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Numero do processo: 10830.011393/2007-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998, 01/01/2000 a 31/01/2000, 01/01/2002 a 01/01/2004, 01/12/2004 a 31/12/2004, 01/01/2005 a 31/01/2005, 01/03/2005 a 31/05/2005, 01/09/2005 a 30/11/2005, 01/01/2006 a 30/06/2006, 01/08/2006 a 30/04/2007
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
SIMPLES
O ato de exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de
Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES sujeita-a ao recolhimento integral das contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.407
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado reconhecendo a fluência parcial do prazo decadencial. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas que entenderam aplicar-se o art. 150, parágrafo 4º do CTN para todo o período. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva entendeu aplicar-se o art. 173, inciso I do CTN para todo o período. Para o período não
decadente não houve divergência.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998, 01/01/2000 a 31/01/2000, 01/01/2002 a 01/01/2004, 01/12/2004 a 31/12/2004, 01/01/2005 a 31/01/2005, 01/03/2005 a 31/05/2005, 01/09/2005 a 30/11/2005, 01/01/2006 a 30/06/2006, 01/08/2006 a 30/04/2007 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. SIMPLES O ato de exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES sujeitaa ao recolhimento integral das contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado reconhecendo a fluência parcial do prazo decadencial. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas que entenderam aplicarse o art. 150, parágrafo 4º do CTN para todo o período. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva entendeu aplicarse o art. 173, inciso I do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 03/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 121DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10830.011393/200742 Acórdão n.º 230201.407 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata a notificação fiscal de lançamento de débito – NFLD, lavrada em 19/12/2007, com ciência pelo sujeito passivo em 21/12/2007, de contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais, nas competências de 07/1998 a 12/1998 e no período não contínuo de 01/2002 a 04/2007, bem como de diferenças de acréscimos legais nas competências de 12/1998, 01/2000, 07/2004, 06/2005, 08/2005, 01/2007 e 03/2007. O relatório fiscal de fls. 80/83, informa que os valores relativos aos fatos geradores foram declarados em GFIP e a empresa foi optante do SIMPLES no período de 1999 a 12/2001, conforme documentos de fls. 85/86. Após impugnação, Acórdão de fls. 105/106, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo arguindo: a) omissão no acórdão quanto ao enquadramento da empresa; b) que existem documentos assinados por servidores da receita dizendo que entre os anos de 1998 a 2003, a empresa apurou os tributos pelo SIMPLES e a partir de 2004, pelo lucro presumido e referese a dois processos sobre o assunto que não foram analisados; c) que os valores apresentados não condizem com a realidade dos fatos; d) que sem saber seu enquadramento não pode ser determinado o recolhimento; e) que mesmo os processos sendo julgados a seu desfavor tem direito á compensação do que recolheu ao INSS embutido no SIMPLES; f) a decadência na forma do artigo 173, do CTN. Requer que os valores apresentados sejam revistos em função do seu enquadramento. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conforme protocolo de fl.111, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar A notificação foi lavrada em 19/12/2007, com ciência pelo sujeito passivo em 21/12/2007, contemplando o período alternado de 07/1998 a 04/2007. Assim, deve ser observado que nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem as transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 123DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10830.011393/200742 Acórdão n.º 230201.407 S2C3T2 Fl. 3 5 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No processo em questão, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 173, inciso I, no que se refere as competências de 07/1998 a 12/1998, uma vez que as contribuições lançadas não foram objeto de recolhimento previdenciário parcial: Fl. 124DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Para as competências de 01/2000 e 01/2002, deve ser acatado o prazo decadencial exposto artigo 150 §4º do Código Tributário Nacional, já que comprovadamente a recorrente procedeu a recolhimentos previdenciários parciais, relativos aos créditos lançados na notificação, nestas competências: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. As demais competências não se encontram atingidas pelo prazo decadencial. Do Mérito A notificação teve por base as folhas de pagamento e as informações prestadas pela recorrente em GFIP, de forma que se tornam inócuas as alegações de que os valores apresentados não condizem com a realidade. As folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. A base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pela recorrente nas GFIP’s.. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Fl. 125DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10830.011393/200742 Acórdão n.º 230201.407 S2C3T2 Fl. 4 7 Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFIP, caberlheia demonstrálo e providenciar sua retificação; no entanto, embora oferecida essa oportunidade durante todo o processo, não o fez. Apreciada a regularidade das bases de cálculo consideradas pela fiscalização, passase ao exame das exações exibidas no relatório discriminativo analítico do débito. Todos os recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento Não merece acolhimento a argüição da recorrente de que é optante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, posto que o relatório fiscal e os documentos acostados aos autos dão conta de que a empresa foi excluída do Sistema a partir de 01/01/2002. O levantamento respeitou o período em que a recorrente foi optante, de 01/01/1999 a 01/01/2002, conforme documento de fl. 84. As alegações trazidas pela recorrente acerca da existência de ação judicial no tocante ao assunto são inócuas, porquanto não trouxe nenhuma prova a respeito. Também não há nos autos comprovação de que a situação da notificada, de não optante do SIMPLES, esteja pendente de julgamento administrativo. Ao contrário, todas as informações constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil atestam que a empresa foi excluída do Sistema em 01/01/2002, o que a sujeita ao recolhimento integral das contribuições previdenciárias (documentos de fls.84/86, 92 e 104). São também improcedentes as assertivas acerca de eventuais valores a compensar com a exclusão do SIMPLES, pois no período em que a recorrente foi optante não há qualquer lançamento nesta notificação, já que as contribuições previdenciárias eram substituídas pelo recolhimento mensal unificado. Com a exclusão do Sistema, a recorrente está sujeita ao pagamento das contribuições constantes na Lei n.º 8.212/91, devidas na forma exposta pelas normas gerais de incidência. Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso para acatar o prazo decadencial exposto nos artigos 150, §4º e 173, I do Código Tributário Nacional e excluir do lançamento as competências de 07/1998 a 12/1998, 01/2000 e 01/2002. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 127DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13808.003446/97-49
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1996, 1997
Ementa: MATÉRIA SUMULADA OU ESTRANHA AO FEITO. RECURSO QUE NÃO SE CONHECE.
Não merece ser conhecido recurso contra decisão que aplicou Súmula do Conselho de Contribuintes ou do CARF, ou que traz matéria não abordada no lançamento.
Numero da decisão: 9101-000.808
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação aos juros de mora e, por maioria de votos, não conhecer do recurso em relação à multa de mora, nos termos do voto do Relator. Vencida, nessa última parte a conselheira Karen Jureidini Dias que dele conhecia
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Interessado FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1996, 1997 Ementa: MATÉRIA SUMULADA OU ESTRANHA AO FEITO. RECURSO QUE NÃO SE CONHECE. Não merece ser conhecido recurso contra decisão que aplicou Súmula do Conselho de Contribuintes ou do CARF, ou que traz matéria não abordada no lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação aos juros de mora e, por maioria de votos, não conhecer do recurso em relação à multa de mora, nos termos do voto do Relator. Vencida, nessa última parte a conselheira Karen Jureidini Dias que dele conhecia.. CAIO MARCOS CÂNDIDO Presidente. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 14/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O 2 Andrade Couto, Karen Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho,Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Suzy Gomes Hoffman. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 14/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O Processo nº 13808.003446/9749 Acórdão n.º 9101000.808 CSRFT1 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de recurso especial (fls. 286/290, com documentos de fls. 291/319) interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão 10195.092 (fls. 272/276) que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário anteriormente por ele apresentado. A matéria em discussão envolve a incidência de juros de mora em situações de suspensão da exigibilidade do débito e a cobrança da multa de mora na execução da decisão, sem levar em consideração o prazo de trinta dias estabelecido no parágrafo 2º, do art. 63, da Lei nº 9.430/96. O acórdão recorrido manifestouse no sentido de que os juros são devidos em qualquer situação de atraso no pagamento da obrigação, exceto na presença de depósito no montante integral do débito. Com relação à multa de mora, a decisão entendeu que a matéria não deveria ser apreciada por estranha aos autos, além de se constituir apenas em eventual possibilidade de cobrança ainda não materializada. Na peça recursal, o sujeito passivo sustenta que a decisão contrariou entendimento de outras Turmas deste Colegiado, mencionando como paradigmas os Acórdãos 20171.092, para a questão dos juros, e 20216.794, no que se refere à multa de mora. Em juízo de admissibilidade, o Presidente da 1ª Câmara do 1º CC prolatou o despacho 101192/2007 (fls. 331/333) dando seguimento ao recurso apenas em relação aos juros de mora pois, quanto à multa, entendeu que não estaria demonstrada a divergência. Inconformado, o sujeito passivo ingressou com agravo (fls. 345/349) ratificando os argumentos quanto à demonstração da divergência entre o acórdão paradigma e a decisão recorrida no que tange à cobrança da multa de mora. Em nova apreciação, foi proferido o Despacho 369/2008 (fls. 369/371) acolhendo o pedido de reexame. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 373/379) afirmando que a jurisprudência atual do Colegiado é coincidente com a decisão recorrida em relação à incidência dos juros de mora no presente caso. No que se refere à multa de mora, reportase diretamente às razões do acórdão hostilizado. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 14/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O 4 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO A questão da incidência dos juros de mora no caso de pagamento da obrigação após o vencimento, seja qual for a causa do atraso, está consolidada neste Colegiado desde 26/06/2006 com a edição da Súmula 1º CC nº 5 com Enunciado: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Vêse que os juros de mora são devidos ainda que o débito esteja com exigibilidade suspensa, como é o presente caso. Devese salientar que o objetivo da Súmula é justamente consolidar as decisões reiteradas e uniformes da Corte sobre determinada matéria, indicando que tais decisões já vêm sendo prolatadas há algum tempo. Quando da interposição do recurso especial a Súmula já havia sido editada. Ora, considerando que o acórdão paradigma trazido aos autos foi prolatado em 1997 (!!) o entendimento ali esposado já estava superado. Por esse motivo, não posso concordar com o teor do despacho 101192/2007 que admitiu o recurso quanto aos juros de mora. Tratandose de matéria consolidada no Órgão, não haveria como o recurso ser conhecido . Sendo assim, meu voto é pelo não conhecimento do recurso nessa parte. Em relação à cobrança da multa de mora, entendo que o recurso não merece ser conhecido por dois motivos. O primeiro deles, em concordância com a decisão recorrida, pelo fato dessa multa não integrar o lançamento.A autuação abrangeu o tributo, a multa de ofício e os juros de mora. A exigência do tributo foi considerada definitiva em função da opção pela via judicial, a multa de ofício foi exonerada pela autoridade julgadora de primeira instância e a discussão quanto aos juros foi trazida até este julgamento. Assim, todas as matérias que integravam a lide foram discutidas dentro do trâmite processual regulamentar. A cobrança da multa de mora envolve um procedimento a ser analisado pela autoridade responsável pela execução da decisão e deve ser questionada naquele momento, inclusive, se for o caso, via mandado de segurança. O segundo motivo voltase para o fato de que, sendo a CSRF uma Corte com escopo na uniformização jurisprudencial no âmbito administrativo, a divergência de entendimento entre turmas deve estar perfeitamente caracterizada Sob esse prisma, pareceme que laborou em equívoco a autoridade que apreciou o agravo interposto pela recorrente. O acórdão apresentado como paradigma na questão da multa de mora decidiu que este acréscimo legal seria excluído no cálculo do arrolamento de bens. Em outras palavras, a multa de mora não deveria compor o valor da exigência que serviria de base para definição do montante dos bens a serem arrolados, com vistas à interposição de recurso voluntário. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 14/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O Processo nº 13808.003446/9749 Acórdão n.º 9101000.808 CSRFT1 Fl. 3 5 Nesses termos, não haveria divergência com o acórdão recorrido pelo simples fato de a questão do arrolamento já ter sido de há muito superada no presente caso. Caberia à recorrente trazer aos autos uma decisão paradigma que estabelecesse claramente a análise da incidência da multa de mora em casos como o presente. Sem embargo de meu posicionamento quanto ao tema, na hipótese de ser vencido pelos meus pares e no intuito de buscar a desejável celeridade processual que a sociedade tanto almeja, manifesto meu entendimento de que, sob a égide do parágrafo 2º, do art. 63, da Lei nº 9.430/96, mostrase equivocada a cobrança da multa de mora sem o respeito ao prazo definido no dispositivo em questão. De todo o exposto, voto pelo não conhecimento do recurso especial interposto pelo sujeito passivo, com as ressalvas supra mencionadas. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 14/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000198/2007-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 29/08/2003
Ementa:RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL SEM A CIÊNCIA DA
RECORRENTE. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA
ADMINISTRATIVA.
O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado. Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. Transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972.
DecisãoNotificação
emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada.
Numero da decisão: 2302-001.524
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 29/08/2003 Ementa:RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL SEM A CIÊNCIA DA RECORRENTE. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado. Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. Transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972. DecisãoNotificação emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada.
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Recorrente COMPANHIA SIDERÚRGICA PAULISTA COSIPA Recorrida DRJ SÃO PAULO I SP Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 29/08/2003 Ementa:RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL SEM A CIÊNCIA DA RECORRENTE. – VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado. Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. Transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972. DecisãoNotificação emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15983.000198/200767 Acórdão n.º 230201.524 S2C3T2 Fl. 1.840 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 22 da Lei n ° 8.213/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 286 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de comunicar acidentes de trabalho dentro do prazo legal, fls. 02 a 08. Não conformado com a autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 98 a 105. Foi proferido Despacho Decisório, fls. 1.615 a 1.621, retificando o valor da multa aplicada. Cientificada da decisão, a autuada manifestouse às fls. 1.624 a 1.632. A Receita Previdenciária comandou pedido de parecer de perito do INSS, fls. 1.636 e 1.637. A perícia do INSS prestou informações às fls. 1.639 a 1.641. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento emitiu a decisão de fls. 1.645 a 1.656, mantendo o lançamento nos termos do Despacho Decisório. A recorrente não concordando com a decisão emitida pelo órgão fazendário interpôs recurso, fls. 1.786 a 1.796. Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1.798 e 1.799; pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Tendo em vista a discussão acerca da nulidade ou não da decisão de primeira instância pela ausência da intimação de informações juntadas às fls. 1.639 a 1.641, há que ser analisada tal preliminar por este Colegiado. Analisando os autos verifiquei uma irregularidade. A Receita Previdenciária antes da emissão da primeira decisão, solicitou informação à perícia do INSS, fl. 1.636 e 1.637. Como resultado dessa diligência, o INSS prestou informações, fls. 1.639 a 1.641. A documentação juntada foi utilizada na fundamentação da decisão de primeira instância (fls. 1.652 e seguintes). Não há provas de que o recorrente foi cientificado da juntada das fls. 1.636 a 1.641, sendo emitida a Decisão sem a possibilidade do contraditório em relação ao resultado da diligência. A impossibilidade de conhecimento dos fatos elencados pela fiscalização ocasionou a supressão de instância. O recorrente possui o direito de apresentar suas contrarrazões aos fatos apontados pela fiscalização ou aos documentos juntados ainda na primeira instância administrativa. Da forma como foi realizado, o direito do contribuinte ao contraditório foi conferido somente em grau de recurso. De acordo com o previsto no art. 32 da Portaria MPS n ° 520/2004, que regia o contencioso administrativo na época, as decisões proferidas com preterição do direito de defesa são nulas. . No mesmo sentido é o disposto no art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972. Assim, deve ser anulada a Decisão de primeira instância, reabrindose o prazo para manifestação, conferindo ciência ao recorrente do resultado da diligência às fls. 1.639 a 1.641. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por ANULAR a decisão de primeira instância. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15983.000198/200767 Acórdão n.º 230201.524 S2C3T2 Fl. 1.841 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 16682.720133/2011-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2008
Ementa:
DESPESAS INCORRIDAS. DENOMINAÇÃO. IRRELEVÂNCIA.
Para fins de apreciação da dedutibilidade dos dispêndios computados no resultado, o que importa verificar é se as despesas foram efetivamente incorridas e são normais, usuais e necessárias à fonte produtora dos rendimentos da pessoa jurídica. Irrelevante, no caso, o fato de a contrapartida contábil indicar, equivocadamente, registro em conta de PROVISÃO.
DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE.
Em conformidade com a legislação do imposto de renda, para que a despesa seja dedutível na apuração da base de cálculo do imposto, ela deve ser usual, normal e necessária à fonte de rendimentos da pessoa jurídica. À evidência, dispêndio que decorre de obrigação contraída por terceiro, ressalvada a hipótese de lei especial autorizadora, não pode ser deduzido na determinação
do lucro real.
DESPESA INCORRIDA. COMPROVAÇÃO.
A simples alegação de que não se está diante de provisão, mas, sim, de despesa incorrida, não é suficiente para elidir a glosa promovida pela autoridade fiscal. No caso, é necessário que sejam aportados aos autos documentos que possibilitem identificar a natureza da obrigação, seja para se certificar de que o dispêndio correspondente já poderia ter sido apropriado no resultado, seja para aferir se a sua dedução na apuração da base de cálculo do
imposto encontrava lastro na legislação de regência.
Numero da decisão: 1302-000.793
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntário e
de ofício
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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DENOMINAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. Para fins de apreciação da dedutibilidade dos dispêndios computados no resultado, o que importa verificar é se as despesas foram efetivamente incorridas e são normais, usuais e necessárias à fonte produtora dos rendimentos da pessoa jurídica. Irrelevante, no caso, o fato de a contrapartida contábil indicar, equivocadamente, registro em conta de PROVISÃO. DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. Em conformidade com a legislação do imposto de renda, para que a despesa seja dedutível na apuração da base de cálculo do imposto, ela deve ser usual, normal e necessária à fonte de rendimentos da pessoa jurídica. À evidência, dispêndio que decorre de obrigação contraída por terceiro, ressalvada a hipótese de lei especial autorizadora, não pode ser deduzido na determinação do lucro real. DESPESA INCORRIDA. COMPROVAÇÃO. A simples alegação de que não se está diante de provisão, mas, sim, de despesa incorrida, não é suficiente para elidir a glosa promovida pela autoridade fiscal. No caso, é necessário que sejam aportados aos autos documentos que possibilitem identificar a natureza da obrigação, seja para se certificar de que o dispêndio correspondente já poderia ter sido apropriado no resultado, seja para aferir se a sua dedução na apuração da base de cálculo do imposto encontrava lastro na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 747DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16682.720133/201175 Acórdão n.º 130200.793 S1C3T2 Fl. 748 2 ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntário e de ofício “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 748DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16682.720133/201175 Acórdão n.º 130200.793 S1C3T2 Fl. 749 3 Relatório Trata o presente processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, relativa ao anocalendário de 2007, formalizada a partir da imputação das seguintes infrações: a) compensação indevida de prejuízos fiscais; b) ausência de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro real, de provisões indedutíveis; c) adições não computadas na apuração do lucro real. A 3ª Turma Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, tendo exonerado parte do crédito tributário constituído, recorre de ofício a este Colegiado administrativo, amparada nas disposições do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, e da Portaria MF nº. 3, de 2008. O referido julgado, foi assim ementado: NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válido o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e sem prejuízo do direito de defesa. GLOSA DE PREJUÍZOS. DÉBITO EXTINTO POR PAGAMENTO. O pagamento efetuado após a lavratura do auto de infração dá causa à extinção do processo. GLOSA. DESPESAS DE VARIAÇÃO MONETÁRIA. INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis as despesas que não se enquadram nos conceitos de necessidade, normalidade e usualidade. PROVISÕES. INDEDUTIBILIDADE. Adicionase ao cálculo do lucro real o gasto com provisão não autorizada em lei. DESPESAS INCORRIDAS. COMPENSAÇÃO FINANCEIRA POR UTILIZAÇÃO DE RECURSOS HÍDRICOS. ENCARGOS DE USO DE REDE BÁSICA. ENCARGOS DO USO DE SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO. Ainda que impropriamente classificadas como provisões, as despesas que atendem aos requisitos legais de dedutibilidade devem ser excluídas do cálculo do lucro real. Por relevante, transcrevo, abaixo, excertos do voto condutor da decisão em referência. ... Fl. 749DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16682.720133/201175 Acórdão n.º 130200.793 S1C3T2 Fl. 750 4 a) preliminar de nulidade ... b) Infração 001 – Glosa de Prejuízos Compensados Indevidamente (fls.277) ... 53 Observese, por fim, que a autoridade lançadora (DRF), como se vê no despacho às fls.636 e no Extrato do Processo Sief, às fls.637, já alocou ao débito desta infração o sobredito pagamento efetuado pelo interessado (como abaixo se demonstra), de sorte que tal débito não integra a lide: ... c) Infração 003 – Adições não computadas no cálculo do lucro real Passivo Braslight – Variação Monetária – Juros e Principal ... d) Infração 002 – Adições não computadas na Apuração do Lucro Real ... d.1) conta 6130370000 – Compensação Financeira por Utilização de Recursos Hídricos ... 100 Colhe razão ao interessado quando afirma que, sob o regime de competência, a apropriação das despesas não requer coincidência com a efetivação de seu pagamento. Colhelhe razão, ainda, no que tange à possibilidade de, em nome do princípio da prevalência da essência sobre a forma, a natureza do gasto se sobrepor à sua classificação contábil. 101 Concluise, ante o exposto, que o interessado, concessionário de energia elétrica, sujeitase, mensalmente a encargo denominado “Compensação Financeira por Utilização de Recursos Hídricos”, que configura obrigação legal, definida e sem incerteza quanto à sua exigibilidade e valor, razão pela qual deve ser acolhida a sua alegação de que os valores em tela não têm a natureza de provisão, e foram apropriados de acordo com o regime de competência. 102 Assim, tais valores devem ser excluídos do lançamento. d.2) conta 6130422000 – Encargos de Uso da Rede Básica ... 116 Ante a isso, de mesma forma que na despesa tratada na alínea anterior, podese concluir que a referida despesa configura obrigação definida e sem incerteza quanto à sua exigibilidade e valor, razão pela qual se acolhe a alegação do interessado de que os valores em tela não têm a natureza de provisão. 117 Sendo assim, tais valores devem ser excluídos do lançamento. d.3) conta 6130426000 – Encargos do Uso de Sistema de Distribuição. ... Fl. 750DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16682.720133/201175 Acórdão n.º 130200.793 S1C3T2 Fl. 751 5 125 O autuante juntou, às fls.242/267, o Contrato de Uso do Sistema de Distribuição firmado entre o interessado (gerador de energia elétrica) e a Light Serviços de Eletricidade S.A (distribuidora de energia elétrica), em 26.02.2007, no qual se lê que, por força das disposições contidas na Resolução Aneel nº 281, de 01 de outubro de 1999, o interessado está obrigado a celebrar contratos de conexão e de uso dos sistemas de distribuição. 126 O objeto do contrato consiste na “injeção de potência elétrica no Sistema de Distribuição pelas Usinas de propriedade da geradora” (cláusula 3, às fls.247), sendo que o uso do sistema é expresso em Montante de Uso (demanda de potência elétrica medida e integralizada em intervalos de 15 (quinze) minutos). 127 Por tais serviços, o contrato prevê que a geradora (interessado) pagará mensalmente à Distribuidora (Light Serviços de Eletricidade S.A) os encargos de uso do Sistema de Distribuição, calculados em ciclos de faturamento mensal (cláusulas 12 e 13), nos termos do Título V do contrato. 128 Os encargos são objeto de fatura emitida pela Distribuidora, que, desdobrada em três vencimentos, deverá ser paga pelo interessado dentro dos prazos previstos na cláusula 14 do dito contrato. 129 Ante o exposto, temse que as despesas veiculadas nas duas notas fiscais se referem a obrigação definida e certa, que pode ser medida mensalmente e com precisão, razão pela qual podese afastar o caráter provisional que a classificação contábil utilizada lhes conferiu. 130 Assim, tais valores devem ser excluídos do lançamento. d.4) conta 6350411102 – Adm. Central – Enc. Dívidas – Moeda Nacional – Juros ... e) Conclusões 141 Concluise, assim que: a) a preliminar de nulidade deve ser rejeitada; b) a infração nº 1 (glosa de prejuízos), por ter sido objeto de pagamento, não integrou a lide; c) na infração nº 2 deve ser mantido apenas o valor tributável de R$ 6.053.920,42; e d) na infração nº 3, deve ser mantido o total do valor tributável: R$ 2.110.923,64. ... Diante do acolhimento parcial, em primeira instância, das razões trazidas por meio de peça impugnatória, LIGHT ENERGIA S/A, já devidamente qualificada nestes autos, interpôs o recurso de fls. 699/717, por meio do qual sustenta: que, em razão de imposições da lei, a LIGHT SESA submeteu à ANEEL a PROPOSTA DE ASSUNÇÃO IMPERFEITA DE DÍVIDA (documento 2 que instruiu a impugnação), por meio da qual a ora Recorrente assumiria obrigações daquela, em contrapartida à transferência dos ativos efetuada, com o objetivo de livrála de qualquer passivo não relacionado aos serviços de distribuição de energia; que, na oportunidade, verificouse que a parcela de passivos a ser assumida por ela equivaleria a 17,48% (documento 3 que instruiu a impugnação); Fl. 751DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16682.720133/201175 Acórdão n.º 130200.793 S1C3T2 Fl. 752 6 que a própria Fiscalização confirma a veracidade dos fatos antes expostos e o intuito de tal pacto; que, dada as imposições decorrentes do PROJETO DE DESVERTICALIZAÇÃO DA LIGHT SESA, ela e outras empresas integrantes do GRUPO LIGHT firmaram convênio de adesão aos planos de benefícios previdenciários administrados pela BRASLIGHT, em que todas as aderentes se obrigaram a assumir a posição de co devedoras da dívida objeto do Contrato de Refinanciamento das Reservas a Amortizar e da Operação com a Patrocinadora; que, tendo sido demonstrado por cálculos atuariais que do processo de desverticalização experimentado por LIGHT SESA não decorreu a transferência de funcionários participantes dos PLANOS A e B às empresas LIGHT S/A e LIGHT ESCO, foi firmado, em 06 de fevereiro de 2006, TERMO DE AJUSTE DE OBRIGAÇÕES por meio do qual foi alterada a proporção de coparticipação da LIGHT SESA e dela no saldo devedor inicial (documento 8 que instruiu a impugnação); que, como amplamente demonstrado, a assunção das dívidas originariamente contraídas pela LIGHT SESA junto à BRASILIGHT decorre de obrigação legal prevista pelo art. 4º, parágrafo 5º, da Lei nº 9.074/95 e pela Resolução Autorizativa ANEEL nº 307/2005; que, estando a assunção da dívida relativa ao PASSIVO BRASLIGHT contida no conjunto de operações necessárias à desverticalização, e sendo essa condição sine qua non ao seguimento de suas atividades, parece ser extreme de dúvida que as despesas correlatas deixam de contar com qualquer feição de liberalidade; que, relativamente à conta contábil 6350411102 (ADM. CENTRAL – ENC. DÍVIDAS – MOEDA NACIONAL – JUROS), não se está tratando de PROVISÃO, mas, sim, de despesa com natureza de CONTAS A PAGAR, fato que, por si só, basta à reforma da decisão recorrida; que a mera nomenclatura de PROVISÃO na contabilidade não significa que seja essa realmente a natureza da respectiva conta; que não merece acolhida a alegação da Fiscalização de que não foram apresentados documentos hábeis coincidentes em datas e valores capazes de comprovar o pagamento da provisão dentro do anocalendário de 2007, pois, em virtude da observância do regime de competência, o montante das despesas a ser deduzido já se torna conhecido antes mesmo de seu efetivo pagamento; que, no presente caso, houve não só o registro dos valores como também, em seguida, o pagamento das despesas, fato não considerado pela Fiscalização. É o Relatório. Fl. 752DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16682.720133/201175 Acórdão n.º 130200.793 S1C3T2 Fl. 753 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Em conformidade com o TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL de fls. 65/72, foram imputadas as seguintes infrações à contribuinte fiscalizada: GLOSA DE VARIAÇÃO MONETÁRIA E JUROS BRASLIGHT MATÉRIA TRIBUTÁVEL: R$ 2.110.923,64 A autoridade fiscal assim se pronunciou acerca dessa infração: A dívida da Light – Serviços de Eletricidade S.A. com a BRASLIGHT assumida pela Light Energia S.A. teve como fato gerador parcelas não honradas pela Patrocinadora Fundadora (LIGHT SESA) do plano de previdência privada complementar em benefício de seus empregados. Os empregados da LIGHT SESA certamente contribuíram para a geração dos resultados desta pessoa jurídica, enquanto que para a Light Energia essa despesa deve ser classificada como desnecessária, pois nenhum vínculo trabalhista possuía com os empregados da LIGHT SESA e, portanto, em nada contribuíram para prestação dos seus serviços e, consequentemente, para gerir os seus negócios. No caso das entidades fechadas de previdência complementar, como a BRASLIGHT, a adesão somente ocorre para aqueles que têm vínculo empregatício com a empresa que patrocina o fundo. (GRIFOS DO ORIGINAL) GLOSA DE PROVISÕES INDEDUTÍVEIS CONTA 6350411102 – ADM CENTRAL – ENC DÍVIDAS – MOEDA NACIONAL – JUROS MATÉRIA TRIBUTÁVEL: R$ 6.053.920,46 CONTA 6130370000 – COMPENSAÇÃO FINANCEIRA POR UTILIZAÇÃO DE RECURSOS HÍDRICOS MATÉRIA TRIBUTÁVEL: R$ 2.307.926,38 CONTA 6130422000 – ENCARGOS DE USO DA REDE BÁSICA MATÉRIA TRIBUTÁVEL: R$ 2.409.486,12 CONTA 6130426000 – ENCARGOS DE USO DE SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO CUSD Fl. 753DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16682.720133/201175 Acórdão n.º 130200.793 S1C3T2 Fl. 754 8 MATÉRIA TRIBUTÁVEL: R$ 4.205.460,00 A autoridade fiscal assim se pronunciou acerca dessa infração: O contribuinte não apresentou documentos hábeis coincidentes em datas e valores referentes às citadas provisões que comprovassem o pagamento destas provisões dentro do anocalendário de 2007. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL MATÉRIA TRIBUTÁVEL: R$ 771.422,72 A matéria relativa à compensação indevida de prejuízo fiscal encontrase fora do litígio, vez que não impugnada. Passo, pois, a apreciar os recursos interpostos. RECURSO DE OFÍCIO A autoridade julgadora de primeira instância excluiu de tributação as seguintes matérias apuradas pela Fiscalização: 1. Provisão Indedutível – conta 6130370000 – Compensação Financeira por Utilização de Recursos Hídricos (R$ 2.307.926,38); 2. Provisão Indedutível – conta 6130422000 – Encargos de Uso da Rede Básica (R$ 2.409.486,12); e 3. Provisão Indedutível – conta 6130426000 – Encargos de Uso de Sistema de Distribuição (R$ 4.205.460,00). Penso que o decidido em primeiro grau não mereça reparo. Observo, de início, que as glosas empreendidas pela autoridade autuante, nos casos objeto do recurso necessário, consubstanciouse quase que exclusivamente no fato de a conta investigada apontar para constituição provisão cuja dedutibilidade não encontra autorização na legislação do imposto de renda, isto é, não cuidou a referida autoridade de averiguar adequadamente o fato econômico propulsor do registro contábil auditado. Impróprio, também, o argumento de que “o contribuinte não apresentou documentos hábeis coincidentes em datas e valores referentes às citadas provisões que comprovassem o pagamento destas provisões dentro do anocalendário de 2007”, vez que, como é cediço, tratandose de ano calendário em que a apuração do imposto se deu com base no lucro real, o regime de escrituração a ser observado é o de COMPETÊNCIA, em que, no caso de registro de despesas, o elemento autorizador do seu cômputo no resultado é o fato de ela ter sido incorrida, sendo irrelevante se foi paga ou não. Destaca a decisão recorrida que, não obstante a contabilidade da contribuinte apresentar registro das “provisões” em questão no período de janeiro a dezembro do ano auditado (2007), o lançamento tributário limitouse aos valores correspondentes aos meses de novembro e dezembro de 2007. Fl. 754DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16682.720133/201175 Acórdão n.º 130200.793 S1C3T2 Fl. 755 9 Fortalecem o decidido em primeira instância, ainda, as constatações a seguir descritas. Relativamente aos gastos decorrentes da utilização de recursos hídricos: o dispêndio decorre de imposição legal (Lei nº 7.990, de 1989); o cálculo da compensação financeira tomou por base RESOLUÇÃO da ANEEL, aportada aos autos pela fiscalizada; em razão da utilização de recursos hídricos, a contribuinte está submetida ao encargo previsto na lei; a documentação da ANEEL relativa ao pagamento feito pela contribuinte, devidamente juntada aos autos, comprova que os totais ali indicados correspondem aos que foram registrados contabilmente. Relativamente ao encargo decorrente do uso da rede básica: a exemplo do item anterior, o encargo encontrase previsto em Resolução da ANEEL (Resolução nº 205, de 2005) que estabelece condições gerais para operação de instalações de distribuição de energia elétrica; os encargos decorrentes do uso da rede básica constam de Resolução da ANEEL, competindo ao Operador Nacional do Sistema Elétrico calcular o montante mensal; a contribuinte aportou aos autos as notas fiscais comprobatórias dos dispêndios. Relativamente ao encargo decorrente do uso do sistema de distribuição: a contribuinte aportou aos autos comprovação contábil e documental (notas fiscais) dos gastos incorridos; a obrigação encontrase respaldada em CONTRATO DE USO DO SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO firmado com a LIGHT SERVIÇOS DE ELETRICIDADE S/A, que, por sua vez, decorre de Resolução da ANEEL (Resolução nº 281, de 1999). Pelo exposto, sou por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Diante das exclusões promovidas em primeira instância e agora ratificadas, remanesceram as seguintes matérias: 1. glosa de variação monetária e juros (BRASLIGHT) R$ 2.110.923,64; 2. glosa de provisão – conta 6350411102 – Adm Central – Enc Dívidas – Moeda Nacional – Juros R$ 6.053.920,46 A manutenção da exigência por parte da Turma Julgadora de primeiro grau foi fundamentada, em síntese, nos seguintes elementos: Fl. 755DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16682.720133/201175 Acórdão n.º 130200.793 S1C3T2 Fl. 756 10 PASSIVO BRASLIGHT a fiscalizada, por força de TERMO DE AJUSTES DE OBRIGAÇÃO, passou a participar do passivo da BRASLIGHT, administradora de planos de benefícios previdenciários, patrocinada pela então LIGHT S/A (privatizada em 1996); a dívida assumida pela fiscalizada, conforme assinalado no Termo de Constatação Fiscal, era da empresa LIGHT SERVIÇOS DE ELETRICIDADE S/A (LIGHT SESA); a dívida assumida, portanto, decorreu de vínculo formado entre a LIGHT SESA e seus empregados; os empregados da LIGHT SESA em nada contribuíram para a geração da renda auferida pela fiscalizada, motivo pelo qual as despesas financeiras com o passivo da BRASLIGHT não podem ser enquadradas como necessárias, usuais e normais; os acordos firmados entre pessoas jurídicas integrantes do mesmo Grupo econômico dos quais decorrem efeitos tributários não podem ser opostos ao Fisco; a dívida assumida não guarda qualquer relação com o objeto da fiscalizada (geração e transmissão de energia elétrica); a fiscalizada é figura estranha na relação jurídica estabelecida entre a LIGHT SESA e os beneficiários do plano (nas entidades fechadas de previdência complementar a adesão só é permitida aos que têm vínculo empregatício com a empresa patrocinadora do Fundo); a lei que dispôs sobre o processo de desverticalização também não pode ser oposta aos requisitos de dedutibilidade estabelecidos em lei de natureza tributária; a lei que dispôs sobre o processo de desverticalização das atividades das concessionárias de serviços públicos que atuavam no setor de energia elétrica nada estabeleceu sobre a dedutibilidade das despesas em questão. PROVISÃO – ADM CENTRAL – ENC DÍVIDAS – MOEDA NACIONAL – JUROS segundo o Termo de Constatação Fiscal, a conta em referência foi utilizada exclusivamente para registrar fatos decorrentes da determinação da ANEEL (passivos transferidos), por força da Lei nº 10.848, de 2004; nos termos da legislação de regência, somente as provisões expressamente apontadas pela lei podem ser deduzidas na determinação do lucro real; os encargos em questão não guardam relação com a utilização ou distribuição de energia elétrica; apesar de a fiscalizada alegar que os dispêndios, não obstante terem sido registrados como PROVISÕES, se referem a despesas passíveis de dedução, nada traz para comprovar tal alegação. Fl. 756DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16682.720133/201175 Acórdão n.º 130200.793 S1C3T2 Fl. 757 11 Penso não ser digno de reparo o decidido em primeira instância. A Recorrente, relativamente ao denominado PASSIVO BRASLIGHT, traz considerações diversas acerca do processo de segregação de atividades (“desverticalização”) decorrente da privatização da LIGHT S/A. Nessa linha, esclarece que: i) submeteu à Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL plano de reestruturação societária; e ii) foi editada a Resolução Autorizativa ANEEL nº 307/2005. Os fragmentos da Resolução Autorizativa ANEEL nº 307/2005 reproduzidos pela Recorrente na peça recursal, não obstante a observação de que “pertine à matéria objeto do auto de infração em análise”, diz respeito, tão somente, à: segregação das atividades; segregação de participações societárias; e criação de uma sociedade holding. Alega a Recorrente que “absolutamente por nenhuma razão além da obediência às imposições supra, a LIGHT SESA submeteu à ANEEL a Proposta de Assunção Imperfeita da Dívida (doc. 02 que instruiu a impugnação) através da qual a Recorrente assumiria obrigações daquela, com o fim precípuo de livrála de qualquer passivo não relacionado aos serviços de distribuição de energia”. Ainda que se possa admitir uma interpretação deveras estreita das imposições decorrentes do processo de desverticalização, creio que sejam oportunas algumas observações. Em primeiro lugar, as obrigações relacionadas aos planos de benefícios dos empregados da LIGHT SESA (BRASLIGHT) foram transferidas para a Recorrente sem que exista comprovação de que isso decorreu de imposição normativa ou legal feita de forma expressa, vez que, como alegado, derivou de iniciativa da parte envolvida (LIGHT SESA); em segundo, ainda que assim não fosse, isto é, se efetivamente pretendeuse livrar a LIGHT SESA de qualquer passivo não relacionado aos serviços de distribuição de energia, teria sido conveniente, também, terse atentado para os efeitos tributários decorrentes de tal medida, visto que à luz da legislação de regência, ressalvada a hipótese de lei especial autorizadora, aquele que suporta ônus alheio não pode se beneficiar da dedução da despesa correspondente. Os argumentos expendidos pela Recorrente deixam fora de dúvida de que, sob o manto da chamada desverticalização, foram efetuados acordos (instrumentos particulares de contrato para refinanciamento de déficit técnico) que, ainda que justificáveis no âmbito do processo de segregação de atividades, não podem violar preceito tributário relacionado às condições de dedutibilidade de despesas. Descabidos, nesse contexto, os argumentos de que a assunção das dívidas contraídas pela LIGHT SESA junto à BRASLIGHT decorreu de obrigação legal ou normativa. A meu ver, a admissibilidade da dedução requerida pela Recorrente dependeria de circunstância não retratada nos autos, qual seja, a de que, em razão de um processo de redistribuição de empregados e considerados os efeitos decorrentes de cálculos atuariais, as resultantes do processo de desverticalização deveriam, na proporção da citada redistribuição de empregados, assumir o passivo do Fundo de Benefícios. No que diz respeito aos registros efetuados na conta 6350411102 (Adm Central – Enc Dívidas – Moeda Nacional – Juros), alega a Recorrente que, aqui, não se trata de provisão, mas, sim, de “despesas com natureza de contas a pagar”, o que, para ela, basta à reforma da decisão recorrida. Fl. 757DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16682.720133/201175 Acórdão n.º 130200.793 S1C3T2 Fl. 758 12 Com a devida permissão, a simples alegação de que não se está diante de provisão, mas, sim, de despesa incorrida, não é suficiente para elidir o feito fiscal. No caso, é necessário que sejam aportados aos autos documentos que possibilitem identificar a natureza da obrigação, seja para se certificar de que o dispêndio correspondente já poderia ter sido apropriado no resultado, seja para aferir se a sua dedução na apuração da base de cálculo do imposto encontrava lastro na legislação de regência. No mais, a Recorrente tece considerações acerca da prevalência da essência em relação à forma; do fato de a designação imprópria de “provisão” não impedir a dedução da despesa; e do reconhecimento de despesas e receitas, na sistemática do lucro real, pelo regime de competência. Vêse, pois, que apesar da Recorrente afirmar que, “dada a absoluta indispensabilidade das despesas incorridas..., deve ser dado provimento ao presente recurso”, noto, em convergência com o destacado pela Turma Julgadora de primeira instância, que ela não colacionou aos autos comprovação do que afirma, isto é, não trouxe documentos (ou mesmo argumentos) capazes de demonstrar que, apesar de registradas como PROVISÕES, os desembolsos efetivamente representam despesas incorridas. Assim, considerado todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto. Sala das Sessões, em 24 de novembro de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 758DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002819/2003-38
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Exercícios: 2002 a 2005
Ementa: Multa por atraso na entrega de DCTF referente a período de
apuração anterior à vigência da Lei nº 10.426, de 2002, é devida com fundamento nos dispositivos legais vigentes à época. Aplica-se
retroativamente a lei em razão da imposição de penalidade mais benéfica
Numero da decisão: 9101-000.862
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DIRO RADIOLOGIA S/C LTDA Assunto: Obrigações Acessórias Exercícios: 2002 a 2005 Ementa: Multa por atraso na entrega de DCTF referente a período de apuração anterior à vigência da Lei nº 10.426, de 2002, é devida com fundamento nos dispositivos legais vigentes à época. Aplicase retroativamente a lei em razão da imposição de penalidade mais benéfica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Caio Marcos Cândido Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karen Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 30131967, prolatado pela antiga Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, o qual, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: DCTF. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA. A LEI 10426 de 24/04/2002 só pode irradiar efeitos para os fatos ocorridos após a sua vigência. Se os fatos imputados são anteriores à lei não é aplicável a multa imposta. RECURSO A QUE SE DÁ PROVIMENTO, PARA ANULAR O AUTO DE INFRAÇÃO. O Auto de Infração eletrônico (fls. 8) foi lavrado para cobrança de multa referente ao atraso na entrega de DCTF dos quatro trimestres de 1999, entregues efetivamente em 14.08.2001, lançadas pelo seu valor mínimo de R$ 500,00 (quinhentos reais), cada. No recurso voluntário, o contribuinte alegou que não poderia ter sido aplicada a Lei nº 10.426, de 2002, tampouco a IN SRF nº 255, de 2002, pois não eram vigentes à época dos fatos, que o fiscal não fez os cálculos pela ORTN nem reduziu a multa em 50% (cinquenta por cento), e que a fundamentação legal do auto era incompleta. Alegou, ainda, a caracterização de denúncia espontânea, com fundamento no art. 138 do Código Tributário Nacional. A Câmara a quo deixou de apreciar tal questão para reconhecer, preliminarmente, a nulidade do auto de infração por falta de fundamento legal. Inconformada, a Fazenda Nacional, interpôs o presente recurso especial de divergência quanto ao entendimento acerca da existência de previsão legal para a aplicação da multa pelo atraso na entrega da DCTF, no período anterior à vigência da Lei nº 10.426/02. Apresenta paradigmas que decidiram pela manutenção da exigência da multa por atraso na entrega de DCTF, em razão de ter sido lançada conforme o disposto na legislação de regência. No mérito, sustenta que a aplicação da multa em tela tem previsão em outros diplomas legais anteriores à referida lei. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10882.002819/200338 Acórdão n.º 910100862 CSRFT1 Fl. 2 3 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, relatora Presentes os pressupostos recursais, o recurso é de ser conhecido. A discussão preliminar cingese à validade ou não do auto de infração de imposição de multa por atraso na entrega de DCTF, tendo a decisão guerreada reconhecido sua nulidade por falta de fundamentação legal. O distinto relator do acórdão recorrido adotou as mesmas razões de decidir de outro acórdão prolatado pela mesma câmara no recurso nº 129.199, da lavra da ilustre conselheira Susy Gomes Hoffmann. Peço vênia para transcrever o trecho do voto do acórdão mencionado, transcrito no acórdão ora recorrido, que bem esclarece as razões para anular o lançamento, in verbis: No presente caso, os prazos para as entregas das declarações ocorreram todos antes da entrada em vigor da Lei 10.426 de 24/04/2002, de tal modo que a referida lei não poderia ser aplicada a tais fatos. A citada lei somente pode ser aplicada, irradiando os seus efeitos, para as declarações que deveriam ser apresentadas a partir de 24/04/2002. Esse entendimento, contudo, foi superado logo em seguida na própria câmara recorrida, visto não representar o entendimento mais adequado, como se demonstrará. Vencido o prazo de entrega da DCTF, o contribuinte sujeitase às sanções previstas na legislação tributária. Foram citados como fundamentos do auto de infração eletrônico os seguintes dispositivos: arts. 113, §3º e 160 da Lei nº 5.172, de 25.10.66 (CTN); art. 11 do Decretolei nº 1.988, de 23.11.82, com a redação dada pelo art. 10 do Decretolei nº 2.065, de 26.10.83; art. 30 da Lei nº 9.249, de 25.12.95; art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 18, de 24.12.2000; art. 7º da Lei nº 10.426, de 24.04.02 e art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 255, de 11.12.2002. A obrigação acessória de apresentar DCTF convertese em principal pela imposição de multa devida pelo atraso na entrega, consoante a regra emanada do §3º do art. 113 do CTN. Sobre a imposição da multa por atraso, assim dispõe o Decretolei nº 1.968, de 23.11.1982, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.065, de 1983: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 4 Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mês calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 4º Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex officio, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). (grifouse) No mesmo sentido dispõe o Decretolei nº 2.124, de 13.06.1984, litteris: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. (...) § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. A conversão do valor da multa em ORTN para a moeda atual obedeceu aos dispositivos legais destinados a esse fim, os quais são referidos, de forma sistematizada, pelo Decreto nº 3000, de 26.03.99, que aprovou o atual Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, abaixo transcritos: Art.933.O Ministro de Estado da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas ao imposto (DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 5º). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10882.002819/200338 Acórdão n.º 910100862 CSRFT1 Fl. 3 5 (...) §3ºSem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória de que trata esta Seção sujeitará o infrator às multas previstas no art. 966 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 5º, §3º). (...) Art.966. No caso de que trata o art. 929, serão aplicadas as seguintes multas (DecretoLei nº 1.968, de 1982, art. 11, §§2º e 3º, DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 10, DecretoLei nº 2.287, de 1986, art. 11, DecretoLei nº 2.323, de 1987, arts. 5º e 6º, Lei nº 7.799, de 1989, art. 66, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso I, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30): I de cinco reais e setenta e três centavos para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários ou outros meios de informações padronizados, entregues em cada período determinado; II de cinqüenta e sete reais e trinta e quatro centavos ao mês calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no inciso anterior, se o formulário ou outro meio de informação padronizado, for apresentado após o período determinado. Parágrafo único.Apresentado o formulário ou a informação padronizada, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade (DecretoLei nº 1.968, de 1982, art. 11, §4º, e Decreto Lei nº 2.065, de 1983, art. 10). Posteriormente, a Lei nº 10.426, de 2002, alterou a sistemática de apuração da multa devida pelo atraso na entrega de declarações, assim dispondo, em sua redação original: Art.7oO sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 6 Ide dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; IIde dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; IIIde R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. §1ºPara efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e II do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: Ià metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; IIa setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) IR$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (grifouse) No presente caso, a referida lei foi aplicada retroativamente, de modo escorreito, por atribuir penalidade mais benigna, consoante o disposto no art. 106, inciso II, alínea c, do CTN, visto que a multa devida seria de R$ 57,34 (cinquenta e sete reais e trinta e quatro centavos) por cada mês ou fração de mês de atraso, mas lançouse a multa mínima de R$ 500,00 (quinhentos reais). Cabe ainda referir que, no uso da competência delegada pelo Ministro da Fazenda, o Secretário da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF nº 126, de 30.10.98, vigente à época dos fatos, a qual dispôs: Art. 2º A partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. (...) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10882.002819/200338 Acórdão n.º 910100862 CSRFT1 Fl. 4 7 § 2º A declaração, gerada pelo programa DCTF 1.0. deverá ser apresentada à Secretaria da Receita Federal SRF, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores, observado o seguinte: (Redação dada pela IN SRF nº 83/99, de 12 de julho de 1999) (...) Art. 6º A falta de entrega da DCTF ou a sua entrega após os prazos referidos no art. 2º, sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento da multa correspondente a cinqüenta e sete reais e trinta e quatro centavos, por mêscalendário ou fração de atraso, tendo como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega (Decretolei nº 1.968, de 1982, art. 11, §§ 2º e 3º, com as modificações do Decretolei nº 2.065, de 1983, art. 10; Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso I; da Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Posteriormente, a Instrução Normativa SRF nº 255, de 11.12.2002, revogou aquela, dispondo no seguinte sentido: Art. 5º A DCTF deverá ser apresentada até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores, sendo transmitida via Internet, na forma determinada pela Secretaria da Receita Federal. (...) Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar a DCTF nos prazos fixados ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 8 § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I em cinqüenta por cento, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II em vinte e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (...) § 9º As multas de que trata este artigo serão exigidas de ofício.(grifouse) Diante disso, todos os dispositivos legais acima expostos confirmam a legalidade da multa aplicada, ao contrário do entendimento firmado na decisão recorrida. Ultrapassada a questão preliminar suscitada na câmara a quo, pela qual fora fulminado o lançamento, restaria a este colegiado superior devolver os autos àquela câmara para enfrentamento do mérito recursal, sob pena de supressão de instância. Todavia, no presente caso, por economia processual e dado o formalismo moderado que inspira o processo administrativo fiscal, deixo de fazêlo, em razão de se tratar o objeto do recurso de matéria sumulada recentemente no âmbito do CARF. Eis o teor da Súmula Carf nº 49: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10882.002819/200338 Acórdão n.º 910100862 CSRFT1 Fl. 5 9 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
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Numero do processo: 10735.001807/2004-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1999
NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 64, inciso II, e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado
naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a
divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré-questionamento a respeito do tema.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.718
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalháes de Oliveira
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RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 64, inciso II, e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do préquestionamento a respeito do tema. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 14/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente substituto), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório MINERAÇÕES BRASILEIRAS REUNIDAS S/A, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 19/07/2004, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 1999, incidente sobre o imóvel rural denominado “Sítio Raposa e Costeira” localizado no município de Mangaratiba/RJ, cadastrado na RFB sob o nº 17030951, conforme peça inaugural do feito, às fls. 17/20, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário a então Terceira Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Recife/PE, Acórdão nº 1119.037/2007, às fls. 86/97, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Turma Ordinária da 1a Câmara, em 19/06/2009, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 310200.397, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1999 ITR. DECADÊNCIA. Cientificado o contribuinte mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador do tributo nos casos de pagamento a menor, resta decaído o direito da Fazenda em constituir o crédito tributário, forte no § 4° do art. 150 do CTN. Recurso Voluntário Provido.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 165/172, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10735.001807/200461 Acórdão n.º 920201.718 CSRFT2 Fl. 2 3 procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 10707.968, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, corroborada pelo entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, determina que a aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4º, do CTN, pressupõe a antecipação de pagamento, ainda que parcialmente. Contrapõese ao decisum guerreado, aduzindo para tanto inexistir nos autos do presente processo comprovantes de recolhimentos do tributo em comento, fato que não poderá ser presumido, por ser temerária aludida conclusão, sobretudo em face da possibilidade de causar prejuízo considerável ao erário. Em defesa de sua pretensão, infere que adotandose o artigo 173, inciso I, do CTN, o prazo decadencial começaria a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento, o que afastaria a pretensa decadência acolhida pela Câmara recorrida. Na hipótese dos autos, constituído o crédito tributário em 19/07/2004, dentro do prazo decadencial inserido no artigo 173, inciso I, do CTN, não há se falar em decadência da exigência fiscal, especialmente por não ter havido antecipação do pagamento, mediante lançamento por homologação. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre então Presidente da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito da mesma matéria, conforme Despacho nº 21010121/2010, às fls. 191. Instada se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 208/215, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, ressaltando a existência de antecipação de pagamento. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Com a devida vênia ao ilustre Presidente da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, ouso divergir do despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda, por não vislumbrar na hipótese vertente requisito regimental amparando a pretensão da recorrente, não merecendo ser conhecida sua peça recursal, como passaremos a demonstrar. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a jurisprudência deste Colegiado, traduzida no Acórdão nº 10707.968, ora adotado como paradigma, e, bem assim, do Superior Tribunal de Justiça a propósito da matéria, a qual exige a existência de recolhimentos, ou seja, a antecipação de pagamento, para que se aplique o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo sejam levados a efeito os ditames do artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Em defesa de seu pleito, sustenta que inexistindo autolançamento do autuado, com a respectiva antecipação de pagamento, não há o que se homologar, afastando a aplicação do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário. Consoante se positiva do exame dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para o Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, após passar a ser tributo sujeito à modalidade do lançamento por homologação, com a edição da Lei n° 9.393/1996, limitouse a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que os tributos sujeitos ao lançamento por homologação devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, adotando a tese que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma do entendimento daquele Tribunal Superior, manifestado nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10735.001807/200461 Acórdão n.º 920201.718 CSRFT2 Fl. 3 5 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 6 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação à antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento para tais tributos, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. No caso vertente, sustenta a nobre Procuradora subscritora da peça recursal que a Câmara recorrida achou por bem acolher o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4°, do CTN, inobstante inexistir nos autos comprovante de antecipação de pagamento, o que malfere a jurisprudência do CARF e, bem assim, do STJ, exarado nos autos de Recurso Repetitivo, o qual estamos obrigados a seguir. Olvidouse, porém, a Procuradoria que na hipótese dos autos, a contribuinte trouxe à colação documentos comprobatórios da existência da antecipação de pagamento, o que fora levado a efeito pela Câmara recorrida, ao contrário do que pretende fazer crer a Fazenda Nacional. Com efeito, a simples leitura da Declaração do ITR de fls. 02/03, associada à própria ementa e razões de decidir constantes do bojo do Acórdão recorrido, nos conduz à conclusão que a Câmara guerreada adotou exatamente o entendimento da Procuradoria ao rechaçar a pretensão fiscal, senão vejamos: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1999 ITR. DECADÊNCIA. Cientificado o contribuinte mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador do tributo nos casos de pagamento a menor, resta decaído o direito da Fazenda em constituir o crédito tributário, forte no § 4° do art. 150 do CTN. Recurso Voluntário Provido.” (grifamos) Como se observa, foi exatamente a existência de pagamento a menor, ou seja, diferença de tributo, que levou o ilustre Conselheiro redator designado do decisum atacado, a adotar o prazo decadencial de 05 (cinco) anos contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN. Assim, inobstante as alegações da recorrente, compartilhadas pelo ilustre Presidente subscritor do Despacho que admitiu a peça recursal, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da análise dos elementos que instruem o processo, constatase que a Fazenda Nacional não logrou comprovar a divergência suscitada na forma que os dispositivos regimentais prescrevem, in verbis: “Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10735.001807/200461 Acórdão n.º 920201.718 CSRFT2 Fl. 4 7 I Embargos de Declaração; e II Recurso Especial. Parágrafo único. Das decisões dos colegiados não cabe pedido de reconsideração. [...] Do Recurso Especial Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5º Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8º Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 8 integralidade e com identificação da fonte de onde foram copiadas. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado.” (grifamos) Como se verifica, a Procuradoria ao formular seu Recurso Especial utilizou como fundamento à sua empreitada os dispositivos encimados, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, sem conquanto demonstrar a divergência entre a tese sustentada no Acórdão atacado e outras decisões das demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou CSRF, capaz de ensejar a reforma do r. decisório da Câmara recorrida. Isto porque, o Acórdão utilizado como paradigma para efeito da comprovação da divergência arguida, em verdade, corrobora o decisum recorrido, uma vez que a contribuinte comprovou mediante documentação hábil e idônea a ocorrência da antecipação de pagamento, como acima demonstrado. Melhor elucidando, o decisório paradigma, no entender da Procuradoria, exige a existência de recolhimentos para efeito de aplicação do artigo 150, § 4°, do CTN, oferecendo, portanto, guarida ao caso em comento, tendo em vista que fora exatamente em razão da antecipação de pagamento que a Câmara recorrida adotou a decadência do dispositivo legal retro, não havendo se falar em divergência, mas, sim, em convergência entre os Acórdãos confrontados. Não bastasse isso, o que por si só seria capaz de afastar a pretensão da Fazenda Nacional, mister destacar que a ilustre Procuradora subscritora do Recurso Especial de Divergência partiu de premissa equivocada ao formular seu pleito. Com efeito, ao contrário do sustentado no seu recurso, o entendimento esposado no bojo do voto condutor do Acórdão paradigma não contempla a questão de antecipação de pagamento para fins da contagem decadencial. Em verdade, o que o nobre Conselheiro Relator daquele decisum infere é que o simples lançamento de ofício, realizado quando o lançamento por homologação é procedido em desconformidade com a legislação de regência, enseja a adoção do prazo decadencial inserido no artigo 173, inciso I, do CTN. Destarte, em momento algum se trata no Acórdão paradigma da existência ou não de antecipação de pagamento, mas, sim, se o autolançamento teria sido realizado em observância as normas legais e, caso contrário, se aplicaria o artigo 173, inciso I, do CTN. Mais a mais, ainda que pretendesse admitir que o Acórdão paradigma contemplou a discussão a respeito da necessidade da antecipação de pagamento para adoção do prazo decadencial, impende esclarecer que não fora a tese aventada pela Procuradoria que prevaleceu naquela decisão. É o que se extrai do excerto daquele decisório, às fls. 185 – 13 do voto, abaixo transcrito: “[...] Entretanto, reconheçase, não ser esse o posicionamento majoritário da Câmara que integro, a qual só admite o agasalho do inciso I, art. 173 do CTN no caso tipificado como dolo, frande ou simulação. Dessa forma, com as ressalvas já decantadas, aliome às conclusões da maioria dos meus pares. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10735.001807/200461 Acórdão n.º 920201.718 CSRFT2 Fl. 5 9 Preliminar que se acolhe. [...]” (grifamos) Melhor explicitando, no Acórdão adotado como paradigma, após ressalvar seu entendimento pessoal, o r. Relator se quedou ao posicionamento majoritário da Câmara, no sentido de que o prazo decadencial do artigo 173, inciso I, do CTN só se aplicaria nos casos de dolo, fraude ou simulação. Diante de aludidas constatações, seja em virtude do Acórdão paradigma não contemplar e adotar a tese da necessidade de antecipação de pagamento para fins da contagem do prazo decadencial, seja em razão de a conclusão ser totalmente contrária às alegações da Procuradoria, não se pode cogitar em conhecer a peça recursal por absoluta falta de comprovação da divergência suscitada. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 2a Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado, mormente em relação os requisitos de admissibilidade de seu recurso. Por todo o exposto, estando o Recurso Especial da Fazenda Nacional em dissonância com as normas regimentais que tratam da matéria, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECÊLO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.021828/2008-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2006
INTEMPESTIVIDADE.
A apresentação do recurso voluntário depois de transcorrido o prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72 resulta no não conhecimento da peça da defesa.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2301-002.267
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não
conhecer do Recurso, devido à sua intempestividade, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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Numero do processo: 11522.002256/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003, 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. SÚMULA N.º 29 DO CARF.
É nulo o lançamento por omissão de receitas com base em depósitos
bancários de origem não comprovada quando não tenha sido precedido da regular intimação a todos os cotitulares das contas bancárias mantidas em conjunto, para o fim de comprovar a origem dos depósitos nelas efetuados.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2101-001.293
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Gonçalo Bonet Allage, que entenderam que a
Súmula CARF n.° 29 não se aplica ao caso de cotitulares
que declaram em conjunto.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. SÚMULA N.º 29 DO CARF. É nulo o lançamento por omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada quando não tenha sido precedido da regular intimação a todos os cotitulares das contas bancárias mantidas em conjunto, para o fim de comprovar a origem dos depósitos nelas efetuados. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1791; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 27 1 26 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11522.002256/200763 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210101.293 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2011 Matéria IRPF Imposto sobre a Renda de Pessoa Física Recorrente Maria Justino Alves Reis Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. SÚMULA N.º 29 DO CARF. É nulo o lançamento por omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada quando não tenha sido precedido da regular intimação a todos os cotitulares das contas bancárias mantidas em conjunto, para o fim de comprovar a origem dos depósitos nelas efetuados. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Gonçalo Bonet Allage, que entenderam que a Súmula CARF n.° 29 não se aplica ao caso de cotitulares que declaram em conjunto. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) __________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora Fl. 367DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, José Evande Carvalho Araújo, Gonçalo Bonet Allage e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ausente, justificadamente, o conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. Relatório Em desfavor de MARIA JUSTINO ALVES REIS foi emitido o Auto de Infração às fls. 191 a 193, no qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) suplementar correspondente aos anoscalendário de 2002 e 2003 (exercícios 2003 e 2004), no valor total de R$ 37.721,48 (trinta e sete mil, setecentos e vinte e um reais e quarenta e oito centavos) que, acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 30 de março de 2007, perfaz um crédito tributário total de R$ 88.350,33 (oitenta e oito mil, trezentos e cinqüenta reais e trinta e três centavos). De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 197), o procedimento fiscal constante do presente processo originouse de uma determinação da Superintendência da 2.ª Região Fiscal, na qual se destacava como principal interessada a Corregedoria Geral da Receita Federal do Brasil — COGER. A infração apontada pela Fiscalização encontrase relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 192. Foi apurada omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito, mantidas em instituições financeiras, nos valores abaixo, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, supostamente não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem correspondente, conforme o art. 42, parágrafos 1.º, 2.° e 3.°, da Lei n.º 9.430, de 1996, convalidado pelo art. 4° da Lei n.º 9.481, de 1997 (Enquadramento legal: art. 849 do RIR/99; art. 1° da Medida Provisória n ° 22, de 2002, convertida na Lei n° 10.451, de 2002). Fato Gerador Valor Tributável Multa (%) 31/05/2002 R$ 15.521,29 75 31/07/2002 R$ 43.717,96 75 30/11/2002 R$ 20.991,64 75 28/02/2003 R$ 13.866,46 75 30/06/2003 R$ 16.275,55 75 31/07/2003 R$ 13.960,93 75 30/11/2003 R$ 46.700,00 75 Em 19 de novembro de 2007 foi apresentada Impugnação (fls. 211 a 215), na qual, citando decisões administrativas, a contribuinte alega: Fl. 368DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 11522.002256/200763 Acórdão n.º 210101.293 S2C1T1 Fl. 28 3 a) possuir área de terra rural onde efetua a cultura de gado para corte, de onde retira o sustento de sua família; b) não emitir nota fiscal do produtor, não por máfé, mas por falta de orientação e fiscalização por parte da Secretaria da Receita Federal junto aos frigoríficos, fato este comprovável por meio de documentos tais como relatórios dos frigoríficos, romaneios e GTA (Guias de Transporte Animal); c) que todo o montante depositado em contas bancárias, sua e de seu cônjuge, foi efetuado pelos frigoríficos: Novo Milênio, Frisacre, Friboi, Frigoboi, Frigomard, Frigorifico Margem e Frigovale/Frigorifico Rio Branco, conforme comprovantes bancários que mostram depósitos destes estabelecimentos comerciais em suas contas, em especial pelo Frigorifico Novo Milênio, fato esse reconhecido pela autoridade fiscal quando diz dos indícios de Atividade Rural; d) que a autoridade lançadora intimou o Frigorifico Novo Milênio, várias vezes, por via postal, para comprovação documental da venda de bovinos e fez diligência no endereço cadastral, não obtendo êxito, porque tais instrumentos probatórios haviam sido apreendidos pela Justiça Federal. Todavia, a autoridade fiscal não teve a iniciativa de solicitar à Justiça Federal os referidos documentos. Solicita, ao final, seja descaracterizado o auto de infração por omissão de receita de depósito bancário não justificado; seja reconhecido o rendimento auferido como resultado da atividade rural para fins de considerar tão somente imposto sobre os 20% da Receita Bruta da Atividade Rural, uma vez esta reconhecida; seja solicitada junto à Justiça Federal a documentação referente ao Frigorífico Novo Milênio; seja diligenciado junto aos demais já citados anteriormente, conforme art. 16, IV, do Decreto n.º 70.235 de 1972; seja cancelado o débito fiscal. A 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém, em seu Acórdão n.º 0115.790, anexo aos presentes autos às fls. 270 a 282, julgou a Impugnação improcedente, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, autoriza Fl. 369DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 4 a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manterse passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente cientificada dessa decisão em 18 de janeiro de 2010 (fls. 289), a contribuinte ingressou, em 12 de fevereiro do mesmo ano, com Recurso Voluntário, no qual informa que, intimada para apresentar todos os seus extratos bancários dos anoscalendário de 2002 e 2003, juntamente com os comprovantes de todos os rendimentos auferidos neste período, apresentou (i) cópias microfilmadas dos extratos bancários da conta do Banco da Amazônia S/A dos anoscalendário 2002 e 2003, cujo titular é Willi João Reis; (ii) declaração do Banco da Amazônia acerca da mencionada conta; (iii) cópias de romaneios (documentos de controle de abate de gado); (iv) recibo de contribuição Fundepec, que comprova venda de gado para abate; (v) declaração do Frigorífico Rio Branco J.V. Pessoa; (vi) cópias de despesas da atividade rural, bem como outros documentos. Sustenta que os valores depositados nas referidas contas correspondem a rendimento decorrente da atividade rural (venda de gado para o abate), mas mesmo tendo apresentado livro caixa da atividade rural e todos os documentos, seu pedido para que os valores fiscalizados fossem submetidos à norma de tributação especifica (art. 42, §2°, da Lei .º 9.430, de 1996) foi julgado improcedente. Em sede de preliminar, argumenta que o processo fiscal está eivado de nulidade em decorrência de afronta aos princípios da ampla defesa e do contraditório, já que, conforme se verifica no teor de fls. 82, v.01, foi expedido termo de intimação fiscal ao Banco da Amazônia S/A para que este esclarecesse divergências encontradas entre a DCPMF e os valores de CPMF constantes do extrato bancário de 2002 da conta corrente de n.º 0110784, Agência n°.0124 junto àquela instituição financeira. Em resposta, a gerência executiva do mencionado banco informou que tal contacorrente apresentava como titular o Sr. Willi João Reis e não a Recorrente. (fls. 84, v. 01). Mesmo assim, a autoridade fiscal procedeu à intimação da Recorrente (fls. 87, v. 01), dando continuidade à ação fiscal, para que comprovasse a origem dos valores creditados/depositados na mencionada conta bancária bem como da ContaCorrente 404.1240, da Agência 39527, do Banco do Brasil. Citando a Súmula n.º 29 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pondera que, mesmo ciente de que a conta junto ao Banco da Amazônia não era da sua titularidade, a Autoridade Fiscal responsável pela instrução do processo em tela não procedeu à intimação do titular da conta, o Sr. Willi João Reis. No mérito, alega que: a) A movimentação bancária não corporifica fato gerador do Imposto de Renda, haja vista que depósito bancário não tipifica renda. Cita decisões administrativas e jurisprudência, Fl. 370DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 11522.002256/200763 Acórdão n.º 210101.293 S2C1T1 Fl. 29 5 além da Súmula 182 do extinto TFR. Propugna pela anulação do auto de infração, pois entende que a fiscalização não demonstrou que os depósitos representam efetivamente gastos suportados pela contribuinte. b) Não procede a aplicação de multa qualificada, haja vista não ter havido dolo ou intuito de fraude, a teor do que dispõem as Súmulas CARF n.º 14 e n.º 25. Pede seja descaracterizada/desprezada a aplicação da multa de oficio por ausência de conduta típica. c) A aplicação da presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, não observou os pressupostos mínimos necessários. Sustenta que, além de ter apresentado os Livros Caixa referentes à atividade rural desenvolvida pelo Sr. Willi João Reis, há evidências suficientes nos autos para que os valores sejam tributados como provenientes da atividade rural, tais como: • Resumos de Pesagem — fls. 46, 48, 49, 120 • Nota de Entrada de Gado n.º 4175 (Frigorífico Novo Milênio) — fls. 47 • Romaneio de Abate — fls. 50 • Recibo de Contribuição (FUNDEPEC) — fls. 52 • Cópias Microfilmadas dos Depósitos — fls. 99103 • Nota Fiscal Agropecuária — fls.143148, 124, 126, 127, 129, 142 • Guia de Trânsito Animal — fls. 256262, v.02 • Ficha de Propriedade — fls. 263267, v.02 d) Existem, no processo, atos passíveis de nulidade, tais como o desvio de sujeito passivo na relação processual, haja vista que, em inúmeros momentos o ônus de comprovar a origem dos valores e a atividade realizada recaiu sobre a Recorrente, a ponto de ter de apresentar Livro Caixa referente à atividade rural desenvolvida por outra pessoa, o que dificultou sua defesa (fls. 185, v.01). Requer, ao final: 1. A subida de todos os volumes dos autos do processo em análise para a Instância Superior, visto que os documentos comprobatórios já estão anexados aos autos, possibilitando melhor análise probatória; 2. Seja acolhida a preliminar de nulidade argüida e anulado o lançamento, cancelandose o débito fiscal reclamado; 3. Seja anulado o lançamento, pelo fato de a fiscalização não ter demonstrado que os depósitos representaram efetivamente gastos suportados pela Recorrente; 4. Caso não sejam acolhidos os pedidos anteriores, seja desqualificada/desconsiderada a multa de oficio aplicada em razão de ausência de provas da intenção especifica de fraude da Recorrente; Fl. 371DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 6 5. Seja considerado que os rendimentos auferidos são provenientes da atividade rural e, por conseguinte, submetidos à norma de tributação específica (art. 42, §2°, da Lei n.º 9.430/96). É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. A Recorrente alega, em sede de preliminar, a nulidade do processo administrativo fiscal por afronta aos princípios do contraditório e da ampla defesa. A razão de seu pedido fundamentase na tese que, mesmo a contacorrente de n.º 011.0784, Agência n°.0124, do Banco da Amazônia, tendo como titular o Sr. Willi João Reis, a autoridade fiscal procedeu à intimação da Recorrente. Tal procedimento, a seu ver, vai de encontro ao prescrito na Súmula n.º 29 do CARF. Quanto ao alegado, verificase que há duas contascorrentes em análise neste processo, em decorrência do suposto recebimento de depósitos de origem não comprovada, conforme apurado pela Fiscalização. São elas: a contacorrente n.º 011.0784, Agência n°.012 4, do Banco da Amazônia, apontada acima pela contribuinte, e também a contacorrente n.° 404.1240, junto à Agência 39527, do Banco do Brasil. Compulsandose os autos, constatase que ambas são contas conjuntas da Recorrente com Willi João Reis, conforme atestado pelas instituições bancárias (vide fls. 98 e 114). O caput do artigo 42 da Lei n.° 9.430, de 1996, prescreve constituirem omissão de receita ou rendimento os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ocorre que, quando as contas são mantidas em conjunto, a intimação a apenas um dos titulares não supre a imposição legal, pois a presunção de omissão de rendimentos baseada em depósitos bancários somente se consuma na circunstância em que o(s) titular(es), regularmente intimado(s), não comprova(m), com documentação hábil e idônea, a origem dos referidos créditos. É preciso, portanto, haver a intimação regular de todos os co titulares para que tenham a oportunidade de se manifestar. Na hipótese, temos que as contascorrentes são conjuntas da Recorrente e de seu cônjuge, Willi João Reis, ensejando a regular intimação dos dois para que tenham a oportunidade de comprovar a origem dos recursos, na fase que antecede a lavratura do Auto de Infração. Esse entendimento encontrase consolidado na Súmula CARF n.° 29, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos Fl. 372DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 11522.002256/200763 Acórdão n.º 210101.293 S2C1T1 Fl. 30 7 nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Não há nos autos evidência de qualquer intimação ao cônjuge da Recorrente, Willi João Reis, cotitular das contascorrentes do Banco do Brasil e do Banco da Amazônia, nas quais foram feitos os depósitos em que se baseou a Fiscalização para proceder ao lançamento constante deste processo, para que se manifestasse quanto à origem dos valores nelas depositados e que, supostamente não tinham origem comprovada. Por esse motivo, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, para declarar a nulidade do Auto de Infração, com base na Súmula CARF n.° 29. (assinado digitalmente) __________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 373DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.000937/00-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 13 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Dec 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1990
PAGAMENTO COM BASE NO ART. 17 DA LEI Nº 9.779/79. APLICABILIDADE.
A quitação de tributos com a dispensa de multa e juros de mora prevista no art. 17 da Lei nº 9.779/99 atinge as situações albergadas pela MP 18588, naquilo que estendeu o alcance do dispositivo em questão.
Numero da decisão: 9101-000.755
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - processos que ñ versem s/ exigência de cred.tribut(NT)
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 1990 Ementa: PAGAMENTO COM BASE NO ART. 17 DA LEI Nº 9.779/79. APLICABILIDADE. A quitação de tributos com a dispensa de multa e juros de mora prevista no art. 17 da Lei nº 9.779/99 atinge as situações albergadas pela MP 18588, naquilo que estendeu o alcance do dispositivo em questão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator. CAIO MARCOS CÂNDIDO – Presidente Substituto LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente à época do julgamento), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karen Jureidini Dias, Claudemir Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O Processo nº 10980.000937/0016 Acórdão n.º 9101000.755 CSRFT1 Fl. 2 2 Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho,Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Suzy Gomes Hoffman.Digite o nome dos conselheiros presentes à sessão. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O Processo nº 10980.000937/0016 Acórdão n.º 9101000.755 CSRFT1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente de requerimento do sujeito passivo para efetuar pagamentos da CSLL referentes ao anocalendário de 1990 sob as regras do art. 17, da Lei nº 9.779/99. O pedido foi apreciado em primeiro lugar pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba que indeferiu o pleito (fls.46/48) no entendimento de que o benefício não poderia ser utilizado em situações na quais transitou em julgado a ação judicial concernente ao débito a ser pago, nos termos estabelecidos na IN/SRF nº 26/99. Irresignada, a interessada apresentou impugnação (fls. 85/92, com documentos de fls. 93/100) sustentando que as alterações efetuadas no art. 17, da Lei nº 9.779/99 pela MP 1.858/899 ampliou o alcance das hipóteses abrangidas pela norma em comento. Dentre essa extensão, incluiuse quaisquer ações que tivessem sido ajuizadas até 31/12/1988, como é o caso. Afirmou ainda que não consta na legislação nenhuma restrição quanto ao trânsito em julgado da ação e um ato normativo interno não poderia estabelecer tal restrição. A Delegacia de Julgamento prolatou o Acórdão DRJ/CTA nº 263/2001 (fls. 120/128) mantendo o entendimento anteriormente exarado. Acrescentou que a Nota MF/SRF/Cosit/Coope nº 535 corroborou os termos da IN e ressaltou que, nos termos do art. 17, caput,c/c § 1º, I, e § 2º, I, da Lei nº 9.779/99, o benefício somente se aplicaria aos pagamentos referentes a fatos geradores posteriores à decisão do STF que declarou a constitucionalidade da exação, o que teria sido o caso. Em recurso voluntário (fls. 131/150, com documentos de fls. 155/205) a interessada reiterou as argumentações expedidas na peça impugnatória e reclamou que a análise da autoridade julgadora não levou em consideração as alterações na redação do art. 17, da Lei nº 9.779/99 feitas pela MP nº 1.8588/99. A antiga 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes prolatou o Acórdão 105 14.358 (fls. 207/215) dando integral provimento ao recurso. Corroborou o argumento do sujeito passivo no sentido de que análise da autoridade julgadora seguiu exclusivamente a ótica da Lei nº 9.779/99, sem considerar as alterações nela efetuadas e acrescentou que a jurisprudência do Conselho de Contribuintes está consolidada quanto à desnecessidade da aação judicial estar em curso. Contra essa decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 234/238) onde, apesar de admitir a inexistência de dispositivo vinculando o usufruto do benefício às situações em que a ação esteja em curso, sustenta que prevalece a restrição no que se refere à necessidade dos fatos geradores objetos dos pagamentos serem anteriores à decisão do STF que considerou constitucional a exigência da CSLL, com as exceções ali previstas. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O Processo nº 10980.000937/0016 Acórdão n.º 9101000.755 CSRFT1 Fl. 4 4 No juízo de admissibilidade , o Sr. Presidente da antiga 5ª Câmara do 1º CC prolatou o Despacho PRESI – 287/2005 (fls. 240/241) negando seguimento ao recurso por entender que não teria sido demonstrada a contrariedade à lei. Contra esse despacho a Fazenda Nacional interpôs agravo (fls. 242/252) cujo exame (fls. 284/286) implicou na reforma do despacho e admissão do recurso especial. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O Processo nº 10980.000937/0016 Acórdão n.º 9101000.755 CSRFT1 Fl. 5 5 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Relator Nas razões recursais, a Fazenda Nacional reconhece que a decisão recorrida manifestouse de acordo com o posicionamento da PGFN no que se refere à possibilidade de usufruto do benefício estabelecido no art. 17, da Lei nº 9.779/99. pelas empresas que tenham ajuizado ação até 31/12/1998, mesmo que a mencionada ação já tenha transitado em julgado naquela data. Isso porque as modificações trazidas ao dispositivo em questão pela MP nº 1.8588/99 estenderam o alcance da norma exonerativa a outras situações, inclusive àquelas mencionadas no parágrafo anterior, nos termos do inciso III, do § 1º, do art. 10, daquele artigo, nova redação. No entendimento da recorrente, mesmo superada essa questão, a interessada não poderia efetuar pagamentos sob a norma em comento em função dos fatos geradores abrangidos pelo pedido terem ocorrido anteriormente à decisão do STF que declarou a constitucionalidade da exigência da CSLL. A meu ver, o recurso não merece guarida. Em primeira apreciação, a Delegacia da Receita Federal em Curitiba prolatou despacho negando provimento ao pedido e manifestando como razão de decidir exclusivamente o fato da ação judicial ter transitado em julgado. Ora, a própria Fazenda Nacional reconheceu que tal fato não seria motivo para negar o usufruto do benefício. Assim, se o despacho tivesse sido proferido em sintonia com o entendimento da PGFN, o benefício não poderia ter sido negado naquele momento. A circunstância dos fatos geradores terem ocorrido antes do Acórdão do STF que declarou a constitucionalidade da exação, o que impediria o usufruto do benefício, só foi argüida pela Delegacia de Julgamento. Pareceme aqui estar caracterizada irregularidade insanável, pois não pode a autoridade administrativa trazer, a cada momento processual, um motivo diferente para negar o pleito do administrado. Tal procedimento viola frontalmente a segurança jurídica e o direito de defesa. Mesmo que fosse superada tal mácula, ainda assim não assistiria razão à Fazenda Nacional. O voto condutor da decisão recorrida manifestouse com precisão quanto ao fato da Delegacia de Julgamento ter analisado a questão sob a ótica do art. 17, da Lei nº 9.779/99, sem avaliar o impacto das modificações introduzidas pela MP nº 1.8588/99. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O Processo nº 10980.000937/0016 Acórdão n.º 9101000.755 CSRFT1 Fl. 6 6 Como já afirmado, a Fazenda Nacional reconheceu essa circunstância ao admitir que o trânsito em julgado da ação judicial não seria óbice ao deferimento do pleito, desde que o ajuizamento tenha ocorrido até 31/12/1998. Essa disposição foi trazida justamente pela MP nº1.8588/99. No entanto, a recorrente não levou em consideração outras modificações que também implicaram em extensão da norma exonerativa a situações antes não previstas. Uma delas estabelece que a abrangência atinge todos os fatos geradores alcançados pelo pedido concernente à ação judicial. Vejase o texto, já com as alterações sob exame (destaques acrescidos): Art. 17. Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal. § 1o O disposto neste artigo estendese: (......) III aos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União. § 2o O pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador: (.....) III alcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o. (......) Pelo exame das peças judiciais trazidas aos autos, não há dúvidas de que o anocalendário de 1990 estava incluído na ação judicial, até porque o pleito dirigiuse contra a exação como um todo, sem limitação a qualquer período. Assim, superada a questão do trânsito em julgado da ação judicial, pareceme clara a extensão da norma às ações formalizadas até 31/12/1998 e aos fatos geradores incluídos no pedido. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O Processo nº 10980.000937/0016 Acórdão n.º 9101000.755 CSRFT1 Fl. 7 7 Sala das Sessões, em 13 de dezembro de 2010 LEONARDO DE ANDRADE COUTO Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 10/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDID O
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Numero do processo: 10580.722185/2008-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de
setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos membros da magistratura local, as quais, no caso dos membros do ministério público federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do
art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos membros da magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.606
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos membros da magistratura local, as quais, no caso dos membros do ministério público federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos membros da magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Fl. 147DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 31/10/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte LUIZ FERNANDO DE SOUZA RAMOS, CPF/MF nº 003.368.23568, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 03/12/2008, auto de infração, com ciência postal em 11/12/2008, referente aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 94.724,89 MULTA DE OFÍCIO R$ 71.043,66 Ao contribuinte foi imputada uma reclassificação de rendimentos confessados em suas DIRPFs, nos anoscalendário 2004 a 2006, referentes às diferenças percebidas quando da conversão da URV, em 1994, pagas em 36 parcelas mensais a partir de janeiro de 2004, para as quais a Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003 havia asseverado que se tratava de verbas de natureza indenizatória. No entendimento da autoridade autuante, como a legislação estadual não poderia disciplinar as hipóteses de isenção do imposto de renda, e sendo tais diferenças verbas com caráter de acréscimo patrimonial, necessário reclassificar os rendimentos confessados pelo contribuinte como isentos, passandoos para rendimentos tributáveis, com incidência do imposto de renda. Compulsando os autos, vêse que as verbas recebidas a título de diferenças de URV foram informadas como rendimentos isentos ou não tributáveis pela fonte pagadora (Instituto Pedro Ribeiro de Administração Judiciária – IPRAJ). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, apontando as seguintes razões: a) o auto de infração seria nulo em razão da ilegitimidade ativa e da falta de interesse jurídico da Receita Federal do Brasil (RFB) para fiscalizar, administrar ou cobrar o imposto lançado. Pois, em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teria como destinatário o próprio Estado da Bahia; b) a própria Receita Federal entende que é ilegítima para figurar no pólo passivo de pedido de compensação vinculado a crédito tributário referente a IRRF retido pelos Estados, Distrito Federal e Municípios, por não ter a disponibilidade sobre os Fl. 148DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 210201.606 S2C1T2 Fl. 2 3 valores recolhidos. Assim, pelo mesmo motivo, concluise que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto; c) as diferenças pagas pelo Estado da Bahia decorrentes do erro na conversão da remuneração dos Magistrados de Cruzeiro Real para URV têm natureza jurídica indenizatória, conforme previsto nos arts. 4º e 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Portanto, tais rendimentos são isentos de imposto de renda; d) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro o caráter indenizatório de tais verbas, e da consequente não incidência do imposto de renda. Neste mesmo sentido estão a jurisprudência pátria, decisões do Conselho de Contribuintes, e a Solução de Consulta SRF nº 55 de 18 de abril de 2005; e) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros de mora, pois o contribuinte agiu de boa fé, seguindo informações constantes nos contracheques emitidos pela fonte pagadora. Além disso, o caráter indenizatório de tal verba estava previsto em lei, o que, também, afastaria de a aplicação de multa e juros, nos termos dos artigos 100 e 112 do CTN. Por se tratar de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do Despacho do Ministro da Fazenda S/N, de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, converteuse o julgamento em diligência, para que a exação lançada fosse adaptada aos ditames do referido Parecer. A autoridade que presidiu a diligência calculou o imposto como se as diferenças tivessem sido percebidas a partir de abril de 1994, informando, assim, o novo valor do imposto a ser cobrado. A 3ª Turma da DRJ/SDR, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1524.670, de 25 de agosto de 2010, que restou assim ementado: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 16/11/2010. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 19/11/2010. No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: Fl. 149DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 I. a União não detém legitimidade para cobrar imposto de renda incidente sobre valores pagos por ente público estadual, o qual deve ser recolhido aos cofres dos Estados, na forma do art. 157, I, da Constituição da República; II. é incabível a aplicação da multa de ofício sobre o imposto lançado, pois o contribuinte agiu de acordo com a Lei do Estado da Bahia nº 8.730/2003, que asseverou que os rendimentos controvertidos eram isentos do imposto de renda, sendo certo que o próprio Ministério da Fazenda, em resposta à consulta feita pela Presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, ratificou a inaplicabilidade da referida multa; III. há um equívoco na metodologia de apuração do imposto para o caso vertente, que deveria ter considerado as tabelas vigentes no ano em que a diferença de URV tivesse sido recebida, agregandoa aos demais rendimentos do contribuinte, o que não foi feito no presente caso; IV. a fiscalização utilizou como base de cálculo todo o valor percebido a título de diferença de URV (principal, correção monetária e juros de mora), quando é cediço na jurisprudência pátria que os juros de mora não estão submetidos ao campo de incidência do imposto de renda, por terem caráter indenizatório; V. a presente ação fiscal violou o Princípio Constitucional da Isonomia, pois os magistrados federais receberam a multicitada parcela indenizatória, e, na forma da Resolução STF nº 245/2002, não sofreram qualquer admoestação por parte da Administração Tributária Federal; VI. recentemente, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.187.109, entendeu pela aplicabilidade da Resolução STF nº 245/2002 aos magistrados estaduais, no tocante às diferenças da URV. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 16/11/2010, e interpôs o recurso voluntário em 19/11/2010, dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 16/12/2010, quartafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Antes de tudo, tratase de matéria já debatida por este colegiado, em processos similares, assistindo razão ao recorrente. Assim, aqui não se apreciará a preliminar Fl. 150DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 210201.606 S2C1T2 Fl. 3 5 de ilegitimidade ativa da União para constituir o crédito tributário discutido nestes autos, já que assiste, no mérito, razão ao recorrente. Na sessão de 08 de junho de 2011, esta Turma de julgamento prolatou o Acórdão nº 2102001.337, unânime, na relatoria deste Conselheiro, quando se apreciou a tributação da diferença de URV paga a um membro do Ministério Público da Bahia, em caso juridicamente similar ao aqui em discussão (somente se deve alterar a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 pela Lei do Estado da Bahia nº 8.670/2003), que ora se toma como razão de decidir e abaixo se colacionam as razões lá deduzidas (em itálico): Para o deslinde da controvérsia, trazse a Resolução STF nº 245/2002: RESOLUÇÃO Nº 245, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2002 Dispõe sobre a forma de cálculo do abono de que trata o artigo 2º e §§ da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 13, XVII, combinado com o artigo 363, I, do Regimento Interno, Considerando o decidido pelo Tribunal, na sessão administrativa de 11 de dezembro de 2002, presentes os ministros Moreira Alves, Sydney Sanches, Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Maurício Corrêa, Nelson Jobim, Ellen Gracie e Gilmar Mendes; Considerando a vigência do texto primitivo – anterior à Emenda nº 19/98 – da Constituição de 1988, relativo à remuneração da magistratura da União; Considerando a vigência da Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979; Considerando o direito à gratificação de representação – artigo 65, inciso V, da Lei Complementar nº 35, de 1979, e Decretolei nº 2.371, de 18 de novembro de 1987, nos percentuais fixados; Considerando o direito à gratificação adicional de cinco por cento por qüinqüênio de serviço, até o máximo de sete qüinqüênios – artigo 65, inciso VIII, da Lei Complementar nº 35, de 1979; Considerando a absorção de todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial pelos valores decorrentes da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002 – artigos 1º, § 3º, e 2º, §§ 1º, 2º e 3º; Considerando o disposto na Resolução STF nº 235, de 10 de julho de 2002, que publicou a tabela da remuneração da Magistratura da União, decorrente da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando o escalonamento de cinco por cento entre os diversos níveis da remuneração da magistratura da União – artigo 1º, § 2º, da Lei nº 10.474, de 2002; Fl. 151DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 Considerando a necessidade de, no cumprimento da Lei Complementar nº 35, de 1979, e da Lei nº 10.474, de 2002, adotarse critério uniforme, a ser observado pelos órgãos do Poder Judiciário da União, para cálculo e pagamento do abono; Considerando a publicidade dos atos da Administração Pública, RESOLVE: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Art. 2º Para os efeitos do artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, e para que se assegure isonomia de tratamento entre os beneficiários, o abono será calculado, individualmente, observandose, conjugadamente, os seguintes critérios: I – apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%); II – o montante das diferenças mensais apuradas na forma do inciso I será dividido em vinte e quatro parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Art. 3º Serão recalculados, mês a mês, no mesmo período definido no inciso I do artigo 2º, o valor da contribuição previdenciária e o do imposto de renda retido na fonte, expurgandose da base de cálculo todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período, a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais, por terem essas parcelas a mesma natureza conferida ao abono, nos termos do artigo 1º, observados os seguintes critérios: I – o montante das diferenças mensais resultantes dos recálculos relativos à contribuição previdenciária será restituído aos magistrados na forma disciplinada no Manual SIAFI pela Secretaria do Tesouro Nacional; II – o montante das diferenças mensais decorrentes dos recálculos relativos ao imposto de renda retido na fonte será demonstrado em documento formal fornecido pela unidade pagadora, para fins de restituição ou compensação tributária a ser obtida diretamente pelo magistrado junto à Receita Federal. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Ministro MARCO AURÉLIO Pela Resolução STF nº 245/2002, especificamente em seu art. 3º, ficou determinado que “todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período [1998 a 2002], a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais”, percebidos pela Magistratura da União, com base Fl. 152DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 210201.606 S2C1T2 Fl. 4 7 no art. 6º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, inclusive as verbas referentes a diferenças de URV, ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda, por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. O Sr. Ministro da Fazenda, com base no Parecer PGFN nº 529/2003, reconheceu o caráter indenizatório das verbas percebidas com base na legislação citada. Ocorre que foi publicada a Lei nº 10.477/2002, que, em seu art. 2º, estendeu aos Membros do Ministério Público Federal MPF as mesmas vantagens do art. 6º da Lei nº 9.655/98 dadas à Magistratura da União, e, instado o Sr. Ministro da Fazenda sobre o caráter dos valores percebidos no período 19982002 pelos Membros do MPF, aplicou a mesma interpretação do parágrafo precedente, em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal para a Magistratura da União (Resolução STF nº 245/2002), apoiado no Parecer PGFN nº 923/2003. Interessante ressaltar que a Lei nº 9.655/98 estava voltada unicamente à Magistratura da União, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o subsídio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional nº 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente à publicação da Lei nº 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura da União e determinou o pagamento das diferenças do período 19982002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei nº 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2º da Lei nº 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6º da Lei nº 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos valores citados no art. 3º da Resolução STF nº 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/20031 tem a mesma natureza daqueles pagos ao 1 LEI COMPLEMENTAR Nº 20, DE 08 DE SETEMBRO DE 2003. Dispõe sobre os vencimentos dos Membros do Ministério Público do Estado da Bahia e dá outras providências. O GOVERNADOR DO ESTADO DA BAHIA, faço saber que a Assembléia Legislativa decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º Fica fixado como vencimento básico do Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado da Bahia, a partir de 31 de julho de 2003 e até que seja editada a Lei prevista no art. 48, inciso XV, da Constituição Federal, o valor de R$ 6.943,86 (seis mil, novecentos e quarenta e três reais e oitenta e seis centavos). § 1º A remuneração decorrente desta Lei inclui e absorve a Gratificação de Nível Universitário e a Parcela Autônoma de Equivalência, previstas na Lei Complementar nº 16, de 12 de setembro de 2001. § 2º Fica criada a vantagem de representação correspondente a 60% (sessenta por cento) do vencimento básico de cada nível. § 3º O escalonamento entre os diversos níveis da remuneração dos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, hoje fixado em 10% (dez por cento), será reduzido, gradativamente, no percentual de 1% (um por cento) ao ano, até alcançar, em janeiro de 2008, o percentual de 5% (cinco por cento), tendo como referência a remuneração, de caráter permanente, percebida por Procurador de Justiça da Bahia. Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei. Art. 4º As despesas decorrentes da aplicação desta Lei correrão à conta dos recursos orçamentários próprios, ficando o Poder Executivo autorizado a promover as alterações que se fizerem necessárias. Fl. 153DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios dos Membros do MP local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar baiana nº 20/2003, referentes às mesmas diferenças de URV. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas – União e Estado da Bahia – e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pelos Membros do Ministério Público da Bahia com base na Lei complementar nº 20/2003, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Com as razões acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Ainda, pela não tributação das diferenças de URV percebidas por magistrados estaduais, temse precedente do Superior Tribunal de Justiça, especificamente o REsp nº 1.187.109, relatora Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, sessão de 17/08/2010, que restou assim ementado: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL INCOMPETÊNCIA DO STJ IMPOSTO SOBRE A RENDA URV DIFERENÇAS RESOLUÇÃO N. 245/STF APLICAÇÃO. 1. Falece competência ao Superior Tribunal de Justiça para conhecer de alegações de ofensa à Constituição Federal. Art. 5º Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação. Art. 6º Revogamse as disposições em contrário. PALÁCIO DO GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA, em 08 de setembro de 2003. PAULO SOUTO Governador Fl. 154DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 210201.606 S2C1T2 Fl. 5 9 2. A utilização de fundamento constitucional pelo tribunal local impede a admissão do recurso especial quanto à questão controvertida. 3. Cuidandose de remuneração percebida por magistrado estadual, aplicase na resolução da controvérsia a Resolução n. 245/STF, que considerou de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. E para concluir, esta Turma de Julgamento apreciou a mesma matéria em debate nestes autos, referente às diferenças de URV percebidas por magistrado do Estado da Bahia, quando prolatou o Acórdão nº 210201.565, sessão de 28/09/2011, unânime, na relatoria da Conselheira Núbia Matos Moura, assim ementado: RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido Ante tudo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 155DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 10 Fl. 156DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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