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Numero do processo: 10920.003171/2007-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 06/07/2007
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade.
PRAZO RECURSAL. SOLIDARIEDADE. DIES A QUO.
No caso de solidariedade, o prazo para o oferecimento do Recurso Voluntário é contado a partir da ciência do último coobrigado da decisão de 1ª instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-001.037
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário pela intempestividade.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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NÃO CONHECIMENTO. O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade. PRAZO RECURSAL. SOLIDARIEDADE. DIES A QUO. No caso de solidariedade, o prazo para o oferecimento do Recurso Voluntário é contado a partir da ciência do último coobrigado da decisão de 1ª instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade. MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Presidente. ARLINDO DA COSTA E SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Wilson Antonio de Souza Correa. Fl. 204DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Ausência momentânea : Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Período de apuração: Janeiro/1997 a dezembro/2006. Data da lavratura do Auto de Infração : 06/07/2007. Data da Ciência do Auto de Infração : 11/07/2007. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do Recorrente, em razão de não haver sido informado nas GFIP os fatos geradores decorrentes da receita bruta auferida pela comercialização da produção rural comercializada nas competências 11/2001 a 10/2003 contabilizada nos Livros Diário 08/2001, 09/2002 e 10/2003, na conta “3111.01 Vendas no Mercado Interno”, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 20/35 e anexos. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. O valor da multa aplicada corresponde a 100% (cem por cento) do valor calculado relativo à contribuição não declarada, calculada sobre o fato gerador omitido, limitada, por competência, aos critérios estabelecidos no § 4° do art. 32 da Lei n. 8.212/91, em função do número de segurados na empresa, conforme descrito no Relatório Fiscal de Aplicação da multa, a fls. 36/39. Informa outrossim a Autoridade Lançadora que desde dez/1986, a Fábrica de Móveis Neumann ltda é controladora direta, com 100% do capital votante, da empresa autuada, situação que se manteve até 24/11/2006, quando a Fábrica de Móveis Neumann ltda se retirou da sociedade transferindo suas ações a seus próprios sócios, fato que evidenciaria da existência de grupo econômico. Por tal razão a Fábrica de Móveis Neumann ltda houve por incluída no presente débito na condição de responsável solidária. O devedor solidário foi devidamente intimado do lançamento em apreço, mediante o Ofício DRF/JOI/SC/SAFIS/EFI3 015/2007, de 16 de julho de 2007, em 18/07/2007, conforme Aviso de Recebimento – AR a fl. 256. Contudo, não ofereceu impugnação no prazo normativo. Fl. 205DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10920.003171/200747 Acórdão n.º 230201.037 S2C3T2 Fl. 275 3 Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 222/225. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC lavrou Decisão Administrativa a fls. 258/262, julgando procedente em parte a autuação em estudo e retificando o crédito tributário de R$ 27.460.56 (vinte e sete mil, quatrocentos e sessenta reais e cinquenta e seis centavos) para R$ 21.944,11 (vinte e um mil, novecentos e quarenta e quatro reais e onze centavos). Não foi oferecido Recurso de Ofício. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 08/01/2008, mediante Oficio N° 718/2007 ARF/SBS, de 19 de dezembro de 2007, conforme consignado expressamente a fl. 267. O coobrigado, Fábrica de Móveis Neumann ltda, foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 09/01/2008, mediante Oficio N° 719/2007 ARF/SBS, de 19 de dezembro de 2007, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 265. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 266/271, requerendo ao fim que seja deferido o autoenquadramento da Neumann Agro Florestal S.A. como mero produtor rural para fins previdenciários. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Nos Processos Administrativos Fiscais que tratam da constituição de crédito tributário de natureza previdenciária, a matéria pertinente ao oferecimento de recursos administrativos foi confiada à Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, a qual concedeu ao sujeito passivo o prazo de 30 dias para o oferecimento, ao órgão julgador de 2ª instância, de bloqueio em face de decisão de 1º grau que lhe tenha sido desfavorável. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Fl. 206DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.03/2007) §1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Cumpre trazer à baila que os processos administrativos fiscais relativos aos créditos em fase de constituição foram transferidos, por força do art. 4º da Lei nº 11.457/2007, para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujo iter procedimental passou a ser regido, desde então, pelo rito fixado pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, em atenção às disposições insculpidas no art. 25 daquele Diploma Legal. Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (...) Art. 4º São transferidos para a Secretaria da Receita Federal do Brasil os processos administrativofiscais, inclusive os relativos aos créditos já constituídos ou em fase de constituição, e as guias e declarações apresentadas ao Ministério da Previdência Social ou ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, referentes às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei. Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972: I a partir da data fixada no §1º do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de Fl. 207DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10920.003171/200747 Acórdão n.º 230201.037 S2C3T2 Fl. 276 5 determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º desta Lei; II a partir da data fixada no caput do art. 16 desta Lei, os processos administrativos de consulta relativos às contribuições sociais mencionadas no art. 2º desta Lei. §1º O Poder Executivo poderá antecipar ou postergar a data a que se refere o inciso I do caput deste artigo, relativamente a: I procedimentos fiscais, instrumentos de formalização do crédito tributário e prazos processuais; II competência para julgamento em 1a (primeira) instância pelos órgãos de deliberação interna e natureza colegiada. §2º O disposto no inciso I do caput deste artigo não se aplica aos processos de restituição, compensação, reembolso, imunidade e isenção das contribuições ali referidas. §3º Aplicamse, ainda, aos processos a que se refere o inciso II do caput deste artigo os arts. 48 e 49 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ao dispor sobre prazos, o antecitado Decreto nº 70.235/72 determinou que os prazos recursais devem ser contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Estatuiu, igualmente, que os prazos recursais só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. É mister salientar, por relevante, que o art. 6º do referido Decreto concedia à autoridade preparadora, em circunstâncias especiais, a faculdade de acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência. Tal competência, contudo, lhe foi excluída pela lei nº 8.748/1993, que expressamente revogou o mencionado art. 6º, em sua integralidade, de molde que, a contar de então, não dispõe mais a referida autoridade de poder discricionário para prorrogar os prazos recursais. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 6º A autoridade preparadora, atendendo a circunstâncias especiais, poderá, em despacho fundamentado: (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) I acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência; (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) II prorrogar, pelo tempo necessário, o prazo para a realização de diligência. (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) No presente caso, o sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 08 de janeiro de 2008, terçafeira, iniciandose, por conseguinte, a Fl. 208DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 fluência do trintídio recursal na quartafeira seguinte, digase, no dia 09 de janeiro de 2008. Sendo de 30 dias contínuos o prazo para o oferecimento de recurso voluntário, este se encerraria na sextafeira, 07 de fevereiro de 2008, inclusive. Igualmente, o coobrigado foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 09 de janeiro de 2008, quartafeira, iniciandose, por conseguinte, a fluência do trintídio recursal na quintafeira seguinte, digase, no dia 10 de janeiro de 2008. Sendo de 30 dias contínuos o prazo para o oferecimento de recurso voluntário, este se encerraria na sextafeira, 08 de fevereiro de 2008, inclusive. Nessas condições, a lei fixa o dia 08 de fevereiro de 2008 como o dies ad quem para a protocolização do recurso em realce. Salientese, de maneira a nocautear qualquer dúvida, que o prazo recursal é contínuo, não sendo suspenso ou interrompido por fins de semana ou feriados nacional, estadual ou municipal, salvo se estes coincidirem com a data de início ou de término do referido prazo, o que não ocorre no caso em apreço. Lei nº 662, de 6 de abril de 1949. Art. 1º São feriados nacionais os dias 1º de janeiro, 21 de abril, 1º de maio, 7 de setembro, 2 de novembro, 15 de novembro e 25 de dezembro. (Redação dada pela Lei nº 10.607, de 19.12.2002) Art. 2º Só serão permitidas nos feriados nacionais, atividades privadas e administrativas absolutamente indispensáveis. Art. 3º Os chamados "pontos facultativos" que os Estados, Distrito Federal ou os Municípios decretarem não suspenderão as horas normais do ensino nem prejudicarão os atos da vida forense, dos tabeliães e dos cartórios de registro. Assim, não procede a preliminar de tempestividade oferecida pelo Recorrente. O fato de o porteiro ser terceirizado e de ter deixado de comunicar aos representantes legais da empresa o recebimento da intimação constituise questão interna corporis da empresa, não podendo ser oposta ao fisco ou mesmo afastar a incidência cogente da legislação tributária. Tal compreensão emerge diretamente no texto legislativo o qual, não contemplando excepcionalidades como a esposada pelo Recorrente, assim dispõe: Portaria RFB nº 10.875, de 16 de agosto de 2007 Art. 29. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal ou telegráfica, com prova de recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo; (grifos nossos) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. Fl. 209DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10920.003171/200747 Acórdão n.º 230201.037 S2C3T2 Fl. 277 7 (...) §2º Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (grifos nossos) III se por meio eletrônico, quinze dias contados da data registrada: a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV quinze dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. §3 Os meios de intimação previstos no caput não estão sujeitos a ordem de preferência. §4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à RFB; (...) §6º No caso de solidariedade, o prazo será contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado. Os preceptivos ora enunciados não discrepam do regramento asselado no art. 23 do Decreto nº 70.235/72, o qual reproduzimos abaixo, naquilo que se mostra pertinente ao caso espécie. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) (...) §2° Considerase feita a intimação: (grifos nossos) (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) §4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 210DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Assim, na hipótese em apreço, em que a intimação deuse por via postal com prova de recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo, considerase feita a intimação na data do recebimento, em atenção ao disposto no inciso II do parágrafo 2º do art. 29 da Portaria RFB nº 10.875/2007. Sendo certo que, no caso de solidariedade, os prazos somente são contados a partir da ciência da intimação do último coobrigado, e que as ciências do sujeito passivo e do devedor solidário se deram igualmente nos dias 08 e 09 de janeiro de 2008, respectivamente, cumpre reconhecer que tal evento marca, para todos os efeitos jurídicos, o dia 10 de janeiro de 2008 como o dies a quo do trintídio para o oferecimento de recurso voluntário no vertente processo, e o como dead line, o dia 08 de fevereiro de 2008. No caso vertente, havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 11 de fevereiro de 2008, conforme resta consignado no Carimbo de Protocolo a fl. 266, há que se reconhecer, portanto, a intempestividade do recurso interposto, fato que impede o seu conhecimento por parte deste Colegiado. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 63, I da Lei nº 9.784/99, a qual estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999. Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: (grifos nossos) I fora do prazo; (grifos nossos) II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. §1º Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. §2º O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. Citese por relevante que, mesmo tendo sido intimado da Decisão ora guerreada – Acórdão 07 11.407 da 6ª Turma da DRJ/FNS, a fls. 258/262, transcorrido o trintídio normativo, o coobrigado já referido quedouse inerte, não contestando a citada decisão. Nas circunstâncias do caso em apreciação, o não oferecimento de Recurso no prazo normativo implica o trânsito em julgado da decisão de 1ª instância, tornandoa definitiva Fl. 211DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10920.003171/200747 Acórdão n.º 230201.037 S2C3T2 Fl. 278 9 no âmbito administrativo, a teor dos artigos 22 e 26, I, ‘a’ da Portaria RFB nº 10.875/2007, sob cuja égide sucederam os fatos jurídicos em realce. Portaria RFB nº 10.875, de 16 de agosto de 2007 Art. 22. Decorrido o prazo sem que o recurso tenha sido interposto, será o sujeito passivo cientificado do trânsito em julgado administrativo e intimado a regularizar sua situação no prazo de trinta dias, contados da ciência da intimação. (grifos nossos) Parágrafo único. Esgotados os meios de cobrança amigável, o processo será encaminhado ao órgão competente para inscrição em DAU. Art. 26. São definitivas as decisões: I de primeira instância: a) depois de esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) b) na parte que não foi objeto de recurso voluntário e não estiver sujeita a recurso de ofício; c) quando não couber mais recurso; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III da Câmara Superior de Recursos Fiscais. §1º Na hipótese da alínea "a" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. (grifos nossos) §2º Na hipótese da alínea "b" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo, relativamente à parte não recorrida, darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. §3º Nos julgamentos em que não couber mais recurso, o trânsito em julgado ocorre com a ciência da decisão ao sujeito passivo. §4º Nos casos de interposição dos recursos previstos no art. 56 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, o trânsito em julgado da decisão somente ocorrerá após a ciência da nova decisão ao sujeito passivo. Óbvio está que os selecionados dispositivos da Portaria MPS em realce não ousaram ultrapassar o âmbito da norma que rege a matéria ora em relevo, sendo, antes, desta, mero reflexo, conforme se vos segue: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) Fl. 212DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Por tais razões, pugnamos pelo não conhecimento do presente Recurso, por falta de requisito essencial para a sua admissibilidade. 2. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude de sua apresentação intempestiva. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 213DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13888.002587/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA.
As ações coletivas não induzem litispendência para as ações individuais, sendo certo que a existência de Ação Civil Pública com o mesmo objeto do processo administrativo não pode implicar em não acolhimento da impugnação sob a alegação de renúncia a esfera administrativa.
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. FALTA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
É nula, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, a decisão de primeira instância que deixa de apreciar argumentos expendidos pelo contribuinte em sede de impugnação.
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 2102-001.267
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso, declarando a nulidade da decisão de primeira instância para que outra seja proferida na boa e devida forma, abrangendo todos os argumentos apresentados pela contribuinte.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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AÇÃO CIVIL PÚBLICA. As ações coletivas não induzem litispendência para as ações individuais, sendo certo que a existência de Ação Civil Pública com o mesmo objeto do processo administrativo não pode implicar em não acolhimento da impugnação sob a alegação de renúncia a esfera administrativa. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. FALTA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nula, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, a decisão de primeira instância que deixa de apreciar argumentos expendidos pelo contribuinte em sede de impugnação. Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, declarando a nulidade da decisão de primeira instância para que outra seja proferida na boa e devida forma, abrangendo todos os argumentos apresentados pela contribuinte. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora Fl. 92DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13888.002587/200861 Acórdão n.º 210201.267 S2C1T2 Fl. 85 2 EDITADO EM: 25/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra FLORISBELA ALVES MENDES foi lavrado Auto de Infração, fls. 30/35, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2005, exercício 2006, no valor total de R$ 46.069,47, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/05/2008. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Constatação Fiscal, fls. 28/29, foram omissão de rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal, em decorrência de decisão da Justiça Federal, no valor de R$ 118.698,60 e omissão de rendimentos recebidos a título de pensão por morte do Instituto Nacional do Seguro Social, no valor de R$ 8.933,06. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 39/42, que se encontra assim resumida no Acórdão DRJ/SPOII nº 1731.579, de 06/05/2009, fls. 67/74: 1. em 29/04/92 viu indeferido na esfera administrativa seu pedido de pensão previdenciária em virtude da morte do filho Ricardo Mendes, tendo recorrido da decisão, que veio a ser confirmada pelo acórdão n° 5034, de 01/09/94; 2. ingressou com ação judicial que reconheceu seu direito à indenização pela morte do filho, obtendo o beneficio previdenciário da pensão, implantada em novembro de 2001, que passou a ser sua renda mensal daí em diante; 3. no ano de 2005, a contribuinte recebeu indenização judicial, correspondente às prestações da pensão previdenciária devida desde o falecimento do filho no período de 19/10/1991 a 10/2001, atualizadas e acrescidas de juros moratórios, que não foi declarada à Receita Federal pelo fato de se tratar de valor indenizatório para reparação dos danos decorrentes da morte do filho; 4. não tendo quaisquer rendimentos de trabalho ou de outra natureza nos anos de 1991 a 2001, tanto é que para ter o direito à pensão reconhecida judicialmente necessitou comprovar a Fl. 93DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13888.002587/200861 Acórdão n.º 210201.267 S2C1T2 Fl. 86 3 dependência em relação ao filho falecido, a indenização recebida não é tributável pelo imposto de renda pessoa física, pois a renda anual considerada no período de 11 exercícios não atingiu valor sujeito à tributação; 5. ademais, mediante a Ação Civil Pública que se processou pela 19ª Vara Cível Federal autos de n° 1999.61.00.0037100, foi deferido pedido de antecipação de tutela, desobrigando a contribuinte de dar o valor recebido à tributação; 6. de acordo com o art. 63 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, não caberá lançamento de multa de oficio na constituição do crédito tributário destinado a prevenir decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa, na forma do inciso IV do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (vide Medida Provisória n°2.15835, de 2001); 7. a interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo (§ 2°, art. 63, da Lei n° 9.430/96); 8. o valor da pensão recebida no processo judicial foi consignado como rendimento isento, na declaração de rendimentos pessoa física, ano base 2005, apresentada extemporaneamente; 9. embora não tenha em mãos para comprovar, a ação civil pública já teve julgamento definitivo favorável aos contribuintes. A DRJ São Paulo II julgou procedente o lançamento, nos seguintes termos: (i) em preliminar, não conhecer da impugnação quanto à omissão de rendimentos no valor de R$ 119.862,60, por haver concomitância de processo judicial e administrativo, versando sobre a mesma matéria, com a observação de que o lançamento contestado é definitivo na esfera administrativa até decisão em contrário, se proferida pelo Poder Judiciário; (ii) no mérito, julgar procedente o lançamento no que tange à omissão de rendimentos, no valor de R$ 8.933,06, recebidos do INSS, e à incidência da multa de oficio de 75%. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 10/06/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 75, a contribuinte apresentou, em 30/06/2009, recurso voluntário, fls. 76/80, no qual traz as alegações a seguir resumidamente transcritas: A recorrente reitera todos os argumentos expendidos anteriormente em prol de sua defesa, sem exceção. Nesta oportunidade, competelhe dizer que improcede a autuação e a final decisão da 3ª Turma da DRJ/SP0II pelo v. acórdão n. 1731579. É que tal decisão está em contrário à jurisprudência de nossos tribunais sobre o assunto. A contribuinte está isenta de pagamento do imposto de renda que lhe é cobrado na autuação. Como já dito em outras oportunidades, tratase de valor relativo a prestações Fl. 94DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13888.002587/200861 Acórdão n.º 210201.267 S2C1T2 Fl. 87 4 acumuladas de pensão por falecimento de filho, devidas no período de 19/10/1991 a 10/2001, e que se fossem recebidas nos respectivos meses de competência não gerariam qualquer tributação a título de imposto de renda. (...) De outro lado, a contribuinte também não concorda e por isso impugna expressamente a autuação e o lançamento no que tange a omissão de rendimentos no valor de R$ 8.933,06, recebidos do INSS, para efeito de incidência da multa de oficio de 75%. É que, esse valor omitido e posteriormente informado em declaração retificadora não atinge o valor anual tributável, ou seja, se o mesmo houvesse sido declarado no exercício de seu recebimento não geraria imposto a pagar e ao contribuinte que declara rendimento tardiamente em declaração retificadora, o fisco apregoa em alto e bom som, anualmente, que a pena aplicada é de 1% do imposto devido e não a multa que deseja impor. É o Relatório. Fl. 95DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13888.002587/200861 Acórdão n.º 210201.267 S2C1T2 Fl. 88 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No que diz respeito à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ação judicial a decisão recorrida não conheceu da impugnação, por entender caracterizada a concomitância entre as instâncias judicial e administrativa. Afirma a decisão recorrida que a concomitância do processo administrativo se verifica em relação à Ação Civil Pública n° 1999.61.00.0037100, ajuizada pelo Ministério Público Federal, em face da União e do INSS, com alcance nacional, para determinar ao INSS que se abstivesse de efetuar o desconto do imposto de renda retido na fonte, nas hipóteses de pagamento realizado a destempo e de forma acumulada, administrativa ou judicialmente, de benefícios ou pensões previdenciárias ou assistenciais, com valores originais inferiores ao limite de isenção tributária. É bem verdade, que o direito postulado na Ação Civil Pública é o mesmo suscitado pela contribuinte na impugnação, entretanto, de pronto devese destacar que a referida ação judicial não foi proposta pela contribuinte. Nesse ponto, vale lembrar que conforme disposto na Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 Código de Defesa do Consumidor (CDC), art. 1041, as ações coletivas não induzem litispendência para as ações individuais, de sorte que caso a contribuinte desejasse poderia optar pela via judicial, impetrando ação individual. A existência de Ação Civil Pública com o mesmo objeto do processo administrativo não pode implicar em não acolhimento da impugnação sob a alegação de renúncia a esfera administrativa. E mais, no presente caso, conforme afirmado na própria decisão recorrida, a referida Ação Civil Pública foi extinta, em razão de se considerar que o Ministério Público Federal não é competente para discutir a tributação do imposto de renda sobre o pagamento cumulativo de benefícios previdenciários. Muito embora, tal decisão ainda não seja definitiva, reforça o prejuízo que se causaria à contribuinte caso restasse confirmada a decisão recorrida de não se conhecer da impugnação por renúncia à esfera administrativa. Assim, nesse ponto, merece reparo a decisão recorrida, pois deveria ter analisado todas as alegações da recorrente quanto à infração de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ação judicial. Em assim não procedendo, a autoridade julgadora de primeira instância incorreu em desrespeito ao direito de defesa 1 Art. 104. As ações coletivas, previstas nos incisos I e II e do parágrafo único do art. 81, não induzem litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada erga omnes ou ultra partes a que aludem os incisos II e III do artigo anterior não beneficiarão os autores das ações individuais, se não for requerida sua suspensão no prazo de trinta dias, a contar da ciência nos autos do ajuizamento da ação coletiva. Fl. 96DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13888.002587/200861 Acórdão n.º 210201.267 S2C1T2 Fl. 89 6 assegurado ao sujeito passivo da obrigação tributária pelo artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal de 1998. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso, declarando a nulidade da decisão de primeira instância para que outra seja proferida na boa e devida forma, abrangendo todos os argumentos apresentados pela contribuinte. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 97DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10167.001464/2007-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/12/2004
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2302-000.971
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/12/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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Recorrente MUNICÍPIO DE ORIZONA FUNDO MUNICIPAL DE SAÚDE Recorrida DRJ BRASÍLIA DF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/12/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Fl. 167DF CARF MF Emitido em 12/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Ausente momentaneamente o Conselheiro Thiago Davila Melo Fernandes. Fl. 168DF CARF MF Emitido em 12/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10167.001464/200779 Acórdão n.º 230200.971 S2C3T2 Fl. 161 3 Relatório A presente NFLD — Notificação Fiscal de Lançamento de Débito abrange as contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas no decorrer do mês aos segurados pessoas fisicas pelos serviços prestados na área da saúde municipal com vínculo empregatício (contratados da saúde); conforme relatório fiscal às fls. 42 a 55. Não concordando com a autuação, a entidade apresentou impugnação, fls. 88 a 101. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília julgou procedente o lançamento efetuado, fls. 105 a 109. A entidade pediu reconsideração, fls. 123 e 124. Inconformada com a decisão, a entidade interpôs recurso voluntário, fls. 141 a 150. Alega em síntese que: a) É inconstitucional a cobrança do ente municipal; b) O município não pode se equiparar à empresa; c) Foi negado o direito do Município ao parcelamento especial; Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 169DF CARF MF Emitido em 12/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 154. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Para efeitos da legislação previdenciária, os órgãos e entidades públicas são considerados empresa, conforme prevê o art. 15 da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art.15.Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Assim, o Município é considerado empresa perante a previdência social, devendo, portanto, contribuir como tal. Ao contrário do afirmado pela recorrente, o Fisco não possui obrigação de apreciar inconstitucionalidade. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Quanto à alegação de negativa de parcelamento especial, lide não se instaurou. Primeiramente esse fato não foi impugnado; assim a decisão de primeira instância não se manifestou. Além do mais, o pedido de parcelamento é ato incompatível com a interposição de recurso; pois para parcelar o sujeito passivo reconhece administrativamente que é devedor. E por fim, o CARF não julga pedidos de parcelamento indeferidos. CONCLUSÃO: Fl. 170DF CARF MF Emitido em 12/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10167.001464/200779 Acórdão n.º 230200.971 S2C3T2 Fl. 162 5 Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 171DF CARF MF Emitido em 12/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19647.003477/2007-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI
Data do fato gerador: 28/02/2003
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO RECOLHIDO COM ATRASO DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO-CARACTERIZAÇÃO INCIDÊNCIA DA MULTA MORATÓRIA.
Tributo sujeito a lançamento por homologação e recolhido com atraso, não se beneficia da denúncia espontânea, portanto, incide multa moratória.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.654
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade negar provimento.
Vencidos Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira e Daniel Mariz Gudino.
Luciano fará declaração de voto.
Nome do relator: Mércia Helena Trajano D'Amorim
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Data do fato gerador: 28/02/2003 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO RECOLHIDO COM ATRASO DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO-CARACTERIZAÇÃO INCIDÊNCIA DA MULTA MORATÓRIA. Tributo sujeito a lançamento por homologação e recolhido com atraso, não se beneficia da denúncia espontânea, portanto, incide multa moratória. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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Tributo sujeito a lançamento por homologação e recolhido com atraso, não se beneficia da denúncia espontânea, portanto, incide multa moratória. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade negar provimento. Vencidos Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira e Daniel Mariz Gudino.Luciano fará declaração de voto. Mércia Helena Trajano D'Amorim Presidente Relator. EDITADO EM: 13/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Luiz Eduardo Garrossino Barbieri, Marcelo Ribeiro Nogueira, Maria Regina Godinho de Carvalho e Daniel Mariz Gudino.Ausência justificada de Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Fl. 1DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Contra a empresa acima qualificada foi lavrado Auto de Infração de fls. 06/07, para exigência do crédito tributário a seguir especificado: Discriminação Valor (R$) Multa Paga a Menor 15.465,04 Juros Pagos a Menor ou Não Pagos 12.101,87 Total 27.566,91 De acordo com o que consta do Anexo IIa – Demonstrativo de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento (fl. 08), o débito de IPI no valor de R$ 171.443,67, vencido em 10/03/2003 foi pago pela contribuinte, parte em 25/03/2003 e parte em 28/08/2003, como a seguir demonstrado: A) Pagamento em 25/03/2003 DISCRIMINAÇÃO VALOR DEVIDO (R$) VALOR PAGO (R$) DIFERENÇA (R$) Imposto 33.609,09 33.609,09 0,00 Multa 1.663,64 1.663,64 0,00 Juros 0,00 0,00 0,00 B) Pagamento em 28/08/2003 DISCRIMINAÇÃO VALOR DEVIDO (R$) VALOR PAGO (R$) DIFERENÇA (R$) Imposto 137.834,58 137.834,58 0,00 Multa 27.566,91 12.101,87 15.465,04 Juros 12.101,87 0,00 12.101,87 O enquadramento legal para exigência do imposto e das respectivas cominações legais se encontra à fl. 07. Tempestivamente, segundo informação constante de fl. 18, a contribuinte apresentou peça impugnatória de fls. 01 a 03 (juntamente com documentação de fls. 04 a 13), onde formula as seguintes razões de defesa: A) QUANTO AOS JUROS DE MORA A contribuinte reconhece que o imposto no valor de R$ 137.834,58 foi recolhido fora do prazo legal de vencimento, conforme Comprovante de Arrecadação expedido pela própria RFB (fl. 12), porém acrescido dos juros no valor de R$ 12.101,87, totalizando o recolhimento de R$ 129.683,78. Dessa forma, entende como indevida a cobrança de juros de mora. B) QUANTO À MULTA DE MORA A contribuinte alega que a multa de mora exigida também não é devida, pois, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de Fl. 2DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 19647.003477/200754 Acórdão n.º 3201000.654 S3C2T1 Fl. 158 3 fiscalização, denunciou espontaneamente a infração, mediante pagamento do tributo, acrescido de juros de mora, nos termos do artigo 138 da Lei nº 5.172/1966 (CTN), que reproduz à fl. 02. Em seguida, afirma que sua atitude em não recolher o valor da multa está respaldada no dispositivo legal acima mencionado, seguido inteiramente pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa de acórdão transcrita às fls. 02/03. Diante do que expõe, a contribuinte requer, ao final de sua peça impugnatória, seja julgado improcedente o auto de infração questionado.” O pleito foi deferido parcialmente no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/REC no 1125.785, de 30/03/2009, proferida pelos membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 28/02/2003 JUROS DE MORA CANCELAMENTO. Cancelase a exigência de juros de mora exigidos isoladamente quando o contribuinte apresente elementos que permitam concluir por seu efetivo pagamento, ainda que as informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil apontem que o mesmo se refere a rubrica diversa. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO RECOLHIDO COM ATRASO DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZAÇÃO INCIDÊNCIA DA MULTA MORATÓRIA. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação e recolhido com atraso, descabe o benefício da denúncia espontânea. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE.” O julgamento foi no sentido de considerar procedente em parte o lançamento para declarar indevidos os juros de mora no valor de R$ 12.101,87, exigidos mediante Auto de Infração à fl. 08 e manter a exigência da multa de mora pelo pagamento do IPI após a data de vencimento, no valor de R$ 15.465,04. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano D'Amorim O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de exigência de multa de mora contida no Auto de Infração de fls. 06/07, tendo em vista que a decisão recorrida já cancelou a exigência dos juros de mora. A empresa argumenta que não cabe essa cobrança de multa sobre tributos e contribuições administrados pela RFB pagos sob o instituto da denúncia espontânea a que se refere o artigo 138 do CTN, ainda que os respectivos pagamentos tenham sido efetuados após os prazos previstos em lei. Prescreve o art. 138 do CTN: “ Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Por sua vez, o art, 161 do CTN determina: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.”(grifei) Assim sendo, diante do recolhimento em atraso, que é o caso, a multa que deveria ter sido efetuada, é de natureza moratória, ou seja, aquela que visa compensar pelo atraso no cumprimento de uma obrigação tributária, pois que a denúncia espontânea da infração só tem o objetivo de afastar a aplicação das multas de ofício, não incidindo nos casos de multa de mora. Corroborando neste sentido, é o art. 61 da Lei nº9.430/96, a seguir transcrita: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa Fl. 4DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 19647.003477/200754 Acórdão n.º 3201000.654 S3C2T1 Fl. 159 5 de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” No mesmo sentido, tem o entendimento do STJ que a multa moratória, nos casos de recolhimento por atraso de tributo sujeito a lançamento por homologação, é devida, conforme julgados a seguir transcritos. “TRIBUTÁRIO ART. 138 DO CTN TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO RECOLHIDO COM ATRASO – DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃOCARACTERIZAÇÃO INCIDÊNCIA DA MULTA MORATÓRIA”. 1. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, declarado pelo contribuinte e recolhido com atraso, descabe o benefício da denúncia espontânea, sendo legítima a cobrança de multa moratória. 2. Precedentes da primeira e Segunda Turmas desta Corte. (Resp 708676/PR Recurso Especial 2004/01733796 Segunda Turma)” O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo; colaciono alguns julgados do Superior Tribunal da Justiça: “Órgão Julgador: S1 Primeira Seção Data do Julgamento: 27/08/2008 Data da Publicação/Fonte: DJe 08/09/2008 Referência Legislativa: LEG:FED LEI:005172 ANO:1966 CTN66 Código Tributário Nacional, Art. 00138 Precedentes: RESP 850423 SP 2006/00404657 DECISÃO:28/11/2007 DJ DATA:07/02/2008 PG:00245 Ementa: Tributário. Artigo 535. Tributo sujeito a lançamento por homologação. Declaração do contribuinte desacompanhada de pagamento. Prescrição. Denúncia espontânea. 1. Não caracteriza Fl. 5DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 insuficiência de fundamentação a circunstância de o aresto atacado ter solvido a lide contrariamente à pretensão da parte. Ausência de violação ao artigo 535 do CPC. 2. Tratandose de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte desacompanhada do seu pagamento no vencimento, não se aguarda o decurso do prazo decadencial para o lançamento. A declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte. 3. O termo inicial da prescrição, em caso de tributo declarado e não pago, não se inicia da declaração, mas da data estabelecida como vencimento para o pagamento da obrigação tributária declarada. 4. A Primeira Seção pacificou o entendimento no sentido de não admitir o benefício da denúncia espontânea no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação quando o contribuinte, declarada a dívida, efetua o pagamento a destempo, à vista ou parceladamente. Precedentes. 5. Não configurado o benefício da denúncia espontânea, é devida a inclusão da multa, que deve incidir sobre os créditos tributários não prescritos. 6. Recurso especial provido em parte. RESP 554221 SC 2003/01162500 DECISÃO:03/10/2006 DJ DATA:06/11/2006 PG:00304 Ementa: Processo civil. Tributário. Refis. Pedido de desistência. Extinção do processo. Julgamento do mérito. Art. 269, V, do CPC. Pedido expresso. Tributo. Lançamento por homologação. Recolhimento com atraso. Denúncia espontânea. Nãocabimento. Multa moratória. Juros de mora. Incidência. Juros de mora. Taxa Selic. Aplicabilidade. Precedentes. 1. A extinção do feito na forma do artigo 269, V, do CPC pressupõe que o autor renuncie de forma expressa ao direito sobre o qual se funda a ação. 2. Nas hipóteses em que o contribuinte declara e recolhe com atraso tributos sujeitos a lançamento por homologação, não se aplica o benefício da denúncia espontânea e, por conseguinte, não se exclui a multa moratória. Precedentes. 3. A partir de 1º.1.1996, os juros de mora passaram a ser devidos com base na taxa Selic, consoante dispõe o art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95, não mais tendo aplicação o art. 161 c/c o art. 167, parágrafo único, do CTN. 4. O exame de matéria constitucional refoge aos limites da competência outorgada ao STJ na estreita via do recurso especial. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido. ERESP 504409 SC 2005/00180701 DECISÃO:14/06/2006 DJ DATA:21/08/2006 PG:00223 Ementa: Tributário. Votovista em embargos de divergência. Parcelamento de débito fiscal. Nãocaracterização de denúncia espontânea. Art. 138 do CTN. Aplicação da jurisprudência desta corte superior. Embargos de divergência a que se nega conhecimento. 1. Tratase de votovista proferido em embargos de divergência, no qual o Relator julgou procedente o pedido do embargante para o fim de considerar caracterizada o instituto fiscal Fl. 6DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 19647.003477/200754 Acórdão n.º 3201000.654 S3C2T1 Fl. 160 7 da denúncia espontânea, por haver a empresa contribuinte recolhido o total da importância devida, com juros e correção monetária, antes de o fisco exercer qualquer medida administrativa. 2. Contudo, essa exegese está em confronto com o entendimento reiteradamente empregado no âmbito da 1ª Seção desta Corte, segundo o qual, não se configura a denúncia espontânea, com a decorrente exclusão da multa de mora, quando o contribuinte declara e recolhe, com atraso, o débito fiscal. 3. Nesse exato sentido, a propósito, o que fiz registrar no Resp 302.928/SP: "... apenas se configura a denúncia espontânea quando, confessado o débito, o contribuinte efetiva, incontinenti, o seu pagamento ou deposita o valor referente ou arbitrado pelo juiz.". 4. Por essas razões, divirjo da solução aplicada pelo Relator. 5. Embargos de divergência, da empresa contribuinte, a que se nega conhecimento. ERESP 511340 MG 2004/01392622 DECISÃO:08/02/2006 DJ DATA:20/02/2006 PG:00189 Ementa: Processual civil. Embargos de declaração. Ausência de qualquer dos vícios previstos no art. 535 do CPC. Rejeição. Medida provisória 2.16440/01. 1. É assente na Corte que a Medida Provisória 2.16440/01 mantémse em vigor, porquanto a Emenda Constitucional nº 32 ressalvou aquelas editadas em data anterior á sua publicação (11/09/2001), permanecendo incólumes até que outra as revogue explicitamente ou até deliberação definitiva do Congresso Nacional. (ERESP nº 559959, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 21/03/2005; ERESP n° 681770, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Seção, DJ de 14/11/2005 ) 2. Inocorrentes as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material, não há como prosperar o inconformismo, cujo real objetivo é a pretensão de reformar o decisum no que pertine à perda da eficácia da Medida Provisória 2.16441, o que é inviável de ser revisado em sede de embargos de declaração, dentro dos estreitos limites previstos no artigo 535 do CPC. 3. Os embargos de declaração têm como requisito de admissibilidade a indicação de algum dos vícios previstos no art. 535 do CPC, constantes do decisum embargado. Não se prestam, portanto, ao rejulgamento da matéria posta nos autos, posto visarem, unicamente, completar a decisão quando presente omissão de ponto fundamental, contradição entre a fundamentação e a conclusão ou obscuridade nas razões desenvolvidas. 4. Embargos de declaração rejeitados. RESP 601280 RS 2003/01905271 DECISÃO:14/09/2004 DJ DATA:25/10/2004 PG:00305 Ementa: Tributário. Denúncia espontânea. Multa. Pagamento em atraso. Artigo 138 do CTN. 1. O pagamento integral em atraso de tributos, sem que tenha sido iniciado procedimento administrativo, configura, em regra, a denúncia espontânea, apta a afastar a multa moratória, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. 2. Contudo, com relação aos tributos sujeitos ao lançamento por Fl. 7DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 homologação, a posição majoritária da Primeira Seção desta Corte é no sentido de não reconhecer a ocorrência da denúncia espontânea quando houver declaração desacompanhada do recolhimento tempestivo do tributo. 3. Ademais a jurisprudência desta Corte encontrase consolidada quanto à incidência de multa moratória na hipótese de parcelamento de débito deferido pela Fazenda Pública. 4. "A simples confissão de dívida, acompanhada do seu pedido de parcelamento, não configura denúncia espontânea" (Súmula 208/TFR). 5. Recurso especial provido. ERESP 531249 RS 2004/00288861 DECISÃO:23/06/2004 DJ DATA:09/08/2004 PG:00169 Ementa: Embargos de declaração. Tributário. Denúncia espontânea. Hipóteses do artigo 535 do CPC. Inexistência. Rediscussão da matéria. 1. Ausente qualquer das hipóteses previstas no artigo 535 do CPC, não prosperam os embargos. 2. A declaração do tributo devido pela embargante, ainda que não tenha sido efetivada expressamente, ocorrera no momento da realização da denúncia espontânea acompanhada do pedido de parcelamento. 3. Embargos de declaração rejeitados. RESP 247562 SP 2000/00106135 DECISÃO:02/05/2000 DJ DATA:29/05/2000 PG:00126 Ementa: Tributário crédito constituição lançamento notificação declaração exigibilidade multa correção monetária A constituição definitiva do crédito tributário ocorre com o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo. Em se tratando de débito declarado pelo próprio contribuinte e não pago, não tem lugar a homologação formal, sendo o mesmo exigível independentemente de notificação prévia ou instauração de procedimento administrativo. É devida a correção monetária sobre as multas que são aplicadas sobre o montante devido. Recurso improvido. EDcl no AgRg nos EREsp 491354 PR 2004/00430773 DECISÃO:14/02/2007 DJ DATA:05/03/2007 PG:00253 Ementa: Tributário PIS tributo sujeito a lançamento por homologação declaração do débito com pagamento integral em atraso – denúncia espontânea nãoconfigurada impossibilidade de exclusão da multa moratória. 1. Os embargos de declaração são cabíveis para a modificação do julgado que se apresenta omisso, contraditório ou obscuro. 2. Acórdão embargado omisso em relação à possibilidade ou não de exclusão da multa moratória, em tributos declarados e pagos em única parcela, com atraso. 3. Entendimento da Primeira Seção de que não configura denúncia espontânea a hipótese de declaração e recolhimento do débito, em atraso, pelo contribuinte, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação. Por conseguinte, não há a exclusão da multa moratória. Embargos de declaração acolhidos, apenas para reconhecer a omissão, sem efeitos infringentes. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 19647.003477/200754 Acórdão n.º 3201000.654 S3C2T1 Fl. 161 9 EAg 621481 SC 2005/01123049 DECISÃO:13/09/2006 DJ DATA:18/12/2006 PG:00291 Ementa: Processual civil. Embargos de declaração. Ausência de vícios no acórdão. rejulgamento da demanda. Impossibilidade. 1. Os embargos de declaração são cabíveis somente nas hipóteses do art. 535, I e II, c/c a parte final do art. 536 do CPC, id est, quando “houver, na sentença ou no acórdão, obscuridade, dúvida ou contradição”. No acórdão embargado não se encontram nenhum dos vícios registrados, visto que seus fundamentos são claros e nítidos. A matéria tratada nos autos encontrase devidamente motivada, sem que exista erro material ou julgamento de questão distinta da situação posta nos autos. 2. O fato de se ter rejeitado aclaratórios anteriores com fundamentos diversos dos pleiteados pela parte não induz a existência de omissão e/ou obscuridade, por ter sido examinada em sua amplitude a matéria que serviu de base à oposição do recurso, com a análise das questões suscitadas. 3. Pretensão de que a matéria seja reexaminada. Procedimento inadmissível nas vias estreitas dos aclaratórios. 4. Embargos rejeitados. AgRg nos EREsp 710558 MG 2006/01512560 DECISÃO:08/11/2006 DJ DATA:27/11/2006 PG:00238 Ementa: Tributário – embargos de divergência – agravo regimental – prequestionamento: conceito e configuração – denúncia espontânea – art. 138 do CTN – tributo sujeito a lançamento por homologação recolhido com atraso – denúncia espontânea – não caracterização. 1. Configurase o prequestionamento quando a causa tenha sido decidida à luz da legislação federal indicada, com emissão de juízo de valor acerca dos respectivos dispositivos legais, interpretandose sua aplicação ou não ao caso concreto, não bastando a simples menção a tais dispositivos. 2. Pacificouse na Primeira Seção desta Corte o entendimento de que em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, declarado pelo contribuinte e recolhido com atraso, descabe o benefício da denúncia espontânea. 3. Agravo regimental improvido. AgRg nos EREsp 464645 PR 2004/01021091 DECISÃO:22/09/2004 DJ DATA:11/10/2004 PG:00220 Ementa: Tributário e processual civil. Denúncia espontânea. Tributo sujeito a lançamento por homologação. Parcelamento do débito. Embargos de divergência. Dissenso jurisprudencial superado. Súmula 168/STJ. Incidência. 1. Firmouse na Primeira Seção o entendimento de que o benefício previsto no art. 138 do CTN não se aplica aos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, declarados e pagos a destempo pelo contribuinte, ainda que de forma à vista ou parcelada. Incidência, na hipótese, da Súmula 168/STJ. 2. Agravo regimental a que se nega provimento.” Fl. 9DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Logo, não merece reparo a decisão a quo. Isso posto, nego provimento ao recurso voluntário, por entender não caber no caso em tela, a aplicação do disposto no art. 138 do CTN. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes Declaração de voto O Regimento Interno desta Corte determina que os Conselheiros votem em conformidade com as decisões proferidas pelo STJ quando objeto do rito dos recursos repetitivos, forte no art. 62A. No presente caso, entendo que deva ser aplicada, a contrario sensu, a decisão proferida no REsp n.º 962.379/RS, que assim determina: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Esta decisão está de acordo com a Súmula daquela Corte: Súmula 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 19647.003477/200754 Acórdão n.º 3201000.654 S3C2T1 Fl. 162 11 Isto porque, se não foi objeto de informação pelo contribuinte o tributo pago em atraso, é sim cabível a aplicação do art. 138 do CTN. É por este motivo que votei pelo provimento do recurso voluntário. Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 11DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10855.901797/2008-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Anocalendário:
2001
Ementa:
COMPENSAÇÃO – ÔNUS DA PROVA – LUCRO PRESUMIDO DO 4º TRIMESTRE DE 2001 – COEFICIENTE DE 8% OU DE 32%
Se a pretensão é da contribuinte, dela é o onus probandi, de modo que, se ela
se insurge contra despacho decisório sobre sua pretensão, a demonstração e
comprovação de seu direito deve ser exercida em seu momento próprio.
Sem embargo da questão da produção probatória no momento próprio, competia à contribuinte, no mínimo, anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil do Livro Diário e indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os lançamentos referentes a compras (custos). Isso, para comprovar que a receita bruta do trimestre era somente de atividade de construção civil com emprego de materiais, para aplicação do coeficiente de 8%. O princípio da verdade material ou do formalismo moderado não é absoluto, a permitir a substituição do ônus “primário” das partes, e divorciado da finalidade de eficiência e de não eternização do processo.
Numero da decisão: 1103-000.458
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: COMPENSAÇÃO – ÔNUS DA PROVA – LUCRO PRESUMIDO DO 4º TRIMESTRE DE 2001 – COEFICIENTE DE 8% OU DE 32% Se a pretensão é da contribuinte, dela é o onus probandi, de modo que, se ela se insurge contra despacho decisório sobre sua pretensão, a demonstração e comprovação de seu direito deve ser exercida em seu momento próprio. Sem embargo da questão da produção probatória no momento próprio, competia à contribuinte, no mínimo, anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil do Livro Diário e indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os lançamentos referentes a compras (custos). Isso, para comprovar que a receita bruta do trimestre era somente de atividade de construção civil com emprego de materiais, para aplicação do coeficiente de 8%. O princípio da verdade material ou do formalismo moderado não é absoluto, a permitir a substituição do ônus “primário” das partes, e divorciado da finalidade de eficiência e de não eternização do processo.
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Sem embargo da questão da produção probatória no momento próprio, competia à contribuinte, no mínimo, anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil do Livro Diário e indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os lançamentos referentes a compras (custos). Isso, para comprovar que a receita bruta do trimestre era somente de atividade de construção civil com emprego de materiais, para aplicação do coeficiente de 8%. O princípio da verdade material ou do formalismo moderado não é absoluto, a permitir a substituição do ônus “primário” das partes, e divorciado da finalidade de eficiência e de não eternização do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente Fl. 470DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901797/200822 Acórdão n.º 110300.458 S1C1T3 Fl. 471 2 (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata (Relator), José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva. Fl. 471DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901797/200822 Acórdão n.º 110300.458 S1C1T3 Fl. 472 3 Relatório DO DESPACHO DECISÓRIO Em 18/07/2008, por intermédio do Despacho Decisório (fl. 3), não foi reconhecido nenhum direito creditório a favor da recorrente e, por conseguinte, não foi homologada a compensação declarada na PER/DCOMP (fls. 1 e 2), por meio da qual a recorrente pretendia compensar débito de Cofins (código de receita: 2172) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O motivo da não homologação se fundou na constatação de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Irresignada, em 22/08/2008, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 6 a 9), na qual alegou, em síntese, que: a) A sociedade em questão tem como atividade principal a exploração da construção civil, destacandose a prestação de diversos serviços; b) Em 23/01/2003, a recorrente formulou consulta fiscal, processo administrativo nº 10855.000267/20031 (fls. 18 a 21), requerendo solução acerca do percentual aplicável sobre a receita bruta da pessoa jurídica prestadora de serviços na área da construção civil, quando houver emprego de materiais, para fins de apuração do lucro presumido e obteve como resposta o percentual de 8%; c) Constatou que sempre apurou o lucro presumido pelo percentual de 32% sobre a receita bruta, mesmo empregando materiais nas obras, e, consequentemente, sempre recolheu IRPJ a maior, pelo quádruplo do valor devido; d) Procedeu à compensação do tributo pago a maior com tributos e contribuições arrecadados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB); e) Deixou de retificar o valor do débito de IRPJ declarado na DCTF e na DIPJ de modo que o sistema não constatou o pagamento a maior do imposto; f) Embora não tenha havido a retificação da DCTF e da DIPJ para permitir que o sistema constatasse automaticamente o pagamento a maior do IRPJ e o seu decorrente crédito, os documentos anexos comprovam claramente a sua existência, bem como a veracidade das informações prestadas; g) A não retificação do débito de IRPJ na DCTF e na DIPJ não decorreu de dolo da recorrente e sim do entendimento equivocado de que as informações prestadas na Declaração de Compensação supririam a sua necessidade. h) Requereu o apensamento deste processo ao processo de nº 10855.900739/200881 e que seja dado provimento à manifestação de inconformidade para Fl. 472DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901797/200822 Acórdão n.º 110300.458 S1C1T3 Fl. 473 4 homologar a compensação. Anexou aos autos notas fiscais emitidas no mês de novembro do anocalendário de 2001, os contratos com a SABESP e a notas fiscais dos materiais empregados nas obras. DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 26/01/2010, acordaram os julgadores da 5ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, pelos motivos abaixo sintetizados: a) Ao analisar o contrato social da recorrente, constatouse que a empresa exerce diversas modalidades de prestação de serviços. Por conseguinte, os contratos por ela firmados podem abrigar uma ou mais de uma atividade, o que torna imprescindível a apresentação de toda a documentação fiscal cabível para a apuração da base de cálculo do IRPJ do 4º trimestre de 2001, para demonstrar o montante do tributo devido; b) A recorrente apresentou notas fiscais, porém o direito à repetição do indébito não diz respeito a cada nota fiscal, vez que a recorrente pleiteia como indébito o IRPJ pago com base na apuração do lucro presumido do 4º trimestre de 2001, que incide sobre uma base de cálculo, e não incide em relação a cada nota fiscal em particular; c) Portanto, a recorrente deveria ter trazido aos autos demonstrativo da apuração do lucro presumido do 4º trimestre de 2001, com a aplicação, no caso de atividades diversificadas, do percentual correspondente a cada atividade, a fim de se determinar a base de cálculo e o imposto de renda devido e, em consequência, cotejar o IRPJ pago com aquele efetivamente devido; d) Ainda, a recorrente deveria ter apresentado provas que permitissem albergar a tese de pagamento indevido ou a maior, isto porque há na DCTF declaração de existência de débito de IRPJ, não sendo suficiente para desnaturála a simples alegação em contrário; e) O indébito, portanto, não contém os atributos necessários de liquidez e certeza e não cabe o apensamento ao processo administrativo de nº 10855.900739/200881 por referiremse a períodos de apuração distintos. Cientificada da decisão em 22/02/2010, interpôs a recorrente recurso voluntário de fls. 252 a 256 em 12/03/2010, reiterando, basicamente, as alegações feitas na manifestação de inconformidade, e juntou aos autos cópias do Livro Diário correspondente ao 4º trimestre do anocalendário de 2001, das notas fiscais emitidas nesse trimestre, dos contratos com a SABESP e das notas fiscais dos materiais empregados nas obras. É o relatório. Fl. 473DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901797/200822 Acórdão n.º 110300.458 S1C1T3 Fl. 474 5 Voto Conselheiro Marcos Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. A não homologação da DCOMP se deu por despacho decisório “eletrônico” com fundamento na existência de pagamento localizado para solução de débito do mesmo código (2089 – lucro presumido) e mesmo período de apuração (4º trimestre de 2001), não restando crédito disponível para compensação (fl. 3). Não obstante, vejo que a própria DCOMP estampa erros de preenchimento, pois é indicado, na ficha DARF IRPJ, como data do período de apuração 30/11/2001 ao invés de 31/12/2001 (fl. 2 – frente e fl. 27), e a falta de indicação de outra DCOMP, pois sendo informado como valor original do crédito inicial R$ 4.011,09 e crédito original na data da transmissão o valor de R$ 2.846,88 (fls. 1 e 26), é evidente que o pretenso crédito já havia sido utilizado parcialmente em outra DCOMP. A recorrente alega erro no preenchimento da DCTF e da DIPJ, que não forma retificadas. O erro defluiria do pagamento de IRPJ sob o regime do lucro presumido, pela aplicação da alíquota de 32% sobre a receita bruta para a determinação daquela, quando o correto seria a aplicação da alíquota de 8% sobre a receita bruta. A controvérsia acerca do direito creditório postulado pela recorrente de IRPJ pago a maior gravita em torno da aplicação da alíquota de 8% sobre a receita bruta do 4º trimestre do anocalendário de 2001 na determinação do lucro presumido, ao invés da alíquota de 32% sobre tal receita bruta – o que teria gerado o direito creditório da recorrente. Invoca a recorrente a Solução de Consulta a ela conferida pela SRRF da 8ª Região Fiscal, de março de 2005, no processo administrativo 10855.000267/200351. Nela se reconheceu a aplicação da alíquota de 8% na apuração do lucro presumido, na atividade de construção por empreitada, quando houver emprego de materiais em qualquer quantidade, e a alíquota de 32% na apuração do lucro presumido, quando houver unicamente emprego de mão deobra. Segundo o contrato social da recorrente, seu objeto social inclui atividades diversificadas na área da construção civil. Com a manifestação de inconformidade, a recorrente carreou aos autos cópia de contratos firmados com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP, de suspensão e de rescisão de um dos contratos celebrados com essa, cópias de notas fiscais emitidas pela recorrente para aquela em novembro de 2001, e cópias de notas fiscais de compra de matérias de construção civil. Documentação que fora acostada aos autos com a peça inaugural, para comprovar que as receitas auferidas pela recorrente no 4º trimestre do ano calendário de 2001 foram somente de construção civil com emprego de materiais. Fl. 474DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901797/200822 Acórdão n.º 110300.458 S1C1T3 Fl. 475 6 Na peça recursiva, a recorrente juntou aos autos cópia do Livro Diário correspondente ao 4º trimestre do anocalendário de 2001, cópia de mais contratos firmados com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP, e cópia alegadamente de todas as notas fiscais emitidas nesse trimestre e de todas as notas fiscais dos materiais empregados nas obras. Posto isso, é curial registrar que se a pretensão em jogo é da recorrente, desta é o onus probandi. E, assim, se ela se insurge contra despacho decisório que infirma total ou parcialmente sua pretensão, a demonstração e comprovação de seu direito deve ser exercida em seu momento próprio. Sendo a pretensão deduzida a da recorrente, a produção de provas devese limitar, em princípio, ao momento da manifestação de inconformidade. Reputo ser aceitável a apresentação de provas na fase recursiva, quando se tratar de comprovantes de rendimentos e de retenções de tributos, ou no caso de provas complementares às já apresentadas anteriormente. Diverso do que sucede (produção de provas) quando a pretensão em causa é do fisco. Em sede de processo de compensação, em que o onus probandi compete à recorrente, que postula o direito em causa, entendo não ser cabível convolar este juízo em fase de procedimento de auditoria, com a determinação de diligências para substituir papel “primário” que caberia ter sido levado a termo pela contraparte, à qual instaria provar ou demonstrar. Da mesma forma, se a pretensão for do fisco, minha intelecção é a de que não cabe transformar o órgão julgador ad quem em órgão de auditoria, com a determinação de diligências para substituir papel ou ônus “primário” (que compõe o que a doutrina italiana chama de instrução primária, a qual orienta a relação jurídicoformal do lançamento, em contraposição à instrução secundária, que se desenvolve na relação jurídicoformal processual) do fisco. A carência de certeza do crédito, nesse caso, implica nulidade (total ou parcial) do lançamento, a meu ver. O princípio da verdade material ou do formalismo moderado não é absoluto, a permitir a substituição do ônus “primário” das partes, e divorciado da finalidade de eficiência e de não eternização do processo. Compulsando os autos, vejo que há cópias: a) de notas fiscais emitidas pela recorrente; b) de notas fiscais de compra de materiais para construção civil; c) de contratos com a SABESP para execução de rede de distribuição de água, de rede coletora de esgotos, de ligações prediais de água e de esgotos, de corte e restabelecimento de fornecimento de água e supressões de fornecimento de água, de ligações domiciliares de água avulsas, de remanejamento de rede de distribuição de água, de melhorias Fl. 475DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901797/200822 Acórdão n.º 110300.458 S1C1T3 Fl. 476 7 nas ligações domiciliares de água, de construção de casa de bombas, de ampliação da estação de tratamento de esgotos; d) do Livro Diário do 4º trimestre de 2001, do plano de contas, do balanço e da demonstração de resultado. As cópias do Livro Diário do 4º trimestre de 2001, do plano de contas contábil, do balanço, da demonstração de resultado, das notas fiscais emitidas em outubro e dezembro de 2001, de parte das notas fiscais de compra, e de alguns dos contratos já mencionados somente foram trazidas aos autos com a peça recursiva. A documentação contábil, conectada às notas fiscais que dão lastro aos lançamentos contábeis, é fundamental para aferir se a recorrente não auferira receitas no trimestre em questão por atividade de construção civil sem emprego de materiais. Importa registrar, nesse passo, que a recorrente se limitou a juntar cópia do Livro Diário do trimestre em discussão, sem anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil, e sem indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os registros de compras. Além disso, não juntou cópia das contas do Razão sensibilizadas com o reconhecimento das receitas e das compras: não há anotação da somatória dos lançamentos a crédito em conta de receita da atividade do Diário que teriam sido com emprego de materiais em “batimento” com a receita da atividade da demonstração do resultado do trimestre. Também, a recorrente não elaborou planilha demonstrativa de tais receitas indicando a “fonte” contábil, e demonstrativa das compras (custos) indicando a “fonte contábil”, com um mínimo de conexão entre elas as receitas que supostamente seriam com emprego de matérias e as compras (custos). Ademais disso, a cópia do Diário só foi juntada aos autos no momento processual recursivo (além, é claro, da cópia de notas fiscais emitidas em outubro e dezembro, de parte das notas fiscais de compra e da demonstração de resultado que parece ser do exercício, e não do 4º trimestre). Nesse passo, retomo o que deduzi acima, sobre o onus probandi, sobre o momento processual para produção de provas no caso de pretensão do contribuinte, sobre o princípio da verdade material não ser absoluto. Também, como disse alhures, não cabe transformar este juízo em fase de procedimento de auditoria. Sem embargo da questão da produção probatória no momento próprio, competia à recorrente, no mínimo, anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil do Livro Diário e indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os lançamentos referentes a compras (custos). Não percebeu a recorrente que, sendo sua a pretensão, seu é o onus probandi, competindo a quem tem esse ônus a discriminação acima referida, para a comprovação de sua pretensão, e não simplesmente “lançar” nos autos lotes de notas fiscais, o Livro Diário Fl. 476DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901797/200822 Acórdão n.º 110300.458 S1C1T3 Fl. 477 8 correspondente ao 4º trimestre de 2001, balanço e demonstração de resultado do anocalendário de 2001. De outra parte, a determinação de diligência se presta para esclarecer produção probatória adequada feita por quem tem seu ônus, se o quanto consta nos autos reclama essa constatação (esclarecimentos); ou, eventualmente, a diligência se orienta a complementar produção probatória não imputável à parte que tenha o ônus da prova (por ex., o contribuinte carreia aos autos documento que comprova o pedido, à fonte pagadora, de entrega do informe de rendimentos, mas não o recebe). Ainda assim, apreciando os autos, encontro: o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 180, no valor de R$ 14.715,40 (fl. 279 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 181, no valor de R$ 82.622,02 (fl. 281 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 182 no valor de R$ 2.023,72 (fl. 282 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 183, no valor de R$ 2.344,97 (fl. 283 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 184, no valor de R$ 25.783,78 (fl. 285 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 186, no valor de R$ 14.286,80 (fl. 286 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 187, no valor de R$ 8.516,06 (fl. 289 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de Fl. 477DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901797/200822 Acórdão n.º 110300.458 S1C1T3 Fl. 478 9 resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 478,05 (fl. 289 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 96.745,77 (fl. 289 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 1.930,00 (fl. 292 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 3.069,68 (fl. 294 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 188,18 (fl. 295 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 1.145,57 (fl. 295 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 1.220,90 (fl. 295 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 1.946,58 (fl. 298 do processo) – em que pese a nota fiscal correspondente ser de 3 de dezembro de nº 195 (fl. 274) e o lançamento contábil ser também de 3 de dezembro; o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 60.022,87 (fl. 299 do processo) – em que pese a nota fiscal correspondente ser de 5 de dezembro de nº 196 (fl. 275) e o lançamento contábil ser também de 5 de dezembro; o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ Fl. 478DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901797/200822 Acórdão n.º 110300.458 S1C1T3 Fl. 479 10 16.232,40 (fl. 300 do processo) – em que pese a nota fiscal correspondente ser de 10 de dezembro de nº 197 (fl. 276) e o lançamento contábil ser também de 10 de dezembro; o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 26.056,91 (fl. 301 do processo) – em que pese a nota fiscal correspondente ser de 14 de dezembro de nº 198 (fl. 277) e o lançamento contábil ser também de 14 de dezembro; o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 4.525,99 (fls. 301 e 302 do processo) – em que pese a nota fiscal correspondente ser de 17 de dezembro de nº 198 (fl. 278) e o lançamento contábil ser também de 17 de dezembro. Mas isso é insuficiente para comprovar a alegação da recorrente, ademais do que tal documentação contábil foi carreada aos autos somente no recurso. Diante de tudo quanto deduzi, padece de falta de certeza o crédito postulado pela recorrente, conforme o art. 170 do CTN. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 25 de maio de 2011 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 479DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10950.001521/2008-64
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2002 a 31/10/2007
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N 2.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.417
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao Art. 35, caput da Lei 8.212/91, com prevalência da mais benéfica ao
contribuinte. Vencido na questão da multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Cid Marconi Gurgel de Souza
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AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao Art. 35, caput da Lei 8.212/91, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido na questão da multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Eivanice Canário da Silva (suplente). Ausentes os conselheiros: Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 10950.001521/200864 Acórdão n.º 2403000.417 S2C4T3 Fl. 236 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.185 a 194 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre/RS (fls.176 a 179) que julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE o lançamento constante na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n° 37.105.6780, no valor originário de R$ 94.288,43 (noventa e quatro mil, duzentos e oitenta e oito reais e quarenta e três centavos), sendo tal numerário reduzido para R$ 57.380,28 (cinquenta e sete mil, trezentos e oitenta reais e vinte e oito centavos), após essa decisão de 1 instância. Segundo o relatório fiscal às fls.70 a 74, a cobrança referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes a parte da empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – SAT/RAT incidentes sobre a remuneração de segurados, bem como à devida a terceiros, que não foram recolhidas em época própria e são relativas às competências 04/2002 a 10/2007 (04/2002 a 01/2003; 04/2003 a 01/2004 e 07/2007 a 10/2007). Desta autuação, a recorrente apresentou impugnação às fls. 107 a 123 alegando em síntese: Preliminarmente: Que a prescrição/decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário é de apenas 5 (cinco) anos, e que o art.45 e 46 da Lei n 8.212/91 são inconstitucionais; No Mérito: Ser inconstitucional a norma que determina a incidência de contribuição social sobre as remunerações pagas aos segurados empregados; Por fim, requereu o recebimento da peça de impugnação para que fosse instaurada a fase litigiosa administrativa e, ao final o julgamento pela improcedência dos lançamentos. Protestou ainda provar o alegado por todos os meios de prova, inclusive prova pericialcontábil. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 7° Turma da DRJ/Porto Alegre/RS proferiu acórdão (n°1016.973) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 31/10/2007 Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n.°DEBCAD 37.105.6780. 1. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS.SÚMULA VINCULANTE N° 8 DO STF. As contribuições previdenciárias e as contribuições destinadas aos terceiros estão sujeitas aos prazos decadenciais estabelecidos no Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 4 Código Tributário Nacional. 2. CONSTITUCIONALIDADE. A constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública. 3. PRODUÇÃO DE PROVAS. É de nenhum efeito o protesto genericamente formulado no tocante à produção de provas. Lançamento Procedente em Parte. Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls.185 a 194, argumentando tão somente a inconstitucionalidade da norma que determina a incidência de contribuição social sobre as remunerações pagas aos segurados empregados; tendo em vista que, em sede de preliminar, a 1 instância reconheceu a decadência das competências anteriores a 03/2003 com base no art.150, parágrafo 4°, do Código Tributário Nacional. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 10950.001521/200864 Acórdão n.º 2403000.417 S2C4T3 Fl. 237 5 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DO MÉRITO: I – DA IMPOSSIBILIDADE DO CARF MANIFESTARSE ACERCA DE (IN)CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS: Considerando que o único argumento trazido à baila pela recorrente foi a suposta inconstitucionalidade da norma que determina a incidência de contribuição social sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, instituída pela Lei n° 9.876/99, devese destacar que todas as normas infraconstitucionais, quando vigentes no ordenamento jurídico, são para ser cumpridas, não podendo, em nenhuma hipótese a autoridade administrativa exercer juízo de valor e afastar a aplicação da norma, tendo em vista sua atividade como agente público ser vinculada à lei. Desse modo, é a atividade do agente público um poderdever, não podendo haver discricionariedade para a aplicação da lei, o que só é admitido quando a própria norma autoriza. Assim, estando a legislação vigente, deparandose o agente administrativo com uma situação que lhe exija a aplicação de norma infraconstitucional, esta será aplicada em todos os termos, sendo vedada a conduta de afastar a incidência dessa norma, sob pena de violação ao Princípio da Legalidade. Ademais, a Portaria RFB n° 10.875, de 16 de agosto de 2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições sociais de que tratam os arts. 2° e 3° da Lei n° 11.457/2007, veda, em seu art.18, que o Contencioso Administrativo Federal afaste aplicação de lei por inconstitucionalidade ou ilegalidade: Art. I8 É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional, lei, decreto ou ato normativo em vigor, ressalvados os casos em que: 1 tenha sido declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal (STF); em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução do Senado Federal que suspender a sua execução; II haja decisão judicial, proferida em caso concreto, afastando a aplicação da norma, por ilegalidade ou inconstitucionalidade, cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República ou, nos termos do art. 4 2 do Decreto n2 2.346, de 10 de outubro de 1997, pelo Secretário da Receita Federal do Brasil ou pelo ProcuradorGeral da Fazenda NacionaL. Além disso, vale destacar que a Portaria n 256 do Ministério da Fazenda, que aprovou o Regimento Interno do CARF, em seu artigo 62, veda aos julgadores do Contencioso Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 6 Administrativo Federal afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal acima citado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Para haver harmonia nos julgamentos, conforme artigo 72 do Regimento Interno, o CARF emitirá súmulas para decisões reiteradas e uniformes, de observância obrigatória pelos membros do CARF. Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Nesse sentido, o CARF sumulou a matéria em comento, Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; Dessa forma, não há como se acolher a pretensão do contribuinte em relação à possibilidade da autoridade julgadora afastar norma infraconstitucional, sob o argumento da Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 10950.001521/200864 Acórdão n.º 2403000.417 S2C4T3 Fl. 238 7 norma aplicável à multa ter supostamente caráter confiscatório, pois analisar essa natureza da multa seria função do judiciário, que goza da liberdade para decidir, desde que haja motivação em suas decisões. II – DA APLICAÇÃO DE MULTA MORATÓRIA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC: Considerando, portanto, o prosseguimento da cobrança da NFLD em tela, há que se destacar que esses débitos serão recolhidos com a incidência de multa e juros na forma da legislação, Lei n 8.212/91: Lei N 8.212/91 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Sobre a aplicação deste dispositivo, o qual prevê multa de 0,33% ao dia e limitada a 20%, vale destacar que a redação acima foi dada por Lei diversa daquela vigente à época do fato gerador, motivo pelo qual será aplicada em conformidade com o art.106, II, do Código Tributário Nacional. Ademais, com relação à incidência da taxa SELIC sobre os débitos federais, inclusive contribuições sociais, registrese que a legislação de regência à época do fato gerador, a Lei nº 8.212/91, afastava literalmente os argumentos erguidos pela recorrente, in verbis:: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Entretanto, a Lei n 11.941/2009 revogou o dispositivo acima e deu nova redação ao art.35 da Lei n 8.212/91, determinando que os débitos tributários a nível federal, teriam suas cobranças acrescidas de multa e juros na forma do art.61 da Lei n 9.430/96. Então vejamos: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 8 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). LEI N 9.430/96 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seupagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Art. 5º(...) (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A propósito, convém ainda mencionar que o CARF aprovou Súmula nº 04, nos seguintes termos: Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 10950.001521/200864 Acórdão n.º 2403000.417 S2C4T3 Fl. 239 9 Portanto, a aplicação da taxa SELIC sobre os débitos tributários federais é devida e tem amparo legal com fulcro no artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/91. III – DA APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA AO ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO: Tratandose de ato pendente de julgamento, há que se observar alguns preceitos legais do Código Tributário Nacional no que se refere à possibilidade de uma lei retroagir e alcançar fatos pretéritos, os quais ocorreram sob a égide de outra legislação. No caso em tela, verificase que tanto a aplicação de multa como a incidência de taxa SELIC sobre os débitos tributários federais encontra amparo atualmente no art.35, caput, da Lei n 8.212/91, dispositivo este alterado pela Lei n 11.941/2009. Deste modo, caso seja mais benéfico ao sujeito passivo, a Lei n 11.941/2009 deverá retroagir em respeito ao art.106 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO de modo que a cobrança da NFLD nº 37.105.6780 seja mantida, devendose proceder ao recálculo da multa de mora previsto no art.35 da Lei n 8.212/91 com base na redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a legislação mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI
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Numero do processo: 37324.012816/2006-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA.
A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das
nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa.
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 2302-000.851
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Thiago D’ Ávila Melo Fernandes,Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 37324.012816/200637 Acórdão n.º 230200.851 S2C3T2 Fl. 68 3 Relatório Trata a notificação, lavrada em 31/03/2006, de contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor da mão de obra empregada em obra de construção civil de propriedade do sujeito passivo acima identificado. Após a apresentação da defesa, os autos baixaram em diligência, fl. 26, com resposta às fls. 27/29 e posteriormente, baixaram novamente, com resultado à fl. 31. Em sequência, DecisãoNotificação de fls. 44/60, julgou o lançamento procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde argúi em síntese: a) que há erro quanto ao padrão da obra; b) que não é pessoa jurídica c) que não há critérios claros de como foi efetuado o cálculo; d) que o valor é exorbitante; e) que não são devidos juros e multa, pois não houve mora; f) que não recebeu DISO e ARO; g) que não entende o significado dos documentos h) que a obra não é de luxo e não foi notificada a pessoa certa i) que a obra deve ser inspecionada para se cobrar um valor justo; j) que procedeu ao depósito recursal. A decisão foi reformada para retirar a exigência do depósito recursal e proceder a devolução do valor recolhido, visto se tratar de pessoa física. Reaberto o prazo recursal, não foi apresentada nova peça. É o relatório Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar Analisando os autos verifiquei que não há provas de que a notificada tenha sido cientificada do resultado das diligências de fls. 27/29 e 31, que rebateram as argumentações da contribuinte. A DecisãoNotificação pugnou pela procedência do lançamento, sem a possibilidade do contraditório em relação à diligência fiscal. Mesmo que posteriormente reformada, a decisão foi emitida sem que a notificada tivesse ciência da realização da diligência e de seu resultado. A impossibilidade de conhecimento dos fatos elencados pelo Auditor Fiscal ocasionou a supressão de instância. O recorrente possui o direito de apresentar suas contra razões aos fatos apontados pela fiscalização ainda na primeira instância administrativa. Da forma como foi realizado o procedimento, o direito do contribuinte ao contraditório foi conferido somente em grau de recurso. Há vários precedentes deste órgão colegiado neste sentido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 10515982 (relator Conselheiro Daniel Sahagoff; data da sessão 20/09/2006), verbis: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CONTRIBUINTE NÃO TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídicoprocedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação do processo, por cerceamento ao seu direito de defesa. Necessidade de retorno dos autos à instância originária para que se dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência, concedendolhe o prazo regulamentar para, se assim o desejar, apresentar manifestação. Recurso provido. E a ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. De fato, este entendimento também foi plasmado no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 37324.012816/200637 Acórdão n.º 230200.851 S2C3T2 Fl. 69 5 Feitas estas considerações, entendo que a decisão recorrida deve ser anulada, uma vez que prolatada sem que o contribuinte tivesse a oportunidade de se manifestar, regularmente, em relação à informação fiscal carreada aos autos pelo fisco. Pelo princípio constitucional do contraditório, é facultado à parte manifestar sua posição sobre fatos trazidos ao processo pela outra parte vez que tomando conhecimento dos atos processuais, pode, se desejar, reagir contra os mesmos. Inseremse no princípio do contraditório a chamada regra da informação geral e também a regra da ouvida dos sujeitos ou audiência das partes. O princípio do contraditório é de índole constitucional, devendo ser observado inclusive em processos administrativos, consoante art. 5°, LV, da Constituição Federal vigente. Art. 5°, LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Foi contemplado também no art. 2º, caput e parágrafo único, inciso X, da Lei nº 9.784/99, abaixo transcrito: Lei n° 9.784/99, art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (grifo nosso) Nesse sentido, entendo que a decisão proferida é nula, por cerceamento ao direito de defesa, com fulcro no art. 31, II, da Portaria MPS n° 520/2004, abaixo transcrito. Art. 31. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por todo o exposto, voto pela anulação da decisão de primeira instância. devendo ser conferida ciência ao recorrente do resultado das diligências fiscais de fls. 27/29 e 31, abrindolhe prazo para manifestação. Liege Lacroix Thomasi Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.011420/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO
ART. 543C DO CPC.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
Preliminar de decadência acolhida
Numero da decisão: 2101-001.187
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. Preliminar de decadência acolhida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Raimundo Tosta Santos, Goncalo Bonet Allage, Jose Evande Carvalho Araujo, Celia Maria de Souza Murphy e Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 64DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0626.841 (fl. 39), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente o Auto de Infração às fls. 03/11, cancelando R$ 1.058,36 de imposto suplementar e consectários legais. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Por meio do Auto de Infração de fls. 03 a 11, exigemse da contribuinte os montantes de R$ 16.784,32 de imposto suplementar, R$ 12.588,24 de multa de oficio de 75% e encargos legais, relativos ao exercício 2002, anocalendário 2001. A autuação, originada da revisão da declaração de ajuste anual (fls. 33 e 34), constatou as seguintes infrações por falta de atendimento à intimação recebida em 20/12/2006: omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica ou física, R$ 61.527,00 omissão de rendimentos de aluguel, R$ 2.321,60 dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, R$ 3.457,95 Cientificada, em 28/08/2007 (fl. 36), a contribuinte apresentou, em 20/09/2007, a impugnação de fls. 01 e 02, acatada como tempestiva pelo órgão de origem (fl. 36), alegando que os valores da declaração, assim compostos, estão corretos: Rendimentos Poupança (fl. 18) R$ 1.527,00 Doação de Belba Castelo Branco (fls. 19 a 27) R$ 60.000,00 Rendimentos Isentos R$ 61.527,00 Aluguéis (fls. 12 a 17) R$ 23.216,00 Taxa de administração (fl. 12) R$ (2.321,60) Rendimentos tributáveis R$ 20.894,40 Argumenta que o valor doado por sua mãe, Belba Castelo Branco, CPF 768.584.56953, foi devidamente declarado pela doadora e pela donatária, bem assim, os rendimentos de aluguéis, subtraídas as comissões pagas à Imobiliária M. de Mari Ltda., e consignado o respectivo IRRF. Acrescenta que em nenhum momento recebeu a intimação para esclarecimentos mencionada no Auto de Infração e requer o cancelamento da exigência nele consignada. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau resumiu o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Exercício: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. DOAÇÃO RECEBIDA. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. Fl. 65DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.011420/200763 Acórdão n.º 2101001.187 S2C1T1 Fl. 60 3 A simples informação da doação nas declarações de ajuste anual do doador e do donatário não faz prova suficiente da natureza isenta dos rendimentos declarados. RENDIMENTOS DE ALUGUEIS. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Excluise de tributação o montante despendido a titulo de taxa de administração, paga A. administradora do imóvel gerador do rendimento de aluguel. RENDIMENTOS DE POUPANÇA. ISENÇÃO. Excluise de tributação a parcela de natureza isenta correspondente a rendimentos de aplicação em poupança. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DOCUMENTO INÁBIL. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. 0 comprovante emitido pela administradora do imóvel não se constitui em documento hábil à comprovação do IRRF que deve constar em informe anual de rendimentos fornecido pela fonte pagadora dos aluguéis. Impugnação Procedente em Parte Em seu apelo ao CARF, às fls. 49/56, a recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o órgão julgador a quo, e acresce pedido pela decadência do direito de agir da Receita Federal do Brasil, uma vez que o lançamento relativo ao anocalendário de 2001 somente foi efetuado 09/2007. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Sobre a decadência, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já havia sedimentado o entendimento de que a natureza do lançamento é determinada pela legislação do tributo, que impõe ao sujeito passivo a obrigação de ocorrido o fato gerador, identificar a matéria tributável, apurar o imposto devido e efetuar o pagamento sem prévio exame da autoridade. As sucessivas alterações legislativas do imposto de renda, ao atribuir à pessoa física a incumbência de apurar e pagar o imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa, classifica este tributo na modalidade de lançamento por homologação, na forma do artigo 150 do CTN. A entrega da declaração de rendimentos converteuse em mero cumprimento de obrigação acessória – repasse ao órgão administrativo de informações para fins de controle do adequado cumprimento da legislação tributária, com ou sem obrigação principal a ser adimplida (Acórdão CSRF/0104.493 de 14/04/2003 – DOU de 12/08/2003). Fl. 66DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Com efeito, a atividade não pode ser apenas a existência do pagamento. Na hipótese de não haver pagamento, pode, perfeitamente, incidir a hipótese típica do lançamento por homologação, posto que o sujeito passivo pode ter cumprido o dever legal e dele ter concluído que não há o que pagar. No caso em exame temos uma situação que muito bem exemplifica esta hipótese, já que a contribuinte informou em sua Declaração de Ajuste Anual doação recebida de sua mãe, no valor de R$60.000,00 (fls. 21 e 30) e rendimento de poupança R$1.527,00 (fl. 18), que foram reclassificados para rendimentos tributáveis decorrentes de emprego com vínculo empregatício (fl. 06). Entretanto, o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, estabeleceu que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4º, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Confirase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, cuja interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 67DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.011420/200763 Acórdão n.º 2101001.187 S2C1T1 Fl. 61 5 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Neste passo, os documentos às fls. 12/17 informam retenção de imposto no anocalendário de 2001, relativo aos rendimentos tributados pela contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual, efetuado pela empresa M. De Mari Assessoria e Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ nº 76.025.410/000159, que recebia os alugueres da locatária e repassava para a locadora, deduzidos do IRRF, taxa de administração e da CPMF. O Auto de Infração foi cientificado ao sujeito passivo em 28/08/2007 (fl. 36) e, para omissões sem qualificação por dolo, fraude ou simulação, apurados durante o ano calendário de 2001 (com fato gerador em 31/12/2001), a contagem do prazo decadencial tem seu termo final em 31/12/2006. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 68DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10283.002712/2005-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DO ERRO NA INFORMAÇÃO DA FONTE PAGADORA.
Comprovado que os valores lançados a título de omissão de rendimentos decorreram de informação incorreta da fonte pagadora, não tendo o contribuinte recebido essa quantia no anocalendário
sob fiscalização, há que se cancelar o lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.131
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DO ERRO NA INFORMAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Comprovado que os valores lançados a título de omissão de rendimentos decorreram de informação incorreta da fonte pagadora, não tendo o contribuinte recebido essa quantia no anocalendário sob fiscalização, há que se cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 132DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 7 a 11, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2000, para lançar infração de omissão de rendimentos e para cobrar multa por atraso na entrega da declaração, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$816,19, acrescido de multa de ofício e juros de mora, e de multa por atraso de R$165,74. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 2), acatada como tempestiva. Alegou que, no anocalendário 1999, não trabalhou e não recebeu em momento algum rendimentos da pessoa jurídica de Adilson Alves da Fonseca, CNPJ:74.043 .993/000115, e que em tal período esteve empregado na empresa Crown Cork, como demonstram a carteira de trabalho e os comprovantes de rendimento anexos. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 97 a 99): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como matéria não impugnada aquela que expressamente o sujeito passivo não contesta, devendo ser apartada para imediata cobrança. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Será efetuado lançamento de ofício, no caso de omissão de rendimentos tributáveis percebidos pelo contribuinte e omitidos na declaração de ajuste anual. Lançamento Procedente O julgador de 1a instância considerou a multa por atraso na entrega não impugnada, e fundamentou sua decisão sobre o mérito da seguinte forma (fls. 98 e 99): Versa o Auto de Infração sobre omissão de rendimentos recebidos da empresa Adilson Alves da Fonseca, CNPJ:74.043.993/000115, cujo nome empresarial é PETROPAR EMBALAGENS S.A. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10283.002712/200519 Acórdão n.º 2101001.131 S2C1T1 Fl. 142 3 Verificase à fl.81, que consta na Dirf da empresa PETROPAR EMPBALAGENS S.A., o nome do impugnante como beneficiário de rendimentos pagos por esta empresa no anocalendário 1999, no valor de R$9.731,96, exatamente como apura no Auto de Infração. No sentido de dirimir dúvidas a respeito da aludida omissão, solicitamos a realização de diligência à referida pessoa jurídica, fls.44/45, para que ficasse esclarecido se o impugnante recebeu ou não rendimentos da mesma no ano calendário 1999. Em resposta, fl.90, consta uma folha com o timbre de outra empresa “Crown Brand Building Packaging”, no qual uma pessoa de nome Luciana E. de Azeredo assina, que que diz em seu conteúdo que o impugnante não teve vínculo empregatício com a empresa Petropar Embalagens S/A no ano de 1999. Há que se notar que a citada resposta está deveras incompleta, visto que é assinada por pessoa não identificada nos autos, pertence ao timbre de outra empresa e não constam indicativos de que a signatária é pessoa competente a responder pela empresa Petropar Embalagens S/A. E complementando, não consta do processo a retificação da Dirf de folha 81, que motivou a autuação. Observando ainda a folha 05, verificase que o impugnante apresentou cópia de carteira de trabalho em que consta a data de entrada na empresa Petropar Embalagens S/A em 16/11/1995 e de saída somente em 07 de abril de 2000, ou seja, no anocalendário 1999, que é o apurado no Auto de Infração, estava o impugnante com a carteira de trabalho assinada pela empresa Petropar Embalagens S/A, o que corrobora com a autuação em curso. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 30/10/2007 (fl. 139), o contribuinte apresentou, em 22/11/2007, o recurso de fls. 102 a 138, onde argumenta que: a) em 16/11/1995, foi contratado pela empresa Petropar Embalagens S.A., CGC 74043993/000700, razão social Adilson Alves da Fonseca, como comprova pág.12 CTPS; b) em 01/10/1996, como comprova pág. 43 da mesma CTPS, foi transferido para a empresa Crown Cork Tampas Plásticas S.A. CGC 01008482/000199 também com a razão social de Adilson Alves da Fonseca; c) por motivos que não consegue identificar, erroneamente o responsável pela emissão das DIRFs da empresa Adilson Alves da Fonseca CGC 74043993/000115 (também Petropar Embalagens S.A.) acabou por relacionálo como empregado da referida empresa no ano de 1999, o que na verdade está incorreto, e assim houve duplicidade de informações; d) os dois CGC 74043993/000115 e 74043993/000700 são Petropar Embalagens S.A, porém a primeira unidade é a matriz e a outra é a filial, sendo que nunca trabalhou na matriz, somente na filial; e) para comprovar suas afirmações, anexa os seguintes documentos: Fl. 134DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 i) declaração da empresa CGC 01008482/000199 (Crown Cork Tampas Plásticas S.A.) informando que no ano de 1999 estava legalmente registrado e trabalhando nessa empresa, assinada pela Luciana E. de Azeredo, Coordenadora de Recursos Humanos, funcionária legal amparada pela procuração n° 16/07 em anexo e Ata da assembléia Geral Extraordinária realizada em 29/12/2006 devidamente autenticados; ii) declaração da empresa CGC 74043993/000115 (Petropar Embalagens S.A.) informando que, no ano de 1999, não era seu funcionário, assinada pela Coordenadora Controladoria Elaini Ruppenthal, funcionária legal amparada pela procuração n° 01/07 em anexo e Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada em 13.10.1998 e Ata de Reunião do conselho de Administração realizada em 13/04/2007 devidamente autenticados; iii) pág. 12 CTPS 49.689 série 046RS, onde consta o contrato de trabalho inicial datado de 16/11/1995, assinada pela empresa CGC 74043993/000700 (Petropar Embalagens S.A.), devidamente autenticada; iv) pág. 42 e 43 da CTPS 49.689 série 046RS onde formaliza a sua transferência de empresa, saindo do CGC 74043993/000700 (Petropar Embalagens S.A.) para CGC 01008482/000199 (Crown Cork Tampas Plásticas S.A.) devidamente autenticada; v) pág. 24 e 25 da CTPS 49.689 série 046RS onde se verifica que, em 01/09/1996, teve um aumento salarial assinado pela empresa Petropar Embalagens S.A. e já em 01/10/1996 teve outra alteração salarial, agora já assinada pela empresa Crown Cork Tampas Plásticas S.A. vi) pág. 22 e 23 da CTPS 49.689 série 046RS onde dispõe da contribuição sindical, conseguese visualizar o ano de 1995 com carimbo da Petropar Embalagens S.A. e já no ano de 1996 até 2000 o carimbo da Crown Cork Tampas Plásticas S.A. devidamente autenticada. vii) pág. 34 CTPS 49.689 série 046RS onde consta anotações de férias e também se consegue identificar que já em 1996 até 2000 o carimbo da empresa é Crown Cork Tampas Plásticas S.A. viii) cópias de todos os contracheques recebidos no ano de 1999. Ao final, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 140, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10283.002712/200519 Acórdão n.º 2101001.131 S2C1T1 Fl. 143 5 O contribuinte informou, em sua declaração de ajuste do exercício de 2000, rendimentos tributáveis de R$10.570,28 recebidos de empresa com CNPJ no 01.008.482/0001 99 (fl. 37). De fato, na fl. 82 consta extrato da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF da empresa CROWN CORK TAMPAS PLASTICAS S/A, CNPJ no 01.008.482/000199, com a informação de pagamento ao contribuinte de rendimentos tributáveis de R$9.731,96, e R$772,42 de 13o salário, no anocalendário de 1999. Entretanto, na fl. 81, consta extrato da DIRF apresentada pela empresa PETROPAR EMBALAGENS S.A., CNPJ no 74.043.993/000115, informando o pagamento dos mesmos valores ao contribuinte nesse ano, o que motivou o lançamento da quantia de R$9.731,96 como omissão de rendimentos. O julgador de 1a instância baixou o processo em diligência para que se intimasse a empresa ADILSON ALVES DA FONSECA, nome empresarial: PETROPAR EMBALAGENS S.A., a informar por escrito se o contribuinte realizou no anocalendário de 1999 algum contrato de trabalho com ou sem vínculo empregatício (fls. 44 e 45). Devidamente intimada (fl. 80), a empresa respondeu (fl. 90) que “o Sr. Anderson Petter não teve vínculo empregatício nessa empresa no ano de 1999”, e que “no intuito de corrigir o erro de informação no Ano Base 1999, a empresa Petropar Embalagens S/A, tentou retificar a DIRF do Ano Base 1999 mas a Receita Federal aceita correções apenas a partir do ano base 2000”. Ao final, solicitou que essa informação fosse excluída da empresa Petropar como também nos registros do Sr. Anderson Petter, para que se corrigisse o erro realizado quando do envio das informações de rendimentos do Ano Base 1999. Entretanto, o julgador de 1a instância desconsiderou essa informação porque o timbre da folha era da empresa Crown Brand Building Packaging, porque a pessoa que assinou o documento não estava identificada nos autos, e por não constar do processo a retificação da Dirf. No voluntário, o recorrente demonstra que foi contratado pela empresa Petropar Embalagens S.A. em 1995 (fl. 120), e que em 1996 foi transferido para a empresa Crown Cork Tampas Plasticas S/A (fl. 121), lá permanecendo até seu desligamento em 2000 (fl. 120). Traz ainda declarações dessas empresas confirmando que, no anocalendário de 1999, não era funcionário da primeira (fls. 114 a 119) e que estava empregado na segunda (fls. 105 a 113). Ademais, a fonte pagadora já havia confirmado a informação em duplicidade na DIRF (fl. 90). Desta forma, está cabalmente demonstrado que o contribuinte não recebeu, no ano de 1999, os valores lançados a título de omissão de rendimentos nesta autuação. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 136DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Fl. 137DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13133.000336/2005-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano calendário: 2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA O instituto da denúncia espontânea não
alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. (Acórdão: CSRF/0104.920).
BASE DE CÁLCULO E FORMA DE EXIGÊNCIA DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Negado Provimento.
Numero da decisão: 1402-000.531
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. (Acórdão: CSRF/0104.920). BASE DE CÁLCULO E FORMA DE EXIGÊNCIA DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Negado Provimento.
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. (Acórdão: CSRF/0104.920). BASE DE CÁLCULO E FORMA DE EXIGÊNCIA DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Negado Provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13133.000336/200521 Acórdão n.º 140200.531 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório TERMAQ COM. IMP. REP. LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela Quarta Turma da DRJ em BrasíliaDF em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Contra a contribuinte acima identificada foi formalizado o Auto de Infração de multa por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais do anocalendário de 2002, folha 06, no qual está sendo exigido o crédito tributário no valor de R$ 44.338,80. Cientificada, a contribuinte apresentou a sua impugnação de folhas 01/05, alegando em síntese que : entregou as DCTF espontaneamente, e, assim estava alicerçada no que dispõe o art. 138 do CTN. Cita e transcreve acórdãos do Conselho de Contribuinte. atribuir uma multa de R$ 44.338,80, para se punir o retardo na entrega de uma obrigação acessória, é antes de tudo, cercear o direito ao exercício da atividade comercial, caracterizando um verdadeiro confisco; a multa formal tem caráter punitivo, sendo aplicada uma só vez. Não se concebe, pois, a imposição de cumulação das mesmas. Neste caso, como se observa da legislação, a pena, se cabível deveria ser aplicada em seu valor mínimo que é de R$ 500,00, e não como foi imposta, 20% sobre o valor dos impostos declarados. não há indícios de fraude e nem de sonegação de impostos, apenas atraso na apresentação de Declarações, daí não ensejar a penalidade imposta à recorrente; o excesso de exação, fere tanto o princípio da capacidade contributiva como o princípio da igualdade, ao submeter o contribuinte a um pesado e desmedido ônus fiscal. Assim, a multa imposta deve ser dosada segundo o resultado negativo apurado. Entretanto, não havendo negação do tributo, não se estabelece o princípio da punição pura e simples. Por fim, requer que seja considerado como nulo o Auto de Infração, ou na pior das hipóteses seja imputada multa justa e razoável de R$ 500,00 por declaração. A decisão recorrida está assim ementada: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13133.000336/200521 Acórdão n.º 140200.531 S1C4T2 Fl. 3 3 ESPONTANEIDADE A entrega da DCTF, intempestivamente, embora feito o recolhimento dos tributos devidos não caracteriza a espontaneidade prevista no Art. 138 do Código Tributário Nacional com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação de regência pela falta de entrega da declaração. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS LEGAIS A instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega da DCTF na forma em que foi consignada no auto de infração. Lançamento Procedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13133.000336/200521 Acórdão n.º 140200.531 S1C4T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Em que pese os veementes argumentos da peça recursal, o entendimento do contribuinte não pode prevalecer nessa esfera administrativa. Não assiste razão ao recorrente quando pleiteia os benefícios da denúncia espontânea no presente caso, por se tratar de obrigação acessória, puramente formal, de entrega de declaração. Já é entendimento assente, tanto na doutrina quanto na jurisprudência, que as responsabilidades autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência de um fato gerador, não estão alcançadas pela denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A figura da denúncia espontânea, contemplada no artigo 138 da Lei n° 5.172/66 – Código Tributário Nacional – argüida pelo recorrente, é inaplicável, porque juridicamente só é possível haver denúncia espontânea de fato desconhecido pela autoridade, o que não é o caso do atraso na entrega da DCTF, bem como de outras declarações, que se torna ostensivo com o decurso do prazo fixado para a entrega tempestiva da mesma. Apresentar declarações é uma obrigação para aqueles que se enquadram nos parâmetros legais e deve ser realizada no prazo fixado pela lei. Por ser uma “obrigação de fazer”, necessariamente, tem que ter prazo certo para seu cumprimento e, se for o caso, por seu desrespeito, uma penalidade pecuniária. A causa da multa está no atraso do cumprimento da obrigação, não na entrega da declaração, que tanto pode ser espontânea como por intimação, em qualquer dos dois casos a infração ao dispositivo legal já aconteceu e cabível é, tanto num quanto noutro, a cobrança da multa. Enfim, o fato de a declaração ter sido apresentada espontaneamente não implica na exclusão da penalidade, conforme entendimento pacífico da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, a exemplo dos julgados abaixo, cuja ementa transcrevese: “IRPF – MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A apresentação da declaração de ajuste anual do imposto de renda fora do prazo legal, sujeita o contribuinte à multa por atraso no valor de R$165,74, quando este seja superior a 1% do imposto devido. DENÚNCIA ESPONTÂNEA O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. Recurso improvido.” Acórdão: CSRF/0104.920 “IRPF – MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS – A partir do exercício de 1995, a entrega extemporânea da declaração de rendimentos sujeitase à aplicação da multa prevista no artigo 88 da Lei 8.981/1995. DENÚNCIA ESPONTÂNEA – O instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, não alcança o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória.” Acórdão: CSRF/0103.721” Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13133.000336/200521 Acórdão n.º 140200.531 S1C4T2 Fl. 5 5 No que tange a base de cálculo da multa, 2% dos tributos devidos, ao mês de atraso, limitada a 20%, verificase que está em estrita consonância com a legislação que ampara a cobrança. Descabe aos julgadores administrativos, seja nas DRJ, seja no CARF, apreciar a constitucionalidade ou legalidade de normas legais em vigor. Nesse sentido a súmula n 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em verdade, os fundamentos da decisão de 1a. instancia não merecem reparos, pelo que peço vênia para transcrevelos e adotadalos. Destarte em que pese os argumentos da impugnante quanto à multa aplicada ser um verdadeiro confisco e que deveria ser aplicada uma única vez, os mesmos não podem prosperar nas esferas administrativas de julgamento em primeira instância, pois, ratifico que quanto à inconstitucionalidade das normas legais, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição. Consigno, por fim, que embora a impugnante tenha tomado às providências necessárias para regularizar a sua situação perante este Órgão, as mesmas foram extemporaneamente, o que não lhe exime da exigência da multa pelo descumprimento da obrigação acessória conforme lhe é exigido no Auto de Infração. Com relação aos seus argumentos que a multa deveria ser aplicada em seu valor mínimo que é de R$ 500,00, e não como foi imposta, 20% sobre o valor dos impostos declarados, novamente, em que pese seus argumentos, são irrelevantes ao deslinde da pendência, pois as multas aplicadas foram de acordo com o disposto na IN SRF nº 126/98, porém com a alteração benéfica da IN SRF nº 255/2002. Isto porque a IN SRF nº 126/98 foi revogada posteriormente pela IN SRF nº 255/2002, sem interrupção de sua força normativa (art. 11 da IN SRF nº 255/2002). Para maior clareza do julgamento transcrevo inicialmente, o Art. 7º da IN SRF nº 255/2002. Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar a DCTF nos prazos fixados ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final à data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I em cinqüenta por cento, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13133.000336/200521 Acórdão n.º 140200.531 S1C4T2 Fl. 6 6 II em vinte e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. § 4º Para DCTF que seja referente até o terceiro trimestre de 2001, a multa será de R$ 57,34 (cinqüenta e sete reais e trinta e quatro centavos) por mêscalendário ou fração, salvo quando da aplicação do disposto no caput resultar penalidade menos gravosa. § 5º Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. § 6º Na hipótese do § 5º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contado da ciência da intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. § 7º Nas hipóteses dos §§ 2º a 4º do art. 5º, é devida multa por atraso na entrega da DCTF, calculada na forma do caput, desde a data originalmente prevista na legislação para entrega de cada declaração. § 8º Na hipótese do § 3º do art. 5º, vencido o prazo, é devida multa por atraso na entrega da DCTF, calculada na forma do caput, desde a data originalmente prevista na legislação para entrega de cada declaração. § 9º As multas de que trata este artigo serão exigidas de ofício. § 10. Os contribuintes omissos na entrega da DCTF serão incluídos em programas de fiscalização. § 11. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica omissa na entrega da DCTF que, intimada, não regularizar sua situação no prazo de 60 (sessenta) dias, contado da data em que foi considerada feita à intimação. Da exegese do dispositivo citado, concluise que: a) Para as DCTF referentes até o terceiro trimestre de 2001, aplicamse as regras do § 4º, e, por resultarem valores menores se efetua o cálculo conforme o caput do Art. 7º. b) Como se vê no caso o lançamento foi processado de forma escorreita (folha 06), pois calculadas as multas conforme o Art. 7º, I, c/c § 2º, I, da IN SRF 255/2002. Portanto, o valor aplicado da multa de R$ 44.338,80, foi devido[...]. (grifei) Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo integralmente a exigência da penalidade. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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