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Numero do processo: 10183.006129/2005-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR
Exercício: 2001
ITR. INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO.
Cabe ao fisco verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo na declaração do ITR pelos meios de aferição determinados por lei e o declarante, quando solicitado, deve apresentar os documentos que comprove os dados declarados.
ÁREA CONTÍNUA. UNIDADE PARA TRIBUTAÇÃO.
Os imóveis rurais confrontantes entre si, do mesmo proprietário (áreas contíguas), serão objeto de apenas uma declaração para o somatório das áreas, pois, nestes casos, para efeito do ITR, essas áreas formam apenas um imóvel.
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL, OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA.
TEMPESTIVIDADE.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. Descabida a exigência do ADA contemporâneo à entrega da DITR. O sujeito passivo deve apresentar o ADA, mesmo extemporâneo, desde que haja provas outras da existência das áreas de preservação permanente e de
utilização limitada.
JUROS DE MORA. APLICAÇÃO
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC
para títulos federais.
Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 2102-001.657
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR ASSUNTO: parcial provimento ao recurso para excluir do cálculo do ITR as áreas de 10.562,86ha, de reserva legal, e 5.000ha, de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo
Ferreira Pagetti e Atilio Pitarelli que davam provimento em maior extensão para acolher uma área de reserva legal de 16.775 hectares.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO. Cabe ao fisco verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo na declaração do ITR pelos meios de aferição determinados por lei e o declarante, quando solicitado, deve apresentar os documentos que comprove os dados declarados. ÁREA CONTÍNUA. UNIDADE PARA TRIBUTAÇÃO. Os imóveis rurais confrontantes entre si, do mesmo proprietário (áreas contíguas), serão objeto de apenas uma declaração para o somatório das áreas, pois, nestes casos, para efeito do ITR, essas áreas formam apenas um imóvel. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL, OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. TEMPESTIVIDADE. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. Descabida a exigência do ADA contemporâneo à entrega da DITR. O sujeito passivo deve apresentar o ADA, mesmo extemporâneo, desde que haja provas outras da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no Fl. 365DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 6/12/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para excluir do cálculo do ITR as áreas de 10.562,86ha, de reserva legal, e 5.000ha, de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Atilio Pitarelli que davam provimento em maior extensão para acolher uma área de reserva legal de 16.775 hectares. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator EDITADO EM: 26/12/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 6/12/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.006129/200505 Acórdão n.º 210201.657 S2C1T2 Fl. 297 3 Relatório Contra a empresa J. Mansur Pecuária e Participações Societárias, CNPJ/MF nº 80.002.686/200199, já qualificada nos autos, foi lavrado auto de infração de Imposto sobre a propriedade Territorial Rural, exercício 2001 (fls. 1 a 9), por divergência nas áreas declaradas do imóvel Fazenda Taquaral, localizado no município de Barão de Melgaco (MT). O crédito tributário constituído, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte do seu vencimento, foi de R$ 1.141.569,89 (um milhão, cento e quarenta e um mil, quinhentos e sessenta e nove reais e oitenta e nove centavos) de imposto e multa de 75% no valor de R$ 856.177,41 (oitocentos e cinquenta e seis mil, cento e setenta e sete reais e quarenta e um centavos). O auto de infração decorreu, segundo o demonstrativo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fls. 6 e 7), de: (i) a área total do imóvel era maior que a declarada em DITR; (ii) o laudo apresentado não discriminava as áreas de preservação; (iii) faltava comprovação do Ato Declaratório Ambiental para a área de utilização limitada; e (iv) havia diferença de valoração da Terra Nua. No “Quadro Demonstrativo de Apuração do ITR”, foram alterados os seguintes valores e áreas: Declarado Apurado Área Total do Imóvel 33.550,0 ha 47.132,4ha Preservação permanente 5.000,0 ha 0,0 Utilização limitada 16.775,0 há 0,0 Valor do imóvel R$ 1.410.958,03 R$ 6.066.225,96 Valor da terra nua R$ 1.060.958,03 R$ 5.716.225,96 Cientificada, a requerente impugnou o lançamento, solicitando: a) que seja apreciado e aceito o Laudo Técnico apresentado para fins de comprovação de áreas de preservação permanente e reserva legal, por representar a real situação da propriedade; b) que seja considerado o VTN constante da DIRPJ ou da Escritura Pública de Venda e Compra; c) que seja desconstituído o Auto de Infração, que se fundamenta em quadro do uso do solo atribuído exofficio, diferente da realidade fática existente no imóvel Fazenda Taquaral; d) que sejam cancelados os lançamentos suplementares de impostos, multas, taxas, juros e outros que porventura tenham ocorrido, vez que deramse desprovidos de qualquer amparo legal, face os motivos apontados no tópico anterior; e e) que seja efetuada a correta classificação das áreas de preservação permanente e reserva legal como áreas inaproveitáveis. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 6/12/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 A 1ª Turma de julgamento da DRJ Campo Grande, por unanimidade de votos, julgou o lançamento procedente, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0410.303, de 15 de setembro de 2006 (fls.191 a 204). A contribuinte foi intimada da decisão acima em 18 de outubro de 2006 (fl. 210) e interpôs recurso voluntário no dia 8 do mês seguinte (fls. 212 a 232), representado em procuração por terceiro, alegando, que: a) falta sustentabilidade ao lançamento, pois está fora dos ditames da lei, uma vez que, no mérito, não se trata de situação em que resultado deva, obrigatoriamente, ser produto de uma análise seca da lei, de modo a resultar no não conhecimento da impugnação apresentada, vez que a Administração Pública deve pautarse não apenas no princípio da legalidade, mas sobretudo na moralidade, eficiência, entre outros, e principalmente, do resultado da análise conjugada de leis e dispositivos, tanto específicos à matéria tributária como constitucionais. b) a área total do imóvel denominado Fazenda Taquaral (NIRF 1.931.203 2) é de 33.550 hectares (matrículas de n.°s 9.185, 9.186, 42.560, 50.143, 56.251, 56.253 e 56.429 do Cartório de Registro de Imóveis de Cuiabá/MT, 5º Ofício), conforme Laudo Técnico, e o imóvel denominado Fazenda Pindaival (NIRF 4.912.6393) possui 13.600,8 hectares (matrículas de n.° 9.184 e 54.105); c) as áreas, embora contíguas, são distintas pela forma de utilização econômica e porque não foram adquiridos numa só oportunidade, de um único proprietário, sendo impossível a unificação das matrículas e o reconhecimento do imóvel como único; d) a verificação de existência da reserva legal não pode estar vinculada à averbação na matrícula do imóvel e, ainda, à apresentação de ADA, devido a sua existência física e por se tratar de área de preservação ambiental que, muito embora não averbadas na totalidade, estão intactas, conforme detalhado nos itens 6, 10 e 11 do laudo técnico; e) fez juntada do ADA protocolado em 2005, antes do início do procedimento fiscal, que informa a área de 5.000,0 ha de preservação permanente e 16.775,0 ha de reserva legal; f) o grau de utilização do imóvel foi significativamente reduzido pela desconsideração das áreas preservação permanente e utilização limitada (reserva legal); g) se faça a homologação da Declaração do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural/2001 e dos valores nela tributados, procedendose as eventuais correções referentes ao VTN e lançandose, corretamente, as diferenças tributárias efetivamente devidas h) são indevidos a multa e os juros de mora, já que somente poderiam começar a ser contados a partir do momento em que se fixa o valor, ou seja: trinta dias depois do lançamento notificado. Em 19 de junho de 2009, por meio da Resolução nº 30100.044 (fl. 244 e 245), da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção, o julgamento foi convertido em Fl. 368DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 6/12/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.006129/200505 Acórdão n.º 210201.657 S2C1T2 Fl. 298 5 diligência, nos termos do voto do relator, retornando à unidade de origem para: (i) informar os imóveis que estão cadastrados nas NIRFs 1.931.2032 e 4.912.6393, e se tais imóveis formam terras continuas; (ii) oficiar os competentes Cartórios de Registro de Imóveis das respectivas localidades para que sejam encaminhadas cópias das matriculas dos respectivos imóveis; e (iii) intimar o sujeito passivo para trazer aos autos a ART referente ao laudo juntado às fls. 20/50, bem como para se manifestar sobre a conclusão da presente diligência. Em decorrência disso, a contribuinte, apresentou as explicações de folhas 251 e 252 e a ART (fls. 253 a 255). Também foram juntadas as cópias das matrículas dos imóveis nºs 9.184, 9185, 9.186, 42.560, 50.143, 40.105, 56.249, 56.253. É o relatório. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 6/12/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 6 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira – Relator O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. Da análise da descrição dos fatos verificase que o lançamento foi motivado pela glosa das áreas de interesse ambiental, de preservação permanente e utilização limitada (reserva legal), além da alteração da área total do imóvel e da diferença na apuração do Valor da Terra Nua. No que diz respeito a tese de que “a sustentabilidade do lançamento pela Delegacia da Receita Federal, tal qual efetuado, está fora dos ditames da lei”, vale a pena citar o Decreto nº 4.382/2002, que consolida a legislação do ITR: Art. 47. A DITR está sujeita a revisão pela Secretaria da Receita Federal, que, se for o caso, pode exigir do sujeito passivo a apresentação dos comprovantes necessários à verificação da autenticidade das informações prestadas. § 1º A revisão é feita com elementos de que dispuser a Secretaria da Receita Federal, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados ao contribuinte ou por outros meios previstos na legislação. § 2º O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de ofício de que tratam os arts. 50 e 51 (Lei nº 5.172, de 1966, art. 149, inciso III). Nos termos do parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, não podendo o auditor fiscal agir de forma diversa. A contribuinte, pessoa jurídica, foi devidamente intimada, conforme consta no Termo de Intimação Fiscal de folhas 14 a 17, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Diante dos elementos apresentados, cumpre à autoridade fiscal apenas formalizar o lançamento, instruindo os autos com os elementos indispensáveis à comprovação do ilícito, conforme disposto no caput do art. 9º do Decreto n° 70.235/1972. Assim, neste sentido, não há razões para a contestação da atividade fiscal no lançamento. A seguir, com base no recurso da recorrente, passo a analisar os tópicos listados: Área total do imóvel A contribuinte alega que tem dois imóveis, denominados Fazenda Taquaral (NIRF 1.931.2032), com 33.550 hectares (matrículas de n.°s 9.185, 9.186, 42.560, 50.143, 56.251, 56.253 e 56.429 do Cartório de Registro de Imóveis de Cuiabá/MT – 5º Ofício), e Fazenda Pindaival (NIRF 4.912.6393), com 13.600,8 hectares (matrículas de nº 9.184 e 54.105), mas que, embora contíguas, são duas áreas distintas pela forma de utilização econômica. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 6/12/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.006129/200505 Acórdão n.º 210201.657 S2C1T2 Fl. 299 7 A informação coincide com as registradas no auto de infração e nas matrículas dos imóveis anexadas ao processo, conforme detalhado: • mat. 9.184, área de 9.296,01ha; • mat. 9.185, área de 11.289,9ha; • mat. 9.186, área de 9.996,66ha; • mat. 42.560, área de 1.912,0ha; • mat. 50143, área de 4610,0ha; • mat. 56251, área de 644,0ha; • mat. 56.253, área de 514,0ha; • mat. 56.249, área 4.566,0ha; e • mat.54.105, área de 4.303,9ha. O lançamento fundamentouse no art. 1°, § 2°, da Lei n° 9.393/96, no art. 4º, I, da Lei n° 4.504, de 30 de novembro de 1964 – Estatuto da Terra; e art. 4º Lei n° 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, que consideram imóvel rural a área contínua, formada de uma ou mais parcelas de terras, localizada na zona rural do município, na forma declarada pela contribuinte. O dispositivo legal serve como garantia de tratamento isonômico entre os contribuintes do ITR, pois não é coerente que cada contribuinte, proprietário de mais de uma gleba de terras com áreas contíguas, possa escolher a forma que mais lhe convier para fins de incidência (tributação) do ITR, já que a dimensão da propriedade diferencia a tributação. Desvinculação da reserva legal da averbação na matrícula do imóvel e da apresentação do ADA e comprovação por laudo técnico. Alega a contribuinte que a reserva legal não pode estar vinculada à averbação na matrícula do imóvel e à apresentação de ADA, e que as áreas, muito embora não averbadas na totalidade, estão detalhadas no laudo técnico, nos itens 6, 10 e 11, e existem intactas. Não resta qualquer dúvida quanto à obrigatoriedade do ADA para fruição de beneficio no âmbito do ITR, em relação aos exercícios posteriores a 2001, na forma expressa no art. 17O, § 1°, da Lei n° 6.938/81. Entretanto, a Lei no 6.938/81 não fixou prazo para apresentação do ato. Portanto, parece descabida a exigência do ADA contemporâneo à entrega da DITR, sendo certo que o sujeito passivo deve apresentar o ADA antes quando requerido, mesmo extemporâneo. A contribuinte apresentou o ADA para a Fazenda Taquaral, protocolizado em 31 de março de 2005, para o exercício 2003, informado áreas de 5.000ha de preservação permanente e 16.775ha de reserva legal. Estão averbadas como reserva legal, à margem das matrículas dos respectivos imóveis, as seguintes áreas: Fl. 371DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 6/12/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 8 Matrícula Área do Imóvel (hectare) Área Averbada (hectare) 9.184 9.296,01 4.648,49 9.185 11.289,90 2.257,80 9.186 9.996,66 1.122,22 42.560 1.912,00 382,40 50.143 4.610,00 0,00 56.251 644,00 0,00 56.253 514,00 0,00 56.249 4.566,00 0,00 54.105 4.303,90 2.151,95 Total 47.132,47 10.562,86 Nos termos da Lei nº 4.771, de 1965, as áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Deixase de considerar o laudo técnico, para fins de levantamento de áreas de reserva legal e preservação permanente, por divergir das informações apurada nas matrículas dos imóveis e, como descreveu a auditoria, ter incluído áreas tributáveis no levantamento, conforme abaixo transcrito: [...] observase que o contribuinte quer considerar como área de preservação permanente a área alagada; entretanto tal área deve ser declarada como tributável, uma vez que as áreas do imóvel rural ocupadas por sangas, arroios, rios e outras águas não se enquadram no conceito legal de áreas de preservação permanente, devendo, portanto, quando constantes do registro imobiliário como integrantes da área total do imóvel, ser declaradas como áreas tributáveis pelo ITR. Assim, considerase para fins de redução da base de cálculo do ITR as áreas averbadas como reserva legal, no total de 10.562,86ha e acatase a área de 5.000ha de preservação permanente informada no Ada apresentado em 2005. Grau de utilização da terra Argui a recorrente que o grau de utilização do imóvel foi significativamente reduzido pela desconsideração das áreas preservação permanente e utilização limitada. Porém, o índice é resultado da relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área de aproveitamento do imóvel. E, assim, por ser consequencia, não é objeto de análise neste julgado. Valor da Terra Nua Conforme consta no auto de infração (fl. 4) a valoração da Terra Nua, de R$ 121,28 por hactare, foi efetuada com base no laudo apresentado pela empresa. E o valor foi obtido multiplicandose esse valor pela área total do imóvel, substituindose o valor declarado. O VTN considerado no lançamento pode ser revisto pela autoridade administrativa com base em laudo técnico elaborado por Engenheiro Civil, Florestal ou Agrônomo, acompanhado de cópia de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) devidamente registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA), e que demonstre o atendimento das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e explicite os métodos avaliatórios e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel e dos bens nele incorporados. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 6/12/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.006129/200505 Acórdão n.º 210201.657 S2C1T2 Fl. 300 9 Assim, não há como considerar o VTN da DITR. Para contestar a avaliação o contribuinte deveria apresentar outro laudo detalhando completamente o imóvel e todas as suas possíveis benfeitorias e/ou melhoramentos, comprovando que o VTN efetivo é menor do que o anteriormente apresentado. Multa e juros de mora indevidos Alega serem indevidos, injusta e ilegal a cobrança de juros e da multa de mora, já que somente poderiam começar a ser contados a partir do momento em que se fixa o valor, ou seja: trinta dias depois do lançamento notificado. No lançamento foi aplicada a multa de ofício, de 75%, prevista no art. 44, incisoI, da Lei n° 9.430/96, portanto não procede a alegação da multa de mora indevida. Os juros de mora são calculados à taxa referencial do Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia), acumulada mensalmente, do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento até o mês anterior ao do pagamento, acrescido de 1% (um por cento) no mês do pagamento. Os juros são calculados em conformidade com o art. 61 e § 3º da Lei nº 9430, de 1996. Portanto, correto o cálculo da multa e juros na forma proposta. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para excluir do cálculo o ITR as áreas de 10.562,86ha, de reserva legal, e 5.000ha, de preservação permanente. . (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 6/12/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 11831.007178/2002-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1999
ALEGAÇÃO. PROVA. - Os fatos alegados na defesa precisam ser
comprovados, sob pena de não serem considerados no julgamento.
Numero da decisão: 1101-000.630
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
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SI-CIT I Fl. 174 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11831.007178/2002-95 Recurso n° Voluntário Acórdão no 1101-00.630 — la Camara / la Turma Ordinária Sessão de 24 de novembro de 2011 Matéria IRRF - Restituição Recorrente DERSA DESENVOLVIMENTO RODOVIÁRIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999 ALEGAÇÃO. PROVA. - Os fatos alegados na defesa precisam ser comprovados, sob pena de não serem considerados no julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. «LOS.EDUR1X DE ALMEIDA GUERREIRO - Relator. EDITADO EM: (8/0172012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Diniz Raposo e Silva, Edeli Pereira Bessa, e José Ricardo da Silva (vice-presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente manifestação de inconformidade apresentada em razão de despacho decisório que reconhece parcialmente crédito pleiteado e que homologa declaração de compensação até o limite do crédito reconhecido. Em 11/12/2002, o contribuinte apresentou pedido de restituição de R$ 1.150.028,00 (proc. fl. 1). No seu pedido informa que seu crédito decorre de "valores retidos e não compensados sobre aplicações financeiras, no ano-calendário de 1999" e junta cópia de informes de rendimentos (proc. fls. 2 a 8). Em 25/09/2007, o contribuinte peticiona solicitando que seu pedido de restituição de imposto de renda seja analisado (proc. fl. 34). Em 09/10/2008, despacho decisório defere parcialmente o pedido de restituição e homologa compensações até o limite do direito creditório reconhecido (proc. fls. 49 a 54). No despacho, a autoridade analisa o pedido e afirma que foi tempestivo, que não versa sobre pagamento indevido ou a maior de IRRF, mas sim sobre saldo negativo de IRPJ de 1999, e que assim será tratado. Diz que a DIPJ/2000 (ano-calendário 1999) informa prejuízo fiscal e que a única dedução indicada na ficha 13 A é o IRRF no montante de R$ 1.150.028,00. Diz que dos informes de rendimentos juntados para comprovar o IRRF, aqueles constantes nas folhas 4 a 6 não podem ser considerados porque dizem respeito ao ano de 1998. Conclui que "considerando os informes juntados, o interessado tem comprovada uma retenção no valor de R$ 1.113.019,80, correspondentes a uni rendimento de R$ 5.751.061,98". Sintetiza esta análise no quadro abaixo: Declarante Rendimento IRRF Comprovação 43.073.394/0380-02 5.322.071,96 1.027.223,21 Fl. 02 e fl. 41 43.073.394/0380-02 12.445,33 2.487,90 Fl. 03 e fl. 40 43.073.394/0001-10 416.544,69 83.308,69 Fl. 07/08 e fl. 47 TOTAIS 5.751.061,98 1.113.019,80 A autoridade continua o estudo informando que não foi oferecida a totalidade dos rendimentos e, portanto, é preciso ajustar o IRRF dedutivel: Porem, a totalidade deste rendimento não compôs a base de cálculo do imposto, conforme se verifica na linha 24 da FICHA 07 A (outras receitas financeiras -fl. 36) e conforme o disposto nos artigos Art. 231 e Art. 837 do Decreto 3.000 de 26/03/1999 (RIR/99), só pode ser deduzido do imposto devido o imposto retido na fonte incidente sobre receitas que tenham sido computadas na determinação do lucro real. Sendo assim, só será considerado o valor de IRRF correspondente a receita indicada na declaração (R$ 4.072.393,04). Considerando-se a aliquota de 20%, o valor de IRRF a ser deduzido do imposto devido é R$ 814.478,60. 2 Processo n° 11831.007178/2002-95 SI-CITI Acórdão n° 1101-00.630 Fl. 175 Deste modo, propõe o reconhecimento de crédito, de saldo negativo de IRPJ, no montante de R$ 814.478,60. Também, propõe a homologação de diversas compensações, declaradas em Dcomps, até o montante do crédito. Em 27/11/2008, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade (proc. fls. 60 a 63). Diz que o prejuízo fiscal do ano de 1999 é de R$ 139.813.004,68. Explica que: Ainda sobre os lançamentos na ficha 07 A, é notório verificar que a impugnante obedeceu ao estabelecido nos artigos 231 e 837 do Decreto 3.000 de 26 de março de 1999.Vejamos.No campo 24 em outras receitas financeiras foi declarado o valor de R$ 4.072.393,04, e no campo 41 outras receitas não operacionais, foi lançado o valor de R$ 2.725.655,45, a diferença de R$ 1.678.668,94, que a r. decisão discorre não estar contabilizado está embutido no valor do campo 41, logo, foi declarado. Adiciona que "6 notório afirmar que a soma dos valores lançados como receitas no campo 24 e 41 ultrapassam de longe aos informes em fls. 2-3-7-8". Conclui que "os lançamentos das receitas que geraram o imposto retido na fonte foram contabilizadas nas linhas 24 e 41 do DIPJ/2000". Em 14/01/2010, a T Turma da DRJ em Sao Paulo considera improcedente a manifestação de inconformidade (proc. fls. 101 a 109). Explica que o contribuinte protocolizou pedido de restituição de IRRF e que a DRF percebeu que se tratava de pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ e assim tratou o caso. Explica que no curso do exame foram juntadas ao processo Dcomps, transmitidas em 2003, que informavam aproveitamento de saldo negativo de IRPJ. Esclarece que a DRF não reconheceu a totalidade do IRF pleiteado, pois entendeu que não foi oferecida a totalidade dos rendimentos. Apresenta os argumentos de defesa do contribuinte e informa que o litígio versa sobre R$ 335.549,55 de saldo negativo. Diz que o contribuinte baseou seu pedido de restituição exclusivamente nos comprovantes de retenção. Explica que para que se possa considerar o crédito do contribuinte liquido e certo, não basta a demonstração da retenção, mas deve ser comprovado que os rendimentos correspondentes ao IRRF foram oferecidos a tributação. Diz que a contabilidade do contribuinte deve demonstrar estes fatos e, assim, permitir o cotejo com a DIPJ. Alega que o contribuinte deveria ter juntado elementos de sua contabilidade que comprovassem sua argumentação. Conclui que a defesa do contribuinte se baseou em meras alegações. Em 8/02/2010, o contribuinte é cientificado (proc. fl. 110 v.). Em 10/03/2010, o contribuinte apresenta recurso voluntário (proc. fls. 111 a 118). Na sua defesa, o contribuinte repete seus argumentos e adiciona que, como seu crédito é de 1999, a legislação que deveria ser aplicada na análise de sua compensação era a vingente em 1999, sob pena de ferir-se o principio da anterioridade. Assim, deveria ter sido aplicado o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, sem as alterações da Lei n° 10.637, de 2002, e da Lei n° 10.833, de 2003. Sustenta que, desta forma, não era necessário haver a certeza do crédito e nem havia regras de homologação o qualquer outra. 3 Voto Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, 0 recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Conforme constata-se nos autos, a DRF limitou o montante de IRRF pleitedvel á. R$ 1.113.019,80, correspondente ao rendimento de R$ 5.751.061,98, por entender ter sido este o IRRF comprovado por meio dos comprovantes de rendimentos. Mas, entendeu que o contribuinte tinha direito a apenas o IRF de R$ 814.478,60, correspondente aos rendimentos de R$ 4.072.393,04, declarados na DIPJ como rendimentos financeiros. JA o contribuinte argumenta que ofereceu A tributação o montante de R$ 5.751.061,98 de rendimentos sujeitos à retenção, sendo que R$ 4.072.393,04 como rendimento financeiro e R$ 1.678.668,94 como receita não operacional, contida no total declarado de R$ 2.725.655,45. Também, diz que, em razão do crédito que pleiteia ser de 1999, não estava obrigado a qualquer exigência ou regra, nos termos do texto do art. 74, da Lei no 9.430, de 1996, vigente em 1999. Assim, constata-se que a DRF e o contribuinte entendem e concordam (tacitamente) que o IRRF comprovado é de R$ 1.113.019,80, correspondente ao rendimento de R$ 5.751.061,98. Ou seja, concordam que o IRRF comprovado é menor que o indicado no pleito original, no montante de R$ 1.150.028,00. Também, concordam (já que o contribuinte não questiona este ponto) quanto aos códigos das retenções, indicados nas folhas 40, 41 e 47, que informam tratar-se de aplicações financeiras. Inclusive, no pedido de restituição, o contribuinte diz que trata-se de retenções sobre aplicações financeiras. Por outro lado, discordam quanto ao montante do IRRF que seria dedutivel, por divergirem quanto ao montante dos rendimentos relacionados a este IRRF que teriam sido considerados na apuração do IRPJ. Além disso, discordam sobre as regras a que se encontra sujeito o contribuinte, no que tange às comprovações que está sujeito para efetuar compensações, nos termos do art. 74, da Lei n° 9.430, de 1996. 0 entendimento da DRF, de que o contribuinte s6 considerou R$ 4.072.393,04 no cômputo do IRPJ, decorre da constatação de que na linha 24 da ficha 7 A 6 . este o valor indicado como "outras receitas financeiras". JA o contribuinte argumenta que o restante do rendimento (R$ 1.678.668,94) compõe os R$ 2.725.655,45, declarados na linha 41 da ficha 7 A como "outras receitas não operacionais". Assim, percebe-se que a DRF baseou sua decisão na própria declaração do contribuinte e em um juizo muito razoável de que o contribuinte teria considerado na apuração do IRPJ apenas as receitas financeiras que indicou como tal na linha 24. Portanto, a decisão da DRF tem um fundamento fático razoável. Assim, para refutar o ato da DRF o contribuinte precisaria ou afirmar/demonstrar erro na sua DIPJ ou outro fato que sustentasse suas alegações. Mas, o contribuinte nem sequer alega que sua DIPJ estava errada, quanto ao montante indicado linha 24 da ficha 7 A. Sua defesa consiste em dizer, sem apresentar qualquer elemento de prova, que parcela dos rendimentos que sofreram retenção estariam dentro das "outras receitas não operacionais" declaradas. Isso, por si so, já mostra a insuficiência da defesa, tal como bem apontou a DRJ. Em consequencia, sob este prisma, a defesa é improcedente. Processo n° 11831.007178/2002-95 SI-C ITI Acórdão n° 1101-00.630 Fl. 176 Mas, para melhor analisar a matéria cabe relembrar que os códigos das retenções indicados pela DRF nas folhas 40, 41, e 47. Esses códigos correspondem a retenções de aplicações financeiras e, portanto, deveriam ser tratados como rendimentos financeiros, inclusive na DIPJ. Portanto, deveriam estar informados na linha 24 e não na linha 41 da ficha 7 A. Além disso, é bastante improvável que tal tipo de rendimento possa ser considerados como "outras receitas não operacionais", inclusive à vista dos arts. 418 a 445 do RIR/1999. Por isso, além da alegação do contribuinte estar desacompanhada dos elementos comprobatórios, ela nem sequer é razoável. Já quanto a alegação do contribuinte de que não estava sujeito a qualquer espécie de regra para efetuar compensações, cabe transcrever o texto do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, que mesmo na sua redação original submetia à Receita Federal a autorização da compensação: Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal atendendo a requerimento do contribuinte,poderd autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituidos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração Ademais, é principio básico do direito que quem alega algum direito deve estar apto a comprová-lo. Dessarte, a pretensão a eventual saldo negativo de IRPJ deve ser demonstrada pelo contribuinte, se exigida ou se o saldo pretendido for questionado ou se não for aceito como correto, tal como ocorre no presente caso. No caso presente, o contribuinte tinha pretensão a um determinado montante de saldo negativo, que foi infirmado pela DRF. Na sua defesa, o contribuinte não apresentou qualquer prova da exatidão do montante que alegava. Ainda cabe comentar que seria bastante fácil ao contribuinte demonstrar a procedência de suas alegações, pois bastava apresenta a contabilidade demonstrando estar incluído na apuração do IRPJ os rendimentos vinculados ao IRRF pretendido. Mas, o contribuinte não fez o menor esforço neste sentido. Por estas razões voto por negar provimento ao recurso voluntário. CARLOS EDUAROO DE ALMEIDA GUERREIRO 5
score : 1.0
Numero do processo: 10074.000463/99-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 26/10/1994, 31/10/1994, 01/11/1994,
25/11/1994, 02/02/1995, 07/02/1996, 09/02/1996, 15/03/1996,
15/05/1997
Os terminais de ponto de venda PDV classificam-se na subposição 8470.9000.
A indicação de um Ex Tarifário a uma determinada posição
vincula tal produto à subposição a menos que tenha expressa
manifestação contrária do mesmo órgão que introduziu o Ex
Tarifário.
Recurso Especial do Contribuinte Provido
Numero da decisão: 9303-001.417
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Henrique Pinheiro Torres, que negavam provimento.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 26/10/1994, 31/10/1994, 01/11/1994, 25/11/1994, 02/02/1995, 07/02/1996, 09/02/1996, 15/03/1996, 15/05/1997 Os terminais de ponto de venda PDV classificamse na subposição 8470.9000. A indicação de um Ex Tarifário a uma determinada posição vincula tal produto à subposição a menos que tenha expressa manifestação contrária do mesmo órgão que introduziu o Ex Tarifário. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Henrique Pinheiro Torres, que negavam provimento. Susy Gomes Hoffmann Relatora Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Gileno Gurjão Barreto, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo contribuinte, com base em divergência jurisprudencial. Lavrouse o auto de infração em razão da falta de recolhimento de II e de IPI, tendo em vista a desclassificação fiscal da mercadoria importada: Terminais de Pontos de Venda (PDV’s). A fiscalização entendeu que tais mercadorias deveriam ter sido classificadas na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias baseada no Sistema Harmonizado (NBM/SH), código 8470.50.0100 e, em 1996 e 1997, na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), código 8470.50.11. O contribuinte ofereceu impugnação (fls. 113/120). Preliminarmente, sustentou incabível a atuação fiscal, tendo em vista que, quando da protocolização da Declaração de Importação e do desembaraço aduaneiro, nenhuma objeção foi feita pela autoridade quanto à classificação apontada, procedendose ao recolhimento do tributo. Suscitou decisão do STF, argumentando que “não prospera Ato de Revisão Aduaneira nas hipóteses em que a fiscalização da zona primária já validou a importação ocorrida seja quanto a fato gerador, base de cálculo, alíquota, procedência, origem e correta classificação tarifária”. No mérito, argüiu que, com o acolhimento da classificação apontada pelo importador, a sua posterior alteração configura mudança de critério jurídico; que os PDV’s não se restringem à definição de caixas registradoras, por possuírem diversas outras funções; que as Portarias do Ministério da Fazenda concessivas de “Ex” tarifário sempre consideraram os PDV’s como “Ex” do Código 8470.90.0000, mesma as editadas posteriormente ao Decreto 435/92; com base no art. 100, inciso I, e parágrafo único, do CTN, não são aplicáveis as penalidades nem os juros moratórios; e as diferenças relativas ao IPI, se fossem devidas, gerariam créditos em seu favor. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerou procedente a ação fiscal. Aduziuse que a revisão aduaneira é instituto previsto no art. 54 do Decreto lei 37/66 e art. 455 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo decreto n° 91.030/85, o que se contrapõe à preliminar argüida pelo contribuinte. Ainda, que se trata, na hipótese, de lançamento por homologação, o qual não se dá quando do despacho aduaneiro, mas sim expressamente, ou tacitamente, com o decurso do prazo de cinco anos. Sustentou, no que se refere à alegação de mudança de critério jurídico para a posterior alteração da classificação tarifária, que o desembaraço aduaneiro possui caráter precário relativamente às informações fornecidas pelo importador, de modo que a verificação da adequação da mercadoria declarada com o código tarifário não configura mudança de critério jurídico. A alegação de que a mercadoria possui diversas funções, e não somente de caixa registradora, segundo o órgão julgador, apenas veio a confirmar a classificação apontada pela fiscalização, conformandose à nota 3 da seção XVI do capítulo 84 das Nesh. Quanto às aludidas portarias do Ministério da Fazenda concessivas de “Ex” tarifário, sempre sob o código 8470.90.0000, considerouse que, na sua concessão, não se verifica a exatidão da correspondência entre a mercadoria e o apontado código tarifário, o que cabe à Secretária da Receita Federal avaliar; e que “se vigentes as portarias concessivas de Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10074.000463/9910 Acórdão n.º 930301.417 CSRFT3 Fl. 298 3 redução tarifária para a mercadoria em questão à época das importações efetuadas, poderia o importador dela usufruir independentemente do código na TAB ou na TEC que lhe tivesse atribuído”. Finalmente, no que tange à alegação de créditos gerados em razão das diferenças relativas ao IPI, fundamentouse que a possibilidade de geração de créditos não isenta o contribuinte de efetuar o pagamento do IPI no momento do registro da DI. Desta decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 148/156), elencando os seguintes argumentos com o escopo de ver integralmente extinto o crédito tributário: a) A correta classificação tarifária das PDV’s, nos termos da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado 3°, reside na posição 8470, tendo em vista que tais máquinas possuem diversas funções complexas; b) O art. 17 do RIPI/98 referese a notas explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias. O dec. n° 435/92, que aprovou aquelas notas explicativas, e a IN SRF n° 123/98, que aprovou alterações na NESH, enquadram na posição 8470 máquinas como as PDV’s; c) O ministro da fazenda enquadrou os PDV’s como “ex” do código da TAB 8470.90.0000, em que se classificam as “outras máquinas, com dispositivo de cálculo incorporado”, nos termos do item D da posição 8470 do Dec. 435/92, atribuindolhes as seguintes alíquotas de II: 45% (até 30/09/1992), 40% (de 01/10/92 a 30/06/93) e 35% (de 01/07/93 a 31/12/94). Posteriormente, o ministro da fazenda reduziu a alíquota do II dos PDV’s para 20%. Destarte, o Ministério da Fazenda sempre classificou os PDV’s no código da TAB 8470.90.0000; d) Segundo o STF (RE 74.810/72), em caso de divergência entre órgão superior e inferior da Administração Fazendária sobre classificação fiscal de mercadorias, prevalece a adotada pelo nível mais elevado. Isto em relação ao parecer CST (DCM) n° 1.089/92, presente às fls. 19/22; e) Ainda que se considere que os PDV’s devem ser classificados no código da TAB 8470.50.0100 (código da TEC 8470.50.11), não pode serlhe imposta penalidade nem juros de mora, tendo em vista que agiu segundo as disposições do Ato Declaratório n° 10/97 das Superintendências Regionais da Receita Federal, pois que as mercadorias encontravamse corretamente descritas, sendo suficiente para efeito de classificação fiscal; f) As diferenças de IPI geraram créditos, o que não foi considerado pela autoridade fiscal. A antiga Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário (acórdão de fls. 198/214). Considerouse que, não obstante as alegações formuladas pelo contribuinte no que tange à complexidade das funções possíveis dos PDV’s importados, restou claro que a sua função primordial e essencial caracterizaos como “caixa registradora”, devendose ter como correta a sua classificação Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 tarifária perpetrada pela fiscalização, sob os códigos NBM 8470.50.0100 e TEC 8470.50.11, com base na nota n° 03 da Regra Geral para a Interpretação do Sistema Harmonizado. Baseou tal posicionamento na própria denominação da mercadoria, Terminal Ponto de Venda, que está a indicar a sua função essencial e nas informações constantes do folheto informativo do produto (fls. 45), no sentido de que se destina aos seguintes seguimentos do mercado: lojas/ supermercados de autoserviço, lojas de departamento, lojas varejistas especializadas e serviços . Além disso, tal folheto menciona, conforme explicitado na decisão recorrida, que o fator determinante para a sua aquisição é a existência de um ponto de venda. Relativamente às portarias do Ministério da Fazenda, foram reiterados os mesmos argumentos utilizados pelo julgador de primeira instância. Suscitou, no que concerne à classificação do produto, o Parecer CST (DCM) n° 1.089/92, no qual se baseou (fls. 19/22 dos autos). Tal parecer é expresso no seguinte sentido: “(...) não nos parece apropriado o enquadramento das máquinas em questão na subposição 8470.90, da NBM/SH, em função da existência de subposição específica (8470.50) que contempla, de maneira expressa, as “caixas registradoras”. Finalmente, quanto às penalidades, entendeuse pela sua manutenção, por tratar se de juros de mora, e não de multa de ofício, o que, aí sim, restaria afastado pelo Ato Declaratório n° 10/97. Quanto aos juros de mora, com base no art. 161 do CTN, julgou que sua incidência não pode ser afastada, até porque não constituem penalidade, mas sim “mera remuneração de capital”. O contribuinte, em recurso especial (fls. 226/237), reiterou os seus argumentos já expendidos no processo, ressaltando que, malgrado os PDV’s guardem semelhanças com “caixas registradoras”, com elas não se confundem pois que apresentam várias outras funções. Fundamentou o seu recurso especial em divergência jurisprudencial, com base em decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdão n° 03/03501) e da antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (acórdão n° 30329.638). Em contrarrazões, a Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 282/284) defendeu que os PDV’s enquadramse no conceito de “caixas registradoras”, de modo que a classificação especial deve preponderar sobre a genérica. Voto Conselheira Susy Gome Hoffmann, Relatora O recurso especial do contribuinte é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que restou demonstrada a divergência jurisprudencial suscitada, posto que para o presente caso, os acórdãos paradigmas apresentados tratamse da classificação do mesmo produto. Com efeito, o recorrente trouxe à tona decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em que, discutindose questão referente à classificação do mesmo produto, qual seja o Terminal de Ponto de Vendas PDV entendeuse que a desclassificação fiscal, perpetrada pela autoridade fiscal, enquadrandoo como “caixa registradora” (posição 8470.50), baseandose no catálogo do produto, não poderia prescindir, por tratarse de um equipamento complexo, de prévio laudo técnico por profissional especializado. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10074.000463/9910 Acórdão n.º 930301.417 CSRFT3 Fl. 299 5 A questão fática, no presente caso, é a mesma. A autoridade autuante entendeu por desclassificar o produto Terminal Ponto de Venda PDV, da posição indicada pelo contribuinte (Código 8470.90.0000), para o código 8470.50.0100 e, em 1996 e 1997, na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), código 8470.50.11. Outrossim, a questão é idêntica à discutida no âmbito do outro acórdão apontado como paradigma, proferido pela antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. Neste, entendeuse correta a classificação fiscal sustentada pelo contribuinte, sobretudo diante da portaria emanada do Ministério da Fazenda, em que se criou um “EX”, relativamente ao “Terminal Ponto de Venda”, para a posição 8470.90 “Outras”, classificação esta sustentada pelo contribuinte. O raciocínio consistiu no fato de que “parece evidente que ao ser criado o ‘EX’ para os terminais ponto de venda, este passaram a ser uma exceção da subposição 8470.90, mas jamais deixaram de fazer parte do grupo de produtos que nela se enquadram”. E mais, estabeleceuse que “Também parece pertencer à mesma lógica, que, caso as autoridades administrativas considerassem os terminais ponto de venda como sendo uma espécie do gênero ‘caixas registradoras’, a criação do ‘EX’ deveria ter ocorrido na subposição específica destas (8470.50). Mas tal criação jamais ocorreu”. Então, a contenda fica sobre a correta classificação: se a pretendida pelo Fisco na subposição 8470.50 em que coloca os produtos ali inseridos como “caixas registradoras” ou se na subposição criada para o ex tarifário 8470.90 – outras. Assim, para a sua defesa a Recorrente, como dito anteriormente e no Acórdão paradigma, se socorre da evolução legislativa e que os produtos consistem em terminais ponto de venda – PDV, posto que a Portaria 877/91, Portaria 550/92, Portaria 492/94 e 504/94 do Ministério da Fazenda. Ficou assim disposto o referido Ex tarifário: 8470 – Máquinas de calcular e máquinas de bolso que permitam gravar, reproduzir e visualizar informações, com função de cálculo incorporada; máquinas de contabilidade, máquinas de franquear, de emitir bilhetes e máquinas semelhantes, com dispositivo de cálculo incorporado; caixas registradoras. item 8470.90 – outras – “ex” 001 – Terminal de ponto de venda Com efeito, não se pode fechar os olhos para o fato de que, efetivamente, as portarias do Ministro da Fazenda citadas pelo recorrente relacionaram o produto Terminal ponto de Venda à subposição por ele defendida, o que lhe dá o respaldo necessário para proceder à classificação fiscal da maneira que se fez. Ademais, é importante considerar que cabe à Receita Federal do Brasil fazer a classificação fiscal do produto objeto do extarifário, conforme se verifica pela análise do procedimento do fluxo de um pedido de ex tarifário, de acordo com o previsto no sítio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, acessado em 23/09/2010: Fluxo Normal para Análise de Pleitos Novos, quando não há produção nacional e há mérito: Protocolo do Pleito no MDIC Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Análise Preliminar da Documentação Análise da Secretaria da Receita Federal (Nomenclatura e Classificação do Produto) Verificação de Inexistência de Produção Nacional Análise de Mérito Elaboração de Parecer Análise pelo Gecex/Camex Publicação O prazo médio para análise de pleito é de noventa dias. Entretanto, maior ou menor agilidade no processo dependem de muitos aspectos, dentre os quais: Rigor das empresas na elaboração do pleito e no fornecimento dos documentos e informações exigidos; Dificuldade em comprovar a inexistência de produção nacional. O regime de extarifário é uma exceção à Tarifa Externa Comum (TEC), e a condição essencial é a de que não haja produção nacional do produto beneficiado com o regime. Quando uma empresa desejar qualquer informação sobre extarifário em geral ou sobre a situação de um processo específico e em que fase ele se encontra, seu representante deverá enviar email para sdp.extarifario@mdic.gov.br solicitando a informação. Da mesma forma, não se pode conceber a classificação fiscal determinada pelo Fisco com base, especificamente, conforme se depreende das decisões proferidas em primeira e segunda instâncias, na denominação do produto e no respectivo folheto informativo. Tais elementos não podem sobrepujar a declaração expressa do Ministro da Fazenda, sob pena de se ferir a necessária segurança jurídica e presunção de legitimidade que devem guarnecer os atos administrativos, sobretudo se proveniente de um ministro de Estado. Assim, também, no que se refere ao Parecer CST (DCM) n° 1.089/92, pois que é anterior às Portarias do Ministro da Fazenda. Ademais, os terminais de ponto de venda não podem se caracterizar caixa registradora apenas sob o único argumento deste ser a sua função principal, até porque não houve qualquer laudo ou juntada de catálogos ou informações técnicas feitas pela fiscalização que pudessem, frente ao princípio da verdade material, inferir que era incorreta a classificação sugerida pelas Portarias do Ministério da Fazenda acima indicadas. Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial do contribuinte, para que seja reformada a decisão recorrida, restabelecendose a classificação fiscal por ele perpetrada. Susy Gomes Hoffmann Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10074.000463/9910 Acórdão n.º 930301.417 CSRFT3 Fl. 300 7 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000011/2008-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2004
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO.
Somente enseja nulidade na fase inquisitória o desatendimento ao inciso I do art. 59 do Decreto nº 70.235/72.
APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
ERRO DE OFÍCIO.
A alegação de erro no lançamento deve vir devidamente instruída, com os elementos de prova em que se fundar.
Numero da decisão: 1302-000.752
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2004 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Somente enseja nulidade na fase inquisitória o desatendimento ao inciso I do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ERRO DE OFÍCIO. A alegação de erro no lançamento deve vir devidamente instruída, com os elementos de prova em que se fundar.
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AUTO DE INFRAÇÃO. Somente enseja nulidade na fase inquisitória o desatendimento ao inciso I do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ERRO DE OFÍCIO. A alegação de erro no lançamento deve vir devidamente instruída, com os elementos de prova em que se fundar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Fl. 569DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000011/200874 Acórdão n.º 130200.752 S1C3T2 Fl. 570 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 570DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000011/200874 Acórdão n.º 130200.752 S1C3T2 Fl. 571 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 2ª Turma da DRJ/RJ1, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, dar provimento parcial à impugnação para reduzir os valores devidos do IRPJ para R$ 91.021,76, do PIS para R$ 91.021,76, a CSLL para R$ 140.033,44, da COFINS para R$ 280.066,91 e do INSS para R$ 591.637,87, acrescidos da penalidade de ofício, 75% e juros moratórios SELIC, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 REVISÃO DE LANÇAMENTO A revisão de lançamento tributário, de ofício, ou, por iniciativa do sujeito passivo, não implica em sua necessária nulidade ou cancelamento; sim, em sua adequação à legalidade estrita e objetiva e à materialidade factual, das quais podem ocorrer, ou, não as hipóteses de nulidade, de cancelamento do lançamento, ou, de sua manutenção integral ou parcial. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITA. Ratificada a presunção legal de omissão de receita de empresa tributada sob o SIMPLES, impõemse as exigências legais dela decorrentes. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. É defeso á administração a manifestação acerca de inconstitucionalidade de dispositivo legal. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Tratam os presentes autos de exigências de ofício do imposto de renda de pessoa jurídica, R$ 94.540,84, fls. 255, do PIS, R$ 94.540,84, fls. 276, da CSLL, R$ 145.447,43, fls. 284, da COFINS, R$ 290.894,90, fls. 292, e do INSS, R$ 616.211,08, fls. 300, de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, atinentes aos meses do ano calendário de 2004. Fl. 571DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000011/200874 Acórdão n.º 130200.752 S1C3T2 Fl. 572 4 2. Fundamentaram as exigências a presunção legal de omissão de receitas, prescrição do artigo 42 da Lei n◦ 9.430/96. Intimado a justificar a origem dos depósitos/créditos bancários efetuados em suas contas correntes, fls. 224, o sujeito passivo informou não haver logrado encontrar a documentação que lhe permitisse comprovar aquelas origens, fls. 245. 3. Ciente dos lançamentos em 17/01/08, fls. 255, o sujeito passivo acosta aos autos as impugnações de fls. 325/338 e 347/360, ambas protocoladas em 15/02/2008, através das quais, alegam, em síntese: 3.1. da nulidade da autuação porque a empresa não preencheria as condições de optar pelo SIMPLES, dada a existência, contra si, de execução fiscal, consoante arts. 12 e 13 da Lei n◦ 9.317/96 e Resolução CGSN n◦ 4/07; 3.2. da necessidade de exclusão do SIMPLES e arbitramento de resultados, dada a não apresentação de livro Caixa e de documentos pertinentes à escrituração fiscal. 3.2.1. a manutenção da tributação sob o SIMPLES implica em imputação de peso tributário infinitamente maior ao contribuinte. 3.3. No mérito, ao fazer a incidência tributária sobre valores de transferências bancárias, listados ás fls. 337, que comprovariam que , na verdade houve transferências de valores da própria empresa,a fiscalização lançou por terra a autuação, devendo outro auto ser refeito, dadas as irregularidades apontadas. 3.4. Por fim, em extenso arrazoado, pugna pela inconstitucionalidade da taxa SELIC, como juros moratórios. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que preliminarmente: o lançamento é nulo porque havia execução fiscal pairando sobre a empresa, e porque ela não apresentou o livro caixa, portanto, devia ter sido ela excluída do regime simplificado pela autoridade fiscal, e ter seu lucro arbitrado; a taxa Selic é inconstitucional. No mérito, houve importâncias lançadas que representam transferências entre contas da mesma empresa. Apresenta planilha que as consolida. Requer perícia para analisá las. Fl. 572DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000011/200874 Acórdão n.º 130200.752 S1C3T2 Fl. 573 5 É o relatório. Fl. 573DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000011/200874 Acórdão n.º 130200.752 S1C3T2 Fl. 574 6 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Das Preliminares (a) Autuação, sob regime simplificado, de pessoa jurídica com débitos em execução fiscal, sem exigibilidade suspensa e que não efetuou escrituração do livro caixa no período fiscalizado. Pleiteia a recorrente anulação do feito porque não poderia optar pelo Simples. Entende que a fiscalização deveria ter percebido as condições impeditivas, excluídoa do regime simplificado, e arbitrado seu lucro de ofício. A assertiva não procede. À primeira vista, a alegação de pronto já provoca a invocação do princípio nemo auditur propriam turpitudinem allegans (ninguém pode se beneficiar da própria torpeza). Isto porque, tenta a recorrente se valer de conduta praticada ao arrepio da lei (a saber, manter se indevidamente no simples, sem promover ao tempo dos fatos pedido de exclusão, como determina a legislação) para tentar afastar obrigação tributária que lhe é imputada pelo Fisco. A estranheza tornase maior ao se perceber que a argumentação também procura rechaçar regime preferencial sob o qual a empresa encontravase abrigada, concedido a pequenas e médias empresas em atendimento a mandamento constitucional destinado a fomentar os pequenos negócios, para suscitar sua exclusão e conseqüente migração para regime mais oneroso, com a única aparente justificativa de afastar a exação constituída. O direito pátrio, contudo, disciplina a matéria de forma diferente daquela argüida. Assim, o optante que deixa de satisfazer os requisitos de permanência no regime simplificado deve solicitar exclusão, nos termos do art. da Lei nº 9.317/96, in verbis: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XV que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Fl. 574DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000011/200874 Acórdão n.º 130200.752 S1C3T2 Fl. 575 7 Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; Caso não solicite a exclusão espontaneamente, poderá ser excluído de ofício pela Administração Tributária, se incorrer nas situações impeditivas. Mas se a autoridade lançadora não se aperceber da situação excludente e autuála sob a sistemática simplificada não tornará a peça administrativa nula. Isto porque de acordo com o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, que trata das hipóteses de nulidade, apenas menciona a hipótese de ato praticado por autoridade incompetente, como condição ensejadora da nulidade do procedimento, nesta fase do procedimento, ainda não litigiosa, senão se veja: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Além disso, ainda que tal autuação contivesse valores equivocados por se basear no regime do Simples ao invés do regime comum, eles estariam reduzidos em relação ao efetivamente devido, porquanto o regime é manifestamente mais vantajoso e, portanto, o erro serviria aos interesses do sujeito passivo, sendolhe, portanto, benéfico, e, devendo, assim, prosperar. Com relação à não apresentação do Livro Caixa, devese ressaltar que não é motivo bastante para exclusão do regime, sendo necessário que a não apresentação seja injustificada, ensejando, assim, embaraço ou resistência. Demais disso, não existe a possibilidade legal de arbitramento do lucro de contribuinte optante do Simples por absoluta falta de disposição legal neste sentido. (b) Aplicação da taxa de juros Selic A recorrente também questiona a validade do lançamento porquanto aplicada a taxa Selic, que entende inconstitucional e ilegal. O tema já se encontra pacificado no âmbito deste colegiado, estando, ademais, sumulado através da Súmula CARF nº4, de observância obrigatória por todos os membros do Órgão, resolve a questão, ao prescrever como escorreita a cobrança dos débitos para com a União relativos a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal de acordo com a taxa Selic para títulos federais. De se ver que a questão não comporta novas elucubrações. Fl. 575DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.000011/200874 Acórdão n.º 130200.752 S1C3T2 Fl. 576 8 Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmulas 4 do 1º e 3º CC e 3 do 2º CC Do Mérito (c) Transferências não computadas no lançamento A recorrente diz existir no documento de lançamento créditos que não ostentam a natureza de omissão de receitas, pois são relativos a transferências entre contas. Todavia, não informa, como deveria, qual a conta devedora e qual a conta credora, limitandose a mencionar a instituição financeira em que se deu o crédito. Demais disso, a questão é posta somente no recurso voluntário, estando, assim, preclusa, porquanto não alegado o motivo pelo qual não foi oportunamente levantada quando da protocolização da impugnação, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 19 de outubro de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 576DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000562/2004-37
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1999
MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SUCESSORES.
A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas também se refere às multas, moratórias ou de ofício, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor.
Embora o art. 132 refira-se aos tributos devidos pelo sucedido, o art. 129 estabelece que o disposto na Seção II do Código Tributário Nacional aplica-se por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição,
compreendendo o crédito tributário não apenas as dívidas decorrentes de tributos, mas também de penalidades pecuniárias. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. PRINCÍPIO DA BOA FÉ. O princípio da boafé não pode amparar a sucessora se o sócio administrador era também o responsável pela administração da empresa incorporada e mentor da conduta fraudulenta que ensejou a qualificação da multa. Responsabilidade integral da
sucessora pelos créditos tributários lançados, inclusive da multa de ofício qualificada, uma vez comprovado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula nº 47 do CARF).
Numero da decisão: 9101-001.122
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao
Recurso Especial da Fazenda Nacional. Os conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz,João Carlos Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Karem Jureidini Dias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo, acompanharam o relator por suas conclusões.
Nome do relator: Alberto Pinto Souza Junior
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SUCESSORES. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas também se refere às multas, moratórias ou de ofício, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. Embora o art. 132 refira-se aos tributos devidos pelo sucedido, o art. 129 estabelece que o disposto na Seção II do Código Tributário Nacional aplica-se por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição, compreendendo o crédito tributário não apenas as dívidas decorrentes de tributos, mas também de penalidades pecuniárias. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. PRINCÍPIO DA BOA FÉ. O princípio da boafé não pode amparar a sucessora se o sócio administrador era também o responsável pela administração da empresa incorporada e mentor da conduta fraudulenta que ensejou a qualificação da multa. Responsabilidade integral da sucessora pelos créditos tributários lançados, inclusive da multa de ofício qualificada, uma vez comprovado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula nº 47 do CARF).
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LIONE COMÉRCIO DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA. (atual denominação da MG Master Ltda. — sucessora da Comercial Centauro Ltda.). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SUCESSORES. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas também se refere às multas, moratórias ou de ofício, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. Embora o art. 132 refirase aos tributos devidos pelo sucedido, o art. 129 estabelece que o disposto na Seção II do Código Tributário Nacional aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição, compreendendo o crédito tributário não apenas as dívidas decorrentes de tributos, mas também de penalidades pecuniárias. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. PRINCÍPIO DA BOA FÉ. O princípio da boafé não pode amparar a sucessora se o sócioadministrador era também o responsável pela administração da empresa incorporada e mentor da conduta fraudulenta que ensejou a qualificação da multa. Responsabilidade integral da sucessora pelos créditos tributários lançados, inclusive da multa de ofício qualificada, uma vez comprovado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula nº 47 do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Os conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Karem Jureidini Dias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo, acompanharam o relator por suas conclusões. ﴾documento assinado digitalmente﴿ Fl. 701DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 2 OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Participaram do presente julgamento: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, Antônio Carlos Guidoni Filho, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de Recurso Especial do Procurador da Fazenda Nacional, contra o acórdão nº 10808.673, de 09/12/2005 (fls. 546/570), proferido pela Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade decidiu rejeitar as preliminares suscitadas pelo recorrente, e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os valores do PIS e da COFINS e os juros incidentes sobre estas contribuições até agosto de 1998 exigidos de ofício e cancelar a multa lançada de ofício. Cabe salientar que o referido acórdão foi retificado pelo Acórdão n° 108 09.486, o qual julgou os embargos interpostos pela Fazenda Nacional para esclarecer que, no presente caso, não cabe excluir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores do PIS e da COFINS e os juros incidentes sobre estas contribuições por estar a contribuinte, nos referidos períodos, sujeita à apuração do imposto de renda sobre o lucro presumido. Assim, a sucumbência da Fazenda Nacional ficou restrita ao cancelamento da multa de ofício, capítulo contra o qual a Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, o recurso especial de fls. 580/598. Destarte, insurgese a recorrente contra a decisão do acórdão recorrido que deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa de ofício qualificada aplicada (150%), com base no entendimento de que a incorporadora somente responde pelos tributos devidos pelo sucedido. A Fazenda Nacional, ora recorrente, alega em síntese: a) que a decisão que decidiu pela exclusão da multa de ofício violou o art. 129 do CTN, pois o art. 132 do mesmo código deve ser aplicado observandose aquele dispositivo; b) que “o art. 129 menciona que nos casos de sucessão regrados na Seção II, os sucessores serão responsáveis pelo crédito tributário e não somente pelo tributo em espécie”; c) que “o art. 132 se encontra dentro da Seção II e, portanto, não se pode interpretar a expressão “tributos" nele mencionada apenas como o tributo em espécie, mas como todo o crédito tributário numa interpretação sistemática com o art. 129”; d) que “no presente caso, não se faz presente os valores que se busca proteger com a interpretação restritiva do art. 132 do CTN. A autuada não goza de boafé, pois os seus sócios são quase todos os mesmos que compunham o quadro social da sucedida, autora do ilícito fiscal”; e) que “a administração da sucedida fora realizada pelo mesmo sóciogerente da sucessora o Sr. SEBASTIÃO VICENTE BOMFIM FILHO que autorizava a utilização de vários artifícios para ocultar a ocorrência do fato gerador das obrigações tributárias, conforme apurados pela autoridade fiscal”; Fl. 702DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10680.000562/200437 Acórdão n.º 910101.122 CSRFT1 Fl. 2 3 f) que “em que pese a MGMASTER LTDA e a ZIK SPORTS LTDA sejam pessoas jurídicas distintas, com CNPJ diferente, ambas integram o mesmo grupo econômico, cujo órgão de direção foi o mesmo que praticou o ilícito fiscal em 1998”; g) que, “o afastamento da multa punitiva é razoável quando a aplicação desta configurarse uma situação de injustiça, pois atentatória do princípio esculpido no art. 5Q, XLV da CF/88 e à boafé objetiva, mas não pode servir àquele que praticou o delito apenas porque mudou de nome”; h) que “não é razoável admitir a exclusão de responsabilidade por multas nos casos de sucessão, incorporação, transformação e cisão das pessoas jurídicas compostas pelos mesmos sócios das empresas sucedidas, incorporadas, transformadas e cindidas, a fim de que não assistamos a perpetração de fraudes sob um aparente consentimento da lei”; i) que “não procede o argumento de que a desconsideração da sucessão seria forma de aplicar o parágrafo único do art. 116 do CTN a despeito de sua regulamentação”; j) que restou caracterizada a existência de dolo por parte da contribuinte, ensejando a aplicação da multa qualificada prevista no inc. II do art. 44 da Lei 9.430/96. A recorrente cita jurisprudência do STJ em abono à sua tese. Ao final a recorrente propugna que seja restabelecida a multa de 150% para todos os autos de infração. O presidente da 8ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de contribuintes admitiu o recurso especial por que se trata de decisão não unânime e entender que ficou demonstrado em tese que a decisão recorrida seria contrária à lei e à evidência das provas contidas nos autos. A autuada, ora recorrida, foi cientificada do acórdão e do despacho de admissibilidade do recurso especial e apresentou suas contrarrazões (fls. 646/661). A recorrida protesta pela manutenção da decisão, sustentando em síntese: a) que “o CTN, em seu art. 132, é claro ao afirmar que a responsabilidade tributária das sucessoras referese apenas aos tributos e não às multas, principalmente as de natureza punitiva”; b) que “a mencionada "interpretação sistemática", pretendida pela Recorrente, caracterizase como verdadeira inovação legislativa, que não é permitida no âmbito tributário em vista ao princípio da Estrita Legalidade (art. 150, II, CF/88 e art. 97 do CTN)”; c) que nas “razões do Recurso combatido, notase claramente a intenção da Fazenda Nacional de ampliar o texto do art. 132 do CTN, acrescentando às suas disposições vocábulo que o legislador não pretendeu expressar, ou seja, substituir a palavra "tributos" pela expressão "crédito tributário", que, indiscutivelmente, não se equivalem”; e) que “o legislador ao editar a Lei n° 5.172/66 (CTN) sabia exatamente a distinção entre tributo e crédito tributário, bem como as diferenças entre principal e multa, não podendo o julgador administrativo imaginar que, no caso do art. 132, ele teria se equivocado ao constar somente a responsabilidade por sucessão com relação aos tributos”; f) que “no que se refere aos precedentes do STJ apontados no Recurso ora contrarazoado, verificase que, em ambos os casos, o entendimento que prevalece é o de que a responsabilidade só existe quando as multas que já integravam o passivo da pessoa jurídica, ou seja, foram aplicadas antes da incorporação de forma a serem conhecidas pelos novos administradores da empresa, o que não ocorreu no caso em comento”; Fl. 703DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 4 g) que “em matéria tributária não há espaço para suposta "interpretação sistemática" ou "buscando possível intenção do legislador" (que na verdade são meras tentativas de inovar no ordenamento jurídicotributário), pelo que todas as considerações postas neste sentido não podem convalidar possível manuseio da legislação ao bel prazer do Fisco”; h) que “não há autorização legal para desconsideração de atos e negócios jurídicos validamente realizados. E, se este fosse o caso, certamente a Recorrida tem o direito de defesa contra tal argumento, de maneira que este aspecto teria que estar ventilado no auto de infração e peças conseqüentes; i) que “o que se verifica nos autos é que a Fazenda Nacional, ao mesmo tempo em que defende a malsinada "aplicação sistemática" do art. 132 do CTN, pretende, indiretamente, desconsiderar a sucessão ocorrida no presente caso, aventando, de forma equivocada, a possibilidade de um suposto ato simulado, sem realizar qualquer prova dessa suposição. A verdade é que a Recorrente nem mesmo chega a afirmar expressamente que a incorporação foi um ato simulado e nem poderia, pois para que essa afirmação fosse sequer cogitada, seria indispensável sua comprovação inequívoca, fato inexistente nos autos”; j) que “em momento algum o Fisco se opôs ao procedimento de incorporação do qual participou a Empresa Autuada, mesmo podendo fazêlo, conforme determina expressamente a legislação de regência (Lei n° 6.404/76), sendo que não lhe cabe, somente agora, alegar a imaginada simulação na transformação societária em comento, a fim de tentar justificar a responsabilidade por sucessão da Recorrida no que se refere à multa de ofício aplicada na sucedida”; k) que “mesmo que se considerasse cabível a multa de oficio, hipótese levantada apenas por amor ao debate, ela teria que ser aplicada no montante mínimo permitido em lei”; l) que “no caso dos autos, não restou COMPROVADA quaisquer das circunstâncias qualificadoras, sendo que não houve nenhuma ação dos Recorrentes tendente a impedir ou retardar o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador, o que implicaria na sonegação”. m) que “não há que se falar em imposição de penalidade, ainda mais em sua forma agravada, eis que o trabalho fiscal foi concluído após a adesão da Recorrente ao PAES” e que” a confissão e o parcelamento de débitos são condutas que, inequivocamente, excluem qualquer possibilidade de ocorrência dos requisitos para aplicação da qualificação de multa tributária”. A recorrida faz citação da doutrina e de jurisprudência da Câmara Superior de Recurso Fiscais em reforço às suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, Relator. O recurso atende os pressupostos para sua admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido, nos termos do art. 4º da Portaria MF nº 256 de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. A questão a ser solucionada versa sobre a possibilidade de cobrança, da empresa incorporadora (sucessora), de multa qualificada (150%) aplicada sobre os tributos lançados em face da omissão de rendimentos apurada pela fiscalização sobre operações realizadas pela empresa incorporada. Fl. 704DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10680.000562/200437 Acórdão n.º 910101.122 CSRFT1 Fl. 3 5 O acórdão recorrido adota o posicionamento, de que a incorporadora responde apenas pelos os tributos devidos pela sucedida. O acórdão recorrido tem a seguinte ementa, na parte que interessa ao presente recurso: MULTA DE OFÍCIO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUCESSÃO A incorporadora somente responde pelos tributos devidos pelo sucedido. O que alcança a todos os fatos jurídicos tributários (fato gerador) verificados até a data da sucessão, ainda que a existência do débito tributário venha a ser apurada após aquela data. Art. 132 CTN. A recorrente argumenta que a decisão que excluiu a penalidade contraria a lei; mais precisamente o art. 129 do CTN. Sustenta que a interpretação do art. 132 não pode ser feita de forma isolada, desconsiderando o disposto no art. 129, que integra a mesma Seção II do código, que trata da responsabilidade dos sucessores. Tal interpretação estaria em consonância com a jurisprudência do STJ. Por outro lado a recorrida sustenta que a decisão recorrida se alinha à jurisprudência administrativa da Câmara Superior de Recursos Fiscais. No seu entendimento a expressão “tributos” contida no art. 132, excluiria uma interpretação sistemática no sentido de ampliar o seu alcance e abranger as multas, como pretende a recorrente. Alega ainda que a jurisprudência citada pela recorrente abrangeria apenas os casos em que a multa punitiva já havia sido lançada antes da sucessão e já integrando o patrimônio da incorporada sendo, portanto, de conhecimento da incorporadora na data do ato de incorporação. Tratase, portanto, de examinar se a decisão recorrida afronta os dispositivos do Código Tributário Nacional que tratam da responsabilidade tributária dos sucessores. Passo, então, a examinar os argumentos da recorrida à luz dos elementos do processo, da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial. Esta questão tem sido bastante discutida sejam no âmbito doutrinário, seja no campo jurisprudencial. Na esfera administrativa, conforme aponta a recorrida em suas contrarrazões, existem várias decisões da Câmara Superior Fiscal que a responsabilidade da sucessora, nos estritos termos do art. 132 do CTN, restringese aos tributos não pagos pela sucedida, e que a responsabilidade pela multa fiscal somente se dá quando ela tiver sido lançada antes do ato sucessório, tratandoa, neste caso, como um passivo assumido pela sucessora. É o caso dos acórdãos da CSRF indicados pela recorrida em seu contraarrazoado (Acórdão CSRF/01 04.408 e CSRF/0104.406, ambos proferidos no ano de 2003) Em que pesem os sólidos argumentos contidos nos referidos acórdãos da CSRF, lastreado tanto na doutrina quanto na jurisprudência, não se pode olvidar que a jurisprudência é dinâmica e sofre alterações ao longo dos anos. O argumento central da tese abrigada no acórdão recorrido é de que o artigo 132 do CTN prevê apenas a responsabilidade da sucessora pelos tributos, o que excluiria, portanto as multas, pois estas estão fora do conceito de tributo “strictu sensu”. Tal premissa, no entanto já vem mitigada por ressalvas feitas na própria jurisprudência que encampa esta tese. A primeira delas é de que se admite a responsabilidade pelas multas se estas já tiverem sido lançadas antes do ato sucessório, na medida em que estariam incorporadas ao patrimônio (mais propriamente ao passivo) da empresa sucedida, sendo, portanto, do conhecimento da sucessora (incorporadora, no presente caso). Também há Fl. 705DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 6 muito que a jurisprudência admite que a multa de mora, por ter caráter indenizatório e não punitivo, também é da responsabilidade da sucessora. Essa interpretação mitigada do artigo 132 revela que a exegese correta, como sói ocorrer com toda norma jurídica, não pode ser feita de forma literal, nem isolada do restante do ordenamento. A interpretação sistemática não representa inovação legislativa, nem tampouco afronta o princípio da estrita legalidade, como alega a recorrida, mas sim representa uma dos mais eficazes e utilizados métodos hermenêuticos. Neste diapasão não há como deixar de fazer uma análise sistemática das normas que tratam da responsabilidade tributária dos sucessores no CTN, contidas na Seção II do Capítulo V. Podese começar pelo próprio art. 132, numa leitura mais acurada do caput e de seu parágrafo único, in verbis: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. (grifei) Como se vê, o caput do art. 132 trata da responsabilidade da pessoa jurídica não apenas no caso em que esta resulte de incorporação de outra, mas também nos casos de fusão ou transformação da pessoa jurídica. A lei nº 6.404/1976, que rege as sociedades anônimas define o que vem a ser cada uma dessas modalidades, nestes termos: Art. 220. A transformação é a operação pela qual a sociedade passa, independentemente de dissolução e liquidação, de um tipo para outro. Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Art. 228. A fusão é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações. Como se vê na definição legal, apenas nos casos de fusão ou incorporação ocorre a extinção de uma ou mais sociedades sendo sucedida por apenas uma delas (no caso de incorporação) ou por uma nova sociedade (no caso de fusão). Na transformação não há dissolução ou liquidação da sociedade, mas a mera transformação de seu tipo societário (de sociedade por quotas de responsabilidade limitada para sociedade anônima, por exemplo). Nesse caso não há, pelo menos em princípio, alteração do quadro societário, embora a lei ressalve o direito do sócio dissidente retirarse da sociedade; nem tampouco das atividades desenvolvidas. Ou seja, a pessoa jurídica não sofre qualquer interrupção ou alteração na exploração de suas atividades. Não seria razoável a interpretação de que a pessoa jurídica que promoveu alteração de seu tipo societário tivesse a sua responsabilidade tributária até a data da transformação, limitada aos tributos devidos, com exclusão das penalidades pelas infrações tributárias de qualquer natureza que houverem sido cometidas. Fl. 706DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10680.000562/200437 Acórdão n.º 910101.122 CSRFT1 Fl. 4 7 Não obstante o art. 132 alberga todas essas situações, sempre se referindo à responsabilidade dos “sucessores” pelos “tributos” devidos pela pessoa jurídica até a data do ato de transformação, fusão, incorporação ou extinção. O mesmo se pode dizer da interpretação do parágrafo único do mesmo dispositivo quanto à responsabilidade do sócio que, extinta a pessoa jurídica, dá continuidade à exploração da atividade sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual, ficar limitada aos tributos, com exclusão das penalidades. Em linha similar de sustentação, Gelson Amaro de Souza (Responsabilidade Tributária e Legitimidade Passiva na Execução Fiscal, 2ª ed., rev., atual. e amp. – Ribeirão Preto, SP: Nacional de Direito Livraria e Editora, 2001), leciona que: O responsável por sucessão responde pelas obrigações tributárias deixadas pelo sucedido em toda sua extensão, sem exclusão alguma. O legislador, ao disciplinar a matéria da sucessão em seus arts. 131 a 133, especificamente, não fez nenhuma exclusão, como o fez para os casos do art. 134, do mesmo CTN. O parágrafo único do art. 134 exclui as responsabilidades em relação às multas de caráter pecuniário. Mas essa exclusão se restringe única e exclusivamente aos casos do art. 134 e não se aplica em hipóteses outras, que não as ali tratadas. A adequada interpretação do disposto no art. 132 do CTN passa, sem dúvida alguma, pela observância do que dispõe o art. 129 do mesmo código. O dispositivo em questão é a moldura sob a qual devem ser aplicados os demais dispositivos da seção que trata da responsabilidade dos sucessores, nestes termos: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. (grifei) O dispositivo se refere expressamente não apenas à responsabilidade dos sucessores “por igual aos créditos tributários” , como também determina a sua aplicação (por igual) a quaisquer créditos tributários, sejam eles “definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos”, apenas com a ressalva de que sejam “relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data” O código não diferencia, portanto, a responsabilidade do sucessor sobre os créditos tributários, sejam eles constituídos antes, em curso de constituição ou posteriormente à data ato de transformação, fusão, incorporação ou extinção da pessoa jurídica. Assim, não abriga critério que permita excluir da responsabilidade as multas aplicadas após a data do ato de sucessão, conforme entendeu o acórdão recorrido. Esta interpretação está em consonância com a jurisprudência mais recente do Superior Tribunal de Justiça, que, sob a égide da Constituição Federal de 1.988, se não vejamos como dispõe a ementa do RESP. Nº 959389 –RS, in verbis: RECURSO ESPECIAL N° 959.389 RS (2007/01316981) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ARTIGO 159 DO CC DE 1916. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. MULTA Fl. 707DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 8 TRIBUTÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA. 1. Não se conhece do recurso especial se a matéria suscitada não foi objeto de análise pelo Tribunal de origem, em virtude da falta do requisito do prequestionamento. Súmula 282 e 356/STF 2. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem penalidade pecuniária, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. (grifo não consta do original) 3. Segundo dispõe o artigo 113, § 3°, do CTN, o descumprimento de obrigação acessória faz surgir, imediatamente, nova obrigação consistente no pagamento da multa tributária. A responsabilidade do sucessor abrange, nos termos do artigo 129 do CTN, os créditos definitivamente constituídos, em curso de constituição ou "constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data", que é o caso dos autos. (grifo constante do original) 4. Recurso Especial conhecido em parte e não provido (Acórdão proferido em 07/052009 – Relator Ministro Castro Meira) Na mesma linha já havia sido proferido o Acórdão nº 1.017.186 SC, in verbis: RECURSO ESPECIAL N° 1.017.186 SC (2007/03039743) RECURSO ESPECIAL. MULTA TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO DE EMPRESAS. RESPONSABILIDADE. OCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. TEMA NÃO ANALISADO. RETORNO DO AUTOS. A empresa recorrida interpôs agravo de instrumento com a finalidade de suspender a exigibilidade dos autos de infração lavrados contra a empresa a qual sucedeu. Alegou a ausência responsabilidade pelo pagamento das multas e, também, decadência dos referidos créditos. O Tribunal a quo acolheu o primeiro argumento, julgando prejudicado o segundo. 1. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas também se refere às multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. (grifo não consta do original). 2. Nada obstante os art. 132 e 133 apenas refiramse aos tributos devidos pelo sucedido, o art. 129 dispõe que o disposto na Seção II do Código Tributário Nacional aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição, compreendendo o crédito tributário não apenas as dívidas decorrentes de tributos, mas também de penalidades pecuniárias (art. 139 c/c § 1° do art. 113 do CTN). (grifo não consta do original). Fl. 708DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10680.000562/200437 Acórdão n.º 910101.122 CSRFT1 Fl. 5 9 3. Tendo em vista que a alegação de decadência não foi analisada em razão do acolhimento da nãoresponsabilidade tributária da empresa recorrida, determinase o retorno do autos para que seja analisado o fundamento tido por prejudicado. 4. Recurso especial provido em parte. (Acórdão proferido em 11/03/2008 – Relator Ministro Castro Meira) Com se extrai dos acórdãos a responsabilidade tributária do sucessor abrange não apenas o tributo, como quaisquer tipo de penalidades pecuniárias na medida em que ambos decorrem da obrigação principal, fundamentandose nos artigos 139 e no §1º do art. 113 do CTN, in verbis: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 113 (...). § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, sendo parte integrante do crédito tributário, não há porque se cogitar da exclusão da responsabilidade do sucessor pela multa, seja ela de mora ou de ofício, independente do momento da constituição do crédito. A única diferença entre as multas de mora e de ofício é a postura do sujeito passivo perante o Fisco. Se ele reconhece sua omissão ou inadimplência e declara/paga o tributo correspondente antes de qualquer ação do Fisco deve apenas a multa de mora. Por outro lado, a multa de ofício é uma penalidade mais gravosa na medida em que o Fisco necessitou movimentar a sua máquina fiscalizadora para efetuar o lançamento dos tributos que foram sonegados aos cofres públicos pelo sujeito passivo. Trata se, portanto, de responsabilidade objetiva, que tem como pressuposto a inadimplência ou a omissão do sujeito passivo ao declarar/recolher o tributo, que é verificada no caso concreto, conforme dispõe o art. 136 do CTN, in verbis: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifei) Embora a multa fiscal seja uma penalidade, tem caráter eminentemente patrimonial, não sendo aplicável o princípio do direito penal inserto no art. 5º, inciso XLV da CF/88, segundo o qual a pena não pode passar da pessoa do infrator. Assim, decidiu o Supremo Tribunal Federal no RE. 83.613SP, de 20/08/1976, e precedentes: RE 74.851, RE 59.883 e RE 77.187SP. Lembro, ainda, que, se no passado com base no aludido dispositivo constitucional alguns negavam a possibilidade de habilitação de créditos relativos a multa tributária no processo de falência (sob o argumento de que iria onerar os credores e não o infrator), hoje, a multa tributária está expressamente prevista, no art. 83, inciso VII, da Lei de Falência (Lei no 11.101/05) entre os créditos passíveis de habilitação. Arrematando, entendo que a multa de ofício aplicada pela autoridade fiscal por infração praticada pelo contribuinte à lei tributária, não possui caráter de pessoalidade, típica das penas criminais, mas ostenta caráter econômico e integra o passivo patrimonial das pessoas jurídicas, sendo, assim, transferível para o sucessor, da mesma forma que os demais elementos do passivo. Fl. 709DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 10 Poderseia argumentar que a multa qualificada, como a aplicada no caso sub examine, revestese preponderantemente de elementos do direito penal, na medida em que a exasperação da multa de ofício é aplicada, com base no inc. II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 diante da constatação do evidente intuito de fraude, nos termos definidos pelos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, in verbis: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Neste caso, além da responsabilidade objetiva pela falta de declaração/recolhimento do tributo devido pelo sujeito passivo, concorre para a sua aplicação (da multa qualificada) a conduta subjetiva, caracterizada pela ação ou omissão dolosa do contribuinte com intuito de suprimir ou reduzir o tributo devido. Ora, no caso das pessoas jurídicas a caracterização da conduta dolosa que justifica a majoração da multa de ofício depende essencialmente da ação ou omissão dos seus administradores, que ao fim e ao cabo são os responsáveis pela sua gestão e os beneficiários dos seus resultados. Tal conduta é reprovada não apenas pela legislação tributária, que o faz por intermédio da exasperação da multa de ofício, mas também pela legislação penal, que a tipifica como crime (arts. 1º e 2º da Lei 8.137/1990). Assim, a pessoa jurídica sofre o agravamento da penalidade de cunho patrimonial, enquanto que o dirigente responsável pela conduta dolosa está sujeito às sanções criminais. Nesse contexto, poderseia questionar se a exasperação da multa, originada da ação ou omissão dos administradores da pessoa jurídica sucedida devesse passar à responsabilidade da pessoa jurídica sucessora. Uma vez mais entendo que a penalização mais gravosa deva ser transferida para a sucessora, na medida em que a multa de ofício qualificada integra o crédito tributário apurado e decorre igualmente da legislação tributária. Já a responsabilidade penal ou criminal do dirigente jamais poderá ser estendida ou transferida aos dirigentes da pessoa jurídica sucessora em face da aplicação do princípio da não transferência da pena, previsto no art. 5o, inc. XLV, da CF/88. Ainda que pudesse se admitir que a exasperação da multa lançada de ofício não devesse ser transferida aos sucessores, em homenagem ao princípio da boafé, este entendimento não poderia ser aplicado ao presente caso. As razões relatadas pela fiscalização no seu Termo de Verificação (fls. 25/37) para justificar a imposição da multa qualificada, também transcritas na peça recursal, demonstram que a empresa sucessora é composta basicamente pelos mesmos sócios da empresa incorporada, sendo que ambas sempre foram administradas com exclusividade pelo Fl. 710DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10680.000562/200437 Acórdão n.º 910101.122 CSRFT1 Fl. 6 11 mesmo sóciogerente. É oportuno transcrever os principais pontos do item 67 do Termo de Verificação de Infração, para a perfeita compreensão dos fatos: 67. Caracterizam o evidente intuito de fraude a que aludem os artigos 71, 72 e 73, da Lei 4.502/64, os seguintes fatos, em conjunto com tudo o que já foi exposto neste Termo: "a) as omissões de receitas verificadas ocorreram de forma generalizada na empresa MG MASTER LTDA., bem como já ocorriam as omissões nas empresas que a mesma incorporou e continuaram a ocorrer após as incorporações, como comprovam os envelopes de Fechamento de Caixa e os relatórios existentes no aplicativo SISPAC, constantes da documentação retida/apreendida, de acordo com o Termo de Retenção, a que se refere o item 2, e anexados ao presente processo; b) filiais que iniciaram suas atividades em 1998 também já contabilizavam, desde o primeiro dia de funcionamento, valores de receitas de vendas inferiores às reais; c) as omissões não ocorreram de forma isolada ou esparsa, mas sim de forma continuada e geral, na medida em que ocorreram não só em alguns dias, mas diariamente, não apenas em alguns meses, mas em todos os meses do anocalendário de 1998, que ora está sendo analisado, e também não apenas em uma loja, mas em todas que já existiam, nas que entravam em funcionamento e também nas que foram incorporadas, todas sob a administração do Sr. Sebastião Vicente Bonfim Filho, que era sócio das incorporadas e continua como sócio quotista, representante legal e dirigente exclusivo da MG MASTER LTDA; d) as omissões não foram em decorrência de erros de escrituração e sim decorrentes da sistemática contabilização de valores de receitas de vendas inferiores aos efetivamente ocorrido; (...) g) existe uma limitação à emissão de notas ou cupons fiscais no dia, em função do procedimento de controle e cotas, de tal forma que a utilização dos emissores de cupom fiscal (ECF) fica restrita ao valor previamente determinado pelo próprio sócio administrador, Sr. Sebastião Vicente Bonfim Filho, conforme constatado nos documentos juntados às folhas 218 a 220 do anexo 1 do processo IRPJ e reflexos da MG MASTER LTDA (...); Assim, do quadro social da incorporada, figurava na sua composição SEBASTIÃO VICENTE BOMFIM FILHO e ISABEL MARIA DE MELO BOMFIM, já a empresa incorporadora MG Master Ltda, após a 17ª alteração contratual, mediante a qual incorporou outras 11 empresas além da sucedida Comercial Centauro Ltda, passou a apresentar o seguinte quadro societário: SEBASTIÃO VICENTE BOMFIM FILHO (85%); ISABEL MARIA DE MELO BOMFIM (3%); e GLORIA MARIA DE MELO BONFIM BURGER (12%). Fl. 711DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 12 Ora, o sóciogerente de ambas as empresas (sucessora e sucedida), Sr. Sebastião Vicente Bonfim Filho e único responsável pelas ações e omissões que ensejaram a aplicação da multa qualificada e detentor de 85% do capital social da incorporadora, não pode alegar em seu proveito o desconhecimento de como operava a empresa incorporada e eventuais riscos ocultos na operação de incorporação. Não pode, portanto, opor a boa fé para justificar o afastamento da multa qualificada neste caso. Segundo Roque Antonio Carrazza, em seu Curso de Direito Constitucional, 16a ed, p. 379, o princípio da boafé também impera no Direito Tributário e leciona: “De fato, ele irradia efeitos tanto sobre o Fisco quanto sobre o contribuinte, exigindo que ambos respeitem as conveniências e interesses do outro e não incorram em contradição com sua própria conduta, na qual confia a outra parte (proibição de venire contra factum próprio).” (grifei) É oportuno registrar que o conjunto probatório da conduta dolosa da contribuinte a ensejar a aplicação da multa qualificada é robusto e não foi contestado pela Turma a quo, tanto que ela afastou a aplicação da regra decadencial do art. 150, § 4º, para, então calcular o prazo decadencial com base no disposto no art. 173, I, todos do CTN, justamente por estar configurado o dolo que, à luz da jurisprudência dominante do CARF à época, era necessário para deslocar o termo a quo do prazo decadencial do direito do Fisco lançar os tributos em tela para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser feito o lançamento. Assim, uma vez superada a interpretação dada pela Turma a quo ao disposto no art. 132 do CTN, há que se restabelecer a cobrança da multa de ofício qualificada (150%) sobre os créditos tributários, nos termos do lançamento efetuado. Ademais, não há como justificar a exclusão da exasperação da multa de ofício no presente caso, sem ferir o princípio da boafé, pois a ninguém é dado o direito de se beneficiar da própria torpeza (neminem auditur propriam turpitudinem allegans). Não bastassem todas as considerações já expendidas, entendo que o presente caso amoldase à perfeição ao conteúdo da Súmula nº 47 do CARF, in verbis: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Finalmente, julgo importante registrar que a tese de desconsideração de ato ou negócio jurídico, prevista no art. 116 do CTN, vislumbrada pelo relator do acórdão vencedor da matéria ora em discussão, como o fundamento indireto da imposição da multa à sucessora, não consta da fundamentação legal, nem das razões da fiscalização para atribuir tal responsabilidade à sucessora, ora autuada. Também não vejo razões para a sua invocação no presente caso. Deste modo considero irrelevante a discussão se tal dispositivo seria ou não aplicável ao presente caso e se o dispositivo em questão estaria ou não em condições de aplicabilidade ou dependeria de sua regulamentação. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial para restabelecer a cobrança da multa de ofício qualificada (150%) sobre os créditos tributários, nos termos do lançamento efetuado. ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Fl. 712DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10680.000562/200437 Acórdão n.º 910101.122 CSRFT1 Fl. 7 13 Fl. 713DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR
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Numero do processo: 11080.922709/2009-88
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO FALTA
DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO.
Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à
comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro
de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos
termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil.
Numero da decisão: 3403-001.176
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente Liduína Maria Alves Macambira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Winderley Morais Pereira, Domingos de Sá Filho, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Fl. 70DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre – DRJ/POA, que manteve o despacho decisório da DRF de origem o qual não reconheceu o direito de crédito pleiteado, e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada O Despacho Decisório nº. 842610177, fls. 5, indeferiu o pedido formulado no PER/DCOMP nº 41209.70816. 100206.1.3.047400, em razão dos créditos informados estarem integralmente utilizados para quitação de débitos da Recorrente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/COMP. Inconformada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade ao despacho decisório. Transcrevo a seguir trechos do relatório da decisão recorrida, fls. 36: (...) A interessada defende a existência do indébito afirmando que estaria errado o valor inicialmente informado em DCTF, causando o indeferimento da compensação e o lançamento de ofício. Anexa DCTF retificadora entregue em data posterior à ciência do Despacho Decisório, a qual corrigiria o equívoco. Então, após solicitar a suspensão da exigibilidade tributária, requer o cancelamento do Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Compensação e a validade da compensação, com a extinção da exigência de ofício. A 2ª Turma da DRJ/POA, no Acórdão nº 1027.228, de 2 de setembro de 2010, fls.36/37, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil. Cientificada da decisão em 10/03/2011, recorrente interpôs Recurso Voluntário em 29/03/2011, requerendo o reconhecimento do crédito pleiteado e as respectivas compensações alegando que sendo pessoa jurídica de direito privado cujo objeto social consiste no comércio, por atacado e varejo, de peças e acessórios para veículos em geral, suas receitas restaram tributadas pela COFINS até a entrada em vigor da Lei Federal n.° 10.485/2002. Com o advento da entrada em vigor da Lei Federal n.° 10.485/2002, mais precisamente dos efeitos normativos contidos no artigo 3 o e seu §2°, as receitas auferidas pela Recorrente, decorrentes da venda no atacado e no varejo de peças e acessórios de veículos, restou sujeita à alíquota Fl. 71DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 11080.922709/200988 Acórdão n.º 3403001.176 S3C4T3 Fl. 71 3 zero. Referida redução passou a ocorrer da partir do mês de novembro de 2002. Contudo, por lapso deixou de excluir do cálculo dessa exação as receitas da vendas dessa atividade, o que resultou em pagamento a maior do PIS e de Cofins. Aduz que carecem de juridicidade a decisão recorrida. Assim, impera a reforma julgado de primeira instância posto que desconsiderou a prova através do único documento válido a ser anexado pela recorrente, por ocasião da manifestação de inconformidade,o qual consiste justamente na DCTF retificadora. Ao final pede que: seja recebido esse recurso voluntário; reforma da decisão recorrida, reconhecendo ao fim a compensação procedida; caso entenda essa Colenda Câmara Recursal necessária maior dilação probatória além das DCTF retificadoras, e a considerar os documentos que a Recorrente protesta pela juntada em trinta dias, que se determine a baixa dos autos à instância originária para fins de diligências, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, para aferição dos créditos declarados/compensados nas PER/DCOMP; seja realizados o julgamento do presente recursos voluntário em conjunto outros processos, conforme especificados na peça recursal. Para fortalecer seus argumentos traz decisões do STJ e do Primeiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheira Liduína Maria Alves Macambira relatora O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, cumpre esclarecer que apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993). Ademais, a realização de diligência, conforme prevista no Decreto nº 70.235, de 1972, não tem por objetivo suprir procedimento que é encargo das partes. No presente caso, o ônus de provar o fato constitutivo do direito creditório que alega ter é da recorrente. A realização de diligências tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Não cabe ao julgador substituir os interessados na produção de provas. A inércia da recorrente não pode ser suprida por diligência. Como em qualquer relação jurídica e na relação jurídica tributária não poderia ser diferente, quem alega um fato deve proválo. A Recorrente deveria ter trazido as provas junto com a manifestação de inconformidade. Por essas razões, não acolho o pedido de diligência. Quanto às decisões administrativas e judiciais trazidas aos autos não podemos negar que os precedentes tem força persuasiva, contudo não tem força vinculantes. Fl. 72DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 4 No tocante às decisões administrativas, mesmo que o Primeiro Conselho de Contribuintes (atual 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) tenha decidido reiteradas vezes sobre determinada questão, não vinculam os demais julgadores desse Colegiado, estes podem ter entendimento diferente. Nesse sentido, o inciso II do artigo 100 do CTN determina que são normas complementares (das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos) as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa. No tocante às decisões judiciais, observese o disposto nos artigos 102, § 2°, e 103A da Constituição da República (CR/1988), com redação dada pela Emenda Constitucional n° 45, de 08/12/2004, além do artigo 8° desta Emenda. O artigo 102, § 2°, da CR/1988 determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade (ADI) e nas ações declaratórias de constitucionalidade (ADC) produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Já o artigo 103A estipula que o Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Por fim, o artigo 8º da Emenda Constitucional n.° 45/2004 preconiza que as atuais súmulas do Supremo Tribunal Federal somente produzirão efeito vinculante após sua confirmação por dois terços de seus integrantes e publicação na imprensa oficial. Por essas normas constitucionais, apenas as súmulas vinculantes e os julgados em sede de ADI e ADC deverão ser observadas pela Administração Pública e aquelas decisões judiciais em que o contribuinte se configure como parte. Na espécie, também não serão conhecidas as decisões judiciais suscitadas pelo litigante, posto que vinculam somente às partes envolvidas naqueles litígios específicos, não abrangendo terceiros. Data vênia ao entendimento dos Tribunais Superiores, este não vincula o administrador em seus julgados, já que não faz parte da legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do CTN, salvo na hipótese dos artigos 102 (§2º) e 103A da CR/1988, o que não ocorreu na espécie. Conforme relatado, o litígio do presente processo envolve a análise da liquidez e certeza do crédito objeto do pedido de compensação, referente a suposto pagamento a maior de Cofins. O pedido foi indeferido sob a justificativa de que o referido pagamento encontrase “integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Como se vê dos autos, às fls. 44/45, a Recorrente, após ciência do decisório do despacho que não homologou a compensação pretendida, alegando erro no valor declarado na DCTF de pronto providencia a sua retificação, entendendo que essa retificação corrigiria o equívoco e exsurgiria o direito creditório alegado. Entretanto, não instrui sua manifestação de inconformidade com documentos que contábil e/ou fiscal que respaldasse sua alegação. Fl. 73DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 11080.922709/200988 Acórdão n.º 3403001.176 S3C4T3 Fl. 72 5 A autoridade julgadora de primeira instância em seu voto condutor assim fundamentou as razões que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não merecendo retoque: Por sua vez, o art. 170 do CTN fixa pressuposto nuclear a ser atendido pelo contribuinte a fim de que possa ser corroborada a compensação pela Fazenda Nacional: que seus créditos estejam revestidos de liquidez e certeza. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser comprovadas documentalmente, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, cabendo à interessada apresentar as provas necessárias para confirmar sua defesa: "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.° da Lei n.° 8.748/93) Na manifestação de inconformidade entregue, a empresa apenas menciona a existência de erro em sua DCTF sem indicar sua origem ou mesmo juntar qualquer prova que confirme o novo valor indicado. Não é possível reconhecer o direito creditório se o contribuinte não traz nenhum dado fidedigno apto a provar o direito alegado, pois é ônus exclusivo deste, provar o que alega, nos termos do art. 333, do Código de Processo Civil, abaixo transcrito: " Art. 333 — O ônus da prova incumbe: I—ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, a liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através da comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores e o efetivo valor devido. Também é assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. No presente, no entanto, a interessada não trouxe qualquer elemento contábil para comprovar o indébito alegado. Como se vê do voto condutor, a autoridade julgadora de primeira instância deixou claro o que deveria comprovar o indébito alegado. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 6 Entretanto, aqui também, quanto na Manifestação de Inconformidade, a Recorrente não traz aos autos nenhum documento contábil e/ou fiscal para comprovar o valor do pagamento a maior. Solicita, caso essa Colenda Câmara Recursal entenda necessária maior dilação probatória além das DCTF retificadora, pela juntada de prova no prazo de 30 (trinta) dias. De acordo com os autos, a recorrente apresentou o recurso voluntário em 29/03/2011, passado esse período, não consta nos autos, ora examinado, tenha a Recorrente apresentado provas para comprovar o direito alegado, até o presente momento. Contrário ao entendimento da recorrente, a declaração retificadora não era um único documento válido a ser anexado a Manifestação de Inconformidade. Impende esclarecer que a DCTF retificadora não tem força probatória para alterar a representação do fato (pagamento a maior ou indevido) apurado com base em declarações prestadas pela contribuinte existentes à época do despacho decisório. Assim, para comprovar a certeza e liquidez, deveria a Recorrente além de ter retificado a DCTF, ter instruído também a Manifestação de Inconformidade com documentos contábeis e /ou fiscais que comprovassem o quantum recolhido indevidamente É assim porque, em primeiro lugar, o ônus de provar fato constitutivo do direito creditório incumbe ao contribuinte que alega ter. O ônus da prova em nosso ordenamento jurídico é regulado pelo art. 333, I, do Código de Processo Civil. Em segundo lugar, o momento apropriado para se desincumbir de tal ônus é quando da interposição da manifestação de inconformidade, arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ou ainda, junto com o recurso voluntário com base na flexibilidade que o art. 38 da Lei nº 9.784, de 1999 deu as regras da preclusão administrativa estabelecidas no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Trago à colação ensinamento do doutrinador Humberto Teodoro Júnior, apresentado em julgado anterior sobre a comprovação dos fatos alegados como condicionante de sua existência: Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Vejo que a compensação tributária na forma pretendida pela recorrente, não pode ser implementada porque continua faltando a liquidez e a certeza dos créditos apontados como pagamento indevido. Com essa considerações, não tendo a recorrente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, apresentado os documentos hábeis à comprovação do valor recolhido indevidamente, não é possível aferir a certeza e da liquidez do indébito, que são requisitos legais indispensáveis à compensação tributária exigidos pelo art. 170 do CTN. Ante o exposto, voto no sentido de não acolher o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 11080.922709/200988 Acórdão n.º 3403001.176 S3C4T3 Fl. 73 7 Liduína Maria Alves Macambira Fl. 76DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.009462/2003-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Aug 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2003
BASE DE CÁLCULO. REVOGAÇÃO DO INCISO I DO ART. 3º DA LEI
Nº 9.718/98 PELA LEI Nº 11.941/09.
A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal
em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.576
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso especial.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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REVOGAÇÃO DO INCISO I DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98 PELA LEI Nº 11.941/09. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Fl. 939DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Cuidase da análise de admissibilidade do Recurso Especial de fls. 851/872, interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n° 203 12.500, com fundamento no art. 7º, I, do Regimento Interno da CSRF (RICSRF) aprovado pela Portaria MF n° 147/2007. Pretende a Recorrente seja revisto o julgado, no que por maioria cancelou o PIS incidente sobre receitas financeiras, exigido com base no art. 30, § 1°, da Lei n° 9.718/98. Segundo o voto condutor do Acórdão recorrido, tendo o referido dispositivo legal sido declarado inconstitucional pelo STF configurase á hipótese do art. 49, I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC) aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, que combinado com o art. 4º, parágrafo único, do Decreto n° 2.346/97, impõe o cancelamento da exigência. A Recorrente alega, no essencial, que como a norma foi proclamada inconstitucional em controle difuso, não pode ter seus efeitos estendidos a outras pessoas que não as demandantes, e que os Conselhos de Contribuintes não estão autorizados a afastar a aplicação de qualquer ato normativo ao ensejo de inconstitucionalidade declarada na via de exceção. Também defende a incidência da Contribuição sobre as receitas financeiras, tecendo considerações sobre a identidade entre faturamento e receita bruta. Por meio do Despacho de fls. 875/876, sob o entendimento de terem sido cumpridos os requisitos de admissibilidade, o recurso foi admitido em relação à tributação (ou não) com base no § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 (receitas financeiras). É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora O recurso especial do contribuinte atende aos requisitos legais e dele tomo conhecimento. A matéria em discussão trata do alargamento da base de cálculo da contribuição (inconstitucionalidade do § I" do art. 3º da Lei. n° 9.718, de 1998) sobre as receitas financeiras da contribuinte. A decisão recorrida não merece reparos. Retornando ao passado, temse que no julgamento dos Recursos Extraordinários nºs 357950, 390840, 358273 e 346084 (09.11.2005) o Pleno do Supremo Fl. 940DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11080.009462/200317 Acórdão n.º 930301.576 CSRFT3 Fl. 894 3 Tribunal Federal declarou, por maioria, a inconstitucionalidade do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98 que instituiu a receita bruta como base de cálculo para o PIS e a Cofins. Vale lembrar que as decisões plenárias do STF, mesmo que em sede de controle difuso, são passíveis de serem aplicadas nesta instância administrativa, nos termos do atual Regimento Interno do CARF. Isto porque, visando prestigiar os princípios da celeridade processual e o da segurança jurídica, além de buscar diminuir a litigiosidade das pretensões envolvendo a Fazenda Nacional, o já Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, através da Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, introduziu a possibilidade de o Tribunal Administrativo aplicar às lides que lhe são submetidas as decisões do Supremo Tribunal proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, desde que seja oriunda do Pleno da Suprema Corte. A inovação veio prescrita no art. 49, parágrafo único, inc. I daquele Regimento, verbis: "Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (...)".(original sem destaque) Ressaltese que o dispositivo acima não está deferindo ao Conselho de Contribuintes a competência de afastar a aplicação de norma cogente sob o pejo de inconstitucionalidade, o que não seria possível por força a separação dos Poderes Constituídos, nos termos, inclusive, da jurisprudência sumulada do órgão administrativo. Na hipótese, o afastamento da norma tida como inconstitucional foi realizada por quem tem competência institucional para tanto, no caso o Supremo Tribunal Federal. O Regimento apenas autoriza a aplicação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade havida pelo Pleno do STF aos casos submetidos ao Conselho de Contribuintes. E que não se alegue que a decisão plenária do Supremo Tribunal mencionada no art. 49, p. único, I do Regimento se refere apenas a decisão oriunda do controle concentrado de constitucionalidade, cujos efeitos são notoriamente erga omnes e vinculantes. De fato. Tal entendimento encontrase referenciado no encerramento do julgamento (RE 390840/MG) proferido pelo Supremo Tribunal Federal – STF, relativo ao artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, que transitou em julgado em 29/09/2006. Em 28.05.2009 foi publicada a Lei nº 11.941/09, a qual, em seu artigo 79, inciso XII, revogou o inciso I do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que determinava a incidência do PIS e da COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas, e não apenas sobre os valores relativos ao seu faturamento, decorrente da venda de bens e serviços. CONCLUSÃO Fl. 941DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Em razão do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional Maria Teresa Martínez López Fl. 942DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10640.900086/2008-56
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2002
DECISÃO DEFINITIVA
Considera definitiva a decisão de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário.
Numero da decisão: 1801-000.808
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer o recurso voluntário interposto por não ter sido instaurada a fase litigiosa processual, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário interposto por não ter sido instaurada a fase litigiosa processual, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 62DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10640.900086/200856 Acórdão n.º 180100.808 S1TE01 Fl. 61 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 38670.31986.140305.1.3.024191 em 14.03.2005, fls. 0311, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2001, fls. 1314, no valor total de R$1.757,59. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 02, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) de R$ 42.234,68 não corresponde ao valor do saldo negativo informado no Per/DComp de R$1.757,59. Cientificada em 18.03.2008, fl. 27, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 17.04.2008, fl. 01, argumentando, em síntese, que transmitiu a Per/DComp indevidamente, uma vez que à época do fato gerador do IRPJ ocorrido em outubro de 2003, não havia a obrigatoriedade de sua apresentação para extinção do débito. Por esta razão, requer o cancelamento da mesma. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0933.483, de 10.02.2011, fls. 2829: “Manifestação de Inconformidade Não Conhecida”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 DELEGACIAS DE JULGAMENTO. ATRIBUIÇÕES. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, órgãos com jurisdição nacional, compete julgar, em primeira instância, manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações das autoridades competentes relativos à restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e à redução de alíquotas de tributos e contribuições. Notificada em 08.04.2011, fl. 32, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 09.05.2011, fls. 3346, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Suscita que houve erro material na indicação do crédito utilizado na Per/DComp, o que motivou a emissão do despacho decisório.Informa que o valor de R$42.234,68 é o correto saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, conforme consta na DIPJ. Defende que no processo administrativo deve prevalecer a verdade material, de modo que o “registro em Per/DComp de crédito [de] saldo negativo de IRPJ em valor inferior àquele apurado em DIPJ não impede, de plano, a análise do direito creditório [no caso em que] presentes evidentes indícios de erro de fato”. Para tanto, solicita produção de todos os meios de prova. Esclarece que o valor de R$1.757,59 constante no Per/DComp referese ao débito de IRPJ calculado a título de estimativa do mês de outubro de 2003. Procura demonstrar que o valor do tributo determinado pela base de cálculo estimada não pode ser exigido, Fl. 63DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10640.900086/200856 Acórdão n.º 180100.808 S1TE01 Fl. 62 3 hipótese em que teria cabimento a aplicação da multa exigida isoladamente, nos termos do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ex positis , a Recorrente espera e requer que V. Exas. julguem inteiramente procedente o presente Recurso, de sorte que seja homologada integralmente a compensação realizada, tudo conforme os sólidos argumentos acima expendidos, ou, caso assim não entendam, determine o cancelamento da cobrança, uma vez que se trata de valor de estimativa mensal de IRPJ. Pede deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente é tempestivo. Antes de analisar as matérias devolvidas para reexame nesta segunda instância de julgamento, vale esclarecer que em primeira instância de julgamento a manifestação de inconformidade não foi conhecida, uma vez que não compete à DRJ analisar pedido de cancelamento da Per/DComp. Tem cabimento verificar se foi observado o princípio recursal da dialeticidade, que determina que o recurso deve conter os fundamentos de fato e de direito que deram causa ao inconformismo com a decisão de primeira instância de julgamento. A legislação processual determina que a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento devendo ser formalizada por escrito com o detalhamento dos motivos de fato e de direito em que se basear, devendo os pontos de discordância e as razões estarem expostas de forma minuciosa, sob pena de serem considerados não refutadas. Via de regra, a peça de defesa deve estar instruída com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. O recurso voluntário é o meio idôneo a ensejar o reexame das questões decididas em primeira instância de julgamento com a finalidade de obter um pronunciamento mais favorável relativamente à sucumbência. O efeito devolutivo, inerente ao mecanismo recursal, promove o restabelecimento do poder de apreciar a mesma questão em segunda instância de julgamento. As razões recursais que se fundarem em inovação à lide acabam não se voltando contra os termos previstos no ato de deliberação que se pretende reformar, ficando evidente a violação princípio da dialeticidade catalogado de Fl. 64DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10640.900086/200856 Acórdão n.º 180100.808 S1TE01 Fl. 63 4 determinação de que se considera definitiva a decisão de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário.1 Na peça impugnatória, consta somente o argumento de que como a Per/DComp foi apresentada indevidamente deve ser cancelada e em razão da falta de previsão legal de competência em razão da matéria a manifestação de inconformidade não foi conhecida. Por seu turno, na fase recursal foram apresentadas contestações pertinentes ao erro material na indicação do crédito utilizado na Per/DComp e cobrança indevida do débito indicado na Per/DComp. Verificase que estas questões foram alegadas pela primeira vez no recuso voluntário, oportunidade em que a decisão de primeira instância já havia declarado o processo findo na esfera administrativa. Em face do exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário interposto, uma vez que a fase litigiosa no procedimento não foi regularmente instaurada. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 1 Fundamentação legal: art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 27, art. 37 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 65DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15563.000238/2006-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
A partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, e somente então é possível falar em ampla defesa ou cerceamento dela. A alegada falta de apreciação do pedido de “prorrogação do prazo” para apresentação de provas no processo administrativo não enseja
cerceamento do direito de defesa.
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
TAXA SELIC
Em atenção à Súmula nº 04 deste CARF, é aplicável a variação da taxa Selic como juros moratórios incidentes sobre créditos tributários.
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 02. Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Numero da decisão: 2102-001.750
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, e somente então é possível falar em ampla defesa ou cerceamento dela. A alegada falta de apreciação do pedido de “prorrogação do prazo” para apresentação de provas no processo administrativo não enseja cerceamento do direito de defesa. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. TAXA SELIC Em atenção à Súmula nº 04 deste CARF, é aplicável a variação da taxa Selic como juros moratórios incidentes sobre créditos tributários. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 02. Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 19/01/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima. Relatório Em face da contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 408/414 para exigência de IRPF em razão da presunção de omissão de rendimentos, fundada na existência de depósitos bancários de origem não comprovada, em contas de sua titularidade. Os extratos bancários objeto do trabalho fiscal foram entregues à autoridade fiscal pela própria contribuinte, em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização, de fls. 24. O lançamento abrangeu fatos geradores ocorridos entre os anos de 2001 e 2004, e a contribuinte dele foi cientificada em 13.11.2006, como faz prova o AR de fls. 421. Nesta ocasião, apresentou a impugnação de fls. 438/452, na qual, em síntese: o cerceamento do seu direito de Defesa, por não terem sido devidamente examinados na fase de verificação fiscal os diversos pedidos de devolução de prazo formulados; era técnica em Contabilidade e sempre foi praxe dos clientes, talvez por comodidade, efetuarem depósitos nos diversos bancos nos quais mantém conta corrente, a fim de que esta efetivasse os eventuais pagamentos de tributos, cujos comprovantes originais encontramse arquivados em seu escritório; por esta razão e, sobretudo, pela incidência de elementos de força maior, viuse impossibilitada de comprovar a origem de todos os depósitos dentro do prazo estabelecido, razão pela qual lhe deveria ser concedido novo prazo de 180 dias, nos termos do art.16, § 40, do Decreto no 70.235/72; estaria prescrito, nos termos do art. 174 da Lei n° 5.172/66, o direito de ação para cobrança do crédito tributário no que diz respeito ao anobase 2001, pois a ciência da “pseudoinfração” tributária ocorreu em 06.02.2006; Fl. 558DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 15563.000238/200631 Acórdão n.º 210201.750 S2C1T2 Fl. 563 3 não obstante a existência da Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, que enuncia que "É ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base em extratos ou depósitos bancários", a Receita Federal insiste na cobrança de imposto com base somente nos depósitos bancários. Tal enunciado seria inegavelmente atual, devendo ser aplicado, como fez o TRF da 1ª Região, na Apelação Cível n° 1993.01.119773/PA, bem como o Conselho de Contribuintes no Recurso n° 133.413; a Impugnada “posiciona sua pretensão frente à Lei n° 9.430/96, cuja criação axiológica se deu frente às imposições de cobrança do Imposto de Renda às pessoas jurídicas. Neste diapasão, restaria à contribuinte a faculdade de optar por outra modalidade aferição, estampada no artigo 19, § 1°, da Lei 9.249/95, ensejando a revisão geral dos cálculos do imposto lançado.”; não caberia a aplicação da taxa SELIC ao crédito tributário em razão da sua natureza estritamente remuneratória. Nos termos do art. 161, § 1°, do CTN, os juros serão de 1%, se a lei não dispuser em contrário; e o valor exigido a título de multa estava baseado em um “capital irreal” Na análise de tais razões, os membros da 2ª Turma da DRJ II decidiram pela integral manutenção do lançamento. Entenderam que não teria havido cerceamento do direito de defesa da contribuinte e que não teria ocorrido a decadência (esclarecendo ainda a diferença entre esta e a prescrição). Quanto ao mérito, entenderam que a documentação carreada aos autos pela contribuinte não teria o condão de comprovar a origem dos depósitos, mas indicavam apenas a destinação dos valores depositados. Foram indeferidos todos os demais pedidos. Não tendo se conformado, o contribuinte interpôs, através de procurador habilitado, o Recurso Voluntário de fls. 481/507, por meio do qual reitera os argumentos expostos em sua Impugnação, e: requer que as intimações e publicações se dessem em seu nome; alegou ser inexigível o depósito recursal, nos termos do entendimento do Eg. STF a respeito da matéria; reiterou o pedido de reconhecimento da prescrição, alegando que a decisão recorrida confundira prescrição com decadência; Os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora Fl. 559DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 04.08.2008, como atesta o documento de fls. 480. O Recurso Voluntário foi interposto em 03.09.2008 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Antes de entrar no mérito de suas razões recursais, a recorrente discorre sobre o descabimento da exigibilidade do depósito recursal como pressuposto para a interposição do Recurso. Tal pedido, no entanto, não tem objeto, tendo em vista que depósito recursal já não é mais exigido em sede de processo administrativo fiscal federal, em razão do que ficou decidido no julgamento da Adin nº 19767. Do cerceamento do direito de defesa A Recorrente suscita uma preliminar de cerceamento do seu direito de defesa, fundado nos seguintes motivos, verbis: Argüiu a Contribuinte a preliminar de cerceamento de defesa, posto que não devidamente examinado na fase de verificação fiscal os diversos pedidos de devolução de prazo, para cuja matéria tratavaseia de prazo maior para produção de provas, transgredindo, destarte, aos ditames constitucionais elencados no artigo 5° , inciso LV da Constituição Federal. Com efeito, a Recorrente, ao longo do procedimento fiscal, requereu diversas vezes a dilação do prazo para apresentação de documentos, ao argumento de que encontrara muita dificuldade em obtêlos. Neste sentido, é importante esclarecer que a fiscalização teve início em março de 2006, sendo certo que até a presente data (passados quase 6 anos), a Recorrente já teve tempo mais do que suficiente para coletar a documentação que entendesse pertinente à comprovação. Porém, até hoje não logrou trazer aos autos quaisquer documentos que comprovassem, de forma efetiva que a movimentação de suas contas bancárias se referia a valores de seus clientes, e não seus. Por isso, não há que se falar em cerceamento do seu direito de defesa, pois a Recorrente dispôs de tempo suficiente para produzir provas em seu favor. Ademais, apesar de ser plenamente possível que o contribuinte inicie sua defesa já em sede de fiscalização, não se pode falar em violação ao seu direito de defesa antes de iniciado o processo administrativofiscal – razão pela tal cerceamento realmente não ocorreu na hipótese em exame. Outrossim, o Recorrente teve chance de se defender de forma ampla e plena a partir do momento de sua impugnação – ocasião em que, se fosse o caso, deveria ter apresentado todos os documentos e razões que implicassem no cancelamento do lançamento em questão. O mesmo se diga em relação ao momento da interposição do Recurso Voluntário. Neste sentido, a jurisprudência deste Conselho é unânime, como se pode verificar através do seguinte julgado: (...) CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa Fl. 560DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 15563.000238/200631 Acórdão n.º 210201.750 S2C1T2 Fl. 564 5 quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentação de documentos e esclarecimentos. (Ac. nº 10420731, Rel. Cons. Nelson Mallmann, julgado em 15.06.2005) Diante do exposto, não merece acolhida esta preliminar. Decadência A recorrente insiste que estaria prescrito o direito da Fazenda de efetuar o lançamento em exame, nos termos do art. 174 do CTN. Alega que a decisão recorrida teria se equivocado ao tratar deste pedido como decadência, já que este não fora o pedido por ela formulado. Mais uma vez não merece acolhida seu pedido. Isto porque o art. 174 do CTN se refere realmente à prescrição, mas não se aplica ao caso vertente. Tal artigo diz respeito ao direito de ação da Fazenda Nacional, que somente pode ser exercido depois do momento em que o crédito tributário estiver definitivamente constituído, o que não ocorre nos autos. Neste sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO. PRAZO SUSPENSO ATÉ SOLUÇÃO FINAL DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS COM FATOS GERADORES OCORRIDOS ENTRE 01/1990 E 09/1990. DECADÊNCIA. NÃO CONFIGURADA. 1. A constituição definitiva do crédito tributário (lançamento) ocorre com a notificação do contribuinte (auto de infração), exceto nos casos em que o crédito tributário originase de informações prestadas pelo próprio contribuinte, tais como em DCTF e GIA..Precedentes. 2. Entretanto, o prazo prescricional disposto no art. 174 do CTN apenas começa a fluir com a solução definitiva do recurso administrativo. Precedentes. 3. A alegação de que ocorreu a decadência em relação aos créditos que apresentaram fatos geradores compreendidos entre o período de 01/1990 a 09/1990 também não apresenta consistência jurídica, uma vez que não ocorreu o prazo decadencial de 05 (cinco) anos entre o marco inicial, que se deu, em relação a eles, no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, em 01 de janeiro de 1991 e a notificação levada a efeito em 25 de setembro de 1995, nos termos do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. 4. Agravo regimental não provido. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 (AgRg no Ag 1338717/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/11/2011, DJe 10/11/2011) Por isso, a norma aplicável aqui é aquela do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I do CTN, as quais tratam da decadência, isto é, do prazo para a Fazenda efetuar o lançamento, e não do prazo para cobrar o crédito tributário já constituído. Diante destes esclarecimentos, é de ser mantida a decisão recorrida, por seus próprios fundamentos. Da juntada de documentos Ao longo do Recurso Voluntário interposto, a Recorrente pugna pela juntada de documentos em momento posterior, alegando que tal pedido deixou de ser apreciado pela decisão recorrida. No entanto, a despeito de o requerer, a Recorrente em nenhum momento trouxe quaisquer dos documentos que pretendia juntar aos autos, os quais – se fosse o caso – poderiam ser acolhidos, desde que a situação se enquadrasse no art. 16, § 4º do Decreto 70.235, que assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Assim, não há o que acolher quanto a tal pedido, dado que a documentação já trazida aos autos não deixou de ser apreciada. Dos depósitos bancários Conforme relatado, o lançamento em exame está fundamentado no disposto na Lei nº 9.430/96, que estabeleceu uma presunção de omissão que, apesar de ser relativa, só pode ser derrubada contra a apresentação, pelo contribuinte, de documentação hábil e idônea que comprove a origem daqueles rendimentos. Por isso que para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, cabe sempre ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos valores transitados por sua conta bancária. Sendo esta uma determinação legal, não cabe ao julgador administrativo avaliar sobre o seu acerto ou sua tecnicidade, mas somente aplicála. Neste sentido, este Conselho editou a Súmula nº 1, segundo a qual: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Por isso, e em obediência ao art. 72 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes, que determina a aplicação obrigatória das súmulas, deixo de acolher o pedido da Recorrente, devendo ser mantido o lançamento. O mesmo se aplica quanto à alegação de que se aplicaria aqui a Súmula 182 do extinto TFR. Tal enunciado dizia respeito à tributação do IR com base em legislação pretérita, diversa daquela que fundamenta este lançamento – e por isso mesmo não há que se falar na aplicação desta súmula ao presente caso. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 15563.000238/200631 Acórdão n.º 210201.750 S2C1T2 Fl. 565 7 Assim, não merecem acolhida as alegações da Recorrente no que diz respeito à impossibilidade da tributação em tela, que não pode ser afastada por esta turma julgadora, cabendo, tãosomente, analisar o caso concreto para verificar se a hipótese se enquadra ou não na referida norma. No caso em exame, a Recorrente afirma, desde a época da fiscalização, que a movimentação realizada em sua conta bancária não lhe pertencia, mas sim a seus clientes, já que ela exerce a função de contadora e seus clientes usualmente depositavam em contas de sua titularidade os valores para pagamento dos tributos por eles devidos. Assim está redigida a resposta à última intimação por ela recebida para comprovação da origem dos depósitos efetuados em suas contas: Apesar de ter solicitado prorrogação para atendimento da referida Intimação, sirvome da presente para informar que tal procedimento solicitado no prazo dado é impossível de ser cumprido pois, por minha profissão, recebo numerário dos clientes para pagar seus impostos, em diversos bancos porém, sempre ocorrem depósitos extras, tais como para pagar uma taxa de Alvará, uma multa de FGTS, uma rescisão que, por não fazerem parte de uma rotina, não tenho tal controle e, além disso, várias empresas ou mudaram de contador ou, paralisaram suas atividades o que faz com que eu não tenha mais acesso aos seus pagamentos. Em sede de Impugnação, a Recorrente também não trouxe a documentação alegada. Assim, por mais pertinentes que sejam as alegações da Recorrente, elas não merecem acolhida diante da falta de provas trazidas aos autos. Isto porque, ainda que se admita que a maior parte da movimentação bancária efetuada em suas contas pertença a seus clientes (para pagamento dos tributos devidos pelos mesmos), não há como mensurar quanto do total depositado pertence aos clientes e quanto pertence à própria Recorrente. As declarações trazidas pelos alegados depositantes não fazem menção a quaisquer valores ou datas, não sendo suficientes a este mister. Assim, a prova quanto às alegadas transações seria imprescindível para o acolhimento do pedido da Recorrente. Sem tais provas, suas alegações não podem ser acolhidas. Do pedido de aplicação de outras normas legais Apesar de haver uma confusão no Recurso Voluntário quanto aos artigos cuja aplicação a Recorrente pretende, é possível depreender que sua alegação é no sentido de que as disposições contidas na lei nº 9.430/96 são relacionadas às pessoas jurídicas, e não às físicas, nos termos do art. 1º da referida lei. Neste sentido, porém, cumpre esclarecer que a referida norma – a despeito de tratar da tributação das pessoas físicas em seu art 1º, também trata da tributação de pessoas físicas, entre outras disposições. Assim, não há qualquer equívoco na aplicação da referida lei ao caso concreto. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 No mais, a Recorrente acrescenta: 35. Neste diapasão restaria ainda prejudicado a tese da IMPUGNADA, haja vista que do bojo de suas cobranças, ainda que inconclusivas, restaria a Contribuinte a faculdade de optar, por outra modalidade de aferição, estampada na Lei n° 9.249 de dezembro de 1995, qual seja: (...) 36. Sob este prisma, à Contribuinte a revisão geral dos cálculos, após evidente juntada das provas complementares, vindo os mesmos aos patamares razoáveis. Inicialmente excluindose prescricional, e após, considerandose as deduções relativas apuradas. Na realidade, o artigo cuja aplicação a Recorrente pretende seria o art. 20 da referida lei, segundo o qual: Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003)(Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) § 1o A pessoa jurídica submetida ao lucro presumido poderá, excepcionalmente, em relação ao 4o (quarto) trimestre calendário de 2003, optar pelo lucro real, sendo definitiva a tributação pelo lucro presumido relativa aos 3 (três) primeiros trimestres. (sem destaques no original) Com efeito, tal pedido não merece acolhida, já que a legislação mencionada não se aplica às pessoas físicas, mas sim às pessoas jurídicas, sendo certo que a apuração do imposto através da presunção aqui mencionada decorre de expressa previsão legal específica contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Taxa SELIC Por fim, também não merece acolhida o pedido de exclusão da aplicação da taxa Selic sobre o crédito tributário em discussão. Quanto a este assunto, foi editada a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, segundo a qual: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.”. Por isso, em obediência ao art. 72 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes, deixo de acolher o pedido de afastamento da referida taxa. Multa de ofício Fl. 564DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 15563.000238/200631 Acórdão n.º 210201.750 S2C1T2 Fl. 566 9 A Recorrente se insurge ainda contra a multa de ofício aplicada ao lançamento (de 75%). Tal alegação, porém, esbarra em um enunciado da Súmula deste Conselho, este o de nº 2, segundo o qual: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Neste caso, apesar do enunciado não tratar diretamente da questão da multa, deve ele ser aplicado ao caso vertente, pois, sendo a multa de ofício uma determinação legal – devidamente prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, não cabe ao julgador administrativo avaliar sobre o seu acerto ou sua tecnicidade, mas somente aplicála. A Recorrente pugna pela redução da multa para um patamar de, no máximo, 20% no entanto, não há previsão legal para que se opere tal redução na multa de ofício, não podendo sua pretensão ser acolhida. Como se vê, todas estas questões suscitadas pela Recorrente esbarram, de fato, nos enunciados acima transcritos. Sendo assim, deve ser aplicado aqui o caput art. 72 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes, que assim determina: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF Diante do exposto, VOTO no sentido de REJEITAR as preliminares argüidas para, no mérito, NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 565DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 37306.002041/2006-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/10/2004
PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
INOCORRÊNCIA.
A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
ADICIONAL DE SAT. APOSENTADORIA ESPECIAL.
O benefício da aposentadoria especial será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei no 8.212/91, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente.
ADICIONAL DE SAT. DOCUMENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO.
Nos procedimentos fiscais em que for constatada a falta do PPRA, PGR, PCMAT, PCMSO, LTCAT ou PPP, quando exigíveis ou a incompatibilidade entre esses documentos, o AFPS fará, sem prejuízo das autuações cabíveis, o lançamento arbitrado da contribuição adicional, com fundamento legal
previsto no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DA PROVA.
CRITERIO DA LIVRE CONVICÇÃO.
A autoridade julgadora tem liberdade para apreciar livremente as provas produzidas nos autos e emitir sua decisão em conformidade com a sua íntima convicção, ressalvados as hipóteses irradiadoras de efeitos vinculantes previstas na Lei Maior e em leis específicas.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos
termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.294
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Vencido o Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa que entendeu a necessidade de conversão do julgamento em diligência.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 31/10/2004 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. ADICIONAL DE SAT. APOSENTADORIA ESPECIAL. O benefício da aposentadoria especial será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei no 8.212/91, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. ADICIONAL DE SAT. DOCUMENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. Nos procedimentos fiscais em que for constatada a falta do PPRA, PGR, PCMAT, PCMSO, LTCAT ou PPP, quando exigíveis ou a incompatibilidade entre esses documentos, o AFPS fará, sem prejuízo das autuações cabíveis, o lançamento arbitrado da contribuição adicional, com fundamento legal previsto no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DA PROVA. CRITERIO DA LIVRE CONVICÇÃO. A autoridade julgadora tem liberdade para apreciar livremente as provas produzidas nos autos e emitir sua decisão em conformidade com a sua íntima Fl. 2115DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 convicção, ressalvados as hipóteses irradiadoras de efeitos vinculantes previstas na Lei Maior e em leis específicas. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Vencido o Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa que entendeu a necessidade de conversão do julgamento em diligência. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Wilson Antonio de Souza Correa e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Período de apuração: 01/04/2003 a 31/10/2004 Data da lavratura da NFLD: 20/01/2006. Data da Ciência do NFLD: 20/01/2006. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao financiamento do benefício da aposentadoria especial previsto no caput do artigo 57 da Lei 8.213/91, na redação dada pela Lei 9.528/97, incidentes sobre a remuneração dos segurados sujeitos a condições especiais que prejudicam a saúde ou a integridade física e ensejam a concessão de aposentadoria especial, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 31/40 e anexos. Fl. 2116DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37306.002041/200618 Acórdão n.º 230201.294 S2C3T2 Fl. 2.089 3 Informa a autoridade fiscal que, após a realização de auditoria nas demonstrações ambientais – Perfis profissiográfico, PPRA, PCMSO, CAT, e demais documentos relacionados à comprovação do gerenciamento do ambiente de trabalho, inclusive a GFIP, foi constatada a incompatibilidade entre os dados obtidos da documentação e as reais condições ambientais, as quais pudessem atestar os lançamentos efetuados pela empresa em GFIP, particularmente, no campo "ocorrência”, onde foram lançadas informações que não puderam ser atestadas e validadas pela fiscalização, face às evidências materiais, formais e circunstanciais apuradas no decurso do exame da documentação disponibilizada. Relata a Autoridade Lançadora que a empresa deixou de elaborar e manter atualizado Perfil Profissiográfico Previdenciário abrangendo as atividades desenvolvidas pelos trabalhadores e de fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, copia autêntica de tal documento, fato que ensejou a lavratura do competente Auto de Infração nº 35.684.272 0. Deixou também de exibir a empresa à fiscalização os Laudos Técnicos de Condições Ambientais do Trabalho – LTCAT referente a todo o período exigido. Destaca ainda que a elaboração dos PPRA não atendeu às formalidades legais exigidas, não identificando quais grupos de trabalhadores estariam expostos a quais agentes nocivos e com que quantidade do agente agressor, fato que motivou a lavratura do Auto de Infração nº 35.684.2701. Outras irregularidades foram reportadas, ainda, em relação ao PCMSO, CAT e reclamatórias trabalhistas. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 87/99. A Delegacia da Receita Previdenciária em Guarulhos/SP lavrou Decisão Notificação a fls. 2052/2058 julgando procedente a Notificação Fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 30/03/2006, conforme Aviso de Recebimento a fl. 2059. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 2061/2080, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Que o Recorrente não pode ser compelido ao recolhimento do adicional à contribuição social para a Seguridade Social, pois os seus segurados não estavam expostos ao agente nocivo ruído em patamar superior ao previsto na legislação previdenciária; • Que relatório técnico sobre os níveis de ruídos sonoros verificados em todo o seu estabelecimento, assinado por engenheiros e técnicos de segurança, teria demonstrado haver vários grupos homogêneos de trabalhadores que não se encontram sujeitos à exposição de ruído acima dos limites de tolerância, mesmo sem a utilização de qualquer tipo de EPI; Fl. 2117DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 • Que o indeferimento de produção de prova pericial nulifica a decisão de 1ª instância por cercear o direito de defesa do contribuinte; • Que presumir que a existência de alta incidência de PAIR, ações trabalhistas e descumprimento de obrigação acessória pela Recorrente são suficientes para caracterizar o ambiente de trabalho nas dependências da Recorrente como desídia no que se refere ao gerenciamento dos riscos ambientais é completamente desarrazoado; • Que o descumprimento de obrigações acessórias jamais poderia dar ensejo à cobrança de tributo; • Que a utilização da taxa SELIC é ilegal; Ao fim, requer a declaração de nulidade da decisão recorrida. Alternativamente, o reconhecimento da insubsistência da cobrança do adicional de contribuição previdenciária destinado a financiar a concessão de aposentadoria especial ou, ainda, a exclusão da NFLD dos valores referentes à aplicação dos juros de mora com base na taxa SELIC. Contrarrazões pelo Órgão Fazendário a fls. 2083/2085. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 30/03/2006. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 28/04/2006, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO Fl. 2118DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37306.002041/200618 Acórdão n.º 230201.294 S2C3T2 Fl. 2.090 5 2.1. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Alega o Recorrente ser nula a decisão recorrida em razão do cerceamento de defesa decorrente de uma instrução processual administrativa que inviabilizou ao contribuinte a realização de prova pericial. Razão não lhe assiste. Cumpre de plano ressaltar, de molde a nocautear qualquer dúvida, que a perícia tem como destinatária final a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a solução da controvérsia objeto do litígio. Nesse panorama, a produção de prova pericial revelase apropriada e útil somente nos casos em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. Por tal razão, as autoridades a quem incumbe o julgamento do feito frequentemente indeferem solicitações de diligência ou perícias sob o fundamento de que as informações requeridas pelo contribuinte não serem necessárias à solução do litígio ou já estarem elucidadas, por meios, nos documentos acostados aos autos. Estatisticamente, constatase que grande parte dos requerimentos de perícia aviados no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de situações fáticas, cujo teor já é do conhecimento do auditor fiscal no momento da formalização do lançamento, eis que sindicado e esclarecido durante todo o curso da ação fiscal. Diante desse quadro, o reexame de tais informações por outro especialista somente se revelaria necessário se ainda perdurassem dúvidas quanto ao convencimento da autoridade julgadora quanto às matérias de fato a serem consideradas no julgamento do processo. Revelase auspicioso iluminar que o sistema jurídico brasileiro adotou o critério do livre convencimento, tendo a autoridade julgadora liberdade para apreciar livremente as provas produzidas nos autos e emitir sua decisão em conformidade com a sua intima convicção, ressalvados os casos previstos na Lei Maior e em leis específicas que irradiem efeitos vinculantes. Decreto nº 70.235/72 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por óbvio que nada impede que o contribuinte venha aos autos demonstrar a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. Nada obstante, a palavra final acerca da conveniência e oportunidade da produção da prova pericial caberá sempre à autoridade julgadora, a teor do preceito inscrito caput do art. 11 da Portaria MPS nº 520/2004, c.c. art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004. Fl. 2119DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Art. 11. A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. (grifos nossos) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9º. §2º O interessado será cientificado da determinação para realização da perícia por meio de Despacho, que indicará o procedimento a ser observado. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) No caso vertente, o postulante pleiteou a produção de “prova pericial tendente a comprovar se efetivamente seus funcionários têm direito à aposentadoria especial”. O pedido foi indeferido ao fundamento de que os quesitos formulados já teriam sido observados durante a auditoria. O pedido foi considerado como protelatório em virtude de os elementos e circunstâncias que motivaram o lançamento serem históricos, já haverem se consolidado no tempo, não havendo nos tais quesitos matéria que pudesse alterar o passado existente. Aditese por relevante que o reconhecimento do direito à aposentadoria especial constituise prerrogativa da autarquia previdenciária não possuindo a prova pericial força suficiente para assegurar tal direito. Assentado que o Processo Administrativo Fiscal é permeado pelo Principio da Livre Convicção da autoridade julgadora, não detém este Colegiado competência para sindicar as razões de conveniência e oportunidade de conduziram a autoridade de 1ª instância a considerar prescindível a realização da perícia requerida pelo contribuinte. Por tais razões, não acatamos a preliminar de cerceamento de defesa. Vencidas as preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais presumirseão verdadeiras. Fl. 2120DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37306.002041/200618 Acórdão n.º 230201.294 S2C3T2 Fl. 2.091 7 3.1. DOS FATOS GERADORES. Alega o Recorrente não poder ser compelido ao recolhimento do adicional à contribuição social para a Seguridade Social, pois os seus segurados não estavam expostos ao agente nocivo ruído em patamar superior ao previsto na legislação previdenciária. Aduz como fundamento que o relatório técnico sobre os níveis de ruídos sonoros verificados em todo o seu estabelecimento, assinado por engenheiros e técnicos de segurança, teria demonstrado haver vários grupos homogêneos de trabalhadores que não se encontravam sujeitos à exposição de ruído acima dos limites de tolerância, mesmo sem a utilização de qualquer tipo de EPI. Afirma também que o descumprimento de obrigações acessórias jamais poderia dar ensejo à cobrança de tributo. Pondera ser completamente desarrazoado presumir que a existência de alta incidência de PAIR, ações trabalhistas e descumprimento de obrigação acessória pela Recorrente sejam suficientes para caracterizar o ambiente de trabalho nas dependências da Recorrente como desídia no que se refere ao gerenciamento dos riscos ambientais. As alegações acima esposadas, no entanto, são improcedentes. Tratase de diagnóstica a ação fiscal que culminou na lavratura da vertente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, havendo sido deflagrada ao intuito de se verificar se a empresa recorrente promovia o gerenciamento efetivo e adequado do ambiente de trabalho, mediante a neutralização, eliminação e controle dos agentes nocivos à saúde e à integridade física dos seus trabalhadores, capaz de dar suporte às informações por ela declaradas no campo “OCORRÊNCIA” das GFIP relativas ao período de abril/2003 a outubro/2004, inclusive. A fiscalização constatou haver incompatibilidade entre os dados consignados nas demonstrações ambientais da empresa – Perfis profissiográfico, PPRA, PCMSO, CAT e as reais condições ambientais, a qual impediu de se atestar a fidedignidade das informações prestadas pela empresa no campo “ocorrência” das GFIP. Relata a Autoridade Lançadora que a empresa deixou de elaborar e manter atualizado Perfil Profissiográfico Previdenciário abrangendo as atividades desenvolvidas pelos trabalhadores e de fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, copia autêntica de tal documento. Deixou também de exibir a empresa à fiscalização os Laudos Técnicos de Condições Ambientais do Trabalho – LTCAT referente a todo o período exigido. Destaca ainda que a elaboração dos PPRA não atendeu às formalidades legais exigidas, não identificando quais grupos de trabalhadores estariam expostos a quais agentes nocivos e com que concentração do agente agressor, apontando ainda outras irregularidades verificadas em relação ao PCMSO, CAT e reclamatórias trabalhistas. Fl. 2121DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 No capítulo reservado à seguridade social, nossa Lei Soberana estatui que tal direito social será financiado por toda a sociedade, mediante recursos provenientes, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo do empregador, da empresa e das entidades a elas equiparadas, incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Estabeleceu ainda que nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderia ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total e conferiu à lei a competência para instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social. Na seção dedicada à Previdência Social, a Carta Constitucional preordenou como direito social previdenciário a cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada, assim como a aposentadoria especial para os casos de atividades exercidas sob condições especiais prejudiciais à saúde ou à integridade física do trabalhador, dentre outros benefícios. Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. §5º Nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total. Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 2122DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37306.002041/200618 Acórdão n.º 230201.294 S2C3T2 Fl. 2.092 9 I cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) § 1º É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria aos beneficiários do regime geral de previdência social, ressalvados os casos de atividades exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física e quando se tratar de segurados portadores de deficiência, nos termos definidos em lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005) (...) A matéria em relevo foi confiada à Lei nº 8.213/91, que instituiu o Plano de Benefícios da Previdência Social, reservando aos seus artigos 57 e 58 a disciplina legal do benefício da aposentadoria especial em favor do segurado que houver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, e, em ádito, a sua fonte de custeio, verbis: Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 57. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) §1º A aposentadoria especial, observado o disposto no art. 33 desta Lei, consistirá numa renda mensal equivalente a 100% (cem por cento) do salário de benefício. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) §2º A data de início do benefício será fixada da mesma forma que a da aposentadoria por idade, conforme o disposto no art. 49. §3º A concessão da aposentadoria especial dependerá de comprovação pelo segurado, perante o Instituto Nacional do Seguro Social–INSS, do tempo de trabalho permanente, não ocasional nem intermitente, em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período mínimo fixado. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) §4º O segurado deverá comprovar, além do tempo de trabalho, exposição aos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, pelo período equivalente ao exigido para a concessão do benefício. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) §5º O tempo de trabalho exercido sob condições especiais que sejam ou venham a ser consideradas prejudiciais à saúde ou à integridade física será somado, após a respectiva conversão ao tempo de trabalho exercido em atividade comum, segundo critérios estabelecidos pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, para efeito de concessão de qualquer benefício. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995) Fl. 2123DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 §6º O benefício previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) (grifos nossos) §7º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais referidas no caput. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) (grifos nossos) §8º Aplicase o disposto no art. 46 ao segurado aposentado nos termos deste artigo que continuar no exercício de atividade ou operação que o sujeite aos agentes nocivos constantes da relação referida no art. 58 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) Art. 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física considerados para fins de concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo anterior será definida pelo Poder Executivo. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) §1º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) §2º Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) §3º A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo estará sujeita à penalidade prevista no art. 133 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) §4º A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento.(Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) Normatizando o preceito insculpido nos §§ 6º e 7º do art. 57 da Lei nº 8.213/91, visando a garantir, preventivamente, a preservação da saúde e da integridade física Fl. 2124DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37306.002041/200618 Acórdão n.º 230201.294 S2C3T2 Fl. 2.093 11 dos trabalhadores, validar as informações do banco de dados do CNIS, evitar a concessão de benefícios indevidos e a garantir o custeio dos benefícios devidos a Instrução Normativa INSS/DC 100/2003 resenhou uma série de procedimentos a serem observados pela fiscalização objetivando o eficaz e correto recolhimento da contribuição adicional destinada ao custeio da aposentadoria especial. Considerase risco ocupacional a probabilidade de consumação de danos à saúde ou à integridade física do trabalhador, em decorrência de sua exposição a fatores de riscos no ambiente de trabalho. Dentre os fatores de riscos ocupacionais, no entanto, apenas são considerados para efeito de cobrança das alíquotas adicionais constantes do §6º do artigo 57 da Lei nº 8.213/91 os fatores de riscos ambientais, tão somente, assim entendidos aqueles decorrentes da exposição a agentes químicos, físicos ou biológicos ou à associação desses agentes, nos termos da Norma Regulamentadora nº 09 (NR09) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A remuneração decorrente de trabalho exercido em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física do trabalhador, com exposição a agentes nocivos de modo permanente, não ocasional nem intermitente, configurase o fato gerador da contribuição social previdenciária adicional para custeio da aposentadoria especial, nos exatos termos da legislação tributária, a qual será devida pela empresa em relação à remuneração paga, devida ou creditada ao segurado empregado, trabalhador avulso ou cooperado sujeito a condições especiais. Registrese que tal contribuição será devida na hipótese de as demonstrações ambientais da empresa – PPRA, PGR, PCMAT, PCMSO, LTCAT, PPP e CAT atestarem a ocorrência das condições especiais de trabalho que gerem direito à aposentadoria especial. Com efeito, a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os fatos geradores e os montantes pecuniários associados a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Excepcionalmente, nas ocasiões em que a apuração direta dos fatos geradores, bem como o conhecimento fiel dos montantes acima referidos não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego da aferição indireta. No caso específico sobre o qual ora nos debruçamos, a contribuição adicional para o custeio da aposentadoria especial somente seria exigida das empresas cujos trabalhadores estivessem sujeitos de modo permanente a fatores de riscos ambientais ensejadores do direito ao benefício previdenciário em realce. A existência de tais condições maléficas, no arquétipo jurídico estruturado pela legislação previdenciária, seria comprovado a partir das demonstrações ambientais da empresa previstas no art. 404 da IN INSS/DC nº 100/2003. A legislação previdenciária determina que a contribuição adicional em debate será devida pelo empregador na hipótese de as demonstrações ambientais acima mencionadas atestarem a ocorrência das condições especiais de trabalho que gerem direito à aposentadoria especial. De acordo com o já salientado, a fiel elaboração de tais documentos não se constitui uma mera faculdade da empresa, mas, sim, uma obrigação acessória de curial Fl. 2125DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 observância, eis que foram instituídas no interesse da arrecadação ou da fiscalização do tributo em tela, em conformidade com os artigos 96, 100, 113 e 115 do CTN. Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 Art. 404. A existência ou não de riscos ambientais em níveis ou concentrações que prejudiquem a saúde ou a integridade física do trabalhador será comprovada mediante a apresentação das seguintes demonstrações ambientais, entre outras, que deverão respaldar as informações prestadas em GFIP: (grifos nossos) I Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), que visa à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, por meio da antecipação, do reconhecimento, da avaliação e do consequente controle da ocorrência de riscos ambientais, sendo sua abrangência e profundidade dependentes das características dos riscos e das necessidades de controle, devendo ser elaborado e implementado pela empresa, por estabelecimento, nos termos da NR09, do MTE; II Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), que é obrigatório para as atividades relacionadas à mineração e substitui o PPRA para essas atividades, devendo ser elaborado e implementado pela empresa ou pelo permissionário de lavra garimpeira, nos termos da NR22, do MTE; III Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção (PCMAT), que é obrigatório para estabelecimentos que desenvolvam atividades relacionadas à indústria da construção, identificados no grupo 45 da tabela de Códigos Nacionais de Atividades Econômicas (CNAE), com vinte trabalhadores ou mais por estabelecimento ou obra, e visa a implementar medidas de controle e sistemas preventivos de segurança nos processos, nas condições e no meio ambiente de trabalho, nos termos da NR18, substituindo o PPRA quando contemplar todas as exigências contidas na NR09, ambas do MTE; IV Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), que deverá ser elaborado e implementado pela empresa ou pelo estabelecimento, a partir do PPRA, PGR e PCMAT, com o caráter de promover a prevenção, o rastreamento e o diagnóstico precoce dos agravos à saúde relacionados ao trabalho, inclusive aqueles de natureza subclínica, além da constatação da existência de casos de doenças profissionais ou de danos irreversíveis à saúde dos trabalhadores, nos termos da NR07, do MTE; V Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT), que é a declaração pericial emitida para evidenciação técnica das condições ambientais do trabalho; VI Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP), que é o documento históricolaboral individual do trabalhador, segundo modelo instituído pelo INSS, conforme modelo anexo à Instrução Normativa que estabelece critérios a serem adotados pelas áreas da Receita Previdenciária e de Benefícios; VII Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT), que é o documento que registra o acidente do trabalho, a ocorrência ou o agravamento de doença ocupacional, mesmo que não tenha sido determinado o afastamento do trabalho, conforme previsto nos arts. 19 a 23 da Lei nº 8.213, de 1991, e nas NR7 e NR15, ambas do MTE, sendo seu registro fundamental para a geração de Fl. 2126DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37306.002041/200618 Acórdão n.º 230201.294 S2C3T2 Fl. 2.094 13 análises estatísticas que determinam a morbidade e mortalidade nas empresas e para a adoção das medidas preventivas e repressivas cabíveis. §1º Revogado. §2º Os documentos dispostos nos incisos II e III do caput deverão ter Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), devidamente registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA). §3º As entidades e órgãos da Administração Pública direta, as autarquias e as fundações de direito público, inclusive os órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário, que não possuam trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estão desobrigados da apresentação dos documentos previstos nos incisos I a IV do caput, nos termos do subitem 1.1 da NR01, do MTE. §4º A empresa contratante de serviços de terceiros intramuros deverá informar à contratada os riscos ambientais relacionados à atividade que desempenha e auxiliála na elaboração e na implementação dos documentos a que estiver obrigada, dentre os previstos nos incisos I a V do caput, os quais terão de guardar consistência com os seus respectivos documentos, ficando a contratante responsável, em última instância, pelo fiel cumprimento desses programas, recebendo e validando os relatórios anuais do documento previsto no inciso IV do caput, da contratada, bem como implementando medidas de controle ambiental, indicadas para os trabalhadores contratados, nos termos do subitem 7.1.3 da NR07, do subitem 9.6.1 da NR09, do subitem 18.3.1.1 da NR18, dos subitens 22.3.4, alínea “c” e 22.3.5 da NR22, todas do MTE. §5º A empresa contratada para prestação de serviços intramuros deverá acrescentar, nos documentos referidos no § 4º deste artigo, informações relativas aos riscos intrínsecos às atividades que desenvolve. §6º A empresa contratante de serviços de terceiros intramuros deverá apresentar os documentos a que estiver obrigada, dentre os previstos nos incisos I a V do caput, relativos à empresa contratada, para elisão da solidariedade ou comprovação da não obrigatoriedade do acréscimo da retenção, relativas à contribuição adicional prevista no § 6º do art. 57 da Lei nº 8.213, de 1991, nos termos do inciso VI do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991 e art. 6º da Lei nº 10.666, de 2003. §7º Para restituição do acréscimo da retenção, previsto no art. 6º da Lei nº 10.666, de 2003, a empresa contratada deverá anexar ao requerimento os documentos a que estiver obrigada, dentre os previstos nos incisos I a V do caput. §8º Entendemse por serviços de terceiros intramuros todas as atividades desenvolvidas por trabalhadores contratados mediante cessão de mão de obra, empreitada, trabalho temporário ou por intermédio de cooperativa de trabalho, para prestarem serviços no estabelecimento da contratante. Fl. 2127DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 Art. 405. A remuneração decorrente de trabalho exercido em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, com exposição a agentes nocivos de modo permanente, não ocasional nem intermitente, conforme previsto no art. 57 da Lei nº 8.213, de 1991, é fato gerador de contribuição social previdenciária adicional para custeio da aposentadoria especial, conforme disposto na Instrução Normativa que estabelece critérios a serem adotados pelas áreas da Receita Previdenciária e de Benefícios. Parágrafo único. A GFIP e as demonstrações ambientais de que trata o art. 404 constituemse em obrigações acessórias relativas à contribuição referida no caput, nos termos do inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, do art. 22 e dos §§ 1º e 4º do art. 58 da Lei nº 8.213, de 1991 e dos §§ 2º, 6º e 7º do art. 68 e do art. 336 do RPS. (grifos nossos) Art. 406. A contribuição adicional de que trata o art. 405, é devida pela empresa ou equiparada em relação à remuneração paga, devida ou creditada ao segurado empregado, trabalhador avulso ou cooperado sujeito a condições especiais, conforme previsto no § 6º do art. 57 da Lei nº 8.213, de 1991, e nos §§ 1º e 2º do art. 1º da Lei nº 10.666, de 2003. §1º A contribuição adicional referida no caput será calculada mediante a aplicação das alíquotas previstas no § 2º do art. 93, de acordo com a atividade exercida pelo trabalhador e o tempo exigido para a aposentadoria, observado o disposto nos §§ 3º a 5º do art. 93. §2º A contribuição adicional de que trata este artigo será devida na hipótese de as demonstrações ambientais, previstas no art. 404, atestarem a ocorrência das condições especiais de trabalho que gerem direito à aposentadoria especial. (grifos nossos) É de extrema relevância salientar que a fiel elaboração da GFIP e das demonstrações ambientais de que trata o art. 404 da IN INSS/DC nº 100/2003 constituemse obrigações acessórias relativas à contribuição do adicional de SAT referida no art. 57. §6º da Lei nº 8.213/91, nos termos do inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, do art. 22 e dos §§ 1º e 4º do art. 58 da Lei nº 8.213/91 e dos §§ 2º, 6º e 7º dos artigos 68 e 336 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. As deficiências verificadas nas demonstrações ambientais e sua incompatibilidade com os registros no campo de “ocorrência” registrados na GFIP foram detalhadamente reportados pela Autoridade Lançadora em seu Relatório Fiscal a fls. 31/40, as quais rogamos vênia para transcrever excertos selecionados, para a melhor compreensão de seus fundamentos: Relatório Fiscal 1 Perfil Profissiográfico Previdenciário [...] foi lavrado o Auto de Infração AI DEBCAD nº 35.684.2720, por deixar a empresa de elaborar e manter atualizado Perfil Profissiográfico Previdenciário abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e de fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, copia autêntica deste documento. Fl. 2128DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37306.002041/200618 Acórdão n.º 230201.294 S2C3T2 Fl. 2.095 15 A falta deste documento impossibilita o INSS verificar o critério de permanência e exposição do trabalhador, uma vez que, nele, individualizase as atividades ao longo do tempo. Além disso, este documento possibilita à empresa, meios de prova em tempo real, de modo a organizar e a individualizar as informações contidas em seus diversos setores, permitindo que a empresa evite ações judiciais indevidas relativas a seus trabalhadores. [...] 2 Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho (LTCAT) Assim como o perfil profissiográfico, a empresa deixou de apresentar o LTCAT para todo o período exigido Esta obrigação decorre do parágrafo primeiro do art. 58 da Lei 8213/91, redação dada pela Lei 9732/98. Frisamos que esta exigência persiste desde 28/04/95, exceto para o agente nocivo ruído, sobre o qual sempre houve a obrigação da empresa possuir o LTCAT. [...] O LTCAT deveria ter sido atualizado pelo menos uma vez ao ano, até 12/2003 ou na ocorrência de qualquer alteração no ambiente do trabalho, em especial aquela decorrente de mudança de "layout" (quando da substituição de máquinas ou de equipamentos, ou sempre que se adotar medidas de proteção coletivas ou individuais), porém a empresa não elaborou tal documento obrigatório, prejudicando o correto gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho. Desta forma a empresa não mensurou, por exemplo, a efetiva exposição dos trabalhadores ao agente físico ruído em relação aos limites de tolerância, já que para isso, deveria considerar o tempo de exposição e a intensidade (nível de ruído). Os limites de tolerância estão definidos no anexo nº I da NR15. A empresa não apresentou LTCAT e, apenas no PPRA, faz referência ao nível de ruído dos equipamentos e não à efetiva exposição do trabalhador em cada posto. Nestas condições, não vemos como poderiam ter sido efetivados os controles sobre agente físico ruído: a definição da proteção adequada para o trabalhador e a garantia de eficácia na sua neutralização.. 3 Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, nos termos da NI209 do Ministério do Trabalho e Emprego, visa à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, pela antecipação, pelo reconhecimento. pela avaliação e, consequentemente, pelo controle da ocorrência de riscos ambientais, sendo sua abrangência e profundidade dependentes das características dos riscos e das necessidades de controle. Representa documento básico no gerenciamento do ambiente do trabalho, com as suas respectivas análises globais de desenvolvimento, que visam, anualmente, reconhecer todos os agentes nocivos, avaliar qualitativa e quantitativamente esses agentes, estabelecer medidas de controle, divulgação e registro, estabelecendo critérios, mecanismos e rotinas que possam avaliar a eficácia das medidas de proteção implementadas pela empresa no ambiente nocivo à saúde ou à integridade física do trabalhador. Fl. 2129DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 Para implementar o programa, a empresa deve estabelecer, por empregado ou por grupos homogêneos de exposição, que é a forma geralmente encontrada, demonstrando que a nocividade dos agentes, para todos os integrantes de cada grupo, é a mesma. Desta forma, a empresa reconhece para cada grupo criado os diversos agentes nocivos existentes e, para cada agente reconhecido, realiza a sua identificação completa, determina as possíveis fontes geradoras, identifica as possíveis trajetórias e os meios de propagação dos agentes no ambiente do trabalho, identifica as funções e a quantidade de trabalhadores expostos, caracteriza as suas atividades, informa os possíveis danos a saúde relacionados aos riscos identificados e descreve as medidas de controle existentes. A determinação de cada grupo homogêneo de exposição (GHE) é de fundamental importância para o INSS, visto que, a condição de salubridade ou de insalubridade do seu posto de trabalho iniciase deste parâmetro, abrindo espaço para o preenchimento adequado do campo "ocorrência" da GFIP. Estas obrigações estão contidas no item 9.3.3 da NR09, e que perfazem o reconhecimento completo do risco ambiental. A partir da avaliação quantitativa de cada agente nocivo reconhecido em cada GHE, deve a empresa estabelecer um cronograma de ações a fim de implementar medidas necessárias e suficientes para a eliminação, a minimização ou o controle dos riscos ambientais, levando em conta os agentes mais nocivos e as medições já realizadas, isto e, estabelecendo prioridades. Uma vez por ano, em função das metas estabelecidas, deve haver urna análise global do PPRA para avaliar seu desenvolvimento e, a partir dai, justificar ou não novos ajustes, novas metas e prioridades, articulandose com os resultados dos exames médicos obrigatórios realizados pela empresa incluídos no PCMSO, que deverão servir como parâmetro de avaliação. Além disso, o PPRA e suas alterações deverão ser apresentados e discutidos na CIPA, sendo sua cópia anexada ao livro de atas desta Comissão ( item 9.2.2.1 da NR09), o que não se verificou na empresa. [...] A elaboração desses documentos não atendeu às formalidades legais exigidas, o que motivou a lavratura do Auto de Infração AI DEBCAD nº 35.684.2701 No Relatório Fiscal do AI (Anexo I), podese ver as inconsistências encontradas, entre elas a identificação das funções, número e atividades dos trabalhadores. O que deve ser ressaltado, no entanto, é que a falta de cumprimento das formalidades legais impossibilita o perfeito reconhecimento e gerenciamento dos agentes nocivos e a implementação de programa como descrito anteriormente, tornando insuficientes eventuais medidas de controle. De acordo com os PPRA's apresentados, o agente físico ruído é reconhecido acima dos limites máximos permissíveis e reiterada a necessidade de controle das fontes, são recomendados o uso de protetores, com treinamento e registro dos mesmos em todo o período. Este é o principal e mais grave a gente nocivo encontrado na empresa (ver, por exemplo, PPRA Avaliação ambiental de ruído 02/2000 — Anexo II do Relatório Fiscal). Alguns dos agentes químicos (que se encontram detalhados no corpo das avaliações ambientais) são identificados nos setores conforme quadro abaixo, demandando também medidas de controle: [ quadro de agentes químicos ] Fl. 2130DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37306.002041/200618 Acórdão n.º 230201.294 S2C3T2 Fl. 2.096 17 Verificase, portanto, que a empresa reconhece a existência de agentes nocivos e foi orientada quanto à necessidade de controles e procedimentos a fim de neutralizar ou atenualos. Nos PPRA's foram feitas recomendações quanto ao uso de EPC e EPI. Considerandose a hierarquia de utilização desses equipamentos de proteção e em conformidade com a norma (NR09 itens 9.5.5.2 e 93.54), a empresa deveria justificar, claramente, a utilização dos individuais em detrimento dos coletivos. Se utilizado o EPI, conforme alínea c do item 9.3.5.5 da NR09, a empresa deve a empresa deve estabelecer normas para o fornecimento. o uso, a guarda, a higienização e a reposição do EPI e, ainda, em função dos prazos de validade do equipamento, estabelecer a periodicidade das trocas e o controle de fornecimento aos trabalhadores. Apesar das condições encontradas, a empresa não comprovou o controle eficaz sobre o uso dos EPI's, Não havia ficha individual por trabalhador até 2003. O próprio PPRA/2000 aponta a necessidade de rever o controle de fornecimento do protetor auricular, Diversos procedimentos foram utilizados pela empresa, o que impediu a monitoração prevista no item 9.3.5.5 da NR09. A empresa foi autuada em 03/11/2001 (Auto de Infração DEBCAD 35.684.2703 — Anexo I), por irregularidades quanto à apresentação de documentos, inclusive a omissão da identificação dos equipamentos proteção (EPI), sem apresentar recurso. [...] 4 Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) O PCMSO deve ter caráter de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce dos agravos à saúde relacionados ao trabalho. Devendo ser planejado e implantado com base nos riscos à saúde dos trabalhadores, especialmente, os identificados nas avaliações previstas nas demais NR's, particularmente a NR 09. Considerandose que o PPRA não identifica quais grupos de trabalhadores estão expostos a quais agentes nocivos e com que quantidade do agente agressor, tal programa dificilmente poderia atingir seus objetivos Na análise efetuada nos PCMSO solicitados de 1999 a 2004, e exigidos pela Norma Regulamentadora NR07, aprovada pela Portaria 3.214, de 1978, do MTE, ressaltamos os seguintes aspectos: O “Mapeamento de Área/Risco Físico/Ruído" (Anexo III) não apresenta todos os setores constantes do PPRA. Áreas como “Balancin", “Coletores", “Montagem NH”, "Casa de Bombas", "Metrologia", “Serralheria", "Pré Montagem BC", "Pré Montagem NH'', "Cabine de Pintura", "Sala de Compressores”, constantes nos anexos do agente "Ruído" do PPRA, não aparecem nos relatórios do PCMSO, que por sua vez, não pode alimentar informações relativas a esses setores visando o controle deste agente nocivo No corpo dos PCMSO (ver, por exemplo, Anexo IV PCMSO 2001), no tópico relativo ao controle auditivo, é reiterada a necessidade de medidas de controle de ruído. A relação de exames médicos apresentase dividido em "horistas" e “mensalistas". Considerando a magnitude do problema de exposição ao ruído, cabe verificar quais foram os resultados dos exames médicos dos trabalhadores expostos a este agente nocivo (ver "Mapeamento de Área / Risco Físico / Ruído" Anexo III). Anexamos também cópia do PCMS0 /2000 (Anexo V — Audiometria ocupacional), que apresenta em sua "Relação de funcionários por ordem de registro" (relação de Fl. 2131DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 exames médicos) a incidência de Perda Auditiva Induzida pelo Ruído (PAIR), registrando, desta forma, perdas auditivas induzidas por nível de pressão sonora elevado de origem ocupacional. Corroborando esta afirmação podemos ver ainda, no Relatório Fiscal da Infração referente ao AI DebCad nº 35.684.2711 (Anexo VI), referências claras a agravamentos de doenças ocupacionais (PAIR) e no Anexo II deste Auto, a relação de funcionários com PAIR. A empresa descumpre ainda o item 7.4.4.2 da NR07, deixando de entregar o Atestado de Saúde Ocupacional — ASO, para os funcionários cujos exames estejam alterados conforme o Relatório Anual do PCMSO (lavrado o AI DEBCAD nr. 35.684.2703 – Anexo I). Além disso, como já afirmado anteriormente, o PCMSO deve retroalimentar o PPRA, que deveria ter sido alterado, tendo em vista os resultados obtidos nos exames clínicos, porém, a julgar pela data constante nesses relatórios (24/09/2004), conforme Anexo III, não foi feita esta integração, fundamental para o desenvolvimento e gerenciamento de riscos ocupacionais. Pelo mesmo e óbvio motivo, o relatório anual também não foi discutido na CIPA. 5 — Comunicação41eAcidente do Trabalho (CAT) [...] A empresa foi autuada por ter deixado de emitir Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) para os casos de acidentes de trabalho sem afastamento e os agravamentos de doença ocupacional AI DEBCAD nr. 35.684.2711, como referenciamos acima. Dentro do prazo regulamentar a autuada não apresentou defesa, porém efetuou o recolhimento da multa, o que importa em renúncia ao direito de impugnar ou recorrer, consoante o disposto nos parágrafos 3º e 5º do Art. 293 do Regulamento da Previdência Social, concluindose que a empresa reconhece a ineficiência dos seus programas em neutralizar a exposição dos trabalhadores aos agentes nocivos descritos. 6 Reclamações Trabalhistas Os reflexos da incapacidade histórica da empresa em neutralizar seus agentes nocivos podem ser reafirmados analisandose o elevado numero de reclamações trabalhistas movidas pelos trabalhadores (Anexo VII "Relação de Processos Trabalhistas"). O objeto dessas ações, em sua maioria, visam à percepção de adicional de insalubridade, periculosidade, pleiteandose ainda a reintegração no emprego. Dadas as elevadas provisões destinadas a processos trabalhistas, a empresa foi instada a demonstrar a origem dessas verbas, fornecendo a "Relação de Processos Trabalhistas com Previsão dos encargos em 28/06/2004" — Anexo VIII. Nela, observase, mais uma vez, a descrição do objeto das ações relacionadas à questão da insalubridade e periculosidade, e fato relevante, a "probabilidade de êxito' que a própria ré se atribui:”'REMOTA". Finalmente, a relação dos trabalhadores reintegrados por força de processos trabalhistas (Anexo IX) Cada demanda perdida pela empresa, em situações diferenciadas para cada reclamante, tem origem na fragilidade geral demonstrada ao longo deste relatório em relação às demonstrações ambientais e mecanismos de controle adotados. Fl. 2132DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37306.002041/200618 Acórdão n.º 230201.294 S2C3T2 Fl. 2.097 19 Nesse contexto, as deficiências verificadas na elaboração das citadas demonstrações ambientais, da estatura das que foram verificadas pela Autoridade Fiscal, frustram os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce, não somente nos documentos suso destacados, mas, igualmente, em outras fontes de informação. Diante desse quadro, a recusa, a sonegação ou a apresentação deficiente de qualquer documento ou informação configurase como motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor do permissivo legal encartado no parágrafo 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, como assim reportou a fiscalização em seu Relatório Fiscal, a fls. 31/40. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) (...) Outro não é o Direito positivado no art. 410 da IN INSS/DC nº 100/2003: Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18/12/2003 Art. 410. Em procedimento fiscal que for constatada a falta do PPRA, PGR, PCMAT, PCMSO, LTCAT ou PPP, quando exigíveis ou a incompatibilidade entre esses documentos, o AFPS fará, sem prejuízo das autuações cabíveis, o lançamento arbitrado da contribuição adicional, com fundamento legal previsto no §3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com o art. 233 do RPS, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Fl. 2133DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 Diante de tal panorama, avulta pueril a alegação de que o descumprimento de obrigações acessórias não poderia dar ensejo à cobrança de tributo. Não é demais salientar que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Tivesse a empresa cumprido, com o devido rigor, as obrigações acessórias impostas pela legislação, os eventuais fatos geradores da contribuição adicional ora em relevo teriam sido apurados diretamente a partir das demonstrações ambientais descritas no art. 404 da IN INSS/DC nº 100/2003. Mas assim não ocorreu. A não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária quebrou o mecanismo idealizado pelo legislador ordinário para a apuração ágil e precisa dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, obrigando os agentes fiscais a investigar uma miríade de outros documentos para a captação dos fatos jurígenos tributários de sua competência, no cumprimento efetivo do seu dever de ofício. Conforme evidenciado, razão não assiste ao Recorrente ao asseverar ser desarrazoado presumir que a existência de alta incidência de PAIR, ações trabalhistas e descumprimento de obrigação acessória pela Recorrente sejam suficientes para caracterizar o ambiente de trabalho nas dependências da Recorrente como desídia no que se refere ao gerenciamento dos riscos ambientais. A não elaboração de determinados documentos representativos das demonstrações ambientais e a elaboração deficiente de outros tantos do mesmo gênero, conforme detalhadamente reportados anteriormente, motivou a fiscalização, escorada pelo permissivo legal encartado no §3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, a lançar de ofício, mediante aferição indireta da base de cálculo, a importância relativa ao custeio da aposentadoria especial que reputou devida, transferindo para os ombros do Recorrente o ônus da prova em contrário. Citese por relevante que no procedimento de apuração da matéria tributável por arbitramento, valese a Autoridade Fiscal de outros elementos de sindicância que não aqueles documentos assinalados pela lei como adequados ao registro lapidado dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais como as folhas de pagamento, GFIP, Livros Fiscais, demonstrações ambientais, etc. Tais elementos podem ser os mais diversos, como, a título meramente ilustrativo, RPA, notas fiscais, Custo Unitário Básico da construção civil, valor de mercado de utilidades recebidas por segurados, custo de mão de obra empregada em serviços de construção civil, massa salarial dos empregados trabalhando em situação de risco, dentre outros. Alguns desses critérios de aferição indireta, a serem empregados pela fiscalização nas hipóteses autorizadas pela lei, encontramse positivados na legislação previdenciária, ostentando natureza meramente procedimental interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirtase, restringese, tão somente, ao critério de apuração indireta das bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nada mais. Na ausência de critérios positivados na legislação previdenciária, há que se valer a Autoridade Lançadora de outros, muitas vezes selecionados ad hoc para um determinado caso específico, em função de suas particularidades, tendo como esteio e Fl. 2134DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37306.002041/200618 Acórdão n.º 230201.294 S2C3T2 Fl. 2.098 21 fundamento os princípios gerais de direito tributário, da analogia, da razoabilidade, da proporcionalidade, dentre tantos, não necessariamente nessa mesma ordem. No caso presente, a caracterização das condições ambientais adversas não decorreu da análise das Demonstrações Ambientais previstas no art. 404 da IN INSS/DC nº 100/2003, eis que inexistentes ou deficientes, mas, sim, dos efeitos reais que esses ambientes nocivos irradiaram na saúde dos trabalhadores, tais como perda auditiva induzida pelo ruído; elevadas provisões destinadas a reclamatórias trabalhistas, demandando adicionais de insalubridade e periculosidade, classificadas pela própria empresa com de remota probabilidade de êxito; falta de emissão de CAT para os casos de acidentes de trabalho sem afastamento e os agravamentos de doença ocupacional; omissão de entrega do Atestado de Saúde Ocupacional para os funcionários cujos exames revelaramse alterados, ausência de LTCAT; não elaboração, manutenção e fornecimento de copia de perfil profissiográfico aos empregados desligados, dentre tantas outras irregularidades arroladas pela auditoria fiscal em seu Relatório Fiscal. Assim, de acordo com a matriz legislativa, não concordando o sujeito passivo com o valor aferido pela Autoridade Lançadora, competelhe, ante a refigurada distribuição do ônus da prova, que lhe é avesso, demonstrar por meios idôneos que tal montante não condiz com a realidade. Nesse panorama, valia nenhuma possui o relatório técnico sobre os níveis de ruídos sonoros medidos no estabelecimento do Recorrente, mesmo estando assinado por engenheiros e técnicos de segurança, eis que tal documento, elaborado unilateralmente pelo sujeito passivo, estaria a apurar, tão somente, as condições ambientais representativas da época de sua elaboração, e não à época em que os agentes nocivos, presentes no ambiente de trabalho, provocaram toda a ordem de danos acima apontada. Além disso, tal relatório poderia até questionar as condições ambientais pretéritas eventualmente deduzidas pela fiscalização, mas não teria, todavia, o poder de fogo de afastar os motivos ensejadores do arbitramento, eis que a opção por tal procedimento legal houve por motivada não pela análise das condições ambientais eventualmente existentes em épocas passadas, mas, sim, dos efeitos nocivos reais experimentados pelos trabalhadores em sua saúde e integridade física. Reiterese que a razão motivadora da aferição indireta em realce decorreu não de supostas causas, mas, sim, dos efetivos efeitos observados na realidade crua da saúde dos segurados em apreço. O marco primitivo da fundamentação legal na qual a fiscalização assenta o presente lançamento se arrima no art. 410 da Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18/12/2003, cujo enunciado é firme no sentido de que, constatada a falta do PPRA, PGR, PCMAT, PCMSO, LTCAT ou PPP, quando exigíveis ou a incompatibilidade entre esses documentos, a fiscalização promoverá, de ofício, o lançamento arbitrado da contribuição adicional, sem prejuízo das autuações cabíveis, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Diante de tal estrutura normativa, cai por terra a alegação de que o Recorrente não poderia ser compelido ao recolhimento do adicional à contribuição social para a Seguridade Social, pois os seus segurados não estavam expostos ao agente nocivo ruído em patamar superior ao previsto na legislação previdenciária. Fl. 2135DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 A uma, porque a empresa não logrou comprovar que, à época objeto da autuação, o ambiente de trabalho não se apresentava nocivo à saúde humana. A duas, porque os motivos ensejadores da aferição indireta apoiaramse, exatamente, nos efeitos reais experimentados pelos operários da empresa, máxime a perda auditiva induzida pelo ruído. 3.2. DA TAXA SELIC Pondera em defesa o Recorrente que a taxa Selic não se presta para utilização como juros de mora. As alegações acima postadas não merecem o albergue pretendido. De plano, cumpre trazer à baila que os juros representam a remuneração do capital investido. Esmiuçando o conceito, juros representam o rendimento que o detentor do capital aufere em troca da colocação de um quantitativo à disposição de uma outra pessoa/entidade. Iluminese que um investidor poderia empregar seu patrimônio financeiro em uma atividade econômica qualquer que lhe rendesse lucro. Pode, todavia, essa pessoa abdicar de seu capital, ofertandoo a outra pessoa, mediante a cobrança de uma taxa de remuneração, compensatória pela perda da oportunidade de produzir lucro, na forma da hipótese anterior. A taxa de juros figura, então, como o quantum relativo que o titular do capital exige do tomador deste, num horizonte temporal, pela utilização do montante tomado. Nesse quadro, o índice nominal da taxa pode ser fixado unilateralmente pelo capitalista, ou, em comum acordo com aquele que se apodera da riqueza por empréstimo. É importante ressaltar que, em qualquer caso, a fixação da taxa de juros prescinde da edição de lei formal, como assim acredita piamente o Recorrente, até porque tal exigência culminaria por emperrar a atividade financeira do país – extremamente dinâmica em sua natureza , paralizandoo. Isso porque cada investidor, banco ou demais instituições financeiras possuem seus critérios próprios para o computo dos juros na atividade financeira, os quais são extremamente influenciados pelo mercado, pela oferta e procura de capital, pela taxa de crescimento da economia, pelo risco da inadimplência, etc., o que gera uma saudável concorrência entre os detentores do livre numerário. Diante desse cenário mostrase evidente que a exigência de lei stricto sensu a que se refere o CTN não é para a fixação da taxa de juros (esta flui ao sabor das correntes do mercado), mas, sim, para a indicação de qual taxa de juros será a utilizada na remuneração do capital de titularidade da Fazenda, ainda nos cofres do sujeito passivo. Tal requisito, na espécie, foi de fato adimplido, senão vejamos: A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Fl. 2136DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37306.002041/200618 Acórdão n.º 230201.294 S2C3T2 Fl. 2.099 23 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar do crédito tributário, já no âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Capítulo que versa sobre a Extinção do Crédito Tributário, estabeleceu que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis: Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Salientese que o percentual enunciado no parágrafo primeiro acima transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da seguridade social disciplinou inteiramente a matéria relativa aos acessórios financeiros do crédito previdenciário em constituição e de forma distinta, devendo esta ser observada em detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao proferir, ipsis litteris: “Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de caráter complementar, não proíbe a capitalização de juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário. Assim, não tendo o Código Tributário Nacional determinado a necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1º do CTN, donde se conclui que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo próprio (lei ordinária) sem importar qualquer afronta à Constituição Federal” (TRF 4ª Região, Apelação Cível 200471100006514, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira; 1ª Turma; DJ de 15/06/2005, p. 552). Com efeito, as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social estão sujeitas não só à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Fl. 2137DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 24 SELIC, nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à época da lavratura do presente débito. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante. o que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante dai previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também, há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. Em reforço a tal assertiva jurisdicional, iluminese o Enunciado da Súmula nº 03 do Segundo Conselho de Contribuintes, vazado nos seguintes termos: SÚMULA CARF nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com Fl. 2138DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37306.002041/200618 Acórdão n.º 230201.294 S2C3T2 Fl. 2.100 25 base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Dessarte, se nos afigura correta a incidência de juros moratórios à taxa SELIC, haja vista terem sido aplicados em conformidade com o comando imperativo fixado no art. 34 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 161 caput e §1º do CTN, em afinada harmonia com o ordenamento jurídico. A propósito, repisese que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pela Lei nº 8.212/91 plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 2139DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 26 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Assim emoldurado o quadro jurídico, avulta encontrarse impedida esta Corte Administrativa de apreciar tal rogativa e reformar a Decisão Recorrida, ao argumento de que de ilegalidade da aplicação da taxa Selic como juros moratórios, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 2140DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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