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Numero do processo: 10680.902994/2008-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2002
DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO.
O prazo para o contribuinte retificar sua DCTF, que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida, coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
PEDIDA DE CANCELAMENTO DA PER/DCOMP. COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DA UNIDADE DA RFB.
A competência originária para conhecer de declaração de compensação, bem assim para decidir sobre pedidos de cancelamento ou de retificação de PER/DCOMP, é da Delegacia da Receita Federal que jurisdiciona o domicílio do contribuinte, para onde deveria ter sido encaminhado, no tempo certo, o pedido. Aos órgãos de julgamento cabem conhecer e julgar, após instaurado o litígio, os recursos contra a decisão da autoridade competente para apreciar originalmente a compensação.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que conheceu parcialmente. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues (relator), vencido também o conselheiro José Roberto Adelino da Silva, que votou pela diligência. Com relação ao mérito, por voto de qualidade, acordam em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues (relator) e José Roberto Adelino da Silva que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Edgar Bragança Bazhuni.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo Morgado Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
EDGAR BRAGANÇA BAZHUNI - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2002 DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO. O prazo para o contribuinte retificar sua DCTF, que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida, coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. PEDIDA DE CANCELAMENTO DA PER/DCOMP. COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DA UNIDADE DA RFB. A competência originária para conhecer de declaração de compensação, bem assim para decidir sobre pedidos de cancelamento ou de retificação de PER/DCOMP, é da Delegacia da Receita Federal que jurisdiciona o domicílio do contribuinte, para onde deveria ter sido encaminhado, no tempo certo, o pedido. Aos órgãos de julgamento cabem conhecer e julgar, após instaurado o litígio, os recursos contra a decisão da autoridade competente para apreciar originalmente a compensação. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/05/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
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RETIFICAÇÃO. PRAZO. O prazo para o contribuinte retificar sua DCTF, que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida, coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. PEDIDA DE CANCELAMENTO DA PER/DCOMP. COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DA UNIDADE DA RFB. A competência originária para conhecer de declaração de compensação, bem assim para decidir sobre pedidos de cancelamento ou de retificação de PER/DCOMP, é da Delegacia da Receita Federal que jurisdiciona o domicílio do contribuinte, para onde deveria ter sido encaminhado, no tempo certo, o pedido. Aos órgãos de julgamento cabem conhecer e julgar, após instaurado o litígio, os recursos contra a decisão da autoridade competente para apreciar originalmente a compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 29 94 /2 00 8- 16 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10680.902994/200816 Acórdão n.º 1001000.687 S1C0T1 Fl. 216 2 Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que conheceu parcialmente. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues (relator), vencido também o conselheiro José Roberto Adelino da Silva, que votou pela diligência. Com relação ao mérito, por voto de qualidade, acordam em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues (relator) e José Roberto Adelino da Silva que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Edgar Bragança Bazhuni. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) EDGAR BRAGANÇA BAZHUNI Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 147 a 153) interposto contra o Acórdão nº 0236.649, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (fls. 138 a 141), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/05/2002 COMPENSAÇÃO CRÉDITO INEXISTENTE. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10680.902994/200816 Acórdão n.º 1001000.687 S1C0T1 Fl. 217 3 Não se homologa a compensação efetuada com crédito cuja existência não é comprovada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido." Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Contra o interessado acima identificado foi emitido o despacho decisório de fl. 03, por meio do qual a compensação declarada no PER/DCOMP n.º 00445.65409.070504.1.3.042910, transmitida em 07/05/2004, não foi homologada. A não homologação foi motivada pela inexistência do crédito utilizado na compensação pretendida. Tal crédito se refere a recolhimento de IRPJ de código 2362 (imposto de renda mensal por estimativa), no valor de R$67.021,99, efetuado em 31/05/2002. Consta do despacho decisório, que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas o valor recolhido foi integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. O valor dos débitos indevidamente compensados é igual a R$ 24.168,22 (principal). Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: arts. 165 e 170 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), art. 74 da Lei n.º 9.430, 27 de dezembro de 1996. A ciência do despacho decisório ocorreu em 28/05/2008 (fl. 117). Em 23/06/2008, foi apresentada a manifestação de inconformidade de fl. 02. Nela constam os seguintes argumentos: • a empresa, no ano de 2002, optou pela tributação com base no lucro real anual, apurando estimativas mensais com base em balancetes de suspensão e redução; • no ano de 2002, apurouse prejuízo fiscal, conforme se pode verificar na DIPJ, cuja cópia anexa; • na DCTF, no mês de julho de 2002, foi indevidamente informado débito de IRPJ mensal no valor de R$ 33.532,73, quando o correto era R$ 16.272,01; • como se apurou prejuízo fiscal no mês de setembro de 2002, a DCTF foi retificada com informação do IRPJ no valor de zero, conforme cópia anexa à impugnação; • como se apurou prejuízo fiscal no mês de dezembro de 2002, a DCTF foi retificada com informação da CSLL no valor de zero, conforme cópia anexa à impugnação;" Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10680.902994/200816 Acórdão n.º 1001000.687 S1C0T1 Fl. 218 4 Inconformada com a decisão de primeiro grau, que julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando que houve equívoco do funcionário encarregado da transmissão da DCOMP em discussão, concorda que não há crédito disponível a ser utilizado, contudo, igualmente o débito que seria compensando jamais existiu. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O presente processo versa sobre a não homologação do PER/DCOMP nº 00445.65409.070504.1.3.042910 objetivando a compensação de débitos de IRPJ referente ao período de apuração de set/2002 e de CSLL referente ao período de apuração de dez/2002. Para tanto, foi indicado o suposto crédito oriundo de recolhimento de IRPJ por estimativa mensal em 31/05/2002. Contudo, a compensação não foi homologada pois os valores recolhidos teriam sido integralmente alocados não subsistindo qualquer crédito. Contudo, narra a Recorrente que, em procedimento de revisão de seus débitos, verificou que os débitos objetos da compensação intentada jamais existiriam, tendo a DCOMP em tela sido apresentada por grave equívoco do funcionário responsável à época. Outrossim, sustenta que a DIPJ 2003 já apresentada aos autos permite constatar que todas as estimativas devidas foram regularmente recolhidas e não havia saldos de imposto a pagar no período, logo, os débitos em cobrança por ocasião da não homologação da DCOMP são inexistentes. Compulsando os autos verifico que, de acordo com a Ficha 12A (fl. 179) da DIPJ 2003, foram recolhidos o valor de R$ 282.044,37 a título de estimativas de IRPJ (com os recolhimentos devidamente comprovados pelas guias DARF de fls. 163 a 166), ao passo que o resultado final do período gerou um saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 107.113,80. Igualmente, quanto aos valores pagos a título de CSLL, temse na Ficha 17 (fl. 184) o valor recolhido a título de estimativas na importância de R$ 117.985,42 (com os respectivos recolhimentos mensais comprovados pelas guias DARF de fls. 160 a 162), enquanto a apuração final resultou em saldo negativo de CSLL no montante de R$ 27.837,80. Ainda, insta ressaltar que a própria DRJ de origem reconheceu os valores citados a título de recolhimento mensal de estimativas de IRPJ em seu acórdão: Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10680.902994/200816 Acórdão n.º 1001000.687 S1C0T1 Fl. 219 5 Por fim, a DCTF referente ao 3º Trimestre de 2002, apresentada às fls. 84 a 112, não consta qualquer lançamento de estimativa mensal de IRPJ no período de set/2002. Igualmente, a DCTF referente ao 4ª Trimestre de 2002, apresentada às fls. 61 a 83, não consignam qualquer valor devido referente à competência de dez/2002. Assim, em primeira análise parece que não há valores de estimativa lançado nos meses em que se tentou proceder a compensação em tela. Outrossim, foram comprovados os recolhimentos dos valores consignados tanto a título de IRPJ quanto CSLL. Finalmente, ambos os tributos resultaram em saldo negativo ao final do anocalendário de 2002, não redundando em outros valores a serem recolhidos. Pois bem, deve dizer que há uma forte verossimilhança de erro de fato cometido pela recorrente quanto a inexistência dos débitos que tentou compensar. Em verdade, conforme análise realizada acima, a documentação constante dos autos parece corroborar os argumentos trazidos pela Recorrente quanto ao equívoco no envio da DCOMP e da inexistência de qualquer débito a ser cobrado ou valor a ser creditado. Contudo, destaco que a decisão de piso se manifestouse tão somente a respeito da inexistência do crédito a ser utilizado, não tomando conhecimento do possível erro de fato cometido pela Recorrente quanto a inexistência do próprio débito a ser compensado na DCOMP em comento. Destarte, para maior convicção e segurança da decisão, e para oportunizar o contraditório por parte da autoridade fiscal, entendo que se faz oportuno a baixa do feito em diligência para a confirmação dos documentos e dados apresentados. Desta forma, pelo exposto, VOTO por CONVERTER o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente cotejar a DIPJ e as DCTF's constante dos autos, bem como os registros constantes dos sistemas da administração fazendária e elaborar relatório circunstanciado esclarecendo: (i) se foi apresentada após as DCTF's referentes ao 3º e 4ª Trimestres de 2002 constantes dos autos, alguma outra referente aos mesmos períodos; (ii) em caso positivo, informe se foram declarados lançamentos de estimativa de IRPJ referente a set/2002 ou de CSLL referente a dez/2012; (iii) confirme a inexistência de saldo a pagar, em Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10680.902994/200816 Acórdão n.º 1001000.687 S1C0T1 Fl. 220 6 ambos os impostos, ao final do período de 2002; (iv) em caso negativo, informe se houve o recolhimento do saldo existente; (v) e, por fim, informe se for constatada ao longo da diligência qualquer circunstância relevante que infirme a inexistência dos dois débitos retro citados. Após, a Recorrente deve ser cientificada, com reabertura de prazo de 30 dias para complementar as suas razões do recurso. Uma vez vencido na proposta de diligência, elaborada com fim primário de resguardar os interesses do fisco, entendo que as demonstrações prestadas pela Contribuinte são suficientes para demonstrar seu direito, portanto, VOTO por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para cancelar os débitos cobrados em decorrência da não homologação da DCOMP. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Voto Vencedor Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Redator Designado. Recapitulando os fatos relatados nos autos: A lide foi instaurada pelo inconformismo da interessada quanto à decisão da Unidade da DRF em não homologar a compensação requerida, motivada pela inexistência do crédito recolhido pois o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Na manifestação de inconformidade apresentada contra esta decisão, a interessada discorre sobre os débitos "indevidamente informados" nas DCTF referente aos meses julho, setembro e dezembro de 2002 (3º e 4º trim/2002), e que as referidas DCTF foram retificadas. Em seu recurso voluntário, requer a recorrente o cancelamento do PER/DCOMP, objeto do presente processo, pois "revisando os seus débitos (...) identificou um grave equívoco por parte do funcionário responsável, na época, pelo requerimento das compensações da empresa (...), verificouse que, o débito declarado (...) não existe". Assim, temse que a recorrente não questiona a decisão quanto ao crédito pleiteado na PER/DCOMP. Vejo que não assiste razão à recorrente, por três motivos, e assim, com o devido respeito ao Digno Relator, também entendo que não cabe a conversão do julgamento em diligência como proposição. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10680.902994/200816 Acórdão n.º 1001000.687 S1C0T1 Fl. 221 7 A recorrente apresenta na manifestação de inconformidade, cópia da DCTF retificadora do 3º trim/2002 transmitida em 27/03/2008 (efl. 84), portanto, após o prazo limite para a sua retificação; e da DCTF retificadora do 4º trim/2002 (efl. 61) e a DIPJ retificadora, estas últimas sem o recibo de entrega com a identificação da data de transmissão (O recibo da entrega da DIPJ foi apresentado junto ao recurso voluntário). Tratandose de tributo sujeito à homologação, o prazo para o contribuinte retificar sua DCTF, que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida, coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN, ou seja, cinco anos do fato gerador sem previsão legal de interrupção deste prazo. No caso em tela, a DCTF retificadora foi apresentada após o decurso do prazo que o contribuinte possui para exercer o direito de retificar suas declarações, o que torna ineficaz, para todos os efeitos legais, as alterações introduzidas por meio desta DCTF retificadora transmitida de forma extemporânea. Quanto ao pedido de cancelamento da Declaração de Compensação, não obstante tratarse do uma nova causa de pedir, e assim temse, em regra, a preclusão consumativa, ao CARF falece competência para tanto, dado que a apreciação deve ser feita pela unidade local, cabendo a este órgão de julgamento se manifestar em grau de recurso, reexaminando decisão de mérito já proferida. Por fim, não obstante o pedido de cancelamento da PER/DCOMP não ser matéria do contencioso administrativo, quanto ao fato de não possuir recibo de transmissão para a comprovação da data de retificação da segunda DCTF, aqui a recorrente comete outro falha: a da não apresentação de provas do que pleiteia. Ao contrário daquilo que alega a recorrente, é importante ressaltar que os elementos carreados na manifestação de inconformidade por si só não perfazem prova suficiente da presença de erro de fato na elaboração da DCTF, tendo em conta que não possuem o condão de suprir prova documental que abrigue a alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva da imposto. Quanto à suspensão da exigibilidade do crédito, conforme reza o inciso III, do artigo 151, do CTN, temse que a mesma deve ser observada até o transito em julgado do presente processo. Ante o exposto, voto por REJEITAR a proposta de conversão do julgamento em diligência, apresentada pelo Conselheiro relator e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 221DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.906574/2008-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2002
Ementa:
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DISTINÇÃO.
Descabe aplicar ao instituto da COMPENSAÇÃO normas disciplinadoras da atividade de LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO, em especial as impeditivas do direito de a autoridade administrativa competente aferir o atendimento de condição expressa pela lei.
Numero da decisão: 1302-000.727
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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HOMOLOGAÇÃO. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DISTINÇÃO. Descabe aplicar ao instituto da COMPENSAÇÃO normas disciplinadoras da atividade de LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO, em especial as impeditivas do direito de a autoridade administrativa competente aferir o atendimento de condição expressa pela lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 593DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15374.906574/200888 Acórdão n.º 130200.727 S1C3T2 Fl. 563 2 Relatório BFC ADMINISTRADORA DE BENS S/A, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro. Trata o processo de DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO, envolvendo crédito decorrente de SALDO NEGATIVO de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurado no anocalendário de 2001. No Despacho Decisório de fls. 19/22 consta a seguinte informação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 472.653,44 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 456.022,19 Diante de Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, por meio do acórdão nº 1225.437, de 07 de agosto de 2009, anulou o despacho decisório acima referenciado, por entender que ele se encontrava desprovido de fundamentação, vez que não houve análise do direito creditório (fls. 142/152). Em virtude de tal anulação, novo despacho decisório foi proferido (fls. 336/337), cujo resultado transcrevo abaixo. Em conformidade com o Parecer Deinf/RJO/Diort no 075/2009, fls. 330/334, que aprovo e passa a fazer parte integrante deste Despacho Decisório, considerando tudo mais que do processo consta e, no uso da competência que me confere o artigo 285, inciso II, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 125, de 04 de março de 2009, DEFIRO O CANCELAMENTO DOS PER/DCOMP's nos. 19555.70682.210205.1.7.022530 e 40763.18967.210205.1.3.021846, na forma requerida pelo interessado, nos termos do documento que integra este processo às fls. 256/258, RECONHEÇO PARCIALMENTE O DIREITO CREDITÓRIO oposto contra a Fazenda Nacional, no valor de R$ 309.741,65 (trezentos e nove mil, setecentos e quarenta e um reais e sessenta e cinco centavos), com base em saldo negativo de IRPJ, ano calendário 2001, exercício 2002, DECIDO HOMOLOGAR PARCIALMENTE a compensação declarada pelo BFC BANCO S/A EM LIQUIDAÇÃO JUDICIAL, CNPJ N° 25.635.129/000105 e ainda DETERMINO A COBRANÇA de débito não compensado, conforme quadro demonstrativo a seguir: ... Fl. 594DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15374.906574/200888 Acórdão n.º 130200.727 S1C3T2 Fl. 564 3 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 371/384), por meio da qual sustentou: que no ajuste anual do ano de 2001, apurou saldo negativo de R$ 472.653,44, tendo apresentado as PER/DCOMPs assinaladas às fls.373; que, revendo a apuração, verificou que cometeu um erro no preenchimento da DIPJ, sendo o saldo credor, na realidade, de R$ 456.022,19, motivo pelo qual apresentou retificadora em 21 de fevereiro de 2005, com o valor correto (fls.386/421); que, por um lapso, não retificou as DCOMPs, porém, na época da apuração do direito creditório pleiteado, anocalendário de 2001, a legislação tributária não impunha qualquer exigência para a compensação de tributos da mesma espécie, que se dava unicamente por meio da informação em DCTF de que o IRPJ devido por estimativa estava sendo quitado por meio de compensação com saldo negativo de período anterior; que vigia naquela época o artigo 90 da MP n°.2.15835, de 2001, que determinava que a autoridade fiscal era obrigada a efetuar o lançamento das diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de compensação indevida; que as autoridades nunca questionaram a compensação do IRPJ mensal devido por estimativa no ano de 2001; que, tendo decorrido mais de cinco anos da compensação (data da entrega da DCTF), considerase extinto o respectivo crédito tributário, não podendo mais haver qualquer desconsideração desses valores; que, nestes termos, ocorreu a homologação tácita antes da realização do despacho decisório, estando extintos por compensação os débitos de estimativa do ano de 2001, no montante de R$ 472.653,44, que constaram em DCTF, fls.423/513, devendo ser reconhecido o crédito de IRPJ do ano de 2001, no valor de R$ 456.022,19. A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro analisou a manifestação de inconformidade apresentada e, por meio do acórdão nº. 1231.354, de 18 de junho de 2010, indeferiu a solicitação. O referido julgado restou assim ementado: HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Somente se aplica a homologação tácita às declarações de compensação e os pedidos de compensação que estavam pendentes de apreciação pela autoridade administrativa antes de 01102002. Ciente da Decisão de primeira instância em 05 de outubro de 2010, conforme aviso de recebimento de folha 530, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 04 de novembro de 2010, conforme registro de recepção de folha 532, por meio do qual sustenta: que as alegações contidas na decisão recorrida não merecem prosperar, uma vez que não se trata de hipótese de homologação tácita de declaração de compensação pendente de apreciação antes de 01.10.2002, mas, sim, da homologação tácita da apuração e Fl. 595DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15374.906574/200888 Acórdão n.º 130200.727 S1C3T2 Fl. 565 4 pagamento do imposto realizados e informados às autoridades administrativas através da entrega da DIPJ e da DCTF; que, considerando a homologação tácita da apuração e do pagamento realizados em razão do decurso do prazo decadencial de cinco anos previsto no artigo 150, parágrafo 4°, do Código Tributário Nacional, os débitos de IRPJ devidos por estimativa no anocalendário de 2001 encontramse extintos, não sendo possível a desconsideração desses valores para fins de redução do direito creditório pleiteado. É o Relatório. Fl. 596DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15374.906574/200888 Acórdão n.º 130200.727 S1C3T2 Fl. 566 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. A controvérsia instalada no presente processo diz respeito ao não reconhecimento de parte do direito creditório indicado pela contribuinte para fins de compensação. A contribuinte pleiteou reconhecimento de direito creditório no montante de R$ 456.022,19, relativo a saldo negativo de imposto de renda do anocalendário de 2001. A partir de revisão dos elementos formadores do referido crédito, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro, em uma segunda análise (fls. 330/337), constatou que o saldo negativo do imposto de renda do anocalendário de 2001 recebeu influência do saldo negativo apurado no anterior, haja vista que parcela significativa das estimativas consideradas na sua determinação havia sido compensada com o referido saldo negativo (do anocalendário 2000). Diante de tal fato, as conclusões apresentadas no processo administrativo nº 15374.900139/200840, relacionadas à análise do saldo negativo do ano de 2000, foram trazidas para o presente processo, decorrendo daí que, tendo havido redução do referido saldo negativo, o saldo do ano de 2001, de igual forma, foi também reduzido. Assim, de um total de R$ 456.022,19, informado na Declaração de Informações (DIPJ), foi confirmado o montante de R$ 309.741,65. A Turma Julgadora de primeira instância, apreciando Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, manteve a decisão exarada pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro. Em sede de recurso, a contribuinte renova a argumentação expendida na Manifestação de Inconformidade no sentido de que, no caso, ocorreu homologação tácita da apuração e pagamento do imposto realizados e informados por ela às autoridades administrativas através da entrega da DIPJ e da DCTF. Diz que, considerando a citada homologação tácita da apuração e do pagamento, em razão do decurso do prazo decadencial de cinco anos previsto no artigo 150, parágrafo 4°, do Código Tributário Nacional, os débitos de IRPJ devidos por estimativa no anocalendário de 2001 encontramse extintos, não sendo possível a desconsideração desses valores para fins de redução do direito creditório pleiteado. Argumenta que a extinção dos débitos de estimativa de IRPJ do ano de 2001 resta configurada de forma inequívoca, por força da regra decadencial antes referenciada (artigo 150, parágrafo 4°, do Código Tributário Nacional) e em razão do disposto no artigo 156, inciso V, do mesmo diploma legal. Rebatendo argumento da decisão recorrida de que teria havido preclusão em relação ao saldo negativo do ano de 2000, vez que os débitos objeto do processo administrativo nº 15374.900139/200840 foram recolhidos, alega que tal entendimento não merece prosperar, visto que, conforme reconhece a própria decisão recorrida, os débitos que deixaram de ser Fl. 597DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15374.906574/200888 Acórdão n.º 130200.727 S1C3T2 Fl. 567 6 quitados em função da redução do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000 referem se aos anos de 2002 e 2003. No presente caso, descabe falar em homologação tácita em razão do disposto no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, eis que, como é cediço, a norma ali estampada está direcionada para o lançamento tributário, matéria que não se encontra tratada no presente processo. Aqui, cuidam os autos de análise de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO, em que, com o intuito de verificar o cumprimento de condição estabelecida pela lei, foram efetuadas verificações no sentido de aferir a liquidez e certeza do crédito indicado para o encontro de contas. A análise da legislação que disciplina o instituto da compensação no âmbito tributário conduz a conclusões que demonstram de forma inequívoca que não se pode aplicar, como pretende a Recorrente, as normas relativas à constituição do crédito tributário ao instituto da compensação, senão vejamos: 1. o Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a matéria, estabeleceu (art. 170, caput): a) que compete à lei autorizar a compensação; b) que a lei pode atribuir à autoridade administrativa poderes para estipular condições e garantias para que a compensação seja deferida; c) que a compensação de débitos do contribuinte envolve, necessariamente, créditos líquidos e certos desse mesmo sujeito passivo contra a Fazenda Pública; 2. a Receita Federal está autorizada pela lei a expedir instruções necessárias à efetivação da compensação (Lei nº 8.383/91, art. 66, parágrafo 4º); 3. a compensação submetese a procedimento homologatório, ainda que pela via tácita (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafos 2º e 5º); 4. o procedimento de homologação da compensação se submete a prazo, e o início de sua contagem se dá a partir do momento em que a compensação é requerida nos termos e condições estabelecidos pela lei (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafo 5º); 5. a não homologação da compensação pleiteada faculta ao contribuinte a apresentação de manifestação de inconformidade e eventual recurso, nos exatos termos do Decreto nº 70.235, de 1972 (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafos 9º, 10 e 11); 6. a manifestação de inconformidade e o recurso eventualmente apresentados suspendem a exigibilidade do débito tido como indevidamente compensado nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafo 11, in fine); A legislação referenciada deixa fora de dúvida de que à COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA são aplicadas normas especiais no que tange à competência para a apreciação dos pedidos correspondentes, à necessária homologação dos citados pedidos, ao prazo para a efetivação da homologação e ao rito processual aplicável à matéria. Aceitar a tese esposada pela Recorrente significaria, em última análise, afastar, por desnecessária, a norma estampada no parágrafo 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, vez que ao procedimento homologatório, segundo tal entendimento, deveria ser aplicada a regra do parágrafo 4º do art. 150 do CTN. Fl. 598DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15374.906574/200888 Acórdão n.º 130200.727 S1C3T2 Fl. 568 7 Obviamente, tal entendimento não encontra ressonância na legislação de regência, eis que, como já disse, o instituto da compensação é regido por um conjunto próprio de normas, e, no que diz respeito a prazo para homologação, a regra não pode ser outra senão a prevista no parágrafo 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Recepcionada sob outra ótica, poderseia afirmar que o entendimento sob apreciação não afastaria, necessariamente, a aplicação do prazo previsto no parágrafo 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, sendo que este seria aplicável à homologação da compensação e o previsto no parágrafo 4º do art. 150 do CTN deveria ser observado na aferição da liquidez e certeza do crédito apontado para o encontro de contas. A meu ver, tal raciocínio revelase, da mesma forma, absolutamente equivocado, eis que não se pode admitir homologação de compensação sem que a certeza e liquidez dos créditos sejam aferidas, pois, do contrário, estarseá deixando de observar requisito imposto pela norma de regência (caput do art. 170 do Código Tributário Nacional). Em síntese: a homologação da compensação pleiteada pelo contribuinte está representada, em essência, pela verificação da certeza e liquidez dos créditos indicados no pedido. A alegação da Recorrente de que os débitos objeto do processo administrativo nº 15374.900139/200840 que deixaram de ser quitados em função da redução do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000 referemse aos anos de 2002 e 2003, e que isso foi afirmado pela própria decisão recorrida, é merecedora de reparo. Com efeito, consta do voto condutor da decisão de primeiro grau a seguinte passagem: Inicialmente, cabe registrar que, conforme fls. 245, a DCOMP analisada no âmbito do PA n°.15374.900139/200840, teve como objeto a compensação de um suposto saldo de IRPJ do ano de 2000, com débitos de estimativa dos anos de 2002 e 2003. Ocorre que, conforme consta às fls.251/252, a autoridade recorrida ao examinar o citado processo, após apurar o efetivo saldo de IRPJ do ano de 2000, observou o comando dado pela Interessada, via DCTF, no sentido de compensar crédito de 2000 com débitos de estimativas do ano de 2001. (GRIFEI) Vêse, pois, que a Recorrente não descreveu de forma completa o pronunciamento da autoridade julgadora de primeiro grau, eis que, não obstante fazer referência aos anos de 2002 e de 2003 em um parágrafo, no parágrafo seguinte deixou claro que encontramse reunidos nos autos comprovação de que o saldo negativo do anocalendário de 2000 foi também utilizado para compensar débitos de estimativas do ano de 2001. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 18 de outubro de 2011 “documento assinado digitalmente” Fl. 599DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15374.906574/200888 Acórdão n.º 130200.727 S1C3T2 Fl. 569 8 Wilson Fernandes Guimarães Fl. 600DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10925.902970/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
PER/DCOMP. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. PERDA DO OBJETO.
Verificado nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal e o respectivo não conhecimento.
Numero da decisão: 1402-003.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 PER/DCOMP. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. PERDA DO OBJETO. Verificado nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal e o respectivo não conhecimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
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RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. PERDA DO OBJETO. Verificado nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal e o respectivo não conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 29 70 /2 00 9- 10 Fl. 59DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido de antecipações por estimativa, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, o PER/Dcomp recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de "não homologação da compensação", cujas razões de negação se fundam no fato de que o pagamento a título de estimativa mensal somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega que tem direito à restituição/compensação do valor pago a maior, seja qual for a modalidade de pagamento. Aduz ainda que a matéria não pode ser regulada por meio de instrução normativa, e sim por lei. E por fim, afirma a liquidez e certeza de seu crédito. Da decisão da DRJ Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento: A DRJ, em seu julgamento, por unanimidade considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação do PER/Dcomp objeto do presente processo. Do Recurso Voluntário: A recorrente, na sua peça recursal, pede anulação dos valores cobrados no presente processo, pois quitou os débitos em discussão na per/dcomp, através de DARFs especificados como anexo. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10925.902970/200910 Acórdão n.º 1402003.455 S1C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.441, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10925.902212/2009 00, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.441): "Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Verificase nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal. Destarte, não se conhece do recurso voluntário por perda do objeto. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19991.000531/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS E DE EMPRESAS CONSIDERADAS INAPTAS.
O contribuinte faz jus aos créditos em relação às compras para revenda somente quando apresentadas as notas fiscais referentes às operações e quando comprovada a efetiva entrega das mercadorias comercializadas, independentemente de haver contra os fornecedores declaração de inaptidão.
Restando comprovado, através de diligência que de fato houve o recebimento e o pagamento da mercadoria, afasta-se a glosa.
Numero da decisão: 3302-005.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para ser reconhecido o direito de crédito da Recorrente em relação nas Notas Fiscais de nº 828 e 1.131, ressalvado os critérios de utilização já definidos na decisão recorrida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS E DE EMPRESAS CONSIDERADAS INAPTAS. O contribuinte faz jus aos créditos em relação às compras para revenda somente quando apresentadas as notas fiscais referentes às operações e quando comprovada a efetiva entrega das mercadorias comercializadas, independentemente de haver contra os fornecedores declaração de inaptidão. Restando comprovado, através de diligência que de fato houve o recebimento e o pagamento da mercadoria, afasta-se a glosa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para ser reconhecido o direito de crédito da Recorrente em relação nas Notas Fiscais de nº 828 e 1.131, ressalvado os critérios de utilização já definidos na decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS E DE EMPRESAS CONSIDERADAS INAPTAS. O contribuinte faz jus aos créditos em relação às compras para revenda somente quando apresentadas as notas fiscais referentes às operações e quando comprovada a efetiva entrega das mercadorias comercializadas, independentemente de haver contra os fornecedores declaração de inaptidão. Restando comprovado, através de diligência que de fato houve o recebimento e o pagamento da mercadoria, afastase a glosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para ser reconhecido o direito de crédito da Recorrente em relação nas Notas Fiscais de nº 828 e 1.131, ressalvado os critérios de utilização já definidos na decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 99 1. 00 05 31 /2 00 9- 51 Fl. 471DF CARF MF Processo nº 19991.000531/200951 Acórdão n.º 3302005.919 S3C3T2 Fl. 472 2 Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Por bem descrever e retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da Resolução nº 3403000.573, de fls. 213216: Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0939.302, de 29 de fevereiro de 2012 (fls. 137/150), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (DRJ), cuja ementa resume o seguinte entendimento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS E DE EMPRESAS CONSIDERADAS INAPTAS.1.As aquisições de mercadorias para revenda efetuadas de sociedades cooperativas geram créditos de Cofins nãocumulativa exportação como as das demais pessoas jurídicas. 2. A adquirente faz jus aos créditos em relação às compras para revenda somente quando apresentadas as notas fiscais referentes às operações e quando comprovada a efetiva entrega das mercadorias comercializadas, independentemente de haver contra os fornecedores declaração de inaptidão. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O provimento parcial se deu em relação à glosa das aquisições de bens de pessoas inaptas, na parte em que se entendeu existir a comprovação do pagamento e da entrega das mercadorias. Assim decidiu a DRJ, nesta parte: Quanto a linha de defesa apresentada em relação à glosa das aquisições para revenda das empresas “por existirem contra elas Processos de Representação Fiscal para inaptidão dos seus CNPJ”, temse que a Delegacia de origem se baseou em irregularidades detectadas capazes, segundo ela, de enquadrar os documentos emitidos no §1º do art. 48 da IN RFB no 748, de 2007, in verbis: Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. Fl. 472DF CARF MF Processo nº 19991.000531/200951 Acórdão n.º 3302005.919 S3C3T2 Fl. 473 3 § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos ... Porém, pelas notas fiscais trazidas ao processo pela reclamante, (19991.000525/200902), temse que houve a comprovação do pagamento das aquisições objeto da glosa em comento e da efetiva entrega das mercadorias adquiridas caracterizada pelo carimbo da empresa responsável pelo recebimento das mesmas. Além disto, a existência das operações, em alguns casos, foi corroborada pelo carimbo da fiscalização estadual que é encontrado em algumas das notas fiscais. Em assim sendo, aplicase às notas fiscais consideradas inidôneas pela DRF de origem o disposto no §5º do mesmo art. 48 da IN RFB nº 748, de 2007, abaixo transcrito: § 5º O disposto no § 1o não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. Ressaltese que os dispositivos citados da IN SRF nº 748, de 2007 tem como base o art. 82 da Lei nº 9.430, de 1996. No entanto, algumas notas fiscais devem ser mantidas as exclusões referentes a bens por falta de apresentação de documentos hábeis a evidenciar “o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços”, são eles os de fls. 937, 963 e 964. Cumpre ressaltar, que em relação às transferências bancárias efetuadas para a empresa GW Comércio Atacadista de Café Ltda, documentos de fls. 963 e 964, não foram sequer comprovadas as operações, pois, não foram trazidas ao processo as notas fiscais. A propósito do assunto, temse que a comprovação da operação, através das notas fiscais é a condição primeira a ser satisfeita. E mais, a demonstração de apenas um dos requisitos contidos no §5º acima transcrito (pagamento/entrega) é necessária mas não é suficiente para afastar a aplicação do caput do artigo 82 já mencionado, pois da leitura da norma ressalta que é imprescindível o cumprimento de ambas as exigências. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 173/176), no qual alega o seguinte: Destarte, alega a autoridade fiscal que a Contribuinte não apresentou a comprovação do pagamento e da entrega das Fl. 473DF CARF MF Processo nº 19991.000531/200951 Acórdão n.º 3302005.919 S3C3T2 Fl. 474 4 mercadorias nas notas fiscais de fls. 937, 963 e 964, pelo que, então, não cumpriria um dos requisitos contidos no §5° do art 48 IN RFB n° 748, de 2007. Porém, tal assertiva não deve prosseguir, tendo em vista o Princípio Ha Verdade Material, já que apresentados os documentos pertinentes, necessários à comprovação do pagamento das mercadorias, bem como da efetiva entrega das mesmas, com relação às operações objeto de glosa, a saber: a) S/A SILVEIRA CPF n° 7.336.072/000153 (fls. 937); e b) ITAPORANGA Comércio e Exportação Ltda. CNPJ n° 26.378.611/000180 (fls. 963 e 964) Isto porque, com relação às operações com os fornecedores acima discriminados, a documentação apresentada pela Contribuinte efetivamente se reveste de todos os requisitos que legitimam o direito ao crédito, em nada se justificando as glosas efetuadas sobre as mesmas, bastando, inclusive, um simples cotejo destes com os demais documentos aceitos pela própria autoridade fazendária. Ademais, ainda de acordo com o Princípio da Verdade Material, se dúvidas ainda persistirem, deverão ser consideradas todas as provas e fatos novos, ainda que desfavoráveis contra a Fazenda Pública, desde que sejam provas lícitas. Interessa à Administração que seja apurada a verdade rea! dos fatos ocorridos (verdade material). Referida resolução foi proferida nos seguintes termos: No mérito, a discussão gira em torno de saber se houve a comprovação do pagamento dos valores e do recebimento das mercadorias a que se referem as notas fiscais apresentadas pelo recorrente, que se referem a aquisições que realizou de pessoas jurídicas que vieram a ser declaradas inaptas. Mais especificamente, tratase das notas fiscais que se encontram as fls. 937, 963 e 964 do Processo Administrativo nº 19991.000525/200902. Ocorre que nem o referido Processo Administrativo foi apensado ao presente processo, nem as referidas notas fiscais encontramse juntadas aos autos do presente processo, tanto menos a documentação que serviria de prova do pagamento dos valores e do recebimento das mercadorias referentes a estas mesmas notas. Destarte a necessidade de converter o presente julgamento em diligência. Voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Delegacia de origem promova as seguintes providências: a) promova a apensamento ou anexação aos presentes autos de cópia integral do PA nº 19991.000525/200902; b) intime o contribuinte a demonstrar, por meio de sua escrituração contábil ou outros documentos (cheques, conhecimento de transporte etc) o efetivo pagamento do valor de cada nota fiscal e o efetivo recebimento da mercadoria; c) lavre termo final de diligência; Fl. 474DF CARF MF Processo nº 19991.000531/200951 Acórdão n.º 3302005.919 S3C3T2 Fl. 475 5 d) intime o contribuinte a, querendo, apresentar manifestação quanto ao termo final de diligência e devolva os autos a este Conselho para julgamento. Ás fls. 313316, foi carreado relatório de diligência, propondo pelos termos lá explicitados, a manutenção da glosa integral objeto da nota fiscal analisada. Devolvido o processo à este Conselho, foi proferido despacho de conversão do julgamento em diligência para que a autoridade fiscal cumprisse integralmente as determinações solicitadas na Resolução anteriormente citada, conforme demonstra a decisão carreada às fls.336340. Ato contínuo, na posse dos documentos fornecidos pela Recorrente, a fiscalização apresentou o Relatório carreado às fls.353359 com as seguintes conclusões: 27. Diante do exposto, informo que foi comprovada a efetiva entrega de café beneficiado das empresas: a) Sersantos Comércio, Importação e Exportação de Café e Cereais Ltda., CNPJ 08.869.317/000170, por meio da NF 828 de 02/07/2008, no valor de R$ 58.300,00 (cinquenta e oito mil e trezentos reais); e b) GW Comércio Atacadista de Café Ltda., CNPJ 08.794.865/000189, por meio da NF 1.131 de 05/08/2008, no valor de R$ 78.000,00 (setenta e oito mil reais). 28. Concluo que deva ser INDEFERIDO o ressarcimento de crédito de COFINS não cumulativa vinculado à receita de exportação do 3º trimestre de 2008, no que se refere à aquisição de café beneficiado das NFs acima discriminadas, por ser tratar de produto adquirido como insumo. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme pontuado na resolução de fls. 213216 "...a discussão gira em torno de saber se houve a comprovação do pagamento dos valores e do recebimento das mercadorias a que se referem as notas fiscais apresentadas pelo recorrente, que se referem a aquisições que realizou de pessoas jurídicas que vieram a ser declaradas inaptas. Mais especificamente, tratase das notas fiscais que se encontram as fls. 937, 963 e 964 do Processo Administrativo nº 19991.000525/200902". Neste ponto a decisão recorrido assim se pronunciou : Porém, pelas notas fiscais trazidas ao processo pela reclamante, (19991.000525/200902), temse que houve a comprovação do pagamento das aquisições objeto da glosa em comento e da Fl. 475DF CARF MF Processo nº 19991.000531/200951 Acórdão n.º 3302005.919 S3C3T2 Fl. 476 6 efetiva entrega das mercadorias adquiridas caracterizada pelo carimbo da empresa responsável pelo recebimento das mesmas. Além disto, a existência das operações, em alguns casos, foi corroborada pelo carimbo da fiscalização estadual que é encontrado em algumas das notas fiscais. Em assim sendo, aplicase às notas fiscais consideradas inidôneas pela DRF de origem o disposto no §5º do mesmo art. 48 da IN RFB nº 748, de 2007, abaixo transcrito: § 5º O disposto no § 1o não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. Ressaltese que os dispositivos citados da IN SRF nº 748, de 2007 tem como base o art. 82 da Lei nº 9.430, de 1996. No entanto, algumas notas fiscais devem ser mantidas as exclusões referentes a bens por falta de apresentação de documentos hábeis a evidenciar “o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços”, são eles os de fls. 937, 963 e 964. A fiscalização, por sua vez, apresentou o Relatório carreado às fls.353359 com as seguintes conclusões: 27. Diante do exposto, informo que foi comprovada a efetiva entrega de café beneficiado das empresas: a) Sersantos Comércio, Importação e Exportação de Café e Cereais Ltda., CNPJ 08.869.317/000170, por meio da NF 828 de 02/07/2008, no valor de R$ 58.300,00 (cinquenta e oito mil e trezentos reais); e b) GW Comércio Atacadista de Café Ltda., CNPJ 08.794.865/000189, por meio da NF 1.131 de 05/08/2008, no valor de R$ 78.000,00 (setenta e oito mil reais). 28. Concluo que deva ser INDEFERIDO o ressarcimento de crédito de COFINS não cumulativa vinculado à receita de exportação do 3º trimestre de 2008, no que se refere à aquisição de café beneficiado das NFs acima discriminadas, por ser tratar de produto adquirido como insumo. É de se ver que a questão sobre a ausência de documentos comprobatórios da operação envolvendo as Notas Fiscais de fls. 937, 963 e 964 foi superada através da diligência, restando, assim, ser reconhecido o direito de crédito da Recorrente, aplicandose, para estes créditos o mesmo destino dado aos créditos reconhecidos pela DRJ, a saber: Em assim sendo, deve ser legitimado o credito Cofins não cumulativa –Exportação do 3º trimestre de 2008, no valor R$ 67.635,31, ressalvandose, entretanto, que a sua utilização deverá se dar na ordem de precedência estabelecida nos Fl. 476DF CARF MF Processo nº 19991.000531/200951 Acórdão n.º 3302005.919 S3C3T2 Fl. 477 7 parágrafos 1º e 2º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, ou seja, primeiramente para dedução da contribuição devida no período e/ou compensação e, após, se sobrar crédito ao final do trimestre, para fins de ressarcimento. A respeito dos métodos definidos pela DRJ para utilização do crédito reconhecido, insta tecer que o contribuinte não recorreu desta matéria, apenas alegou que os documentos juntados aos autos demonstraram efetivamente a entrega/recebimento da mercadorias e o seu efetivo pagamento e, requerer o deferimento do PER. Por fim, salientase que a conclusão apresentada pela fiscalização no item "28" não influencia, ao meu ver, na solução do litígio, posto que a matéria relacionada as notas fiscais sob análise envolve somente a questão probatória. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para ser reconhecido o direito de crédito da Recorrente em relação nas Notas Fiscais de nº 828 e 1.131, ressalvado os critérios de utilização já definidos na decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 477DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.720769/2014-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Impugnação apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo e não pode ser conhecida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Decorre disto que não se infirmando a intempestividade, não pode ser conhecido o recurso em face de impugnação anterior intempestiva e que não surtiu os efeitos legais.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO FÁTICA DOS FATOS. EXCLUSÃO.
Exclui-se a responsabilidade dos apontados como sujeitos passivos solidários quando não se comprovam fatos que relacionem o recebimento dos recursos a algum ato realizado pelos responsáveis solidários com intuito de evitar a tributação do sujeito passivo.
Numero da decisão: 1401-002.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos apresentados por CEREALISTA PAVANI EIRELI-ME e ITAMAR SOUZA SILVA & CIA. LTDA. -ME e dar provimento aos recursos voluntários apresentados por CAFEEIRA RODRIGUES LTDA., GLOBO TRANSPORTE RODOVIÁRIO LTDA. -EPP, M.B. DOS SANTOS CEREAIS -ME, ROSIANI FAQUIM BORGHI, VALDECO DE FREITAS FERREIRA -ME, ALDEIA DO SOL ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA. -ME, IRIA DAHM -ME, para excluí-los do rol dos responsáveis tributários pelo crédito tributário exigido neste processo.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Impugnação apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo e não pode ser conhecida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Decorre disto que não se infirmando a intempestividade, não pode ser conhecido o recurso em face de impugnação anterior intempestiva e que não surtiu os efeitos legais. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO FÁTICA DOS FATOS. EXCLUSÃO. Excluise a responsabilidade dos apontados como sujeitos passivos solidários quando não se comprovam fatos que relacionem o recebimento dos recursos a algum ato realizado pelos responsáveis solidários com intuito de evitar a tributação do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos apresentados por CEREALISTA PAVANI EIRELIME e ITAMAR SOUZA SILVA & CIA. LTDA. ME e dar provimento aos recursos voluntários apresentados por CAFEEIRA RODRIGUES LTDA., GLOBO TRANSPORTE RODOVIÁRIO LTDA. EPP, M.B. DOS SANTOS CEREAIS ME, ROSIANI FAQUIM BORGHI, VALDECO DE FREITAS FERREIRA ME, ALDEIA DO SOL ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA. ME, IRIA DAHM ME, para excluílos do rol dos responsáveis tributários pelo crédito tributário exigido neste processo. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 07 69 /2 01 4- 49 Fl. 9328DF CARF MF 2 Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da decisão de Piso. Tratase de constituição de crédito tributário relativo ao IRPJ, às contribuições CSLL, Cofins e PIS/Pasep, consolidado no valor de R$11.528.712,53, já incluídos juros e multa proporcional qualificada exasperada (225%), referente a fatos geradores do anocalendário de 2010, conforme fls. 8309 e seguintes. Além do próprio contribuinte, identificado em epígrafe, foram autuados na condição de sujeito passivo responsável solidário de fato as seguintes pessoas físicas e jurídicas: 1. CEREALISTA NOVA UNIÃO CAFÉ E CEREAIS CNPJ: 06.157.547/000181 2. GLOBO TRANSPORTE RODOVIÁRIO LTDA CNPJ 11.130.348/000110 3. COMÉRCIO DE CAFÉ SERTÃO LTDA ME CNPJ 11.457.782/000109 4. M. B. DOS SANTOS CEREAIS ME CNPJ 02.301.532/000194 5. CEREALISTA PAVANI LTDA CNPJ 08.664.243/000136 6. ALDEIA DO SOL ASSESSORIA EMP. LTDA ME CNPJ 06.217.858/000199 7. CER. E MÁQUINA ARROZEIRA RIO MACHADO LT ME CNPJ 11.706.979/000134 8. PEDRO DIAS BICALHO CPF 387.093.33215 9. J.R. SALVIANO & CASTRO LTDA ME CNPJ 11.460.009/000100 10. JOSE SILVA DA COSTA CPF 449.560.10249 11. J.A. DE ARAÚJO & CIA LTDA ME CPNJ 09.588.515/000129 12. ITAMAR SOUZA SILVA & CIA LTDA ME CNPJ 07.355.913/000170 13. COM. DE CEREAIS E LEGUMINOSAS FORTE LT ME CNPJ 08.732.735/000111 14. VALDECO DE FREITAS FERREIRA ME CNPJ 03.3698.993/000105 15. ALCI VELOSO CPF: 513.653.32268 16. CAFEEIRA RODRIGUES LTDAME CPNJ 00.581.486/000107 17. COMERCIO DE CAFÉ E CEREAIS SAFRA LTDA ME CNPJ 07.142.199/000131 18. COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS BRASROLIM LTDA CNPJ 11.548.554/000144 19. F. V. INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CEREAIS LT ME CNPJ 09.531.986/000109 20. IRIA DAHM CNPJ 01.866.793/000199 21. CEREALISTA BARROSO CNPJ 02.646.916/000149 22. ROSIANE FAQUIM BORGHI CPF 621.305.01249 23. JOSÉ MARTINS FILHO CPF 160.313.34100 A Autoridade Fiscal informou, no Relatório Fiscal, fls. 8461 e seguintes, em resumo, que: Fl. 9329DF CARF MF Processo nº 13227.720769/201449 Acórdão n.º 1401002.837 S1C4T1 Fl. 9.329 3 1. o Termo de Início de Procedimento Fiscal encaminhado pela via postal com Aviso de Recebimento AR (Objeto RQ 59855363 1 BR) foi devolvido em 10/09/2012 pelo motivo "mudouse", ficando registrado no envelope devolvido que quem passou tal informação "recusou informar o nome"; 2. não houve resposta ou qualquer outra manifestação do sujeito passivo até o presente momento; 3. no intuito de encontrar algum responsável pela empresa, encaminhouse ofício à JUCER para que esta entregasse toda a documentação cadastral da empresa. Na seqüência, verificouse que havia divergência entre os responsáveis pela empresa que constavam na base da Receita Federal do Brasil e os que constavam no contrato social e suas alterações (Anexo Único); 4. foi dada ciência pessoal ao sujeito passivo na pessoa do sócio Jeferson Rodrigues da Costa (CPF 830.405.52287). Este sócio constava apenas na 4a alteração contratual arquivada na JUCER, mas não no cadastro da empresa junto à Receita Federal do Brasil. Dessa forma ficou portanto intimado a apresentar toda a documentação solicitada acima. Não houve apresentação de qualquer documentação que fora solicitada. 5. o contribuinte tomou ciência dos Termos de Continuidade de Procedimento Fiscal sempre através dos Editais de Intimação publicados por esta SAFIS; 6. Em consulta ao repositório de dados do Sped Notas Fiscais Eletrônicas, foi identificada a emissão de diversas notas fiscais pelo sujeito passivo registrando operação de revenda de mercadorias, que, ao final do ano calendário de 2010, somaram R$ 44447.827,61; 7. apesar disso o sujeito passivo não declarou qualquer espécie de débito em suas DCTF's, na verdade, não fora constatada nem a entrega das DCTF's (Declaração de Contribuições e Tributos Federais) do anocalendário de 2010; 8. pelo fato de o sujeito passivo não ter apresentado escrituração contábil (não houve apresentação dos Livros Diário, Razão ou Caixa), a apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica do período em análise foi realizada pela modalidade do Lucro Arbitrado, nos termos dos Artigos 45 e 47, III da Lei 8.981 de 20 de janeiro de 1995; 9. realizou diligência no local constante no cadastro da RFB, ou seja, Avenida Castelo Branco, n° 20336, Bairro Centro, Cidade de Cacoal/Rondônia, para verificar in loco o real motivo dos retornos das correspondências com Aviso de Recebimento, obtendo os registros fotográficos que estão nos autos e constatando não ser possível localizar a empresa; Fl. 9330DF CARF MF 4 10. restou configurada a hipótese de que a empresa apenas existia no papel, comprovandose que a Comércio de Café e Cereais Caipira LTDA inexistia de fato; 11. com o fim de não prejudicar os trabalhos de fiscalização, foi encaminhada Solicitação de Requisição Informações sobre Movimentação Financeira (Decreto n° 3.724 de 2001, art.3° XI) ao Delegado desta RFB/Ji Paraná em 20/02/2013, instrumento pelo qual intimouse as instituições financeiras com as quais o sujeito passivo manteve relação durante o período sob análise para apresentação de documentos de cadastro e cópia dos cheques e das transferências de recursos realizadas durante aquele ano; 12. na análise dos documentos recebidos das instituições financeiras, chamou a atenção o fato de que diversas pessoas físicas e jurídicas receberam elevadas quantias da empresa Comércio de Café e Cereais Caipira Ltda durante o anocalendário de 2010. Esses valores foram repassados através de transferências bancárias, DOC ou TED, mas a grande maioria foi movimentada por cheques. 13. Os beneficiados que receberam, durante o anocalendário de 2010, somas vultuosas e apresentaram freqüência nos recebimentos foram intimados a prestar os devidos esclarecimentos em relação às importâncias recebidas; 14. a GLOBO TRANSPORTE RODOVIÁRIO LTDA declarou que a origem dos valores recebidos da empresa Comercio de Cafe e Cereais Caipira Ltda CNPJ: 11.370.131/000187 são referentes a prestação de serviços de transporte rodoviário, e que a relação mantida com tal empresa é exclusivamente de fornecedor e cliente, não havendo mais nenhum tipo de vínculo. A contribuinte, no entanto, apresentou alguns Conhecimentos de Transporte Rodoviário (CRT) que somam R$ 351.445,00. Tais documentos deixam sem comprovação a soma de R$ 1.406.528,46. 15. M.B. DOS SANTOS CEREAIS ME esclareceu que tem como atividade principal a secagem e beneficiamento de café para os pequenos produtores da região. Como estes, em sua maioria, não possuem contas bancárias, intermediou a negociação entre estes e a citada empresa, recebendo em sua conta bancária os valores de venda dos produtos e repassando aos seus legítimos donos, auferindo rendimentos apenas pelos serviços realizados. A contribuinte não apresentou nenhuma documentação que pudesse comprovar os fatos. Juntou apenas a documentação contratual da empresa. 16. A CEREALISTA PAVANI LTDA esclareceu que tem como atividade principal a secagem e beneficiamento de café para os pequenos produtores da região. Como estes, em sua maioria não possuem contas bancárias, intermediou a negociação entre estes e a citada empresa, recebendo em sua conta bancária os valores de venda dos produtos e repassando aos seus legítimos donos, auferindo rendimentos apenas pelos serviços realizados. A Contribuinte apresentou algumas Notas Fiscais de Produtor que somam R$ 161.676,00 (cento e sessenta e um mil seiscentos e setenta e seis reais), restando comprovar o valor de R$ 412.181,00 (quatrocentos e doze mil cento e oitenta e um reais). Fl. 9331DF CARF MF Processo nº 13227.720769/201449 Acórdão n.º 1401002.837 S1C4T1 Fl. 9.330 5 17. A ALDEIA DO SOL ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA ME alegou não manter relação comercial direta ou indireta com a empresa Comércio de Café e Cereais Caipira Ltda, que, conforme contrato anexado, as transações comerciais foram realizadas com a empresa Andreazza Com. de Café e Cereais, representada pelo Sr. Walter Borghi, CPF. 369.530.32220. No que tange aos recebimentos, alegou não ter como controlar o emissor dos pagamentos, analisando que sua conferência está somente nos recebimentos, e que o representante legal da empresa na figura do Sr. Walter Borghi, já tinha em outras oportunidades comerciais, efetuados pagamentos por intermédio de outras empresas de sua responsabilidade, motivo este que não causou estranheza sobre a origem do pagamento, podendo ser este o motivo de tal confusão referente a documentação. Entregou cópia simples de Contrato de Assistência Financeira e Empresarial para "Fomento Comercial (Factoring) entre a empresa Aldeia do Sol Factoring Mercantil Ltda e um terceiro, Andreazza Comércio de Café e Cereais Ltda (CNPJ: 84.639.806/000114). 18. J.R. SALVIANO & CASTRO LTDA – ME alegou que, no ano de 2010, a empresa Máquina do Produtor Comércio Atacadista de Café em Grãos LtdaME, recebeu os devidos repasses da empresa Comércio de Café e Cereais Caipira Ltda, para comprar cereais em seu nome, que comprava os cereais na região de Novo Riachuelo distrito de Presidente Médici e emitia os respectivos documentos fiscais diretamente para a empresa Comércio de Café e Cereais Caipira Ltda, que comprova com algumas notas fiscais em anexo. Esclareceu ainda que os sócios da empresa Maquina do Produtor Comercio Atacadista de Café recebiam apenas uma comissão para efetuarem as compras e repassar as mercadorias para seus verdadeiros donos, ou seja eram representantes da empresa Comércio de Café e Cereais Caipira Ltda. O contribuinte apresentou à fiscalização as alterações contratuais do objeto social do quadro societário bem como algumas notas fiscais. Porém, tais notas somam RS 6.880, faltando a comprovação de R$ 391.518,87. 19. JOSE SILVA DA COSTA, CPF 449.560.10249, alegou que os corretores de café, na região, atuam intermediando as compras vendedor/comprador e, não raras vezes por questões até de agilizamento da operação, incumbe o corretor várias vezes receber e repassar para o devido dono, sem vínculo jurídico empresarial com quaisquer das partes que não seja o mero recebimento de uma comissão. 20. J. A. DE ARAÚJO & CIA LTDA ME alegou que a origem e natureza dos valores recebidos da Comércio de Café e Cereais Caipira Ltda, durante o anocalendário de 2010, se dá referente à venda de Café que foram vendidos a cargo da empresa acima, em retirar tal mercadoria com Notas Fiscais de entrada da mesma, sendo assim a única relação foi a venda dos devidos cereais. 21. ITAMAR SOUZA SILVA & CIA LTDA – ME alegou que a pedido de Aldemir de Pieri, realizou aquisição de café em coco e beneficiado de pequenos produtores rurais que as vezes já trazia beneficiado até o limite de Fl. 9332DF CARF MF 6 300 (trezentas) sacas e completado o lote, o mesmo repassava os valores correspondentes através da empresa indicada no Termo de Diligência Fiscal, informando da não necessidade de emissão de Notas Fiscais, vez que exatas seria emitidas pela empresa da qual se dizia representante e/ou administrador. Esclareceu ainda que os valores que foram repassados conforme consta no Anexo Único foi transferido para os pequenos produtores rurais que em Jaru e micro região exercem as atividades, inexistindo em seus arquivos anotações da origem das aquisições e destinação do numerário repassado, especialmente quando o mesmo foi transferido a produtores de café da região de Jaru sem formalidade fiscal vez que não se tratava de relação comercial, mas, tão somente de intermediação. 22. VALDECO DE FREITAS FERREIRA ME alegou que tem como atividade principal a secagem e beneficiamento de café para os pequenos produtores da região e, como estes em sua maioria não possuem contas bancárias, intermediou a negociação entre estes e a citada empresa, recebendo em sua conta bancária os valores de venda dos produtos e repassando aos seus legítimos donos, auferindo rendimentos apenas pelos serviços realizados. 23. ALCI VELOSO alegou que a empresa Caipira responsável por repassar os pagamentos diretos aos produtores através de cheques, descumpriu o acordo verbal entre as partes, dizendo que ficaria inviável para a empresa manter um responsável na cidade para efetuar os pagamentos, sendo que também em sua maioria os produtores rurais não possuíam contas bancárias para receber tais pagamentos, sendo assim, foi utilizado sua conta corrente para que fizesse o repasse de tais pagamentos aos produtores rurais. 24. CAFEEIRA RODRIGUES LTDAME alegou que tem como atividade principal a secagem e beneficiamento de café para os pequenos produtores da região. Como estes, em sua maioria não possuem contas bancárias, intermediou a negociação entre estes e a citada empresa, recebendo em sua conta bancária os valores de venda dos produtos e repassando aos seus legítimos donos, auferindo rendimentos apenas pelos serviços realizados. 25. CEREALISTA BARROSO alegou não ter relação comercial com a Café Caipira, a relação comercial foi realizada com a Cafeeira Jordã, entendendo ser esta a origem dos valores recebidos, e que tem documentos comprobatórios, uma vez que estes e o transporte eram de responsabilidade da Cafeeiro Jordã. 26. JOSÉ MARTINS FILHO, CPF 160.313.34100, alegou que recebia créditos no início da produção agrícola, no mês de maio 2010, realizava visitas em diversos assentamentos de produtores rurais Sem Terra e passou a comprar no varejo dentro das linhas produtoras de café, e assim quando juntavam um certo lote aparecia o comprador da Caipira para realizar coleta, em nenhum momento era fornecida nota fiscal de compra, até porque o café comprado pertencia a diversos produtores, sendo em média de 01 saco até no máximo 7 sacos por produtor ou meeiro, alegando ainda que sacava o crédito e levava em mãos pra realizar pagamento aos produtores agrícolas de Assentamento de Agricultura Familiar e, após os pagamentos, recebia uma comissão pelas compras realizadas. Fl. 9333DF CARF MF Processo nº 13227.720769/201449 Acórdão n.º 1401002.837 S1C4T1 Fl. 9.331 7 27. Jeferson Rodrigues da Costa, sócio da empresa autuada a partir da 4a (quarta) alteração do contrato social, arquivado na Junta Comercial em 07/03/2012, compareceu à DRF/JiParaná em 26/02/2013, dias após ter sido intimado do Termo de Início de Procedimento Fiscal. Na oportunidade não apresentou documentação, mas quis, espontaneamente, prestar uma declaração a respeito da empresa/sujeito passivo (ANEXO ÚNICO). 28. A Sra. Raquel Alves de Oliveira, sócia da empresa Café Caipira de acordo com o cadastro da Receita Federal do Brasil, substituída na 4a e última alteração da documentação na Junta Comercial também apresentou depoimento conforme consta neste Relatório Fiscal. 29. CLEIDE RAMOS SILVA GLOWATZKI (contadora) apresentou esclarecimento transcrito no Relatório Fiscal. 30. Pelo que foi colhido durante o trabalho de fiscalização, acompanhado da documentação trazida em resposta aos Termos de Diligência e, finalmente, pelas declarações prestadas, concluise que a empresa Comércio de Café e Cereais Caipira Ltda, nada mais é que uma empresa de fachada, que fora criada com a finalidade de não recolher os tributos devidos sobre as operações relatadas; 31. a empresa, durante o anocalendário de 2010, não declarou qualquer importância relativa aos tributos federais, mesmo tendo emitido notas fiscais de venda no valor total de R$ 44.447.827,61 (quarenta e quatro milhões, quatrocentos e quarenta e sete mil oitocentos e vinte e sete reais e sessenta e um centavos). 32. Ao serem destinatários dos recursos financeiros da empresa Comércio de Café e Cereais Caipira Ltda, sem a devida comprovação de relação comercial, restou configurado o interesse comum dos responsáveis solidários no fato gerador da obrigação tributária. Os recursos financeiros tiveram origem nas operações de venda realizadas em nome da empresa Comércio de Café e Cereais Caipira Ltda A, operações que vieram a compor a Receita Bruta dela no período, fato gerador dos tributos lançados nesse Auto de Infração. Contribuintes e responsáveis foram cientificados dos Autos de Infração e dos Termos de Sujeição Solidária, tendo havido as manifestações seguintes: CEREALISTA BARROSO LTDA apresentou impugnação (fls. 8547 e ss) em 21/05/15, alegando, em resumo, que: 1. há nulidade do auto de infração lavrado pela autoridade fiscal, uma vez promovida a quebra do sigilo fiscal sem a necessária autorização judicial para tanto; 2. a ilegalidade não para por aí, pois, além do sigilo fiscal do contribuinte Comércio de Café e Cereais Caipira Ltda, o direito à inviolabilidade também Fl. 9334DF CARF MF 8 foi preterido, de forma oblíqua, daquelas pessoas que mantiveram relação comercial com a autuada; 3. em que pese ter recebido os numerários da empresa Arco Íris, sua negociação, qual seja, venda de café à autuada, era realizada com o Sr. Daniel que se apresentava como representante daquela; 4. não houve a entrega de documentos por parte da impugnante, uma vez que entende não ser a fiscalização dirigida diretamente à averiguação de suas atividades empresariais; 5. não existe razão a sujeição do impugnante à solidariedade passiva ao pagamento do crédito tributário cujo fato gerador é de exclusividade do contribuinte Café Caipira; 6. por meio de quebra de sigilo bancário ilegal, a fiscalização pretende imputar a terceiros que mantiveram contato comercial com a autuada, a responsabilidade pelo pagamento de tributos dos quais não fizeram parte da relação jurídica tributária que os constituíram; 7. o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu ensejo à ocorrência do fato imponível; 8. o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, como quer fazer crer a autoridade fiscal no presente caso, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível; 9. a nulidade deve ser decretada, na medida em que: (i) não explica as razões pelas quais deveria apresentar a documentação solicitada; (ii) não contém os motivos pelos quais as explicações prestadas pela Requerente não foram acolhidas ou consideradas; (iii) não permite que a impugnante tenha pleno conhecimento dos fatos, pois a suposta infração foi cometida pela autuada, não dispondo de meios hábeis para trazer os autos a escrituração contábil de terceira pessoa; 10. seria imprescindível que o Fisco, por seus representantes, explicasse as razões pelas quais estaria solicitando a apresentação de documentos, vez que não estava, pelo menos a princípio sofrendo qualquer tipo de fiscalização em sua escrita fiscal, sob pena de materializarse o cerceamento do direito de defesa desta última. 11. "Desta forma, requer seja declarada a nulidade do termo de sujeição passiva solidária nº 6, atrelada ao auto de infração imposta à empresa Comercio de Café e Cereais Caipira Ltda., com o seu conseqüente cancelamento, ou alternativamente, em virtude da comprovação de que a impugnante não pode figurar no presente, seja retirada de mencionado procedimento". Fl. 9335DF CARF MF Processo nº 13227.720769/201449 Acórdão n.º 1401002.837 S1C4T1 Fl. 9.332 9 CEREALISTA E MÁQUINA ARROZEIRA RIO MACHADO LTDA ME, cientificada em 07/04/15 (fl. 8526), apresentou impugnação (fls. 8741 e ss) em 21/05/15, alegando, em resumo, que: 1. a empresa é idônea não tendo agido de má fé, sempre rigorosamente em dia com os pagamentos tributários, não tendo conhecimento de nenhuma transação comercial com a empresa, COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS CAIPIRA LTDA, citada no auto de infração. 2. "requer seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado". IRIA DAHMME, cientificada em 10/04/15 (fl. 8542), apresentou impugnação (fls. 8785 e ss) em 08/05/15, alegando, em resumo, que: 1. se a autuada não está sob investigação fiscal, não pode, sem ampla defesa e o devido processo legal, ser compelida ao pagamento de um tributo com o qual não possui qualquer vínculo obrigacional; 2. o auto de infração que impõe responsabilidade solidária à autuada está eivado de nulidade, não podendo subsistir no mundo jurídico. 3. por conta do termo de diligência fiscal endereçado à autuada, fora lhe concedido prazo de 5 (cinco) dias para prestar esclarecimentos, o que não foi suficiente; 4. a concessão de apenas mais 5 (cinco) dias pelo Fisco, tornouse igualmente inexeqüível para atender ao pedido de esclarecimento; 5. resolveu o Fisco tão somente atribuirlhe responsabilidade pela conduta típica de outro contribuinte, observado que entre eles não subsiste qualquer vínculo; 6. IRIA DAHM ME é pessoa jurídica de direito privado, empresa constituída em 01071997, ou seja, há 18 anos. Atua no ramo de minimercado como atividade principal, e como atividade secundária beneficia arroz e café; 7. tendo uma pequena máquina de beneficiar cereais e grãos, tal atividade é sazonal, ou seja, funciona apenas nos meses de abril a outubro, por ocasião do período de safra; 8. apenas beneficia grãos, sem, contudo, adquirilos. Os produtores levam seus grãos até a máquina e ali a autuada cobra renda pela limpeza e ensaque do café e do arroz. Repitase, não há compra e venda dessas mercadorias, pois a autuada ocupa todo seu tempo com o mercado; 9. a autuada recebeu no início de 2010, um corretor de café, se dizendo representante da empresa Cerealista Caipira, informando que compraria toda Fl. 9336DF CARF MF 10 a produção de grãos de café da região, e que pagaria uma comissão à autuada por cada carga de café que ela eventualmente intermediasse; 10. nas transações, a própria Cerealista se encarregaria de resolver as questões de transportes, emissão de documentos fiscais e funcionais. Por sua vez, a autuada disse que não comercializava aquelas mercadorias porque não lhes pertenciam, mas que poderia indicar os proprietários e conectálos ao negócio, uma vez que como beneficiadora, poderia ser a interlocutora entre o produtor e a empresa adquirente; 11. prova o alegado com notas fiscais relacionadas, que foi possível levantar por conta das intermediações; 12. neste contexto, não há como vincular a autuada como contribuinte solidária as obrigações fiscais e tributárias da empresa Cerealista Caipira; 13. como o controle e logística das transações estavam por conta das partes, agricultores e cerealista, a autuada apenas tomava conhecimento dos volumes negociados que estavam em seu armazém; 14. É sabido que boa parte destes produtores não possui conta corrente, até porque no município de Cujubim por muito tempo sequer teve um posto bancário ou correspondente, sem qualquer instituição financeira; 15. diante desta situação, a autuada que sempre teve afinidade com os produtores, utilizava este sistema como facilitador das relações negociais; 16. Por conta do levantamento destas provas, o tempo solicitado conduziria a autuada a colher os documentos que guarneciam os créditos recebidos, mas com a negativa de prorrogação de prazo compatível com o exame necessário, restou prejudicada a defesa da autuada. 17. Configurado o cerceamento de defesa, o processo fenece por falta de elemento fundamental para a legitimidade do devido processo legal, impondo o reconhecimento da nulidade do processo administrativo perante a autuada. Com a nulidade, resta, pois, igualmente a invalidade de qualquer multa em seu desfavor. 18. A configuração da solidariedade ao sujeito passivo da obrigação tributária, embora controversa e motivo dos mais diversos entendimentos e estudos, certamente não alcançará a pessoa da autuada, eis que a autuada não figura no mesmo pólo da empresa Cerealista Caipira, não possuindo qualquer vinculo jurídico com ela, quer seja contratual, natural, subsidiário, sucessório, grupo, coligada, controlada, acionista, sócio oculto ou qualquer adjetivo por determinação legal, já que a solidariedade não se presume, decorre da lei ou por eleição das partes. 19. Ora, se não existe qualquer laço que possa vincular a autuada às obrigações contraídas pela empresa Cerealista Caipira, de plano restaria ao Fisco manejar seus esforços sobre aquele que burlou o sistema tributário e dele extrair o que de direito da Fazenda. Fl. 9337DF CARF MF Processo nº 13227.720769/201449 Acórdão n.º 1401002.837 S1C4T1 Fl. 9.333 11 20. Quanto a autoria, restaria impor responsabilidade a autuada sobre os fatos típicos praticados pela Cerealista Caipira durante o exercício de 2010, cuja soma movimentada importa mais de R$ 40 milhões, apurandose daí a obrigação tributária de R$ 11.528.712,53? 21. Observados os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, não haveria campo para tamanha ilação, de modo que se apesar de tudo, ainda lhe restasse responder por qualquer obrigação tributária, os encargos tributários seriam calculados no estrito patamar da graduação de sua eventual participação no fato típico, ou seja, calculados sobre os valores recebidos sobre as vendas realizadas, embora se trate tão somente de hipótese remota de responsabilidade. 22. Por se tratar de matéria cujo teor tange à constitucionalidade, a autuada deixa de aqui relatar as incongruências praticadas ao utilizar índices escorchantes na apuração do crédito tributário. 23. Os índices utilizados de 225% sobre os impostos apurados a título de multa configura excesso de exação classificados como confisco. A Impugnante IRIA DAHMME requer (1) a nulidade do procedimento fiscal em face da autuada; (2) cancelamento do vínculo de sujeição passiva mediante responsabilidade solidária, em face da inexistência de interesse comum; (3) na remota hipótese de remanescer elementos que venham a constituir responsabilidade da autuada, que seja apurada de acordo com o grau de culpabilidade, nos exatos termos dos créditos recebidos; (4) revisão dos índices da multa utilizada para patamares mínimos que não implicam em confisco. ALDEIA DO SOL ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA, cientificada em 31/03/15 (fl. 8528), apresentou impugnação (fls. 8865 e ss) em 28/04/15, alegando, em resumo, que: 1. junta aos autos contrato social autêntico da pessoa jurídica ALDEIA DO SOL ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA ME vigente no ano calendário 2010 representada pela primeira alteração contratual firmada em 16 de agosto de 2007 (doc. anexo n° 02) onde o ramo de atividade da empresa era de FOMENTO MERCANTIL FACTORING; 2. da mesma forma juntase a segunda alteração contratual que deu origem ao nome ALDEIA DO SOL ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA ME cujo CNPJ é o mesmo que figura neste feito como Responsável Solidária; 3. Também como elemento de prova junta cópia autenticada do contrato juntado na primeira oportunidade de defesa administrativa fiscal, documento este que não fora atribuído valor legal pelos agentes atuadores por não ter sido na época autenticado motivo pelo qual os desconsiderou como elemento de prova. 4. Também nesta oportunidade junta cópia autenticada do Contrato de Assistência Financeira e Empresarial para "Fomento Comercial" (Factoring), Fl. 9338DF CARF MF 12 (doc. anexo n° 06) firmado com a pessoa jurídica ANDREAZZA COMERCIO DE CAFÉ E CEREAIS LTDA devidamente qualificada no contrato, e comprovante do valor de R$ 182.430,00, descrito no parágrafo 1º do contrato mencionado e comprovante de recebimento no mesmo valor onde o emitente do TED é a pessoa jurídica COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS com o CNPJ 011.370.131/000187, (doc. anexo n° 07); 5. a Recorrente é parte Ilegítima Passiva para figurar no pólo passivo na condição de responsabilidade solidária da autuada principal COMERCIO DE CAFÉ E CEREAIS CAIPIRA LTDA; 6. Com primeira tese, não é a pessoa jurídica no exercício fiscal do ano de 2010 ALDEIA DO SOL FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA ME (doc Anexo n° 02), e não são seus sócios integrantes do contrato social, sócios que tenham integrado ou integrem a pessoa jurídica de COMERCIO DE CAFÉ E CEREAIS CAIPIRA LTDA; 7. quem atende a exigência de solidariedade da obrigação, decorrente do interesse comum é a pessoa jurídica que firmou e recebeu por meio do contrato (doc. anexo n°06) o valor liquido, onde o valor bruto firmado é de R$ 182.430,00, ou seja a pessoa jurídica ANDREAZZA COMERCIO DE CAFÉ E CEREAIS LTDA. 8. requer também pela extinção do presente feito face a ocorrência de prescrição em perspectiva até a data da constituição definitiva do crédito através da competente Certidão de Divida Ativa. 9. a operação financeira de aquisição de créditos como anteriormente mencionado em sede de preliminar só ocorre após a conclusão da operação e comercialização representada pela compra e venda que autoriza e permite a omissão do título objeto da contratação da Factoring para sua aquisição com recursos próprios; 10. não há desta forma como constatará Vossa Senhoria qualquer possibilidade jurídica de incluirse no pólo passivo a Recorrente sobre o pálio do interesse comum a que se refere o artigo 124, I do CTN. 11. Nulo por tanto é o auto de infração com fundamento no dispositivo legal apontado contido no artigo 124 I do CTN visto que a regulamentação estabelecida no mesmo códex encontrase lançada no artigo 63 que indica ter operação realizada pela Recorrente o seu fato gerador de impostos de competência da União sobre operações de crédito. 12. Ainda no mérito quanto á multa imputada e seus acréscimos são descabidas visto que não lograram os eminentes Auditores em provar ter a Requerente de forma alguma participado da fraude noticiada nos autos, quer nas fraudes perpetuadas através de simulações ou dolo. 13. Por derradeiro no mérito com base nos limites estabelecidos no artigo 173/174 do Código Tributário Nacional quanto a decadência em perspectiva para constituição do crédito tributário cujo o prazo fatal é o primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado, requer com alicerce no prazo limite estabelecido em lei para o lançamento definitivo Fl. 9339DF CARF MF Processo nº 13227.720769/201449 Acórdão n.º 1401002.837 S1C4T1 Fl. 9.334 13 de crédito tributário seja declarada a decadência e por conseqüência a extinção do crédito tributário e seus acessórios descritos no auto que ora atacase por ser de direito e da mais lídima justiça. 14. caso ultrapassadas todas as teses de ilegitimidades em sede de preliminares e no mérito de nulidades requer pela dissociação da Recorrente como parte passiva integrante nestes autos ora atacados para que através de procedimento autônomo possa defenderse dentro dos limites estabelecidos no artigo 63 itens I e IV e parágrafo único do Código Tributário Nacional sob pena de cerceamento de defesa e por conseqüência o pleno exercício do direito do contraditório que é lhe assegurado pela Constituição Federal. ITAMAR SOUZA SILVA & CIA LTDA ME, cientificada em 31/03/15 (fl. 8515), apresentou impugnação (fls. 8940 e ss) em 04/05/15, alegando, em resumo, que: 1. Grosso modo o fato principal é a comercialização de 'café em coco' realizada pela empresa COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS CAIPIRA LTDA com a conseqüente obtenção de vantagens econômicas que comumente podem ser identificadas como 'lucro', sendo certo que no caso concreto a impugnante demonstrou e provou que tão somente teve a sua conta corrente utilizada para transferência de numerário a terceiros sem obtenção de qualquer tipo de vantagem que possa ser qualificada como 'lucro' em razão de comercialização de qualquer produto passível de gerar os créditos tributário indicados no Auto de infração ora IMPUGNADO. 2. No caso concreto não restou provado que a IMPUGNANTE integre o 'mesmo grupo econômico' da empresa COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS CAIPIRA LTDA, bem como não restou provado que o sócio da IMPUGNANTE tenha qualquer tipo de participação e/ou integre o quadro societário da referida empresa. 3. os Agentes Fiscais do Tesouro Nacional não compareceram a sede da AUTUADA/IMPUGNANTE em nenhum momento, 1imitandose tão somente a expressamente solicitar informações sobre o trânsito de numerário pela conta corrente mantida pela mesmo junto a instituição financeira com agência no Município de Jaru. 4. O não comparecimento dos Auditores Fiscais que lavraram o Auto de Infração ora Impugnado na sede da IMPUGNANTE se constitui em fato que contraria a norma legal, ou seja, o 'caput' e o parágrafo primeiro do artigo 604 do Decreto Federal de número 3000/1999, restando caracterizada ilegalidade que fulmina a ação fiscal em relação à IMPUGNANTE. 5. Se a regra legal é no sentido da obrigatoriedade de se conter no auto de infração as assinaturas dos Agentes Fiscais Autuantes e neste caso esta inexiste, verificase de plano ilegalidade que o fulmina levando em consideração o fato de lhe ter sido dada publicidade. Fl. 9340DF CARF MF 14 6. a autuação fiscal ora IMPUGNADA tem sua origem no fato de ter transitado pela conta corrente da impugnante do valor de R$344.674,24 (trezentos e quarenta e quatro mil, seiscentos e setenta e quatro reais e vinte e quatro centavos) o qual foi transferido a terceiros que na condição de produtores rurais venderam 'café' para a empresa COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS CAIPIRA LTDA. 7. a Autuação não decorre de ato e/ou fato gerador de obrigação tributária que possa ser imputada à IMPUGNANTE, levando em consideração o fato de que a responsabilidade solidária não se presume e há que ser provada o que não ocorreu neste caso concreto, inexiste no procedimento fiscal que gerou o Auto de Infração prova de que a IMPUGNANTE teve participação direta e/ou se tornou coresponsável pelo fato gerador indicado no Auto de infração ora impugnado o qual é de responsabilidade exclusiva da empresa COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS CAIPIRA LTDA. 8. é indiscutível a inexistência neste procedimento fiscal de prova que o trânsito do numerário pela conta corrente da IMPUGNANTE se constitua em receita e/ou 'lucro', passível de tributação nos termos em que é a pretensão esboçada neste Auto de Infração ora IMPUGNADA. 9. se acomodou o agente fiscalizador com a constatação de trânsito de numerário pela conta corrente da Autuada/Impugnante, mas, sem identificar e acatar a justificativas apresentadas de que referidos valores foram transferidos à terceiros à conta de transações comerciais de responsabilidade exclusiva da empresa Comércio de café e cereais Caipira Ltda, passando a considerálos de forma presumida como 'receitas' e/ou 'lucros', fatos estes que não correspondem a realidade já noticiada nas justificativas escritas apresentadas. 10. Estando revogado tacitamente o artigo 42 da Lei 9.430/1996, se chega a conclusão final que o procedimento fiscal e o Auto de Infração dele decorrente que IMPUTOU RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE FATO em desfavor da IMPUGNANTE é nulo de pleno direito em relação a si e assim deve ser considerado posto que a apuração do crédito tributário foi efetuada como base em dispositivo legal revogado restando caracterizada a inconstitucionalidade do procedimento fiscal em relação a IMPUGNANTE, especialmente quando não veio ao bojo do procedimento a prova concreta da existência da imputada solidariedade passiva de fato como exigida pela legislação e pela doutrina vigente sobre o tema. A Impugnante pede (1) declaração de ilegitimidade passiva; (2) reconhecimento e declaração da absoluta ilegalidade do Auto de infração lavrado em desfavor da IMPUGNANTE o qual dever ser declarado nulo; (3) improcedência do Auto de infração em relação à IMPUGNANTE, determinandose a exclusão da IMPUGNANTE do pólo passivo do procedimento fiscal e via de conseqüência a extinção do crédito tributário a si imputado; (4) extinção dos créditos tributários constituídos correspondentes a Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social e Contribuição para o PIS/PASEP, vez que no caso concreto inadmissível a presunção de solidariedade passiva de fato. Fl. 9341DF CARF MF Processo nº 13227.720769/201449 Acórdão n.º 1401002.837 S1C4T1 Fl. 9.335 15 CEREALISTA PAVANI EIRELI ME, cientificada em 02/04/15 (fl. 8530), apresentou impugnação (fls. 8767 e ss) em 18/05/15, alegando, em resumo, que: 1. Quanto aos valores recebidos da empresa COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS CAIPIRA LTDA, ainda que não tenham sido entregues todos os documentos para justificálos (notas de produtor que atingisse o valor recebido), nada há que possa indicar algum interesse da impugnante no fato gerador. 2. A empresa impugnante jamais se beneficiou com a emissão de notas fiscais e omissão de receitas por parte da empresa COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS CAIPIRA LTDA. 3. Não há qualquer vínculo entre as empresas e/ou seus sócios capaz de gerar responsabilidade solidária pelo pagamento dos tributos em apuração, bem como não realizou a impugnante ato conjunto relativo a situação configuradora do fato gerador. A Impugnante "requer seja julgada procedente a presente impugnação para anular ou cancelar o auto de infração em epígrafe, ou caso assim não entenda, que exclua a impugnante da obrigação tributária imputada, haja vista inexistir solidariedade". VALDECO DE FREITAS FERREIRAME, cientificada (fl. 8532) em 21/05/15, já havia apresentado impugnação (fls. 8845 e ss) em 30/04/15, alegando, em resumo, que: 1. Quanto aos valores recebidos da empresa COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS CAIPIRA LTDA, ainda que não tenham sido entregues todos os documentos para justificálos (notas de produtor que atingisse o valor recebido), nada há que possa indicar algum interesse da impugnante no fato gerador. 2. A empresa impugnante jamais se beneficiou com a emissão de notas fiscais e omissão de receitas por parte da empresa COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS CAIPIRA LTDA. 3. Não há qualquer vínculo entre as empresas e/ou seus sócios capaz de gerar responsabilidade solidária pelo pagamento dos tributos em apuração, bem como não realizou a impugnante ato conjunto relativo a situação configuradora do fato gerador. A Impugnante "requer seja julgada procedente a presente impugnação para anular ou cancelar o auto de infração em epígrafe, ou caso assim não entenda, que exclua a impugnante da obrigação tributária imputada, haja vista inexistir solidariedade". Fl. 9342DF CARF MF 16 CAFEEIRA RODRIGUES LTDAME, cientificada (fl. 8504) em 31/03/15, apresentou impugnação (fls. 8973 e ss) em 24/04/15, alegando, em resumo, que: 1. Quanto aos valores recebidos da empresa COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS CAIPIRA LTDA, ainda que não tenham sido entregues todos os documentos para justificálos, nada há que possa indicar algum interesse da impugnante no fato gerador. 2. A empresa impugnante jamais se beneficiou com a emissão de notas fiscais e omissão de receitas por parte da empresa COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS CAIPIRA LTDA. 3. Não há qualquer vínculo entre as empresas e/ou seus sócios capaz de gerar responsabilidade solidária pelo pagamento dos tributos em apuração, bem como não realizou a impugnante ato conjunto relativo a situação configuradora do fato gerador. A Impugnante "requer seja julgada procedente a presente impugnação para anular ou cancelar o auto de infração em epígrafe, ou caso assim não entenda, que exclua a impugnante da obrigação tributária imputada, haja vista inexistir solidariedade". GLOBO TRANSPORTE RODOVIÁRIO LTDAEPP, cientificada (fl. 8537) em 31/03/15, apresentou impugnação (fls. 8992 e ss) em 24/04/15, alegando, em resumo, que: 1. Quanto aos valores recebidos da empresa COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS CAIPIRA LTDA, ainda que não tenham sido entregues todos os documentos para justificálos, nada há que possa indicar algum interesse da impugnante no fato gerador. 2. A empresa impugnante jamais se beneficiou com a emissão de notas fiscais e omissão de receitas por parte da empresa COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS CAIPIRA LTDA. 3. Não há qualquer vínculo entre as empresas e/ou seus sócios capaz de gerar responsabilidade solidária pelo pagamento dos tributos em apuração, bem como não realizou a impugnante ato conjunto relativo a situação configuradora do fato gerador. A Impugnante "requer seja julgada procedente a presente impugnação para anular ou cancelar o auto de infração em epígrafe, ou caso assim não entenda, que exclua a impugnante da obrigação tributária imputada, haja vista inexistir solidariedade". MB DOS SANTOS CEREAISME, cientificada (fl. 8532) em 31/03/15, apresentou impugnação (fls. 9006 e ss) em 24/04/15, alegando, em resumo, que: Fl. 9343DF CARF MF Processo nº 13227.720769/201449 Acórdão n.º 1401002.837 S1C4T1 Fl. 9.336 17 1. Quanto aos valores recebidos da empresa COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS CAIPIRA LTDA, ainda que não tenham sido entregues todos os documentos para justificálos, nada há que possa indicar algum interesse da impugnante no fato gerador. 2. A empresa impugnante jamais se beneficiou com a emissão de notas fiscais e omissão de receitas por parte da empresa COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS CAIPIRA LTDA. 3. Não há qualquer vínculo entre as empresas e/ou seus sócios capaz de gerar responsabilidade solidária pelo pagamento dos tributos em apuração, bem como não realizou a impugnante ato conjunto relativo a situação configuradora do fato gerador. A Impugnante "requer seja julgada procedente a presente impugnação para anular ou cancelar o auto de infração em epígrafe, ou caso assim não entenda, que exclua a impugnante da obrigação tributária imputada, haja vista inexistir solidariedade". ROSIANE FAQUIM BORGHI, cientificada (fl. 8493) em 21/05/15, já havia apresentado impugnação (fls. 9025 e ss) em 24/04/15, alegando, em resumo, que: 1. tentou localizar as notas de produtor para apresentar nesta oportunidade, porém, como já se passaram 5 anos não conseguiu encontrálas. 2. A empresa impugnante jamais se beneficiou com a emissão de notas fiscais e omissão de receitas por parte da empresa COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS CAIPIRA LTDA. 3. Não há qualquer vínculo entre as empresas e/ou seus sócios capaz de gerar responsabilidade solidária pelo pagamento dos tributos em apuração, bem como não realizou a impugnante ato conjunto relativo a situação configuradora do fato gerador. A Impugnante "requer seja julgada procedente a presente impugnação para anular ou cancelar o auto de infração em epígrafe, ou caso assim não entenda, que exclua a impugnante da obrigação tributária imputada, haja vista inexistir solidariedade". Analisando as impugnações apresentadas pelos sujeitos passivos solidários a Delegacia de Julgamento proferiu decisão julgando improcedentes as impugnações apresentadas e declarou a revelia em relação ao contribuinte e os responsáveis solidários que não apresentaram impugnação. Cientificados do acórdão que julgou improcedentes as impugnações os seguintes sujeitos passivos solidários apresentaram recurso voluntário, no qual aduzem as alegações discriminadas. Fl. 9344DF CARF MF 18 CAFEEIRA RODRIGUES LTDA fls. 9104 Alega que não foi provado o interesse comum e que apenas os depósitos recebidos não configuram tal interesse. Toda a argumentação e precedentes apresentados seguem no mesmo sentido. CEREALISTA PAVANI EIRELIME fls. 9113 Alega que não deve ser aplicada a revelia contra a mesma. No mérito repete as alegações do sujeito passivo acima GLOBO TRANSPORTE RODOVIÁRIOLTDA EPP fls. 9122 Mesma argumentação dos sujeitos anteriores M.B. DOS SANTOS CEREAIS ME fls. 9131 Mesma argumentação dos sujeitos anteriores ROSIANI FAQUIM BORGHI fls. 9140 Mesma argumentação dos sujeitos anteriores VALDECO DE FREITAS FERREIRA ME fls. 9149 Mesma argumentação dos sujeitos anteriores ALDEIA DO SOL ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA ME fls. 9162 Que é empresa que intermediou processo de venda de títulos realizado pelo Sr. Valter Borghi. Apresentou justificativas e provas dos fatos. E que nunca teve contato com a empresa, apenas com o Sr. Valter. Cerceamento do direito de defesa. Indeferimento do pedido de dilação de prazo para apresentação de provas. Princípio do Contraditório e Ampla Defesa Ilegitimidade Passiva em razão da inexistência de interessa comum Inexistência de solidariedade pelas mesmas razões Excesso de exação na aplicação das multas em percentual de 225% Fl. 9345DF CARF MF Processo nº 13227.720769/201449 Acórdão n.º 1401002.837 S1C4T1 Fl. 9.337 19 Princípios da razoabilidade e proporcionalidade Ilegal quebra de sigilo bancário IRIA DAHM ME fls. 9251 Alega que é constituída desde 1997 e mantém relações com diversas empresa. Alega que não pode ser demonstrada a solidariedade por interesse comum, por não existirem provas a demonstrar essa vinculação entre a responsável e a empresa. ITAMAR SOUZA SILVA & CIA LTDA ME fls. 9314 Da tempestividade da impugnação apresentada. Não revelia. Alega a nulidade da decisão que a considerou revel e a anulação do procedimento. É o relatório. Fl. 9346DF CARF MF 20 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto relator Os recursos são tempestivos e preenchem os requisitos legais, assim deles tomo conhecimento. Dos diversos recursos voluntários apresentados contra a decisão da Delegacia de Julgamento que manteve integralmente a autuação e a responsabilização solidária, as alegações giram, em sua grande maioria, a inexistência de provas que justifiquem a sua imputação solidária. Apenas o Recurso de um dos sujeitos traz alegações a par de sua sujeição. Assim iremos iniciar nossa análise por este recorrente e, após, apresentar a análise de cada um dos outros coobrigados. Para melhor situar as ocorrências do processo aos colegas de turma há de se informar que a empresa ora autuada era beneficiária do recebimento de depósitos bancários de mais de R$ 44 milhões sem que apresentasse qualquer declaração ao fisco. Conforme diversos depoimento acostados a empresa foi constituída para a realização da sonegação fiscal. Assim, durante os procedimentos de fiscalização foram intimados os diversos beneficiários de depósitos realizados pela autuada a fim de justificarem a justificativa dos pagamentos recebidos. Diante da ausência de apresentação de documentos por parte dos intimados a fim de comprovar as suas relações comerciais com a autuada, todos os que deixaram de justificar os recebimentos foram arrolados como responsáveis solidários pelos créditos tributários na forma do art. 124, I, do CTN, em razão de terem interesse comum na situação em razão do recebimento de recursos provenientes do esquema de fraude fiscal. Eis a descrição do TVF a respeito da solidarização: 32. Ao serem destinatários dos recursos financeiros da empresa Comércio de Café e Cereais Caipira Ltda, sem a devida comprovação de relação comercial, restou configurado o interesse comum dos responsáveis solidários no fato gerador da obrigação tributária. Os recursos financeiros tiveram origem nas operações de venda realizadas em nome da empresa Comércio de Café e Cereais Caipira Ltda A, operações que vieram a compor a Receita Bruta dela no período, fato gerador dos tributos lançados nesse Auto de Infração. Desta forma, para bem analisar a possibilidade de manutenção ou não da responsabilização solidária de cada um dos imputados havemos de aferir se houve participação dos mesmos nas operações da empresa, se os valores recebidos da autuada são relevantes em relação ao total de valores movimentados, se os mesmos conseguiram comprovar que os recebimentos da autuada referemse a operações comerciais normais que foram realizadas sem o conhecimento das infrações que a autuada realizava. Fl. 9347DF CARF MF Processo nº 13227.720769/201449 Acórdão n.º 1401002.837 S1C4T1 Fl. 9.338 21 Para tanto apresentamos a dicção do dispositivo utilizado para embasar a solidarização: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Da leitura do dispositivo temos que o fato de as empresas ou pessoas terem recebido dinheiro de empresa que era acusada de emissão de notas e transações financeiras de mais de 40 milhões não às vincula diretamente ao fato gerador da obrigação tributária que é, em verdade, a realização de operações tributáveis sem o oferecimento à tributação, sem a apresentação de informações e recolhimento dos tributos devidos. Neste sentido as empresas que receberam recursos do sujeito passivo podem ou não ter comungado dos objetivos ilícitos, no entanto, para que essa participação possa justificar a imputação da responsabilidade solidária há a necessidade de vínculo de causalidade entre atos praticados pelos responsáveis solidários juntamente com a empresa no intuito de propiciar a sonegação tributária. Notese, a título de exemplo, que o recebimento de valores originados de uma empresa que praticou sonegação não implica em dizer que foi resultado dos atos ilícitos praticados pelos solidários. Muitas vezes estes podem simplesmente prestar serviços, como alguns alegam, ou vender mercadorias e serem remunerados por isso. Por isso, para a caracterização do interesse comum há de se ter ao menos indícios de que o recebimento dos recursos oriundo da empresa fiscalizada decorreram de atos praticados com vistas à realização da sonegação. A fiscalização conseguiu demonstrar o recebimento dos valores por estas empresas e, com base em depoimentos, demonstrouse a existência de algum tipo de relação comercial. Por isso, entendo que a justificativa para a solidarização sem a demonstração da culpabilidade destas nos atos de sonegação impede a responsabilidade dos imputados. Frisese, para espancar quaisquer dúvidas, que no presente caso não se está a afirmar que os imputados solidários não tem nenhuma participação com os ato que geraram a sonegação fiscal. Apenas que o fato de terem recebido recursos advindos da empresa sem que haja algum indício de participação efetiva impede a aplicação da norma ao caso. À vista do exposto, em relação aos imputados solidários que apresentaram recurso voluntário voto no sentido de dar provimento aos mesmos em razão de entender não ser suficiente para a realização da solidarização o simples fato de terem recebidos recursos da fiscalizada sem a demonstração de atos de participação relativos à sonegação dos tributos. Fl. 9348DF CARF MF 22 Com relação aos responsáveis solidários CEREALISTA PAVANI EIRELI ME e ITAMAR SOUZA SILVA & CIA LTDA ME cujas impugnações foram consideradas intempestivas não se formou o contraditório e, assim, não cabe apreciação do recurso voluntário. Por esta razão deixo de apreciar os recursos voluntários por eles manejados. Neste ponto adoto as razões já apresentadas na decisão de piso que justificaram o reconhecimento da intempestividade das impugnações. CONCLUSÃO De todo o exposto e apresentado neste voto, analisandose os recursos apresentados pelos sujeitos passivos solidários e em consonância com nosso entendimento a respeito da responsabilização solidária, voto no sentido de dar provimento aos recursos voluntários apresentados para: 1) Excluir a responsabilização solidária dos sujeitos passivos CAFEEIRA RODRIGUES LTDA, GLOBO TRANSPORTE RODOVIÁRIOLTDA EPP, M.B. DOS SANTOS CEREAIS ME, ROSIANI FAQUIM BORGHI, VALDECO DE FREITAS FERREIRA ME, ALDEIA DO SOL ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA ME, IRIA DAHM ME, em razão da não comprovação dos atos que demonstrassem o interesse comum em se beneficiar dos atos que implicaram em evasão de tributos. 2) Deixo de analisar os recursos voluntários, em razão do reconhecimento de sua declaração de revelia, dos sujeitos passivos solidários CEREALISTA PAVANI EIRELI ME e ITAMAR SOUZA SILVA & CIA LTDA ME, mantendose, assim, sua responsabilidade. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 9349DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.902668/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo.
Numero da decisão: 1401-002.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Acordam os membros do colegiado, os conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Acordam os membros do colegiado, os conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 26 68 /2 01 3- 14 Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10480.902668/201314 Acórdão n.º 1401002.934 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP relativo a pagamento a maior realizado pela empresa. O PER/DCOMP foi indeferido por meio de análise automática do PER/DCOMP em função de, quando da análise eletrônica do pedido a DCTF do contribuinte informar como valor do débito o valor integral do DARF recolhido não existindo, desta maneira, valor disponível para restituição. Cientificado do indeferimento o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade por meio da qual alegou que errou ao não ter retificado previamente a declaração (DCTF) mas que, no entanto, havia providenciado a retificação da declaração (DIPJ) relativa à apuração do crédito antes da apresentação do PER/DCOMP e, em tais declarações consta o valor correto do débito do período que confirma a existência do pagamento a maior. Analisando a manifestação apresentada a Delegacia de Julgamento restringiu sua análise ao fato de a DCTF não ter sido retificada previamente à apresentação do PER/DCOMP e, em esta sendo confissão de dívida, restar comprovado que não existe crédito disponível em benefício da empresa. Não foram aceitas as alegações acerca da apresentação de outras declarações nas quais a empresa demonstrou o real valor devido do tributo e período de apuração relativo ao DARF solicitado. Cientificado da Decisão de Piso, na qual foi considerada improcedente a manifestação de inconformidade o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual alega, novamente, que a análise do crédito não pode se limitar unicamente à informação da DCTF existente à época do pedido. Há de se aferir o real valor devido do débito para se constatar a existência ou não do crédito. O processo chegou então a este CARF para análise do recurso. É o relatório. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10480.902668/201314 Acórdão n.º 1401002.934 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.932, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10480.902672/2013 82, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.932): O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Inicialmente e antes da análise do mérito do recurso, há de se fazer algumas considerações acerca da sistemática de processamento dos PER/DCOMP e sua análise diante das informações apresentadas pelo contribuinte em suas declarações. Desde a época em que foi criado o programa gerador das declarações de compensação muitas dúvidas surgiram acerca da forma de análise a ser adotada pelos sistemas informatizados. Tratandose de pagamento a maior ou indevido haviam duas correntes de pensamento: a primeira se declinava no sentido de que a análise deveria ficar restrita à comparação com a DCTF, por esta ser a declaração de confissão de débitos, e a segunda pendia no sentido de que além da DCTF fosse realizado o batimento com os valores de apuração das diversas declarações que o contribuinte deveria apresentar ao fisco (DACON, DIPJ, DIRF, etc). Como resta claro na análise do relatório deste processo, a primeira corrente prevaleceu, até mesmo em função da maior agilidade de processamento. Resultado, foram geradas milhares de decisões automáticas com o mesmo teor da deste processo. Não havendo retificação da DCTF da empresa antes da apresentação do PER/DCOMP e o DARF estando a ela vinculado, indeferese o crédito, sem qualquer outra consideração. Esse procedimento, ressalvando o fato de não ser ilegal em essência, impede a formação de qualquer contraditório sobre o fato de confirmação do crédito do contribuinte contra a Fazenda Nacional apresentado nas outras declarações ao fisco e a existência efetiva de seu direito. Mais ainda quando, pela pouca clareza da decisão, os contribuintes, como o do presente processo, tentam se defender procurando demonstrar que o valor Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10480.902668/201314 Acórdão n.º 1401002.934 S1C4T1 Fl. 5 4 confessado na DCTF estaria incorreto e, assim, há de se verificar as demais declarações por ele apresentadas. Essa forma de procedimento é, inclusive, condenada por colegas desta Turma do CARF quando entendem que ocorre cerceamento do direito de defesa na medida em que o indeferimento do crédito é realizado sem nenhuma prévia intimação ao contribuinte. Em minha opinião não creio na existência de um cerceamento do direito de defesa pela simples inexistência de intimação prévia, no entanto, discordo que toda a análise seja feita pela simples conferência com a DCTF. Ora, se o contribuinte cumpre obrigações acessórias sujeitas à penalidades por meio da entrega de DIPJ, DACON, DIRF, etc, não entendo ser possível em grau de recurso, diante da alegação da existência de outras declarações infirmando os valores dos débitos confessados na DCTF, que não se realize nenhum ato de conferência do valor efetivamente devido e de apuração do efetivo valor do crédito,s e acaso for existente. Ora, é bom esclarecer para os que não compreendam o sistema de funcionamento das declarações, que a DCTF, mercê de ser a declaração onde o contribuinte confessa seus débitos perante o fisco, é a declaração mais sujeita a erros de informação. Explico: a DCTF é declaração obrigatória de confissão na qual o contribuinte não informa nenhum valor de apuração dos débitos. Simplesmente informa o valor devido dos tributos e a forma como extinguiu os mesmo. Essa declaração é exigida no mais curto espaço de tempo possível, por exigência do fisco, a fim de propiciar a mais rápida cobrança do crédito tributário. Só que essa agilidade (passando há muito tempo a ser mensal a entrega) milita contra o próprio contribuinte ao passo em que o obriga a informar débitos sem uma adequada revisão dos valores de apuração dos tributos. Vejase que a demais declarações (DIPJ, DACON, DIRF, etc) são apresentadas bem posteriormente, já após o fechamento de balanços, auditorias, etc. Assim, no meu entender, a análise dos PER/DCOMP deveria realizar o batimento de todas as declarações apresentadas pelo contribuinte relativas ao débitos em questão informados no PER/DCOMP. Tal prática é semelhante à que a própria receita federal realiza nos sistemas de revisão interna quando, a partir das divergências entre a DCTF, DIPJ, DIRF e DACON, realiza intimações ao contribuinte a fim de escoimar as divergências. Por isso é que sempre entendi que desta mesma forma adotada pela Receita Federal para a conferência dos débitos declarados, deveria atuar o fisco na apuração dos créditos solicitados pelos contribuintes. Infelizmente apenas a pouco tempo foi adotada a sistemática de intimação prévia ao contribuinte, no entanto, resta um enorme estoque de processos, Fl. 710DF CARF MF Processo nº 10480.902668/201314 Acórdão n.º 1401002.934 S1C4T1 Fl. 6 5 como este, que foi analisado sem maior aprofundamento da análise das demais declarações da empresa. Diante deste entendimento e verificando que existem diversos indícios em favor do contribuinte, passo à análise do mérito do direito de crédito do recorrente, a fim de verificar a existência de fato dos créditos em obediência ao princípio da verdade material e o da informalidade. Para tanto, fizemos juntar ao processo os seguintes documentos: DIPJ, DACON e extratos de pagamentos. Com base nestes documentos realizaremos o confronto entre os valores dos débitos informados na DIPJ/DACON, se as declarações haviam sido apresentadas antes da emissão do despacho decisório e o confronto com os valores efetivamente pagos a fim de se demonstrar a apuração do crédito previamente ao despacho decisório e o montante, se existente, destes créditos. DOS PROCESSOS REPETITIVOS VINCULADOS A análise deste processo prendese apenas a um PER/DCOMP vinculado a um DARF específico, entretanto, outros processos relativos a pagamentos indevidos do mesmo contribuinte encontramse vinculados a este processo sob a sistemática de recursos repetitivos. Assim, entendemos por bem, a fim de facilitar o entendimento do contribuinte/recorrente e das unidades preparadoras e submetemos à apreciação deste colegiado que esta decisão seja reproduzida para todos os processos identificados na tabela abaixo a fim de que o resultado de cada processo seja específico e as compensações sejam tratadas individualmente quando do retorno à delegacia de origem. Desta forma, apresentamos a tabela abaixo na qual consta a análise do crédito de cada PER/DCOMP e o valor do crédito apurado após o confronto entre o valor do débito apurado em DIPJ e o valor efetivamente pago pela empresa, destacandose que foram analisadas apenas as declarações enviadas pela empresa antes da emissão do despacho decisório. Período de Tipo de Valor informado Data de Valor na Valor pago Valor do Processo Apuração Tributo em DIPJ Entrega DCTF em DARF Crédito Vinculado mar/10 CSLL 72.328,23 29/06/2011 98.599,23 97.623,00 25.294,77 10480902.674/201371 mar/10 CSLL 72.328,23 29/06/2011 103.968,49 97.623,00 25.294,77 10480902.675/201316 mar/10 CSLL 72.328,23 29/06/2011 97.623,00 97.623,00 25.294,77 10480902.673/201327 dez/10 CSLL 136.577,85 29/06/2011 210.299,67 210.299,67 73.721,82 10480902.676/201361 mar/10 IRPJ 194.089,87 29/06/2011 279.739,28 262.666,00 68.576,13 10480902.669/201369 mar/10 IRPJ 194.089,87 29/06/2011 265.292,66 262.666,00 68.576,13 10480902.668/201314 mar/10 IRPJ 194.089,87 29/06/2011 262.666,00 262.666,00 68.576,13 10480902.667/201370 mar/11 IRPJ 249.808,89 29/06/2012 477.067,58 472.344,14 222.535,25 10480902.671/201338 mar/11 IRPJ 249.808,89 29/06/2012 481.743,78 472.344,14 222.535,25 10480902.672/201382 mar/11 IRPJ 249.808,89 29/06/2012 472.344,14 472.344,14 222.535,25 10480902.670/201393 Assim, conforme demonstrado na tabela acima, após o confronto entre os valores informados pelo contribuinte nas Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10480.902668/201314 Acórdão n.º 1401002.934 S1C4T1 Fl. 7 6 declarações que demonstram a apuração dos tributos devidos, no caso DIPJ e DCTF, e os valores dos recolhimentos realizados entendo que, em razão do princípio da verdade material e da informalidade, há de se realizar a apuração dos créditos a que faz jus a empresa a partir dos montantes apurados nas declarações apresentadas pela empresa além de apenas a DCTF, mais ainda, quando no presente caso verificase que os valores apurados foram obtidos das declarações originalmente entregues e sem se constatar inconsistências destas. À vista de todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário a fim reconhecer o direito de crédito da empresa nos seguintes valores e processos, homologando as compensações a eles vinculadas. Valor do Processo Crédito Vinculado 25.294,77 10480902.674/201371 25.294,77 10480902.675/201316 25.294,77 10480902.673/201327 73.721,82 10480902.676/201361 68.576,13 10480902.669/201369 68.576,13 10480902.668/201314 68.576,13 10480902.667/201370 222.535,25 10480902.671/201338 222.535,25 10480902.672/201382 222.535,25 10480902.670/201393 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 712DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.723391/2015-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/06/2010 a 31/12/2013
FALTA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE
As bases de cálculo foram elaboradas pela fiscalização com base nos livros contábeis e demonstrativos das bases de cálculo apresentados pelo contribuinte. No Termo de Verificação Fiscal (TVF), a fiscalização consigna que identificou infrações relacionadas à aplicação do inciso II do § 9° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, que trata das deduções das bases de cálculo admitidas para operadoras de planos de saúde. E, nos autos de infração, são listados os demais dispositivos legais observados para a preparação das bases de cálculo (fls. 6 e 20).
Portanto o auto de infração foi perfeitamente motivado e não contém vício que o fulmine pela nulidade. E também não se identifica qualquer das hipóteses elencadas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto n° 70.235/72.
RETIFICAÇÃO DE DCTF E PAGAMENTOS, APÓS O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. EFEITOS NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO
O § 1° do art. 7° do Decreto n° 70.235/72 dispõe que "O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores (. . .)". Portanto, as retificações de DCTF e os pagamentos efetuados após o início do procedimento fiscal, não devem produzir efetios na apuração da matéria tributável e no cálculo do crédito tributário a ser lançado de ofício.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/06/2010 a 31/12/2013
COOPERATIVA MÉDICA OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. INCIDÊNCIA SOBRE NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS.
As contribuições para o PIS/Pasep e Cofins incidem sobre as vendas de planos de saúde para terceiros, asseguradas as exclusões e deduções legalmente previstas, pois não são atos cooperativos, nos termos da Lei n° 5.764/71.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/06/2010 a 31/12/2013
COOPERATIVA MÉDICA OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. INCIDÊNCIA SOBRE NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS.
As contribuições para o PIS/Pasep e COFINS incidem sobre as vendas de planos de saúde para terceiros, asseguradas as exclusões e deduções legalmente previstas, pois não são atos cooperativos, nos termos da Lei n° 5.764/71.
Numero da decisão: 3301-005.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 30/06/2010 a 31/12/2013 FALTA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE As bases de cálculo foram elaboradas pela fiscalização com base nos livros contábeis e demonstrativos das bases de cálculo apresentados pelo contribuinte. No Termo de Verificação Fiscal (TVF), a fiscalização consigna que identificou infrações relacionadas à aplicação do inciso II do § 9° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, que trata das deduções das bases de cálculo admitidas para operadoras de planos de saúde. E, nos autos de infração, são listados os demais dispositivos legais observados para a preparação das bases de cálculo (fls. 6 e 20). Portanto o auto de infração foi perfeitamente motivado e não contém vício que o fulmine pela nulidade. E também não se identifica qualquer das hipóteses elencadas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. RETIFICAÇÃO DE DCTF E PAGAMENTOS, APÓS O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. EFEITOS NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO O § 1° do art. 7° do Decreto n° 70.235/72 dispõe que "O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores (. . .)". Portanto, as retificações de DCTF e os pagamentos efetuados após o início do procedimento fiscal, não devem produzir efetios na apuração da matéria tributável e no cálculo do crédito tributário a ser lançado de ofício. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 30/06/2010 a 31/12/2013 COOPERATIVA MÉDICA OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. INCIDÊNCIA SOBRE NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS. As contribuições para o PIS/Pasep e Cofins incidem sobre as vendas de planos de saúde para terceiros, asseguradas as exclusões e deduções legalmente previstas, pois não são atos cooperativos, nos termos da Lei n° 5.764/71. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/06/2010 a 31/12/2013 COOPERATIVA MÉDICA OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. INCIDÊNCIA SOBRE NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS. As contribuições para o PIS/Pasep e COFINS incidem sobre as vendas de planos de saúde para terceiros, asseguradas as exclusões e deduções legalmente previstas, pois não são atos cooperativos, nos termos da Lei n° 5.764/71.
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NULIDADE As bases de cálculo foram elaboradas pela fiscalização com base nos livros contábeis e demonstrativos das bases de cálculo apresentados pelo contribuinte. No Termo de Verificação Fiscal (TVF), a fiscalização consigna que identificou infrações relacionadas à aplicação do inciso II do § 9° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, que trata das deduções das bases de cálculo admitidas para operadoras de planos de saúde. E, nos autos de infração, são listados os demais dispositivos legais observados para a preparação das bases de cálculo (fls. 6 e 20). Portanto o auto de infração foi perfeitamente motivado e não contém vício que o fulmine pela nulidade. E também não se identifica qualquer das hipóteses elencadas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. RETIFICAÇÃO DE DCTF E PAGAMENTOS, APÓS O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. EFEITOS NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO O § 1° do art. 7° do Decreto n° 70.235/72 dispõe que "O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores (. . .)". Portanto, as retificações de DCTF e os pagamentos efetuados após o início do procedimento fiscal, não devem produzir efetios na apuração da matéria tributável e no cálculo do crédito tributário a ser lançado de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/06/2010 a 31/12/2013 COOPERATIVA MÉDICA OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. INCIDÊNCIA SOBRE NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 33 91 /2 01 5- 16 Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 10120.723391/201516 Acórdão n.º 3301005.058 S3C3T1 Fl. 1.002 2 As contribuições para o PIS/Pasep e Cofins incidem sobre as vendas de planos de saúde para terceiros, asseguradas as exclusões e deduções legalmente previstas, pois não são atos cooperativos, nos termos da Lei n° 5.764/71. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/06/2010 a 31/12/2013 COOPERATIVA MÉDICA OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. INCIDÊNCIA SOBRE NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS. As contribuições para o PIS/Pasep e COFINS incidem sobre as vendas de planos de saúde para terceiros, asseguradas as exclusões e deduções legalmente previstas, pois não são atos cooperativos, nos termos da Lei n° 5.764/71. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Inicialmente, cumpre destacar, que as folhas mencionadas neste Acórdão se referem às folhas digitais do eprocesso. 2. Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra a Contribuinte acima identificada, que pretendem a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS relativas aos períodos de apuração de junho de 2010 a dezembro de 2013. 3. Em seu Termo de Verificação Fiscal (fls.29 a 36), o Autuante relata que a Contribuinte, em resposta a intimação, apresentou memoriais de cálculo de Pis e Cofins relativos aos anos calendários de 2011 a 2013. Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 10120.723391/201516 Acórdão n.º 3301005.058 S3C3T1 Fl. 1.003 3 4. Analisadas as planilhas apresentadas, o Autuante apurou novos valores para a linha denominada "eventos indenizáveis líquidos" para os anoscalendário 2010, 2011 e 2012, enquanto para o anocalendário 2013, não foram encontradas discrepâncias. Esses valores foram os efetivamente pagos, tendo o Autuante utilizado o seguinte critério, in verbis: “O contribuinte registra a débito a conta 4.1.1 Eventos conhecidos ou avisados, com alguns estornos na conta 4.1.2 () Rec. de eventos indenizáveis e a crédito a conta 7.1.1.9.1.9.1.0.0.1.1.XX Transitória XX. Esta conta transitória é encerrada nas seguintes contas: 2.1.8.2.1.9.2.0.0.1.1.01 IN46 Fornecedores de Serviços, 2.1.1.1.7.9.1.2.0.3.1.01 IN36 Produção de Clinicas, 2.1.1.1.7.9.1.2.0.1.1.01 IN36 Produção de Cooperados, 2.1.3.5.1.9.3.0.0.2.1.03 IN36 Intercambio entre Unimeds, 2.1.1.1.7.9.1.2.0.4.1.01 Produção de Laboratorios e 2.1.1.1.7.9.1.2.0.2.1.01 IN 36 Produção de Hospitais. Das contas passivas listadas acima, foram verificados os valores que tem como contrapartida a conta banco conta depósitos(1.2.1.3.1.9.0.0.1.1.XX), ou seja, aquelas efetivamente pagas, atendendo os ditames do inciso III do § 9o do Art. 3o da Lei 9.178/98.” 5. A partir dos novos valores de eventos indenizáveis, a Fiscalização levantou nova base de cálculo para apuração do PIS/COFINS, conforme anexo I ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal n. 5. 6. O Autuante qualificou a multa informando:“O contribuinte e os responsáveis solidários vêm reiteradamente recolhendo valores a menor em relação ao PIS/COFINS, e os mesmos estão cientes da situação, até porque em 10/12/2014, no curso da ação fiscal, o contribuinte recolheu o total de R$ 727.646,73(Anexo III), bem como apresentou DCTF retificadoras (Anexo II), com valores bem próximos aos apurados pela fiscalização. Portanto sua multa de ofício foi qualificada para 150%, tendo em vista o indício de crime contra a ordem tributária em relação às infrações apuradas.” 7. O Autuante também estabeleceu novos sujeitos passivos por responsabilização soliária nos seguintes termos: “De acordo com o inciso I do Art. 124 e inciso III do Art. 135, ambos do Código Tributário Nacional(Lei 5.172/66), são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Conforme fartamentedemonstrado neste Auto de Infração, houve insuficiência nos recolhimentos dos tributos objetos desta fiscalização. Conforme Ata da Assembleia Geral Ordinária apresentada pelo contribuinte, os Srs. Rogério José dos Reis CPF 476.686.52604 e Alexandre Marcos Cavasini CPF 087.192.36883 eram o DiretorPresidente e Diretor Administrativo e Financeiro respectivamente na época dos fatos narrados acima, portanto com total ciência do não recolhimento dos tributos devidos.” 8. Em decorrência de suas constatações, a Fiscalização protocolizou a Representação Fiscal pra Fins Penais, sob nº 10120.723392/201561. 9. A Interessada tomou ciência dos Autos de Infração (fls. 02 a 36) em 20/04/2015 (fl. 4914), apresentando, em 17/05/2015, impugnação (fls. 508 a 534) com as seguintes razões de defesa, em síntese, citando doutrina e jurisprudência: I. “... estão incorretos os autos lavrados, pois incluiu como base de cálculo dos referidos tributos (PIS e COFINS), os atos realizados pela Impugnante de acordo com seu Objeto Social (Atos Cooperativos), não realizando o Fiscal qualquer ato de segregação destes, vez que não sofrem incidência tributária, conforme é do entendimento da própria Receita Federal.” Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 10120.723391/201516 Acórdão n.º 3301005.058 S3C3T1 Fl. 1.004 4 II. “Além disso, igualmente não escorreitas as deduções e exclusões realizadas da base de cálculo, pois se identifica aquém daquelas que a própria Lei 9.718/1998 autoriza.” III. “Portanto, consoante se demonstra abaixo, merece anulação os autos de infração lavrados ou, assim não entendendo, devem ser revisados para imediata exclusão da base de cálculo quaisquer valores relativos aos atos concernentes ao objeto social da Impugnante, bem como, a correta dedução e exclusão prevista na Lei 9.718/1998.” IV. “Já pacífico perante esta Receita Federal e Poder Judiciário, que os ingressos obtidos pelas cooperativas oriundos de atos cooperativos não sofrem incidência tributária.” V. “Portanto, deveria a fiscalização, de acordo com as informações repassadas pela Impugnante, realizar a devida segregação de atos cooperativos e não cooperativos, ou, ao menos, apresentar o motivo que o levou a simplesmente desconsiderar os atos cooperativos praticados durante o período fiscalizado.” VI. “Destarte, demonstrado o equívoco na fiscalização perpetrada, pertinente que sejam os autos lavrados anulados, por ser medida que se impõe.” VII. “Cabe destacar em sede de preliminar, que não foi disponibilizada a base de apuração realizada pelo Fiscal para auferir os lançamentos relativos ao ano de 2013. Desta forma, diante do claro cerceamento de defesa, requer a imediata anulação do auto lavrado em relação ao referido período.” VIII. “As sociedades cooperativas, conforme leciona Geraldo Ataliba, "são sociedades civis, com forma e natureza jurídica próprias, constituídas para a prática de atos cooperativos, voltados para os associados, de interesse comum, sem objetivo de lucro.” IX. “Assim, confirmando o teor legal, o art. 2º do Estatuto Social da Impugnante é claro e não permite tergiversação, ao rezar que esta tem como finalidade social "a congregação deprofissionais médicos, que se proponham a associar bens e serviços para o exercício comum e sem fins lucrativos.” X. “Certo é que para atingir esta finalidade, as cooperativas necessitarão de um plexo de atividades definido pelo próprio corpo associativo, que lhes darão a possibilidade de alcançarem seu fim com êxito. Este plexo de atividades é justamente o OBJETO SOCIAL.” XI. “Destarte, claro é que a cooperativa realizará diversos atos, entretanto, pelas peculiaridades e pela própria instrumentalidade deste tipo de sociedade, ao realizálos no intuito de atingir sua finalidade social, O FAZ EM NOME DOS COOPERADOS, COMO VERDADEIRA MANDATÁRIA.” XII. “A Lei n° 5.764/71 determina em seu art. 21, que O ESTATUTO SOCIAL DA COOPERATIVA DEVE PREVER QUAIS ATOS SERÃO PRATICADOS POR ESTA EM PROL DE SEUS ASSOCIADOS, ou seja, necessariamente o Estatuto Social deve definir o objeto social da sociedade. Portanto, PARA AQUELES ATOS EXTERNOS AO OBJETO SÓCIA,. A COOPERATIVA O FAZ EM NOME PRÓPRIO, ENQUANTO PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO, ADQUIRINDO PESSOALMENTE O DIREITO E OBRIGAÇÕES, sendo, neste momento, contribuinte normal de todos os tributos.” Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 10120.723391/201516 Acórdão n.º 3301005.058 S3C3T1 Fl. 1.005 5 XIII. “Realizados os apontamentos acima, facilmente se identifica que, enquanto transita pelo objeto social, a impugnante não aufere qualquer receita ou ganho, OCORRENDO VERDADEIRA NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA, FATO ESTE QUE MERECE RECONHECIMENTO.” XIV. “Assim, não incide PIS ou COFINS sobre os atos praticados de acordo com objeto social da cooperativa, especificamente quando a sociedade distribui os ingressos da sua atividade operacional e rateia os seus dispêndios proporcionalmente à participação de cada cooperado nos serviços contratados (Art. 4o, VII e Art. 80, da Lei n° 5.764/71 Parágrafo único do Art. 2o do Estatuto Social da Impugnante).” XV. “Todos os atos da impugnante encontramse devidamente assentados em seu Objeto Social. DESTA FEITA, JAMAIS PODERIAM TER SIDO UTILIZADOS COMO BASE DE CÁLCULO PARA A LAVRATURA DOS AUTOS.” XVI. “Conforme em preliminar destacado, o Fiscal deveria, ao menos, delinear aquilo que entende por ato não cooperativo e os motivos da inclusão de todos os atos da Impugnante na base de cálculo do tributo. Tal situação acarreta, inclusive, cerceamento de defesa, pois impossível rebater a inexistente argumentação nos autos lavrados.” XVII. “Cabe ainda destacar, que a Impugnante é componente do Sistema Cooperativo Unimed, compreendido por diversas sociedades cooperativas diversas, que atuam de forma a possibilitar o desenvolvimento conjunto de todos os cooperados. Compreende ainda o conceito de ato cooperativo, os praticados pelas cooperativas entre si, para a consecução dos objetivos sociais (art. 79 da Lei 5.764/71).” XVIII. “Assim, resumidamente, o INTERCÂMBIO NACIONAL possibilita que a Unimed Executora realize o atendimento de um determinado usuário em sua rede credenciada(hospitais, clínicas e laboratórios) e, posteriormente, ao receber a cobrança desta rede por este atendimento, repassa (cobra) os valores da Unimed Detentora do usuário.” XIX. “Ocorre que, os referidos valores, além de somente transitar nas contas da Unimed Executora, não constituem receita, pois claramente advindos de atos cooperativos entre sociedades cooperativas Unimeds, jamais podendo ser considerado base de cálculo para apuração de tributos.” XX. “Portanto, crucial que sejam os autos lavrados anulados, pois levaram em consideração base de cálculo incorreta para definir o valor dos tributos.” XXI. “Ainda, consoante delineado, a Impugnante é uma cooperativa de trabalho médico de 1o Grau que atua, consoante seu objeto social, no mercado de saúde suplementar, se caracterizando como operadora de planos de saúde (Lei 9.656/98).” XXII. “É certo que, nos termos do seu Estatuto Social, quando a Impugnante realiza contratos o faz em cumprimento ao seu objeto social e não aufere qualquer receita, mas ingressos que em sua totalidade são encaminhados aos médicos cooperados, não constituindo assim, receita ou faturamento.” XXIII. “Portanto, se a Impugnante vem a sofrer incidência de PIS e COFINS, esta se daria somente após as deduções estabelecidas no §9° do art. 3o da Lei 9.718/98, cujo entendimento é que| corresponde ao total dos custos assistenciais Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 10120.723391/201516 Acórdão n.º 3301005.058 S3C3T1 Fl. 1.006 6 decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.” XXIV. “O fiscal, ao lavrar os autos ora impugnados, não deduziu todos os valores considerados no §9° do art. 3° da Lei 9.718/98. Ora, o auditor fiscal considerou os eventos indenizáveis efetivamente pagos os valores pagos aos cooperados e prestadores de serviços médicos por regime de caixa. A contrapartida da conta contábil utilizada foi a conta de bancos com a conta de produções de cooperados e prestadores. Em equívoco tal percepção realizada, pois os valores pagos são contabilizados pelos valores líquidos (já descontados os impostos e outros descontos do cooperado).” XXV. “Com toda a vênia, cabe aqui impugnar integralmente a multa aplicada pelo Nobre Fiscal. Ora, a Impugnante é uma cooperativa que atua como operadora de planos de saúde e, para se ter uma ideia, utiliza plano de contas aprovado pelo órgão regulador, Agência Nacional de Saúde Suplementar, além de encaminhar suas contas à referia autarquia trimestralmente por meio de aplicativo denominado DIOPS.” XXVI. “Certo é que, a incidência de tributos no âmbito das sociedades cooperativas é matéria que vem sendo discutida durante vasto período nos tribunais, além das constantes alterações na legislação tributária, podendo levar o contribuinte, sem dúvida, a preceder em algum erro.” XXVII. “Além disso, a aplicação de multa no patamar de 150% (cento e cinquenta por cento) tem claramente natureza confiscatória, ainda mais sob o prisma de insegurança tributária que está o setor cooperativo, razão pela qual, deve ser integralmente afastada a multa aplicada.” 10. A Impugnante finaliza requerendo a anulação dos Autos de Infração, pois a Fiscalização deveria ter segregados os atos cooperativos e não cooperativos e, no mérito, requer que sejam excluídos da base de cálculo dos autos lavrados, os valores relativos aos atos concernentes ao objeto social da Impugnante e intercâmbio nacional, computando a correta dedução e exclusão prevista na Lei 9.718/1998. Acrescenta que demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera que seja cancelado o débito fiscal reclamado." 10. A Impugnante finaliza requerendo a anulação dos Autos de Infração, pois a Fiscalização deveria ter segregados os atos cooperativos e não cooperativos e, no mérito, requer que sejam excluídos da base de cálculo dos autos lavrados, os valores relativos aos atos concernentes ao objeto social da Impugnante e intercâmbio nacional, computando a correta dedução e exclusão prevista na Lei 9.718/1998. Acrescenta que demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera que seja cancelado o débito fiscal reclamado." A impugnação foi julgada parcialmente procedente pela DRJ em Salvador (BA) e o Acórdão n° 15040.591 foi assim ementado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/06/2010 a 31/12/2013 NULIDADE. Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 10120.723391/201516 Acórdão n.º 3301005.058 S3C3T1 Fl. 1.007 7 As arguições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência e não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/06/2010 a 31/12/2013 COOPERATIVA. ATO COOPERATIVO. RECEITAS. SEGREGAÇÃO. A partir de 1º.07.1999, a contribuição incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela cooperativa, sendo dispensável a segregação em atos cooperativos e não cooperativos. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. EVENTOS INDENIZÁVEIS. Às operadoras de planos de saúde é permitida a exclusão da base de cálculo da contribuição do valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, do total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos. MULTA QUALIFICADA. DOLO.COMPROVAÇÃO. Na ausência de comprovação do dolo, deixa de existir elemento essencial para o enquadramento da conduta da Contribuinte nas hipóteses de crime que ensejam a aplicação da multa de ofício qualificada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/06/2010 a 31/12/2013 COOPERATIVA. ATO COOPERATIVO. RECEITAS. SEGREGAÇÃO. A partir de 1º.07.1999, a contribuição incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela cooperativa, sendo dispensável a segregação em atos cooperativos e não cooperativos. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. EVENTOS INDENIZÁVEIS. Às operadoras de planos de saúde é permitida a exclusão da base de cálculo da contribuição do valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 10120.723391/201516 Acórdão n.º 3301005.058 S3C3T1 Fl. 1.008 8 efetivamente pago, do total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos. MULTA QUALIFICADA. DOLO.COMPROVAÇÃO. Na ausência de comprovação do dolo, deixa de existir elemento essencial para o enquadramento da conduta da Contribuinte nas hipóteses de crime que ensejam a aplicação da multa de ofício qualificada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que, basicamente, repete os argumentos contidos na impugnação e adiciona os seguintes: reforça a tese da não incidência do PIS e da COFINS sobre atos não cooperados, com decisão do STJ no REsp 1141667/RS, sob o regime de recurso repetitivo; alega que efetuou pagamentos de PIS e COFINS maiores do que os devidos e pleitiea que as diferenças sejam compensadas com os valores lançados; e requer que não seja computada na base de cálculo da multa de ofício a parcela do débito que já havia sido paga. Destaquese que a desqualificação da multa de ofício determinada pela DRJ resultou em uma desoneração de R$ 91.555,86. Este montante se encontra não apenas abaixo do atual limite de alçada (R$ 2.500.000,00) como também do anterior (R$ 1.000.000,00), motivo pelo qual não houve recurso de oficio. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Preliminar A recorrente alega que houve ingressos de recursos derivados de atividade típica de cooperativa e que os mesmos foram indevidamente computados pela fiscalização nas bases tributáveis pelo PIS e COFINS. Contudo, "os ingressos obtidos pelas cooperativas oriundos de atos cooperativos não sofrem incidência tributária". Fundamenta seu posicionamento, colacionando ementa da decisão do STJ, em sede do REsp 1141667/RS (publicado no DJe em 04/05/16), sob o regime de recurso repetitivo. Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 10120.723391/201516 Acórdão n.º 3301005.058 S3C3T1 Fl. 1.009 9 E opõe tal fundamento a trecho extraído da ementa da decisão recorrida: "A partir de 01/07/99, a contribuição incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela cooperativa, sendo dispensável a segregação em atos cooperativos e não cooperativos." Aduz que a fiscalização não apresentou "qualquer trabalho acerca da "segregação ou existência de atos cooperativos e não cooperativos, das receitas utilizadas como base de cálculo". Apresenta excertos de decisões do CARF (Acórdãos nº 910100.365 e nº 910100.212), em que os respectivos autos de infração foram cancelados, em virtude de o agente fiscal não ter efetuado ou não ter intimado o contribuinte a separar as receitas de atos cooperados e não cooperados. Conclui que faltou motivação para o lançamento, motivo pelo qual deveria ser cancelado. Dispõem os artigos 2° e 50 da Lei n° 9.784/99: "Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (. . .) II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (. . .) V decidam recursos administrativos; (. . .) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato." (g.n.) As bases de cálculo foram elaboradas pela fiscalização com base nos livros contábeis e demonstrativos das bases de cálculo apresentados pelo contribuinte (fls. 364 a 421 e 443 a 446). No Termo de Verificação Fiscal (TVF), consigna que identificou infrações relacionadas à aplicação do inciso II do § 9° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, que trata das deduções das bases de cálculo admitidas para operadoras de planos de saúde. E, nos autos de infração, são listados os demais dispositivos legais observados para a preparação das bases de cálculo (fls. 6 e 20). Verificase, portanto, que o auto de infração foi perfeitamente motivado e não contém vício que o fulmine pela nulidade. E também não se identifica qualquer das hipóteses elencadas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto n° 70.235/72: "I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 10120.723391/201516 Acórdão n.º 3301005.058 S3C3T1 Fl. 1.010 10 Ademais, especificamente sobre a alegada necessidade de haver separação entre receitas de atos cooperados das de não cooperados, entendo que não se trata de questão prejudicial de mérito, que pudesse eivar de nulidade o ato administrativo. A recorrente alega que a totalidade de suas receitas é oriunda de atos cooperados e que está fora do campo de incidência das contribuições. O Fisco, por seu turno, entende exatamente o oposto e, com já mencionei, fundamenta seu posicionamento. Portanto, tratase discussão de mérito, acerca da correta interpretação a ser conferida à legislação aplicável, o que será apreciado nos tópicos seguintes. Portanto, nego provimento à preliminar. Mérito Antes de adentrar nos argumentos da peça recursal, cumpre relatar as ações empreendidas pela recorrente, após o início da ação fiscal. O Termo de Início do Procedimento Fiscal foi lavrado em 30/09/14 (fls. 30) e o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal em 17/04/15 (fls. 482). A recorrente, nos meses de outubro de 2014 e janeiro de 2015 retificou todas as DCTF do período (fls. 37 a 40), declarando valores muito próximos aos da fiscalização. E, no mês de dezembro de 2014 (fls. 41 a 43), efetuou diversos recolhimentos complementares. Com efeito, apesar de ter apresentado em seu recurso alegações acerca da não incidência do PIS e da COFINS sobre suas receitas típicas de cooperativas médicas, forneceu para fiscalização bases de cálculo em que as mesmas foram computadas e cujos valores, inclusive, foram confirmados pela fiscalização. A única diferença diz respeito à dedução legal de "eventos indenizáveis", que será tratada no item seguinte. Não constam dos autos as bases que instruíram o preenchimento das DCTF e os pagamentos originalmente efetuados. No TVF (fl. 33), o agente fiscal relata tais fatos e consigna que não reconheceu tais DCTF retificadoras e recolhimentos complementares, com fulcro no § 1° do art. 7° do Decreto n° 70235/72. Com efeito, os fatos de, em um primeiro momento, terem recolhido valores muito inferiores ao realmente devidos e, após iniciado o procedimento fiscal, ter adotado os procedimentos acima descritos, motivaram a fiscalização a agravar a multa de ofício (fls. 34), que foi desqualificada pela instância a quo não houve recurso de ofício, pois estava abaixo do limite de alçada em vigor à época da decisão. Por fim, transcrevo os artigos 2° e 3° da Lei n° 9718/98 e o 12 do Decreto Lei n° 1.598/78 (redações vigentes às épocas das ocorrências dos fatos geradores), adotados pela fiscalização como base para a formação das bases de cálculo do PIS e da COFINS: Lei n° 9718/98 "Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 10120.723391/201516 Acórdão n.º 3301005.058 S3C3T1 Fl. 1.011 11 Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (. . .) § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 (. . .)" DecretoLei n° 1.598/78 "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. (. . .)" Isto posto, passemos à apreciação de cada um dos tópicos do recurso voluntário. "Atos Constantes do Objeto Social da Cooperativa – Inexistência de Receita ou Faturamento – Não Incidência – Afastamento dos Autos Lavrados" O fiscalização concluiu que todas as receitas são tributáveis pelas contribuições, a despeito de serem ou não derivadas de atos cooperados. À idêntica conclusão chegou a DRJ. A recorrente informa que apenas realizou atividades típicas de uma cooperativa e dentro do escopo previsto no seu objeto social. Invoca o art. 2° do Estatuto Social, que dispõe que a recorrente tem como finalidade “a congregação de profissionais médicos, que se proponham a associar bens e serviços para o exercício de atividade econômica de proveito comum e sem fins lucrativos”. E aduz que este objeto se amoldaria ao art. 4° da Lei n° 5.764/71 ("Lei do Cooperativismo"), que prevê que as cooperativas são sociedades de pessoas constituídas para prestar serviços aos associados. Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 10120.723391/201516 Acórdão n.º 3301005.058 S3C3T1 Fl. 1.012 12 Alega que os resultados derivados das atividades cooperativas, resultados dos ingressos financeiros e dispêndios, pertencem aos associados, contribuintes pessoas físicas ou jurídicas que os sujeitarão à tributação. Que os ingressos financeiros daquelas operações não se enquadram no conceito de faturamento do art. 2° da Lei n° 9.718/98, base de cálculo das contribuições. E conclui, que o agente fiscal deveria ter apontado quais as receitas que reputava como tributáveis e os motivos que o levaram a tal conclusão. A ausência destes motivos teria, inclusive, acarretado cerceamento do direito de defesa. Aprecio os argumentos da recorrente. De pronto, consigno que não houve cerceamento do direito de defesa. Com efeito, rigorosamente, tratase de questão prejudicial de mérito que, se acatada, redundaria na decretação da nulidade do auto de infração. E nego provimento ao argumento, pelas mesmas razões que o fiz em relação à preliminar que acusava falta de motivação no auto de infração. No auto de infração e no TVF, constam os demonstrativos das bases de cálculo e a legislação que fundamentou sua apuração. E, reitero, a apuração fiscal foi realizada com base em informações fornecidas pelo próprio contribuinte. Assim, não restou qualquer dúvida acerca dos critérios adotados para determinação das bases tributáveis e das bases legais em que se apoiaram. Tanto isto é verdade, que a recorrente anexou ao recurso voluntário demonstrativos contendo as bases de cálculo apuradas pelo Fisco. Quanto ao mérito, isto é, quais receitas devem compor as bases tributáveis, a recorrente alega que a totalidade de suas receitas foi produzida por atividades típicas de uma cooperativa e que, por este motivo, estão fora do campo de incidência das contribuições. Em primeiro lugar, cumpre prestar um esclarecimento, a fim de evitar mal entendidos. Conforme mencionei anteriormente, as DCTF e guias de pagamento originais indicavam valores muito inferiores aos apurados pela fiscalização. Iniciado o procedimento fiscal, a recorrente retificou todas as DCTF e efetuou recolhimentos complementares. Com efeito, após as alterações, restou como divergência tão somente o critério de determinação da dedução das bases de cálculo relativa a "evento indenizáveis". Entendo que a recorrente, em sua peça de defesa, insistiu na tese da não incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas com vendas de planos de saúde, porque a fiscalização não reconheceu as ações empreendidas após o início da fiscalização. Dito isto, examinemos a controvérsia. O STJ, no REsp 1.164.716, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, decidiu que PIS e COFINS somente incidem sobre atos nãocooperativos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 10120.723391/201516 Acórdão n.º 3301005.058 S3C3T1 Fl. 1.013 13 RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. (…) 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda ,em seu parág. Único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. (g.n.) 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ (sic), fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. No mesmo sentido, há o RE n° 599.362, em sede de repercussão geral: "EMENTA Embargos de declaração no recurso extraordinário. Artigo 146, III, c, da CF/88. Possibilidade de tributação do ato cooperativo. Cooperativa. Contribuição ao PIS. Receita ou faturamento. Incidência. Fixação de tese restrita ao caso concreto. Embargos acolhidos sem efeitos infringentes. 1. A norma do art. 146, III, c, da Constituição, que assegura o adequado tratamento tributário do ato cooperativo, é dirigida, objetivamente, ao ato cooperativo, e não, subjetivamente, à cooperativa. 2. O art. 146, III, c, da CF/88, não confere imunidade tributária, não outorga, por si só, direito subjetivo a isenções tributárias relativamente aos atos cooperativos, nem estabelece hipótese de não incidência de tributos, mas sim pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo, dispondo que lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. 3. O tratamento tributário adequado ao ato cooperativo é uma questão política, devendo ser resolvido na esfera adequada e competente, ou seja, no Congresso Nacional. 4. No contexto das sociedades cooperativas, verificase a materialidade da contribuição ao PIS pela constatação da Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 10120.723391/201516 Acórdão n.º 3301005.058 S3C3T1 Fl. 1.014 14 obtenção de receita ou faturamento pela cooperativa, consideradas suas atividades econômicas e seus objetos sociais, e não pelo fato de o ato do qual o faturamento se origina ser ou não qualificado como cooperativo. 5. Como, nos autos do RE nº 672.215/CE, Rel. Min. Roberto Barroso, o tema do adequado tratamento tributário do ato cooperativo será retomado, a fim de se dirimir controvérsia acerca da cobrança de contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, incidentes, também, sobre outras materialidades, como o lucro, tendo como foco os conceitos constitucionais de “ato cooperativo”, “receita de atividade cooperativa” e “cooperado” e, ainda, a distinção entre “ato cooperado típico” e “ato cooperado atípico”, proponho a seguinte tese de repercussão geral para o tema 323, diante da preocupação externada por alguns Ministros no sentido de adotarmos, para o caso concreto, uma tese minimalista: “A receita ou o faturamento auferidos pelas Cooperativas de Trabalho decorrentes dos atos (negócios jurídicos) firmados com terceiros se inserem na materialidade da contribuição ao PIS/Pasep.” 6. Embargos de declaração acolhidos para prestar esses esclarecimentos, mas sem efeitos infringentes. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, sob a presidência do Senhor Ministro Ricardo Lewandowski, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade de votos e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 323 da repercussão geral, em acolher os embargos de declaração para prestar esclarecimentos, sem efeitos infrigentes, fixando tese nos seguintes termos: “A receita auferida pelas cooperativas de trabalho decorrente dos atos (negócios jurídicos). firmados com terceiros se insere na materialidade da contribuição ao PIS/PASEP”. Brasília, 18 de agosto de 2016. MINISTRO DIAS TOFFOLI Relator" (g.n.) Ambas as decisões devem ser reproduzidas por este colegiado, nos termos do art. 62 do Anexo II da Portaria n° 343/15 (RICARF). Contudo,verificase que não concluíram acerca da distinção entre atos cooperados típicos e atípicos. No corpo da ementa da segunda decisão transcrita, o relator deixa claro que tal questão seria retomada no RE nº 672.215/CE, que ainda não transitou em julgado. Em repercussão geral, e também não transitados em julgado, há ainda os RE n° 598.085/RJ e RE n° 597.315. Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 10120.723391/201516 Acórdão n.º 3301005.058 S3C3T1 Fl. 1.015 15 Portanto, temos de recorrer ao art. 79 da Lei n° 5.674/71 ("Lei do Cooperativismo"): "Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria." Pareceme nítido que não está compreendida no conceito de ato cooperado a atividade da recorrente, qual seja, venda de planos de saúde para terceiros, pessoas físicas ou jurídicas. A realização deste tipo de transação, conforme consignado pela recorrente, está de acordo com o seu objeto social, previsto em seu estatuto social. Tal fato, contudo, não a enquadrada no conceito de ato cooperativo e, por conseguinte, não a afasta da incidência das contribuições. Vejamos os artigos 88 e 111 da Lei n° 5.674/71: "Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. (. . .) Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei." (g.n.) Por outro lado, induvidosamente, a operação realizada com associados ou outras cooperativas não sofre incidência das contribuições, uma vez que, nos termos do § único, não se trata de operação de mercado nem contrato de compra e venda, não podendo ser enquadrada no conceito de faturamento previsto no art. 3° da Lei n° 9.718/98, acima reproduzido. Com efeito, a conta contábil de receita "intercâmbio entre Unimeds" foi deduzida das bases de cálculo pela recorrente, o que foi confirmado pela fiscalização. Corroboram com meu posicionamento diversos julgados do CARF, tais como, os Acórdãos n° 3302004.760 (26/09/17), 3302003.136 (09/05/16) e 3302001.765 (21/08/12), em que as recorrentes eram outras UNIMED. Concluo, portanto, que as receitas com vendas de planos de saúde devem ser computadas nas bases de cálculo do PIS e da COFINS e, por conseguinte, nego provimento aos argumentos da recorrente em sentido contrário. " A regra do art. 3°, § 9° da Lei n° 9.718/98 deduções legais" Aduz a recorrente: "Portanto, se a Recorrente venha (sic) a sofrer incidência de PIS e COFINS, se daria somente após as deduções estabelecidas no §9º do art. 3º da Lei 9.718/98, cujo entendimento é que corresponde ao total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 10120.723391/201516 Acórdão n.º 3301005.058 S3C3T1 Fl. 1.016 16 incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida." (g.n.) Destaca que a fiscalização: abateu os descontos relativos à produção dos cooperados e prestadores, líquidos do imposto de Renda Retido na Fonte, o que seria incorreto, pois o encargo da operadora corresponde ao valor bruto; não deduziu os custos assistenciais lançados na conta 4.1.1; e em 2012, deduziu indevidamente o grupo 412 "recuperação de eventos indenizáveis." E colaciona decisões (AC 004517610.2005.4.01.3800/MG e Acórdão CARF n° 3301002.510). Alega que houve inconsistência nos critérios adotados pelo agente fiscal, pois teria acatado os adotados para o ano de 2013, em que nenhuma diferença em recolhimento teria sido apurada, e outros para os de 2010 a 2012. Restou incontroverso o direito de deduzir das bases tributáveis a conta "eventos indenizáveis". A controvérsia diz respeito à apuração dos respectivos valores. Da leitura do TVF e dos demonstrativos anexos ao recurso voluntário, verificase que a fiscalização computou a conta contábil "4.1.1 eventos indenizáveis", líquida da conta "4.1.2 recuperação de eventos indenizáveis". Reproduzo o § 9° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, que versa sobre as deduções das bases de cálculo aplicáveis às operadoras de planos de saúde, das quais chamo a atenção para a do inciso III, que é o objeto da discussão: "§ 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001) § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 10120.723391/201516 Acórdão n.º 3301005.058 S3C3T1 Fl. 1.017 17 assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) (g.n.) Não assiste razão à recorrente, pois nenhuma das incorreções que apontou de fato se verificou. Adoto trecho da decisão recorrida como minha razão de decidir (§ 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99): "(. . .) 53. Quanto aos eventos indenizáveis, a Autoridade Tributária informa que recalculou o valor dos eventos indenizáveis a fim de restringilos àqueles efetivamente pagos, para atender ao disposto na Lei nº 9718, de 1998. Detalha o critério utilizado, informando que computou os valores de contas de passivo (Fornecedores de Serviços, Produção de Clínicas, Produção de Cooperados, Intercambio entre Unimed, Produção de Laboratórios e Produção de Hospitais) que foram efetivamente pagos, isto é, que tiveram lançamentos contábeis à contrapartida da conta Caixa e Bancos, anexando folhas do Livro Razão às fls.73 a 243. 54. Observase que a Fiscalização considerou tanto os custos assistenciais decorrentes tanto do atendimento a usuários próprios quanto a usuários de outras operadoras, já em conformidade com o disposto no §9°A do art. 3° da Lei 9.718, de 1998, pois considerou, como já mencionado, as contas de Fornecedores de Serviços, Produção de Clínicas, Produção de Cooperados, Intercambio entre Unimed, Produção de Laboratórios e Produção de Hospitais. 55. Repitase, foram considerados pela Fiscalização os valores de contas de passivo, valores esses que são contabilizados pelo regime de competência. A Fiscalização não utilizou os valores da conta Caixa e Bancos (onde supostamente apareceriam os valores líquidos já descontados os impostos e outros descontos do cooperado), apenas verificou quais valores do passivo tiveram como contrapartida essas contas, para determinar quais as indenizações que tinham sido efetivamente pagas, para atender ao disposto no dispositivo legal que regula a matéria. 56. Destaquese que a Impugnante foi intimada a se pronunciar sobre os valores levantados pela Fiscalização pelo Termo de Constatação e Intimação nº 5 e, apesar de apresentar resposta a esse termo, deixou de se manifestar especificamente sobre a apuração desses valores. 57. Dessa forma, não merece acolhimento as alegações da Impugnante que a Fiscalização não deduziu todos os valores considerados no §9° do art. 3° da Lei 9.718, de 1998 e que adotou o regime de caixa quando considerou os eventos indenizáveis efetivamente pagos e nem que computou os valores líquidos, já descontados os impostos e outros descontos do cooperado." Desta forma, nego provimento aos argumentos contidos neste tópico. "Da compensação e pagamento" e "Da multa aplicada" A recorrente alega que os créditos tributários lançados já teriam sido liquidados, por meio dos já citados recolhimentos complementares, efetuados após o início da fiscalização. Informa que houve casos, inclusive, em que foram pagos a maior. Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 10120.723391/201516 Acórdão n.º 3301005.058 S3C3T1 Fl. 1.018 18 Assim, requer que as parcelas de principal de PIS e COFINS lançados de ofício sejam deduzidas dos pagamentos efetuados. E, reduzindose o principal, por conseguinte, reduzirseiam as multas de ofício incidentes. Inicialmente, é importante reiterar que os novos valores declarados também são inferiores aos calculados pela fiscalização, em razão de diferenças nos cálculos das deduções das bases de cálculo relativas a "eventos indenizáveis (vide tópico anterior). O § 1° do art. 7° do Decreto n° 70235/72 dispõe que: "§ 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas." (g.n.) Concordo com a fiscalização. As retificações das DCTF, acompanhadas dos recolhimentos dos novos débitos declarados, realizadas após o início da fiscalização, não produzem efeitos no cálculo do crédito tributário (principal, multa de ofício e juros de mora), que deve ser apurado com base nos valores declarados e pagos até o dia anterior ao do início da fiscalização. Conclusão Nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 1018DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.902876/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.435
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a conclusão da diligência determinada em relação ao processo administrativo nº 10865.000243/2011-92, reenviando os autos ao CARF em conjunto com o referido processo.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado.
Relatório
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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score : 1.0
Numero do processo: 10880.910727/2008-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/07/1999
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.098
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/07/1999 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/07/1999 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 27 /2 00 8- 58 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.910727/200858 Acórdão n.º 3201004.098 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório FARGON ENGENHARIA E INDÚSTRIA LTDA. apresentou Declaração de Compensação (DCOMP) relativa a pagamento a maior da contribuição (Cofins/PIS), declaração essa que restou não homologada pela repartição de origem. Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação do despacho decisório, ou sua reforma, bem como a realização de diligência para se comprovar o direito creditório, alegando que recolhera aos cofres públicos valores superiores aos efetivamente devidos, pois desconsiderara os termos do art. 3º, inciso III, § 2º da Lei nº 9.718/1998. Arguiu, também, que o Fisco concluíra pela inexistência do crédito sem ao menos solicitar qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do valor compensado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 16 031.875, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da não comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, afastandose o pedido de realização de diligência por falta de apresentação de qualquer documento indicativo do direito alegado. Cientificado da decisão da DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário de forma hábil e tempestiva, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacandose os seguintes argumentos: (i) a Delegacia de Julgamento invocou a ausência da prova de liquidez e certeza dos créditos para rejeitar a manifestação de inconformidade, sendo que, se tivesse ocorrido a intimação para se demonstrar o crédito, o Fisco teria tido acesso às planilhas de apuração e poderia ter verificado a regularidade do encontro de contas efetuado; (ii) enquanto não for realizada a efetiva mensuração dos créditos utilizados é precipitada qualquer consideração a respeito da existência ou não de créditos passíveis de compensação; (iii) se a autoridade responsável pelo exame da declaração de compensação tivesse cumprido o dever de fiscalizar a existência do crédito declarado e não simplesmente glosado mecanicamente o encontro de contas teria verificado que o Requerente é legitimo credor da União Federal; e (iv) não se permitiu a produção de provas necessárias e, com base nessa decisão, julgouse pela improcedência por falta de provas. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.910727/200858 Acórdão n.º 3201004.098 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.096, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10880.910725/200869, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.096): No caso em apreço há a imperiosa necessidade de se comprovar a existência do direito creditório de modo inconteste, o que, pela análise dos elementos probatórios não ocorreu. Da decisão recorrida temse: "No caso em apreço, o Contribuinte declarou em débito de COFINS e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que não foi localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito. De fato, tal constatação decorre da não localização do DARF indicado pelo Contribuinte no PER/DCOMP nos sistemas da Secretaria da Receita Federal. Observase que antes do Despacho Decisório, de 12/08/2008, o Contribuinte foi informado da não localização do DARF e intimado, em 15/12/2006 conforme A.R., às fls. 07, a verificar e conferir os dados da ficha DARF informados no PER/DCOMP com os dados do DARF original, bem como a sanar as irregularidades apontadas, tendolhe sido informado na mesma oportunidade que a consequência da falta de saneamento no prazo poderia acarretar o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP em análise. Portanto, ao contrário do alega a Manifestante, foi lhe dado a oportunidade para comprovar ou não a existência e suficiência do crédito compensado. No entanto, antes da ciência do despacho decisório, o interessado conservouse silente e inerte no tocante à integralidade das informações declaradas perante a RFB, as quais acabaram servindo de parâmetro para a continuidade da análise da matéria e respaldando a referida decisão administrativa. Pelo exposto, resta devidamente demonstrado que não procede o argumento da requerente de que recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos por não ter considerado os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da lei 9.718/98, quando apurou a base de Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.910727/200858 Acórdão n.º 3201004.098 S3C2T1 Fl. 5 4 cálculo das contribuições do PIS/COFINS, para o período de apuração constante neste PER/DCOMP, pois o contribuinte não conseguiu comprovar a existência do alegado indébito neste período, ou seja, o DARF supra mencionado que poderia demonstrar que de fato teria ocorrido "o pagamento indevido ou a maior" gerandolhe crédito, não foi localizado, e a empresa quando intimada a sanar tal irregularidade não se manifestou, e consequentemente, a compensação declarada não foi homologada. Cabe observar ainda que, mesmo se o referido DARF tivesse sido localizado, o art. 170 do CTN fixa como pressuposto para que possa ser feito o encontro de contas com a Fazenda Nacional: que os créditos estejam revestidos de liquidez e certeza comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. No entanto, a interessada não trouxe aos autos documentos que pudessem vir a comprovar a apuração incorreta nas bases de cálculo do COFINS, para o período em que alega o direito creditório, motivo pelo qual não se operaria, mesmo nesta hipótese, a liquidez e certeza desses pretensos créditos." Temse, então, que a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório em face de a recorrente, não ter comprovado a existência e liquidez do crédito apontado, mesmo tendo sido oportunizada a produção de prova. Não logrou êxito a recorrente em desconstituir o fundamento decisório através de prova apta para tanto. Mesmo em sede recursal não trouxe a recorrente qualquer elemento de prova válido a confirmar suas alegações. Devese levar em consideração que a necessidade de liquidez e certeza dos créditos é condição imperiosa, para que se proceda a compensação de valores. Não é devida a autorização de compensação quando os créditos estão pendentes de certeza e liquidez. Nos processos administrativos que tratam de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Nesses casos, quando a DRF nega o pedido de compensação/restituição/ressarcimento que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. Documentos comprobatórios são os que possibilitam aferir, de forma inequívoca, a origem e a quantificação do crédito, visto que, sem tal comprovação, o pedido de repetição fica prejudicado. Humberto Teodoro Júnior sobre a prova ensine que: "Não há um dever de provar, nem à parte contrária assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.910727/200858 Acórdão n.º 3201004.098 S3C2T1 Fl. 6 5 dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” (Humberto Teodoro Junior, in Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387) A própria recorrente confessa que não trouxe elementos probatórios aos autos para confirmar sua pretensão, tanto que, solicita a realização de diligências. Ocorre que, conforme já referido, sequer indícios do seu direito foram colacionados ao processo administrativo, razão pela qual não há como se converter o julgamento em diligência. Sobre a necessidade de se provar o direito creditório em pedidos de restituição ou compensação, é uníssona a jurisprudência deste Colegiado, conforme precedentes a seguir elencados: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/06/2006 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado." (Processo 10930.903684/201206; Acórdão 3402003.651; Relator Conselheiro Antônio Carlos Atulim; Sessão de 13/12/2016) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2008 CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72." (Processo 10865.905444/201269; Acórdão 3201002.880; Relator Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima; sessão de 27/06/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2011 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.910727/200858 Acórdão n.º 3201004.098 S3C2T1 Fl. 7 6 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.Recurvo Voluntário Negado." (Processo 10805.900727/201318; Acórdão 3201003.103; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 30/08/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Correta decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito." (Processo nº 11080.930940/201160; Acórdão 3201003.499; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; Sessão de 01/03/2018) Ademais, a Recorrente, em casos análogos, teve seus recursos julgados improcedentes conforme decisões a seguir transcritas: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.910727/200858 Acórdão n.º 3201004.098 S3C2T1 Fl. 8 7 nº 10880.950624/200821; Acórdão 3803003.786; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo nº 10880.950622/200831; Acórdão 3803003.785; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.996340/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.
Numero da decisão: 1201-002.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 63 40 /2 01 2- 67 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.996340/201267 Acórdão n.º 1201002.539 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Pedido de Restituição eletrônico PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte a fim de compensar pretenso saldo credor de CSLL referente ao 3º trimestre/2006. Por meio do despacho decisório de fls., o pedido foi indeferido, sob a alegação de que o DARF informado como origem do crédito já teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito declarado. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Alega, em síntese: (i) que o crédito é legítimo, uma vez que, por exercer atividade consistente na prestação de serviço hospitalar, faria jus ao direito de aplicação do percentual de presunção do lucro de 12% para CSLL, e não de 32%, como equivocadamente considerou nas suas apurações; e (ii) que retificou as declarações (DIPJ e DCTF), ainda que em momento posterior ao despacho decisório. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que o contribuinte não faria jus ao enquadramento do percentual de presunção de 12%. Cientificada da decisão de piso, a empresa interpôs recurso voluntário por meio do qual reitera as razões de defesa, bem como alega que possui decisão judicial que reconheceu o direito de aplicar o percentual de 12%, e não 32%. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.996340/201267 Acórdão n.º 1201002.539 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.511, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.662116/2012 74, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.511): Conforme visto no tópico do relatório, o presente litígio diz respeito ao enquadramento ou não do objeto social da Recorrente no conceito de serviços hospitalares. Assim, caso seja verificado que a empresa presta serviço hospitalar, cabível o reconhecimento do direito creditório. Caso contrário, ou seja, uma vez verificado que a atividade desenvolvida é outra, correto o indeferimento do pedido de restituição. Nesse contexto, e por mais esforços que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento e a decisão da DRJ tenham empreendido no sentido de afastar o enquadramento da atividade da empresa enquanto serviço hospitalar, o fato é que a Recorrente ajuizou ação judicial que tem por objeto justamente o reconhecimento do direito de se valer do referido percentual de 8% às suas atividades. De fato, o contribuinte possui sentença que deu provimento à ação judicial por ele ajuizada e, inclusive, já transitou em julgado o reconhecimento do direito de se valer do percentual de 8% para fins de lucro presumido. Abaixo copio o quadro do movimento do processo disponibilizado eletronicamente e transcrevo o resumo da demanda, respectivamente: PROCESSO 002259987.2013.4.03.6100 MOVIMENTAÇÃO PROCESSUAL Todas as Movimentações Seq Data Descrição 40 23/01/2015 ARQUIVAMENTO DOS AUTOS Receb.Guia: 542/2014 (7a. Vara) Pac.: 610007000412 39 05/12/2014 BAIXA DEFINITIVA ARQUIVO conf. Guia n.542/2014 (7a. Vara) Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.996340/201267 Acórdão n.º 1201002.539 S1C2T1 Fl. 5 4 38 28/11/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: DESPACHO DE FLS. 91 37 30/10/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE DESPACHO/DECISAO ,PAG. 39/41 36 08/10/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE DESPACHO/DECISAO 35 08/10/2014 RECEBIMENTO DO JUIZ C/ DESPACHO/DECISAO 34 06/10/2014 AUTOS COM (CONCLUSAO) JUIZ PARA DESPACHO/DECISAO 33 06/10/2014 TRANSITO EM JULGADO Data do Último Prazo: 23/09/2014 Complemento Livre: PARA PARTES 32 27/08/2014 RECEBIMENTO DA FAZENDA NACIONAL 31 27/08/2014 RECEBIMENTO NA SECRETARIA 30 18/08/2014 REMESSA EXTERNA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL VISTA 29 12/08/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: 28 16/07/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE SENTENCA ,PAG. 35/55 27 02/07/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE SENTENCA Tratase de ação ordinária, com pedido de tutela antecipada, em que postula a autora a inexigibilidade do percentual de presunção de 32% na aplicação do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pelo regime de apuração do lucro presumido às atividades hospitalares, reconhecendose como corretos os percentuais de 8% e 12%, respectivamente.Alega que, por se tratar de pessoa jurídica prestadora de serviços médicos de pronto socorro junto ao Hospital São Luiz Unidade Itaim, atendendo em média 7.600 pacientes por mês, tem direito ao recolhimento dos tributos pelas alíquotas menores asseguradas aos prestadores de serviços hospitalares.Sustenta que a Receita Federal vinha reconhecendo às clínicas médicas o enquadramento tributário na qualidade de prestadores de serviços hospitalares, entendimento que foi alterado após a edição do Ato Declaratório Interpretativo 19/2007 e da Instrução Normativa RFB n 791/2007, com as alterações da IN n 1234/2012, que restringiram a possibilidade de enquadramento da grande maioria das clínicas na tributação presumida da renda sob os percentuais minorados.Entende que a Receita Federal não poderia criar um novo conceito de serviços hospitalares dissociado do Direito Privado, o que determina sejam afastados os atos impugnados. Como se nota, a discussão que foi travada no processo judicial direito à aplicação do percentual de 8% para fins de IRPJ no lucro presumido tem o mesmo objeto do que se postula no recurso voluntário ora interposto. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.996340/201267 Acórdão n.º 1201002.539 S1C2T1 Fl. 6 5 Nesses casos, cabível a aplicação da Súmula CARF nº 1, que assim dispõe: importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em razão, então, da concomitância apontada, NÃO CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 143DF CARF MF
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