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Numero do processo: 10183.004369/95-42
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 1997
Ementa: ITR - BASE DE CÁLCULO. Restando indemonstrado, pelo contribuinte, erro no cálculo do tributo revisto na decisão de primeira instância, é de se manter o lançamento dela decorrente. Recurso negado.
Numero da decisão: 201-71062
Nome do relator: Rogério Gustavo Dreyer
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O. U. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 2.9 ne.a. çit .. ./ .... Q.g... / 19 Td 4,,,,. -------------------c ------------- --. Rubrica Processo : 10183.004369/95-42 Acórdão : 201-71.062 Sessão • 14 de outubro de 1997. Recurso : 100.778 Recorrente : MARIA CARMEM DA SILVA LEME 1 Recorrida : DRJ em Foz do Iguaçu - PR ITR - BASE DE CÁLCULO. Restando indemonstrado, pelo contribuinte, erro no cálculo do tributo revisto na decisão de primeira instância, é de se manter o lançamento dela decorrente. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: MARIA CARMEM DA SILVA LEME. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente o Conselheiro Jorge Freire. Sala das Sessões, em 14 de outubro de 1997 fi / i f Luiza Helen.n4 . ante de Mor. es L\Presidenta _ Rogério Gustavo Dr r Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Expedito Terceiro Jorge Filho, Valdemar Ludvig, Henrique Pinheiro Torres (Suplente), Geber Moreira, Sérgio Gomes Velloso e João Beijas (Suplente). eaal/ , 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA s',Narlsop,31 •tt ;Skr; SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10183.004369/95-42 Acórdão : 201-71.062 Recurso : 100.778 Recorrente : MARIA CARMEM DA SILVA LEME RELATÓRIO A Contribuinte insurge-se contra o valor exigido a titulo de ITR195, sob a alegação de erro no preenchimento de sua declaração, bem como aludindo pertencer o imóvel a outro município que não o constante na notificação. Junta cópia da escritura de compra e venda e mapa topográfico da área, bem como laudo de avaliação. De fls. 18, solicitação de diligência, propondo a juntada de certidão do Cartório de Registro de Imóveis de Diamantino (MT), visando comprovar a localização do imóvel, declaração retificadora do ITR194 e laudo pericial de lavra de autoridade competente, sugerindo a EMATER. De fls. 22, declaração da EMATER informando a localização do imóvel no municípios de Nova Maringá (MT). De fls. 23, laudo de lavra do mesmo órgão, e a fls. 24 declaração retificadora. De fls. 28 a 31, a decisão monocrática, pela procedência parcial da impugnação, reduzindo o tributo em vista da mudança do município e do item relativo ao valor das árvores plantadas. No mais mantém o lançamento sob o argumento de que a declaração retificadora não guarda pertinência com o laudo anexado pela EMATER, no que se refere aos valores (UFIR vis a vis com REAIS) e na determinação dos itens referentes à obtenção do VTN e das parcelas isentas a título de reserva legal por faltar a prova da averbação da circunstância á margem da inscrição do imóvel. Inconformada com o valor remanescente exigido, a Recorrente interpõe o presente recurso voluntário, alegando que deduziu as florestas naturais como plantadas por entender que estas devem ser excluídas do valor do imóvel. Prossegue admitindo o equívoco perpetrado quanto aos valores (confusão entre Reais e UFIR) e a inexistência da averbação quanto à reserva legal, pretendendo a admissão como de preservação permanente, conforme declarado. 2 4. MINISTÉRIO DA FAZENDA , ,ANqB04),0, 1k44Yi• SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10183.004369/95-42 Acórdão : 201-71.062 De fls. 41, a nova notificação decorrente do julgamento recorrido. Devidamente intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional, por seu agente propugna pela manutenção do lançamento. É o relatório. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA 0140IN,' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10183.004369/95-42 Acórdão : 201-71.062 VOTO DO CONSELHEIRO RELATOR ROGÉRIO GUSTAVO DREYER Inatacável a douta sentença recorrida. A despeito de todas as oportunidades oferecidas, a Recorrente delas utilizou-se de forma distorcida, pretendendo induzir à decisão que lhe favorecesse além do já concedido pela decisão monocrática. Refiro, como exemplo, os valores determinados no laudo que a autoridade recorrida admitiu para servir de base á nova declaração, dela decorrente e a ela vinculada. Naquela peça, de lavra da EMATER, os valores atingiram R$ 493.,190,00 (quatrocentos e noventa e três mil cento e noventa reais) e constituem-se na avaliação de área denominada de reserva legal, de mata virgem e de pastagens. A Recorrente tomou tal exato valor, transcrevendo-o para a Declaração Retificadora como UFIR, na condição de valor do imóvel, dele deduzindo as benfeitorias, as culturas permanentes e temporárias e as pastagens cultivadas ou melhoradas, as quais não estão consignadas no mencionado laudo. Ainda mais, nas culturas permanentes transcreveu o valor expresso no indigitado laudo como mata virgem. Em seu recurso, a Contribuinte pretendeu justificar tal procedimento entendendo tais valores como dedutiveis para o efeito de obter o VTN. Evidente a impropriedade da declaração, que distorceu completamente o constante do laudo. Aliás, este, pelos seus termos, ainda insuficiente para determinar com precisão qual o Valor da Terra Nua. Assim sendo, entendo que nada mais restou ao julgador monocrático do que determinar o VTN com base na IN n° 16/95, em vista dos elementos constantes dos autos. 4 4) MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10183.004369/95-42 Acórdão : 201-71.062 Isto posto, voto pelo improvimento do recurso interposto. É como voto. Sala de Sessões, em 14 de outubro de 1997 ROGÉRIO GUSTAVO 1 r: R 5
score : 1.0
Numero do processo: 10166.005137/91-03
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 1996
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 1996
Ementa: CONSÓRCIO - Comprovado o descumprimento dos termos da autorização concedida, dá-se como infringido o art. 14 da Lei nr. 5.768/71, com a nova redação da Lei nr. 7.691/88, aplicável a penalidade ali prevista. Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 202-08435
Nome do relator: Oswaldo Tancredo de Oliveira
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Recorrida : Banco Central do Brasil CONSÓRCIO - Comprovado o descumprimento dos termos da autorização con- cedida, dá-se como infringido o art. 14 da Lei n° 5.768/71, com a nova redação da Lei n° 7.691/88, aplicável a penalidade ali prevista. Recurso a que se nega pro- vimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: CBN ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribu- intes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente o Conselheiro An- tonio Carlos Bueno Ribeiro. Sala das Sessões, em 25 de abril de 1996 JosçJ~§1 - • o Vice-Pres5ei te, no exercício da Presidência Oswaldo Tancredo de Oliveira Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Corrêa Homem de Carvalho, José de Almeida Coelho, Tarásio Campelo Borges e Antonio Sinhiti Myasava. mdm/I1R-GB 1 - I MINISTÉRIO DA FAZENDA RIW SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10166.005137/91-03 Acórdão : 202-08.435 Recurso : 98.759 Recorrente : CBN ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS LTDA. RELATÓRIO Diz o auto de infração que inaugura o presente feito que, conforme cópias dos documentos em anexo, a consorciada Lúcia Maria Garcia Martins Chaves adquiriu, por transferên- cia, de Matias Inácio de Medeiros (termo de transferência de 02.03.90), a cota 02, do grupo 15, correspondente ao veiculo identificado, cujo crédito, em 22.09.89, no valor indicado, destinava-se ao pagamento da Nota Fiscal n° 5.216. Na proposta de admissão originalmente assinada por Ronaldo José da Silva, di- versamente do termo de transferência, também assinado pela consorciada, consta como veículo um outro diferente (descrito). Esclarece o auto que a cópia da Nota Fiscal n° 15.445, de 13.10. 89, apresentada pela consorciada, refere-se à aquisição de veículo também diferente (descrito), com valor indicado. o número desta nota, além de não conferir com aquele anotado no recibo da "carta de crédito", que é 5.216, diverge também do valor da mesma. A administradora apresentou Nota Fiscal de n° 181, emitida pela firma MAIS UM VEÍCULO LTDA., discriminado um caminhão D-40, modelo 1989, com valor diferente (indicado). Acrescenta que tais divergências são evidentes, caracterizando descumprimento dos termos da autorização concedida, por parte da administradora, cabendo a aplicação da penali- dade prevista no art. 14, inc. IV, da Lei n° 5.768/71, com a redação dada pela Lei n° 7.691, de 15.12.88, ou seja, multa de 100% das importâncias recebidas, a titulo de taxa de administração. Segue-se o valor da multa, como acima referido, bem como a capitulação legal, com intimação para o seu recolhimento, ou a impugnar a exigência, na forma dos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. O auto é instruido com cópia da documentação nele invocada, pela qual se pre- tende comprovar as irregularidades apontadas. n 2 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA or.rtto-2, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10166.005137/91-03 Acórdão : 202-08.435 A autuada impugna a exigência, com as alegações que sintetizamos. Invoca preliminar de nulidade do feito, por alegada falta de indicação da disposi- ção legal infringida. Diz que o auto de infração relata uma série de fatos, que se acham perfeita- mente enquadrados no regulamento do Consórcio e Portaria n° 190/89, não constituindo em qual- quer ilícito passível de penalidade. Por isso, está evidente a preterição do direito de defesa, se não se esclarece qual a infração cometida. Também a título de "preliminar de inexatidão", invoca o artigo 32 do citado De- creto n° 70.235, para que sejam corrigidas as inexatidões e os lapsos manifestos, sem indicar quais, e pede, por isso, reabertura de prazo. No mérito, refere-se à acusação de ocorrências de divergências evidentes na do- cumentação, mas contesta, declarando que não há qualquer determinação ou prescrição legal que imponha à Administradora a obrigação de não cometer erros ou lapsos em documentos. Não existe dispositivo legal aplicável à atividade de consórcios caracterizando di- vergência em documentação como passível de aplicação de penalidade. Invoca e transcreve o art. 14 da Lei n° 5.768/71, com a nova redação, para afir- mar que a penalidade ali prevista é aplicável a quem descumprir os termos da autorização concedida ou normas que disciplinam a matéria, o que não é o caso das simples divergências de documenta- ção. Diz que a penalidade não pode ser impugnada por mera presunção. Reitera que não infringiu qualquer disposição legal. Insurge-se também quanto à penalidade aplicada, visto que a mesma o foi pela graduação máxima de 100% e que tal graduação deve ser mais branda, quando não haja circuns- tâncias agravantes. De todo o exposto, diz que o auto de infração não pode prevalecer. Segue-se a Informação Fiscal de fls. 26/27, que leio, para esclarecimento do Co- legiado. 3 c, MINISTÉRIO DA FAZENDA '%11ÉN\ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10166.005137/91-03 Acórdão : 202-08.435 Informações e despachos interlocutórios, dos órgãos competentes do Banco Central do Brasil, especialmente quanto às razões do tempo decorrido, conforme emitidos às fls. 30 a35. Anexados por cópia os dispositivos legais que regem a matéria, especialmente quanto às infrações que ensejaram o feito e penalidades aplicáveis. Afinal, às fls. 42/44, a decisão recorrida. Descreve as irregularidades cometidas pela autuada como "substituição de bem na cota 02 do grupo 15, originalmente uma camioneta Ford D-20, cabine dupla, depois alterado para um caminhão Chevrolet D-40, usado e de menor valor"; divergência na documentação que compro- va a aquisição do bem: na carta de crédito foi anotada a Nota Fiscal n° 5.216, aparentemente emiti- da pela CCA, já que a ela se destinou o pagamento; a consorciada apresentou a Nota Fiscal n° 15.445, emitida pela Jorlan S.A.e a administradora apresentou a Nota Fiscal n° 181, emitida pela Mais Um Veículo Ltda. Diz que a prática dessas irregularidades pela administradora, nos termos da autua- ção, caracteriza descumprimento dos termos da autorização concedida, fazendo incidir a penalidade prevista no art. 14, IV, da Lei n° 5.768/71, com a redação dada pela Lei n° 7.691, de 15.12.88. Referindo-se às alegações apresentadas pela autuada, que sintetiza, para contestá- los, conforme leio, da referida decisão. Assim sendo e considerando estarem os autos em boa ordem e perfeitamente comprovado o cometimento das irregularidades citadas na autuação, decide com respaldo nos dis- positivos antes citados, aplicar à autuada a pena de multa pecuniária no valor de 908,23 UFIR. Em atenção à informação fiscal inicialmente referida (fls. 26/27), pelo parecer de fls., tendo sido considerada a "hipótese de crime contra o Sistema Financeiro Nacional", por "fortes elementos indiciários", foi sugerida comunicação dos fatos ao Ministério Público Federal, o que foi providenciado em paralelo, segundo nos dá conta o Expediente de fls. 51. A autuada apresenta recurso ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, relativamente ao presente processo fiscal. No recurso em questão, começa por reiterar a preliminar de nulidade, como já o fizera na impugnação, sob a alegação de não constar do auto de infração a disposição legal infringi- da, o que contrariaria o disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA ,'QLIZ4Pnr, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10166.005137/91-03 Acórdão : 202-08.435 Reitera que o auto de Infração "não se referiu à Portaria n° 190/89 (e sim ao des- cumprimento dos termos da autorização concedida")". No mérito, diz que os documentos anexos demonstram claramente que o proce- dimento adotado pela recorrente conformou-se com os ditames legais e regulamentares sobre ad- ministração de consórcios, especialmente sobre as questões apontadas pela r. decisão recorrida. Historiando o caso da Nota Fiscal n° 5.216, da CCA, invocada na decisão recorri- da, entende que não houve irregularidade. Por essas razões, pede a nulidade do feito, pelo cerceamento do direito de defesa, ou, se rejeitada a preliminar, que se dê provimento ao recurso, no mérito. No que se refere à competência para decidir sobre dito recurso, acatando o Pare- cer da Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 72/79), entendeu o Conselho recorrido, conforme decisório anexo por cópia, às fls. 84, de se dar por incompetente, determinando a correção da ins- tância para este Conselho, para onde é encaminhado o recurso (fls. 87). É o relatório. 5 f/.â\ MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10166.005137/91-03 Acórdão : 202-08.435 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR OSWALDO TANCREDO DE OLIVEIRA Preliminarmente, diga-se que o Auto de Infração de fls. 01, depois de descrever detalhamente os atos praticados pela Autuada, que considerou irregulares, julgou ditas irregularida- des como infringentes das disposições do art. 14 da Lei n° 5.768/71, com a nova redação dada pela Lei n 7.691, de 15.12.88. Esses dispositivos, além de tipificarem a infração em causa (descumprimento dos termos da autorização concedida), estabelecem as penalidades cabíveis para a hipótese. E as irregularidades cometidas que implicaram descumprimento do plano são precisamente as que foram detalhadamente descritas no citado auto de infração. A recorrente reclama da falta de capitulação da Portaria 190/89 (sic), como se este ato, em matéria de infrações e penalidades, não se achasse vinculado àquela norma legal, capi- tulada e dada como infringida. Assim, sem qualquer consistência a preliminar levantada. No mérito, melhor razão não assiste à autuada, visto que as irregularidades come- tidas, que implicaram descumprimento do plano, são perfeitamente descritas e comprovadas nos autos, não se lhe opondo a recorrente, qualquer razão capaz de socorrê-la. Nego provimento ao recurso. Sal. das Sessões, em 25 de abril de 19961 é OSWALDO TANCREDO DE OLJVEIRA 6
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Numero do processo: 10166.007114/90-90
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 1993
Data da publicação: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 1993
Ementa: FINSOCIAL/FATURAMENTO - FUNDAÇÃO PÚBLICA - VENDA DE MERCADORIA E SERVIÇOS. A não-incidência refere-se tão-somente àquelas que desenvolvem exclusivamente atividades não concorrentes com a iniciativa privada. MULTA MORATçRIA: Desde que equiparados às autarquias, controladas pelo Poder Público, incabível a multa moratória, porquanto o órgão tributante e a Fundação pertencem ao poder impositivo. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 202-05754
Nome do relator: JOSÉ CABRAL GAROFANO
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"...,....* ..........-m. 4W'k.4x0 : SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no 10166-007.114/90-90 Sessão de :: 29 de abril de 1993 ACORDA° No 202-05.754 Recurso no:: 87.606 Recorrenteu FUNDAÇNO ZOOBOTANICA DO DISTRITO FEDERAL Recorrida 1: DRF EM BRASILIA - DF FINSOCIAL/FATURAMENTO -.FUNDAÇA0 PUBLICA - VENDA , DE MERCADORIA E SERVIÇOS. A nao-incidOncia refere-se tão-somente àquelas que desenvolvem exclusivamente atividades nao concOrrentes com a iniciativa privada. • MULTA MORATORIAg Desde que equiparados às autarquias, controladas pelo Poder PUblico. incablvel a multa moratória, porquanto o órgao tributante e a Fui cl pertencem ao poder impositivo. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pol . FUNDAÇNO 7.00BOTANICA DO DISTRITO FEDERAL. ACORDAM os Membros da Segunda C.âmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para dispensar a multa. Ausente o Cohselheiro jOSE ANTONIO AROMA DA CUNHA. !E::: s'Ét ..I. a da 5 Se I : * Sei "" !, em 29 /7 / ab r :i. 1 cl e 1. 993 ,, Ir , dilly dir • .. 11119HELVIO ES.:.L )„, ED".; BAR7...08 - Prk.,sidente '...., -/ ....TOS :": (.... (1131- 11_ (3P11 . -.. .--. -- I .... , : . ..fk .1:. c) r . , . )1::('-'s I I" i::. 1. ) iN LEMOS -- 1:: ' I :" o c: U. l'' iit Cl O I'' "" R E.:' p r. (- 1 sentante da Fa- ., - -- - . zenda Nacional . ',..) 1: S TA 1:::11 5.:;E:S5.31;"0 DE: di B dum 1993 - - 1, ,,,, tici r.-ik r a (ri „ ,.A :i. vl cl a „ cl c) 13 I- (.:-:, s .:.:.:, ri te .:i IA . .1.(.:“Arne-:,r) .'‘-. c:, „ c) ::. C.: c) ri :E. e 1 1 . 1(.:.: :i. r c.:,:s 0...:1: O ROTME, TERESA CRISTINA GONÇALVES PANTOjAg ANTONIO CARLOS BUENO RIBEIRO, OSVALDO TANCREDO DE OLIVEIRA e TARASIO CAMPELO BORGES. ac/mas/ac :1. ,,.. • • . .. .4t,-.--- 4MMJ VARt MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO 4ell', '00,"440' t,',.à0 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , Processo no 10166-007.114/90-90 Recurso non 87.606 Acór~ no 202-05.754 Recorrenten FUNDAÇg0 ZOOBOTANICA DO DISTRITO FEDERAL RELATORI O' Recorre a Fundação Zoobot'i'anica do Distrito Federal da decisão do Delegado da Receita no DF, que manteve o lançamento de contribui0es do FINSOCIAL e acréscimos da mora, rejeitando impugnação em que a recorrente defendeu sua condição de não contribuinte do encargo, por ser fundação de direito público. Inconformada, a Fundação recorre a este Conselho visandCD afastar a exigOncia, alegando em s.'.maN . que vende bens e serviços para executar politica do Governo do Distrito Federal, de fomento da atividade agropecuária, executando tarefas típicas da Secretaria de Agricultura e Produçãou . que os preços dos bens e serviços que vende ao pequeno produtor, são inferiores aos preços de mercado, eis que não tem fim lucrativo e sua cobrança visa apenas marcar o caráter participativo e descaracterizar a natureza caritativa dessas suas atividades . que é uma fundação pt'Ablica, criada pela Lei 145/64 e Decreto 60. ,f466/67, sendo assim considerada espécie do Onero autarquia, conforme entendimento do STF. Logo não estâ obrigada â owitrib~op . que a lei e o regulamento do FINSOCIAL não admitem interpretação extensiva, eis que enumeram em relação exaustiva os contribuintes do FINSOCIAL, dentre os quais não constam as funda0es, :1. ri portanto, previsão legal que sujeite ao recolhimento questionado Alternativamente, requer que, caso não seja desconstituído o lançamento, lhe sejam concedidos os benefícios do Decreto 83.0S1/79, com as alteraçffes introduzidas pelo Decreto 90.817/85 (afastamento das penalidades). E o relatório. ' • , Wc,-,2 - , ::*al MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO 4MW • ~0/ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no:: 10166-007.114/90-90 Acórcrão non 202-05.754 . VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR jOSE CABRAL •AROFANO ' O Recurso Voluntário foi manifestado dentro do prazo legal. Dele conheço por tempestivo. E fato. A apelante é uma fundaçao Pública e presta-se â realizaçao de atividades nao lucrativas e atípica do Poder Público, mas de interesse- coletivo, como a educaçao, cultura, pesquisa, sempre merecedoras do amparo estatal. • Também, nao resta dúvida, a atual ConstituiçJo Federal equiparou as fundaçffes públicas às autarquias e demais entendidas controladas pelo Poder Público. Essa :i. cl das autarquias e das fundaçffes, como o próprio Estado explica e justifica seus privilégios administrativos, sendo elas um prolongamento do Poder P(Ablico - uma longa manus do Estado tais entidades praticam atos de administraçao idOnticos aos do Estado, sujeitas às mesmas normas administrativas e passíveis do mesmo controle judicial de legalidade, pelos meios processuais comuns. No caso sob exame, conforme Decreto no 48.926/60, a recorrente foi criada "com a finalidade do estabelecimento de parques zoobotfanicos na Capital Federal". já no Estatuto e Regimento Interno, além da finalidade de executar e/ou promover a execuçao de programas fixados e elaborados pelos órgaos vinculantes (arts. 62 e 72), consta do art. 92 a previsao de receitas da . Fundaçao:: provenientes de prestaçao de serviços - • -(apoio mecanizado • aos produtores rurais) e comercializaçao de ! mercadorias (abastecimento de insumos aos produtores rurais). ! , Na peça recursal é de se notar a textualidade da argumentaçao g - "Certamente que a Recorrente cobra pelos serviços prestados e revenda de material agropecuário e pelas mudas que produz, porém, os preços cobrados sao infinitamente inferiores aos de mercado. A cobrança nao poderia deixar de existir, visto que o regime é participativo e nao caritativo,..." , s.: . . • /1/ do~ 5:44VA —~ MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO ‘kgbo- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .Processo non 10166-007.114/90-90 Acórdão no u - 202-05.754 Ma Informação Fiscal, o representante da Fazenda Naciol.1,a1 asseverou que a Fundação "...registrou em sua contabilidade os encargos tributários decorrentes dessas operaçffes como a contribuição para o PIS/PASEP, o então Imposto sobre Circulação de Mercadorias - ICM...". Quanto a isto, não se insurgiu a apelante em suas razffes de recurso. O Recurso Voluntário não está a merecer provimento integral. Ao revender mercadorias e prestar serviços a terceiros, a Fundação estava praticando atos de comércio inerentes â iniciativa privada, porquanto venda de sementes, mudas e adubo são atividades exploradas por empresas privadas, bem' como prestar serviços com equipamentos agrícolas, sob remuneração, constitui faturamento. Estas duas atividades nãb são a.tribuiçOes do Estado, como também o mesmo não mantém monopólio por fmço. da Constituição Federal, cabendo á iniciativa privada sua exploração, esta sujeita aos tributos e contribuiçffes de toda ordem. Destaco o fato de executar preços inferiores aos cobrados no mercado. Aqui está configurada a concorrOncia. A base de cálculo do FINSOCIAL ê o faturamentb e não o lucro, se ocorrer ou não, em tais operaOes. Foram estes pressupostos que levaram o legislador a fazer a ressalva do art. Sg, inciso II, RECOFIS2 "... exclusivamente atividades não concorrentes com a iniciativa privada." E ainda, além da Fundação competir no metLado com preços inferiores áqueles praticados pela iniciativa privada, entendo que suas funOes precípuas eram o apoio, desenvolvimento . de projetos, pesquisas tecnológicas et c.; -,. afastadas assim a prestação de serviços e comercialização de insumos â sua clientela. A fundação não praticava preços Oblicos, como por exemplo venda de energia elétrica ou abastecimento de água. Aqui sim, até o momento, são atividades inerentes ao Estado, logo, não passíveis de contribuição para o FINSOCIAL. Por outro lado, desde que as fundaçffes estejam equiparadas ás autarquias controladas pelo Poder Público, julgo - ser incablvel a exigencia da multa moratÓria, eis que embora não esteja inscrito em determinado texto legal, . conforme jurisprudOncia judicial e administrativa, em julgamentos, pareceres ou ~decisGes simplesmente administrativas, ou nãb são lançadas ou s ão excluídas por tais decisoes. 4 q.Cocr MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Pr.° 15 5 O 1.10 (.) 1. 66 .-007 :1. :i4/90-9O A c: r d Wc::1 r. 202.-05.754 c) .1.. é-c z k.k C.:' skk O "tk O 1::. c:r [Ie.: (:: t 1 :) r :i. r 1 '10 V" C: :1 .1 c! c: C.:. C: k.1 O V O 3. t. á. r „ ¡Ét. r x c:: 1 r :i. g :i. v mu 1 t ri O r" I' :1 a. !, C: On t Ci Cl C.? n C::i. -I' :1. cl as s s „ d :1.993 „ JOSE &leal • 31:: ' A NO
score : 1.0
Numero do processo: 10510.000578/90-16
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 1992
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 1992
Ementa: PIS-FATURAMENTO - OMISSÃO DE RECEITA - Suprimento de Caixa e Aumento de Capital - A presunção de omissão de receita caracterizada por suprimento de caixa e aumento de capital encontra amparo legal que só pode ser ilidida por efetiva prova em contrário do contribuinte, das origens e reais entregas, coincidentes em datas e valores. Recurso negado.
Numero da decisão: 202-04768
Nome do relator: JOSÉ CABRAL GAROFANO
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score : 1.0
Numero do processo: 10480.003928/2002-14
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 24 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Jun 24 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
ANO-CALENDÁRIO: 1996
Ementa: DECADÊNCIA. 5 ANOS - Aplica-se o prazo de decadência cinco anos previsto no art. 150 do CTN ao IRPJ e as contribuições sociais, por ter sido considerada inconstitucional a previsão dos
artigos 45 e46 da Lei 8212.
Numero da decisão: 105-17.060
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Marcos Rodrigues de Mello
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I At> MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n° 10480.003928/2002-14 Recurso n° 157.182 Voluntário Matéria IRPJ e OUTROS - EX.: 1997 Acórdão n° 105-17.060 Sessão de 24 de junho de 2008 Recorrente NELTON REPRESENTAÇÕES DO NORDESTE LTDA. Recorrida 5a. TURMA/DRJ-RECIFE/PE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ ANO-CALENDÁRIO: 1996 Ementa: DECADÊNCIA. 5 ANOS - Aplica-se o prazo de decadência cinco anos previsto no art. 150 do CTN ao IRPJ e as contribuições sociais, por ter sido considerada inconstitucional a previsão dos artigos 45 e46 da Lei 8212. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. k.'• OVIS • VES 'residente MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Formalizado em: 15 AGO 2008 g Processo n.° 10480.003928/2002-14 CCO2/C01 Acórdão n.° 105-17.060 Fls. 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: WILSON FERNANDES GUINARÃES, PAULO JACINTO DO NASCIMENTO, LEONARDO HENRIQUE M. DE OLIVEIRA, WALDIR VEIGA ROCHA, ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA e JOSÉ CARLOS PASSUELLO. 97 . Processo n.° 10480.003928/2002-14 CCOVCO I Acórdão n.° 105-17.060 Fls. 3 Relatório Trata-se de lançamento de IRPJ e reflexos, cujo embasamento foi omissão de receitas —receita não declarada, apurada através de confronto entre a receita declarada pela autuada e os valores de receita pagos por pessoas jurídicas tomadoras de seus serviços, declarados em DIRF. O lançamento foi cientificado ao recorrente em 05/04/2002 e os fatos geradores referem-se a 31/12/1996 (IRPJ) e março a dezembro de 1996 (PIS e COFINS) e 31/12/1996 (CSLL). Em sua impugnação a autuada requer que seja reconhecida a decadência em relação ao IRPJ e às contribuições e que seja dado provimento à impugnação, tendo em vista não ter sido arbitrado o lucro. Pede também o afastamento da tributação reflexa e dos juros. A DRJ manteve o lançamento originário. O recorrente foi cientificado da decisão em 14/07/06 e apresentou recurso em 04/08/2006. Em seu recurso insiste na decadência e que o fisco deveria ter arbitrado a base de cálculo.e também na inaplicabilidade da SELIC. É o Relatório. •S,n 17 1-4..... . • Processo n.° 10480.003928/2002-14 CCO2/C01 Acórdão n.° 105-17.060 Fls. 4 Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Relator O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Inicialmente trato da questão da decadência. Este colegiado trabalha com a tese de que a definição da espécie de lançamento a que está submetido o tributo é definida pela lei instituidora e independe da existência ou não de pagamento para a aplicação do art. 150 do CTN para a definição do prazo decadencial. Assim sendo, para o IRPJ, a partir de 1992 (vigência da Lei 8383), o prazo decadencial é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, exceto quando da aplicação dos artigos 71 a 73 da Lei 4502/64, quando cabe a aplicação da multa qualificada e, então, aplica-se o art. 173 do CTN. Assim sendo, voto no sentido de reconhecer a decadência do lançamento do IRPJ, tendo em vista que o lançamento foi realizado em 05/04/2002, referente a fatos geradores ocorridos em 31/12/1996. Em relação às contribuições, o Supremo Tribunal Federal através da súmula vinculante n° 8, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da lei 8212, que previam o prazo de dez para a prescrição e decadência das contribuições sociais. Reconheceu também, a aplicação dos prazos previstos no s artigos 150 e 173 do Código Tributário Nacional para a verificação da decadência das contribuições. No presente caso, não verificada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplica-se o prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Assim sendo, verifica-se no presente caso a ocorrência da decadência também das contribuições sociais. Pelo exposto, voto no sentido de reconhecer a decadência do PIS, COFINS e CSLL. E pelo provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 24 de junho de 2008. MARCOS RODRIGUES DE MELLO Page 1 _0007300.PDF Page 1 _0007400.PDF Page 1 _0007500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10074.000942/93-79
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 1994
Data da publicação: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 1994
Ementa: Rejeitada as preliminares do que preceitua a C.F. art. 5, LX e de
nulidade do Auto de Infração por falta de numeração sequencial.
- Cabível a exigência da multa prevista no art. 526, IX, do R.A., uma vez constatada a diferença de mercadoria entre o declarado na G.I. e a efetivamente importada.
- O artigo 1º da Lei nº 4287, de 03.12.63, que isenta de penalidades fiscais a Petrobrás S/A, perdeu sua eficácia por força do disposto no artigo 173, § 2º da Constituição Federal.
Recurso não provido.
Numero da decisão: 303-28.081
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por por unanimidade de =votos, em negar-se provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: DIONE MARIA ANDRADE DA FONSECA
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ementa_s : Rejeitada as preliminares do que preceitua a C.F. art. 5, LX e de nulidade do Auto de Infração por falta de numeração sequencial. - Cabível a exigência da multa prevista no art. 526, IX, do R.A., uma vez constatada a diferença de mercadoria entre o declarado na G.I. e a efetivamente importada. - O artigo 1º da Lei nº 4287, de 03.12.63, que isenta de penalidades fiscais a Petrobrás S/A, perdeu sua eficácia por força do disposto no artigo 173, § 2º da Constituição Federal. Recurso não provido.
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Rejeitada as preliminares do que preceitua a C.F. art.5, LX e de nulidade do Auto de Infração por falta de numeração sequencial. - Cabível a exigência da multa prevista no art. 526, IX, do R.A., uma vez constatada a diferença de mercadoria entre o declarado na G.I. e a efetivamente importada. - O artigo 1° da Lei re 4287, de 03.12.63, que isenta de penalidades fiscais a Petrobrás S/A, perdeu sua eficácia por força do disposto no artigo 173, § 2 0 da Constituição Federal. Recurso não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, 1 ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por por unanimidade de =votos, em negar-se provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF,em de dezembro de 1994. 2 1°LANDA iji) , COSTA - Presidente -/j (3 15/1 Átfri;tiviktii / ONE t.6Ó E DA F (gr)eeee • • • NSECA - Relatora CELSO ALBUQUERI_UE SILV - P . Faz. Nac. , vVISTO EM / (AJ. ii". e- •tr4 C JON 79.95- i Participaram, ainda, do presente j fg. e * nto os seguintes Conselheiros: SANDRA MARIA FARONI, ROMEU BUENO DE CAMAR 'é, • • I PO FELINTO DE LIMA e ZORILDA LEAL SHALL. Ausentes os Conselheiros MALV1NA CORUJO DE AZEVEDO LOPES, CRISTÓVAM COLOMBO SOARES DANTAS e SÉRGIO SILVEIREA MELLO. mhp/116791f MF - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - TERCEIRA CÂMARA RECURSO N": 116.791 ACÓRDÃO N° : 303.28.081 RECORRENTE:PETRÓLEO BRASILEIRO S/A - PETROBRÁS RECORRIDA :1RF/Rio de Janeiro/RJ RELATOR: DIONE MARIA ANDRADE DA FONSECA RELATÓRIO Contra a PETROBRÁS foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01/02 por infringência ao art. 526, inciso IX, do Regulamento Aduaneiro (Decreto IV 91.030/85). A ação fiscal resultou da constatação de que a autuada importou mercadoria do exterior incorrendo nas seguintes irregularidades: fabricante em desacordo com aquele constante da G.I., havendo, também, divergência quanto ao modelo e a referência. A empresa impugnou a exigência argumentando: - que o Auto de Infração não está completo, pois falta-lhe a numeração seqüencial, dificultando assim a defesa; - que a fiscalização imputa, pelo mesmo fato, a inftigência do artigo 455 e 526 do Regulamento Aduaneiro; - que a Petróleo Brasileiro S/A está isenta de penalidades fiscais, na forma do artigo 1° da Lei 4.287/63. Se a infração do artigo 526, III, do Decreto 91.030/85 constitui penalidade fiscal e, a autuada está isenta de penalidades fiscais, de acordo com o art. 1° da Lei 4.287/63, então, tendo em vista o princípio da interpretação literal, o Auto em questão deve ser julgado improcedente; - que a Lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se de maneira mais favorável ao acusado (art. 112, do CTN). A autoridade de primeira instância, ao julgar procedente a ação fiscal assim ementou sua decisão: "I.I. Multa - Cabível a exigência da multa prevista no artigo 526, inciso IX, do R.A., uma vez constatada a diferença de mercadoria entre o declarado na G.I. e a efetivamente importada." Esclarece que a revisão a revisão aduaneira prevista no artigo 455 do R.A. diz respeito apenas à prerrogativa do Fisco quanto à revisão aduaneira e que o Decreto 70.235/72, em seu artigo 10, não consta a exigência da numeração seqüencial reclamada pela impupante cuja falta em nada prejudica o direito de defesa da autuada. Em relação à Lei n't 4287/63 afirma a decisão que esta Lei isenta a Petrobrás e suas subsidiárias de penalidades fiscais, e não de penalidades administrativas. Acrescenta ainda que não consta da legislação tributária matéria que confira isenção de penalidade administrativa à Petrobrás S/A. , 3 Rec. 116.791 Ac. 303.28.081 Em recurso tempestivo, a empresa insiste nas preliminares já levantadas na fase impugnatória, falta de numeração seqüencial do Auto e enquadramento legal duvidoso (dúplice), dificultando o contraditório e a ampla defesa que preceitua a C.F., artigo 5 0, LX. Pede a nulidade do Auto de Infração. Cita nos autos doutrina de Celso Antonio bandeira de Mello e Sacha Cahnon Navarro Coelho. No meritório, reitera o fato da Petrobrás de penalidades fiscais, na forma do artigo 1° da Lei 4287/63. Diz que as infrações imputadas a mesma são penalidades fiscais, ao teor da própria interpretação literal do artigo 526 do Regulamento Adunneiro. É o relatório. \11-ÇSV 4 Rec. 116.791 Ac. 303.28.081 VOTO A pretensão da Petrobrás S/A em tentar anular o Auto de Infração não se enquadra nos termos do Decreto rf 70.235/72, em seu artigo 10. Também não tem fundamento a alegação de que o enquadramento legal foi duvidoso (dúbio) dificultando o contraditório e a ampla defesa. Rejeito, portanto, as preliminares suscitadas, já devidamente enfrentadas na decisão de 1° instância. No Mérito, a questão se resume à multa capitulada no inciso IX do artigo 526 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 91.030/85). Diz o precitado dispositivo legal: "Artigo 526 - Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas as seguintes penas: IX - descumprir outros requisitos de controle de importação, constantes ou não de guia de importação ou de documento equivalente, não compreendidos nos incisos IV a VIII deste artigo: multa de vinte por cento (20%) do valor da mercadoria." No presente caso, a Empresa incorreu nas seguintes irregularidades, cuja conduta foi descrita no campo 24 das Declarações de Importação: a) fabricante em desacordo com o constante da respectiva G.I. (16 Declarações de Importação); b)modelo divergente daquele constante da respectiva G.I. (1 Declaração de Importação) e; c) referência em desacordo com aquela constante da respectiva G.I. (05 Declarações de Importação). A Petrobrás S/A não nega as infrações quando afirma que verbis: "Mesmo que tenha havido incorreções, pequenos acréscimos e variações que até pelo pequeno vulto deveriam ser revelados pelo fisco..." (grifei) Assim, é inquestionável que a trazida para o Pais, de mercadorias com fabricante, modelo e referência em desacordo dos indicados na G.I., frustra o controle exercido pela CACEX, por isso que tipifica a infração administrativa ao controle das importações prevista no artigo 526, IX, do R.A.. Quanto à afirmar que está isenta de penalidades na forma da Lei 4287/63, repito entendimento expresso em Voto Vencedor, no julgamento do Recurso n° 115.217, que passo a transcrever: 5 Rec. 116.791 Ac. 303.28.081 "Em exame a questão prejudicial fundada no argumento de que a Lei 4.287, de 03 de dezembro de 1963, que concedia isenção fiscal à Petrobrás, continua vigente, não obstante a vedação de que trata o § 20 do art. 173 da Constituição Federal. Tal dispositivo Constitucional assim dispõem: "Art. 173, Resalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividades econômicas pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definido em lei. Parágrafo 1°. A empresa pública, a sociedade de economia mista e outras entidades que explorem atividades econômica sujeitam-se ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto as obrigações trabalhistas e tributárias. Parágrafo 2°. As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado." O art. 177, também da Carta Magna, declara e arrola quais são as atividades econômicas que constituem monopólio da União. O art. 173 veio dar permissão ao Estado de explorar atividade econômica quando necessário aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, dependendo porém de definição desses aspectos em lei. Ressalva o mesmo artigo, os casos já previstos na Constituição, onde se inclui o monopólio de que trata o artigo 177, não porque não sejam necessários aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, mas sim porque, em se tratando de previsão constitucional, tem cunho de obrigação, isto é, não trata-se de permissão, ou direito simplesmente, é obrigação, ou direito dever. O monopólio estatal respalda-se no interesse da segurança nacional ou no próprio interesse nacional, o mais relevante dos interesses coletivos. Portanto, o monopólio assegurado vem exatamente atribuir ao Estado a exploração, com exclusividade, de atividade econômica necessária de grande interesse estratégico, como é o caso da exploração do petróleo e seus afins, cuja definição independe de lei ordinária, por já ser matéria Constitucional. O parágrafo 1° do art. 173 refere-se a todas as empresas públicas, sociedades de economia mista e outras entidades que explorem atividade econômica, seja em regime de livre concorrência ou de monopólio. Da mesma forma, a redação de que trata o parágrafo 2°., do mesmo artigo, alcança todas as empresas públicas e todas as sociedades de economia mista, Isto é, às empresas públicas e às sociedades de economia mista, sem qualquer distinção, está vedado o gozo de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado. 6 Rec. 116.791 Ac. 303.28.081 Isto posto, voto pela rejeição da questão prejudicial, no entendimento de que a Lei 4.287, de 3 de dezembro de 1963, que, à Petróleo Brasileiro S/A - PETROBRÁS, empresa de economia mista, concedia privilégios fiscais (isenção), acha-se revogada por força do disposto no parágrafo 2°. do art. 173 da Magna Carta." "A lei 4.287/63 é incompatível com disposições constitucionais, como acima demonstrado. Entretanto isto não ocorria até a promulgação da atual Carta Magna. Transcrevo pois o art. 170 da Carta de 1967: "Art. 170. As empresas privadas compete preferencialmente, com o estímulo e o apoio do Estado, organizar e explorar as atividades econômicas. Parágrafo 1°. Apenas em caráter suplementar da iniciativa privada o Estado organizará e explorará diretamente a atividade econômica. Parágrafo 2°. Na exploração, pelo Estado, da atividade econômica as empresas públicas e as sociedades de economia mista reger-se-ão pelas normas aplicáveis às empresas privadas, inclusive quanto ao direito ao trabalho e ao das obrigações. Parágrafo 3". A empresa pública que explorar atividade não monopolizada ficará sujeita ao mesmo regime tributário aplicável às empresas privadas." A matéria contida no art. 170 da Constituição de 1967, está recepcionada no art. 173 da atual Carta. Não mantido, entretanto, a excepcionalidade que beneficiava a empresa que explora atividade monopolizada. Este é também o entendimento da doutrina. Celso Ribeiro Bastos e Ives Gandra Martins, comentando o parágrafo 2°. do art. 173 (Comentários à Constituição do Brasil promulgada em 5 de outubro de 1988, vol. 7, pág.. 88, Saraiva, 1990), assim se expressam: "Não é mais possível qrinlquer tipo de privilégio fiscal não extensivo ao setor privado. O texto anterior deixava a porta aberta para a empresa pública que explorasse atividade monopolizada. Atualmente não existe mais essa exceção_ Tanto as sociedades de economia mista quanto as empresas públicas não poderão fluir (sie) de privilégios exclusivos." Espancada está a pretensão da recorrente de encontrar-se beneficiada pela Lei 4.287/63, vez que está revogada por força do disposto no artigo 173, parágrafo 2' da Magna Carta. Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, 7 de dezembro de 1994. i _ -1,1,411,(Ã Á t L-C ' 0(NE' MARIA AN RADE DA FONSECA - Relatora.
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Numero do processo: 10860.001108/2004-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência..
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Por descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: 1. Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 05/26, por falta de lançamento e recolhimento do IPI, em razão do uso de créditos indevidos. 2 Segundo o Relatório Fiscal de fls. 08/19, o estabelecimento creditouse do IPI pago na aquisição de um sistema de automação, da empresa BMA Automação e Sistemas Elétricos S/A (Atual BMSBelgo Mineira Sistemas S/A), que foi vendido para a Belgo Mineira Participação Indústria e Comércio S/A como parte de um sistema de despoeiramento, que a Confab considerou como se fosse uma unidade funcional (Obra n° 79830). Entretanto, conforme a fiscalização já teria demonstrado no processo n° 10860.005122/200377, tal sistema de despoeiramento, segundo as regras de classificação fiscal, não era uma unidade funcional, portanto, o sistema de automação não poderia ser considerado como parte daquele produto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .0 01 10 8/ 20 04 -8 5 Fl. 539DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10860.001108/200485 Resolução nº 3202000.257 S3C2T2 Fl. 540 2 3. Diante disso, considerando que o sistema de automação foi fabricado e instalado pela BMA, conforme documentos juntados, a intervenção da Confab nesta operação teria sido de mero revendedor, sem direito a se creditar do IPI. A fiscalização também mencionou, a titulo de curiosidade, que enquanto a Confab pagou mais R$ 1.900.000,00 pelo sistema de automação, tal equipamento foi faturado à Belgo por um valor abaixo de R$ 770.000,00. 4. Assim, após a reconstituição da escrita do sujeito passivo, foi lançado de oficio o crédito tributário montante em R$ 705.286,11, inclusos juros de mora e multa de oficio, conforme a capitulação de fl. 06. 5. Tempestivamente, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 293/322, alegando, em síntese, que: 5.1 Foi vendido um sistema de despoeiramento primário e secundário do forno elétrico a arco e forno panela e suas adaptações (Obra n° 79.866, objeto do processo n° 10860.005122/200377, já impugnado) para a BELGO MINEIRA, contudo, o agente fiscal, que não é especialista em equipamentos e máquinas industriais, entendeu que não houve fornecimento de um sistema de despoeirarnento, mas, sim, dutos, escadas e coifas, algo que não reflete a realidade; tendo sido negado o pedido de perícia formulado durante a ação fiscal para que conclusões estritamente técnicas fossem feitas por perito habilitado e imparcial. 5.2 Portanto, preliminarmente, o auto de infração seria nulo pela falta de habilitação técnica da autoridade fiscal: a fiscalização dependia de conclusões técnicas que s6 podiam ser efetuadas por um engenheiro com conhecimento de sistemas industriais de grande porte; conforme a Lei n° 5.194, de 1966, que regulamenta a profissão de engenheiro, estudos, laudos e afins devem ser feitos por engenheiro com especialidade na área em que opinar, emitir parecer ou laudo; ao contrário do que entende a fiscalização, o fornecimento de vários equipamentos distintos não afasta a possibilidade de tais equipamentos formarem um conjunto funcional e o fato de ser desprezada a "função" dos equipamentos demonstra a falta de habilitação; a necessidade de laudo técnico para a comprovação da formação de um único sistema é sufragada por decisão do Conselho de Contribuintes ou, no caso de incertezas quando à classificação fiscal em geral, conforme julgados do TRF da 4ª Região e do Conselho de Contribuintes. 5.3 É nulo o auto de infração por ausência de motivação: houve o desprezo do conceito de "unidade funcional" e a nãoaceitação dos equipamentos como constituintes de um "corpo único" para fins de classificação fiscal; em nenhum momento foi demonstrado que os equipamentos não desempenham conjuntamente uma função bem determinada, de acordo com a Nota n°4 da Seção XVI da TIPI196; os fatos e o direito que fundamentam o ato administrativo de lançamento devem ser explicitados claramente, conforme doutrina de Celso Antônio Bandeira de Mello. Também seria nulo, o auto de infração, por cerceamento de defesa, pois foi negado à impugnante o direito de conhecer as razões que motivaram a desconsideração do conceito de unidade funcional, ademais, como foi negado o direito de participação de profissional técnico especializado, não é possível vislumbrar o detalhe da Nota n°4 da Seção XVI da TIPI196 que não foi satisfeito. 5.4 No mérito, para elucidar a aplicação do conceito de "unidade funcional", é necessário laudo técnico; a classificação fiscal exige a plena caracterização do objeto e sua definição consiste em um ato de aplicação do Direito; há uma série Fl. 540DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10860.001108/200485 Resolução nº 3202000.257 S3C2T2 Fl. 541 3 de informações e análises mínimas necessárias a tal procedimento, conforme a IN SRF n° 230, de 25 de outubro de 2002, inclusive a elaboração de laudo; pela Nota n° 4, não é necessário que um conjunto de máquinas constitua um corpo único, mas que este tenha uma função própria; segundo a Regra de Interpretação do Sistema Harmonizado n° 2.a: "Qualquer referencia a um artigo em determinada posição (...). Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se Apresente desmontado ou por montar."; quando vendidos, pelo porte dos contratos, os produtos não se apresentam montados, o que exige um prazo razoável, mas nem por isso o produto final não se caracteriza como um conjunto funcional; ainda que se trate de um conjunto de máquinas ou equipamentos, todas as partes devem ser classificadas como o artigo completo, em virtude do aspecto funcional, e a referida Nota n° 4 exemplifica alguns sistemas deste tipo, semelhantes aos produzidos pela impugnante; em destaque, ementa de julgado do TRF da 4a Regido e de decisão colegiada da DRJ de São Paulo II. 5.5 Ressalta que o sistema de automação, fornecido por terceiros, faz parte da unidade funcional "sistema de despoeiramento", pois a este se encontra ligado física e remotamente. Portanto, não houve revenda e a impugnante teria direito ao crédito, tanto quanto, uma montadora quando adquire um aparelho de ar condicionado e o agrega ao produto final. Ademais, não ocorreu uma simples instalação do sistema de automação, pois, como o RIPI define que industrialização não é apenas montagem, mas também a operação que altere o funcionamento do produto, não há como negar que foi a impugnante quem alterou o funcionamento do produto para fazêlo funcionar dentro de todo o sistema vendido. Quanto à "curiosidade" apontada pela fiscalização, esclarece que vendeu o sistema de automação para a Belgo por valor inferior ao que pagou, exatamente porque a operação realizada não representou uma revenda, pois a impugnante vende sistemas industriais de grande porte e o seu preço é formado com base na operação contratada por inteiro e não em porções dos equipamentos que compõe o todo fabricado. 5.6 Com fulcro no PAF, art. 16, IV, é elaborado pedido de perícia com a indicação de perito e a formulação de 7 (sete) quesitos, para que seja preparado laudo técnico por pessoa habilitada com a finalidade de esclarecer se o sistema de automação pode ser considerado, ou não, peça fundamental do indigitado sistema de despoeiramento. 6. Encerrou requerendo que a impugnação seja conhecida, que as preliminares de nulidade sejam acolhidas, ou, então, que seja deferido o pedido de perícia e para que a autuação seja declarada improcedente. A DRJRibeirão Preto/SP julgou procedente o lançamento (efls. 348/362), nos termos da ementa adiante transcrita: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 20/04/1999 a 31/12/2000 Ementa: PRODUTOS DE SIMPLES REVENDA. CRÉDITO FISCAL INDEVIDO. É indevido o aproveitamento de créditos fiscais do IPI em relação as entradas de produtos para simples revenda, e cujas saídas não são fatos geradores do imposto. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10860.001108/200485 Resolução nº 3202000.257 S3C2T2 Fl. 542 4 Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 20/04/1999 a 31/12/2000 Ementa: CONJUNTOS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS. Uma combinação de máquinas de espécies diferentes, que exerçam funções distintas, sucessiva ou simultaneamente, máquinas estas classificáveis por posições diversas da Seção XVI, para que se enquadrem segundo a função principal que as caracterize, devem satisfazer, fundamentalmente, as seguintes condições: a) se se apresentarem incorporadas umas nas outras, ou instaladas umas nas outras, e ainda as máquinas montadas numa base, armação ou suporte comuns ou colocadas num invólucro comum; b) se tiverem sido concebidas para se fixarem, de forma estável, uns nos outros ou no elemento comum (base, armação, invólucro, etc.). Caso contrário, esgotadas todas as possibilidades de enquadramento pelo conjunto — total ou parcial — das instalações, a classificação fiscal é efetuada pelos elementos constitutivos singulares. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 20/04/1999 a 31/12/2000 Ementa: NULIDADE. AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL. FALTA DE HABILITAÇÃO TÉCNICA. O auditorfiscal da Receita Federal, mesmo sem formação em Engenharia e, assim, sem registro no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA), tem competência legal para praticar o ato administrativo de lançamento tributário, decorrente da atividade eminentemente tributária de enquadramento de classificação fiscal de máquinas e equipamentos. NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. É incabível a argüição de nulidade se o auto de infração ostentar todos os requisitos básicos, notadamente a motivação, elemento fundamental do ato administrativo vinculado. PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA. PRESCINDIBILIDADE. O pedido de perícia técnica apresentado no bojo da peça impugnatória, ainda que em conformidade com os requisitos legais, pode ser rejeitado se o exame pericial for avaliado como prescindível para o deslinde da questão. Lançamento Procedente Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 370/389), repisando os mesmos argumentos expendidos na impugnação. Ao final, requer a reforma da decisão recorrida, sendo declarada a nulidade do lançamento em face das preliminares argüidas. Caso não seja declarada a nulidade, que seja Fl. 542DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10860.001108/200485 Resolução nº 3202000.257 S3C2T2 Fl. 543 5 afastada a cobrança efetuada, em razão da correção dos procedimento adotados pela recorrente. Por fim, requer a realização de prova pericial. Em 16/10/2007, a extinta Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por meio da Resolução nº. 3021.410, houve por bem converter o julgamento em diligência, para que fossem respondidos os quesitos formulados pela contribuinte quando da apresentação da impugnação (efls. 335/336). Elaborado o Termo de Diligência Fiscal (efl. 450/464), o contribuinte manifestouse contrário aos termos da diligência, vez que teria sido realizada por auditores fiscais integrantes da Seção de Fiscalização da DRFBTaubaté/SP, mesma unidade administrativa autuante, sem que fosse elaborado laudo por engenheiro, pessoa que, no seu entender, teria a habilidade técnica necessária. (efls. 468/476). Em 24/05/2010, por meio da Resolução nº. 320100128, a Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF decidiu por converter novamente o julgamento em diligência, a fim de que fosse elaborado Laudo Técnico pelo INT, respondendo às perguntas formuladas por aquela Turma julgadora (efls. 486/488). Em face de não ter havido resposta do INT ao contato efetuado pela DRF Taubaté/SP, decidiu aquela autoridade administrativa encaminhar os autos em retorno ao CARF. (efls. 509/510). É o Relatório. VOTO O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. A solução da lide passa, necessariamente, pela correta identificação do papel do sistema de automoção em relação ao sistema de despoeiramento. A questão posta é se o sistema de automação é um subsistema do sistema de despoeiramento e com este forma uma unidade funcional, devendose, assim, adotar a classificação fiscal deste último, no código 8421.39.90 (outros aparelhos para filtrar ou depurar gases), conforme alega a contribuinte, ou se é um sistema independente, devendo ter classificação fiscal própria, no código 9032.89.90 (outros instrumentos e aparelhos para regulação ou controle, automáticos), conforme entende a Fiscalização. Entendo que a questão, de fato, necessita de um respaldo técnico de um engenheiro ou instituto de engenharia, que formule Laudo para esclarecer acerca do funcionamento dos equipamentos e outras questões que não se mostram claras para esta Relatora. É de se ressaltar que nenhum dos laudos constantes dos autos se mostram suficientes para tanto. O primeiro “Laudo” – na verdade, um “Termo de Diligência Fiscal” elaborado por AFRF integrante da equipe de Fiscalização da DRFBTaubaté/SP, muito embora – ao contrário do que afirmou a contribuinte – não tenha sido formulado pelo mesmo auditor Fl. 543DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10860.001108/200485 Resolução nº 3202000.257 S3C2T2 Fl. 544 6 fiscal que lavrou o Auto de Infração, deixou de responder algumas perguntas, ao entendimento de que se tratavam de perguntas tendenciosas/capciosas/simplistas, demonstrando, com isso, uma valoração inapropriada para um instrumento de esclarecimento meramente técnico. Por outro lado, o “Laudo” (denominado pela contribuinte de “Parecer”) apresentado pela contribuinte (efls. 477/479), mostrase absolutamente inadequado, não trazendo sequer a identificação apropriada do equipamento, a data em que foi elaborado, a metodologia aplicada nem a fonte de consulta, sem contar que se trata de “laudo” particular, formulado por técnico que não se sabe se é credenciado pela Receita Federal. Por outro lado, entendo inadequados alguns dos quesitos formulados pela contribuinte na impugnação, na forma como postas as perguntas, tendo em vista não guardarem relevância para a identificação de uma unidade funcional, de acordo com os esclarecimentos das NESH. Isso porque não é o laudo que estabelece o que caracteriza uma unidade funcional, vez que a fonte para a resposta de tal pergunta advém das NESH. De outro giro, tenho que alguns dos quesitos formulados pela contribuinte mostramse à margem do ponto principal para a identificação de uma unidade funcional. Explico: se o sistema de automação funciona em conjunto com o sistema de despoeiramento para a consecução de um objetivo final dentro de uma aciaria, tal fato, por si só, não faz dele uma unidade funcional, em termos de classificação fiscal. Por óbvio, todos os equipamentos e sistemas que compõem a aciaria funcionam em conjunto para a consecução de um objetivo último, qual seja, a transformação de ferro gusa em aço, mas não é por terem um objetivo final comum e específico que faz de todos esses equipamentos e sistemas uma unidade funcional, para fins de classificação fiscal. Isso porque a conceituação de unidade funcional, para fins de classificação fiscal, deve ser extraída das NESH, mais especificamente da Nota 4 da Seção XVI, abaixo transcrita: 4. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do capítulo 84 ou do capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha. Sobre a aplicação dessa Nota, a Parte VII das Considerações Gerais da Seção XVI das NESH esclarece, verbis: VI. UNIDADES FUNCIONAIS (nota 4 da Seção) Aplicase esta Nota quando uma máquina ou uma combinação de máquinas são constituídas por elementos distintos concebidos para executar conjuntamente um função bem determinada incluída em uma das posições do Capítulo 84 ou, mais freqüentemente, do Capítulo 85. O fato de que, por razões de comodidade, por exemplo, este elementos estejam separados ou interligados por condutos (de ar, de gá comprimido, de óleo, etc), dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos, não se opõe à classificação do conjunto na posição correspondente à função que este executa. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10860.001108/200485 Resolução nº 3202000.257 S3C2T2 Fl. 545 7 Na acepção da presente Nota, a expressão “concebidos para executar uma função bem determinada” abrange somente as máquinas e combinações de máquinas necessárias para realizações da função própria ao conjunto, que forma uma unidade funcional, excetuandose as máquinas ou aparelhos que tenham funções auxiliares e não concorram para a função do conjunto Assim, para que bem se decida sobre o caso em questão, é mister que seja elaborado um Laudo, por perito credenciado junto à Receita Federal ou por algum Instituto conveniado, para que, tomando como fundamento os esclarecimentos trazidos pelas NESH acerca da conceituação de uma unidade funcional, acima transcritos, sejam respondidos os seguintes quesitos: 1. O que é o sistema de despoeiramento e como ele funciona? Explique. 2. O que é o sistema de automação e como ele funciona? Explique. 3. O sistema de despoeiramento funciona sem o sistema de automação? Sim ou Não. Justifique. 4. O sistema de automação é de uso exclusivo do sistema de despoeiramento ou pode ser utilizado em outros sistemas dentro da aciaria, independentemente do sistema de despoeiramento? Sim ou Não? Justifique. 5. O sistema de automação foi concebido para executar, conjuntamente com o sistema de despoeiramento, a função determinada de filtrar e depurar gases (que é a função compreendida no capítulo 84 pretendida pela contribuinte)? Sim ou não? Justifique. 6. Com base nas funções exercidas por ambos os sistemas, podese afirmar que o sistema de automação é um subsistema do sistema de despoeiramento? Sim ou não? Justifique. 7. O sistema de automação, na forma como vendido pela BMA à CONFAB, pode ser utilizado por outros sistemas? Sim ou não? Justifique. 8. O sistema de automação, na forma como vendido pela BMA à CONFAB, possui alguma utilidade, considerado isoladamente ou com outro sistema que não seja o de despoeiramento? Sim ou Não. Justifique. 9. O sistema de automação controla os diversos e distintos equipamentos que integram o sistema de despoeiramento, constituindose em um sistema distinto deste? Sim ou não? Justifique. 10. Analisando a documentação constante da folha digitalizada (efls.) nº 95, especificamente no item .11 daquele documento, podese dizer que o sistema de automação compreende outros sistemas e equipamentos que não apenas o sistema de despoeiramento? Sim ou não. Justifique. 11. O sistema de automação foi adquirido pela CONFAB, da BMA, já completo e pronto para ser instalado? Sim ou não? Justifique Fl. 545DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10860.001108/200485 Resolução nº 3202000.257 S3C2T2 Fl. 546 8 11. A ação da CONFAB, em relação ao sistema de automação, foi apenas de instalação na Belgo Mineira? Sim ou não? Justifique. 12. Houve alguma ação da CONFAB sobre o sistema de automação, necessária para o funcionamento desse sistema? Sim ou Não. Justifique. 13. Qual foi a ação da BMA, em relação ao sistema de automação, após este ter sido vendido para a CONFAB? Explique. É mister, ainda, que sejam respondidos os quesitos trazidos pela contribuinte em sua impugnação (efls. 320/321), devendo, ainda, ser oportunizado à Fiscalização apresentar quesitos, se assim lhe aprouver. Pelo exposto, voto no sentido de que seja CONVERTIDO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade preparadora providencie a elaboração de Laudo Técnico conforme acima solicitado. Ao término do procedimento, deve ser elaborado Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de outras informações e/ou observações julgadas pertinentes para esclarecer os fatos. Encerrada a instrução processual, a interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Salientese, entretanto, que as manifestações devemse limitar à apreciação do resultado da diligência, não sendo cabível revolver questões já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário ou quando da lavratura do Auto de Infração Finalizada a instrução processuaL, devem os autos retornar a este Colegiado para julgamento. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 546DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10845.003020/2004-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA.
Faltando nos autos a prova da violação às disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
DECADÊNCIA. FATO GERADOR. APURAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. NÃO APLICAÇÃO DA APURAÇÃO MENSAL DO IRPF.
O fato gerador do imposto de renda de pessoa física se sujeita ao ajuste anual, compreendendo os rendimentos recebidos no ano-calendário findo em 31 de dezembro, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual, ainda que haja a obrigatoriedade do pagamento ou retenção do imposto à medida que os rendimentos forem percebidos. (Súmula CARF nº 38)
LEI COMPLEMENTAR N° 105, DE 2001. ACESSO ÀS INFORMAÇÕES FINANCEIRAS DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO.
Cabe ao fisco examinar as informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive as referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ELEMENTOS CARACTERIZADORES DO FATO GERADOR.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de renda com base em depósitos bancários não justificados, o fato gerador não se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
Numero da decisão: 2201-002.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Faltando nos autos a prova da violação às disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. APURAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. NÃO APLICAÇÃO DA APURAÇÃO MENSAL DO IRPF. O fato gerador do imposto de renda de pessoa física se sujeita ao ajuste anual, compreendendo os rendimentos recebidos no anocalendário findo em 31 de dezembro, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual, ainda que haja a obrigatoriedade do pagamento ou retenção do imposto à medida que os rendimentos forem percebidos. (Súmula CARF nº 38) LEI COMPLEMENTAR N° 105, DE 2001. ACESSO ÀS INFORMAÇÕES FINANCEIRAS DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. Cabe ao fisco examinar as informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive as referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ELEMENTOS CARACTERIZADORES DO FATO GERADOR. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 30 20 /2 00 4- 96 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de renda com base em depósitos bancários não justificados, o fato gerador não se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10845.003020/200496 Acórdão n.º 2201002.409 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte qualificado neste processo, foi lavrado o auto de infração de IRPF, exercícios 2001 e 2002 (fls. 4/10), por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, mantidas no Banco Santander Brasil S/A, com base no art. 42 da Lei nº 8.430, de 1996, sendo apurados R$ 784.769,27 de imposto, sobre o qual foi aplicada a multa de ofício de 75 %. Cientificado e inconformado com a autuação, o contribuinte impugnou o lançamento alegando: (i) invalidade da ação fiscal por ofensa ao princípio constitucional da impessoalidade; (ii) tributação anual de valores cuja tributação que, por força de lei, seria mensal; e (iii) impossibilidade da tributação de valores creditados em conta depósito cuja origem foi devidamente comprovada como sendo rendimentos da pessoa jurídica. Os membros da 5ª Turma de Julgamento da DRJ São Paulo II, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. Cientificado em 11 de julho de 2011, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em 1ª de agosto de 2011, no qual repete os argumentos apresentados na fase impugnatória, a seguir detalhados: a) invalidade da ação fiscal por ofensa ao princípio constitucional da impessoalidade, face à inobservância do disposto nas Portarias RFB nºs 500/1995 e 3.007/2002. Argumenta que a atividade administrativa de fiscalização exige, em face dos princípios constitucionais da isonomia, da impessoalidade e da imparcialidade, que seja dirigida uniformemente aos administrados. Sendo assim, que há de se cumprir rigorosamente o programa de fiscalização traçado, sob pena de, revelando perseguição ou favorecimento, nele incluir contribuintes que não se enquadrem nos parâmetros escolhidos, ou dele excluir pessoas que neles se enquadrem, respectivamente. E que, em nenhum momento foi indicado, pelo AFRFB autuante, nos termos que lavrou, ou mesmo no auto de infração, as razões, ou a origem, da fiscalização procedida com relação aos negócios do recorrente. Por essa razão, pede nulidade do lançamento. b) tributação anual de valores cuja tributação que, por força de lei, seria mensal, ocasionando erro na determinação do fato gerador. Nesse ponto, aduz que a omissão de rendimentos deveria ter sido apurada com base nos fatos geradores dos meses em que ocorreram os depósitos ou créditos bancários, conforme disposto na Lei nº 7.713/1988 (art. 2º), na Lei 7.713/1988 (art. 2º) e na Lei nº 98.430/1996 (art. 42). Por fim discorda da Súmula CARF nº 38. c) indevida tributação de valores creditados em conta depósito cuja origem teria sido comprovada. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 Os valores ditos comprovados são: (i) cinco depósitos de cheques emitidos pela empresa Wal Mart para pagamentos referentes a adiantamentos de aluguéis à empresa TPS, da qual é sócio, e que lhe foram repassados por esta a título de empréstimos de mútuo; e (ii) as receitas do anocalendário de 2001 seriam da pessoa jurídica. Alega são cheques referentes a pagamentos efetuados pelo Wal Mart à empresa TPS que, por não possuir contacorrente bancária, foram depositados na sua conta de pessoa física. Esse esclarecimento teria sido prestado à fiscalização que, se não foram contestadas, seria porque a autoridade fiscal não tinha elemento seguro de prova para impugnálas e, por esse motivo, estaria obrigada a aceitálo, por força do disposto no artigo 845, §1° do RIR/99, contabilizandoas como receitas de pessoa jurídica, mesmo quando não contabilizadas. d) Impossibilidade da quebra do sigilo bancário do impugnante sem autorização judicial, caracterizando prova ilegal. Alega que: (i) ainda que não tenha levantado esse aspecto na impugnação, por ser matéria de ordem pública pode ser arguido a qualquer tempo, pelo fato de ser pacífica na jurisprudência do STF que o sigilo bancário é espécie de direito à privacidade, consagrado pelo artigo 5º, incisos X e XII, da Constituição Federal de 1988; (ii) o advento da Lei Complementar nº 105/2001 não afastou a necessidade de prévia autorização para a quebra do sigilo bancário; e (iii) que a movimentação financeira obtida ilicitamente é prova ilegal. Por meio da Resolução nº 220200.194, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Sessão sobrestou o julgamento até que ocorresse decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto no artigo 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Porém, em 18 de novembro de 2013, com a edição da Portaria nº 545 do Ministério da Fazenda, tais dispositivos foram revogados, razão pela qual os autos retornaram para julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10845.003020/200496 Acórdão n.º 2201002.409 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento e analiso as matérias questionadas. Nulidade Inicialmente, o contribuinte alega invalidade da ação fiscal por ofensa ao princípio constitucional da impessoalidade, face à inobservância do disposto nas Portarias RFB nºs 500/1995 e 3.007/2002, devendo cumprir rigorosamente o programa de fiscalização traçado sob pena de perseguição ou favorecimento, e que em nenhum momento foi indicado pelo auditor fiscal as razões ou a origem da ação fiscal. Porém, não merece acolhida a preliminar arguida pelo recorrente acerca da nulidade do lançamento por suposta violação aos princípios constitucionais de impessoalidade, pois não há, no presente caso, qualquer violação a tais princípios, porquanto houve a apuração, de acordo com a legislação pertinente, dos fatos aptos à incidência da norma tributária, realizando a autoridade, nos exatos termos do artigo 142, parágrafo único, do CTN, a atividade administrativa do lançamento. Para tanto, houve a expedição do devido Mandado de Procedimento Fiscal, procedendose à constituição do crédito tributário e possibilitandose ao contribuinte o exercício das garantias constitucionais do devido processo legal, contraditório e ampla defesa. Ao contrário do que entende o impugnante, o auto de infração em epígrafe se revestiu de todas as formalidades legais previstas pelo art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.748, de 1993, e nele não se encontram presentes aspectos que implicam nulidade, dispostos nos art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Assim, não cabem os questionamentos do sujeito passivo acerca da validade do procedimento fiscal, pois não há nele qualquer vício que comprometa a validade do lançamento. Fato jurídico tributário do imposto de renda pessoa física Fl. 429DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 O imposto de renda das pessoas físicas é um exemplo clássico de tributo que se enquadra na classificação de complexivo, apurado no ajuste anual. Ou seja, aquele que o fato gerador se completa após o transcurso de um determinado período de tempo e abrange um conjunto de fatos que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade de gerar a obrigação tributária exigível. Assim, embora apurado mensalmente, o IRPF se sujeita ao ajuste anual, apurandose o montante devido ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual. A base de cálculo da declaração abrange os rendimentos tributáveis recebidos durante o anocalendário, diminuídos das deduções pleiteadas. Para isso, há a declaração de ajuste, conforme trata o artigo 85 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). O fato jurídico tributário compreende os rendimentos recebidos no anocalendário findo em 31 de dezembro, ainda que haja a obrigatoriedade do pagamento ou retenção do imposto à medida que os rendimentos forem percebidos. Essa polêmica da apuração mensal do IRPF foi encerrada neste Conselho com a edição da Súmula CARF nº 38, aprovada pela Segunda Turma da CSRF em sessão de 08 de dezembro de 2009: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. O contribuinte alega que discorda da Súmula, já citada na decisão de primeira instancia. Entretanto, não há possibilidade de a turma divergir do enunciado da súmula editada, pois, nos termos do artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, são de observância obrigatória pelos membros do CARF. Portanto, superada a questão sobre a periodicidade do fato gerador do imposto de renda referente aos rendimentos sujeitos à colação na declaração de ajuste anual. Necessidade de autorização judicial para acesso aos extratos bancários O recorrente alega que, ainda que não tenha levantado esse aspecto na impugnação, por ser matéria de ordem pública pode ser arguido a qualquer tempo. Em seguida, diz ser pacífica na jurisprudência do STF que o sigilo bancário é espécie de direito à privacidade, consagrado pelo artigo 5º, incisos X e XII, da Constituição Federal de 1988, e que o advento da Lei Complementar nº 105/2001 não afastou a necessidade de prévia autorização para a quebra do sigilo bancário. Portanto, a movimentação financeira obtida ilicitamente é prova ilegal. Entretanto, não podemos concordar com a tese do contribuinte, por ser desprovida de sustentação, já que de forma expressa o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 permite o acesso a tais informações sem a prévia autorização judicial, conforme abaixo transcrito: Art. 6° – As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver procedimento administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (grifos no recurso) Fl. 430DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10845.003020/200496 Acórdão n.º 2201002.409 S2C2T1 Fl. 5 7 A matéria está consolidada nos art. 918 do RIR/1999: Art. 918. Iniciado o procedimento fiscal, os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional poderão solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n°4.595, de 1964 (Lei n°4.595, de 1964, art. 38, §§ 5° e 6°, e Lei n°8.021, de 1990, art. 8°). Observase ainda que não há quebra de sigilo bancário, e sim, mera transferência de informações, já que elas, de posse da Receita Federal do Brasil, estão sujeitas ao sigilo fiscal, de acesso restrito aos agentes do fisco e o próprio contribuinte. Assim consta no RIR/1999: Art. 998. Nenhuma informação poderá ser dada sobre a situação econômica ou financeira dos sujeitos passivos ou de terceiros e sobre a natureza e o estado dos seus negócios ou atividades (Lei n° 5.172, de 1966, arts. 198 e 199). [...] § 2° A obrigação de guardar reserva sobre a situação de riqueza dos contribuintes se estende a todos os funcionários públicos que, por dever, de ofício, vierem a ter conhecimento dessa situação (Decretolei n° 5.844, de 1943, art. 201, § 1°). § 3º É expressamente proibido revelar ou utilizar, para qualquer fim, o conhecimento que os servidores adquirirem quanto aos segredos dos negócios ou da profissão dos contribuintes (Decretolei n° 5.844, de 1943, art. 201, § 2°). Art. 999. Aquele que, em serviço da Secretaria da Receita Federal, revelar informações que tiver obtido no cumprimento do dever profissional ou no exercício de oficio ou emprego, será responsabilizado como violador de segredo, de acordo com a lei penal (Decretolei n°5.844, de 1943, art. 202). Assim, está clara a necessidade e imprescindibilidade de acesso aos valores movimentados em contas bancárias para levantamento do imposto de renda devido, quando a informação não é prestada pelo contribuinte. Indevida tributação dos depósitos de origem comprovada. O contribuinte diz que teria comprovado os valores referentes aos cinco depósitos de cheques emitidos pela empresa Wal Mart para pagamentos dos adiantamentos de aluguéis à empresa TPS, da qual é sócio, que lhe foram repassados por esta a título de empréstimos de mútuo; bem como das receitas do anocalendário de 2001 da pessoa jurídica. Alega que recebeu os cheques referentes a pagamentos efetuados pelo Wal Mart à empresa TPS, haja vista que a pessoa jurídica não possuía contacorrente bancária. E, que esse esclarecimento haveria sido prestado à fiscalização, que não o contestou. Portanto, o Fisco estaria obrigado a aceitar as alegações da defesa, por força do disposto no artigo 845, §1° do RIR/99, contabilizandoas como receitas de pessoa jurídica, mesmo quando não contabilizadas. Em relação a esta questão, observase que a fiscalização realizou algumas diligências com o fito de verificar se os rendimentos de fato eram receitas da pessoa jurídicas. Conforme detalhado no Termo de Verificação e de Constatação (fls. 11/23), foi solicitado ao contribuinte que comprovasse os rendimentos tributáveis, os isentos e não tributáveis e os de tributação exclusiva na fonte, bem como: a aquisição das quotas do capital social da empresa TPS Terminal Pesqueiro de Santos Com. e Ind. Ltda., CNPJ n° Fl. 431DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 8 59.819.755/000165, no valor de R$ 110.380,00, adquiridas da empresa ARMCORP CONSTRUÇÃO E COMÉRCIO LTDA., CNPJ n° 58.554.213/000145, conforme alteração de contrato social datado de 05/04/2001; e informasse as origens dos créditos e débitos (Recebimentos e Pagamentos) discriminados nos extratos de contas correntes bancárias e/ou de poupança (n° 1955719, agência 729 do UNIBANCO União de Bancos Brasileiros S/A e n° 60235301, Agência 47 do Banco Santander Brasil S/A), dos períodos de 2000 e 2001, as datas e valores dos empréstimos e demais rendimentos recebidos nos períodos de 2000 e 2001 da empresa da qual é sócio, a TPS Terminal Pesqueiro de Santos Com. e Ind., incluindo os pagamentos dos encargos, os contratos, bem como seus respectivos registros nas Declarações de Rendimentos. O TPS Terminal Pesqueiro de Santos Com. e Ind. Ltda foi objeto de ação fiscal e diligência iniciada em 11 de dezembro de 2003. O mesmo ocorreu junto à Wal Mart pelas Unidades da Receita Federal em Osasco e em Santos, ambos em São Paulo. Em relação à pessoa jurídica TPS Terminal Pesqueiro de Santos Com. e Ind. Ltda., foram arbitrados os lucros com base nos valores apurados com a receita conhecida nos exercícios 2001 e 2002. Os valores de depósitos os quais não foram encontradas correlação com a empresa da qual o contribuinte era sócio foi tributado na pessoa física, como omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada. A auditoria informou que, por falta de comprovação, não acatou as justificativas do contribuinte, conforme se destaca do Termo de Verificação e de Constatação: não foram apresentados os documentos pela empresa TPS referente aos lançamentos a débito e a crédito na conta corrente do sócio, correspondentes aos empréstimos e devoluções de numerários por intermédio da conta Caixa, os quais são de valores expressivos e não tem como contrapartida a conta bancária que este mantinha nos Bancos: Unibanco União de Bancos Brasileiros S/A e Banco Santander do Brasil S/A; o TPS efetuou empréstimo ao sócio Antonio Bernardo Neto, no valor de R$3.900.000,00, em 31/12/2000, vinculandoo com os pagamentos efetuados pela WAL MART do Brasil Ltda. correspondente ao contrato de sublocação do imóvel da Av. Rei Alberto I, n° 450, Santos/SP (Cláusula 1ª), sem registro nos órgãos competentes e nenhuma cláusula contendo encargos financeiros, atualizações e a data do seu ressarcimento, tendo a sua vigência até o dia 31/05/2010; o valor do pagamento efetuado pela WAL MART ao TPS em 06/12/2000, de R$3.450.000,00, em diversos cheques, referente ao contrato de sublocação que foi repassado ao sócio, somente a importância de R$2.250.000,00, correspondente aos cheques n° 515.811 de R$200.000,00 e n° 515.812, de R$2.050.000,00, foram depositados na conta deste, ficando os demais cheques em poder de terceiros; a verificação dos Termos e do Contrato de Sublocação do Imóvel à Av. Rei Alberto I, 450, Santos/SP descritos desde o Termo Précontratual de Obrigações, de 15/12/1999, firmados entre as empresas TPS e WAL MART, tendo como Interveniente Anuente a CONAB, chegase à conclusão de que os seus adiantamentos e pagamentos não tiveram como beneficiário a empresa TPS Terminal Pesqueiro de Santos Com. E Ind. Ltda., em virtude desses valores serem repassados para terceiros, bem como, boa parte serem creditados em contas correntes bancárias do sócio do TPS, respaldados por um contrato de empréstimo, sem conter as formalidades legais. Para desconstituir o levantamento efetuado pela auditoria é necessário que o contribuinte apresente as prova e não apenas relate fatos. O conjunto probatório levantado pela auditoria por meio das diligências não foi suficiente para identificar a natureza dos depósitos. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10845.003020/200496 Acórdão n.º 2201002.409 S2C2T1 Fl. 6 9 Os contratos de mútuos apresentados para justificar os depósitos na conta da pessoa física, cujo valor era muito superior a capacidade operacional da empresa, sequer estavam registradas na contabilidade da pessoa jurídica. Aliás, a contabilidade dos anos calendários 2000 e 2001 não foi suficiente nem para justificar a tributação da própria empresa, uma vez que seus lucros foram arbitrados. Assim, mesmo que identificados, no caso dos cheques da Walmart, os depósitos não estão justificados e não restou plenamente comprovado que se tratava de empréstimos da empresa TPS. Também não encontram respaldo as alegações de que os rendimentos obtidos no ano de 2001 pertenceriam à empresa TPS, por falta de amparo documental. Isso fica claro no relatório da fiscalização que afirma não ter o contribuinte comprovado quais valores pertenceriam a TPS. Isto posto, voto em rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 433DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10814.009250/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 31/03/2008
VISTORIA ADUANEIRA. EXTRAVIO. DEPOSITÁRIO. RESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA.
O depositário é responsável pelo crédito tributário decorrente do extravio de mercadoria que se encontrava sob sua custódia, inclusive no caso de a referida mercadoria ser passível de aplicação da pena de perdimento.
VOLUME DEPOSITADO EM RECINTO SOB CONTROLE ADUANEIRO. NÃO LOCALIZAÇÃO. MULTA.
Aplica-se a multa prevista pelo artigo 107, VII, a, do Decreto-lei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, por volume depositado em local ou recinto sob controle aduaneiro, que não seja localizado.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3401-002.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negou-se provimento ao recurso.
(assinatura digital)
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
(assinatura digital)
Fernando Marques Cleto Duarte - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte, Adriana Oliveira e Ribeiro, Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 31/03/2008 VISTORIA ADUANEIRA. EXTRAVIO. DEPOSITÁRIO. RESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA. O depositário é responsável pelo crédito tributário decorrente do extravio de mercadoria que se encontrava sob sua custódia, inclusive no caso de a referida mercadoria ser passível de aplicação da pena de perdimento. VOLUME DEPOSITADO EM RECINTO SOB CONTROLE ADUANEIRO. NÃO LOCALIZAÇÃO. MULTA. Aplica-se a multa prevista pelo artigo 107, VII, a, do Decreto-lei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, por volume depositado em local ou recinto sob controle aduaneiro, que não seja localizado. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido.
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EXTRAVIO. DEPOSITÁRIO. RESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA. O depositário é responsável pelo crédito tributário decorrente do extravio de mercadoria que se encontrava sob sua custódia, inclusive no caso de a referida mercadoria ser passível de aplicação da pena de perdimento. VOLUME DEPOSITADO EM RECINTO SOB CONTROLE ADUANEIRO. NÃO LOCALIZAÇÃO. MULTA. Aplicase a multa prevista pelo artigo 107, VII, “a”, do Decretolei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, por volume depositado em local ou recinto sob controle aduaneiro, que não seja localizado. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negouse provimento ao recurso. (assinatura digital) Júlio César Alves Ramos Presidente. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 00 92 50 /2 00 8- 50 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Fernando Marques Cleto Duarte Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte, Adriana Oliveira e Ribeiro, Angela Sartori. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela EMPRESA BRASILEIRA DE INFRAESTRUTURA AEROPORTUÁRIA INFRAERO em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. A matéria em discussão referese à exigência de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, PIS/Pasep e COFINSImportação, em face do extravio de mercadoria. Emerge das razões de constituição do crédito que o lançamento decorreu da constatação, em sede de vistoria aduaneira, do extravio de determinado volume, que havia sido objeto de armazenamento pela INFRAERO no Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento (MANTRA), sem códigos de avaria. O importador relatou que, quando do puxe da carga para fins de transporte, o referido volume não foi localizado. Após o procedimento de apuração de responsabilidade, a vistoria aduaneira concluiu pela responsabilização da INFRAERO, por ser a empresa depositária do volume e por não ter apresentado à Comissão de Vistoria qualquer excludente para resguardarse da responsabilização. Em sede de impugnação (fls. 31 a 38), a contribuinte alega que a não localização da carga em questão se deu por caso fortuito, em razão da greve dos servidores da SRFB, que provocou congestionamento contumaz de cargas no pátio do Terminal de Cargas do Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, pelo que pede a nulidade da Notificação de Lançamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou improcedente a impugnação, tendo proferido acórdão assim ementado (fls. 59 a 63): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 31/03/2008 Ementa: VISTORIA ADUANEIRA. EXTRAVIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O depositário responde por avaria ou por extravio de mercadoria sob sua custódia, sendo presumida a responsabilidade no caso de volumes recebidos sem ressalva ou sem protesto. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10814.009250/200850 Acórdão n.º 3401002.588 S3C4T1 Fl. 112 3 Ementa: VOLUME DEPOSITADO EM RECINTO SOB CONTROLE ADUANEIRO. NÃO LOCALIZADO. MULTA. Aplicase a multa prevista pelo artigo 107, VII, “a”, do Decretolei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, por volume depositado em local ou recinto sob controle aduaneiro, que não seja localizado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi intimada da decisão, conforme documentos de fls. 70 a 73, e apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese: a) que deve ser aplicado o instituto da excludente de responsabilidade, haja vista que a greve dos servidores da Receita Federal deu causa ao acúmulo de mercadorias no pátio da recorrente, que aguardavam a atividade deste órgão; b) que a recorrente não poderia exercer a atividade paralisada em virtude da greve, sob pena do ilícito de desvio de função; c) aduz a inexigibilidade do título executivo e causa impeditiva de obrigação por motivo de força maior, sob pena de violação aos princípios da legalidade estrita, eficiência e razoabilidade. O fisco não apresentou contrarrazões, tendo os autos sido remetidos para este Conselho para análise e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e presentes estão os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele eu conheço. DO EXTRAVIO DE MERCADORIA Cingese a controvérsia em saber se a contribuinte deve ser responsabilizada pela exigência de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, Contribuição ao PIS/Pasep e CofinsImportação em face do extravio de mercadoria em vistoria aduaneira. De acordo com o art. 19, do Código Tributário Nacional – CTN, o imposto de importação tem como fato gerador a entrada no território nacional de produtos estrangeiros, cujo contribuinte (art. 22, I) é o importador ou quem a lei a ele equiparar. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 Por sua vez, o Decretolei nº 37/1966 atribui a responsabilidade pelo imposto (art. 32, II) “ao depositário, assim considerada qualquer pessoa incumbida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro”. Diante desse contexto, vejamos o que disciplina o Decreto nº 4.543/2002, vigente à época dos fatos: “Art. 591. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em consequência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 586 Decretolei nº 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). (...) Art. 593. O depositário responde por avaria ou por extravio de mercadoria sob sua custódia, bem assim por danos causados em operação de carga ou de descarga realizada por seus prepostos. Parágrafo único. Presumese a responsabilidade do depositário no caso de volumes recebidos sem ressalva ou sem protesto. Art. 595. A autoridade aduaneira, ao reconhecer a responsabilidade nos termos do art. 591, verificará se os elementos apresentados pelo indicado como responsável demonstram a ocorrência de caso fortuito ou de força maior que possa excluir a sua responsabilidade. §1º Para os fins deste artigo, e no que respeita ao transportador, os protestos formados a bordo de navio ou de aeronave somente produzirão efeito se ratificados pela autoridade judiciária competente. §2º As provas excludentes de responsabilidade poderão ser produzidas por qualquer interessado, no curso da vistoria. Como se vê, emerge dos atos normativos acima que será responsável pelo extravio de mercadoria quem lhe deu causa. Quando se tratar do depositário, sua responsabilidade resta caracterizada quando houver o extravio de mercadoria sob sua custódia, sendo esta presumida no caso de volumes recebidos sem ressalva ou protesto. No caso vertente, o volume foi recepcionado pela depositária sem qualquer ressalva ou protesto, o que faz presumir sua responsabilidade, nos termos da legislação citada. A contribuinte, no entanto, utiliza o argumento de que houve caso fortuito em razão da greve de servidores da RFB no afã de eximirse de sua responsabilidade. Ocorre que, de acordo com o Parecer Normativo CST nº 39, de 1978, para uma situação se caracterizar como caso fortuito ou de força maior, é preciso ficar demonstrada a ausência de imputabilidade, sua inevitabilidade e irresistibilidade. Pela ausência de imputabilidade, entendese que o evento não pode decorrer da ação humana. Pela inevitabilidade ou irresistibilidade, temos que o sujeito passivo não pode concorrer, sob qualquer forma – negligência, imperícia, imprudência, culpa in vigilando ou in eligendo, inércia, omissão etc. – para o episódio lamentado. No presente caso, portanto, temos que eventual greve de funcionários não pode ser usada como escusa para afastar a responsabilidade pelo extravio, vez que se trata de evento imputável, evitável e resistível, para o qual a depositária deveria estar preparada. Ademais, a diligência na prestação de seus serviços de certo evitaria o extravio perpetrado. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10814.009250/200850 Acórdão n.º 3401002.588 S3C4T1 Fl. 113 5 Sendo incontroverso que não houve a localização de volume depositado sob a guarda da contribuinte em recinto aduaneiro, entendo plenamente caracterizada a hipótese ilícita, sendo a multa perfeitamente aplicável ao caso. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinatura digital) Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 115DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 11968.001033/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do Fato Gerador: 20/05/2008, 23/05/2008, 27/05/2008, 11/06/2008
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PORCELANATO.
As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul - Tarifa Externa Comum e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias - Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados.
As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado - NESH - constituem elementos subsidiários fundamentais para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado.
Placas de Porcelanato, não vidradas nem esmaltadas, para pavimentação ou revestimento, classificam-se no código 6907.90.00 da NCM/TEC e NBM/TIPI, pela aplicação das RGI-1 e RGI-6.
MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA DE MERCADORIAS NA NCM/TEC
A multa de 1% deve ser aplicada sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC, nos termos do artigo 84, inciso I da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001, combinado com os artigos 69 e 81 da Lei nº 10.833, de 2003, de 2003.
Numero da decisão: 3302-002.526
Decisão: Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso voluntário. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Fabíola Cassiano Keramidas
Relatora
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Redator designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do Fato Gerador: 20/05/2008, 23/05/2008, 27/05/2008, 11/06/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PORCELANATO. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul - Tarifa Externa Comum e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias - Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado - NESH - constituem elementos subsidiários fundamentais para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado. Placas de Porcelanato, não vidradas nem esmaltadas, para pavimentação ou revestimento, classificam-se no código 6907.90.00 da NCM/TEC e NBM/TIPI, pela aplicação das RGI-1 e RGI-6. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA DE MERCADORIAS NA NCM/TEC A multa de 1% deve ser aplicada sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC, nos termos do artigo 84, inciso I da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001, combinado com os artigos 69 e 81 da Lei nº 10.833, de 2003, de 2003.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso voluntário. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Fabíola Cassiano Keramidas Relatora (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2468; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 626 1 625 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11968.001033/200821 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.526 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de março de 2014 Matéria IPI Recorrente SUAPE PORCELANATO S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/05/2008, 23/05/2008, 27/05/2008, 11/06/2008 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O indeferimento fundamentado de pedido de prova pericial não constitui hipótese de nulidade por não caracterizar cerceamento de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 20/05/2008, 23/05/2008, 27/05/2008, 11/06/2008 REVISÃO ADUANEIRA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO DO ART. 146 DO CTN. INAPLICABILIDADE. A revisão aduaneira que implique em alteração da classificação fiscal antes adotada, visando às corretas determinação da matéria tributável e apuração dos tributos devidos, não constitui alteração do critério jurídico adotado no fato gerador da obrigação tributária concernente à importação de mercadorias, tendo em vista a existência de previsão legal e a inexistência de lançamento tributário por ocasião do despacho aduaneiro. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do Fato Gerador: 20/05/2008, 23/05/2008, 27/05/2008, 11/06/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PORCELANATO. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul Tarifa Externa Comum e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH constituem elementos subsidiários fundamentais para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 10 33 /2 00 8- 21 Fl. 626DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11968.001033/200821 Acórdão n.º 3302002.526 S3C3T2 Fl. 627 2 Placas de Porcelanato, não vidradas nem esmaltadas, para pavimentação ou revestimento, classificamse no código 6907.90.00 da NCM/TEC e NBM/TIPI, pela aplicação das RGI1 e RGI6. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA DE MERCADORIAS NA NCM/TEC A multa de 1% deve ser aplicada sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC, nos termos do artigo 84, inciso I da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, combinado com os artigos 69 e 81 da Lei nº 10.833, de 2003, de 2003. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso voluntário. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Fabíola Cassiano Keramidas Relatora (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para o fim de constituir débito de IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados – entendido como devido pela fiscalização em virtude da classificação fiscal de produto importado e fabricado pela contribuinte nos meses de maio e junho de 2008. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11968.001033/200821 Acórdão n.º 3302002.526 S3C3T2 Fl. 628 3 Por retratar a realidade dos fatos, peço vênia para reproduzir o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, a saber: “DO LANÇAMENTO Tratase de Autos de Infração (5) lavrados para a desclassificação fiscal de produto importado pela empresa autuada, através das Declarações de Importação registradas em maio e junho de 2008 (vinte e nove DIs, ao todo, relacionadas às fls. 07 a 09 do Auto de Infração relativo ao Imposto de Importação e repetidas nos demais Autos, correspondentes ao IPI, ao PIS/PASEP, à Cofins e à multa regulamentar sobre o valor aduaneiro da mercadoria). Os cinco Autos de Infração lavrados dizem respeito aos seguintes lançamentos: 1o Auto de Infração: para cobrança da diferença do Imposto de Importação (II), no valor original de R$ 45.895,99 (quarenta e cinco mil, oitocentos e noventa e cinco reais e noventa e nove centavos), acrescido de juros de mora, no montante de R$ 1.342,47 (hum mil, trezentos e quarenta de dois reais e quarenta e sete centavos). Totalizou o crédito tributário correspondente a este Auto o valor de R$ 47.238,46 (quarenta e sete mil, duzentos e trinta e oito reais e quarenta e seis centavos). 2° Auto de Infração: para cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no valor original de R$ 64.254,36 (sessenta e quatro mil, duzentos e cinquenta e quatro reais e trinta e seis centavos), acrescido de juros de mora, no montante de R$ 1.435,50 (hum mil, quatrocentos e trinta e cinco reais e cinquenta centavos). Totalizou o crédito tributário correspondente a este Auto R$ 65.689,86 (sessenta e cinco mil, seiscentos e oitenta e nove reais e oitenta e seis centavos). 3° Auto de Infração: para a cobrança da diferença do PIS/PASEP Importação, no valor original de R$ 410,33 (quatrocentos e dez reais e trinta e três centavos), acrescida de juros de mora, no montante de R$ 11,86 (onze reais e oitenta e seis centavos). Totalizou o crédito tributário objeto deste Auto R$ 422,19 (quatrocentos e vinte e dois reais e dezenove centavos). 4° Auto de Infração: para cobrança da diferença da Cofins, no valor original de R$ 1.889,55 (hum mil, oitocentos e oitenta e nove reais e cinquenta e cinco centavos), acrescida de juros de mora, no montante de R$ 55,11 (cinquenta e cinco reais e onze centavos). Totalizou o credito tributário correspondente a este Auto R$ 1.944,66 (hum mil, novecentos e quarenta e quatro reais e sessenta e seis centavos). 5° Auto de Infração: para a cobrança da multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro das mercadorias, nos termos do artigo 84, inciso I, da Medida Provisória (MP) no 2.15835, de 2001, combinado com os artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei n° Fl. 628DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11968.001033/200821 Acórdão n.º 3302002.526 S3C3T2 Fl. 629 4 10.833, de 2003, no valor de R$ 14.741,22 (quatorze mil, setecentos e quarenta e um reais e vinte e dois centavos). O valor total do crédito tributário, considerados os cinco Autos de Infração, perfaz R$ 130.036,39 (cento e trinta mil, trinta e seis reais e trinta e nove centavos). A descrição dos fatos, às fls.04 a 09 do Auto de Infração relativo ao II, repetida nos demais AI, será, a seguir, resumida: a) O importador, através das Declarações de Importação enumeradas, submeteu a despacho mercadoria descrita como: "ladrilhos de granito artificial para uso exclusivo em revestimento de pisos, na construção em geral, classificandoa na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), então vigentes, no código 6810.19.00, como: "Outras obras de cimento, de concreto ou de pedra artificial, mesmo armadas", com aliquotas de 8% de H, 0% de IPI ; 1,65% de PIS/PASEP, e 7,60% de COFINS. b) Tendo em vista o exame da mercadoria, objeto de diversos laudos e análises, e considerando as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado n's 1 e 6, incorporadas pela Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e pela Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) (entendimento corroborado pela Nota Coana/Cotac/Dinon n° 0319, de 2007 (Anexo 01), a mercadoria foi reclassificada para o código 6907.90.00 da NCM/TEC e da NBM/TIPI, como "Placas (lages) de Porcelana/o, não vidradas nem esmaltadas, para pavimentado ou revestimento". c) A alteração na classificação do produto importado gerou diferenças a recolher relativamente ao II, ao PIS/PASEP e à COFINS, e imposto a pagar no que toca ao IPI, além da multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria por classificação incorreta da mesma na NCM/TEC, tudo conforme Demonstrativos de Apuração desses impostos, contribuições e multa. Fazem parte dos Autos de Infração, a cópia da Nota Coana/Cotac/Dinon n° 0319, de 16.08.2007, às fls. 104 a 107 (Anexo 01), e a cópia da Decisão prolatada no Mandado de Segurança n° 2008.83.00.0106780, impetrado pela empresa contra o Inspetor da ALF/SPE, às fls. 110 e 111 (Anexo 02), além do despacho de fl.112 e de Extratos do Processo, As fls.113 a 115. DA IMPUGNAÇÃO Intimado nos respectivos Autos de Infração, em 06.11.2008, a empresa apresentou, tempestivamente a sua impugnação, às fls. 113 a 132 do Volume I, a ela anexando os documentos de fls. 133 a 249 do mesmo Volume, além dos de fls. 252 a 297 do Volume II. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11968.001033/200821 Acórdão n.º 3302002.526 S3C3T2 Fl. 630 5 A defendente alega que importou matériaprima, classificandoa no código NCM/TEC 6810.19.00, classificação essa consolidada pela RFB em diversas importações e fundamentada em Laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo, emitido em agosto de 2002, por solicitação da própria ALF/SPE. Diz que foi surpreendida pela alteração da classificação, sem direito à ampla defesa, o que ensejou a impetração de Mandado de Segurança n° 2008.83.00.0106780, com o objetivo exclusivo de desembaraçar as mercadorias importadas mediante o depósito das diferenças de tributos porventura devidas, enquanto não regularmente intimada do processo administrativo que determinou a nova e equivocada interpretação quanto à classificação do produto importado. Na Preliminar, arguiu: 1) Ausência de Concomitância: O MS impetrado teve apenas o fito de discutir a liberação das mercadorias mediante depósito prévio dos valores exigidos. Em nenhum momento pretendeu discutir no Mandamus a classificação fiscal do produto importado ou qualquer outra matéria de direito. 2) Nulidade da autuação afronta ao Principio da Verdade Material: A autoridade lançadora não apresentou classificação fiscal válida para embasar o lançamento e fundamentou a autuação em Nota Coana/Cotac/Dinon n° 0319, de 2007, que se pronunciou sobre o produto ao desamparo de qualquer análise de amostra do mesmo, o que vai de encontro ao principio da verdade material. E no Mérito: 3) Mudança de Critério Jurídico: A mudança de critério jurídico foi fruto da insistência da Secretaria da Fazenda do Estado de PE que, baseada em questionável laudo e informações de concorrentes que produzem produtos diversos do importado e industrializado pela impugnante, pretendem alterar a classificação fiscal do produto por ela importado há anos, tendo sido, inclusive, objeto de prévia e regular Consulta, conforme provam os documentos anexos. (Grifei) 4) Inadequação da Classificação imposta: Na realidade, "...tratase de importação de produto comercialmente denominado de porcelanato, nome que não existe na nomenclatura cientifica e em nada se aproxima da porcelana. Justamente por se tratar de produto relativamente "novo", surgiram divergências quando à classificação fiscal a ser adotada" (fls.123 e 124, item 25). Fl. 630DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11968.001033/200821 Acórdão n.º 3302002.526 S3C3T2 Fl. 631 6 O porcelanato é um produto composto predominantemente por feldspato (mineral fundente), dolomita (rocha calcária que atua como agente fundente), quartzo e uma pequena quantidade de argila, inferior a 15%, composição que é diversa da cerâmica e se assemelha mais ao granito, consoante laudo técnico do IPT, de São Paulo (fl.124, item 26). O porcelanato é composto de pó de pedra, basicamente de feldspato, substância que não se modifica no processo produtivo, já que seu ponto de fusão é acima de 1.400° C, podendo ser submetido a temperaturas que variam de 1.210° C a 1.250 ° C, de sorte que os seus elementos não atingem o ponto de fusão, sendo apenas aglutinados. Não alcançando o ponto de fusão, são mantidas as caracteristicas químicas dos elementos que compõem o porcelanato, diferentemente do que ocorre quando a cozedura ultrapassa o ponto de fusão. A cerâmica, por sua vez, submetese a temperaturas de até 1.150° C, podendo ser fundida a temperatura de 1.000° C, donde se conclui, quanto à cozedura e ponto de fusão, que há uma substancial diferença entre porcelanato e cerâmica. "Em que pese a similaridade do processo produtivo da cerâmica com o do porcelanato, há características fundamentais que diferenciam os referidos produtos, tanto que, comercialmente, são tratados como mercadorias que podem se prestar ao mesmo fim, mas são de espécies diferentes. ...quando se fala de revestimento de pisos ou paredes, têmse como principais opções: cerâmica, granito ou porcelana/o. Inexiste confusão ou dúvidas quanto às características de cada um dos produtos, que são bastante distintos. Entretanto, facilmente, se constata maior similaridade entre o granito e o porcelanato do que entre este e a cerâmica." 5) Multa regulamentar incabível: A imposição da multa regulamentar decorreria do suposto erro quanto classificação da mercadoria importada. Contudo, não se trata de erro, mas de divergência de interpretação. “... há uma divergência de interpretação das regras de classificação fiscal” 6) Pedido de Perícia: A defendente requer a realização de perícia, de acordo com o artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, tendo em vista estar envolvida no litigio a composição do produto importado (apresenta alguns quesitos a serem respondidos, às fls.130 e 131). Corroborando o seu pedido, transcreve Ementa de Acórdão do então Conselho de Contribuintes do MF, que diz respeito à dúvida de classificação de determinado produto estar pautada exclusivamente na sua composição química, tornandose, nesse caso, indispensável à produção de perícia (fls.129 e 130). Fl. 631DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11968.001033/200821 Acórdão n.º 3302002.526 S3C3T2 Fl. 632 7 Anexa, além dos documentos de constituição e de representação da empresa, o Parecer Técnico n° 8.202, de agosto de 2002, do IPT, de São Paulo, do qual fazem parte o Relatório Técnico n° 58.258, Relatórios de Ensaio n's 888.054, além de outras análises. Por todo o exposto, requer seja julgado nulo de pleno direito o Auto de Infração. Caso assim não entenda a autoridade julgadora, pede que seja a ação fiscal julgada improcedente pelas razões de mérito apresentadas, protestado pelo deferimento do pedido de perícia formulado.” Após analisar as razões da Recorrente, a Quinta Turma da Delegacia de Julgamento do Recife proferiu o acórdão no 11.34.087, por meio do qual negou provimento ao recurso apresentado, in verbis: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 20/05/2008, 23/05/2008, 27/05/2008, 11/06/2008 Classificação incorreta de Mercadorias na NCM/TEC e NBM/TIPI. Multa. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul Tarifa Externa Comum e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados. Lajes de Porcelanato, não vidradas nem esmaltadas, para pavimentação ou revestimento classificamse no código 6907.90.00 da NCM/TEC e NBM/TIPI, aprovadas pela Resolução Camex n° 43, de 2006, e pelo Decreto n° 6.006, de 2006, respectivamente. ik mercadoria classificada incomtamente na NCM/TEC cabe a aplicação de multa, no percentual de 1%, sobre o valor aduaneiro, nos termos da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, combinada com a Lei n° 10.833, de 2003. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOII Data do fato gerador: 20/05/2008, 23/05/2008, 27/05/2008, 11/06/2008 Desclassificação de Mercadoria. Recolhimento a menor. Constatado o recolhimento a menor do imposto no registro da Declaração de Importação, em função da classificação incorreta da mercadoria na NCM/TEC, cabe o lançamento da sua Fl. 632DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11968.001033/200821 Acórdão n.º 3302002.526 S3C3T2 Fl. 633 8 diferença, nos termos do Decreto n° 4.543, de 2002, Medida Provisória n°2.15835, de 2001, e Lei if 10.833, de 2003. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 20/05/2008, 23/05/2008, 27/05/2008, 11/06/2008 Desclassificação de Mercadoria. Falta de recolhimento. Constatado o não recolhimento do imposto sobre a mercadoria importada objeto de nova classificação tarifaria, cabe o lançamento desse imposto, nos termos do Decreto n° 4,544, de 2002 (RIPI/2002). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/05/2008, 23/05/2008, 27/05/2008, 11/06/2008 Desclassificação de Mercadoria. Recolhimento a menor. Em razão da diferença das aliquotas do II e do IPI, em decorrência da desclassificação fiscal efetivada, cabe a reconstituição da base de cálculo dessa Contribuição e recolhimento da sua diferença, nos termos da Lei n° 10.865, de 2004 c/c Decreto n°4.543, de 2002. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COF1NS Data do fato gerador: 20/05/2008, 23/05/2008, 27/05/2008, 11/06/2008 Desclassificação de Mercadoria. Insuficiência de recolhimento. Em razão da diferença das aliquotas do II e do IPI, em decorrência da desclassificação fiscal efetivada, cabe a reconstituição da base de cálculo dessa Contribuição e recolhimento da sua diferença, nos termos da Lei n° 10.865, de 2004, c/c Decreto n° 4.543, de 2002. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/05/2008, 23/05/2008, 27/05/2008, 11/06/2008 Revisão de Oficio Tendo o contribuinte agido em desacordo com a legislação tributária aplicável, a autoridade administrativa, no estrito cumprimento de seu dever, deve proceder à revisão de oficio e, se for o caso, exigir, por meio do respectivo lançamento, os tributos não pagos por ocasião do registro da Declaração de Importação e do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas, além dos acréscimos legais e regulamentares cabiveis. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11968.001033/200821 Acórdão n.º 3302002.526 S3C3T2 Fl. 634 9 Perícia. Indeferimento. Dispensável a produção de mais um laudo técnico sobre as características da mercadoria quando os laudos e documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para a formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. Concomitância entre Processos Administrativo e Judicial. Impugnação conhecida. Tornase conhecimento da impugnação, no tocante à matéria (classificação tarifária) que não faz parte da discussão judicial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” destacamos Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 339/623) por meio do qual reiterou as razões trazidas em sua impugnação. É o relatório. Voto Vencido CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, tratase de 05 autos de infração lavrados em relação ao período de maio/2008 a jun/2008, em virtude da reclassificação fiscal dos produtos importados pela Recorrente, que entendia ser aplicável, quando do despacho aduaneiro, o código 6810.19.00, aplicável à “outras obras de cimento, de concreto ou de pedra artificial, mesmo armadas”; enquanto a fiscalização entendia que os produtos deveriam ter sido importados sob as rubricas: 6907.90.00 (para os porcelanatos não vidrados nem esmaltados) e 6908.90.00 (para aqueles vidrados ou esmaltados). Os autos de infração são relativos ao II, IPI, PIS/PASEP, Cofins e à multa regulamentar sobre o valor aduaneiro da mercadoria. Em resumo, tratase de diferença de crédito tributário apurada em procedimento de despacho aduaneiro das Declarações de Importação da Recorrente em decorrência do entendimento da fiscalização de que houve adoção equivocada de critério de classificação fiscal. As posições em discussão são as seguintes: 6810 – Obras de cimento, de concreto (Betão) ou de pedra artificial, mesmo armadas; 6907 – Ladrilhos e placas (lajes) para pavimentação ou revestimento, não vidrados nem esmaltados, de cerâmica, cubos, pastilhas e artigos semelhantes, para mosaicos, não vidrados nem esmaltados, de cerâmica mesmo com suporte. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11968.001033/200821 Acórdão n.º 3302002.526 S3C3T2 Fl. 635 10 Vários são os argumentos apresentados pela Recorrente para dissuadir a manutenção do auto de infração, em síntese: PRELIMINARMENTE (i) necessidade de perícia; (ii) imprestabilidade de laudo técnico realizado em produto não fornecido pela Recorrente; (iii) impossibilidade de alteração de critério de classificação fiscal e no MÉRITO (iv) correição da classificação fiscal adotada; (v) cancelamento da multa regulamentar. Assim como permite o artigo 59 do Decreto no 70.235/72, deixo de analisar as preliminares suscitadas e passo ao mérito. Isto porque após analisar os autos detidamente, percebo que a questão em tela se resolve pelo argumento trazido pela Recorrente acerca da classificação fiscal do produto importado. A meu sentir, correta a Recorrente. Restou comprovado nos autos, seja pelo Laudo solicitado e aceito pela agente AFRB Maria Ercília Goto, matricula 13.983, da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, para instrução do processo administrativo no 19647.013825/200882; seja pelo Parecer Técnico do IPT, que subsidiou as importações da Recorrente; que a classificação fiscal do produto importado era a 6810, sendo certo que este entendimento está pautado na análise da composição do produto. Conforme demonstrado nos autos a composição do porcelanato é diferente da cerâmica, sendo que aquele é composto 75% de matérias duras, o que o faz mais resistente a temperaturas baixas. Contrariamente a cerâmica sofre mais retração e expansão. O porcelanato é composto de pó de pedra, basicamente feldspato, substância cujo ponto de fusão é acima de 1400oC enquanto a cerâmica tem como ponto de fusão a temperatura de 1150oC. Os laudos anexos aos autos atestam esta diferença. A questão já foi analisada nos autos do processo administrativo no 19647013825/200882, do mesmo contribuinte, que contou com decisão favorável já na DRJ, confirmada por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a saber: Decisão de primeira instância – DRJ Fortaleza/CE Decisão DRJ/FOR nº 21.613, de 26/08/2011: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 06/01/2004 a 12/12/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. Classificase no código 6810.19.00, por força das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 1 e 6, e, ainda, com subsídio nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias, o produto denominado como “artefato de granito artificial'', produzido majoritariamente com matérias primas não plásticas, como minerais de feldspatos e quartzo (Si02), este com um teor superior a 50% e cujas partículas micronizadas são mantidas aglutinadas pela massa vítrea após a sinterização, caracterizado, ainda, pela presença da argila apenas com a função (....) Impugnação Procedente.” destaquei Fl. 635DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11968.001033/200821 Acórdão n.º 3302002.526 S3C3T2 Fl. 636 11 O acórdão 3201001.328 proferido naquele processo, de relatoria do ilustre Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes restou da seguinte forma fundamentado: “O laudo realizado a pedido da DRJ neste processo bem solucionou o tema, não dando margem para maiores debates: 4. O produto importado pela empresa autuada pode ser denominado de Artefato de Granito Artificial? E comercialmente conhecido como Artefato de Granito Artificial? Resposta: [...]Assim, podemos concluir que, o produto importado (visualizado na fotografia 1), é um "artefato de granito Artificial’, ou pode ser chamado também, por "artefato de granito artificial". (grifo nosso) (...) Tendo em vista as definições (1) e (2) abaixo transcritas, o produto importado, objeto da presente lide, é mais bem definido como (a) PLACAS (LAJES), PARA PAVIMENTAÇÃO OU REVESTIMENTO, DE CERÂMICA ou (b) OBRA DE PEDRA ARTIFICIAL? (...) Resposta: Embora alguns componentes da definição (1), estejam presentes na confecção do produto importado, as análises da UFScar, mostram preponderância do quartzo no produto. Tal fato, confirmado pelo laudo UNESP (Difratograma do porcelanato), mostrando também a presença de mulila e albita, além do Quartzo. Por fim, a análise microscópica (laudo Unesp) mostra a presença de aglutinante (massa plástica/cola), aderindo a massa, à pedra calcárea natural, constituindose, num artefato de granito Dessa forma, concluímos que o produto tem mais semelhança, com o descrito na definição (2).(grifo nosso) Foi por este motivo que o lançamento foi afastado, e com razão. Desta feita, não há reparos a ser feito na decisão recorrida, motivo pelo qual voto por negar provimento ao recurso de ofício.” Desta forma, em razão da composição química do produto importado pela Recorrente, pareceme adequada a classificação por ela adotada. Ante o exposto, conheço do presente recurso voluntário para o fim de DAR LHE PROVIMENTO reformando, assim, a decisão de primeira instância administrativa. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 636DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11968.001033/200821 Acórdão n.º 3302002.526 S3C3T2 Fl. 637 12 Voto Vencedor Com o devido respeito aos argumentos da ilustre relatora, divirjo de seu entendimento quanto à classificação fiscal da mercadoria denominada de porcelanato. Por divergir quanto ao mérito, analiso, inicialmente as preliminares argüidas na peça recursal. Os presentes autos tratam de autuação de Imposto de Importação, IPI vinculado à importação, PIS/Pasep – importação e Cofins – Importação e multa regulamentar aduaneira, todos com exigibilidade suspensa, em razão de a recorrente ter adotado classificação diversa da pretendida pela fiscalização. Preliminarmente, a recorrente alegou: 1. Nulidade da decisão recorrida em razão da necessidade de produção de prova pericial; 2. Nulidade do lançamento em razão da alteração de critério jurídico; 3. Nulidade do laudo do ITEP por não ter utilizado amostra da recorrente; No mérito, defende a classificação fiscal adotada e o cancelamento da multa regulamentar. Nulidade da decisão recorrida em razão da necessidade de produção de prova pericial Propugnou a recorrente pela nulidade da decisão recorrida em razão do indeferimento da prova pericial pelo colegiado a quo. Não cabe razão à recorrente. A autoridade de primeira instância indeferiu o pedido tendo em vista que já se dispunha de dois laudos técnicos definidores das características físicoquímicas do material, inclusive sua composição, considerando que as informações disponíveis eram suficientes para deslinde da questão, a teor dos artigos 18, 28 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ademais, a recorrente anexou um terceiro laudo, produzido no processo 19647.013825/200882, utilizado como fundamento para a necessidade de nova prova pericial neste recurso voluntário. Este último laudo referendou o laudo do IPT já elaborado, utilizando o, inclusive, como fonte de dados, em diversos quesitos. Assim, entendo não ter havido prejuízo ao direito de defesa da recorrente. Nulidade do lançamento em razão da alteração de critério jurídico Com devido respeito aos argumentos em contrário, não compartilho com a interpretação de que o artigo 146 do CTN se aplique à revisão aduaneira. É que a condição inserta no artigo 146 implica em um prévio lançamento tributário, o que entendo não ocorrer no despacho aduaneiro. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11968.001033/200821 Acórdão n.º 3302002.526 S3C3T2 Fl. 638 13 Transcrevo excerto do voto do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Acórdão nº 310200.798, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, que bem retrata o tema: “Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (grifos não originais). É inquestionável que o dispositivo em apreço trata de modificação critério jurídico adotado em relação à prévio ato de lançamento tributário, realizado pela autoridade administrativa (lançamento de ofício). Essa é uma condição necessária para sua existência, porém não suficiente, pois além dela deverão estar presentes mais duas condições, a saber: (i) a alteração do critério jurídico anteriormente aplicado seja introduzida por meio de ato de autoridade administrativa (ato de ofício) ou de decisão administrativa ou judicial; e (ii) o lançamento e/ou o ato de ofício ou decisório refiramse ao mesmo sujeito passivo. Assim, com base no conteúdo jurídico do referido preceito legal, verificase que três condições deverão ser atendidas para que haja a configuração da mudança do critério jurídico, no âmbito do lançamento tributário: a) a primeira: haja um prévio ato de lançamento de ofício, em que a autoridade administrativa tenha adotado um determinado critério jurídico; b) a segunda: a modificação do critério jurídico anteriormente aplicado seja introduzida pela autoridade administrativa (mediante ato de ofício) ou pelo órgão julgador administrativo ou judicial (por meio de decisão administrativa ou judicial); e c) a terceira: tanto o ato de lançamento quanto o ato de ofício e as decisões administrativa e judicial refiramse a um mesmo sujeito passivo.” Portanto, é condição necessária a existência de um prévio lançamento tributário. Os tributos recolhidos por ocasião do despacho aduaneiro configuram antecipação de pagamento, na modalidade do lançamento por homologação. Entender que a conferência aduaneira e o conseqüente desembaraço da mercadoria configurariam lançamento tributário implica em dizer que houve homologação expressa do lançamento previsto no artigo 150 do CTN (lançamento por homologação), o que de fato não resta configurado no despacho aduaneiro. O despacho aduaneiro de importação é um procedimento de fiscalização, previsto no regulamento aduaneiro Decreto nº 4.543, de 2002 art. 482 e no Decreto 70.235, de 1972, art. 7º, inciso III, com vistas ao desembaraço aduaneiro. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11968.001033/200821 Acórdão n.º 3302002.526 S3C3T2 Fl. 639 14 Por outro lado, a revisão aduaneira é prevista no Decretolei nº 37, de 1966, art. 54 e no Decreto nº 4.543, de 2002, art. 570, com a finalidade de verificar a regularidade do pagamento dos tributos, a aplicação de benefícios fiscais e a exatidão das informações prestadas na Declaração de Importação. O Código Tributário Nacional imprime suporte a este procedimento em vista do disposto no art. 149, incisos I, IV e V ao tratar do lançamento de ofício: Decretolei nº 37, de 1966: Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei Decreto nº 4.543, de 2002: Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei no 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o, e Decretolei no 1.578, de 1977, art. 8o Lei nº 5.172, de 1966 (CTN): Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine ... IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte Entender que o assentimento das informações prestadas pelo contribuinte implica em homologação expressa do lançamento significa esvaziar o procedimento de revisão aduaneira e o conteúdo dos artigos 54 do Decretolei nº 37, de 1966 e o artigo 570 do Regulamento Aduaneiro. Corroborando a possibilidade de alteração da classificação fiscal em revisão aduaneira, citamse precedentes do CARF e do extinto Conselho de Contribuintes: Fl. 639DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11968.001033/200821 Acórdão n.º 3302002.526 S3C3T2 Fl. 640 15 Acórdão nº 310200.798, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, cuja ementa transcrevo em parte: REVISÃO ADUANEIRA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. Não constitui modificação de critério, o resultado do procedimento de revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal do produto na NCM, anteriormente adotada pelo importador, visando à apuração dos impostos incidentes na operação de importação, para fins de determinação da alíquota aplicável, fixadas na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). Acórdão 30131.524, proferido pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes REVISÃO ADUANEIRA. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IPI. Não constitui modificação do critério jurídico adotado no fato gerador da obrigação tributária concernente à importação de mercadorias, a revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal antes adotada, visando às corretas determinação da matéria tributável e apuração dos tributos devidos, tendo em vista a existência de previsão legal de revisão aduaneira. Entretanto, a questão acima passa ao largo deste processo. Mesmo para quem defende a aplicação do art. 146 à revisão aduaneira, verificase que o preceito normativo não se aplica aos presentes autos, como se demonstrará a seguir. A autuação referiuse às Declarações de Importação registradas em 20/05/2008, 23/05/2008, 27/05/2008 e 11/06/2008, cujos desembaraços foram efetivados mediante liminar proferida em 16/05/2008, no Mandado de Segurança 2008.83.00.0106780 (Ofício nº 3202/2008/JJS – fls. 112 digital), impetrado contra o Inspetor da ALF/SPE, com o objetivo único de liberar as mercadorias que estariam prestes a ser importadas, conforme excerto abaixo transcrito: “Cuida a espécie de ação mandamental movida por SUAPE PORCELANATO S/A contra suposto ato coator do INSPETOR DA ALFANDEGA DO PORTO DE SUAPE/PE colimando realizar o desembaraço aduaneiro das mercadorias objeto das faturas em anexo, bem assim de outras mercadorias classificadas no código NMC 6810.19.00, mediante depósito judicial dos valores devidos a titulo de IPI e Imposto de Importação. Relata a impetrante que, para a consecução de seu objeto social, importa matériasprimas usando a classificação fiscal NCM 6810.19.00, validada pela Receita Federal do Brasil; entretanto, foi lavrado em seu desfavor Auto de Infração ao argumento de que importou mercadorias utilizando classificação fiscal equivocada. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11968.001033/200821 Acórdão n.º 3302002.526 S3C3T2 Fl. 641 16 Invoca que o desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas pelas faturas e Bill of Landing's em anexo está na iminência de ser obstado, "em razão da adoção da classificação fiscal do código 6810.19.00, sob a justificativa que deveriam ser utilizados os códigos 6907.90.00 e 6908.90.00 da NCM". Argumenta que não foi intimada pessoalmente da mudança de classificação, motivo pelo qual não pode gerar efeitos em seu desfavor. Nesse passo, defiro o pedido de medida liminar para determinar o desembaraço aduaneiro apenas das mercadorias incluídas nesta ação mandamental (sem incluir eventuais mercadorias importadas não arroladas neste feito), mediante o depósito em juízo do valor integral exigido pela Receita Federal do Brasil, após a mudança de entendimento da classificação NMC das mercadorias importadas pelo impetrante, exceto se existirem outros fatos que impeçam o desembaraço. ... O fumus boni juris, portanto, resta evidenciado na possibilidade de depósito em juizo do montante integral do tributo devido, para suspender sua exigibilidade, ao passo em que o periculum in mora é comprovado pela iminência da chegada das mercadorias no Porto de Suape” (grifos nossos) Como se depreende, a premissa de que houve anuência na conferência aduaneira não ocorreu, pois as mercadorias somente foram liberadas mediante liminar em Mandado de Segurança. Ainda ressaltese que o próprio fundamento da falta de ciência da mudança de entendimento é descabido, já que a recorrente impetrou o mandado justamente em razão da mudança de entendimento, a qual ocorreu de acordo com a Nota Coana/Cotac/Dinon nº 2007/0319, em 16/08/2007, que já fundamentara autuação anterior, mencionada no corpo da decisão liminar. A ciência da alteração é incontestável, haja vista a iniciativa de impetração do Mandado de Segurança e de seu fundamento. De qualquer forma, não houve desembaraço aduaneiro com a anuência da classificação pretendida pela recorrente, ao contrário, foi necessária a impetração do mandado com obtenção da liminar, para que tal desembaraço ocorresse. Salientase que o mandado não discutiu a classificação das mercadorias, mas argumentou apenas a alteração de entendimento quanto à classificação e o depósito do montante integral discutido como fundamentos para deferimento da liminar. Assim, a revisão aduaneira teve por escopo apenas a constituição do crédito tributário para prevenir a decadência. Não houve alteração alguma de entendimento posteriormente ao desembaraço, pois, por ocasião do registro das Declarações de Importação, a Receita Federal do Brasil RFB já havia adotado a nova interpretação. Portanto, é inaplicável a este processo o preceito do art. 146, ainda que se entendesse pela sua aplicação à revisão aduaneira. Nulidade do laudo do ITEP por não ter utilizado amostra da recorrente Fl. 641DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11968.001033/200821 Acórdão n.º 3302002.526 S3C3T2 Fl. 642 17 Alegou, ainda em preliminar, a imprestabilidade do laudo técnico do ITEP Instituto de Tecnologia de Pernambuco devido ao fato de que o referido não teria utilizado amostras dos produtos da recorrente. Entretanto, compulsando os autos, constatase no Memo DIANA/SRRF 4º RF nº 21/2007, que submete o estudo da DIANA/SRRF 4º à Coordenação Geral de Administração Aduaneira – Divisão de Nomenclatura da RFB, a afirmação de que ambos os laudos – IPT e ITEP – foram elaborados a partir de amostras colhidas no estoque da recorrente. Por sua vez, no próprio laudo do ITEP, no item 2. Procedimento (fls. 298 digital), consta a metodologia para sua realização, que expressamente informa que os “ensaios foram realizados em amostras coletadas pelo ITEP em 10/06/2005 e identificadas pela SUAPE PORCELANATO como sendo” modelo Livorno Bege. Portanto, não procede a alegação quanto ao laudo não ter utilizado amostras fornecidas pela SUAPE. Mérito: classificação da mercadoria porcelanato. A contenda se limita à classificação fiscal a ser adotada: código 6810.19.00 pretendida pela recorrente, ou código 6907.90.00, defendida pela administração tributária. Inicialmente, a classificação adotada pelas partes era sob o código 6810.19.00, lastreada em laudo emitido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT – do Estado de São Paulo. Posteriormente, por provocação da SEFAZ/PE, a RFB alterou seu entendimento. A questão enfrentada nos laudos foi a caracterização da mercadoria como cerâmica ou como pedra artificial. A classificação de mercadorias é efetuada a partir das regras gerais de interpretação do Sistema Harmonizado, das regras gerais complementares relativas à classificação em âmbito regional (Mercosul) e ainda da regra geral complementar da TIPI. Assim, a Regra Geral de Interpretação 1 dispõe: Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes Os textos das posições em análise são: 68.10 Obras de cimento, de concreto ou de pedra artificial, mesmo armadas. 6810.1 Telhas, ladrilhos, placas (lajes), tijolos e artefatos semelhantes: 6810.11.00 Blocos e tijolos para a construção 6810.19.00 Outros 69.07 Ladrilhos e placas (lajes), para pavimentação ou revestimento, não vidrados nem esmaltados, de cerâmica; cubos, pastilhas e artigos semelhantes, para mosaicos, não vidrados nem esmaltados, de cerâmica, mesmo com suporte. 6907.10.00 Ladrilhos, cubos, pastilhas e artigos semelhantes, mesmo de forma diferente da quadrada ou retangular, cuja maior superfície possa ser inscrita num quadrado de lado inferior a 7 cm 6907.90.00 Outros As Notas do Capítulo 68 não interferem no deslinde da questão. Já as notas do capítulo 69 assim estabelecem: Notas. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11968.001033/200821 Acórdão n.º 3302002.526 S3C3T2 Fl. 643 18 1. O presente Capítulo apenas compreende os produtos cerâmicos obtidos por cozedura depois de previamente enformados ou trabalhados. As posições 69.04 a 69.14 abrangem unicamente os produtos não suscetíveis de serem classificados nas posições 69.01 a 69.03. 2. O presente Capítulo não compreende: a) Os produtos da posição 28.44; b) Os artefatos da posição 68.04; ... As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH – representam a interpretação oficial do Sistema Hamonizado, oriunda da Organização Mundial das Alfândegas – OMA. O parágrafo único do art. 1º do Decreto nº 435, de 1992 dispôs que as NESH “constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulos, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome” No caso concreto, as NESH dispõem o seguinte: Considerações Posição 6802: Também se incluem aqui os pequenos cubos, pastilhas e artigos semelhantes, de mármore e de outras pedras naturais (incluída a ardósia), preparados, para mosaicos, revestimentos diversos, etc., fixados ou não em papel ou outras matérias, entendendose que os grânulos e as lascas, sem destino especial, bem como as areias naturais coradas, se incluem no Capítulo 25. Porém, os grânulos, lascas e pedras coradas artificialmente, incluída a ardósia (para a decoração de vitrinas, por exemplo), classificamse nesta posição. Pelo contrário, as obras tais como placas, lajes, ladrilhos, obtidas por aglomeração de fragmentos de pedra natural com cimento ou outro aglutinante (principalmente plástico) e ainda as estatuetas, colunas, taças, etc., feitas de pó ou de fragmentos de pedra, moldados e comprimidos, classificamse na posição 68.10.(grifos não originais) Considerações da posição 6810: A presente posição engloba as obras de cimento, concreto (betão) ou pedra artificial, obtidas por moldagem, extrusão ou centrifugação (é o caso, por exemplo, de alguns tubos), exceto os artefatos das posições 68.06 e 68.08 em que o cimento desempenha apenas a função de aglutinante e os artefatos de fibrocimento da posição 68.11. Por outro lado, esta posição também compreende os elementos préfabricados para a construção ou engenharia civil. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11968.001033/200821 Acórdão n.º 3302002.526 S3C3T2 Fl. 644 19 Por “pedra artificial” designamse as imitações de pedra natural que se obtêm aglomerandose com cimento, cal ou outros aglutinantes (plásticos, por exemplo), fragmentos, grânulos ou pó, de pedra natural (mármore e outras pedras calcárias, granito, pórfiro, serpentina, por exemplo). Os artefatos em granito ou em terrazzo também são variedades de pedra artificial.(grifos não originais) Também se incluem na presente posição as obras de cimento de escórias de altosfornos. Entre as obras compreendidas nesta posição, devem citarse os blocos, tijolos, ladrilhos, telhas, redes de fio de ferro com pequenas chapas de cimento para tetos, placas (lajes), vigas e elementos para construção, pilares, postes, marcos, meiosfios, degraus de escadarias, balaustradas, banheiras, pias, sanitários, gamelas, tinas, reservatórios, depósitos de chafariz, jazigos, mastros, colunas, travessas de caminho de ferro, elementos para vias de aerotrens, ornatos de portas, de janelas e de lareiras, peitoris de janelas, soleiras de portas, frisos, cornijas, taças, vasos para flores, e outros ornamentos arquitetônicos ou para jardins, estátuas, estatuetas, figuras de animais e objetos de ornamentação. (grifos não originais) Cabem ainda nesta posição os tijolos, ladrilhos e outros artefatos sílicocalcários, constituídos por uma mistura de areia e cal, transformada por adição de água em uma pasta espessa. Estas obras, moldadas sobre pressão, são depois submetidas, durante algumas horas, à ação de vapor de água sob forte pressão, a uma temperatura de cerca de 140°C, em grandes autoclaves horizontais. Brancos ou corados artificialmente, estes artefatos têm os mesmos usos que os tijolos, ladrilhos, etc., comuns. Incorporando na massa pedaços de quartzo de diversas dimensões, obtêmse produtos do gênero da pedra artificial. Também se fabricam, para isolamentos, chapas sílicocalcárias leves e porosas, juntando à massa pó metálico que provoca liberação de gases; as chapas desta natureza não são, porém, moldadas sob pressão, mas vazadas antes da passagem em autoclave. Já o Capítulo 69 assim dispõe sobre os produtos cerâmicos: A expressão “produtos cerâmicos” designa os produtos obtidos: A) Por cozedura de matérias nãometálicas inorgânicas previamente preparadas e moldadas, em geral à temperatura ambiente. As matériasprimas utilizadas são, entre outras, argilas, matérias siliciosas, matérias com elevado ponto de fusão, tais como os óxidos, os carbonetos, os nitretos, a grafita ou outro carbono e, em certos casos, aglutinantes tais como as argilas refratárias e os fosfatos. B) A partir de rochas (por exemplo, esteatita) que, depois de moldadas, são submetidas à ação do calor.(grifos não originais) Fl. 644DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11968.001033/200821 Acórdão n.º 3302002.526 S3C3T2 Fl. 645 20 A fabricação dos produtos cerâmicos referidos na alínea A) acima compreende, essencialmente, seja qual for a natureza da matéria constitutiva, as seguintes operações: 1º) A preparação da pasta. Em certos casos (por exemplo, na fabricação de artefatos de alumina sinterizada), a matéria utilizase diretamente, em pó, adicionada de uma pequena quantidade de lubrificante. No entanto, na maior parte das vezes, é transformada em pasta. A preparação da pasta efetuase por dosagem e mistura dos diversos constituintes e, conforme o caso, por trituração, peneiração, filtragem sob pressão, amassadura, maturação e desaeração (extração do ar). Certos produtos refratários são igualmente obtidos a partir de uma mistura doseada de elementos grosseiros e mais finos, à qual se adiciona uma pequena quantidade de aglutinante, sob forma aquosa ou não (alcatrão, matérias resinosas, ácido fosfórico, licor de lignina, por exemplo). 2º) A Enformação. Esta operação tem por fim dar ao pó ou à pasta assim preparada uma forma tão aproximada quanto possível da forma pretendida. A enformação efetuase por estiragem ou extrusão (passagem à fieira), prensagem, moldagem, vazamento, modelagem, operações que, em certos casos, são seguidas de um tratamento mais ou menos adiantado. 3º) Secagem dos artefatos obtidos. 4º) A Cozedura. Esta operação consiste em submeter os artefatos “crus” a uma temperatura de 800°C ou mais, consoante a natureza dos produtos. Esta cozedura permite obter uma ligação íntima dos grãos quer por difusão, quer por transformação química, quer ainda por fusão parcial. (grifos não originais) Não são considerados cozidos, no sentido da Nota 1 do presente capítulo os produtos que tenham sido aquecidos em temperaturas inferiores a 800°C para provocar o endurecimento das resinas que eles contêm, a aceleração das reações de hidratação ou eliminação da água ou de outras substâncias voláteis evemtualmente presentes. Estes produtos estão excluidos do Capítulo 69. 5º) O Acabamento. As operações de acabamento variam em função da utilização do artefato acabado. Podem consistir, quando necessário, num trabalho suscetível de atingir elevado grau de precisão ou em algumas operações tais como a aposição de marcas, a metalização ou a impregnação. Muitas vezes, na fabricação de produtos cerâmicos entram cores e opacificantes especialmente preparados, composições Fl. 645DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11968.001033/200821 Acórdão n.º 3302002.526 S3C3T2 Fl. 646 21 vitrificáveis chamadas “vernizes” ou “esmaltes”, engobos, lustres e outras composições análogas, para neles serem incorporados ou lhes darem aspecto envernizado, vidrado ou ainda constituírem motivos decorativos. A cozedura, depois da enformação, constitui a característica fundamental que diferencia os artefatos do presente Capítulo das obras de pedra e de outras matérias minerais, do Capítulo 68 (as quais, em geral, não são submetidas à cozedura) e dos artefatos de vidro do Capítulo 70, em que a mistura vitrificável sofre uma fusão completa. (grifos não originais) Consoante a composição e o sistema de cozedura utilizado, assim se obtêm: I. Produtos de farinhas siliciosas fósseis ou de terras siliciosas semelhantes e os produtos refratários, compreendidos no Subcapítulo I (posições 69.01 a 69.03). II. Outros produtos cerâmicos constituídos essencialmente por obras de barro, produtos de arenito cozidos (arenito cerâmico), faiança e porcelana, que formam o Subcapítulo II (posições 69.04 a 69.14). Os laudos do IPT e do Engº Jorge Campelo Cabral (anexado no recurso voluntário) concluíram pela classificação no código 6810.19.00 por entender que o material se aproxima mais da definição de pedra artificial que de cerâmica tradicional ou convencional, em razão da quantidade de minerais e de argila e de certas características físicoquímicas, em comparação com o que se denominou cerâmica tradicional. Já o laudo do ITEP afirmou que o material se considera produto cerâmico, conforme resposta ao quesito 7.11. Entretanto, a conclusão para classificar a mercadoria como pedra artificial, a partir das informações dos laudos, é equivocada. Inicialmente verificase que o laudo do IPT faz distinção entre cerâmica tradicional e cerâmica técnicas e avançadas. No item 2.4, quando questionado se o porcelanato pode ser classificado como cerâmica, informou: 2.4. O porcelanato é, em termos gerais, um produto cerâmico obtido por cozedura (cozedura Conforme definida no item "2.5d" abaixo) da massa (pasta) básica depois de previamente enformado ou trabalhado? No âmbito geral, sendo constituído de materiais inorgânicos não metálicos, o porcelanato pode ser classificado como um produto cerâmico. Entretanto não pode ser confundido com uma cerâmica tradicional de natureza argilosa, apesar de ser submetido a tratamento térmico, pois não é produzido majoritariamente a partir de argila, e tem distintas propriedades físicas e comportamento mecânico. No mesmo sentido, o laudo do Engº Jorge Campelo Cabral ao responder os quesitos 1 e 3 afirma que o porcelanato pode ser chamado de revestimento cerâmico ou cerâmica de revestimento ou material cerâmico para pavimentação, embora entenda que a nomenclatura seja em função da utilização e não das características físicoquímicas. Entretanto, Fl. 646DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11968.001033/200821 Acórdão n.º 3302002.526 S3C3T2 Fl. 647 22 ambos concluem que o porcelanato não possui características que o aproximem da cerâmica tradicional ou convencional. Aqui reside o problema de ambos laudos favoráveis ao contribuinte, ou seja, utilizaram a premissa de que se estava definindo cerâmica a partir da cerâmica tradicional, e toda a comparação foi realizada com um determinado material, o qual se denominou de cerâmica tradicional, assumindo a premissa de que a definição de cerâmica constante da NESH se resumisse a esta denominação. Entretanto, a premissa de que a posição 6907 engloba as apenas as cerâmicas tradicionais é equivocada. As considerações da NESH, em lugar algum, estabelecem que ali apenas abarcam as cerâmicas tradicionais, pelo contrário, as definições constantes no texto da NESH consideram cerâmica qualquer mercadoria que se enquadre no conceito, não apenas as tradicionais definidas no laudo do IPT: A expressão “produtos cerâmicos” designa os produtos obtidos: A) Por cozedura de matérias nãometálicas inorgânicas previamente preparadas e moldadas, em geral à temperatura ambiente. As matériasprimas utilizadas são, entre outras, argilas, matérias siliciosas, matérias com elevado ponto de fusão, tais como os óxidos, os carbonetos, os nitretos, a grafita ou outro carbono e, em certos casos, aglutinantes tais como as argilas refratárias e os fosfatos. B) A partir de rochas (por exemplo, esteatita) que, depois de moldadas, são submetidas à ação do calor. A composição química do porcelanato constante nos laudos (item 2.6, 3.7 do laudo do IPT) se enquadra perfeitamente na definição de cerâmica acima: argilas, matérias siliciosas, materiais com elevado ponto de fusão (acima de 800ºC), como óxidos, etc. O quesito 8 do laudo apresentado pelo Engº Jorge Campelo, formulado pela recorrente, foi respondido com a afirmativa de que a base do porcelanato é de massa cerâmica e que apresenta na superfície uma lâmina de pedra natural, imitando pedras naturais. Sob o aspecto das etapas de fabricação, as etapas previstas na NESH estão contempladas na fabricação do porcelanato, conforme itens 2.5 e 2.9 do laudo do IPT, item 7.3 do laudo do ITEP. O laudo elaborado pelo Engº Jorge Campelo reafirma a existência da cozedura no processo de fabricação do porcelanato, ao responder o quesito 3, formulado pela DRJ/Fortaleza. Concernente ao aspecto da temperatura na cozedura, a faixa de temperatura na sinterização do porcelanato é de 1200 a 1250º C (acima de 800º C como definido na cozedura). Segundo o laudo, nesta etapa não há uma fusão completa das matériasprimas, o que é consonante com o disposto na definição de cozedura na NESH, transcrita anteriormente: “Esta cozedura permite obter uma ligação íntima dos grãos quer por difusão, quer por transformação química, quer ainda por fusão parcial.” Por outro lado, a característica fundamental que diferencia os artefatos do Capítulo 69 das obras do Capítulo 68 é a cozedura e não determinada porcentagem de uma matériaprima ou determinada propriedade físicoquímica ou mesmo o acabamento do material. Ambos os laudos definem pelo enquadramento como pedra artificial principalmente Fl. 647DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11968.001033/200821 Acórdão n.º 3302002.526 S3C3T2 Fl. 648 23 em função da quantidade de argila e de quartzo, quando comparada com a cerâmica tradicional (quesito 5 formulado pela DRJ, do laudo apresentado pelo Engº Jorge Campelo), por determinadas características físicoquímicas ou mesmo pelo tipo de acabamento. A conclusão a que chegaram os laudos e a recorrente simplesmente desconsidera a principal característica que determina a classificação numa ou noutra posição, que é justamente a existência da etapa de cozedura (etapa de sinterização do porcelanato). Destacase ainda, que as considerações da NESH relativas à posição 6810 não se referem à argila como aglutinante, referindose ao cimento, cal e outros, principalmente plásticos. Tampouco se referem à cozedura como etapa de fabricação das obras ali descritas, mas apenas informam que as obras são obtidas por moldagem, extrusão ou centrifugação. Além disso, elencam vários artigos que ali se classificam, nenhum deles se assemelhando às placas de porcelanato para revestimento. Reforçando a relevância da cozedura para diferenciação entre as mercadorias do Capítulo 68 e 69, transcrevemse as considerações da NESH da posição 6815: Esta posição abrange as obras de pedra e de matérias minerais não compreendidas nas posições anteriores do presente Capítulo nem em qualquer outra parte da Nomenclatura, com exceção, conseqüentemente, dos artefatos que constituam produtos cerâmicos na acepção do Capítulo 69. Incluemse especialmente nesta posição: ... 4) Os tijolos não cozidos de dolomita sinterizada aglomerada com alcatrão. 5) Os tijolos e outros artefatos (especialmente de produtos magnesianos e cromomagnesianos), simplesmente aglomerados por um aglutinante químico, mas não cozidos. Este material toma depois consistência definitiva, por cozedura cerâmica, durante o primeiro aquecimento do forno em cuja estrutura serão incorporados. Quando se apresentam cozidos, estes artefatos incluemse nas posições 69.02 ou 69.03. 6) As cubas para fusão do vidro, de terra à base de sílica e de alumina, trituradas e moldadas, sem cozedura. Por outro lado, nas considerações da posição 6804, quando a cozedura está presente em suas obras em decorrência da utilização de cerâmica, tais produtos cerâmicos foram expressamente excluídos do Capítulo 69, conforme a nota 2 b), identificando expressamente as situações em que a existência da cozedura ainda permitiria a classificação no Capítulo 68. Portanto, da aplicação das regras gerais de interpretação do Sistema Harmonizado, concluise que a mercadoria “grês porcelanato” deve ser classificada como cerâmica, na posição 6907. Salientase que, embora os conceitos veiculados em artigos e nos laudos não se sobrepõem aos conceitos definidos na NESH, as quais interpretam o conteúdo dos textos das Fl. 648DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11968.001033/200821 Acórdão n.º 3302002.526 S3C3T2 Fl. 649 24 posições e notas de Seção e Capítulo, vários artigos anexados aos autos identificam, sob o aspecto técnico, o porcelanato como material cerâmico. No artigo “Efeito da Composição das MatériasPrimas Empregadas na Fabricação de Grês Porcelanato Sobre as Fases Formadas Durante a Queima e as Propriedades do Produto Final”, fl 575, iniciase a introdução, no primeiro parágrafo, informando que o grês porcelanato é um revestimento cerâmico de excelentes características técnicas, destacandose elevada resistência mecânica, ao risco e ataque químico. Já no artigo “As MatériasPrimas Cerâmicas. Parte I: O Perfil das Principais Indústrias Cerâmicas e Seus Produtos”, fl. 577, classificase o grês como uma espécie do gênero cerâmica branca, ao lado da porcelana e da faiança. No artigo “Grês Porcelanato: Aspectos Mercadológicos e Tecnológicos”, em suas Considerações Finais, fl. 621, concluise que o grês porcelanato é a “cerâmica de revestimento que apresenta as melhores características técnicas e estéticas em confronto com as demais categorias de cerâmicas tradicionais encontradas no mercado”. Por sua vez, o artigo intitulado “Grês Porcelanato”, fl. 611, de autoria de Clarice Heck, da empresa Eliane Revestimentos Cerâmicos, trouxe as seguintes considerações: De maior significado foi a transformação do gres porcelanato em um material de características modernas e versáteis, através do processo de polimento e da introdução de técnicas de decoração. O desenvolvimento deste tipo de produto foi de grande significado, pois estendeu o uso da cerâmica para locais de domínio das pedras naturais, que possuem uma resistência a abrasão mais elevada do que produtos cerâmicos esmaltados. O gres porcelanato destacase pelas seguintes características: altíssima resistência a abrasão; resistência ao gelo; resistência a ácidos e álcalis; uniformidade de cores; impermeabilidade; facilidade de manutenção; amplas possibilidades de composições. O gres porcelanato assemelhase à pedra natural, tendo, porém, inúmeras características que superam o desempenho do mármore, granito, pedra São Tomé, etc. O gres porcelanato destacase das pedras naturais nos seguintes aspectos: maior resistência química: adequado ao uso em laboratórios e indústrias; é impermeável: maior resistência a manchas, maior facilidade de limpeza e em caso de infiltração de umidade, não há desenvolvimento de manchas de umidade; Fl. 649DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11968.001033/200821 Acórdão n.º 3302002.526 S3C3T2 Fl. 650 25 maior resistência a abrasão: recomendável para áreas de altíssimo tráfego; uniformidade de cores na peça e entre peças: efeito estético agradável aos olhos; mais leves, menor espessura e maior resistência mecânica: mais fáceis de transportar e manusear; maior facilidade de assentar: um assentador de cerâmica tradicional poderá assentar o gres porcelanato. Além das considerações dos artigos acima mencionados, a título ilustrativo, localizase no site da Aduana dos Estados Unidos soluções de consulta denominadas rulings1, quanto a esta classificação: a) NY N246871, de 13/11/2013 – “the tariff classification of glazed porcelain tiles from Italy”, classificando porcelanatos importados da Itália no código 6908.90.0051; b) NY M85585, de 26/10/2006 – “the tariff classification of unglazed porcelain tiles from Portugal”, classificando porcelanatos importados de Portugal no código 6907.90.00; O termo usado na consulta foi “porcelain tile”, obtido no site da Associação Brasileira de Normas Técnicas2 ABNT – NBR 15.463, cujo título é placas cerâmicas para revestimento – porcelanato. Diante de todo o exposto, concluise que o porcelanato objeto deste processo é um revestimento cerâmico para pisos e paredes, decorrente de uma evolução tecnológica da industria cerâmica, que, embora apresente características físicoquímicas superiores ao que se denomina cerâmica tradicional, se enquadra nas disposições da NESH relativas ao Capítulo 69 e que se classificam na posição 6907.90.00 pela aplicação das RGI1 (texto das posições e notas de Capítulo, incluindo a NESH) e da RGI6 (texto da subposição de primeiro nível), sendo a cozedura a característica fundamental que diferencia este produto dos classificáveis na posição 6810. Por fim, quanto à classificação fiscal, adoto, de forma complementar, os fundamentos do acórdão de primeira instância, conforme §1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Quanto à multa regulamentar lançada, acompanho a decisão de primeira instância, vez que a multa foi lançada em decorrência da classificação incorreta na NCM, informada pela recorrente quando do despacho aduaneiro, nos termos do artigo 84, inciso I, da MP n° 2.15835, de 2001, combinado, com os artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei n° 10.833, de 2003. 1 http://rulings.cbp.gov/index.asp, relativa à Aduana dos Estados Unidos (U.S. Customs and Border Protection), digitase “porcelain tile” em “search” e a página retorna algumas classificações denominadas “rulings”, 2 http://www.abntcatalogo.com.br/, consulta mediante "porcelanato", retornando a NBR 15.463. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11968.001033/200821 Acórdão n.º 3302002.526 S3C3T2 Fl. 651 26 A responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou da natureza do ato, sendo irrelevante a alegada diferenciação entre erro e divergência interpretativa, para efeito de subsunção do fato à regra de incidência da multa regulamentar, nos termos do art. 136 do CTN e art. 94, §2º do Decretolei nº 37, de 1966. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 651DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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