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Numero do processo: 14041.000458/2006-91
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Sat Jan 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS AUFERIDAS DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ATIVIDADE DE INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS.
As receitas auferidas de instituições financeiras em decorrência da atividade de revenda de veículos explorada pela pessoa jurídica são de natureza operacional e integram a receita bruta para fins de arbitramento do lucro.
LUCRO PRESUMIDO. VENDA DE VEÍCULOS USADOS ADQUIRIDOS PARA
REVENDA. ATIVIDADE DE CONSIGNAÇÃO. EQUIPARAÇÃO.
A legislação de regência equipara as operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, para efeitos tributários, às operações de consignação. (Lei no. 9.716, de 1998, artigo 5o. e parágrafo único. IN SRF no. 152, de 1998, artigos 1o. e 2o.).
ARBITRAMENTO DOS LUCROS.
O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário,
será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 529 e 530, III).
O valor total da receita omitida apurada pela auditoria fiscal passa a ser a receita conhecida, para fins de incidência dos percentuais de arbitramento previstos pelo legislador e, consequentemente, para definição da base de cálculo sobre a qual deverão incidir as alíquotas do IRPJ e da CSLL.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
DECISÃO DE 1A. INSTÂNCIA. NULIDADE A validação, pela autoridade julgadora a quo, dos elementos de prova angariados pela fiscalização e, como conseqüência, das próprias exigências
formalizadas faz parte do campo do livre convencimento do julgador e, como tal, não pode ser motivo para anulação de decisão.
Tendo sido a decisão da autoridade julgadora de 1a. Instância proferida com observância dos pressupostos legais e não havendo prova da violação das disposições contidas no artigo 59 do Decreto no. 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade da decisão.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS.
O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep.
Numero da decisão: 1801-000.857
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS AUFERIDAS DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ATIVIDADE DE INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS. As receitas auferidas de instituições financeiras em decorrência da atividade de revenda de veículos explorada pela pessoa jurídica são de natureza operacional e integram a receita bruta para fins de arbitramento do lucro. LUCRO PRESUMIDO. VENDA DE VEÍCULOS USADOS ADQUIRIDOS PARA REVENDA. ATIVIDADE DE CONSIGNAÇÃO. EQUIPARAÇÃO. A legislação de regência equipara as operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, para efeitos tributários, às operações de consignação. (Lei no. 9.716, de 1998, artigo 5o. e parágrafo único. IN SRF no. 152, de 1998, artigos 1o. e 2o.). ARBITRAMENTO DOS LUCROS. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 529 e 530, III). O valor total da receita omitida apurada pela auditoria fiscal passa a ser a receita conhecida, para fins de incidência dos percentuais de arbitramento previstos pelo legislador e, consequentemente, para definição da base de cálculo sobre a qual deverão incidir as alíquotas do IRPJ e da CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 DECISÃO DE 1A. INSTÂNCIA. NULIDADE A validação, pela autoridade julgadora a quo, dos elementos de prova angariados pela fiscalização e, como conseqüência, das próprias exigências formalizadas faz parte do campo do livre convencimento do julgador e, como tal, não pode ser motivo para anulação de decisão. Tendo sido a decisão da autoridade julgadora de 1a. Instância proferida com observância dos pressupostos legais e não havendo prova da violação das disposições contidas no artigo 59 do Decreto no. 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade da decisão. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS AUFERIDAS DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ATIVIDADE DE INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS. As receitas auferidas de instituições financeiras em decorrência da atividade de revenda de veículos explorada pela pessoa jurídica são de natureza operacional e integram a receita bruta para fins de arbitramento do lucro. LUCRO PRESUMIDO. VENDA DE VEÍCULOS USADOS ADQUIRIDOS PARA REVENDA. ATIVIDADE DE CONSIGNAÇÃO. EQUIPARAÇÃO. A legislação de regência equipara as operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, para efeitos tributários, às operações de consignação. (Lei no. 9.716, de 1998, artigo 5o. e parágrafo único. IN SRF no. 152, de 1998, artigos 1o. e 2o.). ARBITRAMENTO DOS LUCROS. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 529 e 530, III). O valor total da receita omitida apurada pela auditoria fiscal passa a ser a receita conhecida, para fins de incidência dos percentuais de arbitramento previstos pelo legislador e, consequentemente, para definição da base de cálculo sobre a qual deverão incidir as alíquotas do IRPJ e da CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003 DECISÃO DE 1A. INSTÂNCIA. NULIDADE Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 A validação, pela autoridade julgadora a quo, dos elementos de prova angariados pela fiscalização e, como conseqüência, das próprias exigências formalizadas faz parte do campo do livre convencimento do julgador e, como tal, não pode ser motivo para anulação de decisão. Tendo sido a decisão da autoridade julgadora de 1a. Instância proferida com observância dos pressupostos legais e não havendo prova da violação das disposições contidas no artigo 59 do Decreto no. 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade da decisão. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Tratase de autos de infração à legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls. 22 a 74), que exigem da contribuinte acima identificada o crédito Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 14041.000458/200691 Acórdão n.º 180100.857 S1TE01 Fl. 400 3 tributário no valor total de R$ 82.226,80, aí incluídos o principal a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta a constatação de irregularidades apuradas nos anoscalendário 2001, 2002 e 2003, assim descritas na folha de “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” dos autos de infração: RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS Constatado que as receitas originárias de comissões recebidas de instituições financeiras na intermediação de negócios, relacionados ao financiamento das vendas de veículos, nos anos de 2001 a 2003, constantes de DIRFs Declaração de Imposto de Renda na Fonte remetidas à Receita Federal por instituições bancárias e financeiras, as quais remuneraram a fiscalizada, por serviços como “outros rendimentos”, “Remuneração de Serviços Prestados por PJ”, deuse início à presente ação fiscal (fls. 97 a 108). Procedimento iniciado em 15/07/2005, com a exigência expressa no Termo de Início da Ação Fiscal, acompanhado do Mandado de Procedimento Fiscal n° 01.1.01.002005006179, para apresentação dos livros comerciais Diário, Razão, livro Caixa, Registro de Inventário, e mais os livros de ICMS, ISS, e Notas Fiscais, todos relativos ao período supra (fls. 78 a 80). Em 08/08/2005, a fiscalizada, em documento entregue a Receita Federal, se declara “MICROEMPRESA” optante pelo regime do “SIMPLES” considerandose portanto desobrigada de escrituração dos livros contábeis e fiscais. Quanto as receitas financeiras alega no referido documento que se trata de valores que qualifica como premio, denominado retorno, remetido a interessada para que a mesma cubra os custos inerentes aquele financiamento, e que estes valores são diretamente depositados em contacorrente pelos bancos e financeiras, para os quais nunca solicitaram Notas Fiscais ou Recibos.(fls. 81/82). Em razão da obrigatoriedade da escrituração contábil, ou da escrituração do livro Caixa, conforme determina o art. 45 da Lei n° 8.881/95, reiteramos parte da exigência já constante do Termo de Inicio de Ação Fiscal em 20/03/2006, no que respeita ao cumprimento daquela obrigação(fls. 83/85). Em resposta datada de 29/03/2006 a fiscalizada apresenta um segundo documento, em tese, inteiramente igual ao anterior, reafirmando sua condição de MICROEMPRESA, optante pelo SIMPLES e tal qual o documento anterior, considerandose desobrigada da escrituração dos livros contábeis e fiscais.(fls. 81/82). A análise da documentação fornecida pelas instituições financeiras revelou que os valores informados nas Dirfs, se referem a intermediação de financiamentos pela empresa fiscalizada, fato que caracteriza a corretagem de negócios, mediante recebimento de comissões pela intermediação de financiamentos, cuja atividade encontrase expressamente vedada a opção pelo SIMPLES nos termos do Inciso XIII, artigo 9o. da Lei n° 9.317/96 (fls. 149/279). Foi emitido “Ato Declaratório”, n° 04 de 15/02/2006, pelo qual a fiscalizada fica excluída do regime do SIMPLES, com efeito a partir de 01/01/2001 conforme inciso V do art. 15 da Lei 9.317/97. (fls. 86/90 ) Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Autorizado o Arbitramento do IRPJ e da CSSL, conforme documento as (fls. 95 e 96). O lançamento baseouse nas DIRFs Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte, remetido à Receita Federal pelos bancos e financeiras, qualificados nas mesmas como “Outros Rendimentos”, “Remuneração de Serviços Prestados por PJ” (fls. 97 a 107) , para os quais não se efetuou a escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa (art. 527 do RIR/99), conforme determina o art. 530 do RIR/99, na modalidade de lucro arbitrado, com aproveitamento dos valores de IRRF(ver quadros demonstrativos as (fls. 75 a 77). Diante do exposto, arbitrouse o lucro da fiscalizada, tendo como base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS COFINS, as receitas declaradas pela autuada no âmbito do SIMPLES, com acréscimo à referida base de cálculo dos valores informados ao fisco pelas instituições financeiras relativamente as receitas auferidas pela fiscalizada recebidas a titulo de intermediação de financiamentos junto às instituições financeiras, objeto de diligências fiscais procedidas por esta unidade da SRF, cujos resultados estão acostados a este processo fiscal (fls. 199 a 299). Ver quadro demonstrativo sintetizando dos valores objetos deste lançamento, ver (fls. 75 a 77 ). Às fls. 75 a 77 encontramse anexados demonstrativos denominados “Receitas Utilizadas como Base de Cálculo do Lançamento”, com a discriminação, por ano calendário, das fontes pagadoras, CNPJ, Rendimento Pago, Código e valor do IRRF. À fl. 90 cópia do Ato Declaratório Executivo no. 04/2005, que excluiu a empresa da sistemática do SIMPLES a partir de 01/01/2001, no âmbito do processo administrativo no. 14041.001020/200549. Cientificada das exigências, em 14/09/2006, na pessoa de seu representante legal, a contribuinte apresentou, em 03/10/2006, a impugnação de fls. 339 a 360, alegando, em preliminares, a nulidade das exigências por erro no enquadramento legal da infração, o que chamou de ocorrência de “erro fato, versus leis”, ocasionando prejuízos à defesa. Invocando as disposições dos artigos 121 e 128 do CTN afirmou que não agiria como mera intermediária e prestadora de serviços não se amoldando, assim, ao fato típico descrito na lei pois, segundo o seu estatuto social, atuaria na área de compra e venda de veículos automotores, novos e usados, troca e consignação, o que, no entendimento de abalizada doutrina, não caracterizaria corretagem. Nesse sentido não captaria clientes para as financeiras, limitandose a preencher cadastros dos desejosos de financiamentos. Por não depender de habilitação profissional legalmente exigida, os valores pagos pela financeira não corresponderiam a prestação de serviços e sim mera atividade auxiliar, cadastral, não suficiente a sua exclusão do Simples. Afirmou ser ilegal o Ato Declaratório de Exclusão do Simples por não encontrar qualquer fundamento na legislação tributária, pois a atividade de venda e revenda de veículos não estaria abrangida pelas vedações impostas pelo art. 9o. da Lei no. 9.317, de 1996. Opôsse aos efeitos retroativos da exclusão, que deveriam se operar a partir do mês em que teria sido recebida a notificação do Ato Declaratório. Invocou afronta a dispositivos constitucionais e do CTN. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 14041.000458/200691 Acórdão n.º 180100.857 S1TE01 Fl. 401 5 Protestou, ainda, em suas palavras, em face do “excesso de tributação vistos os seguintes aspectos: a) lançamento de oficio por arbitramento já que dispôs de toda documentação, NF's, livros estaduais, não podendo presumir tributo; b) excesso de base de cálculo; não reduziu valores que já haviam sido tributados; c) prescrição; d) não compensação de tributo já recolhido; e) excesso na aplicação nos coeficientes e alíquotas sobre a base de cálculo, onde se aplicaram percentuais de 52 e 32%, sendo certo que pelo regramento este coeficiente e alíquota não poderiam ultrapassar 8%; f) confusão entre receita bruta definida e receita bruta arbitrada; g) não deduziu os custos da empresa”. Defendeu ilegalidade de cobrança de juros com base na taxa Selic e o efeito confiscatório da multa aplicada. Às fls. 363 a 365 encontrase cópia do Acórdão no. 0320.056, da 4a. Turma da DRJ em Brasília/DF, proferido nos autos do processo no. 14041.001020/200549, que apreciou e manteve a exclusão da empresa da sistemática simplificada, ao argumento de que a defendente estaria a praticar atividade impeditiva, a corretagem de negócios, caracterizada pelo recebimento de comissões pela intermediação de financiamentos, o que restaria provado e reconhecido pela impugnante, conforme termo de fl. 17, itens 5 a 7. Afirmou que, ainda que não fosse pela vedação de atividade, estaria impedida de manterse na sistemática simplificada pela prática reiterada de infração à legislação tributária, visto ter omitido receitas de sua atividade, sujeitas à tributação. Fundamentandose no art. 15, V, da Lei no. 9.317, de 1996, manteve os efeitos retroativos da exclusão e afastou as argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade. Na apreciação do presente litígio a 2a. Turma da DRJ em Brasília/DF proferiu, nestes autos, o Acórdão no 0324.235 (fls. 367 a 375) pelo qual as exigências foram julgadas procedentes. Em preliminares foi afastada a argüição de nulidade. No mérito, afirmou que as receitas levadas à tributação de ofício, são comprovadamente receitas operacionais da empresa que, para ter direito à dedução de receitas, deveria ter mantido regular escrituração comercial e fiscal a fim de permitir a apuração pelo lucro real. Face à ausência de escrituração regular, com base nas leis comerciais e fiscais, ou ao menos o Livro Caixa, manteve o arbitramento dos lucros, afirmando que de acordo com a legislação de regência o percentual de arbitramento estaria corretamente aplicado, referindose àquele atinente às atividades de intermediação de negócios que, ao final, é a real atividade praticada pela empresa. Por fim, afastou as alegações contra os acréscimos legais, assim como assinalou a preclusão do direito de a contribuinte produzir provas posteriores, observando, ainda, que o pedido de parcelamento seria matéria estranha aos presentes autos. Irresignada com a decisão, da qual foi notificada em 09/06/2008, como comprova a cópia do AR à fl. 382, verso, a interessada apresentou, em 27/06/2008, o Recurso Voluntário de fls. 384 a 375. Em preliminares alega que a decisão proferida é sucinta e nada clara, defeituosa posto que sumária, já que a empresa nunca teria praticado a atividade de Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 corretagem, assim como por não ter atribuído “o efeito suspensivo previsto no artigo 151, I do CTN, já que a Resolução do Refis no. 20, parágrafo 3o., não teria o condão e status hierárquico para afrontar com Lei Complementar [...].” Assim sendo, o julgado deveria ser anulado. Observou que as vedações do SIMPLES teriam por destinatários pessoas físicas, mas a Receita Federal estaria a dar interpretação restritiva aos comandos legais que regem a matéria, e que sobre o ato de exclusão deve ser assegurado o contraditório e a ampla defesa, além de: “...No caso de exclusão por existência de débitos inscritos em Dívida Ativa, fica assegurada a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples no caso de o débito inscrito ser quitado ou parcelado, no prazo de até 30 dias contados da ciência do ato declaratório de exclusão”. Transcreve precedentes jurisprudenciais. No mérito, afirma em suas palavras: A empresa comercializadora e revendedora de veículos novos e usados em questão não pratica atividade de corretagem de negócios para financeiras. Aquela somente processa e adianta cadastros dos bens a serem vendidos e dos clientes que se apresentam. A empresa financeira somente reembolsa a empresa revendedora de veículos os valores correspondentes as despesas operacionais para a confecção dos cadastros. Apresenta extenso estudo sobre definição de intermediação de negócios e corretagem. Voltase, novamente, contra a exclusão da sistemática do Simples, taxando de ilegal o ato pelos seus indevidos efeitos retroativos. Ao final pugna pela reforma da decisão de 1a. instância. Tendo em conta que o presente processo de exigência tributária é conseqüência da exclusão da empresa da sistemática do Simples, esta Relatora tentou localizar neste órgão, sem sucesso, os autos do processo administrativo n. 14041.001020/200549 que tratam da exclusão da empresa do Simples. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O Recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 14041.000458/200691 Acórdão n.º 180100.857 S1TE01 Fl. 402 7 Preliminarmente. NULIDADE DA DECISÃO DE 1A. INSTÂNCIA. Pretende a recorrente seja declarada a nulidade da decisão de 1a. instância porque haveria, em suas palavras: “[...] ausência dos requisitos legais ensejadores de um justo e digno julgamento onde a 2a Turma Julgadora responsável pela revisão da questão principalmente a nova apreciação das provas e do mérito inclusive devendo buscar informações junto ao agente financeiro declarante não o fez; mesmo porque a empresa recorrente não poderia fazêlo; desconsiderou ainda a questão da receita somente para suprir custos”. Entretanto, nenhum dos fundamentos acima é motivo para a anulação da decisão da autoridade julgadora a quo. As decisões administrativas somente podem ser objeto de anulação se restar caracterizada afronta às disposições do artigo 59, inciso II do Decreto no. 70.235, de 6 de março de 1972, que disciplina a matéria: Art. 59 São nulos: ... II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ...omissis... Não se verifica, in casu, incompetência da autoridade julgadora de 1a. instância. Tampouco a decisão foi proferida com preterição do direito de defesa da contribuinte. Nesse contexto cumpre consignar que a validação, pela DRJ em Brasília/DF, das exigências formalizadas pela auditoria fiscal faz parte do campo do livre convencimento do julgador e, como tal, não pode ser motivo para anulação de decisão. Aquela autoridade teria ficado convencida, pelos fatos narrados pelo agente fiscal e pelos elementos constantes dos autos, que houve omissão de receitas e o arbitramento dos lucros ocorreu por estrita observância das normas legais que o determinam. Também não é verdade que a autoridade julgadora a quo tenha deixado de proceder a “nova apreciação das provas”, pois sequer a contribuinte anexou qualquer elemento inédito junta de sua impugnação. Na verdade, os elementos de prova angariados pela auditoria fiscal foram considerados como suficientes à manutenção das exigências, ou seja, provaram a procedência da autuação. E aqui se adentra, novamente, no campo do livre convencimento do julgador que, como consignado, não pode ser motivo para anulação de qualquer decisão. Afasto, assim, a preliminar de nulidade da decisão de 1a. Instância. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 EXCLUSÃO DO SIMPLES As razões de mérito da defesa consignadas no Recurso Voluntário voltaram se, exclusivamente, contra a exclusão da empresa da sistemática simplificada de pagamento de impostos e contribuições federais – SIMPLES, ora taxando de ilegal o Ato Declaratório de Exclusão, ora questionando os conceitos de compra e venda de veículos usados e sua equiparação às atividades de consignação e corretagem que, ao final, levaram à exclusão da empresa do SIMPLES. A exclusão da empresa recorrente do SIMPLES é objeto do processo administrativo no. 14041.001020/200549. Questionamentos pertinentes ao assunto devem se ater ao âmbito daqueles autos e não fazem parte da presente lide, que se limita aos lançamentos de ofício de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Entretanto, para que não se dê azo a argüições de preterição de direito de defesa, passo a analisar as exigências. Mérito OMISSÃO DE RECEITAS. Relativamente às receitas omitidas a auditoria fiscal apurou que foram auferidas pela empresa em decorrência de sua atividade de revendedora de veículos e, portanto, constituem receita operacional, o que levou aos lançamentos de ofício, formalizados nos moldes do arbitramento dos lucros por ausência de escrituração comercial e fiscal mínima obrigatória, nos termos das leis comerciais e fiscais. Quanto a tais fatos, devidamente comprovados pela fiscalização, não se defendeu a recorrente, limitandose, uma vez mais, a questionar a equiparação de sua atividade à de consignação e sua indevida exclusão do Simples. O fato é que a atividade operacional restou plenamente caracterizada e foi, inclusive, admitida pela própria defesa, como se verifica dos seguintes trechos extraídos de sua impugnação: Fl. 347: Para uma análise detalhada procedimento este que deveria ter sido adotado pelo agente fiscalizador que não o fez temse pelo objeto social contido no contrato social e nos estatutos da empresa que é pessoa jurídica que exerce compra e venda de veículos automotores, novos e usados, troca e consignação. [...] [...] para a conclusão de um negócio visto este o caso da atividade empresarial, compreende compra venda principalmente venda consignada de veículos usados, [...] Fl. 349: Assim se tem que a atividade principal é a revenda de veículos novos e usados. [...] A atividade principal e maior é revenda de veículos. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 14041.000458/200691 Acórdão n.º 180100.857 S1TE01 Fl. 403 9 [...] No caso da agência de veículos autuada [...] Fl. 351: Todas as receitas obtidas por esta empresa, seja operacional ou não operacional que o caso das receitas de serviços objeto desse MPF [...] Do Recurso Voluntário: Fl. 390: A empresa comercializadora e revendedora de veículos novos e usados em questão não pratica atividade de corretagem de negócios para financeiras. E da Consolidação do Contrato Social, datado de 27/04/2004, à fl. 333: CLÁUSULA QUARTA A sociedade tem por objetivos sociais: Comércio varejista de acessórios para veículos em geral bem como instalação do mesmo e compra, venda e consignação de veículos novos e usados. (destaques acrescidos) Tendo em conta a constatação da prática de atividade de consignação, cumpre reproduzir os comandos normativos que regem a matéria: Lei no. 9.716, de 26/11/1998 Art. 5º As pessoas. jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. (destaques acrescidos) A Instrução Normativa SRF no. 152, de 16 de dezembro de 1998, disciplinando o dispositivo acima citado, estabeleceu que o referido tratamento fiscal se aplica às pessoas jurídicas sujeitas à tributação do imposto de renda com base no lucro real, presumido ou arbitrado: IN SRF no. 152, de 1998: Art. 1º A pessoa jurídica sujeita à tributação pelo imposto de renda com base no lucro real, presumido ou arbitrado, que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a Fl. 9DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 compra e venda de veículos automotores, deverá observar, quanto à apuração da base de cálculo dos tributos e contribuições de competência da União, administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF, o disposto nesta Instrução Normativa. Art. 2º Nas operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, o valor a ser computado na determinação mensal das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, pagos por estimativa, da contribuição para o PIS/PASEP e da contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS será apurado segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 1º Na determinação das bases de cálculo de que trata este artigo será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. § 2º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata esta Instrução Normativa, é o preço ajustado entre as partes. Por conseguinte, conforme descrito no caput do art. 2° da IN SRF n° 152, de 1998, editada com fundamento na Lei n°. 9.716, de 1998, a operação de venda de veículos usados adquiridos para revenda, para efeitos tributários, foi equiparada às operações em consignação. A legislação também é clara quando determina que sobre operações de intermediações de negócios, dentre elas a consignação, deve incidir o percentual de 32% para apuração do lucro tributável: Decreto no. 3000, de 1999 – RIR/99: Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considera se receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, § 1º). ... III trinta e dois por cento, para as atividades de: ... b) intermediação de negócios; Fl. 10DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 14041.000458/200691 Acórdão n.º 180100.857 S1TE01 Fl. 404 11 Caracterizada, portanto, e plenamente comprovada, a omissão de receita operacional oriunda da atividade de intermediação de negócios – consignação. ARBITRAMENTO DOS LUCROS Tendo o sujeito passivo sido excluído da sistemática do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2001, e, não havendo opção tempestiva por outra forma de tributação (lucro presumido), ficou sujeita a recorrente, a partir do início dos efeitos da exclusão, às normas de apuração aplicáveis às demais pessoas jurídicas, ou seja, o lucro real. Essa forma de apuração exige a manutenção de escrituração na forma das leis comerciais e fiscais e sua ausência, ou falta de apresentação à autoridade tributária, de acordo com o art. 530, III e VI, do RIR/99, enseja o arbitramento do lucro. Foi o que ocorreu no caso concreto. Para que o custo efetivamente incorrido para percepção das receitas auferidas pudesse ser deduzido como despesa operacional, seria necessário que a empresa mantivesse escrituração regular, na forma das leis comerciais e fiscais, de modo a permitir a apuração do lucro real. Não tendo isso ocorrido, o lucro deve ser determinado pelo critério do arbitramento, mediante a aplicação, sobre a receita, do coeficiente determinado pela legislação de regência. As receitas declaradas na forma do SIMPLES, consignadas nas respectivas Declarações do SIMPLES – PJSI, acrescidas das receitas operacionais omitidas apuradas no âmbito do procedimento fiscal, foram consideradas como receita bruta conhecida, para efeitos de incidência dos percentuais de arbitramento, na forma determinada pelo art. 532 do RIR/99. Presentes as condições determinadas em lei, mantémse, pois, o arbitramento dos lucros. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS. No que tange aos autos de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, destaquese que se tratam de exigências reflexas que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Em assim sendo, a decisão de mérito prolatada em relação à exigência matriz constitui prejulgado na decisão das exigências reflexas. Por todo o exposto, voto no sentido negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 11DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 Fl. 12DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 37284.000129/2006-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1995 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.068
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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MINISTÉRIO DA FAZENDA - • - CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS C. • SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 37284.000129/2006-92 Recurso n° 147.729 Voluntário Acórdão n° 2401-01.068 — e Câmara / PI Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente SOCIEDADE ESPORTIVA DO GAMA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1995 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n" 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n"s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 40 ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. 111111 .11/:// ELIAS SAMP á 1 FREIRE - Presidente / 040 ±,./i‘r.....- RYCARDO HE }IODE MAGALHAES DE OLIVEIRA — Relator Participaram, do presente julg ent , os Conselheiros Elas Sampaio Freire, ICIeber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souz El me Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique agalhães de Oliveira. 2 Processo n°37284000129/2006-92 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.068 Fl. 152 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELIJA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.015, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n" 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE 's re's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vincttlante n" 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4" ou 173, do CTN). É o relatório. 3 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2° Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELIJA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n° 2401-01.015. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas Sala das Sessõel em 24 de fevereiro de 2010 ji til RYCARDO H 9. *CE MAGALHÃES DE OU IRA - Relator 4 ,.,,L:g , MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS n:';%:).? QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 37284.000129/2006-92 Recurso d: 147.729 • TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.068 B de março de 2010r.i 4ii ELIAS A I PAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara 1 Ciente, com a observação abaixo: I 1 [ ] Apenas com Ciência 1 [ ] Com Recurso Especial 1 (J Com Embargos de Declaração Data da ciência: I-----/------- Procurador (a) da Fazenda Nacional I I
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000605/98-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 04 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Aug 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ
Exercício: 1997, 1998
INTIMAÇÃO. CIÊNCIA. REGULARIDADE. Inexistindo elementos
capazes de macular o procedimento de ciência efetivado, há que se
considerar, para fins de contagem do prazo de interposição de manifestação de inconformidade, a data e o endereço consignados no aviso de recebimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1302-000.238
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Guilherme Polastri Gomes da Silva.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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MINISTÉRIO DA FAZENDA , • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13808.000605/98-25 Recurso n° 144.542 Voluntário Acórdão n° 1302-00.238 – 3' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 08 de abril de 2010 Matéria IRPJ E OUTROS - EXS: 1997 E 1998 Recorrente TECHNIP CLEPAN EMPREENDIMENTOS E PROJETOS INDUSTRIAIS LTDA. Recorrida 1' TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRP.1 Exercício: 1997, 1998 INTIMAÇÃO. CIÊNCIA. REGULARIDADE. Inexistindo elementos capazes de macular o procedimento de ciência efetivado, há que se considerar, para fins de contagem do prazo de interposição de manifestação de inconfonnidade, a data e o endereço consignados no aviso de recebimento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Guilherme Polastri Gomes da Silva. MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente WIL IN FERNp. U- IMA • , ES – Relator EDI ' 1511 M 0 • d Lj Particip—m de e - - -nte julgamento, os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Pallastri Gomes da Silva, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade, Irineu Bianchi e Marcos Rodrigues de Mello. - Relatório TECHNIP CLEPLAN EMPREENDIMENTOS E PROJETOS INDUSTRIAIS LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 1' Turma da DRJ em São Paulo (I), consubstanciada no acórdão n° 6.107, de 28 de outubro de 2004, que indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo. Trata o processo de pedido de restituição de saldos credores do IRPJ e de CSLL apurados nas declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, exercícios de 1997 e de 1998, e posterior compensação nos termos das petições trazidas aos autos. Apreciando o pedido, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo o indeferiu por meio do despacho decisório de fls. 333/340. Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (I), fls. 359/379, momento em que ofereceu, em apertada síntese, os seguintes argumentos: - que teria recebido via correio o envelope contendo a intimação n° 846, o despacho decisório, o demonstrativo de débito emitido e sete documentos de arrecadação de receitas federais, no dia 19 de maio de 2004; - que, entretanto, não haveria qualquer carimbo no envelope endereçado pela Secretaria da Receita Federal mencionando a data de sua efetiva entrega, existindo apenas um carimbo que atestaria a postagem do citado envelope no dia 10 de maio de 2004; - que estaria admitindo como início do prazo para a apresentação da manifestação de inconformidade o dia 19 de maio de 2004, e, assim, consideradas as normas que disciplinam a matéria, o termo final para apresentação da referida manifestação de inconformidade seria em 18 de junho de 2004; Em seguida, apresenta suas razões de mérito que, como veremos em seguida, não foram apreciadas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 1a Tuinia da DRJ em São Paulo (I), não tomando conhecimento da manifestação de inconformidade interposta, exarou decisão cuja ementa a seguir transcrevemos. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. DIES A QUO DA CONTAGEM DO PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. O prazo para apresentação da manifestação de inconformidade deve ser contado a partir da data da intimação do despacho decisório, comprovada pelo Aviso de Recebimento, não devendo ser conhecida a manifestação apresentada após o vencimento do prazo. Alegação de tempestividade a que se nega provimento. Impugnação não Conhecida , 2 Processo n° 13808.000605/98-25 51-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.238 Fl. 2 Ciente da decisão de primeira instância em 20 de dezembro de 2004, conforme declaração contida às fls. 525, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 17 de janeiro de 2005, conforme carimbo de recepção de folha 534, por meio do qual arguiu, em um primeiro momento, a inaplicabilidade da garantia recursal (arrolamento de bens), a tempestividade do recurso e o cabimento desse mesmo recurso. Adiante, naquilo que importa relatar, argumentou: - que a conclusão da DRJ São Paulo acerca da intempestividade da impugnação interposta por ela foi baseada no aviso de recebimento de fis. 358/358 — verso, que apontaria que a intimação relativa ao despacho decisório teria sido entregue no dia 14 de maio de 2004 ao Sr. Marcone Rodrigo Silva, após duas tentativas frustradas de entrega; - que, considerando essas informações, a DRJ São Paulo concluiu que ela teria sido intimada do despacho decisório no próprio dia 14 de maio de 2004, e, nessa linha de raciocínio (para a Recorrente, equivocada), concluiu também que a data final para apresentação da manifestação de inconformidade seria o dia 15 de junho de 2004; - que ela não poderia ser considerada intimada, pois a referida intimação foi entregue no endereço errado e assinada por pessoa estranha a ela (alegou que a pessoa que recebeu a intimação não era nem nunca foi empregado, preposto, representante, procurador ou qualquer outra coisa que a habilitasse, ainda que informalmente, a receber correspondência em seu nome); - que, em razão dos fatos expostos, teria havido verdadeiro cerceamento do direito de defesa, pois a entrega errada da intimação do despacho decisório teria impossibilitado o exercício tempestivo da sua manifestação de inconformidade; - que, conforme demonstraria o verso do aviso de recebimento e a pesquisa realizada na página da internet da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (fls. 358 e 358 — verso), o carteiro tentou entregar a correspondência relativa à intimação do despacho decisório nos dias 12 e 13 de maio de 2004, mas que não teria logrado êxito em razão da não localização de qualquer pessoa na sede da empresa, situada na rua Gonçalves Crespo n° 219-A naquela ocasião; - que no dia 14 de maio de 2004, o carteiro, ao constatar que esse dia seria a sua última oportunidade para entregar a correspondência (afirmou que é do conhecimento geral que as correspondências devem ser devolvidas ao remetente após três tentativas frustradas de entrega no endereço do destinatário), achou por bem entregá-la no imóvel vizinho à sede da empresa, isto é, na rua Gonçalves Crespo n° 219; - que, conforme atestaria a declaração que anexa e o aviso de recebimento, no dia 14 de maio de 2004 o Sr. Marcone Rodrigo Silva recebeu, por engano, no imóvel da rua Gonçalves Crespo n° 219, juntamente com outras correspondências dirigidas para este endereço, a intimação do despacho decisório; - que, de acordo com a declaração anexa, apenas no dia 19 de maio de 2004, o Sr. Marcone Rodrigo Silva entregou a intimação do despacho decisório ao contador da empresa, Sr. Eduardo Caristo, no imóvel onde funciona a sua sede social (rua Gonçalves Crespo n° 219— A)- CO° 3 - que a entrega da intimação relativa ao despacho decisório em local diverso do domicilio fiscal informado à autoridade fazendária acarretaria a sua nulidade, em virtude de violação ao direito de ampla defesa; - que deveria ser realizada nova intimação da decisão de mérito sobre referida intimação, no endereço correto da empresa, em nome e em atenção à pessoa devidamente habilitada; - que esclarecia que não possuía e nunca possuiu qualquer vínculo empregatício com o Sr. Marcondes Rodrigo Silva, e que este não prestava nem nunca prestou qualquer espécie de serviço a ela; - que, conforme atestaria a ata de reunião dos sócios quotistas da empresa que disse anexar, no mês de maio de 2001 foi deliberado o início do processo de liquidação da empresa; - que, em razão do disposto no item anterior, a empresa encontrar-se-ia totalmente inativa, não realizando qualquer atividade, bem como não possuindo vínculo empregatício com qualquer pessoa física, nem teria qualquer preposto constituído; - que somente poderiam ter recebido a intimação relativa ao despacho decisório, na sua sede social, seu administrador ou seu contador, pois estas seriam as únicas pessoas que, desde o início do processo de liquidação da empresa, se encontravam no imóvel da rua Gonçalves Crespo n° 219-A; - que a simples leitura do aviso de recebimento de fls. 291 comprovaria que o Sr. Eduardo Caristo seria uma das duas pessoas físicas que habitualmente recebiam as intimações e demais correspondências enviadas pelos órgãos governamentais à empresa; - que deveriam os autos ser remetidos novamente à DRJ São Paulo para apreciação do mérito da manifestação de inconformidade; - que, caso o envio dos autos à instância a quo não fosse acatado, o então Conselho de Contribuintes poderia, louvando-se nas normas de direito processual civil, efetuar de pronto a análise da manifestação de inconformidade apresentada, visando reformar integralmente a decisão recorrida. Em seguida, a Recorrente apresentou os fundamentos em razão dos quais esperava ver integralmente reformada, no mérito, a decisão prolatada pela DRJ em São Paulo. A Quinta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, apreciando os argumentos da contribuinte, decidiu pela conversão do julgamento em diligência (Resolução n° 105-1.271, de 27 de julho de 2006), para que fossem promovidas as seguintes averiguações: - que se diligenciasse junto a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos com o intuito de verificar se constava em seus registros qualquer informação acerca de uma eventual entrega da correspondência, por engano, em domicílio vizinho ao do verdadeiro destinatário; - que se diligenciasse no imóvel localizado na rua Gonçalves Crespo n° 219 com o intuito de levantar evidências de que, na data em que a intimação foi supostamente entreve (14 de maio de 2004), efetivamente o Sr. Marcone Rodrigues Silva ali residia; Processo n° 13808.000605/98-25 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.238 Fl. 3 - que fosse verificado, com todos os meios que os sistemas internos da Secretaria da Receita Federal pudessem proporcionar, se não existe, ou não existia, qualquer vínculo entre o Sr. Marcone Rodrigues Silva e a Recorrente, ou mesmo com qualquer das pessoas que com ela mantinham ou mantiveram vínculo; - que fosse verificado, por meio dos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal, se constava registro, a qualquer época, de que o Sr. Marcone Rodrigues Silva teve domicílio a rua Gonçalves Crespo n° 219. Em atendimento, vieram aos autos duas informações. A 'primeira, fls. 645/645-verso, da Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro; e a segunda, fls. 648, da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo. A Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro prestou os seguintes esclarecimentos: a) que, no que diz respeito às informações contidas nos sistemas internos da Receita Federal, juntou, às fls. 644, o registro das operações ocorridas no cadastro, relativamente ao CPF n° 312.147.368-90 (Sr. MARCONE RODRIGO SILVA); e b) que, consultado o sistema SRF/GUIA/DIRF, não restou constatado pagamento a qualquer título da pessoa jurídica TECHNIP CLEPAN EMPREENDIMENTOS E PROJETOS INDUSTRIAIS a MARCONE RODRIGO SILVA. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, por sua vez, informou: 1. que anexou às fls. 644/647 pesquisa realizada nos sistemas da Receita Federal contendo o histórico cadastral do CNPJ da contribuinte e do CPF da pessoa que assinou o aviso de recebimento de fls. 358; e 2. que a referida pesquisa demonstra que à época da intimação n° 846 (maio de 2004) o endereço do contribuinte confere com o inedo no aviso de recebimento. É o Relatório. Voto Conselheiro WILSON FERNANDES GUIMARÃES Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de pedido de restituição de saldos credores do IRPJ e de CSLL cumulados com pedidos de compensação, em que a autoridade julgadora de primeira instância deixou de apreciar a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte contra a decisão da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo por considerá-la intempestiva. Em sede de recurso voluntário a contribuinte, alegando que a conclusão da autoridade julgadora de primeiro grau teve por suporte o aviso de recebimento de fls. 358/358 — verso, sustentou que ela não poderia ser considerada intimada, pois a referida intimação foi entregue no endereço errado e assinada por pessoa estranha a ela. Afirmou que, conforme demonstraria o verso do aviso de recebimento e a pesquisa realizada na página da intemet da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (fls. 358 e 358 — verso), o carteiro tentou entregar a correspondência relativa à intimação do despacho decisório nos dias 12 e 13 de maio de 2004, mas que não teria logrado êxito em razão da não localização de qualquer pessoa na sede da empresa, situada na rua Gonçalves Crespo n° 219-A naquela ocasião. Disse que no dia 14 de maio de 2004, o carteiro, ao constatar que esse dia seria a sua Ultima oportunidade para entregar a correspondência, achou por bem entregá-la no imóvel vizinho à sede da empresa, isto é, na rua Gonçalves Crespo n° 219. Argumentou que, conforme atestaria a declaração que anexa e o aviso de recebimento, no dia 14 de maio de 2004 o Sr. Marcone Rodrigo Silva recebeu, por engano, no imóvel da rua Gonçalves Crespo n° 219, juntamente com outras correspondências dirigidas para este endereço, a intimação do despacho decisório. Aduziu que, de acordo com a declaração anexa, apenas no dia 19 de maio de 2004, o Sr. Marcone Rodrigo Silva sentregou a intimação do despacho decisório ao contador da empresa, Sr. Eduardo Caristo, no imóvel onde funciona a sua sede social (rua Gonçalves Crespo n°219 — A). Diante de tais razões, a Quinta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu pela conversão do julgamento em diligência para que fossem dirimidas questões associadas à entrega da intimação relativa à decisão de primeira instância. Em atendimento, as Delegacias da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro e em São Paulo prestaram esclarecimentos, por meio dos quais podem ser extraídas as seguintes conclusões: a) que, consideradas as infoiniações contidas no extrato de fls. 644, inexiste indicação de que o Sr. MARCONI SILVA, pessoa que apôs assinatura no aviso de recebimento de fls. 358, residia, trabalhava ou exercia qualquer atividade no endereço indicado pela Recorrente (RUA GONÇALVES CRESPO N° 219); b) que o endereço consignado no aviso de recebimento de fls. 358 (RUA GONÇALVES CRESPO N° 219 A) efetivamente correspondia ao domicílio fiscal da -Rferrente à época em que promovida a intimação, conforme extrato de fls. 646. 2Q) 6 Processo n° 13808.000605/98-25 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.238 Fl. 4 Vê-se, pois, que, não obstante a declaração firmada pelo Sr. MARCONE RODRIGO SILVA no sentido de que residia na rua GONÇALVES CRESPO N° 219 (fls. 587), os sistemas da RECEITA FEDERAL não apontam nessa direção. Desconsideradas as informações, esclarecimentos e declarações produzidas pela própria Recorrente, não vislumbro nos autos elementos capazes de macular a regularidade da entrega da intimação efetivada por meio do aviso de recebimento de fls. 358. A diligência levada a efeito, no mesmo sentido, não trouxe evidências de que a entrega da intimação se deu em domicilio fiscal diverso do da Recorrente, ao contrário, confimou que o procedimento foi efetivado no endereço que, à época, correspondia ao seu domicilio fiscal. Assim, diante de tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. , WILSO FERNA k , IMARÃE: - Relator • 7
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003855/2002-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
SIGILO FISCAL. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
“Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial” (Súmula CARF n. 1).
NULIDADE DECORRENTE DA SUPOSTA INCOMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL PARA A AUTUAÇÃO. INEXISTÊNCIA. MEDIDA NECESSÁRIA À ECONOMIA PROCESSUAL E À EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA. INOCORRÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA.
Inexiste nulidade no auto de infração se o contribuinte, à época do início da fiscalização, possuía domicílio fiscal vinculado à unidade da Secretaria da Receita Federal responsável pela autuação, na hipótese, na medida em que a transferência da fiscalização a outra unidade implicaria, inevitavelmente, em
abalo à economia processual com prejuízo direto à arrecadação.
Além disso, inexistindo qualquer prejuízo à defesa, como se verificou, aplicável, à hipótese dos autos, o brocardo pas de nullité, sans grief, ou, em vernáculo, não há nulidade sem prejuízo.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí-la.
Hipótese em que o contribuinte não desconstituiu a presunção.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.502
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negar provimento, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial” (Súmula CARF n. 1). NULIDADE DECORRENTE DA SUPOSTA INCOMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL PARA A AUTUAÇÃO. INEXISTÊNCIA. MEDIDA NECESSÁRIA À ECONOMIA PROCESSUAL E À EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA. INOCORRÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Inexiste nulidade no auto de infração se o contribuinte, à época do início da fiscalização, possuía domicílio fiscal vinculado à unidade da Secretaria da Receita Federal responsável pela autuação, na hipótese, na medida em que a transferência da fiscalização a outra unidade implicaria, inevitavelmente, em abalo à economia processual com prejuízo direto à arrecadação. Além disso, inexistindo qualquer prejuízo à defesa, como se verificou, aplicável, à hipótese dos autos, o brocardo pas de nullité, sans grief, ou, em vernáculo, não há nulidade sem prejuízo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. Hipótese em que o contribuinte não desconstituiu a presunção. Recurso negado. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.003855/200243 Acórdão n.º 210101.502 S2C1T1 Fl. 323 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negar provimento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araujo, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 283/299) interposto em 12 de maio de 2008 contra o acórdão de fls. 261/278, do qual o Recorrente teve ciência em 19 de abril de 2008 (fl. 280), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 222/224, lavrado em 26 de abril de 2002, em decorrência de omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos e de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, verificadas no anocalendário de 1998. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 FISCALIZAÇÃO FORA DO DOMICÍLIO FISCAL As normas que se referem à jurisdição, no processo administrativo fiscal, admitem a realização da fiscalização fora do domicílio tributário do sujeito passivo, desde que por servidor competente. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.003855/200243 Acórdão n.º 210101.502 S2C1T1 Fl. 324 3 A juntada posterior de documentos não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. O §4° do mesmo artigo prevê que provas podem ser apresentadas em outro momento processual nos casos em que especifica. Caso que não se enquadra em quaisquer das hipóteses e impede o deferimento da juntada posterior de provas. SIGILO BANCÁRIO. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de oficio. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (Art.144, § 1° do CTN). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A Lei n° 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. ART. 142, §2° DO CTN. REFERIBILIDADE AO CAPUT DO MESMO ARTIGO. INAFASTABILIDADE DA APLICAÇÃO DO ART. 144, §1° DO CTN PARA IMPOSTOS LANÇADOS POR PERÍODOS CERTOS DE TEMPO. O § 2° do art. 144 do C.T.N. dispõe que, em relação aos impostos lançados por períodos certos de tempo, a lei poderá fixar expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. No entanto, quanto aos aspectos meramente formais ou procedimentais, segundo o §1° do mesmo artigo 144 do C.T.N., aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Lançamento Procedente” (fls. 261/262) Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso de fls. 283/299, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche em parte os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço parcialmente. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.003855/200243 Acórdão n.º 210101.502 S2C1T1 Fl. 325 4 Isto porque, conforme se extrai do documento de fls. 28/50, o Recorrente impetrou mandado de segurança contra ato da Delegada da Receita Federal em Campinas, defendendo a “garantia da não utilização dos dados da CPMF para outra finalidade”; a “reserva de jurisdição”; “a revogação da garantia pela Lei 10.174/01 não pode ter efeito retroativo”; a “prematura atuação do Fisco: a constitucionalidade da Lei Complementar 105/01 está ‘sub judice’”; a “imprestabilidade do Decreto n. 3.724/01 para regulamentar a Lei Complementar”; e a “Nulidade — inobservância das regras fixadas pelo Decreto 3.724/01”. Assim, na parte em que essas questões são discutidas, o recurso não deve ser conhecido, pois, nos termos da Súmula CARF n. 1: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” No tocante ao mérito recursal, cumpre destacar, na esteira do disposto pelo art. 33, caput, c/c o disposto pelo art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, que parte da matéria tributada no auto de infração que embasa o presente processo administrativo, especificamente no que se refere à omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos, não sofreu qualquer contestação por parte do contribuinte, ou mesmo recurso em face da decisão recorrida. Por esta razão específica, portanto, verificase que o presente recurso voluntário atine, exclusivamente, à aferição (i) da preliminar de incompetência do Ilmo. Sr. auditor fiscal, em razão da mudança de domicílio do contribuinte ao longo da fiscalização, bem como (ii) no mérito, da questão dos depósitos bancários de origem não comprovada, em contas de titularidade do Recorrente. Primeiramente, em relação à preliminar apontada, entendo que não merece guarida. Com efeito, compulsandose os autos do presente processo administrativo, verificase, conforme reconhece o próprio Recorrente, sendo, portanto, fato incontroverso, que a fiscalização foi instaurada à época em que o contribuinte tinha por domicílio eleito aquele vinculado à competência do Ilmo. Sr. auditor fiscal responsável pela autuação, in casu. Por esta razão específica, pois, ainda que tenha o contribuinte alterado o seu domicílio posteriormente ao início da fiscalização, tal fato não implica na necessidade de transferência do curso da fiscalização para outra unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil, mesmo porque, como se pode inferir, tal medida afrontaria a necessária eficiência da administração pública, bem como a própria economia do processo administrativo, na medida em que todas as provas foram colhidas na unidade responsável pela lavratura do auto de infração, na hipótese. A este respeito, aliás, cumpre frisar que o próprio CTN, salvaguardando o princípio da eficiência administrativa, bem como de celeridade na arrecadação tributária, expressamente estabelece a possibilidade de recusa do domicílio eleito pelo contribuinte, “quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo (...)” (art. 127, §2º, do CTN). Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.003855/200243 Acórdão n.º 210101.502 S2C1T1 Fl. 326 5 De mais a mais, resta nítido que referida nulidade, ainda que existente, não importou em qualquer prejuízo para a parte, que pode formular, regularmente, a sua defesa, razão pela qual, também por este motivo, não merece guarida a alegação do Recorrente, eis que, como se sabe, o processo administrativo fiscal federal acolhe o princípio do pas de nullité sans grief, isto é, não há nulidade sem prejuízo (art. 60 do Decreto n.º 70.235/72). No mérito, também entendo que o recurso não deve ser provido. Nesse sentido, cumpre trazer à colação o estatuído pelo artigo 42 da Lei 9.430/96, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º. O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Na realidade, instituiu o referido dispositivo autêntica presunção legal relativa, cujo condão é justamente o de inverter o ônus da prova, atribuindoo ao contribuinte, que passa a ter o dever de refutála. Como é cediço, a presunção, seja ela hominis ou legal, é meio de prova que prescreve o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Ou seja, provando se diretamente o fato indiciário, temse, por conseguinte, a formação de um juízo de probabilidade com relação ao fato presumido que, a partir de então, necessita ser afastado pelo contribuinte. No caso dos autos, provase especificamente a ocorrência de movimentações bancárias injustificadas, decorrendo desta comprovação o reconhecimento da omissão de rendimentos na apuração da base de cálculo do IRPF. Nesse sentido, a presunção relativa referida pelo artigo 42 da Lei n. 9.430/96 é legítima, não ferindo, em nenhum ponto, a legislação tributária em vigor. Notese, ainda, que a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), segundo a qual seria insuficiente para comprovação da omissão de rendimentos a simples verificação de movimentação bancária, consubstancia jurisprudência firmada anteriormente à edição da Lei n.º 9.430/96, motivo pelo qual não deve ser aplicada. A este respeito, já a anterior 2ª. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por sua vez, consolidou entendimento de acordo com o qual, a partir da edição da Lei n. 9.430/96, é válida a presunção em referência, sendo ônus do Recorrente desconstituí la com a apresentação de provas suficientes para tanto. É o que se depreende das seguintes ementas, destacadas dentre as inúmeras existentes sobre o tema: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.003855/200243 Acórdão n.º 210101.502 S2C1T1 Fl. 327 6 janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 158.817, Relatora Conselheira Núbia Matos Moura, sessão de 24/04/2008) “LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA O procedimento da autoridade fiscal encontrase em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 141.207, Relator Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 22/02/2006) Em idêntico sentido, este CARF editou a Súmula n.º 26, segundo a qual “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”, razão pela qual, também sob este prisma, não merecem prosperar as alegações do Recorrente. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 7DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.003855/200243 Acórdão n.º 210101.502 S2C1T1 Fl. 328 7 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11309.000971/2008-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/2004
VERBAS INDENIZATÓRIAS.NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
APRESENTAÇÃO DE COMPROVANTES DE DESPESAS. NECESSIDADE.
Para que se afaste a incidência de contribuições previdenciárias de verbas pagas supostamente a título de indenização, a empresa necessariamente deve apresentar os comprovantes das despesas efetuadas pelos empregados.
UTILIZAÇÃO DE VEÍCULO PRÓPRIO. RESSARCIMENTO MEDIANTE O PAGAMENTO DE VALOR PROPORCIONAL AOS QUILÔMETROS RODADOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO PELO FISCO DE QUE OS VALORES PAGOS ESTÃO ACIMA DOS GASTOS INCORRIDOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Não sofrem incidência de contribuições os pagamentos destinados a ressarcir os empregados pelas despesas realizadas com veículo próprio para execução dos serviços, ainda que sejam calculados em razão dos quilômetros rodados, a menos que o fisco demonstre que os valores pagos são desproporcionais aos gastos efetuados, devendo-se tributar o excesso.
DIÁRIAS DE VIAGEM EXCEDENTES DE 50% DA REMUNERAÇÃO DOS EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
As diárias para viagem, quando excedem a cinqüenta por cento da
remuneração mensal do segurado empregado, integram o salário de
contribuição pelo seu valor total.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/2004
PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN.
Constatando-se antecipação de recolhimento ou quando, com base nos autos, não há como a se concluir sobre essa questão, devese
aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4. do art. 150 do CTN.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/2004
LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO.
O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo a esse direito ou falta de motivação
do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado.
REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.272
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) por maioria de votos, em declarar a decadência até a competência 05/2000. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que aplicava o art. 173, I do CTN; e II) por unanimidade de votos: a) em rejeitar a preliminar de nulidade; e b) em dar provimento parcial ao recurso para que seja excluído o levantamento FP2 Manutenção de Veículos.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/2004 VERBAS INDENIZATÓRIAS.NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. APRESENTAÇÃO DE COMPROVANTES DE DESPESAS. NECESSIDADE. Para que se afaste a incidência de contribuições previdenciárias de verbas pagas supostamente a título de indenização, a empresa necessariamente deve apresentar os comprovantes das despesas efetuadas pelos empregados. UTILIZAÇÃO DE VEÍCULO PRÓPRIO. RESSARCIMENTO MEDIANTE O PAGAMENTO DE VALOR PROPORCIONAL AOS QUILÔMETROS RODADOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO PELO FISCO DE QUE OS VALORES PAGOS ESTÃO ACIMA DOS GASTOS INCORRIDOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Não sofrem incidência de contribuições os pagamentos destinados a ressarcir os empregados pelas despesas realizadas com veículo próprio para execução dos serviços, ainda que sejam calculados em razão dos quilômetros rodados, a menos que o fisco demonstre que os valores pagos são desproporcionais aos gastos efetuados, devendo-se tributar o excesso. DIÁRIAS DE VIAGEM EXCEDENTES DE 50% DA REMUNERAÇÃO DOS EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. As diárias para viagem, quando excedem a cinqüenta por cento da remuneração mensal do segurado empregado, integram o salário de contribuição pelo seu valor total. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/2004 PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN. Constatando-se antecipação de recolhimento ou quando, com base nos autos, não há como a se concluir sobre essa questão, devese aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4. do art. 150 do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/2004 LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo a esse direito ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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APRESENTAÇÃO DE COMPROVANTES DE DESPESAS. NECESSIDADE. Para que se afaste a incidência de contribuições previdenciárias de verbas pagas supostamente a título de indenização, a empresa necessariamente deve apresentar os comprovantes das despesas efetuadas pelos empregados. UTILIZAÇÃO DE VEÍCULO PRÓPRIO. RESSARCIMENTO MEDIANTE O PAGAMENTO DE VALOR PROPORCIONAL AOS QUILÔMETROS RODADOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO PELO FISCO DE QUE OS VALORES PAGOS ESTÃO ACIMA DOS GASTOS INCORRIDOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Não sofrem incidência de contribuições os pagamentos destinados a ressarcir os empregados pelas despesas realizadas com veículo próprio para execução dos serviços, ainda que sejam calculados em razão dos quilômetros rodados, a menos que o fisco demonstre que os valores pagos são desproporcionais aos gastos efetuados, devendose tributar o excesso. DIÁRIAS DE VIAGEM EXCEDENTES DE 50% DA REMUNERAÇÃO DOS EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. As diárias para viagem, quando excedem a cinqüenta por cento da remuneração mensal do segurado empregado, integram o salário de contribuição pelo seu valor total. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/2004 PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN. Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Constatandose antecipação de recolhimento ou quando, com base nos autos, não há como a se concluir sobre essa questão, devese aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4. do art. 150 do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/2004 LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo a esse direito ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por maioria de votos, em declarar a decadência até a competência 05/2000. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que aplicava o art. 173, I do CTN; e II) por unanimidade de votos: a) em rejeitar a preliminar de nulidade; e b) em dar provimento parcial ao recurso para que seja excluído o levantamento FP2 Manutenção de Veículos. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11309.000971/200877 Acórdão n.º 240102.272 S2C4T1 Fl. 1.760 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n.º 35.278.8798, lavrada contra o sujeito passivo acima identificado para exigência da contribuição dos segurados e das contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao custeio dos benefícios acidentários, além das contribuições para outras entidades e fundos. O valor do crédito, com data de consolidação em 10/06/2005, assumiu o montante de R$ R$ 4.461.115,24 (quatro milhões, quatrocentos e sessenta e um mil, cento e quinze reais e vinte e quatro centavos). Nos termos do relatório fiscal, fl. 144 e segs., os fatos geradores foram as quantias pagas aos segurados empregados a título de “Ajuda de Custo”, “Manutenção de Veículos” e “Diárias em valor excedente a 50% da remuneração”. Afirma o fisco que a verba "Ajuda de Custo", constante da folha de pagamento da empresa, era paga mensalmente, aos segurados empregados, na função de cobradores, gerentes de vendas, motoristas entregadores, etc, não sendo incluída no saláriode contribuição. Assevera também que a rubrica "Manutenção de Veículos", não incluída na base de cálculo das contribuições, constava da folha de pagamento da empresa e era paga sem comprovação de despesas, aos gerentes regionais de venda, assistente comercial, cobradores e gerente de área. O fisco aduz que a verba "Diária de Viagens", constante da folha de pagamento da empresa, era paga a diversos empregados, na função de gerentes regionais de vendas, motoristas entregadores, cobradores, assistente comercial, etc, sem a observância do limite de 50% da remuneração dos mesmos, não sendo também incluída no salário de contribuição. Afirmase que as rubricas em questão não foram declarados em GFIP, o que ensejou o AI n° 35.778.9415. Para apuração dos fatos geradores foram examinados as folhas de pagamento e os Livros Diário/Razão, do período de 01/1995 a 12/2004. A empresa ofereceu impugnação, fls. 737/755. Nas suas alegações, pede a nulificação do lançamento, posto que os fatos que ensejaram o mesmo não foram suficientemente esclarecidos pela auditoria. No mais, busca descaracterizar a natureza salarial das verbas sobre as quais incidiram as contribuições lançadas, argumentando que a NFLD é improcedente. O processo foi baixado em diligência, tendo o fisco mantido o entendimento quanto à procedência do crédito, todavia, corrigindo alguns dados que motivaram incorreção na contribuição dos segurados. Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Instada a se pronunciar, a empresa mantevese silente. Foi exarada a decisão de primeira instância, 1.360 e segs., declarando o crédito parcialmente procedente. Foram excluídas as parcelas equivocadamente lançadas, em atendimento ao sugerido na informação fiscal emitida na diligência. Afastouse a preliminar de nulidade e, no mérito, não foram acatadas as alegações de improcedência da NFLD. Indeferiuse também o pedido de realização de perícia técnica. Inconformada, a empresa interpôs recurso voluntário, fls. 1.378 e segs., no qual, após exposição dos fatos, em apertada síntese, alegou que: a) jamais pagou a verba “Ajuda de Custo” aos seus gerentes de vendas, fato que demonstra que está lhe sendo imputada conduta que jamais realizou; b) os requisitos de motivação do ato administrativo são precários, posto que os fatos geradores do lançamento não estão clara e objetivamente narrados e indicados pelo fisco; c) diante da falta de clareza e precisão do fisco na narrativa dos motivos do ato administrativo, o que acarretou em cerceamento ao seu direito de defesa, o lançamento merece anulação; d) a devolução dos autos para o fisco, em sede de diligência, por duas vezes denota que foram cometidos equívocos na lavratura; e) as inúmeras modificações promovidas no lançamento levam à conclusão de que o mesmo foi refeito, situação que deveria ensejar a lavratura de nova NFLD, que acarretaria consequências, inclusive, em relação à contagem da prescrição (sic!); f) o indeferimento do pedido para a realização de prova pericial é causa de nulidade da decisão recorrida, posto que cerceou o seu direito de defesa; g) o fisco não teve a preocupação de pesquisar a natureza jurídica da verba “Ajuda de Custo”, de modo que a sua tributação é indevida; h) a verba “Ajuda de Custo” tem caráter indenizatório, posto que paga aos motoristas para fazer frente às despesas de viagem, sendo que os pagamentos dessas despesas eram variáveis e somente disponibilizados quando havia pernoite; i) também não foram observadas na decisão atacada as diversas reclamatórias trabalhistas movidas pelos seus motoristas, em que se julgou procedente o argumento dos mesmos de que a “Ajuda de Custo” era insuficiente para cobrir os gastos; j) tanto os contratos de trabalho como as convenções coletivas de trabalho, das quais a empresa foi signatária preveem o pagamento de reembolso de despesas com veículos e com atividades de carga e descarga; k) os documentos que comprovam as despesas relativas à rubrica “Manutenção de Veículos” foram apresentados, todavia, a fiscalização, imotivadamente, os desconsiderou; l) o ressarcimento de despesas por uso de veículo próprio pelos empregados do setor de vendas é previsto no próprio contrato de trabalho, configurando requisito para a sua contratação; Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11309.000971/200877 Acórdão n.º 240102.272 S2C4T1 Fl. 1.761 5 m) é impossível ao empregado comprovar todas as despesas decorrentes da utilização de veículo próprio, podese citar o exemplo de desgaste de componentes e depreciação; n) a mensuração dos quilômetros rodados pelos empregados em veículo próprio, critério para pagamento da verba “Manutenção de Veículos” não é aleatória, mas efetuada com base em mapas de viagem, os quais foram apresentados na impugnação; o) colaciona jurisprudência para demonstrar o acerto de sua tese quanto a não incidência de contribuições sobre os pagamento para ressarcir os quilômetros rodados; p) os pagamentos de “Diárias” são determinados por acordo coletivo e o excesso detectado pelo fisco foi decorrente de mero erro de registro cometido pela empresa; q) apresenta o Precedente Administrativo n.º 50 do Diretor do Departamento de Fiscalização do Trabalho, no qual é firmado o entendimento de que, mesmo que as diárias ultrapassem o patamar de 50% da remuneração, o empregador pode afastar a natureza salarial das mesmas, comprovando que o empregado presta contas de suas despesas; r) o caráter vinculante do citado Precedente leva à conclusão de que o simples fato do valor das diárias ultrapassar o equivalente a 50% do valor dos salários dos empregados não constitui motivo suficiente para a caracterização dessas diárias como salário; s) como o fisco não ofertou ao sujeito passivo a oportunidade de comprovar a prestação de contas das viagens feitas pelos seus empregados, resta claro que o lançamento foi efetuado ao arrepio do citados Parecer; t) as Convenções Coletivas de Trabalho firmadas pela impugnante preveem o pagamento de diárias, que são controladas por recibo específico, em que se registra os dados das viagens. Ao final, requer: a) a declaração de nulidade da NFLD, em razão do prejuízo ao seu direito de defesa ocasionado pela falta de motivação e pela inadequada tributação das diárias; b) seja deferido o pedido para a realização de prova pericial; c) caso assim não se entenda, que seja cancelado o lançamento, posto que é improcedente. Fazendo sua sustentação oral, a patrona da recorrente alegou a perda de objeto do julgamento em razão da empresa haver obtido em embargos de execução o cancelamento do crédito, por aplicação da Súmula Vinculante n.º 21 do STF. É o relatório. Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A perda de objeto do julgamento Não hei de acolher a suscitada perda de objeto do julgamento em razão da extinção do processo de execução, motivado por aplicação da Súmula Vinculante n.º 21. Eis os termos da mesma: SÚMULA VINCULANTE Nº 21 É INCONSTITUCIONAL A EXIGÊNCIA DE DEPÓSITO OU ARROLAMENTO PRÉVIOS DE DINHEIRO OU BENS PARA ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ADMINISTRATIVO. De fato, entendo que a aplicação deste comando do Pretório Excelso provocou o cancelamento da execução fiscal, haja vista que o processo relativo ao crédito consignado na presente NFLD, que houvera sido declarado deserto em razão da falta do depósito recursal prévio, não foi extinto, mas apenas teve o seu andamento administrativo restaurado. Assim, entendo que o julgamento deva prosseguir, não havendo o que se falar em prejuízo ao mesmo pela extinção do processo executivo. Decadência Por aplicação do art. 173, I, do CTN, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uberlândia declarou decadentes as competências de 04/1995 a 11/1999, conforme o Termo de Análise de Decadência/Prescrição – Súmula Vinculante n.º 08 – STF, fls. 1510 e segs. Todavia, devo, de ofício, verificar o acerto desse procedimento. É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11309.000971/200877 Acórdão n.º 240102.272 S2C4T1 Fl. 1.762 7 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições ou para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na situação sob enfoque, verifico que, embora não haja relatórios discriminando as guias de recolhimento apresentadas ou o abatimento de créditos do contribuinte no Discriminativo Analítico do Débito, os autos levamme a concluir que havia guias de recolhimento para o período, uma vez que o Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF, fl. 142, traz a informação de que foram analisadas guias de recolhimento durante a auditoria. De se concluir que as guias não foram apropriados em razão do fisco ter lançado na apuração apenas as parcelas não reconhecidas pela empresa como integrantes do saláriodecontribuição. Assim, seguindo a jurisprudência majoritária do CARF, entendo que deva ser aplicada a norma do art. 150, § 4.º, do CTN, para a contagem do prazo de decadência, mesmo verificando que o sujeito passivo não reconheceu a incidência de contribuições sobre as bases de cálculo apuradas. Esse posicionamento conduzme à conclusão de que devam ser excluídas pela caducidade as competências até 05/2000, haja vista que a cientificação do lançamento ocorreu em 17/06/2005. Nulidade do lançamento Inicio a minha apreciação do recurso pelo enfrentamento da preliminar de nulidade decorrente da suposta falta de clareza e precisão no relatório de trabalho do fisco. Asseverase que a Autoridade Fiscal não se desvencilhou do ônus de provar a ocorrência do Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 fato gerador, por esse motivo o lançamento estaria irremediavelmente marcado com a pecha da nulidade. No entender da recorrente, a nulidade seria também uma decorrência da falta de motivação do ato administrativo de lançamento. A princípio cabe verificar se o presente lançamento foi confeccionado em consonância com o art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. De fato, tem razão a recorrente ao mencionar que, se o fisco não se desincumbir do ônus de demonstrar que efetivamente a hipótese de incidência tributária se concretizou no mundo fático, o lançamento é imprestável. Todavia, não é essa situação que os autos revelam. O relato da auditoria aponta que os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados a título de “Ajuda de Custo”, “Manutenção de Veículos” e “Diárias que excederam 50% da remuneração”. Na seqüência, indica expressamente as evidências fáticas e jurídicas que culminaram com a conclusão acerca da incidência de contribuições sobre os citados pagamentos. Nas palavras da Autoridade Fiscal, a comprovação do pagamento das referidas parcelas foi obtida com esteio na documentação fornecida pela notificada no decorrer da auditoria, mormente as folhas de pagamento e os registros contábeis. Nesse sentido, vejo que a NFLD e seus anexos demonstram a contento a situação fática que deu ensejo à exigência fiscal, inclusive os elementos que foram analisados para se chegar a reconstituição dos fatos geradores praticados pela empresa. As bases de cálculo também encontramse bem apresentadas, tanto nos anexos colacionados (planilhas), quanto no Relatório de Lançamentos. As alíquotas podem ser visualizadas sem dificuldades pela leitura do Discriminativo Analítico o Débito – DAD. O relatório Fundamentos Legais do Débito traz a discriminação, por período, da base legal utilizada para constituição do crédito previdenciário, além de que no próprio corpo do relatório fiscal houve menção aos dispositivos que levaram a auditoria a concluir pela concretização da hipótese de incidência tributária. Por outro lado, o sujeito passivo, embora alegue o defeito no lançamento, não especifica qual o ponto que, por não ter a clareza e precisão suficientes, veio a acarretar prejuízo ao seu direito de defesa. O fato do órgão a quo haver determinado a retificação do crédito, com esteio em informação prestada em sede de diligência fiscal não é motivo para que se declare a Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11309.000971/200877 Acórdão n.º 240102.272 S2C4T1 Fl. 1.763 9 nulidade do crédito, pelo contrário, a retificação realizada é mais uma garantia de que o julgamento administrativo expurgou do lançamento valores indevidos, realizando o controle de legalidade do ato administrativo, que é o seu principal mister. A revisão de lançamento é prevista no CTN, art. 145, o qual elenca, dentre as hipóteses que autorizam esse procedimento, a provocação do sujeito passivo. Eis o dispositivo: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Assim, tendose em conta que a lei prevê que é possível a revisão do lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo, mediante impugnação deste, não há o que se falar em nulidade do crédito constituído, em razão de se ter retificado os valores originariamente lançados. Por outro lado, há de se convir que os termos da defesa não deixam dúvida que o contribuinte compreendeu perfeitamente os motivos do lançamento e sua quantificação, não me parecendo razoável acolher a nulidade suscitada sem que se evidencie o mínimo prejuízo ao administrado. Às questões que envolvem análise do acerto do fisco em tributar as parcelas citadas, bem como o sopesamento das provas apresentadas no bojo deste processo serão apreciadas mais adiante, quando estivermos a tratar do mérito da causa. Assim, não enxergo motivo para que se anule a NFLD sob julgamento, posto que os requisitos formais e a motivação apresentadas foram suficientes para que o sujeito passivo exercesse o seu direito de defesa com amplitude. Fatos geradores Passemos agora a apreciar o mérito da causa, investigando a ocorrência do fato gerador para cada uma das parcelas que foram objeto do presente lançamento. a) Ajuda de Custo Nos termos do relato do fisco, “3.1 A rubrica "Ajuda de Custo", constante da folha de pagamento da empresa, paga mensalmente, aos segurados empregados, na função de cobradores, gerentes de vendas, motoristas entregadores, etc, mas não incluída no saláriode contribuição, paga no período de 07/97 a 12/2004, em desacordo com o § 9 o , "g", art. 28, da Lei 8.212/91, que transcrevemos a seguir: Esclarecemos que o período de 01/99 a 12/2004 não foi declarado em GFIP;” Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Verificase, das palavras acima, que a Auditoria verificou na folha de pagamento a referida verba e, por entender que a mesma não se enquadraria na isenção referida na alínea “g” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, incluiua na base de cálculo do lançamento. Foi acostada planilha demonstrativa dos valores pagos a esse título por competência (anexo I). Alega a empresa que a verba “Ajuda de Custo” era uma obrigação prevista em contrato individual do trabalho e também em convenções coletivas, pelos quais o empregador deveria ressarcir os motoristas pelas despesas de viagem relacionadas a manutenção dos veículos e cargas e descargas de mercadorias. Foram acostados contratos individuais de trabalho e convenções coletivas. No julgamento de primeira instância, entendeuse que a falta de comprovação das despesas afastaria o caráter indenizatório da verba, devendo incidir contribuição sobre a mesma. Alegase ainda que não há previsão na legislação previdenciária no sentido de excluir esse tipo de Ajuda de Custo do saláriodecontribuição. Vejo que não há divergência de entendimento quanto à natureza da verba denominada pela empresa de “Ajuda de Custo”. Certamente a mesma não se confunde com aquela tratada na alínea “g” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, posto que essa diz respeito ao pagamento para fazer frente a despesas de mudança de local de trabalho do empregado. É fato também que, ao definir o saláriodecontribuição, o art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 nos seus incisos não menciona especificamente em nenhuma das hipóteses que elenca a exclusão da base de cálculo das contribuições de parcela destinada a ressarcir o empregado com despesas efetuadas com a realização do trabalho. Todavia, o “caput” do dispositivo nos mostra o caminho para solução da contenda. Vejamos a literalidade da texto legal: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) A luz da norma transcrita, qualquer pagamento, independente da denominação ou forma de pagamento, desde que destinado a retribuir o trabalho, sofre a incidência das contribuições. Dito de outra forma, as parcelas que representem contraprestação pelo trabalho, também chamadas verbas salariais, são passíveis, via de regra, de tributação para a Seguridade Social. Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11309.000971/200877 Acórdão n.º 240102.272 S2C4T1 Fl. 1.764 11 Portanto, caso a empresa comprove que um determinado valor foi disponibilizado para a realização do trabalho, o mesmo não deve ser suportado pelo empregado, assumindo essa verba natureza de indenização, devendo ficar livre da incidência previdenciária, até porque não se incorpora à remuneração dos segurado. No entanto, a regra é que para demonstrar que o pagamento é indenizatório, devese comprovar que a realização do gasto se deu para que o trabalho fosse executado. Essa prova é facilmente obtida pelos comprovantes da despesa efetuada. Isso não é de difícil implementação pelas empresas, posto que mesmo que o prestador do serviço ou fornecedor da mercadoria não forneça esse documento, devese instituir um recibo para essas situações. Digo mais, a empresa ao não comprovar a realização do gasto com serviços prestados por pessoas físicas, tais como “borracheiros”, mecânicos, “chapas”, etc, incorre em sonegação do tributo devidos em relação ao pagamento desses serviços, previsto no art. 22, II, da Lei n.º 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (...) Não se justifica, portanto, a alegação de que haveria impossibilidade operacional de comprovar essas despesas. Da documentação colacionada, percebese que a empresa pagava habitualmente a referida verba, até porque as sua principal atividade é a distribuição de produtos, sendo as viagens uma decorrência normal do ramo empresarial em que empresa atua. Por certo, justificase que a empresa arque com as despesas de manutenção dos veículos e com os custos de carga e descarga de mercadorias. Tendo os empregados efetuados gastos com esses itens, natural que a empresa os ressarcisse. Quanto a isso o órgão recorrido não se contrapõe. A justificativa que apresenta para tributação da verba é a falta de comprovação das despesas. No entender do julgador monocrático, havendo pagamento habitual de uma determinada rubrica, a sua natureza indenizatória somente poderia ser aceita caso se comprovasse a origem das despesas. Os documentos juntados dão conta de que a empresa pagava a Ajuda de Custo em valor fixo por cada viagem e não solicitava do empregado a comprovação da despesa. Afirma que tal procedimento era respaldado em convenção coletiva de trabalho. Devo transcrever o que essas convenções previam acerca da comprovação dos gastos. A título exemplificativo, trago à colação cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho Cargas Secas e Cargas Líquida, período de vigência de 01/05/2004 a 30/04/2005 (fls. 862 e segs): SÉTIMA Despesas com veículos Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Correrão por conta das Empresas, todos os gastos efetuados pelos motoristas, com o veiculo durante a viagem, referentes a conserto de pneus,molas, multas, por irregularidade do veiculo ou nos seus documentos, e outras despesas pertinentes ao mesmo desde que não sejam causados por culpa, negligencia, imperícia e imprudência do motorista condutor do veículo avariado, fato este devidamente comprovado. DÉCIMA SEGUNDA Carga e Descarga As empresas se obrigam a fornecer, por sua conta, aos motoristas, ajudantes/carregadores para carga e descarga onde as mesmas não tiverem estes empregados. Os mesmos serão ajustadas pelos motoristas que, por sua vez, serão reembolsados pela Empresa, desde que seus veículos não sejam equipados com instrumentos próprios de descarga ou outros métodos que dispensem a presença de ajudantes. Verificase que as despesas com veículos deveriam, nos termos do disposto acima, serem comprovadas pelos motoristas. Os sindicatos signatários da convenção, como se vê, tiveram a preocupação de exigir dos empregados a comprovação dos gastos com os veículos, de modo que se evitassem reembolsos de despesas não incorridas. Para as despesas de “carga e descarga”, razoável se supor que o mesmo procedimento devesse ser adotado, embora a convenção coletiva explicitamente não o exija. Não há de se aceitar que inexista qualquer comprovação das despesas com os “chapas”. Chancelar esse procedimento seria escancarar as portas para que as empresas passassem a pagar remuneração disfarçada a título de “Ajuda de Custo”, “reembolso viagem” ou outra intitulação que se quisesse dar à parcela. Isso exposto, entendo que as contribuições apuradas sobre a verba “Ajuda de Custo” devem ser consideradas procedentes. b) Manutenção de Veículos Sobre essa verba, o fisco assim se pronunciou: “3.2 A rubrica "Manutenção de Veículos", também constante da folha de pagamento da empresa, paga sem comprovação de despesas, aos gerentes regionais de venda, assistente comercial, cobradores e gerente de área, no período de 11/99 a 12/2004, caracterizado como salário utilidade, mas não incluída no salário de contribuição, conforme prevê o § 9 o , "g", art. 28, da Lei 8.212/91;” Assevera a empresa que se trata de mero reembolso pela utilização do veículo a serviço da empresa pelo pessoal de vendas, o qual se encontra previsto no próprio contrato de trabalho, assinado na admissão do empregado, e contempla manutenção, desgaste, abastecimento do veículo, seguro obrigatório, IPVA e seguro total. Vejamos o que diz a Lei n.º 8.212/1991 especificamente sobre essa rubrica: art. 28. Entendese por salário de contribuição: § 9 o Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11309.000971/200877 Acórdão n.º 240102.272 S2C4T1 Fl. 1.765 13 s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (...) O fisco desconsiderou o alegado caráter indenizatório da verba sob a justificativa de que não foram apresentados os comprovantes das despesas. A recorrente afirmou que os pagamentos eram efetuados mediante comprovação dos quilômetros rodados, os quais eram registrados em mapas de viagem. Apresenta documentos e jurisprudência cujo entendimento firmado afasta o caráter salarial desse tipo de pagamento. Uma primeira questão a ser encarada é que há a comprovação nos autos de que empregados do setor de vendas utilizavam os seus veículos para realizar viagens a serviço da empresa. Dúvida não há que esses valores teriam que ser ressarcidos aos segurados, que não devem suportar gastos efetuados para execução do serviço. A empresa adotou a sistemática de ressarcir tais despesas mediante a fixação de um valor para cada quilometro comprovadamente rodado em deslocamentos realizados pelos empregados em veículo próprio para execução de tarefas relacionadas ao trabalho. No meu entender, esses valores não trazem ao empregado qualquer vantagem financeira, não representado acréscimo patrimonial, uma vez que os mesmos são aplicados no abastecimento e manutenção dos automóveis. Imaginemos que se a empresa optasse por adquirir frota de automóveis, disponibilizando os veículos para o pessoal do setor de vendas. Certamente esse benefício não haveria de sofrer a incidência de contribuições, assim, havendo a comprovação dos quilômetros rodados em veículo do empregado, o que era feito mediante a apresentação dos relatórios de viagem, não deve essa verba vir a compor o saláriodecontribuição. Caso o fisco tivesse demonstrado que o valor pago por quilômetro rodado estava em valor desproporcional aos custos incorridos, caberia a tributação sobre o excesso, todavia, não houve por parte da fiscalização a preocupação de fazer esse comparativo, que poderia justificar a procedência do lançamento. Nesse sentido, acompanho o entendimento expresso na decisão judicial colacionada pela recorrente, a qual não custa transcrever: "TRIBUTÁRIO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. DESPESAS DE QUILOMETRAGEM. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. A utilização de veículo do próprio empregado é um benefício em favor da empresa, por sujeitar seu patrimônio aos riscos e depreciações, custos esses que bem podem ser dimensionados com a comparação de valores locatícios de veículos em empresas especializadas, tudo a indicar inexistir excesso de valores indenizados. 2. O ressarcimento das despesas realizadas a título de quilometragem, prestadas por empregados que fazem uso de seus veículos particulares, não tem natureza salarial, não Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 integrando, assim, o saláriodecontribuição para fins de pagamento da previdência social. RESP 395431/SC Rei. Min. José Delgado Primeira Turma DJ 25.03.2002" Concluo, assim, que devem ser expurgadas da base de cálculo as parcelas lançadas sobre a denominação “Manutenção de Veículos”. c) Diárias O fisco justificou a inclusão das diárias de viagem no saláriodecontribuição no fato das mesmas terem suplantando o percentual de 50% da remuneração. A fundamentação legal para essa apuração foi a alínea “a” do § 8.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991: Art. 28 (...) § 8º Integram o saláriodecontribuição pelo seu valor total: a) o total das diárias pagas, quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal; (...) A empresa, baseada em Precedente Administrativo expedido pelo Departamento de Fiscalização do Ministério do Trabalho, afirma que somente seria afastada a natureza salarial das diárias excedentes a 50% do valor da remuneração se a empresa conseguisse comprovar que os empregados prestavam contas das despesas realizadas. Alegar que a empresa não fazia a comprovação das despesas. Assevera ainda que as diárias eram pagas em conformidade com convenções coletivas de trabalho, assim, também por esse motivo não poderiam sofrer a incidência de contribuições. Não devo acatar a tese da recorrente. O Parecer Administrativo mencionado não tem força vinculante para o órgão fiscalizador das contribuições previdenciárias. Ainda mais quando se observa que toda a legislação previdenciária que rege a matéria não traz qualquer previsão no sentido de se considerar a prestação de contas das despesas para afastar a incidência tributária sobre as diárias que excedam a 50% da remuneração dos empregados. Como bem asseverou o julgador monocrático, o fato da disponibilização das diárias estar prevista em norma coletiva de trabalho não altera sua natureza frente às normas tributárias. É certo que as Convenções Coletivas de Trabalho são de observância obrigatória para as partes, todavia, não estão acima da legislação de custeio da Seguridade Social. Em razão do princípio da estrita legalidade tributária, nosso ordenamento não admite que acordos entre patrões e empregados venham afastar a incidência tributária sobre determinado fato gerador. Portanto, considero procedentes as contribuições incidentes sobre as diárias que excederam a 50% da remuneração dos empregados. Pedido de Perícia Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11309.000971/200877 Acórdão n.º 240102.272 S2C4T1 Fl. 1.766 15 Quanto ao cerceamento do direito de defesa ocasionado pelo indeferimento do órgão a quo do pedido de produção de novas provas, entendo que não deva ser acatado. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida a autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Tenho que concordar com a decisão original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem que se tenha as informações necessárias a boa compreensão do lançamento, sendo despicienda a realização de perícia nesse caso específico. Conclusão Diante do exposto, voto por indeferir o pedido de perícia, por afastar as preliminares suscitadas, por reconhecer a decadência até a competência 05/2000 e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para que seja excluído o levantamento FP2 — Manutenção de Veículos. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13629.001301/2006-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
Ementa: ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO.
PRECLUSÃO.
Consideramse
precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não
submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na
fase recursal.
CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. INSUMOS.
Na incidência não cumulativa do PIS, instituída pela Lei nº 10.637/02 e da
Cofins, instituída pela Lei nº 10.833/03, devem ser compreendidos por
insumos somente bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção ou
fabricação do produto, ou seja, que integrem o processo produtivo e que com
eles estejam diretamente relacionados.
CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. FRETE INTERNACIONAL.
INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO.
A partir de 01/05/2004, por meio da Lei nº 10.865/04, foi instituída a
exigência de contribuição para o PIS e Cofins na importação de bens e
serviços. Em contra partida foi autorizado o desconto de créditos relativos às
importações sujeitas ao pagamento da contribuição, nas hipóteses previstas
em seu art. 15, dentre as quais não se verifica despesa com pagamento de
frete internacional.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-000.871
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos
do voto do relator.
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Ementa: ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. Na incidência não cumulativa do PIS, instituída pela Lei nº 10.637/02 e da Cofins, instituída pela Lei nº 10.833/03, devem ser compreendidos por insumos somente bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ou seja, que integrem o processo produtivo e que com eles estejam diretamente relacionados. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. FRETE INTERNACIONAL. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. A partir de 01/05/2004, por meio da Lei nº 10.865/04, foi instituída a exigência de contribuição para o PIS e Cofins na importação de bens e serviços. Em contra partida foi autorizado o desconto de créditos relativos às importações sujeitas ao pagamento da contribuição, nas hipóteses previstas em seu art. 15, dentre as quais não se verifica despesa com pagamento de frete internacional. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. Na incidência não cumulativa do PIS, instituída pela Lei nº 10.637/02 e da Cofins, instituída pela Lei nº 10.833/03, devem ser compreendidos por insumos somente bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ou seja, que integrem o processo produtivo e que com eles estejam diretamente relacionados. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. FRETE INTERNACIONAL. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. A partir de 01/05/2004, por meio da Lei nº 10.865/04, foi instituída a exigência de contribuição para o PIS e Cofins na importação de bens e serviços. Em contra partida foi autorizado o desconto de créditos relativos às importações sujeitas ao pagamento da contribuição, nas hipóteses previstas em seu art. 15, dentre as quais não se verifica despesa com pagamento de frete internacional. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fl. 172DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001301/200619 Acórdão n.º 330100.871 S3C3T1 Fl. 172 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Pereira de Mello e Maria Teresa Martínez López. Relatório NOVA ERA SILICON S/A, devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 152/168, contra o acórdão nº 0227.351, de 28/06/2010, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte MG, fls. 138/148, relativo à Pedido de Ressarcimento de crédito de PIS não cumulativo, referente ao 4º trimestre de 2004, no valor de R$120.945,72, cumulado com Declaração de Compensação, conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: O contribuinte acima qualificado apresentou pedido de ressarcimento de créditos de PIS com incidência nãocumulativa (exportação) no montante de R$ 120.945,72, relativos ao 4º trimestre de 2004, e utilizado para compensar os débitos das declarações de compensação relacionadas à fl. 95. A fiscalização da DRF de origem verificou o direito ao ressarcimento pleiteado e elaborou o Parecer Fiscal de fls. 71/78, que vem acompanhado de documentos, demonstrativos e planilhas, concluindo pelo deferimento parcial do pedido de ressarcimento, com a glosa de créditos no valor de R$ 31.801,77. Foram glosados pagamentos efetuados às empresas Mol Brasil Ltda., Oceanus Agência Marítima S/A, Pennant Serviços Marítimos Ltda. e Wilson Sons Agência Marítima Ltda., por serem apenas agentes marítimos, e Hamilton Azevedo Rebello Filho e “VIX Cargo Serviços Aduaneiro”, por se tratar de serviço de supervisão das operações de recebimento de descarga e ovação de FeSi em containers ou de despachante, que não se enquadram nas hipóteses de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda (inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003). No caso dos pagamentos a agentes marítimos, a fiscalização constatou que estes são apenas prepostos do armador, que, por sua vez, presta o serviço de transporte marítimo internacional. Como o transportador não é domiciliado no País, as despesas com frete internacional não podem gerar crédito, nos termos do art. 3º, §3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº Fl. 173DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001301/200619 Acórdão n.º 330100.871 S3C3T1 Fl. 173 3 10.833, de 2003. Tal despesa, incorrida na venda de mercadorias, não se caracteriza como insumo, pois não é aplicada ou consumida na fabricação do produto exportado. Assim, também não pode ser aproveitado o crédito conforme o art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, porque o frete internacional não está relacionado entre as hipóteses possíveis de desconto de crédito previstas na Lei. Com base no parecer da autoridade fiscal, decidiu a autoridade jurisdicionante homologar em parte as compensações declaradas até o limite do crédito deferido, nos termos do Despacho Decisório nº 3.264, de 3 de setembro de 2009 (fls. 94/96). Cientificado da decisão em 11/09/2009 (fl. 97), o contribuinte manifestou, em 13/10/2009, sua inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que (fls. 98/109): Sendo uma empresa de caráter essencialmente exportador que explora o ramo da metalurgia, contratou, quando da ocorrência das operações de exportação, os serviços da empresa Mol Brasil Ltda. para cuidar de todos os procedimentos necessários ao transporte da mercadoria. Sabendo ser detentora de créditos decorrentes da contratação dos serviços de uma companhia domiciliada no Brasil, formalizou as Dcomps relacionadas. Embora já tenha esclarecido essa situação quando da apresentação de resposta a Termo de Constatação e Intimação Fiscal, a autoridade fiscal lavrou Auto de Infração, pois entendeu que a Nova Era Silicon S/A teria contratado uma empresa domiciliada no Japão, Mitsui O. S. K. Lines Ltda., para transportar suas mercadorias, importando a prestação de serviços desta. Porém, independentemente da premissa da qual se parta contratação de empresa domiciliada no Brasil ou importação de serviços possui direito aos créditos não reconhecidos. Em relação à autuação que sofreu em 2008, esclareceu em sua defesa que não houve pagamentos relativos a serviços de frete a companhias de navegação marítima domiciliadas no exterior, mas, ainda assim, a autoridade fiscal entendeu dessa forma. Também esclareceu que o art. 2º, X, da Lei nº 10.865, de 2004, estabelece que o PIS e a Cofins não incidirão sobre o custo do transporte internacional e de outros serviços que tiverem sido computados no valor aduaneiro. E o art. 7º da mesma lei dispõe o que vem a ser valor aduaneiro, concluindose que os custos com transporte internacional e com outros serviços podem ser computados no valor aduaneiro e, uma vez isso se dando, não haverá a incidência da contribuição relativa à importação. Argumentou também a contrariedade ao art. 195, §9º, da CF/1988 pois, seguindo a interpretação dada pelo fiscal à Lei nº 10.865, de 2004, esta teria reservado tratamento diferenciado a quem contrata com empresa situada no exterior. Expôs, ainda, naquela defesa, que os valores que paga à Mol poderiam ir para os cofres da Mitsui, mas por conta da relação societária que ambas mantêm. Assim, é frágil o argumento fiscal de que a Mol Fl. 174DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001301/200619 Acórdão n.º 330100.871 S3C3T1 Fl. 174 4 repassa à Mitsui os valores que recebe da Nova Era Silicon S/A e que isto descaracterizaria a relação entre a Nova Era e a Mol para estabelecer vínculo direto e imediato entre a Nova Era e a Mitsui. Por fim, foi aventado que, na eventualidade de prevalecer o entendimento do fisco, nos termos da Lei nº 10.865, de 2004, as empresas sujeitas à nãocumulatividade do PIS e da Cofins que recolhem essas contribuições sobre a importação podem se creditar, para fins de determinação daquelas, do montante pago a título destas, como adiante será demonstrado. Como já dito, contrata os serviços de uma companhia domiciliada no território nacional para cuidar de todos os procedimentos relativos ao transporte da mercadoria para o exterior. Essa operação, conjugada com o fato de que é seu o encargo do recolhimento do valor relativo ao frete, gera o direito ao crédito de PIS/Cofins, conforme o disposto no art. 3º, §3º, I, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Mesmo que se considere o entendimento do fisco de que teria havido importação de serviços de transporte de mercadorias de uma empresa japonesa, a Lei nº 10.865, de 2004, em seu art. 15, concede créditos de PIS/Cofins nesse caso. A legislação citada também prevê que, do valor apurado, o contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação a serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Como as citadas leis deixaram de conceituar o termo “insumos”, na ausência de definição legal e não havendo norma obrigando à utilização subsidiária da legislação do IPI, deve ser considerado o sentido comum desse termo, conforme determina o art. 11, I, “a”, da LC nº 95, de 1998. Assim, devese entender como insumo, a “combinação dos fatores de produção (matérias primas, horas trabalhadas, energia consumida, taxa de amortização, etc.) que entram na produção de determinada quantidade de bens ou serviço”. E, sendo o transporte marítimo um fator necessário para a produção de um bem, criandose uma despesa operacional, tal dispêndio gera direito a créditos que podem ser descontados do PIS/Cofins. Se a tributação deve recair sobre o valor agregado ao preço dos produtos, é porque está assegurado o direito de se tomar créditos em relação aos bens, serviços e encargos que, no decorrer da cadeia produtiva, tornaramse um custo ou despesa operacional. Isso fica claro quando o legislador insere nas normas a possibilidade de descontar os valores despendidos com combustível e lubrificantes. A relação de custos e despesas inerentes à obtenção de receitas disposta nos arts. 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda serve como referência para aferição do que pode ser considerado “insumos”. Assim, o gasto realizado com o frete, que é uma despesa operacional, poderá ser descontado como crédito de PIS/Cofins, enquadrandose perfeitamente no disposto na legislação mencionada. Fl. 175DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001301/200619 Acórdão n.º 330100.871 S3C3T1 Fl. 175 5 Por fim, requer sejam acolhidas as suas razões, para que reste reformada a decisão combatida e cancelada a cobrança, extinguindose o crédito tributário, tendo em vista o direito ao crédito a que faz jus. A DRJ indeferiu a solicitação cujo acórdão restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Incidência nãocumulativa. Direito de crédito. Frete internacional. Os gastos com fretes internacionais arcados pela vendedora, decorrentes da exportação de seus produtos, não dão direito a crédito para desconto dos valores devidos a título de PIS, na sistemática de nãocumulatividade, se o transportador for pessoa jurídica domiciliada no exterior, mesmo se o agente do transportador tiver domicílio no País. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Tempestivamente, em 13/08/2010, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 152/168, no qual, em apertada síntese, repisa seus argumentos de defesa anteriormente apresentados, exceto em ralação à solicitação de suspensão deste processo até que haja decisão definitiva no processo nº 10680.016014/200852, por meio do qual será definido se ocorrerá ou não o desembolso do PIS/Cofins importação. Este tema é colocado somente na fase recursal. Os demais argumentos foram postos nos seguintes termos: a) a fiscalização apegase ao fato de haver contrato firmado entre a Recorrente e uma empresa denominada Mitsui para daí extrair a conclusão de que é esta última e não a brasileira Mol, a responsável pela realização do transporte. Como a Mitsui é estabelecida no Japão, o Fisco entende que teria ocorrido importação de serviço de transporte, o que ensejaria, a seu sentir, a incidência do PIS/CotinsImportação. Por outro lado, a Mitsui possui o equivalente a 99,8% da composição societária da Mol Brasil. Assim, revelase frágil o argumento fiscal de que a Mol repassa à Mitsui os valores recebidos da Recorrente e que isto descaracterizaria a relação entre Recorrente e Mol para fins de estabelecer vínculo direto e imediato entre a Recorrente a Mitsui; b) na interpretação do fisco a Lei nº 10.865/04, teria reservado tratamento diferenciado (e mais gravoso) a quem contrata com empresa situada no exterior, extrapolando os quatro exaustivos critérios estabelecidos na CRFB. Sendo essa a interpretação, concluise pela inconstitucionalidade da norma; c) por conta da sistemática da não cumulatividade, caso a recorrente devesse pagar PIS/Cofins Importação, bem assim, por conta dos serviços utilizados como insumos, faz jus a créditos, devendo ser considerados para fins de aferição do montante a recolher a título de PIS e de Cofins. Por fim, requer a suspensão deste processo até que venha a ser definitivamente julgado o de nº 10680.016014/200852. Quanto ao mérito requer seja reconhecida a pertinência do crédito indevidamente glosado. É o Relatório. Fl. 176DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001301/200619 Acórdão n.º 330100.871 S3C3T1 Fl. 176 6 Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Conforme relatado anteriormente, a interessada teve o ressarcimento solicitado glosado parcialmente, em virtude de os créditos decorrentes do transporte marítimo não terem sido considerados pelo fisco pelos seguintes motivos: a) o transportador não é domiciliado no País. Assim, as despesas com frete internacional não podem gerar crédito; b) mesmo que a contribuinte houvesse recolhido a contribuição não cumulativa, tal despesa, incorrida na venda de mercadorias, não se caracteriza como insumo, pois não é aplicada ou consumida na fabricação do produto exportado; c) o frete internacional não está relacionado entre as hipóteses possíveis de desconto de crédito previstas na Lei (art. 15 da Lei nº 10.865/04). Por outro lado a contribuinte aduz ter sido autuada por meio do processo nº 10680.016014/200852, pois, de acordo com o fisco, teria ocorrido importação de serviço de transporte o que ensejaria incidência do PIS/CofinsImportação. Assim, pede o sobrestamento deste até decisão definitiva da autuação, por entender que sua condenação nos autos de 2008 ensejará créditos a serem utilizados neste processo. O sobrestamento solicitado não deve ser deferido, conforme se demonstrará. Embora o processo referente à autuação date de 2008 e a manifestação de inconformidade relativa a estes autos tenha sido protocolizada posteriormente, em outubro de 2009 (fl. 98), não consta qualquer pedido de postergação de julgamento tratandose, portanto, de argumento novo trazido aos autos somente na fase recursal. Conforme os art. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelas Leis nos 8.748/93 e 9.532/97 as alegações e provas devem ser apresentadas em primeira instância, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Portanto, não cabe a este colegiado apreciação de matéria trazida aos autos em sede de recurso voluntário, sob pena de ferir as regras do Processo Administrativo Fiscal. Ademais, de se registrar a inexistência de previsão legal que ampare o sobrestamento pleiteado, até porque valores cobrados por meio de auto de infração poderão ser objeto de parcelamento. Assim, como seriam considerados os créditos? Na medida em que as parcelas fossem sendo quitadas? Portanto, além de não haver previsão legal, não há razoabilidade em se aguardar o julgamento do processo precitado. A interessada entende que poderá descontar créditos calculados em relação a serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, devendo ser entendido como insumo, a combinação dos fatores de produção que entram na elaboração de determinado bem ou serviço. Nessa toada, sendo o transporte marítimo um fator necessário para a produção de um bem ou serviço, tal dispêndio gera direito a créditos que podem ser descontados do PIS/Cofins. Fl. 177DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001301/200619 Acórdão n.º 330100.871 S3C3T1 Fl. 177 7 Também em relação a este tema, não assiste razão à recorrente. Visando normatizar a previsão contida no art. 3º, inciso II, das Leis nos 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (Cofins), foram editadas as IN SRF nos 247/02 (art. 66, § 5º, I, “b”) e 404/04 (art. 8º, § 4º, I “b”), dispondo no seguinte sentido: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] §5º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: (incluído pela IN SRF nº 358, de 2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF nº 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF nº 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF nº 358, de 09/09/2003) (grifei) No menso sentido dispõe a norma que trata da Cofins: Art. 8º. Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] §4º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; [...] §9º Aplicase ao PIS/Pasep nãocumulativo de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, o disposto: Fl. 178DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001301/200619 Acórdão n.º 330100.871 S3C3T1 Fl. 178 8 I na alínea “b” do inciso I do caput, e nos §§ 4º, 5º e 6º, a partir de 1º de janeiro de 2003; e II na alínea “e” do inciso II e no inciso III do caput, a partir de 1º de fevereiro de 2004. (grifei) Portanto, consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, os serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Assim sendo, conforme bem observou a instância a quo, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que produz despesa necessária à atividade da empresa, mas, tão somente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, sejam, direta e efetivamente, aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Destarte, não prospera o entendimento da interessada de que frete contratado para o transporte internacional de mercadoria exportada possa ser considerado como um insumo utilizado no processo de produção ou fabricação desses produtos. Feitas essas considerações, passase ao cerne da questão, qual seja, o fato de o transportador não ser domiciliado no País e, como consequência, as despesas com frete internacional não gerarem crédito. A interessada alega que contratou os serviços de transporte marítimo, para exportação de sua produção, por meio da empresa Mol Brasil Ltda., sediada em São Paulo. Assim, indevida a glosa, vez que a empresa responsável pela realização do transporte possui domicílio no País. Compulsando os autos do processo, a partir do Parecer Fiscal às fls. 72/73, verificase que, em resposta à intimação endereçada à MOL Brasil Ltda. (fls. 22/28), esta afirma ser apenas preposto do transportador marítimo (armador), Mitsui 0.S.K Lines Ltd, com sede na cidade de Tokyo, Japão, conforme segue, in verbis: “A Intimada esclarece em primeiro lugar que, MOL BRASIL LTDA, empresa com sede na Av. Paulista, n.°283, 14° andar, Bela Vista, São Paulo, SP, CEP. 01311000, inscrita no CNPJ/M:F sob n° 69.070.092/000182, conforme determina seu contrato social tem por objeto social o agenciamento marítimo, tendo atualmente como seu principal cliente o transportador marítimo (armador) MITSUI 0.S.K LINES LTD, com sede na cidade de Tokyo, Japão, em 1 1, Toranomon, 2Chome, Minato ku. Para alguns portos do Brasil a Intimada contrata a título de subagente marítimo a empresa WILSON SONS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA, com sede na Avenida Rio Branco, 25 — 4°. e 7°. andares — Centro — Rio de JaneiroRJ, inscrita no CNPJ/MF sob n.° 00.423.733/000139, com filiais nos municípios de Rio Grande RS, Porto Alegre RS, São Francisco do Sul SC, Paranaguá PR,Santos SP, São Sebastião SP, Rio de Janeiro RJ, Vitória ES,Salvador BA, Recife (Suape) PE, Fortaleza (Pecém) CE, São Luiz MA,Belém PA e Manaus AM. Fl. 179DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001301/200619 Acórdão n.º 330100.871 S3C3T1 Fl. 179 9 Como mandatário do armador MITSUI 0.S.K LINES LTD, a Intimada confirma receber em nome e por conta e ordem deste, valores da empresa NOVA ERA SILICON S.A, inscrita no CNPJ/MF sob n.° 19.795.665/000167. Esclarece ainda que tais valores recebidos em nome e por conta do armador MITSUI 0.S.K LINES LTD são todos originários do contrato de transporte marítimo internacional celebrado entre este armador e a empresa NOVA ERA SILICON S.A. Operacionalmente, os valores pagos pela NOVA ERA SILICON S.A a título de transporte marítimo internacional são creditados através de depósitos bancários/transferência eletrônica de fundos na conta bancária da Intimada e, após a confirmação do crédito bancário, esta comunica o recebimento, bem como solicita ao seu subagente, no caso a WILSON SONS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA, a emissão de recibo contábil, possibilitando o desembaraço aduaneiro da carga. Seguem anexas cópias de uma operação completa (BL, comprovante de depósito, recibo, fechamento de câmbio, etc).(Doc.2) [...]” (grifos constam do original) Em virtude desses esclarecimentos o precitado Parecer Fiscal à fl. 73 registra: Desta forma foi solicitado à NOVA ERA, via contato telefônico, que fossem apresentados os contratos de prestação de serviço envolvendo a MOL BRASIL. Sendo que em 28/08/2008 foram apresentados os documentos de fls. 29 a 42. No contrato, em língua inglesa verificase que as partes são MITSUI 0.S.K UNES, LTD. (intitulada "Carrier": "indivíduo ou entidade que faz transportes de bens ou pessoas de um lugar para outro, mediante pagamento de uma tarifa" ) e NOVA ERA SILICON SA (intitulada "shipper": "remetente, expedidor") sendo que a MOL (BRASIL) LTDA é designada a representante legal ("legally represented by"). Portanto, a prestação do serviço de transporte tem origem nos contratos de transporte marítimo internacional celebrados entre a empresa japonesa e a recorrente. Já a empresa Mol Brasil Ltda. consta nos contratos como representante legal da Mitsui O. S. K. Lines Ltd. Registrese que a relação societária existente entre as empresas Mol Brasil Ltda. e Mitsui O. S. K. Lines Ltd. não tem qualquer influência nas questões trazidas à lide, vez que a transferência integral dos valores recebidos pela Mol (da Nova Era Silicon S/A) para a Mitsui, decorreram do contrato marítimo internacional celebrado entre a contribuinte e a Mitsui O. S. K. Lines Ltd. e não em função da empresa estrangeira deter quase a totalidade das cotas da Mol Brasil Ltda. Por outro lado, em consonância com o que dispõe o art. 3º, § 3°, II, da Lei n° 10.637/02, e da Lei n° 10.833/03 (o direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País), para que o dispêndio possa gerar crédito, é preciso que as despesas sejam pagas ou creditadas a pessoa jurídica domiciliada no País, o que não se verificou na espécie. Fl. 180DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001301/200619 Acórdão n.º 330100.871 S3C3T1 Fl. 180 10 Na mesma toada, não prospera o argumento da interessada de que, por conta da sistemática da não cumulatividade, caso a recorrente devesse pagar PIS/Cofins Importação, com supedâneo no art. 15 da Lei nº 10.865/04, faz jus a créditos, devendo ser considerados para fins de aferição do montante a recolher a título de PIS e de Cofins. Cumpre registrar que, a partir de 01/05/2004, por meio da Lei nº 10.865 de 30/04/2004, art. 1º, foi instituída a exigência de contribuição para o PIS e a Cofins na importação de bens e serviços. Em contra partida foi autorizado o desconto de créditos relativos às importações sujeitas ao pagamento das contribuições, nas hipóteses de: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. [...] Assim, conforme bem registrado pela instância a quo, em conformidade com o § 1º do art. 15, impõese como condição para o direito ao crédito o efetivo pagamento das contribuições incidentes sobre a importação, fato que não ocorreu, uma vez que a contribuinte foi autuada e encontrase discutindo administrativamente os lançamentos de PIS/Cofins sobre a importação de serviços. Ademais, dentre as hipóteses que o referido art. 15 menciona como possíveis de descontar créditos em relação às importações sujeitas ao pagamento destas contribuições, não há referência a despesas com pagamento de frete internacional. Fl. 181DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001301/200619 Acórdão n.º 330100.871 S3C3T1 Fl. 181 11 De se ressaltar que, em virtude da clareza da norma em questão também não prospera a alegação da interessada de que, sendo essa a interpretação, a lei seria inconstitucional, pois teria extrapolando os quatro exaustivos critérios estabelecidos na CRFB ao estabelecer tratamento diferenciado (e mais gravoso) a quem contrata com empresa situada no exterior. Conforme a Súmula CARF nº 2, “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Portanto, não há reparos a fazer à decisão recorrida. Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Fl. 182DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 19515.000054/2004-35
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: RECURSO ESPECIAL - NÃO CONHECIMENTO – Não deve ser conhecido o Recurso Especial quando inexistente similitude fática entre acórdão recorrido e acórdão paradigma.
Numero da decisão: 9101-001.327
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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Interessado FAZENDA NACIONAL RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIMENTO – Não deve ser conhecido o Recurso Especial quando inexistente similitude fática entre acórdão recorrido e acórdão paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Ausente justificadamente o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pelo contribuinte, em face do Acórdão nº 14010001, da então Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 19515.000054/200435 Acórdão n.º 910101.327 CSRFT1 Fl. 2 2 O Auto de Infração exige IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS referentes ao anocalendário de 1999, tendo em vista a identificação de “passivo fictício” caracterizador de omissão de receitas tributáveis. Em face do auto de infração, o contribuinte interpôs impugnação ao lançamento, o qual foi julgado procedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Sobrevieram, então, Recurso Voluntário e o Acórdão nº 140100001, o qual, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000 Ementa: IRPJ — OMISSÃO DE RECEITAS — PASSIVO FICTÍCIO — A falta de comprovação, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, dos saldos das contas componentes do passivo do balanço patrimonial, autoriza a presunção legal que as obrigações foram pagas com receitas mantidas à margem da escrita, cabendo à contribuinte a prova da improcedência desta presunção. CSLL. TRUBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, ressalvadas as alterações exoneratórias procedidas de oficio, decorrentes de novos critérios de interpretação ou de legislação superveniente. O contribuinte interpôs Recurso Especial (fls. 410/418), argumentando que existia uma inconsistência contábil na conta do passivo denominada “fornecedores”, mas que referida inconsistência não é capaz de denunciar omissão de receitas, caracterizandose apenas como simples equívoco contábil. Segundo o contribuinte, os pagamentos foram registrados na conta “caixa” e apenas não baixados na conta “fornecedores” do passivo. Alega que os documentos apresentados (fls. 127/133 e 206/324) não foram analisados, além de que foi indeferido o pedido de diligência, o que configurou cerceamento do direito de defesa. Por fim, aduz que a manutenção de obrigações pagas no passivo indica mero desleixo contábil, mas não autoriza a presunção de omissão de receitas. O Despacho de fls. 446/447 deu seguimento ao Recurso Especial do contribuinte. A Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões às fls. 449/458, requerendo a inadmissibilidade do recurso especial. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Fl. 474DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 19515.000054/200435 Acórdão n.º 910101.327 CSRFT1 Fl. 3 3 O Recurso Especial do contribuinte foi objeto de despacho de admissibilidade e a ele dado seguimento. Contudo, tendo em vista as alegações de inadmissibilidade trazidas pelas contrarrazões da Fazenda Nacional, entendo salutar apreciar a divergência. O acórdão recorrido entendeu que “a falta de comprovação, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, dos saldos das contas componentes do passivo do balanço patrimonial, autoriza a presunção legal que as obrigações foram pagas com receitas mantidas à margem da escrita, cabendo à contribuinte prova da improcedência desta presunção”. Ainda, o voto condutor do mesmo acórdão recorrido afirma que “a recorrente não acosta ao presente recurso quaisquer novos elementos probatórios passíveis de refutar todo o lastro que ensejou a aplicação da presunção legal”. Como paradigmas, o contribuinte apresenta os acórdãos nº 10706.183 e nº 10320.029. Primeiramente, no tocante ao acórdão nº 10706.183, verifico que se trata de decisão da mesma Câmara que proferiu o julgado recorrido, não servindo pois, para atender o artigo 67 do RICARF. No tocante ao acórdão nº 10320.029, este também não me parece divergir do entendimento adotado nos presentes autos. Peço vênia para transcrever sua ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA OMISSÃO DE RECEITA — PASSIVO FICTÍCIO Improcede a exigência com fundamento no passivo fictício quando restar comprovado erro na escrituração contábil e a identificação clara da origem de tais recursos. Verificase que o referido acórdão apenas ressalta que, caso comprovado erro na escrituração contábil, com identificação da origem dos recursos, resta descaracterizada a presunção legal de omissão de receitas com base em passivo fictício. Vejase que tal entendimento não diverge daquele firmado pelo acórdão recorrido, justamente porque afirma que a presunção legal com base no passivo fictício pode ser ilidida mediante a “apresentação de documentos hábeis e idôneos dos saldos das contas componentes do passivo do balanço patrimonial”. A diferença entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido é de que naquele restou comprovado, mediante documentação hábil, que se tratou de erro na escrituração contábil, enquanto que neste, segundo o teor do acórdão, não restou comprovado o alegado erro. Tal diferença não configura divergência jurídica, mas meramente fática, diante das provas apresentadas. Vejamos, do acórdão recorrido e principalmente da decisão de primeira instância, verifico que houve a apreciação dos documentos apresentados pelo contribuinte e cujas conclusões não foram contestadas mediante a apresentação de novos documentos que comprovasse o alegado equívoco. Neste passo, apresento as considerações da referida decisão (fls. 331/332): “5.10 Ao se examinarem os documentos apresentados, verificouse que o Defendente trouxe aos autos cópias do Razão Geral e Demonstrativo de Composição do Passivo, com especificação de LANÇAMENTOS Fl. 475DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 19515.000054/200435 Acórdão n.º 910101.327 CSRFT1 Fl. 4 4 CONTÁBEIS, bem como de dados das Duplicatas e Títulos de Crédito, tais como VALOR, NOME DO CREDOR, NÚMERO, DATA DE EMISSÃO, VENCIMENTO E PAGAMENTO, fls. 127/185, 207/323. Todavia, após serem verificados tais documentos, constatase que os únicos valores das Duplicatas e Títulos de Crédito que ao final de 1999 ainda não tinham sido quitados (pagos somente em 2000) e que realmente compunham a conta Fornecedores do Passivo de tal período foram os dos Demonstrativos de fls. 177/185, os quais totalizaram R$ 2.892.083,57, os quais já foram considerados pelo Autuante. Todos os demais valores, inclusive os indicados às fls. 123, aos quais o Defendente faz menção como de duplicatas que teriam sido emitidas em 1998 e que comporiam o saldo de 1999, com o valor de R$ 1.975.135,78, já foram pagos em janeiro, fevereiro e março de 1999, conforme se comprova pelo confronto do citado quadro de fls. 123 com o demonstrado às fls. 134/146. 5.14 Em virtude do que ficou esclarecido e capitulado pela legislação supratranscrita, deduzse que descabem os argumentos do Contribuinte de que teria sido ferido o regime de competência do exercício, ou de que teria sido tributado mais de um períodobase, fls. 124, bem como não descaracterizam a Autuação os argumentos não comprovados da Defesa de que no valor lançado de ofício estariam contidos valores outros relativos a saldos da conta Fornecedores de anos anteriores, e inclusive de 1999, fls. 122, 123, ou de que tenha havido desconsideração de quaisquer duplicatas, fls. 124, ou de que ao indício de omissão de receita deveria ter correspondido idêntica prova material da referida omissão, fls. 125. Desta forma, a despeito de em ambas as decisões o entendimento ser no sentido de que é possível demonstrar a improcedência da presunção legal de omissão de receitas, desde que por meio de documentos hábeis e inidôneos, a conclusão foi a de que não restou comprovado o alegado erro na escrituração contábil, relativamente ao crédito remanescente nestes autos. Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial do contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 25 de abril de 2012 (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Fl. 476DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 19515.000054/200435 Acórdão n.º 910101.327 CSRFT1 Fl. 5 5 Fl. 477DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS
score : 1.0
Numero do processo: 11070.000410/2002-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
No caso dos autos, o auto de infração apurou omissão de rendimentos: i) do trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoa jurídica; ii) do trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoa física; iii) da atividade rural.
Verifica-se que houve pagamento antecipado, conforme consta da Declaração de Ajuste Anual Simplificada do exercício de 1997, ano calendário de 1996 (fls. 24/25).
Em havendo pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 150, § 4º do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do ano calendário de 1996 dá-se no dia 01/01/1997 e o termo final no dia 31/12/2001.
Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 25/04/2002, portanto, após de transcorrido o prazo de cinco contados do fato gerador, nesta data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 1996.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.966
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - atividade rural
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, o auto de infração apurou omissão de rendimentos: i) do trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoa jurídica; ii) do trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoa física; iii) da atividade rural. Verificase que houve pagamento antecipado, conforme consta da Declaração de Ajuste Anual Simplificada do exercício de 1997, ano calendário de 1996 (fls. 24/25). Em havendo pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 150, § 4º do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do ano calendário de 1996 dáse no dia 01/01/1997 e o termo final no dia 31/12/2001. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 25/04/2002, portanto, após de transcorrido o prazo de cinco contados do fato gerador, nesta data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 1996. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 29/02/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado) Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 106 16.484, proferido pela antiga 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes em 13/09/2007 (fls. 1079/1088), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 1093/1105). A decisão recorrida, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de ilegitimidade passiva e no mérito, deu provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do lançamento no anocalendário de 1996. Segue abaixo sua ementa: “DECADÊNCIA 0 imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, na medida em que os rendimentos forem percebidos, cabendo ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o que caracteriza a modalidade de lançamento por homologação cujo fato gerador, por complexo, completase em 31 de dezembro de cada anocalendário. Recurso parcialmente provido.” Segundo a recorrente, o aresto atacado diverge dos paradigmas que apresenta, segundo os quais o prazo decadencial, nos casos disciplinados no art. 149, V do CTN, vem disposto no art. 173, I do CTN. Explica que, no caso em tela, está claro que o art. 150 do CTN foi contrariado, já que não houve recolhimento do tributo devido. Portanto, cabível é a aplicação do art. 149, V do CTN, motivo pelo qual foi efetuado o lançamento de ofício pela autoridade administrativa. Argumenta que não há que se falar em homologação do art. 150 do CTN. Ao contrário, sob amparo do art. 149, V, a Administração poderá exercer o direito de lançar de ofício, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública, na forma do art. 173, I do CTN. Pondera que para o fato gerador ocorrido em 1996, o lançamento somente poderia ser efetuado em 1997, fazendo com que o início do prazo decadencial fosse para o dia 1º de janeiro de 1998. Contandose cinco anos, temse que a decadência ocorreria em Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11070.000410/200213 Acórdão n.º 920201.966 CSRFT2 Fl. 1.112 3 31/12/2002. Desse modo, como a ciência do auto se deu em abril de 2002, o lançamento não aconteceu a destempo. Ao final, requer seja dado provimento ao recurso, para que seja afastada a decadência do lançamento. Nos termos do Despacho n.º DDF106149783_320 (fls. 1106/1108), foi dado seguimento ao pedido em análise. Consoante o despacho de fl. 1110, o contribuinte não ofereceu contrarazões. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11070.000410/200213 Acórdão n.º 920201.966 CSRFT2 Fl. 1.113 5 pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Há de se salientar que o acórdão recorrido acolheu a preliminar de nulidade da intimação do lançamento, considerando o contribuinte intimado somente em 2005, com a seguinte fundamentação: “Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a data da ciência do Auto de Infração, ou seja, a ciência se deu em 27/12/2004, quando o agente fiscal colocou na caixa de correspondência do suplicante o envelope contendo o Auto de Infração e a respectiva intimação ou foi no ano calendário de 2005 quando o suplicante se manifestou contra a exigência, através da impugnação datada de 26/01/2005. (...) Por outro lado, resta evidente nos autos, que o agente fiscal assim procedeu (postar, em 27/12/2004, na caixa de correspondência do contribuinte) o Auto de Infração, do qual deveria ser regularmente cientificado, em razão do prazo decadencial. Assim sendo, resta necessário se determinar qual seria a data da ciência do lançamento, já que o agente fiscal não procedeu de acordo com que preceitua o artigo 23 do Decreto n° 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF). Ora, a legislação que rege a forma de promover as intimações é cristalina, conforme podemos constatar no Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, que quando trata de intimação, especificamente no art. 23, com nova redação editada por leis posteriores, diz: (...) Como se depreende do dispositivo legal acima, se impõe que a intimação seja feita por uma das seguintes formas: pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, provada com a assinatura do sujeito passivo; por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; por meio eletrônico; ou por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos anteriormente. Assim, o simples ato de postar a intimação, pelo autor do procedimento, na caixa de correspondência do endereço do domicílio fiscal do sujeito passivo, não valida a intimação, já que não existe a prova de recebimento no domicilio eleito pelo sujeito passivo. É claro nos autos, de que o agente fiscal não tomou as devidas precauções para cientificar o contribuinte do lançamento. Desta forma, é de se considerar como ciência da intimação do Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 lançamento à data em que o suplicante veio se manifestar nos autos, qual seja: a data da protocolização da peça impugnatória (26/01/2005). Neste aspecto, nada mais há para se discutir e, por via conseqüência, só posso considerar que o contribuinte tomou ciência do lançamento já no anocalendário de 2005, quando veio a se manifestar no processo. Nestes termos e tendo em vista a falta da prova de recebimento da intimação no domicilio eleito pelo sujeito passivo, posiciono me no sentido de aceitar como data da ciência do Auto de Infração a data da interposição da peça recursal que ocorreu durante o ano calendário de 2005.” No caso dos autos, o auto de infração apurou omissão de rendimentos: i) do trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoa jurídica; ii) do trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoa física; iii) da atividade rural. Verificase que houve pagamento antecipado, conforme consta da Declaração de Ajuste Anual Simplificada do exercício de 1997, ano calendário de 1996 (fls. 24/25). Em havendo pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 150, § 4º do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do ano calendário de 1996 dáse no dia 01/01/1997 e o termo final no dia 31/12/2001. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 25/04/2002, portanto, após de transcorrido o prazo de cinco contados do fato, nesta data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 1996. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 6DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13909.000094/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS IN NATURA (CAFÉ CRU).
ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS.
Somente faz jus ao crédito presumido estabelecido pela Lei n° 10.833, de
2003, § 5º do art. 3º, a pessoa jurídica que se enquadre na condição de
produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria); sendo
caracterizada como “produção”, em relação aos produtos classificados no
código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar,
beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor
(blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos
determinados pela classificação oficial, a partir da edição da Lei nº
11.051/04, com vigência a partir de 01/08/2004.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-00.941
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Antônio Lisboa Cardoso (relator), Fábio Luiz Nogueira e
Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor
o Conselheiro Maurício Taveira e Silva.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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PRODUTOS IN NATURA (CAFÉ CRU). ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Somente faz jus ao crédito presumido estabelecido pela Lei n° 10.833, de 2003, § 5º do art. 3º, a pessoa jurídica que se enquadre na condição de produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria); sendo caracterizada como “produção”, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, a partir da edição da Lei nº 11.051/04, com vigência a partir de 01/08/2004. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Antônio Lisboa Cardoso (relator), Fábio Luiz Nogueira e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Maurício Taveira e Silva. (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSA PÔSSAS Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. Fl. 141DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA Redator designado. EDITADO EM: 06/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fabio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão da DRJ de Curitiba/PR (fls. 95/96), que não reconheceu o direito de crédito relativo à contribuição ao PIS nãocumulativa do período de apuração de 01/07/2003 a 30/09/2003 (3º trimestre de 2003), decorrente da aquisição de café em grãos de produtores rurais pessoas físicas, conforme depreendese da ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O P1S/PASEP Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS 'IN NATURA' (CAFÉ CRU) ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Somente faz jus ao crédito presumido estabelecido pela Lei nº 10.637, de 2002, § 10 do art. 3º, a pessoa jurídica que se enquadre na condição de produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria);sendo caracterizada como 'produção'. em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, a partir da edição da Lei n" 11.051, de 2004, com vigência a partir de 01/08/2004. 1NCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. ESFERA ADMINISTRATIVA. INCABIMENTO. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao poder judiciário, restando incabível qualquer discussão na esfera administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Segundo a decisão recorrida, a contribuinte somente poderia utilizar créditos do PIS inerentes aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliado no País. Em relação à aquisição de pessoas físicas não havia previsão legal à época dos fatos. Fl. 142DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13909.000094/200710 Acórdão n.º 330100.941 S3C3T1 Fl. 121 3 Ressalta ainda que o dispositivo da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, que em seu art. 25 acrescentou o § 10 ao art. 30 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, relativamente à contribuição do PIS, o qual autoriza o aproveitamento de crédito presumido sobre aquisição de pessoas físicas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, assim estabelecendo: "Art. 25. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 5ºA e com as seguintes alterações dos arts. 1º, 3º, 8º, 11 e 29: (...) §10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na . forma deste artigo. as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00. 0701.90.00. 0702.00.00. 0706.10.00, 07.08, 0709.90. 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o P1S/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do capta deste artigo. adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. Art. 29. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. produzindo efeitos: II em relação ao art. 25, a partir de 1 de fevereiro de 2003;” Portanto, mostrase correto o entendimento da unidade de origem, no sentido de que a contribuinte não poderia calcular créditos presumidos, nos períodos de julho a setembro de 2003, vinculados à aquisição de café cru de produtores rurais, pessoas físicas, ainda que os tenha processado, mediante classificação, limpeza, secagem, padronização, beneficiamento e armazenagem para comercialização, pois não havia base legal que sustentasse a utilização desses créditos, a não ser que a contribuinte se enquadrasse na atividade de agroindústria que produzisse mercadorias de origem animal ou vegetal, nos termos do § 10 do art. 30 da Lei n° 10.637, de 2002, o que, como visto, não é o caso. Cientificada em 31/05/2010 (AR, fl. 100), a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 101/118, em 08/06/2010, alegando, em síntese, que a não cumulatividade como princípio constitucional tem: por objetivo garantir ao contribuinte o direito de compensar o montante pago a titulo de impostos ou contribuições relativo às operações anteriores e, por fonte, a ciência econômica, sendo vedado à lei ordinária alterálo, sem permissão da própria Constituição Federal. Ressalta que mesmo antes da edição da Lei no. 10.637/02 já havia a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido decorrente da aquisição de insumos de pessoas físicas, diante do disposto no § 5°. do art. 3°. da Medida Provisória nº 66, de 29/08/02, que instituiu a cobrança da contribuição para o PIS não cumulativo. Fl. 143DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Entretanto, em que pese a Lei 10.637/02 não ter trazido em seu bojo as disposições constantes do art. 3°. § 5°. Da MP 66/02, a Lei no. 10.684, de 30/05/03, assim o fez, da seguinte forma: "Art. 25. A Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 5°A e com as seguintes alterações dos arts. 1°, 3°, 8°, 11 e 29: "Art. 3°. .... § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País." Portanto, restabelecido o direito, ficou expressa a possibilidade da Recorrente em deduzir da Contribuição para o PIS o crédito presumido, calculado sobre as aquisições de pessoas físicas, porquanto as atividades realizadas pela Recorrente, que adquire o café cru de produtores rurais — pessoas físicas, e posteriormente, efetua sua seleção, padroniza e o beneficia, se caracterizam como PRODUÇÃO, para fins de aplicação da lei, ou seja, se beneficiar do crédito presumido. Ademais disto, a Lei 11.051/04 no § 6° do art. 8° apenas definiu e frisou o que a legislação já havia feito com a edição da Lei 10.633/03. Assim, na verdade, houve apenas, uma adequação aos mandamentos constitucionais, vez que, o objetivo constitucional é a desoneração tributária. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso é tempestivo e revestido das demais condições necessárias à sua admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. O cerne da questão diz respeito em saber se a recorrente, atende às especificações previstas no art. 29, § 6º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que incluiu o § 6º ao art. 8º da Lei º 10.925, de 2004, com efeito retroativo a partir de 01/08/2004, que definiu o conceito de produção, justifica o aproveitamento de crédito de PIS não cumulativo, relativamente às aquisições de produtos rurais, pessoas físicas, no período de apuração de 01/07/2003 a 30/09/2003, in verbis: Fl. 144DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13909.000094/200710 Acórdão n.º 330100.941 S3C3T1 Fl. 122 5 "Art. 29. Os arts. 1º, 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. passam a vigorar com a seguinte redação: 6º Para os eleitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação qficial.'' (Grifouse). De fato, a Lei nº11.051/04 (§ 6° do art. 8°), com vigor retroativo, a partir de 01/08/2004, apenas explicitou o que a legislação já havia feito com a edição da Lei 10.637/03, com as alterações introduzidas pela Lei nº 10.684, de 30/05/2003. A Lei n° 10.684, de 30 de maio de 2003, através de seu art. 25 acrescentou o § 10 ao art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, relativamente à contribuição do PIS, o qual autoriza o aproveitamento de crédito presumido sobre aquisição de pessoas físicas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, assim estabelecendo: "Art. 25. A Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 5°1 e com as seguintes alterações dos arts. 3º, 8º, 11 e 29: §10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do .Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o P1S/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País." (Grifouse). Segundo consta do Contrato Social da empresa e Alterações (fls. 07/12 e 18/29), a interessada tem como objeto social e finalidade principal o comércio, importação, exportação, benefício e rebenefício de café (classificação fiscal 09.01) adquiridos de terceiros, constando ainda, do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — Dacon (fl. 30) que a atividade econômica da empresa (CNAEFiscal) é o "Comércio atacadista de outros produtos alimentícios". A alteração introduzida através do art. 25, entrou em vigor a partir de 1º de fevereiro de 2003, nos termos do art. 29, II, da citada Lei, abrangendo todos os créditos discutidos no presente processo. Ademais disto, as atividades realizadas pela Recorrente, que adquire o café cru de produtores rurais — pessoas físicas, e posteriormente, efetua sua seleção, padroniza e o Fl. 145DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 beneficia, se caracterizam como PRODUÇÃO, para fins de aplicação da lei, podendo se beneficiar do crédito presumido. Logo, faz jus ao pleito solicitado, a partir de 1º de fevereiro de 2003. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 146DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13909.000094/200710 Acórdão n.º 330100.941 S3C3T1 Fl. 123 7 Voto Vencedor Conselheiro MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA – redator designado Reportome ao relatório e voto de lavra do ilustre Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, de quem ouso divergir da tese que sustenta, em relação à questão abaixo relacionada. O art. 29 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004 alterou a redação do art. 8º da Lei nº 10.925/04, nos seguintes termos: LEI No 10.925, DE 23 DE JULHO DE 2004. [...] Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) [...] § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] Art. 17. Produz efeitos: [...] III a partir de 1o de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8o e 9o desta Lei; Fl. 147DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Portanto, há determinação expressa na lei prevendo que o disposto no art. 8º produza efeitos somente a partir de 01/08/2004. Tendo em vista que o pleito da recorrente referese ao período anterior ao precitado, não há reparos a fazer à decisão recorrida, negando se provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA Fl. 148DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10882.001600/2002-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 1997
Ementa:
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR MEDIDA LIMINAR. INFORMAÇÃO EM DCTF. Tendo sido comprovada nos autos a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários pela medida judicial interposta, devidamente informados em DCTF, não mais subsiste a causa do lançamento.
CSLL. ESTIMATIVA. EXIGÊNCIA APÓS O ENCERRAMENTO DO
ANO CALENDÁRIO. Não subsiste o lançamento de ofício da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL devida por estimativa após o encerramento do ano-calendário.
LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Comprovado que, antes do início do procedimento de ofício, a exigibilidade do tributo estava suspensa, na forma do inc. IV do art. 151 do CTN, não cabe a exigência de multa de ofício em lançamento efetuado para prevenir a decadência.
Numero da decisão: 1302-000.908
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Luiz Tadeu Matosinho Machado
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CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR MEDIDA LIMINAR. INFORMAÇÃO EM DCTF. Tendo sido comprovada nos autos a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários pela medida judicial interposta, devidamente informados em DCTF, não mais subsiste a causa do lançamento. CSLL. ESTIMATIVA. EXIGÊNCIA APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. Não subsiste o lançamento de ofício da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL devida por estimativa após o encerramento do anocalendário. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Comprovado que, antes do início do procedimento de ofício, a exigibilidade do tributo estava suspensa, na forma do inc. IV do art. 151 do CTN, não cabe a exigência de multa de ofício em lançamento efetuado para prevenir a decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Presidente. (documento assinado digitalmente) Fl. 171DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10882.001600/200231 Acórdão n.º 130200.908 S1C3T2 Fl. 172 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Diniz Raposo e Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10882.001600/200231 Acórdão n.º 130200.908 S1C3T2 Fl. 173 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão da Quinta Turma de Julgamento da DRJCampinas que julgou parcialmente procedente o lançamento relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, constituído mediante o auto de infração lavrado em 18/06/2002 (fls. 37) e cientificado ao contribuinte, por via postal, em 20/03/2002 (fls. 94). O crédito tributário lançado corresponde ao valor total de R$ 7.039.624,14, com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, tendo sido constituído em face da não confirmação do processo judicial informado para fins de suspensão da exigibilidade dos débitos declarados de julho a novembro/97. O contribuinte apresentou impugnação, em 16/04/2002 (fls. 01/17), apresentando suas razões de defesa assim sintetizados no acórdão da Campinas, in verbis: Afirma que falta motivação à exigência, pois a exigibilidade do crédito tributário está suspensa por força do Mandado de Segurança nº 97.00073360, como se pode constatar pela mera análise da petição inicial e demais documentos apresentados. Imperioso seria que houvesse justificativa ou intimação prévia à desconsideração do referido processo judicial. Demais disso, encerrado o período de apuração anual, não caberia exigência de valores relativos a estimativas mensais. Também alega que seria incabível a aplicação da multa de ofício, sob pena de desobediência à liminar concedida no mandado de segurança, além de entender incabível o lançamento de juros de mora na vigência de medida suspensiva de exigibilidade e, ainda, considerar imprestável a taxa SELIC para cálculo dos mesmos juros de mora. A Quinta Turma de Julgamento da DRJCampinas julgou parcialmente procedente o lançamento, proferindo o Acórdão nº 05.32.779, de 02/03/2011 (fls. 123/127) com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Incabível discutir aspectos que poderiam ensejar a sua nulidade se o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte, mediante formalização em declaração. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE CONFIRMADA. MULTA DE OFÍCIO. Confirmada a suspensão da exigibilidade por medida judicial favorável ao contribuinte no momento do Fl. 173DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10882.001600/200231 Acórdão n.º 130200.908 S1C3T2 Fl. 174 4 procedimento fiscal e conseqüente lançamento, cancelase a multa de ofício aplicada. JUROS DE MORA. LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. Nos termos da Súmula nº 5 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade. TAXA SELIC. Nos termos da Súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. LANÇAMENTO POSTERIOR À APURAÇÃO ANUAL. AÇÃO JUDICIAL. Confirmada a validade do lançamento tão só para aferição da regularidade da vinculação apontada em DCTF, não há impedimento à formalização do principal devido para demarcação do momento em que a estimativa deveria ter sido recolhida, como parâmetro para cálculo dos acréscimos moratórios cabíveis em eventual recolhimento decorrente da reversão da decisão judicial que suspendeu sua exigibilidade. Impugnação Procedente em Parte. A DRJCampinas cancelou a exigência da multa de ofício ao entendimento de que se trata de lançamento de tributo com exigibilidade suspensa por liminar em mandado de segurança. Com relação aos juros de mora lançados, a DRJCampinas, manteve a exigência, invocando como fundamento a Súmula nº 05 do CARF, que estabelece que “são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral”. Com relação à taxa Selic, invocou como fundamento as Súmulas 02 e 04 do CARF para manter o lançamento. Quanto à exigência da CSLL por estimativa lançada, a Quinta Turma da DRJCampinas entendeu que a autuação devia ser mantida, sustentando que, in verbis: “(...) caracterizada a inaplicabilidade da multa de ofício em razão da suspensão da exigibilidade da estimativa à época do lançamento, e confirmada a validade deste tão só para aferição da regularidade da vinculação apontada em DCTF, não há impedimento à formalização do principal devido tendo por referência o momento em que a estimativa deveria ter sido recolhida. Isto porque, restabelecida a exigibilidade da parcela lançada, o cumprimento espontâneo da obrigação deverá ser feito com a incorporação não só da multa de mora, se devida nos termos do § 2o do art. 63 da Lei nº 9.430/96, como também dos juros de mora, mas estes desde o Fl. 174DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10882.001600/200231 Acórdão n.º 130200.908 S1C3T2 Fl. 175 5 momento em que as estimativas eram originalmente devidas: in casu, desde o momento em que o contribuinte estava obrigado à antecipação da contribuição, a partir de 29/08/1997 (para a estimativa de julho/97). Ou seja, o presente lançamento de ofício, assim como a declaração de tais débitos em DCTF, demarcam o momento em que as estimativas deveriam ter sido recolhidas, com vistas ao cálculo dos acréscimos moratórios cabíveis em eventual recolhimento decorrente da reversão da decisão que suspendeu sua exigibilidade. Observese que, das cópias de DARF juntadas pela autoridade preparadora às fls. 89/93, aquela relativa ao período de 1997 e ao contribuinte aqui autuado (CNPJ 48.594.139/000137) apresenta valor principal de R$ 29.612,72. Referido valor corresponde ao débito de CSLL informado na DIPJ como resultado da apuração anual, que ali fora compensado com valores de CSLL por estimativa da ordem de R$ 1.422.653,09, que resultaria em saldo credor de CSLL de R$ 1.393.040,37 (fls. 125/127). A Quinta Turma da DRJCampinas recorreu de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em face da exoneração parcial do crédito procedida pelo acórdão. A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 23/03/2011 (AR – fls. 129), tendo interposto recurso voluntário em 25/04/2011 (fls. 131/152). A recorrente alega, que a decisão que manteve parte do lançamento não deve prosperar, pois contraria o entendimento deste conselho no sentido de que, encerrado o períodobase, não mais se admite a cobrança dos valores mensais que seriam devidos a títulos de CSLL, devendo prevalecer como parâmetro o lucro líquido apurado ao final do exercício. Argumenta que “a cobrança jamais poderia ter como base as estimativas declaradas pela Recorrente ao longo do ano porque quando de seus respectivos vencimentos a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa, e após o enceramento do anobase não faria mais sentido a cobrança daqueles valores, conforme expressa disposição do art. 16 da Instrução Normativa nº 93/97”. Sustenta a recorrente que, de acordo com o inc. II do art. 16 da IN.SRF. nº 93/97, depois de encerrado o anocalendário, não cabe mais falar em exigência de estimativas, mas tão somente do saldo apurado ao final do ano. Quanto às estimativa, cabe unicamente a aplicação da multa isolada, que não seria aplicável ao presente caso, seja por ausência de sue lançamento, seja porque indevida em face da decisão judicial suspendendo a exigibilidade do tributo. Cita a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes para abonar sua tese. Por fim, a recorrente se insurge com relação à exigência dos juros de mora, entendendo que não há que se falar em mora se o tributo estava com sua exigibilidade suspensa por medida judicial e que tal exigência violaria o art. 963 do Código Civil e o art. 151, inc. IV do CTN. Cita farta doutrina em respaldo aos seus argumentos Fl. 175DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10882.001600/200231 Acórdão n.º 130200.908 S1C3T2 Fl. 176 6 Discorda ainda da aplicação da taxa Selic como base de cálculo dos juros moratórios exigidos porque “além de ser figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração de serviços das instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo e, ainda, extrapola em muito o percentual de 1% previsto no art. 161 do CTN”. Ao final a recorrente requer que seja reformada a decisão recorrida, na parte que manteve o auto de infração, cancelandose integralmente a exigência. É o relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10882.001600/200231 Acórdão n.º 130200.908 S1C3T2 Fl. 177 7 Voto RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário apresentado é tempestivo e dele conheço. O presente processo decorre de autuação relativa a Contribuição Social Sobre o Lucro – CSLL devida com base em estimativas mensais, concretizada em face da não confirmação do processo judicial informado para fins de suspensão da exigibilidade dos débitos declarados de julho a novembro/97. Em sede de impugnação a autuada logrou comprovar que, de fato, a CSLL devida nos períodos objeto do lançamento ora discutido, tinha sua exigibilidade suspensa em face de medida liminar concedida em mandado de segurança, conforme havia informado na DCTF apresentada. A decisão de primeiro grau exonerou a multa de ofício aplicada, com base no art. 63 da Lei nº 9.430/1996 e na Súmula nº 17 do CARF. Não obstante a decisão recorrida manteve a exigência da contribuição lançada e dos respectivos juros de mora por entender que “o presente lançamento de ofício, assim como a declaração de tais débitos em DCTF, demarcam o momento em que as estimativas deveriam ter sido recolhidas, com vistas ao cálculo dos acréscimos moratórios cabíveis em eventual recolhimento decorrente da reversão da decisão que suspendeu sua exigibilidade”. A recorrente se insurge contra a decisão recorrida alegando que encerrado o período base, não mais se admite a cobrança dos valores mensais que seriam devidos a títulos de CSLL, devendo prevalecer como parâmetro da exigência o lucro líquido apurado ao final do exercício. Sustenta a recorrente que, de acordo com o inc. II do art. 16 da IN.SRF. nº 93/97, após encerrado o anocalendário, não cabe mais falar em exigência de estimativas, mas tão somente do saldo apurado ao final do ano. Quanto às estimativa, caberia unicamente a aplicação da multa isolada, que não seria aplicável ao presente caso, seja por ausência de seu lançamento, seja porque indevida em face da decisão judicial suspendendo a exigibilidade do tributo. Insurgese também contra a imputação de juros de mora. Entendo que assiste razão à recorrente. Em primeiro plano por restar comprovado nos autos a CSLL devida por estimativa tinha sua exigibilidade suspensa em face de liminar obtida em mandado de segurança, conforme a recorrente havia informado em sua DCTF. Ora, estando comprovada a suspensão da exigibilidade pela medida judicial informada na DCTF, sucumbe o fundamento do lançamento realizado com base em auditoria interna. Senão vejamos. O lançamento foi realizado com base no que estabelecia o art. 90 da MP. 215835, in verbis: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou Fl. 177DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10882.001600/200231 Acórdão n.º 130200.908 S1C3T2 Fl. 178 8 suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. (grifei) Tendo sido comprovada nos autos a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários pela medida judicial interposta, devidamente informados em DCTF, não mais subsiste a causa do lançamento. Assim, a execução dos créditos eventualmente devidos em face da decisão final da justiça deve obedecer ao disposto no art. 5º do DecretoLei nº 2.124/19841. Não obstante a conclusão acima, o lançamento também não poderia subsistir, ainda que o tributo não houvesse sido declarado em DCTF pelo sujeito passivo. Tratase, no caso, de exigência de CSLL devida por estimativa mensal, cuja exigibilidade encontravase suspensa durante o anocalendário de sua apuração e cuja constituição veio a ocorrer apenas depois de encerrado o período de apuração anual do tributo. Uma vez encerrado o anocalendário não há que se falar em exigência da contribuição devida por estimativa que deixou de ser recolhida, qualquer que seja o motivo. A legislação de regência estabelece que, em tais casos, aplicase tão somente a multa isolada sobre o tributo que deixou de ser recolhido. É o que estabelecia o inc. IV do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/1996, com a redação vigente por ocasião dos fatos geradores e do lançamento, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. (...). § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...). IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; A administração tributária chancelou esta interpretação por meio do art. 16 da IN.SRF. nº 93/1997, in verbis: 1 Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10882.001600/200231 Acórdão n.º 130200.908 S1C3T2 Fl. 179 9 Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; (grifei) II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. No presente caso, não havia como exigir a multa de ofício isolada, uma vez que a exigibilidade do crédito encontravase suspensa por medida judicial. A decisão recorrida fundamentou a manutenção parcial da exigência com intuito de demarcar “o momento em que as estimativas deveriam ter sido recolhidas, com vistas ao cálculo dos acréscimos moratórios cabíveis em eventual recolhimento decorrente da reversão da decisão que suspendeu sua exigibilidade”. Com a devida vênia, tal entendimento não pode prosperar, pois a própria legislação do tributo estabelece que, uma vez encerrado o anocalendário, a única contribuição que pode ser exigida é aquela apurada em 31 de dezembro, caso não tenha sido recolhida. Não é o caso dos autos, uma vez que o valor final devido no ajuste anual encontrase quitado, conforme DARF, às fls. 92. Assim, não subsistindo a exigência do principal, a mesma sorte segue a exigência de juros de mora imputados ao presente lançamento. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto. RECURSO DE OFÍCIO A Quinta Turma da DRJCampinas recorreu de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em face da exoneração parcial do crédito ao considerar indevida a multa de ofício aplicada no lançamento. Acolho a remessa oficial e passo a examinar a decisão recorrida. A decisão de primeiro grau amparouse no art. 63 da Lei nº 9.430/1996 e na Sumula CARF nº 17 para excluir do lançamento a multa de ofício aplicada, conforme abaixo transcrito: “(...). E, às fls. 71/72, está juntada cópia da decisão exarada em 24/03/1997 que concedeu a liminar pleiteada, para desonerar as impetrantes do pagamento da contribuição social sobre o lucro até a solução do presente feito, ficando à autoridade impetrada autorizada a perpetrar a necessária fiscalização quanto à situação das impetrantes. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10882.001600/200231 Acórdão n.º 130200.908 S1C3T2 Fl. 180 10 Segundo informações do sítio da Justiça Federal na Internet, somente em 17/09/2004 foi publicada sentença denegando a segurança (fls. 105/107). Ainda, em 26/04/2006 foi publicado acórdão negando provimento à apelação dos impetrantes, e, em 12/07/2007, publicado acórdão rejeitando seus Embargos de Declaração (fls. 108/111). Também foi negado seguimento a Recursos Especial e Extraordinário, interpostos pela impetrante, ensejando Agravos de Instrumento (fls. 108), sendo que àquele interposto perante o Supremo Tribunal Federal foi negado provimento por acórdão transitado em julgado em 15/06/2009 (fls. 112/113) e àquele perante o Superior Tributal de Justiça, após agravo regimental, foi dado provimento determinando a subida do Recurso Especial (fls. 116), no âmbito do qual há registro de pedido de desistência da requerente NCD Participações Ltda. (fls. 119), mas não há notícia de sua homologação. Assim, em que pese ter sido revertido o amparo inicialmente obtido e ainda não ter sido declarado o trânsito em julgado no STJ, confirmase a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por liminar em Mandado de Segurança, à época do lançamento, bem como a inaplicabilidade da multa de ofício em face do que dispõe a Lei nº 9.430/96, desde a sua redação original: Art. 63. Não caberá lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Acerca da questão, já foi editada, inclusive, Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Súmula CARF nº 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.” Não há reparos à decisão de primeiro grau. Comprovado nos autos que a contribuição estava com a exigibilidade suspensa na formado inc. IV do art. 151 do CTN, não se sustenta a exigência da multa de ofício. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10882.001600/200231 Acórdão n.º 130200.908 S1C3T2 Fl. 181 11 Além disso, o recurso não merece prosperar pelas mesmas razões expendidas para dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto proferido anteriormente. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 181DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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