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Numero do processo: 11516.000902/2010-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2009
RECURSO. NÃO CONHECIMENTO.
É ônus da parte zelar pela escorreita formação do recurso voluntário. Não sendo inteligível e sem demonstrar as razões pelas quais a decisão recorrida merece ser reformada, não pode ser conhecido.
Numero da decisão: 2301-002.569
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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NÃO CONHECIMENTO. É ônus da parte zelar pela escorreita formação do recurso voluntário. Não sendo inteligível e sem demonstrar as razões pelas quais a decisão recorrida merece ser reformada, não pode ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Fl. 309DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Tratase de Auto de Infração nº 37.251.7510, o qual exige multa pela não entrega de documentos solicitados pela fiscalização, cuja fundamentação em encontrase assim descrita: Através do Termo de Intimação Fiscal n ° 4 TIF , d e 08/12/200 9 (fls . 9 5 a 11 6 d o Anexo I) , além de outros documentos e informações , foi solicitado para que o contribuinte apresentasse as originais dos documentos constantes dos anexos ao Termo, intitulados: Anexo XI Pagamentos a Bolsistas sem a apresentação de Contratos de Bolsas; Anexo XI I Pagamentos a Contribuintes Individuais ; Anexo XII I Direito Autoral Contratos. Através de correspondência de 17/12/200 9 o representante legal do contribuinte informa que á teria sido entregue os documentos dos Anexos XI e XII , informando ainda que caso fosse necessário nova apresentação requereria abertura de novo prazo par a exibição (fls . 11 7 do Anexo I) . O s documento s relativos a estes anexos XI , XI I (que e não o foram entregues na totalidade ) e do anexo o XII I foram reiterados no Termo de Intimação Fisca l n ° 05 , d e 15/01/201 0 (fls . 11 9 e 12 0 d o Anexo I). Quanto a o Anexo X I não fora m apresentados os recibos e contratos constantes do Demonstrativo I anexo; Do anexo XII, o contribuinte apresenta diversos documentos (planilha assinalada pelo mesmo às fl . 123/12 6 do Anexo I ) sendo que os documentos não apresentados consta do Demonstrativo II ; D o XIII , apresenta Termo de Convênio firmado com a CELESC e diversos termos firmados com os professores que lhes prestam serviços (relação às fls . 129/132 do Anexo I) , não apresentando os demais contrato s firmado s com a s empresa s (fls . 10 3 d o Anexo I) . O sujeito passivo apresentou sua impugnação alegando que entregou todos os documentos solicitados e que seria incabível a representação fiscal para fins penais. A DRJ de Florianópolis julgou improcedente a impugnação e manteve o lançamento. Objetivando a reforma da decisão a quo o sujeito passivo interpôs recurso voluntário a esse Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério Fl. 310DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.000902/201032 Acórdão n.º 2301002.569 S2C3T1 Fl. 3 3 Não conheço do recurso. Explico. Verificase às fl. 49 e 50 dos autos o recurso do autuado, o qual não traz os elementos necessários à impugnação da decisão recorrida. O recurso, em que pese iniciar com a titulação “I – DOS FATOS” nada descreve a respeito, seguindose diretamente para a conclusão de que o contribuinte teria agido de forma legal, sem sonegar tributos. Em suma o recurso é ininteligível, não demonstrando as razões pelas quais a decisão merece ser reformada. Aplicase, na espécie, por analogia, o artigo 295, inciso I do Código de Processo Civil, cuja redação é a seguinte: Art. 295. A petição inicial será indeferida: (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) I quando for inepta A regular formação do recurso é ônus imputado à parte, como vem reconhecendo a jurisprudência nacional: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART.544, § 1º, DO CPC. REDAÇÃO VIGENTE QUANDO DA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO. PETIÇÃO DO RECURSO ESPECIAL APÓCRIFA. VÍCIO INSANÁVEL.PROTOCOLO ILEGÍVEL. PROTOCOLO ILEGÍVEL. IMPOSSIBILIDADE DE SE AFERIR A TEMPESTIVIDADE. DEFICIÊNCIA NA FORMAÇÃO DO INSTRUMENTO. AGRAVO DESPROVIDO. I A regular formação do instrumento é ônus exclusivo da parte agravante, que deve zelar pela fiscalização e pelo correto processamento do agravo, instruindoo com cópias íntegras das peças elencadas no art. 544, § 1º, do CPC. II Recursos apócrifos dirigidos ao Superior Tribunal de Justiça são considerados inexistentes. III A ilegibilidade do protocolo do recurso especial obstaculizado, impossibilita a aferição de sua tempestividade. IV Agravo Regimental desprovido. (AgRg no Ag 1395156/PR, Rel. Ministro GILSON DIPP, QUINTA TURMA, julgado em 13/12/2011, DJe 19/12/2011) Ante o exposto, VOTO no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário, mantendose a decisão a quo tal como proferida. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 311DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 11444.000886/2007-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 Ementa: INCENTIVO FISCAL. OPÇÃO. INDEFERIMENTO. PERC. O inconformismo contra o indeferimento da opção pela aplicação em incentivos fiscais deve ser manifestado através do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), no prazo estabelecido pela legislação de regência. Não apresentado o PERC em tempo hábil, preclui o direito da interessada de questionar as razões que levaram ao indeferimento da opção. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: OPÇÃO PELA APLICAÇÃO EM INCENTIVOS FISCAIS DE PARTE DO IMPOSTO DEVIDO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTOS REALIZADOS. RECURSOS PRÓPRIOS. Rejeitada a oção pela aplicação de parcela do imposto devido em incentivos fiscais, os recolhimentos a esse título são considerados investimentos com recursos próprios no projeto, cabendo a exigência do imposto que deixou de ser recolhido.
Numero da decisão: 1402-001.115
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Carlos Pelá, que dava provimento.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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OPÇÃO. INDEFERIMENTO. PERC. O inconformismo contra o indeferimento da opção pela aplicação em incentivos fiscais deve ser manifestado através do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), no prazo estabelecido pela legislação de regência. Não apresentado o PERC em tempo hábil, preclui o direito da interessada de questionar as razões que levaram ao indeferimento da opção. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: OPÇÃO PELA APLICAÇÃO EM INCENTIVOS FISCAIS DE PARTE DO IMPOSTO DEVIDO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTOS REALIZADOS. RECURSOS PRÓPRIOS. Rejeitada a oção pela aplicação de parcela do imposto devido em incentivos fiscais, os recolhimentos a esse título são considerados investimentos com recursos próprios no projeto, cabendo a exigência do imposto que deixou de ser recolhido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Carlos Pelá, que dava provimento. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000886/200773 Acórdão n.º 1402001.115 S1C4T2 Fl. 2 2 LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000886/200773 Acórdão n.º 1402001.115 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Como resultado de ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, foi lavrado o auto de infração de fls. 0205, lançando, para o fato gerador ocorrido em 31/12/2002, crédito tributário de IRPJ correspondente a parcelas de aplicações no FINAM classificadas como recursos próprios. Sobre o crédito tributário apurado foi lançada multa de oficio (75%). Conforme descrito no referido auto de infração, apurouse, em procedimento de auditoria de revisão da declaração — imposto de renda pessoa jurídica, ano calendário de 2002, exercício de 2003, que o contribuinte recolheu DARF com código especifico para o FINAM (códigos 9032 e 9360), no montante de R$ 2.193.368,22. No processamento da opção Pelo investimento no FINAM, constatouse que o contribuinte tinha pendência fiscal, de modo que, com base na regra inscrita no art. 60 da Lei n° 9.069/1995, o incentivo pleiteado não foi reconhecido. Em conseqüência, foi emitido extrato, no qual constava a situação do contribuinte e a orientação para que fosse protocolizado Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), a fim de que o valor pleiteado classificado como recurso próprio não fosse exigido como imposto pago a menor. A ciência do referido extrato ocorreu em 14/12/2005, conforme AR de fl. 26. Porém, não houve apresentação de PERC até 30/06/2006, data limite para tanto, conforme previsto no ADE/CORAT n° 67/2005. Diante disso, concluiu a autoridade autuante que o direito ao incentivo fiscal pleiteado não foi reconhecido, razão pela qual os DARFs recolhidos com códigos de receita específicos para o FINAM foram reputados recursos próprios, de modo que foi necessário o lançamento do IRPJ pago a menor, no mesmo valor dos mencionados DARFs. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 104119, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: Argumenta o contribuinte que solicitou, no curso da ação fiscal, a apresentação de segunda via do suposto extrato emitido pela RFB, no qual constariam pendências fiscais que impediram o acolhimento dos incentivos fiscais (FINAM) pleiteados, requerendo, ainda, reabertura de prazo para apresentação de PERC. Afirma que essa solicitação não foi respondida, razão pela qual protocolou nova petição, insistindo nos termos da anterior, petição esta que foi novamente ignorada.. Diante disso, conclui que o auto de infração lavrado é nulo de pleno direito, não podendo irradiar seus regulares efeitos, pois foi desrespeitado o direito de petição, previsto no art. 5 0, XXXIV, "a", da Constituição Federal. Afirma que, após a ciência do auto de infração lavrado, protocolou, em 10/12/2007, novo pedido de esclarecimentos, dirigido ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Marilia/SP, alertandoo acerca das omissões ocorridas e insistindo no direito de obter as informações antes requeridas, bem como Fl. 226DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000886/200773 Acórdão n.º 1402001.115 S1C4T2 Fl. 4 4 solicitando a renovação de prazo e a suspensão sine die do prazo para impugnação. Em resposta, a autoridade apenas remeteu ao auto de infração lavrado, revelando ofensa ao direito de defesa, causa de nulidade absoluta do lançamento. No anocalendário de 2002, exercício de 2003, foi destinado ao FINAM o montante de R$ 2.193.368,22, por meio de diversos DARFs. A falta dos Certificados de Investimentos, mesmo após o transcurso do prazo de cinco anos das opções, impediu o exercício dos direitos a eles inerentes. 0 suposto extrato, onde constariam a situação do contribuinte e a orientação para que fosse protocolado PERC, não foi recebido. A época em que teria ocorrido a postagem do extrato (dezembro de 2005) coincidiu com as festividades de final do ano, não sendo desprezada a possibilidade de extravio. Ainda que se suponha o respectivo recebimento, tal documento jamais poderia ser enviado por correio e entregue a pessoa sem poderes para tanto. A prova de recebimento da intimação por via postal, prevista no art. 23, II, do Decreto n° 70.235/1972, corresponde à assinatura do AR por pessoa habilitada a receber intimação, representando a pessoa jurídica no ato. Na situação de que trata o presente processo administrativo, o AR relativo 6. comunicação do suposto extrato não foi Subscrito por pessoa com poderes para tanto, de modo que houve cerceamento ao direito de defesa. Também foi violado o § 30 do art. 26 da Lei n°9.784/1999, pois não foi assegurada a certeza da ciência do interessado. A intimação deve ser declarada ineficaz e, conseqüentemente, devem ser considerados nulos os atos administrativos posteriores, inclusive o auto de infração lavrado. A intimação por via postal sem as cautelas devidas afronta o principio da eficiência administrativa, bem como os princípios do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da publicidade, razão pela qual é nulo o auto de infração lavrado. A própria RFB estabeleceu, no art. 20 da IN RFB n° 568/2005, regras para representação de pessoa jurídica para com ela, não cabendo a qualquer pessoa fisica assumir a condição de responsável pela pessoa jurídica. Observando esta norma, o contribuinte elegeu como responsável perante o CNPJ o Sr. Shiro Nishimura, que exercia a função de DiretorPresidente. Segundo relatado no autor de infração, teriam sido apuradas pendências fiscais que, com base no art. 60 da Lei n° 9.069/1995, levaram ao não reconhecimento do incentivo fiscal pleiteado. No "detalhamento de ocorrências" são identificados como pendências o processo administrativo 13830000255/9928 e a declaração de débito 10000002004170073290. A luz do principio da verdade material, concluise que, independentemente de ter havido resposta ou não à intimação, os débitos mencionados não são impeditivos para o gozo do beneficio fiscal, pois não são exigíveis. 0 processo administrativo controla débito de CSLL discutido no processo n° 92.008400115, distribuído 6. 5' Vara da Justiça Federal em São Paulo, que se encontra aguardando julgamento do STF. Houve depósito judicial do débito nos autos da medida cautelar e 92.00796257, de modo que a respectiva exigibilidade está suspensa, nos termos do art. 151, II, do CTN. A declaração de débito 10000002004170073290 referese a débito do primeiro trimestre de 2004, de modo que não pode servir de motivação para o indeferimento de opção por beneficio fiscal manifestada em 2002, quando o suposto débito sequer existia. Além disso, o débito, que teve origem em DCTF retificadora, apresentada em 14/05/2004, foi recolhido em 16/01/2004. Por fim, pede a anulação do auto de infração lavrado e, caso assim não se entenda, requer o afastamento da multa, por ausência de dolo, fraude ou simulação. Em 20/02/2008, o impugnante protocolizou a petição de fls. 144145, pleiteando a juntada dos documentos de fls. 146148, nos quais consta: 1 extrato de Fl. 227DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000886/200773 Acórdão n.º 1402001.115 S1C4T2 Fl. 5 5 agendamento de pagamento, emitido pelo Banco do Brasil em 16/01/2004, no valor de R$ 495,71; 2 REDARF NET — Pedido de Retificação de Pagamento — DARF, recepcionado em 29/11/2005; 3 confirmação de recepção do "Pedido eletrônico de retificação n° 81f9.a4ed.440f. 8a5d". A Delegacia da Receita Federal de Julgamento prolatou o Acórdão 1435.723 negando provimento à impugnação, em decisão consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2002 AÇÃO FISCAL PROCEDIMENTO INQUISITÓRIO DIREITO DE DEFESA INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL PERC – PRECLUSÃO A ação fiscal 6, até a lavratura do auto de infração, procedimento inquisitório, razão pela qual não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa antes da ciência do lançamento. Reputase regular a intimação por via postal entregue comprovadamente (AR) no endereço informado pelo contribuinte à RFB para fins cadastrais. O prazo para apresentação de PERC, relativamente às opções de destinação do IRPJ do anocalendário de 2002 ao FINAM, esgotouse em 30/06/2006, conforme Ato Declaratório Executivo CORAT n° 67/2005. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorre a este Colegiado ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000886/200773 Acórdão n.º 1402001.115 S1C4T2 Fl. 6 6 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O recurso é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade, devendo ser conhecido. Na análise da peça recursal, questão preliminar e essencial a ser dirimida é a ocorrência ou não da preclusão em relação à possibilidade de comprovar a inexistência das pendências fiscais que implicaram na desconsideração da opção pela aplicação em incentivos fiscais exercida pela recorrente. Fazendose um histórico dos principais eventos que envolvem a questão tem se, de acordo com as informações constantes dos autos: • 14/12/2005 (AR) – Sujeito Passivo recebe extrato com situação fiscal e orientação para apresentação de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), tendo em vista rejeição da opção. Informouse que, se não apresentado o PERC, os valores destinados ao fundo seriam considerados recursos próprios o que implicaria na cobrança do imposto pago a menor • 30/06/2006 – Data limite para apresentação do PERC, nos termos do ADE/CORAT/67/2005; • 22/11/2007 – Formalização do processo 11442.000057/200719 com síntese do ocorrido, encaminhado ao setor competente para lançamento do crédito tributário, tendo em vista a não apresentação do PERC. • 23/11/2007 (AR) – Termo de Ciência e Solicitação de Documentos, cientificando que o valor pleiteado foi classificado como recursos próprios e seria exigido como imposto pago a menor, sendolhe concedido cinco (5) dias de prazo para manifestação e apresentação de documentos; • 29/11/2007 – Sujeito passivo manifestase no sentido de que não teria recebido o extrato e não teria conhecimento de seu conteúdo; • 30/11/2007 – Sujeito passivo peticiona requerendo emissão de novo extrato e a indicação dos débitos impeditivos do incentivo fiscal, para que pudesse exercer o direito de defesa.; • 07/12/2007 – Auto de Infração. Além da correspondência entregue em 14/12/2005, onde a interessada recebeu o extrato com situação fiscal acompanhado da informação quanto ao indeferimento da opção pelo incentivo, foi emitido termo em 23/11/2007 informandolhe da possibilidade de Fl. 229DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000886/200773 Acórdão n.º 1402001.115 S1C4T2 Fl. 7 7 autuação. Assim, a princípio não vislumbro nenhuma irregularidade formal no procedimento da autoridade administrativa, até a lavratura do auto de infração. Registrese ainda que a argüição da ausência de poderes do signatário do AR para representar a recorrente não se sustenta perante a jurisprudência deste Colegiado, representada pela Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Inexistindo vício formal nos atos administrativos que antecederam o lançamento de ofício, penso que a data de ciência da autuação representou o termo final para que a interessada demonstrasse a inexistência das pendências que motivaram o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal. Esse posicionamento não se justifica apenas pela não apresentação do PERC. Com base no princípio do formalismo moderado, qualquer manifestação da interessada voltada à demonstração da inexistência dos débitos apontados deveria ser analisada pela autoridade administrativa. Entretanto, as regras processuais estabelecem prazos a serem cumpridos pelos dois lados da relação jurídicotributária. Sob esse aspecto, apesar de cientificada das irregularidades, e das conseqüências da não regularização, a interessada limitouse a questionar o recebimento da intimação mas quedouse inerte no que se refere aos débitos, até que fosse lavrado o auto de infração. A meu ver, a questão da irregularidade fiscal foi encerrada com a autuação e tronouse preclusa a partir daquele momento. Não há como discutila no bojo destes autos. No que se refere à revogação dos §§ 6° e 7° do art. 4 ° da Lei n° 9.532/97, que não estariam mais em vigor quando da ocorrência do fato gerador, verificase que, na verdade, todo o mencionado art. 4° foi revogado pela MP n° 2.19914, de 24/08/2001. Se fosse aplicado o entendimento do sujeito passivo sequer poderia ser efetuada a opção pelo incentivo. pois o dispositivo em questão regulamentava tal prática. Ocorre que a revogação foi aplicada com ressalva, conforme registrado no texto da MP n° 2.19914/2001 transcrito na peça recursal. Nessa ressalva são mencionados dispositivos que mantém a eficácia do citado art. 4° nos casos de opção já exercida. Dessa forma, nos termos da legislação de regência, indeferida a opção pelo incentivo fiscal os valores recolhidos ao respectivo fundo são considerados como recursos próprios aplicados no projeto e cabe a exigência do imposto que deixou de ser recolhido. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 230DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000886/200773 Acórdão n.º 1402001.115 S1C4T2 Fl. 8 8 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 35254.002328/2005-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 30/11/2004 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONVÊNIO MÉDICO. HOSPITAL. MERO REPASSADOR DE HONORÁRIOS MÉDICOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Na hipótese de a entidade hospitalar se revestir da qualidade de mera repassadora dos honorários médicos será a responsável pelo pagamento da contribuição social previdenciária devida e pelo recolhimento da contribuição do segurado contribuinte individual a empresa que atua mediante plano ou seguro de saúde que pagou o segurado. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido Parcialmente
Numero da decisão: 2301-002.430
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas pela rubrica SCI, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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CONVÊNIO MÉDICO. HOSPITAL. MERO REPASSADOR DE HONORÁRIOS MÉDICOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Na hipótese de a entidade hospitalar se revestir da qualidade de mera repassadora dos honorários médicos será a responsável pelo pagamento da contribuição social previdenciária devida e pelo recolhimento da contribuição do segurado contribuinte individual a empresa que atua mediante plano ou seguro de saúde que pagou o segurado. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido Parcialmente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas pela rubrica SCI, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. EDITADO EM: 11/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35254002328200586 Acórdão n.º 2301002.430 S2C3T1 Fl. 662 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte, HOSPITAL DE CARIDADE DE ERECHIM, contra decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada, em que se considerou que a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, relativas aos honorários dos profissionais não credenciados nos planos de saúde, deve ser do hospital e não dos convênios, mantendose o crédito tributário lançado referente às contribuições devidas à Seguridade Social no período de 01/04/2003 a 30/11/2004. 2. Conforme o relatório fiscal, as contribuições têm como base de cálculo os valores pagos aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviço ao Hospital de Caridade Erechim. 3. Cumpre transcrever a ementa do julgamento administrativo de origem nos seguintes termos: “CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. TETO CONTRIBUTIVO A base de cálculo do contribuinte individual é a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo. O sujeito passivo na condição de responsável tributário, é a pessoa jurídica, ou a ela equiparada, a quem o segurado presta os serviços, sendo irrelevante para o feito a origem dos recursos e a que título de retribuição é paga. Inadmissibilidade de os médicos prestarem serviços diretamente a empresa de plano ou seguro de saúde quando não credenciados. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” 4. O contribuinte, por sua vez, interpôs recurso voluntário, alegando em suma: a) inviabilidade da alegação da Receita Federal de que, em razão do plano de saúde não possuir o cadastro do médico, atribuise a responsabilidade tributária ao Hospital; b) o Hospital não é fonte pagadora, mas apenas repassador de valores, enquanto não há quitação da fatura pelo convênio, o repasse não ocorre; c) profissional de saúde não credenciado que utiliza as dependências do hospital, na prática, tem o mesmo status de profissional credenciado e se o convênio não realizar os devidos descontos e retenções fiscais quando do Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 repasse dos valores, não deve presumirse como responsável tributário o Hospital. 5. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35254002328200586 Acórdão n.º 2301002.430 S2C3T1 Fl. 663 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DO MÉRITO 2. O relatório fiscal deixou expresso que o lançamento se deu em razão de dois levantamentos: “AUT – Valor da contribuição devida pelos contribuintes individuais que prestaram serviço ao Hospital de Caridade Herechim, informado na GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. SCI – Valor da Contribuição devida pelos contribuintes individuais que prestaram serviço ao contribuinte, não informado em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social.” 3. Alega o contribuinte que não há obrigatoriedade de recolhimento previdenciário quando se tratar de repasses de honorários médicos, posto que o Hospital não contrata os profissionais que não são credenciados pelo convênio e, neste caso, o convênio, ao autorizar o atendimento por profissional não credenciado, tem condições de formar um cadastro e efetuar os devidos descontos e retenções. Assim, o profissional de saúde não credenciado que utiliza as dependências do Hospital é contratado e pago pela mesma fonte pagadora, no caso o convênio, não havendo que se falar em presunção de responsabilidade tributária do Hospital. 4. Com efeito, considero válido o lançamento em relação à rubrica “AUT” que levantou valores de contribuintes individuais que prestaram serviço ao Hospital de Caridade Erechim, visto que foram informados pelo próprio contribuinte em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Até porque não há prova em contrário nos autos, que determine a retificação destes valores. 5. Contudo, encontro óbice no que tange aos valores relativos à rubrica “SCI”, que trata do valor da Contribuição devida pelos contribuintes individuais que prestaram serviço ao contribuinte, mas não informado em GFIP. 6. Compulsando a legislação, especificamente o art.286 e 287 da Instrução Normativa n.º 100/2003, vigente à época do lançamento, fica claro que, nos casos em que os valores forem pagos pelo atendimento pelo plano de saúde diretamente ao médico, mediante convênio, a retenção dos valores a título de contribuição previdenciária do profissional é de responsabilidade do plano de saúde. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 7. No entanto, quando não há convênio entre o médico e o plano de saúde, mas existe prestação de atendimento a paciente através de hospital conveniado ao plano de saúde, que efetua o pagamento de honorários médicos ao hospital independentemente do profissional ser conveniado, o hospital é responsável pela retenção e recolhimento dos valores da contribuição previdenciária devidos pelos prestadores dos serviços médicos. 8. Ocorre que no presente caso, a fiscalização não trouxe provas cabais no sentido de que tais valores configuramse remuneração paga aos médicos. Ao contrário, após analisar o caso ainda em primeira instância o julgador teve dúvidas quanto ao lançamento, no que resultou numa diligência para que o fiscal se manifestasse, dentre outras questões, no que diz respeito “à forma de prestação de serviço realizada pelos médicos cuja contribuição encontrase lançada na presente NFLD”. 9. A resposta fiscalista foi no sentido de inverter o ônus da prova ao deixar expresso na sua resposta que o contribuinte é quem teria que comprovar o vínculo do médico com o convênio. Vejamos trecho da resposta do agente autuador: “No presente caso, como o contribuinte não comprovou o vínculo do médico com o convênio e registrou os valores da remuneração na folha de pagamento de contribuinte individuais, entendemos que os valores que o hospital denomina de “repasses” são, na verdade remuneração ao profissional autônomo, mesmo que os recursos para o pagamento sejam provenientes de empresas que atue mediante plano de saúde”. (fl. 463) 10. Não é suficiente para sustentar o débito tal afirmação, ainda mais se considerado que o contribuinte procurou registrar os valores repassados aos médicos em conta contábil própria intitulada “serviços médicos a repassar, dentro do subgrupo de obrigações”. O que leva a crer que efetivamente o hospital simplesmente repassava os valores recebidos, a título de honorários médicos, dos convênios mantidos. 11. A contar com um indício de que o contribuinte estaria equivocado no enquadramento de determinada rubrica, sendo portanto, base para a incidência de contribuição previdenciária, deveria o fisco ao menos carrear aos autos provas no sentido do seu direito, o que não se percebe no presente caso. 12. Sendo assim, dou mais crédito ao afirmado pelo recorrente no sentido de que o hospital na verdade repassava valores relativos a honorários médicos, pagos por convênios médicos, o que não seria base de tributo, na forma determinada pelo fisco. 13. Tal posicionamento está em concordância com o art .286, da Instrução Normativa do INSS n.º 100/2003, verbis: Art. 286. A utilização das dependências ou dos serviços da empresa que atua na área da saúde, pelo médico ou profissional da saúde, para atendimento de seus clientes particulares ou conveniados, percebendo honorários diretamente desses clientes ou de operadora ou seguradora de saúde, inclusive do Sistema Único de Saúde (SUS), com quem mantenha contrato de credenciamento ou convênio, não gera qualquer encargo previdenciário para a empresa locatária ou cedente. . § 1º Na hipótese prevista no caput, a entidade hospitalar ou afim se reveste da qualidade de mera repassadora dos honorários, os quais não Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35254002328200586 Acórdão n.º 2301002.430 S2C3T1 Fl. 664 7 deverão constar em contas de resultado de sua escrituração contábil, sendo que o responsável pelo pagamento da contribuição social previdenciária devida pela empresa e pela arrecadação e recolhimento da contribuição do segurado contribuinte individual será, conforme o caso, o ente público integrante do SUS ou de outro sistema de saúde ou a empresa que atua mediante plano ou seguro de saúde que pagou diretamente o segurado. 14. Vejase que o próprio §2º do art. 286 exige a comprovação, pelo fisco, no sentido de que a entidade hospitalar não se reveste da qualidade de mera repassadora dos honorários, o que não se vê nos presentes autos. Eis o teor d o dispositivo: “§ 2° Se comprovado que a entidade hospitalar ou afim não se reveste da qualidade de mera repassadora, e for constatado que os honorários não constam em contas de receita e de despesa de sua escrituração contábil, promoverseá o arbitramento da base de cálculo das contribuições sociais devidas pela entidade e pelo contribuinte individual”. 15. Resta asseverar que o contribuinte não agiu de má fé, tanto que deixou registrado em sua contabilidade os valores. A fiscalização, ao contrário, não demonstra o seu direito e nem expressa argumentos sólidos para desqualificar o procedimento adotado pelo recorrente. 16. Nunca é demais falar que o art. 142 do CTN, no que diz respeito ao lançamento fiscal, deixa asseverado que “compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável”. 17. Sendo assim, o meu voto é pela procedência parcial do lançamento fiscal plasmado pelo fisco. CONCLUSÃO 18. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos acima delineados, mantendo o lançamento referente à rubrica AUT e excluindo o referente à rubrica SCI. É como voto. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 11080.915896/2008-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3101-000.212
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria, em converter o
julgamento do recurso em diligência à repartição de origem. Vencidos os conselheiros Corintho Oliveira Machado (relator) e Henrique Pinheiro Torres, que rejeitavam a preliminar de diligência. Designado redator para a resolução o conselheiro Tarásio Campelo Borges.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL 920 S3C1T1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento do recurso em diligência à repartição de origem. Vencidos os conselheiros Corintho Oliveira Machado (relator) e Henrique Pinheiro Torres, que rejeitavam a preliminar de diligência. Designado redator para a resolução o conselheiro Tarásio Campelo Borges. Henrique Pinheiro Torres Presidente Corintho Oliveira Machado Relator Tarásio Campelo Borges Redator Formalizado em: 04/03/2012 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 04/03/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.915896/200862 Resolução nº 310100.212 S3C1T1 73 _________ Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: O contribuinte acima identificado transmitiu, em 15/02/2005, pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI, cumulado com declaração de compensação (PER/DCOMP), no valor de R$ 10.054,27, apurado no 4º trimestre de 2004. Cópia do referido PER/DCOMP, de nº 27962.95407.150205.1.3.018576, foi juntada nas fls. 22/29. 2.A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, pelo Despacho Decisório Eletrônico da fl. 17, emitido em 24/11/2008, indeferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 677,50, e homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido, em razão da glosa de créditos considerados indevidos, e também da constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. 3.Dessa decisão o interessado foi cientificado em 05/12/2008 (cópia do Aviso de Recebimento na fl. 16). Irresignado, apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, fls. 02/04, firmada por procurador (instrumento de procuração na fl. 07), e instruída com os documentos das fls. 05/15, contra a decisão acima referida, alegando, em síntese, que houve erro no registro do CNPJ de fornecedor, constando o nº de inscrição da filial 0002, quando o correto seria informar o nº do CNPJ da matriz, que consta nas notas fiscais relacionadas na fl. 03 e anexadas nas fls. 09/15. Diz, ainda, que o engano formal, antes referido, não é motivo para a glosa dos créditos. Ao final, requer seja desconsiderada a glosa, bem como seja acolhido o pedido de compensação e o cancelamento do aviso de cobrança. 4.Pela Resolução nº 248, desta 3ª Turma de Julgamento, fl. 31/32, o julgamento foi convertido em diligência, solicitandose à DRF/Porto Alegre informações a respeito do ingresso e utilização dos produtos discriminados nas notas fiscais das fls. 09/15, e também de valores informados no PER/DCOMP. 4.1 Em resposta, informou a unidade jurisdicionante, pela Informação Fiscal da fl. 45, que houve ingresso dos produtos discriminados nas notas fiscais das fls. 09/15, que tais produtos foram utilizados no processo produtivo, e que o valor informado no PER/DCOMP como “outros débitos” referese a ressarcimento de créditos. A DRJ em PORTO ALEGRE/RS julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade e reconheceu o direito ao ressarcimento complementar/compensação em parte, ementando assim o acórdão: Fl. 88DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 04/03/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.915896/200862 Resolução nº 310100.212 S3C1T1 74 _________ Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI. Mantida a glosa de crédito de IPI decorrente da aquisição de produtos, quando não comprovado seu ingresso no estabelecimento do adquirente. Constatado erro no preenchimento do PER/DCOMP, que resultou no deferimento parcial do crédito pleiteado, cabível o reconhecimento do direito creditório complementar. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 52 e seguintes, onde após breve sumário do contencioso diz que no tocante ao valor de R$ 4.597,00, que restou não comprovado, traz aos autos cópias das notas fiscais, bem como cópia das páginas do livro fiscal onde estão registradas as referidas notas, o que comprova o crédito, logo não cabe a manutenção desta glosa. Ao final pede a procedência do recurso voluntário, para reconhecer o direito aos créditos pleiteados e, via de consequência, a homologação da compensação encetada. Após alguma tramitação, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 04/03/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.915896/200862 Resolução nº 310100.212 S3C1T1 75 _________ Voto Vencido Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Após a decisão de primeiro grau, ficou evidenciado que a não comprovação do registro das notas fiscais de fls. 12/15 no Livro Registro de Entradas foi substrato para a manutenção da glosa do crédito de IPI no valor de R$ 5.274,50, consoante tabela da decisão recorrida, fls. 49/50. Agora, em sede de recurso voluntário, a recorrente traz cópias de notas fiscais, bem como cópia das páginas do livro fiscal onde estão registradas as referidas notas, e requer o acatamento do seu crédito e via de consequência a homologação de sua compensação integralmente. Observase que os valores totais das glosas referidos pela decisão de primeira instância (R$ 5.274,50) e pela recorrente (R$ 4.597,00) não são os mesmos. Data venia do entendimento da ilustrada maioria de meus eminentes pares, penso que o expediente contém todos os elementos para o julgamento no estado em que se encontra, justamente por isso fui contrário à conversão do julgamento em diligência. Corintho Oliveira Machado Fl. 90DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 04/03/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.915896/200862 Resolução nº 310100.212 S3C1T1 76 _________ Voto Vencedor Conselheiro Tarásio Campelo Borges, Redator. Tratam os autos deste processo, conforme relatado, de pedido de ressarcimento de imposto sobre produtos industrializados (IPI) apurado no 4º trimestre de 2004, atrelado a declaração de compensação com débitos de natureza tributária administrados pela Receita Federal do Brasil. No julgamento de primeira instância, logo no primeiro parágrafo do voto condutor do acórdão, a falta de comprovação dos créditos relativos às notas fiscais de folhas 12 a 15 é o motivo do julgamento improcedente de parte da manifestação de inconformidade, senão vejamos: 5. Em relação às notas fiscais que tiveram o crédito de IPI glosado pelo motivo 4 (estabelecimento emitente da nota fiscal na situação de cancelado no cadastrado CNPJ), o contribuinte alega erro no registro do CNPJ do fornecedor e junta a 3 a via dessas notas fiscais nas fls. 09/15. Comprova, com a juntada de cópia do Livro Registro de Entradas (fls. 41/43), a escrituração das notas fiscais das fls. 09/11. Não houve comprovação em relação às notas fiscais das fls. 12/15. Todavia, no recurso voluntário, a ora recorrente alega que traz à colação documentos suficientes para a produção da prova então reclamada: fotocópias das folhas do livro registro de entradas nas quais escriturou as notas fiscais de folhas 12 a 15. Por outro lado, a despeito da obrigação da interessada em produzir a prova dos fatos alegados, também é dever da autoridade preparadora zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 29 [1], artigo 36 [2], inteligência do artigo 37 [3], artigo 38 [4] e artigo 39 [5]. 1 Lei 9.784, de 1999, artigo 29: As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. (§ 1o) O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. [...]. 2 Lei 9.784, de 1999, artigo 36: Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 3 Lei 9.784, de 1999, artigo 37: Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. 4 Lei 9.784, de 1999, artigo 38: O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. (§ 1o) Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. (§ 2o) Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. 5 Lei 9.784, de 1999, artigo 39: Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. (Parágrafo único) Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 04/03/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.915896/200862 Resolução nº 310100.212 S3C1T1 77 _________ Assim, com o objetivo de enriquecer a instrução dos autos deste processo, voto pela conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade competente emita juízo de valor acerca da alegada produção da prova reclamada na parte final do primeiro parágrafo do voto condutor do acórdão recorrido. Posteriormente, após facultar à recorrente oportunidade de manifestação quanto ao resultado da diligência, providenciar o retorno dos autos para este colegiado. Tarásio Campelo Borges Fl. 92DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 04/03/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10880.006573/2002-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 LUCRO REAL. DESPESAS. CONDIÇÕES PARA DEDUÇÃO. Despesas dedutíveis são aquelas necessárias à atividade da pessoa jurídica, relativas à efetiva contraprestação de algo recebido, corroboradas por documentação própria e devidamente registradas na contabilidade. OMISSÃO DE RECEITAS. Cabe à fiscalização descrever precisamente os fatos relativos à omissão de receitas atribuída à contribuinte e reunir os elementos de prova suficientes para a caracterização da infração. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Prejuízos fiscais de exercícios anteriores devem ser compensados na apuração do crédito tributário realizada de ofício.
Numero da decisão: 1103-000.637
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial para determinar (i) a exclusão da infração descrita como omissão de receitas/permuta de imóveis e (ii) as compensações de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL de exercícios anteriores com observância do limite legal de 30%.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2023; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 1 1 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.006573/200211 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 110300.637 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2012 Matéria IRPJ Recorrente Schahin Empreendimentos Imobiliários Ltda. Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997 LUCRO REAL. DESPESAS. CONDIÇÕES PARA DEDUÇÃO. Despesas dedutíveis são aquelas necessárias à atividade da pessoa jurídica, relativas à efetiva contraprestação de algo recebido, corroboradas por documentação própria e devidamente registradas na contabilidade. OMISSÃO DE RECEITAS. Cabe à fiscalização descrever precisamente os fatos relativos à omissão de receitas atribuída à contribuinte e reunir os elementos de prova suficientes para a caracterização da infração. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Prejuízos fiscais de exercícios anteriores devem ser compensados na apuração do crédito tributário realizada de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial para determinar (i) a exclusão da infração descrita como omissão de receitas/permuta de imóveis e (ii) as compensações de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL de exercícios anteriores com observância do limite legal de 30%. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.006573/200211 Acórdão n.º 110300.637 S1C1T3 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1613.381/2007 (fls. 316), da 1ª Turma da DRJ/São Paulo ISP, relativo a autos de infração de IRPJ – imposto de renda pessoa jurídica (fls. 93) e, como tributação reflexa, de CSLL – contribuição social sobre o lucro líquido (fls. 98), com imposição de multa de ofício no percentual de 75% previsto no art. 44, I, da Lei 9.430/96. As infrações motivadoras do lançamento tributário, relativo ao ano calendário 1997, e as razões de impugnação mereceram a seguinte descrição no relatório da decisão contestada: “2. Estorno de lançamento, registrado na conta de despesa no mês de dezembro de 1997, no valor de R$ 600.000,00. A fiscalização apurou origem do lançamento como sendo valor contabilizado em 1996 como receita de variação monetária, tendo contrapartida o débito na conta de “Faturas Outros Serviços – Assuntos Corporativos – Schahin Cury Engenharia e Comércio Ltda.” A fiscalização informa que a contribuinte foi intimada para justificar o lançamento em 20/03/2002, porém, não se pronunciou; 3. A contribuinte não considerou na base de cálculo dos meses de agosto e setembro de 1997, para efeito de imposto de renda, os valores de duas operações de permuta de imóveis, conforme registro contábil. Os valores apurados são R$ 2.206.000,00 e R$ 1.846.750,00. A fiscalização informa que a contribuinte intimada em 28/03/2001 não apresentou os documentos das operações citadas. 4. Em decorrência do apurado a fiscalização tributou o estorno realizado na conta de despesas como “Custos ou Despesas não Comprovadas – Glosas de Despesas” e como “Omissão de Receita” os valores das permutas. (...) 6. A Empresa, tempestivamente, apresentou impugnação protocolada em 11/07/2002 (fls.104 a 118), alegando basicamente o seguinte: OMISSÃO DE RECEITA 6.1. Informa que se dedica ao ramo imobiliário, realizando, entre outras atividades, permutas de bens imóveis. Porém, se enganou a fiscalização, pois, no presente caso não celebrou negócio jurídico de permuta; 6.2. Informa que adquiriu, da Construtora Boghosian Ltda., dois imóveis de matrículas nºs: 129.454 e 129.455, situados na Rua Tuim, Lote 3, Moema, São PauloSP. Informa, ainda, que “como a “Boghosian” era devedora de diversos credores, relativamente a outros negócios jurídicos por ela travados, a Impugnante ao celebrar o contrato de compra e venda, avençou que parte do pagamento seria destinada à quitação do montante remanescente de crédito a ser pago aos credores da vendedora, mediante subrogação”; 6.3. Alega que foi celebrada uma escritura de “Confissão de Dívida com Promessa de Dação em Pagamento”, onde foi acordado que a Impugnante entregaria aos credores, unidades autônomas do imóvel (apartamento), no Fl. 7DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.006573/200211 Acórdão n.º 110300.637 S1C1T3 Fl. 3 3 valor previamente ajustado de R$ 2.700.000,00. Foi firmada tal escritura com o Sr. José Ferreira de Paula Filho e outros credores (outorgados); 6.4. Alega que a fiscalização, ao proceder à revisão da declaração do imposto de renda, lançou os valores mencionados na conta de Lucros e Perdas e calculou diretamente IRPJ, como se referisse a lucro tributável. Destaca que a fiscalização considerou erroneamente como renda o que era custo, pois, os apartamentos foram entregues a título de pagamento da aquisição do imóvel (terreno); 6.5. Alega, ainda, que se houvesse na operação algum acréscimo patrimonial, teria que ser levado em conta os prejuízos fiscais existentes. Para demonstrar o impacto fiscal sobre a operação efetuada, anexa planilha descritiva, tomando por base o valor dos imóveis adquiridos, o custo das unidades autônomas de sua titularidade, o prejuízo fiscal acumulado e todas as outras receitas e despesas existentes no período. Destaca que a fiscalização lançou o IRPJ sobre o valor do imóvel adquirido, fazendo incidir o imposto sobre o custo, “que se encontra fora da regramatriz de incidência tributária do tributo”; 6.6. Quanto ao direito a Impugnante aborda detalhadamente os tópicos: “Do Fato Imponível do Imposto de Renda”; “A Apuração da Base de Cálculo Complexiva do Imposto de Renda”. GLOSA DE DESPESAS 6.7. No caso do estorno no valor de R$ 600.000,00 efetuado na conta de despesas, informa que “houve a contabilização equivocada de uma importância que, de fato, não correspondeu a receita alguma”. Informa que houve um erro contábil no exercício de 1996, anobase de 1995, quando foi registrada uma receita neste valor, sendo que não houve efetivamente a aquisição de receita, não houve ingresso de numerário; 6.8. Alega que no período em que foi contabilizada a receita, detinha prejuízos fiscais acumulados, que certamente deveriam ter sido levados em consideração para a apuração de eventual tributo devido.” A contribuinte apresentou os mesmos argumentos quanto à CSLL e se insurgiu também contra a utilização da taxa Selic para cálculo dos juros de mora. O TVE – termo de verificação e esclarecimento (fls. 89) contém detalhado relato do procedimento fiscal e das infrações identificadas. O órgão de primeira instância julgou procedente em parte o lançamento, assim resumindo a decisão: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997 OMISSÃO DE RECEITA Valores de Imóveis dados em pagamento de dívida e que não foram demonstrados os devidos registros contábeis da liquidação, acarreta o reconhecimento da receita para contrapor aos custos considerados no resultado. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.006573/200211 Acórdão n.º 110300.637 S1C1T3 Fl. 4 4 GLOSA DE DESPESAS Estorno de lançamento de receita de variação monetária referente a anocalendário anterior não pode reduzir o resultado do ano subseqüente. Cabe no caso a retificação da declaração do ano em que foi considerada a receita indevidamente. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREJUÍZOS DE PERÍODOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe a compensação de prejuízos fiscais apurados em períodos anteriores com lucro tributável apurado em lançamento de ofício, por referida compensação ser benefício fiscal que pode ser usufruído pelo contribuinte na apuração do lucro tributável antes de qualquer procedimento de ofício. TAXA SELIC. Efetuada a cobrança de juros de mora em perfeita consonância com a legislação vigente, não há base para retificar ou elidir os acréscimos legais lançados.” O acórdão adotado por maioria de votos determinou a dedução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL do exercício. O relator também concedeu as compensações de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL de exercícios anteriores na apuração dos valores exigidos nos autos de infração, mas foi vencido nesta parte. Cientificada da decisão em 11/07/2007 (fls. 322), a contribuinte interpôs o recurso no dia 10 do mês seguinte (fls. 347). Renovou as alegações expendidas na impugnação e destacou o seu direito à compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL. Juntou documentação. A declaração de rendimentos do exercício 1998 foi apresentada com apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL pelo regime do lucro real anual (fls. 14). É o relatório. Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator. O recurso foi tempestivamente apresentado por parte legítima além de reunir os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Afirmou a autoridade fiscal no TVE que a contribuinte se dedica à exploração do ramo imobiliário em geral, obtendo a maior parte das suas receitas da incorporação e venda de apartamentos em edifícios residenciais. A primeira irregularidade relacionada no auto de infração trata de omissão de receitas caracterizada pela ausência de inclusão na base tributável de valores contabilizados como permuta de imóveis. A recorrente alegou, em síntese, não ter realizado negócio jurídico de permuta, informando que os apartamentos foram entregues a título de pagamento do imóvel, Fl. 9DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.006573/200211 Acórdão n.º 110300.637 S1C1T3 Fl. 5 5 compondo, desta, forma, o seu custo de aquisição. A autoridade fiscal teria tributado erroneamente como renda o que seria custo. Constam dos autos, juntadas pela autoridade fiscal, escrituras lavradas pelo 3º Tabelionato de Notas de São Paulo relativas a confissão de dívida com promessa de dação em pagamento (fls. 131, 149 e 172), quitação de obrigação (fls. 159 e 168), hipoteca (fls. 163 e 182) e venda e compra, dação em pagamento e outras avenças (fls. 187). Os documentos mencionados no parágrafo anterior são suficientes para caracterizar a inexistência de receita auferida em relação à dação em pagamento, nada havendo a tributar nas operações descritas, envolvendo apenas itens do ativo da contribuinte, ao menos pelo que relatou a autoridade fiscal. Quanto à segunda infração, relativa a estorno de lançamento de receita de variação monetária realizado no ano anterior (1996) registrado em conta de despesa, vêse que a contribuinte não respondeu à intimação para comprovar a regularidade do lançamento contábil correspondente (fls. 83), segundo informado no TVE. Limitouse a afirmar, na impugnação e no recurso, não ter deduzido o valor como despesa sem comprovação, tendo em vista que o lançamento original caracterizaria um erro contábil, não correspondendo a ingresso de numerário. A longa e consolidada jurisprudência administrativa acolhe o entendimento de que custos e despesas são dedutíveis quando necessários à atividade da pessoa jurídica, relativos à contraprestação de algo recebido (efetividade), corroborados por documentação adequada (idônea) e regularmente registrados na contabilidade. Tratandose de itens redutores da base de cálculo tributável, cabe ao sujeito passivo comprovar a legitimidade do seu lançamento contábil. Segundo a prestigiosa orientação de Antônio da Silva Cabral1, “em processo fiscal predomina o princípio de que as afirmações sobre omissão de rendimentos devem ser provadas pelo fisco, enquanto as afirmações que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário competem ao contribuinte.” A contribuinte não logrou comprovar o suposto erro contábil, deve, portanto, ser mantida esta parcela do lançamento. Ademais, conforme bem lembrado na decisão contestada: “17. Mesmo que devidamente demonstrado o engano, deveria ser registrado contabilmente o estorno em conta de resultados acumulados e não no resultado do anocalendário de 1997. Quanto ao aspecto fiscal, deveria ter sido feito declaração retificadora, corrigindo o lucro real ou o prejuízo fiscal apurado. No caso de pagamento de imposto a maior deveria ser feita solicitação da restituição do imposto. Logo correto a glosa processada pela fiscalização.” A compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculos negativas de CSLL de exercícios anteriores, observado o limite legal de 30%, é matéria pacífica neste 1 “Processo Administrativo Fiscal”, São Paulo, Saraiva, 1993, pág. 298. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.006573/200211 Acórdão n.º 110300.637 S1C1T3 Fl. 6 6 Conselho e decorre de aplicação direta do comando do art. 142 do CTN, sendo atualmente já adotada pela própria fiscalização na lavratura do auto de infração. O entendimento referido acima se encontra bem representado na ementa do Acórdão nº 10194.386/2003, com o seguinte teor: “IRPJ. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Em procedimento de fiscalização, ao se constatar a existência de prejuízos fiscais acumulados a compensar, eles devem ser considerados, de ofício, limitados a trinta por cento do lucro real.” Conforme relatado, o processo também abrange auto de infração do tipo reflexo (CSLL). Nesse caso, a decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração decorrente ou reflexo, conforme entendimento amplamente consolidado na jurisprudência deste colegiado, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Conclusão Pelo exposto, dou provimento parcial ao recurso para determinar (i) a exclusão da infração descrita como omissão de receitas/permuta de imóveis e (ii) a realização das compensações de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL de exercícios anteriores com observância do limite legal de 30%. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 11DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11080.003244/2005-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
IRPF. GANHO DE CAPITAL. AQUISIÇÃO DE NOVOS BENS IMÓVEIS PELO CONTRIBUINTE MEDIANTE PERMUTA DE UNIDADES IMOBILIÁRIAS ACRESCIDA DO PAGAMENTO, PELO CONTRIBUINTE, DE TORNA . INEXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL.
Sendo certo que a alienação dos bens imóveis pelo contribuinte foram feitas mediante permuta por fração ideal de novo imóvel, sem o recebimento, de sua parte, de qualquer valor em espécie, mas, ao contrário, havendo pagamento de valor adicional para a aquisição dos novos bens, não há que se falar em ganho de capital. Havendo sido atribuída à fração ideal da nova
unidade imobiliária custo de aquisição idêntico àquele relativo ao bem permutado, eventual ganho de capital será aferido futuramente, quando da alienação do novo bem.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.751
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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GANHO DE CAPITAL. AQUISIÇÃO DE NOVOS BENS IMÓVEIS PELO CONTRIBUINTE MEDIANTE PERMUTA DE UNIDADES IMOBILIÁRIAS ACRESCIDA DO PAGAMENTO, PELO CONTRIBUINTE, DE TORNA . INEXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. Sendo certo que a alienação dos bens imóveis pelo contribuinte foram feitas mediante permuta por fração ideal de novo imóvel, sem o recebimento, de sua parte, de qualquer valor em espécie, mas, ao contrário, havendo pagamento de valor adicional para a aquisição dos novos bens, não há que se falar em ganho de capital. Havendo sido atribuída à fração ideal da nova unidade imobiliária custo de aquisição idêntico àquele relativo ao bem permutado, eventual ganho de capital será aferido futuramente, quando da alienação do novo bem. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente Fl. 70DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.003244/200531 Acórdão n.º 210101.751 S2C1T1 Fl. 68 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 51/61) interposto em 11 de maio de 2010 contra o acórdão de fls. 38/43, do qual o Recorrente teve ciência em 12 de abril de 2010 (fl. 46), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 03/06, lavrado em 28 de abril de 2005, em decorrência de omissão de ganhos de capital na alienação de bens imóveis, verificada no anocalendário de 2002. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Anocalendário: 2002 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. Tributase, à alíquota de quinze por cento, o ganho de capital correspondente à diferença positiva entre o valor da alienação e o respectivo valor do custo de aquisição do imóvel. PROVA DE ALIENAÇÃO DE BENS IMÓVEIS – ESCRITURA PÚBLICA A escritura pública de compra e venda é o instrumento formal previsto para a transmissão da propriedade de bem imóvel. GANHO DE CAPITAL — EXCLUSÃO — PERMUTA Sao excluídas da apuração do ganho de capital a permuta exclusivamente de unidades imobiliárias urbanas, objeto de escritura pública de permuta, sem recebimento de torna. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” (fl. 38). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso de fls. 51/61, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.003244/200531 Acórdão n.º 210101.751 S2C1T1 Fl. 69 3 Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. No que toca, propriamente, ao mérito recursal, verificase que o cerne da questão se volta a aferir, no caso concreto, a natureza das operações de alienação realizadas pelo contribuinte em relação a dois imóveis cedidos como parte no pagamento de preço na aquisição de unidades imobiliárias junto a terceiros, e, bem assim, dos efeitos tributários das operações em relação à apuração do imposto de renda. Em brevíssima síntese, discutese, nos presentes autos, (i) a natureza dos contratos celebrados pelo contribuinte na hipótese, por meio dos quais os imóveis teriam sido alienados, (ii) o conflito de provas existente nos autos em relação a um dos contratos, posteriormente objeto de escritura pública em favor de terceiro, e, por fim, (iii) a existência, ou não, de incidência de imposto de renda nas operações aferidas in casu. Quanto ao primeiro ponto referido, podese extrair, dos termos do relatório fiscal acostado às fls. 09/10, que aparentemente o Ilmo. Sr. auditor fiscal buscou dar uma conotação distinta do entendimento do contribuinte em relação à natureza das operações realizadas, afirmando que a cessão dos imóveis seria espécie de dação em pagamento, distinta do caso de permuta de unidades imobiliárias. No que atine a este primeiro aspecto, em que pese ao entendimento formalizado pela fiscalização, quernos parecer que houve uma confusão terminológica entre uma hipótese de adimplemento de obrigação, a saber, a dação em pagamento, e uma espécie típica de contrato, capitulada pelo Código Civil. De fato, compulsandose os termos do Código Civil, verificase que a dação em pagamento é hipótese prevista no Título III, do Livro I do codex (Parte Especial), denominada “Do Adimplemento e Extinção das Obrigações”. É dizer, tratase de genuína forma de extinção de obrigações existentes, mais especificamente do caso em que, de acordo com o art. 356 do CC/02, o credor “consentir em receber prestação diversa da que lhe é devida.” Ora, não é isto que ocorre in casu. Na realidade, a discussão existente concerne, precipuamente, à aferição da natureza jurídica dos contratos de promessa de compra e venda, celebrados junto a terceiros e acostados às fls. 14/15 e 17/25, não havendo qualquer informação de que referidos contratos seriam novações, ou, muito menos, que os imóveis tivessem sido oferecidos como forma de quitação de obrigação preexistente. Nesse diapasão, portanto, não há que se falar em dação em pagamento na hipótese, na medida em que a alienação não se amolda à referida espécie de adimplemento de obrigações. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.003244/200531 Acórdão n.º 210101.751 S2C1T1 Fl. 70 4 Feitas as precedentes ressalvas, cumpre perquirir se poderiam, os aludidos contratos, se enquadrar como hipótese genuína de negócio jurídico preliminar de compra e venda, tal como, aparentemente, teriam sido nomeados por comprador e vendedor. Também em relação a esse aspecto, verificase que o contrato não se amolda, perfeitamente, à figura de compra e venda, tal como capitulada no Código Civil, na medida em que referido negócio jurídico exige a formação de consenso mediante a assunção de obrigação, por um dos contratantes, de entregar o domínio de certa coisa mediante contraprestação em dinheiro. Nesse sentido, aliás, é o comando expresso do art. 481 do CC/02, in verbis: “Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagarlhe certo preço em dinheiro.” Com efeito, sendo certo que, em ambas as hipóteses, o contrato previu, desde o princípio, além da entrega de quantia em dinheiro, a conferência de imóveis como parte integrante do preço, em troca de fração ideal do imóvel adquirido, verificase que, quanto a esta parte, houve prestação e contraprestação típicas do contrato de permuta, também tipificado pelo Código Civil. De fato, como se sabe, a permuta é a troca de posições patrimoniais equivalentes. Como bem observam, à luz do direito italiano, Mariano D’Amelio e Enrico Finzi, tratase do contrato mais antigo e difundido no mundo, que tem por objeto a transferência recíproca de propriedade de bem ou direito, de um contratante a outro (“La permuta è il contratto che ha per oggetto il reciproco transferimento della proprietà di cose, o di altri diritti, da un contraente all’altro.” D’AMELIO, Mariano; FINZI, Enrico. Codice Civile: Livro delle Obbligazioni. v. II, parte I. Firenze: G. Barbèra. p. 142 e 145). De igual modo, Ludwig Enneccerus, que foi Conselheiro de Justiça e Professor da Universidade de Marburg, na Alemanha, identifica a permuta como a troca de um bem ou direito por outra contraprestação não pecuniária, também consistente em um bem ou direito. (“También en la permuta se promete una cosa o un derecho a cambio de una contraprestación, pero ésta no consiste en dinero, sino en otra cosa o en un derecho.” ENNECCERUS, Ludwig. Derecho de obligaciones. 2. ed. v. II, tomo II. Barcelona: Casa Editorial Bosch, 1966. p. 109). No direito brasileiro, Clóvis Beviláqua qualifica a troca ou permuta como “o contrato pelo qual as partes se obrigam a dar uma coisa por outra, que não seja dinheiro.” (BEVILÁQUA, Clóvis. Código Civil dos Estados Unidos do Brasil comentado. 10. ed. v. IV. São Paulo: Editora Paulo de Azevedo Ltda., 1955. p. 269). Outra não é a lição de Arnoldo Wald, para quem a troca ou permuta é “a transferência da propriedade do bem de um permutante ao outro e a simultânea transferência de outro bem do segundo ao primeiro” (WALD, Arnoldo. Direito civil: contratos em espécie, v. 3. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 47). Como se vê, a permuta é a mera troca de patrimônio, sendolhe a reciprocidade elemento essencial, por meio da qual cada contratante se obriga a entregar ao outro o bem ou direito que lhe pertence, alterandose as posições patrimoniais. Havendo uma permuta sem torna, o que há, na realidade, é a substituição de uma posição patrimonial por outra que se equivale, não havendo que se falar, nesse sentido, em acréscimo patrimonial. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.003244/200531 Acórdão n.º 210101.751 S2C1T1 Fl. 71 5 A configuração do ganho de capital, fato gerador do tributo em exame, dáse com a aquisição da disponibilidade jurídica da renda, sem que esta esteja relacionada à realização de uma condição posterior. Sobre o tema, vale transcrever o disposto pelo art. 128, §4º, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.º 3.000/1999): “Art. 128. O custo dos bens ou direitos adquiridos, a partir de 1º de janeiro de 1992 até 31 de dezembro de 1995, será o valor de aquisição (Lei nº 8.383, de 1991, art. 96, § 4º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 22, inciso I). (...) § 4º Nas operações de permuta com ou sem pagamento de torna, considerase custo de aquisição o valor do bem dado em permuta acrescido da torna paga, se for o caso. (...).” Da simples leitura do aludido dispositivo, depreendese que, em uma operação de permuta sem torna, deve ser mantido como custo de aquisição do bem recebido aquele a que correspondia o bem dado em permuta, o que demonstra não ter ocorrido ganho de capital com a celebração do contrato de permuta, sem torna. Nesse diapasão, o art. 121 do mesmo regulamento determina que, em uma operação de permuta, a incidência do imposto de renda se dará com relação ao ganho de capital apurado em decorrência da torna. Vejase: “Art. 121. Na determinação do ganho de capital, serão excluídas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 22, inciso III): I as transferências causa mortis e as doações em adiantamento da legítima, observado o disposto no art. 119; II a permuta exclusivamente de unidades imobiliárias, objeto de escritura pública, sem recebimento de parcela complementar em dinheiro, denominada torna, exceto no caso de imóvel rural com benfeitorias. § 1º Equiparamse a permuta as operações quitadas de compra e venda de terreno, seguidas de confissão de dívida e escritura pública de dação em pagamento de unidades imobiliárias construídas ou a construir. § 2º No caso de permuta com recebimento de torna, deverá ser apurado o ganho de capital apenas em relação à torna.” Sobre a matéria, há que se registrar, ainda, a Instrução Normativa n.º 107/88, a qual, ao dispor sobre permuta de imóveis, determina que a permuta sem torna não é operação apta à geração de acréscimo patrimonial. É o que se verifica do item 2.1.1 do referido ato normativo: “2. Permuta entre pessoas jurídicas 2.1 Na permuta entre pessoas jurídicas, tendo por objeto unidades imobiliárias prontas, serão observadas as normas constantes das divisões do presente subitem. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.003244/200531 Acórdão n.º 210101.751 S2C1T1 Fl. 72 6 2.1.1 No caso de permuta sem pagamento de torna, as permutantes não terão resultado a apurar, uma vez que cada pessoa jurídica atribuirá ao bem que receber o mesmo valor contábil do bem baixado em sua escrituração. 2.1.2 No caso de permuta com pagamento de torna, a permutante que receber a torna procederá pela forma indicada no subitem 1.5, devendo considerar como custo do bem recebido o valor contábil do bem dado em permuta, deduzido do custo atribuído a torna recebida ou a receber. Para a permutante que pagar ou prometer pagar a torna, o custo do bem adquirido será a soma do valor contábil do bem dado em permuta com o valor da torna. (...).” Nesse sentido, como se viu, a permuta pode ter por objeto tanto bens como direitos, não havendo que se falar, em qualquer dos casos, em acréscimo patrimonial, eis que não se verifica a realização do critério material da regra matriz do imposto sobre a renda. Em outras palavras, não se dá, com a permuta, a aquisição da disponibilidade jurídica de renda. Referido entendimento é também corroborado por outro Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, de n.º 452/92, no qual se reconheceu que “a desoneração tributária na permuta não é um privilégio, e sim o reconhecimento de não incidência da regra de tributação.” E mais adiante, ao se tratar do momento de incidência da regramatriz do imposto sobre a renda, é contundente a conclusão de aludido parecer acerca da não incidência do tributo na permuta, sob pena de violação do próprio patrimônio do contribuinte: “O momento do fato gerador do imposto sobre maisvalia é o da alienação do bem por um preço que ultrapasse a reposição do capital, realizandose só neste momento o ganho de capital. Ora, como bem acentuou Pontes de Miranda na troca há correspectividade sem preço, porque os figurantes da relação jurídica não entram com dinheiro, conseqüentemente inexiste fato gerador do tributo. Poderseia dizer, no caso da permuta, sem torna de dinheiro, que o momento da incidência seria diferido no tempo. Criarse, fictamente, na permuta de bens, um ganho de capital é violar o próprio patrimônio. A sua tributação configuraria, por conseguinte, imposto sobre a propriedade e não sobre a renda e proventos de qualquer natureza.” Também esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem acolhendo o entendimento acerca da inexistência de ganho de capital nos casos de permuta entre bens ou direitos sem torna, independentemente da natureza desses. É o que se depreende de trecho do Acórdão n.º 10247.844, da então 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: “Essa Câmara firmou entendimento majoritário que não incide ganho de capital na permuta de bens, seja qual for a natureza desses (terrenos, participações societárias, veículos, etc.), conforme Acórdão n.º 10247.681, proferido na sessão de 22/06/2006. Entendeu o Colegiado que na operação de permuta não há acréscimo patrimonial do contribuinte; logo a não incidência do ganho de capital não poderia ser restrita às operações entre imóveis mediante escritura pública de permuta.” (1º Conselho de Contribuinte, 2ª Câmara, RV 141.114, Relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, sessão de 17/08/2006) Como se vê, não se está a tratar de um incentivo instituído pelo legislador, mas da própria não incidência da regra de tributação em decorrência da sistemática estabelecida pelo legislador constitucional e infraconstitucional em relação ao imposto sobre a Fl. 75DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.003244/200531 Acórdão n.º 210101.751 S2C1T1 Fl. 73 7 renda. Por essa razão específica, portanto, podese inferir, desde já, que a exigência de escritura pública definitiva não constitui requisito sine qua non para a verificação da não incidência do imposto. De fato, muito embora alguns dispositivos legais colacionados versem a respeito da comprovação das operações mediante apresentação de escritura pública definitiva, fato é que referida prova, ainda que seja a mais comum no âmbito cível, não é a única que poderia ser produzida para fins de comprovação da alienação ocorrida, bem como de seus regulares efeitos tributários. Semelhantemente, aliás, vale ressaltar que este egrégio órgão judicante vem conferindo temperamentos à exigência de apresentação da escritura pública para comprovar a veracidade de contrato particular, mormente nas hipóteses em que as informações contidas no negócio jurídico estejam respaldadas nas declarações de ajuste apresentadas, conforme se pode inferir do seguinte julgado: “ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DE BENS IMÓVEIS. CONTRATO PARTICULAR. O contrato particular é suficiente para comprovar o custo de aquisição de bens imóveis, ainda que na escritura pública, conste valor divergente, mormente se tal valor encontrase consignado na Declaração de Ajuste Anual, apresentada tempestivamente pelo adquirente, e na documentação contábil do alienante. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. "DINHEIRO EM CAIXA". Os valores declarados como "dinheiro em caixa" e outras rubricas semelhantes não servem para justificar acréscimos patrimoniais, salvo prova inconteste de sua existência no término do anocalendário. Recurso parcialmente provido. “ (Primeiro Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Acórdão n.º 10249.250, relatora Conselheira Núbia Matos Moura, sessão de 10/09/2008) Nesse esteio, sendo certo que a fiscalização considerou as informações contidas nos contratos para a lavratura do auto de infração, especialmente em relação ao valor atribuído ao imóvel alienado como parte integrante na aquisição dos novos bens imobiliários, entendo que os demais aspectos apresentados no negócio jurídico deveriam ter sido admitidos in casu, independentemente da existência ou não de escritura pública em sentido idêntico. De mais a mais, todas as informações contidas no instrumento particular foram respaldadas na declaração de ajuste entregue à Receita Federal do Brasil, não havendo motivo para negar fé ao documento, ainda que, em relação ao imóvel localizado em Imbé tenha sido, em escritura pública, conferido a terceiro beneficiário por procurador (Sr. Nivaldo) representante de ambas as partes, comprador e vendedor. Em síntese, verificandose que a aquisição de fração ideal das novas unidades imobiliárias, devidamente declaradas pelo contribuinte, in casu, foi feita mediante permuta com bens imóveis declarados pelo Recorrente, sem o recebimento, por parte deste, de qualquer valor adicional, mas, ao contrário, mediante o complemento do pagamento dos novos bens em dinheiro (torna), verificase a total correção do entendimento do contribuinte, não havendo que se falar em incidência do imposto de renda. Quanto a este aspecto, é válido frisar que o Recorrente atribuiu, corretamente, o custo de aquisição dos novos bens imobiliários, registrando na DIRPF a fração ideal Fl. 76DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.003244/200531 Acórdão n.º 210101.751 S2C1T1 Fl. 74 8 adquirida por permuta pelo mesmo valor em que previsto, nos anoscalendários anteriores, o custo do bem permutado, valor este acrescido da torna paga em relação a ambos os contratos questionados. Há que se notar, no tocante a este ponto, que o valor atribuído ao imóvel alienado em permuta, tal como consta no contrato, em nada influi para a apuração do ganho de capital, como parece ter entendido a fiscalização. De fato, compulsandose os termos da legislação relativa à apuração do ganho de capital, o ganho de capital incide, apenas, sobre o valor da torna recebida (no caso do outro alienante, não do contribuinte), de modo que os custos de aquisição dos imóveis cedidos em permuta deverão contemplar, no caso do contribuinte, o custo originário do bem cedido acrescido da torna, e, no caso do outro contratante, o custo originário do seu bem (também cedido em permuta) diminuído da diferença entre a torna recebida e o valor do ganho de capital sobre ela incidente. Nesse sentido, cumpre colacionar o disposto pela IN 84/01, in verbis: “Art. 12.Considerase custo de aquisição de imóvel adquirido por permuta com outro imóvel, o valor do imóvel dado em permuta: I acrescido da torna paga, se for o caso; II diminuído do valor correspondente à diferença entre a torna recebida e o ganho de capital relativo a essa torna, apurado na forma do art. 23.” Em outras palavras, mesmo que o contribuinte tenha obtido valorização dos seus imóveis na troca, cedendoos com valor econômico superior àquele registrado em sua DIRPF (no 1º caso cedeu pelo valor de R$ 80.000,00 bem registrado com custo de aquisição de R$ 39,628,70, e no 2º caso cedeu imóveis pelo montante de R$ 270.000,00, anteriormente avaliados em R$ 157.323,23), em nada influi no custo de aquisição do outro contratante, na medida em que este avaliará os imóveis adquiridos do contribuinte pelo valor dos seus bens permutados, decrescidos da diferença entre a torna recebida e o ganho de capital. Apenas para ilustrar o exposto, muito embora não tenhamos dados acerca do custo de aquisição (“C.A.”) dos imóveis adquiridos pelo contribuinte, junto ao outro contratante, podemos imaginar que, no primeiro caso, o bem permutado por este possuísse um custo de aquisição de R$ 100.000,00. Neste caso, teríamos a seguinte situação: Recorrente C.A. do seu imóvel: R$ 39.628,70 C.A. do imóvel adquirido: 39.628,70 + 112.500,00 (torna) Novo custo de aquisição: R$ 152.128,70 Outro contratante C.A. do seu imóvel: R$ 100.000,00 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.003244/200531 Acórdão n.º 210101.751 S2C1T1 Fl. 75 9 C.A. do imóvel adquirido: 100.000 (C.A. do seu imóvel) – (112.500 – ganho de capital [vide art. 23 da IN 84/01]) = 100.000 – (112.500 – 59.625) = 47.125 Novo custo de aquisição: R$ 47.125,00 Como se verifica, portanto, a forma de cálculo do custo de aquisição, bem como do próprio ganho de capital, leva em consideração o valor da torna (paga ou recebida) e o custo de aquisição dos respectivos imóveis cedidos. Por esta razão precípua, quer parecer a este julgador que a fiscalização andou mal ao lavrar o auto de infração, na medida em que, tratando se de permuta, deveria ter observado o regime específico existente na legislação. Desta forma, verificandose que não houve, na hipótese, qualquer acréscimo patrimonial, na medida em que os bens alienados foram objeto de permuta por parte do contribuinte por fração ideal de novas unidades imobiliárias, sem o recebimento de qualquer outro valor adicional em espécie, não há que se falar em ganho de capital. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 78DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10469.903107/2008-23
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Exercício: 2005, 2006
Ementa: IRPJ. CSLL. SALDOS NEGATIVOS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO FORMULADO VIA PER/DCOMP. INCORREÇÃO MATERIAL. INTIMAÇÃO PARA RETIFICAÇÃO. RETIFICAÇÃO INCORRETA. INOBSERVÂNCIA DAS REGRAS PERTINENTES.
Tendo em vista que o indeferimento do pedido de compensação formalizado pela Recorrente pelo sistema PER/DCOMP se deu por deficiência no preenchimento do pedido (indicação incorreta do saldo negativo a compensar) e, tendo sido intimado pela Secretaria da Receita Federal para retificar o pedido, fê-lo
de forma incorreta, acrescentando novos débitos a
compensar, inobservando a existência de norma expressa em sentido
contrário, não há amparo para acolhimento da pretensão de reforma da
decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento.
Recurso voluntário conhecido e desprovido.
Numero da decisão: 1103-000.687
Decisão: Acordam os membros do colegiado, NEGAR provimento por unanimidade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: HUGO CORREIA SOTERO
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CSLL. SALDOS NEGATIVOS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO FORMULADO VIA PER/DCOMP. INCORREÇÃO MATERIAL. INTIMAÇÃO PARA RETIFICAÇÃO. RETIFICAÇÃO INCORRETA. INOBSERVÂNCIA DAS REGRAS PERTINENTES. Tendo em vista que o indeferimento do pedido de compensação formalizado pela Recorrente pelo sistema PER/DCOMP se deu por deficiência no preenchimento do pedido (indicação incorreta do saldo negativo a compensar) e, tendo sido intimado pela Secretaria da Receita Federal para retificar o pedido, fêlo de forma incorreta, acrescentando novos débitos a compensar, inobservando a existência de norma expressa em sentido contrário, não há amparo para acolhimento da pretensão de reforma da decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento. Recurso voluntário conhecido e desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, NEGAR provimento por unanimidade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. HUGO CORREIA SOTERO Relator. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA 2 EDITADO EM: 08/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva e Hugo Correia Sotero. Relatório A Recorrente apresentou declaração de compensação (PER/DCOMP nº. 30145.95960.190307.1.7.033512) com vistas à quitação de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, indicando, para tanto, a existência de crédito pertinente a saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), apurado no exercício de 2006, anocalendário 2005. A compensação foi indeferida (nãohomologada) pela Delegacia da Receita Federal de Natal (RN) sob o argumento de ser impossível confirmar a existência do crédito indicado, dado que o valor do saldo negativo de CSLL informado na DIPJ (R$ 30.283,43) não correspondia ao valor indicado na declaração de compensação (R$ 39.200,16). O Despacho Decisório de indeferimento da compensação (fl. 1) tem o seguinte teor: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), não correspondia ao valor do saldo negativo informado em PER/DCOMP.” Em face do Despacho Decisório apresentou a contribuinte manifestação de inconformidade (fls. 4/5), alegando ter feito PER/DCOMP retificadora (5801) em 24/09/2007, conforme recibo de fl. 9, cujo valor do crédito declarado foi de R$ 30.283,43, coincidente com aquele informado na DIPJ. Alega ainda ter feito três outros PER/DCOMP retificadores, a de número 9906, que foi retificada pela de número 3512, esta última retificada pela de número 5801, sendo que, ao fazer a retificação através da PER/DCOMP nº. 3512, houve mensagem de erro porque o programa somente aceitaria retificação do PER/DCOMP original (9906) e ao tentar o cancelamento do PER/DCOMP nº. 3512 o programa não aceitou o cancelamento. A manifestação de inconformidade foi indeferida pela Delegacia de Julgamento de Recife (PE) por decisão assim ementada: “Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10469.903107/200823 Acórdão n.º 110300.687 S1C1T3 Fl. 2 3 Direito Creditório não Reconhecido.” Da decisão se extrai: “O contribuinte, por sua vez, alega ter cometido um erro no preenchimento do PER/DCOMP quanto ao valor do crédito e ter feito PER/DCOMP retificador informando como crédito o valor do saldo negativo de CSLL declarado na DIPJ anocalendário 2005. O PER/DCOMP de nº. 12469.64891.240907.1.7.035801 apresentado para retificar o PER/DCOMP que originou o Despacho Decisório questionado, não foi admitido em razão de constar novo débito na retificadora, documento à fl. 80. Portanto, não surtiu o efeito desejado de alterar o saldo negativo de CSLL, crédito constante da DCOMP. ... A retificação de DCOMP só tem cabimento nos casos de inexatidão material, e enquanto pendente de decisão administrativa, com base nos artigos retrotranscritos. A retificadora apresentada não foi aceita em razão do contribuinte ter declarado novo valor de débito, em desacordo o art. 59 acima referido. Na hipótese de compensação de novo débito cabe ao sujeito passivo apresentar à Receita Federal nova Declaração de Compensação. Consta ainda dos autos que houve intimação prévia ao ato de não homologação, alertando à contribuinte sobre a inconsistência encontrada e orientandoa a proceder à retificação da DIPJ ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando o valor correto do saldo negativo da CSLL apurado no período. ... Registrese que o procedimento de compensação é efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal, quanto do contribuinte. Por um lado corre contra a administração o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, de outro lado pesa sobre o contribuinte a exatidão dos valores informados, visto que, uma vez analisada a DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo.” Contra a decisão interpôs a contribuinte o recurso voluntário de fls. 114/115, reproduzindo as razões expendidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 368DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA 4 Hugo Correia Sotero Relator Recurso tempestivo. Preenchidos os requisitos de admissibilidade. A questão submetida à apreciação deste Conselho versa sobre a admissibilidade do reconhecimento de declaração de compensação, através do sistema PER/DCOMP, que contenha inconsistência não sanada pelo contribuinte. Como se observa, o contribuinte apresentou declaração de compensação da qual constava valor de saldo negativo de CSLL incompatível com aquele lançado na DIPJ, divergência esta que redundou no indeferimento do pedido de compensação. Defende a Recorrente ter efetuado a retificação da declaração de compensação para fins de compatibilização das informações com aquelas lançadas na DIPJ, sendo que a retificação não foi aceita pelo sistema eletrônico (PER/DCOMP) da Receita Federal. Como ressalta a decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento, “o PER/DCOMP de nº. 12469.64891.240907.1.7.035801 apresentado para retificar o PER/DCOMP que originou o Despacho Decisório questionado, não foi admitido em razão de constar novo débito na retificadora”, não surtindo, portanto “o efeito desejado de alterar o saldo negativo de CSLL, crédito constante da DCOMP”. Para além, consigna a decisão vergastada constar dos autos “que houve intimação prévia ao ato de não homologação, alertando à contribuinte sobre a inconsistência encontrada e orientandoa a proceder à retificação da DIPJ ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando o valor correto do saldo negativo da CSLL apurado no período”. Ainda que me incline, em todas as oportunidades, a prestigiar o princípio da verdade real, no caso o indeferimento do pedido de compensação formalizado pela Recorrente pelo sistema PER/DCOMP se deu por deficiência no preenchimento do pedido (indicação incorreta do valor do saldo negativo a compensar) e, tendo sido intimado pela Secretaria da Receita Federal para retificar o pedido, fêlo de forma incorreta, acrescentando novos débitos a compensar, inobservando a existência de norma expressa em sentido contrário (Instrução Normativa nº. 600/2008, art. 59). Nesse sentido, considerando que o indeferimento do pedido de compensação decorreu de falha exclusiva do contribuinte, que mesmo intimado a retificar o pedido o fez de forma incorreta e inobservando a legislação pertinente, conheço do recurso voluntário para negarlhe provimento. Hugo Correia Sotero Relator Fl. 369DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10469.903107/200823 Acórdão n.º 110300.687 S1C1T3 Fl. 3 5 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 15540.000005/2009-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE 1 A. INSTANCIA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da decisão de 1 a. instancia que enfrenta todas as matérias impugnadas e indefere justificadamente pedido de perícia. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Caracterizam-se como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados na operação. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. TRIBUTOS NÃO CONFESSADOS. LANÇAMENTO DE OFICIO. Verificada insuficiência de recolhimentos, diferenças essas que também não foram confessadas em DCTF, correto o Lançamento de Ofício com a respectiva multa pela infração. MULTA QUALIFICADA. Incabível a exigência de multa qualificada caso não consubstanciada a fraude, mormente quando a exigência é calcada unicamente em presunção legal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.982
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE 1A. INSTANCIA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da decisão de 1a. instancia que enfrenta todas as matérias impugnadas e indefere justificadamente pedido de perícia. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados na operação. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. TRIBUTOS NÃO CONFESSADOS. LANÇAMENTO DE OFICIO. Verificada insuficiência de recolhimentos, diferenças essas que também não foram confessadas em DCTF, correto o Lançamento de Ofício com a respectiva multa pela infração. MULTA QUALIFICADA. Incabível a exigência de multa qualificada caso não consubstanciada a fraude, mormente quando a exigência é calcada unicamente em presunção legal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 140200.982 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório COBRAR ASSESSORIA EM COBRANCA LTDA. recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase de auto de infração lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Niterói/RJ (fls. 01/546), o qual foi cientificado ao interessado em 28/01/2009 (fl. 546), optante pelo Simples, para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) de R$ 25.072,11, Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) de R$ 25.072,11, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 41.292,72, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 82.675,42, Contribuição para Seguridade Social (INSS) de R$ 163.873,40 e acréscimos legais, totalizando o crédito tributário de R$ 1.025.601,18 (fls. 2 e 546). 2 O interessado foi cientificado do Termo de Início de Fiscalização em 06/09/2007 (fl. 198). No curso do procedimento fiscal, a autoridade administrativa lançadora, conforme relatado no Termo de Esclarecimentos e de Conclusão Parcial de Auditoria Fiscal (fls. 13/21) e na descrição dos fatos do auto de infração, apurou as seguintes irregularidades: 3 I – Omissão de Receitas – Receitas não escrituradas: decorrente de depósitos efetuados em contacorrente cuja origem não foi comprovada. 4 II – Insuficiência de Recolhimento: decorrente da mudança de percentual aplicado sobre a receita bruta acumulada, base de cálculo do Simples, em razão da Fl. 660DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 140200.982 S1C4T2 Fl. 0 3 omissão de receita apurada na infração I, conforme consta no “Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis sobre a Receita Bruta” (fl. 56/57) e “Demonstrativo de Apuração dos Valores não Recolhidos” (fls. 58/63). 5 Período de apuração: anocalendário 2004. 6 Em decorrência das infrações acima, foram lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS. 7 O enquadramento legal encontrase descrito no auto de infração e no Termo de Esclarecimentos e de Conclusão Parcial de Auditoria Fiscal (fls. 13/21). 8 No sobredito termo, a autoridade lançadora, depois de relatar dificuldades iniciais em localizar o interessado no endereço constante no CNPJ, informou que, devidamente intimado, o interessado não apresentou qualquer documentação (demonstrativo, contratos, recibos, duplicatas, notas fiscais) que justificasse o fato de ter registrado valores correspondentes à receita de prestação de serviço, no valor declarado de R$ 190.449,67, abaixo do total de créditos movimentados em conta corrente mantida no Bradesco, no montante de R$ 3.640.226,16, já expurgados todos os valores referentes a empréstimo contraídos, estornos, devoluções de CPMF, transferências de mesma titularidade (fl. 18). 9 Afirma, também, que os débitos constantes dos extratos bancários não mantém correlação com os créditos em magnitude embora o interessado tenha alegado que os valores dos recebimentos, deduzidos dos honorários da prestação de serviços de cobrança, tenham sido repassados aos seus clientes e, desta forma, não permitem concluir que os créditos não representam receitas operacionais ou valores de origem não comprovada. 10 A autoridade lançadora assevera, ainda, que o interessado não apresentou quaisquer documentos referentes aos serviços supostamente prestados, que no livro Diário não há registros de clientes, fornecedores, número de documentação fiscal e que os registros de movimentação bancária não contém identificação do serviço prestado ou da despesa incorrida. 11 Registra, no termo em comento, que foi procedida a exclusão do interessado do Simples, por meio do Ato Declaratório Executivo nº 04, de 27 de janeiro de 2009, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2005, em face de a receita bruta ter ultrapassado o limite permitido para permanência nesse sistema, conforme processo administrativo n º 15540.000005/200949 em anexo. 12 Por fim, esclarece a autoridade lançadora que foi exigida multa de 150% “em razão de o contribuinte ter mantido à margem da base de cálculo do IRPJ devido, bem como das contribuições, expressivos valores, o que deixa clara a intenção dolosa da Autuada, caracterizada por sonegação fiscal”, além de manter o “registro cadastral de domicílio fiscal, ..., em endereço meramente de fachada, o que demonstra a clara e inequívoca intenção em dificultar a ação da Fiscalização, com fito de não ver descoberta a burla à legislação tributária.”. 13 O interessado, cientificado em 28/01/2009, apresentou impugnação tempestivamente, em 26/02/2009, cujos principais argumentos estão sintetizados a seguir (fls. 552/556): 14 o lançamento identificou os depósitos bancários “não só com a receita, mas com o resultado e lançou sobre eles os tributos devidos”; Fl. 661DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 140200.982 S1C4T2 Fl. 0 4 15 deve ser excluído o auto relativo à cobrança das contribuições previdenciárias; 16 “É impossível data vênia, considerar que a empresa está sujeita ao regime SIMPLES (e, portanto, tem as contribuições previdenciárias calculadas sobre o faturamento) e adicionalmente que deve ser excluída deste enquadramento por auferir receita superior ao limite global.”; 17 as contribuições previdenciárias não são calculadas sobre o faturamento, e sim, sobre a folha de pagamento, quando “a empresa não é considerada como enquadrada no regime SIMPLES”; 18 a empresa opera na atividade de cobrança, isto é, recebe títulos de crédito por conta e ordem de terceiros e procede as providências necessárias para sua liquidação; 19 há diferenças entre o total do depósito bancário realizado pelo devedor em pagamento do crédito de terceiros, a receita auferida pelo interessado e o lucro; 20 a autoridade lançadora considerou estes três itens como equivalentes “e identificou os depósitos bancários com receita e com o lucro, prática que evidentemente não pode substituir, até porque existem práticas de “reapresentação” de cheques que neste caso foram considerados duas ou mesmo três vezes.”; 21 “A suplicante junta a presente os demonstrativos, que de modo inequívoco atestam esta diferença e provam a improcedência do auto”; 22 “Tendo o lançamento desconsiderado os dados da contabilidade e resultado impõese que se realize a perícia contraditória indispensável para apuração da matéria de fato.”; 23 “A prova é indispensável para que não exista dúvida sobre a matéria de fato e se apure o valor efetivo da receita e do lucro”; 24 o auto “deixou de lado os valores lançados na contabilidade por considerálos imprestáveis para apuração do resultado”, mesmo desta forma, “não se poderia identificar a receita bruta com lucro”, “caberia arbitrar o resultado, usando a regra do art. 532 do RIR"; 25 o lucro deve ser recomposto por perícia (resultado real considerando de custos e despesas) ou por arbitramento (9,6% da receita, base de cálculo adotada para o lançamento) e não a totalidade dos ingressos financeiros; 26 os lançamentos de PIS e de COFINS têm amparo na Lei 9.718, de 1998, que alterou a base de cálculo para incluir nela a totalidade das receitas e não apenas o faturamento, foi julgada inconstitucional em reiterada jurisprudência do E. STF, por ter sido editada antes da Emenda Constitucional nº 20; 27 “A aplicação desta regra exclui no caso a incidência e por conseguinte por estes motivos o auto deve ser neste caso cancelado.”. 28 Encerra requerendo a realização da perícia, cujos quesitos foram formulados em sua impugnação (fls. 554/555), e a improcedência do lançamento em comento. 29 Acosta ao processo documentos às fls. 557/585. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 140200.982 S1C4T2 Fl. 0 5 A decisão recorrida está assim ementada: PERÍCIA. JUNTADA DE DOCUMENTOS. A perícia se reserva à elucidação de dúvidas sobre assuntos técnicos que requeiram conhecimentos de profissional especializado, cuja manifestação tornase necessária à solução do litígio. Sua realização não se justifica quando o fato puder ser demonstrado pela mera juntada de documentos. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados na operação. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Aplicase à insuficiência de recolhimento o mesmo tratamento dispensado à omissão de receita, em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Impugnação Improcedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos (verbis): É o relatório. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 140200.982 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratase de auto de infração lavrado para exigência de impostos e contribuições, cujo recolhimento ocorre de forma unificada no Simples (IRPJ, PIS, CSLL, COFINS, INSS), bem como os respectivos acréscimos legais, decorrentes de: I – Omissão de receitas decorrente de depósitos efetuados em contacorrente cuja origem não foi comprovada. II – Insuficiência de Recolhimento decorrente da mudança de percentual aplicado sobre a receita bruta acumulada, base de cálculo do Simples, em razão da omissão de receita apurada na infração I. Foi procedida a exclusão do interessado do Simples, por meio do Ato Declaratório Executivo nº 04, de 27 de janeiro de 2009, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2005, conforme processo administrativo n º 15540.000005/200949, em anexo, por ter a receita bruta acumulada ultrapassado o limite permitido para permanência no sistema, em decorrência do montante apurado a título de omissão de receita (infração I). No recurso voluntário a contribuinte alega em preliminar que: (grifos do original). Pois bem, nos termos do art. 29 do decreto 70.235/1972 (PAF), na apreciação das provas a autoridade julgadora pode forma livremente sua convicção, solicitando as perícias e diligencias que entender necessárias. Por sua vez, o art. 16 do mesmo PAF estabelece que essa mesma autoridade pode indeferir, justificadamente os pedidos de diligência ou perícias. No presente caso a decisão de primeira instância justiçou a desnecessidade da perícia, haja vista que a exigência fiscal está calcada em omissão de receitas por presunção legal, em face da falta de comprovação da origem dos depósitos bancários no ano de 2004, que atingiram montante de R$ 3.640.226,16, já expurgados todos os valores referentes a empréstimo contraídos, estornos, devoluções de CPMF, transferências de mesma Fl. 664DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 140200.982 S1C4T2 Fl. 0 7 titularidade (fl. 18), enquanto registrado valores correspondentes à receita de prestação de serviço, no valor declarado de R$ 190.449,67. Ao invés de apresentar os elementos de prova ou justificativa da origem desse montante de recursos, ainda que na face recursal, a recorrente busca anular a decisão de primeira instância alegando estar sendo cerceada em sua defesa. Ora, o ônus da prova nesse caso é da contribuinte, que não foi feita, sendo descabido o pleito para suprila com pericia, pelo que rejeito a preliminar de nulidade, bem como o pedido de pericia. Frisese que a autuação foi fundamentada, entre outros dispositivos legais, no 42 da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Art. 42 – Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Com essa previsão legal, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, está o fisco autorizado/obrigado a proceder o lançamento do imposto correspondente. Cabe evidenciar que este entendimento é reiterado por todas as turma deste Conselho e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Frisese que não se está tributando o depósito bancário ou que este seja o fato gerador do imposto de renda. O que se está tributando é uma importância financeira de propriedade da fiscalizada que, pelo fato de não estar escriturada, declarada ou justificada, deve ser considerada receita omitida, segundo a legislação acima reproduzida, que presume que este montante na verdade se origina de receita tributável auferida e não declarada. Diante desta presunção legal o ônus da prova se inverte e passa à autuada, que tem a obrigação legal de comprovar a origem dos recursos. No que tange às demais alegações da recorrente, vejamos a transcrição dos fundamentos da decisão recorrida: Perícia e produção de provas Inicialmente, cabe esclarecer que a perícia se reserva à elucidação de dúvidas sobre assuntos técnicos que requeiram conhecimentos de profissional especializado, cuja manifestação tornase necessária à solução do litígio. Nesse sentido, o esclarecimento sobre a composição química de determinado produto, a classificação fiscal de mercadoria para aplicação da alíquota do IPI, a identificação ou não de falsidade documental, entre outros, são exemplos de contribuições fornecidas pela perícia. Como se percebe, a perícia não se justifica quando o fato puder ser demonstrado pela mera juntada de documentos, como ocorre no presente caso, em que o interessado, para afastar a presunção de omissão de receita, poderia apresentar Fl. 665DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 140200.982 S1C4T2 Fl. 0 8 documentos comprobatórios de que a origem dos recursos depositados em conta corrente não se refere a receitas de sua atividade, como ele o fez, no curso do procedimento fiscal, em relação a parte dos depósitos bancários, os quais não foram incluídos pela autoridade lançadora na apuração da base de cálculo. Em outras palavras, o interessado não pode se eximir do ônus probante mediante solicitação de prova pericial. Nesse contexto, cabe observar que a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrado motivo de força maior, se refira a fato ou a direito superveniente, ou se contraponha a razões ou a fatos trazidos aos autos posteriormente, conforme dispõe o § 4o. do art. 16, do Decreto 70.235, de 1972. Por essas razões, indefiro a solicitação de perícia feita pelo interessado. Depósito bancário. Omissão de receita. O interessado foi optante pelo Simples no anocalendário 2004. Nessa sistemática de pagamento de impostos e contribuições, instituída para dar tratamento diferenciado, simplificado e favorecido às microempresas e as empresas de pequeno porte, em conformidade com o disposto no art. 179 da Constituição, evidenciase, entre seus benefícios, a simplificação do cálculo e a unificação do recolhimento dos imposto e contribuições por ela abrangidos (IRPJ, PIS, CSLL, COFINS, IPI, INSS e, por intermédio de convênios, ICMS e ISS). O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, é calculado mediante a aplicação de percentuais favorecidos sobre a receita bruta mensal auferida, que aumentam progressivamente em função da receita bruta acumulada. Dispõe a Lei nº 9.317, de 1996, em seu artigo 18, que todas as presunções de omissão de receita, existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições abarcados pelo Simples, aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte. O artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 impõe que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações caracterizamse omissão de receita ou de rendimento. No curso do procedimento fiscal, a autoridade lançadora identificou depósitos em contacorrente do interessado, cuja origem não foi comprovada, em montante substancialmente superior a receita bruta declarada. Como se vê, a autoridade lançadora ao determinar a base tributável não desconsiderou os dados da contabilidade, como alegado pelo interessado; muito menos os considerou imprestáveis para apuração do resultado, tampouco identificou a receita bruta como lucro. No Simples, como já exposto, não se apura resultado ou lucro para fins de cálculo do valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte. A base de cálculo é a receita bruta. Portanto, para fins de tributação nessa sistemática, os custos e despesas incorridos na geração de receitas da pessoa jurídica são irrelevantes, já que os impostos e contribuições são calculados sobre a receita bruta mensal auferida. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 140200.982 S1C4T2 Fl. 0 9 Nessa concepção, descabe o arbitramento do lucro, tal qual pleiteado pelo interessado. Além disso, importa frisar que as normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (não optantes pelo Simples), entre elas a apuração da base de cálculo do Imposto de Renda pelo lucro arbitrado, aplicamse a pessoa jurídica excluída do Simples a partir do período em que se processam os seus efeitos (art. 16 da Lei nº 9.317, de 1996). No presente caso, a exclusão do Simples imposta ao interessado produziu efeito a partir de 1º de janeiro de 2005, conforme Ato Declaratório Executivo nº 4, de 27 de janeiro de 2009 (fl. 4 do processo nº 15540.000005/200949, em anexo), isto é, no anocalendário seguinte ao período de autuação. Por essa mesma razão, descabe a argumentação do interessado quanto a improcedência do auto de infração da Contribuição para Seguridade Social (INSS). Como a exclusão do Simples só produziu efeitos a partir de 2005, a referida contribuição, no anocalendário 2004 (período sob exame), integra o recolhimento unificado dos imposto e contribuições abrangidos pelo Simples e, pelas razões já expostas, a omissão de receitas apurada afeta o montante devido a título desta contribuição social. No que toca aos julgamentos do Superior Tribunal Federal – STF, que consideraram inconstitucional a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS mencionados pelo interessado, convém observar que seus efeitos não se aplicam ao presente caso, seja porque os julgados do STF tratam de matéria distinta da que versa o auto de infração sob exame (omissão de receita compõe a receita bruta), seja porque os efeitos dos julgados são inter partes e, portanto, não se estendem a terceiros que não sejam partes nas ações judiciais, seja porque a revogação do § 1o. do art. 3o. da Lei nº 9.718, de 1998 pela Lei nº 11.941, de 2009 não produziu efeitos retroativos. Depósito Bancário. Omissão de Receitas. Demonstrativos. Aduz o interessado que o montante dos depósitos bancários realizados pelo devedor, em pagamento de crédito de terceiros, é diferente da receita por ele auferida e que, além disso, os referidos depósitos contemplam “reapresentações” de cheques que foram considerados duas ou mesmo três vezes. A fim de comprovar sua alegação, o interessado junta aos autos demonstrativos de recebimentos (fls. 557/578) e de cheques devolvidos (fls. 579/585). Embora alegue, o interessado não traz aos autos documentos capazes de elidir as infrações, vejamos. Demonstrativo de recebimentos. Em relação aos valores constantes no demonstrativo de recebimentos (fls. 557/578), o interessado nomeou as operações de créditos com os seguintes históricos: “crédito ref. a recebimento de Cobrança”; “crédito ref. a reapresentação de cheque”; “crédito ref a devoluçao de "TED" e “crédito ref a devoluçao de "DOC". Convém observar, antes de passar a análise, que os históricos acima não correspondem a mesma descrição que consta no extrato bancário. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 140200.982 S1C4T2 Fl. 0 10 Crédito referente a recebimento de cobrança Este é o histórico que mais se repete no demonstrativo elaborado pelo interessado: “crédito ref. a recebimento de Cobrança”. Informa o interessado que opera na atividade de cobrança, que compreende o recebimento de títulos de crédito por conta e ordem de terceiros e a adoção de providências necessárias para sua liquidação. No Termo de Esclarecimentos e de Conclusão Parcial de Auditoria Fiscal (fls. 13/21), a autoridade lançadora informa que o interessado não apresentou quaisquer documentos referentes aos serviços supostamente prestados e que no livro Diário não há registros de clientes, fornecedores, número de documentação fiscal, além disso, os registros de movimentação bancária não contém identificação do serviço prestado ou da despesa incorrida. Em sede de impugnação, o interessado também não juntou contratos ou outros documentos que pudessem comprovar que os referidos depósitos se referem a recebimentos de títulos de crédito por conta e ordem de terceiros, evidenciando a sua prestação de serviços, sobre a qual fundase sua defesa. Também não demonstrou qual seria a parcela que lhe caberia a título de receita pela prestação dos serviços de cobrança. Além disso, embora o interessado alegue que os valores dos recebimentos, deduzidos dos honorários da prestação de serviços de cobrança, tenham sido repassados aos seus clientes, não há nenhuma demonstração desses repasses e, conforme descrito pela autoridade autuante, os débitos constantes dos extratos bancários não mantém correlação com os créditos em magnitude. Crédito referente à reapresentação de cheque. Em relação aos valores intitulados pelo interessado como “Crédito ref. a reapresentação de cheque”, verificase, com base nos correspondentes históricos no extrato bancário (assim designados: “Depósito em cheque”, “Depos cc autoat”, “Depos transf autoat” e “Deposito em dinheiro”), que os referidos valores se referem a depósitos. Deste modo, não é possível constatar pela simples análise do histórico dos extratos bancários que tais valores foram considerados em duplicidade como reapresentação, conforme alegado pelo interessado. Para a referida comprovação, fazse necessário a apresentação de outros elementos de prova, tais como cópias dos cheques devolvidos e dos comprovantes de depósitos efetuados. Crédito referente a devolução de "TED" e de "DOC" No que tange aos valores relacionados pelo interessado com o histórico “crédito ref a devoluçao de "TED" e “crédito ref a devoluçao de "DOC" no demonstrativo de recebimentos (fls. 557/578), convém observar que esses valores não foram incluídos na base de cálculo apurada pela autoridade fiscal em seu demonstrativo de créditos bancários acostado às fls. 22/54. Demonstrativo de cheques devolvidos. Em relação ao demonstrativo de cheques devolvidos (fls. 579/585), cumpre esclarecer que o interessado não demonstrou a conexão existente entre os valores relacionados no referido demonstrativo e os créditos considerados na base de cálculo Fl. 668DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 140200.982 S1C4T2 Fl. 0 11 apurada pela autoridade lançadora (fls. 22/53), cujos valores foram extraídos dos extratos bancários acostados às fls. 132/197. Deste modo, não havendo comprovação de que tais valores compuseram a base de cálculo, não há razão para excluílos. Insuficiência de recolhimento A insuficiência de recolhimento decorre da mudança de percentual aplicado sobre a base de cálculo do Simples, em razão da omissão de receita apurada (infrações I) que modificou a receita bruta acumulada declarada inicialmente pelo interessado, conforme “Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis sobre a Receita Bruta” e “Demonstrativo de Apuração dos Valores não Recolhidos”. Tendo em vista que a infração I foi integralmente mantida, não há razões para serem alterados os valores apurados a título de insuficiência de recolhimento (infração II). Multa qualificada de 150% Consoante entendimento pacificado nesta Turma, não é cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando a exigência é calcada exclusivamente em presunção fiscal, no caso de omissão de Receitas com base em depósitos bancários. Isso porque, a fraude não se presume, deve ser provada o que não ocorreu no presente caso. Constatase, pois, a inocorrência de qualquer das hipóteses previstas nos art. 71 a 73 da 4.502/1964. Portanto a multa de oficio deve ser reduzida ao percentual de 75%. Conclusão Em verdade, na peça recursal, o contribuinte limitouse a repisar as alegações veiculadas na impugnação que a meu ver foram corretamente enfrentadas na decisão recorrida, pelo que entendo não merecer reparo os fundamentos acima transcritos. Pelas razões expostas, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 669DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 13804.000846/00-55
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração:01/02/1990 a 31/12/1991
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Recurso Extraordinário do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9900-000.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Extraordinário
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração:01/02/1990 a 31/12/1991 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Extraordinário do Procurador Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Extraordinário OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração:01/02/1990 a 31/12/1991 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Extraordinário do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Extraordinário OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 08 46 /0 0- 55 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão proferido pelo colegiado a quo, que deu provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. A PGFN interpôs Recurso Extraordinário a este Pleno alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito, decorrente de pagamento indevido, é atribuído ao sujeito passivo, e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. O pedido de restituição foi apresentado em 21/03/2000, relativo ao período de apuração de :01/02/1990 a 31/12/1991. Não assiste razão à recorrente, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Com efeito, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13804.000846/0055 Acórdão n.º 9900000.686 CSRFPL Fl. 3 3 Assim, somente os pleitos referentes aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 10 anos da data do protocolo estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição. No presente caso, houve a perda parcial do direito a se pleitear a restituição em relação à uma parcela do período objeto da solicitação. Assim, está prescrito o direito em relação ao período de 01/02/1990 a 28/02/1990. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. Ante o exposto, voto pelo provimento parcial do Recurso Extraordinário interposto pela PGFN, com a remessa dos autos à autoridade preparadora, para a análise do mérito do período não prescrito.. Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 199DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13804.002245/00-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1990 a 30/09/1995
PRAZO PRESCRICIONAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é e 10 anos contados do fato gerador, para pedidos protocolizados anteriormente a 9 de junho de 2005 (data de entrada em vigência da Lei Complementar n º 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS - com repercussão geral. Art. 62-A do RICARF
Recurso da Fazenda Nacional provido parcialmente.
Numero da decisão: 9303-002.070
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para reconhecer a decadência dos fatos geradores ocorridos no período de 1º/1/1990 a 30/9/1990, resguardado o direto de a Administração Tributária verificar a liquidez dos créditos alegados.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Marcos Aurélio Pereira Valadão
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1990 a 30/09/1995 PRAZO PRESCRICIONAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é e 10 anos contados do fato gerador, para pedidos protocolizados anteriormente a 9 de junho de 2005 (data de entrada em vigência da Lei Complementar n º 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS com repercussão geral. Art. 62A do RICARF Recurso da Fazenda Nacional provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para reconhecer a decadência dos fatos geradores ocorridos no período de 1º/1/1990 a 30/9/1990, resguardado o direto de a Administração Tributária verificar a liquidez dos créditos alegados. Otacílio Dantas Cartaxo _ Presidente da CSRF Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Fl. 327DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o Relatório da decisão da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, com devidas alterações para maior clareza: Cuidase de Recurso Voluntário em que se pleiteia a modificação da decisão singular que manteve o indeferimento do pedido que visava a restituição/compensação de indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior para a Contribuição do Programa de Integração Social PIS, referente ao período de 01/01/1990 a 30/09/1995, com pedido protocolizado em 03/10/2000 (fls.0102). O pedido de restituição se refere a créditos oriundos de pagamentos considerados indevidos ou a maior para o PIS decorrentes dos Decretos Leis nºs 2.445 e 2.449 ambos de 1988. Sustenta a Recorrente que o Decreto n. 2.346, de 10 de outubro de 1997, encerrou a polêmica sobre a questão, impondo, com força vinculante para a Administração Federal, o efeito "ex tunc” ao Ato Senatorial que suspendeu a execução dos Decretos Leis 2.445 e 2449/88. Assevera, também, que a Medida Provisória n. 1244, de 14.12.95, art. 17, caput e inciso VIII (sic) "Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: (...) VIII à parcela da contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma do Decretolei n. 2.445, de 29 de junho de 1.988 e do Decretolei n. 2.449, de 21 de julho de 1.988, na parte que exceda o valor devido com fulcro na Lei Complementar n. 7, de setembro de 1970, e alterações posteriores. Parágrafo 2° O disposto neste artigo não implicará em restituição de quantias pagas.” Entende a Recorrente que o prazo decadencial só iniciou com a edição da Medida Provisória n. 1.621/36, publicada cm 12.06.98, que modificou a redação do parágrafo segundo da Medida Provisória 1.244/95. Assim sendo, o parágrafo segundo passou ater a seguinte redação: "2° O disposto neste artigo não implicará a restituição ex officio de quantias pagas”. No mais reprisa os argumentos articulados na Manifestação de Inconformidade. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13804.002245/0096 Acórdão n.º 930302.070 CSRFT3 Fl. 297 3 A decisão a quo recebeu a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1990 a 30/09/1995 DECADÊNCIA. EFEITO DA RESOLUÇÃO N. 49/95 DO SENADO FEDERAL. PRAZO DECADENCIAL. Pedido de restituição o Compensação de indébitos referentes à contribuição para o PIS formulado antes do prazo de cinco anos contados da data da publicação da Resolução n. 49, do Senado Federal, há de se manter afastada a decadência. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo da contribuição para o PIS, até advento da MP n. 1.212/95, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, de acordo com o parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar n° 7/70, conforme entendimento da CSRF e do STJ. Assegurado o direito de compensação ou restituição conforme Súmula n° 11 do Segundo Conselho de Contribuintes. Devendo o indébito ser corrigido pelos índices oficiais da norma de execução conjunta Cosit/Cosar n° 08/97 até 31/12/95 e pela taxa Selic a partir do mês de janeiro de 1996. Recurso Provido em Parte. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial por divergência jurisprudencial, às fls. 197/210, por meio do qual requereu a reforma do acórdão ora fustigado. A controvérsia suscitada cingese à questão do critério da contagem do prazo prescricional para o pedido restituição do PIS, face à declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis n° s 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Na decisão recorrida decidiuse pela contagem do prazo a partir da publicação da Resolução do Senado n° 49/95; enquanto no paradigma, em situação fática semelhante, contouse o prazo qüinqüenal a partir da data de cada pagamento indevido. O recurso foi admitido pelo presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por meio de despacho às fls. 258. O sujeito passivo apresentou contrarrazões às fls. 262/284. É o Relatório. Voto Fl. 329DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 Conselheiro Relator Marcos Aurélio Pereira Valadão Conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional, admitido conforme acima mencionado, em boa forma. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese à questão do critério da contagem do prazo prescricional , sendo que na decisão recorrida decidiuse pela contagem do prazo a partir da publicação da Resolução do Senado n°. 49/95; enquanto no paradigma, em situação fática semelhante, contouse o prazo quinquenal a partir da data de cada pagamento indevido. Passemos à análise do mérito. A decisão da 3ª TO da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF entendeu que o prazo prescricional é de cinco anos contados da Resolução nº. 49/95 do Senado Federal, publicada no Diário Oficial, em 10/10/9. A posição da PGFN, demonstrada em seu Recurso Especial é de que o prazo prescricional é de cinco anos contados do pagamento. Ambas as posições devem ser afastadas. A segunda, no que diz respeito ao período em discussão e a primeira de maneira geral, em virtude de que é inadmissível a imprescritibilidade ad infinitum para trás, a partir de uma declaração de inconstitucionalidade. A posição que deve ser aceita atualmente decorre da jurisprudência do STJ conforme estabelecida no julgamento do RE 566.621/RS (Relatora: Ministra Ellen Gracie, decidido em 04/08/2010), com repercussão geral, em que o STF reconheceu a aplicabilidade do prazo prescricional de 10 anos contados da data do fato gerador para os pedidos de restituição protocolizados antes da data da vigência da LC 118/2005. O que se deu no caso presente, para os débitos referentes aos fatos geradores ocorridos a partir de outubro/1990 (visto que o pedido foi protocolizado em 03/10/2000). Aplicado ao caso presente, é o que se conclui a partir da decisão do STF, conforme o voto da Ministra Ellen Gracie que foi ementado da seguinte forma: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de Fl. 330DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13804.002245/0096 Acórdão n.º 930302.070 CSRFT3 Fl. 298 5 ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Assim, a decisão é no sentido de reconhecer o direito do contribuinte em relação ao período referente aos fato geradores ocorridos entre outubro/1990 a 30/09/1995 (em virtude do pedido protocolizado em 03/10/2000 (fls.0102). Portanto, os indébitos referentes aos fatos geradores ocorridos no período que vai de 01/01/1990 a 30/09/1990 restaram atingidos pela prescrição, sendo insuscetíveis de restituição. Pelo exposto, dou provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda, negando o direito em relação aos fatos geradores ocorridos no período que de 01/01/1990 a 30/09/1990, e reconhecendo o direito em relação aos fato geradores ocorridos entre outubro/1990 a 30/09/1995, resguardado o direto da Administração Tributária verificar a liquidez dos créditos alegados. Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 331DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
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