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Numero do processo: 10680.011087/2007-77
Data da sessão: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ
Exercício: 2003, 2004
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. FALTA DE APRECIAÇÃO
EXPRESSA DE ARGUMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não é nula a decisão de primeira instância que não apreciou de forma expressa o argumento de que seria necessária a declaração de inaptidão das empresas upostamente prestadoras de serviços para que os custos respectivos pudessem ser glosados; o conjunto da decisão recorrida deixa claro o entendimento de que a declaração de inaptidão não é condição indispensável para que se questionem os custos e despesas contabilizados, especialmente quando o Fisco aprofunda as investigações e traz aos autos os elementos em que se baseou para as glosas.
GLOSA DE CUSTOS. DOCUMENTOS INIDÔNEOS.
Comprovado que os documentos que lastrearam os custos eram inidâneos, impressos com base em AIDF inexistente, emitidos por empresa inexistente de fato; que os alegados pagamentos foram feitos em dinheiro; e, ainda, à míngua de qualquer comprovação da efetiva prestação dos serviços, devem ser mantidas as exigências.
GLOSA DE CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Deve ser mantida a glosa de custos dos serviços contratados para a elaboração de projetos na situação em que os pagamentos foram feitos em espécie, as contratadas declaram-se inativas e não são localizadas e a contratante não apresenta nenhum documento, além das notas fiscais, que comprove a efetiva prestação dos serviços.
MULTA QUALIFICADA. DOCUMENTOS INIDONEOS.
É de se manter a multa qualificada de 150%, aplicada à glosa de despesas/custos lastreados por documentos inidôneos, conforme comprovação nos autos. Naquelas situações em que a caracterização da inidoneidade dos documentos não restar inequívoca, a multa aplicada deve ser reduzida para 75%.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
Desde que não caracterizada nos autos a intenção de burlar o fisco, mas tão somente a falta de comprovação da efetividade da despesa, é de se manter a glosa, reduzindo-se a multa de oficio de 150% para 75%.
IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Exercício: 2003
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTOS SEM CAUSA.
DECADÊNCIA.
A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. Ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o termo inicial para contagem do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme art. 173, I, do CTN. O mesmo ocorre quando inexiste qualquer atividade exercida pelo contribuinte, passível de homologação pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1301-000.227
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir ao percentual de 75% a multa incidente sobre o IRPJ e a CSLL por glosas de custos lastreados nas notas fiscais supostamente emitidas pelas empresas Pavimento Construções e Comércio Ltda., Ferraz Cavalcanti Cons. de Planejamento, Projetos e Obras Ltda., Construtora Speed Ltda. e PC&M Proj. Pub. Comunicação e Marketing
Ltda., e reduzindo para 75% a multa aplicada sobre o IRF incidente sobre pagamentos lastreados em notas fiscais supostamente emitidas pelas mesmas empresas, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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FALTA DE APRECIAÇÃO EXPRESSA DE ARGUMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não é nula a decisão de primeira instância que não apreciou de forma expressa o argumento de que seria necessária a declaração de inaptidão das empresas supostamente prestadoras de serviços para que os custos respectivos pudessem ser glosados; o conjunto da decisão recorrida deixa claro o entendimento de que a declaração de inaptidão não é condição indispensável para que se questionem os custos e despesas contabilizados, especialmente quando o Fisco aprofunda as investigações e traz aos autos os elementos em que se baseou para as glosas. GLOSA DE CUSTOS. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. Comprovado que os documentos que lastrearam os custos eram inidâneos, impressos com base em AIDF inexistente, emitidos por empresa inexistente de fato; que os alegados pagamentos foram feitos em dinheiro; e, ainda, à míngua de qualquer comprovação da efetiva prestação dos serviços, devem ser mantidas as exigências. GLOSA DE CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Deve ser mantida a glosa de custos dos serviços contratados para a elaboração de projetos na situação em que os pagamentos foram feitos em espécie, as contratadas declaram-se inativas e não são localizadas e a contratante não apresenta nenhum documento, além das notas fiscais, que comprove a efetiva prestação dos serviços. MULTA QUALIFICADA. DOCUMENTOS INIDONEOS. É de se manter a multa qualificada de 150%, aplicada à glosa de despesas/custos lastreados por documentos inidemeos, conforme comprovação nos autos. Naquelas situações em que a caracterização da inidoneidade dos documentos não restar inequívoca, a multa aplicada deve ser reduzida para 75%. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Desde que não caracterizada nos autos a intenção de burlar o fisco, mas tão somente a falta de comprovação da efetividade da despesa, é de se manter a glosa, reduzindo-se a multa de oficio de 150% para 75%. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Exercício: 2003 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTOS SEM CAUSA. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. Ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o termo inicial para contagem do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme art. 173, I, do CTN. O mesmo ocorre quando inexiste qualquer atividade exercida pelo contribuinte, passível de homologação pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir ao percentual de 75% a multa incidente sobre o IRPJ e a CSLL por glosas de custos lastreados nas notas fiscais supostamente emitidas pelas empresas Pavimento Construções e Comércio Ltda., Ferraz Cavalcanti Cons. de Planejamento, Projetos e Obras Ltda., Construtora Speed Ltda. e PC&M Proj. Pub. Comunicação e Marketing Ltda., e reduzindo para 75% a multa aplicada sobre o IRF incidente sobre pagamentos lastreados em notas fiscais supostamente emitidas pelas mesmas empresas, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. el—kh rix LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente I VEIG CHA - Relator • Fi MB ZOO EDITADO EM: n rar Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Décio Lima Jardim, Rogério Garcia Peres, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. 2 Processo n° 10680.011087/2007-77 SI-C311 Acórdão n.° 1301-00.227 CL 2 Relatório DAM PROJETOS DE ENGENHARIA LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 02-16036, de 18/10/2007, da 4' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em 09/08/2007 (ciência do sujeito passivo em 10/08/2007) para constituição de crédito tributário de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ (fl. 05), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL (fl. 10) e Imposto de Renda na Fonte — IR_F (fl. 15), tudo por fatos geradores ocorridos nos anos-calendário 2002 e 2003. 0 total da exação foi de R$ 1344.548,17, aí incluídos multa de oficio de 150% e juros moratórios, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo à fl. 04. De acordo com a Descrição dos Fatos (fl. 06) e com o Tenno de Verificação Fiscal (fls. 21/28), a interessada efetuou pagamentos, contabilizados corno custos, às seguintes pessoas jurídicas: (i) MCM Construtora & Serviços Técnicos Ltda., CNPJ 02.438.750/0001-75; (ii) Pavimento Construções e Comércio Ltda., CNPI 00.374.624/0001-79; (iii) Ferraz Cavalcanti Cons. de Planejamento, Projetos e Obras Ltda., CNPJ 17.046.970/0001-20; (iv) Construtora Speed Ltda., CNPJ 66.375.007/0001-04; e (v) PC&M Proj. Pub. Comunicação e Marketing Ltda., CNPJ 65.168.262/0001-05. No entanto, além das notas fiscais, em tese emitidas pelas contratadas, e da alegação de que os pagamentos teriam sido feitos em dinheiro, nenhum contrato ou outro documento foi apresentado, que ' pudesse comprovar a efetiva prestação de serviços. Ademais, a fiscalização relata que a empresa MCM já havia sido objeto de fiscalizações anteriores da Receita Federal, quando foi constatado que praticava a venda de notas fiscais, mediante o pagamento de comissões, sem nenhuma efetiva prestação de serviços. Quanto às demais empresas, com pequenas variações, não foram localizadas em seus endereços cadastrais, nem seus sécios, e se declaravam como inativas à Receita Federal. Assim, concluiu o Fisco tratar-se de custos inexistentes, suportados por notas fiscais inidôneas, sem a comprovação de sua efetiva prestação, o que motivou a lavratura de autos de infração de IRPJ e CSLL para as glosas desses custos. A fiscalização também considerou que as saídas do caixa da empresa, a titulo de pagamento por prestação de serviços a essas empresas, seriam de fato pagamentos sem causa ou pagamentos a beneficiários não identificados, urna vez que todos os pagamentos foram efetuados em dinheiro, sem qualquer comprovação da efetiva prestação dos serviços nem identificação do real beneficiário. Por este motivo, foi também lavrado o auto de infração do Imposto de Renda na Fonte, com base nos arts. 674, 675 e 725 do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99). Cientificada das exigências e com elas irresignada, a interessada apresentou impugnação aos lançamentos (fls. 531/545), com argumentos que podem ser sintetizados como segue: 3 Alega a decadência do direito de lançar o Imposto de Renda na Fonte para fatos geradores ocorridos até 31/07/2002, com base no art. 150, § 4°, do CTN, considerando que o auto de infração foi lavrado em 10108/2007. Insurge-se contra as glosas efetuadas pelo Fisco, afirmando, no que toca à empresa MCM Construtora e Serviços Técnicos Ltda., que a própria fiscalização teria admitido que a prestadora de serviços recebeu parte do pagamento. Desta forma, caberia individualizar essa parcela, que teria sido paga a beneficiário identificado, para exclui-la da exigência do IRF a titulo de "pagamento a beneficiário não identificado". Reproduz trechos do Termo de Verificação Fiscal, para concluir que os motivos arrolados não seriam suficientes para a glosa dos valores, muito menos para imposição de multa qualificada, e que "se uma empresa não é encontrada em determinado local cinco anos após os fatos em questão, isto não significa que o serviço não tenha sido prestado. Por outro lado, não se pode apenar o tomado,- dos serviços se o prestador dos mesmos não cumpriu suas obrigações para com a Receita Federal. Quanto às declarações de pessoas a quem aproveita negar a efetividade dos serviços e o recebimento dos valores, não podem ser tomadas como testemunhos válidos, porque contaminadas pelo interesse próprio". Argumenta que caberia à fiscalização o ônus da prova, aprofimdando as investigações, e que os elementos relatados no Termo Fiscal, constituem, quando muito, indícios que poderiam ser levados em conta para a declaração das empresas como inaptas, na forma da legislação própria. Diz que o fisco não procedeu à declaração da inaptidão das empresas prestadoras dos serviços, não podendo transferir o ônus da prova, eis que não é dado à impugnante "o poder de fiscalizar o cumprimento das obrigações fiscais de seus fornecedores". Por outro lado, argumenta que fiscalização não negou a existência dos pagamentos, mas os considerou como tendo sido feitos (em parte) a beneficiários não identificados, sem que provasse o alegado. Citando jurisprudência afirma que simples suspeitas não são suficientes para desfazer a presunção de legitimidade e boa-fé que milita a favor do contribuinte. Quanto à aplicação da multa agravada alega que foi feita sem que a Fiscalização trouxesse ao processo provas de evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio. A 4' Turma da DRS em Belo Horizonte/MG analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n°02-16036, de 18/10/2007 (fls. 558/572), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sabre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Exercício: 2003, 2004 Glosa de Custos. Mantém a glosa de custos, quando, regularmente intimada na fase preliminar de investigações, a empresa não comprova com documentação hábil e idónea, a natureza das operações que lhe deram causa, elementos que continuam sem a comprovação necessária mesmo após o contencioso. ier 4 Processo n 10680.011087/2007-77 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.227 A escrituração da contribuinte faz prova em seu favor somente se respaldada em documentos hábeis que efetivamente comprovem os fatos nela registrados. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte —IR)?? Exercício: 2003, 2004 Pagamentos a beneficiários não identificados. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, à aliquota de trinta e cinco por cento, os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros, contabilizados ou mio, quando não for comprovada a operação, ou a causa que deu origem à entrega dos valores, nem identificado o beneficiário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003, 2004 Normas Gerais: Decadência e Multa Proporcional Qualificada. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo ao IRRF extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A aplicação da multa de cento e cinqüenta por cento encontra amparo legal, nas hipóteses de ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Não se prestam a comprovar custos/despesas notas fiscais emitidas em nome de empresas inexistentes e/ou já desativadas, se a pessoa jurídica não logra comprovar de forma irrefutável que os serviços foram efetivamente prestados. A utilização de documentos inidaneos configura evidente intuito de fraude, sujeitando a pessoa jurídica à multa agravada. Ementa Normas Processuais: Tributação Reflexa Observada a legislação de regência, aplica-se ao lançamento reflexo de CSLL e IRRF o mesmo procedimento adotado para o IRPJ, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Ciente da decisão de primeira instância em 21/11/2007, conforme Aviso de Recebimento à fl. 578, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/12/2007 conforme carimbo de recepção à folha 579. No recurso interposto (fls. 579/596), reitera preliminarmente a argüição de decadência do IRF para os fatos geradores ocorridos até 31/07/2002, com base no art. 150, § 4°, do CTN, colacionando jurisprudência que entende aplicável. No mérito, traz os argumentos abaixo sintetizados: Afirma que o acórdão recorrido ter-se-ia apoiado apenas no que já estava fundamentado no auto de infração, deixando de tecer consideração acerca da necessidade do o órgão fiscal declarar a inidoneidade da documentação de determinado fornecedor para negar validade ao respectivo documentário. O rito fixado pelo próprio órgão teria sido inobservado. No que toca aos pagamentos contabilizados com custos contratados à empresa MCM Construtora, reitera as alegações trazidas em sede de impugnação, e considera que a Turma Julgadora em primeira instância passou ao largo de incoerência evidenciada no procedimento fiscal, quando se admitiu que parte do pagamento seria de comissões, portanto, pago a beneficiário identificado. Sobre os pagamentos às demais empresas, repete, com as mesmas palavras, os argumentos apresentados na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA O recurso é tempestivo e dele conheço. A preliminar de decadência será apreciada ao final do voto, visto que depende da análise que se há de fazer acerca da presença, ou não, de dolo na conduta do contribuinte. Alega a recorrente que a decisão a quo teria deixado de se manifestar acerca de sua reclamação sobre a necessidade de ser declarada a inaptidão das empresas e de seus documentos fiscais para somente então impugnar os custos e despesas amparados por esses documentos. Embora o assunto não tenha sido tratado explicitamente, tenho que o conjunto da decisão recorrida deixa claro o entendimento de que a declaração de inaptidão não é condição indispensável para que se questionem os custos e despesas contabilizados, com o que concordo. É que a contabilidade faz prova a favor do contribuinte quando lastreada por documentos capazes de comprovar os fatos nela registrados. Quando, como no caso vertente, o Fisco não encontra junto à fiscalizada documentos que comprovem a efetiva realização dos serviços, os pagamentos foram feitos em espécie, e o aprofundamento das investigações mediante diligências junto às empresas alegadamente contratadas nada acrescenta no sentido de comprovar que os custos tenham sido de fato incorridos e pagos, é perfeitamente licita a glosa dos custos, ainda que não declarada a inaptidão das empresas que supostamente teriam emitido os documentos fiscais que lastrearam esses custos. O cerne da questão é se os elementos reunidos pelo Fisco são suficientes para glosar os custos contabilizados pela recorrente, e mais, negar validade às notas fiscais que os lastrearam e afirmar que se trata de documentos inidõneos, a justificar a aplicação de multa qualificada (150%) e a incidência do imposto de renda na fonte sobre os respectivos pagamentos, por considera-los sem causa e/ou a beneficiário não identificado. Para tanto, considero relevante transcrever trechos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 21/28) em que o Fisco descreve os esforços empreendidos em relação a cada uma das empresas supostamente contratadas pela recorrente, no sentido de obter documentos que pudessem comprovar a efetiva realização dos alegados serviços. 6 Processo n° 0-68D.DT108”1007-11 51-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.227 Fl. 4 1- MCM CONSTRUTORA & SERVIÇOS TÉCNICOS LTDA, CNPJ: 02.438.750/0001-75. Esta empresa surgiu como prestadora de serviços, para outras empresas do ramo de construção civil, que foram fiscalizadas pela Receita Federal, sendo concluído que a mesma, efetivamente praticava a venda de notas fiscais, mediante o pagamento de comissão, sem nenhuma prestação efetiva de serviços. No curso da presente fiscalização a empresa MCM Construção não foi intimada a prestar esclarecimentos tendo em vista as diversas diligências já efetuadas, que comprovam que a empresa não fiencionava nos endereços fornecidos à SRF, e que o quadro societário informado pela mesma não condizia com a realidade, entre outras irregularidades detectadas. Entre as diligências já efetuadas, retro citadas, destaca-se a identificação do ex-sócio da empresa, Sr. Clésio Lúcio da Apresentação, CPF: 616.447.816-20, que prestou depoimentos por três vezes e informou que efetivamente nunca exerceu a gerência da empresa, e que apenas esteve como sócio gerente, por um período curto, a fim de posteriormente efetuar a transferência da empresa para o Sr. Luiz Gonzaga Torres, CPF: 222.519.956-68, tendo inclusive endossado cheques para o mesmo. A empresa MCM Construtora apresentou DIPJ's como "INATIVA", desde o ano-calendário de 1999 até 2005. A empresa ora fiscalizada, apresentou as notas fiscais n's 000197, 000302, 000320, 000391, 000426, e 000447, em tese emitidas pela MCM Construtora. Conforme visto no rodapé das citadas NF's, as mesmas foram impressas pela Gráfica Digital Ltda, em função da AIDF-Autorização de Impressão de Documentos Fiscais emitida pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, de n° 2249/2003, emitida em 08/01/2003, entretanto trata-se de informação inveddica, uma vez que a prefeitura retro citada, através do Oficio Externo GETM n° 066/2006, de 07/03/2006, informa que a Ultima AIDF autorizada para a empresa MCM Construtora, foi a de n ü 16.138, de 04/07/2001, para as Notas Fiscais de no 000151 a 000250. Não foi apresentado pela empresa DAM Projetos, nenhum contrato ou qualquer outro documento comprobatório da relação comercial entre a mesma e a empresa MCM Construtora. Os documentos acima citados encontram-se anexados as fls. 304 a 351. 2- PAVIMENTO CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA. CNPJ: 00.374.624/0001-79. A empresa PAVIMENTO construções também foi intimada a comprovar a efetiva prestação dos serviços à empresa 7 fiscalizada DAM PROJETOS, entretanto a intimação não foi entregue uma vez que a empresa não foi localizada no endereço constante dos cadastros da Receita Federal, sendo então encaminhada intimação ao sócio da empresa Sr. João Evangelista Resende Silva. O Sr. João Evangelista Resende Silva informou que a empresa PAVIMEIVTO Construções não prestou nenhum serviço à DANI PROJETOS, conforme documento de fl. 357. A empresa PAVIMENTO Construções apresentou DIPJ's utilizando o Formulário III, nos anos-calendário de 1995 e no ano-calendário de 1998 optou pelo Lucro presumido. Para os anos-calendário de 2001, 2002 e 2003 apresentou DIPJ como INATIVA, não apresentando DIPJ para os anos-calendário subseqüentes. A empresa DAM PROJETOS em resposta à intimação, apresentou a nota fiscal de n° 001195, que em tese, teria sido emitida pela PAVIMENTO Construções, entretanto a mesma não apresentou nenhum contrato entre as duas empresas, ou qualquer outro documento que comprovasse a efetiva prestação de serviços, bem como não comprovou nenhum pagamento à empresa PAVIMENTO Construções, apenas informando que o pagamento à mesma foi efetuado em dinheiro. Os documentos acima citados encontram-se anexados àsfls, 352 a 361. 03 — FERRAZ CAVALCANT1 CONS. DE PLANEJAMENTO, PROJETOS E OBRAS LTDA, CNPJ: 17.046.970/0001-20. A empresa FERRAZ CAVALCANTI também foi intimada a comprovar a efetiva prestação dos serviços à empresa fiscalizada DAM PROJETOS:, entretanto a intimação não foi entregue ema vez, que a empresa não foi localizada no endereço constante dos cadastros da Receita Federal, sendo então encaminhada a intimação ao sócio da empresa Sr. Miguel Bento, que também não foi entregue. A empresa FERR,4Z CAVALCANT1 apresentou D1PJ, no ano- calendário de 2002 como INATIVA, tendo sido a última DIPJ apresentada. A empresa DAM PROJETOS, em resposta à intimação, apresentou as notas fiscais de n as 000215, 000258, 000334 e 000347, que em tese, teriam sido emitidas pela empresa FERRAZ CAVALCANTI, entretanto a empresa não apresentou nenhum contrato entre as duas empresas, ou qualquer outros documento que comprovasse a efetiva prestação de serviços, bem como não comprovou nenhum pagamento à mesma, apenas informando que o pagamento havia sido em dinheiro. Os documentos acima citados encontram-se anexados às /is. 362 a 371. 04 — CONSTRUTORA SPEED LTDA, CNPJ: 66375.007/0001- 04 8 Processo 1—w-LI068G1011087/2007-77 SI-C3T1 Acórdão a° 1301-00.227 Fl. 5 Á empresa CONSTRUTORA SPEED também foi intimada a comprovar a efetiva prestação dos serviços à empresa fiscalizada DAM PROJETOS, entretanto a intimação não foi entregue ema vez, que a empresa não foi localizada no endereço constante dos cadastros da Receita Federal, sendo então encaminhada a intimação ao sócio da empresa Sr. Rubens Santos, que também não foi entregue. A empresa CONSTRUTORA SPEED apresentou DIPJ, no ano- calendário de 2001 a 2005 como INATIVA, tendo sido a Ultima DIPJ apresentada. A empresa DAM PROJETOS, em resposta à intimação, apresentou a cópia da nota fiscal de n° 001148, que em tese, teria sido emitida pela empresa CONSTRUTORA SPEED, entretanto a empresa não apresentou nenhum contrato entre as duas empresas, ou quaisquer outros documentos que comprovasse a efetiva prestação de serviços, bem como não comprovou nenhum pagamento à empresa contratada, apenas informando que o pagamento havia sido em dinheiro. Os documentos acima citados encontram-se anexados às fis. 372 a 380. 05 — PC&M PROJ. PUB. COMUNICAÇÃO E MARKETING LTDA, CNPJ: 65.168.262/0001-05. A empresa PC&M PROJ. PUB. COMUNICAÇÃO também foi intimada a comprovar a efetiva prestação dos serviços à empresa fiscalizada DAM PROJETOS, entretanto a intimação não foi entregue, uma vez que a empresa não foi localizada no endereço constante dos cadastros da Receita Federal. A empresa DAM PROJETOS, em resposta à intimação, apresentou a cópia da nota fiscal de n° 000018, que em tese, teria sido emitida pela empresa PC&M PROL PUB. COMUNICAÇÃO, entretanto a empresa não apresentou nenhum contrato entre as duas empresas, ou quaisquer outros documentos que comprovasse a efetiva prestação de serviços, bem como não comprovou nenhum pagamento à empresa contratada, apenas informando que o pagamento havia sido em dinheiro. Os documentos acima citados encontram-se anexados às fls. 381 A 386. Tenho que os custos contabilizados pela recorrente não restaram devidamente comprovados. Atendo-me, neste momento, à documentação apresentada pela interessada, constato que, em todos os casos, a descrição dos serviços que consta nas notas fiscais é "Elaboração de Projeto para o Complexo da Lagoa da Pampulha" (fls. 138, 141, 143, 145, 147, 149, 154, 156, 158 e 163), "Elaboração de Projeto para a Barragem Casa de Pedra para a Mineração Casa de Pedra em Congonhas — M.G." (11. 151), ou, ainda, "Elaboração de Projeto para a Barragem do Batateira para a Mineração Casa de Pedra em Congonhas — MG' (fls. 160 e 165). Ou seja, trata-se, em todos os casos, de projetos técnicos, algo concreto, material, que, se efetivamente fornecidos, deveriam estar no acervo técnico da contratante. E 9 mais, para que fossem custos dedutiveis, teriam quê estar ligados a obras ou projetos levados a efeito pela própria contratante, ora recorrente. Apesar de intimada (fl. 38), além de não apresentar nenhum dos projetos alegadamente contatados e elaborados, a ora recorrente também não apresentou nenhum outro elemento que viesse em apoio da efetividade dos serviços: contratos, relatórios, planilhas, atas de reunião, correspondências trocadas, identificação de profissionais envolvidos nos projetos, nada foi trazido a lume. E mais, os pagamentos foram todos feitos em dinheiro, o que não é proibido, mas pouco usual, em se tratando de quantias mais elevadas (média superior a RS 40 mil), e não concorre para a comprovação da efetividade dos serviços. Acrescento, ainda, que não foram apresentados nem identificados pela recorrente nenhum dos projetos ou obras, de sua execução, para cujo bom termo houvesse sido necessária a contratação (ou subcontratação) de terceiros para elaboração de projetos. Esse foi o motivo principal e determinante para a glosa dos custos, e também para que o lançamento, sob esse aspecto, fosse mantido em primeira instância. Não faço reparos, sob este aspecto, ao decidido, e entendo cabivel a glosa de custos, por falta de comprovação, sem prejuízo das considerações que se seguem. Indo além da mera falta de comprovação dos custos e dos indícios já apontados, o Fisco buscou, junto às empresas que teriam prestado os serviços, a comprovação da efetividade de sua prestação, com os resultados anteriormente transcritos, e sobre os quais teço algumas considerações. I. Acerca da empresa MCM Construtora & Serviços Técnicos Ltda. A documentação probatória reunida pelo Fisco é farta no sentido de provar sua inexistência de fato e a prática reiterada, constatada inclusive em outras fiscalizações, de emissão de notas fiscais que não correspondiam à efetiva prestação de serviços. O Fisco diligenciou junto à gráfica que teria impresso as notas fiscais apresentadas, a qual negou sua autoria. Também a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte negou que houvesse autorizado a MCM a imprimir esses documentos. A toda a evidência, trata-se de documentos inicloneos, utilizados pela interessada para aumentar artificialmente seus custos e, por via de conseqüência, reduzir o resultado tributável do IRPJ e da CSLL, além de acobertar a saída de recursos de seu caixa para destino e beneficiário ignorados. Inexiste, aqui, presunção, como alega a recorrente. O Fisco comprovou a inidoneidade dos documentos apresentados e a incapacidade da empresa contratada, e a interessada não conseguiu trazer qualquer contraprova, no sentido da efetividade da prestação dos serviços. O que era, até aqui, mera falta de comprovação, adquire ares bastante mais graves, de custos inexistentes, lastreados por documentos inidoneos. Nesse sentido também a jurisprudência administrativa, cabendo citar o acórdão do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes n° 103-19.504/98 — DOU de 25/09/98, assim ementado: IRPJ - CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS - NOTAS FISCAIS DE EMPRESAS INIDONEAS OU INEXISTENTES - Nos lançamentos efetuados sob alegação de que o contribuinte utilizou documentos fiscais inidõneos, para o fim de efetuar deduções ou exclusões, na apuração do lucro real, cabe ao Fisco aprova da inidoneidade desses documentos, assim como da inveracidade de quaisquer dados ou elementos registrados na escrituração comercial e fiscal. Em se tratando de documentos fiscais dados como emitidos por empresa inexistente f io Processo n°10680.011087/2RM74/ S1-C3.T1 Acórdão n.° 1301-00.227 Fl. 6 de fato, é imprescindível a prova dessa inexistência, podendo o contribuinte, entretanto, ilidir a pretensão fiscal, mediante contraprova que demonstre a efetividade da operação descrita nos referidos documentos, produzida por qualquer meio admitido em Direito. Diante do exposto, impõe-se a conclusão da correção da multa de 150% aplicada às glosas que correspondem a notas fiscais de emissão da MCM Construtora. Eis o art. 44 da Lei n° 9.430/1996, em sua redação vigente à época do lançamento: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1- de setenta e cinco por cento, nos casos de/alta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de h__mck, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n 1) 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [-1 Observe-se que a Lei n° 11.884/2007 introduziu alterações na redação do art. 44, acima, pelo que a multa de 150% passou a ser prevista pelo §10, e não mais pelo inciso II. As hipóteses de sua aplicação, no entanto, restaram inalteradas, sempre que presente alguma das situações previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964. O art. 72, abaixo transcrito, é relevante para a solução da lide: Art . 72. Fraude é tóda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impósto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. A utilização de documentos inidâneos indiscutivelmente se amolda à perfeição à situação descrita no texto legal, evidenciando a conduta dolosa no sentido de reduzir o montante tributável e evitar o pagamento dos tributos devidos. Correta, pois, a decisão de primeira instância que manteve a multa qualificada sobre as glosas de custos lastreadas por notas fiscais supostamente emitidas por MCM Construtora. E, desde que comprovada a inexistência dos serviços, correto também o entendimento do Fisco, confirmado pela decisão recorrida, de que os pagamentos, feitos em dinheiro, se destinaram a beneficiário não identificado, por causa igualmente desconhecida, devendo se sujeitar à tributação na fonte de que trata o art. 61 da Lei n°8.981/1995, base legal dos arts. 674 e 675 do RIR/99. Eis o dispositivo legal em comento: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, 11 todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § I° Á incidência prevista no caput aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2°, do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991. § 2° Considera-se vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3 0 O rendimento de que trata este artigo será considerado liquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Não procede a afirmação da recorrente de que "nem todo o pagamento foi efetuado a beneficiário não identificado". Não se constatou, no caso concreto, que tivesse havido o pagamento de comissões pela emissão de notas fiscais graciosas, mas tão somente se fez referência ao fato de que isso já havia sido constatado, em outras fiscalizações, com relação a outras empresas que igualmente contabilizavam custos lastreados em notas fiscais da MCM. nNo caso vertente, as constatações do fisco foram aquelas já anteriormente reproduzidas, e levam à conclusão da inexistência dos custos escriturados. Inexistentes os custos, os pagamentos a eles correspondentes não têm causa, o que já seria suficiente para a tributação na fonte ora sob análise. Além disto, pelo fato de terem sido feitos em dinheiro, não é possível a identificação de seu beneficiário, o que reforça a incidência do imposto. Deve ser mantida, por estes motivos, a tributação na fonte incidente sobre os pagamentos correspondentes a notas fiscais supostamente emitidas por MCM Construtora. 2. Acerca das empresas Pavimento Construções e Comércio Ltda., Ferraz Cavalcanti Cons. de Planejamento, Projetos e Obras Ltda., Construtora Speed Ltda. e PC&M Proj. Pub. Comunicação e Marketing Ltda. Anteriormente me manifestei sobre a propriedade das glosas dos custos lastreados em notas fiscais supostamente emitidas pelas empresas acima referidas, por absoluta falta de comprovação de sua efetividade, o que aqui reitero. No entanto, o teor das diligências e demais verificações empreendidas pelo Fisco não se me afigura suficiente para avançar no sentido da inexistência dos custos e da inidoneidade dos documentos fiscais trazidos aos autos. Em todos os quatro casos, o Fisco se limitou a enviar intimação, por via postal, para o endereço cadastral das empresas, as quais foram devolvidas pelos Correios, que não conseguiu localizar o destinatário. O Fisco não diligenciou pessoalmente, o que poderia, se fosse o caso, evidenciar que no passado, à época dos fatos, a empresa já havia operado no local, ou, ao contrário, que ali seria absolutamente desconhecida em qualquer tempo. Quanto à PC&M, não há notícia de que tenha sido tentado qualquer contato com algum dos sócios. No caso das empresas Ferraz Cavalcanti e Construtora Speed, foi enviada, também por via postal, intimação a um dos sócios, igualmente devolvida pelos Correios, e sem qualquer tentativa de diligência pessoal. Finalmente um dos sócios da Pavimento foi localizado, e respondeu à intimação (fl. 357) de forma vaga afirmando tão somente que "parte da documentação foi extraviada" e que "não lembramos de nenhuma prestação de serviços p/ empresa em questão". 12 Processo n° 10680.011087/2007-77 el-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.227 Fl. 7 Ainda, não há notícias de que tenha sido feita qualquer diligência para verificar se as notas fiscais apresentadas teriam sido impressas mediante autorização emitida pelo órgão municipal competente ou não, como foi o caso anteriormente analisado da empresa MCIVI. Em que pese haver indícios, entendo que, para estas quatro empresas não houve aprofundamento suficiente a ponto de afirmar a inidoneidade dos documentos fiscais apresentados, limitando-se a glosa de custos à falta de comprovação da efetiva prestação de serviços. Em decorrência, não vislumbro também elementos que permitam afirmar o dolo na conduta do contribuinte, pelo que considero cabível a redução para 75% da multa aplicada nas glosas de custos lastreados por notas fiscais de suposta emissão das quatro empresas aqui nominadas. Finalmente, no que toca ao Imposto de Renda na Fonte, a recorrente alega (fl. 588) que o Fisco teria que provar que os pagamentos foram feitos a terceiros, não identificados, diversos daqueles que constam nos documentos fiscais apresentados. Não poderia haver inversão do ônus da prova, pois não se trataria de presunção legal, nesse caso. Ocorre que a base legal da autuação do IRF prevê mais de uma hipótese de incidência. Além do pagamento a beneficiário não identificado, a mesma tributação incide sobre o pagamento quando não for comprovada a operação ou a sua causa Em grande parte dos casos, essas duas hipóteses caminham juntas, visto que, quando não se comprova o beneficiário, não se há de cogitar da comprovação da causa. Mas também podem surgir dissociadas quando, mesmo identificado o beneficiário, a causa do pagamento reste obscura ou incomprovada. No caso das quatro empresas de que aqui se trata, a inidoneidade das notas fiscais apresentadas não restou cabalmente comprovada. Assim, seria possível admitir que os pagamentos tenham sido mesmo feitos a seus representantes, ainda que feitos em dinheiro (portanto, sem confirmação bancária) e que a comprovação seja bastante precária (carimbo no verso da duplicata, sem 'data e com assinatura ilegível ou semi-legível). No entanto, a causa desses pagamentos, a saber, os serviços alegadamente prestados, restam ainda incomprovados. A mesma lei que estabeleceu a incidência tributária atribuiu o ônus de provar a causa do pagamento ao contribuinte, vide texto do art. 61, anteriormente transcrito. Desta forma, a decisão que manteve a tributação do IRF incidente sobre pagamentos supostamente efetuados às quatro empresas aqui tratadas merece reforma parcial, mantendo-se a exigência com a redução da multa ao percentual de 75%. De se analisar, finalmente, a alegação de decadência do lançamento do IRE, na parte que incide sobre pagamentos realizados em 30/04/2002 e em 31/07/2002, considerando-se que a ciência do lançamento ocorreu em 10/08/2007, e à luz do art. 150, § 40, do CTN. Entendo que a regra geral para a decadência é a estabelecida pelo artigo 173, inciso 1, do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: /3 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; L Por outro lado, ao tratar das modalidades de lançamento, o mesmo Código estabelece regras especificas para o lançamento por homologação, em seu artigo 150, § 4°: • Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Quanto ao Imposto de Renda na Fonte, ora sob análise, é espécie do Imposto de Renda, o qual, por sua forma de apuração e pagamento, é tido como tributo sujeito ao lançamento por homologação, como, de resto, é o caso da grande maioria dos tributos em nosso sistema tributário. Mas ressalto: o que caracteriza o lançamento por homologação é a atividade cujo exercício é atribuído ao contribuinte, no sentido de calcular o montante devido do tributo e antecipar seu pagamento sem prévio exame da autoridade. Observo ainda que o pagamento, a meu ver, pode ou não existir, a depender do caso concreto, sendo essencial no entanto que o contribuinte tenha praticado a atividade a que se refere a lei e dela tenha dado conhecimento à autoridade administrativa. Na decisão recorrida, a turma julgadora considerou que as exigências apuradas em procedimento de oficio recaem sobre valores não incluídos anteriormente na base de cálculo dos tributos. Portanto, a contagem do prazo decadencial seria regida pelas disposições do art. 173, I, do CTN. Embora por fundamentos distintos, considero correta essa decisão. Em primeiro lugar, no que se refere ao pagamento de R$ 38.098,13, em 31/07/2002, lastreado em nota fiscal inidônea, supostamente emitida por MCM Construtora, foi considerado o evidente intuito de fraude (necessariamente doloso) na prática da infração apurada. A multa foi qualificada em face da constatação e comprovação de que o documento fiscal apresentado foi impresso de forma irregular, com base em AIDF inexistente, e que igualmente inexistentes eram os serviços descritos na nota fiscal. Configurada, assim, a hipótese prevista no § 4° do art. 150, que prevê o retomo à regra geral do art. 173, I. Além disto, esta modalidade do imposto de renda, a saber, o imposto de renda na fonte incidente sobre pagamentos a beneficiários não identificados e/ou cuja operação ou causa não tenham sido comprovadas, ocorre sempre de oficio, e não existe qualquer procedimento ou atividade previamente praticada pelo contribuinte que seja passivel de homologação pela autoridade administrativa. Embora haja respeitáveis opiniões em contrário, entendo que a ausência dessa atividade descaracteriza essa incidência na fonte do imposto de it 14 Processo n° 10680.011087/2007-77 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00227 Fl. 8 renda como sujeito ao lançamento por homologação, aplicando-se então a regra geral do art. 173, I. Assim, a contagem do prazo decadencial deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia se efetuar o lançamento. Desde que o lançamento poderia se dar no próprio ano-calendário 2002, o dies a quo é o dia 1° de janeiro de 2003, vindo o prazo qüinqüenal a extinguir-se em 31/12/2007. Não ocorreu a decadência, portanto, visto que a ciência do lançamento se deu em 10/08/2007. Em conclusão, voto por rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto, reduzindo para 75% a multa incidente sobre o IRPJ e a CSLL por glosas de custos lastreados nas notas fiscais supostamente emitidas pelas empresas Pavimento Construções e Comércio Ltda., Ferraz Cavalcanti Cons. de Planejamento, Projetos e Obras Ltda., Construtora Speed Ltda. e PC&M Proj. Pub. Comunicação e Marketing Ltda,, e reduzindo para 75% a multa aplicada sobre o IRF incidente sobre pagamentos lastreados em notas fiscais supostamente emitidas pelas mesmas empresas. ft; TALérl<yA ROCHA - Relator 15
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000232/00-83
Data da sessão: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. CRÉDITO
PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. 0
valor referente ao beneficiamento dos insumos efetuado por terceiros, com suspensão do imposto na remessa e no retorno ao encomendante, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido, uma vez que se trata de aquisição de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: CSRF/02-03.534
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martinez Lopez, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan e Manoel Coelho Arruda Junior que negavam
provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheira Antonio Praga.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - I PI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. 0 valor referente ao beneficiamento dos insumos efetuado por terceiros, com suspensão do imposto na remessa e no retorno ao encomendante, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido, uma vez que se trata de aquisição de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martinez Lopez, Gileno Gurjdo Barreto, Leonardo Siade Manzan e Manoel Coelho Arruda Junior que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheira Antonio Praga. Participa am d presente julgamento os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Dalton Cesar Cor. eir de Miranda, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martinez Lopez, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson M do Rosenburg Filho e Manoel Coelho Arruda Junior e Antonio Praga. S Processo n° 13976.000232/00-83 Acórdão n.° 02-03.534 CSIZUF02 Hs. 524 Ausentes justificada e momentaneamente os Conselheiros hallo César Vieira Gomes e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório CERAMARTE LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, apresentou Pedido de Ressarcimento de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, instituído pela Medida Provisória n° 725/1995 e alterações, convertida na Lei n° 9.363/1996, em relação ao período de 01/01/1999 a 31/03/1999, conforme Petição Inicial, as fls. 01/02, 78 e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao Segundo Conselho de Contribuintes contra Decisão da DRJ em Porto Alegre/RS, consubstanciada no Acórdão n° 4.493/2004, as fls. 442/449, que manteve o Despacho Decisório, as lls. 358, o qual deferiu parcialmente o Pedido em referência, a Egrégia 2a Camara, em 08/11/2005, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n° 202- 16.675, sintetizados na seguinte ementa: INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. DIREITO A CRÉDITO. LEI N° 9.363/96. 0 beneficio deve ser calculado incluindo-se os valores referentes à operação de heneficiamento de ins t11110 semi-acabado — industrialização por encomenda. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE ENERGIA ELÉTRICA. A Lei V 9.636, de 13/12/96, enumera taxativamente as espécies de illS111170S, cuja aquisições dá direito ao crédito presumido de IPI, são elas: as matérias primas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem. Para a legislação da exação ent questão somente se caracterizam como tais espécies os produtos que, embora não se integrando ao 110V0 produto fabricado, sejam consumidos, ent decorrência de ação direta sobre o produto, no processo de fabricação. A energia elétrica não sofre essa ação direta, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. VARIAÇÃO CAMBIAL. Integra o valor das exportações a ser utilizado no cálculo do incentivo a variação cambial ocorrida entre a data de emissão da nota fiscal e o fechamento do contrato de Cámbio, quando a variação cambial engloba o prey) do produto exportado, sendo, inclusive, emitida nota fiscal complementar. Recurso provido em parte." Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, as fls. 481/490, com arrimo no artigo 32, inciso I, do então Regimento Interno dos Conselhos Processo n° 13976.000232/00-83 CSRF/"1'02 Acórdão n.° 02 -03.534 Hs. 525. de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF n° 55/1998, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Insurge-se contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado de forma flagrante a legislação que regulamenta a matéria (Ressarcimento de Crédito Presumido de WI), mais precisamente o artigo 1°, caput, da Lei n° 9.363/96. Assevera que o ressarcimento de crédito presumido de IPI, na condição de incentivo a exportação, concedido por mera liberalidade do Estado, não pode ser interpretado extensivamente, cabendo ao legislador delinear os contornos desse incentivo, sob pena de ofensa ao principio de legalidade. Contrapõe-se ao decisum guerreado, aduzindo para tanto que o artigo 1° da Lei n° 9.363/96 incluiu na base de cálculo de referido beneficio fiscal tão somente as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, não contemplando os serviços de beneficiamento prestado por terceiros. Sustenta que o beneficiamento de insumos, em que pese tratar-se de industrialização por terceiros, é hipótese de prestação de serviço e não de aquisição de matéria- prima, na forma que entendeu a Camara recorrida. Alega que ao prevalecer o Acórdão recorrido, estar-se-ia computando os gastos gerais na fabricação como se matéria-prima fossem, não se cogitando em aquisição de matéria-prima, malferindo o disposto no artigo 1°, caput, da Lei n° 9.363/96, extrapolando o alcance da hipótese prevista em lei. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2' Camara do 2° Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido, ao incluir a industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido de IPI, contrariou, a priori, os preceitos contidos no comando legal que impõe interpretação literal e restritiva no caso de renúncia fiscal, conforme Despacho n° 202-259, as fls. 492/493. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contra-razões, as fls. 497/508, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, trazendo à colação jurisprudência administrativa a respeito da matéria, oferecendo guarida à sua pretensão. É o Relatório. 3 Processo n° 13976.000232/00-83 Acórdão n.° 02-03.534 Voto Vencido Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA. Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da 2 a Camara do 2° Conselho a contrariedade a. lei suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Pretende a Fazenda Nacional a reforma do Acórdão recorrido, o qual deu provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, determinando a inclusão dos valores utilizados na industrialização por encomenda na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI, sob o argumento de que o entendimento levado a efeito pela Camara recorrida afronta de forma flagrante o disposto no artigo 1°, caput, da Lei n° 9.363/96, bem como o principio da legalidade, impondo a interpretação restritiva da legislação que regulamenta a matéria, sobretudo quando referido beneficio fiscal, na condição de incentivo à exportação, é concedido por mera liberalidade do Estado. A fazer prevalecer seu entendimento, infere que o artigo 1° da Lei n° 9.363/96 incluiu na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI exclusivamente as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, o que não se vislumbra na hipótese vertente (serviços de beneficiamento prestado por terceiros). Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o Acórdão recorrido apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Antes mesmo de se adentrar as questões controvertidas a propósito da matéria, cumpre trazer a. baila a legislação tributária que instituiu o ressarcimento do crédito presumido do IPI, notadamente a Medida Provisória n° 725 e reedições, convertida na Lei n° 9.363/96„ in verbis: "Lei n°9.363/1996 Art. I° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrialiazados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares ;es 7. de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado inferno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilizaçõv no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora C0171 o Jim especifico exportaçáo para o exterior. 4 Processo n° 13976.000232/00-83 Acórdão n.° 02 -03.534 Art. 20 A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. 1...1" Conforme se extrai das normas legais retromencionadas, o beneficio fiscal em comento tem o escopo de desonerar as exportações brasileiras de produtos manufaturados, a partir do crédito presumido do Imposto Sobre Produtos Industrializados — IPI, como ressarcimento das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), incidentes sobre os insumos adquiridos para aplicação na industrialização de produtos nacionais destinados ao mercado externo, corno muito bem sedimentado no bojo do voto vencido constante do Acórdão recorrido. A teor dessa conclusão, somente a titulo de reflexão, cumpre inferir que o simples fato de o fisco, acompanhado por alguns dignos julgadores administrativos, não entender estarem incluídas na base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores concernentes aos serviços de beneficiamento do insumo executados por terceiros e sob encomenda, além de coarctar os ditames da Lei n° 9.363/1996, fere mortalmente o fim precipuo de beneficio fiscal sub examine, explicitado acima. Na hipótese dos autos, tratando-se de beneficiamento de matéria-prima destinada à fabricação de mercadorias destinadas ao exterior, o exame da matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações em relação ao procedimento adotado na aquisição da matéria-prima, indispensáveis ao deslinde da controvérsia, citando a titulo exemplificativo a indústria calçadista, a qual reflete muito bem o processo produtivo em comento. Como é do conhecimento daqueles que lidam com referido tema, em virtude da quantidade e dos valores mais acessíveis, o exportador adquire o couro praticamente em uma única época do ano ("safra"), como matéria-prima inacabada (couro semi acabado ou "wet blue"), vindo a estocá-la. Na medida em que os pedidos são concretizados, o exportador encaminha o couro semi acabado para beneficiamento executado por terceiros e sob encomenda. Observe-se, que a conduta da contribuinte obedece principio de economia na produção do bem a ser exportado, visando o maior faturamento da empresa corn a diminuição de custos na produção. Ora, antes de efetuado o pedido, a empresa exportadora não tem conhecimento de qual sera a demanda, tanto em relação à quantidade quanto às cores dos calçados a serem exportados. Dessa forma, além da economia em adquirir grande quantidade de couro de uma só vez, a conduta da contribuinte encontra sustentáculo, ainda, na própria lógica comercial, ou seja, adquire o produto (couro) semi acabado e entrega para o beneficiamento somente quando houver necessidade, observando a quantidade e as especificações (especialmente cores) a serem adotadas por ocasião da exportação. -3 Processo n° 13976.000232/00-83 Acórcido n.' 02 -03.534 Diante desse raciocínio, é de fácil conclusão que somente poderá ser admitida como matéria-prima propriamente dita o couro acabado, após o respectivo beneficiamento, que deverá obrigatoriamente ser considerado como custo na aquisição da matéria-prima. Verifica-se, que o couro inacabado, denominado de "wet blue". isoladamente, não oferece condições de industrialização do produto final a ser exportado, qual seja, o calçado. Nesse sentido, não pode ser considerado como efetiva matéria-prima. A rigor, o beneficiamento (operação industrial) procedido por terceiros ou sob encomenda é condição essencial à caracterização da matéria-prima em comento, couro acabado. Assim, nada mais justo/correto que os custos do beneficiamento do couro inacabado serem incluidos na base de cálculo do crédito presumido do IPI, ainda que procedido por terceiros. Impende esclarecer, ainda, que na hipótese de o exportador adquirir a matéria-prima já submetida a processo de beneficiamento (couro acabado), o valor total de referida aquisição seria admitido para cálculo do crédito presumido de IPI, inclusive a importância relativa a mão-de-obra utilizada nessa operação industrial. Destarte, a não ser no aspecto comercial da empresa como já relatado acima, no entendimento deste conselheiro, inexiste diferença entre a aquisição do couro acabado (efetiva matéria-prima) ou o "wet blue" a ser submetido a posterior processo de beneficiamento. Em ambos os casos, o custo do beneficiamento do couro inacabado será suportado pelo exportador, devendo referida importância ser agregada ao valor final da aquisição da matéria-prima — couro acabado. Mais a mais, somente a titulo elucidativo, constata-se que a operação de industrialização (beneficiamento) sob responsabilidade de terceiros sofre incidência da COFINS e do PIS, o justifica ainda mais o acolhimento do pleito da contribuinte, eis que o beneficio fiscal em comento tern como fim precipuo justamente a desoneração de referidos tributos na exportação de produtos nacionais. Nessa toada, é de se admitir o valor relativo aos serviços de beneficiamento da matéria-prima executados por terceiros na base de cálculo do crédito presumido de IPI. Alias, essa Colenda Câmara Superior já se manifestou por diversas vezes a respeito do tema, oferecendo proteção ao pleito da contribuinte, conforme se extrai dos Acórdãos com suas ementas abaixo transcritas: "b." INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA — A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso CIO qual se destina a matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos exportados pelo encomendante agrega-se ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao P1S e a COFINS previsto na Lei n° 9.363/96. [...j" (2 Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais — Acórdão n° CRSF/02-02.175 — Sessão de 23/01/2006) "IPI — CRÉDITO PRESUMIDO — INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Os custos referentes à matéria prima 6 AES DE OLIVEIRA Processo nÕ 13976.000232/00-83 Acórdão n.° 02 -03.534 beneficiada por terceiros e utilizada no produto final exportado deve ser incluído na base de cálculo do incentivo criado pela Lei n° 9.363/96. Recurso negado." (2' Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais — Acórdão n° CRSF/02-01.857 — Sessão de 11/04/2005) Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 2 0 Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA aROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. 7 Processo n° 13976.000232/00-83 Acórdão n.° 02 -03.534 CSRF/T02 53( Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO PRAGA - Redator Designado. Tendo em vista que a Conselheira Jose Maria Coelho Marques - redatora designada originalmente - deixou de compor o CARF, passo ao voto que exprime a decisão aprovada pelo colegiado, no julgamento deste processo. Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A argumentação expendida no Especial é procedente. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA Acerca dessa matéria, sigo a jurisprudência atual desta Turma, no sentido de desconsiderar da base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores agregados correspondentes ao beneficiamento/acabamento e elaborações efetuados por terceiros, por absoluta falta de previsão legal. Para tanto, adoto os fundamentos e a conclusão do Conselheiro Antonio Bezerra Neto, relator original no Acórdão n° CSRF/02-02.776, de 03 de julho de 2007: "A contenda prende-se a existência ou não de previsão legal que suporte a inclusão concedida pelo Acórdão recorrido em relação aos valores dos insUMOS adquiridos pelo contribuinte, com os respectivos custos de seus beneficiamentos realizados externamente aos estabelecimentos da empresa para posteriores reaprovellamentos pela 111eS1110, na base de cálculo do crédito presumido de IPI O ponto central da análise pode ser colocado da seguinte forma: somente a matéria-prima e o produto intermediário comprados diretamente pelo contribuinte que configuraria insumo para efeito de consideração na base de cálculo do crédito presumido de IPI, ou tambéni assim poderiam ser considerados os prodmos beneficiados e elaborados por terceiros coin material fornecido pela empresa, transitados com suspensão do IPL A Lei 11. 0 9.363, de 1996, que introduziu o beneficio em tela, previu, em seu art. 10 , que o crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS e para a COFINS sejam incidentes "sobre as respectivas aquisições, 110 mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo" Art. I°A empresa produtora e exportadora de mercadorias 11UCi011UiS fillY1 jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n' 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes' sobre as respectivas aquisições, no mercado inferno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.(g.n.) Em razão dos termos em que vazada a aludida norma, qualquer interpretação que se lhe empreste não deve afastar-se das seguintes premissas: por primeiro, que os Processo n° 13976.000232/00-83 Acórddo n.° 02-03.534 CSRF/T02 Fls. 531 insumos utilizados no cômputo do beneficio devam ser adquiridos, ozè seja, comprados de outro estabelecimento, resultando de uma operação comercial de compra e venda mercantil; segundo, que sejam efetivamente utilizados na produção de produtos exportados, no estabelecimento adquirente; terceiro, conto se trata de direito excepto, não comporta interpretação ampliativa, pois os benefícios tributários devem ser interpretados restritivamente, já que envolvem renúncia de receitas públicas. Da necessidade de aquisição dos ins 111170S Ent relação à primeira das premissas, na operação realizada pela contribuinte não há qualquer aquisição de matéria-prima, vez que .16 pertencia ao estabelecimento encomendante no momento do envio para industrialização por encomenda. A aquisição da matéria-prima se deu, portanto, em momento anterior à remessu para industrialização. O custo do beneficiamento realizado por terceiro deve ser contabilizado conto "Gastos Gerais de Fabricação", não como incremento do valor da matéria-prima, não podendo ser incluído no cálculo do crédito presumido. O montante despendido por tal pagamento não deve entrar no cômputo do beneficio, mesmo porque a operação de envio e retorno se dá com suspensão do IPI, confirme sublinhado na Nota MF/SRF/COSIT/COTIP/DIPEX n.° 312, de 3 de agosto de 1998. Normalmente se argumenta que se o contribuinte houvesse adquirido de fornecedores o couro beneficiado/acabado, e os itens elaborados que emprega na MOntagent de calçados, então poderia enquadrar os valores aos mesmos correspondentes no dimensionamento (artigo 20 da Lei 9363/96) do crédito presumido de IPI? Vê-se que se levanta uma hipótese contrafactual, o que so pela natureza do argumento já se vê que não é um fato. Mas, vamos conceder 11171 crédito a essa hipótese. Sim, nessa hipótese o pleiteante teria direito ao crédito, pois nesse caso a situação se amoldaria aos precisos termos da norma, conto otitis deve ocorrer com qualquer direito excepto: estar-se-ia adquirindo efetivamante matéria-prima ou um produto intermediário, para efeito de se compor a base de cálculo do credit() presumido do IN Aliás, a tentativa de coerência buscada naquela hipótese contrafactual abriria brecha a uma outra incoerência, qual seja: Por que o legislador, seguindo o mesmo raciocínio, e COM muito maior razão, não optaria também por conceder esse crédito relativo ao beneficiamento quando efetuado pelo próprio industrializador, e não por terceiro? Por que o legislador iria privilegiar a terceirização em detrimento da industrialização pelo próprio exportador, en) ulna mesma situação? Não concedeu, por questão de coerência, pois não se está a tratar de aquisição de matéria prima ou produto intermediário, mas de simples custo do beneficicunento que deve ser contabilizado COMO "Gastos Gerais de Fabricação". COM efeito, tratar-se-ia de situação no MittiM0 incongruente, para não dizer injusta, retirando a racionalidade das disposições legais que compõent o arcabottço normally() do IPI. Ora, "Onde há a mesma razão, há de se aplicar o mesmo direito", diz o brocardo romano, assim, se não é possível incluir na base de cálculo do beneficio, os custos com beneficiamentos realizados pelo próprio industrial 9 Processo n° 13976.000232/00-83 Acórdão n.° 02-03.534 exportador, não devem ser incluídos aqueles incorridos no.s beneficiamentos realizados na industrialização por encomenda, nos mesmos produtos. Do Direito Excepto No tocante a última das premissas inicia/mente delineadas, pois que, quanto segunda, não há dissenso, importa destacar que há uma certa tendência a construção de exegeses que resultam, as mais das vezes, de considerações outras que não a propriamente jurídica, tal como as de natureza meramente eC0116111ka, tão costumeiramente encontráveis no dia-a-dia do julgador. preciso evidenciar que não cabe ao intérprete a tarefa de legislar, de modo que o sentido da norma não se pode afastar dos termos em que positivada. pena de, invadindo seara alheia, fugir de sua competência. A interpretação econômica do fato gerador serve de auxilio a interpretação, mas não pode ser fundamento para negar validade à interpretação jurídica consagrada aos conceitos tributários. Admitir que a industrialização por encomenda seja considerada na base de cálculo do crédito presumido é alargar o rol dos contribuintes beneficiados pela "terceirização" do processo produtivo e estender o beneficio a empresas que tem processo produtivo parcial, sem qualquer previsão legal, que, a princípio, dirigiu o crédito apenas aos industriais com processo integrado, excluindo vários outros setores da economia que realizam exportações, por exemplo, de produtos não tributados. Ademais, sublinhe-se novamente, que se tratando de normas onde o Estado abre 17010 de determinada receita tributária, a interpretação não admite alargamentos do texto legal. E nesse sentido o escólio de Carlos Maximiliano (In Hermenêutica e Aplicação do Direito, 12', Forense, Rio de Janeiro, 1992, p. 333/334): "0 rigor é maior em se tratando de disposição excepcional, de isenções ou abrandamentos de ônus eni proveito de indivíduos ou corporações. Não se presume o intuito de abri mão de direitos inerentes à autoridade supremo. A outorga deve ser feita em termos claros, irretorquiveis; ficar privada ate a evidência, e se não estender além das hipóteses figuradas no texto; jamais sera inferida de 'aim que não indiquem irresistivelmente a existência da concessão ou de um contrato que envolva. No caso, não ten, cabimento o brocardo célebre; na dúvida, se decide contra as isenções totais ou parciais, e a favor do fisco; ou, melhor, presume-se não haver o Estado aberto mão de sua autoridade para exigir tributos". Vê-se que a boa hermenêutica, baseada nos proficuos ensinamentos de Carlos Maxim lhano, ensina que a norma que veicula renúncia fiscal há de ser entendida de forma restrita. Argumento Empírico — Lei n°10.276/2001 Por último, e quem sabe o mais importante, se o cômputo dos valores dos serviços de industrialização por encomenda estivessem incluídos na base de cálculo do beneficio previsto pela Lei n° 9.363/96, lido haveria razão para que o legislador expressamente viesse a prever esta alternativa, em lei posterior. Vejamos como dispôs oar!. 1° da Lei 11. ° 10.276, de 2001, in verbis: "Ari. 1 2 Alternativamente ao disposto na Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o 10 Processo n° 13976.000232/00-83 Acórclfto n.° 02-03.534 exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Prochttos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo as contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFI1VS), de conformidade COM o disposto em regulamento. § 12 A base de calculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos. sobre os quais incidiram as contribuições referidas no capul: I - de aquisição de insumos, correspondentes a matérias-primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bent assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado inferno e utilizados no processo produtivo: II - correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomemkurte seja contribuinte do 1P1, nu forma da legislação deste imposto" (grifei). Costuma ser encontradiço nos textos que discorrem sobre HermenOutica Jurídica a afirmação de que "a lei não contém palavras infiteis", a qual, segundo se diz, vem a ser principio basilar da disciplina. E dizer, as palavras devem ser compreendidas como tendo, ao metros, alguma eficácia. Não se presumem, na lei, palavras (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e aplicação do direito, 8a. ed., Freitas Bastas, 1965, p. 262). Ora, in casu, fosse verdadeira a afirmação de que os valores correspondentes ao serviço de beneficiamento, na industrialização por encomenda, deveriam ser incluídos no cômputo do crédito presumido de que trata a Lei n.° 9.363, de 1996, não haveria razão para que o legislador inequivocamente inserisse tal hipótese na Lei n.° 10.267, de 2001, permitindo o seu acréscimo juntamente con, o custo de outros inS111110S (energia elétrica e combustíveis). Note-se, por importante, que a aplicação do novel regramento, conforme disciplinado na Lei n.° 10.267, de 2001, se dá alternativamente ao estabelecido na Lei n.° 9.363, de 1996, quando da determinação do crédito presumido. Nesse aspecto, é importante notar que uma lei nova sempre inova o ordenamento jurídico, apresentando algo novo e destinado à vigência apenas a partir da sua entrada em vigor, mas também projetando lures sobre o passado, no sentido de que identifica um comando novo e distinto do comando que vigorava anteriormente a ela, ajudando (milli a melhor compreender e interpretar as duas. Observar-, finalmente, que o uso do método alternativo para o calculo do beneficio, tem, como contrapartida à inclusão de novos valores nu base de calculo (aquisição de energia elétrica e combustíveis, e serviços de industrialização por encomenda), a definição de um fator multiplicativo menor: de 0,0537 (5,37% da base de cálculo, nu Lei n° 9.363/96) para 0,0365 (3,65% da base de cálculo, na Lei n°10.276/2001). Portanto, não se pode argumentar que a Lei n° 10.276/2001 seja "expressamente interpretativa", nos termos do art. 106, I, do CTN. Por todo o exposto, voto no sentido de que sejam desconsiderados da base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores agregados correspondentes ao beneficiamento/acabamento e elaborações referidas anteriormente, para efeitos de operar-se o ressarcimento/compensação pleiteado nesses autos. " Processo n° 13976.000232/00-83 Acórdão n.° 02 -03.534 Dessa forma, a posição mais consentânea com a norma legal e aquela pela exclusão dos custos de beneficiamentos realizados externamente aos estabelecimentos da empresa no cômputo da base de cálculo do crédito presumido do IPI. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Antonio Pra edator Designado. 12
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Numero do processo: 18471.000560/2003-34
Data da sessão: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
Assunto: NULIDADE. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. Cabe à
autoridade autuante demonstrar o nexo causal entre os fatos narrados e as provas da falta da necessidade das despesas financeiras glosadas, de maneira clara, lógica e precisa.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 1402-00003
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Carlos Pelá
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GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. Cabe à autoridade autuante demonstrar o nexo causal entre os fatos narrados e as provas da falta da necessidade das despesas financeiras glosadas, de maneira clara, lógica e precisa. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Valmar Fonseca de Menezes, Carlos Pelá, Carlos Alberto Niza e Castro (Suplente Convocado), Carlos Alberto Gonçalves Nunes e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relatório Fl. 738DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.12568.4J8M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.000560/200334 Acórdão n.º 140200.003 S1C4T2 Fl. 2 2 Tratase de complexo auto de infração lavrado contra Fort Roll Embalagens Técnicas Ltda para o pagamento de IRPJ, CSL, PIS e COFINS (estes três últimos reflexamente) no valor total de R$ 2.987.962,33, já que glosadas algumas despesas financeiras nos anos de 1998, 1999 e 2000, bem como supostas omissões de receitas por parte da empresa. 01 Da omissão de receitas Sustentou a fiscalização que não estaria comprovada a origem de R$ 37.500,00, já que aumentado o capital de giro por um sócio estrangeiro sem o registro da comprovação de seu ingresso das divisas no país. 02 – Das despesas Financeiras não necessárias Entendeu a fiscalização que o Contribuinte Fort Roll Embalagens técnicas LTDA contabilizou gastos que não poderiam ser deduzidos como despesas, por serem desnecessárias, bem como teriam a finalidade única e exclusiva de exaurir o capital de giro da empresa, sendo que a esta parte da autuação foi aplicada com multa agravada de 150%. Pelo auto de infração, em suma, estaria a empresa levando o seu capital de giro à exaustão, pois (i) teria comprado por R$ 4.500.000,00 70% um crédito de suposto crédito da empresa Dover Indústria e Comércio em face da União Federal, (ii) a empresa não teria demonstrado qualquer relação desta operação com os seus objetivos sociais, (iii) teria feito adiantamentos graciosos de elevados valores à mesma empresa Dover, (iv) esta cessão teria sido paga com valores obtidos de duplicatas de empresas de factoring (v), as duplicatas seriam frias, (vi) o contribuinte contabilizava compras de matérias primas para entrega futura , com notas emitidas pela Dover no valor de R$ 30.000.000,00, que nunca foram entregues e, (vii) se tais mercadorias fossem entregues a interessada, ela não teria espaço físico para guardá las. Em decorrência da multa qualificada, foi lavrada a Representação Fiscal para fins Penais sob o n.º 18741.000641/200334. Em sua impugnação, o Contribuinte alegou em preliminar a nulidade do auto, por falta de clareza e individualização do fato oponível e no mérito alegou que não houve suprimento de numerário no valor de R$ 37.500,00, pois se referia à integralização de capital de uma empresa, conforme alteração contratual. Quanto às despesas financeiras tidas como não necessárias, discordou completamente da autuação, explicou que a cessão de crédito foi feita nos termos da lei, que o crédito efetivamente existe e que o valor deste crédito logo que atualizado e disponível servirá como base para tributação. Quanto aos adiantamentos, supostamente graciosos, esclareceu que eram efetuados ao fornecedor Dover para entrega futura contra a emissão regular de nota fiscal para este tipo de operação, constituindose em receita de vendas para a empresa emissora. Alegou que as despesas financeiras glosadas foram efetivamente contabilizadas e estavam à disposição da fiscalização. Fl. 739DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.12568.4J8M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.000560/200334 Acórdão n.º 140200.003 S1C4T2 Fl. 3 3 Em 08 de setembro de 2004, a DRJ converteu o julgamento em diligência, visando obter maiores esclarecimentos sobre o nexo causal entre todos fatos narrados na autuação, bem como fosse explicada a composição dos valores autuados. A fiscalização atendeu à solicitação e juntou documentos de fls. 461/654 e 659/665. Esclareceu, ainda que a empresa havia se mudado para lugar incerto e não sabido, logo não pôde apurar maiores informações além daquelas já colhidas até o presente momento. Explicou a autoridade fiscal que todos os indícios indicavam que a empresa mantinha terceiros como sócios para prática de determinados delitos tributários, praticados em conjunto com a empresa Dover, anteriormente citada neste relatório, tanto que após a fiscalização a empresa teria se mudado. Com relação à composição dos valores nada foi explicado. A empresa foi intimada por edital do resultado desta diligência, já que não foi encontrada pelo endereço que constava no CNPJ. Em seguida, os autos retornaram para julgamento na DRJ, que julgou o lançamento procedente em parte e, em suma, afastou a preliminar de nulidade, já que ao seu ver o erro era sanável. Quanto ao mérito manteve o lançamento quanto à omissão de receitas, já que o contribuinte não teria comprovado a origem do numerário com documentação hábil e quanto às despesas financeiras entendeu que caberia à autoridade autuante demonstrar o nexo causal da autuação e provas de forma clara e precisa, aplicandose o mesmo raciocínio para os tributos reflexos. Embora cientificado da decisão, o Contribuinte não apresentou Recurso Voluntário, porém considerando os valores exonerados vieram os presentes autos para julgamento da remessa necessária, também chamado de Recurso de Ofício, interposto pela r. autoridade julgadora a quo. Voto Conselheiro Carlos Pelá Relator O Recurso preenche os requisitos legais e dele tomo conhecimento. Como se verá abaixo, a decisão deverá ser mantida. Tratase de auto de infração rico em folhas, porém pobre em conteúdo. Aliás, há de se exaltar o excelente trabalho da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro que, em nome da verdade material, baixou o processo em diligência e tentou uma melhor compreensão sobre o efetivo motivo que teria levado a lavratura do auto de infração. Vejamos: O auto de infração foi lavrado na seguinte rubrica (fl. 263): “002 – CUSTOS DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS” (sem grifo no original). Explicando a autuação, mais à frente afirma: “Glosa do total das despesas financeiras deduzidas no ano calendário tendo em vista que elas decorrem única e exclusivamente da exaustão do capital de giro da Fl. 740DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.12568.4J8M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.000560/200334 Acórdão n.º 140200.003 S1C4T2 Fl. 4 4 fiscalizada seja pela compra, pelo valor total de R$ 4.500.000,00, de 70% de um suposto crédito que a empresa DOVER Indústria e Comércio S/A teria em face da União Federal, tendo sido pagos R$ 1.000.000,00 no ano calendário de 1998, R$ 2.066.000,00 no ano calendário de 1999 e R$ 1.434.000,00, no ano calendário de 2000, seja pela adiantamento gracioso de elevadores (sic) valores a mesma empresa Dover Indústria e Comércio S/A.” (sem grifos nos original) A partir da afirmação da fiscalização de que todas as despesas seriam glosadas seja por um motivo, seja por outro, caberia a ela demonstrar exatamente quais seriam estas despesas. Se o total seria glosado, por que o auto não partiu como valor base os R$ 4.500.000,00 que teria utilizado o Recorrido como despesa? Se existiram dois tipos de situações (compra de direito creditório e adiantamentos graciosos) por que não explicou claramente a fiscalização quanto seria um e quanto seria outro? De maneira muito mais ampla, foi o que tentou descobrir sem sucesso a r. autoridade julgadora a quo. Conforme fls. 456/459, a DRJ tentou entender qual era o nexo causal entre as empresas de Factoring, os empréstimos, as duplicatas “frias” e os créditos de ICMS e IPI sobre o valor de R$ 30.000.000,00 com a despesa financeira glosada. Ou seja, de maneira formal, técnica e respeitosa questionou a DRJ: O que todos estes documentos e fatos trazidos aos autos têm a ver com o fato de a despesa glosada ser ou não ser necessária? Conforme muito bem pontua a r. autoridade julgadora a quo, após o fiscal ter constatado que haviam problemas nas despesas financeiras não intimou a empresa para que se explicasse sobre elas, isso em um processo de mais de 700 folhas. Ora, é do conhecimento de todos que para alguns casos a própria Lei presume que determinadas despesas não são necessárias. Assim sendo, entendendo que as despesas seriam desnecessárias caberia a autoridade demonstrálas de modo cabal, individualizando cada motivo para que o contribuinte pudesse rebatêlas ponto a ponto. Ora, os fatos narrados no presente processo dão conta de que despesas desnecessárias estavam sendo glosadas, porém sem maiores detalhes, sem vinculálas aos documentos trazidos aos autos e, por fim, sem compor os valores que deram origem à autuação. A DRJ, portanto, cancelou a autuação, nos seguintes termos: “Considero portanto ultrapassada a preliminar de nulidade, uma vez que foi determinada de ofício, diligência a fim de que fossem esclarecidos, item a item, com descrição mais analítica, o nexo causal da autuação, com a demonstração da composição das despesas financeiras glosadas, relacionandoas às operações anteriormente descritas.” A própria DRJ conclui o voto, conforme item 52, também transcrito: Fl. 741DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.12568.4J8M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.000560/200334 Acórdão n.º 140200.003 S1C4T2 Fl. 5 5 “Caberia à autoridade autuante demonstrar o nexo causal da autuação e a apresentação da prova da falta de necessidade das despesas financeiras glosadas, de forma clara e precisa.” Ora, a própria DRJ reconhece que nada agregou a diligência à fiscalização. Conclui a DRJ que “caberia à autoridade autuante demonstrar o nexo causal”, o que não foi feito. Assim, entendo que não haja reparos a fazer na decisão da DRJ, que examinou os fatos e chegou à decisão de cancelar parcialmente a exigência. Diante do exposto voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 742DF CARF MF Excluído Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.12568.4J8M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CARLOS PELA em 02/02/2012 16:46:11. Documento autenticado digitalmente por CARLOS PELA em 02/02/2012. Documento assinado digitalmente por: LEONARDO DE ANDRADE COUTO em 06/02/2012 e CARLOS PELA em 02/02/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 13/07/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP13.0718.12568.4J8M Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 9FBCF61557DBF26D67267857D5D3CFD1F07AE4A5 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 18471.000560/2003-34. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13971.000640/2008-40
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Não há de se declarar a nulidade do lançamento, quando o mesmo, revestido das formas legais, não acarreta prejuízo aparente ou implícito para o direito de defesa do sujeito passivo.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos da impugnação com fundamento nos fatos constantes dos autos e no direito aplicável à espécie.
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.
Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo.
FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO ART. 35-A DA LEI N.º 8.212/1991.
Nos casos de lançamento de ofício de contribuições sociais aplica-se a multa prevista no art. 35-A da Lei n.º 8.212/1991.
DECLARAÇÃO PARCIAL DOS FATOS GERADORES. RELEVAÇÃO DA MULTA NA PROPORÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DECLARADA.
Se o contribuinte, até a decisão de primeira instância, declarava parte dos fatos geradores omitidos na GFIP, merecia a relevação da multa na proporção das contribuições declaradas, desde que cumpridos os demais requisitos normativos.
Numero da decisão: 2401-002.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; II) pelo voto de qualidade, excluir os responsáveis solidários, vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator), Marcelo Freitas de Souza Costa e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não excluíam; e III) Pelo voto de qualidade, no mérito, relevar a multa na proporção das contribuições que foram declaradas nas GFIP retificadoras juntadas aos autos, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial em maior proporção, recalculando, também, o valor da multa de acordo com o art. 32-A da Lei nº 8.212/91. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Igor Araújo Soares Redator Designado
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte Não há de se declarar a nulidade do lançamento, quando o mesmo, revestido das formas legais, não acarreta prejuízo aparente ou implícito para o direito de defesa do sujeito passivo. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos da impugnação com fundamento nos fatos constantes dos autos e no direito aplicável à espécie. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO ART. 35-A DA LEI N.º 8.212/1991. Nos casos de lançamento de ofício de contribuições sociais aplica-se a multa prevista no art. 35-A da Lei n.º 8.212/1991. DECLARAÇÃO PARCIAL DOS FATOS GERADORES. RELEVAÇÃO DA MULTA NA PROPORÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DECLARADA. Se o contribuinte, até a decisão de primeira instância, declarava parte dos fatos geradores omitidos na GFIP, merecia a relevação da multa na proporção das contribuições declaradas, desde que cumpridos os demais requisitos normativos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; II) pelo voto de qualidade, excluir os responsáveis solidários, vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator), Marcelo Freitas de Souza Costa e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não excluíam; e III) Pelo voto de qualidade, no mérito, relevar a multa na proporção das contribuições que foram declaradas nas GFIP retificadoras juntadas aos autos, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial em maior proporção, recalculando, também, o valor da multa de acordo com o art. 32-A da Lei nº 8.212/91. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Igor Araújo Soares Redator Designado Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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GRUPO ECONÔMICO CARACTERIZADO APENAS COM BASE NA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA DAS EMPRESAS ENVOLVIDAS. CRITÉRIO ÚNICO. SOLIDARIEDADE AFASTADA. A solidariedade ao adimplemento das contribuições previdenciárias, com esteio no art. 30, IX, da Lei 8.212/91, enseja a necessidade do devido apontamento dos elementos que demonstrem, de fato, que as empresas envolvidas ou tidas como componentes do grupo, se caracterizam como uma única empresa, possuindo um centro de comando unificado. Desta feita, não é suficiente para tanto, o simples fato de uma empresa participar do capital social da outra, tratandose o critério de participação societária apenas como um dos elementos caracterizadores do grupo, mas não o determinante. APLICAÇÃO DO § 4.º DO ART. 32 DA LEI N.º 8.212/1991. ENQUADRAMENTO NA TABELA LEVANDOSE EM CONTA NÚMERO TOTAL DE SEGURADOS DA EMPRESA. Para cálculo do limite da multa, previsto no revogado § 4.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, devese tomar como base o número total de segurados a serviço da empresa e não apenas aqueles cuja remuneração deixou de ser declarada na GFIP. FIXAÇÃO DA MULTA. VALORES VIGENTES NA DATA DA AUTUAÇÃO. A penalidade por descumprimento de obrigação acessória deve ser fixada de acordo com o valor vigente na data da lavratura fiscal e não na data da ocorrência do ilícito administrativo. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 06 40 /2 00 8- 40 Fl. 846DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO ART. 35A DA LEI N.º 8.212/1991. Nos casos de lançamento de ofício de contribuições sociais aplicase a multa prevista no art. 35A da Lei n.º 8.212/1991. DECLARAÇÃO PARCIAL DOS FATOS GERADORES. RELEVAÇÃO DA MULTA NA PROPORÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DECLARADA. Se o contribuinte, até a decisão de primeira instância, declarava parte dos fatos geradores omitidos na GFIP, merecia a relevação da multa na proporção das contribuições declaradas, desde que cumpridos os demais requisitos normativos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006 FALHA NA CIENTIFICAÇÃO DE AUTO DE INFRAÇÃO PELOS RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. POSSIBILIDADE DE SANEAMENTO. NULIFICAÇÃO DO PROCEDIMENTO. INOCORRÊNCIA. A mera remessa de comunicação às empresas arroladas como coobrigadas, desacompanhada das peças do Auto de Infração, é falha em condição de validade do lançamento, sendo cabível o seu saneamento, sem que disso decorra a nulificação de todo o procedimento fiscal. INOCORRÊNCIA DE PREJUÍZO. DECLARAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há de se declarar a nulidade do lançamento, quando o mesmo, revestido das formas legais, não acarreta prejuízo aparente ou implícito para o direito de defesa do sujeito passivo. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos da impugnação com fundamento nos fatos constantes dos autos e no direito aplicável à espécie. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 2401002.692 S2C4T1 Fl. 847 3 ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; II) pelo voto de qualidade, excluir os responsáveis solidários, vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator), Marcelo Freitas de Souza Costa e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não excluíam; e III) Pelo voto de qualidade, no mérito, relevar a multa na proporção das contribuições que foram declaradas nas GFIP retificadoras juntadas aos autos, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial em maior proporção, recalculando, também, o valor da multa de acordo com o art. 32A da Lei nº 8.212/91. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Igor Araújo Soares – Redator Designado Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 848DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.121.4688, lavrado contra o contribuinte acima identificado, em decorrência do descumprimento da obrigação acessória de informar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. A penalidade aplicada importou no valor de R$ 667.493,02 (seiscentos e setenta e sete mil e quatrocentos e noventa e três reais e setenta e dois centavos). De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 60/64, a empresa deixou de incluir na GFIP os valores pagos a título de: a) verba denominada “Indenização” paga ao segurado empregado JORGE LUIZ KOPROWSKI; b) “Indenização Aposentadoria”, rubrica relativa ao pagamento de um salário nominal a funcionários aposentados quando do desligamento; c) verba destinada ao pagamento de gratificação dos funcionários que fazem parte do grupo de bombeiros voluntários da empresa; d) verba denominada “Gratificação” paga em 03/2004, no estabelecimento matriz, em parcela única, na rescisão do segurado empregado ALCIDES SCHWANK; e) verba denominada “Indenização Clausula 29”, relativa a pagamentos no ato da rescisão a segurados empregados com mais de 05, 10 e 15 anos de serviço na empresa, previsto em convenção coletiva; f) verba denominada “Aviso Prévio Idade 45 anos”, a qual consistia em pagamento de um salário nominal aos empregados desligados com idade superior a 45 anos, conforme Convenção Coletiva firmada com o Sindicato de Blumenau, cláusula 09; g) remuneração de contribuintes individuais que prestaram serviços à autuada, registrada na escrita contábil da empresa, nas contas "5530 SERVIÇO TERCEIROS PF e "3790 SERVIÇO TERCEIROS PF"; h) custeio, por parte da autuada, de gastos pessoais do sócio administrador, Sr. RICARDO GUEDES LOWNDES e da Sra. CORNÉLIA CONRAD LOWNDES, esta representante legal da empresa Conrad Empreendimentos e Participações S/A, de CNPJ 01.528.583/000190, que por sua vez é sócia majoritária da autuada. Os referidos valores encontramse registrados na escrita contábil, contas 4877 e 3582, ambas de descrição "VIAGENS E ESTADAS”; No seu relato a Auditoria fez considerações adicionais para justificar o porquê de ter considerado as rubricas acima mencionadas como integrantes do salário de contribuição. Na sequência, relatase que, com esteio no contrato social e alterações, além de análise da Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Fl. 849DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 2401002.692 S2C4T1 Fl. 848 5 constatouse a existência de grupo econômico integrado pela autuada e pelas seguintes empresas: a) CONRAD EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ 01.528.583/000190. É empresa controladora, que detém 98,01% das cotas da autuada; b) HACO ETIQUETAS DO NORDESTE LTDA., CNPJ 02.179.9381000146. Empresa controlada pela Haco Etiquetas Ltda., que detém 99% do seu capital; c) HACO FIOS LTDA., CNPJ 04.740.731/000124. Empresa controlada pela autuada, a qual possui 99,32% de suas cotas. Concluiu o Fisco que essas empresas teriam responsabilidade solidárias com a autuada pela quitação do crédito previdenciário constante no AI. As devedoras apresentaram impugnações contra a lavratura, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgado o AI parcialmente procedente. Dessa decisão, as empresas interpuseram recurso voluntário. O CARF declarou nula a decisão de primeira instância em razão da falta do envio, para as empresas arroladas como solidárias, das peças que compõem o AI, limitandose o Fisco a remeter apenas comunicação da lavratura e da responsabilidade pelo crédito (ver fls. 385/400). As empresas foram cientificadas da Decisão do CARF, tendo o prazo de impugnação sido reaberto, em razão do envio do AI e anexos às empresas coobrigadas. A empresa autuada apresentou defesa, fls. 242/258, na qual, em apertada síntese, alegou que: a) o fato como foi narrado pelo Fisco prejudica o seu direito de defesa, uma vez que não é possível se saber exatamente quais as competências em que houve infração, detectandose inclusive divergências entre os períodos constantes do relatório e os apresentados no anexo “B”. Esse fato é causa de nulidade da lavratura; b) no tocante a existência da suposta responsabilidade solidária, o Fisco sequer indicou o dispositivo legal que daria embasamento a essa conclusão, mais uma vez prejudicando o direito de defesa da recorrente; c) ocorreu decadência para os fatos geradores ocorridos até fevereiro de 2003; d) a NFLD n.º 37.121.4700, correlata ao presente AI, é improcedente, posto que os pagamentos considerados fatos geradores presentes naquele lançamento não apresentavam natureza remuneratória, sendo pagos especialmente como indenizações e ressarcimento de despesas aos funcionários e aos representantes legais, o que exclui a possibilidade de que fossem tributados; Fl. 850DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 e) parte da NFLD acima referida foi declarada decadente e o saldo foi objeto de parcelamento especial; f) providenciou a declaração na GFIP dos fatos geradores incontroversos, merecendo a relevação da multa; g) é necessário, também, que a multa seja reduzida, para que sejam adotados parâmetros financeiros vigentes na data da infração e não na data da lavratura; h) na definição do teto da multa devem ser considerados apenas os segurados relacionados à infração e não a totalidade dos segurados a serviço da empresa; i) deve ser aplicado retroativamente o disposto no art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, uma vez que prevê multa mais benéfica; j) caso se aplique o art. 35A da mesma Lei, deve ser abatida a multa aplicada na notificação de débito; k) a multa da forma como foi aplicada é confiscatória; Foram acostadas GFIP comprovando a declaração de parte dos fatos geradores apontados pelo Fisco. Também apresentou defesa a empresa CONRAD EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, na peça de fls.334/342, na qual articulou que: a) a ausência de notificação regular do AI não pode ser suprida com a anulação da decisão de primeira instância, pois o procedimento anterior já estava maculado pela nulidade; b) não foi citada no ofício a base legal necessária à caracterização de grupo econômico nem a sua responsabilização pela multa, na qualidade de devedor solidário; c) não se verifica na espécie qualquer hipótese de redirecionamento da dívida contra possíveis responsáveis tributários, tendo o Fisco criado verdadeira inversão da ordem de cobrança do débito fiscal; d) a mera participação societária não autoriza que se conclua automaticamente pela existência de grupo econômico, haja vista que as empresas e seus sócios/acionistas possuem personalidades jurídicas próprias que não se confundem; e) a jurisprudência do STJ somente reconhece a responsabilização por tributos devidos nos casos em que o sócio pratica atos de gestão, o que não é o caso dos autos; f) que se aproveite como alegações suas, os argumentos lançados na defesa da empresa originalmente autuada. Compareceram ao processo para se defender também as empresas HACO FIOS LTDA, fls. 354/362 e HACO ETIQUETAS DO NORDESTE LTDA, fls. 392/400, apresentando os mesmos argumentos que a empresa CONRAD EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A. Às fls 422/443, consta decisão da DRJ em Florianópolis declarando a multa precedente em parte. Foi reconhecida a decadência até 11/2002, a multa foi relevada para as Fl. 851DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 2401002.692 S2C4T1 Fl. 849 7 competências 12/2003; 08/2005; 05/2006 e 13/2006. Aplicouse ainda a legislação mais benéfica ao sujeito passivo, tendose em conta o disposto na MP n.º 449/2008. A autuada interpôs recurso voluntário, fls. 453/469, no qual, após breve síntese dos fatos processuais, manifestou a pretensão de ver a decisão da DRJ reformada, sob as alegações de que: a) é causa de nulidade da decisão, o fato da DRJ ter deixado de apreciar alegações defensórias, mormente as questões de inconstitucionalidade e ilegalidade; b) ocorreu vício formal no lançamento pela falta de clareza na exposição da conduta infracional, uma vez que há contradição entre o teor do relatório fiscal e de seu anexo “B”, no que diz respeito às competências lançadas; c) a solidariedade entre as empresas arroladas pelo Fisco não deve prevalecer. Primeiro porque não foi citada no Relatório Fiscal a base legal que daria suporte a tal conclusão, não se admitindo que a decisão de primeira instância supra essa lacuna; segundo porque a mera existência de participação societária não autoriza automaticamente que se infira haver grupo econômico; d) demais disso, a mera existência de grupo econômico não poderia ocasionar a responsabilidade tributária, conforme jurisprudência do STJ colacionada; e) por ser tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias deve ser aferido pela norma do § 4.º do art. 150 do CTN, devendo serem afastadas por caducidade as competências até 02/2003; f) a decadência reconhecida para a NLFD conexa deve ser estendida ao AI; g) o limite para aplicação da penalidade deve levar em conta o número de segurados cuja remuneração não foi declarada e não o total de segurados a serviço da empresa; h) o valor mínimo utilizado no cálculo da multa deve ser aquele vigente na data da infração e não na data da autuação; i) para as competências em que houve correção parcial da falta, a penalidade deve ser relevada na proporção do saneamento, conforme dispões o § 1.º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/1999 e o § 5.º do art. 656 da Instrução Normativa – IN SRP n.º 03/2005; j) para as competências 12/2002 e 01/2003, a aplicação da multa mínima de R$ 500,00 (§ 3.º do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991) não deve prevalecer, uma vez que não foram indicados os fatos geradores supostamente omitidos nessas competências; k) há erro no cálculo da penalidade para as competências em que aplicou a multa mínima, uma vez o total deveria ser R$ 1.000,0 (um mil reais) e o valor apresentado é de R$ 19.588,88 (dezenove mil, quinhentos e oitenta e oito reais e oitenta e oito centavos); l) também é inadmissível que, para um mesmo AI, apliquese a penalidade com esteio em dois dispositivos legais distintos, o art. 32A e o 35A da Lei n.º 8.212/1991; m) a multa aplicada é inconstitucional em razão de seu caráter confiscatório. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Ao final, requereu: a) que se declare nulo o acórdão recorrido em razão do cerceamento ao seu direito de defesa; b) que se cancele o AI pelos vícios apontados; c) que seja afastada a responsabilidade solidária; d) que seja relevada a multa na proporção das contribuições declaradas; e) que seja reconhecida a decadência para fatos geradores ocorridos até 02/2003; f) que seja reduzido o valor da multa, pela correção dos erros apontados. A empresa HACO FIOS também recorreu, fls. 492/501, para alegar que: a) a nulidade da decisão de primeira instância não tem o condão de apagar o vício de procedimento representado pela falta de envio do AI; c) é nulo o AI pela falta de citação do dispositivo legal que fundamentasse a ocorrência de solidariedade; d) a mera existência de participação societária não é suficiente para que se conclua pela existência de grupo econômico, tampouco existência de responsabilidade solidária entre as empresas; e) não pode ser responsabilizada por conduta que não praticou, haja vista a responsabilidade penal ser pessoal do agente; f) oferta as mesmas razões de mérito apresentadas no recurso da empresa diretamente autuada. Também interpuseram recurso as empresas CONRAD EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, fls. 529/538, e HACO ETIQUETAS DO NORDESTE LTDA fls. 563/572, apresentando as mesmas alegações da empresa HACO FIOS LTDA. É o relatório. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 2401002.692 S2C4T1 Fl. 850 9 Voto Vencido Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. Nulidade do procedimento Alegam as empresas recorrentes que, malgrado o CARF tenha anulado a decisão de primeira instância pelo fato das devedoras solidárias não haverem inicialmente recebido as peças que compõem o AI, o vício no procedimento permanece, devendo, por consequência o crédito ser nulificado. Esta tese não deve prevalecer. É que o acórdão de segunda instância entendeu que houve atropelo ao devido processo legal, pelo fato do Fisco ter apenas encaminhado ofício às coobrigadas, dando conta da existência de solidariedade passiva, quando seria necessário que as empresas tomassem conhecimento de todas as peças que compõem o AI. Constatado o prejuízo ao direito de defesa das responsáveis tributárias, foi anulada a decisão de primeira instância, de modo que a legalidade fosse restabelecida. Observese que, se o CARF tivesse entendido pela impossibilidade do saneamento, a anulação teria recaído sobre o AI e não atingiria apenas a decisão da DRJ. Por esse motivo, ao efetuar o envio do AI e anexos às empresas coobrigadas, o Fisco saneou o vício, afastando a mácula na lavratura. Para justificar esse entendimento, devemos fazer um breve comentário acerca dos elementos que constituem o procedimento de lançamento, para depois tratar das consequências jurídicas advindas de vícios em cada uma das partes que compõem o ato procedimental de constituição do crédito tributário e, por fim, aplicar essa teorização ao caso trazido a lume. Compõem o ato de lançamento: a) Requisitos: são as formalidades que integram a substância do ato de lançamento, fazendo parte de sua própria estrutura. São tratados no art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Assim, a descrição do fato gerador, a determinação da base de cálculo, a aplicação da alíquota para obter o valor do tributo e a identificação do sujeito passivo são considerados requisitos do lançamento. b) Pressupostos: são as formalidades que, malgrado não integrem a estrutura do lançamento, são imprescindíveis para a formação do ato, a exemplo de cientificação do início do procedimento fiscal, intimação para apresentação de documentos, cumprimento de normas internas de Administração Tributária que interferem no cálculo dos consectários legais do crédito, equívoco na citação dos fundamentos legais, etc. c) Condições: são providências que dão eficácia ao ato de lançamento, que sucedem a realização do mesmos, como é o caso da notificação ao sujeito passivo. Quando a mácula situase nos requisitos do lançamento, devese fulminálo por vício material, nos casos em que a autoridade julgadora esteja convencida de que efetivamente ocorreu o fato gerador, todavia, houve falha na sua descrição, no cálculo do tributo ou na identificação do sujeito passivo. Ao contrário, os vícios situados nos pressupostos e condições do lançamento acarretam em saneamento dos mesmos ou na declaração de vício formal do mesmo, quando a mácula não possa ser afastada. Nessas situações, o ato pode ser refeito, sem alteração nos seus aspectos substanciais, posto que a falha localizase em elemento exterior ao lançamento. No caso sob cuidado, observase que o vício detectado pelo CARF situouse em uma das condições do lançamento, qual seja a cientificação pelas empresas devedoras de todas as peças do AI. Essa falha é passível de saneamento, o qual, nesse caso, deuse com a remessa das peças inicialmente sonegadas, não havendo o que se falar em impossibilidade de eliminação dessa falha, visto que situada em “condição” de validade do lançamento. No momento em que as empresas foram cientificadas do inteiro teor da lavratura, cessou o prejuízo existente, não sendo cabível a anulação de todo o procedimento, sob pena de atropelo ao princípio constitucional da eficiência da Administração Pública. A Lei n.º 9.784/1999, que estabelece normas básicas sobre o processo no âmbito da Administração Pública Federal trata da matéria nesses termos: Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Ora, tendo sido eliminada a causa que reconhecidamente prejudicou o direito de defesa das empresas, a qual se localizava em elemento externo ao lançamento, perfeitamente cabível o saneamento do feito, não havendo necessidade de nulificação do procedimento. Nulidade da Lavratura Como causas de nulidade da própria lavratura, os recursos apresentam a falta de citação no Relatório Fiscal da norma necessária a fundamentação da responsabilidade solidária, bem como, o possível cerceamento ao direito de defesa por falta de clareza quanto aos períodos de ocorrência da infração. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 2401002.692 S2C4T1 Fl. 851 11 Para demonstrar a ocorrência da responsabilidade solidária, a Auditoria indicou ter constatado, pela análise do contrato social e alterações e da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, que a autuada integrava grupo econômico, cujo controle acionário pertencia a empresa CONRAD EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, do qual também faziam parte as empresas HACO ETIQUETAS DO NORDESTE LTDA e HACO FIOS LTDA. Diante da suposta constatação da existência de grupo econômico, as demais empresas foram cientificadas da existência dos débitos e da sua condição de devedoras solidárias pelo fato de integrarem juntamente com a autuada um grupo empresarial. Percebese que o Fisco narrou com precisão a situação que acarretou na responsabilidade das empresas para com os créditos tributários, não cabendo a alegação de prejuízo ao direito de defesa das mesmas pela mera ausência de citação de dispositivo legal que prevê a solidária vinculação pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. Em adição a isso, digase que inexiste na legislação aplicável a previsão de remessa de relatório fiscal para caracterização de grupo econômico, nos casos em que o controle é visualizado pela própria composição societária das empresas. A demonstração da interligação entre as empresas tornase essencial apenas para os casos em que se verifica a existência de grupos empresariais, cuja vinculação não aparece formalmente, mas é encontrada nos fatos narrados pelo Fisco. A DRJ atuou com acerto quando afirmou que em processo administrativo fiscal o contribuinte se defende dos fatos e circunstâncias apresentados pela Fiscalização e não da definição jurídica invocada. Na espécie, os contribuintes, malgrado aleguem prejuízo a sua defesa, trouxeram em suas peças de impugnação argumentos que me permitem concluir que os mesmos estavam plenamente cientes da circunstância que deu causa a sua vinculação ao crédito tributário na condição de devedores solidários. Portanto, não encontrando qualquer prejuízo ao direito de defesa dos sujeitos passivos, deixo de acatar a preliminar de nulidade pela falta de capitulação legal relativa à solidariedade. A outra mácula atribuída à autuação diz respeito a falta de clareza do relato fiscal quanto aos períodos de ocorrência da infração. Afirma a empresa autuada que, enquanto o ANEXO B indica ter havido infração relativamente à conta contábil 3790 nas competências 10 e 11/2002, 02/2004 a 04/2004 e 07/2004, o item 4.7 do Relatório Fiscal não menciona tais períodos. Sobre essa questão tenho a afirmar que a Autoridade Fiscal descreveu a infração, mencionou o dispositivo legal infringido e acostou planilhas onde demonstra para cada período as remunerações que deixaram de ser informadas na GFIP. A falha que o sujeito passivo aponta nada mais é de que mero erro material consistente na divergência entre o período indicado no relato fiscal e as competências constantes nas planilhas acostadas, mas especificamente no ANEXO B. A ocorrência dessa falha em hipótese alguma pode inquinar de nulidade a lavratura. Notase que o item 4 do Relatório Fiscal teve por desiderato descrever a parcela que foi omitida da guia informativa e as circunstâncias em que foi paga, de modo a justificar a Fl. 856DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 consideração da mesma como salário de contribuição. Ao fazer essa menção, a Auditoria achou por bem indicar o período de pagamento da verba. As planilhas acostadas servem para especificar quantitativamente a parcela paga, indicandose ainda a data do pagamento, a conta contábil de onde foi extraído, o histórico da operação e o beneficiário. Verificase assim que o contribuinte teve todo o conhecimento dos fatos geradores apontados pelo Fisco nos seus aspectos qualitativos e quantitativos, com o que foi possível impugnar a autuação sem obstáculos. A divergência porventura existente entre o período constante no Relatório e as competências demonstradas no ANEXO B deve ser considerada como mero erro de digitação, que sequer merece ser saneado, uma vez que não trouxe qualquer prejuízo ao administrado. Caso o sujeito passivo viesse a demonstrar que constava das planilhas acostadas alguma parcela não mencionada no Relatório Fiscal, ou que os valores ali apresentados estavam em dissonância com a documentação exibida, seria caso de se retificar o valor divergente ou expurgálo do AI, jamais declarar a nulidade da autuação. Não custa invocar mais uma vez o art. 55 da Lei n.º 9.784/1999, o qual condiciona o saneamento do processo a inexistência de lesão ao interesse público e prejuízo ao administrado, do que se depreende, a contrário senso, que não há nulidade quando o interesse público é preservado e do ato não advém prejuízo a terceiros. O Decreto n° 70.235/1972, que é a norma mestra do processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários da União, hoje também aplicado às contribuições previdenciárias, acerca das nulidades dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Assim, com vistas a apreciar o argumento de nulidade do procedimento fiscal em razão de mero erro de digitação no Relatório Fiscal, devese indagar se: a) o interesse público foi arranhado; b) o fato trouxe prejuízo ao sujeito passivo; c) houve preterição do direito de defesa da recorrente. Verificase que a falha apontada não representou mínimo prejuízo ao sujeito passivo, posto que, conforme já afirmei, os elementos postos a sua disposição no Relatório Fiscal, bem como nos seus anexos lhe possibilitaram o exercício do direito de defesa com amplitude. Nesse sentido, não tenho dúvida que o interesse público foi preservado, bem como as garantias processuais do administrado, não havendo razão para que se anule o lançamento por esse motivo. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 2401002.692 S2C4T1 Fl. 852 13 Nulidade do acórdão recorrido Sustentam as recorrentes que a falta de apreciação de todas as razões de defesa pela DRJ estaria a reclamar a nulidade do acórdão de primeira instância. Não deve prevalecer essa alegação. O mérito da contenda foi exaustivamente apreciado, onde se destacam as ponderações do órgão de primeira instância acerca da incidência de contribuições sobre parcelas que a autuada entendia serem insusceptíveis de tributação, como é o caso das chamadas “indenizações” e dos valores pagos a título de despesas de viagem. Cabe ressaltar que no decisum original lançouse mão até de trechos do voto condutor do acórdão que declarou parcialmente procedente a NFLD n.º 37.121.4700, correlata ao presente AI. Também se debruçou o órgão recorrido exaustivamente sobre a aplicação da multa e a possibilidade de sua relevação. Apenas as alegações de inconstitucionalidade de lei não foram objeto de análise pela DRJ, uma vez que tal julgamento não cabe aos órgãos judicantes do contencioso administrativo fiscal. Essa é a inteligência da Súmula CARF n.º 02, assim redigida: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Nesse sentido, cai por terra a alegação de nulidade do acórdão guerreado. Responsabilidade solidária Assim dispõe o art. 30, IX, da Lei n. 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Vêse que a norma é enfática ao prescrever que, em se comprovando a existência de grupo econômico, seja de fato ou de direito, é automático o vínculo de solidariedade entre as empresas integrantes pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. Diante dessa conclusão, o primeiro passo para se verificar a existência da solidariedade no caso concreto é se concluir acerca da existência de grupo econômico entre as empresas arroladas. Inspirada no § 2.º do art. 2.º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT1, a IN SRP n.º 03/2005, vigente na data da autuação, tratava da questão nos seguintes termos: 1 § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de Fl. 858DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Na espécie, dúvida não há de que a empresa CONRAD EMPREENDIMENTOS era a controladora do grupo, haja vista deter 98,01% das cotas da autuada, que por sua vez, era detentora de 99% e 99,32% das empresas HACO ETIQUETAS DO NORDESTE e HACO FIOS, respectivamente. Nesse sentido é inquestionável a existência de grupo econômico, sendo as empresas integrantes, portanto, solidariamente responsáveis pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. Sobre essa mesma matéria, uma outra questão posta à análise é se essa solidariedade pode se estender ao cumprimento das obrigações acessórias. Entendemos que não. De fato, somente o sujeito passivo direto, ou seja, o contribuinte que promove a ocorrência dos fatos geradores pode ser autuado pela descumprimento dos deveres instrumentais instituídos em benefício da arrecadação e fiscalização dos tributos. Todavia, nos termos do § 3.º do art. 113 do CTN2,. uma vez descumprida a obrigação acessória, nasce para o Fisco o direito de aplicar sanção legalmente prevista, que faz surgir à obrigação principal de pagar a penalidade pecuniária aplicada. Pelo pagamento dessa multa é que recai a responsabilidade para a autuada e também para as empresas integrantes do grupo econômico da qual a contribuinte faça parte, em razão da existência de solidariedade entre as mesmas pelo cumprimento das obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social. No inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991 a expressão “pelas obrigações decorrentes desta lei” diz respeito ao pagamento do tributo, bem como das multas, sejam elas de caráter moratório ou punitivo. Assim, independentemente de terem dado causa a conduta infracional, as empresas integrantes de grupo econômico, por estarem submetidas a controle único, representando interesses comuns, devem também responder pelas multas decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. 2 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.(...) § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 2401002.692 S2C4T1 Fl. 853 15 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Por se tratar de lavratura para aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, típico lançamento de ofício, devese contar a decadência pela norma do inciso I do art. 173 do CTN. A cientificação do lançamento ocorreu em 12/03/2008 (fl. 226), data em que a última das coobrigadas recebeu a notícia da existência do crédito tributário e de sua responsabilidade para com o mesmo. Portanto, devam ser excluídas pela caducidade as competências até 11/2002, não havendo reparos a serem feitos quando ao que ficou decidido na primeira instância. Aplicação da multa Outra questão sobre a qual devemos nos debruçar é a aplicação da multa nos termos da legislação vigente na data da autuação. Entendo que os argumentos apresentados pela autuada de que o Fisco incorreu em equívocos na fixação da penalidade não devem prevalecer. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 São duas as alegações, ambas acerca da fixação do limite previsto no § 4.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, o qual serve de teto para a aplicação da multa prevista no § 5.º do mesmo artigo, os quais transcrevemos: § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Pois bem, alegase no recurso que na definição do número de segurados para aplicação da tabela acima deve levar em apenas aqueles cuja remuneração deixou de ser declarada e não a totalidade dos segurados a serviço da empresa. Essa não é a melhor exegese da norma. Observese que o quadro do § 4.º transcrito servia para fixar o valor da multa quando da não apresentação da GFIP e também o limite na aplicação da multa para a infração prevista no § 5.º. Tendose em conta que na utilização do quadro visando à fixação da multa para os casos de falta de entrega da GFIP não faz sentido se falar em segurados envolvidos na infração, haja vista que nenhum deles foi declarado, não há de se querer que na utilização do mesmo dispositivo para o cálculo do limite da multa pela omissão de fatos geradores se tome apenas o número de segurados cuja remuneração não foi declarada. No que diz respeito à quantificação do valor mínimo, advogase no recurso que esse deve ser aquele vigente na data a ocorrência da infração e não o da data da autuação. O deslinde desse ponto do recurso não merece maiores divagações, posto que o próprio legislador se encarregou de esclarecer essa questão. Vejase o prescrevia o § 8.º do mesmo artigo: Fl. 861DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 2401002.692 S2C4T1 Fl. 854 17 § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Assim, por contestar expressa disposição de lei não merece acolhimento essa tese recursal. Aplicação da regra mais benéfica Passemos agora a comentar a forma de aplicação da multa para a infração sob enfoque após as alterações promovidas pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009 na Lei n.º 8.212/1991. É cediço que essa alteração legislativa promoveu uma substancial mudança no cálculo das penalidades pelo descumprimento das obrigações decorrentes da declaração em GFIP. As penalidades, que variavam em função do tipo de infração cometido (falta de entrega, omissão de fatos geradores, erro em campos não relacionados aos fatos geradores, desconformidade das informações com as orientações do manual de preenchimento, falta de declaração do valor retido na prestação de serviço por cessão de mão de obra), passaram a ser capituladas em apenas dois dispositivos, os incisos I e II do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Na sistemática anterior, aplicavase a multa pelo descumprimento da obrigação de pagar o tributo cumulativamente com a multa decorrente de falhas na declaração da GFIP, fosse a falta de entrega da guia ou o seu preenchimento incorreto. Com a introdução do art. 35A na Lei n.º 8.212/1991, havendo descumprimento de obrigação acessória relacionada a GFIP e falta de pagamento do tributo a multa passou a ser unificada, conforme disposto no art. 35A, que agora transcrevo: Art. 35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O dispositivo da Lei n.º 9.430/1996 está assim redigido: Fl. 862DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Diante da nova configuração legislativa, o órgão de primeira instância promoveu o cálculo da multa considerando as atuais disposições e comparou com a multa originalmente calculada pelo Fisco, adotando a multa mais benéfica, em homenagem previsão constante na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN. Todavia, há um complicador para se aplicar a atual legislação. É que no presente AI há fatos geradores não declarados que deram ensejo a lançamento da contribuição devida e há fatos geradores que, embora não declarados, tiveram as contribuições decorrentes recolhidas antes ou durante a ação fiscal, não provocando lançamento de ofício. E mais, para as competências 12/2002 e 01/2003, as contribuições lançadas na NFLD foram consideradas decadentes. Dadas essas circunstâncias, o órgão de primeira instância teve que adotar uma conjugação do art. 32A com o art. 35A para efetuar o novo cálculo da multa. Sobre a metodologia utilizada teceremos alguns comentários. Inicialmente foram expurgadas do AI as competências consideradas decadentes no próprio auto (art. 173, I, do CTN) e aquelas para as quais houve a correção integral da falta, que foram objeto de relevação da penalidade. Depois, os fatos geradores foram segregados em razão de terem sido ou não objeto de lançamento de ofício. Para os fatos geradores não contemplados na NFLD ou consideradas decadentes (art. 150, § 4.º do CTN) adotouse para o cálculo da penalidade o art. 32A, observandose o limite mínimo de 500,00 (quinhentos reais) por competência. Para os fatos geradores que deram ensejo a lançamento de ofício foi aplicada a regra prevista no art. 35A, correspondente a 75% da contribuição não declarada, abatendose a multa de mora presente na NFLD. Ao final foram somadas as multas calculadas conforme os dois critérios, chegandose ao valor da penalidade mantido na decisão de primeira instância. Diante do exposto, por considerar que o órgão de primeira instância fixou o valor da penalidade em consonância com o que dispõe a legislação, tendo adotado as cautelas necessárias para que o contribuinte fosse favorecido com aplicação da penalidade mais benéfica, afasto a alegação recursal de que houve erro no cálculo da multa. Relevação da penalidade Acerca da relevação da penalidade na proporção da correção da falta, confesso que alterei meu posicionamento a esse respeito. Em julgamento realizado nessa Turma no dia 16/03/2011, fui vencido nessa questão, o que me levou a uma melhor reflexão sobre o tema tendo evoluído para o entendimento firmado no citado julgamento pela maioria da Turma. Nesse sentido, para justificar meu atual posicionamento, favorável a relevação da multa de forma parcial, mesmo para as ocorrências em que inexistiu a correção integral da falta, peço Fl. 863DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 2401002.692 S2C4T1 Fl. 855 19 licença para transcrever o voto vencedor naquela ocasião da lavra do Ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire (Acórdão n.º 240101.693): Ouso divergir do ilustre relator na sua seguinte afirmação: “Alinhome aos que entendem que a concessão do benefício da relevação da penalidade por descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária, hoje fora do nosso ordenamento, pressupunha a integral correção de cada ocorrência.” Anteriormente, até o advento da IN SRP nº 23/2007, a legislação previa a possibilidade de relevação da multa na proporção do valor das contribuições sociais previdenciárias relativas aos fatos geradores informados (art. 656, § 6º da IN SRP nº 3/2005): Art. 656. (...) (...) §6° Na hipótese do inciso III do caput do art. 647, a entrega pelo autuado de GFIP informando parte dos fatos geradores omitidos na competência implicará a atenuação ou a relevação da multa na proporção do valor das contribuições sociais previdenciárias relativas aos fatos geradores informados, exceto: (REVOGADO PELA IN SRP nº 23/2007) I os fatos geradores não relacionados no Relatório Fiscal; II a diferença entre o valor total relativo à contribuição não declarada e o limite máximo estabelecido para a aplicação da multa. Ocorre que esta alteração, decorrente da revogação do aludido dispositivo normativo, não decorreu de alteração legal e sim de interpretação. Há de se salientar que regra de hermenêutica do art. 112 do CTN preconiza que deva se dar a interpretação da maneira mais favorável ao contribuinte, no que diz respeito a lei tributária que defina infrações, nas situações em que menciona, in verbis: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” A expedição de atos normativas pela Administração Tributária deve aterse à observância dos princípios da legalidade e da razoabilidade. Embora o Código Tributário Nacional estabeleça que a obrigação acessória decorre da legislação tributária (art. 113, § 2°), expressão que compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares (atos normativos, decisões dos órgãos de jurisdição administrativa, as práticas Fl. 864DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 reiteradamente observadas pelas autoridades tributários e convênios), não se deve perder de vista que sobrepaira sobre todo o sistema o princípio da legalidade. Em comentário ao dispositivo, Luiz Alberto Gurgel de Faria enfatiza, na esteira da melhor doutrina, que apenas a lei formal poderia ser fonte de obrigação tributária acessória: (Código Tributário Nacional Comentado, Coord. Vladimir Passos de Freitas, 3a ed., Ed. RT, pp. 551552) A obrigação acessória decorre da 'legislação tributária' (§ 2°), o que há de ser interpretado em harmonia com a Constituição Federal. Com efeito, nos termos do art. 96 do CTN, a referida expressão 'compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes', de modo que, na concepção do legislador de 1966 (ano da promulgação do CTN), quaisquer desses atos poderiam instituir uma obrigação acessória. Ocorre que, na Carta Magna em vigor, o princípio da legalidade foi reforçado ' ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei' (art. 5°, II) , demonstrando que as obrigações acessórias hão de ser criadas através de lei, formal e materialmente considerada, advinda, portanto, do Poder Legislativo, cabendo aos decretos e demais normas complementares o papel de explicitar a lei, viabilizando a sua melhor forma de execução, quando necessário Portanto, as obrigações tributárias acessórias, incluídas as possibilidades de atenuação ou relevação de multa, não podem ser criadas ou extintas via de atos normativas da Administração Tributária. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para relevar a multa na proporção do valor das contribuições sociais previdenciárias relativas aos fatos geradores informados em GFIP. É como voto. Diante dessas considerações, a multa para as competências em que houve correção parcial da falta deve ser relevada na proporção das contribuições previdenciárias declaradas na GFIP. Conclusão Voto por afastar as preliminares de nulidade suscitadas, por não acatar a decadência e, no mérito, pelo provimento parcial do recurso de modo que seja relevada a multa na proporção das contribuições que foram declaradas nas GFIP retificadoras juntadas aos autos. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 865DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 2401002.692 S2C4T1 Fl. 856 21 Voto Vencedor Conselheiro Igor Araújo Soares – Redator Designado Em que pesem os fundamentos adotados pelo Em. Relator, ao concluir pela existência da solidariedade ao adimplemento das obrigações tributárias ora lançadas, e, decorrência da configuração do grupo econômico de empresas, ouso divergir. Ocorre, no presente caso, que a caracterização do grupo econômico ensejadora da responsabilidade solidária das empresas indicadas no relatório fiscal do Auto de Infração teve como fundamento único, a análise da participação societária das envolvidas. Conforme se depreende do relatório fiscal, a fiscalização verificou que: (i) a empresa CONRAD EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ 01.528.583/000190, constituíase como empresa controladora do grupo, por ser detentora de 98,01% das cotas da autuada; (ii) a empresa HACO ETIQUETAS DO NORDESTE LTDA., CNPJ 02.179.9381000146, constituíase em empresa controlada pela autuada, a empresa Haco Etiquetas Ltda., que detém 99% do seu capital social; (iii) a empresa HACO FIOS LTDA., CNPJ 04.740.731/000124 também se constituía em empresa controlada pela autuada, detentora de 99,32% de suas cotas. Pois bem, sobre o grupo, nada mais fora analisado, seja mesmo a centralização do controle estratégico da autuada, ou mesmo trazidos aos autos outros elementos que apontem que as empresas indicadas, em verdade, constituemse, numa só. As alterações legislativas que podem ser consideradas sobre o assunto deixaram de demonstrar a preocupação com a simples questão de participação de uma pessoa jurídica em outra ou em outras, para que venha a se definir serem ou não coligadas, trazendo novo elemento que demonstra ser irrelevante o volume da participação para tal finalidade, qual seja, a questão da influência de uma empresa na gestão dos negócios e administração de outra. O cenário voltado para a definição do grupo econômico já ultrapassou a questão da mera participação de uma mesma pessoa (física ou jurídica) em várias empresas, como, por exemplo, era preconizado pela revogada IN INSS/DC n. 70, em seus artigos 13 e 175, cuja evolução passou a considerar como elemento preponderante, a questão do controle acerca das deliberações e administração em torno das empresas que possam vir a compor o grupo. Para WLADIMIR NOVAES MARTINEZ “Grupo econômico pressupõe a existência de duas ou mais pessoas jurídicas de direito privado, pertencentes às mesmas pessoas, não necessariamente em partes iguais ou coincidindo com os proprietários, compondo um conjunto de interesses econômicos subordinados ao controle do capital. O importante na caracterização da reunião dessas empresas é o comando único, a posse de ações ou quotas capazes de controlar a Fl. 866DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 administração, a convergência de políticas mercantis, a padronização de procedimentos e, se for o caso, sem ser exigência, o objetivo comum.” Desta feita, a melhor linha de interpretação a ser considerada no caso da necessidade de imputação da responsabilidade tributária solidária preceituada pelo inciso IX, art. 30 da Lei 8.212/91 – uma vez que referido artigo passou ao largo de dar qualquer delimitação à matéria – deve ser aquela que na análise da caracterização do grupo econômico, possa fazer depreender da situação específica do conjunto de empresas envolvidas, ou mesmo de sócios e empresas envolvidos, não apenas a questão da participação societária verificada entre eles, mas também, se dessa participação societária, pode restar caracterizada a figura do poder de controle, de uma empresa, em face de outra, ou mesmo das demais que se sustenta comporem o grupo. Ao se falar em grupo econômico, devese, à toda evidência, considerar se tratar de uma reunião ou conglomerado de empresas, no qual se verifique a existência da direção unificada ou centralizada, aliada à presença de um interesse comum entre elas. Interesse este não simplesmente alheio, mas que seja meramente distinto do objeto de cada uma delas individualmente considerada e que a nosso ver envolva também um resultado econômico decorrente da gestão única. A mera existência de um ou mais sócios em comum não nos parece ser elemento único ou até mesmo apto a isoladamente definir duas ou mais empresas como pertencentes a um grupo econômico. Em verdade, constituise apenas em um mero indício de que tal situação possa vir a ser caracterizada, nos casos de grupos econômicos de fato, em que não há instrumento escrito hábil expressamente fixando tal condição ou acordo entre as participantes. Interessante são as ponderações do Em. Conselheiro Rycardo Henrique M. de Oliveira, quando, no julgamento do processo11474.000151/200792, exteriorizou, a contento que a participação societária de uma empresa na outra, em verdade, deve ser considerada como um dos elementos caracterizadores da existência de um grupo econômico, mas não o único, valorizando, a toda evidência os demais precedentes desta Casa, que em consonância com a legislação evoluíram no sentido da necessidade de comprovação do centro de controle estratégico, e mesmo da confusão tamanha entre as empresas, que se conclua, em verdade, serem uma única. Vejamos: “No presente caso, ao contrário do entendimento da recorrente, inúmeros fatos levaram à fiscalização a concluir pela existência de Grupo Econômico de fato, conforme restou circunstanciadamente demonstrado no Relatório da Notificação Fiscal. Ademais, em relação às alegações da notificada de que a fiscalização não apresentou provas suficientes para comprovar a sua tese de simulação, temos que, os elementos trazidos aos autos pela fiscalização, tais como: a empresa possui sócios em comum e são membros da mesma família; as empresas funcionam no mesmo endereço; a prestação de serviços se dá "exclusivamente" a Engecass; as máquinas e equipamentos utilizados pelas prestadoras de serviços (empresas B e C), encontramse escriturado apenas no ativo imobilizado da empresa A, mesmo após a terceirização da atividade industrial desta; as elétricas, águas e esgoto das três, também são lançadas, somente, na "conta despesa" da empresa A, confirmam Fl. 867DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 2401002.692 S2C4T1 Fl. 857 23 que se trata simulação ou constituição de empresas por interpostas pessoas, as quais ao contrário do que argumenta a impugnante não são autônomas e independentes entre si. Verificase, portanto, que o fisco previdenciário não se fundamentou simplesmente no fato de as empresas terem os mesmos sócios, ao caracterizálas como Grupo Econômico, apesar de também ter contribuído para tal conclusão. Como se observa, além do outros fatos, já devidamente elencados acima, as atividades desenvolvidas por todas empresas integrantes do Grupo Econômico se relacionam e interligam.” A meu ver, pois, a participação societária é um dos elementos que ensejam a caracterização do grupo econômico de fato de empresas, mas não o fator determinante, não podendo, para este fim, ser considerado de forma única, como levado a efeito pela fiscalização. Em face do exposto, pedindo vênias ao Em. Relator, voto no sentido de excluir os responsáveis solidários do pólo passivo da presente autuação, acompanhando, no mais, os demais fundamentos de seu voto. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 868DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/12 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES, Ass inado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 36830.009864/2006-65
Data da sessão: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 08/03/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL - ARTIGO 32, I DA LEI N° 8.212/1991 C/C ARTIGO 225 I e § 9° DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N° 3.048/99. FOLHA DE PAGAMENTO.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a fiscalização previdenciária na administração previdenciária.
Não inclusão de todos os segurados em folhas de pagamento acarreta a responsabilização pela autuação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.140
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrida DRP/JOINVILLE/SC ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 08/03/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL - ARTIGO 32, I DA LEI N° 8.212/1991 C/C ARTIGO 225 I e § 9° DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N° 3.048/99. FOLHA DE PAGAMENTO. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a fiscalização previdenciária na administração previdenciária. Não inclusão de todos os segurados em folhas de pagamento acarreta a responsabilização pela autuação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. , , Processo n° 36830.009864/2006-65 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.140 Fl. 1.644 ACORDAM os membros da 3* Câmara / 2" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. ' LIÉGE LA OIX THOMASIél°(11-eg Presidente lk,gleirlr",_-. 'rie-iiii-- • • TA ..,.• -, - Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Liége Lacroix Thomasi (Presidente). , *2 Processo n°36830.009864/2006-65 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302 -00.140 Fl. 1.645 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, I da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 225, I e § 90 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de elaborar folha de pagamento com todas as remunerações dos segurados que lhe prestaram serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS, fls. 08 a 134. Não conformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fls. 448 a 515. A unidade descentralizada da SRP emitiu a Decisão-Notificação (DN), fls. 1.489 a 1.512, mantendo a autuação em sua integralidade. O recorrente não concordando com a DN emitida pelo órgão previdenciário interpôs recurso, fls. 1.517 a 1.598. Em síntese o recorrente alega o seguinte: não há descrição clara e precisa da infração praticada; devendo ser anulado o auto de infração; deve ser reconhecida a denúncia espontânea, com o reprocessamento da contabilidade; os livros foram devidamente retificados; os Srs. Jaly Paiva e Gerson Barkemeyer nunca foram empregados da recorrente; os valores pagos tiveram caráter indenizatório; a microfilmagem dos cheques demonstram a veracidade dos argumentos da recorrente; não há motivo para arbitramento da remuneração do sócio Renato Luiz de Carvalho; é possível a distribuição de lucros de maneira desproporcional; as atas das reuniões são válidas; os sócios Mathias Inngauer e Fredi Moser nunca foram empregados da recorrente; é legitima a existência da Cooperville, tendo prestado serviços a diversas empresas e não apenas à recorrente; não estão presentes os pressupostos da relação de emprego; as irregularidades na empresa CELPAP não podem ser imputadas à recorrente; Processo n°36830.009864/2006-65 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.140 Fl. 1.646 não há subordinação entre as pessoas dos sócios da CELPAP e da HM com a recorrente; os autos de infração guardam relação entre si, sendo o caso de infração continuada, devendo ser aplicada uma única multa, observando-se o art. 70 do Código Penal; no caso de dúvida deve ser aplicado o disposto no art. 112 do CTN; É o relatório. 4 4 Processo n° 36830.009864/2006-65 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.140 Fl. 1.647 Voto Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA, Relator Não procede o argumento da recorrente de que não há descrição clara e precisa da infração praticada; e que deveria ser anulado o auto de infração. No relatório fiscal às fls. 08 a 134, o Auditor-Fiscal descreveu minuciosamente os fatos que ensejaram a autuação, possibilitando o pleno conhecimento ao contribuinte. Quanto ao argumento de que deve ser reconhecida a denúncia espontânea, com o reprocessamento da contabilidade; também não assiste razão à recorrente. Mesmo com o reprocessamento ainda restaram fatos não contabilizados ligados ao pagamento a pessoas físicas apuradas pela fiscalização, fato devidamente descrito no relatório fiscal, fls. 92 e seguintes. Ao contrário do que afirma a recorrente, os livros terem sido retificados ou não é irrelevante, pois os segurados deveriam ter sido incluídos em folhas de pagamento. Destaca-se que ainda persiste a omissão quanto ao pagamento a pessoas fisicas na contabilidade da recorrente. Independentemente de os segurados serem empregados ou contribuintes individuais, os pagamentos realizados a pessoas fisicas têm que ser registrados nas folhas de pagamento. Deve ficar claro que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Não assiste razão à recorrente quanto ao argumento de que os Srs. Jaly Paiva e Gerson Barkemeyer nunca foram empregados da recorrente; e que os valores pagos tiveram caráter indenizatório. Conforme relatório fiscal e documentos colacionados aos autos, houve pagamento aos diretores realizados pela Staff Informática (item 7 do relatório à fl. 94); portanto não corresponde à realidade o argumento de que o sócio da Staff, Sr. Renato, é quem fazia os pagamentos aos Srs Jaly e Gerson, a título de indenização. Houve vínculo dos Srs. Jaly e Gerson com a sociedade empresária por mais de três anos, restando configurada a prestação de serviços. Também não procede a alegação de que os mesmos seriam sócios, pois não há registro dessas pessoas no contrato social da sociedade. Não é verossímil a alegação de que se tratou de indenização. A indenização repara um dano e não remunera um serviço. No caso, se fosse indenização não haveria motivo para o exercício de atividade laborativa pelos Senhores Jaly e Gerson; as provas colacionadas aos autos demonstram que houve contraprestação pela atividade laborativa, tendo como beneficiária dos serviços a recorrente e com encargo suportado pela recorrente, o fato de alguns pagamentos terem sido realizados pela pessoa fisica do Sr. Renato, não afasta o fato de o 5 Processo n° 36830.009864/2006-65 S2-C3T2 •Acórdão n.° 2302-00.140 Fl. 1.648 encargo efetivo ter sido suportado pela recorrente, que transferia recurso para a conta do Sr. Renato e deste para a conta dos Srs Jaly e Gerson. Desse modo, a microfilmagem dos cheques somente demonstram o repasse dos recursos da Staff para o Sr. Renato, o que corrobora que o efetivo encargo financeiro era suportado pela sociedade empresária e não pela pessoa fisica do sócio. Ao contrário do que afirma a recorrente, há motivo para arbitramento da remuneração do sócio Renato Luiz de Carvalho. O arbitramento tem lugar na hipótese de não merecerem fé as declarações e ou documentos elaborados pelo sujeito passivo. No caso, não há documentos relativos às receitas contabilizadas pela recorrente suficientes para a fiscalização aferir exatidão e veracidade dos valores. Todo o registro contábil tem que ser lastreado em um documento, se a recorrente não guarda tais registros terá que arcar com a violação de tal dever. Entre as violações, além da imposição de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória, há a possibilidade de arbitramento. De fato é possível a distribuição de lucros de maneira desproporcional entre os sócios. Agora, a empresa tem que contabilizar todos os fatos e registrar as deliberações por meio de documentos e seguindo as formalidades legais para terem validade perante terceiros. No caso as atas das reuniões apesar de terem eficácia entre os signatários, não podem ser opostos perante a Fazenda Pública, pois não seguiram as determinações previstas no Código Civil (arts. 1.072, 1.075 e 1.142). Os sócios Mathias Inngauer e Fredi Moser foram considerados empregados da recorrente no período anterior ao registro da alteração contratual. Em atenção ao Parecer CJ/MPAS n ° 2.484/2001, não existe a figura do diretor empregado nas sociedades limitadas, nestas palavras: 13. Assim, não existe a figura do diretor não empregado na sociedade por cotas. Neste tipo de sociedade, o sócio, vale dizer, contribuinte individual, ou será sócio- cotista, ou será sócio-gerente. Deste modo, se a sociedade por cotas de responsabilidade limitada elege um diretor, o faz na qualidade de empregado, nunca de empregador. Situação completamente diferente ocorre no caso das sociedades anônimas. Aqui, há como falar em diretor empregado ou não empregado, tendo em vista que esse tipo de sociedade possui a diretoria como seu órgão de administração, prevendo que o diretor eleito pode ou não ser acionista da empresa: caso em que será diretor não empregado (condição de empregador) e diretor empregado, respectivamente. Desta forma, conclui-se que o diretor eleito de sociedade limitada é segurado obrigatório, na condição de empregado da empresa, tendo em vista a falta de previsão em nosso ordenamento jurídico da pessoa do diretor não empregado nesses tipos societários. Assim, o enquadramento realizado pela fiscalização previdenciária foi correto nos termos do Parecer acima indicado. Destaca-se que o referido Parecer tem aplicação, sem ressalvas, até a publicação do Código Civil de 2003. A partir da entrada em vigor desse Código há a possibilidade do administrador em sociedades limitadas sem vínculo empregatício. Quanto ao levantamento relativo ao enquadramento de empregados por intermédio da Cooperville, entendo que não restou configurada a subordinação. A presunção é a de que não existe vínculo empregatício entre os cooperados e a cooperativa, tampouco entre it 6 Processo n° 36830.009864/2006-65 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.140 Fl. 1.649 aqueles e o tomador de serviços da cooperativa. Para afastar tal presunção, a fiscalização tem que demonstrar os elementos que configuram o vínculo empregaticio, entre os quais a subordinação. Além do que, os serviços de consultoria podem ser exercidos por meio de contribuintes individuais. Não bastasse em caso de subordinação nas cooperativas de trabalho, há que se demonstrar se tal subordinação ocorre em relação à cooperativa, ou em relação ao tomador de serviço. É bem verdade que o enquadramento no RGPS, em determinados casos, independe do efetuado para fins trabalhistas, como exemplo, os referentes às alíneas "i", "j", "1", "m", "p" do art. 9° do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Basta a configuração de uma dessas hipóteses para que o segurado seja enquadrado como empregado perante o RGPS, independentemente dos requisitos perante a legislação trabalhista (subordinação, não- eventualidade, onerosidade, pessoalidade). Entretanto, o enquadramento realizado pela fiscalização previdenciária foi no art. 12, I, "a" da Lei n ° 8.212/1991. Uma vez que o órgão previdenciário o enquadrou como segurado empregado, nos termos dessa alínea, deveria ter esclarecido de maneira individualizada, ou pelo menos por grupo de pessoas sob as mesmas condições contratuais, as razões para tal enquadramento, demonstrando todos os pressupostos: subordinação, não- eventualidade, onerosidade e pessoalidade. Em função das dificuldades práticas de se caracterizar a subordinação jurídica, a jurisprudência tem adotado critérios complementares para aferição da subordinação. Nesse sentido segue trecho da ementa do Acórdão proferido pelo TRT da 3' Região no Recurso Ordinário n ° 00164/2004, publicado no DJMG em 30/6/2004, p. 11: " (.) A sujeição ao poder diretivo e disciplinar poderá apresentar-se atenuada, no caso do serviço de caráter intelectual, havendo a tentação de rotulá-lo como trabalho autônomo. Em tais hipóteses, é preciso recorrer a critérios . complementares considerados idôneos para aferir os elementos essenciais da subordinação, entre eles: 1) se a atividade laboral poderá ser objeto do contrato de trabalho, independentemente do resultado dela conseqüente; 2) se a atividade prevalentemente pessoal é executada com instrumentos de trabalho e matéria- prima da empresa; 3) se a empresa assume substancialmente os riscos do negócio; 4) se a retribuição é fixada em razão do tempo do trabalho subordinado; 5) a presença de um horário fixo é também indicativa de trabalho subordinado, o mesmo ocorrendo se a prestação de serviço é de caráter contínuo. Esses critérios isolados são inidôneos ao Conceito da subordinação, devendo ser apreciados em conjunto no caso concreto. Se o autor reuniu todos os critérios alinhados acima, não há dúvida de que a subordinação jurídica salta aos olhos também sob o prisma subjetivo." No sentido da insubsistência da NFLD com base apenas na presença da não- eventualidade, o Ministério da Previdência Social já se pronunciou por meio do Parecer CHMPAS n ° 1.747/1999, cujo trecho relevante para a presente questão transcrevo a seguir: 1. 4( 7 Processo n° 36830.009864/2006-65 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.140 Fl. 1.650 (.) • 4. O único argumento encontrado no relatório fiscal é que as atividades desenvolvidas estão intrinsecamente ligadas ao objetivo social da empresa. Tal argumento, carece de amparo jurídico, haja vista, que o tipo de atividade desenvolvida por um trabalhador autônomo não é, e nunca foi, fundamento para enquadrar esse trabalhador como empregado. 5. Independentemente da atividade possuir vinculaçã o ou não com a atividade fim da empresa, a caracterização do vínculo empregatício ocorre com a presença dos seguintes requisitos: a) prestação de serviço de natureza não eventual; b) subordinação; c) habitualidade; e d) onerosidade. (Conceito legal - art. 3 0 da CLT) (.) Entretanto, o valor da autuação é indivisível, assim apesar de o relatório fiscal estar incompleto quanto à caracterização do vínculo empregatícios dos segurados da Cooperville. Assim, por ainda persistirem as omissões quanto aos demais fatos geradores que não foram registrados em folhas de pagamento, há que permanecer o auto de infração. Quanto à contratação do segurado Sr. Pedro Sartori por intermédio da empresa CELPAP, a fiscalização demonstrou que o segurado exercia atividades representando diretamente a pessoa jurídica, conforme itens 8 a 13 do relatório fiscal às fls. 123 e 125. Assim, restou configurada a existência do preposto, e uma vez que o Sr. Pedro não era diretor da empresa, necessariamente a empresa o entendia como subordinado. As atividades do Sr. Pedro eram exercidas em nome da Staff, logo o risco da atividade econômica era necessariamente desta. A pessoa física quando exerce atividade por conta própria se enquadra como contribuinte individual; agora, exercendo por conta alheia há que se reconhecer o elemento de caracterização do vínculo empregatício. Quanto à contratação do segurado Sr. Gilberto Salvatore por intermédio da empresa HM, a fiscalização demonstrou que o segurado exercia atividades representando diretamente a pessoa jurídica, conforme itens 18 a 20 do relatório fiscal às fls. 126 e 127. Assim, restou configurada a existência do preposto, e uma vez que o Sr. Pedro não era diretor da empresa, necessariamente a empresa o entendia como subordinado. As atividades do Sr. Pedro eram exercidas em nome da Staff, logo o risco da atividade econômica era necessariamente desta. A pessoa física quando exerce atividade por conta própria se enquadra como contribuinte individual; agora, exercendo por conta alheia há que se reconhecer o elemento de caracterização do vínculo empregatício. Não assiste razão à recorrente ao afirmar que os autos de infração guardam relação entre si, sendo o caso de infração continuada, deveria ser aplicada uma única multa, observando-se o art. 70 do Código Penal. De fato ocorreram diversos descumprimentos de obrigações acessórias, e cada obrigação descumprida enseja a lavratura de um auto de infração. Ao contrário do que afirma a recorrente, os diversos autos de infração lavrados não possuem o mesmo fundamento jurídico. No presente caso, a empresa foi autuada por não ter declarado em folha de pagamento todas as remunerações pagas aos segurados que lhe prestaram serviços. , A8 Processo n°36830.009864/2006-65 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.140 Fl. 1.651 CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 20 de agosto de 2009 !n-'4111P 917 4#%ffleuramoim.drin. _ RA-4?telator__, •
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Numero do processo: 13116.000644/2003-01
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL.
Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação deve ser
anterior ao fato gerador da obrigação tributária.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.181
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Caio Marcos Cândido
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL. Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação deve ser anterior ao fato gerador da obrigação tributária. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes Ia Silva, Ry . 4 do Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage que negaram prov I i ento. 1 to. r .... OS ALBE ' W •01 ' ITAS : . • ' - O Presidente IIIP 4. 411. - • 81 MARCOS CA DI ) • - elator . / O i EDITADO EM: 11 SEI 2009 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão n°303-33.642, exarado na sessão de julgamento de 18 de outubro de 2006. A interposição do recurso de deu com supedâneo no inciso II do art. 50 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998, vigente à época de sua interposição: Art. 5° Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra: (.) II. decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Hodiernamente tal recurso tem supedâneo no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Despacho em que se admite o recurso às fls. 231/233. A divergência jurisprudencial, que se quer seja solucionada nos presentes autos, resume-se a definir se, para fins de não incidência do Imposto sobre a Propriedade • Territorial Rural (ITR), a averbação da área declarada como reserva legal à margem da inscrição da matricula do imóvel no Registro de Imóveis competente, efetuada posteriormente à data de ocorrência do fato gerador, satisfaz a condição estabelecida na lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal Brasileiro), com a redação dada pelo § 2° do art. 16 da lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989, como entendeu o acórdão recorrido ou, se ao contrário, constitua-se condição essencial para a não incidência que a citada averbação tenha se dado em momento anterior à ocorrência do fato gerador do ITR. Contrarrazões ao recurso especial às fls. 243/244. É o relatório. Passo ao voto. 2 Processo n° 13116.000644/2003-01 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.181 Fl. 2 .•I Lt& 4.4 Voto Conselheiro CAIO MARCOS CANDIDO, Relator Recurso Especial de Divergência tempestivo. Passo a verificar o outro requisito de admissibilidade: a comprovação da divergência na interpretação de lei tributária entre duas câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou de turma da CSRF. A 3' Câmara do 3° Conselho de Contribuintes no acórdão recorrido decidiu: ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). Á teor do artigo 10°, §7° da Lei n.° 9393/96, modificado pela Medida Provisória 2 166-67/2001, basta a simples declaração do contribuinte paia fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade. NOS TERMOS DO ARTIGO 10. INCISO II. ALÍNEA 1!A", DA LEI N° 9393/96, NÃO SÃO TRIBUTÁVEIS AS ÁREAS DE RESERVA LEGAL. A Fazenda Nacional recorre à instância especial sob a alegação de que deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização relativa à área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, tendo em vista que a averbação da área declarada como reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis deveria ter sido efetuado antes de ocorrido o fato gerador, reportando-se, como paradigma de divergência, ao acórdão n° n° 302-36.539, de 01 de dezembro de 2004, exarada pela 2 a Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, com o qual pretende comprovar a divergência suscitada, in verbis: ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. Para que as áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal seja consideradas para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável imóvel, é preciso que elas preenchamos requisitos legalmente estabelecidos , seja no que tange à averbação da área de reserva legal á margem da matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente (em data anterior à da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária) (.) Pelos excertos reproduzidos restou demonstrada a divergência entre decisões adotadas por duas Câmaras do 3° Conselho de Contribuintes. Presentes os pressupostos, há que ser admitido o Recurso Especial. Previamente, há que se esclarecer que não se coaduna com a melhor interpretação a argumentação acerca da desnecessidade de produção de prova da existência das áreas declaradas tem base no disposto no § 7° da Lei n° 9.393/96, incluído pela Medida Provisória n°2.166-67, de 24 de agosto de 2001, verbis: 3 ,sÇ 70 A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, ,f 1°, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. Da simples leitura do dispositivo transcrito chega-se à conclusão de que o que não é necessária é a prévia comprovação das áreas declaradas. É da essência da atividade de fiscalização que a autoridade tributária, com o fito de comprovar informação constante das diversas declarações elaboradas pelos contribuintes, intime-os a proceder a comprovação daquilo que foi declarado. Assim, a lei desobriga da prévia comprovação, mas não limita a atividade de fiscalização, impedindo a autoridade tributária de proceder seu mister de averiguar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ou de outros aspectos que possam impactar o dimensionamento do crédito tributário devido. O lançamento combatido trata do ITR realizado com fulcro na glosa da área declarada como sendo de reserva legal. Conforme visto, a 2' e 3a Câmaras do 3° Conselho de Contribuintes divergem quanto à obrigatoriedade, para fins de não incidência do ITR, da averbação no registro de imóveis competente, de área declarada pelo contribuinte como sendo de reserva legal, realizada previamente à data de ocorrência do fato gerador (condição prevista no Código Florestal Brasileiro (Lei n°4.771, de 1965), incluída pelo § 2° do art. 16 da lei n°7.803, de 1989. A 3' Turma da CSRF vinha decidindo no sentido de que a comprovação da área declarada como de reserva legal, para fins de exclusão da tributação do ITR, poderia dar- se por outros meios de prova, independendo da averbação de tal área à margem da matricula do imóvel rural no registro de imóveis competente ou mesmo de sua averbação posterior. Neste sentido reproduzo a ementa do acórdão CSRF/03-05.505, de 12 de novembro de 2007: Ementa: ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. - A comprovação da área de reserva legal para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR não depende exclusivamente de sua prévia averbação no cartório competente, e seu reconhecimento pode ser feito por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas, inclusive a sua averbação procedida posteriormente à data do fato gerador. Peço vênia para discordar do posicionamento, então adotado, pelas razões a seguir apresentadas. A legislação aplicável à matéria estabelece que não serão consideradas para a formação da base de cálculo do ITR as áreas de reserva legal, ex vi da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393/1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do 1TR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. 4 Processo n° 13116.000644/2003-01 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.181 Fl. 3 §. 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: II (.) - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Conforme visto, a definição do que seja "área de reserva legal" encontra-se estabelecida no § 2° do art. 16 da lei n° 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n° 7.803, de 1989: § 2°A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destina ção, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. A reserva legal é uma restrição ao direito de exploração das áreas de vegetações nativas e sua discutida averbação tem a função de dar publicidade a terceiros daquela restrição. Tal posicionamento é corroborado pelo Supremo Tribunal Federal a partir do julgamento do Mandado de Segurança n° 22.688/PB (Tribunal Pleno, sessão de 28 de abril de 2000) em que se discutia tal tema relativamente à produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. Veja-se o tratamento dado à matéria em voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (..) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. 5 Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art. 16 da lei n°4.771/1965 não existe reserva legal. Esta posição continua sendo adotado pelo STF, conforme se pode verificar nos autos do MS 28.156/DF, cujo acórdão foi publicado no Diário de Justiça de 02 de março de 2007. Assim sendo, a afirmativa de que a existência da área declarada como de reserva legal ou de que sua comprovação por outros meios, ou ainda de que sua averbação posteriormente à ocorrência do fato gerador, supriria a condição estabelecida na lei não condiz com a norma que emana da análise conjunta da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393, de 1996 e do § 2° do art. 16 da lei n° 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n°7.803, de 1989. Tal norma estabelece a obrigação de dar publicidade a terceiros da criação de área correspondente a, no mínimo, 20% da propriedade rural protegida do uso indiscriminado, impondo ao proprietário um controle social em relação à conservação da cobertura vegetal daquela área. Quando a Lei n° 9.393, de 1996 reproduziu a obrigatoriedade de averbação estabelecida no Código Florestal, não estava criando obrigação acessória, com vista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, mas, sim, repercutindo condição essencial à instituição de área de reserva legal, que deve ser cumprida pelo interessado para fruição da exclusão de tais áreas da base de cálculo do ITR. O conceito de obrigação acessória, à luz do §2° do artigo 113 do CTN, confirma a conclusão trazida no parágrafo anterior, posto que a obrigatoriedade da averbação não foi criada por legislação tributária, sendo assim não há que se falar em obrigação tributária acessória: 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (.) 2° A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas nono interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Neste sentido, entendo ser condição essencial para a constituição de reserva legal a averbação de tal área à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Apenas cumprida tal condição será possível a exclusão de tal área da base de cálculo do tributo. Sendo assim, apenas posteriormente à averbação considera-se constituída a área de reserva legal, não produzindo efeitos para períodos de apuração anteriores. Na forma do art. 144 do CTN, o lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. 6 Processo n° 13116.000644/2003-01 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.181 Fl. 4 Tendo em vista que a inexistência da averbação imposta em lei para constituição da reserva legal anteriormente à ocorrência do fato gerador, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial de divergência. s' 111 • . • arcos Candido - Re ator 5 7
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Numero do processo: 18184.000189/2007-70
Data da sessão: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1994 a 30/12/1994
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.500
Decisão: ACORDAM os Membros da 3ª Câmara / lª Turma Ordinária da Segunda Seção de julgamento, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS kkstle SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 18184.000189/2007-70 Recurso n° 152.700 Voluntário Acórdão n° 2301-00.500 — 3* Câmara / 1* Turma Ordinária Sessão de 07 de julho de 2009 Matéria Decadência Recorrente CONSTRUBASE ENGENHARIA LTDA. Recorrida SRP/SÃO PAULO-SUL/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREvIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1994 a 30/12/1994 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes auto A Processo n° 18184.000189/2007-70 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.500 Fl. 374 ACORDAM os 4 embros da 3 Câmara / l' Turma Ordinária da Segunda fi iikSeção de Julgamento, por un., idade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos - I, o voto do relator. V,..\ , l 11 JULIO 4 SA 3 " IEIRA GOMES Presiden - imr b ED .: • gád V DAL • ator Participaram do julgamento os conselheiros: Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Maria Helena Lima dos Santos (Suplente), Bemadete de iveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 2 Processo n° 18184.0001892007-70 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.500 Fl. 37$ Relatório Trata-se de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, na condição de responsável solidária, referente às contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social, parte empresa, ao financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho — SAT e aquelas correspondentes ao segurados empregados, referente à prestação de serviços na área da construção civil pela empresa Temec S/C Ltda., no período de 02/1994 a 12/1994. Ciência ao sujeito passivo do lançamento em 17/12/2004.(fl. 01) A prestadora foi cientificada em 25/04/2005 e não apresentou defesa. A recorrente impugnou o lançamento; no entanto, o lançamento foi julgado procedente. Inconfonnada com a decisão, interpôs recurso, alegando, em síntese, que a NFLD é improcedente. Em 02/06/2009, a recorrente solicitou o reconhecimento da decadência do crédito tributário, com base na Súm a n° 08 do Supremo Tribunal Federal. É o relatório. 3 Processo n° 18184.000189/2007-70 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.500 Fl. 376 • Voto Conselheiro EDGAR SILVA VIDAL , Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO do Recurso e passo ao exame das questões preliminares suscitadas pelo recorrente. DAS QUESTÕES PRELIMINARES DECADÊNCIA Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n° 1,569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém-se higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4 0, 173 e 174 do CM Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, HL b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao § 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 10 -A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: 4 Processo e 18184.000189/2007-70 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00300 Fl. 377 Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei re 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art. 22 O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 12 O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram m obrigados a acatarem a Súmula Vinculante n°. 08. Assim, tendo em vista que a regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento e, tendo a Contribuição Previdenciária natureza tributária, cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, amoldando-se à sistemática de lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral estatuída no art. 173 do CTN, para encontrar respaldo no § 4° do art. 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Como a inércia da Fazenda Pública homologa tacitamente o lançamento e extingue definitivamente o crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (CTN, art. 150, § 42), o que não se tem notícia nos autos, entendo decadente o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário relativamente à contribuição, para os fatos geradores ocorridos há mais de 5 anos. Mesmo para aqueles que não concordam com a aplicação do art. 50, §4°, do CTN, o crédito previdenciário lançado também está atingido pela decadência. • • Processo n° 18184.000189/2007-70 S2-C3TI Acórdão n.° 2301-00.500 Fl. 378 Neste caso, a contribuinte tomou ciência da NFLD em 17/12/2004. Logo, em se tratando de tributos cujos fatos geradores ocorreram no período de 01/1994 a 12/1994, conclui-se que o crédito tributário foi atingido pela decadência. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para provimento do recurso interposto. Sala das Sessõ em 07 dÊjulho de 2009 469 EDGA • I A' DA - Relator 6 Page 1 _0003800.PDF Page 1 _0003900.PDF Page 1 _0004000.PDF Page 1 _0004100.PDF Page 1 _0004200.PDF Page 1
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Numero do processo: 11070.000681/2004-31
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada por órgão do Poder Executivo.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-02.983
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passavam integrar o presente julgado.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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Numero do processo: 13675.000073/2005-23
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. APRESENTAÇÃO DE RECIBO. RESTABELECIMENTO
Todas as deduções pleiteadas no ajuste anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade das despesas com instrução própria ou com dependentes e os correspondentes pagamentos.
Deve ser restabelecida a despesa a título de instrução com dependente, quando carreado aos autos o documento comprobatório respectivo.
Numero da decisão: 2101-001.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), José Evande Carvalho Araujo e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 DESPESAS COM INSTRUÇÃO. APRESENTAÇÃO DE RECIBO. RESTABELECIMENTO Todas as deduções pleiteadas no ajuste anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade das despesas com instrução própria ou com dependentes e os correspondentes pagamentos. Deve ser restabelecida a despesa a título de instrução com dependente, quando carreado aos autos o documento comprobatório respectivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), José Evande Carvalho Araujo e Gonçalo Bonet Allage.
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APRESENTAÇÃO DE RECIBO. RESTABELECIMENTO Todas as deduções pleiteadas no ajuste anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade das despesas com instrução própria ou com dependentes e os correspondentes pagamentos. Deve ser restabelecida a despesa a título de instrução com dependente, quando carreado aos autos o documento comprobatório respectivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), José Evande Carvalho Araujo e Gonçalo Bonet Allage. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 5. 00 00 73 /2 00 5- 23 Fl. 34DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Tratase de recurso voluntário (fls. 26) interposto em 31 de março de 2008 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (MG), (fls. 21/22), do qual a Recorrente teve ciência em 05 de março de 2008 (fls.25), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 07/08, emitido em 13 de janeiro de 2004, em decorrência de deduções indevidas de despesas com instrução, verificada no anocalendário de 2002. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DEDUÇÕES. INSTRUÇÃO. Somente são admitidas as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. Lançamento Procedente Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fl.26), aonde faz apensar aos autos, recibo de emissão do estabelecimento de ensino alusivo à glosa de que trata a Notificação de Lançamento de 13 de janeiro de 2004 e, de consequência requer a restituição do valor de direito. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. A contribuinte apresentou a declaração de ajuste do exercício de 2003 e foi autuado sofrendo glosa relativa às despesas com instrução. O julgador a quo manteve a glosa relativa às despesas em questão, no valor de R$ 1.998,00 (Um mil novecentos e noventa e oito reais), isso em decorrência da não comprovação da despesa pleiteada. Para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores Fl. 35DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13675.000073/200523 Acórdão n.º 2101001.954 S2C1T1 Fl. 35 3 pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas com instrução, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. O Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, em seu art. 73, disciplina: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). No voluntário o contribuinte fez carrear aos autos, recibo comprobatório da despesa objeto da glosa (fl.27). no valor de R$ 1.204,00. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas com instrução no valor de R$ 1.204,00 (Um mil duzentos e quatro reais). Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 36DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10820.003029/2008-17
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. LIQUIDEZ E CERTEZA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA CONTRIBUINTE. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. O ônus da prova de fato constitutivo do direito creditório alegado é do autor do pedido. Incumbe, destarte, ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas, apuradas, sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1802-001.164
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. LIQUIDEZ E CERTEZA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA CONTRIBUINTE. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. O ônus da prova de fato constitutivo do direito creditório alegado é do autor do pedido. Incumbe, destarte, ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas, apuradas, sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
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SALDO NEGATIVO DE CSLL. LIQUIDEZ E CERTEZA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA CONTRIBUINTE. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. O ônus da prova de fato constitutivo do direito creditório alegado é do autor do pedido. Incumbe, destarte, ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas, apuradas, sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 2 2 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes CatilhoS e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls.93/107 contra decisão da 5ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (fls.81/90) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, deixando de homologar a compensação tributária pela falta de certeza e liquidez do direito creditório informado/utilizado. Quanto aos fatos, consta que a contribuinte transmitiu eletronicamente, por meio do Programa PER/DCOMP, as declarações de compensação tributária: nº 20467.66622.111104.1.7.032502 – Retificadora do PER/DCOMP Retificado: 36914.55224.251004.1.3.034009 (fls. 02/04), de 11/11/2004, pleiteando o aproveitamento de suposto direito creditório, valor original de R$ 30.273,51 (saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003), para quitação do débito abaixo (crédito original utilizado R$ 1.751,27): CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, período de apuração: Julho/2004. O PER/DCOMP original foi transmitido em 25/10/2004 (fls. 05/07). nº 23022.99979.230307.1.3.033520 (fls. 15/18), de 23/03/2007, pleiteando a utilização, também, de saldo negativo da CSLL do anocalendário 2003 (crédito original utilizado R$ 30.033,48) para extinção dos débitos da CSLL, períodos de apuração março a junho de 2004. Já, nas DCTF do 1º, 2º e 3º trimestres/2004, onde, também, estão confessados tais débitos da CSLL, consta que seriam objeto de compensação com saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003, porém informando outras DCOMP (fls. 08 e 19/22). Na cópia da DIPJ 2004, anocalendário 2003, Ficha 17, consta (fl.13): Débito de CSLL apurado R$ 40.607,81; CSLL mensal paga por estimativa R$ 70.881,32; Saldo negativo de CSLL de R$ 30.273,51. Entretanto, os pagamentos de antecipações de CSLL por estimativa (código de receita 2484) totalizam, para o anocalendário 2003, apenas R$ 41.841,77, conforme cópia tela SINAL08 (fl. 14). Fl. 112DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 3 3 A DRF/Araçatuba, apreciando, no mérito, o crédito pleiteado e a compensação informada, concluiu pela existência, em parte, do direito creditório no valor de R$ 5.063,55, homologando a compensação até o limite desse crédito reconhecido, cujo Despacho Decisório de 09/06/2008 (fls. 46/47) está assim fundamentado pelo respectivo Parecer (fls. 42/45): (...) Trata o presente de Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (nº 20467.66622.111104.1.7.03 2502; fls. 2 a 4), transmitido em 11/11/2004, no valor de R$ 1.858,80, relativo a débito da CSLL, apurado em julho de 2004. O documento retificou o de nº 36914.55224.251004.1.3.034009, de 25/10/2004. Informa a contribuinte que utilizou, na operação, parte de crédito oriundo de saldo negativo da mesma contribuição, verificado em 31/12/2003, no total de R$ 30.273,51, conforme o demonstrativo de fls. 3. Em 23/03/2007 a interessada transmitiu o PER/Dcomp nº 23022.99979.230307.1.3.033520, compensando débitos da mesma contribuição, apurados entre março e junho de 2004. Em virtude da utilização do mesmo crédito informado no pedido anterior, deve ser vinculado àquele, para o fim de ser analisado neste processo. (...) Os valores e demais informações referentes à compensação constam das DCTF entregues pelo sujeito passivo, referentes ao ano de 2004 (fls. 8 e 19 a 22). Os PER/Dcomp foram formalizados já na vigência da Lei nº 10.637/2002, que introduziu alterações no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Assim, na forma do § 2º daquele dispositivo, tiveram o efeito de extinguir os créditos tributários, sob a condição resolutoria de sua ulterior homologação. (...) Os valores e demais informações referentes à compensação constam das DCTF entregues pelo sujeito passivo, referentes ao ano de 2004 (fls. 8 e 19 a 22). Os PER/Dcomp foram formalizados já na vigência da Lei nº 10.637/2002, que introduziu alterações no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Assim, na forma do § 2º daquele dispositivo, tiveram o efeito de extinguir os créditos tributários, sob a condição resolutoria de sua ulterior homologação. Com essas informações, passase à análise do crédito e das compensações. É necessário registrar que as DCTF referentes aos débitos apurados entre março e junho de 2004 trazem informações de outros PER/Dcomp, que não o que ora é analisado. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 4 4 Ocorre que os PER/Dcomp nºs 41326.15712.120504.1.3.030750 e 27826.71413.090804.1.3.038991 foram cancelados, respectivamente, pelos de nºs 04156.83962.220307.1.8.030108 e 22871.94502.220307.1.8.030975. No mérito, assim prescreviam os artigos 6º e 21 da Instrução Normativa SRF nº 210/2002, vigente à época dos fatos, cujas disposições, em essência, foram mantidas nos artigo 5º e 26 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005: (...) Na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica entregue no exercício 2004, referente ao ano calendário 2003, observase, na ficha 17 (fls. 13), que o valor da CSLL devida foi de R$ 40.607,81. Declarando a contribuinte que já havia pago, por estimativa, o montante de R$ 70.881,32, teria verificado o saldo negativo de R$ 30.273,51, que veio a ser utilizado na compensação dos débitos ora tratados. Deve ser anotado, aqui, que nem todos os valores informados como pagos, por estimativa mensal, foram confirmados no sistema de controle de pagamentos (Sinal08), como se vê nas DCTF e no extrato de fls. 14. Para resumir, apenas parte dos débitos foi paga mediante Darf, durante o ano calendário 2003 (R$ 41.841,77), a título de estimativa da CSLL. (...) Conforme as informações prestadas nas DCTF (fls. 29 a 36), os débitos correspondentes à CSLL apurada (por estimativa) nos meses de junho a dezembro de 2003 foram compensados com saldo negativo de CSLL, apurado em 31/12/2002. Embora tenha sido informado que tais compensações foram processadas com a formalização dos PER/Dcomp nºs 34742.66686.280703.1.3.020914, 04058.89832.280703.1.3.03 0144, 20144.91843.190803.1.3.032865, 24730.05813.271003.1.3.038903, 26525.62483.271003.1.3.03 2005 e 20461.20235.060204.1.3.036656, observase que essas informações eram incorretas, pois os documentos mencionados foram cancelados ou se referiam a crédito diferente do alegado. Na realidade, as compensações foram declaradas no PER/Dcomp nº 08188.11618.220307.1.3.039661 (fls. 37 a 41), que veio a ser analisado nos autos do Processo nº 10820.003017/200884. Nos termos do parecer e do despacho decisório proferidos nesse processo (fls. 23 a 28), foi reconhecido apenas parcialmente o direito creditório, no montante de R$ 3.798,34, de modo que também apenas em parte foi homologada a compensação dos débitos, iniciandose, então, o procedimento de cobrança dos valores remanescentes. Assim, às quantias efetivamente pagas no ano de 2003, mediante Darf, no total de R$ 41.841,77, somase a parcela da CSLL parcialmente compensada, apurada em junho de 2003, de R$ Fl. 114DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 5 5 3.829,59, quantia correspondente ao crédito reconhecido (R$ 3.978,34), monetariamente atualizado. Assim, reconhecese efetivamente pago, a título de CSLL paga por estimativa, no período encerrado em 31/12/2003, o total de R$ 45.671,36. Em face do valor devido, apurado em balanço (R$ 40.607,81), registrase um saldo negativo de apenas R$ 5.063,55. (..) Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 11/06/2008 (fl. 55), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 10/07/2008 (fls. 60/71), juntando ainda documentos de fls. 72/78, cuja razões, em síntese, são as seguintes: Do direito: que foi utilizado saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003 para compensação da CSLL estimativa, 2484, do período de apuração março a julho/2004, conforme os PER/DCOMP e DCTF (fls.02/04, 15/18 e 08 e 19/22); que as DCTF foram apresentadas, mas com erro sanável (divergência de informação em relação às DCOMP), bastando intimação para esclarecimento, caso fosse necessária; que, todavia, o fisco, ao invés de proceder à intimação da empresa impugnante para prestar esclarecimentos preferiu indeferir, em parte, o crédito pleiteado, sob pretexto de que o saldo negativo da CSLL do anocalendário 2003 seria de apenas R$ 5.063,55, pois a compensação tributária – DCOMP dos débitos de CSLL estimativa dos meses de junho a dezembro/2003 restou, em parte, não homologada (falta de comprovação de saldo negativo do anocalendário 2002) não podendo ser computada, nessa parte, para formação do saldo negativo da CSLL do anocalendário 2003; que, não obstante, com base na apuração anual – declaração de ajuste anual, não há CSLL a ser exigida do anocalendário 2004: ANO CSLL RECOLHIDA CSLL DEVIDA SALDO REMANESCENTE 2002 R$ 72.962,55 R$ 68.981,21 R$ 3.981,34 2003 R$ 41.841,77 R$ 40.607,81 R$ 1.233,96 2004 R$ 36.926,19 R$ 38.451,05 R$ 1.524,46 que, em outras palavras, em relação aos débitos da CSLLL estimativa confessados na DCOMP (março a julho/2004), ainda que não reconhecida a compensação pela suposta falta de saldo negativo do anocalendário 2003 , esses débitos não podem ser cobrados, pois – com base na declaração de ajuste anual 2005 (anocalendário 2004) – os recolhimentos de estimativa mensal desse ano são maiores do que a CSLL apurada (declaração de ajuste anual); Fl. 115DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 6 6 que o fisco, ao invés de proceder à intimação da empresa impugnante para prestar esclarecimentos, preferiu indeferir os procedimentos, exigindo/cobrando esses períodos de apuração da empresa, configurando bis in idem e confisco; que, também, a autoridade administrativa não demonstrou que caminho a empresa impugnante deveria tomar, isso porque não intimou a parte interessada para prestar esclarecimento, causando cerceamento de defesa; que o total do débito exigido pela Carta de Cobrança, nessa situação, configura confisco; que é indevida a cobrança de multa moratória, pois estaria configurada a denúncia espontânea. A DRJ/Ribeirão Preto, apreciando as razões da contribuinte, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, tendo o acórdão a seguinte ementa (fl.81): (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Irresignada com esse decisum do qual tomou ciência em 18/07/2011 (fl. 92), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 08/08/2011 (fls. 93/107), cujas razões, em síntese, são as seguintes; que é incabível a exigência dos débitos de estimativa mensal da CSLL do anocalendário de março a julho/2004, código de receita 2484, confessados nos PER/DCOMP, e que deixaram de ser extintos pela negativa, em parte, do direito de crédito Fl. 116DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 7 7 pleiteado, pois, na respectiva declaração de ajuste anual, restou consignado que os recolhimentos em DARF superaram o valor da CSLL apurada (ajuste anual); que a autoridade fiscal vislumbrou a impossibilidade de compensação tributária, porém não disse e nem intimou a contribuinte para corrigir os erros constatados; que a autoridade sequer demonstrou que os valores recolhidos já eram maiores do que o valor da CSLL apurado na declaração de ajuste anual; que, além dos valores recolhidos por estimaiva da CSLL serem maiores do que o valor da CSLL apurado na declaração de ajuste do anocalendário 2004, a exigência das estimativas de CSLL confessadas nas DCOMP desses anos configura confisco; que uma coisa é informar o fisco da compensação tributária; que outra é demonstrar, nos autos, recolhimento a maior e que, no caso, estão comprovados pelas declarações tempestivas, pagamentos, DCTF e PER/DCOMP; que tergiversou a autoridade fiscal ao argumentar que a recorrente não teria comprovado o direito creditório líquido e certo; que, destarte, a recorrente apresentou todos os documentos espontaneamente para efetivação da compensação dos débitos confessados, configurando denúncia espontânea, sendo incabível a exigência da multa moratória. Por fim, a recorrente pediu que seja reformada a decisão recorrida, para reconhecimento do direito creditório e homologação da compensação. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 8 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca do direito creditório pleiteado, denegado pela decisão recorrida. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo a análise do mérito. QUANTO AOS FATOS: A contribuinte pleiteou nos PER/DCOMP (fls. 02/04), de 11/11/2004, e fls (15/18), de 23/03/2007, direito creditório – saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003 no valor orignal de R$ 30.273,51, utilizando valor original, respectivamente, de R$ 1.751,27 e R$ 30.033,48, para quitação de débitos de estimaiva da CSLL, código de receita 2484, dos anos calendário dos períodos de apuração março a julho/2004, confessados nessas declarações de compensação. A unidade de origem da RFB (DRF/Araçatuba), que por primeiro conheceu da questão, deferiu, parcialmente, o direito creditório, ou seja, reconheceu saldo negativo da CSLL do anocalendário 2003 no valor de, apenas, R$ 5.063,55, uma vez que, diversamente do consignado na DIPJ 2004, anocalendário 2003 – declaração de ajuste anual (fl. 13): a) os pagamentos de CSLL por estimativa do anocalendário 2003 (recolhimentos em DARF, código de receita 248) totalizaram, apenas, de R$ 41.841,77 (fl. 14), e não R$ 70.881,32; b) os valores da CSLL, estimativa mensal, de julho a dezembro/2003, foram escluídos do saldo negativo da CSLL desse ano, pois foram objeto de DCOMP, a qual, nessa parte, não foi homologada (DCOMP nº 08188.11618.220307. 1.3.039661 – processo nº 10820.003017/200884); c) foi, ainda, adicionada a parcela da CSLL parcialmente compensada (homologada), período de apuração junho de 2003, de R$ 3.829,59, quantia correspondente ao crédito reconhecido do anocalendário 2002 (R$ 3.978,34), monetariamente atualizado (DCOMP nº 08188.11618.220307. 1.3.039661 – processo nº 10820.003017/200884); d) assim, foi reconhecida, efetivamente, a título de CSLL paga por estimativa, no período encerrado em 31/12/2003, o total de R$ 45.671,36. Em face do valor devido, apurado em balanço (R$ 40.607,81), foi apurado um saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003 de apenas R$ 5.063,55. Com isso, o saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003 restou reduzido de R$ 30.273,51 para R$ 5.063,55. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 9 9 A razão para essa redução do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003 foi que a recorrente utilizou saldo negativo de CSLL do anocalendário 2002 para compensação de débitos de CSLL estimativa de 2003 (períodos de apuração de junho a dezembro 2003), porém tal compensação – DCOMP – restou, em parte, não homologada ((DCOMP nº 08188.11618.220307. 1.3.039661 – processo nº 10820.003017/200884). A propósito, a questão foi enfrentada pelo Parecer da DRF/Araçatuba que serviu de base para a expedição do despacho decisório que denegou o direito creditório pleiteado (fls.43/44), cuja fundamentação transcrevo, in verbis: (...) Na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica entregue no exercício 2004, referente ao ano calendário 2003, observase, na ficha 17 (fls. 13), que o valor da CSLL devida foi de R$ 40.607,81. Declarando a contribuinte que já havia pago, por estimativa, o montante de R$ 70.881,32, teria verificado o saldo negativo de R$ 30.273,51, que veio a ser utilizado na compensação dos débitos ora tratados. Deve ser anotado, aqui, que nem todos os valores informados como pagos, por estimativa mensal, foram confirmados no sistema de controle de pagamentos (Sinal08), como se vê nas DCTF e no extrato de fls. 14. Para resumir, apenas parte dos débitos foi paga mediante Darf, durante o ano calendário 2003 (R$ 41.841,77), a título de estimativa da CSLL. (...) Conforme as informações prestadas nas DCTF (fls. 29 a 36), os débitos correspondentes à CSLL apurada (por estimativa) nos meses de junho a dezembro de 2003 foram compensados com saldo negativo de CSLL, apurado em 31/12/2002. (...) Na realidade, as compensações foram declaradas no PER/Dcomp nº 08188.11618.220307.1.3.039661 (fls. 37 a 41), que veio a ser analisado nos autos do Processo na 10820.003017/200884. Nos termos do parecer e do despacho decisório proferidos nesse processo (fls 23 a 28), foi reconhecido apenas parcialmente o direito creditório, no montante de R$ 3.798,34, de modo que também apenas em parte foi homologada a compensação dos débitos, iniciandose, então, o procedimento de cobrança dos valores remanescentes. Assim, às quantias efetivamente pagas no ano de 2003, mediante Darf, no total de R$ 41.841,77, somase a parcela da CSLL parcialmente compensada, apurada em junho de 2003, de R$ 3.829,59, quantia correspondente ao crédito reconhecido (R$ 3.978,34), monetariamente atualizado. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 10 10 Assim, reconhecese efetivamente pago, a título de CSLL paga por estimativa, no período encerrado em 31/12/2003, o total de R$ 45.671,36. Em face do valor devido, apurado em balanço (R$ 40.607,81), registrase um saldo negativo de apenas R$ 5.063,55. Em razão disso, concluise pela existência apenas parcial do crédito aproveitado pela requerente nas compensações da CSLL apurada entre março e julho de 2004. (...) 1) que seja homologada a compensação parcial de débito constante do PER/Dcomp nº 23022.99979.230307.1.3.033520, correspondente à CSLL apurada no mês de março de 2004, regularmente confessado em DCTF, até o limite do crédito reconhecido, de R$ 5.063,55, monetariamente atualizado, observando que a quantia devida está sujeita ao acréscimo de juros e multa de mora, em virtude de, tendo vencido em 30/04/2004, somente ter sido compensado em 23/03/2007, data da transmissão do PER/Dcomp; e 2) que não sejam homologadas as demais compensações, procedendose à cobrança dos saldos remanescentes. (...) QUANTO AO MÉRITO: 1) Instauração da lide, apenas, a partir da apresentação da manifestação de inconformidade: A recorrente alegou, nas razões de mérito, que: 1) Efetuara a compensação dos débitos de estimativa mensal dos períodos de apuração junho a dezembro/2003 (DCOMP nº 08188.11618.220307. 1.3.039661 – processo nº 10820.003017/200884); a) utilizando saldo negativo da CSLL do anocalendário 2002; b) que o fisco, na auditoria interna de seus sistemas informatizados (confrontando DIPJ, DCOMP e DCTF) reduziu, naquele processo, o saldo negativo da CSLL do anocalendário 2002 de R$ 43.894,86 para R$ 3.978,24, pela falta de comprovação de compensação direta na escrituração, sem processo, dos débitos estimativa da CSLL do ano calendário 2002 (maio a agosto de 2002) com saldo negativo da CSLL do anocalendário 2001; 2) Diante dessa situação, nos presentes autos, o fisco, por decorrência: a) reduziu o saldo negativo da CSLL do anocalendário 2003 (direito creditório) de R$ 30.273,51 para R$ 5.063,55, pois excluiu os valores da CSLL estimativa dos meses dos meses de julho a dezembro de 2003 que haviam, indevidamente, compensadas com saldo negativo de CSLL do anocaalendário 2002; Fl. 120DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 11 11 b) deixou de homologar, em parte, a compensação dos débitos confessados quanto aos períodos de apuração de março a julho/2004; c) que, entretanto, não concorda com essa redução do saldo negativo da CSLL do anocalendário 2003; que, antes da ciência do despacho decisório, o fisco deveria ter intimado a recorrente para prestar, fornecer, informações ou esclarecimentos e não simplesmente reconhcer, em parte, o saldo negativo da CSLL do anocalendário 2003; que tal situação teria configurado cerceamento de defesa. A argumentação da recorrente não merece prosperar. Não há na legislação tributária essa previsão ou obrigatoriedade do fisco intimar a contribuinte para apresentar provas do direito creditório na fase préprocessual de análise da liquidez e certeza do direito creditório utilizado na Declaração de Compensação – DCOMP. Tratase, meramente, de procedimento de auditoria interna (batimento de informações entre DIPJ, DCTF e DCOMP) no interesse exclusivo do fisco, de caráter inquisitório. Vale dizer, no procedimento de auditoria interna (consulta dos sistemas informatizados internos da RFB) não se exige intimação da contribuinte, pois tratase de um procedimento exercitado no interesse exclusivo do fisco, e não do contribuinte. Tal procedimento de colheita de provas tem natureza inquisitorial, o qual não é banhado pelo contraditório, pois tratase de fase préprocessual no interesse exclusivo do fisco. Ainda não há imputação de fatos (infação tributária), não há acusação e, por conseguinte, ainda não há lide. A fase do devido processo legal administrativo, no caso denegação do direito creditório utilizado na DCOMP, instaurase, apenas, com a apresentação da manifestação de inconformidade contra o despacho decisório, momento que surge a lide administrativa. A partir daí, no âmbito do devido processo legal administrativo, sim, a pretensão da contribuinte submetese aos princípios do contraditório e da ampla defesa. No pleito de utilização de suposto direito creditório em declaração de compensação tributária, destarte, a fase litigiosa inciase, apenas, com a apresentação de manifestação de inconformidade dentro do prazo de trinta dias da ciência do despacho decisório, em cuja peça de defesa a recorrente aduzirá suas razões, com respectivas provas de suas alegações (juntada de documentos), sob pena de preclusão processual. A propósito, o voto condutor do acórdão recorrido, já enfrentou essa questão devidamente, e adoto também como fundamento de decidir (fl. 103), in verbis: (...) Da análise dos autos verificase que constam no despacho decisório recorrido a identificação do sujeito passivo, identificação do PER/DCOMP, motivação, fundamentação e enquadramento legal da decisão, termo de ciência e intimação, e assinatura da autoridade competente. Vale ressaltar que a fase litigiosa do procedimento administrativo é instaurada com a apresentação da impugnação ou manifestação de inconformidade, nos termos do art. 14 do Decreto n.° 70.235, de 1972 (PAF), sendo esse o momento a Fl. 121DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 12 12 partir do qual pode o contribuinte se manifestar formalmente, no respectivo processo, sobre decisão proferida pela autoridade administrativa da RFB. Concluise, portanto, que os motivos que ensejaram o indeferimento do pedido de compensação estão descritos no despacho decisório, permitindo à impugnante pleno exercício de seu direito de defesa. O próprio teor da peça impugnatória evidencia ter a interessada pleno conhecimento e compreensão acerca do conteúdo do ato administrativo em foco, logrando assim questionar os pontos com os quais não concorda, revelandose insubsistente a alegação de prejuízo ao direito de defesa. (...) .Conforme demonstrado, não tem razão a recorrente ao reclamar que não teria sido intimada antes da ciência do despacho decisório, para prestar enclarecimentos acerca do seu direito creditório pleiteado nas DCOMP (não há tal previsão legal de intimação em análise interna da DCOMP). Portanto, o momento próprio para a contribuinte produzir as prova de seu direito creditório é na fase do devido processo legal administrativo, cuja lide instaurase a partir da apresentação da manifestação de inconformidade contra o despacho decisório 2 – Direito creditório pleiteado. Liquidez e certeza. Falta de comprovação. Ônus da prova da contribuinte: Na sua manifestação de inconformidade na instância a quo, a contribuinte não produziu prova alguma de que a compensação tributária dos débitos da CSLL estimativa mensal dos períodos de apuração junho a dezembro/2003 teria sido efetuada com direito creditório com os requisitos de certeza e liquidez. A questão foi enfrentada adequadamente pela decisão recorrida, cujos fundamentos transcrevo a seguir (fls.85/90), in verbis: (...) O exame do mérito, no caso em tela, implica exame da efetividade e suficiência do alegado direito creditório para efeitos da pretendida compensação de débitos, não se limitando, portanto, à análise de consistência de declarações. Há que se consignar que, nos termos do art. 156, II, do Código Tributário nacional (CTN), a compensação tributária é uma modalidade de extinção do crédito tributário,(...). O art. 170 do CTN, por seu turno, dispõe que: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda ". Fl. 122DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 13 13 Portanto, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, cujo ônus probatório recai sobre o contribuinte interessado. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333: "Art. 333. O ônus da prova incumbe: 1 ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – (...) Com referência à apresentação de provas, os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, estabelecem: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I – (....) II – (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) Nesse sentido, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se o pedido de restituição/compensação ora em exame encontrase devidamente instruído, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Pela legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real anual, temse que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a interessada, porquanto fez a opção prevista no artigo 2ºo da Lei n° 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do anocalendário, proceder à apuração do tributo devido, sendo autorizada a dedução dos valores anteriormente recolhidos por estimativa, para efeitos de determinação do tributo a pagar. Cabe frisar que as normas que regulam a sistemática de apuração do IRPJ são aplicáveis à contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) por força do disposto no art. 6º , parágrafo único, da Lei n.° 7.689, de 1988. A respeito do tema, transcrevese o texto dos artigos 220 a 232, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99: (...) Fl. 123DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 14 14 Da leitura de tais dispositivos da legislação, inferese que a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de CSLL apurado no final de cada período, uma vez que os recolhimentos do imposto por estimativa são considerados pela Lei como antecipações da contribuição devida. E tal demonstração se dá em função dos valores declarados e efetivamente comprovados pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente, sendo a declaração de rendimentos, os pagamentos por estimativa mensal e os informes de retenção apenas elementos indicativos da apuração do tributo. Como corolário do exposto, esta 5ª Turma de Julgamento tem consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de CSLL com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento das premissas seguintes: 1a) a constatação dos pagamentos a título de estimativas mensais; 2a) a apuração do indébito, fruto do confronto com o valor da contribuição devida e, 3a) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em outras compensações. No caso de compensações de estimativas mensais com utilização de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anoscalendário anteriores, há que se comprovar a regularidade de tais procedimentos, inclusive no que se refere à correta apuração desses saldos negativos anteriores e adequado tratamento contábil/fiscal. Vale destacar que o efetivo pagamento é condição para a dedução dos valores relativos à CSLL mensal, conforme disposto nas instruções para o preenchimento da Ficha 17 da declaração de rendimentos DIPJ, constantes do programa gerador da DIPJ/2003,(...) No presente caso, o pedido formalizado em PER/DCOMP tem por objeto suposto crédito oriundo de saldo negativo de CSLL apurado ao final do anocalendário de 2003, conforme informações prestadas na Ficha 17 da DIPJ. A autoridade fiscal, por seu turno, informa no despacho decisorio recorrido ter constatado que parcelas da CSLL devidas por estimativa, utilizadas no cômputo do saldo negativo da contribuição informado em DIPJ, não foram regularmente adimplidas. Com efeito, a interessada informou em DIPJ compensação de débitos de CSLLestimativa apurados entre junho e dezembro de 2003 com utilização de supostos créditos oriundos da apuração de saldo negativo da contribuição em anocalendário anterior (2002), tendo sido o respectivo pedido de compensação formalizado no PER/DCOMP n.° 08188.11618.220307.1.3.039661, objeto do processo administrativo MF n.° 10820.003017/200884. Sucede que tal pedido já havia sido analisado pela DRFAraçatubaSP, do que resultou reconhecimento de direito creditório no valor de R$ 3.978,34, inferior aos R$ 43.894,86 informados na Ficha 17 da DIPJ/2003, a/c 2002. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 15 15 Nesse sentido, a discordância da interessada se dá tão somente quanto à mencionada glosa de compensações de estimativas apuradas no anocalendário de 2003, já que, na manifestação de inconformidade, expressa sua concordância em relação ao somatório dos pagamentos efetuados mediante Darf, para quitação de débitos de CSLLestimativa, no valor de R$ 41.841,77, considerados pela autoridade fiscal para apuração do saldo negativo da CSLL no anocalendário de 2003. A lide que se estabeleceu no processo n.° 10820.003017/2008 84, à vista da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, foi objeto de exame, em 1ªa instância administrativa, por esta 5ª Turma da DRJ/Ribeirão PretoSP, sendo proferido o Acórdão n.° 33.517, de 27 de abril de 2011, (...), do qual resultou a manutenção da decisão proferida pela DRFVAraçatuba e a negativa quanto ao pedido de reconhecimento de direito creditório adicional. (...) Considerandose a insuficiência de crédito passível de compensação com débitos de estimativa apurados pela interessada no anocalendário de 2003, revelase pertinente a glosa levada a efeito pela autoridade fiscal, dos valores de estimativa não pagos e, portando, não dedutíveis na apuração do ajuste anual, observado o limite do direito creditório reconhecido no processo n.° 10820.003017/200884, do que resultou a apuração de saldo negativo da CSLL no valor de R$ 5.063,55, para o anocalendário de 2003. Assim não há que cogitar reparos no despacho decisório recorrido. Concluise não ter sido comprovada, nos autos, a existência de direito creditório líquido e certo, do contribuinte contra a Fazenda Pública, passível de compensação, nos termos do art. 170 do CTN, por valor superior àquele já reconhecido na decisão recorrida. (...) Nesta instância de julgamento, em sede de recurso voluntário, também, a recorrente não trouxe aos autos provas que pudessem justificar, amparar, o direito creditório pleiteado, nos presentes autos. Não obstante, o direito creditório discutido nestes autos (saldo negativo do anocalendário 2003), por estar imbricado com o direito creditório – saldo negativo do ano alendpário 2002 discutivo nos autos do processo nº 10820.003017/200884 (DCOMP nº 08188.11618.220307. 1.3.039661), é dependente, em suma, da sorte desse processo. A propósito, quanto ao processo nº 10820.003017/200884 (DCOMP nº 08188.11618.220307. 1.3.039661), está Colenda 2ª Turma Especial/1ª Seção de Julgamento, na sessão de 16 de março 2012, já julgou a lide objeto desse processo, negando provimento ao recurso, conforme Acórdão nº 1802001.163, cuja ementa transcrevo, in verbis: (...) Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 16 16 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. LIQUIDEZ E CERTEZA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. O ônus da prova de fato constitutivo do direito creditório alegado é do autor do pedido. Incumbe, destarte, ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas, apuradas, sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado (...) Ainda, na fundamentação do voto condutor do Acórdão nº 1802001.163 nº 10820.003017/200884 (DCOMP nº 08188.11618.220307. 1.3.039661), quanto ao direito creditório do anocalendário 2002, transcrevo, in verbis: (...) Na sua manifestação de inconformidade na instância a quo, a contribuinte não produziu prova de que a compensação tributária dos débitos de CSLL estimativa do período de apuração maio a agosto/2002 teria sido, realmente, efetuada diretamente na escrituração contábil, sem processo, com saldo negativo da CSLL do anocalendário 2001. A contribuinte não juntou cópia de sua escrituração contábil/fiscal onde podusse estar registrada tal compensação tributária, quanto aos períodos de apuração maio a agosto/2002. Nesse passo, transcrevo o voto condutor do acórdão recorrido (fls. 103/109), in verbis: (...) O exame do mérito, no caso em tela, consiste em aferir a efetividade e suficiência do alegado direito creditório para efeitos da pretendida compensação de débitos, não se limitando, portanto, à mera análise de consistência de declarações. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 17 17 Há que se consignar que, nos termos do art. 156, II, do Código Tributário nacional (CTN), a compensação tributária é uma modalidade de extinção do crédito tributário,(...) 0 art. 170 do CTN, por seu turno, dispõe que "a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda". Portanto, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, cujo ônus probatório recai sobre a contribuinte interessada. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II (...) (...) Nesse sentido, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se o pedido de restituição/compensação ora em exame encontrase devidamente instruído, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Pela legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, tem se que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a interessada, porquanto fez a opção prevista no artigo 2º o da Lei n° 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do anocalendário, proceder a apuração do tributo devido, sendo autorizada a dedução dos valores anteriormente recolhidos por estimativa, para efeitos de determinação do tributo a pagar. Cabe frisar que as normas que regulam a sistemática de apuração do IRPJ são aplicáveis à contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) por força do disposto no art. 6ºo , parágrafo único, da Lei n.° 7.689, de 1988. (...) No caso em questão, o pedido formalizado em PER/DCOMP tem por objeto suposto crédito oriundo de saldo negativo de CSLL apurado ao final do anocalendário de 2002, conforme informações prestadas na Ficha 17 da DIPJ. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 18 18 A autoridade fiscal, por seu turno, informa no despacho decisório recorrido ter constatado que parcelas da CSLL devidas por estimativa não foram regularmente adimplidas. Com efeito, a interessada informou em DIPJ compensação de débitos de CSLL estimativa apurados entre maio e agosto de 2002 com utilização de supostos créditos oriundos da apuração de saldo negativo da contribuição em anocalendário anterior (2001), sem formalização de declaração de compensação. Os PER/DCOMP informados pela interessada, de n.° 37869.22986.100604.1.3.037206 e 04269.77423.210307.1.7.03 0948, não se referem a compensação de débito apurado no ano calendário de 2002. (...) verificase que a compensação de débitos da CSLL estimativa apurados pela interessada nos períodos de maio a agosto de 2002 não estava sujeita ao registro de declaração de compensação, tendo em vista que tal exigência passou a existir, juridicamente, a partir de 1ºo de outubro de 2002, com o início da vigência das alterações contidas no art. 49 da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, (...) Ao tempo dos fatos em foco, a legislação de regência autorizava compensação de débitos da mesma natureza mediante o devido registro contábil e prestação da respectiva informação em DCTF, independente de requerimento à RFB, conforme disposto no art. 14 da Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 de março de 1997, e no art. 7o, inciso XI, da Instrução Normativa SRF n° 73, de 19 de dezembro de 1996,(...) Resta, assim, superado o óbice apontado pela autoridade fiscal, do qual resultou o indeferimento do pedido, pelo que cabe dar prosseguimento ao exame do mérito. Em casos da espécie, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de CSLL apurado no final de cada período, uma vez que os recolhimentos do imposto por estimativa são considerados pela Lei como antecipações da contribuição devida, nos termos dos artigos 220 a 232, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, (...). E tal demonstração se dá em função dos valores declarados e efetivamente comprovados pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente, sendo a declaração de rendimentos, os pagamentos por estimativa mensal e os informes de retenção apenas elementos indicativos da apuração do tributo. Como corolário do exposto, esta 5ªa Turma de Julgamento tem consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de CSLL com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento das premissas seguintes: Ia) a constatação dos pagamentos a título de estimativas mensais; 2a) a apuração do indébito, fruto do confronto com o valor da contribuição devida e, 3a) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em outras compensações. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 19 19 No caso de compensações de estimativas mensais com utilização de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anoscalendário anteriores, há que se comprovar a regularidade de tais procedimentos, inclusive no que se refere à correta apuração desses saldos negativos anteriores e adequado tratamento contábil/fiscal. Para tanto, imprescindível se faz a apresentação, pela postulante, de elementos probatórios tais como: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, regularmente transcritos no livro "Diário", principalmente porque, para se antecipar ao ajuste anual (tributação pelo lucro real anual) e não ter que recolher tributo a maior durante o ano, a contribuinte dever levantar balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução; a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo. Em suma, caberia à recorrente trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis comprobatórios da apuração de saldo negativo de CSLL, no período em questão, especialmente por se tratar de pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real que, nos termos do artigo 7º do Decretolei n° 1.598, de 1977, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. E, no presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou tais elementos, limitandose às alegações acima referenciadas. As cópias de documentos de arrecadação juntados à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. Concluise, portanto, não ter sido comprovada, nos autos, a existência de direito creditório líquido e certo, do contribuinte contra a Fazenda Pública, passível de compensação, nos termos do art. 170 do CTN, por valor superior àquele já reconhecido na decisão recorrida. (...) Nesta instância de julgamento em sede de recurso voluntário, também, a recorrente não produziu elemento de prova algum de que efetuara a compensação tributária dos débitos da CSLL estimativa dos períodos de apuração de maio a agosto/2002, com saldo negativo da CSLL do anocalendário 2001, diretamente em sua escrituração contábil/fiscal, pois não juntou: cópia cópia do livro LALUR de apuração da CSLL, onde pudessem estar registrados os balanços/balancetes mensias de Fl. 129DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 20 20 apuração da CSLL estimativa mensal, com base na receita bruta e acréscimos ou com base em balanço de suspensão/redução; não juntou os balanços/balancetes mensais de suspensão/redução dos períodos de apuração maio a agosto/2002; não juntou cópia do livro Diário, onde pudessem estar transcritos os balanços/balancetes mensais de suspensão/redução da CSLL quanto aos períodos de apuração de maio a agosto/2002, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.981/95. O ônus da prova do pedido de aproveitamento/restituição do crédito pleiteado (fato constitutivo do seu direito) é da recorrente (Decreto nº 70.235/72, arts. 15 e 16, III, e CPC art. 333, I). Portanto, não restou comprovado nos autos o direito creditório pleiteado. (...) Se naqueles autos a recorrente não comprovou a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado (saldo negativo do anocalendário 2002) do qual a sorte deste processo é dependente (saldo negativo da CSLL do anocalendário 2003), pois a recorrente utilizou na compensação de estimativas mensais do anocalendário 2003 (julho a dezembro/2003) saldo negativo do anocalendário 2002 que, como demonstrado, tal direito creditório não restou confirmado (foi denegado), pois o recurso voluntário foi negado, naqueles autos. Por conseguinte, não há reparo a fazer na decisão recorrida. 3 – Exceções Materias à Exigência dos Débitos Confessados. Matéria Não Objeto da Lide: O objeto da lide lide é o direito créditório pleiteado e, se eventualmente reconhecido, a homologação da compensação tributária. No caso, a recorrente alegou que, mesmo não reconhecido o direito creditório pleiteado nos presentes autos, os débitos em aberto da CSLL por estimativa do anocalendário 2004 (débitos confessados) não podem ser exigidos; que não haveria débito a exigir com base declaração de ajuste anual do anocalendário 2004, pois a CSLL apurada, nesse ano, seria menor do que as estimativas pagas e confirmadas pelo sistema SINAL. A tese da recorrente não merece prosperar. A contribuinte tem o dever de antecipar pagamento das estimativas mensais durante o anocalendário, ainda que, eventualmente, apure prejuízos no final no balanço de encerramento em 31 de dezembro do respectivo ano. Os pagamentos antecipados a maior a título de estimativa mensal durante o anocalendário, quanto cotejados com a CSLL apurada no balanço anual em 31 de dezembro, geram saldo negativo a restituir. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 21 21 A recorrente alegou que confessara débitos de estimativa da CSLL do ano calendário 2004, muito além do valor da CSLL apurada na declaração de ajuste anual, apurando saldo negativo com base nas estimativas já recolhidas em DARF, e sem levar em conta os débitos de estimativas da CSLL confessados que deixaram de ser compensados pela falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Essa questão dos débitos de estimativa da CSLL confessados e não pagos (débitos em aberto) não é objeto destes autos; é matéria estranha à lide objeto dos autos. O processo de compensação tributária, que tem por objeto a comprovação da certeza e liquidez de direito créditório pleiteado contra a Fazenda Nacional e sua utilização na compensação de débitos confessados, não se prestando para discussão de débitos confessados e objeções materiais relacionadas à exigência desses débitos confessados (cobrança em excesso, bis in idem, confisco, denúncia espontânea, multa moratória), cuja alçada é da unidade de origem da RFB se ainda não estão inscritos em dívida ativa da União. Se já inscritos na Dívida da União, a discussão dos débitos confessados deve ser travada no âmbito da Procuradoria da Fazenda Nacional ou do processo de execução fiscal. Por conseguinte, quanto aos débitos da CSLL confessados em DCOMP que deixaram de ser quitados pela não homologação da compensação por falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, todas as questões materiais objetadas contra a exigência desses débitos do anocalendário 2004 estão prejudicadas, não cabendo análise de mérito (não se conhece do mérito) nos presentes autos, pois extrapolam o objeto dos autos (análise do direito creditório quanto à certeza e liquidez e sua utilização para efeito de compensação do débito confessado). Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 131DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL
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