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Numero do processo: 10680.005328/2008-20
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRFONTE - Comprovação de Recolhimento ou Compensação
Comprovada por documentação hábil que houve a retenção do IRFONTE, como antecipação, e identificada a fontes pagadora, incabível sua glosa por falta de comprovação de recolhimento.
No caso dos autos a fonte pagadora efetuou a compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior com parte do IRFonte do contribuinte.
Numero da decisão: 2202-002.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar um IRRF de R$ 2.278,94.
(assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt).
.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 IRFONTE - Comprovação de Recolhimento ou Compensação Comprovada por documentação hábil que houve a retenção do IRFONTE, como antecipação, e identificada a fontes pagadora, incabível sua glosa por falta de comprovação de recolhimento. No caso dos autos a fonte pagadora efetuou a compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior com parte do IRFonte do contribuinte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1717; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 100 1 99 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.005328/200820 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.488 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de outubro de 2013 Matéria IRPF Recorrente Cleber Sergio dos Santos Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 IRFONTE Comprovação de Recolhimento ou Compensação Comprovada por documentação hábil que houve a retenção do IRFONTE, como antecipação, e identificada a fontes pagadora, incabível sua glosa por falta de comprovação de recolhimento. No caso dos autos a fonte pagadora efetuou a compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior com parte do IRFonte do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar um IRRF de R$ 2.278,94. (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 53 28 /2 00 8- 20 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 . Fl. 125DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10680.005328/200820 Acórdão n.º 2202002.488 S2C2T2 Fl. 101 3 Relatório Contra o contribuinte Cleber Sergio dos Santos, CPF 009.816.13691, foi lavrada a Notificação de Lançamento, fh. 06/09, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, anocalendário 2003, formalizando a exigência de crédito tributário, no valor de R$ 8.096,85, calculado até março de 2008. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 09 que o contribuinte compensou indevidamente Imposto de Renda na Fonte. Consta, ainda, que regularmente intimado a comprovar os valores compensados a titulo de imposto de renda retido na fonte, o contribuinte não atendeu à intimação. Que, em decorrência do não atendimento da intimação, e conseqüente não comprovação foi glosado o valor de R$ 5.617,72, indevidamente compensado a titulo de Imposto de Renda na Fonte (IRRF). O contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, conforme arrazoado de fls. 01 a 04, alegando, em síntese, que: • A fonte pagadora TMil Tecnologia de Montagens e Indústria Ltda, entregou sua DIRF — Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte 2004, no dia 26/02/2004, conforme cópia anexada à impugnação (fls.15/16); • Na DIRF 2004 da fonte pagadora, foram informados corretamente os valores dos rendimentos, as deduções e, sobretudo, o valor do Imposto Retido, no montante anual de R$5.617,72, conforme se pode comprovar pela copia acostada aos autos; • A Notificação de Lançamento ora debatida vem eivada de irregularidades, uma vez que informa que fora glosado da Declaração de Ajuste Anual 2004 todo o valor declarado como Imposto de Renda retido na fonte, ou seja, o mesmo valor retido pela fonte pagadora e devidamente declarado na DIRF 2004. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte– DRJ/BHE, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade de votos pela procedência do lançamento, através do acórdão DRJ/BHE n° 0219.255, de 26 de setembro de 2008 (fls. 31/54) consubstanciado na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2004 GLOSA DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Deve ser mantida a glosa do Imposto de Renda retido na fonte, quando não ficar comprovado que o valor foi recolhido e que o contribuinte é sócioadministrador da fonte pagadora dos rendimentos. Lançamento Procedente Fl. 126DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 Devidamente cientificado dessa decisão em 07 de novembro de 2008, ingressa o contribuinte tempestivamente com recurso voluntário em 09 de dezembro de 2008, às fls 38/53, onde reitera os argumentos da impugnação, e alega que o valor retido foi compensado pela fonte pagadora, conforme documentos de fls. 55 a 106. Em sessão de julgamento realizada em 30 de novembro de 2010, o autos foram convertidos em diligência, através da Resolução 220200.098, onde foi determinado: A autoridade lançadora glosou o IRFonte compensado pelo Recorrente por se tratar o mesmo sócio e administrador da fonte pagadora. Podemos verificar nos documentos de fls. 55 e 106, que a fonte pagadora no caso a empresa TMIL Tecnologia de Montagens e Indústria Ltda. CNPJ 25.272.949/000171 informou através do PER/DCOMP que efetuou compensações de IPI como o IRRF que era responsável. Não há informações nos autos se essas compensações foram homologadas ou indeferidas. Neste sentido, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade preparadora verifique se as compensações informadas nas fls. 55 a 106 foram homologadas ou indeferidas, e se o valor compensado é suficiente para liquidar o valor glosado. A diligência foi devidamente cumprida, e os autos retornaram para serem julgados novamente. É o relatório Fl. 127DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10680.005328/200820 Acórdão n.º 2202002.488 S2C2T2 Fl. 102 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior A autoridade lançadora glosou o IRFonte compensado pelo Recorrente por se tratar o mesmo sócio e administrador da fonte pagadora. Tendo em vista que nos documentos de fls. 55 e 106, foi verificado que a fonte pagadora no caso a empresa TMIL Tecnologia de Montagens e Indústria Ltda. CNPJ 25.272.949/000171 informou através do PER/DCOMP que efetuou compensações de IPI como o IRRF que era responsável. Não há informações nos autos se essas compensações foram homologadas ou indeferidas. Houve a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade preparadora verifique se as compensações informadas nas fls. 55 a 106 foram homologadas ou indeferidas, e se o valor compensado é suficiente para liquidar o valor glosado. A diligência foi devidamente realizada onde a autoridade preparadora chegou a seguinte conclusão: “A Segunda Seção de Julgamento do CARF, solicita diligência para averiguação da extinção do IRRF informado em DIRPF do contribuinte acima especificado. A fonte pagadora seria o CNPJ de n°25.272.949/000171 e a retenção seria o código 0561, no valor de R$ 5.617,72 (ano calendário 2003). Consultando a DIRF do período, temos declarado um valor total de R$ 4.633,54 relativo aos meses de fevereiro e março de 2003, distribuído por 7 empregados, no código 0561 (conforme quadro abaixo). Desse valor declarado R$ 5.485,45 foram extintos através de Declarações de Compensação (totalmente homologadas), o que significa uma extinção dos R$ 2.278,94, para o contribuinte em questão ...” Diante do que foi verificado na diligência, foi comprovado que o Recorrente teve o valor descontado pela fonte pagadora, e que o valor foi compensado e homologado no valor de R$ 2.278,94. Nesse sentido o valor parcialmente deduzido pelo contribuinte deve ser mantido, tendo em vista a compensação efetuada pela pessoa jurídica. Neste sentido, conheço do recurso e no mérito dou parcial provimento para reconhecer a dedução no valor de R$ 2.278,94.. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.003015/2003-08
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA - IRRF - ALÍQUOTA MAJORADA DE 35%
Para remuneração indireta de administradores, há a norma de base para o IRRF, que é o da tabela progressiva, com o desdobramento do § 1º do art. 358 do RIR/99. A norma que prevê o IRRF exclusivo na fonte, à alíquota majorada de 35% (art. 358, § 2º c/c o art. 675, do RIR/99), é norma sobrejacente (à de base), estruturada para o lançamento de ofício. Aplicável o prazo decadencial do art. 173, I, do CTN, com o que não se consumou a decadência.
REMUNERAÇÃO INDIRETA
Uma vez reconhecido que tais despesas são dedutíveis em outro feito, e que as são por serem remunerações indiretas, conforme o art. 358 do RIR/99, pela implicação de causa e efeito, impõe-se reconhecer que, aqui, os valores em jogo se sujeitam ao IRRF à alíquota majorada de 35%, por não se ter retido o IRF segundo a tabela progressiva.
Numero da decisão: 1103-000.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA - IRRF - ALÍQUOTA MAJORADA DE 35% Para remuneração indireta de administradores, há a norma de base para o IRRF, que é o da tabela progressiva, com o desdobramento do § 1º do art. 358 do RIR/99. A norma que prevê o IRRF exclusivo na fonte, à alíquota majorada de 35% (art. 358, § 2º c/c o art. 675, do RIR/99), é norma sobrejacente (à de base), estruturada para o lançamento de ofício. Aplicável o prazo decadencial do art. 173, I, do CTN, com o que não se consumou a decadência. REMUNERAÇÃO INDIRETA Uma vez reconhecido que tais despesas são dedutíveis em outro feito, e que as são por serem remunerações indiretas, conforme o art. 358 do RIR/99, pela implicação de causa e efeito, impõe-se reconhecer que, aqui, os valores em jogo se sujeitam ao IRRF à alíquota majorada de 35%, por não se ter retido o IRF segundo a tabela progressiva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2040; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 301 1 300 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.003015/200308 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103000.933 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 8 de outubro de 2013 Matéria IRRF Recorrente ACOC ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA IRRF ALÍQUOTA MAJORADA DE 35% Para remuneração indireta de administradores, há a norma de “base” para o IRRF, que é o da tabela progressiva, com o desdobramento do § 1º do art. 358 do RIR/99. A norma que prevê o IRRF exclusivo na fonte, à alíquota majorada de 35% (art. 358, § 2º c/c o art. 675, do RIR/99), é norma sobrejacente (à de “base”), estruturada para o lançamento de ofício. Aplicável o prazo decadencial do art. 173, I, do CTN, com o que não se consumou a decadência. REMUNERAÇÃO INDIRETA Uma vez reconhecido que tais despesas são dedutíveis em outro feito, e que as são por serem remunerações indiretas, conforme o art. 358 do RIR/99, pela implicação de causa e efeito, impõese reconhecer que, aqui, os valores em jogo se sujeitam ao IRRF à alíquota majorada de 35%, por não se ter retido o IRF segundo a tabela progressiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 30 15 /2 00 3- 08 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.003015/200308 Acórdão n.º 1103000.933 S1C1T3 Fl. 302 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.003015/200308 Acórdão n.º 1103000.933 S1C1T3 Fl. 303 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de auto de infração de IRRF compreendendo fatos geradores de 2/1/1998 a 31/12/1998, cujo relatório transcrevo abaixo: Versa o presente processo sobre o Auto de Infração de fls. 160/175 (que tem como parte integrante o Termo de Verificação Fiscal de fls. 34/35 e as planilhas de fls. 54/58), lavrado pela DEFIC/RJO, com ciência do interessado em 23/12/2003 (fls. 35 e 160), para a exigência de crédito tributário de IRRF, no valor de R$22.974,20, com multa de 75% e juros de mora. O crédito tributário total lançado monta a R$64.438,37. O lançamento foi efetuado em virtude de, em procedimento fiscal, ter sido apurada a infração abaixo: FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRRF SOBRE REMUNERAÇÃO INDIRETA (BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO). O interessado não efetuou o recolhimento do IRRF incidente sobre remuneração indireta pagas referentes as despesas com benefícios aos sócios, não tendo identificado o beneficiário dessas despesas, nem incorporado esse valor As suas retiradas, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 34/35 e as planilhas de fls. 54/58. Conforme explicitado no Termo de Verificação de fls. 34/35, a fiscalização verificou a apropriação indevida de despesas escrituradas nas contas: Serviços de Terceiros; Depreciações; Seguros; Combustíveis e Lubrificantes; Veículos; Viagens e Estadias; Outras Despesas; IPVA; Outras Despesas Tributárias. A fiscalização aponta que os pagamentos não foram destinados a benefícios para a empresa e sim referentes a benefícios para os sócios e não integraram a remuneração dos beneficiários. Os valores que relaciona nas planilhas de fls. 54/58 foram, então, tributados exclusivamente na fonte. O enquadramento legal consta do Auto de Infração. O interessado apresentou, em 21/01/2004, a impugnação de fls. 184/186. Em sua peça de defesa, alega, em síntese, que: " se o pagamento constitui uma remuneração indireta de administradores, é necessariamente dedutível para a apuração do resultado", sendo improcedente o lançamento com relação à sociedade; os gastos referentes a anúncios e viagens são relativos à prospecção de negócios entre as empresas Acoc, ISL e Sony, com a finalidade de autorizar a utilização das logomarcas da Copa do Mundo de 1998; Fl. 303DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.003015/200308 Acórdão n.º 1103000.933 S1C1T3 Fl. 304 4 " no caso concreto o tributo na fonte é incabível como se comprova do documento anexo 1, o beneficiado pelos pagamentos Dr. Antonio Carlos de Oliveira Coelho era credor em conta corrente da sociedade", "tratandose assim, de uma simples transferência financeira e não de rendimento". Encerra solicitando o cancelamento do lançamento. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade de fls. 183 a 185, requerendo, em síntese, o que segue. Em linhas gerais, entende que o lançamento é improcedente, pois, se o pagamento constitui uma remuneração indireta de administradores, é, então, dedutível para apuração do resultado. Assim, a diferença seria apenas a incidência ou não do IRRF que gravaria o crédito. Com a revogação da legislação que estabelecia limites à dedutibilidade de pagamentos referentes a honorários de diretores, gerentes, esclarece a recorrente, automaticamente tornou obrigatória a validação da despesa paga em bens ou em moeda. Informa a recorrente que as despesas lançadas foram dedutíveis e os gastos referentes a anúncios e viagens são relativos a prospecção de negócios entre a recorrente, ISL e Sony Entertainment, as quais são detentoras das logomarcas da Copa do Mundo de 1998, para utilização de referidas logomarcas. A recorrente, descontente, não prosseguiu com o negócio mas havia arcado com o investimento feito relativo a viagens e anúncio e explicita que a informações, então, declaradas correspondem ao anúncio “Copa do mundo – 98”. Portanto, expõe a recorrente, o lançamento não poderia prevalecer vez que a verba tem natureza dedutível ainda que considerada como remuneração indireta de administradores. Entende, ainda, que o valor em questão foi apenas uma mera transferência financeira e não um rendimento e, portanto, não culminaria na incidência de IR na fonte ou por declaração. Por fim, requer o conhecimento e provimento da impugnação para o cancelamento do auto lavrado. DA DECISÃO DA DRJ A 3ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I julgou procedente o lançamento. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.003015/200308 Acórdão n.º 1103000.933 S1C1T3 Fl. 305 5 Expõe a Turma julgadora que não houve de recolhimento de IRRF sobre remuneração indireta paga relativa à despesa com benefícios aos sócios, cujos beneficiários não foram identificados, nem incorporado esse valor às suas retiradas. Assim, esclarece a Turma da DRJ que o artigo 74 da Lei 8.383/91 estabelece que os benefícios indiretos integram os rendimentos tributáveis dos beneficiários e se sujeitam à incidência de imposto de renda na fonte. Caso os valores correspondentes aos benefícios indiretos não tenham integrado a remuneração dos beneficiários, o imposto será pago pela pessoa jurídica e será exclusivo na fonte, conforme § 2º do mesmo artigo. Ainda, nos termos do § 3° do art. 358 do RIR/1999, os gastos com benefícios indiretos são dedutíveis na apuração do lucro real quando pagos a beneficiários identificados e individualizados. Se, por outro lado, não são identificados ou não individualizados, são indedutíveis na apuração do lucro real, inclusive o imposto incidente na fonte como exclusivo. Ainda, ressalta 3ª Turma da DRJRJ, a mera apresentação de Razão demonstrando ser Antonio Carlos de Oliveira Coelho credor em conta corrente da sociedade não tem força para elidir o lançamento. Então, além do lançamento de IRRF, é cabível a glosa das despesas e, por conseguinte, entendeu a 3ª Turma da DRJRJ que a alegação da recorrente não podia prevalecer. Entende, pois, que o lançamento de IRRF deve ser integralmente mantido, por não ter o interessado apresentado nenhum elemento de prova capaz de elidilo. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a r. decisão, a recorrente, em 1/2/2007, interpôs recurso voluntário de fls. 236 a 239, reiterando o alegado em sede de Impugnação. Acrescentou, ainda, o que segue abaixo transcrito: 13. Os gastos tidos por não dedutíveis foram realizados de janeiro a dezembro de 1998 e o auto de infração foi lavrado em 23/12/03. 14. Apenas um gasto no valor de R$833,33, realizado em 31/12/98 escapa da decadência que impede a análise do mérito da causa. (...) 16. Em outras palavras, como o fato gerador foi considerado a partir de cada pagamento sobre o qual se pretende fazer incidir o imposto de renda na fonte, há de se concluir que todos os valores anteriores a 23/12/98 não podem ser mais tributados por decadência. Em 13/4/2012, a recorrente peticionou junto ao CARF, apresentando o Acórdão nº 10196.950, de 19/9/08, na qual se reconheceu a decadência do lançamento de IRRF. Acentua que a materialidade alcançada no presente lançamento é a mesma de que tratou o lançamento enfrentado naquele acórdão. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.003015/200308 Acórdão n.º 1103000.933 S1C1T3 Fl. 306 6 Em 17/5/2012, os julgadores da 1ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, mediante o Acórdão nº 220102.469, decidiram não conhecer do recurso e declinar competência para julgamento do feito em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF. É o relatório. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.003015/200308 Acórdão n.º 1103000.933 S1C1T3 Fl. 307 7 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 233 e 236, numeração do eprocesso). Dele, pois, conheço. Como se viu do relatório, o presente feito é conexo ao processo administrativo nº 18471.003014/200355, que é o principal, ao qual este secunda. Naquele processo é discutido tanto a glosa das despesas quanto o IRRF vinculado a elas, por configurar remuneração indireta de administradores sócios. Neste feito a discussão se limita ao IRRF por remuneração indireta aos sócios, que se supõem, igualmente administradores, por se referirem à materialidade compreendida naquele processo. Tanto naquele como nesse a materialidade da glosa e da exigência de IRRF compreendem o anocalendário de 1998. Neste, aliás, limitase ao referido anocalendário. Na peça recursiva, a recorrente argui que: a) ela incorreu em despesas; b) tais despesas foram custeadas pelo sócio controlador, que se tornou credor em conta corrrente; c) essas despesas foram deduzidas e glosadas (aliás, no auto de infração objeto do outro processo mencionado); d) como consequência dessa glosa, é de se reconhecer que os gastos são efetivamente imputáveis ao sócio controlador; e) assim, reduzse o saldo em conta corrente, deixando de ser a recorrente devedora do valor que havia recebido, já que se entendeu que agira somente como mandatária do controlador, atuando por sua conta. Ora, a alegação em “b” constitui contradição de termos com a exposta em “d” e com a da segunda parte descrita em “e”. Se as despesas foram custeadas pelo controlador, que se tornara credor em conta corrente mantida junto à recorrente (= passivo da recorrente), então, como se dizer que a recorrente deixara de ser devedora do controlador, ou que o saldo de conta corrente a receber (pelo controlador contra a recorrente) ficara reduzido? A contradição é imanente às afirmações. Dizse que os gastos foram custeados pelo sócio controlador, e que assim passsou a ser credor da recorrente (ou seja, os gastos foram suportados economicamente pela Fl. 307DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.003015/200308 Acórdão n.º 1103000.933 S1C1T3 Fl. 308 8 recorrente), e, ao mesmo tempo, o contrário, que os gastos custeados pelo sócio controlador não serão ressarcidos pela recorrente, pois esta autuara como mandatária do sócio controlador, sendo gastos imputáveis (suportados efetivamente) por esse, e não pela recorrente. A prevalecer a afirmação em “d” ou na última parte em “e”, a bem ver, a recorrente não teria incorrido em despesa alguma. Ou teria de comprovar que, em contraposição ao reconhecimento das despesas, reconhecera uma conta de resultado credora, de igual valor (a neutralizar o reconhecimento das despesas), pois a hipótese seria de gastos custeados e suportados efetivamente pelo sócio controlador, e não pela recorrente. Por outro lado, o fato de eventualmente serem indedutíveis as despesas da recorrente não tem o condão de, per se, transformar os gastos em valores efetivamente suportados pelo sócio controlador (= não serem despesas incorridas da recorrente), para se pretender afastar a concreção do tipo da remuneração indireta a sócio, ensejador do IRRF em causa, por não se reter o IRF segundo a tabela progressiva (= não imputar na remuneração do sócio). No feito conexo (processo principal), a recorrente defende não só a incorrência das despesas em comentário, como sua dedutibilidade. Diante da conexão dos processos, restam derruídas as afirmações em “d” e na segunda parte em “e”, ou seja, as de que os gastos são imputáveis ao sócio controlador da recorrente, que não só custeara, como efetivamente suportara tais despesas (gastos). A prevalecerem as afirmações em “a” e em “b” (a em “c” é fato incontroverso), i.e., que os gastos foram feitos pelo controlador da recorrente, mas suportados economicamente por essa (= despesas incorridas pela recorrente), os lançamentos contábeis poderiam ser sintetizados da seguinte forma: Débito – Despesas Débito – Despesas de depreciação a Crédito – Contas diversas a Crédito – Depreciação acumulada e Débito – Contas diversas Débito – Caixa (pelo valor da depreciação) a Crédito – Conta corrente (a pagar ao controlador ou redução de a receber de controlador) Aí se teriam despesas incorridas pela recorrente, em que os gastos teriam sido desembolsados pelo sócio controlador, mas suportados efetivamente pela recorrente. Mas as despesas deduzidas e glosadas foram restabelecidas pelo antigo 1º Conselho de Contribuintes, no Acórdão nº 10196.950, da sessão de 19/9/08, ao se julgar o processo principal. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.003015/200308 Acórdão n.º 1103000.933 S1C1T3 Fl. 309 9 Dito melhor, as despesas que configurariam supostamente remunerações indireta dos sócios, objeto deste feito para exigência de IRRF, foram reconhecidas como dedutíveis, no outro feito, exatamente por nele se reconhecer que se trata de despesas de remuneração indireta dos sócios administradores. Uma vez reconhecido que tais despesas são dedutíveis, e isso por serem remunerações indiretas dos sócios, conforme o art. 358 do RIR/99, pela mesma implicação da conexão, acima referida, aliás, implicação de causa e efeito, impõese reconhecer que, aqui, os valores em jogo se sujeitam ao IRRF à alíquota majorada de 35%, por serem remunerações indireta dos sócios, às quais não se reteve o IRF segundo a tabela progressiva, i.e., não foram imputadas às remunerações dos sócios administradores. Ou seja, por implicação de causa e efeito, impõese reconhecer a aplicação do art. 358, § 2º c/c o art. 675, do RIR/99: Art. 358. Integrarão a remuneração dos beneficiários (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74): I a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação: a) de veículo utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica; b) de imóvel cedido para uso de qualquer pessoa dentre as referidas na alínea precedente; II as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagas diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados; c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no inciso I. § 1º. A empresa identificará os beneficiários das despesas e adicionará aos respectivos salários os valores a elas correspondentes, observado o disposto no art. 622 (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 1º). § 2º. A inobservância do disposto neste artigo implicará a tributação dos respectivos valores, exclusivamente na fonte, observado o disposto no art. 675 (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). [...] Art. 675. A falta de identificação do beneficiário das despesas e vantagens a que se refere o art. 622 e a sua não incorporação ao salário dos beneficiários, implicará a tributação exclusiva Fl. 309DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.003015/200308 Acórdão n.º 1103000.933 S1C1T3 Fl. 310 10 na fonte dos respectivos valores, à alíquota de trinta e cinco por cento (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 1º. O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). [...] Reiterese que as despesas que foram consideradas dedutíveis no processo principal, conforme o Acórdão nº 10196.950, são continente dos valores objeto do lançamento de IRRF discutido neste feito, como aliás, fez questão de ressaltar a própria recorrente em petição de 13/4/12 (com novo protocolo por correção do número do processo indicado, em 22/5/12). Posto isso tudo, no mérito em senso estrito, nego provimento ao recurso. Aduz a recorrente, ainda, a decadência do lançamento em dissídio, pautando se, inclusive, no referido acórdão em que se julgou o processo principal, no qual estava em jogo também o IRRF sob mesmo tipo legal. A decadência fora reconhecida com aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, porquanto o lançamento discutido naquele processo se dera em 23/12/03, e os pagamentos em 1998, antes de 23 de dezembro. Com a devida vênia, aqui, não vejo lugar para aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. Não me refiro à hipótese do art. 674 do RIR/99 – IRRF por pagamento sem causa (vinculado ao art. 304 do RIR/99). Estou a dizer que, para fins do art. 358, § 2º c/c o art. 675, do RIR/99, não consigo divisar a incidência do art. 150, § 4º, do CTN. Como se vê do § 1º do art. 358 do RIR/99, compete à fonte pagadora identificar os beneficiários e adicionar os valores das despesas a eles correspondentes. Vale dizer, aplicar a tabela progressiva (IRRF). O § 2º do mesmo art. 358 prevê que, na inobservância do § 1º, caberá a aplicação da alíquota de 35% de IRRF exclusivo na fonte. A estrutura do tipo do § 2º do art. 358 do RIR/99 é do lançamento de ofício conforme o art. 149 do CTN. Por conseguinte, aplicável ao caso o prazo decadencial do art. 173, I, do CTN. Eventual ausência de retenção de IRF sob a tabela progressiva pode ensejar o pagamento pela fonte pagadora, sponte sua, de encargos moratórios, e tão só, após o prazo previsto para entrega da DIRPF, desde que evidentemente haja identificação dos e quantificação aos beneficiários. É porque, aí, ainda resta possibilidade de a hipótese de IRRF não se convolar em IRRF exclusivo na fonte (§ 2º do art. 358 do RIR/99). Dito em outras palavras, já há a norma de “base” para o IRRF, que é o da tabela progressiva, com o desdobramento do § 1º do art. 358 do RIR/99. A norma que prevê o IRRF exclusivo na fonte, à alíquota majorada de 35%, no caso, é norma sobrejacente (à de “base”), estruturada para o lançamento de ofício. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.003015/200308 Acórdão n.º 1103000.933 S1C1T3 Fl. 311 11 Por tais razões, reputo aplicável para a hipótese de IRRF à alíquota de 35% sobre remunerações indiretas, o prazo decadencial do art. 173, I, do CTN. Dessa forma, não se tem por consumada a decadência do lançamento, pois este se aperfeiçoara em 23/12/03 (fl. 159, numeração do eprocesso), e os fatos geradores ocorreram no anocalendário de 1998. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 8 de outubro de 2013 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 311DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10314.000138/2004-61
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 28/09/2001 a 30/08/2002
Produtos denominados "LED 5mm" e "Display de matriz", formados de diodos emissores de luz devem ser classificados no subitem 8541.40.22 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Aplicação das RGI 1 e 3, juntamente com a RGC e com as Notas Explicativas do Sistema Haimonizado.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 28/09/2001 a 30/08/2002
Multa de 1% do Valor Aduaneiro O art. 84, I da Medida Provisória n° 2.158-35 não demanda ato regulamentar para sua aplicação;
Assim, a partir do início da vigência dessa MP, hígida é a cobrança de multa equivalente a um por cento do valor aduaneiro, na hipótese de erro de classificação.
Multa de Oficio de 75% O erro na indicação da classificação fiscal representa modalidade de "declaração inexata" e, se prejudicar o recolhimento dos tributos incidentes na importação, incide na penalidade prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
Taxa Selic.
A aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic como índice de correção dos débitos e créditos de natureza tributária, inclusive as multas, é legal. Aplicação da Súmula 3° CC n° 4.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.579
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 28/09/2001 a 30/08/2002 Produtos denominados "LED 5mm" e "Display de matriz", formados de diodos emissores de luz devem ser classificados no subitem 8541.40.22 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Aplicação das RGI 1 e 3, juntamente com a RGC e com as Notas Explicativas do Sistema Haimonizado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 28/09/2001 a 30/08/2002 Multa de 1% do Valor Aduaneiro O art. 84, I da Medida Provisória n° 2.158-35 não demanda ato regulamentar para sua aplicação; Assim, a partir do início da vigência dessa MP, hígida é a cobrança de multa equivalente a um por cento do valor aduaneiro, na hipótese de erro de classificação. Multa de Oficio de 75% O erro na indicação da classificação fiscal representa modalidade de "declaração inexata" e, se prejudicar o recolhimento dos tributos incidentes na importação, incide na penalidade prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Taxa Selic. A aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic como índice de correção dos débitos e créditos de natureza tributária, inclusive as multas, é legal. Aplicação da Súmula 3° CC n° 4. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. • Luis Ma o uefra de Castro - Presidente e Relator EDITADO EM: 01/03/2010 • Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Nilton Luiz Bartoli. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: A empresa acima qualificada promoveu a importação do que declarou serem "Diodos emissores de luz — leds" e "Mostradores com diodos emissores de luz-displays de leds", mediante as DI's listadas as folhas 02 e 03, classificando-os na posição 8541.40.29 relativo aos "Outros dispositivos fotossensiveis semicondutores, montados, inclusive as . células voltaicas, mesmo montadas em módulos ou em painéis". A fiscalização detectou que mediante os processos administrativos 10805.002431/2001-98, 10805.002429/2001-19 e 10805.002430/2001-43, a interessada protocolou consulta a SRRF/8(1RF a fim de determinar a classificação das mercadorias em questão. A interessada foi cientificada das Soluções de Consulta n's 01, 03 e 04 de 2003, onde a autoridade competente concluiu que os produtos em questão deveriam ser classificados na posição 8541.40.22 referente aos "Outros diodos emissores de luz (LED), exceto diodos laser". Desta forma, a fiscalização entendeu que o correto enquadramento tarifário se daria na posição 8541.40.22 e lavrou o auto de infração às folhas 01 a 31, cobrando o II, IPI, seus juros de mora e as multas dos artigos 44, I e 45 da lei 9.430/96 e 84, I, da MP 2.158/2001. Em sua impugnação às folhas 52 a 60, a interessada alega, em suma, que: I — a solução das consultas conclui por uma classificação inadequada, demonstrando que tal solução é eminentemente fiscalista; Processo n° 10314.000138/2004-61 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.579 Fl. 107 2— conforme parecer técnico anexado e parecer técnico do IPEI, a classificação dos produtos em questão deve ser na posição 8541.40.11 e 8541.40.29; 3 — isto porque os displays Matriz de Pontos e de Sete Segmentos não são elaborados a partir de leds; 4 — os produtos importados não podem ser considerados montados. Os Leds de 5 mm são componentes constituídos de - - uma pastilha (chip), resina epóxi e suportes conectores, sendo esses três elementos que compõem esse Led, matérias primas; 5 — é crucial considerar que o Display de Matriz é formado a partir de um conjunto de Leds, portanto, é imperioso concluir que se um produto (o primeiro) é formado de uma série de outros (o segundo), ambos não podem ter a mesma classificação fiscal como pretende a Autoridade Fiscal; 6 — a multa prevista no artigo 636 do Decreto 4.543/2002 é totalmente descabida vez que foi publicada posteriormente à importação dos produtos ora analisados; 7 — o valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal; 8 — é inconstitucional a aplicação da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 28/09/2001 a 30/08/2002 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. A solução de consulta devidamente protocolada vincula tanto a Administração quanto a Consulente, devendo no prazo previsto, serem atendidas suas determinações. Lançamento Procedente Após tomar ciência da exigência em 16/06/2009, comparece a recorrente mais uma vez aos autos em 16/07/2008, para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. 3 Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção. Como é possível perceber, o presente litígio restringe-se à definição dos itens e subitens da Tarifa Externa Comum nos quais as mercadorias alvo de litígio seriam corretamente enquadradas, na medida em que, tanto para o Fisco quanto para o sujeito passivo, a subposição correta seria é a 8541.40. Segundo as autoridades fiscais, subitem correto seria o 8541.40.22. Já segundo a recorrente, 8541.40.11 e 8541.40.29, conforme se trate, respectivamente, do produto descrito como "LED" ou como "display". O erro da decisão recorrida, que, por sua vez, se baseia nas soluções de consulta DIANA/SRRF/8 a RF n° 01, 03 e 04, todas de janeiro de 2003, estaria essencialmente calcado em dois pontos: os produtos descritos para os quais é almejado o enquadramento no subitem 8541.40.29 são "displays de matriz", montados com cristais de LED e não LEDs propriamente ditos, bem assim que os produtos denominados LED, para os quais é almejado o enquadramento no subitem 8541.40.11, não se encontram montados. A coerência desse enquadramento restaria demonstrada na solução de consulta n° SRRF/7a RF n° 218, de agosto de 2001 e no parecer técnico de autoria do Instituto de Pesquisas e Estudos Industriais, da Fundação Educacional Inaciana PE Sabóia de Medeiros, juntado às fls. 65 a 70 dos autos. Com a devida vênia, os elementos arrolados, por si só, não são capazes de founar convicção acerca da exatidão da classificação pleiteada. Em primeiro lugar, consoante a regra insculpida no § 1° do art. 50 1 da Lei n° 9.430, de 1996, não haveria restrição a alteração de entendimento acerca de matéria alvo de solução de consulta. Há, sem dúvida, restrição aos efeitos dessa refonna, que, sabidamente, só atingirá fatos geradores futuros, ex vi do § 3 0 do mesmo art. 50 da Lei n° 9.430, de 19962. Entretanto, como se pode extrair do texto desse mesmo dispositivo, esses efeitos se restringem exclusivamente ao consulente Nesse ponto, convém esclarecer que a solução de consulta 218, de 2001, diz respeito a contribuinte diverso, sediado em Região Fiscal diversa e a mercadoria produzida por fabricante diverso. Em segundo, não vejo como atribuir o efeito pretendido ao parecer acostado • ao processo. De fato. § 1° O órgão de que trata o inciso I do § 1° do art. 48 poderá alterar ou reformar, de oficio, as decisões proferidas nos processos relativos à classificação de mercadorias. 2 § 3 0 Em relação aos atos praticados ate a data da ciência ao consulente, nos casos de que trata o § 1 0 deste artigo, aplicam-se as conclusões da decisão proferida pelo órgão regional da Secretaria da Receita Federal /47- Processo n° 10314.000138/2004-61 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.579 Fl. 108 A valoraçã.o da prova, na hipótese de litígio administrativo tributário que envolva a classificação fiscal da mercadoria, como é cediço, encontra-se balizada no art. 30, capta e §§, do Decreto n° 70.235, de 1972.3 Dentre tais comandos, interessa especialmente à solução do presente litígio a regra insculpida no § 1°, que exclui a classificação fiscal dos universo dos aspectos técnicos, próprios de serem solucionados por peritos ou institutos de pesquisa. Àqueles, compete exclusivamente fornecer os parâmetros que permitirão o exercício desse desiderato pelo órgão judicante. • Pouco acresce à solução do litígio, portanto, a indicação de classificação consignada no laudo técnico trazido aos autos, que será tomado em consideração exclusivamente no que se refere à descrição das mercadorias alvo do presente litígio. Restrito a esse universo, vejamos o que restou consignado no referido parecer. Os produtos denominados Diodo Emissor de Luz, que recebem as referências citadas na peça recursal, foram assim descritos pelo perito contratado pelo sujeito passivo4: "Conforme foi verificado durante a inspeção, os DIODOS LED são encapsulados em um invólucro de acrílico transparente ou translúcido podendo posteriormente ser montados em placas de circuito impresso, ponte de terminais, suportes ou placas experimentais, portanto enquadrando-se no Código:" Sustenta, com base, em seus conhecimentos, que o produto em questão deve ser considerado não-montado. Diz o perito, literalmentes: "O led 5mm deve ser considerado não montado. Isso devido ao fato de que o dispositivo passa a se chamar LED somente depois que se unem, no processo de fabricação, a pastilha ("chip'), a resina de epóxi e os suportes- conectores ("lead frame'). Então o dispositivo, na sua maneira mais simples: não-montado, já possui seus terminais e seu encapsulamento, ficando com a aparência que se segue" 3 Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. § 2° A existência no processo de laudos ou pareceres técnicos não impede a autoridade julgadora de solicitar outros a qualquer dos órgãos referidos neste artigo. § 3° Atribuir-se-á eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos: (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) a) quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação; (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) b) quando tratarem de máquinas, aparelhos, equipamentos, veículos e outros produtos complexos de fabricação em série, do mesmo fabricante, com iguais especificações, marca e modelo. (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) 4 Trecho à fl. 67 5 Trecho à fl. 72 Para que, segundo seus conhecimentos técnicos, atingisse tal condição, deveria atingir um grau de industrialização superior ao apresentado. Já os denominados DISPLAYS, receberam a seguinte descrição6: "Conforme foi verificado durante a inspeção, os DISPLAYS são encapsulados em um invólucro de acrílico transparente ou translúcido com uma base opaca podendo posteriormente ser montados em placas de circuito impresso, ponte de terminais, suportes ou placas experimentais, portanto enquadrando-se no Código: Sustenta, o perito, com base, em seus conhecimentos, que o produto em questão não pode ser considerado como LED. Diz o perito, literalmente7: "Os displays não são constituídos a partir de leds. Os displays de Led e as matrizes de Led são constituídos de algumas pastilhas ("chips") associados de maneira a viabilizar a alimentação e o acendimento de grupos de pastilhas de maneira conveniente." Visto que não usam LEDs para construção de displays de LEDs não podemos considerá-los corno LEDs montados. ... Nota: um diodo emissor de luz montado seria, então, um cluster de leds ou uma tira de leds. Ao que parece, a recorrente parte do princípio de que displays não reúnem as condições para que sejam considerados como LEDs, montado, na medida em que os "chips" que o formam não reuniria as característica do pré-falado diodo. Somente alcançaria tal condição se representasse uma tira ou um conjunto de LEDs. À esta altura, é importante deixar claro que é perfeitamente possível que, de acordo com determinado ramo do conhecimento, o produto só possa ser denominado LED ou Display de LED se reunir determinadas características e, para efeito de enquadramento na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), não. Como é cediço, a classificação de um produto na NCM, que se baseia no Sistema Hatilionizado (SH) é, essencialmente, levada a efeito segundo as regas de interpretação fixadas no texto desse Sistema. Relembre-se o que diz a Regra Geral I (os grifos não constam do original): Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capitulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas regras seguintes: O ponto fulcral para a solução do litígio é, portanto, definir o que se entende por LED (ou diodo) completo e, em seguida, por displays de LEDs e tal definição deve partir do texto do SH. 6 Trecho à fl. 70 7 Trecho à fl. 73 6 Processo n° 10314.000138/2004-61 S3-C1T2 Acórdão n°3102-00.579 Fl. 109 Sendo certo que, como se viu, o dissenso restringe-se à definição do item e subitem adequados, há que se ter em mente o que define a RGC 1: As regras gerais para interpretação do sistema harmonizado se aplicarão, mutatis mutandis, para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitern correspondente, entendendo-se que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. A primeira questão a ser solucionada diz respeito à definição da verdadeira condição do produto denominado LED. Para a recorrente, tal produto não se encontraria montado, para o Fisco, sim. Tal distinção é essencial em razão de que, se não se encontrarem montados, a classificação correta seria a indicada pelo contribuinte: 8541.40.11. Compulsando o texto das Notas Explicativas ao Sistema Harmonizado, aplicáveis por força do Decreto n° 435, de 1992, mais especificamente no parágrafo único 8 do seu art. 1°, verifica-se, na nota A da Posição 8541 (os grifos não constam do original)- Entre estes dispositivos, podem citar-se: 1. Os diodos. São dispositivos com dois bornes, que possuem apenas uma junção PN e que permitem a passagem da corrente em um sentido (sentido direto) e oferecem, pelo contrário, uma grande resistência à passagem da corrente no outro sentido (sentido bloqueado). São utilizados para detecção, retificação, comutação, etc. (.--) Os dispositivos acima descritos são classificados nesta posição quer se apresentem montados, isto é, providos das suas conexões ou capsulados (componentes), quer se apresentem não montados (elementos), quer ainda em forma de discos (wafers) ainda não cortados. Todavia, as matérias semicondutoras naturais (galena, por exemplo) só se classificam aqui se se apresentarem montadas. Embora não haja dissenso com relação ao fato dos produtos em litígio serem considerados LEDs (Diodos Emissores de Luz), eis que Fisco e recorrente estão de acordo com relação à exatidão da posição 8541, o texto acima é extremamente útil para a solução do litígio à medida que define o que o SH entende por diodo montado. Como é possível verificar no texto destacado, se o diodo se encontrar capsulado ou (não confundir com "e") provido das suas conexões, deve ser considerado montado. 8 Parágrafo único. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capitulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome. 7 Vejam-se as alternativas para o enquadramento dos diodos emissores de luz, textualmente citados na posição 8541.40: 8541.40 Dispositivos fotossensíveis semicondutores, incluídas as células fotovoltaicas, mesmo montadas em módulos ou em painéis; diodos emissores de luz 8541.40.1 Não montados 8541.40.2 Montados, exceto as células fotovoltaicas em módulos ou painéis 8541.40.3 Células fotovoltaicas em módulos ou painéis Nesse ponto, com a devida licença, à luz do SH, o laudo técnico acostado incorre em equívoco, pois ali se defende que o produto só alcance a condição de montado após a sua agregação "em placas de circuito impresso, ponte de teiiiiinais, suportes ou placas experimentais". Por essa razão, razão assiste ao Fisco quando enquadra o produto no item 8541.40.2, que assim se desdobra: 8541.40.21 Diodos emissores de luz (LED), exceto diodos "laser", próprios para montagem em superfície (SMD - "Sufrface Mounted Device") 8541.40.22 Outros diodos emissores de luz (LED), exceto diodos "laser" 8541.40.23 Diodos "laser" com comprimento de onda de 1300nm ou 1500nm 8541.40.24 Outros diodos "laser" 8541.40.25 Fotodiodos, fototransistores e fototiristores 8541.40.26 Fotorresistores 8541.40.27 Acopladores óticos, próprios para montagem em superfície (SMD - "Surface Mounted Device") 8541.40.29 Outros Dentre os desdobramentos do item 8541.40.2, como é possível perceber, somente os 8541.40.21 e 8541.40.22 fazem menção aos diodos de natureza semelhante à tratada no presente recurso (LED), sendo que a primeira, aplica-se exclusivamente aos "próprios para montagem em superficie, característica que nunca foi alegada. Os demais subitens, ou se destinam a diodos com características que em nada se assemelham ao presente ou tratam genericamente de diodos montados. À esta altura, há que se recorrer à Regra Geral n° 3 "a", aplicada em razão do reenvio expresso na RGC n° 1 (destaquei): a)a posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um 8 Processo n0 10314.000138/2004-61 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.579 Fl. 110 dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar-se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. Por tal razão, o subitem 8541.40.29, que o sujeito passivo alega correto para os produtos denominados "display" não se presta à classificação em razão de que o subitem 8541.40.21 é mais específico, eis que trata de outros LEDs e não simplesmente de outros diodos (que não LEDs) montados. Com efeito, assim como ocorre com os produtos denominados "LED 5mm", os displays de matriz são formados de diodos emissores de luz, que o sujeito passivo denomina "chips", mas que, segundo as regras do SH, se classificam como LEDS e encontram-se igualmente encapsulados, fatores que, somados, segundo aquelas mesmas regras, são suficientes para atribuir-lhe a mesma classificação daqueles "chips" individualmente considerados, principalmente em razão de que não foi ventilada função específica capaz de excluí-lo do contexto daquilo que o SH classifica "outros LEDs". Multa de 1% - Não vejo como afastar a multa instituída pelo art. 84, I da Medida Provisória n° 2.158-35, 24 de agosto de 2001, posteriormente regulamentada pelo art. 636, I do Regulamento Aduaneiro sob o argumento de que este último ato regulamentar passou a viger em data posterior aos fatos geradores. Sabidamente, o respaldo legal para a imposição da multa em questão não vem do regulamento que a consolidou, mas da lei (no caso, ato com força de lei).que a instituiu, que não cobrava tal ato regulamentar para entrar em vigor. Assim, dúvida não há que, a partir do início da vigência da MP 2.158-35, hígida é a cobrança de multa equivalente a um por cento do valor aduaneiro, na hipótese de erro de classificação. Multa de Ofício de 75% O erro na indicação da classificação fiscal representa modalidade de "declaração inexata" e, se prejudicar o recolhimento dos tributos incidentes na importação, incide na penalidade prevista no art. 44, I da Lei n° 9.430, de 1996, desde a sua redação origina19. Trata-se de disposição expressa em lei, que não pode ser afastada pelo julgador administrativo, máxime após a edição da Súmula Vinculante n° 10 1 °, de autoria do e. Supremo Tribunal Federal, onde restou claramente identificado o limite deste órgão judicante. 9 Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; 1 ° DJe n° 117/2008, p. 1, em 27/6/2008. DO de 27/6/2008, p. 1. Diz o dispositivo: VIOLA A CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO (CF, ARTIGO 97) A DECISÃO DE ÓRGÃO FRACIONÁRIO DE TRIBUNAL QUE, EMBORA NÃO DECLARE EXPRESSAMENTE A INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO DO PODER PÚBLICO, AFASTA SUA INCIDÊNCIA, NO TODO OU EM PARTE. Igualmente esclarecedora é a manifestação da mesma corte nos autos do RE 432.597-AgR 11 : "Controle de constitucionalidade de normas: reserva de plenário (CF, art. 97): reputa-se declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que - embora sem o explicitar - afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidi-la sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição." (destaquei) Por óbvio, mais relevante do que fixar a as hipóteses em que o art. 97 da Constituição Federal deve ser observado, a manifestação do Pretório Excelso delimita o que se entende por controle da constitucionalidade de lei ou ato normativo, fixando, por via indireta, os limites de atuação deste Colegiado, impedido de exercer tal controle em razão do art. 26-A do Decreto n° 70.235, de 1972, inserido pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 200812. Nesse contexto, demonstrada a incidência da norma ao fato, não se poderia afastar a sua aplicação face ao critério da lex superior constitucional, máxime quando tal nomia se situa no plano dos princípios, sabidamente normas de eficácia contida. Ineficazes, portanto, as alegações de violação a princípios constitucionais no intuito de afastar a incidência de norma vigente e formalmente apta a instituir penalidade. Taxa Selic Apesar da longa dissertação da recorrente acerca da inaplicabilidade da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC aos débitos tributários, não vejo como afastar a sua incidência sobre exigência discutida nos autos do presente recurso Voluntário, nem muito menos como pretender dar as multas tributárias tratamento diverso. Com efeito, a matéria foi alvo do art. 161 do Código Tributário Nacional, que prevê: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. ,§ I°. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (destaquei) 11 Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 14-12-04, DI de 18-2-05. 12 Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inc onstituc ionalidade. 10 Processo n° 10314.000138/2004-61 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.579 Fl. 111 Como se verifica, o limite de 1% ao mês somente é considerado se outra lei, ordinária, já que não se trata de matéria reservada a lei complementar, estipular outro percentual ou prazo para cálculo. O fato é que, como é cediço, fazendo uso dessa faculdade, o art. 61, caput e § 3° da Lei n° 9.430, de 1996 assim dispôs: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1 0 de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assim sendo, penso que a pesquisa da natureza dessa cobrança pouca relevância assume para a solução do litígio. Trata-se de exigência prevista em lei cuja constitucionalidade vem sendo pacificamente reconhecida por nossas cortes superiores. Apenas à guisa de exemplo, cite-se: 1- REsp 929.995 - PE (Min. Teori Albino Zavascki, DJ. 23/04/2007) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA DE JUROS. SELIC. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. 1. A taxa à qual se refere o art. 406 do CC é a SELIC, tendo em vista o disposto nos arts. 13 da Lei 9.065/95, 84 da Lei 8.981/95, 39, § 4°, da Lei 9.250/95, 61, § 3°, da Lei 9.430/96 e 30 da Lei .10.522/02. 2. Recurso especial não provido. 2- REsp 803707 / PR (Min. João Otávio de Noronha, DJ 14.08.2006) EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MULTA DE MORA. ART. 61 DA LEI N. 9.430/1996. BASE DE CÁLCULO. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. ART. 161, § 1°, DO CTN. I. Constitui a base de cálculo da multa de mora prevista no art. 61 da Lei n. 9.430/1996 o valor principal da divida atualizado pela taxa Selic. 2. É lícita, por força do comando contido na Lei n. 9.065/1995, a aplicação da taxa Selic nos casos em que há parcelamento do débito tributário ou em que há quitação total, mas com atraso. Precedentes. 3. Nas ações que tenham por fim a repetição de pagamentos indevidos efetuados antes de 1 0.1.96 e cujo trânsito em julgado ainda não tenha ocorrido, incide, na atualização do indébito, a partir dessa data, exclusivamente, a taxa Selic. Desde aquela data, não tem mais aplicação o mandamento inscrito no art. 167, parágrafo único, do CTN, o qual, diante da incompatibilidade com o disposto no art. 39, 3Ç 4 0, da Lei n. 9.250/95, restou • derrogado. 4. Recurso especial improvido. Importante frisar, ademais, que a presente discussão já encontra-se pacificada nesta corte administrativa, sendo inclusive alvo da Súmula 3°CC n° 4, que diz: A partir de 1° de abril de 1995 é legítima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal. Conclusão Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. L . •- r Guena deCastro 12
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Numero do processo: 15165.003328/2010-52
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
II. IPI. PIS. COFINS. IMPORTAÇÃO DE PAPEL IMUNE. REDUÇÃO DE ALÍQUOTAS. REQUISITOS. REGISTRO ESPECIAL PARA OPERAÇÃO.
A importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos sem incidência tributária condiciona-se ao registro especial por estabelecimento importador junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Recurso de ofício provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.167
Decisão: Recurso de ofício provido em parte.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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IPI. PIS.COFINS. PAPEL IMUNE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida REVEPAPER DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 II. IPI. PIS. COFINS. IMPORTAÇÃO DE PAPEL IMUNE. REDUÇÃO DE ALÍQUOTAS. REQUISITOS. REGISTRO ESPECIAL PARA OPERAÇÃO. A importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos sem incidência tributária condicionase ao registro especial por estabelecimento importador junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso de ofício provido em parte. Recurso de ofício provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 33 28 /2 01 0- 52 Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.003328/201052 Acórdão n.º 3202001.167 S3C2T2 Fl. 1.275 2 Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis – SC (DRJ/FNS), como constante nas fls. 983 a 990, que considerou parcialmente procedente a impugnação constante do presente processo, in verbis: “Relatório Trata o presente processo de autos de infrações lavrados para exigência de crédito tributário no valor de R$ 10.126.051,36 referente a imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, PIS/Pasep importação, Cofins importação, multas de oficio, multa por não atendimento à intimação fiscal, multas por erro ou omissão de informações em declarações relativas ao controle de papel imune e juros de mora. Depreendese do relatório de auditoria fiscal integrante do auto de infração que a interessada foi intimada a apresentar documentos fiscais e livros contábeis referentes à importação de papéis importados com imunidade no período de janeiro de 2006 a março de 2010. Decorridos os prazos concedidos, mesmo depois de diversas prorrogações, sem que a interessada procedesse à entrega dos documentos solicitados, em especial os Livros Diários e as Notas Fiscais de Entrada e Saída, a fiscalização foi realizada com base nas DIF — Papel imune— Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune. Procedeuse á auditoria de estoques, entradas e saídas de papel imune, individualmente por tipo de papel comercializado. A verificação geral dos estoques tomou por base o estoque inicial e informado pela empresa nas DIF, as entradas, as saídas e os estoques finais no período. O procedimento fiscal para o levantamento de entradas, saídas e estoques iniciais e finais, objetivando o lançamento de tributos eventualmente devidos foi realizado da seguinte forma: Utilizando o sistema GPI — Sistema Gerencial de Papel Imune da Receita Federal do Brasil, foram extraídos os estoques iniciais e finais de cada tipo de papel imune da empresa. Os períodos verificados foram apenas aqueles em que houve importação de papel. O lançamento de tributos referentes a eventual falta de estoque foi feito proporcionalmente as entradas referentes a importações. Uma vez de posse das quantidades de papel a terem seus tributos cobrados, procedeuse ao cálculo dos mesmos. Os tributos foram lançados tomandose as DIs na seqüência das mais recentes para as mais antigas até completar as quantidades apuradas. Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.003328/201052 Acórdão n.º 3202001.167 S3C2T2 Fl. 1.276 3 No caso de lançamento de quantidades apuradas menores que as importadas em determinada DI, o valor CIF da adição foi tomado proporcionalmente quantidade a ser lançada. Constatouse que algumas empresas para as quais foram destinados papéis importados com imunidade não eram habilitadas para trabalharem com papel imune, pois não eram detentoras de Registro Especial. O imposto sobre essas mercadorias é de responsabilidade da empresa que deu a destinação, no caso a Revepaper O procedimento fiscal foi o de glosar as notas fiscais de saída de papel imune para essas empresas, do que resulta um aumento de estoque que deveria estar em poder da empresa, sendo as diferenças para o estoque real apuradas e os tributos correspondentes à parte importada lançados em auto de infração. Foram identificadas 10 (dez) Declarações de Importação que ampararam a importação de papel imune e que não foram informadas nas DIF' s. Os tributos referentes foram lançados separadamente dos lançamentos efetuados por auditoria de estoques. Procedeuse ao lançamento de crédito tributário relativo ao PIS/Pasep importação e Cofins importação calculados com base nas alíquotas integrais nos casos em que não houve destinação do papel para detentoras de Registro Especial, nos caos de declarações de importação que não entraram no estoque da empresa ou não foram declaradas nas DIFs, e nos casos de importação de papeis com redução de alíquota, quando não havia este direito. A importação de papeis durante a vigência do Decreto n° 5.171/2004, com redução de alíquotas como procedeu a interessada, dependia do cumprimento de duas condições (incisos do artigo 1° do Decreto n° 5.171/2004): I pessoa física ou jurídica que explore a atividade da indústria de publicações periódicas; II empresa estabelecida no Pais como representante de fábrica estrangeira do papel, para venda exclusivamente As pessoas referidas no inciso I. A empresa Revepaper não explora a atividade da indústria de publicações periódicas. Explora o ramo de importação e distribuição de papel imune, e para tanto possui os Registros Especiais outorgados pela Receita Federal. A outra hipótese que permitiria a utilização das alíquotas reduzidas seria se a empresa fosse estabelecida no Pais como representante de fábrica estrangeira do papel, para venda exclusivamente As pessoas referidas no inciso I. Como resposta a empresa informou que nunca foi representante de fábricas estrangeiras de papel. Dessa maneira, não faz jus à utilização das reduções previstas no Decreto n° 5.171/2004, pelo que foram lançadas as contribuições para o PIS e COFINS às suas alíquotas normais. Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.003328/201052 Acórdão n.º 3202001.167 S3C2T2 Fl. 1.277 4 Foram constatados 51 erros de preenchimento nas DI's, sendo 40 omissões de informação de número da declaração de importação em operações com código CFOP 3.101 (importação), um erro decorrente de informação errada de número de nota fiscal e omissão de declaração de dez declarações de importação cujos dados das mercadorias, notas fiscais, etc, sequer foram informados na DIF. Assim, foi lançada a multa prevista na alínea "d" do inciso VIII do artigo 107 do Decretolei n° 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/2003. Pelo não atendimento das intimações, incorre a empresa na multa do artigo 107 do Decretolei n° 37/1966, inciso IV, alínea "c". Uma vez não comprovada a utilização do papel importado com imunidade de impostos nos fins previstos, a empresa fica obrigada ao pagamento dos impostos incidentes sobre a importação (II, IPI, PIS e COFINS) por ocasião do registro das declarações de importação. Regularmente cientificada pela via pessoal (ciência fls. 143, 179, 213, 272, 330 e 350) a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas 881 a 889, com os documentos de folhas 890 a 971 anexados. A impugnante alega, em síntese, que: Atendeu as intimações, conforme protocolos anexados à impugnação. "A fiscalização teve acesso a inúmeras informações da Empresa, mas optou para fazer o trabalho baseado nas DIF 's." (sic) Preenche as DIF's desde 2002, sendo que a partir de 2006 migrou para sistema mais avançado de informática. Causa estranheza a conclusão da fiscalização nas avaliações que fez de cada exercício fiscal analisado, ao encontrar diferenças no resultado de uma equação tão simples, pois o próprio sistema de controle da Receita Federal deveria alertar para o fato. Pode ser que o próprio sistema de informática da empresa não esteja alimentando corretamente a base de dados para o preenchimento da DIF. Não se admite que cheguese à conclusão de que da totalidade das importações da empresa, 1/3 teve seus produtos utilizados em outro fim diverso das hipóteses de imunidade tributária. Houve um arbitramento de valores sem a avaliação dos documentos que suportam os lançamentos nas DIF' s. Estáse fazendo uma auditoria completa e as DIF' s serão refeitas manualmente para se identificar possíveis falhas do sistema informatizado. Todavia o tempo concedido para recursos não permitiu levar a cabo esta análise. "Por outro lado, As folhas 336 e 337 do processo, a auditoria, falando sobre a DIE de 2008, afirma que as saídas de papel imune foram 3.022,15 Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.003328/201052 Acórdão n.º 3202001.167 S3C2T2 Fl. 1.278 5 toneladas no terceiro trimestre de 2008 e de 189,77 toneladas no quarto trimestre de 2008. Entretanto, no Demonstrativo de Estoques, Entrada e Saídas e Diferenças constatadas nos estoques levantados pelas DIF's para o ano de 2008, as folhas 59 e 60 do processo não constam saídas para o ano de 2008. Perguntas: . Qual foi a tonelagem de papel oferecido à tributação em 2008? Foi o resultado apresentado na referida planilha onde não há saída de mercadoria? A seguir estão os documentos citados. (anexo II)." (sic) Os erros identificados no preenchimento das DIF's que levaram ao lançamento de multa em relação a 51 erros, foram devido a erro do sistema de informática adotado pela empresa. Em relação à acusação de que empresas sem registro especial receberam papel imune da Revepaper, registrase que a empresa sempre teve por norma consultar sobre a situação de sua clientela em relação à legalidade da compra de papel imune. Em razão da coincidência entre o fato de a maioria das empresas estarem em ferais coletivas e a exiguidade do tempo para apresentar defesa, concentrou sua análise em uma das empresas citadas, qual seja, a "Pampasul Comércio de Papéis Ltda.". Conforme documentação que anexa, a empresa Pampasul possui dois Atos Declaratórios Executivos, sendo um como distribuidora de papel imune e outro como importadora de papel imune." Conforme extrato apresentado no Auto de Infração, a empresa em questão teve dois registros especiais cancelados, o que a tornou, aos olhos da fiscalização, não habilitada para comercializar papel imune. Ocorre que o cancelamento ocorreu concomitantemente com a expedição de novos Atos Declaratórios, sendo que a empresa não ficou um único dia em desacordo com as norma vigentes. Acreditase ser de conhecimento dos auditores que houve a obrigação, no inicio de 2010, pra todas as empresas que operavam com papel imune de se recadastrarem junto à Receita Federal, para renovação de seu Registro Especial. Perguntas: Não ocorreu o mesmo com as demais empresas listadas pelos auditores? Como saber as datas que as RE's foram canceladas? A Receita Federal não tem condições, como sempre preconizou, de cruzar as DIF 's apresentadas por essas empresas com as DIF' apresentadas pela Revepaper? Quais são as Notas Fiscais de saída que, segundo o relatório, foram glosadas durante a auditoria e os produtos vendidos anexados ao estoque de papel imune da Revepapaer para serem tributados e lançados em auto de infração? Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.003328/201052 Acórdão n.º 3202001.167 S3C2T2 Fl. 1.279 6 Há algum site da Receita Federal não disponível para o contribuinte em geral onde se possa encontrar o histórico das empresas que trabalham ou já trabalharam com papel imune?" (sic) O lançamento de PIS e Cofins às alíquotas normais para todas as declarações de importação feitas pela Revepaper, sob a alegação de que não era representante de fábrica estrangeira, na importação de papéis imunes a impostos, para venda exclusivamente à pessoa física ou jurídica que explore a atividade da indústria da publicação periódica, está equivocada. A fiscalização se baseou na resposta equivocada da empresa de que não era representante, para fins de lançamento. Na realidade, a exigência dessa comprovação perdurou até a publicação do Decreto n° 5171/2004, pois depois dessa data não mais foi exigida a comprovação para fins de registro perante a Receita Federal. Para as empresas estrangeiras não há como se identificar ser representante ou agente para papel imune, pois para eles todos os papéis são iguais, tendo tributação única em seu país de origem. Assim, apresenta os documentos já apresentados à Receita Federal em 2002/2003, último período em que tais comprovantes foram pedidos, visto que eram solicitados quando da renovação da licença para operar com papel imune. Considerando que os fornecedores são basicamente os mesmos entende estar enquadrada no disposto no Decreto 5171/2004, no artigo 1 0, parágrafo 1°, item II, pois o próprio decreto não exige a renovação temporal das representações. Todas as Declarações de Importação foram desembaraçadas depois de verificadas sua regularidade, muitas no canal amarelo ou vermelho. “(...) perguntase: Tendo em vista a alteração introduzida pelo Decreto 6842, o motivo do mesmo ter sido editado lido foi pela norma vigente ser inconstitucional? Assim sendo, a cobrança retroativa se devida fosse não seria também inconstitucional? Anexase processo sobre o assunto, que tramitou em Pernambuco, com a ação movida por um distribuidor de papel, em 2009, anterior à promulgação de Decreto 6842 de 07/05/2009." (sic) Requer o provimento da impugnação pelas razões expostas. É o relatório.” Referida decisão (fls. 983 a 990), proferida pela DRJ/FNS, foi assim ementada: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. OCORRÊNCIA. NULIDADE. A exigência tributária formulada deve ser devidamente fundamentada com a descrição clara e precisa dos fatos e demonstração da forma de apuração da Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.003328/201052 Acórdão n.º 3202001.167 S3C2T2 Fl. 1.280 7 base tributável. Em caso contrário, caracterizase o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, devendo ser declarada nula a exigência lançada. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS A NORMA. PENALIDADE. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos a norma legal, sem a qual fica impossibilitada a aplicação da penalidade prevista. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 IMPORTAÇÃO DE PAPEL IMUNE. PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. COFINSIMPORTAÇÃO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTAS. REQUISITOS. A aplicação de alíquotas reduzidas de PIS/Pasep importação e Cofins importação na importação de papel imune obriga ao cumprimento dos requisitos estabelecidos. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte” Do acórdão acima ementado, recorreu a DRJ Florianópolis de ofício, conforme o artigo 34 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e artigo 1º da Portaria MF n. 03, de 03 de janeiro de 2008. Em sede de recurso de ofício, esta Turma, diante da dúvida de que a Pampaspel Comércio de Papéis Ltda. possuía ou não o “Registro Especial” perante a Receita Federal do Brasil, converteu o julgamento em diligência para que a unidade da RFB competente confirmasse se as empresas constantes na relação de fls. 339 a 341 possuíam ou não o “Registro Especial” perante a Receita Federal do Brasil no trimestre consultado. Em cumprimento à diligência determinada, o a autoridade fiscal informou que as seguintes empresas possuíam registro especial válido para operar com papel imune no período fiscalizado: Pampaspel Comércio de Papéis Ltda. Empresa Jornalística Gazeta de Riomafra Ltda., CNPJ nº 73.778.334/0001 64; Gráfica Boaventura Ltda., CNPJ nº 76.241.942/000123; Schaefer Impressos Ltda., CNPJ nº 76.241.942/000123; e, Imperial Artes Gráficas Ltda., CNPJ nº 88.952.239/000102. Logo, as demais empresas arroladas no relatório fiscal às fls. 339/341, Gráfica e Editora Hinos Ltda ME, Aldir Balbinot e Cia Ltda, Propress Editora e Gráfica Ltda – EPP, Piazzetta Comércio de Aparas de Papel Ltda, Editora Antares Ltda Me, Gohara – Editora Gráfica e Cartonagem Ltda, Fernandes e Silvestre Importação e Exportação de Papéis Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.003328/201052 Acórdão n.º 3202001.167 S3C2T2 Fl. 1.281 8 Ltda, Gráfica Bertoncelli Ltda, Adesi Industria e Comercio de Adesivos Ltda, Kgepel Papeis Ltda, com efeito, não detinham registro especial válido para o período da autuação. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior A questão central da lide trazida pelo recurso de ofício envolve a aplicação de alíquotas reduzidas de PIS/Importação e COFINS/Importação na importação de papel imune submetida ao cumprimento de requisitos estabelecidos na legislação. Conforme informado pela autoridade fiscal (fls. 1.261 e 1.262), as seguintes empresas possuíam registro especial válido para operar com papel imune no período fiscalizado: Pampaspel Comércio de Papéis Ltda. Empresa Jornalística Gazeta de Riomafra Ltda., CNPJ nº 73.778.334/0001 64; Gráfica Boaventura Ltda., CNPJ nº 76.241.942/000123; Schaefer Impressos Ltda., CNPJ nº 76.241.942/000123; e, Imperial Artes Gráficas Ltda., CNPJ nº 88.952.239/000102. Por outro lado, as empresas Gráfica e Editora Hinos Ltda ME, Aldir Balbinot e Cia Ltda, Propress Editora e Gráfica Ltda – EPP, Piazzetta Comércio de Aparas de Papel Ltda, Editora Antares Ltda Me, Gohara – Editora Gráfica e Cartonagem Ltda, Fernandes e Silvestre Importação e Exportação de Papéis Ltda, Gráfica Bertoncelli Ltda, Adesi Industria e Comercio de Adesivos Ltda, Kgepel Papeis Ltda, com efeito, não detinham registro especial válido para o período da autuação, motivo pelo qual deve ser mantida a glosa das notas fiscais de saída do papel imune Assim, diante de todo o exposto dou PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício, excluindose apenas a glosa em relação às empresas que possuíam registro especial válido para operar com papel imune (Pampaspel Comércio de Papéis Ltda., Empresa Jornalística Gazeta de Riomafra Ltda., CNPJ nº 73.778.334/000164; Gráfica Boaventura Ltda., CNPJ nº 76.241.942/000123; Schaefer Impressos Ltda., CNPJ nº 76.241.942/000123; e Imperial Artes Gráficas Ltda., CNPJ nº 88.952.239/000102). É como voto. Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.003328/201052 Acórdão n.º 3202001.167 S3C2T2 Fl. 1.282 9 Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007397/2005-41
Data da sessão: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2002
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.133
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Recorrida DRJ - CURITIBA/PR ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2002 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. f 90° DAM. ORIM - Pres' 4 ente LUCIANO LOPES DE • IA MORAES — Relator EDITADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes (Relator), Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. 1 Processo n° 10980.007397/2005-41 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.133 Fl. 24 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Versa o presente processo sobre auto de infração, mediante o qual é exigido da contribuinte em epígrafe o crédito tributário total de R$2.000,00 (dois mil reais) , referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF relativa ao 1°, 2°, 3° e 4° trimestre de 2002. Referido lançamento foi efetuado com fundamento nos seguintes dispositivos legais: art. 113, § 3" e 160 da Lei n." 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CT'N); art. 4", combinado com art. 2" da Instrução Normativa SRF n° 73/96; art. 6" da Instrução Normativa SRF n" 126 de 30/10/98 combinado com o item Ida Portaria MF n°118/84, art. 5 0 do DL 2.124/84 e art. 7" da MP n" 16/01 convertida na Lei n°10.426, de 24/04/2002. A interessada ingressou com uma correspondência (lis. 01) afirmando, em síntese, que sabe da exigibilidade da entrega da DCTF, mas que o seu movimento é tão pequeno e o valor da multa acaba sendo superior ao resultado financeiro da empresa. Diz ainda que é uma empresa idônea, cumpridora das obrigações e que está lutando para dar continuidade às suas atividades. Pede para que sejam revistos os valores da multa. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/CTA n° 17.259, de 20/03/2008, fls. 07/09: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 MULTA. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A DESTEMPO. Mantém-se o lançamento quando não comprovado pelo interessado que a obrigação acessória foi satisfeita dentro do prazo legal, bem como que estava dispensado de cumpri-la. Lançamento Procedente. Às fls. 12 o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário de fls. 13/20, tendo sido dado, então, seguimento ao mesmo. É o Relatório. 2 Processo n° 10980.007397/2005-41 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.133 Fl. 25 Voto Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Relator O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. O simples fato de não entregar a tempo a DCTF já configura infração à legislação tributária, ensejando, de pronto, a aplicação da penalidade cabível. A obrigação acessória relativa à entrega da DCTF decorre de lei, a qual estabelece prazo para sua realização. Salvo a ocorrência de caso fortuito ou força maior, não comprovado nos autos, não há que se falar em denúncia espontânea. De acordo com os termos do § 4°, art. 11 do Decreto-lei 2.065/83, bem como entendimento do Superior Tribunal de Justiça "a multa é devida mesmo no caso de entrega a destempo antes de qualquer procedimento de oficio. Trata-se, portanto, de disposição expressa de ato legal, a qual não pode deixar de ser aplicada, uma vez que é princípio assente na doutrina pátria de que os órgãos administrativos não podem negar aplicação a leis regularmente emanadas do Poder competente, que gozam de presunção natural de constitucionalidade, presunção esta que só pode ser afastada pelo Poder Judiciário". Ressalte-se que em nenhum momento a recorrente se insurge quanto ao atraso, pelo contrário, o confirma. Sobre o pedido de afastamento dos juros, este não pode ser analisado, já que não são cobrados juros no presente lançamento. São pelas razões supra e demais argumentações contidas na decisão a quo, que encampo neste voto, como se aqui . stivessem transcritas, que nego seguimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argú entos. LUCIANO LOP gD L ' LMEIDA MORAES 3
score : 1.0
Numero do processo: 10480.003318/2002-11
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2000, 2001
ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS.
Constatada, pelo exame dos autos, a lavratura de seis intimações para apresentação de livros e documentos, no período de oito meses, sem atendimento por parte do sujeito passivo, o arbitramento levado a efeito pelo Fisco se mostra correto e dentro dos parâmetros legais como forma de apuração do lucro, não se caracterizando como punição ou exagero.
ARBITRAMENTO. VALOR MUITO ELEVADO. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA.
A Autoridade Administrativa deve cumprir o que determina a lei, sendo sua atividade plenamente vinculada. O valor do lançamento, no caso concreto, não se revela elevado nem reduzido, mas determinado em conformidade com os ditames legais pertinentes. Os princípios da razoabilidade e da capacidade contributiva se dirigem ao legislador, não assistindo à esfera administrativa qualquer discricionariedade para efetuar pretendidos "ajustes" no lançamento, em atenção aos referidos princípios.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1301-000.274
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Waldir Viega Rocha
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2000, 2001 ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. Constatada, pelo exame dos autos, a lavratura de seis intimações para apresentação de livros e documentos, no período de oito meses, sem atendimento por parte do sujeito passivo, o arbitramento levado a efeito pelo Fisco se mostra correto e dentro dos parâmetros legais como forma de apuração do lucro, não se caracterizando como punição ou exagero. ARBITRAMENTO. VALOR MUITO ELEVADO. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. A Autoridade Administrativa deve cumprir o que determina a lei, sendo sua atividade plenamente vinculada. O valor do lançamento, no caso concreto, não se revela elevado nem reduzido, mas determinado em conformidade com os ditames legais pertinentes. Os princípios da razoabilidade e da capacidade contributiva se dirigem ao legislador, não assistindo à esfera administrativa qualquer discricionariedade para efetuar pretendidos "ajustes" no lançamento, em atenção aos referidos princípios. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida 3' TURMA / DRJ RECIFE / PE Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2000, 2001 ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. Constatada, pelo exame dos autos, a lavratura de seis intimações para apresentação de livros e documentos, no período de oito meses, sem atendimento por parte do sujeito passivo, o arbitramento levado a efeito pelo Fisco se mostra correto e dentro dos parâmetros legais como forma de apuração do lucro, não se caracterizando como punição ou exagero. ARBITRAMENTO. VALOR MUITO ELEVADO. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. A Autoridade Administrativa deve cumprir o que determina a lei, sendo sua atividade plenamente vinculada. O valor do lançamento, no caso concreto, não se revela elevado nem reduzido, mas determinado em conformidade com os ditames legais pertinentes. Os princípios da razoabilidade e da capacidade contributiva se dirigem ao legislador, não assistindo à esfera administrativa qualquer discricionariedade para efetuar pretendidos "ajustes" no lançamento, em atenção aos referidos princípios. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. LLJ LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente WALDIR ' A ROCHA - Relator EDITADO EM: 26 A BR n110 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Thiago D'Ávila Melo Fernandes, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. 2 Processo n° 10480.003318/2002-11 SI-C311 Acórdão o.° 1301-00.274 EL 2 Relatório SN DISTRIBUIDORA COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 13.393, de 23/09/2005, da 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de Auto de Infração para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ — fl. 07) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL — fl. 21), com multa de 75%, além de juros de mora, por fatos geradores ocorridos nos anos- calendário 1999 e 2000. O crédito total lançado monta a RS 296.564,10 conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do ProcesSo (fl. 06). A ciência do contribuinte se deu em 26/03/2002. Por bem descrever, de forma sintética, o ocorrido, valho-me do relatório elaborado pelo ilustre Conselheiro José Clóvis Alves, no acórdão 105-15.746, às fls. 456/460: Os referidos autos de infração são decorrentes do procedimento de fiscalização efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização constatou infrações à legislação do Mn E CSLL. A empresa, tributada com base no lucro real, segundo suas Diffs, devidamente intimada, deixou de apresentar os livros e documentos de sua escrituração, ensejando então o ARBITRAMENTO DO LUCRO, nos termos do artigo 47 da Lei 8.981/95 e art. 530 do RIR/99, sendo utilizado corno base a receita operacional de revenda de mercadorias. Inconformada a empresa apresentou a impugnação de folha 73, argumentando, em epítome, o seguinte: Que o arbitramento do lucro tem caráter essencialmente sancionatório, o que é vedado pelo artigo 3° do CTN que veda a utilização de tributo com efeito de sanção. Diz que o arbitramento poderá reduzir a pó qualquer negócio empresarial e que tem o Poder Judiciário bem como os Órgãos Administrativos de julgamento afastado o referido método de tributação que deve ser o último recurso quando não há como mensurar o lucro e que deve ser utilizado com parcimónia. Cita decisões administrativas e doutrina. Que a autuação se deu de forma açodada, não tendo a fiscalização realizado nenhum trabalho investigatorio, como seria de sua obrigação, sendo o trabalho realizado insuficiente para evidenciar qualquer irregularidade fiscal, inquinando o lançamento de incerteza. Todas as notificações para apresentação dos livros e documentos foram enviadas para o contador para atendimento e que não sabe porque isso não ocorreu. Não tendo portanto o fisco Federal a capacidade de presumir a dita recusa por parte da pessoa jurídica. 3 O arbitramento afronta a capacidade contributiva do contribuinte, e que a exigência feita agravaria a situação financeira da empresa. Diz que a escrituração existe e pede perícia. A 33 Turma da DRJ em Recife/PE analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 13.393, de 23/09/2005 (fls. 424/442), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: ARBITRAMENTO DO LUCRO COM BASE NA RECEITA BRUTA CONHECIDA. A falta de apresentação, por parte da pessoa jurídica, à autoridade tributária, dos livros e documentos da sua escrituração comercial e fiscal a que estava obrigada, ou do livro Caixa, enseja o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: Tributação Reflexa - CSLL. O entendimento adotado relativamente ao auto reflexo acompanha o do principal, em vista da íntima relação de causa e efeito existente entre eles. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: IMPUGNAÇÃO. ÓNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelojulgador administrativo. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAçÃo. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. Ciente da decisão de primeira instância em 26/01/2006, conforme Aviso de Recebimento à fl. 445, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 01/03/2006 conforme carimbo de recepção à folha 447. No recurso interposto (fls. 448/450), a recorrente aduz os seguintes argumentos: 4 Processo n°14800331/202-1! SI-C3TI Acórdão ri! 1301-00.274 Fl. 3 O arbitramento é muito elevado, chegando a carga tributária a mais de 30% da receita bruta arbitrada o que seria impossível atender como base de cálculo tributária. Essa seria uma forma de encenar a empresa, ferindo os princípios da razoabilidade e da capacidade contributiva. Diz que o Conselho de Contribuintes vem decidindo que o arbitramento não pode ser uma forma de sanção, mas como última forma, ponderada sem exageros de apuração de seu resultado, cita AC CSRF/01-0123/81. Requer, então, a revisão do arbitramento "no sentido de buscar uma base de cálculo para o Lucro Real que seja compatível com o que foi declarado através das IRPJ e DIPJ, anexa aos autos, relativas aos exercícios 1998/1999, configurando-se em uma base de cálculo arbitrada dentro do que seria o razoável para a Recorrente". Em 25 de maio de 2006 o processo foi levado a julgamento perante a 5' Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, tendo sido então prolatado o acórdão n° 105-15.746 (fls. 456/460). Por unanimidade de votos, o colegiado deixou de conhecer do recurso, por considera-lo perempto, à luz do prazo estabelecido pelo art. 33 do Decreto n° 70.235/1972. O contribuinte ingressou com Pedido de Reconsideração cumulado com Pedida de Correção por Lapso Manifesto (fls. 465/466), em que buscou demonstrar a tempestividade de seu recurso voluntário. Tal pedido não foi conhecido pelo Sr. Presidente da 5' Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, por falta de previsão regimental (Despacho Pres n° 105-338/2006, fls. 475/476). O contribuinte apresentou Embargos (fls. 481/483) ao Despacho Pres n° 105- 338/2006. Esses embargos foram indeferidos pelo Sr. Presidente da 5' Câmara do I° Conselho de Contribuintes (vide Despacho à fl. 487v). Inesignada, a interessada ingressou com Mandado de Segurança em defesa de seus direitos (petição inicial acostada, por cópia, às fls. 533/538), obtendo, afinal, a decisão do Tribunal Regional Federal da 5' Região na Apelação em Mandado de Segurança n° 99599 PE (2007.83.00.005246-8), às fls. 539/543. Referida decisão foi assim ementada, na parte que interessa ao presente processo: EMENTA: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. F.1 RECURSO ADMINISTRATIVO. PONTO FACULTATIVO, INTEMPESTIPMADE. INEXISTÊNCIA. F-1 3. A decisão do Conselho de Contribuintes que apreciou o pedido de reconsideração, considerando ainda perempto o recurso da impetrante, por entender que a segunda-feira de carnaval houve expediente normal, incorreu em manifesto equivoco, dado que tal dia representou ponto facultativo na repartição pública em que corria o processo, conforme Portaria n e) 971 do Ministério do Planejamento, de 8 de novembro de 2005, acostada aos autos pela impetrante, Nesse caso, a prorrogação do prazo recursal até o primeiro dia útil imediato (I° de março de 2006) é medida que se impõe, sob pena de cercear o direito de defesa da impetrante. Ao final (fl 543), assim se manifestou o MM Juiz Relator, acompanhado à unanimidade pelos membros da P Turma do TRF da 5' Região: Com essas considerações, dou provimento à apelação para, reformando a sentença, conceder a segurança pleiteada, determinando: a) ao presidente da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que receba e conheça como tempestivo o recurso administrativo voluntário interposto pela impetrante às fls. 39/42, protocolado no dia 01 de março de 2006, fls. 445/448, dos autos do processo administrativo no 10480.003318/2002-11; b) ao Delegado da Receita Federal em Recife que suspenda os efeitos da Intimação no 217/2007/SECAT, datada de 06 de março de 2007, fls. 57, até o deslinde do referido processo administrativo. É o Relatório. Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA A tunpestividade do recurso voluntário interposto é matéria que não mais admite discussão, em face do Acórdão da P Turma do TRF da 5' Região, mencionado no relatório que antecede este voto. Desta forma, em cumprimento da decisão judicial na parte que compete a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tenho o recurso por tempestivo e dele conheço. No mérito, os argumentos da recorrente se resumem à inconformidade com o valor do lançamento, o qual reputa "muito elevado", a ponto de ferir os princípios da razoabilidade e da capacidade contributiva. Segundo a jurisprudência administrativa que menciona, o arbitramento não poderia ser aplicado como sanção, mas tão somente como última alternativa, sem exageros. No caso sob discussão, compulsando os autos, especialmente a fl. 08, constato que o arbitramento foi feito com fulcro no inciso III do art. 530 do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda — RIR199), cuja base legal é o art. 47 da Lei n° 8.981/1995. Eis o mencionado artigo do RIR/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano- calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n2 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n 2 9.430, de 1996, art. 1): f.„7 III - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. .527; E a previsão legal se amolda perfeitamente aos fatos que se verificaram no decorrer do procedimento fiscal, quando foram lavrados numerosos termos de intimação para a apresentação dos livros e documentos a que estaria obrigada a então fiscalizada, sem atendimento. Tais termos se encontram, por cópia, às fls. 32/33, 37, 39, 40, 41 e 42, no período entre 09/07/2001 e 22/03/2002. Ou seja, seis termos de intimação ao longo de oito meses, sem Processo n° 10480.003318/2002-11 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.274 Fl. 4 que os livros indispensáveis ao trabalho fiscal houvessem sido apresentados, e sem qualquer justificativa para tanto. Finalmente, os autos de infração foram lavrados e cientificados ao sujeito passivo em 26/0312001 Constato, assim, que o arbitramento foi utilizado pelo Fisco como última alternativa, em face da não apresentação de livros que permitissem a apuração do resultado tributável por outra forma, e livre de quaisquer exageros. Não se tratou de punição, como pretende a recorrente, mas de forma de apuração do lucro, adotada somente após esgotadas as alternativas disponíveis. E as reclamações quanto ao "elevado valor" do lançamento não podem ser aceitas, visto que a receita bruta foi apurada com base em demonstrativos preenchidos pela própria pessoa jurídica e entregues ao Fisco, os quais, diga-se de passagem, não são objeto de questionamento. Além disto, o percentual utilizado para o cálculo (9,6%) é aquele previsto em lei para a atividade comercial da interessada. Também a aliquota do imposto é a de lei, bem assim os acréscimos legais. Desta forma, os reclamos da recorrente se mostram insubsistentes e não devem ser acolhidos. Quanto à alegada ofensa aos princípios da razoabilidade e da capacidade contributiva, tais princípios devem nortear o legislador, não cabendo à autoridade fiscal qualquer discricionariedade nesse sentido, devendo ater-se de forma vinculada ao que dispõe a lei, sob pena de responsabilidade funcional, conforme art. 142 do Código Tributário Nacional. Finalmente, quanto ao pedido de que o lançamento seja revisto no sentido de compatibilizá-lo com as DIPJ, anexas aos autos, relativas aos exercícios 1998/1999, tal pedido se mostra descabido por dois motivos. Em primeiro lugar, porque o lançamento foi feito em cumprimento das disposições legais pertinentes, conforme anteriormente demonstrado, e qualquer "revisão" ou "compaabilização", no sentido pretendido pela recorrente, seria manifestamente ilegal. Em segundo lugar, porque o presente lançamento se reporta aos exercícios de 2000 e 2001, respectivamente anos-calendário 1999 e 2000, e as DIPJ mencionadas pela recorrente, acostadas aos autos às fls. 64/95 e 96/150, se referem aos exercícios de 1998 e 1999, respectivamente anos-calendário 1997 e 1998; como se vê, nenhuma relação guardam com o presente lançamento. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. WAIl.--L- 2-2A ()CNA - Relator 7
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Numero do processo: 10715.007003/2009-18
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 07/06/2005, 09/06/2005, 12/06/2005, 21/06/2005, 28/06/2005
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo-se o instituto da denuncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recuso voluntário.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flavio de Castro Pontes
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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AVIANCA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 07/06/2005, 09/06/2005, 12/06/2005, 21/06/2005, 28/06/2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendose o instituto da denuncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recuso voluntário. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 70 03 /2 00 9- 18 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007003/200918 Acórdão n.º 3801005.267 S3TE01 Fl. 14 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flavio de Castro Pontes Fl. 231DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007003/200918 Acórdão n.º 3801005.267 S3TE01 Fl. 15 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo, contra o acórdão julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), em sessão julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou: O presente processo trata da exigência do valor consubstanciada no auto de infração referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em I994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados no Aeroporto Intemacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concementes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo “AUTO DE INFRAÇÃO , descumprindo, portanto, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/94, alterado pelo artigo 1° da IN/SRF 510/05, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/94, considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação acompanhada dos documentos para alegar, em síntese, que: a autoridade lançadora utilizou norma posterior à ocorrência dos fatos geradores para aplicar a multa ora impugnada; a manutenção da cobrança da multa vai de encontro aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da isonomia, que devem ser observados pela Administração Pública, uma vez que a própria impugnante prestou todas as informações devidas e de forma espontânea; os voos foram devidamente informado no sistema Mantra antes da efetiva chegada da aeronave, logo as respectivas cargas e desconsolidações foram registradas dentro do prazo estabelecido na legislação de regência, mediante a confecção do Termo de Entrada; não obstante tenha efetuado tempestivamente todos os respectivos registros, sua averbação ocorreu efetivamente depois Fl. 232DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007003/200918 Acórdão n.º 3801005.267 S3TE01 Fl. 16 4 do prazo legal de dois dias, tendo em vista a ocorrência de problemas práticos quando da inserção dos dados no Siscomex, seja porque não obteve acesso imediato ao referido sistema, por se encontrar “fora do ar” no momento da inserção dos referidos dados, obrigandoa a diversas tentativas; ou porque houve a necessidade de respectivos dados serem retificados, ocasionando 0 atraso nas suas respectivas averbações; em diversos embarques de mercadorias, as informações (dados) foram inseridas tempestivamente no Siscomex no primeiro ou segundo dia útil subsequente ao fim de semana, conforme referidos embarques tenham sido efetuados na quintafeira, sextafeira, sábado ou domingo da semana imediatamente anterior ou em curso; conforme acima verificado, o sistema constantemente apresenta irregularidades, razão pela qual se toma imperioso o cancelamento dos lançamentos constantes do Auto de Infração, porquanto, a impugnante não pode se responsabilizar por problemas e/ou falhas alheias a sua vontade, ainda mais que procedeu com todos os registros referentes aos embarques, dentro do prazo legal, sob pena de violar o ordenamento jurídico, notadamente, o princípio da razoabilidade, bem assim, aos demais princípios que norteiam os atos administrativos em geral, dandolhes legitimidade e validade; a manutenção dos presentes lançamentos também importará na violação ao princípio da isonomia, uma vez que estará a impugnante em situação de desvantagem em relação a demais empresas que efetuaram os registros e não enfrentaram os mesmos problemas existentes no sistema de registro de informações (Siscomex); pelo fato de nunca ter deixado de cumprir com suas obrigações principais e acessórias, notadamente as relacionadas à obrigatoriedade da realização dos referidos registros, a manutenção da penalidade, igualmente, viola o princípio da boa fé; ainda que os registros dos embarques constem no sistema com data posterior ao prazo de dois dias do embarque, tal circunstância não invalida o fato de que a impugnante efetivamente os efetuou, razão pela qual não há falar em infrações cometidas, e tampouco, aplicar a multa do artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei 37/66. Por todo exposto, requer seja acolhida a presente defesa e, por conseguinte, seja reconhecida a insubsistência das infrações lavradas, declarandose o cancelamento do Auto de Infração e, por conseguinte, desconstituído o crédito tributário apurado. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa abaixo transcrita: Fl. 233DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007003/200918 Acórdão n.º 3801005.267 S3TE01 Fl. 17 5 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DI: DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 07/06/2005, 09/06/2005, 12/06/2005, 21/06/2005, 28/06/2005 INFRAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. PROVA. ÔNUS. Alegação prestada pelo autuado, na fase impugnatória, constitui simples enunciação de fato dependente de prova, feita por meio regular, cujo ônus em produzila compete ao interessado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/06/2005, 09/06/2005, 12/06/2005, 21/06/2005, 28/06/2005 ARGU1ÇÓES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCO1VRI>ETENCIA DAS 1NSTANCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇAO. Não compete às autoridades administrativas proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria sob apreço, posto que essa atividade é de competência exclusiva do Poder Judiciário; logo resta incabível afastar sua aplicação, sob pena de responsabilidade funcional. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2005, 09/06/2005, 12/06/2005, 21/06/2005, 28/06/2005 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. DENUNCIA ESPONTANEA. OERIGAÇÃO ACESSORIA AUTONOMA. NATUREZA OBJETIVA DA INFRAÇÃO. O instituto da denúncia espontânea, não alcança as penalidades aplicadas em razão do descumprimento de obrigações acessórias autônomas, como é o caso da informação dos dados de embarque de mercadoria destinada à exportação, prestada fora do prazo estabelecido normativamente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, infração essa que tem natureza objetiva e cuja sanção colima disciplinar o cumprimento tempestivo da obrigação acessória por parte dos transportadores e seus representantes. DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007003/200918 Acórdão n.º 3801005.267 S3TE01 Fl. 18 6 PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEICULO TRANSPORTADOR. A penalidade que comina a prestação intempestiva de informação referente aos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação é aplicada por viagem do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 O ordenamento jurídico veda ao Poder Público o poder de tributar patrimônio, de modo a impossibilitar a sua manutenção pelo particular ao inviabilizar o uso econômico a que se destine, ressalvadas as exceções previstas constitucionalmente; 2 Se os lançamentos efetuados, pela Recorrida, forem considerados válido, ocorrerá também a violação ao princípio da isonomia; 3 Ocorrerá a violação do princípio da boa fé que deve sempre ser preservado, ainda mais considerando que a recorrente, nunca deixou de cumprir com as suas obrigações principais e acessórias; 4 Mesmo que os registros referentes as informações dos embarques pareçam no Sistema, com data posterior ao prazo de dois dias da realização daqueles, isso não invalida o fato de que a Recorrente realmente realizou todos os registros ; 5 Não há que se falar em infrações cometidas e tampouco na aplicação de multa, imposta pela recorrida, conforme disposto no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto –Lei nº 37/66 ; 6 A lei aplicável deve sempre ter sido publicada anteriormente a ocorrência do Fato Gerador para que possa surtir efeitos no ordenamento jurídico, razão pela qual não poderá ser aplicada a IN/SRF nº 510/2005; 7 A Receita Federal se manifestou no sentido de que “a alteração dos dados de registro de embarque no Siscomex não constitui hipótese de aplicação de multa por embaraço à atividade de fiscalização aduaneira”. É o sucinto relatório. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007003/200918 Acórdão n.º 3801005.267 S3TE01 Fl. 19 7 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Denúncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de nº 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que embora não tenha sido objeto de defesa no presente recurso voluntário, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea, matéria de ordem pública que deve ser ponderada. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Consultados os autos, nas planilhas apresentadas pela fiscalização é possível verificar que as declarações foram entregues, todavia em atraso de no máximo 03 (três) dias, não configurando dano algum ao Erário. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Fl. 236DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007003/200918 Acórdão n.º 3801005.267 S3TE01 Fl. 20 8 “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser Fl. 237DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007003/200918 Acórdão n.º 3801005.267 S3TE01 Fl. 21 9 excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007003/200918 Acórdão n.º 3801005.267 S3TE01 Fl. 22 10 Nulidade do auto de infração Entendo que não assiste razão o recorrente na sua insurgência sobre a nulidade do auto de infração por não bem comprovar a conduta da recorrente. A fiscalização apresentou a planilha contendo o número das declarações, a data do embarque a data em que foi enviada a declaração e a que voo pretendia, não se olvidando que estas informações são feitas de forma eletrônica e pelo próprio recorrente. Nestes termos, não havendo o recorrente comprovado que de fato as datas de envio não seriam aquelas que apontados pelo fisco, não logrou êxito em desincumbirse do ônus de comprovar a tempestividade das emissões, por força do art. 333, II, do CPC. Ausência de Dano ao Erário Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Multa Singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra as declarações expedidas as destempo em cada uma das viagens de voo declarações de forma extemporânea, evocando o princípio da razoabilidade de proporcionalidade. Neste ponto, entendo que não há maculas o julgado da DRJ, posto que determinou que em cada voo cujas declarações tenham sido expedidas com atraso deveria ser aplicada multa apenas na proporção de viagens, respeitando a proporcionalidade e razoabilidade ao contrario do que afirma o recorrente. Neste sentido, entendo por interpretar a norma de forma mais favorável sem infringir a legalidade ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza d penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comendo, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Fl. 239DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007003/200918 Acórdão n.º 3801005.267 S3TE01 Fl. 23 11 Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, conforme julgou a primeira instância. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para dar provimento ao recurso voluntário, no sentido de reconhecer que uma vez apresentada a declaração está explicita a denúncia espontânea, motivadora da exclusão da multa regulamentar. (assinatura digital) Fl. 240DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007003/200918 Acórdão n.º 3801005.267 S3TE01 Fl. 24 12 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 241DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 19515.001081/2010-73
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: NORMAS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARA SANAR OMISSÃO PRESENTE.
Constatada a existência de contradição ou dúvida quanto aos fundamentos do voto condutor do aresto, acolhem-se os embargos para fins sanar e esclarecer a decisão.
INEXIGIBILIDADE DE MULTA E JUROS. NORMAS COMPLEMENTARES. PRÁTICA REITERADA DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. DECISÕES DO CARF SEM EFICÁCIA NORMATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
As decisões do CARF não caracterizam prática reiterada da administração tributária, nos termos tratados no inciso III do art. 100 do CTN, uma vez que, no inciso II do mesmo dispositivo legal resta evidente que somente as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa a que a lei atribua eficácia normativa podem ser considerados normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos.
Embargos Rejeitados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.867
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por acolher os embargos de declaração para, no mérito, por maioria de votos, rejeitá-lo e ratificar a decisão para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : NORMAS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARA SANAR OMISSÃO PRESENTE. Constatada a existência de contradição ou dúvida quanto aos fundamentos do voto condutor do aresto, acolhem-se os embargos para fins sanar e esclarecer a decisão. INEXIGIBILIDADE DE MULTA E JUROS. NORMAS COMPLEMENTARES. PRÁTICA REITERADA DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. DECISÕES DO CARF SEM EFICÁCIA NORMATIVA. IMPOSSIBILIDADE. As decisões do CARF não caracterizam prática reiterada da administração tributária, nos termos tratados no inciso III do art. 100 do CTN, uma vez que, no inciso II do mesmo dispositivo legal resta evidente que somente as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa a que a lei atribua eficácia normativa podem ser considerados normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos. Embargos Rejeitados. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por acolher os embargos de declaração para, no mérito, por maioria de votos, rejeitá-lo e ratificar a decisão para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva.
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Numero do processo: 10830.004489/99-38
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINSOCIAL. ALÍQUOTA ACIMA DE 0,5%. ATIVIDADE MISTA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE.
Em face da inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Federal Federal (STF) e do disposto no art. 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, a pessoa jurídica que auferiu receita de natureza mista (atividade comercial e de prestação de serviços), no período de setembro de 1989 a março de 1992, faz jus a devolução da parcela da contribuição para o Finsocial recolhida acima da alíquota de 0,5% (meio por cento).
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE PLEITEAR À REPETIÇÃO DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA NA ESFERA ADMINISTRATIVA. MATÉRIA NÃO APRECIADA
A matéria atinente a decadência do direito de pleitear a restituição dos referidos indébitos tributários, não foi analisada no presente julgado, haja vista que contraditório sobre o assunto já foi objeto de decisão definitiva na esfera administrativa, conforme consignado no Acórdão da Terceira Turma
da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) n° 03-05.073.
TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL. CRÉDITO E DÉBITO DE DIFERENTES ESPÉCIES. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA MEDIANTE REQUERIMENTO. POSSIBILIDADE.
No período de 08/10/1999 a 15/05/2000, era passível de compensação, mediante requerimento do sujeito passivo, os créditos tributários passíveis de restituição com débitos de quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da extinta Secretaria da Receita Federal (SRF) e de titularidade
do requerimento, ainda que não fossem da mesma espécie nem tivessem a mesma destinação constitucional (inteligência do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em sua redação originária, combinado com o disposto no art. 12 da Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 de março de
1997).
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-000.596
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992• CONTRIBUIÇÃO PARA O FINSOCIAL. ALÍQUOTA ACIMA DE 0,5%. ATIVIDADE MISTA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Em face da inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Federal Federal (STF) e do disposto no art. 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, a pessoa jurídica que auferiu receita de natureza mista (atividade comercial e de prestação de serviços), no período de setembro de 1989 a março de 1992, faz jus a devolução da parcela da contribuição para o Finsocial recolhida acima da alíquota de 0,5% (meio por cento). INDÉBITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE PLEITEAR À REPETIÇÃO DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA NA ESFERA ADMINISTRATIVA. MATÉRIA NÃO APRECIADA. A matéria atinente a decadência do direito de pleitear a restituição dos referidos indébitos tributários, não foi analisada no presente julgado, haja vista que contraditório sobre o assunto já foi objeto de decisão definitiva na esfera administrativa, conforme consignado no Acórdão da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) n° 03-05.073. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL. CRÉDITO E DÉBITO DE DIFERENTES ESPÉCIES. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA MEDIANTE REQUERIMENTO. POSSIBILIDADE. No período de 08/10/1999 a 15/05/2000, era passível de compensação, mediante requerimento do sujeito passivo, os créditos tributários passíveis de restituição com débitos de quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da extinta Secretaria da Receita Federal (SRF) e de titularidade do requerimente, ainda que não fossem da mesma espécie nem tivessem a mesma destinação constitucional (inteligência do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em sua redação originária, combinado com o disposto no art. 12 da Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 de março de 1997). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Luis- rcet6 Guerra de Castro - Presidente , --JustFernandes do Nascimento - Relator EDITADO EM: 01/03/2010 \ Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Nilton Luiz Bartoli. Relatório Trata-se de pedido de restituição da Contribuição para o Fundo de Investimento Social (Finsocial), protocolado na Unidade de origem em 17 de junho de 1999 (fl. 01), em que é pleiteado a devolução da parcela do valor da referida Contribuição recolhido acima da alíquota de 0,5% (meio por cento), referente ao período de apuração de setembro de 1989 a março de 1992. A interessada fundamentou pedido em referência com base na seguinte alegação, in verbis: RECOLHIMENTOS INDEVIDOS ACIMA DA ALÍQUOTA DE 0,5%, DA CONTRIBUIÇÃO PARA O "FINSOCIAL" DO PERÍODO DE SETEMBRO/89 A MARÇO/92, EM VIRTUDE DA INCONSTITUICIONALIDADE JULGADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, COM EFEITOS "erga omnes": A MEDIDA PROVISÓRIA N° 1.110/95 (DOU 31/08/95); PARECER COSIT N°58/98 E A NORMA DE EXECUÇÃO N° 08/97. O presente pedido veio instruído com o Demonstrativo dos supostos indébitos fiscais (fls. 02/04) e os Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), referentes aos pagamentos do período de agosto de 1989 a março de 1992 (fls. 14/31). No período de 08/10/1999 a 15/05/2000, foram apresentados os Pedidos de Compensação de fls. 82, 87, 93, 97, 104, 113 e 121, cujos originais foram trasladados deste para o processo n° 10830.000618/2001-40, para fins de cobrança dos débitos relacionados nos citados Pedidos de Compensação, conforme extrato e despachos de fls. 141/144. 2 Processo n° 10830.004489/99-38 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.596 Fl. 294 Por meio do Despacho Decisório de fls. 128/129, o pleito da interessada foi indeferido, sob o fundamento de que ocorrera a decadência do direito de repetição dos supostos indébitos. Inconformada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 131/140 perante a DRJ/Campinas. Por meio do Acórdão de fls. 145/154, a 5a Turma dessa DRJ, por unanimidade de votos, sob mesmo fundamento apresentado no citado Despacho Decisório, manteve o indeferimento da solicitação de restituição e/ou compensação. Descontente com o teor do referido Acórdão, em 28/03/2002, a interessada apresentou o recurso Voluntário de fls. 157/165. No termos do Acórdão n° 302-36.434 (fls. 171/173), proferido em 19/10/2004, decidiu a Segunda Câmara do Teceiro Conselho de Contribuinte, por maioria de votos, reformar o Acórdão de primeiro grau, para afastar a decadência alegada e devolver os autos à DRJ de origem para novo julgamento. Irresignada com a Acórdão de segundo grau, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) o recurso especial de fls. 175/183. Por meio do Despacho de fls. 184/186 foi admitido o recurso da Fazenda Nacional e determinado o envio dos autos à Unidade de preparo, para ciência da interessa, oportunizando-lhe o oferecimento de contra-razões. Em 07/03/2006, a interessada apresentou as contra-razões de fls. 190/203. A Terceira Turma da Câmara Superior, na sessão de 06/11/2006, proferiu o Acórdão n° CSRF/03-05.073 (fls. 207/246), em que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial, mantendo a decisão de 2° grau recorrida. Remetidos os autos à Unidade de origem, em 03 de julho de 2007, foi prolatado novo Despacho Decisório (fls. 253/254-verso), indeferindo o pedido da interessada e não reconhecendo o direito creditório pleiteado, desta feita com base no argumento de que a contribuinte exercia atividade exclusivamente prestadora de serviços. Cientificada deste último Despacho em 19/07/2007, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 258/266, na qual alega, preliminarmente, que não tendo havido manifestação do Fisco em relação às razões de mérito, a matéria se tomou preclusa. No mérito, alega, em suma, que, para a correta classificação da empresa na atividade exclusivamente prestadora de serviços, mercantil ou mista, é necessário verificar se, de fato, a empresa exercia atividade exclusiva de prestação de serviços ou se, juntamente com a prestação de serviços, ocorria também o fornecimento de materiais. Aduz ainda a manifestante que a aplicação de alíquotas diferenciadas para empresas comerciais e prestadoras de serviços fere os princípios da igualdade, da razoabilidade, da proporcionalidade e da capacidade contributiva, já que passaria a existir para tais empresas um tratamento tributário desigual. A 3a Turma da DRJ Campinas/SP, na sessão de 28/01/2008, por unanimidade de votos, decidiu manter o indeferimento do pleito da interessada, conforme consignado no Acórdão de n° 05-20.913 (fls. 275/280), assim ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU. CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 MATÉRIA NÃO TRATADA NA DECISÃOADMINISTRATIVA. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Nada obsta que a autoridade administrativa, no exercício de sua competência, se manifeste sobre razões de mérito do pedido de restituição que deixaram de ser apreciadas em face de 7 preliminar, inicialmente reconhecida no despacho de 40,1( 3 indeferimento, depois afastada por decisão de instância superior. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade administrativa que indeferir o pedido de restituição provar a ocorrência do fato que obsta o acolhimento da pretensão. Ao sujeito passivo cabe comprovar efetivamente a existência do direito reclamado. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindo-se a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. Solicitação Indeferida. Em 24/03/2008, a interessada foi cientificada do Acórdão de fls. 275/280. Inconformada, em 15/04/2008, protocolou na Unidade preparadora o recurso de fls. 282/291, em que reapresenta os mesmos argumentos aduzidos na Manifestação de Inconformidade de fls. 258/266. É o Relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e versa sobre matéria tributária da competência julgadora deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. I- Da preliminar. Em sede de preliminar, alega a recorrente que, desde a primeira decisão, o Fisco não analisou ou contestou o mérito do pedido de restituição/compensação, argumentando tão-somente acerca da decadência do direito de restituição em tela, logo, não havendo manifestação em relação às razões de mérito na época oportuna, entende que a matéria se tornou preclusa, não devendo ser reconhecida em nível recursal. Esclareça-se, previamente, que o Despacho Decisório de fls. 253/255, bem como Acórdão de fls. 275/280, objeto do presente recurso, foram proferidos em cumprimento a decisão da Terceira Tunna da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) que, acatando o voto da lavra do relator do Acórdão CSRF n° 03-05.073 (fls. 207/246), nobre Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e manteve a decisão recorrida que afastara a decadência do direito da recorrente de pleitear a restituição/compensação em tela, e determinou o retomo dos presentes autos à primeirars instância, para que, em prestígio ao principio do duplo grau de jurisdição e para que não . \n„ Processo n° 10830.004489/99-38 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.596 Fl. 295 houvesse supressão de instância, fossem analisados os demais pressupostos formais atinentes aos pedidos de restituição/compensação colacionados aos autos, em especial, os seguintes pontos, a seguir transcritos, in verbis: (..) a subsunçã o das atividades comerciais desenvolvidas pelo contribuinte àquelas sobre as quais pairou a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no julgamento do RE n° 150.764-PE, aferição dos cálculos apresentados, eventual existência de ações judiciais com desfecho favorável à Fazenda Nacional cuidando dos mesmos créditos, entre outros. Assim, afastada pela instância especial a prejudicial de mérito suscitada pelas decisões de primeira instância, a elas retornaram os autos para que nova decisão fosse proferida, com vista à analise das questões de mérito pertinentes aos pedidos em referência. Em cumprimento ao que fora determinado pela E. Terceiro Tulliia da CSRF, a autoridade administrativa da Unidade de origem, conforme consignado no Despacho Decisório de fls. 253/255, não reconheceu o direito creditório pleiteado nos presentes autos, desta feita, com o argumento de que a interessada exercia atividade exclusivamente prestadora de serviços, em relação a qual, a majoração da alíquota da contribuição para o Finsocial fora declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Da mesma forma, com base no mesmo fundamento, manteve a Terceira Tutina da DRJ recorrida o não reconhecimento do direito creditório, ratificando o que fora decidido no citado Despacho Decisório. Desse modo, fica evidente que, o motivo que conduziu ao novo indeferimento dos pedidos de restituição/compensação em apreço, diz respeito à matéria de mérito ainda não submetida ao crivo desta instância julgadora. Ademais, o art. 17 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com a nova redação da pela Lei n0 9.532, de 1997, em que se baseou a recorrente, trata da preclusão de matéria não impugnada na esfera do processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários, matéria distinta da abordada nos presente processo. Por outro lado, o assunto versado no presente litígio diz respeito ao indeferimento do pedido de restituição cumulado com pedido de compensação, motivado por inexistência do crédito, de acordo com o motivo acima apontado, cujo contraditório teve início com a manifestação de inconformidade do sujeito passivo, nos termos do § 9° do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a nova redação dada pela Lei n° 10.833, de 2003. Assim, o presente contraditório foi inaugurado a partir da apresentação pela recorrente da Manifestação de Inconformidade de fls. 258/266, que deu origem a decisão objeto do presente recurso voluntário. Dessa forma, concessa venha, inexiste no presente caso a preclusão administrativa suscitada pela recorrente. Por tal razão, rejeito a preliminar alegada. II- Do mérito. No mérito, o cerne da presente controvérsia diz respeito ao fato de a recorrente exercer ou não atividade econômica exclusivamente prestadora de serviços. Trata- se, portanto, de matéria de fato a ser desvelada mediante prova hábil e idônea. , Neste sentido, ante a ausência de outros elementos probatórios colacionados aos autos, utilizarei das informações constantes das cópias das Declarações de Rendimentos da Pessoa Jurídica (DIRPJ) dos exercícios de 1989 a 1993, períodos de 01/01/1988 a 31/12/1992 (fls. 32/75), das Guias de Apuração do ICM dos meses de setembro de 1989 a dezembro de 1989 (fls. 39/42) e das cópias das folhas do livro Registro de Apuração do IPI n° 02 (fls. 44/51), referentes aos meses de setembro a dezembro de 1989. Analisando as informações constantes do DEMONSTRATIVO DA RECEITA LIQUIDA (quadro 10) da DIRPJ do exercício de 1992, período de 01/01/1991 a 31/12/1991 (fls. 67v), verifico que constam dos itens Receita da Venda no Mercado Interno de Produtos de Fabricação Própria (linha 05) e Receita da Prestação de Serviços (Linha 07), respectivamente, os valores de Cr$ 11.732.342,00 e Cr$ 141.084.302,00. Ainda com base nas informações do DEMONSTRATIVO DA BASE DE CÁLCULO DO LUCRO PRESUMIDO (quadro 09) da DIRPJ do exercício de 1993, período de 01/01/1992 a 31/12/1992, verifico que constam do subquadro RECEITA BRUTA OPERACIONAL, nos itens Receita Tributada a 3,5% (Venda de Produtos de Fabricação Própria) e Tributada a 30% (Prestação de Serviços), respectivamente, os valores totais de Cr$ 286.668.188,00 e Cr$ 2.181.138.477,00. Além dos elementos probatórios retromencionados, que demonstram que a receita obtida pela recorrente, relativa ao período de apuração de setembro de 1989 a março de 1992, era proveniente da venda de produtos de fabricação própria e da prestação de serviços, ou seja, atividade mista, corroboram para a mesma conclusão, o fato dela ter utilizado no recolhimento da contribuição para o Finsocial o código de receita 6120, destinado às empresas que na época tinham receitas decorrentes da atividade de venda de mercadorias/produtos de fabricação própria ou atividade mista, ou seja, além da receita proveniente da venda de mercadorias/produtos também receita da prestação de serviços. Esclareça-se, por oportuno, que os recolhimentos da contribuição para o Finsocial das pessoas jurídicas exclusivamente prestadoras de serviços eram realizados no código receita 1759. No Despacho Decisório de fls. 253/255, afirma a autoridade fiscal encarregada da análise do pleito em questão que "a interessada era empresa exclusivamente prestadora de serviços, conforme se verifica das declarações de rendimentos e da cláusula II do contrato social, juntado &fl. 07'. Discordo dessa afirmação. As DIRPJ apresentadas pela recorrente, corroborados pelos demais elementos probatórios supramencionados, comprovam que a recorrente auferiu, no período de apuração de setembro de 1989 a março de 1992, receitas provenientes da venda de produtos de fabricação própria e da prestação de serviços, ou seja, no período referenciado, ela exercia atividade econômica de natureza mista. Ratificam esta assertiva, as cópias das Guias de Apuração do ICM de fls. 39/42 e das folhas do livro Registro de Apuração do IPI n° 02, bem como a informação de recolhimento de ICMS registrada nas ditas DIRPJ. O fato do contrato social conter a cláusula, por demais genérica, de que o objeto da sociedade seria "o tratamento e a adequação, por conta própria, de óleos minerais isolantes, usados ou contaminados, de propriedade de terceiros", por si só, não tem o condão de levar a conclusão inexorável de que a recorrente auferiu apenas receitas exclusivamente da atividade prestadora de serviços, como dá a entender autoridade fiscal da Unidade de origem e ,- o relator do voto condutor do Acórdão recorrido da Turma julgadora da DRJ Campinas/SP. Processo n° 10830.004489/99-38 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.596 Fl. 296 A simples existência da referida cláusula contratual, ao meu sentir, não tem o condão de infirmar o conjunto de documentos carreados aos autos pela recorrente, cujas informações levam a confirmação de que a receita por ela obtida, no período em destaque, era de natureza mista, ou seja, da atividade comercial e da prestação de serviços. Ressalto ainda que, caso a autoridade fiscal da Unidade de origem tivesse qualquer dúvida quanto a idoneidade das referidas provas materiais carreadas aos autos, cabia- lhe a iniciativa de providenciar a realização de diligência na escrituração contábil e fiscal da recorrente, com vista a contestação das informações contidas nos documentos colacionados aos autos. A cômoda e simplista conclusão de que a interessada auferiu apenas receitas da prestação de serviços, baseada exclusivamente na citada cláusula contratual, com devido respeito, fere de morte o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. No caso, tratando-se pessoa jurídica que auferiu receita da revenda de mercadorias e mistas, as majorações de aliquotas do Finsocial, decorrentes das Leis n° 7.787, de 30 de junho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e n° 8.147, de 28 de dezembro de 1990, vigentes no período de setembro de 1989 a março de 1992, foram declaradas inconstitucionais pelo STF, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 150.764-1/PE (j. 16/12/1992), cuja ementa segue transcrita: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL - PARÂMETROS - NORMAS DE REGÊNCIA - FINSOCIAL - BALIZAMENTO TEMPORAL. A teor do disposto no art. 195 da Constituição Federal, incumbe à sociedade, como um todo, financiar, de forma direta e indireta, nos termos da lei, a seguridade social, atribuindo-se aos empregadores a participação mediante bases de incidência próprias -folha de salários, o faturamento e o lucro. Em norma de natureza constitucional transitória, emprestou-se ao FINSOCIAL característica de contribuição, jungindo-se a imperatividade das regras insertas no Decreto-lei n.° 1.940/82, com as alterações ocorridas até a promulgação da Carta de 1988, ao espaço de tempo relativo à edição da lei prevista no referido art.. Confiita com as disposições constitucionais - arts 195 do corpo permanente da Carta e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias - preceito de lei que, a título de viabilizar o texto constitucional, toma de empréstimo, por simples remissão, a disciplina do FINSOCIAL. Incompatibilidade manifesta do art. 9° da Lei n° 7.689/88 com o diploma Fundamental, no que discrepa do contexto constitucional. Em relação a matéria, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional foi autorizada a não interpor recurso ou a desistir daqueles interpostos, na hipótese das majorações de aliquotas da contribuição para o Finsocial, conforme disposto no art. 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, decorrente da Medida Provisória n° 1.110, de 30 de agosto de 1995, a seguir transcrito: Art. 19. Fica a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional autorizada a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido 7 interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre.. 1- matérias de que trata o art. 18; II - matérias que, em virtude de jurisprudência pacifica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declarató rio do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 1°. Nas matérias de que trata este art., o Procurador da Fazenda Nacional que atuar no feito deverá manifestar expressamente o seu desinteresse em recorrer. § 2°. A sentença, ocorrendo a hipótese do § 1o, não se subordinará ao duplo grau de jurisdição obrigatório. § 3°. Encontrando-se o processo no Tribunal, poderá o relator da remessa negar-lhe seguimento, desde que, intimado o Procurador da Fazenda Nacional, haja manifestação de desinteresse. § 4°. Fica o Secretário da Receita Federal autorizado a determinar que não sejam constituídos créditos tributários relativos às matérias de que trata o inciso II. No caso, uma vez comprovado que a receita da recorrente, auferida nos períodos de apuração de setembro de 1989 a março de 1992, era de natureza mista, entendo que ela faz jus a devolução da parcela da contribuição para o Finsocial recolhida acima da alíquota de 0,5% (meio por cento). Esclareço, por oportuno, que a matéria atinente a decadência do direito de pleitear a restituição dos referidos indébitos tributários, não será aqui analisada, haja vista que o assunto já foi objeto de decisão definitiva na esfera administrativa, conforme consignado no Acórdão da Terceira Tuniia. da CSRF n° 03-05.073 (fls. 207/246). Entretanto, embora preclusa a matéria na atual fase recursal, quero consignar o ponto de vista pessoal deste Conselheiro, no sentido de que a única foinia de contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos, concernente ao direito de pleitear a restituição do indébito tributário, é a fixada no art. 168, combinado com o disposto no art. 165, ambos do CTN. No que tange aos Pedidos de Compensação do crédito pleiteado com os débitos da contribuição para o PIS e Cofins de fls. 82, 87, 93, 97, 104, 113 e 121, esclareço que eles foram protocolados na Unidade de origem no período de 08/10/1999 a 15/05/2000, quando estava em vigor a redação originária do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, regulamentado pela Instrução Noliiiativa n° 21, de 1997, que vigeu até 30 de setembro de 2002, sendo revogada pela Instrução Noilliativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002, que entrou em vigor em 1° de outubro de 2002. No caso, tratando-se de compensação entre tributos e contribuições de diferentes espécies, o procedimento estava disciplinado no art. 12 da citada Instrução Normativa, cujos excertos relevantes para o presente procedimento compensatório são os seguir transcritos: Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2° e 3°, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, ‘1_y/ Processo n° 10830.004489/99-38 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.596 Fl. 297 serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. § 1° A compensação será efetuada entre quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. (.) § 3 0 A compensação a requerimento, formalizada no "Pedido de Compensação" de que trata o Anexo III, poderá ser efetuada inclusive com débitos vincendos, desde que não exista débitos vencidos, ainda que objeto de parcelamento, de obrigação do contribuinte. (Redação dada pela IN SRF n 2 73/97, de 15/09/1997) § 4° Será admitida, também, a apresentação de pedido de compensação após o ingresso do pedido de restituição ou ressarcimento, desde que o valor ou saldo a utilizar não tenha sido restituído ou ressarcido. § 5° Se o valor a ser ressarcido ou restituído, na hipótese do § 4°, for insuficiente para quitar o total do débito, o contribuinte deverá efetuar o pagamento da diferença no prazo previsto na legislação especifica. § 6° Caso haja redução no valor da restituição ou do ressarcimento pleiteado, a parcela do débito a ser quitado, na hipótese do § 4°, excedente ao valor do crédito que houver sido deferido, ficará sujeita à incidência de acréscimos legais. (.). Dessa forma, como os mencionados Pedidos de Compensação foram formulados de acordo com o que dispunha os citados preceitos legais, o procedimento compesatório deverá ser realizado até o limite do valor crédito apurado, devendo ser observado ainda o estabelecido no art. 13 da referida Instrução Normativa. III- Da conclusão. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, para: a) RECONHECER o direito creditório da interessada a diferença do valor da contribuição para o Finsocial, recolhida acima da aliquota de 0,5% (meio por cento), atinente aos períodos de apuração de setembro de 1989 a março de 1992, cujos valores deverão ser atualizados: (i) até 31/12/1995, segundo os índices fixados na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08, de 27 de junho 1997; e (ii) a partir 01/01/1996, nos termos do § 40 do art. 39 da Lei 9.250, de 1995; e b) HOMOLOGAR a compensação pleiteada nos autos, até o limite do valor do crédito reconhecido no item precedente, devendo, no procedimento compensatório, ser observado o disposto no art. 13 da Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 de março de 1997, vigente na época da r.' foliàulação dos pedidos de compensação em tela. ..,( _ ... .... ---- (,.. < , --------------- --JoSé- Fernandes do Nascimento 's \ --r12,- -
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Numero do processo: 35166.000124/2007-61
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO DECADENCIAL.
A teor da Súmula Vinculante n.º 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2401-003.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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PRAZO DECADENCIAL. A teor da Súmula Vinculante n.º 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 16 6. 00 01 24 /2 00 7- 61 Fl. 11683DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA) em face de seu Acórdão n. 0111.674 que julgou parcialmente procedente o Auto de Infração – AI n. 37.067.7200. O crédito em questão diz respeito à exigência das contribuições dos segurados e das contribuições patronais para a Seguridade Social e para outras entidades ou fundos, incidentes sobre a remuneração paga a empregados. Informase ainda que o lançamento decorreu de ação de revisão de procedimentos fiscais desenvolvida em cumprimento à determinação da 4.ª Vara Federal da Seção Judiciária do Pará. O fisco relata que foram tomados como base de cálculo as remunerações constantes em folhas de pagamento “extra oficiais” e aquelas aferidas indiretamente com base na área e no padrão de obras de construção civil. Apresentada a impugnação, a DRJ afastou em razão da decadência as contribuições relativas ao período de 01/1999 a 09/2001, mantendo o lançamento para a competência 12/2006. Cientificado do acórdão de primeira instância, o sujeito passivo não se manifestou. É o relatório. Fl. 11684DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 35166.000124/200761 Acórdão n.º 2401003.246 S2C4T1 Fl. 11.684 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, posto que o valor exonerado foi de R$ 16.322.946,15 (dezesseis milhões, trezentos e vinte e dois reais, novecentos e quarenta e seis reais e quinze centavos), portanto, acima do valor mínimo fixado pela Portaria MF n.º 03, de 03/01/20081. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há 1 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Fl. 11685DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na situação sob enfoque verificase que o crédito envolve as competências de 01/1999 a 09/2001 e 12/2006. Seja por aplicação da norma do § 4. do art. 150 ou do inciso I do art 173, ambos do CTN, estaria decadente o período de 01/1999 a 09/2001, posto que a ciência do lançamento ocorreu em 11/01/2007. Ao revés, não há o que se falar em decadência para a competência 12/2006. Nesse sentido, não há reparos a se fazer quanto à conclusão do órgão de primeira instância acerca da decadência. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso de ofício. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 11686DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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