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Numero do processo: 10665.000001/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.130
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª a Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nos 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n" 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4 a Câmara / 1 a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. 4: II; ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente „ ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 10665.000001/2008-50 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.130 Fl. 83 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 267248 (167248), Processo: n° 36802.00029612005-93, Recorrente: COMÉRCIO MATERIAIS CONSTRUÇÃO LORENZETTI, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.096, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n' 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE 's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4' ou 173, do CTN). É o relatório. • 1 3 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatara Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2° Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 267248 (167248), Processo: n° 36802.00029612005-93, Recorrente: COMÉRCIO MATERIAIS CONSTRUÇÃO LORENZETTI, a Turma decidiu, por unanimidadé de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n° 2401-01.096. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 e ELA RISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora 4 , ,,:',? , MINISTÉRIO DA FAZENDA• CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ,?.'M.," QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 10665.000001/2008-50 Recurso n°: 172.890 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.130 Brasília, G - març o de 2010 lb,. ELIAS SAM • - a Ni • Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ 1 Com Recurso Especial I 1 i I, [ I Com Embargos de Declaração I I Data da ciência: / / I Ii Procurador (a) da Fazenda Nacional ..
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002691/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007
COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. EXPORTAÇÃO. ALCANCE DA IMUNIDADE.
A imunidade possui previsão expressa no art. 149, parágrafo 2º, inciso I da Constituição Federal. Conforme expressa previsão constitucional, somente estão amparadas pela imunidade as operações decorrentes de exportação. Desse modo, a abrangência da imunidade limita-se às operações desenvolvidas diretamente entre o produtor e o comprador estrangeiro, não albergando as comercializações efetuadas entre produtor e adquirentes
sediados no país.
MULTA DE OFÍCIO. REGIME JURÍDICO A SER APLICADO.
Para as competências anteriores a dezembro de 2008 (entrada em vigor da MP n 449) deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei n 8.212. Para o período posterior à entrada em vigor da Medida Provisória n 449, cujos valores não foram declarados em GFIP há que se aplicar a multa de 75% (prevista no art. 44 da Lei 9.430).
Numero da decisão: 2302-001.864
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007 COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. EXPORTAÇÃO. ALCANCE DA IMUNIDADE. A imunidade possui previsão expressa no art. 149, parágrafo 2º, inciso I da Constituição Federal. Conforme expressa previsão constitucional, somente estão amparadas pela imunidade as operações decorrentes de exportação. Desse modo, a abrangência da imunidade limita-se às operações desenvolvidas diretamente entre o produtor e o comprador estrangeiro, não albergando as comercializações efetuadas entre produtor e adquirentes sediados no país. MULTA DE OFÍCIO. REGIME JURÍDICO A SER APLICADO. Para as competências anteriores a dezembro de 2008 (entrada em vigor da MP n 449) deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei n 8.212. Para o período posterior à entrada em vigor da Medida Provisória n 449, cujos valores não foram declarados em GFIP há que se aplicar a multa de 75% (prevista no art. 44 da Lei 9.430).
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Recorrente REFLORESTADORES UNIDOS SA Recorrida DRJ PORTO ALEGRE RS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007 COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. EXPORTAÇÃO. ALCANCE DA IMUNIDADE. A imunidade possui previsão expressa no art. 149, parágrafo 2º, inciso I da Constituição Federal. Conforme expressa previsão constitucional, somente estão amparadas pela imunidade as operações decorrentes de exportação. Desse modo, a abrangência da imunidade limitase às operações desenvolvidas diretamente entre o produtor e o comprador estrangeiro, não albergando as comercializações efetuadas entre produtor e adquirentes sediados no país. MULTA DE OFÍCIO. REGIME JURÍDICO A SER APLICADO. Para as competências anteriores a dezembro de 2008 (entrada em vigor da MP n 449) deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei n 8.212. Para o período posterior à entrada em vigor da Medida Provisória n 449, cujos valores não foram declarados em GFIP há que se aplicar a multa de 75% (prevista no art. 44 da Lei 9.430). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Jhonatas Ribeiro da Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11020.002691/200919 Acórdão n.º 230201.864 S2C3T2 Fl. 193 3 Relatório A presente NFLD abrange as contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social referentes à comercialização da produção rural. O período do lançamento abrange as competências julho de 2005 a dezembro de 2007, conforme relatório fiscal às fls. 48 a 54. Inconformada com a autuação, a entidade apresentou impugnação, conforme fls. 129 a 132. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre apreciou os argumentos de defesa e julgou procedente o lançamento efetuado, fls. 155 a 158. Não concordando com a decisão a quo, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 171 a 179. Alega em síntese que: a) Deve ser reconhecida a imunidade sobre as receitas de exportação; b) A Instrução Normativa criou distinção não prevista no texto constitucional; Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, fl. 191. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. A imunidade ora em debate possui previsão expressa no art. 149, parágrafo 2º, inciso I da Constituição Federal, nestas palavras: Art. 149. compete exclusivamente à união instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, iii, e 150, i e iii, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2º as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (incluído pela emenda constitucional n.º 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (incluído pela emenda constitucional n.º 33, de 2001) Conforme expressa previsão constitucional, somente estão amparadas pela imunidade as operações decorrentes de exportação. A operação com as empresas adquirentes é uma operação interna, que não se confunde com a exportação. Para a Secretaria da Receita Previdenciária, a imunidade somente alcança as exportações diretas, conforme previsto no art. 245 da Instrução Normativa nº 03/05. Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º, do art. 149, da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. § 1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto". Desse modo, a abrangência da imunidade limitase às operações desenvolvidas diretamente entre o produtor e o comprador estrangeiro, não albergando as comercializações efetuadas entre produtor e adquirentes sediados no país. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11020.002691/200919 Acórdão n.º 230201.864 S2C3T2 Fl. 194 5 Nesse sentido, também é o entendimento da Procuradoria Federal, conforme Nota Técnica n. 30 de 2004 (NOTA TÉCNICA PFEINSS/CGMT/DCMT Nº 30/2004), nestas palavras: 7. Nesse diapasão, muito embora atenda plenamente ao tão visado incremento da política exportadora a isenção da receita decorrentes da operação que remete a empresa comercial exportadora produtos com fim específico de exportação (conforme consignado na Nota Técnica que se objetiva rever, a qual bem assevera o efeito nocivo aos pequenos produtores da inexistência de isenção nessa operação), tanto é que a Receita Federal desoneroua através das leis outrora mencionadas, não há lei específica que a preveja em relação às contribuições previdenciárias, por isso que os atos normativos editados no âmbito do INSS tampouco a prevêem. Logo, ante a ausência de supedâneo legal para se reconhecer a inexistência do fato gerador das contribuições previdenciárias nas operações internas que remetam às tradings produtos com fim específico e comprovado de exportação, são devidas as contribuições arrecadadas pelo INSS. 8. Por todo o exposto, atestamos a perfeita adequação da Nota Técnica PROCGER/CGCONS/DCT Nº 521/2002 ao entendimento desta Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS, do que decorre a desnecessidade de sua revisão. Em relação ao valor da multa aplicada, deve ser revisto o lançamento. É bem verdade que o art. 35 da Lei n º 8.212 foi alterado por meio da Medida Provisória n º 449, tendo sido acrescentado o art. 35A à Lei n º 8.212. Assim, a partir da MP n º 449, convertida na Lei n º 11.941, há que se diferenciar se os valores constaram ou não em lançamento de ofício. Se não houver lançamento de ofício e o contribuinte recolher espontaneamente os valores devidos aplicase a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212, caso os valores tenham sido apurados por meio de lançamento de ofício, aplicase o disposto no art. 35A da Lei 8.212. In casu, os valores constam em lançamento de ofício, e para os contribuintes que não declararam em GFIP, o regime jurídico novo ficou mais gravoso. Atualmente, para esses casos, deve ser observada a multa prevista no art. 44 da Lei n º 9.430 de 1996, que prevê aplicação de multa de no mínimo 75% (setenta e cinco por cento). A conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a ser apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. O núcleo do tipo infracional seja na redação anterior à MP n º 449, seja com o novo ordenamento é o mesmo: apresentar a GFIP com erros. A multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Não há razão para serem somadas as multas por descumprimento da Fl. 196DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 obrigação principal e da acessória antes da MP n º 449 e após, para verificar qual a mais vantajosa. A análise tem que ser multa por descumprimento de obrigação principal antes e multa por tal descumprimento após; e multa por descumprimento de obrigação acessória antes e após. A análise tem que ser realizada dessa maneira, pois como já afirmado tratase de obrigação acessória independente da obrigação principal. A conduta de não apresentar declaração, ou apresentar de forma inexata, somente se subsumiria à multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei n º 9.430, nas hipóteses em que não há penalidade específica para ausência de declaração ou declaração inexata. Para a Gfip – assim como para a DCTF e a DIRPF – há multa com tipificação específica; desse modo inaplicável o art. 44. Em relação à Gfip aplicase o art. 32A da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme previsto no art. 44 da Lei n º 9.430, a multa de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Desse modo, há três condutas no art. 44 que não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa. Há a conduta deixar de pagar ou recolher; outra conduta é ausência de declaração, e a terceira é a apresentação de declaração inexata. Essa conclusão é facilmente alcançável pela aplicação da regra de paralelismo sintático da língua portuguesa, haja vista – no art. 44 – a repetição da preposição “de” indicar o referencial “no caso”. Esquematicamente terseia: Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: 1) 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos: 1.1 de falta de pagamento ou recolhimento, 1.2 de falta de declaração e 1.3 nos de declaração inexata; Logicamente, se o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; mas se a despeito do pagamento não declarou em Gfip, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212. Essa aplicação de multa isolada somente é possível pelo fato de serem condutas distintas. Agora, se o contribuinte tiver declarado em Gfip não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Afinal, a multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em Gfip, mas não tiver pago, não se aplica o art. 44 da Lei 9.430. Esse artigo não se impõe pelo fato de o contribuinte não ter recolhido e ter declarado, deveras não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a Gfip. E nas hipóteses em que o contribuinte não recolhe e não declara em Gfip, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em Gfip a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Como já afirmado, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A, o que demonstra serem condutas independentes. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, não há que se falar em bis in idem, tampouco em consunção. Pelo contrário, a lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar Fl. 197DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11020.002691/200919 Acórdão n.º 230201.864 S2C3T2 Fl. 195 7 tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Logo, não há consistência nos entendimentos que pretendem dispensar a multa isolada, por ter sido aplicada a multa genérica. A Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n º 1.027 de 22 de abril de 2010 que assim dispõe em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.? Entendo inaplicável a referida Portaria por ser ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em Gfip, independentemente de o contribuinte ter pago, conforme dispõe o art. 32A da Lei n º 8.212. Uma vez que a penalidade está prevista em lei, somente quem pode dispensála é o Poder Legislativo. A interpretação da Receita Federal gera a concessão de uma anistia sem previsão em lei, o que contraria o art. 150, parágrafo 6º da Constituição Federal. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei, além de violar os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 198DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que o novo regime (aplicação da multa de 75%) é mais gravoso. Desse modo para as competências anteriores a dezembro de 2008 (entrada em vigor da MP n 449) deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei n 8.212. Para o período posterior à entrada em vigor da Medida Provisória n 449, cujos valores não foram declarados em Gfip há que se aplicar a multa de 75% (previsão no art. 44 da Lei 9.430). CONCLUSÃO: Voto pelo conhecimento do recurso e pelo provimento parcial a ele, para que seja aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei n 8.212. Para o período posterior à entrada em vigor da Medida Provisória n 449, cujos valores não foram declarados em Gfip há que se aplicar a multa de 75% (previsão no art. 44 da Lei 9.430). É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 199DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13826.001111/2007-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/2000
Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.120
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO - Processo n° 13826.001111/2007-56 Recurso n° 171.358 Voluntário Acórdão n° 2401-01.120 — 4' Câmara I 1' Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente COLÉGIO ASSISENSE DE ENSINO DE ASSIS LTDA EPP Recorrida DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/2000 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante tf' 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. (i/// 4-1 ELIAS PAIO FREIRE - Presidente 6 e/CL( ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, K_Ieber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n°13826.001111/2007-56 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01320 FI. 115 • Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 267248 (167248), Processo: n° 36802.000296/2005-93, Recorrente: COMÉRCIO MATERIAIS CONSTRUÇÃO LORENZETTI, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.096, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA, PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560624 oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n" 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 40 ou 173, do CTIV). É o relatório. C:St3 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2° Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 267248 (167248), Processo: n° 36802.000296/2005-93, Recorrente: COMÉRCIO MATERIAIS CONSTRUÇÃO LORENZETTI, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.096. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 e-CUL) ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora 4 n !n , MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 13826.001111/2007-56 Recurso n°: 171.358 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.120 Brasília, 2 de arço de 2010 41 ELIAS SAM' • O FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ 1 Apenas com Ciência 1 [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração I Data da ciência: / / 1Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 19615.000585/2007-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2005
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO.
De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, § 3°, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por aferição indireta/arbitramento, somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta dos fatos geradores de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A simples informação da utilização de referida presunção legal, sem que haja a sua devida motivação, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento.
RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório
Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório.
Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios e/ou motivos de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal por arbitramento, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a improcedência da
autuação.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO – AUTO DE INFRAÇÃO – OBRIGAÇÃO
PRINCIPAL PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL – APRECIAÇÃO DE OFÍCIO SÚMULA VINCULANTE
STF – DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES – AFERIÇÃO RAIS
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de nº 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.
Tratando-se de apuração de diferenças por aferição indireta, a decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, § 4º do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-002.221
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, declarar a decadência até a competência 07/2001. II) Por maioria de votos dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que negava. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, § 3°, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por aferição indireta/arbitramento, somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta dos fatos geradores de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A simples informação da utilização de referida presunção legal, sem que haja a sua devida motivação, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios e/ou motivos de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal por arbitramento, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a improcedência da autuação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2005 Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO – AUTO DE INFRAÇÃO – OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL – APRECIAÇÃO DE OFÍCIO SÚMULA VINCULANTE STF – DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES – AFERIÇÃO RAIS O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Tratandose de apuração de diferenças por aferição indireta, a decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, § 4º do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, declarar a decadência até a competência 07/2001. II) Por maioria de votos dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que negava. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19615.000585/200742 Acórdão n.º 240102.221 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação principal, lavrado sob o n. 35.838.6900 tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados não descontada em época própria, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas que lhe prestaram serviços. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 39, o lançamento referese às CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DEVIDAS PELA EMPRESA e NÃO RECOLHIDAS EM ÉPOCA PRÓPRIA, incidentes sobre a remuneração dos segurados constantes da Relação Anual de Informações Sociais RAIS, não declaradas em GFIP, e Acordos de rescisões efetuados na Justiça do Trabalho atinentes ao período abrangido pelas competências relacionadas no relatório de Discriminativo Analítico de Débito DAD. O período de apuração do crédito compreende as competências no período de 04/2000 a 12/2005, sendo que o contribuinte apresentou GFIP sem movimento dos períodos de 10/1999 a 02/2000, tendo retornado as atividades em 06/2004 O contribuinte encontrase com a atividade paralisada devido à ação civil pública impetrado pelo Ministério Público Federal MPF, processo n° 2002.82.01.69581, que determina a interdição do bingo em decisão proferida pela Excelentíssima Juíza Federal Cristina Maria Costa Garcez, em 15 de janeiro de 2003. Foram colacionados aos autos diversas cópias de documentos que respaldaram o lançamento, quais sejam: RAIS, Acordos Judiciais e Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 05/06/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 17/08/2006, conforme informação a fl. 171. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 173 a 185. O processo foi convertido em diligência, para manifestação conclusiva do auditor, considerando os diversos documentos colacionados aos autos. Manifestouse o auditor notificante, fls. 985 a 986, tendo sido retificado o lançamento nos seguintes termos: A composição da aferição para as competências de 03/2003 à 02/2004, incluindo a competência do 13° salário, em que consta reclamatória trabalhista será glosada do débito, tendo em vista ser competência da Justiça do Trabalho promover de ofício a execução da cobrança das contribuições sociais. Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Com a apresentação da GFIP, papel, das competências 07/2005 a 11/2005 o segurado Wellington Gaudência Rocha encontrase em auxílio doença a partir de19/06/2005 contando sua remuneração apenas para fins de contribuição para FGTS. Desta forma será glosado da base de cálculo do débito sua remuneração: Em 21/12/2005 foi emitido Termo de Interdição, folha 272, neste ínterim foi acordado Termos, de Rescisões e Contratos de Trabalho com aviso prévio em dezembro e demissão em janeiro, tendo, caso configurado fato gerador em dezembro de 2005, ijois não houve intervenção da Justiça do Trabalho, reclamatória trabalhista. Não foi informado em GFIP esta competência, nem apresentado em defesa, fato este que levou o arbitramento a partir da RAIS. Comparouse a GFIP da competência 11/2005, RAIS (2005) e rescisões, apresentados na defesa, para o levantamento da base de cálculo de 12/2005. O contribuinte em sua defesa ratificou os fatos geradores arbitrados em R A I S anexando Termos de Rescisões de Contrato de Trabalho sem reclamatória trabalhista, isto é, sem a intervenção da Justiça do Trabalho para as demais competência sem a devida glosa. O recorrente foi cientificado dos termos da diligência, tendo sido reaberto prazo para defesa, fls. 991, mas sem ter o mesmo aditado a defesa. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 997 a 1004 . ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2005 AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE BASE LEGAL. A verificação da ocorrência ou não de fatos geradores de contribuições sociais demanda o acesso a toda a documentação e livros contábeis da empresa. A impossibilidade de verificação dos mesmos, por se encontrar fechado o estabelecimento do contribuinte, autoriza ao Fisco, por expressa previsão legal, constituir de ofício o crédito tributário, ainda mais quando dispõe de informações, nos sistemas da Seguridade Social, sobre a ocorrência de fatos imponíveis, e também pode obtêlos diretamente da Justiça do Trabalho. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2005 PERÍCIA. INEXISTÊNCIA DE MOTIVAÇÃO PARA SEU DEFERIMENTO . Cabe a autoridade julgadora determinar a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias ou indispensáveis à instrução do feito, não se constituindo em direito subjetivo do contribuinte, dispensandoas quando se mostrem procrastinatória. Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19615.000585/200742 Acórdão n.º 240102.221 S2C4T1 Fl. 3 5 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2005 IMPUGNAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. J A interposição de reclamação (impugnação) contra o crédito tributário regularmente constituído importa em suspensão de sua exigibilidade, inexistindo óbice à concessão de certidão positiva, com efeito de negativa, caso inexistam outros créditos da Receita Federal do Brasil exigíveis contra o contribuinte. Lançamento Procedente em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 1034 a 1044, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, senão vejamos: 1. Que no período de 17/03/2003 a 02/06/2005 e de 21/12/2005 em diante, manteve sua atividade econômica suspensa em virtude de determinação judicial. Em decorrência, não surgiu obrigação tributária em referido período, porque inexistiu efetivo desempenho de atividades laborais pelos trabalhadores. 2. Ora, o fato gerador da obrigação tributária consiste na realização do pagamento, decorrente de salário, assim fixado na CLT. se os empregados não desenvolveram suas atividades em virtude da interrupção determinada pela justiça federal, tampouco há de se aludir a obrigações tributárias de cunho previdenciária. 3. Desta forma, requerse que todo o período de paralização das atividades da NTV seja desconsiderado para o computo das contribuições previdenciárias, pois, além disso, ao contrário do dito na decisão vergastada, inexiste documentação 4. Ausência de requisitos legais para aferição indireta e lançamento por arbitramento. Diz que a fiscalização não pode proceder ao lançamento apenas em face de erros formais, imprecisões ou incompatibilidades, não havendo como desclassificar a sua contabilidade, estando o volume de salários pagos registrados no livro de empregados, nas folhas de pagamento e informados ao INSS mediante GFIP. 5. Neste sentido, fez juntar à sua impugnação, em cópia: Livro de Registro de Empregados (fls. 274/371); decisão do Ministério do Trabalho, impondelhe multa (fls. 372); notificação do Ministério do Trabalho e Emprego para apresentação de documentos (fls. 373/4 e 376/7) e respectivo AI 7824432 lavrado por Auditor Fiscal do Trabalho, em decorrência de não exibição de documentos requestados (fls. 375); termo de adesão à Conectividade Social (fls. 378/379); GF1P (fls. 380/486; 488; 490); GPS (fls. 487; 489); Comunicado de Dispensa de Empregado CD, ata de conciliação da Justiça do Trabalho, inicial de ação de consignação em pagamento e termo de rescisão de contrato de trabalho, relativos aos obreiros neles especificados (fls. 491/967). 6. Requer a nulidade da decisão recorrida, face o indeferimento do pedido de perícia, sendo que a mesma era essencial para o deslinde da questão. 7. Seja julgado procedente o pedido do recorrente no sentido de anular o lançamento, face o arbitramento com vício, ou se assim não entender que se anule a decisão recorrida, Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 considerando o cerceamento do direito de defesa, ou por fim, seja reformada a decisão para considerar todo o período de paralisação das atividades da empresa. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19615.000585/200742 Acórdão n.º 240102.221 S2C4T1 Fl. 4 7 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1015 e 1034. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: QUANTO AO VÍCIO NO PROCEDIMENTO FISCAL REALIZADO Alegando nulidade, argumenta o recorrente que o procedimento administrativo adotado não poderia ser realizado da forma como foi, independente da causa, legal ou contratual, o que malfere o princípio do devido processo legal, posto que não houve a devida motivação do arbitramento, ou mesmo fundamentação para que se apurasse determinadas verbas como salário de contribuição, considerando sua natureza. Quanto as ditas alegações, em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ou vício no procedimento, conforme alegado pela recorrente. Observase anexo ao relatório fiscal e mencionado no corpo do próprio relatório as autorizações por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, fls. 37, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, o período de cobertura. Foi realizada a devida intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação Fiscal, fl. 38, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária. Foi realizada a conclusão dos trabalhos com a emissão do Termo de Encerramento, fl. 39, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores por meio de relatórios e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação dos motivos que ensejaram o arbitramento, esclarecendo acerca dos fato geradores apurados, entendo que razão não assiste ao recorrente. Quanto à necessidade de justificativa para realização de auditoria e do arbitramento, destacase que ao autoridade fiscal possui competência para verificar o fiel cumprimento da legislação previdenciária. Ademais, o próprio conceito de auditoria descrito nas instruções normativas, esclarece seu objetivo. Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Art. 570. A AuditoriaFiscal Previdenciária AFP ou Fiscalização é o procedimento fiscal externo que objetiva orientar, verificar e controlar o cumprimento das obrigações previdenciárias por parte do sujeito passivo, podendo resultar em lançamento de crédito previdenciário, em Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, em lavratura de Auto de Infração ou em apreensão de documentos de qualquer espécie, inclusive aqueles armazenados em meio digital ou em qualquer outro tipo de mídia, materiais, livros ou assemelhados. O auditor apurou as contribuições, considerando que não havia informação das mesmas em GFIP, por meio dos documentos RAIS apresentados pela própria empresa, onde restou constatado o pagamento de remunerações, mesmo tendo o recorrente alegado estar a atividade paralisada. Notese que não houve por parte do recorrente, qualquer argumento no sentido de haver retificado as RAIS, ou mesmo que os pagamento ali descritos não ocorreram. Resumindo a argumentar que houve paralisação de suas atividades. Relevante destacar, que ao contrário do entendimento trazido pelo recorrente o fato gerador não surge apenas se a empresa encontrase aberta, em funcionamento. Mesmo paralisada a atividade, caso haja pagamento de remuneração, ou mesmo de rescisões contratuais, caberia ao recorrente fazer incidir contribuições sobre os fatos geradores ali elencados. Dessa forma, entendo que a utilização da informação da RAIS, quando não houve qualquer argumentação de que indevidos os seus valores, serve como parâmetro para base de cálculo de contribuições. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, ou o descumprimento de obrigação acessória, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato o Auto de Infração de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito DA NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Com relação a alegação de que a autoridade julgadora, não apreciou devidamente o feito, ignorando os argumentos de nulidade apresentados, e indeferindo a perícia, mesmo presentes o requisitos, entendo que razão não assiste ao recorrente. Ressalto que a Decisão Notificação enfrentou as alegações, sendo desnecessário apreciar uma a uma, quando afastadas as alegações em conjunto. O fato de não ter a autoridade julgadora acatado as alegações do impugnante para realização de perícia, de forma alguma, descreve a nulidade da decisão, quando se identifica a apreciação dos fatos e questões de direito suscitadas. Quanto ao indeferimento da perícia, entendo que razão também não assiste ao recorrente. Assim, como já demonstrado pela autoridade julgadora, de acordo com o disposto no art. 9º, IV da Portaria MPAS n ° 520/2004, são requisitos da perícia, nestas palavras: Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19615.000585/200742 Acórdão n.º 240102.221 S2C4T1 Fl. 5 9 Art. 9º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. § 4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contra razões, se houver recurso. § 5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. § 7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. § 8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 No presente caso, entendeu a autoridade julgadora que não houve o preenchimento dos requisitos exigidos para realização da perícia. Desse modo, pode a autoridade julgadora indeferir o pleito da recorrente, sem ferir o princípio da ampla defesa. Nesse sentido, segue o teor do art. 11º da Portaria MPAS n ° 520/2004: Art. 11 A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9º. § 2º O interessado será cientificado da determinação para realização da perícia por meio de Despacho, que indicará o procedimento a ser observado. No mesmo sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, sendo aplicado subsidiariamente no processo administrativo no âmbito do INSS, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) A Portaria MPAS n ° 520/2004 é a que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito do INSS, conforme autorização expressa no art. 304 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 e alterações, nestas palavras: Art.304. Compete ao Ministro da Previdência e Assistência Social aprovar o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social, bem como estabelecer as normas de procedimento do contencioso administrativo, aplicandose, no que couber, o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e suas alterações. Como se percebe, a Portaria n ° 520 surgiu em virtude da previsão expressa no Regulamento da Previdência Social, que transferiu a competência para o Ministério da Previdência Social regulamentar a matéria. Dessa forma, está perfeitamente compatível com o Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19615.000585/200742 Acórdão n.º 240102.221 S2C4T1 Fl. 6 11 ordenamento jurídico. E como demonstrado, o assunto acerca de perícias e diligencias está tratado da mesma maneira no Decreto n ° 70.235/1972. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória suscitada pelo recorrente deveria constar dos autos. E com principio basilar do direito processual, cabe à parte provar fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito do Fisco. O lançamento foi realizado por aferição, considerando que a documentação apresentada pelo recorrente, não registravam em sua totalidade a movimentação da empresa, face a não informação da GFIP e existência de RAIS com indicação de massa salarial e Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho, seguindo a autoridade fiscal o procedimento previsto na legislação. DA DECADÊNCIA – DE OFÍCIO Considerando a parcela remanescente do lançamento, após a retificação parcial do mesmo, temos por bem apreciar a aplicação da decadência quinquenal, mesmo que de ofício. Períodos remanescentes: 04/2000 e 10/2000; 02, 03, 07, 09 11/2001; 01, 03, 04, 06 a 10/2002; 01, 02/2003, 08/2004, 04, 08 a 12/2005. DA DECADÊNCIA Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido, à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, razão assiste ao contribuinte nos termos abaixo expostos. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19615.000585/200742 Acórdão n.º 240102.221 S2C4T1 Fl. 7 13 adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19615.000585/200742 Acórdão n.º 240102.221 S2C4T1 Fl. 8 15 verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19615.000585/200742 Acórdão n.º 240102.221 S2C4T1 Fl. 9 17 Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173 do referido diploma. No caso ora em análise, observamos o lançamento de contribuições sobre a remuneração paga aos segurados empregados, tendo sido apuradas diferenças de contribuições por meio da RAIS, onde é possível identificar pelo relatório RDA, recolhimento durante o período de lançamento até 06/2001 e a partir de 06/2002, inclusive sendo apropriadas contribuições para todo o período do lançamento, tendo sido, conforme enfatizado no relatório fiscal, lançadas diferenças de contribuições. Face o exposto e considerando que no lançamento em questão foi efetuado deuse em 05/06/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 17/08/2006. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 04/2000 a 12/2005, sendo assim, devem ser excluídas as contribuições até a competência 07/2001, mantendose o lançamento a partir de 09/2001, já que o lançamento envolve períodos descontínuos. DO MÉRITO No mérito, o argumento principal trazido pelo recorrente é de que considerando que não se encontrava em funcionamento, face determinação judicial não teria como surgir fato gerador de contribuição. Contudo, haja vista os argumentos apresentados, observase que a não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da NFLD. O recorrente não contestou nenhum dos fatos geradores extraídos do seu próprio documento RAIS, resumindose a alegar nulidades, paralisação das atividades, sem demonstrar propriamente que os valores declarados em RAIS e na rescisões colacionadas aos autos estivessem erradas. Indicou a autoridade fiscal o confronto entre os valores declarados, os recolhidos e diferenças não incluídas como rubricas incidentes em folha e portanto não incluídas no conceito de salário de contribuição. A notificação fiscal tomou por base documentos do próprio recorrente, conforme cópias acostadas aos relatório fiscal da infração, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito – DAD, o que, sem dúvida, possibilitou o pleno conhecimento do recorrente acerca do levantamento efetuado. Os valores objeto da presente notificação foram lançados com base na RAIS e Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho, declaração realizada pela própria empresa nos documentos apresentados. Ao contrário do que tenta demonstrar o recorrente, ao apreciarmos as cópias do livro de registro de empregado, volume 2, que o mesmo manteve vínculo com diversos empregados durante todo o período, inclusive rescindindo contratos de trabalho, durante o período em que esteve paralisada. Observamos, ainda que para diversos trabalhadores nem mesmo consta a data da rescisão contratual. Dessa forma, perfeitamente lógico o lançamento de contribuições respaldado nas rescisões contratuais. Apenas, para ilustrar observase que não a rescisão do contrato à fls. 278, 314, 318, 320, 328, 338, 348, 350, 354. Em outros caso, para exemplificar, ocorreu baixa durante o período do lançamento: 08/2003 – fl. 384, 07/2003 – fl. 372, 09/2003 – fl. 300, 09/2002 – fl. 310, 05/2003 – 377, 10/2002 – fl. 379, 05/2003 – fl. 385 etc. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 Uma vez que a notificada remunerou segurados empregados, seja enquanto estivesse paralisada, ou mesmo no momento das rescisões, deveria ter efetuado o recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da referida Decisão, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade da NFLD, rejeitar a preliminar de nulidade da Decisão de 1 instância, excluir do lançamento face a aplicação da decadência quinquenal as contribuições até 07/2001 e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19615.000585/200742 Acórdão n.º 240102.221 S2C4T1 Fl. 10 19 Voto Vencedor Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Redator Designado. Não obstante as sempre bem fundamentadas razões da ilustre Conselheira Relatora, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pela nobre julgadora, relativamente ao arbitramento levado a efeito na lavratura da autuação, como passaremos a demonstrar. De conformidade com os elementos que instruem o processo, a autoridade lançadora ao promover o lançamento achou por bem constituir o crédito previdenciário por arbitramento, adotando as informações constantes da RAIS como base de cálculo das contribuições ora exigidas. Com mais especificidade, a fiscalização utilizou como fundamentos ao procedimento do arbitramento as razões abaixo descritas, constantes do Relatório Fiscal, às fls. 39/45: “[...] 13. Elementos Analisados na Ação Fiscal: a. No desenvolvimento da ação Fiscal, o crédito da contribuição apurada foi discriminado a partir dos levantamentos intitulados "RAI LANÇAMENTO RAIS". b. Serviram de base para esse levantamento os seguintes elementos: Relação Anual de Informações Sociais RAIS, constante do CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais e entregues pelo contribuinte a fiscalização e acordos de rescisão de trabalho efetuados na justiça e Guias da Previdência Social GPS/GRPS disponíveis nos sistemas informatizados de arrecadação do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). 14. O lançamento por arbitramento a partir da RAIS, reclamatória trabalhista, massa salarial obtida junto ao banco de dados do INSS, Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) são resultados dos levantamentos por meios indiretos da base tributável das contribuições previdenciárias, quando não se dispõe dos elementos necessários à sua apuração. 15. O emprego do critério por aferição encontrase fundamentado no § 3.° do Art. 33 da Lei 8.212 de 24/07/1991. [...]” Como se observa, o fiscal autuante entendeu por bem apurar o débito por aferição indireta/arbitramento, utilizando como supedâneo à sua empreitada o artigo 33, § 3°, da Lei n° 8.212/91, vigente à época nos seguintes termos: Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", ‘b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01) [...] § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. [...]” Nesse sentido, estando o lançamento escorado em uma presunção legal, incumbe à fiscalização demonstrar e comprovar os motivos que a levaram a utilizar deste procedimento excepcional e, conseqüentemente, fundamentálo na legislação de regência, fazendo constar dos autos do processo, nos anexos pertinentes, a norma legal esteio da exigência fiscal, sob pena de nulidade e/ou improcedência do feito. Em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, aduzindo, dentre inúmeros argumentos, que o procedimento eleito pela fiscalização ao promover o lançamento não encontra amparo legal na legislação de regência, notadamente quando não se apresentou claro e preciso em suas conclusões ao promover o lançamento por arbitramento. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela fiscalização e autoridade julgadora de primeira instância, corroboradas pela nobre Relatora em defesa da manutenção da exigência fiscal em comento, o inconformismo da contribuinte merece prosperar, como demonstraremos ao longo desse arrazoado. Em que pese à grande celeuma que envolve o tema, é certo que atualmente o Fisco dispõe de alguns mecanismos para apuração de crédito tributário quando constatadas operações/transações realizadas pelo contribuinte com a finalidade de se esquivar da tributação, ou mesmo quando aquele não promove a devida escrituração contábil, nos moldes mínimos das normas específicas, ou não a oferece à fiscalização quando intimado para tanto. Como se observa, o procedimento do arbitramento, uma vez constatados os requisitos exigidos pela legislação de regência, é legal e inverte o ônus da prova ao contribuinte. Tratase, pois, de presunção legal – júris, que desdobrase, ensinam os doutrinadores, em presunções "juris et de jure" e "juris tantum". As primeiras não admitem prova em contrário; são verdades indiscutíveis por força de lei. Por sua vez, as presunções "juris tantum" (presunções discutíveis), fato conhecido induz à veracidade de outro, até a prova em contrário. Elas recuam diante da Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19615.000585/200742 Acórdão n.º 240102.221 S2C4T1 Fl. 11 21 comprovação contrária ao presumido. Serve de bom exemplo a presunção de liquidez e certeza da dívida inscrita, que pode ser ilidida por prova inequívoca, nos termos do artigo 204, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. As hipóteses inscritas nos §§ 3º e 6º, do artigo 33, da Lei nº 8.212/91, portanto, caracterizamse como presunções juris tantum, albergada por lei, mas passíveis de comprovação do contrário presumido. Porém, tal procedimento deve estar devidamente fundamentado e motivado nos autos do processo, além da necessidade de atender aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, sob pena de nulidade ou improcedência do lançamento. Destarte, o arbitramento não pode representar uma verdadeira “carta branca” ao agente fiscal, de maneira a possibilitarlhe concluir pela existência de débitos tributários bem destoantes do que efetivamente devido pelo contribuinte, escorados em parâmetros aleatórios e imprecisos, sem o devido aprofundamento no exame das provas constantes dos autos. Não se pode admitir, pois, seja praticado o arbítrio em nome do arbitramento. É um procedimento, portanto, que objetiva aproximar, mensurar as remunerações tributáveis tanto quanto possível daquele que seria real. Temse assim que a vontade abstrata da lei é gravar o tributo que seria devido em condições normais, não mais do que isso, porquanto o objetivo precípuo da fiscalização é a orientação, com a finalidade de esclarecer aos contribuintes em geral sobre o indelével dever de recolher ao fisco os tributos efetivamente devidos, naturalmente após identificar as eventuais irregularidades extraídas de sua atividade, ou contabilidade, se for o caso. Em nenhum sistema jurídico se permite a tributação ao alvedrio da lei ou se preconiza a cobrança de tributo acima daquilo que o Fisco tem direito. Gravar tributo não tem o mesmo sentido de agraválo. O agravamento se faz mediante cominação de multas, não pela via do arbitramento. A doutrina pátria oferece proteção ao entendimento encimado, conforme se verifica do excerto da obra do renomado tributarista HELENO TORRES1, abaixo transcrito: “ [...] toda a fundamentação de uma desconsideração de método previamente escolhido e aplicado pelo contribuinte é, em si, medida típica de arbitramento da base de cálculo dos tributos envolvidos [...]. Da Constituição, no seu art. 145, § 1°, ao próprio CTN, nos seus arts. 148 e 150, I, em nenhuma hipótese vêse justificativa para tributação com base em presunções absolutas; o que vale do mesmo modo para a negativa de aplicação de métodos de apuração de bases de cálculo. [...] Ao Direito tributário importa, com exclusividade, só a verdade material, para a qual certas presunções legais somente valem como hipóteses sujeitas a confirmação pela base natural de testabilidade: a situação fática tomada como motivo para a edição do ato administrativo de lançamento. Caso não se tenha por ocorrido tal como o supunha a norma, deve ser aberto ao contribuinte o direito de demonstrar, mediante produção de prova em contrário, a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário, em louvor da verdade material. Sobre o uso das 1 TORRES, Heleno Taveira. Controle sobre Preços de Transferência. Legalidade e Uso de Presunções no Arbitramento da Base de Cálculo dos Tributos. O Direito ao Emprego do Melhor Método. Limites ao Uso do PRL60 na Importação. RFDT 06/2 I, dez/03 Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 presunções legais no direito tributário, pela circunstância de alheamento da administração em face de todos os fatos passíveis de serem alcançados para tributação e pela exigência de demonstração de provas, por parte das autoridades administrativas, a cada ato de lançamento tributário, em favor da simplificação, qualquer recurso ao uso de presunções legais deve satisfazer a estritos requisitos de justificação, sob pena de afetar os princípios de segurança jurídica e interdição do arbítrio, e ter por prejudicada sua aplicação. Todavia, o uso de presunções em matéria tributária há de encontrar limites muito claros. Primeiro, tais presunções só poderão ser de ordem probatória (presunção simples ou hominis); e, quando criadas por lei, não poderão ser absolutas, mas só relativas, admitindo a devida prova em contrário por parte do alegado, com liberdade de meios e formas. Segundo, a Administração deve respeitar o caráter de subsidiariedade dos meios presuntivos, pois só de modo excepcional se deve valer deles, na função de típica finalidade aliviadora ou igualdade de armas, nas hipóteses em que encontrar evidente dificuldade probatória. Terceiro, porque a verdade material é o parâmetro absoluto da tributação, qualquer modalidade de presunção relativa, há de ser aplicada com estrito respeito aos direitos fundamentais, e a legalidade, acompanhada de devido processo legal e sem qualquer espécie de discricionariedade que leve ao abuso de poder” A jurisprudência administrativa é firme e mansa neste sentido, determinando o cancelamento de autuações em que a fiscalização extrapolou os limites impostos pela legislação ao lançar com base no arbitramento, sobretudo quando os critérios utilizados nesta empreitada não estejam devidamente claros e precisos, senão vejamos: “[...] Ementa: ARBITRAMENTO – POSSIBILIDADE – PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE Na ocorrência de recusa na apresentação de livros ou documentos ou se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O procedimento de arbitramento, embora seja prerrogativa legal do fisco, deve revestirse de razoabilidade, de tal sorte que os indícios apresentados levem a inferir a efetiva ocorrência do fato gerador. [...]” (1a TO da 4a Câmara da 2a SJ do CARF, Processo n° 13963.000848/200787 Acórdão n° 240100.057, Sessão de 04/03/2009 – Relatoria Conselheiro Ana Maria Bandeira) (grifamos) “Ementa: [...] AFERIÇÃO INDIRETA. REQUISITOS. MOTIVAÇÃO. Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19615.000585/200742 Acórdão n.º 240102.221 S2C4T1 Fl. 12 23 Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. AFERIÇÃO. REQUISITOS. NULIDADE. Na utilização da aferição o Fisco deve, de forma clara e precisa, descrever a fundamentação legal, os fatos geradores ocorridos, o débito apurado, os valores aferidos indiretamente, indicando claramente os parâmetros utilizados, bem como, sempre que possível, os segurados envolvidos. [...]” (2a TO da 4a Câmara da 2a SJ do CARF, Processo n° 109.35.007634/2007 81 – Acórdão n° 240201.174, Sessão de 21/09/2010 – Relatoria Conselheiro Marcelo Oliveira) (grifamos) Ademais, o lançamento – atividade vinculada que constitui o crédito tributário – não pode se apoiar em suposições, conjecturas e muito menos presunções do agente arrecadador, como se extrai do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Deve fundamentar se em fatos concretos, demonstrados, suscetíveis de comprovação. Mesmo porque, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento à autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador, determinando, ainda, a perfeita base de cálculo dos tributos exigidos, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Em outras palavras, o procedimento do arbitramento, em que pese conferir a prerrogativa do fiscal autuante em presumir a base de cálculo do tributo lançado, não o desobriga de comprovar a ocorrência do fato gerador. Ou seja, a base de cálculo poderá ser presumida, uma vez observados os requisitos para tanto, mas a ocorrência dos fatos geradores não. É o que se extrai do artigo 148 do Código Tributário Nacional, nos seguintes termos: “Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.” Mais a mais, os atos administrativos, conforme se depreende do artigo 50 da Lei n° 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 24 Pública Federal, devem ser motivados, sob pena de nulidade e/ou improcedência do feito, in verbis: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos [...] §1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente [...]” Como se verifica dos dispositivos legais encimados, para que o lançamento encontre sustentáculo nas normas jurídicas e, conseqüentemente, tenha validade, deverá o fiscal autuante descrever precisamente e comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo e determinar a matéria tributável (base de cálculo). A ausência dessa descrição clara e precisa, especialmente no Relatório Fiscal da Notificação, ou erro nessa conduta, macula o procedimento fiscal. Na mesma linha exposta acima, a apuração do crédito previdenciário por arbitramento deve vir acompanhada da devida motivação, indicando a autoridade lançadora às irregularidades constatadas, as quais a impediram de apurar diretamente a base de cálculo das contribuições previdenciárias efetivamente devidas. A doutrina não discrepa deste entendimento, consoante se positiva dos ensinamentos da eminente jurista MARIA RITA FERRAGUT2, que assim preleciona: “[...] 33. O arbitramento da base de cálculo deve respeitar os princípios da finalidade da lei, razoabilidade, proporcionalidade e capacidade contributiva, razão pela qual não há discricionariedade total na escolha das bases de cálculo alternativas, estando o agente público sempre vinculado, pelo menos, aos princípios constitucionais informadores da função administrativa. 34. Não basta que algum dos fatos previstos no artigo 148 do CTN tenha ocorrido a fim de que surja para o Fisco a competência de arbitrar: fazse imperioso que além disso o resultado da omissão ou do vício da documentação implique completa impossibilidade de descoberta direta da grandeza manifestada pelo fato jurídico. 34.1. O critério para determinar se um ou mais vícios ou erros são ou não suscetíveis de ensejar a desconsideração da documentação reside no seguinte: se implicarem a impossibilidade por parte do Fisco de, mediante exercício do dever de investigação, retificar a documentação de forma a garantir o valor probatório do documento, o mesmo deve ser considerado imprestável e a base de cálculo arbitrada. Caso contrário, não. 35. Diante de um lançamento por arbitramento, o sujeito passivo poderá verificar, para fins de defesa, se o ato jurídico encontrase devidamente motivado e os aspectos formais do ato foram cumpridos; se estão indicados na norma individual e concreta de constituição do crédito todos os dados e documentos utilizados para aferição dos valores arbitrados, pois em caso negativo, o lançamento estará cerceando o exercício da ampla defesa e do contraditório; se o critério adotado pelo Fisco para o arbitramento é muito oneroso e desprovido de razoabilidade, considerando o capital social, o faturamento, o lucro e a própria capacidade operacional da empresa; se a infração cometida consistiu apenas em atraso na escrita ou na entrega de declarações, o que não é considerado antecedente da norma jurídica que tem como conseqüente o 2 FERRAGUT, Maria Rita Ferragut. Presunções no Direito Tributário. Dialética, 2001, p. 161 Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19615.000585/200742 Acórdão n.º 240102.221 S2C4T1 Fl. 13 25 dever do Fisco de efetuar o lançamento por arbitramento, mas tãosomente daquela que prevê a aplicação de multa decorrente de descumprimento de deveres instrumentais; se a documentação irregular poderia ter sido desconsiderada, uma vez que os vícios dela constantes são insignificantes se comparados ao número de lançamentos contábeis efetuados ou documentos fiscais emitidos; se mesmo diante de omissão de receitas o contribuinte teve prejuízo, não alterado em virtude dessas receitas, hipótese em que não se faz possível exigir o pagamento de tributos incidentes sobre a renda e o lucro; se a fiscalização utilizouse de exercícios em que a atividade do contribuinte foi atípica, comprometendo a validade da média; e muitos outros.” A jurisprudência do CARF que se ocupou do tema, oferece guarida ao entendimento acima esposado, exigindo, além da devida motivação na utilização do procedimento do arbitramento, a demonstração da ocorrência do efetivo prejuízo da fiscalização, senão vejamos: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2006 AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. [...] Recurso Voluntário Provido em Parte.” (1a TO da 4a Câmara da 2a SJ do CARF, Processo n° 35273.000238/200794, Acórdão n° 2401002.161, Sessão de 01/12/2011 – Relatoria Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo) (grifamos) Como se observa, em síntese, a fiscalização deve demonstrar cabalmente as razões que a levou a promover o lançamento por arbitramento, especialmente com a finalidade de oportunizar a ampla defesa e contraditório do contribuinte. No caso sub examine, concluise que o fiscal autuante edificou uma presunção legal, lançando valores que entendeu devidos, com base nas informações constates da RAIS, promovendo, por conseguinte, o arbitramento das contribuições lançadas, invertendo, assim, o ônus da prova ao contribuinte. Entrementes, em nenhum momento a autoridade lançadora logrou motivar aludido procedimento, deixando de elucidar as razões que deram azo ao arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 26 Em outras palavras, inobstante a autoridade lançadora inferir ter apurado o débito por arbitramento, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91, deixou de demonstrar a ocorrência de sonegação de documentos ou informações solicitados ou mesmo sua apresentação deficiente, na forma que o dispositivo legal retro exige. Aliás, a fiscalização não teve o cuidado de redigir sequer uma linha com a finalidade de explicitar os motivos da utilização do arbitramento na hipótese vertente. Não se tem conhecimento, portanto, se a contribuinte deixou de apresentar documentos e/ou informações ou quais seriam eles, ou mesmo se os ofertou de maneira insatisfatória. A fazer prevalecer a pretensão da contribuinte, mister destacar que o Fisco, em seu Relatório Fiscal, às fls. 44, mais precisamente no item 24, informa que a ação fiscal deu ensejo, igualmente, à lavratura de duas outras Autuações por descumprimento de obrigações acessórias (Códigos de Fundamento Legal 67 e 68), os quais não dizem respeito àqueles aplicados quando a contribuinte deixa de exibir documentação ou esclarecimentos solicitados, ou apresenta de forma deficiente, dando margem à concluir que a recorrente apresentou à fiscalização todos os documentos exigidos de maneira satisfatória, o que, a princípio, afastaria a possibilidade da adoção da aferição indireta inscrita no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91. Assim, com a devida vênia ao ilustre fiscal notificante, não vislumbramos em seus argumentos fundamento suficientemente capaz de amparar o procedimento excepcional de arbitramento. Com efeito, tratandose de procedimento excepcional, o arbitramento, deve ser devidamente fundamentado em fatos e documentos suscetíveis de comprovação. Não basta a fiscalização simplesmente inferir que o adotou sem conquanto motivar sua conduta. Para que o lançamento tivesse o devido amparo legal e fático, caberia ao fiscal autuante demonstrar que a contribuinte deixou de apresentar documentos ou informações requisitados, ou os ofertou com deficiência, na forma que exige o artigo 33, § 3°, da Lei n° 8.212/91. Isso não logrou o Fisco a comprovar na hipótese dos autos. Como se observa, mister se fazer à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de arbitramento, que somente poderá ser levado a efeito quando vislumbrados os permissivos legais para tanto, devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao julgador de analisar devidamente os autos. A presunção legal inserida no artigo 33, § 3°, da Lei n° 8.212/91, relativamente ao arbitramento, não tem o condão de suprimir o precípuo dever legal da autoridade fiscal demonstrar e comprovar a ocorrência das hipóteses legais ali inscritas, com a finalidade de justificar aludido procedimento. A rigor, em momento algum o fiscal autuante asseverou que se viu impossibilitado de apurar a base de cálculo das contribuições previdenciárias ora lançadas em face da falta de apresentação de documentos ou informações solicitados à empresa, capaz de reforçar a sua tese. E, se assim não o foi, inexiste razão para a apuração das contribuições por arbitramento. Repitase, o arbitramento não pode representar uma “carta branca” ao agente fiscal de maneira a afastar a necessidade de comprovação dos requisitos mínimos da exigência fiscal. Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19615.000585/200742 Acórdão n.º 240102.221 S2C4T1 Fl. 14 27 Observese, por fim, que o Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicar, resumidamente, como procedeu à autoridade lançadora na constituição do crédito previdenciário, devendo, dessa forma, ser claro e preciso relativamente aos procedimentos adotados pela fiscalização ao promover o lançamento, concedendo ao contribuinte conhecimento pleno dos motivos ensejadores da autuação, possibilitandolhe o amplo direito de defesa e contraditório, sobretudo tratandose de lançamento por arbitramento. Em face dos fatos acima delineados, uma vez não demonstrada ou sequer aventada pelo fiscal autuante a impossibilidade de aferição dos fatos geradores e base de cálculo das contribuições previdenciárias diretamente na contabilidade e/ou documentos fiscais da empresa, não se pode admitir a apuração de crédito previdenciário com base em arbitramento, exclusivamente arrimado numa presunção legal, a qual inverte o ônus da prova, mas deve estar devidamente motivado e comprovados seus pressupostos legais. Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo a improcedência do presente lançamento fiscal, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10314.010732/2005-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 30 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Jun 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 13/10/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE
RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA
LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). RECONHECIMENTO DO DIREITO
CREDITÓRIO.
COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE SOMENTE QUANDO DA CONCESSÃO OU RECONHECIMENTO DO INCENTIVO - ART. 60 DA LEI N° 9.069/95.
Na forma do Art. 60 da Lei n° 9.069/95 a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais.
Assim, afigura-se ilegítima a exigência de nova prova , de quitação dos tributos federais no momento da fruição do beneficio fiscal.
ART. 168, INC. I, DO CTN - PRAZO PARA PEDIDO DE RESTITUIÇÃO
Nos termos do inciso I do artigo 168 do CTN, o prazo para apresentar pedido de restituição é de 5 (cinco) anos contados da extinção do crédito tributário não havendo que se apontar que o pedido de restituição ou qualquer manifestação de futuro aproveitamento do crédito deveria se dar na ocorrência do fato
gerador, ou seja, no registro da DI.
DISPENSA DE COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. LEI n° 10.182/01. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT N° 07/1998. A dispensa da comprovação de quitação de tributos e contribuições federais aplica-se somente em relação As
mercadorias importadas isentas ou com alíquota zero, não alcançando o beneficio de que trata o art. 5° da Lei n°. 10.182/2001, vez que a habilitação junto ao SECEX/MIDICT, de que trata referida lei, tem apenas o condão de habilitar o contribuinte para pleitear a concessão de beneficio junto a
Secretaria da Receita Federal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3202-000.130
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Heroldes Bahr Neto e Rodrigo Cardoso Miranda. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres.
Nome do relator: Irene Souza da Trindade Torres
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/10/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE SOMENTE QUANDO DA CONCESSÃO OU RECONHECIMENTO DO INCENTIVO - ART. 60 DA LEI N° 9.069/95. Na forma do Art. 60 da Lei n° 9.069/95 a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Assim, afigura-se ilegítima a exigência de nova prova , de quitação dos tributos federais no momento da fruição do beneficio fiscal. ART. 168, INC. I, DO CTN - PRAZO PARA PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Nos termos do inciso I do artigo 168 do CTN, o prazo para apresentar pedido de restituição é de 5 (cinco) anos contados da extinção do crédito tributário não havendo que se apontar que o pedido de restituição ou qualquer manifestação de futuro aproveitamento do crédito deveria se dar na ocorrência do fato gerador, ou seja, no registro da DI. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. LEI n° 10.182/01. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT N° 07/1998. A dispensa da comprovação de quitação de tributos e contribuições federais aplica-se somente em relação As mercadorias importadas isentas ou com alíquota zero, não alcançando o beneficio de que trata o art. 5° da Lei n°. 10.182/2001, vez que a habilitação junto ao SECEX/MIDICT, de que trata referida lei, tem apenas o condão de habilitar o contribuinte para pleitear a concessão de beneficio junto a Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida DRJ-São Paulo/SP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/10/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITORIO. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE SOMENTE QUANDO DA CONCESSÃO OU RECONHECIMENTO DO INCENTIVO - ART. 60 DA LEI N° 9.069/95. Na forma do Art. 60 da Lei n° 9.069/95 a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF fica condicionada h. comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Assim, afigura-se ilegítima a exigência de nova prova , de quitação dos tributos federais no momento da fruição do beneficio fiscal. ART. 168, INC. I, DO CTN - PRAZO PARA PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Nos termos do inciso I do artigo 168 do CTN, o prazo para apresentar pedido de restituição é de 5 (cinco) anos contados da extinção do crédito tributário não havendo que se apontar que o pedido de restituição ou qualquer manifestação de futuro aproveitamento do crédito deveria se dar na ocorrência do fato gerador, ou seja, no registro da DI. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. LEI n° 10.182/01. ATO DECLARATORIO NORMATIVO COSIT N° 07/1998. A dispensa da comprovação de quitação de tributos e contribuições federais aplica-se somente em relação As mercadorias importadas isentas ou com aliquota zero, não alcançando o beneficio de que trata o art. 5° da Lei n°. 10.182/2001, vez que a habilitação junto ao SECEX/MIDICT, de que trata referida lei, tem apenas o condão de • ovo Rossari - Presidente Processo n° 10314.010732/2005-41 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.130 172 , habilitar o contribuinte para pleitear a concessão de beneficio junto a Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Heroldes Bahr Neto e Rodrigo Cai'dOio : Miranda. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres. Irene Souza da Trindade Torres - Redatora Editado em: 24 de janeiro de 2011. Participaram do presente julgamento os conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Heroldes Bahr Neto e Rodrigo Cardozo Miranda. Fez sustentação oral a Advogada Angela Mota Pacheco-21910 OAB/SP e o Advogado Jair Viegas Gavaldão-182450 OAB/SP. Presente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Ausente o Conselheiro João Luiz Fregonazzi. Relatório Cuida-se de recurso voluntário interposto por Siemens Vdo Automotive Ltda. (fls. 142 a 156) contra o v. acórdão proferido pela Colenda l a Turma da DRJ I de São Paulo — SP (fls. 128 a 138) que, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da contribuinte, consistente nos pedidos de retificação da DI n° 03/0922144-1 e restituição de indébito, formulados às fls. 01 a 04. Conforme se verifica nos autos, a contribuinte formulou pedido de retificação de DI e restituição de indébito na medida em que estaria amparada pelo beneficio fiscal do regime automotivo, consistente na redução fiscal de 40% sobre o imposto de importação, previsto nas MPs 1939-24, de 06/01/00, 2068-37, de 27/12/00, e 2068-38, " dé 25/01/01, convertidas na Lei no 10.182, de 12/02/2001. Efetivamente, a contribuinte alega que quando solicitou a sua inclusão no programa do regime automotivo, apresentou a certidão negativa, comprobatória da sua regularidade fiscal. Posteriormente, no entanto, quando realizou importação de mercadorias através da DI n° 03/0922144-1, pagou todos os tributos, fazendo o recolhimento integral do II, sem gozar do referido beneficio fiscal. E isso porque, à época da referida importação, não possuía certidão negativa de débitos. 2 Processo n° 10314.010732/2005-41 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202 -00.130 FL 173 Logo depois, em apertadíssima síntese, regularizou a sua situação, e, assim, pleiteou a retificação da DI e a restituição do valor que corresponderia ao beneficio fiscal — redução de 40% do II. Desta feita, consoante excerto do relatório apresentado na DRJ, o fulcro da questão a ser examinada refere-se a admissibilidade da exigência da CND a cada desembaraço de mercadorias importadas ao amparo de beneficio fiscal. De acordo com o relatório de fls. 121 a 123, mencionado na DRJ, a conclusão é no sentido de que a não disponibilidade da CND da data de desembaraço da DI impede a fruição do beneficio pretendidó e, por conseqüência o deferimento do pedido de retificação da Declaração de Importação. Mais adiante, corroborando a assertiva acima, apontou-se no relatório que, resumindo-se os fatos, o indeferimento do pleito quanto a retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeu-se basicamente a não apresentação das CNDs (Certidões Negativas de Débito) a época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade dp:„ fls. 47/64 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência' de CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado beneficio de redução ou isenção de tributo. Pois bem, a DRJ, conforme apontado anteriormente, confirmou o entendimento acima e indeferiu a solicitação da contribuinte, fazendo-o através de julgado cuja , ementa é a seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/10/2003 Ementa PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NA -0 RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO TENDO EM VISTA A NA) COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE' QUANDO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS .4 ÉPOCA DO FATO GERADOR. Conforme art. 165 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal de caráter subjetivo (vinculado a qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto a qualidade e destinagão da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica 3 • Processo n° 10314.010732/2005-41 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.130 Fl. 174 condicionada a comprovação pelo contribuinte, pessoa fisica ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995. Solicitação indeferida. Irresignada, a contribuinte, no seu recurso voluntário, alegou, em síntese, que a apresentação da CND somente era obrigatória no momento da habilitação no SISCOMEX e, considerando que a RECORRENTE obteve regularmente a sua habilitação junto aquele órgão (o que significa dizer que a CND foi oportuna e devidamente apresentada), não há argumentos para impedi-la de fruir da redução do imposto e obter os créditos correspondentes, que não lhe foram assegurados em época oportuna Outrossim, asseverou que a Lei n° 10.182/01, que regula ,o ,beneficio em apreço, não exige a apresentação de CND a cada importação, e que da interpretação 'do- art. 60, da Lei n° 9.069/95, depreende-se que apenas a concessão ou reconhecimento de beneficio fiscal está condicionado a apresentação de CND, não sendo, portanto, necessária sua reapresentação para fruição do aludido beneficio. o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. Inicialmente, para dirimir a presente controvérsia, faz-se mister destacar os dispositivos que cuidam do beneficio fiscal em apreço. Nesse sentido, os artigos 5° e 6° da Lei n° 10.182/01 rezam o_seguinte: . Art. 5° Fica reduzido em quarenta por cento o imposto de importação incidente na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semi- acabados, e pneumáticos. § 2° 0 disposto nos arts. 17 e 18 do Decreto-Lei no 37, de 18 de novembro de 1966, e no Decreto-Lei no 666, de 2 de julho de 1969, não se aplica aos produtos importados nos termos deste artigo, objeto de declarações de importações registradas , a partir de 7 de janeiro de 2000. Art. 6° A fruição da redução do imposto de importação de que trata esta Lei depende de habilitação especifica no Sistema Integrado de Comércio Exterior - SISCOMEX. 4 Processo n° 10314.010732/2005-41 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.130 Fl. 175 Parágrafo único. A solicitação de habilitação será feita mediante petição dirigida ei Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, contendo: I - comprovação de reRularidade com o Pazamento de todos os tributos e contribuições sociais federais • II - cópia autenticada do cartão de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica; III - comprovação, exclusivamente para as empresas fabricantes dos produtos relacionados no inciso X do § lo do artigo anterior, de que mais de cinqüenta por cento do seu faturamento liquido anual é decorrente da venda desses produtos, destinados montagem e fabricação dos produtos relacionados nos incisos I a X do citado § lo e ao mercado de reposição. Depreende-se, assim, pela interpretação literal dos dispositivos acima, que a certidão de regularidade fiscal 6 exigida no momento da solicitação de habilitação ao beneficio fiscal. A fruição do beneficio, ao seu turno, depende apenas de habilitação especifica no SISCOMEX (caput do artigo 6°). 0 art. 60 da Lei n° 9.069/95, por outro lado, corrobora o dispositivo acima aludido, estabelecendo o seguinte: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa fisica ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Indubitável, assim, que não existe previsão legal exigindo a certidão de regularidade fiscal quando da fruição do beneficio ou do seu reconhecimento, mas sim quando da sua solicitação, mais especificamente quando da sua concessão. A lei geral, nesse sentido, dá a opção ao legislador (comprovação de quitação na concessão ou reconhecimento), sendo que, no caso especifico da Lei n° 10.182/01, fez-se opção pela concessão. Afigura-se ilegítima, assim, a exigência feita nos autos, e, por conseqüência, o não reconhecimento do direito creditório da contribuinte. de se destacar, por oportuno, que a questão do momento de exigência de certidão de regularidade fiscal para gozo de incentivo ou beneficio fiscal já foi tratada pelo Conselho de Contribuintes, de modo favorável ao contribuinte, conforme se pode depreender do seguinte precedente: Número do Recurso: 105-147254 Turma: PRIMEIRA TURMA Número do Processo: 10768.030611/97-98 Tipo do Recurso: RECURSO DE DIVERGÊNCIA Matéria: IRPJ Recorrente: LIQUID CARBONIC INDÚSTRIA S.A. 5 Processo n° 10314.010732/2005-41 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.130 Fl. 176 Interessado(a): FAZENDA NACIONAL Data da Sessão: 11/0912007 09:30:00 Relator(a): Mário Sergio Fernandes Barroso Acórdão:CSRF/01-05.721 Decisão:NPQ - NEGADO PROVIMENTO PELO VOTQ,PE,QUALIDADE , Texto da Decisão: Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Paulo Jacinto do Nascimento, Carlos Alberto Gonçalves Nunes e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho que deram provimento ao recurso. Fez sustentação oral o advogado da recorrente Dr. João Marcos Colussi, OAB/SP n° 109.143. Ementa: APLICAÇÕES EM INCENTIVOS FISCAIS - OPÇÃO — REGULARIDADE FISCAL EXIGIDA PELO ARTIGO 60 DA LEI N° 9.069/95 - ÉPOCA DA COMPROVAÇÃO - Na forma do Art. 60 da Lei n° 9.069195 a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Dentre as três possibilidades de definição da data em que a prova de regularidade deve ser admitida, a única que garante maior segurança jurídica, isonomia perante a lei (Art. 5°, LV, CF) e previsibilidade é referenciada ao momento em que o contribuinte manifestou sua °mac) ao beneficio fiscal. Recurso Especial do Contribuinte Negado. A jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, da mesma forma, reforça o entendimento acima, no sentido de que se afigura abusiva a e?sigênciaAe.nova prova de quitação dos tributos federais no momento da fruição do beneficio fiscal: ' TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. I. Drawback é a operação pela qual a matéria-prima ingressa - em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. 0 artigo 60, da Lei no 9.069/95, dispõe que: "a concessão 'ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa fisica ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais". 3. Ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do beneficio inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes do ST.I.; REsp 385.634/BA, Rel. Ministro Joao Otávio de gor' o—nha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006; REsp 413.934/RS; Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 16.09.2004, DJ 13.12.2004; REsp 412.806/RS, Rel. Ministro Luiz Fox, Primeira Turma, julgado em 15.08.2002, DJ 6 Rodrigo Cairoe Miranda Processo n° 10314.010732/2005-41 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202 -00.130 Fl. 177 23.09.2002; e REsp 434.621/RS, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 15.08.2002, DJ 23.09.2002). 4. In casu, restou assente na instância ordinária que: (i) "Uma vez concedido o beneficio fiscal, protege o impetrante o principio do direito adquirido. Com efeito, se é legalmente permitido exigir quitação de tributos para a concessão, não se pede tal exigência como condição para a aplicação efetiva do beneficio já concedido." (sentença -fl. 78); e (ii) "(...) tratando-se de beneficio que pode ser usufruído ao longo do tempo, se a Administração não pudesse exigir a apresentação da certidão negativa cada vez que o contribuinte se apresentasse para exercer o direito àquele, bastaria ao contribuinte estar em dia com as suas obrigações tributárias apenas na fase de concessão dele, fraudando o objetivo da lei e da Constituição, ou seja, o de evitar que aquele que deve ao erário seja beneficiado com a fruição de incentivo fiscal." (acórdão recorrido -fl. 106). 5. Destarte, dessume-se que o importador apresentou certidão negativa de débitos quando da concessão do drawback pela Comissão de Política Aduaneira, configurando-se abusiva a exigência de nova prova de quitação dos tributos federais no momento da efetivação do beneficio fiscal. 6. Recurso especial provido. (REsp no 839.116/BA, rel. Min. Luiz Fux, 1" Turma, publicado no DJe do dia 01/10/2008) Por último, também é de se destacar, no tocante ao pedido de restituição, que o CTN dispõe no seu artigo 168, inciso I, que o prazo é de cinco anos a partir da extinção do crédito tributário. Na espécie, como o pagamento se deu em 2003 e o pedido de retificação da DI e de restituição foi protocolizado em 2005, conclui-se que a contribuinte apresentou o seu pleito no prazo legal, razão pela qual, também neste ponto, a r. decisão merece ser reformada, não havendo que se apontar que o pedido de restituição ou qualquer manifestação de futuro aproveitamento do crédito deveria se dar na ocorrência do fato gerador, ou seja, no registro da DI. Assim, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer o direito cr ditório da contribuinte, acolhendo a retificação da DI e o pedido de restituição. Voto Yen edor Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, redatora 7 Processo n° 10314.010732/2005-41 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.130 Fl. 178 Posiciona-se o i. Relator no sentido de que a certidão de regularidade fiscal deveria ser exigida somente no momento da solicitação de habilitação ao beneficio 'fiscal, mas não quando de sua fruição, pois esta dependeria tão somente de habilitação especifica no SISCOMEX. Por tal motivo, conclui ser ilegítima a exigência da prova de quitação dos tributos federais no momento da fruição do beneficio fiscal pretendido pela recorrente, e propugna pelo provimento ao pleito de restituição do tributo pretendido pela contribuinte. . ; Posiciono -me, entretanto, de maneira contrária. 0 artigo 6° da Lei n° 10.182/01 assim dispõe: Art.6° A fruição da redução do imposto de importação de que trata esta Lei depende de habilitação especifica no Sistema Integrado de Comércio Exterior - SISCOMEX. Parágrafo único. A solicitação de habilitação será feita mediante petição dirigida a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, contendo: I - comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais; (grifo não constante do original) Claro está que a habilitação deve ser requerida perante o SECEX/MIDCT, e quando ,de sua solicitação, deve ser apresentada a comprovação de regularidade fiscal relativa aos tributos e contribuições federais. Acontece que "habilitação" não signi fica, ,"cpncessão de beneficio". Este — o beneficio — é concedido pela Secretaria da Receita Federal; a habilitação, in casu, tem apenas o condão de demonstrar que o contribuinte esta apto para pleitear, perante a SRF, a redução do imposto de importação em 40%, na forma da lei. Assim, para que o beneficio seja concedido, deverá ser requerido junto a. Receita Federal por ocasião do registro de cada Declaração de Importação e caberá autoridade fiscal concede-1o, ou não, caso sejam preenchidas todas as exigências legais. E o que preconiza o art. 120 do Regulamento Aduaneiro, corroborando o disposto no Código Tributário Nacional: Art. 120. 0 reconhecimento da isenção ou da redução do imposto será efetivado, em cada caso, pela autoridade aduaneira, com base em requerimento no qual o interessado fop prova do preenchimento das condicões e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou em contrato para sua concessão (Lei n°. 5.172, de 1966, art. 179) §1°. 0 reconhecimento referido no caput não gera direito adquirido e será anulado de oficio, sempre que se apure que se apure que o beneficiário não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do beneficio (Lei n°. 5.172, de 1966, art. 179, §2°) . (sublinhado não constante do original) 8 Processo n° 10314.010732/2005-41 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.130 Fl. 179 Por outro lado, o Ato Declaratório Normativo.COSIT n°. 07, de 07/07/1998, (DOU de 09/07/1998, Seção I, página 11) reafirma a dispensa da comprovação de quitação de tributos e contribuições federais somente em relação As mercadorias importadas isentas ou com aliquota zero, o que deixa claro ver que, contrario sensu, em casos de concessão de redução de aliquota tal como este - a comprovação se faz necessária. Assim, vez que a contribuinte não preenchia todos os requisitos legais A época da concessão do beneficio pretendido, entendo descaber a restituição pleiteada, razão pela qual NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. como voto. Irene Souza da Trindade Torres - Redatora
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Numero do processo: 13830.001721/2003-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 1999
Ementa: IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Presume-se a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei nº. 9.430, de 1996).
No caso, inclusive, há a Súmula CARF nº 26, contrária ao que defende a recorrente, pois determina que a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Numero da decisão: 9202-002.068
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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Recorrente MARÍLIA FANCELLI PAVARINI Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 1999 Ementa: IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei nº. 9.430, de 1996). No caso, inclusive, há a Súmula CARF nº 26, contrária ao que defende a recorrente, pois determina que a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACILIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCELO OLIVEIRA, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, GUSTAVO LIAN HADDAD, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ELIAS SAMPAIO FREIRE, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, GONCALO BONET ALLAGE, SUSY GOMES HOFFMANN. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13830.001721/200367 Acórdão n.º 9202002.068 CSRFT2 Fl. 454 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls.0408, interposto pelo sujeito passivo contra acórdão, fls. 0382, que decidiu, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 MANDADO DE SEGURANÇA IMPETRADO EM DESFAVOR DE JUIZ FEDERAL IMPOSSIBILIDADE DE ESTENDER SUAS DECISÕES À AUTORIDADE DIVERSA. É absolutamente impertinente a tentativa de estender os efeitos de decisão exarada em desfavor de juízo federal, este funcionando como autoridade impetrada em mandado de segurança, para constranger a prática de atos de autoridade administrativa que sequer foi parte no mandamus. MATÉRIA SOB APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO CONCOMITÂNCIA DAS INSTÂNCIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA IMPOSSIBILIDADE. O litigante não pode discutir a Mesma matéria em processo judicial e em administrativo. Havendo coincidência de objetos nos dois processos, devese trancar a via administrativa. Em nosso sistema de direito, prevalece a solução dada ao litígio pela via judicial. Inteligência da Súmula 1°CC n° 1: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". FISCALIZAÇÃO PODER INVESTIGATÓRIO COMUNICAÇÃO AO FISCALIZADO DA PRODUÇÃO DE ATO OU DOCUMENTO ACOSTADO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DESNECESSIDADE PROCEDIMENTO DE CARÁTER INQUISITIVO AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO RESERVADOS À FASE RECURSAL. A autoridade fiscalizadora pode compulsar e apreciar qualquer documento que comporá o futuro processo administrativo fiscal sem estar obrigada a fazer qualquer comunicação ao fiscalizado. Devese observar que o procedimento fiscal tem caráter inquisitivo, cabendo à fiscalização impulsionálo de oficio. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 Assim, a autoridade investigadora não se encontra obrigada a ouvir o fiscalizado a cada documento novo juntado ou avaliado no curso da investigação. Cabe a autoridade, apenas, juntar os documentos, descrevendoos, e, se for o caso, apontar a infração apurada, com a motivação necessária. Concluída a investigação, abrese para o contribuinte a ampla defesa e o contraditório, previstos na Carta Magna, no âmbito do processo administrativo fiscal. APLICAÇÃO RETROATIVA DAS LEIS COMPLEMENTAR N° 105/2001 E ORDINÁRIA N° 10.174/2001 LEGISLAÇÃO QUE AUMENTA OS PODERES DE INVESTIGAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA FISCAL PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA VERSUS PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO QUE AMPLIA O PODER PERSECUTÓRIO DO ESTADO. Hígida a ação fiscal que tomou como elemento indiciário de infração tributária a informação da CPMF, mesmo para período anterior a 2001, já que à luz do art. 144, § 1°, do CTN, podese utilizar a legislação superveniente à ocorrência do fato gerador, quando esta amplia os poderes de investigação da autoridade administrativa fiscal. Não se pode invocar o princípio da segurança jurídica como um meio para se proteger da descoberta do cometimento de infrações tributárias. GARANTIA CONSTITUCIONAL AO SIGILO BANCÁRIO INEXISTÊNCIA PROTEÇÃO A COMUNICAÇÃO DE DADOS E NÃO AOS DADOS EM SI MESMO PRECEDENTES DO PRETÓRIO EXCELSO FAVORÁVEL A TRANSFERÊNCIA DO SIGILO BANCÁRIO PARA O FISCO IMPOSSIBILIDADE DO JULGAMENTO DA CONSTITUCIONALIDADE DA. LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001 NA VIA ADMINISTRATIVA. Os precedentes do Supremo Tribunal Federal são favoráveis à constitucionalidade da transferência do sigilo bancário dos contribuintes para o fisco, pois o art. 5º, XII, da Constituição Federal protege a comunicação de dados e não os dados em si mesmo. Há, inclusive, precedente da Corte Constitucional que indica que o sigilo bancário sequer se amolda ao inciso constitucional antes citado. Ademais, no âmbito do processo administrativo, encontrase a autoridade julgadora impedida de apreciar o vetor constitucional de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, nos estritos limites do art. 49 do Regimento interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 junho de 2007, aliado à Súmula 1°CC n° 2: "O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária", o que afastar qualquer pretensão de declaração da inconstitucionalidade da Lei Complementar n° 105/2001. IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REGIME DA LEI N° 9.430/96 POSSIBILIDADE. A partir da vigência do art. 42 da Lei n° 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da *renda Fl. 535DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13830.001721/200367 Acórdão n.º 9202002.068 CSRFT2 Fl. 455 5 representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6° da Lei n° 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MARÍLIA FANCELLI. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da 3' Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER da preliminar de irretroatividade da Lei n° 10.174, de 2001, e da Lei Complementar n° 105, de 2001, em relação ao lançamento decorrente dos depósitos bancários em conta do Banco Sudameris. Por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento em decorrência da irretroatividade da Lei n° 10.174, de 2001, e da Lei Complementar n° 105, de 2001, em relação aos depósitos bancários das demais contas, vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Janaína Mesquita Lourenço de Souza e Gonçalo Bonet Allage. E, por unanimidade de votos, REJEITAR as demais preliminares argüidas pelo recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Em seu recurso especial o sujeito passivo alega, em síntese, que: 1. No acórdão recorrido os Ilustres Conselheiros manifestaram entendimento no sentido de que "(...) não há qualquer conflito entre o art. 42 da Lei n o 9.430/96, que presume como rendimento omitido os valores creditados em conta de depósitos para os quais o contribuinte não comprove sua origem e os arts. 43 e 44 do Código Tributário Nacional, que definem o fato gerador do imposto de renda IR, os conceitos de renda e proventos de qualquer natureza e a base de cálculo do IR, como fez crer a recorrente”; 2. Esta interpretação da lei tributária não é a mais adequada; 3. A Recorrente defende que: a base de cálculo do IR é o plus que se agrega ao patrimônio do contribuinte, sendo certo que sua apuração deve levar em conta todas as despesas necessárias à sua conformação; 4. O crédito bancário não é, por si só, prova de acréscimo patrimonial; Fl. 536DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 5. Sob a égide do artigo 43 do CTN é defeso ao Fisco exigir o imposto sobre a renda sem a demonstração cabal de que os créditos e depósitos apurados na movimentação bancária teriam dado origem a uma disponibilidade econômica ou jurídica de renda; 6. Pelo exposto, requer o recebimento, o conhecimento e o provimento do presente Recurso. Por despacho, fls. 0427, deuse seguimento ao recurso especial. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) apresentou suas contra razões, fls. 0435, argumentando, em síntese, que: 1. A Lei 9430/1996 dispõe que se caracteriza como omissão de receita os depósitos bancários aos quais a pessoa física não consegue comprovar sua origem; e 2. Face ao exposto, requer a PGFN que seja negado provimento ao recurso especial. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13830.001721/200367 Acórdão n.º 9202002.068 CSRFT2 Fl. 456 7 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Primeiramente cabe destacar que o recurso especial do contribuinte, fls. 0408 a 0420, versa, somente, sobre a aplicabilidade da presunção expressa no Art. 42 da Lei 9.430/1996. Lei 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Portanto, a legislação configurou como omissão de receitas os valores creditados em conta sem comprovação de origem. Para a recorrente somente o incremento do patrimônio (plus) é que deveria compor a base de cálculo do IR. Em nosso entendimento, não há razão no argumento da recorrente, pois a Lei, em vigor, versa em sentido contrário. Para esclarecimento, enriquecedor o voto constante do acórdão recorrido, do ilustre conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos: "A partir dessa inovação legislativa, os valores mantidos em conta de depósito sem comprovação de sua origem passaram a ser rendimentos presumidos. Tratase de presunção iuris tantum, passível de prova em contrário por parte do contribuinte. Entretanto, caso o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos valores mantidos em conta de depósito ou investimento, é de se presumir que tais valores foram omitidos da tributação. (...) Nesse novo cenário normativo, não há que se falar em sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários com origem não comprovada pelo contribuinte." Fl. 538DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 Esse mesmo entendimento consta do acórdão n° CSRF/0400.164, sessão de 13 de dezembro de 2005, da ilustre Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei nº. 9.430, de 1996). Por fim, cabe destacar que o CARF possui Súmula neste mesmo sentido: Portaria CARF 49/2010: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. CONCLUSÃO: Por todo exposto, voto em negar provimento ao recurso do contribuinte, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 539DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10166.000915/2003-37
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PIS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. ARGUIÇÃO DE OMISSÃO DESTE CONSELHO QUANTO A APLICAÇÃO DO ART. 45 DO DECRETO FEDERAL N°. 70.235/1972.
INEXISTÊNCIA
0 crédito tributário objeto deste processo administrativo constitui exigência
reflexa daquela formalizada no Proc. n°. 10166.010525/2003-75 (IRPJ), de
sorte que os fundamentos utilizados para exoneração do crédito tributário
naquele processo, devem ser obrigatoriamente aplicados à exigência acessória, sendo entendimento consolidado neste Conselho que "aplica-se as contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação de IRPJ, em função da relação de causa e efeito que os une".
Manifesta a impropriedade da arguição deduzida pela Fazenda Nacional nos
embargos de declaração sob análise, posto que a "decisão não definitiva" que
teria sido aplicada para "exoneração de oficio" do crédito tributário objeto
deste processo, é exatamente a mesma que, em julgamento conjunto, proveu o recurso voluntário pertinente a este processo administrativo.
Não se tratando de exoneração de oficio, mas sim de julgamento efetivo,
não se aplica a regra do art. 45 do Decreto Federal n°. 70.235/1972.
Embargos conhecidos e desprovidos.
Numero da decisão: 1103-000.660
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: HUGO CORREIA SOTERO
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10166.000915/2003-37 Recurso n° 224.534 Embargos Acórdão n° 1103-00.660 — la Câmara / 3a Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2012 Matéria PIS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado FUNDAÇÃO EMPREENDIMENTOS CIENTÍFICOS TECNOLÓGICOS - FINATEC EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PIS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. ARGUIÇÃO DE OMISSÃO DESTE CONSELHO QUANTO ik APLICAÇÃO DO ART. 45 DO DECRETO FEDERAL N°. 70.235/1972. INEXISTÊNCIA 0 crédito tributário objeto deste processo administrativo constitui exigência reflexa daquela formalizada no Proc. n°. 10166.010525/2003-75 (IRPJ), de sorte que os fundamentos utilizados para exoneração do crédito tributário naquele processo, devem ser obrigatoriamente aplicados à exigência acessória, sendo entendimento consolidado neste Conselho que "aplica-se as contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação de IRPJ, em função da relação de causa e efeito que os une". Manifesta a impropriedade da arguição deduzida pela Fazenda Nacional nos embargos de declaração sob análise, posto que a "decisão não definitiva" que teria sido aplicada para "exoneração de oficio" do crédito tributário objeto deste processo, é exatamente a mesma que, em julgamento conjunto, proveu o recurso voluntário pertinente a este processo administrativo. Não se tratando de exoneração de oficio, mas sim de julgamento efetivo, não se aplica a regra do art. 45 do Decreto Federal n°. 70.235/1972. Embargos conhecidos e desprovidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. 6A\ Processo n° 10166.000915/2003-37 SI-CIT3 Acórdão n.° 1103-00.660 z Fl. 2 ALOYSIO J HU 10 DA SILVA - Presidente. RO - Relator. EDITADO EM: 08/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percinio da Silva, Mário Sérgio Barroso Fernandes, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa e Hugo Correia Sotero. Relatório Trata-se de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão n°. 1103-00.515, que, face o julgamento conjunto dos Processos Administrativos n's. 10166.015085/2002-61 (SUSPENSÃO DA ISENÇÃO) e 10166.000915/2003-37 (PIS) pela Delegacia de Julgamento de Brasilia (DF), deslindou, em julgamento único, os recursos voluntários pertinentes a ambos os processos. Esta a ementa do acórdão embargado: "SUSPENSÃO DA ISENÇÃO DO IRRIFUNDAÇÃ 0 DE CARA TER CIENTÍFICO. SUSPENSÃO DA ISENÇÃO EM FACE DO EXERCÍCIO DE ATIVIDADE ECONÔMICA. IMPOSSIBILIDADE. A regra insculpida no art. 15, caput, da Lei Federal n°. 9.532/1997 deixa claro que a isenção é outorgada as instituições e não as atividades; gozam da isenção as entidades (associações civis sem fins lucrativos), não havendo, na regra, critério objetivo a ser perquirido, salvo a destinação dos "serviços" ou atividades ao grupo de pessoas que compõem a associação. O exercício de "atividade econômica", com a conseqüente percepção de receitas, encontra-se expressamente chancelado pelo sS' 3° do art. 12 da referida Lei n°. 9.532/1997. Da interpretação conjugada dos artigos 12 e 15 da Lei no. 9.532/1997 se conclui que a origem dos recursos auferidos pelas associações sem fins lucrativos é questão irrelevante para fins de outorga e manutenção da isenção do IRPJ e CSLL, sendo relevante, apenas, sua destinação, consoante a parte final do ,sS' 3° do art. 12 ("destine referido resultado, integralmente, manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais'), fato ignorado pela fiscalização. 2 Processo n° 10166.000915/2003-37 SI-C1T3 Acórdao n.° 1103-00.660 Fl. 3 PIS. LANÇAMENTO REFLEXO. EXONERAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Tendo o crédito tributário do PIS (apensado ao processo 10166.015085/2002-61/Suspensão de isenção) sido lançado em decorrência do IRPJ, exigido em face da suspensão da isenção ora discutida e afastada, deve o mesmo ser exonerado Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep, por se tratar de tributação reflexa." 0 embargante argüiu, nos embargos de declaração opostos (fl. 1.150), omissão deste Conselho no que concerne A impossibilidade de exoneração de oficio do crédito tributário, posto que a decisão proferida no Recurso Voluntário n°. 150.235 (Proc. n°. 10166.015085/2002-61) não é definitiva, exigência estampada no art. 45 do Decreto Federal n°. 70.235/1972. Sustenta a Embargante não ter essa Camara observado que, A mingua de decisão definitiva no processo principal, não poderia ser exonerado o crédito tributário objeto deste processo. o relatório. Voto Hugo Correia Sotero - Relator Assim dispõe o art. 57, § 1°, do Regimento Interno deste Conselho, verbis: "Art. 57. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Camara. 5S' 1°. Os embargos de declaração poderão ser interpostos por Conselheiro da Camara, pelo Procurador da Fazenda Nacional, por Presidente da Turma de Julgamento de primeira instância, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição fundamentada, dirigida ao Presidente da Camara, no prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão." Embargos tempestivos. Preenchidos os requisitos de admissibilidade. Entendo não assistir razão ao Embargante. Primeiramente, há que se observar que, por força da reunido dos Processos Administrativos n°s. 10166.015085/2002-61 e 10166.000915/2003-37 e do julgamento conjunto de ambos pela Delegacia de Julgamento de Brasilia (DF), o Acórdão n°. 1103-00.515 julgou os recursos voluntários interpostos em ambos os processos, sendo, inclusive, rejeitada preliminar suscitada pela Embargada de nulidade por força de tal reunião. 3 Processo n° 10166.000915/2003-37 SI-C I T3 Acórdão n.° 1103-00.660 Fl. 4 Nesse sentido, manifesta a impropriedade da arguição deduzida pela Fazenda Nacional nos embargos de declaração sob análise, posto que a "decisão não definitiva" que teria sido aplicada para "exoneração de oficio" do crédito tributário objeto deste processo, é exatamente a mesma que, em julgamento conjunto, proveu o recurso voluntário pertinente a este processo administrativo. Não fosse isso, há que se observar, como o faz expressamente o Acórdão n°. 1103-00.515, que o crédito tributário objeto deste processo administrativo constitui exigência reflexa daquela formalizada no Proc. n°. 10166.010525/2003-75 (IRPJ), de sorte que os fundamentos utilizados para exoneração do crédito tributário naquele processo devem ser obrigatoriamente aplicados A. exigência acessória, sendo entendimento consolidado neste Conselho que "aplica-se As contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação de IRPJ, em função da relação de causa e efeito que os une". Não há que se falar, assim, em violação A regra encartada no art. 45 do Decreto Federal n°. 70.235/1972, porquanto se está diante de julgamento conjunto e não houve exoneração de oficio no caso. Não se tratando de exoneração de oficio, mas sim de julgamento efetivo, não se aplica a regra do art. 45 do Decreto Federal n°. 70.235/1972. Com estas considerações, não divisando, na hipótese, omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado, conheço dos embargos para negar-lhe provimento. o ero - elator 4
score : 1.0
Numero do processo: 15504.003783/2009-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 03/03/2009
PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS À RELEVAÇÃO
DA MULTA ANTES DA REVOGAÇÃO DO FAVOR FISCAL. APLICAÇÃO DA NORMA REVOGADA.
Mesmo para os casos em que a lavratura tenha se dado após a revogação da norma que previa a relevação da multa, essa deve ser concedida se o sujeito passivo cumpriu os requisitos normativos para obtenção do favor fiscal durante a vigência da regra jurídica revogada
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.201
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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APLICAÇÃO DA NORMA REVOGADA. Mesmo para os casos em que a lavratura tenha se dado após a revogação da norma que previa a relevação da multa, essa deve ser concedida se o sujeito passivo cumpriu os requisitos normativos para obtenção do favor fiscal durante a vigência da regra jurídica revogada Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.215.8030, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado para aplicação de multa por descumprimento da obrigação acessória de deixar de escriturar em títulos próprios da contabilidade todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. A multa foi fixada em R$ 6.645,83 (seis mil, seiscentos e quarenta e cinco reais e oitenta e três centavos). De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 06, a empresa deixou, em relação à obra de CEI n.º 50056.08987/76, de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, infringindo, assim, a legislação previdenciária. Assevera o Fisco que a autuada, ainda durante a ação fiscal, corrigiu a falta, merecendo, assim, a atenuação da penalidade, prevista no art. 291 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999. O sujeito passivo apresentou defesa, onde alega merecer a relevação da penalidade, uma vez que preencheu os requisitos necessários à concessão do benefício. A DRJ em Belo Horizonte (MG) indeferiu, por maioria, o pedido de dispensa da multa, por entender que na data da lavratura não mais vigia o dispositivo que autorizava a relevação da penalidade imposta. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário, no qual insiste no pedido de dispensa da multa, por entender que corrigiu a falta quando ainda vigia o dispositivo do RPS que previa a possibilidade de relevação. É o relatório. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.003783/200926 Acórdão n.º 240102.201 S2C4T1 Fl. 191 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Os efeitos da revogação do § 1.º do art. 291 do RPS A previsão da possibilidade de relevação das penalidades aplicadas por descumprimento das obrigações acessórias vinha estampada no § 1.º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/19991, o qual estabelecia como requisitos para a concessão do favor fiscal a correção da falta e o pedido do benefício até o prazo para impugnação, além da primariedade do autuado. Tal dispositivo foi retirado do ordenamento pelo Decreto n.º 6.727, publicado em 13/01/2009. Tal modificação normativa trouxe um problema de ordem prática, consistente em definir se sua aplicabilidade levaria em conta a data da infração, a data de correção da falta, a data da lavratura ou a data da apresentação da impugnação. No entender o órgão a quo, as disposições relativas à atenuação e relevação da penalidade, por se tratarem de exclusão do crédito tributário, não estariam abarcadas pelo art. 105 do CTN, uma vez que não se vinculam ao fato gerador da obrigação, mas ocorrem em momento posterior. Em outras palavras, a aplicação da multa diz respeito ao momento da materialização da hipótese de incidência, qual seja o do cometimento da infração, regendose pela legislação aí vigente. Todavia, para aplicação da atenuação/relevação, que correspondem a exclusão do crédito tributário, aplicarseia a norma em vigor no momento da concessão do favor fiscal, qual seja da lavratura ou do julgamento de primeira instância. Para o contribuinte, ao contrário, a utilização do art. 105 do CTN2 conduziria a dispensa da penalidade, uma vez que, tendo o mesmo preenchido os requisitos normativos necessários a relevação da multa ainda sob a égide da legislação revogada, a ele não poderia ser aplicada legislação posterior mais gravosa. Ao me envolver nesse debate, invoco um dos princípios mais caros, não só na seara tributária, mas um postulado edificante de todo o ordenamento pátrio, que é o princípio da segurança jurídica. De acordo com esse, estampado no inciso XXXVI do art. 5.º da 1 Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) § 1o A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) 2 Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Constituição Federal3, a lei não poderá negligenciar as situações jurídicas já constituídas sob o manto da lei pretérita e retroagir para alterar o status das mesmas. Considerese determinado contribuinte que, ao se deparar com o aparato fiscal em sua porta, e conhecendo a norma concessiva da atenuação/relevação da penalidade, resolvesse corrigir alguma infração porventura cometida, de modo a se beneficiar do favor fiscal, o qual posteriormente foi revogado. A meu sentir, não poderia esse sujeito passivo ser privado da possibilidade de relevação, uma vez que cumpriu, ainda durante a vigência da norma revogada, todos os requisitos previstos na mesma. Concluirse de maneira distinta, seria atropelar sem piedade o mencionado princípio da segurança jurídica, uma vez que a aplicação da norma futura para afastar um benefício, para o qual o contribuinte já houvera cumprido todos os requisitos para sua obtenção, corresponde a prejudicar uma situação jurídica perfeitamente consolidada sob o manto da norma revogada. Tal proceder é inconcebível frente aos ditames constitucionais. Nesse sentido, aliome ao entendimento da relatora, vencida no julgamento de primeira instância, bem como à tese do contribuinte, de que a relevação deva ser concedida, uma vez que a correção da falta foi realizada ainda na vigência do § 1.º do art. 291 do RPS e o contribuinte ostentava a condição de réu primário. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo 3 XXXVI a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; Fl. 193DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10725.003038/2008-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. DEFERIMENTO DA DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF. Comprovada a despesa médica com documentação hábil e idônea, deve-se
deferir sua dedução da base de cálculo do imposto de renda.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-001.811
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso para restabelecer a despesa médica no montante de R$ 10.000,00.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. DEFERIMENTO DA DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF. Comprovada a despesa médica com documentação hábil e idônea, deve-se deferir sua dedução da base de cálculo do imposto de renda. Recurso provido.
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COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. DEFERIMENTO DA DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF. Comprovada a despesa médica com documentação hábil e idônea, devese deferir sua dedução da base de cálculo do imposto de renda. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para restabelecer a despesa médica no montante de R$ 10.000,00. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 23/02/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Fl. 65DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Em face do contribuinte ELIAS ANTÔNIO YUNES NETO, CPF/MF nº 302.022.30759, já qualificado neste processo, foi lavrada, em 06/10/2008, notificação de lançamento (fls. 02 a 04), com ciência postal em 14/10/2008 (fl. 24). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 6.319,02 MULTA DE OFÍCIO R$ 4.739,26 Ao contribuinte foram imputadas as seguintes infrações: Dedução I n d e v i d a de D e s p e s a s M é d i c a s. Glosa do valor de R$ ********16.757,83, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS PAULA BATISTA RAMOS TAVARES 10.000,00 ( recibos sem identificação do beneficiário, endereço e n° do registro em Conselho do profissional); UNIMED DE CAMPOS COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO 6.757,83 (documentação insuficiente); Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ * * * * * * * * * 6.478,31, recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R $ * * * * * * * * * * * * 70,92 Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 6ª Turma da DRJJuiz de Fora (MG), por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0932.530, de 25 de novembro de 2010 (fls. 33 e seguintes). A decisão acima considerou incontroversa a infração oriunda da omissão de rendimentos percebidos por dependente do fiscalizado, por ausência de debate na impugnação. Ainda, restabeleceu parcialmente a despesa com a Unimed de Campos Cooperativa de Trabalho Médico, no importe de R$ 6.671,04, porém manteve a glosa das despesas referentes aos recibos emitidos pela odontóloga Paula Batista Ramos Tavares, pelos seguintes motivos (fl. 37): Verificase que o contribuinte, na fase de defesa, traz novamente os recibos apresentados à autoridade lançadora (fls. 05/06). Fl. 66DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10725.003038/200888 Acórdão n.º 210201.811 S2C1T2 Fl. 2 3 Porém, percebese que a informação de quem seria o beneficiário foi acrescentada posteriormente à emissão dos documentos, notandose, ainda, que o carimbo do profissional com a indicação do número de registro no CRORJ foi aposto sobre o anterior, que estava ilegível. Tal procedimento impossibilita a aceitação dos recibos ora apresentados. A regularização deveria ser feita com emissão de 2ªª via dos recibos ou com outro documento onde constasse a assinatura do profissional prestador do serviço atestando as correções. A inclusão posterior do beneficiário não permite afirmar que foi o emitente do recibo quem prestou as informações, o que é necessário para a finalidade de tais dados que proporcionam, qual seja, a verificação da regularidade das deduções, pois o contribuinte poderia ter efetuado pagamento de despesas para não dependentes, que não são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda. Outra motivação para a não aceitação dos recibos apresentados foi a ausência do endereço do profissional prestador dos serviços. Esta informação é claramente exigida no inciso III do § 2° da Lei n° 9.250/95, sendo requisito essencial da validade dos recibos. Embora possa parecer ao contribuinte de somenos importância a informação do endereço, ela proporciona, em casos de necessidade, aprofundamento de investigações, por meio de diligências ao local do suposto atendimento profissional. E incontroverso que não se pode admitir deduções outras a não ser aquelas elencadas nos dispositivos legais acima transcritos, de sorte que não podem ser considerados, por falta de amparo legal, os recibos apresentados à fiscalização e trazidos à colação, onde não constam os requisitos exigidos. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 17/02/2011 (fl. 43). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 15/03/2011 (fl. 44). No voluntário, o recorrente combate apenas a glosa com a despesa médica odontológica, tendo reconhecido as demais infrações, e alega, verbis (fls. 45 e 46): Preliminarmente cumpre destacar que a manutenção das glosas de Despesas Médicas pelas autoridades julgadoras de Primeira Instância, foi motivada por não ter sido aceita a forma como foram complementados os recibos já apresentados à autoridade lançadora e anexados na fase de defesa. Inexistem nos autos indícios de que os valores dos serviços utilizados como Dedução, não foram de fato dispêndios do recorrente. As autoridades julgadoras de 1ª Instância Administrativa discordaram tão somente da forma como o contribuinte complementou na fase de impugnação, os recibos apresentados à autoridade lançadora, sob a alegação de que a regularização deveria ser feita com emissão de 2a via doS recibos Fl. 67DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 ou com outro documento onde constasse a assinatura do profissional prestador do serviço atestando as correções. A intenção do contribuinte ao providenciar a complementação dos recibos, teve como finalidade mostrar a verdade dos fatos, qual seja, foi ele o beneficiário dos serviços da profissional Paula Batista Ramos Tavares, que teve o seu endereço profissional também complementado, tudo conforme inciso III do artigo 8º , parágrafo 2º da Lei 9.250 de 26 de dezembro de 1995. O recorrente apresenta a Declaração e o Recibo/Declaração de forma harmoniosa com tudo que já foi exposto ao julgador de 1ª Instância. Nada de novo está sendo juntado, apenas a forma de apresentação dos requisitos exigidos foi alterada. Assim, traz aos autos os mesmos recibos, complementados com a Declaração da profissional que indica ser o contribuinte o beneficiário dos serviços médicos e com a indicação do endereço da mesma, antes aposto no verso dos recibos originais emitidos à época da prestação do serviço (doc. 03 a 08). As complementações agora trazidas aos autos, em fase de recurso, estão em perfeita harmonia com o que já foi apresentado em fase de impugnação e reforça a verdade material favorável ao recorrente. Em atenção ao Princípio da Verdade Material, o exame dos documentos e a conseqüente comprovação do alegado devem ser valorados a qualquer tempo, devendo o julgador buscar a verdade valendose dos elementos trazidos aos autos para o seu convencimento. Sob pena de grave ofensa ao princípio do locupletamento indevido, presente em nosso ordenamento jurídico, há que se reconhecer a justa dedução feita pelo contribuinte e o saneamento das exigências expostas pelo autuante e pelo julgador de 1a Instância Administrativa. Certo é que as Despesas Médicas estão comprovadas por recibos cuja idoneidade não se discutiu, e cujas falhas apontadas, tanto pelo autuante, como na fase de julgamento, estão agora sendo preenchidas sendo portanto, acertadamente deduzidas da base de cálculo para tributação, como se comprova na DIRPF 2005. (...) Senhores Julgadores, não pode, portanto, prosperar a pretensão de ser mantida a glosa de R$ 10.000,00, a título de Despesas Médicas no ano de 2004, sob alegação de não ter havido saneamento das irregularidades apontadas nos recibos da profissional Paula Batista Ramos Tavares, pois conforme demonstrado pelos documentos anexados a este recurso, as despesas foram efetivadas, estando os documentos apresentados e ora complementados de acordo com o artigo 8o , inciso III da Lei 9.250 de 26 de dezembro de 1995. Assim, a documentação apresentada se presta para a comprovação das despesas deduzidas pelo impugnante e cuja glosa foi mantida pelo Acórdão recorrido . O recorrente juntou declaração ratificadora de prestação de serviço emitida pela odontóloga Paula Batista Ramos Tavares (fls. 50 a 55). Fl. 68DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10725.003038/200888 Acórdão n.º 210201.811 S2C1T2 Fl. 3 5 É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 17/02/2011 (fl. 43), quintafeira, e interpôs o recurso voluntário em 15/03/2011, dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 21/03/2011, segunda feira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. A controvérsia se resume à despesa odontológica pretensamente incorrida com os serviços prestados pela profissional Paula Batista Ramos Tavares por parte do autuado, no importe de R$ 10.000,00, comprovada a princípio com 04 recibos de R$ 2.500,00, paga em espécie, para a qual a autoridade autuante e a julgadora da instância de piso colocaram óbices de naturezas formais em face dos recibos, rejeitandoos. Em grau de recurso, o recorrente traz declaração ratificadora da prestação do serviço, emitida pela profissional ora citada. Claramente, não se pode negar que o recorrente superou os óbices formais apontados, pois os documentos de fls. 50 e 51, iniludivelmente, fazem prova da declaração da prestação do serviço, suprindo qualquer óbice no tocante aos aspectos formais dos recibos. Em tais documentos, emerge todos os requisitos formais para justificar a dedução de uma despesa médica, como exigido pelo art. 8º, II, “a”, e § 2º, III, da Lei nº 9.250/95 (nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC do prestador). Ante o exposto, julgo procedente o recurso para restabelecer a despesa médica no montante de R$ 10.000,00. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 69DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10715.009345/99-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 20/10/1995
ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 20/10/1995
Projetor LCD (liquid crystal dysplay), concebido para funcionar acoplado a um microcomputador ou uma estação de trabalho, com a finalidade de projetar apresentações elaboradas mediante o uso de programas de computador, na vigência da nomenclatura aprovada pelo Decreto nº 1.343, de 1994, devem ser classificados no item 8528.10.00.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-001.151
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López (Relatora), que negavam provimento.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Maria Teresa Martinez Lopes
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ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 20/10/1995 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 20/10/1995 Projetor LCD (liquid crystal dysplay), concebido para funcionar acoplado a um microcomputador ou uma estação de trabalho, com a finalidade de projetar apresentações elaboradas mediante o uso de programas de computador, na vigência da nomenclatura aprovada pelo Decreto nº 1.343, de 1994, devem ser classificados no item 8528.10.00. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López (Relatora), que negavam provimento. Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López Relatora Luis Marcelo Guerra de Castro RedatorDesignado Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIR O TORRES, 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmann e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratam os autos de auto de lançamento de crédito tributário por meio dos autos de infração de fls. 01 a 08 referente ao Imposto de Importação (II) e IPI vinculado e seus acréscimos legais, sob o entendimento de ocorrência de erro de classificação tarifária, em ato de revisão aduaneira, para a mercadoria denominada “projetor de cristal líquido”, marca PRÓXIMA, modelo 5100, indevidamente abrigada no Código 9008.30.00 quando a classificação deveria ser no Código 8528.10.00 – projetores de vídeo – cujas alíquotas do II e do IPI passam, respectivamente, de 18% para 70% e de 18% para 20 %. Consta do relatório da decisão recorrida o que a seguir transcrevo: Inconformado, o sujeito passivo impugnou o feito, nos seguintes termos: Preliminarmente, este AI não pode prosperar, já que foi formulada consulta, sobre o tema, datada e entregue a essa Inspetoria em 09 de outubro do 1998, Processo nº 10715.0006151/9874, e, de acordo com o disposto no regulamento de consulta, Decreto 70.236/76, não se pode lavrar auto de infração sobre assunto objeto de consulta. Sob o ponto de vista técnico, o projetor da marca Proxima, modelo DP5100 importado pela requerente, através da DI 95/0493767, registrada em 25/10/95 é um dispositivo de cristal líquido com características específicas e inconfundíveis para projeção de imagens oriundas de computador ou estações gráficas (workstations). Tratase de um poderoso recurso áudiovisual, já largamente utilizado profissionalmente, não só por empresas privadas e públicas, mas por Órgãos dos governo Municipal, Estadual e Federal, inclusive as Forças Armadas — Exército, Marinha e Aeronáutica; Universidades, Centros de Pesquisa e Escolas, etc. Esses modelos de projetores, incorporando alta tecnologia de cristal líquido, são compatíveis e se conectam virtualmente a qualquer plataforma de computador PC e estações gráficas (workstations) para transposição das mesmas imagens mostradas no monitor destas fontes, em uma grande tela ou parede. São utilizados pelos usuários desertos no item acima para suportar reuniões de diretoria, reuniões departamentais e de grupos de trabalho, sessões de treinamento, apresentações e palestras. Para melhor caracterização do “produto” em questão é oportuno, dentre os vários benefícios oferecidos pelo uso desses equipamentos, destacar: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIR O TORRES, 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10715.009345/9958 Acórdão n.º 930301.151 CSRFT3 Fl. 123 3 a) aumento na produtividade e no nível de assimilação da platéia sobre os temas apresentados. b) elaboração ou modificação do material de apresentação, pelo próprio usuário, em seu microcomputador mediante, o uso de um software de computador, como Powerpoint, Harvard Graphics Lotus Freelance ou outro similar. c) substancial economia resultante da eliminação dos custos com a preparação de transparências, slides e outros materiais caros de apresentação. Pelas características anteriormente expostas, o modelo DP5100 não é, em absoluto, projetor de vídeo digital como entendeu o auditor fiscal responsável pela lavratura do auto, classificando as mercadorias desembaraçadas face a esta interpretação na posição TEC 8528.10.00. Projetor de vídeo é um dispositivo essencialmente diverso, pois, projeta ùnicamente imagens provenientes de vídeo cassete ou de televisão, utilizado, normalmente, como equipamento doméstico (Home Theatre), para fins de entretenimento em bares, clubes, etc. Por essa razão, o custo de um projetor de vídeo digital é muito mais baixo que um projetor de computador com tecnologia de cristal liquido, portátil e profissional; seu custo é de 3 a 5 vezes superior a aquele. (Vide informação em anexo colhida da “home page” da Sharp que fabrica ambos produtos). Outra diferença técnica, igualmente relevante, é que a projeção de vídeo, é feita na resolução VGA (640x480) enquanto os atuais projetores de computador, acompanhando o avanço tecnológico dos computadores PC ou Workstations, são desenhados com resolução mínima real SVGA (800x600) para uso em aplicações básicas comerciais e XGA (1024x768) ou SXGA (1280x1024) para aplicações científicas ou sofisticadas nas áreas de Engenharia (CAD/CAM), Médicas e Metereologia, financeiras, etc. Para corroborar a diferença essencial, já apontada, juntamos: carta em inglês e sua tradução para português feita por tradutor juramentado, emitida pela Proxima Corporation, empresa americana com sede em San Diego, Califórnia, nos Estados Unidos e fabricante desses projetores, dirigida “A quem possa interessar” na qual ela declara: a) que não fabrica nem nunca fabricou “projetores de vídeo” e que desde 1994, só produz projetores de cristal líquido, portáteis, de alta resolução e que são compatíveis e funcionam acoplados a computadores PC, Macintosh e Workstations. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIR O TORRES, 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 b) que seus projetores LCD (cristal líquido), são exportados mundialmente sob a classificação tarifária HTS 9013.80. Em atendimento à diligência determinada a fls. 35, foi apensado a este o Processo de Consulta 10715.006151/9874, mencionado na impugnação, iniciado em 30/10/1998, consulta essa que foi considerada ineficaz por ter sido formulada “por quem estiver (de acordo com o art 52, III, do PAF) sob procedimento fiscal iniciado para apurar fato que se relacione com a matéria consultada”. Pelo Acórdão 3307 (27/11/2003), que leio em Sessão, da 1ª Turma da DRJ/FLORIANÓPOLIS, a fls. 40/45, o lançamento foi julgado procedente e não foi aceita a argüição de nulidade, sob o argumento de que havia processo de consulta sobre a matéria, pois a mesma foi considerada ineficaz como antes relatado. Para bom esclarecimento, transcrevo trecho do voto em que a DRJ explicita seu entendimento. A posição NCM 8528, defendida pelo autuante, apresenta o texto e os desdobramentos transcritos a seguir: 8528 – Aparelhos receptores de televisão (incluídos os monitores e projetores de vídeo), mesmo incorporando um aparelho receptor de radiodifusão ou um aparelho de gravação ou de reprodução de som ou de imagens 8528.10 – A cores 8528.20 – Em preto e branco ou outros monocromos As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH, a respeito da posição 8528, afirmam: 8528 [...] Entre os aparelhos da presente posição, podem citar se: [...] 6) Os projetores de vídeo, capazes de projetar em uma grande tela a imagem normalmente recebida da tela do receptor de vídeo. Com base nesses elementos e informações, resta claro que o projetor de mesa de cristal líquido importado pela interessada, que funciona acoplado a computadores, projeta imagens animadas, atributo amplamente utilizado nas reuniões, treinamentos e seminários, através da movimentação de textos e imagens na tela do computador, recursos típicos do Microsoft Power Point e outros aplicativos semelhantes, que visam tornar a exposição dos temas mais dinâmica, atraindo a atenção dos participantes. Considerando que a classificação fiscal de um produto é determinada pelos textos das posições (RGI 1), concluise que a posição 9008 é inadequada para o produto em questão, pois engloba unicamente os projetores de imagem fixa, sem recursos de animação. Desse modo, o produto importado classificase na posição 8528, que trata nominalmente dos projetores de vídeo, mais Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIR O TORRES, 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10715.009345/9958 Acórdão n.º 930301.151 CSRFT3 Fl. 124 5 especificamente no código NCM 8528.10.00, que inclui os projetores de vídeo a cores (aplicação da RGI 1). Notese que o fato de existirem projetores de vídeo para outras finalidades, com diversas resoluções, como aqueles utilizados para projetar as imagens de um aparelho de televisão, conforme destacou a impugnante, não afasta o enquadramento do produto importado na posição 8528 da NCM, pois a nomenclatura não faz essa distinção. Cumpre ressaltar que o enquadramento da mercadoria em análise na posição 8528 foi ratificada por meio da Instrução Normativa nº 60, de 29/05/2000 (alteração da Instrução Normativa nº 99, de 10/08/1999), que aprovou a tradução da Coletânea de Pareceres de Classificação de Mercadorias Adotados pela Organização Mundial das Alfândegas, nos seguintes termos: 8528.30 Projetor em cores de mesa LCD (liquid cristal display). Este projetor tem resolução de 640 x 480 pixels, é capaz de exibir 16 cores e pode ser conectado a uma máquina automática para processamento de dados, a um aparelho de videocassete ou a um tocadiscos CD. Contém incorporados um amplificador e altofalantes que permitem aos usuários conectálo a um microfone sem fio, a um tocadiscos CD portátil ou à saída auxiliar de um sistema estereofônico. Como se observa, a Organização Mundial das Alfândegas já decidiu, por meio de Parecer de Classificação de Mercadorias, que os projetores de vídeo passíveis de serem conectados a computadores são enquadrados na posição NCM 8528, decisão adotada pela SRF com eficácia normativa, através da IN SRF nº 60/2000. Embora a IN SRF nº 60/2000 mencione a subposição 8528.30, seu conteúdo aplicase ao caso do presente processo, uma vez que, na época da ocorrência dos fatos geradores do II e do IPI objeto da autuação, vigorava a Tarifa Externa Comum aprovada pelo Decreto nº 1343/94, que somente admitia os desdobramentos 8528.10 e 8528.20, para a posição NCM 8528. O produto importado também não se classifica no código NCM “9013 – Dispositivos de cristal líquido que não constituam artigos compreendidos mais especificamente em outras posições”. Sendo a posição 8528 mais específica para a mercadoria em questão, fica afastado seu enquadramento na posição 9013 (aplicação da RGI 3a). Em Recurso tempestivo, de fls. 53/59, que leio em Sessão, e com arrolamento de bens pertencentes ao ativo da empresa, os quais foram aceitos pela Repartição, este Colegiado, foi requerida a total reforma da decisão, reprisando com ênfase os argumentos antes expendidos. Diz ainda a Recte. que, seja pela função, aplicação, componentes ou usuários, não há que se confundir os projetores Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIR O TORRES, 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 multimídia LCD com os projetores de vídeo de que trata o código utilizado na decisão. Também descabe a aplicação da posição 8528.30, além do que já foi argumentado, pelo fato de, como falou o decisum, essa classificação somente foi ratificada e incorporada à legislação brasileira no ano de 2000. Sendo o objeto do lançamento anterior a esse ano, existe uma violação ao princípio constitucional da irretroatividade da lei tributária (art. 150, II, da CF). Não se conforma a Recte. com a incidência de juros moratórios calculados à taxa SELIC, que é composta por juros, de natureza remuneratória, e por um sucedâneo da correção monetária. A Lei ordinária não criou a taxa SELIC, apenas estabeleceu seu uso. Essa lei ordinária confronta a lei complementar, pois o CTN, em seu art. 161, §1º, diz que os juros serão de 1%, trazendo citação jurisprudencial a esse respeito. Este Processo foi encaminhado a este Relator conforme despacho de fls. 78, nada mais existindo nos Autos a respeito do litígio, a não ser o Processo de Consulta a este apensado, o que foi anteriormente mencionado. É o Relatório. Os membros da então Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deram provimento ao recurso voluntário. A ementa dessa decisão está assim ementada: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 20/10/1995 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. A manutenção do feito fiscal não se apóia, simplesmente, na demonstração de lapso cometido pelo contribuinte por ocasião da classificação do produto, mas também na correta classificação efetuada pelo Fisco. No presente caso, vislumbrandose como correta uma terceira classificação, não há como prosperar o lançamento. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Dessa decisão a Fazenda Nacional, por meio de seu i. Procurador interpôs embargos de Declaração sob entendimento de ter ocorrido obscuridade na decisão. À fl. 93, despacho declarando improcedentes os Embargos interpostos. Às fls. 94/98, recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 7º, I, c/c art. 15 (contrariedade à lei ou à evidência de prova), ambos do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria nº 147, de 25/06/2007. No entender do D. Procurador, transcrevendo excertos da decisão da DRJ, defende que a classificação correta é a da lavratura do auto de infração. O recurso foi admitido pelo Despacho nº 3020.155, de fls. 99/101, sob entendimento de terem sido preenchidas as condições de admissibilidade. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIR O TORRES, 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10715.009345/9958 Acórdão n.º 930301.151 CSRFT3 Fl. 125 7 A interessada, nas contrarrazões, requer a manutenção integral do acórdão. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Conheço do Recurso por reunir as condições de admissibilidade. Insurgese a Fazenda Nacional contra o acórdão que deu provimento para anular o lançamento fiscal sob o argumento de que a fiscalização errou na classificação adotada para as mercadorias importadas. Segundo a decisão, não caberia ao Conselho adotar uma terceira classificação, diferente, portanto, da adotada pela contribuinte e pela fiscalização. O cerne da questão é identificar a correta classificação dos “projetores de cristal líquido LCD, marca PRÓXIMA – modelo 5100.” A recorrida classificou os projetores que importou, definindoos como dispositivos de cristal líquido, com características específicas e inconfundíveis para projeção de imagens oriundas de computador ou estações gráficas, na posição TEC 9008.30.00. Em síntese: CLASSIFICAÇÃO PELA INTERESSADA: A interessada classificou os projetores que importou, definindoos como dispositivos de cristal líquido, com características específicas e inconfundíveis para projeção de imagens oriundas de computador ou estações gráficas, na posição TEC 9008.30.00. O código 9008 abrange: “APARELHOS DE PROJEÇÃO FIXA; APARELHOS FOTOGRÁFICOS, DE AMPLIAÇÃO OU DE REDUÇÃO”. Nos seus desdobramentos, as subposições 10, 20, 30, 40 e 90, temos: Projetores de diapositivos Leitoras de microfilmes, microfichas e outros microformatos[....] Outros projetores de imagens fixas Aparelhos fotográficos, de ampliação ou de redução Partes e Acessórios. CLASSIFICAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO: O código 8528, que a fiscalização entende ser o adequado, engloba: APARELHOS RECEPTORES DE TELEVISÃO (incluídos os monitores e projetores de vídeo), MESMO INCORPORANDO UM APARELHO RECEPTOR DE RADIODIFUSÃO Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIR O TORRES, 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 OU UM APARELHO DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE SOM OU DE IMAGENS; MONITORES E PROJETORES, DE VÍDEO”. A 8528.30 referese a PROJETORES DE VÍDEO. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH, a respeito da posição 8528, afirmam: 8528 [...] Entre os aparelhos da presente posição, podem citar se: [...] 6) Os projetores de vídeo, capazes de projetar em uma grande tela a imagem normalmente recebida da tela do receptor de vídeo. CLASSIFICAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA: posição 8471 Entendeu a decisão recorrida que o exame das posições, a do importador e a da fiscalização, não definem com acuidade a real natureza da mercadoria trazida do exterior. Classificou no código 8471: MÁQUINAS AUTOMÁTICAS PARA PROCESSAMENTO DE DADOS E SUAS UNIDADES; LEITORES MAGNÉTICOS OU ÓPTICOS, MÁQUINAS PARA REGISTRAR DADOS EM SUPORTE SOB FORMA CODIFICADA, E MÁQUINAS PARA PROCESSAMENTO DESSES DADOS, NÃO ESPECIFICADAS NEM COMPREENDIDAS EM OUTRAS POSIÇÕES. Entendeu a decisão recorrida que ao examinarse a Nota Legal do Capítulo 84 que as unidades de uma máquina automática para processamento de dados, apresentadas isoladamente, classificamse na posição 8471. Salienta que na análise das NESH’s para esse código, considerase como parte do sistema digital completo para processamento de dados qualquer unidade que preencha simultaneamente as seguintes condições: • ser do tipo utilizado exclusiva ou principalmente em um sistema automático para processamento de dados; • ser conectável à unidade central de processamento, quer diretamente, quer por intermédio de uma ou diversas outras unidades ; • ser capaz de receber ou de fornecer dados sob uma forma códigos ou sinais – utilizável pelo sistema. As interconexões podem efetuarse por meios materiais (cabos, por exemplo) ou por meios não materiais (ligações por rádio, ópticas, etc.). No mérito: A matéria, já foi objeto de outros julgamentos, de interesse da própria recorrida, conforme se verifica pela juntada de ementas. Nesse sentido, Acórdãos nºs 302 34492, 30234493, 30235348, 30235349, 30235350, 30235383 e 30238362 que, com exceção do último, todos, por unanimidade, deram provimento à interessada. Analisando as razões de decidir do acórdão recorrido, nenhum reparo há de se fazer. Nesse sentido, peço vênia para reproduzir os fundamentos bem elaborados do voto do Conselheiro PAULO AFFONSECA FARIA JUNIOR: O código 9008 abrange: “APARELHOS DE PROJEÇÃO FIXA; APARELHOS FOTOGRÁFICOS, DE AMPLIAÇÃO OU DE REDUÇÃO”. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIR O TORRES, 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10715.009345/9958 Acórdão n.º 930301.151 CSRFT3 Fl. 126 9 Nos seus desdobramentos, as subposições 10, 20, 30, 40 e 90, temos: Projetores de diapositivos Leitoras de microfilmes, microfichas e outros microformatos[....] Outros projetores de imagens fixas Aparelhos fotográficos, de ampliação ou de redução Partes e Acessórios. O código 8528, que a fiscalização entende ser o adequado, engloba: APARELHOS RECEPTORES DE TELEVISÃO (incluidos os monitores e projetores de vídeo), MESMO INCORPORANDO UM APARELHO RECEPTOR DE RADIODIFUSÃO OU UM APARELHO DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE SOM OU DE IMAGENS; MONITORES E PROJETORES, DE VÍDEO”. A 8528.30 referese a PROJETORES DE VÍDEO. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH, a respeito da posição 8528, afirmam: 8528 [...] Entre os aparelhos da presente posição, podem citar se: [...] 6) Os projetores de vídeo, capazes de projetar em uma grande tela a imagem normalmente recebida da tela do receptor de vídeo. Afirmou, ainda a decisão, embora com contestação por parte da Recte. quanto ao princípio da irretroatividade: “Cumpre ressaltar que o enquadramento da mercadoria em análise na posição 8528 foi ratificada por meio da Instrução Normativa nº 60, de 29/05/2000 (alteração da Instrução Normativa nº 99, de 10/08/1999), que aprovou a tradução da Coletânea de Pareceres de Classificação de Mercadorias Adotados pela Organização Mundial das Alfândegas, nos seguintes termos: 8528.30 Projetor em cores de mesa LCD (liquid cristal display). Este projetor tem resolução de 640 x 480 pixels, é capaz de exibir 16 cores e pode ser conectado a uma máquina automática para processamento de dados, a um aparelho de videocassete ou a um tocadiscos CD. Contém incorporados um amplificador e altofalantes que permitem aos usuários conectá lo a um microfone sem fio, a um tocadiscos CD portátil ou à saída auxiliar de um sistema estereofônico”. O exame dessas posições, a do importador e a da fiscalização, não definem com acuidade a real natureza da mercadoria trazida do exterior. Uma leitura atenta do código 8471 é importante para o deslinde da questão: MÁQUINAS AUTOMÁTICAS PARA PROCESSAMENTO DE DADOS E Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIR O TORRES, 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 SUAS UNIDADES; LEITORES MAGNÉTICOS OU ÓPTICOS, MÁQUINAS PARA REGISTRAR DADOS EM SUPORTE SOB FORMA CODIFICADA, E MÁQUINAS PARA PROCESSAMENTO DESSES DADOS, NÃO ESPECIFICADAS NEM COMPREENDIDAS EM OUTRAS POSIÇÕES. Ao examinarse a Nota Legal do Capítulo 84 verificase que as unidades de u’a máquina automática para processamento de dados, apresentadas isoladamente, classificamse na posição 8471. Verificandose as NESH’s para esse código, vêse que se considera como parte do sistema digital completo para processamento de dados qualquer unidade que preencha simultaneamente as seguintes condições: ser do tipo utilizado exclusiva ou principalmente em um sistema automático para processamento de dados; ser conectável à unidade central de processamento, quer diretamente, quer por intermédio de uma ou diversas outras unidades ; ser capaz de receber ou de fornecer dados sob uma forma códigos ou sinais – utilizável pelo sistema. As interconexões podem efetuarse por meios materiais (cabos, por exemplo) ou por meios não materiais (ligações por rádio, ópticas, etc.). Pelo que se leu, o código 8471 é o que abarca a mercadoria importada. Já é mansa jurisprudência deste Egrégio Conselho que a manutenção do procedimento fiscal não pode ter como base um lapso cometido pelo importador na classificação do produto, mas também na correta reclassificação da mercadoria efetuada pelo Fisco. No presente caso, tendo se configurado apenas o erro por parte do contribuinte, entendendose como adequada uma terceira classificação, a autuação não é de ser acatada. Conclusão: De fato, a classificação na posição 8528.30 referese a PROJETORES DE VÍDEO o que não acontece no caso. O projetor da marca Proxima, modelo DP5100 importado pela interessada, através da DI 95/0493767, é um dispositivo de cristal líquido com características específicas e inconfundíveis para projeção de imagens oriundas de computador ou estações gráficas (workstations). No mais, penso acertado o entendimento da decisão recorrida. A manutenção do feito fiscal não se apóia, simplesmente, na demonstração de lapso cometido pelo contribuinte por ocasião da classificação do produto, mas também na correta classificação efetuada pelo Fisco. No presente caso, vislumbrandose como correta uma terceira classificação, não há como prosperar o lançamento. Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Especial. Maria Teresa Martínez López Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIR O TORRES, 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10715.009345/9958 Acórdão n.º 930301.151 CSRFT3 Fl. 127 11 Voto Vencedor Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, RedatorDesignado Rendendo a devida homenagem à ilustre Conselheira Relatora, peço vênia para discordar da judiciosa explanação acerca da aplicação de uma terceira classificação, diversa da pretendida pelo Fisco e pelo Sujeito Passivo, para o produto objeto do litígio. O produto cuja classificação se debate, conforme se extrai do relatório que antecede o presente voto, corresponde a um equipamento capaz de projetar imagens oriundas de um microcomputador ou estação gráfica, informação que é ratificada pela tradução juramentada às fls. 29 a 32, onde também é consignada a informação do fabricante no sentido de que não mais produziria projetores de vídeo. Mais especificamente no trecho à fl. 030, registrase: Os projetores Proxima são plug & play e fáceis de serem usados. Os projetores são compatíveis com qualquer computador PC, Macintosh ou estação de trabalho disponível no mercado. Suas características de Plug & Play e de facilidade de uso torna (sic) para o palestrante conectar instantaneamente o projetor de LCD com o computador e, em menos de 20 segundos, ver as imagens em uma tela grande ou na parede. Os Projetores LCD Próxima são ideais para uso com o Microsoft Power Point ou qualquer outro software comercial. Já nas imagens à fl. 31, extraise a seguinte mensagem: Projetores portáteis de resolução SVGA (800 x 600) e XGA (1024x768), que se ligam a computadores e Workstations. Por outro lado, na opinião do sujeito passivo, o ponto fulcral para distinguir os projetores alvo do litígio daqueles que o Fisco classificou como “de vídeo”, alegadamente voltados para o entretenimento, seria a resolução (impugnação às fls. 23 a 26). Ou seja, projetores de vídeo apresentariam uma resolução mais baixa do que a dos importados. À esta altura, é preciso recordar que a classificação deve ser levada a efeito por meio das regras previstas na Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH), aprovada pelo Decreto Legislativo nº 71, de 11 de outubro de 1988 e promulgada pelo Decreto nº 97.409, de 23 de Dezembro de 1988, independentemente da intenção ou da convicção das partes envolvidas na operação. Ou seja, ainda que, como se vê no caso do presente litígio, o fabricante da mercadoria declare que o produto em questão não é um projetor de vídeo, se, para efeito do Sistema Harmonizado, o produto reunir as características desse tipo de máquina, a classificação fiscal será fixada de acordo com este subsistema normativo. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIR O TORRES, 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 12 Demarcado o universo normativo que servirá como critério para a presente decisão, trazse à colação, em primeiro lugar a Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) nº 1, que diz, literalmente (original não destacado): 1. OS TÍTULOS DAS SEÇÕES, CAPÍTULOS E SUBCAPÍTULOS TÊM APENAS VALOR INDICATIVO. PARA OS EFEITOS LEGAIS, A CLASSIFICAÇÃO É DETERMINADA PELOS TEXTOS DAS POSIÇÕES E DAS NOTAS DE SEÇÃO E DE CAPÍTULO E, DESDE QUE NÃO SEJAM CONTRÁRIAS AOS TEXTOS DAS REFERIDAS POSIÇÕES E NOTAS, PELAS REGRAS SEGUINTES. Feita essa demarcação, em homenagem à nota 5 do capítulo 84, resta afastada, com a devida vênia, qualquer pretensão de classificar os produtos litigiosos na posição 8471: 5. A) Consideramse máquinas automáticas para processamento de dados, na acepção da posição 84.71: a) as máquinas digitais capazes de: 1) registrar em memória programa ou programas de processamento e, pelo menos, os dados imediatamente necessários para a execução de tal ou tais programas; 2) serem livremente programadas segundo as necessidades do seu operador; 3) executar operações aritméticas definidas pelo operador; e 4) executar, sem intervenção humana, um programa de processamento, podendo modificarlhe a execução, por decisão lógica, no decurso do processamento; Ora, como se extrai da descrição do produto, as máquinas em questão são meros dispositivos de saída, concebidos para funcionar acoplados a computadores ou estações de trabalho, mas longe estão de executar alguma dessas funções descritas na nota de capítulo. Reforça tal conclusão a orientação assentada nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 1992 da posição 8471:. Todavia, não se incluem nesta posição as máquinas, instrumentos e aparelhos que incorporem uma máquina automática de processamento de dados ou funcionem em ligação com uma tal máquina e exerçam uma função própria. Estas máquinas, instrumentos e aparelhos classificamse na posição correspondente a função que desempenham ou, na ausência desta, numa posição residual (ver a parte E das Considerações Gerais do presente Capítulo). Afastada a possibilidade de classificação do produto na posição 8471, “terceira classificação” apontada pelo acórdão recorrido, cabe avaliar a exatidão da classificação indicada pelo sujeito passivo, qual seja 9008.30.00, assim descrita: 9008 Aparelhos de projeção fixa; Aparelhos fotográficos, de ampliação ou de redução (...) Fl. 12DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIR O TORRES, 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10715.009345/9958 Acórdão n.º 930301.151 CSRFT3 Fl. 128 13 9008.30 – Outros projetores de imagens fixas Mais uma vez, é preciso recorrer às NESH, mais especificamente à nota A) da posição 9008 (original não destacado) para conhecer a natureza dos produtos que deverão se enquadrar naquele código numérico: A) Enquanto que os aparelhos da posição precedente se destinam à reprodução ampliada em tela (écran) de imagens animadas, os projetores da presente posição reproduzem imagens fixas. O tipo mais comum é a lanterna de projeção (ou diascópio) que projeta a imagem de um objeto transparente (placa de vidro ou diapositivo). Este aparelho possui duas lentes: uma, o condensador, distribui a luz proveniente da fonte luminosa sobre a segunda lente, denominada de projeção. A imagem transparente é colocada entre as duas lentes e projeta se sobre a tela (écran) por meio da lente de projeção. A luz emitida por uma forte fonte luminosa é concentrada por um refletor. A mudança dos diapositivos pode efetuarse manualmente, de modo semiautomático (por meio de um eletroímã ou de um motor comandado pelo operador) ou automático (por meio de um controlador de minutos). De fato, a simples leitura do texto da posição conduziria a essa conclusão: somente equipamentos de projeção fixa, ou seja, que reproduzem imagem fixa, podem ser classificados na posição almejada. Como é cediço, apresentações mediante uso do programa Microsoft PowerPoint, declaradamente a função exercida pelo equipamento litigioso, longe estão de se enquadrar nesse conceito. Nessa linha, resta evidente que a classificação apontada pelo sujeito passivo demonstrase igualmente incorreta. Restaria, finalmente, avaliar se a classificação apontada pelo Fisco é realmente a que melhor se adéqua aos produtos em litígio. Segundo consignado no auto de infração que encerra a exigência fiscal, o produto deveria ser classificado na posição 8528 que., à época do fato gerador litigioso, possuía os seguintes desdobramentos: 8528 – Aparelhos receptores de televisão (incluídos os monitores e projetores de vídeo), mesmo incorporando um aparelho receptor de radiodifusão ou um aparelho de gravação ou de reprodução de som ou de imagens 8528.10 – A cores 8528.20 – Em preto e branco ou outros monocromos Essencialmente, como é possível perceber, apesar da oposição do Sujeito Passivo, o Fisco defende que o produto litigioso, pelo menos para efeito da sua classificação fiscal, é um projetor de vídeo, assim definido pela NESH nº 6 da Posição 8528: Fl. 13DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIR O TORRES, 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 14 6) Os projetores de vídeo, que permitem projetar em uma grande tela (écran) a imagem normalmente recebida na tela (écran) do receptor de vídeo. Como é possível perceber, de acordo com a interpretação autêntica acima exposta, projetor de vídeo é o equipamento que permite projetar imagem, normalmente (mas não exclusivamente) recebida de um receptor de vídeo. Ou seja, para o Sistema Harmonizado, pouco importa eventual critério merceológico que alegadamente distinga a aplicação do produto para atividades profissionais ou de lazer com base na resolução alcançada. Se for capaz de projetar imagens não fixas em uma tela, é um projetor de vídeo. Assim, combinando a nota da posição 8528 com a da 9008, chegase à conclusão de que, independentemente da resolução, o equipamento capaz de projetar imagens não fixas, para efeito de classificação no SH, deve ser considerado um projetor de vídeo, classificado na posição 8528. Nesse ponto, cabe relembrar que a Organização Mundial das Aduanas adotou o seguinte Parecer de Classificação, divulgado por meio da Instrução Normativa SRF nº 60, de 29/06/2000 (original não destacado): Código: 8528.30 1. Projetor em cores de mesa LCD (liquid crystal dysplay). Este projetor tem resolução de 640 x 480 pixels, é capaz de exibir 16 cores e pode ser conectado a uma máquina automática para processamento de dados, a um aparelho de videocassete ou a um tocadiscos CD. Contém incorporados um amplificador e alto falantes que permitem aos usuários conectálo a um microfone sem fio, a um tocadiscos CD portátil ou à saída auxiliar de um sistema estereofônico. Aplicação da RGI 3 c). Como é possível extrair da interpretação emanada do órgão incumbido de tal mister, para efeito do Sistema Harmonizado, a possibilidade de conexão a um microcomputador, fato que se verifica no presente processo, não retira do produto a condição de projetor de vídeo. Finalmente, cabe consignar que a Nomenclatura que vigorava quando da lavratura do auto de infração litigioso, aprovada pelo Decreto 1.343, de 1994, foi alvo de alteração pelo Decreto nº 1.767, de 1995, que incorporou a Recomendação de 6 de julho de 1993 do Conselho de Cooperação Aduaneira (Recomendação de Arusha), acrescentando à posição 8528 do SH a subposição 8528.30. 8528 APARELHOS RECEPTORES DE TELEVISÃO, MESMO INCORPORANDO UM APARELHO RECEPTOR DE RADIODIFUSÃO OU UM APARELHO DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE SOM OU DE IMAGENS; MONITORES E PROJETORES, DE VÍDEO. 8528.1 Aparelhos receptores de televisão, mesmo incorporando um aparelho receptor de radiodifusão ou um aparelho de gravação ou de reprodução de som ou de imagens: 8528.12 A cores Fl. 14DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIR O TORRES, 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10715.009345/9958 Acórdão n.º 930301.151 CSRFT3 Fl. 129 15 8528.13 Em preto e branco ou em outros monocromos 8528.2 Monitores de vídeo: 8528.21 A cores 8528.22 Em preto e branco ou em outros monocromos 8528.30 Projetores de vídeo Assim sendo, apesar desdobramento da codificação acima destacado ter sido introduzido posteriormente aos fatos analisados, o citado parecer afasta qualquer margem para dúvidas de que à época dos fatos geradores, os citados dispositivos seriam classificados na posição 8528. Desse modo, considerandose os desdobramentos então vigentes, que incluíam tais projetores na subposição 8528.10, há que se reconhecer que o produto em questão seria classificado no subitem (NCM) 8528.10.00. Com essas considerações, dou provimento ao Recurso Especial do Procurador. Sala das Sessões em 27 de setembro de 2010 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 15DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIR O TORRES, 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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