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Numero do processo: 16643.000114/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.296
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram da presente resolução os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário (fls. 1323 a 1370) apresentado em 25 de maio de 2011 contra o Acórdão no 1627.477, de 29 de outubro de 2010, da 9ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 874 a 893), cientificado em 26 de abril de 2011, que, relativamente a auto de infração de CIDE Remessa ao Exterior dos períodos de janeiro a dezembro de 2006, considerou a impugnação improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16643.000114/201012 Resolução nº 3302000.296 S3C3T2 Fl. 1.427 2 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Cumpridos os requisitos dispostos no art. 10 do Decreto n.º 70.235/72, ademais, não havendo ocorrência do previsto no art. 59 de mesmo diploma legal, não há que falarse em cancelamento ou anulação de Auto de Infração. FASE LITIGIOSA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE PROVAS Na fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o momento processual para apresentação de provas é o definido pelo disposto no art. 15 do Decreto n.º 70.235/72 e alterações posteriores, observandose, também, o disposto nos parágrafo 4º, 5º e 6º de seu art. 16. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIAS. PRESCINDIBILIDADE A diligência ou perícia contábil objetiva subsidiar a convicção da Autoridade Julgadora e não inverter o ônus da prova já definido na legislação. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando, quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. É prescindível a perícia quando presentes, nos autos, os elementos necessários e suficientes à formação da convicção da Autoridade Julgadora para proferir sua decisão. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. As matérias já suscitadas perante o Poder Judiciário não podem ser apreciadas na via administrativa. LANÇAMENTO. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITOS JUDICIAIS. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, fazendose necessária sempre que presentes os pressupostos legais, não lhe obstando a existência de ação judicial ou de depósito judicial, mesmo que integral, cuja consequência é a mera suspensão de exigibilidade de crédito fiscal. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário por motivo de falta de pagamento e respectivo percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. LEGALIDADE Nos termos da Lei n.º 9.430/96, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para títulos federais, acumulada mensalmente. Impugnação Improcecente O auto de infração foi lavrado em 14 de junho de 2010, de acordo com o termo de fls. 234 a 244. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Cuida o presente processo da lavratura – contra o sujeito passivo em epígrafe do Auto de Infração às fls. 245 a 248, cuja ciência ocorreu em Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16643.000114/201012 Resolução nº 3302000.296 S3C3T2 Fl. 1.428 3 14/6/2010 (fl. 255), sendo constituído o crédito tributário no valor total de R$5.470.397,55, incluindo contribuição, juros de mora (calculados até 31/5/2010) e multa de ofício, relativamente à contribuição de intervenção no domínio econômico – remessas ao exterior (CIDE), código Receita 9303 (CIDE – REMESSA EXTERIOR – LEI 10332/01 – LANÇAMENTO DE OFÍCIO), cujos fatos geradores se referem a 31/1 a 30/6, 31/8 a 31/12/2006; sendo que a descrição dos fatos e enquadramento legal constam às fls. 247, 248, 252, bem como às fls. 234 a 244 que são havidos por documentos anexos (fls. 248, 254 e 255). 2. Consta às fls. 234 a 244 o Termo de Verificação Fiscal – CIDE, lavrado pela Autoridade Autuante, cuja ciência se deu em 14/6/2010 (fls. 254 e 255), em que são aduzidos os procedimentos fiscais adotados. 3. Irresignado com o lançamento, em 13/7/2010 (fl. 258), apresentou peça impugnativa às fls. 258 a 299 o contribuinte (doravante denominado (empresa) impugnante), acompanhada dos documentos às fls. 300 a 820 – consoante o que dispõe à fl. 823 –, juntados aos autos nos termos constantes à fl. 823, por meio da qual, em síntese, assim se manifesta, valendose de jurisprudência e doutrina pátrias, ipsis verbis: a) consiste seu objeto social a prestação de serviços na área de informática, especialmente a distribuição e sublicenciamento de softwares (item 3 de sua impugnação); b) o software licenciado à impugnante é desenvolvido por empresa alemã – SAP AG – que é a única empresa que detém a tecnologia para seu desenvolvimento que não é transferida ao Brasil nem a ente licenciado (itens 4 e 5); c) celebrou a impugnante contratos de prestação de serviços com a empresa SAP AG e suas subsidiárias mundo afora e que a exigibilidade da CIDE que incide sobre os pagamentos deles decorrentes é discutida no mandado de segurança n.º 2004.61.00.0208390 (itens 6, 7 e 8); d) entende a impugnante que não deva ser exigida CIDE sobre os pagamentos realizados por conta do cumprimento dos referidos contratos, motivo pelo qual passou a recolher, relativamente a tais pagamentos, o imposto de renda retido na fonte (IRRF) à alíquota de 25% ex vi alínea “a” do inciso II do art. 685 do Decreto n.º 3.000/99 (item 12); e) após ter sido proferida sentença favorável nos autos do mandado de segurança n.º 002321164.2009.403.6100, foram realizados depósitos judiciais de CIDE à alíquota de 10%, sobre os pagamentos vincendos, com recolhimento de IRRF à alíquota de 15% (item 15); f) impetrou a impugnante ação de mandado de segurança de n.º 000759697.2010.403.6100, para, dentre outros, afastar a aplicação de penalidades relativas à exigência de CIDE incidente sobre pagamentos ao exterior realizados desde 1º/01/2005 até o átimo da realização de depósitos judiciais no mandado de segurança n.º 0023211 64.2009.403.6100 (item 17); Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16643.000114/201012 Resolução nº 3302000.296 S3C3T2 Fl. 1.429 4 g) afirma que, no presente caso, não ocorreria hipótese de incidência de CIDE relativa a transmissão de conhecimentos tecnológicos; nem que os serviços prestados por conta dos contratos celebrados com a empresa SAP AG e suas subsidiárias mundo afora se confundiriam com serviços técnicos e de assistência técnica, tampouco com serviços de assistência administrativa e semelhantes, previstos no parágrafo 2º do art. 2º da Lei n.º10.168/2000 (itens 21 a 52); h) alega que a exação em tela não poderia ser considerada contribuição de intervenção no domínio econômico, em razão da ausência de benefício específico – a alcançar toda a sociedade – que seria a contraprestação específica aos sujeitos passivos ou à suas respectivas áreas; careceria de benefício específico e de proporcionalidade a exigência da CIDE das empresas signatárias dos referidos contratos; tratarseia, pois, de um possível imposto (itens 53 a 61 e 70); i) afirma que a Lei n.º 10.680/2000 não seria o veículo normativo válido para instituir e regular a exigência da CIDE, pois a Constituição Federal de 1988 (CF/88) exige que as contribuições previstas em seu art. 149 sejam instituídas por meio de lei complementar (itens 62 a 67); j) assevera que a contribuição teria fato gerador e base de cálculo idênticos ao do IRRF, motivo pelo qual feriria a vedação de bis in idem (itens 73 a 76); k) alega que a base de cálculo da CIDE conflita como o disposto no inciso III do parágrafo 2º do art. 149 da CF/88, introduzido pela Emenda Constitucional (EC) n.º 33/2001 (itens 77 a 80); l) acusa que a CIDE, que teria natureza jurídica de imposto, afrontaria o inciso IV do art. 167 da CF/88 que proíbe a vinculação de receita de imposto a fundo, órgão ou despesa (itens 81 a 83); m) alega que a exigência de CIDE violaria o art. XVII do Acordo Geral sobre o Comércio de Serviços do qual o País é signatário (itens 84 a 93); n) afirma que o objeto de autuação do presente processo já se encontraria em discussão perante o Poder Judiciário e que as decisões proferidas nos respectivos autos deveriam ser observadas e prevaleceriam sobre quaisquer decisões que vierem a ser proferidas nas instâncias administrativas, motivo pelo qual pede o cancelamento do Auto de Infração (itens 94 a 111); o) prega que a multa de ofício de 75% seria excessiva, a configurar situação abusiva, extorsiva, expropriatória, confiscatória, de forma que deveria ser reduzida a um percentual razoável (itens 112 a 116); p) pede, no que toca à incidência de juros, que seja afastada a aplicação da taxa referencial SELIC (itens 119 a 124); q) protesta pela produção de todas e quaisquer provas em direito admitidas (item 125); Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16643.000114/201012 Resolução nº 3302000.296 S3C3T2 Fl. 1.430 5 r) finalmente, pede a impugnante a realização de diligências e perícias necessárias para a comprovação dos fatos e direitos alegados (item 125). 4. O presente processo foi encaminhado a esta Delegacia, nos termos do despacho exarado à fl. 823. No recurso, alegou inicialmente o seguinte: 15. Após o deferimento parcial do pedido liminar, com a autorização para realização de depósitos judiciais e o regular processamento do referido Mandado de Segurança, em 22.3.2010 foi disponibilizada a r. sentença (doc. n° 13 da impugnação) por meio da qual foi denegada a segurança inicialmente pleiteada. Em síntese, o entendimento expresso na r. sentença é no sentido de que apenas uma dentre as hipóteses de incidência da CIDE previstas na Lei n° 10.168/00 apresenta a transferência de tecnologia como aspecto material indispensável à incidência da referida contribuição, e que a hipótese tratada naqueles autos não estaria sujeita a tal tratamento legal. 16. Assim, em face do teor da mencionada sentença, a Recorrente passou a realizar nos autos do Mandado de Segurança n° 0023211 64.2009.403.6100 os depósitos judiciais de CIDE, à alíquota de 10%, sobre os pagamentos vincendos relativos aos contratos em discussão, de modo a suspender a sua exigibilidade e evitar a imposição de penalidades (doe. n° 14 da impugnação). Da mesma poderia implicar risco de a Recorrente vir a ser futuramente autuada e demandada pela autoridades fiscais em razão da consequente redução da alíquota de 25% para 15% na retenção do IRF incidente sobre as mesmas remessas que a Recorrente passou a adotar a partir da realização de referidos depósitos judiciais a título de CIDE. 17. Ademais, a Recorrente também estava diante do iminente risco de ser autuada e demandada pelas autoridades fiscais para realizar o pagamento da CIDE à alíquota de 10% supostamente incidente sobre as remessas efetuadas no passado ao exterior, o que a colocaria diante da excessiva e ilegal carga tributária de 35% sobre a remuneração dos serviços mencionados acima. 18. Dessa forma, para afastar tais riscos, a Recorrente impetrou, em 5.4.2010, o Mandado de Segurança que foi distribuído à 22 a Vara Federal de São Paulo/SP sob o n° 000759697.2010.403.6100 (doc. n° 15 da impugnação), para o fim de que fosse determinado em sede de liminar: (i) que as autoridades fiscais se abstenham de impor à Recorrente quaisquer penalidades relativas à cobrança da CIDE sobre as remessas efetuadas pela Recorrente ao exterior desde 1.1.2005 até o momento em que iniciou a realização de depósitos judiciais no Mandado de Segurança n° 002321164.2009.403.6100, posto que a carga tributária máxima (25%) sobre os pagamentos decorrentes dos contratos foi recolhida à União Federal (IRF à alíquota de 25%) e, por outro lado, caso a Autoridade Administrativa constitua o crédito tributário relativo à CIDE, que o faça sem a imposição de penalidade tendo em vista o recolhimento máximo da carga tributária sobre os Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16643.000114/201012 Resolução nº 3302000.296 S3C3T2 Fl. 1.431 6 fatos em questão; bem como (ii) a suspensão da exigibilidade da diferença entre as alíquotas de 15% (que então passou a ser aplicada pela Recorrente nas retenções subsequentes de IRF) e 25% de IRF sobre as futuras remessas ao exterior para pagamento dos serviços objeto dos referidos contratos, até a prolação de decisão final a respeito da exigibilidade da CIDE sobre tais serviços nos autos do Mandado de Segurança n° 002321164.2009.403.6100. 19. A Recorrente também requereu em sua inicial que, após a apreciação do pedido liminar relatado acima, (i) seja o Mandado de Segurança n° 00075969, "1010.403.6100 suspenso até o julgamento final do Mandado de Segurança n° 002321164.2009.403.6100, nos termos do artigo 265, IV, "a", do CPC, (ii) bem como a concessão integral da segurança para que, na hipótese de ser reconhecida nos autos do Mandado de Segurança n° 002321164.2009.403.6100 a exigibilidade da CIDE sobre os pagamentos realizados ao exterior relativos aos referidos contratos de prestação de serviços, seja expedida ordem judicial determinandose às autoridades administrativas competentes a retificação dos DARFs relativos aos recolhimentos de IRF à alíquota de 25% — realizados antes da propositura do Mandado de Segurança n° 000759697.2010.403.6100 — para que reste consignado que dos 25% recolhidos sob a rubrica de IRF, 10% sejam reconhecidos como tendo sido recolhidos a título de CIDE e os restantes 15% a título de IRF. 20. Regularmente processado o feito, foi deferida a medida liminar pleiteada pela ora Recorrente (doe. n° 16 da impugnação). Posteriormente foi prolatada sentença (doc. n° 3) que assegurou à Recorrente o direito de recolher o imposto de renda na fonte incidente sobre as remessas ao exterior à alíquota de 15%, enquanto estiver efetuando o depósito judicial da CIDE à alíquota de 10%, nos autos do Mandado de Segurança n° 2009.61.00.0232110 (0023211 64.2009.403.6100) e, enquanto estiver aguardando o que restar decidido nos autos deste último mandado de segurança. Contra referida sentença a União Federal apresentou recurso de apelação, que atualmente aguarda julgamento pelo Tribunal Regional Federal da 3 a Região. 21. Prestados estes esclarecimentos — que ratificam a absoluta improcedência da autuação ora combatida, conforme se verá adiante a Recorrente passa a demonstrar os motivos de fato e de direito que determinam o cancelamento da exigência fiscal ora em questão, com o consequente arquivamento do presente processo administrativo. A seguir, tratou da inaplicabilidade da Cide ao caso concreto, da improcedência da multa e dos juros de mora aplicados. Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16643.000114/201012 Resolução nº 3302000.296 S3C3T2 Fl. 1.432 7 VOTO Conselheiro José Antonio Francisco, Relator Inicialmente, esclareçase que se aplicariam ao presente caso as seguintes súmulas do Carf (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF no 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF no 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Súmula CARF no 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Para efeito da aplicação das Súmulas n. 5 e 17, entretanto, é necessário baixar os autos em diligência, a fim de que se verifique a existência de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 63 da Lei n. 9.430, de 1996, e a integralidade dos depósitos efetuados. Esclareçase que a integralidade dos depósitos depende do depósito integral do débito no prazo de vencimento ou, se realizado fora do prazo, com a incidência de multa de mora e juros de mora. Caso as diferenças refiramse apenas à eventual falta da multa de mora, tal situação deverá ser informada. Assim, a Fiscalização deverá lavrar relatório conclusivo sobre as duas matérias acima mencionadas, dando dele ciência à Interessada, para manifestarse no prazo de trinta dias. Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16643.000114/201012 Resolução nº 3302000.296 S3C3T2 Fl. 1.433 8 Voto, portanto, para converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos acima especificados. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.923857/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001
PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543-B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS A` DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA.
A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3802-001.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso, determinando-se o retorno dos autos à instância julgadora a quo para fins de apreciação do me´rito.
(assinado eletronicamente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado eletronicamente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausência momentânea do Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 38 57 /2 00 9- 11 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso, determinandose o retorno dos autos à instância julgadora a quo para fins de apreciação do mérito. (assinado eletronicamente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado eletronicamente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausência momentânea do Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 27): “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcrevese o relatório do acórdão da DRJ (fls. 28): “Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em 13/07/2009, em face da não homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 34394.42170.140307.1.7.042907, nos termos do despacho decisório emitido em 22/06/2009 pela DRF em Curitiba/PR (rastreamento nº 842577516). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 14/06/2007 para retificar a Dcomp nº 13715.37431.100806.1.3.040027, de 10/08/2006, a contribuinte indicou um crédito de R$ 1.739,73 (que corresponde a parte de um pagamento efetuado em 15/10/2001, sob o código 8109, o valor de R$ 6.557,55), e um débito de PIS (8109), Fl. 43DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.923857/200911 Acórdão n.º 3802001.610 S3TE02 Fl. 43 3 do período de julho de 2006, vencido em 15/08/2006, no valor original de R$ 177,67. Segundo o despacho decisório, cientificado em 29/06/2009, a compensação não foi homologada porque o crédito indicado para a compensação havia sido totalmente utilizado na extinção, por pagamento, do débito de PIS de setembro de 2001, no valor de R$ 6.557,55. Na manifestação apresentada, a interessada diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito e diz estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação.” A Recorrente, nas razões de fls. 3539, sustenta que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 585.235, na sistemática prevista pelo art. 543B do Código de Processo Civil (CPC). Portanto, o entendimento em questão seria obrigatório nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Carf. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 24/05/2012 (fls. 33), interpondo recurso tempestivo em 21/06/2012 (fls. 35). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. O exame dos autos mostra que razão assiste ao Recorrente, porque, até o início da vigência da nãocumulatividade do PIS, a hipótese de incidência da contribuição encontravase disciplinada pela Lei no 9.718/1998 e pela Lei Complementar n.o 70/1991. Estas, por sua vez, definiam o “fato gerador” do tributo nos seguintes termos: Lei Complementar no 70/1991: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Lei no 9.718/1998: Art.2o As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 44DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Art.3o O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) A Lei Complementar nº 70/1991, como se vê, restringia a materialidade do tributo ao faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias ou da prestação de serviço de qualquer natureza. Não havia previsão para a incidência sobre receitas financeiras, o que somente ocorreu após a Lei nº 9.718/1998, que, através do seu art. 3º, §1º, ampliou o âmbito normativo da contribuição, de modo a compreender a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. O §1º do art. 3o da Lei no 9.718/1998, porém, foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE no 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a matéria: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É Fl. 45DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.923857/200911 Acórdão n.º 3802001.610 S3TE02 Fl. 44 5 inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min. CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, reproduzido anteriormente, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Não é possível, entretanto, o provimento integral do recurso, porquanto a DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Logo, impõese o afastamento da questão prejudicial acolhida pela DRJ, com o consequente prosseguimento do exame do mérito da compensação realizada pelo Recorrente, o que, por sua vez, deve ser realizado pela instância a quo, sob pena de supressão de instância. Votase, assim, pelo conhecimento e parcial provimento do recurso, determinandose o retorno dos autos à DRJ para fins de apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 46DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 12898.002335/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 2006
IRPF. GANHO DE CAPITAL. INEXISTÊNCIA DE SIMULAÇÃO.
Eld um consenso entre a Doutrina e a Jurisprudência quanto ao fato de que são considerados simulados os atos realizados pelas partes quando a intenção delas não corresponde Aquela expressa pelos atos efetivamente realizados (ou exteriorizados). Por outro lado, quando os atos praticados revelam exatamente a intenção das partes, não há que se falar em simulação.
IRPF. GANHO DE CAPITAL NA VENDA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. APURAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO.
INCORPORAÇÃO REVERSA. CAPITALIZAÇÃO DOS LUCROS.
APLICAÇÃO DO ART. 135 DO RIR/99.
0 art. 135 do RIR/99 prevê expressamente que "no caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual A. parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista". A lei não prevê qualquer exceção à aplicação da norma, de forma que, para afastá-la, deverá ser demonstrada pela fiscalização a sua inaplicabilidade ao caso concreto.
Diante da falta de tal demonstração, não pode prevalecer o lançamento.
Numero da decisão: 2102-001.938
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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GANHO DE CAPITAL. INEXISTÊNCIA DE SIMULAÇÃO. Há um consenso entre a Doutrina e a Jurisprudência quanto ao fato de que são considerados simulados os atos realizados pelas partes quando a intenção delas não corresponde àquela expressa pelos atos efetivamente realizados (ou exteriorizados). Por outro lado, quando os atos praticados revelam exatamente a intenção das partes, não há que se falar em simulação. IRPF. GANHO DE CAPITAL NA VENDA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. APURAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. INCORPORAÇÃO REVERSA. CAPITALIZAÇÃO DOS LUCROS. APLICAÇÃO DO ART. 135 DO RIR/99. O art. 135 do RIR/99 prevê expressamente que “no caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista”. A lei não prevê qualquer exceção à aplicação da norma, de forma que, para afastála, deverá ser demonstrada pela fiscalização a sua inaplicabilidade ao caso concreto. Diante da falta de tal demonstração, não pode prevalecer o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 17/04/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 89/94 para exigência de IRPF sobre ganho de capital auferido por ocasião da venda de participação societária, acrescido de multa de ofício qualificada de 150%. Do longo Termo de Constatação que instrui o lançamento, depreendese que o mesmo decorreu do entendimento de que o contribuinte omitira parte do ganho de capital auferido com a venda de sua participação no BANCO PACTUAL S/A, em razão de planejamento tributário tido pela autoridade fiscal como operação simulada. A fim de ilustrar as operações realizadas pelo contribuinte que deram ensejo ao lançamento, eis o que consta do referido Termo de Constatação, verbis: A operação de alienação do BANCO PACTUAL S/A da forma como foi engendrada deve ser entendida no seu sentido amplo, não se restringindo apenas ao ato de transferência da propriedade das ações da instituição financeira ao adquirente — UBS Brasil Participações Ltda. — CNPJ 08.245.9751000191 — mas contemplandose no escopo do ato negocial todas as operações anteriores de capitalização de lucros e reservas e extinção das holdings integrantes do grupo empresarial. A simulação nos atos praticados fica evidente quando analisamos que se a intenção do acionista pessoa física fosse unicamente a de alienar a sua participação indireta no BANCO PACTUAL S/A, seria transferida ao UBS Brasil Participações Ltda. a propriedade das ações das holdings PACTUAL HOLDINGS S/A e NOVA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA. a ele pertencentes. (...) Na aparência, a operação envolveu apenas a aludida transferência de propriedade das ações do BANCO PACTUAL S/A. No entanto, no ato praticado foram conferidos direitos [majoração irregular do CUSTO DE AQUISIÇÃO DAS AÇÕES ALIENADAS DO BANCO PACTUAL S/A] de forma simulada, ao Acionista Pessoa Física, Gilberto Sayão da Silva, conforme preceituado no inciso I do parágrafo 1° do art. 167 do Código Civil, Lei n° 10.406102. Neste contexto, observase a materialização da hipótese prevista no parágrafo 2° do mesmo artigo, considerando que na Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12898.002335/200931 Acórdão n.º 210201.938 S2C1T2 Fl. 998 3 operação, ao majorar o custo de aquisição das ações alienadas e, conseqüentemente, reduzir o ganho de capital, a Pessoa Física provocou evasão de tributo [imposto de renda sobre o ganho de capital], lesando direito de terceiro, no caso, o Fisco. Cabe consignar que as sociedades investidoras de fato existiam, os atos de reorganização societária ocorreram e os procedimentos contábeis de incorporação de lucros e reservas ao capital social das holdings ocorreram apenas na forma. No entanto, o ato exteriorizado fundamentado no comando contido no artigo 135 do RIW99 — Decreto n° 3.000199 — o qual permite o aumento do custo de aquisição das ações pertencentes à pessoa física com a capitalização de lucros e reservas das pessoa jurídica, contém elementos inequívocos à caracterização de ato simulado, conforme preceituado no artigo 167 do Código Civil — Lei 10.406/02, em razão de ocultar a real intenção do agente que utilizandose de previsão legal tendente a atribuir efeitos econômicos e tributários a atos negociais, pratica operação destituída dos elementos inerentes aos aludidos efeitos. Na apuração do CUSTO DE AQUISIÇÃO DAS AÇÕES ALIENADAS DO BANCO PACTUAL S/A foram imputados valores fictícios que não se revestem de conteúdo econômico e financeiro, que distorcem as características intrínsecas dos elementos que compõem os conceitos de custo de aquisição, como aqueles que traduzem os esforços e sacrifícios da pessoa física ou jurídica na formação e crescimento de seu patrimônio. A multa de ofício foi qualificada em razão da alegada simulação dos atos envolvidos nas sucessivas operações societárias que culminaram com a venda da participação do contribuinte no BANCO PACTUAL S/A. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 803/821, por meio da qual defendeu a legalidade das operações realizadas, refutando a alegação da autoridade lançadora de que teria havido simulação. Alegou que suas operações estariam devidamente respaldadas pelo disposto no art. 135 do RIR/99, e que estaria incorreto o entendimento da fiscalização de que o referido artigo não poderia ser aplicado a operações de reestruturação. Na análise de suas alegações, os membros da DRJ no Rio de Janeiro decidiram pela manutenção integral do lançamento, em acórdão do qual se extrai a seguinte ementa: OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. Sujeitase à incidência do Imposto de Renda o ganho de capital correspondente à diferença entre o valor de alienação das ações pelo acionista pessoa física e o respectivo custo de aquisição, que não pode ser majorado sem o amparo legal. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. VALIDADE. Só é considerado válido o planejamento tributário, conjunto de medidas e atos adotados pelo contribuinte na organização de Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 sua vida econômicofiscal, se este anteceder o fato gerador e pautarse pela legalidade, com o afastamento de qualquer forma de simulação em relação aos atos e negócios praticados. INCORPORAÇÕES INVERSAS. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. A capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos por equivalência patrimonial na sociedade investidora, seguida de incorporação inversa e nova capitalização, com duplicidade no incremento do custo de aquisição das ações a serem alienadas, constitui majoração irregular e infração fiscal. SIMULAÇAO. OPERAÇOES ESTRUTURADAS EM SEQUENCIA. O fato de cada uma das transações dentro do grupo societário, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Constatada a prática de simulação, perpetrada mediante a articulação de operações com o intuito de evitar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, é cabível a exigência do tributo, acrescido de multa qualificada (art. 44, inciso 11, da Lei n°. 9.430, de 1996). O contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 841/872, por meio do qual assim resumiu os fatos que motivaram o lançamento: (a) Em 13.10.2006, o capital de NOVA PACTUAL foi aumentado mediante a capitalização de lucros gerados pelo BANCO PACTUAL. Com isso, o custo dos investimentos do RECORRENTE em NOVA PACTUAL passou de R$ 127.944.783,32 para R$ 179.752.497,32 (aumento de R$ 51.807.714,00). (b) Também em 13.10.2006, o capital de PACTUAL HOLDINGS foi aumentado mediante a capitalização de lucros gerados pelo BANCO PACTUAL. Com isso, o custo dos investimentos do RECORRENTE em PACTUAL HOLDINGS passou de R$ 8.281.818,05 para R$ 108.081.818,05 (aumento de R$ 99.800.000,00). (c) Logo a seguir, a NOVA PACTUAL e PACTUAL HOLDINGS foram incorporadas por PACTUAL, sua controlada (incorporação reversa), e o RECORRENTE recebeu, em substituição às suas participações no capital das incorporadas, extintas com a incorporação, investimentos diretos na incorporadora, ou seja, em PACTUAL. (d) Em 03.11.2006, o capital de PACTUAL foi aumentado mediante a capitalização de lucros gerados pelo BANCO PACTUAL. Com isso, o custo dos investimentos do Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12898.002335/200931 Acórdão n.º 210201.938 S2C1T2 Fl. 999 5 RECORRENTE em PACTUAL passou de R$ 287.834.315,37 (soma do custo de seus investimentos em NOVA PACTUAL e PACTUAL HOLDINGS, que foram incorporadas por PACTUAL) para R$ 499.004.964,37 (aumento de R$ 211.170.649,00). (e) Em 01.12.2006, PACTUAL foi incorporada pelo BANCO PACTUAL (incorporação reversa) e o RECORRENTE recebeu, em substituição à sua participação no capital da incorporada, extinta com a , incorporação, investimentos diretos na incorporadora, ou seja, no. BANCO PACTUAL. 2.7. Em seguida, após a ocorrência do fato mencionado em "e", acima, as ações do BANCO PACTUAL detidas pelo RECORRENTE foram alienadas a UBS BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA. ("UBS BRASIL"), pelo preço de R$ 1. 111.647.540,24, do qual a parcela de R$ 432.043.319,81 foi paga à vista. Quanto ao mérito, suscitou os seguintes motivos que justificariam a reforma da decisão proferida pela DRJ: as holdings que detinham a totalidade das ações do banco foram criadas mais de 10 anos antes dos eventos que ensejaram o lançamento, e tinham o propósito de organizar o controle sobre o banco, bem como a distribuição de seus lucros entre os 69 sócios do mesmo; a reestruturação societária era necessária à efetivação da venda do banco, e poderia ter sido feita de diversas maneiras, tendo os sócios optado pela que lhes parecer mais conveniente; a opção pela extinção das holdings e não do próprio banco se deu também por razões relacionadas à própria atividade exercida, já que os sócios tinham diversas obrigações personalíssimas perante os compradores do referido banco; discorreu sobre todos os inconvenientes que seriam causados caso a incorporação tivesse se dado de forma “tradicional” (as holdings teriam que se tornar instituições financeiras), e também sobre os inconvenientes decorrentes da extinção das holdings para viabilizar a venda do banco ao UBS; e a rapidez com que a reestruturação foi feita é outro fato que demonstra que realmente esta seria a melhor saída (incorporação “reversa”), sendo indevida a conclusão tomada pela autoridade lançadora no sentido de que a rapidez da reestruturação teria sido um forte indício de que o objetivo seria o de escapar à tributação. Em seguida, discorreu sobre um a um dos referidos tópicos suscitados na decisão recorrida: i) rapidez com que foi realizada a reestruturação, ii) utilização de incorporações inversas, e iii) aumento do custo de aquisição dos seus investimentos, item no qual reitera que tal aumento se deu com amparo no disposto no art. 135 do RIR/99, da seguinte forma: 3.55. A legislação em vigor prevê que a capitalização de lucros' gera acréscimo de custo para os acionistas pessoas físicas, sem Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 cogitar da natureza do lucro. O destinatário desse aumento de custo é o acionista pessoa física que, no momento da capitalização do mesmo, for sócio ou acionista da empresa. À época da capitalização dos lucros das holdings, quer a mesma houvesse resultado de deliberação específica, quer houvesse ocorrido no processo de incorporação, seus sócios ou acionistas eram os VENDEDORES e, dentre eles, o RECORRENTE. Assim, o ajuste do custo dos investimentos do RECORRENTE decorre da aplicação da lei e não há como rejeitálo. Concluiu que não constavam, quer do Auto de Infração, quer da decisão recorrida, quaisquer normas legais por ele infringidas, e afirmou que a autuação decorria tão somente do inconformismo da autoridade fiscal quanto aos efeitos gerados pela aplicação da lei (art. 135 do RIR/99) ao caso concreto. Alegou ainda que a capitalização de lucros das holdings, em casos de reestruturação é uma conseqüência necessária das incorporações e independe de ato específico neste sentido, discorrendo sobre o entendimento da CVM e da Receita Federal a este respeito. Defendeu também que as conseqüências da opção pela capitalização de lucros antes das incorporações seria irrelevante em termos fiscais, concluindo também que se fossem desconsiderados os efeitos da capitalização dos lucros na Nova Pactual, deveria igualmente ser alterada a sua participação no Banco Pactual, verbis: 3.76. A distribuição desproporcional de lucros fez cone que a participação do RECORRENTE no capital de NOVA PACTUAL fosse reduzida de 20,37% para apenas 13,16%, conforme demonstra a Cláusula Sexta do Contrato Social de NOVA PACTUAL, após a realização da 4' alteração (DOC. 01). 3.77. Ao questionar a REESTRUTURAÇAO, o AUTO (acolhido pela DECISÃO) desconsidera um dos efeitos do aumento de capital de NOVA PACTUAL (aumento do custo), mas mantém outro (redução da participação do RECORRENTE). 3.78. Se o AUTO fosse julgado procedente, o que o RECORRENTE admite apenas para argumentar, a desconsideração do aumento de capital da NOVA PACTUAL deveria ocorrer por completo, do que resultaria que, à época das incorporações das holdings pelo BANCO PACTUAL, tocasse ao RECORRENTE um maior número de ações do BANCO PACTUAL. 3.79. Ou seja, se os efeitos da capitalização de lucros da NOVA PACTUAL fossem ignorados, o custo dos investimentos do RECORRENTE no BANCO PACTUAL, na época da vendas de suas ações, seria maior, na medida em que: (i) sua redução no capital de NOVA PACTUAL — de 20,37% para 13,16% — seria desconsiderada; e (ii) tocariam ao RECORRENTE ações do BANCO PACTUAL en1 maior número, quando houvesse a incorporação; 3.80. Em vista disto, se, por absurdo, fosse mantido o AUTO, o ganho de capital do RECORRENTE deveria ser recalculado e quantificado con] base na participação que o mesmo teria no BANCO PACTUAL se a capitalização de lucros de NOVA PACTUAL — e conseqüente redução de sua participação — não tivesse ocorrido. Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12898.002335/200931 Acórdão n.º 210201.938 S2C1T2 Fl. 1000 7 Trouxe diversos exemplos para ilustrar seu raciocínio, bem como jurisprudência em favor de suas alegações. Por fim, discorreu sobre a inexistência de simulação na espécie, defendendo que seria inaplicável ao caso a qualificação da multa de ofício, pugnando pela reforma da decisão recorrida. Quando os autos já haviam sido encaminhados a este Conselho para julgamento, o Recorrente anexou aos autos (fls. 909 e seguintes) parecer exarado por Ricardo Mariz de Oliveira acerca da inocorrência da simulação no caso em que se examina. O parecer tinha como objetivo oferecer resposta à seguinte indagação: "12. Diante do exposto, indaga Gilberto Sayão da Silva se, na reestruturação realizada previamente à alienação do BANCO, para que a mesma fosse realizada por seus controladores finais, houve a prática de algum ato (ou de um conjunto de atos) que possa ser qualificado como simulado, nos termos do art. 167 do Código Civil." A conclusão a que o signatário do mesmo chegou foi a de que: A única razão apresentada pela fiscalização autuante, e confirmada pela decisão da DRJ no respectivo processo administrativo, é a indevida (segundo o entendimento dessas instâncias fiscais) aplicação do art 135 do RIR/99, que teria majorado indevidamente o custo das ações vendidas. Entretanto, as possíveis conseqüências tributárias dos atos não são hábeis para caracterizálos como simulados, isto por um elementar raciocínio lógico: se fosse assim, toda vez que o art. 135 fosse aplicável terseia que admitir ter havido simulação e ele deixaria de poder ser aplicado. (...) Como falei em passagem anterior, parece haver uma inconformidade da fiscalização com a duplicação de efeitos das capitalizações de lucros, em virtude de os lucros que existiam na Nova Pactual e na Pactual Holdings derivavam dos lucros da Pactual S.A. Todavia, isto não é resultado de simulação, mas, quando muito, insuficiência do comando legislativo, envolvendo tanto o art. 135 do RIR/99 quanto todo o método de equivalência patrimonial, não cabendo ao destinatário da norma, nem ao seu intérprete ou aplicador, corrigiIa a pretexto de interpretação, pois a correção necessariamente deve ser objeto de alteração legislativa, assim como não lhes é dado distinguir onde a norma legal não distingue, ou acrescentar a ela requisitos ou condições nela inexistentes. Seja como for, qualquer discussão em torno do art. 135 do RIR não depende necessariamente de ter havido simulação, e nem permite afirmar ter havido simulação. Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 Concluo, pois, não ter ocorrido simulação perpetrada pelo Sr. Gilberto Sayão da Silva ou por qualquer das pessoas envolvidas nos atos e negócio jurídicos de que ele participou. É meu parecer. Em seguida (fls. 984 e seguintes), a d. Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta suas contrarazões ao Recurso Voluntário, aduzindo, em síntese, e após um breve relato dos fatos, que teria havido o aumento irregular do custo de aquisição das ações do BANCO PACTUAL S.A., tendo em vista que o Banco era a única fonte produtora de riqueza para todo o grupo, e os lucros não distribuídos (e capitalizados) pelas demais empresas foram apurados através do método da equivalência patrimonial. Eis um trecho do entendimento esposado na referida peça: Ora, as operações de capitalização e incorporação inversas não podem ser consideradas isoladamente, como pretende o contribuinte. Com efeito, a opção feita pelo contribuinte , no sentido de aproveitar os lucros e reservas de capital para aumentar o capital social , trará consequências para todas as suas empresas . Dessa forma, os dividendos não distribuídos c que estavam presentes na NOVA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA. e na PACTUAL HOLDINGS S.A., por meio do método da equivalência patrimonial, podem ser utilizados para a capitalização dessas empresas. Por sua vez, a incorporação dessas empresas pela PACTUAL S.A. provocará a incidência do art. 135 do RIR/99, com o conseqüente aumento do custo de aquisição das ações. Entretanto, unia vez utilizados os lucros e reservas de capital nessa operação, não é admissivel que eles possam lastrear unta futura capitalização da PACTUAL S.A. e o eventual aumento no custo de aquisição das ações dessa pessoa jurídica na incorporação inversa pelo BANCO PACTUAL S.A. Por fim, a PFN reitera o pedido para que seja mantida a qualificação da multa de ofício. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 10.06.2010, conforme fls. 838. O Recurso Voluntário foi interposto em 08.07.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência de Imposto de Renda sobre ganho de capital supostamente pago a menor pelo Recorrente em razão da alegada ocorrência de simulação nas operações que antecederam a venda de sua participação societária no Banco Pactual. Antes, porém, de entrar no mérito da discussão travada nestes autos, cumpre fazer um breve resumo dos fatos envolvidos na operação de venda desta participação societária, para que se possa ter uma melhor compreensão da motivação do lançamento. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12898.002335/200931 Acórdão n.º 210201.938 S2C1T2 Fl. 1001 9 Da operação que ensejou o lançamento O Recorrente e seus sócios detinham, indiretamente, o controle do Banco Pactual, o que exerciam através de três holdings diversas, conforme demonstrado no seguinte quadro, elaborado pela fiscalização e extraído do TCF: Decidiram então vender suas participações no Banco Pactual para o banco UBS. Na negociação com o comprador (o UBS) restou estabelecido que as pessoas físicas é que venderiam suas participações no banco, e não as holdings (que detinham a participação direta no mesmo). Por isso, foram feitas as seguintes operações para efetivar a venda: a) em 13.10.2006, capitalização dos lucros apurados pela Nova Pactual e pela Pactual Holdings com base no MEP, com a conseqüente majoração do custo de aquisição das participações societárias das pessoas físicas, nos termos do art. 135 do RIR/99; b) incorporação de Nova Pactual e Pactual Holdings pela Pactual S/A (1ª incorporação reversa), com o recebimento, pelas pessoas físicas, de participação na mesma proporção das participações societárias que detinham naquelas duas holdings (extintas com as incorporações); Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 10 c) em 03.11.2006, capitalização dos lucros apurados pela Pactual S/A com base no MEP, com a conseqüente majoração do custo de aquisição das participações societárias das pessoas físicas, nos termos do art. 135 do RIR/99; d) em 01.12.2006, incorporação da Pactual S/A pelo Banco Pactual (2ª incorporação reversa), com o recebimento, pelas pessoas físicas, de investimentos diretos na mesma proporção que detinham da holding (extinta pela incorporação); e e) venda do Pactual ao UBS diretamente pelas pessoas físicas, ocasião em que foi apurado o ganho de capital devido. Concluída a venda, e recebida a primeira parcela acertada entre as partes, o Recorrente apurou o ganho de capital que entendia incidente sobre a operação, tendo então efetuado o recolhimento do valor de R$ 35.345.463,99, baseado no seguinte cálculo: Como demonstrado acima, o custo de aquisição utilizado por ele foi o de R$ 505.291.757,41. A autoridade fiscal entendeu, porém, que o custo de aquisição então apurado não estaria correto. Por isso, refez os cálculos do ganho de capital que entendeu devido, tomando como base os seguintes valores: Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12898.002335/200931 Acórdão n.º 210201.938 S2C1T2 Fl. 1002 11 Como se vê, neste cálculo o custo de aquisição foi reduzido para R$ 353.684.043,40. Assim, os cálculos efetuados pela autoridade fiscal e aqueles efetuados pelo Recorrente divergem somente no que diz respeito ao custo de aquisição das ações. Esta a origem do lançamento. Feitos estes esclarecimentos preliminares, passase agora a analisar o mérito do Recurso Voluntário. Um dos pontos mais importantes da discussão aqui travada diz respeito à alegação da autoridade autuante de que teria havido simulação, a justificar o próprio lançamento e, conseqüentemente, a multa qualificada aplicada a ele. O trecho a seguir transcrito – extraído do Termo de Constatação Fiscal (TCF), demonstra este entendimento: No caso em tela, revelouse a operação de venda das ações do BANCO PACTUAL S/A destituída do elemento central inerente à caracterização da elisão fiscal, qual seja, a utilização de meios lícitos. Ao inflar artificialmente o CUSTO DE AQUISIÇÃO DAS AÇÕES ALIENADAS DO BANCO PACTUAL S/A, com a capitalização cumulativa de valores derivados dos lucros apurados por equivalência patrimonial, o contribuinte Gilberto Sayão da Silva incorreu na prática de ato simulado — entre o agente pessoa física e as pessoas jurídicas integrantes do Grupo Pactual — com o propósito de lesar terceiros, no caso o FISCO, materializandose a hipótese de incidência prevista no inciso I do parágrafo 1° do art. 167 do Código Civil (CC) — Lei n° 10.406/02, combinado com o parágrafo 2° do mesmo artigo, tendo em vista o ato praticado aparentar conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas às quais realmente se conferem ou transmitem. (...) Cabe consignar que as sociedades investidoras de fato existiam, os atos de reorganização societária ocorreram e os procedimentos contábeis de incorporação de lucros e reservas ao capital social das holdings ocorreram apenas na forma. No entanto, o ato exteriorizado fundamentado no comando contido no artigo 135 do RIR/99 — Decreto n° 3.000199 — o qual permite o aumento do custo de aquisição das ações pertencentes Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 12 à pessoa física com a capitalização de lucros e reservas das pessoa jurídica, contém elementos inequívocos à caracterização de ato simulado, conforme preceituado no artigo 167 do Código Civil — Lei 10.406/02, em razão de ocultar a real intenção do agente que utilizandose de previsão legal tendente a atribuir efeitos econômicos e tributários a atos negociais, pratica operação destituída dos elementos inerentes aos aludidos efeitos. (destacamos) A decisão recorrida, por seu turno, manteve o entendimento de que teria havido verdadeira simulação, como se depreende do seguinte trecho dela extraído: Cabe, também, destacar que a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, ao apreciar, pela primeira vez, um caso de incorporação invertida, em que uma empresa com prejuízo fiscal incorporou uma lucrativa, considerou o procedimento ilegal. Entendeu o STJ que mesmo não havendo impedimento legal, houve simulação com o objetivo de pagar menos tributo, mantendo o julgamento da 2 a. Turma do Tribunal Regional Federal da 4a. Região (Apelação Cível n'2004.71.10.003965 9/RS). Consolidase o entendimento de que as incorporações invertidas devem ser reais, fazendo parte de uma legítima reorganização societária e não servindo de mecanismo para fugir à tributação. No presente Auto de Infração, as apurações feitas pela fiscalização demonstram que todas as etapas do processo que culminaram na venda das ações do Banco Pactuai S/A foram antecipadas e cuidadosamente planejadas. Resta, pois, claro que a intenção era efetivamente reduzir o ganho de capital na venda das ações, como resta igualmente claro que as pessoas envolvidas nas operações, incluindose aí o impugnante, agiram com a intenção livre e consciente de ludibriar a tributação, incorrendo em simulação prescrita também no art. 149, inciso VII, do Código Tributário Nacional — CTN (Lei n 5. 172, de 25 de Outubro de 1966), que determina o lançamento de oficio neste caso. (destacamos) Em resumo, entendeuse que o único propósito das incorporações reversas acima mencionadas teria sido o de reduzir a tributação incidente sobre o ganho de capital devido pelas pessoas físicas. De outra parte, o Recorrente defende que as incorporações reversas estariam plenamente justificadas por outros motivos, que não a economia de tributos. Defendeu que, como a negociação feita com o UBS era de venda do banco pelas pessoas físicas, ele e seus sócios teriam algumas possibilidades de viabilizar tal operação (devolução/redução de capital, incorporação do banco pelas holdings e outras); diante destas opções, decidiram pelas incorporações reversas, porque esta pareceu às partes o “meio mais lógico e conveniente à realização do negócio”, justificandose pelos seguintes motivos: a) os vendedores (sócios das holdings) assumiram obrigações de caráter personalíssimo, como a de não competirem com a sociedade vendida – razão pela qual Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12898.002335/200931 Acórdão n.º 210201.938 S2C1T2 Fl. 1003 13 seria necessário que as holdings fossem previamente extintas, de forma que a transação de compra e venda se operasse entre as pessoas físicas e o comprador (UBS); b) caso se optasse pela redução do capital das holdings mediante a entrega dos investimentos no Banco Pactual aos vendedores, deveria ser observado o prazo de 60 dias para a manifestação de credores (caso das S/A PACTUAL e da PACTUAL HOLDINGS), e de 90 dias para a NOVA PACTUAL. Além disso, nesse caso, as holdings continuariam a existir, operação que geraria para os vendedores custos desnecessários; c) caso se optasse pela incorporação “tradicional”, esta traria os inconvenientes de alteração do número de CNPJ, vencimento antecipado de obrigações e notificação de credores, entre outros. Além disso, tal operação ensejaria a extinção justamente da atividade bancária, objeto da transação com o UBS, sendo poucos os precedentes de incorporação de um banco por uma sociedade que não seja uma instituição financeira. Neste caso, haveria a necessidade de transformação da holding em uma instituição financeira, processo que demandaria a aprovação do Banco Central do Brasil, razão pela qual foi também descartada a hipótese; e d) a última opção descartada seria a venda das participações que as pessoas físicas detinham nas holdings para o UBS, hipótese de plano descartada em razão da falta de interesse do comprador, já que a configuração societária então utilizada não teria para ele quaisquer benefícios ou vantagens. Ainda de acordo com a defesa, a redução do imposto devido foi mera decorrência da aplicação do art. 135 do RIR/99 ao caso concreto, não tendo sido motivadora do caminho tomado para a efetivação da operação. De fato, ponderando todos estes argumentos, entendo que assiste razão ao Recorrente no que diz respeito à inexistência de simulação. O conceito de simulação está previsto no art. 167, §1º do Código Civil (Lei nº 10.406/02), cuja transcrição se faz importante para a análise do caso em exame, verbis: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 14 II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. A simulação, nos dizeres de Hermes Marcelo Huck, pode ser assim definida: Poderá, então, ser definida a simulação como a declaração de vontade irreal, emitida conscientemente, mediante acordo entre as partes, objetivando a aparência de um negócio jurídico que não existe ou que, se existe, é distinto daquele que efetivamente se realizou, com o fito de iludir terceiros. No ato simulado ocorre uma divergência entre a declaração aparente e externa feito pelo sujeito ou sujeitos, que pretendem as partes seja visível em relação a terceiros (ou ao Fisco), e a vontade ou declaração interna, que pretendem seja a vigente entre elas, declaração essa necessária para que tenha eficácia a real intenção das partes, escondida por trás da declaração aparente. Há um contraste entre a forma extrínseca do ato praticado e a vontade íntima (e real) das partes que o praticam. No processo de simulação há uma deformação da declaração de vontade das partes, conscientemente desejada, com o objetivo de induzir terceiros ao erro ou engano. No caso de planejamentos ou estratagemas fiscais com objetivos evasivos, o processo simulatório visa a enganar e iludir ao Fisco. (In: “Evasão e Elisão – Rotas Nacionais e Internacionais do Planejamento Tributário”, Ed. Saraiva, 1997, pág. 118) Seguindo esta mesma linha de raciocínio, a Jurisprudência deste CARF entende como simulação: (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1998, 1999, 2000 Ementa: SIMULAÇÃO SUBSTÂNCIA DOS ATOS INSTRUMENTOS SIMULATÓRIOS DEVEM SER HÁBEIS A SUPRIMIR TRIBUTO ATO SIMULATÓRIO NÃO PODE PERMANECER HÍGIDO APÓS O LEVANTAMENTO DO VÉU DAS OPERAÇÕES OCULTAS Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto. A caracterização da simulação demanda demonstração de nexo de causalidade entre o intuito simulatório e a subtração de imposto dele decorrente. Ademais, se após o descobrimento de eventuais operações ocultas permanece íntegro o pretenso ato simulado, devese reconhecer que não ocorreu a simulação. Para haver simulação, o ato simulado não pode permanecer hígido após o descobrimento das operações que objetivou ocultar. IRPF DECADÊNCIA Mantida a qualificação da multa, a contagem do prazo de decadência se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a teor do art. 173, I do CTN. IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO DOAÇÕES ENTRE Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12898.002335/200931 Acórdão n.º 210201.938 S2C1T2 Fl. 1004 15 FAMILIARES Quando a fiscalização logra comprovar que a doação entre pai e filho não poderia ter ocorrido, por falta de disponibilidade do doador, cabe ao contribuinte produzir prova suficiente em seu favor, a fim de comprovar a efetividade das doações alegadas. Não o fazendo, não podem ser acolhidas suas alegações. IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Tendo a fiscalização, justificadamente, procedido ao arbitramento do valor dos apartamentos adquiridos pelo contribuinte, caberia ao mesmo elidir as referidas presunções, nos termos do art. 148 do CTN. Não o fazendo, deve ser mantida a tributação em razão da apuração de acréscimo patrimonial a descoberto. TAXA SELIC Em atenção à Súmula nº 04 deste Primeiro Conselho, é aplicável a variação da taxa Selic como juros moratórios incidentes sobre créditos tributários. Recurso voluntário parcialmente provido. (Acórdão n°. 10616.546, 6ª Câmara, Rel Cons. Giovanni Christian Nunes Campos) Como se vê, há um consenso na Doutrina e na Jurisprudência quanto ao fato de que são simulados os atos realizados pelas partes quando a intenção delas não é aquela expressa pelos atos efetivamente realizados (ou exteriorizados). Assim, nos casos em que há simulação, as partes realizam, por exemplo, uma compra e venda (formalmente falando) quando em realidade pretendiam fazer uma doação. Isto, porém, não ocorreu no caso que aqui se examina. Todos os atos realizados entre as partes – pelo menos aqueles que foram objeto de análise para fins deste lançamento – visavam exatamente o objetivo pretendido e exteriorizado, que era o de vender a participação societária que as pessoas físicas detinham (indiretamente) no Banco Pactual para o UBS. Nenhum dos atos praticados pelo Recorrente ou por seus sócios teve a intenção de esconder ou mascarar tal objetivo. Ressaltese, ainda, que as operações foram levadas ao conhecimento de todas as autoridades responsáveis e devidamente aprovadas, sendo certo que acaso tivesse sido apontada qualquer irregularidade em tal operação, teria ela sido recusada pelo Banco Central (que prevê rígido controle sobre a transferência de controle ou reorganização societária de instituições financeiras, conforme a Resolução nº 3.040, de 29.12.2002). Por tudo isso, é de se concluir que o simples fato de as incorporações terem ocorrido de forma reversa não implica em qualquer simulação. Em outras ocasiões, este Conselho já analisou operações desta natureza, tendo decidido que: IRPJ — INCORPORAÇÃO AS AVESSAS — GLOSA DE PREJUÍZOS — IMPROCEDÊNCIA — A denominada "incorporação às avessas", não proibida pelo ordenamento jurídico, realizada entre empresas operativas e que sempre estiveram sob controle comum, não pode ser tipificada como operação simulada ou abusiva, mormente quando, a par da inegável intenção de não perda de prejuízos fiscais acumulados, teve por escopo a busca de melhor eficiência das operações entres ambas praticadas. Recurso especial negado. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 16 (Ac. CSRF/0105.413, de 30 de março de 2006, Rel. Cons. Dorival Padovan) A incorporação reversa também está devidamente prevista em lei, conforme o art. 8º, ‘b’, da Lei nº 9.532/95, verbis: Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: (...) b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Por tudo isso, não pode prevalecer o entendimento esposado pela autoridade fiscal de que para efetivar a venda do banco, “bastaria” aos sócios terem vendido ao UBS suas participações nas holdings que o controlavam (o banco). Como se viu, a operação aqui analisada, como um todo, foi plenamente justificável por todos os argumentos trazidos pela defesa do Recorrente, os quais já foram anteriormente destacados, e devem ser considerados a fim de espancar qualquer dúvida a respeito da licitude das operações efetuadas. Ademais, as holdings não foram criadas com o objetivo de viabilizar a operação em tela, mas já existiam há muitos anos, por uma organização societária definida em momento bastante anterior ao da ocorrência do fato gerador do IR em questão. Afastada a alegação de ocorrência de simulação, deve ser analisado se está correto o valor tomado pelo Recorrente como custo de aquisição considerado na apuração do ganho de capital incidente sobre a venda da sua participação societária no Banco Pactual S/A. Este custo, segundo a autoridade autuante, teria sido indevidamente majorado em razão das sucessivas operações realizadas, sendo inaplicável o art. 135 do RIR de forma “sucessiva”, como o foi no caso concreto. Antes de mais nada, é preciso entender o que estabelece o referido diploma legal (que espelha do disposto no § único do art. 10 Lei nº 9.249/95), verbis: Art.135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). Sobre a aplicação desta regra, o ponto nodal da discussão travada nestes autos reside no seguinte trecho, extraído do TCF (fls. 72/73 dos autos): O princípio da competência dos exercícios fundamentase na lógica de que ao despender esforços na exploração de seu objeto social e, conseqüentemente, obter receitas, a sociedade incorre em sacrifícios, os quais são representados pelas despesas. Do confronto realizado entre as receitas e despesas apurase o resultado que, quando positivo, pode ser distribuído aos sócios ou ficar retido na entidade. Quando tais lucros retidos são capitalizados, os acionistas estarão definitivamente renunciando ao recebimento dos lucros como dividendos, aumentandose o custo de aquisição das ações a eles pertencentes. No entanto, o aludido aumento no custo das ações estará limitado à efetiva riqueza gerada e armazenada na sociedade. Não se pode admitir que o custo de aquisição das ações seja majorado em valores Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12898.002335/200931 Acórdão n.º 210201.938 S2C1T2 Fl. 1005 17 superiores ao que efetivamente foi produzido e retido pela entidade. (...) Em outras palavras, da mesma forma que uma sociedade não pode distribuir lucros em montantes superiores à sua efetiva riqueza própria, não poderá também o sócio ou acionista aumentar o custo de aquisição de suas ações em valores superiores aos relativos ao incremento do patrimônio líquido da sociedade, considerando a inexistência de outros créditos dos acionistas contra as sociedades (dívidas no passivo exigível das sociedades para com os acionistas) que justificassem os referidos aumentos no custo das ações. No caso da operação de alienação do BANCO PACTUAL S/A, todos os atos de capitalização de lucros e extinção das investidoras tiveram a única e exclusiva intenção de majorar o custo de aquisição das ações e, conseqüentemente, reduzir de forma irregular o ganho de capital do Acionista Pessoa Física, evitando, de forma artificial, o pagamento do imposto devido. (destacamos) O Termo de Constatação Fiscal (fls. 54/55 dos autos) esclarece ainda que não seria “razoável” um acréscimo na participação societária detida pelo Recorrente na ordem de 271%, enquanto que o banco teve seu patrimônio líquido aumentado em apenas 89%. Segundo a autoridade autuante, a majoração do custo de aquisição das ações detidas pelo Recorrente deveria guardar “relação direta com o patrimônio líquido do banco”, já que toda a riqueza das holdings “vinha exclusivamente das operações deste banco”. Para compreender melhor a discussão, é preciso entender os valores aqui envolvidos. Ao longo do procedimento fiscal, o Recorrente esclareceu quais os dividendos a que teria direito em cada uma das pessoas jurídicas mencionadas, conforme o seguinte quadro: Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 18 Sob o ponto de vista do Recorrente, aplicandose a regra do art. 135 do RIR/99 teria ele o direito de acrescer ao custo de aquisição de sua participação societária o valor dos dividendos capitalizados por todas as empresas acima mencionadas (onde se lê “créditos capitalizados”, cf. quadro acima), razão pela qual chegou aos R$ 505.291.757,41 (acrescendo ao custo original de aquisição das holdings os créditos de R$ 99.800.000,00 + 51.807.714,00 + 211.170.649,00). Por outro lado, o fiscal autuante considerou somente os créditos capitalizados na Pactual S/A (R$ 211.170.649,00) para encontrar o valor do custo de aquisição para fins de ganho de capital, tendo então glosado os valores dos créditos decorrentes dos efeitos da capitalização nas holdings Pactual Holdings e Nova Pactual. Eis o trecho que esclarece sua motivação para fazêlo: Ora, se o Patrimônio Líquido de PACTUAL S/A era de R$ 1.065.156.818,96 e o valor patrimonial da participação do acionista equivalia a R$ 225.813.245,40 este seria o CUSTO DE AQUISIÇÃO DAS AÇÕES ALINADAS DO BANCO PACTUAL S/A, considerando a já informada participação de 100,00% de PACTUAL,S/A no BANCO PACTUAL S/A. Considerando os dividendos efetivamente distribuídos, o contribuinte apurou dividendos capitalizados no montante R$ 211.170.649,00. Este, e somente este, seria o valor a ser computado como aumento do CUSTO DE AQUISIÇÃO DAS AÇÕES ALIENADAS DO BANCO PACTUAL S/A. (...) Com base no exposto, mostrase indevido o acréscimo no CUSTO DAS AÇÕES DO BANCO PACTUAL ALIENADAS do valor de R$ 151.607.714,00 [soma dos valores de R$ 99.800.000,00 e R$ 51.807.714,00, referentes à capitalização de Dividendos recebidos de PACTUAL HOLDINGS S/A e NOVA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA., respectivamente], do acionista GILBERTO SAYÃO DA SILVA, motivo pelo qual tal valor deve ser glosado no cômputo do DEMONTRATIVO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DAS AÇÕES DO BANCO PACTUAL S/A, sendo o valor do CUSTO, DE DAS AÇÕES DO BANCO PACTUAL S/A ALIENADAS reduzido de R$ 505.291.757,41 para R$ 353.684.043,40 [R$ 505.291.757,41 R$ 151.607.714,00, o qual passa ater a seguinte configuração. Este é o único trecho do TCF que demonstra o raciocínio tomado pela autoridade lançadora para encontrar o valor do imposto que entendia devido. Tal entendimento não pode prevalecer. Antes de mais, é de se destacar que o TCF não esclarece exatamente a motivação para que fossem considerados – para os fins do art. 135 do RIR/99 – somente os lucros da holding Pactual S/A, mas não os das duas outras holdings (sobre as quais o Recorrente detinha participação direta). Em nenhum momento foi demonstrado objetivamente de que forma o art. 135 do RIR/99 teria sido violado ou a razão pela qual o mesmo não se aplicaria na hipótese vertente. O que restou demonstrado foi tãosomente que os efeitos da aplicação deste artigo Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12898.002335/200931 Acórdão n.º 210201.938 S2C1T2 Fl. 1006 19 não foram “favoráveis” ao Fisco (se é que se pode afirmar isso), pois implicaram no pagamento de um valor de imposto menor do que aquele que o Fisco entendeu devido. Não se pode, porém, admitir que este efeito (econômico, financeiro) seja o fundamento para uma autuação, sob pena de violação ao próprio princípio da legalidade, já que admitir tal hipótese seria negar validade ao art. 135 já citado aqui tantas vezes. Os exemplos hipotéticos trazidos no Termo de Constatação não são hábeis a justificar o que motivou o afastamento da aplicação do art. 135 à hipótese vertente. A apuração do custo de aquisição das participações societárias do Recorrente foi feita nos exatos termos do que dispõe a lei, a qual não prevê qualquer exceção à regra. Assiste razão à sua defesa quando afirma que os lucros auferidos por cada uma das holdings é diverso, e não pode ser considerado como um só – como pretendido neste lançamento. Por isso está correta a aplicação do art. 135 do RIR/99 por ocasião da capitalização dos lucros em cada uma das empresas do Recorrente, devendo ser considerado correto o cálculo por ele efetuado a título de ganho de capital pago por ocasião da venda de sua participação societária no Banco Pactual. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10940.001712/2004-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2003
RECURSO DE OFÍCIO. ADMISSIBILIDADE. DECISÃO QUE APLICA RETROATIVIDADE BENIGNA. DISPENSA LEGAL. NÃO CONHECIMENTO.
Retroatividade benigna reconhecida por decisão de primeira instância representa hipótese legal de dispensa de recurso de ofício, nos termos da Lei nº 12.788, de 2013, impedindo o conhecimento da matéria pelo órgão revisor.
QUESTIONAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. ÓRGÃO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DO PERCENTUAL.
Ressalvado o caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, aplica-se, retroativamente, a multa de 50% sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, por representar penalidade mais benigna.
Numero da decisão: 1202-000.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir o percentual da multa isolada a 50%.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente substituto
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Andrada Marcio Canuto Natal, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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Multa isolada Recorrentes COMPANHIA FORCA E LUZ DO OESTE FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 RECURSO DE OFÍCIO. ADMISSIBILIDADE. DECISÃO QUE APLICA RETROATIVIDADE BENIGNA. DISPENSA LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. Retroatividade benigna reconhecida por decisão de primeira instância representa hipótese legal de dispensa de recurso de ofício, nos termos da Lei nº 12.788, de 2013, impedindo o conhecimento da matéria pelo órgão revisor. QUESTIONAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. ÓRGÃO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DO PERCENTUAL. Ressalvado o caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, aplicase, retroativamente, a multa de 50% sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, por representar penalidade mais benigna. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir o percentual da multa isolada a 50%. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 17 12 /2 00 4- 11 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Andrada Marcio Canuto Natal, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 109/118), lavrado para cobrança de multa qualificada no percentual de 150% sobre o valor do crédito tributário de IRPJ compensado, visto que o contribuinte tentou compensar débitos de sua responsabilidade com créditos de natureza não tributária. O contribuinte apresentou impugnação, requerendo o cancelamento do lançamento e alegando, em síntese, que a autoridade fazendária não logrou comprovar o dolo, o qual que ensejaria a configuração do intuito de fraude, para fins de aplicação da multa qualificada. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, em sua decisão nº 0610.707 (fls. 159/198), proferida nos autos do processo n º 13931.000557/200332, ao qual o presente processo fora apensado, deu parcial provimento à impugnação, apenas para reduzir a penalidade de 150% para 75%, sujeitandoa ao recurso de ofício, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2004 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. AÇÃO JUDICIAL DE INDENIZAÇÃO. COMPETÊNCIA. A Secretaria da Receita Federal, por falta de previsão na legislação, não compete restituir valores que tenham sido eventualmente deferidos em ação judicial que discutia indenização, pela União Federal, de eventuais prejuízos na comercialização de açúcar e de álcool. Solicitação Indeferida. AÇÃO JUDICIAL DE INDENIZAÇÃO. COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não pode ser homologada a compensação de tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal com créditos supostamente deferidos em ação judicial em que, não se referindo à compensação tributária perante a SRF, discutiuse direito indenizatório por eventuais prejuízos na comercialização de açúcar e de álcool. Compensação não Homologada. Período de apuração: 01/02/2003 a 30/11/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE NATUREZA NÃO TRIBUTARIA. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE E PERCENTUAL. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 5 4 Constatada, em declaração prestada pelo sujeito passivo, a compensação indevida em face da pretensão de utilização de crédito de natureza não tributária, cabível a aplicação da multa isolada, no percentual de 75%, sendo impingida a multa qualificada de 150% na hipótese de ser caracterizado o "evidente intuito de fraude" referido pela legislação. Lançamento Procedente em Parte.” Cientificado dessa decisão em 24/05/2006 (AR, fl.198), o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 22/06/2006 (fls. 199/205), requerendo a reforma da decisão de primeira instância, com o cancelamento integral do Auto de Infração. Aponta, basicamente, a ilegalidade da aplicação multa de ofício, em face da suspensão da exigibilidade do crédito, e a violação do princípio da proporcionalidade com a alíquota de 75%. Intempestivamente, em 11/10/2007, traz à colação julgados precedentes que reconheceram a retroatividade benigna do art. 24 da Lei nº 11.051, de 2004, decidindo restar subsistente a multa isolada apenas em caso de evidente intuito de fraude, o que, segundo ele, não foi o caso. O processo foi encaminhado ao Primeiro Conselho de Contribuintes para apreciação, tendo sido declinada a competência para o Terceiro Conselho de Contribuintes, pelo Acórdão nº 10516.572, de 4/7/2007 (fls. 226/228), à vista do disposto no art. 22, XXI, do Anexo I do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007. Posteriormente, a 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, através do Acórdão nº 320200.199, de 1º/10/2010, declinou a competência para julgamento em favor da lª Seção do CARF, à luz do art. 2º, inciso VII c/c art. 7º, §1º, do Anexo II do novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 22/06/2009, considerando que “compete à 1ª Seção do CARF julgar os recursos de oficio e voluntários decorrentes de decisão de primeira instância sobre indeferimento de pedidos de restituição e de compensação que tenham como base a aquisição de créditos originários de ação judicial de indenização contra a União (IAA), bem como decidir sobre o cabimento da multa isolada pela compensação indevida, por se tratar matéria residual não incluída na competência das demais Seções.” Distribuído para julgador vinculado a uma turma especial, o processo foi devolvido para novo sorteio entre as turmas ordinárias da 1ª Seção do CARF, por envolver crédito tributário superior a R$ 1.000.000,00, consoante regra de competência definida no art. 2º, § 2º da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 e na Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. Finalmente, redistribuídos os autos, encontrase o processo pronto para julgamento. É o relatório. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 6 5 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora RECURSO DE OFÍCIO Após julgar parcialmente procedente a impugnação, a DRJ recorreu de ofício quanto à redução da multa isolada, por se tratar de exoneração superior ao limite de alçada de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), a teor do disposto na Portaria MF nº 3, de 2008. Conforme o relatório fiscal, a multa isolada foi lançada em razão do indeferimento das compensações que utilizavam créditos de natureza não tributária, tendo em vista o disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 17, de 3 de outubro de 2002, que tratava das hipóteses de evidente intuito de fraude praticada em pedidos ou declarações de compensação, nos seguintes termos: Artigo único. Os lançamentos de ofício relativos a pedidos ou declarações de compensação indevidos sujeitarseão à multa de que trata o inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por caracterizarem evidente intuito de fraude, nas hipóteses em que o crédito oferecido à compensação seja: I de natureza nãotributária; II inexistente de fato; III não passível de compensação por expressa disposição de lei; IV baseado em documentação falsa. Parágrafo único. O disposto nos incisos I a III deste artigo não se aplica às hipóteses em que o pedido ou a declaração tenha sido apresentado com base em decisão judicial. Como fundamento legal da aplicação da multa isolada sobre a estimativa mensal da CSLL, foram citados os arts. 43 e 44, § 1°, inciso II da Lei n° 9.430/96, combinadas com o art. 18 e seus parágrafos da Lei n° 10.833, de 2003. Todavia, com o advento da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, alterouse a disposição do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, para excluir a hipótese de imposição da multa isolada nos casos de compensação indevida com crédito de natureza não tributária. Vejase a redação do referido art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, antes e depois da alteração pela Lei nº 11.051, de 2004, abaixo: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente Fl. 277DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 7 6 nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (redação original) .................................... Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (destacouse) Como se vê, a novel legislação restringiu as hipóteses de multa isolada aos casos em que verificado o enquadramento nos arts. 71 e 73 da Lei n° 4.502/64. Ou seja, mantevese somente a multa qualificada para as hipóteses de sonegação, fraude ou conluio, deixandose de definir como infração, punível com multa de 150%, a compensação indevida sem dolo, incluindo a compensação de crédito de natureza não tributária. O art. 106 do CTN, por sua vez, contempla a retroatividade benigna no caso de aplicação pretérita de lei quando o ato, não definitivamente julgado, (a) deixe de definilo como infração, (b) deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo ou (c) lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso concreto, inexistiu acusação de sonegação, fraude ou conluio, como observou a decisão de primeira instância, mas apenas o enquadramento da situação como sujeita à multa qualificada, em razão do teor do ADI SRF nº 17, de 2002. Considerou a DRJ que, como o novo dispositivo legal revogou o fundamento de lei da presente autuação, no que tange à multa isolada por compensação indevida com crédito de natureza não tributária, caberia reconhecer a aplicabilidade retroativa da Lei n° 11.051, de 2004, consoante o disposto no art. 106 do CTN. A DRJ, então, reduziu o percentual da multa isolada para 75%, recorrendo de ofício ao CARF. Todavia, esse recurso de ofício não pode ser conhecido. A Lei nº 12.788, de 14 de janeiro de 2013, resultado da conversão da Medida Provisória nº 578, de 2012, em seu art. 11, alterou o art. 27 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, estabeleceu novas hipóteses de descabimento de recurso de ofício, abaixo: Art. 11. Os arts. 19 e 27 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, passam a vigorar com as seguintes alterações: [...] “Art. 27. Não cabe recurso de ofício das decisões prolatadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em processos relativos a tributos administrados por esse órgão: Fl. 278DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 8 7 I quando se tratar de pedido de restituição de tributos; II quando se tratar de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS; III quando se tratar de reembolso do saláriofamília e do saláriomaternidade; IV quando se tratar de homologação de compensação; V nos casos de redução de penalidade por retroatividade benigna; e VI nas hipóteses em que a decisão estiver fundamentada em decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade, em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal e no disposto no § 6o do art. 19.” (NR) (destacouse) Tratandose de remessa necessária, e não de recurso propriamente dito, o exame de admissibilidade realizado pelo órgão de destino (ad quem) deve observar a norma vigente na data do julgamento do reexame. Isso porque, se o próprio legislador reconhece que não merece ser revista decisão que aplica retroativamente a legislação que reduz a penalidade, a partir da data da publicação da lei que dispensa o recurso de ofício, tal regra deve valer para as decisões ainda pendentes de revisão. Assim, a aplicação, no caso concreto, da nova redação dada pela Lei nº 12.788, de 2013, é legítima, na medida em que se conforma ao novo ordenamento jurídico e não causa prejuízo às partes, admitindose, nesses casos, uma exceção ao princípio da aplicação imediata aos processos pendentes (tempus regit actum), o qual rege a aplicação da lei processual no tempo, consoante o disposto no art. 1221 do Código de Processo Civil, e determina que a lei vigente à época da prolação da decisão deve orientar o recurso. Por bem esclarecer a questão, adoto como razão complementar de decidir a fundamentação exposta pelo ilustre Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis no Acórdão nº 340101.345, de 08/04/2011, ao analisar embargos de declaração opostos pela PGFN, verbis: É que na remessa de ofício – esta a melhor denominação, porque de recurso propriamente dito não se trata – o colegiado do CARF opera como revisor, cabendolhe conhecer ou não dela independentemente do pronunciamento do órgão a quo. Neste sentido o § 2º do referido art. 34, segundo o qual “Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade.” O instituto tem origem no nosso processo civil, sendo em tudo semelhante ao art. 475 do CPC, que estabelece (negritos acrescentados): Art. 475. Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença: (...) Fl. 279DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 9 8 Parágrafo único. Nos casos previstos neste artigo, o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal, haja ou não apelação voluntária da parte vencida; não o fazendo, poderá o presidente do tribunal avocálos. § 1º Nos casos previstos neste artigo, o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal, haja ou não apelação; não o fazendo, deverá o presidente do tribunal avocálos. (Incluído pela Lei nº 10.352, de 26.12.2001). Enquanto na redação original do parágrafo único do art. 475 do CPC constava a expressão “poderá”, no atual § 1º é empregado o termo “deverá”, referindose ao dever do tribunal ad quem analisar a sentença sujeita ao duplo grau de jurisdição ainda que a instância inferior não providencie a remessa de ofício. Embora considere que não houve mudança substancial na norma – mesmo antes, quando o texto legal dizia “poderá”, cabia ler “deverá”, pois já se tratava de remessa necessária, independente da vontade do juízo inferior, a alteração deixa mais nítido que o tribunal reapreciará o feito, haja ou não a remessa, por parte da instância a quo. Assim como no processo civil, também neste processo administrativo o conhecimento da remessa de ofício independe da iniciativa da instância de piso. É que tal remessa, mais do que recurso, é condição de eficácia da decisão da DRJ que exonera crédito tributário acima do limite de alçada. Antes da nova análise em sede de remessa de ofício não tem fim o processo administrativo fiscal (assim como não transita em julgado a sentença submetida ao duplo grau de jurisdição no Judiciário). Na lição de Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery, em Código de Processo Civil Comentado e Legislação Extravagante, São Paulo, Revista dos Tribunais, 7ª edição atualizada até 07/07/2003, nos comentários ao art. 475 do CPC e tratando da natureza jurídica da remessa de ofício, temse o seguinte: Tratase de condição de eficácia da sentença, que, embora existente e válida, somente produzirá efeitos depois de confirmada pelo tribunal. Não é recurso por lhe faltar: tipicidade, voluntariedade, tempestividade, dialeticidade, legitimidade, interesse em recorrer e preparo, características próprias dos recursos. Enquanto não examinada a sentença pelo tribunal, não haverá trânsito em julgado e, consequentemente, será ela ineficaz.” (...) Verificando ser caso de remessa obrigatória, o juiz, na sentença, determinará o envio dos autos ao tribunal ad quem, que procederá ao reexame integral da sentença. Caso a sentença seja omissa, o tribunal deverá, ex officio ou a requerimento do interessado, avocar os autos. Na redação anterior, o revogado par. Único falava que o tribunal ‘poderia’ avocar os autos. Corretamente, o atual § 1º (...) impõe ao tribunal o dever de avocar os autos.” Fl. 280DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 10 9 Assim como o conhecimento da remessa de ofício não depende do pronunciamento da DRJ, também independe do limite de alçada em vigor na data do julgamento por aquele instância. A análise de admissibilidade conclusiva fica sempre a cargo do CARF, sem se vincular à da DRJ e ao valor de alçada que vigora por ocasião do julgamento recorrido. O referido acórdão restou assim ementado: RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO NA DATA DO JULGAMENTO RECURSAL. O limite de alçada para conhecimento da remessa de ofício é verificado na data do julgamento pela instância ad quem, e não na do julgamento de primeira instância. Na hipótese de ampliação do limite de alçada, a jurisprudência dos antigos Conselhos de Contribuintes e do CARF, vem se mantendo pacífica pelo não conhecimento do recurso de ofício, como demonstram os julgados abaixo colacionados: LIMITE DE ALÇADA – Fixado novo limite de alçada para o efeito da interposição de recurso de ofício, este se aplica, de imediato, aos processos pendentes de julgamento na instância recursal. (Acórdão nº 10229.668, de 21/02/1995) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — A autoridade de primeira instância recorrerá de oficio sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de crédito tributário de valor total superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), conforme art. 34, I, do Decreto 70.235/72. Considerando que a admissibilidade recursal deve ser aferida na data do julgamento na instância “ad quem', não é de se conhecer de recurso de oficio cujo valor de alçada não se encontre dentro do limite fixado por ato do Sr. Ministro da Fazenda. Recurso de oficio não conhecido por faltarlhe alçada. (Acórdão nº 20174.152, de 06/12/2000) RECURSO DE OFICIO NÃO CONHECIMENTO Tratandose de Recurso de Oficio em que o crédito tributário exonerado, em razão de legislação superveniente, é inferior ao limite de alçada estabelecido, a decisão de primeira instância afigurase irreformável, não havendo que se conhecer do recurso necessário. (Acórdão nº 140100303, de 05/08/2010) Nesse sentido já decidiu esta turma, por unanimidade de votos, na sessão de 10 de abril de 2012, ao prolatar o Acórdão nº 120200.737, em que, tendo em vista o novo teto, não se conheceu do recurso obrigatório da decisão que exonerava crédito tributário abaixo do limite de alçada. Como a situação verificada nestes autos, de reconhecimento da retroatividade benigna da legislação, é em tudo semelhante àquela de majoração do limite recursal, haja vista a novel legislação, não se conhece do recurso de ofício. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 11 10 RECURSO VOLUNTÁRIO Por atender aos pressupostos legais, inclusive o temporal, o recurso voluntário é conhecido. A recorrente aponta, basicamente, a ilegalidade da multa de ofício, em face da suspensão da exigibilidade do crédito e a violação do princípio da proporcionalidade com a alíquota de 75%. Para analisar argumentos sobre a inconstitucionalidade, o julgador deve, necessariamente, averiguar a constitucionalidade ou não da legislação tributária. Ocorre que isso é prerrogativa do Poder Judiciário, visto que questões constitucionais não podem ser apreciadas no âmbito administrativo, salvo raras exceções, nos termos do art. 62 do Anexo II da Portaria MF nº 259, de 22/06/2009 (RICARF), que dispõe: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Justificando a não apreciação da questão, cabe referir, ainda, o teor da súmula CARF nº 2 (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”), de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF). De outro lado, quanto à alegação de ilegalidade da multa de ofício, cabe observar que a decisão da 3ª turma da DRJ de Curitiba, prolatada em 26 de abril de 2006, apenas reconheceu a aplicação retroativa da Lei nº 11.051, de 2004, para reduzir o percentual da multa isolada para 75%. Ocorre que, atualmente, o patamar de imposição de penalidade nessa situação foi reduzido. Vejase o que dispõe o art. 74 da Lei nº 9.430/96, a partir da alteração efetivada pelo art. 62 da Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na Fl. 282DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 12 11 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física;(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 283DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 13 12 § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3o deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 284DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 14 13 f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 1 – tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 2 – tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 3 – tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 4 – seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 13. O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) (destacouse) Vêse que a lei (§§ 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 6.430/96) prevê a aplicação de multa isolada de 50% aos casos de não homologação de declaração de compensação, como é o caso dos autos. Resta, nesse caso, atraída a incidência do art. 106 do CTN, que contempla a retroatividade benigna no caso de aplicação pretérita de lei quando o ato, não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (inciso II, alínea c). Deve, portanto, ser reduzida a penalidade ao patamar de 50%. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 15 14 DISPOSITIVO Diante do exposto, não se conhece do recurso de ofício e dáse parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir o percentual da multa isolada para 50%. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 286DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10530.726055/2010-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-001.855
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, pela intempestividade.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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NÃO CONHECIMENTO. O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, pela intempestividade. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Jhonatas Ribeiro da Silva e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Data da lavratura do AIOP: 17/12/2010. Data da Ciência do AIOP: 22/12/2010 Tratase de crédito tributário lançado em desfavor do município em epígrafe, tendo por objeto diferenças de contribuições sociais a cargo do empregador destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas, creditadas ou devidas aos seus segurados empregados, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 63/82, e planilha de cálculo a fl. 83. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 1756/1758. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 1771/1780, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Mediante Intimação nº 88/2011, a fl. 1781, o Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 30 de dezembro de 2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 1782. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 1784/1787, requerendo a anulação do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 30/12/2011, sextafeira, dia útil, conforme Aviso de Recebimento a fl. 1782. Nos Processos Administrativos Fiscais que tratam da constituição de crédito tributário de natureza previdenciária, a matéria pertinente ao oferecimento de recursos administrativos foi confiada à Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, a qual concedeu ao sujeito passivo o prazo de 30 dias para o oferecimento, ao órgão julgador de 2ª instância, de bloqueio em face de decisão de 1º grau que lhe tenha sido desfavorável. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10530.726055/201099 Acórdão n.º 230201.855 S2C3T2 Fl. 1.803 3 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.03/2007) §1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Cumpre trazer à baila que os processos administrativos fiscais relativos aos créditos em fase de constituição foram transferidos, por força do art. 4º da Lei nº 11.457/2007, para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujo iter procedimental passou a ser regido, desde então, pelo rito fixado pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, em atenção às disposições insculpidas no art. 25 daquele Diploma Legal. Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (...) Art. 4º São transferidos para a Secretaria da Receita Federal do Brasil os processos administrativofiscais, inclusive os relativos aos créditos já constituídos ou em fase de constituição, e as guias e declarações apresentadas ao Ministério da Previdência Social ou ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 referentes às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei. Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972: I a partir da data fixada no §1º do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º desta Lei; II a partir da data fixada no caput do art. 16 desta Lei, os processos administrativos de consulta relativos às contribuições sociais mencionadas no art. 2º desta Lei. §1º O Poder Executivo poderá antecipar ou postergar a data a que se refere o inciso I do caput deste artigo, relativamente a: I procedimentos fiscais, instrumentos de formalização do crédito tributário e prazos processuais; II competência para julgamento em 1a (primeira) instância pelos órgãos de deliberação interna e natureza colegiada. §2º O disposto no inciso I do caput deste artigo não se aplica aos processos de restituição, compensação, reembolso, imunidade e isenção das contribuições ali referidas. §3º Aplicamse, ainda, aos processos a que se refere o inciso II do caput deste artigo os arts. 48 e 49 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ao dispor sobre prazos, o antecitado Decreto nº 70.235/72 determinou que os prazos recursais devem ser contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Estatuiu, igualmente, que os prazos recursais só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. É mister salientar, por relevante, que o art. 6º do referido Decreto concedia à autoridade preparadora, em circunstâncias especiais, a faculdade de acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência. Tal prerrogativa, contudo, lhe foi excluída pela lei nº 8.748/1993, que expressamente revogou o mencionado art. 6º, em sua integralidade, de molde que, a contar de então, não mais dispõe a referida autoridade de poder discricionário para prorrogar os prazos recursais. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 6º A autoridade preparadora, atendendo a circunstâncias especiais, poderá, em despacho fundamentado: (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) I acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência; (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10530.726055/201099 Acórdão n.º 230201.855 S2C3T2 Fl. 1.804 5 II prorrogar, pelo tempo necessário, o prazo para a realização de diligência. (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) No presente caso, o sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 30/12/2011, sextafeira, dia útil, iniciandose, por conseguinte, a fluência do trintídio recursal na segundafeira imediatamente seguinte, digase, no dia 02/01/2012, dia útil. Sendo de 30 dias contínuos o prazo para o oferecimento de recurso voluntário, este se encerraria aos 31 dias do mês de janeiro do mesmo ano, inclusive, terça feira, dia útil. Salientese, de maneira a nocautear qualquer dúvida, que o prazo recursal é contínuo, não sendo suspenso ou interrompido por fins de semana ou feriados nacional, estadual ou municipal, salvo se estes coincidirem com a data de início ou de término do referido prazo, o que não ocorre no caso em apreço. Nesse contexto, o dies a quo do aludido prazo recursal recaiu, para todos os efeitos jurídicos, exatamente no dia 02 de janeiro de 2012, o que implica na fixação do dia 31 do mesmo mês e ano como o dies ad quem para a protocolização do competente recurso. No caso vertente, havendo sido o recurso voluntário postado no correio no dia 1º de fevereiro de 2012, como assim denuncia o Histórico do Objeto dos Correios a fl. 1801, há que se reconhecer, portanto, a intempestividade do recurso interposto, fato que impede o seu conhecimento por parte deste Colegiado. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 63, I da Lei nº 9.784/99, a qual estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999. Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: (grifos nossos) I fora do prazo; (grifos nossos) II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. §1º Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. §2º O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. Nas circunstâncias do caso em apreciação, o não oferecimento de Recurso no prazo normativo implica o trânsito em julgado da decisão de 1ª instância, tornandoa definitiva no âmbito administrativo, a teor dos artigos 22 e 26, I, ‘a’ da Portaria RFB nº 10.875/2007, sob cuja égide sucederam os fatos jurídicos em realce. Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Portaria RFB nº 10.875, de 16 de agosto de 2007 Art. 22. Decorrido o prazo sem que o recurso tenha sido interposto, será o sujeito passivo cientificado do trânsito em julgado administrativo e intimado a regularizar sua situação no prazo de trinta dias, contados da ciência da intimação. (grifos nossos) Parágrafo único. Esgotados os meios de cobrança amigável, o processo será encaminhado ao órgão competente para inscrição em DAU. Art. 26. São definitivas as decisões: I de primeira instância: a) depois de esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) b) na parte que não foi objeto de recurso voluntário e não estiver sujeita a recurso de ofício; c) quando não couber mais recurso; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III da Câmara Superior de Recursos Fiscais. §1º Na hipótese da alínea "a" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. (grifos nossos) §2º Na hipótese da alínea "b" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo, relativamente à parte não recorrida, darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. §3º Nos julgamentos em que não couber mais recurso, o trânsito em julgado ocorre com a ciência da decisão ao sujeito passivo. §4º Nos casos de interposição dos recursos previstos no art. 56 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, o trânsito em julgado da decisão somente ocorrerá após a ciência da nova decisão ao sujeito passivo. Óbvio está que os selecionados dispositivos da Portaria MPS em realce não ousaram ultrapassar o âmbito da norma que rege a matéria ora em relevo, sendo, antes, desta, mero reflexo, conforme se vos segue: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10530.726055/201099 Acórdão n.º 230201.855 S2C3T2 Fl. 1.805 7 Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Por tais razões, pugnamos pelo não conhecimento do presente Recurso, por falta de requisito essencial para a sua admissibilidade. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude de sua apresentação intempestiva. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10909.006754/2008-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Carece de fundamento a pretensão de nulidade de autuação por falta de motivação do ato, quando o lançamento descreve, com exatidão, os fundamentos legais e matérias que o embasaram.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos exatos termos da Súmula nº 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2201-002.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 04/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes, Nathalia Mesquita Ceia. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Carece de fundamento a pretensão de nulidade de autuação por falta de motivação do ato, quando o lançamento descreve, com exatidão, os fundamentos legais e matérias que o embasaram. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 2. Nos exatos termos da Súmula nº 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
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INOCORRÊNCIA. Carece de fundamento a pretensão de nulidade de autuação por falta de motivação do ato, quando o lançamento descreve, com exatidão, os fundamentos legais e matérias que o embasaram. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 2. Nos exatos termos da Súmula nº 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 67 54 /2 00 8- 69 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 04/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes, Nathalia Mesquita Ceia. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2003, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 87/106, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.669.450,76. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: O interessado interpôs a impugnação de fls. 114 a 140, na qual expõe suas razões de contestação. Levanta, inicialmente, a preliminar de decadência do lançamento referente aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a novembro de 2003, arguindo que o esgotamento do prazo de lançamento para esse período teria ocorrido em 30/11/2008. Cita em sua defesa Acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes. Levanta, também, a preliminar de nulidade, argüindo que a autoridade fiscal deixou de aprofundar as averiguações para identificar a real natureza das atividades referentes às operações espelhadas nos extratos bancários e, então, aplicar corretamente a lei, preferindo apoiar o lançamento num dispositivo isolado, aleatório. Diz que o lançamento apresenta, ainda, inconsistências de ordem legal e factual que determinam sua insubsistência, como a inobservância dos critérios legalmente estabelecidos para a sua formalização e a inadequação aos princípios/normas básicos que regem a tributação em foco. Passa, o contribuinte, a alegar “inconsistências de natureza formal”, arguindo que já no Termo de Início de Procedimento Fiscal, primeiro ato de ofício, o agente fiscal exigiu a apresentação dos extratos bancários referentes à movimentação financeira de 2003, do que se pode observar que o “ponto de partida” do procedimento fiscal foi no intento exclusivo de quebrar o sigilo bancário, tendo a auditoria restringido seu campo de ação ao exame dos dados contidos nos extratos bancários. Declara a “já recorrente extrapolação, ao caráter incondicional, ilimitado, que o Fisco atribui à sua (pretensa) Fl. 204DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10909.006754/200869 Acórdão n.º 2201002.212 S2C2T1 Fl. 3 3 prerrogativa de acesso aos dados bancários dos contribuintes”, materializando o presente caso mais um exemplo da interpretação “destemperada” dada às disposições da Lei Complementar nº 105/2001. Sustenta que o comportamento do Agente Fiscal não se adequa aos comandos constitucionais e legais que disciplinam a matéria, que o Termo de Início de Procedimento Fiscal limitou se a exigir a apresentação dos extratos bancários e, subseqüentemente, a comprovação documental da origem dos recursos depositados, quando deveria ter indicado os motivos que o levaram a exigir a apresentação desses documentos. Transcreve o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, destacando que as autoridades e os agentes fiscais somente poderão examinar livros e documentos de instituições financeiras quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Cita Américo L. Massot Lacombe e Hely Lopes Meirelles, acerca da motivação do ato administrativo como requisito à sua validade. Conclui que o procedimento fiscal carece de motivação, sendo, portanto, inválido: porque a quebra do sigilo bancário foi processada sem qualquer processo administrativo instaurado, na data da intimação não havia procedimento fiscal em curso, “mas sim um procedimento fiscal que, obtusamente, teve início com a exigência do fornecimento de extratos bancários e concomitante comprovação da origem dos recursos depositados”, e nenhuma causa foi apontada declarando a indispensabilidade da solicitação e do exame de tais documentos/comprovações. Prossegue argumentando a invalidade jurídica do Termo de Início e do Termo de Intimação Fiscal nº 01, que careceriam de motivação e de base legal. Repisa que o Fisco, ao exigir o fornecimento de extratos bancários e, ao mesmo tempo, a comprovação da origem dos recursos depositados, agiu em desacordo com o artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001, uma vez que o procedimento fiscal teve curso somente após a entrega dos extratos, sendo esta o ponto de partida do procedimento fiscal, e por não existir qualquer declaração prévia e formal da indispensabilidade do exame dos documentos. Conclui que, em resumo, os procedimentos do Fisco são inconstitucionais e ilegais. “Inconstitucionais porque: conforme foi demonstrado, não ocorreu a necessária motivação que deve ser dada aos atos administrativos desta natureza (CF/88, art. 37); subrepticiamente, impedem o exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa (CF/88, art. 5º, LV); pretendem impor gravames tributários sem obedecer o devido processo legal (CF/88, art. 5º, LIV).” “São ilegais, porque não seguem as normas processuais administrativotributárias garantidoras dos direitos (substantivos) da Impugnante, tais como a do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72, e dos artigos 2º e Fl. 205DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 28 da Lei nº 9.784/99, que, dentre outros, impõem à Administração Pública o cumprimento dos princípios da legalidade, finalidade, motivação e publicidade (cientificação) dos atos (administrativos).” Diz que a solicitação dos extratos bancários e a comprovação da origem dos depósitos fundouse na Lei Complementar nº 105/2001 e no Decreto nº 3.724/2001 e que tais diplomas afrontariam a Constituição. Passa, então, a argüir os “vícios formais existentes na Lei Complementar nº 105/2001, e que, por extensão, tornaram inócuo o Decreto (regulamentador) nº 3.724/01”, e, assim, também o procedimento do Fisco não teria condições de subsistir, visto que o seu embasamento não se coaduna com a vontade constitucional. “Conseqüentemente, não dispõe de autorização constitucional/legal de quebrar o sigilo bancário do Impetrante”. Prossegue argumentando em “A INCONSISTÊNCIA MATERIAL DOS LANÇAMENTOS” que, admitindose, hipoteticamente, se tudo quanto foi exposto não bastasse, os equívocos/impropriedades de natureza material são suficientes para infirmar o lançamento. Aduz que, para a adequada apreciação do feito, impõese abordar, preambularmente, dois aspectos: 1) as atividade que, de fato, geraram a movimentação bancária do impugnante; 2) o tratamento tributário aplicável às diferenças entre os valores das entradas e das saídas de recursos das contas bancárias. Diz que, na resposta à Intimação Fiscal nº 01, a autoridade fiscal foi informada de que os valores correspondentes aos depósitos bancários referemse ao giro de negócios realizados, assim, independentemente do caráter civil ou comercial dos mesmos, só o fato de terem sido praticados com habitualidade, impunha o dever de aprofundamento da investigação para definirlhe a natureza e o tratamento fiscal pertinente. Nada disso tendo acontecido é evidente a falta do elemento certeza que deve, necessariamente, alicerçar qualquer lançamento. Refere sobre a “necessária” distinção entre “ingressos” e “receitas”, argumentando que há uma diferença marcante entre os valores brutos dos créditos/depósitos bancários e os resultados provenientes das respectivas operações, ou seja, “impõese distinguir os valores dos ‘ingressos financeiros’ com os dos ‘frutos, lucros’ neles compreendidos”. Cita, acerca dessa distinção, artigo de Aires Fernandino Barreto, referente ao ISS, ressaltando: “[...] Além da desnaturação do aspecto material, considerar meras entradas como receita, significa desnaturação da base de cálculo ou, visto por outro ângulo, exigência de imposto com alíquota majorada, sem lei que o autorize. Em qualquer das duas hipóteses, temse imposto tendente a se tornar equivalente ao próprio preço do serviço (a comissão), aproximando, igualando ou até mesmo superando a receita, hipótese em que se tem confisco, vedado pela Constituição Federal, art. 150, IV”. Cita do mesmo autor artigo sobre “discernimento entre atividademeio e atividadefim”. Em “OS VÍCIOS/EQUÍVOCOS DO LANÇAMENTO”, argúi que a interpretação dada pelo Fisco ao artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 é incongruente com o conceito de “renda e proventos Fl. 206DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10909.006754/200869 Acórdão n.º 2201002.212 S2C2T1 Fl. 4 5 de qualquer natureza” como compreendido no artigo 153, III, da Constituição Federal, que, fundamentalmente, traduz a idéia de um “plus”, de um lucro, de um resultado produzido pelo trabalho ou pela exploração do capital, ou por ambos. Conclui que o lucro é que caracterizaria a renda e, assim, “uma simples operação de depósito bancário não preenche as condições factuais/legais suficientes à caracterização do fenômeno renda”. Cita, em defesa de seu argumento, comentário de Bulhões Pedreira sobre o conceito de renda. Prossegue argüindo que a aplicação do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, caracteriza uma tributação mais onerosa, uma forma de punir mediante imposição tributária mais gravosa, não sendo esta a finalidade do tributo e sim a da multa, citando os artigos 3º e 136 do CTN e Acórdão do Conselho de Contribuintes. Diz que se aplicável, afrontaria o conceito de renda estabelecido no artigo 43 do CTN, que, via de regra, depósito bancário representa o capital investido que gera resultados em virtude da sua constante (re)aplicação e que pode, ou não, representar um rendimento/lucro líquido tributável. Para o Fisco caracterizálo como receita/renda tributável, impõeselhe o dever de adotar todos os procedimentos averiguatórios tendentes a dar a necessária certeza ao lançamento, sob pena de agir calcado em mera “ficção” de renda. Cita Marçal Justen Filho. Argúi que o Fisco considerou o somatório dos créditos/depósitos bancários como rendimentos líquidos, omitindose de verificar o quantitativo de capital, fonte produtora da renda, embutido nessas operações e que é evidente que a quase totalidade do dinheiro transitado nas contas bancárias referese a capital, o que impõe concluir pela falta de sustentabilidade jurídica do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. Diz que o artigo 110 do CTN tornaria impeditiva a pretensão de, por definição legal, equiparar depósito bancário à renda. Repisa que, tanto sob a óptica legal quanto doutrinária, o procedimento se revela inconsistente, ferindo os artigos 114 e 116 do CTN, uma vez que os depósitos bancários por si sós não corporificam necessária e suficientemente a obtenção de renda/lucro, assim como definido nos artigos 43 e 44 do CTN mas apenas a propriedade/posse e a exploração continuada de bem econômico, juridicamente qualificado como capital circulante. E prossegue, citandoAlberto Xavier, Hugo de Brito Machado, Ricardo Mariz de Oliveira, Celso Antonio Bandeira de Melo ressaltando, às fls. 132 a 135, argumentos tendentes todos a comprovar a ilegalidade/inconstitucionalidade do lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Aduz que o Fisco teria descumprido o artigo 142 do CTN porque, de modo superficial e, acima de tudo, ilegal, transferiu ao impugnante a incumbência que só a ele competia executar. Se tais tarefas “mostramse complexas, difíceis, ou até de quase impossível delineação, o próprio Código Tributário mostra os caminhos procedimentais alternativos para atender os interesses Fl. 207DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 do Erário (art. 148), não cabendo ao contribuinte indicálos, nem mesmo quando, arbitrariamente, élhe exigida a execução de atos de competência exclusiva das autoridades fiscais”. Cita em sua defesa ensinamentos de Ives Gandra Martins sobre o artigo 142 do CTN. Prossegue argüindo que, ao fazer incidir o IRPF diretamente sobre os valores brutos dos depósitos bancários, o autuante violou o princípio constitucional da capacidade contributiva, à vista de que o montante lançado revelase, em muito, superior ao seu patrimônio. Ressalta que os valores que compõem a base de cálculo da exação “superam os lucros mensais da própria agência do banco fornecedor dos extratos, o que torna evidente não apenas a ilegalidade, como, igualmente, o irrealismo, o absurdo da autuação”. Diz que a “descrição dos fatos” efetuada no “Relatório de Fiscalização” mostra que o lançamento foi fundado em ilações, o autuante formalizou exigências factualmente inconsistentes: 1) pela “desuniformidade/desnaturação constatada na quantificação da base de cálculo”, argüindo que o autuante olvidou que a incidência do IRPF só pode ocorrer sobre o rendimento líquido, entendimento que tem respaldo na melhor doutrina e em decisões dos Tribunais; 2) pela necessária reconstituição dos fatos, na busca da verdade material, para a devida compreensão e um correto tratamento tributário dos dados existentes nos documentos bancários, independente da colaboração do sujeito passivo, cuja negativa representaria um direito assegurado constitucionalmente, uma vez que não está arrolado entre as pessoas obrigadas a prestar informações ao Fisco. Insiste no argumento da necessidade de uma averiguação mais aprofundada dos fatos retratados nos extratos bancários, protestando pela juntada posterior de novos elementos esclarecedores. Requer, ao final, preliminarmente, a decadência referente aos meses de janeiro a novembro/2003, a nulidade à vista dos vícios formais apontados ou, sendo inacolhidas as preliminares o cancelamento do auto de infração. A 5ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DECADÊNCIA. IRPF. AJUSTE ANUAL. A omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada está sujeita à tributação no ajuste anual. O direito de a Fazenda Pública apurar e constituir créditos relativos ao IRPF, neste caso, extinguese após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, sendo que este se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as Fl. 208DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10909.006754/200869 Acórdão n.º 2201002.212 S2C2T1 Fl. 5 7 quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ONUS PROBANDI A CARGO DO CONTRIBUINTE. A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei n.º 9.430/96 deve ser feita de forma individualizada (depósito a depósito), por via de documentação hábil e idônea. PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE CAUSA DE NULIDADE. Constatado que o procedimento fiscal foi realizado com estrita observância das normas de regência e demonstrando o contribuinte total compreensão da infração diagnosticada, fica de todo afastada a alegação de preterição do direito de defesa e a hipótese de nulidade do procedimento fiscal. PRELIMINAR. SIGILO BANCÁRIO. Não há que se falar em quebra do sigilo bancário, uma vez que os documentos em que se embasou a autoridade lançadora foram todos fornecidos pelo próprio contribuinte. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por Conselhos de Contribuintes não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância em 02/03/2012, Fábio Francisco Fecondes apresenta Recurso Voluntário em 26/03/2012, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah Fl. 209DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 8 O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, relativamente a fatos gerados ocorridos no anocalendário de 2003. Antes de adentrarmos no mérito, insta enfrentar as diversas preliminares arguidas pela defesa. Quanto à alegação de nulidade do lançamento, em razão da falta de motivação do ato, penso, que não há como acolhêla. Em verdade, a motivação para a lavratura do lançamento, para esta infração, é a omissão de rendimentos identificada pela presunção legal de renda contida no artigo 42, da lei nº 9.430, de 1996, e exteriorizada pelos depósitos e créditos bancários levantados pelo Fisco. Com efeito, a causa do lançamento foi provocada pelo próprio recorrente no momento em que movimentou, em suas contas bancárias, recursos financeiros incompatíveis com a informação prestada em sua Declaração de Ajuste. Além do mais, as infrações apuradas pela fiscalização contiveram perfeitamente a conformação simbólica e descritiva prevista na norma do artigo 42, da lei nº 9.430, de 1996, possível de constatar pela simples leitura do Relatório Fiscal (fls. 97/106) e pela Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 89/90). Nos precisos termos do art. 142, do CTN, cabe ao Fisco verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, determinar a matéria tributária e calcular o montante devido. O parágrafo único do art. 142 comanda que a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória. Isso significa dizer que a autoridade fiscal deve obediência à lei e às normas complementares (arts. 96 e 100, I do CTN) que cuidam dos procedimentos fiscalizatórios, sob pena de responsabilidade funcional. Portanto, como não identifiquei no lançamento qualquer ofensa ao principio da legalidade, rejeito, pois, a suscitada preliminar. Quanto à decadência, associada ao momento do fato gerador, referente à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, dispensável tecer maiores comentários, eis que o tema já foi pacificado pelo CARF, conforme se verifica da transcrição da Súmula nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Assim, o fato gerador do IRPF referente ao anocalendário de 2003 perfezse em 31 de dezembro daquele ano. Sendo assim, o dies a quo para a contagem do prazo de decadência iniciase em 01 de janeiro de 2004 e, considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completase em 31 de dezembro de 2008. Destarte, como a ciência ao Auto de Infração ocorreu em 01/12/2008 (fl. 109), o crédito tributário constituído pelo lançamento não havia ainda sido atingido pela decadência. Em relação à alegada inconstitucionalidade das normas que embasaram a instauração do procedimento de fiscalização e/ou constituição do crédito tributário, invoco a Súmula CARF nº 2: Fl. 210DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10909.006754/200869 Acórdão n.º 2201002.212 S2C2T1 Fl. 6 9 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, nos exatos termos da Súmula nº 2, do CARF, falece competência a este Órgão julgador para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. No que tange a arguição de quebra ilegal do sigilo bancário, bem como ilegitimidade na utilização da Lei Complementar nº 105/2001, Lei nº 10.174/2001 e do Decreto nº 3.724/2001, esse Órgão Administrativo já se posicionou. Tratase da Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (grifei) Ressaltese que o recorrente apresentou seus extratos bancários, após regular intimação feita pela autoridade fiscal (fl. 20), conforme determina os arts. 927 e 928 do Decreto nº 3000, de 1999: Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, DecretoLei nº 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 197). Destarte, como não houve quebra do sigilo bancário, não há que se falar em sobrestamento do feito. No mérito, afirma o suplicante, entre outros argumentos, que é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos e depósitos bancários. Assevera, ainda, que o somatório dos depósitos não representa rendimentos passíveis de tributação e que a comprovação da origem dos depósitos não deve ser encargo do contribuinte. De início, cumpre trazer novamente a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que, com as alterações posteriores introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 9.481, de 1997, e pelo art. 58 da Lei nº 10.637, de 2002, assim dispõe, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 10 De acordo com o dispositivo supra, basta ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao Fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Corroborando este entendimento, nos ensina José Luiz Bulhões Pedreira in “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas”, JUSTEC RJ 1979 p. 806: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume, cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. O dispositivo legal citado tem como fundamento lógico o fato de não ser comum o depósito de numerário, de forma gratuita e indiscriminada, em conta bancária de terceiros. Como corolário dessa afirmativa temse que, até prova em contrário, o que se deposita na conta de determinado titular a ele pertence. O raciocínio foi exposto com clareza por Antônio da Silva Cabral1: O fato de alguém depositar em banco uma quantia superior à declarada é indício de que provavelmente depositou um valor relativo a rendimentos não oferecidos à tributação. Se o depositante não logra explicar que esse dinheiro é de outrem, ou tem origem em valores não sujeitos à tributação, este indício levará à presunção de omissão de rendimentos à tributação. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 constitui um instrumento direcionado à facilitação do trabalho de investigação fiscal, justamente em razão das dificuldades impostas à identificação dos fatos econômicos dos quais participou o recorrente. Existe normalmente uma grande quantidade de ações e negócios não formais efetuados pelo contribuinte, na maioria das vezes marcada pela inexistência de prova documental, razão pela qual a lei desincumbiu a autoridade fiscal de provar sua ocorrência. Assim, diversamente do que faz crer a recorrente, na presunção legal a lei se encarrega de presumir a ocorrência do fato gerador, razão pela qual não há obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de renda. O lançamento do imposto de renda com base em depósitos bancários só é possível quando não comprovada a origem. Ou se comprova a origem e aí se tributa da forma como especificamente determina a legislação ou, caso contrário, apurase a omissão com base na presunção. Quanto à argumentação de que o lançamento com base em depósitos bancários fere frontalmente os arts. 110, 114 e 116 do CTN, por não representar disponibilidade econômica, vale registrar que o fato gerador do Imposto de Renda, conforme art. 43 do Código Tributário Nacional2, alberga tanto as disponibilidades econômicas quanto as 1 Processo Administrativo Fiscal. Editora Saraiva, 1993, pág. 311. 2 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 212DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10909.006754/200869 Acórdão n.º 2201002.212 S2C2T1 Fl. 7 11 disponibilidades jurídicas de renda ou proventos de qualquer natureza. Neste contexto, a disponibilidade jurídica existe desde o momento em que o credor adquiriu o direito incondicional ao recebimento da renda, independentemente de têla ou não efetivamente recebido. Inaplicável, também, a alegação de ofensa a Súmula 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos, visto que a mesma foi inteiramente superada pela entrada em vigor da Lei nº 9.430, de 1996, que tornou lícita a utilização de depósitos bancários de origem não comprovada como meio de presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos. Ressaltese que o recorrente, além das questões de direito mencionados em sua defesa, não carreou aos autos qualquer documento capaz de ilidir a tributação perpetrada pela autoridade fiscal. Frisese que o art. 31 do Decreto n° 70. 235, de 1972, ao dispor que a decisão deve referirse às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências, não tem a extensão de exigir que o julgador deva referirse, expressamente, ponto por ponto, a todas as alegações do contribuinte que, se irrelevantes, podem ser repelidas implicitamente, como pacificamente entende o STJ (Quinta Turma Rd MM. Edson Vidigal Recurso Especial nº 260.803/SP DJ 11/12/2000). E, por último, cumpre destacar que é igualmente improfícua a jurisprudência administrativa e judicial trazida pelo recorrente, porque essas decisões, mesmo que proferidas pelos órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Ante a todo o exposto, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10320.001586/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. APLICAÇÃO. TAXA SELIC. MULTA.
Constituem fatos geradores de contribuições sociais as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
No presente caso, a multa que mais beneficia a Recorrente é a do Artigo 61 da Lei 9.430 de 1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. APLICAÇÃO. TAXA SELIC. MULTA. Constituem fatos geradores de contribuições sociais as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No presente caso, a multa que mais beneficia a Recorrente é a do Artigo 61 da Lei 9.430 de 1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 15 86 /2 01 0- 41 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo MUNICÍPIO DE BARRA DO CORDA/MA em face da decisão que manteve o lançamento do crédito tributário referente ao descumprimento de obrigação principal no período de 01/2006 a 12/2008. 2. De acordo com o relatório fiscal da infração (ff. 34/36), o contribuinte não recolheu “as contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados constantes em folhas de pagamento e aos segurados contribuintes individuais constantes em recibos de pagamento”. Assim, as contribuições foram arrecadadas pelo contribuinte e não integralmente repassadas na época própria à Seguridade Social. Consta do relatório: “3. As remunerações descontadas dos segurados empregados levantadas durante a Ação Fiscal, relativas às competências acima, tem seus valores relacionados, por competência, nas Planilhas “Servidores Empregados (total por secretaria)”, “Servidores Contribuintes Individuais não Informados em GFIP (geral)” e consolidadas na planilha “Contribuições Sociais Descontadas dos Segurados e não Repassadas à Previdência Social”. 4. Conforme demonstrado na planilha “Contribuições Sociais Descontadas dos Segurados e não Repassadas à Previdência Social”, o valor originário do crédito apurado (“Total não Repassado”) corresponde, assim, em cada competência, ao montante das contribuições sociais arrecadadas pela Prefeitura Municipal, mediante desconto em folha de pagamento dos segurados empregados (servidores) e dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços no período, deduzidos desse montante os valores recolhidos, através das Guias da Previdência Social (GPS), coluna “Recolhido”. (...) 8. Os recolhimentos realizados pelo Município através das Guias de Previdência Social – GPS, conforme se pode observar nos anexos “RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados” e “RDA – Relatório de Documentos Apresentados”, foram devidamente deduzidos das contribuições previdenciárias apuradas, considerando todos os documentos de constituição de crédito lavrados.” 3. Após ser devidamente intimado, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva (ff. 45/65). Ao analisar os argumentos colacionados pelo contribuinte, o Colegiado de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário constituído. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: Fl. 145DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10320.001586/201041 Acórdão n.º 2301003.502 S2C3T1 Fl. 145 3 “AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS. Constituem fatos geradores de obrigações tributárias as remunerações pagas, devidas ou devidas aos segurados empregados, consoante art. 20 da Lei 8.212/91, cuja responsabilidade de desconto e recolhimento aos cofres da Previdência Social é da empresa contratante, na forma do art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei 8.212/91. Social (GPS), consoante dispunham os arts. 34 e 35 da Lei 8.212/91 (sic). FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Nenhum dos fatos jurídicos relevantes (competência para fiscalizar, arrecadar e cobrar; fundamentação legal de todas as rubricas etc) foi olvidado nos relatórios integrantes do presente crédito, ao contrário, sobre todos os fatos relevantes existe a fundamentação legal aplicável durante todo o período para o qual houve crédito constituído. TAXA DE JUROS. SELIC. A taxa de juros aplicada para atualização das contribuições sociais até novembro de 2008 é a taxa SELIC, consoante disposição do art. 34 da Lei 8.212/91. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 4. Inconformado com a decisão proferida, o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo (ff. 113/133), no qual aduz em síntese: a) não houve clareza na fundamentação legal da multa para explicar a constituição do crédito tributário, tendo sido utilizadas diversas alíquotas a título de multa, o que afronta os princípios da fundamentação e do contraditório, uma vez que impossibilita a apresentação de defesa específica; b) impõese a nulidade do auto de infração lavrado pela fiscalização, posto que aponta os dispositivos legais que regulamentam o caso de forma genérica, cabendo ao contribuinte descobrir qual dispositivo da norma indicada deu origem à infração, à penalidade e ao valor aplicável; e c) a correção do crédito tributário não deve ser feita à base da Taxa SELIC, pois esta é, ao mesmo tempo, inconstitucional e ilegal, uma vez que cria a figura do tributo rentável. 5. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Fl. 146DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 1. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual CONHEÇO do recurso. DO CERCEAMENTO DE DEFESA 2. O contribuinte sustenta que “não houve a clareza de fundamentação para explicar a constituição do crédito tributário”, isto porque foram utilizadas as diversas alíquotas a título de multa. com isso busca a nulidade do auto de infração por afronta ao princípio do contraditório e ao direito de defesa do contribuinte. 3. Como afirma o contribuinte, de fato, ao analisar detidamente os documentos que compõem o auto de infração, vêse que no relatório fiscal do lançamento, no que se refere à penalidade, há tão somente remissão aos “Fundamentos Legais de Débito – FLD”: “9. O crédito lançado, compreendendo valor originário, encontrase fundamentado na legislação constante do anexo de “Fundamentos Legais do Débito – FLS”, especialmente a Lei 8.212/91 e seu Regulamento, e descrito no “Discriminativo de Débito – DD”. 4. No entanto, ao contrário do que conclui o patrono, esse fato não nos leva a identificar qualquer irregularidade, até por que ao analisar o anexo de Fundamentos Legais do Débito – FLD, não foi encontrada nenhum vício, ou tampouco desrespeito ao que preleciona o art. 10 do Decreto 70.235/1972, o qual descreve os requisitos primordiais da constituição do auto de infração, qual seja, in verbis: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;” 5. In casu, nenhum dos elementos citados acima foram preteridos pela fiscalização, pelo contrário, o relatório é organizado por assunto e período de apuração, possibilitando a identificação clara do fato gerador e da penalidade correspondente, conforme trecho que transcrevo a seguir: “601 ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA 601.09 Competências : 02/2007 a 11/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35,1, II, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, III, "a", "b" e "c", parágrafos 2. ao 6. e e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). CALCULO DA MULTA: PARA PAGAMENTO DE OBRIGAÇÃO VENCIDA, NAO INCLUIDA EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 8% dentro do mês do mês de vencimento da obrigação; 14%, no mês seguinte; 20%, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; PARA PAGAMENTO DE CRÉDITOS Fl. 147DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10320.001586/201041 Acórdão n.º 2301003.502 S2C3T1 Fl. 146 5 INCLUIDOS EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO; 24% em ate 15 dias do recebimento da notificação; 30% apos o 15. dia do recebimento da notificação; 40% apos a apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, ate quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; 50% apos o 15. dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Divida Ativa; PARA PAGAMENTO DO CREDITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA; 60%, quando não tenha sido objeto de parcelamento; 70%, se houve parcelamento; 80%, apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito não foi objeto de parcelamento; 100% apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não a tenha sido citado, se o credito foi objeto de parcelamento. OBS.: NA HIPÓTESE DAS CONTRIBUIÇÕES OBJETO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO TEREM SIDO DECLARADAS EM GFIP, EXCETUADOS OS CASOS DE DISPENSA DA APRESENTAÇÃO DESSE DOCUMENTO, SERA A REFERIDA MULTA REDUZIDA EM 50% (CINQUENTA POR CENTO). 602 ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS 602.07 Competências : 01/2006 a 12/2006, 01/2007 a 11/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 34 (restabelecido com a redação dada pela MP n. 1.571, de 01.04.97, art. 1., e reedições posteriores ate a MP n. 1.523 8, de 28.05.97, e reedições, republicada na MP n. 1.59614, de 10.11.97, convertidas na Lei n. 9.528, de 10.12.97); Regulamento da Organização do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, art. 58 , 1 , "á", "b", "c", parágrafos 1., 4. e 5. e art. 6 1 , paragrafo único; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 239, II, "a", "b" e "c", parágrafos 1., 4. e 7. e art. 242, paragrafo 2.; CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINARIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) 1% (UM POR CENTO) NO MES SUBSEQUENTE AO DA COMPETENCIA; B) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, NOS RESPECTIVOS PERIODOS; C) 1% (UM POR CENTO) NO MES DO PAGAMENTO. 602.08 Competências: 12/2008 a 13/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, combinado com o art. 61 da Lei n. 9.430, de 27.12.96, com redação da MP n. 449, de 04.12 2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINARIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO MÊS SUBSEQUENTE AO VENCIMENTO DO PRAZO ATE O MES ANTERIOR AO DO PAGAMENTO B) 1% (UM POR CENTO) NO MES DO PAGAMENTO. 701 FALTA DE PAGAMENTO, FALTA DE DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA 701.01 Competências : 12/2008 a 13/2008 Lei Fl. 148DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 n. 8.212, de 24.07.91, 35A (combinado com o art. 44, inciso I da Lei n. 9.430, de 27.12.96), ambos com redação da MP n. 449 de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. Art. 35A. Nos casos de lançamento de Ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996 75% falta de pagamento, de declaração e nos de declaração inexata Lei 9430/96, art. 44, inciso I: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” 6. Ademais, cumpre ressaltar que tanto o auto de infração quanto o decisum recorrido encontramse devidamente fundamentados e motivados, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. Assim, não há que se falar em anulação do lançamento. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O SAT 7. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente de riscos ambientais do trabalho, encontrase prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestes termos: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave.” 8. Quanto à aposentadoria especial o Decreto 3.048/99 determina: “Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida Fl. 149DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10320.001586/201041 Acórdão n.º 2301003.502 S2C3T1 Fl. 147 7 ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: (...) § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V.” 9. Conforme define Maria Helena Ribeiro em sua obra “Aposentadoria Especial: Regime Geral da Previdência Social” (2ª Edição: Curitiba: Juruá Editora, 2006) define o benefício como aquele destinado a garantir ao segurado do regime geral da Previdência Social, uma compensação pelo desgaste resultante do tempo de serviço prestado em condições prejudiciais à sua saúde ou integridade física. 10. E sobre a questão, o Judiciário vem se manifestando no sentido de que a cobrança para o SAT deve ser feita com base na consideração do grau de risco da atividade de cada estabelecimento da pessoa jurídica, desde que individualizado por CNPJ próprio, ou, quando houver apenas um registro, tomando por base o grau de risco da atividade preponderante. 11. Esse entendimento foi consolidado com a publicação da Súmula n.º 351 do STJ, verbis: “A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.” 12. Nesse contexto, com o intuito de uniformizar, também no âmbito da Administração Pública, o entendimento já pacificado pelo Poder Judiciário, evitando que a discussão da matéria tenha de ser levada aos tribunais, foi publicado o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2120/2011, em novembro de 2011, que restou ementada nos seguintes termos: “Contribuição Previdenciária. Alíquota. Seguro de Acidente do Trabalho (SAT). A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houve apenas um registro. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei n.º 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto n.º 2.346, de 10 de outubro de 1997. Possibilidade de a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional não contestar, não interpor recursos e desistir dos já interpostos, quanto à matéria sob análise. Necessidade de autorização da Sra. ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional e aprovação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda.” 13. No presente caso a fiscalização ao analisar as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período, constatou que a prefeitura considerou para a citada contribuição a alíquota de 0%, no entanto conforme determinado no anexo V, CNAE 8411/00, do Decreto nº 3.148, alterado elo Decreto nº 6.042 de 12/02/2007, a referida alíquota foi alterada para 2% a partir da competência 06/2007. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 14. No relatório fiscal o auditor ainda descreve que os fatos geradores das contribuições previdenciárias foram constatados através das GFIP’s, relativas às competências indicadas, cujos valores encontramse relacionados por competência, nas planilhas “Servidores Empregados não informados em GFIP (total)” o que combate de pronto o argumento suscitado pela recorrente de que a fiscalização não indicou os trabalhadores, tendo em vista que foi feito o devido batimento entre as Guias apresentadas e a folha de pagamento apresentada pela empresa. 15. Ademais, compulsando os autos, entendo que o Município, por sua vez, não carreou ao processo documentação apta a desqualificar o enquadramento apontado pelo fisco na presente ação fiscal. 16. Dessa forma, não vejo como retificar a decisão de primeira instância no tocante à alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT). DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC 17. A utilização da taxa SELIC não é indevida no caso em análise. À época do fato gerador, a utilização da referida taxa era expressamente autorizada pelo art. 34 da Lei 8.212/91. 18. A matéria, inclusive, já foi sumulada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, verbis: “Súmula CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” 19. No mesmo sentido, devese ressaltar que a utilização da taxa SELIC no caso em análise não ocorreu por determinação do Banco Central, e sim em face do art. 34 da Lei 8.212/91, vigente à época do lançamento, e da súmula nº 04 deste Conselho. DA APLICAÇÃO DA MULTA 20. No que se refere à aplicação da multa, caso o Fisco identifique benefício penalidade nova ao contribuinte, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei 8.212/1991, assim disposto: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 21. E o citado art. 61, da Lei 9.430/96, por sua vez, assevera: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10320.001586/201041 Acórdão n.º 2301003.502 S2C3T1 Fl. 148 9 (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 22. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 23. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/1991, se mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 24. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para que seja aplicada a multa prevista no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 152DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 12898.002295/2009-27
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/12/2009
FOLHAS DE PAGAMENTO. PREPARO DE ACORDO COM AS NORMAS LEGAIS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A empresa é obrigada a preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, consoante Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafo 9º., do Regulamento da Previdência Social- RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo assim ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Tratando-se de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, onde não há pagamentos a homologar, aplica-se o disposto no artigo 173, I do referido código para apuração do período decadencial.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.545
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Fábio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Obrigação Acessória Recorrente ZÍNGARA POWER RECURSOS HUMANOS E PROMOÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/12/2009 FOLHAS DE PAGAMENTO. PREPARO DE ACORDO COM AS NORMAS LEGAIS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A empresa é obrigada a preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, consoante Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafo 9º., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo assim ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Tratandose de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, onde não há pagamentos a homologar, aplicase o disposto no artigo 173, I do referido código para apuração do período decadencial. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 22 95 /2 00 9- 27 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12898.002295/200927 Acórdão n.º 2803002.545 S2TE03 Fl. 3 2 assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Fábio Pallaretti Calcini. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12898.002295/200927 Acórdão n.º 2803002.545 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, por não ter elaborado folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela administração tributária. O r. acórdão – fls 82 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: · A fiscalização instaurada no estabelecimento da Recorrente buscava a verificação quanto ao recolhimento das contribuições previdenciárias no exercício 2004. Contudo, as mesmas competências analisadas por meio do mandado de procedimento fiscal que originou os lançamentos combatidos foram objeto de outra fiscalização, finalizada em 22.02.05, justamente com vistas a verificar a retidão do recolhimento das contribuições previdenciárias, fato, inclusive, que levou à lavratura do Lançamento de Débito Confessado n° 35.264.6551. · A fiscalização iniciada em 2005 não analisou exclusivamente os valores declarados na GFIP e não recolhidos. Essa fiscalização foi ampla e irrestrita, a qual realizou o levantamento de valores supostamente devidos pela Recorrente, culminando com a lavratura de Lançamento de Débito Confessado. Tanto assim não o é que a "descrição sumária" do MPF complementar n° 09222401, referente à NFLD n° 35.264.6551, descreve como objeto de fiscalização o "batimento folha de pagamentos x GFIP x RAIS x GPS". · O presente auto de infração padece de vício insuperável, uma vez que o ato que lhe deu origem (emissão do MPF) não observou os ditames legais do art. 906 do RIR. · Não estando a presente hipótese enquadrada em qualquer uma das previsões legais do art. 149 do CTN, concluise que a revisão ora buscada foi deflagrada com base apenas na alteração do entendimento do fiscal autuante, pretensão esta que encontra óbice na súmula 227 do Tribunal Federal de Recursos. · Decadência do direito ao lançamento dos débitos relativos ao exercício 2004. · Todos os documentos perquiridos foram entregues. Assim, a afirmação contida no acórdão atacado de que o contribuinte deixou de elaborar Folhas de Pagamento, e, consequentemente, omitindo remuneração paga à autônomos, não corresponde à realidade dos fatos. Não só as folhas de pagamento foram apresentadas, como seus Fl. 127DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12898.002295/200927 Acórdão n.º 2803002.545 S2TE03 Fl. 5 4 respectivos resumos foram devidamente elaborados e entregues, tudo em conformidade com as intimações recebidas. Nesse contexto, por uma simples questão de economia processual, tendo em vista que a documentação aqui referida encerra aproximadamente 10.000 (dez mil) laudas, que tornaria absolutamente impossível o manuseio dos autos, a Recorrente protesta pela realização de diligência justamente para que seja atestada a regularidade das informações prestadas à fiscalização. · Assim sendo, de acordo com a fundamentação acima, tendo em vista o expressivo volume documental que se mostra necessário a comprovar a composição de sua folha de pagamentos, bem como a necessidade de proporcionar a Recorrente o pleno exercício do direito à ampla defesa, requer os autos sejam baixados para a Delegacia Regional de Julgamento da jurisdição da Recorrente para a realização de perícia técnica, nos termos dos arts. 16, IV, e 18, ambos do Decreto n" 70.235/72 · Requer: a) preliminarmente, dada a impossibilidade de nova fiscalização dos fatos ocorridos no exercício 2004 , conforme dispõe o art. 906 do RIR/ 99 , seja declarada a nulidade do lançamento efetuado,b) seja declarada a decadência do direito de a autoridade fazendária lançar a penalidade ora pretendida. c) no mérito, , após serem baixados os autos para a realização de perícia técnica, nos termos do item V acima, seja julgado procedente o presente Recurso Voluntário, reformando o acórdão atacado. d) Caso seja superado o pedido acima, seja deferido o prazo de 90 (noventa) dias para a juntada da documentação que comprova a retidão da Recorrente. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12898.002295/200927 Acórdão n.º 2803002.545 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DA DECADÊNCIA Sobre a decadência apontada, não assiste razão à recorrente. O auto de infração foi entregue ao contribuinte em 28/12/2009 em razão de lançamentos referentes ao ano de 2004. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há de se observar as regras previstas no CTN. Tratandose de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN, que transcrevemos. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Por fim, tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo processual e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos Fl. 129DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12898.002295/200927 Acórdão n.º 2803002.545 S2TE03 Fl. 7 6 _________________ Também os EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782), DJe 26/02/2010: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Consoante as regras retrocitadas, como os documentos se referem ao ano de 2004, não há prazo decadencial a ser considerado. DO PEDIDO DE PERÍCIA O princípio da livre convicção do julgador é aplicável em relação às provas carreadas aos autos. O pedido de diligência foi indeferido uma vez que foi considerado prescindível pela autoridade julgadora para que a mesma formasse sua convicção. Vejamos a legislação art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93) A r. decisão de indeferimento informa as razões do mesmo, esclarecendo ainda: 32. O que se observa, relativamente aos pedidos de diligências e perícia intentados pelo contribuinte, é que não foi apresentada nos autos nenhuma razão subsistente ou documentação que a justificasse. Tratase de pedido genérico de perícia para produção regular de provas, que a empresa fiscalizada teve a oportunidade de produzir durante todo o procedimento fiscal, Fl. 130DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12898.002295/200927 Acórdão n.º 2803002.545 S2TE03 Fl. 8 7 inclusive sendo feita solicitação de esclarecimentos sobre os lançamentos contábeis através dos diversos TIFs entregues à empresa, entendendo este colegiado ser a mesma desnecessária. Entendeu assim o julgador de primeiro grau a absoluta desnecessidade de diligência fiscal, posto que os documentos acostados seriam suficientes ao julgamento, tudo na linha do que previsto no art. 18 já transcrito. DO MÉRITO Inicialmente cumpre esclarecer que não se trata de refiscalização. O MPF de fls. 120 deixa claro que a ação anterior se referiu a ação seletiva, referente a divergências detectadas em batimento fiscal, buscando reduzir a inadimplência tributária, o que não afasta a competência da fazenda em abrir procedimento fiscal ordinário a fim de averiguar a regularidade dos recolhimentos efetuados pelo contribuinte. A infração esta descrita no relatório de fls 25 e 26. Transcrevo excerto: 1 1 . Conforme dito anteriormente, em todas as competências objeto da presente fiscalização a empresa deixou de apresentar todas as quatro FP de forma completa, ou seja, a maioria das folhas não veio acompanhada dos respectivos resumos totalizando, mês a mês, as rubricas que as integram. 12. Além disso, alguns dos empregados constantes das FP relativas à fiscalizada (FPAS 515) possuem Ao lado de seus nomes a letra ' T " anotada manualmente, distinguindoos como trabalhadores temporários (FPAS 655). Tal prática é consolidada na elaboração da "Relação de Funcionários Ativos", distinguindo, por FPAS, os nomes dos empregados. A totalização dos valores das rubricas por FPAS, entretanto, não foi elaborada. (...) 13. Os registros contábeis apontam despesas efetuadas com Cl (administradores e autônomos) (...) 14 . Podese verificar que uma parte das despesas mencionadas no parágrafo anterior foi declarada pela própria empresa, através das GFIP. 15 . No período considerado, entretanto, a empresa não elaborou FP específicas nem incluiu os segurados Cl/Autônomos nas FP relativas aos segurados empregados. Ante este quadro, a recorrente resumiuse a declarar que entregou a documentação em ordem, mas não aos autos trouxe nenhum elemento que demonstrasse o alegado, onde bastaria anexar cópias das folhas devidamente elaboradas, devendo assim o auto de infração ser mantido em sua totalidade. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12898.002295/200927 Acórdão n.º 2803002.545 S2TE03 Fl. 9 8 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10580.900240/2008-41
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2000
COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. CRÉDITO COMPROVADO. DOCUMENTOS JUNTADOS EM FASE RECURSAL. DEFERIMENTO.
Os documentos juntados na fase recursal que demonstram cabalmente a existência do crédito tributário devem ser admitidos em face do princípio da verdade material.
Comprovada a certeza e liquidez da base de cálculo negativa através de documentos fiscais e contábeis, é de se reconhecer o crédito tributário.
Numero da decisão: 1802-001.679
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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CRÉDITO COMPROVADO. DOCUMENTOS JUNTADOS EM FASE RECURSAL. DEFERIMENTO. Os documentos juntados na fase recursal que demonstram cabalmente a existência do crédito tributário devem ser admitidos em face do princípio da verdade material. Comprovada a certeza e liquidez da base de cálculo negativa através de documentos fiscais e contábeis, é de se reconhecer o crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 02 40 /2 00 8- 41 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador – BA (“DRJ/SDR”), que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão recorrido, verbis: “Tratase da manifestação de inconformidade de fls. 01/02, que contesta o Despacho Decisório eletrônico, n° de rastreamento 749300614, de fls. 14, datado de 07/03/2008, o qual não homologou a compensação declarada, sob a alegação de não ter sido possível confirmar a apuração do crédito, em razão de o valor informado na DIPJ/2001 não corresponder ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito. Tendo tomado ciência do despacho decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 28/03/2008, alegando, em síntese, que: a) não recebeu termo de intimação de irregularidade no preenchimento do PER/DCOMP em tela, referente ao crédito de saldo negativo de CSLL do exercício 2001 (anocalendário 2000), como já havia recebido termo de irregularidade relativo a outros créditos, em que, na oportunidade, foram regularizados; b) em relação ao crédito em questão, existe realmente saldo negativo de CSLL, conforme demonstrado na ficha 17 da DIPJ/2001, no valor de R$9.751,25; c) apesar de haver divergência entre o valor do crédito declarado na DIPJ/2001 e o valor demonstrado no PER/DCOMP não homologado, diante da impossibilidade de recuperação do crédito tributário, caso o contribuinte efetue novo PER/DCOMP para compensar outros débitos, devido ao saldo negativo da CSLL ser de período que excede cinco anos em relação à data da transmissão de um novo PER/DCOMP, deve ser observado que o valor constante da DIPJ/2001 é suficiente para servir como elemento de crédito na compensação dos débitos, no montante de R$7.280,42, do pleito do PER/DCOMP julgado. Requer o contribuinte a reconsideração do despacho decisório, possibilitandoo regularizar as divergências verificadas, através da retificação do PER/DCOMP julgado. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10580.900240/200841 Acórdão n.º 1802001.679 S1TE02 Fl. 63 3 Em sua decisão, a DRJ/SDR houve por bem manter o lançamento através do Acórdão n° 1527.769, apontando a inexistência de direito creditório, pois, não provada sua liquidez e certeza, uma vez que divergentes os valores referentes ao saldo negativo apontados na PER/DCOMP e na DIPJ apresentados pela Recorrente, apontando, ainda, a impossibilidade de retificação de Declaração de Compensação quando já proferido o despacho decisório sobre tal pedido, conforme ementa abaixo transcrita: “Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO. Inexistindo o direito creditório alegado pelo contribuinte, indeferese o pedido de compensação a ele vinculado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual, primeiramente, confirmou a divergência entre os valores do saldo negativo informados no PER/DCOMP e na DIPJ, quais sejam, R$ 10.395,51 e R$ 9.751,25, respectivamente. Ratifica o saldo negativo informado no PER/DCOMP como sendo o valor correto. Para comprovar o alegado, juntou, em sede recursal, cópia do balancete fiscal, cópia do razão referente à conta da Contribuição Social, cópia da parte A do LALUR e, finalmente, cópia dos comprovantes de arrecadação dos valores recolhidos a título de CSLL. Ao final, requer que o recurso seja totalmente provido, com base no princípio da verdade material, para conceder a homologação da declaração de compensação. É o relatório, passo a decidir. Voto Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho O presente recurso voluntário é tempestivo, vez que a intimação via postal foi recebida em 05/09/2011 (fls. 27) e o protocolo do Recurso Voluntário no dia 05/10/2011 (fls. 28), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, consagrado pelo artigo 33 do Decreto nº. 70.235/72, sendo certo que também preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 4 Trata do presente processo de compensações efetuadas através da PERD/COMP 05568.89759.310105.1.3.033507, com alegado crédito de base de cálculo negativa da CSLL, relativa ao anocalendário de 2000, no valor de R$10.395,51, com débitos de tributos administrados pela SRB, no montante de R$7.280,42. O despacho decisório não homologou as compensações, tendo como fundamento para a negativa, a divergência entre o saldo negativo indicado na DIPJ, de R$9.751,25 e o valor constante da PERD/COMP, de R$10.395,51, independentemente do débito compensado ser inferior que tais valores, de R$7.280,42. A Delegacia de Julgamento manteve o indeferimento do pedido, sustentando que não havia liquidez e certeza do suposto saldo negativo apurado para reconhecer a compensação requerida, devido divergência entre os montantes informados na DIPJ e na PER/DCOMP. Ademais, caberia ao contribuinte comprovar os fatos constitutivos de seu direito, sendo que o presente processo não está instruído com as devidas provas do indébito tributário, no qual se fundamenta. Nesse contexto, a contribuinte deveria ter trazido as provas lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, os balanços ou balancetes, os Livros Diário e Razão, Lalur, etc. tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado, o que não acontecera. E, por fim, asseverou que a retificação da PER/DCOMP só poderia ocorrer até a prolação o despacho decisório. A recorrente alega que o crédito existente decorre da base de cálculo negativa da CSLL, relativa ao anocalendário de 2000, no valor demonstrado na PERD/COMP, de R$10.395,51. Alega ainda que, contrariamente ao que dispõe a DRJ/SDR em seu acórdão, não há erro algum no PER/DCOMP, pois, este se encontra em conformidade com os registros contábeis, relativos ao anocalendário de 2000, exercício de 2001, refletindo o valor correto da base de cálculo negativa de CSLL. Para tanto, junta com seu recurso voluntário os documentos contábeis comprobatórios do seu direito. A Recorrente fundamenta, também, para solicitar a reforma da decisão recorrida, no fato de que, mesmo considerando a divergência entre o montante indicado na DIPJ (R$9.751,25), com aquele informado na PER/DCOMP (R$10.395,51), aquele era mais do que suficiente para fazer frente ao débito compensado (R$7.280,42). É fato que a Recorrente deixou de trazer aos autos até o julgamento da DRJ, além do próprio PERD/COMP e da DIPJ, qualquer outro elemento de prova que comprovasse a certeza e liquidez relativa à base de cálculo negativa da CSLL e, também não apresentou esclarecimento em relação à divergência entre os valores informados nas obrigações acessórias. Já com o recurso voluntário (fls. 3847), fora juntado documentos contábeis e outros emitidos pela própria Receita Federal do Brasil, através de seu sítio, para comprovação da existência da base de cálculo negativa do anocalendário de 2000. No que concerne apresentação de provas apenas em sede de recurso voluntário, levando os aspectos fáticos em consideração, a meu ver, o fato das referidas provas terem sido apresentada pela recorrente apenas no âmbito do recurso voluntário, não impossibilita apreciação das mesmas, em face aplicação do princípio da verdade material. Este entendimento é amplamente consagrado nos julgados proferidos no âmbito deste conselho, conforme explicitado no trecho abaixo transcrito: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10580.900240/200841 Acórdão n.º 1802001.679 S1TE02 Fl. 64 5 Ano calendário: 2003 VERDADE MATERIAL COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO Ainda que não sejam provadas nos autos as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72 que justificariam a juntada tardia de documentos, é possível admitir referida juntada tardia em vista da necessidade de busca da verdade material. Por outro lado, é crucial que seja demonstrada e comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado para que o mesmo seja reconhecido pela autoridade julgadora.” (Acórdão n˚. 180300.765 Sessão. 26.01.2011, Turma Especial, Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF). A verdade material é um dos princípios que norteia o processo administrativo, como exposto pelo Conselho de Contribuintes no Acórdão n. 10247.972: “BUSCA DA VERDADE MATERIAL. No processo administrativo, predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. (CARF, Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Acórdão nº: 10247.972. Sessão de 18 de outubro de 2006. Relator: Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho)” Ademais, esse princípio também norteia administração pública que não pode se conformar apenas com uma perfunctória dos documentos trazidos, sem uma investigação mais profunda sobre a existência ou não do respectivo crédito tributário, como se extrai da decisão abaixo transcrita: VERIFICAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DE TRIBUTOS. LANÇAMENTO VERSUS RECONHECIMENTO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A verificação da base de cálculo do tributo não é cabível apenas para fundamentar lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. (DRJ Campinas, Acórdão nº 0525.963, de 16/06/2009) Assim, estando plenamente convencido quanto à possibilidade de apresentação da respectiva prova, em sede de recurso voluntário, passo a analisar, a seguir, os documentos acostados pelo Recorrente e os efeitos que os mesmos trazem ao julgamento da lide. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 6 A recorrente juntou ao recurso voluntário documentos contábeis (fls. 45 e ss), dentre os quais, o Razão da Apuração da CSSL do anocalendário de 2000 (fls. 45); comprovantes de pagamento da CSLL, emitidos no sítio da RFB, sob o código 2484, pagamentos por estimativas mensais, Livro Lalur e o balancete do respectivo anocalendário, no qual está indicado o montante de CSSL devido. Verificase que o somatório dos recolhimentos da CSSL, na forma de estimativas mensais, totaliza o montante de R$23.947,02; ao passo que no Balancete de fls. 45, demonstra que o montante indicado como devido de CSLL, ao final do anocalendário, é de R$ 13.541,46. Portanto, subtraindose o valor devido, dos recolhimentos efetuados a título de estimativa, resta um saldo negativo de CSLL, de R$ 10.405,56 (R$ 10,05 a mais do que é indicado pelo Recorrente em sua PERD/COMP). Entendo que o erro material constante na DIPJ não poderia ser fator impeditivo para a homologação da compensação pleiteada pela Recorrente, uma vez que restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado através de outros meios de prova idôneos. Com os esclarecimentos trazidos pelos documentos acostados no recurso voluntário, não mais subsiste o único fundamento para não homologação da compensação que fora a divergência entre o saldo negativo da CSLL, informado no PERD/COMP, de R$10.395,51 e, aquele da DIPJ, de R$9.751,25. Resta, portanto, a meu ver, comprovada a saciedade a existência do crédito tributário de R$10.395,51, referente a base de cálculo negativa da CSLL, do anocalendário de 2000. Por fim, cabe reprisar que o valor do débito objeto da compensação é de R$7.280,42, que é inferior a base de cálculo negativa informada tanto na DIPJ, de R$9.751,25, quanto no PERD/COMP, de R$10.395,51. Ou seja, ainda que se considerasse apenas o menor crédito tributário disponível, não haveria justificativa para não homologação da compensação. Portanto, entendo que o erro formal na prestação de informações divergentes da base de cálculo negativa entre a DIPJ e PERD/COMP fora esclarecido, restando comprovado o valor do crédito tributário de R$10.395,51. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, reformandose totalmente a decisão da DRJ, para homologar a compensação efetuada. Marco Antônio N. Castilho Relator Fl. 67DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000931/2009-61
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
ACÓRDÃO. PARTE EXPOSITIVA E EMENTA. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA.
Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento e motivação do julgado. São parcialmente cabíveis quando oportunizem o aperfeiçoamento do acórdão em ponto não conexo com a obscuridade apontada entre a ementa e os fundamentos.
Numero da decisão: 3803-004.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a ementa do acórdão, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a ementa do acórdão, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 ACÓRDÃO. PARTE EXPOSITIVA E EMENTA. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento e motivação do julgado. São parcialmente cabíveis quando oportunizem o aperfeiçoamento do acórdão em ponto não conexo com a obscuridade apontada entre a ementa e os fundamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a ementa do acórdão, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 31 /2 00 9- 61 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Trata o presente de embargos de declaração interpostos pelo Conselheiro Alexandre Kern, contra o Acórdão nº o Acórdão nº 3803003.880, de 31 de janeiro de 2013, com fulcro no art. 65, I, da Portaria MF nº 256, de 9 de junho de 2009 (RI/CARF), requerendo o saneamento da obscuridade que aponta. A obscuridade diz com a falta de exposição do conceito de insumo no voto condutor, em determinados termos, o que o incompatibiliza com o enunciado que conformou a ementa, transcrita a seguir, não havendo como o Colegiado têla votado conforme ficou assentada. Disse ele: “Compulsando o voto condutor do acórdão, constato que o mesmo não declinou o conceito de insumo, para fim de creditamento de contribuição social não cumulativa, nesses termos, de sorte que não há como o Colegiado ter votado a ementa nos termos em que constou na parte inicial do trecho acima transcrito.”. Os termos são os que destacam o signo “sic” ao final de cada oração. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. [...] Insumo dedutível para efeito de Pis não cumulativo, [sic] são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e afetem as receitas tributadas pela contribuição social. [sic] E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gerem despesas, estas devem ser consideradas insumos. É o relatório. Voto Admissibilidade Reza o art. 65 do RI/CARF[1] , regulamentando o art. 535, caput, I e II, do CPC, que os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou quando há omissão de ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Visa este recurso à inteireza, à harmonia lógica e à clareza da decisão, suprimindo dificuldades e óbices à boa compreensão e eficaz execução do julgado, exercendo, assim, uma função corretiva e integradora. Devese ter presente que o pedido contido nos embargos submetese ao juízo de admissibilidade. Este, por sua vez, deve se ater aos pressupostos recursais, que são objetivos, em face dos quais são examinadas a existência e adequação do recurso, a 1 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: (Redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) [...] III pelo Procurador da Fazenda Nacional; (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Fl. 339DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000931/200961 Acórdão n.º 3803004.505 S3TE03 Fl. 339 3 tempestividade, a motivação e a regularidade procedimental, e subjetivos, que em sua virtude são examinados o interesse e a legitimação para recorrer, bem como a inexistência de obstáculo ao poder de recorrer. O Conselheiro embargante recebeu o processo em 3 de abril de 2013 e na mesma data interpôs os presentes embargos. Portanto, os embargos são tempestivos. O pressuposto de existência vêse na alegação do vício de obscuridade que estaria presente no acórdão embargado, presente na falta de exposição do conceito de insumo no voto condutor o que o incompatibiliza com o enunciado da ementa. O pressuposto da adequação está presente por se ajustar o recurso apresentado à previsão legal para a espécie impugnada, a permitir a sua recepção e o seu desenvolvimento válido e regular. Dessa forma, os embargos devem ser conhecidos. Mérito Segundo Marinoni[2], a obscuridade significa falta de clareza no desenvolvimento das idéias que norteiam a fundamentação da decisão. Representa ela hipótese em que a concatenação do raciocínio, a fluidez das idéias, vem comprometida, ou porque exposta de maneira confusa ou porque lacônica, ou ainda porque a redação foi mal feita, com erros gramaticais, de sintaxe, concordância etc., capazes de prejudicar a interpretação da motivação. No acórdão embargado, a controvérsia que fora deslindada com o provimento do recurso foi o reconhecimento do direito a créditos decorrentes das [...]despesas ocorridas em razão das prestações de serviços vinculados ao meio ambiente, dado que estas despesas somente ocorreram em função das imposições decorrentes do Acordo Judicial de Conduta e dos Termos de Ajuste de Conduta celebrados com Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e FATMA. No voto condutor o direito a tais créditos foi reconhecido sobre a afirmação do Relator [...]por compreender que estes são essenciais para o processo produtivo da empresa e ainda por estas despesas terem decorrido de imposição do Poder Público:[...] Esta posição foi arrematada adiante, no voto, na forma como segue: Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela 2 MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz. Processo de Conhecimento. 8. ed., v.2. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2010, p. 556. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, ou seja (...) Observese que o conceito de insumo como aquele que está marcado pela essencialidade à própria atividade, sem o qual esta a empresa não goza de licença para desenvolvêla está presente na exposição. Este entendimento assentado no acórdão teve o reforço de precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no bojo do qual dispêndios realizados com indumentárias, exigidas pelo Poder Público para o regular desenvolvimento do processo produtivo na indústria alimentícia, foram considerados insumos inerentes à produção. Está referenciado nos termos abaixo: Questão semelhante já foi analisada pelo CARF no PAF n.º 13053.000112/200518 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão n.º 930301.740, julgado em 09.11.2011 – 3ª Turma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (grifo) Recurso Especial do Procurador Negado. Notese que o conceito de insumo como aquele que possui inerência, também foi demarcado no voto condutor, com o destaque do negrito na ementa do acórdão paradigma pelo próprio Relator. Ao perscrutar o conteúdo da decisão acima, o Relator colheu o contorno dos insumos que se tornam aptos a gerar creditamento, tendo apontado para a sua sorte de, em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, conforme excerto do seu voto, abaixo: Conforme se extrai do julgado acima, o insumo não deve em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, em Fl. 341DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000931/200961 Acórdão n.º 3803004.505 S3TE03 Fl. 340 5 razão do caráter restritivo não imposto pela lei e pelo Texto Constitucional.[g.n.] Não obstante reconhecer o Relator a distinção da atividade econômica sob análise no acórdão paradigma, indicou a semelhança da causa de decidir naquele com a inclusão na base de cálculo dos créditos dos dispêndios relativos à proteção do meio ambiente realizados por imposição do Poder Público. Neste particular, o Relator destacou, inclusive, a inexigibilidade de conduta diversa por parte da Contribuinte e a essencialidade do serviços contratados, que os habilitam a serem definidos como insumo, que geram crédito. Restou implícita na exposição a consideração do insumo como inerente à produção, uma vez que esta qualificação encontrase no acórdão paradigma e na parte grifada da ementa: Evidentemente que no caso em tela não se está tratando de insumos aplicados na produção alimentícia, conforme o julgado administrativo colacionado, todavia, por outro lado, as despesas com a proteção do meio ambiente são geradas em função de uma imposição do Poder Público e neste caso é inexigível conduta diversa por parte do contribuinte. Além do que, é verdade que sem cumprir ao rígido controle ambiental, por certo que a empresa não estaria autorizada a extrair o carvão mineral, ou seja, estaria impossibilitada de realizar o seu processo produtivo.[inerência] Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, (...) [apócrifo e g.n.] O vício da obscuridade categorizado pela melhor doutrina como falta de clareza no desenvolvimento das idéias que norteiam a fundamentação da decisão, por comprometimento da concatenação do raciocínio, da fluidez das idéias, ou por decisão exposta de maneira confusa ou lacônica, ou ainda, porque a redação foi mal feita, com erros gramaticais, de sintaxe, concordância etc.. capazes de prejudicar a interpretação da motivação, não se compadece com o predicamento que lhe deu o Conselheiro embargante ao termo obscuridade, consistente na ausência do conceito de insumo. Aonde se pode enquadrar o apontamento do vício presente no acórdão embargado no conceito doutrinário – a falta de clareza no desenvolvimento das ideias ou decisão exposta de maneira confusa – este tropeço não existe na exposição que tenha prejudicado a interpretação da motivação. Por estas razões, vejo que o voto condutor foi colmatado sem nebulosidades, tendo justificado com suficiência o encaminhamento ofertado, em específico quanto à matéria objurgada, e acompanhado pela quase integralidade pela turma. A ementa do acórdão embargado está alinhavada com a do acórdão da CSRF, ambas vazadas no bojo de decisões em torno de fatos jurídicos de mesma natureza. A mácula de uma é a da outra. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entrementes, os embargos oportunizam a seguinte consideração: as leis que instrumentalizam a não cumulatividade do PIS e da Cofins (Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003) preceituam em seu art. 3º, II: “Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive (...)” Reparese que ao estipular que bens e serviços creditáveis são os utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados à venda, a norma legal não discriminou o grau de aderência do insumo na atividade exercida pela empresa. Ao interpretar o dispositivo legal, no Resp. nº 1.246.317/MG, em sede de recurso repetitivo que se tornou paradigmático para aplicação pelos conselheiros, nos julgamentos no âmbito do CARF, o Superior Tribunal de Justiça deu a configuração da norma e dispôs que os insumos passíveis de creditamento são tanto os que se ligam ao processo produtivo ou à prestação de serviços como os que os viabilizam, vale dizer, insumos empregados seja direta ou indiretamente na atividade A decisão está projetada no item “5” da ementa como segue: 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Terse como referência estas disposições (legal e judicial), levanos a perceber uma imprecisão na ementa do acórdão embargado (assim como na ementa da CSRF): afirmar que o creditamento se dá apenas relativamente aos insumos aplicados diretamente na prestação do serviço ou na produção de bens, ao tempo em que afirma que os dispêndios com o cumprimento das obrigações ambientais (ou da obrigação para uso da indumentária na indústria de alimentos) impostas pelo Poder Público como condição para o funcionamento da empresa devem ser consideradas insumos (ou é insumo inerente à produção da indústria avícola), não é outra coisa senão fixar um conceito errôneo quanto à forma de incidência desse insumo na atividadefim da empresa. Noutra forma de dizêlo: se a lei não discrimina a forma de aderência do insumo na atividadefim; e se o STJ definiu que essa forma pode darse direta ou indiretamente, não é necessário definir o que é indireto como direto para que o insumo seja alvo de creditamento. Nesse diapasão, os dispêndios com o cumprimento de obrigações normativas do Poder Público, que não obstante se os caracterize como essenciais e inerentes –, mas que apenas viabilizem a atividade produtiva sem dela intrinsecamente participarem, são insumos aplicados indiretamente no processo produtivo (seja a proteção ambiental, seja o uso de indumentárias na indústria alimentícia). Fl. 343DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000931/200961 Acórdão n.º 3803004.505 S3TE03 Fl. 341 7 A elucidação acima não se compadece com a balda de obscuridade aplicada ao acórdão segundo a orientação da melhor doutrina representando o termo diretamente, consignado na ementa, não mais que uma imprecisão conceitual que o julgado (também na CSRF) fez advir dos predicados essencialidade e inerência (ao processo produtivo ou prestação do serviço), que são exigidos dos insumos para serem base de cálculo créditos, adequadamente evocados no voto condutor. Por tudo, voto por acolher parcialmente os embargos para retificar a ementa do acórdão, sem efeitos infringentes, nos termos abaixo: REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de Cofins não cumulativa é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gere despesas, estas devem ser consideradas insumo. Sala das sessões, 24 de setembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 344DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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