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Numero do processo: 11516.006655/2008-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente
(assinado digitalmente)
Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Damião Cordeiro de Moraes.
Relatório
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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RESOLVEM os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa –Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Damião Cordeiro de Moraes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 06 65 5/ 20 08 -6 3 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11516.006655/200863 Resolução nº 2301000.266 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório A Recorrente foi excluída do SIMPLES (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), desde de 01 de janeiro de 2004 (DRF/FNS n° 02 de 18/01/2008), nos períodos 01/2004 a 06/2007 e 10/20077 a 12/2007. Entretanto, continuou a prestar informações através da GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações Previdência Social, como se inclusa no SIMPLES estivesse. E diante disto, considerava como contribuição devida a Previdência Social apenas os valores descontados dos segurados empregados e do Segurado Administrador da empresa, deixando de informar valores devidos e não recolhidos a Previdência Social referentes i) as contribuições correspondentes a parte da empresa, ii) financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho(RAT) e iii) as destinadas aos Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE). Somente para informação, há nos autos informações de que o presente Auto de Infração substitui um antes exarado em razão de indevida fundamentação legal inadequada a infração ocorrida. Este processo foi juntado, por apensação, em 16 de outubro de 2008, ao de n° 11516.006656/200816. Consta nos autos que transcorrido o prazo para impugnação a Recorrente não o apresentou, tão pouco pagou o débito e ou apresentou propositura de ação judicial, datado em 09 de outubro de 2008. Em 10 de novembro de 2008 foi protocolizada impugnação, cujo teor da defesa é, em preliminar, a alegação de refiscalização, e no mérito i) a necessidade ao respeito à verdade material, onde alega que a fiscalização constituiu credito tributário com base em depósitos bancários e, ii) a necessidade de revisão dos parâmetros utilizados para o cálculo da penalidade devida — princípio da proporcionalidade das sanções tributarias. Todavia, a DRJ de Florianópolis julgou improcedente a impugnação. Em 24 de maio de 2010 tomou conhecimento da decisão e no dia 23 de junho do mesmo ano protocolizou o presente Recurso Voluntário com os mesmos argumentos e teor da Impuganção. É a síntese do necessário. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11516.006655/200863 Resolução nº 2301000.266 S2C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator O Recurso aviado é tempestivo, e dele conheço, passando à analise. DILIGÊNCIA Consta nos autos que transcorrido o prazo para impugnação a Recorrente não o apresentou, tão pouco pagou o débito e ou apresentou propositura de ação judicial, datado em 09 de outubro de 2008. Em tese estaria renunciado tacitamente a via administrativa por conta de procura ao manto judicial, conforme Súmula desse Colegiado. “In vebis” Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Todavia, para uma melhor segurança no julgamento, mister que se tenha informação da DRJ quanto a ação judicial proposta, devendo providenciar cópia da inicial, do julgamento de primeiro, segundo grau e trânsito em julgado, se houver. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, tenho que o mesmo deve ser conhecido, para converter em diligência a fim de a DRJ nos informe e junte aos autos cópia da inicial da ação judicial, sentenças e trânsito em julgado, se houver. É como Voto. (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator Fl. 134DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCELO OLIVE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.013961/2010-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 SIMPLES. DÉBITO SEM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NO MOMENTO DA EXCLUSÃO. POSTERIOR PARCELAMENTO E CONSEQUENTE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO DÉBITO. MANTIDO O ATO DE EXCLUSÃO E AFIRMADA A POSSIBILIDADE DE NOVA INCLUSÃO NO SIMPLES. Comprovado que a recorrente parcelou o débito que deu origem à exclusão do SIMPLES, suspendendo a sua exigibilidade, de rigor manter-se a exclusão para o período em que se constatou a existência de débito sem suspensão da exigibilidade e assentar-se a possibilidade de nova inclusão a partir do parcelamento.
Numero da decisão: 1301-000.853
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 SIMPLES. DÉBITO SEM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NO MOMENTO DA EXCLUSÃO. POSTERIOR PARCELAMENTO E CONSEQUENTE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO DÉBITO. MANTIDO O ATO DE EXCLUSÃO E AFIRMADA A POSSIBILIDADE DE NOVA INCLUSÃO NO SIMPLES. Comprovado que a recorrente parcelou o débito que deu origem à exclusão do SIMPLES, suspendendo a sua exigibilidade, de rigor manter-se a exclusão para o período em que se constatou a existência de débito sem suspensão da exigibilidade e assentar-se a possibilidade de nova inclusão a partir do parcelamento.
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010 SIMPLES. DÉBITO SEM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NO MOMENTO DA EXCLUSÃO. POSTERIOR PARCELAMENTO E CONSEQUENTE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO DÉBITO. MANTIDO O ATO DE EXCLUSÃO E AFIRMADA A POSSIBILIDADE DE NOVA INCLUSÃO NO SIMPLES. Comprovado que a recorrente parcelou o débito que deu origem à exclusão do SIMPLES, suspendendo a sua exigibilidade, de rigor manterse a exclusão para o período em que se constatou a existência de débito sem suspensão da exigibilidade e assentarse a possibilidade de nova inclusão a partir do parcelamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 2 Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ de Campinas/SP. Verificase do presente processo administrativo que a recorrente foi excluída do SIMPLES nos termos do Ato Declaratório Executivo de folha 02, em razão da existência dos débitos fiscais relacionados no ADE (débitos do regime especial, relativo ao período entre julho de 2007 e dezembro de 2008). Devidamente cientificada a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fl. 1), alegando em síntese, que os débitos relativos ao período de julho de 2007 a novembro de 2008 foram parcelados com base nas disposições da Lei 11.941/2009, juntando cópia de documentos com os quais pretende demonstrar a sua regularidade fiscal (fls. 03 10). No mais, juntou cópia de guia de recolhimento (DAS) relativa ao débito fiscal do mês de dezembro de 2008 (fl. 11), não incluído no parcelamento, e requereu fosse desconsiderada sua exclusão mantendoa no Simples Nacional. A 7ª Turma da DRJ de Campinas/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 28 a 30, indeferiu a solicitação, assentando que não existe previsão legal para o parcelamento dos débitos apurados na sistemática do SIMPLES, impondose a exclusão levada a efeito. Inconformada com a decisão acima mencionada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, afirmando que a totalidade de suas dívidas foram parceladas nos termos da Lei nº 11.941/2009, não havendo óbice para que se mantenha no SIMPLES. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10830.013961/201045 Acórdão n.º 1301000.853 S1C3T1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. A questão versada nos autos se relaciona à exclusão da contribuinte da sistemática do SIMPLES por verificada existência de débitos, que à época da exclusão, não estavam com a exigibilidade suspensa. Sustenta a recorrente que apesar da existência dos aludidos débitos, tudo fora devidamente parcelado nos termos da Lei nº. 11.941/2009, consoante se atesta pelo recibo de folha 09. Pelas razões expostas no competente relatório e à luz da documentação que compõe o processo ficou comprovado que a recorrente, à época da exclusão do SIMPLES por meio do Ato Declaratório Executivo de folha 02, de fato encontravase com débitos sem exigibilidade suspensa, fato que gerou sua exclusão do SIMPLES. Ocorre que a recorrente acostou aos autos documentos que comprovam que a dívida foi parcelada, folha 09 em diante, suspendendo assim a exigibilidade dos coincidentes débitos, de sorte que satisfez as exigências que provocaram a sua exclusão do SIMPLES, mas não afastando as constatações de que à época da exclusão de fato os tais débitos não tinham suspensão da exigibilidade. Com essas constatações, de rigor NEGAR PROVIMENTO para os fins de reconhecer a procedência da exclusão assentandose, no entanto, a possibilidade de nova inclusão na sistemática do SIMPLES a partir da suspensão da exigibilidade dos débitos. Sala das Sessões, em 15 de março de 2012. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 4 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910399/2006-28
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IRPJ. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
O indeferimento dos pedidos de compensação por integral utilização dos
créditos indicados em procedimentos de compensação anteriores somente
pode ser infirmado mediante prova ou demonstração de que as compensações
anteriores não importaram em exaustão do crédito.
Tendo o contribuinte se limitado a defender a existência do saldo crédito
indicado à compensação, quedando silente quanto ao fundamento específico
do Despacho Decisório de indeferimento das compensações – utilização
integral do
Numero da decisão: 1103-000.753
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: HUGO CORREIA SOTERO
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ementa_s : IRPJ. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. O indeferimento dos pedidos de compensação por integral utilização dos créditos indicados em procedimentos de compensação anteriores somente pode ser infirmado mediante prova ou demonstração de que as compensações anteriores não importaram em exaustão do crédito. Tendo o contribuinte se limitado a defender a existência do saldo crédito indicado à compensação, quedando silente quanto ao fundamento específico do Despacho Decisório de indeferimento das compensações – utilização integral do
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1838; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 1 1 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.910399/200628 Recurso nº 509.882 Voluntário Acórdão nº 110300.753 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 11 de setembro de 2012 Matéria DCOMP Recorrente MUNIR ABBUD EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL IRPJ. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. O indeferimento dos pedidos de compensação por integral utilização dos créditos indicados em procedimentos de compensação anteriores somente pode ser infirmado mediante prova ou demonstração de que as compensações anteriores não importaram em exaustão do crédito. Tendo o contribuinte se limitado a defender a existência do saldo crédito indicado à compensação, quedando silente quanto ao fundamento específico do Despacho Decisório de indeferimento das compensações – utilização integral do saldo credor indicado – não merece provimento o recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. HUGO CORREIA SOTERO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/11/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.910399/200628 Acórdão n.º 110300.753 S1C1T3 Fl. 2 2 Relatório Tratase de indeferimento de pedido de compensação formalizado pelo contribuinte, indicando o Despacho Decisório de fl. 6, exarado pela Delegacia da Receita Federal de São Paulo (SP) a inexistência do crédito apontado na declaração de compensação, nestes termos: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Contra a decisão apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade (fl. 11), arguindo ter declarado em DCTF o valor de R$ 182.978,94, ter recolhido R$ 194.252,96, de sorte a dispor, no exercício de 2003, de crédito no valor de R$ 11.274,02, pelo que requeria a reforma do Despacho Decisório e a homologação das compensações requeridas. A manifestação de inconformidade foi indeferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo (SP) por acórdão assim ementado: “COMPENSACÃO EM DCOMP. Não comprovada a existência de direito creditório vedase ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Compensação não Homologada” Da decisão se extrai: “A lide gira, portanto, em torno da existência ou não do direito creditório da interessada. Quanto a esta questão, a pleiteante nada apresentou para comprovar a existência, liquidez e certeza do crédito utilizado para a compensação dos débitos informados em DCOMP. Para qualquer reconhecimento de direito creditório, a requerente deverá fazer prova inequívoca da existência e veracidade do direito creditório (art.170 do CTN) sem a qual nada pode ser deferido de ofício pela autoridade fiscal. No mínimo deveria ter sido apresentado planilha demonstrativa de conciliação entre débitos e créditos respaldados em documentos comprobatórios da existência do alegado direito creditório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/11/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.910399/200628 Acórdão n.º 110300.753 S1C1T3 Fl. 3 3 Em não tendo sido comprovado pela interessada a veracidade de suas alegações quanto à existência de direito creditório (falta de liquidez e certeza), fica mantido o despacho decisório proferido nos presentes autos.” Recurso voluntário de fl. 30, indicando o contribuinte a forma de obtenção do saldo credor utilizado para fins de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Hugo Correia Sotero Relator Recurso tempestivo. Preenchidos os requisitos de admissibilidade. No recurso interposto (fl. 30), limitouse o contribuinte a indicar os DARF pagos e os valores declarados em DCTF, afirmando que os pagamentos foram superiores aos valores efetivamente devidos, o que teria gerado crédito no valor de R$ 11.274,02. Nada obstante, a não homologação das compensações pleiteadas não se deu por questionamentos atinentes à composição do saldo credor e sim, e é expresso o Despacho Decisório neste sentido, por terem sido “localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Em resumo, a não homologação das compensações decorreu da utilização integral do crédito para quitação de outros débitos. Nesse contexto, tendo o Despacho Decisório, inclusive, indicado as compensações anteriormente realizadas pelo contribuinte, caberia a este, na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário interposto, demonstrar que as compensações realizadas anteriormente (indicadas no Despacho Decisório) não importaram em consumo integral do crédito, o que garantiria a homologação das compensações. À míngua de comprovação da incorreção do Despacho Decisório, conheço do recurso voluntário para negarlhe provimento. Hugo Correia Sotero Relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/11/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.910399/200628 Acórdão n.º 110300.753 S1C1T3 Fl. 4 4 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/11/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10783.901697/2006-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. CUSTOS COM SERVIÇO DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. INCLUSÃO NO CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias- primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluído em sua base de cálculo, prevista na Lei nº 9.363/96, o valor do serviço de industrialização por encomenda. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, admite-se a inclusão dos valores referentes às aquisições de insumos de fornecedores pessoas físicas. A questão já foi julgada em Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça (RESP nº 993164).
Numero da decisão: 3302-001.684
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator|) e Alexandre Gomes, que davam provimento. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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CUSTOS COM SERVIÇO DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. INCLUSÃO NO CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluído em sua base de cálculo, prevista na Lei nº 9.363/96, o valor do serviço de industrialização por encomenda. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, admitese a inclusão dos valores referentes às aquisições de insumos de fornecedores pessoas físicas. A questão já foi julgada em Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça (RESP nº 993164). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator|) e Alexandre Gomes, que davam provimento. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por GILENO GURJAO BARRETO 2 EDITADO EM: 03/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório do Acórdão recorrido, por bem resumir a contenda. Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 41119.69344.310703.1.1.017150, no qual a interessada acima qualificada pleiteia ressarcimento de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no valor de 195.787,48, apurado no 2º trimestre do ano de 2003, para posterior compensação. Em Despacho Decisório (fl. 332), que aprova o Parecer Sefis nº 25/2008 (fls. 324 a 331), a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem deferiu parcialmente o referido pedido de ressarcimento, homologando as compensações de débitos até o limite do crédito reconhecido, com base nos seguintes fundamentos: a) a empresa dedicase à industrialização de rochas ornamentais, mormente mármores e granitos; b) constatouse que a contribuinte não observou por completo as normas legais que regem o cálculo do crédito presumido, o que ocasionou pedidos de ressarcimento em valores diversos dos devidos; c) foram feitos ajustes na receita operacional bruta do 1º trimestre de 2003, pois a empresa exclui desse conceito os valores de revenda de produtos importados, remessa de produtos de terceiros e revenda de produtos; d) de acordo com o art. 82, inciso I, da Instrução Normativa nº 23, de 13 de março de 1997, são consideradas como receita operacional bruta todas as vendas de mercadorias efetuadas, independentemente de terem sido industrializadas pela própria vendedora ou adquiridas prontas de terceiros; e) no entanto, a partir de abril de 2003, com a vigência da Instrução Normativa SRF nº 313, de 3 de abril de 2003, foi alterado o conceito de receita operacional bruta, considerando apenas as vendas de produtos industrializados pela própria pessoa jurídica; f) portanto, para o 1º trimestre a fiscalização considerou o conceito estabelecido no art. 82, inciso I, da Instrução Normativa nº 23, de 1997, para o 2º trimestre, foi considerado o conceito introduzido pela Instrução Normativa SRF nº 313, de 2003; g) sendo assim, foi apurada uma receita operacional bruta acumulada nos trimestres 1º e 2º de 2003 no montante de R$ 16.078.568,48, conforme "Demonstrativo de Composição da Base de Calculo do Crédito Presumido da Lei 9.363/96"; Fl. 423DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10783.901697/200625 Acórdão n.º 330201.684 S3C3T2 Fl. 2 3 h) quanto às receitas de exportação, apenas uma glosa foi realizada, em face da inclusão indevida de uma nota fiscal de nº 5915 referente à exportação DDE nº 20300484038 de um bloco de granito, no valor de R$ 2.012,10, produto não tributado pelo IPI (NT); i) restou apurada uma receita de exportação acumulada nos trimestres 1º e 2º de 2003 no valor de R$ 15.536.109,95, conforme "Demonstrativo de Composição da Base de Cálculo do Crédito Presumido da Lei 9.363/96"; j) no tocante aos insumos adquiridos no período de apuração, foram glosados os valores constantes das notas fiscais de entradas com os códigos CFOP 5.124, 5.125, 6.124 e 6.125, pois se referem à industrialização/beneficiamento efetuados por terceiros em matérias primas remetidas pela empresa (tais como serragem e polimento de chapas de granito) e também ao valor cobrado pelos serviços realizados em produtos intermediários (como serras diamantadas e produtos enviados para manutenção); k) assim, quanto às industrializações por encomenda, ficou claro que se trata de prestação de serviço, não se enquadrando no conceito de matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), mencionado na legislação; 1) esse entendimento se encontra no Ato Declaratório Cosit nº 9, de 31 de julho de 1998: "no caso em que o encomendante remete insumos com suspensão do IPI ao executor da encomenda (hipótese prevista no art. 36, incisos I e H, do RIPI/82, correspondente ao art. 40, incisos VII e VIII, do RIPI/98) e o executor da encomenda remete os produtos com suspensão, não há que se falar em inclusão do valor cobrado pelo encomendante na base de cálculo do crédito presumido"; m) foram glosados os valores de IPI nas aquisições de algumas mercadorias com os códigos CFOP 5.101, 5.102, 6.101 e 6.102, pois na planilha entregue pela empresa o valor do IPI estava somado ao valor total das mercadorias; n) da mesma forma, foram glosados os valores da notas fiscais com código CFOP 6.501, por se tratar de obtenção de mercadorias designadas por "Remessa com Fim Especifico de Exportação", não sendo submetidas a nenhum processo industrial pela contribuinte; o) ainda foram glosados os valores das entradas de mercadorias de código CFOP 2.101, referente à aquisição de MP (blocos de granito) de pessoa física; p) todos os valores glosados encontramse descritos na planilha "Demonstrativo das Notas Fiscais Glosadas constante da Relação de Insumos (MP, PI e ME)" q) ao final, procedeuse à glosa no valor de R$ 22.500,96 do crédito presumido pleiteado. Devidamente cientificada em 18 de julho de 2008 (fl. 333), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 345 a 360), em 15 de agosto de 2008, contendo sinteticamente as seguintes alegações: a) a inconformada declina do direito de ofertar manifestação quanto aos itens: Fl. 424DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por GILENO GURJAO BARRETO 4 i. R$ 2.012,10 referente à nota fiscal no. 5915; ii. glosa das mercadorias com códigos CFOP 5.101, 5.102, 6101, 6.102 e 6.501; b) a manifestação de inconformidade é apresentada na parte relacionada: i. à receita bruta operacional; ii. aos insumos da industrialização por encomenda; iii. As entradas de mercadorias sob o código CFOP 2.101, aquisição de pessoa física; c) o trabalho fiscal não discrimina quais produtos foram integralizados no cômputo da receita operacional bruta, levando a concluir pela inclusão de receita alheias à atividade fim da empresa; d) deve ser obedecida a Portaria MF nº 64, de 26 de março de 2003, na determinação de que apenas entram no calculo do percentual de exportação as receitas relativas as vendas de produtos industrializados pela empresa; e) quanto à industrialização por encomenda, as operações desenvolvidas sobre blocos/lâminas exportados não se limitaram à agregação de mãodeobra, consistiram industrialização consignada em beneficiamento; f) sustenta que a referida industrialização por encomenda equivale à aquisição de MP, PI e ME, suficientes para integrar a base de calculo do crédito presumido do IPI, na forma da Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996; g) pondera que remeteu blocos de granito para industrialização por encomenda, tendo recebido chapas brutas serradas. Após, promoveu industrialização sobre tais produtos, consubstanciada em beneficiamento, polimento e acondicionamento para exportação, o que faculta a usufruir do beneficio em comento; h) a lei de regência não exclui da base de calculo do crédito presumido a aquisição de insumos de pessoas físicas, logo, o entendimento fiscal, subsidiado na Instrução Normativa SRF nº 23, de 13 de março de 1997, não possui suporte legal, o que implica a revisão da glosa; i) cita jurisprudência do então Conselho de Contribuintes para reforçar suas teses. Por fim, requer: a) apuração do crédito tributário correspondente às glosas admitidas; b) no mérito, homologação do pedido de ressarcimento, com a compensação executada até seu limite. Intimada em 26/09/2011, a Recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 25/10/2011. É o relatório. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10783.901697/200625 Acórdão n.º 330201.684 S3C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, Relator. O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. 1. Preliminarmente Verifico que no caso dos autos, a discussão que será objeto de análise no item subseqüente, ou seja, da adequação do cômputo das receitas de revenda de mercadorias no conceito de Receita Operacional Bruta estaria inadequada, o que passo então ao contextualizar: Tais créditos decorrem do segundo trimestre de 2003, ou seja, pós publicação da Portaria MF nº. 64/2003, o que altera substancialmente o contexto envolvido. Outrossim, o Acórdão recorrido repetiu o julgamento da lide concernente aos créditos pleiteados relativamente ao primeiro trimestre do ano, o que o torna inadequado às circunstâncias fáticas. Isso posto, recapitulando o relatório da fiscalização, de fls. 329, importante transcrever o texto na íntegra: “Portanto, no 1º Trimestre de 2003 foi considerada pela fiscalização como Receita Operacional Bruta todas as vendas de mercadorias efetuadas pela empresa, independentemente de terem sido industrializadas pela mesma ou adquiridas prontas de terceiros. Já no 2° Trimestre de 2003 foi considerada como Receita Operacional Bruta somente a venda de produtos industrializados pela empresa. Sendo assim, foram apurados os valores da Receita Operacional Bruta Acumulada nos 1o e 2° Trimestres de 2003, os quais foram conferidos com os registros do livro Registro de Apuração do IPI e livro de Saída de Mercadorias e demais declarações apresentadas, totalizando o montante de R$ 16.078.568,48 (Dezesseis milhões, setenta e oito mil, quinhentos e sessenta e oito reais e quarenta e oito centavos), conforme demonstrado na planilha "Demonstrativo de Composição da Base de Cálculo do Crédito Presumido da Lei 9.363/96". Ou seja, no entender desse julgador, não haveria lide, uma vez que a fiscalização corroborou com o método adotado pelo contribuinte, que entretanto copiou sua defesa da lide anterior, induzindo a DRJ também a erro, ao repetir o julgamento daquela mesma lide. 1. Do cômputo das receitas de revenda de mercadorias Receita Operacional Bruta Fl. 426DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por GILENO GURJAO BARRETO 6 Apenas para espancar qualquer dúvida, a Portaria em questão passara a exigir que se computasse tais receias de revenda na receita operacional bruta, porém, também considerava como receita bruta de exportação o valor das revendas para o exterior. “§ 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente.” Anteriormente o texto era: § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. Exposto esse entrementes, indo aos finalmentes, a fiscalização interpretou de forma inadequada o inciso I do parágrafo 12 da Portaria nº. 38/97. Por uma simples razão, correto ou incorreto o texto, entendia o Ministério que a Receita Operacional Bruta compreendia “o produto da venda” de bens e serviços de conta própria – preço, receita bruta – e o “resultado auferido” nas operações em conta alheia – resultado é igual a receitas menos despesas, o Ministério, como dito, correta ou incorretamente apenas determinava o cômputo do líquido auferido entre receitas e despesas das operações de conta alheia. Finalmente, no novo texto, da Portaria nº. 64, o Ministério veio a corrigir esse engano, quando finalmente excluiu tanto as receitas de revenda nas operacionais brutas quanto as receitas de revenda nas receitas de exportação, ao incluir o termo ”produtos industrializados nacionais”. Assim sendo, considero correta a interpretação de ser incabível uma suposta exigência nesse sentido, o que de resto entendemos inexistir. 2. Crédito Presumido. Lei nº 9.363/96. Industrialização por encomenda. Inclusão. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10783.901697/200625 Acórdão n.º 330201.684 S3C3T2 Fl. 4 7 A Lei 9.363/1996 concedeu à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e COFINS incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. O art. 1º da Lei nº 9.363/96 enumera os insumos utilizados no processo produtivo que devem ser considerados na base de cálculo do crédito presumido: matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. De fato, o crédito presumido é uma subvenção que visa incrementar as exportações brasileiras. O objetivo expresso do legislador foi o de estimular as exportações de empresas industriais (produtor exportador) e a atividade industrial interna, mediante o ressarcimento das contribuições Cofins e PIS incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de insumos utilizados no processo produtivo. O crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS/PASEP e da COFINS constituise incentivo às exportações e tem o intuito de desonerar das exportações o gravame relativo à contribuição ao PIS e COFINS. No presente caso a controvérsia gira em torno do reconhecimento quanto ao benefício fiscal advindo do crédito presumido de IPI, previsto na Lei nº 9.363/96, e consequentemente, de ter o direito de aproveitamento dos créditos presumidos de IPI, provenientes da industrialização por encomenda. Por compor o custo dos insumos, o valor da industrialização por encomenda é computado na base de cálculo do crédito presumido do IPI instituído pela Lei n° 9.363/96, desde que seja realizada por pessoa jurídica contribuinte do PIS e COFINS e o produto beneficiado seja novamente industrializado pelo exportador, como o presente caso. Se após o retorno do produto à encomendante (o estabelecimento industrial do contribuinte) a exportação fosse realizada sem qualquer processo de industrialização, o exportador seria mero intermediário, não fazendo jus ao beneficio. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por GILENO GURJAO BARRETO 8 Todavia, no presente caso a matériaprima beneficiada foi empregada como insumo na industrialização efetuada pelo exportador, e o beneficiamento foi realizado por pessoa jurídica, com incidência do PIS e COFINS, o que faz com que o Requerente seja pessoa legitimada a tomar os créditos presumidos de IPI. Neste sentido, segue jurisprudência emanada deste Conselho: “Número do Recurso: 122920 Data da Ocorrência, 17/05/2005 Tipo da Decisão: ACÓRDÃO Número da Decisão: 20310135 Sigla da Decisão: DPM DADO PROVIMENTO POR MAIORIA Texto da Decisão: Deuse provimento ao recurso: I) por maioria de votos, quanto à inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI do valor referente ao beneficiamento dos insumos efetuado por terceiros, com suspensão do imposto. Vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto; II) por unanimidade de votos, quanto à inclusão, no cálculo do Crédito Presumido de IPI, da receita de exportação, de valores relativos a vendas a empresas comerciais exportadoras efetuadas antes de 23/11/1996. O Conselheiro Antonio Bezerra Neto apresentará declaração de voto.” “Número do Recurso: 123830 Data da Ocorrência 24/02/2005 Tipo da Decisão: ACÓRDÃO Número da Decisão: 20310026 Sigla da Decisão: NPU NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão, Por unanimidade de votos: rejeitouse a preliminar de nulidade; no mérito: I) em relação à base de cálculo do crédito presumido do IPI: a) por unanimidade de votos, reconheceuse o direito ao crédito das despesas com industrialização por encomenda; b) pelo voto de qualidade, negouse provimento, quanto às despesas com energia elétrica, Vencidos os Conselheiros César Piantavigna (relatar), Maria Teresa Martinez López e Valdemar Ludvig e Francisco Mauricio R. de Albuquerque Silva, Designado o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis; e III) por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso, quanto às demais matérias.” Por todo exposto, neste tópico dou provimento ao recurso. 3. Insumos Adquiridos de Pessoa Física. O Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do Recurso Especial nº 993.164 de relatoria do Ministro Luiz Fux, submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, determinou que o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF nº 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal, conforme é possível observar a seguir: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS Fl. 429DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10783.901697/200625 Acórdão n.º 330201.684 S3C3T2 Fl. 5 9 INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto Fl. 430DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por GILENO GURJAO BARRETO 10 fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos Fl. 431DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10783.901697/200625 Acórdão n.º 330201.684 S3C3T2 Fl. 6 11 utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do Fl. 432DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por GILENO GURJAO BARRETO 12 crédito presumido do IPI, as aquisições de matériaprima e de insumos fornecidos por pessoas físicas. Por mais esse fundamento, dou provimento ao recurso voluntário. 4. Conclusão Por todo exposto, conheço do recurso e doulhe total provimento. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Voto Vencedor Conselheiro Walber José da Silva, Redator Designado. Pelas razões que passo a expor, acompanho o Ilustre Conselheiro Relator quanto às aquisições de insumos junto à pessoas físicas e não o acompanho quanto à inclusão, no cálculo do benefício, das despesas de industrialização por encomenda. Quanto ao cálculo da Receita Operacional Bruta ratifico o entendimento do Ilustre Conselheiro Relator de que não há lide sobre esta matéria posto que a RFB adotou o conceito previsto na Portaria MF nº 64/2003 para o segundo trimestre de 2003, objeto deste processo. 1 Da Inclusão das Despesas de Industrialização por Encomenda no Cálculo do Crédito Presumido do IPI Este Colegiado tem reiteradamente decidido no sentido de que o serviço de industrialização por encomenda não pode compor o custo de aquisição de matériasprimas ou produtos intermediários porque, legalmente, tal dispêndio não se classifica como matériaprima ou produto intermediário. Neste sentido, ratifico e adoto os fundamentos da decisão recorrida, acrescentando que o pedido da recorrente se refere ao 1º trimestre de 2003 e, para este trimestre, já estava em vigor a Lei nº 10.276/2001 que determina, alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363/96, uma formula diferente para calcular o crédito presumido do IPI, nela incluindo os insumos e os custos de produção com energia elétrica e com serviço de industrialização por encomenda, conforme dispõe seu art. 1º, abaixo reproduzido. Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e Fl. 433DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10783.901697/200625 Acórdão n.º 330201.684 S3C3T2 Fl. 7 13 para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. § 2o O crédito presumido será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo referida no § 1o, do fator calculado pela fórmula constante do Anexo. § 3o Na determinação do fator (F), indicado no Anexo, serão observadas as seguintes limitações: I o quociente será reduzido a cinco, quando resultar superior; II o valor dos custos previstos no § 1o será apropriado até o limite de oitenta por cento da receita bruta operacional. § 4o A opção pela alternativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal e abrangerá, obrigatoriamente: I o último trimestrecalendário de 2001, quando exercida neste ano; II todo o anocalendário, quando exercida nos anos subseqüentes. § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. (grifei). Mais ainda. A redação do inciso I, do § 1º, do art. 1º da Lei nº 10.276/01, acima reproduzido, não deixa nenhuma dúvida de que o serviço de industrialização por encomenda não é matériaprima ou produto intermediário. Isto fica claro quando este dispositivo afirma que a base de cálculo do benefício será formada pelo custo “de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo” mais o custo “correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto”, numa clara demonstração de serviço de industrialização por encomenda não é, e nunca foi, matériaprima ou produto intermediário, mesmo compondo o custo de produção. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por GILENO GURJAO BARRETO 14 Estas são as razões pelas quais ouso divergir do Ilustre Conselheiro Relator para negar provimento ao Recurso Voluntário, nesta parte. 2 Insumos Adquiridos de Pessoas Físicas A questão relativa à inclusão, no cálculo do benefício, das aquisições de insumos feitas junto à pessoas físicas já foi pacificada pelo STJ que, ao julgar o RESP nº 993164, pela sistemática do recurso repetitivo (art. 543C do CPC), decidiu que o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Concluiu o STJ pela "ilegalidade" da referida instrução normativa por ter extrapolado os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/Pasep e pela Cofins. Considerando que as decisões proferidas pelo STJ em recursos repetitivos são de aplicação obrigatória por este Colegiado (art. 62A do RICARF), deve ser reconhecido o direito de a recorrente incluir o valor das aquisições de insumos de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido do IPI. Acompanho, portanto, o Ilustre Conselheiro Relator neste parte. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de pessoas físicas. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 18336.000355/2001-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 26/11/1999
NÃO CONHECIMENTO.PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — PARADIGMA. DIVERGÊNCIA OBJETIVA.
O Paradigma necessário a conduzir o recurso especial deve necessariamente se referir à questão motivadora da decisão recorrida a provocando a indispensável divergência objetiva. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DA ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS.
A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da Aladi, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário.
Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido. Recurso Especial do Contribuinte provido.
Numero da decisão: 9303-001.994
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Relator), Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos e Otacílio Dantas Cartaxo, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; e II) por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso especial da Fazenda Nacional, por perda de objeto. O Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, que se declarou impedido de votar. Esteve presente ao julgamento o Dr. Danillo José Souto
Vita, OAB/PB nº 14.548, advogado do sujeito passivo.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Marcos Aurélio Pereira Valadão
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DIVERGÊNCIA OBJETIVA. O Paradigma necessário a conduzir o recurso especial deve necessariamente se referir à questão motivadora da decisão recorrida a provocando a indispensável divergência objetiva. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DA ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da Aladi, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário. Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido. Recurso Especial do Contribuinte provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por maioria de votos, deuse provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Relator), Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos e Otacílio Dantas Cartaxo, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; e II) por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso especial da Fazenda Nacional, por perda de objeto. O Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 que se declarou impedido de votar. Esteve presente ao julgamento o Dr. Danillo José Souto Vita, OAB/PB nº 14.548, advogado do sujeito passivo. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO _ Presidente MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Relator RODRIGO DA COSTA PÔSSAS – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos adoto o Relatório do acórdão recorrido: Tratase Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte contra decisão prolatada pela DRJ — Fortaleza/CE que manteve o lançamento de Imposto de Importação por conta da desconsideração da Certificação de Origem para efeitos da preferência tarifária, em face de operação triangular realizada pelo Importador com sua subsidiária nas Ilhas Cayman com base nos fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO Improcedente a argüição de nulidade do lançamento apontada pela defesa, tendo em vista que a exigência foi formalizada com • observância das normas processuais e materiais aplicáveis ao fato em exame. PEDIDO DE PERÍCIA NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender aos requisitos previstos na legislação de regência. Assunto: Imposto sobre a Importação — II PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.000355/200161 Acórdão n.º 930301.994 CSRFT3 Fl. 226 3 É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual em caso de divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. ALIQUOTA A alíquota aplicável á "FUELOIL" (ÓLEO COMBUSTIVEL) em 30/06/2000, era de fato 6%. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE Intimado da decisão de primeira instância, em 07/05/2002, o recorrente interpôs tempestivo Recurso Voluntário, em 04/06/2002, argumentando, em suma, que: a) a exigência das faturas e o lançamento do imposto contrariam frontalmente a apreciação que, sobre a matéria, fez o órgão sistêmico da Secretaria da Receita Federal; b) a intermediação de pessoas de terceiro país em importação é corriqueira e não prejudica nem o fato da origem, nem impede que se aplique a redução; c) ratifica a operação constatada e descrita pela fiscalização, ressaltando que a fatura final, após a recompra, compreende o preço puro e idêntico, constante das faturas anteriores, acrescido apenas do repasse dos encargos financeiros das linhas de crédito tomadas; d) a mercadoria objeto da aquisição original foi enviada diretamente do país produtor — Venezuela — para o Brasil; e) houve necessidade de realização dessas operações intermediárias pela empresa como forma de alavancagem financeira, não colidindo, essas intermediações de um terceiro país, com a intenção que presidiu a celebração de Acordos de redução tarifária, tampouco prejudicam seu enquadramento no regime de origem; O a presença de interveniente não está expressamente prevista, porém não é vedada pela Resolução 78 e Acordo 91, afirmando, inclusive, que a legislação do MERCOSUL, mais utilizada, já prevê a presença de interveniente não signatário, citando a Resolução n° 232, de 8 de outubro de 1997, que faz previsão expressa sobre a presença do interveniente; g) a vedação é quanto à figura do atravessador ou especulador e não que um importador de "urna das altas partes" subseqüentemente negocie a mercadoria, quando já satisfeitas a finalidade e as formalidades do acordo; h) o art. 10 da Resolução 78 determina que os países signatários procederão a consultas entre os Governos, sempre e previamente à adoção de medidas que impliquem rejeição do Certificado de Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Origem, observandose ainda o devido processo legal, o que não ocorreu neste caso. É o relatório. A Câmara a quo negou provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ACORDOS DA ALADI. CERTIFICADO DE ORIGEM. OPERADOR DE TERCEIRO PAÍS. O uso de preferência tarifária no âmbito da Aladi depende da integral satisfação dos requisitos e condições previstos no Regime Geral de Origem. Não se presta para comprovação o Certificado de Origem que não preenche as condições estabelecidas no Acordo 91 da Aladi Operação não caracterizada como de interveniência de operador de terceiro pais prevista no Acordo 91, visto tratarse de mercadoria já antes faturada pelo produtorexportador ao importador brasileiro, cujo documento diverge da fatura apresentada no despacho aduaneiro, emitida por subsidiária da interessada em terceiro pais. MULTA DE OFICIO. É descabida a aplicação da multa de oficio prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, no caso de solicitação de preferência tarifária incabível, desde que a mercadoria tenha sido corretamente descrita e não se constate a ocorrência de dolo (ADN Cosit nº 10/97). Recurso Voluntário parcialmente provido. Por meio do despacho de fls. 143, foram os autos devolvidos ao relator, por ter sido constatada omissão no Acórdão nº 30131.712 quanto ao recurso de ofício. A nova decisão, consubstanciada no Acórdão nº 30132.575, foi ementada nos seguintes termos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/06/2000 Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO ALIQUOTA A alíquota aplicável na apuração do imposto de importação é aquela vigente à data do fato gerador, ou seja, na data do registro da Declaração de Importação. RECURSO DE OFICIO NEGADO Inconformada a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência às fls. 150/153, no qual pleiteia, em síntese, a manutenção integral do lançamento, especialmente quanto à multa de ofício, restaurandose a decisão de primeira instância. Por meio do despacho de fls. 186/188, o Presidente da 1ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes deu seguimento ao recurso da Procuradoria. O sujeito passivo apresentou contrarrazões às fls. 194/204 e, recurso especial às fls. 210/225, por meio do qual requereu a reforma do acórdão ora fustigado. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.000355/200161 Acórdão n.º 930301.994 CSRFT3 Fl. 227 5 Alegou em sua peça recursal que “a apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido, pelo pais produtor da mercadoria, acompanhado , da Fatura do pais interveniente e do Conhecimento 'de Embarque que deixam clara a origem da mercadoria, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada.” E que “o único requisito para a fruição dos benefícios de preferência tarifária previstos no ACE 27 é a comprovação de que a mercadoria objeto da importação seja procedente (origem) de país membro da ALADI (art: 4°, da, Resolução ALADI/CR n° 78 Regime Geral de Origem (RGO) , aprovada pelo Decreto ' n° 98.836, de 1990), o que na , hipótese dos presentes autos restou incontroverso, sendo tal fato inclusive reconhecido pelo própria acórdão recorrido”. Pede ao final que se julgue totalmente insubsistente o lançamento. O recurso foi admitido pelo Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, às fls. 251/252. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, às fls. 254/266, apresentou contrarrazões ao recurso do contribuinte. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Aurélio Pereira Valadão No que diz respeito à multa de ofício, entendo que não deve ser conhecido o recurso Especial da Fazenda Nacional, embora tempestivo. Isto porque a decisão paradigma que foi apresentada não discutiu o tema, tampouco o fez a decisão que lhe serviu de supedâneo, conforme consta da citação do Acórdão DIU/FOR N.° 1.415102 , pelo Acórdão paradigma (n. 30330576), cujo trecho transcrito às fls. 178, segue reproduzido abaixo: Matéria não Impugnada Da análise dos autos, verificase que a defendente, na peça impugnatória, fls. 75, não contestou expressamente a matéria referente às multas aplicadas. Destarte, com fulcro no art. 17 do Decreto n° 70.235/72, com a redação da Lei n° 9.532/97, é de considerar como não impugnada quanto ao mérito, as matérias acima destacadas, objeto do presente processo e, portanto, não instaurada a fase litigiosa do procedimento, assim, não existindo préquestionamento na 1a instância administrativa, tornase preclusa quanto a argüições posteriores. (...) Assim, há que se concordar com as contrarazões expressas pela recorrente no sentido de que a matéria não foi préquestionada, já que no próprio Acórdão paradigma as circunstâncias que ensejam a discussão não são coincidentes com o caso do presente recurso. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 No presente processo o tema trazido à baila para afastamento da multa de ofício referese ao Ato Declaratório COSIT n°10,. de 16/01/97 – tema que sequer foi cogitado no acórdão paradigma, que, na verdade, também não discutiu o tema da multa. Assim, nego conhecimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Marcos Aurélio Pereira Valadão Voto Vencido Aprecio o Recurso Especial do Contribuinte, admitido conforme despacho acima mencionado, em boa forma. A autuação se deu por desconsiderar o Certificado de Origem apresentado como adequado à operação em virtude de que “emitido antes da emissão da Fatura 57 dias Certificado de Origem inválido ou inexistente (Cláusula 10ª do Regimento de Origem da ALADI) para o fim pretendido pelo importador, com perda de redução, tarifária;”, acrescentando o autuante que: O número da fatura comercial (1047510) que consta no campo referente à declaração de origem, do respectivo certificado, diverge da fatura que instruí a declaração de importação (Pifco°, n. ° PIFS8 722/2000 de 18/08/2000). Para atender as exigências legais esse campo do certificado de origem deveria indicar o número da fatura emitida pela PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY Pifco, empresa que, segundo informações concedidas, haja vista que a Fatura não indica qual é o país e muito menos o endereço e registro em órgão governamental, tem sede nas Ilhas Cayman, ou então, ter sido deixado em branco, caso o numero dessa fatura não fosse conhecido quando da emissão do certificado de origem. Nessa situação, o importador deveria ter apresentado a declaração juramentada prevista na Cláusula Nona do Regime de Origem da ALADI, o que, se tivesse sido o caso concreto, também deixou de ser observado, invalidando, conseqüentemente, tanto o Certificado de Origem, como a Fatura Comercial, contrariando toda legislação vigente aplicável a matéria constante no item 4 do presente Auto de Infração; Manifestada a inconformidade, o auto de infração foi mantido pela DRJ, retificando erro na definição de alíquota, o que gerou recurso de ofício, o contribuinte apresentou recurso voluntário na parte que lhe foi adversa. Os recursos foram julgados pela 1ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, que desproveu o recurso de ofício e deu provimento em parte ao voluntário, afastando a aplicação da multa de ofício. Ambos recorreram de especial e ambos apresentaram contrarazões, os recursos, da Fazenda e do contribuinte foram admitidos conforme despachos de fls. 186188 e 251252. O contribuinte se posicionou contrário à não aplicação da redução tarifiária ( a não redução tarifária foi mantida pela 1ª Câmara do 3º CC) e a Fazenda Nacional se manifestou pela aplicação da multa de ofício in casu (o que foi afastado pela 1ª Câmara do 3º CC). Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.000355/200161 Acórdão n.º 930301.994 CSRFT3 Fl. 228 7 Analiso primeiramente a questão do certificado de origem, que a depénder do resultado torna ineficaz a análise do segundo tema recursal. Tratase da chamada operação de triangulação, cuja prática é reconhecida e justificada pelo contribuinte, por questões relacionadas à financiamento em moeda estrangeira e o prazo de pagamento nessas aquisições. Conforme palavras do contribuinte (fls. 212), nessas operações são “emitidos fature e certificado do país de origem contra a Petrobrás, fatura desta contra a intermediária e, a final, dela contra a ora recorrente.” Trago à baila os argumentos do recorrente, que propugna pela aplicação da Resolução 78, alterada pela resolução 232, a qual permitiria que “operador de 3°.país a venda para o importador de pais signatário, emitindo a respectiva fatura que acobertará a importação;”, alega também que foi descumprida a orientação da S. R. F. (RFB), contida na NOTA COANA/COLAD/DITEG N° 60/97, que se atentou contra a segurança jurídica do contribuinte (arts. 100 1 § único, 112 e 146 do CTN) e os princípios da aplicação da lei _tributária (art. 106, I e II alínea "b", do CTN); que foi descumprido o art. 10 da Resolução 78 (consulta ao país exportador de origem), alega também que os fundamentos divergem da documentação apresentada e que “a preferência tarifária fundamentada em Acordo de Complementação Econômica, ACE27, depende especialmente do transporte direto do país de origem até o Brasil, podendo ser faturada por operador de terceiro país, associado ou não à ALADI” (fls. 212213). Acrescenta o recorrente em relação à decisão de 2ª instância que: i) é incontroversa a origem da mercadoria, registrando ' o próprio auto de infração em testilha que os produtos objeto desta importação foram importados diretamente de (pais membro da ALADI (Venezuela); ii) em nenhum momento foi contestada a validade do Certificado de Origem emitido pela PDVSA, que foi apresentado em sua via original, deixando inconteste a origem, venezuelana das mercadorias; iii) a apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo pais produtor da mercadoria, acompanhado da Fatura do pais interveniente e do Conhecimento de Embarque que deixam clara a origem da mercadoria, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à , autoridade aduaneira; iv) meras formalidades documentais não são hábeis para excluir direito a beneficio tarifário firmado em acordos internacionais, mormente quando o tratado não vincula a concessão do beneficio a nenhum outro requisito que não a origem das mercadorias. Reitera em seus argumentos que a perda da redução tarifária teria se dado em função de meros formalismos. Em seguida traz uma série de argumentos com base na Constituição (art. 5º, inciso II), alegando nulidade do AI, aspecto que deixo de analisar, pois não é objeto do presente recurso. Alega também que se trataria de simples descumprimento de obrigação acessória, que não poderia fazer nascer obrigação principal. Por fim reitera os Fl. 7DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 argumentos contidos na manifestação de inconformidade, alegando a Resolução 78 e o transporte direto. Primeiramente deve ser destacado que se aplica ao caso a Resolução 232 da ALADI, apensa ao Decreto n. 2.865, de 07 de dezembro de 1998, a qual veio permitir a triangulação em seu art. 2º, já que a DI foi registrada em 30/06/2000 e o Decreto n. 2.865, que internalizou a Resolução ALADI 232 entrou vigor por via do Decreto n° 2.865, de 08/12/1998 (A resolução 78, alegada pelo contribuinte não permitia a triangulação). Assim, nos termos da Resolução 232 é permitida a operação de triangulação mediante o cumprimento dos seus termos. Ocorre, que no caso, o Certificado de Origem foi expedido em 22/06/2000, portanto, antes das faturas da Fatura PDVSA: 27/06/2000 e da Fatura PFICO 18/08/2000. Assim a recorrente deveria ter cumprido o disposto no artigo segundo da Resolução 232 que dispõe: SEGUNDO Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de uni terceiro pais, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do pais de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro pais, a área correspondente • do certificado não deverá ser preenchida. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. Como se vê no Certificado de Origem, documento de fls 21, a providência exigida na primeira parte do dispositivo acima citado não foi cumprida, pois consta tão somente o nome da PFICO, do navio, da data do BL e a NCM do produto. Da mesma forma, em virtude das faturas da PDVSA e da PFICO terem sido emitidas em datas posteriores ao CO, deveria ter sido apresentada a declaração juramentada a que se refere a segunda parte do dispositivo acima citado, o que também não foi feito. De fato, não há contestação específica de que a mercadoria não procedeu da Venezuela. O que debate é se o descumprimento das obrigações formais que garantem a redução tarifária implicam a perda da redução. A reposta é positiva. Tratase de mecanismos de controle acordado entre os países que integram o bloco. O contribuinte que se beneficia da redução tarifária prevista em AC que remete à certificação de origem, deve seguir as regras de certificação de origem, sob pena de não poder se utilizar da redução tarifária ali estabelecida e de acordo com a orientação de normas que concedem benefícios e reduções tributárias, essas normas devem ser interpretadas de maneira restritiva. Assim, como o recorrente não inseriu adequadamente as informações no CO e não foi entregue a mencionada declaração juramentada, não há que se reconhecer o direito da recorrente de se utilizar da redução tributária pleiteada. Como bem colocado no voto vencedor da decisão da 1ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, da lavra do Conselheiro José Luiz Rossari: Desse modo, a fruição da preferência tarifária subordinase ao reconhecimento, pelo pais importador, do certificado Fl. 8DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.000355/200161 Acórdão n.º 930301.994 CSRFT3 Fl. 229 9 apresentado, como documento probante da origem da mercadoria, para que possa produzir os efeitos fiscais que lhe são próprios, o que implica verificar se o documento atende, sob os aspectos material e formal, os requisitos estipulados no acordo internacional. As alegações de que o Fisco teria sido descumprido o art. 10 da Resolução 78 e de que os procedimentos exigidos não estão previstos em lei não procedem, tendo em vista a especificidade da Resolução 232, editada em conformidade com as tratados que regem a ALADI e o direito brasileiro. Não procede também o argumento de que o contribuinte teria descumprido mera formalidade exigida na regulamentação da matéria. Tratase de formalidade intrínseca ao exercício do direito de se utilizar da redução tarifária, de acordo com as normas do Acordo. O contribuinte não pode se utilizar do benefício tarifário, estabelecendo e praticando as operações do modo que entender, ao seu próprio alvedrio, sem seguir a regulamentação, sem obedecer aos mecanismos de controle estabelecidos na legislação tributária e comercial, e alegar depois que se trata de mera questão de provar o fato, independentemente das normas que o regem. O fato é que o contribuinte não seguiu a regulamentação pertinente que garante a redução e por isto esta lhe foi negada, pelos motivos acima expostos. Assim, em relação a este aspecto meu entendimento é de que descabe razão à recorrente, devendo ser mantida a decisão da 1ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes. Em vista do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Especial do contribuinte, mantendo o acórdão recorrido conforme foi proferido. Marcos Aurélio Pereira Valadão Voto vencedor Nesse ponto específico da triangulação e da manutenção da preferência tarifária, ouso discordar do eminente relator. Segue abaixo o voto que fui designado para redigir. Em síntese, a alegação de descumprimento do regime de origem está calcada no suposto descompasso entre a operação alvo de litígio e a resolução 252 da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), promulgada por meio do Decreto nº 3.325, de 30 de dezembro de 1999. Segundo aduz a autoridade fiscal: a) há um descompasso entre o certificado de origem e a fatura comercial apresentados por ocasião do despacho de importação; b) a Resolução 252 exigiria a expedição direta da mercadoria; Fl. 9DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 c) a Petrobras Finance Corp (Pifco), pessoa jurídica estabelecida um país não signatário da Aladi, atuara na operação na qualidade de exportador, hipótese não admitida pelo acordo, que só admitiria essa intervenção na qualidade de “operador”; d) ainda que a Pifco atuasse como operador, restariam descumpridas as exigências fixadas pela Resolução Aladi, eis que o certificado de origem apresentado não consignaria a informação de que a mercadoria seria faturada por meio de um terceiro país, nem identificara o nome, denominação ou razão social e domicílio daquele operador. Aduz, ainda, com relação a esta última exigência, que não fora apresentada declaração juramentada capaz de suprir a referida falha documental. Apesar do zelo demonstrado pela autoridade Fiscal, penso, com o máximo respeito, que tais fundamentos não dão suporte à manutenção da exigência. Explico. Em primeiro lugar, considero que a falha documental na instrução do despacho de importação foi devidamente saneada pela apresentação da fatura comercial nº 11989101, o que permitiu o cotejamento entre a mercadoria submetida ao crivo do Fisco e a constante do certificado de origem objeto do presente litígio. Em segundo, diferentemente do que se verificou em outras operações análogas envolvendo a recorrente, no caso do presente recurso, a mercadoria que tem sua origem questionada pelo Fisco embarcou no porto de Amuay Bay, Venezuela, a bordo do Navio BRALI, com destino ao Brasil, tendo sido descarregada no Porto de Belém, conforme se constata na leitura da averbação constante do extrato da Declaração de Importação e do conhecimento de transporte. Cabe aqui destacar o que diz o artigo QUARTO da Resolução 252 (os destaques não constam do original): QUARTO. Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considerase como expedição direta: a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. Sendo certo que a mercadoria não transitou pelas Ilhas Cayman, encontrase satisfeita a exigência de expedição direta da mercadoria. Também discordo que a intervenção da pessoa jurídica Pifco tenha ocorrido em desacordo com o que preceitua o regime de origem da Aladi. Cabe relembrar, nessa esteira, a distinção entre país de origem, procedência e aquisição gizada nas alíneas “h”, “i” e “j” do art. 425 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985: h) país de origem, como tal entendido aquele onde houver sido produzida a mercadoria, ou onde tiver ocorrido a última transformação substancial; 1 fl.24 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.000355/200161 Acórdão n.º 930301.994 CSRFT3 Fl. 230 11 i) país de aquisição, assim considerado aquele do qual a mercadoria foi adquirida para ser exportada para o Brasil, independentemente do país de origem da mercadoria ou de seus insumos; j) país de procedência, assim considerado aquele onde se encontrava a mercadoria no momento de sua aquisição; Cotejando os elementos carreados ao processo com os conceitos regulamentares, em especial o consignado na alínea “i”, vêse que as Ilhas Cayman, em verdade, representam o país de aquisição e não, como restou consignado, como país de origem ou procedência. Nessa linha, não há como afirmar validamente que o acordo proíba que a mercadoria seja faturada por um operador situado em um país não membro da Aladi. Ora, o artigo NONO da Resolução Aladi nº 252 nesse ponto é explícito: NONO. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. (os destaques não constam do original) Ora, a mercadoria, diversamente do afirmado no auto de infração, é unicamente faturada a partir das Ilhas Cayman, na medida em que, conforme já mencionado anteriormente, é embarcada diretamente da Venezuela para o Brasil. Não se discute, ademais, sua extração em país diverso. Restaria, finalmente, avaliar se há vício formal no certificado de origem nº ALD 10010341422 capaz de invalidálo. Chamo atenção para algumas informações consignadas no certificado que se entende imprestável para comprovar a origem da mercadoria: no campo 1 do certificado consignase expressamente a intervenção da Venezuela como país exportador e, no campo 2, o Brasil, como país importador, já no campo 9, identificase a pessoa jurídica PDVSA Petroleo Y GAS S.A. como produtor. Finalmente, no campo observações, indicase a participação da pessoa jurídica Petrobras Internacional Finance Company, o navio que transportará a mercadoria e a data de emissão do conhecimento de transporte. Ora, se foi indicado o país de destino da mercadoria, a intervenção do operador estabelecido em terceiro país e, a partir da apresentação da fatura comercial atrelada ao referido certificado, identificamse claramente todos os elos da cadeia comercial, não há como afirmar que o certificado esteja em desacordo com as regras do acordo, máxime em razão de que as informações relativas ao domicílio da Pifco estão perfeitamente identificadas na fatura acreditada por tal certificado. 2 Juntado por cópia à fl. 23 Fl. 11DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso Especial interposto pelo contribuinte. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 18471.001424/2008-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004
DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
São consideradas indedutíveis, para fins fiscais, as despesas cuja comprovação não esteja apoiada em documentação hábil e idônea.
ROYALTIES. INDEDUTIBILIDADE. PAGAMENTO. SÓCIO PESSOA JURÍDICA.É indedutível o pagamento de royalties pelo uso de marca feito A pessoa física ou jurídica, vinculada societariamente A fonte pagadora.
ROYALTIES. DEDUTIBILIDADE. LIMITAÇÃO. EMPRESA SEDIADA NO PAÍS.
A limitação estabelecida no art. 355, RIR, de 1999, dirigese
indistintamente a beneficiários residentes no Brasil ou no exterior.
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. CSLL.Aplicase A tributação reflexa /decorrente idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1301-000.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Turma, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termosdo relatório e voto proferidos pelo Conselheiro relator.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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DEDUTIBILIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. São consideradas indedutíveis, para fins fiscais, as despesas cuja comprovação não esteja apoiada em documentação hábil e idônea. ROYALTIES. INDEDUTIBILIDADE. PAGAMENTO. SÓCIO PESSOA JURÍDICA. É indedutível o pagamento de royalties pelo uso de marca feito A pessoa física ou jurídica, vinculada societariamente A fonte pagadora. ROYALTIES. DEDUTIBILIDADE. LIMITAÇÃO. EMPRESA SEDIADA NO PAÍS. A limitação estabelecida no art. 355, RIR, de 1999, dirigese indistintamente a beneficiários residentes no Brasil ou no exterior. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. CSLL. Aplicase A tributação reflexa/decorrente idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Turma, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro relator. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001424/200876 Acórdão n.º 1301000.817 S1C3T1 Fl. 2 2 (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jackson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Alberto Pinto Souza Junior Fl. 634DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001424/200876 Acórdão n.º 1301000.817 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Contra a empresa qualificada em epígrafe foram lavrados autos de infração de IRPJ, no valor de R$ 4.205.333,24 (fls. 382/388), e de CSLL, no valor de R$ 1.390.354,48 (fls. 389/395), acrescidos da multa de oficio e os juros de mora. Foram apuradas as seguintes infrações pela fiscalização: glosa de despesas não comprovadas de fatos geradores de 31/12/2004 nos valores de R$ 3.140.452,57, R$ 18.000.000,00 e R$ 374.695,75, consoante o item I, II, III e IV do Termo de Verificação. pagamento de aluguéis/royalties a beneficiários no Brasil no valor de R$ 846.912,07, conforme item IV do Termo de Verificação. pagamento de aluguéis/royalties sem observância dos requisitos legais no valor de R$ 1.677.410,14, conforme item V do Termo de Verificação. O Termo de Verificação que traz as circunstâncias e fatos que deram ensejo ao lançamento, vem assim resumido: Item I Como a fiscalizada não apresentou a documentação comprobatória de determinados registros contábeis como determina a legislação, foram glosados R$ 3.140.452,57 de custos de serviços. Informa a fiscalização que a fiscalizada, apesar de intimada e reintimada a comprovar os lançamentos a débito nas contas n° 32150201 Despesas — Serviços Jornalísticos — Jornalistas RedatoresColunistas PJ; 32151301 — Fixos PJ; e 32151601 Serviços Gráficos, conforme cópia do Livro Razão acostado aos autos, não apresentou a documentação referente aos registros contábeis individualizados por conta e por mês às 79/90. Item II Foi efetuada a glosa de registro contábil em duplicidade de custos de serviço, conta 32151601 Serviços gráficos, NF/fatura de serviços da Editora O Dia, n's. 0235609, 0235610 e 0235611, conforme descriminado às fls. 90 e 376/379, no valor de R$ 553.970,56. Item III Glosa de despesa no valor de R$ 18.000.000,00, apropriada em 01/01/2004 na conta 32151299 Outros Serviços, cópia do Livro Razão anexa, a titulo de Contrato de Intermediação de Negócios com Tessey Consulting Inc A fiscalização intimou a fiscalizada em 13/11/2007 e reintimou em 05/12/2007, para comprovar os lançamentos a débito da conta n° 32151299 Outros Serviços. Atendida em 12/12/2007, em resposta, foi apresentado documento datado 15/01/2004 denominado Aditamento ao Contrato de Prestação de Serviços de Consultoria Empresarial pactuado entre a Editora JB S/A (fiscalizada) e Belostar do Brasil Ltda. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001424/200876 Acórdão n.º 1301000.817 S1C3T1 Fl. 4 4 Após intimações, foram apresentados pela fiscalizada os seguintes documentos: i. Contrato de Prestação de Serviços de Consultoria Empresarial celebrado entre Editora JB S/A e Tessey Consulting Inc,. datado de 26/06/2003 (fls.277/284), cujo scopo era de implementar projeto de expansão das atividades editoriais do grupo empresarial da Editora Editora JB S/A, mediante identificação e aquisição de veículos de mídia, especialmente escrita, nacionais e estrangeiras (cláusula 1); ii. Traspasse de contrato celebrado entre a Tessey Consulting Inc. e Belostar do Brasil Ltda., com data de 17/09/2003, em cujas cláusulas primeira e segunda, a Tessey traspassa o Contrato de Prestação de Serviços de Consultoria Empresarial celebrado entre ela e a Editora JB S/A, datado de 26/06/2003, à Belostar (fls. 286/288); iii. Contrato firmado entre a Editora JB S/A e Tessey Consulting Inc., datado de 19/12/2003, no qual se pactua que o valor da remuneração (cláusula 1) devida à Tessey pela prestação dos serviços de consultoria é de R$ 18.000.000,00, que seria correspondente a 2% da receita bruta projetada para 15 anos do Grupo Gazeta Mercantil (fls. 289/291); iv. Aditamento ao Contrato de Prestação de Serviços de Consultoria Empresarial celebrado em 15/01/2004 entre a Editora JB S/A e a Belostar do Brasil Ltda, onde resolvem aditar o contrato de consultoria, alterando o valor da remuneração, conforme clausulas transcritas as fls. 93 (fls. 292/299). A fiscalização dá conta de que, após o traspasse de contrato da Tessey para a Belostar (item ii), o contrato firmado entre a Editora JB S/A e a Tessey, celebrado em 19/12/2003, seria nulo, uma vez que, após o trespasse inicial, a Tessey não mais poderia ser parte de um ato que se vincula ao contrato inicial celebrado em 26/06/2003, notadamente no que toca à repactuação da remuneração. Segundo a fiscalização, consoante os contratos apresentados, a remuneração admitida, conforme demonstrativo de fls. 361/363 elaborado pela fiscalizada, seria de 1% do valor da receita liquida decorrente da Gazeta Mercantil, ou seja, 1% de R$ 85.074.044,42, o que daria R$ 850.740,44. Segundo a fiscalização, seria esse o montante de despesas relativas a esses contratos passível de ser dedutível para efeito de IRPJ, e não o valor de R$ 18.000.000,00. Contudo com o não atendimento do item 1 do Termo de Intimação de 10/06/2008 e a não apresentação da documentação comprobatória da efetividade da prestação de serviços referente à intermediação dos negócios jurídicos, consoante as cláusulas 3 e 4 do Contrato de Prestação de Serviços de Consultoria Empresarial celebrado entre Editora JB S/A e Tessey Consulting Inc,. datado de 26/06/2003, foi integralmente glosado o valor de R$ 18.000.000,00 contabilizado em 01/01/2004 a titulo de despesas. Item IV Foi efetuada a glosa de despesas a titulo de pagamento de royalties, apropriadas na conta n° 32120204 Royalties, Livro Razão anexo, no montante de R$ 846.912,07, tendo em vista que não são dedutiveis os royalties pagos a sócios, pessoas físicas Fl. 636DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001424/200876 Acórdão n.º 1301000.817 S1C3T1 Fl. 5 5 ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes, conforme determina o art. 353, I, do RIR, de 1999. Quando intimada a esclarecer a natureza da despesa, a fiscalizada apresentou o contrato de licenciamento de uso de marcas e usufruto oneroso de fls. 301/308, celebrado entre 18/01/2001 entre Jornal do Brasil S/A e Companhia Brasileira de Multimidia (CBM), CNPJ 04.216.634/000137, figurando a fiscalizada como sublicenciada naquele contrato (fls. 317/322), mas que, todavia, a CBM é sócia majoritária da Editora JB S/A (fiscalizada), conforme se vê na Ata da AGE realizada em 22/05/2003 (fls. 311/316). Item V Glosa de R$ 1.677.410,14 de despesas com pagamento de royalties pelo uso de marcas de indústria e comércio originárias dos contratos celebrados com a Gazeta Mercantil e Investnews, apropriadas na conta n° 32120204 — Royalties, em face de o valor apropriado ter excedido o limite para dedutibilidade de 1% da receita liquida das vendas do produto, conforme determinam a alínea "a", seção II, da Portaria MF n° 436, de 1958, combinada com o art. 355 do RIR, de 1999, como também se menciona o item 5 do Parecer Normativa CST n° 117, de 1975. A fiscalização informa que, conforme documentos e planilhas apresentados pelo contribuinte às fls. 324/363, os valores dedutíveis e não dedutíveis, segundo o referido limite, seriam esses: A B C D=CX1% E F=ED Base de Cálculo INVESTNEWS Base de Cálculo GAZETA Total Base de Cálculo Limite para Dedução Valor Deduzido Valor Indedutível 2.674.527,41 85.074.044,42 87.748.571,83 877.485,72 2.554.895,86 1.677.410,14 Item VI Glosa de R$ 374.695,75 de despesas com pagamentos de royalties, apropriadas na conta no 32120204 Royalties, em face da não apresentação nem de documentação nem de justificativa dos pagamentos a titulo de royalties devidos pela exploração da marca Forbes. A fiscalização da conta de que a fiscalizada apresentou um documento em inglês celebrado em 05/03/2002 e sua tradução (fls. 364/375), no qual consta que a Editora Camelot Ltda., sob anuência da Forbes Inc. e Forbes Global Inc. cede à Companhia Brasileira de Multimidia, sócia acionista majoritária da Editora JB S/A, todos os direitos, titularidade, interesses, deveres e obrigações sob a condição de licenciado. A fiscalização afirma que o referido documento sequer permite verificar a remuneração pactuada em um acordo de licenciamento celebrado em 05/06/2000 e cita a Fl. 637DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001424/200876 Acórdão n.º 1301000.817 S1C3T1 Fl. 6 6 Cia Brasileira de Multimidia como única responsável pelos pagamentos de taxas e royalties Forbes Inc. e Forbes Global Inc. Em vista desses fatos, a fiscalização procedeu à glosa na integra dos valores apropriados a titulo de pagamentos de royalties à revista Forbes na já mencionada conta n°32120204 pela não apresentação da documentação e da justificativa comprobatória da despesa. A fiscalização informa ainda que mesmo que tais exigências tivessem sido cumpridas, essas despesas, para serem tidas como dedutiveis para o IRPJ, estariam sujeitas a observância dos requisitos previstos nas alíneas "a" e "h" do inciso V do art. 353, c/c art. 355 e§§, ambos do RIR, de 1999, os quais assim dispõe: “Art.353. Não são dedutiveis (Lei n2 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): (.) V os royalties pelo uso de marcas de indústria e comércio pagos ou creditados a beneficiário domiciliado no exterior: a) que não sejam objeto de contrato registrado no Banco Central do Brasil; ou b) cujos montantes excedam aos limites periodicamente fixados pelo Ministro de Estado da Fazenda para cada grupo de atividades ou produtos, segundo o grau da sua essencialidade e em conformidade com a legislação especifica sobre remessas de valores para o exterior. (.) Art. 355. As somas das quantias devidas a titulo de royalties pela exploração de patentes de invenção ou uso de marcas de indústria ou de comércio, e por assistência técnica, cientifica, administrativa ou semelhante, poderão ser deduzidas como despesas operacionais até o limite máximo de cinco por cento da receita liquida das vendas do produto fabricado ou vendido (art. 280), ressalvado o disposto nos arts. 501 e 504, inciso V (Lei n°3.470, de 1958, art. 74, e Lei no 4.131, de 1962, art. 12, e DecretoLei n°1.730, de 1979, art. 6°. § 1° Serão estabelecidos e revistos periodicamente, mediante ato do Ministro de Estado da Fazenda, os coeficientes percentuais admitidos para as deduções a que se refere este artigo, considerados os tipos de produção ou atividades reunidos em grupos, segundo o grau de essencialidade (Lei n°4.131, de 1962, art. 12, § 1°). § 2° Não são dedutiveis as quantias devidas a titulo de royalties pela exploração de patentes de invenção ou uso de marcas de indústria e de comércio, e por assistência técnica, cientifica, administrativa ou semelhante, que não satisfizerem ás condições Fl. 638DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001424/200876 Acórdão n.º 1301000.817 S1C3T1 Fl. 7 7 previstas neste Decreto ou excederem aos limites referidos neste artigo, as quais serão consideradas como lucros distribuídos (Lei n° 4.131, de 1962, arts. 12 e 13). § 3° A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a titulo de aluguéis ou royalties pela exploração ou cessão de patentes ou pelo uso ou cessão de marcas, bem como a titulo de remuneração que envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, cientifica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) somente será admitida a partir da averbação do respectivo ato ou contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, obedecidos o prazo e as condições da averbação e, ainda, as demais prescrições pertinentes, na forma da Lei n° 9.279, de 14 de maio de 1996. O auto de infração de CSLL é mera decorrência das infrações apuradas no lançamento do IRPJ. Intimado do lançamento a Impugnante apresentou impugnação tempestiva alegando em síntese o seguinte: Custos e despesas não comprovadas (item I) que uma vez que o próprio termo fiscal indica a data, o nome da empresa, número da nota fiscal, referente a pagamentos realizados, e que esses pagamentos se referem a despesas por serviços pagos a jornalistas, redatores, colunistas e serviços gráficos, ou seja, com todos os dados identificando a operação, e tendo sido lavrado o auto de infração sob o fundamento de que inexistia tal comprovação (circunstância que, como se vê, não ocorre) é improcedente a glosa; Pagamentos em duplicidade (item II) é procedente a argüição da duplicidade de tal despesa, mas a existência de prejuízos em valor maior do que a glosa exclui qualquer pagamento acaso devido; Pagamento tido por indevido feito à Belostar do Brasil que a fiscalização argüi que esse pagamento não tem amparo contratual, mas que isso não é verdade. que a impugnante firmou em 26/03/2003 contrato com Tessey Consulting Inc. de prestação de serviços, estabelecendo honorários de êxito no caso de aquisição bem sucedida de veículos de comunicação. que esse contrato foi cedido A Belostar do Brasil em 17/09/2003, e em 19/12/2003, as partes convencionaram que a remuneração devida, calculada por estimativa, seria fixada em R$ 18.000.000,00, e não percentualmente sobre a receita bruta anual projetada com a aquisição. que esse contrato foi firmado entre a suplicante e a Tessey, que não era A época a empresa obrigada pela execução do serviço, pois havia cedido os direitos e obrigações do contrato original em favor de Belostar. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001424/200876 Acórdão n.º 1301000.817 S1C3T1 Fl. 8 8 que em janeiro de 2004, as partes reratificam este compromisso, já agora através do contrato firmado entre ela, a impugnante, e Belostar do Brasil Ltda., estabelecendo que a remuneração seria paga em 72 prestações no valor de R$ 250.000,00 cada uma, o que Significa os mesmo R$ 18.000.000,00, referidos no contrato original. que a reratificação dá cobertura A posição, eliminando o único motivo pelo qual a glosa foi realizada, ou seja, o fato de que não existiria contrato prevendo que o pagamento fosse feito nos valores e condições pactuadas. Glosa de despesas a titulo de Royalties. que a glosa atinge primeiramente os valores pagos em razão do contrato de licenciamento do uso de marca e usufruto oneroso firmado em 18/01/2001, entre o Jornal do Brasil S/A e Cia Brasileira de Multimidia, sendo a suplicante sublicenciada desta última, e que o valor, do pagamento foi entendido como indedutivel sob o fundamento de que o contrato seria feito com empresa ligada, sendo vedada a dedução de acordo com o art. 353 do RIR, de 1999. que, todavia, essa disposição não atinge os pagamentos feitos a titulo de uso de marcas, e sim, os de royalties pagos pelo uso de propriedade de patentes e semelhantes, conforme entendimento da Camara Superior de Recursos Fiscais que colaciona. que, consoante acórdão do 1° Conselho de Contribuintes que cita, "Não está sujeito ao limite o gasto com cessão pelo uso de marca de indústria e comércio, suportado pela pessoa jurídica e tendo como beneficiário do pagamento, empresa sediada no pais."; que com relação aos pagamentos feitos A Editora Camelot Ltda e Investnews, em razão de ter a glosa o mesmo fundamento que é a indedutibilidade por terem excedido os valores percentuais referidos nos artigos 353 e seguinte do RIR, de 1999, a impugnante alega que, como já esclareceu anteriormente, estas limitações não se aplicam aos pagamentos feitos As sociedades brasileiras; que esses "...contratos formados não se referem apenas a uma simples assistência técnica ou cessão de uso de marca, mas a transferência de direitos da propriedade intelectual, e apenas industrial." (sic). que se aplica o disposto no acórdão 107.07.713/04, da 7 Camara do 1° C.C, que diz: "Não se enquadram dentro das limitações impostas pelo art. 292.1 do RIR/94 pagamentos realizados para empresa controladora a titulo de remuneração pela comercialização de software, seja porque nesta hipótese de royalties não se tratam, seja porque em verdade, se configuram como remuneração do direito do autor, em face de contrato de licenciamento e distribuição de software em que não se configura distribuição em tecnologia. Silo portanto dedutiveis como custos os dispêndios realizados com essa finalidade." que, no que toca à obrigatoriedade de se registrar no INPI esses contratos, se aplica o entendimento do acórdão 101.91.910 da P Câmara do 1° Cód. Civil, o qual diz que: "Os pagamentos com assistência técnica não necessitam de registro do contrato no INPI para Fl. 640DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001424/200876 Acórdão n.º 1301000.817 S1C3T1 Fl. 9 9 que sejam dedutíveis do lucro sujeito a tributação pelo imposto de renda, o mesmo ocorrendo com as despesas feitas a titulo de royalties quando feitos a empresas domiciliadas no pais.". que, por isso, quaisquer que fossem as condições, o pagamento deve ser tido como dedutível. que está certa de que, melhor examinada a questão, o presente lançamento será cancelado. A 9ª Turma da DRJ/RJ, julgou por unanimidade, o lançamento procedente, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. São consideradas indedutíveis, para fins fiscais, as despesas cuja comprovação não esteja apoiada em documentação hábil e idônea. ROYALTIES. INDEDUTIBILIDADE. PAGAMENTO. SÓCIO PESSOA JURÍDICA. É indedutível o pagamento de royalties pelo uso de marca feito A pessoa física ou jurídica, vinculada societariamente A fonte pagadora. ROYALTIES. DEDUTIBILIDADE. LIMITAÇÃO. EMPRESA SEDIADA NO PAÍS. A limitação estabelecida no art. 355, RIR, de 1999, dirigese indistintamente a beneficiários residentes no Brasil ou no exterior. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. CSLL. Aplicase A tributação reflexa/decorrente idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Lançamento Procedente Intimado em 24 de novembro de 2008 a Contribuinte, tempestivamente, em 05 de dezembro de 2008, apresenta recurso voluntário onde alega em síntese que: I Custos e Despesas Não Comprovadas a decisão recorrida incorpora dois conceitos: a) Para que a despesa seja dedutível é necessário uma perfeita identificação do gasto com a indicação da nota fiscal, fatura, natureza da operação e outros dados pertinentes a identificação do beneficiário. b) Excetuamse desta regra os casos de falsidade. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001424/200876 Acórdão n.º 1301000.817 S1C3T1 Fl. 10 10 a suplicante junta como anexo 1, a relação elaborada pelo próprio autuante, no qual constam: a) Mês a mês e por conta os lançamentos glosados. b) A indicação do número da nota fiscal ou fatura relativa a cada pagamento. c) A determinação do serviço que foi prestado. d) 0 valor do pagamento. Não encontrei. não há por conseguinte, como entender que existe falta de identificação do beneficiário ou de comprovação do pagamento. Ao contrário, a documentação do próprio autuante atesta de forma inquestionável quais foram os valores pagos, a quem foi efetuado o pagamento, a data, a conta e a nota fiscal respectiva, tal como recomenda a própria decisão recorrida. restaria a questão da falsidade ideológica, mas para isso seria indispensável que o próprio auto contivesse os motivos pelos quais se poderia desprezar a contabilidade e os pagamentos nela comprovados, desclassificando a despesa. Porém, nem no termo de verificação anexo ao auto, nem na decisão recorrida existe qualquer ratificação a respeito. ora, de acordo com o entendimento consolidado da decisão que se refere como anexo 2, proferida pela 6 a Câmara do 1° C.C. ao julgar o recurso 133.938: " Se o contribuinte trouxe aos autos documentação evidenciando a realização de negócio jurídico justificador e origem de recursos, a sua idoneidade e validade somente pode ser ilidida por conta própria da Fazenda, o que não remanesceu demonstrado, este que é presunção legal invocada e relativa e que foi afastada por documento válidos e não invalidados material e informalmente sejam os seus requisitos intrínsecos, sejam em seus requisitos extrínsecos. Portanto, é de se considerar a documentação adotada para efeito de computar o valor nela consignado na variação patrimonial apurada com resultado na autuação fiscal examinada." em suma, existindo comprovação absoluta das despesas e de sua vinculação " A atividade social ", não se pode negar a dedutibilidade do gasto sem que para isso exista uma fundada razão de fato ou de direito, que tem de ser obrigatoriamente referida no lançamento para que se permita válida a impugnação. como isso não aconteceu e, ao contrário o próprio termo elaborado pelo autuante prova a existência do gasto e não refere qualquer restrição material ás características formais do documento, há que se dar por procedente o recurso para se cancelar o lançamento no caso. II Pagamento Tido Por Indevido Feito a Bellostar do Brasil. a arguição do Termo de Verificação é que este pagamento não tem amparo contratual. A suplicante firmou com Tessey,Consulting Inc. contrato de prestação de serviços em 26.03.03, estabelecendo honorários de êxito no caso da aquisição bem sucedida de veículos de comunicação. como assegurava o aludido ajuste, o contrato foi cedido por Tessey Consulting em 17.09.03 à Bellostar do Brasil Ltda. Em 19.12.03 as partes convencionaram que a remuneração devida calculada por estimativa, seria fixada em R$ 18.000.000,00 e não percentualmente sobre a receita bruta anual projetada com a aquisição. Ocorre que este contrato foi firmado entre a Fl. 642DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001424/200876 Acórdão n.º 1301000.817 S1C3T1 Fl. 11 11 suplicante de Tessey Consulting que já não era à época a empresa obrigada pela execução do serviço, pois havia cedido os direitos e obrigações do contrato original em favor de Bellostar. em janeiro de 2004, as partes reratificaram este compromisso, já agora através do contrato firmado entre a suplicante e Bellostar do Brasil Ltda., estabelecendo que a remuneração seria paga em 72 prestações de R$ 250.000,00 cada uma, o que significa os mesmo R$ 18.000.000,00, referidos no contrato original. a reratificação dá cobertura à posição, eliminando o único motivo pelo qual a glosa foi realizada, ou seja, o fato de que não existiria contrato prevendo que o pagamento fosse feito nos valores e condições pactuadas. Como se vê, não existe dúvida sobre a matéria de fato. A decisão recorrida apreciando a questão porém, concluiu que a dedução era indevida. de acordo com o Termo de Verificação e Constatação Fiscal, o motivo da glosa foi a cessão do contrato entre Tessey Consulting Inc. e Bellostar do Brasil Ltda.firmada em 17/9/2003, quando a remuneração devida a Tessey foi ajustada em carta de 19 de dezembro de 2003, ou seja, ajustada após a cessão. ocorre que esta obrigação foi re ratificada através do aditamento de 15 de janeiro de 2004, que manteve a obrigação de pagamento em valor fixo e estabeleceu condições para a sua liquidação a prazo. A reratificação do contrato torna válida as suas cláusulas, qualquer que fosse a data ou condição de negociação original. quanto a natureza dos serviços prestados o próprio contrato entre a suplicante e Bellostar firmado em 26.3.03 diz expressamente que o pagamento se deve: " pelos serviços prestados pela contratada que intermediou negócios jurídicos de licenciamento de uso de marcas e usufruto oneroso entre Editora JB e a Gazeta Mercantil Participações Ltda., regulado por escritura pública de 16/12/2003." por conseguinte, existe: a) Obrigação contratual válida. b) Justificativa adequada para a realização do negócio.Não ha por outro lado, dúvida quanto a efetivação do pagamento, razão pela qual o debito não pode subsistir. III Royalties a matéria foi tratada a fls. 476, tendo a decisão recorrida negado provimento a impugnação. Embora com fundamento igual, tal entendimento deu pela procedência do lançamento em três situações distintas, a saber: a) Valores pagos a CVM que é sócia majoritária da Editora JB S/A, o que conflitaria com o art. 353.1 do RIR. b) Valor pago acima do limite de 1% da receita liquida no caso de contratos • celebrados com Gazeta Mercantil e Investimentos. c) Valores pagos pela exploração do titulo Forbes em sua integralidade, em razão da falta de apresentação da documentação em que o pagamento esta contemplado. no primeiro caso, a glosa diz respeito a alegada infringência do art. 353.1 do RIR que dispõe não serem dedutíveis os pagamentos a titulo de royalties feitos a pessoas jurídicas cujo beneficiário seja sócio da empresa pagadora. (Decisão fls. 477). Fl. 643DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001424/200876 Acórdão n.º 1301000.817 S1C3T1 Fl. 12 12 a jurisprudência do C.C. esta firmada no sentido das decisões que se transcrevem: "Os pagamentos como assistência técnica não necessitam do registro do contrato no INP1 para que sejam dedutiveis do lucro sujeito a tributação pelo imposto de renda o mesmo ocorrendo com as despesas feitas a titulo de royalties quando feitos a pessoas domiciliadas no pais." (AC 101.91.910/98). "O pagamento de royalties por uso de marca por empresa com sede no pais não está sujeita a limite de dedutibilidade nem a registro do contrato respectivo nem no INPI, revogação do art. 74 da Lei 3470 de 1954, pelo art. 71 da Lei 4506/94. Precedentes da Corte." (AC 64.344.10). "É dedutivel a remuneração pela transferência de tecnologia atribuída a pessoa jurídica vinculada societariamente A fonte pagadora." (AC 108.06.240/00).” assim os dois fundamentos das glosas não persistem pois tratandose de duas empresas estabelecidas no pais a dedutibilidade é assegurada independentemente de limites percentuais. O primeiro dos casos questionados não cabe discutir a dedutibilidade. o segundo grupo dos pagamentos que foi glosado diz respeito a execução dos contratos de averbação de sua marca e documentos correlatos objeto dos anexos 3 e 4. a decisão recorrida manteve a glosa baseada na necessidade de averbação do contrato junto ao INPI e na indedutibilidade dos pagamentos feitos a pessoas jurídicas estabelecidas no país acima dos limites fixados administrativamente. (Decisão fls. 479/480). o primeiro dos questionamentos deixou lugar em razão da existência dos anexos 3 e 4 que mostram o contrato registrado no INPI. Quanto a existência de limites para despesa, já demonstrou a suplicante no item anterior que esta regra é inaplicável, quando o pagamento se dá entre empresas nacionais, por conseguinte, também neste caso se deve reconhecer a dedução dando provimento ao presente recurso. a última das questões diz respeito aos pagamentos feitos em favor de FORBES INC e FORBES GLOBAL INC e Editora Camelot. neste caso a decisão foi sob o fundamento de que não haveria amparo documental para o pagamento. Porém ele existe e está nos documentos anexos 5 e 6. 0 primeiro é o contrato básico e o segundo contempla a transferência dos seus direitos e obrigações para a Editora JB S/A. (fls. 5 anexo 6). 26.Quanto aos fundamentos legais da dedutibilidade, reportase a suplicante as considerações que acima foram referidas. É o relatório. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001424/200876 Acórdão n.º 1301000.817 S1C3T1 Fl. 13 13 Voto Conselheiro Valéria Cabral Géo Verçoza O recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos estabelecidos no Decreto nº 70.235/72, razão porque dele conheço. Aproveitando a linha de raciocínio da DRJ, proponho que o julgamento da presente lide seja dividido em 3 pontos, quais sejam: 1 Glosa de serviços jornalísticos, redatores, colunistas e serviços gráficos no valor de R$ 3.140.452,57; 2 Glosa de despesa relativa ao Contrato de Intermediação de Negócios com Tessey Consulting Inc.; e 3 – Glosa dos Royalties. Primeiramente cabe destacar a despesa operacional é aquela necessária e usual à manutenção da respectiva fonte produtora. Na tributação com base no lucro real, as despesas decorrentes do vínculo empregatício, em regra, podem ser admitidas como deduções, uma vez que são necessárias e úteis à percepção da receita operacional. Para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutível, face à legislação tributária, não basta evidenciar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É indispensável, principalmente, comprovar que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido e que, por isso mesmo, torna o pagamento devido. Por esta razão, para que a pessoa jurídica possa deduzir as despesas, necessário que as mesmas sejam normais e usuais à atividade econômica e que a escrituração esteja embasada em documentos hábeis e idôneos. O lançamento se fundamenta na glosa de despesa constatada em razão da não comprovação do desembolso e da efetividade da prestação de serviços de mãodeobra temporária. Tendo em vista o princípio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal, há de ser considerada pertinente a apreciação da prova documental trazida aos autos para oferecer a oportunidade de a Recorrente demonstrar do alegado erro. Seguindo este entendimento, destaco que foi recebida e analisada nova documentação, apresentada juntamente com o Memorial, que foram encaminhados aos conselheiros e que por esta razão o processo foi retirado de pauta para análise, não só do relator como de mais 2 conselheiros que ficaram com vistas. Todavia a documentação anexada e o Memorial não foram suficientes para modificar a convicção da Turma em sentido contrário. Como já dito passo a analisar a matéria por itens aproveitando a linha de raciocínio da DRJ. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001424/200876 Acórdão n.º 1301000.817 S1C3T1 Fl. 14 14 1 Da glosa do valor de R$ 3.140.452,57 A matéria se refere à glosa de diversas despesas/custos que seriam relativos a serviços jornalísticos, jornalistas, redatores e colunistas e serviços gráficos no montante de R$ 3.140.452,57. Como visto o motivo do lançamento seria a falta de apresentação à fiscalização da documentação referente a esses registros de despesas. O que ficou comprovado compulsando os autos é que a impugnante registrou como despesas, discriminando os dados que se refeririam a essas despesas (a exemplo da data, do valor, do número da NF etc.), mas não trouxe, nem ao fiscal autuante, nem em sede de impugnação ou de recurso a documentação pertinente a esses registros. Em se tratando de despesa, pode a fiscalização, mesmo na ausência de um documento formal que comumente atesta uma despesa, a exemplo da nota fiscal, concluir, por outros meios legais, que uma despesa é dedutível. É a verdade material superando a verdade formal, e neste caso, andou muito bem o fiscal autuante quando indagou à impugnante acerca da efetividade da prestação do serviço que deu ensejo a cada pagamento. Cabia a Interessada trazer outros elementos necessários, que não seriam difíceis de serem carreados aos autos, comprovando a efetiva prestação dos serviços/ despesas e sua efetividade. Diante disso, mantenho a glosa efetuada pela fiscalização neste sentido. 2 Da glosa de despesa relativa ao Contrato de Intermediação de Negócios com Tessey Consulting Inc. Analisando os contratos trazidos a baila no curso da ação fiscal, ficou constatado que o contrato seria nulo, pois a Tessey, não mais poderia se vincular a esse negócio uma vez que suas obrigações haviam sido cedidas à empresa Belostar e que a fiscalizada, mesmo quando intimada a apresentar a documentação comprobatória da efetividade da prestação de serviços referente à intermediação dos negócios jurídicos do referido Contrato de Prestação de Serviços de Consultoria Empresarial celebrado entre Editora JB S/A e Tessey Consulting Inc, nada apresentou sobre o assunto. Concordo com o fiscal autuante acerca da estranheza do fato da Tessey, que inicialmente configura em um contrato como obrigada a prestar um determinado serviço à impugnante, ceder formalmente essa obrigação a uma outra empresa Belostar, para depois repactuar com a empresa contratante os valores daquele mesmo contrato de que não mais figurava como contratada. O fiscal autuante indagou à impugnante acerca da efetividade da prestação do serviço que deu ensejo ao pagamento, especialmente por se tratar de pagamento na monta de R$ 18.000.000,00 contabilizado à titulo de despesas. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001424/200876 Acórdão n.º 1301000.817 S1C3T1 Fl. 15 15 Embora existisse contratos que indicavam se tratar de serviços de intermediação de negócios, buscou a fiscalização saber se as operações ali contratadas realmente se deram e quais os êxitos trazidos à contratada, o que restou incomprovado uma vez que nada foi trazido pela impugnante que desse ao menos uma pista da forma como teria sido cumprida a obrigação pela contratada. Só assim poderia garantir que o pagamento realmente representou uma despesa incorrida. A impugnante usa como argumento de defesa os aspectos formais desses contratos, quando, como vimos, não foi essa a principal razão da glosa. Diante dessa seqüência de eventos e da falta de comprovação da despesa, acompanho a DRJ no sentido de concordar com a glosa desses R$ 18.000.000,00. Dos Royalties Em relação aos royalties, a fiscalização apurou três infrações: a) royalties pagos no valor de R$ 846.912,07 à CBM, empresa que é sócia majoritária da Editora JB S/A. Pelo art. 353, I, do RIR, de 1999, não são dedutiveis os royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes; b) excesso de R$ 1.677.410,14 relativamente a pagamento de royalties de uso marcas de indústria e comércio originárias dos contratos celebrados com a Gazeta Mercantil e Investnews, em face de o valor apropriado ter excedido o limite para dedutibilidade de 1% da receita liquida das vendas do produto, conforme determinam a alínea "a", seção II, da Portaria MF n° 436, de 1958, combinada com o art. 355 do RIR, de 1999, como também se menciona o item 5 do Parecer Normativa CST n° 117, de 1975; e c) royalties de R$ 374.695,75, em face da não apresentação nem de documentação nem de justificativa dos pagamentos a esse titulo pela exploração da marca Forbes. Em relação a primeiro infração a interessada, com base em jurisprudência trazida, entende se tratar de pagamentos feitos à titulo de uso de marcas, e não de royalties pagos pelo uso de propriedade de patentes e semelhantes, e que por se tratar de pagamento feito a empresa sediada no pais, esse gasto não estaria sujeito a vedações de dedutibilidade invocada pela fiscalização. O primeiro esclarecimento que se faz necessário é que, mesmo em se tratando em todos os três casos de pagamento por licença de uso de marcas (Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Investnews e Forbes), o que para alguns doutrinadores e acordos internacionais, seriam pagamento de natureza diversa de royalty típico. Para a legislação, aqueles pagamentos (uso de marcas) se equiparam a esses nos efeitos que lhes são próprios. Entre esses efeitos temse o tratamento dessas despesas que são ou não dedutíveis seguindo os critérios gerais para os royalties, sejam eles relativos a uso de marcas, uso de patente industrial, direito de autor etc. A Lei n° 4.506, de 1964, cujo art. 22 define o que são royalties: Fl. 647DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001424/200876 Acórdão n.º 1301000.817 S1C3T1 Fl. 16 16 "os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição ou exploração de direitos, tais como: (...) c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra". Assim está afastada a tese de que somente os pagamentos relativos ao uso de propriedade de patentes e semelhantes é que se submeteriam a tal regra limitativa de dedução dessas despesas com royalties. O RIR, de 1999, art. 353, I, dispõe que não são dedutíveis os pagamentos de royalties, cujo beneficiário seja um sócio (pessoa física ou jurídica) da entidade pagadora. a controvérsia acerca desse dispositivo, haja vista que ele vai além do que diz a Lei n°4.506, de 1964, art. 71, § único "d". Enquanto o RIR, de 1999, prescreve que a vedação à dedutibilidade atinge os pagamentos a sócio pessoa jurídica que a lei não traz. Todavia, não cabe aqui, em sede de processo administrativo, afastar a aplicabilidade da norma perfeitamente inserta no nosso ordenamento. Ademais o Conselho de Contribuintes também entende que a restrição à dedução dessa despesa de royalties aplicase sim aos pagamentos a esse titulo feitos a pessoa jurídica sócia da pagadora, eis o seguinte acórdão : IRPJ ROYALTIES DEDUTIBILIDADE A remuneração pela transferência de tecnologia atribuída a pessoa física ou jurídica, vinculada societariamente a fonte pagadora, é indedutivel, sendo irrelevante que o contrato esteja registrado no INPI e haja autorização do BACEN para realização das remessas ao exterior (Acórdão 108 04.211/97) Acompanho esse entendimento e dado que os pagamentos no valor de R$ 846.912,07 à CBM, empresa que é sócia majoritária da Editora JB S/A, tem natureza de royalties fruto de licenciamento pelo uso da marca Jornal do Brasil, "JB" e outras secundárias não são dedutíveis para efeito da apuração do IRPJ e da CSLL. Dessa forma, é procedente a glosa nesse ponto. Em relação ao segundo ponto, excesso de R$ 1.677.410,14 de pagamento de royalties de uso marcas de indústria e comércio originárias dos contratos celebrados com a Gazeta Mercantil e Investnews, a matéria em questão submetese às disposições contidas no art. 74 da Lei n° 3.470, de 1958, art. 12 e 13 da Lei n° 4.131, de 1962, e art. 52 e 71 da Lei n° 4.506, de 1964, os quais, com o acréscimo do art. 50 da Lei n° 8.383, de 1991, constituem a base legal dos arts. 291 a 294 do RIR/1994. Verificase, portanto, que a dedutibilidade das despesas pagas a titulo de royalties está condicionada à necessidade do dispêndio, à averbação do contrato Fl. 648DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001424/200876 Acórdão n.º 1301000.817 S1C3T1 Fl. 17 17 junto ao INPI e ao seu registro no Banco Central do Brasil, e limitase aos percentuais fixados pelo Ministro da Fazenda. Estes coeficientes percentuais máximos para as deduções previstas foram estabelecidos pelo Ministro da Fazenda nas Portarias n° 436, de 1958, n° 113, de 1959, n° 314, de 1970, e n° 60, de 1994, levando em conta os tipos de produção ou atividade, nos seguintes termos: (...) II— Royalties, pelo uso de marcas de indústria e comércio ou nome comercial, em qualquer tipo de produção ou atividade, quando o uso da marca ou nome não seja decorrente da utilização de patente, processo ou fórmula de fabricação 1%. (gin). Diante desta norma aplicável, a matéria me parece decididamente consolidada jurisprudencialmente, vejamos as seguintes ementas de nosso 1° Conselho de Contribuintes: LIMITE DE DEDUTIBILIDADE. DESPESA DE "ROYALTIES" IRRI ANOSCALENDÁRIO 1993 E 1994 Embora a Lei n° 4.506/64 haja estabelecido modificações no que concerne à dedutibilidade das despesas de "royalties", não derrogou o art. 74 da Lei n° 3.470/58. Assim, o limite de que trata o art. 233 do RIR/80 se aplica tanto a "royalties" pagos a domiciliados no Pais, como no exterior. 1° CC. /3a. Câmara / ACÓRDÃO 70320.277 em 12.04.2000. Publicado no DOU em: 11.08.2000. DESPESAS COM "ROYALTIES" — DEDUTIBILIDADE — ALCANCE DA LIMITAÇÃO — A limitação estabelecida no art. 233 do RIR/80 dirigese indistintamente a beneficiários residentes no Brasil ou no exterior. A Lei n° 4.506/64, embora haja introduzido modificações no que concerne a dedutibilidade de despesas com "royalties", não revogou o art. 74 da Lei n°3.470/58, base legal do art. 233 do RIR/80. Precedente emanado do Supremo Tribunal Federal. 1° Cód. Civil. 5° Câmara/Acórdão 10512861 em 10.06.1999. Como vimos na segunda ementa acima, a matéria chegou a ser objeto de decisão do nosso Egrégio Supremo Tribunal Federal, o qual também se manifestou no sentido de que não houve a alegada revogação: ROYALTIES — LIMITES PARA PAGAMENTOS DOMICILIADOS NO PAÍS — Deduções por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, em montante superior ao limite estabelecido no art. 74, a Lei n. 3.470/58. Lei n. 4.506/64, art. 71 e seu parágrafo único. RIR de 1966, arts. 232, 233 e 234. A Lei n. 4.506/1964, embora haja estabelecido modificações, no que concerne a dedutibilidade de despesas como royalties, não revogou o art. 74, da Lei n. 3.470/1958. RIR de 1966, arts. 174 e 175. Acórdão que negou vigência ao art. 74, da Lei n° 3.470/1958, devidamente préquestionado, e ao art. 175, do RIR de 1966. Recurso extraordinário conhecido e provido, para restabelecer a sentença. RE104368/SP. STF em 17.06.88." Publicado no DJU de 28.02.92. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001424/200876 Acórdão n.º 1301000.817 S1C3T1 Fl. 18 18 Sendo assim em questão da aplicabilidade do limite de dedução quando se trata de royalties pagos a empresa sediada no pais, valhome dos mesmíssimos acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes citados anteriormente, os quais assentam jurisprudência administrativa dominante no sentido de que "(.) A limitação estabelecida no art. 233 do RIR/80 [art. 355, RIR, de 1999] dirigese indistintamente a beneficiários residentes no Brasil ou no exterior." Valhome desses entendimentos como razão de decidir pela manutenção da glosa de despesa no valor de R$ 1.677.410,14, haja vista que representa despesa com pagamento de royalties, cujo valor excedeu limite estabelecido na legislação. Passo então à última glosa das despesas com royalties, no valor de R$ 374.695,75. O lançamento, neste caso, fundamentouse de forma um pouco diferente dos casos anteriores. A impugnante intimada a justificar, mediante documentação comprobatória, os pagamentos de royalties pela exploração da marca Forbes, apresentou no curso da fiscalização instrumento em que a Editora Camelot, com anuência das empresas Forbes, cede e transfere à Companhia Brasileira de Multimidia, sócia majoritária da impugnante, todos os direitos, titularidades, interesses, deveres e obrigações, relativos a um determinado "Acordo de Publicação Internacional, ou Acordo de Licenciamento" para edição da Forbes em lingua estrangeira. A fiscalização, observando o teor de tal documento, levando em conta ainda que não consta dos autos documento algum relativo a esse tal "Acordo de Publicação Internacional, ou Acordo de Licenciamento" a que se refere o mencionado licenciamento, concluiu, a meu ver acertadamente, que não se pode identificar como e sob que condições se deram esses pagamentos de royalties a tal titulo. Novamente a impugnante, tanto no curso da fiscalização, quanto em sede de impugnação, não logrou apresentar provas para essa despesa. A fiscalização salientou que a falta de justificativa das condições em que se deram esses pagamentos não permitiu que se verificasse se essas despesas se deram respeitando as condições legais, quais sejam: a necessidade do dispêndio, a averbação do contrato junto ao INPI e o seu registro no Banco Central do Brasil, bem como a limitação aos percentuais fixados pelo Ministro da Fazenda. Diante desse conjunto de circunstâncias, minha decisão não pode ser outra que não a concordância com a conclusão do fiscal autuante e da DRJ no sentido de que se mostrou incomprovado o lançamento a débito de despesas do valor de R$ 374.695,75, a titulo de pagamento de royalties pelo uso da marca Forbes. Esse fato enseja glosa dessa despesa do resultado da impugnante, com efeitos sobre o IRPJ e a CSLL do período. De todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte em relação às glosas das despesas em relação ao IRPJ, sendo que o mesmo vale para o lançamento da CSLL, haja vista tratarse de lançamento decorrente daquele. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 650DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001424/200876 Acórdão n.º 1301000.817 S1C3T1 Fl. 19 19 Fl. 651DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 29/02/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13971.001812/2002-15
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
Ementa:
DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE.
A compensação de créditos tributários depende comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional.
Numero da decisão: 3802-000.991
Decisão: Acordam os membros do colegiado da 2ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO, por unanimidade de votos, CONHECER do presente recurso e NEGAR-LHE PROVIMENTO.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE. A compensação de créditos tributários depende comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado da 2ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO, por unanimidade de votos, CONHECER do presente recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRAR Redator designado. EDITADO EM: 23/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: REGIS XAVIER HOLANDA, JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, SOLON SEHN, CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA e TATIANA MIDORI MIGIYAMA Fl. 147DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por REGIS X AVIER HOLANDA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4a Turma da DRJ/FNS, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, de modo a manter o crédito tributário de que trata o auto de infração ora combatido, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997. DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE. A compensação de créditos tributários depende comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido O processo decorre de lançamento fiscal em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, relativa aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de julho de 1997 a dezembro de 1997, declarados na DCTF, porém não localizados, razão pela qual foi lavrado o auto de infração n. 0001473, formandose o crédito tributário (contribuição + multa + juros de mora), com enquadramento legal indicados na fls. 06 dos autos. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte alega que ingressou no Poder Judiciário, com o objetivo de haver reconhecido seu direito de compensação dos valores recolhidos indevidamente de PIS, com quaisquer impostos e contribuições federais administrados pela Secretaria da Receita Federal, cuja decisão lhe foi favorável (processo n. 755/1998). Alega ainda que somente no ano de 2010 a Fazenda Federal indeferiu a compensação pretendida, cuja data transpassava em dois anos o reconhecimento judicial de seu pleito. Informa que não houve o lançamento dos créditos tributários de PIS. Entende que a autoridade fiscal descumpriu a norma contida no artigo 9º do Decreto 70.235/72. Trouxe, em conjunto com seus argumentos, julgados do STF e do STJ autorizadores da realização da compensação pretendida. Por fim, pretende a não incidência da multa constante no auto de infração ou a sua redução. Para tanto, fundamenta suas convicções nas disposições contidas nos artigos 165,170 e 170A do Código Tributário Nacional e em outros julgamentos realizados pelas Cortes Superiores. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Admissibilidade do recurso Fl. 148DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por REGIS X AVIER HOLANDA Processo nº 13971.001812/200215 Acórdão n.º 380200.991 S3TE02 Fl. 143 3 Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade, conheço do presente recurso. Voto Dá análise dos documentos trazidos ao feito, nenhum reparo merece a decisão proferida pela 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Florianópolis, já que à época em que a DCTF foi apresentada ao Fisco (anocalendário 1997), a decisão do mandado de segurança de n. 97.20065451, noticiado e interposto pela recorrente, não havia sido transitada em julgado. Notese, naquele momento, o seu direito de compensação não se coadunava com as disposições contidas no artigo 170 do Código Tributário Nacional que determina que: “a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública”. Conforme entendimento exposto na decisão a quo de fls. 90, o qual será aqui reproduzido somente a parte que interessa, temse que, a luz do artigo 170 do Código Tributário Nacional, para que seja possível a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz que fique comprovada a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Além disso, o artigo 170A, também do CTN, veda expressamente a compensação de crédito objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Nesse sentido, tendo em vista a não existência dos requisitos específicos da liquidez e certeza do crédito, não há como se proceder à compensação pleiteada. O artigo 146, III, letra b, da Constituição Federal, dispõe que somente a lei complementar pode tratar de obrigação, lançamento e crédito tributários. O artigo 170 do Código Tributário Nacional, ao exigir liquidez e certeza para ser efetivada a compensação, é lei complementar e, portanto, fixa pressuposto nuclear a ser cumprido pelas partes, não dispensável por lei ordinária. O direito de compensar crédito tributário indevidamente pago, conforme permitido em lei, exigese que se apure previamente, por via administrativa ou judicial, a sua liquidez e certeza, em homenagem ao devido processo legal. Precedentes do STJ – REsp n. 111.034/AL – REsp 76.230/PE – REsp 78.493 – REsp 98.197/RS. Posto Isto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO e NEGOLHE PROVIMENTO, mantendo a decisão inferior. Sala de Sessões, em 25 de abril de 2012. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira – Relator Fl. 149DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por REGIS X AVIER HOLANDA 4 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por REGIS X AVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10783.908232/2008-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Inexistindo pagamento indevido ou a maior que o devido, não há falar na incidência de juros SELIC, por falta de respaldo legal (artigo 39, §4° da Lei n° 9.250/95). Conforme pacificado pelo STJ (artigo 543-C do Código de Processo Civil), ocorrendo a hipótese de resistência injustificada (oposição de ato estatal que impeça ou embarace o aproveitamento de créditos sujeitos a ressarcimento), os créditos escriturais descaracterizam-se como tais, passando a autorizar a incidência dos juros SELIC. Resistência injustificada não comprovada. Créditos escriturais que não autorizam a incidência de juros SELIC. Inaplicabilidade dos precedentes invocados.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO. PRESCRIÇÃO. INAPLICABILIDADE DE PRECEDENTES DO STJ.
O manejo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que homologou parcialmente o crédito tributário, na forma do artigo 74, §11 da Lei n° 9.430/96 enquadra-se no disposto do artigo 151, III do CTN quanto ao débito objeto da compensação, provocando a suspensão da exigibilidade da parcela controversa. A supressão do atributo exigibilidade e a instauração do contencioso administrativo indicam que o crédito não foi definitivamente constituído, inviabilizado sua cobrança. Assim, enquanto pender decisão, tal fluxo temporal rege-se pelas regras de decadência (crédito não constituído), e não pela prescrição (crédito constituído). Consoante entendimento do STJ, até solução definitiva dos processos administrativo fiscal, não correm nem prazo de decadência, nem de prescrição, por estar suspensa a exigibilidade do crédito tributário.
REMISSÃO. ART. 14 DA LEI N. 11.941/09. INAPLICABILIDADE.
Inviável em sede de recurso voluntário o exame da remissão de que trata o artigo 14 da Lei n° 11.941/09, dado o que o dispositivo em apreço exige a consolidação de todos os débitos do contribuinte, e o recurso trata apenas de parte dos débitos. Providência que, na forma do §1° do referido dispositivo, deverá ser observada pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando definitivamente constituído o crédito tributário no âmbito do processo administrativo fiscal.
Recurso voluntário improcedente.
Numero da decisão: 3202-000.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário: a) por maioria de votos, em relação à incidência de correção monetária do crédito pleiteado, vencido o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves; b) por unanimidade de votos, em relação à prescrição e à remissão dos débitos pretendidas.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Monica Elisa de Lima.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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JUROS SELIC. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Inexistindo pagamento indevido ou a maior que o devido, não há falar na incidência de juros SELIC, por falta de respaldo legal (artigo 39, §4° da Lei n° 9.250/95). Conforme pacificado pelo STJ (artigo 543C do Código de Processo Civil), ocorrendo a hipótese de resistência injustificada (oposição de ato estatal que impeça ou embarace o aproveitamento de créditos sujeitos a ressarcimento), os créditos escriturais descaracterizamse como tais, passando a autorizar a incidência dos juros SELIC. Resistência injustificada não comprovada. Créditos escriturais que não autorizam a incidência de juros SELIC. Inaplicabilidade dos precedentes invocados. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO. PRESCRIÇÃO. INAPLICABILIDADE DE PRECEDENTES DO STJ. O manejo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que homologou parcialmente o crédito tributário, na forma do artigo 74, §11 da Lei n° 9.430/96 enquadrase no disposto do artigo 151, III do CTN quanto ao débito objeto da compensação, provocando a suspensão da exigibilidade da parcela controversa. A supressão do atributo exigibilidade e a instauração do contencioso administrativo indicam que o crédito não foi definitivamente constituído, inviabilizado sua cobrança. Assim, enquanto pender decisão, tal fluxo temporal regese pelas regras de decadência (crédito não constituído), e não pela prescrição (crédito constituído). Consoante entendimento do STJ, até solução definitiva dos processos administrativo fiscal, não correm nem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 82 32 /2 00 8- 67 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908232/200867 Acórdão n.º 3202000.624 S3C2T2 Fl. 86 2 prazo de decadência, nem de prescrição, por estar suspensa a exigibilidade do crédito tributário. REMISSÃO. ART. 14 DA LEI N. 11.941/09. INAPLICABILIDADE. Inviável em sede de recurso voluntário o exame da remissão de que trata o artigo 14 da Lei n° 11.941/09, dado o que o dispositivo em apreço exige a consolidação de todos os débitos do contribuinte, e o recurso trata apenas de parte dos débitos. Providência que, na forma do §1° do referido dispositivo, deverá ser observada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando definitivamente constituído o crédito tributário no âmbito do processo administrativo fiscal. Recurso voluntário improcedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário: a) por maioria de votos, em relação à incidência de correção monetária do crédito pleiteado, vencido o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves; b) por unanimidade de votos, em relação à prescrição e à remissão dos débitos pretendidas. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Monica Elisa de Lima. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls.5661) interposto por GRAMAZINI GRANITOS E MÁRMORES THOMAZINI LTDA contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, MG (DRJ/JFA) (fls. 4147) que, por unanimidade de votos, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando a homologação parcial da DCOMP n° 29473.76758.291004.1.3.016459. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908232/200867 Acórdão n.º 3202000.624 S3C2T2 Fl. 87 3 Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, MG (DRJ/JFA), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade constante do presente processo, in verbis: Em análise no presente processo o litígio decorrente do Despacho Decisório de fl. 22, emitido eletronicamente pelo SCC quando da análise da DCOMP n° 29473.76758.291004.1.3.016459, transmitida pelo contribuinte retro identificado em 29/10/2004, por meio da qual se pretendeu a extinção de débitos no montante do R$2.232,89, tendo por lastro crédito originário de Saldo Credor do IPI apurado no 1° trimestre/2001, no valor dc R$ 2.241,89 (fl. 23). Referido saldo credor é composto por crédito básico e crédito presumido, sendo que, a maior parte é representada por crédito presumido escriturado no período, conforme informações extraídas da DCOMP 29473.76758.291004.1.3.016459 (fls. 24/27). Da análise eletrônica resultou o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação parcial das referidas DCOMPs (em face dc se tratar de compensação do débito vencido, sem inclusão dos respectivos acréscimos moratórios na DCOMP, cf. fls. 13), conforme Despacho Decisório (fl. 22) e Detalhamento da Compensação (fl. 28). Houve, então, no encontro dc contas o cálculo da multa e juros de mora, resultando amortização parcial do débito compensado e apuração de saldo devedor após imputação proporcional do valor utilizado na compensação (conforme Detalhamento da Compensação, fl.28), objeto de cobrança com acréscimo de multa de mora e juros do mora. Cientificado do Despacho Decisório e intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação parcial da compensação, em 18/11/2008 (fl.20), manifestou a pleiteante a sua inconformidade em 18/12/2008 (fl. 01), por meio do arrazoado de fls. 01/05, no qual, em síntese: => alega que “diante da demora do fisco em reconhecer o Crédito Presumido do IPI do contribuinte, o que foi feito somente após 4 anos de sua solicitação em 29/10/2004 é mais do que justo que esse crédito seja calculado com correção monetária,sendo aplicada a taxa Selic”; => pondera que ao se proceder a atualização monetária do crédito pela taxa Selic [da mesma forma que a RFB corrige os seus débitos] o mesmo será suficiente para amortizar todo o saldo devedor, restando, ainda, saldo credor; Fl. 87DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908232/200867 Acórdão n.º 3202000.624 S3C2T2 Fl. 88 4 => acrescenta que a jurisprudência reconhece o direito à correção monetária diante da demora do Fisco em reconhecer o crédito e reproduz excerto de julgado que entende amparar a sua tese; => argumenta, ainda, que caso se entenda pela impossibilidade da correção do crédito, mesmo assim “não poderá prosperar a cobrança, uma vez que a medida provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, art. 14, concede remissão a débitos de valor igual ou inferior a R$ 10.000, 00 (dez mil reais), portanto, se superadas as argumentações mencionadas acima, o débito estará remido com amparo na referida medida provisória"; Ao final requer seja o crédito devido corrigido monetariamente e homologada integralmente a compensação. Ressaltese que, ante a constatação, por esta Relatora, mediante consulta à DIPJ do contribuinte, de que o mesmo dá saída, na sua maior parte, a produtos NT, foi o processo remetido à DRF de origem, por intermédio do Despacho da Presidência de fls. 33/34,a fim de que fosse verificada a possibilidade de ter sido reconhecido crédito indevido e adotadas, se fosse o caso, as providências pertinentes, ao que retornou o processo com o PARECER SEFIS n° 16/2010 [fls. 36/37], no qual a autoridade fiscal encarregada da diligência deixou consignado, in verbis: Este contribuinte já sofreu ação fiscal por parte da fiscalização do DRF/Vitória na análise dos PER/DCOMP n° 28332.12706.110805.1.3.01 0312, 26530.72173.110805.1.3.015217, 30025.29345.310106.1.3.012127 e 12242.30881.300406.3.016406, sendo que não foi constatado o uso de vendas de produtos NT na apuração do crédito presumido [destaques da Relatora]. Nestes termos retornaram os autos a esta DRJ para prosseguimento do julgamento. Em síntese, é o relatório. O acórdão n° 0935.585, proferida pela 3ª Turma da DRJ/JFA, foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTARIO Período de apuração 01/04/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. ACRESCIMOS MORATORIOS. INCIDENCIA. Na compensação, sobre os débitos vencidos, na data do encontro de contas (data de valoração) incidem multa dc mora de 0,33% ao dia, limitada a 20%, Fl. 88DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908232/200867 Acórdão n.º 3202000.624 S3C2T2 Fl. 89 5 e juros de mora calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. A falta de consignação dos acréscimos moratórios na DCOMP implicará a nãohomologação parcial da compensação e a exigência do tributo objeto da compensação não homologada com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Inconformada com a decisão da DRJ/JFA, a Recorrente apresentou o recurso voluntário de fls.5661, objetivando reformar integralmente a decisão em tela, alegando, em breve síntese, o que segue: a) A Recorrente apresentou DCOMP em 29/10/2004, tendo sido notificada do despacho decisório que homologou parcialmente sua compensação em 07/11/2008, decorridos, portanto, 48 meses da data de transmissão do pedido de compensação, assim, o valor do crédito solicitado deveria ser atualizado pelos juros SELIC desde a data da transmissão do referido pedido. Tal direito já teria sido reconhecido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) deste Conselho, bem assim, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em sede de recursos repetitivos (artigo 543C do Código de Processo Civil); b) A declaração de compensação não suspende o prazo prescricional, tal prazo somente seria suspenso pela adesão a parcelamento ou pela interposição de recursos administrativos, na forma do artigo 151 do Código Tributário Nacional, dessa forma, os débitos originados da homologação parcial do crédito estariam prescritos. A prescrição em apreço teria lastro na Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal (STF) e na Súmula n° 409 do STJ; c) O artigo 14 da Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, remiu os débitos de valor igual ou inferior a R$ 10.000,00, devendose aplicálo ao débito em questão. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Fl. 89DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908232/200867 Acórdão n.º 3202000.624 S3C2T2 Fl. 90 6 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento, passando a analisar os argumentos trazidos pela Recorrente. Ressarcimento e juros Selic A Recorrente alega que tem direito à correção monetária do crédito declarado em declaração de compensação, visto que a transmissão da DCOMP ocorreu em 29/10/2004, e a homologação parcial ocorreu em somente em 07/11/2008, através de Despacho Decisório. De acordo com a Recorrente “o valor do crédito solicitado de R$2.232,89, em 29/10/2004, deveria ter sido corrigido pela taxa selic acumulada quando do recebimento do despacho decisório em 07/11/2008, que seria o percentual de 119,94%, perfazendo o total de R$4.911,01, menos o débito amortizado de R$2.232,89 e menos o valor cobrado de R$ 1.253,98, ainda, sobra um saldo credor a favor do contribuinte de R$1.424,14.” Invoca precedentes da CSRF e do STJ que, no seu entendimento, autorizam a incidência dos juros SELIC sobre os créditos de IPI objeto de ressarcimento. Inicio o exame dos precedentes citados pela Recorrente pelos acórdãos do STJ julgados sob o rito dos recursos repetitivos (artigo 543C do Código de Processo Civil), haja vista que o artigo 62A do Regimento Interno deste Colegiado determina que as decisões proferidas por aquele Tribunal no rito dos recursos repetitivos deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dois são os acórdãos proferidos sobre o tema no rito dos recursos repetitivos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908232/200867 Acórdão n.º 3202000.624 S3C2T2 Fl. 91 7 EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário Fl. 91DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908232/200867 Acórdão n.º 3202000.624 S3C2T2 Fl. 92 8 ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarse ão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). Fl. 92DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908232/200867 Acórdão n.º 3202000.624 S3C2T2 Fl. 93 9 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. Primeira Seção. Rel. Min. Luis Fux. REsp n° 993.164/MG. DJe 17/12/2010) PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908232/200867 Acórdão n.º 3202000.624 S3C2T2 Fl. 94 10 PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. Primeira Seção. Rel. Min. Luis Fux. REsp n° 1.035.847/RS. DJe 03/08/2009) Os acórdãos supracitados apontam duas conclusões relevantes para a questão suscitada pela Recorrente: (i) a correção monetária não incide sobre os créditos escriturais de IPI decorrentes do princípio constitucional da não cumulatividade (REsp n° 1.035.847/RS) e (ii) os juros SELIC devem ser excepcionalmente aplicados ao ressarcimento na hipótese de haver resistência injustificada (ato estatal que impeça ou embarace o aproveitamento dos créditos objeto de ressarcimento) (REsp n° 1.035.847/RS e REsp n° 993.164/MG). Fl. 94DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908232/200867 Acórdão n.º 3202000.624 S3C2T2 Fl. 95 11 Na hipótese dos autos, não há notícia de que tenha ocorrido resistência injustificada do Fisco, a autorizar, portanto, a incidência de juros SELIC sobre as importâncias objeto de ressarcimento, como definido nos paradigmas supratranscritos. Portanto, a regra é: o ressarcimento não autoriza incidência de juros SELIC, por não configurar pagamento indevido ou a maior (§4°, do artigo 39 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995). Contudo, excepcionalmente, configurada a resistência injustificada do Fisco, o que pressupõe ato estatal que impeça ou embarace o direito ao ressarcimento, consoante entendimento do STJ, os créditos escriturais descaracterizamse como tais, passando a autorizar a incidência dos juros SELIC. Outrossim, é bom lembrar que o “ressarcimento” e “restituição” são institutos distintos. A restituição tem lugar quando se verifica pagamento indevido que, posteriormente, vem a ser pleiteado pelo contribuinte. Já em relação ao ressarcimento, não há prévio pagamento de tributo, portanto, não há repetição. Na hipótese de restituição, o direito à correção nasce do tributo indevidamente pago pelo contribuinte, o que não ocorre quando há ressarcimento. Corroborando o quanto foi dito e, em harmonia com a posição do STJ, a CSRF do CARF tem manifestado o entendimento que: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Recursos especiais do Procurador provido e do Contribuinte negado. (CSRF, 2°Turma, Acórdão CSRF/0203.855, pelo voto de qualidade, julgado em 13/02/09) (g.n.) Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL TAXA SELIC. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908232/200867 Acórdão n.º 3202000.624 S3C2T2 Fl. 96 12 É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar concessão de um “plus”, sem expressa previsão legal. O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto. Recurso provido. (CSRF, 3°Turma, Acórdão CSRF/930300.733, pelo voto de qualidade, julgado em 02/02/10) (g.n.) Assim, por não haver nos autos notícia de resistência injustificada, não há razão que ampare a incidência de juros SELIC na hipótese de ressarcimento. Prescrição Superado esse ponto, passo a análise da questão seguinte, que diz respeito à suposta prescrição dos débitos. Alega a Requerente que os débitos objeto do presente processo estão prescritos. Tal alegação se baseia no entendimento de que a declaração de compensação não suspende o prazo prescricional. Todavia, o exame dos autos mostra que de prescrição não se trata. Dispõe a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 que: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Fl. 96DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908232/200867 Acórdão n.º 3202000.624 S3C2T2 Fl. 97 13 § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Da leitura do dispositivo, notase que o crédito tributário declarado em pedido de compensação pelo sujeito passivo (i) extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, (ii) confere à Administração o prazo de 5 (cinco) anos para homologação da declaração apresentada pelo sujeito passivo e (iii) constitui confissão de dívida. Notese ainda que o manejo de manifestação de inconformidade e recursos autoriza a suspensão da exigibilidade, na forma do artigo 151, III do Código Tributário Nacional. Da inteligência do dispositivo em apreço despontam as seguintes conclusões: (i) o pedido de compensação formalizado pelo sujeito passivo é instrumento suficiente para ajuizamento da execução fiscal, uma vez que consiste em confissão de dívida, portanto, regese pelo prazo prescricional, porém, (ii) o crédito tributário declarado pelo sujeito passivo em pedido de compensação não é definitivamente extinto, sujeitandose a condição resolutória de sua ulterior homologação, autorizandose, portanto, que o sujeito ativo audite os créditos declarados pelo sujeito passivo, assim, nessa hipótese, vindo a não homologar, ou homologar parcialmente o crédito, fica assegurado ao sujeito passivo a ampla defesa e o contraditório, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário, na forma do artigo 151, III do CTN. Como se vê, na segunda hipótese, não há falar em prazo prescricional, mas sim, prazo decadencial, eis que o crédito não se encontra definitivamente constituído, sendo lhe suprimido o atributo exigibilidade, até solução definitiva do contencioso administrativo fiscal. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908232/200867 Acórdão n.º 3202000.624 S3C2T2 Fl. 98 14 O julgado abaixo, embora trate de parcelamento, confirma o quanto se disse quanto à suspensão da exigibilidade na hipótese de se instaurar o contencioso administrativo: (...) 9. O STJ possui orientação pacificada no sentido de que, instaurado o contencioso administrativo, a exigibilidade do crédito tributário fica suspensa até a decisão final. Exemplo tradicional nesse sentido é o caso dos pedidos de compensação pendentes de análise pelo Fisco. 10. É correto concluir, com base na análise da legislação tributária acima mencionada e nos precedentes jurisprudenciais, que, enquanto pendente de solução final, inexiste o atributo da "exigibilidade" do crédito tributário devido pelo contribuinte excluído do Refis. Por essa razão, o singelo ato unilateral de indeferimento da opção pelo respectivo regime de parcelamento não determina o reinício do lapso prescricional. (STJ. Segunda Turma. Rel.Min. Herman Benjamin. REsp n° 1.144.962/SC. DJe 01/07/2010) (g.n.) E se o crédito não foi definitivamente constituído, por faltarlhe o atributo exigibilidade, não há falar em prescrição, tampouco na suspensão desse prazo, mas, sim, em decadência. À vista do §5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, o Fisco tem 5 anos, contados da data da transmissão do pedido eletrônico de compensação para homologar, ou não, o crédito tributário do sujeito passivo. Como visto, a auditoria dos pedidos de compensação se deu num intervalo de aproximadamente 4 anos, portanto, dentro de prazo que tinha o Fisco para rever as declarações prestadas pelo sujeito passivo. Por sua vez, em face desse despacho decisório, insurgiuse a Recorrente, opondose à homologação parcial do crédito. Nas hipóteses em que há suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força da instauração do contencioso administrativo, já decidiu o STJ que, até solução do litígio, não correm os prazos de prescrição ou decadência: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908232/200867 Acórdão n.º 3202000.624 S3C2T2 Fl. 99 15 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO ORIGINAL E LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. ART. 18, §3º, DO DECRETO N. 70.235/72. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL DO DIREITO DO FISCO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 173, I, II E PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. Regra geral, "o Código Tributário Nacional estabelece três fases inconfundíveis: a que vai até a notificação do lançamento ao sujeito passivo, em que corre prazo de decadência (art. 173, I e II); a que se estende da notificação do lançamento até a solução do processo administrativo, em que não correm nem prazo de decadência, nem de prescrição, por estar suspensa a exigibilidade do crédito (art. 151, III); a que começa na data da solução final do processo administrativo, quando corre prazo de prescrição da ação judicial da Fazenda (art. 174)" (Supremo Tribunal Federal, RE N. 95365/MG, Segunda Turma, Rel. Min. Décio Miranda, julgado em 13.11.1981). Na mesma linha, este Superior Tribunal de Justiça no REsp 58774 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, julgado em 22.11.1995. (STJ. Segunda Turma. Rel. Min. Mauro Campbell Marques. REsp n° 1.212.658/RS. DJe 15/03/2011) (g.n.) Não bastasse a inexistência suspensão do prazo decadencial e, portanto, a tempestividade da auditoria procedida pela Administração Tributária, a título de remate, é bom lembrar que as súmulas invocadas pela Recorrente nada alteram o quadro decisório dos autos. Está estampado na súmula vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal que a declaração de inconstitucionalidade nela vazada alcança apenas certas regras que desbordaram os limites estabelecidos pela lei que disciplinou as normas gerais de direito tributário, na forma do artigo 146, III, b da Constituição Federal: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Indiferente a inconstitucionalidade dessas regras, já que elas nada interferem, sequer se aplicam, à questão posta nos autos. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908232/200867 Acórdão n.º 3202000.624 S3C2T2 Fl. 100 16 Igualmente inaplicável o disposto na súmula n° 409 do STJ, já que, como visto, nos autos, de prescrição não se cuida: Em execução fiscal, a prescrição ocorrida antes da propositura da ação pode ser decretada de ofício (art. 219, § 5º, do CPC). Assim, sem razão a Recorrente. Remissão dos débitos Alega ainda a Recorrente que se confirmada a homologação parcial de seu crédito, o débito relativo à importância não homologada estaria remitido por força do artigo 14 da Medida Provisória n° 449, de 3 dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, pois o valor total do débito não alcançaria o montante de R$10.000,00 (dez mil reais). Dispõe o artigo 14 da Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009 que: Art. 14. Ficam remitidos os débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há 5 (cinco) anos ou mais e cujo valor total consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). § 1o O limite previsto no caput deste artigo deve ser considerado por sujeito passivo e, separadamente, em relação: I – aos débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos; II – aos demais débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional; III – aos débitos decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; e Fl. 100DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908232/200867 Acórdão n.º 3202000.624 S3C2T2 Fl. 101 17 IV – aos demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 2o Na hipótese do IPI, o valor de que trata este artigo será apurado considerando a totalidade dos estabelecimentos da pessoa jurídica. § 3o O disposto neste artigo não implica restituição de quantias pagas. § 4o Aplicase o disposto neste artigo aos débitos originários de operações de crédito rural e do Programa Especial de Crédito para a Reforma Agrária – PROCERA transferidas ao Tesouro Nacional, renegociadas ou não com amparo em legislação específica, inscritas na dívida ativa da União, inclusive aquelas adquiridas ou desoneradas de risco pela União por força da Medida Provisória no 2.1963, de 24 de agosto de 2001. Inviável, todavia, tal análise no âmbito do recurso voluntário, visto que o dispositivo em apreço exige a consolidação de todos os débitos do sujeito passivo para fins de verificar se foi respeitado o limite de R$10.000,00 (dez mil reais), e o recurso em pauta trata apenas do reexame da decisão recorrida, onde há apenas parte do débito, não sua totalidade. Na forma do §1° do dispositivo supratranscrito, tal análise deverá ser feita pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando definitivamente constituído o crédito tributário no âmbito do processo administrativo fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto pela Recorrente, mantendo a decisão recorrida tal como lançada, por seus próprios fundamentos. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 101DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.003961/00-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1989 Ementa: ILL. Competência para o julgamento. Compete à 2ª Seção de Julgamento do CARF processar e julgar recurso de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que verse sobre aplicação da legislação de Imposto de Renda Retido na Fonte
Numero da decisão: 1302-000.667
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência em favor da 2ª Seção de Julgamento
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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score : 1.0
Numero do processo: 13888.905229/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Para o reconhecimento de direito creditório é indispensável a apresentação de prova documental hábil.
Numero da decisão: 1102-000.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Assinado digitalmente
ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - Presidente.
Assinado digitalmente
SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Antonio Carlos Guidoni Júnior (vice-presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Antonio Carlos Guidoni Júnior (vice-presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes e João Carlos de Figueiredo Neto.
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Recorrida 8ª TURMA DA DRJ/RJ1 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Para o reconhecimento de direito creditório é indispensável a apresentação de prova documental hábil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Antonio Carlos Guidoni Júnior (vicepresidente), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes e João Carlos de Figueiredo Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 52 29 /2 00 8- 10 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 11/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por SILVANA RES CIGNO GUERRA BARRETTO 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão que manteve Despacho Decisório para homologar parcialmente as compensações declaradas com base no saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2004, por considerar como disponível apenas o saldo de R$ 1.567,23 (FL. 05). De acordo com a DRJ (fls. 203/205), a Recorrente deveria apresentar documentos hábeis, como os livros contábeis e fiscais para comprovar os alegados erros de preenchimento na DIPJ, uma vez que apenas apresentadas retificadoras após proferido o Despacho Decisório. Em suas razões recursais, a Recorrente reafirma a apuração de saldo negativo no anocalendário de 2004 no valor declarado nos PER/DCOMP’s e o erro no preenchimento da DIPJ, cuja retificação foi realizada após o recebimento do Despacho Decisório, conforme cópia de fls. 92/163, além de acostar informes de rendimentos financeiros da Caixa Econômica Federal, páginas dos Livros Diário e Razão. É o relatório. Voto Conselheira SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Insurgese a Recorrente contra acórdão da DRJ que indeferiu o pleito creditório com consequente ausência de homologação das compensações declaradas através de PER/DCOMP, em razão da ausência de comprovação hábil e idônea. Não merece reparos a decisão da DRJ. Consoante Despacho Decisório de fl. 05, para o reconhecimento do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, foram computadas retenções na fonte do imposto no montante de R$ 13.466,71 (treze mil, quatrocentos e sessenta e seis reais e setenta e um centavos) e não identificados recolhimentos de estimativas capazes de alterar o saldo apurado. Por outro lado, os documentos trazidos à colação pela Recorrente – Informes de Rendimentos, extratos e folhas dos Livros Diário e Razão – apenas confirmam as retenções do imposto sofridas e já reconhecidas quando proferido o Despacho Decisório. Apenas a DIPJ/2005, retificada após proferido o despacho decisório, traz na Ficha 12A (fl. 103) recolhimentos de estimativas no valor de R$ 11.799,48, mas, além de não declarados os valores mensais de estimativas, não há qualquer comprovante de recolhimento e também não foi localizado no Despacho Decisório qualquer recolhimento a este título. À míngua de provas, não há como deferir o pleito recursal. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 11/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por SILVANA RES CIGNO GUERRA BARRETTO Processo nº 13888.905229/200810 Acórdão n.º 1102000.781 S1C1T2 Fl. 245 3 Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora Fl. 269DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 11/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por SILVANA RES CIGNO GUERRA BARRETTO
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