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Numero do processo: 15563.000553/2007-49
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2005 a 30/04/2007
AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, conforme possibilita o § 3°, Art. 33, da Lei 8.212/1991.
UTILIZAÇÃO DO SALÁRIO MÍNIMO PARA QUANTIFICAÇÃO DA MASSA SALARIAL RELATIVA AO PERÍODO DE 04/2006 A 03/2007
Não há inconstitucionalidade na autuação fiscal, uma vez que a vedação constitucional de vinculação do salário mínimo para qualquer fim proíbe a sua utilização como indexador, ou seja, como fator de correção monetária.
TAXA SELIC E MULTA MORATÓRIA
Legalidade da aplicação da taxa SELIC e da multa moratória nos termos da legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador. Considerando a edição da Lei nº 11.941/2009, que alterou o art. 35 da Lei nº 8.212/91, impõe-se a observância do art. 106, II, c do CTN no tocante à multa de mora.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2403-000.306
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão
da multa de mora.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Cid Marconi Gurgel de Souza
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PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, conforme possibilita o § 3°, Art. 33, da Lei 8.212/1991. UTILIZAÇÃO DO SALÁRIO MÍNIMO PARA QUANTIFICAÇÃO DA MASSA SALARIAL RELATIVA AO PERÍODO DE 04/2006 A 03/2007 Não há inconstitucionalidade na autuação fiscal, uma vez que a vedação constitucional de vinculação do salário mínimo para qualquer fim proíbe a sua utilização como indexador, ou seja, como fator de correção monetária. TAXA SELIC E MULTA MORATÓRIA Legalidade da aplicação da taxa SELIC e da multa moratória nos termos da legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador. Considerando a edição da Lei nº 11.941/2009, que alterou o art. 35 da Lei nº 8.212/91, impõe-se a observância do art. 106, II, c do CTN no tocante à multa de mora. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Fl. 278DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari, Presidente Cid Marconi Gurgel De Souza. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto. Ausente o conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato Fl. 279DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 15563.000553/2007-49 Acórdão n.º 2403-00.306 S2-C4T3 Fl. 274 3 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado às fls. 266-270 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ (fls. 252 a 261) que julgou procedente o lançamento constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n° 37.118.903-9, mantendo o crédito tributário exigido no valor principal de R$1.350.530,96 (um milhão, trezentos e cinquenta mil, quinhentos e trinta reais e noventa e seis centavos), acrescido de juros e multa moratória a serem calculados no momento da liquidação, decorrente de contribuições devidas à Seguridade Social, “referentes à parte de segurados não descontada, parte patronal, inclusive aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e às destinadas aos "Terceiros" (SALÁRIO-EDUCAÇÃO, INCRA, SENAI, SESI E SEBRAE), incidentes sobre os valores de remuneração de empregados e contribuintes individuais – empresários, apurados por aferição indireta”, abrangendo o período de 05/2005 a 04/2007. Desta autuação, a recorrente foi cientificada em 22/09/2007 e apresentou impugnação às fls. 225 a 228, alegando: - Que os métodos utilizados na aferição indireta fogem da realidade, estampada nas declarações de imposto de renda dos sócios, propiciando a bi-tributação; - Que a aferição indireta da massa salarial do período de 04/2006 a 03/2007 não pode prosperar por ser vedada por lei a utilização do salário mínimo como índice base para qualquer finalidade que não a de alimentos e ou pensão/aposentadoria; - Que a utilização do salário mínimo como índice de atualização da base de cálculo do INSS burla a lei que extinguiu a correção monetária para débitos fiscais e previdenciários; - A inconstitucionalidade da cobrança de juros de mora com base na variação da Taxa SELIC; Por fim, requer que se decida pela improcedência do arbitramento, a fim de declarar nula a NFLD e, no caso de restar algum valor a servir de base de cálculo, que os juros de mora obedeçam às normas do CTN, sendo lançados à razão de 1% ao mês, e não com base na taxa de juros SELIC. Fl. 280DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 4 Instada a manifestar-se acerca da matéria, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ proferiu decisão (n° 12-18.280 – 13ª Turma da DRJ/RJOI) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS • , PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 30/04/2007 AFERIÇÃO INDIRETA - RAZOABILIDADE - ÔNUS DA PROVA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação ou sua apresentação deficiente, o que se constitui em presunção legal relativa, cumpre ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Art. 33, § 3°, da Lei n°8.212/91, c/c o art. 148 do CTN. JUROS DE MORA -TAXA SELIC A partir de 1° de janeiro de 1997, os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE. Não é o foro administrativo o apropriado para as discussões relativas à inconstitucionalidade ou ilegalidade dos dispositivos legais utilizados nos lançamentos de crédito tributário. Usurpação de função. Art. 102, 1, a c/c art. 109 da Constituição Federal. Lançamento Procedente Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 266-270, reiterando os pedidos formulados na impugnação, além da ilegalidade da multa aplicada, por considerá-la revestida de efeitos confiscatórios. No pedido, requereu a retificação do lançamento no que se refere ao pro- labore, a exclusão dos juros SELIC e a redução das multas ao patamar mínimo previsto em lei. É o relatório. Fl. 281DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 15563.000553/2007-49 Acórdão n.º 2403-00.306 S2-C4T3 Fl. 275 5 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DO MÉRITO: I – DA AFERIÇÃO INDIRETA RELATIVA AO PERÍODO DE 04/2006 a 03/2007: Em sede recursal, a recorrente questiona o lançamento por aferição indireta da massa salarial relativa ao período de 04/2006 a 03/2007, sob o argumento de que o fisco não poderia ter utilizado como índice de aferição da massa salarial o salário mínimo. Inicialmente, cumpre ressaltar que o fisco tem competência e obrigação de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias, razão por que prevê a lei um conjunto de obrigações acessórias, dentre elas destaca-se o dever imposto ao contribuinte de apresentar documentos e informações. No caso concreto, apesar de intimada, a recorrente não apresentou os documentos requeridos pela fiscalização, deixando de apresentar, entre outros, os Livros Diário e Razão, Folhas de Pagamento, RAIS, GFIP, Rescisões de Contrato de Trabalho, Recibos de aviso prévio e de férias. Em caso de não apresentação ou de apresentação deficiente dos documentos e informações, a Lei nº 8.212/91 determina o lançamento do crédito tributário pelo método de aferição indireta, consoante dispõe o art. 33, §3º da Lei nº 8.212/91, in verbis, Lei 8.212/1991: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. ... Fl. 282DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 6 § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social-INSS e o Departamento da Receita Federal-DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.(grifei) A partir da aferição indireta, o fisco lança a importância que julgar devida a partir dos dados do contribuinte disponíveis nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentre eles os dados integrantes da RAIS, transferindo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. In casu, especificamente no que concerne ao período de 04/2006 a 03/2007, o fisco não dispunha sequer dos dados da RAIS, utilizados para aferição da massa salarial no exercício de 2005. Por conseguinte, foram utilizados dados do CAGED – Cadastro Geral de Empresas, conforme informa o Relatório Fiscal à fl. 40, in verbis, 6.3- LEVANTAMENTO "RAI"- DIFERENÇA RAIS E CAGED x GFIP — PERÍODO: 04/2006 a 03/2007 Para os exercícios de 2006 e 2007 não dispúnhamos de dados da RAIS. Somente dados do CAGED-Cadastro Geral de Empresas, que registram o número de vínculos declarados pela empresa para cada competência. Para aferirmos a massa salarial nesse período, procedemos da seguinte forma: a) Transformamos a massa salarial das competências de 05/2005 a 12/2005 para número de salários-mínimos (SM). b) Tiramos a média do número de salários-mínimos para esse período. c) Apuramos o numero de salários-mínimos de cada competência de 2006/2007, multiplicando a média de SM 2005, pelo número de vínculos obtido através de consulta ao CAGED. d) Transformamos a massa salarial obtida em SM (item anterior) em moeda, multiplicando pelo SM vigente na competência. Resta saber, portanto, se a fiscalização poderia utilizar o salário mínimo como parâmetro para aferição indireta da massa salarial do período de 04/2006 a 03/2007. É cediço que a vedação constitucional de vinculação do salário mínimo para qualquer fim, estabelecida no art. 7º, IV, proíbe a sua utilização como indexador, ou seja, como fator de correção monetária. Tal entendimento encontra-se sedimentado no âmbito do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. A esse respeito, confira-se: Súmula Vinculante nº 04 do Supremo Tribunal Federal - Salvo nos casos previstos na Constituição, o salário mínimo não pode ser usado como indexador de base de cálculo de vantagem de servidor público ou de empregado, nem ser substituído por decisão judicial. (Publicada no DJe nº 83, p. 1, em 09/05/2008). Fl. 283DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 15563.000553/2007-49 Acórdão n.º 2403-00.306 S2-C4T3 Fl. 276 7 RECURSO ESPECIAL. OFENSA GENÉRICA À LEI. SÚMULA N. 284/STF. AÇÃO RESCISÓRIA. CORREÇÃO MONETÁRIA. VINCULAÇÃO AO SALÁRIO MÍNIMO. VEDAÇÃO. LEI N. 6.205/75. RESCISÃO. NOVO JULGAMENTO. NECESSIDADE. 1. "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. É vedada a utilização do salário mínimo como indexador para que se proceda ao reajuste ou a atualização do poder aquisitivo da moeda, apesar de ser autorizada como quantificador do montante indenizatório. (...) 4. Recurso especial conhecido em parte e provido. (STJ, REsp nº 869.049/SP, Min. Rel. João Otavio de Noronha, Quarta Turma, DJe 01/03/2010). Dessarte, não há inconstitucionalidade no método utilizado pelo fisco para aferição da massa salarial do período impugnado em sede recursal, uma vez que o salário mínimo apenas serviu como parâmetro para a quantificação da base de cálculo omitida pelo contribuinte, e não como indexador. II – DA LEGALIDADE DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC E DA MULTA MORATÓRIA Insurge-se a recorrente contra aplicação da Taxa SELIC ao fundamento de que seria ilegal, sobretudo por não encontrar previsão em lei. Ocorre que a legislação de regência à época da ocorrência do fato gerador, a Lei nº 8.212/91, afastava literalmente os argumentos erguidos pela recorrente, in verbis: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Entretanto, a Lei n 11.941/2009 revogou o dispositivo acima e deu nova redação ao art.35 da Lei n 8.212/91, determinando que os débitos tributários a nível federal, teriam suas cobranças acrescidas de multa e juros na forma do art.61 da Lei n 9.430/96. Então vejamos: Fl. 284DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 8 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). LEI N 9.430/96 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Art. 5º(...) (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A propósito, convém ainda mencionar que o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula nº 03, nos seguintes termos: SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Portanto, a aplicação da taxa SELIC sobre os débitos tributários federais é correta com fulcro no artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/91. Fl. 285DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 15563.000553/2007-49 Acórdão n.º 2403-00.306 S2-C4T3 Fl. 277 9 Do mesmo modo, não há como prosperar a alegação de ilegalidade na aplicação da multa moratória, sob o fundamento em suposto caráter confiscatório. In casu, constata-se que a aplicação da multa deu-se em conformidade com o art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação vigente à época e conferida pela Lei nº 9.876/99, que determinava a progressão da multa consoante a fase e o decorrer do tempo, podendo atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Sucede que o referido dispositivo legal foi alterado pela Lei nº 11.941/2009, que remeteu a disciplina da multa moratória ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, o qual estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Considerando que o art. 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, em se tratando de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, impõe-se o cálculo da multa com base no art. 61 da Lei nº 9.430/96, para efeito de determinação e prevalência da multa mais benéfica. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, devendo-se proceder ao recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Cid Marconi Gurgel De Souza. Fl. 286DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13888.000072/2006-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO.
No caso dos tributos lançados por homologação, o prazo decadencial cone nos termos do § 40 do art. 150 do CTN.
Numero da decisão: 1101-000.375
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos,
DECLARAR a decadência do crédito tributário lançado. Votou pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que fará declaração de voto, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
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Recurso n" 511,64.3 Voluntário 1 liAl ceirdão n" 1101-00.375 — 1" Oman / P Turma Ordinária i essiio de 11 de novembro de 2010 ' 1 Matéria IRPJ e Reflexos ' Recorrente BENEVIDES TÊXTIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. No caso dos tributos lançados por homologação, o prazo decadencial cone nos termos do § 40 do art. 150 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DECLARAR a decadência do crédito tributário lançado. Votou pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que fará declaração de voto, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.. L/e FRANC ,O DE S ES RIBEIRO DE QUEIROZ — Presidente • -- CARLOS EDUARDO -DE ALMEIDA GUERREIRO - Relator EDITADO EM: 7 DF 7- 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales 1 Ribeiro de Queiroz (Presidente da Turma), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice - residente, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva e Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado). !sitõ ,impugn en '; clec Na ' mas qu' r foi I con io prcebi .,banco); na .con r Selecioix1 1, 'fomece I . 1 1 . . Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente cão apresentada em razão de auto de infração. Em 26/12/2005, foi lavrado auto de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cotins, rrência de omissão de receitas, caracterizada por saldo credor de caixa (proc. fls. 4 a mesma data foi lavrado termo de encerramento (proc. fl. 23). 0 relatório fiscal (proc. 42) detalha a auditoria. Relata que a autuada não possui conta caixa corn este nome, a; conta denominada "adiantamento p/ despesas" faz as vezes da conta caixa. Diz que tatado nessa conta saldo credor em diversos momentos e que, além disso, ela era or um número expressivo de cheques., Adiciona que o fluxo financeiro registrado na conta não é facilmente 0, pois, para os cheques que implicam em ingresso (debito na conta e crédito em 'do é possivel perceber corn clareza onde depois foram aplicados os recursos (crédito 'e debito em outra conta) Em razão desta falta de clareza, explica que foram dOs alguns cheques, com base nos extratos bancários, e o contribuinte foi intimado a cópia dos mesmos e a esclarecer toda a operação. Diz que o contribuinte respondeu, do os cheques a determinados pagamento, mas não forneceu as cópias dos cheques Esclarece que considerou justificados os cheques sacados na boca do caixa, pois foi m , todos vinculados a operações compatíveis. No entanto, não considerou justificados os che es que foram compensados (conforme demonstra o extrato bancário) e que o contrib nte não logrou "comprovar a opera cão que lhes deu origem". Argumenta que "se um : 11cIfe4t emitido para suprimento de caixa e tem destinactio diversa, claro estci que as saídas referen s ao valor suprido (saída do caixa) foram suportadas com recursos oriundos de :receita omitidas". ; ' conta), modo: ,Icontabi !diverso' coriktrio e)itr tatos 'diVerSa' de unia '1 de10 d utmijzad que,,i cal daquèl labi . 1 •1. , ; Junta lista dos cheques que supriram a conta (que foram lançados a débito na as que não tiveram o destino explicado pelo contribuinte, agrupando-os do seguinte °) cheques lançados na conta diversos dias antes da compensação, sendo que, na dade, o saldo deles decorrentes teria sido utilizado para guitar diversas duplicatas em bancos; 2°) cheques cujo valores se destinavam a guitar débito com fornecedor e o nte não logrou comprovar a efetividade da despesa; 3°)' cheques não constam dos bancários; 4°) cheques compensados, cujo •saldo teria sido utilizado para guitar duPlicatas em diversos bancos . Também, informa que alguns cheques estão em mais as situações dcima. Conclui que estes cheques devem ser excluídos da conta, pois os recursos orrentes tiveram destino diverso daquele que esta lançado na conta. Ou seja, se foram s Para outros fins que não aqueles informados na conta, resta demonstrado que os orrespondentes não ingressaram na conta e, por isso, dela devem ser excluídos. Considerando que o contribuinte apura o IRPJ pelo lucro real trimestral, diz rulou o saldo diário da conta em todos os trimestres de 2000, fazendo a exclusão i cheques que o contribuinte não conseguiu comprovar o emprego na destinação zada. Identifica os maiores saldos credores em cada trimestre. Explica que já havia 2 SI-CIT1 I Processo no 13$88 000072120 lAcordao ti" 1101-00.375 Fl 2 ) considerado como omissão de receitas os maiores saldos credores antes da exclusão dos cheques em lançamento anterior. Com base nisso, diminui, dos saldos credores máximos I lapurados com a exclusão dos cheques, os saldos credores máximos apurados sem a exclusão, iConforme planilha abaixo, para quantificar a receita omitida a ser lançada: período de valores já valores a apuração saldo credor constituídos lançar 1 0 trimestre de 2000 442,892,24 321.473,14 121.419,10 2° trimestre de 2000 168.981,96 168 981,96 0,00 30 trimestre de 2000 593,924,08 216,374,03 377.550,05 4° trimestre de 2000 143.133,45 143.133,45 0,00 O contribuinte foi cientificado em 18/01/2006 (proc. fls. 786 a 791). Ern 16/02/2006, apresenta impugnação (proc. fls. 794 a $03). Argumenta, preliminarmente, que o auto tern graves erros e que precisa ser refeito. Alega que na sua contabilidade não tern conta caixa e, por isso, não cabe falar em saldo credor de caixa. Diz que a conta "adiantamento" não pode ser tratada como uma conta caixa, pois nela transitam valores provisórios, tanto que ao final de cada trimestre o seu saldo é zero. Afirma que foi um erro do auditor excluir valores da .conta, que seriam produto de omissão de receitas, Afirma que os mesmos erros também foram ometidos no processo 13888.003565/2005-75 nos mesmos períodos. Sustenta que não ficou demonstrada a omissão de receitas, já que não foram . comprovadas as operaçõ'es pelas quais estas receitas omitidas teriam sido obtidas. Argumenta 'qua as hipóteses de tributação só podem ser criadas por lei. Propugna que, se o Fiscal pretendia I recompor o livro caixa, deveria ter levado em consideração todos os lançamentos típicos de tal conta. Pede que seja efetuada perícia contábil e que seja considerada improcedente a autuação. Em 5/03/2009, a 3' Turma da DRJ em Ribeirao Preto indeferiu o pedido de perícia, por não atender as exigências legais, e julgou procedente o lançamento (proc. fls. 816 a 822). 0 fundamento para a decisão é de que, apesar de a conta "adiantamento p/ despesas" não ; se chamar formalmente de conta caixa, "ela registra a movimentação ,financeira da contribuinte, estando nela lançados recebimentos diversos e de duplicatas, pagamentos, irlepásitos efetuados em conta bancária, etc", portanto pode ser tratada como conta caixa. Além disso, a DRJ entende que 05 cheques que supriram o caixa, para os quais o contribuinte não icomprova o registro da saída, devem ser excluídos da conta. Também, diz que o contribuinte 'não juntou documento que comprovasse suas alegaçaes. Em 30/06/2009, o contribuinte é cientificado (proc. fl. 826). Em 30/07/2009, apresenta recurso voluntário (proc. fls.. 832 a 837). Diz que a conta em tela "registra fatos transitórios, dela constando alguns lançamentos que tem por finalidade controlar numerários que dependem de apresentação posterior dos correspondentes documentos", mas não 6 uma conta caixa. Para defender seu ponto de vista, afirma que "não são registrados nesta conta os valores que normalmente têm transito pelo caixa". Diz que o Fiscal deveria ter considerado na quantificação dos saldos diários todos os cheques sacados de bancos, já que os extratos bancários instruham o processo, bem como os demais ingressos típicos de caixa (vendas a vista, recebimento de duplicatas, etc). Para demonstrar o erro na apuração, cita que os saques pa conta do Banco do brasil no dia .3 de janeiro de 2000, no montante de R$ 32.877,77, e no dia 7 do mesmo mês, no montante de R$ 33.651,15, não_foram considerados pelo Fiscal na 3 -0t4•qiif,74'if montag , i9:4-o dos saldos de caixa.. Conclui que o lançamento foi feito corn base em urna de dados incorreta, ------ • -- - SI-CIT1 Ft 3 ! Processo n" 13888.000072/20 , AccirdCio n° 1101-00.375 Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO, 0 recurso é tempestivo e dele torno conhecimento. Cabe, inicialinente, avaliar a questão da decadência. Tendo em vista as características do IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o PIS, e da Cans, no periodo lançado (apuração efetuada pelo próprio contribuinte), e frente h súmula vinculante IV. 8 do STF, o prazo decadencial é aquele estabelecido no § 40 do art. 150 'do CTN, abaixo transcrito: Art. 150, 0 lançamento por homologaçâo, que ocorre quanto aos tributos cuja legislagilo atribua ao .sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ,§ 4" Se a lei niio ,fixar prazo a homologagao, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sent que a Fazenda Aitblica se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivaniente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou No caso ern concreto, considerando-se que não foi comprovado dolo, fraude ' ou simulação, o prazo decadencial é de 5 anos contados a partir do fato gerador. Corno a ciência do auto foi em janeiro de2006, os fatos geradores ocorridos em 2000 já não poderiam ser lançados. Por isso, é pertinente a preliminar de decadência. Assim, voto por declarar a decadência do lançamento. CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO PEREIRA BESSA ED lent/. , tripiestr lançado at:ins:ins ; trifnestr entregu al Cado hiuve c ' do art. já teria! an4S 'cO Sidor efe ; la;9,141.11, d i l praz lailcam ; • DECA Conselheira EDELI PEREIRA BESSA, Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, a empresa estava omissa cias DCTF 's (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) desde o 1" de 1999. Em análise As DC -IT' entregues sob procedimento fiscal, a autoridade relaborou, nos autos do processo administrativo n ° 13888.002245/2005-06, tiVo no qual evidenciou que somente foram liquidados débitos de IRPJ a partir do 3 ° de 2001, mediante a apresentação de Declarações de Compensação — DCOMP, em 2004. Extratos das DCTF's juntados àqueles autos confirmaram que não foram pagamentos, ou outros créditos, aos débitos declarados em 1999 e 2000. Somente ditos vinculados aos débitos de IRPJ declarados a partir do 4 ° trimestre/2002. Contudo, mesmo entendo inaplicáveis, em tais circunstâncias, as disposições 0 do CTN, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário aqui exigido erecido à época da ciência do lançamento, por já ter transcorrido o prazo de 5 (cinco) tados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento Poderia ter ado, nos termos do art. 173, I do CTN. 1 De fato, sendo a exigência mais recente pertinente ao 3 ° trimestre/2000, o ritO poderia ser efetuado no próprio ano-calendário de 2000, iniciando-se a contagem 'decadencial em 01/01/2001, e encerrando-se em 31/12/2005, antes de cientificado o to em 18/01/2006. 1 1 Assim, embora por outras razões, voto também por DECLARAR A ENCIA do credito tributário aqui exigido.
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001009/2005-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCALAno-calendário: 2001MANDADO DE SEGURANÇA. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MULTA DE OFÍCIO. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa pela concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, não cabe o lançamento de multa de ofício.AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1.LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR - CONVERSÃO PARA REAIS - Os lucros auferidos no exterior por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os correspondentes lucros.INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA A TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 4.Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Conhecido em Parte e Provido em Parte.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1402-000.338
Decisão: Acordam os membros do colegiado: 1) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício; 2) Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário relativo à matéria discutida concomitantemente na esfera judicial; 3) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; 4) Pelo voto de qualidade manter a exigência da CSLL de períodos anteriores até 09/99, vencidos o relator e os Conselheiros Marcelo de Assis Guerra e Moises Giacomelli Nunes da Silva, que excluíam a CSLL desses períodos; designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Antônio José Praga de Souza; 5) Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para que a conversão dos lucros para moeda nacional seja efetuada com base na taxa de câmbio na data do encerramento do respectivo período de apuração e negar provimento em relação às demais matérias. Tudo nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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TURMA - DRJ EM SAO PAULO I - SP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2001 MANDADO DE SEGURANÇA. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MULTA DE OFÍCIO. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa pela concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, não cabe o lançamento de multa de ofício. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR - CONVERSÃO PARA REAIS - Os lucros auferidos no exterior por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os correspondentes lucros. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA A TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 4. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Conhecido em Parte e Provido em Parte. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, 08/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; 2) Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário relativo à matéria discutida concomitantemente na esfera judicial; 3) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; 4) Pelo voto de qualidade manter a exigência da CSLL de períodos anteriores até 09/99, vencidos o relator e os Conselheiros Marcelo de Assis Guerra e Moises Giacomelli Nunes da Silva, que excluíam a CSLL desses períodos; designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Antônio José Praga de Souza; 5) Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para que a conversão dos lucros para moeda nacional seja efetuada com base na taxa de câmbio na data do encerramento do respectivo período de apuração e negar provimento em relação às demais matérias. Tudo nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, 08/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001009/2005-16 Acórdão n.º 1402-00.338 S1-C4T2 Fl. 2 3 Relatório CBB EMPREENDIMENTOS E NEGOCIOS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por sua vez, a 5a. TURMA - DRJ EM SAO PAULO I – SP, em observância ao art. 34 do mesmo diploma legal, recorre de oficio em face da exenoração de valor acima da alçada das DRJ. Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): DA AUTUAÇÃO ORIGINAL Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 154 a 157, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, foram constatados os seguintes fatos, relacionados a lucros auferidos no exterior, durante o período fiscalizado de 1999 a 2001: ALUCUS – GESTÃO E CONSULTORIA LDA. Desde 1996, a contribuinte era possuidora de 100% do capital social de Alucus – Gestão e Consultoria Lda., uma empresa com sede na Ilha da Madeira – Portugal. Em 10/12/2001, conforme Contrato de Cessão de Quotas e quadro demonstrativo de ganho de capital, a contribuinte cedeu suas quotas, representando a totalidade do capital social da Alucus, à sociedade TMF – Assessoria Empresarial Lda., também com sede na Zona Franca da Madeira, pelo preço de US$ 20,730,000. Em janeiro de 2002, alegando a ilegalidade e inconstitucionalidade do §9º do artigo 2º da IN SRF nº 38/96, a contribuinte impetrou mandado de segurança, com pedido de liminar, para não ter de incluir os lucros gerados pela Alucus em seu lucro real. O valor referente à alienação (US$ 20,730,000) foi recebido pela contribuinte e depositado em sua conta corrente no Banco do Espírito Santo. Reduzido o ganho de capital, esse valor corresponde ao patrimônio líquido da Alucus em 31/10/2001, estando ali computados, portanto, além do capital social, os lucros acumulados (reserva legal, resultados transitados e resultado do exercício), conforme demonstrativo de fl. 155. Os lucros auferidos entre 12/02/96 a 10/12/2001 (data da alienação) pela Alucus no exterior, e ainda não submetidos à tributação, são considerados disponibilizados para a contribuinte no dia 10/12/2001, data em que foi pago e creditado em sua conta corrente no Banco do Espírito Santo o valor de US$ 20,730,000, referente à alienação. Assim sendo, nos termos dos artigos 249, inciso II, e 394, §§ 2º, 3º, inciso II, e 4º, inciso II, letra “a”, do RIR/99, do artigo 25, §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.249/95, e do artigo 16 da Lei nº 9.430/96, aqueles lucros auferidos pela Alucus são considerados disponibilizados para a contribuinte na data do pagamento (10/12/2001), e deveriam ter sido adicionados ao seu lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado em 31/12/2001, cabendo o lançamento de Fl. 3DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, 08/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 4 ofício do montante de R$ 32.824.832,67, conforme demonstrado às fls. 155 e 156. Destaque-se que a conversão de escudos portugueses para reais foi efetuada pela taxa de câmbio de 10/12/2001, nos termos do artigo 143 do CTN. Ao invés da referida adição, a contribuinte impetrou o Mandado de Segurança nº 2002.61.00.01717-4, através do qual, no dia 08/04/2002, foi concedida a segurança e confirmada a liminar, reconhecendo o direito da contribuinte “de não ter de incluir os lucros gerados em 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001, pela Alucus, em seu lucro real e base de cálculo da CSL, do ano-calendário de 2001, face à ilegalidade e inconstitucionalidade do §9º do artigo 2º da IN 38/96”. Tendo a União apelado, o processo foi remetido ao TRF da 3ª Região, onde se encontra. Cabe observar, no entanto, que o presente lançamento é feito com base no artigo 1º da Lei nº 9.532/97 (inciso “b”, do §1º e item 1, inciso “b”, do §2º), conforme consta do artigo 394 do RIR/99 (§§ 2º, 3º, inciso II, e 4º, inciso II, letra “a”), uma vez que o fato gerador foi o pagamento daqueles lucros auferidos no exterior e considerados disponibilizados, e não na IN SRF nº 38/96, já que a alienação foi apenas a forma pela qual se deu o pagamento dos lucros. Neste caso, portanto, a matéria em litígio no presente processo administrativo não possui identidade com a que está sendo tratada na esfera judicial; inexiste concomitância judicial e administrativa, pois o objeto discutido na esfera judicial refere-se ao §9º do artigo 2º da IN 38/96. Assim, é incabível o lançamento com suspensão da exigibilidade, pois a decisão relativa à IN SRF nº 38/96 não deverá ter reflexo no presente processo, relativo ao Auto de Infração. CSLL - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Os lucros da Alucus foram disponibilizados para a contribuinte em 10/12/2001. Assim, com base no Ato Declaratório SRF nº 75/99, e nos artigos 6º e 21 da MP nº 1.858/99 e reedições, cabe tributação reflexa referente à CSLL. DOS LANÇAMENTOS Em face do acima exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao ano-calendário de 2001: IRPJ (....) CSLL (...) DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 15/06/2005 (fls. 140 e 145), a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos (fl. 214), apresentou, em 15/07/2005, a impugnação de fls. 183 a 213, alegando, em síntese, o seguinte: I – AS PRELIMINARES Tempestividade A presente impugnação é tempestiva, nos termos do artigo 5º do Decreto nº 70.235/72 e do artigo 210 do CTN. Nulidade do Auto de Infração: erro no enquadramento legal O Auto de Infração em questão não se revestiu das formalidades previstas no Decreto nº 70.235/72 e do perfeito enquadramento legal dos fatos que pudessem justificar a sua lavratura. No Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante do Auto de Infração, a fiscalização pretende sustentar que a alienação da Alucus, em 10/12/2001, teria Fl. 4DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, 08/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001009/2005-16 Acórdão n.º 1402-00.338 S1-C4T2 Fl. 3 5 implicado a disponibilização, para a impugnante, dos lucros e reserva legal gerados e retidos pela Alucus no exterior até aquela data. A impugnante, então, teria cometido a suposta infração de deixar de adicionar tais valores ao seu lucro líquido do ano-calendário de 2001, para determinação do lucro real do período. Não obstante, ao fundamentar sua pretensão fiscal, a autoridade fiscalizadora invocou as disposições contidas nos §§ 2º, 3º, inciso II, e 4º, inciso II, letra “a”, do artigo 394 do RIR/99, cujas bases legais são o artigo 1º, §1º, inciso “b”, e §2º, inciso “b”, item 1, da Lei nº 9.532/97, as quais não têm qualquer relação com a alienação de participação societária em sociedade no exterior, ou mesmo com o recebimento do preço dessa alienação por parte da impugnante. Os comandos normativos trazidos pela fiscalização somente poderiam ser aplicados se os fatos vivenciados pela impugnante pudessem ser caracterizados como o crédito, feito pela própria Alucus, dos lucros por ela auferidos no exterior na conta corrente da impugnante no Brasil, o que, evidentemente, não ocorreu. Portanto, o Auto de Infração é manifestamente nulo, e deve ser integralmente cancelado. Nulidade do Auto de Infração: crédito tributário com exigibilidade suspensa O pretenso crédito tributário encontra-se com sua exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151 do CTN, por força de ordem judicial (doc. 3) concedida nos autos do Mandado de Segurança nº 2002.61.00.01717-4. Não obstante, a fiscalização vale-se de um sofisticado raciocínio para tentar fazer crer que a exigência fiscal não se encontra abrangida pela suspensão da exigibilidade. De modo inconcebível, a fiscalização pretende equiparar o recebimento do preço da alienação pela contribuinte, pago pela TMF, à hipótese legal de crédito dos lucros retidos na Alucus no exterior na conta bancária da contribuinte no Brasil (§§ 2º, 3º, inciso II, e 4º, inciso II, letra “a”, do artigo 394 do RIR/99). Ora, é evidente que esse raciocínio não pode prosperar. Formalmente, é inquestionável que a base legal utilizada pela fiscalização (§§ 2º, 3º, inciso II, e 4º, inciso II, letra “a”, do artigo 394 do RIR/99) é distinta do artigo 2º, §9º, da IN SRF nº 38/96. Aliás, é por essa razão que a contribuinte se vê obrigada a impugnar essa indevida autuação, e é também pelo mesmo motivo que esta impugnação deve ser integralmente conhecida e examinada pelas autoridades julgadoras, nas preliminares e no mérito. Não obstante, a efetiva causa motivadora desta infundada autuação é a alienação da Alucus pela impugnante, a qual, repita-se, encontra-se afastada como hipótese de disponibilização de lucros pela sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2002.61.00.01717-4. A lavratura de Auto de Infração pretendendo reclamar crédito tributário que se encontre com a exigibilidade suspensa viola frontalmente o artigo 62 do Decreto nº 70.235/72, o que enseja a total nulidade da autuação, sobretudo se for considerada a exigência de multa de ofício, o que é completamente descabido. Nulidade do Auto de Infração: decadência do direito de lançar crédito tributário relativo aos lucros / reservas legais dos anos-calendário de 1996, 1997, 1998 e 1999 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, 08/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 6 O presente Auto de Infração pretende exigir valores de IRPJ e CSLL que incidiriam sobre valores de lucros e reserva legal gerados pela Alucus nos anos- calendário de 1996 a 2001 (até 10/12/2001). O fato de os lucros gerados em um determinado ano serem acumulados para posterior distribuição não altera o tratamento tributário aplicável no momento de sua apuração. Esse é o entendimento que se extrai da leitura dos artigos 654 e 655 do RIR/99. No mesmo sentido, o ADN nº 49/94 já confirmou expressamente que, aos lucros apurados até 31/12/1993, dever-se-ia aplicar as normas de incidência vigentes à época de formação desses lucros. Tanto o RIR/99 quanto o ADN nº 49/94 determinam que a lei aplicável aos lucros apurados pela empresa controlada, em determinado ano, para fins de tributação, é aquela vigente no momento em que tais lucros foram gerados, o que afasta qualquer argumento no sentido de que a lei aplicável é a do momento em que tais lucros (de exercícios anteriores) são disponibilizados. Ademais, o IRPJ, atualmente, submete-se à modalidade de lançamento por homologação, assim como a CSLL, por força dos artigos 57 da Lei nº 8.981/95 e 28 da Lei nº 9.430/96, que dispõem que aplicam-se à CSLL as mesmas regras de apuração e recolhimento do IRPJ. Assim sendo, aplica-se ao caso, para cômputo do prazo decadencial, o disposto no §4º do artigo 150 do CTN, que fixa o prazo de decadência em 5 anos a contar da data da ocorrência do fato gerador. Assim, a presente autuação, lavrada em 14/06/2005, não poderia exigir valores relativos a fatos geradores ocorridos anteriormente a 01/06/2000; não poderia exigir qualquer parcela do IRPJ e da CSLL relativos aos lucros gerados até 1999, devendo o Auto de Infração, em relação a tais fatos geradores, ser cancelado de plano. II – OS FATOS A alienação da Alucus Até 10/12//2001, a impugnante era a única quotista da sociedade Alucus, estabelecida na Ilha da Madeira – Portugal. A Alucus era, portanto, controlada da impugnante. A Alucus auferiu lucros nos anos-calendário de 1996 a 2001 (até 10/12/2001), os quais foram devidamente registrados na contabilidade da impugnante no Brasil de acordo com a aplicação do método da equivalência patrimonial. Nos anos-calendário de 1996 e 1997, a legislação de regência (Lei nº 9.249/95) determinava que os lucros gerados no exterior seria considerados automaticamente disponibilizados à contribuinte no Brasil no encerramento de cada ano-calendário, devendo ser adicionados ao lucro real de cada período. Entretanto, como essa norma violava frontalmente o artigo 43 do CTN, suas disposições não foram suficientes para obrigar a impugnante a essa tributação. A Lei nº 9.532/97, por sua vez, vigente nos anos-calendário de 1998 a 2001, determinava que os lucros (e valores da reserva legal) gerados no exterior somente seriam oferecidos à tributação no Brasil quando de sua efetiva disponibilização jurídica ou econômica à contribuinte. Em conseqüência, como os lucros auferidos nos anos-calendário de 1996 a 2001 (até 10/12/2001) pela Alucus permaneceram retidos naquela sociedade, não tendo sido disponibilizados à impugnante no Brasil, tais lucros não foram oferecidos à tributação pela contribuinte. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, 08/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001009/2005-16 Acórdão n.º 1402-00.338 S1-C4T2 Fl. 4 7 Em 10/12/2001, a impugnante alienou a participação societária detida na Alucus para a TMF. O ganho de capital auferido pela contribuinte nessa transação foi devidamente oferecido à tributação pelo IRPJ e pela CSLL no Brasil (doc. 4), nos exatos termos da legislação aplicável. Entretanto, mesmo com a referida alienação, os lucros auferidos pela Alucus anos-calendário de 1996 a 2001 (até 10/12/2001) permaneceram retidos naquela sociedade. A impugnante anexa quadro demonstrativo (doc. 5), relativo às data da alienação, indicando a existência de lucros acumulados na Alucus, mas não disponibilizados para a impugnante. Vale mencionar que as leis que regulavam a matéria à época dos fatos (Lei nº 9.249/95, Lei nº 9.430/96, Lei nº 9.532/97 e RIR/99), assim como a legislação fiscal posterior (Lei nº 9.959/2000 e MP nº 2.158-35/2001), não previam a alienação de sociedade no exterior como hipótese legal de disponibilização de lucros auferidos por meio de sociedades controladas sediadas no exterior. Ademais, ao contrário do que entendeu a fiscalização, os valores recebidos da TMF representavam o preço cobrado pela alienação, não podendo ser indevidamente equiparados ao crédito dos próprios lucros auferidos pela Alucus na conta bancária da contribuinte no Brasil. Entretanto, considerando que a IN SRF nº 38/96, em seu artigo 2º, §9º, estabeleceu, sem o necessário amparo legal, a alienação de controlada / coligada no exterior com hipótese de disponibilização de lucros, a impugnante viu-se no justo receio de ser autuada pela fiscalização federal. O Mandado de Segurança nº 2002.61.00.01717-4 Assim, em janeiro de 2002, a contribuinte impetrou o Mandado de Segurança nº 2002.61.00.01717-4, com pedido de liminar, visando a suspender a exigibilidade de um possível crédito tributário a lhe ser imputado pela fiscalização. Em 08/04/2002, confirmando a liminar obtida pela impugnante, foi concedida a segurança pleiteada, reconhecendo o direito da impugnante de não ter de incluir os lucros gerados pela Alucus nos ano-calendário de 1996 a 2001 na base de cálculo do IRPJ e da CSLL do ano-calendário de 2001, face à manifesta ilegalidade e inconstitucionalidade do artigo 2º, §9º, da IN SRF nº 38/96. A União Federal interpôs recurso de apelação perante o TRF da 3ª Região, o qual foi recebido somente no efeito devolutivo,e atualmente aguarda julgamento. O Auto de Infração Entretanto, o Auto de Infração não se fundamenta na IN SRF nº 38/96, mas sim no artigo 1º, §1º, alínea “b”, e §2º, alínea “b”, item 1, da Lei nº 9.532/97. Nessa linha, a fiscalização pretende sustentar que, independentemente, da discussão judicial sobre a IN SRF nº 38/96, a alienação da Alucus pela impugnante à TMF seria a forma pela qual a impugnante teria recebido os lucros gerados e acumulados pela Alucus no exterior. A impugnante irá demonstrar que o preço pago pela sociedade adquirente na aquisição de uma participação societária não se confunde, em qualquer hipótese, com o crédito dos lucros acumulados na sociedade adquirida em favor de sua ex- controladora no Brasil. Em relação às reservas legais, a fiscalização nem ao menos explicita o embasamento legal necessário à sua equiparação aos lucros acumulados e sua Fl. 7DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, 08/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 8 tributação como tal, ficando a impugnante obrigada a supor que a fiscalização pretende aplicar a tais reservas legais as mesmas regras que regulam a tributação dos lucros auferidos no exterior. Com relação à CSLL, a impugnante irá demonstrar que não poderia haver tributação relativa aos lucros e reservas legais gerados anteriormente a 30/09/99. Além disso, se o crédito tributário em questão fosse devido, a taxa de câmbio utilizada pela fiscalização para converter os lucros retidos na Alucus está equivocada, pois tais lucros deveriam ser convertidos para reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tinham sido apurados no exterior. III – DO DIREITO Esclarecimento necessário A impugnante argumenta que a presente impugnação deve ser conhecida e apreciada pelas autoridades julgadoras, tendo em vista que a autuação discute questões que não são objeto do Mandado de Segurança nº 2002.61.00.01717-4, como observa a própria fiscalização em seu Termo de Verificação Fiscal. O mandado de segurança em questão tem por objetivo reconhecer a ilegalidade e inconstitucionalidade do artigo 2º, §9º, da IN SRF nº 38/96, e Auto de Infração fundamenta-se no artigo 1º, §1º, alínea “b”, e §2º, alínea “b”, item 1, da Lei nº 9.532/97. De forma totalmente indevida, a fiscalização lavrou a presente autuação, equiparando o pagamento do preço da alienação da Alucus pela TMF ao pagamento dos lucros acumulados na controlada à sua controladora no Brasil, por meio de crédito na conta bancária desta. Não tendo sido suposto pagamento de lucros abordado no referido mandado de segurança, deve a presente impugnação ser admitida e apreciada por este órgão julgador. Inocorrência de pagamento dos lucros gerados pela Alucus à impugnante por meio de crédito em sua conta bancária no Brasil A fiscalização pretende sustentar que, ao pagar o preço de compra da Alucus à impugnante, a TMF estaria pagando os próprios lucros que estariam retidos na Alucus no exterior até o momento. A hipótese de incidência normativa exige 2 elementos principais para a sua caracterização. Em primeiro lugar, devem ser pagos “lucros” auferidos pela controlada no exterior, e não outra coisa; caso contrário o dispositivo está automaticamente afastado. O que foi pago pela TMF foi o “preço” pela aquisição de participação societária, conceito distinto de “lucro”. Em segundo lugar, quem deveria pagar os lucros à controladora brasileira seria a própria controlada. Adicionalmente, deve-se ressaltar que o legislador pátrio teve diversas oportunidades (edição da Lei nº 9.532/97, da Lei nº 9.959/2000 e MP nº 2.158- 35/2001) de incluir a alienação de sociedade estrangeira com hipótese de disponibilização de lucros no Brasil, e não o fez. Portanto, o Auto de Infração é manifestamente improcedente, e deve ser integralmente cancelado. CSLL: impossibilidade de incidência sobre lucros do exterior gerados antes de outubro de 1999 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, 08/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001009/2005-16 Acórdão n.º 1402-00.338 S1-C4T2 Fl. 5 9 A MP nº 1.858-6/99, de 29/06/99, sucessivamente reeditada até a atual MP nº 2.158-35/2001, foi a primeira norma legal que determinou a adoção do princípio da universalidade da renda para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. Considerada a anterioridade nonagesimal, prevista para as contribuições sociais, somente a partir de outubro de 1999 é que os lucros auferidas por sociedades controladas passaram a ser tributados pela CSLL. À tributação de lucros, auferidos no Brasil ou no exterior, aplica-se a lei vigente à época de sua geração, de modo que a MP nº 1.858-6/99 não tinha o condão de fazer incidir a CSLL sobre lucros e/ou reserva legal gerados pela Alucus anteriormente a 30/09/99. Nesse caso, deve a presente autuação ser revista e cancelada nos termos ora explanados. Taxa de conversão de rendimentos auferidos no exterior A taxa de câmbio utilizada pela fiscalização, de 10/12/2001, para converter os lucros retidos na Alucus, de escudos portugueses para reais, contraria o disposto na legislação aplicável. O artigo 143 do CTN dispõe que a conversão em moeda nacional somente será feita ao câmbio do dia da ocorrência do suposto fato gerador se não houver disposição de lei em contrário. Entretanto, o artigo 394, §7º, do RIR/99, prevê, com base na Lei nº 9.249/95 (artigo 25, §4º), que os lucros auferidos no exterior serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada e coligada. Trata-se, portanto, de uma lei em contrário, devendo a presente exigência ser revista e recalculada, para considerar as taxas de câmbio vigentes nas datas das demonstrações financeiras de cada um dos respectivos anos-calendário em que os lucros em questão foram gerados. IV – A MULTA E OS JUROS a) Abusividade da multa e dos juros aplicados A União não pode utilizar tributo com efeito de confisco (artigo 150, inciso IV, da CF/88). Logo não há justificativa para a imposição de penalidade que exproprie a impugnante de parcela de seu patrimônio quase igual (75%) ao valor dos tributos exigidos. No que se refere aos juros de mora, a utilização da taxa SELIC para fins tributários é inconstitucional, tendo o STJ reconhecido sua inaplicabilidade aos créditos tributários. V – A CONCLUSÃO E O PEDIDO A impugnante apresenta suas conclusões às fls. 211 e 212. Protesta pela posterior juntada de documentos, e requer o cancelamento do Auto de Infração e das penalidades aplicadas. DO RETORNO DO PROCESSO À FISCALIZAÇÃO Por entender que a fundamentação legal da autuação (artigo 394, §§ 2º, 3º, inciso II, e 4º, inciso II, letra “a”, do RIR/99) era inaplicável ao caso em tela, esta DRJ encaminhou o presente processo à DEAIN/SÃO PAULO, para que fosse Fl. 9DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, 08/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 10 lavrado Auto de Infração complementar (se esse também fosse o entendimento da fiscalização), baseado em nova fundamentação legal, nos termos do artigo 18, §3º, do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748/93 (fls. 269 a 271). DOS NOVOS AUTOS DE INFRAÇÃO Considerando o acima exposto, a fiscalização elaborou novo Termo de Verificação Fiscal (fls. 286 a 289), e efetuou novos lançamentos (em substituição aos anteriores, de fls. 137 a 146), relativos ao ano-calendário de 2001, abaixo demonstrados: IRPJ (...) CSLL (...) Obs: em relação à autuação original, foram alterados a fundamentação legal (artigo 394, §§ 2º, 3º, inciso II, e 4º, inciso II, letra “d”, do RIR/99) e os juros de mora (agora calculados até 29/09/2006). DA IMPUGNAÇÃO AOS NOVOS LANÇAMENTOS Cientificada dos novos lançamentos em 03/10/2006 (fls. 276 e 281), a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos (fl. 338), apresentou, em 03/11/2006, a impugnação de fls. 295 a 335. Reitera as alegações apresentadas na impugnação de fls. 183 a 213, acrescentando, em síntese, o seguinte: DAS PRELIMINARES Da impossibilidade da lavratura de novo Auto de Infração O novo Auto de Infração deve ser cancelado, pois contraria expressa previsão do artigo 149 do CTN (que define, de forma taxativa, as hipóteses nas quais a autoridade administrativa pode, de ofício, rever seus lançamentos), ao constituir novo crédito tributário com base em simples erro de direito, e não em novos fatos descobertos após a lavratura do Auto de Infração. A revisão do lançamento tributário só é permitida em casos muito específicos, que não encontram correspondência na hipótese dos autos. O novo lançamento foi efetuado para dar nova fundamentação jurídica ao Auto de Infração anterior, como supostamente permitido pelo artigo 18, §3º, do Decreto nº 70.232/72. O §3º trata exclusivamente das hipóteses em que foram apurados novos fatos através de diligências ou perícias. Não se trata de um “cheque em branco” para a fiscalização alterar a fundamentação jurídica dos lançamentos tributários quando bem entender. As disposição do Decreto nº 70.232/72 devem ser interpretadas em conformidade com o CTN, especialmente nas questões relacionadas ao lançamento tributário. Do mandado de segurança A sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança analisou todas as normas da tributação em bases universais, afirmando expressamente que a Lei nº 9.532/97 não é aplicável à alienação de participação societária na Alucus pela impugnante, conforme trecho reproduzido às fls. 305 e 306. A sentença não só reconheceu a inconstitucionalidade da IN SRF nº 38/96, como também afirmou que todas as normas que tratam da tributação em bases universais não são aplicáveis ao presente caso. DO DIREITO Fl. 10DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, 08/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001009/2005-16 Acórdão n.º 1402-00.338 S1-C4T2 Fl. 6 11 Inocorrência de emprego dos lucros gerados pela Alucus em favor da impugnante É evidente que a hipótese de alienação de participação societária detida em sociedade estrangeira não pode ser confundida com o emprego de lucros retidos nessa sociedade em favor de sua controladora brasileira. O “emprego do valor em favor da beneficiária”, a que se refere o artigo 1º, §2º, alínea “b”, item 4, da Lei nº 9.532/97, não possui amplitude infinita, devendo ser entendido nos exatos limites da legislação que o previu. Somente se aplica aos casos em que a sociedade controlada estrangeira, por meio de ação própria, venha a empregar os valores (dos lucros gerados e retidos no exterior) em favor de sua controladora (beneficiária) brasileira. Obviamente, não é esse o caso. A Alucus jamais determinou a utilização ou o emprego de qualquer parte do saldo de seus lucros (gerados e retidos no exterior) em favor da impugnante. Não há, portanto, qualquer relação entre a alienação da participação societária detida em uma sociedade estrangeira (Alucus), com um eventual emprego dos lucros retidos nessa mesma sociedade. Ademais, se a alienação de participação societária fosse equiparada ao emprego dos lucros em favor da controladora brasileira, esses lucros estariam sujeitos a uma dupla tributação no Brasil: a) uma, no momento da infundada equiparação; e b) outra, quando da real disponibilização desses lucros ao novo controlador brasileiro da sociedade estrangeira. O que é um absurdo. Equivalência patrimonial X Disponibilização dos lucros Cumpre destacar, ainda, que os investimentos da impugnante no exterior são avaliados em sua contabilidade pelo método da equivalência patrimonial. O tratamento fiscal do acréscimo (lucros) verificado no valor do investimento em sociedades no exterior, em virtude da aplicação do método de equivalência patrimonial (não tributação e aumento do valor do custo do investimento) não foi modificado pela Lei nº 9.249/95, e é expressamente reconhecido pelo §6º do artigo 25 da Lei nº 9.249/95. Em relação à CSLL, nos termos da Lei nº 7.689/88, alterada pela Lei nº 8.034/90, está expressamente previsto que o resultado positivo do método de equivalência patrimonial deve ser excluído da base de cálculo da CSLL. A análise sistemática da legislação, portanto, deixa clara a idéia de que o aumento do custo do investimento por força do método da equivalência patrimonial (que é a base para a apuração de ganho de capital) não gera qualquer resultado tributável para a empresa. A tributação dos resultados auferidos pela sociedades controladas no exterior apenas ocorre se e quando os lucros gerados alhures forem efetivamente disponibilizados para a empresa brasileira (o que não ocorreu no presente caso). Impossibilidade de cobrança de multa em tributos com exigibilidade susepnsa O artigo 63 da Lei nº 9.430/96 estabelece expressamente que não é admitida a cobrança de multa de ofício na constituição de crédito tributário destinado a prevenir a decadência. Em que pesem os esforços da fiscalização em argumentar que a sua mudança de fundamento legal implica o esvaziamento da ordem judicial, é evidente que o crédito tributário em discussão nestes autos está com sua exigibilidade suspensa. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, 08/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 12 Desta forma, resta evidente a impossibilidade de exigência da multa de ofício no caso em análise. Juros SELIC sobre o valor da multa isolada Ainda que seja admitida a exigência de juros pela taxa SELIC, tais juros não poderiam incidir sobre a multa isolada. Resta evidente a impossibilidade de cobrança de juros à taxa SELIC sobre a multa de ofício no presente caso. A decisão recorrida está assim ementada: AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR. POSSIBILIDADE. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendo-se, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR. DECADÊNCIA. A fixação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, na hipótese de lançamento sobre lucros disponibilizados por empresa controlada sediada no exterior, deve levar em consideração a data em que se considera ocorrida a disponibilização (data do fato gerador), e não a data do auferimento dos lucros pela empresa controlada. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA. HIPÓTESE DE DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS. Na alienação de participação em empresa sediada no exterior há o emprego de lucros da controlada, em favor da controladora, o que configura hipótese de disponibilização. DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS. TAXA DE CÂMBIO APLICÁVEL. Inexistindo disposição de lei em contrário, a conversão para reais deve ser feita pela taxa de câmbio da data da disponibilização dos lucros auferidos no exterior, fato gerador da obrigação tributária. MANDADO DE SEGURANÇA. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MULTA DE OFÍCIO. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa pela concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, não cabe o lançamento de multa de ofício. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O cálculo dos juros de mora efetuado com base na taxa SELIC tem previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. CSLL. DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitam-se à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória, os quais estão detalhados no voto a seguir, e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, 08/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001009/2005-16 Acórdão n.º 1402-00.338 S1-C4T2 Fl. 7 13 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Por seu turno o recurso de ofício é cabível em face da exoneração das penalidades em valor acima de R$ 1.000.000,00 (fl.453), nos termos da Portaria MF No. 3/2008. Inicio pelo Recurso de Oficio. Vejamos os fundamentos da decisão recorrida nessa parte: Analisando as peças juntadas aos autos concluímos que a impugnante estava, na data da autuação, amparada por medida judicial, no sentido da não tributação dos lucros auferidos por sua controlada Alucus no exterior, por ocasião da alienação de sua participação societária à TMF (fls. 63 a 108). A decisão judicial relativa ao Mandado de Segurança nº 2002.61.00.01717-4 ao mesmo tempo em que afastou a aplicação do §9º do artigo 2º da IN 38/96, por ilegalidade e inconstitucionalidade, entendeu que inexistia qualquer dispositivo legal prevendo a alienação de sociedade no exterior como hipótese de disponibilização de lucros auferidos por intermédio de sociedades controladas sediadas no exterior. Afastou, dessa forma, também a incidência das normas prescritas na Lei nº 9.532/97, fundamento da presente autuação. Transcrevo a seguir trechos das peças constantes dos autos (grifos meus), que reforçam a conclusão acima. Petição inicial( fls. 82 e 83) “V. – CONCLUSÃO: O PEDIDO 5.1. – Em síntese, restou demonstrado que: (...) (v) todas as leis ordinárias e os atos do Poder Executivo (medidas provisórias) com força de lei relacionados com a matéria não contemplam a venda de sociedade no exterior como forma de disponibilização de lucros acumulados na sociedade alienada; (vi) a IN 38/96, em seu artigo 2º, §9º, ao estabelecer que a alienação de sociedade controlada no exterior é hipótese de disponibilização de lucros auferidos no exterior, é manifestamente inconstitucional e ilegal, por não possuir atribuição para criar hipótese de incidência, a teor do artigo 150, inciso I da Constituição Federal e do artigo 97, I, do CTN (somente lei formal pode dispor sobre o fato gerador da obrigação tributária);(...) 5.3. – Assim sendo, requer a concessão liminar da ordem, com fundamento no artigo 7º, inciso II, da Lei nº 1.533/51, a fim de que a Autoridade Administrativa não venha a exigir o IRPJ e a CSL supostamente devidos (vencimento em 31 de janeiro de 2002, a teor do artigo 5º da Lei nº 9.430/96) e tampouco imponha penalidades (multa) pelo fato de a Impetrante ter Fl. 13DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, 08/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 14 deixado de adicionar ao seu lucro real – apurado em 31 de dezembro de 2001 – os valores relativos aos lucros gerados pela Alucus nos anos de 1998, 1999, 2000 e 2001, até a decisão final, quando a ação mandamental deverá ser julgada totalmente procedente, com a concessão da ordem em caráter definitivo. 5.4. – Concedida a ordem liminar, a Impetrante requer a concessão em definitivo da segurança, nos termos do artigo 5º, inciso LXIX, da Constituição Federal de 1988, e artigos 1º e seguintes da Lei nº 1.533, de 31.12.1951, reconhecendo-se o direito líquido e certo de não ter de incluir tais valores (lucros gerados em 1998, 1999, 2000 e 2001 pela Alucus) em seu lucro real e em sua base de cálculo da CSL do ano-calendário de 2001, em decorrência da manifesta ilegalidade e inconstitucionalidade do artigo 2º, §9º, da IN 38/96”. Liminar concedida ( fls. 87 a 89) “A questão que se coloca, em síntese, é saber se a hipótese de incidência do IRPJ e da CSSL inscrita na Instrução Normativa nº 38/96 encontra ou não amparo legal.(...) Da análise dos diplomas legais invocados – Leis nºs 9.249/95, 9.430/96, 9.532/97 e 9.9959/2000 – não se vislumbra a existência de qualquer dispositivo prevendo a alienação de sociedade no exterior como hipótese de disponibilização de lucros auferidos por intermédio de sociedades controladas sediadas no exterior.(...) Isto posto, CONCEDO A LIMINAR requerida, determinando à Autoridade Administrativa que não venha a exigir o IRPJ e a CSL supostamente devidos (vencimento em 31 de janeiro de 2002) e tampouco imponha penalidades (multa) pelo fato de a Impetrante ter deixado de adicionar ao seu lucro real – apurado em 31 de dezembro de 2001 – os valores relativos aos lucros gerados pela Alucus nos anos de 1998, 1999, 2000 e 2001, até decisão final a ser aqui proferida”. Sentença de 1ª Instância (fls. 93, 98 e 106) “Da análise dos diplomas legais invocados – Leis nºs 9.249/95, 9.430/96, 9.532/97 e 9.959/2000 – não se vislumbra a existência de qualquer dispositivo prevendo a alienação de sociedade no exterior como hipótese de disponibilização de lucros auferidos por intermédio de sociedades controladas sediadas no exterior.(...) Da análise dos dispositivos legais acima transcritos, verifico que a alienação de empresa sediada no exterior como hipótese de incidência do Imposto de Renda apenas encontra amparo na Instrução Normativa nº 38/96.(...) Ante o exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, JULGO PROCEDENTE a pretensão do Impetrante e CONCEDO A SEGURANÇA, confirmando a liminar, reconhecendo o seu direito líquido e certo de não ter de incluir os lucros gerados em 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001, pela Alucus, em seu lucro real e em sua base de cálculo da CSL do ano-calendário de 2001, face à ilegalidade e inconstitucionalidade do 9º do artigo 2ºda IN 38/96”. Essa decisão judicial não impede, no entanto, a lavratura de Auto de Infração para prevenir a decadência (com exigibilidade suspensa e sem a aplicação da multa de ofício), nos termos dos artigos 62 do Decreto nº 70.235/72, 63 da Lei nº 9.430/96 Fl. 14DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, 08/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001009/2005-16 Acórdão n.º 1402-00.338 S1-C4T2 Fl. 8 15 (com a redação do artigo 70 da MP nº 2.158/2001), e 151 do CTN (Lei nº 5.172/66, com as alterações da Lei Complementar nº 104/2001), in verbis (grifos meus): (Decreto nº 70.232/72) “Art. 62. Durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão da cobrança, do tributo não será instaurado procedimento fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente, à matéria sobre que versar a ordem de suspensão. Parágrafo único. Se a medida referir-se a matéria objeto de processo fiscal, o curso deste não será suspenso, exceto quanto aos atos executórios”. (Lei nº 9.430/96) “Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei No 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício”. (CTN) “Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança. (...)”. Para que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, mencionada no artigo 62 do Decreto nº 70.235/72, tenha sentido, é necessário que tal crédito tenha existência, de modo que a sua constituição, por meio do lançamento, não é obstada por provimento judicial suspensivo de sua exigibilidade. O artigo 62 do Decreto nº 70.235/72 impede apenas os procedimentos de cobrança, enquanto a exigibilidade do crédito tributário estiver suspensa. A multa de ofício, no entanto, deve ser afastada, no presente caso, em face do disposto no artigo 63 da Lei nº 9.430/96. Os fundamentos acima transcritos retratam fielmente o conteúdo dos autos no que tange a essa matéria, bem como a correta aplicação da legislação de regência. Ora, o contribuinte possuía decisão judicial prévia amparando seu procedimento. Nego provimento ao recurso de oficio. Recurso Voluntário Em que pese a ação judicial concomitante, no recurso voluntário o representante do contribuinte aduz alguns pontos não tratados na aludida ação e, portanto, devem ser apreciado por este Conselho, (verbis) Dentre os pontos discutidos neste processo administrativo, são novos osseguintes aspectos: (i) impossibilidade de realizar novo lançamento tributário em razão de suposto engano no fundamento legal; (ii) decadência do crédito tributário; (iii) discussão sob a inaplicabilidade do novo dispositivo legal aplicado D. pela D. Fiscalização; (iv) definição da taxa de conversão dos lucros a serem eventualmente tributados; (v) exclusão da CSL cobrada sobre lucros gerados antes de outubro de 1999; e (vi) incidência indevida de multa e juros no caso em análise. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, 08/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 16 Passo a apreciá-los. (i) Possibilidade de realizar novo lançamento tributário em razão de suposto engano no fundamento legal. Conforme asseverado na decisão recorrida, os novos Autos de Infração de fls. 273 a 282 foram expedidos com permissão legal, nos termos do artigo 18, §3º, do Decreto nº 70.235/72 (parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748/93). Ora, o auto de infração original foi lavrado com erro de tipificação, tal qual alegado pela própria contribuinte e reconhecido pela autoridade administrativa antes de proferida a decisão de primeira instância e, principalmente, antes de transcorrido o prazo decadencial. Após a lavratura do auto de infração retificador foi reaberto o prazo de impugnação ao contribuinte, garantindo-lhe o amplo direito de defesa. O recorrente aduz que não há amparo no artigo 149 do CTN para a revisão de oficio do lançamento. Assim não entendo, este amparo está exatamente no inciso I “quando a lei assim o determine”. No caso, o próprio art. 18 do Decreto 70.235 (parágrafo 3 o . acrescentado pela Lei nº 8.748/93). Rejeito a preliminar. (ii) Decadência do crédito tributário Ao contrário do que alega o contribuinte, entendo que a alegação de decadência está intrinsecamente ligada à legalidade ou não da Instrução Normativa SRF 38/96, contestada em juízo pela contribuinte, que dispôs sobre o momento da tributação do lucro em seu artigo 2º, in verbis: “Art. 2º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido do período-base, para efeito de determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados. § 1º Consideram-se disponibilizados os lucros pagos ou creditados à matriz, controladora ou coligada, no Brasil, pela filial, sucursal, controlada ou coligada no exterior. § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, considera-se: I - creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da filial, sucursal, controlada ou coligada, domiciliada no exterior; II - pago o lucro, quando ocorrer: (...)” (grifei). Se afastada a aplicação da IN 38/96, certamente o lançamento estaria decaído. Logo, não cabe conhecer da preliminar de decadência. (iii) Discussão sob a inaplicabilidade do novo dispositivo legal aplicado pela Fiscalização. No que se refere a este item também a meu ver é objeto da ação judicial, conforme trecho do pedido da ação judicial que transcrevo novamente aqui: Fl. 16DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, 08/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001009/2005-16 Acórdão n.º 1402-00.338 S1-C4T2 Fl. 9 17 5.3. – Assim sendo, requer a concessão liminar da ordem, com fundamento no artigo 7º, inciso II, da Lei nº 1.533/51, a fim de que a Autoridade Administrativa não venha a exigir o IRPJ e a CSL supostamente devidos (vencimento em 31 de janeiro de 2002, a teor do artigo 5º da Lei nº 9.430/96) e tampouco imponha penalidades (multa) pelo fato de a Impetrante ter deixado de adicionar ao seu lucro real – apurado em 31 de dezembro de 2001 – os valores relativos aos lucros gerados pela Alucus nos anos de 1998, 1999, 2000 e 2001, até a decisão final, quando a ação mandamental deverá ser julgada totalmente procedente, com a concessão da ordem em caráter definitivo. Portanto, não conheço dessa preliminar. (iv) Definição da taxa de conversão dos lucros a serem eventualmente tributados. A fiscalização entendeu que o montante de lucros apurados, a tributar, deveria ser convertido em reais com base na taxa de câmbio vigente em 10/12/2001, e não com base nas taxas de câmbio dos balanços que foram apurados, tendo em vista a regra de disponibilização ficta 10/12/2001constante do parágrafo único do art. 74 da MP n° 2.158- 35/2001. Aduz a recorrente que o entendimento da fiscalização é equivocado, na medida em que o procedimento estava devidamente amparado na legislação vigente, qual seja, o art. 25, § 4°, da Lei n° 9.249, de 26.12.1995. Afirma ainda que a conclusão de que a conversão dos lucros apurados no exterior deve ser feita pela taxa de câmbio do dia da demonstração financeira em que os mesmos tenham sido apurados vem sendo adotada por este CARF. Cabe razão à recorrente. De fato, à luz do art. 25, § 4°, da Lei n° 9.249, de 26.12.1995, os lucros auferidos no exterior, seja por filiais, sucursais, controladas ou coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, devem ser convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados na respectiva filial, sucursal, controlada ou coligada, senão vejamos: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. [...] § 4º Os lucros a que se referem os §§ 2º e 3º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. Inaplicável a regra geral explicitada no art. 143 do Código Tributário Nacional, em face da regra específica em tela. A própria Instrução Normativa SRF nº 213, de 2002, ao dispor sobre a tributação de lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil estabeleceu: Fl. 17DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, 08/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 18 Art. 6º As demonstrações financeiras das filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, serão elaboradas segundo as normas da legislação comercial do país de seu domicílio. [...] § 3º A conversão em Reais dos valores das demonstrações financeiras elaboradas pelas filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, será efetuada tomando-se por base a taxa de câmbio para venda, fixada pelo Banco Central do Brasil, da moeda do país onde estiver domiciliada a filial, sucursal, controlada ou coligada, na data do encerramento do período de apuração relativo à demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros dessa filial, sucursal, controlada ou coligada. Tal qual aduziu a recorrente, são inúmeras as decisões do CARF nesse sentido, devendo ser ajustada a autuação nesse ponto. (v) Exclusão da CSLL cobrada sobre lucros gerados antes de outubro de 1999 Quanto a essa matéria, já manifestei anteriormente o entendimento que o fato gerador do tributo passa a ocorrer quando a lei determina a sua incidência. Ou seja, os fatos ocorrem no mundo fenomênico e, a partir do momento em que uma lei os inclui no campo da incidência de um tributo, tem-se a hipótese de incidência do tributo e, portanto, configurado o fato gerador. Ora, antes da vigência do citado art. 19 da MP nº 1.858-6/99, poder-se-ia dizer que os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior estavam fora da incidência da CSLL. Assim, até a edição dessa MP, os lucros rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior não tinham a aptidão de gerar CSLL devida, não faziam surgir a obrigação tributária relativa à CSLL, pois estavam no campo da não-incidência, muito embora esses lucros, rendimentos e ganhos de capital tenham efetivamente ocorrido no exterior. A partir da vigência desse dispositivo legal, os sujeitos passivos que realizassem os fatos ali descritos, deviam observar as normas emanadas por meio dos artigos 25 a 27 da Lei nº 9.249/95, 15 a 17 da Lei nº 9.430/96, e 1º da Lei nº 9.532/97. Por conseguinte, tem-se que: considerando o princípio da anterioridade nonagesimal, que homenageia a não-surpresa da tributação, se a Medida Provisória nº 1.858- 6/1999 foi publicada no Diário Oficial da União no dia 30 de junho de 1999, à luz do art. 195, § 6º, da Constituição Federal, sua vigência somente poderia ser considerada a partir de 1º de outubro de 1999. Dou provimento a este item do recurso. (vi) Incidência indevida de multa e juros. A multa de oficio já foi excluída pela DRJ. Por sua vez, a aplicação de taxa de juros lastreadas em indicadores do mercado financeiro iniciou-se com a Lei nº Lei nº 8.981/95, cujo art. 84 dispõe: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: Fl. 18DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, 08/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001009/2005-16 Acórdão n.º 1402-00.338 S1-C4T2 Fl. 10 19 I - juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...) A Seguir, a Lei nº 9.065/95 substituiu o indicador pela taxa SELIC: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea "a.2" da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (...) Por seu turno, a Lei nº 9.430/1996, ao remodelar a multa de mora incidente nos pagamentos em atraso, estabeleceu em parágrafo que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC, veja: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Nesse sentido dispõe a Súmula nº 4 do CARF: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.” Mantenho a incidência de juros a taxa Selic. Conclusão: Por todo o exposto, voto no sentido de 1) negar provimento ao recurso de oficio; 2) não conhecer do recurso voluntário quanto as matérias objeto de ação judicial concomitante; 3) no mérito, quanto as matérias conhecidos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que a conversão dos lucros para moeda nacional seja efetuada com base na taxa de câmbio na data do encerramento do respectivo período de apuração, bem como cancelar a exigência da CSLL nos períodos de apuração até setembro/1999. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 19DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, 08/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 20 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza – Redator Designado. Conforme conta da decisão na folha de rosto deste acórdão, fui designado para redigir o voto vencedor unicamente quanto a matéria “exigência da CSLL sobre lucros auferidos no exterior até 1999, não disponibilizados até outubro/1999.” Pois bem, antes de 1999 esses resultados quando disponibilizados, não sofriam a incidência da CSLL. Após 1999 tudo que foi apurado e não disponibilizado era tributado na data da disponibilização. Após 2001, tudo que não foi disponibilizado passou também a ser tributado (IRPJ e CSLL). Nesse sentido decidiu a egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais em 7/12/2009, acórdão nº 9101-00468, cuja ementa e voto condutor transcrevo abaixo. “Ementa: LUCROS NO EXTERIOR DISPONIBILIZADOS APÓS DA VIGÊNCIA DA MP 1.858-6/99. Para os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, a hipótese de incidência da CSLL surge com a publicação do art. 19 da MP nº 2.158-6/99 que, interpretado sistematicamente com a legislação a que se reporta, define como fato gerador da CSLL, para esses casos, o momento da disponibilização do lucro e não o momento da geração desse. (...) No mérito, a questão posta em análise se resume a uma interpretação quanto à vigência do art. 19 da Medida Provisória nº 1.858-6/99, que dispôs, verbis: Art. 19. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitam-se à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os arts. 25 a 27 da Lei n o 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os arts. 15 a 17 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e o art. 1 o da Lei n o 9.532, de 1997. Parágrafo único. O saldo do imposto de renda pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda devido no Brasil, poderá ser compensado com a CSLL devida em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros oriundos do exterior, até o limite acrescido em decorrência dessa adição (Negritei) No caso em comento, são fatos incontroversos que a Recorrida deixou de adicionar, na apuração da base de cálculo da CSLL, nos valores de R$ 17.000.000,00 e R$ 14.930.935,29, apurados respectivamente nos balanços de 31/12/2001 e 31/12/2002, relativamente aos lucros auferidos de sua controlada sediada no Uruguai chamada “Silesia Sociedad Anônima”, ou seja, não se discute aqui o momento da disponibilização. Também não se discute o momento em que tais lucros foram gerados na subsidiária no exterior, o que ocorreu entre os anos de 1996 a setembro de 1999, conforme resposta dada à Fiscalização às fls. 430/435. Analisando essa situação posta, o voto vencedor da decisão recorrida entendeu que não poderiam ser tributados os lucros anteriores à referida MP, por ofensa ao art. 195, § 6º, da Constituição Federal. Reconheceu que o fato gerador se dá no período da disponibilização, mas concebeu que esse entendimento só pode ser adotado para os lucros formados a partir do momento para o qual já havia a previsão legal de tributação. No entanto, ouso discordar desse entendimento porque concebo que o fato gerador do tributo passa a ocorrer quando a lei determina a sua incidência. Ou seja, os fatos ocorrem no mundo fenomênico e, a partir do momento em que uma lei os inclui no campo da incidência de um tributo, tem-se a hipótese de incidência do tributo e, portanto, configurado o fato gerador. Fl. 20DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, 08/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001009/2005-16 Acórdão n.º 1402-00.338 S1-C4T2 Fl. 11 21 Ora, antes da vigência do citado art. 19 da MP nº 1.858-6/99, poder-se-ia dizer que os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior estavam fora da incidência da CSLL. Assim, até a edição dessa MP, os lucros rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior não tinham a aptidão de gerar CSLL devida, não faziam surgir a obrigação tributária relativa à CSLL, pois estavam no campo da não-incidência, muito embora esses lucros, rendimentos e ganhos de capital tenham efetivamente ocorrido no exterior. A partir da vigência desse dispositivo legal, os sujeitos passivos que realizassem os fatos ali descritos, deviam observar as normas emanadas por meio dos artigos 25 a 27 da Lei nº 9.249/95, 15 a 17 da Lei nº 9.430/96, e 1º da Lei nº 9.532/97. Analisando, então, o que dispunham essas regras de tributação, tem-se: [...] Consta dos autos, à fl. 457, na peça impugnatória apresentada pela Contribuinte, que os R$ 17.000.000,00 foram disponibilizados em 28/12/2001, por meio de capitalização, e que R$ 14.930.935,29 foram disponibilizados em 31/12/2002, sob a forma de dividendos distribuídos a ora Recorrida. Por conseguinte, tem-se que: 1) Considerando o princípio da anterioridade nonagesimal tão bem tratado pelo voto recorrido, que homenageia a não-surpresa da tributação, se a Medida Provisória nº 1.858-6/1999 foi publicada no Diário Oficial da União no dia 30 de junho de 1999, à luz do art. 195, § 6º, da Constituição Federal, sua vigência somente poderia ser considerada a partir de 1º de outubro de 1999. 2) Em relação à CSLL apurada a partir dessa data, não há que se falar em ofensa ao princípio da não-supresa, pois desde junho de 1999, os contribuintes já conheciam a regra de tributação que lhes seria aplicada para esses casos, que estabelecia o momento para se considerar disponibilizado o lucro e sabiam que a CSLL passaria a incidir quando se pudesse subsumir os fatos ocorridos com aqueles descritos na norma. Aliás, por ocasião do Ato Declaratório SRF Nº 75/1999 a Secretaria da Receita Federal expressou seu posicionamento sobre o assunto, quando dispôs: Artigo único. A incidência da CSLL, segundo as normas de tributação em bases universais, dar-se-á em relação aos lucros, rendimentos e ganhos de capital, auferidos no exterior, disponibilizados, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997, a partir de 1º de outubro de 1999, e serão computados na base de cálculo dessa contribuição em 31 de dezembro do ano-calendário da disponibilização, observadas as demais normais estabelecidas para o imposto de renda. 3) É ponto pacífico que as disponibilizações ocorreram após outubro de 1999. 4) Em janeiro de 2001, por meio da Lei Complementar nº 104/01, o art. 43 do CTN foi alterado, passando a vigorar com a seguinte redação: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Fl. 21DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, 08/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 22 § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) (Negritei) E em agosto de 2001, a legislação sobre o assunto foi alterada, por meio da MP nº 2.158- 35/2001, cujo art. 74 dispôs: Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. (...) Por oportuno, transcrevo jurisprudência deste Conselho neste sentido: CSLL- De acordo com a jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, somente a partir de 01/10/1999 os lucros apurados por intermédio de controladas e coligadas no exterior sofrem incidência da CSLL, uma vez que essa incidência só foi instituída pela MP nº 1.858-6/99. (Acórdão nº 101-97.013, julgado em 12/11/2008) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL CSLL - IMPOSSIBILIDADE DA EXIGÊNCIA SOBRE LUCROS APURADOS ANTES DE 01/10/1999, POR FALTA DE PREVISÃO LEGAL - Até o advento da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29/06/1999, a CSLL não incidia sobre os lucros oriundos do exterior. Somente a partir de 01/10/1999 os lucros apurados no exterior passaram a integrar a base de cálculo da CSLL, em virtude de sua incidência ter sido instituída pela MP nº 1.858-6/99 (Ato Declaratório - SRF nº 075, de 17 de agosto de 1999). (Acórdão nº 108-09.837, julgado em 5/2/2009). Portanto, deve ser mantida a exigência da CSLL sobre lucros auferidos no exterior antes de outubro de 1999, porém disponibilizados após a vigência do art. 19 da Medida Provisória nº 1.858-6/99. A contribuinte tinha a prerrogativa de fazer a disponibilização antes, enquanto tais resultados estavam fora do campo de incidência da CSLL, fazendo depois, sujeitou-se a tributação. Quanto as demais matérias, acompanho o ilustre Relator. Pelo exposto, voto no sentido de: 1) negar provimento ao recurso de ofício; 2) não conhecer do recurso voluntário relativo à matéria discutida concomitantemente na esfera judicial; 3) rejeitar a preliminar de nulidade; 4) manter a exigência da CSLL sobre lucros no exterior de períodos anteriores até 09/99, disponibilizados após a vigência do art. 19 da Medida Provisória nº 1.858-6/99; 5) dar provimento ao recurso para que a conversão dos lucros para moeda nacional seja efetuada com base na taxa de câmbio na data do encerramento do respectivo período de apuração e negar provimento em relação às demais matérias. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 22DF CARF MF Impresso em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE, 08/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10410.005528/2006-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
OMISSÃO DE RECEITAS. EMPRESA BENEFICIÁRIA DE ISENÇÃO. INOBSERVÂNCIA DO PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO DE ISENÇÃO ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE
Constatada a falta do Ato Declaratório Executivo de Suspensão da Isenção antes da lavratura do auto de infração deve ser cancelada a exigência fiscal Somente após o ato formal de suspensão da imunidade pela autoridade competente é que se abre ao auditor fiscal, que detém a prerrogativa de constituição do lançamento tributário, a possibilidade de lavrar o auto de infração.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1202-000.444
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, para cancelar a exigência fiscal.
Nome do relator: VALERIA CABRAL GEO VERCOZA
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EMPRESA BENEFICIÁRIA DE ISENÇÃO. INOBSERVÂNCIA DO PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO DE ISENÇÃO ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE Constatada a falta do Ato Declaratório Executivo de Suspensão da Isenção antes da lavratura do auto de infração deve ser cancelada a exigência fiscal Somente após o ato formal de suspensão da imunidade pela autoridade competente é que se abre ao auditor fiscal, que detém a prerrogativa de constituição do lançamento tributário, a possibilidade de lavrar o auto de infração. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, para cancelar a exigência fiscal. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (assinado digitalmente) Valéria Cabral Géo Verçoza Relatora Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005528/200609 Acórdão n.º 120200.444 S1C2T2 Fl. 656 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Valéria Cabral Géo Verçoza, João Bellini Júnior, Nereira de Miranda Finamore Horta, Flávio Vilela Campos Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005528/200609 Acórdão n.º 120200.444 S1C2T2 Fl. 657 3 Relatório Tratase de lavratura de auto de infração em razão de haver sido constatada omissão de receitas, apurada esta em operação realizada pela Polícia Federal e Ministério Público Federal. Adoto o relatório da decisão de 1a. Instância por bem resumir a situação, o qual passo a transcrever (fls. 576/578): 1 – DA EXIGÊNCIA FISCAL Contra a empresa acima qualificada foram lavrado, em 20/12/2006 os autos de infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, anos calendário 2000 a 2003, fls. 04 a 19, da Contribuição para o PIS, anos calendário 2000 a 2003, fls. 30 a 39, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, anos calendário 2000 a 2003, fls. 20 a 29 e da Contribuição par Financiamento da Seguridade Social, anos calendário 2000 a 2003, fls. 40 a 46, conforme demonstrativo a seguir: Crédito Tributário em R$ NATUREZA IMPOSTO/ CONTRIBUIÇÃO JUROS DE MORA MULTA PROPORCIONAL TOTAL DO CT IRPJ 434.874,38 433.527,27 326.155,75 1.194.557,40 PIS 14.041,07 13.350,53 10.530,74 37.922,34 CSLL 173.309,97 169.606,31 129.982,41 472.898,69 COFINS 58.870,11 58.306,53 44.152,51 161.329,15 1.866.707,58 Os referidos autos de infração são decorrentes de ação fiscal efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização constatou infrações à legislação do IRPJ, do PIS, da COFINS e da CSLL, cujos enquadramentos legais encontramse discriminados nos respectivos autos de infração. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 53 a 66), o autuante descreve detalhadamente todas as informações concernentes ao procedimento fiscal e relata as apurações efetuadas nesta auditoria que passamos a resumir abaixo: (i) Dos Fatos: A empresa foi intimada em 14/10/2005 a apresentar os livros e documentos necessários para a auditoria fiscal e contábil, além de extratos bancários e comprovantes de transferências para o exterior. Em resposta, a contribuinte entrega Livros Diários e Razão 2000 a 2003, fls. 72. Em 14/10/2005 no Termo de Intimação Fiscal no. 1 a fiscalização solicita novamente extratos bancários da empresa. Em 11/11/2005 no Termo de Intimação Fiscal no. 2 a contribuinte foi intimada a apresentar a documentação probante e idônea sobre as operações de envio de recursos para o exterior através da administradora Beacon Hill Service Corporation e do Banco MTB HUDSON BANK em Nova Iorque, conforme Representação Fiscal apresentada pelos membros da Equipe Especial de Fiscalização, constituída nos termos da Portaria SRF no. 463, de 30/04/2004, fls. 167 a 289, a seguir discriminados: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005528/200609 Acórdão n.º 120200.444 S1C2T2 Fl. 658 4 Tabela 2 – Depósitos – Beacon Hill – Conta Rigler Data Valor em US$ Data Valor em US$ Data Valor em US$ 30/11/2000 25.000,00 29/12/2000 20.000,00 28/03/2002 10.000,00 13/12/2000 39.000,00 10/01/2001 45.000,00 30/07/2002 10.000,00 14/12/2000 34.000,00 29/11/2001 10.000,00 25/09/2002 10.000,00 21/12/2000 35.000,00 30/01/2002 8.000,00 12/12/2002 10.000,00 Tabela 3 – Depósitos – MTB Hudson Bank Data Valor em US$ Data Valor em US$ Data Valor em US$ 21/01/2000 10.328,20 28/03/2000 4.980,00 10/11/2000 23.173,20 01/02/2000 29.973,20 30/06/2000 119.973,20 21/11/2000 19.973,20 15/02/2000 22.973,20 09/08/2000 54.973,20 22/11/2000 40.973,20 13/03/2000 9.978,20 18/09/2000 39.973,20 28/12/2000 39.980,00 13/03/2000 22.973,20 22/09/2000 9.978,20 02/01/2001 19.973,20 13/03/2000 42.373,20 06/10/2000 99.973,19 26/09/2003 10.978,00 16/03/2000 44.980,00 11/10/2000 34.973,20 18/07/2003 9.978,00 08/05/2003 9.972,20 Em 07/12/2005 a empresa afirma que não promoveu remessa de recurso financeiro para o exterior e que nunca manteve contato com as instituições financeiras citadas. Assevera que todas as receitas de vendas de jogadores e/ou intermediação de negócios esportivos com o exterior, encontramse devidamente registrados em sua contabilidade e a disposição da fiscalização. Novamente intimada a comprovar as operações em 22/02/2006, a empresa responde em 06/03/2006, reafirmando não ter tido qualquer contato com as instituições financeiras Beacon Hill e MTB Hudson Bank. Tendo sido constatado que a escrituração contábil da empresa não contempla as movimentações financeiras acima indicadas, a fiscalização concluiu que a contribuinte omitiu tais receitas de sua contabilidade. Assim, foi efetuado o lançamento por omissão de receitas com base no lucro real trimestral, opção de apuração do IRPJ da contribuinte, com lançamentos reflexos no PIS, CSLL e COFINS. II – Da Impugnação Contestando os autos de infração do presente processo a contribuinte apresentou sua impugnação as fls. 407/417, alegando em síntese o seguinte: (i) Dos fatos Afirma que o lançamento baseouse única e exclusivamente nas informações produzidas pela CPI do Banestado e que o auditor não produziu uma única prova que viesse ao auxílio da sua conclusão de que houve omissão de receitas. Assevera que a empresa “não mantém e nunca manteve qualquer vínculo, contrato ou negócio com a empresa Beacon Hill ou com o MTB Hudson Bank, tidos como sediados em New York – USA.” Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005528/200609 Acórdão n.º 120200.444 S1C2T2 Fl. 659 5 Alega que os valores apontados como transitados nas instituições financeiras investigadas como sendo em nome da impugnante não estão amparados por nenhuma autorização manifestada por escrito, cartão de autógrafo ou outros documentos similares, que indique a sua titularidade nessas movimentações. Afirma que promoveu negócios internacionais com a venda de jogadores de futebol, mas todas as receitas decorrentes desta atividade foram contabilizas e declaradas a Receita Federal. (ii) Decadência Argumenta que o prazo para o lançamento dos tributos e contribuições apurados trimestralmente no ano calendário 2000 expirou totalmente em 01/01/2006. (iii) Da prova emprestada Assevera que o fisco recorreu ao instituto da prova emprestada para a emissão do auto de infração, o que afronta o princípio da verdade real. Não poderia o fisco federal valerse de provas colhidas por outra entidade e sem mais qualquer outro procedimento, imputar omissão de receita a impugnante. Anexa acórdãos do Conselho de Contribuintes e do STJ que tratam do instituto da prova emprestada. A decisão de 1a. Instância, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. O acórdão restou assim ementado: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO De acordo com o § 4o. do art. 150 do CTN, o prazo decadencial de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, para a homologação do pagamento e a extinção definitiva do crédito Tributário, não se aplica se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÕES LEGAIS Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PROVA. LAUDOS TÉCNICOS DO INSTITUTO NACIONAL DE CRIMINALÍSTICA – INC Válidas as informações veiculadas em relatório da Secretaria da Receita Federal – SRF, decorrentes de Laudos Técnicos do Instituto nacional de Criminalística – INC, elaborados a partir das mídias eletrônicas e documentos apresentados pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque à Comissão Parlamentar de Inquérito / CPMI do Banestado. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005528/200609 Acórdão n.º 120200.444 S1C2T2 Fl. 660 6 PROVA EMPRESTADA. INOCORRÊNCIA Todas as imputações fiscais, decorrentes da comprovação da participação da impugnante nas operações sob suspeita, estão respaldadas nos laudos periciais elaborados pelo INC, nos autos do inquérito policial instaurado justamente para identificação dos remetentes e dos beneficiários dos recursos que transitaram pelas contas sob investigação. AUTOS REFLEXOS. CSLL, PIS e COFINS O decidido quanto ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. Lançamento Procedente. Destacamos da fundamentação do acórdão os seguintes trechos: (...) Conforme corroborado pela farta documentação que instrui os autos, as conclusões contidas no relatório da fiscalização acima transcrito originaramse dos Laudos Técnicos do Instituto de Criminalística – INC, embasados nas mídias eletrônicas e documentos apresentados pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque, para investigação da regularidade das remessas de recursos para o exterior, assim como dos recebimentos efetuados naquelas contas correntes. De posse da documentação acima, a Coordenação Geral de Fiscalização da Secretaria da Receita Federal – SRF expediu a Representação Fiscal no. 497/2005 (fls. 169/172) e Memorando EEF/Port. 463/04 no. 58/2005 (fls. 214/223) 4a. Região Fiscal, tendo em conta a identificação de operações, nos anoscalendário 2000 a 2003, nas quais a contribuinte aparece como remetente de divisas, por meio de contas/subcontas mantidas/administradas no Banco Chase de Nova Iorque por Beacon Hill Service Corporation – BHSC (conta RIGLER) e no MTB Hudson Bank, também em Nova Iorque. Apesar dos protestos da impugnante acerca da ausência de comprovação da autoria das operações bancárias efetuadas em contas, administrada pela Beacon Hill, na agência do Banestado em Nova Iorque, o fato é que a denominação social da empresa autuada está expressamente consignada nos Laudos Técnicos do Instituto Nacional de Criminalística – INC. A fim de contraditar os fatos apurados, limitase a impugnante a negar a sua participação nas indigitadas remessas e transferências de recursos ao exterior. Todavia, cumpre destacar que a prova do Fisco acerca da titularidade das remessas e das transferências de recursos ao exterior, efetuadas mediante a utilização da denominação social da empresa não pode ser classificada como indiciária. Tratase de informação obtida em documentação fornecida no âmbito de procedimento mais amplo de investigação acerca das irregularidades verificadas nas contas correntes CC5, mantidas na agência do Banestado em Nova Iorque. Contrariamente ao alegado, considerase devidamente estabelecido pelo Fisco o nexo causal entre as movimentações financeiras e a participação da empresa, estando devidamente provada a efetividade dos depósitos nas contas mantidas no exterior. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005528/200609 Acórdão n.º 120200.444 S1C2T2 Fl. 661 7 Relevante destacar que não houve a desconsideração de toda a escrituração e documentação apresentada. Na verdade, a partir das informações acerca das operações bancárias realizadas pela contribuinte, somente mediante a verificação da escrituração comercial e fiscal é que se constatou a falta de comprovação da origem dos depósitos bancários, que sequer estavam contabilizados. Apenas consignese que a falta de escrituração dos depósitos bancários é a prova hábil para sustentar a imputação de omissão de receitas, conforme previsto no artigo 42 da Lei no. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que introduziu novas presunções legais de omissão de receitas no ordenamento jurídico: e a falta de comprovação da origem de depósitos bancários. (...) Tratase de presunções legalmente admitidas, mediante as quais provada a falta de comprovação da origem dos recursos utilizados, deve o sujeito passivo provar a regularidade dos recursos utilizados nas operações, na ausência da qual validamente se sustenta a imputação de omissão de receitas. (ii) Decadência (...) É evidente que os fatos apurados nos autos se subsumem as hipóteses de sonegação e fraude: (i) sonegação, na medida em que a interposição de pessoas, nas operações de remessas de recursos ao exterior, visava justamente impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador; (ii) fraude, porque todas as seguidas operações de transferências de recursos, desde as contas correntes mantidas em Foz do Iguaçu, na agência do Banestado em Nova Iorque e nas contas correntes da Beacon Hill, foram efetuadas exclusivamente para excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal (aspecto pessoal: pólo passivo da relação jurídica tributária), de modo a evitar o pagamento do imposto indevido. Sob tais perspectivas, comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, não se aplicaria a regra específica de contagem do prazo decadencial, prevista no § 4o. do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN (lançamento por homologação), mas a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN. (...) No caso do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ, tendo optado o contribuinte pela apuração trimestral do tributo, o fato gerador mais antigo teria ocorrido em 31/03/2000. Em consequência, o dever de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário somente poderia ser exercido a partir de abril de 2000, e a contagem do prazo decadencial começaria a contar o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, a partir de 1o. de janeiro de 2001, tendo por termo final o dia 31/12/2006, pelo que estaria regularmente formalizado o lançamento cientificado ao contribuinte em 20/12/2006. (...) Concluindo, rejeitase a preliminar de decadência do IRPJ e reflexos nos termos aqui expostos. Da prova emprestada Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005528/200609 Acórdão n.º 120200.444 S1C2T2 Fl. 662 8 Relevante também dizer que é perfeitamente admitida, no sistema jurídico pátrio, a utilização de prova emprestada de outro processo. As restrições referemse a simples trasladação das conclusões sem as provas correspondentes. No caso em questão, não se trata de empréstimo das conclusões, na medida em que todas as imputações fiscais, decorrentes da comprovação da participação da impugnante nas operações sob suspeita, estão respaldadas nos laudos periciais elaborados pelo INC, nos autos do inquérito policial instaurado justamente para a identificação dos remetentes e dos beneficiários dos recursos que transitam pelas contas sob investigação. Conclusão Assim, tendo em vista toda a análise procedida voto no sentido de considerar PROCEDENTES os autos de infração do IRPJ, PIS, CSLL e COFINS. REGULARMENTE intimada da decisão de 1a Instância em 23 de julho de 2008, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 22 de agosto de 2008 aduzindo o que segue: o recurso tem por objeto demonstrar que não há prova que justifique o arbitramento de omissão de receitas. Em suas palavras: não há uma prova sequer que vincule as remessas de numerários ao exterior com a Recorrente, com exceção da coincidência do nome, e nada mais; segundo a recorrente: ... a decisão ora recorrida se socorre tão somente no objeto da ação que ali faz referência, ou seja, processo no. 2003.70000303334 (Inquérito 207/98), do Exmo. Juiz Federal da 2a. Vara Criminal de Curitiba, a qual; é sim, textualmente, uma suposta prova emprestada, ou na melhor das hipóteses, meros indícios de que alguém se intitulando com o nome da Recorrente realizou transferências para contas no exterior. E fica bem clara a ausência de fundamentação jurídica e/ou legal na decisão que ora se impugna, quando em fls. 585 assim assevera o respeitável julgador: Apesar dos protestos da impugnante acerca da ausência de comprovação da autoria das operações bancárias efetuada em contas, administrada pela Beacon Hill, na agência do Banestado em Nova Iorque, o fato é que a denominação social da empresa autuada está expressamente consignada nos Laudos Técnicos do Instituto Nacional de Criminalística – INC. Não se trata de nenhuma tese da Recorrente, mas sim da manifestação literal do julgador a quo, onde se exterioriza as razões do seu convencimento, qual seja, identificação da denominação social da empresa. Ainda em fls. 585 assevera o Ilustre Julgador que a prova do fisco acerca da titularidade das remessas e das transferências de recursos ao exterior não são apenas indiciárias, mas baseadas em “procedimento mais amplo de investigação acerca das irregularidades verificadas nas contas CC5...”. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005528/200609 Acórdão n.º 120200.444 S1C2T2 Fl. 663 9 afirma a ocorrência de cerceamento de defesa pois não tem conhecimento da prova material que a incrimina, uma vez que a única prova é a citação de um nome igual ao seu; a omissão de receita que lhe é imputada decorre exclusivamente de mera dedução pois, como não foi encontrada na contabilidade qualquer remessa para o exterior, deduziuse que houve omissão de receitas. a recorrente entregou toda a documentação contábil e bancária solicitada, ficando ao inteiro dispor da fiscalização. nas palavras da recorrente: ... a autoridade fiscal tem que possuir provas idôneas, fartas e incontestáveis de que realmente a Recorrente é aquela entidade que se identifica com o nome encontrado nas investigações judiciais do Banestado. Partindo dessa premissa verdadeira é que poderia concluir, em análise da escrituração contábil e bancária da Recorrente, se houve ou não omissão de receita, nascendo daí o fato gerador de eventual lançamento tributário. afirma que o clube desenvolve atividades em prol da comunidade, sem fins lucrativos e que, portanto, não haveria justificativa de remessa e/ou transferências de numerários para o exterior, uma vez que é isento da tributação do Imposto de Renda e da CSLL (sobre o fato gerador do ganho de capital). “Seria ilógico a remessa dos valores, pois além da ilicitude, nenhuma vantagem financeira ou prática teria o clube, nem tão pouco ganhos fiscais ou tributários em geral”. à fl. 610 ressalta: É de bom alvitre ponderar que o fisco confrontou a movimentação financeira da empresa (registrada nos livros próprios) com os extratos bancários e concluiu que todas as receitas (provenientes da venda de atletas) estavam coerentes, até porque, pensar diferente seria encontrar nos presentes autos o apontamento de irregularidades e lavratura de outros Autos de Infração, o que inexistiu. (...) fl. 611: É bom que se diga, e até mesmo homenageie, que a fiscalização foi realizada por especialistas de vários órgãos do Poder Público, inclusive no exterior, como a Promotoria e Suprema Corte Americana, envolvendo Juízes Federais, Ministério Público Federal, Polícia Federal e Auditores da RFB, com perícias técnicas e especializadas para o tipo de apuração específica, logo há que ressaltar, por oportuno, que se o único indício de prova foi a homonomia, certamente é porque não existe prova material que constitua a Recorrente como praticante do fato gerador imputável. (...) fl. 612: No caso da Recorrente, consoante se dessome de fls. 170/172, não há nenhum documento que aponte formalmente e/ou materialmente que seria a Recorrente a ordenadora daqueles pagamentos, salvo a malsinada HOMONOMIA; Importante ainda registrar que o Laudo de Exame EconômicoFinanceiro realizado pelo Instituto Nacional de Criminalística – INC, juntamente com seus anexos, fls. 174/190, que praticamente fundamentaram e construíram a convicção do Fl. 9DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005528/200609 Acórdão n.º 120200.444 S1C2T2 Fl. 664 10 juízo primário não conseguiu localizar, identificar ou produzir qualquer prova material que vinculasse a denominação social homônima com a Recorrente; O processo originário que autorizou inclusive a quebra do sigilo fiscal e levantamento de todos os dados já anteriormente comentados, qual seja, da 2a. Vara Criminal de Curitiba, foi também reproduzido na decisão que ora se recorre, sendo relevante a transcrição de trechochave de fls. 579, verbum ad verbum: É evidente a necessidade de rastreamento do numerário remetido através cãs contas suspeitas da agência de Nova Iorque no Banestado. Só assim serão descobertos seus verdadeiros titulares e provavelmente quem remeteu o numerário através de meios fraudulentos no Brasil Finalizando esse ponto do recurso, observase sem muitas dificuldades que a autoridade judicial, o Eminente juiz Federal da 2a. Vara Criminal de Curitiba, consciente mais do que ninguém do princípio da presunção da inocência e da busca da verdade real, salientou da necessidade de identificar os verdadeiros titulares, ou seja, não serve mera presunção ou coincidência da denominação social, consoante ficou posto na indigitada decisão de 1a. Instância em fls. 585, já comentada anteriormente. alega a nulidade do auto de infração por não ter observado a necessidade de suspensão da isenção antes da lavratura do mesmo, desobedecendo os mandamentos do art. 921 e 172 do RIR/99. E continua: Há de se observar pontualmente em todo o inteiro teor da decisão e concluir que não há referência de que o processo de suspensão da isenção está sendo julgado simultaneamente, e melhor dizendo, não há qualquer segurança para a Recorrente ou para este julgador que foi obedecido rigorosamente o que estabelece a legislação do RIR/99. A inobservância por parte do fisco do dispositivo transcrito é vício insanável que contamina o auto de infração tornandoo nulo, tendo em vista que o processo administrativo fiscal é regido pelo princípio da legalidade restrita, o que significa dizer que os atos administrativos são obrigatoriamente vinculados, ou seja, aquilo que está na lei. Cita acórdão 10193.763, do 1o. Conselho de Contribuintes em que foi reconhecido o vício em razão da falta do prévio e regular processo de suspensão da imunidade antes da lavratura do auto de infração de IRPJ. A Recorrente ressalta que o Termo de Verificação Fiscal não faz qualquer menção ao tema da suspensão da isenção. Além disso, menciona que a fl. 66 fica cabalmente comprovado que a ciência do processo de suspensão da isenção se deu quase seis meses depois da lavratura do auto de infração do IRPJ. Conclui o tópico afirmando que o Ato Declaratório de Suspensão da Isenção se baseou em fatos e supostas provas realizadas em outro processo e, portanto, deveria aguardar o trânsito em julgado da decisão administrativa para reconhecer a suspensão da isenção. Por outro lado, questiona a possibilidade de lançamento do tributo antes da suspensão da isenção. Ao argumentar sobre a inexistência de omissão de receita, afirma a Recorrente não haver qualquer prova material que confirme tal omissão, a não ser a existência de uma homonomia. Chama atenção para a observância dos artigos 923 e 924 do RIR/99, uma Fl. 10DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005528/200609 Acórdão n.º 120200.444 S1C2T2 Fl. 665 11 vez que o d. fiscal autuante não apontou nenhuma divergência na contabilidade ou nos registros bancários da Recorrente. Portanto, não haveria convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. Quanto à aplicação da presunção legal de omissão de receitas, cita acórdão no sentido de que Nas presunções legais, o fisco não precisa provar a omissão de receitas, mas é imprescindível que a ocorrência do fato indiciário (passivo fictício) esteja provado de forma a não permitir incertezas (grifo da recorrente) – 1o. Conselho de Contribuintes /7a. Câmara/ Acórdão 10706560 em 19.03.2002. Publicado no DOU em 21.06.2002 E continua: Se não há nenhuma prova documental de que os valores que foram remetidos ao exterior são oriundos dos registros bancários ou contábeis da Recorrente, não há o que se falar em presunção legal, ou tão pouco inverter o ônus da prova, sob pena de ferir de morte o que preconizado nos arts. 923 a 925 do RIR/99. Apenas de arremate, válida a leitura de fls. 5 dos autos administrativos, onde o Sr. Fiscal descreve o fato gerador, declinando a omissão de receitas pelo seguinte fundamento: “Omissão de Receitas caracterizada pela informações do Ministério Público Federal e Polícia Federal”. Ora, se a prova material que o Auto de Infração lançou o crédito tributário foram as investigações decorrentes da Polícia Federal e do MPF (prova emprestada), é obvio que não tem qualquer correlação com o levantamento contábil e bancário realizado pelo Sr. Fiscal, o que só corrobora a tese já demonstrada de que a omissão de receitas partiu do pressuposto da inversão do ônus da prova, ou seja, já admitido inicialmente que a empresa remeteu valores para o exterior, teria aí, também, omitido essa receita nos seus apontamentos contábeis. Conclui ser intransponível a hipótese de reconhecimento da nulidade do auto de infração por ausência de prova documental e/ou material que justifique a inversão do ônus da prova e aplicação da presunção legal. A Recorrente abre um novo tópico em seu recurso voluntário sobre a inaplicabilidade de receita com fundamento em depósitos bancários. O acórdão primário repousado em fls. 586 fixa o entendimento de que houve omissão de receitas pela capitulação do art. 42 da Lei no.9.430/96, que reproduz literalmente o art. 849 do RIR/99; Em uma simples leitura do dispositivo vêse que há um pressuposto básico. Qual seja, a ausência de comprovação, mediante documentação hábil, a origem dos recursos utilizados nessas operações [sic]. O tema obriga volver ao que disposto no RIR em seus arts. 923 a 925, ou seja, de quem seria o ônus da prova. Se a documentação contábil e registros bancários do recorrente foram analisados, auditados e fiscalizados, sem qualquer indício de fraude, burla ou incompatibilidade com entrada e saída de recursos, aplicase o art. 923 já citado. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005528/200609 Acórdão n.º 120200.444 S1C2T2 Fl. 666 12 A decisão partiu de presunção legal, sob a única premissa de que os depósitos bancários omitidos seriam aqueles que foram informados à fiscalização mediante prova emprestada do processo judicial que apura o caso denominado BANESTADO. Ora, é muito simples. Se a contabilidade e os registros comerciais/bancários da Recorrente são compatíveis com sua movimentação financeira, não pode imputar ao contribuinte a prova negativa de provar aquilo que afirma que não é seu ou que não praticou, ao revés, cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados em sua contabilidade. Em seguida discorre sobre o instituto da decadência, afirmando que o mesmo seria aplicável para os fatos geradores ocorridos no ano de 2000, o que não foi reconhecido na decisão de 1a. instância. Em relação ao fundamento legal utilizado na decisão de primeira instância, a recorrente faz a seguinte consideração: a manutenção do lançamento tributário se deu com base no art. 42 da Lei no 9.430/96 que é reproduzido no art. 287 do RIR/99. Entretanto, o auto de infração não faz a mínima referência ao art. 287 do RIR. Constam do auto de infração do IRPJ seis outros dispositivos, diferentes desse. A Recorrente afirma que a decisão seria nula de pleno direito por haver alterado o fundamento legal do lançamento tributário. Em suas palavras: ... significa dizer que o Auto de Infração constituiu um crédito tributário com um fundamento legal, mas após sua impugnação a própria autoridade fiscal alterou o fundamento legal, sem, contudo, devolver ao contribuinte autuado o direito de contestar e requerer a nulidade do auto de infração por ausência de fundamento legal. Convém salientar que em momento algum o fiscal autuante enquadrou a Recorrente no artigo 287 do RIR/99, “Depósitos Bancários”, e também em momento algum tratou das OMISSÕES DE RECEITAS como fraude, tanto é que a Multa de Ofício foi de apenas 75%. Por fim, constatase que sequer o Fisco tinha convicção de suas provas, pois se essas fossem consistentes, certamente não teria perdido a oportunidade de qualificar a multa de ofício e lavrar a Representação Criminal. Ao discutir o mérito, ressalta a inexistência de prova da relação de causalidade entre as remessas de numerários para o exterior e a Recorrente, mesmo após extensa análise da documentação contábil e comercial (bancária). Considera ilegal a presunção da omissão de receita. Ao final requer sejam acatadas as preliminares alegadas e, por conseguinte, considerado nulo o auto de infração. Caso sejam ultrapassadas as preliminares, seja reconhecida a decadência para os fatos geradores ocorridos cinco anos antes de 20/12/2006. Pleiteia, por fim, o cancelamento do lançamento tributário por absoluta ausência de ocorrência do fato gerador originário do crédito tributário constituído e ausência de qualquer prova material ou documental que justifique a relação de causalidade entre a homonomia da denominação social da Recorrente. É o relatório. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005528/200609 Acórdão n.º 120200.444 S1C2T2 Fl. 667 13 Voto Conselheira Valéria Cabral Géo Verçoza, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais e regimentais de admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Tratase de autuação decorrente de investigação perpetrada pela Polícia Federal, CPI do Banestado (investigação que abrangeu rastreamento de contas no banco MTB Hudson Bank e de contas mantidas por empresas como a Beacon Hill), que levantou uma série de transações bancárias para o exterior de forma ilegal. Da leitura detalhada dos autos verificase que a autuação se deveu ao fato de que o nome da Recorrente foi identificado na análise das contas e subcontas objeto da investigação policial, mediante quebra de sigilo bancário. Em sua defesa a recorrente alega a falta de provas a justificar a lavratura do auto de infração. Levanta, no recurso voluntário a questão de nulidade do processo em razão da necessidade de precedência da suspensão de isenção (processo 10410.005429/200619) e do julgamento simultâneo da impugnação contra o ato declaratório de suspensão e contra a exigência do crédito tributário. A representação fiscal para suspensão da isenção foi protocolada em 14 de dezembro de 2006 (processo no 10410.005429/200619), antes da lavratura dos autos de infração constantes do processo no 10410.005528/200609, ora em julgamento, que se deu em 20/12/2006. O Ato Declaratório Executivo da suspensão da isenção do IRPJ e da CSLL foi publicado no DOU somente em 21 de março de 2007, conforme se verifica à fl. 116 do processo 10410.005429/200619, quando passou a produzir efeitos. Considera a recorrente que houve atropelo dos procedimentos fiscais. Abaixo, para melhor análise da questão, citamos os dispositivos legais aplicáveis. LEI NO. 9.430/96 Capítulo IV PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO Seção I Suspensão da Imunidade e da Isenção Art.32 A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. §1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 Fl. 13DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005528/200609 Acórdão n.º 120200.444 S1C2T2 Fl. 668 14 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, §1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. §2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. §3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. §4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no §2º sem qualquer manifestação da parte interessada. §5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. §6º Efetivada a suspensão da imunidade: I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. §7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. §8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. §9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. §10 Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. (...) DECRETO NO 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda Fl. 14DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005528/200609 Acórdão n.º 120200.444 S1C2T2 Fl. 669 15 (...) Seção III Suspensão da Imunidade Art.172 A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo (Lei nº 9.430, de 1996, art. 32, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 14). §1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea "c" do inciso VI do art. 150 da Constituição não está observando requisito ou condição previstos no arts. 169 e 170, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando, inclusive, a data da ocorrência da infração (Lei nº 9.430, de 1996, art. 32, §1º). §2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias (Lei nº 9.430, de 1996, art. 32, §2º). §3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade (Lei nº 9.430, de 1996, art. 32, §3º). §4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no §2º sem qualquer manifestação da parte interessada (Lei nº 9.430, de 1996, art. 32, §4º). §5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração (Lei nº 9.430, de 1996, art. 32, §5º). §6º Efetivada a suspensão da imunidade (Lei nº 9.430, de 1996, art. 32, §6º): I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. §7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal (Lei nº 9.430, de 1996, art. 32, §7º). §8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado (Lei nº 9.430, de 1996, art. 32, §8º). §9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão Fl. 15DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005528/200609 Acórdão n.º 120200.444 S1C2T2 Fl. 670 16 reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente (Lei nº 9.430, de 1996, art. 32, §9º). Razão assiste à recorrente uma vez que não se verifica nos autos em análise a observância do procedimento acima descrito. Nos presentes autos não há qualquer menção por parte da autoridade fiscalizadora do fato de que a recorrente é beneficiária da isenção do IR e CSLL, apesar de tal informação constar das DIPJ’s juntadas (fls. 290 a 381). Nas palavras da recorrente: A inobservância por parte do fisco do dispositivo transcrito é vício insanável que contamina o auto de infração tornandoo nulo, tendo em vista que o processo administrativo fiscal é regido pelo princípio da legalidade restrita, o que significa dizer que os atos administrativos são obrigatoriamente vinculados, ou seja, aquilo que está na lei. (fl. 616) É sabido que a Lei no 9.784/99, que rege o Processo Administrativo Federal, é de aplicação subsidiária ao Decreto no 70.235/72. Em seu art. 53, há previsão expressa de anulação, por parte da Administração, dos próprios atos, quando eivados de vício de legalidade. Assim sendo, constatado no presente caso a inobservância da legislação, fazse necessária a anulação do auto de infração em razão da constatação de vício insanável (descumprimento do devido processo legal). Ultrapassada essa questão, mesmo que não fosse considerada a nulidade do auto de infração, também não seria possível a manutenção da autuação. Nos autos do processo foi juntado o Laudo de Exame EconômicoFinanceiro no 1046/04 – INC (Instituto Nacional de Criminalística fls. 174 a 183) que examina uma conta denominada Rigler S.A (no. 530765047), que tem como representantes os Srs. Gabriel Lewi e Clemente Dana (fl. 176). Na cópia que consta nos autos em exame não há qualquer menção ao nome da Recorrente. Às fls. 224 a 229 temse o Laudo de Exame EconômicoFinanceiro no 1258/04 – INC (cuja última lauda está juntada erroneamente à fl. 187 vol. I). Nesse laudo temse a segregação de várias contas pelos nomes e números, entre elas a conta Rigler. Às fls. 170 a 172, temse um relatório elaborado pela Secretaria da Receita Federal – Equipe Especial de Fiscalização da Portaria SRF no 463/04 – Operações da Representação Fiscal no. 497/05, relativo à conta Rigler, que lista uma série de operações indicando como Order Customer (cliente) o nome da Recorrente, Sport Club Corinthians Alagoano. Nessa lista estão preenchidos apenas os seguintes dados: Txn_Date (Data); TRN (no. transf.); Credit ID (Destino); Amount (Valor US$); Order Customer (cliente); Credit Name (nome cred.). São 12 registros no valor total de R$ US$ 256.000,00. Não há número de CNPJ ou o endereço do cliente. O Termo de Verificação Fiscal às fls. 53 a 65 descreve que a fiscalização, para identificar o sujeito passivo, adotou o seguinte procedimento (fl. 54): a) seleção dos campos da mídia eletrônica que foram pesquisados (Order Customer; ACC Party; Ult. Benef. Details of payment, para BHSC); b) Leitura e pesquisa individualizada de cada um dos nomes que aparecem na mídia, nos sistemas da SRF (CPF, CNPJ); Fl. 16DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005528/200609 Acórdão n.º 120200.444 S1C2T2 Fl. 671 17 c) o nome foi identificado, positivamente, quando correspondeu a um só nome constante dos sistemas (sem homônimos, único no Brasil) ou quando, embora com homônimos, foi vinculado a um endereço, também constando da mídia, que era seu próprio ou de empresas a que estivesse vinculado. Cumpre ressaltar que às fls. 55 e 58 do Termo de Verificação Fiscal, ao mencionar o significado de Order Customer, i. AFRF deixa claro que o nome constante do relatório não constitui necessariamente o remetente original. Vejamos: (...) Order Customer: Cliente que determinou a ordem de pagamento (não constitui, necessariamente, o remetente original) Ainda com relação ao Termo de Verificação Fiscal ressaltamos a descrição contida no item “Fatos da Constituição do Crédito Tributário”: Baseando no dossiê que foi apresentado para esta ação fiscal, onde teremos todo o histórico que originou a fiscalização no contribuinte acima citado, desde o início com as investigações da CPI do BANESTADO, a quebra de sigilos pelo Judiciário e pela Polícia Federal, os laudos periciais nos documentos realizado [sic] pelos Peritos da Polícia Federal, a montagem de um grupo especial de fiscalização pela Secretaria da Receita Federal. Com a atuação de todos esses órgãos foi efetuado o rastreamento das contas movimentadas no Banco Banestado em Nova York, conectando aos Bancos MTB Hudson Bank e em contas mantidas por empresas como a BEACON HILL, que realizam várias operações de movimentação de valores através de contas CC5, culminando, finalmente, nos remetentes/destinatários dessas remessas, onde o fiscalizado consta como remetente de divisas para o exterior em várias ordens de pagamentos, através das contas acima citadas. Baseado também que nos livros contábeis da empresa não foram encontrados nenhum registro dessas operações, que por duas vezes a empresa negou que tenha realizado remessas de divisas para o exterior, contrapondo as ordens de pagamentos constantes do dossiê, concluímos que o contribuinte omitiu essas receitas em sua contabilidade e consequentemente da Receita Federal, infringindo assim os itens II, III e IV, do parágrafo § 3o, do artigo 170, do RIR/99 (Lei no. 9.532, de 1997, art. 15, § 3o), infringindo também o artigo 55, da Lei 8.212/91 e o artigo 10 da Lei 9.718/98). Feitas todas essas considerações, o que se apura é que a autuação se deu exclusivamente pelo fato de que foi identificado o nome da recorrente em arquivos magnéticos fornecidos pela Promotoria de Nova Iorque. A fiscalização não descreveu as operações que justificassem remessas de recursos para o exterior, não indicou a fonte desses recursos, não levantou nenhuma irregularidade na escrita fiscal da recorrente, não demonstrou que a conta indicada fosse realmente da recorrente, mediante declaração da instituição bancária, apresentação de contratos, cartões de assinatura ou qualquer outro documento que comprovasse a titularidade da conta. Ao contrário, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 53 a 65), o i. AFRF deixa claro que a autuação se deu em função de não terem sido identificadas na escrituração fiscal da recorrente nenhuma das operações de remessa de recursos para o exterior e da negativa da recorrente de que essas operações tivessem sido por ela realizadas. Em nenhum momento há menção da natureza das operações que teriam justificado essas remessas e a fonte desses recursos, repitase. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005528/200609 Acórdão n.º 120200.444 S1C2T2 Fl. 672 18 Chama atenção o fato de que a autuação baseouse na identificação do nome da recorrente no campo Order Customer, apesar de no próprio TVF, como já mencionado, haver uma observação de que Order Customer significa o cliente que determinou a ordem de pagamento, porém não constitui, necessariamente, o remetente original. Essa foi a base para a autuação. Não há mais nenhuma outra prova. Portanto, entendo não haver elementos suficientes para a presunção da omissão de receitas e manutenção dos autos lavrados. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal. Valéria Cabral Géo Verçoza Fl. 18DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O
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Numero do processo: 10932.000862/2007-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Anocalendário:
2005, 2006
FALTA DE RECOLHIMENTO. DIFERENÇAS APURADAS. Deve ser
mantido o lançamento quando o contribuinte deixa de apresentar prova capaz
de refutar os valores expostos no trabalho fiscal.
MULTA DE 75%. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Estando prevista em Lei
em vigor deve ser mantida a exigência. O CARF não é competente para
declarar a inconstitucionalidade de lei.
SELIC. SUMULA Nº. 4 DO CARF. A partir de 1º de abril de 1995, os juros
moratórios incidentes sobre os débitos tributários administrados pela
Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de
inadimplência à taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia –
SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 3302-000.822
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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Matéria PIS Recorrente SIDERINOX COMERCIO E INDUSTRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2005, 2006 FALTA DE RECOLHIMENTO. DIFERENÇAS APURADAS. Deve ser mantido o lançamento quando o contribuinte deixa de apresentar prova capaz de refutar os valores expostos no trabalho fiscal. MULTA DE 75%. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Estando prevista em Lei em vigor deve ser mantida a exigência. O CARF não é competente para declarar a inconstitucionalidade de lei. SELIC. SUMULA Nº. 4 DO CARF. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência à taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinatura digital) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinatura digital) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 14/05/2011 Fl. 136DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem resumir a matéria tratada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pelo Acórdão recorrido: Em ação fiscal procedida na empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi apurada diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago, relativo à contribuição para o programa de integração social (PIS) referente ao período compreendido entre março de 2005 e outubro de 2006. O crédito tributário lançado totalizou R$ 101.446,32, conforme demonstrativo de fl. 5, tendo sido lavrado o auto de infração de fls. 53/60, para exigir PIS, nos seguintes termos: Imposto: R$ 51.034,97 Juros de mora: R$ 12.135,16 Multa proporcional: R$ 39.276,19 Enquadramento legal: Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN), art. 149; Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, arts. 1°, 2°, 4° e 10. Notificada do lançamento em 14/12/2007, conforme auto de infração, a interessada, por seu representante legal, ingressou, em 11/01/2008, com a impugnação de fls.66/79, alegando, em suma: • a empresa, nos últimos anos, vem passando por diversas transições em relação à política de trabalho, bem como em relação ao próprio quadro de funcionários, o que é um processo moroso e sofrível, que gera constantes demissões e contratações e outros ajustes necessários. • vem sofrendo com a ausência de mãodeobra qualificada, notadamente na parte fiscalcontábil, sendo que nos últimos 4 anos teve uma grande rotatividade nos profissionais dessa área, e muitos documentos fiscais não estão mais em sua posse, quiçá por patente máfé dos citados profissionais; • por tal motivo não foi possível atender integralmente as requisições de documentos pela fiscalização, não obstante grande parte ter sido atendida; • foi autuada por meio do arbitramento, de forma irregular, em detrimento da empresa, pois, pelo fato da impossibilidade de apresentar alguns documentos, acabou sendo autuada como se realmente nenhum pagamento tivesse sido realizado; • a Administração se aproveitou de sua situação, ignorando qualquer senso de proporcionalidade, notadamente no que tange Fl. 137DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10932.000862/200750 Acórdão n.º 330200.822 S3C3T2 Fl. 135 3 aos valores alcançados, violando os princípios consubstanciados na Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 2°; • a autoridade exacerbou na designação da multa a ser cobrada, uma vez que arbitrou em percentual totalmente elevado, afrontando o determinado na legislação fiscal, pois imputar multa excessivamente onerosa é desprestigiar a boafé do contribuinte, conforme jurisprudência pacífica de nossos tribunais superiores; • ademais a própria Constituição Federal (CF), no art. 150, IV, veda a utilização de tributos com efeito de confisco, tanto é assim que a Lei n° 9.298, de 1° de agosto de 1996, acrescentou um parágrafo ao artigo 52, limitando as multas de mora a dois por cento do valor da prestação; • devese ressaltar, ainda, que a Administração Pública deve obediência ao princípio da moralidade, contido na CF, art. 37, caput; • por analogia e em respeito ao princípio da isonomia, supondo se que a incidência da multa fosse permitida, o percentual máximo para sua aplicação seria de 2% (dois por cento); • além da multa moratória, estão sendo aplicados juros da mesma natureza, o que é absurdo, uma vez que apenas um tipo desse acréscimo deveria compor o débito; • além disso, não é possível verificar se está ocorrendo o chamado anatocismo, isto é, a capitalização dos juros de uma importância emprestada, o que é ilegal, conforme Súmula 121 do Supremo Tribunal Federal (STF); • a taxa Selic é uma correção monetária que favorece tão somente a embargada, ferindo o princípio da isonomia, e, se for entendida como taxa de juros, desrespeita a limitação prevista na CF, além de violar os princípios da estrita legalidade, da anterioridade e da capa'cidade contributiva; • a taxa Selic não deve ser utilizada em créditos tributários como juros de mora, dado seu caráter remuneratório e considerando a vedação imposta pelo Código Tributário Nacional (CTN), art. 161, de juros superiores a 12% ao ano; • não existe lei instituindo a taxa Selic para cálculo de juros de créditos tributários, havendo indubitável ofensa ao princípio da legalidade e da indelegabilidade dos poderes; • a aplicação de juros devese limitar ao percentual de 1% (um por cento) ao mês, previsto na CF, art. 192, § 3°, e no CTN, art. 161. Requereu a procedência da impugnação, cancelando o auto de infração e/ou a multa imposta e os juros de mora. Após análise de tudo o que contava no processo, a DRJ de Ribeirão Preto entendeu por bem julgar procedente o lançamento, em decisão que assim ficou ementada: Fl. 138DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP ANOCALENDÁRIO: 2005, 2006 LIVROS E DOCUMENTOS. CONSERVAÇÃO. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANOCALENDÁRIO: 2005, 2006 INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente. JUROS DE MORA. LIMITE CONSTITUCIONAL. A prescrição constitucional que limita os juros de mora é norma de eficácia contida e dependente de legislação complementar. Lançamento Procedente Contra esta decisão foi interposto Recurso Voluntário onde são reprisados os argumentos da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Tratase de auto de infração decorrente da apuração de diferenças entre os valores devidos a título de PIS declarados em DCTF e os valores escriturados pela Recorrente como devidos em seus livros fiscais. Fl. 139DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10932.000862/200750 Acórdão n.º 330200.822 S3C3T2 Fl. 136 5 Após ser intimada para apresentação por escrito das razões das diferenças existentes, a Recorrente apresentou diversas DCTFs retificadoras, onde os valores declarados em DCTF são ajustados com as informações da contabilidade. Em relação as possíveis razões para a existência das diferenças apontadas, não houve manifestação por parte da Recorrente, motivo pelo qual foram lançadas as diferenças apuradas. Em seu Recurso, a Recorrente limitase a discorrer de forma genérica sobre a impossibilidade de apresentação de documentos e de maiores informações diante dos problemas que enfrenta com a alta rotatividade de pessoal em sua contabilidade. Alega ainda, ausência de fundamentação legal e a inexistência de indicação clara e precisa dos valores que estão sendo lançados. Sem razão a Recorrente. O fundamento legal encontrase claramente citado no auto de infração e no relatório fiscal que o acompanha. E mais, a Recorrente não trouxe aos autos nenhuma prova de que os valores informados em DCTF eram os corretos e muito menos prova de que ocorreram pagamentos relacionados às diferenças apontadas pela fiscalização. Diante da completa ausência de provas, ou ainda, de indícios de que as diferenças apontadas estão equivocadas, deve a decisão da DRJ ser mantida, seja pelas razões aqui expostas ou pelas declinadas no corpo do acórdão recorrido, ao quais faço remissão nos termos do art.50, § 1º da Lei nº. 9.784/99. No que se refere à multa, a Recorrente diverge da sua aplicação no percentual de 75% por entendêla confiscatória e abusiva. Ocorre que, nos termos do artigo 44 da Lei nº. 9.430/96, nos casos em que ocorrer o lançamento de ofício estarão sujeitos à aplicação de multa no percentual de 75%, senão vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte. A proporcionalidade deste percentual, analisada conjuntamente com os princípios constitucionais da razoabilidade e não confisco é matéria de competência do tribunal judicial, não administrativo. Fl. 140DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES 6 O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais veda expressamente que este colegiado afaste a aplicação de legislação vigente sob argumento de inconstitucionalidade, como vemos a seguir: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Em relação à legalidade da aplicação da SELIC foi editada a súmula nº. 4 que determina que “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência à taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. Por fim, vale lembrar que nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF1, as súmulas são de aplicação obrigatória pelos membros deste órgão julgador. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinatura digital digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 141DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 15586.000832/2005-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA APP DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR.
A apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente quando há provas demonstrando a existência da diva de preservação permanente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-000.762
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA APP DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR. A apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente quando há provas demonstrando a existência da diva de preservação permanente. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-04-28T12:31:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 10; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-04-28T12:31:24Z; Last-Modified: 2011-04-28T12:31:24Z; dcterms:modified: 2011-04-28T12:31:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:c4ee56fb-1590-47a8-83d4-c882210a85b7; Last-Save-Date: 2011-04-28T12:31:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-04-28T12:31:24Z; meta:save-date: 2011-04-28T12:31:24Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-04-28T12:31:24Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-04-28T12:31:24Z; created: 2011-04-28T12:31:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2011-04-28T12:31:24Z; pdf:charsPerPage: 975; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-04-28T12:31:24Z | Conteúdo => Acordam os provimento ao recurso, nos te Colegiado, po nanimidade de votos, em DAR elator. Giov. pos,-- Presidente EDITADO EM: 1 02/2011 rvalho — Alelator S2-CIT2 Fl. 107 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 15586.000832/2005-82 Recurso n° 343.699 Voluntário Acórdão n° 2102-00.762 — la Câmara Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2010 Matéria ITR Recorrente ARACRUZ CELULOSE SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA APP DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR. A apresentação do ADA extemporâneo não tern o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente quando há provas demonstrando a existência da diva de preservação permanente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e is os presentes autos. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Nnbia Matos Moura, Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Ewan Teles Aguiar. Relatório Trata o presente processo de autuação do ITR decorrente de retificações de oficio. Os valores declarados, retificados de oficio e julgados na DRJ seguiram o seguinte histórico: ITR 2001 Declarado, fl. 44 Retificação de oficio Acórdão DRJ, fl. 77 02-Área de Preservação Permanente 203,7 ha 0,0 ha 0,0 ha Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 44 e seguintes da instância a quo, in verbis: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 41/46, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, exercício 2001, relativo ao imóvel denominado "Bloco 11 - AR", localizado no município de Aracruz - ES, com área total de 664,0 ha, cadastrado na SRF sob o n° 5.683.798-4, no valor de R$ 5.215,19 (cinco mil duzentos e quinze reais e dezenove centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 30/11/2005, perfazendo um crédito tributário total de R$ 13.004,59 (treze mil quatro reais e cinqüenta e nove centavos). 2. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2001 e dos documentos coletados no curso da ação fiscal, confoinie Demonstrativo de Apuração do ITR, fl. 44, a fiscalização apurou a seguinte infração: a) exclusão, indevida, da tributação de 203,7 ha de área de preservação permanente. 3. A exclusão indevida, conforme demonstrativo Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 43, tem origem na intempestividade do protocolo do Ato Declaratório Ambiental - ADA. 4. 0 Auto de Infração foi postado nos correios, tendo o contribuinte tomado ciência em 22/12/2005, conforme AR de fl. 49. 5. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 51/71, em 23/01/2006, alegando em síntese: I— que atendeu o solicitado no Termo de Intimação Fiscal; II — que a exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR prescinde da prévia apresentação do ADA; III — que a base legal contida no enquadramento legal está em desacordo com a descrição do fato que ensejou o auto de infração; IV — que houve cerceamento do direito de defesa uma vez que o lançamento deveria estar acompanhado de todas as provas e clareza na descrição dos fatos que são imputados ao contribuinte. Par 2 Processo n° 15586.000832/2005-82 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-00.762 Fl. 108 exercício do direito de defesa é necessário que seja fornecido ao autuado "não só os fatos que lhe são imputados, mas também que elementos levaram a fiscalização a concluir pela sua efetiva ocorrência"; V— transcreve ementa do Conselho de Contribuintes; VI — transcreve decisão da esfera judicial. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente e provas apresentadas foram insuficientes, no seu entender, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao protocolo do Ato Declaratório Ambiental - ADA no Ibama ou em órgão estadual competente, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2001 ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 89 a 104, repisando, os mesmos argumentos trazidos na sua impugnação dirigida A. DRJ, alegando que é dispensada a apresentação previa do ADA, não se justifica que não lhe seja concedido o beneficio de isenção do ITR para a Area de Preservação Permanente existente no imóvel. Citou jurisprudência para corroborar com as suas razões, requerendo ao final, pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o para julgamento de segunda instância administrativa. RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho. 3 I Vide o site da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Perguntas e Respostas do ITR2009. Disponive http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/itr/2009/PerguntasITR2009.pdf. ADMISSIBILIDADE 0 recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de mat -go de 1972. Assim sendo, dele conheço. Como se vê na Descrição dos Fatos da autuação, à fl. 43, a razão da autuação se deu pelo fato do contribuinte ter apresentado o ADA de fl. 27, fora do prazo previsto na legislação. Assim, analiso esta questão a continuação. ATO DECLARATORIO AMBIENTAL (ADA). TEMPESTIVIDADE DA ENTREGA. Da análise da descrição dos fatos da autuação, verificamos que as motivações das glosas das Areas isentas que culminaram no lançamento, foram a extemporaneidade na apresentação do ADA para as Area de preservação permanente e Area de utilização limitada, e a falta de averbação na matricula do imóvel da Area de Reserva Legal: Em relação a tempestividade apresentação do ADA, essa questão já foi objeto de julgamento recente nessa Turma, v.g., o Acórdão n° 2102-00.528, de 14 de abril de 2010, tendo como relator do voto o Conselheiro Presidente Giovanni Christian Nunes Campos, cujo julgado se amoldando com perfeição ao caso em debate, utilizamo-lo como fundamento para nossa decisão, verbis: A controvérsia centra-se na necessidade, ou não, da apresentação do ADA como condição para fruição de redução no cálculo do ITR a pagar em Areas de preservação permanente e de reserva legal, bem como na necessidade de averbação cartorária dessa última. Inicialmente, deve-se ressaltar que a Secretaria da Receita Federal do Brasil exige a apresentação do ADA tempestivo para todas as Areas de proteção ambiental (Areas de preservação permanente, reserva legal, de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental, de Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN e cobertas por floresta nativa) e também exige a averbação A. margem da matricula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis das Areas de reserva legal, de servidão florestal e ambiental e de RPPN, como condição para fruição de benesse no âmbito do ITR 1 . Aqui, centralizaremos a discussão sobre a apresentação do ADA para as areas de preservação permanente e reserva legal, bem como a averbação cartorária para esta última, porém o debate se põe da mesma forma para a apresentação do ADA e para a averbação cartorária das demais Areas de interesse ambiental (Areas de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental, de RPPN e cobertas por floresta nativa). Especificamente, a area de preservação permanente é aquela coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hidricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas (art. 1°, § 2°, II, do Código Florestal), incluindo aqui as florestas e demais formas de vegetação natural ao longo das margens dos rios e cursos d'aguas, ao redor de reservatórios naturais ou artificiais d'água, nas nascentes, no topo de morros, montes, montanhas e serras, nas restingas, nas bordas dos tabuleiros ou chapadas e em altitude superior a 1.800 metros (art. 2°, "a" a "h", do Código Florestal). Processo n° 15586.000832/2005-82 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-00.762 Fl. 109 Id a reserva legal é a area localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas (art. 1 0, § 2°, HI, do Código Florestal), sendo certo que o Código Florestal, no art. 16, especifica os percentuais mínimos da propriedade rural que devem ser afetados A. reserva legal, nas diversas regiões do pais, determinando, ainda, que tal reserva seja averbada à margem da inscrição da matricula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (art. 16, § 8°, do Código Florestal). Ainda, na legislação tributária ambiental se vê a utilização do termo "area de utilização limitada", que se refere as demais areas de proteção ambiental, que não a area de preservação permanente. Assim, as areas de utilização limitada são as areas de reserva legal, de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental, de RPPN e cobertas por floresta nativa. A necessidade, ou não, da apresentação do ADA para as areas de preservação permanente e de reserva legal, bem como a necessidade, ou não, da averbação cartorária desta última, como condição para fruição de redução do 1TR é uma controvérsia tormentosa no âmbito da jurisdição administrativa e no seio judicial, com decisões ora exigindo os aspectos formais citados (ADA e averbação cartorária), ora afastando-os, em alguns momentos suprindo-os com laudos técnicos e outras provas, e até, na area de reserva legal, nada exigindo, simplesmente utilizando, na redução do ITR devido, os percentuais abstratos de areas de reserva legal previstos no Código Florestal (Lei n° 4.771/65). Primeiramente, aprecia-se a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, intérprete máximo da lei federal brasileira. Começa-se pelo REsp 1.125.632/PR (STJ, 2010), da Primeira Turma, sessão de 20/08/2009, relator o Ministro Benedito Gonçalves, unanime, no qual há um razoável apanhado da jurisprudência dessa Superior Corte. Eis a ementa desse julgado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NA-0 OCORRÊNCIA. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA AREA DE PRESERVACAO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE AVERBAÇÃO OU DE ATO DECLARATóRIO DO IBAMA. INCLUSÃO DA AEA DE RESERVA LEGAL ANTE A AUSÊNCIA DE AVERBAÇÃO. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. 0 art. 2° do Côdigo Florestal prevê que as áreas de preservação permanente assim o são por simples disposição independente de qualquer ato do Poder Executivo ou do proprietário para sua caracterização. Assim, há óbice legal à incidência do tributo sobre áreas de preservação permanente, sendo inexigível a prévia comprovação da averba cão destas na matricula do imóvel ou a existência de ato declaratório do IBAMA (o qual, no presente caso, ocorreu em 24/11/2003). 3. Ademais, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmou-se no sentido de que "o Imposto Territorial Rural - ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite a exclusão da sua base de cálculo de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). 4. Ao contrario da área de preservação permanente, para a área de reserva lard a lezislacd o traz a obrizatoriedade de averba cão na matricula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada a reserva legal. Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8°, do Código Florestal, o que não aconteceu no caso em análise. 5. Recurso especial parcialmente provido, para anular o acórdão recorrido e restabelecer a sentença de Primeiro Grau de fls. 139-145, inclusive quanta aos ônus sucumbenciais. (grifou-se) Acima se entendeu que seriam desnecessários a averbação cartorária ou o ADA para o reconhecimento da Area de preservação permanente. Na jurisprudência do STJ transparece claramente a desnecessidade do ADA para fazer frente a qualquer beneficio no âmbito do ITR. De outra banda, exigiu-se a averbação da Area de reserva legal na matricula do imóvel, como condição para fruição da redução do ITR devido. No caso do ADA, no leading case acima referido na ementa do voto do Ministro Benedito Gonçalves (REsp 665.123/PR, relatora a Ministra Eliana Calmon), vê-se que se trata da exigência do ADA instituído pela Instrução Normativa SRF n° 67/97, não se fazendo menção A. exigência do ADA trazida pelo art. 17-0, § 1 0, da Lei n° 6.938/81, na redação dada pela Lei n° 10.165/2000, verbis: "A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória". Entretanto, deve-se anotar que o REsp 665.123/PR também utilizou como fundamento para rechaçar a necessidade do ADA o art. 10, § 7°, da Lei n° 9.393/96, na redação dada pela MP 2.166/67-2001, assim vazado: § 7' A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas 'a' e do inciso II, § 1, deste artigo, não está sujeito a prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. Assim, considerando que o STJ apreciou a exigência do ADA instituída pela IN SRF no 67/97, não se fazendo menção ao art. 17-0, § 1 0, da Lei n° 6.938/81, tem-se fundada dúvida se essa jurisprudência tem higidez para ser aplicada para períodos posteriores a 2001, quando incidiu a regra da Lei n° 10.165/2000, já que o art. 10, § 7°, da Lei n° 9.393/96, acima, não afasta a apresentação do ADA, mas apenas assevera que o contribuinte pode declarar as áreas de preservação permanente e de utilização limitada sem qualquer comprovação prévia, como sucede com qualquer declaração de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como o próprio ITR. Porém, intimado o contribuinte a fazer a prova da existência das areas isentas, deve fazê-lo, sob pena de glosa, como ocorre com qualquer revisão de declaração, sendo certo que há um comando legal expresso no art. 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/81 que exige a utilização do ADA para fruição de beneficio no âmbito do ITR, sendo desarrazoado imaginar que a redação do art. 10, § 7°, da Lei n° 9.393/96, dada pela posterior MP 2.166-67/2001 em face da Lei n° 10.165/2000, que versa sobre a natureza homologatória da informação das Ar Processo n° 15586.000832/2005-82 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.762 FL 110 isentas, passível de comprovação a partir de intimação da autoridade fiscal, possa ter revogado o comando expresso da Lei n° 6.938/81. Entretanto, ainda no âmbito do SD, a dúvida aumenta com a controvérsia referente averbação da reserva legal A margem da matricula do imóvel rural no cartório de registro de imóveis. A mesma Primeira Turma do STJ julgou o Resp n° 1.060.886/PR (STJ, 2010), na sessão de 1°/12/2009, relator o Ministro Luiz Fux, quando asseverou que a falta de averbação da reserva legal na matricula do imóvel ou a averbação a destempo, não 6, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção no âmbito do ITR, em votação unânime, ou sei a, em manifesto confronto com o REsp 1.125.632/PR, também unânime, que determinou a obrigatoriedade da averbação da reserva legal no cartório de registro de imóvel para fruição do beneficio no âmbito do ITR, como antes aqui se viu, ressaltando que a decisão de dezembro de 2009 não faz qualquer menção à decisão pretérita da mesma Turma. Para tanto, veja-se o excerto da ementa do Resp n° 1.060.886/PR, verbis: Consectariamente, decidiu com acerto o acórdão a quo ao firmar entendimento no sentido de que "A falta de averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não 6, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei le 4.771/1965. Reconhece-se o direito à subtração cio limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei n° 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área". Porém, se há dúvidas no âmbito da jurisprudência do STJ, tal situação não é amainada pelo que ocorre no âmbito da jurisprudência administrativa, como abaixo se demonstrará. A jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, competente para apreciar as controvérsias no seio do ITR ate março de 2009, era oscilante nos pontos acima discutidos, ora exigindo a averbação da reserva legal e o ADA para as Areas de utilização limitada e preservação permanente, ora afastando-os (averbação e ADA), As vezes se contentando com laudos técnicos e outros documentos para comprovarem as áreas isentas, em votações com diversos votos vencidos ou decididas por voto de qualidade (votação em que há empate entre os Conselheiros e o voto do Presidente determina a tese vencedora), a demonstrar a vacilação jurisprudencial e a fundada controvérsia que cerca a matéria. Abaixo, breve apanhado da jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, para exercícios posteriores ao exercício 2001, em que este Conselheiro compulsou as ementas de aproximadamente 300 julgados, em decisões prolatadas no ano de 2008, no site do CARF (http://www.carf.fazenda.gov.br ): 1. Area de reserva legal averbada no cartório de registro de imóveis, sem necessidade do ADA - Acórdão n° 301-34.779, sessão de 15/10/2008, por voto de qualidade; 2. exigência de averbação da Area de reserva legal somente a partir do Decreto no 4.382/2002 (Regulamento do ITR) — Acórdão n° 301-34459, sessão de 20/05/2 unânime; 8 3. Area de reserva legal reconhecida a partir de documentos outros, privilegiando a busca da verdade material - Acórdão n° 301-34475, sessão de 20/05/1998, unânime; Acórdão n° 302-39586, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão no 391-00031, sessão de 21/10/2008, por maioria (acatando também laudo técnico para comprovar a existência de Area de preservação permanente); 4. Area de reserva legal averbada no cartório de registro de imóveis e desnecessidade do ADA para comprovar a Area de preservação permanente - Acórdão n° 303- 35543, sessão de 13/08/2008, por maioria; 5. falta do ADA, por si só, não afasta a redução do ITR no tocante As Areas de preservação permanente e reserva legal; ausência de averbação cartorária da reserva legal, por si só, também não afasta a benesse legal - Acórdão n° 303-35421, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão n° 303-35734, sessão de 16/10/2008, por maioria; 6. pela desnecessidade do ADA para comprovação das Areas de reserva legal e de preservação permanente - Acórdão n° 303-35546, sessão de 13/08/2008, por maioria; Acórdão n° 303-35351, sessão de 20/05/2008, por maioria; 7. comprovação das Areas de utilização limitada e de preservação permanente sem depender de ADA tempestivo - Acórdão n° 302-39391, sessão de 24/04/2008, por maioria; Acórdão n° 303-35736, sessão de 16/10/2008, por maioria; 8. Areas de reserva legal e de preservação permanente competentemente averbadas e ADA extemporâneo reconhecidas para reduzir o ITR devido - Acórdão n° 301- 34686, sessão de 13/08/2008, unânime (também com laudo técnico); Acórdão n° 301-34632, sessão de 10/08/2008, unânime (somente Area de reserva legal); Acórdão n° 303-35540, sessão de 13/08/2008, por voto de qualidade (decidiu-se pela exigência de averbação para a Area de reserva legal e ADA a qualquer tempo para a Area de preservação permanente - dissídio apenas no tocante A averbação da Area de reserva legal); 9. Area de reserva legal averbada extemporaneamente e Area de preservação permanente reconhecida por laudo técnico - Acórdão n° 301-34788, sessão de 15/10/2008, por voto de qualidade (os vencidos exigiam o ADA para os exercícios posteriores a 2001); 10. exigência de ADA para reconhecimento das Areas de preservação permanente e de reserva legal - Acórdão n° 301-34354, sessão de 26/03/2008, por maioria; Acórdão no 302-40049, sessão de 10/12/2008, por voto de qualidade (somente Area de reserva legal); Acórdão n° 302-39865, sessão de 15/10/2008, por voto de qualidade; Acórdão n° 302- 39728, sessão de 13/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão n° 391-00001, sessão de 23/09/2008, unânime (ainda a averbação da reserva legal não supre a ausência do ADA); 11. comprovação das Areas de utilização limitada (reserva legal) e de preservação permanente a depender de ADA e de averbação cartorária tempestivos - Acórdão n° 302-39244, sessão de 29/01/2008, por maioria; Acórdão n° 302-39866, sessão de 15/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão n° 303-35538, sessão de 13/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão n° 303-35645, sessão de 11/09/2008, por voto de qualidade; Acórdão n° 393-00083, sessão de 19/11/2008, por voto de qualidade. Tentando fazer um resumo dos posicionamentos acima, separando as Areas de reserva legal e de preservação permanente, tem-se: • Area de reserva legal - necessidade de averbação cartorária, sem ADA (precedentes da la e 3a Camara do Terceiro Conselheiro de Contribuintes); averbação após a publicação do Decreto n° 4.382/2002 (la Câmara); reconhecimento da Area por laudos técnicos (la, 2, 3' Câmaras e 3 a TE); desnecessidade de ADA (3' Camara); aceitação Ac ADA intempestivo (2 e 3a Câmaras); averbação cartorária e ADA intempestivos Processo n° 15586.000832/2005-82 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.762 Fl. 111 Câmaras); averbação cartorária intempestiva (1' Camara); necessidade de ADA (1, 2a e 1 a TE); averbação e ADA tempestivos (2', 3a e 30 TE); • Area de preservação permanente — Sem necessidade do ADA (precedente da 3' Camara); ADA intempestivo (precedentes 1 0, 2' e 3' Câmaras); comprovação com laudos (1 Câmara) e necessidade de ADA tempestivo (la, .2,a e la TE). Da jurisprudência acima, claramente não se extrai qualquer posição consolidada, quer no tocante A averbação cartorária da Lea de reserva legal (há precedentes de todas as Câmaras com reconhecimento da área de reserva legal a partir de laudos técnicos), quer no tocante A exigência do ADA para comprovação das áreas de preservação permanente e de reserva legal, sendo certo que as posições mais formais, com exigência do ADA, para ambas as Areas, e com a averbação para a área de reserva legal são tomadas, em regra, por voto de qualidade (vide item 11, acima), tudo a demonstrar a profundidade da controvérsia. Longe de tecer quaisquer criticas à jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, aqui se reconhece a funda controvérsia no tocante As exigências do ADA e da averbação cartorária para reconhecimento dos benefícios isentivos no âmbito do ITR, ressaltando que o próprio Superior Tribunal de Justiça tem também vacilado na solução dessas controvérsias, a uma afastando a exigência do ADA a partir de legislação infralegal já superada pelo art. 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/81, na redação dada pela Lei n° 10.165/2000; a duas, pela controvérsia no tocante A averbação cartorária da reserva legal, com a Primeira Turma dessa Superior Corte prolatando decisões divergentes, por unanimidade, em um mesmo semestre, sem qualquer ressalva A posição pretérita. Sem apoio na jurisprudência, quer do Terceiro Conselho de Contribuintes, quer do Superior Tribunal de Justiça, passa-se aqui a definir um posicionamento sobre a controvérsia referente As Areas de reserva legal e de preservação permanente. Da área tributável para fins do ITR se excluem as Areas de preservação permanente e de reserva legal, de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas ambientais, comprovadamente imprestáveis para os fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental e, mais recentemente, cobertas por florestas nativas e alagadas por reservatórios hidrelétricos, como se pode ver no art. 10, § 1°, II, "a" a "f', da Lei n° 9.393/96. Claramente vê-se que as Areas de interesse ambiental ou imprestáveis para os fins do setor primário estão excluídas da incidência do ITR, sendo certo que esse imposto somente incide sobre as áreas aproveitáveis, geradoras de renda agrícola, pecuária e extrativista. O nó górdio é definir quais os requisitos que devem ser implementados para que uma área seja considerada de reserva legal ou de preservação permanente para fins de fruição da isenção no âmbito do ITR. Partindo do principio que o ITR incide sobre a área aproveitável da propriedade (Area tributável menos a Area de benfeitorias), geradora de renda agrícola, pecuária ou extrativista, parece-me claro que o contribuinte somente pode se beneficiar do favor legal tributário se de fato existir essas Areas de utilização limitada, ou seja, caso as Areas de reserva legal ou de preservação permanente estejam sendo utilizadas indevidamente em atividades agrícolas, extrativistas ou pecuárias diretas, afastar-se-ia a isenção legal. De outra banda, existindo tais áreas, o contribuinte pode se beneficiar do favor legal. Entretanto, para a fruição da isenção, pode a lei exigir o cumprimento de requisitos formais, além dos substanciais (no caso vertente, a existência das próprias r as ambientalmente protegidas). 9 Como exemplo de requisito isentivo de ordem formal, para isenção do IRPF, não basta o contribuinte portar alguma das moléstias constantes no art. 6°, XIV, da Lei n° 7.713/88, mas deve comprová-las mediante um laudo pericial emitido por serviço médico oficial, na forma do art. 30 da Lei n° 9.250/95. Nessa mesma linha, o art. 4°, V, da Lei n° 8.661/1993 determina que o contribuinte detentor de um Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial - PDTI pode ter um crédito de 50% do WRF incidente sobre as remessas para o exterior, a titulo de royalties, de assistência técnica ou cientifica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferencia de tecnologia averbados nos termos do Código de Propriedade Industrial, ou seja, não basta ter um contrato de transferência de tecnologia firmado com uma empresa estrangeira, mas se deve averbá-lo no Instituto Nacional da Propriedade Industrial - INPI, como manda o art. 230 do Código de Propriedade Industrial (Lei n° 9.279/96), para fruição do beneficio legal. Agora, passa-se a verificar a existência de requisitos formais para fruição do beneficio no âmbito do ITR para as Areas de preservação permanente e reserva legal. Em relação A. Area de reserva legal, assim versa o art. 10, § 1°, II, "a", da Lei n° 9.393/96, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. ,sç 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: I- Omissis; II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; A Lei tributária assevera que a área de reserva legal, prevista no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), pode ser excluída da Area tributável. Já no art. 16 da Lei n° 4.771/65 definem-se os percentuais de cobertura florestal a titulo de reserva legal que devem ser preservados nas diferentes regiões do pais e determina que a area de reserva legal deve ser averbada A. margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação da Area. A questão que logo se aventa é sobre a obrigatoriedade de averbação da reserva legal para fruição do beneficio no âmbito do ITR, já que a Lei n° 9.393/96 assevera a exclusão da Area de reserva legal, porém remetendo-a ao Código Florestal, não havendo, especificamente, uma obrigação de averbação cartorária da Area de reserva legal na Lei tributária. Quanto a obrigatoriedade da averbação da área de reserva legal, em sentido lato, parece que não há qualquer dúvida, pois inclusive há norma editada pelo Poder Executivo, com supedâneo na Lei n° 9.605/98 (Lei dos crimes ambientais), que considera tal comportamento uma infração administrativa, com aplicação de multas pecuniárias, conforme o art. 55 do Decreto n° 6.514/2008, sendo certo que o Poder Judiciário vem ratificando a obrigatoriedade da averbação da reserva legal, como se pode ver no REsp 927.979 — MG, julgado pela Primeira Turma em 31/05/2007, relator o Ministro Francisco Falcão, unânime, assim ementado: Processo n° 15586.000832/2005-82 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.762 Fl. 112 DIREITO AMBIENTAL. ARTS. 16 E 44 DA LEI N" 4.771/65. MATRICULA DO IMÓVEL. AVERBAÇÁO DE ÁREA DE RESERVA FLORESTALNECESSIDADE. I - A questão controvertida refere-se a interpretação dos arts. 16 e 44 da Lei n. 4.771/65 (Código Florestal), uma vez que, pela exegese firmada pelo aresto recorrido, os novos proprietários de imóveis rurais foram dispensados de averbar reserva legal florestal na matricula do II - "Essa legislação, ao determinar a separação de parte das propriedades rurais para constituição da reserva florestal legal, resultou de uma feliz e necessária consciência ecológica que vem tomando corpo na sociedade em razão dos efeitos dos desastres naturais ocorridos ao longo do tempo, resultado da degradação do meio ambiente efetuada sem limites pelo homem. Tais conseqüências nefastas, paulatinamente, levam a conscientização de que os recursos naturais devem ser utilizados com equilíbrio e preservados em intenção da boa qualidade de vida das gerações vindouras" (RMS n° 18.301/MG, Rel. Min. J0;4'0 OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 03/10/2005). III - In viável o afastamento da averba cão preconizada pelos artigos 16 e 44 da Lei n° 4.771/65 (Código Florestal), sob pena de esvaziamento do conteúdo da Lei. A averba cão da reserva legal, a margem da inscrição da matricula da propriedade, é conseqüência imediata do preceito normativo e está colocada entre as medidas necessárias a proteção do meio ambiente, previstas tanto no Código Florestal como na Legislação extravagante. IV - Recurso Especial provido. (grifou-se) Na linha acima, não se pode deixar de fazer uma leitura combinada das Leis n° 9.393/96 e 4.771/65, devendo ser reconhecido que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal transcende em muito o direito tributário, sendo uma medida de garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, para as atuais e futuras gerações, conforme insculpido no art. 225 da Constituição Federal, sendo, inclusive, a defesa do meio ambiente um dos princípios da ordem econômica.. Ora se averbação da reserva legal chega a ser objeto de multa pecuniária administrativa especifica, parece desarrazoado deferir o beneficio tributário sem o cumprimento dessa medida, quando a própria Lei n° 9.393/96 defere a exclusão da area de reserva legal, prevista no Código Florestal, ou seja, parece-me que com as condicionantes da legislação ambiental. A interpretação acima está alicerçada no entendimento de que o ITR é um imposto de feição essencialmente extrafiscal, tendo pouco valor o aspecto fiscal, arrecadatório. Aqui, tratando da coexistência da fiscalidade e da extrafiscalidade nas normas tributárias, assevera Paulo de Barros Carvalho2 : Há tributos que se prestam, admiravelmente, para a introdução de expedientes extrafiscais. Outros, no entanto, inclinam-se mais ao setor da fiscalidade. Não existe, porém, entidade tributária que se possa dizer pura, no sentido de realizar tão-só a fiscalidade, ou, unicamente, a extrafiscalidade. Os dois objetivos convivem, harmônicos, na mesma 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário — Linguagem e Método. 2a ed., Sao Paulo: Noeses, p. figura impositiva, sendo apenas licito verificar que, por vezes, um predomina sobre o outro. No dizer de José Marcos Domingues Oliveira3 (1999, P. 37) a "Tributação extrafiscal é aquela orientada para fins outros que não a captação de dinheiro para o Erário, tais como a redistribuição da renda e da terra, a defesa da indústria nacional, a orientação dos investimentos para setores produtivos ou mais adequados ao interesse público, a promoção do desenvolvimento regional ou setorial etc.", sendo certo que é do conhecimento geral que o ITR é um imposto marcantemente extrafiscal, desde sua instituição, primeiramente tentando atingir os fins da reforma agrária e gravando de forma mais vertical os latifúndios improdutivos, como se viu com o Estatuto da Terra (Lei n° 4.504/64) e com as alterações perpetradas pela Lei n° 6.746/79 nesse Estatuto, e, posteriormente, notadamente com a Lei n° 9.393/96 (e suas alterações posteriores, como a Lei n° 11.428/2006), avultou a extrafiscalidade do ITR no tocante à preservação das áreas de interesse ambiental, já que tais áreas não compõem as áreas objeto da incidência do imposto, bem como a progressividade a depender do binômio área total do imóvel/grau de utilização. Apenas para se ter uma idéia da irrelevância do aspecto fiscal, arrecadatório, do ITR, no ano de 2009, as receitas administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil atingiram 682.983 bilhões de reais, e, desse montante, a arrecadação do ITR atingiu a mísera quantia de 480 milhões de reais, ou seja, 0,07% do total arrecadado 4, isso no pais que é o quinto maior em extensão do planeta, a indicar que, a despeito das enormes Areas rurais do Brasil, a questão arrecadatória é marginal, secundária. De outra banda, o aspecto extrafiscal do ITR é cristalino, e diversos pontos dessa extrafiscalidade podem ser anotados, a saber: • imunidade da pequena gleba familiar, a favorecer a fixação do homem no campo; • progressividade das aliquotas, como se vê no anexo da Lei n° 9.393/96, no qual uma propriedade com o mesmo grau de utilização do imóvel rural, pode variar a aliquota de 1% a 20%, a depender do porte da propriedade, tudo a agravar mais fortemente as propriedades de maior porte, favorecendo os minifúndios e propriedades de pequeno porte; • tributação mais favorecida dos imóveis rurais com maior grau de utilização das atividades do setor primário, a privilegiar um mais racional uso da terra; • exclusão da área de tributável das partes do imóvel que detém interesse ecológico (áreas de preservação permanente e de reserva legal; de interesse ecológico declaradas pelos órgãos ambientais; imprestáveis para a atividade primária e declaradas de interesse ecológico pelo órgão ambiental competente; de servidão florestal ou ambiental; e cobertas por florestas nativas), destacando a preservação do meio ambiente. Em um cenário dessa natureza, deve-se privilegiar toda a interpretação que potencialize os aspectos extrafiscais do ITR e, dentre esses, avulta a relevância das Areas de proteção ambiental, sendo que a averbação cartorária da área de reserva legal é um importante requisito para a conservação da área protegida, para as atuais e futuras gerações, devendo ser rechaçada qualquer interpretação que enfraqueça o aspecto extrafiscal do ITR, como aquela que arrosta a necessidade da averbação cartorária da área de reserva legal, pelo simples fato de não haver um comando literal na Lei n° 9.393/96 para o mister. Ora, o art. 10, § 1 0, II, "a", da Lei n° 9.393/96 permite a exclusão da Area de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei n° 4.771/65) da area tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8°, exige que a 3 OLIVEIRA, José Marcos Domingues de. Direito Tributário e Meio Ambiente: proporcionalidade, tipicidade aberta, afetação de receita. 2 a ed. (rev. e amp.), Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 37. 4 Esses dados da arrecadação federal podem ser acessados no site da interne da Secretaria da Receita Feder do Brasil, no endereço: http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/arre/2009/Analisemensaldez09.pdf. 12 Processo n° 15586.000832/2005-82 S2-CIT2 Acórcido n.° 2102-00.762 Fl. 113 area de reserva legal deve ser averbada A margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação da Area, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Insiste-se que afastar a necessidade de averbação da Area de reserva legal e uma interpretação que vai de encontro A essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação da area de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Entretanto, apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, aqui não me filio aqueles que exigem obrigatoriamente a averbação em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma Area de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, notadamente se anterior ao inicio da ação fiscal, não me parece razoável arrostar o beneficio tributário, quando se sabe que Areas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma Area averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da Area total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante a isenção do ITR. Agora, passa-se a apreciar a necessidade do ADA para fruição do beneficio tributário para as áreas de preservação permanente e utilização limitada (reserva legal e outras). Essa questão não , oferece qualquer dúvida, já que o art. 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/81 (A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatOria) e expresso quanto A exigência do ADA para fruição de beneficio no âmbito do ITR, com vigência em relação aos exercícios posteriores a 2001, e não se compreende como o art. 10, § 70, da Lei n° 9.393/96 (na redação dada pela MP no 2.166-67/2001), que versa sobre aspectos homologatorios da declaração das áreas de utilização limitada, poderia ter revogado tacitamente o art. 17-0, § 1 0, da Lei n° 6.938/81, como aqui se discutiu anteriormente. Mais uma vez, entretanto, como a Lei no 6.938/81 não fixou prazo para apresentação do ADA, parece descabida a exigência feita pelo fisco federal de apresentação do ADA contemporâneo a entrega da DITR, sendo certo apenas que o sujeito passivo deve apresentar o ADA, mesmo extemporâneo, desde que haja provas outras da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Explanada a posição deste relator sobre as controvérsias referentes ao ADA para as areas de utilização limitada (reserva legal e outras) e de preservação permanente e sobre a averbação cartorária da Area de reserva legal, passa-se a apreciar o caso concreto aqui em discussão. ANALISE DO OBJETO DO PROCESSO Feita essa explanação sobre a Areas de Preservação Permanente e a exigência da apresentação do ADA, passemos a analisar o que temos de concreto nesse processodl VP / 13 - lb. Determinada a obrigatoriedade de apresentação do ADA, contudo, superada a questão da necessidade do ADA tempestivo na forma supra exposta, concluo que deve ser admitida parcialmente a Area de Preservação Peintanente no valor de 203,7, conforme declarado no ADA de fl. 27. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO RECURSO, para se proceda as seguintes retificações: ITR 2001 Declarada ft. 44 Retificação de oficio Acórdão Carf 02-Area de Preservação Permanente 203,7 ha 0,0 ha 203,7 ha Assim, em função dessas duas retificações, determino que sejam refeitos os devidos cálculos do valor do ITR devido. Rube Mauricio Carva -• - Relator 14
score : 1.0
Numero do processo: 11176.000021/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Mar 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Exercício: 1997
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - DECADÊNCIA. -Ê de 05 (cinco)
anos o prazo decadencial para o lançamento das contribuições
previdenciárias.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2402-000.722
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, reconheceu-se a decadência do direito de exigência da totalidade das contribuições apuradas, na forma do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LOURENÇO FERREIRA DO PRADO
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RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Camara / 2' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de reconhecer a decadência do direito de exigência da totalidade das contribui s apuradas , na ,uiia do voto do relator. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogerio de Lellis Pinto, Lourençojeira.do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Maria da Glória Faria (Suplente). Relatório Trata-se de NFLD referente As contribuições sociais destinadas a Terceiro (INCRA) incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a cargo da empresa acima identificada. As diferenças apuradas referem-se a equívocos de enquadramento no código FPAS efetuado pelo contribuinte para alguns de seus estabelecimentos no período de 02/1997. 0 sujeito passivo foi cientificado em 29/12/2006 (f1.01) A autuada ofertou impugnação As fls 255/265 alegando que deve ser aplicado o prazo decadencial previsto no CTN e que a contribuição ao INCRA deve ser extinta. A Decisão de Notificação de fls. 292/306 considerou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário. Recorre a empresa ás fls. 312/320 alegando que o crédito tributário foi alcançado pela decadência. Os autos vieram a este Conselho. • :- • o relatório. 2 Processo n° 11176.000021/2007-14 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.722 Fl. 323 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator 0 recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deles conheço. 0 lançamento em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei n° 8.212/1991. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários n° 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante n° 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 "Sao inconstitucionais os parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" necessário observar os efeitos da sumula vinculante, conforme se depreende do art. 103-A, capuz', da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional n° 45/2004. in verbis: "Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g. n.) Da leitura do dispositivo constitucional, pode-se concluir que, a vinculação sumula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: "Art.173 - 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento pocEer . - -e-p-s-ivt -efetuado; , _ 3 II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único - 0 direito a que se refere este artigo extingue- se definitivamente corn o decurso do prazo nele previsto, contado da data ern que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Codex Tributário definiu no art. 150, § 40 0 seguinte: "Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. sS' 4° - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplica-se o prazo previsto no § 4° do art. 150 do C'TN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplica-se o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICL4L. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, sS' 4 0, DO CTN. I. 0 prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo e, ern regra, o do art. 173, /, do CT1V, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'opera-se pelo 'ao--m—que a referida 4 Processo n° 11176.000021/2007-14 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.722 Fl. 324 (\■ No caso em tela, por qualquer uma das teses acima tratadas, o lançamerito encontra-se decadente. autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra especifica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte cio contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o ,sç' 4° do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente a contribuição previdenciãria, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Ê aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dã parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, Seção, ReL Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁ RIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LAIVCAMENTO POR HOMOLOGAC:4 -0. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, ,sç 4", do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173,1, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergéncia providos." (EREsp 572.603/PR, I" Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) Prejudicados os demais temas ventilados no recurso. Diante o exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PROVINIEN declarando que todas as competências foram alcançadas pela decadência. Sala das Sessões, em 23 de março de 2010 LO ÇOTERREIRA DO PRADO - Relator 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ; _.e QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO -Processo n°: 11176.000021/2007-14 Recurso n°: 145.863 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Camara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 24 ?-00.722 Brasi ia. 29 d abril de 2010 ELIAS SA AIO FREIRE Presidente da Quarta Camara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional ,
score : 1.0
Numero do processo: 18186.001253/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2005
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara
e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara, não
há que se falar em cerceamento de defesa.
TAXA SELIC. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para
afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade, salvo nos casos
previstos no art. 103A
da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do
CARF.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA.
O direito da Fazenda Pública realizar o lançamento, no caso de tributo sujeito
a lançamento por homologação, está previsto no art. 150, § 4º, do CTN,
sendo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se
comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação.
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991.
INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei
nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à
decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos
do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado
antecipação de pagamento ou não, respectivamente.
Nos termos do art. 103A
da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes
aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na
imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do
Poder Judiciário e à Administração Pública direta e indireta, nas esferas
federal, estadual e municipal.
O lançamento foi efetuado em 15/12/2006, data da ciência do sujeito passivo
(fl. 01), e os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram no período
compreendido entre 10/2001 a 10/2005. Com isso, a competência 10/2001 foi
atingida pela decadência, pois há recolhimento parcial. A competência
11/2001 e seguintes não foram abrangidas pela decadência, permitindo o
direito do fisco de constituir o crédito tributário por meio de lançamento
fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-001.443
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar
provimento parcial ao recurso, para, nas preliminares, excluir do lançamento as contribuições
apuradas na competência 10/2001, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros Ana Maria
Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Marcelo Oliveira
acompanharam a votação por suas conclusões; b) em negar provimento ao recurso, no mérito,
nos termos do voto do Relator. II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso,
nas preliminares, nas contribuições apuradas na competência 11/2001, devido a regra
decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Redator Designado.
Vencidos os Conselheiros Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Rogério de Lellis Pinto que
votaram pela aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN. Redator
Designado Ronaldo de Lima Macedo.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2005 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara, não há que se falar em cerceamento de defesa. TAXA SELIC. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade, salvo nos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. O direito da Fazenda Pública realizar o lançamento, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, está previsto no art. 150, § 4º, do CTN, sendo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na Fl. 163DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. O lançamento foi efetuado em 15/12/2006, data da ciência do sujeito passivo (fl. 01), e os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram no período compreendido entre 10/2001 a 10/2005. Com isso, a competência 10/2001 foi atingida pela decadência, pois há recolhimento parcial. A competência 11/2001 e seguintes não foram abrangidas pela decadência, permitindo o direito do fisco de constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para, nas preliminares, excluir do lançamento as contribuições apuradas na competência 10/2001, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Marcelo Oliveira acompanharam a votação por suas conclusões; b) em negar provimento ao recurso, no mérito, nos termos do voto do Relator. II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nas preliminares, nas contribuições apuradas na competência 11/2001, devido a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Rogério de Lellis Pinto que votaram pela aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN. Redator Designado Ronaldo de Lima Macedo. Marcelo Oliveira Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Ronaldo de Lima Macedo – Redator Designado Fl. 164DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18186.001253/200710 Acórdão n.º 240201.443 S2‐C4T2 Fl. 162 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Rogério de Lellis Pinto, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 165DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Relatório Tratase de NFLD lavrada para se exigir o valor de R$ 8.218.224,03, em virtude da falta de recolhimento da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT), e de contribuições devidas pela empresa, no período de 10/2001 a 10/2005, tendo a Recorrente obtido a ciência do lançamento em 15/12/2006. Consta do DAD – Demonstrativo Analítico de Débitos, fls. 04 e seguintes a informação de que nem todas as competências tem pagamento parcial. Conforme consta no relatório fiscal (fls. 56/57), a empresa não apresentou os documentos solicitados por meio dos TIAD’s, exceto o contrato social, tendo sido o lançamento realizado com base na diferença entre os valores declarados e recolhidos pela Recorrente, constantes no Sistema CNISA. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 77/115) sustentando que: (i) o lançamento é nulo, por não constar a informação de que a Delegacia da Receita Previdenciária de São Paulo faz parte da Unidade de Atendimento da Receita Previdenciária; (ii) o termo de início de fiscalização não foi recepcionado por representante legal da empresa; (iii) foi cientificada do segundo MPF após a data de vencimento do primeiro; (iv) o período ora fiscalizado já teria sido objeto de fiscalização no passado; (v) as planilhas contendo as informações sobre os débitos não foram anexadas ao relatório fiscal; (vi) o valor das retenções de 11% sobre as notas fiscais emitidas em face da São Paulo Transportes deve ser creditado em favor da empresa; (vii) as remunerações relativas ao décimo terceiro salário foram incluídas nas competências relativas ao seus adiantamentos, de forma que se forem processadas em separado, devem ser abatidas do salário de contribuição relativo ao mês do efetivo pagamento; (viii) o salário de contribuição relativo às contribuições de terceiros não precisa ser informado em GFIP, motivo pelo qual deve haver a redução da multa; (ix) a taxa SELIC não pode ser aplicada ao presente caso, por ser inconstitucional; (x) as competências anteriores à 01/2002 estão decaídas; e (xi) deve ser oportunizada a juntada de novos documentos e declarações. A d. Secretaria da Receita Previdenciária – SRP, ao analisar o presente caso, julgou totalmente procedente o lançamento (fls. 119/126), sob o argumento de que: a) A empresa é obrigada a recolher as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, nos termos do art. 30, inc. I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/1991; b) A GFIP é o documento no qual o contribuinte declara e confessa os fatos geradores e valores devidos à Previdência Social. (Art. 32, inc. IV, § 2º c/c art. 33, § 7º, da Lei nº 8.212/1991 e art. 225, inc. IV, § 1º, do RPS); c) O prazo decadencial para que o INSS constitua seus créditos é de 10 anos, nos termos do art. 45 da Lei nº 8.212/1991; Fl. 166DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18186.001253/200710 Acórdão n.º 240201.443 S2‐C4T2 Fl. 163 5 d) Aplicase a taxa SELIC para as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pela Previdência Social, conforme art. 34 da Lei nº 8.212/1991. A Recorrente apresentou “pedido de reconsideração” (fls. 133/147) alegando que: (i) os adiantamentos e alguns abonos emergenciais foram considerados como salários, dobrando a contribuição social que já teria sido paga; (ii) a análise da RAIS deveria levar em conta apenas as informações nela contidas; (iii) a margem de erro apontada pela fiscalização é inferior a 10% do valor aferido, o que não dá ensejo à revisão; (iv) deve ser concedido prazo para juntada dos documentos relativos ao parcelamento realizado pela empresa, caso seja difícil ao auditor julgador levantálas no sistema; (v) a contribuição social não incide sobre o 13º salário e alguns abonos emergenciais; (vi) as contribuições superam o limite máximo do salário de contribuição; (vii) houve cerceamento de defesa, e reiterando os argumentos da impugnação. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – SP determinou o prosseguimento do feito (fl. 151). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária – DERAT informou que o recurso é tempestivo. É o relatório. Fl. 167DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Vencido Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e atende a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Cumpre, inicialmente, analisar as preliminares de nulidade arguidas pela Recorrente. A Recorrente sustenta que o lançamento é nulo, por constar no IPC (instrução para o contribuinte) informação de que a defesa deve ser dirigida à Unidade de Atendimento da Receita Previdenciária, mas em nenhum lugar ter sido indicado que referida unidade de atendimento da Receita Previdenciária vem a ser a Delegacia da Receita Previdenciária de São Paulo – SUL. Entendo que tal argumento é totalmente infundado, não cabendo ao lançamento atender a todos os conceitos formais levantados pelo contribuinte, sem fazer qualquer juízo quanto à efetiva ofensa ao seu direito de defesa (as formalidades que devem ser atendidas no ato do lançamento são aquelas constantes da lei – em sentido lato – e não aquelas que o contribuinte deseja). Não obstante, como a própria Recorrente apontou, a informação de que a Unidade de Atendimento da Receita Previdenciária integra a Delegacia da Receita Previdenciária consta no cabeçalho do relatório fiscal (fls. 56/60). A Recorrente sustenta também que o lançamento é nulo, por não ter sido inicialmente recepcionado por representante legal do notificado. Todavia, não há exigência de que a notificação seja entregue ao representante legal da empresa, mas sim no domicílio tributário do contribuinte, conforme disposto no art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo.” Fl. 168DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18186.001253/200710 Acórdão n.º 240201.443 S2‐C4T2 Fl. 164 7 Desta forma, não há como se reconhecer qualquer inconsistência na notificação, não podendo a Recorrente alegar nulidade sob o argumento de que foi entregue à pessoa errada, pois há prova nos autos de que a notificação foi entregue em seu domicílio. A Recorrente também protesta pela nulidade do lançamento, tendo em vista que foi cientificada do segundo MPF após a data de vencimento do primeiro, estando este, portanto, vencido (fl. 79). Ocorre que, como bem destacado na decisão de 1ª instância, “a notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF – não acarreta nulidade do lançamento”. Outrossim, é certo que este fato em nada prejudica o direito de defesa da Recorrente, não havendo que se falar em nulidade do lançamento. A Recorrente alega também que a fiscalização deveria ter seguido as regras de revisão ex officio previstas no art. 149 do CTN para fiscalizar o período autuado, posto que já teria sido objeto de fiscalização anteriormente. Contudo, como bem delineado na decisão de 1ª instância1, bem como pelo exposto pela própria Recorrente, o período fiscalizado pela referida auditora foi de 01/1998 a 09/2001, enquanto que o presente lançamento abrange o período de 10/2001 a 10/2005 (fl. 80). Logo, não há qualquer razão no argumento. A Recorrente sustenta ainda preliminarmente que o lançamento deve ser declarado nulo, pelo fato das autoridades administrativas não terem provado a subsistência dos valores ora exigidos, tendo em vista que a planilha contendo as informações acerca do crédito tributário não foi juntada nos autos, ao contrário do que estava mencionado no relatório fiscal. No entanto, cumpre esclarecer que essas planilhas foram anexadas em meio magnético, e referemse à diferença entre o que foi informado nas GFIP’s e o que foi efetivamente pago pela Recorrente. Vejase trecho do relatório fiscal (fl. 57): “Dessa forma, efetuamos os lançamentos contidos nesta NFLD exclusivamente baseados nas informações declaradas em GFIP pelo contribuinte e que constam do sistema informatizado do INSS. Foram lançados nesta NFLD os valores das diferenças apontadas no sistema informatizado do INSS, apurados entre os valores declarados em GFIP pelo contribuinte e os recolhimentos efetuados. Todas as guias que constam no Sistema Informatizado da Previdência da matriz e da filial foram apropriadas e consideradas no lançamento. Anexamos ao presente processo, cópias em meio digital do Demonstrativo da 1 “Fls. 124 10.4 Equivocase ao impugnante ao afirmar tratarse de refiscalização que deve ser dada nas hipóteses do artigo 149 do Código Tributário Nacional. O período anteriormente fiscalizado com verificação da escrituração contábil compreende o período de 01/1998 a 12/1999 e parcial de 01 a 09/2001, conforme se verifica no Cadastro Nacional de Ações Fiscais. Logo, não houve homologação para as competências do ano de 2001, não se configurando a ação fiscal em questão como procedimento de refiscalização;” Fl. 169DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA 8 Composição das Bases de Cálculo DCBC que consta no Sistema CNIS da Previdência Social. Tal demonstrativo informa os segurados, suas respectivas remunerações, bem como a base de cálculo do estabelecimento por competência. Com relação ao valor retido tal relatório informa esses valores somente após 04/2003. De 10/2001 a 03/2003, como não havia totalização da parte dos segurados no DCBC, utilizamos esse demonstrativo para calcular de forma individualizada a contribuição de cada segurado, aplicando a aliquota correta por faixa salarial, e então fazendo a totalização do valor das contribuições devidas, conforme planilhas especificas elaboradas pela fiscalização e anexadas ao processo, gravadas em meio magnético.” A d. DRJ, ao se manifestar sobre esse ponto, assim consignou (fl. 124): “10.6 As planilhas entregues ao impugnante, juntamente com o Relatório Fiscal, referemse aos Demonstrativos da Composição das Bases de Cálculo — DCBC que constam no Sistema CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais, cujos dados foram inseridos pela entrega das GFIP's — Guias de Recolhimento do FGTS e Informações ã Previdência Social, onde o próprio contribuinte informou as bases de cálculo das contribuições ora lançadas.” Diante disso, entendo que a fiscalização demonstrou suficientemente os fatos e os motivos que levaram à lavratura da presente NFLD, não havendo que se falar em nulidade por falta de provas. Analisadas as questões preliminares, passo a analisar o mérito da autuação. Ao se defender, a Recorrente alega genericamente apenas que a presente NFLD considerou alguns adiantamentos, abonos emergenciais e 13º salário como salário de contribuição, “dobrando” a contribuição social que já teria sido paga. Entretanto, conforme consta no relatório fiscal (fls. 56/57), o presente lançamento foi realizado com base na diferença entre os valores declarados e recolhidos pela Recorrente, constantes no Sistema CNISA. Assim, se a Recorrente considera que os valores que ela mesmo confessou não poderiam ter sido considerados como fatos geradores da contribuição previdenciária, deveria ela ter retificado suas informações, ou quando menos provado suas alegações, trazendo argumentos nesse sentido. Não há, portanto, razão no argumento. A Recorrente protesta também pelo abatimento/creditamento dos valores retidos de INSS (11%) pela contratante dos seus serviços (São Paulo Transportes), independentemente desta empresa ter realizado ou não o recolhimento das guias ao fisco. Entretanto, constatase que a Recorrente não juntou aos autos qualquer prova tendente a demonstrar que as contribuições dos segurados empregados foram recolhidas pela contratante através da sistemática de retenção de 11% sobre o valor das notas fiscais, de forma a reduzir o montante das contribuições ora exigidas. Não há, portanto, embasamento na alegação, motivo pelo qual deve ser julgada improcedente. Fl. 170DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18186.001253/200710 Acórdão n.º 240201.443 S2‐C4T2 Fl. 165 9 A Recorrente protesta ainda pela realização de perícia interna e pela juntada de novos documentos e declarações não juntados em virtude da exiguidade do tempo, em atendimento ao princípio da verdade material (fls. 112). Entretanto, é imperioso ressaltar que o presente lançamento é decorrente da diferença entre o informado na GFIP e o efetivamente pago, não havendo qualquer questão técnica a ser devidamente dirimida por meio de perícia. O que se está exigindo através da presente autuação são os valores que, em que pese a própria Recorrente tenha declarado como devidos, não foram recolhidos. Com relação ao pedido de juntada de documentos – caso se fizesse necessário –, passo a tecer as seguintes considerações. O prazo para que o contribuinte apresente provas quanto às suas alegações é o da impugnação, salvo se comprovada a ocorrência das hipóteses excepcionais previstas no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/19722. Ainda que considerássemos não preenchida nenhuma das hipóteses do referido dispositivo, caso a Recorrente tivesse juntado, mesmo que posteriormente à impugnação, provas inequívocas de que as contribuições ora exigidas são indevidas, o presente órgão colegiado poderia apreciálas, em respeito ao princípio da verdade material. Ocorre que, no entanto, a Recorrente não juntou, até o momento, qualquer documento tendente a afastar os valores autuados, limitandose a pleitear de modo vazio a nulidade da autuação e a alegar, genericamente, a inexigibilidade das contribuições ora exigidas, razão pela qual não há que ser acatado qualquer pedido para que novas provas sejam produzidas. Outrossim, percebese que a Recorrente protocolou impugnação e recurso idênticos nos processos administrativos nos 18186.001185/200799 e 18186.001254/200764, sem se preocupar nem mesmo em destacar as peculiaridades existentes em cada caso, situação que evidencia o mero intuito de protelar o recolhimento dos tributos. Por esses motivos, deixo de apreciar os argumentos apresentados pela Recorrente no sentido de que: (i) as contribuições exigidas superam o limite máximo do salário de contribuição; (ii) a análise da RAIS deveria levar em conta apenas as informações nela contida; (iii) as remunerações relativas ao décimo terceiro salário foram incluídas nas competências relativas aos seus adiantamentos, de forma que se forem processadas em separado, devem ser abatidas do salário de contribuição relativo ao mês do efetivo pagamento; e (iv) a margem de erro apontada pela fiscalização é inferior a 10% do valor aferido, posto que apresentados sem qualquer embasamento, sendo completamente dissociados da matéria objeto da autuação. 2 "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos." Fl. 171DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA 10 Ainda no mérito, a Recorrente defende também que a taxa SELIC não pode ser aplicada ao presente caso, por ser manifestamente inconstitucional. Todavia, impende ressaltar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a aplicação da lei com base na suposta inconstitucionalidade e ilegalidade destas, com exceção dos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62, parágrafo único do Regimento Interno do CARF3. Deixo, portanto, de apreciar eventual inconstitucionalidade da taxa SELIC. Por fim, a Recorrente busca ver reconhecida a decadência dos créditos tributários relativos às competências anteriores a 01/2002, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Como é cediço, as contribuições previdenciárias objeto do presente lançamento são classificadas como tributos sujeitos a lançamento por homologação, conforme preceitua o art. 150, caput, do CTN. Assim, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial desses tributos começa a contar da data da ocorrência dos fatos geradores, nos termos do parágrafo 4º do referido artigo, independentemente da existência ou não de pagamento antecipado. Isto porque, a norma contida no art. 150 do CTN tem como objetivo delimitar a natureza jurídica do tributo sujeito a lançamento por homologação, devendo sempre ser aplicada quando o tributo objeto da discussão se insere em tal modalidade de lançamento, salvo se comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação. A Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF já manifestou seu entendimento nesse mesmo sentido. Vejase: “(...)CSLL DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldamse à sistemática de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com esta lei nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no § 4º do seu art. 150. (...) A ausência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade não exercida pelo sujeito passivo, do qual pode resultar ou não o recolhimento do tributo. Por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração opostos, a fim de suprir a omissão apontada e ratificar o Acórdão n.º CSRF/0104.556, de 18 de 3 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Fl. 172DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18186.001253/200710 Acórdão n.º 240201.443 S2‐C4T2 Fl. 166 11 agosto de 2003. Manoel Antonio Gadelha Dias Presidente.” (CSRF, Recurso nº 129.396, PAF nº 10680.016784/0086, 1ª Câmara, Rel. Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Sessão de 19/09/2006) “DECADÊNCIA. FRAUDE. O direito da Fazenda Pública de realizar o lançamento, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, está previsto no art. 150 do CTN, sendo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Se caracterizada a conduta dolosa da contribuinte, o prazo decadencial deve ser contado em conformidade com o art. 173, I, do CTN.” (CSRF, Recurso nº 147.683, PAF nº 11041.000537/200441, 1ª Turma da 4ª Câmara, Rel. Carlos Alberto Freitas Barreto, Sessão de 19/08/2009) “DECADÊNCIA. CPMF. TERMO DE INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO DE CINCO ANOS. AUTO DE INFRAÇÃO. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. CINCO ANOS CONTADOS DO FATO GERADOR. Nos termos da Súmula Vinculante 8 do Supremo Tribunal Federal, de 20/06/2008, é inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, a regra define o termo inicial de contagem do prazo decadencial para a constituição de créditos tributários e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação é a do § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, ou seja, cinco anos a contar da data do fato gerador.” (CSRF, Recurso nº 240.780, PAF nº 16327.001439/200619, 1ª Turma da 4ª Câmara, Rel. Odassi Guerzoni Filho, Sessão de 18/09/2009) Diante disso, considerando que o crédito tributário objeto do presente processo abrange o período de 10/2001 a 10/2005, e que a Recorrente obteve a ciência do lançamento apenas em 15/12/2006 (fl. 01), entendo que a decadência se operou para os períodos de 10/2001 (com pagamento parcial – fls. 04 do DAD) e 11/2001 (sem qualquer pagamento parcial – fls. 04 do DAD), posto que, conforme mencionado, a regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN está atrelada à natureza jurídica do tributo, não sendo necessário verificar a existência ou não de pagamento parcial. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de reconhecer a decadência dos créditos tributários relativos ao período de 10/2001 e 11/2001. É o Voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 173DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA 12 Voto Vencedor Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Redator Designado Com as devidas vênias, divirjo do entendimento do ilustre relator no que tange à decadência tributária e digo porquê. O lançamento em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 174DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18186.001253/200710 Acórdão n.º 240201.443 S2‐C4T2 Fl. 167 13 Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º, o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto Fl. 175DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA 14 aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) Verificase que o lançamento fiscal em tela referese a período compreendido entre 10/2001 a 10/2005 e foi efetuado em 15/12/2006, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fl. 01). Para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado no presente processo – seja o art. 173, seja o art. 150, ambos do CTN –, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência das contribuições, eis que há recolhimento parcial em algumas competências e em outras não há qualquer recolhimento. Na competência 10/2001, tratase do lançamento de diferenças de contribuições, para a qual houve recolhimentos, ainda que parcial, conforme constatação no DAD Discriminativo Analítico de Débito de fls. 04 e seguintes. Nesse sentido, aplicase o art. Fl. 176DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18186.001253/200710 Acórdão n.º 240201.443 S2‐C4T2 Fl. 168 15 150, § 4º, do CTN, para considerar que estão abrangidos pela decadência os créditos correspondentes aos fatos geradores apurados na competência 10/2001, já que a intimação do sujeito passivo ocorreu em 15/12/2006 (fl. 01). Na competência 11/2001, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a Recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento, conforme Discriminativo Analítico de Débito DAD (fls. 04 e seguintes). Nesse sentido, aplicase o art. 173, inciso I, do CTN, para considerar que a competência 11/2001 não foi abrangida pela decadência tributária. Para a competência 12/2001 e seguintes – como a ciência ao sujeito passivo ocorreu em 15/12/2006 (fl. 01), data da intimação –, é irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, haja vista que não haverá aplicação da decadência tributária por qualquer das teorias existentes – seja com fundamento no art. 173 e seus incisos, seja com fundamento no art. 150, § 4°, ambos do CTN. Logo, a Recorrente poderia ter sido autuada pelas competências 12/2001 e seguintes, pois o direito potestativo do Fisco não estava extinto pelo instituto da decadência tributária. Diante disso, acato a preliminar ora examinada, no que tange à decadência tributária, excluindo às contribuições apuradas na competência 10/2001. Quanto aos demais pontos abordados pelo ilustre Relator, no que não colidem com a motivação supramencionada, aliome às suas razões de decidir, tornandoas parte integrante deste voto. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e darlhe provimento parcial, para, nas preliminares, excluir do lançamento fiscal as contribuições apuradas na competência 10/2001, e no mérito negarlhe provimento, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 177DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 13/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 13820.000271/2003-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1995COFINS. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DO MONTANTE. UFIR APLICÁVEL.Para apuração do montante a restituir ou compensar, aplica-se a mesma Ufir diária utilizada no seu recolhimento.Recurso Voluntário NegadoVistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Numero da decisão: 3302-000.808
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DO MONTANTE. UFIR APLICÁVEL. Para apuração do montante a restituir ou compensar, aplicase a mesma Ufir diária utilizada no seu recolhimento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13820.000271/200312 Acórdão n.º 330200.808 S3C3T2 Fl. 441 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 424 a 431) apresentado em 10 de fevereiro de 2008 contra o Acórdão no 1619.390, de 11 de novembro de 2008, da 9ª Turma da DRJ São Paulo I / SP (fls. 398 a 407), cientificado em 16 de janeiro de 2009, que, relativamente a declaração de compensação de PIS dos períodos de janeiro de 1992 a dezembro de 1995, deferiu em parte a solicitação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1995 PRODUÇÃO DE PROVAS. As provas devem ser apresentadas no prazo de impugnação, não se admitindo a produção posterior de provas nos casos em que não fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, não se referir a fato ou direito superveniente ou não se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. DÉBITOS COMPENSADOS. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A manifestação de inconformidade apresentada após a MP 135 de 31/10/03 suspende a exigibilidade dos débitos compensados. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DO MONTANTE. Para apuração do montante a restituir/compensar aplicase a mesma UFIR DIÁRIA utilizada no seu recolhimento. Solicitação Deferida em Parte O pedido foi apresentado em 15 de abril de 2003 e inicialmente apreciado pelo despacho decisório de fls. fls. 263 a 267, segundo o qual “as instituições financeiras, sociedades seguradoras e outras empresas que não realizam operações de vendas de mercadorias” ficariam sujeitas ao PIS/Repique, tendo sido homologadas as compensações até o limite do crédito. A Primeira Instância assim resumiu o litígio, destacandose as razões da manifestação de inconformidade: “Trata o presente processo nº 13820.000271/200312 de Declaração de Compensação DCOMP formulada pelo contribuinte, acima identificado, protocolizada em 15/04/2003 e retificada em 19/04/2004 (fl. 140) além dos PER/DCOMP constantes no despacho decisório de fls. 263267. Estão apensados ao presente, os seguintes processos: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13820.000271/200312 Acórdão n.º 330200.808 S3C3T2 Fl. 442 3 “ nº 13820.000388/200398 DCOMP protocolado em 14/05/2003 e retificada em 19/04/2004 (fl. 20); “ nº 10880.004810/9708 referente a Ação Declaratória nº 97.00040976 que transitou em julgado em 15/06/2004, onde foi examinado o direito creditório; “ nº 13820.000608/200545 referente a habilitação ao crédito de ação judicial; “ nº 10880.721065/200843 referente à representação PER/DCOMP, nos quais este pretende compensar valores recolhidos a título de Contribuição ao PIS/PASEP apurados com base nos DecretosLei nºs 2.445/1988 e 2.449/1988, declarados inconstitucionais e na decisão proferida na Ação Declaratória acima. “2. Mediante o Despacho Decisório de fls. 263 a 267, emitido em 19/05/08 e cientificado em 26/05/2008 (AR à fl. 268verso), a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo proferiu a seguinte decisão: “‘2.1. PISREPIQUE. Devido a inconstitucionalidade dos DL nº 2.445/1988 e 2.449/1988, declarada pelo STF, e a sua suspensão pela Resolução do Senado Federal nº 49/95, voltam a ser aplicadas as disposições da LC nº 7/70 e alterações posteriores com a mesma consentânea. Ficam submetidas ao recolhimento do PIS na modalidade PISREPIQUE as instituições financeiras, sociedades seguradoras e outras empresas que não realizam operações de vendas de mercadorias. “‘2.2. COMPENSAÇÃO. A homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo à RFB será promovida pelo titular da DRF, da Derat ou da Deinf que, à data da homologação, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo.’ “2.3. Assim, as compensações efetuadas nas DCTF foram convalidadas e as Declarações de Compensação foram homologadas até o limite do direito creditório reconhecido. “3. Inconformado com a decisão, o contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade em 25/06/2008 (fls. 366 a 371) alegando: “3.1. Os débitos relativos às compensações não homologadas deverão permanecer com a exigibilidade suspensa, até a apreciação final dessa manifestação de inconformidade, nos termos do artigo 74, da Lei 9.430/96, conforme reproduzida. “3.1.1. Desta forma, uma vez que a manifestação de inconformidade enquadrase nas prescrições do artigo 151, inciso III, do CTN, forçoso concluir que os valores compensados não podem ser exigidos da Requerente, enquanto a presente manifestação não for definitivamente julgada. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13820.000271/200312 Acórdão n.º 330200.808 S3C3T2 Fl. 443 4 “3.2. Diferentemente do que adotou a RFB para apuração do crédito devido à Requerente, deve ser aplicada a UFIR mensal, e não a UFIR diária, conforme entendimento jurisprudencial reproduzido. “3.2.1. É importante frisar que a UFIR diária expressava apenas uma projeção futura com base na inflação passada, razão pela qual o correto é aplicar a UFIR mensal. “3.2.2. Adotandose a UFIR mensal, o crédito devido em favor da Requerente, em janeiro de 1.996, perfaz o montante de R$ 6.111.095,65, conforme tabela anexa. “3.2.3. Ressaltamos, inclusive, que a própria Receita Federal do Brasil, por meio do despacho decisório proferido no PA 13820.000608/200545 (doc. anexo fl. 27), deferiu o pedido de restituição de R$ 17.800.399,41 formulado pela Requerente, in verbis: “‘1. Por meio da petição de fls. 01, o contribuinte acima qualificado requer habilitação de crédito reconhecido judicialmente por sentença transitada em julgado, no valor de R$ 17.800.399,41”. “‘2. (...)” “‘3. Com base no exposto e nos termos dos parágrafos 4º e 6º do ato normativo acima citado, DEFIRO o pedido formulado’. “3.2.4. Sendo assim, não há como prevalecer o despacho decisório de fls. 263/267. “3.3. Além disso, a RFB ainda desconsiderou alguns pagamentos realizados, o que resultou na redução do crédito efetivamente devido à Requerente, conforme demonstrado na planilha apresentada. “3.3.1. Pugnase pelo reconhecimento do direito ao crédito quanto à diferença acima apontada. “3.4. Por fim, requer o recebimento e total provimento da presente manifestação de inconformidade e protesta pela posterior juntada de documentos e alegações para corroborar os argumentos jurídicos suscitados na presente.” Conforme ementa reproduzida, a DRJ reconheceu a suspensão da exigibilidade, considerando não ter havido prova quanto à alegação de pagamentos não considerados na apuração e devendo ser utilizada a Ufir diária e não a mensal. No recurso, a Interessada alegou que deveria ser aplicado o “Provimento no 24/97” e ser adotada a Ufir mensal, “porque, a UFIR mensal é o índice utilizado pelo Provimento 24/97, que é o critério definido na decisão judicial passada ,em julgado.” Acrescentou que, “Na realidade, a necessidade de observância do Provimento 24/97 foi reconhecida pela RFB (fls. 212) num primeiro momento, mas desconsiderada por ocasião da apuração do quantum debeatur [...]” Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13820.000271/200312 Acórdão n.º 330200.808 S3C3T2 Fl. 444 5 Citou, na sequência, entendimentos da doutrina e jurisprudência sobre a matéria. Nada mencionou sobre eventuais pagamentos desconsiderados na apuração. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. A única matéria em discussão no recurso é a Ufir que deve ser utilizada para os cálculos (Ufir diária ou mensal). A Interessada pretendeu a adoção da Ufir do mês do pagamento indevido, enquanto que a autoridade de origem adotou a Ufir diária do primeiro dia do mês subsequente ao recolhimento. Segundo a Interessada, a Ufir mensal deveria ser aplicada à vista do Provimento no 24, de 1997, da Corregedoria Geral de Justiça Federal da 3ª Região e de, no processo de habilitação de crédito, haver sido reconhecida a sua aplicação. De acordo com a fl. 91, foi determinada a aplicação do Provimento no 24, de 1997, até 1º de janeiro de 1996. Entretanto, a primeira instância decidiu o seguinte: 9.3. Essa lei que surtiu efeitos a partir de janeiro de 1992, regia a atualização das contribuições sociais, detalhando no art. 53, como e quando o valor devido da contribuição seria convertido em UFIR: “Art. 53 Os tributos e contribuições relacionados a seguir serão convertidos em quantidade de UFIR diária pelo valor desta “(...) “IV contribuições para FINSOCIAL, PIS/PASEP e sobre o Açúcar e o Álcool, no primeiro dia do mês subseqüente ao de ocorrência dos fatos geradores;” (negritouse) 9.4. E o prazo de recolhimento foi definido pelo art. 52 da mesma lei: “Art. 52 Em relação aos fatos geradores que vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1992, os pagamentos dos tributos e contribuições relacionados a seguir deverão ser efetuados nos seguintes prazos: “(...) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13820.000271/200312 Acórdão n.º 330200.808 S3C3T2 Fl. 445 6 “IV contribuições para o FINSOCIAL, o PIS/PASEP e sobre o Açúcar e o Álcool, até o dia 20 do mês subseqüente ao de ocorrência dos fatos geradores;” (negritouse) 9.5. Observase ainda que os arts. 52 e 53 da Lei nº 8.383/91, obrigava o contribuinte de PIS a transformar em UFIR o valor devido de PIS pelo valor da UFIR DIÁRIA do primeiro dia do mês seguinte ao fato gerador e recolhêlo ate o dia 20 desse mesmo mês aplicandose a UFIR DIÁRIA desse dia. 9.6. Para apurar o valor a restituir, deve ser aplicado a mesma regra acima, no sentido contrário, isto é, o valor recolhido indevidamente deverá ser dividido pela UFIR DIÁRIA da data do seu recolhimento, apurandose então a quantidade de UFIR. A quantidade de UFIR apurada deverá ser multiplicada pelo valor da UFIR de R$ 0,8287, apurandose o valor recolhido indevidamente, atualizado até 01/01/1996 conforme determina o art. 52 da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, in verbis: “Art. 52. Os valores sujeitos a restituição, apurados em declaração de rendimentos, bem como os créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior, passíveis de compensação ou restituição, apurados anteriormente a 1º de janeiro de 1996, quantificados em Unidade Fiscal de Referência (Ufir), deverão ser convertidos em Reais, com base no valor da Ufir vigente em 1º de janeiro de 1996, correspondente a R$ 0,8287.” 9.7. Assim, fica afastada a alegação de que deveria ser utilizada a UFIR MENSAL. 10. No tocante a alegação de que “a própria Receita Federal do Brasil, por meio do despacho decisório proferido no PA 13820.000608/200545 (doc. anexo), deferiu o pedido de restituição de R$ 17.800.399,41 formulado pela Requerente”, dispõe o § 6º do artigo 3º da IN SRF 517, de 25 de fevereiro de 2005, in verbis: “Instrução Normativa SRF nº 517, de 25 de fevereiro de 2005: “Art. 3º Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP 1.6, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. “§ 1º (...) “§ 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento” (negritouse) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13820.000271/200312 Acórdão n.º 330200.808 S3C3T2 Fl. 446 7 10.1. Portanto, prevalece o provimento do despacho decisório de fls. 263267. O citado provimento tem o seguinte teor (http : // www . trf3 . jus . br / NXT / gateway.dll?f=templates&fn=default.htm&vid=trf3_atos:trf3_atosv): DISPÕE SOBRE PROCEDIMENTOS PARA CONFERÊNCIA E ELABORAÇÃO DE CÁLCULOS DE LIQUIDAÇÃO, NO ÂMBITO DA JUSTIÇA FEDERAL DA 3ª REGIÃO. O CorregedorGeral da Justiça Federal da 3ª Região, no uso de suas atribuições legais e , CONSIDERANDO a necessidade de orientar os Srs. Contadores da Justiça Federal da 3ª Região , tendo em vista a aprovação do MANUAL DE ORIENTAÇÃO DE PROCEDIMENTOS PARA OS CÁLCULOS NA JUSTIÇA FEDERAL, bem como a jurisprudência dominante relativa à aplicação dos índices integrais de inflação na atualização monetária das diversas espécies de créditos cobrados judicialmente, CONSIDERANDO que a edição de tabelas e a criação de programas de informática, em função de tais fatores, agilizará a conferência e elaboração dos cálculos de liquidação, RESOLVE I Adotar, no âmbito da Justiça Federal da 3ª Região, os critérios fixados no Manual de Cálculos aprovado, em 17 de fevereiro de 1997, pelo E. Conselho da Justiça Federal, a fim de que sejam elaboradas tabelas e criados programas de informática, com base em tais critérios e na jurisprudência relativa aos diversos expurgos inflacionários, para conferência e elaboração de cálculos de liquidação em execuções fiscais, ações que versem sobre benefícios previdenciários, ações condenatórias em geral e desapropriações , na forma do Anexo que integra o presente Provimento. II Aprovar as Tabelas de Índices de Correção Monetária elaboradas pela Diretoria do Foro da SJ/SP, por meio da Supervisão de Cálculos do Foro Pedro Lessa, em função dos parâmetros fixados no supra referido Anexo, bem como os respectivos programas de informática já desenvolvidos, sendo que tais Tabelas serão distribuídas, com os correspondentes roteiros de aplicação, às demais Supervisões de Cálculos da Justiça Federal da 3ª Região, atualizadas mensalmente. III Estabelecer que os critérios ora definidos e índices relativos aos expurgos inflacionários serão aplicados na forma do presente Provimento, inclusive no que tange aos cálculos pendentes de conferência junto às Contadorias desta 3ª Região, cabendo à Diretoria do Foro providenciar o equipamento de informática necessário para que todos os cálculos sejam elaborados via terminal ou microcomputador. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13820.000271/200312 Acórdão n.º 330200.808 S3C3T2 Fl. 447 8 Este Provimento entra em vigor na data de sua publicação, ficando revogadas as disposições em contrário. Os casos não abrangidos no presente Provimento deverão ser submetidos a esta CorregedoriaGeral para apreciação e deliberação. Registrese. Publiquese. Cumprase. JUIZ JOSÉ KALLÁS CORREGEDORGERAL DA JUSTIÇA FEDERAL DA 3ª REGIÃO ANEXO DO PROVIMENTO Nº 24/97 CONSIDERAÇÕES GERAIS A atualização monetária dos créditos em execução judicial é normalmente efetuada em função de critérios estabelecidos na legislação pertinente, a qual varia em função da natureza do crédito em cobrança, como, por exemplo, no caso do crédito tributário e créditos decorrentes de benefícios previdenciários em que se constata a existência de leis específicas disciplinando a atualização de cada um destes créditos não satisfeitos oportunamente pelo devedor. Todavia, a jurisprudência de nossos Tribunais está se firmando no sentido de que determinados créditos devem ser corrigidos por índices que melhor reflitam a variação da inflação, como no caso de créditos decorrentes de indenização por desapropriação, ante o princípio constitucional da justa indenização. Assim, considerandose a legislação que disciplina cada espécie de crédito e a respectiva jurisprudência, foram elaboradas as seguintes tabelas de índices de correção monetária: 1) para atualização de débitos em Execução Fiscal; 2) para atualização de débitos relativos a benefícios previdenciários; 3) para a atualização de débitos decorrentes de condenações em geral; 4) para atualização de débitos decorrentes de desapropriações. Os programas de cálculos serão efetuados com base em tais tabelas, mas de forma que comportem alterações quando houver determinação judicial em outro sentido. I DOS CÁLCULOS DE LIQUIDAÇÃO NAS EXECUÇÕES FISCAIS. a) CORREÇÃO MONETÁRIA Na atualização monetária dos débitos em Execução Fiscal serão levados em consideração os seguintes indexadores: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13820.000271/200312 Acórdão n.º 330200.808 S3C3T2 Fl. 448 9 de 1964 a fev/86 ORTN (Lei nº 4357/64) de mar/86 a jan/89 OTN(DL 2284/86), observandose que os débitos anteriores a 16/jan/89 deverão ser multiplicados, neste mês, por 6,17. OBS: de abril/86 a fev/87, OTN "prorata". de fev/89 a fev/91 BTN(Lei nº7730/89), observandose que o último BTN correspondeu a Cr$126,8621. de 01.02.91 a 31.12.91 não há incidência de correção monetária, mas em tal período incidem juros de mora equivalentes à TRD, nos termos do art. 30, da Lei 8.218/91. a partir de 01.01.92 UFIR (Lei nº 8.383/91), voltando os juros de mora a serem calculados à taxa de 1% ao mês. b) JUROS DE MORA E MULTA Observar a legislação pertinente. c) HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS Nas Execuções Fiscais ajuizadas pela Fazenda Nacional, bem como nos seus respectivos Embargos, não são arbitrados honorários advocatícios, uma vez que o encargo previsto no art. 1º do DL 1025/69 substitui tal verba (Súmula 168 do extinto E. TFR), nas demais Execuções Fiscais deverá ser observado o valor arbitrado judicialmente. d) CUSTAS E DESPESAS PROCESSUAIS As custas processuais são calculadas integralmente por ocasião da elaboração da conta de liquidação, na forma da Tabela I, "a", da Lei nº 9289/96, deduzindose eventuais recolhimentos de custas já efetuados. Atualmente os Embargos à Execução não estão sujeitos ao pagamento das custas iniciais e da apelação ou Embargos Infringentes(art. 7º da Lei nº 9289/96 e Resolução nº 184/97 do E. Conselho da Justiça Federal). As despesas processuais serão incluídas no cálculo em função dos valores arbitrados pelo Juiz (perícias, traduções etc.), no caso de publicações e serviços postais será considerado o valor correspondente ao cobrado pelo órgão que efetuou a publicação e pela Empresa de Correios e Telégrafos ECT, respectivamente, sendo todos os valores devidamente atualizados. OBS Os débitos relativos ao FGTS são cobrados atualmente pela Fazenda Nacional em convênio com a CEF, sendo que para atualização monetária de tais débitos devem ser observados os critérios estabelecidos no Edital publicado mensalmente no DOU, a disposição na Supervisão de Cálculos do Foro das Execuções Fiscais da SJ/SP. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13820.000271/200312 Acórdão n.º 330200.808 S3C3T2 Fl. 449 10 II DOS CÁLCULOS DE LIQUIDAÇÃO NOS PROCESSOS DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS a) CORREÇÃO MONETÁRIA Na atualização monetária dos créditos decorrentes de benefícios previdenciários serão observados os seguintes critérios: Súmula 71 TFR : é aplicada apenas quando houver decisão judicial nesse sentido, corrigindose as prestações anteriores ao ajuizamento da ação, desde as datas dos respectivos vencimentos, com base na variação do salário mínimo, até o ajuizamento da ação, adotandose, a partir de então, os seguintes indexadores: de 1964 a fev/86 ORTN(Lei nº 4357/64) de mar/86 a jan/89 OTN(DL 2284/86), observandose que os débitos anteriores a 16/JAN/89 deverão ser multiplicados neste mês por 6,17. OBS: de abril/86 a fev/87, OTN "prorata". de fev/89 a fev/91 BTN (Lei nº 7730/89), observandose que o último BTN correspondeu a Cr$126,8621. de mar/91 a dez/92 INPC (art. 41 parágrafo 7º, Lei 8.213/91) de jan/93 a fev/94 IRSM (Lei 8.542, de 23.12.92, art. 9º, parágrafo 2º) de 01.03.94 a 30.06.94 conversão em URV (MP 434/94, Lei 8.880., de 27.5.94 art. 20, parágrafo 5º) de 01.07.94 a 30.06.95 IPCr (Lei 8.880, de 27.5.94, art. 20, parágrafo 6º) de 01.07.95 a 30.04.96 INPC (MP 1.053, de 30.6.95) de maio/96 em diante IGPDI (MP 1.488/96). Nota 1 Nos meses de janeiro de 1989 e março de 1990 será considerado o IPC integral de 42,72% e 84,32%, respectivamente, conforme entendimento jurisprudencial dominante. Nota 2 As prestações vencidas, ainda que anteriores ao ajuizamento da ação, serão atualizadas monetariamente a partir do mês da respectiva competência até o mês da elaboração da conta, em função dos indexadores supra mencionados( "A jurisprudência de nossos pretórios e em especial a do antigo TFR(Súmula 71) já admitia , bem antes do advento da Lei nº 6899/81(art. 1º) a correção monetária das dívidas de valor, ainda que ilíquidas, a contar de quando devidas. A Lei nº 6899/81, na trilha dessa jurisprudência, apenas veio consolidar a correção monetária das dívidas de valor e admitir, por questão de justiça, também a correção monetária das dívidas de Fl. 10DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13820.000271/200312 Acórdão n.º 330200.808 S3C3T2 Fl. 450 11 dinheiro(REspe 474205/SP DJ de 13.02.95 pág. 2249) . Verificase esta mesma interpretação nos Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 68.662/SP (Registro nº 96/00243956) Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro Cid Flaquer Scartezzini ("in" D.J.U. de 04.11.96, Seção I, pág. 42.425) Nota 3 O art. 18 da Lei nº 8870/94 não estabelece a UFIR como indexador de prestações relativas a benefícios previdenciários, pois tal dispositivo legal determina apenas a conversão do saldo apurado em UFIR, procedimento, aliás, questionável no caso de expedição de precatório. b) JUROS DE MORA: 6% ao ano ou 0,5% ao mês, contados a partir do mês em que ocorreu a citação até o mês em que a conta for elaborada, salvo determinação judicial em outro sentido (arts. 1.536, parágrafo 2º, 1.062, 1.063, 1.064, todos do Código Civil e Súmula nº 254/STF). Tais juros incidem também sobre a soma das prestações(atualizadas) devidas até a citação, embora sejam contados somente a partir de tal ato processual. c) HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS, CUSTAS E DESPESAS PROCESSUAIS Observar o estabelecido na sentença ou acórdão e o disposto na alínea "d" do item I retro, no que couber. III DOS CÁLCULOS DE LIQUIDAÇÃO NAS AÇÕES CONDENATÓRIAS EM GERAL, INCLUSIVE REPETIÇÃO DE INDÉBITO a) CORREÇÃO MONETÁRIA Na atualização monetária dos créditos decorrentes de sentenças condenatórias em geral serão observados os seguintes critérios: de 1964 a fev/86 ORTN(Lei nº 4357/64) de mar/86 a jan/89 OTN(DL 2284/86), observandose que os débitos anteriores a 16/jan/89 deverão ser multiplicados, neste mês, por 6,17. OBS: de abril/86 a fev/87 OTN "prorata". de fev/89 a fev/91 BTN(Lei nº 7730/89), observandose que o último BTN correspondeu a Cr$126,8621. de mar/91 a dez/91 INPC(IBGE), uma vez que a TR (Lei 8.177, de 01.3.91), foi considerada inconstitucional pelo STF como critério de correção monetária, conforme ADIN nº 493/DF (RTJ 143); a partir de jan/92 UFIR (Lei 8383/91). Nos meses de janeiro de 1989 e março de 1990 será utilizado o IPC integral de 42,72% e 84,32%, respectivamente , com a exclusão dos índices oficiais de inflação em tais meses. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13820.000271/200312 Acórdão n.º 330200.808 S3C3T2 Fl. 451 12 b) JUROS DE MORA: 6% ao ano ou 0,5 ao mês, contados a partir do mês da citação até o mês da elaboração da conta, salvo determinação judicial em outro sentido (Arts. 1.536, parágrafo 2º, 1.062, 1.063, 1.064, todos do Código Civil e Súmula nº 254/STF). Nas ações de Repetição de Indébito os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês e incidem a partir do trânsito em julgado(art. 161 e 167 do CTN). c) CUSTAS, DESPESAS PROCESSUAIS E HONORÁRIOS ADVOCATICÍOS observar o estabelecido na sentença ou acórdão e o disposto na alínea "d" do item I retro, no que couber. IV DOS CÁLCULOS DE LIQUIDAÇÃO NAS AÇÕES DE DESAPROPRIAÇÃO a) CORREÇÃO MONETÁRIA Os indexadores utilizados na atualização monetária das indenizações decorrentes de desapropriação direta ou indireta são os mesmos mencionados no item anterior, inclusive no que tange à OTN "prorata", todavia, ante o principio constitucional da justa indenização, serão observados os seguintes índices integrais de inflação: janeiro de 1989 42,72%; março de 1990 84,32%; abril/90 44,80%; maio/90 7,87% e fevereiro de 1991 21,87%, com a exclusão dos índices oficiais de inflação em tais meses. b) JUROS COMPENSATÓRIOS 12% ao ano, contados a partir da da imissão na posse, incidindo sobre o valor atualizado da indenização, na conformidade das Súmulas: 110TFR, 12STJ, 69STJ e 113STJ, salvo determinação judicial em outro sentido. c) JUROS MORATÓRIOS 6% ao ano, contados a partir da data do trânsito em julgado da sentença e incidente sobre o valor atualizado da condenação, na conformidade das seguintes Súmulas: 70TFR, 70STJ e 254 STF. d) HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS Para o cálculo dos honorários advocatícios devese aplicar o comando emergente das Súmulas 141TFR, 141STJ e 617STF, ou seja, serão calculados sobre a diferença da oferta e do valor da indenização, ambos atualizados monetariamente. Nota Os critérios acima referidos somente prevalecem se não houver determinação em outro sentido na sentença ou acórdão, tendo em vista o disposto no art. 610 do CPC. e) CUSTAS E DESPESAS PROCESSUAIS Fl. 12DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13820.000271/200312 Acórdão n.º 330200.808 S3C3T2 Fl. 452 13 observar o estabelecido na sentença ou acórdão e a alínea "d" do Item I retro, no que couber. O provimento, como se verifica de sua análise, nunca especifica que deva ser utilizada a Ufir mensal, sendo inaplicáveis, da pretensa forma automática defendida pela Interessada, os entendimentos adotados em outras decisões judiciais, cujos efeitos não ultrapassam as suas partes. Portanto, o mencionado provimento, ao contrário do afirmado pela Interessada, não dispõe que deva ser utilizada a Ufir mensal na reconversão para apuração do montante a ser restituído e, tendo a lei adotado o critério muito claro da Ufir diária, é esse o índice que deve ser empregado. De fato, a regra vigente à época dizia que o tributo apurado no mês seria convertido em Ufir pela Ufir diária do primeiro dia do mês seguinte e reconvertido em moeda pela Ufir do dia do pagamento. Notese que a medida favorecia o contribuinte, uma vez que a adoção da Ufir do mês de referência implicaria a apuração de um valor maior em quantidade de Ufir. Para efeito da restituição, obviamente, bastaria que se convertesse o valor à Ufir do dia do pagamento, de forma que, assim, o contribuinte receberia, em Ufir, exatamente o mesmo valor que teria pago. Adotar a Ufir do mês anterior implicaria a apuração de um valor maior em Ufir, o que não se justifica. Se, para efeito da apuração do valor a pagar a lei não adotou esse critério, exatamente para beneficiar o contribuinte, não faz sentido, na restituição, adotar injustificadamente um critério que prejudique o Fisco. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Fl. 13DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 35379.000117/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/12/2005
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.
Tendo-se em conta a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2401-001.503
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado da segunda seção de julgamento, Por
unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de
1996, deduzidos os valores levantados a título de multa na NFLD correlata.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo-se em conta a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado da segunda seção de julgamento, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa na NFLD correlata. ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO - Relator Participaram, do presente julgamento, o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 08/12/2010 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Relatório Trata-se do Auto de Infração – AI n.º 35.736.259-4, com lavratura em 18/04/2006, posteriormente cadastrado na RFB sob o número de processo constante no cabeçalho. A penalidade aplicada foi de R$ 35.294,77 (trinta e cinco mil, duzentos e noventa quatro reais e setenta e sete centavos). De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 04, a empresa, apresentou a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, deixando de declarar, no período de 03/2001 a 12/2005, os valores correspondentes as faturas de prestação de serviços emitidas por cooperativas de trabalhos médicos e odontológicos. A autuada apresentou impugnação, fls. 18/24, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instância que declarou procedente a autuação, fls. 37/46. Não se conformando, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 49/55, no qual alega, em síntese que é ilegal a aplicação de penalidade fixada com base em ato do Poder Executivo, posto que resta ferido o princípio tributário da legalidade. O órgão de primeira instância apresentou contra-razões, fls. 67/68, pugnando pelo desprovimento do recurso. A 1.ª Turma de Julgamento da 4.ª Câmara da Segunda Seção do CARF determinou a realização de diligência fiscal, fls. 69/71, para que o órgão preparador informasse se havia notificação fiscal correlata ao presente AI. Em resposta à diligência, informa-se, fl. 79, a existência da NFLD n. 35.726.260-8 (Processo n. 35379.000119/2007-53) com despacho do CARF negando seguimento a Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 08/12/2010 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 35379.000117/2007-64 Acórdão n.º 2401-01.503 S2-C4T1 Fl. 81 3 Voto Conselheiro KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade, além de que a recorrente possuía decisão judicial garantindo o seguimento do recurso independentemente de depósito prévio. A única alegação aventada no recurso diz respeito a inconstitucionalidade da multa fixada com base no Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/1999, sob o fundamento de que, sendo esse ato do Poder Executivo, haveria ofensa ao princípio da estrita legalidade aplicável ao Direito Tributário. Não posso dar razão à recorrente, posto que a multa foi aplicada em obediência ao revogado § 5. do art. 32 da Lei n. 8.212/1991, verbis: Art. 32. (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (...) Assim, o argumento lançado improcede, posto que a multa foi aplicada nos termos de dispositivo de Lei vigente na data da autuação. No entanto, ha um reparo a ser feito quanto esse aspecto. É que ocorreu alteração do cálculo da multa para esse tipo de infração pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, que inseriu o art. 35-A na Lei n. 8.212/1991, prevendo para os casos de lançamento de ofício a aplicação do art. 44 da Lei n. 9.430/1996. Conforme esse ditame normativo, não pode haver cumulação da multa de ofício aplicada no lançamento da obrigação principal com a multa decorrente do inadimplemento de obrigação acessória Assim, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual é mais benéfico ao contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN 1 . 1 Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 08/12/2010 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 Deve-se, então, calcular, competência a competência, a multa nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% da contribuição não declarada), deduzidas as multas aplicadas na NFLD correlata, a qual resulta em valor mais benéfico ao contribuinte. Diante do exposto voto pelo provimento parcial do recurso para que se aplique a multa mais favorável ao contribuinte calculada de acordo com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, deduzida a multa moratória aplicada na NFLD correlata. Sala das Sessões, em 1 de dezembro de 2010 KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 08/12/2010 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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