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Numero do processo: 15983.000110/2009-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS OU
DOCUMENTOS. NÃO ATENDIMENTO DAS FORMALIDADES
LEGAIS. INFORMAÇÃO DIVERSAS DA REALIDADE.
Constitui infração deixar a empresa de apresentar documentos solicitados
pela auditoria fiscal e relacionados com as contribuições previdenciárias ou
apresentálos
sem atendimento às formalidades legais exigidas.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara
e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta
de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo
descumprimento de obrigação acessória.
SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIZAÇÃO. PESSOA JURÍDICA.
Sujeito Passivo da obrigação principal é a pessoa que, vista da lei, tem o
dever legal de efetuar o pagamento da obrigação tributária.
LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
INOCORRÊNCIA.
Não enseja nulidade do lançamento a lavratura do Auto de Infração fora do
estabelecimento do contribuinte. O local da verificação da falta está
vinculado à jurisdição e competência da autoridade, sendo irrelevante o local
físico da lavratura do auto de infração.
DOLO OU CULPA. ASPECTOS SUBJETIVOS. NÃO ANALISADOS.
Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da
legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da
efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador,
cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos
moldes da legislação em vigor.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.216
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. NÃO ATENDIMENTO DAS FORMALIDADES LEGAIS. INFORMAÇÃO DIVERSAS DA REALIDADE. Constitui infração deixar a empresa de apresentar documentos solicitados pela auditoria fiscal e relacionados com as contribuições previdenciárias ou apresentálos sem atendimento às formalidades legais exigidas. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIZAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. Sujeito Passivo da obrigação principal é a pessoa que, vista da lei, tem o dever legal de efetuar o pagamento da obrigação tributária. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não enseja nulidade do lançamento a lavratura do Auto de Infração fora do estabelecimento do contribuinte. O local da verificação da falta está vinculado à jurisdição e competência da autoridade, sendo irrelevante o local físico da lavratura do auto de infração. DOLO OU CULPA. ASPECTOS SUBJETIVOS. NÃO ANALISADOS. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Negado.
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NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. NÃO ATENDIMENTO DAS FORMALIDADES LEGAIS. INFORMAÇÃO DIVERSAS DA REALIDADE. Constitui infração deixar a empresa de apresentar documentos solicitados pela auditoria fiscal e relacionados com as contribuições previdenciárias ou apresentálos sem atendimento às formalidades legais exigidas. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIZAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. Sujeito Passivo da obrigação principal é a pessoa que, vista da lei, tem o dever legal de efetuar o pagamento da obrigação tributária. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não enseja nulidade do lançamento a lavratura do Auto de Infração fora do estabelecimento do contribuinte. O local da verificação da falta está vinculado à jurisdição e competência da autoridade, sendo irrelevante o local físico da lavratura do auto de infração. DOLO OU CULPA. ASPECTOS SUBJETIVOS. NÃO ANALISADOS. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 90DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Walter Murilo Melo de Andrade. Ausente o Conselheiro Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 91DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000110/200979 Acórdão n.º 240202.216 S2C4T2 Fl. 85 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 33, §§ 2° e 3°, da Lei no 8.212/1991, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei no 8.212/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 06/07) – embora formalmente solicitados por meio do Termo de Início da Ação Fiscal (TIAF) e do Termo de Intimação Fiscal (TIF), fls. 09/15 –, a empresa não apresentou à Fiscalização os seguintes documentos: 1. as folhas de pagamento referentes aos valores pagos a título de retirada pro labore do sócio, Sr. Paulo Sérgio Cardoso, ano calendário 2004, conforme consta da DIPJ; 2. Livro Caixa referente ao ano 2004; 3. Contratos de prestação de serviços celebrados com as empresas tomadoras de serviços de cessão de mão de obra ano 2004. 4. Contratos de empreitadas ou subempreitadas de obras de construção civil. Não constam outras autuações lavradas contra a empresa em ações fiscais anteriores, bem como não ocorreram circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto no 3.048/1999. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 08) informa que foi aplicada a multa prevista nos arts. 92 e 102, ambos da Lei no 8.212/1991, c/c art. 283, inciso II, alínea “j”, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, no valor atualizado por meio da Portaria MPS n° 142, de 11/04/2007. O valor da multa aplicada foi de R$13.291,66 (treze mil duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos), atualizada pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 48 de 12 de Fevereiro de 2009, publicada em 13/02/09 no Diário Oficial da União. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 03/03/2009 (fl. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 21/39) – acompanhada de anexos de fls. 40/47 –, alegando, em síntese, que: 1. o auto de infração foi lavrado sem estar consubstanciado em provas incontroversas de que a impugnante tenha realmente cometido as Fl. 92DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 infrações elencadas pelo Fisco, somente em observância a uma presunção e alegações; 2. o auto de infração não demonstra entendimento certo, detalhado e explícito do Fisco a demonstrar de onde provém seu intento e a forma pela qual chegou a valor tão expressivo, onde não consta o demonstrativo anexo de onde originaram os números, sendo impossível chegar a uma conclusão lógica; 3. é legitimo a responder a demanda a pessoa física de Paulo Sérgio Cardoso, sendo totalmente infundada a intimação da impugnante na pessoa deste como seu sócio, sem que tenha sido declarado como responsável solidário. A impugnante como pessoa jurídica não pratica nenhum ato a ensejar sua legitimidade para figurar no pólo passivo da demanda, vez que todos os atos que “pratica” são de inteira responsabilidade de seu responsável. Nesse passo, figurase como correto a lavratura da autuação na pessoa física do sócio, o Sr. Paulo Sérgio Cardoso. Apresenta como fundamento a embasar a sua assertiva os artigos 121 e 134, VII, ambos do CTN; 4. deve ser declarada a nulidade da autuação, posto que a lavratura desta se deu em local diverso do domicílio da autuada, restando infringido o artigo 10 do Decreto n.° 70.235/72, sendo que não cabe ao Fisco inovar ou alterar a Lei, mas tão somente cumprila; 5. em nenhum momento o Fisco determinou o ilícito cometido pela empresa, vez que a prova que se utiliza para imputar a ela (aferição indireta) foi consubstanciada na falta de apresentação de alguns documento, ou seja, são provas frágeis; 6. requer que o valor arbitrado seja minorado e recalculado por expert, ao passo que excessivo, por não haver a prática de qualquer irregularidade e ser medida de justiça. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo II/SP – por meio do Acórdão no 1732.817 da 8a Turma da DRJ/SPOII (fls. 50/59) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário (fls. 63/75), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Santos/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 82/83). É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000110/200979 Acórdão n.º 240202.216 S2C4T2 Fl. 86 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo (fls. 62/63) e não há óbice ao seu conhecimento. O presente lançamento fiscal decorre do fato de que a Recorrente não exibiu ao Fisco, para o período de 01/2004 a 12/2004, os seguintes documentos: (i) as folhas de pagamento referentes aos valores pagos a título de retirada pro labore do sócio, Sr. Paulo Sérgio Cardoso; (ii) o Livro Caixa referente ao ano 2004; (iii) os Contratos de prestação de serviços celebrados com as empresas tomadoras de serviços de cessão de mão de obra ano 2004; e (iv) os Contratos de empreitadas ou subempreitadas de obras de construção civil. DAS PRELIMINARES: A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador, que é o descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme ficou nitidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Infração (fls. 06/08). Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/19) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN, o art. 37 da Lei n.° 8.212/1991 e o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da multa aplicada; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei no 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei n° 8.212/1991: Fl. 94DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Além disso – no Termo de Início da Ação FiscalTIAF (fls. 09/11), no Termo de Intimação FiscalTIF (fls. 14/15) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF (fls. 16/17) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador da obrigação tributária acessória e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 06/08. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da multa aplicada, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/19) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. A Recorrente argumentas que seria ilegal o presente auto de infração pelo fato deste ter sido lavrado fora do seu estabelecimento comercial. Tal argumentação não será acatada, eis que não enseja nulidade do lançamento a lavratura do Auto de Infração fora do estabelecimento do contribuinte. O local da verificação da falta está vinculado à circunscrição administrativa e à competência da autoridade, sendo irrelevante o local físico da lavratura do auto. O certo é que a verificação ocorre em qualquer local onde o Fisco realize seu trabalho, como por exemplo, dentro da repartição. Isso está em consonância com a jurisprudência administrativa deste Conselho no sentido de serem válidos os lançamentos, mesmo quando o Auto de Infração (ou Fl. 95DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000110/200979 Acórdão n.º 240202.216 S2C4T2 Fl. 87 7 Notificação) é lavrado fora do estabelecimento do sujeito passivo, conforme Enunciado no 6 de Súmula do CARF (Portaria MF no 383, DOU de 14/07/2010). Súmula CARF no 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Ainda em sede de preliminar, a Recorrente alega que haveria ilegitimidade de parte, pois ela não pode figurar no polo passivo da demanda, tendo o presente Auto de Infração indicação errônea quanto a parte que deva figurar como sujeito passivo, não sendo medida de direito a mantença da Recorrente, pessoa jurídica que é, como responsável pelo valor cobrado. Cumpre esclarecer que a responsabilidade tributária é decorrente do art. 121 do CTN. Este artigo define a sujeição passiva referente à obrigação tributária de forma dual: (i) contribuinte, consiste naquele que praticou a ação descrita como núcleo do fato gerador, a quem pode ser imputada a autoria do fato imponível, que é o caso do presente processo; e (ii) responsável, consiste em um sucessor ou um terceiro vinculado ao fato gerador, respondendo solidária, subsidiária ou substitutivamente pela cobrança do tributo. Lei no 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa em lei. Verificase que as contribuições sociais lançadas no presente processo decorrem da relação pessoal e direta da Recorrente com a situação concreta do fato gerador, que é a contratação de segurados para execução de atividades de seu objeto contratual: prestação de serviços auxiliares da construção; manutenção; conservação e limpeza de prédios. Dentro desse contexto, é bom esclarecer que não há imputação de responsabilidade solidária ao Sr. Paulo Sérgio Cardoso, pois este encontrase apenas arrolado no Relatório de Representantes Legais (REPLEG) e de Vínculos (fls. 04/05). Os valores apurados neste processo foram lançados unicamente contra a pessoa jurídica: Alicerce Reformas e Prestação de Serviços em Geral Ltda (Recorrente). Com isso, correta a intimação efetuada na pessoa jurídica por intermédio de seu representante. O representante legal do autuado não integra o polo passivo deste auto de infração. Na verdade, os anexos "REPLEG" e "VÍNCULOS" servem apenas como subsídios Fazenda Nacional para o caso de haver, futuramente, a constatação de motivos que tornem necessário (e juridicamente possível) o redirecionamento de eventual execução judicial do crédito previdenciário. Fl. 96DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Diante disso, rejeito as preliminares ora examinadas, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória. Verificase que a Recorrente, para as competências 01/2004 a 12/2004, deixou de apresentar integralmente os seguintes documentos contábeis: (i) as folhas de pagamento referentes aos valores pagos a título de retirada pro labore do sócio, Sr. Paulo Sérgio Cardoso; (ii) o Livro Caixa referente ao ano 2004; (iii) os Contratos de prestação de serviços celebrados com as empresas tomadoras de serviços de cessão de mão de obra ano 2004; e (iv) os Contratos de empreitadas ou subempreitadas de obras de construção civil. Com essa conduta a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 33, §§ 2o e 3o, da Lei n° 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g.n.) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Esse art. 33, §§ 2o e 3o, da Lei no 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, conforme dispõe em seu art. 232 e art. 233, parágrafo único: Do Exame da Contabilidade (Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999) Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação Fl. 97DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000110/200979 Acórdão n.º 240202.216 S2C4T2 Fl. 88 9 judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira.(g.n.) Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, percebe se, então, que a Recorrente – ao não apresentar ao Fisco integralmente as folhas de pagamento, o Livro Caixa referente ao ano 2004, os Contratos de prestação de serviços celebrados com as empresas tomadoras de serviços de cessão de mão de obra e os Contratos de empreitadas ou subempreitadas de obras de construção civil – incorreu na infração disposta no art. 33, §§ 2o e 3o, da Lei n° 8.212/1991, c/c os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Frisamos que há o entendimento legal de que a empresa deverá conservar e guardar os livros obrigatórios e a documentação, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência, no tocante aos atos neles consignados, nos termos do parágrafo único do art. 195 do CTN e do art. 1.194 do Código Civil CC (Lei no 10.406/2002), transcritos abaixo: Código Tributário Nacional (CTN) – Lei no 5.172/1966 Art. 195. (...) Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se referirem. Código Civil (CC) – Lei no 10.406/2002 Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. É importante frisar que a infração ora analisada não depende da ocorrência de dolo ou culpa do contribuinte, ao contrário do que entende a Recorrente. Fl. 98DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Não cogitou o legislador sobre o elemento volitivo que a originou. A obrigação da empresa é exibir os documentos relacionados com as contribuições para a Seguridade Social no prazo estabelecido do TIF, não cabendo ao fisco analisar os motivos subjetivos da não apresentação dos mesmos. Vale mencionar que o art. 136 do CTN, ao eleger como regra a responsabilidade objetiva, isenta a autoridade fiscal de buscar as provas da intenção do infrator, conforme transcrito abaixo: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (g.n.) Logo, não procede a alegação da Recorrente, eis que ela não apresentou ao Fisco as folhas de pagamento, Livro Caixa, nem os contratos de prestação de serviços celebrados com as empresas tomadoras de serviços de cessão de mão de obra e os contratos de empreitadas ou subempreitadas de obras de construção civil, para as competências 01/2004 a 12/2004. Ainda dentro do aspecto meritório, a Recorrente alega que a multa aplicada, ante a sua desproporcionalidade e não razoabilidade, é confiscatória e inconstitucional. Informamos que tal alegação não compete a este foro a discussão sobre a matéria, dado que a Administração Pública é compelida a aplicar a penalidade nos moldes fixados na legislação de regência, o que foi observado no caso ora analisado, não se configurando, assim, o alegado excesso de exação, porque o Fisco agiu no estrito cumprimento do dever legal. Ademais, frisese que a análise da alegação retromencionada seria incabível na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade, ou ilegalidade, vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei n° 8.212/1991 e demais disposições da legislação vigente aplicadas ao lançamento fiscal ora analisado. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art. 52, X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2, Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/10/2010, transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: Fl. 99DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000110/200979 Acórdão n.º 240202.216 S2C4T2 Fl. 89 11 (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, conforme prevê o art. 33, §§ 2° e 3°, da Lei n° 8.212/1991, já que se trata de uma multa pecuniária. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 100DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10840.905884/2009-07
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3403-000.292
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 19615.000596/2007-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996
DECADÊNCIA – ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 –
INCONSTITUCIONALIDADE – STF – SÚMULA VINCULANTE
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-002.203
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Walter Murilo Melo Andrade e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. . Fl. 76DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as destinadas a terceiros (SalárioEducação, SESC, SEBRAE e INCRA). Segundo o Relatório Fiscal (fls 27/29), os fatos geradores das contribuições lançadas são os valores pagos a segurados empregados apurados em folhas de pagamento de RAIS – Relação Anual de Informações Sociais. A notificada teve ciência do lançamento em 02/01/2007 e apresentou defesa (fls. 42/51), onde alega tão somente que o crédito estaria extinto pela decadência. Pelo Acórdão nº 1119.292 (fls. 53/55) a 7ª Turma da DRJ/Recife (PE) considerou o lançamento procedente. Contra tal decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 61/72) e mantém a alegação de que teria ocorrido a decadência. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19615.000596/200722 Acórdão n.º 2402002.203 S2C4T2 Fl. 77 3 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente apresenta preliminar de decadência que merece acolhida. O lançamento em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Da análise do caso concreto, verificase que o lançamento em tela referese a período compreendido entre 01/1996 a 12/1996 e foi efetuado em 02/01/2007, data da intimação do sujeito passivo. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Fl. 78DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após Fl. 79DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19615.000596/200722 Acórdão n.º 2402002.203 S2C4T2 Fl. 78 5 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) No caso em tela, quer seja pela aplicação do art. 173, Inciso I, seja pela aplicação do § 4º do art. 150, ambos do CTN, verificase que o crédito foi totalmente extinto pela decadência. Fl. 80DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO face à decadência total verificada. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 81DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10530.001903/2004-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3801-000.003
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: HÉLCIO LAFETA REIS
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Recorrida DRJ-SALVADOR/BA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem. -0-1R76---JE";)INHEIR‘O TORRES - Presidente dc(x_p HÉLCIO LAFETÁ REIS - Relator EDITADO EM: 15/09/2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Alex Oliveira Rodrigues de Lima e Hélcio Lafetá Reis. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão proferida em fls. 45 a 47, cuja ementa é a seguinte: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples. Processo n° 10530.001903/2004-13 S3-C2T1 Resolução n.° 3801-00.003 Fl. 73 Ano-calendário: 2002 Ementa: EXCLUSÃO. PARTICIPAÇÃO DE SÓCIO NO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA. Não pode continuar no Simples a empresa cujo sócio participe com mais de 10% do capital de outra empresa, desde quando a soma da receita bruta global supere o limite legal no ano-calendário. Neste caso, o conceito de receita global é a soma da receita bruta auferida pelo conjunto de empresas em que o sócio participe do capital social. Solicitação Indeferida. Em suas razões de recurso voluntário (fls. 50 a 57), recebido em 02/10/2006, a Recorrente alega novamente as questões de direito apresentadas em sua impugnação, no sentido de que o disposto no inciso IX do art. 9° da Lei n° 9.317/1996 se refere tão-somente à receita bruta global das empresas optantes pelo Simples de que o sócio detenha mais de 10% do capital social, não alcançando a receita bruta das demais sociedades não-optantes sujeitas a regimes de tributação diversos. Contudo, em 02/10/2006, o Chefe Substituto da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário (Sacat) da DRF Feira de Santana/BA informa que procedeu à reinclusão da sociedade no Simples, com efeitos retroativos a 10 de janeiro de 1997, em razão da empresa estar excluída erroneamente (fl. 70). Para tanto, se reporta às orientações SISCAC de fls. 69 a 70. É o relatório. Voto Conselheiro HÉLCIO LAFETÁ REIS, Relator O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Antes de apreciar o conteúdo do recurso voluntário, faz-se necessário contextualizá-lo em face do despacho do Chefe Substituto da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário (Sacat) da DRF Feira de Santana/BA em que se informa acerca da reinclusão da sociedade no Simples, com efeitos retroativos a 1° de janeiro de 1997, em razão da empresa estar excluída erroneamente (fl. 71). Verifica-se que foi juntado aos autos cópia da "Alteração e Consolidação de Contrato Social da Sociedade Limitada Lessa & Ventura Ltda." (fls. 61 a 66), registrada na Junta Comercial da Bahia em 17/12/2004, data essa anterior à da interposição do recurso voluntário a este Conselho que se deu em 02/10/2006. Causa estranheza o fato de o contribuinte ter se valido do Processo Administrativo Fiscal (PAF), sem ao menos citar a referida alteração contratual realizada dois anos antes da interposição do recurso voluntário. De se estranhar, também, a decisão da DRF Feira de Santana/BA de reincluir de oficio a sociedade no Simples, com efeitos retroativos a 1° de janeiro de 1997, quando a Processo n° 10530.001903/2004-13 S3-C2T1 Resolução n.° 3801-00.003 Fl. 74 matéria encontrava-se tramitando no PAF, em desconformidade com o contido no item 7 das orientações SISCAC (fl. 69), as mesmas que serviram de amparo à sua decisão. Ora, consta do referido item 7 que a atualização do sistema Sivex só se dará se o contribuinte não manifestar inconformidade por meio do Processo Administrativo Fiscal (PAF),I o que não coincide com o presente caso, pois, desde 2004, o contribuinte vem discutindo administrativamente a sua exclusão do Simples, não fazendo referência em momento algum a eventual alteração contratual que modificasse o status quo ante. Além do mais, a referida alteração contratual passou a gerar efeitos somente a partir de 17 de dezembro de 2004, devendo, à primeira vista, ser mantida a exclusão do Simples relativamente aos anos-calendário 2003 e 2004 (os efeitos da exclusão se deram a partir de 1°/01/2003, conforme ADE DRF/FSA n° 492337/2004 — fl. 40), período durante o qual a situação excludente perdurou. Diante do exposto, proponho que este julgamento seja convertido em diligência junto á Unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de origem para prestar os seguintes esclarecimentos: a) considerando que a alteração contratual passou a gerar efeitos somente a partir de 17 de dezembro de 2004, com base em qual fundamento se procedeu à reinclusão da sociedade no Simples retroativamente a 1° de janeiro de 1997? b) considerando que as orientações do Siscac (fls. 69 a 70) trazidas aos autos após a interposição do recurso voluntário se referem a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS), qual o motivo de aplicá-las quando, no presente caso, o contribuinte optou pelo Processo Administrativo Fiscal (PAF) ao apresentar impugnação num primeiro momento e, posteriormente, recurso voluntário ? c) mesmo se aplicáveis tais orientações do Siscac, por que razão não se observou o contido em seu item 7, em que se determina que a atualização do Sivex se dará apenas no caso de o contribuinte não ter interposto manifestação de inconformidade ? No presente caso, a impugnação e o recurso apresentados pelo contribuinte são prova inconteste de sua insurgência quanto à exclusão do Simples nos exercícios de 2003 e 2004. É como voto. id 9 HÉLCIO LAFETÁ 'EIS 3
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Numero do processo: 10140.001135/2004-83
Data da sessão: Mon May 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon May 18 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3801-000.008
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem. f ig----"IP--,-e- re.--•-.4:€4,-,., HENRIQUE P INHEIRO TORRES - Presidente I1 ,dyr(y\t ._.p HÉLCIO LAFT1.16IS - Relator EDITADO EM: 13/09/2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Alex Oliveira Rodrigues de Lima e Hélcio Lafetá Reis. Relatório Contra o interessado supra-identificado foi emitida, em 21/10/1996, a Notificação de Lançamento (fl. 29) relativa a lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, das Contribuições Sindicais Rurais e Contribuição SENAR do exercício 1996, referente ao imóvel rural denominado "Sítio Band Alta", localizado no município de Corumbá/MS, cadastrado na Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) sob o número 1.078.934-0. 1 Processo n° 10140.001135/2004-83 S2-C2T1 Resolução n.° 3801-00.008 Fl. 119 O contribuinte, após ciência do lançamento, apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento — SRL (fls. 19 a 20) requerendo o cancelamento da notificação de lançamento por se enquadrar nos requisitos de imunidade. A DRF Campo Grande/MS indeferiu a solicitação pelo fato de não restar demonstrado que as atividades rurais desenvolvidas no imóvel estivessem relacionadas com as finalidades essenciais da entidade, nos termos do § 40 do art. 150, VI, da Constituição Federal. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 17) e requereu o reconhecimento da imunidade do ITR pelo fato de o imóvel rural ser utilizado para desenvolver atividades educacionais, servindo de base para a promoção dos cursos de Graduação e Mestrado ministrados pela Universidade Católica Dom Bosco (fl. 4), bem como para o Turismo Cientifico na região do Pantanal (fl. 4). Quanto às contribuições sindicais incidentes sobre o imóvel, informa que foram devidamente recolhidas, conforme cópia de Darf à fl. 16. A DRJ Campo Grande/MS julgou o lançamento procedente em parte (fls. 34 a 39), decidindo, em síntese, da seguinte forma: a) A imunidade constitucional restringe-se ao patrimônio, às rendas e aos serviços essenciais das entidades assistenciais, cabendo a essa apresentar comprovação efetiva da utilização do imóvel rural para seus fins específicos (fl. 34); b) o objeto da entidade é diverso da atividade rural, o que ocasiona a não obrigatoriedade do recolhimento das contribuições sindicais; c) deve ser mantida a exigência da contribuição SENAR tendo em vista que essa é devida pelos exercentes de atividades rurais, ainda que de forma secundária e não preponderante (fl. 39). Inconformado com a decisão da l a instância, o contribuinte apresenta recurso voluntário a este Conselho (fls. 47 a 115) e requer a realização de perícia contábil para comprovar a origem e o destino das receitas eventualmente advindas da área em questão (fl. 47) ou o reconhecimento dos seguintes fatos: a) a suspensão da imunidade tributária, no caso dos autos, processou- se sem que fosse respeitado o direito da recorrente de defender-se da imputação de ter deixado de cumprir as exigências legais para a fruição do beneficio de que desfrutava, devendo, portanto, ser declarado a nulidade do ato de lançamento do ITR no ano calendário de 1996; e/ou b) a recorrente tem direito à fruição da imunidade contemplada no art. 150, VI "c", da Constituição Federal, eis que se trata de unia instituição sem fins lucrativos e que o ITR exigido refere-se a imóvel que está sendo utilizado na consecução dos seus fins institucionais, decretando-se a nulidade do lançamento do ITR exercício 1996 do imóvel rural situado no Município de Corumbá-MS, cadastrado na SRF sob o n° 1.078.934-0, o qual é base de apoio a atividades de pesquisa e extensão da MSMT — Colégio Salesiano de Santa Teresa e a MSMT — Universidade Católica Dom Bosco; 2 Processo n° 10140.001135/2004-83 S2-C2T1 Resolução n.° 3801-00.008 Fl. 120 c) a exigência da Contribuição para o SENAR não merece prosperar, na medida em que é inconstitucional e ilegal a um só tempo, porque o Fisco Federal está a exigir o pagamento de obrigação tributária de entidade beneficente de assistência social e ilegal, que preenche todos os requisitos previstos no art. 14 do CTN; d) no caso em tela, não foi instaurado processo administrativo visando suspender os benejicios proporcionados pela imunidade contemplada no art. 150, VI, "c", da Constituição Federal, na medida em que constitui o crédito, sem assegurar a recorrente o direito de defender-se da imputação de que não estaria cumprindo os requisitos do art. 14, do C77V. É o relatório. Voto Conselheiro HÉLCIO LAFETÁ REIS, Relator O recurso é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Em seu recurso, inconformado com a decisão de 1a instância administrativa que julgou procedente em parte o lançamento, o contribuinte requer a reforma da decisão da DRJ Campo Grande/MS, nos termos constantes de sua peça recursal apresentados no relatório supra. I. A imunidade das instituições de educação e de assistência social A Constituição Federal, em seu art. 150, inc. VI, alínea "c", prevê a vedação de incidência de impostos sobre patrimônio, renda ou serviços (...) das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei. Tais entidades têm como escopo o atendimento de necessidades básicas dos indivíduos, paralelamente ou em substituição à atuação do Estado, que, em face da diversidade e da amplitude de suas atribuições, bem como das deficiências de sua atuação, vê-se obrigado a compartilhar com essas instituições o encargo do exercício de atividades de interesse público. O § 40 do mesmo art. 150 restringe tal imunidade ao patrimônio, à renda e aos serviços relacionados com as finalidades essenciais das referidas entidades. O Código Tributário Nacional (CTN), por sua vez, ao regular referida limitação do poder de tributar, nos termos do art. 146, inciso II, da Constituição Federal, assim dispõe: Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9° é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I — não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela LC n° 104, de 10. I .2001) - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; 3 Processo n° 10140.001135/2004-83 S2-C2T1 Resolução n.° 3801-00.008 Fl. 121 III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1° Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1" do artigo 9 0, a autoridade competente pode suspender a aplicação do beneficio. § 2' Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9" são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Relativamente às contribuições para a seguridade social, a Constituição de 1988, em seu artigo 195, § 7°, prevê a "isenção" conferida às entidades beneficentes de assistência social. Com base nos dispositivos legais acima referenciados, deve-se ressaltar que a imunidade das instituições de educação e de assistência social sem fins lucrativos alcança somente o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com suas finalidades essenciais e desde que observados os requisitos do art. 14 do CTN acima transcrito. O Supremo Tribunal Federal tem pautado suas decisões relativas à imunidade das entidades de assistência social afastando interpretações restritivas da norma imunizante hospedada no art. 150, VI, "c", da Constituição, salientando ser salutar que as instituições (...) de assistência social sem fins lucrativos obtenham rendas e bens para que possam melhor atingir suas finalidades. (COSTA, Regina Helena. Imunidades tributárias — Teoria e análise da jurisprudência do STF. São Paulo: Malheiros, 2001, p. 241). O que caracteriza as instituições sem fins lucrativos não é a ausência de atividade econômica, mas a não-distribuição de lucros. Quanto à restrição relativa à afetação do patrimônio, da renda ou dos serviços às finalidades essenciais das instituições sem fins lucrativos, o Supremo Tribunal Federal (STF) já se pronunciou nos seguintes termos: Imunidade tributária — Art. 150, VI, "c", da Constituição — Instituição de assistência social — Exigência de Imposto sobre Serviços calculado sobre o preço cobrado em estacionamento de veículos no pátio interno da entidade — Ilegitimidade. Eventual renda obtida pela instituição de assistência social mediante cobrança de estacionamento de veículos em área interna da entidade, destinada ao custeio das atividades desta, está abrangida pela imunidade prevista no dispositivo sob destaque. (grifei) Precedente da Corte: RE 116.188-4. Recurso conhecido e provido. (RE 144.900-SP, de 22/04/1997). No mesmo sentido: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRA ORDINARIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. INSTITUIÇÃO DE ENSINO. IMUNIDADE. 1. Entidade de ensino e de assistência social sem fins lucrativos. Impostos. Imunidade tributária ""& 4 Processo n° 10140.001135/2004-83 S2-C2T1 Resolução n.° 3801-00.008 Fl. 122 que abrange o patrimônio e a renda, ainda que advinda de seus bens dados em locação, porque destinada ao cumprimento da finalidade da instituição. Precedente do Tribunal do Pleno. Agravo regimental não provido. (grifei) (RE-AgR369872 / MG, de 22/06/2005) De acordo com esses entendimentos do STF, é a destinação dos recursos obtidos que vai determinar se aplica ou não a imunidade. Se tais recursos forem vertidos em prol da entidade, ou seja, aplicados em conformidade com suas finalidades essenciais, encontrar-se-ão abrangidos pelo instituto. Analisando-se todos os elementos probatórios presentes nos autos, não há como verificar, incontestavelmente, que todas as atividades desempenhadas pelo Recorrente no imóvel rural se destinam a seus fins institucionais ou que os recursos obtidos sejam vertidos aos objetivos da entidade. Ressalte-se que as operações alheias ao objeto social da instituição, ainda que suas rendas sejam vertidas integralmente às suas pretensas finalidades essenciais, não podem tomar uma dimensão tal que passem a se configurar como sua principal atividade. Nessas situações, ter-se-ia uma descaracterização do instituto da imunidade, com a entidade atuando de forma privilegiada no mercado, ferindo frontalmente os princípios da isonomia, livre concorrência, da supremacia do interesse público e da proporcionalidade, dentre outros valores protegidos pela Constituição. Em face do exposto, mister se torna diligenciar junto ao estabelecimento do Recorrente com vistas a esclarecer os itens identificados no final deste voto. II. A suspensão da imunidade tributária (Lei n° 9.430/1996). Princípios da ampla defesa e do devido processo legal O Recorrente alega nulidade do lançamento em face da ausência de procedimento específico para determinar o desenquadramento da imunidade nos termos da Lei n° 9.430/1996. Referida lei estabelece em seu art. 32 os procedimentos para a suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância dos requisitos legais. De acordo com o § 1 0 do art. 32 da Lei n° 9.430/1996, constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9 0, §1°, e 14, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional,a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do beneficio, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. Verifica-se do acima transcrito que o procedimento prévio de suspensão da imunidade se aplica aos casos em que a entidade beneficiária não esteja cumprindo os requisitos dos artigos 9° e 14 do CTN, em que se encontram definidos os requisitos formais para a fruição do beneficio, nos termos do art. 146, II, da Constituição Federal. 5 1 Processo n° 10140.001135/2004-83 S2-C2T1 Resolução n.° 3801-00.008 Fl. 123 A suspensão da imunidade operada nesses termos abarca todo o instituto constitucional, afastando-se o beneficio fiscal de forma abrangente, alcançando-se todos os impostos cabíveis. A Notificação de Lançamento objeto dos presentes autos se refere tão-somente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) relativo ao imóvel rural identificado, lançamento esse fundamentado no descumprimento do contido no § 40 do art. 150, I, da Constituição Federal. Não se trata de procedimento de suspensão da imunidade como um todo. Não é esse o escopo do presente processo. Mas somente afastar a imunidade em relação ao imóvel rural por não observância dos requisitos específicos previstos na Constituição Federal em seu art. 150, § 40 . Portanto, descabida a referida alegação de violação aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal, precipuamente se se considerar que ao ora Recorrente foram garantidos e utilizados todos os meios de defesa previstos no Processo Administrativo Fiscal, a saber: Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL), impugnação e recurso voluntário. III. A "isenção" das contribuições para a Seguridade Social Quanto à alegação de que a exigência da Contribuição para o SENAR não merece prosperar, na medida em que é inconstitucional e ilegal a um só tempo, porque o Fisco Federal está a exigir o pagamento de obrigação tributária de entidade beneficente de assistência social e ilegal, que preenche todos os requisitos previstos no art. 14 do CTN (fl. 66), saliente-se que a "isenção"/imunidade prevista no art. 195, § 7°, da Constituição Federal, se refere às contribuições para a seguridade social previstas nos incisos I a IV do mesmo art. 195. A Contribuição para o SENAR, contudo, não se enquadra dentre aquelas previstas no art. 195, incisos I a IV, da Constituição Federal, encontrando-se prevista no art. 24, II, da Lei n° 8.847/1994. Diante disso, referida contribuição não se encontra acobertada pela "isenção" constitucional. IV. Conclusão Diante do exposto, DECIDO por converter o presente julgamento em diligência à repartição de origem, com vistas a se obterem os seguintes esclarecimentos: a) verificar nos documentos do imóvel rural (mapas/plantas, levantamentos topográficos, laudos técnicos e/ou outros) a existência no imóvel rural de áreas utilizadas com atividade rural (pastagens, produção vegetal, etc.); b) identificar se as áreas de que trata o item anterior têm vinculação com os fins institucionais do Recorrente e/ou se o produto de sua exploração é vertido à consecução dos objetivos assistenciais da entidade; c) para fins do previsto no item anterior, identificar na escrituração contábil da entidade a forma de exploração do imóvel rural com base nas receitas auferidas e na destinação ,--ã 6 Processo n° 10140.001135/2004-83 82-C2T1 Resolução n.° 3801-00.008 Fl. 124 de seus produtos, com vistas a se confirmar a subsunção do presente caso à condição prevista no § 4° do art. 150 da Constituição Federal; d) outras diligências que se mostrarem necessárias. É como voto. mi HÉLCIO LAFETÁ REIS if 7
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Numero do processo: 10935.004857/2007-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no
artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I.
GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE.
Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração.
A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A
da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-002.172
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado, nos termos do artigo 173, I do CTN e para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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OUTROS DADOS Recorrente C VALE COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 438DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado, nos termos do artigo 173, I do CTN e para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Walter Murilo Melo Andrade e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 439DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.004857/200796 Acórdão n.º 2402002.172 S2C4T2 Fl. 439 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação lavrada em 25/09/2007. O recorrente teria preenchido alguns campos não relacionados aos fatos geradores de forma equivocada. Segue transcrição do relatório fiscal: A autuada, de jan.1999 até dez.2006, preencheu campos das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com informações inexatas. Foram declarados à Previdência Social em GFIP os seguintes campos com informações inexatas: a) campos "FPAS" que se encontram discriminados por estabelecimento e por competência no anexo "Relação de Estabelecimentos com Erros nos Campos FPAS e Código de Terceiros", parte integrante deste relatório de autuação; a) campos "CÓDIGO DE TERCEIROS" que se encontram discriminados por estabelecimento e por competência no anexo "Relação de Estabelecimentos com Erros nos Campos FPAS e Código de Terceiros", parte integrante deste relatório de autuação; c) campos "CÓDIGO DE OCORRÊNCIA" que se encontram discriminados por segurado, por estabelecimento e por competência no anexo "Relação de Segurados com Erros no Campo Código de Ocorrência", parte integrante deste relatório de autuação. Não foram constatadas circunstâncias agravantes ou atenuantes. Segue ementa e trechos do voto da decisão recorrida: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS.INFRAÇÃO. Constitui infração elaborar GFIP com informações inexatas não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Lançamento Procedente ... No caso dos autos a empresa alega ter corrigido tão somente as informações referentes ao campo "Ocorrência", omitindose quanto aos campos FPAS e Terceiros. Deverse ia a empresa Fl. 440DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 ter procedido a totalidade do saneamento das informações em GFIPs e não parcialmente como o fez. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação, especialmente o direito à relevação da multa e mais: a) decadência; e b) discorda do enquadramento em FPAS e terceiros; No caso dos autos, a recorrente não reconhece a obrigação principal relativas aos reenquadramentos dos código FPAS e campo terceiros, mais, no entanto, reconhece o equívoco que praticou com relação às informações em GFIP sobre código de ocorrência. É o Relatório. Fl. 441DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.004857/200796 Acórdão n.º 2402002.172 S2C4T2 Fl. 440 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 442DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° Fl. 443DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.004857/200796 Acórdão n.º 2402002.172 S2C4T2 Fl. 441 7 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração Fl. 444DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constatase que se trata de autuação por descumprimento de obrigação acessória, portanto lançamento de ofício, daí deve prevalecer a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN. Em razão do exposto, acolho parcialmente a preliminar de decadência para que sejam excluídos do lançamento os valores de multa relativos ao período até 30/11/2001, inclusive. No mérito A recorrente não trouxe quaisquer demonstrações que sustentem os enquadramentos que defende sejam corretos. As entidades denominadas “terceiros” são aquelas correspondentes às atividades desenvolvidas pela empresa, conforme o demonstrativo I do relatório fiscal que teve a preocupação de discriminar por estabelecimento o respectivo enquadramento. Porém, no presente caso o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Fl. 445DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.004857/200796 Acórdão n.º 2402002.172 S2C4T2 Fl. 442 9 De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazêlo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. Fl. 446DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Por tudo, voto pelo provimento parcial do recurso apenas para reconhecer o direito de retroatividade do artigo 32A, incisos I e II da Lei n° 8.212, de 24/07/1991 e também com relação à decadência de parte do período lançado, excluindose os valores até o mês de 11/2001. Por tudo, voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 447DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13893.000282/99-20
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3801-000.001
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência a. repartição de origem.
Matéria: IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)
Nome do relator: ALEX OLIVEIRA RODRIGUES DE LIMA
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Recorrida DRJ-CAMPO GRANDE/MS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência a. repartição de origem. Henrique Prnneiro Torres - Presidente I/ Alex Oliveira odrigues de Lima - Relator EDITADO EM: 06/11/2009 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Alex Oliveira Rodrigues de Lima e Hélcio Lafetd Reis. Relatório Adoto o relatório da autoridade julgadora de primeiro grau, eis que claro e completo. Trata-se de ITR exercício 1994 (fls.28). 0 contribuinte alegou erro de digitação, ao invés de 62,4ha escreveu 362,4ha. O lançamento foi procedente em parte pela DRJ reduzindo a area total do imóvel (fls28). E o Relatório. Lg)t mARIA FF-ZiANCI'7,(7A , A SP SAO JOSE DOS CAMPOS DRI: Fl. 54 Voto Conselheiro Alex Oliveira Rodrigues de Lima, Relator Conheço o presente recurso, pois tempestivo e possuidor dos requisitos de admissibilidade. Vistos, .te. A exigência de ato declaratório ambiental para excluir as Areas de preservação permanente e de reserva legal da tributação pelo ITR, é obrigação acessória prevista na Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal 67/97. O imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR), consoante art.153, VI, da Constituição Federal, tem como fato gerador o domínio ou posse do imóvel fora do perimetio urbano, com aliquota variada pelo grau de utilização, pois a base de cálculo é o valor da terra sem benfeitorias ou beneficiamentos. As áreas não-tributáveis do imóvel rural sic) as de: I - preserva cão permanente; II - reserva legal; III - Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPIV); IV - servidão florestal; ✓ - interesse ecológico, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: a) destinadas à proteção dos ecossistemas e que ampliem as restrições de uso previstas para as areas de preserva cão permanente e de reserva legal; e b) comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. O Imposto Territorial Rural - ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, permite da exclusão da sua base de calculo a Area de preservação permanente, conforme informado no Ato DecIaratório Ambiental do IBAMA. Reza o Código Florestal (Lei 4.771/65): Art. 3 0. Consideram-se, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegeta cão natural destinadas: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em drea de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação especifica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a titulo de reserva legal, no mínimo: Inipt.(, ;,,, en ; '3.075'ar p , ). RIA H-U\Nr:ISCA ME DEPOS DE AC NC iiV1 C,C) 2 ' SP SAO JOSE DOS CAMPOS DR!' Processo n° 13893.000282/99-20 Resolução n.° 3801-00.001 H, 55 ti S2-C2T1 S III - vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do Pais; e IV- vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do Pais. § .1 Q 0 percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os indices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2Q A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e cientificos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3Q deste artigo, sem prejuízo das demais legislações especificas. § 3Q Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutiftras ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. e A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo drgdo ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo drgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver; I - o piano de bacia hidrográfica; - o plano diretor municipal; III - o zoneamento ecológico-econômico; IV- outras categorias de zoneamento ambiental; e V- a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. (-) § 82 A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação da drat, com as exceções previstas neste Código. § 92 A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. A Lei 6.938/81, dispõe sobre a política nacional do meio ambiente: 6-) 3 c , t' MARIA FRANGISUA MEL)Fil`,LtS 0 1-3k e;N: SP SAO .JOSF, DOS CAMPO, DRF H. 56 Art. 17-0. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao lbama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n' 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo de Taxa de Vistoria. Ressalto também o art. 10 da Lei 9.393/96: Art. 10. A apuração e o pagamento do 1TR serão efetuados pelo contribuimc, independentemente de prévio procedimento da adniinistfação tributária, nos prazos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1 0 Para os efeitos de apuração do ITR considerar-se-á: I - V77V, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgifo competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqiiicola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgclo competente, federal ou estadual; A Instrução Normativa SRF 67/97 prevê, no § 40 do art. 10, o reconhecimento das Areas de preservação permanente e as de utilização limitada, mediante ato declaratório do IBAMA ou órgão delegado, ex vi: § 4° As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: - as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas a margem da inscrição da matricula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a lei n. 4.771, de 1965; 4 . !.r . 2 1`:s IN)? klAt-tiA FRANCISCA Hs! bRANC;) oio . • t SP SAO JOSE DOS CAMPOS DRY [I. 5. 7 Processo no 13893.000282/99-20 S2-C2T1 .e/3 Resolução n.° 3801-00.001 F■forrY2°-» II - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; III - se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará irnçamento suplementar recalculando o ITR devido. Ex legis. Em seu recurso de fls.38, o contribuinte pede para a DRF que seja apresentado "como se chegou ao valor de R$ 1.575,73". 0 programa gerador de 1TR efetua os cálculos automaticamente. Em face do elencado em epígrafe e de tudo constante nos autos, requeiro diligência para que a autoridade preparadora demonstre matematicamente o cálculo do valor R$ 1.575,73, nos termos da dúvida suscitada pelo recorrente. Abrindo-se vista ao contribuinte, após a juntada do cálculo. E o meu voto. Alex Oliveira R ri ( gues de Lima • p, ,,r MARIA ;: RANC€SCA UELY:IROS 17.1- AQU:NO VEPSO EM 5
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Numero do processo: 16327.002340/00-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1101-000.155
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Esteve presente ao julgamento o patrono da Recorrente, Dr. Alessandro Mendes Cardoso (OAB/MG nº 76.714).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Esteve presente ao julgamento o patrono da Recorrente, Dr. Alessandro Mendes Cardoso (OAB/MG nº 76.714). [documento assinado digitalmente] MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. [documento assinado digitalmente] ANTÔNIO LISBOA CARDOSO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari, Antônio Lisboa Cardoso (relator) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente). Relatório Trata-se de retorno de diligência em face de decisão da DRJ/SP que julgou procedente o lançamento relativo ao IRPJ e da CSLL do exercício de 1996, em decorrência das irregularidades descritas no Auto de Infração e relatadas pela DRJ, nos seguintes termos: a) Infração 001: GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES No ano-calendário de 1996 o contribuinte efetuou compensação de prejuízo fiscal do período-base de 94 no valor de R$ 1.304.872,55 (ficha 07, linha 21 da DIRPJ/97). Fl. 865DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/04/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 16327.002340/00-32 Resolução n.º 1101-000155 S1-C1T1 Fl. 866 2 Compensação esta, indevida, tendo em vista a reversão do saldo de prejuízos após o lançamento da infração constatada no período-base de 1994, através do auto de Infração lavrado pela DRF São Paulo/Centro Sul, objeto do processo n°13805.005721/96-17. O referido Auto de Infração glosou a exclusão de RS 8.847.152,87 na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, referente a ação judicial n° 95.0009260-3, revertendo o prejuízo fiscal apurado no ano-calendário de 1994, no valor de R$ 5.836.986,00 e gerando lucro, tendo sido o contribuinte intimado a proceder as necessárias correções no LALUR, de forma a compatibilizá-lo ao auto de infração acima citado Enquadramento Legal: arts. 196, inciso III, e 197, parágrafo único do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/94), aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11/01/1994 Infração 002: ADIÇÕES. PARCELA DA DESPESA DA CSLL NÃO ADICIONADA NA APURAÇÃO LUCRO REAL No ano-calendário de 1996 o contribuinte deduziu do lucro líquido o valor de RS9.777.660,59, a título de contribuição social sobre o lucro líquido - CSLL (ficha 6, linha 28), afetando a apuração do lucro real (ficha 7, linha 1). Ocorre que apurou CSLL no valor de RS 2.765.410,36 (ficha 11, linha 22) e adicionou apenas RS 4.702.727,56 ao lucro real, quando deveria ter adicionado toda a diferença entre o que deduziu como despesa e a contribuição social efetivamente declarada. Em função disso, efetuamos a glosa da parcela da CSLL não adicionada ao lucro real (parcela glosada:R$ 2.309.522,67). Enquadramento Legal: arts. 193, 195, 197, 222, e 306 do RIR/94; art. 13 da Lei n°9.249, de 26/12/1995 b) Contribuição Social (CSLL) (fls. 58 a 61) Total do Crédito Tributário (CS, juros de mora, multa de ofício-75%): R$ 2.184.441,83; Fato Gerador: 31/12/1996; CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO (FINANCEIRAS). COMPENSAÇÃO INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. O contribuinte efetuou compensação de base negativa da contribuição social do período-base de 94 no valor de R$ 3.699.067,85 (ficha 11, linha 20 da DIRPJ/97). No ano-calendário de 1996 o contribuinte deduziu do lucro líquido o valor de R$ 9.777.660,59, a título de contribuição social sobre o lucro líquido — CSLL (ficha 6, linha 28), afetando a apuração do lucro real (ficha 7, linha 1). Compensação esta, indevida, tendo em vista a reversão do saldo de bases negativas da contribuição social após o lançamento da infração constatada no período- base de 1994, através do auto de Infração lavrado pela DRF São Paulo/Centro Sul, objeto do processo n° 13805.005721/96-17. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/04/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 16327.002340/00-32 Resolução n.º 1101-000155 S1-C1T1 Fl. 867 3 O referido Auto de Infração glosou a exclusão de R$ 8.847.152,87 na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, referente a ação judicial n° 95.0009260-3, revertendo o saldo negativo da base de cálculo da contribuição social do ano-calendário de 1994, no valor de R$ 4.089.187,00 e gerando base de cálculo positiva, tendo sido o contribuinte intimado a proceder as necessárias correções no LALUR, de forma a compatibilizá-lo ao auto de infração acima citado. Enquadramento legal: art. 2o e seus parágrafos da Lei n° 7.689, de 15/12/1988; e art. 19 da Lei n° 9.249/1995, alterado pela EC n° 10/1996. 2. Às fis. 63 a 74, encontram-se o Termo de Verificação Fiscal e o Auto de Infração pertinente à autuação (processo n° 13805.005721/96-17) de que decorre a exigência em comento. 3. Irresignada com o lançamento, a interessada, por intermédio de seus advogados procuradores (procuração à fl. 99), apresentou, em 18/01/2001, a impugnação de fls. 76 a 97, acompanhada dos documentos de fls. a 98 a 187. 3.1. Em relação à glosa de prejuízos compensados indevidamente (IRPJ e CSL) alega que: 3.1.1. o citado Auto de Infração lavrado para o ano-calendário de 1994, não teve por objeto a glosa apenas de efeitos do Plano Verão, mas também, a redução indevida do lucro líquido em decorrência da Provisão para Créditos de Liquidação duvidosa - PCLD (parcela correspondente a R$ 382.569,88); 3.1.2. a Instituição concluiu que foi incorreto seu procedimento quanto à dedutibilidade da PCLD, razão pela qual optou por pagar o tributo autuado refazendo as memórias de cálculo do IRPJ e da CSL para considerar os efeitos daquela provisão, de conformidade com sua movimentação contábil (constituições/reversões); 3.1.3. a parcela devida foi recolhida com os encargos legais aplicáveis, o que é comprovado pela documentação em anexo à presente Impugnação (fls. 104 a 123); 3.1.4. foram refeitas as memórias de cálculo do IRPJ e da CSL verificando-se ue, além do valor a recolher comentado acima, a Instituição gerou prejuízo fiscal e base negativa de CSL no encerramento do período (Demonstrativo à valor de R$ 382.569,88); 3.1.5. se a autuação pertinente a este item no ano-calendário de 1994 foi devidamente paga e, pelo ajuste às memórias de cálculo daquele período foram apurados também saldos negativos compensáveis, não há que se negar esse direito ao contribuinte; 3.1.6. nos autos da Ação Ordinária n° 95.0009260-3, foi proferida decisão autorizando o aproveitamento dos efeitos do expurgo de correção monetária do IPC/89 (Plano Verão), o que pode ser comprovado através de Certidão expedida pelo Tribunal Regional Federal da Ia Região, anexa à presente Impugnação (fls. 125); 3.1.7. a existência de decisão autorizadora do feito e entendimentos jurisprudenciais administrativos favoráveis, se mostram suficientes para garantir a exclusão considerada nas apurações do ano-calendário de 1994 e, por via de conseqüência, a compensação do prejuízo fiscal e da base negativa de CSL gerada à época com os resultados positivos do ano-calendário de 1996; 3.1.8. mesmo que se pretenda entender que a autuação relativa ao ano-calendário de 1994 reverteu os saldos negativos em tela, essa compensação não está vedada Fl. 867DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/04/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 16327.002340/00-32 Resolução n.º 1101-000155 S1-C1T1 Fl. 868 4 enquanto não for julgada a impugnação apresentada para aquele Auto de Infração (Proc. 13805.005721/96-17), já que o recurso administrativo suspendeu a exigibilidade do crédito (art. 151 do CTN); 3.1.9. o Auto de Infração que ora se impugna padece de vício formal, uma vez que, se há sentença autorizadora do procedimento adotado e está suspensa a exigibilidade do crédito por força do recurso administrativo, a autuação somente poderia ser admitida para prevenção de decadência, sem a exigência de multa de ofício. Não constando do auto de Infração esse tratamento ou sua fundamentação legal, o mesmo deve ser declarado nulo, ou quando menos, afastada a aplicação da multa de oficio; 3.2. No tocante à parcela da CSLL não adicionada na apuração do lucro real, protesta pela nulidade do auto de infração que não contempla o adequado embasamento legal considerado pelos auditores fiscais para lavrar o auto de Infração. Com isso, fica prejudicada qualquer argumentação de defesa do contribuinte em sua Impugnação, pois que não é possível se defender de infração que desconhece ter cometido. 3.2.1. Apontando a composição da despesa com CSLL no período (fl. 91) e o disposto no art. 41 da Lei n° 8.981/1995, informa que procedeu de acordo com a legislação ao adicionar a parcela de R$ 4.702.727,56 que se refere à CSL com exigibilidade suspensa por força de liminar obtida na ação judicial em que questiona a diferença de alíquota da CSL naquele período. Afirma que o restante da despesa de CSLL não deve ser adicionada, pois que inexistia previsão legal que vedasse sua dedutibilidade naquele período. 3.3. A impugnante argumenta, ainda, que na elaboração dos cálculos relacionados ao IRPJ autuado, não consideraram a dedução da CSLL que foi gerada também em auto de infração, nos períodos em que essa dedutibilidade foi permitida pela legislação em vigor. 3.4. Por fim, contrapõe-se à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios no cálculo dos débitos que for apurado, dada sua inconstitucionalidade pela natureza remuneratória. A DRJ julgou procedente o lançamento conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/1996 Ementa: IRPJ. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Por não provada, mediante apresentação de elementos comprobatórios da alegada incorreção na apuração da base de cálculo apurada pela autoridade fiscal, não há base pra elidir ou modificar o lançamento fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O cerceamento de direito de defesa somente ocorre quando o sujeito passivo teve prejudicado seu acesso ao processo fiscal, no qual encontram-se as informações que norteiam o lançamento a ser contestado. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/04/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 16327.002340/00-32 Resolução n.º 1101-000155 S1-C1T1 Fl. 869 5 DEDUÇÃO DE OFÍCIO DA CSLL NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. PROVIMENTO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. O direito à dedução da CSLL na base de cálculo do IRPJ, assegurado por provimento judicial, não pode ser exercido na hipótese de lançamento de ofício. Não escriturada no exercício fiscal competente, essa despesa só poderá ser deduzida, sob o manto de decisão judicial, quando devidamente paga e contabilizada. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. CSLL. O resultado do julgamento relativo ao IRPJ espraia seus efeitos, no que couber, ao lançamento da CSLL. Lançamento Procedente O relatório da diligência 152.148, que resultou na Resolução n° 1101-00.015 - Ia Câmara / I a Turma Ordinária (fls. 463 e seguintes), complementa as seguintes informações, as quais adoto como parte integrante do presente relatório: Ciente da decisão de primeira instância em 17/04/2006 (fls. 204), e com ela não se conformando, a contribuinte recorre a este Colegiado por meio do recurso voluntário apresentado em 16/05/2006 (fls. 207), onde apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: a) que a decisão de primeiro grau se constitui em negativa de análise dos argumentos apresentados, pois a documentação juntada aos autos comprova e permite a comprovação pelo Fisco dos citados argumentos; b) que, tinha a autoridade os elementos necessários para a comprovação dos argumentos de defesa da recorrente. E mesmo se assim não entendesse, caberia a determinação de diligência nesse sentido, verificando-se junto à recorrente a pertinência dos mesmos. De outra forma, estará se atentando contra o princípio da verdade material; c) que, tendo a recorrente deduzido argumentos de defesa, com a juntada de documentos pertinentes, não pode a autoridade tributária simplesmente desconsiderá- los com base em arguição genérica de "falta de comprovação"; d) que, desta forma, requer a reforma da decisão ou, quando menos, que seja determinada diligência nos termos em que for preciso no entendimento deste órgão julgador; e) que foram glosados em 1996 a compensação de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL gerados no ano-calendário de 1994, nos montantes respectivos de R$ 1.304.872,55 e R$ 3.699.067,85. O entendimento da fiscalização foi que, sendo referidos valores oriundos do aproveitamento dos efeitos da Ação Ordinária n. 95.009260-3 (Plano Verão), mediante exclusão em 1994 e, tendo sido autuada relativamente aquele período, não subsistem saldos negativos a compensar em 1996; Fl. 869DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/04/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 16327.002340/00-32 Resolução n.º 1101-000155 S1-C1T1 Fl. 870 6 f) que nem todo o saldo negativo de 1994 decorreu do aproveitamento do Plano Verão. Assim, o prejuízo fiscal de R$ 1.304.872,55 e a base negativa de R$ 3.699.067,85, guardam uma parcela em sua composição de R$382.569.88 que em nada se relaciona com o Plano Verão e foi equivocadamente glosada pelo fisco; g) que o auto de infração lavrado para 1994, não teve somente a glosa dos efeitos do Plano Verão, mas também, a redução indevida do lucro líquido em decorrência da Provisão para Devedores Duvidosos; h) que, à época, a contribuinte entendeu correto o lançamento em relação a glosa da PDD e resolveu recolher o tributo autuado. A parcela foi recolhida com os encargos legais aplicáveis, conforme does. em anexo; i) que foram refeitas as memórias de cálculo do IRPJ e CSLL, verificando-se que, além do valor a recolher a recorrente gerou prejuízo fiscal e base negativa. Ora, se a autuação pertinente a 1994 foi devidamente paga e, pelo ajuste as memórias de cálculo daquele período foram apurados também saldos negativos compensáveis, não há que se negar esse direito ao contribuinte. Assim, são compensáveis o prejuízo fiscal e a base negativa de 1994 que tiveram origem no ajuste relacionado a Provisão para Devedores Duvidosos; j) que a documentação juntada aos autos comprova e permite a comprovação pelo Fisco, conforme DARFs e DIPJ do ano-calendário de 1994; k) que, em relação ao aproveitamento do expurgo do Plano Verão, a recorrente teve na Ação Ordinária n. 95.0009260-3, o reconhecimento do seu direito ao aproveitamento do efeito fiscal decorrente do expurgo inflacionário do Plano Verão. Em janeiro de 1999, foi deferida sentença concedendo a segurança para reconhecer o direito a correção monetária de balanço com a utilização do índice de 42,75% para janeiro de 1989. Em 14.10/02, foi proferido acórdão pelo TRF I a Região dando provimento ao recurso e reconhecendo também o direito do índice de 20,24% para fevereiro de 1989. Em 04.06/2003, o Sr. Presidente do TRF I a Região negou seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Apresentado Agravo de Instrumento pela Fazenda, o mesmo teve seu seguimento negado no STJ. Atualmente os autos se encontram conclusos com o Ministro Relator para apreciação de Agravo Regimental da União; 1) que, assim, resta comprovado que atualmente encontra-se vigente o v. acórdão do TRF Ia Região que reconhece o direito da recorrente aos índices de 42,75% 0'aneiro de 1989) e 10,14% (fevereiro de 1989); m) que foi reconhecido judicialmente à recorrente o índice pleiteado correspondente a 99,79%. Por esse motivo, não há qualquer dúvida da suspensão da exigibilidade dos referidos créditos; n) que esse Conselho de Contribuintes reconhece a impossibilidade do lançamento da multa de ofício no caso de crédito tributário com exigibilidade suspensa; o) que deve ser admitida a dedução integral no ano-calendário de 1996, dos saldos de prejuízo fiscal e base negativa oriundos do ano-calendário de 1994, uma vez que a parcela de R$ 382.569,88 decorre de ajuste nas apurações do ano-calendário de 1994 para recolher os valores devidos no Auto de Infração lavrado àquele tempo sobre a Provisão para Devedores Duvidosos, razão pela qual deve ser admitida sua compensação nas apurações fiscais relativas ao ano-calendário de 1996; Fl. 870DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/04/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 16327.002340/00-32 Resolução n.º 1101-000155 S1-C1T1 Fl. 871 7 p) que o aproveitamento do expurgo do IPC/89 (Plano Verão), tal como efetuado pela recorrente nas apurações fiscais de 1994, deve ser admitido em decorrência da decisão judicial favorável proferida na Ação Ordinária n. 95.009260-3, o que legitima o prejuízo fiscal e a base negativa da CSLL gerados a época, compensados em 1996; q) que o auto de infração somente poderia ser lavrado para prevenir a decadência, visto que a exigibilidade está suspensa por força de decisão judicial, não sendo cabível o lançamento da multa de ofício; r) que deve ser considerada dedutível da base de cálculo do IRPJ, a CSLL lançada no auto de infração, visto que no ano-calendário de 1996, referida contribuição era dedutível na apuração do lucro real. Assim, como no recurso a Recorrente persistiu na defesa de que nem todo o saldo negativo oriundo do ano-calendário de 1994 era decorrente do aproveitamento dos efeitos do Plano Verão, sustentando que tanto o saldo de prejuízo fiscal (R$1.304.872,55) e também da base negativa da CSLL (R$3.699.067,85), continham uma parcela de R$382.569,88, não relacionada à medida judicial relativo ao Plano Verão, a qual teria sido equivocadamente glosada, o julgamento foi convertido em diligência para a seguinte finalidade: Como visto acima, a turma julgadora de primeiro grau não chegou a conclusão de forma definitiva a respeito dos valores indevidamente compensados pela recorrente, restando dúvidas sobre o montante do tributo eventualmente devido. Sendo o processo administrativo fiscal regido pelo princípio da verdade material, onde se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador do tributo. Existindo dúvidas a respeito da matéria em apreço, o julgador, para formar sua convicção, deve buscar todos os elementos necessários para a elucidação dos fatos, pois, na realidade, está em jogo a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Porém, no caso ora em apreço, não conseguimos vislumbrar a clareza necessária para uma perfeita apreciação dos fatos em discussão. Assim, tendo em vista a falta dos esclarecimentos necessários para o perfeito deslinde da questão, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a fiscalização da repartição de origem tome as seguintes providências: I. Verifique por meio de confronto entre os documentos apresentados e os registros contábeis da recorrente, a efetividade dos valores questionados no presente recurso voluntário; II. se digne preparar relatório e quadro demonstrativo da origem dos prejuízos indevidamente compensados, levando em conta os valores recolhidos pela contribuinte decorrente da lavratura do auto de infração mencionado, bem como o indispensável destaque dos valores discutidos judicialmente; III. intime a recorrente para que, querendo, manifeste-se sobre o resultado da diligência. Após, retorne-se os autos a este Colegiado. O Termo de Diligência Fiscal de fls. 488/492 informou o seguinte: Fl. 871DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/04/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 16327.002340/00-32 Resolução n.º 1101-000155 S1-C1T1 Fl. 872 8 Cientificada do resultado da diligência a Recorrente informou o seguinte: Fl. 872DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/04/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 16327.002340/00-32 Resolução n.º 1101-000155 S1-C1T1 Fl. 873 9 É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso Apesar da diligência requerida por este colegiado ter sido realizada proficuamente, todavia, ainda remanesce dúvidas que requerem serem esclarecidas pela unidade de origem, tendo em vista a Recorrente ter suscitado a seguinte imprecisão constante do Termo de Diligência Fiscal de fls. 488 e seguintes, nos seguintes termos: Fl. 873DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/04/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 16327.002340/00-32 Resolução n.º 1101-000155 S1-C1T1 Fl. 874 10 O trecho do resultado da diligência a que se refere a Recorrente, que contem o quadro em que especifica à dedutibilidade da provisão de devedores duvidosos, é o seguinte: Desta forma entendo ser necessária a conversão do julgamento em diligência para esclarecer a dúvida suscitada pela Recorrente quanto aos valores constantes do Quadro “Demonstrativo de Utilização do Saldo CM IPC/BTNF 89”, na 3ª linha |“Valor Apurado com Saldo CM/89 | 1994| estarem expresso em UFIR e não em reais como informado no Termo de Diligência Fiscal, e em caso afirmativo, proceder novos demonstrativos com os valores efetivamente apurados com a expressão monetária correta. Dar ciência à Recorrente sobre o resultado da diligência, para querendo manifestar-se sobre o mesmo no prazo de 30 (trinta) dias. [documento assinado digitalmente] Antônio Lisboa Cardoso - Relator Fl. 874DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/04/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O
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Numero do processo: 10580.901314/2006-03
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3403-000.368
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de PER/DECOMP transmitido em 14/08/2003 para compensar crédito decorrente de pagamento indevido da COFINS realizado em 30/04/2002, relativo ao mês de competência de dezembro de 2001 (fl.01). Por meio do despacho decisório eletrônico de fl. 06, notificado ao contribuinte em algum dia do mês de fevereiro de 2008 (fl. 07), a compensação não foi homologada, sob o argumento de que o pagamento, embora confirmado, estava alocado para a compensação de outros débitos no processo nº 10580.003526/200316, não restando crédito disponível para a compensação intentada. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.901314/200603 Resolução n.º 3403000.368 S3C4T3 Fl. 2 2 Em sede de manifestação de inconformidade o contribuinte alegou que protocolou o processo de compensação nº 10580.003536/20036, solicitando compensação de créditos tributários apurados em diversos períodos com débitos administrados pela Receita Federal de diversos períodos. O crédito relativo ao pagamento indevido efetuado em 30/04/2002, utilizado na quitação do débito de COFINS e informado no PER/DECOMP foi inserido no processo de compensação nº 10580.03536/200316, motivo pelo qual o PER/DECOMP não foi homologado. Contudo, a Receita Federal emitiu o despacho decisório nº 951, de 11 de setembro de 2006, relativo ao processo de compensação, deferindo em parte os créditos solicitados. O crédito apurado pela empresa em 30/04/2002 foi totalmente reconhecido pela Receita Federal naquele processo, conforme tabela que consta à fl. 11 dos autos. Em relação aos itens 6 e 7 dessa tabela foi protocolada manifestação de inconformidade. Em agosto de 2007, a DRJ Salvador deferiu em parte o direito do contribuinte e a empresa protocolou recurso voluntário. Entende o contribuinte que o seu direito de crédito é maior do que a totalidade dos débitos do processo de compensação. Assim, o PER/DECOMP deste processo deveria ser incluído no processo de compensação 10580.003536/200316 e a cobrança do saldo residual, se houver, ser efetuada somente depois de proferida a decisão final no referido processo. Por meio do Acórdão nº 21.642, de 12 de novembro de 2009, a 4ª Turma da DRJ Salvador julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A DRJ decidiu que o contribuinte tentou utilizar em duplicidade o crédito decorrente do pagamento efetuado a título de COFINS em 30/04/1992 (R$ 4.164.238,73). Isto porque vinculou esse crédito aos débitos compensados no processo 10580.003536/200316, protocolado em 12/05/2003, e também ao PER/DECOMP 25743.66049.140803.1.3.04033, objeto deste processo, transmitido em 14/08/2003. Além disso, no PER/DECOMP informou que o crédito não havia sido utilizado anteriormente em outro processo. O saldo de pagamento efetuado em 30/04/1992 foi totalmente absorvido na amortização dos débitos compensados no processo 10580.003536/200316. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 08/03/2010 (fl. 71), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 31/03/2010 (fl. 92), onde reprisou as alegações contidas na impugnação e acrescentou o seguinte: 1) ao contrário do que entendeu a 4ª Turma da DRJ Salvador, não houve a compensação do crédito ao qual faz juz a recorrente. Essa situação seria facilmente comprovada pela análise do PER/DECOMP. Contudo, ante o fato do PER/DECOMP encontrarse em trânsito, a recorrente restou impossibilitada de juntar cópia ao presente recurso. Porém, no momento em que as cópias forem juntadas, não existirá qualquer dúvida acerca da procedência de seu pleito. O Acórdão recorrido fundamentase em uma premissa falsa, pois não houve a integral compensação, havendo crédito em favor da recorrente. É equivocada a afirmação de duplicidade de créditos entre o PER/DECOMP e o processo de compensação. Esse fato seria facilmente comprovado pela análise do processo de compensação. Entretanto, a obtenção de cópias também está impossibilitada por estarem os autos em trânsito, o que, de pronto, cerceia a ampla defesa da recorrente. Assim, é necessária a reforma do Acórdão 21.642 da DRJ, pois não houve compensação, nem duplicidade de créditos, sendo necessária a juntada deste PER/DECOMP ao processo de compensação. Requereu a reforma do acórdão recorrido e que lhe seja facultada a possibilidade de apresentação posterior de provas documentais e razões, em virtude da impossibilidade de obter cópias do processo de compensação e do PER/DECOMP objeto deste processo. É o relatório. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.901314/200603 Resolução n.º 3403000.368 S3C4T3 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Controvertese exclusivamente sobre matéria de fato. É incontestável o fato de que o pagamento efetuado em 30/04/1992, no valor de R$ 4.164.238,73, foi informado no processo de compensação e no PER/DECOMP objeto deste processo. Mas o fato do mesmo pagamento ter sido indicado duas vezes como fonte de crédito, não significa que foi usado em duplicidade, pois no PER/DECOMP só foi utilizada uma parte dele. Ou seja, o contribuinte, aparentemente considerou que uma parte desse pagamento foi utilizada para quitar débito declarado no processo de compensação e utilizou o saldo neste PER/DECOMP. A questão não se resume em saber se o pagamento no montante de R$ 4.164.238,73, efetuado em 30/04/1992, foi totalmente absorvido para compensar os débitos informados no processo nº 10580.003536/200316, como entendeu a DRJ. A questão agora é saber se no processo nº 10580.003536/200316 sobrará crédito suficiente para amortizar o débito informado neste PER/DECOMP. Em pesquisa efetuada na página de andamento processual do CARF, verificase que o processo nº 10580.003536/200316, está sorteado para o Conselheiro Walber José de Souza, ilustre Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção. Verificase, ainda, que o processo nº 10580.003536/200316 foi baixado em diligência à repartição de origem. Em consulta ao histórico daquele processo no eprocesso, verificase que os autos foram sorteados ao Conselheiro Walber José de Souza no dia 17/08/2010. Portanto, este processo deveria ter sido distribuído por conexão ao Conselheiro Walber, independentemente de sorteio, conforme determina o art. 49, § 7º do Regimento Interno do CARF. Tendo em vista que o crédito utilizado neste PER/DECOMP constitui parcela de um crédito maior que está sendo discutido naquele processo, é evidente que a homologação desta compensação está umbilicalmente ligada à solução do processo nº 10580.003536/2003 16, pois é necessário saber se a magnitude do crédito do contribuinte será suficiente para amortizar os débitos compensados com os créditos lá discutidos. Em face do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem, a fim de que este processo seja anexado e passe a tramitar junto com o processo nº 10580.003536/200316, cuja solução é prejudicial à homologação da compensação declarada neste PER/DECOMP. A Secretaria da Quarta Câmara deverá retirar este processo da carga deste Relator antes dele ser encaminhado à repartição fiscal de origem para o processamento da diligência, uma vez que quando do seu retorno ele estará anexado ao processo de compensação e será encaminhado ao Conselheiro Walber José de Souza, por força do art. 49, § 7º do Regimento Interno do CARF. Antonio Carlos Atulim Fl. 105DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.901314/200603 Resolução n.º 3403000.368 S3C4T3 Fl. 4 4 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10935.001760/2007-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3403-000.274
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2286; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 1 1 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.001760/200721 Recurso nº Resolução nº 3403000.274 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 01 de setembro de 2011 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente INDÚSTRIA DE COMPENSADOS SUDATI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Domingos de Sá Filho, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão no 27.582, da DRJ em Curitiba – PR, que negou o direito à repetição de indébito formulado pelo contribuinte com base na declaração da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, sob o argumento de que aquela decisão não tem eficácia erga omnes e não atende aos requisitos do Decreto nº 2.346/97 para ser estendida ao caso concreto. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância, o contribuinte recorreu em tempo hábil a este Conselho, alegando, em síntese, que o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 é inconstitucional e que o plenário do Supremo Tribunal Federal já declarou essa inconstitucionalidade em caráter definitivo. Existindo decisão definitiva do STF, ainda que proferida no controle difuso, os arts. 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97 autorizam a autoridade administrativa a decidir de acordo com o que preceitua o STF. Disse que recolheu indevidamente a contribuição por ter incluído em sua base de cálculo receitas financeiras, variações cambiais ativas, ressarcimento do crédito presumido de IPI e outras receitas distintas do faturamento, as quais, segundo a decisão do STF, não poderiam ter sofrido a incidência tributária. Requereu a reforma da decisão recorrida e o deferimento da restituição pleiteada. Fl. 391DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/09/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. Analisando o despacho decisório da autoridade administrativa (fls. 312 a 315), verificase que todos os períodos incluídos neste pedido de restituição haviam sido objeto de pedidos de restituição formalizados por meio da transmissão de PER/DECOMP em maio e junho de 2006. Os pedidos eletrônicos foram considerados indevidos porque o sistema não estava preparado para analisar pedidos de restituição quando a extinção da obrigação tributária havia ocorrido por meio da apresentação de declaração de compensação. O contribuinte foi então orientado a apresentar o formulário padrão previsto no anexo I da IN SRF nº 600/2005. A fim de subsidiar a contagem do prazo de prescrição do direito à repetição do indébito, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem, a fim de que sejam juntados aos autos as cópias dos documentos que comprovem a data exata em que ocorreu a transmissão dos pedidos eletrônicos de restituição que foram mencionados no primeiro parágrafo deste voto. Antonio Carlos Atulim Fl. 392DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/09/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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