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Numero do processo: 10920.000352/87-99
Data da sessão: Mon Jul 20 00:00:00 UTC 1992
Ementa: IRPJ - EXERCÍCIOS DE 1983 a 1985 - Omissa°
de Receita - Não deVidamente com
provada ora a efetividade do ingresso
de recursos.na empresa, ora a capacidade do sócio supridor, procede a acusação.
GLOSA DE DESPESAS A PARTIR DE DOCUMENTAÇÃO
INIDÔNEA - Não devidamente com provada a materialização de operação de compra e venda com empresa dada como inidônea, procede a respectiva
fiscal.
GLOSA DE DESPESAS COM 'FINANCIAMENTO DE
RESPONSABILIDADE DE TERCEIRO - Devidamente
comprovado o repasse de empréáti
mos feitos por terceiros ã sociedadeiú
tuada, nos limites destes não é de si
admitir a respectiva glosa de despesa.
DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS AS ATIVIDADES
DA EMPRESA - Provado que o sócio tomou
empréstimos particulares e os repassou
ã empresa, nos limites do repasse é de
se admitir a dedutibilidade fiscal dos
encargos incidentes nas referidas Operações.
OMISSÃO DE RECEITAS - Não ;Caracteriza
omissao de receita o ingresso de numerário
nos cofres sociais a partir :do
repasse de empréstimos lastreados em o
perações simuladas de financiamento da
compra e . venda de bens e serviços.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 103-12.467
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em RETIFICAR o Acórdão
n9 103-12.143, que passa a ter a seguinte redação: por unanimidade d de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito em DAR provimento parcial ao recurso, para excluir da tributação as importâncias de Cr$ 31.336.084,15; Cr$ 83.065.780,85 e Cr$ 37.241.939,91,nos exercícios de 1983, 1984 e 1985, respectivamente, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Victor Luiz De Salles Freire
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ementa_s : IRPJ - EXERCÍCIOS DE 1983 a 1985 - Omissa° de Receita - Não deVidamente com provada ora a efetividade do ingresso de recursos.na empresa, ora a capacidade do sócio supridor, procede a acusação. GLOSA DE DESPESAS A PARTIR DE DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA - Não devidamente com provada a materialização de operação de compra e venda com empresa dada como inidônea, procede a respectiva fiscal. GLOSA DE DESPESAS COM 'FINANCIAMENTO DE RESPONSABILIDADE DE TERCEIRO - Devidamente comprovado o repasse de empréáti mos feitos por terceiros ã sociedadeiú tuada, nos limites destes não é de si admitir a respectiva glosa de despesa. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS AS ATIVIDADES DA EMPRESA - Provado que o sócio tomou empréstimos particulares e os repassou ã empresa, nos limites do repasse é de se admitir a dedutibilidade fiscal dos encargos incidentes nas referidas Operações. OMISSÃO DE RECEITAS - Não ;Caracteriza omissao de receita o ingresso de numerário nos cofres sociais a partir :do repasse de empréstimos lastreados em o perações simuladas de financiamento da compra e . venda de bens e serviços. Recurso parcialmente provido.
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EMPREENDIMENTOS E CONSTRUÇÕES LTDA. ~rido: : DRF EM JOINVILLE - SC IRPJ - EXERCÍCIOS DE 1983 a 1985 - O- missa° de Receita - Não deVidamenteccm provada ora a efetividade do ingresso de recursos.na empresa, ora a capacida de do sócio supridor, procede a acusa- ção. GLOSA DE DESPESAS A PARTIR DE DOCUMEN- TAÇÃO INIDONEA - Nao devidamente com-- provada a materialização de operação de compra e venda com empresa dada como i nidõnea, procede a respectiva fiscal. GLOSA DE DESPESAS COM 'FINANCIAMENTO DE RESPONSABILIDADE DE TERCEIRO - Devida- mente comprovado o repasse de empréáti mos feitos por terceiros ã sociedadeiú tuada, nos limites destes não é de si admitir a respectiva glosa de despesa. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS AS ATIVIDADES DA EMPRESA - Provado que o socio tomou empréstimos particulares e os repassou ã empresa, nos limites do repasse é de se admitir a dedutibilidade fiscal dos encargos incidentes nas referidas Ope- rações. OMISSÃO DE RECEITAS - Não ;Caracteriza omissao de receita o ingresso de nume- rário nos cofres sociais a partir :do repasse de empréstimos lastreados em o perações simuladas de financiamento da compra e . venda de bens e serviços. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes au s v.v. ik4 DAINEFP/DF- 3ECO. M I 014/11 0 as. a • paineemraiinterposto por H.V. EMPREENDIMENTOS E CONSTRUÇÕES LTDA., ACORDAM os Membros da Terceira câmara do Primeiro Conse lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em RETIFICAR o Aéérdão n9 103-12.143, que passa a ter a seguinte redação: por unanimidade d de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito em DAR provimento parcial ao recurso, para excluir da tributação as impor- tãncias de Cr$ 31.336.084,15; Cr$ 83.065.780,85 e Cr$ 37.241.939,91,nos exercícios de 1983, 1984 e 1985, respectivamente, nos termos do relató- rio e voto que passam a integrar o presente julgado. 'ia das Sessões, em 20 de julho de 1992 ReDR — PRESIDENTE E .S P4 • VICTOti tS DE‘.ALL 'EIRE — RELATOR tia LÁ./ VISTO EM 4591:0 HOLANDA : ', t4 — PROCURADOR DA FAZENDA SESSÃO DE: 1 5 A BR 293 NACIONAL Participaram,ainda, do presente j gamento, os seguintes Conselheiros: Luiz Henrique Barros de Arruda, Maria de Fátima Pessoa de Mello Cartax4 Sonia Nacinovic, Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior, Ilcenil Franco e DIcler de Assunção. ,41111, 41ftvg 4=it,f4Pcf:fr SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N, 10920/000.352/87-99 'memore: : 97.720 ACORDA00: : 103-12.467 RECORRENTE: : H.V. EMPREENDIMENTOS E CONSTRUÇÕES LTDA. RELATÓRIO Na sessão realizada em 27 de abril prevalen te o voto deste signatário, entendeu-se de dar provimento parcial ao recurso formulado pelo contribuinte, ficando pois eliminadas terminadas matérias tributáveis do Auto de Infração. Pelo fato de o referido voto não espelhar, a fi-- nal, os diversos créditos tributáriosexcluidos, laborou este rela tor em equivoco na sua respectiva transmissãO oral para consterna Súmula de Julgamento. Verificado equívoco, julguei dê bom, efeito. re- incluí-lo em pauta para a correção que se faz necessária, com res paldo na Norma Regimental. Ê o relatório complementar. otelEFP/DF • secog Nt aflito as. - 4 SERVICO PUSLICO FEDERAL PROCESSO N9 10920/000.352/87-99 3. ACÓRDÃO N9 103-12.467 VOTO Conselheiro VICTOR LUÍS DE SALLES FREIRE, Relator A partir do tecto de meu voto, resulta claro que as matérias tributáveis excluidas-...são, nos exercícios abaixo, dos seguintes montantes: (a) Exercício de 1983 - Cr$ 31.336.084,15 (h) Exercício de 1984 - Cr$ 83.065.780,85 (c) Exercício de 1985 - Cr$ 37.241.939,91 Com i t se exaure a prestação jurisdicional a ní vel desta amar . ras ' .(DF), em 20 de julho de 1992 JA tVICTOR LiUL ' DNALLES-FREIRE - RELATOR be_ ~na Nacional .. Page 1 _0053800.PDF Page 1 _0053900.PDF Page 1 _0054100.PDF Page 1
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Numero do processo: 13837.000794/2003-71
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2008
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES
Ano-calendário: 2002
Atividade Vedada. Não caracterização.
A filmagem e edição de imagens, para comerciais veiculados na televisão não se confunde nem se assemelha à coordenação e intermediação da captação de recursos humanos, materiais, técnicos e financeiros empregados na produção de espetáculos audiovisuais, atividades típicas do produtor de espetáculos.
Direito Intertemporal. Mudança do Regime de Vedações.
Alcance.
Na vigência da Resolução CGSN n° 04, de 2007, pessoas jurídicas aptas a aderir ao regime instituído pela Lei Complementar n° 123, de 2006 não devem ser afastadas do regime da Lei n° 9.317, de 1996.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 303-35.156
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Ano-calendário: 2002 Atividade Vedada. Não caracterização. A filmagem e edição de imagens, para comerciais veiculados na televisão não se confunde nem se assemelha à coordenação e intermediação da captação de recursos humanos, materiais, técnicos e financeiros empregados na produção de espetáculos audiovisuais, atividades típicas do produtor de espetáculos. Direito Intertemporal. Mudança do Regime de Vedações. Alcance. Na vigência da Resolução CGSN n° 04, de 2007, pessoas jurídicas aptas a aderir ao regime instituído pela Lei Complementar n° 123, de 2006 não devem ser afastadas do regime da Lei n° 9.317, de 1996. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
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Não caracterização. A filmagem e edição de imagens, para comerciais veiculados na televisão não se confunde nem se assemelha à coordenação e intermediação da captação de recursos humanos, materiais, técnicos e financeiros empregados na produção de espetáculos audiovisuais, atividades típicas do produtor de espetáculos. Direito Intertemporal. Mudança do Regime de Vedações. Alcance. Na vigência da Resolução CGSN n° 04, de 2007, pessoas 11 jurídicas aptas a aderir ao regime instituído pela Lei Complementar n° 123, de 2006 não devem ser afastadas do regime da Lei n° 9.317, de 1996. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. AOP 44 ANELIS : JAUDT PRIETO Presidente Processo n° 13837.000794/2003-71 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.158 Fls. 142 LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Relator firõr Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Heroldes Bahr Neto, Celso Lopes Pereira Neto e Vanessa Albuquerque Valente. Ausente o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli. Ausente justificadamente o Conselheiro Tarásio Campelo Borges. • 2 . . ' Processo n° 13837.000794/2003-71 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.156 Fls. 143 Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que ernbasou a decisão recorrida, que passo a transcrever: Trata-se de manifestação de inconformidade a respeito da exclusão do SIMPLES, efetuada em decorrência do código CNAE 9211-8/99, (outras atividades relacionadas a produção de filmes e fitas de vídeo. O contribuinte foi cientificado por Edital com data de afixação 09/12/2003, à fl. 12, e apresenta manifestação de inconformidade, em 31/12/2003, dizendo em síntese e fundamentalmente, que código CNAE G é muito abrangente e não espelha a verdadeira atividade da empresa. Salienta que o objetivo principal da empresa é a prestação do serviço de filmagem em vídeo de eventos sociais e empresarias com finalidade comercial, acrescentando que tais serviços independem de habilitação profissional, pois se trata de operar a câmara de vídeo que qualquer amador tem acesso. Ao final, reafirma que sua atividade não é proibida e que não tem nenhuma vincula ção com a produção de filme cinematográfico. Anexa três notas fiscais de prestação de serviços às fls. 09/11. Ponderando os fundamentos expostos na manifestação de inconformidade, decidiu o órgão julgador de 1' instância por, nos termos do voto do relator, indeferir o pedido de inclusão, conforme se observa na leitura da ementa abaixo transcrita: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples • Ano-calendário: 2002 FILMES. VÍDEO. OPÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A pessoa jurídica que exerça a atividade de produção para emissoras de televisão e vídeo não pode optar pelo SIMPLES. Solicitação Indeferida Resumidamente, os fundamentos para a prolação do acórdão hostilizado são: a) o contrato social da recorrente (doc. de fls. 07 e 08) consignaria, como objeto societário, as atividades de Produções para Emissoras de Televisão e Produções de Vídeo, Produções de Multimídia CD Rom, atividades assemelhadas à de diretor ou produtor de espetáculos, expressamente elencadas dentre as vedações do art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 1996; b) apesar da negativa do contribuinte, a documentação apresentada não seria suficiente para demonstrar que ele não se dedicaria aos serviços profissionais expressamente vedados. .)" 3 Processo n° 13837.000794/2003-71 CCO3/CO3 Acórdão n.° 30345.156 Fls. 144 Inconformada, comparece a pessoa jurídica excluída aos autos para, em sede de recurso voluntário, pleitear a reforma da decisão de l a instância, alegando. sinteticamente: a) nulidade da intimação do Simples, que descumprira o rito fixado no Decreto n° 70.235, de 1972; b) equívoco na aplicação da legislação que rege a atividade de produtor e o impedimento consignado na Lei n° 9.317, de 1996. Trouxe à colação a Solução de Divergência Cosit n° 10, de 15 de julho de 2003 e juntou aos autos notas fiscais de fls. 43 a 137 (n° 001 a 100); c) impossibilidade de atribuição de efeitos retroativos ao ato de exclusão. É o Relatóri • • 4 . , • Processo n° 13837.000794/2003-71 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.156 Fls. 145 1 Voto Conselheiro LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Relator O recurso é tempestivo: conforme se observa no AR de fl. 19, a recorrente tomou ciência da decisão de i a instância em 27 de dezembro de 2006 e, no protocolo de fl. 20- verso, apresentou suas razões de recurso em 17 de janeiro de 2007. Preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dele se deve tomar conhecimento. Em nome da clareza, penso que cada um dos fundamentos do recurso dever ser enfrentado separadamente. • 1- Nulidade da Intimação da Exclusão Pretende a recorrente, em sede de recurso voluntário, ver anulada a exclusão objeto do presente processo em razão dos alegados vícios processuais consignados na peça 1recursal, fundamento que não fez parte da peça impugnatória. I Assim sendo, há que se delimitar o litígio, que, como é cediço, em homenagem à regra insculpida no art. 17 1 do Decreto n° 70.235/72,só se forma se matéria vier a ser argüida perante a autoridade de 1' Instância. Superada essa fase, opera-se a preclusão sobre a matéria não impugnada, sendo , defeso a este Colegiado enfrentá-la. Note-se que a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais é firme nesse sentido: • MATÉRIA PRECL USA - O julgamento administrativo inicia-se com o exame do lançamento sobre o qual pode falar o julgador independentemente de argumentação por parte do sujeito passivo. Admitida a legalidade do ato, questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, constituem matérias preclusas das quais não pode o Conselho tomar conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. O não enfrentamento da matéria na inicial implica em concordância tácita do I contribuinte com a tributacão do valor omitido, sendo "extra petita" a I decisão que afasta a exigência. Recurso de oficio provido. (Câmara Superior de Recursos Fiscais - Primeira Turma/ACÓRDÃO n.° CSRF/01-03.351 de 17/04/2001, publicado no D.O.0 de 28/09/2001) Destaque nosso. I Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada p‘.:991 impugnante. 5 Processo n° 13837.000794/2003-71 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.158 Fls. 146 Com efeito, se não se afigura ilegalidade capaz de fulminar o ato e, nessa condição, ser conhecida de oficio pelo julgador, não há porque adentrar no julgamento de matéria preclusa. Em assim sendo, voto no sentido de não tomar conhecimento da alegação de vício da intimação por meio de edital. 2- Vedação Antes de definir se a recorrente presta ou não atividade assemelhada à de produtor de espetáculo, entendo essencial delimitar rol das atribuições que caracterizam essa atividade. Em primeiro lugar, veja-se a descrição constante do Código Brasileiro de Ocupações: 2621 :: Produtores de espetáculos2 Planejam, coordenam e geram recursos humanos, materiais, técnicos e financeiros para assegurar a realização de espetáculos cênicos (teatro, dança, ópera e outros) e audiovisuais (cinema, vídeo, televisão e rádio). De forma semelhante, consignou Senhora Coordenadora-Geral de Tributação da Receita Federal do Brasil, na Solução de Divergência Cosit n° 10, de 15 de julho de 2002: "Inicialmente, cumpre observar que a produção de espetáculos abrange todas as providências relacionadas à contratação de artistas tais quais: cantores, músicos, dançarinos, ou assemelhados, caracterizando papel de intennediaçã o entre o interessado em realizar o evento e as pessoas que constituam sua atração, a ponto de lhe conferir o caráter de espetáculo." •Delimitado esse universo de atribuições, entendo relevante comparar essas atividades com as consignadas no contrato social da recorrente, elemento documental que deu espeque à decisão recorrida, juntamente com as notas fiscais colacionadas aos autos. Prevê o contrato social que a recorrente, dentre outras atividades, se dedicará à realização de "Produções para Emissoras de Televisão e Produções de Vídeo" Penso que a vagueza das expressões transcritas acima, principalmente no que se refere à atividade de "produção para emissoras de televisão", com o máximo respeito, não são capazes de formar a convicção de que a recorrente se dedica à produção de espetáculos. Poder-se-ia, apenas para argumentar que tal atividade seria considerada assemelhada, para efeito de impedimento. Quanto a esse argumento, faço duas ressalvas: 2 http://www.mtecbo.gov.bribusca/descricao.asp?codigo=2621 6 . , Processo n° 13837.000794/2003-71 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.156 Fls. 147 a) compulsando as notas fiscais, vê-se que, o a atividade que se denominou "produções para emissoras de televisão", em verdade representam a gravação de filmes que serão veiculados por aquele meio de comunicação. Senão vejamos: - Nota fiscal n° 003, no valor de R$ 465,00 Descrição: produção comercial de 15 segundos para Rede Globo e TV Bragança... - Nota fiscal 006, no valor de R$ 500,00 Descrição: produção de material comercial de 50 segundos para veiculação na TV... - Nota fiscal 008, no valor de R$ 1.200,00 40 Descrição: produção de material comercial de segundos para veiculação em TV Auto - Renault... - Nota fiscal 009, no valor de R$ 600,00 Descrição: produção de material comercial de 30"para veiculação na Rede Globo e TV Bragança... b) filmes gravados são exclusivamente um meio de veiculação de propagandas. Não se confunde com um programa, show ou outra atividade que possa ser equiparada a um espetáculo transmitido por meio da televisão, produzido por profissional encarregado de coordenar e intermediar a captação de recursos humanos, materiais, técnicos e financeiros. Também não vejo, como pretendeu a recorrente, que a ausência de capacitação por parte dos sócios represente um empecilho à caracterização do impedimento. •A meu ver, pouco importa se os sócios possuem qualificação acadêmica para o exercício da atividade vedada. A lei que institui a vedação não faz ilações a esse respeito, ao contrário, exige apenas a efetiva prestação de um dos serviços elencados. Também não vejo que o rol de atividades consignado no contrato social seja a prova cabal do impedimento. A meu ver, a lei n° 9.317, de 1996, ao elencar as condições impeditivas, não impõe restrições à intenção de realizar determinada atividade, ainda que consignada no ato que deu vida à sociedade. Tais restrições são definidas de acordo com a atividade efetivamente executada. Senão vejamos: Art. 90 Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (.) XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, 7 Processo n° 13837.000794/2003-71 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.156 Fls. 148 contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (destaquei) Nesse aspecto, vejo como extremamente importantes as ponderações consignadas na mesma Solução de Divergência Cosit n° 10, de 15 de julho de 2002, onde se registrou, literalmente: É importante verificar, para o correto posicionamento quanto à possibilidade de adesão ao Simples, quais atividades, de fato, são empreendidas pela pessoa jurídica; ainda que não conste do estatuto determinado objeto social, a prática de determinada atividade que vede a opção impossibilitará o gozo do beneficio de adesão na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte. • Ainda que o contrato social consignasse a prestação de serviço profissional considerada impeditiva, esse indício poderia, como de fato foi, elidido pela apresentação de elementos que demonstrassem a verdadeira atividade desenvolvida. 3- Mudança no Regime de Vedações Outro ponto fundamental é a alteração do regime de vedações promovido pela Lei Complementar 123, de 2006 que, por força do art. 18 da Resolução CGSN n° 04, de 30 de maio de 2007, passou a ser considerado quando da aplicação da Lei n° 9.317, de 1996 a processos pendentes de julgamento. Diz o art. 18: Art. 18. Serão consideradas inscritas no Simples Nacional as ME e EPP regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei n2 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma das vedações previstas nesta Resolução. § 12 Para fins da opção tácita de que trata o caput, consideram-se • regularmente optantes as ME e as EPP inscritas no CNPJ como optantes pelo regime tributário de que trata a Lei n 2 9.317, de 1996, que até 30 de junho de 2007 não tenham sido excluídas dessa sistemática de tributação ou, se excluídas, que até essa data não tenham obtido decisão definitiva na esfera administrativa ou judicial com relação a recurso interposto. (os destaques não constam do original) A meu ver, portanto, a norma acima transcrita, definiu como regularmente optantes a pessoa jurídica que, outrora excluída do regime da Lei n° 9.317, de 1996, passou a ser tratada como não impedida pelo regime da Lei Complementar n° 123, de 2006, desde que a exclusão não se encontrasse definitivamente julgada na esfera administrativa ou judicial. Impende esclarecer, finalmente, que a atividade de produtor foi expressamente incluída dentre aquelas em que é possível aderir à nova sistemática. Veja-se o que diz o art. 12 da mesma resolução CGSN n° 04: 8 Processo n° 13837.000794/2003-71 CCO3/CO3 Acórdão ri.° 303-35.158 Fls. 149 Art. 12. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a ME ou a EPP: sç 32 As vedações relativas ao exercício de atividades previstas no caput não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades seguintes ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput: (.) XVII —produção cultural e artística; Ou seja, não ficou demonstrado que a recorrente atue como produtor artístico ou de espetáculos, mas se ficasse, isso não impediria a sua manutenção no regime do Simples. • 4- Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, determinando a inclusão da recorrente na sistemática do simples a partir do exercício em que manifestou sua intenção de aderir a essa sistemática, desde que, por óbvio, não existam impedimentos diversos dos discutidos no presente processo. Restou prejudicada, portanto, a discussão acerca dos efeitos do ato de exclusão. Sala das Sessões, em 26 de março de 2008 O GUERRA DE CASTRO - Relator • 9
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Numero do processo: 11128.004135/2002-02
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Classificação de Mercadorias
Data do Fato Gerador: 06/12/2001
II. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPOSIÇÃO DE MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES.
Descabe a aplicação da multa por falta de licenciamento de importação na hipótese em que a revisão da classificação fiscal não interfere no controle administrativo que recai sobre a mercadoria importada.
MULTA DE 1% DO VALOR ADUANEIRO.
A infração capitulada no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158- 35, de agosto de 2001, insere-se no plano da responsabilidade objetiva, não reclamando, portanto, para sua caracterização, a presença de intuito doloso ou má-fé por parte do sujeito passivo. Demonstrado o erro de classificação, impõe-se a
aplicação da multa.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Por expressa disposição legal, confere-se à exigência decorrente da aplicação de penalidade o mesmo tratamento outorgado ao crédito decorrente do fato gerador do imposto. Nessa condição, a partir da data da fixação dessa exigência, se dará a fluência de juros sobre o valor relativo ao lançamento de multa isolada. Aplicação do art. 113, § 1º do Código Tributário Nacional (Lei
n° 5.172, de 1966), combinado com o art. 43 da Lei n° 9.430 de 1996.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE AFASTADA.
Não cabe às autoridades administrativas analisar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de legislação infraconstitucional, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, conforme disposto no art. 102, inciso I, alínea
"a", da Constituição Federal. Também incabível às mesmas autoridades afastar a aplicação de atos legais regularmente editados, pois é seu dever observá-los e aplicá-los, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único, do art. 142, do Código Tributário Nacional.
TAXA SELIC.
A constitucionalidade da utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic como índice de correção dos débitos e créditos de natureza tributária é legal, conforme pacífica jurisprudência desta
corte. Aplicação da Súmula 3º CC n° 4.
Numero da decisão: 303-35.748
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir as exigências relativas às multas administrativa e de ofício. O Conselheiro Tarásio Campelo Borges votou pela conclusão quanto à multa administrativa.
Nome do relator: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Redator designado
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RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPOSIÇÃO DE MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Descabe a aplicação da multa por falta de licenciamento de importação na hipótese em que a revisão da classificação fiscal não interfere no controle administrativo que recai sobre a mercadoria importada. MULTA DE 1% DO VALOR ADUANEIRO. A infração capitulada no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158- 35, de agosto de 2001, insere-se no plano da responsabilidade objetiva, não reclamando, portanto, para sua caracterização, a presença de intuito doloso ou má-fé por parte do sujeito passivo. Demonstrado o erro de classificação, impõe-se a aplicação da multa. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Por expressa disposição legal, confere-se à exigência decorrente da aplicação de penalidade o mesmo tratamento outorgado ao crédito decorrente do fato gerador do imposto. Nessa condição, a partir da data da fixação dessa exigência, se dará a fluência de juros sobre o valor relativo ao lançamento de multa isolada. Aplicação do art. 113, § 1º do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 1966), combinado com o art. 43 da Lei n° 9.430 de 1996. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE AFASTADA. Não cabe às autoridades administrativas analisar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de legislação infraconstitucional, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, conforme disposto no art. 102, inciso I, alínea "a", da Constituição Federal. Também incabível às mesmas autoridades afastar a aplicação de atos legais regularmente editados, pois é seu dever Fl. 111DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 11128.004135/2002-02 Acórdão n.º 303-35748 S3-C3T0 Fl. 112 2 observá-los e aplicá-los, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único, do art. 142, do Código Tributário Nacional. TAXA SELIC. A constitucionalidade da utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic como índice de correção dos débitos e créditos de natureza tributária é legal, conforme pacífica jurisprudência desta corte. Aplicação da Súmula 3º CC n° 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir as exigências relativas às multas administrativa e de ofício. O Conselheiro Tarásio Campelo Borges votou pela conclusão quanto à multa administrativa. ANELISE DAUDT PRIETO - Presidente HEROLDES BAHR NETO – Relator CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO – Redator designado para formalizar o acórdão (Despacho nº 3200-037 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção do CARF) Participaram do presente julgamento os Conselheiros Anelise Daudt Prieto (Presidente), Heroldes Bahr Neto, Tarásio Campelo Borges, Luis Marcelo Guerra de Castro, Celso Lopes Pereira Neto, Priscila Taveira Crisóstomo (Suplente), Nilton Luiz Bartoli e Vanessa Albuquerque Valente. Ausente a Conselheira Nanei Gama. Relatório Em cumprimento ao Despacho nº 3200-037 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção do CARF, eu, Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, transcrevo voto depositado e não formalizado, realizado pela 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes em 11 de novembro de 2008 dado que a Relator, Conselheiro Heroldes Bahr, não mais compõe o Colegiado. Adoto e transcrevo, inicialmente, o relato da DRJ São Paulo/SP, por bem esclarecer os fatos acorridos até aquela fase processual: A empresa BASF S/A submeteu a despacho, por intermédio da DI n° 01/1189755-0, de 06/12/2001 (fls. 16/18), o produto descrito como nome comercial: NATUPHOS 5000G concentração 5000 FTU/G: Qualidade industrial feed grade est. Físico: sólido em pó; finalidade: uso exclusivo para fabricação de ração animal (aves e suínos) REG MAARA SP - 03301 00132, classificado na posição NCM 2923.10.00- Colina e seus sais, com alíquota de 0% para o LI. e 0% para o IPI. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 11128.004135/2002-02 Acórdão n.º 303-35748 S3-C3T0 Fl. 113 3 Realizada análise em amostra do produto, o Laboratório Nacional de Análises - LABANA emitiu laudo n°. 0317.01, de 18/12/2001, onde consta que: Conclusão: trata-se de uma preparação enzimática constituída de fitase, amido e substâncias inorgânicas à base de sulfato, na forma de pó. Não se trata de colina e seus sais. De acordo com referências bibliográficas e literatura técnica específica, a mercadoria é uma preparação constituída de fita-se (enzima), suporte como amido e substâncias inorgânicas à base de sulfato, na forma de pó, utilizada na formulação de ração animal. A sua adição na ração melhora a digestibilidade do Fiato que se encontra presente nos ingredientes de origem vegetal da ração liberando e aumentando o aproveitamento de fósforo orgânico. Com base no laudo acima, a Fiscalização desclassificou o enquadramento tarifário adotado pelo importador, reclassificando o produto no código NCM 23.09.90.90- outras preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais, com alíquota de 9,5%para o LI. e 0% para o LPL Em conseqüência, lavrou-se o Auto de Infração de fls. 01 a 14. pelo qual a contribuinte foi intimada a recolher ou impugnar o crédito tributário relativo ao Imposto de Importação que deixou de ser pago, juros e multas. Discordando da exigência fiscal, a autuada impugnou (fls. 37/44) o Auto de Infração, apresentando, sucintamente, em sua defesa, as razões abaixo: 1. Não impugnação da classificação fiscal adotada pela fiscalização, efetuando o recolhimento da diferença do tributo, mais multa proporcional; 2. Insurge-se contra a aplicação das penalidades capituladas no art. 44, I, da Lei 9.430/96, e no art. 526, II do RA, avocando os ADN 10/97 e ADN 12/97, vez que não houve dolo ou má-fé por parte da impugnante; 3. Alega não ser aplicável a penalidade do art. 84 da MP 2158/2001, por inexistir infração instituída por medida provisória; 4. Também alega ilegalidade da cobrança de juros de mora, afirmando ser inconstitucional a aplicação da Taxa Selic; 5. Ao final, requer que seja julgado insubsistente o auto de infração, com conseqüente cancelamento da exigência fiscal. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em.São Paulo/SP, que julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento fiscal. Cite-se os Fl. 113DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 11128.004135/2002-02 Acórdão n.º 303-35748 S3-C3T0 Fl. 114 4 fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido, consubstanciados na ementa abaixo transcrita: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 06/12/2001 NOME COMERCIAL: NATUPHOS 5000 G, preparação constituída de Fitase, Amido e Substâncias Inorgânicas a base de sulfato, na forma de pó, de acordo com Laudo Técnico, classifica-se na posição 2309.90.90. Cabível cobrança doa diferença de Imposto de Importação mais juros de mora. MULTA DE MORA do art. 44, I da Lei 9430/96 cabível, em razão do não recolhimento do tributo na data do registro da Declaração de Importação. MULTA DO ARTIGO 526, II DO RA, Decreto 91030/85, por falta de Guia de Importação do documento equivalente, por declaração inexata. MULTA DO ARTIGO 84, I DA MP 2158-35/01 Aplica-se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. Lançamento Procedente. Inconformada com a decisão nos Autos de Infração, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Foram os autos encaminhados a esse Terceiro Conselho de Contribuintes para análise e parecer. E o relatório. Voto Conselheiro HEROLDES BAHR NETO, Relator Satisfeitos estão os requisitos viabilizadores de admissibilidade deste recurso, razão pela qual deve ser ele conhecido por tempestivo. Trata o presente processo de exigência de penalidades pecuniárias em razão de reclassificação fiscal da mercadoria e sua descrição incorreta na declaração de importação. In casu, infere-se que a questão central da lide cinge-se à exigência de multa de mora do art. 44,1, da Lei 9.430/96; multa de controle administrativo, com base no art. 526, II do RA e, multa do art. 84,1, d MP 2158-35/01. A Recorrente suscita em sua defesa, o reconhecimento da classificação fiscal, recolhendo, inclusive, os valores referentes à diferença do imposto e seus consectarios. Contudo, resiste à aplicação das citadas multas pelo Fisco, entendendo que se trata de importação amparada pela devida guia de importação e com total ausência de má-fé Fl. 114DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 11128.004135/2002-02 Acórdão n.º 303-35748 S3-C3T0 Fl. 115 5 pela Contribuinte. Questiona, ainda, a aplicação de juros de mora e a inconstitucionalidade da aplicação sobre a Taxa Selic. Do que consta dos autos, verifica-se que razão assiste, em parte, à Interessada. Senão vejamos. Da Multa relativa ao Controle Administrativo de Importações. No presente caso, verifica-se que o produto foi classificado pela Contribuinte a posição NCM 2923.10.00, sendo posteriormente reclassificado pela Fiscalização no código NCM 23.09.90.90. A propósito, prescreve o inciso II do artigo 526 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, fundamentado no inciso I, alínea "b" do art. 169 do Decreto-lei n° 37/66, com a redação do art. 2° da Lei n° 6.562/78, que constitui infração administrativa ao controle das importações "importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais'". Com o advento do SISCOMEX, a guia de importação foi substituída pela Licença de Importação. A Portaria SECEX n° 21/96, vigente à época da ocorrência do fato gerador, preceituava que: Art. 7° O licenciamento das importações ocorrerá de forma automática e não automática e será efetuado por meio do SISCOMEX. [...] Art. 8° Nos casos de licenciamento automático, as informações de que trata o artigo anterior deverão ser prestadas no Sistema em conjunto com as informações exigidas para a formulação da declaração para fins de despacho aduaneiro da mercadoria. [...] Art. 14. A descrição da mercadoria deverá conter o maior número de características identificadoras possíveis, tais como: marca, tipo, cor, acessórios e outras informações relativas ao produto. Contudo, no caso presente, verifica-se que a matéria em apreço diz respeito, tão somente, à divergência quanto à sua classificação fiscal, e considerando que a Contribuinte efetuou as respectivas importações devidamente acompanhadas das correspondentes Guias de Importação, não há que se aplicar a multa capitulada no artigo 526, inciso II, do Regulamento- Aduaneiro de 1985. Nesse sentido, corrobora o Ato Declaratório Normativo COSIT n° .12/97 dispondo "que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do Fl. 115DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 11128.004135/2002-02 Acórdão n.º 303-35748 S3-C3T0 Fl. 116 6 inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior - SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteia corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante", o que, de fato, se vislumbra no caso presente. Assim, uma vez que o comando normativo é expresso ao imputar a pena pecuniária nas hipóteses de importação desacompanhada da respectiva guia ou licenciamento, não pode este Colegiado se olvidar em reconhecer que à Contribuinte não deve recair tal imposição, por ter procedido nos termos da lei. Da Multa de Mora Com relação a multa de 1% do Valor Aduaneira aplicada ao presente caso, verifico que a mesma encontra previsão legal, consoante disposição do art. 84, I, da Medida Provisória n°. 2.158-35, de 2001, que diz: Art. 84. Aplica-se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I-classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria;[...] Pois bem, a infração capitulada no citado art. 84, insere-se no plano da responsabilidade objetiva, não reclamando, portanto, para sua caracterização, a presença de intuito doloso ou má-fé por parte do sujeito passivo. Acresça-se a isso as disposições elencadas no § 2o do referenciado diploma legal, in verbis: §2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades. A mais, registre-se que a configuração da responsabilidade por infração à legislação tributária, regra geral, não está sujeita à avaliação da intenção do agente, a teor do comando inserido no art. 1366 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 1966). Dito isto, configurado no presente caso o erro de classificação fiscal, e tratando-se de infração tipificada, decorrente de falha formal, penalizada independentemente do intuito doloso ou má-fe para sua configuração, impõe-se a aplicação da multa, neste particular. Incidência de Juros e Multa de Ofício Inicialmente, insta consignar, que, não compete às instâncias administrativas de julgamento apreciar ou se manifestar sobre matéria referente à inconstitucionalidade de leis ou ilegalidade de atos normativos regularmente editados, uma vez que esta competência é exclusiva do Poder Judiciário, conforme constitucionalmente previsto no art. 102, inciso I, alínea "a", da Constituição Federal. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 11128.004135/2002-02 Acórdão n.º 303-35748 S3-C3T0 Fl. 117 7 Acresça-se que a matéria, inclusive, já foi objeto de diversos atos legais e infralegais. No âmbito das Secretarias da Receita Federal, sobreveio o Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação, sob n°. 329/70, o qual regulamentava que "a arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional”. Imperioso, igualmente, destacar que a Portaria MF n° 103/2002 alterou os Regimentos Internos da Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, para impedir que aqueles órgãos afastem, em virtude de inconstitucionalidade, a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo em vigor, exceto quando tratar-se de ato já declarado inconstitucional ou de autorização pelo Presidente da República de extensão dos efeitos jurídicos de decisão sobre a mesma matéria, ou de ato que embase a exigência de crédito tributário cuja constituição tenha sido dispensada por ato do Secretário da Receita Federal ou, ainda, de ato que tenha sido objeto de determinação, pelo Procurador-Geral da Fazenda Nacional, de desistência de ação de execução fiscal. Registre-se, ainda, que os Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda vêm adotando a tese de que a questão relativa à inconstitucionalidade de lei ou ato normativo não pode ser enfrentada pelo julgador administrativo, o que não impede, no entanto, que aqueles órgãos de julgamento, em casos específicos, neguem a aplicação de norma legal, com base em critérios de hermenêutica. Todavia, in casu, os julgadores estão adstritos a, no máximo, afastar a aplicação de lei ou ato normativo, mas sem declarar sua inconstitucionalidade. ' - Com efeito, neste particular, fixou a Lei n° 9.430, de 1996, categoricamente, a partir de quando se dará a fluência de juros sobre o valor relativo ao lançamento de multa isolada: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3o do art. 5° a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Isto posto, entendo que não merece prosperar a pretensão de afastar a fluência de juros de mora sobre multa, eis que se encontra amparada em lei cuja constitucionalidade, se contestada, não obteve pronunciamento do poder constitucionalmente investido para tanto. Outrossim, a matéria está regulamentada no art. 161 do Código Tributário Nacional, que prevê: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 11128.004135/2002-02 Acórdão n.º 303-35748 S3-C3T0 Fl. 118 8 § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Como se verifica, o limite de 1% ao mês somente é considerado se outra lei, ordinária, já que não se trata de matéria reservada a lei complementar, estipular outro percentual ou prazo para cálculo. O fato é que, como é cediço, fazendo uso dessa faculdade, o art. 61, caput e § 3º da Lei n° 9.430, de 1996 assim dispôs: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de Io de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3o Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3odo art. 5 o, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assim sendo, trata-se de exigência prevista em lei cuja constitucionalidade vem sendo pacificamente reconhecida por nossas cortes superiores. Importante frisar, ademais, que a presente discussão já encontra-se pacificada nesta corte administrativa, sendo inclusive alvo da Súmula 3°CC n° 4, que diz: A partir de Io de abril de 1995 é legítima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal. Isto posto, entendo que não merece prosperar a pretensão de afastar a fluência de juros no índice estabelecido, que se encontra amparado em lei cuja constitucionalidade, se contestada, não obteve pronunciamento do poder constitucionalmente investido para tanto. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar PROVIMENTO EM PARTE ao presente Recurso Voluntário, nos moldes retro lançados. Heroldes Bahr Neto - Relator Fl. 118DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 11128.004135/2002-02 Acórdão n.º 303-35748 S3-C3T0 Fl. 119 9 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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Numero do processo: 13851.000008/91-16
Data da sessão: Fri Dec 08 00:00:00 UTC 1995
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
A instauração da. fase litigiosa do
procedimento se dá. com a impugnação da
exigência, apresentada no prazo legai, nos
termos do estabelecido no Decreto n.
70.235/72.
Não observado o preceito, não se toma
conhecimento do recurso.
Numero da decisão: 102-30.492
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestiva a impugnação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Ursula Hansen
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LTDA. RECORRIDA DRF em RIBEIRÃO PRETO, SP ZROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL A instauração da. fase litigiosa do procedimento se dá. com a impugnação da exigência, apresentada no prazo legai, nos termos do estabelecido no Decreto n. 70.235/72.. Não observado o preceito, não se toma conhecimento do recurso. V,L3t03 , e.atctdos e dí4eutído4 03 p)te_ente auto4 de, tecut4o ínteizpo4to poil, HILOSHI OKADA g CIA. LTDA. ACORDAM c.) Membito da Segunda Cãmaita do PPLÁlmeíto Con4elho de ContrUbuínte3 pot unanímídade de, voto4, não conheeet do teca/uso ) nois te.wos do telat jrcío e voto que. paam a íntegtait o pte3ente. julgado. ANTONI O DE FREITAS DUTRA PRESIDENTE _ . ., . , ., f . , R 'TORA FORMALIZADO EM: 0'8 nEz 1995 PatItícípaitam, a-Lnda, do p)z.0 ente julgamento, o4 Con3elheíito : WALDE- VAN ALVES DE OLIVEIRA, JOSÉ CLJVIS ALVES, SUELI EFIGÊNI A MENDES DE BRITTO, JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA E JOSÉ CARLOS PASSUELLO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO n. I3,851/000.008/91-16 RECURSO n.. 89.872 ACORDÃO n. 102-30 . 4 9 2 RECORRENTE HILOSHI OKADA & CIA LTDA. RELATÓRIO Versa o presente processo do Auto de Infração de fis. 05 e anexos, lavrado em 16/01/91, contra HILOSHI OKADA & CIA. LTDA., CCIC n. 52.316.759/0001-81, jurisdicionada à Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto, SP, formalizando a exigência de PIS/Receita Operacional relativo ao exercício de 1987, no valor de 506,74 BTNF, e correspondentes acréscimos legais. O lançamento, com base na alínea. "b" do artigo 3 da Lei Complementar ri. 7/70, c/c o parágrafo único do artigo I o. da Lei Complementar 17/73, e Regulamento do PISIPASEP, decorreu de procedimento de fiscalização em que foram apuradas irregularidades e lançado Imposto do Renda - Pessoa Jurídica, conforme demonstrado no processo 13851/000.004/91-57. Inconformado com a exigência fiscal, o contribuinte apresentou, em 15/03'91, sua impugnação de fls.() 9 /15, fundamentando suas alegações nas razões apresentadas no processo matriz. Em sua decisão, de número 136/91, proferida à fls. 21/22, a. autoridade julgadora de primeira instância não conhece da impugnação, por intempestiva, mantendo integralmente o lançamento. A autoridade "a quo" fundamentou, ainda, sua decisão no fato de que se trata de lançamento reflexivo que deve seguir o mesmo destino dado ao lançamento principal. Ciente da decisão singular em 01/07/91 (fls. 26), o contribuinte, interpos recurso voluntário em 26/07/91, reiterando, em suas Razões, acostadas às fls. 28/32, os argumentos formulados na fase impugnatária. O recurso é lido integralmente em Plenário, assim como o Memorial de fls. :17/ sg pfresentado quando do julgamento do processo matriz. É o relat 2 MNISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO a 13551/00a008/91-16 ACÓRDÃO a l02-30. 492 VOTO Conselheira Ursula Ha.nsen - Relatora O processo matriz - referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica - 13851/000.004/91-57 - foi apreciado por esta Câmara em sessão realizada em 15 de fevereiro de 1993, confoime faz certo o Acórdão ri. 102- 27.817, não se conhecendo do recurso, por intempestiva a impugnação. O Decreto 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal, contém todos os prazos concernentes aos meios de defesa de que dispõe o contribuinte para se contrapor a exigências fiscais decorrentes de procedimentos de oficio. O próprio contribuinte impediu a instauração do litígio, ao impugnar o lançamento a destempo: - de acordo com o artigo 14 do referido Decreto, é a impugnação da exigência do crédito tributário que instaura a fase litigiosa do procedimento de determinação e exigência do aludido crédito, devendo tal impugnação, no entanto, para. que produza seus efeitos, ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data. em que foi feita a intimação da exigência, conforme preceituado no artigo 15 do precitado Decreto, podendo, à época, tal prazo ser acrescido de mais 15 dias, de acordo com o inciso I do artigo 6o.. No entanto, o prazo para apresentação da impugnação fiscal não foi observado pela contribuinte, pois sendo a mesma notificada da exigência em 16/01/91, conforme consta do Auto de Infração, tal prazo extinguir-se-ia em 18102/91, tendo a citada impugnação sido apresentada em 1 5/03 /91, conforme demonstrado às fls.09 Face ao exposto, deixo de tomar conhecimento do recurso, uma vez que a apresentação da impugnação se deu a destempo. B*,'Si - 1 ,IA. DF 08 de dezembito de 1995. U,is , a '... Sf• . ir elatora, 2 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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Numero do processo: 12466.001011/98-23
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 28/04/1994 a 14/12/1994
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. BASE DE CÁLCULO. VALORAÇÃO ADUANEIRA. REMUNERAÇÃO PAGA POR CONCESSIONÁRIAS LOCALIZADAS NO PAÍS ÀS DETENTORAS DO USO DE MARCAS ESTRANGEIRAS POR SERVIÇOS PRESTADOS APÓS A NACIONALIZAÇÃO DOS BENS. NÃO INCLUSÃO.
Não integram o Valor Aduaneiro da mercadoria os valores pagos pelas concessionárias situadas no País às detentoras do uso de marcas estrangeiras, pelos serviços efetivamente contratados e prestados no Brasil após a nacionalização dos bens.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3403-002.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. O Conselheiro Rosaldo Trevisan votou pelas conclusões e apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente a Dra. Anna Paola Zonari. OAB/DF nº 1.928-A. Esteve presente ao julgamento o Dr. Aristófanes Fontoura de Holanda. OAB/DF nº 1.954-A
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Raquel Motta Brandão Minatel Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti, Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 28/04/1994 a 14/12/1994 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. BASE DE CÁLCULO. VALORAÇÃO ADUANEIRA. REMUNERAÇÃO PAGA POR CONCESSIONÁRIAS LOCALIZADAS NO PAÍS ÀS DETENTORAS DO USO DE MARCAS ESTRANGEIRAS POR SERVIÇOS PRESTADOS APÓS A NACIONALIZAÇÃO DOS BENS. NÃO INCLUSÃO. Não integram o Valor Aduaneiro da mercadoria os valores pagos pelas concessionárias situadas no País às detentoras do uso de marcas estrangeiras, pelos serviços efetivamente contratados e prestados no Brasil após a nacionalização dos bens. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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EXONERAÇÃO DO CRÉDITO. APLICAÇÃO A TODOS OS OBRIGADOS NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Uma vez extinto o crédito tributário do sujeito passivo principal, autuado, fica também extinto para aquele sujeito apontado como responsável solidário no lançamento de ofício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 28/04/1994 a 14/12/1994 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALORAÇÃO ADUANEIRA. REMUNERAÇÃO PAGA POR CONCESSIONÁRIAS LOCALIZADAS NO PAÍS ÀS DETENTORAS DO USO DE MARCAS ESTRANGEIRAS POR SERVIÇOS PRESTADOS APÓS A NACIONALIZAÇÃO DOS BENS. NÃO INCLUSÃO. Não integram o Valor Aduaneiro da mercadoria os valores pagos pelas concessionárias situadas no País às detentoras do uso de marcas estrangeiras, pelos serviços efetivamente contratados e prestados no Brasil após a nacionalização dos bens. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 28/04/1994 a 14/12/1994 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. BASE DE CÁLCULO. VALORAÇÃO ADUANEIRA. REMUNERAÇÃO PAGA POR CONCESSIONÁRIAS LOCALIZADAS NO PAÍS ÀS DETENTORAS DO 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 10 11 /9 8- 23 Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 26 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assina do digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL USO DE MARCAS ESTRANGEIRAS POR SERVIÇOS PRESTADOS APÓS A NACIONALIZAÇÃO DOS BENS. NÃO INCLUSÃO. Não integram o Valor Aduaneiro da mercadoria os valores pagos pelas concessionárias situadas no País às detentoras do uso de marcas estrangeiras, pelos serviços efetivamente contratados e prestados no Brasil após a nacionalização dos bens. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. O Conselheiro Rosaldo Trevisan votou pelas conclusões e apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente a Dra. Anna Paola Zonari. OAB/DF nº 1.928A. Esteve presente ao julgamento o Dr. Aristófanes Fontoura de Holanda. OAB/DF nº 1.954A Antonio Carlos Atulim Presidente Raquel Motta Brandão Minatel – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti, Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 1/34), lavrado em 9/7/1998, em face da empresa CIA. EXPORTADORA E IMPORTADORA COIMEX, doravante denominada Autuada, e da empresa apontada como responsável solidária MMC AUTOMOTORES DO BRASIL, doravante denominada Recorrente, em que se apurou crédito tributário de Imposto sobre a Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor global de R$ 2.620.527,24. A autuação resultou de procedimento de Revisão Aduaneira sobre as Declarações de Importação, nos termos dos artigos 455 e 456 do Regulamento Aduaneiro então vigente. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da autuação (fls. 2/9), restou consignada, principalmente, a existência de responsabilidade tributária solidária da Recorrente. A autuação concluiu que a vinculação da importadora à exportadora influenciou o preço da transação, e que a Recorrente seria contribuinte do IPI por introduzir veículos no território nacional. A Autuada interpôs Impugnação em 21/7/1998 (fls. 716/747), aduzindo matérias de nulidades e de mérito. A Recorrente apresentou Impugnação em 21/7/1998 (fls. 766/789) e Aditamento à Impugnação em 18/2/1999 (fls. 801/802), alegando, 2 Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 26 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assina do digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.341 preponderantemente, ser “parte ilegítima para figurar no polo passivo da acusação fiscal” (fls. 768) e que os critérios utilizados na Revisão Aduaneira estavam incorretos. Inobstante os argumentos esgrimidos nas Impugnações, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC), por meio do Acórdão nº 0.651 (fls. 807/852), proferido em 28/3/2002, julgou procedente a autuação. Nessa decisão, prevaleceu o entendimento de que a Revisão Aduaneira fora adequadamente realizada e de que a solidariedade passiva da Recorrente é legítima. A Autuada fora notificada do acórdão de primeira instância em 6/5/2002 (fls. 854), e apresentou Recurso Voluntário em 5/6/2002 (fls. 857/891), acompanhado de fiança comercial (fls. 919 e 967). Nessa ocasião, a Autuada basicamente reiterou os argumentos de nulidade e de mérito expostos em sua Impugnação. Embora ausente notificação do acórdão da DRJ/FNS à Recorrente, imputada na autuação como responsável solidária, os autos foram encaminhados ao 3º Conselho de Contribuintes (fls. 1027). Em 3/12/2003, a 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes proferiu o Acórdão nº 30235.879 (fls. 1035/1089), no qual o Recurso Voluntário da Autuada fora provido pelo voto de qualidade. No julgado, sobressaiu a justificativa de que as Decisões Cosit nº 14 e 15/97 são aplicáveis à matéria do processo. Cientificada do acórdão do 3º Conselho de Contribuintes em 10/8/2004 (fls. 1090), a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial na mesma data (fls. 1091), apontando julgado paradigma versando acerca de igual matéria, mas cuja conclusão se revelou oposta. Em seguida, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, mediante o Acórdão nº 302126104 (fls. 1224/1234), prolatado em 13/11/2007, suscitou de ofício a “nulidade de todos os atos processuais ocorridos a partir da ciência da decisão de primeira instância” (fls. 1234), em razão da não intimação do acórdão da DRJ/FNS à responsável solidária (MMC AUTOMOTORES). Anulados os atos processuais nos termos citados, a Autuada fora novamente intimada do acórdão da DRJ/FNS em 4/5/2009, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fls. 1237 (verso), contudo deixou de apresentar Recurso Voluntário e o SECAT da Alfândega de VitóriaES lavrou Termo de Perempção em 15/6/2009 (fls. 1290). Por sua vez, a responsável solidária foi intimada do acórdão de primeira instância em 5/5/2009, consoante Aviso de Recebimento (AR) de fls. 1238 (verso). Em 15/5/2009, apresentou Recurso Voluntário (fls. 1239/1284), argumentando que, em síntese, que: 1. não fora demonstrado nenhum pagamento adicional ao exportador, de forma direta ou indireta; 2. a Recorrente não é a importadora das mercadorias e, portanto, não pode ser considerada contribuinte dos impostos sobre o comércio exterior; 3 Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 26 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assina do digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL 3. o Auto de Infração não fixou devidamente em quais itens do Acordo sobre a Valoração Aduaneira(AVA) se encaixariam os pagamentos feitos pelos concessionários à Recorrente; 4. a autuação não produziu qualquer prova de simulação, abuso de direito ou de forma dos atos e negócios jurídicos celebrados pela Recorrente, fato que impede a caracterização da responsabilidade tributária solidária; 5. a Recorrente não pode ser responsabilizada solidariamente pela aquisição de produtos de procedência estrangeira nos termos do art. 77 da Medida Provisória nº 2.158/01, em virtude da impossibilidade de se aplicar retroativamente essa norma legal; 6. considerando que a autuação fundamentou o enquadramento legal no art. 8º, 1, a, i, do AVA, a decisão de primeira instância não poderia ter alterado o referido enquadramento legal para o art. 8º, 1, c, ou para o art. 8º, 1, d, ambos do AVA, sob pena de inovação obstada pelo art. 146 do Código Tributário Nacional; 7. ainda que se admita a ampliação do enquadramento legal da autuação, a remuneração da Recorrente é recebida como contrapartida pela prestação de serviços e, dessa forma, é alheia às hipóteses de ajuste do valor aduaneiro previstas no art. 8º do AVA; 8. aplicamse a esta matéria as decisões Cosit nº 14/97 e 15/97, no sentido de que “os valores pagos pelas Concessionárias às Detentoras do Uso da Marca no País, pelos serviços efetivamente contratados e prestados no Brasil, não constituirão acréscimo ao valor aduaneiro da mercadoria” (fls. 1265), pois refletem o entendimento da própria administração tributária; 9. suposta valorização de marca não autorizaria o ajuste do valor aduaneiro, pois, entre outras razões, tal valor não se relaciona com as receitas que os concessionários pagam à Recorrente; e 10. não há elementos objetivos e quantificáveis para justificar o ajuste do valor aduaneiro pretendido pela autuação, conforme se exige no art. 8º, §3º, do AVA. Por fim, a Recorrente requereu o provimento de seu recurso. Em suma, é o relatório. Voto Conselheira Relatora Raquel Motta Brandão Minatel, Da Admissibilidade O recurso da responsável solidária MMC AUTOMOTORES DO BRASIL merece conhecimento, pois preenche os requisitos legais de admissão. Do julgamento anulado 4 Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 26 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assina do digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.341 Conforme exposto no relatório, já houve julgamento do presente processo favorável à empresa autuada – COIMEX por meio do Acórdão nº 30235.879, proferido em 03/12/2003, pela 2ª Câmara do então 3º Conselho de Contribuintes (fls. 1035/1089). Contudo, a Câmara Superior de Recursos FiscaisCSRF, face ao Recurso Especial interposto pela PGFN, suscitou de ofício a nulidade de todos os atos processuais praticados a partir da decisão de Primeira Instância (DRJ/Florianópolis) em razão da não intimação do acórdão da DRJ/FNS à responsável solidária, decidindo: Assim, não há como julgar o Recurso Especial ora interposto posto que necessária que seja, nesta oportunidade, declarada a nulidade do processo a partir do ato formal de ciência da decisão de primeira instância pelo sujeito passivo COIMEX, inclusive.(fls.1234) – grifos acrescidos É importante destacar que a matéria tratada nos presentes autos já foi julgada em outras Turmas desta 3a. Seção do CARF, e também pelo extinto 2o Conselho de Contribuintes, favoravelmente aos contribuintes envolvidos, e mais recentemente foi julgada na Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja decisão recebeu a seguinte ementa: Período de apuração: 29/11/1993 a 02/09/1994 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALORAÇÃO ADUANEIRA. REMUNERAÇÃO PAGA POR CONCESSIONÁRIAS ÀS DETENTORAS DO USO DA MARCA NO PAÍS POR SERVIÇOS PRESTADOS. NÃO INCLUSÃO. Para efeito dos arts. 8º, § 1º, alíneas "c" e "d", do Acordo de Valoração Aduaneira promulgado pelo Decreto n° 92.930, de 16/07/86, bem como da Ata Final que incorpora os Resultados da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT, promulgada pelo Decreto 1.355 de 30/12/94, não integram o valor aduaneiro as parcelas pagas pelos Concessionários à Detentora do Uso da Marca estrangeira no País pelos serviços efetivamente contratados e prestados, às custas deles, no Brasil. (Acórdão 9303002.105 – 3ª Turma da CSRF, julgado em sessão de 12/09/2012) Desta forma, entendo que a matéria foi bem decidida no julgamento deste processo, cuja decisão foi anulada por mero vício formal, motivo pelo qual adoto seus fundamentos para decidir. Do vício na formalização do auto de infração Registro inicialmente irregularidade formal no processamento do feito, vício que ensejaria a exclusão da ora Recorrente a quem foi imputado o instituto da solidariedade tributária. 5 Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 26 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assina do digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL O artigo 142, do Código Tributário Nacional, preceitua que o crédito tributário é constituído pelo lançamento, procedimento administrativo que identifica o fato gerador, a matéria tributável e o sujeito passivo. No processo em exame, o sujeito passivo identificado e qualificado em seu preâmbulo, é a Cia. Importadora e Exportadora Coimex. É possível extrair do relato das diligências feitas durante o período de fiscalização apenas menção à empresa MMCAutomotores do Brasil, conforme se pode verificar de trechos a seguir transcritos in verbis: "quanto a responsabilidade, embora bem presente na operação comercial, depende de interpretação da lei tributária, pois a mesma diz: "outras pessoas expressamente indicadas na legislação vigente” "muito embora pudéssemos invocar a MMC Automotores do Brasil como contribuinte do imposto, ou imputar sua responsabilidade em virtude dos documentos comerciais que acompanham a operação, seguimos sem que se excluam essas possibilidades no decorrer do litígio o caminho de que a declaração de lançamento de impostos foi feita pela Cia. Importadora e Exportadora Coimex, e estamos procedendo a revisão daquele lançamento, imputando porém a solidariedade do mesmo, sendo que providenciaremos para que seja esta última intimada a tomar ciência do presente para os efeitos legais." " como introduziu os veículos no território nacional, a MMC Automotores do Brasil é contribuinte do IPI, devendo por este fato ter adotado uma série de obrigações fiscais"; “como no presente Auto de Infração, está sendo lançado o IPI correspondente com os acréscimos legais, não fizemos lançamento no momento para a MMC, mas registrese o direito da Fazenda Nacional de fazêlo durante o litígio.” Verificase que o auto de infração em nenhum momento individualizou, titulou e qualificou a empresa MMC Automotores no polo passivo da imputação fiscal, conforme se vê dos excertos acima arrolados, onde ficou evidenciado, de modo expresso, dúvidas sobre a materialização da responsabilidade ou da solidariedade. A identificação das duas empresas poderia ter sido realizada no mesmo auto, com a individualização e qualificação de ambas, ou em autos processados em apenso, com a tarja de solidariedade. Isso porque, diferente da situação de contribuinte e responsável, em que este supre a omissão ou substitui aquele, na solidariedade a obrigação é conjunta de todos os solidários, eis que não comporta benefício de ordem, como determina o artigo 124, parágrafo único do Código Tributário Nacional, vale dizer, qualquer deles, pode ser chamado a solver o débito total, sem respeito a qualquer preferência. No entanto, tendo examinado detidamente as questões de fundo, vejo que há também razões de mérito que convergem para a improcedência do lançamento, fundamentos esses que se acolhidos por este Colegiado, permitem que seja superada a mencionada preliminar em prol do exame de mérito ser favorável ao sujeito passivo, aplicandose a regra estampada no parágrafo 3º. do art. 59 do Decreto n. 70.235/72. Do mérito 6 Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 26 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assina do digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.341 Superada essa questão preliminar, as matérias de mérito em litígio são as seguintes: 1 nas operações de importação feitas pela COIMEX haveria vinculação, para fins de valoração aduaneira, com a exportadora, ou e com a empresa MMC Automotores do Brasil; 2 em havendo vinculação, os valores das transações, para fins aduaneiros, eram ou não, aceitáveis; 3 mesmo não havendo vinculação, as verbas cobradas e recebidas pela MMC Automotores, intituladas, comissões, uso da marca, etc., deveriam ser adicionadas ao valor de transação; 4 a vinculação estaria configurada também pela associação de negócios. Para determinar a vinculação entre a Recorrente e a empresa MMC Automotores, o auto de infração assim dispõe: "quanto à vinculação, ela existe, como se provará a seguir, pois existe uma associação legal de negócios entre a Coimex e a MMC Automotores do Brasil" "a operação por si só demonstra a vinculação entre exportador e importador, mas coloca um intermediário, na tentativa de declararse não vinculada". "resta dizer que embora a vinculação exista neste caso específico, o acordo não dispõe que para haver ajustes no artigo oitavo, deve haver vinculação entre as partes interessadas nos ajustes" Como se pode verificar, o auto de infração reitera existir vinculação entre as partes. Inicialmente, entre exportador (fabricante) e importador, vale dizer, entre Mitsubishi Motors Corporation e Coimex, aludindo a existência de terceiro intermediário, que no desenho da operação seria a própria Coimex e não a MMC Automotores. Ao longo do texto refere à vinculação entre a importadora, Coimex e a MMC Automotores Brasil, distribuidora dos veículos no Brasil. O r. Acórdão recorrido, por sua vez, desqualifica a existência da vinculação entre as partes, preservando a autuação face às parcelas acrescidas ao produto já nacionalizado, sob a rubrica de autorização pelo uso da marca. Paradoxalmente, aduz que o exame da vinculação perde relevância "na medida em que foi aceito, como visto anteriormente, para a composição do valor aduaneiro, o valor de transação declarado”. 7 Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 26 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assina do digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL No Contrato de Distribuição celebrado entre a Mitsubishi Motors Corporation fabricante/exportadora e a Brabus Autosport Ltda. (antiga denominação da MMC Automotores do Brasil) anexado ao feito, dispôsse: “Art. 2 1 Sujeita aos termos e condições deste contrato, a Mitsubishi Motors Corporation designa, por este instrumento, o DISTRIBUIDOR, como importador e distribuidor dos produtos no território, em uma base não exclusiva.." "Art. 4 8 — a: nenhuma das condições declaradas ou garantias serão feitas ou consideradas como feitas pela MMC (fabricante) com respeito aos produtos vendidos". "Art. 4 10 o distribuidor deverá, por sua própria conta, obter ou providenciar seguro de responsabilidade do produto" "Art. 6 o distribuidor concorda em treinar instruir e supervisionar cada concessionário e deverá ter total responsabilidade pelas atividades de tais concessionários, e deverá proteger, defender, reembolsar, indenizar e manter a MMC isenta de e contra todas as reclamações e processos resultantes dessas atividades". "Art. 11 às suas custas o distribuidor deverá proporcionar um programa de treinamento de serviço e fornecer auxílios de treinamento suficientes para os seus concessionários". "Art. 13 — o distribuidor concorda em assumir tais responsabilidades de propaganda e apresentar a MMC, para aprovação descrição geral de sua estratégia." Nos contratos padrão entre a MMC Automotores do Brasil, distribuidora, firmados com as concessionárias ficou estabelecido regramento sobre a prestação de serviços no desenvolvimento de campanha publicitária, uso da marca, assistência técnica através de treinamento de pessoal, dispondo a cláusula 2a, e parágrafos, que tais atendimentos seriam ressarcidos à distribuidora, em valores constantes da lista de preços, mediante a emissão de nota fiscal. No contrato firmado entre a Cia. Coimex e as concessionárias, que tem por objeto a compra e venda por encomenda de produtos importados "Mitsubishi", a empresa MMC Automotores do Brasil comparece como interveniente, na qualidade de distribuidora da marca no país, com incumbência formal de solicitação de documentos ao fabricante dos veículos.Nesse ponto é importante destacar o texto da Nota Explicativa ao artigo 8°, § 1º, "c" do AVA: "c 2 — os pagamentos efetuados pelo comprador pelo direito de distribuir ou revender as mercadorias importadas, não serão acrescidos ao preço efetivamente pago ou a pagar por elas, caso não sejam tais pagamentos uma condição de venda, para exportações para o país de importação das mercadorias." Ao examinar os contratos e a documentação juntada aos autos, verificase que inexiste prova, ou mesmo indício, de que os valores cobrados pela distribuidora, MMC 8 Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 26 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assina do digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.341 Automotores, dos concessionários reverteram, direta ou indiretamente, ao vendedor exportador da mercadoria. Ademais, não seria crível presumir que uma empresa internacional estabelecesse via contrato as condições de operação de uma distribuidora, traçando normas expressas sobre ônus de propaganda, treinamento e garantia, e silenciasse, como silenciou, sobre a sua participação nessas receitas se delas pretendesse se beneficiar. Temse, pois, que os valores cobrados pela empresa MMC Automotores (distribuidora) dos concessionários, jamais beneficiaram o vendedor/exportador ou modificariam o valor das transações. Não há sequer notícia, em todo o processo, de relacionamento entre exportador/vendedor, que enseje prova ou mera presunção de remessa ou crédito de valores alheios aos que compõem o preço das importações. Todas as obrigações contratuais referentes à importação de veículos, no que diz respeito a valores e responsabilidade pelos pagamentos, estão regradas apenas entre as partes contratuais, a Coimex e as concessionárias encomendantes. Também não há nos autos qualquer evidência para que as operações sejam examinadas com a utilização do primeiro critério de valoração (AVA), por meio da comparação entre o valor de transação das importações feitas pela recorrente, com os da empresa Cotia Trading, ou mesmo de outros importadores, ainda que individuais ou particulares, observados os devidos ajustes de comercialização. Caso tal comparação, em se obtendo os paradigmas, se exercitasse, poderseia concluir se os valores de transação eram aceitáveis, independente da eventual e alegada vinculação. Ademais, importa registrar que a valoração aduaneira na importação se circunscreve às verbas indispensáveis e justificadas que oneram a importação até a liberação da mercadoria. Vale dizer, até o momento do ingresso da mercadoria no território aduaneiro importador. Essa é a mensagem do Acordo de Valoração Aduaneira, como se vê do artigo 1° o valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação desde que: "c — nenhuma parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subsequente das mercadorias pelo comprador, beneficie direta ou indiretamente o vendedor." "art. 80 na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do artigo 1°, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar, pelas mercadorias importadas: d) o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias importadas, que reverta direta ou indiretamente ao vendedor." 9 Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 26 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assina do digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL Nota interpretativa — ao art. 1º, anexo 1: Nota Geral do Acordo de Valoração Aduaneira: "o preço efetivamente pago ou a pagar é o pagamento total efetuado ou a ser efetuado pelo comprador, ao vendedor, em benefício pelas mercadorias importadas". "as atividades desempenhadas pelo comprador, por sua própria conta, excetuadas aquelas para as quais tenha sido previsto um ajuste no art. 8º não serão consideradas como um pagamento indireto ao vendedor, mesmo que sejam consideradas como em beneficio deste." Por seu turno, igualmente inexiste vinculação por exclusividade entre a Coimex e a MMC Automotores como demonstram as peças processuais, por onde se pode constatar que a Coimex prestava serviços de importação das mais diversificadas mercadorias, para inúmeros importadores, tais como Peugeot, Moto Honda, dentre outras, meramente pela sua condição de empresa "fundapeana", objetivando a fruição de benefícios fiscais concedidos pelo Estado do Espírito Santo. Além de inexistir exclusividade, excluindo a vinculação, igualmente carece de legitimidade a pretensa arguição de "associação em negócios", com a recorrente, consoante o disposto na "Opinião Consultiva" 21.1., emanada do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, (DOU17.02.98): "o artigo 15, §4º — b , considera as pessoas como vinculadas se forem legalmente reconhecidas como associadas em negócios. O dicionário Webster define a palavra sócio como: alguém que é associado a uma ou mais pessoas no mesmo negócio, e partilha com ela seus lucros, um membro de uma sociedade. — a palavra sociedade é por seu turno definida como: "uma associação de duas ou mais pessoas que contribuem com dinheiro ou bens, para realizar um negócio conjunto e que dividem lucros e perdas em certas proporções.”(grifos acrescidos) A clareza dos textos permite desde logo concluir a inexistência de vinculação por associação em negócios, eis que a prova produzida não demonstrou qualquer liame societário, ou participação de resultados da Coimex com a exportadora e ou a distribuidora. Abstraída a vinculação, entendeu o r. Acórdão recorrido computáveis ao valor de transação, os valores verbis: “acrescidos ao produto já nacionalizado, recebidos pela MMC Automotores, com fundamento em autorização do uso da marca”. Adiciona que a vinculação perde relevância na medida em que foi aceito, como visto anteriormente, para composição do valor aduaneiro de transação declarado. As verbas repassadas pelas concessionárias à distribuidora estão explicitadas em contrato e além do uso da marca, se referem à prestação de serviços de garantia, assistência técnica e treinamento de pessoal. Assevera o julgado recorrido que tais parcelas foram acrescidas ao "produto já nacionalizado", e que o "valor de transação declarado fora aceito para efeito do valor aduaneiro". 10 Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 26 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assina do digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.341 Ora, se o valor declarado já fora aceito para efeito do valor aduaneiro, nada haveria a ajustar, notadamente, após o produto já ter sido nacionalizado, eis que verbas recebidas por terceiros alheios à importação não poderiam sensibilizar o processo de valoração. Igualmente carece de suporte e contraria a prova produzida a assertiva feita pelo r. Acórdão recorrido de que tais verbas constituem "resultado de revenda subsequente das mercadorias importadas, que reverte direta ou indiretamente ao vendedor/ exportador". Por oportuno, é de se examinar o Comentário n° 9.1, emanado do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, de observância obrigatória pela administração, anexo à Instrução Normativa n° 17/98 — DOU de 17/02/1998: "tratamento aplicável aos custos das atividades executadas no país de importação: 3. a esse respeito, para determinar o valor aduaneiro, de conformidade com o artigo 1° do Acordo, os custos das atividades executadas após a Importação, quando não estiverem incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar, não devem ser incluídos no valor aduaneiro, salvo disposição em contrário do artigo 8°." Ademais, os textos contratuais transcritos, cujos instrumentos estão anexados aos autos, dispõem de modo expresso que os custos de publicidade, treinamento, etc., serão suportados por distribuidora MMC Automotores, inexistindo qualquer disposição que evidencie repasse destes valores ao fabricante. A argumentação do julgado recorrido de que o pagamento de valores por conta de uso da marca reflete indiretamente em benefício do fabricante é indiferente para os efeitos da valoração aduaneira, que exige dados objetivos e valores identificáveis (art. 8º 3 do AVA), impossíveis de aferir no momento da importação. Na verdade, a utilização da marca reverte em beneficio imediato de quem aufere lucros comercializando os veículos, mais imediatamente aos concessionários, eis que os valores referentes ao fabricante exportador já estão inseridos e computados no próprio preço de exportação. O r. Acórdão recorrido também recusou a aplicação das decisões Cosit 14 e 15, ambas de 1997, que abordam a matéria e transcritas, sob o fundamento de que: "decisões exaradas em processos de consulta, representam entendimentos específicos da administração e não devem ser estendidos a outros dispositivos legais, ainda que sejam meras variações de incisos ou parágrafos do mesmo artigo de lei". As Decisões n°14 e 15 versam sobre matéria distinta daquela que é tratada no presente processo, os dispositivos que embasaram as decisões foram o art. 63 i do RIPI/82, o art. 89 do Regulamento Aduaneiro, enquanto que os elementos físicos que sedimentaram 11 Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 26 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assina do digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL a presente autuação, encontramse embasados no artigo 1° "c" do art. 8º i — d, ambos do GATT/1994.” As referidas decisões, contudo, podem ser aplicadas quando, como no caso, são realizadas por entidade de classe ou de categorias profissionais (art. 46, parágrafo único, do Decreto 70.235/72), estendendo os seus efeitos aos seus respectivos componentes associados. As citadas decisões, embora fundamentadas em dispositivos diversos dos da autuação, dispuseram de modo expresso o entendimento da administração superior sobre o regramento da matéria que constitui o cerne do litígio do presente processo, ao dispor a Decisão Cosit n° 14, que: "valoração — os valores pagos pelas concessionárias às detentoras do uso da marca no país, pelos serviços efetivamente contratados e prestados no Brasil, não constituirão acréscimos ao valor aduaneiro da mercadoria, para cálculo do valor do imposto de importação.” Examinando a exigência do IPI, dispôs a Decisão Cosit n° 15: "base de cálculo do IPI na importação os valores pagos pelas concessionárias às detentoras do uso da marca no país, em retribuição aos serviços de pesquisa mercadológica, treinamento de pessoal, divulgação, sustentação e representação da marca no país, não integram a base de cálculo do IPI nas importações realizadas pela importadora, ainda que as detentoras do uso de marca do país tenham atuado como agente de compras das importadoras.” Cumpre assinalar, que as decisões de órgãos superiores, por constituírem manifestações formais do entendimento e orientação da administração, devem ser observadas pelos órgãos subordinados, em homenagem a uniformização de procedimentos e a segurança jurídica que devem presidir o relacionamento da administração pública com os contribuintes jurisdicionados. Ademais, este e. CARF já aplicou as mencionadas decisões Cosit para decidir caso análogo, conforme se pode verificar do Acórdão30331146 a seguir transcrito: VALORAÇÃO ADUANEIRA DESPESAS PAGAS À DETENTORA DE USO DA MARCA HONDA, NO BRASIL, A TÍTULO DE COMISSÃO DE COMPRA. Para efeito do Art. 8º, § 1º alínea "a", inciso I do Acordo de Valoração Aduaneira promulgado pelo Decreto nº 92.930, de 16/07/1986 e reiterado pelo Decreto nº 1.355/94, as despesas pagas pela Importadora/ Concessionária às detentora do uso da marca estrangeira, no Brasil, não integram o valor aduaneiro. Inteligência da Decisão COSIT nº 14/1997, a respeito dessas despesas. Preliminar de decadência rejeitada, com base nos artigos 149, parágrafo único e 173, inciso I do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.(Sessão de 17/02/2004) 12 Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 26 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assina do digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.341 Destaco, por fim, que, mesmo tendo ocorrido a perempção do direito da autuada de apresentar recurso voluntário, a decisão proferida no presente processo, se confirmada favorável à Recorrente, será aplicável à autuada face aos efeitos da solidariedade previsto no Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. (grifos acrescidos) Como se pode verificar, o citado artigo 125 prevê que ocorrendo quaisquer das hipóteses de extinção do crédito tributário para um dos devedores obrigados ela se estende aos demais. Assim, havendo decisão favorável ao devedor solidário ela inevitavelmente deverá se estender ao devedor principal, no caso a COIMEX. Assim, por entender que os valores pagos pelas concessionárias às detentoras do uso da marca por serviços prestados no país, após a nacionalização dos bens, não constituem ajustes ao valor aduaneiro da mercadoria para cálculo dos tributos, e considerando que a prova produzida ao longo de todo o processo não conseguiu evidenciar a ocorrência de situações que autorizassem os ajustes previstos no art. 8° do Acordo de Valoração Aduaneira e, consequentemente, modificassem o valor de transação nas operações efetuadas, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, concluindo pela insubsistência do auto de infração. É como voto. Raquel Motta Brandão Minatel Declaração de Voto A autuação (para exigência de II e IPIimportação, com multa de ofício e juros de mora) alicerçase no entendimento de que houve vinculação entre exportador e importador, e que foi declarado a menor o valor aduaneiro na importação de veículos pela 13 Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 26 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assina do digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL recorrente. Argumentase que a recorrente (Coimex) atuou como mera intermediária para obtenção de benefícios do FUNDAP, mas a transação era feita entre a Mitsubishi Motor Co. e a MMC Automotores do Brasil LTDA (que tinha poder de mando na operação). Assim, houve vinculação “indireta com relação à Coimex e direta com relação à MMC Automotores do Brasil LTDA” (que é considerada como responsável solidária, na autuação). A fundamentação normativa utilizada é o Decreto no 92.930, de 16/7/1986, que promulga o “Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio” (Código de Valoração Aduaneira), aprovado pelo Decreto Legislativo no 9, de 8/5/1981 (e vigente ao tempo dos fatos narrados na autuação declarações de importação de 28/04/1994 a 14/12/1994). Apesar de entender ter havido vinculação, a autoridade aduaneira não afasta o primeiro método de valoração, mas promove ajuste na forma do Artigo 8, 1, “a”, “i” do Acordo, acrescentando “ao preço da transação os valores pagos aos representantes dos exportadores como comissão pelo uso da marca”. Dispõe o art. 8, 1, “a”, “i” do Acordo: “Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do artigo 1o, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (a) os seguintes elementos, na medida em que sejam suportados pelo comprador mas não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias; i) comissões e corretagens, excetuadas as comissões de compra;” Na impugnação apresentada pela recorrente, manifestase oposição à revisão aduaneira, que deveria ser restrita a erro de fato, e se questiona o iter utilizado, em face do Código de Valoração Aduaneira (artigo 1, 2, “a”), devendo o ônus probatório ser do fisco, sendo incabível a inversão no caso em análise. No mérito, alegase que inexiste a referida vinculação entre comprador e vendedor, de acordo com o Art. 15, 4 e 5 do Acordo, que não houve atuação como intermediária na importação, e que, portanto, está correto o valor aduaneiro declarado, sendo incabíveis (além de não justificados) os ajustes feitos pela fiscalização. Derradeiramente, sustentase que as Decisões Cosit no 14 e 15, de 1997, afastam expressamente a pretensão fiscal. A impugnação da MMC Automotores do Brasil LTDA vem no mesmo sentido, acrescendose linha argumentativa pela ilegitimidade passiva e sustentação pela decadência. No julgamento de primeira instância, entendese, a nosso ver, corretamente, que não houve decadência e que é possível a revisão aduaneira do valor aduaneiro declarado, não sendo tal revisão restrita a “erro de fato”. O julgador a quo afirma ainda que o lançamento foi efetuado com base em documentação fornecida pela MMC (fls. 403 a 483) e que havia deixado de ser acrescentado ao valor declarado o montante correspondente à despesa e/ou custo suportado pelo comprador, intitulado “licença para uso da marca”, nos termos do Art. 8, 1, “a”, “i” e “c” do Acordo, dispositivo aplicável a importações de qualquer natureza, independentemente da existência de vinculação entre exportador e importador. Vejase que, em primeiro plano, a linha adotada pelo julgador torna irrelevante a vinculação, que toma a maior parte da argumentação expendida na autuação (e sob a qual versa a discussão, inclusive, sobre o ônus probatório). Nas palavras do próprio julgador: 14 Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 26 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assina do digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.341 “Portanto, apesar de os autuantes terem concluído pela existência de vinculação entre comprador e vendedor, nos termos do Acordo de Valoração Aduaneira, tal fato perde relevância na medida em que foi aceito, como visto anteriormente, para a composição do valor aduaneiro, o valor de transação declarado.” Na sequência, acrescenta o julgador de primeira instância uma alínea ao enquadramento constante na autuação a alínea “c” do Art. 8, 1 do Acordo, que dispõe: “Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do artigo 1o, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (c) “royalties e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais “royalties” e direitos de licença não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar;” A situação piora quando o julgador rechaça a aplicação das Decisões no 14 e no 15/97, da Cosit, que tratam do Art. 8, 1, “a” do Acordo: “(...) convém enfatizar que as Decisões nos 14 e 15 versam sobre matéria distinta daquela que é tratada no presente processo. Observase que os dispositivos legais que embasaram as referidas Decisões foram o art. 63, I, “a” do RIPI/82, o art. 89 do Regulamento Aduaneiro e o art. 8o, I, “a” do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do GATT 1994, enquanto que os elementos fáticos que sedimentaram a presente autuação encontramse embasados no art. 1 o , “c”, e no art. 8 o , I, “d”, ambos do GATT/1994”. (grifo nosso) Vejase que além de a decisão novamente agregar dispositivos à fundamentação legal da autuação, extrapolando o único enquadramento utilizado pelo autuante (Art. 8, 1, “a” do Acordo, exatamente o dispositivo objeto das Decisões da Cosit), há um equívoco cronológico: a autuação é calcada no Código de Valoração Aduaneira, de 1979, aprovado pelo Decreto Legislativo no 9, de 8/5/1981 e promulgado pelo Decreto no 92.930, de 16/7/1986. Na época dos fatos (declarações de importação de 28/04/1994 a 14/12/1994) não era vigente no Brasil o Acordo de Valoração Aduaneira do GATT/1994, que foi aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15/12/1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30/12/1994. Os Acordos resultantes da Rodada Uruguai do GATT entraram em vigor no Brasil em 31/12/1994. A tentativa “heroica” do julgador de “salvar” o lançamento fiscal não passa despercebida, e é frontalmente combatida em sede de recurso voluntário. Em nosso olhar, apesar de o julgamento de primeira instância ter sido pela procedência do lançamento, revelase uma sensação diversa na leitura de seu teor. Parece ter sido julgada improcedente a autuação, na forma em que foi efetuada, mas que esta teria sido 15 Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 26 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assina do digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL procedente se feita a partir do novo enquadramento e da nova roupagem que lhe deu o julgador. Essa mescla de julgador/autuante, contudo, não se coaduna com a sistemática processual preconizada pelo Decreto no 70.235/1972. Assim, seja pela ausência de comprovação e de consistência na argumentação expendida pelo fisco na autuação, na qual eram protagonistas o Art. 8, 1, “a” do Acordo e a tese da vinculação, seja pela inovação argumentativa na decisão de primeira instância (aliada ao art. 59, § 3o do Decreto no 70.235/1972), voto pelas conclusões, acolhendo o recurso voluntário. Rosaldo Trevisan 16 Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 26 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assina do digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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Numero do processo: 35301.010318/2005-10
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 19/05/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP - PREVIDENCIÁRIO
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Em se tratando de Auto de Infração por não ter a empresa informado em GFIP a totalidade dos fatos geradores, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN.
RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE.
É nulo, por vício material, o Relatório Fiscal que não demonstra de forma clara e precisa todas as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, bem como, os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, de forma a possibilitar ao contribuinte o pleno direito à ampla defesa e ao contraditório.
NFLD CORRELATAS - RELATÓRIO FISCAL DA NFLD COLACIONADO AOS AUTOS
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores.
Processo Anulado
Numero da decisão: 2401-003.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 11/1999. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landin e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que declaravam a decadência da totalidade do lançamento. Por maioria de votos, declarar a nulidade do lançamento por vício material. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que declarava a nulidade por vício formal e o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, que não anulava o lançamento. Designada para redigir o voto vencedor, na parte referente à declaração de nulidade, a conselheira Carolina Wanderley Landin.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Carolina Wanderley Landim Redatora Designada
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 19/05/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP - PREVIDENCIÁRIO O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Em se tratando de Auto de Infração por não ter a empresa informado em GFIP a totalidade dos fatos geradores, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo, por vício material, o Relatório Fiscal que não demonstra de forma clara e precisa todas as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, bem como, os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, de forma a possibilitar ao contribuinte o pleno direito à ampla defesa e ao contraditório. NFLD CORRELATAS - RELATÓRIO FISCAL DA NFLD COLACIONADO AOS AUTOS A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores. Processo Anulado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 11/1999. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landin e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que declaravam a decadência da totalidade do lançamento. Por maioria de votos, declarar a nulidade do lançamento por vício material. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que declarava a nulidade por vício formal e o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, que não anulava o lançamento. Designada para redigir o voto vencedor, na parte referente à declaração de nulidade, a conselheira Carolina Wanderley Landin. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Carolina Wanderley Landim Redatora Designada Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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Em se tratando de Auto de Infração por não ter a empresa informado em GFIP a totalidade dos fatos geradores, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo, por vício material, o Relatório Fiscal que não demonstra de forma clara e precisa todas as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, bem como, os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, de forma a possibilitar ao contribuinte o pleno direito à ampla defesa e ao contraditório. NFLD CORRELATAS RELATÓRIO FISCAL DA NFLD COLACIONADO AOS AUTOS A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores. Processo Anulado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 01 03 18 /2 00 5- 10 Fl. 820DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 11/1999. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landin e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que declaravam a decadência da totalidade do lançamento. Por maioria de votos, declarar a nulidade do lançamento por vício material. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que declarava a nulidade por vício formal e o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, que não anulava o lançamento. Designada para redigir o voto vencedor, na parte referente à declaração de nulidade, a conselheira Carolina Wanderley Landin. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Carolina Wanderley Landim – Redatora Designada Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 35301.010318/200510 Acórdão n.º 2401003.004 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de retorno de diligência comandada por meio da Resolução nº 2401 00.185 desta 4ª Câmara de Julgamento no intuito de identificar o andamento das NFLD vinculadas aos fatos geradores constantes desse Auto de infração, evitando decisões discordantes, fl. 398. Para retomar as informações pertinentes ao processo , importante destacar as informações acerca do lançamento efetuado. Tratase de Auto de Infração lavrado em 19/05/2005, em face da empresa em epígrafe, sob o n.35.804.5258, em razão da constatação da infração prevista no artigo 32, inciso IV; e § 5o da Lei n° 8212/91, que consiste na conduta do contribuinte de apresentar o documento de que trata o artigo 32. IV. § 3o . com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Segundo o relatório fiscal da infração, a empresa deixou de declarar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, nas competências 01/1999 a 01/2000, os fatos geradores das contribuições previdenciárias pagas aos segurados contribuintes Individuais , aos segurados datilógrafos (caracterizados como empregados) e dos sócios que receberam remunerações sob a forma de Pro Labores. Informa o citado relatório que a relação nominal dos segurados não informados na GFIP, bem como a remuneração de cada um encontrase nas Planilhas anexas ao Auto de Infração, da seguinte forma: Planilha 01 Relação dos Datilógrafos e remunerações correspondentes: Planilha 02 Relação dos Contribuintes Individuais (autônomos) e respectivas remunerações; \ Planilha 03 Relação dos sócios com os Pro Labores Recebidos. Segundo o Relatório de Aplicação da Multa, em decorrência da Infração cometida for aplicada muita no valor de R$ 63.978.25 correspondente a cem por cento do valor relativo às contribuições não declaradas, demonstradas nas Planilhas 01, 02 e 03 anexas ao Auto de Infração, limitadas aos valores previstos no art. 32, inciso IV, parágrafo quinto da Lei n. 8.212/91. Com referência aos datilógrafos que foram caracterizados como segurados empregados, foram excluídas do cálculo da multa as contribuições para Terceiros. A capitulação legal da multa encontrase no art. 284, II do RPS, c/c o art. 32, inciso /V. parágrafo quinto da Lei 8.212/91, atualizada pela Portaria Ministerial n. 822:de 11/05/2005. Importante destacar que a autuação ocorreu em 19/05/2005, tendo a cientificação ocorrido no mesmo dia. Tempestivamente, o contribuinte apresentou sua defesa, alegando que procedeu à correção da falta, a qual foi apreciada pela Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro que, por meio da DecisãoNotificação n° 17.401.4/0160/2005, julgou procedente o lançamento, fl. 170 a 173 trazendo a decisão, a seguinte ementa: Fl. 822DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 A UTODEINFRAÇÃO. GFIP. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias caracteriza descumprimento de obrigação acessória. CORREÇÃO DA FALTA. A entrega de GFIP informando parte dos fatos geradores omitidos na competência implicará a atenuação ou a relevação da multa, na proporção do valor das contribuições sociais previdenciárias relativas aos fatos geradores informados, exceto quanto aos fatos geradores não relacionados no Relatório Fiscal e quanto à diferença entre o valor " total relativo à contribuição não declarada e o limite máximo estabelecido para a aplicação da multa. AUTUAÇÃO PROCEDENTE COM RELEVAÇÃO PARCIAL Intimado da decisão, o contribuinte ingressou com recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme razões aduzidas às fls. 184/188, em que alega que procedeu à correção integral da falta e requer seja o presente recurso provido para retornara DecisãoNotificação n° 17.401.410160/2005, cancelandose a multa aplicada, por ser medida de justiça que se impõe. (fl. 520 a 524) Em face das alegações e dos documentos apresentados, após diligência fiscal, a Receita Federal do Brasil no Rio de janeiro, por meio da DecisãoNotificação n° 17.401.0039/2006, procedeu à reforma da DN n° 17.401.4/0160/2005, trazendo a atual decisão a seguinte ementa: AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias caracteriza descumprimento de obrigação acessória. CORREÇÃO DA FALTA A entrega de GFIP informando parte dos fatos geradores omitidos na competência implicará a atenuação ou a relevação da multa, na proporção do valor das contribuições sociais previdenciárias relativas aos fatos geradores informados, exceto quanto aos fatos geradores não relacionados no Relatório Fiscal e quanto à diferença entre o valor total relativo à contribuição não declarada e o limite máximo estabelecido para a aplicação da multa. , AUTUAÇÃO PROCEDENTE COM RELEVAÇÃO PARCIAL referida decisão . em SãoRequer a consideração do prazo decadencial de cinco anos, nos termos do artigo 150, § 4a do Código Tributário Nacional CTN e, pretenso débito refere ao período de janeiro de 1999 a junho de 2002, portanto, deve o presente auto de infração ser julgado extinto, eis que os pretensos créditos decaíram, conforme restou demonstrado. O contribuinte apresenta adendo ao recurso, fls. 363/366 em que solicita reforma da decisão para que seja também cancela a parcela remanescente da multa, com base no disposto no artigo 291, parágrafo Io , do Decreto n° 3.048/99, ante a correção total da infração cometida, como antes demonstrado. Outrossim, protesta a Recorrente, desde já, pela posterior juntada aos autos de novos documentos que demonstrem a insubsistência da presente autuação. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 35301.010318/200510 Acórdão n.º 2401003.004 S2C4T1 Fl. 4 5 Sem contrarrazões vêm os autos para julgamento. O Processo foi baixado em diligência no intuito de identificar o andamento da NFLD correlata, fls. 397 a 399. É o relatório. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Tratandose de retorno de diligência comandado por este conselho, despiciendo a análise dos pressupostos, tendo em vista já terem sido avaliados quando do primeiro julgamento. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: DA DECADÊNCIA Antes mesmo de apreciar o mérito da autuação, relevante identificar a aplicação do prazo decadencial para o fisco constituir os créditos objeto deste Auto de Infração. Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD, constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações Fl. 825DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 35301.010318/200510 Acórdão n.º 2401003.004 S2C4T1 Fl. 5 7 previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está Fl. 826DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 8 adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do Fl. 827DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 35301.010318/200510 Acórdão n.º 2401003.004 S2C4T1 Fl. 6 9 exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da Fl. 828DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 10 verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 829DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 35301.010318/200510 Acórdão n.º 2401003.004 S2C4T1 Fl. 7 11 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito anteriormente, tratase de lavratura de Auto de Infração por não ter a empresa comprovado o lançamento contábil na forma devida de alguns pagamentos feitos ainda no ano de 1997. Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Assim, no lançamento em questão a lavratura do AI deuse em 19/05/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido NO MESMO DIA, os fatos geradores Fl. 830DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 12 ocorreram no período de 01/1999 a 01/2000, dessa forma, deve ser excluída a multa até 11/1999 pela aplicação do art. 173, I do CTN. Apenas para esclarecer, apesar de nos autos do processo n.° 35301.004932/200534, da NFLD DEBCAD n.°35.804.5223, Acórdão 240100.959, de 28/01/2010, baixada pela aplicação do prazo decadencial em relação a todo o lançamento da obrigação principal, outro destino deve ser dado em relação a obrigação acessória, considerando serem aplicados dispositivos diferentes para efeitos da decadência. Isto posto, remanesce a autuação em relação as competências 12/1999 e 01/2000. DO MÉRITO Remanescendo competências não decadentes, passamos a apreciar o mérito da autuação, observando, se os valores descritos como fatos geradores procedem. Embora, em se tratando de AI por ausência de informação em GFIP, a procedência do AI está diretamente relacionada a procedência da NFLD, não é possível, no presente caso, fazer essa correlação, posto que a NFLD que descreve os fatos geradores ter sido extinta, sem julgamento de mérito, pela aplicação do prazo decadencial em sua totalidade. Assim, competenos averiguar nos presentes autos, se os fatos geradores realmente existem, para só então determinar a obrigação de informálos em GFIP. No relatório da infração, fl. 326, assim descreveu a autoridade fiscal a infração: A empresa deixou de declarar na Guia do Recolhimento do Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, nas competências 01/1999 a 01/2000, os fatos geradores das contribuições previdenciárias pagas aos segurados contribuintes individuais , aos segurados dagtilógrafos (caracterizados como empregados) e dos sócios que receberam remunerações sob a forma de Pro Labores. A relação nominal dos segurados não informados na GFIP, bem como a remuneração de cada um encontrase nas Planilhas anexas ao Auto de Infração, da seguinte forma: Planilfia 01 Releção dos Datilógrafos e remunerações correspondentes; Planilha 02 Relação dos Contribuintes Individuais (autônomos) e respectivas remunerações^ Planilha 03 Relação dos sócios com os Pro Labores Recebidos. O dispositivo legal infringido foi o art. 32, inciso I V , parágrafo quinto da Lei n. 8.212/91 Ou seja, resta evidente, pela descrição acima, ser impossível apreciar a procedência dos fatos geradores. Porém, embora em um primeiro momento, nosso entendimento seja encaminhado a determinar a nulidade da autuação pela impossibilidade de determinar a procedência das contribuições (face a falta de caracterização), devemos levar em consideração, que os AI de omissão em GFIP, são geralmente lavrados em conjunto com NFLD. Tanto o é, que anteriormente o mesmo processo foi baixado em diligência (resolução 2401000.185, para que se identificasse o andamento da NFLD correlata, sendo inclusive juntado aos autos cópia do relatório fiscal e do acordão que determinou o provimento do Fl. 831DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 35301.010318/200510 Acórdão n.º 2401003.004 S2C4T1 Fl. 8 13 recurso voluntário face a aplicação da decadência quinquenal. Senão vejamos os termos da diligência (fls. 396 a 398): Em que pesem as razões de fato e de direito trazidas pelo contribuinte durante todo procedimento fiscal, especialmente no seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, que prejudica a análise do mérito. Conforme relatado, a presente autuação foi lavrada em virtude de a empresa ter apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS e Informações da Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias nas competências nas competências 01/1999 a 01/2000. os fatos geradores das contribuições previdenciádas pagas aos segurados contribuintes Individuais , aos segurados dagtilágrafos (caracterizados como empregados) e dos sócios que receberam remunerações sob a forma de Pro Labore De início, importa salientar que, não obstante tratarse de autuação face a inobservância de obrigações acessórias, os ftos geradores da infração estão ligados basicamente à procedência das exigências consubstanciadas na Notificações Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD n° 35.804.5223 nas quais o fisco previdenciário procedeu a lançamentos de contribuições incidentes sobre remunerações de segurados contribuintes individuais, aos seguraos datilógrafos (caracterizados como empregados) e dos sócios que receberam remunerações sob a forma de prolabore. Dessa forma, a presente autuação guarda íntima relação de causa e efeito com a Notificação citada, a qual deverá ser julgadas primeiramente, para que, somente assim, reste corroborado o entendimento da fiscalização constante deste lançamento. È de se ver, então, que somente após o julgamento da referida NFLD. é que se poderá inferir com a segurança que o caso exige, que a contribuinte, de fato, apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias no período de 01/1999 a 01/2000, fatos geradores, esses, lançados naquela notificação. Assim, para evitar decisões discordantes fazse imprescindível a análise conjunta com as referidas Notificações Fiscais. Dessa forma, devem ser prestados esclarecimentos acerca do andamento da NFLD conexa. Caso a referida NFLD já tenha sido quitada, parcelada ou julgada deve ser colacionada tal informação aos presentes autos. No caso. requer seja realizado detalhamento acerca do resultado da NFLD. do período do crédito e da matéria objeto da citada NFLD, para que se possa identificar corretamente a correlação e proceder ao julgamento do auto em questão. Caso, ainda não tenha sido julgada no âmbito do CARF, deve o encaminhamento ser no sentido de julgamento conjunto com a NFLD correlata, após a identificação da mesma com o n°. do processo e do DEBCAD. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 14 Assim, valhome desse relatório, anexado aos autos, para identificar a procedência da NFLD (DEBCAD 35.804.5223) em relação ao mérito da questão, já que a própria diligência encaminhada por esse colegiado, deixava claro a correlação entre a NFLD e o resultado do AI. Os Fatos Geradores das contribuições lançadas foram os serviços prestados por ajudantes datilógrafos, conform e informações colhidas em Folhas d e Pagamentos e Recibos de Pagamentos, (cópias anexas à N F L D ), para os quais a empresa dava o tratamento de contribuintes individuais autônomos , no entanto a fi scaliza ção descaracterizou esta situação enquadrando os mesmos, como segurados empregado s perante o Regime Geral de Previdência Social face a constatação dos pressupostos subordinação , remuneração e não eventualidade, contidos no art. 12, I, alínea" a " da Lei n. 8 . 2 1 2 , que assim dispõe: Ari. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; 7. A remuneração está bem definida nas Folhas de Pagamentos e Recibos de Pagamentos estes últimos assinados pelos prestadores de serviços como forma de quitação , nos quais constava o quantum recebido por cada datilografo que era e s t i p u l a d o por t a r e f a s , c u seja, não h a v i a p a g a m e n t o s iguais p a r a t o d o s , pois v a r i a v a d e a c o r d o c o m as t a r e f a s p r e s t a d a s. 8. A s u b o r d i n a ç ã o está c o m p r o v a d a de f o r m a i n e q u í v o c a , pois os s e r v i ç o s eram prestados d e n t r o das d e p e n d ê n c i a s da empresa, s e n d o q u e os d a t i l ó g r a f o s f i c a v am sob as ordens e s u p e r v i s ã o de um f u n c i o n á r i o da e m p r e s a c h a m a d o de C o o r d e n a d o r , que controlava a p r e s e n ç a dos m e s m o s , p o r t a n t o , de f o r m a a l g u m a p o d e r i a haver i n d e p e n d ê n c i a nos serviços p r e s t a d o s p e l o s d a t i l ó g r a f o s. 9. A n ã o e v e n t u a l i d a d e d o s s e r v i ç o s p r e s t a d o s p e l o s d a t i l ó g r a f o s t a m b é m e s t á b em c l 2 r a , haja v i s ta a n e c e s s i d a d e da c o n t i n u i d a d e . d o s s e r v i ç o s p r e s t a d o s pelos m e s m o s , exercendo a f u n ç ã o d e A j u d a n t e s de S e c r e t á r i a , c o n f o r m e c o n s t a nas folhas de p a g a m e n t o s , cópias em a n e x o , ou seja, prestando serviços que requer p r e s e n ç a c o n t i n u a nas d e p e n d ê n c i a s da e m p r e s a , d a t i l o g r a f a n d o recibos de p a g a m e n t o s de alunos e e x e r c e n d o outras funções i n e r e n t e s aos s e r v i ç o s de d a t i l o g r a f i a s , s e r v i ç o s estes, n e c e s s á r i o s ao b o m a n d a m e n t o da a t i v i d a d e a q u e se p r o p õ e a e m p r e s a , q u e é a d e m i n i s t r a r c u r s o s d e i d i o m a s. 10. Ponanto, face à c o n s t a t a ç ã o dos requisitos, remuneração, s u b o r d i n a ç ã o e não e v e n t u a l i d a d e e m r e l a ç ã o aos s e r v i ç o s p r e s t a d o s p e l o s s e g u r a Fl. 833DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 35301.010318/200510 Acórdão n.º 2401003.004 S2C4T1 Fl. 9 15 d o s d a t i l ó g r a f o s , a f i s c a l i z a ç ão d e s c a r a c t e r i z o u os m e s m o s da c o n d i ç ã o de s e g u r a d o s c o n t r i b u i n t e s i n d i v i d u a i s a u t ô n o m o s e p a s s o u a e n q u a d r á l o s como segurados e m p r e g a d o s vinculados ao RGPS, e c o b r a n d o as c o n t r i b u i ç õ e s c o r r e s p o n d e n t e s . Também naqueles autos, argumento o recorrente quanto ao mérito do lançamento, fls. 334 a 343: Por fim, mas não menos importante, releva notar que, da leitura da planilha anexada à Impugnação, verificamos claramente inexistir o requisito da habitualidade ou não eventualidade a caracterizar o vínculo empreqatício entre os autônomos e a ora Recorrente pretendido pela Fiscalização. Isto porque, há exemplos de autônomos que, num período de 5 (cinco) anos, apenas 1 (uma) única vez prestaram serviços à Recorrente, inexistindo, portanto, a habitualidade ou o caráter de permanência ou continuidade. Como exemplo, podemos citar, dentre tantos outros, os seguintes autônomos, constantes da planilha acostada à Impugnação, a qual sequer foi citada na decisão de 1 a instância: Débora Martins Santana: somente prestou serviços 1 (uma) única vez à Recorrente, em 06/96 (pág. 01 da planilha acostada à Impugnação); Leonardo Soares: somente prestou serviços 1 (uma) única vez à Recorrente, em 06/96 (pág. 01 da planilha acostada à Impugnação); Bianca Fortunato: somente prestou serviços 2 (duas) vezes à Recorrente, em 12/98 e 01/99 (págs. 45 e 48 da planilha acostada à Impugnação). É importante ressaltar trecho da r. decisão ora recorrida na qual a Autoridade Julgadora justifica a alegada caracterização, de trabalhadores autônomos, como verdadeiros empregados da Recorrente, o que os tornaria, portanto, segurados obrigatórios da Previdência Social: "O requisito para caracterização do segurado empregado não é a habitualidade do empregado, como afirma a Impugnante, mas a natureza não eventual do serviço, conforme o disposto no artigo 12, inciso I, da lei n° 8.212/91." Ora, Exas., com tal afirmativa o julgador da primeira instância, a fim de justificar o lançamento efetuado nos presentes autos, diz que a habitualidade seria conceito diverso da não eventualidade. Ao mesmo tempo, reconhece ser a não eventualidade o requisito para caracterização do segurado empregado. Ora, mas o que significa, então, a não eventualidade? Busquemos sua definição em alguns dos mais respeitáveis doutrinadores do Direito do Trabalho. Fl. 834DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 16 Tratando da definição de empregado, o eminente Professor de Direito do Trabalho da Faculdade de Direito da USP e Juiz Titular da 33a Vara do Trabalho de São Paulo SERGIO PINTO MARTINS cita como um de seus requisitos o caráter não eventual da prestação do serviço, in verbis: "O serviço prestado pelo empregado deve ser de caráter não eventual, e o trabalho deve ser de natureza contínua, não podendo ser episódico, ocasional. Um dos reguisitos do contrato de trabalho é a continuidade na prestação de serviços, pois aguele pacto é um contrato de trato sucessivo, de duração, que não se exaure numa única prestação (...)."12 Por seu turno, o Professor e Juiz do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais MAURICIO GODINHO DELGADO destaca a idéia de permanência no Direito do Trabalho para a configuração da relação empregatícia: "De outro lado, a idéia de permanência vigora no Direito do Trabalho no próprio instante da configuração do tipo legal da relação jurídica empregatícia. Através do elemento fático jurídico da não eventualidade, o ramo justrabalhista esclarece que a noção de permanência também é relevante à formação sociojurídica da categoría básica que responde por sua origem e desenvolvimento. Nesse sentido, para que haja relação empregatícia, é necessário que o trabalho prestado tenha caráter de permanência (ainda que por um curto período determinado), não se qualificando como trabalho esporádico. A continuidade da prestação (antítese à eventualidade) é, inclusive, expressão acolhida pela Lei 5859/72 (Lei do Trabalho Doméstico), que se refere a 'serviços de natureza contínua'.13 Cumpre ainda esclarecer que todos os contribuintes individuais autônomos que a Fiscalização Previdenciária pretende enquadrar como verdadeiros segurados empregados da Recorrente prestaram serviços de datilógrafos, atividade essa que não consiste na atividade fim da empresa, e ainda, frisese, de forma não continuada, sem o intuito de permanência. Ao confrontarmos o relatório fiscal, e o termos do recurso, identifico, que o auditor fiscal deixou de apresentar elementos fáticos para comprovar a caracterização do vínculo de emprego. A descrição acerca da existência de vínculo de emprego mostrase eminentemente teórica, sem descrever como realmente davase a prestação de serviços. Isto posto, face a falha na caracterização do fato gerador no relatório fiscal da NFLD correlata, o que implicaria a nulidade daquele lançamento por vício formal, igual destino deve ser atribuído a NFLD correlata, face a evidente correlação entre os processos. Assim, declaro a nulidade por vício formal do lançamento. É pertinente também destacar, que entendo que a nulidade que alcança os levantamentos acima descritos é formal, visto não ter o auditor formalizado da maneira devida o lançamento em relação a caracterização do vínculo de emprego dos datilógrafos. Nesse sentido, podese identificar que a nulidade é aplicável por não ter o auditor fiscal discriminado de forma clara e precisa, os fatos geradores, visto não ter demonstrado que os serviços foram executados mas, faltou descrever elementos fáticos da prestação de serviços. Fl. 835DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 35301.010318/200510 Acórdão n.º 2401003.004 S2C4T1 Fl. 10 17 Dessa forma, entendo que a falta da descrição pormenorizada levaria a anulação da NFLD por vício formal, por se tratar do não preenchimento de todas as formalidades necessárias a validação do ato administrativo, conforme destaco abaixo. Em uma concepção a respeito da forma do ato administrativo é incluída não somente a exteriorização do ato, mas também as formalidades que devem ser observadas durante o processo de formação da vontade da Administração, e até os requisitos concernentes à publicidade do ato. Nesse sentido é a lição de Maria Sylvia di Pietro, na obra Manual de Direito Administrativo, 18ª edição, Ed. Atlas, página 200. Na lição expressa de Maria Sylvia di Pietro, na obra já citada, página 202, in verbis: “Integra o conceito de forma a motivação do ato administrativo, ou seja, a exposição dos fatos e dos direitos que serviram de fundamento para a prática do ato; a sua ausência impede a verificação da legitimidade do ato.” Não se pode confundir falta de motivo com a falta de motivação. A motivação é a exposição de motivos, ou seja, é a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato realmente existiram. A motivação diz respeito às formalidades do ato. O motivo, por seu turno, antecede a prática do ato, correspondendo aos fatos, às circunstâncias, que levam a Administração a praticar o ato. São os pressupostos de fato e de direito da prática do ato. Na lição de Maria Sylvia di Pietro, pressuposto de direito é o dispositivo legal em que se baseia o ato; pressuposto de fato, corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato. A ausência de motivo ou a indicação de motivo falso invalidam o ato administrativo. No lançamento fiscal o motivo é a ocorrência do fato gerador, esse inexistindo torna improcedente o lançamento, não havendo como ser sanado, pois sem fato gerador não há obrigação tributária. Agora, a motivação é a expressão dos motivos, é a tradução para o papel da realidade encontrada pela fiscalização. Logo, se há falha na motivação, o vício é formal, se houver falha no pressuposto de fato ou de direito, o vício é material. Como exemplo nas contribuições previdenciárias: se houve lançamento enquadrando o segurado como empregado, mas com as provas contidas nos autos é possível afirmar que se trata de contribuinte individual, há falha no pressupostos de fato e de direito. Agora, se houve lançamento como empregado, mas o relatório fiscal falhou na caracterização; entendo que haveria falha na motivação; devendo o lançamento ser anulado por vício formal. A autoridade julgadora deverá analisar a observância dos requisitos formais do lançamento, previstos no art. 37 da Lei n ° 8.212. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para excluir a multa aplicada em relação aos fatos geradores até 11/1999, e no mérito ANULAR O AI POR VÍCIO FORMAL. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 18 Voto Vencedor Conselheira Carolina Wanderley Landin – Redatora designada Conforme já informado no voto da eminente relatora, Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, tratase de processo administrativo n. 35301.010318/200510, decorrente do Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessóriaDEBCAD de n. 35.804.5258, lavrado em virtude de ter a empresa deixado de declarar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, nas competências de 01/1999 a 01/2000, os fatos geradores das contribuições previdenciárias pagas aos segurados contribuintes individuais, aos segurados datilógrafos (caracterizados como empregados) e dos sócios que receberam remunerações sob a forma de pro labore. O referido processo foi baixado em diligência no intuito de identificar o andamento da NFLDDEBCAD nº 35.804.5223, sendo constatado que o conexo auto de infração relativo à obrigação principal foi cancelado por decadência pelo Acórdão nº 2401 00.959, proferido nos autos do processo administrativo n. 35301.004932/200534, cujo período autuado referiase às competências 02/1995 a 01/2000. Em virtude do acolhimento da decadência nos autos do processo administrativo 35301.004932/200534, Auto de Infração referente à obrigação principal, o seu mérito não foi apreciado, razão pela qual tal análise transferiuse para o bojo deste processo. Ocorre, todavia, que não há neste processo nenhum elemento que demonstre o que motivou a fiscalização a caracterizar os segurados contribuintes individuais como empregado. Por outro lado, o lançamento relativo à obrigação principal, que poderia conter tal fundamentação, foi fulminado pela decadência, não tendo a turma julgadora adentrado na análise da existência ou não dos elementos caracterizadores da relação de emprego. Diante de tal situação, não há meios de subsistir o presente Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, já que não é possível avaliar se houve ou não falta de recolhimento da contribuição patronal sobre a remuneração de supostos empregados da Recorrente. É, assim, patente a nulidade da presente cobrança, por vício material, já que, sem a efetiva descrição da infração cometida resta prejudicado o direito à ampla defesa do contribuinte, que tem o direito de conhecer com clareza a acusação contra si perpetrada, para atacála de forma apropriada. Vale ressaltar ainda que a Ilustre relatora, Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no intuito de avaliar a procedência da cobrança relativa à NFLD da cota patronal (obrigação principal), analisou as informações constantes no seu relatório fiscal e constatou que também naquele processo o auditor fiscal deixou de apresentar elementos fáticos para comprovar a caracterização do vínculo de emprego. Fl. 837DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 35301.010318/200510 Acórdão n.º 2401003.004 S2C4T1 Fl. 11 19 Nesse sentido, em virtude de não ser discriminado de forma clara e precisa os fatos geradores, a Conselheira relatora declarou a nulidade deste lançamento por vício formal. Com todo respeito ao raciocínio desenvolvido, entendo que não cabe a esta Turma julgadora apreciar o relatório fiscal do processo relativo à obrigação principal, o qual já foi inclusive julgado e baixado por decadência. Ademais, em razão de o auditor não ter formalizado da maneira devida o lançamento em relação à caracterização do vínculo de emprego dos datilógrafos, tratase de clara hipótese de nulidade por vício material. É nulo, por vício material, o Auto de Infração que não contenha, de forma irrestrita e pormenorizada, todos os elementos inerentes à exigência fazendária, de forma que o contribuinte possa exercer sua defesa de forma ampla, observando os demais princípios aplicáveis ao processo administrativo tributário. É materialmente nulo, portanto, o Relatório Fiscal que não demonstra de forma clara e precisa todas as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, bem como os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário. A Câmara Superior de Recursos Fiscais também já se manifestou nesse sentido. Vejamos: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias. Período de Apuração: 01/01/1997 a 30/09/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE MATERIAL. [...] Ocorre vício material quando o lançamento não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, quer pela insuficiência na decisão dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, é igualmente nulo por falta de materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. [...] Quando nos depararmos com um vício de natureza formal o principio pas de nullité sans grief ou o princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistemas rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincumbido do ônus de descrever a ocorrência do Fl. 838DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 20 fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. Recurso especial negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Processo n. 36944.005076/200612, recurso n. 248.835, sessão de 06 de novembro de 2012). Sendo assim, reconhecese a nulidade do auto de infração em virtude de vício material, vez que não houve uma perfeita descrição dos fatos, a saber, a ausência de elementos fáticos para comprovar a caracterização do vínculo de emprego, não sendo possível avaliar a presença desses elementos no lançamento relativo à obrigação principal, vez que o crédito tributário foi extinto por decadência. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por anular o lançamento, por vício material. É como voto. Carolina Wanderley Landin Fl. 839DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Numero do processo: 13629.000008/2008-04
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
FALTA DE RECOLHIMENTO. IRPJ. CSLL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. Mantém-se a exigência que toma por referência o faturamento e o lucro evidenciados na escrituração do sujeito passivo, regularmente reduzida em razão de retenções confirmadas na 1ª instância de julgamento, apesar de não escrituradas pelo sujeito passivo.
MULTA QUALIFICADA. ACUSAÇÃO DE REITERADA DECLARAÇÃO INEXATA. DÚVIDA. Se os elementos reunidos nos autos também permitem inferir que o sujeito passivo foi apenas negligente no cumprimento de suas obrigações acessórias, há dúvida que impõe a interpretação da lei que define infrações de maneira mais favorável ao acusado.
JUROS DE MORA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 1101-001.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Marcos Vinícius Barros Ottoni, Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 FALTA DE RECOLHIMENTO. IRPJ. CSLL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. Mantém-se a exigência que toma por referência o faturamento e o lucro evidenciados na escrituração do sujeito passivo, regularmente reduzida em razão de retenções confirmadas na 1ª instância de julgamento, apesar de não escrituradas pelo sujeito passivo. MULTA QUALIFICADA. ACUSAÇÃO DE REITERADA DECLARAÇÃO INEXATA. DÚVIDA. Se os elementos reunidos nos autos também permitem inferir que o sujeito passivo foi apenas negligente no cumprimento de suas obrigações acessórias, há dúvida que impõe a interpretação da lei que define infrações de maneira mais favorável ao acusado. JUROS DE MORA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
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IRPJ. CSLL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. Mantémse a exigência que toma por referência o faturamento e o lucro evidenciados na escrituração do sujeito passivo, regularmente reduzida em razão de retenções confirmadas na 1ª instância de julgamento, apesar de não escrituradas pelo sujeito passivo. MULTA QUALIFICADA. ACUSAÇÃO DE REITERADA DECLARAÇÃO INEXATA. DÚVIDA. Se os elementos reunidos nos autos também permitem inferir que o sujeito passivo foi apenas negligente no cumprimento de suas obrigações acessórias, há dúvida que impõe a interpretação da lei que define infrações de maneira mais favorável ao acusado. JUROS DE MORA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 00 08 /2 00 8- 04 Fl. 609DF CARF MF Impresso em 03/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13629.000008/200804 Acórdão n.º 1101001.291 S1C1T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Marcos Vinícius Barros Ottoni, Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 03/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13629.000008/200804 Acórdão n.º 1101001.291 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório REAL MG ENGENHARIA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 16/01/2008, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 1.528.349,15. Consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 05/13 que a contribuinte, embora movimentando R$ 21.687.444,24 no anocalendário 2004, apresentou DIPJ com valores zerados. Além disso, embora a DIPJ tenha sido entregue no formulário destinado ao lucro presumido, em parte das DCTF apresentadas havia indicação da opção pela sistemática do lucro real anual, e na outra parte pelo lucro real trimestral. Como não houve pagamento no primeiro período de apuração em que devido o IRPJ, a autoridade lançadora concluiu que a contribuinte se submetia à regra geral do lucro real trimestral, e ante a escrituração apresentada constatou falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre o lucro apurado no 2º e no 4º trimestres de 2004, sendo que no 1º e 3º trimestres de 2004 foi admitido o prejuízo fiscal informado pela contribuinte, até porque não encontradas irregularidades entre a escrituração e os depósitos bancários do período fiscalizado. No âmbito de incidência da Contribuição ao PIS, a contribuinte sujeitouse ao regime não cumulativo de janeiro a abril de 2004, e ao regime cumulativo a partir de maio/2004, nos termos do art. 10, inciso XX da Lei nº 10.833/2003, por realizar atividades de construção civil. Confrontados os valores devidos com os declarados de janeiro a março/2004, a autoridade lançadora apurou diferença a lançar apenas em fevereiro/2004. De abril a dezembro/2004 a contribuinte nada declarou e foram lançados integralmente os valores apurados. No âmbito de incidência da COFINS, em janeiro/2004 a contribuição ainda não havia sido alterada pela Lei nº 10.833/2003. Assim, a partir de fevereiro/2004 a apuração passou a se dar pela sistemática nãocumulativa, também alterada para cumulativa a partir de maio/2004. A Fiscalização apurou insuficiência de declaração em fevereiro/2004 e ausência de qualquer declaração a partir de abril/2004. A autoridade lançadora observou que a contribuinte não se encontrava mais em atividade no seu endereço cadastral, e seu contador relatou que ela estaria operando apenas a parte financeira. A exigência foi acrescida de multa qualificada, com exceção da Contribuição ao PIS e da COFINS devidas de janeiro a março/2004, porque em relação aos demais tributos e períodos, não obstante tenha escriturado seus livros fiscais com os valores de tributos a recolher, apresentou DIPJ com valores zerados para todo o anocalendário e nada declarou em DCTF, evidenciando a prática reiterada da PJ, de durante todo o restante do ano não declarar os valores devidos, com claro intuito de não recolher os tributos em questão, de modo que se não houvesse a intervenção da fiscalização, o prazo decadencial extinguiria o crédito tributário da União. Aduz a Fiscalização que se a intenção do contribuinte fosse apenas ficar inadimplente, pois não possuía recursos à época para recolher os tributos, teria declarado em DCTF sem fazer o recolhimento, à semelhança de como procedeu em relação às contribuições declaradas no 1º trimestre de 2004. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 03/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13629.000008/200804 Acórdão n.º 1101001.291 S1C1T1 Fl. 5 4 Impugnando a exigência, a contribuinte reportouse às retenções sofridas, colocou em dúvida o faturamento em razão da grave crise financeira que a levou, inclusive, à inatividade, afirmou inconstitucional a base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS na forma da Lei nº 9.718/98, defendeu a necessidade de exclusões da receita bruta na forma daquela lei, e pleiteou perícia contábil para demonstrar suas alegações. Discordou da aplicação da multa qualificada por ausência de prova do dolo, bem como da utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora. A Turma Julgadora, depois de converter o julgamento em diligência, reduziu as exigências em valores equivalentes às retenções confirmadas pela autoridade lançadora, e no mais rejeitou os argumentos da recorrente em acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2005 FALTA DE RECOLHIMENTO. Não logrando o contribuinte comprovar ter recolhido os valores apontados pelo Fisco como recolhimentos não efetuados, há que se manter o lançamento. Entretanto, dos valores apurados há que se subtrair os valores retidos, questionados pela impugnante e reconhecidos pela própria Fiscalização após diligência. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS, COFINS E CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. MULTA QUALIFICADA. A sistemática e reiterada declaração a menor da contribuição devida, em valores inferiores aos que seriam apurados de acordo com a escrituração contábil, representa prática de sonegação dolosa, com a finalidade de retardar o conhecimento pela autoridade fiscal das circunstâncias materiais da ocorrência do fato gerador. TAXA SELIC Havendo previsão legal da aplicação da taxa SELIC, não cabe à autoridade julgadora exonerar a correção dos valores legalmente estabelecida. A contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 550/601 em 01/09/2009, no qual inicialmente destaca os equívocos cometidos no lançamento, evidenciados na diligência solicitada pela autoridade julgadora de 1ª instância, e nega a existência de dolo haja vista que os documentos foram enviados a contabilidade, mas esta sim, não procedeu aos devidos envios de informações ao fisco. Em preliminar, afirma nulos os lançamentos por impossibilidade de autuação sem prova concreta definitiva. Invoca o princípio da legalidade, defendendo que quando do julgamento do processo administrativo fiscal, após verificados todos os elementos de prova e subsistindo dúvidas, o feito se apresenta sem força suficiente para ensejar a condenação do contribuinte. Apenas a existência de indícios ou presunções, não pode caracterizar o crédito tributário. Discorre sobre a conceituação de indícios e presunções e conclui que o lançamento fiscal baseado em juízo de probabilidade e presunção, conforme fora utilizado, não constitui prova concreta/definitiva e como tal não fornece ao julgador a certeza necessária para alicerçar o crédito tributário pretendido pelo fisco. E, como no caso em tela, não há nenhuma prova concreta das alegadas e autuadas infrações, resta afastada a segurança e certeza, que respaldam os princípios da legalidade e da tipicidade, bem como o repisado princípio da verdade real, razão pela qual devem ser declarados nulos os lançamentos na forma da jurisprudência e doutrina que cita. Acrescenta, porém, que extratos bancários não se prestam a Fl. 612DF CARF MF Impresso em 03/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13629.000008/200804 Acórdão n.º 1101001.291 S1C1T1 Fl. 6 5 comprovar qualquer tipo de infração ou ilicitude, se prova concreta, mas tão somente conjecturas e indícios, levados a autuação irresponsavelmente pelo fisco, sem comprovação de nexo causal, nem sequer de liame subjetivo. De toda sorte, caso não sejam canceladas as exigências, afirma equivocada a manutenção da multa de ofício aplicada em dobro sob o fundamento de que a contribuinte não apresentou a DSPJ com os valores concernentes aos supostos rendimentos omitidos, o que configuraria conduta dolosa. Isto porque não houve dolo vale dizer, evidente intuito de fraude , eis que o Recorrente encaminhou os competentes documentos para seu contabilista, para fins de cumprimento de escrituração e demais obrigações tributárias de natureza acessória, bem como porque o dolo não é presumível, sendo ônus fiscal a comprovação de sua ocorrência. Observa que a penalidade de 75% é aplicável nos casos de declaração inexata, e que sua duplicação exige a demonstração de sonegação, fraude ou conluio, situações que pressupõem a existência de dolo, no caso específico, qual seja, o intuito exclusivo e pré determinado de suprimir tributo, de furtarse ao cumprimento da obrigação tributária, sendo indispensável a verificação do elemento subjetivo, consistente na vontade de apropriarse indevidamente dos valores devidos ao fisco. In casu, como seus documentos foram regularmente enviados ao seu contabilista para escrituração, não resta caracterizado o dolo específico, e cumpriria à Fiscalização, frente aos indícios identificados, investigar e comprovar o dolo. Em suas palavras: Verdade é que poderia o contribuinte ter sido mais zeloso no acompanhamento do cumprimento de tais obrigações, certificandose de seu regular cumprimento. Ocorre, todavia, que a empresa passava por grandes dificuldades financeiras que resultaram inclusive, na presente inatividade anunciada pelo fisco no Termo de Verificação Fiscal o que lhe tornou amplamente desorganizada. Tal fato, conduto, não autoriza a configuração de dolo, mas de culpa/negligência, nos moldes do direito pátrio. Cita jurisprudência e conclui que a não apresentação de declaração completa, não autoriza a mera presunção de intuito de fraude, tal como aduziu o fisco no caso sub examine. Necessário seria, para se concluir nesse rumo, maior aprofundamento dos trabalhos fiscais e comprovação dos fatos. Mais à frente, discordando da manutenção da multa qualificada pela autoridade julgadora de 1ª instância, acrescenta que o contribuinte já foi penalizado por tal conduta ao ver aplicada a presunção de omissão de rendimentos (artigo 42 da Lei 9.430/96) e consequente inversão do ônus da prova. Defende que a penalidade deve ser dosimetrada, levandose sempre em conta a natureza e as circunstâncias da falta cometida, bem como a intenção do infrator, transcreve doutrina contra os contornos confiscatórios, inaceitáveis das penalidades, e invoca a aplicação dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade na forma de excertos doutrinários que cita, e conclui ser insana, exacerbada e imoral a aplicação de penalidade na forma aqui veiculada, reportandose também a jurisprudência judicial. Aduz, ainda, que a metodologia de apuração da penalidade contradiz o ordenamento pátrio, porque não se pode dizer que ocorreram diversas infrações independentes, que pudessem ser renovadas e majoradas mês a mês, porquanto são oriundas de um mesmo fato, qual seja, não ter respondido às intimações/pedido de esclarecimentos fiscais. Defende que frente ao cometimento de diversas supostas "infrações" da mesma espécie, as seguintes devem ser entendidas como continuação da primeira. Transcreve manifestações Fl. 613DF CARF MF Impresso em 03/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13629.000008/200804 Acórdão n.º 1101001.291 S1C1T1 Fl. 7 6 judiciais contra este tipo de aplicação de penalidade. Conclui que a imposição de penalidades múltiplas e de igual natureza enseja a declaração de nulidade do lançamento. Por fim, aborda a inconstitucionalidade da aplicação da Selic como juros de mora, discorrendo sobre sua natureza remuneratória e a ausência de lei válida que autorize a cobrança de juros superiores a 1% ao mês, e reportandose à vedação contida no art. 192, §3º da Constituição Federal. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 03/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13629.000008/200804 Acórdão n.º 1101001.291 S1C1T1 Fl. 8 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A recorrente afirma ter sido cientificada da decisão de 1ª instância em 05/08/2009, e a autoridade administrativa local, ao encaminhar os autos para julgamento (fl. 602), aponta que o recurso voluntário apresentado em 01/09/2009 é tempestivo. A intimação emitida para ciência da decisão de 1ª instância está datada de 09/06/2009 (fl. 542), mas às fls. 549 constam informações extraídas dos sistemas da Receita Federal em 04/08/2009 acerca do endereço da autuada e de seu sócio responsável, eventualmente para fins de ciência postal, ou mesmo pessoal da decisão de 1ª instância, especialmente ante a notícia consignada na acusação fiscal de que a autuada não mais operava em seu domicílio fiscal. Assim, na medida em que inexiste nos autos qualquer indicação acerca da forma adotada para ciência da decisão de 1ª instância, as evidências inicialmente referidas são suficientes para se admitir tempestivo o recurso voluntário. A defesa principia com questionamentos acerca da validade dos lançamentos, especialmente em razão da equivocada desconsideração das retenções por ela sofridas e do uso de presunções. A nulidade dos atos administrativos de lançamento é regida pelo Decreto nº 70.235/72, que em seu art. 59, inciso I, prevê a hipótese de lavratura por pessoa incompetente, e em seu art. 10 traça os requisitos essenciais para a formalização do auto de infração. Tais dispositivos legais alinhamse ao art. 142 do CTN, que também estabelece a formalização do lançamento por autoridade administrativa competente, e exige, para sua validade, a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo. Diante deste contexto, inexiste nulidade quando a autoridade lançadora deixa de considerar, na determinação do tributo a ser exigido, recolhimentos ou antecipações promovidos pelo sujeito passivo. Isto porque a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, nos termos do art. 142 do CTN, estão presentes quando a autoridade lançadora identifica a infração e recompõe a base tributável, determinando o tributo devido e promovendo o lançamento da parcela superior àquela inicialmente calculada pelo sujeito passivo. As deduções de recolhimentos e antecipações, a partir deste ponto, representam a extinção do crédito tributário, e a existência de parcela que surte tal efeito em relação ao valor exigido reveste a natureza de fato extintivo do direito do Fisco, que deve ser alegado pelo sujeito passivo em seus recursos administrativos. Ressaltese que, no presente caso, a autoridade lançadora apresentou justificativas, não contestadas, para concluir que a contribuinte sujeitavase à sistemática do lucro real trimestral para determinação do IRPJ e da CSLL, bem como a diferentes sistemáticas de incidência das contribuições sobre o faturamento, reconstituindo estas apurações para determinar o efeito da infração constatada, consoante determina o art. 24 da Lei nº 9.249/95. Logo, não há erro de direito na apuração do crédito tributário, mas mero erro de fato, corrigido Fl. 615DF CARF MF Impresso em 03/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13629.000008/200804 Acórdão n.º 1101001.291 S1C1T1 Fl. 9 8 pela autoridade julgadora de 1ª instância ante a confirmação das retenções redutoras dos tributos aqui exigidos. Acrescentese que, uma vez instaurada a fase litigiosa do procedimento fiscal, cabe à autoridade julgadora analisar a procedência ou não do lançamento fiscal, mediante apreciação das alegações de defesa apresentadas pelos interessados, inclusive quanto à exatidão dos cálculos da exigência fiscal, cujo exame constitui matéria de mérito. A mudança do critério jurídico, nos termos do art. 146 do CTN, somente ocorreria quando a autoridade julgadora, ao analisar um lançamento completo e acabado, refaz sua materialidade e sua fundamentação. Eventual correção dos cálculos da exigência não acarreta qualquer alteração do critério jurídico, se mantida a motivação original do lançamento e a forma de apuração adotada pela autoridade lançadora. Não fosse assim, e os julgamentos administrativos sempre resultariam em procedência ou improcedência do lançamento, e nunca em procedência parcial. No mais, quanto ao uso de presunções, sendo esta um meio de prova nos termos do art. 212, inciso IV, do Código Civil, seu uso prestase a evidenciar a ocorrência dos fatos afirmados pela Fiscalização e, em consequência, integra o mérito do lançamento que será, na sequência, apreciado. De toda sorte, esclareçase que os extratos bancários não foram requisitados às instituições financeiras, mas sim apresentados pela própria contribuinte, em resposta à intimação fiscal (fls. 41/49) e a autoridade fiscal não identificou irregularidades no registro contábil destas operações, determinando os tributos devidos a partir do faturamento e do lucro escriturados pelo sujeito passivo, sem se valer da presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. Por tais razões, deve ser REJEITADA a arguição de nulidade do lançamento. Quanto aos créditos tributários principais exigidos, para além de alegações genéricas contra o uso de presunções, a recorrente não traz qualquer outro questionamento. A autoridade lançadora, porém, teve em conta os registros contábeis da contribuinte, bem como seus esclarecimentos acerca dos serviços prestados (fls. 49/56). Antecipadamente cientificoua da sistemática de cálculo das contribuições incidentes sobre o faturamento em razão das alterações da legislação no período fiscalizado, e exigiu demonstrativos de cálculo compatíveis, apresentados pela contribuinte (fls. 57/63). No mais, além da diligência promovida para constatação de que a contribuinte não se encontrava mais em atividade em seu domicílio fiscal (fls. 64/85), a autoridade lançadora juntou aos autos as demonstrações de resultado trimestrais do período fiscalizado, os registros do LALUR e balancetes contábeis (fls. 86/111), aos quais se seguem demonstrativos de cálculo trimestral da CSLL, e de cálculo mensal da COFINS e da Contribuição ao PIS elaborados pela contribuinte (fls. 112/113), bem como reprodução das declarações apresentadas (fls. 114/157). Ao final, os créditos tributários exigidos são determinados mediante confronto dos tributos calculados a partir das informações extraídas destes documentos com os valores informados em DCTF. Inexiste, portanto, qualquer presunção de ocorrência dos fatos geradores: sua prova é direta por meio da escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo. Impróprias, assim, as alegações de que não há nenhuma prova concreta das alegadas e autuadas infrações, e de prejuízo à segurança e certeza, que respaldam os princípios da legalidade e da tipicidade, bem como o repisado princípio da verdade real. Os elementos juntados aos autos evidenciam o faturamento e os resultados auferidos pela contribuinte nos períodos autuados, e tais fatos constituem a base imponível dos tributos regularmente lançados. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 03/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13629.000008/200804 Acórdão n.º 1101001.291 S1C1T1 Fl. 10 9 Em impugnação, a contribuinte apresentou demonstrativos detalhando as notas fiscais emitidas e as retenções sofridas (fls. 196/207), e na execução da diligência requerida pela autoridade julgadora de 1ª instância, a autoridade fiscal consignou que: O contribuinte apresentou a planilha demonstrativa solicitada. Entretanto, o próprio reconheceu que as retenções não foram declaradas nas NFs, apesar de terem sido efetuadas. Além de não estarem declaradas nas NFs, também não foram escrituradas no Livro Razão, mesmo constando no Plano de Contas da empresa contas específicas para esse fim. Para não passar em branco, existe um lançamento na conta “PIS/COFINS e CSLL retidos a compensar", em Janeiro de 2004, referente à NF emitida para Alston do Brasil Ltda. Mas não existe DIRF desta empresa declarando a retenção, esse valor não consta da planilha apresentada pela empresa e nenhuma documentação foi apresentada. Extraímos as DIRFs nas quais a empresa consta como beneficiária das retenções efetuadas. Fizemos então uma análise confrontando a planilha apresentada com as DIRFs e as NFs emitidas. Diversas incoerências foram encontradas e a PJ foi intimada a justificálas, apresentado documentação comprobatória. As divergências encontradas foram as seguintes: [...] Pelas respostas apresentadas, a impugnante não conseguiu demonstrar que realmente houve a retenção em relação às NFs que geraram dúvidas. Ao contrário, só fez confirmar a não retenção. Senão vejamos: [...] Como se vê, além de justificar a ausência da dedução destas retenções por ocasião da formalização do lançamento, o agente fiscal identificou diversas inconsistências nas operações alegadas pela contribuinte em impugnação, e justificou a admissibilidade de apenas parte dos valores alegados. Contudo, em nenhuma das oportunidades que lhe foi concedida (durante o lançamento, depois de sua formalização, ao final da diligência ou depois da decisão de 1ª instância) a contribuinte logrou trazer qualquer outro argumento que infirmasse a ocorrência dos fatos geradores evidenciados em sua escrituração ou afetasse a quantificação dos créditos tributários que remanesceram exigíveis depois da decisão recorrida. Por tais razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos créditos tributários principais exigidos. Com referência à penalidade aplicada, a recorrente nega a existência de dolo haja vista que os documentos foram enviados a contabilidade, mas esta sim, não procedeu aos devidos envios de informações ao fisco. Cogita que, em tais circunstâncias, haveria mera culpa/negligência porque deveria ter sido mais zeloso no acompanhamento do cumprimento de tais obrigações, certificandose de seu regular cumprimento por parte da empresa encarregada da escrituração e demais obrigações tributárias de natureza acessória. Às fls. 208/217 constam documentos que evidenciariam a entrega das notas fiscais emitidas e outros documentos contábeis referentes a 2004 à empresa que teria sido contratada para os serviços de contabilidade. Para além disso, aproveitamse aqui as alegações acerca da inexistência de prova concreta, de dúvidas acerca dos fatos apontados pela Fiscalização e de uso da presunção para sua afirmação. A recorrente não concorda com a duplicação da penalidade em razão de Fl. 617DF CARF MF Impresso em 03/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13629.000008/200804 Acórdão n.º 1101001.291 S1C1T1 Fl. 11 10 não ter apresentado a DSPJ com os valores concernentes aos supostos rendimentos omitidos, especialmente porque o dolo não é presumível, sendo ônus fiscal a comprovação de sua ocorrência, e demais disso a penalidade de 75% é aplicável nos casos de declaração inexata, salvo se demonstrado sonegação, fraude ou conluio, situações que pressupõem a existência de dolo, no caso específico, qual seja, o intuito exclusivo e prédeterminado de suprimir tributo, de furtarse ao cumprimento da obrigação tributária, sendo indispensável a verificação do elemento subjetivo, consistente na vontade de apropriarse indevidamente dos valores devidos ao fisco. Importante ter em conta os exatos termos da acusação fiscal acerca da qualificação da penalidade: 44 MULTA QUALIFICADA: Diz o art. 44 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007: [...] Abaixo reproduzimos os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64: [...] A conduta do contribuinte torna evidente a tentativa de retardar o conhecimento do fato gerador pela autoridade fazendária. O contribuinte, não obstante tenha escriturado seus livros fiscais com os valores de tributos a recolher, apresentou DIPJ com valores zerados para todo o anocalendário e confessou em DCTF apenas valores de PIS e COFINS para os meses de Janeiro, Fevereiro e Março. A prática reiterada da PJ, de durante todo o restante do ano não declarar os valores devidos, demonstra o intuito de não recolher os tributos em questão, ou seja, se não houvesse a intervenção da fiscalização, o prazo decadencial extinguiria o crédito tributário da União. Se a intenção do contribuinte fosse apenas ficar inadimplente, pois não possuía recursos à época para recolher os tributos, teria declarado em DCTF sem fazer o recolhimento, assim estaria constituído o crédito tributário que seria cobrado administrativamente. Exatamente o que a empresa fez em relação ao PIS e COFINS de Janeiro, Fevereiro e Março: confessou em DCTF e não recolheu. Nesse caso, não existe o intuito de sonegação, pois os valores foram confessados, apenas ela não dispunha de capital à época para fazer o recolhimento. Ao contrário, a partir do momento que ela passa a não declarar sistematicamente os tributos devidos, sua atitude reflete conduta dolosa. Em relação aos meses de Janeiro, Fevereiro e Março, no que diz respeito a PIS e COFINS, como houve a declaração, sendo cobrada a diferença apenas no mês de Fevereiro, pelo fato de o contribuinte ter declarado a menor, a multa aplicada de 75%. Entretanto, nos meses seguintes, ante o exposto acima, fica o que a multa de ofício deve ser duplicada, para todos os tributos, conforme prevê o a 1, §1° da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 11.488/2007. A Câmara Superior de Recursos Fiscais assim já se manifestou: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MULTA QUALIFICADA. E VIDENTE INTUITO DE FRAUDE A sistemática e reiterada declaração a menor da contribuição devida, em valores inferiores aos que seriam apurados de acordo com a escrituração contábil, representa prática de sonegação dolosa, com a finalidade de retardar o conhecimento pela autoridade fiscal das circunstâncias materiais da ocorrência do fato gerador. Acórdão CSRF/0202.02. ” Fl. 618DF CARF MF Impresso em 03/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13629.000008/200804 Acórdão n.º 1101001.291 S1C1T1 Fl. 12 11 A qualificação da penalidade, nestes termos, decorre da conduta do sujeito passivo que, conhecedor dos tributos devidos, reiteradamente apresenta declarações ao Fisco informando que nada deve. Contudo, três ressalvas devem ser feitas à acusação fiscal: · A DIPJ foi apresentada sem preenchimento de seus campos destinados à apuração das bases de cálculo e dos tributos devidos e às referências patrimoniais do sujeito passivo. Além das informações gerais acerca do sujeito passivo e da forma de apuração do lucro, somente foi indicado que a escrituração tinha por base a contabilidade e que a pessoa jurídica teria apenas uma sócia. De forma semelhante, as DCTF do 2º ao 4º trimestres/2004 apenas apresentaram os dados iniciais com informações gerais de apuração, sem qualquer indicação de faturamento ou débitos. Assim, as declarações não se prestaram a criar uma aparência de regularidade, simplesmente porque eram desprovidas de conteúdo. Em verdade, o descompasso entre as formas de apuração consignadas em DCTF e em DIPJ e a total omissão das informações referentes ao 1º trimestre/2004 em DIPJ, muito embora declaradas contribuições sobre o faturamento para o mesmo período em DCTF, já poderia suscitar uma investigação fiscal; · A reprodução de balancetes e de registros do Livro Diário às fls. 98/111 evidencia a escrituração dos valores devidos a título de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS, ao longo do anocalendário 2004. O Livro Diário, por sua vez, tem seu termo de abertura assinado não só pela empresa de contabilidade, mas também pela sócia Lucia Helena Magalhães Valente Conte, porém sua autenticação somente foi promovida em 09/05/2007, depois de iniciado o presente procedimento fiscal em 20/03/2007. O Termo de Retenção nº 02 à fl. 47 consigna que o Livro Diário foi retido na mesma data em que registrado na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, evidência que pode significar que a escrituração comercial somente foi formalizada depois de exigida pela Fiscalização; e · Conforme constatado na diligência solicitada pela autoridade julgadora de 1ª instância, as retenções sofridas pela pessoa jurídica em razão dos serviços prestados não foram escrituradas, e várias foram as operações indicadas pela contribuinte (fls. 196/208), sendo certo que mesmo desconsiderando diversas notas fiscais cuja retenção não foi confirmada junto à fonte pagadora, os valores lançados a título de CSLL, COFINS e Contribuição ao PIS foram reduzidos de 30% a 80% em cada período de apuração analisado. Esta Relatora em diversos outros casos vislumbrou indícios suficientes para caracterizar o evidente intuito de fraude por parte do sujeito passivo que, conhecedor dos tributos devidos ou, ao menos, da dimensão de seu faturamento ou do seu lucro, declara os tributos daí decorrentes em valores significativamente menores, ou mesmo informa que nada deve, fazendo crer que suas operações pouco resultavam em termos tributários. Ao contrário do que defende a recorrente, há jurisprudência administrativa, por diversas vezes reafirmada na Câmara Superior de Recursos Fiscais, em favor da caracterização da fraude por meio da reiteração da conduta infracional, que afasta a possibilidade de erro e permite concluir que o Fl. 619DF CARF MF Impresso em 03/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13629.000008/200804 Acórdão n.º 1101001.291 S1C1T1 Fl. 13 12 sujeito passivo não só quis deixar de recolher o tributo devido, como também valeuse das declarações apresentadas para retardar o conhecimento do fato gerador por parte da autoridade administrativa, fazendoa supor, pelo princípio da boafé, que aquele contribuinte está cumprindo com suas obrigações, desviando seu foco para outros que nem mesmo apresentaram as devidas declarações. Tais indícios, porque consistentes e convergentes em favor da intenção do sujeito passivo de fraudar o Fisco Federal, permitem provar, ainda que por presunção, o dolo específico necessário para a qualificação da penalidade. Todavia, no presente caso, as declarações entregues sem informação, associadas à escrituração contábil que só teria sido autenticada depois da intimação para sua apresentação, e ao registro contábil dos tributos sem a dedução das retenções sofridas, põem em dúvida o real conhecimento do sujeito passivo acerca dos tributos que seriam devidos. Acrescentese, ainda, que o sujeito passivo tem o direito de não declarar os tributos devidos em DCTF e, uma vez impossibilitado de promover seu recolhimento, aguardar o lançamento de ofício, sujeitandose aos acréscimos correspondentes, mais gravosos que os moratórios, além das penalidades específicas por falta de entrega de DCTF, ou a omissão de informações naquele documento. Não se esposa, aqui, o entendimento fiscal de que seria inadimplente apenas quem declara seus débitos em DCTF, sem fazer qualquer recolhimento. Se assim fosse, consoante alega a recorrente, a multa de 75% não poderia estar prevista para os casos de falta de declaração. Em suma, a partir do exame dos autos também é possível inferir que o sujeito passivo foi negligente no cumprimento de suas obrigações acessórias, inclusive no que tange à escrituração comercial de suas operações, e para evitar o arbitramento de seus lucros finalizou sua escrituração depois de intimado pela Fiscalização, somente neste momento evidenciando os tributos não recolhidos, e ainda assim em montante superior ao devido, porque desconsideradas as retenções sofridas. Tal desídia já se verificaria antes, na apresentação de DIPJ sem qualquer informação acerca das operações realizadas no anocalendário 2004, bem como na apresentação de DCTF do 2º ao 4º trimestres de 2004 sem a declaração de qualquer débito. Ocorre que o Código Tributário Nacional assim determina: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Presente a dúvida acerca da conduta punida com a multa de ofício em seu percentual duplicado, deve prevalecer a interpretação mais favorável ao acusado, afastandose a duplicação, para manutenção da penalidade em seu percentual básico de 75%, aplicável sobre a falta de declaração e de recolhimento constatada em cada período de apuração, sendo certo que não houve aplicação de penalidades múltiplas, mas sim a aplicação de apenas uma penalidade sobre cada infração cometida, inexistindo qualquer prejuízo à validade do lançamento para fins de manutenção da penalidade reduzida. Estas as razões, portanto, para DAR PROVIMENTO PARCIAL o recurso voluntário relativamente à penalidade aplicada, reduzindoa ao percentual de 75%. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 03/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13629.000008/200804 Acórdão n.º 1101001.291 S1C1T1 Fl. 14 13 Por fim, quanto aos questionamentos dirigidos ao acréscimo de juros de mora constantes do lançamento, tal se deu em razão das disposições legais constantes às fls. 18 e seguintes (art. 61, § 3o da Lei nº 9.430/96), aplicandose, no mais, o que expresso nas Súmulas CARF abaixo citadas: Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora adicionados às exigências. Estas as razões, portanto, para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário e reduzir a penalidade ao percentual de 75%. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 621DF CARF MF Impresso em 03/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 12457.002344/2011-35
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 20/10/2009, 21/10/2009
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENALIDADE.
A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, aplicável ao importador, pela caracterização de interposição fraudulenta na importação.
PROVAS. COLHIMENTO.
Para instruir procedimento fiscal, o Auditor-Fiscal da RFB está autorizado legalmente a colher provas na Repartição da RFB e no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica. O depoimento pessoal é uma dessas provas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 27/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 20/10/2009, 21/10/2009 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENALIDADE. A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, aplicável ao importador, pela caracterização de interposição fraudulenta na importação. PROVAS. COLHIMENTO. Para instruir procedimento fiscal, o Auditor-Fiscal da RFB está autorizado legalmente a colher provas na Repartição da RFB e no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica. O depoimento pessoal é uma dessas provas. Recurso Voluntário Negado.
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DANO AO ERÁRIO. PENALIDADE. A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, aplicável ao importador, pela caracterização de interposição fraudulenta na importação. PROVAS. COLHIMENTO. Para instruir procedimento fiscal, o AuditorFiscal da RFB está autorizado legalmente a colher provas na Repartição da RFB e no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica. O depoimento pessoal é uma dessas provas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/02/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 45 7. 00 23 44 /2 01 1- 35 Fl. 393DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002344/201135 Acórdão n.º 3302002.847 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo a íntegra do Relatório do acórdão recorrido. O Auto de Infração Tratase de processo de crédito tributário lançado através de auto de infração, lavrado contra a empresa EMUNA BRASIL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA., CNPJ 08.918.424/000141, doravante denominada impugnante, no valor de R$ 58.883,35 (Cinquenta e oito mil, oitocentos e oitenta e três reais e trinta e cinco centavos), referentes a multa proporcional ao valor aduaneiro prevista no Art. 23, § 3° do DecretoLei n° 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/02 combinado com art. 81, inciso III da Lei n° 10.833/03. Consta do auto de infração que a multa mencionada, referese às declarações de importação 09/14383870 e 09/14481023 que teriam sido importadas em nome da impugnante, por conta e ordem da Importadora Sonistar Ltda. e da Importadora PDR Ltda., fato omitido da Receita Federal, à margem do controle aduaneiro, que configurou a infração de interposição fraudulenta. O procedimento fiscal que culminou com a lavratura do auto de infração, amparouse no MPF no 09106002010002464, e iniciouse com a seleção da impugnante para procedimento especial de fiscalização, pela SAPEL da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Foz do Iguaçu, fundadas nos seguintes elementos: · a impugnante não declarou receitas brutas de vendas decorrentes da comercialização de mercadorias importadas, referentes ao ano de 2008; · no período compreendido entre 2007 e 2008, recolheu valores ínfimos a título de tributos internos (R$ 5.996,51), quando comparados aos recolhimentos referentes aos tributos relativos ao comércio exterior (R$ 246.755,06); · incompatibilidade entre a movimentação bancária da impugnante e a ausência de patrimônio líquido declarado pelas suas sócias. A movimentação bancária da impugnante saltou de R$ 233.957,84 em 2007 para R$ 1.412.143,55 em 2009, sendo que no período o patrimônio líquido das sócias mantevese estagnado, não evoluiu; Instaurado o procedimento fiscal, procedeuse às diligências no domicílio da impugnante, e das sócias onde constatouse · incompatibilidade entre a capacidade logístico operacional e o objeto social da impugnante; · declarações da sócia Iracema Kedzierski, que se qualificou funcionária pública, informando que a abertura da empresa (impugnante) se deu por Fl. 394DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002344/201135 Acórdão n.º 3302002.847 S3C3T2 Fl. 4 3 orientação do seu filho Sr. Sandro Luiz Kedzierski, e afirmou que não possuía qualquer conhecimento do ramo de comércio exterior, e que não atuava na empresa, não recebendo lucros ou dividendos referentes a operação da empresa; · sobre a integralização do capital social da impugnante, a Sra. Iracema informou que emprestou ao seu filho mais de vinte mil reais, que havia recebido de um seguro de vida destinado a compor o capital social. A Sra. Iracema mostrou desconhecer qual a parte do capital social referente à sua pessoa; · sobre o Sr. Sandro Luiz Kedzierski, consta do auto de infração que o mesmo é despachante aduaneiro e representante da impugnante, conforme consta de documento de representação apresentado à fiscalização, quando da diligência ao escritório da impugnante. Foi o Sr. Sandro quem respondeu pela empresa nas respostas às intimações 248, 250 e 266/2010, feitas pela RFB. Encontrase registrado no Siscomex como despachante aduaneiro autorizado pela impugnante; Continuando o procedimento fiscal, foram feitas intimações para que a impugnante prestasse informações sobre suas operações de comércio exterior e apresentasse documentação comprobatória da origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos empregados na integralização do capital social, documentos estes listados às fls. 83 e 86 deste processo, e colhido depoimento do Sr. Sandro Luiz Kedzierski (fls. 99 a 101). As intimações foram respondidas parcialmente. No depoimento do Sr. Sandro foi mencionado que: · à época da constituição da empresa as sócias dispunham parcialmente dos valores necessários à integralização do capital social, mas que de fato não houve transferência bancária das mesmas ao patrimônio da fiscalizada; · que a iniciativa de constituir a importadora foi dele, que era o seu administrador; · que cerca de metade das transações comerciais referentes às mercadorias importadas, eram concluídas antes de efetivada a importação, e que por vezes havia a antecipação de recursos de "clientes" pré determinados; · que as mercadorias importadas eram enviadas aos destinatários nacionais imediatamente após sua liberação alfandegária; Com base nos depoimentos do Sr. Sandro e de sua mãe, a fiscalização observou que diversos fatos inerentes a constituição e operações da impugnante revelaram um quadro clássico de interposição fraudulenta. Entre estes fatos estão: (1) não comprovação da transferência dos recursos dos sócios ao capital social da empresa; (2) a antecipação de valores de clientes em pelo menos metade das operações de importações (3) existência de um quadro societário fictício, com sócias de direito desprovidas de poder de mando e desconhecedoras dos procedimentos da empresa (4) falta de estrutura logístico operacional. Ficou claro também para a fiscalização, que em datas próximas a constituição da impugnante, houve o aporte de recursos na mesma, notadamente remetidos por terceiros e não pelas sócias. Os valores apresentados na planilha que discrimina os Fl. 395DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002344/201135 Acórdão n.º 3302002.847 S3C3T2 Fl. 5 4 valores recebidos na época da constituição da empresa, discrimina os respectivos valores como antecipação de clientes (fl. 195). Com relação às declarações de importação nos 09/14383870 e 09/14481023 consta do auto de infração que durante o procedimento especial de fiscalização a impugnante foi intimada, através dos termos de intimação 248/2010, 250/2010, 266/2010, 306/2010, 036/2010 e 051/2010, a apresentar todos os documentos instrutórios dos despachos das referidas importações, bem como comprovar a origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos empregados na quitação das importações (fechamento do câmbio) e no pagamento dos tributos incidentes. Também intimou a empresa Importadora Sonistar Ltda. e a Importadora PDR Ltda., segundo a fiscalização, destinatárias finais das mercadorias no mercado interno, a prestar esclarecimentos sobre forma de negociação e pagamento das mercadorias por elas compradas da impugnante. Da análise das respostas das intimações observouse: · ambas as declarações de importação foram negociadas com o mesmo exportador, havendo para as mesmas apenas um fechamento de câmbio; · ao contrário do que declarou a Importadora Sonistar Ltda., destinatária final de parte das mercadorias importadas, os depósitos feitos por ela referente à aquisição das mercadorias se deram na data ou em datas próximas ao pagamento dos impostos e do fechamento de câmbio, e não nas datas da entrega das mercadorias conforme declarado, fato observado a partir dos extratos bancários da impugnante; · além de prestar informação falsa ao fisco, a Sonistar não apresentou os documentos exigidos através das intimações 291 e 038/2010; · a Importadora PDR Ltda. sendo intimada a prestar informações referentes à aquisição da s mercadorias importadas pela impugnante, por duas vezes, não atendeu às intimações; · como no caso da Importadora Sonistar Ltda., observouse através do extrato bancário da impugnante, que a PDR fez depósitos na conta da impugnante em datas próximas ao pagamento dos impostos e do fechamento de câmbio; · houve envio imediato após o desembaraço aduaneiro das mercadorias, para as Importadoras Sonistar e PDR; Como provas da interposição fraudulenta consta no auto de infração que: Declaração de importação PROVA 09/14383870 Para os quatro débitos na conta da Emuná, para o pagamento dos impostos e taxas pagos na declaração de importação que totalizaram R$ 25.476,86, na mesma data do registro da D.I. foram depositados pelo Sr. Paulo Denis Ribeiro, sócio da Importadora PDR o valor de R$ 18.800,00 suficiente para bancar metade dos tributos; Para o pagamento do Contrato de Câmbio da mesma Declaração de Importação, foram identificados depósitos das Importadoras PDR e Sonistar, vinculados entre outras, às notas fiscais de saída de no 80 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002344/201135 Acórdão n.º 3302002.847 S3C3T2 Fl. 6 5 emitida pela EMUNÁ em favor da Importadora Sonistar e nº 81 destinada a Importadora PDR. As notas fiscais nos 080 e 081 são as notas que amparam as saídas das mercadorias importadas através da D.I. 09/14383870. 09/14481023 Para os quatro débitos na Conta da Emuná, para o pagamento dos impostos e taxas pagos na declaração de importação, que totalizaram R$ 6.257,11, foram depositados nos dias 27/07/2009 e 19/10/2009 dois depósitos, sendo um de R$ 14.900,00 e R$ 10.144,20; O Contrato de Câmbio vinculado à D.I. 09/14481023 é o mesmo da D.I. 09/14383870. Como provedores desses valores, a Emuná identificou em planilha entregue à fiscalização, fl. 118, os depósitos das Importadores PDR e Sonistar, vinculados às notas fiscais 083, emitida pela Emuná e destinada à Sonistar e 084, emitida pela Emuná e destinada à Importadora PDR. As notas fiscais 083 e 084 são as notas fiscais que amparam a saída das mercadorias importadas através da Declaração de importação 09/14481023; Com relação às provas citadas na tabela anterior, a fiscalização constatou, que a soma dos valores referentes às notas fiscais 081, 082, 083 e 084, totalizam R$ 86.230,62 , valor que supre o total dos gastos com tributos e fechamento de câmbio referente às declarações de importação 09/14481023 e 09/14383870 Foi então lavrado o auto de infração contra a impugnante, sendo atribuída responsabilidade solidária ao Sr. Sandro Luiz Kedzierski e as Importadora Sonistar Ltda. e a Importadora PDR Ltda., doravante denominados responsáveis solidários. Do auto de infração, a impugnante e o Sr. Sandro Luiz Kedzierski tomaram ciência em. 10/03/2011. As responsáveis solidárias, Importadora Sonistar Ltda. e a Importadora PDR Ltda., foram cientificadas do auto de infração, através dos Termos de Sujeição Passiva Solidária em 28/02/2011 e 01/03/2011 (FL. 324 e 325). Apresentaram impugnação, a EMUNÁ COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. impugnante, e os responsáveis solidários Importadora Sonistar Ltda. e Sandro Luiz Kedzierski. A Importadora PDR não apresentou impugnação. Impugnações As três impugnações foram elaboradas pelo mesmo escritório de advocacia e tem contestações ao auto de infração que são comuns, e por isso suas alegações serão aqui expostas em conjunto, assim como será feita a análise conjunta das mesmas, quando do voto. Falta de Materialidade A falta de materialidade é uma questão bastante discutida pela impugnante e pelos responsáveis solidários. Alegam com freqüência ao longo da impugnação, que a interposição fraudulenta, motivo da autuação, decorreu de suposições genéricas, desprovidas de provas da materialidade, maculando o auto de infração pela ausência do princípio da materialidade. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002344/201135 Acórdão n.º 3302002.847 S3C3T2 Fl. 7 6 A impugnante e os responsáveis solidários questionam os seguintes fatos, que segundo eles não definiram um quadro probatório: · não realização de procedimentos de fiscalização nos estabelecimentos dos destinatários das mercadorias; · não existência dos fatos, que constituíram a infração a eles imputados, e não comprovação dos mesmos pela autoridade fiscal; · existência de jurisprudência pátria, que vem decidindo, que meros indícios a partir de suspeitas não confirmadas, não podem ser adotados para justificar a interferência no negócio de particulares; Notase na impugnação, alguns argumentos referentes à falta de materialidade, que parecem não estar em sintonia com o auto de infração lavrado como: · que a autoridade fazendária , não apontou em sua informação fiscal, haver constatado que aqueles destinatários deixaram de faturar as suas vendas ou as tivesse subfaturado; · que os estabelecimentos destinatários das mercadorias tenham praticados infrações como: " ( 1 ) subtrair receitas decorrentes das operações de revenda ao consumidor final, as quais seriam base de cálculo para demais impostos e contribuições incidentes sobre o faturamento e lucro (Pis/Pasep, COFIS, IRPJ e CSLL); ( 2 ) não se submeter a procedimentos fiscais de habilitação' para atuar no comércio exterior; e ( 3 ) se esquivar de eventuais sanções penais." Da Presunção A impugnante e os responsáveis solidários, afirmam que a falta de materialidade remeteu a fiscalização à presunção, que no caso deveria ser aplicada com cautela. Afirmam também, que a presunção decorre da generalização, que a administração com base em teses desenvolvidas em estudos e procedimentos internos, dissemina entre os administrados indiscriminadamente, sem que se considere cada caso específico. Recursos de Terceiros A impugnante ataca a afirmação que consta no auto de infração, de que há sérios indícios de que ela estaria atuando no comércio exterior com recursos de terceiros, ocultando o real adquirente. Quanto ao fato da empresa não ter integralizado seu capital social, alega a impugnante que passou pelo RADAR e foi devidamente credenciada para operar no comércio exterior. Afirma ainda, que caem por terra as alegações que não foram providas as origens dos recursos utilizados para realizar as operações de importação, tendose em vista o recebimento de uma das sócias de um seguro de vida. Menciona que é ilógico comparar o valor do capital social com o montante das suas operações. Que no caso a autoridade fazendária deixou de considerar quantas vezes a impugnante gira seu capital, neste incluso o seu próprio capital Fl. 398DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002344/201135 Acórdão n.º 3302002.847 S3C3T2 Fl. 8 7 social, e desta forma o que seria prova de sua eficiência, no olhar da fiscalização tratase de um ilícito. Cita que é comum nos balanços de grandes empresas o capital de terceiros, pois se não fosse assim, as entidades estariam estagnadas e fadadas ao fracasso total. Cita como podem ser dados os adiantamentos. Observase que embora inicie sua defesa argumentando que não opere com capital de terceiros, em outro ponto de sua impugnação, questiona o fato da fiscalização não admitir que empresas atuem com capital de terceiros. Análise Contábil Sobre os aspectos contábeis apresentados no auto de infração, a escrituração de livros e a declaração de lucros, a impugnante alega que: · os lançamentos contábeis podem não estar tecnicamente precisos, seguiram a seqüência dos fatos; · o fato de não apresentar receita bruta de vendas em 2008, assim como não declarar lucros, decorrentes de vendas, devese ao fato de fazer declaração de imposto de renda com base no lucro presumido; · a fiscalização insiste em caracterizar a empresa como uma trading e extrapola a penalidade legal a ela aplicada; · de maneira inadequada, a fiscalização faz exigências à impugnante que seriam pertinentes somente às grandes empresas como as tradings, que tem ao seu dispor recursos humanos, materiais e tecnológicos compatíveis, que não podem ser exigidos de uma microempresa. Inaplicabilidade da Conversão da Pena de Perdimento em Multa Sobre a inaplicabilidade da conversão da pena de perdimento alega que: · a Lei 11281 de 20 de fevereiro de 2006, menciona no seu artigo 11, que a importação promovida por pessoa jurídica importadora para revenda a encomendante pré determinado, não configura importação por conta e ordem de terceiro; · a multa sobre o valor aduaneiro é excessiva, vai contra o princípio da proporcionalidade, da razoabilidade, princípio do não confisco; · o Supremo Tribunal Federal tem entendido que as multas aplicadas em decorrência de infrações tributárias não podem exceder a 30% (trinta por cento) do valor do tributo devido, e assim tem julgado: · a ação fiscal como um todo viola o princípio da lealdade e da boa fé, que o funcionário público deve tanto com a sua repartição, como sobretudo com o administrado. Provas Ilegais Limite do Poder de Polícia Questiona a forma como foram obtidas as declarações da sócia Sra. Iracema, sem direito ao contraditório e com constrangimento, e que no caso houve procedimento ilegal, com abuso do poder de polícia. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002344/201135 Acórdão n.º 3302002.847 S3C3T2 Fl. 9 8 Menciona que pelas ações demonstradas pela autoridade fiscal, essa exorbitou do Poder de Policia, não respeitando os princípios da razoabilidade, proporcionalidade, da ponderação e da adequação, pois iniciou sua fiscalização em uma empresa e depois envolveu várias empresas, alegou fatos inexistentes, tentou imputar ilegalidades em atos jurídicos perfeitos e acabados sem qualquer respaldo fático, enfim exorbitou de suas funções, não podendo receber o beneplácito dos julgadores no sentido de manter incólume o presente PAF. Da Responsabilidade por Infrações Solidariedade As alegações que seguem, são comuns, tanto na defesa da impugnante, como na dos responsáveis solidários. Consta nas impugnações, que: · no caso em questão a autoridade fiscal ao determinar os sujeitos passivos solidários, se posicionou na contramão de todo o arcabouço jurídico pátrio, da doutrina e jurisprudência, pois a eleição da solidariedade somente ocorre nas hipóteses previstas em lei, e o Decreto 37/1966, artigo 95, inciso I vem encontro ao artigo 124 do CTN que dispõe " são solidariamente obrigadas" no caso de pagamentos de tributos, "as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua fator gerador da obrigação principal" e as pessoas expressamente designadas em lei; · por uma questão de direito, o tributo deve ser cobrado de quem tem vantagem econômica com a situação, que não é o caso das pessoas que foram responsabilizadas. Para ser responsabilizada a pessoa tem que aferir vantagem com o fato gerador; · não há como serem responsabilizados pelo pagamento dos tributos/multas, pois a lei não impõe que sejam solidários ao pagamento e . o sujeito passivo a quem foi imposta a penalidade, tratase de pessoa jurídica que está ativa, devendo dela portanto ser feita a cobrança; · no caso da Importadora Sonistar, esta não pode ser responsabilizada pois a mesma não faz parte da sociedade, não são é sócia ou cotista da mesma, e adquiriu as mercadorias licitamente; · no caso do Sr. Sandro, o despachante aduaneiro como prestador de serviço não pode ser punido, devendo sempre ser responsabilizado o importador nos termos do AC301.31.572/1999 1a C do Conselho de Contribuintes; A DRJ em São Paulo I SP manteve o lançamento, nos termos do Acórdão no 16053.617, de 11/12/2013, cuja ementa apresenta o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Data do fato gerador: 20/10//2009, 21/10/2009. IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM A lei prevê a presunção de interposição fraudulenta de terceiros na operação de comércio exterior quando a origem, Fl. 400DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002344/201135 Acórdão n.º 3302002.847 S3C3T2 Fl. 10 9 disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação de mercadorias estrangeiras não for comprovada. A interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, é considerada dano ao erário, punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. PROVAS ILÍCITAS Por força do disposto nos artigos 95 e 94 da Lei 4502/11994, 18 e 19 do Decreto 6759/2009, 34 da Lei 9430/1996 e 195 da Lei 5172/1996, não são ilícitas as provas obtidas em estabelecimento comercial ou industrial, obtidas em procedimento regular de fiscalização aduaneira; RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Nos termos do Artigo 135 do CTN, para a responsabilização solidária de sócios de empresa inadimplente, ou que infringiu a lei tributária, tem que haver a comprovação de que os sócios são responsáveis pela inadimplência e que a dívida tributária decorreu de fraude. Da decisão acima foi dado ciência aos contribuintes e ao responsável pessoal nas seguintes datas: 08/01/2014 EMUNÁ BRASIL COM. EXTERIOR LTDA. ME (AR à fl. 366); 28/01/2014 IMPORTADORA SONISTAR LTDA. (AR à fl. 367); 07/01/2014 SANDRO LUIZ KEDZIERSKI (AR à fl. 365) No dia 05/02/2014 a empresa EMUNÁ BRASIL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. ME interpôs recurso voluntário no qual repisa seus argumentos da impugnação e contesta os fundamentos da decisão recorrida. A empresa IMPORTADORA SONISTAR LTDA. e o responsável pessoal, SANDRO LUIZ KEDZIERSKI, não apresentaram recurso voluntário. Dessa forma, contra esses contribuintes, o lançamento é definitivo. Não tendo apresentado impugnação, o lançamento contra a empresa Importadora PDR Ltda. também é definitivo. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório do essencial. Voto Fl. 401DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002344/201135 Acórdão n.º 3302002.847 S3C3T2 Fl. 11 10 Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário apresentado pela EMUNÁ BRASIL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e regimentais. Dele se conhece. Como relatado, contra as empresas EMUNÁ BRASIL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA., IMPORTADORA SONISTAR LTDA. e IMPORTADORA PDR LTDA. foi lavrado Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias, conforme determina o art. 23, V, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/75 c/c o art. 105, VI e VII do DecretoLei nº 37/66 (arts. 689, VI, VII, XXII e § 1º, c/c art. 673 e 675, IV, todos do RA/2009). Registrese que a empresa IMPORTADORA PDR LTDA. não impugnou o lançamento e a IMPORTADORA SONISTAR LTDA. e o Sr. SANDRO LUIZ KEDZIERSKI não apresentaram recurso voluntário e, portanto, a responsabilidade de todos eles está definitivamente constituída e sobre essa matéria não mais existe litígio. Dessa forma, contra esses contribuintes responsáveis, o lançamento é definitivo. Antes de adentrar na lide, é necessário delinear alguns fatos que são absolutamente incontroversos, conforme provas irrefutáveis acostadas aos autos, e sobre os mesmos, por evidente, não há necessidade de considerações complementares às constantes do voto do acórdão recorrido, que aqui se adota integralmente. Primeiro: quando da constituição da EMUNÁ BRASIL e integralização do capital social em dinheiro (R$ 60.000,00), em 30/05/2007, as sócias THAIRES ADRIANA FERNANDES DA ROSA (R$ 15.000,00) e IRACEMA KEDZIERSKI (R$ 45.000,00) não lograram provar a disponibilidade de recursos e a sua efetiva entrega à EMUNÁ BRASIL. A EMUNÁ BRASIL, por sua vez, não logrou provar o efetivo recebimento da quota de capital de cada sócia. Houve a escrituração contábil na conta Caixa, mas não há a comprovação dos lançamentos contábeis da saída dos recursos para depósito em conta corrente bancária. Segundo. O Senhor SANDRO LUIZ KEDZIERSKI, não é sócio ou empregado da EMUNÁ BRASIL, mas é o único administrador de fato da empresa, possuindo amplos poderes de gerência, concedidos pela sócia gerente de direito da empresa, Srta. THAIRES ADRIANA FERNANDES DA ROSA. Terceiro. A EMUNÁ BRASIL não possui empregados e nem estrutura administrativa para realizar importações diretas de mercadorias, receber, armazenar, vender e entregar mercadorias. Quarto: o estabelecimento da EMUNÁ BRASIL, situado na Av. Brasil, nº 665, loja 18, Centro Foz de Iguaçu PR, é uma sala de aproximadamente 50m2, localizado em uma galeria comercial, sem qualquer identificação e sem capacidade de receber as mercadorias importadas, tanto pelo tamanho da sala como pela impossibilidade de acesso à mesma por caminhões. Quinto: as mercadorias objeto da aplicação da pena de perdimento, convertida em multa pelo valor aduaneiro, foram desembaraçadas por meio das DI's nºs 09/14383870 e 09/14481023, na modalidade de importação direta e não como importação por Fl. 402DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002344/201135 Acórdão n.º 3302002.847 S3C3T2 Fl. 12 11 conta e ordem da SONISTAR ou da PDR. Nas DI's não constam as empresas SONISTAR e PDR como adquirente e destinatária das mercadorias. Sexto: as mercadorias em tela foram desembaraçadas pela DRF em Maringá PR e remetidas diretamente da zona primária para os estabelecimentos das empresas SONISTAR e PDR em São Paulo SP, sem ter passado pelo estabelecimento da EMUNÁ BRASIL em Foz do Iguaçu PR. Sétimo: a SONISTAR e a PDR, para atender às despesas com as operações de importação das mercadorias que a elas foram remetidas, efetuou diversos depósitos na conta corrente da EMUNÁ BRASIL, normalmente em datas próximas a pagamento de despesas com a importação e sem nenhuma relação (de data ou de valor) com as notas fiscais de saída (venda?) das mercadorias para a SONISTAR/PDR. Oitavo: a empresa EMUNÁ BRASIL não realizou importação direta das mercadorias em tela e depois as revendeu para a SONISTAR/PDR, como formalmente se apresentam as operações (Notas Fiscais nº 080, 081, 083 e 084). Na realidade, as mercadorias foram importadas pela EMUNÁ BRASIL por conta e ordem da SONISTAR e da PDR, conforme vasta prova constantes dos autos. Dito isso, passemos à apreciação das razões do recurso. Adiantase que os fundamentos da decisão recorrido são irretocáveis e, por isso mesmo, serão adotados integralmente neste voto (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/1999) e, supletivamente, acrescentase as abaixo razões de decidir. 1. Falta de prova que embasem a autuação e aplicação de presunção por dificuldade de obtenção de provas por parte da Fiscalização. Alega a Recorrente que não existem provas que embasem o auto de infração, sendo os seus fundamentos meras suposições e que os fatos que levaram à autuação foram presumidos. Ao contrário do que alega a Recorrente, e como acima se disse, todas as acusações contra ela estão devidamente provadas (e bem provadas), não havendo nenhuma suposição, apenas conclusões lógicas e irrefutáveis, a partir de provas materiais que ela Recorrente não logrou desconstituir. É inegável, por exemplo, que: a) a Recorrente não recebeu as quotas de integralização do seu capital social. Não tinha recursos para efetuar importações; b) a Recorrente não possui estabelecimento, estrutura administrativa e empregados para importar, receber, armazenar, vender e entregar mercadorias. Portanto, nunca, em seu nome, importou, recebeu, armazenou, revendeu e entregou mercadorias; c) a Recorrente recebeu depósitos em conta corrente efetuados pelas empresas SONISTAR e PDR para atender despesas com a importação das mercadorias posteriormente remetidas às mesmas empresas SONISTAR e PDR; d) não existe, para as notas fiscais de venda à SONISTAR/PDR, comprovação de pagamento do valor das mercadorias "vendidas", como é comum em operação de compra e venda de mercadorias no país. O que existe são prestações de contas dos recursos recebidos da Fl. 403DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002344/201135 Acórdão n.º 3302002.847 S3C3T2 Fl. 13 12 SONISTAR/PDR para efetuar o desembaraço das mercadorias e para liquidar o respectivo contrato de câmbio, relativo às operações de importação por conta e ordem da SONISTAR/PDR, objeto da autuação; e) as mercadorias desembaraçadas saíram da zona primária em Maringá PR e foram direto para o estabelecimento SONISTAR/PDR em São Paulo SP; Comprovado está que os reais importadores são a SONISTAR e a PDR, sendo a EMUNÁ BRASIL mera prestadora de serviços. A deliberada ocultação dos verdadeiros importadores acarretou dano ao Erário (art. 23, inciso V, do DecretoLei 1.455/76), independentemente de se identificar qual a vantagem (financeira ou não) efetivamente obtida com as operações. E não poderia ser diferente: como dito na decisão recorrida, o bem tutelado deixa de ter caráter meramente arrecadatório e passa a dar foco à Administração Aduaneira. Tanto é assim que a penalidade prevista no dispositivo acima incide inclusive sobre mercadorias imunes, isentas, nãotributáveis ou com tributação zero. Em outras palavras, pouco importa se houve falta ou insuficiência no recolhimento de tributos; pouco importa saber qual o real objetivo pretendido pelo infrator com o artifício da ocultação; pouco importa saber se esse objetivo foi, de fato, alcançado em todo ou em parte. O que importa é que o bem tutelado é o controle aduaneiro, que esse controle foi violado mediante fraude ou simulação, e que o dano ao Erário decorreu dessa conduta ilícita tendente a burlar a Administração Aduaneira. O dano ao Erário aqui tratado não se relaciona apenas a questão de “quanto de tributo deixou de ser recolhido”. Até mesmo porque, pela própria natureza da fraude e simulação (que é não produzir, ou produzir enganosamente, documentos e registros com vistas a ocultar a realidade dos fatos), muitas vezes o Fisco não terá condições de identificar qual foi a verdadeira operação acobertada, muito menos quanto de tributo deixou de ser recolhido com tal manobra. Para esclarecer o assunto, listase algumas das vantagens que podem ser auferidas indevidamente pela prática da ocultação do sujeito passivo, mediante fraude ou simulação: a) Burlar os controles de habilitação para operar no comércio exterior: Para que uma pessoa, física ou jurídica, possa operar no comércio exterior, é necessário que a Receita Federal lhe conceda uma habilitação para acesso ao Siscomex – Sistema Integrado de Comércio Exterior. A pessoa deve possuir Radar. Procedimentos relacionados a essa habilitação estão previstos na IN Receita Federal do Brasil 650/06, que estabelece uma série de verificações fiscais atinentes à avaliação da capacidade operacionaleconômicofinanceira da empresa e ao confronto entre as informações prestadas no requerimento e aquelas constantes na base de dados da Receita Federal (auditoria preventiva). b) Blindar o patrimônio do real adquirente: No caso de eventual lançamento tributário decorrente das operações, o real adquirente (ocultado) se beneficia de certa “imunidade” no âmbito patrimonial (cobrança de tributos e multa) e penal (conduta criminosa), uma vez que, aos olhos do Fisco, somente é conhecida a identidade da pessoa interposta. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002344/201135 Acórdão n.º 3302002.847 S3C3T2 Fl. 14 13 c) Quebra da cadeia de incidência do IPI: Por ordenamento constitucional, o IPI é um tributo de incidência nãocumulativa, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores (art. 153, § 3º, inciso II, da CF/88). 2. Recurso de terceiros empregados nas importações. Contabilidade. As alegações da Recorrente de que não utilizou recursos de terceiros nas operações de importação são apenas palavras, na medida em que desacompanhadas de prova da disponibilidade de recursos próprios para realizar as importações, a exemplo de prova de que os recursos que abasteceram sua conta corrente, indicados no Relatório Fiscal, correspondem a regulares operações de revenda de mercadorias. Para isto, bastaria apresentar a sua escrita contábil e fiscal, acompanhada da documentação hábil, na qual se demonstra a correlação das notas fiscais de venda com os créditos, na conta corrente, relativo ao pagamento do valor das mercadorias, através de boletos bancários, por parte de seus clientes, incluindo a SONISTAR e a PDR, no prazo assinalado nas notas fiscais, como sós acontecer regularmente nas operações de venda de mercadorias a pessoas jurídicas, especialmente as domiciliadas em outro Estado da federação. Vêse, portanto, que a prova de que a Recorrente possuía recursos para realizar as importações é singela, posto que é prática elementar no comércio atacadista formal, ou seja, na revenda de mercadorias para empresas comerciais ou industriais. Ocorre que a movimentação bancária da Recorrente, e sua contabilidade, indicam exatamente o oposto: ela Recorrente não possuía recursos próprios para realizar as importações por conta própria, objeto da autuação. 3. Inaplicabilidade da conversão da pena de perdimento em multa. Não procede a alegação da Recorrente de que as importações em litígio foram realizadas para encomendante pré determinado (art. 11 da Lei nº 11.281/06). E não o são exatamente porque a Recorrente utilizou recursos da empresa SONISTAR para realizar as importações, fato não permitido pelo § único, do art. 1º, da IN SRF nº 634/2006, editada na forma do § 1º, do mesmo art. 11, da Lei nº 11.281/06. Ademais, não existe nas DI objeto da autuação nenhuma indicação de que se trata de importação para encomendante pré determinado. A SONISTAR e a PDR não estão vinculadas às operações de importação objeto destes autos. Portanto, correto a aplicação da penalidade em tela, não cabendo ao CARF analisar argumentos de inconstitucionalidade da lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 2, abaixo reproduzida. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 4. Ilegalidade das provas Limite do Poder de Polícia. Sobre a forma de obtenção de provas, especialmente o depoimento prestado por contribuinte, não há nenhuma ilegalidade por parte do Fisco na coleta de depoimentos. Os mesmos podem ser coletados no curso da ação fiscal, sem nenhuma formalidade legal pré determinada, inclusive a presença de advogado, sendo bastante a presença de testemunhas Fl. 405DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002344/201135 Acórdão n.º 3302002.847 S3C3T2 Fl. 15 14 (artigos 94 e 95 da Lei nº 4.502/94, 18 e 19 do Decreto nº 6.759/09, 34 da Lei nº 9.430/96 e 195 do CTN). No caso em tela, em particular, todos os depoimentos mostraramse coerentes com os fatos apurados pela Fiscalização no curso da ação fiscal, nada havendo nos mesmos que revele eventual ilegalidade praticada pelos agentes do Fisco. Mais ainda, o valor da prova oral depende muito da existência de provas materiais outras que corrobore os depoimentos. O que foi dito pela Sra. Iracema, que não conste prova material nos autos que ratifique sua palavra, tem pouca valia. Ademais, antes do lançamento, não há litígio, não há contraditório, o procedimento é levado a efeito, de ofício, pelo Fisco. Após a lavratura do auto de infração, o contribuinte tem o direito de apresentar impugnação, alegando tudo o que entender cabível e apresentando as provas que considerar relevantes. Quanto às alegações relativas à nomeação dos responsáveis solidários, trazidas pela Recorrente, tratase de matéria de interesse de terceiros e não da Recorrente. Ademais, não subsiste litígio sobre essa matéria, conforme se disse no início deste voto. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12457.002344/201135 Acórdão n.º 3302002.847 S3C3T2 Fl. 16 15 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13808.001372/2001-07
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1996
VALOR DE INDENIZAÇÃO POR DESAPROPRIAÇÃO. ISENÇÃO. SÚMULA CARF Nº 42.
Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação.
Numero da decisão: 2201-002.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral o Dr. Rodrigo Prado Gonçalves, OAB/SP 208.026.
(Assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCIO DE LACERDA MARTINS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia e Marcio de Lacerda Martins. Ausentes, justificadamente os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral o Dr. Rodrigo Prado Gonçalves, OAB/SP 208.026. (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. (Assinado digitalmente) MARCIO DE LACERDA MARTINS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia e Marcio de Lacerda Martins. Ausentes, justificadamente os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad.
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ISENÇÃO. SÚMULA CARF Nº 42. Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral o Dr. Rodrigo Prado Gonçalves, OAB/SP 208.026. (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (Assinado digitalmente) MARCIO DE LACERDA MARTINS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia e Marcio de Lacerda Martins. Ausentes, justificadamente os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 13 72 /2 00 1- 07 Fl. 568DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 05/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 13808.001372/200107 Acórdão n.º 2201002.159 S2C2T1 Fl. 569 2 Lavrado Auto de Infração para exigir do contribuinte acima identificado o crédito tributário de R$1.294.946,69, sendo R$497.352,00 de imposto sobre a renda da pessoas física, exercício 1997, R$373.013,99 de multa de ofício e R$424.580,70 de juros de mora (x% calculados até 23/02/2001) Do Lançamento A autoridade fiscal registrou no Termo de Verificação em Procedimento de Fiscalização, fls. 250 a 256, a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente do trabalho sem vínculo empregatício; R$15.735,00 e omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos, R$622.162,25 (f.g. 31/07/1996). Apurou; ainda, omissão de rendimentos decorrente de variação patrimonial a descoberto nos meses de janeiro a junho de 1996, nos valores de R$251.829,67; R$101.334,42; R$191.271,06; R$322.101,36; R$342.138,72 e R$391.700,46; respectivamente. Da Impugnação O contribuinte impugnou o lançamento, apresentando suas razões de defesa que a seguir são reproduzidas sinteticamente. Verbas advindas de desapropriação não foram consideradas pela fiscalização como não tributáveis e tributadas indevidamente sem constituírem renda como definida no art. 43 do CTN. O acréscimo patrimonial a descoberto sem base legal quando adota o critério de divisão linear do total dos recursos obtidos no ano e alocação das despesas no me de ocorrência, ferindo o princípio da isonomia. Insurgese contra o valor da multa de ofício imposta, alegando seu caráter confiscatório, o que é vedado pelo art. 150 , IV da Constituição Federal. Exclusão dos juros moratórios aplicados calculados, indevidamente, com base na taxa Selic. Da decisão de 1ª instância A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de julgamento em São Paulo II (DRJ/SPO II), por meio do Acórdão 1728.404, julgou a impugnação procedente em parte, justificando a decisão com os argumentos a seguir resumidos. O contribuinte contesta a tributação do ganho de capital porventura existente na alienação de imóvel de sua propriedade por desapropriação. Alega que o valor recebido tem caráter indenizatório como previsto no inciso XXIV do art. 5º da Constituição Federal. O art. 3º da Lei nº 7.713, de 1988, não faz exceção às alienações em geral e somente excepciona as desapropriações para fins de reforma agrária conforme art. 22 § único da mesma Lei. Quanto ao custo de aquisição, o procedimento realizado pela fiscalização encontra respaldo na própria declaração de ajuste do contribuinte. O valor histórico declarado pelo contribuinte foi proporcionalmente apropriado como custo de aquisição do imóvel desapropriado. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 05/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 13808.001372/200107 Acórdão n.º 2201002.159 S2C2T1 Fl. 570 3 Acatada a alteração de valores na planilha de evolução patrimonial para considerar como recursos do contribuinte para o mês de julho de 1996 os valores de R$226.677,40 e R$335.010,45. Entretanto tais valores não alteram a omissão de rendimentos por acréscimo patrimonial a descoberto tendo em vista que só ocorreu até o mês de junho. Alterada a planilha de evolução patrimonial a partir dos recursos e datas comprovados pelo contribuinte à fls. 99 a 101. A multa de ofício e os juros aplicados são decorrentes de disposições expressas em Lei e não podem ser afastadas, dado que a atividade administrativa é vinculada e passível de pena por descumprimento. Assim, o Acórdão de 1ª instância decidiu exonerar em parte o lançamento na forma especificada no quadro abaixo: Do Recurso Voluntário Cientificado do Acórdão 1728.404 em 18/02/2009, AR fl.468, o contribuinte apresentou, em 18/03/2009, o Recurso Voluntário de fls. 473 a 539, com os argumentos de defesa a seguir resumidos. Não incidência do imposto sobre a renda dos valores recebidos pela desapropriação realizada pelo Poder Público, questão posta ao crivo do STF que julgou inconstitucional a expressão “desapropriação” contida no art. 1º § 2º , inciso II, do Decretolei nº 1.64778, o qual previa como rendimento tributável, para fins de imposto de renda, o produto decorrente da desapropriação de imóvel. Cita acórdãos CSRF/0104.918, 10196.431, 10515303 e 10195796 do antigo Conselho de Contribuintes e Resp nº 799434, Ministra Relatora Denise Arruda, 1ª Turma/STJ, DJ de 31/05/2007 e outros. Inexistência da omissão de receitas (rendimentos) pela apuração de suposto acréscimo patrimonial a descoberto. Entretanto, a autoridade julgadora não considerou que havia no ano de 1996 recursos suficientes para fazer frente às despesas incorridas se considerada a periodicidade anual do imposto de renda. Multa de 75% imposta ao recorrente possui caráter confiscatório, o que é expressamente vedado pela Constituição Federal. Cita jurisprudência do STF sobre o tema, como a ADIN 1075/DF. Relator Ministro Celso de Mello, em 17/06/1998. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 05/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 13808.001372/200107 Acórdão n.º 2201002.159 S2C2T1 Fl. 571 4 Da desistência parcial do Recurso Voluntário O recorrente juntou o documento de fls. 109 a 111, também às fls. 558 a 560, em 25/02/2010, comunicando a desistência parcial deste recurso na parte referente ao crédito tributário advindo da omissão de rendimentos, relativo ao período de apuração 12/96, com valor principal histórico de R$180.595,20; para aproveitar os benefícios conferidos pela Lei nº 11.941, de 2009. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio de Lacerda Martins O recurso é tempestivo e atende às demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De início, é relevante registrar que a lide submetida ao CARF, neste processo, após a desistência do recorrente de contestar o crédito tributário advindo da omissão de rendimentos, encontrase limitada à questão da incidência de imposto sobre a renda de verba recebida por desapropriação de bem imóvel de propriedade do recorrente. O lançamento foi realizado a partir de apuração de ganho de capital por desapropriação de imóvel do recorrente, sob a tutela do disposto no art. 3º e §§ da Lei nº 7.713, de 1998, a seguir transcrito: (grifei) Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 05/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 13808.001372/200107 Acórdão n.º 2201002.159 S2C2T1 Fl. 572 5 [...] Como se vê o art. 3º da Lei nº 7.713, de 1988, submete à apuração do ganho de capital as operações que importem em alienações, a qualquer título, restando excepcionado somente as indenizações por desapropriação para fins de reforma agrária, conforme art. 22 § único da mesma Lei. Entretanto, considero relevante observar que a desapropriação implica na retirada de propriedade de um imóvel por um ente público, portanto, não pode ser enquadrada como uma transferência qualquer de propriedade entre particulares, fruto da livre manifestação de vontade das partes contratantes. Ademais, o valor decorrente da desapropriação tem característica indenizatória servindo para recompor o patrimônio expropriado. Neste ponto, o contribuinte sustenta que não incide imposto de renda sobre os referidos rendimentos, uma vez que são decorrentes de desapropriação . De fato, assiste razão ao recorrente. No caso concreto, o valor de que trata o lançamento referese a indenização pela desapropriação parcial de um imóvel do recorrente em São Miguel Paulista/SP. Verifica se, deste modo, que tais rendimentos não estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda. Nesse sentido, foi editada a Súmula CARF nº 42, de aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 42: Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. Pelo exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Marcio de Lacerda Martins – Relator Fl. 572DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 05/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 13808.001372/200107 Acórdão n.º 2201002.159 S2C2T1 Fl. 573 6 INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201 002.159. Brasília, 4 de setembro de 2013 (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da 1ª TO / 2ª Câmara / 2ª Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: ______/______/_______ ______________________________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 573DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 05/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO
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Numero do processo: 10980.003414/2003-17
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Sustentou pela recorrente o Dr. Ricardo Alexandre Hidalgo Pace, OAB/SP nº 182.632.
Resolução 3403-000.528 Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Sustentou pela recorrente o Dr. Ricardo Alexandre Hidalgo Pace, OAB/SP nº 182.632. Resolução 3403-000.528 Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Sustentou pela recorrente o Dr. Ricardo Alexandre Hidalgo Pace, OAB/SP nº 182.632. Resolução 3403000.528 Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar a decisão hostilizada em razão de ter mantido o indeferimento de compensação de crédito de IPI com débito vincendo relativos ao período de 119.05.2003 e 14.12.2004. A celeuma centraliza em aproveitamento de crédito de IPI de terceiros reconhecido por meio de decisão judicial transitado em julgado. O direito ao crédito de IPI se refere ao período de 08/1988 a 07/1998, originalmente reconhecido a empresa Nitriflex S/A indústria e Comércio, nos autos do processo nº 98.00.166580, 19º Vara Federal de São João de Meriti/RJ. O crédito foi homologado administrativamente por meio do processo administrativo nº 10735.000001/9918. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 03 41 4/ 20 03 -1 7 Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10980.003414/200317 Resolução nº 3403000.528 S3C4T3 Fl. 5 2 Consta que a detentora do crédito lançou mão de medida judicial para afastar a incidência dos efeitos da Instrução Normativa nº 41/2000, obtendo sentença favorável, transitando em julgado em 12 de setembro de 2003, restou também reconhecido o direito de ceder em todo ou parte do crédito a terceiros a ser utilizados em compensação tributária. A Recorrente adquiriu o crédito de IPI e de posse transmitiu diversas Dcomp relacionadas às fl. 260, a primeira em 10 de abril de 2003, e, as demais sucessivamente. Sustentou também em matéria de defesa homologação tácita em virtude do transcurso do prazo de 05 anos entre a protocolização do formulário fl.1 e a ciência da não homologação, fl. 243, decisão fundamentada no §§ 4º e 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. A ciência do Despacho Decisório que deixou de homologar as compensações à interessada PLM Plástico S/A, ocorreu em 11 de junho de 2008. Há sustentação de que a nova redação dada ao caput do art. 74 da Lei 9.430/96 não retroage para alcançar ato jurídico perfeito e acabado. Afastado o obstáculo imposto pela IN 41/2000 por provimento judicial, nada impede de efetivar as compensações com os créditos tributários obtidos de terceiros. As duas linhas de defesa foram afastadas pela decisão recorrida ao argumento de que: 1) Vedação expressa do art. 74 da Lei 9.430/96, pela nova redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637/2002 (conversão da Media Provisória nº 66/2002), com a observação da previsão contida no art. 63, inciso I da mesma Lei, que estabeleceu como sendo esta a data de início de vigência para o citado artigo 49; 2) Homologação tácita – não teria ocorrido, visto que, um dos “AR” constante da fl. 243, 05.06.2008, dava ciência a empresa Nitriflex S/A., de modo que, a Recorrente teria tomado conhecimento do despacho exatamente no prazo de 05(cinco) anos do protocolo do pedido de compensação, visto o equivoco de tomar com ciência o dia 05.06.2008. O Julgador de Piso afirma, fl. 266, que no presente caderno não se encontram em discussão os créditos pertencentes à empresa Nitriflex, resolvido no processo administrativo nº 10735.000001/991, mas apenas e tão só a compensação efetivada pela empresa PLM Plásticos S/A. Expressou o entendimento também de que as compensações passíveis de homologação tácita seriam as apontadas à fl. 266. Concluiu pela improcedência dos pedidos contidos na Manifestação de Inconformidade de fls. 130/134, consequentemente, em não homologar as compensações. Da Declaração de Voto colecionada aos autos, dissente da linha de julgamento quanto a Homologação Tácita dos pleitos de fls. 01, 60, 66, 70 e 76, que entendeu por tratarse de crédito de terceiro impedia o reconhecimento como declaração de compensação, o que levaria a não aplicação do prazo de caducidade previsto no § 5º do art. 74 da lei nº 9.430/96. Em razões recursais mantémse a mesma linha de defesa articulada na peça inicial. É o relatório. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10980.003414/200317 Resolução nº 3403000.528 S3C4T3 Fl. 6 3 VOTO Tomo a título de decidir as razões delineadas no voto proferido no processo nº 11610.005958/200386 – Brampac S/A, relatoria do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, por tratarse do mesmo assunto e envolvendo a cessionária do crédito que se pretende utilizar em compensação neste processado. “Todavia, muito antes que o saldo acumulado do IPI se exaurisse, a Secretaria da Receita Federal editou a IN SRF no 41, de 7 de abril de 2000, cujo artigo 1º proibiu a prática da compensação de créditos tributários de titularidade de um sujeito passivo com débitos a cargo de outro. Foi então que, para assegurar a continuidade das compensações que até então vinham se efetivando, a recorrente impetrou nova segurança – autos no 2001.51.10.0010250–pleiteando fosse lhe assegurado o direito a despeito da normativa infralegal em cogitação. Mais uma vez, a recorrente teve seu pedido acolhido por sentença transitada em julgado, provimento este em que se fiou para prosseguir negociando seus créditos de IPI com terceiros, inclusive depois que o Executivo Federal editou a Medida Provisória no 66, posteriormente convertida na Lei no 10.637/02, que em seu artigo 49 estabeleceu, agora em hierarquia legal, restrição semelhante à anteriormente veiculada pela IN SRF no 41/00: dali em diante, os créditos passíveis de restituição ou ressarcimento somente seriam compensáveis com débitos tributários a cargo do mesmo sujeito de direitos. A celeuma se instalou, então, em torno das declarações de compensação que, a exemplo deste objeto dos autos, foram protocoladas pelos respectivos cessionários após 29 de agosto de 2002, data em que a MP 1o 66/02 entrou em vigor. O parecer emitido pela PSFN/Nova Iguaçu no qual se baseou o despacho decisório conclui que o provimento jurisdicional entregue à recorrente no terceiro mandado de segurança por ela impetrado lhe assegurava o direito em face das limitações impostas pela referida IN SRF no 41/00, mas que a superveniência da restrição agora prescrita por lei pressupunha que a cessibilidade dos créditos a terceiros fosse reafirmada em nova demanda judicial nunca intentada pela parte. De seu turno, a recorrente argumenta que, ao afastar a aplicabilidade da IN SRF no 41/00 ao caso, o Poder Judiciário o fez por reputála retroativa e infringente ao direito que já houvera adquirido quando da concessão da primeira segurança, vício este que acometeria a Lei no 10.637/02 tanto quanto. Sustenta que, a prevalecer o entendimento sufragado pelo despacho decisório, seria lhe exigível que inaugurasse uma nova demanda judicial a cada ato legislativo ou administrativo em que a restrição fosse veiculada. Toda a controvérsia, como se vê, gravita em torno da imutabilidade da sentença prolatada no terceiro mandado de segurança – autos no 2001.51.10.0010250– e da eficácia temporal do artigo 74, da Lei no 9.430/96, com a redação que lhe atribuiu a Lei no 10.637/02”. “Neste contexto, ressintome de documentos e de informações sem os quais tenho por precipitada a conclusão do julgamento do recurso voluntário”. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10980.003414/200317 Resolução nº 3403000.528 S3C4T3 Fl. 7 4 Penso no mesmo sentido, assim sendo, recomendo que seja o julgamento transformado em diligência, que seja atendido às solicitações: (i) intime a ora recorrente a fornecer cópia dos contratos, caso existam, firmados entre ela, na condição de cessionária, e a Nitriflex S.A. Comércio e Indústria, por meio dos quais tenham negociado entre si a cessão dos saldos credores de IPI que a recorrente aqui oferece em compensação; (ii) esclareça, se possível com o auxílio de tabelas e demonstrativos, acerca da subsistência, à época em que a declaração de compensação aqui debatida foi formalizada, de direito de crédito em montante suficiente para a extinção dos débitos declarados, tendo em vista as variadas formas e datas em que possa ter sido empregado pela própria cedente (Nitriflex S.A. Comércio e Indústria) ou por terceiros, total ou parcialmente; (iii) informe sobre a existência e o desfecho de eventual pedido de habilitação de crédito porventura requerido pela cedente Nitriflex S.A. Comércio e Indústria. Concluídos os procedimentos acima, dêse vista à recorrente do relatório que contiver as conclusões a este respeito, a fim de que, querendo, se manifeste a respeito no prazo de 15 (quinze) dias. Findo o prazo com ou sem manifestação, retornem os autos a este Colegiado para a conclusão do julgamento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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