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Numero do processo: 10711.002404/86-18
Data da sessão: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 1988
Data da publicação: Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Conferencia final de manifesto. Consoante o disposto no parágrafo único do Art. 107 do Decreto 91.030/85, a apuração da falta ou acréscimo só se perfaz na data do lançamento do crédito tributário correspondente.
Recurso especial de divergência desprovido
Numero da decisão: CSRF/03-01.541
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencido o Cons. Paulo César de Ávila e Silva.
Nome do relator: JOSE FAÇANHA MAMEDE
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FRecorrid a SEGUNDA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA: FAZENDA NACIONAL Conferencia final de manifesto. Consoante o disposto no parágrafo ánico do Art. 107 do Decreto 91.030/85, a apuraçào da falta ou acréscimo só se perfaz na data do lap çamento do crédito tributário correspon- dente. Recurso especial de divergenciades provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re curso interposto por EXPRESSO MERCANTIL AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. ACORDAM os Membros da Cãmara Superior de Recursos Fis- cais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, venci do o Cons. Paulo César de Ávila e Silva. Sala das Sess6es(DF), em 22 de agosto de 1988. UR aREI"“LOPE. - PRESIDENTE , / z.:-/- /0 - n AN A á l' DE'' ' 4 .- — RELATOR ' 1 drMARC* -,4:re i j/ I _. MENEGHETTI - PROCURADOR DA FAZENDA NACOI- '(( - MAL , , v.v Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei ros: PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JUNIOR, HÉLIO LOYOLLA DE ALEff CASTRO, HAMILTON DE SÃ DANTAS, EDWALDO REIS DA SILVA e SEBASTIÃOR6 DRIGUES CABRAL. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N g 10711/002.404/86-18 RECURSO N g : RD/302-0.088 ACÓRDÃO N g : csRF/03-01.541 RECORRENTE: EXPRESSO MERCANTIL AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. RECORRIDA: SEGUNDA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. INTERESSADA: FAZENDA NACIONAL RELATóRI O Trata-se de Recurso de Divergencia interposto pelo con- tribuinte, contra decisão da egrégia 2 g Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, consubstanciada no Acórdão 302-31.083 (fls. 102/ 104), assim ementada: "Falta de mercadoria apurada em conferen- cia final de manifesto. O regime aduanei- ro_especial sob o qual se deu a importa ção nao se estende a mercadoria em falta. A modalidade de transporte (FIOST) resul- tante de convenção particular não se opõe ao interesse da Fazenda Nacional. Para cái culo do tributo z tem-se como referencia a data da apuraçao da falta." Os conselheiros vencidos davam provimento parcial ao re curso, apenas para considerar como data de referencia para cálculo do tributo a da entrada da mercadoria no território nacional. O re- curso especial do sujeito passivo se cinge, pois, a este aspecto,pa ra o que juntou cópias de acórdãos desta Câmara Superior e da egré- gia 3 g Câmara do Terceiro Conselho Contribuintes, em que aquela ado j tava a data da denúncia do sujeito passivo e esta a da entrada da mercadoria no território nacional como marcos indicadores do conhe- cimento da falta pela autoridade processante. Em contra-razões, diz a Fazenda Nacional que, com o ad- vento do novo Regulamento Aduaneiro (Dec. 91.030/85), ficou defini- da, como data de referencia para cálculo do tributo, a do respecti- vo lançamento, conforme arts. 87, II, "c" e 107 e parágrafo único daquele diploma legal. É O RELATÓRIO. G/ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N 2 : 10711/002.404/86-18 -2- ACÓRDÃO CSRF/03-01.541 VOTO O navio deu entrada no porto do Rio de Janeiro em 27 de dezembro de 1985, na vigencia, pois, do novo Regulamento Aduaneiro. A falta na descarga é, assim, fato ocorrido sob o império desse no- vo Regulamento. Esta Câmara Superior, em inúmeros julgados, dentre os quais os de n g s. CSRF/03-01.398, 01.399, 01.408, 01.440, já dirimiu a questão. Trancrevo o voto proferido no Ac6rdão CSRF/03-01.399: "Com o advento do Decreto 91.030/85, estabeleceu-se,afi nal, um critério preciso para determinar-se o momento da apuração de faltas ou acréscimos de mercadorias na descarga dos navios ou aeronaves, ou seja, do término da Conferencia Final de Manifesto. O artigo 107 do alu dido Decreto assim se expressa: "Art. 107 - Quando se tratar de avaria ou falta, a mercadoria ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que a auto ridade aduaneira apurar o fato (Decreto- lei n g 37166, art. 23, parágrafo único). Parágrafo único - Considera-se apurado o fato na data do lançamento do credito tri butário correspondente." "Como se observa, tem muita razão o ilustre recorrente quando faz distinção entre o que ele chama de conhecimen to oficioso da infração e a "apuração do fato" de que cogita o citado art. 107 do Decreto n 2 91.030/85. "De fato, a Conferencia Final de Manifesto não é um ato único e realizado em curto lapso de tempo. O mesmo De- creto 91.030/85, no seu artigo 476, assim define esse procedimento: "Art. 476 - A conferencia final de manifes to destina-se a constatar falta ou acré -s- cimo, de volume ou mercadoria entrada no território aduaneiro, mediante confronto do manifesto com os registros de descarga — (Decreto-lei n 2 37/66, art. 3-9, 12). Parágrafo único - Constatada falta ou acres cimo e feitas, se for o caso, as necessá- rias diligencias, adotar-se-á o procedi J'27 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N P 10711/002.404/86-18 - 3 - ACÓRDÃO N P : CSRF/03-01.541 mento fiscal adequado". "Assim, não é o simples fato de o fiscal comunicar a seu supervisor que ocorreu falta ou acréscimo de mercadorias que completa a chamada Conferencia Final de Manifesto.Ne cessário se faz, ainda, diligenciar junto ao transporta- dor para saber sua versão do fato, dada a possibilidade de justificaçóes para a ocorrência. Dai porque o Decreto 91.030/85 houve por bem fixar o momento em que se consi- dera consumada a apuração do evento: o lançamento do cré dito tributário. Isto posto, com a apuração final do fato verificou-se na vigência do Decreto 91.030/85, deverá prevalecer, para efeito de tributação, a data do lançamento do crédito, consoante o disposto no art. 107 acima transcrito." Com base nesses precedentes, voto por negar provimento ao recurso especial. Bra 'lia-DF, em 22 de agosto de 1988. Je ",',.111HA MAMEDE - 'LLATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 00508.000064/83-46
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Sessão de 12 de novembro de 19 84 ACORDÃO N°--.-CSRF'/02-0 .141 Recurson'Rp/201-0.147 , Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrido PRIMEIRA C7-511ARA, DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: INDÚSTRIAS REUNIDAS DE BEBIDAS TATUZINHO 3 FAZENDAS S.A. PROCESSO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. Não dabe a interposição de recurso especial por parte do Procurador da Fazenda Na- cional relativamente a questão cuja de- cisão tenha sido a favor da Fazenda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos t= - mos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado./ ç ' Sala das Sessõ:/- DF, eiri 12 de novembro de 198., U 1, iAMADOR 0..0 FERNÃNDEZ - PRESIDENTE ,_ RE ,,,_ ,O, • DE9- ;-- , ) r TÉS -) ' oR-rsai - RELATOR ,,,e, 4IF .60.- LUIZ FERN/&O eL-VEIRA DE MORAES - PROCURADOR Ál DA FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: LOURIERDESFIUZA DOS SANTOS, FERNANDO NEVES DA SILVA, HAMILTON DE SÃ DANTAS, JOSÉ FAÇANHA MAMEDE, SEBASTIÃO BORGES TAQUARY eSEBASTIÃO RODRI- GUES CABRAL. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N19 0508/000.064/83-46 RECURSON9: RP/201-0.147 ACÓRDÃO N9:CSRF/02-0 .141 RECORRENTEFAZENDA NACIONAL RECORRIDO: PRIMEIRA CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: INDÚSTRIAS REUNIDAS DE BEBIDAS TATUZINHO 3 FA- ZENDAS S.A. RELATÕRIO Apreendeu a fiscalização 185 garrafas de aguardente de cana junto a firma adquirente, "distribuídas em varias caixas fechadas", por estarem sem o selo de controle. Instaurou, em conse- quencia, ação fiscal contra o fabricante constante dos respectivos rótulos, para exigir-lhe o IPI correspondente a tais produtos e ainda, para cominar-lhe &multa do artigo 376, I, do RIPI/82 (ven- da sem selo de controle). Em defesa, alegou o fabricante que não poderia .ser responsabilizado pela falta apurada, primeiro porque não dera saí- da aos produtos nas condições em que a fiscalização os encontrou,e segundo, porque a lei transfere tal responsabilidade para o adqui- rente nos casos em que ele deixa de comunicar eventual irregulari- dade ao remetente, que e o caso dos,autos. Em abono da tese de que o responsavel seria o adquirente, invoca os artigos 173, caput e seu parágrafo 19, do RIPI/82, assim como o artigo 121, parágrafo 1-1_ nico, inciso II, do CTN. Alegou, também, sem fazer prova a respeito, que o.al quirente teria sido autuado por idêntica falta e pagara tanto o IPI comas multas cominadas. A fls. 27 consta cópia da autua.6 er re- . DMF - D C-C - Secr,êf - 600/75 2. Processo n9 0508/000.064/83-46 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão n9-CSRF/02-0.141 lação tão somente ã multa do selo de controle, nada constando so- bre o IPI e respectiva penalidade. A autoridade da l instância manteve a exigência fis cal porque as disposições do artigo 173 do RIPI/82 não eximem a responsabilidade do fabricante pelo IPI e por infrações praticadas e, também, porque a aguardente sem selo estava ainda em caixas com lacração originária, ao ser apreendida. No recurso apresentado ao 29 Conselho de Contribuin • tes, limitou-se o interessado a repetir a argumentação feita na im pugnação inicial, alem de indicar decisões administrativas, inclu- sive do próprio Conselho, favoráveis a sua tese. Alega, também, que a decisão teria inovado ao referir-se a apreensão da aguardente em "caixas lacradas", já que o auto mencionara simplesmente a apreen- são de "garrafas não devidamente seladas". Todavia, como já dito, antes, o auto foi peremptório ao mencionar "caixas fechadas"(fls.03). O 29 Conselho de Contribuintes, por maioria, mante- ve a exigência fiscal, salvo no que diz respeito a circunstância qualificativa que teria ocorrido e que não ficou comprovada. Assim, desclassificou a multa correspondente ao IPI, deixando intacta a do selo de controle e o valor do IPI inicialmente exigido. Inconformado com a decisão do Conselho,recxxrea esta - Egrégia Câmara o douto procurador-Representante da Fazenda,Dr.Iran - de Lima, pois segundo ele o acórdão feria tanto o artigo 160, como o artigo 376, inciso I, do RIPI/82. Fere o artigo 160 porque, segundo esse dispositivo, se o produto for encontrado sem selos, não vale qualquer defesa que se baseie em nota fiscal mostrando que o imposto teria sido pagoou que teria havido baixa de selo no estoque, quando da saída do pro- duto do estabelecimento emitente da nota. Assim seria, porque inad- missivel a identificação do prodlit.o ce a nota fiscal, na forma do que determina o artigo 160. 7/? 3. Processo n9 0508/000.064/83-46 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão n9-CSRF/02-0.141 Fere o artigo 376, I, porque nega que duas são as hi póteses de incidência de multa aí previstas, ou seja, na "venda" e na "exposição ã venda" e, por via de consequência, nega também que a operação efetuada pelo fabricante seja uma"venda". Não fossemtais negações, então não haveria como escapar ã conclusão de que o fabri cante teria feito uma"venda" de produto sem selo e, por tal motivo, incidiria na multa desse artigo. Alem disso trás também o Representante da Fazenda um argumento de ordem material para demonstrar a responsabilidade do fabricante e pleitear a reforma do acórdão: é o de que se o fabri- cante tivesse selado os produtos, restaria nestes, de qualquer modo, algum vestígio dos selos, porque a cola a utilizar, por força de . norma específica, é de tal natureza que o selo não pode ser retira- do sem deixar marcas. Caso o fabricante não tenha usado a cola pró- . pria, que o protegeria, assumirá ele o ônus e seu produto deverá ser considerado sen selo, se não houver vestígio no caso de even- tual descolamented-, É o. relatório. 4. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0508/000.064/83-46 Acórdão n9-CSRF/02-0.141 VOTO_ _ Conselheiro TERESO DE JESUS TORRES, Relator: Na parte referente a selo de controle, a decisão do Segundo Conselho de Contribuintes foi favorável ã Fazenda, como ressaltado no relatório. Em consequência, o recurso a esperar seria do -con- tribuinte e não da Fazenda. Se esta recorreu, há-de concluir-seque estaria a referir-se a outro tópico do acórdão, ou seja a desquali ficação da multa. Mas quanto a isto, cabe observar que o arrazoado da Procuradoria não guarda correlação com a parte referente ã mul- ta proporcional ao IPI devido, questão em que realmente houve deci são contrária ã Fazenda Nacional. Toda a argumentação desenvolvida diz respeito a selo de controle. Tudo indica que ocorreu algum equívoco, provocadope la grande quantidade de recursos sobre selo de controle, com deci- sões quase sempre contrárias ã Fazenda. O presente processo seria uma exceção, que passou despercebida ã Procuradoria. Sou de opinião, assim, que não seja considerado o recurso interposto, já que a posição aí defendida não contrasta com o que foi decidido no acórdão recorrido. *to, Gois, no sentido de que não se tome conheci- mento do apelo.// - DF, em 12 de novembro de 1984. TEREso -DE JESUS TORRES - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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H IRPJ - MICROEMPRESA- REPRESENTACAO COMERCIAL - ISENCAO. - A atividade de representaçào comer- cial, a teor do artigo 51 da Lei n..: 7.713, de 1988 e das restriçOes contidas no inciso VI do artigo 32 da Lei n. 7.256, de 1984, ainda que exercida sob a forma de empresa, acha-se exclui- da do regime tributário especial conferido às microempresas. 1, Recurso especial provido. : ., H. 1. , Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re- curso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ,, ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nas termos do rela- tório e voto que passam a integar o presente julgado. Vencidos c:) Conselheiros.,. Dícler de ASáunção e Wilfrido Augusto Marques-, eaubsti ,jt.uÉ.o)..;¡.que:négavam-lhe provimento.k. 1 ,ala d-s Sessões (DF), em 20 de novembro de 1992. = 440:0 A'', , . ,., ' MA” • • Ir ,'" r Air . __ PRESIDENTE =I .; CARLOS ,1 iALBERTO C ./•" , pA S - RELATOR,/ / 4 40, LUT:2-1FERNMDO O: '7E I" . IO 1' 10RUS - PROCURADOR DA FAZEND NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes .Conselheiros IRINEU SIMIANER, WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, - CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER . EVANDRO PEDRO PINTO, JUAREZ DE MORAIS, AFONSO CELSO MATTOS LOURENÇO, *- MARIA DA GLÓRIA DE OLIVEIRA COELHO LEAL e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. p# DAMEFP/DF — SECOS N çe 064/90 Mi - PROCESSO N. 11065/002.697/90-45 RECURSO N. RP/106-0.260 ACORDA° N. CSRE/01-01.438 RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL RECORRIDA :SEXTA CAMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO : SCARPE COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA. RELATORI 0 Trata-se de recurso especial interposto pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional, com fulcro no artigo 34 da Portaria ME ne 182/77, combinado com o artigo 42, inciso I, da Por- taria MF n2 434/79, visando a reformar o Acórdão n.?.. 106-4.099, pro- latada pela Egregia Sexta Cãmara deste Conselho, que por maioria de votos decidiu, verbis: "NORMAS GERAIS - ISENCAO - MICROEMPRESA DE REPRESENTACAO COMERCIAL - As em- presas de representação comercial, enquanto mi- croempresas, são isentas do Impsto de Renda, es- tajam registradas como firmas individuais ou co- d,e„, mo sociedades, de natureza civil ou mercantil. Interpretação teleológica do art. 51 da Lei nt 7.713/88. Recurso provido." O apelo em exame funda-se na argumentação expen- dida no voto vencido do ilustre Conselheiro Mário Albertino Nunes que, em outra oportunidade,após manifestar sua estranheza pela in- terpretação adotada pela Egrégia Sexta Câmara que a seu ver cria condiçóes "para que castas privilegiadas desfrutem de verdadeiro pa- raiso fiscal" (sic), passou a apreciar a matéria dando inteligência diversa daquela esposada pelo mencionado órgão colegiado. Conclui o eminente Conselheiro que a atividade exercida pelo recorrente acha-se elencada no art.30 do RIR/80 e, por isso esta excluída a possibilidade de ser equiparado a pessoa juri- dica para os fins tributários, trazendo a lume, ainda dispos-ção .1°Ni; , -,- . . PROCESSO N9 11065/002.697/90-45 AcOrdão n9-CSRF/01-01.438 contida no Parecer Normativo n.: ._' 15/86, a qual distingue o exercicio da atividade de representante comercial por conta própria e o exer- cicio da mesma atividade através de mediação de negócios. Por derradeiro, apontou acórdãos das Egrégias Segunda e Quarta Câmara que concluiram pela tributação na cédula "D" da declaração de rendimentos do titular da firma. Admitido o recurso pelo r. despacho de fls.43 e intimado o sujeito passivo para se manifestar sobre a inconformação, pronunciou-se o interessado a fls. 46/9, pleiteando a manutenção do aresta recorrido, reportando-se, para tanto no voto do ilustre Pela- k gtor do feito. 4 E o relatório. , , &, , PROCESSO N. 11065/002.697/90-45 Acórdào n. CSRF/01-01.438 VOTO Conselheiro : CARLOS WALBERTO CHAVES ROSAS, Relatar Conheço do recurso intentado porque atende ele aos pressupostos de admissibilidade previstos na legislação de re- gência. No mérito, entendo que a r. decisào a quo merece reforma. A discussào no presente caso adstringe-se à exe- gese a ser dada aos artigos 3=, inciso VI da Lei ne 7.256, de 1984 e 51 da Lei n° 7.713, de 1988, assim como do Ato Declaratória CST (Normativo) 24/88. A meu ver a atividade exercida pelo sujeito pas- sivo é assemelhada àquelas enumeradas no artigo 51 da Lei supraci- tada, devendo-se registrar que, a exemplo do inciso VI do artigo 3:r. 1 da Lei 7.256, de 1984, o dispositivo em tela nào é exaustivo, tendo natureza exemplificativa. Por outro lado, o Ato Declaratório CST (Normati- va) n° 24, de 1988, explicitou o entendimento da administração de que a atividade de representaçào comercial, na intermediaçào de ope- raçóes por conta de terceiros, por se assemelhar à de corretagem, exclui a sociedade dos beneficias concedidos à microempresa. Tal entendimento, diga-se de passagem, nào é re- cente, pois já estava consagrado no Parecer Normativo n° 25, de 1980, ao interpretar as hipótese de concessào de isenção para as em- presas de pequeno porte. Na realidade parece-me mais consentãnea com a letra da lei a interoretaçào ora referida, a qual tem sido reitera- damente esposada pela Egrégia Quarta Cãmara ao consignar, verbis: ,,4g9 "IRPJ - MICROEMPRESA - ATIVIDADES EXCLUIDAS. - A vista das restriçóes contidas no inci o VI álj fi - — , .. PROCESSO N9 11065/002.697/90-45 Acórdão n9-CSRF/01-01.438 do art. 3.4: da Lei nt 7.256/84, a atividade de representante comercial, ainda que exercida sob a forma de empresa, esta excluída do regime es- pecial instituido por esse diploma legal. , Recurso nào provido." , Cabe registrar, por oportuno, que a desclassifi- caça° determinada prejudica a segunda questào enfocada pelo julgado ora recorrido, qual seja a da isençào prevista no artigo 11 da Lei n: 7.256, de 1984. E inquestionáveeque a regra do artigo 51 da Lei n..e 7.713, de 1988 inibe a concessào do referido beneficio fiscal, tendo em vista que a atividade de representante comercial é asseme- lhada àquelas elencadas, a título exemplificativo, no mesmo disposi- tivo, como já salientei anteriormente. , Esta, de resto, a orientaçào jurisprudencial que tem sido adotada pela maioria dos membros desta Câmara Superior. Peias razoes expostas, voto pelo conhecimento do ,presente recurso especial e pelo seu provimento. 1 , Brasilia, 20 de novembro de 1992. , t . - CA LOS WALBERTO CHAVE- OS - RELATOR ,'&ior... , , , 4(4 . 4. I , , , , , 1 ., ' , - ___ Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAl: ) ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votós,NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relat6rio e voto que passam a integrar o presente julga- do. c:Is SessESes-DF, em 18 de outubro de 1993( /MAR ' '. -1 . - / 'Ir Wfm PRESIDENTE 5-- it\--"1---,1.-----N_ HUMBERTO ESMERALDdir , RRETO FILHO - RELATOR LUIZ FERNANDQ/OLIVEIR , DE MORAES -- PROCURADOR DA FA ZENDA NACIONAL - Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei ros: ITAMAR VIEIRA DA COSTA, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, SÉR- GIO CASTRO NEVES, UBALDO CAMPELO NETO, JOÃO HOLANDA COSTA E SEBAS- TIÃO RODRIGUES CABRAL. - r i Vr4 \\\\„: , , , -zkii'-- ,,,L,1 _ SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N°11080/013.870/88-82 RECURSO P49 : RP/301-0.334 AcónpXo N2: CSRF/03-02.190 RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL RECORRIDA : PRIMEIRA 'CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: WOTAN - MÃOUINAS OPERATRIZES LTDA RELATÓRIO Contra Wotan-Máquinas Oneratrizes Ltda foi lavrado Auto de Infração com base na seguinte fundamentação, verbis: "No exercicio das funções de Auditor Fiscal do Tesouro Nacional comparecemos na empresa identi- ficada no anverso desta folha constatando que a mes ma teve aprovado através do certificado CDI 6165/7-8 o prejeto CDI/PEP/n9 197/77, que autorizou a impor- tação de equipamentos (com redução de 80% do II e IPI) no valor de US$ F.O.B. 3.887.000 valor este ai terado pelo aditivo I de 05/10/78 para US$ F.O.B.- 5.173.000. Em análise, comparando os valores autorizados' pelo projeto e seus aditivos, com as importações e- fetivas realizadas através das Declaraçoes de Impor tações efetivas realizadas através das Declarações' de Importação n9 15134, 4573, 4371, 4743, 4744,4745, 950, 1097, 1098, 1099, 1100, 1102,4345, foi consta- tado excedente de US$ F.O.B. 514.365. Este exceden- te caracteriza o cumprimento do que consta no certi ficado CDI 6165/78 e seus aditivos tipificando in--- fração ao art. 49 do DEC. 67707/70 tornando-se as- sim leglvel a cobrança integral dos impostos e de- mais encargos legais incidentes sobre a diferença excedente ao projeto, em relação a cada equipamento importado." ‘ , - SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 11080/013.870/88-82 3. Acórdão n9 CSRF/03-02.190 O beneficio fiscal referido foi concedido pelo Con selho de Desenvolvimento Industrial na forma do Decreto n9 67.707, de 07 de dezembro de 1970, subordinando-se ás condiçOes estabele- cidas pelo Certificado n9 65/78 (fl.,147), e seu correspondente Termo de Responsabilidade (f 1. 156). Mantida a autuação na primeira instância, sobre4. veio recurso voluntário provido pela la. Câmara desde Conselho de Contribuintes, que acolheu preliminar de decadência suscitada pe- la recorrente, assim deixando consignado, verbis: "A fiscalização deveria ter feito a conferên- cia das máquinas e equipamentos, no ato da interna ção das mercadorias no País, ou seja, nas datas em que foram registradas as DIs, ou, ate mesmo, a re- visão, mas dentro do prazo de 05 anos. Pretender, repita-se, que a consti)tuição do crédito tributário, e via de conseqfiência, a sua cobrança, ficassem suspensos por 05, 10 anos, por condiç3eS que a Lei não prevê, e sobrepor-se á ela. ¡ Diante do exposto, e de tudo mais que do pro7 cesso consta, acolho a preliminar de decadência, 1 para tornar insubsistente auto de infração, por te rem sido passado, no caso das DI 1 s registradas em 1978 09 anos, e nos casos das DIS registradas em 1979, 08 anos, ate a data da lavratura do Auto de Infração, de 23.11.1988." Irresignada, a Fazenda Nacional interp5e o presen- te especial, aduzindo que "para os tributõs suspensos não se pode acolher preliminar de decad&ncia, porque somente pode estar sus- penso o cr&d.jito lançado", razão pela qual "tratar-se-ia, no caso, de prescrição, que esta sim, estava suspensa". A interessada apresentou contra-razaes fulcradas 1 na argumentação veiculada no recurso voluntário alçado a este co- legiado, o relatório. Hil44ei i - . , :, ,; 4. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO NO 11080/013.870/88-82 Acórdão n9 CSRF/03-02.190' VOTO_ Conselheiro HUMBERTO ESMERALDO BARRETO FILHO - Relator A v. decisão monocrática afastou a decadencia susci tada asseverando que "tendo se tratado, aqui, de beneficio fiscal concedido sob condição suspensiva, isto e, pendente de Posterior' comprovação do exato cumprimento das obrigaçOes assumidas no Ter- mo de Responsabilidade, e do contido no Certificado de n9 6165 e seus aditivos, é de se concluir que somente após o encerramento do projeto pelo CDI surge o direito de a Fazenda Pública verifi- car o cumprimento da legislação fiscal, efetivando, se for o ca- so, o lançamento dos tributos decorrentes das obrigaçOes que, ate entao, se conceituavam como condicionais." Posto tenha de inicio com ela me impressionado,não acolho tal argumentação, tendo por decaído o direito de constitui ção do credito tributário antes excluido, vez que extrapolado, pe lo Auto lavrado em 23.11.88, o prazo estabelecido no art. 173 do Código Tributário Nacional. Com efeito, o incentivo fiscal em tela foi deferi- do sob determinadas condiç3ses, todas resolutivas, resSa1tese. Sucede, todavia, que no caso especifico da aútua- ção efetuada nos autos, aponta-se o descumprimento de uma das pre citadas condiç5es, qual seja, a ultrapassagem do montante finan- ceiro previsto para as importaçSes. Ora, como a última das impor- taçOes examinadas (DI n9 1102) foi registrada em 30.03.79, nada obstava, data venia, a ação fiscal para a ,verificação do regular' cumprimento da concessão em relação ao aspecto em pauta, volume financeiro autorizado. O Decreto n9 67.707/70, norma que embasou a conces sao, alude apenas, em seu art. 49 a revogação da isenção e ao re- colhimento imediato dos tributos relevados, sem prejuízo das pena j SERVICOPUBLICOFEDERAL PROCESSO N9 11080/013.870/88-82 5. AcOrdão n9 CSRF/03-02.190 lidades incidentes, quando apurado o não cumprimento das Obriga çoes assumidas pelo beneficiário. No caso vertente, no dependia tal apuraçao da formalização, pelo CDI, do encerramento do projeto, cuja respec- tiva data não pode, por isso mesmo, servir de balizamento ao pra zo decadencial, que, diversamente, conta-se conforme o disposto' no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, à partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado - o registro da última Declaração de IMportação. Ressalte-se, por fim, que não se cuida aqui de ' tributos suspensos, mas, antes, de créditos tributários axd1111- dos sob condição resolutiva, isto cr&ditosainda não constitui dos. Nego, pois, provimento ao recurso. Sala das Sessaes-DF, et 18 de outubro de 1993 HUMBERTO ESMERALDO BARRETO FILHO - RELATOR ir4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 13707.000876/90-15
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I 1 I.R.P.J. - PIS DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA - PROCEDIMENTO REFLEXO - O decidido no processo matriz, face à relação de causa e efeito existente 1 entre as matérias sob litígio, aplica-se por I inteiro aos procedimentos fiscais que lhe sejam decorrentes. Recurso Especial a que se nega provimento. 1 i Vistos, relatados e discutidos os presentes au- tos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: 1 ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recur- sos Fiscais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatOrio e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Cons. Juarez de Morais, que provia o recurso. ,... ..la ..s Sessoes-DF, em 16 de abril de 1993. 1 1 , fr MAR À S'I+r - PRESIDENTE . // SEBASTIÃo 1-.,P0,,..tilCABRAL - RELATORAP--1000..1 SM I O, / irx/Nffir , DIVA MAr À Co2TA C Z E REIS - PROCURADORA DA FA ZENDA NACIONAL - Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conse- lheiros: IRTNEU SIMIANER, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, AFONSO CELSO MATTOS LOURENÇO, MARIA DAGDNÚA DE OLIVEIRA COELHO LEAL, RAFAELG. CALDERON BARRANCO, D1CLER DE AS ri 't v.v SUNÇÃO, JACKSON GUEDES FERREIRA, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. Ausentes , justificadamente os Cons. CARLOS WALBERTO CHAVES ROSAS " (Subtatituldo , por ANTONIO LISBOA CARDOSO), WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA e PAULO AF- FONSECA DE BARROS FARIA JUNIOR. Defendeu o sujeito passivo, seu advo . gado, Dr. Urgel Pereira Lopes - OAB/DF n9 1.255-A. Defendeu a Fazen- da Nacional, sua Procuradora-Representante, Dra. Diva Maria Costa Cruz e Reis. "4\ (10 N . - , f -, 1 - 1 ,,,,,,, kl , < _ PROCESSO N Q 13707/000.876/90-15 2. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL RECURSO N Q : RP/ 105-0.306 ACÓRDÃO N Q : CSRF/01-01.516 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL SUJEITO PASSIVO: ASBERIT S.A. RELATÓRIO O Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Colenda Quinta Câmara do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, com fundamento no artigo 3 2 , I, do Decreto nQ 83.304, de 1979, recorre a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais na pretensão de reforma do Acórdão nQ 105-6.632, de 20 de julho de 1992, assim ementado: "PIS/DEDUÇÃO - Decorrência - Não sendo apresentadas novas razões, nem produzidas novas provas, é de aplicar-se na solução do processo dito decorrente aquilo que foi decidido no processo matriz." Sustenta o Procurador recorrente que o presente recurso guarda relação com o processo matriz, cujo Recurso Especial foi protocolizado sob o nQ RP/105-0.304, razão pela qual o decidido naqueles autos aproveitará integralmente no caso sob exame. Dentro do prazo legal o sujeito passivo apresenta contra- razões cujo teor se refere ao mérito da matéria discutida nos autos do processo principal.. É o relatório. VOTO Conselheiro SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, Relator. O Recurso Especial atende aos pressupostos legais exigidos para sua admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. ...vr& PROCESSO N Q 13707/000.876/90-15 3. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL ACÓRDÃO NQ : CSRF/01-01.516 Como do relato se infere, o lançamento tributário aqui discutido diz respeito ã cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, parcela deduzida do Imposto de Renda devido pelo sujeito passivo. Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao julgar o Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, protocolizado sob n Q RP/105-0.304, negou-lhe provimento conforme faz certo o Acórdão n Q CSRF/01- , desta data, assim ementado: "I.R.P.J. - CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS - INDENIZAÇÕES - As indenizações devidas em razão de rescisão de contrato de representação comercial, firmado por prazo certo, quando comprovadamente pagas, são dedutíveis como despesas operacionais. Recurso Especial a que se nega provimento." Tendo presente o princípio da decorrência, e sendo certo a relação de causa e efeito existente entre as matérias litigadas, entendo que o decidido no processo principal aplica-se, por inteiro, aos procedimentos fiscais que lhe sejam decorrentes. Nego, pois, provimento ao Recurso Especial interposto pelo Procurador Representante da Fa -n.. Nacional. giBrasília-DF 16 de il de 1993. SEBASTIÃO ROD'IGA L - Relator 1 . tt.4 ...1111111111P N Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10283.002861/90-78
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II - Emissão da GI após chegada da mercado ria ao pais, mas antes do registro clã respectiva declaração de importação, momento do fato gerador do imposto (art. 23 do Decreto-lei n9 37/66). III- Caracterizado embarque da mercadoria no exterior antes de emitida a GI e não importação sem GI ou documento equi valente. Infração punida na forma do inciso VI do art. 526 do Regulamento Aduaneiro. IV - Negado provimento ao Recurso da Pro- curadora da Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar opresente julgado. Sala 'as Ses Cies (DF), em 27 de setembro de 1991. T 'A40" s.m10/ MArI , - PRESIDENTE "A: • LDO C.ApELO N - RELATOR ,‘../ IRAN DE LIMA - PROCURADOR DA FAZENDA NACIO NAL DAMEFP/DF- 3ECO9 N 064/90 él V.V. Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: ITAMAR VIEIRA DA COSTA, FAUSTO FREITAS DE CASTRO NETO, JOSÉ ALVES DA FONSECA, JOÃO HOLANDA COSTA, PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JONIOR e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. Presente ao julgamento o advogado da inte- ressada, Dr. Jorge de Souza Ramalho - OAB/SP n9 76.418 - A/84. . 4 • PROCESSO NP 10283/002861/90-78 RECURSO N P RP/ 303-1.111 ACÓRDÃO CSRF/ 03-01.897 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA : 3 A CÂMARA DO O P CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: GRADIENTE INDUSTRIAL SM RELATORI O Por ocasião do julgamento do recurso voluntário interpos to pela empresa em referãncia, acordaram os membros da Câmara julga- dora em prover parcialmente o apelo para, reconhecendo a ocorrãncia da infração acusada nos autos, substituir a penalidade imposta quando da autuação pela prevista no inciso VI do artigo 526 do RA. Tendo assim decidido, manifesta a recorrida o entendimen, to de que a emissão de Guia de Importação posterior ao embarque da mercadoria no exterior, e no caso, após o ingresso da mercadoria im- portada no território nacional, não tipifica a hipótese infracioná- ria descrita no inciso II do já mencionado art. 526. . Com vistas à reformulação desta decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional vem nos autos deste processo da mesma recorrer, para ver restabelecida a penalização na forma em que foi proposta no auto de infração. Afirma, preliminarmente, a recorrente que o acórdão re- corrido contraria a legislação vigente, uma vez que a autuada impor- tou mercadoria estrangeira cujo ingresso no território nacional efe- tivou - se antes da emissão da Guia de Importação ou documento equiva- lente, ocasião em que, dá-se por ocorrido o fato gerador do imposto de Importação, conforme o disposto no art. 19 do CTN, c/c o art. 86 do RA. Reportando-se às raz -óes expostas pelo contribuinte no recurso voluntário, lembra que este alegou mudança de orientação ado tada pela repartição aduaneira, e pediu que, alternativamente à re- forma total da decisão singular, fosse, pelo menos como era de cos- tume, aplicada a penalidade do art. 526, § 2 2 , inciso I e II. Contesta a recorrente que tal proposição não pode ser aceita, posto que a ninguém é dado desconhecer a lei. Argumenta que as datas da entrada da mercadoria e da emissão da GI são do inteiro conhecimento do importador, que a Guia \,. ... 11, de Importação é documento cuja essencialidade, no caso da Zona Fran- /Xli J Ili 11T PROCESSO N9 10283/002.861/90-78 3.rk I n11 , -0 F fíP r L ca de Manaus, verifica-se no art. 35 do D.L. 1455/76, regulamentado pela Portaria Interministerial n 2 192/76 que determina a sujeição à emissão de G.I., anteriormente ao embarque no exterior, para a impor tação de produtos destinados àquela Zona Franca. Complementando, a Portaria 89/85 estabelece que a emissão tardia da GI, conquanto não exclua os benefícios fiscais previstos no DL n 2 288/67, tampouco di.s pensa a aplicação das penalidades cabíveis. Prossegue para afirmar que a apalicação da multa não corresponde a um tratamento diferenciado, como quer a defendente, mas sim de fato material sabido e comprovado - importação de mercadp. ria sem cobertura de Guia de Importação ou documento equivalente - que constitui a infração tipificada no inciso II do art. 526 do RA. Defende a recorrente que a penalidade descrita no inciso VI desse mesmo dispositivo tem por alvo a infração consistente na emissão da GI após o embarque da mercadoria no exterior porém, ante- riormente ao seu ingresso no território nacional, momento da ocorro cia do fato gerador do II, nos termos do parágrafo único do art. 12 do D.L. 37/66. A emissão da G.I. após a entrada da mercadoria no país atende apenas à formalização do despacho aduaneiro, mas não elide a infração já caracterizada. Em suas contra-alegações, o sujeito passivo traz, ini- cialmente, em sua defesa o entendimento manifestado no voto vencedor do acórdão recorrido, transcrevendo-o parcialmente. Assim, interpreta que o referido voto conclui que a pena lidade prescrita nos termos do inciso II do artigo 526 é aplicável apenas nos casos de importação sem guia de importação, e que, uma vez emitida a guia, pelo órgão competente, mesmo após o embarque da mercadoria, a penalidade cabível encontra-se descrita no inciso VI desse mesmo dispositivo legal. Relativamente à tese defendida pelos votos vencidos, que entendem ser o referido inciso VI aplicável apenas aos casos de emis são da Guia após o embarque porém antes do ingresso das mercadorias no território nacional, argumenta o contribuinte questionando a res- peito de quando considera-se ocorrido o embarque dos produtos. Se na data da expedição do conhecimento de embarque, pergunta: em que momento deverá ser emitida a G.I., considerados, no transporte aéreo, as diferenças de fuso horário e uma possível coincidencia com o fi- nal de semana, quando as repartições brasileiras estariam fechada PROCESSO N9 10283/002.861/90-78 4. f2 f n I/U Ir e não poderiam emitir tal documento? Nesse caso, com a G.I. expedida somente na segunda-feira, o importador está sujeito às pena lidades do inciso II do artigo 526? Prossegue para salientar que se tivesse o legislador a intenção de agir com tal rigidez etária, não teria criado a norma contida no 2 2 , inciso II, do mesmo artigo 526, que gradua e limita a sanção aplicável. Afirma que o recurso especial nada trouxe que pudesse aba lar os fundamentos da decisão recorrida, e menciona a seu favor o acórdão n 2 303-26.207, cujo voto integrante transcreve integralmen- te. É o relatório. (4,/,, (. --;Fnviço PUrr FrDEPAL Proc. 11210283-0G2861/90-78 Ac. CSRF/03-01.897 VOTO 5. A mercadoria foi embarcada, no exterior e descarre- gada em territOrio nacional, antes que tivesse sido emitida a cor- respondente guia de importação. A autoridade julgadora local, 2M primeira instância, entendeu que com a entrada da mercadoria se ca racterizara uma importaçao sem GI ou documento equivalente, razao pela qual exigiu da empresa o pagamento da multa de que trata o inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro. O Recurso Especial interposto contra a decisao no unanime da douta 3a. Cara do 3 g Conselho de Contribuinte-. 1 mani - festa o mesmo entendimento da digna autoridade administrativa local. Peço vânia para discordar da douta Procuradora da Fazenda Nacional. Com efeito, o simples fato de haver descarregado a mercadoria não configura ainda em sua plenitude o conceito de im portaçao para os efeitos da legislação específica. Deve-se salientar, como consta dos autos, que a im- portadora não se descuidara da obtenção do documento mas estavam em curso suas gestEes junto às autoridades governamentais competen tes (SUFRAMA e CACEX), com razoável antecedância, de modo que fi- cara ela a depender de autorizagEes cujo desfecho dependia tão sc5 de decisoes unilaterais desses orgaos sem que ela pudesse exercer - qualquer interferância. Ademais, nesse ínterim, a transaçao comer- cial com o exportador estrangeiro estava em curso e foi concluída, sendo a mercadoria sob encomenda afinal posta para embarque nos por tos estrangeiros, submissa às des p esas normais de armazenagem e capatazia, etc. A demora na expediçao do documento admita-se como normal, não vindo a justificar para a importadora tenha determina do o embarque no exterior, por sua conta e risco, ciente de que co metia uma infraçao, já que no obtivera ainda a CI. O que acima se relata, como está nos autos, serve para demonstrar que "importação" nao se resume no mero ato de fazer ingressar a mercadoria no territário nacional, mas percorre toda uma tramitação, fase por fase, sob pena de se tornar um descaminho. Acrescente-se ainda que essa tramitação, alem do pedido de licencia L, mento, prossegue com outros procedimentos da iniciativa do iMPOT- \, .1ti` Proc. n g 10283-002861/90-78 ''!"H i ,;(7 rt)m; -r:DErAi Ac. CSRF/03-01.897 6. tador, junto às autoridades portuárias no porto de descarga e paran te a administração aduaneira. Nesses procedimentos, o contribuinte vai manifestar a sua intenção e seu interesse de dar continuidade à sua importação atá obter o desembaraço aduaneiro, condição para afi nal receber sua carga. -.. , No e demais Iembear ainda que o contribuinte tem que cumprir prazos para promover o despacho das mercadorias ou dar- -lhe continuidade, sob risco da vir a cometer a infração de aban - dono cuja pena será a declaraçao específica a que se sege o oradas so para aplicação da pena de perdimento, em favor da Fazenda Nacio- nal. No caso desta importação, está comprovado que, final . mente, a CACEX expediu a GI (ou GIs) em data anterior à do registro da declaraçao de importaçao, momento assa que se deve ter como adue le em que, formalmente, ocorreu o fato gerador do imposto de impor- taçao (art. 23 do Decreto-lei n 2 37/66). Como bem admite a Fazenda Nacional, no seu Recurso, a GI atende à formalizaçao do despacho a- duaneiro, o que induz à convicção da que, na espácie, completado o . despacho aduaneiro com a existência da GI, a infração que restou a descoberto foi a do embarque antes da emissão da GI ou documento e- quivalente, conforme previsto no inciso Vi do art. 526 do RA. . A penalidade do inciso II do mesmo art. 526 está re- servada à infraçao descrita como: "importar mercadoria do exterior sem guia de im portaçao ou documento equivalente...." ,... . A previsao e para os casos em que no tenha sido emi tida- a GI atá o momento do registro da DI. G caso mais comum á o da divergência de mercadoria, isto á, entre a licenciada na Gi e aquela que se verifique em conferência física, divergência usualmen te atestada através de laudos laboratoriais. No caso em foco, existe (m) a(s) guia (s) de impor- taçao, emitida (s) especificamente para a(s) mercadoria(s) constan- te (s) do despacho de importação. Por entender que a decisao da 3a. Câmara do 3 2 Canse lho da Contribuintes foi exarada cdm os melhores fundamentos de di reito, voto para negar provimento ao Recurso Especial. k2 ,.._das Sessoes, em 27 de setembro de 1991 ‘, áft VAUbaldo Campello to - Relator N Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 37311.009262/2006-30
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 25/06/2003 a 15/04/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA FÍSICA. EMISSÃO DE AVISO PARA REGULARIZAÇÃO DA OBRA - ARO. ABATIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES RETIDAS.
No cálculo das contribuições sociais devidas em virtude da realização de obra de construção civil, mediante a utilização do método CUB, devem ser computadas as contribuições retidas pelo dono da obra.
PLURALIDADE DE EDIFICAÇÕES. MÉTODO CUB. ESCALONAMENTO.
No cálculo pelo método do CUB, deve ser considerada a área total do projeto de forma única, ainda que este abranja mais de uma residência.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2402-003.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em dar provimento parcial para restituição de parte dos valores, nos termos do voto do relator.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente.
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 25/06/2003 a 15/04/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA FÍSICA. EMISSÃO DE AVISO PARA REGULARIZAÇÃO DA OBRA - ARO. ABATIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES RETIDAS. No cálculo das contribuições sociais devidas em virtude da realização de obra de construção civil, mediante a utilização do método CUB, devem ser computadas as contribuições retidas pelo dono da obra. PLURALIDADE DE EDIFICAÇÕES. MÉTODO CUB. ESCALONAMENTO. No cálculo pelo método do CUB, deve ser considerada a área total do projeto de forma única, ainda que este abranja mais de uma residência. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em dar provimento parcial para restituição de parte dos valores, nos termos do voto do relator. Júlio César Vieira Gomes - Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões, Lourenço Ferreira do Prado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1517; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 173 1 172 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 37311.009262/200630 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.243 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2013 Matéria CONSTRUÇÃO CIVIL: ARBITRAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES Recorrente JOSÉ ROCHA E APARECIDA ZERBETO ROCHA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 25/06/2003 a 15/04/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA FÍSICA. EMISSÃO DE AVISO PARA REGULARIZAÇÃO DA OBRA ARO. ABATIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES RETIDAS. No cálculo das contribuições sociais devidas em virtude da realização de obra de construção civil, mediante a utilização do método CUB, devem ser computadas as contribuições retidas pelo dono da obra. PLURALIDADE DE EDIFICAÇÕES. MÉTODO CUB. ESCALONAMENTO. No cálculo pelo método do CUB, deve ser considerada a área total do projeto de forma única, ainda que este abranja mais de uma residência. Recurso voluntário provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 31 1. 00 92 62 /2 00 6- 30 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em dar provimento parcial para restituição de parte dos valores, nos termos do voto do relator. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 37311.009262/200630 Acórdão n.º 2402003.243 S2C4T2 Fl. 174 3 Relatório Tratase de impugnação ao valor exigido em Aviso para Regularização de Obra – ARO (fls. 03/29), posteriormente convertido em pedido de restituição, haja vista que os valores foram pagos em virtude da necessidade de obtenção de CND (fls. 78/90). A Secretaria da Receita Federal do Brasil em Jundiaí indeferiu o pedido de restituição, sob o entendimento de que: (i) o contrato particular entre os Recorrentes e as empresas Empreiteira de Obras Tavares & Brito Ltda. e Meira & Paiva Comércio e Serviços Ltda. não pode ser considerado como de “empreitada global”, posto que tais empresas não são construtoras, mas sim empreiteiras de obras; (ii) não há comprovação de que os pagamentos efetuados se referem à obra objeto do ARO; (iii) embora as três residências construídas tenham registros específicos no município, a obra realizada é única, tendo o cálculo das contribuições sido calculado corretamente, em cumprimento ao estabelecido no art. 25 e 444 da IN nº 03/2005; e (iv) a responsabilidade pelo pagamento das contribuições previdenciárias é dos Recorrentes (fls. 91/95). Os Recorrentes apresentaram manifestação de inconformidade alegando que: (i) o valor arbitrado foi recolhido com base em GPS preenchida pelo próprio INSS em 28/06/2007; (ii) se houve erro no preenchimento da guia, foi culpa do INSS; (iii) havendo erro no preenchimento da guia, só por essa razão já seria possível a restituição; (iv) os números 206, 212 e 220 só foram colocados nas residências após concluída a construção, por ocasião do “Habitese”; (v) não pode o fisco determinar que a construção de três residências constitua apenas um empreendimento, pelo simples fato de terem sido projetadas e construídas de uma só vez; (vi) a progressividade das alíquotas é inconstitucional; (vii) a retenção da contribuição elide a responsabilidade solidária, nos termos do art. 190, inc. III da IN nº 03/2005; e (viii) não é cabível a aferição indireta nesse caso (fls. 99/114). A d. DRJ indeferiu o pedido de restituição, sob o entendimento de que o cálculo exposto no ARO está correto, bem como que as retenções realizadas se referem à obra diversa (fls. 120/128). Os Recorrentes interpuseram recurso voluntário alegando que: (i) os lotes localizados na Avenida Adelaide Spindorello Brun foram alienados sem qualquer edificação; (ii) caso assim não se entenda, deve ser realizada diligência para que se verifique se as notas fiscais em tela se referem às edificações situadas na Rua Mário Leandro Luiz de Faria, bem para que seja averiguado se há edificação no loteamento da Avenida Adelaide Spindorello Brun, e caso positivo, por quem e quando foi construída; (iii) o acórdão recorrido é nulo por não ter enfrentado todas as alegações; (iv) a aplicação de alíquotas crescentes em função da área construída ofende aos arts. 145, § 1º e 150, inc. II da CF/88 e ao princípio da proporcionalidade; (v) a responsabilidade solidária é afastada com a comprovação da retenção dos valores pelas contratantes; (vi) a aferição indireta não possui embasamento legal; (vii) as residências construídas não podem ser consideradas como sendo apenas um empreendimento (fls. 131/157). É o relatório. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Os Recorrentes alegam que o arbitramento se deu de forma equivocada, posto que teria sido realizado sem a devida diligência e verificação que atestasse as provas apresentadas, alterando indevidamente as alíquotas e bases de cálculo das contribuições previdenciárias e as denominações adotadas pela lei para definir imóveis residenciais, em ofensa aos arts. 4º, inc. I, 97, incs. II e IV e 148 do CTN. No entanto, vale destacar que as informações apresentadas pelos Recorrentes para a regularização da obra não demonstravam que as contribuições previdenciárias foram devidamente recolhidas durante a execução dos imóveis residenciais. Conforme se verifica na DISO de fls. 18/19, não foi informado o CNPJ da empreiteira da obra, tampouco qualquer recolhimento de contribuição previdenciária. Em vista disso, foi dado cumprimento ao disposto no art. 33, § 4º da Lei nº 8.212/91, in verbis: “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário.” Assim, não houve alteração de definições legais ou de alíquotas e bases de cálculo, mas tão somente a utilização do método de Custo Unitário Básico – CUB, previsto na IN nº 03/2005. Não há assim, razão nos argumentos dos Recorrentes. Alegam os Recorrentes que foram efetuadas as retenções das contribuições previdenciárias, não sendo mais aplicável o instituto da responsabilidade solidária, nos termos dos arts. 181, 190 e 191 da IN nº 03/2005 (fls. 139/140). Fl. 176DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 37311.009262/200630 Acórdão n.º 2402003.243 S2C4T2 Fl. 175 5 Contudo, vale salientar que tais dispositivos tratam sobre a contratação de empreitada total. Como se verá adiante, no presente caso, não se está diante de um contrato de empreitada total, tampouco da utilização do instituto da responsabilidade solidária. Em relação às diferenças existentes entre o contrato de empreitada total e parcial, assim delimita o art. 413, inc. XXVIII da IN nº 03/2005: “Art. 413. Considerase: (...) XXVIII contrato de construção civil ou contrato de empreitada (também conhecido como contrato de execução de obra, contrato de obra ou contrato de edificação), aquele celebrado entre o proprietário do imóvel, o incorporador, o dono da obra ou o condômino e uma empresa, para a execução de obra ou serviço de construção civil, no todo ou em parte, podendo ser: a) total, quando celebrado exclusivamente com empresa construtora, definida no inciso XX, que assume a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material; b) parcial, quando celebrado com empresa construtora ou prestadora de serviços na área de construção civil, para execução de parte da obra, com ou sem fornecimento de material;” No presente caso, conforme se infere no contrato de prestação de serviços juntado nos autos (fls. 20/24), o objeto do serviço contratado é de “fornecimento de mãode obra para a construção de três residências no loteamento Mirante de Jundiaí, situadas à Rua Mário Leandro Luiz de Faria, lotes 25 e 26 em Jundiaí / SP, de propriedade dos CONTRATANTES, desde as fundações até o acabamento”, com o escopo de “construção de 3 sobrados com a área de 147 m² por sobrado, todos os serviços de mãodeobra exceto a pintura”. Os Recorrentes ainda ficaram responsáveis por outras atividades necessárias à execução dos serviços, tais como: terraplenagem, perfuração de estacas, locação das estacas e topografia. De acordo com o item “e” do contrato em questão, possibilitouse aos Recorrentes o afastamento dos operários cujos serviços não estivessem a contento deles. Pela leitura das referidas cláusulas contratuais, verificase que o contrato firmado pelos Recorrentes tem como escopo apenas a disponibilização da mão de obra necessária à execução da construção dos sobrados, sem fornecimento de materiais. Notase que as empresas contratadas não foram responsabilizadas diretamente pela realização de todos os serviços necessários à conclusão da obra. Pelo contrário, percebese que os Recorrentes, na qualidade de donos da obra, ficaram com a responsabilidade de fornecer todas as condições necessárias para que os operários contratados pudessem realizar seus trabalhos. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 6 Outrossim, não há qualquer prova nos autos de que as empresas contratadas são construtoras devidamente registradas no CREA, na forma do art. 50 da Lei nº 5.104/66, conforme delimita o art. 413 inc. XX da IN nº 03/2005. Desta feita, entendese que o contrato em questão se refere a uma empreitada parcial, sujeita, portanto, à retenção de que trata o art. 31 da Lei nº 8212/91 e o art. 140 da IN nº 03/2005. Não há que se falar, assim, na aplicação dos arts. 181, 190 e 191 da IN nº 03/2005. Em relação à responsabilidade solidária, temse que esta não foi invocada neste processo. Isto porque, os Recorrentes (pessoas físicas), na qualidade de donos da obra, são os responsáveis pelo adimplemento de todas as contribuições previdenciárias inerentes à obra de matrícula CEI nº 50.008.63212/63. Ou seja, como os valores que se pretende restituir são inerentes à obra realizada pelos Recorrentes, e não provenientes de fatos geradores efetuados por outros sujeitos passivos (por exemplo, contribuições incidentes sobre a folha de salário da empreiteira), não se está diante de um caso de responsabilidade solidária. O procedimento de emissão do ARO constando os valores devidos a título de contribuições sociais está previsto no art. 431 da IN nº 03/2005: “Art. 431 . A partir das informações prestadas na DISO, após a conferência dos dados nela declarados com os documentos apresentados, será expedido pela SRP o ARO, em duas vias, destinado a informar ao responsável pela obra a área regularizada e, se for o caso, o montante das contribuições devidas, tendo a seguinte destinação: I uma via do ARO deverá ser assinada pelo declarante ou por seu representante legal e anexada à DISO; II uma via será entregue ao declarante.” Assim, o valor apurado no presente processo com base na área do imóvel busca refletir o montante de contribuição previdenciária compatível com o padrão e tamanho da obra realizada, e deve ser exigido diretamente dos Recorrentes, únicos responsáveis pela obra, tal como foi feito. Portanto, incabíveis as pretensões dos Recorrentes de afastar a aplicação do instituto da responsabilidade solidária. Defendem os Recorrentes que as retenções efetuadas devem ser atreladas à obra de matrícula CEI nº 50.008.63212/63, de modo a permitir a restituição dos valores pagos. A Secretaria da Receita Federal (fl. 94) entendeu que não há comprovação de que as retenções efetuadas se referem à obra objeto do ARO, posto que a matrícula CEI nelas constantes (50.008.98417/69) está diferente daquela informada na DISO e no “Habitese” (50.008.63212/63), bem como que o número da residência constante nas notas fiscais é 210, enquanto que foi informado na DISO e no “Habitese” os números 206, 212 e 220. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 37311.009262/200630 Acórdão n.º 2402003.243 S2C4T2 Fl. 176 7 A d. DRJ também entendeu que a matrícula informada nas notas fiscais (50.008.98417/69) está incorreta, bem como salientou que tal matrícula se refere a outro terreno de propriedade dos Recorrentes, situado na Avenida Adelaide Spindorello Brun, lotes 07 e 08, Quadra J, no Bairro Mirante de Jundiaí, Jundiaí/SP. Com base nestes fatos, os Recorrentes destacam que os lotes 07 e 08, situados na Avenida Adelaide Spindorello Brun, foram vendidos em 17/09/2007 e 05/12/2007 respectivamente, sem qualquer edificação, tal como se verifica nas escrituras de venda juntadas às fls. 149/152. Assim, sustentam que a matrícula constante nas notas fiscais apresentadas (CEI nº 50.008.98417/69) está mesmo equivocada, haja vista que não foram contratados serviços de construção civil em tais lotes, pelo fato de que não havia qualquer edificação neles. Para subsidiar suas alegações, juntam aos autos a intimação nº 8124/240/2008 de 27/02/2009, realizada pela Receita Federal do Brasil para a regularização de obra de matrícula CEI nº 50.008.98417/69, bem como a resposta correspondente, enviada em 15/04/2009 e recebida pela fiscalização em 20/04/2009, onde se verifica que os Recorrentes informaram que não havia qualquer edificação naquelas obras (fls. 153/155). Analisando os fatos apontados nos autos, verificase que houve uma confusão em relação à matrícula CEI informada na DISO e no ARO e aquela informada nas notas fiscais. Contudo, é possível concluir que as retenções efetuadas abrangem sim a obra de matrícula CEI nº 50.008.63212/63, relativa à construção de três residências na Rua Mário Leandro Luiz de Faria. Primeiro porque, em que pese as notas fiscais que compuseram a base de cálculo das retenções efetuadas em favor da empresa Meira & Paiva Comércio e Serviços Ltda. apontarem uma matrícula CEI diferente da obra que originou o presente crédito, verificase na descrição das notas fiscais que os serviços prestados se referem à construção de 3 sobrados na Rua Mário Leandro Luiz de Faria, nº 210. Segundo porque, conforme se verifica nos documentos juntados pelos Recorrentes, os lotes constantes na Avenida Adelaide Spindorello Brun, que seriam referentes à matrícula CEI nº 50.008.98417/69, foram vendidos sem qualquer edificação (fls. 149/152). Demonstrando coerência em suas alegações, os Recorrentes juntaram a resposta à intimação da Receita Federal, onde informaram também naquela ocasião que tais lotes foram vendidos sem qualquer edificação (fls. 153/155). Terceiro porque é descabido o entendimento da Secretaria da Receita Federal de que as retenções não têm qualquer similitude com a obra que suscitou os valores que se pretende restituir no presente caso, pelo fato de que o número da residência constante nas notas fiscais (nº 210) é diferente daqueles informados na DISO e no “Habitese” (nº 206, 212 e 220). Isto porque, é completamente normal que, após o término das obras, cada residência seja cadastrada com um número específico, sendo perfeitamente possível que o nº 210 tenha sido absorvido pelos números 206, 212 e 220. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 8 Desta forma, verificase que as retenções efetuadas sobre as notas fiscais acostadas aos autos (fls. 10/14) se referem à obra contratada por meio do “Contrato Particular de Prestação de Serviços” (fls. 20/24), objeto do ARO e da DISO juntados aos autos (fls. 16/19). Considerando que os Recorrentes efetuaram as retenções relativas à obra de matrícula CEI nº 50.008.63212/63, caso estas não sejam consideradas no cálculo do montante devido, estarseá promovendo o enriquecimento ilícito da União, haja vista que, além desta ter recebido a totalidade do valor apurado no ARO, compatível com a obra realizada, recebeu ainda todas as retenções realizadas sobre as notas fiscais que refletem o pagamento dos salários dos operários que laboraram nela. Portanto, é mister que o presente pedido de restituição seja parcialmente deferido, para que se compute no cálculo do montante devido as retenções efetuadas (fls. 10/14), consoante dispõe o art. 445 da IN nº 03/2005, in verbis: “Art. 445. Caso haja recolhimento de contribuição relativa à obra, a remuneração correspondente a este recolhimento será convertida em área regularizada pelo sistema informatizado da SRP, que dividirá o valor desta remuneração pela Remuneração da Mãodeobra Total RMT, definida no art. 443, calculada a partir do CUB vigente na competência do recolhimento efetuado, e multiplicará o quociente assim obtido pela área total da obra, submetida, quando for o caso, à aplicação dos redutores previstos no art. 449.” Após a apuração do montante devido, levandose em conta a norma acima, é mister que se proceda à restituição da parte do valor pago (guia de pagamento juntada às fls. 79/90) que exceder tal montante. Por fim, insurgem os Recorrentes também em relação à utilização do escalonamento previsto no art. 443 da IN nº 03/20051, que acabou majorando as alíquotas aplicadas no cálculo do montante devido. Defendem que deve haver um cálculo para cada imóvel de forma isolada, e não sobre o total das edificações. Contudo, não assiste razão aos Recorrentes. 1 "Art. 443 . A Remuneração da Mãodeobra Total RMT despendida na obra será calculada mediante a aplicação dos percentuais abaixo definidos na proporção do escalonamento por área, sobre o CGO obtido na forma do art. 442, e somando os resultados obtidos em cada etapa: ( Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009 ) I nos primeiros 100 m2, será aplicado o percentual de quatro por cento para a obra tipo 11 (alvenaria) e dois por cento para a obra tipo 12 (madeira/mista); II acima de 100 m2 e até 200 m2, será aplicado o percentual de oito por cento para a obra tipo 11 (alvenaria) e cinco por cento para a obra tipo 12 (madeira/mista); III acima de 200 m2 e até 300 m2, será aplicado o percentual de quatorze por cento para a obra tipo 11 (alvenaria) e onze por cento para a obra tipo 12 (madeira/mista); IV acima de 300 m2, será aplicado o percentual de vinte por cento para a obra tipo 11 (alvenaria) e quinze por cento para a obra tipo 12 (madeira/mista). Parágrafo único. No caso de conjunto habitacional popular definido no inciso XXVI do art. 413, utilizarseá, independentemente da área construída: I para obra em alvenaria (Tipo 11), o percentual de doze por cento; II para obra madeira ou mista (Tipo 12), o percentual de sete por cento." Fl. 180DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 37311.009262/200630 Acórdão n.º 2402003.243 S2C4T2 Fl. 177 9 O cálculo das contribuições devidas, levandose em conta a área construída, deve ser realizado de acordo com a área total do projeto, nos termos do art. 444 da IN nº 03/2005: “Art. 444. Caso haja mais de uma edificação no mesmo projeto, aplicarseá o escalonamento da tabela prevista no art. 443 uma única vez para a área total do projeto, submetida, quando for o caso, à aplicação dos redutores previstos no art. 449, e não por edificação isoladamente, independentemente do padrão da unidade, ressalvado o disposto no § 3º do art. 436.” Assim, como no presente caso o projeto abrange a construção de três residências, consoante DISO, contrato de prestação de serviço e “Habitese” (fls. 18/25), é mister que o arbitramento leve em consideração a área total dos imóveis construídos, tal como realizado. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de que, após a apuração do montante devido, levandose em conta as retenções juntadas aos autos, nos termos do art. 445 da IN nº 03/2005, seja restituída a parte do valor pago (guia de pagamento juntada às fls. 79/90) que exceder tal montante. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 181DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-08T11:14:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-08T11:14:51Z; Last-Modified: 2009-07-08T11:14:52Z; dcterms:modified: 2009-07-08T11:14:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-08T11:14:52Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-08T11:14:52Z; meta:save-date: 2009-07-08T11:14:52Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-08T11:14:52Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-08T11:14:51Z; created: 2009-07-08T11:14:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; Creation-Date: 2009-07-08T11:14:51Z; pdf:charsPerPage: 1120; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-08T11:14:51Z | Conteúdo => ----' PROCESSO N9 0813/050.288/77 . , , 34\ m k5.+* MINISTÉRIO DA FAZENDA ESB , , Sessão de 16de dezerrtbro de 19 82 ACORDÃO N o CSRF/01-0.291 Recurso n° - RD/104-0.084 Recorrente - FAZENDA NACIONAL Recorrido - 4a. CÂMARA DO 19 CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: CEME FERREIRA JORDY PROCESSO - EXTINÇÃO - O pagamento, porque extingue o respectivo crédito tributário, tem como efeito a extinção, também, docor , respondente processo administrativo, d5 qual se constitui em exclusivo objeto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Memb os da Camara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos,provimento ao recurso especial.Ven cido o Conselheiro Luiz Mirand TI &:! ) Sala das SieSIseL em 16 de dezembro de 1982 ii f /$ if AMADOR 0_te • •NINDEZ - PRESIDENTE 4111." ~/71",0-41. PEDRO MARS grANDE - RELATOR 4e LUIZ FEN Á ao f;.0,-IRA DE MORAES - PROCURADOR DA FA- / ZENDA NACIONAL. 1 Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei- ros: RAUL PIMENTEL, WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, JACINTO DE MEDEIROS CALMON, URGEL PEREIRA LOPES eSEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. . . , J9CY_ .. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO Nq 0813/050.288/77 RECURSO!'" RD/104-0.084 ACÓRDÃO!" CSRF/01-0.291 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL SUJEITO PASSIVO: CEME FERREIRA JORDY RELATÕRIO Recorre a esta Câmara Superior a FAZENDA NACIONAL,a traves de seu Procurador-representante junto à colenda Quarta Cãma_ ra do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 55/58), da decisão desse Colecriado consubstanciada no Acórdão n9 104-2.316 (f is. 45/ /53), prolatado em sessão de 06.10.81, do qual aquele Procurador- -representante teve vista em sessão de 06.11.81 (f is. 45). Na decisão supra, aludida Câmara, por unanimidade de votos, decidiu tomar conhecimento do recurso interposto pelo con_ tribuinte e autuado naquele Conselho sob n9 35.999 (fls. 37/38),em bora je liquidado, mediante pagamento, o credito tributário exigi- do, sob a seguinte ementa e fundamentação, esta extraída do voto do relator, o ilustrado Conselheiro Sergio Gomes Velloso (fls. 45 e 47/48): "RECURSO - Sem renúncia expressa ao direito de recorrer, e sem pagamento de multa reduzida, não se considera o pagamento do credito tribu- tário fato extintivo do poder de recorrer, nem determinante da extinção do processo adminis- trativo, por inexistência de norim de direito tributãrio. Aplicabilidade do Ç.' po,to no art. 165 III c/c 168 II do CTN.9117 X 4 i, • n7iF - DF /19 C-C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0813/050.288/77 2. Acórdão n9 CSRF/01-0.291 O fato de ter pago o credito tributÁrio, não afasta do contribuinte o seu direito de re correr, a não ser no caso de pagamento com re- dução da multa, neste caso, existe renúncia, ainda que tácita, ao direito de recorrer. Tal posição encontra respaldo pela interpretação dos arts. 165 III c/c 168 II do COdigo Tributá rio Nacional." Em declaração de voto, que também integra o Acór- dão recorrido, assim se pronunciou o ilustre Conselheiro Mário Ro- drigues Teixeira (f is. 49/53): "Discute-se sobre se o contribuinte que paga o crédito tributário exigido em decisão de primeira instância permanece com o poder de recorrer nos termos do art. 33 do Decreto n9 70.235/72. No caso, diversas situaçOes podem configu rar-se, a saber: ia.) o contribuinte paga o débito com re- dução de 50% da multa, nos termos do art. 728, §§ 29 e 39 do RIR/80, sem - que lhe seja exigida abdicação exores sa do direito de recurso; 2a) o contribuinte paga o débito sem re- i dução da multa; 3a.) o contribuinte paga o débito em que não se inclui multa. Em qualquer das três situaçOes apresenta- ! das, o pagamento pode ocorrer com a ressalva, ou sem ela, de que é feito sem prejuízo do di- reito de recorrer, como também pode ocorrer no mesmo dia, em dia anterior, ou em dia poste-! rior ao da interposição do recurso. Tem-se decidido neste Conselho (contra meu atendimento, que raras vezes foi acompanha do pela maioria) que, em sendo pago o débito fiscal, o recurso não deve ser conhecido, por falta de objeto, eis que extinto o credito tri butário, que seria o objeto do litígio. Continuo, data venia, entendendo e o i . SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0813/050.288/77 3. , Acórdão CSRF/01-0.291 gamento do debito fiscal não é, em qualquer ca so, um fato extintivo do direito de recorrer,poF significar a aceitação da decisão de primeira instância, ou, como tem sido dito, porque o ob jeto do litígio - o credito tributário - não mais existe. Já se propôs, em um dos projetos de orga- nização, ou reorganização, do Contencioso Admi nistrativo Fiscal, que o pagamento do crédito tributário extingfiiria o processo administrati vo fiscal, ao mesmo tempo em que se propunha representação, por advogado, do sujeito passi- vo nesse processo. Até agora, entretanto, não prevê a legislação própria do processo adminis trativo fiscal as causas de extinção. A propó- sito, parece-me importante observar que, não prevendo a legislação que o contribuinte se de fenda por intermédio de advogado, não me pare= ce justo dele exigisse o conhecimento do Com- plexo mecanismo processual. Segundo o art. 503, parágrafo único, doCó digo de Processo Civil, considera-se aceitação tácita da decisão a prática, sem reserva algu- ma, de um ato incompatível com a vontade de re correr. Se a regra fosse aplicável no Direito Processual Tributário, o pagamento do débito fiscal, sem a ressalva da possibilidade de re- curso, significaria a extinção do direito de recorrer. Não existe tal regra, entretanto, na le- gislação que rege o processo administrativo fis cal, e é sabido que os arts. 107 e 109 do CTR" proclamam a autonomia do Direito Tributário. Q art. 728 do RIR/80, em seus §§ 29 e 39, permitindo que o contribuinte pague a multa com 50% de redução, abdicando do direito de impug- nação ou recurso, configura casos de renúncia ou desistência da impugnação e de renúncia ao recurso, podendo entender-se que não há neces- sidade de abdicação expressa. Mas não há norma legal de processo administrativo fiscal que de fina hipóteses de renúncia ou desistência tácI ta do direito de recorrer. Por outro lado, temos os arts. 165 e 168 P do CTN, dos quais se extrai a conclusão de que é perfeitamente possível o contribuinte pagar um débito fiscal, que considere, ou venha acon siderar indevido, pleitear administrativamente-_L e reforma da decisão condenatOria e, 3lptida eyr , . .. ,, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0813.050.288/77 4. Acórdão n9 CSRF/01-0.291 ta, habilitar-se a restituição da quantia paga indevidamente. Diz o art. 165 do CTN: "O sujeito passivo tem direito,independen — te de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no §. 49 do art. 162, nos seguintes casos: I- II-. III- reforma, anulação, revogação ou resci- são de decisão condenatOria." Se o dispositivo pode parecer a alguns referir-se a créditos apreciados pelo Poder Ju diciário, embora a lei não faça a distinção, 5 art. 168 do CTN desfaz qualquer dúvida quanto a que se refere também a revogação, reforma ou anulação de decisões administrativas, ao pres- crever: "O direito de pleitear, a restituição ex- tingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: 1- II- na hipótese do inciso III do art. 165, da data em se tornar definitiva a deci são administrativa ou passar em julga- do a decisão judicial que tenha refor- mado, anulado, revogado ou.re'scindido a decisão condenatória". Fica claro, então, que um contribuinte po de pagar um débito, decorrente de decisão con- denatOria, obter na esfera administrativa a re forma, ou anulação da decisão e, posteriormen- te (dentro dos 5 anos seguintes), pleitear ares _ tituição do que pagou. Parece-me que não há maneira mais lógica de observar o disposto nos arts. 165 e 168 do CTN. ,. Há quem entenda que o contribuinte que pa gou o débito fiscal perdeu o direito de recor- rer, podendo apenas pleitear a rest'tuição fo- di ra do processo administrativo fisra . N. me parece correto o entendimento.Cj-, • r , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0813/050.288/77 5. Acórdão n9 CSRF/01-0.291 Se hã uma decisão, indeferindo a impugna- ção apresentada, e. definitiva tal decisão, se não houver interposição de recurso tempestivo (art. 42, item I, do Decreto n9 70.235/72). Lo gicamente, também seria definitiva a decisãoE o contribuinte perdesse com o pagamento o di- reito de recorrer. Estaríamos, portanto, dian- te da coisa julgada administrativa. Nessa situação, não vejo como poderia o contribuinte continuar discutindo o acerto da decisão num processo de restituição. A autori- dade de primeira instância poderia manter seu entendimento de que o tributo pago era devido; o contribuinte teria direito a recOrrer ao Su- perintendente Regional da Receita Federal e ao Secretãrioda Receita Federal. Eesses orgãos Supe riores poderiam reformar a decisão transitada em julgado, para considerar procedente o pedi- do de restituição? Entendo que não. Do que foi exposto, concluo: a) que o contribuinte que paga o debito fiscal com redução de 50% da multa,nos termos do art. 728, §§ 29e39db RIR/80, renunciou, ainda que tacitamente,ao di reito de recurso; b) que o contribuinte que paga sem redução de multa está se reservando o direito de recorrer; c) que o contribuinte que paga o débitoem que não se inclui multa, aceitando, a parentemente, a decisão de primeirã- instãncia, não perdeu o direito de re- correr nos 30 dias seguintes ao da de- cisão (art. 33 do Decreto n9 70.235/72), porque não há no direito tributáriornr ma que declara o ato incompatível carn- o poder de recorrer, nem que declareex tinto o processo. Acrescente-se, ainda, que se o direito de recorrer só pudesse permanecer se o pagamento fosse feito com reserva, a extinção do crédito tributário pelo pagamento, com a apresentação de recurso no mesmo dia, teria de ser entendi-, L! da como uma ressalva. Por outro lado, o ..paga- mento do crédito tributário depois de apresen- tado o recurso, não pode ser considerado desis_f tência do recurso, por falta de dispos' ão 1 c:fire LT7 . ,, , I SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0813/050.288/77 6.„,,, Acórdão n9 CSRF/01-0.291 gal que preveja a desistência tácita. Até mes- mo no direito processual civil inexiste desis- tência tácita, a não ser no caso do art. 522, §. 19,do Código de Processo Civil(falta de pe- dido de apreciação do agravo retido, que emi- nentes processualistas consideram ter sido im- propriamente denominado de renúncia pelo reda- tor do Codigo). Vejam-se, a propósito, as li- Oes de José Carlos Barbosa Moreira em "O Novo Processo Civil Brasileiro", Vol. 1, 4a. edição, pág. 195, e de Moacyr Amaral Santos, em "Pri- meiras Linhas de Direito Processual Civil", 19 volume, 4a. edição, pags. 90 e 91. Releva, ainda, notar que se toda esta ar- gumentação não fosse suficiente para se consi- derar admissivel o recurso interposto tempesti vamente por contribuinte que pagou o crédito exigido em decisão de primeira instância, em vez de depositá-lo, em verdade, não quis pa- gar, e sim evitar que continuassem a fluir cor reçao monetária e juros de mora, ou seja, quis o efeito do depósito, e como tal deve ser con- siderado o pagamento, visto tratar-se de ato de vontade, em que deve prevalecer a intenção do agente. Ademais, o depósito não traria prejuizocu risco algum ao contribuinte; ao contrario, po- deria beneficiá-lo com uma eventual restittli- ção do depósito acrescido de correção monetá- ria, o que não acontece com a restituição da quantia paga. É de admitir-se que o depósito só não foi feito por falta de conhecimento da legislação tributária, ou por desconhecimento do significado do código inserido no documento de arrecadação. O depósito deixaria o contribuinte na cô- moda situação de decidir, dentro do prazo que lhe restava, se apresentaria ou não o recurso, bastando-lhe deixar esgotar-se o prazo de re- curso, para que o depósito se convertesse em pagamento, sem necessidade de qualquer outro a_ to seu." , O recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, atra-, „, vés de seu representante junto à egrégia Câmara recorrida, o ilusy —, tre Procurador da Fazenda Nacional Geraldo Nagib Nunes, recebido na, respectiva Secretaria em 16.11.81 (fls. 43), teve como fundamento o artigo 39 e seu inciso II, do Decreto n9 83.304, de 28 03.7 "/ 4 ,, 1/ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0813/050.288/77 7. Acórdão n9 CSRF/01-0.291 Nessa petição, após demonstrar o dissídio jurispru- dencial da decisão recorrida com os Acórdãos n9s. 103-02.967, de 18.06.80, e 102-17.905, de 02.12.80, prolatados, respectivamente, pelas colendas Terceira e Segunda Câmara do mesmo Conselho, dos quais juntou cópia de seu inteiro teor (f is. 59/64 e 65/67), assim se expressa seu ilustrado signatário (f is. 57/58): "O pagamento é o cumprimento voluntário da obrigação, o seu fim normal, ato liberató- rio do devedor (Caio Mário da Silva Pereira, Inst. de Dir. Civil, vol. II, la. ed., págs. 138/139). Se é puro e simples, assim e de ser entendido, mesmo no campo tributário, onde a disposição expressa de que o pagamento extin- gue o credito tributário (CTN, art. 156,1) não pode ser apreciada sobre outra intenção do a- gente. O argumento forte do voto em separado, ar rimado nos arts. 165, III, c/c art. 168, 117 do CTN, não aproveita ao contribuinte. A repe- tição de indébito não tem qualquer vinculação com recurso administrativo. É uma ação indepen dente, direito assegurado ao contribuinte dele' var ao Poder Judiciário o exame de legalidade" de tributo que pagou e considera indevido. Fun damenta-se em que, se improcedente o pagamento efetuado, causa um enriquecimento do Poder Pú- blico, com jactura alheia. Mas, cumprida a exigência tributária,tor- na-se o ato definitivo, imodificável perante a Administração. Hely Lopes Meirelles explica o sentido da chamada coisa julgada administrati- va: "Essa imodificabilidade não e efeito da coisa julgada administrativa, mas é con- sequência da preclusao das vias de impug- nação interna (recursos administrativos)dos atos decisórios da própria Administração. Exauridos os meios de impugnação adminis traiva, torna-se irretratável, administra. tivamente, a última decisão, mas nem pol." isso deixa de ser atacâbel por via judi- cial n (Dir. Adm. Bras., 7a. ed. pág. 651) (grifos originais). Al está a solução apontada pelo gr--de_L mestre: se o contribuinte pretende peti ow* SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0813/050,288/77 8. Acórdão n9 CSRF/01-0.291 que pagou e considera indevido, recorra à via judicial, onde poderá discutir amplamente a ma teria. O outro argumento de que é possível enten der que o Contribuinte, em vez de pagar, dese- joudepositar a importáncia para evitar a flu encia da correção monetária prova demais e não pode ser aceita, pois admite que se recor- ra ao desconhecimento da lei. Para evitar a correção monetária do debi- to tributário, deverá o contribuinte depositar a importância (Lei 4.357/64, artigo 79, § 29), e não efetivar o seu pagamento. As figuras são distintas, inclusive em razão dos efeitos orça mentários. Aceitando-se que o pagamento foi feito ~depósito, para evitar a correção mo- netária, aceita-se a alegação de desconhecimen to da lei, súplica que o nosso sistema jurídi= • co não admite." O recurso especial foi admitido por despacho da Pre • sidencia da egrégia Câmara "a quo" (f is. 68), certificando a •res- pectiva Secretaria que o aviso de sua interposição foi publicado • no D.O.U. de 14.01.82 (fls. 69), e q?9, o sujeito passivo não apre- sentou contra razOes (f is. 54 verso À( — É o relatório. 3 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0813/050.288/77 9. Acórdão n9 CSRF/01-0.291 VOTO Conselheiro PEDRO MARTINS FERNANDES, relator O recurso interposto encontra guarida no artigo 49 e seu inciso II, do Regimento Interno desta Câmara Superior de Re- cursos Fiscais -- baixado com a Portaria n9 434, de 03-05.79, do Ministro da Fazenda (que regulamentou o Decreto n9 83.304, de j 28.03.79) e alterado pelas Portarias n9 505, de 25.05.79 e n9 99, de 15.04.81 -- tendo sido cumprido o prazo fixado no "caput" do ar tigo 59 do mesmo Regimento. O alegado dissídio jurisprudencial se configura na medida em que o "decisum" recorrido entendeu que o pagamento docre dito tributãrio em litígio, em data anterior à do termo final do prazo de recurso, não prejudica o direito de o contribuinte recor rer da decisão de primeiro grau, enquanto que o Acórdão n9 103-02.967, prolatado pela colenda Terceira Câmara do Primeiro Con selho de Contribuintes decidiu que, nessa hipótese, o recurso per- de o seu objeto, razão porque dele não tomou conhecimento. Em relação ao Acórdão n9 102-17.905, proferido pela egrégia Segunda Câmara do mesmo Conselho, não é possível caracteri zar a alegada divergência de julgados, uma vez que naó constam do mesmo as datas do pagamento do credito tributãrio e da interposi- ção do recurso, motivo que impede saber-se se se trata de hipótese semelhante ou idêntica à do decisório recorrido, sem o que não há falar em configuração de dissídio jurisprudencial. Porque melhor decidiu o litígio, como a seguir se demonstrarã, deverá prevalecer o entendimento esposado pelo Acór- dão n9 103-02.967, prolatado pela colenda Terceira Câmara domencio nado Conselho, como un s formiz dor da jurisprudência administrativa sobre essa materia.CW ^ ' SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL processo n9 0813/050.288/77 10. Acórdão n9 CSRF/01-0.291 Em relação ao caso destes autos, deve ser inicial- mente esclarecido que o contribuinte tomou ciência da decisão de primeiro grau em 20.02.81(fis. 32 e 36), efetuou, sem ressalvas, o pagamento do credito tributário exigido em 27.02.81(fls. 33 e 39), e interpôs o recurso em 23.03.81 (f is. 37/38), no qual pretende o restabelecimento de deduçOes na cédula "D" no valor dea'$ 8.400,00, correspondente aos comprovantes anexados à petição recursória (f is. 40/41), e pede a devolução do imposto, juros, multa e correção mo- netária, de cujo pagamento junta o respectivo comprovante(fls.39). A matéria, ora em exame, foi percucientemente anali zada pelo Conselheiro Francisco Amaral Manso, culto integrante da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em trabalho gentilmente cedido, reformulando posição anterior, cujos fundamen- tos este Relator, também revendo seu entendimento, adota integral- mente, e, "venia concessa" são a seguir transcritos: "O Dec. 70.235/72 não aborda, sistematica mente, as causas de extinção do processo admi- nistrativo fiscal. Fala, porem, em decisão de- finitiva, irrecorrível, seguida decobrança(art. 43) ou da exoneração dos gravames decorrentes do litígio (art. 45). Por sua vez, 'o art. 28 consagra a unidade de julgamento, devendo as questOes preliminares serem julgadas juntamen- te com as de mérito; se incompatíveis, encerra -se o julgamento sem apreciação do mérito. Na- da se fala sobre renúncia ou desistência, tãci ta ou expressa. Diante de tal lacuna, entendo, porem, que a melhor conclusão não é aquela que sustentaso mente se extinguir o processo quando a autori- dade julgadora acolher ou rejeitar o pedido do autor, O próprio art. 35 prevê julgamento em que se apreciará apenas prejudicial, a peremp- ção, deixando o julgador de pronunciar-se so bre o mérito. A ocorrência de prescrição, des- de que expressamente invocada pelo sujeito pas sivo, é preliminar sobre a qual deve se pro- nunciar o julgador, consoante lembra a Porta- ria do Sr. Ministro de Estado da Fazenda de n9 259, de 29.5.80. A propósito, a par do co- mentário de que o conhecimento da prescrição . penas quando expressamente invocada p, s SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL processo n9 0813/050.288/77 11. AcOrdão n9 CSRF/01-0.291 to passivo, contraria o principio da moralida- de do ato administrativo, cabe notar que o pro _ cesso que apreciasse a ocorrência daprescrição encerrar-se-ia mediante decisão com julgamento (explicito ou implícito) do mérito. A legislação tributária ordinária prevê a hip6tese de abdicação do direito de impugna- ção ou recurso, como se depreende dos parágra- fos 29 e 39 do art. 728 do RIR/80: "§ 29 - Será concedida a redução de 50% (cinqüenta por cento) da multa ao contri- buinte que, notificado do lançamento de ofício, efetuar o pagamento do débito, no prazo legal, abdicando do direito deimpug nação ou recurso (Decreto-lei n9 401/68, art. 21, § 29). 39 - Se houver impugnação tempestiva, a redução do parágrafo anterior será con- cedida se o pagamento do débito for efe- tuado dentro de 30(trinta) dias da ciên- cia da decisão de primeira instância". O RIR/75 ostentava, no § 29 do art. 534, dispositivo igual ao § 29 do art. 728 do RIR/ /80, omitindo-se quanto à norma hoje expressa no § 39 do mencionado e transcrito artigo do RIR/80. A matriz desses dispositivos seria o DL. 401/68, que, no art. 21, § 29, estabelece: "§ 29 - Será concedida a redução de 1 50% (cinquenta por cento) da multa ao con tribuinte que, notificado do _lançamento "ex officio", efetuar o pagamento do débi to, no prazo legal, independentemente d -e- reclamação ou recurso". De se ressaltar a redação sibilina do tex to legal, cuja expressão "independentementeig cisou ser traduzida por "abdicação". Com efei- to, a interpretação de que, independentemente de interposição de reclamação ou recurso, se outorgaria tal redução ao contribuinte que efe tuasse o pagamento do debito dentro do prazo legal, conflitaria, a meu ver, com os demais dispositivos Citados. Nota-se que os Regulamentos consagraram a abdicação tácita, sendo seu indicativo tão s6_4d o pagamento do débito. E que ao abdi do :;-‘3177 , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0813/050.288/77 12. Acórdão n9 CSRF/01-0.291 reito de impugnação ou recurso, não estará o contribuinte concordando, "ipso facto", com a exigência fiscal; apenas se calou. Assim, os textos legais mencionados não me parecem sufucientes, por si sô, para emba- sar a tese de que, havendo abdicação tácita do direito de reclamação ou recurso, estará encer rado o processo administrativo fiscal. Conduzem-me, porem, globalmente, ao enten dimento de se tratar de ausência de disposição expressa, sendo facultado, ainda que interpre- tando normas adjetivas, o recurso à analogia, aos princípios gerais de direito tributário,aos princípios gerais de direito público eà equida de (CTN, art. 108). E, por via de conseqüência, aos artigos 267/269 do Código de Processo Ci vil, e outros exparsos, que cuidam da extinçã5 do processo. A Lei Civil adjetiva considera ex tinto o processo quanto o réu reconhecer a pr5 cedência do pedido (art. 269, II) ou quando a -S- partes transigirem (art. 269, III); a aceita- ção da sentença ou decisão impedirá a parte de interpor recurso, ainda que a aceitação se- ja tácita, como tal considerando-se a prática, sem reserva alguma, de um ato incompatível com a vontade de recorrer (art. 503); pode a parte renunciar ao direito de recorrer(art. 502) e, a qualquer tempo, desistir do recurso(art.501); e o art. 26 trata do princípio da sucumbência, quando o processo terminar por desistência ou reconhecimento do pedido. Irrelevante, a meu ver, a ponderação de que inexiste norma legal de processo adminis- trativo fiscal que estabeleça hipótese de re- núncia ou desistência tácita do direito de re- correr, devendo-se atentar para a autonomia do Direito Tributário proclamada eloqüentemente nos artigos 107 e 109 do CTN. Embora se possa reconhecer a autonomia do Direito Tributário, que Aliomar Baleeiro lem- bra decorrer da expressa menção constitucional ao lado do Direito Civil e Comercial (in -"Di- reito Tributário Brasileiro", 99 Ed. fIg396), há que se entender, com Rubens Gomes de Souza, que a colocação do Direito Tributário deve ser considerada integrada no sistema juridice do pais (in "Trabalhos da Comissão Espe9i. .0 có digo Tributário Nacional", fl. 17 .wap, , . SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0813/050.288/77 13. Acórdão, n9 CSRF/01-0.291 , O art. 108 do CTN admite, já de início, a existência de lacunas na legislação tributária. Por isso, fornece á. autoridade competente para aplicá-la um rol de instrumentos de que se va- lerá para suprir as ausências de disposiçõesex pressas. Mas a relação do art. 108 não é taxa= tiva, o que se torna maisevidente se analisa- dos os artigos 109 a 112, verificando-se que a té mesmo o princípio penal "in dubio pro reolr ficou consagrado no art. 112. Dificilmente chegar-se-á a um consenso (a tê mesmo relativamente generalizado) de que 5 Decreto n9 70.235/72 corporifica o que se pode ria chamar "Direito Processual Tributário". 5 próprio CTN, em seu art. 194, estatui que "a legislação tributária (...) regulará, em cará- ter geral ou especificamente em função da natu reza do tributo de que se tratar, a competên- cia e os poderes das autoridades administrati- vas em materia de fiscalização da sua aplica- ção". E o Dec. 70.235/72 atribui competência para julgar, em primeira instância, os proces- sos com matéria tributária não administrada pe la Secretaria da Receita Federal, às autorida- des indicadas ou aos chefes das projeções re- gionais ou locais das entidades administrati vas do tributo;- em segunda instancia,admite-s -e- inclusive a inexistência de legislação especí- fica, devendo ser seguidas as disposições do próprio órgão administrativo. Diante de tão nu merosas lacunas, somente supridas com o recur- so a outras fontes de direito, não vejo como pretender que apenas possam ser invocadas asnor mas expressamente contidas no Dec. 70.235/72- para solucionar as pendências processuais no campo tributário. Além das questOes relacionadas com consul ta sobre a aplicação da legislação tributáriã federal, o Decreto n9 70.235, de 6.3.72, rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União (art. 19), e tem início, no caso do imposto so bre a renda, com o primeiro ato de ofício, es= crito, praticado por servidor competende, cien tificado o sujeito passivo da obrigação tribu= tária ou seu preposto (art. 79, I), formalizan do-se a exigência do credito tributário em au= to de infração ou em notificação de lançamento (art. 99). Saliente-se o caráter instrumental dopro- .cesso, que viabiliza a realizaçao do . c.5.- de1 k. I , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0813/050,288/77 14. Acórdão n9 CRSF/01-0.291 administrativo tendente a constituir o credito tributário pelo lançamento, ensejando sua exi- gência junto ao sujeito passivo da obrigação tributária. Pode oindivíduo conformar-se com a exigência fiscal, resolvendo-se o processo quando satis- feita a obrigação de que cuida, dando ensejo a exigência ou cobrança apenas amigável (art. 21). Insurgindo-se, porem, o indivíduo, contra a pretensão fiscal,o processo passa a ser 1iti gioso a partir do instante em que o inconfor--- mismo do indivíduo se expressa através manifes tação explícita, denominada impugnação (art. 14). Pela impugnação o indivíduo exerce seu di reito de ampla defesa, assegurado por preceito constitucional, questionando, em última análi- se, a legalidade da exigência administrativa, isto e, sustendando que a imposição tributária descumpriu a norma maior de fundamentar-se em dispositivo expresso em Lei, alem de desaten- der o princípio da legalidade do ato adminis- trativo. Sim, porque se o indivíduo apenas in- voca questaes relativas ao acerto, à justiça, ã oportunidade, à equidade ou a outros aspec- tos que denotem interesse e não direitos, não há como invalidar a pretensão pela via excepd_o nante da invocação jurisprudencial. Se, porém, o indivíduo não impugna a exi- gência fiscal e a cumpre, verifica-se a extin- ção do credito tributário (CTN, art. 156,1) e, em consequência, não mais persiste a exigência, por esvaziamento de sua pretensão, sendo igual mente impossível opor-se-lhe qualquer outra pretensão, característica essencial do litígio processual. Não se está a dizer que o indiví- duo que paga tributo exigido concorda integral mente com sua exigência, apenas que não ofere- ce resistência à pretensão administrativa, não se aplicando, na análise da legalidade do ato • administrativo, o princípio popular de que • "quem cala, consente. O art. 21 do Dec. 70.235/72 determina que o processo permaneça no Orgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigáveldb credito tributário,quando a exigência deixar de ser cumprida ou regularmente questionada a- través de impugnação. Ocorrendo decisão defini tiva contrária ao sujeito passivo, será a mes=„L ma cumprida cobrando-se, amigavelmen , o A( SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0813/050.288/77 15. Acórdão n9 CSRF/01-0.291 dito tributário persistente (art. 43). Pressu- posto que se verifica em ambos os dispositivos é ser o crédito tributário exigível, inexistin do suporte para a pretensão fiscal se o crédi- to já estiver extinto. O CTN, entre as modali- dades de extinção do crédito tributário (art. 156), relaciona "o pagamento" (inciso I) e "a conversão de depósito em renda" (inciso VI). O depósito somente tem eficácia para extinguir o credito tributário, quando convertido em ren da, transmudando-se em verdadeiro pagamento.N5 mesmo sentido, o art. 42, § 39 do Dec. 70.235/ /72, que estabelece dever-se converter em renda a quantia depositada para evitar a correção mo netária do credito tributário pelo sujeito sivo que teve decisão definitiva contraria .à." sua pretensão. Consequência direta e inarredável, no âm- bito processual, da extinção do crédito tribu- tário,e a sua inexigibilidade pela administra- , ção fiscal, que não mais pode manifestar qual quer pretensão junto ao sujeito passivo ou me-ã mo persistir com expressa manifestação anteri= ormente formalizada. Desaparecida a pretenção fiscal, pela impossibilidade de sua manutenção, insubsiste qualquer pretensão que lhe pretenda opor o sujeito passivo,cessando, em razão da inexistência de pretensão, qualquer resisten- cia à mesma, e, "a fortiori",atê mesmo o pro cesso que cuidaria desse litígio. Admite-se, penas, que a liquidação do crédito tributário, por meio do pagamento ou da conversão de depó- sito em renda, assegure ao sujeito passivo o direito â. restituição total ou parcial do tri- buto (CTN, art. 165), o que, porem, jamais de- ve ser confundido como consagração do proscri- to princípio do "solve et repete". Distinto do direito a "repetição do indé- bito", o princípio do "solve et repete" aplica -se, como aquele, às questões tributárias. O direito de repetição emana do princípio de moralidade do ato administrativo, que impe- de o Estado de se locupletar com o alheio. Es- te princípio, consagrado no aforisma "nemo po- : test locupletari detrimento alterius", encon- tra expressão no art. 946 do Código Civil ao estabelecer que "todo aquele que recebeu o que lhe não era devido fica obrigado arestituir" e se funda em que todo enriquecimento desprovido de causa produz direito de exigir reeetiçã em benefício de quem sofre o empobreci-to 0'7 /I SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0813/050.288/77 16. Acórdão n9 CSRF/01-0.291 já o "solve et repete" pretende escorar- -se em que a exigência fiscal, por ser vincula da e portanto efetuada de acordo com a lei, g5 za de presunção de liqüidez, sendo a lei sua- causa determinante. Formalizada, portanto, a imposi2ão fiscal, cumpre seja a mesma saldada, condição inarredávelParaque osuperveniente re- veja a exatidão e a licitude do ato contestado: pague-se e, a seguir, pleiteie-se a repetição do indébito. Combatido tenazmente pelos tratadistas, o princípio "solve et repete" choca-se com a norma constitucional que assegura ampla defesa aos acusados (art. 153, § 15), bem como com o § 49 do art. 153 segundo o qual "a lei não po- derá excluir da apreciação do Poder Judiciário qualquer lesão de direito individual". Ora, se, para ter apreciada sua discordância de exigên- cia tributária, deve o sujeito passivo primei- ramente se lhe submeter, inegavelmente é letra morta a norma inserida na magna Carta. Por is- so não o consagrou o CTN, podendo-se considerá -lo banido de nossas lides tributárias, caben= do, por último, distingui-10 do depósito de quantia a título de garantia da prestação ju- risdicional do Estado, visto pelos tributaris- tas no art. 151, II, do CTN, e da imposição de ser o tributo pago como condição para sua repe_ tição." Em reforço às precisas colocações do ilustre autor do trabalho objeto da transcrição retro, e em função das particula ridades do caso destes autos, permite-se este Relator tecer as con sideraçOes a seguir elencadas, pertinentes à matéria. Como já se esclareceu no inicio deste voto, o con- tribuinte efetuou, em data anterior â da interposição do recurso e sem ressalvas, o pagamento do credito tributário, ato que é incom- patível com o direito de recorrer, tendo em vista que se trata de ato jurídico perfeito, acabado e incondicional, e que extingue o credito tributário. ) Em face das lacunas existentes na legislação proces sual tributária, reconhecem a doutrina e a jurisprudência adminis- trativa que as disposiç6es do Código de Processo Civil se pl . im-11/ ts/ - , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0813/050,288/77 17. Acórdão n9 CSRF/01-0.291 subsidiariamente ao processo administrativo tributário, em razão do que as causas de extinção previstas naquele Código são determi- nantes de igual efeito neste processo. Em relação à hipótese de abdicação ao direito de recurso previstaros§§29e39doar.E. 782_doRIR/80deve ser lembrado que esse dispositivo não teve por finalidade a regulamentação das hip6 teses de desistência ou renúncia tecita ao direito de recorrer no processo administrativo tributário, mas sim a de estabelecer uma condição para o gozo de redução de multas. Ademais, a conclusão de que, nessa hipótese, se ve- rifica a renúncia ou desistência tãcita ao direito de recorrer não autoriza a inferência de que, nos demais casos de pagamento do credito tributário sem ressalvas, não ocorram essa renúncia ou de- sistência. Por outro lado, o pagamento do credito tributário nessas hipóteses, mas sem redução da multa não conduzem à conclu são de que o contribuinte se reservou o direito de recorrer, mas sim que tem direito à repetição do valor correspondente a 50% da multa paga. Considerando-se o pagamento do credito tributário COMQ ato incompativel com o direito de recorrer, há de se entender ° que, se o pagamento foi realizado antes da interposição do recurso, o contribuinte renunciou ao direito de sua interposição, e, se a- pós, desistiu do recurso propriamente dito. Nestas condições, não há lugar para a conclusão de que, se o pagamento e a interposição do recurso se derem no mesmo dia, aquele haveria de ser entendido como ressalva do direito de recorrer, pois ainda que se possa estabelecer qual desses atos pre_ cedeu o outro, esse fato nenhuma relevância teria, salvo para se estabelecer se teria ocorrido a renúncia ao d' zito recorrer ou a desistência do recurso propriamente dito.4-/Y 4'e /- , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0813/050.388/77 18. Acórdão n9 CSRF/01-0.291 De outra parte, ao contribuinte que paga o credito tributário somente se poderia reconhecer a intenção de depositar o respectivo montante, se, além de ter alegado esse fato, tivesse= — provado suficientemente aludida intenção, hipóteses que não se ve- rificaram nestes autos, pois o contribuinte nem alegou nem compro- vou que a sua intenção não era pagar, mas depositar. Resta analisar as disposições contidas no artigo 165 do Código Tributário Nacional (lei n9 5.172, de 25.10.66), a seguir transcritos: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, inde pendente de prévio protesto, à restituição -ES tal ou parcial do tributo, seja qual for a mo- dalidade do seu pagamento, ressalvado o dispos to no §. 59 do art. 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tribu- to indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da nature- za ou circunstâncias materiais do fator gerador efetivamente ocorrido; II- erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cál- culo do montante do debito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III- reforma, anulação, revogação ou resdisão de decisão condenatória." Da análise do dispositivo retro, infere-se que o direito de repetição ocorre nos casos de pagamento espontâneo, as sim entendido o não litigioso, de tributo indevido ou maior do que o devido em face de erro de direito (inciso I) ou de erro de fato (inciso II), ou de pagamento efetuado durante ou após o litígio ad ministrativo, no caso de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. De logo deve ser ressaltado que a reforma, anulação,L. revogação ou rescisão de sentença condenatOria somente pod o 097}1" , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PrOCBSSO n9 0813/050.288/77 19. Acórdão n9 CRSF/01-0.291 correr na mesma jurisdição em que a matéria estiver sendo aprecia- da. Assim, submetida, a matéria à jurisdição administra tiva, poderão ocorrer a reforma, total ou parcial, a declaração da nulidade e não a anulação, e, talvez em alguns casos, a revoga- ção da decisão administrativa contrária ao contribuinte; e, na es- fera judicial, a reforma, parcial ou total, a anulação e a _resci- são de decisão judicial condenatória. Na área administrativa não poderão ser reformadas, anuladas, revogadas ou rescindidas decisões judiciais, porque os atos judiciais não são objeto de controle pela administração tribu tária; da mesma forma, as decisães proferidas no, processo adminis- trativo não poderão ser reformadas, anuladas, revogadas ou rescin- didas pelo judiciário, pois não são estas que são submetidas aocon trole desse poder, mas os atos que a elas deram origem, ou seja,no caso do processo administrativo tributário, o lançamento do tribu- to e multas. Dentro deste enfoque, nada impediria que, mesmo de pois de efetuado o seu pagamento, fosse apreciado, no âmbito dopro cesso administrativo tributário, o mérito de litígio estabelecido sobre a legalidade do crédito tributário respectivo. Todavia, essa conclusão não é correta. A um passo, porque, segundo entendem as correntes dou trinárias modernas, em estudos mais recentes, as normas que tra- tam de repetição de indébito, embora inseridas no Código Tributá- rio Nacional, não são, em realidade, normas gerais de Direito Tri- butário, mas sim normas de Direito Financeiro, pois tratam de devo lução de receita da União. A outro, porque, não sendo também de Direito Proces sual Tributário a natureza dessas normas, não podem elas e ab- =--*c.J# /r C, r ' ' SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0813/050.288/77 20. Acórdão n9 CSRF/01-0.291 cer hipóteses e procedimentos a serem observados no processo admi- nistrativo tributário, regido por legislação específica posterior e que não previu essas hipóteses e procedimentos. A um terceiro passo, porque, sendo diferentes os , pedidos e os processos que tratam da determinação do credito tribu- tário, e da restituição do valor deste, pago indevidamente ou a maior, e distintas as autoridades e órgãos competentes para julgar aquele e este processos, o pagamento efetuado durante o litígio instaurado no primeiro, no mínimo, deslocaria a competência para apreciação do pedido de restituição para as autoridades que têm essa tributação. Esse deslocamento de competência impede que se apre cie, no processo administrativo tributário, onde se discute a de- terminação e exigência do credito tributário, um pedido de resti- tuição do imposto pago indevidamente ou a maior do que o devido,uma vez que as autoridades e órgãos que atuam naquel processo não tem competência para decidir sobre a ma-teria que trata da restituição de impostos. A um quarto passo, porque não caberia sequer a res- tituição do tributo nos casos de anulação e revogação de decisão condenatOria, pois, nessas hipóteses necessariamente teriam de ser proferidas novas decisões em substituição às anuladas ou revogadas, a menos que estas tivessem sido prolatadas quando nenhuma decisão cabia, hipótese inimaginável no processo administrativo tributário. Por sua vez, na área do judiciário, a hipótese de reforma de decisão condenatOria também não geraria direito à resti— tuição do tributo, pois essa decisão não seria reformada se o cre- dito tributário questionado tivesse sido pago, pôr ser este ato in— compatível com o direito de recorrer. Nessa esfera, apenas a resci— ) são de decisão condenatória, inexistente no ámbito administrativo, poderia ter, como consequência, o direito à restituição do tributo pago, uma vez que a aç:. resc'sOria não suspende a execução da sen /° tença rescindendaçiff 111,0/ Ç , V , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0813/050.288/77 21. Acórdão n9 CSRF/01-0.291 Em conclusão, pode-se afirmar que, se o contribuin- te paga o credito tributário sem instaurar o litígio que de ._lugar ao processo administrativo tributário, tem ele o direito a formali zar pedido de sua restituição, se comprovar que o pagamento foi indevido ou maior do que o devido. Se, porem, instaura o litígio e, no processo admi- nistrativo tributário a decisão lhe é contrária e se torna defini- tiva, perde ele o direito de restabelecer a discussão no processo administrativo de restituição, se paga o crédito tributário antes dessa decisão, só lhe restando o caminho do judiciário. Finalmente, pode-se também concluir que a discussão, no processo administrativo tributário, somente continuará, no ca-. so de o credito tributário ter sido pago, se o contribuinte compro var que o pagamento foi efetuado por equívoco e que sua intenção era a de depositar o respectivo Valor, hipótese que não se configu ra no caso destes autos. Diante de todo o exposto, e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de se dar p • imento ao recurso espe cial interposto pela FAZENDA NACIONAL.4H,/ Brasília-DF, 16 de d-,embro de 1982 PEDRO MARTINS F "NANDES RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1
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LTDA. SUPRIMENTOS DE CAIXA OU AUMENTOS DE CAPI TAL EFETUADOS POR DIRIGENTES - Devidameri te intimada a pessoa juridica a prova da efetiva entrada do dinheiro e sua origem, se não lograr faze-lo com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores: a importância supri- da será tributada como omissão de recei- ta. O registro na contabilidade sem qual quer documento emitido por terceiros que- o lastreie não e meio de prova (NEMO SIBI IPSI TITULUM CONSTITUIT), isto e, não se rã o lançamento considerado amparado em prova hábil (art. 99 § 19, do Decreto - -lei n9 1.598/77 quando o credito a só- cio administrador reportar a entrega de numerário, nestas condições; constituin- do-se em indicio de omissão de receita ' (art. 12, 39 do Decreto-lei n91.598/77). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dar provimento especial.Ven cido o Conselheiro Sebastião R91.gues Cabra / Sala das ..á-es05 , em 24 de' 'unho de 1982 /,'44'AMADOR FNANDEZ - PRESIDENTE --,,<C) • \ V -----AUL ITEL - - RELATOR \ , v.v. Vs):)\(*LUIZ FER 0 OLIVEIRA DE MORAES - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL . Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: JACINTO DE MEDEIROS CALMON, WAGNER GONÇALVES, URGEL PEREIRA LOPES, LUIZ MIRANDA e PEDRO MARTINS FERNANDES. --- -*71,41,,~n,,,,, ',•:=a,.,-- SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N. 0860/003.050/81-85 RECURSO N.° : REVI() 3-0 .033 ACÓRDÃO N.° : CSRF/01-0.245 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO A Fazenda Nacional, por seu Procurador junto à Terceira Câmara do 19 Conselho de Contribuintes, recorre para es ta Câmara Superior de Recursos Fiscais do Acórdão n9 10303.862 de 20 de outubro de 1981, fls. 39/42, no qual, por maioria de vo_ tos, foi dado provimento ao recurso do contribuinte no sentido de que, não estando registrado nos autos qualquer indicação de indi cios de omissão de receita, a cargo do fisco, improcede a exigen j cia de prova efetiva entrega dos recursos utilizados nos suprimen tos feitos ao caixa da sociedade por seus sOcios, apOs o adven- to do Dec. lei 1.598/77. O Acórdão recorrido está assim ementado: "OMISSÃO DE RECEITA - SUPRIMENTO DE CAIXA -A par- tir da vigéncia do art. 12 § 39 do DL n9 1598/77 a utilização do valor do suprimento para quanti- ficar a receita omitida dependedt-,que esta seja provada, pelo fisco, atraves de indícios da es- crituração do contribuinte ou qualquer outro ele- mento de prova-idadoprovimento." O Recurso segue-se às fls. 46/47, atraves do qual o Procurador da Fazenda Nacional pugna pela reforma da decisão,in vocando o entendimento da E. la. Câmara deste Conselho, a respei , to do assunto, referindo-se ao Acórdão n9 101-72.875, I ..9.,e trato d71, L 6‘.."....'-----') ,(- DMF - RJ/1.° C - C - Secgraf -1 0/75 PROCESSO N9 0860/003.050M-85 3. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão n9 CSRF/01-0.245 mataria idêntica de forma diversa, juntando cópia do Acórdão 01-0.202 desta Câmara Superior, assim ementado: "OMISSÃO DE RECEITA - SUPRIMENTOS DE CAIXA - Os suprimentos de caixa contabilizados em nome dos s6cios de sociedade por quotas de responsa- bilidade limitada, de efetiva entrega e origem incomprovadas, são indícios de omissão de re ceitas encontrados na contabilidade da empresa, que autorizam o arbitramento destas com base nos valores dados como supridos." Através do Despacho de fls. 75,o recurso foi admitidope 1.0 . Presidèntecla E. Câmara recorrida, fazendo-se presentes os autos Douta Proc adoria da Fazenda Nacional, da qual obteve o visto de fls. 76 v. o relatório. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0860/003.050/81-85 4. Acórdão n9 CSRF/01-0.245 VOTO_ Conselheiro RAUL PIMENTEL, Relator: A mataria em litígio e idêntica a que foi examinada nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais na sessão de 04/03/82, a traves do Acórdão n9 -CSRF/01-0.202, que versou sobre ' SUPRIMENTOS DE CAIXA, e 04/05/82, objeto do Acórdão n9-CSRF/01-0.220, que cui- dou de SUPRIMENTO PARA INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL, tornando-se pa- cifico o entendimento de que se caracteriza a omissão de receita, quando não comprovada a origem externa dos recursos e a efetiva entrada dos recursos, sujeitando a importância creditada aos só- cios (em conta corrente ou em conta de capital) à incidência, como omissão de receita. Tendo em vista, entendermos que o voto proferido pe lo Presidente desta Câmara Superior, Dr. AMADOR OUTERELO FERNAN-- DEZ, no último aresto mencionado (CSRF/01-0.220) esgotou a ma-te- ria e consolida também nosso entendimento sobre a matéria, solici to que a Secretaria desta Câmara faça juntar ao presente cOpia do voto que fundamentou a referida decisão para que passe a integrar o presente julgado como se aqui transcrito estivesse, para todos os efeitos legais. Em face do exposto, dou provimento ao rec.--o.X RELATOR .,„ \ ' , í '' • I I SERV:ÇO PUE3LICO FEDERAL Proc. n9 0640-52.504/80 5. CSRF/01-0.220 . VOTO Conselheiro AMADOR OUTERELO FERNANDEZ, Relator: „ Nos presentes autos, não foi a autuada acusada de qualquer ilegalidade do aumento de capital frente á. legislaçâo so- cietária, mas de levar a crédito da conta de capital dos s6cios de- terminadas importáncias cuja origem externa não logrou provar , e, em conseqbãncia, a operação de registro referente ao aporte de re- cursos pelos s6cios ficou sem comprovação, concluindo a. Fiscaliza- ção que a sociedade estava contabilizando, isto e, dando entrada no mundo jurldico (caixa oficial) de receitas anteriormente omitidas nos registros contãbeís. „ A matéria j'ã foi por nOs exaustivamente apreciada em outras oportunidades, tendo recentemente merecido profundo estu- do por parte dos competentes e probos ilustres Presidentes da . 3a. Câmara do Primeiro Conselho, Dr, URGEL PEREIRA LOPES, ao proferi=_. to nos autos do Processo n9 0640/052.557/80, e da 4a. Câmara do mes_. mo Tribunal, Dr. PEDRO MARTINS FERNANDES, nos autos do Processo n9 0660/012.025/80, cujos fundamentos, com a permissão de ambos incor_ poraremos às considerações deste voto. Com efeito, já. o art. 12 do vetusto C6digo Comercial (Lei. n9 556, de 25/06/1850) estabelecia a obrigatoriedade de o co- merciante lançar, em ordem cronolégica e com individuação e clare- za, todas as suas operaç8es, o que veio a ser ratificado pelo art- 29 do Decreto-lei n9 486, de 03.03.69, e a doutrina atenta à. máxima jurídica: NEMO SIBI IPSI TITULUM CONSTITUIT, ou seja, de que e veda--,- do a qualquer pessoa forjar para si mesma, previamente, as provas do seu direito, concluía que para que a escrita possa fazer prova em favor do seu dono: "não bastam os livros comerciais .., e sem- pre indispensável o auxílio de outro ele-- mento estranho aos livros" .GIOÃO/INÁPIO// • ---, / . .., 7/: SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Proc. n9 0640-52.504/80 6. CSRF/01-220 BORGES, in Curso de Direito Comercial Ter- restre, Rio, 1971, 5a. ed., pág. 239). - ou que em face do consagrado principio da livre avaliação das pro- vas, estabelecido no art. 131 Código de Processo Civil (Lei n9 ... 5.869, de 11/01/73), quando a legislação não tenha estabelecido for ma especial para a prova dos atos jurídicos e contratos, poderiam provar-se pelos livros dos comerciantes "sempre que outros elementos, ou as circups tãncias que rodeiam o caso controvertido , não ilidam a fê que es assentos, em princl pio merecem" (TRAJANO DE MIRANDA VALVERDE, in "Força Probante dos Livres Comerciais", Forense, Rio, 1960, pg. 29/30). Finalmente o Decreto n9 64.567, de 22/05/69, refor- çou a tese de que a escrituração deve apoiar-se em documentos ou pa pais que lhe dêem suporte, ao estabelecer no art. 29 que: "A individuação da escrituração a que se re fere o art. 29 de Decreto-lei n9 486, de 3 de março de 1969 (e tambêm o art. 12 do Código Comercial, acrescentamos nós) com- , preende, com elemento integrante, a con- signação expressa, no lançamento, das ca- _ racterísticas principais dos documentos ou papeis que derem origem ã própria escritu- ração." Por outro lado, ó sabido que a Contabilidade como ciência, e, igualmente, a tecnica de sua aplicação, integrando a função administrativa de controle, tem como normas balizadoraS a rigorosa fidelidade aes fatos de gestão da empresa e o embasamento obrigatório em documentação hábil e idônea. Assim, cabe exclusiva- menteã pessoa jurídica a prova de que os registros efetuados em sua escrituração correspondem aos fatos realmente ocorridos em sua gestão. Finalmente, a experiência de mais de meio sêculo de fiscalização demonstrou ao Fisco que um dos meios de prova da apro- priação, pelos titulares, s6cios ou acionistas, de receitas ,% , * SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Proc. n9 0640,-52.504/80 8. CSRF/01.220 extracontábil (com recursos desviados) das dívidas da sociedade e os intitulados "Suprimentos de Caixa", em que os sócios são credi- tados pelo aporte de recursos, sob as mais diversas formas: "Supri mentos de Caixa", propriamente ditos (crédito na c/c do sécio); Au mentos de Capital (crédito nas contas de capital do sécio); emprés- timos formalizados com títulos de credito, emitidos a favor dos 'pseudo fornecedores dos recursos (geralmente Notas Promissórias) etc. No caso da omissão de receita detectada através do "Saldo Credor de Caixa" e "Passivo Ficticio, ou Passivo inexisten- te", a tributação se fazia por E..resunção simples. Com efeito, quando .o Fisco apurava os "Estouros de Caixa" (a empresa pagando contas em montante superior ãs suas dis-, ponibilidades de Caixa); ou o Passivo Fictício (a pessoa jurídica liquidando dividas com recursos extracaixa, isto e, não contabili- zados), presumia que os recursos desembolsados naquelas condiçaes tinham origem no desvio de receitas da pessoa jurídica (presunção ¡uris tantum, pois o Sujeito passivo podia provar a efetiva origem dos recursos). Com efeito, a presunção de que nesses casos se tra tava de disponibilidades geradas dentro da empresa e que os sécios estavam fazendo retornar, ocultamente, para pagamento de contas ou dívidas da sociedade era evidente, pois g certo que inexistindo ge ração espontânea de riqueza, aplica-se-lhe o dito popular, segundo o qual: "quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lugar lhe vêm". A presuncão, segundo a doutrina dominante, e o e- feito que determinada circunstância ou antecedente produz no animo do julgador quanto ã existência do fato, dizendo GALDINO SIQUEIRA, (citado por Walter P. Acosta, na conhecida obra o Processo Penal n9 76) que são "os juizos formados sobre a existência do fato pro- bando...". Qualquer que seja a definição adotada, o .„.7. , ,. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Proc. n9 0640-52.504/80 9, CSRF/01-0.220 - que ela 6 meio de prova, expressamente admitida pelo artigo 136, do C -6(ljg° Civil (Lei n9 3.071, de 01/01/1916), e igualmente reconheci- da pelo artigo 332, do Código de Processo Civil (Lei n9 5.869, de 11/01/73), bem como, implicitamente, pelo artigo n9 29, do Decreto n9 70.235, de 06/03/72, ilidIvel contudo por prova em contrário, em face de sua própria natureza. Do mesmo modo, se como vimos na doutrina de JOÃO EU_. NÃPIO BORGES, para se fazer prova em favor do seu dono "não bastam os livros comerciais ... é sem pre indispensável o auxílio de outro ele- mento estranho aos livros" ou se, como escreveu TRAjANO DE MIRANDA VALVERDE, os livros podem provar "por si sós, a favor do comerciante, sem- pre que outros elementos, ou as cirouns-- táncías que rodeiam o caso controvertido, não ilidam a fé que os assentamentos, em principio merecem." entendia a jurisprudência do Conselho que se o Fisco ao examinar a contabilidade das pessoas jurídicas encontrava créditos a favor dos sócios com poder de gerência, sem qualquer documento hábil que ampa rasse tal escrituração, considerava esse fato indício de omissão de receita, intimando imediatamente a fiscalizada a que fizesse prova do real ingresso (entrada externa) e/ou da origem ou proced&nciack recursos supridos. Isto porque como escreveu o ilustre Conselheiro Sylvio Rodrigues, em voto que proferiu no ACOrdão n9 101-72.291, da ia. Câmara do 19 Conselho de Contribuintes, sendo certo que as em-- presas ou pessoas jurídicas não comandam a vida particular dos seus titulares, sócios ou dirigentes. Ao rev6s, estes, porque as dirigem, podem-lhes reduzir os lucros em proveito próprio. O vínculo comum, existente entre a firma ou socieda_ . de e os próprios titulares, sócios ou diretores, o qual, podendo entrelaçar as transaçóes mercantis da pessoa jurídica com det/e mina idas operaçE)es em nome particular de cada uma daquelas posso , fisi7 .-,7 SERVIÇO PÚBLICO‘FEDERAL Proc. n9 0640-52.504/80 10. CSRF/01-0.220 cas, dá ensejo a que se desviem lucros ou rendimentos tributãveis, por falta de contabilização de receita correspondente. Não hã, pois, como deixar de observar o nexo de causalidade que, vincula as pessoas físicas de cada um daqueles titulares, sócios ou diretores, às res pectivas empresas ou pessoas , jurídicas, se a contribuinte furtar-se 'a apresentação de documen- to hábil que comprove, plenamente, a fonte de onde provieram as verbas creditadas. Às citadas pessoas físicas, em princípio, tanto faz que os resultados das operaç'Oes mercantis da empresa, de que parti cipam, lhes sejam adjudicados sob a forma de lucros ou créditos, suprimentos, aumento de capital e semelhantes. Medidas, porém, as vantagens do recebimento sob a forma de crédito, em detrimento da de lucros, não vacilam em optar pela de crédito (suprimento, aumen to de capital ou análogos), com reais proveitos, em razão de afas- tar a incidência do tributo sobre efetivos lucros da pessoa jurídi ca.e física. O indício da omissão da receita está exatamente na falta de comprovação da operação realizada em antecedência próxima ã data dos creditos, feitos aos sócios, da qual se originaram os recursos supridos e da ausencia de outra prova que confirmasse a efetividade da entrega das importâncias, de modo a não se duvidar da transferência delas do patrimõnio da pessoa física para o patri mBnio da pessoa jurídica. Não elide a prova indiciãria do Fisco, a alegação de que o valor creditado como suprimento de numerário, tem base na declaração de rendimentos da pessoa física dos sócios, pois isso equivale dizer que a origem dos recursos está na capacidade econa- mica e financeira do titular do crédito. Capacidade econOmica e financeira, por si só', é prova ineficaz, porquanto assim se deixa de oferecer o que interes sa: a proced&ncia do contestável numerãrio e a natureza sa da;) , ' ..: SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL. Proc. n9 0640-52.504/80 11. CSRF/01-0.220 operação que motivou a entrega efetiva da importancia, mediante da_, dos irrefutavelmente coincidentes. Essa prova cumpre ã recorrente produzi-1a pela pos sibilidade, melhor do que a.c5 Fisco, de ter ciência da operação previamente praticada, da qual redundou a entrega do numerãrio ore ditado, sob a forma de suprimento, aumento de capital ou equivalen te. . Partindo da prova indiciária, se o Fisco ao execu- tar a sua tarefa se depara perante a alternativa de o contribuinte querer e não poder ou poder e não querer ( o que juridicamente vem dar no mesmo) vier a prestar contraprova inidênea e imprecisa, ou ainda oferecê-la prenhe de dúvida (porque deixa de indicar minú -- cias quanto ã origem do numerário utilizado), procurando seja como for, de uma ou de outra maneira, dela esquivar-se, sobressai dessas hip(Steses a invalida de jurídica da contraprova, quer por inexistên_ cia, quer por insuficiência. Então, aqueles indícios, de que o Fís co se serviu, inicialmente, e em virtude de inexistir geração es- pontãnea de capital, acabam por ganhar corpo, firmando-se a convic ção de estar-se diante de rendimentos obtidos na prapría fonte in- terna da empresa, por ser certo que o numeráxio creditado tem uma origem que a pessoa jurídica se obstina em não explicar convenien- temente. Cs indícios são meios de prova especificamente ar- rolados pelo Direito Público, segundo o art. 239 do C6digo de Pro- cesso Penal. • O citado diploma processual penal, ao individuali- zar o indicio como meto de prova, define-o como sendo "a circuns-- tancia conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autori- ze, por indução, concluir-se a existência de outra ou outras cir- cunstancias". Assim, provado ter a pessoa jurídica haver levado . a crédito dos seus titulares ou administradores importãncia -cua,' .77 j // p /1 -Z. ,/ ! • SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Proc. n9 0640-52.504/80 12. CSRF/01-0.220 origem, após devidamente intimada a comprovar, não o fez, corpori fica-se a circunstância ou antecedente que autoriza a fundar uma opinião acerca da existencia de determinado fato, ou seja, os alu didos meios de prova (indí(ios), que segundo GALDINO SIQUEIRA, ci_ tado por Walter P. Acosta, na conhecida obra "O Processo Penal" n9 76, define como sendo os "elementos sensíveis, reais, que indi caiu um objeto (index)...". Por outro lado, õ certo que as causas de difícil prova r como e o caso da sonegação de receitas, pois geralmente não deixam vestígios, admitem provas menos idóneas como já estabe leciam as Ordenaçóes Filipinas no Livro V, Título 13-.5, pr e §§ 19 e 29 e o Alva de 30 de outubro de 1649, segundo PONTES DE MIRAN DA, in Comentários ao C.P.C. de 1974, ia, Ed., Vol. IV, ág.217. Assim, com base nos preceitos legais relativos escrituração, e em obediância ao princípio de que toda a pessoa jurídica deve ter seus lançamentos contábeis respaldados em docu- mentação idónea, inclusive, como e óbvio, os que se refiram aos recursos que nela ingressam, encontrou o Fisco legitimidade para intimar as pessoas jurídicas a comprovar a origem dos recursos su pridos por seus sócios ou titulares, sempre que inexistisse ade - quadabase documental nos lançamentos contábeis pertinentes. Nou- tros casos, e pelas mesmas razóes, tal-ubera a efetividade do ingres so do numerário na empresa, se bem que a este aspecto alguns atri buissem menor relevância, um tanto por entenderem que o ponto fui oral da questão estava na origem, outro tanto porque a prova do ingresso era mais difícil, na, medida em que exige investigação so fisticada e, assim mesmo, de resultados práticos nem sempre con- clusivos. Essa jurisprudencia do Conselho, embora de data inicial incerta, já era oficialmente reconhecida há quase quatro decadas, pois, para não ir mais longe no tempo, basta referirque, já em 1946, o Ministro da Fazenda ex pedia a 54rc-.1, r n9 18, data-, da de 9 de maio daquele ano, onde deciarava:p SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Proc, n9 0640-52,504/80 13. CSRF/01-0.220 "Tendo em vista a jurisprudencia do 19 Con " selho de Contribuintes e as ponderações -a- presentadas pelas Associações Comerciais - do Estado do Maranhão e do Rio de janei- ro, declara aos Srs. Chefes das reparti- ções subordinadas, para seu conhecimento e devidos fins, que as pessoas jurídicas, (...) poderão requerer, dentro do prazo de seis meses, a contar da data da publi- cação desta circular no Diário Oficial, o pagamento, sem multa, do imposto corres- pondente a suprimentos feitos às firmas e sociedades pelos respectivos secios ou ti tulares, suprimentos esses de provenien-r eia susceptível de não ser comprovada." A prePria Administração Superior ao baixar o Pare- cer Normativo n9 242, de 1971 (norma complementar, segundo o art. 100, inciso 1, do C.T.N.), já, hã -bambem mais de uma década esclarecia a maneira de se comprovar a origem dos suprimentos, res saltando que não basta o supridor demonstrar capacidade financei - ra, sendo necessãrio revelar a proveniencia do numerãrio, vale di- zer, de onde se originou a disponibilidade financeira que ensejou O suprimento. Com a edição do Decreto-lei n9 1.598, de 26 de de- zembro de 1977, uma corrente, liderada pelo jurista JOSE LUIZ EU - LHES PEDREIRA, passou a concluir que as novas normas visariam ã reforma do que seria, segundo o aludido autor, o deturpado entendi mento fiscal (por sinal consolidado e consagrado pelo entendimento jurisprudencial, acrescentamos nós). Partiu o referido autor, pórem 9 de premissas in- corretas, talvez provavelmente com pensamento voltado para o que pretendia que a norma devesse ter dito, e que afinal, como se veri ficará, não disse; pois e certo que a "mens legislatoris" e a "mens legis" nem sempre coincidem. n pacífico, porém, que, uma vez editada a lei, e a verdade nesta contida que se constituirá em preocupação básica do interprete, dado que, embora seja recomendã- vel e útil o recurso aos trabalhos preparat6rios, o que ali se en- contrar não poderã prevalecer sobre /a vp2tade da lei, divorciada que está do querer de seus autoresi/P (/ . i k , é/ '.. ' •`•., ,, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL. Proc. n9 0640-52.504/80 14.: : . CSRF/010.220 Vejamos então o que foi estabelecido no art. 99 é s/§§, bem como nos §§ 29 e 39 do Decreto-lei n9 1.598/77, inver- bis:_ ..._ "Art. 99 - A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verifi- cação pela autoridade tributária, com ha se n.o exame de livros e documentos clã sua escrituração, na escrituração de Ou- tros contribuintes, em informação ou es- clarecimentós do contribuinte ou de ter- ceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 19 - A escrituracão mantida com obser vãncia das disposides legais faz prova . a favor do contribuinte dos fatos nela. registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim de finidos em preceitos legais. § 29 - Cabe ã autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos regis-, - trados com observância do disposto no § 19...._ §, 39 - O disposto no § 29 não se aplica aos casos em que a. lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o onus da prova de fatos registrados na sua es- crituração. Art. 12 - (omissis) , § 29 - O fato de a escrituração indicar . saldo credor de caixa ou a manutenção,no passivo, de obrigaçOes já pagas, autori- za presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improced&ncia da presunção- , , § 39 - Provada, por indlcios na escritu- ração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrá-- -la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos ã empresa por adminis - tradores, sEScios da sociedade não an6ni- ma, titular da empresa individual, ou pe. lo acionista controlador da companhiase a efetividade da í rtrega e a origem dos,recursos não „orz-coinprovadamente de-/ / monstrados." --T2 r, .77L., , . _. . ___„....:. ' SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Proc. n9 0640-52.504/80 15. CSRP/01-0.220 Ora, da leitura atenta desses dispositivos, na rea lidade, se observa que, ao contrãrio do alegado, nenhuma inovação foi introduzida, salvo consolidar a matêria em texto com força de lei, com o objetivo de disciplinar o assunto. De certa maneira, até, veio desmobilizar argumentação fregnentemente utilizada pelos con- tribuintes, qual seja a de que faltava base legal para tributação °dos suprimentos incomprovados, e de que o sistema legal desautori- zava a tributação com base em presunções. Comentando esses disposi tivos o citado autor em sua obra "Imposto sobre a Renda - Pessoas Jurídicas, justec, 1979, Vol. I, pãg 354/358", após reconhecer que "A não escrituração da receita de qualquer negócio da pessoa jurídica importa dimí - nuição do lucro líquido do exercício e, conseqüentemente, da base de cálóulo do imposto. As pessoas jurídicas têm o dever legal de escriturar todas as mutações patrimoniais (v. n9 132), e a omissão dolosa de recei- tas, rendimentos ou operaç6es de qualquer natureza constitui crime de sonegação fis cal (Lei 4.729/65, art. 19, RIR/75, art- 549, letra b). A omissão de receitas ê a modalidade mais usual de fraude ao imposto, especialmente nas empresas de porte pequeno ou médio, que vendem ao contador. Com base na ex- periência da fiscalização dessas - em- presas, a jurisprudência administrativa definiu alguns indícios de desvio ou omis são de receitas, assim como orit-grios de arbitramento da receita omiti -da, -( -1-171J -o 151-, n9 1-59 -8/77 regula nos dispositivos transj . critos neste número. O saldo credor (ou "estouro") de caixa prova que foram utilizados, no pagamento de despesas creditadas ã Caixa, recursos financeiros não escriturados. O pagamento de obrigação nao—iCgistraão na contabili- dade, feito quando a caixa não tinha re- cursos suficientes para efetuã-lo, equiva le a saldo credor de caixa. A solução do DL n9 1.598/77 foi, nessas hipóteses, autorizar a presun2ão de omis- são, no .r2_gistro de receita, .transferindo para o con&ibuiFIe-Wus—da nrova , a , ,, .. .,, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Proc. n9 0640-52.504/80 16. CSRF/01-0.220 regra, cabe ã autoridade tributária (v. n9 .. 181). Encontrando na escrituração saldo cre- , dor de caixa, ou verificando que a obrigação da pessoa jurídica foi paga antes da época re gistrada na escrituração, a autoridade tribu- tária está autorizada por lei a presumir a o- __. .........____ .._ missão de receitas e lançar o contribuinte.Es_ sa presunçao nao é absoluta, mas 6 excluídase o contribuinte prova sua improcedência. , Não se confundem com o denominado "passivo fictício" o atraso no registro contábil do pa gamento da obrigação e o erro quanto ã data do pagamento, se este, quando efetivamente rea lizado, era compatível com as disponibilida - des de caixa. •••“0•••••••••••••••• ......... *C.*“...••••C Outra orientação jurisprudencial tradicional é a utilização, como medida da receita omiti- da, dos suprimentos ã caixa feitos por admi - nistradores, à -ócios ou titulares da pessoa jurídica, se não há prova da efetividadedo suprimento e da origem dos recursos supridos. Essa jurisprudência foi construída com base na experi6ncia da fiscalização de firmas indi viduais, ou de empresas de pequeno porte, que constituem (em número) a grande maioria dos contribuintes na categoria de pessoas jurídi- cas. Nessas empresas, dirigidas pessoalmente pelo titular ou sócio principal, que vendem bens ou serviços com preço recebido em dinhei ro, 6 fácil ao sócio ou titular contabilizar slpenas parte da receita efetivamente recebida. Sonegando desse modo o imposto. Mas como á re ceita omitida 6 necessária aos negOcios da em presa, em geral 6 mantida em caixa e registra,, da contabilmente-c-ano su2rimentos do socio ou dirigente. A prova da origem dos recursos supridos deve ser feita 'de- modo a afastar a suspeita de que resultaram de receita omitida. A jurisprudên-, eia recusa a simples demonstração da capacida de financeira do supridor e exige prova da o- rigem de cada suprimento, e -- se for o caso -- do saldo das contas bancárias usadas para o suprimento. A jurisprudência administrativa em muitas de- cisões equiparava aos suprimentos não compro- vados (a) a integralizaçao de aumento de//api,-, tal e (h) os dep6sitos em contas bancs dT---.J ---'(. >4% `:„:, - .. • • SERVICO PÚBLICO FEDERAL Proc. n9 0640-52,504/80 17. cSRF/01-0.220 administradores, sócios ou titulares dà pessoa jurídica, quando a origem das importãncias en- tregues ã pessoa jurídica ou dos depósitos não era comprovada. .(os destaques são da transcri- ção)." passa a construir algumas premissas que não se conformam: quer com a experiéncia prática daqueles que são encarregados da Fiscalização .de Tributos Federais, quer com a reiterada jurisprudência do Primei ro Conselho de Contribuintes, consolidada há décadas, como observa- mos com a transcrição da Circular n9 18, de 09/05/46, e a nossa ex- periência de trabalho, de também quase uma década, neste Õrgão. Entre as aludidas premissas estão a de que: a) o desvio de receitas (através de suprimentos ã Caixa por Administradores, sócios ou titulares) "deixa vestígios na evolução do património contábil;" b) "a análise da escrituração especialmente das con- tas de mercadorias e vendas, permite ã fiscalização identificar in- dícios da omissão de receita;" c) "nos últimos anos muitos agentes fiscais passa- ram a inovar a jurisprudência (que, segundo o autor só admitia a tributação dos suprimentos quando acompanhados de "outros elementos de prova da omissão") para afirmar inversão ilegal do ónus da pro- va, passando a tributar como receita omitida -- por mera presunção -- qualquer suprimento não comprovado;" d) "os suprimentos ou: empréstimos feitos ã pessoa jurídica por sócios, dirigentes ou terceiros não são pagamentos de rendimentos; não podem, portanto, ser fato gerador de imposto sobre a renda," . concluindo que o "Decreto-lei n9 1.598/77 restabeleceu a orientação tradicional da jurisprudência" e que segundo lhe parece, "após o DL 1-598/77, o arbitramento de receita sonegada somente ó admitido nos casos previstos na lei. Provada a omissão de receita (po-,indl- cio da própria escrituração ou qualquer outro elemento de 4fa, e (‘.' / /- . ,. .... . SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Proc. n9 0640-52.504/80 18. CSRF/01-0.220 não por mera presunção baseada em suprimento, depósitos ou integra lização . de capital), se a autoridade fiscal não disp8e de elemen - tos que fundamentem o arbitramento da receita omitida, a solução ó desclassificar a escrituração e lançar a pessoa jurídica com base em lucro arbitrado." (grilos da transcrição) Em que pese a admiração que temos péla cultura e trabalho do ilustre advogado, usando o verbo por ele mesmo emprega do, "22e-nos que não poderia ser mais infeliz o ilustre jurista: seja nas premissas que acima resumimos, seja na conclusão. Isto porque, ao contrário do por ele afirmado, cer tas modalidades de desvios de receita, quando levados a cabo -.com as cautelas requeridas, não deixam qualquer vestígio, principalmen_. te nas vendas ã vista em dinheiro, como o podem testemunhar todo o tipo de auditores. . Do mesmo modo, a análise das contas de mercadorias e vendas, quando não adotada uma contabilidade de custos rígida com diversos controles entrelaçados, desde que a empresa não apre- sente prejuízos contabilizados na negociação com os produtos reven_ didos ou por ela fabricados, somente por verdadeira sorte do audi. tor e descuido do infrator se logra descobrir. . . Tambêm não ó verídico que a Fiscalização nestes úl_ timos anos tenha inovado na jurisprudência, dispensando a coleta de indícios de omissão de receita, antes de submeter à tributação, as parcelas de duvidosa procedência creditadas aos sócios; embora ela (refiro-me ã jurisprudência do Conselho de Contribuintes, por ser o órgão do mais elevado grau de jurisprudência administrativa e, por isso, mais perene) não exigisse a comprovação de outros in- dícios de omissão de receita, de modo que esse fato fosse causa de_ terminante da tributação das omiss8es cuja medida os Suprimentos não comprovados representam, como já reiterado, e disso posso dar testemunho em razão dos quase 1D (dez) anos de Conselho (quase se- te de Presidência de Câmara, cinco dos quais na Presidência simul- tânea do Próprio Tribunal Administrativo e três dos quais ainda ii na Presidência conjunta da Câmara Superior de Recursos Fis ,-,4s),41; , --- AV ---2 --1._ . . . • SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Proc. n9 0640-52.504/80 20. CSRF/01-0.220 dos fatos contabilizados e de que eles se deram na forma objeto de registro. Com efeito, a escrituração eontãbil, que se desti- na ao registro ordenado dos fatos administrativos ocorridos na em- presa, não constitui prova, por si mesma, a favor do contribuinte, , mas somente quando lastreada em documentação hábil e idõnea que comprove de forma irretorquível os fatos registrados. É o que preceitua o art. 29 do Decreto n9 64.567 de 22/05/69, que regulamentou o Decreto-lei 486, de 03/03/69, se- gundo o qual o lançamento deve conter, como elemento integrante, a consignação expressa das características principais dos documentos ou papéis que derem origem à prOpria escrituração, documentos es- ses que a empresa 6 obri gada a conservar em ordem até a prescrição pertinente aos atos mercantis, de acordo com o disposto no art. 59 do referido Decreto. É o que prescreve, igualmente, o § 19 do art. 99 do Decreto-lei n9 1_598/77, já transcrito, mas que vale reproduzir: "§ 19 - A escrituração mantida com obser - vãncia das disposições legais, faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela re gistrados e comprovados por documentos h-5.- beis, se9UFid-5-sua natureza, ou assim defi nidos em preceitos legais." (Destaques d.-ã. transcrição). Em relação ao saldo credor de caixa e ao exigível ficto, citado diploma legal nada mais fez dó que erigi-los em pre- sunção legal que autoriza o lançamento do imposto res pectivo, res- salvando-se ao contribuinte prova em contrário. A constatação de saldo credor de caixa e de obriga Oes pagas e não contabilizadas passou a ser tratada pelo legisla- dor como presunção legal relativa, que permite ao contribuinte a : produção de prova de que os recursos assim utilizados tiveram ou- 7- tra origem que não a receita auferida peja paria empresa e omiti, i' da nos respectivos registros contãbeis . ,/b /.7' iJ ( , / SERViÇO PUBLICO FEDERAL Proc. n9 0640-52.504/80 21. CSRF/01-0.220 Para a jurisprudência administrativa e judicial, pois há décadas mantám o mesmo entendimento, a existência, na es crita do contribuinte, de saldo credor de caixa ou de obrigaç-óes pagas e não contabilizadas, são presunções de omissão de recei- ta, quando o contribuinte não comprova outra origem para esses recursos. Tal presunção está calcada na evidência, entendi da como certeza manifesta, da utilização de recursos financeiros extra-contábeis na efetivação dos pagamentos que deram origem ao saldo credor de caixa e. ao exiglvel ficto.• . Embora a jurisprudência administrativa e judi- ciai, no caso de saldo credor de caixa ou exigível fictício, an- teriormente ã nova lei, se firmasse numa presunção simples, o procedimento da fiscalização não foi alterado com a vigncia da- .. quela norma. Com efeito, constatadas essas irregularidades isolada ou simultaneamente, estava a fiscalização tributária au- torizada a promover a autuação, cabendo ao contribuinte-, no cur- so do processo fiscal, efetuar a prova de que o numerário utili- zado teve origem diversa. As posiçaes, portanto, sempre foram bastante ela ras no processo. À fiscalização tributária cabe a prova de que existe saldo credor de caixa ou exigível ficto. Ao contribuinte sempre coube a prova de que o dinheiro assim empregado oriundo de fonte externa e não da própria empresa. Portanto, quer no período anterior ã vigência da norma nova, quando a autuação estava embasada em Presunção sim pies, quer no período posterior a sua vigência, qúando o lança-- mento está alicerçado em presunção legal relativa, o anus da pro va da exístencia de saldo credor de caixa ou de passivo fictício sempre coube e cabe ainda ã fiscalização do tributo, e sempre incumbiu ao contribuinte elidir essa prova, o que somente pode ser feito através da comprovação de que os recursos utilizados tiveram origem em fonte externa e não na pr6pria SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Proc. n9 0640-52.504/80 22. CSRF/01:--0.220 Desta maneira, o novo dispositivo legal erigiu em presunção legal relativa uma presunção comum, tornou clara e ex- plícita uma situação que já era aceita mediante a interpretação (1.. dispositivos legais dispersos e especificou e tornou evidente a autorização de lançamento por presunção. Com exceção da evidéncia da utilização de recur- sos extra-contâbcis que caracteriza os casos de saldo credor de caixa e de exigível ficto, tudo o que se disse ate aqui, aditadas algumas circunstâncias específicas, aplica-se às hipóteses de su-. primentos de caixa, quando não comprovada a efetividade da entre- ga e. a origem dos recursos assim aplicados. De fato . , o suprimento de caixa feito por acionis- ta, sacio ou titular de empresa individual constitue-se num direi to do supridor contra a respectiva empresa, fato que implica uma. relação jurídica entre aquele e esta. Isso, no caso de sociedades, significa uma rela- ção jurídica entre aquela e um ,de seus membros que, geralmente, de. téM poderes de representação Ora, é consabido que a sociedade é - um ente criado por lei, mas que não tem capacidade de agir por si mesmo, capacidade de que gozam, exclusivamente, as pessoas na:7- turais, observadas as restriçóes legais quanto aos efeitos jurídi. cos dos atos destas. Na hipótese de empresa individual, a relação jurí dica tem como partes, de um lado, o respectivo titular, como pes- soa natural, e, de outro lado, uma ficção criada pela legislação tributária e representada pela empresa individual resultante da equiparação da pessoa física .à pessoa jurídica, ou um património apartado, segundo a doutrina comercialista. Nessas relaçóes, em razão de sua natureza, a pes- soa física do acionista, sacio ou titular de empresa individual, em geral, no caso dos dois primeiros, e sempre, no caso d - mo, age por si mesma e pela pessoa jurídica represents/aàdA • ,. ,, . . , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Proc. n9 0640-52.504/80 23. CSRF/01-0.220 Tendo presente essa peculiaridade, ditas relações prestam-se a freq3entes distorções da realidade, levando-se em conta que, nos casos em que hã conflitos de interesses, entre de- fender os da pessoa jurídica e os seus, é certo que, dada a natu- reza humana, a pessoa física escolha defender os seus próprios im teresses, mesmo que isso resulte em prejuízo para aquela. Ressalte-se que hipóteses existem em que as dis- torções não implicam em colisão de interesses mas até em interes- ses convergentes, uma vez que podem resultar em benefícios comuns à pessoa jurídica e à", pessoa física do acionista, s6cio ou titu - lar de empresa individual- Isso ocorre, por exemplo, na supervalo rização de bens incorporados ao capital, hipEitese, aliás, muito freqente, caso em que a pessoa jurídica se beneficia dada a re- percussão que o valor do capital tem nas operações bancarias, e, a pessoa física, pelo maior valor de seu direito contra aquela. Tais relações -- que deveriam merecer especial a- tenção com referencia a sua cabal comprovação, são, ao contrário, relegadas a plano secundárdo pelas empresas e pelos participantes desta -- em razão de sua natureza e peculiaridade, estão permanen temente sob a mira da fiscalização. Aliados ã obrigação legal de a pessoa jurídica es_. criturar todas as operações e de provar que os fatos contabiliza- dos ocorreram e se deram na forma objeto de registro, esses fatos embasaram a tambõm torrencial, remansosa e vetusta jurisprudõncia administrativa que sempre entendeu que a falta de comprovação da efetividade da entrega e da origem dos recursos supridos é indl - cio de omissão de receita que autoriza o lançamento do imposto= respondente., Nessa parte, pois, equivoca-se o citado autorquan do refere que a orientação jurisprudencial tradicional utiliza o suprimento de caixa como medida da receita omitida, quando, na realidade, toda a jurisprudõncia administrativa considera tal ir- regularidade como indício de omissão de receita, quando não com-- r. /:() provada a efetividade da entrega e a origem dos recursos supr''»eitf ._ 7, / SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Proc. n9 0640-52,504/80 ,25. CSRF/01-0.220 Tenha-se presente o fato de que o mencionado autor, referindo-se ãs firmas individuais e ás pequenas empresas, afirma que: "Nessas empresas ,dirigidas pessoalmente p5. lo titular ou sócio principal, que vendem bens ou serviços com preço recebido em • dinheiro, e, fácil ao sócio ou titular con tabilizar apenas parte da receita recebi- -El-à- , sonegando desse modo o imposto." (os grifos não são do original). A facilidade de contabilizar apenas parcialmente as receitas auferidas, citada pelo referido autor, torna comum essa prática pelas empresas, e funda-se tambóm na máxima, transformada em presunção comum, de que ninguém suporta. prejurzo podendo evitá- -lo. Essa prática é tão habitual, que já se disse que ó comum encontrar empresas em diffcil situação económicofinanceira cujos integrantes desfrutam de invejável patrimanio e não encontram dificuldades nessa área. No que pertine, portanto, aos suprimentos de caixa, a legislação nova, de uma parte, consagrou o que a jurisprudóncia administrativa há dócadas já admitia, ou seja a tributação por indf cios; e, de oUtra parte, nada mais fez do que formular um critório de arbitramento dé receita omitida com base no valor dos recursos de caixa supridos, nos casos em que não for comprovada a efetivida- de da entrega e a origem destes. Mas, dal a entender, como o autor referido, que o transcrito § 39 do artigo 12 do Decreto-lei n9 1.598, de 26.12.77 , tenha restringido a atuação da fiscalização tributária, vedando-lhe considerar, como indfcio de omissão de receita, o valor dos recur- sossupridos, quando incomprovada a efetividade da entrega e a ori- gem destes, vai uma distância muito grande. Com efeito, segundo DE PLACIDO E SILVA ("in" zp.cab.L.t ‘r! SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Proc. n9 0640-52.504/80 27. CSRF/01-0.220 Por conseguinte, para que um fato, que a jurispru dência administrativa, de forma tranqüila e reiterada, há décadas admite ser indício de ondssão de receita, não mais seja considera do como tal, é necessário que a lei, de forma expressa e clara , assim determine. Não foi isso o que ocorreu com a norma citada que, ao contrario, reconheceu que o suprimento de caixa, quando não comprovada a efetividade da entrega e a origem dos recursos supri, dos, é indício de omissão de receita, ao erigi-10 em critério gal de arbitramento dessa omissão. Com efeito, obedece ao melhor raciocínio lógico o entendimento de que, se o valor do suprimento de caixa de efetiva entrega e origem incomprovadas pode servir de base para arbitra - I- mento de receita omitida é porque, nesse caso, ele também é indí- cio dessa omissão. Interpretação diferente levaria ao absurdo de,ams tatado um fato que é indício de omissão de receita, desde logo per feitamente quantificável, não poderia esse fato ser como tal con- siderado e submetido ã devida tributação. Entendimento diverso implicaria autorização ãsps soas jurídicas de não comprovarem os suprimentos de caixa de seus acionistas, sécios ou titular, sem qualquer conseqüência para essa irregularidade, o que equivaleria a prestar-se a escrituração das empresas a fazer prova a seu favor, mesmo sem lastro em documenta ção hábil e idónea, o que colide com o disposto no §, 19 do artigo 99 do Decreto-lei n9 1-598/77. Além do mais, reza o aludido § 39 que a omissãodb receita deve ser provada por indícios na escrituração do contri buinte ou qualquer outro elemento de prova, sem qualquer restri - ção quanto a esses indícios ou elemento de prova. Ora, o suprimento de caixa de efetiva entrega//,e tVy SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Proc. n9 0640-52.504/80 29. CSRF/01-0.220 Tambám nenhuma novidade se divisa na norma do art. 99, § 29, do citado Decreto-lei n9 1.598/77, visto que à autorida- de administrativa somente caberá a inveracidade dos fatos registra_ dos com observância do disposto no § 19 do mesmo artigo, ou seja: "A escrituração mantida com observância das disposiç5es legais faz prova a faVor do contribuinte dos fatos nela recTstrados e- _ .:_ _ comprovados. por documentos habeis, se qun- -ão sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." (grifamos) Aliás, rememorando o que está no velho Código Co- mercial de 1850, no Decreto-lei n9 486/69 e seu Regulamento, e de- mais legislação comercial a respeito, bem como na legislação do im posto sobre a renda de dezenas de anos a esta parte, no se apre-- senta qualquer novidade nos §§ 19 e 29 do Decreto-lei n9 1.598/77. Como ficou o texto legal, e desde que aceitemos que suprimentos de caixa incomprovados indiciam omissaes de recei- tas, consoante a jurisprudência de várias décadas, não há diferen- ça alguma entre os regimes anterior e posterior ao Decreto-lei n9 1.598/77, nem quanto aos fatos, nem quanto ao direito. Se no regime anterior não havia possibilidade de se afirmar em que momento e lugar ocorreu o fato gerador, dado que os atos que culminaram com o desvio de receitas não são praticados às claras e menos ainda dados à publicidade, aceitando-se que o fa_ to gerador ocorreu no mesmo ano-base em que foram efetuados os su- primentos; bem como se naquele regime tambem não havia possibilida de de se quantificarem, com exatidão,as receitas omitidas, as ra- ' z8es de ordem fática no regime do Decreto-lei n9 1.598/77, permane_ cem as mesmas. , Por essa razão lógica, o texto legal prescreve que st ... a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor 1 dos recuTso, ,de caixa fornecidos à empresa" (pelas pessoas que men ' 1 1 1 ciona),W i IIA C* tiL/1t. - / sERviço PUBLICO FEDERAL Proc. n9 0640-52.504/80 31. CSRF/01-0.220 19) Encontrado na escrita um registro a credito de um dos Sócios referente ao que seria a entrega de numerário ã so - ciedade; 29) Verificado que aparece como supridor uma pes- soa que alem de teoricamente ter interesse comum com a sociedadeno desvio de recursos; a sua posição de administrador lhe permite efe tivar a subtração; • 39) Intimada a empresa a fazer prova documental da origem dos recursos creditados aos sócios administradores, diretos ou por interpostas pessoas (no caso de controladores): SE NÃO FOR FEITA PROVA DA ORIGEM DOS RECURSOS CON- TABILIZADOS, corporifica-se a circunstancia ou antecedente que au- toriza a fundar uma opinião acerca da existência de determinado fa to, ou seja, os aludidos meios de prova (indícios), que, segundo GALDINO SIQUEIRA, citado por Walter P. Acosta, na conhecida obra "O Processo Penal", n9 76, define como sendo "os elementos sensl - veis, reais, que indicam um objeto (index)...". Por todo o ex-0Ao, DOU provimento ao rec7'oé»; //I; 2/N9 40 AMADOR • . RNIS DE Z - PRESIDENTE E RELATOR , Vencidos os Conselheiros Luiz Miranda, Pedro Martins Fernandes e Se._ bastião Rodrigues Cabral. '41 Sala das 59s-Oe-,1 4 de junho de 1982. "11 Ø,/ AMADOR O. - RN- 5 NDEZ _ PRESIDENTE 3, 6iWg- à 'A)-41:# giL)-r'''-}rA ;-1 A - RELATOR LUIZ FERNAND0\40 EIRA DE MORAES - PROCURADOR DA \\ . FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei- ros: RAUL PIMENTELe WAGNER GONÇALVES. , Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1
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Numero do processo: 11128.001194/2004-82
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 05/11/2002
Erro de Classificação. Licenciamento. Efeitos.
O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria, não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Taxa Selic
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 3102-001.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a multa de 30% do valor da mercadoria, por falta de licença de importação.. A Conselheira Nanci Gama votou pelas conclusões no que se refere à multa por falta de licença de importação. Fez sustentação oral o advogado Gabriel do Nascimento. OAB/ SC 22.912
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 05/11/2002 Erro de Classificação. Licenciamento. Efeitos. O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria, não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações. Recurso Voluntário Provido em Parte Taxa Selic A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 4.
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Multa de Ofício de 75% em Razão de Inexatidão na Declaração da Classificação Fiscal. Cabimento. A inexatidão da classificação fiscal, principalmente quando acompanhada da descrição equivocada e insuficiente da mercadoria, inserese no universo das condutas puníveis com a multa de 75% sobre o imposto que deixou de ser recolhido. Taxa Selic A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 4. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/11/2002 Erro de Classificação. Licenciamento. Efeitos. O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria, não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 11 94 /2 00 4- 82 Fl. 451DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a multa de 30% do valor da mercadoria, por falta de licença de importação.. A Conselheira Nanci Gama votou pelas conclusões no que se refere à multa por falta de licença de importação. Fez sustentação oral o advogado Gabriel do Nascimento. OAB/ SC 22.912 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: 0 importador, por meio da declaração de importação DI nº 02/09816540, de 05/11/2002, fl. 15, importou as mercadorias descritas nas adições 001 e 002 como: Adição 001, item1: "ADESIVO SELANTE MONOCOMPONENTE A BASE DE POLIOXIPROPILENO, ADEQUADO PARA JUNÇÃO DE CHAPAS NUAS E COM PRIMER PARA MANUTENÇÃO AUTOMOTIVA, EM EMBALAGEM PARA VENDA A RETALHO, SENDO: KPO PLUS (KORAPOP 222) — REF.: 172167" Adição 001, item2: "KPO PLUS BRANCO — REF.: 184793" Adição 002, item1: "ADESIVO A BASE DE BORRACHA SINTÉTICA E RESINAS, PARA A ADESÃO DE POLICARBONATO, POLIPROPILENO, POLIMETILMETACRILATO, ABS E OUTROS. KOEDIPLAST K 292 SCHW — REF.: 178321" Adição 002, item2: "ADESIVO HOT MELTA BASE DE BORRACHA SINTÉTICA, PARA ADESÃO EM VIDRO E PLÁSTICO. KOEDIPLAST K351 SCHWARZ— REF.: 189805" Classificou a impugnante os produtos da adição 001 na NCM 3506.10.90 e os produtos da adição 002 na NCM 3506.91.10, ambas com alíquotas de 17,5% de imposto de importação e 0% do imposto sobre produtos industrializados. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta para os quatro produtos é a NCM 3214.10.10, com alíquota do imposto sobre produtos industrializados de 10%. Baseouse a autuação nos Laudos Funcamp no 0623.01, fl. 30, no 0623.02, fl. 34, no 0623.03, fl. 38 e n° 0623.04, fl. 43. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.001194/200482 Acórdão n.º 3102001.595 S3C1T2 Fl. 437 3 Através do Auto de Infração de fls. 01 a 49, cobraramse as diferenças de imposto sobre produtos industrializados, juros, multa de oficio, multa pela classificação fiscal incorreta e multa pela falta de guia de importação. Intimada do Auto de Infração em 31/03/2004 (fl. 50), a interessada apresentou impugnação e documentos em 12/04/2004, juntados às folhas 51 e seguintes, alegando em síntese: 1. Preliminarmente, questiona a legalidade e a constitucionalidade da utilização da taxa SELIC. 2. Alega serem incabíveis as multas pela falta de pagamento do imposto e pela falta de guia de importação, pois estas só se aplicam em casos de praticas de condutas ilícitas. Cita também o ADN COSIT n° 29/80 e o ADN COSIT 10/97. 3. No mérito, alega que seus produtos tem características adesivas, sem a necessidade de qualquer auxílio mecânico. Alega também que os produtos KOEDIPLAST K351 E K292 se diferenciam do mastique pois este apresenta grande concentração de material betuminoso ("piche"), enquanto aqueles são derivados de boa quantidade de borracha, cargas minerais, resina e plastificantes. Cita publicações técnicas. 4. Requer a realização de perícia técnica e apresenta quesitos. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 05/11/2002 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PENALIDADES Mercadorias identificadas através de laudo técnico como Mástique, acondicionado para venda a retalho, de denominações comerciais KPO PLUS, KPO PLUS BRANCO, KOEDIPLAST K 292 e KOEDIPLAST K 351, devem ser classificados no código NCM 3214.10.10, conforme adotado pela fiscalização. Lançamento Procedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa, acrescentando, suas considerações acerca da nulidade da decisão de primeira instância, em face da negativa de perícia. Considerando que haveriam dúvidas acerca da natureza dos produtos importados, decidiu este Colegiado, por meio da Resolução nº 310200.104, de 03/02/2010, Fl. 453DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 converter o julgamento do recurso em diligência a fim de que fossem esclarecidas as seguintes questões: 1) Os produtos importados são destinados para qual(is) uso(s) principal(is)? 2) Os produtos servem para colar? 3) Os produtos servem para obturar fendas, para assegurar a estanqueidade? 4) Para seu uso regular, os produtos importados, ora em exame, devem ser aplicados em camadas grossas? Em resposta a tais indagações, respondeu o Labana: a) Com relação ao produto “KPO PLUS”1 1. De acordo com Referências Bibliográficas, mercadorias dessa natureza são utilizadas na união de superfícies na construção civil e na indústria automobilística. 2. Segundo Literatura Técnica, entendese por mástique toda a massa que é plástica durante o seu tempo de trabalhabilidade e que se destina a assegurar a estanqueidade da uma junta. Um mástique caracteriza conforme a substancia química de base que o constitui e pelo seu processo de endurecimento. Existem mástiques de um só componente e de vários componentes. O primeiro comercializase já pronto para aplicar e o segundo resulta da mistura de vários componentes antes da sua aplicação. De acordo com Literatura Técnica anexa ao Laudo em epígrafe, "KPO PLUS" é indicado para diversos metais sem revestimentos, pintados ou com fundo aplicado, como Junções metálicas de ônibus, carros caminhões, embarcações e containers, madeiras, derivados termofixos e termoplásticos, Na manutenção automotiva é utilizado para reforço de capô, calefação de para/amas, calhas e proteção de partes internas de páralamas e soleiras. Considerandose os Resultados das Análises constantes no Laudo em epígrafe e as informações acima, concluímos que a mercadoria tratase de um Mástique. 3. Sim. 4. Sim, os mástiques são aplicados em camadas espessas. b) Com relação ao produto “KOEDIPLAST”2: 1. De acordo com Referências Bibliográficas, mercadorias dessa natureza são utilizadas na união de superfícies na construção civil e na indústria automobilística. 2. Segundo Literatura Técnica, entendese por mástique toda a massa que é plástica durante o seu tempo de trabalhabilidade e que se destina a assegurar a estanqueidade da uma junta. Um mástique caracteriza conforme a substância química de base que o constitui e pelo seu processo de endurecimento. Existem mástiques de um só componente e de vários componentes. 0 1 Fl. 404. 2 Fl. 406. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.001194/200482 Acórdão n.º 3102001.595 S3C1T2 Fl. 438 5 primeiro comercializase já pronta a aplicar e o segundo resulta da mistura de vários componentes antes da sua aplicação. De acordo com Literatura Técnica anexa ao Laudo em epígrafe, "KOEDIPLAST" é indicado para a industria automotiva. Considerandose os Resultados das Análises constantes no Laudo em epígrafe e as informações acima, concluímos que a mercadoria tratase de um Mástique. 3. Sim. 4. Sim, os mástiques são aplicados em camadas espessas. Devidamente intimada do resultado da diligência, comparece a recorrente ao processo para, essencialmente, argumentar que os peritos não responderam à indagação acerca da serventia ou não do produto para colar. Inobstante tal imprecisão, no sentir da recorrente, tal omissão poderia ser saneada, pois os peritos teriam afirmado categoricamente que os produtos se prestariam à união de superfícies, o que confirmaria a exatidão da sua classificação como adesivos.` Em face do encerramento do mandato da Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, relatora originalmente designada, o recurso foi alvo de novo sorteio, por meio do qual este conselheiro foi designado para relatar o feito. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. Analiso separadamente cada um dos elementos que devem ser enfrentados por este Colegiado. 1 Nulidade do Acórdão Recorrido pelo Indeferimento do Pedido de Perícia Não há que se falar em nulidade por indeferimento de pedido de perícia quando, de acordo com a convicção do julgador, os autos reúnem os elementos necessários à formação da sua convicção. A meu ver, o art. 18 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, que estabelece: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.” Fl. 455DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 Peço licença para transcrever a interpretação de James Marins3 acerca do conteúdo do dispositivo acima transcrito: “... cumprirá à autoridade julgadora de primeira instância apreciar os requerimentos de produção de provas, apreciar sua pertinência e determinar a realização daquelas que seja em virtude de terem sido requeridas ou por deliberação ex officio da autoridade de primeira instância sejam necessárias para que a instrução se complete. O juízo de pertinência probatória será feito principalmente com base nos critérios de imprescindibilidade e praticabilidade.” (os grifos não constam do original) Quanto a esse aspecto, é relevante destacar que o i. relator do acórdão recorrido analisou os quesitos formulados pelo sujeito passivo e expôs satisfatoriamente os elementos que, de acordo com a sua convicção, tornariam essa providência prescindível. Evidentemente, isso não limita, como de fato não limitou, a possibilidade outorgada ao julgador ad quem de, não se sentido suficientemente convencido, determinar a realização de perícia pleiteada. Afasto a preliminar de nulidade, portanto. 2 Mérito 2,1 Classificação dos Produtos Comercialmente Designados KPO PLUS e KOEDIPLAST. A primeira questão de mérito a ser solucionada é a definição da classificação fiscal dos produtos importados. Sustenta o Fisco, com base em laudo produzido pelo Labana, que, para efeito de classificação, os produtos possuem características de mástique, classificável no item 3214.10.10 da NCM (Mástique de vidraceiro, cimentos de resina e outros mástiques). Argui o sujeito passivo, baseado em pareceres técnicos que acompanham sua impugnação e seu recurso voluntário afirmam que os produtos alvo de litígio possuem características de adesivos, uma vez que a fixação das superfícies com o uso dos produtos litigiosos ocorre sem o auxílio de qualquer aparato mecânico e que, diferentemente dos produtos litigiosos, os mástiques seriam predominantemente formados de materiais betuminosos. Arremata argumentando que os produtos não poderiam ser considerados mástiques de vidraceiro. Sustenta, assim, que a classificação correta se daria no item 3506.91.10 (adesivos à base de borracha) Penso que, com relação a este ponto, não assiste razão ao sujeito passivo. Em primeiro lugar, há que se destacar que a fixação da classificação fiscal, regra geral, se dá a partir de conceitos consagrados pelo próprio Sistema Harmonizado. 3 Direito Processual Tributário. São Paulo. 2005, Dialética, 4ª Edição, p. 279. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.001194/200482 Acórdão n.º 3102001.595 S3C1T2 Fl. 439 7 Assim, é perfeitamente possível, que questões técnicas que, à luz de determinadas áreas do conhecimento como, no caso do presente recurso, a engenharia química, assumam um papel secundário. Com relação a este ponto, expõe a Regra Geral de Interpretação nº I (os grifos não constam do original): Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas regras seguintes: Adicionalmente, há que se recorrer ao texto das Notas Explicativas ao Sistema Harmonizado, aplicáveis por força do Decreto nº 435, de 1992, mais especificamente no parágrafo único4 do seu art. 1º. O ponto fulcral para a solução do litígio é, portanto, definir o que se entende por mástique e tal definição deve partir do texto do SH. Complementarmente recorrerseá a suas notas explicativas. Nessa linha, há que se registrar o que diz a nota explicativa da posição 3214, em sua parte inicial (original não destacado): Os mástiques e indutos da presente posição são preparações de composição muito variável, que se caracterizam essencialmente pela sua utilização. Estas preparações apresentamse freqüentemente sob forma mais ou menos pastosa, endurecendo, geralmente, após sua aplicação. Algumas delas apresentamse sob forma sólida ou pulverulenta, e são tornadas pastosas no momento da aplicação, quer por tratamento térmico (fusão, por exemplo), quer por adição de um líquido (água, por exemplo). Em geral, os mástiques e indutos aplicamse por meio de pistola, de espátula, de trolha, de desempenadeira ou de ferramentas semelhantes. I. MÁSTIQUE DE VIDRACEIRO (MASSA DE VIDRACEIRO), CIMENTOS DE RESINA E OUTROS MÁSTIQUES Os mástiques utilizamse especialmente para obturar fendas, para assegurar a estanqueidade e, em alguns casos, para assegurar a fixação ou a aderência de peças. Diferem das colas e de outros adesivos porque se aplicam em camadas espessas. Convém todavia notar que este grupo de produtos abrange igualmente os mástiques utilizados sobre a pele dos pacientes em volta dos estomas e das fístulas. Com relação a este ponto, é preciso destacar que o Fisco não afirmou que o produto em análise é um mástique de vidraceiro, mas um mástique e que a possibilidade de 4 Parágrafo único. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 fixar superfícies não é preponderante para rejeitar o enquadramento na posição 3214. Segundo a NESH, a diferenciação entre o mástique e o adesivo se dá em razão da espessura da camada de aplicação. Nessa linha, relembrar que o Labana, instado a se manifestar por ocasião da diligência determinada por este Colegiado foi categórico ao afirmar que os produtos litigiosos são aplicados em camadas espessas. Consignouse, outrossim, a utilização dos produtos com a finalidade de garantir a estanqueidade das juntas. Ou seja, inobstante suas propriedades adesivas, os produtos são mástiques. Descabida, finalmente, a pretensão de restringir a classificação na posição eleita aos produtos que apresentarem concentração betuminosa. Confirase o que diz a NESH com relação às composições passíveis de enquadramento na posição 3214: Este grupo compreende, entre outros: 1)Os mástiques a óleo, constituídos essencialmente por óleo sicativos, matérias de carga que reagem com o óleo ou inertes, e agentes endurecedores. Destes mástiques o mais comum é o mástique de vidraceiro (massa de vidraceiro). 2)Os mástiques à cera (cera para calafetar; cera de calafate), constituídos por ceras (de qualquer espécie), às quais, freqüentemente, se adicionam resinas, gomalaca, borracha, ésteres resínicos, etc., que lhes aumentam as propriedades adesivas. Também se consideram mástiques à base de cera, aqueles em que a cera se substitui, parcial ou totalmente, por produtos tais como álcool cetílico ou álcool esteárico. Entre estas preparações podem citarse os mástiques para enxertias e os empregados em tanoaria. 3)Os cimentos de resinas, constituídos por resinas naturais (gomalaca, damar, colofônia) ou plásticos (resinas alquídicas, poliésteres, resinas de cumaronaindeno, etc.) misturados entre si e mais, freqüentemente, adicionados de outras matérias, tais como ceras, óleos, betumes, borracha, pó de tijolo, cal, cimento ou qualquer outra carga mineral. Deve fazer notarse que alguns destes mástiques se encontram já compreendidos em outros mástiques, especialmente aqueles à base de plásticos ou de borracha. Os mástiques desta categoria têm múltiplas aplicações: utilizamse, por exemplo, como massas de enchimento, na indústria eletrotécnica e para fixação de vidro, de metais ou de artefatos de porcelana. Em geral, aplicamse depois de se terem tornado fluidos por fusão. 4)Os mástiques à base de vidro solúvel, que se preparam geralmente no momento da aplicação, misturandose dois componentes. Um destes é constituído por uma solução aquosa de silicato de sódio e de silicato duplo de potássio e sódio, o outro por matérias de carga (quartzo em pó, areia, fibra de amianto, etc.). Estes mástiques utilizamse, principalmente, na montagem de velas de ignição, para tornar estanques os blocos e Fl. 458DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.001194/200482 Acórdão n.º 3102001.595 S3C1T2 Fl. 440 9 cárters de motores, os canos de descarga (tubos de escape*), radiadores, etc., ou para vedar algumas juntas. 5)Os mástiques à base de oxicloreto de zinco, que se obtêm a partir do óxido de zinco e do cloreto de zinco, a que se adicionam agentes retardadores e, às vezes, matérias de carga. Empregamse para calafetar madeira, matérias cerâmicas e outras matérias. 6)Os mástiques à base de oxicloreto de magnésio, que se obtêm a partir do cloreto de magnésio e do óxido de magnésio, a que se adicionam matérias de carga (por exemplo, farinhas de madeira). Utilizamse, principalmente, para vedação de fendas em artefatos de madeira. 7)Os mástiques à base de enxofre, constituídos por enxofre misturado com cargas inertes. São sólidos e usamse em vedações duras, estanques e resistentes aos ácidos, bem como para fixação de peças. 8)Os mástiques à base de gesso, e que se apresentam em pó fibroso e flocoso, constituído por uma mistura de cerca de 50% de gesso e de produtos tais como fibra de amianto, celulose de madeira, fibra de vidro, areia, e que, tornados pastosos pela adição de água, são utilizados para fixar parafusos, pinos, cavilhas, ganchos, etc. 9)Os mástiques à base de plásticos (por exemplo, resinas poliésteres, poliuretanos e epóxidos) adicionados de elevada proporção (até 80%) de matérias de carga muito variadas, tais como argila, areia e outros silicatos, bióxido de titânio e pós metálicos. Alguns destes mástiques empregamse depois da adição de um endurecedor. Utilizamse para se conseguir a estanqueidade de certas juntas, tais como mástiques para carroçarias, para reparar peças metálicas ou para as fixar a outras matérias, etc. Como é possível concluir, pelo menos para efeito da Nomenclatura, produtos com as mais variadas composições são considerados mástiques. O importante, reafirmese, é a sua finalidade e a forma de aplicação. Mantenho, portanto, a classificação proposta pelo Fisco. 2.2 Multa de 30%, por Falta de Licença de Importação Com relação a esta fração da exigência, entendo que razão assiste ao sujeito passivo, pois o auto de infração litigioso não logrou êxito em demonstrar que o erro de classificação provocou qualquer prejuízo ao controle administrativo das importações. Em primeiro lugar, é preciso relembrar que, como é cediço, os dispositivos legais que tratam do controles nãotarifários sobre o comércio exterior foram, ao menos parcialmente, tacitamente derrogados pelo Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações (APLI), negociado no âmbito da Rodada do Uruguai, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, em cujo artigo 1 se lê: Fl. 459DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 Artigo 1 Disposições Gerais 1. Para os fins do presente Acordo, o licenciamento de importações será definido como os procedimentos administrativos utilizados na operação de regimes de licenciamento de importações que envolvem a apresentação de um pedido ou de outra documentação (diferente daquela necessária para fins aduaneiros) ao órgão administrativo competente, como condição prévia para a autorização de importações para o território aduaneiro do Membro importador. (destaquei) Ou seja, os controles que antes eram exercidos por meio das medidas necessárias à expedição de Guia de Importação passaram a ser realizados no bojo desse novo procedimento. Nesse contexto, sendo certo que, tanto do ponto de vista conceitual, quanto da finalidade do documento, a Licença de Importação efetivamente substituiu a Guia de Importação, a meu ver, tornase possível o seu enquadramento na locução “documento equivalente” insculpida no art. 526, II do RA/1985, vigente à época dos fatos geradores, bem assim na regulamentação proposta no Art. 633, II, “a” do RA/2002 Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei nº 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º): (...) II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados nº regime comum de importação (Decretolei nº 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º); e Ocorre que, a meu ver, no contexto da legislação que vigia à época do lançamento, o documento que substituiu a Guia de Importação, como instrumento de controle nãotarifário, foi exclusivamente a Licença de Importação emitida de maneira nãoautomática. Como se verá a seguir, a legislação inferior que atualmente disciplina esse controle: Portaria Secex nº 21, de 1996 e Comunicado Decex nº 12/97, incorporou os conceitos do APLI mas os aplicou em descompasso com a norma hierarquicamente superior que dá suporte à exigência de licenciamento prévio para as operações de importação. Na vigência do APLI, parte significativa das operações de comércio exterior deixa de ser alvo de licenciamento prévio, que somente passa a ser exigido de maneira residual Com efeito, analisando os artigos 2 e 3 do já citado acordo, responsáveis, respectivamente, pelo disciplinamento do Licenciamento Automático e NãoAutomático, vêse que, em verdade, ambas as modalidades definidas naquele ato negocial alcançam o universo de Fl. 460DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.001194/200482 Acórdão n.º 3102001.595 S3C1T2 Fl. 441 11 mercadorias que estão sujeitas a alguma modalidade de controle administrativo. Nas hipóteses em que esse controle não é exercido não há que se falar em licenciamento. Vejase a redação da alínea “b”, do item 2 do art. 2 do Acordo: (b) os Membros reconhecem que o licenciamento automático de importações poderá ser necessário sempre que outros procedimentos adequados não estiverem disponíveis. O licenciamento automático de importações poderá ser mantido na medida em que as circunstâncias que o originaram continuarem a existir e seus propósitos administrativos básicos não possam ser alcançados de outra maneira. Por outro lado, esclarece o art. 3: Artigo 3 Licenciamento Não Automático de Importações 1. Além do disposto nos parágrafos 1 a 11 do Artigo 1, as seguintes disposições aplicarseão a procedimentos não automáticos para o licenciamento de importações. Os procedimentos nãoautomáticos para licenciamento de importações serão definidos como o licenciamento de importações que não se enquadre na definição prevista no parágrafo 1 do Artigo 2. Segundo a definição do parágrafo 1 do art. 2: 1. O licenciamento automático de importações será definido como o licenciamento de importações cujo pedido de licença é aprovado em todos os casos e de acordo com o disposto no parágrafo 2(a). Ou seja, segundo o Acordo, o que diferencia a LI automática da não automática, não é a ausência de controle prévio ou a sua concessão por meio de ferramentas computacionais, como o nome empregado poderia sugerir, mas a natureza desse controle. O licenciamento automático é sempre concedido, desde que cumpridos os ritos definidos pela legislação do Estadoparte. O nãoautomático, normalmente utilizado para controle de cotas, pode ser concedido ou não. Comparando esses dispositivos com o contexto do licenciamento realizado no âmbito do Siscomex, disciplinado pela Portaria Secex nº 21, de 1996, cujos procedimentos foram alvo do Comunicado Decex nº 12, de 1997, chegase à conclusão de que o regime que se convencionou denominar licenciamento automático, na verdade, representa a dispensa desse controle administrativo, o qual, relembrese, segundo o art. 1 do APLI, alcança exclusivamente controles que envolvem “a apresentação de um pedido ou de outra documentação diferente daquela necessária para fins aduaneiros”. Nesse aspecto, é importante trazer à colação o que dispõe o art. 4º da Portaria Interministerial nº 109, de 12 de dezembro de 1996, que trata do processamento das operações de importação no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 12 Art. 4º Para efeito de licenciamento da importação, na forma estabelecida pela SECEX, o importador deverá prestar as informações específicas constantes do Anexo II. § 1º No caso de licenciamento automático, as informações serão prestadas por ocasião da formulação da declaração para fins do despacho aduaneiro da mercadoria. § 2º Tratandose de licenciamento não automático, as informações a que se refere este artigo devem ser prestadas antes do embarque da mercadoria no exterior ou do despacho aduaneiro, conforme estabelecido pela SECEX. § 3º As informações referidas neste artigo, independentemente do momento em que sejam prestadas, e uma vez aceitas pelo Sistema, serão aproveitadas para fins de processamento do despacho aduaneiro da mercadoria, de forma automática ou mediante a indicação, pelo importador, do respectivo número da licença de importação, no momento de formular a declaração de importação. Extraise do referido ato interministerial pelo menos três elementos que, a meu ver, corroboram com o entendimento ora defendido: a) no “controle” que os órgãos governamentais nacionais denominaram licenciamento automático, conforme consignado no § 1º, não se exige qualquer informação ou procedimento diverso da declaração de instrução do despacho de importação; b) quando necessárias, as providências inerentes ao controle administrativo, por definição, são sempre adotadas em data anterior ao embarque da mercadoria. Cabe aqui lembrar a multa especificada no art. 526, VI5 do regulamento aduaneiro vigente à época do fato. Se a LI automática tivesse realmente substituído a Guia de Importação todas as mercadorias sujeitas àquela modalidade de licenciamento estariam sujeitas à penalidade, já que a “LI” é “solicitada” juntamente com registro da Declaração de Importação que, regra geral, só ocorre após a chegada da carga; c) na hipótese do chamado licenciamento automático, não é gerado qualquer documento, físico ou informatizado, que o identifique, até porque, como se viu, nenhum órgão anuente intervém nesse processo. Dessa forma, forçoso é concluir que, na égide da Portaria Secex nº 21, de 1996, aquilo que os atos administrativos que disciplinam o funcionamento do Siscomex denominaram licenciamento automático, em verdade, alcança as hipóteses em que a mercadoria não está sujeita a licenciamento. Nesse diapasão, não vejo como imputar a multa em questão à importação de mercadorias sujeitas exclusivamente a controle tarifário. Se a mercadoria não estava sujeita a controle administrativo, salvo melhor juízo, seria um contrassenso aplicar uma penalidade própria do descumprimento deste último controle. 5Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas: (...) VI embarque da mercadoria antes de emitida a guia de importação ou documento equivalente: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; Fl. 462DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.001194/200482 Acórdão n.º 3102001.595 S3C1T2 Fl. 442 13 Nesse novo contexto, o elemento que identifica se a mercadoria está ou não sujeita a licenciamento nãoautomático e, em caso afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal. Desta feita, se ficar demonstrado erro na indicação da classificação tarifária e o item tarifário apontado como correto estiver sujeito a controle administrativo não previsto para a classificação original (v.g. o código tarifário original estava sujeito a LI automática e o corrigido, a nãoautomática), forçosamente, mercadoria não passou pelos controles próprios da etapa de licenciamento. Conseqüentemente, teria sido importada desamparada de documento equivalente à Guia de Importação. Por outro lado, se, tanto a classificação empregada pelo importador, quanto definida pela autoridade autuante não estiver sujeita a licenciamento ou, se sujeita, possuir o mesmo tratamento administrativo da classificação original, não há que se falar em falta de licenciamento por erro de classificação. 2.3 Multa de Ofício de 75% Não vejo como afastar a imposição de multa de 75% sobre o valor dos impostos que deixaram de ser recolhidos em função de erro na indicação da classificação. Em primeiro lugar, a multa em questão não reclama a presença de dolo ou máfe para sua imposição. Confirase o texto legal, na versão que vigia quando dos fatos geradores litigiosos: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Dita infração, portanto, se insere no plano da responsabilidade objetiva, delineada pelo art. 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ademais, há que se ter em mente que o erro de classificação incide no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 em razão de que representa uma modalidade de “declaração inexata”, hipótese não contemplada no Ato Declaratório Interpretativo SRF no 13, de 10/09/20026, que é taxativo quando enumera as hipóteses de infração excluídas em razão da completude da 6 Art. 1º Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 14 descrição da mercadoria: reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex. Assim, como o erro de classificação não se enquadra dentre as hipóteses de aplicação do referido ato declaratório (primeira condição para exclusão da penalidade), evidentemente não se cogita da investigação da presença de dolo ou máfé (segunda condição). 2.4 Taxa Selic Apesar da dissertação da recorrente acerca da inaplicabilidade da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC aos débitos tributários, não vejo como afastar a sua incidência sobre exigência discutida nos autos do presente Recurso Voluntário. Com efeito, a matéria foi alvo do art. 161 do Código Tributário Nacional, que prevê: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (destaquei) Como se verifica, o limite de 1% ao mês somente é considerado se outra lei, ordinária, já que não se trata de matéria reservada a lei complementar, estipular outro percentual ou prazo para cálculo. O fato é que, como é cediço, fazendo uso dessa faculdade, o art. 61, caput e § 3º da Lei nº 9.430, de 1996 assim dispôs: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Importante frisar, ademais, que a presente discussão já encontrase pacificada nesta corte administrativa, sendo inclusive alvo da Súmula CARF nº 4, que diz: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.001194/200482 Acórdão n.º 3102001.595 S3C1T2 Fl. 443 15 3 Conclusão Com essa considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário para afastar exclusivamente a multa por falta de licença de importação. Sala das Sessões, em 21 de agosto de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 465DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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