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Numero do processo: 10730.723462/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
Os valores recebidos acumuladamente em razão de decisão judicial, cuja natureza é de pagamento de aposentadoria, sofre a tributação de IRPF exclusiva na fonte nos termos da legislação vigente na época dos fatos geradores. Assim as quantias recebidas à titulo de extensão de gratificação a aposentados submete-se a esta sistemática tributária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE Recorrente MÁRIO SOLON GONÇALVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 Os valores recebidos acumuladamente em razão de decisão judicial, cuja natureza é de pagamento de aposentadoria, sofre a tributação de IRPF exclusiva na fonte nos termos da legislação vigente na época dos fatos geradores. Assim as quantias recebidas à titulo de extensão de gratificação a aposentados submetese a esta sistemática tributária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 34 62 /2 01 4- 11 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) que integra o presente processo. Extraímos os principais aspectos do lançamento e da impugnação do seguinte excerto do relatório do acórdão recorrido: " O interessado impugna lançamento do anocalendário 2012, onde foram incluídos rendimentos omitidos de R$ 79.559,02, com imposto retido na fonte de R$ 30.204,47, recebidos em ação judicial através de precatório do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro. Estas alterações resultaram em imposto suplementar de R$ 4.897,84. De acordo com o relatório fiscal, o contribuinte informara estes rendimentos como tributáveis exclusivamente na fonte, por terem sido pagos acumuladamente, quando tal forma de tributação se limita aos rendimentos do trabalho e aos provenientes de aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, pagos pelas entidades públicas de previdência social. O processo judicial em questão, porém, tinha como assunto: fornecimento de medicamentos / medicamento / tratamento / cirurgia de eficácia não comprovada. O impugnante argumenta, em síntese, que devem ser deduzidas as despesas advocatícias e que se trata de rendimentos isentos." Por unanimidade de votos, a Turma da DRJ entendeu que o sujeito passivo não conseguiu demonstrar que seriam isentos os rendimentos que o próprio declarou como tributáveis. Afirmase que como não se trata de rendimentos decorrentes de aposentadoria, pensão ou reforma, não cabe se falar em isenção decorrente de moléstia grave. Para o relator do processo na instância a quo, o recibo de despesas advocatícias acostado já teria sido considerado na apuração fiscal. Cientificado da decisão em 12/02/2015, fl. 98, o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso, fls. 101/102, o qual foi juntado aos autos em 02/03/2015, conforme despacho de fl. 100. Na peça recursal, alegouse em síntese que o assunto incluído no processo "medicamentos/medicamento/tratamentos/cirurgia de eficácia não comprovada" não corresponde ao objeto requerido no judiciário. Afirma que na verdade o seu pedido versa sobre extensão à aposentadoria de gratificação paga aos servidores ativos. Para comprovar que os valores tributados tratamse de rendimentos recebidos acumuladamente, junta decisões de primeira e segunda instância judiciais, planilha extraída do processo judicial comprovando que o período do recebimento foi 40 meses, recibo de despesas Fl. 125DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10730.723462/201411 Acórdão n.º 2402005.153 S2C4T2 Fl. 125 3 advocatícias e cópia do precatório judicial, onde se verifica o erro no assunto, o qual levou o fisco a dar tratamento tributário incorreto à verba. Ao final, requer o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Conforme relatado, o recurso voluntário foi interposto no prazo legal. Assim, por terem sido atendidos os demais requisitos normativos, deve ser conhecido o recurso. Rendimentos recebidos acumuladamente Para o fisco, o que foi corroborado pela DRJ, não caberia a declaração dos valores em questão como rendimentos recebidos acumuladamente tributados exclusivamente na fonte, posto não se tratarem de ingressos decorrentes do trabalho ou provenientes de aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, pagos pelas entidades públicas de previdência social. Vejo, todavia, que o sujeito passivo conseguiu demonstrar o contrário. A documentação acostada após o recurso comprova que os valores concedidos judicialmente dizem respeito a pagamento da "Gratificação de Encargos Especiais GELED" concedida aos servidores ativos e entendida ao sujeito passivo em razão do Judiciário reconhecer que tal rubrica também era direito dos aposentados. Quando se analisa as peças do processo judicial n.° 0067686 31.2005.8.19.001 (2005.001.0681623) juntadas aos autos fica claro que a menção ao assunto "medicamentos/medicamento/tratamentos/cirurgia de eficácia não comprovada" foi erroneamente lançado no precatório de fl. 109. Por força do que dispõe o art. 12A da Lei n.° 7.713/1988, na redação dada pela Lei n.° 12.350/2010, vigente na data do lançamento, os rendimentos de aposentadoria devem sofrer a incidência de IRPF exclusivamente na fonte: "Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendários anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010)" Vêse, assim, que o sujeito passivo efetuou a declaração em conformidade com a legislação de regência, devendo ser o lançamento cancelado. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10730.723462/201411 Acórdão n.º 2402005.153 S2C4T2 Fl. 126 5 Conclusão Voto por conhecer do recurso para lhe dar provimento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000880/2010-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
INTIMAÇÃO FISCAL. DESATENDIMENTO. O descumprimento de atendimento de obrigação acessória, consistente na exibição de escrita contábil, sujeita o infrator Recorrente à penalidade administrativa de multa, a ser calculada na forma da legislação vigente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto.
André Luis Marsico Lombardi - Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 INTIMAÇÃO FISCAL. DESATENDIMENTO. O descumprimento de atendimento de obrigação acessória, consistente na exibição de escrita contábil, sujeita o infrator Recorrente à penalidade administrativa de multa, a ser calculada na forma da legislação vigente. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 INTIMAÇÃO FISCAL. DESATENDIMENTO. O descumprimento de atendimento de obrigação acessória, consistente na exibição de escrita contábil, sujeita o infrator Recorrente à penalidade administrativa de multa, a ser calculada na forma da legislação vigente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 08 80 /2 01 0- 34 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto. André Luis Marsico Lombardi Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10665.000880/201034 Acórdão n.º 2401004.130 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 8ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio, especificamente em relação a este Processo Administrativo Fiscal, incluído no AI n° 37.251.1104, de 24/06/2010, lavrado contra o contribuinte em epígrafe, em razão de infringência ao disposto na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, art. 33, §§ 2° e 3°, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999. Inconformada com o supracitado lançamento tributário, a interessada apresentou Impugnação a fls. 21 e seguintes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0229.226 8ª Turma da DRJ/BHE, às fls. 50 e seguintes, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Recorrente foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 19/11/2010, conforme Aviso de Recebimento à Fl. 54. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário à fl. 56 e seguintes, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos a seguir expostos: Nulidade do Auto de Infração. O Recorrente diz não ter restado provado nos autos do processo administrativo fiscal ter sido validamente intimado para apresentar os documentos fiscais exigidos pela autoridade administrativa, o que teria dado origem à atuação. Impossibilidade de agravamento da multa frente ao caso concreto. Requer, ao final, que “seja reformada a decisão recorrida, reconhecendo a improcedência do lançamento fiscal que exige as multa por infração que sequer foi comprovada, devendose anular a exigência lançada”. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 4 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 19/11/2010 (sextafeira), conforme AR juntado à fl. 54, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 22/12/2010, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO O requerimento de nulidade do auto de infração confundese com o mérito da própria autuação, o que permite sustentar a impropriedade técnica na estruturação da peça recursal apresentada pelo Recorrente. Inobstante, para se manter silogismo com as razões recursais, a matéria será enfrentada neste voto como preliminar. A autuação teve por infringência ao disposto na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, art. 33, §§ 2° e 3°, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999. Os aludidos dispositivos estabelecem que “A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei” e “Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida”. No presente caso, sustenta o contribuinte que não há prova da recusa na apresentação da documentação fiscal exigida pela autoridade administrativa. Porém, não se desincumbe do dever de produzir contraprova. A presunção de legitimidade dos atos administrativos é, de fato, relativa, mas somente pode ser afastada com prova veemente em sentido contrário. A respeito, confirase a jurisprudência: TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. AUTO DE INFRAÇÃO. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE DOS ATOS ADMINISTRATIVOS. ART. 50, DA IN N.º 800/2007. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA NO MOMENTO DA ATRACAÇÃO OU DESATRACAÇÃO DA EMBARCAÇÃO. AUSÊNCIA. MULTA. VALIDADE. 1. Os atos administrativos, dentre os quais se inclui o auto de Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10665.000880/201034 Acórdão n.º 2401004.130 S2C4T1 Fl. 4 5 infração de que tratam estes autos, gozam de presunção juris tantum de veracidade, legitimidade e legalidade, cumprindo ao administrado provar os fatos constitutivos de seu direito, i.e., a inexistência dos fatos narrados como verdadeiros naquele documento. 2. No caso em espécie, inexistindo nos autos prova capaz de elidir a presunção de legitimidade e veracidade do auto de infração que deu origem ao Processo Administrativo nº 12466.000.338/2009 10, não deve ser este anulado. 3. De acordo com o caput do art. 50, da IN RFB n.º 800/2007, os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta mesma instrução somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. 4. Não obstante, de acordo com o parágrafo único daquele mesmo art. 50, o transportador não se exime da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. 5. Assim, muito embora o auto de infração tenha sido lavrado em 3 de fevereiro de 2009 e os prazos estabelecidos pelo art. 22, da Instrução Normativa, tenham vigência tão somente a partir de 1º de abril de 2009, não se pode olvidar que o parágrafo único do art. 50, deste mesmo diploma, em plena vigência à época dos fatos, é expresso ao exigir que as informações acerca das cargas transportadas sejam prestadas antes da atracação ou desatracação da embarcação em porto brasileiro, tendo a autoridade administrativa agido, portanto, em estrita observância das normas legais e regulamentares. 6. Não logrou a parte autora, ora apelada, infirmar os fatos descritos no auto de infração, haja vista que os documentos acostados à exordial não são idôneos e suficientes para tanto, sendo incapazes de elidir a presunção de legalidade e legitimidade de que gozam os atos administrativos, razão pela qual de rigor a reforma da r. sentença, para que o pedido seja julgado improcedente, mantendose íntegro o crédito tributário exigido no Processo Administrativo n.º 12466.000.338/200910. 7. Invertido os ônus da sucumbência para condenar a parte autora ao pagamento de honorários advocatícios fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor atribuído à causa. 8. Apelação provida.” (TRF3 AC: 8352 SP 000835243.2009.4.03.6100, Relator: DESEMBARGADORA FEDERAL CONSUELO YOSHIDA, Data de Julgamento: 04/04/2013, SEXTA TURMA) É de se ressaltar que, pelo exame dos autos, constatase que foi expedido Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF (fls.09/10) e Termos de Intimação Fiscal (fls. 11 e 12), os quais comprovam, de forma inequívoca, que a Recorrente foi devidamente intimada a apresentar sua escrituração contábil. Nos referidos documentos constam a assinatura da sóciaadministradora Mirian Alice Rodrigues de Souza e a data de recebimento/ciência desses documentos originados do processo administrativo fiscal. Não há, de outro lado, comprovação mínima do atendimento às exigências da autoridade administrativa. Diante dessa fundamentação, não há como acolher a insurreição apresentada pelo interessado, motivo pelo qual rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração e passo diretamente ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO No mérito, a única matéria que o Recorrente traz é a afeta ao agravamento da multa aplicada. Segundo alega, “não incorreu em qualquer das hipóteses de agravamento da Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 6 multa prescritas no artigo 290 do RPS, para que lhe seja aplicado o dobro do mínimo determinado por lei”. Como verificado acima, a autoridade administrativa expediu o Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF (fls.09/10) e Termos de Intimação Fiscal (fls. 11 e 12), solicitando apresentação da escrituração contábil por parte da Recorrente. Afigurase, portanto, indubitável o descumprimento da referida obrigação acessória, sujeitandose a Recorrente à penalidade administrativa de multa, calculada na forma prevista na Lei 8.212/91, arts. 92 e 102 e no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, artigo 283, inciso II, alínea “j”, e artigo 373. A matéria foi examinada com proficiência no v. acórdão recorrido, cujo seguinte trecho merece ser transcrito: “Destaquese que, a multa não foi aplicada acima do limite legalmente previsto, nem tampouco foi majorada devido a existência de circunstâncias agravantes. A penalidade foi aplicada em seu valor mínimo, atualizado, nos termos da Portaria Interministerial MPS/MF n° 350 de 30/12/2009, vigente à data da autuação.” O recurso interposto não pode ser acolhido também nesta parte. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a cobrança em relação à empresa TENACE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI
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Numero do processo: 10315.721340/2013-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
PEDIDO DE REABERTURA DE PRAZO PARA RETIFICAÇÃO DE GIFP FEITO DEPOIS DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO E DURANTE A FASE CONTENCIOSA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
Descabe aos órgãos administrativos julgadores, por falta de competência, apreciar o pedido de reabertura de prazo feito pelo contribuinte autuado para retificar GFIP, em virtude de erro cometido pelos gestores da administração anterior.
RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DISCUSSÃO DA MATÉRIA OBJETO DE AUTUAÇÃO PERANTE O PODER JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 1.
Nos termos da Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. MULTA DE OFÍCIO CONSIDERADA CONFISCATÓRIA PELO CONTRIBUINTE.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é órgão competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2301-004.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, (a) conhecer em parte do recurso voluntário, exclusivamente quanto à contribuição devida por contribuinte individual e fretistas, para, nessa questão, negar provimento ao recurso voluntário; (b) não conhecer do recurso voluntário: (b.1) quanto à alíquota da contribuição em razão do GIILRAT, por renúncia às instâncias administrativas e (b.2) em relação ao caráter confiscatório da multa.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente.
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Amílcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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IMPOSSIBILIDADE. Descabe aos órgãos administrativos julgadores, por falta de competência, apreciar o pedido de reabertura de prazo feito pelo contribuinte autuado para retificar GFIP, em virtude de erro cometido pelos gestores da administração anterior. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DISCUSSÃO DA MATÉRIA OBJETO DE AUTUAÇÃO PERANTE O PODER JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 1. Nos termos da Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. MULTA DE OFÍCIO CONSIDERADA CONFISCATÓRIA PELO CONTRIBUINTE. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é órgão competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 72 13 40 /2 01 3- 19 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, (a) conhecer em parte do recurso voluntário, exclusivamente quanto à contribuição devida por contribuinte individual e fretistas, para, nessa questão, negar provimento ao recurso voluntário; (b) não conhecer do recurso voluntário: (b.1) quanto à alíquota da contribuição em razão do GIILRAT, por renúncia às instâncias administrativas e (b.2) em relação ao caráter confiscatório da multa. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Amílcar Barca Teixeira Junior. Relatório Em 23/10/2013, foram lavrados três autos de infração contra o Recorrente em virtude da suposta falta de recolhimento de contribuições previdenciárias incidentes sobre: (i) as remunerações pagas a segurados comissionados e contratados; (ii) os subsídios dos segurados eletivos não amparados pelo Regime Próprio de Previdência Social – RPPS (contribuintes individuais); e (iii) os pagamentos feitos a prestadores de serviços (“fretistas"). Além disso, a fiscalização procedeu à glosa do saláriofamília declarado a maior na GFIP da competência 04/2012. As exigências formuladas pela fiscalização abrangem os períodos de apuração ocorridos entre 01/2010 e 12/2012 e encontramse assim distribuídas (valores na data da lavratura e já computados multa e juros): no DEBCAD nº 51.050.7921, a exigência de R$ 2.379.590,39, relativa às contribuições previdenciárias patronais e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GIILRAT); no DEBCAD nº 51.050.7930, a exigência de R$ 832.834,18, relativa às contribuições previdenciárias dos segurados e dos contribuintes individuais; e no DEBCAD nº 51.050.7948, a exigência de R$ 30.532,36, relativa às contribuições destinadas a outras entidades e fundos – terceiros (SEST/SENAT). Inconformado, o Recorrente apresentou impugnação contestando os lançamentos de ofício. Defendeu a ilegalidade da cobrança da contribuição em razão do GIILRAT pela alíquota de 2%, entendendo como correta a aplicação da alíquota de 1%. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10315.721340/201319 Acórdão n.º 2301004.749 S2C3T1 Fl. 430 3 Reconheceu a falta de declaração e de recolhimento das contribuições previdenciárias sobre os pagamentos feitos aos contribuintes individuais e aos “fretistas”, mas atribuiu o lapso à gestão municipal anterior, requerendo, por conta disso, a reabertura de prazo para apresentação de GFIP retificadoras, nos moldes do art. 463 da Instrução Normativa RFB nº 971/2003, e o pagamento das contribuições sem acréscimos legais. Rebelouse contra a cobrança da multa, por entender confiscatória, alegando ofensa a princípios constitucionais, em especial o princípio da moralidade. Em primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Ribeirão Preto/SP refutou os argumentos de defesa e manteve integralmente as exigências fiscais dos autos de infração (inclusive a glosa de saláriofamília declarado a maior na GFIP de 04/2012, por falta de questionamento por parte do Recorrente). Irresignado, o Recorrente apresenta recurso voluntário, repisando os mesmos argumentos desenvolvidos na impugnação. Como novidade à matéria de defesa, o Recorrente noticia o ajuizamento de ação ordinária perante a Justiça Federal da Subseção de Iguatu/CE (processo nº 080000378.2014.4.05.8107), na qual contesta a exigência da contribuição em razão do GIILRAT à alíquota de 2%. Junta cópia da sentença que declara a ilegalidade da exigência e o seu reenquadramento no grau de risco leve, com alíquota de 1%. Em razão disso, pede a anulação dos lançamentos de ofício, relativamente a essa parte da autuação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza A intimação do acórdão de primeira instância ocorreu em 09/05/2014 e o recurso voluntário foi interposto em 04/06/2014. Por ser tempestivo e por cumprir com as formalidades legais, dele tomo conhecimento. Da Renúncia à Discussão da Matéria no Âmbito Administrativo quanto à Alíquota da Contribuição em razão do GIILRAT O Recorrente contesta a aplicação da alíquota de 2% (risco médio) da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GIILRAT), entendendo cabível a alíquota de 1% (risco leve). Noticia o ajuizamento de ação ordinária perante a Justiça Federal da Subseção de Iguatu/CE (processo nº 080000378.2014.4.05.8107) no qual postula, dentre outros pedidos, o reconhecimento da ilegalidade da cobrança pela alíquota de 2% e o reenquadramento da sua atividade para o risco leve, com aplicação da alíquota de 1%. Junta cópia da sentença de procedência proferida em 29/04/2014 pela 25ª Vara da Justiça Federal de Iguatu/CE. Em consulta ao sistema eletrônico de acompanhamento processual da Justiça Federal, realizada em 30/05/2016, obtenho as duas importantes informações. Primeiro, a de que Fl. 431DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 a mencionada ação ordinária foi ajuizada pelo Recorrente em 21/01/2014, posteriormente, portanto, à lavratura dos autos de infração, ocorrida em 23/10/2013. Segundo, a de que, até momento da consulta, não houve o respectivo trânsito em julgado da decisão favorável à Recorrente. Pois bem. Estatui o art. 5º, inc. XXXV da Constituição Federal de 1988 que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito”. Com isso, consagrase o princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional e a garantia de acesso pleno e irrestrito de todos ao Poder Judiciário, de modo que nenhuma lesão ou ameaça a direito seja subtraída da sua apreciação e solução. O Brasil adota, desse modo, o chamado sistema inglês (de jurisdição única ou de controle judicial), em que todos os litígios são resolvidos definitivamente pelo Poder Judiciário. Isto não significa retirar da Administração Pública o poder de controlar os seus próprios atos. A diferença é que as decisões dos órgãos administrativos não são dotadas da força e da definitividade próprias das decisões do Judiciário (não fazem coisa julgada em sentido próprio, ficando sujeitas à revisão do Poder Judiciário, sempre mediante provocação). Nesse sentido, se o conflito suscitado pelo Recorrente já foi submetido ao crivo do Poder Judiciário, antes ou depois do lançamento de ofício, tornase despiciendo o pronunciamento da Administração Pública, uma vez que a decisão final e definitiva sobre a contenda caberá ao órgão jurisdicional. Os fatos acima narrados conduzem às seguintes consequências: (i) renúncia da discussão da matéria no âmbito administrativo, nos moldes do entendimento já sumulado por este CARF e também do art. 78 do seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 (grifamos): Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10315.721340/201319 Acórdão n.º 2301004.749 S2C3T1 Fl. 431 5 § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. (ii) definitividade do lançamento de ofício da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GIILRAT) e dos acréscimos legais. Posto isso, deixo de apreciar o recurso voluntário, nessa parte. Da Remuneração de Contribuintes Individuais e “Fretistas” Em suas manifestações, o Recorrente não contesta a exigência fiscal. Ao contrário, reconhece expressamente a falta de declaração e de recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre os pagamentos feitos aos contribuintes individuais e aos “fretistas”. Atribuiu o lapso, no entanto, à gestão municipal anterior, requerendo, por conta disso, a reabertura de prazo para apresentação de GFIP retificadoras e o pagamento das contribuições sem acréscimos legais. A meu ver, impossível atender o pedido do Recorrente. Primeiro, porque a fase contenciosa administrativa não se presta a tal intento, mas sim revisar, dentro dos limites legais, os aspectos fáticos e jurídicos considerados pela autoridade lançadora no momento da constituição do crédito tributário. Segundo, porque a legislação tributária não confere tal atribuição aos julgadores administrativos. Aliás, a própria norma infralegal invocada pelo Recorrente para fundamentar o seu pleito nega essa possibilidade. O parágrafo 5º do art. 463 da Instrução Normativa RFB nº 971/2003 declara sem efeitos a retificação de GFIP promovida pelo contribuinte com o intuito de alterar débitos, depois deste ter sido intimado do início de procedimento fiscal. Se durante o o período de fiscalização a retificação da GFIP não é permitida, que se dirá depois da lavratura do auto de infração. Art. 463. A alteração nas informações prestadas em GFIP será formalizada mediante a apresentação de GFIP retificadora, elaborada com a observância das normas constantes do Manual da GFIP. (...) Fl. 433DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 § 5 A retificação não produzirá efeitos tributários quando tiver por objeto alterar os débitos em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal, salvo no caso de ocorrência de recolhimento anterior ao início desse procedimento: (...) Por isso, não conheço do pedido formulado pelo Recorrente. Do Caráter Confiscatório da Multa de Ofício Por fim, quanto às alegações de inconstitucionalidade da exigência de multa de ofício, por supostamente ser confiscatória, é preciso esclarecer que tal assunto já se encontra pacificado no âmbito deste CARF, conforme súmula a seguir transcrita, não ensejando qualquer modificação no lançamento de ofício promovido pelo Fisco: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer em parte o recurso voluntário, exclusivamente quanto aos pagamentos efetuados aos contribuintes individuais e “fretistas”, mas lhe negar provimento. É como voto. Fábio Piovesan Bozza – Relator Fl. 434DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 11684.000177/2010-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 19/07/2009, 28/08/2009
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.677
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/07/2009, 28/08/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 4. 00 01 77 /2 01 0- 61 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000177/201061 Acórdão n.º 9303003.677 CSRF‐T3 Fl. 255 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3802002.967. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 255DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000177/201061 Acórdão n.º 9303003.677 CSRF‐T3 Fl. 256 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 256DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000177/201061 Acórdão n.º 9303003.677 CSRF‐T3 Fl. 257 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000177/201061 Acórdão n.º 9303003.677 CSRF‐T3 Fl. 258 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 258DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000177/201061 Acórdão n.º 9303003.677 CSRF‐T3 Fl. 259 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 259DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000177/201061 Acórdão n.º 9303003.677 CSRF‐T3 Fl. 260 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000177/201061 Acórdão n.º 9303003.677 CSRF‐T3 Fl. 261 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 261DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000177/201061 Acórdão n.º 9303003.677 CSRF‐T3 Fl. 262 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000177/201061 Acórdão n.º 9303003.677 CSRF‐T3 Fl. 263 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 263DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000177/201061 Acórdão n.º 9303003.677 CSRF‐T3 Fl. 264 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 264DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.000177/201061 Acórdão n.º 9303003.677 CSRF‐T3 Fl. 265 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 265DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16327.720505/2012-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2008, 31/12/2009, 31/12/2010
DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÃO. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. AVALIAÇÃO PELO CUSTO DE AQUISIÇÃO.
A operação de desmutualização sob a forma de cisão parcial seguida de incorporação, não se faz possível, em razão do disposto no art. 61 do Código Civil de 2002, que veda a destinação de qualquer parcela do patrimônio de associações a entes com finalidade lucrativa. Sujeita-se à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE.
É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas quando há concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007.
PAGAMENTO MENSAL. ESTIMATIVA. DEDUÇÃO DO DEVIDO EM MESES ANTERIORES. POSSIBILIDADE.
O valor do imposto mensal pode ser reduzido ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso, e a soma do imposto de renda devido, correspondente aos meses do mesmo ano-calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado.
JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO.
Os juros de mora são devidos sobre os tributos e a multa de ofício desde o seu lançamento.
DEMAIS TRIBUTOS (CSLL). MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA.
A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção da exigência fiscal decorrente dos mesmos fatos.
Numero da decisão: 1402-002.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a multa isolada, vencidos Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Leonardo de Andrade Couto. Vencidos em primeira votação os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Demetrius Nichele Macei que davam provimento em maior extensão para afastar a irregularidade referente à desmutualização.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 32; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2463; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.969 1 1.968 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720505/201293 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1402002.073 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2016 Matéria IRPJ e CSLL Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2008, 31/12/2009, 31/12/2010 DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÃO. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. AVALIAÇÃO PELO CUSTO DE AQUISIÇÃO. A operação de desmutualização sob a forma de cisão parcial seguida de incorporação, não se faz possível, em razão do disposto no art. 61 do Código Civil de 2002, que veda a destinação de qualquer parcela do patrimônio de associações a entes com finalidade lucrativa. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas quando há concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007. PAGAMENTO MENSAL. ESTIMATIVA. DEDUÇÃO DO DEVIDO EM MESES ANTERIORES. POSSIBILIDADE. O valor do imposto mensal pode ser reduzido ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso, e a soma do imposto de renda devido, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 05 /2 01 2- 93 Fl. 1969DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.970 2 Os juros de mora são devidos sobre os tributos e a multa de ofício desde o seu lançamento. DEMAIS TRIBUTOS (CSLL). MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção da exigência fiscal decorrente dos mesmos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a multa isolada, vencidos Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Leonardo de Andrade Couto. Vencidos em primeira votação os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Demetrius Nichele Macei que davam provimento em maior extensão para afastar a irregularidade referente à desmutualização. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. Fl. 1970DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.971 3 Relatório BANCO VOLKSWAGEN S/A recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 8ª Turma da DRJ São Paulo/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Em procedimento de fiscalização, a empresa em referência foi autuada e notificada a recolher crédito tributário de IRPJ e CSLL, no valor total de R$ 28.355.064,15, incluindo acréscimos legais (fls. 2). O contribuinte foi cientificado em 7/5/2012 (fls. 1326). O Termo de Verificação tratou de infrações atinentes à participação do Banco Volkswagen S.A. no processo de desmutualizacão da CETIP. verificado no ano calendário 2008, bem como da multa isolada decorrente da ausência/insuficiência de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL no período em análise. Infração n° 1 Ausência de apuração de ganho de capital na desmutualizacão da CETIP 1. A CETIP foi constituída como uma entidade sem fins lucrativos por participantes do mercado de renda fixa privado com o apoio do Banco Central. 2. O objetivo da desmutualização da CETIP Associação, consubstanciada através de cisão parcial de seu patrimônio e simultânea subscrição de ações da CETIP S.A., foi o de transferir as atividades compreendidas no objeto social da associação civil sem fins lucrativos CETIP, para outra entidade, organizada sob a forma de sociedade anônima, a CETIP S.A. 3. Os títulos patrimoniais da CETIP detidos pelos associados apresentavam dois aspectos distintos. O primeiro, de conteúdo patrimonial, refletia o valor da participação dos associados no capital da CETIP. O segundo, de natureza operacional, permitia a eles o chamado "Direito de Acesso", ou seja, davalhes o direito de operar na CETIP. 4. Por meio da desmutualização os direitos patrimoniais dos antigos associados foram desvinculados dos Direitos de Acesso, e convertidos em participações acionárias. Assim, desde a desmutualização as atividades da CETIP passaram a ser desenvolvidas por uma sociedade por ações com fins lucrativos. 5. Caberia a cada detentor de título representativo do patrimônio da CETIP, a subscrição de um número de ações de emissão da CETIP S/A. Por sua vez, este número de ações foi determinado com base nos valores patrimoniais contábeis de cada título patrimonial, apurado no balancete de 31 de março de 2008 da CETIP, conforme item "V" do "Instrumento de Protocolo e Justificativa da Operação de Cisão Fl. 1971DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.972 4 Parcial da CETIP CÂMARA DE CUSTÓDIA E LIQUIDAÇÃO" lavrado em 14 de Abril de 2008. 6. A Receita Federal do Brasil se manifestou, por meio da Solução de Consulta n° 10/07 Cosit (ementa publicada no DOU de 30.10.2007) proposta pela Comissão Nacional de Bolsa de Valores, acerca das repercussões tributárias advindas do processo de desmutualização. Nela está expresso o entendimento segundo o qual se aplica, ao processo de desmutualização, a tributação prevista no artigo 17 da Lei 9.532/97. 7. O citado artigo determina que deve ser computada na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens recebidos a título de devolução de patrimônio de instituição isenta e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos entregues para a formação do patrimônio, no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real. 8. O entendimento da Receita Federal do Brasil é de que, no processo de desmutualização, houve a devolução do patrimônio da CETIP Associação para os seus associados, com a subsequente subscrição de ações da CETIP S.A. 9. O valor a ser tributado é, portanto, o representado pela diferença entre o valor recebido pelo B r na forma de ações da CETIP S.A. e o valor por ele entregue para a formação do patrimônio da CETIP Associação, ou seja, o acréscimo patrimonial decorrente de um ativo mantido pela sociedade empresarial e que se realiza com a desmutualização, evidenciando renda tributável a teor do artigo 43 do Código Tributário Nacional CTN. 10. Regularmente intimado, o BVW limitouse a apresentar apuração de lucro na alienação de investimentos equivalente à totalidade das receitas obtidas com a venda das ações da CETIP S.A., donde se deduz não haver custo de aquisição a ser atribuído ao título patrimonial da CETIP Associação por ela detido. 11. Conforme demonstrativos CETIP ASSOCIAÇÃO KPMG Demonstrações Financeiras 30.06.08 e 2007 (p. 28, último parágrafo) e CETIP S.A. KPMG Demonstrações Financeiras 01.07.08 (ver Demonstrações das Mutações do Patrimônio Líquido, p. 5) se verifica que a devolução de capital que coincide com o patrimônio inicial da CETIP S.A foi de R$ 220.452.594,00 R$ 201.698.400,00 mais R$ 18.754.194,00 que por sua vez dá um valor individual para cada um dos 496 associados iguala R$ 444.460,67. 12. Este valor de R$ 444.460.67 foi o efetivamente auferido pelo BVW em 01 de julho de 2008 a título de devolução de patrimônio e que deve ser considerado como ganho de capital nesta data. 13. A não apuração de ganho de capital por ocasião da desmutualização configura infração à legislação tributária, pelo que se lavra a presente autuação, decorrente da não tributação do ganho de capital originado pela devolução de patrimônio de entidade isenta CETIP Associação. Fl. 1972DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.973 5 14. Ainda em decorrência da desmutualização, houve a subsequente aplicação da receita auferida em devolução de patrimônio na subscrição de ações da CETIP S. A., conforme acima descrito, pelo que o valor aqui autuado é atribuído como custo de aquisição destas mesmas ações, procedendose ao ajuste do lucro obtido na sua alienação no resultado do anocalendário 2009. 15. No IRPJ não houve crédito tributário relativo à desmutualização porque foi efetuada compensação de prejuízos fiscais (fls. 1329). Infração n° 2 Multas isoladas IRPJ 2008 e 2010 CSLL 2008 e 2010 16. p) Os ajustes promovidos pela fiscalização na apuração do IRPJ e CSLL nos anos calendário 2008 a 2010 decorrentes da dedução indevida de ágio IRPJ e CSLL e exclusão indevida de receita de superveniência de depreciação CSLL conforme auto de infração processo administrativo fiscal de número 16327.720416/201247, bem como o ganho da desmutualização que não foi incluído na apuração da base de cálculo da estimativa mensal do IRPJ e da CSLL do mês de julho de 2008, afetaram a apuração das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, com insuficiência de recolhimento em alguns períodos de apuração. 17. q) No caso sob exame, conforme razões contábeis, balancetes contábeis e cópia das Fichas 11 e 16 das respectivas DIPJ (estimativas IRPJ e CSLL) evidenciase que o BVW efetuou a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido com base, em alguns períodos de apuração, na receita bruta e acréscimos; e nos demais, em balancetes de suspensão/redução sem incluir o lucro decorrente da desmutualização julho de 2008 bem como com incorreção em relação aos demais ajustes acima mencionados. 18. r) Não há mais que se falar de dupla incidência sobre uma mesma materialidade, a teor de intensa discussão que se travou no seio da jurisprudência administrativa, uma vez que a nova disposição legal trazida pela MP 351 fez a multa isolada incidir sobre diferente materialidade da multa de ofício, passando a incidir sobre o valor do pagamento mensal não recolhido enquanto que na multa de ofício a incidência da multa é sobre a totalidade ou diferença de tributo. A empresa apresentou impugnação, protocolizada em 8/2/2013 (fls. 442/461), alegando em síntese o seguinte: Descabimento das multas isoladas Impossibilidade de cominação das multas isoladas concomitantemente com as multas de ofício anteriormente lançadas a partir das mesmas e únicas infrações. 1. O exame das situações em que são aplicáveis as penalidades descritas no art. 44 da Lei n° 9.430/1996 indica que devam ser elas lançadas juntamente com a exigência do tributo recolhido ou, de maneira isolada, ao longo do exercício, quando não houver tributo devido a ser exigido de ofício. Conseqüentemente, a aplicação de uma das penalidades previstas no art. 44 exclui a possibilidade de aplicação da outra sobre o mesmo fato que se alega que o contribuinte teria Fl. 1973DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.974 6 praticado. Essa é a interpretação correta que se extrai do art. 44 da Lei n° 9.430/1996. 2. Embora a Lei n° 11.488/2007 tenha reduzido o percentual de graduação da pena isolada, manteve inalterada a situação fática que autoriza sua imputação, qual seja: ausência de recolhimento de estimativa por pessoa jurídica que apure o resultado tributável pelo lucro real anual. Na hipótese em exame, não houve propriamente a aplicação da multa de 50% "isoladamente". Em verdade, ela foi imposta em conjunto com a exigência do tributo e somada à multa ordinária. 3. Devem ser canceladas as multas por falta de recolhimento das antecipações de IRPJ e CSLL, uma vez demonstrado que as multas isolada e de ofício têm origem nas mesmas acusações (glosa do ágio amortizado, adições da superveniência de depreciação e ganho de capital da desmutualização) e foram apuradas sobre o mesmo valor. Descabimento da cominação das multas isoladas por ausência de recolhimento de estimativas após o encerramento do respectivo período de apuração 4. d) A multa isolada por ausência de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL aplicase exclusivamente se: (i) forem impostas no mesmo ano em que tiver ocorrido a impontualidade e (ii) os valores vertidos aos cofres públicos forem inferiores aos até então devidos a título de IRPJ e CSLL. Não atendidas as duas condições, não há como impor a penalidade isolada. 5. Na ausência de regra expressa que determina a imputação simultânea das duas penas, deve se adotar interpretação que leva à impossibilidade de sua imputação conjunta, por força do disposto no art. 112 do CTN. 6. A autoridade fiscal examinou, em 2012, as antecipações que seriam obrigatórias em 2008 e 2010, o que lhe era vedado, já que tais períodos de apuração já haviam se encerrado, razão pela qual, neste caso, a única penalidade imputável seria a multa de ofício, oriunda da ausência de recolhimento de IRPJ e CSLL que a fiscalização considerou devidos no encerramento do período. Descabimento da multa isolada de CSLL de 2008 7. A fiscalização deixou de se aperceber que a impugnante, em um primeiro momento, apurou o lucro tributável de 2008 com adição da superveniência de depreciação. Ao assim fazer, calculou as estimativas devidas ao longo do período levando em consideração na sua quantificação a superveniência de depreciação, como se verifica da planilha anexa e da DIPJ originária do ano base de 2008, exercício 2009. 8. Somente em 2010 foi que a impugnante ao constatar ter agregado à base de CSLL de 2008 valores que, a seu ver, não seriam tributáveis, decidiu por retificar o resultado tributável deste período, mediante exclusão da superveniência de depreciação do resultado tributável. Em decorrência das alterações promovidas, apresentou DIPJ retificadora para o ano base de 2008, exercício 2009, a qual, devido às Fl. 1974DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.975 7 mudanças promovidas, passou a espelhar saldo negativo, formado, em essência, a partir da configuração das antecipações calculadas sobre as superveniências de depreciação como recolhimentos indevidos. 9. Independentemente de as superveniências de depreciação serem ou não tributáveis pela CSLL, na hipótese em exame, não se configurou a ausência de recolhimento de estimativas do tributo no regime do lucro real anual em 2008. O pagamento previsto no art. 2° da Lei n° 9.430/1996, a que alude o art. 44, II, "b" foi efetuado. Ausência do cômputo das antecipações já realizadas 10. Deve ser cancelada a pena decorrente da ausência de recolhimento de estimativas de CSLL de 2008, uma vez que no caso não restou configurada a situação de fato que autorizaria o seu lançamento. 11. As estimativas tanto de IRPJ quanto de CSLL do período foram calculadas diretamente a partir dos valores que adicionou ao resultado tributável, desprezando os valores pagos nos meses primitivos a título de antecipação, e que, na forma do art. 2°, § 4°m IV, da Lei n° 9.430/1996, podem ser descontados das importâncias devidas. 12. Caso a fiscalização levasse em consideração os recolhimentos de estimativas anteriores, não haveria saldo de IRPJ em aberto em qualquer dos meses em que apurou saldos insuficientes, pois o total de R$ 1.755.444,88 que identificou foi inferior aos recolhimentos efetuados de R$ 8.155.397,97, suficientes para cobrir as estimativas mensais que haviam sido realizadas espontaneamente pela impugnante e as que se afirmou serem obrigatórias. No que se refere à CSLL, a fiscalização apurou a suposta ausência de estimativas no valor de R$ 17.327.957,03, que seria substancialmente reduzido se descontado os quase R$ 30 milhões de antecipações feitas pela impugnante. 13. O procedimento da fiscalização está em desacordo com a legislação e fez com que houvesse a imputação de multa isolada em montante superior a que seria cabível ainda que o art. 44, II, "b", da Lei n° 9.430/1996 pudesse ser aplicado à situação concreta. Suspensão da exigibilidade das multas isoladas 14. Na eventualidade de serem superados os argumentos anteriormente aduzidos, deve, ao ri;nos ser sobrestada a cobrança das penalidades em questão até o deslinde do processo administrativo n° 16327.720416/201247 e a apreciação em definitivo da legitimidade do crédito decorrente da desmutualização da CETIP. 15. Deve ser determinado o sobrestamento do feito em razão da prejudicialidade do crédito tributário vinculado ao feito em questão, caso haja a decretação da insubsistência das autuações que culminaram no processo n° 16327.720416/201247, assim como do crédito de CSLL vinculado ao presente caso, fruto da desmutualização da CETIP. 16. As constatações de que os fundamentos que servem de justificativa para a imputação das multas isoladas estão com a exigibilidade Fl. 1975DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.976 8 suspensa e de que, na hipótese de serem declaradas improcedentes, deverá ser reconhecida a prejudicialidade das penalidades ora impugnadas, fazem com que a cobrança destas, ao menos, remanesçam sobrestadas até a definição quanto à procedência dos créditos tributários que lhes servem de suporte. Inexistência de apuração de ganho de capital quando da desmutualização da CETIP 17. Os associados da CETIP deliberaram por desvincular dos direitos patrimoniais dos associados o acesso aos serviços e sistemas por ela coordenados e, ato subseqüente, transmitir, mediante cisão da entidade, parte das atividades e patrimônio para uma nova sociedade (a cindida permaneceu em funcionamento para o fim de prestar serviços educacionais em relação à custódia de títulos, tal como já realizava). 18. O patrimônio cindido foi contribuído para a CETIP S/A Balcão Organizado de Ativos e Derivativos, sociedade empresária que passou a realizar as atividades então a cargo da associação CETIP e seus associados. 19. Em consequência da desmutualização, aqueles que até então eram titulares de títulos patrimoniais da associação CETIP tiveram parte de seus papéis (na proporção do patrimônio cindido) substituídos por ações da sociedade empresária CETIP. A troca se deu mediante o recebimento de participação societária pelo mesmo valor dos títulos patrimoniais da associação cindida, uma vez que o patrimônio transmitido foi avaliado a valor contábil. 20. A impugnante, a exemplo dos demais titulares de títulos patrimoniais substituídos por ações, não tributou a participação societária recebida, tão só por conta da desmutualização realizada. Foi aplicado ao caso o art. 21 da Lei n° 9.249/1995. 21. A cisão de associações é, de fato, em regra, vedada pelo Código Civil. Isso porque ele fixa que quaisquer mudanças nos atos das pessoas jurídicas por ele referidas serão regidas por suas disposições, as quais, ao tratar de associações, não prevêem a realização de cisão. Não obstante, o diploma citado assegura que legislação de caráter especial sobre dada matéria pode estabelecer tratamento diverso. 22. A associação CETIP, por força das atribuições que possuía, era regulada por lei específica. A Lei n° 6.385/1976 estabelece que serão disciplinadas de acordo com as suas disposições as seguintes atividades, dentre outras: a distribuição de valores mobiliários no mercado; a intermediação no mercado de valores mobiliários; e a administração de carteiras e a custódia de valores mobiliários. 23. As atividades executadas tanto pela antiga associação CETIP, quanto pela atual sociedade empresária CETIP, consistentes no registro, custódia, negociação e liquidação de valores mobiliários e demais títulos negociados nos mercados de capitais, enquadramse dentre as matérias cuja legislação regula de forma diferenciada e atribui à CVM a função de fiscalizar. Fl. 1976DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.977 9 24. Por força da interpretação conjunta do art. 2.033 do Código Civil e das disposições da Lei n° 6.385/1976, as alterações nos atos constitutivos da associação CETIP não se sujeitavam ao estatuto civil. Tanto que nos instrumentos em que se promoveu a desmutualização foi fixado que "a eficácia dos atos previstos no Protocolo fica sujeita às autorizações societárias competentes e à autorização prévia da Comissão de Valores Mobiliários CVM". 25. A cisão não se confunde com uma redução no patrimônio da entidade com transmissão dos bens e direitos aos associados ou sua dissolução, que pressupõe a extinção da pessoa jurídica sem fins lucrativos, interpretação que, no caso, não só seria contrária ao quanto deliberado, em que se acordou que a associação continua a existir para fins educacionais, como também com a própria realidade fática, já que basta o Fisco diligenciar para constatar que a atualmente denominada CETIP Educacional continua a existir. 26. Na cisão com versão do patrimônio destacado a outra pessoa jurídica a valor contábil, tal como se deu na hipótese, não há mutação patrimonial para o investidor. Na realidade, para este há uma mera atualização, se o caso, no nome do direito detido, que deixa de ser algo relacionado à cindida (na hipótese em exame, título patrimonial) e passa a dizer respeito à incorporadora (ações da sociedade empresária CETIP). 27. É vedado à Receita Federal pretender negar validade aos atos de cisão da associação CETIP, pois tal matéria é de competência da CVM. Não lhe cabe afastar a natureza da operação, tal como legitimamente realizada e reconhecida como correta pela CVM. 28. Se cada órgão da União pudesse adotar uma interpretação própria sobre a norma aplicável ao mesmo fato, não haveria coerência nos atos emanados pela Administração Federal, causando insuportável insegurança jurídica. 29. Se for cancelada a exigência de CSLL objeto do processo n° 16327.720416/201247 não haverá base tributável suficiente para a cobrança da contribuição sobre o ganho de capital auferido a partir da desmutualização CETIP. Impossibilidade de cobrança dos juros sobre a multa de ofício 30. Não se pode admitir a incidência de juros moratórios sobre o valor da multa de ofício, pois, a penalidade não tem natureza de capital passível de gerar rendimentos, tais como juros, bem como, em razão de tal incidência ter sido prevista em norma secundária e não primária. 31. Não há previsão legal para incidência de juros sobre a multa porque a expressão "sobre os débitos a que se refere este artigo", que inaugura o art. 61 da Lei n° 9.430/1996, diz respeito somente ao valor do principal relativo à obrigação tributária não paga no vencimento. É o relatório.” Fl. 1977DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.978 10 A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 46.968 (fls. 1.8091.838) de 24/05/2013, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2008, 31/12/2009, 31/12/2010 DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÃO. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. AVALIAÇÃO PELO CUSTO DE AQUISIÇÃO. A operação de desmutualização sob a forma de cisão parcial seguida de incorporação, não se faz possível, em razão do disposto no art. 61 do Código Civil de 2002, que veda a destinação de qualquer parcela do patrimônio de associações a entes com finalidade lucrativa. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. PAGAMENTO MENSAL. ESTIMATIVA. DEDUÇÃO DO DEVIDO EM MESES ANTERIORES. POSSIBILIDADE. O valor do imposto mensal pode ser reduzido ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso, e a soma do imposto de renda devido, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. Os juros de mora são devidos sobre os tributos e a multa de ofício desde o seu lançamento. DEMAIS TRIBUTOS (CSLL). MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção da exigência fiscal decorrente dos mesmos fatos.” Fl. 1978DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.979 11 Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 26/06/2013 (A.R. de fl. 1.843) a interessada interpôs recurso voluntário em 25/07/2013 (fls. 1.8451.884) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. A DRJ recorreu de ofício tendo em vista o crédito exonerado ter ultrapassado o limite de alçada. A autuada, conforme notificação de fls. 1.950/1.953, optou pelo pagamento do tributo no que se refere ao débito de CSLL decorrente do ganho de capital sobre as ações recebidas a partir da desmutualização da CETIP, desistindo da lide quanto a essa matéria. É o relatório. Fl. 1979DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.980 12 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Como relatado, a autuada desistiu da lide no que se refere ao débito de CSLL decorrente do ganho de capital sobre as ações recebidas a partir da desmutualização da CETIP. Observase, no entanto, que a matéria em referencia, conforme consta no auto de infração, fl. 1.329, repercute na apuração do IRPJ, não havendo lançamento nesse tributo por conta de compensação com prejuízos fiscais da autuada. Há também repercussão na apuração da base de cálculo negativa da CSLL, fl. 1.335. Dessa forma, ainda que haja desistência, por parte da recorrente, da discussão quanto à CSLL lançada, há que se analisar os argumentos de defesa, quanto a essa matéria, por conta de sua repercussão na redução no prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL para o período. Passo a análise. Da ausência de apuração de ganho de capital na desmutualização da CETIP (infração n° 1) Competência da Secretaria da Receita Federal para analisar os efeitos tributários da operação de desmutualização da CETIP A competência da Secretaria da Receita Federal está definida no art. 15 do Decreto n° 7.482/2011. A seguir destacamos os itens que consideramos mais relevantes para o presente caso: Art.15. A Secretaria da Receita Federal do Brasil compete: (...) IIIinterpretar e aplicar a legislação tributária, aduaneira, de custeio previdenciário e correlata, editando os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução; (...) VIIIplanejar, dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar os serviços de fiscalização, lançamento, cobrança, arrecadação e controle dos tributos e demais receitas da União sob sua administração;" Ao analisarmos os elementos contidos no processo, e em especial o Termo de Verificação Fiscal, constatamos que a fiscalização seguiu os seguintes passos: i) descreveu os fatos (item 2.1 descrição dos fatos); ii) interpretou a legislação (item 2.2 do direito Fl. 1980DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.981 13 aplicado); iii) quantificou a base de cálculo e deu esclarecimentos sobre o lançamento (itens 2.3 e 4). O trabalho fiscal resumiuse à interpretação dos fatos à luz da legislação tributária, conforme demonstra trecho a seguir reproduzido com as conclusões específicas sobre a desmutualização (fls. 1399/1400): "Este valor de R$ 444.460,67 foi o efetivamente auferido pelo BVW em 1 de julho de 2008 a título de devolução de patrimônio e que deve ser considerado como ganho de capital nesta data. (...) A não apuração de ganho de capital por ocasião da desmutualização configura infração à legislação tributária, pelo que se lavra a presente autuação, decorrente da não tributação do ganho de capital originado pela devolução de patrimônio de entidade isenta CETIP Associação, embasada nas razões de direito apresentadas no item 2.2 deste Termo de Verificação". Em nenhum momento, a fiscalização apreciou questões relativas à aplicação da legislação que disciplina o funcionamento do mercado de valores mobiliários e a atuação dos diversos integrantes do mercado. Nem tampouco, questionou a validade da operação sob a ótica do desenvolvimento dos negócios com valores mobiliários. A fiscalização limitouse a analisar a operação sob o ponto de vista fiscal, aplicando norma tributária relativa à apuração de ganho de capital. É equivocado falarse em "competência para afastar a natureza da operação". No Direito Administrativo, competência é a aptidão de uma autoridade pública para a efetivação de certos atos. As esferas de competência da Comissão de Valores Mobiliários e da Secretaria da Receita Federal são distintas e bem delimitadas, podendo um mesmo fato ser infração tributária mas não configurar ilícito à legislação que regula o funcionamento do mercado de valores mobiliários. O escopo da CVM ao analisar a operação de desmutualização da CETIP é, grosso modo, zelar pelo bom funcionamento do mercado de valores mobiliários, garantindo a confiabilidade e a regularidade das informações divulgadas pelas companhias e os demais integrantes do mercado. A regularidade da operação perante as normas que estão na esfera de sua competência não implica a inexistência de ilícito na esfera fiscal. A Secretaria da Receita Federal aprecia os fatos e as normas relativas à legislação dos tributos e demais receitas sob sua administração, exercendo a fiscalização e aplicando as penalidades nelas previstas. Concluise, pois, que a autoridade fiscal exerceu a competência que lhe é atribuída pela legislação, não se identificando em sua atuação qualquer incoerência com atos de outros órgãos da Administração Federal, uma vez que as normas aplicadas ao mesmo fato são de naturezas distintas. Mérito Fl. 1981DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.982 14 A matéria controvertida diz respeito ao processo de "desmutualização" da CETIP e suas consequências no patrimônio das associadas, de sorte a verificar se incide Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre as atualizações dos títulos patrimoniais da CETIP, que detinha a defendente quando de sua substituição por ações da sociedade que recebeu o patrimônio da CETIP associação no momento da cisão. Para a fiscalização, no processo de desmutualização, houve a devolução do patrimônio da CETIP Associação para os seus associados, com a subsequente subscrição de ações da CETIP S.A. Desta forma incide o art. 17 da Lei n° 9.532/1997, que assim dispõe: "Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. § 1° Aos valores entregues até o final do ano de 1995 aplicamse as normas do inciso I do art. 17 da Lei n° 9.249, de 1995. § 2° O imposto de que trata este artigo será: a) considerado tributação exclusiva; b) pago pelo beneficiário até o último dia útil do mês subseqüente ao recebimento dos valores. § 3 ° Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4°Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; b) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado." Já para a defendente, por força do art. 2.033 do Código Civil e das disposições da Lei n° 6.385/1976, a CETIP Associação não se sujeitava ao estatuto civil. Deste modo, o que ocorreu foi uma cisão, que não pode ser confundida com uma redução no patrimônio da entidade com transmissão dos bens e direitos aos associados ou sua dissolução. Os arts. 2.033 e 44 do Código Civil assim dispõem: "Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regem se desde logo por este Código. Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.983 15 Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas;(Incluídopela Lei n° 10.825, de 22.12.2003) V os partidos políticos.(Incluído pela Lei n° 10.825, de 22.12.2003) VI as empresas individuais de responsabilidade limitada." A Lei n° 6.385/1976 dispõe sobre o mercado de valores mobiliários. Não há nenhum dispositivo neste diploma legal que regule as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas integrantes do mercado de valores imobiliários, nem tampouco sobre as hipóteses de sua transformação, incorporação, cisão ou fusão. Ou seja, não há disposição expressa específica que regule a transformação da CETIP, que era uma associação constituída nos termos do inciso I, do art. 16 do Código Civil de 1916 (a CETIP foi instituída em 1984). Com o advento do novo Código Civil, não houve qualquer alteração de sua natureza jurídica, que continuou a ser civil, regulada pelo inciso I, art. 44, retro transcrito. A defendente afirma que aplicou ao caso o art. 21 da Lei n° 9.249/1995: "Art. 21. A pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão deverá levantar balanço específico para esse fim, no qual os bens e direitos serão avaliados pelo valor contábil ou de mercado. § 1° O balanço a que se refere este artigo deverá ser levantado até trinta dias antes do evento. § 2° No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, que optar pela avaliação a valor de mercado, a diferença entre este e o custo de aquisição, diminuído dos encargos de depreciação, amortização ou exaustão, será considerada ganho de capital, que deverá ser adicionado à base de cálculo do imposto de renda devido e da contribuição social sobre o lucro líquido. § 3° Para efeito do disposto no parágrafo anterior, os encargos serão considerados incorridos, ainda que não tenham sido registrados contabilmente. § 4° A pessoa jurídica incorporada, fusionada ou cindida deverá apresentar declaração de rendimentos correspondente ao período transcorrido durante o anocalendário, em seu próprio nome, até o último dia útil do mês subseqüente ao do evento." Ocorre que tal norma não regula de maneira específica, distinta das regras do Código Civil, a alteração dos atos constitutivos das pessoas jurídicas integrantes do mercado de valores imobiliários, nem tampouco sobre as hipóteses de sua transformação, incorporação, Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.984 16 cisão ou fusão. A norma apenas fixa regras sobre os procedimentos a serem adotados quando uma pessoa jurídica tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão. Não há discussão acerca do caráter associativo da CETIP. O que define a aplicação das regras do Código Civil é a natureza associativa da pessoa jurídica. Como exemplo deste raciocínio transcrevemos o enunciado n° 142 do CEJ: "Os partidos políticos, sindicatos e associações religiosas possuem natureza associativa, aplicandoselhes o Código Civil". Na ausência de disposição expressa estabelecendo um regime jurídico distinto de alteração, transformação, incorporação, cisão ou fusão, para as associações que têm por objeto atividades de registro, custódia, negociação e liquidação de valores mobiliários e demais títulos negociados nos mercados de capitais, não há como afastar a aplicação das regras do Código Civil. Não é cabível a aplicação do regime da Lei n° 6.404/1976 (sociedades por ações), pois na época do fato gerador a CETIP possuía natureza associativa, não havendo que se falar em transferência de seu patrimônio, mediante cisão, para uma nova pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade anônima. Vejase o entendimento expressado pela Conselheira Viviane Vidal Wagner, por ocasião do julgamento do processo n° 16327.000281/201038, que tratava de operação idêntica de desmutualização, levada a efeito pela Bovespa: "Segundo a recorrente, não ficou configurada a hipótese de incidência tributária prevista no artigo 17 da Lei n° 9.532/97, na medida em que (i) inocorreu devolução de patrimônio e (ii) não houve ganho ou perda de capital que pudesse ensejar o fato gerador do imposto de renda, ocorrendo, apenas, uma substituição dos títulos patrimoniais que a Recorrente possuía na BOVESPA e na BM&Fpor ações da BOVESPA HOLDING e BM&F S/A sob o mesmo valor anteriormente contabilizado em decorrência da cisão parcial de tais entidades que caracterizou o processo de desmutualização. Considera a recorrente que, na ausência de dispositivo legal que vede a realização de operações de cisão por parte de associações, não teria a fiscalização o direito de presumilas proibidas e que, ao final das operações, as associações civis sem fins lucrativos estavam extintas e, em seu lugar, constituíramse sociedades anônimas. Ora, a autonomia da vontade privada deve observar as disposições legais. Sabese que o Código Civil de 2002 reformulou todo o Direito Civil e criou o ramo do direito empresarial, com regras próprias, específicas para as sociedades, as quais, por sua própria natureza, possuem intenção de lucro. Ao intérprete do Direito compete a tarefa de realizar a interpretação sistemática, considerando que "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito" (Juarez Freitas, 2002, p.70). E essa interpretação sistemática iniciase pelo próprio diploma normativo onde se insere a norma a ser interpretada. Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.985 17 A interpretação sistemática do Código Civil, por si só, afasta a interpretação extensiva que se pretende dar ao art. 2.033 do referido diploma como fundamento para aplicar às associações as normas referentes à cisão de sociedades e denegar a ocorrência de devolução patrimonial aos associados. Vejase o que dispõe o mencionado artigo, inserido no Livro Complementar, no capítulo das "Das disposições finais e transitórias", litteris: Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regem se desde logo por este Código. No referido art. 44, o Código Civil define quais são as pessoas jurídicas de direito privado, dentre elas: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: 1 as associações; II as sociedades; [...] Doutrinariamente, consoante a lição de Caio Mário da Silva Pereira, a "associação de fins não lucrativos é aquela que se propõe realizar atividades não destinadas a proporcionar interesse econômico aos associados"1. Assim, entendese que associações civis são pessoas jurídicas com regras próprias, distintas das sociedades, por não visarem o lucro. Ainda no Código Civil de 2002, as associações são tratadas no Capítulo II do Título II, referente às pessoas jurídicas, nos arts. 53 a 61, conforme abaixo: TÍTULO II DAS PESSOAS JURÍDICAS CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS CAPÍTULO II DAS ASSOCIAÇÕES Art. 53. Constituemse as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá: I a denominação, os fins e a sede da associação; II os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados; III os direitos e deveres dos associados; IV as fontes de recursos para sua manutenção; V o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos; (Redação dada pela Lei n° 11.127, de 2005) as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução. Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.986 18 a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas. (Incluído pela Lei n° 11.127, de 2005) Art. 55. Os associados devem ter iguais direitos, mas o estatuto poderá instituir categorias com vantagens especiais. Art. 56. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário. Parágrafo único. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação, a transferência daquela não importará, de per si, na atribuição da qualidade de associado ao adquirente ou ao herdeiro, salvo disposição diversa do estatuto. Art. 57. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, assim reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, nos termos previstos no estatuto. (Redação dada pela Lei n° 11.127, de 2005) Art. 58. Nenhum associado poderá ser impedido de exercer direito ou função que lhe tenha sido legitimamente conferido, a não ser nos casos e pela forma. Art. 59. Compete privativamente à assembléia geral: (Redação dada pela Lei n° 11.127, de 2005) I destituir os administradores; (Redação dada pela Lei n° 11.127, de 2005) II alterar o estatuto. (Redação dada pela Lei n° 11.127, de 2005) Parágrafo único. Para as deliberações a que se referem os incisos I e II deste artigo é exigido deliberação da assembléia especialmente convocada para esse fim, cujo quorum será o estabelecido no estatuto, bem como os critérios de eleição dos administradores. (Redação dada pela Lei n° 11.127, de 2005) Art. 60. A convocação dos órgãos deliberativos farseá na forma do estatuto, garantido a 1/5 (um quinto) dos associados o direito de promovêla. (Redação dada pela Lei n° 11.127, de 2005) Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1° Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.987 19 atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2° Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. (destaquei) As sociedades, por sua vez, são tratadas em livro distinto, que traz regras próprias, incluindo a possibilidade de transformação, incorporação, fusão e cisão, como demonstra a divisão verificada no Código, reproduzida no esboço abaixo: LIVRO II Do Direito de Empresa TÍTULO II Da Sociedade SUBTÍTULO II Da Sociedade Personificada CAPÍTULO X Da Transformação, da Incorporação, da Fusão e da Cisão das Sociedades Como se vê, o Código Civil de 2002 distingue claramente as normas destinadas às associações das normas destinadas às empresas, sendo ressalvada a lei especial que rege as sociedades anônimas, como se extrai do seu art. 1.089 ("A sociedade anônima regese por lei especial, aplicandoselhe, nos casos omissos, as disposições deste Código.") Notese que, quando quis compartilhar as normas das associações com as sociedades, o legislador expressamente o fez, através de dispositivo específico no corpo do próprio diploma legal, estendendo as normas do regime jurídico das associações às empresas, subsidiariamente, verbis: Art. 44. ... § 2° As disposições concernentes às associações aplicamse subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. (Incluído pela Lei n° 10.825, de 22.12.2003) De outro lado, inexiste qualquer dispositivo no Código Civil determinando a aplicação das regras das sociedades empresárias às associações. Apenas são estendidas as normas societárias sobre liquidação para as demais pessoas jurídicas privadas, quando cabíveis, verbis: Art. 51 ... § 2° As disposições para a liquidação das sociedades aplicam se, no que couber, às demais pessoas jurídicas de direito privado. § 3° Encerrada a liquidação, promoverseá o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica. Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.988 20 Ao intérprete cabe, necessariamente, observar as divisões internas de suas normas, ao realizar a interpretação sistemática do Código, o que se aplica na leitura da regra transitória do art. 2.033. Assim, de acordo com os dispositivos mencionados, a única interpretação possível, a meu ver, é a de que, em relação às associações, dado seu caráter de entidade peculiar, sua extinção somente se dá através da dissolução, ainda que parcial, a qual deve obedecer às regras previstas no capítulo próprio do CC/2002, especialmente em seu art. 61. No presente caso, o que se verifica não é a ocorrência de cisão ou transformação, mas de criação de uma nova personalidade jurídica (sociedade), após a dissolução parcial da entidade sem fins lucrativos (associação civil), com devolução parcial do patrimônio aos associados, já que não seria possível a versão direta de patrimônio da associação civil para a sociedade anônima. O ilustre civilista Orlando Gomes fez a seguinte distinção entre ambas, pertinente ao presente litígio: "dissolvida uma sociedade ou associação, seu patrimônio terá destinação diversa: sendo sociedade, partilhase entre os sócios, sendo associação, devolvese à pessoa designada no estatuto e, sendo este omisso, à que for indicada na lei". Ademais, não pode restar dúvida de que a regra do art. 61 do Código Civil se aplica inclusive para as associações constituídas anteriormente à entrada em vigor da lei, já que o próprio legislador civil previu, dentre as disposições transitórias, um prazo de adaptação, inicialmente, de um ano e, depois com a alteração da Lei n° 10.833, de 2004, de dois anos, para que as pessoas jurídicas, inclusive as associações, se ajustassem ao novo Estatuto Civil. Posteriormente, todas passaram a estar sujeitas às novas regras, como preceitua o art. 2.031, em sua redação atual: Art. 2.031. As associações, sociedades e fundações, constituídas na forma das leis anteriores, bem como os empresários, deverão se adaptar às disposições deste Código até 11 de janeiro de 2007. (Redação dada pela Lei n° 11.127, de 2005) Mesmo que, após a publicação do Código Civil de 2002, mas ainda durante a vigência do art. 22 do Código Civil de 1916, se pudesse tentar fazer cumprir disposição estatutária contrária às novas regras, após o prazo de transição, essa possibilidade se extingue, visto que todas as associações passam a ser inteiramente regidas pelos arts. 53 a 61 do novo Código. Nesse sentido, quaisquer atos legais ou infralegais, tais como pareceres, publicados anteriormente à data de vigência do novo Código Civil, devem ser interpretados à luz da novel legislação. Isso inclui a leitura do art. 16 da Lei n° 9.532/97, abaixo transcrito: Art. 16. Aplicamse à entrega de bens e direitos para a formação do patrimônio das instituições isentas as disposições do art. 23 da Lei n° 9.249, de 1995. Parágrafo único. A transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.989 21 deverá ser efetuada pelo valor de sua aquisição ou pelo valor atribuído, no caso de doação. Cabe observar que tal dispositivo sequer se aplica ao presente caso, que trata da entrega de bens para a formação do patrimônio de sociedade anônima, pois se refere à entrega de bens e direitos para a formação do patrimônio de instituição isenta, ou seja, à transferência entre patrimônios de entidades de mesma natureza. Verificase que nos casos de entidades sem fins lucrativos detentoras de benefício fiscal, a preocupação do legislador leva em conta a versão do patrimônio para entidades de mesma natureza, para fins de continuidade do tratamento, como se depreende do disposto na mesma lei, em relação às entidades imunes. Vejase: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1° e 2° da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória n° 215835, de 2001) [...] § 2° Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. (destaquei) Logo, interpretandose restritivamente a legislação que dispõe sobre entidades sem fins lucrativos, nos termos do art. 111 do CTN, toda forma de tributação privilegiada pode ser mantida apenas enquanto atendidos os requisitos legais, o que se estende às entidades dela derivadas nas hipóteses previstas em lei. Ademais, em todo e qualquer processo de reorganização societária, temse a necessidade de registro específico dos atos de constituição e de dissolução das entidades envolvidas, em atendimento ao disposto no Código Civil de 2002, conforme abaixo: Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbandose no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. ... Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.990 22 Art. 51. Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização para seu funcionamento, ela subsistirá para os fins de liquidação, até que esta se conclua. § 1o Farseá, no registro onde a pessoa jurídica estiver inscrita, a averbação de sua dissolução. Enquanto as associações e demais entidades civis são registradas no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, consoante dispõe a Lei n° 6.015, de 31/12/73 (Lei dos Registros Públicos), as sociedades de caráter comercial são registradas nas Juntas Comerciais do Estado. Considerandose que o art. 45 do Código Civil estabelece que a existência da pessoa jurídica se dá com o registro de seus atos no órgão competente, não é possível a transformação de associação civil em sociedade mercantil, havendo a necessidade de se promover a baixa de seus atos no Registro Civil de Pessoas Jurídicas e a subsequente inscrição na Junta Comercial, constituindose, portanto, em outra pessoa jurídica. Assim, a par de ostentarem finalidades econômicas opostas, a manutenção de cadastros absolutamente distintos para entidades sem fins lucrativos e sociedades empresárias, por si só, evidencia a solução de continuidade do empreendimento e a impossibilidade de se considerar o processo de desmutualização como mera transformação. Na transformação ocorre, necessariamente, a continuidade da sociedade que se modificou, mantendose a mesma personalidade jurídica adquirida. Nesse sentido, dispõe o CC/2002: Artigo 1.113. O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrições próprios do tipo em que vai converterse. Notese que o referido dispositivo aplicase unicamente às sociedades, considerando os diversos tipos societários: limitada, anônima, em comandita simples, em comandita por ações, dentre outros. Aqui ressalto, novamente, a distinção entre a natureza jurídica de uma associação sem fins lucrativos e uma sociedade empresarial, vez que a intenção de se alterar o propósito operacional das Bolsas, de não lucrativo para lucrativo, altera sua própria finalidade existencial. Ademais, não se pode olvidar que a isenção tributária das associações pertine à natureza jurídica de não distribuição dos resultados positivos. Em suma, não se pode negar que há evidente solução de continuidade entre a dissolução de uma associação, ainda que parcialmente, e a criação de uma sociedade comercial, o que é reforçado pela necessidade de distintos registros no Registro Civil das Pessoas Jurídicas e na Junta Comercial, a demonstrar a impossibilidade de se registrar uma mera transformação de associação civil sem fins lucrativos em sociedade anônima. (...) Na seara tributária, a legislação é clara ao prever a incidência do IRPJ e da CSLL na hipótese dos autos, através do art. 17 da Lei n° 9.532, de 10/12/97: Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.991 23 Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. § 1° Aos valores entregues até o final do ano de 1995 aplicamse as normas do inciso I do art. 17 da Lei n° 9.249, de 1995. § 2° O imposto de que trata este artigo será: considerado tributação exclusiva; pago pelo beneficiário até o último dia útil do mês subseqüente ao recebimento dos valores. § 3 ° Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4° Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. (destaquei) Como se viu, a hipótese dos autos enquadrase no art. 61 do Código Civil, pela dissolução parcial de associação (BOVESPA e BM&F), com devolução parcial de patrimônio aos associados, gerando o consequente ganho de capital da diferença do custo de aquisição e do valor contábil pelo qual foi realizada a capitalização, respectivamente, da Bovespa Holdings e da BM&F S.A. Assim, em razão do processo de desmutualização, representa receita tributável, na forma do art. 17 da Lei n° 9.532/97, a "diferença entre o valor nominal das ações (da sociedade) recebidas pelos associados (sociedades corretoras) e o custo de aquisição das cotas ou frações ideais representativos do patrimônio segregado das bolsas de valores", apurada no momento da substituição dos títulos patrimoniais pelas ações. A exigência da CSLL decorre de expressa previsão do §4° do mesmo dispositivo, ao estabelecer que a base de cálculo expressa no caput prestase também para determinação da base de cálculo da CSLL. Diante de todo o exposto, não se pode concluir pela possibilidade de realização de cisão de associações, com base simplesmente nos termos do art. 2.033 do Código Civil e do art. 16 da Lei n° 9.532/97, de modo a afastar a apuração de ganho de capital no processo de desmutualização."(Acórdão n° 1202000,745) Nesta esteira descabido o argumento de que houve uma mera atualização no nome do direito detido, que deixa de ser algo relacionado à cindida (na hipótese em exame, título patrimonial) e passa a dizer respeito à incorporadora (ações da sociedade empresária CETIP). Ao contrário, ocorreu verdadeira modificação da natureza jurídica do bem possuído Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.992 24 pela defendente, que de contribuição para o patrimônio de uma entidade sem fins lucrativos transformouse em valor mobiliário negociável no mercado. Por fim, não há como deixar de reconhecer a ocorrência da hipótese legal prevista no art. 17 da Lei n° 9.532/1997, uma vez que o processo de desmutualização trouxe, efetivamente, ganhos patrimoniais à defendente, que passou de simples associada da CETIP à detentora de ações na CETIP S/A, acrescendo ao seu patrimônio as novas ações adquiridas com os valores que havia dispendido para a formação da associação e que lhe fora devolvido devidamente corrigido, em razão da desmutualização. Das multas isoladas IRPJ 2008 e 2010 CSLL 2008 e 2010 (infração n° 2) Da concomitância de multas Quanto a essa matéria este Conselho possui entendimento firmado, para fatos geradores anteriores à mudança legislativa trazida pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, com a edição da Súmula CARF nº 101, in verbis. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Com efeito, a inteligência da citada súmula é clara quanto à aplicação a fatos geradores anteriores a junho de 2007, nada aclarando, no meu entender, quanto a fatos geradores a partir daquela data. Nesse esteira, quanto a fatos geradores posteriores à citada mudança legislativa, este Colegiado possui entendimento sedimentado, embora não unânime, no sentido da inaplicabilidade da multa isolada quando concomitante com a multa de ofício proporcional ao tributo apurado. Nesse sentido, cito, dentre outros, o acórdão CSRF 910100.450, de 4/11/2009, cuja ementa elucida: MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual. A jurisprudência no e.Superior Tribunal de Justiça também se coaduna com esse entendimento. Vejase, nesse sentido, o REsp 1496354/PR, julgado pela segunda Turma daquela Corte, que, à unanimidade, confirmou o entendimento quanto à impossibilidade da aplicação das duas multas, quando concomitantes. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.993 25 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. Transcrevo agora excertos do voto condutor daquele julgado, com os fundamentos que adoto: "[...] Para fins de esclarecimento da controvérsia, cito as normas que, segundo a parte recorrente, foram violadas: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.994 26 líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" Não prospera a pretensão recursal, na medida em que não reconheço a possibilidade de exigência cumulativa de tais multas. A multa do inciso I é aplicável nos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". A multa do inciso II, entretanto, é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007)". Sistematicamente, notase que a multa do inciso II do referido artigo somente poderá ser aplicada quando não possível a multa do inciso I. Destacase que o inadimplemento das antecipações mensais do imposto de renda não implicam, por si só, a ilação de que haverá tributo devido. Os recolhimentos mensais, ainda que configurem obrigações de pagar, não representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final do ano calendário, quando ocorrer o fato gerador. As hipóteses do inciso II, 'a' e 'b', em regra, não trazem novas hipóteses de cabimento de multa. A melhor exegese revela que não são multas distintas, mas apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em consequência de, nos caso ali descritos, não haver nada a ser cobrado a título de obrigação tributária principal. As chamadas "multas isoladas", portanto, apenas servem aos casos em que não possam ser as multas exigidas juntamente com o tributo devido (inciso I), na medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput. Esse entendimento é corolário da lógica do sistema normativotributário que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De fato, a infração que se pretende repreender com a exigência isolada da multa (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente abrangida por eventual infração que acarrete, ao final do ano calendário, o recolhimento a menor dos tributos, e que dê azo, assim, à cobrança da multa de forma conjunta. Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplicase a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente. O princípio da consunção (também conhecido como Princípio da Absorção) é aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas típicas com existência de um nexo de dependência entre elas. Segundo tal preceito, a infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Sob este enfoque, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.995 27 também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. [...]". Portanto, as multas de oficio isoladas, naquilo em que forem concomitantes com as multas de ofício proporcionais, devem ser exoneradas. Em outras palavras, a multa isolada será cancelada até o montante de base de cálculo menor ou igual à base de cálculo da multa de ofício proporcional. Dito isso, passase à análise fática da questão. Na decisão recorrida foi exonerada parte das multas isoladas lançadas. Os quadros a seguir resumem a situação do crédito tributário após o julgamento de primeira instância. CSLL Multa de Ofício (75%) P.A Exigida Exonerada Mantida Exigida Exonerada Mantida 2008 66.669,10 0,00 66.669,10 50.001,83 0,00 50.001,83 Total 66.669,10 0,00 66.669,10 50.001,83 0,00 50.001,83 Multa Isolada s/ IRPJ Estimativa (50%) Data Referência Exigida Exonerada Mantida 30/04/2008 1.030.531,69 1.030.531,69 0,00 31/05/2008 363.883,51 363.883,51 0,00 30/06/2008 361.029,67 361.029,67 0,00 Total 1.755.444,87 1.755.444,87 0,00 Multa Isolada s/ IRPJ Estimativa (50%) Data Referência Exigida Exonerada Mantida 31/01/2010 352.689,72 0,00 352.689,72 28/02/2010 598.710,69 0,00 598.710,69 31/03/2010 475.700,20 0,00 475.700,20 30/04/2010 475.700,20 0,00 475.700,20 31/05/2010 475.700,20 0,00 475.700,20 30/06/2010 475.700,20 0,00 475.700,20 31/07/2010 475.700,20 0,00 475.700,20 31/08/2010 475.700,20 0,00 475.700,20 30/09/2010 475.700,20 0,00 475.700,20 31/10/2010 475.700,20 0,00 475.700,20 30/11/2010 475.700,20 0,00 475.700,20 31/12/2010 475.700,20 0,00 475.700,20 Total 5.708.402,41 0,00 5.708.402,41 Fato Gerador Multa Isolada s/ CSLL Estimativa (50%) Exigida Exonerada Mantida 30/04/2008 2.562.875,09 1.128.021,58 1.434.853,51 31/05/2008 2.476.267,11 0,00 2.476.267,11 30/06/2008 2.845.799,49 0,00 2.845.799,49 Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.996 28 31/07/2008 2.577.429,68 0,00 2.577.429,68 31/08/2008 2.374.245,82 0,00 2.374.245,82 30/09/2008 4.222.807,33 0,00 4.222.807,33 31/10/2008 268.532,51 0,00 268.532,51 Total 17.327.957,03 1.128.021,58 16.199.935,45 Multa Isolada s/ CSLL Estimativa (50%) Fato Gerador Exigida Exonerada Mantida 31/01/2010 285.420,12 0,00 285.420,12 28/02/2010 285.420,12 0,00 285.420,12 31/03/2010 285.420,12 0,00 285.420,12 30/04/2010 285.420,12 0,00 285.420,12 31/10/2010 721.446,97 0,00 721.446,97 30/11/2010 1.276.493,89 0,00 1.276.493,89 31/12/2010 285.420,12 0,00 285.420,12 Total 3.425.041,46 1.128.021,58 3.425.041,46 Ressaltese que o julgamento de primeira instância exonerou a multa isolada quanto ao IRPJ no anocalendário 2008. Importa destacar, de outro lado, a repercussão do lançamento objeto do processo 16327.720416/201247 no presente caso. Em primeiro lugar, tendo em vista que o julgamento naquele processo, quanto à superveniência de depreciação no cálculo das estimativas de CSLL devidas em 2008 foi favorável à recorrente, não há que falar em multa isolada por falta de estimativas a título de CSLL para aquele anocalendário. Ademais, perscrutandose aquele processo constatase as seguintes bases de cálculo para as multas de ofício proporcionais, relativas ao anocalendário 2010: IRPJ 2010: R$11.416.804,92, fl. 1.022 do processo 16327.720416/201247 CSLL 2010: R$6.850.082,95 fl. 1.031 do processo 16327.720416/201247 Assim, recompondose as bases de cálculo das multas isoladas e proporcionais, chegase aos valores mostrados no quadro a seguir, para o anocalendário de 2010. Anocalendário BC multa proporcional (1) BC multa isolada (2) (2)(1) IRPJ 11.416.804,92 11.416.804,82 0,10 CSLL 6.850.082,95 6.850.082,95 0,00 Tendo em vista que a base de cálculo da multa isolada foi inferior à base de cálculo da multa de ofício proporcional, há que se reconhecer que a concomitância atinge a multa isolada por inteiro. Dos juros de mora incidentes sobre a multa de oficio Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.997 29 A recorrente questiona a cobrança de juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício. Afirma que inexiste base legal para essa exigência e apresenta vários julgados deste Conselho que amparam sua tese. A aplicação de taxa de juros lastreadas em indicadores do mercado financeiro iniciouse com a Lei nº Lei nº 8.981/95, cujo art. 84 dispõe: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...) Em Seguida, a Lei nº 9.065/95 substituiu o indicador pela taxa SELIC: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea "a.2" da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (...) Por seu turno, a Lei nº 9.430/1996, ao remodelar a multa de mora incidente nos pagamentos em atraso, estabeleceu em parágrafo que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC, veja: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Com base nessa disposição a Receita Federal vem entendendo que a multa de ofício também está sujeita aos juros de mora à taxa SELIC, a partir do seu vencimento. O cerne da questão está, pois, na interpretação que se deve dar à expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições”. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Portanto, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.998 30 Também nesse sentido é a multa de ofício débito decorrente de tributos e contribuições. Isso porque ela resulta, nos exatos termos da alínea a do art. 44 da Lei nº 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização à falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória. A jurisprudência neste Conselho é predominante no sentido de que é cabível a apreciação da matéria pelo contencioso administrativo e de que a aplicação da taxa Selic à multa de ofício é correta. Nesse sentido já se manifestou este E. Colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Aplicável, portanto, a SELIC como taxa de juros de mora sobre a multa de oficio. Do recurso de ofício A DRJ exonerou crédito tributário relativo às multas isoladas de IRPJ, para os fatos geradores de 30/04/2008, 31/05/2008 e 30/06/2008, e reduziu a multa isolada de CSLL, para o fato gerador de 30/04/2008, de R$2.562.875,09 para R$1.434.853,51 alegando o que segue. Aduz a impugnante que a fiscalização não levou em consideração os recolhimentos de estimativas anteriores, descumprindo o disposto no art. 2°, § 4°, IV, da Lei n° 9.430/1996, que assim dispõe: "Art.2° A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1° e 2°do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) §4° Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) IV do imposto de renda pago na forma deste artigo." Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 1.999 31 De fato, conforme orientações explicitadas pela própria Secretaria da Receita Federal, nas instruções de preenchimento da DIPJ, a seguir reproduzidas, o imposto de renda e a contribuição social devidas em meses anteriores podem ser deduzidos para efeito de cálculo do tributo a pagar: "Linha 11/06 () Imposto de Renda Devido em Meses Anteriores Esta linha deve ser utilizada somente nos meses em que a pessoa jurídica levantou balanço ou balancete de suspensão ou redução (ver subitem 15.1.6.3). Informar o somatório do imposto de renda devido nos meses anteriores do mesmo anocalendário, abrangidos pelo período em curso compreendido na demonstração. O imposto devido em cada mês corresponde ao somatório, se positivo, dos valores informados nas Linhas 11/02 + 11/03 + 11/04 Linha 11/05 Linha 11/06." Ao analisarmos a planilha elaborada pela fiscalização (fls. 1322) constatamos os seguintes equívocos: i) não foram deduzidas as estimativas devidas nos meses de janeiro a março de 2008; ii) o valor do adicional do imposto de renda não foi determinado mediante a aplicação da alíquota de 10% (dez por cento) sobre a parcela do lucro real que exceder o valor resultante da multiplicação de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) pelo número de meses do respectivo período de apuração. No mês de abril de 2008 o cálculo correto do adicional do imposto de renda deveria ser o seguinte: (8.252.253,56 20.000 x 4 meses ) x 10% = 817.225,36. Refizemos o cálculo da fiscalização sanando os equívocos na planilha de fls. 1745/1746. Por concordar com o procedimento da DRJ, acima transcrito, nego provimento ao recurso de ofício, que exonerou crédito tributário relativo às multas isoladas de IRPJ, para os fatos geradores de 30/04/2008, 31/05/2008 e 30/06/2008, e reduziu a multa isolada de CSLL, para o fato gerador de 30/04/2008, de R$2.562.875,09 para R$1.434.853,51 conforme tabelas constantes da conclusão do acórdão recorrido, às fls. 1.837/1.838. Conclusão Por todo o exposto, Voto por rejeitar a preliminar de nulidade, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a multa isolada concomitante com a multa de ofício proporcional. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 1999DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720505/201293 Acórdão n.º 1402002.073 S1C4T2 Fl. 2.000 32 Fl. 2000DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13839.002950/2005-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. NÃO CONHECIMENTO.
Não será conhecido o Recurso Especial quando não restar demonstrado, de forma objetiva, o dissídio jurisprudencial decorrente de interpretação divergente de legislação tributária, a qual deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido.
RECURSO ESPECIAL. REEXAME DE PROVAS. NÃO CABIMENTO.
A divergência jurisprudencial necessária à admissibilidade do Recurso Especial não se estabelece em matéria de reexame de prova, mas, sim, na interpretação divergente de normas tributárias. A pretensão de simples reexame de prova, quando demonstrado que o colegiado entendeu não serem suficientes, não enseja recurso especial.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido
Numero da decisão: 9202-003.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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Interposta pessoa Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ROBERTO MOUTRAN ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. NÃO CONHECIMENTO. Não será conhecido o Recurso Especial quando não restar demonstrado, de forma objetiva, o dissídio jurisprudencial decorrente de interpretação divergente de legislação tributária, a qual deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. RECURSO ESPECIAL. REEXAME DE PROVAS. NÃO CABIMENTO. A divergência jurisprudencial necessária à admissibilidade do Recurso Especial não se estabelece em matéria de reexame de prova, mas, sim, na interpretação divergente de normas tributárias. A pretensão de simples reexame de prova, quando demonstrado que o colegiado entendeu não serem suficientes, não enseja recurso especial. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 29 50 /2 00 5- 81 Fl. 2719DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 2720DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.002950/200581 Acórdão n.º 9202003.990 CSRF‐T2 Fl. 2.702 3 Relatório Tratase de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001, consubstanciado no Auto de Infração, consubstanciado no Auto de Infração a fls. 257/262, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.394.296,12, calculados até 30/11/2005. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, com aplicação de 75% e da multa qualificada de 150%. A autoridade fiscal atribuiu ao Autuado a movimentação financeira de titularidade do Sr. Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini, em função da existência de processo em trâmite na 1ª Vara Criminal Federal de Campinas e de investigação da Polícia Federal. Inconformado com a exigência tributária, o Contribuinte ofereceu Impugnação Administrativa a fls. 267/285. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II/SP lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1717.898 – 5ª Turma da DRJ/SPOII, a fls. 326/348, julgando procedente o Lançamento e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. Devidamente intimado da Decisão de 1ª Instância, porém inconformado, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, a fls. 351/369, reiterando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, requerendo, ao fim, o reconhecimento da improcedência do lançamento de oficio. O Colegiado da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª SEJUL do CARF proferiu Acórdão nº 2201001.898 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária/2ª SEJUL/CARF, de 20/11/2012, a fls. 2598/2608, acordando, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir da exigência a parcela relativa às contas em nome de terceiros, nos termos do Dispositivo que se vos segue: Acórdão nº 2201001.898 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Fl. 2721DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. IRRETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174/2001. SÚMULA CARF Nº 35. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. AUSÊNCIA DE PROVA. A determinação dos rendimentos omitidos, tomando por base depósitos bancários de origem não comprovada, somente pode ser efetuada em relação a terceiro quando restar comprovado pelo Fisco que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem ao autuado. SELIC. TAXA DE JUROS. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a parte relativa às contas em nome de terceiros.” Em desfavor do Acórdão nº 2201001.898 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária/2ª SEJUL/CARF insurgiuse Fazenda Nacional interpondo o Recurso Especial a fls. 2611/2629, argumentando ter havido, por parte do Órgão Julgador de 2ª Instância Administrativa, desrespeito às normas de direito probatório, resultando numa errônea valoração da prova e numa equivocada interpretação do art. 42, §5º, da Lei nº 9.430/96, nos termos adiante elencados, ad litteris et verbis: “A questão nodal da lide é a definição do que pode ser entendido como “provado” nos termos do art. 42, § 5º, da Lei nº 9.430/96 ou como “comprovado com documentação hábil e idônea”, nos termos do enunciado nº 32 da Súmula do CARF. Logo, fica evidenciado que não se pretende contrariar o enunciado sumular, mas sim obter a sua correta interpretação. A divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas resta evidenciada na medida em que, para aquele, a redação do §5º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, introduzido pelo art. 58 da Lei nº 10.637/2002 somente admite mudança da sujeição passiva para pessoa não titular da conta bancária quando exaustivamente provado que os valores creditados pertencem a terceiro, evidenciando a interposição de pessoa, sendo que, no caso dos autos, as conclusões da autoridade lançadora e o lançamento daí decorrente estariam assentados em indícios. Por outro lado, os acórdãos paradigmas demonstram que, para a comprovação de utilização de interposta pessoa, as provas carreadas aos autos seriam suficientes em razão da utilização da prova indiciária, sobretudo quando aliada a meras alegações e negativas por parte do autuado desacompanhadas de quaisquer elementos probatórios, bem como da distribuição do ônus da prova. Fl. 2722DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.002950/200581 Acórdão n.º 9202003.990 CSRF‐T2 Fl. 2.703 5 Os paradigmas, ao revés, consideraram como provas hábeis e idôneas, indícios de uso fraudulento de conta bancária e de interposição de pessoa aliados a simples negativas por parte do autuado. Exemplificativamente, os paradigmas consideraram como elementos hábeis a essa comprovação a declaração do titular da conta à Receita Federal de patrimônio incompatível com a movimentação bancária realizada; a ligação entre o titular da conta bancária com o autuado apontado pelo Fisco como beneficiário dos recursos depositados; depoimentos de testemunhas (tal como consta no inquérito policial conduzido perante a 1º Vara Federal de Campinas/SP). Vale ressaltar que Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini possui vínculo familiar com o autuado (é sobrinho da esposa deste último 2 ), além de trabalhar em estacionamento que, conforme admitiu o próprio autuado, funciona em terreno da propriedade deste último. Portanto, é cediço que, diante de quadros fáticos similares, os acórdãos confrontados chegaram a conclusões jurídicas diversas. Enquanto o acórdão recorrido exige a certeza, com o ônus probatório todo a cargo do Fisco, para fins de aplicação do § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, os paradigmas entenderam de forma diversa. Os paradigmas, interpretando o mesmo dispositivo legal, entenderam que se o Fisco apresenta indícios de interposição de pessoas na movimentação bancária aliados a meras alegações e negativas por parte do autuado, deve ser mantido o lançamento por omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários não em nome do titular da conta, mas sim daquele apontado como o beneficiário desses recursos. Por outro lado, cabe enfatizar também, como segunda questão proposta nessa insurgência, que os paradigmas entenderam como provas hábeis e idôneas de que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, com o conseqüente lançamento em face do terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento a declaração à Receita Federal dos titulares da conta bancária de patrimônio incompatível com a movimentação bancária realizada, a ligação existente entre o autuado e o titular da conta bancária, depoimentos de testemunhas (tal como consta no inquérito policial conduzido perante a 1º Vara Federal de Campinas/SP), etc.. Nesse contexto, o acórdão paradigma perpassa pelos argumentos e pelas considerações tomadas como razões de decidir pelo acórdão recorrido. Poderia inclusive, partido das mesmas premissas e da mesma tese jurídica quanto à correta interpretação do § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, ter chegado à mesma conclusão. Logo, evidenciado que, diante de casos concretos análogos, os acórdãos recorrido e paradigmas chegaram a conclusões jurídicas diversas.” Fl. 2723DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Quanto ao mérito, a Fazenda Nacional argumenta que: a) O contribuinte se valeu de interposta pessoa para movimentar livremente contacorrente bancária, impedindo/retardando o conhecimento dos fatos geradores pela autoridade fiscal, e que o acórdão recorrido contrariou as disposições do art. 42, da Lei nº 9.430/96; b) Afirma que o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, criando requisitos para que a imputação da responsabilidade fosse feita em face de terceiro, que não o titular da conta, e que tal imputação, consoante autorização legal, é procedida com base em evidências, cabendo ao contribuinte o ônus da prova de que os recursos não lhe pertencem; c) Pondera que a presunção de omissão de rendimentos prevista na Lei nº 9.430/96 é relativa, passível de prova em contrário a ônus do contribuinte. Aduz que a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos em lei; d) Assevera que, no caso dos autos, a fiscalização comprovou documentalmente que o Sr. Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini era interposta pessoa do autuado, a teor do que restou evidenciado em investigação criminal conduzida perante a Justiça Federal de Campinas/SP, cujas peças foram colacionadas aos presentes autos; e) Complementa asseverando que, além de as movimentações financeiras do Sr. Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini serem incompatíveis com os rendimentos declarados, o Autuado foi identificado como uma das pessoas a movimentar as contas bancárias daquele, e que o vínculo estabelecido entre o autuado e o titular formal da conta bancaria ficaram evidenciados na decisão de primeira instância e por depoimento prestado pelo próprio autuado no inquérito policial em referência. Por fim, requer seja dado provimento ao recurso especial, reformandose o acórdão recorrido de forma que o lançamento seja mantido em sua integralidade. O Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL houvese plenamente admitido, consoante Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial a fls. 2662/2675. Contrarrazões pelo Sujeito Passivo, a fls. 2681/2689, pugnando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Traz como argumentos: · Impossibilidade de reavaliação dos fatos e das provas, pelo cotejo dos acórdãos que em tese definiriam a divergência apresentada, notase que são casos com realidade fática distinta externada por provas igualmente distintas; · Não houve nos acórdãos indicados como paradigmas situação similar ao recorrido, uma vez que nem mesmo foi o processo baixado em diligência para complementação de informações; Fl. 2724DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.002950/200581 Acórdão n.º 9202003.990 CSRF‐T2 Fl. 2.704 7 · No que diz respeito ao acórdão 10615721 não existe divergência uma vez que o acórdão faz referência a um conjunto ptobatório capaz de sustentar a acusação de interposição de pessoas. Ficou demonstrado que há aparente participação do autuado na abertura das contas e na sua movimentação (cheques). No caso concreto, não há essa participação. · Em relação ao segundo acórdão, também não há divergência em relação ao acórdão recorrido, tendo em vista que no paradigma o fisco, conforme argumenta o relator provou a existência da interposição de pessoas, e o contribuinte não logrou desconstituir z prova fiscal · O que se busca com o recurso especial são a reavalização de provas já afastadas pelo colegiado a quo. AInda que se pudesse reabrir a análise das provas é de se considerar que o douto relator foi diligente o suficiente para que se exaurisse o cotejo dos fatos e provas. · Requer o não provimento do Resp da Fazenda. É o relatório. Fl. 2725DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA FAZENDA NACIONAL Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, conforme despacho de Admissibilidade, a fls. 2662/2675. Assim, passamos a apreciar o efetivo atendimento aos requisitos de procedibilidade do Recurso Especial, previstos no art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. DO CONHECIMENTO DO RECURSO OMISSÃO DE RENDIMENTOS – FORÇA PROBANTE DA PROVA INDICIÁRIA Temse em pauta Recurso Especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2201001.898 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária/2ª SEJUL/CARF, de 20 de novembro de 2012, a fls. 2598/2608, que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares suscitadas pelo Sujeito Passivo e, no mérito, deu provimento parcial ao seu Recurso Voluntário para excluir da exigência fiscal a parcela relativa às contas em nome de terceiros. Com efeito, o art. 42 da Lei nº 9.430/96 estabelece uma presunção iuris tantum de omissão de receita, sempre que, devidamente intimado para tanto, não houver a devida comprovação pelo contribuinte, mediante documentos hábeis e idôneos, da real origem dos recursos movimentados em sua conta bancária, resultando daí, a incidência do imposto de renda sobre tais valores. Há, portanto, uma presunção legal, porém relativa, de omissão de rendimentos, o que inverte o ônus da prova, de forma que, não conseguindo os beneficiários comprovar a origem dos depósitos em sua conta bancária e tampouco a variação integral do seu patrimônio, limitese o Fisco no direito de efetuar o lançamento do tributo incidente sobre os tais rendimentos, por presunção legal, omitidos. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 2726DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.002950/200581 Acórdão n.º 9202003.990 CSRF‐T2 Fl. 2.705 9 §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$12.000,00 (doze mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. §5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. §6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Na hipótese ventilada no caput do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o encargo probatório decorrente da presunção legal em debate revertese em desfavor do Contribuinte, que necessita demonstrar com documentos hábeis e idôneos a origem jurídica dos rendimentos transitados pela sua conta bancária para se por a salvo da tributação do Imposto de Renda. Por outro lado, no caso vertido no §5º do citado art. 42 da Lei nº 9.430/96, o Legislador Ordinário buscou efetivamente reaproximar a titularidade da importância consignada na conta de interposta pessoa (laranja), do seu verdadeiro e real proprietário, mediante a desconsideração do ato ou do negócio jurídico simulado, praticado por este último com o sinistro intuito de esquivarse da tributação. Assim, a norma antielisiva mune a administração tributária com o poder/dever de proceder à requalificação jurídica formal do ato ficto, fazendoo coincidir com a realidade substancial. Fl. 2727DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 A base sobre a qual se funda o Recurso Especial da Fazenda Nacional reside, na alegada divergência das posições adotadas pelas Turmas do CARF quanto à força probante da prova indiciária, para fins de comprovação da intermediação de pessoas para dissimular e acobertar patrimônio e/ou receitas tributáveis pelo Imposto de Renda. Nesse sentido, pugnou o sujeito passivo pelo não cohecimento do recurso, pela ausência de divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas. O primeiro ponto que merece ser prontamente apreciado, referese a demonstração de que a divergência entre as decisões prolatadas no Acórdão Recorrido e no Acórdão Paradigma não decorreu de divergência de interpretações da legislação tributária empreendida pelas respectivas Turmas Julgadoras quanto à admissibilidade da prova indiciária no Processo Administrativo Fiscal, mas, sim, da força probante relativa dos indícios colhidos pela Fiscalização em cada caso, uns mais robustos, outros mais frágeis, e a aptidão de tais indícios na formação do convencimento do Julgador. Reiterese que na hipótese vertida no §5º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o ônus da prova é integral da Fazenda Pública, exigindo a lei, de maneira expressa, que se prove, mesmo que com a utilização de provas indiciárias, a intermediação de pessoa, isto é, que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento da pessoa tida como interposta, pertencem de fato a um terceiro, este, o efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. No primeiro Acórdão Paradigma, indicado, a Turma Julgadora considerou que os indícios colhidos pela Fiscalização foram robustos o suficiente para a formação de sua convicção quanto à efetiva intermediação de pessoa, razão pela qual atribuiu a titularidade dos valores creditados na conta de depósito ou de investimento do “Laranja” ao Terceiro, este na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. “Processo n° 10680.012332/2007‑ 63 Recurso n° 167.714 Voluntário Acórdão n° 2202‑ 00.209 — 2 Câmara / 2ʹ Turma Ordinária Sessão de 19 de agosto de 2009 Matéria IRPF Recorrente RONILDO ANTUNES FREITAS Recorrida 5 TURMA/DRJ‑ BELO HORIZONTE/MG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2003 DECADÊNCIA – Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, §4º do CTN), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro, ausente a comprovação do dolo, fraude ou simulação. MULTA QUALIFICADA – Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos Fl. 2728DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.002950/200581 Acórdão n.º 9202003.990 CSRF‐T2 Fl. 2.706 11 definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. A fraude, sonegação ou conluio deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – INTERPOSTA PESSOA. Conforme prevê o artigo 42, § 5º da Lei nº 9.430/96, nos casos de interposta pessoa a determinação dos rendimentos deve ser efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento, sob pena de se configurar erro na eleição do sujeito passivo. Recurso provido1. Para fazer o cotejamento e demonstrar a divergência a PGFN traz trechos do acórdão: “Nos termos da referida norma legal presume‑ se omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que é no sentido de que está que o Sr. Carlos Anizio de Melo Rocha era interposta pessoa do recorrente, a quem pertenciam, efetivamente, as importâncias por lá movimentadas. Assim, de se concluir que a autoridade lançadora agiu de acordo com a regra do artigo 42, § 5°, da Lei n° 9.430/96, segundo a qual ʺ § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da Fl. 2729DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 conta de depósito ou de investimento.ʺ e, na minha visão, seu trabalho não restou desconstituído pelo recorrente. Não houve demonstração por parte da Contribuinte através de provas hábeis, a origem dos valores depositados na conta bancária, sendo que o mesmo foi intimado para demonstrar que os valores depositados em sua conta bancária não representam rendimentos omitidos, o contribuinte alega que os valores não são de sua titularidade e não faz nenhuma prova do alegado. Desta forma verifica‑ se que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte nada trouxe para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Simplesmente alega que os valores objeto do auto de infração não são de sua titularidade. Desta forma, é devida a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Ao revés, no Acórdão Recorrido, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª SEJUL do CARF considerou que as provas indiciárias presentes no processo eram por demais frágeis, delas não se podendo inferir, com a certeza que o Devido Processo Legal exige, que a titularidade dos recursos que transitaram na conta bancária do Sr. Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini era, de fato, do Sr. Roberto Moutran, conforme se extrai dos excertos do Acórdão Recorrido, abaixo reproduzidos: Acórdão nº 2201001.899 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “De acordo com o “Termo de Constatação”, fl. 212, a autoridade lançadora atribuiu à totalidade dos depósitos bancários em nome de Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini ao ora recorrente sem, contudo, fazer qualquer vinculação entre os mesmos. Se a Fiscalização afirma que os créditos bancários de Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini são de responsabilidade do recorrente, deveria, pois, ter apresentado provas desse fato. Entretanto, não se encontra nos autos nenhuma tentativa nesse sentido. Assim, em que pese o Sr. Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini ter apresentado movimentação bancária no montante de R$ 1.442.157,74 , bem como constar alguns poucos cheques de emissão do recorrente para o Sr. Eloy, sem Fl. 2730DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.002950/200581 Acórdão n.º 9202003.990 CSRF‐T2 Fl. 2.707 13 provas de que o suplicante seja de fato beneficiário dos referidos valores, não há como responsabilizálo. Além do mais, depreendese dos autos que as contas bancárias foram abertas individualmente em nome do Sr. Eloy e sem a indicação de procurador. Citase, outrossim, a Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. No caso de lançamento com base em presunção legal, como a do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, como se trata de prova indireta, o Fisco não precisa comprovar, diretamente, que o sujeito passivo adquiriu disponibilidade de renda, contudo, como se trata de atribuir ao fiscalizado a responsabilidade por movimentação bancária de terceiro, a autoridade fiscal tem o dever de comprovar que o autuado foi de fato beneficiário dos depósitos bancários de origem não comprovada, situação que a Lei identifica como caracterizadora de omissão de rendimentos (§ 5° do citado artigo). [...] Portanto, frente aos documentos constantes dos autos, entendo que não restou suficientemente provada a responsabilidade do recorrente sobre a movimentação bancária pertencente a Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini. ”. Os grifos não constam no original. Não vislumbramos, portanto, no caso em apreço, qualquer divergência jurisprudencial a dar ensejo ao Apelo Especial em debate, mas, tão somente, diversidade quanto à formação da convicção da Autoridade Julgadora decorrente da valoração de conjunto probatório de força probante diversa. Repisese que o Recurso Especial destinase, em sua essência, à uniformização de dissídio jurisprudencial eventualmente verificado entre as diversas Turmas do CARF, não tendo, pois, como primazia de sua interposição, a reapreciação de provas, a reconsideração sobre fatos, tampouco constituise Terceira Instância Ordinária de Julgamento. Em muitos casos, deparamonos com a impossibilidade de caracterização de divergência jurisprudencial em situações que envolvam a substancialidade e robustez do conjunto probatório, bem como a valoração de provas nele contidas, já se houve por devidamente reconhecida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisão proferida no Acórdão CSRF/0104.592, de 11/08/2003, cuja ementa assim se fez redigida: “GLOSA DE DESPESAS COM VEÍCULOS COMBUSTÍVEIS – MATÉRIA DE PROVA. Fl. 2731DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 A divergência jurisprudencial necessária à admissibilidade do recurso especial de que trata o artigo 5°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais não se estabelece em matéria de prova e sim na interpretação das normas. Recurso especial não conhecido.” No mesmo sentido mostrase inviável a utilização do segundo acórdão paradigma, posto que a posição adotado pelas duas turmas julgadoras, na verdade encontramse alinhadas. “Número do Processo 10120.005521/2004‑ 82 Órgão Julgador Sexta Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes Contribuinte JOSE CARLOS RAMPELOTTI Tipo do Recurso Recurso Voluntário ‑ Provimento Parcial Por Unanimidade Data da Sessão 27/07/2006 Relator(a) Ana Neyle Olímpio Holanda Nº Acórdão 106‑ 15721 Tributo / Matéria IRPF‑ ação fiscal ‑ Dep.Bancario de origem não justificada Decisão Pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de irretroatividade da Lei nº 10.174, de 2001. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, José Carlos da Matta Rivitti, Roberta Azeredo Ferreira Pagetti e Wilfrido Augusto Marques; e, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para acolher a decadência do lançamento quanto à base de cálculo decorrente do depósito bancário na conta em nome do recorrente. Ementa PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ‑ SIGILO BANCÁRIO ‑ O sigilo bancário tem por finalidade a proteção contra a divulgação ao público dos negócios das instituições financeiras e seus clientes. Assim, a partir da prestação, por parte das instituições financeiras, das informações e documentos solicitados pela autoridade tributária competente, como autorizam a L.C. nº 105, de 2001, e o art. 197, II do CTN, o sigilo bancário não é quebrado, mas, apenas, se transfere à responsabilidade da autoridade administrativa solicitante e dos agentes fiscais que a eles tenham o acesso no restrito exercício de suas funções, que não poderão violar, salvo as ressalvas do parágrafo único do art. 198 e do art. 199, ambos do CTN, como prevê o inciso XXXIII do art. 5º da Constituição Federal, sob pena de incorrerem em infração administrativa e em crime. DECADÊNCIA ‑ Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a Fl. 2732DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.002950/200581 Acórdão n.º 9202003.990 CSRF‐T2 Fl. 2.708 15 contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada ano‑ calendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). Entretanto, quando há prova de fraude, dolo ou simulação se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN, em que o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS ‑ TRIBUTA‑ ÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA ‑ O procedimento da autoridade fiscal encontra‑ se em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova,mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA ‑ Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. MULTA DE OFÍCIO ‑ MAJORAÇÃO DO PERCENTUAL ‑ SITUAÇÃO QUALIFICADORA ‑ FRAUDE ‑ As condutas descritas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei no 4.502, de 1964, exige do sujeito passivo a prática de dolo, ou seja, a deliberada intenção de obter o resultado que seria o impedimento ou retardamento da ocorrência do fato gerador, ou a exclusão ou modificação das suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Configurada a interposição de terceiro para a abertura e movimentação de contas bancárias, cabível a aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%. Entretanto, para os fatos em que não restar demarcada a fraude, a multa aplicável é aquela a ser imposta pelo não pagamento do tributo devido, cujo débito fiscal foi apurado em procedimento de fiscalização, com esteio no art. 44, I, Fl. 2733DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 16 da Lei no 9.430, de 1996. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. Vejamos também o citado cotejamento feito pela PGFN para demonstrar suas alegações: “Para se contrapor à parte da exação que tem como pertencentes a ele e demais condôminos no exercício de atividade rural os valores movimentados em contas‑ correntes bancárias em nome de Lídia Zelinda Marchi, o recorrente afirma que, em depoimento à Polícia Federal, aquela senhora deixara claro ser ela própria a pessoa responsável pela movimentação bancária de sua titularidade. Há que se observar que o recorrente não trouxe aos autos o alegado depoimento à Polícia Federal, enquanto, por outro, em Representação Fiscal, dirigida ao Chefe de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Florianópolis (SC), de fls. 18 a 24, o auditor fiscal relata fatos que deixam antever que não assiste razão ao recorrente. Merece ressalto a parte em que o auditor afirma que, ao ser intimada a prestar esclarecimentos, a Sra. Lídia Zelinda Marchi negou ser a detentora dos recursos que deram origem ao procedimento fiscal, como também, peculiaridades no tocante às assinaturas apostas em cartão de abertura de conta e cheques, que a ligam ao condomínio de que faz parte o recorrente. Além de que o patrimônio e a renda daquela senhora são incompatíveis com a movimentação de numerários verificada nas contas‑ correntes em seu nome, que, como afirma o próprio recorrente atingiu o importe de R$ 5.242.361,47. Com efeito, diante do volume de elementos carreados aos autos capazes de demarcar a interposição de pessoa para abertura e movimentação de contas em nome da Sra. Lídia Zelinda Marchi, e, tendo em vista que o recorrente não foi capaz de contradizê‑ los, entendo ser pertinente a autuação”. TRecho buscado no paradigma: Na espécie, restou demarcada a utilização de interposta pessoa (Lídia Zelinda Marchi) para a abertura de contas bancárias e movimentação de numerários que, na realidade, eram de propriedade do condomínio rural de que faz parte o recorrente, nada havendo a ser reparado no lançamento, pois que configurado o dolo necessário à qualificação da penalidade aplicada. Fl. 2734DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.002950/200581 Acórdão n.º 9202003.990 CSRF‐T2 Fl. 2.709 17 Argumenta que o dissídio jurisprudencial invocado não objetiva a re valoração das provas nem o reexame da matéria de fato: "O presente apelo, ao revés, pretende demonstrar que houve desrespeito às normas de direito probatório, resultando numa errônea valoração da prova e numa equivocada interpretação do art. 42, § 5º, da Lei nº 9.430/96." Contudo, não e isso que se observa da apreciação dos trechos acima transcritos, onde ficou evidenciado que o colegiado manteve o lançamento consubstanciado em provas efetivamente não contestadas e não meros indícios. Na controvérsia em debate, não logramos distinguir qualquer dissenso na interpretação de normas jurídicas, mas, tão somente, diferentes conteúdos e alcances do conjunto probatório coligido aos autos, razão pela qual encaminhamos pelo não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. CONCLUSÃO Face o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional, por não restar caracterizada a divergência na interpretação da legislação tributária que rege a matéria. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 2735DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 08/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10920.722838/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
INCOMPETÊNCIA TERRITORIAL DA DRJ. DESCABIMENTO.
Sendo distintas, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal, as funções atribuídas aos chamados "Órgãos Preparadores" ("DRF's") e os respectivos "Órgãos Julgadores de Primeira Instância" ("DRJ's"), não tem cabimento a arguição de incompetência territorial das DRJ's que são distribuídas por matéria em todo o território nacional, nos termos das normas administrativas de regência.
DIREITO TRIBUTÁRIO.DESCRIÇÃO DA REALIDADE FÁTICA. COMPROVAÇÃO. INDÍCIOS CONVERGENTES.
O Direito Tributário não é avesso à utilização da prova indiciaria ou indireta para referendar a desconsideração de atos, fatos ou negócios jurídicos aparentes, desde que a comprovação resulte de uma soma de indícios convergentes que leve a uma encadeamento lógico suficientemente convincente da ocorrência do fato.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INTERPOSTA PESSOA OPTANTE DO SIMPLES. EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE.
O procedimento administrativo de caracterização da prestação de serviços por segurados à outra empresa que não aquela para o qual foi contratado tem por fundamento os princípios da primazia da realidade e da verdade material e encontra respaldo nos artigos 116, parágrafo único, e 149, VII, do CTN, sendo irrelevante qualquer procedimento de desconstituição, inaptidão ou exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, em atenção ao princípio da retroatividade da lei tributária mais benigna prevista no art. 106, II, c, do CTN, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO ELEMENTO SUBJETIVO.
Sobre o imposto apurado em procedimento fiscal, incide multa de ofício qualificada (150%) sempre que o contribuinte, mediante uma das condutas dolosas previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, busque defraudar o fisco. Art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/1996.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário. Quanto ao mérito do Recurso Voluntário: (i) Por maioria de votos, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, devendo a parcela recolhida na sistemática do SIMPLES pela contratada (ato simulado), correspondente à contribuição previdenciária patronal, ser aproveitada para abatimento do valor do débito lançado. Vencidos os Conselheiros MARIA CLECI COTI MARTINS, CLEBERSON ALEX FRIESS e ARLINDO DA COSTA E SILVA, que negavam provimento ao Recurso Voluntário quanto ao referido aproveitamento; (ii) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário a fim de que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, formalizada mediante o lançamento de ofício obedeceça à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, in casu, art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em louvor ao princípio tempus regit actum inscrito no art. 144 do CTN. Vencidos o Relator e o Conselheiro CLEBERSON ALEX FRIESS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário quanto à matéria. O Conselheiro ARLINDO DA COSTA E SILVA fará o voto vencedor quanto à matéria em que o Relator restou vencido.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Arlindo da Costa e Silva Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 INCOMPETÊNCIA TERRITORIAL DA DRJ. DESCABIMENTO. Sendo distintas, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal, as funções atribuídas aos chamados "Órgãos Preparadores" ("DRF's") e os respectivos "Órgãos Julgadores de Primeira Instância" ("DRJ's"), não tem cabimento a arguição de incompetência territorial das DRJ's que são distribuídas por matéria em todo o território nacional, nos termos das normas administrativas de regência. DIREITO TRIBUTÁRIO.DESCRIÇÃO DA REALIDADE FÁTICA. COMPROVAÇÃO. INDÍCIOS CONVERGENTES. O Direito Tributário não é avesso à utilização da prova indiciaria ou indireta para referendar a desconsideração de atos, fatos ou negócios jurídicos aparentes, desde que a comprovação resulte de uma soma de indícios convergentes que leve a uma encadeamento lógico suficientemente convincente da ocorrência do fato. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INTERPOSTA PESSOA OPTANTE DO SIMPLES. EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE. O procedimento administrativo de caracterização da prestação de serviços por segurados à outra empresa que não aquela para o qual foi contratado tem por fundamento os princípios da primazia da realidade e da verdade material e encontra respaldo nos artigos 116, parágrafo único, e 149, VII, do CTN, sendo irrelevante qualquer procedimento de desconstituição, inaptidão ou exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, em atenção ao princípio da retroatividade da lei tributária mais benigna prevista no art. 106, II, c, do CTN, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO ELEMENTO SUBJETIVO. Sobre o imposto apurado em procedimento fiscal, incide multa de ofício qualificada (150%) sempre que o contribuinte, mediante uma das condutas dolosas previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, busque defraudar o fisco. Art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/1996. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 44; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2413; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 617 1 616 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.722838/201191 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.202 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de março de 2016 Matéria Remuneração de Segurados: Parcelas em Folha de Pagamento Recorrente TRANSVILLE TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 INCOMPETÊNCIA TERRITORIAL DA DRJ. DESCABIMENTO. Sendo distintas, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal, as funções atribuídas aos chamados "Órgãos Preparadores" ("DRF's") e os respectivos "Órgãos Julgadores de Primeira Instância" ("DRJ's"), não tem cabimento a arguição de incompetência territorial das DRJ's que são distribuídas por matéria em todo o território nacional, nos termos das normas administrativas de regência. DIREITO TRIBUTÁRIO.DESCRIÇÃO DA REALIDADE FÁTICA. COMPROVAÇÃO. INDÍCIOS CONVERGENTES. O Direito Tributário não é avesso à utilização da prova indiciaria ou indireta para referendar a desconsideração de atos, fatos ou negócios jurídicos aparentes, desde que a comprovação resulte de uma soma de indícios convergentes que leve a uma encadeamento lógico suficientemente convincente da ocorrência do fato. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INTERPOSTA PESSOA OPTANTE DO SIMPLES. EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE. O procedimento administrativo de caracterização da prestação de serviços por segurados à outra empresa que não aquela para o qual foi contratado tem por fundamento os princípios da primazia da realidade e da verdade material e encontra respaldo nos artigos 116, parágrafo único, e 149, VII, do CTN, sendo irrelevante qualquer procedimento de desconstituição, inaptidão ou exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 28 38 /2 01 1- 91 Fl. 617DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 2 As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, em atenção ao princípio da retroatividade da lei tributária mais benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO ELEMENTO SUBJETIVO. Sobre o imposto apurado em procedimento fiscal, incide multa de ofício qualificada (150%) sempre que o contribuinte, mediante uma das condutas dolosas previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, busque defraudar o fisco. Art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/1996. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário. Quanto ao mérito do Recurso Voluntário: (i) Por maioria de votos, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, devendo a parcela recolhida na sistemática do SIMPLES pela contratada (ato simulado), correspondente à contribuição previdenciária patronal, ser aproveitada para abatimento do valor do débito lançado. Vencidos os Conselheiros MARIA CLECI COTI MARTINS, CLEBERSON ALEX FRIESS e ARLINDO DA COSTA E SILVA, que negavam provimento ao Recurso Voluntário quanto ao referido aproveitamento; (ii) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário a fim de que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, formalizada mediante o lançamento de ofício obedeceça à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, in casu, art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em louvor ao princípio tempus regit actum inscrito no art. 144 do CTN. Vencidos o Relator e o Conselheiro CLEBERSON ALEX FRIESS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário quanto à matéria. O Conselheiro ARLINDO DA COSTA E SILVA fará o voto vencedor quanto à matéria em que o Relator restou vencido. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator Fl. 618DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10920.722838/201191 Acórdão n.º 2401004.202 S2C4T1 Fl. 618 3 (assinado digitalmente) Arlindo da Costa e Silva –Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho, com destaques nossos, do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 459 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de lançamento de crédito tributário previdenciário abrangendo as contribuições sociais devidas pela empresa à Seguridade Social, bem assim, o adicional de financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa e riscos ambientais do trabalho – GILRAT, incidente sobre remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais (estas, excepciona a cobrança do GILRAT), bem assim contribuições destinadas aos Terceiros FNDE (salárioeducação), INCRA, SEST/SENAT e SEBRAE, no período compreendido pelas competências 01 a 12/2008, incluindose o 13º salário de 2008. A base de cálculo deriva de procedimento de arbitramento, em face da constatação de que a escrituração contábil, bem assim a folha de pagamento e GFIP do sujeito passivo não registrarem o movimento real da remuneração dos segurados a serviço do sujeito passivo no período sob ação fiscal. Segundo a fiscalização: 9. A omissão dos fatos geradores previdenciários ocorreu mediante implementação de um esquema de sonegação perpetrado pelo sujeito passivo, mediante o qual, exempregados foram estimulados a abrirem empresas optantes do SIMPLES e operarem como agenciadores terceirizados junto às suas próprias filiais, isto é, no endereço e nas instalações físicas de suas próprias filiais, tendo tais agenciadores a incumbência precípua de recrutar em seu próprio nome a maior parte – senão todos os empregados da filial, e assim valerse, fraudulentamente, dos benefícios tributários assegurados às micro e pequenas empresas pelas Leis do SIMPLES Federal (Lei nº 9.317/96) e do nº SIMPLES Nacional (Lei Complementar nº 123/2006). ... omissis ... FATOS IDENTIFICADOS DURANTE A AÇÃO FISCAL 13. Quando do início dos nossos trabalhos, na data de 08/08/2011, além da matriz (Joinville/SC) visitamos também os endereços das filiais de Blumenau/SC; Jaraguá do Sul/SC, e Brusque/SC, onde – em face ao planejamento prévio da ação fiscal já antevíamos a ocorrência de omissão de fatos geradores previdenciários, tendo em vista o reduzido volume de empregados próprios informados em GFIP e também a existência de outras empresas no mesmo endereço (com diferenciação unicamente de salas ou pavimentos) e exercendo mesma atividade do sujeito passivo. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10920.722838/201191 Acórdão n.º 2401004.202 S2C4T1 Fl. 619 5 A seguir, a fiscalização descreve as verificações ocorridas em cada estabelecimento visitado do contribuinte. Podese resumir da seguinte forma: FILIAL DE BLUMENAU/SC (/000449) RUA DR. PEDRO ZIMMERMANN Nº 772 BAIRRO ITOUPAVA CENTRAL: a) no ano 2010 essa filial não teve nenhum empregado próprio, inobstante tenha faturado mais de R$ 4 milhões somente naquele ano. b) no mesmo endereço, existe estabelecida, desde 07/2009, a empresa L.Z.A. Transportes e Serviços Ltda. (LZA), CNPJ 10.950.076/000131, prestando todos os serviços inerentes ao objeto social da filial do sujeito passivo (transportes rodoviários de cargas) e identificandose como tal perante o mercado, mediante placa identificativa na fachada do prédio, e atendimento telefônico em nome da TRANSVILLE, cartões de visita, etc. c) a LZA é de propriedade do Sr. Carlos Walter Arcari, CPF 733.799.219 04 e sua esposa ou companheira, Sra. Leciene Zanella Arcari, (LZA) CPF 824.908.72915. Em consulta ao Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) vêse que o Sr. Carlos Walter Arcari foi empregado da TRANSVILLE, lotado na filial Blumenau/SC (CNPJ 82.604.042/000449) no período de 01/01/1992 a 01/05/1996, posteriormente lotado na filial de Brusque/SC (CNPJ 82.604.042/000600) entre 01/06/1996 e 01/10/1997. d) nesse hiato de tempo entre sua posição de empregado da TRANSVILLE e sócio da LZA, o Sr. Carlos Walter Arcari figurou ainda como agenciador da TRANSVILLE em outra filial da mesma. e) intimada a prestadora de serviços (LZA) a apresentar seus livros e documentos à fiscalização (consoante mandado nº 0920200.2011.00669), e a prestar esclarecimentos quanto à coincidência de endereço e de operações das duas empresas ali sediadas, a fiscalização foi informada da existência de um contrato específico firmado em 13 de julho de 2009, sob título “CONTRATO PARTICULAR DE PARTICIPAÇÃO EM SERVIÇOS DE TRANSPORTES”, onde a TRANSVILLE Transportes e Serviços Ltda. (TRANSVILLE) como contratante, e a L.Z.A. Transportes e Serviços Ltda. (LZA), como contratada, firmam o seguinte (a fiscalização transcreve o instrumento) f) o contrato foi inspirado no instituto jurídico da franquia, onde o agenciador seria o franqueado; todavia, essa similaridade ficou apenas no campo da aparência, pois, em essência, o negócio (transportes) continua sendo integralmente da TRANSVILLE e o agenciador em momento algum assume Fl. 621DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 6 os riscos empresariais, posto que remunerado mensalmente com um valor faturado a título de comissão sobre os negócios gerados (e sobre resultados positivos) em montante apurado pela contabilidade de custos do sujeito passivo, de forma a cobrir os trabalhos prestados pessoalmente e ainda cobrir os custos que lhe foram "repassados" ou "terceirizados" pela TRANSVILLE, notadamente custos trabalhistas e encargos sociais. g) ausência de estrutura operacional por parte da prestadora. Pelo Balanço Patrimonial da LZA em 31/12/2010, vêse que a prestadora não possui bens de produção (ativo permanente), mas apenas ativo circulante. Em outras palavras, não tem estrutura nem capacidade produtiva próprias, seu balanço registra apenas os saldos do giro financeiro por conta e ordem da TRANSVILLE. h) uma amostragem dos aportes periódicos de recursos registrados na contabilidade da TRANSVILLE (movimentação do último trimestre de 2010 na conta nº 1.1.02.02.000024 – Adiantamentos à L.Z.A.) demonstra que os mesmos não guardam nenhuma relação com o pagamento das faturas, restando claro que o objetivo é suprir recursos necessários à filial. O faturamento é assim apenas uma forma de zerar os adiantamentos. i) sabendo que a LZA foi criada em 07/2009, no período de 01/2007 a 06/2009 outra empresa operava como agenciadora da TRANSVILLE em sua filial de Blumenau/SC. Tratase da V.S. TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA., (atual ROTA BRASIL TRANSPORTES LTDA) CNPJ 02.297.092/000149, empresa criada em 12/1997, por Vilson João Serafim, (V.S.) CPF 388.328.60953 e sua mulher (aqui presumido pela identidade de domicílio) Sra. Maristela Regina Vieira Serafin, CPF 902.194.66991, atualmente sediada em Blumenau/SC, na Rua Gustavo Henschel nº 346 Bairro Itoupavazinha, onde foi intimada (mandado nº 0920200.2011.00668) a prestar informações e apresentar documentos à fiscalização. O prestador, alegando destruição de documentos durante a enchente havida em Blumenau/SC, o Sr. Vilson João Serafim e sua secretária (Maristela) – Tel: (47) 91765759, bem assim seu contador (Sr. Edemar) – CCF Consultoria – Tel: (47) 33235958 –pediram prazos sucessivos para a apresentação dos documentos requeridos, e nada apresentaram. j) analisando o contrato social daquela empresa, em acesso aos registros da Junta Comercial do Estado de Santa Catarina (JUCESC), vêse que durante aquele período de 01/2007 a 06/2009 tal empresa era sediada formalmente no endereço dos sócios (Sr. Vilson João Serafin e Maristela Regine Vieira Serafin), o que evidentemente é incompatível com o volume das operações mantidas naquele período e com a necessidade de acomodação do volume de empregados detidos, da ordem de 20 empregados, conforme informações extraídas de GFIP constantes dos sistemas da Previdência Social (GFIPWEB). k) pelo Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) vêse que o Sr. Vilson João Serafim também foi empregado da Fl. 622DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10920.722838/201191 Acórdão n.º 2401004.202 S2C4T1 Fl. 620 7 TRANSVILLE, no período de 11/1979 a 10/1997 (vésperas da criação da empresa V.S. TRANSPORTES) sendo que de 02/1991 a 10/1997 esteve lotado justamente na filial Blumenau/SC, onde a partir de 12/1997 nada mudou, exceto pela estrita e vazia formalidade de criação da V.S. TRANSPORTES, no endereço de sua residência. Em conclusão: 30. Isto posto, temos que durante todo o período sob fiscalização, a filial Blumenau/SC do sujeito passivo transferiu sistematicamente e integralmente seus empregados para as empresas de fachada criadas em nome de seus exempregados, tudo como acima detalhado. FILIAL DE BRUSQUE/SC (/000600) RUA SANTOS DUMONT Nº 40 – GALPÃO 03 – BAIRRO SANTA TEREZINHA: a) apresentouse para atender a fiscalização o Sr. Deivis Rogério Duarte, CPF 660.319.23904. O mesmo explicou que é empregado da TRANSVILLE mas atualmente é registrado na "prestadora" estabelecida naquele mesmo endereço. b) instado a identificar tal prestadora de serviços, o Sr. Deivis Duarte apresentou cópias de notas fiscais – que encontravamse sobre sua mesa emitidas por tal prestadora contra a TRANSVILLE (NF 000004 de 29/07/2011, referente “Transporte de cargas e serviços auxiliares referente ao mês de julho/2011”, no valor de R$ 95.000,00) e de Conhecimento de Transporte nº 242844 emitido pela TRANSVILLE em 03/08/2011, demonstrando assim que ambas as empresas operavam de forma integrada no mesmo endereço. Apresentou ainda cópia de contrato firmado entre aquelas empresas em 1º de agosto de 1999, denominado “Contrato Particular de Participação em Serviços de Transportes” que repete as cláusulas já reproduzidas na análise de outra filial. c) a agenciadora, na cidade de Brusque/SC, é a C.W.A. Transportes e Serviços Ltda., (CWA) CNPJ 02.294.991/0001 98, empresa com início de atividades em 1º de novembro de 1997 e registrada na Junta Comercial (JUCESC) em 12/1997 pelo Sr. Carlos Walter Arcari (CWA), CPF 733.799.21904 e sua esposa ou companheira, Sra. Leciene Zanella Arcari, CPF 824.908.72915, empresa essa que foi então intimada a apresentar documentos e esclarecimentos à fiscalização. d) pelo contrato social, vêse que essa empresa esteve inicialmente sediada à Rua Sete de Setembro nº 625 – Fundos, e, com a 1ª alteração contratual registrada na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina (JUCESC) em 25/05/2006, alterouse o endereço para Rua Santos Dumont nº 40 – Galpão Fl. 623DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 8 03 – Bairro Santa Terezinha, que é exatamente o mesmo endereço da filial do sujeito passivo naquela cidade. e) pelo Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) vêse que o Sr. Carlos Walter Arcari foi empregado da TRANSVILLE, lotado na filial Blumenau/SC (CNPJ 82.604.042/000449) no período de 01/01/1992 a 01/05/1996, posteriormente lotado na filial de Brusque/SC (CNPJ 82.604.042/000600) entre 01/06/1996 e 01/10/1997, ou seja, essa empresa CWA iniciou suas atividades no mês seguinte à rescisão do vínculo empregatício do Sr. Carlos Walter Arcari com a TRANSVILLE. f) a prestadora é considerada pela fiscalização como empresa de fachada, não tendo sede própria ao longo do período fiscalizado, eis que sediada no endereço da filial TRANSVILLE em Brusque/SC, local em que o Sr. Carlos Walter Arcari já desempenhava suas funções como empregado do sujeito passivo desde 06/1996. g) esta prestadora apresenta similaridade com a situação relativa à filial de Blumenau/SC, onde a empresa agenciadora atual (LZA) é também é do Sr. Carlos Walter Arcari e de sua esposa Sra. Leciene Zanella Arcari (LZA). Com efeito, isso ocorre tanto em relação ao volume de negócios gerados (expressivo) quanto ao volume (nulo) de empregados mantidos diretamente pelo sujeito passivo naquela filial. h) no tocante às operações da CWA, igualmente às demais filiais já aqui analisadas, verificase sua inteira dependência dos aportes financeiros – quase diários – feitos por parte da TRANSVILLE como o demonstra a conta de adiantamentos. FILIAL JARAGUÁ DO SUL/SC (/000520) RUA DONA EMMA SASSE Nº 64 VILA LALAU: a) a fiscalização foi atendida pelo Sr. Evandro Coutinho, CPF 947.893.71972 que se apresentou como gerente. Questionado sobre a existência de outra empresa transportadora com sede naquele mesmo endereço, denominada Jaraguaense Transportes Ltda., (JARAGUAENSE) CNPJ 03.423.164/000110, disse desconhecêla. b) em contato com o contador responsável pelas informações prestadas em GFIP daquela empresa (Gonçalves Contabilidade) e através dele, ao Sr. Flávio Murilo Vieira, CPF 762.696.20953, administrador daquela empresa, a fiscalização apresentou intimação para apresentação de documentos e esclarecimentos, consoante mandado 0920200.2011.00656. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10920.722838/201191 Acórdão n.º 2401004.202 S2C4T1 Fl. 621 9 c) questionado quanto aos seus vínculos anteriores com o sujeito passivo, o Sr. Flávio Murilo Vieira informou à fiscalização que foi empregado da TRANSVILLE no período de 04/1989 a 07/1999, fato comprovado em pesquisa ao Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS). d) confirmou ainda que a JARAGUAENSE fora criada, em 09/1999, para ser agenciadora da TRANSVILLE em Jaraguá do Sul/SC, função essa desempenhada até o mês 06/2009, quando foi rescindido o contrato e a TRANSVILLE passou a operar diretamente aquela filial. Apresentou cópia de contrato firmado entre as empresas JARAGUAENSE e TRANSVILLE intitulado “Contrato Particular de Participação em Serviços de Transportes” contrato esse que repete as cláusulas já analisadas, o que comprova ser um contrato padrão aplicado às suas agenciadoras. e) a filial propriamente dita do sujeito passivo manteve expressivo faturamento ao longo de todo o período fiscalizado, porém como de praxe não teve nenhum empregado até o mês 07/2009, quando então passou de imediato a deter um volume compatível de empregados, ao passo que a JARAGUAENSE foi paralisando suas atividades. f) a título de exemplo, o Sr. Flávio Murilo Vieira apresentou algumas planilhas de apuração mensal de sua comissão, cobrindo o período de janeiro/2009 a junho/2009, quando se encerrou sua parceria com o sujeito passivo. Em tais planilhas demonstrase a metodologia de cálculo das comissões pagas pela TRANSVILLE, sendo interessante notar que havia o desconto sistemático de algumas despesas, tais como telefone e energia elétrica, o que denota claramente a utilização das instalações do sujeito passivo. g) em tais planilhas havia a previsão de algumas despesas assumidas pela TRANSVILLE, sob o título “Despesas de Participação para lançar na Contabilidade de Custos” em que se inclui o item “Diferença Alíquota Imposto Simples” denotando esse como um dos itens de custos "administrados" intencionalmente pelo sujeito passivo em relação às operações mantidas com seus agenciadores, não podendo o mesmo alegar desconhecimento dasconsequências tributárias decorrentes dessa fraude fiscal, perpetrada mediante a simulação do fracionamento de suas atividades com empresas de fachada optantes do SIMPLES. h) a fiscalização traz excertos de processos trabalhistas (RT 014632007 04612005, da 2ª Vara do Trabalho de Jaraguá Fl. 625DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 10 do Sul/SC e AT 01111200301912003, da 1ª Vara do Trabalho de Jaraguá do Sul/SC). A fiscalização informa que as bases de cálculo arbitradas decorrem da constatação de que as pessoas jurídicas denominadas agenciadoras são empresas inexistentes de fato, posto que criadas em nome de exempregados e operadas direta ou indiretamente pelos próprios donos e administradores do sujeito passivo, de modo a figurarem como as principais empregadoras da mão de obra utilizada nas suas filiais aqui analisadas, ao amparo do artigo 80, parágrafo primeiro, inciso I, da Lei nº 9.430/96, e do art. 28, inciso II, alínea “a”, da Instrução Normativa RFB nº 1005/2010 (L.Z.A. Transportes e Serviços Ltda., CNPJ 10.950.076/0001 31; Rota Brasil transportes Ltda., CNPJ 02.297.092/000149; C.W.A. Transportes e Serviços Ltda., CNPJ 02.294.991/000198; Jaraguaense transportes Ltda., CNPJ 03.423.164/000110). Diante disto, conclui a fiscalização o contribuinte “deve ser responsabilizado pela cota patronal incidente sobre a remuneração de todos os segurados obrigatórios que lhe prestaram serviços durante o período fiscalizado (empregados e contribuintes individuais), haja vista ao fato dessa empresa não ser optante do Simples durante o período fiscalizado”. Informa não ter sido desconsiderada a personalidade jurídica das empresas agenciadoras, tendo ocorrido a caracterização dos prestadores pessoas físicas das empresa prestadoras como segurados empregados do contribuinte autuado. Houve a elaboração de Representação Fiscal Para Fins Penais – RFFP, pela ocorrência, em tese, dos delitos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Com base no Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, “c”, a fiscalização informa ter aplicado o princípio da retroatividade benigna. Salienta que os fatos geradores já ocorridos sob égide plena da nova legislação acima analisada (competências 12/2008 a 13/2010) não se sujeitam a tal comparação, ademais, sofreram majoração (qualificação) nas multas (de 75% para 150%) em face da previsão do parágrafo primeiro, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, ante a configuração em tese de sonegação, fraude e conluio com as empresas agenciadoras. Irresignado, o sujeito passivo comparece aos autos, apresentando seu instrumento de impugnação (...) (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 527 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese: nulidade dos autos de infração por não estarem acompanhados dos documentos nos quais se basearam (apenas planilhas); incompetência para julgamento da DRJ Campinas; Fl. 626DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10920.722838/201191 Acórdão n.º 2401004.202 S2C4T1 Fl. 622 11 inexistência de responsabilidade solidária das empresas contratadas pelas recorrente por constituírem grupo econômico, pois a autoridade fiscal estabeleceu a recorrente como contribuinte da exação; impossibilidade de o Auditor Fiscal desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo; o fato da LZA não possuir bens em seu nome não impossibilidade executar o serviço de coleta/entrega, porque pode utilizarse de caminhões de terceiros, sendo que o sócio da empresa LZA (Carlos Walter Arcari) é também sócio da CWA, que sedia seus caminhões à LZA, que também contratava veículos terceirizados; quanto à VS (ROTA BRASIL), alega que prestou serviços à Transville de 01/2007 a 06/2009, quando encerrou o contrato. Ademais, o exempregado da Transville (Vilson João Serafim), em que pese ter aberto a empresa VS (ROTA BRASIL) logo após sair da Transville, somente veio a prestar serviços a esta em 01/03/1999. A VS (ROTA BRASIL) possuia bens próprios e capacidade de executar os serviços contratados; nem todos os funcionários da VS (ROTA BRASIL) e da LZA eram exfuncionários da Transville; a VS (ROTA BRASIL) encerrou seu contrato com a Transville e mantevese no mercado, ampliando suas atividades; a CWA possuía diversos caminhões em seu nome e, ademais, o número de veículos em nome da empresa é irrelevante, na medida em que a empresa pode contratar veículos terceirizados. Carlos Walter Arcaria iniciou as atividade da empresa CWA logo após sair da Transville, sendo que somente em 01/03/1999 é que iniciou suas atividades com a Transville. A CWA também prestava serviços a outras empresas. A CWA pagava todas as suas despesas, inclusive conta de energia elétrica, que estava em seu nome; no que tange à empresa Jaraguaense, aduz que foi criada e, por conveniência das partes, efetuouse contrato de parceria com a Transville; necessarária dedução dos valores recolhidos pelas contratadas na sistemática do SIMPLES; foram utilizadas partes de depoimentos de reclamatórias trabalhista que nem ao menos transitaram em julgado; inexistência de sonegação, fraude ou conluio a ensejar a duplicação da multa no período de 12/2008 a 13/2010; e ofensa ao Princípio do NãoConfisco, devendo a multa ser reduzida a 20% (multa de mora). Fl. 627DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 12 É o relatório. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10920.722838/201191 Acórdão n.º 2401004.202 S2C4T1 Fl. 623 13 Voto Vencido Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator Competência Territorial. DRJ. Alega a recorrente a incompetência para julgamento da DRJ Campinas. Tal apontamento, com toda a certeza, decorre do simples desconhecimento, dos representantes da recorrente, dos termos próprios do Processo Administrativo Fiscal, e, no caso, a distinção básica necessária na concepção das chamadas "Autoridades Locais", "Autoridade Preparadoras" e dos "Órgãos Julgadores". Tal distinção, relevante destacar, encontrase já nas disposições do art. 3° do Decreto 70.235/72, que, a esse respeito, assim então especificamente aponta: Art. 3° A autoridade local fará realizar, no prazo de trinta dias, os atos processuais que devam ser praticados em sua jurisdição, por solicitação de outra autoridade preparadora ou julgadora. Para bem esclarecer essas disposições, o Art. 15 do Decreto 7.574/2011, assim inclusive destaca: Art. 15. O preparo do processo compete à autoridade local da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil encarregada da administração do tributo (Decreto no 70.235, de 1972, art. 24). Parágrafo único. Quando o ato for praticado por meio eletrônico, a administração tributária poderá atribuir o preparo do processo a unidade da administração tributária diversa da prevista no caput (incluído pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). A respeito da existência, competência e composição das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, claras são as considerações contidas no art. 61 daquele Regulamento, que, inclusive, assim destacam: Art. 61. O julgamento de processos sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e os relativos à exigência de direitos antidumping e direitos compensatórios, compete em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal do Brasil (Decreto no 70.235, de 1972, art. 25, inciso I; Lei no 9.019, de 30 de março de 1995, art. 7°, § 5°) Parágrafo único. A competência de que trata o caput inclui, dentre outros, o julgamento de: Fl. 629DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 14 I impugnação a auto de infração e notificação de lançamento (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 14); II manifestação de inconformidade do sujeito passivo em processos administrativos relativos a compensação, restituição e ressarcimento de tributos, inclusive créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI (Lei n° 8.748, de 1993, art. 3°, inciso II; Lei n° 9.019, de 1995, art. 7°, § 1° e § 5°); e III impugnação ao ato declaratório de suspensão de imunidade e isenção (Lei no 9.430, de 1996, art. 32, § 10). Nesse sentido, são distintas as funções, no Processo Administrativo Fiscal Federal, dos chamados "Órgãos Preparadores" (Delegacias da Receita Federal DRF em que se encontra sediada a contribuinte) dos respectivos "Órgãos Julgadores de Primeira Instância" (Delegacias da Receita Federal de Julgamento DRJ, sediadas em localidades distintas, divididas por competência em relação à matéria). Diante dessas considerações, completamente infundada a pretensão da recorrente de ver reconhecida eventual nulidade da decisão de primeira instância por ter sido proferida por autoridade sediada em local distinto de sua sede fiscal. As providências da contribuinte, as intimações e todas as demais informações por ela eventualmente pretendidas, devem sim, ser buscadas na sede da DRF de sua localidade. Mas isso, absolutamente, impõe que o julgamento seja ali realizado, sendo, hoje, pois, completamente legítima a distribuição de competências entre as DRJ espalhadas pelo Brasil. Por essas razões, afasto a nulidade da decisão de primeira instância aduzida pela recorrente. Nulidade dos Autos de Infração. Cerceamento de Defesa. Alega a recorrente a nulidade dos autos de infração por não estarem acompanhados dos documentos nos quais se basearam (apenas planilhas). Notese, de início, que a recorrente não aponta, concretamente, uma única inconsistência nos dados ofertados pela autoridade fiscal. Especificamente quanto à utilização das informações constantes da GFIP, muito embora a fiscalização não tenha trazido aos autos a impressão dos documentos constantes dos bancos de dados, às fls. 95/141, trouxe planilhas minudentes sobre as informações adotadas (empresa prestadora, competência, nome do segurado, salário com e sem 13º salário, NIT etc), de forma que a recorrente teve a oportunidade de infirmar o lançamento a partir do cotejo das informações adotadas com outros documentos que dispunha, notadamente dos prestadores de serviço. Assim, merece prosperar a pretensão relativa à nulidade do lançamento. Quanto às planilhas e outras informações contábeis inerentes aos prestadores, a fiscalização incorporou os seus dados ao próprio relatório fiscal, mediante descrição dos lançamentos constatados, justamente com a finalidade de permitir à recorrente o conhecimento e o eventual questionamento dos mesmos. Em suma, a fiscalização trouxe todas as informações relativas aos lançamentos pertinentes ao contexto dos autos. A autoridade fiscal foi bastante específica em situar o contexto dos fatos, incluindose a identificação de admissões e demissões de segurados pela recorrente, vinculando tais acontecimentos às pessoas jurídicas às quais pertencem e aos contratos celebrados entre Fl. 630DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10920.722838/201191 Acórdão n.º 2401004.202 S2C4T1 Fl. 624 15 estas e a recorrente. Não há, em vista disto, nenhuma falha ou ausência de clareza ou concisão quanto à descrição fática, ao contrário do que pretende a recorrente. Portanto, superada a questão da nulidade do lançamento. Provas indiciárias da simulação/dissimulação. Afirma a recorrente que o lançamento baseiase num conjunto de indícios, não havendo qualquer prova nos autos. Ocorre que o conjunto de indícios tem força probatória. Com efeito, o Direito Tributário não é avesso à utilização da prova indiciaria ou indireta para referendar a desconsideração de atos, fatos ou negócios jurídicos aparentes, desde que a comprovação resulte de uma soma de indícios convergentes que leve a uma encadeamento lógico suficientemente convincente da ocorrência do fato. O que não se aceita são meras suspeitas ou indícios relativamente isolados ou não concatenados, que não bastam para a desconstituição de negócios jurídicos de aparência lícita. Vejamos em qual caso se enquadra o contexto relatado e comprovado nos autos. Quanto à localização dos estabelecimentos, as considerações constantes dos autos servem apenas para demonstrar a viabilidade e, portanto, incrementar a probabilidade da existência de uma confusão no controle gerencial, financeiro e administrativo das empresas. Como destaca a decisão de primeira instância, a LZA encontrase Rua Dr. Pedro Zimmermann, nº 772 – Bairro Itoupava Central –Blumenau SC, que, justamente, é o mesmo da filial /000449 da recorrente. Ademais, os endereços da LZA e da CWA (localizada em Brusque filial /000600) são identificados na rede mundial de computadores (site google) como sendo da Transville. Quanto à LZA, acrescenta ainda o decisório que, as fotos: são claras ao identificar a “Transville transportes serviços Blumenau” no endereço, sem fazer qualquer menção à empresa LZA. Outrossim, a foto do estabelecimento não demonstra se tratar de grande prédio ou conjunto de edifícios destinados ao acolhimento de várias empresas, como, por exemplo, galpões distribuídos em setores específicos ou em compartimentos estanques. Assim, concluise que o estabelecimento visualizado não comporta distinção entre as atividades supostamente exercidas pela LZA e as atividades exercidas pelo estabelecimento /000449 da recorrente, seja pela sua aparência exterior (ausência de identificação da empresa à qual pertence, ainda que sob o nome fantasia), seja pelo seu espaço, tornando improvável que o mesmo espaço consiga açambarcar as atividades de duas empresas de transportes de cargas, ainda que sob a forma de transporte fracionado, de forma a se confundirem em um todo só, daí advindo a demonstração de que a empresa LZA, não tem autonomia operacional em face da recorrente. Relativamente à CWA (estabelecimento /000600), o aplicativo Google Maps não dispõe da foto do local, mas a fiscalização informa que: 32. Essa filial de Brusque/SC (CNPJ 82.604.042/000600), foi criada pelo sujeito passivo em 11/1992, atualmente estabelecida Fl. 631DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 16 na Rua Santos Dumont nº 40 –Galpão 03 – Bairro Santa Terezinha foi também visitada por essa fiscalização na data de 08/08/2011. 33. Naquela oportunidade, quem se apresentou para atender à fiscalização foi o Sr. Deivis Rogerio Duarte, CPF 660.319.239 04. Ao questionarmos seu cargo (auxiliar administrativo) e em que empresa estava registrado, explicou que é empregado da TRANSVILLE mas atualmente é registrado na prestadora estabelecida naquele mesmo endereço. Portanto, em relação à empresa CWA, a coincidência de estabelecimentos resta provada pela informação dada por segurado vinculado, juridicamente, a uma (CWA), e, de fato, a outra (Transville). Em relação ao estabelecimento situado em Jaraguá do Sul – SC, à Rua Dona Emma Sasse, nº 64, Vila Lalau, a fiscalização informa ter se estabelecido no mesmo local a empresa Jaraguaense Transportes Ltda (CNPJ 03.423.164/000110). Todavia, como aponta a decisão de primeira instância, o Google Maps aponta que o local ostenta placa da Transville. Ademais, apontou a fiscalização que: 41. Essa filial (CNPJ 82.604.042/000520) foi aberta em 06/1992 no endereço da Rua Dona Emma Sasse nº 64 Vila Lalau, onde estivemos ao início dos nossos trabalhos, sendo recebidos pelo Sr. Evandro Coutinho, CPF 947.893.71972 que se apresentou como gerente. 42. Questionado sobre a existência de outra empresa transportadora com sede naquele mesmo endereço, denominada Jaraguaense Transportes Ltda., (JARAGUAENSE) CNPJ 03.423.164/000110, disse desconhecêla. Portanto, temse como comprovado que a localização física do estabelecimento /000520 da recorrente é a mesma da sede da empresa Jaraguaense Transportes Ltda. Como prova ainda da ausência completa de autonomia operacional da empresa LZA, há a questão patrimonial da empresa interposta. Com efeito, o balanço patrimonial levantado ao final do exercício de 2010 (fls. 69) mostra que a empresa LZA não possuía sequer um bem integrante do ativo permanente (imóveis, material de escritório, veículos etc), além de demonstrar expressiva movimentação no ativo circulante (conta Caixa). Assim, podese concluir que a empresa não passava de mera empresa de fachada, assumindo integralmente a de mãodeobra necessária à recorrente, servindose de seu local físico, seus veículos e outros aparatos materiais inerentes ao exercício da atividade empresária, por menor que fosse sua dimensão, o que também não é o caso dos autos, dado a rotatividade do fluxo de caixa. Outrossim, a recorrente junta históricos de veículos pertencentes aos prestadores de serviços como demonstração da autonomia operacional destes, mas não foi juntado nenhum documento relativo à empresa LZA. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10920.722838/201191 Acórdão n.º 2401004.202 S2C4T1 Fl. 625 17 Efetivamente, a recorrente demonstra que os referidos prestadores tinham veículo de transporte em sua propriedade. Todavia, há diversos outros índícios no sentido de que tais prestadores de serviços, em realidade, se constituíram efetivo departamento de fato da recorrente, vinculando a si volumosa massa de trabalhadores. Assim, o lançamento baseiase na irregular interposição de pessoas jurídicas, de maneira que os “prestadores de serviço pessoas jurídicas” nada mais fizeram senão vincular a força de trabalho que seria vinculada à recorrente, exonerandoo dos encargos trabalhistas e previdenciários correspondentes. Assim, a mera verificação da existência de alguns veículos na propriedade dos prestadores de serviço não afasta a constatação da irregular interposição de pessoas jurídicas, como será visto à frente. Ademais, vejamos alguns pontos específicos quanto aos demonstrativos trazidos aos autos pela recorrente: Em relação à CWA os documentos trazidos informam que houve a aquisição de um veículo em 21/07/2006, outro em 06/03/2007, e outros três em 14/12/2009. Pelo quadro de fls. 78, o referido prestador foi responsável pela totalidade de segurados prestadores de serviços à recorrente, contando esta com apenas 1 segurado entre 01/2007 e 12/2010. Ora, pelo quantitativo de prestadores resta duvidoso aceitar que as prestações de serviços se deram com apenas 2 veículos até dezembro de 2009, momento no qual o prestador adquiriu outros três veículos. Em relação à VS (atual Rota Brasil, que no período de 01/2007 a 06/2009 operava como agenciadora da Transville TRANSVILLE em sua filial de Blumenau/SC estabelecimento /000449), os documentos de fls. 412 e 414 não informam desde quando os veículos pertenciam ao prestador de serviço, mas somente, a data de alienação (27/09/2011 e 30/03/2011), de forma que não se pode afirmar com certeza se os referidos veículos foram objeto da prestação dos serviços no período de ocorrência dos fatos geradores. Por fim, com relação ao prestador Jaraguaense (filial /000520), pelo quadro de fls. 81, verificase que o prestador assumiu a totalidade da mãodeobra na execução dos serviços de transporte da recorrente no período de 01/2007 a 06/2009, quando houve significativa redução de sua massa de trabalhadores e consequente aumento dos segurados vinculados à recorrente. No período indicado, a recorrente demonstra a existência de apenas 2 Fl. 633DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 18 veículos relativos ao prestador (Placa HQC 6369, adquirido em 20/03/2008 e MDG 2967, alienado pelo prestador em 12/03/2008), de forma a tornar incompatível a execução dos serviços com apenas estes veículos. Quanto aos demais veículos informados, não há a demonstração do momento da aquisição do mesmos pelo prestador. Assim, o fato de os prestadores possuírem alguns poucos veículos é insuficiente para afastar, por si só, a irregular interposição de pessoas jurídicas. É de se destacar ainda o quadro acostado aos autos pela fiscalização à fls. 76, que compara o faturamento e a quantidade de funcionários mantidos pela recorrente na filial /000400 (Blumenau) com a quantidade de segurados mantidos nas mesmas competências pela VS (atual Rota Brasil) e LZA (o mesmo foi feito para as demais empresas prestadoras, em sequência ao Relatório Fiscal CWA e Jaraguaense). Ao longo do período compreendido pelas competências 01/2007 a 12/2010, o estabelecimento /000400 da recorrente não manteve NENHUM segurado a seu serviço, de forma que toda a prestação de serviços foi concentrada nas empresas “terceirizadas”, não obstante o faturamento da recorrente manterse relativamente estável. Relativamente à empresa CWA, o quadro de fls. 78 mostra que, entre 01/2007 a 12/2007, a recorrente manteve no estabelecimento situado em Brusque (/000600), somente UM segurado, ao passo que a CWA, manteve entre 20 e 30 segurados, restando contínuo e estável o faturamento do contribuinte no período. Na localidade de Jaraguá do Sul – SC, até 06/2009, pelo quadro juntado às fls. 81, a fiscalização demonstra que entre 01/2007 e 06/2009, a recorrente não manteve NENHUM segurado no seu estabelecimento, e, não obstante isto, manteve constante faturamento. Ao contrário, no mesmo período (01/2007 a 06/2009) a única força de trabalho pertencia à Jaraguaense (entre 10 e 16 funcionários), passando, a partir de 07/2009, a reduzir o número de trabalhadores, e, em contrapartida, aumentandose o número de segurados vinculados à recorrente. Interessante observar que a partir de 07/2009, curiosamente, o faturamento auferido pela recorrente reduziu substancialmente, justamente no momento em que passou a assumir empregados na execução da suas atividades Em relação à composição societária da empresa LZA, aberta em 07/2009, a mesma tem como sócios o Sr. Carlos Walter Arcari (cujas iniciais do nome resultam em “CWA”), e a Sra. Leciene Zanella Arcari (cujas iniciais do nome resultam em “LZA”), presumida pela fiscalização como esposa ou companheira do mesmo). O Sr. Carlos Walter Arcari foi empregado da recorrente de 01/01/1992 a 01/05/1996 (/000449, estabelecimento onde é fixada a LZA) e de 01/06/1996 a 01/10/1997 (/000600 – Brusque/SC). Na cidade de Brusque a fiscalização constatou a existência da empresa CWA, cujo sócio é justamente o Sr. Carlos Walter Arcari, com data de abertura em 01/11/1997, ou seja, um mês após seu “desligamento” da recorrente. Nessa cidade, atuou na qualidade de agenciador, por intermédio de interposta pessoa jurídica, até 07/2009, quando, então, retornou à cidade de Blumenau e abriu a empresa L.Z.A. Transportes e Serviços Ltda, no mesmo endereço do estabelecimento onde outrora trabalhara (/000449). Após o início do "agenciamento", ou não se manteve nenhum segurado (estabelecimento /000449 Blumenau) ou foi mantido apenas um segurado (estabelecimento/000600 Brusque), embora tenha sido mantido faturamento relevante. No que tange à empresa V.S. Transportes e Serviços Ltda (atualmente Rota Brasil Transportes Ltda – CNPJ 02.297.092/000149), criada em 12/1997, a mesma tem como sócios o Sr. Vilson João Serafim (cujas iniciais do nome resultam em V.S.) e a Sra. Maristela Fl. 634DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10920.722838/201191 Acórdão n.º 2401004.202 S2C4T1 Fl. 626 19 Regina Vieira Serafin (presumida pela fiscalização como esposa ou companheira do mesmo). Muito embora não haja coincidência de endereço com o estabelecimento /000400 (Blumenau), a fiscalização aponta que seu endereço comercial coincidia com o endereço dos sócios, o que se mostrava incompatível com o volume de operações mantidas e com a quantidade de segurados (entre 17 e 26 segurados). Notese ainda que o Sr. Vilson João Serafim, foi empregado da recorrente no período compreendido pelas competências 11/1979 a 10/1997, muito próximo da criação da empresa V.S. Transportes, em 12/1997. Conforme demonstrativo de fls. 76, no período de 01/2007 a 12/2010, a recorrente não manteve sequer um segurado a seu serviço, de forma que toda a prestação de serviços se deu pelos segurados vinculados à V.S. Transportes, não obstante o faturamento dos serviços tenha permanecido íntegro e constante na recorrente. Quanto à empresa Jaraguaense, a fiscalização informa que o seu titular, o Sr. Flávio Murilo Vieira foi empregado da recorrente de 04/1989 a 07/1999, e que a empresa Jaraguaense Transportes Ltda fora criada para ser agenciadora da recorrente na localidade de Jaraguá do Sul – SC até 06/2009, passando, a partir de então, a recorrente a operar diretamente a referida filial. Destarte, a organização societária das empresas prestadoras com ex empregados (e suas respectivas esposas) foi relatada como mais um indício da confusão no controle gerencial, financeiro e administrativo das empresas. Salientese que não se considerou a estrutura societária isoladamente, mas sim diante de um contexto, com muitas outras circunstâncias concatenadas e direcionadas a demonstrar a veracidade das conclusões fiscais. Não se discorda que é lícita a constituição societária por exempregados, mas, da forma como apresentada a estrutura societária, mas não se pode negar o valor probatório ainda que no campo da prova indireta ou indiciária enquanto elemento que viabiliza ou ao menos facilita situações de simulação ou de conluio. Cumpre consignar ainda que há fortes índicios da veracidade da tese fiscal os excertos de reclamatórias trabalhistas, os quais denotam que as empresas eram tidas como uma só pelos próprios empregados. Especificamente, são transcritos trechos de depoimentos colhidos nos autos da ação trabalhista RT01463200704612005 (2ª Vara do Trabalho de Jaraguá do Sul), onde é reclamante o Sr. Valdecir Francisco da Silva, contra Asses Serviços Ltda e a Transville. Além deste elemento, traz parte do pronunciamento judicial exarado na ação trabalhista AT 01111 200301912003 (1ª Vara do Trabalho de Jaraguá do Sul), onde é reclamante Mário Colé contra a Transville e Jaraguaense. A recorrente entende que tais elementos não teriam a força probatória pretendida, pois (i) não há trânsito em julgado nas referidas ações; (ii) o depoimento não é o único meio de prova; e, (iii) os depoimentos são contraditórios entre si. Entretanto, devese considerar que os trechos colacionados pela fiscalização corroboram tudo quanto já exposto anteriormente, ou seja, que havia confusão de empresas, com identidade de espaço físico e que os segurados realmente prestavam serviços à recorrente. Tais elementos podem e devem ser trazidos aos autos do processo administrativo, não para fazerem prova robusta por si só, mas para, em confronto com os demais elementos dos autos, formarem a convicção quanto aos fatos alegados pela fiscalização. Destarte, não há que se negar prestabilidade a tais elementos de convicção sob o argumento de que não há trânsito em julgado, pois isto é irrelevante à finalidade para a qual se presta a sua produção, qual seja, motivar o lançamento fiscal. Como destacado na Fl. 635DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 20 decisão a quo, o trânsito em julgado seria relevante caso estivesse em discussão algum aspecto tributário decorrente de fato ou evento que merecesse ser reconhecido como tal pelo Poder Judiciário, integrando a própria causa de pedir do processo judicial, o que não é o caso. Outrossim, os fatos já apreciados, em conjunto a tais excertos de processos judiciais, confirmam a tese da fiscalização consistente na inexistência de fato das empresas prestadoras de serviço, razão pela qual, adoto tais frações dos processos judiciais, não como únicas provas, mas como mais um elemento de prova nos autos, valorandoas no seu conjunto. Quanto aos contratos firmados entre a recorrente e as prestadoras (todos basicamente idênticos), embora o esforço da recorrente em conceituar as modalidades de transporte, temos que (i) há identidade do serviço contratado com o objeto social tanto do prestador como do tomador e a recorrente, (ii) além de haver transferência a execução do serviço de transporte, repassou também toda a parte administrativa, incluindo cobrança, venda, pagamento de fretes, emissão de manifestos e conhecimento de transportes e “demais serviços burocráticos”, de forma que não contratou, pura e simplesmente, uma prestação de serviços, mas descentralizou por completo um estabelecimento seu. Também se previu que as prestadoras fizessem "visitas freqüentes à clientela, admitindo pessoal de relações públicas para incremento de vendas", além de " manter junto à unidade matriz da TRANSVILLE, o cadastro atualizado destes clientes". Ou seja, a prestadora desempenhava todas as funções/atividades da contratante naquela localidade. Não bastasse isso, foi previsto "os valores" somente seriam devidos às prestadoras "após terem os fretes sido pagos integralmente pelos clientes contratantes dos serviços de transporte". Ou seja, a prestadora poderia, em certos casos, trabalhar "de graça". Ressaltese que os os objetos sociais das empresas prestadores estão integralmente absorvidos pelo objeto social da recorrente de forma que não a mínima distinção capaz de conferir licitude, sequer na aparência, às contratações levadas a efeito. Não se verifica qualquer especialização no trabalho desenvolvido pelas contratadas, de forma a elidir a afirmação fiscal de que desenvolvia a própria atividade fim da recorrente. Em suma, dos indícios invocados, extraise a ocorrência de ato simulatório consistente na utilização das "empresas prestadoras", enquadradas na sistemática de recolhimento do Simples Nacional, para a alocação de seus próprios empregados. Com efeito, em atenção aos princípios da primazia da realidade e da verdade material, pode ocorrer de as relações que se mostrem existentes no campo meramente formal sejam desconsideradas por não refletirem, em substância, a realidade dos fatos. E nem se diga que não há amparo no Direito Tributário para a conduta adotada pela autoridade fiscal. Segundo Orlando Gomes, ocorre simulação quando em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiro (Introdução ao Estudo do Direito – 7ªEdição). O Código Civil Brasileiro de 2002 considera nulo o negócio jurídico simulado e assim apresenta as hipóteses em que resta ocorrida a simulação: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. §1°Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; Fl. 636DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10920.722838/201191 Acórdão n.º 2401004.202 S2C4T1 Fl. 627 21 II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados Notese que o conceito de simulação, que, em síntese, consiste em fingir negócio jurídico inexistente, envolve a concepção de dissimulação, que consiste na prática de negócio jurídico para ocultar, encobrir ou disfarçar um negócio jurídico existente. E, de acordo com o art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. No caso em tela, a simulação ocorreu por intermédio daquilo que se denomina de abuso de forma jurídica, incorrendo a recorrente em modalidade de evasão fiscal (art. 149, VII, e 116, § único, do CTN). Portanto, na presença de simulação, a auditoria fiscal tem o deverpoder de não permanecer inerte, pois tais negócios são inoponíveis ao fisco no exercício da atividade plenamente vinculada do lançamento: CTN Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo,ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.(Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Sendo assim, resta legítimo o procedimento administrativo de caracterização da prestação de serviços por segurados à outra empresa que não aquela para o qual foi contratado, tendo por fundamento os princípios da primazia da realidade e da verdade material e encontrando respaldo nos artigos 116, parágrafo único, e 149, VII, do CTN. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 22 Responsabilidade Solidária. Alega a recorrente a inexistência de responsabilidade solidária das empresas contratadas pelas recorrente por constituírem grupo econômico, pois a autoridade fiscal estabeleceu a recorrente como contribuinte da exação. Correta a afirmação da recorrente. Da análise do Relatório Fiscal, não se verifica qualquer caracterização de grupo econômico. Como visto, a acusação fiscal é clara e precisa: as empresas prestadoras são inexistentes de fato e o verdadeiro contibuinte é a recorrente. Aproveitamento de créditos. A recorrente, alternativamente, requer a compensação dos pagamentos efetuados na sistemática do SIMPLES com os valores lançados. Com efeito, a autoridade fiscal, para fim específico, superou o negócio jurídico simulado (prestação de serviços por segurados para empresa de “fachada”) para aplicar a lei tributária ao negócio jurídico dissimulado (prestação de serviços por segurados para a recorrente), de sorte que entendo que a parcela eventualmente recolhida na sistemática do SIMPLES pela contratada (ato simulado), correspondente à contribuição previdenciária patronal, deve ser aproveitada para abatimento do valor do débito lançado. Quanto ao AI referente a contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos, não há que se falar em dedução de recolhimentos efetuados, uma vez que as empresas que aderiram ao SIMPLES não recolhem contribuição a Terceiros. Multas. Confisco. Quanto ao argumento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal, já que ela seria abusiva e desproporcional, razão não confiro à recorrente, já que a multa foi aplicada em conformidade à legislação previdenciária descrita acima. Ademais, a verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Logo, essa verificação de que a multa aplicada vai de encontro ao princípio constitucional da isonomia e teria caráter confiscatório, ora pretendida pela recorrente, exacerba a competência originária dessa Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei 8.212/1991, já que se trata de uma multa pecuniária, nem Fl. 638DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10920.722838/201191 Acórdão n.º 2401004.202 S2C4T1 Fl. 628 23 tampouco da multa de ofício prevista no artigo 44, da Lei nº 9.430/96. Não recolhendo na época própria o sujeito passivo tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Multas. Direito Intertemporal. Alega a recorrente que a multa deve ser reduzida a 20% (multa de mora). Quanto à multa, a autoridade fiscal adotou os critérios contidos na Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14/2009, a fim de verificar a penalidade mais benéfica à recorrente, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Assim, para período até novembro de 2008, comparou a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal (art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009) e de obrigações acessórias (§§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009) com a multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, aplicando a mais benéfica em cada competência. Portanto, não poderia mesmo a autoridade fiscal adotar critério outro, não havendo que se cogitar da aplicação de multa no patamar pretendido pela recorrente (20%). Multa Qualificada. Competência 12/2008. Alega a recorrente a inexistência de sonegação, fraude ou conluio a ensejar a duplicação da multa no período posterior a 11/2008. Todavia, o que se verificar da acusação fiscal, já minuciosamente detalhada, é que a recorrente, de forma intencional, utilizavase de empresas interpostas (prestadoras) para alocar os segurados a seu serviço e com isso reduzir a tributação devida (contribuições previdenciárias). Portanto, não há como vislumbrar a conduta da recorrente sem o elemento subjetivo, intencional. Vejamos o dispositivo legal que trata da multa aplicada: Artigo 44 da Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido Fl. 639DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 24 apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) Este artigo trata, portanto, da imputação de penalidades pelo lançamento de ofício, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo, ou contribuições. Destacouse a denominada multa de ofício (75% ou 150%). Essas multas são aplicáveis em procedimento de fiscalização, quando se apure a insuficiência, ou o não recolhimento, de tributos e contribuições por parte do sujeito passivo da obrigação tributária. Portanto, correta a postura adotada pela autoridade fiscal no sentido de que o lançamento estava sujeito à multa de ofício (75% ou 150%). Especificamente quanto à qualificação da multa em 150%, cumpre ressaltar que restou comprovado nos autos a conclusão fiscal no sentido de que houve a ocorrência de ato simulatório consistente na utilização de empresas interpostas (prestadoras), enquadradas na sistemática de recolhimento do Simples Nacional, para a alocação de seus próprios empregados. Este abuso de forma foi caracterizado pela demonstração de que a recorrente simulou, fingiu negócio jurídico inexistente, tendo por fundamento os princípios da primazia da realidade e da verdade material e encontrando respaldo nos artigos 116, parágrafo único, e 149, VII, do CTN. Ora, evidente a presença do elemento subjetivo. Acrescentese que a recorrente não apresenta nenhuma razão, por absurda que fosse, para ter cometido, de forma não intencional, um deslize dessa grandeza. Apenas tenta negar a configuração da simulação. Destarte, a multa deve ser mantida. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a parcela recolhida na sistemática do SIMPLES pela contratada (ato simulado), correspondente à contribuição previdenciária patronal, ser aproveitada para abatimento do valor do débito lançado. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 640DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10920.722838/201191 Acórdão n.º 2401004.202 S2C4T1 Fl. 629 25 Voto Vencedor Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Redator designado DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Em que pesem as valiosas considerações expostas pelo Ilustre Relator, não comungo data venia a tese aviada na Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14/2009, que na aplicação do princípio da retroatividade da lei tributária mais benigna, prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, pugna pelo comparativo entre a multa de ofício prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescentado pela MP nº 449/2008, e a soma da sanção decorrente de infração à obrigação principal (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99) com a sanção decorrente de infração à obrigação acessória prevista no art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91, (§§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, em sua redação originária), como se estas ambas tivessem sido substituídas por aquela multa de ofício, ora estipulada na novel legislação. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio iuris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 26 William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. Iluminese, inicialmente, que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A questão ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Com efeito, o regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 642DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10920.722838/201191 Acórdão n.º 2401004.202 S2C4T1 Fl. 630 27 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 643DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 28 c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado em Autos de Infração de Obrigação Principal referentes a fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro/2005 a junho/2010. Nessa perspectiva, de acordo com o art. 144 do CTN, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante Auto de Infração de Obrigação Principal, para os fatos geradores ocorridos no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias, porém não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade Fl. 644DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10920.722838/201191 Acórdão n.º 2401004.202 S2C4T1 Fl. 631 29 pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que até o organismo cognitivo mais rudimentar em existência – o computador – consegue, sem margem de erro, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, determinar qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A, que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 645DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 30 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 646DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10920.722838/201191 Acórdão n.º 2401004.202 S2C4T1 Fl. 632 31 I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 32 §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias encontravamse assim previstos na legislação tributária: a. Antes da vigência da MP nº 449/2008, respectivamente, nos incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99; b. Após a vigência da MP nº 449/2008, respectivamente, nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, os quais, nessa ordem, remetem aos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10920.722838/201191 Acórdão n.º 2401004.202 S2C4T1 Fl. 633 33 Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II, da Fl. 649DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 34 Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Contudo, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Não é cabível, portanto, efetuarse o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), pois estarseia, assim, promovendo a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’, do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96, só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10920.722838/201191 Acórdão n.º 2401004.202 S2C4T1 Fl. 634 35 Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Entendo também não proceder a tese que defende a comparação entre a multa de ofício prevista no art. 35A com a soma da multa de mora prevista no art. 35, II, e a multa pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, todos da Lei nº 8.212/91, para fins de determinação da penalidade mais benéfica ao infrator, visando à aplicação do Princípio da Retroatividade Benigna inscrito no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Não procede, ao meu sentir, a alegação de que a multa pelo descumprimento de Obrigação Principal formalizada mediante Lançamento de Ofício prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, estaria apenando, conjuntamente, tanto descumprimento da Obrigação Tributária Principal lançada quanto o Obrigação Tributária Acessória estampada no art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91, a justificar o somatório de multas. Tratamse de duas condutas absolutamente distintas, autônomas e independentes, portando cada uma natureza jurídica diferenciada, regramento jurídico diverso, tipificação específica e distinta, e penalidade própria. Tanto que o Contribuinte pode proceder das seguintes maneiras: I. Recolher o tributo devido e declarar integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. II. Recolher o tributo devido e declarar parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. III. Recolher o tributo devido e não entregar as GFIP correspondentes. IV. Recolher parcialmente o tributo devido e declarar integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. V. Recolher parcialmente o tributo devido e declarar parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. VI. Recolher parcialmente o tributo devido e não entregar as GFIP correspondentes. VII. Não recolher qualquer tributo devido e declarar integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. VIII. Não recolher qualquer tributo devido e declarar parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. IX. Não recolher qualquer tributo devido e não entregar as GFIP correspondentes. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 36 A declaração de todos os Fatos Geradores de Contribuição Previdenciária nas GFIP é uma obrigação acessória prevista no inciso IV da Lei nº 8.212/91. A declaração parcial dos fatos geradores na GFIP (hipóteses II, V e VIII) constituise violação à obrigação acessória acima citada, e implica a aplicação imediata da penalidade prevista no §5º do mesmo artigo 32 já mencionado, inexistindo qualquer regramento que exclua a aplicação de tal multa caso tenha ocorrido lançamento de ofício da Obrigação Tributária Principal correspondente. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528/97) (...) §4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528/97) 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97) Fl. 652DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10920.722838/201191 Acórdão n.º 2401004.202 S2C4T1 Fl. 635 37 De outro eito, a não declaração dos fatos geradores na GFIP (hipóteses III, VI e IX) também se configura como violação à mesma obrigação acessória assentada no inciso IV da Lei nº 8.212/91, e importa na aplicação imediata da penalidade prevista no §4º do mesmo artigo 32 já citado, inexistindo qualquer regramento que exclua a aplicação de tal multa caso tenha ocorrido lançamento de ofício da Obrigação Tributária Principal correspondente. De outro giro, o não recolhimento total ou parcial da Obrigação Tributária Principal (hipóteses IV a IX) configurase caso determinante para o lançamento de ofício, nos termos do art. 37 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 142 do CTN, inexistindo qualquer regramento que exclua a aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, nas hipóteses em que os fatos geradores correspondentes não tenham sido declarados, ou tenham sido declarados de maneira incompleta na GFIP correspondente. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. §1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). §2º Por ocasião da notificação de débito ou, quando for o caso, da inscrição na Dívida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, a fiscalização poderá proceder ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo, conforme dispuser aquela autarquia previdenciária, observado, no que couber, o disposto nos §§ 1º a 6º, 8º e 9º do art. 64 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). Código Tributário Nacional Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 38 Ora... A extinção do crédito tributário decorrente de infração a obrigação tributária constituise hipótese de anistia, a qual se encontra contida no campo da reserva legal, nos termos do art. 97, VI, do CTN, somente podendo ser concedida mediante lei específica federal (in casu) que regule exclusivamente a anistia, ou a correspondente contribuição, a teor do §6º do art. 150 da CF/88. Código Tributário Nacional Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente. Constituição Federal de 1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, §2º, XII, ‘g’. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3/93) Notese que de acordo com o disposto no inciso I do art. 111 do CTN, só há que se falar em exclusão de crédito tributário nas hipóteses expressamente previstas na lei específica, o que, convenhamos, não é o presente caso, uma vez que inexiste qualquer previsão no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, que exclua o Crédito Tributário decorrente do descumprimento da Obrigação Tributária Acessória estampada no art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91. Código Tributário Nacional Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Fl. 654DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10920.722838/201191 Acórdão n.º 2401004.202 S2C4T1 Fl. 636 39 Merece ser citado que antes da vigência da MP nº 449/2008 pairava uma dúvida na Fiscalização a respeito do procedimento a ser adotado nos casos em que o Contribuinte declarava os fatos geradores nas GFIP, mas não procedia ao recolhimento do tributo devido. A legislação tributária afirmava que o Crédito Tributário encontravase lançado (art. 33, §7º, da Lei nº 8.212/91), contudo, o art. 37 da mesma lei determinava a lavratura do lançamento de ofício, uma vez que restava configurado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições em foco. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). §7º O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de débito, autodeinfração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado pelo contribuinte. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. A MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, veio a estabelecer um novo procedimento, na medida em que estatuiu que o lançamento de ofício não seria mais necessário nas hipóteses em que houvesse declaração dos fatos geradores nas GFIP, conforme se depreende da nova redação do citado art. 37 da Lei nº 8.212/91. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 40 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) Portanto, a contar da vigência da MP nº 449/2008, as hipóteses de conduta do Contribuinte passaram a receber o seguinte tratamento por parte da Fiscalização: I. O Contribuinte recolheu o tributo devido e declarou integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP – Conduta regular. Nada a fazer. II. O Contribuinte recolheu o tributo devido e declarou parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP – Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. III. O Contribuinte recolheu o tributo devido e não entregou a GFIP Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso II do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. IV. O Contribuinte recolheu parcialmente o tributo devido e declarou integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP – Não cabe lançamento de ofício. Cobrança administrativa do débito declarado e não recolhido, com a multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. V. O Contribuinte recolheu parcialmente o tributo devido e declarou parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP – Lançamento de ofício da parcela não recolhida, acrescida da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, e Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, em relação aos fatos geradores não declarados. VI. O Contribuinte recolheu parcialmente o tributo devido e não entregou a GFIP Lançamento de ofício da parcela não recolhida, acrescida da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, e Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso II do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. VII. O Contribuinte não recolheu qualquer tributo devido e declarou integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP Não cabe lançamento de ofício. Cobrança administrativa do débito declarado e não recolhido, com a multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. VIII. O Contribuinte não recolheu qualquer tributo devido e declarou parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP Cobrança administrativa do débito correspondente aos fatos geradores declarados e não recolhido, acrescido da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009; Lançamento de ofício da parcela não recolhida correspondente aos fatos geradores não declarados, acrescida da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, e Aplicação de Fl. 656DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10920.722838/201191 Acórdão n.º 2401004.202 S2C4T1 Fl. 637 41 multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, em relação aos fatos geradores não declarados. IX. O Contribuinte não recolheu qualquer tributo devido e não entregou a GFIP Lançamento de ofício do tributo devido, acrescido da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, e Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso II do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Assim, o Lançamento de Ofício somente deve ocorrer nas hipóteses em que não tenha havido o recolhimento do tributo e, cumulativamente, não tenha havido declaração ou tenha havido declaração incorreta dos fatos geradores nas GFIP correspondentes, como assim determina o art. 44 da Lei nº 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, in verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Ou seja, o disposto no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96 apenas restringe a lavratura do lançamento de ofício às hipóteses em que não houve recolhimento total ou parcial do tributo devido e, cumulativamente, não se operou a entrega da GFIP ou entregouse a GFIP com informações inexatas ou omissas. Não se deslembre que a legislação previdenciária tomou “emprestada” uma norma tributária que havia sido redigida em conformidade com a Legislação Fazendária já preexistente, fato que explica o não casamento perfeito dos termos utilizados em ambos os ramos do Direito Tributário em questão. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 42 Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravosa ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a. Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa, por ser mais benéfica ao infrator que a multa de ofício de 75% prevista na novel legislação; b. Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio, em que tal percentual é duplicado. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de Fl. 658DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10920.722838/201191 Acórdão n.º 2401004.202 S2C4T1 Fl. 638 43 obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, será inscrito em Dívida Ativa da União, para subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c", do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a. Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o limite máximo de 75%, desde que não estejam presentes situações de sonegação, fraude ou conluio, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’, do CTN. b. Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No caso dos autos, considerando ser de 01/01/2008 a 31/12/2008 o período de apuração do Crédito Tributário ora lançado, e considerando haver sido verificada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que, em tese, se qualifica como fraude e/ou sonegação, tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, resulta que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser aplicada de acordo com o art. 35, II, da art. Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, para as competências até novembro/2008, inclusive, e em Fl. 659DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 44 conformidade com o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44, I, da Lei no 9.430/96, para as competências a partir de dezembro/2008, inclusive, em atenção ao princípio tempus regit actum. É como voto. (assinado digitalmente) Arlindo da Costa e Silva Redator designado Fl. 660DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA
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Numero do processo: 10920.720474/2014-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUÇÃO.
Os custos e despesas operacionais são dedutíveis na apuração do resultado da pessoa jurídica apenas se devidamente comprovada com documentação hábil e idônea a realização das operações que lhe deram origem.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA.
A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo.
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO.
Nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexistente qualquer das hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas na legislação.
MULTA DE OFÍCIO, NATUREZA CONFISCATÓRIA.
A arguição da natureza confiscatória dos percentuais de multa envolve matéria de caráter constitucional. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
CUSTOS OU DESPESAS INEXISTENTES. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
Correta a imputação da multa qualificada quando o sujeito passivo deduz, na base de cálculo dos tributos, custos ou despesas referentes a operações inexistentes.
Numero da decisão: 1402-002.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso quanto à natureza confiscatória dos percentuais de multa aplicados. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei que votaram por dar provimento parcial ao recurso para cancelar exigência da multa isolada.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciconne, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUÇÃO. Os custos e despesas operacionais são dedutíveis na apuração do resultado da pessoa jurídica apenas se devidamente comprovada com documentação hábil e idônea a realização das operações que lhe deram origem. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexistente qualquer das hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas na legislação. MULTA DE OFÍCIO, NATUREZA CONFISCATÓRIA. A arguição da natureza confiscatória dos percentuais de multa envolve matéria de caráter constitucional. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). CUSTOS OU DESPESAS INEXISTENTES. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Correta a imputação da multa qualificada quando o sujeito passivo deduz, na base de cálculo dos tributos, custos ou despesas referentes a operações inexistentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso quanto à natureza confiscatória dos percentuais de multa aplicados. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei que votaram por dar provimento parcial ao recurso para cancelar exigência da multa isolada. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciconne, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUÇÃO. Os custos e despesas operacionais são dedutíveis na apuração do resultado da pessoa jurídica apenas se devidamente comprovada com documentação hábil e idônea a realização das operações que lhe deram origem. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2009, 2010, 2011 INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexistente qualquer das hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas na legislação. MULTA DE OFÍCIO, NATUREZA CONFISCATÓRIA. A arguição da natureza confiscatória dos percentuais de multa envolve matéria de caráter constitucional. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 04 74 /2 01 4- 57 Fl. 3675DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 CUSTOS OU DESPESAS INEXISTENTES. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Correta a imputação da multa qualificada quando o sujeito passivo deduz, na base de cálculo dos tributos, custos ou despesas referentes a operações inexistentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso quanto à natureza confiscatória dos percentuais de multa aplicados. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei que votaram por dar provimento parcial ao recurso para cancelar exigência da multa isolada. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciconne, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 3676DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720474/201457 Acórdão n.º 1402002.245 S1C4T2 Fl. 3.676 3 Relatório Trata o presente de autos de infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins no montante de R$ 13.190.260,91; incluindo multa de ofício, juros de mora e multa isolada. A autuação decorreu da constatação de que a interessada teria se beneficiado indevidamente com a dedução dos custos referente à diversas aquisições de insumos junto à empresa Elcion Pereira ME. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, não foi demonstrada a efetiva realização das operações pois constatouse a inexistência de fato da empresa Elcion Pereira. Ainda que, por hipótese, pudesse ser considerada a prática de operações comerciais por aquele fornecedor, sustenta o Fisco a impossibilidade prática de serem emitidas mais de mil notas fiscais de venda quando não há sequer uma nota fiscal de compra de mercadorias que pudessem ser revendidas. Para essa irregularidade foi imputada multa de ofício proporcional no percentual de 150%. Como decorrência da glosa dos custos ficou também caracterizada a dedução indevida de saldo de prejuízos fiscais inexistentes, apenada com multa proporcional no percentual de 75%. Na impugnação a interessada defende, em apertada síntese, que a realização das operações estaria demonstrada pelo pagamento do preço dos produtos e insumos pela Impugnante, mediante recibos de quitação devidamente assinados pela pessoa que se declarava responsável pela empresa Elcion Pereira ME; pela escrituração contábil das notas fiscais de entrada dos produtos, bem como dos recibos de pagamento; e pelo lançamento dos produtos e insumos em seu inventário. Afirma que se as mercadorias ingressaram em seu estabelecimento, o custo seria plenamente dedutível e não poderia ser penalizada por irregularidades do seu fornecedor que não lhe dizem respeito. Sustenta a existência de erros de cálculo na apuração da exigência do IRPJ e da CSLL, reclama pela impossibilidade da cobrança em concomitância da multa de ofício aplicada junto com o tributo e da multa isolada e defende a ausência de fundamentação para aplicação da multa de 75% sobre a compensação indevida de prejuízos. Por fim, alega a inexistência de justificativas para imputação da multa qualificada e defende a natureza confiscatória dos percentuais das multa aplicadas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto prolatou o Acórdão 1452.914 considerando a impugnação improcedente e mantendo o crédito tributário na totalidade. A decisão consubstanciouse ma seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI (sic) Anocalendário: 2010, 2011, 2012 Fl. 3677DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 PROVAS INDICIÁRIAS. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma de duas vias: ou por uma prova única, direta, concludente por si só; ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. CUSTOS. EFEITOS. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. Os valores constantes De referido documento não poderão ser deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. TERCEIRO INTERESSADO.EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Somente por meio da apresentação da comprovação cumulativa da entrada de bens no recinto industrial e do efetivo pagamento pelas aquisições, pode o terceiro interessado elidir a ineficácia jurídicotributária da documentação reputada como inidônea. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. É cabível a aplicação simultânea da multa isolada por falta ou insuficiência do recolhimento das antecipações mensais das estimativas e da multa proporcional aos tributos exigidos nos autos de infração. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário a este colegiado ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 3678DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720474/201457 Acórdão n.º 1402002.245 S1C4T2 Fl. 3.677 5 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso é tempestivo e foi interposto por signatária devidamente legitimada, motivo pelo qual dele conheço. No que se refere à comprovação de custos ou despesas com aquisição de produtos ou serviços, a jurisprudência do colegiado reconhece que irregularidades cadastrais ou formais referentes ao fornecedor das mercadorias ou ao prestador do serviço não prejudicam ao terceiro de boa fé DESDE QUE seja efetivamente comprovada a realização da operação que lhe deu origem. É inegável que, a princípio, o documento fiscal e o registro contábil militam a favor das partes envolvidas. Entretanto, de per si não são elementos suficientes para atestar a transação principalmente quando presentes circunstâncias que indicam o contrário. No presente caso, o trabalho fiscal foi exaustivo e detalhista na solicitação de documentos que demonstrassem a efetiva aquisição dos insumos. Ficou claro nas intimações dirigidas ao sujeito passivo que a apresentação das notas fiscais e o registro contábil não seriam suficientes para atestar as operações em questão pois constatouse a inexistência de fato da empresa Elcion Pereira e ainda que, por hipótese, pudesse ser considerada a prática de operações comerciais por aquele fornecedor, sustenta o Fisco a impossibilidade prática de serem emitidas mais de mil notas fiscais de venda quando não há sequer uma nota fiscal de compra de mercadorias que pudessem ser revendidas. Caberia à recorrente demonstrar o efetivo ingresso dos produtos em seu estabelecimento ou a saída para revenda ou ainda a utilização no processo produtivo (tendo em vista que as aquisições se referem a insumos). Quanto à alegada comprovação dos efetivos pagamentos, em nada ajuda à interessada suscitar que foram feitos em moeda corrente. Além da natural dificuldade de demonstração – diferente de um depósito bancário por exemplo – considero estranho pagamentos em espécie de valores tão significativos como os aqui em discussão. Do exposto, voto por manter a glosa da dedução dos custos com aquisição de insumos. Em relação à suposto equívoco na apuração da exigência do IRPJ e da CSLL, a defesa não merece guarida. Apesar das detalhadas explicações prestadas na decisão recorrida, o sujeito passivo insistiu no argumento sem atentar que a base de cálculo do IRPJ é o lucro real e não o lucro líquido como deseja crer, eis que usou tal valor na peça de defesa. Nos demonstrativos de fls. 1365/1367 a base de cálculo correta pode ser visualizada no quadro “Demonstração do Lucro Real” coluna “Recalculado após a Glosa”. No caso da CSLL, a peça recursal traz uma apuração da contribuição sem levar em consideração o Ajuste do RTT por ele mesmo informado na DIPJ. No mesmo Fl. 3679DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 demonstrativo mencionado no parágrafo anterior a base de cálculo pode ser visualizada no quadro “Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido” coluna “Recalculado após a Glosa” . O pagamento do imposto por estimativa foi instituído pela Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Essa Lei estabeleceu período de apuração trimestral para o IRPJ, com a opção anual sendo que, nesse último caso, existe a obrigatoriedade de recolher o tributo mensalmente, determinado sobre uma base de cálculo estimada mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei nº 9.249/95. Entendeu o legislador que, feita a opção pelo recolhimento por estimativa, a ausência ou insuficiência desses pagamentos constituiria em sanção passível de punição via multa de ofício calculada sobre o montante não recolhido e aplicada isoladamente, nos termos do inciso IV, do § 1º , do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua redação original. A questão de fato é polêmica. Neste Colegiado, alguns entendem que não se justificaria a aplicação da multa após o encerramento do período de apuração, quando já teriam sido realizados os devidos ajustes. Nesse caso bastaria a cobrança de eventual imposto apurado no ajuste acompanhado, aí sim, da respectiva multa. Esse posicionamento praticamente nega eficácia ao dispositivo legal supra mencionado, pois limitaria sua aplicabilidade a procedimentos de fiscalização efetuados durante o período sob exame. Além do mais, ignora a literalidade do texto legal que determina a aplicação da multa ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no ajuste, ou seja, a Lei determina claramente que a multa pode ser imputada após o encerramento do período e mesmo sem tributo apurado no ajuste A principal e respeitável linha argumentativa daqueles que defendem essa tese parte do próprio texto legal. Na redação original temse: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (....) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (....) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; (......) (grifo acrescido) Fl. 3680DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720474/201457 Acórdão n.º 1402002.245 S1C4T2 Fl. 3.678 7 Com base na redação do caput essa corrente defende que, mesmo na forma isolada, a multa incidiria sobre a totalidade ou diferença de tributo. Com a ressalva de que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, a lógica do pagamento de estimativas seria antecipar para os meses do anocalendário o recolhimento do tributo que, de outra forma, seria devido apenas ao final do exercício. Sob essa ótica, a tese defende que o tributo apurado no ajuste e a estimativa paga ao longo do período devem estar intrinsecamente relacionados de forma a que a provisão para pagamento do tributo deve coincidir com o montante pago de estimativa ao final do exercício. Assim, concluem que só há que se falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido. A princípio, alinheime nessa posição e com ela votei em alguns julgados. Hoje, após cuidadosa reflexão penso que essa tese está equivocada porque, apesar de sua construção lógica ser irrefutável, mistura situações distintas. O texto original da lei estabelece que a multa isolada seria calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. Entendeuse assim que o legislador estabeleceu uma norma de imposição tributária quando na verdade o não recolhimento das estimativas impõe a aplicação de uma regra sancionatória. Aquela avaliação não mais se justifica a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela MP nº MP 351, de 22/01/2007; convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (.......) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (......) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (.....) (grifo acrescido) Inexiste assim a estreita correlação entre o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano. Registrese que essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa, Simplesmente torna mais clara a intenção do legislador. Em voto que a meu ver bem reflete a tese aqui expostoa, o ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES foi preciso na análise do tema (Acórdão 10323.370, Sessão de 24/01/2008): (........) Fl. 3681DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. A inexistência de correlação entre o tributo e a estimativa fezme refletir também sobre a questão da concomitância, ou seja, a aplicação da multa de ofício exigida junto com o tributo e a multa sobre as estimativas. Manifesteime em outra ocasiões pela aplicação ao caso do princípio da consunção, pelo qual prevalece a penalidade mais grave quando uma pluralidade de normas é violada no desenrolar de uma ação. Fl. 3682DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720474/201457 Acórdão n.º 1402002.245 S1C4T2 Fl. 3.679 9 De forma geral, o princípio da consunção determina que em face a um ou mais ilícitos penais denominados consuntos, que funcionam apenas como fases de preparação ou de execução de um outro, mais grave que o(s) primeiro(s), chamado consuntivo, ou tão somente como condutas, anteriores ou posteriores, mas sempre intimamente interligado ou inerente, dependentemente, deste último, o sujeito ativo só deverá ser responsabilizado pelo ilícito mais grave.1. Vejase que a condição básica para aplicação do princípio é a íntima interligação entre os ilícitos. Pelo até aqui exposto, podese dizer que a intenção do legislador tributário foi justamente deixar clara a independência entre as irregularidades, inclusive alterando o texto da norma para ressaltar tal circunstância. No voto paradigma que decidiu casos como o presente sob a ótica do princípio da consunção, o relator cita Miguel Reale Junior que discorre sobre o crime progressivo, situação típica de aplicação do princípio em comento. Pois bem. Doutrinariamente, existe crime progressivo quando o sujeito, para alcançar um resultado normativo (ofensa ou perigo de dano a um bem jurídico), necessariamente deverá passar por uma conduta inicial que produz outro evento normativo, menos grave que o primeiro. Noutros termos: para ofender um bem jurídico qualquer, o agente, indispensavelmente, terá de inicialmente ofender outro, de menor gravidade — passagem por um minus em direção a um plus. 2 (destaques acrescidos). Estaríamos diante de uma situação de conflito aparente de normas. Aparente porque o princípio da especialidade definiria a questão, com vistas a evitar a subsunção a dispositivos penais diversos e, por conseguinte, a confusão de efeitos penais e processuais. Aplicandose essa teoria às situações que envolvem a imputação da multa de ofício, a irregularidade que gera a multa aplicada em conjunto com o tributo não necessariamente é antecedida de ausência ou insuficiência de recolhimento do tributo devido a título de estimativas, suscetível de aplicação da multa isolada. Assim, não há como enquadrar o conceito da progressividade ao presente caso, motivo pelo qual tal linha de raciocínio seria injustificável para aplicação do princípio da consunção. Ainda seguindo a analogia com o direito penal, a grosso modo poderseia dizer que a situação sob exame representaria um concurso real de normas ou, mais especificamente, um concurso material: duas condutas delituosas causam dois resultados delituosos. Abstraindose das questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo 1 RAMOS, Guilherme da Rocha. Princípio da consunção: o problema conceitual do crime progressivo e da progressão criminosa. Jus Navigandi, Teresina, ano 5, n. 44, 1 ago. 2000. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/996>. Acesso em: 6 dez. 2010. 2 Idem, Idem Fl. 3683DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo. Sob essa ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou a norma ao caso concreto, no exercício do poderdever legal, motivo pelo qual votaria por manter a imputação da multa isolada em sua integralidade. Importa ressaltar que a Súmula CARF nº 101 NÃO SE APLICA A FATOS GERADORES POSTERIORES À MP Nº 351/2007, eis que todas as decisões que serviram de base à edição da Súmula não levaram em consideração a mudança legislativa. Sendo assim, deve ser mantida integralmente a multa isolada aplicada. No que tange à multa de 75%, foi imputada sobre compensação indevida de prejuízos fiscais inexistentes. A dedução indevida do prejuízo é irregularidade decorrente de outras que absorvem o saldo de prejuízos não restando valores compensáveis. Ainda que decorrente de outras, é irregularidade autônoma e portanto não há que se falar em duplicidade de multa. A inobservância da norma jurídica tendo como conseqüência o não pagamento do tributo importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Assim, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, cabe a aplicação da penalidade. Quanto à multa qualificada, a imputação pareceme justificada. O sujeito passivo beneficiouse da redução na base de cálculo dos tributos pela dedução de um custo decorrente de operações que se mostraram inexistentes.Não há como negar a intenção de fraudar a administração tributária. No que se refere à suposta natureza de confisco dos percentuais de multa, tratase de arguição de inconstitucionalidade contra dispositivo legal plenamente inserido no ordenamento jurídico pátrio, tema esse ao qual falece competência a esta Corte para apreciação. Em resumo do exposto, voto por não conhecer dos argumentos que envolvem matéria constitucional e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário e manter os lançamentos nos moldes lavrados pela Fiscalização. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 3684DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 19985.722664/2014-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Somente podem ser deduzidas as despesas médicas quando comprovadas por documentação hábil e idônea a efetiva prestação dos serviços e a vinculação do pagamento ao serviço prestado.
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. NÃO DEPENDENTES.
A dedução de despesa médica restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes para o Imposto de Renda.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-003.189
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
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FALTA DE COMPROVAÇÃO. Somente podem ser deduzidas as despesas médicas quando comprovadas por documentação hábil e idônea a efetiva prestação dos serviços e a vinculação do pagamento ao serviço prestado. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. NÃO DEPENDENTES. A dedução de despesa médica restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes para o Imposto de Renda. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 26 64 /2 01 4- 29 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 19985.722664/201429 Acórdão n.º 2201003.189 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, Acórdão 1271.598, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Trata o presente processo de notificação de lançamento (fls. 06/11), emitida em nome do contribuinte acima identificado, em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda (DIRPF), referente ao exercício de 2013, ano calendário de 2012, tendo sido apurado IR suplementar no valor de R$ 2.351,39 sujeito à multa de ofício e juros de mora. Conforme descrição dos fatos foi constatada Dedução indevida de Despesas Médicas, glosa do valor de R$ 22.371,95. Conforme consta da descrição dos fatos, não são dedutíveis as despesas pagas em favor de terceiros que não estão listados como dependentes do declarante. Cientificado em 16/07/2014 (fl. 26), o Contribuinte apresentou em 11/08/2014 a impugnação de fl. 02 com os argumentos abaixo reproduzidos em síntese: Na data de 02/12/2013, compareceu à Receita Federal de JoinvilleSC para tratar da pendência em sua declaração de IRPF 2013 onde foi informado que deveria aguardar o termo de intimação fiscal. Como não recebeu nenhuma notificação, buscou novamente a Receita Federal quando foi informado que os Correios não havia conseguido entregar o referido termo por não ter sido atendido. Ocorre que o condomínio possui dois zeladores presentes no período das 08:00 h às 20:00 h, guarita, portaria e sistema de monitoramento. Portanto, em razão do não recebimento não ter sido por sua culpa impugna a notificação de lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Anexou à impugnação a DAA 2012 e 2014 para demonstrar que sempre declarou os mesmos pagamentos, especialmente Unimed Curitiba e Associação Assistencial para Idoso. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 · Fez prova que possui plano de saúde Unimed. · Os valores declarados foram suportados pelo recorrente. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 19985.722664/201429 Acórdão n.º 2201003.189 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS A legislação tributária concede ao contribuinte, por ocasião da declaração anual de ajuste, a possibilidade de realizar deduções de despesas médicas próprias e de seus dependentes da base de cálculo do imposto de renda Além do direito de realizar deduções, o sujeito passivo está obrigado a comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas em sua Declaração de Ajuste Anual. A legislação estabelece que o contribuinte, quando intimado, comprove que as deduções pleiteadas na declaração preencham todos os requisitos exigidos, sob pena de serem consideradas indevidas e o valor pretendido como dedução seja apurado e lançado em procedimento de ofício. Abaixo o art. 8 da Lei nº 9.250/95 e o art. 11, do Decreto Lei nº 5.844/43: Lei 9.250/95 Art.8. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... § 2º O disposto na alínea a do inciso II: Fl. 73DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; DecretoLei nº 5.844/43 Art 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas nêste capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos. ... § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.” § 4° Se forem pedidas deduções exageradas em relação ao rendimento bruto declarado, ou se tais deduções não forem cabíveis, de acordo com o disposto neste capítulo, poderão ser glosadas sem audiência de contribuinte. Do mesmo modo, estabelece o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR – Regulamento do Imposto de Renda) em seu art. 80: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). ... Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades Fl. 74DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 19985.722664/201429 Acórdão n.º 2201003.189 S2C2T1 Fl. 5 7 que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Neste processo, foram glosadas despesas médicas para Unimed (declarado R$ 13.718,58 e alterado para R$ 7.491,53 e Associação Assistencial para Idosos (declarado 16.145,00 e alterado para R$ 0,00). A motivação para ao lançamento foi "Não são dedutíveis as despesas pagas em favor de terceiros que não estão listados como dependentes do declarante." Observo que o voto condutor da decisão de primeira instância registra que "em relação às despesas glosadas, o contribuinte não se manifesta e nem apresenta qualquer documento comprobatório. Dessa forma, diante da ausência de provas, deve ser mantido o lançamento na forma efetuada." Ao recurso foram anexados recibos emitidos pela Associação Assistencial para Idosos Lar das Flores referentes a pagamentos mensais da Sra Dagmar Linhares Santana, não dependente do recorrente e Demonstrativo de Movimentação Financeira emitido pela Unimed Curitiba, especificando pagamentos para o "Contrato 25 Família 38853", no total de R$ 13.718,58, sendo R$ 7.491,63 para o beneficiário Nelson Tabajara do Amaral Costa (recorrente) e R$ 6.226,95 para a beneficiária Maria Aparecida Santana do Amaral Costa, cônjuge, não dependente. Entendo que o lançamento está correto. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 75DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 8 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
score : 1.0
Numero do processo: 12448.728446/2012-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
Ementa
MOLÉSTIA GRAVE . OCORRÊNCIA
Reconhecida a existência da alienação mental, impõe-se admitir o direito à isenção do imposto de renda, nos termos do artigo 6º, inciso XIV, da Lei 7713/88.
DATA DE INICIO DA ISENÇÃO
Os tribunais superiores pacificaram o entendimento no sentido de que o termo inicial para ser computada a isenção e, conseqüentemente, a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria ou pensão, deve ser a partir da data em que foi comprovada a doença, ou seja, do diagnóstico médico.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2201-003.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
assinado digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente
assinado digitalmente
IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relatora.
EDITADO EM: 26/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (presidente substituto), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato Dos Santos (suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos De Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa Da Cruz .
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 Ementa MOLÉSTIA GRAVE . OCORRÊNCIA Reconhecida a existência da alienação mental, impõe-se admitir o direito à isenção do imposto de renda, nos termos do artigo 6º, inciso XIV, da Lei 7713/88. DATA DE INICIO DA ISENÇÃO Os tribunais superiores pacificaram o entendimento no sentido de que o termo inicial para ser computada a isenção e, conseqüentemente, a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria ou pensão, deve ser a partir da data em que foi comprovada a doença, ou seja, do diagnóstico médico. Recurso Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. assinado digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Presidente assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relatora. EDITADO EM: 26/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (presidente substituto), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato Dos Santos (suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos De Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa Da Cruz .
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OCORRÊNCIA Reconhecida a existência da alienação mental, impõese admitir o direito à isenção do imposto de renda, nos termos do artigo 6º, inciso XIV, da Lei 7713/88. DATA DE INICIO DA ISENÇÃO Os tribunais superiores pacificaram o entendimento no sentido de que o termo inicial para ser computada a isenção e, conseqüentemente, a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria ou pensão, deve ser a partir da data em que foi comprovada a doença, ou seja, do diagnóstico médico. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. assinado digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Presidente assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 84 46 /2 01 2- 74 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 2 EDITADO EM: 26/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (presidente substituto), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato Dos Santos (suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos De Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa Da Cruz . Relatório Tratase de recurso contra a decisão proferida no acórdão 1253.636 da 18ª Turma da DRJ/RJ1, de 13 de março de 2013, fls.49/52, que julgou improcedente a impugnação oferecida contra exigência de imposto de renda de pessoa física, por omissão de rendimentos, no ano calendário de 2007. Transcrevo o relatório do voto condutor do acórdão recorrido, por bem definir o litígio: Em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos correspondente ao anocalendário de 2007, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 13 a 16, em que foram apuradas omissão de rendimentos recebidos do Ministério da Justiça, no valor de R$ 41.371,96, e do Comando do Exército, no valor de R$ 34.659,96. Em função dessas alterações, foi apurado imposto suplementar de R$ 6.302,35, acrescido de multa de ofício e juros de mora regulamentares, perfazendo o crédito total de R$ 13.658,45. Após ter sido cientificada do indeferimento de sua solicitação de retificação de lançamento (fl. 43), a Contribuinte, por intermédio de seu curador judicial, apresentou a impugnação de fls. 2 a 7 em 29/06/2012, alegando, em síntese, que a Interessada seria portadora de moléstia grave desde janeiro de 2007 e faria jus, em razão disso, à isenção do imposto de renda. Foi solicitada prioridade no julgamento do processo, com fulcro no Estatuto do Idoso. Ciente da decisão em 11/04/2013, conforme AR de fls.54, há oferecimento de recurso voluntário, às fls.67/71, interposto pelo inventariante, legalmente constituído, do Espólio da Contribuinte. Inicia noticiando a juntada da decisão judicial, transitada em julgado, proferida em 12 de maio de 2012, pelo Des. Aluísio Gonçalves de Castro, no mandado de segurança nº000613658.2011.4.02.5101(doc.05), que reconheceu a isenção dos rendimentos recebidos pela Contribuinte, ante a constatação da moléstia grave, a partir de janeiro de 2007. Requer ao final o cancelamento da exigência de R$ 34.659,96 e R$ 41.371,96, referente ao ano de 2007, bem como a restituição de todos os valores pagos a título de imposto de renda daquele ano calendário. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 12448.728446/201274 Acórdão n.º 2201003.116 S2C2T1 Fl. 141 3 O processo é distribuído, por sorteio, em 09/12/2015, conforme despacho de fls.139,. É o Relatório. Voto Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Como anteriormente relatado tratase exigência do imposto de renda de pessoa física referente ao ano calendário de 2007, no valor de base de cálculo de R$ 76.031,92,conforme descrição dos fatos e enquadramento legal defls.13/16, recebidos de aposentadoria e pensão naquele ano calendário. Em função dessas alterações, foi apurado imposto suplementar de R$ 6.302,35, acrescido de multa de ofício e juros de mora regulamentares, perfazendo o crédito total de R$ 13.658,45, até a data do lançamento. A recorrente, através de retificação da declaração do ano calendário de 2007, em 04/03/2012, ofereceu Declaração de Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física retificadora pretendendo a restituição de R$ 7.216,63. No voto condutor da decisão recorrida, a negativa se deu nos termos seguintes: Quanto ao primeiro requisito, restou demonstrado que a Interessada era aposentada do Ministério da Justiça desde 1995 (fl. 30 e 31) e pensionista do Comando do Exército (fls. 11, 12 e 32) no anocalendário de 2007. Assim, os rendimentos recebidos do Ministério da Justiça e do Comando do Exército configuram, respectivamente, proventos de aposentadoria e pensão. No que tange ao segundo requisito legal, a Interessada apresentou os laudos médicos do Ministério da Justiça (fls. 18 a 21) e do Ministério da Defesa – Exército Brasileiro (fl. 25). O laudo médico de fls. 18 a 20 e o Parecer de fl. 21 atribuem à Interessada o diagnóstico de Doença de Alzheimer (CIDX – G30), que não se encontra no rol das moléstias graves discriminadas no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004. A Cópia de Ata de Inspeção de Saúde do Ministério da Defesa – Exército Brasileiro (fl. 25), datada de 14/06/2011, atesta ser a Interessada portadora de alienação mental, moléstia grave prevista na Lei nº 7.713, de 1988, porém especifica a data de início da doença em 09/02/2011. Considerase, então, como data de início da alienação mental a data a que se reporta a inspeção de saúde de fl. 25, qual seja, 09/02/2011. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 4 Isso posto, concluise que os documentos expedidos por serviços médicos oficiais juntados aos autos não atestam ser a Interessada portadora de moléstia grave isentiva no anocalendário de 2007, não se cogitando, assim, da isenção pleiteada na impugnação em tela. Mantémse, portanto, a omissão de rendimentos apurada na notificação de lançamento de fls. 13 a 16 Ou seja, a autoridade julgadora entendeu que o início da doença só poderia ser contado a partir da data consignada no laudo de fls.25, ou seja 09 de fevereiro de 2011. Já em sede de recurso voluntário o Recorrente, às fls.88 e seguintes , junta cópia da Apelação/Reexame necessário de nº 006132658.2011.4.02.5101, oriunda do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Em pesquisa no site da Justiça Federal em 21/03/2016, temse a movimentação do processo e a notícia do seu arquivamento, na forma seguinte: Processo:Nº0006136 58.2011.4.02.5101 (TRF2 2011.51.01.0061364) IV APELAÇÃO / REEXAME NECESSÁRIO ( APELRE /541124 ) AUTUADO EM 31.01.2012 PROC. ORIGINÁRIO Nº201151010061364JUSTIÇA FEDERAL.RIO DE JANEIRO.VARA: 20CI APTE THALITHA VIEIRA LIMA REP/ P/ RICARDO VIEIRA DE LIMA ADV: MARCELO PEREIRA REPSOLD APDO OS MESMOS ADV: RELATOR: J.F.CONV.ALUISIO GONCALVES DE CASTRO MEN 3A.TURMA ESPECIALIZADA LOCALIZAÇÃO: BAIXADO Todas as Partes Movimentos: · Em 23/08/2012 13:15 Baixa Definitiva Remetido a(o) A(O) Vigésima Vara Federal do Rio de Janeiro (GR 00/0115090)12/0115090 · Em 23/08/2012 13:03 Trânsito em Julgado EM,22/08/2012 DATA DO ÚLTIMO PRAZO: 22.08.2012 Em 24/07/2012 16:38Recebimento NA(O) SUBSECRETARIA DA 3A.TURMA ESPECIALIZADA Fl. 143DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 12448.728446/201274 Acórdão n.º 2201003.116 S2C2T1 Fl. 142 5 O acórdão do Tribunal está assim ementado: TRIBUTÁRIO.MANDADO DE SEGURANÇA.ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA.ALIENAÇÃO MENTAL.ARTIGO 6º,INCISO XIV,DA LEI Nº7713/88.DATA DE INÍCIO DA ISENÇÃO QUE DEVE RETROAGIR AO MOMENTO EM QUE SE DIAGNOSTICOU A PATOLOGIA.EFEITOS PATRIMONIAIS PRETÉRITOS EM MANDADO DE SEGURANÇA.MANIFESTA DIVERGÊNCIA COM AS SÚMULAS 269 E 271 DO STF.LITIGÂNCIA DE MÁ FÉ NÃO CARACTERIZADA. I Reconhecida a alienação mental da impetrante, que sofre do Mal de Alzheimer, impõese admitir seu direito à isenção do imposto de renda, nos termos do artigo 6º, inciso XIV, da Lei 7713/88. II No que diz respeito à data de início do benefício, nossos tribunais possuem entendimento de pacificado no sentido de que o termo inicial para ser computada a isenção e, conseqüentemente, a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria , deve ser a partir da data em que comprovada a doença, ou seja, do diagnóstico médico, e não da emissão do laudo oficial, o qual certamente é sempre posterior à moléstia e não retrata o objetivo primordial da Lei 7713/88. III Inviável a devolução das quantias descontadas em período anterior a impetração, já que o mandado de segurança não é via adequada para pleitear a concessão de efeitos patrimoniais pretéritos, a teor do contido nas Súmulas 269 e 271 do STF. A base legal para a concessão do benefício legal é , a Lei n.º 7.713/88, art. 6º, incisos XIV e XXI, com redação dada pelas Leis nº 8.541/92, nº 9.250/95 e nº 11.052/2004, reproduzida no inciso XXXIII e §§ 4º e 5º do art. 39 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999,nos termos seguintes: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional,tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) Fl. 144DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 6 “§4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). §5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.” E a decisão de primeiro grau já reconheceu a natureza dos rendimentos , contudo negou a restituição do Contribuinte, por entender que no laudo de fls. 25, a data de início da isenção se deu em 09/02/2011. Contudo, a decisão judicial consignou que a data do início da doença foi 02 de janeiro de 2007, conforme fls.104, quando assim versou: Assim sendo, merece prosperar o apelo da impetrante, neste particular, para fixar como termo inicial do benefício de isenção de imposto de renda, o mês de janeiro de 2007. E mais, às fls.108, último parágrafo, assim constou: Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento à remessa necessária e ao recurso de apelação da União e dar parcial provimento aquele interposto pela impetrante, tão somente para reconhecer como termo inicial do benefício de isenção de imposto de renda o mês de janeiro de 2007. Nessa conformidade encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. 3"#)*#()$,%,3"0 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 12448.728446/201274 Acórdão n.º 2201003.116 S2C2T1 Fl. 143 7 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH
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