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Numero do processo: 19515.002972/2010-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
INTIMAÇÃO. NULIDADE.
Correta intimação ao contribuinte por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário indicado pelo contribuinte, pois está prevista no art. 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997, e pela Lei n° 11.196, de 2005.
ACÓRDÃO 1ª INSTÂNCIA. INOVAÇÃO.
Descabe a acusação de inovação de instância pela decisão de piso, que reconheceu a compensação do prejuízo do período base, bem como a compensação até o limite de 30% do lucro apurado, dos prejuízos acumulados em períodos anteriores; e analogamente, em relação à base de cálculo negativa da CSLL, isto é, reduziu as exigência, e os valores resultantes estão demonstrados no próprio Acórdão.
ACÓRDÃO 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE.
Descabe a arguição de nulidade de decisão de primeira instância, se não se identifica preterição do direito de defesa.
ACÓRDÃO 1ª INSTÂNCIA. INOVAÇÃO.
Descabe a acusação de inovação de instância pela decisão de piso, que reconheceu a compensação do prejuízo do período base, bem como a compensação até o limite de 30% do lucro apurado, dos prejuízos acumulados em períodos anteriores; e analogamente, em relação à base de cálculo negativa da CSLL, isto é, reduziu as exigência, e os valores resultantes estão demonstrados no próprio Acórdão.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Tendo sido os depósitos/créditos recebidos em contas mantidas em instituições financeiras, relacionados de forma individualizada, na intimação, descabe a arguição de cerceamento de defesa.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO.
Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário.
DILIGÊNCIA. INJUSTIFICADA.
Cabe negar o pedido de diligência cujo escopo é o de transferir à Administração Tributária o ônus probatório que é neste caso, encargo do contribuinte.
INTIMAÇÕES AOS PROCURADORES.
Não há previsão legal para que intimações sejam remetidas a representantes legais do contribuinte; determina o Decreto nº 70.235, de 1972.
PARCELAMENTO REFIS LEI Nº 11.941, DE 2009. REABERTURA DE PRAZO PARA OPÇÃO.
Não há na Lei nº 11.941, de 2009, previsão legal para que empresa sob fiscalização, por ocasião do encerramento do prazo para contratar o parcelamento, fosse beneficiada com abertura de prazo extra para poder parcelar o valor da autuação fiscal cientificada após o prazo de encerramento.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA.
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea que fossem valores isentos, já oferecidos à tributação, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte ou de outra origem justificada.
LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada.
EXTRATOS BANCÁRIOS. COERÇÃO.
Descabe a acusação de coerção na obtenção dos extratos bancários pela fiscalização, mediante intimação ao contribuinte que, ato contínuo, os entregou.
CRÉDITOS. MÚTUOS. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE . COMPROVAÇÃO.
As alegações de mútuos recebidos de outra empresa e de não exclusão de transferências entre contas da titularidade da Autuada, deve vir acompanhada de documentos a comprovar o alegado.
PRESUNÇÃO LEGAL.ART. 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. REGIME DE RECONHECIMENTO DA RECEITA OMITIDA
O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira.
AUTUAÇÃO. REGIME DE APURAÇÃO.
A autuação se dá no regime de apuração do lucro, pelo qual o contribuinte realizou a opção.
SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE.
A Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportar-se à legislação então vigente, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em lei editada após aquela data.
PIS/COFINS, SUCATAS, SUSPENSÃO. EXCLUSÃO ICMS DA BASE DE CÁLCULO
Receitas não identificadas não podem se subsumir a legislação específica sobre comércio de sucatas; aa mesma forma, não há evidência e apenas se poderia presumir que tais receitas omitidas foram tributadas pelo ICMS.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
MULTA DE OFÍCIO 75%. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE
Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei.
Numero da decisão: 1201-002.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ACÓRDÃO 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE. Descabe a arguição de nulidade de decisão de primeira instância, se não se identifica preterição do direito de defesa. ACÓRDÃO 1ª INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. Descabe a acusação de inovação de instância pela decisão de piso, que reconheceu a compensação do prejuízo do período base, bem como a compensação até o limite de 30% do lucro apurado, dos prejuízos acumulados em períodos anteriores; e analogamente, em relação à base de cálculo negativa da CSLL, isto é, reduziu as exigência, e os valores resultantes estão demonstrados no próprio Acórdão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tendo sido os depósitos/créditos recebidos em contas mantidas em instituições financeiras, relacionados de forma individualizada, na intimação, descabe a arguição de cerceamento de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. DILIGÊNCIA. INJUSTIFICADA. Cabe negar o pedido de diligência cujo escopo é o de transferir à Administração Tributária o ônus probatório que é neste caso, encargo do contribuinte. INTIMAÇÕES AOS PROCURADORES. Não há previsão legal para que intimações sejam remetidas a representantes legais do contribuinte; determina o Decreto nº 70.235, de 1972. PARCELAMENTO REFIS LEI Nº 11.941, DE 2009. REABERTURA DE PRAZO PARA OPÇÃO. Não há na Lei nº 11.941, de 2009, previsão legal para que empresa sob fiscalização, por ocasião do encerramento do prazo para contratar o parcelamento, fosse beneficiada com abertura de prazo extra para poder parcelar o valor da autuação fiscal cientificada após o prazo de encerramento. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea que fossem valores isentos, já oferecidos à tributação, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte ou de outra origem justificada. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. EXTRATOS BANCÁRIOS. COERÇÃO. Descabe a acusação de coerção na obtenção dos extratos bancários pela fiscalização, mediante intimação ao contribuinte que, ato contínuo, os entregou. CRÉDITOS. MÚTUOS. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE . COMPROVAÇÃO. As alegações de mútuos recebidos de outra empresa e de não exclusão de transferências entre contas da titularidade da Autuada, deve vir acompanhada de documentos a comprovar o alegado. PRESUNÇÃO LEGAL.ART. 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. REGIME DE RECONHECIMENTO DA RECEITA OMITIDA O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. AUTUAÇÃO. REGIME DE APURAÇÃO. A autuação se dá no regime de apuração do lucro, pelo qual o contribuinte realizou a opção. SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. A Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportar-se à legislação então vigente, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em lei editada após aquela data. PIS/COFINS, SUCATAS, SUSPENSÃO. EXCLUSÃO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Receitas não identificadas não podem se subsumir a legislação específica sobre comércio de sucatas; aa mesma forma, não há evidência e apenas se poderia presumir que tais receitas omitidas foram tributadas pelo ICMS. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO 75%. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei.
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NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. INTIMAÇÃO. NULIDADE. Correta intimação ao contribuinte por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário indicado pelo contribuinte, pois está prevista no art. 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997, e pela Lei n° 11.196, de 2005. ACÓRDÃO 1ª INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. Descabe a acusação de inovação de instância pela decisão de piso, que reconheceu a compensação do prejuízo do período base, bem como a compensação até o limite de 30% do lucro apurado, dos prejuízos acumulados em períodos anteriores; e analogamente, em relação à base de cálculo negativa da CSLL, isto é, reduziu as exigência, e os valores resultantes estão demonstrados no próprio Acórdão. ACÓRDÃO 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE. Descabe a arguição de nulidade de decisão de primeira instância, se não se identifica preterição do direito de defesa. ACÓRDÃO 1ª INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. Descabe a acusação de inovação de instância pela decisão de piso, que reconheceu a compensação do prejuízo do período base, bem como a compensação até o limite de 30% do lucro apurado, dos prejuízos acumulados em períodos anteriores; e analogamente, em relação à base de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 29 72 /2 01 0- 47 Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 3 2 cálculo negativa da CSLL, isto é, reduziu as exigência, e os valores resultantes estão demonstrados no próprio Acórdão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tendo sido os depósitos/créditos recebidos em contas mantidas em instituições financeiras, relacionados de forma individualizada, na intimação, descabe a arguição de cerceamento de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. DILIGÊNCIA. INJUSTIFICADA. Cabe negar o pedido de diligência cujo escopo é o de transferir à Administração Tributária o ônus probatório que é neste caso, encargo do contribuinte. INTIMAÇÕES AOS PROCURADORES. Não há previsão legal para que intimações sejam remetidas a representantes legais do contribuinte; determina o Decreto nº 70.235, de 1972. PARCELAMENTO REFIS LEI Nº 11.941, DE 2009. REABERTURA DE PRAZO PARA OPÇÃO. Não há na Lei nº 11.941, de 2009, previsão legal para que empresa sob fiscalização, por ocasião do encerramento do prazo para contratar o parcelamento, fosse beneficiada com abertura de prazo extra para poder parcelar o valor da autuação fiscal cientificada após o prazo de encerramento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea que fossem valores isentos, já oferecidos à tributação, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte ou de outra origem justificada. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. EXTRATOS BANCÁRIOS. COERÇÃO. Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 4 3 Descabe a acusação de coerção na obtenção dos extratos bancários pela fiscalização, mediante intimação ao contribuinte que, ato contínuo, os entregou. CRÉDITOS. MÚTUOS. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE . COMPROVAÇÃO. As alegações de mútuos recebidos de outra empresa e de não exclusão de transferências entre contas da titularidade da Autuada, deve vir acompanhada de documentos a comprovar o alegado. PRESUNÇÃO LEGAL.ART. 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. REGIME DE RECONHECIMENTO DA RECEITA OMITIDA O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. AUTUAÇÃO. REGIME DE APURAÇÃO. A autuação se dá no regime de apuração do lucro, pelo qual o contribuinte realizou a opção. SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. A Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportarse à legislação então vigente, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em lei editada após aquela data. PIS/COFINS, SUCATAS, SUSPENSÃO. EXCLUSÃO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Receitas não identificadas não podem se subsumir a legislação específica sobre comércio de sucatas; aa mesma forma, não há evidência e apenas se poderia presumir que tais receitas omitidas foram tributadas pelo ICMS. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO 75%. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora e Presidente em Exercício. Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 5 4 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata o processo de autos de infração de págs. 545/573, relativos ao anocalendário 2006, no regime do lucro real anual, que exigem: R$2.727.347,48 de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, relativo a: 001 Omissão de Receitas, Depósitos bancários não contabilizados; R$ 990.485,09 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, reflexo da mesma infração; R$836.409,57 de Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, reflexa, incidência nãocumulativa; R$181.588,86 de Contribuição para o PIS, reflexa, incidência nãocumulativa. Todas infrações foram apenadas com multa de ofício de 75%. Os procedimentos de fiscalização e as autuações estão descritos no Termo de Verificação Fiscal TVF, págs. 574/580. 2. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnações específicas para cada auto de infração, págs. 590/640, 708/763, 778/883 e 851/903, julgadas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP DRJ/SP1, que proferiu o Acórdão nº 1630.235, de 15 de março de 2011, págs. 934/984, julgando a impugnação procedente em parte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendario: 2006 PRELIMINAR. NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. INOBSERVANCIA DE PRINCÍPIOS E NORMAS CORRELATAS E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a arguição de nulidade dos lançamentos quando estiverem revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita consonância com as normas de regência, bem assim verificado que o sujeito passivo obteve a ciência de seus termos e assegurado o pleno exercício da faculdade de interposição da peça impugnatória, cujo teor, por sinal, associa questões que visam refutar o mérito da controvérsia, revelando sua absoluta cognição quanto à congruência dos aspectos que nortearam a caracterização das infrações c dos fundamentos legais expressos nos autos de infração. PRELIMINAR. NULIDADE. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. LICITUDE DO PROCEDIMENTO REALIZADO COM BASE EM EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO CONTRIBUINTE. Subsistindo procedimento de fiscalização legalmente instaurado perante o sujeito passivo, o acesso às movimentações financeiras requisitadas pela autoridade fiscal competente não configura ofensa ao princípio da inviolabilidade do sigilo bancário e Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 6 5 constituemse cm provas lícitas para demonstrar a ocorrência de infração à legislação tributária, tornando descabida a alegação de nulidade do lançamento dele decorrente. PRELIMINAR. CIENCIA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. INEXISTENCIA DE ORDEM DE PREFERENCIA ENTRE OS MEIOS DE INTIMAÇÃO FIRMADOS PESSOALMENTE OU POR VIA POSTAL. É válida a ciência dos autos de infração quando realizada através de postagem dos respectivos lançamentos ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário, tendo em vista que inexiste ordem de preferência entre os meios de intimação firmados pessoalmente ou por via postal. OMISSÃO DE RECEITA. RECEITA BRUTA NÃO DECLARADA. PRESUNÇÃO LEGAL APURADA COM FULCRO EM EXTRATOS BANCÁRIOS. INVERSÃO DO ÔNUS DE PROVA. E legítima a autuação formulada mediante aplicação da presunção legal de omissão de receita fixada pelo dispositivo legal previsto no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, sobretudo, nas circunstâncias em que o sujeito passivo, regularmente intimado, não apresente prova em contrário, apoiado por meio de documentação hábil e idônea, que vise esclarecer a origem dos valores de recursos financeiros creditados e/ou depositados em conta de depósito ou de investimento de sua titularidade. MATÉRIA TRIBUTÁVEL APURADA EM FISCALIZAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA DA CSLL. A base imponível apurada em procedimento de fiscalização deve ser previamente compensada com o saldo acumulado de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL com observância do limite de 30% do valor tributável ajustado no períodobase, consoante disciplinado nos arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065/95. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS/COFINS/CSLL A decisão pertinente ao lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) deve nortear as inferências correlatas aos autos de infração decorrentes, tendo em vista que provem elementos de prova idênticos. impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, discutidas e relatados os autos, ACORDAM os membros da T Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação interposta pelo sujeito passivo, mantendose parcialmente os lançamentos constituídos a título de IRPJ e da CSLL e. integralmente, os Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 7 6 demais créditos tributários, nos termos do relatório e voto, que fazem parte do presente julgado. 3. Os valores exonerados totalizaram R$426.438,40 de IRPJ, CSLL e multas de ofício, portanto, não ensejaram recurso de ofício. 4. A Autuada tomou ciência em 07/04/2011, pág. 994, e apresentou recurso voluntário tempestivo em 05/05/2011, págs. 995/1.062. 5. Diz que a decisão recorrida, não apresentou razões suficientes para afastar a fragilidade da autuação, baseada unicamente em dados de extratos bancários, sem qualquer outro indicio de omissão de receita. 6. Reclama de inovação de instância que a decisão de 1a instância manteve parte da exigência, introduzindo alterações nos valores e critérios lançados a titulo de IRPJ e CSLL inicialmente, limitandose a intimar o contribuinte para recolher o valor retificado, ou interpor recurso, sem sequer apresentar novo discriminativo do débito nos moldes previsto na legislação vigente (art. 10 e 11 do Decreto 70.235/72). O lançamento retificado em virtude de impugnação do contribuinte, deverá preencher todos os requisitos iniciais, inclusive novo demonstrativo de débito, constando o valor originário, termo inicial de atualização, dispositivo legal de multa, e principalmente devolvendo o prazo inicial para pagamento com redução de multa ou nova impugnação, e não ser procedido a retificação e julgamento no mesmo ato, limitando o impetrante ao recurso para 2a instância; 7. Descreve os fatos que originaram a autuação fiscal que optou por se basear única e exclusivamente nos extratos bancários para presumir omissão de receitas, apesar de estar de posse de toda documentação fiscal e contábil da empresa. 8. Argui cerceamento de defesa e nulidade de intimação (postal, injustificada), pois "não consta nenhum pedido de esclarecimento objetivo realizado ao contribuinte."; "não consta nenhum indício de omissão de receita apurada ma escrita fiscal ou em diligência ao domicilio fiscal do contribuinte."; foi solicitada a comprovação de 365 dias, em um prazo ínfimo; a autuação foi encaminhada pelo correio, em 27/09/2010, sem qualquer justificativa e em desrespeito ao contribuinte; que a devolução dos livros e documentos contábeis fiscais da autuada se deu somente em 06/10/2010 e só a partir de então, poderia exercer a ampla defesa; o pedido de perícia que formulou foi indeferido, cerceando sua defesa; o fisco prefere manter o cerceamento em vez de conceder novo prazo para que apresente provas documentais e a prova pericial requerida; o fisco não aponta o que é crédito fundado em notas fiscais e faturamento examinado, e crédito não identificado (que é tarefa do fisco), forçando o contribuinte a provar todos os créditos (2.400 lançamentos); os créditos das factoring identificados no histórico dos extratos em poder do fisco não foram transcritos no anexo fielmente e também não foi fornecido cópia para justificação, o contribuinte não possui nem é obrigado a possuir em meio magnético copia de extratos bancários. 9. No mérito, acusa ilegitimidade do lançamento fiscal, invocando a Súmula nº 182 do Tribunal Federal de Recursos TFR e RESP 238.356/CE do Superior Tribunal de Justiça STJ, art. 43 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; que presumir sonegação não é admitido pela jurisprudência. Cita autores e decisões Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 8 7 administrativas; que a mera transcrição de depósitos em conta corrente não pode ser suficiente para descaracterizar a escrita e livros fiscais e contábeis; que o art. 42 da Lei 9.430, de 1996, em nada favorece as razões da autuação, que continua baseada única e exclusivamente em presunção, posto que ausente comprovação de utilização dos recursos, ou disponibilidade da renda. 10. Assevera que apresentou prova lícita e que o fisco nada encontrou de irregular: Em cumprimento a intimação, foram disponibilizado ao Sr. Agente fiscal, todos os livros e documentos fiscais exigidos pela legislação fiscal e contábil., registro de entrada, saída , apuração, livro diário, razão, inventario, LALUR , além de cópia de notas fiscais, além de lançamentos contábeis por meio magnético , entregues em 30/10/2009, ou seja quase 1 ano antes da autuação. Presumese que da analise desses elementos, que poderíamos chamar de PROVA LICITA, não houve qualquer indicio de irregularidade que indicasse eventual OMISSÃO DE RECEITA, ou pelo menos o fisco nada declinou sobre os mesmos. 11. Assevera que: Não precisa muito esforço, para concluir que OMISSÃO DE RECEITA seria VENDA SEM NOTA FISCAL, porém na atividade do contribuinte, e pelo tipo de produto comercializado e seu destino, tal pratica é inexistente. As usinas não compram sem nota fiscal, o consumidor final não compra sucata, não há como transportar, inclusive para outros Estados a quantidade de sucata que seria necessária para fazer face a PRESUNÇÃO de um faturamento anual de quase R$ 20.000.000,00. Basta olhar nos extratos que a maioria dos créditos relacionados reportase a factoring, que também não compram sucatas.! 12. Acusa que a autuação se baseia em prova ilícita, extratos bancários entregues coercitivamente, caracterizando forma oblíqua de quebra de sigilo bancários Mas tais extratos não são e nunca foram DOCUMENTO FISCAL e estaria protegido pelo sigilo, seja ele bancário ou fiscal, e não poderia ser exigido pelo fisco nos moldes REALIZADOS de forma IMPOSITIVA E SEM JUSTIFICATIVA., de forma que obtida forçosamente é CONSIDERADA PROVA ILÍCITA. 13. Que a Lei Complementar nº 105, de 2001, art. 6º autorizou a quebra de sigilo bancários desde que "tais exames sejam considerados indispensáveis", mas, tal dispositivo foi ignorado: Presumir a ilicitude ou a desproporcionalidade da movimentação financeira, sem um nexo de causalidade configura uma indevida e injustificada quebra de sigilo de dados, visto que para ela ser considerada justificável deverá vir precedido de um Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 9 8 motivo justificado e fundamentado, quando da INTIMAÇÃO EXPEDIDA pelo agente fiscal Sem essa demonstração de graves indícios, tal exigência de EXTRATOS BANCÁRIOS ao contribuinte ou diretamente a instituição financeira é abusiva. No caso em exame verificase a ausência de um justo motivo para possibilitar a quebra do sigilo bancário/fiscal do contribuinte, até porque dispunha dos meios legais e documentos para verificar eventual omissão de receita. 14. Argui a inexigibilidade e iliquidez dos valores apurados e nulidade do lançamento. que negou vigência também ao art. 142, do CTN, dado que o auto se resume na transcrição de todos os créditos encontrados com "C" nos extratos; que, além de não estarem individualizados os valores, não demonstrou o fisco quais transferências foram de fato excluídas ou mantidas; que há créditos de revenda de mercadoria, empréstimos, devolução de cheques sem fundos; o relatório não exprime exatamente as informações do extrato, induzindo a defesa ao erro (transcreve exemplo à pág. 1.036) e que tais recursos originários de factoring identificados nos extratos somam R$4.000.000,00, sem contar com os depósitos em cheques Unibanco, Safra e Sudameris depositados no Bradesco, em 11/01/2006 02/02/2006, oriundos de outras contas da mesma titularidade, que constam do extrato como isentos de CPMF, ou seja, os extratos por si mesmos, explicam a origem desses créditos. A presunção no caso é de empréstimo e não venda de mercadoria, pois a factoring não compra sucata; Por essas razoes foram apresentados comprovante de transferências para esses beneficiários e embora tratase de lançamentos de débitos, justificam os CRÉDITOS REALIZADOS anteriormente na contacorrente, que é fruto de empréstimos e não de faturamento. 15. E aduz: Obviamente, que ao juntar o documento de transferência à debito, pretendia o contribuinte demonstrar que estava pagando/devolvendo empréstimos obtidos junto a FACTORING mencionadas nos documentos apresentados. Os documentos relativos aos CRÉDITOS são documentos que as factoring somente elas detém , pois foram elas quem fizeram os depósitos na conta corrente da Cofer. No caso não poderia ser exigido tal comprovante da Cofer, o comprovante do crédito está com as factoring. O simples fato de não ser depósito de cliente, adquirente de mercadoria comercializada pelo contribuinte, por si só já afasta presunção de omissão de receita, para ceder lugar a presunção de prejuízos e dificuldades financeiras, diante de inúmeros empréstimos. Se a empresa tivesse VENDENDO mais que o declarado, certamente não estaria com tantos prejuízos acumulados. Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 10 9 16. Como o autuante identificou R$19.806.637,64 de créditos bancários e a empresa declarou R$8.801.247,64 de receita na DIPJ, foi objeto da autuação o montante de R$11.005.390,00, como omissão de receita; e reclama que: Os valores apurados na ação fiscal nada mais são que a totalidade dos créditos em conta corrente, que presumese esteja incluído também o valor declarado, portanto não poderíamos SOMAR e sim deduzir os valores declarados dos valores apurados como crédito em contacorrente, para apurar a diferença a ser tributada. 17. Mesmo que se admitisse que os créditos fossem de fato vendas de mercadoria, ou omissão de receitas, a apuração feita que foi informada como pelo regime de competência, quando, na verdade, o fato gerador imposto foi pelo regime de caixa; por isso o critério de apuração está errado. 18. Tampouco o fisco analisou os R$3.019.757,36 de Prejuízos Fiscais Acumulados, que deveriam ser computados na apuração do valor tributável. 19. Sobre as exigências reflexas de PIS e Cofins, reclama que a exigibilidade destas sequer foi objeto de análise em primeira instância; afirma que não são devidas sobre os produtos comercializados pelo contribuinte, conforme o art. 47 e 48 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, que a incidência de PIS e Cofins está suspensa desde 03/2006, no caso de venda de desperdícios, resíduos ou aparas de plástico, de papel, ou cartão, de vidro, de ferro e aço, de cobre, de níquel, de alumínio, de chumbo, de zinco e de estanho, das posições 39.15, 47.07, 70.01, 72.04, 74.04, 75.03, 76.02, 78.02, 79.02, e 80.02 da TIPI, e demais desperdícios e resíduos metálicos do Capítulo 81 da TIPI, para pessoa jurídica que apure IR com base no Lucro Real, assim como a utilização do crédito nas aquisições destes e afirma: A suspensão da INCIDÊNCIA ARGUIDA é matéria de direito e independe de prova, e a OMISSÃO NO JULGAMENTO implica em reconhecer a NULIDADE DA DECISÃO PROFERIDA 20. E: Portanto improcedente o lançamento face a previsão de não incidência retro mencionada., não havendo provas a serem produzidas, já que todas notas fiscais foram apresentadas a fiscalização, que não APLICOU A LEI AO CASO CONCRETO . 21. Aduz que, se comprovada de fato eventual base tributável, o lucro presumido seria 8% da base apontada na autuação, portanto, menos gravoso ao contribuinte. 22. Ainda sobre a Cofins, aponta discussão no Judiciário e decisão do Supremo Tribunal Federal – STF, RE nº 240.785, por maioria, pela inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins. 23. Diz que se aplica ao caso, pois a exigência fiscal é sobre faturamento ou receita bruta presumida onde se encontra embutido o ICMS. 24. Sobre a exigência de PIS, que o STF, decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 1°do art. 3° da Lei nº 9.718, de 1998, no julgamento dos REs 357950, 390840, 358273 e 346084, o Plenário decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 1°do artigo 3° da Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 11 10 norma; conseqüentemente, receita bruta ou faturamento é o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa; no caso, a empresa só revende sucata, que não é fato gerador nem de PIS, nem de Cofins. 25. Requer prova pericial, pois o Fisco não se desincumbiu do ônus de provar adequadamente os fatos que alega. Só assim, o contribuinte poderá exercer seu direito de ampla defesa; que seu pedido com fundamento no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, foi negado, e aponta que foi improcedente a negativa, porque: 1 o fisco não apontou analiticamente quais créditos deveriam ser comprovados; 2produzir prova demanda tempo e o prazo foi exíguo; 3 a prova documental foi obstada pela retenção dos documentos; 4 a diligência pleiteada demanda profissional especializado; 5 o montante dito de omissão se distancia tanto da realidade pelo montante que dificilmente poderia ser omitido, tornando razoável que a prova seja produzida; 6 princípios constitucionais da ampla defesa e verdade material devem prevalecer. 26. Reclama que, houvesse o Fisco concluído o trabalho no prazo legal (iniciado em 09/2009, deveria se encerrar em 60 dias, prorrogáveis por mais 60, isto é 120 dias, no entanto, demorou 1 ano) poderia o litigante ter obtido o parcelamento Refis da Crise, da Lei nº 11.941, de 2009, nos valores apurados; mas, nessas condições, optou pelo parcelamento somente em 11/2009, que vem pagando; mas que, só depois dessa adesão é que o fisco apresentoulhe a presente autuação fiscal, retirandolhe não só a espontaneidade no caso de evetuais diferenças, como também o direito de obter os descontos legais. 27. Tendo sido prejudicado pelo excesso de exação, requer o direito de se valer da consolidação retroativa no Refis. 28. Reclama que, no caso, em que o principal não tem respaldo para ser mantido, a multa aplicada configura confisco tributário vedado pela Constituição de 1988 (art. 150 IV); se não foi desclassificada a escrita fiscal, nem os lançamentos na DIPJ e DCTF, na realidade, o fisco procedeu a uma revisão do lançamento já realizado e quaisquer diferenças só podem ser objeto de multa de mora até 20%. 29. Quanto aos juros de mora, que Lei n° 9.065, de 1995, além de ferir o art. 161 do CTN, a utilização da taxa SELIC para cálculos de juros em débitos tributários fere o art. 193, § 3º da CF, além de diversos princípios constitucionais insculpidos na Carta Magna, ficando impugnada sua aplicação que deve ser limitada a 1% ao mês. 30. Reclama que a DRJ indeferiu o pedido de intimação na pessoa do representante legal do contribuinte, e que as razoes apresentadas, e os dispositivos legais invocados estão longe de implicar em inadmissibilidade de intimação de advogados. E reitera a petição e fornece o domicílio do representante legal. 31. Protesta pela devolução de prazo em sua integridade, diante da retificação ou complementação/correção dos dados constante da autuação. 32. É o relatório. Voto Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 12 11 Conselheira Eva Maria Los Relatora 1 Nulidade. Auto de Infração. 33. A Autuada pleiteia a nulidade dos autos devido a inexigibilidade e iliquidez dos valores apurados e que o lançamento negou vigência também ao art. 142, do CTN, dado que o auto se resume na transcrição de todos os créditos encontrados com "C" nos extratos; que, além de não estarem individualizados os valores, não demonstrou o fisco quais transferências foram de fato excluídas ou mantidas. 34. Tais fatos não se inserem nas previsões da legislação de se considerar nulo tal ato. 35. Estatuem os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” (Grifouse) 36. Como se vê, de acordo com o art. 59, I, supra, só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração que se insere na categoria de ato ou termo , quando esse auto for lavrado por pessoa incompetente (art. 59, I). A nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, transcrito, somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração. 37. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, a teor do art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972. Caso não influam na solução do litígio, também prescindirão de saneamento. 38. Dessa feita, não deve ser acolhida a preliminar de nulidade, em razão de não haver ofensa aos dispositivos legais mencionados. 39. E os argumentos listados serão analisados no mérito do lançamento fiscal. 1.1 CERCEAMENTO DE DEFESA 40. Tendo sido o lançamento fiscal com base legal em presunção legal, descabe a reclamação de que teria havido cerceamento no direito de defesa do contribuinte porque "não consta nenhum pedido de esclarecimento objetivo realizado ao contribuinte."; "não consta nenhum indício de omissão de receita apurada na escrita fiscal ou em diligência ao domicilio fiscal do contribuinte."; foi solicitada a comprovação de 365 dias, em um prazo ínfimo; Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 13 12 41. Verificase no processo que a fiscalização foi iniciada com a intimação do Termo de Início de Procedimento Fiscal, requerendo livros contábeis e fiscais e extratos bancários, além dos documentos sociais; a fiscalização em análise dos extratos bancários, identificou um montante de créditos recebidos nas contas bancárias do contribuinte, no total R$(19.806.637,64+1.186.773,84)20.993.411,48, que não correspondiam aos valores contabilizados, nem receita declarada. 42. Tais créditos forma listados individualizadamente, no Termo de Intimação de págs. 422/474, cientificado ao litigante em 03/06/2010. 43. Em 12/07/2010, a intimação foi repetida, págs. 475/515. 44. Em 12/08/2010, a Recorrente protocolou pedido de prorrogação de prazo para a entrega dos documentos requeridos no Termo de Início, ao argumento de que a empresa se encontrava sob fiscalização estadual e parte da documentação se encontrava em poder do fiscal; em seguida, em 31/08/2010, consta listagem de entrega de Contrato de Mútuo, Alienação Fiduciária de Imóvel vinculado a este; carta de Solicitação de Fomento; Cartas requerendo transferências entre contas correntes, e transferências via DOC e TED e respectivos comprovantes; cópías de notas fiscais da Cofer de saída, de 08 a 12/2006, págs. 517/544. 45. O Autuante relatou que: Analisada a documentação acima, consideramos o Contrato de Mutuo com o Banco Tricury, com alienação fiduciária de Imóvel como garantia e fizemos no mês de maio de 2006 a subtração, no valor tributável, do montante de R$ 1.185.226,07, conforme quadro I, abaixo. Os demais documentos, com exceção das notas fiscais, estão anexados a este e não foram considerados para abatimento da base tributável por se tratar de transferências a debito nas contas bancarias da empresa Cofer Resíduos Industriais Ltda. Para os demais Créditos/depósitos, o contribuinte não se manifestou e, desta forma, são objeto de tributação por presunção de omissão de receita àqueles valores depositados em contascorrentes bancárias sem a devida comprovação de sua origem e, assim os valores tributáveis, individualizados, encontramse no anexo ao Termo de Intimção lavrado em 12/07/2010. 46. Esclareceu ainda o Autuante: Os valores individualizados são aqueles discriminados no Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 12/07/2010, sobre os quais não houve manifestação do contribuinte, e encontramse relacionados em seu anexo. Destes valores já foram excluídos os decorrentes de transferências entre contascorrentes de mesma titularidade, estornos de lançamento, de CPMF e de tarifas bancárias, devoluções de cheques compensados, empréstimos bancários e etc. 47. À pág. 578, o Autuante relacionou os valores dos créditos bancários, da receita declarada e omissão detectada, mês a mês e o total do ano 2010; o valor total dos Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 14 13 créditos/depósitos cuja origem não foi esclarecida totalizou R$19.806.637,64, depois de excluído os R$1.186.773,84 comprovados; como a litigante havia oferecido à tributação a receita de R$8.801.247,64, restou não comprovado o montante de R$11.005.390,00, autuados como omissão de receitas, com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. 1.2 NULIDADE DE INTIMAÇÃO 48. Argui ainda nulidade de intimação da autuação, encaminhada pelo correio, em 27/09/2010, sem qualquer justificativa e em desrespeito ao contribuinte. 49. No que tange à intimação ser encaminhada pelo correio, tratase de cumprimento de determinação legal, o que foi claramente explicado no Acórdão DRJ: No tocante às alegações do contribuinte relacionadas à existência de vício formal nos autos de infração ante a falta da realização de ciência pessoal do impugnante, cumpre esclarecer que a intimação, por via postai, com prova de recebimento no domicílio tributário indicado pelo contribuinte, está prevista no art. 23 do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, alterada redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997 e pela Lei n° 11.196, de 2005: (...) Assim sendo, de acordo com o diploma legal, depreendese que a intimação por via postal não está sujeita a ordem de preferência em relação à intimação pessoal e ocorrerá com a prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, caracterizandose devidamente cientificado na data do recebimento do ato administrativo ou, se a data for omitida, quinze dias após a entrega da intimação à agência postal telegráfica. 50. Portanto, regular a intimação. 51. Reclama que a devolução dos livros e documentos contábeis fiscais da autuada se deu somente em 06/10/2010 (nove dias depois da ciência) e só a partir de então, poderia exercer a ampla defesa. 52. Ora, a documentação que entregou foi objeto de análise pela fiscalização, que excluiu os valores documentados; o espaço de tempo entre a primeira intimação para justificar os créditos em 03/06/2010 e a ciência em 27/09/2010, são 3 meses e 24 dias e ainda os 30 menos 9 dias após a devolução dos livros contábeis e fiscais e documentos, para impugnar o lançamento. 53. Mesmo assim, reclama de falta de prazo. 54. Cabe destacar que apresentou documentos na impugnação, analisados pela DRJ, porém nenhum documento junto com o recurso voluntário, mesmo tendo decorrido o lapso de 8 meses entre a ciência dos autos em 27/09/2010 e a apresentação do recurso em 05/05/2011. Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 15 14 2 Nulidade. Acórdão DRJ/SP1. 55. A nulidade do Acórdão DRJ/SP1 é arguida, porque não teria se pronunciado sobre a não exigibilidade de PIS e Cofins que não são devidas sobre os produtos comercializados pelo contribuinte, conforme o art. 47 e 48 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, estando incidência de PIS e Cofins suspensa desde 03/2006; sendo matéria de direito e independe de prova, tal omissão no julgamento implicaria em reconhecer a nulidade da decisão proferida. 56. A DRJ/SP1 tomou conhecimento dos argumentos expostos, porém os avaliou como sendo genéricos, carecendo de provas de que a receita omitida autuada fosse proveniente da atividade de comercialização de sucatas, objeto da legislação citada. 57. Em outras palavras, que não há prova de qual atividade gerou os recursos creditados nas contas da Autuada, cuja origem, esta não logrou comprovar como valores submetidos à tributação, não tributáveis ou isentos, nem se eram receitas omitidas de vendas de sucatas. 58. Por isso a DRJ não acatou o argumentos de que as omissões se referem a revenda de sucatas, que se submete a legislação específica, em se tratando de PIS e Cofins. 59. Não se caracterizou cerceamento do direito de defesa a ensejar nulidade da decisão. 2.1 INOVAÇÃO DE INSTÂNCIA. 60. Reclama que 1ª instância introduziu alterações nos valores e critérios dos lançamentos de IRPJ e CSLL e por isso, deveria apresentar novo discriminativo do débitos, novo demonstrativo, constando o valor originário, termo inicial de atualização, dispositivo legal de multa, e principalmente devolvendo o prazo inicial para pagamento em sua integridade com redução de multa ou nova impugnação, diante da retificação ou complementação/correção dos dados constante da autuação. 61. Não esclarece a Recorrente de qual dispositivo legal obteve tal informação; a simples leitura do Acórdão de 1ª instância evidencia que a alteração no lançamento original introduzida se refere ao reconhecimento da compensação do prejuízo do período base, bem como a compensação até o limite de 30% do lucro apurado, dos prejuízos acumulados em períodos anteriores; e analogamente, em relação à base de cálculo negativa da CSLL; em outras palavras as exigências fora reduzidas porque a impugnação foi julgada procedente em parte; os valores resultantes estão demonstrados no próprio Acórdão. 62. Quanto à devolução de prazo, foilhe facultado o prazo de 30 (trinta) dias da data da ciência do Acórdão de 1ª instância, em conformidade com a legislação que rege o processo administrativofiscal. 63. Quanto à devolução do prazo inicial para pagamento com redução de multa e nova impugnação, não há previsão legal. Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 16 15 3 Mérito. 3.1 AUTUAÇÃO BASEADA EXCLUSIVAMENTE EM EXTRATOS BANCÁRIOS, OBTIDOS DO CONTRIBUINTE, DE FORMA COERCITIVA. 64. A litigante, no termo de Início de Fiscalização, foi intimada a apresentar os extratos se suas contas bancárias, e as entregou. 65. Onde está a coerção? 66. Destacase que o Acórdão DRJ/SP1, no título II DA QUEBRA DO SIGILI BANCÁRIO (...), às págs. 952/956, dissertou extensamente sobre a autorização legal para a RFB de obter, eventualmente, a documentação bancária diretamente junto a instituição financeira, no caso de negativa pelo contribuinte. 3.2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO ESCLARECIDA. 67. A exigência tem como fundamento a presunção legal de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. 68. Esclareçase que, nessa forma de apuração, o que se tributa não são os depósitos bancários como tais considerados, mas sim a omissão de receitas ou rendimentos que eles representam. Os depósitos são, na verdade, apenas a forma, o sinal de exteriorização pelo qual se manifesta a omissão de receitas objeto da tributação, porque não satisfatoriamente comprovada a origem financeira dos recursos utilizados. 69. Conforme se depreende do texto legal, tratase de presunção legal juris tantum, que autoriza a caracterização de omissão de receita. É a própria lei que determina que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos, e não meros indícios de omissão. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus da prova. 70. Primeiramente, vejase o que determina a legislação pertinente, Lei nº 9.430, de 1996: Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. (...) I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; (Grifouse.) 71. Convém deixar claro que o autuante explicou no TVF que as transferências de recursos entre contas do mesmo titular foram excluídas dos depósitos bancários considerados Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 17 16 na autuação, assim como empréstimos tomados, depósitos estornados e cheques devolvidos (pág. 145). 72. É oportuno um rápido histórico da legislação vigente sobre a tributação de depósitos bancários, a fim de aclarar a evolução do ordenamento jurídico que regeu, e rege, a matéria tributária objeto do presente lançamento. 73. A Lei nº 8.021, de 14 de abril de 1990, determinou: “Art. 6.º. O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) §5.º. O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Grifouse.) ” 74. À vista de tais regras, temse que os rendimentos omitidos poderiam ser arbitrados com base nos sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte; a omissão poderia, ainda, ser presumida no valor dos depósitos bancários injustificados, desde que apurados os citados dispêndios e que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte. 75. A partir de 1997, entretanto, o assunto em tela passou a ser disciplinado de forma diferente do previsto na Lei n.º 8.021, de1990: foi promulgada a já transcrita Lei n.º 9.430, de 1996, que no art. 42, e 88, XVIII, com a alteração do art. 4º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, que, conforme art. 150, III da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF, de 1988 c/c o art. 105 do CTN, aplicase aos fatos geradores futuros ou pendentes ocorridos a partir de 01/01/1997, e que revogou a o §5.º do art. 6.º da Lei n.º 8.021, de 12 de abril de 1990. 76. Dessa forma, o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos; não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte; há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais – o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. 77. Assim, o legislador substituiu uma presunção por outra, as duas relativas ao lançamento do rendimento omitido com base nos depósitos bancários, porém diversas nas condições para sua aplicação: a da Lei nº 8.021, de 1990, condicionavase a falta de comprovação da origem dos recursos à demonstração dos sinais exteriores de riqueza e que fosse este o critério mais benéfico ao contribuinte; já a presunção da Lei nº 9.430, de 1996, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos depositados em nome do fiscalizado, em instituições financeiras. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 18 17 3.3 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. 78. Reclama a litigante que o fisco, ao intimála dos créditos/depósitos recebidos nas contas bancárias, não aponta o que é crédito fundado em notas fiscais e faturamento examinado, e crédito não identificado (que é tarefa do fisco), forçando o contribuinte a provar todos os créditos (2.400 lançamentos). 79. Cabe aduzir a seguinte explanação sobre a presunção legal já descrita: via de regra, a autoridade deve estar munida de provas para alegar a ocorrência de fato gerador; contudo, nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador – as chamadas presunções legais – a produção de tais provas é dispensada, e cabe ao contribuinte apresentar provas que ilidam a presunção de omissão resultante. 80. Presunções legais são as estabelecidas por lei, que determina o princípio em virtude do qual se tem como provado o fato, pela dedução tirada de outro fato, ou de um direito, por outro direito. As presunções legais dividemse em absolutas ou presunções juris et jure e em relativas, condicionais ou presunções juris tantum. As presunções absolutas são as que, por expressa determinação da lei, não admitem prova em contrário nem impugnação; os fatos ou atos que por elas se deduzem, são tidos como provados, conseqüentemente como verdadeiros, ainda que se tente demonstrar o contrário. As presunções relativas são estabelecidas em lei, não em caráter absoluto ou como verdade indestrutível, mas em caráter relativo, que podem ser destruídas por uma prova em contrário, ou seja, valem enquanto prova em contrário não vem desfazêlas ou mostrar sua falsidade. 81. Tal como as absolutas, as presunções relativas não se confundem com os indícios, porquanto estes podem, em certas circunstâncias, merecer fé, desde que acompanhados de elementos subsidiários que os tornem de valor indiscutível, enquanto aquelas são geradas do preceito ou da regra legalmente estabelecida. No caso em análise, verificase não se tratar de simples indício de omissão de receitas, porquanto havendo uma presunção legal relativa, fica invertido o ônus da prova, cabendo à contribuinte a produção da prova de que não teria ocorrido a omissão de receitas. 82. Logo, tratandose de presunção juris tantum, ou seja, está prevista em lei, mas admite prova em contrário, caberia à interessada comprovar a sua improcedência, mediante provas que apresentasse. 83. No texto a seguir reproduzido, extraído de Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas, JUSTECRJ, 1979, pág. 806, José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. (Grifouse.) 84. Nesse sentido, são também brilhantes as lições de Maria Rita Ferragut in Presunções no Direito Tributário (São Paulo, Dialética, 2001, págs. 91/92): Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 19 18 Discordamos do entendimento de que as presunções ferem a segurança jurídica porque, como meio de prova indireta que são, portam elevado grau de incerteza, prejudicando a necessária apuração dos fatos. Entendemos que as presunções não devam ser aplicadas em casos de dúvida e incerteza, mas somente nas hipóteses de impossibilidade de comprovação direta do evento descrito no fato, já que seu principal fim é o de suprir deficiências probatórias. A certeza e a convicção (...) é inatingível objetivamente, estando, nessa perspectiva, também ausente na prova direta. Sobre a questão da certeza, manifestouse Moacyr Amaral dos Santos, para quem ‘há certeza, relativamente a um fato quando o espírito se convence de sua existência ou inexistência’. A previsibilidade (inerente ao princípio da segurança jurídica) quanto aos efeitos jurídicos da conduta praticada não se encontra comprometida quando a presunção for corretamente utilizada para a criação de obrigações tributárias. O enunciado presuntivo não altera o antecedente da regramatriz de incidência tributária, nem equipara, por analogia ou interpretação extensiva, fato que não é como se fosse, nem substitui a necessidade de provas. Apenas, e tãosomente, prova o acontecimento factual relevante não de forma direta – já que isso, no caso concreto, é impossível ou muito difícil – mas, indiretamente, baseandose em indícios graves, precisos e concordantes, que levem à conclusão de que o fato efetivamente ocorreu. Caso não tenha ocorrido, até para a garantia de observância da segurança jurídica, é permitido ao contribuinte produzir todas as provas juridicamente admitidas para os fins de demonstrar a inveracidade fática do fato imputado. (...) A Administração tem o deverpoder de cumprir com certas finalidades, sendolhe obrigatória essa tarefa para a realização do interesse da coletividade, indicado na Constituição e nas Leis. Conseqüência dessa premissa é a indisponibilidade do interesse público. A utilização de presunções para a instituição de tributos é uma forma de atender ao interesse público, já que essas regras são passíveis de evitar que atos que importem evasões fiscais deixem de provocar as conseqüências jurídicas que lhe seriam próprias não fosse o ilícito. É, nesse sentido, instrumento que o direito coloca à disposição da fiscalização, para que obrigações tributárias não deixem de ser instauradas em virtude da prática de atos ilícitos pelo contribuinte, tendentes a acobertar a ocorrência do fato típico. (Grifouse) 85. Logo, tratando o caso em tela de presunção legal relativa, fica invertido o ônus da prova, pois a autoridade administrativa fica dispensada de provar que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico sujeito à Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 20 19 incidência do imposto de renda; nesse caso, cabe à contribuinte a produção da prova de que o fato presumido não existe, ou seja, de que não teria ocorrido a omissão de receitas apontada pela fiscalização com base nos depósitos bancários de origem não comprovada. 86. Temse que os depósitos recebidos não foram justificados como referentes a receitas declaradas, ou que fossem não tributáveis, isentos ou que pertencessem a terceiros, ou outra justificativa que elidisse a autuação. 87. No caso, a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se deu pela mera constatação de um depósito bancário, considerada isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas. Pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados, conforme dicção literal da lei. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato conhecido ser beneficiado com um depósito bancário sem origem – e o fato desconhecido – auferir rendimentos. Essa correlação autoriza plenamente o estabelecimento da presunção legal de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas ou rendimentos não declarados. 88. A única forma de elidir a presunção legal é a apresentação de provas hábeis e idôneas que demonstrem a origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários. E essas provas, se não apresentadas por ocasião da fiscalização, devem ser apresentadas junto com a peça de defesa. Na peça impugnatória, examinamse os elementos de prova se apresentados; quanto aos valores não justificados, permanece a presunção legal de omissão de receita e as correspondentes exigências de imposto e contribuições. 3.3.1 Pedido de Perícia. 89. Reclama que o pedido de perícia que formulou foi indeferido, cerceando sua defesa; que o fisco prefere manter o cerceamento em vez de conceder novo prazo para que apresente provas documentais e a prova pericial requerida. 90. A DRJ negou o pedido porque, em primeiro, não preencheu os requisitos do art. 16, IV, 18 e 28 do Decreto nº 70.237, de 1972, e: Quanto à matéria, impende registrar que a realização de diligência pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, absolutamente necessário para a destrinça dos fatos, o que não é o caso dos presentes autos, tendo cm vista que cabe ao próprio sujeito passivo o ônus probante vinculado à instauração da fase litigiosa do procedimento, carreando aos autos as provas inequívocas hábeis e idôneas que fundamentem suas questões preliminares c de mérito contextualizadas na peça impugnatôria, sobretudo, diante das particularidades correlatas ao enquadramento legal do lançamento, cuja omissão de receita encontra fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. atribuindo ao sujeito passivo a inversão do ônus probandi. No que tange à produção de provas, por sinal, a diligência somente se justifica quando as evidências do fato não podem ou não cabem serem produzidas por uma das partes. Em outras palavras, os instrumentos estipulados pelo diploma específico não se prestam a buscar a produção de conjunto probatório cujo Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 21 20 encargo seja do próprio impugnante, respeitada a observância das formalidades e prazos delimitados pelos ditames legais. 91. Esta relatora concorda em que o pedido visa transferir à Administração Tributária o ônus probatório que é neste caso, encargo do contribuinte, devendo o pedido ser negado. 3.3.2 Súmula 182 do TRF. REsp nº 238.356/CE, art. 43 do CTN 92. A respeito da Súmula nº 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos TFR, citada pelo litigante, referese a momento histórico distinto, no qual não era possível formularse uma presunção legal com base em depósitos bancários; por conseguinte, não abrange o caso em comento, que tem por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, cuja legalidade e constitucionalidade não consta tenham sido objeto de decisão judicial erga omnes, nem que tivessem sido judicialmente questionadas pelo interessado, levandose ainda em conta que, em face das disposições do art. 144 do CTN, aplicase ao lançamento a legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador. 93. REsp nº 238.356/CE , tratase de decisão em 12/09/2000, do STJ , com efeitos intrapartes, sem repercussão geral. 94. Já o art. 43 do CTN, trata do IR e, entre outras definições estipula no§ 2º que: § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) 95. Portanto, de fato, aplicável ao presente caso. 3.3.3 Valores dos créditos não individualizados. 96. Os créditos nas contas bancárias da litigante foram listados individualizadamente, no Termo de Intimação de págs. 422/474, portanto, improcede a reclamação. 3.4 CRÉDITOS DE FACTORING. 97. Reclama a litigante que os créditos das factoring, identificados no histórico dos extratos em poder do fisco, não foram transcritos no anexo da intimação, fielmente, e também não foi fornecido cópia para justificação, que o contribuinte não possui nem é obrigado a possuir em meio magnético copia de extratos bancários. 98. Na verdade, tendo sido a documentação devolvida ao contribuinte, não há o que reclamar nesse sentido, 8 meses depois! 99. No que tange a créditos provenientes de empresas factoring, reclama que ao fazer a transcrição dos créditos do extrato, para o anexo, omitiramse históricos constantes dos extratos, que demonstravam claramente a origem dos créditos com nome das factoring que realizaram os depósitos; dia que "Exemplo disso, são os créditos realizados pela factoring, que foram todos tributados, como se fosse receita. notase nos extratos bancários que consta a origem do crédito, e na relação apresentada pelo fisco foi omitida." Ex.: anexo ao termo de intimação Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 22 21 BANCO AGENCIA CONTA DATA HISTÓRICO DOCUMENTO VALOR 237 03131 697990 03/01/2006 TED TRANF ELET. DISPON 7628617 32027,32 237 03131 697990 03/01/2006 TED TRANF ELET. DISPON 7639441 33.830,77 No extrato consta : 03/01/06 TED TRANSF ELET DISPON REMET DANTRY FF MERC 7628617 32.027,32 03/06/06 TED TRANSF ELET DISPON REMET DBF FOMENTO COMERCIAL LTDA TRANSPORTE 7639441 33830,77 100. Também em relação a essa reclamação, tendo sido a documentação devolvida ao contribuinte, não há o que reclamar nesse sentido, 8 meses depois! 101. Diz que, iguais esses lançamentos, existem inúmeros outros, onde os recursos são originários de FACTORING identificado no próprio extrato, tais como, • DANTRY F F MERCANTIL • DBF FOMENTO COMERCIAL LTDA DUMAC FACTORING • TEMPO FACTORING LTDA Esses descontos somam quase R$ 4,000.000,00 isso sem contar DEPÓSITOS EM CHEQUE que são oriundos das outras contas da mesma titularidade, onde no extrato consta inclusive ISENTO DE CPMF. Ou seja , os extratos por si só se justificam, além do que esses valores já demonstram a iliquidez, incerteza e inexigibilidade do frágil crédito tributário constituído irregularmente. A presunção no caso é de empréstimo e não venda de mercadoria, pois a factoring não compra sucata: (...) Por essas razoes foram apresentados comprovante de transferências para esses beneficiários e embora tratase de lançamentos de débitos, justificam os CRÉDITOS REALIZADOS anteriormente na contacorrente, que é fruto de empréstimos e não de faturamento. Veja que o sr. Agente fiscal desconsiderou totalmente esses créditos como sendo de factoring e tributou normalmente, consignando no termo de verificação fiscal: " Os demais documentos, com exceção das notas fiscais, estão anexados a este e não foram considerados para abatimento da base tributável por se tratar de transferência a débitos nas contas bancarias da empresa Cofer Resíduos industriais Itda." Obviamente, que ao juntar o documento de transferência à debito, pretendia o contribuinte demonstrar que estava pagando/devolvendo empréstimos obtidos junto a FACTORING mencionadas nos documentos apresentados. Os documentos relativos aos CRÉDITOS são documentos que as factoring somente elas detém, pois foram elas quem fizeram os depósitos na conta corrente da cofer. Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 23 22 102. Analisamse pois os elementos de prova da litigante, a seguir. 103. Durante a fiscalização apresentou os que listou à pág. 517 e os anexou nas páginas seguintes: a. o contrato de mútuo e alienação fiduciária de imóvel, já foram acatados pela fiscalização, antes da lavratura dos autos; b. Copias de cartas (assinadas) dirigidas ao Banco do Brasil solicitando transferências de valores para, e os correspondentes comprovantes de transferência bancári, da Cofer para Dumac Factoring e Tempo Factoring: i. Carta (não assinada) dirigida à Dumac Factoring solicitando um fomento, no valor de R$8.807,85, datada de 18/12/2006 c. Cartas dirigidas ao Banco do Brasil solicitando transferências de valores para, e comprovantes de transferência bancária, da Cofer para Reciclo Industrial e Sifco S/A. 104. Argumenta que esta claro que foram tributados empréstimos obtidos junto as factoring, até porque como dito acima, constam dos extratos os nomes das factoring depositantes e que, para dirimir dúvidas relacionamos em anexo, todos os credito na conta da Cofer, oriundo de crédito obtido em factoring com data valor e nome desta. (ANEXO) 105. Com a impugnação, apresentou demonstrativo de pág. 655, intitulado "créditos em conta corrente oriundos das factoring identificadas no próprio extrato e ou desconto empréstimos (garantia de duplicatas/cheques)"; lista as factoring: DBF Fomento Comercial Ltda, Dantry FF Mercantil, Dumac Factoring Ltda, Tempo Factoring Ltda, Grupo B&M Fomento e lista uma amostragem de depósitos no ano 2006, de depósitos recebidos, em que o nome da respectiva factoring está identificado, no total de R$3.777.319,32. 106. Contudo, não apresentou contratos que esclarecessem os termos desses empréstimos e forma de quitação, justificando que a documentação está com a factoring e não com a Autuada e que os depósitos cujos comprovantes anexa, justificam os créditos de empréstimos, porém sem apresentar a correlação entre estes e aqueles, ou seja, a documentação apresentada não é suficiente para convencer o julgador; deveria apresentar os contratos e as contas correntes contábeis demonstrativas, junto com os documentos bancários; se tinha relacionamento com as factoring, tinha possibilidade de acesso à documentação, sendo que houve tempo suficiente para tanto, ao apresentar o recurso, se não tivesse sido possível apresentar durante a fiscalização e com a impugnação. 107. Cabe ainda destacar que empresas de factoring não são instituições financeiras, que captam recursos e os repassam; intermediação financeira é prerrogativa das instituições financeiras, conforme Resolução nº 2.144, de 1995, do Banco Central do Brasil. 108. A Lei nº 9.545, de 1964 define as instituições financeiras: Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 24 23 próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Parágrafo único. Para os efeitos desta lei e da legislação em vigor, equiparamse às instituições financeiras as pessoas físicas que exerçam qualquer das atividades referidas neste artigo, de forma permanente ou eventual. 109. O art. 15, II, d, da Lei nº, define a atividade de factoring: d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). 110. fonte: http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/entendaoquee factoring,7b1a5415e6433410VgnVCM1000003b74010aRCRD Factoring (fomento mercantil ou comercial) é uma atividade comercial caracterizada pela aquisição de direitos creditórios, por um valor à vista e mediante taxas de juros e de serviços, de contas a receber a prazo. Ela possibilita liquidez financeira imediata para micro e pequenas empresas, e não deve ser confundida com a operação praticada pelos bancos. 111. Assim, qualquer operação que não seja voltada a empresas, que inclua empréstimos ou que configure serviços realizados por instituições financeiras não constitui o campo de atuação do fomento mercantil (factoring). 112. Por isso, créditos recebidos de factoring são interpretados como relativos a recursos provenientes da venda com deságio de títulos a receber da empresa. 113. Acessando o site na internet da Tempo Factoring, constam três tipos de serviços que presta: Compra de recebíveis A Antecipação de Recebíveis é uma linha de crédito semelhante ao tradicional desconto de duplicatas oferecido por todos os bancos. O principal diferencial é a velocidade e a objetividade. A factoring não exige dos clientes a compra de seguros e outros produtos que não é de interesse naquele momento. Após a remessa dos títulos por internet; os valores são liberados diretamente na conta corrente da suaempresa em aproximadamente 2 (duas) horas. Fomento de MatériaPrima No Fomento de matériaprima, a Tempo Factoring compra à vista a matéria prima e paga todos os insumos necessários à fabricação de seus produtos. Após a fabricação destes produtos, o nosso cliente nos entrega as duplicatas geradas pela venda dos produtos para a quitação dos valores fomentados. Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 25 24 Quitamos o valor adiantado e reembolsamos ao nosso cliente o restante do valor da venda. Tratase de um produto ideal para que a sua empresa tenha capacidade de negociar os melhores preços com seus fornecedores, e então adquirir seus insumos a preços de à vista, aumentando sua capacidade mercadológica e financeira. OBS : Produto para clientes especiais operando há mais de 1 ( hum ) ano e sujeito a análise do nosso comitê de crédito. Serviço de Tesouraria O Serviço de tesouraria é uma ferramenta para gerenciamento do contas a pagar e a receber dos nossos clientes. Além de antecipar seus recebíveis; a Tempo Factoring pode prestar assessoria creditícia e financeira. Após antecipar seus recebíveis; fazemos o pagamento de todos os seus compromissos diários, tais como pagamento à fornecedores, guias de impostos, folha de pagamento salarial, etc. Com este serviço, nossos clientes passam a se dedicar ao aspectos mais importante de sua empresa, a venda. A Tempo Factoring passa a administrar toda a tesouraria da empresa, eliminando as preocupações com cobrança, contas à pagar, contas a receber, etc, dando ao empresário a oportunidade de cuidar de assuntos onde seu envolvimento é indispensável. Tratase de um produto sob medida para empresas enxutas que querem diminuir despesas com pessoal administrativo. 114. Aduz que: Não bastasse, houve transferências para a empresa RECICLO que é de titularidade também do sócio da Cofer, e que por algumas ocasiões socorreu a empresa com empréstimos, e posterior transferência em pagamento a esses empréstimos, motivo pela qual consta comprovante de transferência à debito juntado. 115. No parágrafo supra, alega que recebeu mútuos de outra empresa também neste caso, faltaram documentos a comprovar o alegado: contrato de mútuo, contas correntes contábeis, respaldadas por documentos, recolhimento de IOF, comprovação de pagamento de juros à outra parte. 116. Com relação à empresa Sifco S/A, não constam esclarecimentos. 117. Também juntou com a impugnação, pág. 697/706, listagem de créditos em c/c, e correspondentes Notas Fiscais, informando o nº da NF e histórico; no que se refere às notas fiscais, como o Autuante excluiu dos depósitos bancários o valor das receitas informadas em DIPJ, concluise que esta listagem faz parte do valor declarado e o respectivo valor já foi excluído da autuação. 118. Nenhum documento foi anexado com o recurso voluntário. Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 26 25 3.5 CRÉDITOS DE TRANSFERÊNCIAS INTER CONTAS DE MESMA TITULARIDADE, DEPOSITADOS VIA CHEQUES. 119. Diz que os extratos por si só se justificam, os cheques oriundos do Unibanco, Safra e Sudameris da mesma titularidade, que foram DEPOSITADOS no Bradesco (para cobrir saldo devedor) relacionados em 11/01/2006 02/02/2006 dentro outros, que estão sendo tributados com se renda fosse. 120. Na intimação que recebeu para justificar créditos/depósitos recebidos, págs. 422/474, não se identificam históricos de depósitos de cheques de titularidade da própria autuada; e esta não especifica quais seriam os correspondentes depósitos, para que possam ser verificados. 121. Consta do Termo de Verificação Fiscal a afirmativa do Autuante: Os valores individualizados são aqueles discriminados no Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 12/07/2010, sobre os quais não houve manifestação do contribuinte, e encontramse relacionados em seu anexo. Destes valores já foram excluídos os decorrentes de transferências entre contascorrentes de mesma titularidade, estornos de lançamento, de CPMF e de tarifas bancárias, devoluções de cheques compensados, empréstimos bancários e etc. 3.6 MONTANTE APURADO DE OMISSÃO DE RECEITA 122. Reclama que os valores apurados na ação fiscal nada mais são que a totalidade dos créditos em conta corrente, que presumese esteja incluído também o valor declarado, portanto não poderíamos SOMAR e sim deduzir os valores declarados dos valores apurados como crédito em contacorrente, para apurar a diferença a ser tributada. 123. Verificase que foi exatamente isso que o Fiscal fez: à pág. 578, o Autuante relacionou os valores dos créditos bancários, da receita declarada e omissão detectada, mês a mês e o total do ano 2010; o valor total dos créditos/depósitos cuja origem não foi esclarecida totalizou R$19.806.637,64, depois de excluído os R$1.186.773,84 comprovados; como a litigante havia oferecido à tributação a receita de R$8.801.247,64, restou não comprovado o montante de R$11.005.390,00, autuados como omissão de receitas, com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. 3.7 ERRO DE APURAÇÃO. OPÇÃO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. 124. Reclama que a autuação, baseada nos depósitos/créditos recebidos, reconheceu as receitas pelo regime de caixa, isto é, nas datas em que tais créditos ingressaram, mas que a empresa havia feito a opção pelo regime de competência, o que inclusive, foi reconhecido pelo autuante. 125. Descabida a reclamação dado que a base legal da autuação, já transcrita, mas que se repete aqui, assim determina: Depósitos Bancários Art.42. (...) Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 27 26 §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. (Grifouse.) 3.8 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS ACUMULADOS, NA APURAÇÃO. 126. Verificase que o Acórdão DRJ/SP1, deu provimento em parte à impugnação, ao reconhecer a compensação de prejuízo do próprio periodo e até 30% dos lucros dos prejuízos acumulados e base de cálculo negativa da CSLL, nos seguintes termos: Preambularmente, vale ressaltar que, diversamente daquilo que assevera em sua defesa, o montante equivalente a R$ 3.019.757,36 (três milhões, dezenove mil, setecentos e cinqüenta e sete reais e trinta e seis centavos), observado os dados retratados na Declaração de Informações EconômicoFiscais de Pessoa Jurídica (DIPJ) atinente ao Exercício 2007 Ano Calendário 2006 (ND 15.41687) evidenciase que tal valor representa a importância correspondente ao PREJUÍZO CONTÁBIL ACUMULADO demonstrado no patrimônio líquido apurado no encerramento do balanço patrimonial daquele ano base. Por sinal, compete elucidar que o prejuízo fiscal compensável representa o valor apurado na demonstração do lucro real e registrado no LALUR, consoante define o art. 509 do RIR/99. No caso do IRPJ, observadose o Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais, extraído do Sistema SAPLI, constatase, na verdade, que a empresa apresenta um saldo de prejuízo fiscal acumulado de períodos anteriores no valor de RS 793.576,63 e um valor de prejuízo fiscal operacional do próprio períodobase na quantia de R$ 27.868,40, totalizando um prejuízo fiscal acumulado no anocalendário de 2006, no importe de R$ 821.445,03 (fls. 883/884). Por sua vez, no que concerne à CSLL, tomando por referência as informações constantes do Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL, também extraído do Sistema SAPLI, certifica se que a sociedade dispõe de um saldo de base negativa da CSLL acumulada de períodos anteriores no valor de R$ 397.885.59 e um valor de base negativa da CSLL do próprio períodobase na quantia de R$ 27.868,40, perfazendo um montante de Base de Cálculo Negativa da CSLL acumulado no anocalendário de 2006. no importe de R$ 425.753,99 (fls. 885/886). 127. E efetuou a recomposição de acordo. 3.9 PIS/COFINS, SUCATAS, SUSPENSÃO. EXCLUSÃO ICMS DA BASE DE CÁLCULO 128. Aponta a legislação relativa a PIS e Cofins, para a atividade operacional que desempenha e advoga que não se aplicam a exigências de PIS e Cofins sobre as receitas da sua atividade. Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 28 27 129. A presente autuação se deu em face de valores que a empresa recebeu em suas contas bancárias, cuja origem não foi esclarecida. 130. Se tais valores tivessem sido identificados como receitas da atividade mantidas à margem da contabilidade e não declaradas, a capitulação legal da infração não teria sido o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, ou seja, não teria sido omissão de receitas por presunção legal. 131. Receitas não identificadas não podem se subsumir a legislação específica sobre comércio de sucatas. 132. Da mesma forma, não há evidência, apenas se poderia presumir que tais receitas omitidas foram tributadas pelo ICMS. 133. No que tange a esta última questão, temse que a decisão do Supremo Tribunal Federal – STF, RE nº 240.785, que decidiu por maioria, pela inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins, teve efeitos intra partes; e recentemente o pronunciamento definitivo no RE 574.706, ocorrido na sessão de 15.03.2017, tem repercussão geral reconhecida, porém ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) opôs embargos de declaração, nos quais pretende a rediscussão de todo o mérito decidido, inclusive com eventual efeito infringente, e a modulação temporal dos efeitos, com a atribuição dali para a frente. 3.10 APURAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. 134. A autuação foi corretamente efetuada no regime do lucro real anual, conforme a opção do contribuinte e determinação legal. 3.11 PARCELAMENTO REFIS DA CRISE, LEI Nº 11.941, DE 2009. REABERTURA DE PRAZO PARA OPÇÃO. 135. Não havia na Lei nº 11.941, de 2009, qualquer previsão legal para que empresa sob fiscalização, por ocasião do encerramento do prazo para contratar o parcelamento, fosse beneficiada com abertura de prazo extra para poder parcelar o valor da autuação fiscal cientificada após o prazo de encerramento. 136. Tampouco pode a autuada responsabilizar ou exigir da Administração Tributária que paute seu cronograma de trabalho de fiscalização por estes prazos. 3.12 MULTA DE OFÍCIO. 75% CONFISCO. REDUÇÃO A 20%. 137. O dispositivo que regula a multa de ofício aplicada, conforme indicado no auto de infração, foi o art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 138. Portanto, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto para o lançamento de ofício, não se podendo, em âmbito Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 29 28 administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. 139. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando margem a conjecturas atinentes à ocorrência de efeito confiscatório ou de ofensa ao princípio da proporcionalidade. Nesse sentido, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do CTN), como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário. 140. Desse modo, devese considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, definido em lei, sobre o valor de impostos e contribuições não recolhidos. 141. E quanto às acusações de inconstitucionalidade e ilegalidade de legislação devese esclarecer que, sendo aos Conselheiros do CAREF, não compete apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. 3.13 INTIMAÇÕES AOS PROCURADORES. 142. Reclama que a DRJ indeferiu o pedido de intimação na pessoa do representante legal do contribuinte, e que as razoes apresentadas, e os dispositivos legais invocados estão longe de implicar em inadmissibilidade de intimação de advogados. E reitera a petição e fornece o domicílio do representante legal. 143. Não há previsão legal para que intimações sejam remetidas a representantes legais do contribuinte; determina o Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações que: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar: II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo§ 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 30 29 § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. . § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. 144. Evidente, portanto, que intimações serão sempre dirigidas ao sujeito passivo, no seu domicílio tributário, constante do seu cadastro; não há previsão para envio a procuradores, mesmo porque o contribuinte poderá desconstituílos a qualquer momento e constituir outros. 4 Conclusão. Voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 1124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720305/2015-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS PESSOAS FÍSICAS
Ausentes os pressupostos legais para atribuição de responsabilidade, nos termos do art.135, III, do CTN, não há respaldo legal outro para inclusão dos sócios na sujeição passiva da obrigação vez que o interesse comum previsto no art.124, I, do CTN, não é fundamento legal suficiente.
Numero da decisão: 1402-002.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de nulidade do acórdão, suscitada pelo sujeito passivo, por erro na identificação do sujeito passivo na publicação da pauta; e negar provimento aos embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Participou do julgamento o Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Caio César Nader Quintella.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Breno do Carmo M. Vieira, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Dias Correa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichle Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Leonardo Luís Pagano e Caio César Nader Quintella.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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OMISSÃO, SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS PESSOAS FÍSICAS Ausentes os pressupostos legais para atribuição de responsabilidade, nos termos do art.135, III, do CTN, não há respaldo legal outro para inclusão dos sócios na sujeição passiva da obrigação vez que o interesse comum previsto no art.124, I, do CTN, não é fundamento legal suficiente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de nulidade do acórdão, suscitada pelo sujeito passivo, por erro na identificação do sujeito passivo na publicação da pauta; e negar provimento aos embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Participou do julgamento o Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Caio César Nader Quintella. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Breno do Carmo M. Vieira, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Dias Correa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichle Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Leonardo Luís Pagano e Caio César Nader Quintella. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 03 05 /2 01 5- 54 Fl. 3184DF CARF MF 2 Relatório Tratase de impugnação apresentada contra auto de infração lavrado pela DEMAC que foi julgada improcedente pela DRJ Campinas . Diante deste quadro, a recorrente interpôs o Recurso Voluntário, oportunidade em que suscita preliminar de decadência e uma série de questões meritórias. Por unanimidade de votos, referido recurso foi julgado improcedente pela turma julgadora, o que está retratado no acórdão (fls. 90/97) assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 SIMULAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. A partir da análise dos documentos constantes dos autos concluise que houve de modo doloso bipartição artificial nos contratos denominados “de afretamento” e “de prestação de serviços”. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. A partir da constatação do dolo escorreita a atuação da fiscalização, ao desvelar os fatos dissimulados, tomou os efeitos reais gerados pelos referidos contratos, de maneira a atribuir à autuada a titularidade das receitas deles decorrentes, recalculando os tributos que restaram sonegados à Fazenda Pública. A perpetração de atos simulados com o intuito de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador de tributos devidos, bem como de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, justifica a imposição da multa de ofício qualificada de 150%. (IN)ADEQUAÇÃO DO AGRAVAMENTO DA PENALIDADE. Não se justifica a aplicação da multa de ofício agravada na medida em que a fiscalização teve acesso a todos documentos para exercício da atividade fiscalizatória. EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado não podem ser pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias na medida em que não configurados os pressupostos legais do art.135, CTN. INTERESSE COMUM. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Comprovado nos autos que as pessoas jurídicas classificadas pela fiscalização como sujeitos passivos solidários atuaram de maneira unitária com a fiscalizada, assumindo reciprocamente direitos e obrigações que circunscreveram os fatos jurídicos que dão essência à obrigação tributária principal, resta configurado o interesse comum dos agentes. Correta, portanto, a responsabilização solidária levada a efeito com forte no art.124,I. Devidamente intimada por intermédio de seu órgão de representação processual, a União interpôs, tempestivamente, os embargos de declaração de fl. xxx, oportunidade em que alegou que acórdão recorrido seria omisso/contraditório ao manter a responsabilização das sociedades empresárias do grupo econômico SCHAIN, com base no art.124, I, CTN e exonerar a sujeição passiva dos sócios pessoas naturais. Fl. 3185DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.953 S1C4T2 Fl. 1.112 3 Tais embargos foram admitidos pelo Presidente desta 4 CAM, 2 TO, CARF, conforme se observa do despacho retro. Em petição interlocutória anterior o contribuinte suscita nulidade do julgamento ante ao fato da intimação da pauta do julgamento nesta T.O. ter se realizado em sua nome empresarial anterior (SCHAIN PETRÓLEO E GÁS) embora tenha comunicado sua alteração para BASE PETRÓLEO & GÁS em recuperação judicial. É o relatório. Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Preliminarmente, impende enfrentar a suposta nulidade suscitada pelo contribuinte quanto à intimação da pauta de julgamento realizada em nome de SCHAIN PETRÓLEO & GÁS. O petitório do contribuinte pela intimação com seu novo nome BASE PETRÓLEO E GÁS foi realizado em 25/07/2017 quando a indicação para pauta de julgamentos do mês de Agosto de 2017 já havia sido realizada: Portanto, a comunicação da alteração do nome empresarial da contribuinte foi realizada quando já indicado para pauta de julgamento o PAF com o nome de SCHAIN ao que a contribuinte não se desincumbiu do ônus de acompanhar no D.O.U. as intimações realizadas com nome empresarial anterior. Fl. 3186DF CARF MF 4 O atendimento posterior ao julgamento do pleito do contribuinte não corresponde a razão suficiente para anulação do julgado vez que o contribuinte tinha por dever acompanhar todas intimações realizadas em sua razão social anterior. Importante frisar que não se trata de alteração do pólo passivo ou que a intimação tenha se realizado em nome de sociedade empresária outra; o sujeito passívo continuou o mesmo apenas optou sponte propria pela alteração de seu nome empresarial por motivos alheios à Administração Tributária que jamais podem serlhe imputados a macular o processamento de seus feitos. Alterado nome empresarial a contribuinte permanece com o ônus de acompanhamento das intimações que lhe são dirigidas em nome empresarial anterior tanto que naquele mesmo 15 de Agosto de 2017 foi realizada sessão de julgamento perante a 1ªT.O. desta mesma 4ª Câmara, da 1ªSecção, não constatandose qualquer petitório daquela contribuinte para anulação que compareceu regularmente à sessão realizando, inclusive, sustentação oral: Considerando que o julgamento não padece de nulidade passo a análise da suposta omissão da decisão recorrida quanto à responsabilidade, nos termos do art.124,I, das pessoas físicas sócias da contribuinte que listadas nos TSPS. Argúi a PGFN que a decisão ao proceder a exclusão da responsabilidade dos sócios realizada com base nos artigos 124,I e 135, III do CTN incorreu em omissão na medida em que afastoua com fundamento na ausência dos requisitos do 135, porém, silenciou quanto ao "interesse comum" dos sócios nos termos do 124,I; o que consta expressamente do TVF. A omissão suscitada pela d.procuradora de fato é presente, porém, não casual na medida em que este signatário entende que o art.124, I, do CTN ao prever "interesse comum" como elemento para responsabilização solidária não prestase por si para imputar responsabilidade ao sócio. Ausentes requisitos para responsabilização dos sócios pessoas físicas nos termos do art.135,III, CTN: excesso de poder, violação à lei e/ou ao contrato social, etc. o "interesse comum" previsto no art.124,I, do CTN, não é causa suficiente para responsabilização dos sócios pessoas físicas. A estrutura negocial dos contratos de afretamento marítimo ("90/10") embora reiteradamente inadmitida na jurisprudência deste E. CARF, com imputação, inclusive, de multas qualificadas em algumas situações, não implica na responsabilização automática dos sócios pessoas físicas vez que não corresponde a ato praticado em excesso de poder e/ou violação a lei e/ou contrato social encontrandose no âmbito da livre iniciativa do agente econômico, embora em descompasso com a lei tributária. Fl. 3187DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.953 S1C4T2 Fl. 1.113 5 Ademais, é consenso na jurisprudência dos Tribunais que o "interesse comum" previsto no art.124, I, do CTN, não referese a mero interesse econômico de redução do ônus tributário de determinada operação, mas demanda efetivo conluio com vistas a prática de um ato em excesso de poder e/ou violação a lei/contrato social atrelado à (in)ocorrência de determinado fato gerador tributário. Portanto, a omissão deste signatário ao art.124,I, do CTN, ao isentar os sócios pessoas físicas não se deu de modo aleatório dado que entende que causas imprescindíveis para responsabilização são as situações do art.135, III, que restaram expressamente afastadas. Diante do exposto voto por admitir os presentes embargos, mas julgálos improcedentes mantendose, assim, incólume a decisão anterior. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 3188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13893.000884/2011-06
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 3. 00 08 84 /2 01 1- 06 Fl. 85DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Esses destaques não constam desse relatório, pois estão disponíveis no processo. Tratase de discussão sobre despesas médicas. O contribuinte apresentou recibos e declarações dos profissionais. O lançamento e o acórdão de impugnação alegam a falta de comprovação do pagamento. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. As alegações de recusa as despesas médicas apresentadas se limitaram a exigir comprovação do pagamento. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13893.000884/201106 Acórdão n.º 2001000.564 S2C0T1 Fl. 3 3 Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Fl. 87DF CARF MF 4 Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentos consistentes que indiquem inidoneidade dos documentos usuais de comprovação, é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13893.000884/201106 Acórdão n.º 2001000.564 S2C0T1 Fl. 4 5 Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900572/2006-92
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
SALDO NEGATIVO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE.
DEDUTIBILIDADE. CONDIÇÕES.
O imposto de renda retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração da pessoa jurídica se as receitas correspondentes foram oferecidas à tributação.
PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Considerar-se-á não impugnada para a primeira instância a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Ao CARF somente cabe julgar recursos voluntários da matéria decidida em primeira instância
Numero da decisão: 1001-000.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues (relator), e no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues (relator) e José Roberto Adelino da Silva que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 SALDO NEGATIVO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. DEDUTIBILIDADE. CONDIÇÕES. O imposto de renda retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração da pessoa jurídica se as receitas correspondentes foram oferecidas à tributação. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Considerar-se-á não impugnada para a primeira instância a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Ao CARF somente cabe julgar recursos voluntários da matéria decidida em primeira instância
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IMPOSTO RETIDO NA FONTE. DEDUTIBILIDADE. CONDIÇÕES. O imposto de renda retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração da pessoa jurídica se as receitas correspondentes foram oferecidas à tributação. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Considerarseá não impugnada para a primeira instância a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Ao CARF somente cabe julgar recursos voluntários da matéria decidida em primeira instância Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues (relator), e no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues (relator) e José Roberto Adelino da Silva que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 05 72 /2 00 6- 92 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10480.900572/200692 Acórdão n.º 1001000.692 S1C0T1 Fl. 216 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 109 a 212) interposto contra o Acórdão nº 1133.359, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE (fls. 96 a 99), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL A n o c a l e n d á r i o : 2001 NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. Não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 SALDO NEGATIVO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. DEDUTIBILIDADE. CONDIÇÕES. O imposto de renda retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração da pessoa jurídica se as receitas correspondentes foram oferecidas à tributação." Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "A interessada acima qualificada apresentou Pedido de Restituição PER/DCOMP n° 34369.53105.161003.1.2.024488 (fls. 01/03), por meio do qual pleiteia o reconhecimento de direito creditório no valor de R$ 37.019,07. O crédito Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10480.900572/200692 Acórdão n.º 1001000.692 S1C0T1 Fl. 217 3 postulado seria decorrente de saldo negativo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ apurado no anocalendário 2001. 2. A Delegacia da Receita Federal DRF no Recife, através do Despacho de Decisório de fls. 16/18, considerou não confirmadas as retenções na fonte indicadas como parcelas do crédito, dado que as receitas correspondentes não foram oferecidas à tributação. Por tal razão, indeferiu o pedido de restituição e não homologou a compensação declarada pela empresa em outros PER/DCOMPs (fls. 04/15) que tinham fundamento no mesmo crédito. 3. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 21/24), alegando, em síntese, que o saldo negativo do imposto foi devidamente informado nas DCOMPs e na DIPJ, aduzindo que esse saldo negativo foi proveniente das retenções na fonte efetuadas por instituições financeiras. Requereu o reconhecimento do crédito, a homologação das compensações e a anulação dos lançamentos (sic) por falta de clareza na justificativa e por deficiência de fundamentação." Inconformada com a decisão de primeira instância que negou provimento a sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente apresentou o presente Recurso alegando que estaria em fase préoperacional por ocasião dos fatos, portanto, as receitas financeiras que deram origem ao crédito em comento teria sido escriturada na conta de ativos diferidos. Outrossim, argumenta que no período em questão não teve receita tributada, logo todo o valor retido a título de IRRF se traduziu em saldo negativo de IRPJ. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A decisão de piso, tem por principal argumento para o não reconhecimento do direito creditório da Contribuinte o não oferecimento à tributação das receitas a qual se vinculam as retenções na fonte em comento. Tal exigência se encontra preconizado nos art. 231 e art. 770 do Decreto 3000/99 Regulamento do Imposto de Renda, conforme transcrevo: Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10480.900572/200692 Acórdão n.º 1001000.692 S1C0T1 Fl. 218 4 III do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; (...) Art. 770. Os rendimentos auferidos em qualquer aplicação ou operação financeira de renda fixa ou de renda variável sujeitam se à incidência do imposto na fonte, mesmo no caso das operações de cobertura hedge, realizadas por meio de operações de swap e outras, nos mercados de derivativos (...) § 2º Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos: I integrarão o lucro real, presumido ou arbitrado; (...) De fato, analisando os permissivos legais acima, temse que só se poderia utilizar os valores retidos a título de IRRF para a composição de eventual saldo negativo se as receitas a qual eles se vinculam igualmente fosse utilizada para a determinação do lucro real, isto é, se os valores recebidos fossem oferecidos a tributação. Não se discorda desta regra, contudo, o caso prático merece análise mais detida. Conforme narrado, a Recorrente se encontrava em fase préoperacional, tendo portanto contabilizado suas despesas e receitas em conta de ativo diferido, conforme descrita no art. 179, V, da Lei 6.404/76: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: (...) V no ativo diferido: as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, inclusive os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais. Quanto as receitas financeiras pré operacionais, escrituradas nesta conta de ativo diferido, a Solução de Divergência COSIT nº 32/2008 estabelece que: As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas pré operacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício. (Gedoc nº 7925/2007) Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10480.900572/200692 Acórdão n.º 1001000.692 S1C0T1 Fl. 219 5 Ainda, cabe trazer a colação a Solução de Consulta em que se fundou a supracitada, proveniente da 9ª Região da RFB, a Solução de Consulta nº 289/2007 aduz que: No caso de empresa em fase de préoperação, o saldo líquido das receitas e despesas financeiras, quando derivadas de ativos utilizados ou mantidos para emprego no empreendimento em andamento, deve ser registrado no ativo diferido. Esse valor, se credor, deverá ser diminuído do total das despesas préoperacionais incorridas no período de apuração. Eventual excesso de saldo credor deverá compor o lucro líquido do exercício em questão. Na existência de saldo negativo de IRPJ decorrente da retenção na fonte desse tributo sobre as receitas financeiras absorvidas pelas despesas préoperacionais, esse valor poderá se objeto de restituição ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela RFB. Ora, com base nas duas Soluções acima, vêse que a sistemática adotada para as receitas financeiras permitem que sejam contabilmente absorvidas com as despesas pré operacionais, o que equivaleria ao oferecimento à tributação das mesmas. Assim, conforme expresso nos excertos acima, uma vez comprovado que a receita financeira foi integralmente abatida, não haveria óbices para a utilização dos valores retidos a título de IRRF servirem para a composição de base negativa de IRPJ. Destarte, superada a questão jurídica, e esclarecida a possibilidade de a Recorrente se restituir da base negativa de IRPJ oriunda das Retenções de imposto vinculadas às receitas financeiras, ainda que escrituradas no ativo diferido, cabe apenas buscar a comprovação de que os valores foram efetivamente absorvidos por despesas pré operacionais. Analisando os documentos contábeis colacionados pela Recorrente (pgs. 140 a 212), em primeira análise, vislumbro a correta escrituração dos valores retidos a título de IRRF, bem como a escrituração de grandes somas a título de receitas e despesas pré operacionais e financeiros. Contudo, para melhor dirimir a questão e prezando pela segurança do julgamento, entendo oportuno a realização de diligência para colher as considerações da autoridade Fiscal. Desta forma, pelo exposto, VOTO por CONVERTER o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente proceda à análise de todos os documentos trazidos pela Contribuinte, cotejando com as considerações e explicações oferecidas nos autos, bem como com os demais documentos e informações que entenda pertinente disponíveis nos sistemas da administração pública, podendo ao seu arbítrio intimar a Recorrente para que ofereça explicações ou documentos complementares. Após, elabore relatório circunstanciado esclarecendo se as receitas financeiras, que deram origem ao crédito de IRRF pleiteado nestes autos, escrituradas em ativo diferido foram integralmente absorvidas por despesas pré operacionais no período em comento. Após, a Recorrente deve ser cientificada, com reabertura de prazo de 30 dias para complementar as suas razões do recurso. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10480.900572/200692 Acórdão n.º 1001000.692 S1C0T1 Fl. 220 6 Uma vez vencido na proposta de diligência, elaborada com fim primário de resguardar os interesses do fisco, entendo que as demonstrações prestadas pela Contribuinte são suficientes para demonstrar seu direito, portanto, VOTO por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Voto Vencedor Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Redator do voto vencedor Na manifestação de inconformidade levada à primeira instância não constou a afirmação de que a empresa "estaria em fase préoperacional por ocasião dos fatos, portanto, as receitas financeiras que deram origem ao crédito em comento teriam sido escriturada na conta de ativos diferidos". Desta forma operouse a preclusão processual, na forma do art. 16, III, e seu § 4º, c/c arts. 17 e 25, II, todos do Decreto 70235/72. Em outras palavras, considere se que não foi levada à primeira instância a matéria que não foi expressamente contestada. E ao CARF somente cabe julgar recursos voluntários da matéria decidida em primeira instância No mérito, voto por negar provimento uma vez que as receitas financeiras não foram oferecidas à tributação, logo as retenções não podem compor o lucro. Corroboramos, assim, com o que decidiu a primeira instância, com base no art. 231, III do RIR/99: 9. Temse assim que a interessada, por não haver computado receita alguma na apuração do lucro real, também não poderia deduzir valor algum a título de imposto retido na fonte. E, em não havendo dedução do imposto retido na fonte, também não se apura nenhum saldo negativo, já que este, no caso concreto, seria integralmente oriundo das retenções. Portanto, voto por negar o pedido de diligência uma vez que esta pretende apurar fatos só trazidos aos autos no recurso voluntário. No mérito, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10480.900572/200692 Acórdão n.º 1001000.692 S1C0T1 Fl. 221 7 Fl. 221DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.720108/2014-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA.
Recurso Voluntário apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância, o que caracteriza a sua intempestividade.
Numero da decisão: 1402-003.220
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo.
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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Recurso Voluntário apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância, o que caracteriza a sua intempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 06 65 .7 20 10 8/ 20 14 -6 6 Fl. 1.624Fl. 1.624 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária junho de 2018 LUCRO ARBITRADO LUCRO ARBITRADO STREET PUBLICIDADE E COMUNICACOES LIMITADA - EPP STREET PUBLICIDADE E COMUNICACOES LIMITADA - EPP FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 1624DF CARF MF Processo nº 10665.720108/2014-66 Acórdão n.º 1402-003.220 S1-C4T2 Fl. 1.625 2 Relatório Trata-se de recurso voluntário, interposto pelo Responsável Solidário HILDA FONSECA, contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 AGENCIAS DE PROPAGANDA E PUBLICIDADE Os valores constantes das faturas das agências de propaganda e publicidade pertencentes a terceiros, notadamente aos veículos de divulgação, não são receitas da agência e, nesta qualidade, não podem integrar a base de cálculo do IRPJ, CSLL PIS e da COFINS. Contudo, a exclusão dos referidos valores fica condicionada à comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, da efetiva transferência das quantias para outras pessoas jurídicas. LANÇAMENTO DECORRENTE - CSLL - COFINS - PIS O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O caso foi relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: "O presente processo trata de Auto de Infração emitido pela DRF- Divinópolis/MG para exigência do crédito tributário abaixo identificado: Infrações apuradas 2.1 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Fl. 1625DF CARF MF Processo nº 10665.720108/2014-66 Acórdão n.º 1402-003.220 S1-C4T2 Fl. 1.626 3 O contribuinte não emitiu as notas fiscais referentes a prestação de serviços gerais, caracterizando omissão de receitas da atividade, conforme relatório anexo. IRPJ - IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA 2.1.1 O demonstrativo da apuração constante do Auto de Infração detalha a apuração do imposto devido, apurada pelo Lucro Arbitrado - AC 2009 e 2011 e Lucro Presumido -2010, alcançando o valor de R$ R$ 1.924.591,07 + multa de ofício de 150% + juros de mora. CSLL - CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO 2.1.2 O demonstrativo da apuração constante do Auto de Infração detalha a apuração da contribuição devida, Lucro Arbitrado - AC 2009 e 2011 e Lucro Presumido - 2010, alcançando a soma de R$ 676.106,38 + multa de ofício de 150% + juros de mora. COFINS - CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL 2.1.3 O demonstrativo da apuração constante do Auto de Infração detalha a apuração da contribuição devida, apurada pela Incidência Cumulativa Padrão, encontrando um total de R$ 112.129,43 + multa de ofício de 150% + juros de mora. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP 2.1.4 O demonstrativo da apuração constante do Auto de Infração detalha a apuração da contribuição devida, apurada pela Incidência Cumulativa Padrão, encontrando um total de R$ 517.520,26 + multa de ofício de 150% + juros de mora. 2.2 O enquadramento legal da infração, bem como das multas de ofício e dos juros de mora encontram-se apostos no Auto de Infração. Descrição dos fatos - Detalhamento 3 A descrição dos fatos encontra-se no Termo de Verificação Fiscal às fls. 106 a 118, onde, em síntese, o fisco detalha o procedimento: 3.1 O contribuinte foi intimado a apresentar seus livros fiscais e contábeis e documentos que ampararam os lançamentos efetuados nestes livros, além de demonstrativo das exclusões da base de cálculo dos tributos. 3.1.1 Expirado o prazo concedido ao contribuinte para atendimento à intimação, este se manteve silente; nesta ocasião constatou-se que no endereço indicado pelo contribuinte não funcionava nenhuma empresa. Como decorrência foi declarada a inaptidão do CNPJ da empresa através do ADE n° 38, de 24/07/2013. Fl. 1626DF CARF MF Processo nº 10665.720108/2014-66 Acórdão n.º 1402-003.220 S1-C4T2 Fl. 1.627 4 3.1.2 Declarada a inaptidão da empresa, foram intimados os sócios HILDA FONSECA e HYNDE FONSECA FILHO para que indicassem o local de atividade da empresa ou regularização da sua situação cadastral no caso de inatividade. 3.1.3 Nos termos do art. 135 do CTN, restou caracterizada a responsabilidade pessoal do sócio administrador da pessoa jurídica - HILDA FONSECA - por ter excluído do fisco obrigações de sua responsabilidade enquanto em atividade e por encerrar de forma irregular a empresa quando não quitou tributos/contribuições apurados pela auditoria. 3.2 O sócio HYNDE FONSECA FILHO compareceu à DRF Divinópolis/MG solicitando prorrogação de prazo para atendimento à intimação, informando que a empresa não emitia notas fiscais e que o faturamento era através de acordos com os clientes, sem formalização de documentos. 3.2.1 O Sr. LUIZ CLÁUDIO LIMA compareceu à DRF, apresentando cópias encadernadas onde supostamente consta o movimento de caixa da empresa nos anos de 2006 a 2011, planilhas de faturamento do período, DIPJ's de 2009 a 2012, contrato social e alterações. 3.3. Analisando os documentos apresentados, constatou-se: • Os relatórios - considerados livros caixas - não estão assinados. • Não foram apresentadas notas fiscais ou documentos fiscais idôneos a comprovar a receita apurada em relatórios de Livro Caixa. • No Contrato Social e Alterações consta que a empresa continua funcionando em local em que não foi encontrada. • Não foram apresentadas respostas às intimações em desfavor dos sócios para manifestação acerca do funcionamento da empresa. 3.3.1 Diante da ausência da documentação, foi efetuada circularização dos tomadores de serviços pela empresa - através da DIRF. Em setembro/2013 o contador da empresa apresentou demonstrativo de registro de faturas do período de 2008 a 2011; tal demonstrativo não foi assinado pelos sócios e não reflete a realidade mostrada pelas cópias das notas fiscais, comprovantes de pagamento e recibos, obtidos do procedimento de circularização. Nos registros apresentados, os valores supostamente faturados são muito inferiores aos informados pelos tomadores de serviços. 3.3.2 Em novembro/2013 o contribuinte foi intimado a apresentar Escrituração Digital Contábil (SPED CONTÁBIL) sob pena de arbitramento do lucro, considerando que sua DIPJ foi apresentada como INATIVA, informação incompatível com as informações prestadas pelos tomadores de serviços. O contribuinte foi cientificado dos documentos apresentados pelos seus tomadores de serviços. Fl. 1627DF CARF MF Processo nº 10665.720108/2014-66 Acórdão n.º 1402-003.220 S1-C4T2 Fl. 1.628 5 3.3.2.1 Em resposta, o contribuinte informa que não reconhece os valores das planilhas apresentadas pelo fisco e que tais valores não coincidem com as declarações por ele apresentadas e que não possui itens registrados no ativo permanente ou imobilizado. 3.4 Neste contexto, foi lavrado o Auto de Infração, amparado nas divergências entre valores informados em DIPJ e os informados por terceiros em DIRF e à resposta dos tomadores de serviços circularizados, conforme planilha anexa. 3.4.1 Para os anos calendários de 2009 e 2011 o contribuinte apresentou DIPJ como inativo. Tendo em vista que o contribuinte não apresentou a sua contabilidade regular, para este período a apuração dos tributos e contribuições através do Lucro Arbitrado. Para o AC de 2010 os tributos e contribuições foram apurados pela forma de Lucro Presumido. 3.5 Foi efetuada Representação Fiscal para Fins Penais - RFFP ao Ministério Público, tendo em vista que as condutas praticadas pelo contribuinte evidenciam os ilícitos penais descritos na Lei n° 8.137, de 1990: • Em todo o procedimento fiscal o contribuinte omitiu a verdade dos fatos. • Para o período em análise - 2009 a 2011 - o contribuinte informou em sua DIPJ valores inferiores ao apurado pelo fisco quando da auditoria. 3.6 Foi aplicada a multa qualificada de 150%, considerando que as condutas adotadas pelo contribuinte enquadram-se no art. 71 e incisos da Lei n° 4.502, de 1964. A empresa STREET PUBLICIDADE E COMUNICAÇÕES LTDA foi cientificada do lançamento em 07/03/2014, conforme Edital de Intimação (fls. 1537), contudo não apresentou impugnação ao auto de infração. 4. HILDA FONSECA, responsável solidária e sócia da empresa, foi cientificada do lançamento em 06/02/2014 conforme Aviso de Recebimento (fls. 1536). Irresignada, apresentou - via postal - em 06/03/2014 a impugnação anexada às fls. 1541 a 1545. Em síntese, o documento apresentado: Impugnação do Lançamento 5. A empresa STREET PUBLICIDADE E COMUNICAÇÕES LTDA, atualmente sem movimento, com CNPJ suspenso e sem funcionamento, requer reconsideração do Auto de Infração. 5.1 A empresa deveria ser transferida para São Paulo - em decorrência do falecimento do Sr. ITAMAR JOSÉ FONSECA, ex-sócio - onde ser encontram os sócios atuais da empresa, HILDA FONSECA e HYNDE FONSECA FILHO; houve demora desse procedimento. Tal mudança não foi oficialmente efetivada. Fl. 1628DF CARF MF Processo nº 10665.720108/2014-66 Acórdão n.º 1402-003.220 S1-C4T2 Fl. 1.629 6 6. Intimados pelo fisco, os sócios apresentaram os documentos solicitados pelo fisco. Tais documentos, em comparação com as informações disponíveis ao fisco, entregues pelos clientes, fez com que os sócios tomassem conhecimento das discrepâncias. 6.1 Destaca que há uma diferença considerável dos impostos e contribuições apurados pela empresa e os encontrados pelo fisco. 6.1.1 Esclarece que no ramo de atividade da empresa é muito comum o cliente fechar um orçamento único para cada campanha publicitária, com descriminação de todos os itens; afirma que geralmente são embutidos os serviços dos subcontratados, mencionando participação de 10 % normalmente. Neste contexto, argumenta que os valores recebidos são diferentes dos lançados como real faturamento, usado em sua base de cálculo dos impostos. 6.1.2 Acrescenta ainda que na contratação dos serviços os clientes se comprometem a recolher os impostos, retidos na fonte, sobre os valores brutos efetivamente pagos. Alega que a o percentual de retenção é de 11,65%; e que dessa forma "deveríamos estar totalmente quites com a Receita Federal" 6.2 Argumenta que comparando o faturamento bruto da empresa informado na DIPJ conclui que os valores computados pelo fisco representam o dobro do faturamento real. 6.3 Diante dos argumentos e documentos apresentados, conclui que a empresa não tem, nem nunca terá, capacidade de pagamento ou condições de pedir parcelamento. 6.4 Nestes termos, considerando a sua realidade financeira, perspectivas comerciais e de seus sócios, solicita o acolhimento da "manifestação de incapacidade de solução" Complementa-se a seguir o relatório da Instância a quo: Em 25/07/2014, HILDA FONSECA, responsável solidário, foi cientificado do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), através de intimação encaminhada para o seu domicílio, conforme cópia do Aviso de Recebimento, reproduzida a seguir. Fl. 1629DF CARF MF Processo nº 10665.720108/2014-66 Acórdão n.º 1402-003.220 S1-C4T2 Fl. 1.630 7 Em 05/08/2014, o contribuinte STREET PUBLICIDADE E COMUNICAÇÕES LTDA foi cientificado do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), através do Edital de Intimação nº 02/2014. Em 27/08/2014, transcorrido o prazo regulamentar e não tendo o Responsável Solidário HILDA FONSECA apresentado, tempestivamente, recurso à instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, foi lavrado pela Unidade Local o Termo de Perempção (fls.1621). Nesta mesma data, inconformado com a decisão de 1ª Instância, HILDA FONSECA interpôs recurso voluntário, através de correspondência encaminhada para a Delegacia da Receita Federal em Divinópolis/MG, conforme reprodução seguinte. Fl. 1630DF CARF MF Processo nº 10665.720108/2014-66 Acórdão n.º 1402-003.220 S1-C4T2 Fl. 1.631 8 Fl. 1631DF CARF MF Processo nº 10665.720108/2014-66 Acórdão n.º 1402-003.220 S1-C4T2 Fl. 1.632 9 Fl. 1632DF CARF MF Processo nº 10665.720108/2014-66 Acórdão n.º 1402-003.220 S1-C4T2 Fl. 1.633 10 O Responsável Solidário requer em seu recurso voluntário, "a revisão dos cálculos de Imposto de Renda e Contribuição Social, além da Cofins e PIS, lançados e finalizados contra a empresa pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis/MG". Alega que: "Não podemos registrar como faturamento valores efetivamente não recebidos; não podemos pagar os impostos calculados sobre valores que nunca recebemos; não temos condição financeiras ou patrimoniais para garantir a liquidação de dívida arbitrada." Em 05/09/2014, transcorrido o prazo regulamentar e não tendo o contribuinte STREET PUBLICIDADE E COMUNICAÇÕES LTDA apresentado recurso à instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, foi lavrado pela Unidade Local o Termo de Perempção (fls.1622). Fl. 1633DF CARF MF Processo nº 10665.720108/2014-66 Acórdão n.º 1402-003.220 S1-C4T2 Fl. 1.634 11 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O prazo para interposição de recurso voluntário em face de decisão de 1ª Instância é disciplinado pelo Art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 06 de março de 1972, transcrito a seguir. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Considera-se feita a intimação na data registrada no comprovante de entrega do domicílio do sujeito passivo, de acordo com o Art. 23, §2º, inciso II, do Decreto nº. 70.235, de 06 de março de 1972, transcrito a seguir. Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) [...] § 2° Considera-se feita a intimação: I - na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II - no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Tendo o Responsável solidário sido intimada do Acórdão em 25/07/2014 (sexta-feira), iniciou-se o prazo de 30 (trinta) dias para interpor recurso voluntário em 28/07/2015 (segunda-feira), e teve o seu término em 26/08/2014 (terça-feira). Portanto o recurso voluntário interposto, em 27/08/2014, é intempestivo. Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 10665.720108/2014-66 Acórdão n.º 1402-003.220 S1-C4T2 Fl. 1.635 12 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário por intempestivo. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 1635DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12915.001226/2008-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2202-000.819
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: 1- identifique o(s) processo(s) principais e informe se foi oposta impugnação e recurso voluntário, apontando a existência ou não de decisão final sobre a matéria de haver ou não relação empregatícia entre a Contribuinte e as pessoas físicas identificadas no presente AIOA; 2- caso haja processo principal ainda não finalizado, sejam os presentes autos apensados a ele, para posterior retorno ao CARF para prosseguimento; e 3- caso (i) não tenha sido constituído crédito principal; (ii) o crédito principal não tenha sido objeto de impugnação; ou (iii) já tenha sido definitivamente julgado o crédito principal, então (iv) os autos sejam devolvidos para continuidade do julgamento, com relatório de diligência.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: 1 identifique o(s) processo(s) principais e informe se foi oposta impugnação e recurso voluntário, apontando a existência ou não de decisão final sobre a matéria de haver ou não relação empregatícia entre a Contribuinte e as pessoas físicas identificadas no presente AIOA; 2 caso haja processo principal ainda não finalizado, sejam os presentes autos apensados a ele, para posterior retorno ao CARF para prosseguimento; e 3 caso (i) não tenha sido constituído crédito principal; (ii) o crédito principal não tenha sido objeto de impugnação; ou (iii) já tenha sido definitivamente julgado o crédito principal, então (iv) os autos sejam devolvidos para continuidade do julgamento, com relatório de diligência. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 29 15 .0 01 22 6/ 20 08 -6 0 Fl. 421DF CARF MF Processo nº 12915.001226/200860 Resolução nº 2202000.819 S2C2T2 Fl. 422 2 Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir a multa da CFL 68. Intimada, a Contribuinte protocolou impugnação, e foi então proferida decisãonotificação retificando para reduzir a multa. Inconformada, interpôs recurso voluntário, ora levado a julgamento. Feito o resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 29/05/2002 foi lavrado auto de infração para constituir o DEBCAD nº 35.447.6505 (fls. 2/9 e docs. anexos fls. 10/19) para constituir a multa de CFL 68, ou seja, por ter omitido fatos geradores em sua GFIP. A autoridade lançadora esclareceu que: "A empresa apresentou a Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social SFIP com omissão nos campos 31 (remuneração sem parcela do 13º salário) e 32 (remuneração 13º) das pessoas físicas relacionadas nos ANEXO I e ANEXO II, sujeito, portanto, á pena administrativa correspondente á multa de cem por cento do valor devido e relativo à contribuição não declarada, conforme o parágrafo 5º do Art. 32 da Lei nº 8.212/91 e limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do art. 32 da lei 8.212/91." fl. 4; Intimada em 14/06/2002 (fl. 41), a Contribuinte protocolou impugnação em 01/07/2002 (fls. 44/50). Foi então proferido o Despacho Decisório de Retificação de Multa nº 65/2002 (fls. 56/57) para corrigir erro de grafia. A Contribuinte foi intimada desse despacho em 22/12/2002 (fl. 61), sendo reaberto prazo para se defender. Protocolou então aditamento à impugnação em 09/01/2003 (fls. 63/71). Foi formalizado relatório fiscal complementar do auto de infração (fls. 76/94 e docs. anexos fls. 95/160), no qual a autoridade lançadora pormenorizou os fundamentos do lançamento, esclarecendo os elementos de fato que justificaram o reenquadramento dos vínculos como de emprego. A Contribuinte foi intimada em 07/04/2003 (fl. 163), sendolhe reaberto prazo para defesa. Protocolou nova impugnação em 22/04/2003 (fls. 165/176). Foi, enfim, proferido o despacho decisório de retificação da multa nº 21431/0059/2003 (fls. 184/188), que retificou o lançamento para excluir da base de cálculo os valores referentes a Yassuco Nagata, reduzindo consequentemente a multa imposta. Intimada em 11/08/2003 (fl. 191), a Contribuinte protocolou "aditamento à impugnação" em 25/08/2003 (fls. 195/204). Foi proferida então a decisãonotificação nº 21 431/0181/2003 (fls. 209/237) que manteve a decisão anterior. Em 14/10/2003 foi juntado (fl. 240) aos autos AR registrando a intimação da Contribuinte em 06/10/2003 (fl. 241). Ainda inconformada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário em 03/11/2003 (fls. 244/261), argumentando, em síntese, Fl. 422DF CARF MF Processo nº 12915.001226/200860 Resolução nº 2202000.819 S2C2T2 Fl. 423 3 · Que não há responsabilidade tributária do sócio vez que não ocorreu nenhuma das hipóteses do art. 135 do CTN; · Que não cabe ao INSS caracterizar o vínculo empregatício; · Que inexiste relação de emprego entre a Contribuinte e os profissionais apontados no AI; · Que, a autoridade lançadora não apresentou provas hábeis e idôneas a fundamentar as suas alegações; · Que o lançamento se baseou em analogia, o que é vedado pelo art. 108, § 1º, do CTN; · Que não houve adequada descrição da multa, não tendo a Lei em sentido estrito indicado a penalidade, e não podendo a norma infralegal impor a multa; · Que a multa possui nítido caráter confiscatório; e · Que os juros devem se limitar à taxa máxima de 1% ao mês, em conformidade com o art. 161, § 1º, do CTN e art. 192, § 3º, da CF, não podendo ser aplicada a taxa equivalente ao mercado financeiro. Ante a negativa de encaminhamento dos autos por falta de comprovação do depósito recursal (fls. 262/264), a Contribuinte protocolou petição informando ter impetrado Mandado de Segurança para afastar tal exigência (fls. 269/270 e docs. anexos fls. 271/280) e posteriormente peticionou novamente informando ter transitado a decisão judicial favorável a seu pleito (fls. 400/401). Foram juntados aos autos cópias do MS (fls. 271/280, 283/288, 295/309, 325, 330/333, 336/339, etc.). A Procuradoria então se manifestou no sentido de que, diante da informação da Contribuinte, fosse analisada a admissibilidade do recurso voluntário (fl. 413). É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, e portanto dele conheço. Diligência Os presentes autos versam sobre a multa de CFL 68. Foram distribuídos no mesmo lote/sorteio outros dois processos da mesmo Contribuinte, de nº 12915001211/200800 e nº 12915.001212/200846, sem serem apensados. Estes versam, respectivamente, sobre a Fl. 423DF CARF MF Processo nº 12915.001226/200860 Resolução nº 2202000.819 S2C2T2 Fl. 424 4 CFL 8 (apresentar livros contábeis que não atendem às formalidades legais exigidas) e a CFL 38 (deixar de apresentar documentos solicitados). Percebese, portanto, que não vieram sorteados os autos em que se discute o crédito principal, ou seja, o crédito das Contribuições Sociais propriamente ditas. Acontece que nestes autos não há indicação de qual é o DEBCAD / processo administrativo que contém o referido crédito decorrente do tributo. Nem mesmo há indicação se foi constituído tal crédito. De outro lado, consultando no sistema do CARF é possível observar que existem também os processos de nº 12915.001215/200880 e nº 12915.001218/200813, cuja matéria desconheço. Mais, consta uma anotação a mão registrando a existência de outros 4 (quatro) DEBCAD com números contínuos, supostamente referentes à mesma Contribuinte (fl. 386). Esclarecidos esses fatos, observase que o crédito tributário decorrente da multa pela falta de declaração dos fatos geradores decorre, naturalmente, da existência de um tributo principal a ser declarado. Se não há fato gerador a ser declarado, não há multa pela falta de sua declaração. No presente caso a multa se baseia no fato de que a Contribuinte não declarou a existência de segurados empregados. Portanto, para saber se é devida a multa é necessário identificar se houve o fato gerador omitido, ou seja, se havia ou não a relação empregatícia. Já prevendo a hipótese em que o julgamento de um processo dependa do deslinde de matéria contida em outros autos, o art. 6º do Anexo II ao RICARF estabelece que os processos conexos, decorrentes ou reflexos poderão ser distribuídos em conjunto ou poderão ser requisitados pelo conselheiro prevento. Estabelece, outrossim, que sendo reflexos ou decorrentes, deverão ser convertidos em diligência para vinculação ao processo principal, caso este não se encontre no CARF. Se é verdade que o julgamento do presente processo pode ser feito de forma independentemente, caso não haja processo principal como na hipótese de o Contribuinte ter pago o referido tributo ou a autoridade lançadora ter apropriado valores disponíveis para quitá lo, por exemplo , tal medida é inconveniente caso o processo principal ainda não tenha sido julgado. Havendo um processo no qual se discute a existência ou não do fato gerador do tributo, a melhor solução é que o resultado nele alcançado seja repetido quanto a essa matéria de haver ou não o fato gerador nos processos referentes à multa por omissão do fato gerador. Contudo, mais uma vez: não há nos autos indicação da existência ou não de um processo constituindo o crédito referente ao tributo nem de qual seria esse processo, se houver. Por essa razão, entendo ser necessário baixar os autos em diligência para: 1. Que identifique o(s) processo(s) principais e informe se foi oposta impugnação e recurso voluntário, apontando a existência ou não de decisão final sobre a matéria de haver ou não relação empregatícia entre a Contribuinte e as pessoas físicas identificadas no presente AIOA; 2. Que, caso haja processo principal ainda não finalizado, sejam os presentes autos apensados a ele, para posterior retorno ao CARF para prosseguimento; e Fl. 424DF CARF MF Processo nº 12915.001226/200860 Resolução nº 2202000.819 S2C2T2 Fl. 425 5 3. Que, caso (i) não tenha sido constituído crédito principal; (ii) o crédito principal não tenha sido objeto de impugnação; ou (iii) já tenha sido definitivamente julgado o crédito principal, então (iv) os autos sejam devolvidos para continuidade do julgamento, com relatório de diligência. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 425DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000255/00-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1996, 1997 Ementa: Verificada a omissão no acórdão proferido em sede de embargos, devem ser acolhidos os novos embargos para acrescentar à fundamentação da decisão embargada que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais está vedado a se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, in casu, da lei que disciplina a multa aplicada.
Numero da decisão: 1301-000.599
Decisão: Acordam os membros da Turma, por unanimidade, receber e prover os embargos de declaração, para acrescentar ao Acórdão nº 1102-00.049, a fundamentação referente à impossibilidade deste Conselho de se pronunciar sobre a tese de defesa de que a multa aplicada ofende o art. 150, inciso IV, da Constituição Federal.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Alberto Pinto Souza Junior
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Embargante Instituto Iguatemi de Clínicas e Pronto Socorro S/A Interessado Fazenda Nacional Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1996, 1997 Ementa: Verificada a omissão no acórdão proferido em sede de embargos, devem ser acolhidos os novos embargos para acrescentar à fundamentação da decisão embargada que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais está vedado a se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, in casu, da lei que disciplina a multa aplicada. Acordam os membros da Turma, por unanimidade, receber e prover os embargos de declaração, para acrescentar ao Acórdão nº 110200.049, a fundamentação referente à impossibilidade deste Conselho de se pronunciar sobre a tese de defesa de que a multa aplicada ofende o art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. ﴾documento assinado digitalmente﴿ Alberto Pinto Souza Junior – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Na sessão plenária de 06 de dezembro de 2007, a QUINTA CÂMARA do extinto PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES julgou o Recurso nº 159.124 de interesse do INSTITUTO IGUATEMI DE CLÍNICAS E PRONTO SOCORRO S/A e, mediante Acórdão nº 10516.818, fls. 412 a 422, decidiu: “por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar as exigências do PIS/REPIQUE e CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO relativos ao fato gerador ocorrido em 31 de março de 1995, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado”. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 7/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Cientificada deste Acórdão em 10/09/2008, fls. 428v, a interessada apresentou Embargos de Declaração, em 12/09/2008, fls. 433 a 442. Em função destes embargos, a então PRIMEIRA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em sessão plenária realizada em 29/09/2009, proferiu o Acórdão nº 110200.049, fls. 447 a 449, que decidiu “por unanimidade de votos, ACOLHER OS EMBARGOS para reconhecer e suprir a omissão, e ratificar o acórdão embargado, nos termos do voto que passam a integrar o presente julgado.” Cientificada deste último Acórdão em 25/11/2010, a interessada junta aos presentes autos novos Embargos de Declaração, fls. 457 a 463, mediante a qual apresenta novas razões recursais, agora fazendo referência a ambos acórdãos mencionados anteriormente, fls. 457. Nessa oportunidade, sustenta, em resumo, que as decisões hostilizadas incorreram em omissão ao deixar de se manifestar sobre o cancelamento ou redução da multa por ofensa ao princípio do não confisco e sobre a aplicação da Taxa Selic como juros de mora, incidindo apenas sobre o principal sem multa. Voto Inicialmente, cabe esclarecer que os novos embargos de declaração só podem versar sobre omissões, contradições ou obscuridades cometidas pelo julgador no último acórdão, ou seja, naquele que julgou os primeiros embargos de declaração. Assim, não conheço dos embargos de declaração no que se refere à aplicação da da taxa selic como juros de mora, incidindo apenas sobre o principal sem multa, uma vez que a matéria não foi ventilada nos primeiros embargos de declaração (fls. 433 a 442), razão pela qual, não estava o julgador obrigado a se pronunciar sobre ela. Por outro lado, o Acórdão nº 10516.818, que julgou o recurso voluntário, não pode mais ser embargado, porque já ocorreu a preclusão consumativa com a apresentação dos primeiros embargos de declaração. Ad argumentadum tantum, o Acórdão nº 10516.818 enfrentou a matéria relativa à aplicação da taxa selic como juros de mora (vide fls. 421). No que tange à aplicação da taxa selic apenas sobre o principal, isso é matéria nova trazida apenas nestes novos embargos de declaração, razão pela qual, ainda que a decisão sobre o recurso voluntário pudesse ser embargada, não poderia ser por tais matérias. Conheço, porém, dos embargos de declaração no que toca à primeira matéria (cancelamento ou redução da multa por ofensa ao princípio do nãoconfisco), pois o recurso é tempestivo e a matéria, embora ventilada pelo contribuinte nos seus primeiros embargos, não foi objeto de pronunciamento pelo Conselheiro Relator do Acórdão nº 110200.049 (doc. fls. 447 a 449), razão pela qual passo a suprir a omissão. Com relação à tese da contribuinte de que a multa aplicada é confiscatória e que, assim, ofende o art. 150, inciso IV da Constituição Federal, cabe esclarecer que tal matéria não pode ser apreciada por este Tribunal Administrativo, já que discute a constitucionalidade de lei, in casu, daquelas indicadas como fundamento legal da multa aplicada (doc. às fls. 245 dos autos). A falta de competência desta instância de julgamento para apreciar tese de inconstitucionalidade de lei, hoje, já é objeto da Súmula CARF nº 2, a qual veda expressamente este Tribunal de se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do acima exposto, voto no sentido de receber e prover os embargos, para acrescentar ao acórdão nº 110200.049, a fundamentação referente que este Conselho está Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 7/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000255/0010 Acórdão n.º 1301000.599 S1C3T1 Fl. 2 3 vedado a se pronunciar sobre a tese de defesa de que a multa aplicada ofende o art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. ﴾documento assinado digitalmente﴿ Alberto Pinto S. Jr.. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 7/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001339/2005-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
OMISSÃO DE FUNDAMENTAÇÃO.
Deve ser suprida a omissão de acórdão quanto ao fundamento da decisão adotada em relação à decadência.
Numero da decisão: 1302-002.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado para impedimentos dos conselheiros).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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PAGAMENTOS REALIZADOS. Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado TELERJ CELULAR S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 OMISSÃO DE FUNDAMENTAÇÃO. Deve ser suprida a omissão de acórdão quanto ao fundamento da decisão adotada em relação à decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e acolhêlos, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado para impedimentos dos conselheiros). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 13 39 /2 00 5- 65 Fl. 2887DF CARF MF 2 Tratase de embargos de declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda, ante o Acórdão nº 1302001795, proferido em 1º de março de 2016 (fls.2778/2800), requerendo seu saneamento/retificação sob os seguintes fundamentos: Ocorre que o acórdão embargado foi omisso sobre questão essencial ao deslinde da controvérsia. No voto condutor constou: “Da decadência (...) No que toca aos créditos de Cofins e de Contribuição para o PIS, aplica se o prazo de cinco anos estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN, uma vez que e o art. 45 da Lei 8.212/91 já foi definitivamente declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (Súmula Vinculante nº 8). Logo, estão extintos pela decadência os créditos relativos ao fato gerador de 31/03/2000 (referentes à Omissão de Receita Operacional caracterizada pela não contabilização de custos de aquisição de aparelho celular digital LGC330W, em 31/03/2000), cujos montantes perfazem: Cofins............ R$ 105.887,52 (doc. a fls. 138); PIS..................R$ 22.942,29 (doc. a fls. 133)." (grifo do original) Como visto, no acórdão embargado não foi indicada a existência de recolhimentos parciais dos tributos exigidos (PIS e COFINS) para o período reconhecido como decaído (fato gerador ocorrido em 31/03/2000). No acórdão de primeira instância também não consta essa informação. Ao revés. Ao analisar a matéria, a DRJ de origem aplicou o disposto no art. 173, I, do CTN: Assim, a D. Procuradoria entende que o acórdão recorrido foi omisso em sua fundamentação, uma vez que não se pronunciou acerca do entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estampado no REsp 973733/SC, julgado na forma de recurso especial repetitivo, bem como sobre o disposto no artigo 62, § 2º do RICARF/2015. E afirma: Na verdade, o acórdão embargado não trouxe nenhum fundamento para justificar a contagem do prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º, em detrimento do art. 173, inciso I, do CTN. Daí a omissão apontada. (...) Sequer há qualquer consideração no julgado objeto dos presentes embargos para afastar, de forma fundamentada, a aplicação do entendimento agora objeto de recurso repetitivo proferido pelo STJ. Vejase que o artigo 62, § 2º do RICARF determina a obrigatoriedade de reprodução dos referidos entendimentos. Aduz o Embargante que a jurisprudência deste Conselho consolidou o entendimento de que a regra de contagem do prazo decadencial constante do art. 150, § 4º do CTN é aplicada tãosomente diante da existência, comprovada nos autos, de pagamento parcial das contribuições devidas. Por outro lado, continua, a inexistência de pagamento parcial implica na utilização da regra de contagem constante do art. 173, I, do CTN. Ao final, pede: (a) seja conhecido o presente recurso, face à observância aos requisitos de admissibilidade previstos art. 64, inciso I e art. 65, ambos do Anexo II, do Fl. 2888DF CARF MF Processo nº 18471.001339/200565 Acórdão n.º 1302002.869 S1C3T2 Fl. 2.888 3 Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009; (b) seja dado total provimento ao presente recurso, para sanar/retificar os vícios acima apontados no acórdão embargado. Os embargos foram admitidos em Despacho do Presidente desta Turma Ordinária, datado de 21 de junho de 2016. A TELERJ apresentou contrarrazões aos embargos, juntados como arquivo não paginável à folha 2835 dos autos, alegando, resumidamente, que: a) o REsp nº 973.733/SC foi julgado pelo STJ em 12.08.2009, posteriormente ao protocolo da impugnação aos autos de infração, ocorrida em 21.11.2005 (fl. 167) e ao recurso voluntário protocolado em 02.05.2006 (fl. 531). b) à época só havia discussão entre o prazo decenal e quinquenal, cuja superação se deu com a Súmula Vinculante nº 8 do STF, que julgou inconstitucional o prazo decenal, firmando entendimento que o prazo era o quinquenal previsto no CTN; c) somente a partir daí passouse a discutir o termo inicial do prazo decadencial, entre o art 173, inciso I e o art.150, § 4º do CTN. Prova disso é a farta jurisprudência administrativa juntada à impugnação e ao recurso voluntário; d) em suma, o que se quer demonstrar é que a aplicação jurisprudencial não pode vir dissociada do contexto em que inserida, sob pena de impor óbices intransponíveis aos contribuintes; e) de toda sorte, o direito da contribuinte fica assegurado com a juntada dos comprovantes de pagamento (doc. 1) relativos ao PA 03/2000 (para o qual foi reconhecida a decadência pelo art. 150, § 4º do CTN), onde ficam evidenciados os recolhimentos de PIS e Cofins nos valores de R$894.154,26 e R$4.126.865,81, respectivamente (comprovantes ao final do arquivo nãopaginável). f) registra, por fim, que a jurisprudência do CARF consagrou o entendimento de que a decadência é matéria de ordem pública, não se lhe aplicando a preclusão para a apreciação de um de seus pressupostos. Requer o desprovimento dos embargos interpostos pela Fazenda Nacional. Em que pese a juntada dos comprovantes emitidos pela RFB pela contribuinte, conforme acima apontado, esta Turma emitiu Resolução (fls. 2836/2842), convertendo o julgamento dos embargos em diligência, para que a Unidade de origem informasse se constava recolhimento de PIS e Cofins para o referido período. Em sucinto relatório, a autoridade administrativa responsável pela diligência informou que, para o período de apuração de março de 2000, constam pagamentos de PIS, no valor de R$894.154,26 e Cofins, no valor de R$4.126.865,81, em nome da Recorrente. A Empresa apresenta manifestação sobre a diligência, reafirmando que, ante a confirmação do recolhimento, é inquestionável a aplicação da regra decadencial prevista pelo art. 150, § 4 do CTN, pelo que o fisco dispunha de cinco anos a partir da data do fato gerador, Fl. 2889DF CARF MF 4 prazo que findou em 31.03.2005. Assim, decairam os lançamentos contituídos que foram em 18.10.2005. Acrescenta, nesta mesma peça, que os embargos de declaração por ela interpostos em 10.04.2017 ainda não foram objeto de juízo de admissibilidade, requerendo que este Relator promova o regular processamento do citado recurso, prezando pela celeridade processual. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator O acórdão recorrido reconhece a decadência em relação aos lançamentos de PIS e Cofins, cujo fato gerador ocorreu em 31 de março de 2000, nos valores respectivos de R$22.942,29 e R$105.887,52. A única fundamentação apresentada diz respeito à inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991, nos termos definidos pela Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal (STF). A Procuradoria da Fazenda Nacional invoca, em sede de embargos declaratórios, a aplicação da norma trazida pelo artigo 62, § 2º do Anexo II do RICARF/2015, ante o julgamento do REsp 973733/SC, abaixo transcritos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.. Redação atual do § 2º: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO Fl. 2890DF CARF MF Processo nº 18471.001339/200565 Acórdão n.º 1302002.869 S1C3T2 Fl. 2.889 5 CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” A aplicação do termo inicial previsto no § 4º do artigo 150 do CTN requer, conforme decidido no julgamento acima transcrito, o pagamento antecipado, caso contrário o prazo começa a correr do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, como descrito no inciso I do art. 173 do mesmo código. Fl. 2891DF CARF MF 6 A Empresa apresentou contrarrazões quanto aos embargos apresentados, alegando (i) que teria feito pagamentos para os dois tributos em relação àquele fato gerador, juntando comprovantes, e (ii) que a decisão judicial é posterior à impugnação e ao recurso voluntário, pelo que estaria dissociada do contexto, impondo óbices intransponíveis aos contribuintes. Apesar da juntada de telas dos sistemas da RFB pela TELERJ, este turma proferiu resolução convertendo o julgamento em diligência para informação sobre a existência de pagamentos, cujo relatório confirmou o que a empresa alegara. Quanto a alegação de que a decisão em recurso repetitivo é posterior à impugnação e ao recurso voluntário, totalmente sem razão a Contribuinte. A decisão judicial nada mais faz do que apresentar a interpretação correta do conjunto normativo, não criando nada, apenas dizendo como deve ser aplicada a lei. Assim, aos que apresentaram entendimento diverso em relação à execução normativa a qualquer tempo, uma vez firmada a assertiva, não há exegese diferente passível de utilização, em especial nos julgados deste Conselho, à vista do citado § 2º do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno. Mais ainda pela aplicação favorável a sua tese, pois uma vez confirmada a existência de pagamentos realizados pela empresa em relação aos fatos geradores de PIS e Cofins de 31 de março de 2000, e em conformidade com o julgamento do REsp 973733/SC, o prazo inicial deve ser a data do fato gerador, o que conduz à data limite para lançamento de 31 de março de 2005. Tendo sido dada ciência pessoal em 20 de outubro de 2005 (fls. 130 e 135) fica confirmada a decisão recorrida. Feitas essas considerações, razão assiste à Embargante, motivo pelo qual conheço dos embargos e os acolho, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão quanto à fundamentação do reconhecimento da decadência dos lançamentos de PIS e Cofins, forte no § 4º do art. 150 do CTN, uma vez que decorre do entendimento sufragado pelos Ministros do STJ na decisão do REsp 973733/SC que entendem que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial, nos casos de lançamento por homologação com pagamento antecipado pelo contribuinte, é o fato gerador do tributo. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 2892DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.903041/2012-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido.
Numero da decisão: 1402-003.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado).
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RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 30 41 /2 01 2- 77 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10882.903041/201277 Acórdão n.º 1402003.152 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu compensação. O PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de IRPJ, decorrente de recolhimento com Darf. Constatouse, no Despacho Decisório, que, na data de transmissão do documento em análise, já estava extinto o direito de utilização do crédito, por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF e a data de transmissão do PER/DCOMP. Diante do exposto, a compensação declarada NÃO foi HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o DCOMP original com demonstrativo de crédito foi transmitido dentro do prazo de cinco anos para recuperação de pagamentos indevidos. Alegou, ainda, que, uma vez feita a declaração do crédito dentro do prazo legal, não se há de mencionar a extinção do direito de sua utilização. A decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Extraise do voto: A existência de DCOMP transmitida antes da extinção do direito de pleitear restituição de determinado pagamento não legitima compensações com ele efetuadas depois da extinção. A declaração de compensação não interrompe a contagem do prazo para extinção do direito de pedir restituição. O art. 42 da IN RFB n.º 1.300, de 2012, dispõe que o crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da “Declaração de Compensação” somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido mediante “Pedido de Restituição” ou “Pedido de Ressarcimento” formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional (idêntica disposição se encontra no art. 27 da IN SRF n.º 460, de 2004, no art. 27 da IN SRF n.º 600, de 2006, e no art. 35 da IN RFB n.º 900, de 2008). Portanto, o fato de o crédito ser superior ao débito não altera a natureza da “Declaração de Compensação”, que não supre a falta do “Pedido de Restituição” do saldo remanescente. A legislação de regência, ao detalhar o direito de restituição de pagamentos indevidos ou maior que o devido, garantido pelo CTN, dentro do prazo de cinco anos contados do pagamento em questão (art. 168, I), no caso, o art. 42 da IN RFB 1300, de 2012 e, anteriormente, o art. 35 da IN RFB 900, de 2008, trazem a regra. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10882.903041/201277 Acórdão n.º 1402003.152 S1C4T2 Fl. 4 3 Vejase: Art. 35. O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº20.910, de 6 de janeiro de 1932. Art. 42. O crédito do sujeito passivo, para com a Fazenda Nacional, que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº20.910, de 6 de janeiro de 1932. Inconformado, o autuado interpôs Recurso Voluntário a esta Colenda Turma, requerendo:sejam acolhidas todas as razões de fato e de direito expendidas na peça recursal, homologandose, por decorrência, a compensação objeto da Declaração de Compensação que instrui o presente contencioso administrativo fiscal. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10882.903041/201277 Acórdão n.º 1402003.152 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.141, de 16/05/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10882.903770/200928, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 23/03/2000, por meio de DCOMP transmitida em 07/10/2005, para compensação de débitos próprios. No presente processo o contribuinte requer a compensação de débitos com a utilização de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 28/02/2003, por meio de DCOMP transmitida em 06/10/2009. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.141): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Consignase, ainda, que o Recurso Voluntário em questão é representativo de controvérsia e, desta forma, foi designado para ser julgado sob o regime de recursos repetitivos. Em síntese, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP no qual pretendia compensar recolhimento indevido e/ou maior que o devido, feito em DARF, com débitos de PIS e COFINS. A DRF de origem, em despacho decisório, não reconheceu o direito creditório, uma vez que havia transcorrido prazo maior do que 5 (cinco) anos entre a data de pagamento do DARF e a data de transmissão da PER/DCOMP. Apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ competente consignou no v. acórdão recorrido que o contribuinte não tinha apresentado, antes do escoamento do prazo de 5 (cinco) anos contados do pagamento do DARF, pedido de restituição ou de ressarcimento de seus créditos. A transmissão de declaração de compensação, antes do final do prazo de 5 (cinco) anos da data de pagamento do DARF não tem o mesmo efeito de pedido de ressarcimento ou restituição, ou seja, não interrompe a contagem do prazo para extinção do direito de pedir a restituição. Em recurso voluntário, o contribuinte reitera que transmitiu PER/DCOMP antes de esgotado o prazo de 5 (cinco) anos para a utilização do pagamento indevido ou maior que o devido feito Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10882.903041/201277 Acórdão n.º 1402003.152 S1C4T2 Fl. 6 5 com DARF; que retificou essa PER/DCOMP original posteriormente ao prazo, bem como transmitiu outras PER/DCOMP, após o prazo de cinco anos, mas referentes ao crédito original, vinculado à primeira PER/DCOMP transmitida antes do decurso do prazo de cinco anos. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Ressaltase, inicialmente, que não há questionamentos quanto ao DARF que originou o crédito utilizado para fins de compensação. A data de seu pagamento é o termo a quo para a contagem do prazo decadencial de cinco anos para que o contribuinte exerça o seu direito à restituição do pagamento indevido ou maior do que o devido, nos termos do art. 168, I, do CTN. Antes de transcorrido o prazo decadencial de cinco anos, o contribuinte transmitiu uma DCOMP informando o seu crédito, bem como declarando a compensação com débitos próprios. Vejase cópia do documento originário de toda a controvérsia, em que se pode observar o "tipo do documento": [...] Adiante vejase o registro do crédito (R$ 17.604,89): [...] Agora vejase as mesmas telas, que o contribuinte chama de PER/DCOMP retificadora: [...] Finalmente, a tela relativa ao crédito informado: [...] Contudo, transcorrido o prazo de cinco anos da data do pagamento do DARF objeto dos créditos do contribuinte, este não fez, conforme relatado anteriormente, "pedido de restituição" do saldo restante de seus créditos. Em verdade, apresentou, posteriormente ao prazo, outras DCOMP, sendo que uma delas retificava a original e outras utilizavam o saldo do crédito em novas compensações declaradas. A questão controvertida a ser decidida, em sede de recurso repetitivo, é se as demais DCOMP, transmitidas após o prazo de cinco anos contados do pagamento indevido ou maior que o devido, sem prévio "pedido de restituição" dentro do prazo de cinco anos, seriam meios hábeis a permitir o exercício do direito de restituição garantido ao contribuinte pelo art. 168, I, do CTN, tomando por origem a DCOMP original, transmitida dentro do prazo decadencial. Vejase que as normas complementares não trazem a possibilidade de uma declaração de compensação ser utilizada para o exercício do direito de restituição nos moldes do art. 168, I, do CTN, demonstrando que, no caso concreto, a DCOMP Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10882.903041/201277 Acórdão n.º 1402003.152 S1C4T2 Fl. 7 6 transmitida antes do encerramento do prazo decadencial de cinco anos não garantiu ao contribuinte o direito de, posteriormente, utilizarse dos créditos remanescentes daquela primeira compensação, os quais restaram fulminados pela decadência. Desta forma, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, reconhecendo que a transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a um pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido. É o voto" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14489.000602/2008-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2002 a 01/05/2003, 01/05/2003 a 31/05/2004, 01/07/2004 a 30/11/2004
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO. EXIGIBILIDADE.
A empresa contratante deverá reter 11% (onze por cento) sobre o valor bruto dos serviços contidos em nota fiscal, fatura ou recibo, e recolher a importância retida em nome da empresa contratada.
Numero da decisão: 2402-006.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer das razões trazidas da tribuna e em sede de memoriais quanto à impossibilidade de retenção de empresas prestadoras de serviços inscritas no Simples e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2002 a 01/05/2003, 01/05/2003 a 31/05/2004, 01/07/2004 a 30/11/2004 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO. EXIGIBILIDADE. A empresa contratante deverá reter 11% (onze por cento) sobre o valor bruto dos serviços contidos em nota fiscal, fatura ou recibo, e recolher a importância retida em nome da empresa contratada.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-11T22:28:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-07-11T22:28:38Z; Last-Modified: 2018-07-11T22:28:38Z; dcterms:modified: 2018-07-11T22:28:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-07-11T22:28:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-11T22:28:38Z; meta:save-date: 2018-07-11T22:28:38Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-11T22:28:38Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-07-11T22:28:38Z; created: 2018-07-11T22:28:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; Creation-Date: 2018-07-11T22:28:38Z; pdf:charsPerPage: 902; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-07-11T22:28:38Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 671 1 670 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14489.000602/200800 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.255 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de junho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente VALESUL ALUMÍNIO S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2002 a 01/05/2003, 01/05/2003 a 31/05/2004, 01/07/2004 a 30/11/2004 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO. EXIGIBILIDADE. A empresa contratante deverá reter 11% (onze por cento) sobre o valor bruto dos serviços contidos em nota fiscal, fatura ou recibo, e recolher a importância retida em nome da empresa contratada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 9. 00 06 02 /2 00 8- 00 Fl. 671DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer das razões trazidas da tribuna e em sede de memoriais quanto à impossibilidade de retenção de empresas prestadoras de serviços inscritas no Simples e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 14489.000602/200800 Acórdão n.º 2402006.255 S2C4T2 Fl. 672 3 Relatório Temse Recurso Voluntário de fls. 650/666, voltado contra Acórdão de fls. 635/644, da 10ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação, reduzindo o crédito tributário ao valor de R$ 25.581,57, mantendo, no mais, o lançamento. Por bem descrever os fatos ocorridos até a interposição do apelo, transcrevo o relatório da decisão zurzida: DO LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 37.093.6876, consolidado em 31/10/2007), no valor de R$ 27.203,36; acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 113/123) referese à retenção de 11% do valor bruto dos serviços contidos em notas fiscais de prestação de serviços, executados mediante cessão de mão de obra ou empreitada, nas competências de 10/2002; 05/2003 a O5/2004 e 07/2004 a 11/2004. 2. Informa a Auditoria Fiscal que os valores das retenções que deveriam ser destacadas nas notas fiscais/faturas emitidas pelas CONTRATADAS e retidas pelo CONTRATANTE, foram obtidos observandose os percentuais legais, aplicados diretamente sobre o valor bruto das notas fiscais emitidas pelos prestadores dos serviços, eis que as bases utilizadas foram menores do que as previstas na legislação ou não houve o destaque do percentual de 11% (onze por cento), nos tennos do artigo 31 da Lei n° 8.212/1991 c/c o artigo 219 do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. 2.1. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 113/ 123, e demonstrativos anexados às fls. 124/128, as contribuições foram apuradas com base nas notas fiscais de prestação de serviços, correspondentes aos serviços considerados como executados mediante cessão de mãodeobra da seguinte natureza: limpeza, higienização, conservação e manutenção ambiental, prestados pela empresa SPECTRO SERVIÇOS LTDA e, o de reflorestamento pela empresa MARIA E DE SOUZAME. 2.2. Integram a autuação os seguintes levantamentos: MAR MARCAR COMERCIAL. 10/2002; SPC SPECTRO SERVIÇOS. 05/2003 a 05/2004 e 07/2004 a 11/2004; DA IMPUGNAÇÃO 3. A interessada interpôs impugnação às fls. 206/222, alegando em suma: 3.1. A tempestividade da impugnação; Fl. 673DF CARF MF 4 3.2. Que a autoridade autuante se limitou, tãosomente, a fazer a descrição do fato gerador do tributo sem, contudo, provar a sua ocorrência; 3.3. Que os “regulamentos” listam diversas atividades definidas ora como empreitada e ora como cessão de mãodeobra, para os fins de aplicação da retenção de 11% pelo contratante, sobre as faturas de prestação de serviços por terceiros contratados; 3.4. Para os fins de aplicação da retenção aqui discutida, não basta que o serviço esteja previsto nos “regulamentos”. E necessário que os serviços sejam prestados mediante cessão de mãodeobra, confonne o conceito legal estabelecido pelo artigo 31, da Lei n° 8.212/91; 3.5. Que conforme descrito na NFLD, a impugnante se utiliza de diversos prestadores de serviços. Embora determinados serviços estejam expressamente listados nos “regulamentos”, os mesmos só estariam sujeitos à retenção, nos termos do artigo 31, § 3°, da Lei n° 8.212/91, se contratados mediante cessão de mãode obra; 3.6. Que não possui qualquer relação de subordinação com as empresas contratadas para realização das atividades de operação, comprovando assim a ausência de cessão de mãode obra; 3.7. Que a cláusula quinta dos contratos de prestação de serviços firmado entre a Impugnante e as prestadoras de serviços Spectro Serviços Ltda. e Maria E de Souza ME, afastam o caráter de subordinação na relação contratual; 3.8. Em que pese o esforço do agente autuante, as justificativas por eles expostas com o objetivo de enquadrar as atividades “operação de usina hidrelétricas”, como uma prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra são, notadamente insuficientes'3 3.9. O conceito doutrinário de cessão de mãode obra impõe necessariamente que os prestadores de serviços fiquem subordinados ao contratante, o qual fica responsável pela coordenação das atividades; 3.10. Em nenhum momento o fiscal autuante demonstrou a existência de uma cessão de mãodeobra, caracterizada pela subordinação dos empregados da contratada à impugnante; 3.11. O Relatório Fiscal está eivado de obscuridade e contradições, por pretender caracterizar a suposta cessão de mãodeobra na prestação de serviços de reflorestamento à Impugnante, cobrada por intermédio de notas fiscais emitidas em período que sequer constitui o objeto da autuação, o que impede a Impugnante de compreender com exatidão os fundamentos que embasam a autuação, prejudicando o seu direito fundamental de defesa; 3.12. No que tange ao contrato finnado com as empresas prestadoras de serviço, este contrato não tem o condão de responsabilizar a empresa pela obrigação, eis que a relação obrigacional tributária é decorrente da lei e não da vontade das partes; Fl. 674DF CARF MF Processo nº 14489.000602/200800 Acórdão n.º 2402006.255 S2C4T2 Fl. 673 5 3.13. Se as partes acordarem entre elas, obrigações prevendo responsabilidades pelo pagamento de tributos, estes só podem decorrer de fato gerador previsto em lei que determine a incidência no tributo; 3.14. Tampouco pode o fiscal presumir que, o contrato firmado entre as partes seja a prova de que deveria a Impugnante reter os valores referentes aos 11% de contribuição social, em todas as notas fiscais apresentadas por terceiros, tendo em vista que muitas notas se resumem somente a valores cobrados sobre materiais utilizados pela empresa e não pela prestação de serviço propriamente; 3.15. Ou seja, a Impugnante irá reter e recolher a contribuição previdenciária no percentual de 11% do valor bruto das notas fiscais das prestadoras de serviços, somente na restrita hipótese prevista em lei, qual seja, a da prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra, o que decerto não ocorreu na espécie' 3.16. Que as notas fiscais, anexas a presente defesa demonstram inequivocadamente o competente destaque dos valores devidos à Seguridade Social a título de retenção de 11%, retidos pelas prestadoras de serviços e os respectivos comprovantes de recolhimento, desta forma, resta afastada a alegação da autoridade fiscal de que o valor da retenção deixou de ser destacado nas notas fiscais e, conseqüentemente repassados, de forma integral, pela tomadora dos serviços, para a Previdência Social; 3.17. Requer a realização de diligências e apresentação de novos documentos, sob pena de violar o princípio da ampla defesa constitucionalmente garantido aos litigantes/contribuintes, bem como, que seja conhecida e provida a presente defesa para declarar extinto o crédito tributário. Em seu recurso, reprisa a empresa recorrente os argumentos lançados em sua peça de Defesa, no sentido em que manifesta sua irresignação nos mesmos pontos anteriormente atacados. Nesse sentido, alega não haver, no caso, que se falar em cessão de mãode obra, uma vez que não teria havido uma análise pormenorizada dos serviços ditos como previstos nos regulamentos aplicáveis à matéria. Assim, o entendimento adotado pela d. DRJ, violaria frontalmente a jurisprudência firmada no e. Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria. Destaca o recorrente, às fls. 656, que: "Tal entendimento, no entanto, viola flagrantemente a jurisprudência firmada pelos Tribunais pátrios, em especial aquele já reiteradamente manifestado pelo Eg. Superior Tribunal de Justiça STJ. Nesse sentido, cumpre destacar trecho do julgamento do REsp n° 499.955', no qual o Ilmo. Ministro Teori Albino Zavascki afirma: Fl. 675DF CARF MF 6 '(..) Além disso, destacase que o rol exemplificativo colocado no § 4 ” do art. 31 deve estar em consonância com as características expostas no § 3°, não se mostrando suficiente,_para a caracterização da cessão de mãodeobra da Lei 8.212/91, a mera realização das atividades elencadas naquele dispositivo. '" Em seguida, aponta que, não se pode falar em "presunção" de que os serviços elencados no §4º do art. 31 da Lei nº 8.212/91, configuramse como de mão de obra, uma vez que, segundo o Regulamento da Previdência Social, estão sujeitos à retenção de 11% aqueles exclusivamente contratados mediante cessão de mãodeobra, conforme o §3º do art. 31 da lei supracitada. Afiança que para que se tenha "cessão de mãodeobra", imporia a dogmática que seria necessária a subordinação, e os demais elementos contidos em lei, o que não ocorre em suas atividades. Aponta que o recurso não pretende discutir a constitucionalidade da retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal, uma vez que tal aspecto já fora afastado. Pretende agora, na verdade, a não inclusão da recorrente no rol de incidência dos tributos ora em debate. Elucida que existe diferença entre a empreitada, mãodeobra e empreitada de obra e, dessa forma, dessa última, não haveria subordinação do empregado do empreiteiro às ordens do contratante, não sendo cabível, portanto, a retenção dos 11% sobre a fatura. Colaciona doutrina e jurisprudência para defesa de seus pontos alegando que, em nenhum momento, nos contratos firmados com suas sócias majoritárias, estiveram presentes os requisitos necessários para configuração do termo "cessão de mãodeobra". Acrescenta, referente aos itens 5.7 e 5.10 do Relatório Fiscal, que os contratos firmados entre as empresas não teriam o condão de responsabilizála pela obrigação tributária, uma vez que ela adviria, necessariamente, da Lei. Às fls. 663, destaca: "Em outras palavras, a cláusula invocada pela fiscalização segundo a qual a contratante seria a responsável pela retenção da contribuição previdenciária somente pode ser interpretada em harmonia com as normas legais vigentes e aplicáveis ao caso, bem como com as demais cláusulas contratuais e aspectos de fato inerentes, no presente caso, à prestação de serviço." E continua, às fls. 664: "Ou seja, a Recorrente irá reter e recolher a contribuição previdenciária no percentual de 11% do valor bruto das notas fiscais das prestadoras de serviços, somente na restrita hipótese prevista em lei, qual seja, a da prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra, o que decerto não ocorreu na espécie." Ao arremate, esclarece que juntou aos autos prova inequívoca de que houve retenção de 11% pelas prestadores de serviço em questão, bem como os respectivos comprovantes de recolhimento das contribuições pela Recorrente no período do lançamento, restando evidenciado que não subsistem as alegações fiscais, pelo que o crédito tributário estaria extinto na forma do art. 156, inc. I do Código Tributário Nacional. Fl. 676DF CARF MF Processo nº 14489.000602/200800 Acórdão n.º 2402006.255 S2C4T2 Fl. 674 7 Requer, portanto, o conhecimento e total provimento do recurso para que se torne inteiramente insubsistente o auto de infração em testilha. É o Relatório. Fl. 677DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1 – Admissibilidade Presentes os pressupostos intrínsecos (legitimidade, interesse, cabimento e inexistência de fato impeditivo ou extintivo) e extrínsecos (tempestividade e regularidade formal) de admissibilidade recursal, votamos por conhecer do recurso e passando à análise de suas razões. 2. Do lançamento e do objeto do recurso. Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD n° 37.093.6876, consolidado em 31/10/2007), no valor de R$ 45.877,89, principal, acrescidos de juros e multa contra a Recorrente por descumprimento de obrigação quanto a retenção e recolhimento de contribuição destinada seguridade social. Tal obrigação estaria lastreada no que dispõe o artigo 31, da Lei n° 8.212/911 e o artigo 219 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, impondo a Recorrente o dever de reter e recolher Contribuição Previdenciária, a razão de 11%, incidente sobre a nota fiscal ou fatura de prestação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, inclusive em regime de trabalho temporário. Os lançamentos combatidos no presente processos referemse a prestação de serviços realizada pelas empresas SPECTRO SERVIÇOS LTDA, CNPJ 03.426.742/000171 1 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). §1º O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) §2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §3º Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §4º Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). §5º O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). §6º Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. Fl. 678DF CARF MF Processo nº 14489.000602/200800 Acórdão n.º 2402006.255 S2C4T2 Fl. 675 9 e MARIA E DE SOUZA ME (MARCAR COMERCIAL), CNPJ 01.915.400/000190, classificadas pelo i. fiscal como executados mediante cessão de mão de obra ou empreitada, nas competências de 10/2002 até 11/2004. O Acórdão objurgado foi parcialmente procedente, eis que foram excluídos do lançamento valores relativos a MAR MARCAR COMERCIAL, Nota Fiscal Fatura, fls. 194, 393 e 394 juntados aos outros, por não compreendem quaisquer serviços prestados com cessão de mãodeobra, tratandose apenas de operação de natureza mercantil, sujeita à incidência do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços ICMS. O Recorrente, por sua vez, centra as discussões no conceito de cessão de mãodeobra e sua inaplicabilidade as operações tomadas por base para o lançamento objetado. 3. DO CONCEITO DE CESSÃO DE MÃO DE OBRA E DA ALEGAÇÃO DE INDEVIDO ENQUADRAMENTO DOS PRESTADOS À RECORRENTE EM TAL MODALIDADE DE CONTRATAÇÃO. 3.1. Do conceito de cessão de mãodeobra. O Art. 31 da Lei 8.212/91, alterado pela Lei nº 9.711/98, estabelece que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive sob regime de trabalho temporário, deverá reter 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura relativa a tais serviços. 2 Estabelece ainda que tal valor deve ser destacado em nota fiscal ou fatura, sendo objeto de compensação pelo cedente da mão de obra, quando do recolhimento das contribuições de seus segurados, incidentes sobre folha de pagamento e que, na impossibilidade de haver compensação, o saldo remanescente será objeto de restituição. 3 Tratase de contribuição arrecadada sob a sistemática de antecipação do devido por meio da técnica de retenção na fonte pagadora, que passa a condição de responsável solidária em caso de ausência de retenção e recolhimento de tal antecipação. A própria Lei 8.212/91, no parágrafo 3º do Art. 31, dispõe sobre o conceito de cessão de mãodeobra para os fins de incidência da obrigação tributária acessória em estudo. Vejamos: §3º Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem 2 "Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. 3 Art. 31 [...] §1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. §2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição Fl. 679DF CARF MF 10 serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. E seguindo em seu intento de limitação do alcance conceitual de cessão de mão de obra, apresentou rol de atividades presumidamente classificáveis como tal, deixando aberta a possibilidade de norma regulamentadora, indicar outras atividades com tal natureza. Vejamos: §4º Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974. E por fim segue estabelecendo outras obrigações inerentes a operacionalização de tal obrigação, como a determinação, ao cedente da mãodeobra, do dever de elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante4. O Regulamento Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em seu Art. 219, §2º passou a listar uma série de atividades que seriam presumidamente classificadas como cessão de mãodeobra. Entretanto, não deixou de estabelecer como premissa de aplicação da presução, uma avaliação quanto ao conceito de cessão de mão de obra. Vejamos: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: [...] Assim, ainda que os serviços seja referentes as atividades listas nos incisos do §2º do Art. 219 do RPS, não se pode deixar de verificar se a contratação de tais serviços se enquadra no conceito de cessão de mãodeobra. 4 §5º O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante." Fl. 680DF CARF MF Processo nº 14489.000602/200800 Acórdão n.º 2402006.255 S2C4T2 Fl. 676 11 Importante registrar que para alguns, o fato da atividade constar do Rol de serviços de que trata o §2º do Art. 219 do RPS, implicaria em presunção legal de incidência da obrigação acessória de retenção, que somente poderia ser afastada com base em provas hábeis e idôneas capazes de demonstrar que a contratação não se realizou sob o regime de cessão de mãodeobra. Para este relator, o rol em questão representa, em realidade, uma prescrição taxativa dos serviços que, se prestados sob o regime de cessão de mãodeobra, gerariam a obrigação do contratante, sob pena de responsabilidade solidária, de reter e recolher, por antecipação do devido pelo contratado, parte da contribuição previdenciárias incidente sobre a folha de pagamentos dos empregados da cedente, que estejam a seu serviço. Assim, aqueles serviços que, mesmo prestados sob o regime de cessão de mão de obra, não tiverem previsão em tal lista, não gerariam o dever de retenção ou responsabilidade solidária do contratante. Em qualquer dos casos, é imprescindível à validade do lançamento, a demonstração de que a contratação atende as características de uma locatio operarum. Em que pese haver algumas variações quanto ao conceito de cessão de mão deobra, uma vez que a lei tomou para sí o deve de definila, não caberia ao interprete desconsiderar os elementos de tal conceito ao interpretar a aplicabilidade do mesmo aos fatos econômicos em análise. Nesse sentido, seria objeto de analise, apenas as operações que tivessem por objeto a cessão de mãodeobra, ou seja, a cessão de qualquer outro elemento que não se amolde ao conceito de mão de obra, não se amoldaria a hipótese legal de incidência da obrigação em estudo. De Placito e Silva assim define o que vem a ser, para fins jurídicos, a mão deobra: “MÃODEOBRA. Assim se entende, na execução de qualquer trabalho ou obra, o esforço pessoal ou a ação pessoal do trabalhador ou obreiro, sem que se tome em conta o material empregado. Corresponde ao serviço simplesmente necessário à feitura da obra, que se quer executar. A mãodeobra tanto se entende a que é executada manualmente como a mecânica. Em quaisquer dos casos, a mãodeobra exprime somente o serviço para a execução do trabalho ou da obra, não se computando nele o que for necessário para que seja executado.” 5 Portanto, o que se loca, o objeto da cessão, é a força de trabalho dos segurados que mantém relação de emprego para com a empresa cedente. Nesse sentido, ainda que se necessite de trabalhadores para a execução, nem todo contrato de prestação de serviço, ainda que constante do rol previsto no RPS, seria classificado como cessão de mão de obra. Sendo a cessão da força de trabalho objeto do contrato de cessão de mãode obra, um corolário lógico é que o segurado relacionado a tal cessão, permaneça à disposição do contratante para realização do serviço, não importando se a determinação do que será 5 DE PLÁCIDO E SILVA, Vocabulário Jurídico, Forense: Rio de Janeiro, 1984, p. 418419 Fl. 681DF CARF MF 12 realizado se dará pelo contratante ou por preposto do contratado, eis que a subordinação não integra o conceito legal de cessão de mãodeobra para fins previdenciários. A força de trabalho cedida e sob disponibilidade do contratante, deve ser empregada em seu estabelecimento ou de terceiros por este determinando. Por derradeiro, a atividade realizada deve ter por característica a continuidade, eis que serviços esporádicos, pontuais, não se amoldam ao conceito de cessão de mãodeobra definidos pela Lei 8.231/91. Isto posto, entendemos delimitado o conceito que informará nosso convencimento quando da analise de cada uma das operações objeto de lide, eis que somente pela analise individual dos elementos probatórios disponíveis nos autos, será possível avaliar a legalidade do lançamento combatido e mantido pela decisão objetada. 3.1. Da alegada incompatibilidade das operações ao conceito de cessão de mão de obra. O Relatório Fiscal [fls. 114/129], registra que a notificação foi lavrada em decorrência da não comprovação da retenção e recolhimento dos 11% (onze por cento) do valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, prevista no artigo 31 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n° 9.711/1998. O dispositivo legal referenciado na impugnação, prevê a obrigatoriedade da empresa contratante de serviços executados e diante cessão de mãodeobra. reter e recolher, até a data do vencimento, os 11% (onze por cento) do valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. O I. Agente fiscal assim registra o que entendeu por fato gerador: FATO GERADOR: O fato gerador das contribuições apuradas foi a prestação de serviços de LIMPEZA, HIGIENIZAÇÃO, CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO AMBIENTAL, prestados pela SPECTRO SERVIÇOS LTDA, e os serviços de REFLORESTAMENTO prestados MARIA E DE SOUZA ME (MARCAR COMERCIAL), cuja realização enseja a incidência de contribuições previdenciárias, conforme determinação legal, DESCRIÇAO DOS FATOS: No desenvolvimento da ação fiscal, foi verificado que a empresa SPECTRO SERVIÇOS LTDA e a empresa MARIA E DE SOUZA ME (MARCAR COMERCIAL), prestaram serviços com cessão de mãodeobra, em atividade sujeita a retenção de 11%, conforme determinado no artigo 31 da Lei n'” 8.212/91 e no artigo 219 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. O valor da retenção deixou de ser devidamente destacado nas notas fiscais, assim como se constatou que os mesmos não foram retidos e, conseqüentemente, repassados, de forma integral, pela tomadora dos serviços, para a Previdência Social. [...] 5.4. O objeto do contrato firmado entre a VALESUL e a SPECTRO SERVIÇOS LTDA, previsto pa cláusula segunda, é a "PRESTAÇÃO DE LIMPEZA, HIGIENIZAÇÃO, Fl. 682DF CARF MF Processo nº 14489.000602/200800 Acórdão n.º 2402006.255 S2C4T2 Fl. 677 13 CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO AMBIENTAL” (grifo nosso). 5.5. identificamos em notas fiscais de venda emitidas pela MARIA E DE SOUZA ME (MARCAR COMERCIAL), a descrição dos produtos como sendo diferença referente reajuste de mãodeobra no período de outubro de 2001 a setembro de 2002 e nos lançamentos contábeis constam como histórico o serviços de reflorestamento. Portanto, fica claro que não se trata de venda de mercadoria e sim de prestação de serviços de reflorestamento com cessão de mãodeobra. [...] 5.11. Ante o exposto, fica claro, com relação à matéria em questão, que a Lei Orgânica da Seguridade Social, sancionada através da Lei n'° 8.212/91, estabelece em seu artigo 31 e parágrafos que a empresa contratante de serviços, executados mediante cessão de mão de obra ou empreitada, deverá efetuar a retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal e efetuar o devido recolhimento da importância retida, medida que foi regulamentada através o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto ng 3.048/99, através do artigo 219 e parágrafos, sendo que no parágrafo segundo encontramse discriminadas algumas situações previstas no caput do artigo, especificamente no caso em tela, o item I, que especifica limpeza, conservação e zeladoria, observandose que para este caso conforme determinado, tanto na Lei, quanto no Regulamento, que na cessão de mão de obra, prevalece o instituto da retenção. Portanto, os serviços de operação prestados pela SPECTRO SERVIÇOS LTDA e MARIA E DE SOUZA ME (MARCAR COMERCIAL) são sujeitos à retenção dos 11% sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços com cessão de mãodeobra, sendo lançados no levantamento SPC para a SPECTRO SERVIÇOS LTDA e MAR para a MARIA E DE SOUZA ME (MARCAR COMERCIAL) os valores que não foram retidos e tempestivamente recolhidos ao INSS em nome dos prestadores de serviço. 5.12. Uma vez demonstrado o embasamento legal que caracteriza o fato gerador em tela, necessário se faz, alguns comentários sobre a base de cálculo da retenção. Conforme já relatado em nosso item 5.7, a Instrução Normativa INSS/DC ng 71/2002, em seu artigo 106, no parágrafo segundo é clara sobre. a matéria, quando estabelece que na falta de discriminação do valor da parcela relativa a material ou a equipamento em nota fiscal, em fatura ou em ou em recibo, a base de cálculo para a retenção será o seu valor bruto. No presente caso, o lançamento tomou por base uma série de documentos e informações conditas nas notas fiscais e contratos, que dão claro indicio de um enquadramento das referidas operações ao disposto no Art. 31 da Lei 8.212/91. Fl. 683DF CARF MF 14 Para o contribuinte, além do enquadramento da operação no rol de atividades sujeitas a retenção, é necessário que sejam prestados mediante cessão de mãodeobra. Sustenta ainda que o rol é exaustivo não cabendo qualquer dilação. Sustenta ainda que, para caracterização da cessão de mãodeobra fazse imprescindível a demonstração de que as operações objeto do lançamento são executadas de modo continuo, estando os segurados à disposição do contratante em local por este determinado e com existência de subordinação entre segurado cedido e o contratante. De modo a avaliar a correta identificação da situação tributável passaremos a analisar os elementos processuais relacionados aos respectivos fatos geradores, eis que não compartilhamos do entendimento manifestado na decisão recorrida de que a mera referência da atividade no Rol de que trata a legislação implicaria em presunção legal. 3.1.2. Dos contratos da Spectro Serviços S.A. O Contrato firmado entre a Recorrente e a Empresa Spectro [fls. 130 e seguintes] tem por objeto: 2.1 Objeto do presente CONTRATO é a PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE LIMPEZA, HIGIENIZAÇÃO, CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO AMBIENTAL, adiante denominados SERVIÇOS, pela SPECTRO a VALESUL, no seu estabelecimento fabril localizado a Estrada do Aterrado do Leme, 1225 Santa Cruz Rio de Janeiro RJ. Esta mesma clausula contratual detalhas as operações nos seguintes termos: 2.2.1 Os serviços objeto deste contrato serão executados de acordo. como o estabelecido nas planilhas de Descrição das atividades de limpeza e higienização dos escritórios e banheiros e de Descrição das atividades de reflorescimento, resíduos e manutenção do meio ambiente [...] O instrumento de coleta de preços GEMAQ 020/02 que contem os elementos essenciais a oferta de proposta que culminou na contratação da Spectro indica que deverão ser cedidos funcionários para atuar diariamente das 08h as 17h, de segunda a sexta. Seguindo na analise dos elementos probatórios, verificase que a nota fiscal nº 514 [fl. 190], por exemplo, registra a cobrança de horas extras, corroborando os elementos contidos no contrato em questão no sentido de que, o objeto da contratação é a força de trabalho aplicada de modo continuo para prestação de serviços de limpeza e conservação de estabelecimentos da Recorrente. Esta mesma nota fiscal indica que compõem os custos valores relativos a vale transporte, cesta básica, alimentação e assistência médica, denotando a inquestionável natureza de cessão de mão de obra ou locatio operarum, o que somando ao fato de tais serviços contarem da rol de que trata o §2º do Art. 219 do RPS, forma, neste ponto, nosso convencimento no sentido da legalidade do lançamento e da decisão recorrida. Portanto, presentes todos os requisitos de classificação da operação como cessão de mãodeobra, não há como acolher a pretensão recursal quanto aos lançamentos que tomaram por base os contratos da SPECTRO. Fl. 684DF CARF MF Processo nº 14489.000602/200800 Acórdão n.º 2402006.255 S2C4T2 Fl. 678 15 3.1.3. Dos contratos da MARCAR Quanto as operações da MARCAR, procedendo analise minuciosa dos elementos trazidos aos autos, também não foi possível deixar de corroborar com o entendimento fiscal. Embora não adotemos a mera citação em lista de que trata o Art. 219 do RPS como suficiente para caracterização de presunção de enquadramento de operações terceirzadas como cessão de mãodeobra, no presente caso tal condição é inequívoca. Vejamos alguns dos elementos probatórios que, na visão deste Relator, foram determinantes para classificar tais operações como cessão de mão de obra: Para alem do objeto de contrato versar sobre operações claramente referidas na lista de atividades sujeitas a retenção de 11% do valor das notas fiscais ou faturas a titulo de antecipação do devido em razão de contribuições sociais, diversos elmentos contratuais e dados de notais fiscais provam, de modo inconteste, tratase a relação de locatio operarum. Vejamos a tabela do item 7.2. trando do preço do serviço: Outro elemento que advoga contra a tese recursal pode ser visto no documento de fls 299, parte da Requisição de Serviços de Reflorestamento, indicando que a obrigação da contratada é "prover toda mãodeobra qualificada" e necessária para a execução dos serviços. O contrato contém diversas disposições que indicam um gerenciamento indireto dos empregados da contratada pela Recorrente, podendo destacar o item 9.7. em que são dadas instruções quanto a uniformização de tais funcionários (Fl. 283). A composição dos custos, para alem do homem hora, que poderia ser tido por alguns como algo pertinente a outras espécies de contratação, contém obrigações próprias de empregadores ou daqueles que, ainda que indiretamente, mantém relação direita com os empregados cedidos. Vejamos (Fl. 305): Fl. 685DF CARF MF 16 Se mera relação comercial fosse, não seriam objeto de formação do custo gastos com alimentação, cesta básica ou assistência médica. Notem que, embora exista previsão quanto ao fornecimento de materiais, não foi possível identificar qualquer destaque relativo a tal, sejam nas notas fiscais, sejam nos contratos. Ao contrário, sempre foi foco da relação, a mão de obra cedida e custos diretamente relacionados a mesma. Nos contratos de varrição e limpeza por exemplo, existem estipulações de prestação de serviços diários no próprio objeto item 2.2 do contrato (Fl. 331), além do reconhecimento contratual quanto a incidência da contribuição em lide (Fl. 341): 9.3 Para fins de cumprimento do disposto na legislação previdenciária, a VALESUL mensalmente abaterá das faturas da MARCAR o valor equivalente a 11,00% (onze por cento) do total das mesmas, recolhendo o referido valor aos cofres previdenciários. Por todo exposto, não resta duvida quanto a subsunção de tais operações ao conceito de cessão de mãodeobra já exposto. No que se refere ao enquadramento ao enquadramento das operações no Rol, não há o que se questionar, eis que limpeza, coleta de lixo e material reciclável ou o reflorestamento encontramse claramente listados no Rol de que trata o Art. 219 do RPS. 4. Do destaque, nas notas fiscais, da contribuição previdenciária a ser retida. Nos pontos anteriores tratamos de avaliar o enquadramento das operações em foco no conceito de cessão de mãodeobra. Após minuciosa análise do lançamento e documentos acostados aos autos, concluímos por válida a posição fiscal neste sentido, sendo inequívoca a natureza da operação como espécie típica de locatio operarum. Entretanto, o lançamento em questão, espécie de responsabilidade solidária decorrente do descumprimento de obrigação acessória de retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura, pressupõe a ausência de tal recolhimento, especialmente caracterizado pela ausência de destaque em nota fiscal, retenção e recolhimento da referida contribuição. O lançamento está assim fundamentado: 5. No desenvolvimento da ação fiscal, foi verificado que a empresa SPECTRO SERVIÇOS LTDA e a empresa MARIA E DE SOUZA ME (MARCAR COMERCIAL), prestaram serviços com cessão de mãodeobra, em atividade sujeita a retenção de 11%, Fl. 686DF CARF MF Processo nº 14489.000602/200800 Acórdão n.º 2402006.255 S2C4T2 Fl. 679 17 conforme determinado no artigo 31 da Lei n'” 8.212/91 e no artigo 219 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto ng 3.048/99. O valor da retenção deixou de ser devidamente destacado nas notas fiscais, assim como se constatou que os mesmos não foram retidos e, conseqüentemente, repassados, de forma integral, pela tomadora dos serviços, para a Previdência Social. [...] 5.12. Uma vez demonstrado o embasamento legal que caracteriza o fato gerador em tela, necessário se faz, alguns comentários sobre a base de cálculo da retenção. Conforme já relatado em nosso item 5.7, a Instrução Normativa INSS/DC ng 71/2002, em seu artigo 106, no parágrafo segundo é clara sobre a matéria, quando estabelece que na falta de discriminação do valor da parcela relativa a material ou a equipamento em nota fiscal, em fatura ou em recibo, a base de cálculo para a retenção será o seu valor bruto. [...] 6. Esclareçase que os valores objeto gesta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, NÃO SE CONSTITUEM EM APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA, uma vez que a empresa contratada deixou de efetuar o destaque nas notas fiscais e a contratante deixou de efetuar a devida retenção. A Recorrente alega que: Com efeito, resta afastada a alegação da d. autoridade fiscal de que “o valor da retenção deixou de ser devidamente destacado nas notas fiscais, assim como se constatou que os mesmos não foram retidos e, conseqüentemente, repassados, de forma integral, pela tomadora dos serviços, para a Previdência Social”, uma vez que a Recorrente comprova o pagamento dos valores que constituem o objeto da autuação ora impugnada, que se encontram extintos, nos termos do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional. Tomemos como exemplo do alegado pelo Recorrente, a Nota Fiscal de nº 468 de 01/12/03 (Fl. 530) que está assim registrada: Fl. 687DF CARF MF 18 Em que pese haver o referido destaca na nota fiscal ou fatura, o que não há nos autos, de modo claro, ao contrário do que alega a Recorrente, é a prova de ter havido o recolhimento das referidas contribuições, dos custos de materiais aplicados bem como sua previsão nos contratos. Importante observar que tal prova não se faz por meios complexos, eis que tal obrigação pressupõe recolhimento em documento de arrecadação identificado com a denominação social e o CNPJ da empresa contratada, registros contábeis que denotam tal recolhimento, em conformidade com o Art. 32 da lei 8.212/91. Assim, bastaria juntar nota por nota referente aos lançamentos, as guias de recolhimento respectivas, demonstrações contábeis relativas ao registro de tais obrigações e uma série de outros elementos que poderiam provar o que se alega. O lançamento, foi realizado em razão da ausência de recolhimento e, em que pese um provável vício de motivação, eis que os relatos da situação fática tomada por geradoras do lançamento não representam uma verdade inconteste, tão pouco aborda a questão do desconto relativo a materiais fornecidos, tal discussão não foi objeto de recurso e não representa questão de ordem pública, portanto, não caberia ao julgador conhecer de tal tema. Decidindo nos limites da lide, verificamos que não restou comprovado o pagamento ou a existência de destaque em todas as notas fiscais, assim não há como acolher as pretensões recursais neste ponto. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 688DF CARF MF
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