 10.925/2004. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 60/81) alegando o seguinte: 1) que teria ocorrido a decadência para o Fisco efetuar a glosa de crédito referente a novembro de 2004, mais de 5 anos antes da glosa, de modo que “o fisco constituiu crédito tributário utilizando fatos ocorridos no passado (a mais de 5 anos), mas com repercussão no presente” (fl. 64), o que encontraria fundamento legal no art. 150, § 4º do CTN; 2) que devem ser admitidos os créditos correspondentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no maquinário agrícola e aos pagamentos para o transporte de pessoas na lavoura de canadeaçúcar, pois “de acordo com o artigo 3º da Lei n° 10.833/03, que o direito ao crédito deve considerar todos os dispe ndios (custos e despesas) da pessoa jurídica com vistas à geração de sua receita tributável. Nesse contexto, temse que o transporte dos cortadores de cana caracterizase como uma despesa incorrida numa etapa da produção da Manifestante, haja vista que, obviamente, a atividade da empresa tem o corte da cana como um dos primeiros pressupostos, sendo certo também que sem transporte não há como os trabalhadores chegarem à lavoura onde se encontra a cana de açúcar” (fl. 73/74), ou seja, frisando que o transporte dos trabalhadores é essencial ao desenvolvimento do processo produtivo; 3) que tem direito à utilizar o crédito presumido da agroindústria (em relação à receita de exportação) para compensação com outros tributos, pois da mesma forma que o art. 8º da Lei nº 10.925/2004, ao conceder o crédito presumido, referiase aos bens do inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, o art. 6º da Lei nº 10.833/2003 assegura o direito de compensação em relação ao crédito apurado na forma do art. 3º, na proporção correspondente à exportação de mercadorias. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ), por meio do Acórdão nº 1432.841, de 14 de março de 2011 (fls. 94/101) manteve integralmente a decisão da DRF, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2004 Fl. 148DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.000405/200522 Acórdão n.º 3403001.270 S3C4T3 Fl. 3 5 DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE EM COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não é aplicável, em compensação tributária, o prazo previsto no art. 150, § 4º, do CTN, pela inexistência de pagamento extinguindo o crédito tributário. No caso de compensação, o prazo para a homologação é de cinco anos contados da entrega da declaração. Cientificado o interessado da não homologação da compensação dentro do prazo de cinco anos previsto no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, legítima e legal a cobrança de eventuais saldos de créditos tributários. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2004 CRÉDITO PRESUMIDO.COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS e Cofins apuradas no regime de incidência não cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação. DEDUÇÃO. INSUMOS. PRODUTOS NÃO UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Entendese como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O combustível e demais produtos utilizados em fases que não a fabricação do produto não podem ser considerados insumos, para efeito de dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão legal. DEDUÇÃO. INSUMOS CRÉDITO DO ESTOQUE DE ABERTURA. Entendese como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, relativamente ao estoque de abertura, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 149DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 104/137) reiterando os mesmos fundamentos da sua manifestação de inconformidade, apenas acrescentando a citação de julgados deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço. I. A decadência. Não procede o argumento do contribuinte de que teria decaído o direito do Fisco de promover a verificação do direito de crédito em relação aos créditos originados em novembro de 2004. Não se pode confundir o lançamento, enquanto procedimento de exigência de tributo, com o pedido de ressarcimento ou de compensação, que é procedimento cuja finalidade é reconhecimento ou não do direito de crédito alegado pelo contribuinte. O prazo de 5 anos a que se refere o art. 150, § 4º do CTN impede que o Fisco promova a revisão do cálculo feito pelo contribuinte em procedimento de pagamento de um tributo, impedindo que o Fisco exija do contribuinte um valor maior do que aquele que o contribuinte apurou e recolheu a título de adiantamento. Ou seja, em relação ao presente caso o art. 150 do CTN se referiria ao cálculo e recolhimento de PIS/Cofins nãocumulativa apurada e devida naquele período, impedindo que depois de 5 anos, contados do fato gerador, o Fisco pretendesse exigir alguma diferença de valor em relação ao tributo que foi recolhido naquela data. O prazo de homologação tácita do art. 150 do CTN, portanto, referese ao procedimento de apuração de tributo e adiantamento de pagamento realizado pelo contribuinte para o efeito do lançamento por homologação, impedindo que depois de 5 anos deste procedimento o Fisco pretenda exigir alguma diferença que eventualmente tenha sido recolhida a menor que o devido. Ocorre que no presente caso o Fisco não pretende promover qualquer lançamento, ou revisão de um lançamento por homologação, mas se trata da análise do direito de crédito alegado pelo contribuinte. Por isso não se pode falar na aplicação do art. 150 do CTN, mas do prazo de 5 anos para promover a homologação tácita da compensação, prevista no art. 74, § 5º da Lei nº 9.740/96, o qual apenas começa a correr quando da apresentação da pedido de ressarcimento, restituição ou DCOMP. Tendo sido apresentadas as declarações de compensação, a homologação tácita prevista no art. 74, § 5º da Lei 9.740/96 apenas aconteceria cinco anos depois, mas a notificação aconteceu antes. Fl. 150DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.000405/200522 Acórdão n.º 3403001.270 S3C4T3 Fl. 4 7 Assim, não é um lançamento fiscal que estaria a depender da análise dos créditos surgidos em novembro de 2004, mas de tal análise depende a possibilidade de reconhecerse ou não o direito de crédito solicitado pelo próprio contribuinte. Não há, portanto, qualquer decadência ou prescrição. II. O crédito pelo transporte de mão de obra e combustíveis. Entendo que assiste razão ao contribuinte quando alega que os combustíveis e lubrificantes, bem como o transporte dos funcionários para o local da extração da canade açúcar, devem ser tratados como insumo, enquanto necessários e integrantes do processo produtivo. O art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003 prevê a possibilidade de que do valor devido de contribuição se desconte créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, (…)”. O processo produtivo detalhado pelo contribuinte deixa claro que o transporte dos funcionários até o local do corte da canadeaçúcar é uma medida necessária e indispensável do processo produtivo, configurando a contratação de um serviço que traduz um dos insumos necessários para a produção da cana de açúcar. E também quanto aos combustíveis e lubrificantes, consta que são utilizados no maquinário utilizado para o corte, carregamento e transporte da canadeaçúcar. A DRF e a DRJ recusam o direito de crédito por pretender confinar o conceito de produção ao conceito de industrialização aplicado à legislação do IPI. O conceito de produção, no entanto, é mais amplo que o de industrialização, alcançando todas as etapas necessárias à atividade desenvolvida pelo contribuinte, seja ele industrial, comerciante ou prestador de serviço, devendo ser considerados como insumos tanto bens como serviços, desde que necessários, o que deve ser considerado no contexto do processo produtivo do contribuinte. O entendimento do CARF, com efeito, reconhece como insumos tanto os bens utilizados como os serviços prestados no contexto do processo produtivo do contribuinte, conforme se ilustra nos seguintes julgados: (…) NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO E ABRANGÊNCIA. Os insumos utilizados na fabricação de produtos e prestação de serviços que geram direito de crédito da contribuição não cumulativa são somente aqueles que representem bens e serviços. (…) (Acórdão 210200.050, Recurso 150.521, Processo 10675.004362/200422, Rel. Cons. José Antônio Francisco, j. 05/03/2009) Neste caso acima o Conselheiro Relator esclareceu o seguinte: Fl. 151DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Insumo, como se sabe, é um elemento empregado na fabricação de um bem ou serviço. Entretanto, não são todos os elementos empregados na fabricação de produtos ou na prestação de serviço que originam crédito de Cofins, mas somente os insumos que sejam "bens", no sentido jurídico, e "serviços". Dessa forma, os "benefícios a empregados", a mãodeobra e os benefícios ou salários indiretos, embora possam caracterizarse como insumos utilizados na prestação de serviços, não representam "bens" e "serviços", de forma que não geram direito de crédito. Neste caso concreto, como se percebe, o transporte do funcionário não se caracteriza como o pagamento de benefício aos empregados, mas como contratação de um serviço que viabiliza a produção, ou seja, como providência necessária e integrante do processo produtivo, remunerada como contratação da prestação de um serviço propriamente dito (transporte de pessoas). E ainda que se tratasse de combustível, estaria configurado então o fornecimento de bens. A propósito do transporte realizado no contexto do processo produtivo, confirase ainda o seguinte julgado: (...)CRÉDITO. RESSARCIMENTO. São passíveis de ressarcimento os créditos de PIS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. Recurso voluntário provido em parte.” (Acórdão 20181.139, Recurso 148.457, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Walber José da Silva, j. 02.06.2008) Neste julgado o Relator manifesta o seguinte entendimento: Portanto, basta que os custos ou despesas gerem créditos para a empresa exportadora ter direito ao seu ressarcimento. No caso de empresa industrial, o crédito de PIS não se restringe aos insumos empregados diretamente na produção como defende a decisão recorrida. Todos os créditos decorrentes de custos ou despesas incorridas na produção e venda do produto exportado, apurados na forma prevista no art. 3º da Lei nº 10.637/2002, são passíveis de ressarcimento. (…) Mais ainda, a vinculação da despesa com a receita de exportação não guarda relação exclusivamente com o processo produtivo. A despesa pode ser incorrida antes ou depois de realizada a produção do bem exportado. No caso sob exame, foram glosados os créditos relativos aos combustíveis e lubrificantes usados na frota de veículos da recorrente e aos dispêndios com a remoção de resíduos industriais, por não estarem vinculados ao processo produtivo. A recorrente alega que tem direito ao crédito dos combustíveis e lubrificantes porque os mesmos são usados em sua frota de Fl. 152DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.000405/200522 Acórdão n.º 3403001.270 S3C4T3 Fl. 5 9 veículos, que transporta produtos e insumos entre seus estabelecimentos. Para haver ressarcimento é necessário haver o direito ao crédito. No caso dos combustíveis e lubrificantes usados na frota de veículo ligados à atividade industrial geram, no meu entender, direito ao crédito, a teor do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. E geram direito ao crédito porque o conceito de insumo (bens e serviços) utilizado pela lei não é igual à soma de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, a que se refere a legislação do IPI. Insumos são todos os "custos, despesas ou encargos" vinculados ao produto ou serviço vendido, como diz o art. 2º da IN SRF nº 460/2004. Quanto aos dispêndios realizados com o serviço de remoção de resíduos industriais, não há nenhuma dúvida de que este serviço é parte do processo de industrialização dos bens exportados e está vinculado à receita de exportação. Pela natureza da atividade da recorrente, sem este serviço não há produção. Sendo um serviço diretamente vinculado ao processo produtivo, entendo que a recorrente tem direito ao crédito da Cofins incidente sobre a compra desse serviço e, como tal, tem direito ao ressarcimento desse crédito em face da exportação dos produtos (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002). Ora, se se admite o crédito em relação ao transporte dos resíduos e de entulho industrial, reconhecendo tal providência como parte do processo de produção, tanto mais será o deslocamento dos funcionários para que se execute uma das fases do processo produtivo. Vale a pena conferir também o seguinte precedente no qual se reconhece a despesa de seguros de carga como insumo que integra a atividade produtiva do contribuinte: (…) REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. DESCONTOS COM SEGUROS. Na apuração do PIS nãocumulativo podem ser descontados créditos calculados sobre as despesas decorrentes da contratação de seguros, essenciais para a atividade fim desenvolvida pela recorrente, pois estes se caracterizam sim como `insumos' previstos na legislação do IRPJ. (…) (Acórdão 20312.741, Recurso 137.910, Processo 10932.000016/200578, Redator Designado Cons. Emanuel Dantas de Assis, j. 11/03/2008) Embora não se refira à mesma hipótese concreta de crédito, o precede acima ilustra muito bem que a análise do direito ao crédito deve guardar pertinência com as características da atividade produtiva desempenhada concretamente pelo contribuinte. No presente caso fica claro que o transporte dos funcionário não é apenas uma despesa de uma empresa qualquer que deseja fornecer transporte aos seus empregados, Fl. 153DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 mas da viabilização da atividade de plantação e colheita da cana de açúcar, devidamente contextualizada no processo produtivo. III. A impossibilidade de compensação do crédito presumido da agroindústria. O contribuinte não tem direito de utilizar os créditos presumidos da agroindústria em declaração de compensação. O art. 8º, § 3º, II da IN 660/2006 não deixa margem de dúvida ao estipular que o crédito presumido “Não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento”. Tal previsão parece ser conseqüência necessária do disposto no art. 8º, § 2º da Lei nº 10.925/2004: § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Com efeito, o art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.637/2002 resume o rito de aproveitamento dos créditos ordinários de PIS/Cofins nãocumulativos, dispondo que “O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. Assim, o tratamento que deve ser dado ao crédito presumido é o do regime aplicável ao crédito ordinário relativo ao mercado interno – que apenas pode ser aproveitado para redução da própria contribuição – e não o do crédito correspondente à exportação – que pode ser objeto de restituição e compensação. Por isso não impressiona a ginástica do contribuinte ao pretender que se aplicasse isoladamente a regra de geração e aproveitamento dos créditos correspondentes às receitas de exportação, quando a interpretação conjunta dos dispositivos envolvidos deixa claro que a exportação conduz à repartição proporcional entre as regras do mercado interno e externo , mas apenas em relação às hipóteses ordinárias de geração de crédito, pois em relação ao crédito presumido da agroindústria houve previsão expressa de que não poderia ser compensado. IV. Conclusão. Voto, pois, no sentido de dar parcial provimento ao recurso, para afastar a glosa de combustíveis e lubrificantes e de transporte de funcionários. Ivan Allegretti Fl. 154DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.000405/200522 Acórdão n.º 3403001.270 S3C4T3 Fl. 6 11 Fl. 155DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 16004.000430/2008-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
ARTIGO 124 DO CTN.
0 art. 124 ao mencionar "interesse comum" diz interesse idêntico e isso
significa que para serem solidários as pessoas precisam co-realizar o fato
gerador.
DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS
REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. 0 fato de o tributo sujeitar-se a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar-se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial.
CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Além do pagamento antecipado e da
declaração prévia do débito, sujeita-se A. homologação em 5 (cinco) anos
contados da ocorrência do fato gerador, a informação prestada, pelo sujeito
passivo, de que os rendimentos percebidos estavam sujeitos a outra forma de
tributação.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não é nulo o auto de infração aplicado autoridade competente, de acordo com
a lei, sem cerceamento de defesa, e sem qualquer vicio.
PROVA DOS FATOS
Não basta que o fiscal assevere a autoria dos fatos tributáveis, é preciso que a
autoria esteja comprovada.
TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE.
Sob pena de nulidade, a determinação do pólo passivo por meio de documento diverso do auto de infração s6 é possível se em tal documento estejam presentes os requisitos legais exigidos no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972.
TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE.
Numero da decisão: 1101-000.625
Decisão: Acordam os membros do colegiado, relativamente ao recurso voluntário apresentado por Dovair Roma: 1) em preliminar: 1.a) por unanimidade de votos, foi REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo
e, 1.b) por maioria de votos, ACOLHER a argüição de decadência de parte do período lançado, restando vencido o Relator Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro que não reconhecia ter ocorrido decadência de nenhum período, e designando-se para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; e 2) no mérito, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reduzir as receitas lançadas ao
montante declarado nas DIRPF de Dovair Roma, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa; relativamente ao termo de sujeição passiva solidária lavrado contra Maria
Angela Pereira Nucci Roma: 1) por maioria de votos CONHECER a matéria, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa, e divergindo a Conselheira Nara Cristina Takeda
Taga; 2) por unanimidade de votos, foi DECLARAR A NULIDADE do termo de sujeição passiva solidária, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Fará declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
Nome do relator: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 ARTIGO 124 DO CTN. 0 art. 124 ao mencionar "interesse comum" diz interesse idêntico e isso significa que para serem solidários as pessoas precisam co-realizar o fato gerador. DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. 0 fato de o tributo sujeitar-se a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar-se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Além do pagamento antecipado e da declaração prévia do débito, sujeita-se A. homologação em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, a informação prestada, pelo sujeito passivo, de que os rendimentos percebidos estavam sujeitos a outra forma de tributação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o auto de infração aplicado autoridade competente, de acordo com a lei, sem cerceamento de defesa, e sem qualquer vicio. PROVA DOS FATOS Não basta que o fiscal assevere a autoria dos fatos tributáveis, é preciso que a autoria esteja comprovada. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. Sob pena de nulidade, a determinação do pólo passivo por meio de documento diverso do auto de infração s6 é possível se em tal documento estejam presentes os requisitos legais exigidos no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972. TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, relativamente ao recurso voluntário apresentado por Dovair Roma: 1) em preliminar: 1.a) por unanimidade de votos, foi REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo e, 1.b) por maioria de votos, ACOLHER a argüição de decadência de parte do período lançado, restando vencido o Relator Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro que não reconhecia ter ocorrido decadência de nenhum período, e designando-se para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; e 2) no mérito, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reduzir as receitas lançadas ao montante declarado nas DIRPF de Dovair Roma, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa; relativamente ao termo de sujeição passiva solidária lavrado contra Maria Angela Pereira Nucci Roma: 1) por maioria de votos CONHECER a matéria, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa, e divergindo a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga; 2) por unanimidade de votos, foi DECLARAR A NULIDADE do termo de sujeição passiva solidária, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Fará declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
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DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. 0 fato de o tributo sujeitar-se a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar-se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Além do pagamento antecipado e da declaração prévia do débito, sujeita-se A. homologação em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, a informação prestada, pelo sujeito passivo, de que os rendimentos percebidos estavam sujeitos a outra forma de tributação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o auto de infração aplicado autoridade competente, de acordo com a lei, sem cerceamento de defesa, e sem qualquer vicio. PROVA DOS FATOS Não basta que o fiscal assevere a autoria dos fatos tributáveis, é preciso que a autoria esteja comprovada. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. Sob pena de nulidade, a determinação do pólo passivo por meio de documento diverso do auto de infração s6 é possível se em tal documento estejam presentes os requisitos legais exigidos no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972. TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. nulo o termo de sujeição passiva sem amparo na legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, relativamente ao recurso voluntário apresentado por Dovair Roma: 1) em preliminar: 1.a) por unanimidade de votos, foi REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo e, 1.b) por maioria de votos, ACOLHER a argüição de decadência de parte do período lançado, restando vencido o Relator Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro que não reconhecia ter ocorrido decadência de nenhum período, e designando-se para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; e 2) no mérito, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reduzir as receitas lançadas ao montante declarado nas DIRPF de Dovair Roma, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa; relativamente ao termo de sujeição passiva solidária lavrado contra Maria Angela Pereira Nucci Roma: 1) por maioria de votos CONHECER a matéria, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa, e divergindo a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga; 2) por unanimidade de votos, foi DECLARAR A NULIDADE do termo de sujeição passiva solidária, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Fará declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. VALMAR FN' ECA DE MENEZES - Presidente. - CARLOS EDU E ALMEIDA GUERREIRO - Relator. EDITADO EM: 13/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga, e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). 2 Processo n° 16004.000430/2008-97 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.625 Fl. 828 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão de turma julgadora que considerou parcialmente procedente impugnação do lançamento de oficio e que reconheceu a responsabilidade tributária de Maria Angela Pereira Nucci. Em 16/06/2008, é lavrado auto de infração contra Dovair Roma, referente a IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (processo fls. 650 a 701). Conforme auto de infração IRPJ, o contribuinte teve o lucro arbitrado em todos os trimestres de 2003 a 2005, pois estava sujeito a tributação como pessoa jurídica, por equiparação, mas não possuia escrituração contábil e fiscal, tendo infringido os incisos I, II, alínea a, III e VI do art. 530 do RIR/99. Para fins de quantificar os fatos tributáveis como pessoa jurídica, foram consideradas, como receitas omitidas, as receitas de revenda de mercadoria declaradas na pessoa fisica. Conforme termo de descrição dos fatos (proc. fls. 637 a 649), o contribuinte e seu cônjugue, também sua parceira rural, a Sra. Maria Angela Pereira Nucci Roma, declararam nas suas DIRPF terem tido R$ 2.701.407,40 de receitas na atividade rural, nos anos de 2003 a 2005 (proc. fls. 30 a 46 e 61 a 81). 0 fiscal diz que o Sr. Dovair Roma, atendendo intimação, esclareceu que (proc. fls. 702 e 703) : Informo ainda que comercializo os produtos agropecuários, revendendo os mesmos para frigoríficos e produtores agropecuários, raras as vezes tenho os mesmos como cria e recria e engorda. 0 fiscal narra que "adicionalmente a informação prestada acima, .ficou constatado, por meio do Termo de Constatação Fiscal, anexo as folhas de n° 5 a 20 e 47 a 65, de que o fiscalizado, bem como seu cônjuge, não são exploradores da atividade rural, e sim comerciantes de bovinos vivos". 0 fiscal explica que, no termo de constatação, ficou comprovado que o Sr. Dovair e a Sra. Maria se enquadram no art. 4° da IN SRF n° 83, de 201. Tal dispositivo "não considera atividade rural a comercialização de produtos rurais de terceiros e a compra e venda de rebanho com permanência em poder do contribuinte em prazo inferior a 52 dias, quando em regime de confinamento, ou 138 dias, nos demais casos". 0 fiscal diz que os documentos (intimações e termos) foram postados, sendo recebidos em 23/04/2008, conforme ARs (proc. fls. 24 e 66). Informa que intimou "os condôminos" a providenciarem a inscrição no CNPJ e a apresentarem DIPJ para os anos- calendários de 2003 a 2005, livros comerciais e fiscais, e documentos das receitas e despesas. Informa que, decorrido o prazo sem qualquer providência dos intimados, efetuou representação (proc. fls. 3 e 4) solicitanto o deferimento de inscrição de oficio em nome de Dovair Roma, a partir de 01/01/2003. Adiciona que a inscrição foi feita com o número 09.548.381/0001-12 e que as DIPJs, livros e documentos não foram apresentados. Conforme o fiscal, a resposta dada pelo contribuinte foi a seguinte: "...em ate/70o aos termos de intimação fiscal, para ponderar que a movimentação de produtos descritos nos termos de constatação fiscal, encontram-se regularmente lançados das 3 Processo n° 16004.000430/2008-97 S 1-C 111 Acórdão n.° 1101-00.625 Fl. 829 Declarações do IRPF, período AC 2003, 2004 e 2005, conforme documentação já apresentada". 0 fiscal explica que os fiscalizados não tomaram as providências, segundo o art. 150 do RIR/9, e que, possivelmente, os documentos mencionados na resposta sejam as notas fiscais de venda de produtos rurais (proc. fls. 272 a 451), notas fiscais de compra de produtos rurais (proc. fls, 95 a 271), e livro caixa de atividade rural (proc. fls. 82 a 94), que já haviam sido apresentados à fiscalização. Com base nestes fatos, o fiscal considera violado os incisos I, II, alínea a, III e VI do art. 530, do RIR199, e cabível o arbitramento. A quantificação dos fatos tributáveis é feita considerando as receitas declaradas, mas indevidamente tratadas pelo contribuinte como obtidas com a exploração da atividade rural. Esclarece que adotou as receitas de exploração de atividade rural declaradas pelo Sr. Dovair e pela sua conjuge Sra. Maria, nas suas DIRPFs (proc. fls. 30 a 46 e 67 a 81), conforme tabela. Receita Declarada At. Rural Dovair Receita Declarada At. Rural Maria Total jan/03 27.467,50 27.467,50 54.935,00 fev/03 17.332,50 17.332,50 34.665,00 mar/03 41.490,00 41.490,00 82.980,00 abr/03 78.385,00 78.385,00 156.770,00 mai/03 24.750,00 24.750,00 49.500,00 jun/03 11.992,50 11.992,50 23.985,00 i ui/03 17.352,50 17.352,50 34.705,00 ago/03 61.350,00 61.350,00 122.700,00 set/03 55.510,00 55.510,00 111.020,00 out/03 54.592,50 54.592,50 109.185,00 nov/03 4.400,00 4.400,00 8.800,00 dez/03 35.338,00 35.338,00 70.676,00 jan/04 47.718,00 47.718,00 95.436,00 fev/04 52.122,00 52.122,00 104.244,00 mar/04 30.800,00 30.800,00 61.600,00 abr/04 53.982,50 53.982,50 107.965,00 mai/04 26.454,00 26.454,00 52.908,00 jun/04 66.161,50 66.161,50 132.323,00 jul/04 213.859,00 213.859,00 427.718,00 ago/04 34.287,00 34.287,00 68.574,00 set/04 23.295,00 23.295,00 46.590,00 out/04 15.050,00 15.050,00 30.100,00 nov/04 98.575,00 98.575,00 197.150,00 dez/04 43.550,00 43.550,00 87.100,00 jan/05 21.362,20 21.362,20 42.724,40 fey/OS 32.094,00 32.094,00 64.188,00 mar/05 27.668,00 27.668,00 55.336,00 abr/05 8.400,00 8.400,00 16.800,00 mai/05 17.260,00 17.260,00 34.520,00 jun/05 51.580,00 51.580,00 103.160,00 jul/05 16.000,00 16.000,00 32.000,00 ago/05 0,00 0,00 0,00 set/05 0,00 0,00 0,00 out/05 0,00 0,00 0,00 nov/05 21.125,00 21.125,00 42.250,00 dez/05 19.400,00 19.400,00 38.800,00 1.350.703,70 1.350.703,70 2.701.407,40 4 Processo n° 16004.000430/2008-97 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.625 Fl. 830 0 fiscal também explica que não consegue aproveitar, na quantificação dos tributos lançados na equiparação, aquilo que já havia sido pago pelas pessoas fisicas, por terem declarados os mesmos fatos na atividade rural. Em razão disto, informa os valores que Sr. Dovair e a Sra. Maria podem pedir em restituição ou podem compensar. 0 fiscal informa que o Sr. Dovair e a Sra. Maria declararam, cada um, 50% das vendas de bovinos vivos, nas suas DIRPFs (proc. fls. 37 a 46 e 67 a 81). Explica o lançamento com as seguintes palavras: O lançamento que ora está sendo constituído de oficio, está sendo efetuado em Pessoa Jurídica (empresa Individual, cadastrada de oficio, em nome do empresário Dovair Roma,), trazendo como receitas conhecidas a integralidade das vendas de bovinos nos anos de 2003 a 2005. É cediço que Dovair era o principal comerciante, sendo o único, visto que não se tem noticias de que sua cônjuge também efetuava a comercialização dos bovinos. Maria Angela P. N. Roma, efetuou declaração da metade das receitas das vendas de bovinos, em virtude da meação em relação aos imóveis rurais da familia, os quais foram mencionados nas DIRPF dos condôminos, como sendo os locais da exploração da atividade rural. Também, justifica o tratamento fiscal dado a Sra. Maria com as seguintes palavras: Portando Maria Angela Pereira Nucci Roma, está sendo trazida a responsabilidade solidária passiva, conforme Termo de Sujeição, anexado às folhas de n° 635 e 636, juntamente com a empresa individual de Dovair Roma, pelos créditos tributários provenientes da prática habitual e freqüente do comércio de bovinos. Maria Angela sendo cônjuge do empresário individual, teve e tem interesse comum nos negócios do cônjuge, os quais estão sendo trazidos à tributação A premissa fundamental mencionada acima, repetimos, é o interesse comum de mais de uma pessoa na ocorrência do fato gerador. A conseqüência jurídica desta sujeição passiva dar-se-6 em relação a obrigação principal, a qual poderá ser exigida de qualquer um dos interessados, sem beneficio de ordem. Na sujeição passiva solidária, a perda da espontaneidade do contribuinte intimado, em procedimento fiscal, se estende aos demais envolvidos nas infrações verificadas (Decreto n° 70.235/72, art. 7°, § 1°),independentemente de intimação. Visa ainda a assegurar a tais pessoas trazidas responsabilidade, o direito ao contraditório e a ampla defesa, consagrado no artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal. 0 fiscal ainda aborda a questão da decadência, lembrando que para os tributos lançados por homologação, o prazo é de 5 anos contados do fato gerador, salvo nos casos de dolo ou fraude. Conclui que, como restou comprovado o intuito doloso do autuado em lesar o Fisco, a contagem do prazo decadencial é na forma do inciso I, do art. 173 do CTN. 5 Processo n° 16004.000430/2008-97 SI-CIT1 Acórddo n.° 1101-00.625 Fl. 831 Enfatiza que a circunstância do Sr. Dovair e da Sra. Maria terem declarado as receitas como pessoa física, demonstra a intenção de ocultar do Fisco os fatos tributáveis, já que declararam fato diveros ao realmente ocorrido. Também, advoga que o termo ad quo da contagem deveria ser a data do inicio da fiscalização. 0 fiscal diz aplicar a multa qualificada em razão do intuito doloso, "pois ficou comprovado que o contribuinte deixou de escriturar todas as vendas provenientes de seu comércio de bovinos em 2003 a 2005". Alega que o fato do autuado e espõsa declararem como atividade rural, informando despesas altíssimas, que implicaram em frequentes prejuízos, somado ao fato de que não mantinham o gado pelo período mínimo para ser considerado como cria, recria e engorda, demonstram inequivocamente a intenção fraudulenta. Destaca que as operações foram assim declaradas por 36 meses, o que afasta a hipótese de erro. 0 contribuinte foi cientificado, por via postal, em 24/06/2008 (proc. fls. 706 v). Na mesma data, a Sra. Maria Angela Pereira Nucci Roma é cientificada de "Termo de Sujeição Passiva Solidária" (proc. fl. 708). Neste termo, é indicada como devedora solidária de Dovair Roma (proc. fls. 635 e 636). 0 teor do documento é o seguinte: No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal, no curso da ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte acima identificado (Dovair Roma Empresa individual) e de acordo com os dispositivos legais abaixo descritos, esta Fiscalização apurou fatos e situações et respeito de sujeição Passiva Solidária que vão abaixo mencionadas: Ante o exposto no Termo de Descrição dos Fatos e conclusão fiscal (Total de 13 laudas), incluso do Procedimento Administrativo acima descrito, restou caracterizada a sujeição passiva solidária em face desse contribuinte pessoa física ,nos termos do art. 124 da Lei n°5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), com relação ao lançamento de oficio incluso do procedimento fiscal acima descrito. Fica o sujeito passivo solidário supra mencionado CIENTIFICADO da exigência tributária de que trata o Auto de Infração lavrado relativamente aos tributos e contribuições administrados pela SRF (55 laudas), contra o sujeito passivo supra referido, cujas cópias, juntamente com o presente Termo, mais o Termo de Descrição dos fatos e conclusão Fiscal ( 13 laudas), Termo de Inicio de Fiscalização e Termo de Encerramento de Fiscalização lhe são entregues neste ato. Em 23/07/2008, o contribuinte autuado (Dovair Roma, pessoa jurídica por equiparação) apresenta sua impugnação (proc. fls. 709 a 727). Alega, preliminarmente ao mérito, que houve erro na eleição do sujeito passivo. Diz que não deveria ter sido colocado sozinho no pólo passivo da autuação, como pessoa física equiparada à pessoa jurídica, pois o próprio fiscal advogou que a atividade era desenvolvida pelo casal. Argumenta o seguinte: Isto porque, segundo o próprio agente fiscal no seu Termo de Descrição dos Fatos anexo ao Auto de Infração, deixou muitíssimo claro que os responsáveis pelas operações eram 6 Processo n° 16004.00043012008-97 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.625 Fl. 832 Dovair e Angela, portanto, uma sociedade de fato e não urna empresa individual, como erroneamente acabou concluindo no seu relatório, quando assim se exprimiu: 0 lançamento que ora está sendo constituído de oficio, está sendo efetuado em Pessoa Jurídica (EMPRESA INDIVIDUAL, CADASTRADA DE OFICIO, EM NOME DO EMPRESÁRIO DOVAIR ROMA). E cediço que Dovair era o principal comerciante, send() o único, visto que não se tem noticias de que sua cônjuge também efetuava a comercialização de bovino. Ora, após tudo o que afirmara, num passe de mágica o Fisco "vira o disco" e exclui a sra. Angela do pólo passivo, baseado apenas e tão somente na presunção de que Dovair era o PRINCIPAL comerciante. Ele foi infeliz na sua expressão 'principal", porque ela encerra uma idéia de que principal não é o único, e sim, pressupõe a existência de mais pessoas, o que realmente aconteceu no caso em discussão. Afirma que "o que por fim restou caracterizado é que Dovair e Angela constituem uma sociedade de fato e assim é que devem serem tributados, isto nos estritos termos do artigo 146, I, ,sr 1 do RIR/99, que assim determina". Também alega que, como a fiscalização foi aberta contra os dois contribuintes, não poderia ter este desfecho e, caso houvesse equiparação, esta deveria ser efetuada para ambos e não para apenas um dos fiscalizados. Nas suas palavras: Diga-se, por fim, que mesmo que não fosse este o entendimento a ser dado a questão, o que se diz "ad argumentandum tantum" , o lançamento não poderia prosperar da forma como foi efetuado, visto que a fiscalização iniciou-se sob os dois contribuintes (Dovair e Angela), e caso houvesse a equiparação el pessoa jurídica ester deveria ser efetuada individualmente e nunca sob apenas um deles. Ainda, alega que ocorreu a decadência, pois desde a Lei no 8.383, de 1991, o IRPJ é mensal e não anual. Afirma que a própria fiscalização considerou o fato gerador mensal, na medida em que se verifica nos autos a apuração do lucro em 31/03/2003, 30/06/2003, e etc. Conclui que, como o lançamento ocorreu em junho de 2008, ele não podia alcançar fatos até março de 2003, ademais que não houve dolo e nem fraude. Afirma que, no mérito, concorda com a equiparação, sendo sua discordância apenas contra o fato de ser imputado sozinho e de não ter sido efetuado o lançamento contra a aventada sociedade de fato. Em 23/07/2008, a Sra. Maria apresenta sua impugnação (proc. fls. 728 a 746). Ataca a autuação com os mesmos argumentos apresentados pelo contribuinte, afirmando ter havido erro de identificação do pólo passivo, pois o lançamento deveria ter sido efetuado em nome da sociedade de fato. Assim, não deveria constar como devedora solidária, mas como membro da sociedade. Também, menciona os mesmos argumentos para alegar que ocorreu a decadência de maw() de 2003. Ainda, diz que concorda quanto ao mérito, pois aceita a equiparação e apenas discorda da forma como esta foi efetuada. Em 18/12/2008, a 5' Turma da DRJ em Ribeirão Preto dá provimento parcial a impugnação (proc. fls. 771 a 779). Quanto a decadência diz que o art. 150 do CTN só se 7 Processo n° 16004.000430/2008-97 SI-CIT I Acórdão n.° 1101-00.625 N. 833 aplica se houver pagamento antecipado e que isso não ocorreu no caso, portanto é o art. 173 que deve ser aplicado. Assim, não há nenhuma parcela lançada que tenha sido alcançada pela decadência, mesmo se abstraindo da hipótese de ocorrência de dolo ou fraude. Quanto a equiparação, sustenta que ficou comprovado no procedimento fiscal que o Sr. Dovair explorava a atividade de compra e venda de bovinos e que declarou indevidamente como atividade rural de pessoa fisica, pois os animais não permaneciam o prazo mínimo (de 52 dias para gado confinado e de 138 nos demais casos) sob sua custódia. Lembra que os impugnantes não contestaram a equiparação, nem o arbitramento, e só reclamaram de não ter sido lançado a sociedade de fato formada pelo casal. Diz que a Sra. Maria também questionou ser a única devedora solidária. Sobre estas questões, o relator se manifesta do seguinte modo: Não vejo qualquer irregularidade no fato do auto de infração ter sido lavrado em nome de Dovair Roma, pois o fato de Dovair e Angela ter informado em suas declarações de imposto de renda rendimentos como sendo da atividade rural não implica concluir que ambos exerciam a atividade de comércio de bovinos. Como bein explicitou a autoridade fiscal 1. 643), não se tem noticia de que o cônjuge Angela também efetuava a comercialização dos bovinos.Por outro lado, correta a caracterização de contribuinte solidário, na forma do art. 124 do Código Tributário Nacional, pois, mesmo que Angela não tenha tido participação direta no comércio de compra e venda de bovinos, os elementos dos autos demonstram o interesse comum na situação que veio a constituir o fato gerador da obrigação tributária, razão pela qual ambos devem estar no polo passivo da relação tributária. Do artigo 124, I, extrai-se que, quando duas ou mais pessoas estiverem ligadas por interesse comum ao fato gerador dar-se-6 a solidariedade legal presumida. Desta forma, a pessoa que esteja vinculada ao fato gerador é devedora solidária em relação ao crédito tributário. Ora, é óbvio que Dovair Roma e seu cônjuge têm interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. E próprio da atividade negocial a busca do resultado econômico através da realização de operações que caracterizam fatos geradores. Enfim, não vejo qualquer irregularidade que possa levar a nulidade do procedimento fiscal. A turma julgadora afasta a aplicação da multa qualificada, afirmando não ter ficado demonstrado a omissão dolosa do fato tributável. Inclusive, o contribuinte emitiu notas fiscais e escriturou o livro caixa, bem como registrou os negócios nas suas declarações de pessoa física. Com base nesta argumentação, reduz a multa de 150% para 75%. Em 18/02/2009 o contribuinte é cientificado da decisão (proc. fls. 795 v.). Em 6/03/2009, o contribuinte apresenta recurso voluntário, no qual repete seus argumentos (proc. fls. 797 a 814). 8 Processo n° 16004.000430/2008-97 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.625 Fl. 834 Voto Vencido Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, 0 recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. 0 contribuinte concorda que a atividade não poderia ser objeto de tributação por pessoa fisica e que deveria ter sido tributada como pessoa jurídica. Por isso diz concordar com o mérito. No entanto, questiona o lançamento ao dizer que a equiparação deveria ter sido feita para cada um dos cônjuges, e nunca para apenas um deles. Além disso, preliminarmente, ele questiona a validade/existência do lançamento, alegando erro na identificação do sujeito passivo, já que o lançamento foi feito contra sua pessoa, na qualidade de empresa individual, ao invés de ser feito contra a sociedade de fato formada pelo casal. Também, alega a ocorrência de decadência de parte do lançamento. Cabe iniciar a análise pela preliminar de nulidade do lançamento, por erro de identificação do sujeito passivo, e pela preliminar de decadência. No que tange a alegação de erro de identificação de sujeito passivo, para fundamentar sua posição, o contribuinte diz que o próprio fiscal reconheceu a sociedade de fato, formada pelo casal, na medida em que existe passagem na qual o fiscal sugeriria que o Sr. Dovair não era o único comerciante. Além disso, o contribuinte chega mesmo a afirmar a existência de uma sociedade de fato responsável pelo comércio. Porém, as duas alegações são improcedentes. E preciso deixar claro que, no lançamento, o fiscal jamais reconheceu a existência de sociedade de fato. Ao contrário, ele entendeu que o comércio era feito por pessoa fisica. Melhor dizendo, entendeu que era feito exclusivamente pelo Sr. Dovair e assim tratou a questão. t verdade que em algumas passagens o fiscal deveria ter sido mais exato, quanto A. autoria do comércio. Mas, na hora de definir o lançamento, o fiscal afirma que era o Sr. Dovair quem comercializava e não sua esposa. Inclusive, o fiscal explica que o fato de parte das operações constarem nas DIRPFs da Sra. Maria decorria do fato dela declarar como meeira dos imóveis onde ocorria tal exploração. Portanto, fica claro que o fiscal em momento algum aventou de sociedade de fato e que não há a contradição alegada pelo contribuinte, entre os fundamentos e o ato administrativo. Quanto A. afirmação de existência de sociedade de fato, pelo próprio contribuinte, cabe destacar que os membros de sociedade de fato não podem pretender impor a terceiros seu affectio societat. Dessarte, acaso existente, no caso concreto, tal sociedade, esta circunstância não pode ser imposta ao Fisco, muito menos para anular lançamento. Além disto, cabe pesquisar o que ficou demonstrado nos autos. Sob este aspecto, o processo mostra a prática de comércio por pessoa física. Já a aventada existência de uma sociedade de fato, surge apenas como uma alegação do contribuinte, sem nenhum elemento de prova. Inclusive, com tal alegação, o contribuinte pretende colocar em seu favor sua própria ilicitude. Ainda sobre a questão, vale lembrar que o próprio contribuinte admite o lançamento na pessoa fisica, embora exija que seja feito para ambos os cônjuges. Assim, não há como admitir que os fatos deveriam ser imputados a uma sociedade de fato. 9 Processo n° 16004.000430/2008-97 S I-C IT I Acórdão n.° 1101-00.625 Fl. 835 No que tange a decadência, considerando a sumula vinculante n° 8 do STF, verifica-se que o prazo de decadencia dos tributos em litígio (IRPJ, CSLL) é regido pelo CTN. No código, existem dois dispositivos sobre a matéria. Eles são o § 40 do art. 150, do CTN, e o art. 173, do CTN. Os tributos lançados por declaração ou de oficio, estão sujeitos as regras do art. 173, do CTN. Já os tributos lançados por homologação, estão sujeitos A. regra do art. 150, do CTN, por ser especifica, e independente de ter ou não havido qualquer pagamento. Esta interpretação do art. 150, do CTN, permite uma maior exatidão do seu alcance, o que atende ao ideal de segurança jurídica, que, diga-se, é a matriz do instituto da decadência. Não obstante a possibilidade hermeneutica acima mencionada, é preciso considerar nova disposição do Regimento Interno do CARF, posta pela Portaria MF n° 586/2010. A nova regra determina a reprodução no CARP das decisões definitivas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em determinadas circustâncias. Portanto, é preciso analisar as decisões do STJ que estabeleçam interpretações diferentes da exposta. Existe recente decisão do STJ que pode afetar a interpretação acima exposta, quanto ao conteúdo do §4° do art. 150, do CTN. De fato, o STJ decidiu, na sistemática prevista pelo art. 543-C do Código de Processo Civil, no REsp n° 973.733/SC, publicado em 18/09/2009. No entanto, cabe destacar que a lide solucionada pelo STJ não se referia a identificação das situações em que o prazo decadencial é determinado na forma do § 4 0 do art. 150, do CTN. Portanto, não foi este o principal foco de análise daquela corte. Neste sentido, transcrevo parte de declaração de voto da I. Conselheira Edeli: Destaco, porém, que no caso apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, a discussão central prendia-se ao argumento da recorrente (Instituto Nacional de Seguridade Social — INSS) de que o prazo para constituição do crédito tributário seria de 10 (dez) anos, contando-se 5 (cinco) anos a partir do encerramento do prazo de homologação previsto no art. 150, §4" do CT1V, como antes já havia decidido aquele Tribunal. Por esta razão, os fundamentos do voto condutor mais se dirigiram a registrar a inadmissibilidade da aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4°, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal. Em conseqüência não vejo, naquele julgado, maior aprofundamento acerca do que seria objeto de homologação tácita na forma do art. 150 do CTN, o que permite, aqui, a livre convicção acerca de sua definição. Assim, embora tenha ficado expresso no acórdão a necessidade de haver algum pagamento ou alguma declaração do tributo, para que o prazo decadencial seja contado nos termos do § 4°, do art. 150, do CTN, ficou em aberto ao intérprete as situações em que se considera ter havido ou não o pagamento ou a declaração. Neste ponto, só haveria sentido em se premiar o contribuinte com o prazo decadencial mais curto do art. 150 do CTN nas situações em que ele praticasse algum ato que auxiliasse o Fisco a identificar a matéria tributável. Por isso, parece razoável que os tributos lançados por homologação só fiquem alcançados pelo prazo decadencial determinado no § 4° do art. 150, do CTN, quando houver pagamento/declaração e naquilo que corresponda a fatos considerados pelo contribuinte na quantificação da base de cálculo do tributo que foi pago. 10 Processo n° 16004.000430/2008-97 S I-CIT I Acórdão n.° 1101-00.625 Fl. 836 No caso em concreto, o contribuinte não efetuou qualquer pagamento, não registrou em diário/razão suas operações, e nem apresentou a correta declaração dos fatos tributáveis. E verdade que as pessoas fisicas consideraram o comércio como atividade rural e assim a declararam nas suas DIRPFs. Mas, isso não implicou nenhum pagamento dos tributos efetivamente devidos, que são os referentes à pessoa jurídica. Portanto, é aplicável o inciso I do art. 173 do CTN, de sorte que o lançamento dos fatos de 2003 poderia ter sido efetuado até 31/12/2008. Deste modo, como o lançamento foi cientificado em 24/06/2008, não ocorreu a decadência. No mérito, o contribuinte questiona o fato de todo o comércio ter sido imputado a sua pessoa. Conforme seu recurso, "a fiscalização iniciou-se sob os dois contribuintes (Dovair e Angela), e caso houvesse a equiparação ã pessoa jurídica está deveria ser efetuada individualmente e nunca sob apenas um deles". Ora, a questão apresentada pelo contribuinte resolve-se pela análise das provas. Cabe verificar se o fiscal conseguiu ou não demonstrar que o contribuinte era o responsável por todo o comércio, ou a metade do comércio. Observa-se, na descrição dos fatos, que o fiscal afirmou que era "cediço que Dovair era o principal comerciante, sendo o único, visto que não se tem noticias de que sua cônjuge também efetuava a comercialização dos bovinos". Porém, tal assertiva foi desacompanhada de qualquer demonstração. Por outro lado, em diversos momentos da descrição dos fatos o fiscal informa o Sr. Dovair e a Sra. Maria exploravam o comércio de bovinos. Inclusive, para quantificar o lançamento o fiscal adotou a soma dos valores declarados nas DIRPFs do Sr. Dovair e da Sra. Maria. Ademais, observando-se estas DIRPFs, constata-se que cada um dos cônjuges oferecia metade das receitas na sua declaração. Portanto, não há elementos nos autos para afirmar que o comércio era praticado com exclusividade pelo Sr. Dovair. Por outro lado, os elementos presentes no processo sugerem que ao menos a metade da atividade era praticada e assumida ostensivamente pelo Sr. Dovair na sua declaração. Dessarte, voto por negar provimento A. preliminar de nulidade por erro de identificação do sujeito passivo e A. preliminar de decadência. No mérito, voto por dar provimento parcial ao recurso para reduzir as receitas lançadas aos montantes declarados pelo Sr. Dovair nas suas DIRPFs. Resta, por fim, verificar a situação da apontada como responsável solidária. Para tanto, é preciso considerar as peças do processo, onde ser percebe a seguinte sequencia: 1) foi lavrado auto de infração contra o contribuinte e termo de sujeição passiva contra sua esposa; 2) o auto foi cientificado ao contribuinte e o termo foi cientificado A. apontada como responsável; 3) o contribuinte apresentou impugnação atacando o auto de infração e a apontada como responsável apresentou impugnação que questionou sua inclusão no pólo passivo como única devedora solidária e atacou o auto de infração; 4) a turma julgadora manteve o auto de infração, cancelando apenas a multa qualificada, e afirmou caber a responsabilização solidária; 5) a ciência do acórdão foi por via postal; 6) foi remetida destinada apenas para o contribuinte, mas foi recebida por sua esposa (a apontada como devedora solidária); 7) apenas o contribuinte apresentou recurso voluntário. II Processo n° 16004.000430/2008-97 SI-CIT I Acórdão n.° 1101-00.625 Fl. 837 Frente a estes fatos, cabe analisar a pertinência do termo de sujeição passiva. Inicialmente, cabe destacar que, em razão da Sra. Maria ter sido apontada como sujeito passivo solidário e, assim, em tese, colocada no pólo passivo, ela pode participar do processo administrativo, ao menos para discutir a pertinência ou não de sua inclusão (ou tentativa de inclusão) no polo passivo, em razão da lavratura do termo nominado de "termo de sujeição passiva solidária". Neste aspecto, independente de se considerar cabível ou não a responsabilização solidária declarada pelo fiscal, cabe notar que o tal termo é nulo. Para quem entenda que nas circunstâncias em concreto existe a solidariedade, há o cerceamento de defesa já que o termo não indica o direito de recorrer do lançamento, ou de pagar/parcelar com redução da multa. Para quem entende que não existe a solidariedade, o termo é nulo por falta de base legal. Inclusive, por oportuno, vale destacar que, caso o fiscal pretendesse intimar a apontada como devedora solidária, deveria ter nominado o documento de "intimação" e não de "termo". De fato, a expressão "termo" serve para referenciar documento que descreve uma situação. Já a expressão "intimação" serve para veicular exigência. Por isso, o próprio nome utilizado no presente caso induz a apontada como solidária a erro e prejudica sua defesa. Isso porque sugere uma situação estática onde apenas haveria uma constatação de situação, cujos efeitos deveriam/poderiam ocorrer adiante, e por outros meios, serem efetivados, quando então se permitiria a defesa. Em resumo, se o fiscal pretendesse que a apontada fosse tratada como sujeito passivo, deveria lavrar uma intimação, pela qual exigisse o tributo e informasse das condições de pagamento e impugnação, atendendo ao exigido no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972. Alternativamente, o fiscal poderia ter nominado a Sra. Maria no auto de infração, junto com o contribuinte. Mas, nenhum destes caminhos foi adotado e foi lavrado um documento cuja própria denominação induz a apontada a erro e prejuízo de defesa. Feita esta considerações periféricas, cabe aprofundar a análise do termo de sujeição passiva solidária lavrado, estudando a base legal pela qual o fiscal pretendeu trazer a Sra. Maria para o pólo passivo (inciso I do art. 124 do CTN). Assim, cabe agora transcrever e analisar o art. 124, do CTN in verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; - as pessoas expressamente designadas por Da leitura do art. 124, percebe-se seu aspecto didático, adequado ao status de norma geral (lei nacional), bem como à natureza de código. Conforme o inciso I, são solidárias as pessoas que se coloquem na mesma posição (tenham interesse comum), no que tange ao fato gerador. Assim, por exemplo, os co- proprietários de imóvel são devedores solidários do IPTU ou os co-adquirentes de imóvel são devedores solidários do ITBI. Ou seja, são solidários aquelas pessoas que co-realizam o fato gerador. 12 Processo n° 16004.000430/2008-97 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-00.625 Fl. 838 Já o inciso II diz que são solidários aquelas pessoas apontadas na lei (da Unido, ou Estados, ou Municípios, no que pertine aos seus tributos respectivamente). Assim, por exemplo, se a legislação estadual estabelecer, o vendedor do imóvel será devedor solidário do ITBI com o comprador. Ou seja, mesmo não realizando conjuntamente o fato gerador, a solidariedade pode decorrer da lei Como visto, com a exegese proposta, o art. 124 de tão didático poderia ser tido como desnecessário. 0 que serviria de argumento para pretender que a expressão "interesse comum na situação que constitua o fato gerador" alcançasse outras pessoas além daquelas que estejam na mesma posição em relação ao fato gerador. Mas, mesmo com a interpretação didática propugnada, o art. 124 tem forte razão para existir, o que sustenta a interpretação defendida e afasta outras. Primeiro, ele divide e distingue os casos de solidariedade que existem em razão dos fatos tributáveis (inciso I) daqueles que existem em razão da lei e de outros fatos (inciso II). Segundo, garante que a solidariedade só decorra da lei, quer pela realização da hipótese de incidência do tributo (inciso I), quer pela realização da previsão legal de solidariedade estabelecida pelo legislador do ente tributante por razões de administração tributária (inciso II). Enfim, é importante frisar que, quando o inciso I do art. 124 diz "interesse comum", ele diz interesse idêntico. Se o interesse é idêntico, significa que as pessoas co- realizam o fato gerador. Deste modo, se percebe que é incabível pretender sustentar, como quis o fiscal, que a esposa, por ser esposa, esteja na mesma posição em relação aos fatos geradores de tributos do marido. 0 sistema jurpidico e o direito tributário reconhece a personalidade jurídica de cada um dos membros do casal. Os atos e fatos do marido são dele e não da esposa e vice- versa. Os fatos tributáveis realizados pelo marido são dele e ela não tem participação nestes fatos apenas por ser sua cônjuge. Ademais, é preciso registrar que não há o menor sentido em se pretender que "interesse comum na situação que constitua o fato gerador" signifique algo diferente que a mesma posição em relação ao fato gerador. Admitir tal possibilidade é admitir que o CTN pretendesse criar uma instabilidade nas relações jurídicas. Ou seja, não é razoável imaginar que uma norma geral, voltada a regular a produção normativa tributária dos entes da federação ou a estabelecer alguns padrões normativos de âmbito nacional, fosse deixar ao aplicador da lei (da União, dos Estados e dos Municípios) um espaço tão grande para interpretação. Pretender que o aplicador da lei pudesse definir, com toda a sua subjetividade, o que seria "interesse comum na situação que constitua o fato gerador" é o equivalente a pretender que o Código Tributário Nacional visasse a instabilidade das relações jurídicas. As pessoas têm infinitos interesses e podem comungar algum destes interesses em uma situação que seja o fato gerador de algum tributo, sem que estejam na posição do sujeito passivo. Por exemplo, o corretor de imóveis, e talvez até o tabelião que lavra a escritura, pode ter interesse na venda e nisso seu interesse coincide com o interesse do 13 Processo n° 16004.000430/2008-97 SI-Cl TI Acórdão n.° 1101-00.625 Fl. 839 comprador e o interesse do vendedor. Mas, cada um deles é uma pessoa distinta e ocupa uma posição jurídica diferente na compra e venda do imóvel e tem motivações próprias da posição que ocupam. Não é possível confundir vontade parecida, interesse coincidente, desejo semelhante, ou qualquer outra proximidade de intenção, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Por isso, não é possível atribuir ao inciso I do art. 124 do CTN o condão de estabelecer a solidariedade em razão da semelhança de vontades ou coincidência de interesses. A própria frouxidão que resultaria de tal interpretação é suficiente para refutá-la. Deste modo, não fosse pelo próprio texto, até por segurança jurídica, é preciso entender que o art. 124 ao mencionar "interesse comum" diz interesse idêntico e isso significa que para serem solidários as pessoas precisam co-realizar o fato gerador. Estabelecido o significado do inciso I do art. 124 do CTN, cabe indagar: no caso em concreto, qual seria o interesse comum (idêntico) do contribuinte, Sr. Dovair, e da Sra. Maria na realização dos fatos tributados? Ora, não há qualquer interesse em comum. 0 Sr. Dovair praticou comércio de gado. A Sra. Maria, não tem qualquer relação com estes fatos, por ser esposa dele. 0 sistema jurídico, há muito atribui a cada um seus próprios atos. Pretender que o art. 124 torne um conjuge solidário com os tributos decorrentes de ato ou fato do outro cônjuge é defender um retrocesso de centena de anos na definição da personalidade jurídica das pessoas. Vale lembrar que o fiscal chegou a afirmar que a Sra. Maria não praticou nenhum ato de comércio e que o comércio teria sido praticado quase que exclusivamente pelo Sr. Dovair. Assim, cabe notar que a pretensão do fiscal não foi a de responsabilizar a Sra. Maria por seus atos e fatos tributáveis, mas sim pelos atos e fatos tributáveis de seu marido, sendo que a única razão de tal responsabilização é o fato do casamento. Assim, se constata que o inciso I do art. 124 do CTN é totalmente impróprio a estabelecer solidariedade entre o Sr. Dovair, tributado como pessoa jurídica por equiparação, com a Sra. Maria. Por fim, o IRPJ anual e/ou trimestral é um tributo, por definição, realizado por uma única pessoa. Se acaso mais de uma pessoa co-realizam o fato gerador do IRPJ, elas deixam de ser sujeitos passivos e transformam-se em sócias da empresa (de direito ou de fato) que realizou o fato gerador. Ou se] a, não há como aplicar a solidariedade determinada no inciso I, do artigo 124 do CTN ao IRPJ anual e/ou trimestral, pois este tributo pressupõe um único sujeito passivo. Por estas razões, voto por declarar a nulidade do termos de sujeição passiva solidária. Assinadó -Vigitalmente Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro 14 Processo n° 16004.000430/2008-97 SI-CI Ti Acórdão n.° 1101-00.625 Fl. 840 Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA, O presente voto expressa o entendimento majoritário da Turma em favor do acolhimento da decadência alegada pelo recorrente. O lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 16/06/2008, e formalizou exigências de IRPJ e CSLL nos trimestres de 2003 a 2005, bem como de Contribuição ao PIS e COFINS em meses destes anos-calendário. Inicialmente foi aplicada multa de 150%, mas a qualificação restou desconstituida definitivamente na decisão recorrida. Como já mencionado pelo I. Relator, interpretando-se a decisão proferida no âmbito do REsp n° 973.733/SC, é possível concluir que está permitida, ali, a livre convicção acerca do que seria objeto de homologação tácita na forma do art. 150 do CTN. Disse o I. Relator que o contribuinte não efetuou qualquer pagamento, não registrou em diário/razão suas operações, e nem apresentou a correta declaração dos fatos tributáveis. Todavia, admitiu a Fiscalização que as receitas tributadas foram reconhecidas pelas pessoas fisicas fiscalizadas como decorrentes de atividade rural em suas DIRPF. O lançamento aqui formalizado, portanto, decorre da interpretação fiscal de que outra seria a forma de tributação daquelas receitas. Há evidências, portanto, de que o sujeito passivo não permaneceu omisso, mas sim exteriorizou, por meio de declaração apresentada à Receita Federal, a forma de tributação que entendia aplicável aos fatos tributários aqui em debate. Em tais condições, ainda que a inclusão de tais receitas nas DIRPFs não tenha ensejado pagamentos específicos, impõe-se reconhecer que o contribuinte, minimamente, apresentou uma apuração que o dispensava do pagamento dos tributos aqui exigidos, ou lhe impunha uma exigência menor, ainda que a titulo de IRPF. Dessa forma, desde a ocorrência do fato gerador estava em curso o prazo de 5 (cinco) anos previsto no art. 150, §4 ° do CTN, ao fim do qual homologada estaria a atividade do sujeito passivo. Assim, em 16/06/2008 não era mais possível exigir o IRPJ e a CSLL devidos em razão da apuração no 10 trimestre/2003, bem como a Contribuição ao PIS e COFINS apurados nos meses de janeiro a maio de 2003. Por estas razões, o presente voto é no sentido de ACOLHER a arguição de decadência e afastar as exigências de IRPJ e a CSLL pertinentes ao 1 ° trimestre/2003, bem como de Contribuição ao PIS e COFINS apurados nos meses de janeiro a maio de 2003.a 15 Processo n° 16004.000430/2008-97 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-00.625 Fl. 841 UlAta_ cumento assinado digita mente) EDELI PEREIRA BESSA Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA, Expresso aqui minhas razões para concluir, como o I. Relator, pelo provimento parcial do recurso voluntário apresentado por Dovair Roma e pela declaração de nulidade do termo de sujeição passiva solidária lavrado contra Maria Angela Pereira Nucci Roma. A acusação fiscal é contraditória, pois, de um lado, afirma que Dovair Roma era o principal comerciante, senão o único, nas atividades com bovinos, que ensejaram a inclusão de rendimentos em sua DIRPF e na de Maria Angela Pereira Nucci Roma. Já de outro lado, imputa responsabilidade solidária a esta, em razão de interesse comum. 0 art. 124 do CTN imputa responsabilidade solidária aos que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, circunstância que restaria demonstrada se provada uma sociedade de fato entre eles. Todavia, como dito, a Fiscalização afirma que Dovair Roma seria o único comerciante. Por sua vez, os rendimentos informados por Maria Angela Pereira Nucci Roma poderiam ser imputados exclusivamente a Dovair Roma se provado que ele era, de fato, o único comerciante. Contudo, além de esta circunstância não estar provada nos autos, como menciona o I. Relator, ela seria contraditória com a imputação de responsabilidade solidária a Maria Angela Pereira Nucci Roma. Diante deste contexto, a única acusação coerente, e que assim pode subsistir, até porque reconhecida pelo próprio recorrente, é a exigência dos tributos devidos por equiparação a pessoa jurídica de Dovair Roma, mas incidentes, apenas, sobre os rendimentos por ele informados em sua DIRPF. Quanto A. sujeição passiva solidária de Maria Angela Pereira Nucci Roma, já me manifestei, em outras ocasiões, contrariamente à apreciação de imputação de responsabilidade a representantes da fiscalizada quando não houve a interposição de recurso voluntário por estas pessoas. 0 Código de Processo Civil, instituído pela Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, firma que para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e legitimidade (art. 3°). E mais: que ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei (art. 6°). Desse modo, em caso de pluralidade de sujeitos no pólo passivo do lançamento tributário, cada qual poderá defender-se em nome próprio da exigência fiscal 16 Processo n° 16004.000430/2008-97 SI-CI TI Acórdão rt.' 1101-00.625 Fl. 842 assim constituída, quer pessoalmente quer por meio de representante regularmente constituído nos autos, por competente instrumento de mandato. Ocorre que, como relatado, apenas o contribuinte (Dovair Roma) foi cientificado da decisão recorrida, de modo que, em principio, os autos deveriam retornar à autoridade preparadora para que se promovesse a ciência, com abertura de prazo para recurso voluntário, em nome de Maria Angela Pereira Nucci Roma. Tal providência, no entanto, se mostra desnecessária, pois o provimento parcial do recurso voluntário apresentado por Dovair Roma, nos termos acima expressos, tern por conseqüência a desconstituição dos fatos que ensejaram a imputação de responsabilidade a Maria Angela Pereira Nucci Roma. De fato, não há como subsistir tal imputação se o interesse comum alegado pela Fiscalização se contradiz frente A. afirmação de que Dovair Roma era o principal comerciante, sendo o único. Assim, ausente motivação válida, cabe aqui, desde já, declarar a nulidade do termo de sujeição passiva solidária lavrado contra Maria Angela Pereira Nucci Roma. É como voto. EDELI PEREIRA BESSA 17
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Numero do processo: 11080.008088/2001-71
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. EFEITOS DA DECISÃO. CARÁTER INFRINGENTE. POSSIBILIDADE.
Havendo contradição no acórdão proferido em sede de embargos, devem ser acolhidos os novos embargos para afastar o vicio que inquina a decisão anterior.
A decisão sobre embargos de declaração possui efeito integrativo, pois complementa e aperfeiçoa o julgado. Ao se eliminar os vícios que maculam o acórdão, poderão advir, como consequência, os efeitos infringentes.
In casu, cabível o afastamento dos efeitos modificativos proporcionados pelos primeiros embargos para restabelecer o teor da decisão original, sem nova apreciação de mérito.
Numero da decisão: 9101-000.900
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir as contradições apontadas, atribuindo-lhes efeitos infringentes para rerratificar o Acórdão CSRF nº 9101-00.483, de 25 de janeiro de 2010, restabelecendo-se, sem novo julgamento de mérito; o Acórdão CSRF nº 01-06.015, de 14 de agosto de 2008. Vencidos os conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Viviane Vidal Wagner que não acolhiam dos embargos.
Nome do relator: CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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' alaquias — Relator ad hoc. CSRF-T1 Fl. 2.545 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 11080.008088/2001-71 Recurso n° 133.140 Embargos Acórdão n° 9101 -00.900 — la Turma Sessão de 28 de março de 2011 Matéria IRPECSLL Embargante RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. EFEITOS DA DECISÃO. CARÁTER INFRINGENTE. POSSIBILIDADE. Havendo contradição no acórdão proferido em sede de embargos, devem ser acolhidos os novos embargos para afastar o vicio que inquina a decisão anterior. A decisão sobre embargos de declaração possui efeito integrativo, pois complementa e aperfeiçoa o julgado. Ao se eliminar os vícios que maculam o acórdão, poderão advir, como consequência, os efeitos infringentes. In casu, cabível o afastamento dos efeitos modificativos proporcionados pelos primeiros embargos para restabelecer o teor da decisão original, sem nova apreciação de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir as contradições apontadas, atribuindo-lhes efeitos infringentes para rerratificar o Acórdão CSRF n2 9101-00.483, de 25 de janeiro de 2010, restabelecendo-se, sem novo julgamento de merit() ; o Acórdão CSRF n2 01-06.015, de 14 de agosto de 2008. Vencidos os conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Viviane Vidal Wagner que não acolhiam dos embargos. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Antônio Alkimim Teixeira, Claudemir Rodrigues Malaquias, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Viviane Vidal Wagner, Orlando José Gonçalves Bueno, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffman (Vice-Presidente). 2 Processo n° 11080.008088/2001-71 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.900 Fl. 2.546 Relatório Com fundamento no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n 2 256, de 22.06.2009, a contribuinte apresenta Embargos de Declaração em face do Acórdão n 2 9101- 00.483 (fls. 2.494/2.509). A decisão ora embargada foi proferida por esta Primeira Turma na sessão plenária de 25.01.2010, ocasião em que foram apreciados os Embargos Declaratórios opostos pela Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre-RS (fls. 2.456/2.478). Em razão da complexidade das questões suscitadas no processo e da intensidade dos debates aqui travados, além das alterações na composição deste Colegiado desde a Ultima decisão nos autos, faz-se oportuno trazer neste relatório, ainda que de forma breve, os fatos mais relevantes verificados desde o inicio de sua tramitação no âmbito deste Conselho. Trata-se de autuação realizada em setembro de 2001 pela Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre-RS. A fiscalização apurou infração tributária nas transações que envolveram a troca do controle acionário da empresa Nutec Informática S/A (Nutec), ocorrida no ano de 1999, que passou da contribuinte (RBS) para a sociedade Telefónica Interactiva Brasil Ltda (Telefónica). Segundo a autoridade fiscal, a saída da contribuinte do negócio teria caracterizado venda de participação societária, sujeita ao pagamento de imposto de renda e contribuição social sobre o ganho de capital obtido. A autuação fundamentou-se no acordo de acionistas celebrado entre a Telefônica e os sócios minoritários da Nutec, denominado "Acordo 2", pois que este ajuste comprovaria que os sócios já sabiam que a contribuinte se retiraria da sociedade. As transações realizadas teriam sido apenas um artificio para encobrir a verdadeira operação de compra e venda de suas ações sem oferecer os ganhos h. tributação. Com base nestes elementos, a fiscalização procedeu ao lançamento dos tributos devidos, acrescidos de multa de oficio agravada de 150%, além dos juros de mora com base na taxa Selic. A contribuinte apresentou impugnação ao lançamento que foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre-RS. A decisão de primeira instância manteve o lançamento nos termos do Acórdão n 9- DREPOA/1.522, de 30.09.2002 (fls. 1.982/2.002). Entendeu o órgão julgador que a contribuinte havia alienado A. Telefónica a sua participação na Nutec, mas se utilizara de uma subscrição de ações com elevado ágio, bem como de acordo de acionistas para, posteriormente obter o resgate de sua participação no capital da Nutec. Estas operações se constituíram em um artificio para encobrir a verdadeira operação de compra e venda de suas ações, sem oferecer à tributação os ganhos obtidos. Inconformada com a decisão, interpôs recurso voluntário a este órgão (fls. 2.006/2.067), tendo sido apreciado pela extinta Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, cuja decisão acatou a tese da defesa, nos teimos do Acórdão n2 101-94.340, de 09.09.2003 (fls. 2.118/2.190). Entendeu aquele Colegiado que a contribuinte adotara negócios lícitos de forma licita e que lhe autorizavam permanecer ou não como acionista de sua ex- controlada, com direito ao resgate do valor de suas ações a qualquer momento. 3 Asseverou aquele julgado que o fundamento apresentado pela fiscalização constitui indícios que não atendem aos requisitos da gravidade, da precisão e da concordância para que autorizem a ilação pretendida. Rechaça a ocorrência de simulação nos atos jurídicos realizados e admite que, no máximo, teria ocorrido negócio jurídico indireto em que um contribuinte se utiliza de um determinado negócio, típico ou atípico, para obtenção de uma finalidade diversa daquela que constitui a sua própria causa, em que as partes querem efetivamente o negócio e os efeitos típicos dele decorrentes. Em face da decisão da Primeira Camara, sobreveio o recurso especial da Fazenda (fls. 2.193/2.225), impetrado com fundamento no art. 5 2, inciso I do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n 55, de 16 de março de 1998: decisão não unânime, contrária A. lei ou A. evidência de prova. A Primeira Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais julgou o recurso da Fazenda e decidiu, por maioria de votos, negar-lhe provimento. A decisão, tomada após longas discussões e diversos pedidos de vista, manteve a decisão da câmara a quo de 09.09.2003 e foi formalizada pelo Acórdão n CSRF/01-06.015 (fls. 2.274/2.309), com a seguinte ementa: "NORMAS PROCESSUAIS — PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE RECURSO ESPECIAL PELA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL — ANULAÇÃO DA CIÊNCIA DO ACÓRDÃO. Reinicia-se a contagem do prazo de 15 dias para a interposição de recurso especial contra decisão dos Conselhos de Contribuintes, se a Procuradoria da Fazenda Nacional foi comunicada, antes de findo o prazo recursal, da invalidade da primeira ciência feita pela imprensa oficial e recebeu, posteriormente, uma nova intimação da mesma decisão. A Administração Judicante deve se orientar sua atuação pelos princípios da boa-fé e da probidade, consubstanciados no comportamento leal, sem surpresas, ardis ou armadilhas. Impensável prejudicar as partes que confiaram na validade do ato anulatório por ela produzido. A eventual discussão sobre a legalidade do ato da Presidência do Primeiro Conselho não pode ensejar a supressão do direito recursal da Procuradoria, eis que ela não participou da elaboração do ato de anulação. SIMULAÇÃO DE ATO JURÍDICO. A simulação relativa de ato ou negócio jurídico se caracteriza pela declaração aparente de um ato jurídico, enquanto o negócio real, verdadeiro, e oculto no negócio aparente é diverso do declarado. A simulação há de ser cabalmente provada pela parte interessada. PRESUNÇÃO COMO MEIO DE PROVA. Presunção é a ilação que se tira de um fato conhecido para provar a existência de um fato descánhecido. Sua validade repousa em três requisitos: o da gravidade, o da previsão e o da concordância, não prosperando a ilação quando os indícios escolhidos autorizem conclusões antipodas, como ocorreu no caso concreto. Incumbe ao Fisco provar que o ato se fez na contra-mão da lei de . regência com o propósito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária Recurso Especial conhecido e negado no mérito." 4 Processo no 11080.008088/2001-71 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.900 Fl. 2.547 No julgamento do recurso especial da Fazenda, esta Primeira Turma afastou a exigência ao argumento de que nas operações societárias realizadas pela contribuinte não restou comprovada a simulação de ato jurídico. Os votos condutores nesse sentido foram dos conselheiros Carlos Alberto Gonçalves Nunes (Relator) e José Clóvis Alves, que declarou formalmente seu voto. Em sentido contrário, apresentou declaração de voto o conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima. Após cientificada desta decisão, a Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios (fls. 2.313/2.325) onde apontou imperfeição da decisão embargada "em função de omissão quanto ao exame individualizado de ponto essencial ao deslinde do feito e decorrente equivoco na análise documental". Sustentou a Fazenda em seus declaratórios que i) o acórdão partiu de uma premissa de fato equivocada, que levou a Turma a analisar situação diversa daquela contida nos autos; ii) o erro de fato consiste na afirmação de que não houve intimação dos acionistas, que teriam participado dos acordos 1 e 2; e iii) o acórdão teria sido omisso ao deixar de examinar tais intimações presentes nos autos, cuja suposta falta tornou improcedente o lançamento. Os embargos da Fazenda foram rejeitados de plano. Conforme despacho de 20.06.2009 (fls. 2.343/2344), o Presidente da CSRF acatou a proposta de rejeição formulada pelo então Presidente da Primeira Seção de Julgamento, o conselheiro Antônio José Praga de Souza que naquela ocasião pontuou: " (...) No presente caso, não há desacordo com a realidade observada, uma vez que, não houve a intimação especifica considerada necessária no acórdão embargado. A divergência de opinião acerca de sua necessidade não se configura erro de fato. Nem tampouco, a controvérsia em torno da suficiência das intimações efetivadas pela fiscalização para atender aos questionamentos levantados no voto do Relator e na declaração de voto do Conselheiro José Clóvis Alves." Em 05.08.2009, a Procuradoria da Fazenda tomou ciência da rejeição dos embargos, não se manifestando nos autos, que foram remetidos a unidade de origem. A Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre-RS, ao receber o processo com a decisão da Camara Superior, opôs novos embargos declaratórios (fls. 2.456/2.478), com fundamento no art. 65, § 1 2 do RICARF. 0 titular da unidade requer, por meio dos aclaratórios, a adequação do julgado as provas e argumentos apresentados e aos fatos efetivamente ocorridos. Em síntese, alegou haver i) obscuridade no fato de que a natureza jurídica do negócio ajustado é de compra e venda de participação societária; ii) que o chamado acordo nr2 2, ajustado entre as partes, constituiu prova material relevante no sentido de que os eventos alegados pela contribuinte não ocorreram, havendo portanto contradição no voto condutor do acórdão que o desconsiderou; e iii)que houve omissão no julgado no que se refere b. falta de exame do conjunto probatório trazido pela fiscalização. A admissibilidade dos embargos da DRF Porto Alegre-RS foi examinada em caráter preliminar pelo então Presidente da Primeira Seção de Julgamento, que assim se manifestou, conforme despacho de 16.10.2009 (fls. 2.493): Verifica-se que a embargante traz diversos pontos relevantes, não abordados nos embargos da douta Fazenda Nacional, que, a meu ver, devem ser levados a apreciação do Colegiado." Na sessão plenária de 25.01.2010, os embargos da DRF Porto Alegre-RS foram submetidos à apreciação desta Primeira Turma, que proferiu a seguinte decisão, constante do Acórdão n 2 9101-00.483 (fls. 2.494/2.509): "C ..) Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar as preliminares de não conhecimento dos embargos, sob a alegação de falta de competência da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre - RS para interpô-los, bem como pela preclusdo em face de o Procurador da Fazenda Nacional junto ao CARF ter interposto embargos anteriormente ao mesmo acórdão. Também pelo voto de qualidade, admitiram e conheceram dos embargos de declaração. Vencidos os conselheiros Valmir Sandri, Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni, João Carlos Lima Junior e Alexandre Andrade da Fonte Filho, que não conheciam dos embargos. No mérito, por maioria de votos, retificar o Acórdão CSRF n2 01-06.015, para dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e restabelecer integralmente as exigências tributárias dos autos de infração, vencidos os Conselheiros Karern Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, que negavam provimento ao recurso. 0 conselheiro Valmir Sandri apresenta declaração de voto." Produzindo efeitos modificativos na decisão embargada (Acórdão CSRF n 2 01 -06.015), o acórdão restou assim ementado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário.' 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. 0 Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal qual os Regimentos anteriores dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, não restringe a interposição de embargos pelo Delegado da Receita Federal apenas a questões relacionadas à execução do Acórdão, ainda que a Procuradoria da Fazenda Nacional tenha interpostos embargos com efeitos infringentes, rejeitados pelo presidente da CSRF. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatado que, partindo de premissa equivocada, o colegiado incorreu em omissão na apreciação de fundamentos e provas da acusação fiscal, cumpre acolher os embargos coin efeitos modificativos para sanar os vícios do julgado. IR?], SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES COM ÁGIO E ••• SUBSEQUENTE CISÃO - ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA — SIMULAÇÃO. Os negócios jurídicos envolvendo as reorganizações societárias de que tratam os fatos, com subscrição de ações coin ágio, seguida de imediata. cisão e entrega dos valores monetários referentes ao aumento de capital, precedida de pacto simulatório, e sem vivência dos riscos do negócio jurídico, revelam uma verdadeira alienação de participação societária e caracterizam a simulação, nos termos do art. 102, e seu inciso II, do Código Civil de 1916, uma vez que 6 Processo n° 11080.008088/2001-71 CSRF-T1 AcOrdao n.° 9101 -00.900 Fl. 2.548 os atos formais são apenas aparentes e diferem do negócio efetivamente praticado. Tais atos não são oponiveis ao fisco, e nessa situação é devido o tributo incidente sobre o ganho de capital obtido com a alienação do investimento. MULTA QUALIFICADA - A ocorrência de simulação, tendente a impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador ou de aspectos deste autoriza a cominação da multa de oficio qualificada (Art. 44, g da Lei n° 9.430/96). Embargos Acolhidos. Recurso Especial da Fazenda Nacional Provido, Credito Tributário Restabelecido Integralmente." Cientificada da decisão, a contribuinte opõe os presentes embargos (fls. 2.515/2.538), sustentando que o voto condutor do julgado padece de obscuridade, contradições e omissões que comprometem a sua lisura. Em seu arrazoado, enumera as seguintes imperfeições, em síntese: 1) omissão — a decisão omitiu-se quanto às disposições do Código Tributário Nacional que submetem os recursos administrativos ao principio da legalidade estrita; 2) omissão e contradição — admitindo-se a natureza recursal dos embargos, deveriam ser observados os pressupostos próprios dos recursos: legitimidade, unirrecorribilidade e preclusdo; 3) omissão e contradição — a decisão reconhece ser inviável reapreciar a questão da necessidade de intimações especificas, que constituiu o principal fundamento do acórdão embargado pela DRF Porto Alegre-RS, porém, reexamina o mérito como se as intimações fossem desnecessárias; 4) omissão e contradição — a decisão afirma que o efeito infringente dos embargos depende da existência de obscuridade, contradição ou omissão, porém, rejulga o caso sem que tenha sido apontado algum desses vícios; 5) omissão e obscuridade — a decisão afirma que a insuficiência das intimações seria premissa que teria obstado a apreciação dos Acordos 1 e 2, quando os votos vencedores deixam claro que tal insuficiência foi a conclusão a que se chegou após o exaustivo exame dos referidos acordos; e 6) omissão — omitiu-se o acórdão quanto ao fato de que não basta entender ter havido simulação para que seja aplicada a multa agravada, pois e necessário existir "evidente intuito de fraude". Após a juntada dos presentes embargos, os autos foram distribuídos a este Relator, designado conforme o disposto no art. 49, § 72, do Anexo II do RICARF, verbis: "Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. ,s5 7° Os processos que retornarem de diligencia, os corn embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente 7 de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc." É o relatório. 8 Processo no 11080.008088/2001-71 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101 -00.900 Fl. 2.549 Voto Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias, Relator ad hoc Os embargos de declaração da contribuinte foram apresentados tempestivamente e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento. Preliminarmente, é necessário consignar que a questão posta para apreciação deste Colegiado está circunscrita à resolução conferida aos segundos embargos declaratórios, opostos pela Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre-RS, em face do Acórdão CSRF n9 01 -06.015, de 14.08.2008. Não se inserem, portanto, na presente discussão, as questões de mérito amplamente debatidas no curso do processo nesta Corte. Por certo, a análise da questão não implicará revolver elementos e apreciações trazidas aos autos por ocasião dos recursos voluntário e especial. Dada a via estreita deste meio processual, é mister, A. luz da alegações da embargante, refazer o caminho da decisão embargada e identificar eventuais vícios de obscuridade, omissão ou contradição, que supostamente tornaram imperfeito o decisurn, sem, contudo, avançar sobre as questões de fundo do processo. A matéria sub judice nesta Corte cinge-se, portanto, à análise, sob o prisma processual, da última decisão proferida nos autos. No âmbito do Código de Processo Civil (CPC), os Embargos de Declaração possuem natureza recursal e são da espécie de fundamentação vinculada. Ou seja, são cabíveis somente nas hipóteses e situações expressamente definidas na lei ou regulamento. Tal como concebidos, os embargos poderão ser opostos quando a decisão efetivamente apresentar obscuridade, contradição ou omissão em questão sobre a qual necessariamente deveria o julgador se pronunciar. Nos limites dos embargos declaratórios, considera-se omissa a decisão que não se manifesta sobre: i) um pedido da parte; ii) todos os argumentos lançados pelas partes, quando se decidir pelo não acolhimento do pedido; e iii) questões de ordem pública, apreciáveis de oficio pelo julgador. Já a decisão obscura é aquela ininteligível, porque foi mal redigida, faltando clareza no seu enunciado. Por fim, a decisão é tida como contraditória quando traz proposições entre si inconciliáveis'. Estes constituem seus pressupostos objetivos, exigidos para sua regular resolução no processo. A não observância desses requisitos torna inviável o manejo dos embargos de declaração. Impossível acolher os embargos nas hipóteses e situações em que não forem demonstrados os vícios, que afinal vinculam sua fundamentação. Ao contrario, porém, na presença clara e irrefutável destes pressupostos, os embargos devem ser conhecidos e submetidos à apreciação do &go que proferiu a decisão, para que suas imperfeições sejam saneadas. DIDIER JR., Fredie; CUNHA, Leonardo José Carneiro da. Curso de Direito Processual Civil, v.3. 7. ed. Salvador: Editora Jus Podivm, 2009, pags. 183ss. 9 Nesta esfera judicante, o art. 64, inciso I do RICARF estabelece que são cabíveis Embargos de Declaração contra decisões proferidas pelos colegiados do CARP. Tal como concebidos no âmbito deste brgdo administrativo, os Embargos de Declaração constituem meio recursal que visa somente esclarecer obscuridade, suprir omissão ou dirimir contradição entre a decisão e seus fundamentos. Não se prestam como remédio processual adequado para viabilizar novo exame dos argumentos já apreciados pela decisão embargada e tampouco para fazer prevalecer o voto vencido nas decisões por maioria, como é o caso dos embargos infringentes previstos no CPC. Por possuírem natureza recursal de fundamentação vinculada, ao estabelecer suas hipóteses de cabimento, o Regimento Interno do CARP definiu os pressupostos objetivos, necessários ao seu processamento. Confira-se o art. 65, verbis: "Art. 65 Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. " (destacou -se) No julgamento dos embargos, o colegiado não profere nova decisão: apenas aclara a anterior. Dai a decisão em sede de embargos declaratórios não poder modificar o conteúdo da decisão embargada, mas apenas completá-la ou esclarecê -la. Quando supre uma omissão, por exemplo, prolata-se outra decisão que deve ser integrada A. primeira, mas nunca substitui-la em sentido estrito. Deste modo, a decisão proferida em sede de embargos compõe novo e integro decisum, desta vez, escoimado dos vícios que contaminavam a primeira manifestação. 0 processamento dos Embargos de Declaração implica admitir seu efeito devolutivo. A esse respeito, parte considerável da doutrina entende que para configurar-se tal efeito é suficiente que a matéria seja novamente devolvida ao órgão judicante para resolver os embargos. 2 0 efeito devolutivo nos embargos tem por consequência restituir ao órgão julgador a oportunidade de manifestar-se no sentido de aclarar a decisão obscura, completar a decisão omissa ou afastar a contradição de que padece a decisão. Não obstante este efeito complementar e integrador, próprio da decisão proferida em sede de embargos, poderá ocorrer situações em que, ao se eliminar os vícios que maculam a decisão embargada, advirão excepcionalmente efeitos modificativos. A doutrina e a jurisprudencia3 tem admitido o efeito infringente dos embargos nos casos de suprimento de omissão e extirpação de contradição. Quando se trata de suprir omissão, não há dúvida que a decisão que acolheu os embargos inova abertamente, pois neste ponto diz mais que a outra. Havendo contradição, ao adaptar ou eliminar alguma das proposições constantes da parte decisória, a nova decisão altera, de certo modo, a anterior. Na hipótese de obscuridade, porém, o que faz o novo pronunciamento é só esclarecer o teor do primeiro, conferindo-lhe interpretação autentica. 4 importante frisar, contudo, que a eventual modificação do julgado não pode ser o objeto dos embargos de declaração, mas mera consequência de seu provimento. Em 2 Neste sentido, NERY JUNIOR, Nelson. Teoria Geral dos Recursos. 6 ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2004, pags. 436/437. 3 Nesse sentido, a seguinte decisão do STJ: "E admitido o uso de embargos de declaração com efeitos infringentes, em caráter excepcional, para a correção de premissa equivocada, com base em erro de fato, sobre a qual tenha se fundado o acórdão embargado, quando tal for decisivo para o resultado do julgamento" (EDcl no REsp 599653/SP, 3' Turma, Min. Nancy Andrighi, DJ de 22.08.2005). 4 BARBOSA MOREIRA, José Carlos. Comentários ao Código de Processo Civil, volume V. 13. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2006. 10 Processo n° 11080.008088/2001-71 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.900 Fl. 2.550 decorrência de sua finalidade, os embargos declaratórios não podem ser acolhidos se manejados com o manifesto propósito de reapreciar elementos de prova ou reverter matérias já alcançadas pela preclusdo consumativa. O caráter infringente dos embargos 6, portanto, excepcional e incide normalmente quando se tratar de recurso com o objetivo de suprir omissão ou de espancar contradição (NERY JUNIOR, 2004, p. 437). E, para ser legitimo, o efeito modificativo só terá lugar quando a alteração da decisão for consequência necessária do acolhimento dos embargos. Tecidas estas considerações iniciais, passo então, a analisar as razões da embargante. Na primeira alegação (item 1 do relatório), a embargante indica o vicio de omissão no acórdão recorrido (fls. 2.518). Argumenta que "ao afirmar que não existe no sistema processual vigente qualquer disposição que vede a alteração do julgado por meio de embargos declaratórios," o voto condutor omitiu-se quanto as disposições do Código Tributário Nacional (CTN) que submetem os recursos administrativos ao principio da legalidade estrita. Fundamentou, afirmando que o CTN, ao estabelecer normas gerais em matéria tributária, exige lei formal para dispor sobre os recursos administrativos. Segundo a recorrente, é o que se verifica da conjugação do art. 97, inciso VI (somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários) com o art. 151, inciso III (suspendem a exigibilidade do crédito tributário: as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo). Como a apresentação de reclamações e recursos suspende a exigibilidade do crédito tributário e as hipóteses de suspensão e extinção só podem ser previstas em lei, segue-se a conclusão de que somente a lei pode disciplinar o contencioso administrativo tributário. Mais adiante, conclui: "portanto, o acórdão não se pronunciou sobre ponto fundamental para sustentar sua conclusão, qual seja, a impossibilidade de dar-se efeito de verdadeiro recurso aos embargos declaratórios, sem previsão em lei. (...) Ao contrário do afirmado (no acórdão), existe vedação expressa à alteração de decisão administrativa, sendo pelos recursos legalmente previstos." E arremata: "os embargos da DRF Porto Alegre-RS não poderiam ter sido recebidos com efeito modificativo, posto que a lei aplicável não o admite (...)" (os destaques não são do original) Como é cediço, a omissão capaz de tornar imperfeita a decisão é aquela que versa sobre ponto sobre o qual o julgador deveria necessariamente se manifestar. A ausência de sua manifestação sobre este ponto, que deve ser crucial para a resolução do litígio, resulta em uma decisão seriamente prejudicada pela conclusão equivocada a que se chega. A omissão a ser suprida pela via dos embargos deve ser relevante ao ponto de tornar fortemente comprometida a decisão recorrida. Por conta da omissão verificada, a decisão viciada desafia os elementos basilares constantes dos autos e se afasta lateralmente da questão controvertida, que deveria ter sido apreciada em sua totalidade e efetivamente não o foi. Consoante este raciocínio, com relação a esta primeira alegação entendo que não restou caracterizado o vicio de omissão. Com efeito, se o acórdão não se pronunciou sobre ponto fundamental para sustentar sua conclusão, como assevera a embargante, o que faltaram, supostamente, foram fundamentos mais consistentes para sustentação da tese, não se 11 verificando, entretanto, uma ausência de manifestação (omissão), passível de ser suprida pela via aclaratória. In casu, aponta a embargante que "o voto condutor omitiu-se quanto às disposições do Código Tributário Nacional (CTN) que submetem os recursos administrativos ao principio da legalidade estrita" e que "o acórdão não se pronunciou sobre ponto fundamental para sustentar sua conclusão, qual seja, a impossibilidade de dar-se efeito de verdadeiro recurso aos embargos declaratórios, sem previsão em lei". Ocorre que esta questão (efeito de verdadeiro recurso aos embargos sem previsão em lei) não vinha sendo agitada no curso do processo e, portanto, não haveria que necessariamente ser abarcada pela decisão, como pretende a embargante. Se assim fosse, toda decisão proferida 6, de certo modo omissa, pois sempre será possível suscitar uma linha argumentativa diferente daquela adotada pelo julgador. Por estas razões, considero, neste caso, que a insuficiência de fundamentos para sustentar a conclusão sobre o recebimento dos embargos não é o bastante para caracterizar o vicio de omissão no acórdão recorrido. Para fins de embargos, a omissão que exige suprimento da decisão, é aquela que se configura em torno de ponto sobre o qual deveria necessariamente pronunciar-se o julgador. A insatisfação da parte com os fundamentos adotados para decidir não pode ser atacada pela via estreita dos embargos de declaração, mas de recurso que possibilite rever o mérito do julgamento. Em sua segunda alegação (item 2 do relatório), a embargante indica que o acórdão recorrido incorreu em omissão e contradição ao não observar os pressupostos próprios dos recursos, quais sejam: legitimidade, unitTecorribilidade e preclusão. Assevera que o Relator, "contraditoriamente, não se pronunciou sobre o fato de que não foram observadas as regras processuais atinentes ao cabimento de embargos declaratórios contra o mérito da decisão da CSRF, por terem sido opostos por órgão sem capacidade de representação da Unido e também porque já haviam sido apresentados embargos anteriormente pela PF1V, rejeitados por decisão definitiva." E prossegue: "omitindo-se quanto a tais questões, o voto condutor procura justificar o cabimento do recurso da DRF-POA afirmando, simplesmente. que, tanto o RICARF atual, quanto o RICSRF anterior, admitem "a possibilidade da unidade de origem do processo" opor embargos declaratórios. Sucede que a fundamentação do voto não é suficiente, ern si, para refutar as questões preliminares que obstam o conhecimento do recurso." Em seguida, faz alusão ao teor do voto vencido para destacar que "as questões que impedem o conhecimento dos embargos da DRF-POA foram abordadas com inteira propriedade na declaração de voto do Conselheiro Valmir Sandri (...)" e as transcreve. Ao final, conclui: "como se constata, a fundamentação do voto majoritário não se sustenta diante das considerações do voto vencido (...)" (os grifos não constam do original) Para o exame desta alegação, que versa sobre o conhecimento dos embargos da DRF, recorro aos exatos termos da decisão, cujo excerto merece transcrição na sua integralidade: De inicio, há que se verificar a possibilidade de conhecimento dos embargos da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre (RS). Pois bem, a Portaria MF n2 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, estabelece em seu Anexo II: 12 Processo n° 11080.008088/2001-71 CSRF-T1 Acórcldo n.° 9101-00.900 Fl. 2.551 'Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. § 12 Os embargos de declaração poderão ser interpostos por conselheiro da turma, pelo Procurador da Fazenda Nacional, pelos Delegados de Julgamento, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Camara, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. ,5S' 22 0 presidente da Camara poderá designar conselheiro para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração opostos. 5S 3 2 0 despacho do presidente será definitivo se declarar improcedentes as alegações suscitadas, sendo submetido a deliberação da turma em caso contrário. ,§ 42 Do despacho que rejeitar os embargos de declaração sera dada ciência ao embargante. 5S. 52 Os embargos de declaração opostos tempestivamente interrompem o prazo para a interposição de recurso especial. 62 As disposições deste artigo aplicam-se, no que couber, às decisões em forma de resolução. "(grifei). Por seu turno, o art. 66 do aludido RI do CARF, que cuida do tratamento de erros materiais, lapsos manifestos e erros de cálculo em acórdãos, estabelece: 'Art. 66 As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. ‘§' 12 Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrivel do presidente, o requerimento que não demonstrar com precisão a inexatidão ou o erro, § 22 Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele, que poderá propor que a matéria seja submetida à deliberação da turma. 3S. 32 Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, dar-se -á ciência ao requerente." (grifei), 0 regimento anterior da CSRF, aprovado pela Portaria MF 147/2007 (anexo II), em vigor na data do julgamento do acórdão embargado, continha, exatamente esses mesmos dispositivos (artigos 41 e 42). 13 Observo que há nítida diferenciação entre as hipóteses de embargos tratadas no art. 67 com a do art. 68 do atual R1 -CARF (sic). Todavia, o Regimento prevê a possibilidade da unidade de origem do processo em ambos. Do exposto, seja a luz do art. 67 (sic), para verificar eventual omissão/contradição do acórdão, seja do art. 68 (sic), se observado lapso manifesto, os aludidos embargos devem mesmo ser apreciados pela colenda Primeira Turma da CSRF." (os destaques são do original) Quanto ao conhecimento dos embargos, o acórdão concluiu com o seguinte trecho em sua ementa: "EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. 0 Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal qual os Regimentos anteriores dos Conselhos de Contribuintes e da Camara Superior de Recursos Fiscais, não restringe a interposição de embargos pelo Delegado da Receita Federal apenas a questães relacionadas a execução do Acórdão, ainda que a Procuradoria da Fazenda Nacional tenha interpostos embargos com efeitos infringentes, rejeitados pelo presidente da CSRF." Conforme se depreende da breve argumentação acima transcrita e da ementa correspondente ao conhecimento dos embargos, verifica-se que, de fato, a fundamentação do voto condutor não apresenta a mesma amplitude e profundidade quando comparada ao extenso arrazoado constante do voto vencido. No entanto, há que se reconhecer que estes foram os argumentos da tese vencedora na sessão plenária. Tomando por empréstimo os termos da embargante, a constatação de que, i) na questão do conhecimento, a fundamentacdo do voto não foi suficiente e o ii) fato dela não se sustentar diante do voto vencido, não são bastantes para caracterizar a omissão ou contradição, assim entendidos como pressupostos dos embargos declaratórios. Como dito acima, a omissão a ser suprida pela via dos embargos deve ser substancial ao ponto de tornar imperfeita a decisão recorrida, eis que recai sobre ponto sobre o qual o julgador deveria necessariamente se pronunciar. A alegada insuficiência na fundamentação do voto condutor e o fato dela não se sustentar ante os argumentos do voto vencido não configuram, por si só, vícios necessários o bastante para o acolhimento dos embargos. A contradição, ao seu turno, deve ser verificada no plano horizontal da decisão. Ou seja, no corpo da decisão deve restar clara a justaposição de proposições inconciliáveis entre si. No que diz respeito ao pressuposto objetivo dos embargos de declaração contradição, não há que se falar em discrepância entre a decisão o conteúdo dos autos, mas em erro lógico que impede que as premissas enfeixadas pelo julgador se coadunem com as suas conclusões. Este erro lógico na construção da decisão a tornam imperfeita e justificam o acolhimento dos embargos, para que a contradição seja eliminada mediante a correção do decisum. Assim, no que diz respeito à. parte do acórdão que trata do conhecimento dos embargos da DRF, não obstante as ponderações da embargante, verifica-se não estarem presentes, nos exatos termos aqui explicitados, os vícios de omissão e contradição, suficientes para ensejar o acolhimento dos embargos. 14 Processo n° 11080.008088/2001-71 CSRF-T1 Acórclao n.° 9101-00.900 Fl. 2.552 Assevera ainda a recorrente (item 3 do relatório) que o acórdão embargado incorreu em omissão e contradição, pois "a decisão reconhece ser inviável reapreciar a questão da necessidade de intimações especificas, que constituiu o principal fundamento do acórdão embargado pela DRF-P0A, porém, reexamina o mérito como se as intimações fossem desnecessárias" (fls. 2.526). Alega a recorrente que se a decisão original da CSRF apresentava como uma das questões fundamentais a necessidade de intimações especificas, não seria possível reapreciar o caso, em sede de embargos, sem examinar tal ponto. Acrescenta, ainda, que a contradição está no fato do acórdão embargado, de um lado, rejeitar nova discussão acerca da necessidade de intimações especificas, e de outro, examinar os acordos de acionistas sem enfrentar essa questão, considerada essencial para os conselheiros que negaram provimento ao Recurso Especial. Passo a análise desta argumentação. No que diz respeito aos supostos vícios ensejadores do acolhimento dos embargos da DRF, verifica -se que o voto condutor tratou a questão em duas partes distintas. Na primeira, o ilustre Relator aborda a discussão sobre a necessidade de intimações especificas por parte da fiscalização. Tal ponto tornou-se o fundamento da decisão original da CSRF que afastou a hipótese de simulação ante a ausência de tais intimações: Necessário transcrever os seguintes trechos da decisão ora embargada: Pois bem, no julgamento do recurso especial da PFN, realizado pela P Turma da CSRF em 14/10/2008, prevaleceu o entendimento de que não restou comprovada a simulação de ato jurídico. Os votos nesse sentido foram capitaneados pelo inclito relator Carlos Alberto Gonçalves Nunes e pelo nobre conselheiro José Clóvis Alves, o primeiro a votar, que obteve vista dos autos e apresentou declaração de voto. Ambos afirmaram ao colegiado e registraram em seus votos que a comprovação da simulação dependeria da intimação dos acionistas que celebra ram os chamados "Acordo 1" e o "Acordo 2". Vejamos o posicionamento dos conselheiros, registrados em seus votos: (.-.) A embargante afirma com veemência que essas intimações foram efetivamente realizadas pela fiscalização, nos seguintes trechos que transcrevo: (...)" (negritou - se) Como se depreende das partes destacadas, o voto condutor da decisão ora embargada reconhece e destaca que a decisão da CSRF, apoiada nos votos dos mencionados conselheiros, afastou a exigência 'ao argumento de que não restou comprovada a simulação de ato jurídico. Para o colegiado, naquela ocasião, a comprovação da simulação dependeria da intimação dos acionistas que celebraram os chamados "Acordo 1" e o "Acordo 2". São transcritos em seguida excertos dos embargos da DRF Porto Alegre pelos quais atestam que as referidas intimações, cuja existência, o colegiado havia condicionado para o reconhecimento do pacto simulatório, efetivamente foram realizadas e constavam dos autos. Na sequência, o voto condutor menciona que o colegiado, acolhendo o entendimento dos conselheiros José Clovis Alves e Carlos Alberto Gonçalves Nunes, entendeu que estas intimações foram insuficientes e não atendiam ao esperado. E acrescenta: 15 Em verdade, quanto a esse ponto, os novos embargos apenas repisam com maior profundidade os argumentos dos embargos da Fazenda Nacional, que na apreciação asseverei "Não pode ser caracterizado como erro de fato o entendimento de que seria necessário uma intimação especifica para comprovar a ocorrência de um dado acontecimento". Pelo até aqui fundamentado, os novos embargos também deveriam ser rejeitados de plano." (negritou-se) Ao afirmar que os novos embargos apenas repisam com maior profundidade os argumentos dos embargos da Fazenda Nacional e que os mesmos foram rejeitados de plano, pode-se inferir que a conclusão do voto condutor é de que os embargos da DRF, apoiados sobre as mesmas justificativas, da mesma forma que os embargos da PFN, também deveriam ser rejeitados. Na linha de raciocínio do voto condutor, tornou-se despiciendo averiguar a necessidade das referidas intimações para comprovação do pacto simulatório. Conforme arrematou, os novos embargos apenas reforçam a argumentação anterior da PFN, a qual foi refutada ao argumento de que "não pode ser caracterizado erro de fato, o entendimento de que seria necessária uma intimação especifica.. ". No entanto, verifica-se que o voto condutor, reconhecendo ter havido equívocos na análise dos autos, justifica o acolhimento dos embargos da DRF e novo exame do mérito, "C..)à luz da inteireza das provas dos autos, escoimada a premissa de que a falta de intimação para esclarecer o motivo e a forma dos chamados "Acordos 1 e 2" retiraria o valor probante desses documentos." (fls. 2.497 verso) (negritou- se) Ora, se de um lado, assevera a impossibilidade de se (re)examinar a necessidade de novas intimações em face daquelas já realizadas pela fiscalização, não poderia, de outro, ter considerado desnecessárias as intimações especificas mencionadas nos votos dos conselheiros Carlos Alberto e José Clóvis. Por outras palavras, se o acórdão original da CSRF fundamentou-se na "necessidade de intimações especificas", e isso se tornou precluso e definitivo com a rejeição dos embargos da PFN, não poderia reapreciar o caso, mediante nova verificaclio do valor probante dos Acordos I e 2, sem examinar a questão das intimações. Com efeito, não poderia eximir-se da discussão acerca da necessidade de intimações especificas, e ao mesmo tempo, examinar os referidos acordos sem enfrentar essa questão, considerada essencial para os conselheiros que negaram provimento ao Recurso Especial. Restaram, portanto, inconciliáveis estas proposições do voto condutor. Assim, entendo que neste ponto o acórdão incorreu em contradição. No outro fundamento dos embargos (item 4 do relatório), a recorrente aponta que a decisão também incorreu em omissão e contradição ao afirmar que o efeito infringente dos embargos depende da existência de obscuridade, contradição ou omissão, porém, rejulgu o caso sem que tenha sido apontado algum desses vícios (fls. 2.527). Assevera que o acórdão embargado omitiu-se em apontar obscuridade, contradição ou omissão na decisão anterior da CSRF, cuja apreciação pudesse levar à revisão do julgado. Ao rever o mérito da decisão embargada, contrariou suas próprias premissas. 16 Processo n° 11080.008088/2001-71 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.900 Fl. 2.553 Vejamos. Após transpor a questão das intimações, na segunda parte da fundamentação do acolhimento dos embargos, o Relator assevera que o colegiado da CSRF, naquela ocasião incorreu em grave omissão. Em síntese, o voto indica que a omissão apontada nos embargos diz respeito a não "apreciação da principal prova trazida aos autos pela fiscalização: o documento denominado Acordo 2". Ato continuo, transcreve na integra a declaração de voto do conselheiro Marcos Neder, e a adota como razão de decidir, sem qualquer reparo, complementação ou comentário à tese do conselheiro. Conforme alega a embargante, há o vicio de contradição entre estas proposições do acórdão. De fato, revisando o texto do voto condutor, é possível identificar dois pontos relacionados entre si, em que as proposições formuladas na fundamentação são inconciliáveis. Quanto ao primeiro, oportuna a transcrição do trecho do voto em que o Relator demonstra a existência do vicio de omissão (fls. 2.497 verso): "Todavia, ao prosseguir na análise os embargos da DRF Porto Alegre, transpondo essa "barreira" da intimação, pude perceber a grave omissão que o colegiado da CSRF incorreu: calcados na premissa da falta ou insuficiência da intimação, simplesmente deixamos de apreciar com a devida profundidade o valor probante e o conteúdo dos Acordos 1 e 2, que se constituem a principal prova trazida aos autos pela fiscalização." (negritou-se) Nos seus próprios termos, o Relator, ao analisar os embargos da unidade, pôde perceber a grave omissão que o colegiado havia incorrido, qual seja: simplesmente deixou-se de apreciar com a devida pronfundidade o valor probante e o conteúdo dos acordos I e 2, que se constituem a principal prova trazida aos autos pela fiscalização. Admitir a existência de omissão grave, in casu, implica constatar a absoluta ausência de manifestação quanto aos elementos que deveriam ser apreciados. No entanto, ao explicitar o que seria a grave omissão, o voto condutor afirma que o colegiado deixou de apreciar com a devida profundidade o valor probante e o conteúdo dos acordos 1 e 2, mas que de alguma forma, indevida (supostamente), foi analisado pelo Colegiado. Se a omissão constatada era de que o colegiado não apreciou com a devida profundidade, é possível inferir que o colegiado apreciou com pouca profundidade ou corn profundidade insuficiente para suas corretas conclusões. Ora, se houve apreciação com alguma profundidade, não restou caracterizada a absoluta ausência de manifestação. lid clara distinção entre "deixar de apreciar" a questão e "apreciá-la de forma supostamente inadequada ou insuficiente". A ma apreciação dos elementos probatórios carreados ao processo pode configurar o erro in iudicando, mas não caracteriza, por si só, o vicio da omissão, tida como pressuposto para o acolhimento dos embargos. Portanto, não poderia assegurar que houve grave omissão e, ao mesmo tempo, afumar que deixou de apreciar com a devida profundidade, deixando implícito que de algum modo foi apreciado. Estas proposições são contraditórias. 0 segundo ponto também está relacionado ao vicio de omissão e, da mesma forma se mostra contraditório. Para facilitar o exame, oportuno transcrever o trecho inicial das razões de mérito do voto condutor (fls. 2.498 verso): 17 "MÉRITO Adentrando ao mérito, cumpre ir direto ao ponto da omissão apontada nos embargos, a apreciação da principal prova trazida aos autos pelo fiscalização (sic): o documento denominado Acordo 2. Peço vênia para adotar, na integra, os fundamentos da declaração de voto do conselheiro Marcos Neder, juntada ao acórdão CSRF 01 -06015. Registre -se que esta declaração de voto não foi trazida durante o julgamento na CSRF e sim posteriormente, no prazo regimental. Observo que o conselheiro Neder, supera a questão que deixou de ser transposta na assentada de 14/10/2008, considerando que a intimação seria inócua, e aprecia o valor probante do Acordo 2, que a meu ver acabou sendo omitido durante o julgamento. Passo h. transcrição com grifos deste relator. (...)" (Negritou-se) Neste trecho do acórdão, o voto condutor trata de sanar o vicio de omissão apontado pelos embargos da DRF. Inicia a resolução do mérito afirmando "cumpre ir direto ao ponto da omissão apontada nos embargos, a apreciação da principal prova trazida aos autos pela fiscalização". A assertiva indica que o mérito dos embargos abrangerá "a apreciação da principal prova dos autos", uma vez que, em razão da omissão apontada, o colegiado, sobre ela, não havia ainda se pronunciado. Como dito anteriormente, admitir a omissão na apreciação da principal prova trazida aos autos implica na absoluta ausência de qualquer manifestação, sendo que no caso concreto, os declaratórios já acolhidos se prestariam para suprir a suposta omissão e integrar a decisão embargada com a apreciação da prova que não havia sido antes apreciada. Entretanto, não foi o que se verificou nos autos. Ao suprir a omissão apontada, são aduzidos integralmente ao acórdão, os fundamentos da declaração de voto do conselheiro Marcos Neder, proferido na mesma sessão plenária. Necessário registrar que, à transcrição da referida declaração de voto que ocupou as folhas 2.498 a 2.503 do acórdão, não foram apresentadas novas considerações, reforçando ou complementando as razões do conselheiro Neder. Ao percorrer o texto transcrito, não é possível constatar nova abordagem ou argumentação inédita em torno do denominado Acordo 2, suficiente o bastante para demonstrar que no julgamento dos embargos da DRF estava sendo suprida a omissão do acórdão original da CSRF. Alem disso, o fato da declaração de voto ser formalizada em momento posterior ã. sessão plenária não pelmite caracterizar a omissão no julgado, quanto aos elementos por ela abordados. Por ser um orgdo colegiado, o julgamento se da com a prévia manifestação oral dos membros da turma. Após vistos os autos, relatados e discutidos, o membros do colegiado proferem o acórdão. Não é crível, portanto, supor que os elementos trazidos pelo conselheiro Neder em sua declaração de voto, constituíssem argumentos inéditos que não haviam sido apresentados oralmente durante a sessão plenária. Esta constatação pode ser demonstrada pela transcrição de trechos da referida declaração de voto transpostos para o corpo da decisão embargada: 18 Processo n° 11080.008088/2001-71 CSRF-T1 Acórdao n.° 9101 -00.900 Fl. 2.554 2) Negócio jurídico entre a TELFONICA e os acionistas minoritários Consta dos autos a realização de um acordo 2 de acionistas celebrado em 15 de junho de 1999, entre Telefônica Interactiva do Brasil Ltdar, MLSP-Comércio e Participações Ltda. e Silvia Nora Bern° de Jesus, que são os sócios remanescentes após a retirada da principal acionista - RBS. 0 mencionado acordo 2 de acionista ficou pactuado que os acionistas minoritários poderiam exercer opção de venda de suas ações da NUTEC contra a TELEFONICA, atendidas determinadas condições. Por este instrumento, ficou também acertado que, de acordo com o período de opção, os minoritários receberiam o equivalente a 4% do "total pago pela Telefônica para a subscrição de suas ações na sociedade". (fls. 2.502) (...) Na verdade, a ausência da RBS nesse acordo 2 faz todo o sentido, pois os acionistas minoritários precisavam ter certeza que seus direitos (v.g., recebimento dos 4% do total subscrito, recompra das ações e outras garantias) seriam preservados após a execução do conjunto de operações que ali se iniciavam e esse acordo s6 poderia ser firmado com a nova acionista majoritária — TELEFONICA, Era preciso se garantir, antes da saída da RBS e subscrição das ações, a situação dos minoritários. Se a TELFONICA não firmasse o acordo 2, os minoritários não concordariam com os passos seguintes do planejamento tributário e o negócio poderia não se realizar. Ao contrário do que sustenta a recorrida, a ausência da RBS, a meu ver, reforça a acusação de prévio conhecimento de toda a operação. Até porque as justificativas apresentadas pela defesa de que está sendo forçada a sair do negócio não são convincentes diante das inúmeras provas em sentido contrário. (fls. 2.502 verso) (. ..) claro que a fiscalização empreendeu os esforços possíveis para apurar a verdade dos fatos durante os trabalhos de auditoria. Assim, não vejo como, diante do robusto quadro probatório, julgar improcedente o lançamento fiscal por não ter sido perguntado aos envolvidos na simulação qual seria, na opinião deles, o negócio válido: o pacto simulatório (acordo 2) ou os negócios formais e aparentes que foram apresentados a fiscalização (acordo 1, contrato de subscrição e revogação)." (fls. 2.503) (os negritos são do original) Como se dessume do teor e abrangência das discussões travadas em torno do chamado Acordo 2 ao longo das sessões, sobretudo as constantes na aludida declaração de voto, não é possível admitir que o acórdão incorreu em omissão ao não apreciar a principal prova trazida aos autos. In casu, a contradição da decisão embargada é caracterizada quando o voto condutor afirma que o acórdão original da CSRF incorreu em grave omissão na apreciação de elemento de prova e ao mesmo tempo, intenta suprir a omissão aduzindo idêntica argumentação constante de voto (vencido) integrante do mesmo acórdão. Caso estivéssemos diante de flagrante omissão no julgado, em hipótese alguma seria ela suprida por elementos amplamente já discutidos nos autos. Com efeito, quando o voto condutor afirma, de um lado, que o acórdão original da CSRF incorreu em grave omissão na apreciação de elemento de prova e, de outro, intenta suprir a omissão aduzindo cf 19 idêntica argumentação constante de voto (vencido) integrante do mesmo acórdão, tornou contraditória a decisão. Verificadas e demonstradas estas contradições (itens 3 e 4 do relatório), os presentes embargos devem ser acolhidos para .que sejam saneadas as imperfeições do decisum. Como dito acima, os embargos restituem ao órgão julgador a oportunidade de manifestar-se no sentido de aclarar a decisão obscura, completar a decisão omissa ou afastar a contradição de que padece a decisão. Deste modo, uma vez acolhidos os embargos, estes devem perfectibilizar a decisão, mediante o afastamento das imperfeições apontadas. Assim, no caso dos autos, devem ser afastadas as proposições contraditórias que: i) afirmam a impossibilidade de se reexaminar a necessidade de intimações especificas para esclarecer o Acordo 2 e, ao mesmo tempo, propõe-se o novo exame do valor probante deste mesmo Acordo 2, afastando a questão das intimações (item 3 do relatório); e as que ii) atestam a existência do vicio de omissão quanto à apreciação do chamado Acordo 2 e, ao mesmo tempo, supre a decisão com os mesmos termos do voto vencido que já integrava a decisão (item 4 do relatório). Quanto A. primeira contradição, em definitivo, não poderia o voto condutor da decisão ora embargada eximir-se da discussão acerca da necessidade de intimações especificas, e ao mesmo tempo, examinar o referido Acordo 2 sem enfrentar essa questão, considerada essencial para os conselheiros que negaram provimento ao Recurso Especial. Com efeito, se de um lado, assevera a impossibilidade de se (re)examinar a necessidade de novas intimações em face daquelas já realizadas pela fiscalização, não poderia, de outro, ter considerado desnecessárias as intimações especificas mencionadas nos votos dos conselheiros Carlos Alberto e José Clóvis. Por outras palavras, se o acórdão original da CSRF fundamentou-se na "necessidade de intimações especificas", e isso se tornou precluso e definitivo com a rejeição dos embargos da PFN, não poderia reapreciar o caso, mediante nova verificação do valor probante do Acordo 2, sem examinar a questão das intimações. Portanto, para eliminar esta contradição do acórdão, é mister reconhecer que na resolução dos embargos, a decisão do Colegiado restou prejudicada em suas conclusões porquanto a necessidade de intimações especificas, tida como questão fundamental pelos conselheiros Carlos Alberto e José Clóvis e preclusa no acórdão da CSRF, não havia sido satisfeita. Quanto A. segunda contradição, o voto condutor não logrou êxito em demonstrar que o acórdão original da CSRF incorreu em grave omissão. Isto porque , ao suprir a suposta omissão, aduzindo idêntica argumentação constante de voto (vencido) integrante do mesmo acórdão, estava negando sua própria afirmação. Na verdade, não restou demonstrada a alegada omissão na aprcciacdo do chamado Acordo 2, o qual seria a principal prova trazida aos autos. Para comprovar a hipótese de vicio de omissão, o voto condutor deveria se socorrer de argumentos inéditos no processo, ou seja, elementos que efetivamente itestassem que não houve qualquer apreciação daquela prova. A fundamentação, calcada em elementos discutidos ao longo da sessão plenária e transcritos na declaração de voto adotada em sua 20 Processo n° 11080.008088/2001-71 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.900 Fl. 2.555 integra, sem qualquer eomplementação ou argumentação adicional, implica em negar a existência da (suposta) omissão. Portanto, não restou comprovada a omissão apontada. Assim, é forçoso admitir que o acórdão original da CSRF não padecia de vicio capaz de ensejar o acolhimento dos embargos da DRF. Afastadas, desta forma, as imperfeições do acórdão ora embargado, resta, ao final, definir os efeitos da presente decisão. A doutrina leciona que a decisão proferida em sede de embargos possui o chamado efeito integrativo. 5 Isto significa que o acórdão objetiva integrar, complementar, aperfeiçoar a decisão embargada, com vistas a exaurir a atividade judicante que se encontra inacabada, imperfeita ou incompleta. 0 novo acórdão forma com o anterior um integro decisum, desta vez, escoimado dos vícios que contaminaram a primeira manifestação. A doutrina e a jurisprudência têm admitido o efeito infringente dos embargos 6 nos casos de afastamento de contradição. Nestes casos, ao adaptar ou eliminar alguma das proposições constantes da parte decisória, a nova decisão modifica, de certo modo, a anterior. Isto porque, ao perfectibilizar a decisão inquinada pelo vicio da contradição, necessariamente afasta uma das proposições, implicando em modificar o julgado. Deve-se consignar que a eventual modificação do julgado não pode ter sido o objeto dos embargos de declaração, mas mera consequência de seu provimento. É assente, neste sentido, que em decorrência de sua finalidade, os embargos declaratórios sequer podem ser acolhidos se manejados com o manifesto propósito de alteração da decisão embargada. O caráter infringente dos embargos 6, portanto, excepcional e pode incidir normalmente quando se tratar de aclaratórios com o objetivo de espancar contradição, como neste caso. Estes efeitos modificativos, frise-se, são excepcionais e decorrentes do afastamento das imperfeições que inquinavam a decisão anterior e não resultam de novo julgamento de mérito, vedado por esta via recursal. Assim, para ser legitimo o caráter infringente, somente deve ocorrer quando a alteração da decisão for consequência necessária do acolhimento dos embargos. Entendo que este é o caso dos autos. Ao se eliminar as proposições que atestavam a existência dos vícios de contradição e omissão no acórdão embargado pela DRF, restando o entendimento de que a decisão original da CSRF não mais possui imperfeições que a inquinam, torna-se imperioso afastar os efeitos integradores antes conferidos pelo julgamento dos embargos da DRF, advindos com o acórdão ora recorrido. Em consequência, corn o afastamento dos efeitos modificativos proporcionados pelo Acórdão CSRF n2 9101-00.483, de 25.01.2010, resta, para todos os 5 SOUZA, Bernardo Pimentel. Introdução aos recursos civeis e a ação rescisória. 2 ed. Belo Horizonte: Mazza, 2001, p. 298. 6 Nesse sentido, a seguinte decisão do STJ: "E admitido o uso de embargos de declaração com efeitos infringentes, em caráter excepcional, para a correção de premissa equivocada, com base em erro de fato, sobre a qual tenha se fundado o acórdão embargado, quando tal for decisivo para o resultado do julgamento" (EDcl no REsp 599653/SP, 3 a Turma, Min. Nancy Andrighi, DJ de 22.08.2005). como voto. Claudemi 1.4 es Malaqui s — Relator ad hoc. efeitos, integro, sem novo julgamento de mérito, o Acórdão CSRF n 01-06.015 (fls. 2.273/2.309), proferido na sessão plenária de 14.08.2008. Por derradeiro, cumpre consignar que, em face do acolhimento destes aclaratórios pelas razões acima, restou prejudicada a análise das demais alegações da recorrente, indicadas nos itens 5 e 6 do relatório deste voto. Em razão de todo o exposto, direciono meu voto no sentido de CONHECER os embargos opostos pela contribuinte para, no mérito, ACOLHE-LOS, conferindo-lhes efeitos infringentes para rerratificar o Acórdão CSRF n2 9101-00.483, de 25 de janeiro de 2010, restabelecendo-se, sem novo julgamento de mérito, o Acórdão CSRF n2 01-06.015, de 14 de agosto de 2008. 22 Processo n° 11080.008088/2001-71 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.900 Fl. 2.556 Declaração de Voto Após a leitura atenta das peças deste processo e dos memoriais apresentados tanto pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) como pelo ilustre patrono do contribuinte, cumpre-me, em colaboração ao deslinde das questões postas, apresentar esta breve declaração de voto. 2. Inicialmente, peço vênia ao Conselheiro Relator, para divergir das suas conclusões, pelas razões a seguir expostas 3. Não obstante reconheçamos que a decisão ora embargada, proferida no Acórdão no 901-00.483, tenha incorrido em vários erros in iudicando, especialmente, ao dar provimento aos embargos de declaração quando não verificado qualquer omissão, obscuridade ou contradição no teor do Acórdão CSRF no 01 -06.015 — que julgou o Recurso Especial da PFN, da mesma forma, não se verifica naquele, digo no teor do Acórdão no 901-00.483, qualquer omissão, contradição o obscuridade que autorize o acolhimento dos presentes embargos. 4. Nesse sentido, analisemos cada uma das razões apresentadas pelo contribuinte para fundamentar a interposição dos embargos de declaração ora sub examine: "lo - Omissão. Limites dos embargos de declaração no processo administrativos fiscal. Ausência de natureza recursal. Inexistência de previsão legal. Impossibilidade de reversão da decisão proferida em Recurso Especial." "2o - Omissão e contradição. Admitindo-se que os embargos declaratórios têm natureza recursal, deveriam ser observados os pressupostos próprios dos recursos: legitimidade, unirrecorribilidade, e preclusão. Impossibilidade de oposição de novos embargos contra a mesma decisão, por órgão que não têm legitimidade para representar a Unido." 5. Ora, a omissão no julgado que desafia embargos de declaração ocorre quando o julgador deixa de apreciar uma tese apresentada pela parte. Nenhuma dessas teses de defesa estavam para ser apreciadas pelo julgador, como então falar de omissão se o julgador não foi instado a apreciá-las. E lógico que tais razões não autorizam o acolhimento dos embargos de declaração ora em exame. Nesse ponto acompanho o voto do relator. "3o - Omissão e contradição. A decisão reconhece ser inviável reapreciar a questão da necessidade de intimações especificas que constituiu o principal fundamento do acórdão embargado pela DRF-POA, porém, reexamina o mérito corno se as intimações fossem desnecessárias." 6. Inicialmente, registre -se que, embora o contribuinte fale também em omissão, toda a lógica de sua sustentação neste ponto refere-se unicamente ao vicio de contradição. 7. Note -se que o fato de o relator dos embargos ora embargados reconhecer ser inviável reapreciar a questão da necessidade de intimações especificas e, posterioiniente, dá provimento aos embargos de declaração com efeitos modificativos, por si só, não alberga qualquer contradição, salvo se analisarmos o teor do outro julgado contido nos autos, qual seja, aquele que julgou o recurso especial da PFN e que decidiu pela insuficiência da prova da simulação alegada pelo Fisco, por não ter havido as referidas intimações. Verifica-se, assim, de maneira cristalina, que a contradição apontada é externa ao julgado embargado, pois, para sua verificação, carece do cotejamento dele com outra peça contida nos autos. 8. Para analisar esta razão de interposição dos embargos de declaração, vale lembrar algumas lições de processo civil, quais sejam, que a contradição deve ser interna ao julgado embargado, ou seja, não justifica a interposição de embargos de declaração a contradição entre o acórdão e outra decisão proferida eventualmente no mesmo processo ou ainda, a contradição entre o acórdão embargado e o que conste de alguma peça dos autos, pois, nesses casos, o que há é error in iudicando. Nesse sentido, trago A. colação um dos muitos julgados que poderiam confirmar o acima sustentado, in verbis: EDcl nos EDcl no Ag (de instrumento) 872.957 SC Relator(a): Ministro CASTRO MEIRA Julgamento: 14/08/2007 Órgão Julgador: T2 - SEGUNDA TURMA Publicação: DJ 27/08/2007 p. 210 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃ O. CONTRADIÇÃO INTERNA DO JULGADO. AUSÊNCIA. INTEMPESTIVIDADE. FAX CERTIFICAÇÃO DE RECEBIMENTO PELA SECRETARIA DO TRIBUNAL. AUSÊNCIA. 1. Apenas a contradição verificada entre as proposições e conclusões do próprio julgado - contradição interna - enseja reparo pela via dos declaratórios. 2. "A ternpestividade de recurso interposto no Superior Tribunal de Justiça é aferida pelo registro no protocolo da Secretaria, e não pela data da entrega na agencia do correio" (Súmula 216/STJ). 3. Embargos de declaração rejeitados. 9. Assim sendo, como a contradição apontada pelo contribuinte depende da análise do teor do outro Acórdão que julgou o Recurso Especial, conclui-se que não é uma contradição interna no teor do Acórdão que julgou os embargos de declaração interpostos pela DRF/POA. Logo, também essa razão apresentada pelo contribuinte não autoriza o acolhimento dos embargos de declaração. Mais uma vez, o que o contribuinte aponta é um erro in iudicando dos embargos de declaração interpostos pela DRF/POA, o que não desafia novos embargos de declaração. 10. Nesse ponto, não acompanho o Relator, mesmo porque da simples leitura do seu voto, colhem-se excertos que deixa claro que a contradição é externa, se não vejamos: "Dada a via estreita deste meio processual, é mister, a. luz da alegações da embargante, refazer o caminho da decisão embargada e identificar eventuais vícios de obscuridade, omissão ou contradição, que supostamente tornaram imperfeito o decisum, sem, contudo, avançar sobre as questões de fundo do processo." 24 Processo n° 11080.008088/2001-71 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.900 Fl. 2.557 11. Ora, "refazer o caminho da decisão embargada" é justamente busca a contradição fora da decisão embargada, pelo cotejamento com o que fora decidido no julgamento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Isso, todavia, fica ainda mais claro quando o Relator assim se pronuncia: "Ora, se de um lado assevera a impossibilidade de se (re)examinar a necessidade de novas intimações em face daquelas já realizadas pela fiscalização, não poderia, de outro, ter considerado desnecessárias as intimações especificas mencionadas nos votos dos conselheiros Carlos Alberto e José Clovis. Por outras palavras, se o acórdão original da CSRF fundamentou-se na "necessidade de intimações especificas", e isso se tornou precluso e definitivo com a rejeição dos embargos da PFN, não poderia reapreciar o caso, mediante nova verificação do valor probante dos Acordos 1 e 2, sem examinar a questão das intimações." 12. Nesse ponto, fica ainda mais estampado que o Relator se valeu de uma contradição externa para acolher os embargos de declaração, pois a contradição so aflora quando ele adentra no mérito do que fora decidido pela CSRF no julgamento do Recurso Especial, para, então, sustentar pontos que se tornaram precluidos naquele julgado. "4o — Omissão e contradição. A decisão afirma que o efeito infringente dos embargos dependem da existência de obscuridade, contradição ou omissão, porém, rejulga o caso sem que tenha sido apontado algum desses vícios." 13. Neste ponto também, o que é apontado pela embargante são erros no julgamento dos embargos de declaração interpostos pela DRF/POA. Dar provimento a embargos de declaração sem a verificação de um dos três vícios — omissão, obscuridade ou contradição, é erro no julgamento de mérito do recurso, o que não desafia novos embargos declaração. 14. 0 Relator, também acolhe os embargos neste ponto, pois afirma que: "Portanto, não poderia assegurar que houve grave omissão e, ao mesmo tempo, afirmar que deixou de apreciar com a devida profundidade, deixando implícito que de algum modo foi apreciado. Estas proposições são contraditórias." 15. Ora, para que exista contradição há de existir duas assertivas, ou seja, há que ser dito e depois contradito. Se o Relator dos embargos ora embargados comete um erro na apreciação do que é uma omissão, isso não pode ser tomado como contradição, mas mero erro —juízo falso sobre o que vem a ser omissão. Em outras palavras, se o Relator dos embargos ora embargados entende que se trata de omissão que desafia embargos de declaração o fato de uma prova não ser profundamente analisada, ele comete um erro, um falso juizo do que é a omissão que autoriza a interposição de embargos de declaração, mas não uma contradição. "So Omissão e obscuridade. A decisão afirma que a insuficiência das intimações seria premissa que teria obstado a apreciação dos Acordos 1 e 2, quando os votos vencedores deixam claro que tal insuficiência foi a conclusão a que se chegou após o exaustivo exame dos referidos acordos." 16. Nesse ponto, o embargante assume que deseja ver acolhido os embargos com base numa contradição externa, pois confronta claramente o julgado embargado com outras peças contidas nos autos, qual seja, os votos dos conselheiros no julgamento do Recurso Especial. 25 o in o ouza umor- 17. No ponto relativo a "Omissão quanto a. inaplicabilidade da multa de 150%.", acompanho o Relator , pois a omissão no julgado que desafia embargos de declaração ocorre quando o julgador deixa de apreciar uma tese apresentada pela parte. Assim, o julgador não havia que apreciar matéria nova, a qual, em verdade, está sendo trazida aos autos somente agora. 18. Em face do exposto, com a devida vênia do Conselheiro Relator, divirjo do seu voto, pois entendo que não devem ser acolhidos os embargos de declaração interpostos pela RBS Administração e Cobrança Ltda. como voto. 26
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Numero do processo: 11060.000066/2007-96
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURAÇÃO - Descabe discutir se o pagamento do tributo antes do início do procedimento fiscal torna ou não inexigível a multa de mora se o mesmo não se seu com os juros de mora, requisito sem o qual não é possível invocar o instituto da denúncia espontânea.
Numero da decisão: 9101-001.110
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, João Carlos de Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 11060.000066/200796 Acórdão n.º 9101001.110 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatório Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Associados Centro Serra SICREDI Centro Serra RS, inconformada com a decisão da Segunda Turma Especial da Primeira Seção do CARF, que por meio do Acórdão nº 180200251, sessão de 04/11/2002, por unanimidade de votos negou provimento ao seu recurso voluntário, interpõe recurso especial alegando divergência com julgados de outros colegiados. A ementa do acórdão atacado aponta: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA DE MORA A obrigação pecuniária relativamente à multa de mora surge para o contribuinte pelo simples fato de não ter sido observado o prazo legal para o pagamento do tributo. Nesse caso, não é aplicável o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional CTN. Não serve a denúncia espontânea para reverter o prejuízo da Fazenda em relação à mora, pois sua configuração jurídica é definitiva, uma vez que decorre diretamente da inobservância do prazo para pagamento, e somente disso. Dos paradigmas colacionados, para análise da admissibilidade foram examinados o Acórdão 104.21.264 e 10515.470, assim ementados: N°10421264 TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO – DENÚNCIA ESPONTÂNEA INEXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA O Código Tributário Nacional não distingue entre multa punitiva e multa simplesmente moratória; no respectivo sistema, a multa moratória constitui penalidade resultante de infração legal. Considerase espontânea a denúncia que precede o início de ação fiscal, e eficaz quando acompanhada do recolhimento do tributo, na forma prescrita em lei, se for o caso. Desta forma, o contribuinte que denuncia espontaneamente ao fisco o seu débito fiscal em atraso, recolhendo o montante devido com juros de mora, está exonerado da multa moratória, nos termos do artigo 138, do Código Tributário Nacional CTN. MULTA DE MORA DENÚNCIA ESPONTÂNEA ART. 138 DO CTN O recolhimento de multa de mora em denúncia espontânea caracteriza indébito, devendo, portanto, ser reconhecido o direito à sua restituição. N° 10515470 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO DA MULTA DE MORA Segundo o art. 138 do Código Tributário Nacional, a Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 11060.000066/200796 Acórdão n.º 9101001.110 CSRFT1 Fl. 3 3 denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora devidos, exclui a responsabilidade pela infração, inclusive a penalidade decorrente do pagamento em atraso, denominada "multa de mora". Jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Superior Tribunal de Justiça. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ISOLADA. TRIBUTO PAGO APÓS VENCIMENTO, SEM ACRÉSCIMO DE MULTA DE MORA. Incabível o lançamento da multa de oficio isolada do art. 44, I, § 1°, II, da Lei n. 9.430/96, pelo não recolhimento da multa moratória, quando amparado o contribuinte pelo instituto da denúncia espontânea. Recurso provido. Por atendidos os pressupostos de admissibilidade, o Presidente da 2ª Câmara da Primeira Seção do CARF deu seguimento ao recurso. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, nas quais se reporta aos argumentos trazidos no voto condutor do acórdão recorrido. Traz, ainda, uma linha argumentativa no sentido de que o art. 138 do CTN compõe a Seção sobre Responsabilidade Tributária, e trata de punições aos contribuintes por infrações à lei tributária. Defende que a natureza jurídica da confissão espontânea é a de uma causa extintiva da punibilidade, à semelhança daquelas elencadas no art. 107 do Código Penal. Assim, mesmo que o contribuinte ou responsável extinga a punibilidade pela denúncia espontânea, a mora continua devida. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 11060.000066/200796 Acórdão n.º 9101001.110 CSRFT1 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso atende os pressupostos que o legitimam. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme se depreende dos autos, a questão debatida referese à aplicação do art. 138 do CTN, nos casos em que o contribuinte, antes de qualquer procedimento fiscal, efetua o pagamento do tributo em atraso, desacompanhado da multa de mora. No seu recurso voluntário, o contribuinte esclareceu que prestou informações equivocadas por ocasião da declaração apresentada ao Fisco via DCTF, o que resultou em diferenças a menor na base de cálculo (receita) da CSLL e o conseqüente pagamento a menor do imposto devido, com relação ao 1º, 2°, 3° e 4º trimestre de 2001. Constatado o equívoco, efetuou o pagamento das diferenças apuradas, acrescidas dos juros de mora, e retificou posteriormente as informações prestadas nas declarações fiscais. Tudo isso antes de qualquer procedimento fiscalizatório. Nesta condição, postulou que o pagamento efetuado configura claramente o instituto da denúncia espontânea porque, mesmo que os tributos tenham sido recolhidos a destempo, foram recolhidos antes de qualquer procedimento fiscal e antes ainda da retificação e declaração das informações na DCTF. Aduziu que o "autolançamento" (prestação de informações na DCTF) ocorreu após a extinção do crédito tributário (pagamento), não havendo o que ser cobrado pelo Fisco” . No que respeita ao afastamento da multa de mora quando o pagamento se tributo se dá antes do início do procedimento de ofício, não tem sido tranqüila a jurisprudência. De fato, enquanto caudalosa corrente deste Conselho entende, tal como o acórdão recorrido, que a obrigação pecuniária relativamente à multa de mora surge para o contribuinte pelo simples fato de não ter sido observado o prazo legal para o pagamento do tributo, sendo inaplicável seu afastamento ao abrigo do instituto da denúncia espontânea, não menos significativa é a corrente dos que entendem que a multa de mora pelo não pagamento no prazo legal é afastada pelo pagamento espontâneo do principal. Contudo, há algum tempo o STJ consolidou o entendimento de não configuração da denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarado pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, tendo, inclusive, tal entendimento sido sumulado por intermédio da Súmula nº 360, do STJ, com o seguinte enunciado: SÚMULA Nº 360 STJ O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Rel. Min. Eliana Calmon, em 27/8/2008. Levando em conta esse posicionamento da Corte Superior, a jurisprudência do CARF tem se orientado no sentido de que o recolhimento em atraso de tributo, acompanhado dos juros de mora, mesmo antes do início de procedimento de fiscalização, não Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 11060.000066/200796 Acórdão n.º 9101001.110 CSRFT1 Fl. 5 5 configura denúncia espontânea quando o tributo pago em atraso estiver previamente declarado em DCTF. Contudo, se o pagamento (antes de qualquer procedimento fiscal) corresponder a tributo não declarado em DCTF, aí sim, aplicarseia a denúncia espontânea para afastar a multa de mora. Ocorre que, independentemente de qualquer discussão quanto a tratarse de tributo declarado ou não declarado em DCTF, o fato é que o art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade, exige dois requisitos: (i) que o pagamento se dê antes do início do procedimento fiscal, e (ii) que o pagamento seja do principal acompanhado dos respectivos juros de mora. No presente caso, não obstante o pagamento ter se dado antes de qualquer procedimento fiscal, não foi acompanhado dos juros de mora (que só foram pagos com a impugnação), não atendendo os requisitos mínimos para se equiparar a denúncia espontânea, conforme art. 138 do CTN. Isto posto, NEGO provimento ao recurso especial. É como voto. Sala das Sessões, em 01 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 5DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10510.001335/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2007
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA.
Incide contribuição previdenciária sobre os valores relativos ao auxílio alimentação, mesmo que concedido aos empregados sob a forma “in natura”, caso o sujeito passivo não seja inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.
SALÁRIO INDIRETO. Incide contribuições previdenciárias sobre toda e qualquer vantagem atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91.
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO.
O contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98.
MULTA MORATÓRIA
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS.
VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.406
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas que entenderam aplicar-se o art. 150, paragrafo 4 do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Empresas em Geral Recorrente TRANSCOMPRAS TRANSPORTE E COMPRAS COMERCIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2007 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores relativos ao auxílio alimentação, mesmo que concedido aos empregados sob a forma “in natura”, caso o sujeito passivo não seja inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. SALÁRIO INDIRETO. Incide contribuições previdenciárias sobre toda e qualquer vantagem atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO. O contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98. MULTA MORATÓRIA Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas que entenderam aplicarse o art. 150, paragrafo 4 do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 03/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fl. 997DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.001335/200812 Acórdão n.º 230201.406 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada em 26/03/2008 e cientificada ao sujeito passivo através de registro postal em 03/04/2008, de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de ajuda de custo, aluguel, gratificações, prêmio por tempo de serviço, alimentação sem a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador, valores pagos aos contribuintes individuais e retenções de 11% sobre as notas fiscais de prestação de serviço, nas competências de 05/2001 a 05/2007. O relatório fiscal de fls. 284/292, diz que os valores lançados não foram declarados em GFIP. Quanto à retenção de 11%, incidente sobre as notas fiscais de prestação de serviço, informa o relatório que alguns serviços prestados foram de vigilância e para outros a recorrente não apresentou os contratos, sendo os valores da retenção aferidos indiretamente sobre as notas. Após a impugnação, Acórdão de fls. 940/959, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso, arguindo, em síntese: a) a prescrição do período de 01/05/2001 a 30/04/2003; b) que ajuda de custo não é salário porque objetiva a execução do serviço por parte do empregado e a CLT diz que não integra o salário de contribuição; c) que os pagamentos a título gratificação são uma mera liberalidade da empresa, sem habitualidade e sem natureza salarial; d) os prêmios também não são pagos com habitualidade, não integrando o salário de contribuição; e) o pagamento de aluguel não pode ser caracterizado como incremento salarial porque não é habitual e é concedido como necessário e indispensável à realização do trabalho; f) a ajuda alimentação não pode ser considerada parcela salarial pelo simples fato da empresa não ter inscrição no PAT; g) quanto aos contribuintes individuais, fretistas e empregados não declarados em GFIP, informa que já apresentou os dados solicitados pelo auto de infração 37.127.0774 e a cobrança do débito está na NFLD 37.127.0804; h) a inconstitucionalidade de alguns pontos da Lei n.º 9.711/98; i) que a multa é confiscatória e a SELIC, ilegal. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Requer que seja acatada a preliminar de prescrição e no mérito que seja cancelada a NFLD. É o relatório. Fl. 999DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.001335/200812 Acórdão n.º 230201.406 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar A notificação foi lavrada em 26/03/2008, com ciência pelo sujeito passivo em 03/04/2008, contemplando o período de 05/2001 a 05/2007, assim, deve ser observado que nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Portanto, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 devendo ser acatado o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 173, inciso I, já que as contribuições lançadas não foram objeto de recolhimento previdenciário parcial e excluídas da notificação as competências até 11/2002, inclusive. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.001335/200812 Acórdão n.º 230201.406 S2C3T2 Fl. 4 7 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Do Mérito A recorrente confirma nas razões recursais que efetuava pagamentos a títulos de aluguéis, ajuda de custo, gratificação, alimentação e prêmios, dizendo apenas que não integram o salário de contribuição por não serem pagos com habitualidade. Entretanto, pelo exame dos documentos acostados pelo fisco nos volumes I a V, podese notar que tais valores eram pagos mensalmente no período notificado, confirmando a habitualidade no pagamento e a expectativa de ganho por parte do segurado. O salário indireto se constitui em um ganho habitual que amplia o patrimônio do trabalhador. Consiste, no dizer da melhor doutrina, em toda e qualquer vantagem atribuída ao empregado, sem a qual, para alcançála, teria que arcar com o respectivo ônus. Decorre do contrato de trabalho e é ajustado por meio de acordo expresso ou tácito e por sua natureza, o ganho habitual, é sempre remuneratório. A matéria de ordem tributária é de interesse público, por isso é a lei que determina as hipóteses em que valores pagos aos empregados não integram o salário de contribuição, ficando isentos da incidência de contribuições sociais. Nessa linha, da análise dos autos, verificase que os valores pagos pela empresa aos segurados a título de aluguel e ajuda de custo não se enquadram nas hipóteses previstas em Lei como isentas de contribuições sociais; a Lei 8.212/91, em seu art. 28 inciso IV § 9º alínea "g" e "m" assim determina: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 (... )g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)" (grifos nossos) Os valores pagos não se enquadram na alínea "g" do § 9º do art. 28 supra citado, posto que não foram pagos em parcela única; tão pouco se enquadram na alínea "m" do mesmo parágrafo. Afirma a recorrente em sua defesa que as despesas referemse aos alugueis necessários e indispensáveis à realização do trabalho, mas não há qualquer comprovação de que o empregado tenha mudado de localidade onde prestava o trabalho, nem que tenha sido deslocado para trabalhar em localidade diversa da que foi contratado. Além disso, tratase de locação de imóveis para residência de funcionários e não para simples estada a fim de se evitar maiores deslocamentos entre uma jornada e outra de trabalho, ou seja, os valores pagos a título de aluguel o foram pelo trabalho e não para o trabalho. Em se tratando de deslocamento de funcionários para residir em outra localidade, o pagamento somente não seria tributável no caso de ser feito a título de ajuda de custos paga em parcela única. Ademais, mesmo se assim não fosse, tais valores teriam que ser pagos para o trabalho, no caso deste se desenvolver em localidade distante da residência do trabalhador, o que não é o caso, pois não há qualquer comprovação de que os imóveis se localizam distantes de centros urbanos o que descaracteriza sua utilização para o trabalho e a natureza indenizatória da verba. Pelo exposto, a fiscalização corretamente considerou o salário indireto a titulo de aluguel como salário de contribuição pela sua habitualidade, por ter caráter remuneratório e não indenizatório, representando uma vantagem patrimonial para o trabalhador (sem a qual este teria que desembolsar o valor integral do aluguel) e pelo fato de ser prestado pelo serviço e não para o serviço. Da mesma forma, os valores pagos a título de ajuda de custo não restaram configurados como tais, de acordo com o citado artigo 28,§9º, letra “g”, da Lei n.º 8.212/91. Quanto ao fornecimento de alimentação a recorrente se limita a dizer a que a falta de inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador não pode transformar a parcela em salário de contribuição. Ocorre que o lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre tais valores obedeceu às normas jurídicas aplicáveis para considerálos de natureza remuneratória. Vejamos: • Lei de Custeio da Previdência Social Lei n.o 8.212/91: "Art. 28. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.001335/200812 Acórdão n.º 230201.406 S2C3T2 Fl. 5 9 dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;" (redação atual conferida pela Lei n. o 9.528/97); • Regulamento da Previdência Social. aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: "Art. 214. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomados de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa " A empresa que fornece alimentação aos segurados sem inscrição no PAT não pode gozar da isenção concedida pela legislação, como vedado pela Lei n.º 6.321, de 14.04.76, regulamentada pelo Decreto n.º 78.676, de 08.11.76 (DOU de 09.11.76). • Lei n. ° 6.321, de 14 de abril de 1976: "Art. 30 • Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. " (original sem destaque) No mesmo sentido, dispõe a alínea "c", § 9°, artigo 28, da Lei 8.212/91: • Lei nº 8.212/91 artigo 28: "§9 Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho, nos termos da Lei n. o 6.321, de 14 de abril de 1976; " Decreto nº 5, de 14 de janeiro de 1991 Regulamenta a L 006.3211976 Regulamenta a Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, que Trata do Programa de Alimentação do Trabalhador, Revoga o Decreto nº 78.676, de 8 de novembro de 1976 e dá outras providências. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Art. 3º Os Programas de Alimentação do Trabalhador deverão propiciar condições de avaliação do teor nutritivo da alimentação. Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (redação dada pelo D00 2.1011996) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Art. 5º A pessoa jurídica que custear em comum as despesas definidas no Art. 4, poderá beneficiarse da dedução prevista na Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, pelo critério de rateio do custo total da alimentação. Art. 6º Nos Programas de Alimentação do Trabalhador PAT, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a parcela paga "in natura" pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. Inferese da regulamentação que a adesão ao PAT não constitui mera formalidade. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, através de seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. Assim, ao não comprovar a inscrição no Programa, a recorrente sujeitouse ao presente levantamento de débito quanto aos valores relativos à alimentação fornecida aos segurados empregados. Quanto aos valores pagos a título de gratificação e prêmios por tempo de serviço, a recorrente se insurge quanto ao caráter remuneratório das parcelas pagas aos segurados empregados, dizendo que foram liberalidades, sem natureza salarial. Muito embora possa ser louvável a atitude da recorrente ao conceder benesses a seus empregados, a legislação é clara quanto à conceituação do salário de contribuição para fins da incidência da contribuição previdenciária, conforme o artigo 28 da Lei n.º 8.212/91, já transcrito em parágrafo anterior. Frente à disciplina legal supra, denotase que o fato gerador do tributo em tela está presente no conceito de remuneração, ou seja, todo o plexo de contraprestações efetivadas pelo empregador ao empregado, com o intuito de retribuir o serviço prestado, não sendo relevante o título jurídico utilizado para realizar o pagamento, isto é, o nome da verba não possui relevância, mas sim se, no caso concreto, o montante despendido tem intuito de retribuir o trabalho. Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.001335/200812 Acórdão n.º 230201.406 S2C3T2 Fl. 6 11 De outra parte, a Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991, que dispõe sobre os benefícios da Previdência Social, em seu artigo 29 toma o saláriodecontribuição como base para o cálculo do valor do salário de benefício. Conforme previsto no § 6º do artigo 150 da Constituição Federal, somente a Lei pode instituir isenções. Assim, o § 2º do artigo 22 da Lei nº 8.212/91 dispõe que não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do artigo 28 da mesma Lei. O § 9º do artigo 28 da Lei n° 8.212/91, enumera, exaustivamente, as parcelas que não integram o saláriodecontribuição.Verificase que a legislação aplicável à espécie determina, em um primeiro momento, a regra geral de incidência das contribuições previdenciárias sobre a remuneração total do empregado, inclusive sobre os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Somente em um segundo momento é que são definidas, de forma expressa e exaustiva, porquanto excepcionais, as hipóteses de nãoincidência das contribuições destinadas à Seguridade Social: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a)os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97); e) as importâncias: (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, Lei nº 9.528, de 10/12/97) 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 5. recebidas a título de incentivo à demissão; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 9 recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.001335/200812 Acórdão n.º 230201.406 S2C3T2 Fl. 7 13 aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) § 10. Considerase saláriodecontribuição, para o segurado empregado e trabalhador avulso, na condição prevista no § 5º do art. 12, a remuneração efetivamente auferida na entidade sindical ou empresa de origem. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Nesse contexto, os pagamentos efetuados pela recorrente aos seus empregados são verbas passíveis de incidência previdenciária, pois não se enquadram em nenhuma hipótese de exclusão. Os pagamentos de liberalidades efetuados pela empresa, não estão automaticamente enquadrados nas excludentes do salário de contribuição, contidas no § 9º do artigo 28, acima citado e valores recebidos, ainda que a título de gratificações, prêmios, ajuda de custo, etc se constituem em um ganho que amplia o patrimônio do trabalhador, decorrendo do contrato de trabalho e sendo ajustado por meio de acordo expresso ou tácito. A recorrente não demonstrou que os pagamentos efetuados estavam de acordo com as excludentes do salário de contribuição, definido por lei. Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 Ademais a Constituição Federal, em seu art. 201, parágrafo 4º – hoje transformado no parágrafo 11º desse mesmo artigo pela Emenda Constitucional n.º 20, de 15 de dezembro de 1998 – determina, expressamente: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. [sem grifos no original] E repisamos que a Lei Orgânica da Seguridade Social, Lei nº 8.212/91, em consonância com a norma constitucional supratranscrita, assim define saláriodecontribuição, para fins de incidência de contribuições à seguridade social: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; [...] Ainda, é certo que os valores pagos integram a remuneração por força da regra explícita no caput do art. 458 da CLT, e por conseqüência o saláriodecontribuição: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. Portanto, não há reparos quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre as rubricas expostas no lançamento. Quanto à retenção de 11%, incidente sobre as notas fiscais de prestação de serviço com cessão de mão de obra, a recorrente se limita a dizer da inconstitucionalidade de alguns aspectos da Lei n.º 9.711/91. Entretanto, o exame da constitucionalidade das leis é matéria afeta ao Supremo Tribunal Federal, não sendo pertinente seu estudo na esfera administrativa, motivo pelo qual, apenas estão apontadas as leis que respaldam o levantamento do débito, deixandose de se manifestar quanto ao aspecto constitucional das mesmas. Ainda, quanto à alegação de inconstitucionalidade, ressaltase que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.001335/200812 Acórdão n.º 230201.406 S2C3T2 Fl. 8 15 constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, a Lei nº 9.711/98 em seu artigo 23 alterou a redação do artigo 31 da Lei nº 8.212/91, estabelecendo uma nova modalidade de substituição tributária, ao determinar que os tomadores de serviço efetuem a retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto do pagamento referente à prestação de serviço efetuado com cessão de mãode obra. A partir de 1º de fevereiro de 1999, com a nova redação do art. 31 da Lei nº 8.212/91, alterouse a natureza jurídica da relação entre o INSS e a empresa tomadora de serviços com cessão de mãodeobra, deixando de existir a solidariedade, criandose a substituição tributária estribada no art. 128 do CTN. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 O artigo 31 da Lei n.º 8.212/91, com a redação que lhe foi dada pela Lei n.º 9.711/1998, diz que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá proceder à retenção incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da nota fiscal ou fatura, em nome da cedente de mãodeobra. No que se refere aos demais levantamentos relativos aos contribuintes individuais que prestaram serviço à notificada e os segurados empregados que não constavam das GFIP’s, a recorrente informa na peça recursal que procedeu às informações em GFIP e que a cobrança do débito consta da presente NFLD, não contestando o mérito do lançamento. Assim, deve ser considerado o artigo 17 do Decreto n.º 70.235/71, e o artigo 8º da Portaria RFB n.º 10.875/2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições sociais de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007 , que ditam: Decreto n.º 70.235/71 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) Portaria RFB n.º 10.875/2007 "Art. 8° Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada." No que se refere à ilegalidade na aplicação da multa por ser confiscatória, contrariando o disposto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal, temse que a multa em apreço está prevista nos artigos 3º e 4º da Lei n.º 8.620/93 e no art. 35, inciso II, da Lei n.º 8.212/91, com a redação dada pela Lei n.º 9.876, de 26 de novembro de 1999, vigente á época do lançamento. As multas moratórias são simples reposições de prejuízos causados ao erário público e decorrem de atrasos no cumprimento da obrigação tributária, sendo de caráter irrelevável. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.001335/200812 Acórdão n.º 230201.406 S2C3T2 Fl. 9 17 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.001335/200812 Acórdão n.º 230201.406 S2C3T2 Fl. 10 19 Voto pelo provimento parcial do recurso para acatar o prazo decadencial contido no artigo 173, I do Código Tributário Nacional e excluir do lançamento as competências até 11/2002, inclusive. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10680.100071/2002-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001
ITR NÃO INCIDÊNCIA ÁREAS ALAGADAS SÚMULA CARF N° 45.
De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 45 “O Imposto sobre a
Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas”. Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.258
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001 ITR NÃO INCIDÊNCIA ÁREAS ALAGADAS SÚMULA CARF N° 45. De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 45 “O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas”. Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. CAIO MARCOS CÂNDIDO – Presidente Gonçalo Bonet Allage Relator EDITADO EM: 25/02/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10680.100071/200223 Acórdão n.º 920201.258 CSRFT2 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Giovanni Christian Nunes Campos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Em face de Furnas Centrais Elétricas S.A., CNPJ n° 23.274.194/000119, foi lavrado o auto de infração de fls. 0211, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercícios 1998, 1999, 2000 e 2001, em razão da alteração da área tributável e do VTN declarado pela contribuinte, relativamente ao imóvel denominado Furnas 860 – Usina Hidrelétrica de Itumbiara, localizado no município de Tupaciguara (MG). Segundo a autoridade lançadora (fls. 0405): A isenção do ITR, do qual desfrutou o setor de geração e transmissão de energia elétrica, inclusive no que se referem às terras inundadas, encontrase revogada, por força do § 1° do art. 41 dos Atos das disposições Constitucionais Transitórias da atual Carta Política da República, pois não houve a edição de lei ulterior confirmando a manutenção desse benefício fiscal. A Lei 9.393/96 estabelece, em seu art. 14, que no caso de subavaliação do valor do imóvel, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Determina, ainda, que as informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1° , inciso II da Lei n° 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Para o município de TUPACIGUARA.MG, o valor constante do Sistema de Preços de Terra SIPT, informado pela SECRETARIA MUNICIPAL DE AGRICULTURA daquele município e/ou Gabinete do Prefeito, é de R$377,00 (trezentos e setenta e sete reais) por hectare para os exercícios de 1998 a 2000 e de R$415,00 (quatrocentos e quinze reais) por hectare, para o exercício de 2001, para a aptidão agrícola definida como "Mista Inaproveitável", conforme extratos de fls. 110 a 113. Arbitramos, então, o valor da terra nua da Fazenda "Furnas 860 Usina Hidrelétrica de Itumbiara" em R$ 377,00 (trezentos e setenta e sete reais) por hectare, para os exercícios de 1998 a 2000,e R$415,00 (quatrocentos e quinze reais) por hectare, para o exercício de e 2001, apurandose um total, por exercício conforme tabela abaixo: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10680.100071/200223 Acórdão n.º 920201.258 CSRFT2 Fl. 3 3 Em função do lançamento de ofício, a área tributável passou de 0,0 hectares para 77.903,7 hectares para todo o período, enquanto o VTN foi majorado de R$ 0,00 para R$ 29.369.694,90, para os exercícios 1998, 1999 e 2000 e de R$ 0,00 para R$ 32.240.035,52, relativamente ao exercício 2001 (fls. 0609). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) considerou o lançamento procedente (fls. 217244). Apreciando o recurso voluntário interposto pela contribuinte, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão n° 30132.2165, que se encontra às fls. 366407, cuja ementa é a seguinte: ITR IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. NÃO INCIDÊNCIA. TERRAS SUBMERSAS. Não há incidência do ITR sobre as terras submersas por águas que formam reservatórios artificiais com fins de geração e distribuição de energia elétrica (usinas hidroelétricas) bem como as áreas de seu entorno. A posse e o domínio útil das terras submersas pertencem à União Federal, pois a água é bem público que forma o seu patrimônio nos termos da Constituição Federal, não podendo haver a incidência do ITR sobre tais áreas. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Não incide o ITR sobre as áreas que ladeiam o reservatório artificial nos termos da legislação aplicável — Código Florestal. ERRO DA ATRIBUIÇÃO DO VTN O VTN atribuído pela fiscalização não respeita os termos da legislação de regência porque não descontou a área de construção, não excluiu a área de preservação permanente e porque tomou como base o valor da terra com destinação agrícola quando notoriamente as terras submersas não tem tal destinação. Falta previsão legal para atribuição do VTN de terras submersas, o que também causa impossibilidade da incidência do ITR ainda que a sujeição passiva pudesse ser atribuída a pessoa diversa da União Federal. RECURSO PROVIDO A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para considerar insubsistente o lançamento, vencido o Conselheiro José Luiz Novo Rossari (Relator), sendo Redatora Designada a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, que ao final de seu voto ponderou que (fls. 401402): a) Não há incidência do ITR sobre as áreas de propriedade de Furnas que constituem a Usina Hidrelétrica, pois após terem sido desapropriadas sobre tais áreas foi construída a referida Usina Hidrelétrica recebendo as águas represadas, que como trabalhado nessa peça, tais águas são bens da União. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10680.100071/200223 Acórdão n.º 920201.258 CSRFT2 Fl. 4 4 b) Não há incidência do ITR sobre as áreas de propriedade de Furnas que constituem a Usina Hidrelétrica, posto que a transferência da referida propriedade para a Recorrente foi pressuposto para que fosse construída a referida Usina, que após construída tornou público o bem, de tal modo que a propriedade da Recorrente é limitada aos aspectos de registros formais e contábeis, não podendo lhe ser atribuída qualquer das características ou elementos da propriedade, de tal modo que a Recorrente não se enquadra como sujeito passivo do ITR por não ter a propriedade, a posse ou o domínio útil das terras. c) Não há incidência do ITR sobre as áreas de propriedade de Furnas que constituem a Usina Hidrelétrica, pois as águas represadas que inundam as terras pertencem à União, que detém o domínio útil dessas terras, sendo, portanto, eventual sujeito passivo do imposto, que tem à sua incidência afastada pela imunidade recíproca. d) Não há incidência do ITR sobre as áreas do entorno do reservatório que forma a Usina Hidrelétrica por ser área de preservação permanente nos termos da legislação aplicável, e em conseqüência, excluída do campo da incidência do ITR. e) Não há incidência do ITR sobre as áreas de propriedade de Furnas que constituem a Usina Hidrelétrica, em vista da impossibilidade de ser atribuído, nos termos da legislação aplicável, o valor da terra nua. Intimada do acórdão em 13/07/2007 (fls. 408), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente, recurso especial às fls. 411423, onde alegou, em apertada síntese, que: a) Os artigos 1° a 4° da Lei n° 9.393/96 tratam do fato gerador, imunidade e isenção do ITR; b) A interessada pretende demonstrar que o ITR sofreria uma diminuição considerável, por estarem excluídas as áreas destinadas ao reservatório de água e as que ladeiam o reservatório; c) A Receita Federal disciplinou a matéria através da Instrução Normativa n° 43/97, alterada pela Instrução Normativa n° 67/97; d) Considerandose as definições de áreas excluídas da incidência do ITR, citadas na legislação, vêse que áreas ocupadas com reservatório de água para usina hidrelétrica e as áreas que ladeiam o reservatório não se enquadram em nenhuma dessas definições; e) A legislação tributária que dispõe sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente, nos termos do artigo 111 do CTN, além do que necessário observar o princípio da legalidade previsto no artigo 176 do CTN; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10680.100071/200223 Acórdão n.º 920201.258 CSRFT2 Fl. 5 5 f) Para que uma área seja considerada de Preservação Permanente ou de Utilização Limitada, exigese seu reconhecimento mediante ato declaratório do IBAMA; g) A COSIT, por meio de seu Parecer n° 15/2000, posicionouse a respeito da tributação de imóveis rurais que abriguem reservatórios; h) A Instrução Normativa SRF n° 60/2001 também estabelece a tributação dessas áreas; i) Por fim, resta dizer ainda que as áreas do reservatório (áreas dos imóveis submersos) não estão subsumidas na expressão "lagos" do texto constitucional, pois aí há alusão a lagos da União em áreas de seu domínio ou propriedade (CF, art. 20, III). Na situação em tela, o lago formado pela represa (reservatório) não está situado em área de domínio da União, mas sim em áreas de domínio da empresa estatal (imóveis particulares da empresa submersos adquiridos por desapropriação)"; j) No lançamento de ofício, foi rejeitado o valor da terra nua – VTN (R$0,00) informado pela contribuinte na Declaração do ITR, pois foi considerado como valor total do imóvel o mesmo valor das benfeitorias; k) Assim, com base nos valores da terra nua, com aptidão agrícola definida como "mista inaproveitável", indicados no SIPT para o município de Tupaciguara/MG (ff. 110/113), R$377,00 por hectare, para os exercícios de 1998/1999/2000 e R$415,00/ha para 2001, e não R$206,00 como consta da Impugnação (ff. 141), a fiscalização calculou e atribuiu o VTN do referido imóvel em R$29.369.694,90 para 1998, 1999 e 2000, e em R$ 32.240.035,52 para 2001. Esses valores somados ao indicado pela declarante a título de benfeitorias, R$61.234.900,62, correspondem ao valor venal do imóvel nos respectivos exercícios, conforme indicado nos demonstrativos de ff. 06/09; l) Tal procedimento se deu ao amparo do artigo 14 da Lei n° 9.393/96; m) Apesar de seus questionamentos, a contribuinte não apresentou comprovação que justifique reconhecer que o VTN efetivo é menor do que o considerado pela fiscalização, e, portanto, não há justificativa para sua alteração. O fato de o imóvel servir para reservatório de água de usina hidrelétrica não é argumento suficiente para se reconhecer que o mesmo está "fora do mercado" e que por isso não possui um valor de mercado apurável por meio de laudo técnico; n) Diante do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, é de se reconhecer que o v. acórdão ora recorrido acabou por ofender os artigos 1°, 7°, 9°, 10, 11 e 14 da Lei n° 9.393/1996 (que fundamentaram o auto de infração), além do artigo 10, par. 4° da Instrução Normativa SRF n° 43, de 07/05/1997, com as alterações introduzidas pela Instrução Normativa n° 67, de 01/09/1997; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10680.100071/200223 Acórdão n.º 920201.258 CSRFT2 Fl. 6 6 o) Requer o provimento do recurso, com a reforma do acórdão recorrido, restaurandose a decisão de primeira instância. Admitido o recurso por intermédio do Despacho n° 1376.129119 (fls. 424 427), a contribuinte foi intimada e, devidamente representada, apresentou contrarrazões às fls. 442456, defendendo, preliminarmente, a impossibilidade de conhecimento do recurso, pela ausência de demonstração de contrariedade à lei. Quanto ao mérito, pugnou, fundamentalmente, pela manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para considerar insubsistente o lançamento. A recorrente insurgiuse contra esta decisão alegando que estão incluídas no campo de incidência do ITR as áreas ocupadas com reservatório de água para usina hidrelétrica, bem como aquelas que o ladeiam, além do que o VTN utilizado pela fiscalização não foi desconstituído. Eis a matéria em litígio. Muito se poderia escrever sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas, como, aliás, ocorreu, com a decisão de segunda instância. No entanto, atualmente, no âmbito do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF a matéria não comporta maiores digressões. Isso porque no mês de dezembro de 2009, este Tribunal Administrativo aprovou diversas Súmulas e consolidou aquelas aplicáveis no âmbito do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sendo que o Enunciado CARF n° 45 tem o seguinte conteúdo: “O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas”. Tais Enunciados foram publicados do DOU de 22/12/2009 e por força do que dispõe o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, são de adoção obrigatória. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10680.100071/200223 Acórdão n.º 920201.258 CSRFT2 Fl. 7 7 Considerando que não incide ITR sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas, penso que inexiste razão para analisar a questão do VTN. Nessa ordem de juízos, entendo que a decisão recorrida merece ser confirmada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Gonçalo Bonet Allage Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
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Numero do processo: 10680.000607/2004-73
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1999
MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SUCESSORES.
A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas também se refere às multas, moratórias ou de ofício, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor.
Embora o art. 132 refira-se aos tributos devidos pelo sucedido, o art. 129 estabelece que o disposto na Seção II do Código Tributário Nacional aplica-se por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição,
compreendendo o crédito tributário não apenas as dívidas decorrentes de tributos, mas também de penalidades pecuniárias. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. PRINCÍPIO DA BOA FÉ. O princípio da boa-fé não pode amparar a sucessora se o sócio administrador era também o responsável pela administração da empresa incorporada e mentor da conduta fraudulenta que ensejou a qualificação da multa. Responsabilidade integral da
sucessora pelos créditos tributários lançados, inclusive da multa de ofício qualificada, uma vez comprovado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula nº 47 do CARF).
Numero da decisão: 9101-001.130
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao
Recurso Especial da Fazenda Nacional. Os conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Karem Jureidini Dias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo, acompanharam o relator por suas conclusões.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Alberto Pinto Souza Junior
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LIONE COMÉRCIO DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA. (atual denominação da MG Master Ltda. sucessora da Bainorte Esportes Ltda.). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SUCESSORES. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas também se refere às multas, moratórias ou de ofício, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. Embora o art. 132 refirase aos tributos devidos pelo sucedido, o art. 129 estabelece que o disposto na Seção II do Código Tributário Nacional aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição, compreendendo o crédito tributário não apenas as dívidas decorrentes de tributos, mas também de penalidades pecuniárias. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. PRINCÍPIO DA BOA FÉ. O princípio da boafé não pode amparar a sucessora se o sócioadministrador era também o responsável pela administração da empresa incorporada e mentor da conduta fraudulenta que ensejou a qualificação da multa. Responsabilidade integral da sucessora pelos créditos tributários lançados, inclusive da multa de ofício qualificada, uma vez comprovado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula nº 47 do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Os conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Karem Jureidini Dias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo, acompanharam o relator por suas conclusões. ﴾documento assinado digitalmente﴿ Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 2 OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Participaram do presente julgamento: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, Antônio Carlos Guidoni Filho, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de Recurso Especial do Procurador da Fazenda Nacional, contra o acórdão nº 10808.593, de 11/11/2005 (fls. 572/605), proferido pela Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade decidiu rejeitar as preliminares suscitadas pelo recorrente, e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os valores do PIS e da COFINS e os juros incidentes sobre estas contribuições até agosto de 1998 exigidos de ofício e cancelar a multa lançada de ofício. A recorrente tomou ciência do acórdão em 09/10/2006 (fls. 607), tendo interposto o recurso especial (fls. 605/623), com fundamento no art. 32, inc. I do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e do art. 5º, inc. I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ambos aprovados pela Portaria MF nº 55, de 12/03/1998. Insurgese a recorrente contra a decisão do acórdão recorrido que deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa de ofício qualificada aplicada (150%), com base no entendimento de que a incorporadora somente responde pelos tributos devidos pelo sucedido. A Fazenda Nacional, ora recorrente, alega em síntese: a) que a decisão que decidiu pela exclusão da multa de ofício violou o art. 129 do CTN, pois o art. 132 do mesmo código deve ser aplicado observandose aquele dispositivo; b) que “o art. 129 menciona que nos casos de sucessão regrados na Seção II, os sucessores serão responsáveis pelo crédito tributário e não somente pelo tributo em espécie”; c) que “o art. 132 se encontra dentro da Seção II e, portanto, não se pode interpretar a expressão “tributos" nele mencionada apenas como o tributo em espécie, mas como todo o crédito tributário numa interpretação sistemática com o art. 129”; d) que “no presente caso, não se faz presente os valores que se busca proteger com a interpretação restritiva do art. 132 do CTN. A autuada não goza de boafé, pois os seus sócios são quase todos os mesmos que compunham o quadro social da sucedida, autora do ilícito fiscal”; e) que “a administração da sucedida fora realizada pelo mesmo sóciogerente da sucessora o Sr. SEBASTIÃO VICENTE BOMFIM FILHO que autorizava a utilização de vários artifícios para ocultar a ocorrência do fato gerador das obrigações tributárias, conforme apurados pela autoridade fiscal”; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10680.000607/200473 Acórdão n.º 910101.130 CSRFT1 Fl. 2 3 f) que “em que pese a MGMASTER LTDA e a ZIK SPORTS LTDA sejam pessoas jurídicas distintas, com CNPJ diferente, ambas integram o mesmo grupo econômico, cujo órgão de direção foi o mesmo que praticou o ilícito fiscal em 1998”; g) que, “o afastamento da multa punitiva é razoável quando a aplicação desta configurarse uma situação de injustiça, pois atentatória do princípio esculpido no art. 5Q, XLV da CF/88 e à boafé objetiva, mas não pode servir àquele que praticou o delito apenas porque mudou de nome”; h) que “não é razoável admitir a exclusão de responsabilidade por multas nos casos de sucessão, incorporação, transformação e cisão das pessoas jurídicas compostas pelos mesmos sócios das empresas sucedidas, incorporadas, transformadas e cindidas, a fim de que não assistamos a perpetração de fraudes sob um aparente consentimento da lei”; i) que “não procede o argumento de que a desconsideração da sucessão seria forma de aplicar o parágrafo único do art. 116 do CTN a despeito de sua regulamentação”; j) que restou caracterizada a existência de dolo por parte da contribuinte, ensejando a aplicação da multa qualificada prevista no inc. II do art. 44 da Lei 9.430/96. A recorrente cita jurisprudência do STJ em abono à sua tese. Ao final a recorrente propugna que seja restabelecida a multa de 150% para todos os autos de infração. O presidente da 8ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de contribuintes admitiu o recurso especial por que se trata de decisão não unânime e entender que ficou demonstrado em tese que a decisão recorrida seria contrária à lei e à evidência das provas contidas nos autos. A autuada, ora recorrida, foi cientificada do acórdão e do despacho de admissibilidade do recurso especial e apresentou suas contrarrazões (fls. 682/706), as quais protestam pela manutenção da decisão, sustentando em síntese: a) que “o CTN, em seu art. 132, é claro ao afirmar que a responsabilidade tributária das sucessoras referese apenas aos tributos e não às multas, principalmente as de natureza punitiva”; b) que “a mencionada "interpretação sistemática", pretendida pela Recorrente, caracterizase como verdadeira inovação legislativa, que não é permitida no âmbito tributário em vista ao princípio da Estrita Legalidade (art. 150, II, CF/88 e art. 97 do CTN)”; c) que nas “razões do Recurso combatido, notase claramente a intenção da Fazenda Nacional de ampliar o texto do art. 132 do CTN, acrescentando às suas disposições vocábulo que o legislador não pretendeu expressar, ou seja, substituir a palavra "tributos" pela expressão "crédito tributário", que, indiscutivelmente, não se equivalem”; e) que “o legislador ao editar a Lei n° 5.172/66 (CTN) sabia exatamente a distinção entre tributo e crédito tributário, bem como as diferenças entre principal e multa, não podendo o julgador administrativo imaginar que, no caso do art. 132, ele teria se equivocado ao constar somente a responsabilidade por sucessão com relação aos tributos”; f) que “no que se refere aos precedentes do STJ apontados no Recurso ora contrarazoado, verificase que, em ambos os casos, o entendimento que prevalece é o de que a responsabilidade só existe quando as multas que já integravam o passivo da pessoa jurídica, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 4 ou seja, foram aplicadas antes da incorporação de forma a serem conhecidas pelos novos administradores da empresa, o que não ocorreu no caso em comento”; g) que “em matéria tributária não há espaço para suposta "interpretação sistemática" ou "buscando possível intenção do legislador" (que na verdade são meras tentativas de inovar no ordenamento jurídicotributário), pelo que todas as considerações postas neste sentido não podem convalidar possível manuseio da legislação ao bel prazer do Fisco”; h) que “não há autorização legal para desconsideração de atos e negócios jurídicos validamente realizados. E, se este fosse o caso, certamente a Recorrida tem o direito de defesa contra tal argumento, de maneira que este aspecto teria que estar ventilado no auto de infração e peças conseqüentes; i) que “o que se verifica nos autos é que a Fazenda Nacional, ao mesmo tempo em que defende a malsinada "aplicação sistemática" do art. 132 do CTN, pretende, indiretamente, desconsiderar a sucessão ocorrida no presente caso, aventando, de forma equivocada, a possibilidade de um suposto ato simulado, sem realizar qualquer prova dessa suposição. A verdade é que a Recorrente nem mesmo chega a afirmar expressamente que a incorporação foi um ato simulado e nem poderia, pois para que essa afirmação fosse sequer cogitada, seria indispensável sua comprovação inequívoca, fato inexistente nos autos”; j) que “em momento algum o Fisco se opôs ao procedimento de incorporação do qual participou a Empresa Autuada, mesmo podendo fazêlo, conforme determina expressamente a legislação de regência (Lei n° 6.404/76), sendo que não lhe cabe, somente agora, alegar a imaginada simulação na transformação societária em comento, a fim de tentar justificar a responsabilidade por sucessão da Recorrida no que se refere à multa de ofício aplicada na sucedida”; k) que “mesmo que se considerasse cabível a multa de oficio, hipótese levantada apenas por amor ao debate, ela teria que ser aplicada no montante mínimo permitido em lei”; l) que “no caso dos autos, não restou COMPROVADA quaisquer das circunstâncias qualificadoras, sendo que não houve nenhuma ação dos Recorrentes tendente a impedir ou retardar o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador, o que implicaria na sonegação”. m) que “não há que se falar em imposição de penalidade, ainda mais em sua forma agravada, eis que o trabalho fiscal foi concluído após a adesão da Recorrente ao PAES” e que” a confissão e o parcelamento de débitos são condutas que, inequivocamente, excluem qualquer possibilidade de ocorrência dos requisitos para aplicação da qualificação de multa tributária”. A recorrida faz citação da doutrina e de jurisprudência da Câmara Superior de Recurso Fiscais em reforço às suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, Relator. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10680.000607/200473 Acórdão n.º 910101.130 CSRFT1 Fl. 3 5 O recurso atende os pressupostos para sua admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido, nos termos do art. 4º da Portaria MF nº 256 de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. A questão a ser solucionada versa sobre a possibilidade de cobrança, da empresa incorporadora (sucessora), de multa qualificada (150%) aplicada sobre os tributos lançados em face da omissão de rendimentos apurada pela fiscalização sobre operações realizadas pela empresa incorporada. O acórdão recorrido adota o posicionamento, de que a incorporadora responde apenas pelos os tributos devidos pela sucedida. O acórdão recorrido tem a seguinte ementa, na parte que interessa ao presente recurso: MULTA DE OFÍCIO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUCESSÃO A incorporadora somente responde pelos tributos devidos pelo sucedido. O que alcança a todos os fatos jurídicos tributários (fato gerador) verificados até a data da sucessão, ainda que a existência do débito tributário venha a ser apurada após aquela data. Art. 132 CTN. A recorrente argumenta que a decisão que excluiu a penalidade contraria a lei; mais precisamente o art. 129 do CTN. Sustenta que a interpretação do art. 132 não pode ser feita de forma isolada, desconsiderando o disposto no art. 129, que integra a mesma Seção II do código, que trata da responsabilidade dos sucessores. Tal interpretação estaria em consonância com a jurisprudência do STJ. Por outro lado a recorrida sustenta que a decisão recorrida se alinha à jurisprudência administrativa da Câmara Superior de Recursos Fiscais. No seu entendimento a expressão “tributos” contida no art. 132, excluiria uma interpretação sistemática no sentido de ampliar o seu alcance e abranger as multas, como pretende a recorrente. Alega ainda que a jurisprudência citada pela recorrente abrangeria apenas os casos em que a multa punitiva já havia sido lançada antes da sucessão e já integrando o patrimônio da incorporada sendo, portanto, de conhecimento da incorporadora na data do ato de incorporação. Tratase, portanto, de examinar se a decisão recorrida afronta os dispositivos do Código Tributário Nacional que tratam da responsabilidade tributária dos sucessores. Passo, então, a examinar os argumentos da recorrida à luz dos elementos do processo, da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial. Esta questão tem sido bastante discutida sejam no âmbito doutrinário, seja no campo jurisprudencial. Na esfera administrativa, conforme aponta a recorrida em suas contrarrazões, existem várias decisões da Câmara Superior Fiscal que a responsabilidade da sucessora, nos estritos termos do art. 132 do CTN, restringese aos tributos não pagos pela sucedida, e que a responsabilidade pela multa fiscal somente se dá quando ela tiver sido lançada antes do ato sucessório, tratandoa, neste caso, como um passivo assumido pela sucessora. É o caso dos acórdãos da CSRF indicados pela recorrida em seu contraarrazoado (Acórdão CSRF/01 04.408 e CSRF/0104.406, ambos proferidos no ano de 2003) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 6 Em que pesem os sólidos argumentos contidos nos referidos acórdãos da CSRF, lastreado tanto na doutrina quanto na jurisprudência, não se pode olvidar que a jurisprudência é dinâmica e sofre alterações ao longo dos anos. O argumento central da tese abrigada no acórdão recorrido é de que o artigo 132 do CTN prevê apenas a responsabilidade da sucessora pelos tributos, o que excluiria, portanto as multas, pois estas estão fora do conceito de tributo “strictu sensu”. Tal premissa, no entanto já vem mitigada por ressalvas feitas na própria jurisprudência que encampa esta tese. A primeira delas é de que se admite a responsabilidade pelas multas se estas já tiverem sido lançadas antes do ato sucessório, na medida em que estariam incorporadas ao patrimônio (mais propriamente ao passivo) da empresa sucedida, sendo, portanto, do conhecimento da sucessora (incorporadora, no presente caso). Também há muito que a jurisprudência admite que a multa de mora, por ter caráter indenizatório e não punitivo, também é da responsabilidade da sucessora. Essa interpretação mitigada do artigo 132 revela que a exegese correta, como sói ocorrer com toda norma jurídica, não pode ser feita de forma literal, nem isolada do restante do ordenamento. A interpretação sistemática não representa inovação legislativa, nem tampouco afronta o princípio da estrita legalidade, como alega a recorrida, mas sim representa uma dos mais eficazes e utilizados métodos hermenêuticos. Neste diapasão não há como deixar de fazer uma análise sistemática das normas que tratam da responsabilidade tributária dos sucessores no CTN, contidas na Seção II do Capítulo V. Podese começar pelo próprio art. 132, numa leitura mais acurada do caput e de seu parágrafo único, in verbis: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. (grifei) Como se vê, o caput do art. 132 trata da responsabilidade da pessoa jurídica não apenas no caso em que esta resulte de incorporação de outra, mas também nos casos de fusão ou transformação da pessoa jurídica. A lei nº 6.404/1976, que rege as sociedades anônimas define o que vem a ser cada uma dessas modalidades, nestes termos: Art. 220. A transformação é a operação pela qual a sociedade passa, independentemente de dissolução e liquidação, de um tipo para outro. Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10680.000607/200473 Acórdão n.º 910101.130 CSRFT1 Fl. 4 7 Art. 228. A fusão é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações. Como se vê na definição legal, apenas nos casos de fusão ou incorporação ocorre a extinção de uma ou mais sociedades sendo sucedida por apenas uma delas (no caso de incorporação) ou por uma nova sociedade (no caso de fusão). Na transformação não há dissolução ou liquidação da sociedade, mas a mera transformação de seu tipo societário (de sociedade por quotas de responsabilidade limitada para sociedade anônima, por exemplo). Nesse caso não há, pelo menos em princípio, alteração do quadro societário, embora a lei ressalve o direito do sócio dissidente retirarse da sociedade; nem tampouco das atividades desenvolvidas. Ou seja, a pessoa jurídica não sofre qualquer interrupção ou alteração na exploração de suas atividades. Não seria razoável a interpretação de que a pessoa jurídica que promoveu alteração de seu tipo societário tivesse a sua responsabilidade tributária até a data da transformação, limitada aos tributos devidos, com exclusão das penalidades pelas infrações tributárias de qualquer natureza que houverem sido cometidas. Não obstante o art. 132 alberga todas essas situações, sempre se referindo à responsabilidade dos “sucessores” pelos “tributos” devidos pela pessoa jurídica até a data do ato de transformação, fusão, incorporação ou extinção. O mesmo se pode dizer da interpretação do parágrafo único do mesmo dispositivo quanto à responsabilidade do sócio que, extinta a pessoa jurídica, dá continuidade à exploração da atividade sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual, ficar limitada aos tributos, com exclusão das penalidades. Em linha similar de sustentação, Gelson Amaro de Souza (Responsabilidade Tributária e Legitimidade Passiva na Execução Fiscal, 2ª ed., rev., atual. e amp. – Ribeirão Preto, SP: Nacional de Direito Livraria e Editora, 2001), leciona que: O responsável por sucessão responde pelas obrigações tributárias deixadas pelo sucedido em toda sua extensão, sem exclusão alguma. O legislador, ao disciplinar a matéria da sucessão em seus arts. 131 a 133, especificamente, não fez nenhuma exclusão, como o fez para os casos do art. 134, do mesmo CTN. O parágrafo único do art. 134 exclui as responsabilidades em relação às multas de caráter pecuniário. Mas essa exclusão se restringe única e exclusivamente aos casos do art. 134 e não se aplica em hipóteses outras, que não as ali tratadas. A adequada interpretação do disposto no art. 132 do CTN passa, sem dúvida alguma, pela observância do que dispõe o art. 129 do mesmo código. O dispositivo em questão é a moldura sob a qual devem ser aplicados os demais dispositivos da seção que trata da responsabilidade dos sucessores, nestes termos: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 8 (grifei) O dispositivo se refere expressamente não apenas à responsabilidade dos sucessores “por igual aos créditos tributários” , como também determina a sua aplicação (por igual) a quaisquer créditos tributários, sejam eles “definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos”, apenas com a ressalva de que sejam “relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data” O código não diferencia, portanto, a responsabilidade do sucessor sobre os créditos tributários, sejam eles constituídos antes, em curso de constituição ou posteriormente à data ato de transformação, fusão, incorporação ou extinção da pessoa jurídica. Assim, não abriga critério que permita excluir da responsabilidade as multas aplicadas após a data do ato de sucessão, conforme entendeu o acórdão recorrido. Esta interpretação está em consonância com a jurisprudência mais recente do Superior Tribunal de Justiça, que, sob a égide da Constituição Federal de 1.988, se não vejamos como dispõe a ementa do RESP. Nº 959389 –RS, in verbis: RECURSO ESPECIAL N° 959.389 RS (2007/01316981) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ARTIGO 159 DO CC DE 1916. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. MULTA TRIBUTÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA. 1. Não se conhece do recurso especial se a matéria suscitada não foi objeto de análise pelo Tribunal de origem, em virtude da falta do requisito do prequestionamento. Súmula 282 e 356/STF 2. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem penalidade pecuniária, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. (grifo não consta do original) 3. Segundo dispõe o artigo 113, § 3°, do CTN, o descumprimento de obrigação acessória faz surgir, imediatamente, nova obrigação consistente no pagamento da multa tributária. A responsabilidade do sucessor abrange, nos termos do artigo 129 do CTN, os créditos definitivamente constituídos, em curso de constituição ou "constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data", que é o caso dos autos. (grifo constante do original) 4. Recurso Especial conhecido em parte e não provido (Acórdão proferido em 07/052009 – Relator Ministro Castro Meira) Na mesma linha já havia sido proferido o Acórdão nº 1.017.186 SC, in verbis: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10680.000607/200473 Acórdão n.º 910101.130 CSRFT1 Fl. 5 9 RECURSO ESPECIAL N° 1.017.186 SC (2007/03039743) RECURSO ESPECIAL. MULTA TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO DE EMPRESAS. RESPONSABILIDADE. OCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. TEMA NÃO ANALISADO. RETORNO DO AUTOS. A empresa recorrida interpôs agravo de instrumento com a finalidade de suspender a exigibilidade dos autos de infração lavrados contra a empresa a qual sucedeu. Alegou a ausência responsabilidade pelo pagamento das multas e, também, decadência dos referidos créditos. O Tribunal a quo acolheu o primeiro argumento, julgando prejudicado o segundo. 1. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas também se refere às multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. (grifo não consta do original). 2. Nada obstante os art. 132 e 133 apenas refiramse aos tributos devidos pelo sucedido, o art. 129 dispõe que o disposto na Seção II do Código Tributário Nacional aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição, compreendendo o crédito tributário não apenas as dívidas decorrentes de tributos, mas também de penalidades pecuniárias (art. 139 c/c § 1° do art. 113 do CTN). (grifo não consta do original). 3. Tendo em vista que a alegação de decadência não foi analisada em razão do acolhimento da nãoresponsabilidade tributária da empresa recorrida, determinase o retorno do autos para que seja analisado o fundamento tido por prejudicado. 4. Recurso especial provido em parte. (Acórdão proferido em 11/03/2008 – Relator Ministro Castro Meira) Com se extrai dos acórdãos a responsabilidade tributária do sucessor abrange não apenas o tributo, como quaisquer tipo de penalidades pecuniárias na medida em que ambos decorrem da obrigação principal, fundamentandose nos artigos 139 e no §1º do art. 113 do CTN, in verbis: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 113 (...). § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, sendo parte integrante do crédito tributário, não há porque se cogitar da exclusão da responsabilidade do sucessor pela multa, seja ela de mora ou de ofício, Fl. 9DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 10 independente do momento da constituição do crédito. A única diferença entre as multas de mora e de ofício é a postura do sujeito passivo perante o Fisco. Se ele reconhece sua omissão ou inadimplência e declara/paga o tributo correspondente antes de qualquer ação do Fisco deve apenas a multa de mora. Por outro lado, a multa de ofício é uma penalidade mais gravosa na medida em que o Fisco necessitou movimentar a sua máquina fiscalizadora para efetuar o lançamento dos tributos que foram sonegados aos cofres públicos pelo sujeito passivo. Trata se, portanto, de responsabilidade objetiva, que tem como pressuposto a inadimplência ou a omissão do sujeito passivo ao declarar/recolher o tributo, que é verificada no caso concreto, conforme dispõe o art. 136 do CTN, in verbis: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifei) Embora a multa fiscal seja uma penalidade, tem caráter eminentemente patrimonial, não sendo aplicável o princípio do direito penal inserto no art. 5º, inciso XLV da CF/88, segundo o qual a pena não pode passar da pessoa do infrator. Assim, decidiu o Supremo Tribunal Federal no RE. 83.613SP, de 20/08/1976, e precedentes: RE 74.851, RE 59.883 e RE 77.187SP. Lembro, ainda, que, se no passado com base no aludido dispositivo constitucional alguns negavam a possibilidade de habilitação de créditos relativos a multa tributária no processo de falência (sob o argumento de que iria onerar os credores e não o infrator), hoje, a multa tributária está expressamente prevista, no art. 83, inciso VII, da Lei de Falência (Lei no 11.101/05) entre os créditos passíveis de habilitação. Arrematando, entendo que a multa de ofício aplicada pela autoridade fiscal por infração praticada pelo contribuinte à lei tributária, não possui caráter de pessoalidade, típica das penas criminais, mas ostenta caráter econômico e integra o passivo patrimonial das pessoas jurídicas, sendo, assim, transferível para o sucessor, da mesma forma que os demais elementos do passivo. Poderseia argumentar que a multa qualificada, como a aplicada no caso sub examine, revestese preponderantemente de elementos do direito penal, na medida em que a exasperação da multa de ofício é aplicada, com base no inc. II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 diante da constatação do evidente intuito de fraude, nos termos definidos pelos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, in verbis: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10680.000607/200473 Acórdão n.º 910101.130 CSRFT1 Fl. 6 11 Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Neste caso, além da responsabilidade objetiva pela falta de declaração/recolhimento do tributo devido pelo sujeito passivo, concorre para a sua aplicação (da multa qualificada) a conduta subjetiva, caracterizada pela ação ou omissão dolosa do contribuinte com intuito de suprimir ou reduzir o tributo devido. Ora, no caso das pessoas jurídicas a caracterização da conduta dolosa que justifica a majoração da multa de ofício depende essencialmente da ação ou omissão dos seus administradores, que ao fim e ao cabo são os responsáveis pela sua gestão e os beneficiários dos seus resultados. Tal conduta é reprovada não apenas pela legislação tributária, que o faz por intermédio da exasperação da multa de ofício, mas também pela legislação penal, que a tipifica como crime (arts. 1º e 2º da Lei 8.137/1990). Assim, a pessoa jurídica sofre o agravamento da penalidade de cunho patrimonial, enquanto que o dirigente responsável pela conduta dolosa está sujeito às sanções criminais. Nesse contexto, poderseia questionar se a exasperação da multa, originada da ação ou omissão dos administradores da pessoa jurídica sucedida devesse passar à responsabilidade da pessoa jurídica sucessora. Uma vez mais entendo que a penalização mais gravosa deva ser transferida para a sucessora, na medida em que a multa de ofício qualificada integra o crédito tributário apurado e decorre igualmente da legislação tributária. Já a responsabilidade penal ou criminal do dirigente jamais poderá ser estendida ou transferida aos dirigentes da pessoa jurídica sucessora em face da aplicação do princípio da não transferência da pena, previsto no art. 5o, inc. XLV, da CF/88. Ainda que pudesse se admitir que a exasperação da multa lançada de ofício não devesse ser transferida aos sucessores, em homenagem ao princípio da boafé, este entendimento não poderia ser aplicado ao presente caso. As razões relatadas pela fiscalização no seu Termo de Verificação (fls. 27/39) para justificar a imposição da multa qualificada, também transcritas na peça recursal, demonstram que a empresa sucessora é composta basicamente pelos mesmos sócios da empresa incorporada, sendo que ambas sempre foram administradas com exclusividade pelo mesmo sóciogerente. É oportuno transcrever os principais pontos do item 67 do Termo de Verificação de Infração, para a perfeita compreensão dos fatos: 67. Caracterizam o evidente intuito de fraude a que aludem os artigos 71, 72 e 73, da Lei 4.502/64, os seguintes fatos, em conjunto com tudo o que já foi exposto neste Termo: "a) as omissões de receitas verificadas ocorreram de forma generalizada na empresa MG MASTER LTDA., bem como já ocorriam as omissões nas empresas que a mesma incorporou e continuaram a ocorrer após as incorporações, como comprovam os envelopes de Fechamento de Caixa e os relatórios existentes no aplicativo SISPAC, constantes da documentação retida/apreendida, de acordo com o Termo de Fl. 11DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 12 Retenção, a que se refere o item 2, e anexados ao presente processo; b) filiais que iniciaram suas atividades em 1998 também já contabilizavam, desde o primeiro dia de funcionamento, valores de receitas de vendas inferiores às reais; c) as omissões não ocorreram de forma isolada ou esparsa, mas sim de forma continuada e geral, na medida em que ocorreram não só em alguns dias, mas diariamente, não apenas em alguns meses, mas em todos os meses do anocalendário de 1998, que ora está sendo analisado, e também não apenas em uma loja, mas em todas que já existiam, nas que entravam em funcionamento e também nas que foram incorporadas, todas sob a administração do Sr. Sebastião Vicente Bonfim Filho, que era sócio das incorporadas e continua como sócio quotista, representante legal e dirigente exclusivo da MG MASTER LTDA; d) as omissões não foram em decorrência de erros de escrituração e sim decorrentes da sistemática contabilização de valores de receitas de vendas inferiores aos efetivamente ocorrido; (...) g) existe uma limitação à emissão de notas ou cupons fiscais no dia, em função do procedimento de controle e cotas, de tal forma que a utilização dos emissores de cupom fiscal (ECF) fica restrita ao valor previamente determinado pelo próprio sócio administrador, Sr. Sebastião Vicente Bonfim Filho, conforme constatado nos documentos juntados às folhas 218 a 220 do anexo 1 do processo IRPJ e reflexos da MG MASTER LTDA (...); Assim, do quadro social da incorporada, figurava na sua composição SEBASTIÃO VICENTE BOMFIM FILHO e ISABEL MARIA DE MELO BOMFIM, já a empresa incorporadora MG Master Ltda, após a 17ª alteração contratual, mediante a qual incorporou outras 11 empresas além da sucedida Bainorte Esportes Ltda., passou a apresentar o seguinte quadro societário: SEBASTIÃO VICENTE BOMFIM FILHO (85%); ISABEL MARIA DE MELO BOMFIM (3%); e GLORIA MARIA DE MELO BONFIM BURGER (12%). Ora, o sóciogerente de ambas as empresas (sucessora e sucedida), Sr. Sebastião Vicente Bonfim Filho e único responsável pelas ações e omissões que ensejaram a aplicação da multa qualificada e detentor de 85% do capital social da incorporadora, não pode alegar em seu proveito o desconhecimento de como operava a empresa incorporada e eventuais riscos ocultos na operação de incorporação. Não pode, portanto, opor a boa fé para justificar o afastamento da multa qualificada neste caso. Segundo Roque Antonio Carrazza, em seu Curso de Direito Constitucional, 16a ed, p. 379, o princípio da boafé também impera no Direito Tributário e leciona: “De fato, ele irradia efeitos tanto sobre o Fisco quanto sobre o contribuinte, exigindo que ambos respeitem as conveniências e Fl. 12DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10680.000607/200473 Acórdão n.º 910101.130 CSRFT1 Fl. 7 13 interesses do outro e não incorram em contradição com sua própria conduta, na qual confia a outra parte (proibição de venire contra factum próprio).” (grifei) É oportuno registrar que está plenamente demonstrado nos autos a ação dolosa do sujeito passivo que ensejou a qualificação da multa, conforme sintetizado na ementa do acórdão no 1.20200.171 (doc. a fls. 746/752), que julgou os embargos de declaração interpostos pela contribuinte, in verbis: IRPJ APLICAÇÃO DA MULTA AGRAVADA A conduta da contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao Fisco, nem escriturá las nos livros próprios, durante períodos consecutivos, procedimento adotado sistematicamente em todo o grupo de empresas capitaneado pela autuada, por meio de limitadores eletrônicos de emissão de notas fiscais ou cupom, além da manutenção de controles paralelos de receitas, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa agravada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da Lei n° 4.502/1964. Não há, pois como justificar a exclusão da exasperação da multa de ofício no presente caso, sem ferir o princípio da boafé, pois a ninguém é dado o direito de se beneficiar da própria torpeza (neminem auditur propriam turpitudinem allegans). Não bastassem todas as considerações já expendidas, entendo que o presente caso amoldase à perfeição ao conteúdo da Súmula nº 47 do CARF, in verbis: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Finalmente, julgo importante registrar que a tese de desconsideração de ato ou negócio jurídico, prevista no art. 116 do CTN, vislumbrada pelo relator do acórdão vencedor da matéria ora em discussão, como o fundamento indireto da imposição da multa à sucessora, não consta da fundamentação legal, nem das razões da fiscalização para atribuir tal responsabilidade à sucessora, ora autuada. Também não vejo razões para a sua invocação no presente caso. Deste modo considero irrelevante a discussão se tal dispositivo seria ou não aplicável ao presente caso e se o dispositivo em questão estaria ou não em condições de aplicabilidade ou dependeria de sua regulamentação. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial para restabelecer a cobrança da multa de ofício qualificada (150%) sobre os créditos tributários, nos termos do lançamento efetuado. ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 14 Fl. 14DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR
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Numero do processo: 13839.005538/2007-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2005
AUTO DE INFRAÇÃO: CONTABILIZAÇÃO DE FATOS GERADORES EM TÍTULOS IMPRÓPRIOS. INFRAÇÃO.
Ao contabilizar os fatos geradores de contribuições previdenciárias em contas impróprias, a empresa incorre em infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2005
ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS. NÃO CONHECIMENTO.
Não merecem conhecimento as alegações que não se façam acompanhar das provas em que possam lhe dar validade.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento
administrativo afastar a aplicação de penalidades previstas em lei vigente, sob a justificativa de que têm caráter confiscatório.
LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS APURADOS NA AÇÃO FISCAL, DOS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS E DA CAPITULAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA.
INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE
FALTA DE MOTIVAÇÃO.
Não se vislumbra afronta a princípios constitucionais, quando o fisco narra os fatos verificados, a norma violada e a base legal para aplicação da multa, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar de motivação do ato.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.972
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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INFRAÇÃO. Ao contabilizar os fatos geradores de contribuições previdenciárias em contas impróprias, a empresa incorre em infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2005 ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS. NÃO CONHECIMENTO. Não merecem conhecimento as alegações que não se façam acompanhar das provas em que possam lhe dar validade. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de penalidades previstas em lei vigente, sob a justificativa de que têm caráter confiscatório. LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS APURADOS NA AÇÃO FISCAL, DOS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS E DA CAPITULAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. Não se vislumbra afronta a princípios constitucionais, quando o fisco narra os fatos verificados, a norma violada e a base legal para aplicação da multa, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar de motivação do ato. Recurso Voluntário Negado Fl. 118DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13839.005538/200784 Acórdão n.º 240101.972 S2C4T1 Fl. 119 3 Relatório Tratase do Auto de InfraçãoAI n.º 37.096.3460, no qual foi aplicada a penalidade de R$11.951,21 (onze mil e novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos),, em razão de suposto descumprimento, por parte da empresa autuada, da obrigação de lançar em títulos próprios de sua contabilidade os fatos geradores de contribuições previdenciárias. De acordo com o relatório fiscal, empresa deixou de lançar em títulos próprios de sua contabilidade as remunerações pagas a segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços no período de 06/2004 a 06/2005 e que estão relacionados em planilha anexa a este Relatório, denominada "Contribuintes Individuais e Salários de Contribuição não constantes em Folhas de Pagamento". Inconformada com a decisão da Delegacia de Julgamento São Paulo I, fls. 64/72, que declarou procedente a penalidade aplicada, o sujeito passivo acima identificado interpôs recurso voluntário, fls. 77/90, no qual alega, em apertada síntese, que: a) as parcelas pagas com os cartões de premiação não possuem natureza salarial, uma vez que serviam para reembolsar despesas e não como contraprestação pelo serviço prestado; b) a incidência da contribuição previdenciária, pressupõese a existência de remuneração caracterizada pela habitualidade e como fonte de contraprestação a serviço prestado, portanto, sobre as aludidas parcelas não se pode exigir o recolhimento do tributo em questão; c) os documentos colacionados bojo do processo n.º 13.839.005524/200761 comprovam que os valores correspondiam inequivocamente a reembolso de despesas; d) a autuação foi lavrada por presunção, uma vez que não restou demonstrada cabalmente a ocorrência da infração; e) apresenta jurisprudência que firma o entendimento pela não incidência de contribuições sobre parcelas indenizatórias, como é o caso de reembolso de despesas; f) sendo improcedente o presente lançamento, também o é a aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória de deixar de declarar a contribuição dos segurados; g) a aplicação da multa em descompasso com a legislação, revestese de caráter confiscatório; h) a Autoridade Notificante feriu a um só tempo os seguintes princípios: da legalidade, da finalidade, da motivação, da razoabilidade, da verdade real, da segurança jurídica e do interesse público. Ao final pede o cancelamento do crédito tributário sob enfoque. Fl. 120DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13839.005538/200784 Acórdão n.º 240101.972 S2C4T1 Fl. 120 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da ocorrência da infração A principal questão trazida ao processo diz respeito à natureza das parcelas repassadas às pessoas físicas pela empresa notificada mediante os cartões de premiação fornecidos por empresas contratadas para tal finalidade. Esse AI, vale frisar, é correlato ao processo n.º 13.839.005524/200761, no qual estão sendo exigidas as contribuições decorrentes dos fatos geradores cuja omissão deu ensejo a essa lavratura. O referido processo foi julgado momentos atrás, tendo essa Turma de Julgamento negado provimento ao recurso da contribuinte. Peço vênia para transcrever excerto daquela decisão: O Fisco entendeu que esses pagamentos representariam remuneração a contribuintes individuais pelo fato da empresa não haver demonstrado que tais despesas, conforme alegou, tratavamse de reembolsos por dispêndios dos empregados para efetuarem seu trabalho. Por outro lado, afirma que a recorrente não apresentou qualquer outra forma de pagamento pelos serviços prestados pelos beneficiárias dos pagamentos mediante cartão. Para corroborar a sua apuração a Auditoria indicou o Relatório de Lançamentos, fls. 07/11, por competência, cada um das pessoas a que se destinaram os pagamentos. Também foram colacionados os contratos de prestação de serviço firmados entre a autuada e as empresas Zicard Vieira Gerenciamento Promocional Ltda e Neo Incentive Marketing Integrado Ltda e as notas fiscais emitidas, além da relação dos beneficiários fornecidas pela empresa. Também foi juntado às fls. 53/56 o anexo REL BENEFICIÁRIOS no qual estão vinculadas as pessoas que receberam as parcelas, as notas fiscais correspondentes e os valores pagos aos beneficiários. Por fim, o Demonstrativo das Notas Fiscais de Reembolso Conforme Livro Diário, fls.57/58, na qual estão relacionadas todas as notas fiscais emitidas e a conta contábil onde foram registradas, discriminandose o que se tratou de repasse aos trabalhadores e as quantias pagas a título de taxa de administração. A empresa na sua impugnação, embora afirmasse com veemência que as verbas tratavamse de meros reembolsos de despesas efetuadas pelos trabalhadores para executarem os serviços, não trouxe ao processo qualquer documento que pudesse comprovar os seus argumentos. Por esse motivo, o órgão a quo declarou improcedente a impugnação, mantendo integralmente a lavratura. Todavia,no recurso, foram acostados centenas de documentos de despesas tais como táxi, alimentação, estacionamento, combustível, etc. Embora, nos termos do § Fl. 122DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972, esse momento processual não seja o apropriado para a juntada de documentos que o sujeito passivo já possuía quando da apresentação da defesa, não me furtei de analisar os documentos trazidos. Tratamse de recibos que, quase totalidade, não apresentam o nome do beneficiário, os quais não foram sequer acompanhados de demonstrativo que os vinculasse a emissão de determinada nota fiscal. Da forma como foram juntadas as provas pela recorrente não há como se chegar a conclusão alguma da sua correspondência com os valores apurados. Ao contrário do Fisco que procurou esclarecer a origem dos valores lançados, a notificada não se preocupou em desconstituir as conclusões da Auditoria mediante a apresentação dos documentos juntamente com demonstrativos que pudessem afastar a pretensão fiscal. Para esse julgador, a prova da maneira como foi exibida não se presta a modificar a decisão da DRJ, nem, por conseguinte, a apuração fiscal. O fato de alguns trabalhadores arrolados serem também empregados da empresa Sim Incentive Marketing Ltda também não altera as minhas conclusões, posto que nos termos do § 2.º do art. 12 da Lei n.º 8.212/1991, o exercício de várias atividades pelo trabalhador o sujeita a filiação em relação a cada uma delas: Art. 12 (...) § 2º Todo aquele que exercer, concomitantemente, mais de uma atividade remunerada sujeita ao Regime Geral de Previdência Social é obrigatoriamente filiado em relação a cada uma delas. Nesse sentido, o fato das pessoas listadas também receberem remuneração na condição de empregados de outra empresa apenas reflete no cálculo da contribuição do segurados que tem se sujeitar ao limite máximo do saláriodecontribuição. Verificase que esse teto foi respeitado pelo Fisco, conforme consta do Relatório Fiscal e anexos. De outra banda, analisando os contratos de prestação de serviço acostados pude concluir que, ao contrário do que afirmou a empresa, não se tratava unicamente de pagamento de reembolso. Vejamos. No contrato com a empresa Zicard Vieira Gerenciamento Promocional Ltda merece relevo a seguinte cláusula: CLAUSULA PRIMEIRA: OBJETO DO CONTRATO A Zicard Vieira Gerenciamento Promocional Ltda, garantirá o perfeito funcionamento do Sistema Marketing Card, cartões eletrônicos como meio de pagamentos eletrônicos da Campanha Promocional e reembolso de despesas, desde que obedecidas as cláusulas seguintes. Verificase que os cartões eram disponibilizados como meio de pagamento de campanha promocional e reembolso de despesas. Todavia, para que assumisse a feição de reembolso deveria haver a comprovação da realização do gasto, isso para cada um dos beneficiários. Desse encargo estou convencido de que a empresa não se desincumbiu. No mesmo sentido é o contrato firmado entre a notificada e a empresa Neo Card, como se pode ver desses termos: CONSIDERANDO QUE: Fl. 123DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13839.005538/200784 Acórdão n.º 240101.972 S2C4T1 Fl. 121 7 Constitui objeto do presente contrato a prestação dos serviços de desenvolvimento e gerenciamento operacional da campanha de incentivos e fidelização, reembolso do despesas , envolvendo Representantes Comerciais e Clientes da. MOVE, incluindo também toda a administração e gerenciamento da campanha promocional, assessoria e consultoria em marketing, objetivando a implantação de plano de ação para proporcionar o crescimento do volume de vendas, reter e fidelizar clientes, tudo como justo e contratado nas clausulas dispostas neste instrumento. Nessa situação está mais nítido ainda que o reembolso de despesas seria para a contratada apenas um dos itens de uma prestação de serviço que tinha como objetivo maior incrementar o volume de vendas da recorrente. Assim, verificandose que efetivamente houve a prestação de serviço e que a empresa não conseguiu demonstrar que os valores eram pagos para indenizar os trabalhadores por despesas efetuadas para executarem o trabalho, entendo que acertou o Fisco ao considerálas salário de contribuição, conforme dispõe o art. 12, V, da Lei n.º 8.212/1991, sendo devidas as contribuições lançadas nos termos dos artigos 21, “caput” e. 22 , III, da mesma lei. Tendose concluído pela incidência de contribuições previdenciárias sobre as parcelas em questão, não há como se afastar a aplicação da multa por descumprimento da obrigação acessórias de declarar esses fatos geradores em contas contábeis próprias. Ao se verificar que tais valores foram lançados como pagamentos a pessoas jurídicas, é induvidosa a ocorrência da infração. Do caráter confiscatório da multa Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da penalidade por descumprimento de obrigação acessória é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da quantificação da penalidade pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas impor a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da infração, aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, em que são expressos o fundamento legal e os critérios utilizados para a gradação da penalidade aplicada. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. A esse respeito, trago a colação súmula do CARF, a qual versa acerca da impossibilidade de conhecimento na seara administrativa de questão atinente à inconstitucionalidade de ato normativo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 124DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente, como é o caso da aplicação da multa. Da afronta a princípios constitucionais Ao contrário do que afirma a recorrente não enxerguei qualquer atropelo do fisco aos princípios da legalidade, da finalidade, da motivação, da razoabilidade, da verdade real, da segurança jurídica e do interesse público. A fundamentação legal indicada pelo Fisco não dá margem para que se diga que o princípio da legalidade tributária restou ferida. Foi exposta a conduta infracional, apresentouse o dispositivo legal infringido e indicouse a base legal e os critérios para fixação da penalidade. O pagamento de remuneração aos contribuintes individuais restou comprovado nos autos, de forma que a sua escrituração em contas próprias é imposição legal, não havendo o que se falar em desvio de finalidade ou ausência de motivação para aplicação da multa, uma vez que o Fisco se viu diante de claro descumprimento de obrigação acessória. Eis que o interesse público foi preservado quando a Autoridade Fiscal, ao se deparar com uma obrigação tributária não cumprida, lavrou o AI para aplicar a multa legalmente prevista. Os fatos e as provas que foram levados em conta na apuração fiscal não autorizam que se afirme ter havido excesso de exação ou mesmo conduta desarrazoada, uma vez que todos os dados foram coletados de documentos fornecidos pelo sujeito passivo. Também se respeitou o princípio do contraditório e da ampla defesa no presente processo administrativo fiscal, onde o sujeito passivo teve oportunidade de produzir os argumentos e provas para afastar a pretensão do Fisco. Nesse sentido, entendendo que a Auditoria agiu dentro das balizas legais, reprovo o argumento de que na espécie teria havido afronta a princípios e garantias constitucionais. Conclusão Diante de todo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, pelo seu desprovimento. Kleber Ferreira de Araújo 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 125DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13839.005538/200784 Acórdão n.º 240101.972 S2C4T1 Fl. 122 9 Fl. 126DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10935.001767/2003-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2000
Ementa: RECURSO ESPECIAL. INADMISSIBILIDADE. Não se conhece
do recurso especial quando a tese adotada no acórdão recorrido é objeto de súmula do CARF.
Numero da decisão: 9101-000.906
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10935.001767/2003-10 Recurso n° Especial do Procurador Acórdão n° 9101-00906 — la Turma Sessão de 28 de março de 2011 Matéria CSLL - trava 30% na atividade rural Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado 4R AGRO PASTORIL LTDA Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2000 Ementa: RECURSO ESPECIAL. INADMISSIBILIDADE. Não se conhece do recurso especial quando a tese adotada no acórdão recorrido é objeto de súmula do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do co iado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório ue integram o presente julgado. Cai Marcos Cândido 7' Presidente Viviane Vidal agner - Relatora 0 MAI 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Alberto Pinto Souza Júnior, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Claudemir Rodrigues Malaquias, Orlando José Gonçalves Bueno, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Relatório A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial em face do acórdão n° 107-09501, proferido pela Sétima Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes que, por maioria, assim decidiu: ATIVIDADE RURAL — TRAVA DOS 30% A compensação de bases de cálculo negativas oriundas da atividade rural não se sujeita ao limite de 30% do lucro liquido ajustado. Alega, em síntese, que o acórdão recorrido, ao permitir tal compensação, feriu o art. 2° e ##t da Lei n. 7.689, de 15.12.88, o art. 16 da Lei n. 9.065, de 20.06.95, o art. 19 da Lei n. 9.249, de 26.12.95, e o art. 6°. da Medida Provisória n. 1.858-6, de 29.06.99, e suas reedições. Aduz que o contribuinte sujeitou-se ao limite de 30% do lucro liquido ajustado para compensação de base de cálculo negativa anterior da CSLL mesmo explorando atividade rural no ano-calendário de 1999. 0 recurso especial foi admitido pelo Presidente da Camara recorrida, após verificada a alegada contrariedade à lei. Em contrarraziks, o contribuinte cita jurisprudência da Camara Superior de Recursos Fiscais e do Primeiro Conselho de Contribuintes no mesmo sentido do acórdão recorrido para defender sua manutenção. E o relatório. 2 Processo no 10935.001767/2003-10 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101 -00906 Fl. 2 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora PRELIMINAR DE ADMISSIBILIDADE 0 objeto do recurso especial da Fazenda Nacional cinge-se A tese da sujeição da compensação da CSLL ao limite de 30% da base de cálculo negativa apurada anteriormente, ainda que se trate de receita oriunda exclusivamente de atividade rural. A questão já foi suficientemente discutida na esfera administrativa, culminando com a edição da Sumula CARP n. 53, aprovada na sessão de 29/11/2010, que assim dispõe: Não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural o limite de 30% do lucro liquido ajustado, relativamente à compensação da base de cálculo negativa de CSLL, mesmo para os fatos ocorridos antes da vigência do art. 42 da Medida Provisória n. 1991-15, de 10 de março de 2000. Em razão da vinculaydo do colegiado aos enunciados aprovados pelo Pleno da Camara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do art. 72, $4°, do Anexo II da Portaria MF n. 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, verifica-se, no caso, a situação prevista no art. 67, par. 2°, do mesmo regimento, a impedir o conhecimento do recurso manejado pela Fazenda Nacional. F, como voto. Viviane Vidal Wagner 3
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