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Numero do processo: 10855.005217/2001-06
Data da sessão: Fri Jun 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO
LAVRADO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO
JUDICIAL. Comprovado pelo contribuinte a existência de processo judicial, ocorre impossibilidade de manutenção do auto de infração, por total ausência de fundamento e objeto.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-000.189
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da
SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e Gileno. Gurjão Barreto. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) José Antonio Francisco.
Nome do relator: JOSÉ ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL. Comprovado pelo contribuinte a existência de processo judicial, ocorre impossibilidade de manutenção do auto de infração, por total ausência de fundamento e objeto. Recurso Voluntário Negado.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA ,t -é CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10855.005217/2001-06 Recurso n° 137.235 Voluntário Acórdão n° 2102-00.189 — P Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 05 de junho de 2009 Matéria COFINS Recorrente EXPRESSO AMARELINHO LTDA. Recorrida DRJ - RIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL. Comprovado pelo contribuinte a existência de processo judicial, ocorre impossibilidade de manutenção do auto de infração, por total ausência de fundamento e objeto. Recurso Voluntário Negado. Vistos relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e Gileno. Gurjão Barreto. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) José Antonio Francisco. • ,, • 0/MOWt, SAS) . • 18SEF MARIA COELHO MARQUES Presidente JO IO FRANCISCO rPtor Designado Participou, ainda, do presente julgamento, o Conselheiro Maurício Taveira e Silva. Processo n° 10855.005217/2001-06 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.189 Fl. 2 Relatório Trata-se de auto de infração eletrônico lavrado em virtude de Auditoria Interna nas DCTF's apresentadas pela Recorrente referentes ao primeiro e segundo trimestres do ano calendário de 1997. Requer-se o crédito tributário de R$72.138,94, sendo R$27.060,13 a título de COFINS, acrescidos de R$20.295,10 referente à multa de oficio, e ainda R$24.783,71 relacionados aos juros moratórios. Apresentando, tempestivamente, sua impugnação administrativa, a Recorrente argüiu que ajuizou Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica Tributária c/c Pedido de Compensação de Créditos Tributários pleiteando o direito de recolher o PIS nos moldes da Lei Complementar 07/70 e compensar os valores pagos indevidamente com os débitos vincendos de PIS e COFINS. Aduz ainda que a Ação Declaratória autuada e distribuída perante a 1' Vara Federal de Sorocaba sob n° 95.0902430-9 foi julgada procedente, permitindo a compensação dos valores pagos à maior a título de PIS com débitos vincendos de PIS e COFINS, razão pela qual requer a anulação do auto de infração. Em Parecer emitido pelo chefe da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário — SACAT — de Sorocaba, concluiu-se que o Tribunal Regional Federal da 3 8 Região conheceu e deu parcial provimento à apelação interposta pela União Federal, reformando a decisão de primeiro grau, no sentido de que os valores pagos à maior a título de PIS apenas poderão ser compensados com valores devidos do próprio PIS. Ademais, salienta que a demanda judicial encontra-se aguardando o julgamento dos embargos infringentes interpostos pelo contribuinte. Ao final, conclui que a ação judicial n° 95.0902430-9 e este processo administrativo possuem diferentes objetos, propondo o encaminhamento do presente processo para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP. Em seu despacho decisório, a DM/RIBEIRÃO PRETO decidiu no seguinte sentido: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1997 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiên • de recolhimento de IRRF, apurada em procedimento fiscal • auditoria de DCTF (ano-calendário 1997), enseja o lanç• to de oficio com os devidos acréscimos legais. Lançamento Procedent 2 I . , Processo n° 10855.005217/2001-06 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.189 Fl. 3 Irresignada, a Recorrente apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário, discorrendo no seguinte sentido: a) - Que a sentença judicial de primeiro grau claramente autoriza a compensação de PIS pago à maior com prestações vincendas do próprio PIS e da COFINS e que, na possa da mesma, nada mais fez o recorrente que cumprir o determinado no dispositivo constante da sentença judicial, ou seja, autorizada à compensação, o recorrente imediatamente a fez. b) - Que o recurso de apelação interposto pela União foi recebido apenas no efeito devolutivo, permanecendo os efeitos da sentença, razão pela qual não há que se falar em reforma da decisão pelo Tribunal Regional Federal da 3 a região. c) - Em razão do disposto nos arts. 74, da Lei 9.430/96 e 21 da IN n° 210/2002, alega ser perfeitamente possível a compensação de PIS com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Traz a baila jurisprudências deste Conselho de Contribuintes. d) - Requer a reforma da decisão e, conseqüentemente, a improcedência do auto de infração lavrado, juntamente com o arquivamento do respectivo processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro ALEXANDRE GOMES, Relator O presente recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade, e por isso dele tomo conhecimento. O auto de infração foi lavrado em decorrência de não comprovação da existência de processo judicial, que, como já explicitado no decorrer do processo, realmente existia, encontrando-se em grau de Recurso Especial. Embora saibamos que tais autos de infração são emitidos eletronicamente através do cruzamento de informações, não podemos esquecer que a atividade do lançamento é vinculada e deve respeitar todos os requisitos legais para que tenha validade. Assim prescreve o art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrat va constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entend • o o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrên 'a do fato gerador da obrigação correspondente, determinar . matéria tributável, calcular o montante do tributo devido WU1/4' 3 Processo n° 10855.005217/2001-06 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.189 Fl. 4 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (grifo nosso) Restando clara e inequívoca a veracidade do fato apontado pelo contribuinte, qual seja, a existência do processo judicial, fica prejudicado o presente auto de infração. Isto porque não compete a autoridade julgadora "ajustar" a descrição do motivo para que o auto de infração tenha validade. Sendo o motivo ensejador do lançamento a ausência de processo judicial, não se pode depois de comprovada a existência do mesmo transmutar o lançamento justificando-o pela ausência de ordem judicial ou compensação em desacordo com a legislação. Ademais, quanto à possibilidade de manter o presente lançamento sob outros pressupostos, agravando a exigência da inicial, assim determina o § 3° do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 1993: ".ss' 3°. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizadas no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar devolvendo-se, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada." (grifo nosso) No presente caso não foi emitida notificação complementar nem tampouco novo auto de infração. É de se ressaltar que bastaria uma simples intimação ao contribuinte para que este comprovasse a existência do processo judicial, o que possibilitaria a fiscalização de analisar as questões de mérito quanto às compensações efetuadas, se possíveis, se albergadas por decisão liminar, se o crédito era suficiente, e assim por diante. A informatização dos sistemas de controle e de lançamentos não pode ser desculpada para o não cumprimento das determinações legais quanto ao lançamento. Se o "sistema" possui falhas ou não é capaz de prever todas as situações não deve ser utilizado, ou ainda, deve ser atualizado e melhorado. A respeito do tema, cito parte da ementa de julgado deste Conselho: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL.Comprovado pelo contribuinte a existência de processo judicial, ocorre impossibili• e de manutenção do auto de infração, por total aus: de fundamento e objeto. (Recurso n° 133.787 — 1" Cá', a do Segundo Conselho de Contribuintes — relatora Fabiola • viano Keramidas — Data da Sessão: 08/12/2006). (grifou nosso) 49tt 4 Processo n° 10855.005217/2001-06 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102 -00.189 Fl. 5 Destarte, conforme demonstrado e sendo este o entendimento deste Conselho de Contribuintes, não há razão para subsistência do lançamento em questão, pois, deixando de possuir fundamento para sua validade o auto de infração perde seu objeto. Isto .oto, vi por Di R d'ROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO para cancelar o auto e e i fraç:.. S. . .s •• es, em 1 de junho de 2009 • • A EXAN DIZE GO ES Voto Vencedor Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator-Designado Conforme o que consta dos autos, a Interessada apresentou a ação judicial e obteve autorização para efetuar a compensação de créditos de PIS com débitos da Cofins. Com base nessa autorização, apresentou as DCTF, informando o número do processo judicial. Entretanto, a referida autorização perdeu seu efeito com o julgamento do recurso de apelação da União, uma vez que o Tribunal restringiu a compensação aos débitos do próprio PIS. O fato de o recurso ter sido recebido apenas no efeito devolutivo é irrelevante, uma vez que houve o seu julgamento e a Interessada não obteve êxito em reverter a situação posteriormente. Portanto, o procedimento que a Interessada deveria adotar seria o de efetuar o pagamento dos valores compensados e retificar as DCTF apresentadas. Não tendo tomado tais providencias, era cabível o lançamento, uma vez que aquele processo judicial indicado na DCTF não mais permitia a compensação declarada. Nesse contexto, é perfeitamente aceitável que o processo houvesse sido considerado não comprovado. O fato de o art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, permitir a compensação entre tributos diversos não se ajusta ao caso dos autos. Anteriormente à criação da declaração de compensação, havia duas modalidades de compensação: entre tributos da mesma espécie e destinação constitucional, efetuada pelo contribuinte em sua escrituração; e entre tributos de natureza diversa, efetuada pela Receita Federal à vista de pedido do contribuinte. 4 i0 5 Processo n° 10855.005217/2001-06 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.189 Fl. 6 A compensação em questão é da primeira modalidade, tanto que a questão controversa na ação judicial era de se a Cofins era da mesma espécie e destinação do PIS. Portanto, o art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, não se aplica ao caso dos autos e, não tendo a Cofins a mesma destinação do PIS, a compensação era irregular, conforme decidiu o TRF da 3' Região. Dessa forma, adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 55, § 1°, da Lei n. 9.784, de 1998, voto por negar provimento ao recurso. Sala de Sessões, 05 de junho de 2009 O IO<CFRA ISCO 4 1/1 6
score : 1.0
Numero do processo: 13708.002248/2004-21
Data da sessão: Tue May 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Exercício: 2004
OPÇÃO, IMPEDIMENTO LEGAL. Vedada a opção pelo Simples pela
pessoa jurídica, cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1801-000.234
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado,
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2004 OPÇÃO, IMPEDIMENTO LEGAL. Vedada a opção pelo Simples pela pessoa jurídica, cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (-) ~,1? PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 13708.00224812004-21 Recurso n* 140375 Voluntário Acórdão n" 1801-00.234 — 1" Turma Especial Sessão de 18 de maio de 2010 Matéria EXCLUSÃO SIMPLES Recorrente RESTAURANTE 4004 LTDA. Recorrida DIU-RIO DE JANEIRO/RJ ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2004 OPÇÃO, IMPEDIMENTO LEGAL. Vedada a opção pelo Simples pela pessoa jurídica, cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, . ....)--- (---------i? ANA DE BARROS FERNANDES - Presidente / / CARMEN FERREIRA SARAIVA - Relatora EDITADO EM: 12 A G O 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Rarnirez, André Almeida Blanco, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes, 1 Relatório A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Micmempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples foi excluída de oficio pelo Ato Declaratório Executivo DERAT/RJO if 536,028, de 02 de agosto de 2004, 03, com efeitos a partir de 01/01/2003, com base nos fimdamentos de fato e de direito indicados: Data da opção pelo Simples: 01/01/1999 Situação excludente: (evento 311): Descrição: sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no ano-calendário de 2001 ultrapassou o limite legal CPF 299.132.438-40 CNP.' 04.669.986/0001-48 Data da ocorrência: 31/12/2002 Fundamentação legal. Lei n" 9.317, de 05/12/1996: art. 9`; IX; art 12; ar!. 14, I; ar!. 15, II Medida Provisória n" 2.158-34 , de 27/07/2001: art 73.. Instrução Normativa SRF n" 355, de 29/08/2003: ar!. 20, IX; art. 21; art. 23, I; ar! 24, II, c/c parágrafo único. A empresa manifestou-se contrariamente ao procedimento, apresentando a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples — SRS, fl. 01, com pedido de revisão do ato em rito sumário, argumentando, em síntese, que foram tornadas as medidas cabíveis no momento da exclusão. Em conformidade com o Despacho Decisório, ti. 02, as informações relativas à opção pelo Simples foram analisadas das quais se pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que a sócia Ana Cecília Sanches Martinez, CPF 299,132.438-40, participa com mais de dez por cento do capital da pessoa jurídica Lanchonete G 1454 Ltda, CNPJ 04.669,986/0001-48, e a receita bruta global no ano-calendário de 2002 ultrapassou o limite legal, fls.. 06/18. Cientificada em 16/12/2005, fl. 02, ela apresentou a manifestação de inconformidade em 13/01/2006, fi., 23. Afirma que seu desenquadramento do SIMPLES traria prejuízos á empresa, com seu encerramento e que a sócia Ana Cecilia Sanches Ildartinez deixou de participar como sócia cotista, sendo que, à época, não recebia pro-labore, lucro ou remuneração de capital. Está registrado como resultado do Acórdão da 5" TURMA/DRJ/RJO I/Rj 12-15.091, de 16/07/2007, fls. 37/39: "Solicitação Indeferida" Restou esclarecido que No presente caso, a sócia, Ana Cecilia Sanches Martinez participava da interessada e de outra empresa, no ano- calendário de 2002, a [Lanchonete] G 1454, CNPJ n° 04.669.986/0001-48 e a receita global ultrapassou o limite legal, no somatório de R$ 1„366.404,88 (fl, 17/18), vedando a opção da interessada pelo Simples. 2 Processo n" 13708 002248/2004-21 SI-TE01 Acórdão n 1801-00234 Fl 9.3 Notificada em 14/10/2007, fl.. 41, a Recorrente apresentou o recurso voluntário, fls. 81/8.3, em 05/11/2007, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge.. Reitera seus argumentos apresentados junto à primeira instância de julgamento, em especial que a sócia Ana Cecília Sanches Martinez, CPF 299.1.31438-40 se retirou da pessoa jurídica Restaurante 4004 Ltda, CNPJ 02.185.938/0001-92 em dezembro de 2004. Em face do exposto requer o deferimento de sua solicitação a partir de 01/01/2005. É o Relatório. 3 Voto Conselheira CARMEN FERREIRA SARAIVA O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, Assim, dele torno conhecimento,. É incontroverso o fato de que a sócia Ana Cecilia Sanches Martinez, C.PF 299,132.438-40, participa com mais de dez por cento do capital da pessoa jurídica Lanchonete G 1454 Ltda, CNPJ 04,669,986/0001-48, e a receita bruta global no ano-calendário de 2002 ultrapassou o limite legal, lis, 06/18. Também não há litígio no fato de que a referida sócia se retirou da pessoa jurídica Restaurante 4004 Ltda, CNPJ 02,185,938/0001-92 em dezembro de 2004, fls. 85/88. A Recorrente discorda do procedimento de oficio,. O tratamento diferenciado, simplificado e .favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. A Lei if 9.317, de 1996, fixa: Art. 9" Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica. [. IX - cujo titulas ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 20 Analisando as condições excludentes legais e cumulativas restou esclarecido que: - a sócia Ana Cecília Sanches Martinez, CPF 299.132..438-40, participa com mais de dez por cento do capital da pessoa jurídica Lanchonete G 1454 Ltda, CNPJ 04,669,986/0001-48, fls. 06/10; - a receita bruta global de ambas as pessoas jurídicas ultrapassou no ano- calendário de 2002 o limite legal de R$ 1,200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais), fls. 11/18; - a sócia Ana Cecilia Sanches Martinez, CU' 299.132,438-40, se retirou da pessoa jurídica Restaurante 4004 Ltda, CNPJ 02.185..9,38/0001-92 em dezembro de 2004, fls. 85/88. A descrição da razão de falo indicada no ato de exclusão está demonstrada de forma inequívoca pelo implemento concomitante das condições legais de excludentes a partir do ano-calendário de 2005. Assim, a exclusão do Simples deve ser limitada aos anos- calendário de 2003 e 2004. 4 Processo ri" 1:3708.002248/2004-21 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.234 El. 94 Sobre o efeito retroativo do procedimento fiscal, a Lei n" 9.317, de 1996, determina: Art. 12. A exclusão do SIMPLES será .feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de oficio. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa .jurídica dai'-se-á,. - por opção, - obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações =Mentes constantes do art. 9°,. § 1° A exclusão na forma deste artigo será . fbrmalizada mediante alteração cadastral. Art. 14. A exclusão dar-se-á de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses- I - exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § .2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica,' Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: II - a partir do més „subseqüente ao em que incorrida a situação •excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9",. Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efèitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas Cabe esclarecer' que a opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais, No presente caso a requerente incorreu em situação excludente e por esta razão estava obrigada a proceder à exclusão mediante comunicação à RI-7 13. Como este procedimento não foi adotado voluntariamente, foi efetuada de forma regular a exclusão de oficio pelo DRF/DERAT/R,10, no estrito cumprimento do dever legal (art. 116 da Lei if 8.112, de 11 de dezembro de 1990). Além disso, a partir dos efeitos da exclusão, ou seja, de 01/01/2003 a .31/12/2004, a Recorrente fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive às obrigações tributárias principais e acessórias, Em face do exposto voto, dar provimento parcial ao recurso voluntário para limitar a exclusão do Simples ao período de 01/01/2003 a 31/12/2004 CARMEN FERREIRA SARAIVA - Relatora 6
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001333/2004-45
Data da sessão: Fri May 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2002
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE, EMISSÃO DE INCENTIVOS
FISCAIS (PERC) REGULARIDADE FISCAL, MOMENTO DA
COMPROVAÇÃO.
Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do
Decreto nº 70.235/72 (Súmula Carf nº 37).
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC)DÉBITOS POSTERIORES À OPÇÃO PEL0 INCENTIVO
É ilegal o indeferimento do Perc em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento
Numero da decisão: 1803-000.442
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso para afastar a preliminar de descumprimento do art. 60 da Lei nº 9,069/1995, devendo a repartição de origem prosseguir a análise do mérito do pedido nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedida a
Conselheira Selene Ferreira de Moraes
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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REGULARIDADE FISCM, MOMENTO DA COMPROVAÇÃO.. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PLR.C), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se refeiir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n" 70.235/72 (Súmula Carf n" 37). PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PI 1)I'-.1-3ITOS POSTERIORES À OPÇÃO PEI,0 INCEN`F IVO É ilegal o indeferimento do Perc em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Coleciado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar a preliminar de descumprimento do art. 60 da Lei n" 9,069/1995, devendo a repartição de origem prosseguir a análise do mérito do pedido nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedida a Conselheira Seleiro Ferreira de Moraes _ ra de Moraes - Presidente Proce.-sso n" 16327 00133312004-45 ti 1-1 1003 Acórdão n 7 1503-00442 1' I 325 Sérgio Rodrigues Mendes - Relator EDITADO E.N./.1.: 21/05/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Solene Ferreira de Moraes, Bencdicto Celso Benício tánior, Walter Adolfo M.aresch, Lueíano hiocêncio dos Santos, Sérgio Rodrigues Mendes e Diniz Raposo e Silva. Declarou-se impedida a Conselheira Selene -I.'erreira de Moraes (presidente), Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (tls, 252 e 253): nato o presente processo de Pedido de Rt:wisão de Ordem de Incentivos. .M.svaiY - PARC, relativo ao ano calendário de 2001, evercieio de 2002, formulado em 29/09/2004, pela empresa acima identificada (tis 1/2).. Conforme dados constantes da .ficha 29 - Aplicações em incentivos Pisca/ s, da 1)11).1 2002, a contribuinte destinou parcela do imposto de renda recolhido equivalente a R$ 289.269..39 paru aplic...ação no FIIVOR (valor declarado - fis (.V?) 1n despacho decisório de 04/04/2006 (fls. 199/201), foi indelérido • o pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais relativo ao IRP,1/2002, nos Neguintev termos • Diante do exposto, DECIDO IMIT'ERIR. o pedido de revisão de ordem de emissão adicional de incentivos fiscais relativo ao IR P.1/2002, formulado pelo interessado, em decorrência da vedação legal estabelecido pelo art . (i0 da 1,ei n' 9.069/95 e pelo inciso 1.I, art. 6 0 , da Lei. ri° 10.522/2002 A. empresa apresentou manifestação de inconformidade, protocolizado CM- 20/0572006 (fh. 206/209), aleando, em .sinle.se, o seguinte • a) Em razão de falhas no cadastro do sistema do Fisco, se vê impedida de obter c • crlidões negativas ou receber cobranças desses- sapo tos dé.bitos, por isso, é obrigada a requerer• a barra do débito inexistente ao próprio órgão administrativo ou buscar tutela judic..i(1l para tanto. h) Não d. possível que o direito ao incentivo fiscal, apurado na declaração do ano-bas-e de .19.99 (sic)„ esteja vinculado a esse simetria que, algumas veze.s, apresenta distorç:ões na situa ç.ao • real dos contribuinte.s (que pode oscilar com freqüência) A s.siiii, se o julgador tivesse analisado este processo na fase de .sitrutção cada.stral regular, leria deter ido o incentivo, no entanto, poucos Pwcesso n' 16327 00133.V200/1-4.5 SI-1E03 Acórd5o n° 1803-00.442 01 32( dias depois', em face de mudança da situação cadastral paia e) Analisando os débitos envolvidos na listagem anexa ao despacho de indeferimento, verifica-se que todos eles são plenamente justificáveis, e não podem impedir a liberação do inc'entivo fiscal d) Processos fl'S" 16327.500112/2004-55 e 16327.500113/2004- 08 os ci éditos tributários correspondentes enconiram-se com a exigibilidade suspensa por ¡Orça de despacho judicial (fls 23.5/237) e) Processos ns 163.27500076/05-19 e 16327 5000078/05-08 0.5 crêdjios tributários correspondentes encontram-se com a exigibilidadc.' suspensa por força de despacho judicial (Ils 238/23 9) .0 Processo ri' 1632 7 500077/2005-55: a interessada ai gín que o débito estaria com exigibilidade suspensa em razão apresentação de ,garantia nos auto.s da ex:ecução fiscal (240/241) g) Até que a Procuradoria da Fazenda Nacional aprecie a documentação juntada pela Manifestante, não há que se falar em débito de tributo ou contribuição. h) Com relação à irregularidade apontada pelo não cum», imento de obrigação acessória (apresentação de DCTP- em 2004), cabe esclarecer que a empresa recorrente fOi. incoiporada pela Cia lian de Capitalização A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 251): ASSUNTO. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PFSSOA JURlDICA -1111/! Exercício 2002 PERC. OU! TA Gi 'O DE TR113UTOS E CONT1?IBURY)ES FEDERAIS - PROVA Nos termos do art 60 da Lei 9.069/9.5, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fisml .fica condicionada à comprovação, pelo contribuinte, da quitação de tributos e contribuições federais Diante da ausência desta prova, o PLIK.:' não pode ser deferido Solicitação bidé& ida Cientificada da referida decisão em 20/06/2007 (AR. de fls. 270), a tempo, em 16/07/2007, apresenta a interessada recurso de fls. 271 a 276, instruído com Os documentos de fls. 277 a 307, nele argumentando, em síntese: a) que a concessão do incentivo fiscal pleiteado está condicionada, à comprovação de quitação de tributos e contribuições sociais; , (Q(\f' - ("3 Processo n'' 16327.001333/2004-45 S 1-1 1,103 Acórdão n "1803-00..442 ii 32.7 I)) que, porém, o dispositivo não traz nenhum indicativo do momento em que essa quitação deve ser comprovada; c) que fica evidente que a intenção do legislador não tiú a de impedir a liberação de incentivos fiscais a qualquer tempo; d) que não é possível admitir-se que o direito ao incentivo fiscal, apurado na declaração do ano•calendário de 2001, esteja vinculado a pendências apontadas pelos sistemas da SRF e PGFN, os quais podem apresentar distorções na situação real do cadastro de contribuintes, podendo oscilar com freqüência; e e) que os débitos apontados pela autoridade fiscal como impeditivos à concessão do beneficio pretendido, todos inscritos em divida ativa da União, estavam com sua exigibilidade suspensa à época do despacho decisório que indeferiu o 'beneficio pretendido. Em mesa para julgamento. Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator .A.tendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do recurso Dispõe af Súmula Carf n" 37 (grifou-se): Para fins de defitimenlo do Pedido de Revisão de Ordem de _Tucentivo.s Fiscais (PERO, a exigencia de comprovação . ale, re gularidade fiscal deve se ater ao período a que se h:.1 :.vir a Declaração de Rendimenio,s da Pe,ssoa Jui idica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quilação qualquer ~mento do processo administrativo, HM' termos do Decreto n'Y 70.235/72. Assim, é ilegal o indeferimento do Peru em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento. No presente caso, as pendências apontadas, de lis. 195 a 198 [ausência de declaração, inscrições em cobrança na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (1)(„;FN) e inscrição no Cadastro InfOrmativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin)l, referem-se, todas, aos anos-calendário de 2004 e de 2005. Por conseguinte não sendo as alegadas irregularidades fiscais contempoifineas, senão posteriores à. opção pelo beneficio fiscal (ano-calendário de 2001), não é cabível o indeferimento do Perc com fundamento no art. 60 da Lei n" 9.069, de 29 junho de 1995, e no art. 60, inciso tf, da Lei n" l 0.522, de 19 de julho de 2002. Conclusão (cç>k Processo lin 16327.001333/2004-45 SI-TE.03 Aeórfflo " I 803-00,442 Fl. 328 Fin face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO R FCURSO, devendo a repartição de origem prosseguir a análise do mérilo do pedido. É como voto.. - Sérgio Rodrigues Me ides MINISTÉRIO f.)A FAZENDA C()NSE.L110 ADMINIS1 RA I IV() DE. RFCURSOS 1,ISCAIS Qt IAR I A CAMARA - PRIMEIRA SEÇÃO Pi °cesso n" : .1637,0013333/2004-45 Aeói dão o' : 1803-00 442 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Ri oeutadores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada acórdão supra, nos termos do art. 81, 3', do anexo 11, do Regimento Interno do C,ARF, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 deponho de 2009. Brasília, 09 de Julho de 2010 ar-Vfirct S;ousa oc — Seet ci:ái ia da C.ainara Ciência Data: Nome: oeniador(a) da l'azenda Nacional Encaminhamento da "P"I('IN: 1 apenas com ciência; [ Icon) Especial; com Embargos de Dedal ação, MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF Processo n° 16327001333/2004-45 Enteressado(a) : CAPITALIZA EMPRESA DE CAPITALIZAÇÃO S/A TERMO DE JUNTADA 10 Seção Declaro que juntei aos autos original do acórdão n° 1803-00.442 (tis ), e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo Encaminhem-se os presentes autos à Procuradoria da Fazenda Nacional, para ciência do acórdão. Em ASSINATURA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009594/2002-51
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/09/1992 a 21/12/1999
COFINS. DECADÊNCIA.
O prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir crédito tributário é de cinco anos, DOS termos do § 4º do art. 150 do CTN, no caso de haver antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-000.951
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso especial.
Nome do relator: Carlos Alberto Freitas Barreto
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DECAD .ENCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir crédito tributario é de cinco anos, DOS termos do § 4 0 do art. 150 do CTN, no caso de haver antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo.. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.. EDITADO EM: 04/01/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Hentique Pinheiro Torres, Nanci. Gama, .firdith. do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Fitho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Frei tas Barret°. Rela tó rio A matéria devolvida a este Colegiado cinge-se ao prazo deeadencial para se constituir credit() das contribuições sociais, na hipótese de existência de antecipacao de pagamento do tributo devido.. 0 julgamento deste recurso tern como paradigma o Recurso n" 230 135, julgado na sessao imediatamente anterior a esta, sendo-lhe aplicada mesma tese daquele julgado, nos termos do art 47 do A nexo II do Regimento Interno do CARP, aprovado pela Portaria MI n" 256, de 22 de junho dc. 2009. Em apeitada síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator 0 recurso merece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos pressupostos regimentais de admissibilidade.. A teor do relalado, a questao devolvida a este Colegiado cinge-se em decidir se se aplica o prazo deeenal do art 45 da Lei n" 8,212/1991, ou os cinco anos do CTN, e ainda, o termo inicial da contagem. 1.'ste voto segue as disposições do§ 20, in fine, do art.. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CAI.Z.F, aprovado pela Portaria MF n" 256, de 22 de junho de 2009. Para tanto, adoto a tese do iulgarn.ento do .R.ecurso 230435. A materia trazida a debate giro em torno de se decidit se se aplica o prazo decent-1.1 do art. 45 da Lei n" 8.212, de 1991, ou os cinco anos do (TN: e clinch-, o termo inicial da contagem No toc..ante c cluraçqo do prazo, a questêto fin apascentada na „hit isprudência deste Colêgiado, cont. a ediçâo da SírmulaVinculante n" 8, do Supremo lribunal 1 ,Mer .al, que dechtrou a inconstilucionalidade do ai t. 45 do Lei n" 8 212/199.1 . Coin isso, o prazo de orceodneia todos os t" OS de 5 ano, nos tel pt coon izadus no (.71N. Resta, decichr qual o lei mo de inicio, se o da data de °cot rência do Into gera br 4" do art 150 do CTN - ou se o do primetto dia do exercício seguinte, nos termos do riu:'/ co I do Tributario.Nacional C 0 rijOr me _so ver ific a dos autos, a curt atio7o ("elicit-8e a diferenças havidas entre ca/ores pagos e outros encontrados 110.S ¡KIT. TUG/1d° comparados com os constantes na DIP.I e nos livros. eon/abet',' Isto ê, lion co pagamento. Superada e.ski a possibilidade de aplicar o art 45, acima refCt 00, uma rez que a Mmula ri" 8 do STE afastou a WHIMa nele contida do ordenntento tributar/o, por inconstitucional 2 Processo n 10980.00959,1/2002-51 CSRIL1 3 /lc:Aka° ii " 9303-00.951 1.1 228 Passamos então à apreeiação do dia a par tit- do anal deve ser contado prazo decadencial A po,sição, diversas vezes expressada, é de que nibutos sujeitos ao lançamento por homologação constiniern modalidade de atividade mista, fisco/contrilminte, coin° meio de facilinição fOrmalização C do cumprimemo da obrigação nibutitria. 0 contribuinte faz as comas e paga, quando for o caso, e o auditoi fiscal analisa a alividade como urn todo, hoinologando Ott não 0 pagamento. É assim o contendo da norma inset ¡la HO art. 150, 4'! Vejamos.: Art. I O. 0 lançamento pm - homologação, que ocoi re quanto aos tributos cuja legislac.ao atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tornando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressarnente a homologa. §' Sc a lei 'Fla) fixar prazo a .homologaçao, sera ele de cinco anos, a contar da oconencia do tato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fiaude on simulação De ()lino lado, nos teimas do art 142 do C.1N, it atividade de lanomento dpi ivativa da mitoridade administrativa. Art.. 142. Compete privativamente ir autoridade administrativa constituir o crédito tributario pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a oco.0 ência . do fato gerador da obi igação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cablvel. Paragrafo Unico. A atividade administrativa de lançamento vineulada e obi itiitór ia, sob Pena de responsabilidade funeional.. A ssim, deli rido que o lançamento é atividade pripativa e vinculada da autoridade tributária, penso que o legislador desejou infinnua . Peia norma contido no art 150 do CTIV, a possibilidade de, posteriormente ã atividade de organiz,aciio das corners pelo contribitinte, à luz de 8110 intoppetaçilo das normas legais (interpretação do contribuint0, fazer com que a atividade de lançamento, privativa do auditor fiscal, e normalmente prévia ao pagamento, seja postelior ao itleS1110„ no momento em que a autoridade tributária akre a correção do procedimento desenvolvido pelo coniribuinte — stk.0 ti comas, regime,s, atividades, e tudo o mais que Constitta a fOrmação do lançamento, e homologa ou não o pagamento opreeido antecipadamente, no exercielo da atividade de fiscalização. • reitas Bar eto Como ja disse, estamos &ante de not Ina simplilicadora da hei lade do fiycal e do contribuinte, taint) que, evpiradoY os inco anos scut que a Fazenda Ptribliea se tenha pronunciado, pi eS11111C--SC co)) eta a atividade, homoloa-se o pagamento e considel a-se del initiva 'ricrac! extinta eobi igacao tlWtui ia ()cot1 e que o pagamcnto antceipado, [nit) OCOMpUilhad0 do inerti01 ¡al COilIC11(10 a contabilidade da ono eya, e outra s itifbirtm:'.aes que podem socotrer o agente público na hora de procedei o lancamento De out] o lotto, o pagamento antecipado noficia (10 Eisco ti °coil ência de UM fato ei odor de obl igacrio ibutaria, e (pie o crédito tributario, dela decortente, esta espera de formalizacao meio de um ato adminiNtralivo .Are.s..sv c050, entendcit o Icgisladoi que o fisco disptie de 5 anos, contados do ocorrência tio falo gerador pata foi matizar o lancamento 011 homologar o pagamento efetuado, se nao o . fizer, tic.s.se pi a:0 consider ti-se homologada a antecipa0o realizada pelo sujeito /1(15 51170, t delinitivaniente extinto o crédito tribulario Silutic,iio di felerile é aquela em que o stireito paysivo nao antecipa o .paganiento do tributo devido Neste caso, mio liii falat-se em boinologactio Com isso, 0 prazo decadencial tem como marco inicial o primeiro dia tio exercício seguinte aquele em que o lancamento j poderia ter .Yida eletuado, conlOr me disposi0o ex-i)resisa do art 173, inciso 1, do CTN. No caso dos autos, houve ainceipat,..cio tic pagamento, e nao ficou constatado simulactio; fraude ou dolo Assim, o term() inicial é o do mi. 150, CilAr Corn essas considerações vol.° no sentido de dar movimento ao recurso apresentado pelo sujeito passivo. 1 4
score : 1.0
Numero do processo: 11077.000157/2003-19
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO.
É correto o procedimento da autoridade fiscal que, na apreciação do direito creditório, limitou-se a apreciar aquele informado nas Dcomp prestadas.
Numero da decisão: 1302-001.006
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. É correto o procedimento da autoridade fiscal que, na apreciação do direito creditório, limitou-se a apreciar aquele informado nas Dcomp prestadas.
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SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. É correto o procedimento da autoridade fiscal que, na apreciação do direito creditório, limitouse a apreciar aquele informado nas Dcomp prestadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma), Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza Junior, Márcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado, e Gilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 7. 00 01 57 /2 00 3- 19 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/11/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11077.000157/200319 Acórdão n.º 1302001.006 S1C3T2 Fl. 846 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/STM, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, manter o Despacho Decisório DRF/URA/Seort, de 18 de junho de 2008 (fl. 654) e indeferir as solicitações constantes da manifestação de inconformidade, conforme ementa que abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. SALDOS NEGATIVOS DE IRPJ DE EXERCÍCIOS ANTERIORES Saldos negativos de IRPJ de exercícios anteriores não podem ser considerados na formação ou no aumento desse saldo de um determinado período. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Trata o presente processo de Declarações de Compensação onde o Contribuinte pretende compensar débitos de CSLL e de IRPJ com créditos oriundos de saldos negativos de IRPJ e de CSLL do anocalendário de 2002, nos valores de R$395.901,91 e R$216.504,33, respectivamente. Esclareçase, que são analisadas neste processo, as Declarações de Compensação cujo crédito se originam do saldo negativo do IRPJ apurado no ano calendário de 2002. As Declarações de Compensação, cujo crédito são oriundos de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002, embora constam anexadas neste processo, são analisadas no processo nº 11075.001445/200815. As Declarações de Compensação analisadas neste processo são as seguintes: Nº da Declaração de Compensação Crédito utilizado Data entrega Folhas em formulário (retificadora) 55.894,28 26/09/2003 1920 00673.43256.180608.1.7.020631 36.743,27 18/06/2008 239245 00489.27252.180608.1.7.020060 48.463,11 18/06/2008 246279 08454.83440.180608.1.7.024517 105.694,91 18/06/2008 253256 22595.38486.180608.1.7.029725 48.463,11 18/06/2008 258261 38615.83011.180608.1.7.023421 50.169,49 18/06/2008 263266 A autoridade competente da DRF em Uruguaiana analisou as referidas declarações e emitiu o Parecer DRF/URA/Seort nº 123, de 18 de junho de 2008 (fls. 636653) e o Despacho Decisório DRF/URA/Seort, de 18 de junho de 2008 (fl. 654), reconhecendo o direito creditório referente ao saldo negativo do IRPJ do ano Fl. 2DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/11/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11077.000157/200319 Acórdão n.º 1302001.006 S1C3T2 Fl. 847 3 calendário de 2002, no valor de R$270.940,08 e homologando as compensações declaradas até o limite do crédito deste valor. Também, determinou a cobrança de parte do débito de IRPJ de março de 2003, nos termos do descrito no item 76 do referido parecer. Para a apuração do saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2002, foram consideradas as estimativas de IRPJ dos meses de janeiro a maio de 2002, as quais foram quitadas com parte do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001. Também, foram computados os recolhimentos efetuados em DARFs e o imposto de renda retido na fonte (planilha na fl. 238). O saldo negativo apurado no anocalendário no valor de R$388.802,24, foi apurado em procedimento de revisão interna, ocasião em que foram alterados os valores do IRPJ anual nas DIPJs dos anoscalendário de 1999 a 2002, conforme relatório e planilhas de fls. 195210 (processo nº 11075.001623/200301). Inconformado com a reconhecimento parcial do crédito, o Contribuinte apresenta a Manifestação de Inconformidade de fls. 691702, com os documentos de fls. 703 a 808, trazendo os seguintes argumentos: Para deferir parcialmente o crédito informado nas DCOMPS, a Autoridade Fiscal não considerou os créditos apurados nos anoscalendário de 1998 a 2001, que foram objetos de pedido de compensação em formulário impresso e que foram entregues em 26/09/2003 (fls. 1920). Apenas considerou o saldo negativo relativo ao anocalendário de 2002. Ao concluir pelo reconhecimento do crédito de somente R$270.940,08, a Autoridade Fiscal não considerou o crédito de R$124.961,84, conforme planilha de fl. 238, que seria a diferença entre a importância de R$388.802,24 e o valor compensado reconhecido de R$270.940,08. Na planilha de fl. 238 consta “Decaído a partir de janeiro de 2003”, significando a perda do direito ao crédito na importância de R$124.278,04. Desse modo, a Autoridade Tributária não questionou a existência do crédito de R$395.901,91, declarado na Declaração de Compensação protocolado em 26/09/2003, mas sim analisou sob a ótica apenas da decadência. A prova documental é evidente que o saldo negativo de IRPJ apurado até o anocalendário de 2002 é de R$388.802,24, não sendo atingido pela decadência. É pacífico na jurisprudência o entendimento de que o prazo de cinco anos contase da respectiva homologação e não do seu recolhimento. O pagamento antecipado ou a compensação, nos moldes do art. 150 do CTN extingue apenas provisoriamente o crédito, sob condição resolutória de ulterior homologação do lançamento efetuado. À autoridade administrativa cabe verificar a regularidade do recolhimento ou da compensação, e se assim não proceder no prazo de cinco anos, operase a homologação tácita. A partir da Lei Complementar nº 118, de 2005, art. 3º, restaram modificados os entendimentos jurisprudenciais e doutrinários de que o prazo de cinco anos para pleitear a repetição do indébito teria início a partir do primeiro dia útil subseqüente ao último dia do prazo para homologação, que quando tácita ocorre cinco anos após o pagamento, passando a fruir desde o momento do pagamento antecipado. Porém, esse entendimento somente poderia ser aplicado a situações ocorridas a partir de sua vigência, ou seja, 09/06/2005, não podendo ser admitida a retroatividade para prejudicar o Contribuinte. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/11/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11077.000157/200319 Acórdão n.º 1302001.006 S1C3T2 Fl. 848 4 As compensações efetivadas são nitidamente tempestivas, não tendo operado a decadência. Cita as compensações efetuadas nas DCOMPs entregues. Efetivadas as compensações, restou um saldo credor de R$267.420,27, atualizado pela taxa SELIC até 30/11/2003, conforme planilhas nas folhas 804808. Portanto, os pedidos de compensação foram todos tempestivos e não estão atingidos pela decadência, pois o fato gerador dos créditos se deu a partir dos anos calendário de 2000, 2001 e 2002, e o pedido foi formulado no anocalendário de 2003. Finalizando, requer a procedência da Manifestação Inconformidade para que seja modificado o Parecer DRF/URA/Seort nº 123, de 18 de junho de 2008 e o Despacho Decisório DRF/URA/Seort, de 18 de junho de 2008. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que, ao contrário do que veicula o acórdão, solicitou compensação dos saldos negativos anteriores a 2002 (1998, 1999, 2000, e 2001) É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/11/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11077.000157/200319 Acórdão n.º 1302001.006 S1C3T2 Fl. 849 5 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. A recorrente entende que solicitou compensação dos saldos negativos anteriores a 2002 (1998, 1999, 2000, e 2001) e que a autoridade não considerou tais créditos porque entendeu prescrito o direito de repetilos administrativamente. Tais pedidos teriam sido entregues em 26/09/2003 (fls. 1920), mas a fiscalização, conforme aduz, considerou tão somente o saldo negativo relativo ao ano calendário de 2002, reconhecendo apenas o crédito de R$270.940,08, e não considerando o crédito de R$124.961,84, conforme planilha de fl. 238, que seria a diferença entre a importância de R$388.802,24 e o valor compensado reconhecido de R$270.940,08. Entende a recorrente que na planilha de fl. 238 a expressão “Decaído a partir de janeiro de 2003”, se refere à importância de R$124.278,04. Conclui, assim, que a Autoridade Tributária não considerou o crédito de R$395.901,91, declarado na Declaração de Compensação protocolada em 26/09/2003 por entender que o crédito não poderia mais ter sido pleiteado. Expôs o acórdão recorrido que a insuficiência de crédito não se deve à perda do direito de pleitear a compensação do indébito, mas à inexistência de pedido de reconhecimento de crédito de períodos anteriores a 2002, consoante as Dcomp prestadas. Demais disso, ressalta que a DRF considerou as compensações de estimativas dos meses de janeiro a maio de 2002 com saldo negativo de 2001. Vejamos. Desse modo, como a solicitação de reconhecimento do crédito se refere somente ao saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2002 e tendo a DRF considerado as compensações das estimativas dos meses de janeiro a maio de 2002, cujo crédito se refere ao saldo negativo do anocalendário de 2001, deixase de analisar os argumentos feito pelo Contribuinte em relação à decadência. Destacase, que o reconhecimento parcial do crédito solicitado pelo Contribuinte não foi motivado pela ocorrência da alegada decadência, mas pelos equívocos cometidos na apuração do saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2002 (fl. 808), conforme já exposto. Embora conste na planilha de fl. 238 a expressão “Decaído a partir de janeiro/2003” verificase que as compensações das estimativas feitas em DCTFs (janeiro a maio/2002) com parte do saldo negativo apurado no ano Fl. 5DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/11/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11077.000157/200319 Acórdão n.º 1302001.006 S1C3T2 Fl. 850 6 calendário de 2001 foram consideradas na apuração deste saldo. Portanto, a DRF não considerou que o saldo negativo apurado em 2001 foi atingido pela decadência (prescrição). Quanto a eventuais saldos negativos de períodos anteriores, como já visto, não cabe a sua análise, pois o pleito do Contribuinte se limita ao pedido de reconhecimento do crédito proveniente do saldo negativo do anocalendário de 2002 e das compensações de débitos. Pois bem. Os créditos que a recorrente alega não terem sido considerados pela fiscalização são aqueles constantes da Dcomp entregue em 26/09/2003 (fls.19/20). Verificando tais fls. constatamos que o crédito ali utilizado (fl.20) é exatamente relativo a saldo negativo do anocalendário de 2002, tal qual nas demais declarações. Então, não subsiste a afirmação de que esta Dcomp conteria créditos relativos a anos anteriores a 2002 não apreciados pela fiscalização. Por outro lado, o parecer elaborado pela DRF/URA deixa claro que considerou o saldo negativo de 2001 na compensação das estimativas de janeiro a maio de 2002. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/11/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11077.000157/200319 Acórdão n.º 1302001.006 S1C3T2 Fl. 851 7 Por fim, cabe aduzir que em todas as Dcomp prestadas para pleitear compensação apuradas pela fiscalização, conforme planilha abaixo, o crédito pleiteado se refere ao saldo negativo do anocalendário de 2002. Nº da Declaração de Compensação Crédito utilizado Data entrega Folhas em formulário (retificadora) 55.894,28 26/09/2003 1920 00673.43256.180608.1.7.020631 36.743,27 18/06/2008 239245 00489.27252.180608.1.7.020060 48.463,11 18/06/2008 246279 08454.83440.180608.1.7.024517 105.694,91 18/06/2008 253256 22595.38486.180608.1.7.029725 48.463,11 18/06/2008 258261 38615.83011.180608.1.7.023421 50.169,49 18/06/2008 263266 Restam, portanto, desprovidas de provas as alegações expendidas pela recorrente, devendo ser mantido o resultado apurado pela fiscalização da DRF/URA. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 06 de novembro de 2012. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 7DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/11/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE
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Numero do processo: 16045.000789/2007-05
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2002, 2003
NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
A preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, de matéria não impugnada, impede o conhecimento de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 2201-001.197
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar as
preliminares e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Presidiu o julgamento o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Participou o conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso. Ausência justificada do conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, de matéria não impugnada, impede o conhecimento de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Presidiu o julgamento o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Participou o conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso. Ausência justificada do conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Fl. 418DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 10/08/2011 por EDUARDO TAD EU FARAH 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração (fls. 325/327), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, na qual se apurou crédito tributário no valor total de R$ 626.971,51, calculados até 30/11/2007. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Cientificado do lançamento em 06/12/2007 (fls. 341v), o autuado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância: No curso da defesa, o Impugnante alega (fls. 342/345), preliminarmente, a declaração de nulidade por vício processual, nulidade do lançamento de ofício, ao argumento de que o término do prazo previsto no mandado de procedimento fiscal, sem a devida prorrogação, acarretou sua extinção, trazendo, por conseqüência, a nulidade de todos os atos praticados no curso da ação fiscal, ou a extinção do crédito tributário pela ocorrência de decadência. A 11ª Turma da DRJ – São Paulo/SP II julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: PRELIMINAR DE NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Sendo o mandado de procedimento fiscal norma de natureza procedimental, servindo de instrumento, na essência, de afirmação da validade da ação fiscal e portanto com efeitos preponderantemente “intra corporis”, não influindo na competência do AFRB para proceder ao lançamento, não há por que se acatar os argumentos de nulidade, ainda mais quando os Mandados Complementares foram prorrogados de ofício dentro dos prazos de validade. DECADÊNCIA Não decai o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento quando tal procedimento administrativo for realizado dentro do prazo de 05 (cinco) anos estabelecido na legislação tributária pertinente. Lançamento procedente Intimado da decisão de primeira instância em 18/06/2009 (fl. 386), Fabio de Carvalho Joaquim apresenta Recurso Voluntário em 03/07/2009 (fl. 387), sustentando, essencialmente, verbis: DOS FATOS. FABIO DE CARVALHO JOAQUIM, o mesmo apresentou DIRPF 2001/2002 e 2002/2003, com rendimentos recebidos da única fonte de renda, como DELEGADO DE POLICIA. Ocorre Fl. 419DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 10/08/2011 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16045.000789/200705 Acórdão n.º 220101.197 S2C2T1 Fl. 2 3 que o mesmo neste período estava terminando a construção de uma residência, onde o mesmo reside até a presente data. Nesta época o declarante efetuou várias operações: como DESCONTO DE CHEQUE, EMPRESTIMO COM AMIGOS, PAIS e até mesmo transitando pela sua conta corrente cheques de sua titularidade em outras instituições financeiras, como pode ser comprovado em relatório anexo, referente ao exercício de 2001, e aceito pela Delegacia da Receita Federal de Taubaté. Devido a demora das instituições financeira em fornecer os extratos do exercício de 2002, não houve na época em 04/01/2008 de apresentar relatório deste período, momento em que anexamos ao processo para que seja desconsiderados tais valores. Além de tudo não conseguimos concordar com o referido auto, pois como os Srs. podem notar existe debito até a presente data com algumas instituições, as quais ainda não foram pagas. (Saldo Nossa Caixa em 31/12/2008 R$ 70.442,00). Passamos ainda a emprestar dinheiro do Sr. José Fauto Rubio, com C/C 015556 8 Agencia 0797 na cidade Caraguatatuba SP., e os mesmos foram pagos com vários cheques de minha titularidade. Sendo assim pedimos o cancelamento do referido Auto de infração, levando em consideração que todos os depósitos em minha conta corrente são oriundos de empréstimos, que por desconhecimento não os declarei na DIRPF dos exercícios devidos conforme copia dos cheques pagos pelo declarante. O recorrente apresentou impugnação na DRJ, e julgou procedente a existência da infração em epigrafe. DO PEDIDO Ante o exposto é a hora presente para requerer que seja o presente auto de infração declarado cancelado, em razão do exposto. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos o lançamento é decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Fl. 420DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 10/08/2011 por EDUARDO TAD EU FARAH 4 Em sua peça recursal, alega o recorrente que “... todos os depósitos em minha conta corrente são oriundos de empréstimos, que por desconhecimento não os declarei na DIRPF dos exercícios devidos conforme copia dos cheques pagos pelo declarante.” Assevera, ainda, que está anexando ao processo relatório informando a origem dos depósitos. Inicialmente, transcrevo integralmente o pedido do recorrente em sua Impugnação: I PRELIMINAR 0 início de toda a fiscalização da Receita Federal é procedido, obrigatoriamente, mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPFF, consoante estabelecem as Portarias SRF nos. 25/99, 1.614/00 e 3.007/2001. O artigo 15, da Portaria SRF n° 3.007/01, estabelece que, o MPF é extinto nas seguintes condições: a) pelo término da fiscalização; b) pelos decursos dos prazos estabelecidos nos artigos 12 e 13: 120 dias para o MPFF (fiscalização); 60 dias pára o MPFD (diligência). No artigo 16 daquele diploma administrativo, está peremptoriamente determinado: Decorridos os prazos estabelecido nos artigos 12 e 13, a autoridade outorgante, deverá expedir novo Mandado de Procedimento Fiscal MPF, obviamente com outro numero; no parágrafo único deste artigo está vedada a possibilidade de o Agente Fiscal responsável pelo mandado extinto continuar no exercício do novo MPF. A determinação do parágrafo único do artigo 16 constitui vedação peremptória: Há imperativo de o novo mandado ser executado por AuditorFiscal outro que não o responsável pela execução do MPF extinto. II DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR O instituto da decadência, à teor do artigo 173 CTN ou art. 150, parágrafo 4° CTN, incide à partir do momento em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso em comenta, o IRPF sendo anual, teve como fatos geradores, os períodos de 2001 e2002, conforme explicitado no auto de infração. Agora, façamos um cotejo entre o dies a quo da contagem decadencial, ano calendário 2001, com os dispositivos legais que regem a espécie. Neste caso, mesmo considerando a DIRPF como declaratória, cujo lançamento regerseia pelo artigo 173, I, CTN, teríamos o vencimento 30/04/2002, a partir de 01/01/2003, o qüinqüênio terminaria em 01/01/2007; decadência operandose a partir de 02/01/2007. Ocorre, Senhor Julgador, que não tendo a lei fixado prazo específico para a homologação, relativamente as penalidades pecuniárias, "será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador", consoante determina o parágrafo 4°, do artigo Fl. 421DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 10/08/2011 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16045.000789/200705 Acórdão n.º 220101.197 S2C2T1 Fl. 3 5 150, CTN, sendo o dies a quo fixado a partir do período de 2001. Nem mais, nem menos. Considerando que há decadência, a seguinte decisão administrativa decide a questão: "Lançamento Efetuado Após a Decadência — A Autoridade administrativa pode e deve anular o lançamento viciado formalmente porquanto constatou que a constituição do crédito tributário operouse após decorrido Prazo decadencial". Esta decisão está acorde com o disposto no artigo 53, da Lei n° 9.784 de 29/01/1999, assim redigido: "A administração deve anular seus próprios ato, quando eivados de vicio de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade respeitados os direitos adquiridos." Observese, por oportuno, que a Lei n° 9.784/99 "estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta...". Portanto, Senhor Julgador, modifica e/ou complementa o Decreto n° 70.235/72, mesmo que não conste do site da Secretaria da Receita Federal: CONCLUSÃO Estando no site Planalto, integra o ordenamento jurídico pátrio, merecendo ser observada em todo o âmbito da Administração Pública Federal. Quando a Lei n° 9.784/99 possibilita à Administração revogar seus próprios atos por motivo de conveniência e oportunidade, se refere à economia processual, relativamente a procedimentos administrativos cuja imprudência esteja assente na jurisprudência interativa, mansa e pacífica, dos tribunais administrativos e judiciários. Portanto, Senhor Julgador, no presente caso, também pelo ângulo da decadência, consoante demonstrado e provado, descabe o lançamento tributário em lide. Por todo o exposto, é de admitirse que o Auto de Infração ora impugnado não tem, prosperar, por estar viciado, tanto, pelo atendimento da obrigação acessória antes de qualquer medida de fiscalização, o que impede de ser penalizado, a posteriori, como pela incidência do instituto da decadência. Demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja a colhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Termos em que Pede deferimento. Fl. 422DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 10/08/2011 por EDUARDO TAD EU FARAH 6 Pela transcrição da Impugnação supra verificase que o recorrente argüiu, em seu instrumento de defesa, apenas nulidade relativa ao mandado de procedimento fiscal, bem como decadência na forma do parágrafo 4°, do artigo 150, CTN. Aliás, foi neste sentido à decisão da 11ª Turma de julgamento da DRJ – São Paulo/SP II, a qual novamente reproduz as ementas: PRELIMINAR DE NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Sendo o mandado de procedimento fiscal norma de natureza procedimental, servindo de instrumento, na essência, de afirmação da validade da ação fiscal e portanto com efeitos preponderantemente “intra corporis”, não influindo na competência do AFRB para proceder ao lançamento, não há por que se acatar os argumentos de nulidade, ainda mais quando os Mandados Complementares foram prorrogados de ofício dentro dos prazos de validade. DECADÊNCIA Não decai o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento quando tal procedimento administrativo for realizado dentro do prazo de 05 (cinco) anos estabelecido na legislação tributária pertinente. Lançamento procedente Contudo, em seu recurso voluntário solicita o recorrente que se discuta o mérito do lançamento, com base em informações e documentos carreados somente nesta fase processual e, portanto, não apreciados pelo Julgador de Primeira Instância. O Decreto nº 70.235/1972 que rege o processo administrativo fiscal estabelece em seu artigo 17: Art.17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/1997). Com efeito, a matéria submetida à glosa não especificamente contestada na Impugnação, é reputada como incontroversa, com a aceitação tácita do contribuinte, e é insuscetível de ser trazida em momento processual subseqüente. Ressaltase que contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na Impugnação. Portanto, como não instaurou o litígio quanto ao mérito, o lançamento tornouse líquido e certo, na esfera administrativa. A respeito do tema, Antônio da Silva Cabral, no livro Processo Administrativo Fiscal, Editora Saraiva, às fls. 467, item 144, assim se manifesta: Posição do problema. É princípio assente em processo que a petição inicial delimita o âmbito da discussão. No processo fiscal, o âmbito do litígio está ligado a impugnação, pois é esta que inicia o procedimento litigioso. Por conseguinte, se o impugnante não ataca determinada parte do lançamento é porque concordou com a exigência. Seu direito de impugnar, portanto, ficou precluso no tocante à parte não impugnada. Fl. 423DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 10/08/2011 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16045.000789/200705 Acórdão n.º 220101.197 S2C2T1 Fl. 4 7 Assim, ocorrendo à preclusão processual não pode este Tribunal, por conseguinte, apreciar estas novas argumentações apresentadas pelo recorrente. Esse é entendimento deste Conselho, consoante às ementas que transcrevo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Estando os atos processuais sujeitos à preclusão, não se toma conhecimento de alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância. (ACÓRDÃO 20181453) NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, na redação dada pela Lei nº 9.532/1997, de matéria não impugnada, impede o conhecimento de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (ACÓRDÃO 203 11507) Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 424DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 10/08/2011 por EDUARDO TAD EU FARAH
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Numero do processo: 10865.001673/2004-01
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica
Ana-calendário: 2003 e 2004
PIS, COFINS, CSLL, e INSS. DECADÊNCIA. O lançamento das
contribuições ao PIS, COFINS, INSS e CSLL está sujeito ao prazo de decadência de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência dos fatos geradores, nos termos do art. 150, § 40 do Código Tributário Nacional.
OMISSÃO DE RECEITAS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS
Caracterizam omissão de rendimentos valores remanescentes creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte
ou seu representante, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
JUROS DE MORA - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1 0 CC n", 4).
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 1402-000.204
Decisão: Acordam os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade, acolher a preliminar de decadência para o PIS, COHNS e Contribuição Previdenciária, para os fatos geradores de janeiro a novembro de 1999 e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Carlos Pelá
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DECADÊNCIA. O lançamento das contribuições ao PIS, COFINS, INSS e CSLL está sujeito ao prazo de decadência de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência dos fatos geradores, nos termos do art. 150, § 40 do Código Tributário Nacional. OMISSÃO DE RECEITAS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracterizam omissão de rendimentos valores remanescentes creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte ou seu representante, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. JUROS DE MORA - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1 0 CC n", 4). Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade, acolher a preliminar de decadência para o PIS, COHNS e Contribuição Previdenciária, para os fatos geradores de janeiro a novembro de 1999 e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. si Albertina/Silvá Santos de lima - Presidente , Cáf:lbs Pelá Relator / EDITADO EM: 03 SEI" 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Edijalmo Antonio da Cruz, Sérgio Bezerra Presta e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário, fls. 516/552, interposto contra decisão da 51 Turma da DRJ de Ribeirão Preto - SP, de fls.,492/501, que julgou parcialmente procedente o lançamento efetuado por meio do auto de infração de fls. 6/74. Adoto o relatório Proferido pela 5' Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (fls. 492/501): "Relatório Contra a empresa acima identificada foram lavrados autos de infração exigindo os impostos e contribuições integrantes do Simples, acrescidos de multa de oficio e juros de mora, nos seguintes valores: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), R$ 17.178,50 (fl, (6); Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), R$ 17178,50; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), R$ 28.996,64; Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), R$ 57,993,33; Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 14.498.33; e Contribuição para Seguridade Social (INSS), R$ 110.017,92, totalizando o crédito tributário no valor de R$ 651.043.45, Em Termo de Constatação Fiscal às f Is. 70/73, a autoridade .fiscal relata ter apurado depósitos de origem não comprovada em contas-corrente bancárias de titular idade da autuada, mediante extratos bancários, pela mesma apresentados, espelhando movimentação de contas mantidas junto aos bancos Nossa Caixa, Caixa Econômica Federal e HSBC durante o ano- calendário de 1999, conforme evidenciam os documentos de fls. 342/421. Regularmente intimada a prestar os devidos esclarecimentos e comprovar a origem dos referidos valores, a interessada deixou de fazê-lo, restando assim configurada omissão de receitas, do que resultou lançamento de oficio dos tributos e contribuições devidos, com base no art., 926 do RIR/99 cie o art. 17 da Lei n"9.317, de 1996. Regularmente cientificada em 02/12/2004 (fl. 422), a interessada apresentou, em 31/12/2004. impugnação de fls. 424/460 na qual alega, em síntese, de acordo com suas próprias razões: 2 Processo n" 10865.001673/2004-01 S1-C4T2 Acórdão n " 1402-00204 Fl. 2 - que seriam nulos os autos de infração recorridos, por terem sido lavrados em período no qual não mais estaria vigorando a delegação de poderes conferida pelo MPF; - que tendo solicitado à autuada extratos bancários de contas manadas junto a instituições , financeiras, a autoridade fiscal teria extrapolado os limites do MPF, caracterizando desvio de finalidade e abuso de poder, o que ensejaria a nulidade dos autos de inflação; - que seria nula a autuação por utilização de informações sigilosas (dados bancários), com violação de dispositivos legais e constitucionais; - que dispositivos da Lei Complementar n" 105, de 2001, estariam a colidir com princípios constitucionais, tais como o direito à privacidade, intimidade, sigilo de dados, entre outros; - que seria nula a lavratura de auto de infração com base em presunção - que seria indevida a consideração de depósitos bancários como base para a presunção legal de omissão de receita, cabendo considerar inconstitucional o disposto na Lei n° 9.430, de 1996: - que seria nula a exação por cerceamento do direito de defesa, considerando a ausência de intimação prévia para prestar esclarecimentos, bem como ausência dos extratos bancários que ensejaram a autuação; - que as planilhas de movimentação bancária conteriam incorreções, vez que teriam sido considerados receitas omitidas valores em relação aos quais os extratos bancários apontariam histórico "liberação de operação de crédito", transferência de outra conta-corrente e devolução de cheque; - que seria inconstitucional e/ou ilegal a exigência de juros de mora calculados com base na taxa Selic; - que teria se operado a decadência do direito da Fazenda Pública de efetuar o lançamento, em relação aos meses de janeiro a março de 1999; Ao final, reitera pedido de acatamento de seus argumentos e anulação do lançamento recorrido.. É o relatório" Analisando a impugnação, a DM julgou parcialmente procedente o lançamento efetuado por meio do auto de infração de fls. 6/74.. A decisão tem a seguinte ementa: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Mieroempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Ano-calendário: 1999 DEPÓSITOS BANCA' RIOS. OMISSÃO DE RECEITA — Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição .financeira, 3 em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa física jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, ensejando o correspondente lançamento de oficio; a presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode afastar- a presunção mediante oferta de provas hábeis e idôneas. INSUFICÊNCIA DE RECOLHIMENTO — Apurada a falta ou insuficiência de recolhimento do Simples é devida a cobrança da diferença apurada. SIMPLES — PIS, CSLL, COFINS E INSS — O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula, Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 DECADÊNCIA. SIMPLES — IRPJ — IPI — O direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação, se extingue no prazo de cinco anos (Simples-IRPJ IP1), contados da data de ocorrência do fato gerador. Exclui-se as parcelas do lançamento afetadas pela decadência. DECADÊNCIA. SIMPLES — CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS — O direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação, se extingue no prazo de dez anos (CSLL, PIS, COFINS), contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO — À instância administrativa falece competência para se manifestar sobre a constitucionalidade ou a legalidade das normas da legislação tributária. Lançamento Procedente em Parte" Inconformado com a referida decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação. É o relatório, Voto Conselheiro Carlos Pela, Relator Conheço do Recurso por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. A matéria posta à apreciação deste colegiado refere-se a auto de infração que considere a Recorrente omitiu receitas, em razão de presunção legal. Tal presunção foi baseada em análise dos extratos bancários da Recorrente, nos quais a autoridade fiscal verificou 4 Processo if 10865001673/2004-01 S1-C41.2 Acórdão n 1402-00.204 Fl 3 que existiam depósitos bancários de origem não comprovada. A exação fiscal foi fundamentada no artigo 42 da Lei IV 9430/96: "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ,sç 1" O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição .financeira. § 2" Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3" Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1- os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12,000,00 (doze mil reais). (Alterado pela Lei n" 9.481, de 13.8..97) § 4" Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira, § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento,(Incluído pela Lei n°10637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será inzputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares,(Incluído pela Lei n" 10,637, de 2002)" Dessa forma, com base nos lançamentos a crédito obtidos nos extratos bancários, a autoridade fiscal elaborou relatório demonstrando a movimentação dos créditos em conta (fls. 342/421). Segundo o fiscal, tais movimentações não foram comprovadas, levando ao lançamento de oficio. Preliminarmente a Recorrente argumenta que as cobranças de PIS, COFINS, CSLL e INSS decaíram, Visto que a autuação foi efetivada em 2/12/2004 (fl. 73) e os débitos dessas contribuições tem como fatos geradores o período compreendido entre janeiro de 1999 a novembro de 1999. Ressalte-se que as cobranças de IRPJ e IPI desse mesmo período foram fulminadas pela decadência já no julgamento de 1° instância, restando, ainda em discussão os tributos com fato gerador de dezembro de 1999. A decisão de 1° Instância argumenta que o prazo de decadência das contribuições sociais é de 10 anos conforme dispõe o art. 45 da Lei n° 8212/91. Ocorre que o STF, em julgamento concluído em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 8.212/1991 e editou a Súmula Vinculante de n 8, do seguinte teor: Súznula Vinculante 8"São inconstitucionais os par 'agrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8,212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário", Ademais, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, vem decidindo da mesma forma: "CSLL, PIS e COFINS - DECADÊNCIA — As contribuições para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), para o PIS e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COF1NS), em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4", da Constituição Federal, têm natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE N" 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial dessas contribuições se . faz de acordo com o Código Tributário Nacional, mais precisamente no art, 150, § 4", dessa lei nacional, ou, em havendo ocorrência defraude, dolo ou simulação, como ocorreu na espécie, no artigo 173, inciso I, dessa lei nacional. Os autos de infração referentes à CSLL, ao PIS e à COFINS foram cientificados ao sujeito passivo em 03/06/2003, quando .já atingidos pela decadência os fatos geradores ocorridos nos meses dos anos-calendário de 1995 e de 1996, objeto do lançamento (acórdão: CSRF/01-05,701)." "PIS, DECADÊNCIA. O lançamento da contribuição ao PIS está sujeito ao prazo de decadência de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência dos fatos geradores, nos termos do art, 150, § 4 0 do Código Tributário Nacional, especialmente na hipótese de terem sido efetuados pagamentos parciais nos períodos abrangidos pelo lançamento (acórdão: CSRF/02-02,673)" Ressalte-se que a Recorrente apresentou guias de recolhimento do SIMPLES de todos os meses de 1999 (fls. 123/130). Diante do exposto, os débitos de CSLL, PIS, COFINS e INSS cujos fatos geradores estão compreendidos entre janeiro a novembro de 1999 foram fulminados pela decadência. 6 Processo o" 10865 00167312004-01 S1-C4T2 Acórdão o° 1402-00,204 Fl 4 Por sua vez, a Recorrente alega nulidade do procedimento de fiscalização por inobservância dos limites previstos no MPF, principalmente porque o agente fiscal teria extrapolado os limites descritos no MPF, ao prorrogar por diversas vezes o prazo de encerramento do procedimento, operando com abuso de poder. O MPF- Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. Esse é o pensamento deste colegiado, demonstrado nas ementas abaixo descritas: "NORMAS PROCESSUAIS - NULIDADE - CAPACIDADE DO AGENTE FISCAL - O Auditor-Fiscal da Receita Federal, devidamente investido em suas funções, é competente para o exercício da atividade administrativa de lançamento. (Acórdão 105-16680)" "FALTA DE MPF-COMPLEMENTAR 1NOCORRÉNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO - A falta do MPF-Complementar para ampliar o período de apuração previsto no MPF-F, bem assim sua ciência ao contribuinte, não acarreta a nulidade do lançamento relativamente aos períodos não alcançados pelo MPF-F, tendo em vista que o MPF-F é documento de uso interno da SRF, (Acórdão 105-16680)" "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL„ MPF. NULIDADE. Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazê-lo e em consonância com a legislação vigente, O MPF é mero instrumento de controle da atividade de .fiscalização no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de modo que eventual irregularidade na sua expedição, ou nas renovações que se seguem, não acarreta a nulidade do lançamento. 'acórdão CSRF/0.2-02..543)" A Recorrente argumenta ainda que a utilização de dados bancários é expressamente vedada pela Lei if 9311/96, sendo que tal procedimento caracteriza a utilização de informações sigilosas. Ressalte-se que os extratos bancários foram fornecidas pelo contribuinte em procedimento de intimação, assim não foram utilizados informações obtidas através da prestação de contas acerca da CPMF, como argumenta a Recorrente. Ademais, o presente procedimento fiscal não quebrou o sigilo bancário e por isso não ocorreu a nulidade do lançamento, conforme já decidiu esse colegiado. "NULIDADE - LANÇAMENTO - SIGILO BANCA' RIO - PROVA ILÍCITA - A entrega dos documentos bancários pela pessoa em fiscalização não caracteriza quebra do sigilo bancário, (Acórdão 102-48883)" Questiona ainda o contribuinte acerca da presunção legal de omissão de receitas suportadas pelos depósitos bancários. 7 A presunção legal de omissão de receitas com base nos extratos bancários, cujos lançamentos a crédito não foram devidamente comprovadas pelo contribuinte, encontra fulcro no artigo 42 da Lei n° 9430/96 (já citado nesse acórdão). Assim, não encontra fundamento o argumento da Recorrente, sendo essa a posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais e deste colegiado. "OMISSÃO DE RENDIMENTOS - PRESUNÇÃO LEGAL - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Presume-se a existência de renda omitida em montante compatível com depósitos e créditos bancários de origem não comprovada. (Acórdão 102-48883)" "OMISSÃO DE RENDIMENTOS.. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BAN(ÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1" de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n" 9,430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. (acórdão: 102-49147)" "ÔNUS DA PROVA, Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. (acórdão: 102-49147)" O contribuinte argumenta que o artigo 42 da Lei if 9430/96 é inconstitucional. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo acha-se reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder, O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário, que detém, com exclusividade, essa competência. Este entendimento encontra-se sumulado neste Conselho: "SÚMULA N°02 O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronuncia? sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." Argumenta a Recorrente que foi incluído como receita omitida valores que não correspondem a acréscimo patrimonial, exemplifica que foram consideradas como receita tributável valores correspondentes a "liberação de operação de crédito" e "devolução". Corno já foi expresso no presente voto, os lançamentos a crédito nas contas bancárias podem ser consideradas corno receitas tributáveis desde que não comprovadas pelo contribuinte. A Recorrente argumenta, mas deixa de comprovar que os lançamentos considerados corno tributáveis pela fiscalização são de fato entradas de recursos que não representam acréscimo patrimonial. Assim, não prospera o argumento da Recorrente. Por fim, com relação a impossibilidade da exigência de juros de mora com base na taxa Selic por ilegalidade e inconstitueionalidade, tal argumento não prosperará e já está inclusive sumulado neste CARF. A partir de 1' de abril de 1995, os juros moratórios a Processo o" 10865.001673/2004-01 S1-C31-1 Acórdão n 1402-00,204 Fl. 5 incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC 41), Diante de todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para considerar a decadência da exigência do PIS, COFINS, CSLL e INSS para os fatos geradores compreendidos entre janeiro a novembro de 1999 Súmula 1" CC 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SE1IC para títulos federais 9 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art., 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009., Brasília, 03 SE T 211111 P)MgaCid_d-i w auclaws4 arrs e a e Sousa odrigues Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: []apenas com ciência; []com Recurso Especial; []com Embargos de Declaração. 10 Em / / Chefe da Secretaria MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF QUARTA CÂMARA - 1 a SEÇÃO Processo n° : 10865,,001673/200401 interessado(a) SANCHES & BRITO SANCHES - ME TERMO DE JUNTADA i a Seção/4a Câmara Declaro que juntei aos autos original do Acórdão n° 1402-00,204, (fls. 1 ), e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Procuradoria da Fazenda Nacional, para ciência do acórdão
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Numero do processo: 10580.725551/2011-11
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007
PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. EXCEÇÃO À REGRA.
Tratando-se de contraposição a fatos e/ou razões aduzidos nos autos somente após a impugnação, não se tem por configurada a preclusão.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007
BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS OBTIDOS.
Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007
BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS OBTIDOS.
Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não.
RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR PARCIALMENTE PROVIDO
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO
Numero da decisão: 9303-003.548
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional para restabelecer os juros sobre multa de ofício e negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento ao recurso da Fazenda Nacional e davam provimento ao recurso do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007 PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. EXCEÇÃO À REGRA. Tratando-se de contraposição a fatos e/ou razões aduzidos nos autos somente após a impugnação, não se tem por configurada a preclusão. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS OBTIDOS. Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS OBTIDOS. Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR PARCIALMENTE PROVIDO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO
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INOCORRÊNCIA. EXCEÇÃO À REGRA. Tratandose de contraposição a fatos e/ou razões aduzidos nos autos somente após a impugnação, não se tem por configurada a preclusão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS OBTIDOS. Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS OBTIDOS. Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 55 51 /2 01 1- 11 Fl. 16550DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10580.725551/201111 Acórdão n.º 9303003.548 CSRFT3 Fl. 16.551 2 RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR PARCIALMENTE PROVIDO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional para restabelecer os juros sobre multa de ofício e negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento ao recurso da Fazenda Nacional e davam provimento ao recurso do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recursos especiais interpostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) e pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, cujo acórdão restou ementado da seguinte forma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS DE CARÁTER CONTRAPRESTACIONAL. Os descontos de caráter contraprestacional não são considerados descontos incondicionais, e compõem a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA. Fl. 16551DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10580.725551/201111 Acórdão n.º 9303003.548 CSRFT3 Fl. 16.552 3 A multa de ofício referida no art. 44 da Lei no 9.430/1996 não possui natureza confiscatória. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2007 COFINS. BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS DE CARÁTER CONTRAPRESTACIONAL. Os descontos de caráter contraprestacional não são considerados descontos incondicionais, e compõem a base de cálculo da COFINS. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA. A multa de ofício referida no art. 44 da Lei no 9.430/1996 não possui natureza confiscatória. Decidiu o Colegiado, (i) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto à exclusão das bonificações da base de cálculo da contribuição, (ii) por maioria de votos, dar provimento para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício e (iii) por maioria de votos, negar provimento quanto à exclusão do rateio das despesas de propaganda da base de cálculo da contribuição. Cientificada, a Fazenda Nacional interpõe Recurso Especial, devidamente admitido pelo Presidente da Câmara, e requer, preliminarmente, o reconhecimento da ocorrência de preclusão e de supressão de instância quanto ao cancelamento dos juros de mora sobre a multa de ofício, por se tratar de matéria contestada pelo contribuinte somente em grau de recurso voluntário. No mérito, requer a PGFN o restabelecimento da incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre a multa de ofício. Cientificado do acórdão e do recurso especial da PGFN, o contribuinte apresenta contrarrazões, alegando que são inadmissíveis os argumentos da Fazenda Nacional, pois, segundo ele, a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício configura matéria de ordem pública, passível de enfrentamento de ofício por parte do Colegiado, não se sustentando as alegações do Recorrente relativamente à ocorrência de preclusão e de supressão de instância. Além das contrarrazões, o contribuinte interpõe Recurso Especial, também devidamente admitido pelo Presidente da Câmara, sustentando que os descontos negociados com os seus fornecedores, não sujeitos a condições, não representam receita ou acréscimo de patrimônio, tratandose, em verdade, de redutores de custos de aquisição de mercadorias, não compondo, por conseguinte, as bases de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Em contrarrazões, a PGFN sustenta que os descontos obtidos pelo contribuinte se referem, em verdade, a “pedágios” por ele cobrados de seus fornecedores e operacionalizados por meio de descontos nos pagamentos a esses fornecedores, configurando se receitas de prestação de serviços. Fl. 16552DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10580.725551/201111 Acórdão n.º 9303003.548 CSRFT3 Fl. 16.553 4 Segundo a PGFN, "[os] valores cobrados pela autuada aos fornecedores integram a base de cálculo da COFINS e do PIS, na sistemática nãocumulativa, regulada pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, pois são auferimento de receita, embora não fisicamente, mas por meio de “compensação”, já que a base de cálculo no regime não cumulativo é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica." (fl. 16.531). É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Os recursos atendem aos pressupostos de admissibilidade e devem ser conhecidos. Conforme acima relatado, controvertese nesta instância sobre as seguintes matérias: a) ocorrência de preclusão e de supressão de instância quanto ao cancelamento dos juros de mora sobre a multa de ofício, por se tratar de matéria contestada pelo contribuinte somente em grau de recurso voluntário (Recurso Especial da Fazenda Nacional); b) incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre a multa de ofício (Recurso Especial da Fazenda Nacional); c) incidência das contribuições sobre descontos negociados com os fornecedores após a efetivação das vendas (Recurso Especial do Contribuinte). I. Preclusão e supressão de instância. A Fazenda Nacional alega a ocorrência de preclusão e de supressão de instância no que tange ao cancelamento dos juros de mora sobre a multa de ofício promovido pela turma julgadora recorrida, por se tratar, segundo ela, de matéria contestada pelo contribuinte somente em grau de recurso voluntário. Contudo, compulsando os autos, verificase à fl. 2 que, originalmente, como ocorre em todos os lançamentos de ofício da espécie, o lançamento da multa de ofício se dera a partir da aplicação do percentual de 75% sobre o valor do principal, em valor nominal, sem o acréscimo dos juros de mora. Após a decisão da DRJ Salvador/BA, enviouse ao contribuinte o Demonstrativo de Débitos de fls. 16.266 a 16.267, em que constam os valores do principal e da multa, sendo reproduzidos na coluna da multa os mesmos valores do principal, o que pode, a meu ver, ter levado o contribuinte a considerar que os valores originais da multa lançada, no percentual de 75% sobre o principal, encontravamse corrigidos monetariamente. A partir de então, no recurso voluntário, passou ele a contestar a aplicação dos juros Selic sobre a multa de ofício, tendo obtido decisão favorável na segunda instância, com a exclusão dessa incidência. Fl. 16553DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10580.725551/201111 Acórdão n.º 9303003.548 CSRFT3 Fl. 16.554 5 Por se tratar de questão que exsurgiu apenas após a decisão de primeira instância, ela se encontra, para fins de aferição de eventual ocorrência de preclusão ou de suspensão de instância, albergada, indiretamente, pela regra contida na alínea "c" do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Destaquese que, não obstante não se tratar o presente caso de apresentação extemporânea de provas documentais, mas de apresentação posterior de argumentos de defesa, o referido dispositivo, a meu ver, aqui também se aplica, pois que abarca a contraposição a fatos ou razões trazidas aos autos a posteriori. Nesse sentido, por se tratar de controvérsia que surgiu nos autos apenas depois da decisão de primeira instância, afastase a preliminar de preclusão ou de supressão de instância. II Incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre a multa de ofício. No mérito, argui a Fazenda Pública que, diferentemente do que restou decidido no acórdão recorrido, sobre a multa de ofício incidem os juros de mora, calculados com base na taxa Selic. Essa matéria já foi objeto de análise nesta CSRF em 15 de agosto de 2013, no acórdão nº 9303002.400, da relatoria do conselheiro Joel Miyazaki, tendo este relator acompanhado o respectivo voto condutor, quando se decidiu nos seguintes termos: A matéria trazida à apreciação deste colegiado restringese à incidência de juros de mora sobre multa de ofício não paga na data de seu vencimento. A decisão recorrida afastou os juros sobre a multa de oficio sob o argumento de que haveria necessidade de lei específica que previsse tal hipótese. A meu sentir esse entendimento não merece prosperar, vez que a legislação tributária prevê, expressamente, a incidência de juros moratórios sobre os créditos tributários não pagos no vencimento, aí incluídos aqueles decorrentes de penalidades, senão vejamos. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente, conforme o § 1º do art. 113 do CTN. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 16554DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10580.725551/201111 Acórdão n.º 9303003.548 CSRFT3 Fl. 16.555 6 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Paralelamente, o art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, indubitavelmente, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Conforme palavras do ilustre conselheiro Henrique Pinheiro Torres: “Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária, verseá o crédito tributário; se se transmutar para o pólo oposto, o que se verá será, justamente, o inverso, uma obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro. “ Assim, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, a conclusão lógica é que a penalidade é crédito tributário. Passamos agora a verificar o tratamento dispensado pela Legislação às hipóteses em que o crédito não é liquidado na data de vencimento. A norma geral, estabelecida no art. 161 do Código Tributário Nacional, dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 16555DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10580.725551/201111 Acórdão n.º 9303003.548 CSRFT3 Fl. 16.556 7 A par dessa norma geral, para não deixar margem à dúvida, o legislador ordinário, estabeleceu que os créditos decorrentes de penalidades que não forem pagos nos respectivos vencimentos estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que transcrevo abaixo. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em suma, temse que o crédito tributário, independentemente de se referir a tributo ou a penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Nesse sentido, acolhese a contestação da Fazenda Nacional, no sentido de restabelecer a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício não paga na data do respectivo vencimento. III Receita/Faturamento. Descontos negociados com fornecedores após a efetivação das vendas. O contribuinte alega que os descontos negociados com os seus fornecedores, não sujeitos a condições, não representam receita ou acréscimo de patrimônio, tratandose, em verdade, de redutores de custos de aquisição de mercadorias, não compondo, por conseguinte, as bases de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. A Fazenda Nacional, por seu turno, sustenta que os descontos obtidos pelo contribuinte se referem, em verdade, a “pedágios” por ele cobrados de seus fornecedores e operacionalizados por meio de descontos nos pagamentos a esses mesmos fornecedores, configurando receitas de prestação de serviços. Referida matéria já foi objeto de análise nesta CSRF em 14 de junho de 2012, no acórdão nº 9303002.017, tendo como redator designado do voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos, tendo este relator acompanhado o respectivo voto condutor, quando se decidiu nos seguintes termos: É que se trata aqui de valores que a empresa registrara em sua contabilidade como uma obrigação a saldar junto a fornecedores, mas que efetivamente saldou por um valor menor do que estava contabilmente registrado. Para essa hipótese, a ciência contábil também não diverge: dado que o valor desembolsado não corresponderá à obrigação – Fl. 16556DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10580.725551/201111 Acórdão n.º 9303003.548 CSRFT3 Fl. 16.557 8 ficará registrado ainda um saldo devedor, incorreto, pois a dívida foi mesmo integralmente quitada – determinam os princípios contábeis seja feito um lançamento a débito daquela conta de Passivo cuja contrapartida será a crédito de uma segunda conta, normalmente intitulada de “descontos obtidos”. Por representar um aumento do Patrimônio Líquido (redução do Passivo sem correspondente redução do Ativo) esse lançamento tem a natureza de uma receita (receita financeira), ainda que seja forçoso reconhecer que nenhum ingresso novo ocorreu. Exatamente este último aspecto – ausência de ingresso de direito novo – fez o dr. Jorge votar pela sua não inclusão na base de cálculo. Ocorre que diante do comando legal taxativo do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, repetido, ipsis literis, na Lei 10.637/2002 e na Lei 10.833/2003, não vejo como possa essa receita deixar de compor a base de cálculo da contribuição senão considerando ditos comandos inconstitucionais. Desnecessário dizer que, como regra, não o podemos fazer, além do que, no caso concreto, há decisão judicial afirmando que até mesmo o primeiro deles é constitucional, embora já haja inúmeras decisões que afirmam exatamente o contrário. Para finalizar, vale repetir aqui o que já disse alhures: em se tratando de desconto obtido, é totalmente irrelevante a investigação de se ele foi concedido incondicionalmente ou não. É que a Lei 9.718, ao tratar dos descontos incondicionais, estava a beneficiar o concedente do desconto, isto é, aquele que está vendendo o produto ou prestando o serviço. Para maior clareza, reproduzo o artigo destacando o que interessa: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; No caso de que nos ocupamos, a tributação está sendo discutida no comprador. Não há que se aplicar ao caso, pois, a figura tratada no artigo acima. Fl. 16557DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10580.725551/201111 Acórdão n.º 9303003.548 CSRFT3 Fl. 16.558 9 Notese que no caso de desconto incondicional, isto é, aquele que já é concedido no momento da celebração do contrato de venda ou prestação de serviço, nada obriga ou recomenda que o adquirente registre a sua obrigação por um valor maior do que, já sabe, irá desembolsar em seu vencimento. Tudo ao contrário, deve fazêlo pelo valor efetivo, o que leva a que não surja a figura aqui discutida. Ela, ao contrário, surge quando o vendedor somente concede o desconto em razão de o comprador quitar, antes do prazo, a dívida. Nesse caso, ela estará corretamente registrada em sua contabilidade pelo valor inicialmente pactuado. E por isso de incondicional nada tem: ele é um desconto condicionado à antecipação do pagamento. Esse é, aliás, o motivo para que sua contrapartida tenha a natureza de receita financeira. Nesse sentido, concluise que não assiste razão ao contribuinte, pois os descontos por ele obtidos junto a seus fornecedores compõem a base de cálculo das contribuições, precipuamente as calculadas sob a sistemática da não cumulatividade, que vem a ser o caso dos presentes autos. Destaquese que, à ocasião da implementação da não cumulatividade das contribuições, não mais existia a controvérsia acerca da inconstitucionalidade do alargamento de sua base de cálculo, pois que, diferentemente da Lei nº 9.718, de 1998, as Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, já se sustentavam na nova redação constitucional dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998, que passou a prever a incidência das contribuições sociais sobre as receitas, genericamente consideradas, e não mais apenas sobre o faturamento. IV Conclusão. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial do Contribuinte e DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência dos juros de mora, calculados com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício não paga no vencimento. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 16558DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10580.725551/201111 Acórdão n.º 9303003.548 CSRFT3 Fl. 16.559 10 Fl. 16559DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 10830.912943/2012-18
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento de direito de defesa e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Recorrente OCC ONCOLOGIA CLINICA DE CAMPINAS SOCIEDADE EMPRESÁRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO LUCRO PRESUMIDO ATIVIDADES HOSPITALARES ANOCALENDÁRIO 2004 DIPJ RETIFICADORA. A DIPJ retificadora, por si só, não se constitui em instrumento hábil para a exigência dos valores nela informados A DCTF é que se constitui, de fato, em confissão de dívida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento de direito de defesa e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 29 43 /2 01 2- 18 Fl. 1098DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, não reconhecendo o seu direito creditório. Por economia processual passo a adotar o suscinto relatório elaborado pela DRJ, in verbis: “Trata o presente processo de despacho decisório eletrônico (fl. 28), no qual a compensação realizada no Per/Dcomp nº 13760.08995.260209.1.2.048211, pela empresa acima identificada, não foi homologada por inexistência/insuficiência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito do CSLL, PA30/09/2004, não restando saldo disponível. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 17/12/2012 (AR fl. 34). Inconformada, por intermédio de seu procurador (Gustavo Froner Minatel), apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2 a 9) em 16/01/2013, na qual transcreve os fatos, dispositivos da legislação tributária e, em síntese, argumenta o seguinte: inicialmente no trimestre em análise apurou débito de CSLL, quitado da seguinte forma: (i) parte por retenções sofridas; e (ii) parte com DARF; revendo a apuração da CSLL, constatou que estava aplicando o percentual incorreto de presunção do lucro (32%), tendo em vista sua atividade ser enquadrada como serviços hospitalares, previsto no art. 15, §1°, III, combinado com o art. 20 da Lei n° 9.249/95. Diante do equívoco, aplicou o percentual correto (12%), e apurou CSLL devida de no trimestre, resultando pagamento a maior, e retificou a DIPJ do período para demonstrar o valor correto da CSLL; do valor pago, parte foi utilizada para liquidar a CSLL devida no trimestre e o restante pago a maior, pediu a restituição. No entanto, a DRF/Campinas indeferiu o pedido de restituição no despacho decisório, em flagrante desrespeito à legislação tributária, especialmente a que trata de necessidade de lançamento e de restituição (Arts. 142 e 165 do CTN) devendo ser reformado, porque não foi considerado a DIPJ retificadora apresentada antes da emissão do despacho decisório; a autoridade fiscal não pode, a seu critério, efetuar lançamento ou deixar de fazêlo, porque sua atividade é vinculada e obrigatória. Com efeito, o artigo 15, parágrafo 1º, Inciso III, alínea "a" da Lei n° 9.249/951, vigente à época dos fatos, determinava que os prestadores de serviços hospitalares poderiam utilizar na apuração da CSLL na sistemática do lucro presumido percentual de 12% sobre a receita bruta (art. 20 da Lei 9.249/95); apesar da clareza na redação no que concerne à aplicação do percentual de 12% sobre a receita bruta na prestação de serviços hospitalares, o legislador não definiu o que seriam considerados serviços hospitalares para fins de aplicação do Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10830.912943/201218 Acórdão n.º 1001000.462 S1C0T1 Fl. 3 3 aludido percentual, questão essa central para o deslinde da controvérsia ora analisada; na busca de uma interpretação do alcance da norma, foram editados pela Receita Federal do Brasil uma série de atos normativos para regulamentar a questão e tentar definir o que seriam "serviços hospitalares", sendo o primeiro deles a IN SRF n° 306/2003 que em seu artigo 23 conceituou "serviços hospitalares" para fins do disposto no artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95; a sua atividade estava expressamente listada no artigo 23, inciso V, alíneas "i" e "k", da IN SRF n° 306/2003, vigente à época dos fatos, e atendia a todos os requisitos mencionados no referido dispositivo, vez que os serviços eram prestados por pessoa jurídica que possuía estrutura física condizente para a execução e desenvolvimento das atividades de radioterapia e quimioterapia, tanto que autorizado seu funcionamento pela ANV1SA, o que confirma a aplicação do percentual de 12% na apuração da base de cálculo da CSLL apurado no ano calendário de 2004; assim, com base no artigo 15, § 1o, inciso III, alínea "a", da Lei n° 9.249/95 (redação original), confirmada pela IN SRF n° 306/03, refez o cálculo da CSLL de 2004, aplicando o percentual de 12% e constatou recolhimento a maior, devendo assim o crédito ser reconhecido e o pedido de restituição integralmente deferido; diante de apuração, não desconstituída pelo Fisco, os valores de CSLL recolhidos a maior caracterizamse indébitos tributários, pois extrapolam o critério quantitativo da sua base de cálculo. Nesse sentido, são esclarecedoras as palavras do ilustre professor Paulo de Barros Carvalho. No PEDIDO, requer seja conhecida a Manifestação de Inconformidade, declarandose a ineficácia da decisão, a fim de que seja reconhecido integralmente o direito creditório com a consequentemente restituição do valor pleiteado, acrescido de juros SELIC, nos termos da legislação de regência. É o breve relatório.” A DRJ de Brasília (DF) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de Fl. 1100DF CARF MF 4 regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” No Recurso faz extenso arrazoado sobre os motivos pelo qual o acórdão exarado pela DRJ não deve prosperar, reiterando em seguida as alegações feitas por ocasião da sua manifestação de inconformidade e, no fim, pugnando pelo provimento do seu Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator O presente processo tratase de retorno de diligência, conforme decisão deste egrégio Conselho, em 27/11/2014. Por economia processual reproduzo parcialmente o voto do relator: O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. A presente lide consiste na interpretação da Delegacia da Receita Federal que entendeu que a contribuinte, optante pelo lucro presumido, deveria utilizar o percentual de lucro de 32% sobre sua receita bruta de prestação de serviços hospitalares, portanto divergente do percentual de 12%, o qual a contribuinte utilizou entendendo ser pertinente às suas atividades. De acordo com o entendimento da fiscalização, a Lei nº 10.684/2003 criou a alíquota de 32% para a apuração da CSLL para as pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Presumido, enquadradas na mesma situação da contribuinte, embora a mesma tenha continuado a utilizar a alíquota de 12%. Vejamos o diploma legal em questionamento: “Art. 22. O art. 20 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10830.912943/201218 Acórdão n.º 1001000.462 S1C0T1 Fl. 4 5 Parágrafo único. A pessoa jurídica submetida ao lucro presumido poderá, excepcionalmente, em relação ao quarto trimestrecalendário de 2003, optar pelo lucro real, sendo definitiva a tributação pelo lucro presumido relativa aos três primeiros trimestres." (NR) Passo portanto a análise do mérito. Para tanto colaciono o dispositivo questionado, constante da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995: “Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência)” Reproduzindo também o dispositivo referente ao IRPJ, o qual ampara a CSLL: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] Como de plano se observa, a Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008, promoveu alteração no sentido de adicionar atividades específicas no rol de exceções à aplicação da alíquota de 32%, sem adicionar contudo, os serviços radiológicos. Ocorre que tal alteração não afeta o caso em tela em virtude de: Fl. 1102DF CARF MF 6 (I) não servir de caráter expressamente interpretativo para o termo “serviços hospitalares”, fato que poderia ensejar a retroatividade nos termos do art. 106, I, do Código Tributário Nacional; e (II) vir após a ocorrência dos fatos geradores que lhe deram causa (anoscalendário de 2003, 2004, 2005 e 2006). Portanto, da análise devese verificar o texto legal vigente à época dos fatos geradores, que era “prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares”. Neste prisma, a Recorrente entende prestar serviços hospitalares e, nesta condição, entende que nos fatos geradores supra estaria na regra de exceção à aplicação da alíquota de presunção de lucro a 32%. Confrontada com idêntica situação, o STJ através do REsp n° 859.574, de relatoria do Ministro Castro Meira, julgado em 23/06/2009 se pronunciou no sentido de se interpretar o termo “serviços hospitalares” objetivamente. No voto do Ilustre Ministro, que também citou precedente do decidido no REsp 951.251/PR, concluiuse o seguinte: ... a Seção decidiu que o benefício fiscal de redução de base de cálculo foi concedido de modo objetivo, pois leva em consideração o serviço prestado e não a natureza ou estrutura do prestador. Nesses termos, definiuse que a alíquota reduzida beneficia todos os prestadores de serviços tipicamente hospitalares – que são aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde , independentemente da complexidade ou da estrutura para internação de pacientes. A mens legis da norma em debate busca, através de um objetivo extrafiscal, minorar os custos tributários de serviços que são essenciais à população, não vinculando a prestação desses a determinada qualidade do prestador capacidade de realizar internação de pacientes , mas, sim, à natureza da atividade desempenhada. No julgamento citado, excetuaramse, apenas, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Na oportunidade foram fixadas duas situações que convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possuía custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10830.912943/201218 Acórdão n.º 1001000.462 S1C0T1 Fl. 5 7 Não se trata de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de “serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte.” É importante deixar consignado – por sugestão do Min. Teori Zavascki no julgamento do REsp 951.251/PR – que a redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente – especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens – excluídas as simples consultas e outras atividades de cunho administrativo. [...] (Grifouse) Retornando a matéria ao pleito do STJ, decidiu este pacificar seu entendimento no julgamento do REsp n° 1.116.399/BA, quando aplicou o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia, assim ementado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir Fl. 1104DF CARF MF 8 que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010) Tal decisão ainda foi consolidada pelo julgamento de Embargos Declaratórios, cuja ementa também transcrevo a seguir, por adicionar elementos interessantes, em especial, a inaplicação do conceito de “serviços hospitalares” para “consultas médicas”, vejamos: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10830.912943/201218 Acórdão n.º 1001000.462 S1C0T1 Fl. 6 9 ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO.OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece de omissão, contradição ou obscuridade nos ditames do art. 535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. A parte embargante aduz que há no acórdão embargado, basicamente, três questões a serem esclarecidas, quais sejam: (i) a atividade de consulta médica realizada no interior dos hospitais por profissionais com vínculo com a instituição deve ser conceituada como serviços hospitalares para efeito de beneficiarse da redução da base de cálculo?; (ii) estão (ou não) abrangidas pelo benefício fiscal as consultas médicas prestadas em consultório médico não localizado no interior do hospital, mas com prestação de serviços que não a simples consulta médica?; e (iii) as consultas médicas prestadas em consultório médico de forma exclusiva se incluem no benefício? 3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar que são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas, de sorte que a conclusão ora buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado. 4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios, devese esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, § 1º, III, "a",da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as simples atividades de consulta médica realizada por profissional liberal, ainda que no interior do estabelecimento hospitalar. Por conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se aplica aos consultórios médicos situados dentro dos hospitais que só prestem consultas médicas. 5. Ademais, por ocasião do julgamento dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão proferido no REsp 951.251PR, o eminente Ministro Relator afirmou que: "Não há que se estender o benefício aos consultórios médicos somente pelo fato de estarem localizados dentro de um hospital, onde apenas sejam realizadas consultas médicas que não envolvam qualquer outro procedimento médico." 6. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/09/2010, DJe 29/09/2010) Como se observa, o entendimento jurisprudencial de “serviços hospitalares” ficou consolidado em sentido amplo, Fl. 1106DF CARF MF 10 relacionandose ao serviço prestado, e não à natureza ou a estrutura do prestador. A interpretação do dispositivo, portanto, é objetiva. Ressaltese que o CARF se sujeita ao definido nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A contrario sensu, a DRJ havia entendido pela aplicação temporã dos fatos geradores, à luz das Instruções Normativas vigentes a cada tempo, que vinham restringindo o conceito de serviços hospitalares. “Seguindo este raciocínio, pacificouse no âmbito da administração tributária federal o entendimento de que serviços hospitalares são aqueles prestados em decorrência da internação e tratamento de doentes ou aqueles que necessitam de intervenções cirúrgicas em hospitais. Não se consideram como tais, para os fins específicos da tributação pelo imposto de renda e CSLL das pessoas jurídicas, mormente no regime do lucro presumido, os serviços ambulatoriais, os meros serviços de clínica médica, de exames clínicos, de análises clínicas (laboratoriais, radiológicas, ecográficas, de ressonância magnética, de tomografia computadorizada, etc.), de clínica odontológica que não necessitam de um complexo hospitalar, ou seja, dos recursos materiais e humanos próprios de um hospital, inclusive para promover a internação dos pacientes. Não bastassem estes argumentos, outra justificativa que aponta a intenção do legislador em distinguir, para fins tributários, os serviços profissionais de médico dos serviços hospitalares encontrase no custo suportado pelas pessoas jurídicas que atuam no ramo da saúde. Com efeito, os custos e despesas operacionais dos hospitais são bem superiores aos de outros serviços médicos/odontológicos/psicológicos prestados em clínicas, consultórios médicos e laboratórios, o que fundamenta a diferenciação de percentual adotada pela lei para fixação do lucro presumido da pessoa jurídica. De fato, aos custos dos serviços prestados por hospitais, além dos gastos dos profissionais especializados e dos materiais empregados no atendimento, somamse, permanentemente, os custos de hotelaria, alimentação, enfermagem, lavanderia e pesquisa, além do que devem abranger o estado de prontidão para o atendimento a possíveis situações de emergência (atendimento 24 horas). Este, pois, é o sentido teleológico da norma: considerar como base de cálculo do imposto de renda uma porcentagem menor da receita bruta para quem atua no ramo de serviços hospitalares Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10830.912943/201218 Acórdão n.º 1001000.462 S1C0T1 Fl. 7 11 em relação aos serviços médicos ou odontológicos em geral, uma vez que seus custos são bem superiores aos serviços prestados em clínicas, ambulatórios, consultórios médicos ou laboratórios. Claro está, mais uma vez, a especificidade do conceito de serviços hospitalares para fins do artigo 15, III, a, in fine, da Lei nº 9.249/95. A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 306/2003 E A PORTARIA GM Nº 1.884/1994 À época dos fatos, a Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil solicitou parecer ao Ministério da Saúde a respeito do conceito de “serviços hospitalares” com o desiderato de esclarecer caso concreto em solução de consulta a ela formulada, cuja resposta consubstanciada na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020, de 18 de fevereiro de 2002, assim concluiu a questão: Conforme exposto acima podemos concluir que as definições sobre serviços hospitalares e serviços préhospitalares devem ser elaboradas a partir da normatização atualmente vigente, podendose resumir da seguinte forma: SERVIÇOS HOSPITALARES: para a verificação de serviços hospitalares, devese avaliar se no caso concreto a pessoa jurídica exerce uma das seguintes atribuições: i) promoção, prevenção e vigilância à saúde da comunidade; atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial; ii) atendimento imediato de assistência à saúde: prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação por período superior a 24 horas; iii) atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde. Em face dessas conclusões, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Instrução Normativa SRF nº 306/2003, acolheu o posicionamento externado na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020/2002, ao estabelecer em seu art. 23, as hipóteses em que os serviços prestados por determinadas pessoas jurídicas poderão ser considerados como serviços hospitalares, para os fins previstos no art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95. Eis o teor do dispositivo: Art. 23. Para os fins previstos no art. 15, § 1º inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde, relacionadas nos incisos seguintes: Fl. 1108DF CARF MF 12 I – realização de ações básicas de saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) II – prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial, compreendendo as seguintes atividades: (...) III – prestação de atendimento imediato de assistência à saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) IV – prestação de atendimento de assistência a saúde em regime de internação, compreendendo as seguintes atividades: (...) V – prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, compreendendo as seguintes atividades: (...) Frisese: para que sejam considerados hospitalares, exigese que os serviços descritos nos incisos do art. 23 da IN SRF 306/2003 sejam prestados por estabelecimentos que possuam estrutura física condizente com as atividades que desempenha. Para que se verifique isso, fazse necessária a apresentação de provas que demonstrem que os estabelecimentos cumprem as condições exigidas em lei para ser considerado como estabelecimento assistencial de saúde (EAS). Neste ponto, a Portaria GM nº 1.884/94 disciplinou sobre a organização físicofuncional dos estabelecimentos assistenciais de saúde, determinando quais as condições necessárias exigidas para que um estabelecimento possa prestar serviço hospitalar. Lembrese, ainda, que o caput do art. 23 da IN SRF nº 306/2003, exige que o estabelecimento assistencial de saúde possua estrutura física condizente com as atividades que desempenha, sendo obrigatório, portanto, oferecer os seus serviços de maneira plena e integral. Além disso, é imprescindível a pessoa jurídica contar com todas as instalações e os equipamentos adequados para a prestação do serviço hospitalar equiparado, devendo estar apta a prestar os serviços necessários para os quais foi criada e executálos em local onde se encontram seus equipamentos, materiais, mãodeobra especializada, etc., os quais justificam os custos assemelhados à atividade hospitalar. Se, porventura, o contribuinte tãosomente dispensa atendimentos superficiais, sendo incapaz de propiciar o efetivo diagnóstico e tratamento de seus pacientes, concluise que ela não possui uma estrutura capaz de usufruir os proveitos fiscais em análise. Aduziu, portanto, que a definição de empresário e sociedade empresária não se coaduna como elemento de empresa pela simples prestação de serviços profissionais na área médica, Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10830.912943/201218 Acórdão n.º 1001000.462 S1C0T1 Fl. 8 13 afastando pelas características estruturais o contribuinte da condição de estabelecimento hospitalar de que trata a lei. Ora, como já abordado, o STJ decidiu que o termo “serviços hospitalares” deve ser analisado objetivamente. No caso, houve uma interpretação subjetiva, levandose em conta outros fatores que não se relacionam à prestação do serviço, mas à estrutura e outras condições do estabelecimento, restringindo sua aplicação ao caso. Neste estigma, é oportuno ressaltar que este Conselho não se submete aos atos da Secretaria da Receita Federal, que é parte interessada na arrecadação, mas deve atenção ao conteúdo estabelecido por leis, decretos, tratados ou acordos internacionais, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] Assim, é de se afastar a interpretação restritiva emanada através do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n° 18, de 23 de outubro de 2003, bem como, as Instruções Normativas SRF n° 306, de 12 de março de 2003, n° 480, de 15 de dezembro de 2004 e n° 539, de 25 de abril de 2005, que não se coadunam ao conceito objetivo de “serviços hospitalares” e se apegar ao precedente jurisprudencial representativo da controvérsia emanado pelo STJ supracitado. Por derradeiro, ainda que possam haver discussões, vale colacionar decisões deste Conselho já levadas a efeito nesta matéria que consolidam a interpretação esposada: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 SERVIÇOS HOSPITALARES. ESPÉCIE DE SOCIEDADE. HIPÓTESE NÃO PREVISTA EM LEI. PERCENTUAL DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. A expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade, para os anos de 2002 a 2005, é de Fl. 1110DF CARF MF 14 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL, consoante arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95. (Acórdão n° 1202000.584, Relator Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Segunda Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LUCRO PRESUMIDO. CLÍNICA DE DIAGNÓSTICOS. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399BA (2009/00064810), havido na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu, com a ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727 de 2008 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde), excluindose, contudo, as simples consultasmédicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele. (Acórdão n° 1103000.552, Relator Conselheiro Jose Sergio Gomes, Primeira Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) Assim a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o menor percentual estimado de lucro, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade é de 12% para a CSLL, consoante o art. 20 do mesmo diploma legal. Apesar de tudo o que foi dito o julgamento do presente processo necessita de uma instrução complementar para que se verifique a natureza do serviço prestados no período em que os créditos foram apurados. Isto posto, voto pela conversão do presente Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 10830.912943/201218 Acórdão n.º 1001000.462 S1C0T1 Fl. 9 15 processo em diligência para que a Delegacia de origem verifique: a) através das notas fiscais de saída a natureza dos serviços que estão sendo faturados; b) a existência de ativos, próprios ou alugados de terceiros, condizentes com a prestação de serviços que tenham custos diferenciados em relação à simples consultas; c) demais elementos julgados pertinentes que possam esclarecer a natureza das receitas auferidas pela ora Recorrente, bem como o coeficiente para presunção do lucro. Reproduzo a seguir, resumidamente, o relatório da diligência realizada pela unidade de origem: Portanto à luz da interpretação da forma objetiva, qual seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, conclui se que, de acordo com os documentos e informações disponibilizadas referente ao período diligenciado (2003 a 2006), há fortes indícios que a mesma tenha prestado serviços relacionados ao tratamento de quimioterapia, com equipamentos específicos (de quimioterapia), possuindo custos diferenciados do simples atendimento médico, e os indícios também apontam que a mesma exerceu (no período) atividade tipicamente hospitalar. A análise da rubrica “Honorários Médicos” não foi conclusiva devido a especificidade e a natureza da prestação de serviços de quimioterapia, ficando a cargo do julgador o que entender ser correto. Embora, em sua conclusão, o agente tenha mencionado que a análise da rubrica “honorários médicos” não tenha sido conclusiva e que ficaria a cargo do julgador o que “entender ser o correto”, no próprio relatório da diligência efetuada há a menção de que os honorários são uma parte pequena do faturamento da clínica, conforme reproduzo: Das informações e documentos coletados não temos como estabelecer se os “Honorários Médicos” teriam sido consultas médicas dissociadas ou não do tratamento de quimioterapia. O que é cediço é que os “Honorários Médicos” constituem uma parcela menor do faturamento da clínica, e que devido as características e as especificidades da prestação de serviços de quimioterapia, é bem plausível que estejam relacionados com o tratamento como um todo. Em seu recurso voluntário, a recorrente alegou, além das questões relativas à sua atividade, já tratadas acima, que houve cerceamento do direito de defesa, posto que: Fl. 1112DF CARF MF 16 · · Alega com base na PER, acostada aos autos é possível verificar que não há compensação, mas, pedido de restituição, que o equívoco é inadmissível de quem, pelo visto, não analisou os documentos acostados aos autos com o devido cuidado. Portanto, é patente o cerceamento do direito de defesa da Recorrente perpetrado pela decisão recorrida, vez que traz argumentos relacionados a fatos que a recorrente sequer consegue identificar a origem. De imediato, afasto o pedido de cerceamento do direito de defesa, pois, a recorrente foi capaz de identificar, claramente, do que se tratava a lide, posto que mencionado o número do pedido (identificado no acórdão) e os argumentos para o indeferimento, ou seja, não retificação da DCTF e o enquadramento da atividade da Recorrente. Subsequentemente, em uma petição, anexada aos autos , a recorrente alega de acordo com o Parecer Normativo COSIT 2/2015 "a não retificação da DCTF não impede que o crédito informado seja comprovado por outros meios". Na verdade, o referido parecer normativo indica o contrário, como veremos mais adiante. Por todo o exposto, como indica, visivelmente, o resultado da diligência, fica evidente que os serviços prestados pela recorrente foram de natureza hospitalar. Entretanto, observase que na correspondente sessão de julgamento, cujo processo foi convertido em diligência, não foi tratado o fato de a Recorrente apenas ter retificado a DIPJ, originalmente, entregue, sem ter efetuado a correspondente retificação da DCTF que, como bem afirmou a autoridade julgadora de primeira instância. Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 10830.912943/201218 Acórdão n.º 1001000.462 S1C0T1 Fl. 10 17 No entanto, é cediço que a DCTF constituise, de fato, em confissão de dívida (constitui o crédito tributário) e não a DIPJ, como já decidido em outras sessões nesta turma.. De acordo com o art. 1º da IN SRF 077/98: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. (grifei) Assim temos que a DIPJ é uma declaração meramente informativa, enquanto a DCTF constituise em confissão de dívida, o que torna sem efeito a alegação da necessidade de lançamento tributário. O Parecer Normativo COSIT n° 2/2015, assim dispõe: 3 É possível o reconhecimento do crédito com base em provas ou indícios sem a retificação da DCTF? Não. A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido. A súmula 436 do Superior Tribunal de Justiça STJ assim enunciou: A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Assim, rejeito a preliminar de nulidade pelo cerceamento do direito defesa para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 1114DF CARF MF
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Numero do processo: 13808.000380/2002-17
Data da sessão: Mon Aug 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1996
DECADÊNCIA - EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO
Não sendo imputada A contribuinte a prática de dolo, fraude ou simulação, o recolhimento, ainda que parcial, enseja a aplicação da regra contida no art. 150, § 40, do CTN, para efeito de reconhecimento da decadência. Esse é o entendimento exarado no Parecer PGFN/CAT n° 1617/2008.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 1996
DECADÊNCIA - AUSÊNCIA DE PAGAMENTO
A extinção definitiva do crédito tributário pelo § 4 0 do art. 150 do CTN, e a consequente decadência a ela atrelada, só ocorre se, antes disso, a situação sob exame configurar, a partir de um juizo de tipicidade, a hipótese prevista no caput deste mesmo artigo. Diante da ausência de pagamento, a contagem do prazo decadencial 6 feita pelo art. 173, I, do CTN.
RECEITAS FINANCEIRAS - FALTA DE CONTABILIZAÇÃO
Deve ser mantido o lançamento na parte em que não restou cai acterizada a ocorrência de erro na informação prestada pela fonte pagadora, e nem erro no processamento desta informação pela Fiscalização. Não sendo o valor da infração suficiente para reverter a base negativa apurada no pel iodo, mesmo assim, mantém-se o lançamento para fins de redução desta base negativa.
Numero da decisão: 1802-000.611
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolhei a
preliminar de decadência em relação ao IRPJ, vencido o Conselheiro Nelso Kichel, e no mérito, poi. unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do
Relator
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA
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Fl 429 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13808.000380/2002-17 Recurso no 161.513 Voluntário Acórdão n" 1802-00.611 — 2" Turma Especial Sessão de 30 de agosto de 2010 Matéria IRPI E OUTRO Recorrente TECHINT S/A Recorrida TURMA/DIU-SÃO PAULO/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1996 DECADÊNCIA - EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO Não sendo imputada A contribuinte a prática de dolo, fraude ou simulação, o recolhimento, ainda que parcial, enseja a aplicação da regra contida no art. 150, § 40, do CTN, para efeito de reconhecimento da decadência. Esse é o entendimento exarado no Parecer PGFN/CAT n° 1617/2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 1996 DECADÊNCIA - AUSÊNCIA DE PAGAMENTO A extinção definitiva do crédito tributário pelo § 4 0 do art. 150 do CTN, e a conseqüente decadência a ela atrelada, só ocorre se, antes disso, a situação sob exame configurar, a partir de um juizo de tipicidade, a hipótese prevista no caput deste mesmo artigo. Diante da ausência de pagamento, a contagem do prazo decadencial 6 feita pelo art. 173, I, do CTN. RECEITAS FINANCEIRAS - FALTA DE CONTABILIZAÇÃO Deve ser mantido o lançamento na parte em que não restou cai acterizada a ocorrência de erro na informação prestada pela fonte pagadora, e nem erro no processamento desta informação pela Fiscalização. Não sendo o valor da infração suficiente para reverter a base negativa apurada no pel iodo, mesmo assim, mantém-se o lançamento para fins de redução desta base negativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolhei a preliminar de decadência em relação ao IRPJ, vencido o Conselheiro Nelso Kichel, e no ( Ester S dte Stag-a - mérito, poi . unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.. °se de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. EDITADO EM: 0 \\2\1 20 Participaram da sessão de julg nento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Jose de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal asoni de Paula Fernandes Jianior, Nelso Kichel, Alfiedo Henrique Rebell() Brandão e Gilberto aptista. 2 Processo n" 13808 000380/2002-17 SI-TE 02 Acórcliio n " 1802-00.611 1.-. 1 430 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Sao Paulo/SP, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sabre a Renda da Pessoa da Jurídica IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL,, conforme autos de infração de fls. 119 a 127, nos valores de R$ 652.750,23 e R$ 160,296,85, respectivamente, incluindo-se nesses montantes a multa de oficio de 75% e os juros moratórias. A exigência fiscal decorreu da não contabilização de receitas provenientes de aplicaçõ'es financeiras no Banco Santander S.A., no valor de R$ 1,086.767,41, e na Nossa Caixa, no valor de R$ 9.939,35, totalizando R$ 1.096.706,76 de amiss -do de receitas financeiras no ano-calendário de 1996, 0 lançamento foi realizado no regime do lucro real anual . Instaurada a fase litigiosa, corn a impugnação de fls. 1.30 a 133, e confoi me descrito na decisão de primeira instância, Acórdão n°16-11.665 (fls.. 228 a 234), a Contribuinte apresentou os seguintes argumentos: 61 a receita de R$ 1.086.767,41 proveniente do Banco Santander SÃ.. .foi contabilizada em 1996 como sendo proveniente do Banco Bozzano Simonsen S.A., que era a denominação do Banco Santander SA. naquela ocasião, visto que o Banco Santander SÃ., CNPJ 33,517.640/0001-22, é o adquirente e sucessor do Banco Bozzano, Simonsen S.A , conforme D.O. do Estado do Rio de Janeiro, de 18/10/2000, de forma que a receita financeira de R$ 1.255,011,52, recebida do Banco Bozzano Simonsen SA., conforme documentos contdbeis anexos, que corresponde a uma DIRE de valor R$ 0,00, conforme a planilha da .fiscalização (11.113), representa, na verdade, a DINT de R$ 1.086 767,41, do Banco Santander S na mesma planilha; ou seja: o Banco Santander S.A., de CNPJ 33..517.640/0002-03, informou DIRE de R$ 1,086.767,41 que, na verdade, é referente it receita paga pelo seu antecessor, Banco Bozz.ano Simonsen S.A,, cujo CNPJ é exatamente de n° 33,517.640/0001-22, e cujo nome foi alterado para Banco Santander S.A ;por tanto, não houve a alegada omissão; 6 2 ,jci quanto à receita dc R$ 9.939,35, proveniente da Nossa Caixa, não foi possível localizá-la, e certamente Ira ta-se de equivoco da instituição financeira, pois a impugnante não opera corn a referida instituição, não se sabendo se não seria algum "deposito judicial" classificado erroneamente por ela, sendo o seu valor irrisório e imaterial para quem contabilizou receitas financeiras de quase R$ 6.000.000,00 naquele ano-calendário, de forma que devem ser aplicados os princípios da boa-fé, do bom senso e da razoabilidade para afastar a respectiva exigência ou, alternativamente, intimar a referida instituição financeira para que esta esclareça a pendência,' portain0 não houve a alegada omissão; 6 3 se os documentos ora apresentados 11(10 foi em suficientes para o cancelamento da autuação, requer- diligdncia para constatar os lançamentos contábeis e fiscais já indicados, b) sejam intimados o Banco Central do Brasil, o Banco Santander SÃ. e a Nossa Caixa para es c/a: ecerem os fatos. Como mencionado, a DRJ São Paulo/SP considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1996 DILIGENCIA INTIMAÇÕES A TERCEIROS Constatar lançamentos comábeis e fiscais não 6 um inativo plausível para a lealização de diligência.Intimações a terceiros para obter esclarecimentos que a impirgnante já poderia ter obtido são desnecessárias Pi eliminates indelLridas ASSUNTO. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário.. 1996 OMISSÃO DE .RECEITAS RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS DIRE. APLICAÇÕES EM INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS A exigência deve ser mantida se não comprovada a contabilização das receitas provenientes de aplicações em instituições financeiras informadas em DIRE. AUTOS REFLEXOS. CSLL. O voto no mêrito do IRPJ repercute na tributação reflexa L an gamento Procedente Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento considerou não haver prova, ou mesmo indicio, de que houve alguma confusão administrativa na informação prestada pelo Banco Santander S.A. Frisou também que não havia coincidência nem de valores, e nem de datas, porque o Banco Bozzano Simonsen S,A, foi adquirido pelo Banco Santander S.A somente no ano de 2000, e os fatos em questão ocorreram em 1996.. Inconformada corn essa decisão, da qual tomou ciência em 27/06/2007, a Contribuinte apresentou em 27/07/2007 o recurso voluntário de fls. 263 a 288, onde desenvolve aigumentos sobre os seguintes tópicos: Decadência: - já decaiu o direito de o Fisco efetuar' o lançamento, urna vez que os fatos geradores ocorreram entre os meses de janeiro e setembro de 1996, e a autuação ocorreu apenas no dia 04 de maw() de 2002. Passados cinco anos da ocorrência do fato gerador, tem-se homologado tacitamente o lançamento efetuado pelo contribuinte; Processo n" 13808 00038012002-17 S 1 -TE02 AcórcIiio " 1802-00.611 Fl 431 - ainda que se contasse o prazo decadencial em consonância corn o artigo 173, I, do CTN, também teria se operado a decadência do direito do Fisco em efetuar o lançamento. Receitas objeto da autuação: - estão plenamente explicitadas as incompatibilidades constantes da tabela descrita no termo de verificação fiscal acostado às fls. 141 dos autos, na qual aparece o montante contabilizado de R$ 1.255.011,52 para o Banco Bozzano Simonsen, sem qualquer valor em DIRF, e R$ 1.086.767,41 sem contabilização, mas, aparentemente, constante da DIRF apresentada pelo Banco Santander .' S.A. - da analise dos dados constantes do referido extrato da DIRF, verifica-se que a declarante foi a instituição financeira com CNRJ n" 33.517.640/0002-03, e que essa declaração, de n° 07-671-2-0005-5, foi processada em 03/04/2001; - tal CNPJ pertenceu, até o ano de 2000, ao Banco Bozzano Simonsen e, após esta data, corn sua aquisição pelo Banco Santander, foi transferido para aquela instituição financeira em virtude da transferência de controle societário, conforme se infere da informação contida no sitio do Banco Central do Brasil (www.bcb.gov.br ) e consignada na r. decisão objeto do presente recurso; - os extratos do COMPROT (doe. 3 e 4) comprovam a transferência de CNPJ. No processo n° 16327.20058.3/99-92, referente â notificação de lançamento/aviso de cobrança, o CNPJ 33.517.640/0002-03 aparece vinculado ao Banco Bozzano Simonsen. Por outro lado, no processo n" 16.327.000427/2001-54, referente à Retificação de DARF - IRP.J, o mesmo CNPJ de n°33.517.640/0002-03 aparece vinculado ao Banco Santander; provavelmente, a DD. Fiscal autuante, ao olhar para o extrato da D1RF acostado aos autos do processo em tela, tornou a simples providência de consultar a quem pertencia o CNPJ junto ao sitio da Secretaria da Receita Federal, e encontrou, como resultado, o Banco Santander, sem observar que, à época dos fatos, o citado CNPI pertencia ao Banco Bozzano Simonsen S/A. - nesse contexto, requer a Recorrente seja o presente feito baixado em diligencia para que a DIRF n° 07-671-2-0005-5 seja anexada aos autos do processo em questão e comprove que a mesma foi entregue pelo Banco Bozzano Simonsen S/A. - na Ata que deliberou a aquisição do Banco Bozzano Simonsen pelo Banco Santander, consta como CNPJ do Banco Bozzano Simonsen um número corn a mesma raiz do CNPJ constante da DIRF, o que também comprova que o CNPJ em questão pertencia ao Banco Bozzano Simonsen; - para espancar qualquer dúvida, a Recorrente apresenta uma planilha que apresenta a composição dos valores por ela contabilizados, e ietidos pelo Banco Bozzano Simonsen, comparando-os corn a rendimento bruto e o IRRF retido constante do extrato da DIRF acostada às fls. 55 destes autos; - os valores contemplados nesta planilha estão cabalmente comprovados por intermédio dos contratos firmados com o Banco Bozzano Simonsen (doc. 07); extratos bancários (doc. 08) e planilhas (doe. 09); (I) 5 - o mesmo se deu corn a Nossa Caixa. Nesse contexto, protesta a Recorrente pela juntada dos documentos comprobatórios de tal operação, no reduzidissimo valor de R$ 9.93935, que feria ocasionado a retenção de IR no montante de R$ 1.490,89; - dúvidas não restam de que a Recorrente jamais omitiu teceita a titulo de operações de renda fixa efetuadas com o Banco Santander, uma vez que tais operações foram, de fato, realizadas com o Banco Bozzano Simonsen, como robustamente demonstrado. Multa de 75% e juros Selic: - é inadmissível a cobrança de multa no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), pelo seu card -ter confiscatário e desproporcional. - os juros não poderiam ser calculados corn base na taxa SELIC, dada a sua inconstitucional idade, tal como reconhecido pelo E. SIT Este é o Relatório. Processo n" 13808.000380/2002-17 Ac6rd5o n ° 1802-00.611 Si -TM Fl 432 Voto Conselheiro Relator, José de Oliveira Fen -az Corrêa O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade . Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, trata-se de exigência de IRPJ e CHI, decoi rente da nao contabilização de receitas financeiras provenientes de duas instituições - Banco Santander S.A, e Nossa Caixa, no valor total de R$ 1.096.706,76. Essas receitas foram apuradas com base nas D1RF apresentadas pelas fontes pagadoras . O lançamento abrangeu o ano-calendário de 1996, e foi realizado no regime do lucro real anual . Quanta a decadência, não mais remanescem dúvidas de que o recolhimento do tributo, ainda que parcial, excluindo-se os casos de dolo, fraude ou simulação, enseja a aplicação da regra contida no art. 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional - CTN. Este, inclusive, é o entendimento consignado no Parecer PGFN/CAT N" 1617/2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda em 18/08/2008, e que estabelece orientações serem observadas pela Secretaria da Receita Federal e pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional quanto a essa matéria, em face da edição pelo Supremo Tribunal Federal da Súmula Vinculante n" 8. Oportuno destacar o item 40 do referido Parecer: "PA RE CER PGFN/CAT N" 1617/2008 Supremo Tribunal Federal, Súniula Vinculante n" 8 Alcance. Contribuições Previdenciciria,s. Forma de contagem de prazos Fixação do termo a quo de prazos de decadência e de prescrição Art. 1.50, § 4", do CTN. Art 173, I, do CTN. Inconstilucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei n" 8.212, de .24 de julho de 1991 e do parágrafo único do art. 5" do Decreto-Lei n° 1.569, de 8 de agosto de 1977 40 Do que, então, emerge mais uma conclusão: o pamnento antecipado da contribuição (ainda que parcial) suscita a aplicacão da regra especial, isto 6, do ,F 4" do art. 150 do CTN„ inexistência de pagamento justifica a utilização da regra cio art. 173 do CTN, para efeitos de fixação do dies a quo dos prazos de caducidade, p1 ojetados iia.s contribiiições previdencicirias. Isto é, no que se refere à contagem dos prazos de decadencia. Tal concepção em principio, pode ser aplicada para todos os tributos federais, e não somente, para as contribuições previdencicirias." (grifos acrescidos) Em relação ao IRPJ, é importante destacar que os rendimentos de aplicação financeira auferidos pela Recorrente sofreram retenções de IR, conforme indica o próprio extrato das DIRE (fls, 52 a 58), retenções que, de acordo corn a própria legislação do imposto, são consideradas como antecipações de pagamento em relação ao devido no final do período anual (art. 837 do RIR199). Assim, à vista das retenções de IR ocorridas em 1996, e considerando ainda que a fiscalização não imputou à autuada qualquer das figuras excludentes previstas no § 4 0 do art. 150 do CTN (dolo, fraude ou simulação), o prazo de decadência a ser aplicado em relação ao IRPJ deve ser o previsto no art. 150 do CIN, e não o do art. 173. Deste modo, há que se acolher a alegação de decadência par a o fato gerador do IRPJ, ocorrido em 31/12/1996, urna vez que o lançamento somente foi consumado em 1W03/2002. Corn relação à CSLL, contudo, não se aplica a mesma regra, posto que não houve qualquer antecipação de pagamento, ou mesmo pagamento no ajuste, conforme evidencia a cópia da DIPJ constante dos autos. No caso, a apuração deu-se pelo regime anual, corn fato gerador ocorrido em 31/12/1996, e, diante da total ausência de pagamento, considero que a contagem da decadência para a CSLL deve seguir a regra contida no art, 173, I, do CTN, e não a regra do § 4" do art. 150. Isto porque o caput do art. 150 do CTN estabelece requisitos (tipicidade) para a inclusão nesta "modalidade de lançamento", ou melhor, nesta forma de tributação, de onde surgem os seus respectivos efeitos, dentre eles aquele previsto no § 4" (extinção definitiva do ci edito pela homologação tacita). Assim, a extinção definitiva do crédito tributário pelo § 4 0 do art 150 do CIN, e a conseqüente decadência a ela atrelada, só ocorre se, antes disso, a situação sob exame configurar, a partir de um juizo de tipicidade, a hipótese prevista no caput deste mesmo artigo.. Com efeito, antes de se inserir no parágrafo, a situação deve estar primeiramente abrangida pelo caput do dispositivo legal, segundo urn juizo de tipicidade para o caso concreto. E como não houve qualquer pagamento para a quitação da CSLL, ainda que parcialmente, a contagem da decadência deve seguir a regra do art. 173, I, do CTN. Deste modo, para o fato gerador ocorrido em 31/12/1996, o prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado pela Fiscalização esgotou-se em 01/01/2003. Corno o lançamento foi realizado em 12/03/2002, concluo que o direito de lançar a CSLL não se encontrava extinto pela decadência. Uma vez afastada a preliminar de decadência para a CSLL, é necessário adentrar no exame de mérito. A planilha constante do Termo de Verificação traz a seguinte informação: Banco Contabilizado DIRE Process o n" 13808 000.38012002-17 SI-TE02 Acóratio n 1802-00.611 Fl 433 BOZANO 1 255 011,12 0,00 SANTANDER 0,00 1 086 767,41 E está muito claro nos autos que o CNP.T n" 33.517.640/0002-03, constante do extrato da DIRF A. fl. 55, de onde se extraiu o valor de R$ 1 086.767,41 como I eccita não contabilizada, realmente pertencia ao Banco Bozano Simonsen S.A. Portanto, este valor deve ser excluído do lançamento. Quanto aos R$ 9.939,35 provenientes da Nossa Caixa, embora a Recorrente tenha alegado tratar-se do mesmo problema, não foi apresentado nenhum documento que evidenciasse a ocorrência de erro na informação prestada pela forte pagadora, e nem erro no processamento desta informação pela Fiscalização. A força probatória da DTRF é sempre relativa, como ocorre com todos Os demais documentos obtidos pelo Fisco junto a terceiros. Mas milita a seu favor o fato de que prestação de informações equivocadas nesta declaração, registrando pagamentos em valor maior do que o efetivamente realizado, não pode ser tomada como regra, inclusive porque as empresas estariam criando para si urna obrigação indevida de recolhimento a titulo de IR-fonte.. Deste modo, a infração relativa à não contabilização do valor pi oveniente da Nossa Caixa deve ser mantida. Contudo, ela não é suficiente para reverter a base negativa apurada em 1996, no montante de R$ 312.532,27, conforme DIP.T fl. 23/verso, mas apenas para diminui-la. Por isso, as demais questões relativas à multa de oficio e aos juros de mora ficam prejudicadas. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso para: - acolher a preliminar de decadência em relação ao IRPJ; - excluir da apuração da CM., o valor de RS 1.086.767,41, relativamente As receitas provenientes do Banco Bozano Simonsen S.A.; - manter a autuação sobre o valor de R$ 9.939,35, proveniente da Nossa Caixa, apenas par a fins de reduzir a base negativa da CSL,L, apurada em 31/12/1996. Salad s Sessões, em 30 de agosto de 2010 — / 9-- / .,-,.. (1 //Jose de Oliveira Ferraz Corrêa i . 7% 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO: 13808..000350/2002-17 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos do art. 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009. Brasilia, 09 de novembro de 2010. Maria Conceição de Sousa Rodrigues Seer etária da Camara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PEN: [J apenas com ciência; H com Recurso Especial; com Embargos de Declaração. lo
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