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Numero do processo: 13766.000022/2002-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3101-000.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da relatora.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, Adolpho Bergamini e Fernando Luiz da Gama Deça
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da relatora. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, Adolpho Bergamini e Fernando Luiz da Gama Deça
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ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da relatora. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, Adolpho Bergamini e Fernando Luiz da Gama D’eça Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 248 dos autos emanados da decisão DRJ/RJ1 através do voto do relator Ricardo Thadeu Bogado Carreteiro, nos seguintes termos: “Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fla.07 e seguinte sem virtude da apuração de falta de recolhimento da contribuição ao PIS nos períodos de apuração ,maio e junho de1997,exigindoselhe contribuição de R$4.844,39, multa de ofício de R$3.633,04 e juros de mora de R$4.301,13, perfazendo o total de R$ 12.778,13. Na Descrição dos Fatos,consta que a presente exigência originousede auditoria interna em DCTF apresentada pelo sujeito passivo, tendo sido verificada a falta de recolhimento do PIS relativo aos meses de maio e junho de 1997,visto não terem sido confirmados os créditos vinculados. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 66 .0 00 02 2/ 20 02 -3 0 Fl. 541DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13766.000022/200230 Resolução nº 3101000.417 S3C1T1 Fl. 32 2 O enquadramento legal da presente autuação encontrase especificado às fls.08. Após tomar ciência da autuação, empresa autuada, apresentou a impugnação anexada às fls. 03 e seguintes, em 08/01/2002, alegando que: 1. já foi alvo de um Auto de Infração referente ao mesmo crédito, lavrado pela DRF Vitória,em14/04/98, tendo sido apresentada impugnação tempestiva; 3. apesar de ter apresentado anteriormente, junta a documentação pertinenteaaçãojudicialnº93.00041207; 4. requer seja julgado procedente a presente impugnação, determinando o cancelamento do Auto de Infração.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1249.328 de fls. 248 traz a seguinte ementa: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/1997 a 30/06/1997 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. Hipótese expressa na legislação de extinção do crédito tributário, a compensação exige a comprovação por meio de documentos hábeis da possibilidade e efetivação daquele procedimento, sem o que não pode ser admitida, cabendo a manutenção do lançamento quando ocasionar insuficiência do recolhimento apurada em procedimento fiscal pertinente às vinculações informadas em DCTF. MULTA DE OFÍCIO. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de vinculação não comprovada, apurada em declaração prestada pelo sujeito passivo, visto não mais se enquadrar como penalidade mediante alteração na legislação tributária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” O contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF, onde se opõe basicamente no suposto equívoco da decisão recorrida de entender que a decisão judicial da Recorrente que reconheceu a inconstitucionalidade dos DLs 2.445 e 2.449/88 não teve como objeto a autorização judicial para compensação com a contribuição ao PIS nos períodos de 05/97 e 06/97. É o relatório. Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. É certo que o presente Recurso Voluntário é sobre a parte remanescente do Auto de Infração indicado em razão do reconhecimento e cancelamento da multa de ofício em decorrência da aplicação da Retroatividade Benigna do art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13766.000022/200230 Resolução nº 3101000.417 S3C1T1 Fl. 33 3 Para enfrentar os argumentos presentes no Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente é importante, lembrar trechos do voto condutor da decisão recorrida, que estabelece a controvérsia restante nos autos: “(...) Com efeito, ao examinarmos as peças processuais carreada aos autos, entreelesaCertidãocitadaacima,podemosconcluirqueaAçãoCautelarnº9300041207,em trâmite, na 1ª Vara Federal do Espírito Santo, e a posterior ação ordinária, reconhece a inconstitucionalidade dos DLs.2.445e2.449/88,mas, em absoluto, trata de compensação, sendo autorizado, inclusive, depósitos judiciais e seu posterior levantamento. Desta forma, concluise que a ocorrência que deu origem à presente autuação“Proc.Judnãocomprovad”,está confirmada,uma vez que a autuada embora seja uma das autoras na Ação Judicial citada, informada na DCTF em questão, a referida ação não tem como objeto a autorização judicial para compensação coma contribuição ao PIS nos períodos de apuração05/97e06/97,que,frisese, à época era exigida conforme os ditames da Leinº9.715/98.” No entanto, a Recorrente alega que o crédito tributário exigido no Auto de Infração nº 0000327, sub examine, foi extinto pela conversão em renda dos depósitos judiciais existentes na Ação Cautelar nº 93.00471207 (000412073.1993.4.02.5001), nos termos do artigo 156, inciso VI do CTN. Também, afirma a Recorrente: “Resta, portanto, data vênia, equivocado o Acordão recorrido ao entender que na “Ação Judicial citada, informada na DCTF em questão, a referida ação não tem por objeto a autorização judicial para a compensação com a contribuição ao PIS nos períodos 05/97 e 06/97 (...)”, pois, uma vez que, houve conversão dos depósitos judiciais em renda à Recorrida, não há que se falar em compensação, mas sim de anulação do auto de infração recorrido ante extinção do crédito tributário cobrado.” Entretanto, mesmo concordando com a Recorrente de que o crédito tributário extinguese pela conversão em renda dos depósitos judiciais, nos termos do artigo 156, inciso VI do CTN, aqui nesse processo é necessário a busca da verdade material, que no meu entendimento não está perceptível. Assim, proponho a conversão do julgamento do presente processo em diligência, juntamente com o Processo13766.000018/200271 a Repartição de Origem para verificar: As ações judiciais citadas nos autos e já confirmadas que são da Recorrente, ou seja, as ações 93.00471207 e 94.0004494 (decisões juntadas aos autos) tiveram depósitos correspondentes ao PIS dos períodos de 05/97 e 06/97? Se houve o depósito judicial correspondente a contribuição ao PIS dos períodos de 05/97 e 06/97, quando da conversão dos depósitos em renda da União, os mesmos foram em valores satisfatórios aos exigidos no AI em questão? Também, esclarece se houve duplicidade de exigência da Contribuição ao PIS do período de 05/97 e 06/97 da Recorrente nesse processo e no Processo 13766.000018/2002 71. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13766.000022/200230 Resolução nº 3101000.417 S3C1T1 Fl. 34 4 Cientifique a interessada quanto do resultado da presente diligência, para desejando manifestese no prazo de dez dias. Depois de concluída a diligência retorne a esse Conselho para julgamento. É como voto Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 544DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000318/2010-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3402-000.711
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA.
RELATÓRIO
Trata o presente processo de auto de infração para constituir créditos do PIS e da Cofins importação do ano calendário 2006.
O sujeito passivo apresentou impugnação, que foi julgada improcedente.
Tempestivamente, foi protocolado recurso voluntário com juntada de diversos documentos, que, em tese, lastreariam suas razões recursais.
Esse Colegiado baixou o processo em diligência para que a Unidade de Origem emitisse um parecer conclusivo, tomando por base os documentos apresentados pelo recorrente na ocasião do protocolo do recurso.
A DRF emitiu o relatório de diligência fiscal, o qual o recorrente teve ciência e apresentou suas considerações.
É o Relatório.
VOTO
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA. RELATÓRIO Trata o presente processo de auto de infração para constituir créditos do PIS e da Cofins importação do ano calendário 2006. O sujeito passivo apresentou impugnação, que foi julgada improcedente. Tempestivamente, foi protocolado recurso voluntário com juntada de diversos documentos, que, em tese, lastreariam suas razões recursais. Esse Colegiado baixou o processo em diligência para que a Unidade de Origem emitisse um parecer conclusivo, tomando por base os documentos apresentados pelo recorrente na ocasião do protocolo do recurso. A DRF emitiu o relatório de diligência fiscal, o qual o recorrente teve ciência e apresentou suas considerações. É o Relatório. VOTO
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(assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 43 .0 00 31 8/ 20 10 -4 5 Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16643.000318/201045 Resolução nº 3402000.711 S3C4T2 Fl. 101 2 RELATÓRIO Trata o presente processo de auto de infração para constituir créditos do PIS e da Cofins importação do ano calendário 2006. O sujeito passivo apresentou impugnação, que foi julgada improcedente. Tempestivamente, foi protocolado recurso voluntário com juntada de diversos documentos, que, em tese, lastreariam suas razões recursais. Esse Colegiado baixou o processo em diligência para que a Unidade de Origem emitisse um parecer conclusivo, tomando por base os documentos apresentados pelo recorrente na ocasião do protocolo do recurso. A DRF emitiu o relatório de diligência fiscal, o qual o recorrente teve ciência e apresentou suas considerações. É o Relatório. VOTO O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. Como já relatado, o contribuinte apresentou vários documentos na ocasião do protocolo do recurso voluntário. O relatório de diligência produzido pela Unidade de Origem não esclareceu todas as dúvidas importantes para o julgamento do mérito. Assim sendo, entendo que há lacunas intransponíveis na instrução processual que inviabilizam o julgamento da lide nesta reunião, senão vejamos: 1) Primeiro ponto a ser esclarecido: Analisando o contrato de câmbio, fls. 1226/1230, observo que há uma alteração no nome do recebedor do valor da operação. Onde antes era a sociedade EDAG engineering + Desing AG, passou para Volkswagen A.G. No relatório de diligência fiscal, a DRF afirmou que esse contrato não se referia à assistência técnica prevista nas cláusulas 2 e 5, do Contrato de Fornecimento de Tecnologia Industrial e Assistência Técnica (fls. 56 a 66 – plataforma PQ24), objeto deste processo, que trata do envio de colaboradores da VWG à VWB. Diante dessa possível mudança de perspectiva, requisito que a Unidade de Origem verifique a autenticidade dessa informação e emita seu parecer sobre o assunto. Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16643.000318/201045 Resolução nº 3402000.711 S3C4T2 Fl. 102 3 2) Segundo ponto a ser clareado: No contrato de prestação de serviço firmado pela Volkswagen do Brasil com a Volkswagen of America Inc, fls. 1269/1270, consta como objeto “estabelecer as condições dos serviços profissionais a serem realizados pela Contratada, relativos à consultoria comercial, inclusive serviços de logística (auxílio em atividades de embarque e tarefas administrativas relativas a liberação alfandegária)”. No termo de verificação fiscal, na parte de descrição de serviço, consta “teste de emissão”. No relatório de diligência, a Autoridade Fiscal afirma: A empresa apresenta às fls.1269 a 1295 a tradução juramentada do Contrato de prestação de serviços de fls. 689/691 e de faturas relacionadas. Entretanto, mesmo tendo sido apresentados em inglês, tais documentos já haviam sido analisados por esta fiscalização, conforme Item “D” do Termo de Verificação Fiscal (fl. 844), que naquele momento entendeu que o serviço foi prestado no exterior, mas apresentou resultado, principalmente financeiro (exportação de veículos), no Brasil. Requisito à Unidade Preparadora que esclareça quando foram recebidos os valores referentes às faturas de fls. 1271 /1289. Solicito, ainda, que sejam identificados quais foram os serviços prestados pela contratada que ensejaram a emissão das respectivas faturas. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Sala das Sessões, 10/12/2014 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10920.003980/2005-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/1999
LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA DE CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR MEDIDA JUDICIAL. HIGIDEZ
O Fisco tem o dever de formalizar o lançamento de oficio nas hipóteses em que a exigibilidade do crédito tributário esteja suspensa por força de decisão judicial liminar, servindo o ato para prevenir a decadência. Inteligência dos art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996 e parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional.
CONCOMITÂNCIA
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial, sob qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do processo administrativo. Aplicação da Súmula CARF nº 1.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.222
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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Recorrente FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DA REGIÃO DE JOINVILLE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/1999 LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA DE CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR MEDIDA JUDICIAL. HIGIDEZ O Fisco tem o dever de formalizar o lançamento de oficio nas hipóteses em que a exigibilidade do crédito tributário esteja suspensa por força de decisão judicial liminar, servindo o ato para prevenir a decadência. Inteligência dos art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996 e parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional. CONCOMITÂNCIA Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial, sob qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do processo administrativo. Aplicação da Súmula CARF nº 1. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Mara Cristina Sifuentes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/04/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10920.003980/200597 Acórdão n.º 310201.222 S3C1T2 Fl. 712 2 Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Em decorrência de ação fiscal de verificação do cumprimento das obrigações fiscais pela contribuinte qualificada, foi lavrado o auto de infração de fls. 44/56, pelo qual se exige o recolhimento de R$ 2.146.779,10 de Cofins, além dos acréscimos legais. A autuação, cientificada em 01/12/2005 (fl. 46), ocorreu devido à falta de recolhimento da Cofins dos períodos de apuração de abril/1999 a novembro/2001 e janeiro/2002 a fevereiro/2002, conforme consta do Relatório de Atividade Fiscal de fls. 44/45, da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 47/49, do Demonstrativo de Apuração de fls. 50/53 e do Demonstrativo de Multa e Juros de Mora de fls. 54/56; o fundamento legal da autuação encontrase nos seguintes dispositivos: art. 1º da Lei Complementar n.º 70, de 1991; arts. 2º, 3º e 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, com as alterações da Medida Provisória nº 1.807, de 1999, e suas reedições, e alterações da Medida Provisória n.º 1.858, de 29 de junho de 1999, e suas reedições. À fl. 58, manifestação da Safis/DRF/Joinville, no sentido da suspensão da exigibilidade do crédito constituído (art. 151, V, do CTN), em função da liminar na ADIN n.º 2.028. Em 19/12/2005, a interessada, por intermédio de procurador (mandato à fl. 100 e confirmação de assinatura de fl. 666), apresentou a impugnação de fls. 60/99, instruída com os documentos de fls. 100/663, a seguir sintetizada. Suscita, em preliminar, a nulidade do auto de infração posto que em sua fundamentação legal encontrarseia dispositivo com eficácia suspensa pelo STF em razão de Medida Liminar concedida na ADIN n.º 2.028 (art. 1º da Lei n.º 9.732, de 1998, que alterou a redação do art. 55, III, da Lei n.º 8.212, de 1991, e acrescentoulhe os parágrafos 3º a 5º, além dos arts. 4º, 5º e 7º da precitada Lei n.º 9.732, de 1998). No mérito, depois de tecer considerações sobre o instituto da imunidade tributária, diz ser esta a regra contida no art. 195, § 7º, da Constituição Federal, que estabeleceria “imunidade de contribuição para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social, que atendam as exigências estabelecidas em lei”, sendo que a lei referida deve ser, a seu ver, uma lei complementar, sobre o que faz ponderações e conclui: “indelével, pois, a inconstitucionalidade de uma lei ordinária, que impõe requisitos para o reconhecimento da imunidade prevista no § 7º, do art. 195, da CF, como faz a Lei 8.212/91”. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/04/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10920.003980/200597 Acórdão n.º 310201.222 S3C1T2 Fl. 713 3 Na seqüência, afirma que o simples fato de ser um estabelecimento de ensino é suficiente para qualificála como de assistência social, uma vez que esta (assistência) visa a capacitação para o trabalho (art. 203, III, da CF/1988), que vem a ser justamente a essência da educação (art. 205, ‘in fine’, da CF/1988); menciona a propósito jurisprudência; diz, ainda, que por dispor de Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social também é fato suficiente para caracterizála como assistencial. Sustenta que, estabelecido que é entidade de assistência social, as exigências estabelecidas em lei de que fala o § 7º do art. 195, da CF/1988, são as do art. 14 do CTN (que é lei complementar), as quais afirma que as cumpre, todas; menciona, a propósito, jurisprudência judicial e administrativa. Prosseguindo, no item “Da isenção”, diz que demonstrado gozar de imunidade, por amor a prudência, e admitindo a constitucionalidade dos arts. 22, 23 e 55 da Lei n.º 8.212, de 1991, entende que tem direito a ser beneficiada pelo instituto da isenção, posto que atenderia a todos os requisitos legais para tal (art. 196, § 7º, da CF; art. 6º, da LC n.º 70, de 1991, e art. 55 da Lei n.º 8.212, de 1991). Por sua vez, sob o título “Do direito adquirido – efeitos sobre a exigência da utilidade pública federal”, faz extensa argumentação no sentido de ser possuidora dos títulos de utilidade pública municipal e de utilidade pública estadual, bem como de registro no então Conselho Nacional de Serviço Social, atualmente denominado Conselho Nacional de Assistência Social, bem como de ser possuidora de Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (hoje, Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social); diz que (fl. 90): “quando teve a FURJ/UNIVILE reconhecida a isenção, a título oneroso, recebeu o benefício por prazo indeterminado. Portanto, tem o direito adquirido de mantêlo indeterminadamente enquanto cumprir a legislação então vigente, não podendo ser submetida a novas exigências como se outro título fosse receber. Tem, sim, a obrigação de prestar contas anualmente ao Ministério da Justiça e ao INSS, e, atualmente, a cada triênio, ao Conselho Nacional de Assistência Social, nada mais. Porém, não pode ser obrigada a cumprir requisitos que sequer se cogitava no momento da concessão (como é o caso da distribuição de 20% da receita em gratuidades).”; no seguimento, transcreve o Parecer/CJ/MPAS n.º 1095/97, onde restaria reconhecida sua isenção da contribuição patronal perante o Ministério da Previdência e Assistência Social; entende, assim, que sua isenção – em razão de utilidade pública – não pode mais ser apreciada administrativamente, por se tratar de questão já decidida definitivamente; cita a propósito jurisprudência judicial e administrativa. Por fim, requer a insubsistência do auto de infração em comento. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/04/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10920.003980/200597 Acórdão n.º 310201.222 S3C1T2 Fl. 714 4 À fl. 664, despacho da Sacat/DRF/Joinville, atestando a tempestividade da impugnação e encaminhando, em 21/12/2005, o processo à DRJ/Florianópolis; nessa mesma folha, em 14/05/2007, despacho do Chefe da Secoj/DRJ/Florianópolis encaminha o processo à esta DRJ/Curitiba, “tendo em vista alteração de competência, conforme Anexo V, da Port. SRF n.º 179, de 12/02/2007”. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/1999 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.º 8.212, de 1991, por meio da Súmula Vinculante nº 8, editada pelo STF, deve ser observado o prazo qüinqüenal de decadência estabelecido no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, quando não houver pagamento antecipado pelo obrigado. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/12/1999 a 30/11/2001, 01/01/2002 a 28/02/2002 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Lançamento Procedente em Parte. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Acrescenta exclusivamente seus reclames acerca na nulidade da intimação eletrônica que encaminhou o acórdão recorrido e do não conhecimento do mérito do pedido de reconhecimento à imunidade. É o Relatório. Voto Fl. 722DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/04/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10920.003980/200597 Acórdão n.º 310201.222 S3C1T2 Fl. 715 5 Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. Analiso separadamente cada um aspetos acerca dos quais cabe a este Colegiado se manifestar. 1 Nulidade da Intimação Aduz a recorrente nulidade da intimação em razão de que, além de não lhe ter sido oferecida oportunidade para apresentação de recurso voluntário, intimouo a recolher os tributos e demais acréscimos legais, inobstante tal crédito se encontrar com sua exigibilidade suspensa. Com o devido respeito, não vejo como acolher tal pleito. Em primeiro lugar, ainda que confirmadas, tais falhas não se inserem em uma das modalidade do art. 59, do Decreto nº 70.235, de 19721. Em segundo, e mais importante, não vejo como atribuir à referida correspondência, que se limita a encaminhar o resultado do julgamento, o papel alegado no recurso. De fato, a possibilidade de apresentação de recurso foi expressamente consignada no acórdão recorrido e este foi encaminhado ao sujeito passivo. Confirase trecho do aresto: Encaminhese o processo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para ciência da interessada e demais providências necessárias, ressalvandolhe o direito a interposição de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes no prazo de trinta dias, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1 9 da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Por outro lado, não vejo como pretender anular a decisão recorrida em razão da intimação para pagamento do crédito, veiculada por meio de formulário eletrônico padronizado. Se nulidade existisse, seria da intimação. De fato, desde o início do procedimento, mediante a lavratura de auto de infração, restou claro que o crédito tributário, formalizado no intuito de prevenir a decadência, estava com sua exigibilidade suspensa. Por outro lado, o aparente equívoco não surtiu qualquer efeito, pois a cobrança ali consignada não teve prosseguimento em razão de que, como é evidente, o acórdão 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/04/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10920.003980/200597 Acórdão n.º 310201.222 S3C1T2 Fl. 716 6 foi alvo de recurso voluntário. Ou seja, ainda que por motivo diverso, a exigibilidade permaneceu suspensa. Assim, mais do que não se enquadrar em nenhuma das hipóteses de nulidade enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, a hipótese narrada atrai a aplicação da regra de economia processual insculpida no art. 60 do mesmo diploma. Confirase: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Nessa linha, sendo certo que não houve cerceamento do direito de defesa, incompetência do agente ou prejuízo ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade ou saneamento. 2 Lançamento para Prevenir a Decadência. Possibilidade. Com relação a este ponto, ou seja, a validade do lançamento efetuado no intuito de prevenir a decadência, faço coro com a decisão recorrida: não há óbice para a sua realização. Aliás, o que em verdade se verifica é a sua obrigatoriedade, sob pena de violação ao parágrafo único do art. 142 do CTN e consequente responsabilização funcional2. Tanto é assim que o art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, em sua redação atual, prevê expressamente os efeitos de tal lançamento. Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. Ora, se não houvesse tal obrigatoriedade ou pelo menos a faculdade de promover o lançamento para prevenir a decadência, não haveria razão para que se previsse seus efeitos. 3 Concomitância 3.1 Suficiência da Fundamentação Peço licença para transcrever o trecho do acórdão recorrido que sintetiza a sua fundamentação: 2 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/04/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10920.003980/200597 Acórdão n.º 310201.222 S3C1T2 Fl. 717 7 Vêse, assim, que o presente auto de infração somente foi formalizado para evitar os efeitos da decadência, tendo cm vista que a interessada questionou cm juízo, por meio do Mandado de Segurança n.° 99.01024382, a exigência da Cofins, relativamente aos períodos objeto de lançamento (...) O pedido de liminar foi indeferido (cópia da decisão às fls. 18/20) c cm sentença de primeira instancia, o Juiz da causa, acolheu preliminar de carência de ação, pela extinção do feito sem julgamento do mérito em razão de liminar concedida na ADIN n.° 2028, que suspendeu a eficácia dos precitados dispositivos da Lei n." 9.732, de 1998, conquanto a referida ADIN encontrese pendente de julgamento no STF. (...) Desta forma, para a questão da imunidade (art. 195, § 7 0, da CF/1988) e da isenção (em face de dispositivos da Lei n." 8.212, de 1991, com as modificações introduzidas pela Lei n.° 9.732, de 1997) da Cofins, está caracterizada a renúncia da interessada à esfera administrativa, na forma do parágrafo único do art. 38 da Lei n" 6.830, de 22 de setembro de 1980, que tem a seguinte redação: "Art. 38. (..) Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto." Corroborando tal entendimento, o Ato Declaratório (Normativo) da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação Cosit n" 3 de 14 de fevereiro de 1996, assim dispôs: '(a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial — por qualquer modalidade processual , antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; (...) (c) no caso da letra "a'', a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória de definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito,ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN.) Na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em divida ativa, deixandose de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV Fl. 725DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/04/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10920.003980/200597 Acórdão n.º 310201.222 S3C1T2 Fl. 718 8 (concessão de medida liminar em mandado de segurança), do artigo 151, do CTN; (e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no judiciário, sem julgamento do mérito (art. 267 do CPC)." (Grifou se.) Ora, o votocondutor do acórdão recorrido expõe com clareza os fundamentos fáticos e normativos que embasam sua decisão no sentido de não conhecer do mérito da impugnação. Aparentemente, o que se caracterizaa, em verdade, é a insurgência do sujeito passivo quanto à indicação do processo que caracterizaria a concomitância das vias judiciais e administrativa, mas tal insurgência, a meu ver, não deve prosperar. Com efeito, não se pode confundir o processo que induz concomitância com aquele que, na opinião da autoridade fiscal, manteve a exigência suspensa, tratamse de aspectos independentes. De fato, a concomitância caracterizase no momento em que o sujeito passivo ajuíza ação com o mesmo objeto da esfera administrativa e isso, com efeito, como será melhor explorado a seguir ocorreu no momento em que foi ajuizado o Mandado de Segurança 99.01024382. Evidentemente, isso não traz qualquer efeito sobre a suspensão da exigibilidade, consequência da liminar deferida nos autos da ADIN n° 2028, conforme reconhecido pela própria autoridade fiscal. 3.2 Caracterização Sendo certo que a presente autuação foi levada a efeito no exclusivo intuito de prevenir a decadência e que o pedido de natureza meritória formulado do presente processo, reconhecimento da imunidade, é idêntico ao manejado do Mandado de Segurança n.° 99.01024382 é inegável que se caracterizou a concomitância entre os dois processos, independentemente da sua extinção sem julgamento de mérito, em face do seu objeto se encontrar prejudicado pela ADIN 2028. Assim, não resta dúvida que, desde aquele primeiro momento, o sujeito passivo renunciou à via administrativa. Sobre o efeito da propositura da ação judicial sobre o litígio administrativo, o parágrafo único do art. 38 da Lei 6.830, de 1980 é suficientemente claro: Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (grifei) Na mesma linha, vai a Súmula 1 do CARF: SÚMULA Nº 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo Fl. 726DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/04/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10920.003980/200597 Acórdão n.º 310201.222 S3C1T2 Fl. 719 9 administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Andou bem, portanto, o acórdão recorrido quando deixou de tomar conhecimento dessa fração da impugnação. 4 Conclusão Ante ao exposto, afasto as preliminares de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 6 de outubro de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 727DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/04/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 16327.721552/2013-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 29 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que os autos retornem à unidade de origem e aguardem o transito em julgado do processo nº 16327.000992/2010-11. Fez sustentação oral pela Procuradoria da Fazenda Nacional Dr. Marco Aurelio Zortea Marques e pela recorrente Dra. Ana Paula Schincariol Lui Barreto OAB/SP nº 157658.
(Assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES RÊGO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo (Presidente), Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que os autos retornem à unidade de origem e aguardem o transito em julgado do processo nº 16327.000992/201011. Fez sustentação oral pela Procuradoria da Fazenda Nacional Dr. Marco Aurelio Zortea Marques e pela recorrente Dra. Ana Paula Schincariol Lui Barreto OAB/SP nº 157658. (Assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo (Presidente), Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 21 55 2/ 20 13 -3 5 Fl. 2896DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 16327.721552/201335 Resolução nº 1301000.275 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever as circunstâncias contidas nos autos, adoto o relatório apresentado pela r. decisão de primeira instância, de onde destaco: Tratase de impugnação apresentada contra os lançamentos que formalizaram a exigência de IRPJ e CSLL no montante de R$ 37.494.005,37, compreendendo, além dos tributos, multa vinculada, multa isolada e juros de mora, tendo por fundamento legal o art. 3º da Lei nº 9.249/1995 e demais dispositivos indicados nos autos de infração de fls. 2.463 a 2.485 e 2.486 a 2.504. Os lançamentos foram motivados pelas seguintes infrações: 1) falta de adição à base de cálculo de despesa indedutível na apuração do lucro tributável pelo IRPJ e pela CSLL; 2) exclusões indevidas das bases cálculo daqueles tributos; 3) compensação indevida de prejuízos fiscais; e 4) falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL calculados sobre base estimada mensal. As infrações estão descritas de forma detalhada no Termo de Verificação de Fiscal (fls. 2.505 a 2.530), que pode ser assim resumido: O escopo do procedimento fiscal era analisar as despesas com amortização de ágio, que, a juízo da Fiscalização, eram indedutíveis em razão do fundamento econômico, que consistia no fundo de comércio e intangíveis. No processo administrativo nº 16327.000992/201011, apurouse, na composição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos anos de 2006 e 2007, a existência de despesas indedutíveis referentes à amortização de ágio, o que rendeu ensejo a lançamento de ofício. Idêntica infração foi constatada nos anos de 2008 a 2010, mercê da reiteração da conduta pela fiscalizada ao longo desses anos. A autoridade fiscal relatou que, em 23 de junho de 2005, os grupos Citibank e Legg Mason celebraram contrato, pelo qual o primeiro cederia a gestão de recursos de terceiros (“asset management”). No bojo dessa operação, o grupo Citibank constituiu duas sociedades empresárias, para as quais transferiu a atividade de gestão de recursos de terceiros. Assim, para a O.C.F.S.P.E. Empreendimentos e Participações Ltda., depois denominada Citifundos Asset Management Ltda., transferiu a “bandeira de renda variável”; enquanto para a L.M.R.S.P.E. Empreendimentos e Participações Ltda., depois denominada Citiportfolio Asset Management Ltda., a “bandeira de renda fixa”. As duas entidades empresariais foram constituídas em 25 de maio de 2005, cada uma com capital social de R$ 500,00. Até a data da transferência dos ativos e passivos referentes à atividade de gestão de recursos de terceiros, nenhuma delas havia operado. Paralelamente, o grupo Legg Mason, que não tinha negócios no Brasil, adquiriu, em 30 de setembro de 2005, duas holdings: V.H.R.S.P.E. Empreendimentos e Participações Fl. 2897DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 16327.721552/201335 Resolução nº 1301000.275 S1C3T1 Fl. 4 3 Ltda., depois denominada Legg Mason Participações Ltda., e P.D.R.S.P.E. Empreendimentos e Participações Ltda., depois denominada Western Asset Participações Ltda. Em 28 de novembro de 2005, as holdings sofreram aumento de capital social, mediante aporte de recursos oriundos do grupo Legg Mason. Em 1º de dezembro de 2005, deuse a aquisição das cotas do capital da Citifundos Asset Management (bandeira de renda variável) pela Legg Mason Participações Ltda., que pagou ao Citibank S.A. a quantia de R$ 155.394.956,57, contabilizando um ágio de R$ 154.816.956,57. Conforme laudo de avaliação de Ernst & Young, em 1º dezembro de 2005, o patrimônio líquido da Legg Mason Participações Ltda. era de R$ 155.397.706,13, assim constituído: ativo permanente investimento R$ 578.000,00; ágio R$ 154.816.956,57. Em 31 de dezembro de 2005, efetivouse incorporação reversa, pela qual a controladora Legg Mason Participações Ltda. foi incorporada pela controlada, Citifundos Asset Management. Procedimento semelhante envolveu a Citiportfolio Asset Management (bandeira de renda fixa) e a Western Asset Participações Ltda. Esta última pagou ao Citibank S.A. a importância de R$ 41.407.638,13, tendo sido registrado um ágio de R$ 39.629.638,13. Consumada a aquisição, o patrimônio de Western Asset Participações Ltda., em 1º de dezembro de 2005, era de R$ 41.566.084,00, assim distribuído: ativo permanente investimento R$ 1.778.000,00; ágio R$ 39.629.638,13. Também aqui se operou a incorporação da controladora pela controlada, a qual passou a ter como denominação Western Asset Administradora de Recursos Ltda. Com as citadas incorporações, o ágio foi transferido para as incorporadoras, Citifundos Asset Management Ltda. e Western Asset Administradora de Recursos Ltda. (antes denominada Citiportfolio Asset Management). Em 31 de maio de 2006, a Western Asset Administradora de Recursos Ltda. foi incorporada pela Citifundos Asset Managemente Ltda., o que acarretou a transferência do ágio para a incorporadora. Em 14 de junho de 2006, foi alterada a razão social da Citifundos Asset Management Ltda. para Wester Asset Management Co. Ltda. Em 27 de maio de 2008, a Western Asset Management Co. Ltda. foi transformada em distribuidora de títulos e valores mobiliários, passando a ostentar a seguinte denominação social Western Asset Management DTVM. O ágio pago na aquisição dos investimentos registrouse originalmente no ativo permanente; mas, após o processo de incorporação, foi transferido para o ativo diferido. A partir de 2006, a sociedade Western Asset Management DTVM vem amortizando o ágio à razão de 1/96 avos mensais, com fulcro o inciso II do art. 386 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR. Fl. 2898DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 16327.721552/201335 Resolução nº 1301000.275 S1C3T1 Fl. 5 4 A contribuinte consignou, como fundamento econômico do ágio, o valor da rentabilidade com base em previsão de resultados futuros, respaldandose em avaliação econômicofinanceira, na qual se utilizou a metodologia do fluxo de caixa para acionista descontado a valor presente, projetando os resultados no período de dezembro de 2006 a dezembro de 2012. A Fiscalização, todavia, entendeu que o verdadeiro fundamento econômico não foi a expectativa de rentabilidade, mas o fundo de comércio. Ponderou a autoridade lançadora que a realidade fática na qual se insere o empreendimento impossibilita qualquer previsão segura de resultados futuros, dada a ausência de histórico na área de gestão de recursos de terceiros. Dessa forma, descaracterizada a expectativa de rentabilidade como fundamento econômico do ágio, procedeuse à glosa das respectivas quotas de amortização. A Fiscalização considerou que o verdadeiro fundamento para o ágio foi o fundo de comércio relativo à atividade de “asset management”. A carteira de recebíveis foi o único ativo transferido, representando a clientela, que não é passível de existência autônoma, estando diretamente ligada ao conceito de fundo de comércio. Ressaltou que, à luz do Direito Tributário, o conceito de estabelecimento comercial e o de fundo de comércio coincidem. São direitos passíveis de alienação autônoma. Segundo a jurisprudência, o conceito de fundo de comércio engloba também a clientela. Conforme a doutrina, a clientela e o aviamento também estão ligados à noção de fundo de comércio. Para alguns doutrinadores a clientela é o próprio fundo de comércio; para outros, é um dos atributos do estabelecimento empresarial, sem existência autônoma. Em 1º de dezembro de 2005, o grupo Citibank transferiu à Citifundos e à Citiporfolio o fundo de comércio relativo às atividades de gestão de recursos de terceiros. Na mesma data, a totalidade das cotas foi adquirida pelo grupo Legg Mason. À Citifundos foram transferidos do ativo os seguintes elementos: disponibilidades (caixa); contas a receber (taxas de administração de fundos de investimentos); outros créditos (adiantamento de 13º e 14º salários); bens do ativo permanente (computadores, equipamentos, móveis, equipamentos de telefonia); veículos; diferido (software, benfeitorias em imóveis de terceiros). Relativamente ao passivo, foram transferidas outras obrigações (passivos trabalhistas a pagar); participações nos lucros e bônus. À Citiportfolio foram transferidas as disponibilidades (caixa e bancos) e as contas a receber (taxa de administração de fundos de investimentos). Fl. 2899DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 16327.721552/201335 Resolução nº 1301000.275 S1C3T1 Fl. 6 5 A carteira de recebíveis está diretamente vinculada ao fundo de comércio da atividade de gestão de recursos de terceiros, sendo deste indissociável. As empresas Citifundos e Citiportfolio nunca operaram de forma dissociada do fundo de comércio transferido pelo Citibank. Foi também transferida a quase totalidade dos empregados, que continuaram a trabalhar no mesmo local, mesma atividade e com a mesma estrutura operacional. Observou a autoridade lançadora que “os fundos continuaram a ser distribuídos pelo Citibank, e as atividades permaneceram no mesmo local e com os mesmos elementos físicos, que foram decisivos na formação dessa clientela. Apesar da mudança de denominação dos fundos com a introdução do nome Legg Mason, a percepção dos clientes foi de que houve apenas uma troca de gestor das carteiras e fundos. O Citibank ainda operava diretamente junto ao público. Tudo continuava ali onde sempre esteve e onde a clientela estava habituada a transacionar.(fl. 2.520) A Fiscalização extraiu dos relatórios de avaliação econômicofinanceira, elaborados em 28 de novembro de 2005, por Deloitte Touche Tohmatsu Consultores Ltda., a seguinte observação, que reforça a tese de que o ágio foi baseado no fundo de comércio: "O CAM foi recentemente desmembrado em duas empresas, o Citiportfolio, cujo produto são as carteiras administradas, contando com cerca de 70 clientes individuais, principalmente fundos de pensão; e o Citifundos, que tem como produto os fundos de investimento, contando com aproximadamente 100.000 clientes, incluindo varejo, geridas tanto exclusivamente, quanto conjuntamente. Uma vez que o Citifundos é uma empresa recémcriada, não dispõe de histórico próprio, de forma que a análise feita a seguir referese ao CAM como um todo". "Assim, a análise do crescimento das receitas líquidas e patrimônio administrado pelos fundos foi baseada em dados do CAM do Grupo Citibank no período de 2002 a 2004." (fl. 2.520) Como a lei só prevê a dedução do ágio fundado na expectativa de rentabilidade em exercícios subsequentes, a Fiscalização entendeu que deveria anular, para fins fiscais, a apropriação das quotas de amortização do ágio que, de alguma forma, interferiram na apuração do lucro tributável. A glosa se refletiu nos recolhimentos mensais por estimativa e na composição do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL. A contribuinte, não resignada, insurgiuse contra o lançamento. A impugnação, vertida em sessenta e quatro laudas, contesta o entendimento da Fiscalização de que o ágio tem como origem o fundo de comércio, e não a expectativa de rentabilidade. Disse a impugnante que a legislação em vigor prevê três fundamentos para o ágio, não estabelecendo a obrigatoriedade da existência de todos eles, mas apenas de um deles. Igualmente não fixou, para esses fundamentos, uma ordem lógica. A determinação do fundamento econômico para o ágio, em uma dada aquisição de bens, é critério de decisão único e exclusivo do adquirente, derivando tal prerrogativa da liberdade negocial e da livre iniciativa. Fl. 2900DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 16327.721552/201335 Resolução nº 1301000.275 S1C3T1 Fl. 7 6 Portanto, não caberia ao Fisco estabelecer o fundamento que se presume suportar o preço pago, especialmente quando o contribuinte preenche todos os requisitos legais para comprovação de tal fundamento. A impugnante baseouse nas conclusões exaradas em laudos de avaliação que apontam a expectativa de rentabilidade como o fundamento do ágio. A Fiscalização, embora afirmando que o fundamento do ágio fosse o fundo de comércio, não fez qualquer prova nesse sentido. Não demonstrou que o ágio englobaria algum valor correspondente ao fundo de comércio e tampouco qual seria a parcela desse montante que comporia o total do custo de aquisição. Ao contrário, a autoridade lançadora afirmou, de forma genérica, que o ágio estaria vinculado ao fundo de comércio, sem produzir qualquer prova para referendar a singela alegação. Por outro lado, não teria sido posta em dúvida a validade do laudo de avaliação econômicofinanceira. Não se comprovou, disse a impugnante, a inverdade do laudo apresentado, o qual é o documento exigido pela legislação tributária para comprovar o fundamento do ágio, na hipótese de expectativa de rentabilidade. A impugnante menciona uma diferença conceitual entre fundo de comércio e sociedade empresária. Disse que o Código Civil de 2002 emprega as expressões estabelecimento empresarial e fundo de comércio como sinônimos. Essa figura não pode ser confundida com o patrimônio da sociedade. O estabelecimento ou fundo de comércio é o meio para a consecução de um fim, que é a realização da atividade empresarial. Daí se infere que o fundo de comércio é parte integrante da própria sociedade empresária. Analisando os conceitos de fundo de comércio e de sociedade empresária, percebese a distinção entre ambos. O fundo de comércio compreende um conjunto de bens cuja função é tornar possível a atividade empresária. A sociedade empresária é algo mais amplo do que o fundo de comércio. É a conjugação de esforços de duas ou mais pessoas, que unem capital e trabalho com o objetivo de obter lucro. Nesse sentido, fundo de comércio nada mais é do que o meio para a obtenção daquele propósito, é o conjunto de elementos de que se utiliza a empresa para obter os resultados da respectiva atividade. O estabelecimento empresarial não pode ser confundido com a sociedade empresária (sujeito de direito), nem com a empresa (atividade econômica). Empresa é a atividade econômica desenvolvida no estabelecimento, não se confundindo com o complexo de bens nele reunidos. Assim, o fundo de comércio faria parte de um todo que é a sociedade empresária. Analisando as operações realizadas pela impugnante, verificase que os valores pagos pela aquisição das sociedades Citifundos e Citiportfolio não dizem respeito apenas ao fundo de comércio, como equivocadamente afirmou a autoridade fiscal, mas sim à precificação atribuída às sociedades empresárias gestoras das carteiras de investimento. O ágio tem sua origem na aquisição das sociedades empresárias. O preço pago diz respeito às sociedades como um todo, e não somente aos respectivos fundos de comércio, não sendo possível segregar ou identificar o montante relativo especificamente ao fundo de comércio nessas aquisições. Fl. 2901DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 16327.721552/201335 Resolução nº 1301000.275 S1C3T1 Fl. 8 7 Frisou a impugnante que não há qualquer discussão, no presente processo, acerca da invalidade das operações realizadas. Nelas o que se fez foi apurar o valor de expectativa de rentabilidade, em exercícios futuros, dos investimentos feitos, sendo impossível ou inviável segregar ou identificar quanto dessa expectativa era ligada ao fundo de comércio ou a qualquer outro elemento patrimonial, já que estavam sendo valoradas e adquiridas as sociedades empresárias como um todo. A impugnante sustentou que toda aquisição de empresa ou de fundo de comércio, com ágio, tem por suporte a expectativa de rentabilidade, que é a forma de valoração dos elementos do ativo. Assim, não há como existir expectativa de rentabilidade futura de algo que não seja o conjunto de bens de uma empresa ou que não seja a própria empresa. O motivo determinante que leva o comprador a pagar ágio é o reconhecimento de que os bens do ativo da empresa investida estão subavaliados. O ágio respaldado no fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, busca apenas representar situações que não estão adequadamente refletidas na contabilidade da investida, tais como, nome comercial, marcas de indústria e comércio, lista de clientes, knowhow, expressão ou sinal de propaganda, entre outras. A carteira de recebíveis faz parte do fundo de comércio, mas o fato de este ativo ter sido, também, adquirido, não implica inexoravelmente a conclusão de que o ágio ora em exame esteja amparado no fundo de comércio. (fl 2.571) Afirma a impugnante que seria imprescindível identificar os ativos que compõem o fundo de comércio e, ainda, evidenciar que o ágio apurado nas operações societárias aqui examinadas decorreu de um sobrevalor desses ativos. A par dessa argumentação, a impugnante pontuou que a glosa não se sustenta também quando o ágio é analisado pelo enfoque contábil. Nessa perspectiva, notase que o termo fundo de comércio é empregado em sentido distinto daquele conferido pela doutrina comercial. Fundo de comércio, segundo do Direito Comercial, compreende todos os bens destinados à consecução dos objetivos da sociedade empresária. Na perspectiva contábil, porém, consiste em todos os bens passíveis de individualização, ou seja, de reconhecimento e mensuração. Assim, para justificar o sobrevalor do fundo de comércio da investida, cumpre identificar e mensurar, por meio de laudo, cada um dos bens que compõem o fundo de comércio. Nesse ponto, a impugnante sugere retomar o conceito de que a expectativa de rentabilidade pode servir à valoração da sociedade empresária como um todo. Por conseguinte, a análise pode incluir elementos que não constituam ou integrem o fundo de comércio no sentido dado pelo legislador, o que implica dizer que o inciso II, do §2º, do art. 385 do RIR, serviria também ao registro de expectativa de rentabilidade vinculada a elementos que, integrando o fundo de comércio, não puderem ser identificados, nem individualizados. A Fiscalização pretendeu conferir à expressão fundo de comércio, prevista no inciso III, do artigo citado, o sentido que lhe dá a doutrina comercial, daí concluindo que todos os bens, individualizáveis ou não, compõem o fundo de comércio, o qual seria, em última análise, a justificativa do ágio gerado na operação em exame. Fl. 2902DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 16327.721552/201335 Resolução nº 1301000.275 S1C3T1 Fl. 9 8 A autoridade lançadora adotou o enfoque contábil para atribuir a fundamentação econômica ao ágio; mas, ao mesmo tempo, se valeu do conceito jurídico de fundo de comércio, o que acarreta impossibilidade de aplicarse o dispositivo legal. Disse a impugnante que a Fiscalização não se preocupou em identificar, nem mensurar os elementos que compõem o fundo de comércio das sociedades adquiridas. Cingiuse a fazer referências genéricas a elementos componentes do fundo de comércio, sem verificar, no entanto, se tais elementos poderiam ser mensurados. Especificamente quanto à clientela, alegou que as operações de aquisição em análise tiveram por objeto fundos de investimentos. Ocorre que, embora tenha havido a "transferência" dos recursos desses fundos à gestão dos adquirentes, isso não implica necessariamente a "transferência" dos quotistas desses fundos, ou seja, da suposta clientela. Isso porque os quotistas podem deliberar pela troca do gestor e administrador do fundo. Não há garantias da vinculação da “clientela”, de forma a possibilitar a mensuração dessa “clientela” segregada dos demais elementos componentes do patrimônio das sociedades empresárias adquiridas. Se a Fiscalização tivesse adotado corretamente o critério contábil na definição do fundamento econômico do ágio, promovendo a individualização dos elementos do ativo, teria percebido que a clientela não poderia integrar essa gama de ativos individualizáveis, capazes de servir ao fundamento econômico do ágio de forma isolada. Nos registros fiscais e contábeis da impugnante, o ágio foi baseado na expectativa de rentabilidade, considerando a sociedade empresária adquirida como um todo. Não se mensurou a expectativa de rentabilidade tendo em vista cada um dos bens que formam o fundo de comércio, para assim atribuirlhes valor individual. A Fiscalização, diferentemente, adotou o enfoque contábil para identificar o fundamento econômico do ágio, mas partiu de uma premissa equivocada, quanto ao sentido da expressão fundo de comércio, desvirtuando a intenção do legislador. Segundo a ciência contábil, a expressão fundo de comércio se refere única e exclusivamente ao intangível não identificado especificamente, sem vida própria, sem chance de negociação individualizada, normalmente fruto de “sinergia entre outros ativos” e outros fatores. Esse é também o significado conferido pela doutrina contábil ao ágio gerado por expectativa de rentabilidade futura. Logo, sob o ponto de vista contábil, teria se equivocado o legislador ao enumerar o fundo de comércio e a expectativa de rentabilidade como fundamentos distintos para o ágio; pois, ao fazêlo, estaria se reportando ao mesmo instituto contábil duas vezes. Tal conclusão evidencia que o artigo 385 do RIR não pode ser analisado sob o enfoque contábil. Assim sendo, fica claro que, também sob o ponto de vista da doutrina contábil, não assiste razão à Fiscalização, já que, ao pretender enquadrar o ágio como decorrente do Fl. 2903DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 16327.721552/201335 Resolução nº 1301000.275 S1C3T1 Fl. 10 9 fundo de comércio, estaria admitindo também que o ágio decorre de expectativa de rentabilidade futura, que são expressões sinônimas para o direito contábil. Especificamente quanto à CSLL, alegou inexistir previsão legal para adição à base de cálculo das despesas com amortização de ágio, consideradas indedutíveis pela autoridade lançadora. Contestou, por outro lado, a glosa de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa, tendo em vista a regularidade da exclusão das quotas de amortização de ágio, pelos fundamentos já expostos. No que concerne à penalidade, sustentou ser descabida a exigência de multa isolada depois de encerrado o ano base. Suscitou ainda a impossibilidade de cumulação de multa isolada com multa vinculada (ou de ofício). Por fim, afirmou ser ilegal a exigência de juros de mora sobre a multa. Com esses fundamentos, pugnou pela improcedência dos autos de infração. A partir da análise desses fundamentos, entendeu a 2a Turma da DRJ/CGE improcedência da impugnação, mantendo, assim, em sua totalidade, o lançamento efetivado, em acórdão que, inclusive, assim restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008, 2009, 2010 ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO. FUNDAMENTO ECONÔMICO. FUNDO DE COMÉRCIO. Provado nos autos que o fundamento econômico do ágio na aquisição do investimento em controlada não foi a rentabilidade futura, tornase incabível a dedução da despesa de amortização desse ágio. ESTIMATIVA MENSAL. ANTECIPAÇÃO. COBRANÇA DEPOIS DE ENCERRADO O ANOBASE. IMPOSSIBILIDADE. MULTA ISOLADA. Os valores apurados por estimativa mensal, tendo caráter de antecipação do devido no anobase, não podem ser exigidos depois de findo o respectivo período anual, cabendo na hipótese de falta ou de insuficiência de pagamento a imposição de multa isolada. MULTA ISOLADA. MULTA VINCULADA AO TRIBUTO. CUMULAÇÃO. VALIDADE. É válida a cumulação da multa isolada com a multa vinculada ao tributo, porquanto cada uma delas corresponde a uma infração distinta e autônoma. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA. FATO NÃO OCORRIDO. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício só é passível de impugnação a partir do momento em que o fato se materializar, sendo defeso ao órgão julgador conhecer da impugnação para apreciar a matéria preventivamente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 CSLL. BASE DE CÁLCULO. GLOSA DE ÁGIO. CABIMENTO. Fl. 2904DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 16327.721552/201335 Resolução nº 1301000.275 S1C3T1 Fl. 11 10 É cabível, em relação à CSLL, a glosa das despesas de amortização de ágio, tendo em vista a aplicabilidade à CSLL das mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor. CSLL E IRPJ. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicamse ao lançamento da CSLL as mesmas razões de decidir aplicáveis ao IRPJ, quando ambos recaírem sobre a situação fática. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente intimada, pela contribuinte foi então interposto o seu Recurso Voluntário, sustentando, em suas razões, o seguinte: Após descrever as circunstâncias das operações societárias apresentadas, a recorrente destaca as alterações societárias promovidas na estrutura do BANCO CITIBANK, especificamente na transformação das empresas OCFSPE Empreendimentos e Participações Ltda. em CITIFUNDOS Asset Management Ltda. ("Citifundos") e a empresa LMRSPE Empreendimentos e Participações Ltda., transformada em CITIPORTFÓLIO Asset Management Ltda. ("Citiportfólio"). Na mesma toada, destacou que, após a aquisição, no Brasil, de duas empresas pelo Grupo LEGG MASON INC., estas foram de VHRSPE Empreendimentos e Participações Ltda para Legg Mason Participações Ltda. ("Legg Mason") e PDRSPE Empreendimentos e Participações Ltda. para Western Asset e Participações Ltda ("Western Asset"). A partir dessas adequações societárias, a empresa "Legg Mason" adquiriu a "Citifundos" enquanto que a "Western Asset" adquiriu a "Citiportifólio", passando, esta última, a se chamar "Western Asset Adm". A Citifundos incorporou a "Western Asset Adm", passando, então, a ser chamada de "Western Asset Management Co.", restando, pois, somente ela vinculada à Legg Mason Inc., no exterior. A partir daí a Legg Mason Inc. transferiu a sua participação na Western Asset Co. para a Western Asset Management (Brasil) Holding Ltda.., passando ela (a Legg Mason Inc) a deter 99% da Western Brasil , que, por sua vez, passou a deter 99% da Western Asset Co., que, por fim, alterou sua denominação para Western Asset Management DTVM, a atual recorrente. Com essas operações foram registrados ágios fundados em expectativa de rentabilidade futura (conforme laudos objetivamente apresentados) no valor de R$ 154.816.956,57 (Pago pela Leg Mason) e R$ 39.629.638,13 (pago pela Western Asset). A fiscalização, entretanto, a partir da análise dos elementos apresentados, entendeu, equivocadamente, que o fundamento do ágio registrado não seria a "expectativa de rentabilidade futura", mas sim, especificamente, o "fundo de comércio", sendo essa, então, a específica discussão mantida nos presentes autos. Fl. 2905DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 16327.721552/201335 Resolução nº 1301000.275 S1C3T1 Fl. 12 11 Nada obstante, sustentando a impossibilidade de admissão da glosa fiscal, sustenta a recorrente a inadmissibilidade da lavratura do Auto de Infração, tendo em vista que as operações efetivadas terseiam materializado em 01/12/2005, tendo, portanto, sido acobertadas pela decadência, sobretudo porque a ciência do Auto de Infração somente aconteceu em 10/12/2013, fundamentando seu entendimento em pronunciamentos anteriores do então Conselho de Contribuintes. Acaso ultrapassada a questão da preliminar de decadência suscitada, destaca a recorrente a impossibilidade de manutenção do lançamento, passando, assim, a enfrentar a questão de mérito, sustentando a regularidade do registro do ágio fundado na expectativa de rentabilidade futura, tendo em vista o rigoroso atendimento de todos os requisitos legais. Que não cabe ao fisco (mas sim à contribuinte) estabelecer o fundamento que presume suportar o preço pago em determinada aquisição, especialmente quando o contribuinte preenche todos os requisitos legais para a comprovação de tal fundamento.. Que a definição específica de qual é o fundamento do ágio pago, nas expressas disposições da legislação de regência, era matéria propriamente relacionada ao negócio empreendido entre as partes, não se podendo determinar a submissão das escolhas privadas ao entendimento fazendário, da forma como aqui pretendido, simplesmente desconsiderando todos os elementos objetivamente observados. Aponta que todos os requisitos estabelecidos na específica legislação de regência para a possibilidade de amortização do ágio gerado foram fielmente cumpridos pela contribuinte, não podendo assim ser desconsiderado, da forma como aqui apresentado. A fiscalização alega que a motivação determinante da operação não seria a expectativa de rentabilidade futura, mas sim a aquisição de fundo de comércio, sem que, para tanto, apresentasse qualquer prova objetivamente produzida nesse sentido, não passando de mera alegação lançada no TVF. Os laudos elaborados por empresas de avaliação especializada, devidamente arquivadas pela contribuinte, nunca foram, em momento algum, questionados pelo Sr. Agente Fiscal. O fato é que nem a fiscalização nem a Turma Julgadora de primeira instância desconstituíram a prova apresentada pela contribuinte (laudo de avaliação, que possui presunção de veracidade) para fundamentar a glosa da despesa realizada, o que seria imprescindível para a validade e lisura dos lançamentos efetivados e agora combatidos. Que o fisco tem o dever de "comprovar" por meio de provas contundentes o ilícito que fundamenta o lançamento tributário, o que efetivamente não se verifica nos autos. Diante disso, entende como incontestável a regularidade da amortização do ágio feita pela recorrente, uma vez que i) foram cumpridos todos os requisitos legais para a dedutibilidade da despesa com amortização de ágio, cujo fundamento econômico (expectativa de rentabilidade futura) está respaldado em laudo de avaliação elaborado por empresa de auditoria independente e ii) a fiscalização não desconstituiu tal prova, mas apenas afirmou, de forma genérica e abstrata, que o ágio estaria vinculado a um Fl. 2906DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 16327.721552/201335 Resolução nº 1301000.275 S1C3T1 Fl. 13 12 fundo de comércio, razões pelas quais se conclui que a pretensão consubstanciada nos lançamentos não poderá ser aceita, devendo ser desconstituída por este Conselho. Que, na análise do caso, fazse necessário o estabelecimento de distinção entre os conceitos de "fundo de comércio" e de "sociedade empresária", o que, ao que tudo indica, foi simplesmente desconsiderado tanto pelos agentes da fiscalização quanto pelos julgadores da DRJ de origem. Após suas análises, conclui que o fundo de comércio faz parte de um todo, que pe a sociedade empresária. De acordo com as informações contidas nos autos, o ágio registrado (e aqui discutido), inequivocamente, surgiu de uma operação de aquisição das sociedades empresárias Citifundos (recorrente) e Citiportfólio, pelo que os valores dessas aquisições dizem respeito às sociedades como um todo, e não somente aos respectivos fundos de comércio, como aqui equivocadamente apontado pelos agentes da fiscalização. Em resumo, o que se tem de fato comprovado, e não questionado, é a existência de operações de aquisição de duas sociedades empresárias por uma valor superior ao registrado em seus respectivos patrimônios líquidos, com o consequente registro de ágio pelas adquirentes. Após todas essas considerações, a recorrente passa a uma análise objetiva a respeito das hipóteses dos fundamentos do ágio pago, a partir da interpretação das disposições do Art. 385 do RIR/99, apresentando, inclusive, fundados estudos a respeito da matéria. Em seguida, destaca que não há (não havia, à época dos fatos) qualquer imposição legal para que se adote um ou outro fundamento para o ágio registrado. O que se determina, ao revés, que se tenha a documentação que comprove o fundamento adotado, de acordo com o motivo determinante que levou o comprador a pagar o ágio, o que foi feito, repitase, no caso concreto, por meio dos laudos de avaliação elaborados por empresas de auditoria independente. Ademais, acaso não se admitam as razões apresentadas, destaca ainda a recorrente a inexistência de previsão legal para a adição, na Base de Cálculo da CSLL, da despesa com amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização, citando, a esse respeito, inclusive, precedentes do CARF. Além disso, sustenta ainda a invalidade da cobrança da multa isolada em razão da falta de recolhimento de IRPJ e CSLL por estimativa, em razão de já se ter encerrado os respectivos anoscalendário quando da lavratura do auto de infração, invocando, a esse respeito, inclusive, as disposições da Súmula CARF n. 82. Requer ainda, em remota hipótese de manutenção do lançamento, que seja reconhecida a invalidade da cumulação da multa isolada pelo não recolhimento de estimativas com a multa de ofício lançada, bem como, ainda a invalidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Em face do recurso interposto, foram então os autos encaminhados à douta PGFN que, por sua vez, apresentou suas Contrarazões, destacando o seguinte: Fl. 2907DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 16327.721552/201335 Resolução nº 1301000.275 S1C3T1 Fl. 14 13 Que inexiste a alegada "decadência" para fiscalizar os atos societários que deram origem ao ágio, especificamente porque, no caso, a contagem a ser promovida não é da data das operações societárias, mas sim de cada uma das amortizações promovidas, o que, inclusive, é hoje completamente pacífico na jurisprudência deste CARF. Que somente quando o contribuinte deduz o ágio na apuração dos seus tributos, o Fisco tem algo a homologar (no presente caso, o lucro real apurado pelo sujeito passivo nos anos de 2008 a 2010). Antes disso, o Estado não tem qualquer fato tributário que envolva o ágio pago pela empresa. Que a principal controvérsia dos presentes autos abrange o fundamento econômico do ágio registrado pelas empresas do grupo LEGG MASON em face do contrato que foi celebrado com o grupo CITIBANK. Que compulsando os elementos constantes dos autos, mormente os documentos trazidos pelo próprio contribuinte, vêse claramente que, ao contrário do que defende o autuado, o objeto do denominado “contrato de operações” não era formado por uma, duas ou qualquer empresa do grupo CITIBANK, mas sim por uma atividade que era desenvolvida por esse grupo. Que pelos documentos e informações fornecidas pelo próprio contribuinte, não era interesse do grupo LEGG MASON adquirir as empresas CITIBANK CTVM e o BANCO CITIBANK, mas apenas tal atividade de gestão de ativos. Que da leitura dos referidos laudos, vêse de forma clara que eles não apuraram o valor das empresas CITIFUNDOS e CITIPORTFÓLIO, mas sim o valor do negócio de gestão de ativos que antes pertencia ao grupo CITIBANK. Os laudos, ao descreverem as “empresas” a serem avaliadas, destacam expressamente que o objeto de análise não seria as empresas CITIFUNDOS e CITIPORTFÓLIO, mas sim o negócio denominado CAM. Os laudos ressaltam que, ao contrário das empresas supostamente avaliadas, o CAM possui histórico, receitas, despesas, ativos e passivos, cujo estudo permite a apuração de resultados futuros. Que da forma como os laudos foram elaborados, vêse que eles não avaliaram qualquer empresa, mas sim que ao descreverem as sociedades que iriam analisar, destacaram que estavam avaliando apenas uma atividade, a qual tivera sido recentemente dividida e transferida a essas empresas. Assim, em que pese os esforços da recorrente, o ágio amortizado pelo contribuinte não fora pago com base na rentabilidade das empresas CITIFUNDOS e CITIPORTFÓLIO, mas sim no valor de mercado do fundo de comércio transferido, o qual foi apurado com base na sua rentabilidade futura. E, portanto, tendo sido pago com base no valor do fundo de comércio, tal “mais valia” não é dedutível nos termos da Lei nº 9.532/1997. O fundamento econômico de um ágio não pode ser escolhido pelo contribuinte, mas sim decorre da realidade dos fatos. Destaca que caso os laudos trazidos pelo contribuinte efetivamente tivessem demonstrado a rentabilidade futura das empresas CITIFUNDOS e CITIPORTFÓLIO, não haveria o que discutir. Contudo, como tais documentos atestam a rentabilidade Fl. 2908DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 16327.721552/201335 Resolução nº 1301000.275 S1C3T1 Fl. 15 14 futura de um fundo de comércio, não há como aceitar que o ágio pago se enquadra no inciso II do parágrafo 2º do artigo 385 do RIR/99. Diante dessas considerações, destaca que a acusação fiscal se baseara no específico laudo em que se sustenta a contribuinte, sendo a conclusão atingida a partir de suas próprias disposições, não se havendo porque, então, exigir da fiscalização a produção de um outro "laudo" que afirmasse o contrário do que consta naquele laudo analisado. Em relação à tese subsidiária da contribuinte caso mantida a autuação , a respeito da impossibilidade de dedução da despesa com a amortização do ágio na base de cálculo da CSLL, destaca a PGFN que, no caso da apuração da base de cálculo da CSLL, como não há norma expressa que autoriza a dedução da despesa com amortização de ágio, não há que se falar nessa renúncia fiscal. Destarte, ao contrário do que defende o recorrente, uma vez não sendo expressa a autorização para a dedução da base de cálculo da CSLL das despesas com a amortização de um ágio, essas despesas não são dedutíveis, mesmo se o ágio for considerado válido e dedutível para fins do IRPJ. A regra é as despesas não serem dedutíveis, a exceção é o oposto. Além dessas considerações, defende ainda a aplicação da multa isolada após o encerramento do períodobase e de forma concomitante com a multa de ofício, bem como também a regularidade de sua exigência concomitante e a regularidade da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, esta à base da taxa SELIC. Em face de tudo isso, requer a PGFN seja negado provimento in totum ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, mantendose incólume o lançamento fiscal questionado. Esse é o relatório. Fl. 2909DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 16327.721552/201335 Resolução nº 1301000.275 S1C3T1 Fl. 16 15 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto, dele conheço. Analisando os termos e circunstâncias próprias contidas nos presentes autos, antes mesmo de efetivamente analisar quaisquer termos do Recurso Voluntário interposto, relevante observar que trata o presente feito de lançamento decorrente de outro feito, verificandose a sua integral prejudicialidade em face da apreciação dos termos dos autos do PAF n. 16327.000992/201011. O referido feito, conforme identificado e apontado na presente sessão de julgamento, encontrase, atualmente, sujeito à análise de recurso voluntário pela douta 2a Turma Ordinária da 4a Câmara desta Primeira Seção, sendo certo que, enquanto não definitivamente julgado, a decisão proferida por aquela Turma aqui não pode ainda ser aproveitada, sendo, no presente momento, prudente que a análise do presente feito seja então sobrestada, até que aquele julgado se apresente definitivo. Em face dessas considerações, entenderam os componentes desta douta Turma Julgadora pela necessidade de devolução do presente feito aos respectivo órgão preparador, determinando que os autos sejam lá mantidos até que a decisão proferida nos autos do processo 16327.000992/201011 seja definitiva, quando, então, deverá ela ser devidamente reproduzida nestes autos, restituindo para a respectiva apreciação e julgamento. Nesses termos, acolhendo o apontamento apresentado, encaminho o meu voto no sentido de CONVERTER O PRESENTE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que os presentes autos retornem à unidade local para que aguarde a decisão final no processo nº 16327.000992/201011, nos termos aqui especificamente apontados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 2910DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 17/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO
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Numero do processo: 15374.911454/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.154
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Walber José da Silva, relator. Designado o conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor..
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 11974.000510/2010-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.519
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Cleberson Alex Friess e Marcelo Oliveira, que votaram em analisar e decidir a questão. Sustentação oral: Marina Vieira de Figueiredo. OAB: 257.056/SP.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Cleberson Alex Friess e Marcelo Oliveira, que votaram em analisar e decidir a questão. Sustentação oral: Marina Vieira de Figueiredo. OAB: 257.056/SP MARCELO OLIVEIRA - Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator. EDITADO EM: 14/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO. Trata-se a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito Debcad nº 35.442.504-8, lavrada em 27 de junho de 2002, de contribuições sociais devidas pelos produtores rurais pessoas físicas à Seguridade Social, e devidas a Terceiros – SENAR - , incidentes sobre o valor da receia bruta advinda de comercialização de bovinos, nas quais a empresa adquirente, ora a contribuinte, fica sub-rogada nos termos do artigo 30, inciso IV, da lei nº 8212/91, do período de agosto de 1999 e outubro de 1999 a janeiro de 2001, no montante de R$ 21.010.431,74 (vinte e um milhões e dez mil, quatrocentos e trinta e um reais e setenta e quatro centavos), consolidado em 27 de junho de 2002. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11974.000510/2010-76 Resolução nº 2301-000.519 S2-C3T1 Fl. 441 2 A ação fiscal teve início em 03 de abril de 2002, a contribuinte intimada a apresentar documentos não o fez em nenhuma das oportunidades que foi intimada para tanto. Diante desta negativa por parte da contribuinte, de apresentar a escrituração contábil, os débitos lançados na NFLD foram apurados por aferição indireta. Para o procedimento de aferição indireta foram usados os dados fornecidos pelo Ministério da Agricultura e das Secretárias Estaduais dos Estados de São Paulo, Goiás, Mato - Grosso e Mato – Grosso – do - Sul, e a relação de controle de abates junto ao Serviço de Inspeção Federal, além das notas fiscais de entrada do gado fornecidas pela contribuinte. O relatório fiscal indicou também a existência de Grupo Econômico com a Empresa Friboi Ltda, incluindo também os sócios-gerentes José Batista Junior, Wesley Mendonça Batista e Joesley Mendonça Batista que continuam a atuar na contribuinte com poderes de gerencia, conferido por meio de procuração da empresa, assinada pela atual sócia- gerente Vanessa Mendonça Batista, registrada no 2º Tabelionato de Notas de Andradina/SP. Em impugnação, a contribuinte alegou preliminarmente que a NFLD é insubsistente, e ajuizou Mandado de Segurança, em tramitação na 18ª Vara Federal de São Paulo – Processo nº 2001.6.00.000050-9, em que consta toda a exação referente ao Novo Funrural, e obteve liminar que suspendeu a exigência da referida contribuição. Em 1º de junho de 2012, a Procuradoria Regional da Fazenda Nacional da 3ª Região concluiu pela devolução dos autos à Receita Federal do Brasil, uma vez que a liminar foi concedida em 2001, confirmada por sentença em 2005, que suspendeu a exigibilidade da contribuição denominada NOVO FUNRURAL. Após a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo, emitiu despacho (fls. 296/297), esclarecendo que o lançamento trata de contribuições previdenciárias e de terceiros (SENAR), incidentes sobre os produtos rurais adquiridos de produtores rurais pessoas físicas, equiparados a autônomo ou contribuintes individuais. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária também esclareceu que procedimentos deveriam ser revistos tendo em vista que a contribuinte efetuou impugnação total, confrontando alíquotas e base de calculo. Diante disso, a contribuinte intimada do despacho, interpôs nova impugnação, e juntou os seguintes documentos: Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada em 25 de outubro de 2011, Ata de Reunião do Conselho de Administração Realizada em 22 de junho de 2011. Posteriormente alegou a existência de vícios presentes na notificação fiscal, como a discriminação insuficiente dos fatos geradores, a incapacidade do agente fiscal. Informou que os fatos geradores não foram discriminados de forma clara e precisa e isso dificultou a elaboração da defesa, ofendendo o principio da ampla defesa. Quanto a incapacidade do agente fiscal afirma que o agente não apresentou sua credencial quanto da lavratura do auto de infração, caracterizando, segundo o contribuinte, ilegalidade e abuso de poder funcional. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11974.000510/2010-76 Resolução nº 2301-000.519 S2-C3T1 Fl. 442 3 Afirma ser impróprio o lançamento indireto, tendo em vista que os dados fornecidos pelo SIF não são subsistentes para a apuração do valor das entradas de bovinos por ter cunho meramente sanitário. Além disso, o SIF não tem capacidade de informar quais os pecuaristas possuem liminar. Acrescenta que a fiscalização foi feita em um único estabelecimento, o que para a contribuinte foge da lógica, coerência e da verdade, pois a fiscalização tomou pra si apenas um parâmetro. Salienta que o lançamento indireto deve ser descaracterizado, tendo em vista que o fiscal deveria ter feito a analise não só das notas fiscais de entrada, mas também deveria ter procedido a analise de outros documentos como os de abates zerados, devoluções, desfazimento de negócios, entre outros disponíveis. A contribuinte alega ser parte ilegítima da ação, pois não configura como contribuinte da exação. Acrescenta ainda que o artigo 21 do CTN dispõe com clareza que o responsável tributário não se reveste na condição de contribuinte, não preenchendo, assim, os critérios da regra matriz de incidência tributária para a exigência do tributo supostamente não recolhido. Infere que a autuação não pode prevalecer, pois é evidencia da decadência do credito tributário, pois o lançamento somente se aperfeiçoou mais de dez anos após o período compreendido da autuação, pois houve o reconhecimento de equívocos nos procedimentos, e aberto novo prazo para defesa. Assim, no entendimento da contribuinte existiu novo lançamento. Pois reconhecida a renuncia da impugnante, o processo administrativo foi encerrado, e deu-se inicio a contagem de prazo prescricional para a exigência do credito tributário. Aduz então, que a nova notificação se traduz em novo lançamento, vez que o processo administrativo anterior se findou com a remessa dos autos a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. E, com isso, considerando-se que os fatos distam mais de dez anos, o presente credito tributário está fulminado em decadência. Em não havendo o entendimento quanto a prescrição, afirma existir a prescrição do credito tributário, pois a reabertura do prazo para a impugnante foi dado com base no artigo 203 do CTN, o qual se encontra no capitulo da divida ativa, seja, o artigo em questão não cabe ao presente caso. Quanto ao pedido, a contribuinte efetuou os seguintes requerimentos: (i) O presente feito deve continuar suspenso, em razão da oposição de Embargos de Declaração, que são dotados de efeito suspensivo, nos autos do processo judicial (MS 2001.61.0.0000509); (ii) ou, subsidiariamente, caso se prossiga no julgamento, deve ser integralmente cancelada a exigência pelas seguintes razões: a) a autuação é nula, vez que: a.1) não há suficiente discriminação dos fatos geradores; a.2) há incapacidade do agente fiscal para lavratura da NFLD em apreço, pois deveria estar habilitado no respectivo Conselho Regional de Fl. 444DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11974.000510/2010-76 Resolução nº 2301-000.519 S2-C3T1 Fl. 443 4 Contabilidade; a.3) há insegurança na determinação da infração, diante da impropriedade do lançamento indireto por dados fornecidos pelo SIF e por não terem sido observados todos os aspectos importantes, tais como devoluções, desfazimento de negócios etc; b) a Impugnante é parte ilegítima para responder pelas contribuições em evidência, as quais continuam sob responsabilidade dos contribuintes (produtores); c) especialmente em relação ao SENAR, não há lei que atribua responsabilidade à Impugnante. Veja-se que a Lei nº 8.212/91 (art. 30, Inciso VI) não faz qualquer menção ao SENAR, de forma que a sub- rogação se resume à contribuição ao FUNRURAL. A exigência, assim, ofende o art. 128 do CTN; d) há, ainda decadência ou, subsidiariamente, prescrição: d.1) há decadência, pois o lançamento se aperfeiçoou após mais de 10 (dez) anos dos fatos imponíveis. De fato a "nova notificação" traduz-se em novo lançamento, que seja sob a análise do art. 173 ou art. 150, §4°, CTN, levam à conclusão de decadência do crédito tributário; d.2) há prescrição em relação à contribuição ao SENAR. Entre os "equívocos" relacionados no despacho que culminou na reintimação da Impugnante, está relacionado que "a contribuição do SENAR não poderia ter sido considerada com a exigibilidade suspensa porque a decisão judicial, desde a liminar concedida, não tratou expressamente desta contribuição, como se vê às fls. 198/227." Desta forma, como os autos estavam com a PGFN desde 2002 e diante de não haver causa suspensiva da exigibilidade, evidencia-se a prescrição; e) no mérito, é insubsistente a autuação, pelos seguintes fundamentos: e.1) a questão aqui posta foi decidida em sessão plenária do STF, reconhecendo-se a inconstitucionalidade da exigida contribuição, nos autos do RE 363.852/MG; e.2) a inconstitucionalidade dos incisos I e II do art. 25 da Lei n° 8.212/91, ao tributar "receitas", ao arrepio do artigo 195, I, da Constituição Federal, vigente à época de sua instituição; e.3) a ofensa ao art. 150, II, da Carta Magna, vez que tratou de forma desigual trabalhadores rurais e urbanos Ofensa ao princípio da Isonomia Tributária; e.4) existência de "bis in idem" por sofrer esta contribuição a mesma base de cálculo de incidência da COFINS instituída pela Lei Complementar n° 70/91 com fundamento no artigo 195, inciso I da Constituição Federal de 1988; e e.5) em relação à contribuição ao SENAR, há ofensa ao art. 62 do ADCT, pois somente poderia ter sido instituída nos mesmos moldes da contribuições destinadas ao SESI e SENAR, isto é, à alíquota de 2,5% sobre a remuneração dos empregados de contribuinte pessoa jurídica. Ante a impugnação, no dia 12 de março de 2013 a 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), por meio do acórdão nº 16- 44.679, decidiu por considerar improcedente a impugnação no tocante às matérias em que não houve renúncia ao contencioso administrativo e não conhecer da impugnação quanto à matéria que se encontra sub judice, em face da renúncia ao contencioso administrativo, mantendo o crédito tributário lançado. Segue ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1999 a 31/01/2001 Ementa: Fl. 445DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11974.000510/2010-76 Resolução nº 2301-000.519 S2-C3T1 Fl. 444 5 CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. IDENTIDADE DE OBJETO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. JULGAMENTO. A existência de ação judicial não transitada em julgado, interposta pela empresa, acerca da exigibilidade das contribuições previstas no artigo 25, incisos I e II, da Lei n.º 8.212/91, sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, implica a constituição do crédito tributário correspondente, com o fito de se prevenir a decadência, não havendo decisão que proíba tal procedimento, e sendo o lançamento ato vinculado e obrigatório, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional (CTN Lei n.º 5.172/66). A propositura de ação judicial antes do lançamento implica renúncia ao contencioso administrativo no tocante à matéria em que os pedidos administrativo e judicial são idênticos, devendo o julgamento ater-se à matéria diferenciada. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD encontra-se revestida das formalidades legais, apresentando adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, não havendo que se falar em sua nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando a NFLD e seus anexos integrantes são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendo-lhe concedido prazo para sua manifestação, e quando estejam discriminados, neste, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação, tendo sido observados todos os princípios que regem o processo administrativo fiscal. AUDITOR FISCAL. EXAME DA CONTABILIDADE. COMPETÊNCIA. Independentemente de inscrição no Conselho Regional de Contabilidade, pode o Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil Social examinar a contabilidade das empresas e dos contribuintes em geral. AQUISIÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. SENAR. SUBROGAÇÃO. São devidas as contribuições destinadas a Terceiros, assim entendidas Outras Entidades e Fundos, na forma da legislação em vigor. A empresa adquirente fica sub-rogada na obrigação de recolher as contribuições do produtor rural pessoa física, decorrentes da comercialização da produção rural, inclusive as destinadas à Entidade SENAR, em consonância com legislação específica. BASEDECÁLCULO. ARBITRAMENTO. É lícita a apuração por aferição indireta do salário de contribuição, na ocorrência de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Fl. 446DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11974.000510/2010-76 Resolução nº 2301-000.519 S2-C3T1 Fl. 445 6 Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante nº 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a fiscalização para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias é de 5 (cinco) anos, conforme previsto no Código Tributário Nacional (CTN Lei n.º 5.172/66). O lançamento das contribuições relativas às competências abrangidas pela NFLD foi realizado no prazo quinquenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. O prazo de prescrição conta-se a partir da constituição definitiva do crédito, isto é, da data em que não mais se admita a Fazenda Pública discutir a seu respeito em procedimento administrativo. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS. TAXA SELIC. MULTA. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e multa de mora, ambos de caráter irrelevável. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. INTIMAÇÃO. ENDEREÇAMENTO. Por expressa determinação legal, as intimações devem ser endereçadas ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo, pertencendo à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária DERAT jurisdicionante do contribuinte a competência para intimação de acórdão emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. SUSTENTAÇÃO ORAL. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de sustentação oral em sessão de julgamento na primeira instância administrativa pela falta de previsão na legislação que trata do processo administrativo fiscal, em especial o Decreto 70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão em 1º de julho de 2013 (fls. 393), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 395) no dia 29 de julho de 2013, e nesta reiterou as alegações da impugnação. É o relatório Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior - Relator Ao iniciarmos a análise do caso notamos que a recorrente faz menção em seu recurso ao Mandado de Segurança 2001.61.00.0000509 que a teria desobrigado da contribuição. Observamos, entretanto, que a petição inicial da referida ação não se encontra nos autos, o que nos impede de verificar a eventual concomitância. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11974.000510/2010-76 Resolução nº 2301-000.519 S2-C3T1 Fl. 446 7 Assim, propormos a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que o órgão preparador: 1) Intime a Recorrente a apresentar cópia de inteiro teor da petição inicial do Mandado de Segurança 2001.61.00.0000509, bem como apresente certidão de objeto e pé atualizada da ação; 2) Retorne os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. Portanto, pela conversão do julgamento em diligência, nos termos do voto acima. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior - Relator Fl. 448DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10768.032511/97-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jun 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1998
Ocorrendo erro material deve ocorrer o saneamento por meio da prolação de outro acórdão.
Embargos de declaração acolhidos sem efeitos infringentes
Numero da decisão: 9303-003.242
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, a fim de sanar o erro material apontado no acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1998 Ocorrendo erro material deve ocorrer o saneamento por meio da prolação de outro acórdão. Embargos de declaração acolhidos sem efeitos infringentes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, a fim de sanar o erro material apontado no acórdão embargado. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 03 25 11 /9 7- 14 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 9303000.985, nos quais se alegou, em preliminar, que há nulidade no acórdão cujo voto vencedor fora redigido por redator designado que não participou da sessão de julgamento, em face do descumprimento do art. 63 e parágrafos do RICARF. No mais, alegouse a existência de obscuridade na decisão a respeito do termo a quo de contagem da decadência para a COFINS, quando da aplicação do art. 173, I, CTN, e a existência de erro material a ser corrigido no voto vencedor do julgado. É o relatório. Voto 1. Da preliminar suscitada O art. 65, caput, Anexo II, do RICARF, assim estabelece: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Primeiramente, no que tange à preliminar suscitada pela Embargante, ressaltese que são numerus clausus as hipóteses legais capazes de ensejar o uso de uma espécie recursal. Por essa razão, não se pode conhecer de matérias estranhas às omissões, contradições e obscuridades autorizadas para os embargos de declaração. No mais, é notório a inexistência da suposta nulidade alegada pela Embargante. Isso porque, nos termos do art. 63, § 1º, do RICARF, foi designada primeiramente a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, que havia participado do julgamento. Todavia, por força da aposentadoria da referida Conselheira, tornouse impossível a realização da incumbência que lhe fora determinada, motivo pelo qual se designou o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão para fazêlo em seu lugar, nos termos do art. 63, § 3º, do RICARF. Agora, considerando que o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Redator designado do acórdão embargado, não mais integra o Colegiado, nos termos do art. 49, § 7º, do RICARF, foi designado o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, para inclusão em pauta. Diferentemente dos critérios indicados pelo art. 63, § 1º, o § 3º confere ao Presidente do órgão julgador a faculdade de designar outro conselheiro como redator sem qualquer exigência no sentido de anterior participação na sessão. Aqui impõe verificar essa afirmação da leitura do próprio dispositivo, verbis: Fl. 368DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10768.032511/9714 Acórdão n.º 9303003.242 CSRFT3 Fl. 1.173 3 Art. 63. [...] § 3º Caso o relator ou o redator designado deixe de cumprir o disposto nos §§ 1º e 2º, o presidente da Câmara designará outro conselheiro para formalizar a decisão ou o voto, no prazo de 30 (trinta) dias da disponibilização dos autos. Confirmada a validade da designação, observese ainda que o tempo levado para efetuar a formalização do voto também não é razão para que se trate de nulidade. Assim como o prazo prescrito para o proferimento dos atos decisórios pelos agentes do Poder Judiciário, é impróprio o prazo do art. 63 do RICARF, motivo pelo qual a sua prática a destempo inobservância não lhe retira a validade ou a eficácia. Portanto, ainda que se pudesse conhecer da questão preliminar levantada em sede de embargos, esta não teria qualquer procedência. 2. Da obscuridade No que tange à obscuridade, alegou a Embargante que não se definiu o critério de contagem a quo do prazo decadencial quando aplicável o art. 173, I, CTN, para tributos como a COFINS. Apesar do alegado, não se verifica qualquer obscuridade na decisão embargada, uma vez que o art. 173, I, CTN, é claro e expresso em relação ao termo a quo da contagem, senão, vejamos: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” (g.n.) Por haver clareza incontestável no próprio texto do dispositivo legal aplicado, é incabível a alegação de obscuridade por parte da Embargante. 3 Do erro material O art. 66, caput, do RICARF, assim estabelece: Art. 66. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. Nesse tocante, às fls. 331/332 aduziu a Embargante no sentido de existir erro material no julgado que, à fl. 308, fez menção ao art. 171, I, CTN. Com razão, discutida a questão da decadência em matéria tributária, a referência ao dispositivo é equívoca e decorre de óbvio erro de escrita, visto que o dispositivo foi corretamente indicado por diversas vezes no acórdão. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 Assim, onde agora se lê: O recurso especial do contribuinte se baseia na tese de que não se aplica o art. 171,I do CTN ao caso concreto, em virtude de que, conforme a o voto da Conselheira Nanci Gama, nobre Relatora, não se aplicaria ao lançamento por homologação. Deveria se ler: O recurso especial do contribuinte se baseia na tese de que não se aplica o art. 173,I do CTN ao caso concreto, em virtude de que, conforme a o voto da Conselheira Nanci Gama, nobre Relatora, não se aplicaria ao lançamento por homologação. Em que pese não haver a obscuridade alegada, mas, é presente o erro material apontado, acolho os presentes, em face do erro material apontado, com fundamento no art. 66, caput, do RICARF, c/c art. 76 do Decreto 7.574/2011, é necessário a sua correção mediante inclusão em pauta. Isso porque o Decreto 7.574/2011, que regula o Processo Administrativo Fiscal federal, ao dispor sobre o julgamento de primeira instância, preceitua em seu art. 67 que “as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante a prolação de um novo acórdão.” O comando contido nesse dispositivo foi estendido expressamente pelo art. 76 do mesmo decreto (7.574/2011) aos acórdãos prolatados em julgamento de segunda instância, que assim dispõe: Art. 76. O acórdão de segunda instância deverá observar o disposto nos art. 65, 66, 67 e 69. Portanto, acolho os embargos, sem efeitos infringentes, para reratificar o acórdão embargado a fim de sanar a inexatidão material conforme proposto acima. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 370DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001629/2006-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
MULTAS ISOLADAS
As desonerações promovidas do montante principal repercutem sobre acréscimos legais, inclusive sobre multas isoladas. Nada obstante, não há omissão da decisão que deixe de consignar expressamente tal repercussão por ser aferida na fase de execução do acórdão.
OMISSÃO
Uma vez não caracterizada a suposta omissão alegada pelo embargante, o acórdão atacado é ratificado pelos seus próprios fundamentos.
Numero da decisão: 1202-001.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos presentes embargos para rejeitá-los, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
PLÍNIO RODRIGUES LIMA - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Valmar Fonsêca de Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippólito (suplente convocado) e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 MULTAS ISOLADAS As desonerações promovidas do montante principal repercutem sobre acréscimos legais, inclusive sobre multas isoladas. Nada obstante, não há omissão da decisão que deixe de consignar expressamente tal repercussão por ser aferida na fase de execução do acórdão. OMISSÃO Uma vez não caracterizada a suposta omissão alegada pelo embargante, o acórdão atacado é ratificado pelos seus próprios fundamentos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos presentes embargos para rejeitá-los, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) PLÍNIO RODRIGUES LIMA - Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Valmar Fonsêca de Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippólito (suplente convocado) e Orlando José Gonçalves Bueno.
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Nada obstante, não há omissão da decisão que deixe de consignar expressamente tal repercussão por ser aferida na fase de execução do acórdão. OMISSÃO Uma vez não caracterizada a suposta omissão alegada pelo embargante, o acórdão atacado é ratificado pelos seus próprios fundamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos presentes embargos para rejeitálos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) PLÍNIO RODRIGUES LIMA Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Valmar Fonsêca de Menezes, Geraldo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 16 29 /2 00 6- 35 Fl. 2553DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por PLINI O RODRIGUES LIMA 2 Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippólito (suplente convocado) e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Mediante a peça de fl. 2.512 a 2.516, o sujeito passivo opõe, tempestivamente, embargos de declaração ao Acórdão nº 1202000.757, de 12/12/2012 (fls. 2.319 a 2.360), no qual aduz haver duas supostas omissões. Primeira, no tocante aos fundamentos do voto do relator relativamente ao tema “e) Adições não computadas na apuração do lucro real. Juros passivos indedutíveis. Dedução indevida de despesas relativas a juros pagos em empréstimos tomados de empresa controlada, incidentes sobre o valor equivalente aos lucros não disponibilizados por empresas controladas domiciliadas no exterior. Itens 008 do auto de infração e 008 do Termo de Verificação Fiscal”, uma vez que o julgador consignou que “Como consta dos autos, a empresa deteve lucros a disponibilizar no período auditado e tomou empréstimo de controlada no exterior, incorrendo na situação descrita no § 3º do artigo 34 acima referido, devendo ser mantido este item do auto de infração”, o embargante considerou que: (...) não restou fundamentado nem explicitado se na aplicação desta regra foi levando em consideração o montante do lucro disponibilizado ao empréstimo tomado. Ou seja, se a vedação ao empréstimo é absoluta ou se deve ter como limitador o lucro disponibilizado, posto que há que se ponderar que a proibição não faz sentido relativamente a parcela do empréstimo que extrapola o referido lucro, soando como impedimento sem qualquer razoabilidade. Segunda, ao discorrer sobre a não duplicidade entre as multas isoladas e a proporcional, o relator deixou de consignar o reflexo das exonerações promovidas sobre as multas isoladas. No acórdão, não se evidenciou a determinação para se recalcular a multa isolada com base nos novos valores de estimativa. É o relatório. Fl. 2554DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por PLINI O RODRIGUES LIMA Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 1202001.251 S1C2T2 Fl. 2.554 3 Voto Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Com relação à suposta primeira omissão, é relevante destacar que o julgador se restringe à lide. Já na acusação fiscal, a própria autoridade lançadora aduziu no termo de verificação a aplicação de limite calcado nos lucros a disponibilizar (fls. 1786 e 1787), in verbis, A existência de lucros não disponibilizados por parte de empresas controladas pela contribuinte, no exterior, impede a dedutibilidade de despesas de juros pagos ou creditados em empréstimos a empresas controladas ou coligadas. Tal restrição se limita aos juros incidentes sobre o valor do empréstimo equivalente ao montante dos lucros a disponibilizar, conforme artigo 1° da Lei n° 9.532/97, com a redação dada pelo artigo 35 da Medida Provisória 1.99115/2000 (...) (nosso destaque) Ademais, a autoridade fiscal assim consignou: Conforme tais valores, se verifica que de setembro de 2001 a dezembro de 2002 o empréstimo que a empresa fiscalizada tem na forma destes títulos com a empresa Ceval International Ltd é inferior ao estoque de lucros a disponibilizar nestes períodos, mesmo descontado o valor do mútuo contraído com a mesma controlada sem a incidência de juros (vide tabela 05). Assim, a totalidade das despesas de juros apropriadas neste período deve ser glosada. Já no primeiro trimestre de 2001 o valor do empréstimo eurobônus com sua controlada é superior ao estoque de lucros a disponibilizar, devendo ser glosadas apenas as despesas relativas ao valor equivalente a este montante, conforme redação atual do artigo 1° da Lei n° 9.532/97. (nosso destaque) Houve, desse modo, a aplicação originária do limite legal à glosa dos juros. Não houve uma vedação absoluta sobre a qual devesse se manifestar o julgador de segundo grau. Ademais, no recurso voluntário, a defesa alegou apenas que o limite (calcado nos lucros a disponibilizar) não deveria se aplicar a empresas distintas domiciliadas no exterior. Em parte alguma do referido recurso, a defesa aventou a necessidade de se aplicar um limitador esteado em lucro disponibilizado. Não há, pois, qualquer omissão a ser sanada quanto a este ponto. Com relação às multas isoladas, conforme podemos verificar dos autos de infração, tais sanções pecuniárias foram apuradas com base em balanços de suspensão. Desse modo, as exonerações promovidas, sejam pelo acréscimo de elementos positivos, sejam pela glosa de elementos negativos, repercutem proporcionalmente sobre o cálculo das multas isoladas. Fl. 2555DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por PLINI O RODRIGUES LIMA 4 No entanto, não há nenhuma novidade sobre tal reflexo. Sempre que valores são exonerados, há reflexos em acréscimos legais, vale dizer, nas multas, nos juros e, antigamente, também na correção monetária, sem que tal efeito devesse ser expressamente consignado nas decisões administrativas. Tratase de efeito a ser reconhecido e aferido pela autoridade executora da decisão. Por todo o exposto, voto por conhecer os embargos de declaração para, no mérito, negarlhes provimento. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator Fl. 2556DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por PLINI O RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10909.000240/2002-12
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
DÉBITO DE COFINS. DCTF. COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO JUDICIAL CONFERINDO O DIREITO COMPENSATÓRIO. CRÉDITOS DE FINSOCIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O contribuinte que pretende compensar, apoiado em decisão judicial proferida em sede de mandado de segurança, créditos decorrente de recolhimento indevido ou a maior, deve demonstrar a efetiva existência e origem deste saldo credor perante a administração tributária, sob pena de esvaziar o poder fiscalizatório dado ao Fisco. Não demonstrada a origem do crédito, sequer por planilhas contábeis, improcede a pretensão de extinguir o crédito tributário mediante a compensação.
Numero da decisão: 3803-006.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de preclusão para a Administração Tributária proferir decisão administrativa, e no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Renato Mothes - Conselheiro.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Carolina Gladyer Rabelo, Paulo Renato Mothes e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: PAULO RENATO MOTHES DE MORAES
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO DE COFINS. DCTF. COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO JUDICIAL CONFERINDO O DIREITO COMPENSATÓRIO. CRÉDITOS DE FINSOCIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O contribuinte que pretende compensar, apoiado em decisão judicial proferida em sede de mandado de segurança, créditos decorrente de recolhimento indevido ou a maior, deve demonstrar a efetiva existência e origem deste saldo credor perante a administração tributária, sob pena de esvaziar o poder fiscalizatório dado ao Fisco. Não demonstrada a origem do crédito, sequer por planilhas contábeis, improcede a pretensão de extinguir o crédito tributário mediante a compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de preclusão para a Administração Tributária proferir decisão administrativa, e no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Renato Mothes Conselheiro. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Carolina Gladyer Rabelo, Paulo Renato Mothes e Samuel Luiz Manzotti Riemma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 02 40 /2 00 2- 12 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO RENATO MOTHES DE MORAES, Assinado digitalmente em 1 9/02/2015 por PAULO RENATO MOTHES DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEI RA MACHADO Processo nº 10909.000240/200212 Acórdão n.º 3803006.887 S3TE03 Fl. 103 2 Relatório Tratase de auto de infração decorrente do não pagamento de COFINS referente aos períodos de janeiro e março de 1997, totalizando um montante de R$ 7.249,18. Na impugnação, o Contribuinte informa que ajuizou o mandado de segurança nº 95.20016945, já com trânsito em julgado, conforme fls. 09 a 14 destes autos, cuja decisão lhe assegura o direito de compensar os créditos decorrentes de recolhimento a maior a título de FINSOCIAL com débitos de COFINS. Pertinente transcrever o dispositivo da sentença proferida no MS 95.2001694 5: “...concedo parcialmente a segurança para reconhecer o direito da impetrante à compensação do que recolheu a maior a titulo de FINSOCIAL com débitos de COFINS, em face da decisão do TRF da 4' Região, transitada em julgado (fls. 38 a 44), ressalvando â impetrada o direito de verificar a correção dos valores compensados e de lançar as diferenças, por ventura, devidas.” Tendo em vista a informação trazida pelo contribuinte em sede de impugnação a respeito de tutela judicial com trânsito em julgado que lhe possibilitaria a compensação de créditos de FINSOCIAL com débitos de COFINS, a Fiscalização solicitou os seguintes documentos para a análise do pedido: as decisões proferidas no Mandado de Segurança 91.79898, mencionados no processo n° 9520016945 que lhe conferem o direito à compensação do FINSOCIAL; relação discriminando mensalmente o faturamento dos períodos de apuração que geraram os créditos do FINSOCIAL; livros fiscais e balancetes relativos aos períodos de apuração que geraram os créditos do FINSOCIAL; demonstrativo de apuração dos indébitos do FINSOCIAL, discriminando por período de apuração a base de cálculo, alíquota aplicada, valor devido, valor pago e o indébito apurado (valor pago a maior); demonstrativo da compensação dos indébitos do FINSOCIAL efetivada pela empresa, discriminando por período de apuração a compensação com o saldo inicial, os respectivos índices de atualização monetária aplicados, valor compensado e o saldo atualizado; e escrituração contábil relativa às compensações dos créditos do FINSOCIAL. Em resposta, o Contribuinte apresentou basicamente as decisões judiciais que dispunha. Contudo, deixou de apresentar os livros e documentos fiscais do período em que ocorreram o faturamento e créditos do FINSOCIAL, bem como não trouxe os demonstrativos de apuração de indébito e suas compensações, alegando que não possui mais a referida documentação em razão do transcurso do tempo (16 anos). Fl. 76DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO RENATO MOTHES DE MORAES, Assinado digitalmente em 1 9/02/2015 por PAULO RENATO MOTHES DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEI RA MACHADO Processo nº 10909.000240/200212 Acórdão n.º 3803006.887 S3TE03 Fl. 104 3 No âmbito da DRJ/FNS, a impugnação foi julgada improcedente, sendo mantida na íntegra a exigência fiscal. Entendeu a instância a quo que o contribuinte deixou de trazer os documentos essenciais para demonstrar a regularidade do crédito que sustentava possuir para fazer frente aos débitos de COFINS, ora objeto desta autuação. Tal omissão probatória, por parte da ora Recorrente, não poderia prosperar a impugnação. Ainda, a DRJ/FNS entendeu que a compensação procedida pelo contribuinte encontraria outro óbice, qual seja, o desrespeito à regra do artigo 170, CTN, pois a apresentação da DCTF se deu em 29/09/1997, data em que ainda não havia trânsito em julgado no MS 95.20016945, em trâmite no TRF da 4ª Região. Em sede de Recurso Voluntário, a empresa contribuinte alega, preliminarmente, a preclusão ocorrida neste processo administrativo, com base no artigo 24 da Lei 11.457/2007, eis que a decisão fora tomada em prazo superior a 360 dias; e no mérito, apenas ratifica os mesmos termos já trazidos outrora na impugnação. Este é o relatório. Voto Conselheiro Paulo Renato Mothes Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade e conhecimento do Recurso Voluntário procedese ao julgamento. Entendo que a preliminar de preclusão levantada pela empresa Recorrente não deve ser acolhida. Segundo defende a empresa, sua impugnação foi protocolada em 28/01/2002 e somente houve o respectivo julgamento em 09/04/2010, o que acarretaria a preclusão por força do artigo 24 da Lei 11.457/2007: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Inicialmente, registrase que a preclusão é a perda da oportunidade de praticar algum ato processual que cabia à parte interessada, podendo ser temporal, lógica ou tácita. Poderseia cogitar de prescrição intercorrente, como ocorre na execução fiscal. Contudo, o procedimento de execução fiscal está disciplinado pela Lei 6.830/80, que conta com expressa previsão do instituto da prescrição intercorrente (art. 40, pg. 4º). Não é o caso do processo administrativo fiscal, regido pelo Decreto 70.235/1972, até porque esta matéria já se encontra sumulada no âmbito do CARF: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO RENATO MOTHES DE MORAES, Assinado digitalmente em 1 9/02/2015 por PAULO RENATO MOTHES DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEI RA MACHADO Processo nº 10909.000240/200212 Acórdão n.º 3803006.887 S3TE03 Fl. 105 4 E mais. Deve ser observado nestes autos, embora a impugnação tenha sido protocolizada em 28/01/2002, o processo jamais ficou paralisado por prazo igual ou superior a 05 anos, eis que o contribuinte recebeu sistemáticas intimações da Delegacia da Receita Federal local antes do feito ser remetido para DRJ/FLS. Ou seja, se fosse possível reconhecer a prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo fiscal, está hipótese não estaria caracterizada neste feito. Por fim, cumpre esclarecer que o prazo de 360 dias estipulado para que seja proferida a decisão administrativa aguardada pelo contribuinte não implica em nenhuma consequência processual automática. Tratase de norma introduzida no ordenamento jurídico, na esteira do princípio da razoável duração do processo (EC 45/2004), que apenas define qual é o prazo máximo tido como razoável, cujo desrespeito coloca a administração em mora procedimental. Uma vez configurado que o prazo limite foi extrapolado, caberá ao contribuinte recorrer ao judiciário para requerer ordem que determine a impulsão processual, conforme decidido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo, na forma do art. 543C, do CPC: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DALEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "A todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005). (...) 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: Fl. 78DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO RENATO MOTHES DE MORAES, Assinado digitalmente em 1 9/02/2015 por PAULO RENATO MOTHES DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEI RA MACHADO Processo nº 10909.000240/200212 Acórdão n.º 3803006.887 S3TE03 Fl. 106 5 "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Assim, a preliminar suscitada pela Recorrente não encontra suporte no artigo 24 da Lei 11.457/2007, devendo ser rejeitada. No mérito não resta melhor sorte à Recorrente, senão vejamos. Às fls. 3839 destes autos, a RFB em ItajaíSC intimou a empresa contribuinte a apresentar os seguintes documentos que dariam legitimidade ao crédito de FINSOCIAL aproveitado para fins de compensação com débitos de COFINS: “ as decisões proferidas no Mandado de Segurança 91.79898 que lhe conferem o direito à compensação do FINSOCIAL; relação discriminando mensalmente o faturamento dos períodos de apuração que geraram os créditos do FINSOCIAL livros fiscais e balancetes relativos aos períodos de apuração que geraram os créditos do FINSOCIAL; demonstrativo de apuração dos indébitos do FINSOCIAL, discriminando por período de apuração a base de cálculo, alíquota aplicada, valor devido, valor pago e o indébito apurado (valor pago a maior); demonstrativo da compensação dos indébitos do FINSOCIAL efetivada pela empresa, discriminando por período de apuração a compensação com o saldo inicial, os respectivos índices de atualização monetária aplicados, valor compensado e o saldo atualizado; e escrituração contábil relativa às compensações dos créditos do FINSOCIAL.” Às fls. 4546, a Recorrente apresentou a seguinte resposta à fiscalização: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO RENATO MOTHES DE MORAES, Assinado digitalmente em 1 9/02/2015 por PAULO RENATO MOTHES DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEI RA MACHADO Processo nº 10909.000240/200212 Acórdão n.º 3803006.887 S3TE03 Fl. 107 6 a) Relativamente às decisões proferidas no Mandado de Segurança 91.7989 8, temos a informar que não se faz necessário para o processo tendo em vista que referido Mandado de Segurança teve como objeto a declaração de inconstitucionalidade da majoração das alíquotas da FINSOCIAL. Outrossim, no site da Justiça Federal consta que referidos autos já foram incinerados, não sendo mais possível sua recuperação. Ainda, referidas decisões são encaminhadas cópias de seus originais à PFN em Florianópolis ou Porto Alegre, onde pode ser encontrado referido documento. Entendemos ainda, que o pedido da decisão do referido MS no presente processo foi equivocado, pois em nenhum momento a empresa mencionou o mesmo na impugnação. b) Com relação aos demais documentos solicitados, informamos que a empresa já não mais possui os livros e documentos fiscais do período em que correram o faturamento e créditos do FINSOCIAL até a presente data, até a presente data, pois tratase do período de setembro/89 a fevereiro/91, portanto, há 16 anos. Também após duas mudanças de endereço da sede e também em decorrência das últimas enchentes que assolaram a cidade, ocorreram perdas de vários documentos. c) Também não possui os demonstrativos de apuração dos indébitos e suas compensações porque a empresa era optante pelo Lucro Presumido e não mantinha planilhas dos referidos demonstrativos. Em que pese a plausível justificativa da empresa Recorrente, isto é, não mais possuir documentos fiscais e contábeis de quase duas décadas atrás, deveria ter tido o zelo em preservar justamente as provas que saberia que seriam necessárias no futuro, eis que detinha demanda judicial que visava o aproveitamento de créditos. A empresa Recorrente tinha ou deveria ter a consciência de que o aproveitamento dos créditos de FINSOCIAL autorizados pelo judiciário fatalmente seriam objeto de análise pela fiscalização no momento da compensação ou nos 05 anos seguintes após a operação entabulada pelo contribuinte. Enfim, era dever da empresa Recorrente preservar os documentos necessários para demonstrar a higidez da compensação que procedeu, sob pena de ver frustrada a extinção do crédito tributário. Por fim, vale ressaltar que o Decreto 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal no âmbito federal, prevê a necessidade de o contribuinte trazer as provas necessárias para a comprovação do direito que alega, conforme atestam os artigos 15 e 16: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO RENATO MOTHES DE MORAES, Assinado digitalmente em 1 9/02/2015 por PAULO RENATO MOTHES DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEI RA MACHADO Processo nº 10909.000240/200212 Acórdão n.º 3803006.887 S3TE03 Fl. 108 7 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Por tais razões, entendo que as justificativas apresentadas pela empresa contribuinte não podem prosperar diante da completa ausência de prova acerca da legitimidade do crédito de FINSOCIAL utilizado para a compensação com débitos de COFINS. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar, e no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo na íntegra a exigência fiscal. É como penso. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Renato Mothes Fl. 81DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO RENATO MOTHES DE MORAES, Assinado digitalmente em 1 9/02/2015 por PAULO RENATO MOTHES DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEI RA MACHADO Processo nº 10909.000240/200212 Acórdão n.º 3803006.887 S3TE03 Fl. 109 8 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO RENATO MOTHES DE MORAES, Assinado digitalmente em 1 9/02/2015 por PAULO RENATO MOTHES DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEI RA MACHADO
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Numero do processo: 15940.720188/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
NULIDADE. COMPROVAÇÃO DA MÁ-FÉ DO CONTRIBUINTE.
Não havendo declaração de inaptidão da empresa fornecedora, competia a Fiscalização provar a inidoneidade da empresa fornecedora e a má-fé da empresa adquirente.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se aos autos de infração reflexos as mesmas conclusões às quais se alcançou em relação ao IRPJ.
Numero da decisão: 1102-001.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e. João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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COMPROVAÇÃO DA MÁFÉ DO CONTRIBUINTE. Não havendo declaração de inaptidão da empresa fornecedora, competia a Fiscalização provar a inidoneidade da empresa fornecedora e a máfé da empresa adquirente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase aos autos de infração reflexos as mesmas conclusões às quais se alcançou em relação ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e. João Otávio Oppermann Thomé. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 01 88 /2 01 2- 13 Fl. 3026DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 1102001.007 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório A empresa recorreu do Acórdão nº 1440.860, exarado pela 3ª Turma da DRJ/RPO (fls. 2737/2756), que decidiu julgar integralmente procedente o lançamento tributário lavrado para a exigência de IRPJ e reflexos, relativos aos anoscalendários de 2007 e 2008, cuja ementa transcrevemos abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 GLOSA DE CUSTOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. A falta de comprovação da operação justifica a glosa de custos suportados por notas fiscais reputadas inidôneas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007, 2008 OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. PAGAMENTO SEM CAUSA. Estão sujeitos à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. IRPJ. CSLL. IRRF. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para lançamento da multa isolada por falta de antecipação mensal do IRPJ e CSLL é o previsto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. Fl. 3027DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 1102001.007 S1C1T2 Fl. 4 3 É cabível a aplicação simultânea da multa isolada por falta ou insuficiência do recolhimento das antecipações mensais das estimativas e da multa proporcional ao tributo exigido no auto de infração. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Caracterizado o intuito de fraudar o fisco, correta a aplicação da multa no percentual de 150%. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais e que se refira à questão cuja elucidação dependa apenas de apresentação de documentos. MULTA. EQUIDADE. Falece competência às autoridades julgadoras para dispensar, por equidade, a multa devida. SUSTENTAÇÃO ORAL. Inexiste previsão legal, na esfera do julgamento administrativo de primeira instância, para oferecimento de sustentação oral. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. O relatório da DRJ pode ser assim sintetizado: Contra a empresa foram lavrados os autos de infração que se prestaram a exigir o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e respectivos consectários legais, como também a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, ambos relativos a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2007 e 2008. A razão da autuação ocorreu em detrimento do entendimento por parte da autoridade autuante da existência de contabilização de documentos inidôneos, com Fl. 3028DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 1102001.007 S1C1T2 Fl. 5 4 consequente glosa dos custos da empresa. Neste sentido, também se exigiu o IRRF, incidente sobre pagamentos sem causa ou de operações não comprovadas. Relatou a autoridade fiscal no Termo de Verificação e Conclusão Fiscal (definido pelo próprio fiscal como TVF) que, em cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) 08105002010001849, constatouse que durante o 3° e 4° trimestres do ano calendário de 2007 e 1°, 2°, 3° e 4° trimestres do anocalendário de 2008, a contribuinte se utilizou aquisições de insumos e despesas incorridas para obter benefícios fiscais do PIS e da Cofins, nos termos das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. O agente fiscal constatou que a empresacontribuinte adquiriu matéria prima do fornecedor de couro Rubens Batista do Amaral Rancharia nos anoscalendário de 2007 e 2008, no total de R$ 11.587.358,00. Com informações fornecidas pela Secretaria da Fazenda Estadual SP, constatouse que o fornecedor Rubens Batista do Amaral Rancharia foi declarado inexistente de fato desde o início das atividades, embasado no processo administrativo n° 10835.720681/201128, e que não houve contestação do citado contribuinte a respeito dessa declaração. Feitos pagamentos pela empresa ao fornecedor Rubens Batista, mediante emissão de cheques que foram compensados na conta da contribuinte, mas não foram levados a efeito na conta do fornecedor, uma vez que, segundo os sistemas informatizados da RFB, não foi feito nenhum registro de Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof) para aquele fornecedor. Referidos pagamentos pelas supostas compras de couro foram feitos a Octávio Pellin Júnior, que não mantém relação empregatícia, laboral, autônoma ou societária com qualquer das partes (fornecedor e comprador). A empresacontribuinte declarou que os pagamentos foram efetivados ao Sr. Octávio, tendo em vista autorização do Sr. Rubens. Contudo, em algumas dessas autorizações não se tem o reconhecimento da assinatura do autorizante, conforme se vê nos pagamentos da nota 47312, de 18/02/2007, efetuados mediante emissão dos cheques 120709 e 120710, do Banco do Brasil. Os valores relativos aos pagamentos efetivados à empresa Rubens Batista do Amaral Rancharia, objeto das glosas dos pedidos de ressarcimentos do PIS e da Cofins, foram considerados pagamentos efetuados sem comprovação da operação ou causa, sendo redutores de custo das mercadorias e produtos vendidos, dando azo a resultado tributável diferente do declarado pela contribuinte. Tendo em vista a apropriação no custo de valores constantes de notas fiscais inidôneas, foi alterada a composição dos balancetes de redução/suspensão que embasaram a apuração do recolhimento por estimativa. Foram refeitos os cálculos e, consequentemente, nos meses em que foi apurado resultado positivo, foram cobrados valores relativos à multa isolada do IRPJ e CSLL, na forma prescrita no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Foram lançados o IRPJ, a CSLL e IRRF com exigência da multa de 150%, tendo em vista a utilização de notas fiscais inidôneas como custo. Foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 3029DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 1102001.007 S1C1T2 Fl. 6 5 A empresa contribuinte ingressou com impugnação. Alegou que ocorreu a decadência com relação ao período anterior a 27/12/2007, data em que teve ciência da autuação. Alegou glosa indevida das competências de janeiro a junho de 2007 por terem sido excluídos pagamentos indevidos feitos pela impugnante à empresa "Rubens" no período de janeiro a abril de 2008. Acontece que nos Termos de Verificação e Conclusão Fiscal, no item VII, foram relacionadas como excluídas somente as notas fiscais emitidas a partir de 02/07/2007, mais especificamente a partir da nota fiscal n° 64.164. Alegou que os valores glosados pelo autuante a título de IRPJ, CSLL e IRRF ou utilizados para recálculo da base estimada para aplicação da multa regulamentar pelo não recolhimento do IRPJ e CSLL estimados relativos ao período de janeiro a junho de 2007 não foram identificados pelo fisco, sendo, assim, ilegal a glosa. Alegou que a prova da acusação, em especial a clara delimitação dos fatos que estão ensejando a cobrança de imposto ou aplicação de multa, cabe ao fisco sob pena de insubsistência da autuação, já que impossibilita a defesa da contribuinte, cerceando o seu direito de defesa e afrontando os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Isto ocorreu em razão da cobrança dos tributos ou recálculo da base estimada no período de janeiro a junho de 2007. Alegou que os pagamentos efetuados à empresa Rubens Batista do Amaral Rancharia pelas aquisições de mercadorias foram efetivamente realizados. Alegou que o fundamento do fisco foi dizer que o fornecedor foi declarado inexistente de fato através do processo n° 10835.720681/201128, sendo este fato de completo desconhecimento da empresa até porque o fisco não juntou tal documento aos autos. Alegou que o agente fiscalizador falou em diligências, citou a empresa "Rubens", a falta de declarações do imposto de renda pessoa jurídica, mas não juntou qualquer prova documental, tendo juntado somente uma declaração assinada pelo Sr. Rubens informando que os documentos solicitados estavam em poder do fisco estadual e que ele paralisou suas atividades a aproximadamente 5 anos. Alegou que a declaração do Sr. Rubens confirmaria que a empresa dele operava e quanto ao prazo de aproximadamente 5 anos, tal prazo foi colocado de maneira genérica, já que as operações feitas com o impugnante até abril/2008, ou seja, 4 anos antes, estavam todas amparadas por notas fiscais emitidas pela empresa Rubens e tiveram seus pagamentos retirados pelo próprio Sr. Rubens ou por terceiro para o qual havia notificação de cessão. À fl. 25 do parecer do Fisco Estadual consta que foram encontradas, na sede da empresa Rubens, cópias de cheques emitidos pela contribuinte e comprovantes de depósitos na conta corrente da mesma, o que ratifica a veracidade das operações entre as empresas. Alegou que a autuação está desprovida de qualquer prova, já que somente cita processos, diligências e outros documentos sem trazêlos aos autos do presente processo administrativo. E que a declaração de inexistência no âmbito federal somente ocorreu em 11/05/2012, quase cinco depois dos anoscalendário fiscalizados. Fl. 3030DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 1102001.007 S1C1T2 Fl. 7 6 Alegou que durante todo o período em que adquiriu mercadorias da citada empresa, sua situação cadastral era de Ativa e Habilitado, conforme se comprova das consultas efetuadas no Sintegra em 06/10/2006, 17/10/2007 e 03/03/2008, sendo todas anteriores às operações (fls. 2180/2182). Alegou que as mercadorias entraram no estabelecimento da impugnante, tendo as notas fiscais sido registradas no "Registro de Entradas". O próprio autuante, à fl. 8 de seu termo de verificação e conclusão fiscal relativo a glosa de créditos, afirmou que as operações de exportação relativas às mercadorias objeto do crédito analisado efetivamente ocorreram. Se ocorreu exportação é conclusão lógica que o couro comprado dos fornecedores, entre eles da empresa Rubens Batista do Amaral Rancharia, efetivamente entrou no estabelecimento da impugnante, a fim de serem curtidos e, posteriormente, comercializados. Assim, seria ilegal a glosa dos custos de aquisição dessas mercadorias. Alegou que os pagamentos estão comprovados pelos documentos anexados, efetuados por meio de emissão de cheques da própria impugnante entregues para Rubens ou de pessoa por ela indicada, sendo emitido o competente recibo de retirada do cheque e quitação da duplicata. O fato de tais cheques não terem sido supostamente depositados na conta do fornecedor não é motivo legal para a afirmação de que se trata de pagamentos sem comprovação ou causa, já que o art. 82, parágrafo único da Lei n° 9.430/96 exige a prova de que o pagamento ocorreu e não de que o pagamento ocorreu para o próprio fornecedor. Alegou que não prospera a alegação do fisco de que a cessão de crédito feita pela empresa "Rubens" ao Sr. Octávio não seguiu os ditames legais. Competia ao autuante solicitar à empresa Rubens ou ao cessionário a apresentação dos termos de cessão de crédito que formalizaram entre si, não podendo presumir que tais documentos não existiam. Alegou que é ilegal a cobrança do IRRF, pois os pagamentos ocorreram como decorrência das notas fiscais da empresa "Rubens" e isto vem provado pela contabilidade. Alegou que é ilegal a imposição da multa isolada pelo não recolhimento do IRPJ e CSLL estimados quando já findo o respectivo exercício em que não foram recolhidos. Ora, se a base para a incidência da multa isolada é o valor da antecipação, com o final do exercício e apuração do real valor devido a título de IRPJ e CSLL, tal base já não existe mais. E como já foi exigida a multa sobre o IRPJ e CSLL devidos no final do exercício, não se pode aplicar a multa sobre o valor das estimativas não pagas, já que os valores estimados não são tributos autônomos e definitivos. Alegou que há erro de fundamentação na aplicação da multa de 150%, vez que o fisco afirmou que a empresa havia utilizado notas fiscais da empresa "Rubens" para buscar ressarcimento do PIS e da Cofins, bem como aproveitar tais valores como custos em suas declarações do IRPJ, apurando lucro tributável menor que o efetivamente devido, o que culminou em prejuízo para a Fazenda Pública Federal. Segundo o art. 44 da Lei n° 9.430/1996, para aplicação da referida multa deve ficar configurado o evidente intuito de fraude, no intuito doloso de suprimir ou retardar o pagamento de tributo. Dessa forma, a multa deveria ser reduzida ou relevada. Solicitou a realização de perícia contábil, para se provar a entrada das mercadorias adquiridas no estabelecimento da impugnante, bem como seus pagamentos. Fl. 3031DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 1102001.007 S1C1T2 Fl. 8 7 Também, requeu o direito de realizar sustentação oral perante o Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A DRJ proferiu voto, aduzindo suscintamente que: “Decadência. (...) Por conseguinte, efetuado o pagamento antecipado do imposto a que se refere o art. 150 do CTN, sem dolo, fraude ou simulação, e a Fazenda Pública não vier, dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, expressamente homologar o lançamento, este será considerado tacitamente homologado, e definitivo e bom o pagamento antecipado. Há que se observar, entretanto, que o prazo à homologação, de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, não se aplica, de qualquer forma, à espécie dos autos por estar caracterizada a ocorrência de fraude, como ficará demonstrada mais adiante na análise da multa qualificada, o que desloca a contagem do prazo decadencial para o art. 173, I, do CTN, iniciando a sua contagem no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Quanto ao IRPJ e CSLL em que houve apuração anual do tributo, o fato gerador ocorreu em 31/12/2007, iniciandose a contagem do prazo decadencial em 01/01/2009, encerrando em 31/12/2013. Com relação ao IRRF, cujo fato gerador mais antigo é o mês de janeiro de 2007, verificase que a contagem do prazo decadencial iniciouse em 01/01/2008 e encerrouse em 31/12/2012. Tendo a ciência dos autos de infração ocorrido em 27/12/2012, verificase que não ocorreu a decadência do direito de lançar o IRPJ, CSLL e o IRRF. Quanto à multa isolada aplicada sobre a insuficiência de pagamento das estimativas de julho a dezembro de 2007, aplica se a regra geral da decadência prevista no art. 173, inciso I, do CTN, iniciando a contagem do prazo de decadência em 01/01/2008 e encerrandose em 31/12/2012. Uma vez que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 27/12/2012, não se acolhe a arguição de decadência. Cerceamento do Direito de Defesa. A contribuinte alega que o processo n° 10835.720681/201128 é de total desconhecimento da impugnante, já que não foi acostado ao presente processo, não podendo ser utilizado como prova para eventual autuação, pois não lhe foi oportunizado seu contraditório. (...) Fl. 3032DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 1102001.007 S1C1T2 Fl. 9 8 Constam no processo todas as informações dos fatos ocorridos e das constatações feitas pela fiscalização que levaram à declaração de inexistência de fato da empresa Rubens Batista do Amaral Rancharia (processo n° 10835.720681/201128). A contribuinte teve acesso a todas as informações constantes dos autos e não houve restrição ao seu direito de contestar a exigência lançada ou de apresentar provas, como se percebe pelo teor e pela tempestividade de sua impugnação, que revela que houve pleno conhecimento dos termos da autuação e da infração que lhe foi imputada. (...) Com relação à alegação de que houve glosa indevida das competências de janeiro a junho de 2007 e foram excluídos supostos pagamentos indevidos feitos pela impugnante à empresa "Rubens" no período de janeiro de 2007 a abril de 2008, bem assim que, nos Termos de Verificação e Conclusão Fiscal, no item VII, foram relacionadas como excluídas somente as notas fiscais emitidas a partir de 02/07/2007, é improcedente. Constam às fls. 116 a 556 as cópias das notas fiscais inidôneas e dos pagamentos efetuados no período de janeiro a junho de 2007, cujos totais mensais foram relacionados no TVF às fls. 2002, 2095/2097 e nos demonstrativos de fls. 2011/2012. Neles foram especificados os valores das supostas aquisições que foram glosados e o cálculo das estimativas não recolhidas. (...) Mérito. No mérito, tratase de analisar glosa de custos em face de a contribuinte ter se utilizado de notas fiscais inidôneas e de tributação de pagamentos efetuados sem comprovação da operação ou de sua causa. Consta no presente processo que a Secretaria da Fazenda Estadual, mediante o cumprimento de Mandado de Busca e Apreensão Domiciliar autorizado pela justiça, obteve documentos que comprovam que no local declarado como sede da empresa Rubens Batista do Amaral Rancharia o seu titular mantém escritório no qual gera pseudoempresas com atividade de frigorífico e/ou de comercialização de carne bovina e demais produtos e subprodutos do abate, cujos impressos de notas fiscais se prestam a acobertar operações de venda de carne e de couros bovinos efetivamente realizadas por terceiros e a transferir crédito de ICMS para os estabelecimentos destinatários de forma que os verdadeiros titulares das operações permanecem no anonimato e sem a responsabilidade pelos tributos estaduais e federais incidentes. Tal situação foi devidamente comprovada por inúmeros documentos apreendidos pelo fisco no curso de ação fiscal empreendida, conjuntamente com o Ministério Público Estadual e com a Polícia Civil, junto ao estabelecimento do contribuinte Fl. 3033DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 1102001.007 S1C1T2 Fl. 10 9 Rubens Batista do Amaral Rancharia, bem assim na residência do seu titular e na sede do estabelecimento comercial não inscrito no cadastro de contribuintes do ICMS, situado no sítio Estrela de Davi, no município de Pirapozinho SP., que tem como sócio e administrador o Sr. Octávio Pellin Júnior. (grifo nosso) A empresa Rubens Batista do Amaral Rancharia não exercia efetivamente a atividade declarada em seus registros comerciais e fiscais (frigorífico, abate de bovinos), mas sim a de emitir documentos fiscais para acobertar operações com mercadorias realizadas por terceiras empresas, recebendo, para tanto, vantagem financeira indevida representada por pagamento de determinada importância por parte da empresa adquirente do referido documento fiscal. (grifo nosso) Os documentos apreendidos demonstram as formas utilizadas para remunerar o Sr. Rubens Batista do Amaral pela emissão e fornecimento de notas fiscais em seu nome, as quais eram utilizadas pelo estabelecimento não inscrito no cadastro de contribuintes do ICMS, pertencentes a Octávio Pellin Júnior e Luiz Fernando de Oliveira, controladores da empresa de fato, denominada Mega Couros Campany. (...) (...) Citada fornecedora, apesar de ter movimentado expressivo volume de mercadorias nos anos fiscalizados, não possui e jamais possuiu em seu nome qualquer tipo de veículo de carga, que fosse utilizado no transporte dessas mercadorias, como era de se esperar. (grifo nosso) O Sr. Rubens Batista do Amaral, titular da fornecedora Rubens Batista do Amaral Rancharia, participou do quadro societário da "empresa" Frigorífico São Matheus Ltda. (posteriormente alterada para Card Alimentos Ltda.), a qual, apesar de ter sua inscrição estadual cassada, a partir de 03/10/2001, em face da comprovada simulação de existência do estabelecimento, continuou a emitir notas fiscais para supostas operações de compra e venda de mercadorias. (grifo nosso) (...) Temse, assim, que há elementos suficientes nos autos que atestam a inidoneidade da documentação fiscal emitida pela empresa fornecedora da contribuinte. (grifo nosso) Em geral, provada, por todos os meios juridicamente admitidos (circunstâncias constatadas em diligências/fiscalizações ou por consulta em sistemas informáticos), a inexistência de fato de uma empresa supostamente fornecedora com elementos probatórios relevantes, a documentação fiscal pode ser afastada como tributariamente ineficaz, independentemente da declaração de inidoneidade em ato oficial adequado (provocada por representação fiscal elaborada pelo agente fiscal). Fl. 3034DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 1102001.007 S1C1T2 Fl. 11 10 Se os elementos de prova forem suficientes para a caracterização da inidoneidade dos documentos fiscais, não é necessário que se aguarde a declaração de aptidão pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal. O feito pode, em tais condições, ser imediato, devendo, inclusive, ser levado em conta o princípio da livre formação da convicção do julgador quanto à apreciação das provas constituídas (PAF, art. 29). No presente caso, ficou cabalmente constatado, por meio de diligências/fiscalizações feitas pelos fiscos estadual e federal e por documentos apreendidos (não somente por declaração feita pelo titular da empresa Rubens Batista do Amaral Rancharía), que a suposta fornecedora, apesar de ter emitido documentos que indicavam a movimentação de expressivo volume de mercadorias, mantinha apenas um escritório e não tinha condições para se constituir num estabelecimento frigorífico. (grifo nosso) Dessa forma, embora a citada empresa tenha sido declarada inexistente de fato em 2012, ficou comprovado que as notas fiscais desta não correspondiam à efetiva movimentação de mercadorias, cabendo à contribuinte, como adquirente das notas fiscais emitidas pela fornecedora contra a qual constam provas específicas da inidoneidade no período fiscalizado, o ônus de provar que a operação de compra efetivamente ocorreu. (grifo nosso) A contribuinte seria, em princípio, terceiro interessado no que tange à empresa emitente de notas fiscais inidôneas; contudo, a impugnante é o sujeito passivo contra o qual foi formalizada a exigência em cujo processo sobejam provas diretas e indiretas (indícios). Entretanto, como se trata de uma presunção legal relativa (juris tantum), que admite prova em contrário, a imposição poderia ser fulminada com a comprovação do pagamento e da internação das mercadorias. O que não ocorreu no presente caso. (grifo nosso) Da análise dos documentos apresentados na impugnação (doc.05) a única conclusão a que se chega é que houve a saída do numerário da conta corrente da contribuinte, como se vê dos extratos juntados ao processo. Os demais são documentos produzidos pela própria contribuinte (cópia de cheques, recibo de retirada de cheque, recibos, etc.) que não se prestam para fazer a comprovação do destinatário dos pagamentos e de que a operação de compra efetivamente ocorreu. A contribuinte alega que as mercadorias efetivamente entraram em seu estabelecimento, tendo as notas fiscais sido registradas no livro Registro de Entradas (doc.02) e Registro de Inventário (doc.03). Ora, o simples registro contábil das indigitadas notas fiscais não é suficiente. Não basta avaliar os registros da transação nos livros da contribuinte. É imprescindível a comprovação da efetividade das operações, do transporte das mercadorias, da Fl. 3035DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 1102001.007 S1C1T2 Fl. 12 11 sua entrada em seu estabelecimento e sua utilização no processo produtivo. Toda a transação pode, com base em documentação não eficaz, ser escriturada perfeitamente, sem erros ou vícios, mas o que se discute aqui é que, sendo a documentação ineficaz, a escrituração não é apta a surtir efeitos, a menos que a empresa comprove a operação e a entrada destas mercadorias em seu estabelecimento e seu destino. Os registros contábeis não provam o fato que deu suporte a eles. Ao contrário do que afirma a contribuinte, à fl. 25 do relatório do fisco estadual, consta que foram encontradas no estabelecimento comercial sem inscrição no cadastro de contribuintes do ICMS (Mega Couros Company) não somente cópia de cheques emitidos pelo Curtume Touro tendo como beneficiária a empresa Rubens Batista do Amaral Rancharia, mas também demonstrativos de pagamentos realizados à citada empresa pelo fornecimento de notas fiscais para acobertar operações de saídas de mercadorias, com menção de datas, notas fiscais, romaneios e valores. (grifo nosso) Quanto à alegação de que o próprio autuante afirma, no termo de verificação e conclusão fiscal relativo a glosa de créditos, que as operações de exportação efetivamente ocorreram, é improcedente. Verificase que o fisco apenas declarou que foram confirmados os registros de exportação efetuados no período analisado. Não se afirmou que as mercadorias que se diz adquiridas de Rubens Batista do Amaral Rancharia efetivamente entraram no estabelecimento da contribuinte. No que se refere aos pagamentos efetuados a terceiro, intimada a manifestarse, a contribuinte não justificou eventual relação de negócio entre o beneficiário dos créditos e a fornecedora, apta a amparar referidos pagamentos. Nada obsta a que os fornecedores solicitem que os pagamentos sejam carreados a terceiros. Em que pese o fato de a cessão de crédito independer da existência de negócio jurídico anterior (entre credor e outrem) que lhe dê lastro, é indispensável que se comprove a efetividade do negócio entre o cedente e o cessionário para que não se configure pagamento sem causa, sob a óptica da contribuinte, que figura na relação como devedor (cedido). Há que se registrar que as cessões de crédito, para ter eficácia perante terceiros, nos termos do art. 288 do Código Civil, reclamam sejam celebradas por instrumento público ou, no caso de instrumento particular, deverão conter os elementos referidos no art. 654, § 1° daquele diploma legal, a saber”: “Art. 288. É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1° do art. 654. Fl. 3036DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 1102001.007 S1C1T2 Fl. 13 12 Art. 654. Todas as pessoas capazes são aptas para dar procuração mediante instrumento particular, que valerá desde que tenha a assinatura do outorgante. § 1o O instrumento particular deve conter a indicação do lugar onde foi passado, a qualificação do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designação e a extensão dos poderes conferidos”. “Ademais, para que os efeitos de tais transações transcendam as partes contratantes e sejam oponíveis a terceiros, é condição indispensável que sejam lançados no Registro de Títulos e Documentos, a teor do que prescreve a Lei de Registros Públicos”: “Art. 127. No Registro de Títulos e Documentos será feita a transcrição: I dos instrumentos particulares, para a prova das obrigações convencionais de qualquer valor; (...) Art 129. Estão sujeitos a registro, no Registro de Títulos e Documentos, para surtir efeitos em relação a terceiros: (...) (9°) os instrumentos de cessão de direitos e de créditos, de subrogação e de dação em pagamento”. “No caso presente, da documentação acostada ao processo constatase existirem simples documentos de transferência, desprovidos dos requisitos anteriormente enumerados, o que não permite sua aceitação. Não é usual ou razoável que a maioria da movimentação de pagamentos se dê com relação a terceiros. Nada impede que a contribuinte realize pagamentos a terceiros por dívida mantida com fornecedores. Entretanto, no caso presente, os fatos constatados clamam pela comprovação de relação jurídica apta a justificar os referidos pagamentos. Dessa forma, ausente pressuposto fático justificador de pagamento a terceiros por cessão de crédito e a comprovação do efetivo recebimento dos produtos constantes dos documentos fiscais, não há reparo a ser feito ao lançamento tributário respectivo. Cabe, ainda, acrescentar que, em momento algum, se exigiu que a impugnante fiscalizasse a fornecedora. O Fisco deixou bem claro, quando formulou a acusação, que a empresa deduziu indevidamente custos, em razão da inexistência real das operações consignadas nas notas fiscais emitidas pela referida empresa. Tendo o autuante constatado irregularidades, cabe à empresa compradora (impugnante) comprovar a efetividade das operações, bem assim seu pagamento”. Fl. 3037DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 1102001.007 S1C1T2 Fl. 14 13 Triutação na fonte. Quanto à tributação do imposto de renda na fonte, dispõe a Lei n° 8.981/1995: “Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1° A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2°, do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991”. (grifouse) (...) “A previsão do § 1° do citado artigo trata da tributação dos beneficiários dos rendimentos por meio da cobrança do imposto exclusivo na fonte, por ocasião do pagamento. Por isso, a contribuinte, tendo se utilizado de notas fiscais inidôneas para reduzir a base de cálculo do IRPJ e CSLL, mediante utilização de custos provenientes de pagamentos sem causa, sujeitouse a lançamento de ofício, (i) na condição de contribuinte, relativo à diferença do IRPJ e CSLL decorrentes da glosa de custo, e (ii) na condição de responsável, ao imposto de renda retido na fonte correspondente a pagamento realizado. In casu, a própria impugnante não contesta tenha havido saída de numerário da pessoa jurídica. Como tais saídas não se destinaram, pelos motivos já aqui mencionados, ao "fornecedor" Rubens Batista do Amaral Rancharia ou seja, houve pagamentos, mas não se comprova a operação ou a sua causa , restou à fiscalização exigir o imposto que deveria ter sido retido na fonte, em conformidade com o disposto no art. 61 da Lei n.° 8.981, de 1995. Multa de Ofício. Multa Isolada. Quanto à alegação de que a aplicação da multa isolada é ilegal, cabe transcrever a Lei n° 9.430, de 1996, art. 44: (...) A legislação transcrita é bastante clara a respeito da obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa, estabelecendo a multa pelo descumprimento dessa obrigação, na forma do inciso II, b, da lei acima citada. Devese registrar que a hipótese de incidência de cada uma das multas é distinta. A da multa isolada é a falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais devidas, ainda que se apure prejuízo fiscal ao fim do anocalendário, e a da multa Fl. 3038DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 1102001.007 S1C1T2 Fl. 15 14 proporcional é o lançamento de ofício do valor anual do IRPJ e CSLL que deixaram de ser recolhidos. (...) Multa qualificada. A fiscalização procedeu a glosa de custos, em virtude da constatação de contabilização de documentos inidôneos, referentes a aquisição de mercadorias de empresa considerada inidônea, por inexistência de fato. Durante a fiscalização, a contribuinte foi intimada a comprovar a realização das operações discriminadas nas citadas notas fiscais inidôneas e deixou de produzir a prova da entrada dos bens no estabelecimento, além dos respectivos pagamentos à suposta fornecedora”. (grifo nosso) Dispõe o art. 82, parágrafo único da Lei n° 9.430, de 1996: “Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços” (grifei). “Assim, ficando comprovada a inidoneidade das notas fiscais em questão, é ônus da contribuinte provar os pagamentos e o efetivo transporte e ingresso das mercadorias no seu estabelecimento. A mera escrituração das aquisições não é suficiente para provar o ingresso dos bens adquiridos nas dependências da empresa e o seu pagamento”. (grifo nosso) “Na fase impugnatória, a contribuinte também não apresenta qualquer documentação, se limitando a fazer alegações de que a empresa, à época dos fatos, tinha situação cadastral Ativa e Habilitado. Cabe esclarecer que este fato não desobriga a contribuinte de fazer a comprovação da efetiva operação, do ingresso das mercadorias no seu estabelecimento, bem como do seu efetivo pagamento. Tendo se utilizado de notas fiscais irregulares, não correspondentes à efetiva operação de compra de mercadorias, não há como acatar a alegação da contribuinte, ficando configurada a sua intenção de burlar a Administração Tributária, diminuindo ou eliminando débitos tributários, mediante o aproveitamento de custos fictícios, comportamento que sem dúvida se amolda às figuras da sonegação e da fraude, nos termos em que descritas nos art. 71 e 72 da Lei n.° 4.502, de Fl. 3039DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 1102001.007 S1C1T2 Fl. 16 15 1964. Correta, portanto, a autoridade autuante ao aplicar a multa na forma qualificada (150%). (grifo nosso) Quanto à solicitação de cancelamento ou redução da multa, por aplicação do princípio da equidade, é descabida, pois tratase de multa de natureza punitiva e não moratória, cujos percentuais não são arbitrados pela autoridade administrativa. Decorrem de expressa previsão legal. (...) Inconstitucionalidade. Quanto às alegações de inconstitucionalidade da multa, os protestos da impugnante não se prestam para pautar a decisão deste colegiado, que tem sua atividade completamente vinculada à legislação vigente que rege a matéria objeto do procedimento fiscal impugnado. Isto porque não compete à autoridade julgadora afastar o direito positivado sob pretexto de alegados vícios de ilegalidade e inconstitucionalidade na sua gênese. (...) Perícia. Quanto ao pedido de perícia, o PAF, art. 16, IV e §1°, alterado pela Lei n° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, determina que todo pedido de perícia deve indicar os motivos que o justifiquem e o perito do sujeito passivo. Caso contrário, o pedido deve ser considerado não formulado. Portanto não tem efeito o pedido de perícia da empresa. Ademais, a perícia é dispensável para o deslinde do presente julgamento, uma vez que se trata de matéria de prova a ser feita mediante a juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete à própria interessada. Tributação reflexa. Com relação ao auto de infração reflexo (CSLL), sendo decorrente da mesma infração tributária que motivou a autuação relativa ao IRPJ (lançamento principal), deverá ser aplicada idêntica solução, em face da estreita relação de causa e efeito, até porque não foram trazidos pela impugnante argumentos específicos contra esses lançamentos. Nesse sentido, a Lei n° 9.249, de 1995, estabelece em seu art. 24 e § 2o: (...) Sustentação Oral. Quanto à solicitação para fazer sustentação oral, cumpre esclarecer que não existe, no âmbito da legislação processual tributária, previsão para a apresentação de defesa oral em julgamento de primeira instância. A manifestação do interessado se dá, tão somente, por escrito, nos termos do art. 15 do Decreto n° 70.235, de 1972, a saber: Fl. 3040DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 1102001.007 S1C1T2 Fl. 17 16 (...) Indeferese, pois, o pedido, que deve ser feito ao Carf se for apresentado recurso. Conclusão. Diante do exposto, voto por considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário tal como lançado”. Intimada em 10/04/2013 (fl. 2767), em 09/05/2013, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 2769 e segs.), o qual pode ser assim resumido: Que a decisão prolatada é completamente nula pois, mesmo demonstrado a sua necessidade, entendeu a Turma Julgadora em indeferir o pedido de perícia devidamente formalizado pelo recorrente. Quanto a decadência, restando claro a inexistência de fraude por parte do recorrente, aplicase no presente caso a norma prevista no artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional, que prescreve que o prazo decadencial de 05 (cinco) anos é contado do fato gerador. Cerceamento de defesa, já que referido processo administrativo (10835.720681/201128) é de total desconhecimento pelo recorrente, tanto que sequer fora acostado ao presente processo administrativo, não podendo, assim, ser utilizado com prova para eventual autuação, já que não foi oportunizado seu contraditório. Quanto a indevida glosa das competências de janeiro a Junho de 2007, não procede as alegações constantes na decisão atacada de que as mesmas são de conhecimento do recorrente. Conforme claramente explicado em sede de impugnação, o "Termo de Verificação e Conclusão Fiscal" elaborado pelo agente fiscalizador para dar suporte fático à autuação efetuada, mais precisamente no item VII, ao elencar as notas fiscais que estariam sendo objeto de exclusão, o fez somente com as notas fiscais emitidas a partir de 02/07/2007, mais especificamente a partir da nota fiscal n° 64.164. O lançamento fiscal se dá com a lavratura do auto de infração, e somente o que nele está descrito é que será alvo de glosa e cobrança. Por consequência, também é insubsistente a exclusão como custo dos supostos pagamentos efetuados sem comprovação da operação ou causa relativa ao período de 01 de Janeiro de 2007 a 30 de Junho de 2007 para apuração do recolhimento por estimativa do IRPJ e CSLL, devendo os Demonstrativos efetuados pelo agente fiscalizador serem refeitos. Quanto mérito, volta a afirmar que a fiscalização não juntou qualquer prova de fiscalização por ela realizada que evidenciasse a inexistência da empresa Rubens. Sobre o parecer do Fisco Estadual, reafirma que nele consta que, na sede da empresa Rubens, foram localizadas cópias de cheques emitidos pelo Curtume Touro e Comprovantes de depósitos na conta corrente do mesmo, o que ratificaria a veracidade das operações entre a recorrente e a empresa declarada inexistente. Reafirma que efetuava consulta da referida empresa no site da Receita Federal e no SINTEGRA/ICMS do Estado de São Paulo, sobre a situação cadastral dos fornecedores, e que durante todo o período em que mantiveram negócios, a empresa Rubens Fl. 3041DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 1102001.007 S1C1T2 Fl. 18 17 Batista do Amaral – Rancharia constava nos cadastros como Ativa e Habilitada (consultas efetuadas no Sintegra em 06/10/2006, 17/10/2007 e 03/03/2008 – fls. 2180/2182)). Que, as mercadorias deram efetiva entrada no estabelecimento da Recorrente (conforme registro de inventário disponibilizado), que os registros são sim provas do recebimento das mercadorias, já que são documentos exigidos em lei e cumulados com o controle de estoque, relembrando que o próprio agente fiscalizador, às fls. 8 de seu termo de verificação e conclusão fiscal, relativo a glosa de créditos, juntado ao presente auto, afirmou que as operações de exportação relativa às mercadorias objetos dos créditos analisados efetivamente ocorreram. Quanto a decisão dizer que a prova das operações deveria se dar através do transporte das mercadorias, se esqueceu de que consta a informação de que o transporte foi feito por caminhões do próprio recorrente. Ratifica que, se houve alguma negligência, essa foi do próprio fisco federal que, verificando em seu sistema situações de possível sonegação, deixou a empresa "Rubens" ativa e apta a operar de 1999 até 2011. Que essas decisões de inidoneidade geram efeitos apenas para as partes envolvidas no processo administrativo, não para o terceiro, in casu, a recorrente. Em relação a esta (recorrente), as decisões (de nulidade de inscrição estadual e/ou de inexistência no âmbito federal) são constitutivas, pois somente após a publicação da nulidade da inscrição estadual (que ocorreu em Agosto de 2008) e da declaração de inexistência no âmbito federal (que ocorreu em Maio de 2012) da empresa Rubens Batista do Amaral Rancharia, é que tal empresa perdeu a habilitação para praticar operações mercantis. Invoca o princípio da boafé, garantido implicitamente por nossa Carta Magna, e reconhecido no artigo 82, §único, da Lei 9.430/96, a saber: "Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por essa pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização de serviços." Observa a Recorrente que os comprovantes de pagamento provam que o numerário saiu da conta corrente do recorrente e foi para a pessoa indicada pela empresa "Rubens", o Sr. Octávio Pellini Júnior. Também, que a decisão se baseou em suposições para afirmar que não foi elaborado o termo de cessão de crédito entre a empresa "Rubens" e o cessionário ou que tal termo não seguiu os ditames legais, vez que nada disto foi provado. No quesito IRRF, a recorrente argumentou que restou comprovado que os pagamentos foram efetuados para adimplir a compra das mercadorias adquiridas e constantes nas notas fiscais emitidas pela empresa “Rubens”. Se comprovada a operação (de compra de couros) e comprovado o destinatário (Sr. Octávio), não restam preenchidos os requisitos necessários para a incidência do IRRF prescrito no artigo 61 da lei 8.981/1995. Fl. 3042DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 1102001.007 S1C1T2 Fl. 19 18 Reafirma, sob os mesmos argumentos da impugnação, a ilegalidade da cobrança de multa isolada pela falta de recolhimento de IRPJ e CSLL estimados. Quanto à multa de 150%, reafirma a redação do artigo 44 da Lei 9.430/96, ou seja, que é necessário configurar o evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio da Recorrente para aplicação da multa qualificada, o que não foi provado e não houve. Reafirma que a empresa fornecedora estava ativa nos órgãos. Também, que possui sentença em nível de Tribunal de Justiça, contra a cobrança feita pelo estado de São Paulo, prevalecendo os argumentos da Recorrente e enfatizando que a sentença judicial deixou claro que não houve participação da Recorrente nos atos praticados pela empresa "Rubens". Quanto a relevação e redução das multas impostas, ratifica competência do órgão julgador para fazêlo. Assim, conclui pedindo integral provimento ao recurso repetindo os demais já solicitados em sede de impugnação. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto – Relator O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Preliminarmente, a Contribuinte sustentou a existência de nulidade por cerceamento do direito de defesa, sob os seguintes fundamentos: “Desse modo, houve sim cerceamento de defesas (sic), haja vista que o agente fiscalizador, para dar suporte fático às suas autuações, fala em diligências efetuadas que não constam do presente processo; cita como era o estabelecimento da empresa “Rubens”, mas também não juntada de qualquer prova documental, foto, etc.; relata sobre falta de declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica da empresa “Rubens”, mas, novamente, não faz qualquer prova. (...) O único documento juntado pelo agente fiscalizador no presente processo administrativo foi uma declaração assinada pelo Sr. Rubens informando que os Fl. 3043DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 1102001.007 S1C1T2 Fl. 20 19 documentos solicitados pela fiscalização estão em poder do Fisco Estadual e que o mesmo paralisou suas atividades aproximadamente 5 anos” – fl. 2777. Para verificar se houve, ou não, cerceamento do direito de defesa, cumpre analisar as razões que levaram a Fiscalização a autuar a Contribuinte, de quem era o ônus da prova e se este restou, ou não, observado. Conforme exposto no relatório, foram lançados o IRPJ, a CSLL e IRRF com exigência da multa de 150%, tendo em vista a utilização por parte da empresa adquirente, ora Contribuinte, de notas fiscais inidôneas como custo. Para caracterizar a indevida utilização por parte da Contribuinte de notas fiscais inidôneas como custo, a Fiscalização, no Termo de Verificação e Conclusão Fiscal (fls. 2020/2048), deixou consignado o seguinte: · Que, o suposto fornecedor apresentava particularidades que indicavam a INEXISTÊNCIA DE FATO do estabelecimento; · Que, para apurar a situação de inexistência de fato foi expedido o mandado de procedimento fiscaldiligênciaMPFD 08.1.05.00.2011.009894, de 03/11/2011; · Que, concluída a diligência fiscal, o suposto fornecedor foi declarado inexistente de fato, desde o início das atividades, conforme decisão administrativa embasada no processo administrativo nº 10835720681/201128, tendo a precitada decisão sido publicada no Diário Oficial da União, em 11/05/2012; e · Que, o contribuinte, até a presente data, não apresentou defesa ou contraditório, atinente a declaração aqui tratada. – fl. 2027. Nada obstante, contrariamente ao que foi aduzido pela Fiscalização, em 11/05/2012, não foi proferida uma decisão, declarando, desde o início da atividade, a inexistência de fato da empresa fornecedora Rubens Batista do Amaral. Na verdade, em 11/05/2012, foi publicado no Diário Oficial da União o Edital de Intimação nº 02/2012 (fl.1498), intimando a empresa Rubens Batista do Amaral, para que, no prazo de trinta dias, contados após o décimo quinto dia da publicação do edital, regularizasse sua situação perante o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica ou contrapusesse as razões contidas na Representação Fiscal de que trata o processo administrativo nº 10835.720681/201128, ressaltando que, o não atendimento da intimação, resultaria no procedimento de situação de baixa de inscrição no Cadastro de Pessoa Jurídica por Inexistente de Fato. A despeito de a Fiscalização ter alegado, em 21/12/2012, quando da elaboração do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal IRPJ/CSLL/Multa Isolada do IRPJ/Multa Isolada CSLL, que a empresa Rubens Batista do Amaral não apresentou nenhuma resposta ao Edital de Intimação nº 02/2012, não existe nenhum documento juntado no processo que demonstre quando e se efetivamente ocorreu a declaração de inidoneidade da empresa fornecedora no âmbito federal. Fl. 3044DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 1102001.007 S1C1T2 Fl. 21 20 No âmbito estadual, a Fiscalização (fl. 2030) acentuou que, em consulta ao sistema SINTEGRA/ICMS do Estado de São Paulo realizada em 21/12/2012, a inscrição estadual da empresa Rubens Batista do Amaral já se encontrava na situação não habilitada/nula, com efeitos desde o início das atividades, ou seja, desde 28/01/1999. Nesse sentido, foram juntados no processo todos os documentos que instruíram o processo administrativo no âmbito estadual (fls. 1429/1497), bem como foram transcritas as constatações do Fisco estadual às fls. 2035/2036 do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal IRPJ/CSLL/Multa Isolada do IRPJ/Multa Isolada CSLL. Em virtude de não ter sido comprovada no âmbito federal a declaração de inidoneidade da empresa fornecedora e o fato de a declaração no âmbito estadual não suprir a falta de declaração no âmbito federal, não há que se falar em inversão do ônus da prova, fazendo com que se presuma a máfé da empresa adquirente e esta precise, para não ser tributada pelos correspondentes tributos (IRPJ, CSL e IRRF), comprovar o recebimento das mercadorias e o pagamento do preço respectivo Isso porque, a inversão do ônus da prova apenas ocorre nas hipóteses previstas em lei e tanto o artigo 82, caput e parágrafo único, da Lei nº 9.430/96, quanto o artigo 48, § 1º e § 2º, da Instrução Normativa RFB nº 748, de 28 de junho de 2007 tãosomente invertem o ônus da prova quando a empresa fornecedora esteja com a inscrição declarada inapta no CNPJ. Confirase: Lei nº 9430/96 “Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Instrução Normativa RFB nº 748, de 28 de junho de 2007 Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: I deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); Fl. 3045DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 1102001.007 S1C1T2 Fl. 22 21 II deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; e IV utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. § 2º Considerase terceiro interessado, para os fins deste artigo, a pessoa física ou entidade beneficiária do documento”. Não ocorrendo a inversão do ônus da prova, compete, por força dos dispositivos acima transcritos, ao Fisco demonstrar a inidoneidade da empresa fornecedora e a máfé da empresa adquirente, ora Contribuinte. Corroborando com esse entendimento, apresentamos teor do RESP 1.148.444, de relatoria do Ministro Luiz Fux (DJ 27/04/2010): “EMENTA Processo Civil. Recurso Especial. Representativo de Controvérsia. Artigo 543C, Do Cpc. Tributário. Créditos de Icms. Aproveitamento (Princípio da NãoCumulatividade). Notas Fiscais Posteriormente Declaradas Inidôneas. Adquirente de BoaFé. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008; REsp 737.135/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007; REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007; REsp 246.134/MG, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.03.2006; REsp 556.850/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.04.2005, DJ 23.05.2005; REsp 176.270/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27.03.2001, DJ 04.06.2001; REsp 112.313/SP, Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999; REsp 196.581/MG, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 04.03.1999, DJ Fl. 3046DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 1102001.007 S1C1T2 Fl. 23 22 03.05.1999; e REsp 89.706/SP, Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 24.03.1998, DJ 06.04.1998). 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação Documento: 9450951 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJ: 27/04/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu, ao alienante). 3. In casu, o Tribunal de origem consignou que: "(...)os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes." 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex tunc, o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Para comprovar a inidoneidade da empresa fornecedora, a Fiscalização trouxe diversos elementos às fls. 2028/2030 e às fls. 2035/2036 e, para comprovar a suposta máfé da empresa adquirente, ora Contribuinte, a Fiscalização apontou os seguintes indícios: (i) não se tem qualquer registro de pagamento na DIMOF, para a empresa fornecedora, em relação ao período fiscalizado; (ii) todos os pagamentos foram efetuados ao Sr. Octavio Pellis Junior, conforme autorizações concedidas pelo Sr. Rubens, sendo que algumas delas não possuem reconhecimento de firma; (iii) não existe qualquer relação entre o Sr. Octavio e o Sr. Rubens; (iv) a empresa do Sr. Octavio se encontrava em situação não habilitada perante o Fisco estadual; e (v) o Sr. Rubens, em 06/12/2011, declarou que estava há mais de cinco anos com as atividades paralisadas. Fl. 3047DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 1102001.007 S1C1T2 Fl. 24 23 As provas juntadas foram suficientes para demonstrar a inidoneidade da empresa fornecedora, mas não foram aptas a demonstrar a máfé da Contribuinte. No presente caso, a autoridade fiscal, partindo da premissa de um fornecedor possivelmente irregular (“Rubens”), apenas presumiu que a atividade da Recorrente também estava irregular, não desincumbindo, assim, do seu ônus de provar tais irregularidades. As provas colacionadas nos autos demonstram justamente o contrário. Em nenhum momento, a autoridade fiscal informou que havia lançamento contábil errôneo. Nenhuma escrituração no livro de inventário foi alegada inexata ou faltante pelo fiscal. Quando o mesmo comenta sobre as exportações (algo mais simples de verificarse fls. 1887 e segs.), confirmou a existência de seus registros. Ainda que a DRJ alegasse que não se pode precisar se houve circulação de mercadorias, ao menos, não se constatou que não havia estoque físico de matéria prima (por exemplo) para a produção da mercadoria acabada; nem que não havia estoque de produtos acabados para que fossem vendidos; ou que as exportações não ocorreram ou referidos valores não foram recebidos. Entre tantas outras verificações (movimentações bancárias, por exemplo) que foram ou que poderiam ter sido feitas para o esclarecimento do caso, nada foi apontado pelo fiscal. Nesse sentido, observase que, com relação à glosa dos créditos pelo fisco paulista, socorreuse a Recorrente do judiciário através de ação anulatória, obtendo êxito integral em primeira instância (fls. 2594 e segs.), decisão esta confirmada em sede de Tribunal (fl. 2807 e segs.). É importante destacar, que o juiz de primeira instância declarou que referida glosa de créditos era “insensata e absurda”, e que não encontrou indícios de envolvimento da Recorrente com seu cliente “Rubens”. Sendo assim, conduzo o meu voto pela nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, vez que a Fiscalização não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a suposta máfé da empresa adquirente, ora Contribuinte. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 3048DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME
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