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Numero do processo: 37311.000421/2004-79
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2402-000.162
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: LOURENÇO FERREIRA DO PRADO
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Júlio César Vieira Gomes – Presidente. Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do Julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 96DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 37311.000421/200479 Resolução n.º 2402000.162 S2C4T2 Fl. 952 2 RELATÓRIO Tratase de Embargos de Declaração opostos pela FAZENDA NACIONAL em face do v. acórdão de 933/943, proferido por esta Eg. Turma, através do qual foi declarada a decadência da totalidade do crédito tributário lançado na NFLD combatida. Sustenta a embargante ter o acórdão incorrido em omissão, na medida em que, ao analisar a decadência, deixou de considerar que o lançamento objeto dos presentes autos é substitutivo e decorrente da NFLD 35.386.5990, anteriormente anulada por vício formal, através de decisão da Secretaria da Receita Previdenciária. Acresce que, uma vez considerado o caráter substitutivo da presente NFLD, a decadência não poderia ser reconhecida em sua totalidade, conforme restou entendido no julgamento do v. acórdão embargado. Prestadas as devidas informações à Eg. Presidência desta Turma, fora determinada a inclusão do recurso em pauta de julgamentos para análise das questões suscitadas pelo contribuinte. É o que bastava relatar. Fl. 97DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 37311.000421/200479 Resolução n.º 2402000.162 S2C4T2 Fl. 953 3 VOTO CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. MÉRITO Tem razão a embargante. Quando do julgamento do recurso voluntário, o qual se deu pelo rito determinado no art. 47 do Regimento Interno deste Eg. Conselho, tendo sido decidido com base no recurso padrão, fora declarada a decadência da integralidade dos períodos lançados na NFLD, uma vez estes se remetem ao período 05/94 a 07/98. De fato, em referido julgamento, não se considerou que a presente NFLD é substitutiva da NFLD n. 35.386.5990, a qual foi anulada por erro formal, por não constar de seu relatório fiscal a fundamentação legal do procedimento de aferição indireta. Ou seja, referida questão ficou omissa. Diante dos fundamentos constantes nos Embargos de Declaração, tal peculiaridade deverá ser considerada por este Eg. Conselho na análise da decadência, pois poderão haver períodos que não estejam fulminados pelo Instituto, nos termos do art. 173, II, do CTN, a seguir: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado Entretanto, ao analisar os autos do presente processo, apesar do próprio relatório fiscal fazer menção ao caráter substitutivo do lançamento, não constam maiores informações acerca do lançamento original e que tragam ao julgador a certeza na análise do termo inicial e final do prazo decadencial. Assim, reconhecendo, desde já a omissão apontada nos Embargos, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, determinando a baixa dos autos, para que a autoridade competente informe a este Conselho, (i) qual a natureza das contribuições lançadas na NFLD 35.386.5990, apontando (ii) os período do lançamento efetuado, (iii) a data da cientificação do contribuinte, bem como (iv) a data em que foi preferida a decisão que anulou a NFLD 35.386.5990 e (v) a data em que se tornou definitiva referida decisão anulatória. Por fim, que faça juntar aos autos da presente processo cópia da NFLD 35.386.5990, bem como de seus anexos, inclusive o relatório fiscal. Fl. 98DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 37311.000421/200479 Resolução n.º 2402000.162 S2C4T2 Fl. 954 4 Após, que seja o contribuinte intimado, para, querendo, em 30 (trinta) dias, apresentar manifestação sobre o resultado da diligência. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 99DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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Numero do processo: 10845.003467/94-03
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 1998
Numero da decisão: 302-00.889
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: UBALDO CAMPELLO NETO
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Brasília-DF, em 18 de agosto de 1998 ~-D~A---- Presidente 1\ f',"OC"IlAi:'O":A.C:.RAL DA rAZ~~~:-.A""(IO"At C'oo.dena~ao-Gera' ,: r epr •• en~açao Extrajudicial "fO~;'~!'i.Em_._.J..í~ __.'1lL_ ~ ~ ~. ---LU-C1-A-N-A-C-OR-T-EZ-R-õftj'iPONiES ~ ~ • Procur.dOrO ..40 FIU.nda:tolllcIOnol ALDO CAMPELLO O Relator 1 50UT1998 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CIDEREGATTO, ELIZABETH MARIA VIOLATTO, RICARDO LUZ DE BARROS BARRETO, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES e LUIS ANTONIO FLORA . tIne MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA cÂMARA • RECURSO N° RESOLUÇÃON> RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 117.287 302-0.889 AQUATEC QUÍMICA S/A DRF/SANTOS/SP UBALDOCAMPELLONETO RELATÓRIO • • • • Retoma este processo de diligência determinada por esta Câmara, através da Resolução no 302-825/97, cujo relatório e voto têm o seguinte teor: "A empresa acima identificada importou, através da D.I040698/93, 13.000 kg. do produto identificado no quadro 11 da adição 001 da referida DI como sendo Álcool Graxo Ceto Estearílico (Álcool Graxo Industrial) de denominação comercial "HYDRENOL D", classificando-o no código tarifário 1519.20.9999 (alíquota de 0% tanto para o lI, quanto para o I.P.I.). O AFTN designado procedeu à complementação do exame da D.I, e, com base no laudo do Labana nO4268/93, constatou tratar-se o produto importado de Álcool Estearílico Industrial (Álcool Ceto- Estearílico), um álcool graxo (gordo) industrial com características de cera industrial, cuja classificação tarifária reside no código NBM/SH 1619.20.0100 (alíquota de 0% para o lI. e 15%para o IPI.) Dessa forma incorreu o contribuinte em insuficiência de recolhimento do IP.I vinculado, cuja exigência foi formalizada no Auto de Infração de fls. 01 a 05. Irresignada com o lançamento, a autuada, tempestivamente, apresentou suas razões de defesa de fls. 20 a 30, alegando: 1. Que o Laudo do Laboratório não propiciou os elementos necessários para a classificação pretendida pela fiscalização, pois a mercadoria examinada é definida como um álcool esteárico, álcool gorduroso industrial que possui enquadramento nominal na posição 1519 da TAB. 2. Que quanto a complementação do laudo "com características das ceras artificiais" trata-se de uma definição secundária já que a classificação é prioritariamente determinada pela natureza química da mercadoria e não pela sua aplicação; 2 .' ~STÉroODAFAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA cÂMARA • • RECURSO N° RESOLUÇÃON° 117.287 302-0.889 3. Que as regras gerais para a interpretação da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias, descartam quaisquer dúvidas que ainda se possa ter sobre o assunto, pois qualquer menção de uma matéria numa determinada posição da Nomenclatura se refere a essa matéria, que em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias; 4. Que, nestas condições só os Álcoois Gordurosos não nominalmente especificados e, que tenham características típicas das ceras, têm condições de serem definidos e portanto classificados como "ceras artificiais". o lançamento foi considerado procedente pela Decisão nO182/94, fls. 37. A empresa apresentou recurso a este Colegiado, tempestivamente, argüindo o seguinte: A Recorrente submeteu a despacho aduaneiro 13.000 (treze mil) quilos do produto denominado ÁLCOOL GRAXO ESTEARÍLICO, de nome comercial "HYDRENOL D". Classificou o referido produto, na posição 1519.20.99 da Tabela Aduaneira do Brasil, que determina a alíquota de 0% para o Imposto de Importação e 0% para o Imposto sobre Produtos Industrializados. Em ato de conferência da citada mercadoria, o Sr. agente fiscal, tendo dúvida com relação à classificação adotada pela autora, solicitou a realização de laudo de análise, pelo Laboratório Nacional de Análises em Santos. • • Com fundamento no resultado do referido laudo de análise, o qual entendeu ser o produto um álcool Estearílico industrial com características de cera artificial, concluiu o Sr. agente fiscal pela impropriedade da classificação adotada pela autora, determinando como correto posicionamento tarifário o item 1519.20.0100, da TAB, que prevê uma alíquota de 0% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados. As afirmações do laudo, no sentido de que o produto HIDRENOL D tem características de cera artificial e não possui constituição química definida, as quais fundamentaram a autuação em tela, não podem prosperar, pois, como se verá, não resistem a uma correta análise do assunto . 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃON° 117.287 302-0.889 o produto HDRENOL D, conforme define o laudo de análise, é constituído de 29,0% de álcool cetílico, 69,8% de álcool estearílico e 1,2% de álcool mirístico. Apesar do álcool estearílico e o álcool cetílico, ou a mistura de ambos, serem semelhantes a uma cera, suas propriedades químicas, bem como a sua aplicação, em nada assemelham-se a esta. Com efeito, o álcool estearílico e cetílico possuem as seguintes características: a) não são ésteres; b) possuem ponto de fusão definido; c) possuem composição química definida e constante. • • Por outro lado, as propriedades mais comuns das ceras são: a) repe1ência a água; b) atóxicos; c) solúveis nos solventes orgânicos comuns; d) insolúveis em água; e) são combustíveis; t) não possuem composição química definida, sendo subprodutos de outros processos industriais . Como se percebe, o produto importado pela autora é uma mistura definida e conhecida de álcool cetílico e estearílico, cujas propriedades fisicas e químicas e a sua própria utilização em nada se assemelham às das ceras.industriais. Estabelecidas estas diferenças fundamentais entre o produto importado pela autora e as ceras artificiais, fica claro que o entendimento do agente fiscal afrontou a própria nota explicativa do sistema harmonizado, que na posição 34.04 define a cera artificial: "as ceras artificiais (por vezes conhecidas na indústria por ceras sintéticas) e as ceras preparadas (definidas na nota 5 do presente capítulo), constituídas por matérias orgânicas de peso molecular relativamente elevado e que não são compostos de constituição química definida apresentados isoladamente"(,grifo nosso). o fato é que o álcool estearílico e o cetílico, no seu emprego não substitui nenhum tipo de cera, e a despeito de algumas semelhanças fisicas, tais misturas não podem ser consideradas ceras artificiais . 4 • MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA cÂMARA • RECURSO N° RESOLUÇÃON° 117.287 302-0.889 Por outro lado, tendo em vista que a discussão no processo administrativo teve como finalidade definir a correta classificação fiscal do produto, entende a autora que, face às características fisicas e químicas do HYDRENOLD, conforme acima descrito, deve o mesmo ser enquadrado no item 1519.20.9903 - álcool esteárico, que estabelece a alíquota de 0% para o Imposto de Importação e para o Imposto sobre Produtos Industrializados, pois a nota explicativa do Sistema Harmonizado da TAB, ao definir tal posição afirma que: • • • "O álcool estearílico industrial, que é uma mistura dos álcoois estearílico e cetílico, obtido por redução da estearina ou de óleos ricos em ácido esteárico ou ainda a partir do óleo de espermacete, por hidrogenação e hídrólise seguida de destilação. Este álcool apresenta- se sob a forma de um sólido branco cristalino à temperatura ambiente". Como se percebe, o produto em questão pode ser classificado no item declarado quando da importação - 1519.20.9903 - , mas, em nenhuma hipótese, no item 1519.20.0100, pretendido pela ré, uma vez que, como ficou demonstrado, não possui características de cera artificial. VOTO - Tendo em vista as dúvidas oriundas da análise dos autos, proponho a conversão do julgamento em diligência ao LABANA para que se pronuncie quanto ao atendimento dos requisitos elencados as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da Posição 34.04 ("ceras artificiais e ceras preparadas"), item por item. Vale ressaltar que o Laudo anexo aos autos diz, apenas, tratar-se o produto em litígio de "Álcool Estearílico Industrial com características de cera artificial" • O cumprimento da diligência se encontra às fls.62/63. Éo relatório. 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA cÂMARA.' '. RECURSO N° RESOLUÇÃON° 117.287 302-0.889 VOTO A decisão de primeira instância está assim ementada: • • "DESCLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA - O produto de denominação comercial "HYDRENOL D", identificado pelo LABANA como sendo um "Álcool Estearílico Industrial (Álcool Ceto - Estearílico), um Álcool graxo (gordo) industrial, com características de cera artificial", tem sua correta classificação no código TAB/SH 1519.20.0100". O Laboratório Nacional de Análises - Labor/Santos, emitiu a seguinte Informação Técnica n° 077/97: "Em atendimento à solicitação de informação técnica exarada às folhas 57, 58, 59, 60 e 61 do presente processo, referente à mercadoria ÁLCOOL GRAXO CETO-ESTEARÍLICO, HIDRENOL D, de interesse da firma em epígrafe, informamos: As características de ceras para a mercadoria analisada são: 1. apresenta ponta de fusão superior a 40°C (a mercadoria analisada apresentou faixa de fusão de 52-53°C); 2. a uma temperatura de 10°C acima de seu ponto de fusão, a viscosidade do produto medida no viscosímetro, tipo rotativo, marca Brookfield é menor que 50 cps (a mercadoria analisada apresentou viscosidade em viscosímetro tipo rotativo a ~O rpm fuso n° 31 a temperatura de 63°C<50cps), 3. previamente fundido e após ter deixado solidificar apresenta-se opaco e ao exercer uma ligeira pressão toma-se brilhante; a)não é susceptível de modelação; b)previamente fundido e após ter deixado solidificar apresenta-se duro e quebradiço; 5. funde-se sem decompor e não se toma estirável acima de seu ponto de fusão; 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃON° 117.287 302-0.889 6. sua consistência varia com elevação da temperatura, bem como a sua solubilidade em solvente orgânico. A mercadoria analisada apresenta todos os parâmetros ou requisitos previstos no texto da Posição 3404 das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado para as características de ceras, incluindo os dizeres do item C das exclusões da referida posição. De acordo com Referências Bibliográficas, Álcool Estearílico Industrial apresenta características de Cera. Em função disso, é utilizado na fabricação de produtos farmacêuticos e cosméticos (cremes, pomadas, loções, ungüentos, etc) por conferir aos produtos finais: emulsão de boa estabilidade, textura suave, poder emoliente, ajudar a manter a unidade das formulações e, ao mesmo tempo, resistência à água. Desta forma, ratificamos as Conclusões e Respostas aos Quesitos do Laudo de Análises nO4268/93, ou seja: Trata-se de Álcool Estearílico Industrial (Álcool Ceto-Estearílico), um Álcool Graxo (Gordo) Industrial com características de Cera." Contudo, a recorrente não tomou conhecimento do resultado da diligência solicitada através da Resolução 302-825/97, fato que poderia ensejar • alegação de cerceamento do direito de defesa. Assim, converto o julgamento em nova diligência à Origem para que seja dada vistas à recorrente do resultado de tal Resolução. Eis o meu voto. Sala das Sessões, em 18 de agosto de 1998 • // .£/b~ ~ 4t#6, t5&\LDO CAMPELLO NifO J_ Relator • 7 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007
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Numero do processo: 19515.002453/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3401-000.487
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONÇA
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ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Odassi Guerzoni Filho, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /06/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 19515.002453/200945 Resolução n.º 3401000.487 S3C4T1 Fl. 421 2 Relatório Trata o presente processo de dois autos de infração lavrados em 30/06/2009, o primeiro exigindo PIS nãocumulativo não recolhido (fls.129/133) e o segundo exigindo a COFINS nãocumulativa também não recolhida (fls.134/136), ambos relativos aos fatos geradores ocorridos em junho, julho e dezembro de 2004. A Autuada apresentou impugnação (fls.141/179), mas a DRJ manteve o lançamento, proferindo acórdão com a seguinte ementa (fls.224/241): “INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Procede o lançamento das diferenças não recolhidas nem declaradas pelo sujeito passivo. BASE DE CÁLCULO. RECEITA FINANCEIRA. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. Os juros sobre o capital próprio, dado seu caráter inequívoco de receita financeira, constituem parcela integrante da base de cálculo do Pis e da Cofins, a qual, nos termos da legislação de regência, abarca a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da classificação contábil que esta lhes haja atribuído. BASE DE CÁLCULO. HIPÓTESES DE EXCLUSÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. As hipóteses de exclusão da base de cálculo são apenas aquelas previstas no art. 10, §3°, da lei n° 10.637/2002, o qual não menciona os juros sobre o capital próprio. JUROS SOBRE 0 CAPITAL PRÓPRIO. DIVIDENDOS. CONCEITUAÇÃO. Os juros sobre o capital próprio não se confundem com os dividendos, possuindo natureza jurídica visceralmente distinta. Enquanto os primeiros têm por escopo remunerar o capital do investidor, estando limitados à variação da TJLP, estes últimos representam parcela do lucro distribuída aos sócios segundo o valor das quotas que possuem no capital da sociedade investida. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. As ‘despesas de juros sobre o capital próprio’ não figuram dentre os créditos de Pis previstos no art. 3° da lei n° 10.637/2002, de modo que não podem ser descontadas do montante devido em cada período de apuração. DESPESAS DE JUROS SOBRE 0 CAPITAL PRÓPRIO. DEFINIÇÃO. As ‘despesas de juros sobre o capital próprio’ nada mais são do que juros pagos ou creditados aos sócios ou acionistas a título de remuneração do capital próprio, não se confundindo com as chamadas ‘despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica’, mencionadas no art. 3°, V, da lei no 10.637/2002 (redação anterior à lei n° 10.865/2004), as quais constituem juros pagos em razão de empréstimos ou financiamentos contraídos com pessoas jurídicas. MULTA DE OFÍCIO. Comprovada a falta ou insuficiência de recolhimento, procede a exigência de multa de oficio, nos termos do art. 44, I, da lei n° 9.430/96. Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /06/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 19515.002453/200945 Resolução n.º 3401000.487 S3C4T1 Fl. 422 3 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. Procede a cobrança de encargos de juros com base na taxa SELIC, visto estar amparada em lei (art. 61, § 3°, da lei n° 9.430/96). (...) LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIDO. Somente se reputa nulo o lançamento na hipótese prevista no art. 59, I, do Decreto n° 70.235/72. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não compete ao julgador da esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a constitucionalidade de norma legal regularmente editada. CITAÇÕES DE JURISPRUDÊNCIA. No julgamento de primeira instância, a autoridade julgadora observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada ao entendimento firmado pelo órgão julgador de segunda instância nem tampouco à jurisprudência judicial existente sobre a matéria. PEDIDO DE SUSTENTAÇÃO ORAL. É inadmissível na esfera administrativa por absoluta falta de previsão legal a produção de sustentação oral na fase de julgamento de primeira instância. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 19/11/2009 (fl.245) e interpôs o Recurso Voluntário em 18/12/2009 (fls.250/290), com as alegações resumidas abaixo: Fez o parcelamento do valor lançado, mas ele ainda não foi consolidado, por isso Recorre por cautela; Nulidade do acórdão da DRJ, em razão do cerceamento de defesa ao não apreciar matérias constitucionais arguidas; Os juros sobre capital próprio não podem ser confundidos com os juros comuns, pois se trata de uma espécie de distribuição de lucros entre os sócios; Os juros de capital próprio não têm natureza receita, por isso não sofrem incidência do PIS e da COFINS; Na autuação não foram levados em consideração os descontos os quais a Recorrente tinha direito, em razão das despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamento de pessoas jurídicas, na forma do art. 3o, inciso V, da Lei nº 10637/2002; Inaplicabilidade da taxa SELIC sobre os créditos tributários. Ao fim, a Recorrente pediu que fosse conhecido o Recurso para cancelar o auto de infração. Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /06/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 19515.002453/200945 Resolução n.º 3401000.487 S3C4T1 Fl. 423 4 Em 01 de março de 2010 a Recorrente atravessou petição (fls. 302/304) desistindo parcialmente do Recurso Voluntário, afirmando que os lançamentos referentes aos meses de junho e dezembro de 2004 foram calculados sobre a base de cálculo correta e mantendo o recurso somente em relação ao período de julho de 2004, sob alegação de que, nesse período, nada foi recebido a título de juros sobre capital próprio e que a Fazenda encontrou esse valor em razão de erro no preenchimento da DIPJ, a qual já foi retificada. A Fazenda apresentou contrarrazões (fls.405/417), na qual defendeu a validade do acórdão da DRJ, alegou que o PIS e a COFINS incidem sobre os juros de capital próprio, que está prescrita a alegação da recorrente de erro no preenchimento da DIPJ e que a aplicação da Taxa SELIC aos créditos tributários é legal, pedindo, ao fim, que seja negado provimento ao Recurso Voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme já relatado acima, a Recorrente desistiu do recurso em relação aos fatos geradores ocorridos em junho de dezembro de 2004, mantendo o Recurso somente em relação ao fato gerador de julho de 2004, sob a alegação de que não recebeu juros de capital próprio nesse período. Como no pedido de desistência a Recorrente informa expressamente que nos meses de junho e dezembro de 2004 “foram calculados sobre a base de cálculo correta” e que se insurge somente contra o mês de julho de 2004 porque “nada foi recebido a título JCP (Juros sobre Capital Próprio)”, temse uma concordância tácita de que os juros sobre capital próprio incidem sobre o PIS e COFINS, tornando a questão, no presente caso, incontroversa, de modo que se torna desnecessário o conhecimento da matéria. Portanto, o cerne da questão resumese em saber se a Recorrente recebeu ou não juros de capital próprio em julho de 2004, se a retificação é válida e se cabe a aplicação da Taxa SELIC sobre os créditos tributários. Mas antes disso, cabe analisar a alegação da Fazenda, em relação à prescrição da alegação de erro no preenchimento da DIPJ. 1. Da nulidade do acórdão da DRJ Alega a Recorrente que as instâncias administrativas têm competência para apreciar questões de constitucionalidade e que a não apreciação das matérias constitucionais suscitadas ocasionam cerceamento de defesa, gerando a nulidade da decisão. O fato de a DRJ não ter apreciado as questões constitucionais alegas pela Recorrente não leva à nulidade do acórdão, pois já está pacificado que a instâncias Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /06/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 19515.002453/200945 Resolução n.º 3401000.487 S3C4T1 Fl. 424 5 administrativas não podem afastar a aplicação de lei com base em inconstitucionalidade. Nessa linha é a Súmula nº 02 do CARF, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Portanto, agiu bem a DRJ em apreciar as questões constitucionais as quais também não serão conhecidas nesta instância em razão da Súmula no 02 do CARF. 2. Da preclusão do argumento do Erro Material Segundo a Fazenda Nacional, o argumento de erro material no preenchimento da DIPJ está precluso, haja vista o fato de a Recorrente não ter alegado essa matéria na Impugnação. Analisando os autos, notase que na impugnação, mais precisamente na fl.142 dos autos, a recorrente afirma que recebeu juros de capital próprio no mês de julho de 2004. Logo, realmente o argumento de erro material é novo. Mas ao que parece a este julgador, o erro foi percebido somente após a apresentação da impugnação, pois esta foi protocolada em 10/07/2009 (fl.141), enquanto a DIPJ retificadora foi enviada somente em 23/11/2009 (fl.318). Isso denota que a Recorrente percebeu o erro somente após o julgamento da DRJ, o que justificava a apresentação de novos argumentos em fase recursal, por se tratar de fato novo. Esse fato faz surgir outra questão que não foi levantada por nenhuma das partes, mas que deve ser apreciada por este Conselho, qual seja: a validade da retificação da DIPJ após o lançamento, matéria que será apreciada em seguida. 3. Validade de retificação de DIPJ após o lançamento Inicialmente cabe destacar que a análise dessa questão não configura inovação em esfera administrativa, pois, como mencionado no tópico anterior, se trata de fato novo, o qual foi suscitado pela própria Recorrente. O § 1º, do art. 147, do CTN Código Tributário Nacional – dispõe que retificação da declaração será admissível somente quando estiver acompanhada da comprovação do erro e antes do lançamento. Apesar disso, como o processo administrativo busca a verdade material dos fatos, a jurisprudência administrativa, em alguns casos, é no sentido de aceitar a retificação, mesmo após o lançamento, desde que esteja provado o erro, conforme é possível verificar nas decisões abaixo: “(...) DIPJ e DCTF. RETIFICAÇÃO. DIVERGÊNCIA. A apresentação de DIPJ retificadora após o lançamento de ofício deve vir acompanhada de provas suficientes a demonstrar o mero erro de preenchimento por parte do contribuinte. Quando devido o lançamento em razão de divergência entre DIPJ e DCTF deve ser lançado apenas o montante não declarado em DCTF. Recurso Voluntário Provido em Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /06/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 19515.002453/200945 Resolução n.º 3401000.487 S3C4T1 Fl. 425 6 Parte. (1o Conselho de Contribuintes, 8a Câmara, Turma Ordinária. Acórdão 10809.545. Processo 14041.000341/200425, julgado em 24/01/2008)” “DIPJ. EFEITOS. A DIPJ é meramente informativa, não constituindo confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para exigência do crédito tributário que, não sendo declarado em DCTF, deve ser constituído por lançamento de ofício. DIPJ. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO. Incabível a retificação de valores declarados, quando não são trazidos à colação elementos que permitam a sua apuração. Recurso improvido”. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 3a Câmara. Turma Ordinária. Processo: 11543.004178/200106. Acórdão 10322.990.Publicado no D.O.U. nº 167 de 29/08/2007) No caso em tela, a Recorrente juntou cópia da página do seu livro razão (fl.317), onde consta o recebimento de juros sobre o capital próprio dos meses de junho e dezembro de 2004 (meses que a Recorrente desistiu do Recurso) e não há registro de recebimento dos juros sobre capital próprio em relação ao mês de julho de 2004. Esse documento, apesar de não provar cabalmente o erro – por ser apenas uma folha separada – apresenta forte indício do erro material. Portanto, para afastar qualquer equívoco e para formar a convicção deste julgador, conforme disposto no art. 29, do Decreto nº 70.235/72, converto o julgamento em diligência, para que sejam analisados os livro contábeis originais da Recorrente, em busca das respostas para os seguintes quesitos: Qual o valor recebido pela Recorrente a título de juros sobre capital próprio no mês de julho de 2004? O cálculo efetuado no auto de infração para o mês de julho de 2004 está correto? Após o resultado da diligência, deve ser elaborado relatório conclusivo e dar ciência à Recorrente para que se manifeste no prazo de 30 dias. Após esse prazo, os autos devem retornar a este Conselho, ainda que a Recorrente não tenha se pronunciado. Ex positis, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos acima. É como voto. Sala das Sessões, em 22 de maio de 2012. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /06/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 10880.015357/00-70
Data da sessão: Mon Aug 16 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Sat Sep 04 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Exercício: 1997, 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. CABIMENTO.
Os embargos é meio cabível para sanear erro de fato. Confirmado o alegado erro de fato em razão da indicação errada de um valor, devem os embargos serem acolhidos com efeitos infringentes para sanar o erro.
Numero da decisão: 1401-005.749
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para reconhecer o saldo negativo de CSLL referente ao ano de 1998 de R$ 208.171,42 e o total do crédito reconhecido para o mesmo ano no valor de R$223.412,34.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira, Andre Severo Chaves e Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga , Andre Luis Ulrich Pinto e Barbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: Daniel Ribeiro Silva
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Exercício: 1997, 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. CABIMENTO. Os embargos é meio cabível para sanear erro de fato. Confirmado o alegado erro de fato em razão da indicação errada de um valor, devem os embargos serem acolhidos com efeitos infringentes para sanar o erro.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-08-31T22:04:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-08-31T22:04:04Z; Last-Modified: 2021-08-31T22:04:04Z; dcterms:modified: 2021-08-31T22:04:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-08-31T22:04:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-08-31T22:04:04Z; meta:save-date: 2021-08-31T22:04:04Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-08-31T22:04:04Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-08-31T22:04:04Z; created: 2021-08-31T22:04:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2021-08-31T22:04:04Z; pdf:charsPerPage: 1557; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-08-31T22:04:04Z | Conteúdo => S1-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.015357/00-70 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1401-005.749 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de agosto de 2021 Embargante MOSAIC FERTILIZANTES DO BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Exercício: 1997, 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. CABIMENTO. Os embargos é meio cabível para sanear erro de fato. Confirmado o alegado erro de fato em razão da indicação errada de um valor, devem os embargos serem acolhidos com efeitos infringentes para sanar o erro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para reconhecer o saldo negativo de CSLL referente ao ano de 1998 de R$ 208.171,42 e o total do crédito reconhecido para o mesmo ano no valor de R$223.412,34. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira, Andre Severo Chaves e Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga , Andre Luis Ulrich Pinto e Barbara Santos Guedes (suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 53 57 /0 0- 70 Fl. 1176DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-005.749 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.015357/00-70 Relatório Trata-se de Embargos de embargos declaratórios opostos pela contribuinte em epígrafe contra o Acórdão nº 1401-003.053, por meio do qual os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF, em sessão realizada em 13/12/2018, deram provimento parcial ao recurso voluntário. O processo trata de pedidos de restituição apresentados em 2000 relativos aos anos-calendário 1997 e 1998, acompanhados de pedidos de compensação posteriormente convertidos em declarações de compensação. Por bem descrever os fatos transcrevo parcialmente o relatório da decisão da DRJ: A Interessada protocolou, em 09/10/2000, Pedido de Restituição no valor de R$767.343,96, tendo informado como motivo do pedido: “compensar o Imposto de Renda sobre Aplicação Financeira, Remuneração de Serviços Profissionais Prestados por Pessoa Jurídica, Contribuição Social e IRPJ, referente ao período de Janeiro a Dezembro de 1998 com outros Tributos, conforme Instrução Normativa 21/97” (fl. 03). Anexou diversos documentos. Atrelou ao referido pedido, Pedidos de Compensação (fls. 04 e 392, este retificado à fl. 396). À fl. 593 (numeração eletrônica), consta Pedido de Restituição referente ao período de janeiro a dezembro de 1997, no montante de R$353.378,46. 2. A DERAT/SP exarou, em 19/05/2004, Despacho Decisório (ciência em 16/06/2004; AR fl. 553) em que indeferiu o Pedido de Restituição e não homologou as compensações pleiteadas, nos seguintes termos, resumidamente (fls. 541 a 546). 2.1. Por força do § 4º, do art. 74, da Lei 9.430/96 e alterações, o presente pedido de compensação deve ser considerado como Declaração de Compensação, desde seu protocolo. 2.2. O pedido da interessada diz respeito à restituição de créditos de CSLL, IRPJ e IRFON incidente sobre aplicações financeiras e sobre prestação de serviços a pessoa jurídica referentes ao ano-calendário (AC) 1998. Assim, a documentação de fls. 14 a 230, bem como as planilhas de fls. 05 e 06 são estranhas ao presente processo, por serem pertinentes aos anos-calendário 1996, 1997 e 1999. 2.3. No caso em tela, a interessada optou, no Exercício 1999, AC 1998, pela tributação com base no lucro real com apuração anual (fl. 426). Assim, a pessoa jurídica obrigou- se ao recolhimento mensal do imposto e da contribuição social com base em receita estimada. Os recolhimentos por estimativa efetuados durante o AC e o imposto retido na fonte podem ser deduzidos do imposto apurados em 31.12.1998. Em sendo negativo o resultado, o mesmo poderá ser restituído à pessoa jurídica, desde que formalmente requerido à autoridade administrativa. 2.4. Todavia, constata-se que a interessada não apurou Saldo Negativo de IRPJ (SNIRPJ) e tampouco de CSLL (SNCSLL) em sua DIPJ/1999 (vide fls. 340, 360, 436 e 437), muito embora tenha apurado Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa CSLL neste Exercício. 2.5. Assim, improcede o pleito da interessada de ver restituído os valores recolhidos à titulo de imposto de renda e contribuição social devidos por estimativa, vez que não caracterizam recolhimentos indevidos, posto que os recolhimentos por estimativa para a pessoa jurídica optante pela tributação anual do lucro real são obrigatórios por força de lei. Tais recolhimentos deveriam ter sido computados na apuração anual do Fl. 1177DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-005.749 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.015357/00-70 Imposto/Contribuição e se desta apuração resultasse SNIRPJ e/ou de CSLL, poderia, a critério do sujeito passivo, ser requerida a restituição desses saldos. 2.6. Igualmente, não são indevidas as retenções na fonte do imposto incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras, posto que efetuadas em consonância com a legislação tributária. Desta forma, é impertinente o pedido de restituição do IRFON, por não ser indevida a retenção efetuada, não caracterizando indébito fiscal. 2.7. Conforme já exposto acima, a interessada não apurou SNIRPJ em sua DIPJ/1999, deixando de pleitear a dedução do IRFON sobre aplicações financeiras e prestação de servidos (confira fls. 340 e 436). Ressalta-se que não basta ter havido a retenção para ser autorizada a sua dedução do imposto apurado no encerramento do exercício, mas é necessário que os rendimentos sujeitos à retenção tenham sido oferecidos à tributação. 2.8. Na verificação da apuração do saldo negativo, deve estar demonstrado que as receitas financeiras, sobre as quais incidiu o IRRF, foram efetivamente oferecidas à tributação na apuração definitiva do imposto, condição sine qua non para que este pudesse ser aproveitado na declaração. 2.9. Diante do relatório e da fundamentação apresentada, INDEFIRO o pedido de restituição de fl. 01, e em consequência, NÃO HOMOLOGO as compensações declaradas no presente processo. Apresentada manifestação de inconformidade, em 20 de março de 2015 a DRJ em São Paulo a julgou improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1997, 1998 CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que faça prova de possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. DECADÊNCIA O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo extingue- se após o transcurso de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1997, 1998 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÕES. Não confirmada a existência de direito creditório, líquido e certo, em favor da Recorrente, mantém-se a decisão recorrida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1997, 1998 Fl. 1178DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-005.749 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.015357/00-70 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÕES. Não confirmada a existência de direito creditório, líquido e certo, em favor da Recorrente, mantém-se a decisão recorrida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seu recurso voluntário a Recorrente sustenta, em síntese: (i) quanto ao pedido de restituição referente ao ano-calendário 1997, no valor de R$353.378,46, atrelado ao pedido de compensação apresentado em 10.11.2000 ratificado no mesmo valor em 21.11.2002 (fl. 463): (a) houve homologação tácita do pedido de compensação, uma vez que a ciência do despacho decisório ocorreu apenas em 18.04.2012 (fl. 868). Nesse ponto, aponta que a decisão recorrida se equivoca quando afirma que a ciência do despacho decisório ocorreu em 16/06/2004 (cf. AR de fl. 553) já que o despacho decisório ali referido analisou apenas o ano-calendário 1998 (b) subsidiariamente, defende que o direito creditório encontra-se devidamente comprovado pela documentação acostada aos autos, de sorte que o simples erro de preenchimento da DIPJ no período não elide seu direito creditório. (ii) quanto ao pedido de restituição referente ao ano-calendário 1998, no valor original de R$767.343,96, transmitido em 1.10.1999 e retificado em 16.07.2004 para R$2.285.210,00: (a) o mero erro de preenchimento de sua DIPJ não pode elidir seu direito creditório, de maneira que, uma vez intimada do teor do despacho decisório, a Recorrente transmitiu em DIPJ retificadora para corrigir os dados, chegando à conclusão de que seu direito creditório correspondia ao total de R$2.285.210,00, o que ensejou a substituição do pedido de restituição formulado. Tal pedido não estaria abrangido pela decadência eis que a contagem do prazo decadencial para pleitear a restituição do saldo negativo relativo ao ano-calendário 1998 apenas teve início em outubro de 1999, quando do prazo fatal para a apresentação da DIPJ 1999/1998. Antes da entrega da declaração de rendimentos o contribuinte não pode pleitear a restituição de valores de estimativa que entende devidos, de modo que há uma suspensão fática do prazo decadencial (impedimento do exercício de um direito que desqualifica como omissiva a conduta do titular desse direito). (b) defende que o direito creditório encontra-se devidamente comprovado pela documentação acostada aos autos. (iii) pleiteia a realização de diligência em homenagem ao princípio da verdade material. (iv) pleiteia, ademais, a suspensão da incidência de juros de mora enquanto suspensos os julgamentos por este CARF. Às fls. 1070 a 1.081 - Acórdão nº 1401-003.053 – esta 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que deu parcial provimento ao recurso voluntário, recebendo a seguinte ementa: Fl. 1179DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-005.749 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.015357/00-70 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 1997, 1998 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa quando da entrada em vigor da legislação que criou a declaração de compensação DCOMP serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, sendo o prazo para homologação de 5 anos contado da data da entrega. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANALISADO DOZE ANOS APÓS A SUA APRESENTAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO COMPLEMENTAR. POSSIBILIDADE. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. A unidade de origem (DERAT) exaure sua competência ao analisar pedidos e declarações de restituição ou compensação, de maneira que a revisão do conteúdo de despachos decisórios passa a ser competência da Delegacia de Julgamento (DRJ). Porém, no caso em que a DERAT deixa de analisar um dos créditos pleiteados no pedido de restituição tal competência não é exaurida para tal crédito, podendo ser exercida mesmo doze anos após a apresentação do pedido, via despacho decisório complementar, eis que a análise de pedidos de restituição não está sujeita a prazo decadencial. RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO ORIGINADO DE RETENÇÕES DE IRRF. REQUISITOS. A restituição de saldo negativo originado de retenções de fonte depende de prova das retenções, bem assim do oferecimento dos rendimentos à tributação. A ausência de documentos contábeis que permitam verificar se realmente as receitas em questão estão inseridas no valor total oferecido à tributação impede o reconhecimento do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETIFICAÇÃO. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. É de se admitir a retificação de pedido de restituição de saldo negativo apresentado dentro do prazo hábil para tanto. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo pago a maior ou indevidamente desde que faça prova de possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. A contribuinte foi cientificada do acórdão em 03/07/2019 (fl. 1105), por meio de mensagem eletrônica enviada à sua Caixa Postal (Domicílio Tributário Eletrônico), e lhe opôs, em 08/07/2019 (Termo de Solicitação de Juntada à fl. 1106), embargos de declaração tempestivos, com fundamento no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Fl. 1180DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-005.749 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.015357/00-70 Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF/2015). Alega a embargante a existência dos seguintes vícios no Acórdão nº 1401- 003.053: a) Contradição quanto ao não reconhecimento das compensações efetuadas com base em decisão judicial proferida no processo judicial nº 94.0032457-0 (existência de fato superveniente à interposição do recurso voluntário) e da aplicação retroativa do art. 170-A do CTN; b) Erro material quanto ao pagamento de R$ 1.903,43 na apuração do saldo negativo de CSLL para o ano de 1998. Os embargos apenas foram admitidos em relação à alegação de Erro material quanto ao pagamento de R$ 1.903,43 na apuração do saldo negativo de CSLL para o ano de 1998, restando devidamente delimitada a matéria colocada em julgamento para esta TO. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva, Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao e- processo. Os embargos de declaração opostos pelo contribuinte foram parcialmente admitidos pelo Ilmo. Presidente desta TO. Como bem verificado no referido despacho, da verificação da cópia de DARF acostada à fl. 699 dos autos, é de fácil constatação que o valor efetivamente recolhido em 29/05/1998, sob o código de receita 2484, foi de R$ 1.093,43, como afirma a embargante. Dessa forma, o acórdão embargado incorreu em erro material ao transcrever o valor relativo ao aludido recolhimento como R$ 1.903,43, ao invés de R$ 1.093,43. O erro provocou ainda reflexos na totalização do saldo negativo de CSLL referente ao ano de 1998 (o acórdão apontou R$ 208.981,42; o valor correto é R$ 208.171,42) e do valor total do crédito reconhecido para o mesmo ano (o acórdão apontou R$ 224.222,34; o valor correto é R$ 223.412,34). Fl. 1181DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-005.749 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.015357/00-70 Portanto, assiste razão à Embargante razão pela qual acolho os embargos, com efeitos infringentes, para reconhecer o saldo negativo de CSLL referente ao ano de 1998 de R$ 208.171,42 e o total do crédito reconhecido para o mesmo ano como R$ 223.412,34. É como voto. (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 1182DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16327.000010/2005-15
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Rateio de Despesas. Para que o Fisco não acate o método de
rateio utilizado pelo sujeito passivo, cabe a ele — Fisco — comprovar que o contribuinte não utilizou o método eleito. Não é cabível a inversão do ônus da prova a fim de obrigar o sujeito passivo a comprovar a regularidade de suas despesas .
Rateio de Despesas . Comprovação do criterio, A prova da utilização do critério previsto em convênio de rateio se faz pelos meios admitidos em Direito.
A juntada de documentos após a apresentação da impugnação e do
recurso voluntário que ocorre para esclarecer os fatos já colacionados na impugnação e no recurso voluntário não está atingida pela preclusão. A sua análise se justifica frente ao principio finalistico do processo administrativo fiscal. O acatamento das provas está previsto pelo principio do livre convencimento do julgador consubstanciado no artigo 29 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 9101-000.621
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Relator), Designada para redigir o voto vencedor nesta parte a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. O Conselheiro Leonardo de Andrade Couto votou pelas conclusões
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO
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VALORES MOBILIÁRIOS LTDA. Ementa: Rateio de Despesas. Para que o Fisco não acate o método de rateio utilizado pelo sujeito passivo, cabe a ele — Fisco — comprovar que o contribuinte não utilizou o método eleito. Não é cabível a inversão do ônus da prova a fim de obrigar o sujeito passivo a comprovar a regularidade de suas despesas . Rateio de Despesas . Comprovação do criteria, A prova da utilização do critério previsto em convênio de rateio se faz pelos meios admitidos em Direito. A juntada de documentos após a apresentação da impugnação e do recurso voluntário que ocorre para esclarecer os fatos já colacionados na impugnação e no recurso voluntário não está atingida pela preclusão. A sua análise se justifica frente ao principio finalistico do processo administrativo fiscal. O acatamento das provas está previsto pelo principio do livre convencimento do julgador consubstanciado no artigo 29 do Decreto 70,235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Relator), Designada para redigir o voto vencedor nesta parte a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. O Conselheiro Leonardo de Andrade Couto votou pelas conclusões. A CAIO MARCOS CA 0 Presidente Substituto. ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO - Relator. ES HOFFMANN - Redatora Designada. EDITADO EM: 2 5 FRI 201'1 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto, Relatório Em face do Acórdão n° 101-95.980, proferido pela Egrégia Primeira Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a Fazenda Nacional, por seu ilustre representante, apresentou o Recurso Especial de fls. 663/675, devidamente admitido pelo ilustre Presidente daquela Camara, pretendendo a reforma da decisão, com fundamento no art. 7', II, do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais (redação vigente a época) e nas razões seguintes . Em 28,12,2004, a contribuinte foi cientificada do auto de infração de fls. 108/120, por meio do qual foi constituído credito tributário no valor de R$ 298.216,18, relativo aos anos-calendário 1999 a 2002. 0 lançamento tem origem na glosa (i) de despesas desnecessárias; e (ii) de prejuízos compensados indevidamente, sendo a primeira infração o objeto do recurso . Segundo o Termo de Constatação Fiscal de fls, 83/101, nos anos 1999 a 2002, foram apropriados a credito da conta "Despesas de Pessoal" valores decorrentes de "Convénio de Rateio de Custos Comuns", firmado entre a contribuinte e empresas do "Conglomerado O contrato de rateio de despesas previa que os custos decorrentes seriam rateados de acordo com a efetiva utilização, mediante apresentação prévia de demonstrativos de custos. No entanto, segundo a Fiscalização, a contribuinte não demonstrou os métodos estatísticos e matemáticos que teriam sido empregados para a apuração dos valores rateados, não comprovando, assim, a efetiva utilização dos serviços e a sua compatibilidade e proporcionalidade com a necessidade das empresas. Em decorrência, foi aplicado o método de custeio indireto, utilizando-se como parâmetro a receita bruta dás conveniadas para a obtenção do critério de rateio de 2 Processo ri° 16327 000010/2005-15 CSRF-T1 Acórdão ii " 9101-00,621 Fl 2 despesas, tendo sido apurada a diferença a tributar de R$ 210.989,66 em 1999; R$ 69,528,03, em 2000; R$ 8.2,548,59, em 2001; e R$ 64.176,10 em 2002. A Primeira Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio da decisão recorrida de fls. 648/659, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, Em suas razões, afirmou que a fiscalização não rejeitou o critério adotado pela contribuinte para o rateio de despesas, nem realizou qualquer diligencia para verificar as alegações da contribuinte. O ônus da prova compete àquele que alega os fatos, O Fisco não demonstrou a irregularidade do critério adotado pela contribuinte, razão pela qual restabeleceu a dedutibilidade das despesas decorrente do rateio, A Fazenda Nacional apresentou o recurso de fls. 663/675. Indicou como paradigma o acórdão 105-16141. Em suas razões, afirmou que a contribuinte não comprovou, por documentos hábeis, o critério de rateio utilizado. Defendeu a impossibilidade de admitir como prova os pareceres técnicos apresentados pela contribuinte em memoriais de julgamento, oferecidos diretamente a Camara. Afirmou que, segundo os pareceres de auditoria, a divisão das despesas entre as sociedades seria resultado de apuração corn base em técnica contábil, o que comprova a viabilidade da contribuinte tê-la demonstrado e comprovado durante o processo administrativo. A contribuinte não apresentou nenhuma prova de que as despesas deduzidas corresponderiam ao previsto no convênio de rateio de custos. Acrescentou que a contribuinte não comprovou que as despesas foram tateadas como previsto nos pareceres anexados aos memoriais de julgamento. Não consta nos autos nenhum documento que permita audit& o rateio de despesas corn base nos critérios alegados pelo recorrido. Afirmou que a apuração de despesas que poderiam ser rateadas pela contribuinte é espécie de arbitramento e após o arbitramento, ainda que o contribuinte apresente escrituração regular, não se pode cancelar o auto de infração, não havendo a figura do "arbitramento condicional", A contribuinte apresentou contra-razões ao recurso, As fls. 689/696. Em suas razões, afirmou que a decisão recorrida, ao aceitar a juntada dos laudos, sopesou os princípios da verdade material e do formalismo moderado com o principio finalistico do processo. Acrescentou que o acórdão paradigma invocado pela recorrente não serve como paradigma, haja vista que naquele processo administrativo a Camara não recebeu a documentação comprobatória anexada aos autos. Por fim, afirmou que a decisão recorrida demonstrou que a convicção dos conselheiros fundamentou-se na análise detalhada da documentação comprobatória produzida nos autos. A análise precisa e exemplificada da metodologia de apuração dos custos foi feita nos autos do processo n° 16327.000009/2005-91. o relatório. 3 Voto Vencido Conselheiro ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO A decisão recorrida cancelou a exigência tributária sob o fundamento de que a inércia do Fisco em apurar as critérios utilizados, justifica a manutenção das critérios utilizadas pela recorrente. Em suas razões, afirmou, em síntese, o seguinte: No mérito, o argumento a ser enfrentado diz respeito a possibilidade do Fisco, unilateralmente, afastar o critério de ayleio...deggsp_ggs:xlilizedg...pgkiscorrente a licando critério diverso, sob argumento de que as despesas deduzidas não teriwn sido efetivam ente coin provadas. (...) O Fisco, de posse das justificativas, e não satisfeito com as alegações apresentadas, constatou a infração, afastou o critério direto de rateio de despesas utilizado, e aplicou critério indireto, no seu entender, mais correto. Asti icon este ato ela min com Soya ao e etiva das des esas rateadas o tie invalidaria o critério direto de rateio das despesas. Mas, não guestionpj, em momento dRum, o critério adotado pdo_rpsgraygGitoLmesmo intimou o mesmo ou o Banco Itail SA. a demonstrar efetivamente a utilizaclio do critério direito de rateio das des , analise dos documentos atinentes ao critério e ao próprio rateio das despesas, bem como quaisquer esclarecimentos adicionais, poderiam ter sido perfeitamente obtidos na sede da recorrente, ou do Banco Itaa S.A; conforme, alias', claramente colocado as .fils, 38, na resposta ao Termo de Intimação n° 009 a 037 inércia do Fisco, que não procedeu à qualquer diligencia para verificar as alegações da recorrente, e tomar legitima a alteração do critério de rateio das despesas, toma a autuação nula. De fato, é sabido que o ônus da prova compete aquele que alega os fatos. O Fisco, no caso em tela, alegou serem in verídicos, ou melhor, não comprovados, Os critérios de rateio utilizados pelo recorrente, porém, em momenta algum se prontificou a demonstrar a irregularidade, ou a infirmar o rateio efetuado, ou mesmo a intimar o recorrente para que .fizesse a demonstração do critério direto de rateio das despesas.," (grifos nossos) A Fazenda Nacional, por sua vez, indicou como paradigma o Acórdão 105- 16141, cuja ementa tem o seguinte teor: Processo n' 16327.000010/2005-15 CSRF-T1 Acórdão n " 9101-00.621 Fl. 3 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano- calendário: 2000, 2001 Ementa: CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO SOBRE AÇÕES, PREÇO RECEBIDO.. O preço recebido pela cessão do direito de friar na constituição do usufruto sobre ações deve ser apropriado como receita operacional, AUTO DE INFRAÇÃO, NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, incabível falar em nulidade do Auto de Inft.ação„ RATEIO DE CUSTOS DEDUTIBILIDADE Não comprovado o critério utilizado para rateio das despesas de pessoal, entre empresas inter1igadas, paysitect critério base na receita bruta. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências .fiscais decorrentes dos mesmos fatos.(grifos nossos) O Acórdão paradigma não aceitou o critério de rateio de despesas da contribuinte, sob o fundamento de que "os laudos com data pretérita à ocorrência da fiscalização poderiam ter sido apresentados aos AFRS no curso dos trabalhos de auditoria, porém assim não agiu a empresa". Afirmou que a empresa poderia ter apresentado os laudos anteriormente, permitindo a "aferição não só dos custos globais, como dos métodos de rateio pela auditoria. Diante de tal impossibilidade, e consciente de que efetivamente a autuada utilizara a rede Itaz2 para colocar os seus produtos, a ,fiscalização não teve outra alternativa senão utilizar o método de repartição dos custos de acordo com o percentual da receita. Como não hei arbitramento condicional e nem lançamento condicional, não há como acatar os laudos, pois acatá-los seria o equivalente a modificar a base de cálculo, alterar o critério de lançamento". No presente caso, contudo, a discussão refere-se A possibilidade de o Fisco alterar, de modo unilateral, o critério de rateio de despesa adotado pelo contribuinte. A questão principal, que motivou o cancelamento do lançamento pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, na decisão ora recorrida, foi a inércia do Fisco em diligenciar, perante as empresas do grupo Dail e da própria contribuinte, para verificar o critério de rateio utilizado e, sendo o caso, apontar as irregularidades apuradas e desconsiderar o método utilizado pela contribuinte. Sobre os requisitos de admissibilidade do Recurso Especial, o art. 67 do Regimento Interno do CARF dispõe o seguinte: Art, 67, Compete ti CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der â lei tributária interpretação divergente da que Ihe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1 0 Para efeito da aplicação do caput, entende-se como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem integrar a estrutura do CARP'. § 2° Não cabe recurso especial de dads& de qualquer das turmas que aplique sumula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Camara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar; decida pela anulação da decisão de primeira instância, § 3° 0 recurso especial intoposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanta à matéria pré-questionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais, Observa-se, dessa maneira, que, em que pese serem similares as situações fãticas que originaram ambos os lançamentos, a questão debatida no acórdão paradigma não corresponde àquela discutida e acolhida no acórdão recorrido, não havendo, portanto, divergência entre aludidas decisões, a decisão recorrida e o paradigma. Assim, o recurso especial apresentado não atende os requisitos de admissibilidade, razão pela qual não deve ser conhecido . Isto posto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, mantendo-se a decisão recorrida em todos os termos, ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO - Relator 6 Processo n° 26327 000010/2005-15 CSRF-T1 Acórdão n ° 9101- 00.621 Fl 4 Voto Vencedor Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN Considerando que este processo foi julgado na mesma sessão de julgamento do Recurso 151,000 da empresa do mesmo Grupo Econômico — a Haft Capitalização S/A — Processo Administrativo número 16327,000011/2005-60, tendo o Recurso Especial do Procurador apresentado os mesmos Acórdãos Paradigmas e a mesma matéria, como redatora do voto vencedor, peço vênia para transcrever o mesmo voto por mim proferido naquele processo, devendo ser observado que eventuais alterações faticas não devem ser consideradas, pois o terna de julgamento em ambos os casos é idêntico. Pois bem, Passo ao voto. O recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo. Contudo, necessário se faz a análise criteriosa quantos aos demais requisitos de admissibilidade. Primeiramente, tem-se que a recorrente suscitou divergência jurisprudencial no que se refere à aplicação e interpretação do artigo 16, §4°, do Decreto 70.235/72, diante do fato de que, na decisão tecorrida, a Camara a quo "deu provimento ao recurso voluntário, com base em 'pareceres técnicos' apresentados pelo Recorrido, oferecidos diretamente a Ccimara, que foram anexados aos autos" Assim, afirmou que "A se considerar que tais pareceres' representam prova documental da dedutibilidade das despesas glosadas, a e, câmara a quo divergiu da jurisprudência de outras câmaras acerca do disposto no art 16, §4° do Decreto 70.235/72" A Fazenda Nacional, corn objetivo de demonstrar a caracterização da divergência jurisprudencial argumentou no sentido de que, ao se considerarem, no acórdão recorrido, os pareceres técnicos como provas documentais, não poderia estar justificado o seu acolhimento (dos pareceres técnicos) com base em uma das exceções previstas no artigo 16, §4°, do Decreto n° 70.235/72, pois nenhuma delas restou configurada, divergindo, destarte, do entendimento retratado nos acórdãos paradigmas. Defendeu que, não caracterizada nenhuma das exceções, tern-se como preclusa a possibilidade de juntar novos documentos após a impugnação, consoante se entendeu nos acórdãos paradigmas. Todavia, ao ser realizado o devido cotejo entre as decisões reputadas como divergentes por parte da recorrente, constata-se, forçosamente, em verdade, quanto a este ponto — preclusão — o dissídio não se faz presente . Primeiramente, é necessário conceituar-se o que se entende por divergência jurisprudencial, passível de enfrentamento por parte deste órgão julgador: trata-se da 7 ocorrência de decisões divergentes, sobre uma mesma questão de direito baseadas numa situação fática semelhante, prolatadas por órgãos julgadores de um mesmo tribunal. Ressalte-se: a questão de direito deve ser a mesma, é dizer, as decisões confrontadas devem retratar interpretações diversas especificamente sobre uma questão, a qual deve constituir, nas decisões confrontadas, efetivamente, a sua fundamentação determinante, Diante disso, tem-se que o acórdão recorrido, ao referir-se h questão da possibilidade de levar em consideração os pareceres juntados pelo contribuinte diretamente ao Conselho de Contribuintes, foi expresso no sentido de que "da análise dos documentos trazidos, a primeira constatação que aflora é de que a possibilidade de verificação do rateio pelo fisco não se resumiria a analisar 'planilhas e demonstrativos', exigindo uma auditoria profunda, tal corno as feitas_ Essa constatação atenua a percepção de que o contribuinte teria descumprido seu dever de colaboração com a fiscaliza cão". Desta forma, baseando-se no princípio finalistico do processo, conjugado com o principio da verdade material, entendeu-se naquele julgado no sentido de acolhimento dos documentos trazidos pelo contribuinte, sobretudo porque permitiram a formação da convicção daquele órgão julgador em relação à celeuma presente nos autos, qual seja, a caracterização e comprovação da efetivação do critério de rateio alegado pelo contribuinte. Nos dois primeiros acórdãos suscitados como paradigmas, por outro lado, o órgão julgador decidiu sobre a apresentação direta de documentos juntamente com o recurso voluntário, sob a argumentação do contribuinte no sentido da "quase impossibilidade" de juntada de tais documentos anteriormente, no sentido de que "a situação de 'quase impossibilidade' da produção da prova no momento oportuno (impugnação, ou in casu, manifestação de inconformidade) não está elencada dentre as exceOes enumeradas no §4° do artigo 16 do Decreto n° 70,235/72, de enumeração taxativa". Vê-se, assim, que o acórdão recorrido, proferido no presente processo, não perpetrou interpretação do artigo 16, §4°, do Decreto n° 70,235/72, de modo que não se pode falar em divergência de interpretação da lei tributária. Note-se que, na medida em que a recorrente cita como constituinte do dissídio a interpretação de um dispositivo de lei, especificando tal dispositivo, ela restringe a questão de direito aos lindes da proposição normativa em questão. Se o órgão julgador prolator da decisão combatida não interpretou o artigo de lei invocado, não se pode admitir como caracterizada a divergência jurisprudencial. Ademais, a questão de direito objeto de interpretação no acórdão recorrido refere-se ao livre convencimento do julgador, correspondente ao artigo 29 do Decreto 70.235/72, o qual dispõe que "Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias". Por outro lado, não há identidade de situações faticas entre o acórdão recorrido e os dois acórdãos paradigmas, pois estes se referem a pedido de restituição de saldo credor de IRPJ (primeiro acórdão) e de pedido de ressarcimento do IPI (segundo acórdão) em que a juntada da documentação que comprove o direito à restituição ou ressarcimento são condições essenciais ao pedido, e nestes casos, o ônus da prova do cumprimento dos requisitos ao ressarcimento ou restituição pertence ao contribuinte. No caso objeto deste processo, o tema refere-se ao ônus de provar a correção do critério do rateio de despesas (num primeiro momento durante a fiscalização e sobre ela a Processo n" 16327 000010/2005-15 CSRF-T1 Acórdão n " 9101-00.621 F1 5 recairia tal ônus) e de demonstrar o erro da autuação ao tomar o método indireto como critério para o rateio (em sua defesa). Assim, não ha qualquer similitude entre as situações fiticas do acórdão recorrido e dos dois acórdãos paradigmas. Assim, para os dois primeiros acórdãos não estão presentes os requisitos necessários ao surgimento do dissídio jurisprudencial: a) não há similitude fática entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido; e, b) não há apreciação da mesma questão de direito urna vez que o acórdão recorrido não trata da questão da preclusdo. Portanto, não pode ser conhecido o Recurso Especial no que tange ocorrência da preclusão. Ainda, no que se refere ao terceiro acórdão juntado corno paradigma, apesar de minha posição pessoal de que o Recorrente deve fazer um criterioso cotejo entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido, curvo-me à posição majoritária desta Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que havendo a mesma situação fática (no caso ocorreu porque os acórdãos versam sobre a fiscalização feita em todo o Grupo 'tar» e soluções jurídicas distintas aos fatos apresentados, há de ser conhecido o Recurso, especialmente se há o cotejo, ainda que feito de forma muito breve. Portanto, por estas razões conheço do Recurso Especial proposto pela Fazenda Nacional em vista do paradigma veiculado pelo .3°. Acórdão apresentado. No mérito não vejo corno ser modificado, neste item, o resultado do Acórdão Recorrido, seja pelos próprios fundamentos trazidos no Acórdão, seja por outros fundamentos ora indicados. Para mim a questão original é sobre o ônus da prova.. O Recorrente participou de urn "Convênio de Rateio de Custos Comuns" em conjunto com outras empresas do Grupo hair, Neste convênio foi firmado entre as partes urn critério pelo método direto de rateio, conforme se depreende do relatado no Termo de Verificação Fiscal, as cláusulas do referido convénio, assim disciplinaram o tema: "a) O Banco Itaii S/A manterá estrutura material e de pessoal que atenda tis necessidades dos contratantes, nas áreas de auditoria, contencioso judicial, consultoria jurídica, contabilidade/financeira, marketing, recursos operacionais (sistema de computadores) e recursos humanos, com vistas ei consecução dos respectivos objetivos sociais,. b) Os custos decorrentes da manutenção dessa estrutura serão apurados e rateados de acordo com a efetiva utilização, segundo métodos estatisticos e matemáticos; c) 0 Banco liaá S/A preparará os demonstrativos dos custos e do respectivo rateio" Constata-se pelo Termo de Verificação Fiscal que a fiscalização não descaracterizou o convênio de rateio, mas o método adotado, E por que assim procedeu? 9 Porque entendeu corno licito o convenio. Todavia, desde o inicio solicitou provas que eram conflitantes corn o método eleito para rateio pelo Grupo Hair, Explico melhor. O método eleito pelo Ita1.1 não era aquele que a fiscalização pretendia que o Grupo comprovasse. Note-se a resposta do Grupo hati ao pedido feito pela Fiscalização, conforme disposto no termo de verificação fiscal, do qual se extrai o trecho constante de fls, 121/122 dos autos. "0 contrato denominado Convênio de Rateio de Custos Comuns (CRCC), existente entre o Banco Pali S.A (Banco NO e a Dail Capitalizaçâo S/A (Itaucap), considera que as empresas necessitam de estrutura material e de pessoal que atenda as necessidades operacionais de ambas e que há interesse em obter a otimização dos recursos disponíveis, a nível de pessoal especializado e equipamentos em geral, ganhando em economia de escala e que o banco manterá estrutura que atenda cis necessidades comuns. Assim, os custos decorrentes do compartilhamento dessa estrutura serão apurados e rateados de acordo com a efetiva utilização entre referidas empresas. 0 processo de apuração do montante a ser rateado mensalmente toma como base os valores efetivamente utilizados, bem como os volumes produzidos pelos recursos compartilhados. Para tanto, utiliza-se um modelo de apuração de custos por produto, em que os custos departamentalizados são alocados aos produtos através da medição dos custos das áreas envolvidas, a saber: Area de Negócios, Unidade de Processamento de Serviços as Agencias (UPSA), Sistemas e 6rgiios Gestores (como a contabilidade, par ex). Sendo assim, coma é utilizado o modelo acima, que é válido para o conjunto de empresas envolvidas no compartilhamento de custos, a identificação/qualificação dos funcionários envolvidos . fica prejudicada, visto que elas não se dedicam exclusivamente ao produto de capitalização. Por outra lado, os recursos envolvidos no compartilhamento e o processo de rateio abrangem um imenso volume de informações por forgo do que se torna dificultada sua entrega imediata. guisa de exemplo, para fins de comprovação do efetivo compartilhamento de recursos, anexamos o demonstrativo anexo I, onde se apresentam os valores de custos apurados, relativos às áreas do Banco Itaii envolvidas na comercialização, atendimento a clientes, processamento e controle contábil dos produtos da Anexamos, ainda, demonstrativos (anexo 2), onde se relaciona, 2,245 pontos de venda (agências e postos de atendimento bancário), em praticamente todo o território nacional, por meio dos quais foram comercializados 1.360,434 titulas de capitalização ativos que Itaucap tinha em 31.1299" E, em nova intimação, a confusão continua e resulta numa autuação que, em momenta algum, desqualifica o convênio firmado. lo Processo n" 16327.000010/2005-15 CSRF-T1 Acórdão n 9101-00.621 Fl 6 Parece-me que desde o inicio a fiscalização queria que o Grupo comprovasse o rateio por um método diverso daquele que foi o efetivamente eleito no convênio. E, como o Grupo, por uma impossibilidade total de fazê-lo, não apresentou a comprovação pretendida pela fiscalização, foi surpreendido com urna autuação que alterava o critério. Registre-se o que constou do Termo de Verificação Fiscal (fls. 129/130): 4.2 Não obstante a posição do Banco Rai S/A, esta ,fiscalização não mediu esforços para obter mais informações não só perante a ITA6 CAPITALIZAÇÃO S/A, coma também .junto ás demais empresas do "conglomerado que participaram, no mencionado ano-calendário, do denominado 'Convênio de Rateio de Custos Comuns' Todavia, todos os esforços foram infrutíferos, tendo em vista que o Banco _Bait S/A, a MCI CAPITALIZAÇÃO S/A, bem coma a maioria das empresas relacionadas no item 13, conforme se comprova pela juntada de parte dos Termos de Intimação lavrados por esta fiscalização e anexados ás fls.. 76/95, deixaram de apresentar as planilhas de rateio, elaboradas pelo custo dos homens/hora utilizados, bem como qualquer prova, ou indicio de provas da efetiva utilização dos referidos serviços, 4,3 Outrossim, é inegável a eventual participação de funcionários do Banco Itati S/A em servigos junto as empresas do "conglomerado ItatC", participantes do Convênio de Rateio de Custos Comuns, incluindo a ITACT CAPITALIZAÇÃO S/A., , 4..5 Em sendo o rateio realizado pelo método direto, o Banco Itaú S/A, a ITACI CAPITALIZAÇÃO S/A, bem como as demais empresas, teriam que demonstrar o custo homens/hora das áreas de auditoria, contencioso judicial, consultoria jurídica, contabilidade/financeira, marketing, recursos operacionais e recursos humanos utilizados nas operações que modificam a situação patrimonial da ITA0 CAPITALIZAÇÃO S/A, Não havendo apresentado esses elementos de prova, resta comprovado que o rateio dessas despesas foi realizado em total desacordo com o pactuado no "Convênio de Rateio de Custos Comuns", ou seja, o rateio não foi realizado de acordo com a efetiva utilização dos serviços já relacionados. Em outras palavras, não foi utilizado o método direto para o rateio de despesas de pessoal das áreas de auditoria, contencioso Judicial, consultoria .jurídica, contabilidade/financeira, marketing, recursos operacionais e humanos, Pelo que constou de todo o Termo de Verificação Fiscal, em especial dos trechos citados, fica claro para mim que a Fiscalização não entendeu o método eleito pelo Grupo ItaU O método eleito pelo Grupo 'tail foi o método direto, como constou do referido convênio e que aqui mais uma vez se repete: "Os custos decorrentes da manutenção dessa estrutura serão apurados e rateados de acordo com a efetiva utilização, segundo métodos estatísticos e matemáticos." 11 Assim, em vez de buscar entender estes métodos estatisticos e matemáticos (que a propósito estão elucidados pelo Recorrido em sua impugnação e em seu Recurso Voluntário e novamente provados por auditores externos nos documentos juntados) a Fiscalização insistiu em pedir uma documentação desconexa corn o que determinava o convênio e , como não houve resposta especifica porque impossível — adotou o critério de rateio pelo método indireto,. Assim, não ha como concordar corn o pedido da Recorrente. Cito, aqui, por relevante para o presente caso, passagem do voto proferido no acórdão n° 107-09.588, que se refere a uma das autuações perpetrada em face do Grupo hat, da antiga Sétima Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, com o seguinte teor: "Como regra geral, o dever da prova é do fisco. Neste sentido é o art 923 do R1R/99... ArL 923 A escrituraçâo mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto-lei ix, 1,598, de 1977,, artigo 9". Parágrafo 10 , Art. 924. Cabe 6. autoridade administrativa a prova da in veracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (Decreto-Lei no, L.598, de 1977, art, 9, parágrafo 2") Portanto é o . fisco gue deve provar que a despesa ou custo inexistente ou que é .falso o documento que suportou o lançamento contábil ou ainda que a despesa não é normal, usual ou necessária. Esse ônus .jamais pode ser transferido ao contribuinte, quando os comprovantes . forem apresentados ou quando os esclarecimentos prestados foram sifficientes sustentar o lançamento contábil, dando ao fisco elementos necessários para que empreenda as diligencias que entender necessárias. fato notório que grupos de instituições . financeiras compartilham estrutura operacional e de pessoal da alta administração. O simples relato dos acontecimentos permite antever açodamento por parte da fiscalização. Decerto premido pela aproximação do prazo decadencial, o auditor fiscal, à vista das informações obtidas, não empreendeu as diligencias necessárias, Teria apurado que, em relação à ação fiscal levada efeito no controlador Banco 'Ifni SIA e ern outras empresas do grupo, outras unidades da Receita Federal adotaram critério diferente no tratamento da questão, no mínimo refizerem o rateio para distribuir as despesas comuns. Assim, na medida em que a fiscalização levada a termo no Banco Pa(' SA, empresa centralizadora do rateio de custos não deixou dúvidas quanto ao . fato de que entre as empresas do Conglomerado Itaú havia o compartilhamento de custos comuns, resta patente a inversão do ônus da prova„ Isso porque, caberia a fiscaliza cão a prova de que os critérios de rateio utilizados pelo Banco Itaú não poderiam ser aceitos, naturalmente não mediante a simples exibição de planilhas e demonstrativos 12 Processo n° 16327000010/2005-15 CSRF-T1 Acórdão n,° 9101-00.621 Fl 7 segundo o particular critério eleito pelo .fisco, mas, sim, pela realização de profunda auditoria. Aliás, tendo o Banco Itaá SA (empresa centralizadora dos custos comuns), assim como a recorrente, prestado às autoridades de „fiscalização da DEINF Sao Paulo e da DEINF Rio de Janeiro os esclarecimentos suscitadas, especialmente quanto aos critérios que presidiram o rateio de custos pelas empresas do Conglomerado Bali e as razões pelas quais não poderiam atender o particular critério eleito pelo fisco, realmente caberia às azaoridades de fiscalização a prova de que os critérios de rateio empreendidos na empresa centralizadora das custos comuns não poderiam ser aceitos. Isso sob pena de ofensa ao art. 845, §10 do RIR/99- que reza que os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elementos seguros de prom ou indícios veemente de falsidade ou inexatidão"-, como assim já decidiu este Colegiado em matéria análoga no recente Acórdão 107- 0941, de minha relatoria" (Luiz Martins Valero), Estamos frente, consoante o meu entendimento, a urn nítido caso de impossibilidade de prova do fato nos tennos do requerido pelo fisco, até porque tal fato, relativo ao critério de rateio suscitado na fiscalização, não fora, efetivamente, aquele demonstrado pelo contribuinte. 0 fisco, na hipótese, estabeleceu, corno condição A não autuação do contribuinte, a produção de urn prova que não poderia perpetrarr . Pode-se afirrnar estar-se diante de urna verdadeira "prova diabólica", aquela que, na definição de Alexandre Câmara, citado por Fredie Didier, refere-se "àqueles casos em que a prova da veracidade da alegação a respeito de um fato é extremamente dificil, nenhum meio de prova sendo capaz de permitir tal demonstração" I . Na verdade, o que se tem 6 urn prova bilateralmente diabólica, a qual impossível para as duas partes. A aplicação dessa doutrina convém ao presente caso, sobretudo, porque enseja uma razoável solução jurídica para o seu deslinde Realmente, conforme os mesmos autores, segue-se que: "Para definir qual será sua regra de julgamento Onus objetivo), cabe ao juiz verificar, ao fim da instrução, qual das partes assumiu o 'risco de inesclatecibilidade; submetendo-se possibilidade de uma decisão desfavorável. Assim, se o .fato insuscetível de prova for constitutivo do direito do autor: a) e o autor assumiu o risco de inviabilidade probatória ('inesclarecibilidade), o juiz, na sentença, deve aplicar a regra legal (3.33, CPC) do ônus da prova (regra de julgamento) e dar pela improceddncia " 2 , Ora, por óbvio, não se pode admitir que o peso da não comprovação daquilo que o fisco exigiu, na medida em que se trata de prova impossível, possa recair sobre o contribuinte. Sendo o Fisco o responsável por trazer h tona o fato a ser provado, especialmente I DIDIER ,JR. Fredie; BRAGA, Paula Sarno; e OLIVEIRA, Rafael. Curso de Direito Processual Civil. Vol 2. 20 edie5o 2008. Ed, Jus Podivm. p 87 2 Idem p 88. 13 tendo em vista que o contribuinte Ado poderia fazer prova de tal fato — a prova do rateio nos termos perseguidos pela fiscalização — aquele (o Fisco) é quem deve arcar com o "risco de inesclarecibilidade". Se a ausência da prova rendeu ensejo à autuação, esta, indubitavelmente, não merece prosperar. Ademais, nos termos do citado Acórdão da antiga 7', Camara do 1°. Conselho de Contribuintes, ulna vez que as despesas estavam regularmente escrituradas e nos termos da legislação em vigor, a presunção da legitimidade do lançamento tributário nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, pertence ao sujeito passivo, quando as regras instrumentais foram regularmente obedecidas. Desta forma, caberia ao Fisco comprovar que as despesas tomadas pela Recorrida não foram feitas em consonância com a lei e quando se fala em comprovar, isto significa que o Fisco teria que ter provado que o Grupo had não logrou comprovar que teria feito o rateio de despesas nos termos propostos no Termo de Rateio. Entretanto, o Fisco não procedeu a verificação dos efetivos métodos de rateio utilizados pelo Grupo de empresas e assim não conseguiu elidir o lançamento realizado pelo próprio sujeito passivo . Como já expus em trabalho anteriormente realizado: Assim, sempre que alterar a norma individual e concreta expedida pelo sujeito passivo, a Administração Pública, por intermédio de seus agentes, terá de fundamentar o seu ato, apresentando as provas de que aquela norma expedida pelo sujeito passivo não deve ser admitida como válida no sistema. Porém, deve ser verificado que também a norma individual e concreta que documenta a incidência tributária expedida pelo sujeito passivo possui uma presunção de validade nos termos afirmados no capitulo anterior. Ora, uma vez enunciada pelo sujeito passivo, ela somente pode ser alterada pelo próprio sujeito passivo ou pela Administração Pública, de acordo com regras especificas e a partir da demonstração de que aquele primeiro enunciado não condiz com os aspectos formais relativos ao ato, ou não se harmoniza com os relatos sobre o evento social que deu causa a tributação, isto quando .ficar demonstrado, por meios de prova, que aquele enunciado do antecedente da norma individual e concreta não se sustenta perante a análise das provas. Portanto, entendo que o lançamento tributário ora em discussão, no que tange ao tema do rateio de despesas, não pode prosperar, em vista de ter sido realizado corn evidente inversão do ônus da prova e sem que o Fisco tenha desqualificado o critério de rateio utilizado pelo Grupo ItaiL Todavia, ainda que se quisesse adentrar no mérito da comprovação do critério de rateio, tenho a convicção de que restou comprovado nos autos que o Grupo obedeceu aos critérios anteriormente definidos no Convênio firmado, conforme ficou muito esclarecido pelo Acórdão recorrido. Neste tópico gostaria de esclarecer o seguinte sobre o voto prolatado pela Camara a quo: No voto proferido tomou-se o voto elaborado pela Conselheira Sandra Faroni que assim se posicionou: 14 Processo n° 16327000010/2005-15 CSRE-T 1 AcOrdão fl . 0 9101-00,621 FL 8 De se observar que a fiscalização não rejeitou o critério adotado pelo impugn ante, mas se viu impossibilitada de conferi-lo, pela não apresentação dos demonstrativos que o respaldam. Não cabe exigir da ,fiscalização que, ante a ausência de .fornechnento de elementos para averiguar o rateio feito, o homologue. Por outro lado, não é razoável impugnar o rateio de despesas, se não houver dúvidas quanto à efetiva repartição de custos. Assim, a .fiscalização agiu com ponderação e equilibria ao acatar o rateio aplicando o método indireto, o único a que pode ter acesso e que, inclusive, é o mais frequentemente adotado. Ora, pelo que já expus não concordo com esta premissa. Em sua impugnação e em seu recurso a empresa autuada, ora recorrida demonstrou, exaustivamente, os critérios do rateio, trazendo inclusive laudo técnico explicativo destes critérios . Os demais documentos trazidos após o Recurso Voluntário tam o condão de corroborar aquilo que já estava demonstrado e de cabalmente provar que os critérios eleitos no termo de convênio foram obedecidos nos anos subseqüentes. Assim, ainda que não fosse necessário, a meu ver, a autuada demonstrou e comprovou que o critério de rateio eleito foi feito . E, neste item, é indiscutível que os laudos apresentados pela Recorrida, puseram fim h questão na medida em que comprovam que o critério adotado ea legitimo e condizente com a legislação em vigor. Nestes termos concordo com a conclusão da Conselheira Sandra Faroni em seu voto, nos seguintes termos: considero que os documentos trazidos, cuja anexação aos autos foi determinada, demonstram que os valores foram rateados tendo em vista a efetiva utilização dos serviços e ã necessidade das empresas, não podendo prevalecer a glosa. Por todo o exposto, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. SUSY GOME A - Redatora Designada 15
score : 1.0
Numero do processo: 15979.000295/2007-19
Data da sessão: Tue Jun 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO.FALTA DE CIÊNCIA AO SUJEITO PASSIVO DE PRONUNCIAMENTO FISCAL EMITIDO APÓS A IMPUGNAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. NULIDADE.
A omissão em dar ciência ao contribuinte de manifestações proferidas pelo agente notificante após a impugnação fere os princípios constitucionais do Contraditório e da Ampla Defesa.
A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da decisão a quo para o correto transcurso do processo administrativo fiscal.
DECISÃO RECORRIDA NULA.
Numero da decisão: 2401-001.205
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular a Decisão de Primeira Instância.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO : Processo n° 15979.000295/2007-19 Recurso n° 148.184 Voluntário Acórdão n° 2401-01.205 — 4a Câmara / ia Turma Ordinária Sessão de 8 de junho de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCLARIAS - CONSTRUÇÃO CIVIL - RESPONSABILIDAE PESSOA FÍSICA Recorrente ANTÔNIO MENDES E LÍDIA DOS ANJOS PEREIRA M. MENDES Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO.FALTA DE CIÊNCIA AO SUJEITO PASSIVO DE PRONUNCIAMENTO FISCAL EMITIDO APÓS A IMPUGNAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. NULIDADE. A omissão em dar ciência ao contribuinte de manifestações proferidas pelo agente notificante após a impugnação fere os princípios constitucionais do Contraditório e da Ampla Defesa. A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da decisão a quo para o correto transcurso do processo administrativo fiscal. DECISÃO RECORRIDA NULA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / i a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular a Decisão de Primeira Instância. C/1\----\\È„/ I - ---- ELIAS SAIV\IP2I0 FREIRE - Presidente Nj-- ,)‘• n;.; r. KLEBER FERREIRA DE ARAUJO — Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 15979.000295/2007-19 S2-C4T 1 Acórdão n.° 2401-01.205 Fl. 111 Relatório Trata o presente processo administrativo fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, DEBCAD n° 35.792.609-9, posteriormente cadastrada na RF'B sob o número de processo constante no cabeçalho, lavrada em nome das pessoas fisicas já qualificadas nos autos, na qual são exigidas as contribuições dos segurados e as seguintes contribuições patronais: para a Seguridade Social, incluindo aquela destina ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — RAT, e as destinas a outras entidades e fundos. O crédito em questão reporta-se a competência 12/2003 e assume o montante, consolidado em 22/06/2005, de R$ 84.463,18 (oitenta e quatro mil, quatrocentos e sessenta e três reais e dezoito centavos). De acordo com o relatório da NFLD, fls. 16/19, os fatos geradores presentes no lançamento foram os pagamentos de remuneração aos trabalhadores que laboraram na edificação de imóvel de propriedade dos notificados. Afirma-se que a referida edificação vincula-se a projeto arquitetõnico aprovado pelo Processo n. 8073/95 da Prefeitura da Estância Balnearia de Praia Grande, para construção de um prédio com área construída total de 1.305,11 m2, sendo 297,39 m2 de área comercial e 1.077,72 m2 de área residencial. O período de construção da obra foi de 07/1995 (alvará) a 10/2000 (habite-se). Informa-se que as base de cálculo foram obtidas por aferição indireta, utilizando-se o método de obtenção da mão-de-obra com base na área e no padrão da obra, conforme tabelas fornecidas pelo Sindicato da Construção Civil. Afirma-se que a área comercial já fora regularizada anteriormente, com Certidão Negativa de Débito emitida em 18/04/1997. A autoridade notificante afirma que os interessados foram convocados a promover a regularização da obra e o seu não comparecimento deu ensejo a ação fiscal da qual resultou a presente NFLD. Os notificados apresentaram impugnação, fl. 27, na qual pugnam pelo cancelamento do crédito, visto que o imóvel em questão já se encontra regularizado, conforme CND anexada. Diante das alegações constates na defesa, o órgão de julgamento de primeira instância determinou a realização de diligência fiscal. A auditoria se manifestou, fls. 83/86, contestando as razões do notificado. Aponta o fisco vários fatos relativos à CND apresentada que levam a indícios de irregularidade na sua emissão. Ao final opina pela manutenção da A Delegacia da Receita Previdenciária em Santos (SP) declarou procedente o lançamento, fls. 88/94. 3 Não se conformando, os notificados interpuseram recurso voluntário, lis. 97/100, no qual alegam que a CND é atestado de regularidade fiscal do contribuinte e protesta pelo cancelamento da NFLD. É o relatório. • 4 Processo n° 15979.000295/2007-19 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.205 EL 112 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Na espécie, há um incidente processual que não pode ser negligenciado. Explico. Após a apresentação da defesa o processo foi baixado em diligência para que a auditoria se pronunciasse sobre as alegações dos notificados. Emitido o pronunciamento fiscal, o julgador de primeira instância decidiu pela procedência do lançamento, considerando as informações prestadas em sede de diligência fiscal. Ocorre que ao sujeito passivo não foi possibilitado o contraditório, posto que, houvesse determinação nesse sentido, não lhe foi dada ciência do resultado da diligência fiscal perpetrada, para que pudesse fazer o seu contraponto antes da emissão da decisão a quo. Uma leitura dos termos da Informação Fiscal juntada, fls. 83/86, não deixa dúvidas de que as alegações ali presentes, rebatem as alegações da defesa. Tal fato evidencia a ocorrência de falha que, embora sanável, não pode ser desconsiderada por esse colegiado. Tenho que reconhecer que a irregularidade apontada contraria norma de observância obrigatória contida no art. 5.0, LV, da Carta Magna, a qual garante aos litigantes, em processo administrativo ou judicial, o direito ao contraditório e a ampla defesa. Nesse sentido, a Decisão Notificação não pode subsistir, posto que negligenciou a oportunidade da recorrente de se contrapor a alegações trazido aos autos pelo fisco. Não há dúvida de que o decisum em comento atropelou garantia processual de ordem pública, pelo que deve ser declarada nulo. É esse o entendimento expresso no Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, que, ao tratar das nulidades no processo administrativo fiscal, prescreve: Art. 59. São nulos: 1- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. sÇ 1° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. 2 0 Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. (...)(grifos não originais) , 5 N,;; "-, Portanto, a nulidade da DN merece ser decretada para que se possa oferecer oportunidade à recorrente de se manifestar a respeito do resultado da diligência fiscal, antes de qualquer decisão da Receita Federal do Brasil a respeito do AI sob enfoque. Voto, assim, por declarar nula a decisão de primeira instância e os atos processuais subsequentes, para que a contribuinte seja intimada a se manifestar em relação à diligência fiscal, retomando o processo o curso normal a partir de então. Sala das Sessões, em 8 de junho de 2010 KLEBER FERREIRA DE AMJJJO - Relator 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA 0.Wrii+, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS W, QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n": 15979.000295/2007-19 Recurso tf: 148.184 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo• de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.205. Brasilia,-05 de julho de 2010 / (rr,/ ELIAS SÃIVIPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 11128.003481/2005-16
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3101-000.248
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o
julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres – Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório Tratase de lançamento tributário para constituição do Imposto de Importação e do IPI vinculado sobre remessa financeira ao exterior a título de prêmio por embarque antecipado de mercadorias importadas, por entender o Fisco que tal pagamento integraria o valor aduaneiro. A remessa feita pela Recorrente decorre de cláusula contratual estabelecida entre as partes, pela qual a importadora comprometiase a pagar um bônus em dinheiro à Exportadora a cada dia antecipado na entrega dos conjuntos de turbogeradores, tendo em vista a urgência na instalação das máquinas na termelétrica de Piratininga. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 11 28 .0 03 48 1/ 20 05 -1 6 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.003481/200516 Resolução nº 3101000.248 S3C1T1 Fl. 364 2 Devidamente notificada, apresentou a Recorrente impugnação administrativa alegando, em síntese: a falta de prova da ocorrência da incidência do Imposto de Importação e do IPI; nulidade do lançamento pela falta de fato jurídico tributável; que gozava do benefício fiscal previsto no Decreto nº 3.827/01; do caráter confiscatório da multa aplicada; e, a inaplicabilidade da taxa Selic ao presente caso. Levados os autos a julgamento, foi proferida decisão pela DRJ mantendo o lançamento por considerar que o bônus contratual integra o valor aduaneiro das mercadorias importadas, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 12/02/2003 VALOR ADUANEIRO. Parcela referida no contrato de compra e venda como "Prêmio para Embarque Antecipado" constitui valor devido pelo comprador na hipótese de os equipamentos serem disponibilizados antecipadamente pelo vendedor. Depreendese do contrato, em face do Acordo de Valoração Aduaneira (AVA), que referido "prêmio" é contrapartida do comprador à presteza do vendedor em disponibilizar o objeto da compra e venda antecipadamente. Concluise que o "prêmio" constitui um acréscimo ao preço devido pelo objeto se a entrega ocorrer nos termos previstos em cláusula contratual. Noutros termos, o "preço" depende do momento em que é entregue a coisa. Assim, como o "prêmio" é vinculado aos equipamentos, bem como o fato que lhe dá ensejo é "condição de venda", posto que expressamente prevista no contrato, encontra subsunção ao artigo 1 do AVA, nos termos do parágrafo 7 de seu anexo III: "o preço efetivamente pago ou a pagar compreende todos os pagamentos efetuados ou a efetuar, como condição da venda das mercadorias importadas, pelo comprador ao vendedor". JUROS DE MORA. MULTAS DE OFICIO. Os juros (Selic) e as multas lançadas estão previstas em lei. Não compete à instância administrativa apreciar questões de constitucionalidade. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Enunciado nº 4 da Súmula do Terceiro Conselho de Contribuintes. Lançamento Procedente. Inconformada, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário com base nos seguintes fundamentos: o pagamento de bonificação não compõe o preço do equipamento adquirido, a sua inclusão na base de cálculo do imposto é inválida e contamina o lançamento contra o qual se insurge a Recorrente; Fl. 408DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.003481/200516 Resolução nº 3101000.248 S3C1T1 Fl. 365 3 a base de cálculo do imposto sobre importação é o valor aduaneiro da mercadoria importada, definido pelo valor FOB do bem importado, acrescido de valores de transporte e seguro internacional (este último, apenas quando contratado). o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio – GATT 1994 estabelece que o valor aduaneiro é o valor da transação, ou seja, o preço efetivamente pago pela mercadoria. O bônus contratual não integra o valor da transação; o bônus contratual não se confunde com o preço da transação, este sim, considerado para efeito de incidência do imposto sobre importação. O valor a ser, pago a título de bonificação contratual não se confunde com os custos da operação, haja vista que não. é, de qualquer forma, capaz de interferir na realização do negócio; a remessa ao exterior para pagamento de bônus contratual sujeitase à incidência do imposto sobre a renda retido na fonte, nos termos do art. 682 do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99); o caráter confiscatório da multa de 75%; e possibilidade de compensação do quanto pago a título de IRRF em relação ás remessas financeiras ao Exterior, com os tributos devidos sob penas de bitributação do mesmo fato. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator O caso comporta aprofundamento de alguns fatos trazidos no curso do processo, motivo pelo qual entendo que ser adequada a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, a fim de que a autoridade preparadora tome as seguintes providências: 1) confirme se o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte, Código 0422. em 23/02/2005, no valor de R$ 2.628.455,23, referese à remessa financeira efetuada ao exterior a título de pagamento do bônus previsto no contrato de fornecimento do qual adveio a interpretação do Fisco de que compõe o valor aduaneiro das mercadorias importadas;] 2) Intime a Recorrente a trazer aos autos as correspondências que encaminhou à DECEX em 22/04/2004 e 29/04/2004, referidas no Ofício DECEX/CGME/SETEL2004/395, de 16.08.2004, bem como, a manifestarse acerca do resultado da diligência, se quiser, no prazo de 30 dias. Concluída a diligência, retornem os autos para julgamento. Luiz Roberto Domingo Fl. 409DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13434.000129/2007-44
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 10/11/2006
RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO
ART. 41 DA LEI Nº 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA.
RECONHECIMENTO
A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei nº 8,212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória 11º 449 de 2008.
A aplicação de urna penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN.
Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado,
Numero da decisão: 2302-000.540
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/11/2006 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI Nº 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei nº 8,212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória 11º 449 de 2008. A aplicação de urna penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado,
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DIRIGENTE DE. ÓRGÃO PÚBLICO Recorrente FRANCISCO IRAMAR DE OLIVEIRA Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM RECIFE / PE ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/11/2006 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N " 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n " 8,212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória 11" 449 de 2008. A aplicação de urna penalidade terá como componentes a conduta, °missiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Câmara / 2" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA — Presidente e Relator Participaram cio presente julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Adindo Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Thiago Davila Melo Fernandes e Marco André Ramos Vieira (presidente). Relatório Refere-se o presente a auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude de na condição de Prefeito do Município de Marcelino Vieira, não ter entregue as CIFIP referentes à competência décimo terceiro de 2005,11 09 a 10. O autuado apresentou defesa administrativa intempestiva na forma das 1 1s 45 a 46. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife proferiu a decisão de fis. 88 a 90, confirmou a autuação relevando a multa aplicada. O recorrente não concordando com a decisão emitida pelo órgão fazendário interpôs recurso, tis, 94 a 96. Não foram apresentadas contra-razões. É o Relatório, Voto Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 97; pressuposto superado passo ao exame das questões preliminares ao mérito, DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Há que se observar a retroatividade benigna prevista no art, 106, inciso II do CTN. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art, 41 da Lei n " 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n " 449 de 2008. Ari 41 O dirigente de órgão ou entidade da administração fedeial, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por inflação de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em fiilha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. (Revogado nela Medida Provisória ri° 449, de 2008) Conforme previsto no art.. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; 2 E R OS VIEIRA - Relator Processo n" I 3434 0001 29/2007-44 S2-C3 T2 Acórdão n 2302-00340 TI 2 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso 11, alíneas "a" e "b" do CTN. A Medida Provisória n " 449, ao revogar o art. 41 da Lei n " 8.212, implica a não responsabilização do dirigente nas omissões e ações que geram o descumprimento de obrigações acessórias. A aplicação de urna penalidade terá como componentes a conduta, °missiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator-, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato inflacionai. Basta urna análise singela, caso a fiscalização fosse autuar o prefeito municipal na data de hoje, por fatos pretéritos, não poderia fazê-lo em função justamente da MP n " 449. Assim, em relação ao dirigente a MP é, sem dúvida, mais benéfica; se antes da MP a autuação era em nome do dirigente, após a referida MP não cabe tal autuação.. Além do mais, a MP n " 449 deixou de tratar o ato do dirigente como contrário à exigência de ação ou omissão. In caso, não houve configuração de .fraude pelo dirigente no relatório fiscal. A repercussão da retroatividade em relação às obrigações acessórias, como na hipótese de haver uma obrigação sem responsável, não cabe a este Colegiado apreciar; quem fez a escolha por não autuar o dirigente do órgão público foi o Chefe do Executivo por meio de Medida Provisória, se é justo ou injusto não interessa, como esse órgão é componente cio Poder. Executivo cabe apenas a aplicação objetiva dos atos normativos sem realizar juizo de valor. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso do notificado para no mérito CONCEDER-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 06 de julho de 2010.
score : 1.0
Numero do processo: 10711.006547/2004-98
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3101-000.162
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o
julgamento do recurso em nova diligência à Procuradoria-Geral
da Fazenda Nacional.
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em nova diligência à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Presidente Tarásio Campelo Borges Relator Formalizado em: 19/11/2011 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Henrique Pinheiro Torres, Leonardo Mussi da Silva, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges e Valdete Aparecida Marinheiro. Relatório Cuidase de retorno de diligência à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos autos de recurso voluntário contra acórdão unânime da Primeira Turma da DRJ Florianópolis (SC) que rejeitou [1] manifestação de inconformidade contra indeferimento de pedido de reconhecimento de direito creditório da contribuição para o Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização (Fundaf) do período de novembro 1994 a julho 2003 [2], recolhida para o ressarcimento de despesas administrativas com os serviços de fiscalização aduaneira em terminal retroportuário alfandegado (TRA). 1 Inteiro teor do acórdão recorrido às folhas 315 a 320 (volume II). 2 Pedido de restituição protocolado em 10 de dezembro de 2004, folhas 1 a 24. Fl. 645DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10711.006547/200498 Resolução nº 310100.162 S3C1T1 Fl. 560 _________ Aduz a peticionária que a contribuição para o fundo especial instituído pelo Decretolei 1.437, de 17 de dezembro de 1975, artigo 6º [3], estabelecida pelo Secretário da Receita Federal com base no artigo 566 do RA 1985 [4] [5], que regulamenta o artigo 22 do Decretolei 1.455, de 7 de abril de 1976 [6], tem natureza tributária mas “tal gravame não se mostra adequado ao Sistema Jurídico Positivo, pois apresenta vícios de ilegalidade e de inconstitucionalidade” [7], porque “instituída por pessoa incompetente, por veículo inadequado e recai sobre materialidade inatingível por gravames tributários” [8]. Ampara seu pedido, principalmente, no artigo 150, inciso I, da Constituição da República [9] e nos artigos 3º [10], 4º [11] e 97, inciso IV [12] [13], do Código Tributário Nacional. 3 DL 1.437, de 1975, artigo 6º: Fica instituído, no Ministério da Fazenda, o Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização FUNDAF, destinado a fornecer recursos para financiar o reaparelhamento e reequipamento da Secretaria da Receita Federal, a atender aos demais encargos específicos inerentes ao desenvolvimento e aperfeiçoamento das atividades de fiscalização dos tributos federais e, especialmente, a intensificar a repressão às infrações relativas a mercadorias estrangeiras e a outras modalidades de fraude fiscal ou cambial, inclusive mediante a instituição de sistemas especiais de controle do valor externo de mercadorias e de exames laboratoriais. (Parágrafo único.) O FUNDAF destinarseá, também, a fornecer recursos para custear: (a) o funcionamento dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, inclusive o pagamento de despesas com diárias e passagens referentes aos deslocamentos de Conselheiros e da gratificação de presença de que trata o parágrafo único do art. 1º da Lei nº 5.708, de 4 de outubro de 1971; (b) projetos e atividades de interesse ou a cargo da Secretaria da Receita Federal, inclusive quando desenvolvidos por pessoa jurídica de direito público interno, organismo internacional ou administração fiscal estrangeira. (parágrafo único incluído pela Lei 9.532, de 1997). 4 RA 1985, artigo 566: O Secretário da Receita Federal estabelecerá a contribuição que será devida ao Fundo de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização FUNDAF, criado pelo DecretoLei nº 1.437, de 17 de dezembro de 1975, pelos permissionários de entreposto aduaneiro de uso público, de lojas francas e de outros locais alfandegados, e pelos beneficiários do regime de trânsito aduaneiro ou de outros regimes aduaneiros especiais ou atípicos, se for o caso. (§ 1º) O Secretário da Receita Federal poderá dispensar da contribuição de que trata este artigo os permissionários do regime de entreposto aduaneiro na exportação. (§ 2º) A contribuição destinase ao ressarcimento das despesas administrativas com os serviços de fiscalização decorrentes das permissões, concessões e benefícios autorizados. 5 IN SRF 45, de 1977, atualizada pela IN SRF 14, de 1993, com vigência e eficácia validada pela IN SRF 85, de 2000, que previu “a definição de fato gerador, dos sujeitos passivo e ativo da relação obrigacional, o critério temporal para o recolhimento da Contribuição, a fixação das bases de cálculo e alíquotas, bem como a penalidade no caso de recolhimento em atraso ou não recolhimento” (pedido de restituição, folha 8, último parágrafo, e folha 9, primeiro parágrafo). Em complemento à sistemática anterior, nova modalidade de recolhimento foi instituída pelas IN SRF 38, de 1995, IN SRF 37, de 1996 e IN SRF 48, de 1996. 6 DL 1.455, de 1976, artigo 22: O regulamento fixará a forma de ressarcimento pelos permissionários beneficiários, concessionários ou usuários, das despesas administrativas decorrentes de atividades extraordinárias de fiscalização, nos casos de que tratam os artigos 9º a 21 deste Decretolei, que constituirá receita do Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização FUNDAF, criado pelo Decretolei número 1.437, de 17 de dezembro de 1975. 7 Pedido de restituição, folha 3, segundo parágrafo. 8 Pedido de restituição, folha 17, terceiro parágrafo. 9 Constituição da República, artigo 150: Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (I) exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; [...]. 10 CTN, artigo 3º: Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Fl. 646DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10711.006547/200498 Resolução nº 310100.162 S3C1T1 Fl. 561 _________ Indeferido o pedido pelo competente órgão da Receita Federal [14], tempestiva manifestação de inconformidade, com as razões de folhas 181 (volume I) a 208 (volume II), ataca o indeferimento e reprisa os fundamentos do pedido inicial. Submetido o litígio à DRJ Florianópolis (SC), esta entendeu a matéria estranha à competência dos órgãos judicantes de primeira instância administrativa em despacho com o seguinte teor: De acordo com o estabelecido no art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 30, de 25 de fevereiro de 2005, conforme o anexo V (alterado pela Portaria n° 6174 de 7/12/2005) do mencionado Regimento, a competência desta Delegacia é para o julgamento, em primeira instância, dos processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários, dos relativos a exigência de direito antidumping, compensatórios e de salvaguardas comerciais, e de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações dos Inspetores e dos Delegados da Receita Federal em processos administrativos relativo, à restituição, compensação, ao ressarcimento, à imunidade, à suspensão, à isenção e à redução de tributos e contribuições administrados pela SRF. Dessa forma, de se concluir que o pedido formalizado diz respeito a matéria cuja competência para julgamento não se encontra afeta às Delegacias de Julgamento, razão pela qual, deve o presente processo ser encaminhado, em devolução, para a unidade de origem. [15] Com o intuito de definir o órgão competente para o enfrentamento da demanda, a Divisão de Tributação da 7ª RF formulou consulta dirigida à Cosit [16] indagando se esse pedido de restituição deve ser processado com o rito do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, ou o da Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Sobre esse tema, a Solução de Consulta Interna Cosit 9, de 30 de abril de 2007, conclui: 15. Diante do exposto, concluise que as DRJ não têm competência para apreciar manifestações de inconformidade contra decisões proferidas pelas autoridades 11 CTN, artigo 4º: A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála: (I) a denominação e demais características formais adotadas pela lei; (II) a destinação legal do produto da sua arrecadação. 12 CTN, artigo 97: Somente a lei pode estabelecer: (I) a instituição de tributos, ou a sua extinção; [...] (III) a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; (IV) a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; [...] (§ 1º) Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. [...]. 13 O artigo 57 do CTN foi revogado pelo DL 406, de 1968. Os artigos 21, 26, 39 e 65 cuidam de casos especiais relativos ao impostos incidentes sobre: importação, exportação, transmissão de bens imóveis e operações financeiras. 14 Indeferimento do pedido às folhas 174 a 177 (volume I), com expressa abertura do prazo de trinta dias para recorrer dessa decisão perante a DRJ Florianópolis (SC). 15 Despacho DRJ Florianópolis (SC) acostado à folha 209. 16 Inteiro teor da consulta às folhas 212 a 215. Fl. 647DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10711.006547/200498 Resolução nº 310100.162 S3C1T1 Fl. 562 _________ administrativas da SRF que indeferem pedidos de restituição de quantias referente ao Fundaf, devendo essas manifestações serem apreciadas pela instância revisional a que estão sujeitos os atos administrativos em geral praticados pelas referidas autoridades administrativas, nos termos do art. 56, § 1º, da Lei nº 9.784, de 1999, qual seja, pelo titular da SRRF da respectiva região fiscal. [17] Não satisfeita, a interessada interpõe recurso administrativo com pedido de reconsideração [18], apoiada no artigo 56 e seguintes da Lei 9.784, de 1999. Preliminarmente, reclama não ter tomado ciência do despacho da DRJ Florianópolis (SC) em que declina de sua competência no julgamento desse assunto, e pronuncia: “Essa conduta fere o princípio do contraditório e da ampla defesa, maculando de ilegalidade e inconstitucionalidade os atos praticados em data posterior no presente processo.” [19] Ainda em sede de preliminar, assevera que a matéria litigiosa é da competência das DRJ, com o rito do Decreto 70.235, de 1972, “porque os valores recolhidos ao FUNDAF possuem, claramente, natureza de tributo, eis que subsumem aos ditames do art. 3º, do CTN.” [20] No mérito, repete os argumentos iniciais e pede a reforma do indeferimento do pedido de restituição. Pedido de reconsideração rejeitado, “por falta de amparo legal” da pretendida restituição [21]. Antes da apreciação do recurso administrativo pela autoridade administrativa hierarquicamente superior, a DRJ Florianópolis (SC) solicitou a devolução dos autos deste processo administrativo “para atender à sentença proferida no Mandado de Segurança n° 2009.72.0054420/SC” [22] [23]. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão resumidos no excerto que transcrevo: Como visto, o julgamento do presente processo, [...], se faz por força de determinação judicial, não mais se discutindo, portanto, a competência das Delegacias de Julgamento para apreciar a matéria em questão, [...]. .......................................................................................... 17 Inteiro teor da solução de consulta às folhas 225 a 228. 18 Petição acostada às folhas 239 a 276 (volume II). 19 Recurso administrativo, folha 242, último parágrafo. 20 Recurso administrativo, folha 243, segundo parágrafo. 21 Pedido de reconsideração rejeitado às folhas 305 e 306 (volume II). 22 Memo Gab/DRF/FNS 9, de 6 de agosto de 2009, acostado à folha 307 (volume II). 23 Mandado de segurança às folhas 308 a 312. Dispositivo da sentença: “Ante o exposto, concedo a segurança para determinar à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC que dê seguimento ao julgamento da Manifestação de Inconforrmidade apresentada pela imperiante no processo administrativo nº 10711.006547/200498, solicitando a remessa dos autos ao órgão em que se encontra. Custa ex lege. Sem honorários advocaticios (Súmulas 512/STF e 105/STJ)”. Fl. 648DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10711.006547/200498 Resolução nº 310100.162 S3C1T1 Fl. 563 _________ É cristalino, nem poderia ser diferente, o fato de a interessada pautar suas argüições partindo do pressuposto de que a Contribuição em caso tem natureza tributária e, como tal deveria ter sido tratada. .......................................................................................... Em síntese, para a interessada, toda a construção legislativa tratando referida Contribuição encontrase viciada de inconstitucionalidade ou de ilegalidade. Ora, como se sabe, a autoridade julgadora administrativa é impedida de enveredar em seara que trata da inconstitucionalidade das normas legais e da ilegalidade dos atos administrativos e normativos. Isto, por ser matéria reservada, com exclusividade, ao Poder Judiciário. .......................................................................................... Ademais, causa estranheza a insólita pretensão da interessada, pois, para atuar como permissionária de serviços públicos de movimentação e armazenagem de mercadorias, por certo era sabedora de que, após os procedimentos prévios para escolha da empresa, para fins de início das pertinentes atividades é celebrado o devido contrato, o qual traz todas as condições em que o mesmo será operacionalizado, inclusive naquilo que respeita a sistemática de recolhimento devido ao Fundaf, instituído pelo Decretolei nº 1.437, 17/12/1975, destinado ao ressarcimento das despesas administrativas relativas ao serviço de fiscalização aduaneira. A administração dos recintos são [sic] sempre precedidos da celebração de contratos no âmbito dos quais são estabelecida a sistemática e fixados os percentuais para fins de cálculo dos valores a serem ressarcidos pela permissionária que administrará o recinto alfandegado. .......................................................................................... Todo o recolhimento, com certeza, se fez em estrita observância ao estipulado nos pertinentes contratos celebrados entre a União Federal e a interessada, pois, não há reclamo de cobrança da mencionada contribuição em valores que não os estipulados nos respectivos contratos. Apenas afirma a interessada que o produto arrecadado com as contribuições ao Fundaf mostrase muito maior que o necessário para o efetivo ressarcimento dos trabalhos ordinários e normais exercidos pela fiscalização aduaneira. No entanto, não aponta o quantum esse produto é muito maior. Pelo então exposto, entendo que, se a interessada passou a não mais concordar com o contrato, penso que é no âmbito desse que tal deve se resolver, e não em sede desta instância administrativa, esteja a Contribuição em questão maculada ou não do vício de inconstitucionalidade ou de ilegalidade. Com relação à natureza jurídica do Fundaf, releva observar que se trata de uma contraprestação por serviços prestados mediante contrato, que não se confunde com as prestações pecuniárias compulsórias, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, definidas no Código Tributário Nacional como sendo tributo, cuja natureza jurídica é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação. Nem toda obrigação perante o Estado, mesmo quando expressa em pecúnia, guarda a natureza jurídica de um tributo. Fl. 649DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10711.006547/200498 Resolução nº 310100.162 S3C1T1 Fl. 564 _________ Não são tributos, quer do ponto de vista teórico, quer do jurídico, no Brasil, as prestações de caráter contratual, bem como, dentre outras, os valores cobrados pelo ente público em decorrência da exploração e/ou utilização de seus bens; os emolumentos, mesmo quando cobrados pelos entes públicos; as taxas de correios e os preços públicos em geral, que oriundos de prestações facultativas, jamais são exigidos pela oferta em potencial de uma prestação. A Súmula do STF, nº 545, de 03/12/1969, diz: Preços de serviços públicos e taxas não se confundem, porque estas, diferentemente daqueles, são compulsórias e têm sua cobrança condicionada à prévia autorização orçamentária, em relação à Lei que as instituiu. Aliomar Baleeeiro, em Direito Tributário, 11ª edição, fl. 545, por sua vez, referese à taxa para fixar o entendimento de que essa não tem por base um contrato, seja de Direito Privado, seja de Direito Público. Ela, como todo tributo, é obrigação ex lege. Cabe quando os serviços recebidos pelo contribuinte resultam de função específica do Estado, ato de autoridade, que por sua natureza repugna ao desempenho do particular e não pode ser objeto de concessão a este. Ora, como se sabe, o recolhimento de tributo não decorre de contrato entre a administração e o administrado (sujeito ativo e sujeito passivo), mas da verificação da ocorrência de fato gerador definido em lei como capaz de, ao se concretizar, fazer nascer relação jurídica tributário e desta a obrigação de satisfação do crédito tributário correspondente. No âmbito do contrato celebrado não se encontra a impetrante na condição de sujeito passivo de obrigação tributária, como previsto no CTN, mas de permissionário/concessionário. .......................................................................................... Por todo o explicitado, encaminho voto no sentido de indeferir o pedido de restituição objeto do presente processo e, para conhecimento, junto a este acórdão, para dele fazer parte, a informação em Mandado de Segurança prestada ao Poder Judiciário. Ciente do inteiro teor desse acórdão, recurso voluntário foi interposto às folhas 335 a 377 (volume II). Nessa petição, defende que o “julgador administrativo deverá apurar a validade da norma que fundamenta a relação jurídicotributária em litígio com as disposições da Constituição Federal” [24]. No mérito, reitera suas razões iniciais, noutras palavras: (1) não operação da decadência; (2) não são extraordinárias as atividades da fiscalização aduaneira no terminal da ora recorrente; (3) não houve pagamento para ressarcir serviços prestados pela fiscalização aduaneira no terminal da ora recorrente, como determina a legislação; (4) natureza não contratual da contribuição e (5) contribuição tem natureza jurídica de tributo. Nova petição foi atravessada aos autos no dia 30 de setembro de 2010 com o intuito de promover a juntada aos autos de documentos alegadamente comprobatórios da “outorga da permissão por Ato Declaratório, bem como a instituição da Contribuição ao 24 Recurso voluntário, folha 344, segundo parágrafo. Fl. 650DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10711.006547/200498 Resolução nº 310100.162 S3C1T1 Fl. 565 _________ FUNDAF mediante Instrução Normativa da então Secretaria da Receita Federal, atual Receita Federal do Brasil” [25]. Nesse requerimento, assegura “que as alíquotas determinadas não foram objeto de acordo mútuo pactuado entre as partes, [...] tendo em vista que a permissão para operação no TRA não decorreu de licitação, mas de outorga do Poder Público à Recorrente, estabelecendo unilateralmente as regras de permissão e os valores para utilização do Terminal” [26]. Na sessão de julgamento de 27 de outubro de 2010, por intermédio da Resolução 310100.118, a conversão do julgamento do recurso em diligência à Procuradoria da Fazenda Nacional foi conduzida pelo voto que transcrevo: Conforme relatado, na fase recursal, após a publicação no Diário Oficial da pauta de julgamento deste colegiado para o período de 29 de setembro a 1º de outubro de 2010, da qual fazia parte este recurso voluntário [27], novos documentos foram carreados aos autos do processo pelo patrono da recorrente. Por conseguinte, em respeito ao contraditório e com o objetivo de enriquecer a instrução dos autos deste processo, voto pela conversão do julgamento em diligência à Procuradoria da Fazenda Nacional, para conhecimento das peças acostadas a partir da folha 438. [28] Em atendimento à determinação deste colegiado, os autos do processo foram encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, mas eles seguiram desacompanhados dos novos documentos referidos no voto condutor da diligência [29]. De posse dos autos incompletos, o Procurador da Fazenda Nacional identificado no documento de folha 444, assim se manifestou: A FAZENDA NACIONAL, por intermédio do Procurador ex lege que subscreve a presente, vem à presença de Vossa Senhoria manifestarse acerca da resolução n° 3101 00.118, de 27/10/2010. A indigitada Resolução determina que a Fazenda Nacional se manifeste sobre "(...) novos documentos foram carreados aos autos (...)" "(...) para conhecimento das peças acostadas a partir da folha 438. (...)". Contudo, os documentos constantes dos autos a partir da fl. 438 corresponde a Resolução n ° 310100.118. Assim, causa dúvida sobre qual documentação se refere a citada Resolução. De toda sorte, menciona a Resolução que "(...) Nova petição foi atravessada aos autos no dia 30 de setembro de 2010 com o intuito de promover a juntada aos autos de documentos alegadamente comprobatórios da "outorga da permissão por (...)" 25 Petição com juntada de documentos, folha 438, último parágrafo. 26 Petição com juntada de documentos, folha 439, segundo parágrafo. 27 Na sessão de julgamento de 1º de outubro, este recurso foi retirado de pauta, a pedido do sujeito passivo. 28 Voto condutor da Resolução 310100.118, de 27 de outubro de 2010. 29 Ver despacho de folha 558, frente e verso. Fl. 651DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10711.006547/200498 Resolução nº 310100.162 S3C1T1 Fl. 566 _________ A respeito do pedido de juntada daqueles documentos, entende a Fazenda Nacional, com esteio no PAF, art. 16, § 4º, que precluiu o direito de apresentação de documentos novos. Outrossim, salvo engano, não localizamos nos autos quaisquer daqueles documentos nos autos. Posto isso, a Fazenda Nacional requer o prosseguimento do feito, excluindose de qualquer apreciação a documentação juntada sem atendimento ao PAF, art. 16, § 4°. Pede deferimento. Somente foram integrados aos autos do processo em 18 de outubro de 2011, após o retorno da diligência à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, a petição atravessada aos autos no dia 30 de setembro de 2010 e respectivos documentos nela citados [30], cujas imagens digitalizadas haviam sido oportunamente disponibilizadas para o relator pela secretaria da Câmara como se tais documentos autuados estivessem. Nesse interregno, em 5 de abril de 2011, na petição de folhas 453 a 506, o sujeito passivo da obrigação tributária requer “a juntada de decisões judiciais proferidas pelo Tribunal Regional Federal da Primeira e Quarta Regiões (DOC 1), por meio das quais já ficaram conhecidos direitos creditórios de outros contribuintes, relativamente à Contribuição do FUNDAF, objeto do presente pleito” [31]. Nesse requerimento de 5 de abril de 2011, também traz à colação a Portaria RFB 2.438, de 2010 (DOC 2), com o intuito de demonstrar “que todas as despesas para instalação e manutenção da repartição aduaneira da RFB, nos recintos alfandegados, devem ser atendidas pela empresa administradora do Terminal, restando somente os salários dos funcionários, os quais são pagos regularmente pelos cofres da União (artigos 9°, 10°, 12°, 13° e 16° § 2° e § 4º) [sic]” [32]. Os autos do processo estão retornando para julgamento com 558 folhas. É o relatório. Voto Conselheiro Tarásio Campelo Borges (Relator) Conforme relatado, na fase recursal, após a publicação no Diário Oficial da pauta de julgamento deste colegiado para o período de 29 de setembro a 1º de outubro de 2010, da qual fazia parte este recurso voluntário [33], novos documentos foram carreados aos autos do processo pelo patrono da recorrente. 30 Petição atravessada aos autos no dia 30 de setembro de 2010 e respectivos documentos nela citados compõem as folhas 508 a 557. 31 Petição de 5 de abril de 2011, folha 453, primeiro parágrafo. 32 Petição de 5 de abril de 2011, folha 453, último parágrafo. 33 Na sessão de julgamento de 1º de outubro, este recurso foi retirado de pauta, a pedido do sujeito passivo. Fl. 652DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10711.006547/200498 Resolução nº 310100.162 S3C1T1 Fl. 567 _________ Nada obstante, esses novos documentos somente foram integrados aos autos do processo em 18 de outubro de 2011 (folhas 508 a 557 e despacho de folha 558), após o retorno de diligência à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para deles conhecer: Resolução 310100.118, de 27 de outubro de 2010. Em respeito ao contraditório, outra petição, protocolada em 5 de abril de 2011 (folhas 453 a 506), também carece de conhecimento da parte adversa. Por conseguinte, com o objetivo de enriquecer a instrução dos autos deste processo, voto por nova conversão do julgamento em diligência à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, para conhecimento das peças acostadas às folhas 453 a 506 e 508 a 558. Posteriormente, providenciar o retorno dos autos para este colegiado. Tarásio Campelo Borges Fl. 653DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11030.000610/2007-57
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
O CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF,
NÃO É COMPETENTE PARA PRONUNCIAR-SE SOBRE A INCONST1TUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA
"Súmula CARF Nº 2
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária,"
PIS, REGIME NÃO CUMULATIVO, REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO À ISENÇÃO.
A redução da base de cálculo do PIS e da Cofins dada pelo art. 1° da Lei n° 10.485/02, não pode ser considerada urna isenção, haja vista que estes dois institutos jurídicos, são distintos pelo § 6 0 do art. 150 da Constituição Federal.
A redução da base de cálculo não está citada no art, 17 da Lei n° 11.033/04 e, portanto, não alcançada pelo art. 16 da Lei n° 11.116/05.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONVERSÃO EM AUTO COMPENSAÇÃO, IMPOSSIBILIDADE.
De acordo com o art. 74, da Lei if 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, sedimentou a desnecessidade de equivalência da espécie dos tributos compensáveis, ou seja, podendo ser compensados com quaisquer tributos administrados pela Secretaria Receita Federal, independentemente do destino de suas respectivas arrecadações, mediante a entrega, pelo contribuinte, de declaração na qual constem informações acerca dos créditos utilizados e respectivos débitos compensados, termo a quo a partir do qual se considera extinto o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, que se deve operar no prazo de 5 (cinco) anos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-000.623
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento
ao recurso, nos termos do voto do Redator Designado, Conselheiro Maurício Taveira e Silva.
Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (Relator) e Rodrigo Pereira de Mello.
Nome do relator: Antônio Lisboa Cardoso
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 O CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF, NÃO É COMPETENTE PARA PRONUNCIAR-SE SOBRE A INCONST1TUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA "Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária," PIS, REGIME NÃO CUMULATIVO, REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO À ISENÇÃO. A redução da base de cálculo do PIS e da Cofins dada pelo art. 1° da Lei n° 10.485/02, não pode ser considerada urna isenção, haja vista que estes dois institutos jurídicos, são distintos pelo § 6 0 do art. 150 da Constituição Federal. A redução da base de cálculo não está citada no art, 17 da Lei n° 11.033/04 e, portanto, não alcançada pelo art. 16 da Lei n° 11.116/05. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONVERSÃO EM AUTO COMPENSAÇÃO, IMPOSSIBILIDADE. De acordo com o art. 74, da Lei if 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, sedimentou a desnecessidade de equivalência da espécie dos tributos compensáveis, ou seja, podendo ser compensados com quaisquer tributos administrados pela Secretaria Receita Federal, independentemente do destino de suas respectivas arrecadações, mediante a entrega, pelo contribuinte, de declaração na qual constem informações acerca dos créditos utilizados e respectivos débitos compensados, termo a quo a partir do qual se considera extinto o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, que se deve operar no prazo de 5 (cinco) anos. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-24T16:35:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-11-24T16:35:25Z; Last-Modified: 2010-11-24T16:35:26Z; dcterms:modified: 2010-11-24T16:35:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:84719c41-8847-41e6-a20f-97e70f06deb3; Last-Save-Date: 2010-11-24T16:35:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-11-24T16:35:26Z; meta:save-date: 2010-11-24T16:35:26Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-11-24T16:35:26Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-11-24T16:35:25Z; created: 2010-11-24T16:35:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2010-11-24T16:35:25Z; pdf:charsPerPage: 1952; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-11-24T16:35:25Z | Conteúdo => S3-C3T1 FF 100 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 11030,000610/2007-57 Recurso n" 262.297 Voluntário Acórdão n" 3.301-00.623 — 3° Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2010 Matéria PIS NÃO-CUMULATIVO Recorrente COMIL CARROCERIAS E ÔNIBUS LIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 O CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF, NÃO É COMPETENTE PARA PRONUNCIAR-SE SOBRE A INCONST1TUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA, "Súmula CARF N" 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária," PIS, REGIME NÃO CUMULATIVO, REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO À ISENÇÃO. A redução da base de cálculo do PIS e da Cofins dada pelo art. 1° da Lei n° 10.485/02, não pode ser considerada urna isenção, haja vista que estes dois institutos jurídicos, são distintos pelo § 6 0 do art. 150 da Constituição Federal. A redução da base de cálculo não está citada no art, 17 da Lei n° 11.033/04 e, portanto, não alcançada pelo art. 16 da Lei n° 11.116/05. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONVERSÃO EM AUTO COMPENSAÇÃO, IMPOSSIBILIDADE. De acordo com o art. 74, da Lei if 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, sedimentou a desnecessidade de equivalência da espécie dos tributos compensáveis, ou seja, podendo ser compensados com quaisquer tributos administrados pela Secretaria Receita Federal, independentemente do destino de suas respecti as arrecadações, mediante a entrega, pelo contribuinte, de declaração na ual constem informações acerca dos créditos utilizados e respectivos dé..15- compensados, termo a quo a partir do qual se considera extinto o cr 1•ite tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, que se v operar no prazo de 5 (cinco) anos Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes auto? Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator Designado, Conselheiro Maurício Taveira e Silva. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (Relator) e Rodrigo Pereira de Mello, PyRo rr da-\(gá ossas - residente Maurício Taverra e Silva — R dator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (Relator), José Adão Vitorino de Morais, Mauricio Taveira e Silva, Francisco Mauricio Rabelo Silva de Albuquerque e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Ausente ocasionalmente a Conselheira Maria Teresa Martinez López, Relatório Cuida-se de recurso em face do acórdão da 2" Tun-na da DRJ/SANTA MARIA (RS), referente ao pedido de ressarcimento eletrônico, sobre os créditos decorrentes da PIS/PASEP Não-Cumulativo, apurados no período de 01/07/2006 a 30/09/2006, sintetizado na ementa de fls. 65: "Assunto . Processo Administrativo Fiscal Período de apuração. 01/07/2006 a 30/09/2006 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE AFRONTA A PRINCiPIOS CONSTITUCIONAIS Compete privativamente ao Poder Judiciário apreciar questões que envolvam inconstitucionalidade ou ilegalidade de atos legislativos ou normativos, bem como de afronta a princípios constitucionais. Assunto . Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração.• 01/07/2006 a 30/09/2006 PIS REGIME NÃO-CUMULATIVO, CRÉDITOS BÁSICOS VENDAS NO MERCADO INTERNO No regime não-cumulativo, os créditos decorrentes de vendas no mercado interno são passíveis, tão somente, de dedução do valor devido da contribuição. Solicitação Indeferida O assunto tratado no presente processo se referem à glosas de créditos básicos calculados sob o regime do PIS/PASEP Não-cumulativo, decorrentes de vendas no Processo n" 110.30.000610/2007-57 S3-C3TI Acórdão n." 3301-00,623 F1 101 mercado interno, calculados em conformidade com o art. 17 da Lei ri' 1 L03.3, de 2004, e art. 16, Da Lei rf 11,116, de 2005, em razão de vendas operadas com redução de base de cálculo. Cientificada em 08/09/2008 (AR, fl. 77), a recorrente apresentou recurso voluntário de fis, 78/98, alegando, em sede de preliminar, a nulidade da decisão recorrida, por não apreciar as alegações constantes de sua manifestação de inconformidade sobre ilegalidades e inconstitucional idade constantes do processa Em relação ao mérito, aduz que os créditos fiscais do "mercado interno" são legalmente ressarcíveis, nos termos do art. 1', § 2", inciso II, da Lei n" 10.485/2002, vez que a "redução da base de cálculo" também se configura hipótese exonerativa equivalente à figura da "isenção parcial", decorrentes nas operações de vendas de carrocerias/ônibus no mercado interno, ao contrário do entendimento da fiscalização de que admite o aproveitamento dos créditos mantidos na saída em função de "suspensão", "isenção", "não-incidência" ou "aliquota zero" seriam passíveis de ressarcimento. Nesse sentido aduz que a legislação de regência assegura-lhe o direito à restituição de créditos do PIS/Pasep nas compras de insumos utilizados na industrialização de seus produtos/mercadorias, acumulados trimestralmente, Em favor de sua tese cita decisão do E. STF (RE-174.478-2/SP), constando que as saídas com redução da base de cálculo (no caso 1CMS), configura caso de isenção fiscal parcial, porquanto aquela espécie exonerativa pertence ao gêneros das regras isentivas, sustentando, por isso, o direito à devolução de créditos fiscais resultantes dessa benesse fisc também pela modalidade restituitória, tal como autorizado pelo art, 16, da Lei n° 11.116/2 05 c/c art. 17, da Lei IV 11.03.3/2004. Requer, por fim, a possibilidade de alternativamente ao ressarcimen autorizada a compensação dos créditos, indevidamente glosados, nos moldes do art. 74, n" 9.430/96, com a redação dada pelo art. 49, da Lei n° 10.637/2002. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, por dele tomo conhecimento. A preliminar de nulidade da decisão recorrida, quanto aos argumentos da defesa sobre ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei, não merece ser acolhida, porquanto a decisão atacada, nesse ponto, encontra-se em perfeita harmonia com a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, estando o assunto em conformidade com a Súmula n° 2, do CARF, com a seguinte redação: 3 Súmula CARF N°2 "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Em relação ao mérito, cuida o presente recurso, de glosas de créditos básicos apurados de acordo com a sistemática do PIS não-cumulativo, decorrentes de vendas realizadas no mercado interno, com redução de base de cálculo, calculados em conformidade com o art. 17 da Lei n" 1L033, de 2004, e art. 16.. Da Lei n° 11.116, de 2005, em razão de vendas operadas com redução de base de cálculo. O assunto esta relacionado aos beneficias fundamentados no art. 150, § 6" da Constituição Federal, onde consta o seguinte: "Art. 150 - Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: § 6" - Qualquer subsidio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei especifica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no Art. 155, áç 2.", MI, g." (Alterado pela EC-000.003-1993) (gr i'fbs acrescidos). Nesse sentido a Lei if 1 L033, de 21 de dezembro de 2004, estabeleceu que as vendas efetuadas ao amparo dos beneficios previstos no art. 150, § 6", em relação ao PIS/Pasep e Cofins, não impedem o aproveitamento dos créditos vinculados às respectivas operações, sem contudo, constar expressamente a hipótese de redução da base de cálculo, que segundo a recorrente, estaria equiparado à isenção. Vejamos como a Lei n° 11.033, 2004, dispôs sobre o assunto, in verbis: 'Art. 17 As vendas efetuadas com suspensão, isenção, aliquota O (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da CORNS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações" De fato, a equiparação da redução da base de cálculo à isenção, ain parcial, encontra-se devidamente reconhecida pelo Pleno do E. Supremo Tribunal Fed consoante as ementas dos seguintes acórdãos: "TRIBUTÁRIO ICMS SISTEMA DE BASE DE CÁLCULO REDUZIDA CONFIGURA çÃo DE ISENÇÃO FISCAL PARCIAL I. O Plenário do Supremo Tribunal Federal (RE 174 478/SP, rei. p/ o acórdão o Min, Cezar Peluso, DJ 30.09.2005), ao apreciar questão similar.. a destes autos, assentou que a redução da base de cálculo do 1CA/IS corresponderia a uma isenção parcial, possibilitando o estorno proporcional do tributo e que tal compensação não afronta o princípio da não-cumulatividade 2. Agravo regimental não provido." (grifos acrescidos) 5 Processo o" 11030 000610/2007-57 S3-C3T1 AcOnliio o ° 3301-00,623 H I 02 (AI 661957 Agi?, Relator(a), Min, ELLEN GRACIE, Segunda Turma, julgado em 06/10/2009, DJe-204 DIVULG 28-10-2009 PUBLIC 29-10-2009 EMENT VOL-02380-10 PP-02003) No mesmo sentido: "EMENTA Tributo. ICMS Redução proporcional.. Precedentes da Corte. 1 A redução da base de cálculo autoriza o estorno proporcional, considerando que se trata de isenção .fiscal parcial. 2. Recurso extraordinário a que se dá provimento. (grifado) (RE 205262, Relator(a): Min, MENEZES DIREITO, Primeira Turma, julgado em .20/05/2008, Die-157 DIVULG 21-08-2008 PUBLIC .22-08-.2008 EMENT VOL-02329-03 PP-00610) E, ainda o seguinte: "EMENTA: Embargos de declaração em agravo regimental em recurso ertraordinário. 2. ICMS. Base de cálculo reduzida. Compensação proporcional dos créditos. Possibilidade. 3. Não ocorfência de violação ao princípio da não cumulatividade. Redução da base de cálculo interpretada como isenção parcial, Precedentes, 4, Embargos de declaração acolhidos para negar provimento ao recurso extraordinário," (grifado) (RE 154179 AgR-ED, Relator(a): Min GILMAR MEN, Segunda Turma, julgado em 28/11/2006, DL 02-02-2007 00153 EMENT VOL-02262-05 PP-01031 RDDT n. 139, 177-179) Portanto, a despeito da art. 17, da Lei n° 11.033, de 2004, não relacionar expressamente o beneficio da redução da base de cálculo do PIS/Cofins, não há nenhum óbice ao aproveitamento dos créditos daí decorrentes, urna vez que o Pleno do STF, conforme acima demonstrado, reconheceu o beneficio da redução da base de cálculo corno sendo uma isenção fiscal, a qual se encontra expressamente contemplada no § 6" do art. 150, da Carta Magna. Por fim, cumpre analisar o pedido da recorrente, constante da manifestação de inconformidade e reiterado no recurso, para que seja deferido, alternativamente ao ressarcimento (fls. 2/3), seja autorizado a compensação dos mesmos, suscitando corno fundamento o art. 74, da Lei n" 9.430/96 e alterações posteriores. De acordo com o art., 156, do CTN, a compensação é uma modalidade extintiva do crédito tributário, e pode ser empregada quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo necessário para sua concretização, autorização por lei especifica e créditos líquidos e certos, vencidos e vineendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (artigo 170, do CTN). O art. 73, da Lei n" Lei 9.4.30, de 27 de dezembro de 1996, adiante transcrito, determina que a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal: "Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7° do Decreto-lei no 2.287, de 23 de Pilho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: 1 - o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; 11 - a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição.". rifado). De acordo com o art. 74, da Lei n" 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei ri' 10.637, de 30 de dezembro de 2002, sedimentou a desnecessidade de equivalência da espécie dos tributos compensáveis, ou seja, podendo ser compensados com quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, independentemente do destino de suas respectivas arrecadações, mediante a entrega, pelo contribuinte, de declaração na qual constem informações acerca dos créditos utilizados e respectivos débitos compensados, termo quo a partir do qual se considera extinto o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, que se deve operar no prazo de 5 (cinco) anos, senão vejamos: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuiçãe.s administrados por aquele Órgão (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) § A compensação de que trata o capta será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaracilo na qual constarão imformaçães relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) 2e A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluido pela Lei n° 10.637, de 2002)" (grifado) Assim sendo, urna vez que o pedido de compensação não se deu na legalmente prevista, isto é, mediante declaração de compensação, não há como atender o da recorrente neste ponto. 1 Conclusão: Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recuso, a fim de reconhecer os créditos básicos decorrentes de vendas no mercado interno, mesmo que decorrentes do beneficio da redução da base de cálculo, equiparado à isenção parcial e indeferir o pedido da contribuinte para proceder a auto compensação, com tributos diversos, sem a a apresentação de declaração prévia à Receita Federal do Brasil, por contrariar termos do art. 74, da Lei n°9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n" 10á d‘tosto nos Lis oa ar o Jo Processo n" 11030.000610/2007-57 S3-C3T1 Acórdão o 0 3301-00,623 Fl 103 7 Voto Vencedor Conselheiro Maurício 'faveira e Silva, Redator Designado Reporto-me ao relatório e voto de lavra do ilustre Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, de quem ouso divergir da tese que sustenta, em relação à questão abaixo relacionada Conforme registra o Conselheiro relator: Em relação ao mérito, cuida o presente recurso, de glosas de créditos básicos apurados de acordo com a sistemática do PIS não-cumulativo, decorrentes de vendas realizadas no mercado interno, com redução de base de cálculo, calculados em conformidade com o art 17 da Lei n" 11 033, de 2004, e art. 16 Da Lei n" 11.116, de 2005, em razão de vendas operadas com reduçâo rle base de cálculo. A divergência se verifica tão somente em relação ao primeiro item, Com relação a este tópico, aconselhável a transcrição do 17 da Lei n" 11033/04, bem assim, o art.. 16 da Lei n' 1-1,116/05. Ari 17. AS vendas detuada.s com suspensão, isenção, ai/quota O (zero) ou não incidência da Contribuição para o P1S/PASEP e da COHNS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações-. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o P1S/Pasep e da Cotins apurado na forma do art. 3" das Leis n" 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 200.3, e do art, 15 da Lei n" 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei n" 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de' 1 - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação especifica aplicável à matéria, ou 11 - pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação especifica aplicável à matéria Parágrajb único, Relativamente ao saldo credor actt uda ç,, '4 partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre-ca ldárt anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pe de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgaç to desta Lei. (Grifei) Conforme se observa, a manutenção de créditos pela contribuinte, em consonância com o art.. 17 da Lei n" 11.033/04 decorre de vendas para o exterior (pela não incidência) e em relação às vendas à Zona Franca de Manaus (alíquota zero). Assim, visto que o art, 16 da Lei n" 11,116/05, vincula a que o crédito acumulado no trimestre, em vitrude do disposto no art. 17 da Lei 11.033/04, as demais vendas no mercado interno não se enquadram neste dipositivo (art. 17 da Lei 11.033/04) por não se tratar de vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição, exceto em relação à ZFM. MaurieiTavda Processo n' 11030.000610/2007-57 S3-C31 1 Acórdão n 3301-00.623 El 104 Ainda em relação ao primeiro item, a redução da base de cálculo do PIS e da Cofins dada pelo art. 1° da Lei n° 10.485/02, não pode ser considerada uma isenção, haja vista que estes dois institutos jurídicos são registrados de modo distinto pelo § 6° do art. 150 da CRFB. A redução da base de cálculo não está citada no art. 17 da Lei n° 11M33/04 e, portanto, não alcançada pelo art. 16 da Lei n° 11.116/05. De fato, assim registra o § 6° do art. 150 da CRFB: § 6 "Oualquer subsidio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule evclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no mi. 1.5.5, § .2.", XII, g (Redação dada pela Emenda Constitucional n°3, de 1993) No mesmo passo, assim consigna o art. 17 da Lei n° 11,033/04: Art. 17 As vendas efetuadas com suspensão, isenção, aliquota O (ze.ro) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor; dos créditos vinculados a essas operações.. "redução da negando-se Conforme se verifica o precitado art. 17 da Lei n° 11..033/04 não consigna base de cálculo", o que não se confunte com isenção. Portanto, quanto a este item, não há reparos a fazer à d- tecorrida, provimento ao recurso. 9
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