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Numero do processo: 10283.004130/2007-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do Fato Gerador: 15/06/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES
OU INCORREÇÕES.
Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de GFIP com omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias.
AUTO DE INFRAÇÃO. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS ESSENCIAIS.
Constituem-se requisitos essenciais para a concessão do benefício da relevação da multa, previstos no §1º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente e, cumulativamente, ser ele primário, não haver incorrido em nenhuma circunstância agravante e ter formulado pedido de relevação ainda dentro do prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração.
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. GRADUAÇÃO DE PENALIDADES. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO ACUSADO.
A lei tributária que cominar penalidades será interpretada de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida sobre a natureza e a graduação da penalidade aplicável.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa
que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 2302-001.447
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições introduzidas pela Medida Provisória nº 449/2008, mais precisamente, o art. 32A, inciso II da Lei nº 8.212/91, que na conversão pela Lei nº 11.941/2009 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212/91.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 15/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de GFIP com omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS ESSENCIAIS. Constituem-se requisitos essenciais para a concessão do benefício da relevação da multa, previstos no §1º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente e, cumulativamente, ser ele primário, não haver incorrido em nenhuma circunstância agravante e ter formulado pedido de relevação ainda dentro do prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. GRADUAÇÃO DE PENALIDADES. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO ACUSADO. A lei tributária que cominar penalidades será interpretada de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida sobre a natureza e a graduação da penalidade aplicável. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em parte.
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CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de GFIP com omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS ESSENCIAIS. Constituemse requisitos essenciais para a concessão do benefício da relevação da multa, previstos no §1º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente e, cumulativamente, ser ele primário, não haver incorrido em nenhuma circunstância agravante e ter formulado pedido de relevação ainda dentro do prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. GRADUAÇÃO DE PENALIDADES. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO ACUSADO. A lei tributária que cominar penalidades será interpretada de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida sobre a natureza e a graduação da penalidade aplicável. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Recurso Voluntário Provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições introduzidas pela Medida Provisória nº 449/2008, mais precisamente, o art. 32 A, inciso II da Lei nº 8.212/91, que na conversão pela Lei nº 11.941/2009 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212/91. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Wilson Antonio de Souza Correa e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.004130/200721 Acórdão n.º 230201.447 S2C3T2 Fl. 127 3 Relatório Período de apuração: 09/2002 e 08/2006. Data de lavratura do Auto de Infração: 15/06/2007. Data da Ciência do Auto de Infração: 06/12/2006. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de esta ter deixado de registrar em GFIP valores pagos, devidos ou creditados a segurados contribuintes individuais, nas competências setembro/2002 e agosto/2006, conforme descrito no Relatório Fiscal a fl. 11 e anexos. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. A multa aplicada corresponde a 100% do valor das contribuições previdenciárias devidas e não declaradas em GFIP, relativas aos fatos geradores descritos no parágrafo precedente, apurados pela fiscalização, consoante critério pormenorizado no Relatório Fiscal a fl. 12. Irresignado com a autuação, o autuado apresentou impugnação administrativa, a fls. 74/75, requerendo a relevação da multa aplicada, em virtude haver corrigido integralmente a falta ensejadora da autuação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 106/111, julgando procedente a autuação e atenuando a multa em 50% nas competências em que se verificou a efetiva correção da falta, nos termos do art. 291, caput do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 13/02/2008, conforme Aviso de Recebimento a fl. 113. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 114/118, deduzindo seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: Fl. 136DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 § Que, pela mera menção a números de ação fiscal no auto de infração, nem a Recorrente nem a autoridade a quo puderam se certificar de ocorrência de reincidência, sendo necessária a consulta aos sistemas internos do INSS. § Que o auto de infração é nulo, porque o trabalho da fiscalização não foi feito de forma a conferir ao auto de infração as indispensáveis certeza e liquidez; § Que o percentual de redução foi aplicado sobre o valor da multa integral, quando deveria ter sido aplicado sobre a multa efetivamente imposta; Ao fim, requer a relevação integral da multa aplicada. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.004130/200721 Acórdão n.º 230201.447 S2C3T2 Fl. 128 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 13/02/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 14 de março do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Pondera o Recorrente ser nulo o vertente auto de infração, porque o trabalho da fiscalização não foi feito de forma a lhe conferir as indispensáveis certeza e liquidez. Aduz que, pela mera menção a números de ação fiscal no auto de infração, nem a Recorrente nem a autoridade a quo puderam se certificar de ocorrência de reincidência, sendo necessária a consulta aos sistemas internos do INSS. Razão não lhe assiste. A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Imerso nessa ordem constitucional , ao tratar das obrigações tributárias, já no âmbito infraconstitucional, o art. 113 do Código Tributário Nacional CTN estabeleceu o discrimen entre as obrigações definidas como principais e aquelas conceituadas como Fl. 138DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 acessórias, estas decorrentes da legislação tributária, assim entendidas as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, ostentando por objeto tal espécie de obrigação tributária as prestações, positivas ou negativas, fixadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O marco primitivo da fundamentação legal em que se sustentam as obrigações tributárias estabelece, outrossim, que a ocorrência de violação a qualquer obrigação acessória tem natureza objetiva, sendo bastante e suficiente para a sua caracterização a mera inobservância de seus preceitos. Com efeito, o art. 37 da Lei nº 8.212/91, com a redação vigente à época da lavratura do presente Auto de Infração, estabelece que, sendo constatado pela fiscalização o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Malgrado a norma legal acima transcrita se refira expressamente ao descumprimento de obrigação principal, o mesmo esmero na discriminação clara e precisa dos fatos geradores e dos períodos a que se referem deve ser observado em relação ao descumprimento de obrigação acessória, em atenção ao princípio do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. No presente caso, mediante a lavratura do Auto de Infração nº 37.098.9180 foi constatada violação a obrigação tributária acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei Fl. 139DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.004130/200721 Acórdão n.º 230201.447 S2C3T2 Fl. 129 7 nº 8.212/91, consistente na omissão objetiva de fatos geradores de contribuições previdenciárias nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social referentes às competências setembro/2002 e agosto/2006. Os valores omitidos foram apurados a partir das informações assentadas nas folhas de pagamento, recibos de pagamento a autônomos e notas fiscais de serviços. Todas as informações postadas no parágrafo precedente encontramse devidamente relatadas no Relatório Fiscal a fls. 11/14, corroboradas pelos documentos a fls. 15/19, em cumprimento aos requisitos de precisão e clareza da descrição dos fatos geradores e do período a que se referem. De outro eito, as informações pertinentes ao cálculo da multa aplicada encontram dispostas no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, a fl. 12, restando devidamente individualizadas as competências abrangidas, os valores devidos à Seguridade Social, o limite superior da aplicação da multa e o montante de penalidade efetivamente aplicada. De forma idêntica, guardadas as devidas particularidades, os preceitos normativos que fornecem sustentação jurídica ao lançamento então operado, foram devidamente especificados no corpo dos relatórios fiscais acima desfraldados, permitindo ao autuado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões da autuação, sendolhe dessarte garantido o exercício do contraditório e da ampla defesa. No que pertine à reincidência, destaca o Relatório Fiscal, em seu item 7, a fl. 11, a existência de dois Autos de Infração aplicados ao Recorrente em ações fiscais anteriores, conforme se lhes seguem: 1º) AFP 012.848 Auto de Infração nº 35.312.0243 – CFL 69; Auto de Infração nº 35.522.5190 – CFL 68; Auto de Infração nº 35.522.5212 – CFL 81. 2º) AFP 09.035.252 Auto de Infração nº 35.629.2681 – CFL 68. De plano, cabe iluminar que o Lançamento Tributário configurase como um ato administrativo por excelência. Como é cediço, os atos administrativos são dotados de presunção de veracidade e legitimidade que, segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro, consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, pág. 191, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191, grifos do original). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público, ou circunstância que exima sua responsabilidade administrativa, nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil, ônus do qual não se desincumbiu o recorrente. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Consoante o magistério do Mestre Hely Lopes Meirelles, “os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração, que, nos Estados de Direito, informa toda a atuação governamental. Além disso, a presunção de legitimidade dos atos administrativos responde as exigências de celeridade e segurança das atividades do Poder Público, que não podem ficar na dependência da solução de impugnação dos administrados, quanto à legitimidade de seus atos, para só após darlhes execução”. (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1995). Assim, a presunção de legitimidade diz respeito aos aspectos jurídicos do ato administrativo, e, em decorrência desse atributo, presumemse, até que se prove o contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei. No entanto, essa presunção abrange também a veracidade dos fatos contidos no ato, no que se convencionou denominar de “presunção de veracidade” dos atos administrativos, e, em decorrência desse atributo, serão presumidos como verdadeiros os fatos alegados pela Administração. Em reforço às informações prestadas pela autoridade fiscal no Auto de Infração, o Órgão Julgador de 1ª Instância promoveu consulta ao Sistema de Fiscalização (CNAF) e Sistema de Cobrança (SICOB), certificandose que o Recorrente houvera sido punido, nas duas ações fiscais indicadas pela Autoridade Lançadora, mediante os Autos de Infração citados no Relatório Fiscal, espancando dessarte qualquer dúvida a respeito da não primariedade da autuada. Não se vislumbra, portanto, qualquer carência de liquidez ou certeza na autuação que ora se edifica, ou dúvida quanto à infração a obrigação acessória objeto deste lançamento. Como visto, verificase que o Auto de Infração em relevo foi lavrado em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a tipificação da obrigação tributária acessória violada, a conduta omissiva que profanou o dever instrumental em apreço, fazendo constar, nos relatórios que compõem o presente Processo Fiscal os critérios adotados para quantificação da penalidade pecuniária aplicada. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa à notificada. Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de cerceamento de defesa erguida pelo Recorrente. Vencidas as preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.004130/200721 Acórdão n.º 230201.447 S2C3T2 Fl. 130 9 3.1. DA RELEVAÇÃO E DA ATENUAÇÃO DA MULTA Alega o Recorrente que o percentual de redução foi aplicado sobre o valor da multa integral, quando deveria ter sido aplicado sobre a multa efetivamente imposta. ... e a razão caminha a seu lado. O marco primitivo da fundamentação legal da qual a empresa extrai o benefício tributário pretendido se arrima no art. 291 do Regulamento da Previdência Social, de cujo texto, em sua redação vigente à época da lavratura do vertente Auto de Infração, se capta que a infrator teria direito à relevação integral da multa caso houvesse corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente e, cumulativamente, fosse ele primário, não houvesse incorrido em nenhuma circunstância agravante e tivesse formulado pedido de relevação ainda dentro do prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. (grifos nossos) §2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. §3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. O benefício da relevação da multa, no entanto, não pode ser concedido, eis que a empresa infratora não preenche o requisito essencial da primariedade, haja vista a constatação das reincidências genérica e específicas retratadas no tópico 2.1. supra. Há que se registrar que a circunstância agravante fundada na reincidência, no caso específico da infração ora em debate, não produz efeito para fins de agravamento da penalidade, representando, contudo, óbice objetivo para fins de relevação da pena administrativa, mas não para a sua atenuação. Com efeito, muito embora a legislação previdenciária exija uma miríade de requisitos para a concessão da relevação da multa, para o benefício da atenuação, no entanto, tal exigência não se verifica, bastando a comprovação da correção da falta que deu ensejo à autuação, no prazo assentado na legislação. Nessa toada, o inciso V do art. 292 do Regulamento da Previdência Social estatui que a iniciativa do infrator de corrigir a falta até a decisão da autoridade julgadora competente será agraciada com a atenuação de 50% do valor da multa aplicada. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: (...) V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinquenta por cento. Captase da interpretação sistemática dos preceitos regulamentares inscritos nos artigos 291, §1º e 292 que o favor tributário em relevo decorre ex lege, independentemente de o sujeito passivo ter impugnado ou não o Auto de Infração. Daí se extrai que tal mercê há que ser respeitada ainda que a impugnação seja intempestiva. No caso específico da infração ora abordada CFL 68 , para cada competência em que ocorra entrega de GFIP contendo omissão ou incorreção das informações referentes a fatos geradores corresponderá uma infração distinta, de modo que os requisitos de atenuação/relevação devem ser aferidos e examinados individualmente, competência a competência. Nas circunstâncias da presente autuação, logrou o Recorrente corrigir, no prazo normativo, a falta que motivou a lavratura do Auto de Infração referente à competência agosto/2006, mas não em relação a setembro/2009, não podendo esta ser atenuada, mas, sim, aquela. Quanto ao valor da multa a ser atenuada, todavia, não podemos concordar com a interpretação esposada pelo órgão de 1ª Instância, eis que não se coaduna com os termos da lei. Explico: Colhemos das letras do §5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91 que a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeita o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no §4º desse mesmo dispositivo legal. Em outras palavras, a multa a ser aplicada seria sempre de 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada se não houvesse limite assentado em lei. Todavia o limite existe. No caso em apreciação, a multa relativa à competência agosto/2006 nunca chegou a ser de R$ 43.384,00. Este é o valor do montante da contribuição não declarada, mas, não, do valor da multa, o qual se consuma na importância de R$ 23.902,60, já que a lei, expressamente, impede que ele seja superior a este patamar. Nesse cenário, a quantia objeto de atenuação será esta, não aquela. O entendimento acima exarado encontra amparo também nas disposições plasmadas nos artigos 107 e 112, IV do CTN, os quais estabelecem que a lei tributária que cominar penalidades será interpretada de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida sobre a graduação da penalidade aplicável. Código Tributário Nacional CTN Art. 107. A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo. Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: Fl. 143DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.004130/200721 Acórdão n.º 230201.447 S2C3T2 Fl. 131 11 I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Urge, portanto, reformar a decisão guerreada naquilo que se refere, exclusivamente, ao critério de atenuação da penalidade aplicada, devendo tal favor tributário incidir exatamente sobre o valor da penalidade efetivamente infligida ao infrator. 3.2. DA RETROATIVIDADE BENIGNA Urge, igualmente, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente, como assim demonstra acreditar o Recorrente. O principio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. A Medida Provisória nº Fl. 145DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.004130/200721 Acórdão n.º 230201.447 S2C3T2 Fl. 132 13 449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação, de penalidade administrativa motivada, unicamente, pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22 de abril de 2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 Mostrase flagrante que a citada IN RFN nº 1.027/2010 extrapolou os limites da lei, inovando o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessória, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação acessória que é absolutamente independente de qualquer obrigação principal. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; Fl. 147DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.004130/200721 Acórdão n.º 230201.447 S2C3T2 Fl. 133 15 VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, extrapola os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, Fl. 149DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.004130/200721 Acórdão n.º 230201.447 S2C3T2 Fl. 134 17 mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o presente caso de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a penalidade ser recalculada tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I da Lei nº 8.212/91, inserido pela Medida Provisória nº 449/2008, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, observada a atenuação a que faz jus o Recorrente, referente à competência agosto/2006, na forma descrita no item 3.1. acima tratado. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 150DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.013719/2005-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO.
Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de 30 dias, previsto no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2101-001.267
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de 30 dias, previsto no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, José Raimundo Tosta Santos, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 413DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10980.013719/200591 Acórdão n.º 2101001.267 S2C1T1 Fl. 400 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 3 a 5, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2000, para glosar dedução indevida a título de livrocaixa, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$14.829,32, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fl. 1), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância (fl. 384) descreveu o recurso da seguinte maneira: Cientificado, por via postal, em 11/11/2005 (fl. 370), o interessado apresentou, tempestivamente, em 09/12/2005, a impugnação de fl. 01, dizendo haver sido surpreendido com a autuação, em face dos comprovantes e do livro caixa, que diz já haver apresentado à fiscalização, pugnando pela improcedência total do lançamento. À fl. 371, o processo foi encaminhado A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR, para que a autoridade fiscal se pronunciasse quanto ao livro caixa e documentos comprobatórios apresentados, bem como identificasse as despesas que reputasse dedutíveis ou não, com a correspondente motivação/fundamentação. Às fls. 373/382, o Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR, considerando não se tratar de hipótese de diligência fiscal ou de perícia, mas de matéria cujo litígio competiria à instância de julgamento solucionar, devolveu o processo, abstendose de emitir opinião a respeito dos documentos apresentados. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente em parte o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 383 a 389): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999 LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas no livro caixa está condicionada à comprovação documental hábil e idônea, enquadrandose como de custeio as de consumo indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Fl. 414DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10980.013719/200591 Acórdão n.º 2101001.267 S2C1T1 Fl. 401 3 Lançamento Procedente em Parte RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 20/08/2008 (fl. 394), o contribuinte apresentou, em 23/09/2008, o recurso de fls. 395 a 396, onde preliminarmente aponta a decadência do direito do fisco efetuar o lançamento do anocalendário 1999 e, no mérito, pugna pela aceitação das despesas não admitidas no acórdão guerreado. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O contribuinte foi cientificado do julgamento de 1a instância em 20/08/2008 (fl. 394), uma quartafeira, e só apresentou o recurso voluntário em 23/09/2008 (fl. 395), uma terçafeira, ou seja, 34 (trinta e quatro) dias após a ciência. Entretanto, o prazo legal previsto para a interposição desse tipo de recurso é de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações, sendo, portanto, o recurso intempestivo. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso, por sua intempestividade. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 415DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO
score : 1.0
Numero do processo: 17460.000084/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 14/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL COMPLEMENTAR. TEMPESTIVIDADE.
O mandado de procedimento fiscal é instrumento que tem regramento próprio de observância vinculada, essencial para a submissão do sujeito passivo à fiscalização tributária.
A tempestividade do Mandado de Procedimento Fiscal complementar deve ser averiguada entre a data de vigência do anterior e a data da expedição do seguinte.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2301-002.323
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL COMPLEMENTAR. TEMPESTIVIDADE. O mandado de procedimento fiscal é instrumento que tem regramento próprio de observância vinculada, essencial para a submissão do sujeito passivo à fiscalização tributária. A tempestividade do Mandado de Procedimento Fiscal complementar deve ser averiguada entre a data de vigência do anterior e a data da expedição do seguinte. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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Recorrida DRJ Ribeirão Preto/SP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL COMPLEMENTAR. TEMPESTIVIDADE. O mandado de procedimento fiscal é instrumento que tem regramento próprio de observância vinculada, essencial para a submissão do sujeito passivo à fiscalização tributária. A tempestividade do Mandado de Procedimento Fiscal complementar deve ser averiguada entre a data de vigência do anterior e a data da expedição do seguinte. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente0 Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 17460.000084/200741 Acórdão n.º 2301002.323 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto por AVR ENGENHARIA CONSTRUÇÃO E INCORPORAÇÃO DE IMÓVEIS LTDA, contra decisão de primeira instância que julgou procedente o auto de infração. 2. A autuação se deu em razão da empresa ter deixado de apresentar documentos e esclarecimentos necessários à fiscalização discriminados no Relatório Fiscal (f. 19). Embora solicitada, por meio dos respectivos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), o contribuinte impediu a continuidade da ação fiscal, quando subtraiu os documentos que estavam sendo analisados pela autoridade fiscal. Esse comportamento constitui infração às disposições previstas nos arts. 92 e 102 da Lei nº 8.212/91, e art. 283, inc, II, alínea “b” e art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. 3. A multa foi elevada em duas vezes, por ter ocorrido circunstancia agravante prevista no item IV do art. 290 c/c art. 292, inc. III do RPS, totalizando o valor de R$ 23.138,84 (vinte e três mil, cento e trinta e oito reais e oitenta e quatro centavos), conforme explicitado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa do presente processo (f. 19). 4. O acórdão, ora recorrido, restou ementado nos termos que se transcreve abaixo: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/12/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar de prestar ao INSS todas as informações cadastrais, financeiras ou contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. CERCEAMENTO DE DEFESA, INOCORRÊNCIA. A Administração Pública, antes de decidir sobre o mérito de uma questão administrativa ao dar à parte contrária a oportunidade de impugnála da forma que entender, respeitandose o prazo previsto pela legislação de impugnação, não infringe os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO CONFORME LEGISLAÇÃO. O MPF não se extingue se foi expedido MPF complementar em data anterior ao término de sua vigência. CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE – OBSTAR A AÇÃO FISCAL. ELEVAÇÃO DA MULTA. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Demonstrada pelo Fisco a ocorrência da circunstância agravante de obstar a ação fiscal, a multa deve ser elevada em duas vezes, nos termos do art. 292, III, do R.P.S, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Autuação Procedente” 5. Inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário aduzindo, em síntese, o seguinte: a) argui, preliminarmente, que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) estaria extinto e, portando, deve ser declarada a nulidade da autuação. A auditora teria retroagido a data do MPF, ferindo a segurança jurídica do procedimento fiscal e comprometendo a fiscalização. Essa prorrogação teria sido feita, portanto, em desacordo com a legislação do processo administrativo fiscal; b) sustenta que forneceu à fiscalização todos os documentos e livros necessários solicitados. Alega que o motivo da autuação se deu em razão da recorrente ter se recusado a assinar o MPF com data retroativa; c) afirma que não existem nos autos provas de que a recorrente tenha obstado a fiscalização, por meio da sonegação de documentos, que ficaram a disposição da fiscalização até 12/9/2006. 6. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 17460.000084/200741 Acórdão n.º 2301002.323 S2C3T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. MÉRITO DO RECURSO VALIDADE DO MPF COMPLEMENTAR 2. A questão suscitada em sede de recurso voluntário para este Conselho cingese à averiguação da legalidade da ação fiscal, frente à alegada extemporaneidade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). 3. Com efeito, a instauração do procedimento de fiscalização com a expedição tempestiva do Mandado de Procedimento Fiscal é exigência da legislação fiscal e serve ao princípio maior de regência da administração, qual seja a segurança jurídica do ato administrativo. 4. A Administração tem o dever de observar as formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados. A cerca dos prazos de vigência do MPF, a matéria está tratada na Instrução Normativa n.º 03/2005, in verbis: “Art. 580. As alterações no transcorrer do prazo do MPF, decorrentes de substituição, de inclusão ou de exclusão do AFPS responsável por executálo, bem como as relativas às contribuições a serem examinadas e ao período de apuração, serão feitas mediante emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Complementar MPFC, pela autoridade outorgante do MPF originário, do qual será dada ciência ao sujeito passivo. Art. 587. O MPF terá validade de até: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, nos casos de MPFD e de MPFEx. § 1º Os prazos previstos nos incisos I e II do caput poderão ser prorrogados pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas forem necessárias, observado o disposto nos §§ 4º e 5º deste artigo, por meio de: I registro eletrônico, cuja informação estará disponível ao sujeito passivo na Internet mediante o código de acesso do MPF originário; ou II emissão de MPFC, na impossibilidade de se efetuar a prorrogação do MPF na forma do inciso I. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 § 5º Somente poderá ser prorrogado o MPF que não tenha sido extinto na forma do inciso II do art. 589. Art. 589. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, na data da ciência do Termo de Encerramento da AuditoriaFiscal TEAF pelo sujeito passivo II pelo decurso dos prazos a que se refere o art. 587. Parágrafo único. A hipótese de que trata o inciso II do caput não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal.” 5. Efetivamente, uma das razões para a extinção do MPF é o decurso dos prazos. A prorrogação contida no documento poderá ser efetuada pela autoridade outorgante do mandado, desde que expedido do instrumento complementar dentro do prazo de vigência do imediatamente anterior. 6. É bem verdade que a autoridade administrativa pode prorrogar o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal tantas vezes quanto for necessário para o cumprimento da fiscalização, desde que no limite de validade do Mandato de Procedimento Fiscal. 7. Em relação aos MPFs dos autos, esse foram expedidos na seguinte ordem cronológica: Número do MPF Data de Emissão Prazo de validade Folha nos autos 09304444F00 09/05/2006 02/09/2006 6 09304444C01 29/8/2006 29/9/2006 7 09304444C02 14/9/2006 13/11/2006 8 09304444C03 25/9/2006 21/11/2006 9 09304444C04 17/11/2006 16/1/2007 10 8. Diante da constatação acima, fica evidenciado que o presente lançamento não contém ilegalidade alguma, estando revestido das formalidades essenciais para assegurar a regularidade do procedimento administrativo originário da lavratura do auto, visto que observou as condições e os limites impostos pela legislação vigente. 9. O Conselho vem decidindo nesse sentido: “MPF NULIDADE DO LANÇAMENTO Comprovado nos autos a emissão regular da MPF bem como de MPF complementar e prorrogações, deve ser afastada a preliminar de nulidade calcada em alegada irregularidade ou inexistência de tais documentos. DECADÊNCIA IRPJ E CSLL Tratandose de tributos submetidos à homologação tratada no artigo 150 do CTN, não mais pode a Fazenda Pública proceder à revisão dos valores relativos aos fatos Fl. 6DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 17460.000084/200741 Acórdão n.º 2301002.323 S2C3T1 Fl. 4 7 geradores ocorridos há mais de cinco anos. MULTA APLICADA DE OFÍCIO Como decorrência necessária da lavratura dos autos de infração é legal a aplicação da multa de ofício, qualificada ou não, não sendo cabível sua substituição por multa moratória relativamente a créditos tributários sob discussão exclusivamente na esfera administrativa. Recurso voluntário conhecido e parcialmente provido” (Primeiro Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10515170 do Processo 10120008429200393. Data 16/06/2005). 10. Quanto ao fato de a ciência do MPFComplementar ter ocorrido em data posterior à validade do antecedente, entendese que o que determina a validade do MPF Complementar é a sua expedição. O Conselho também já decidiu nesse sentido: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2001 a 31/12/2001 NULIDADE CIÊNCIA DE MPF COMPLEMENTAR INEXISTENTE. Não representa nulidade do lançamento, o fato do contribuinte ter tomado ciência de MPF Complementar após término do prazo estabelecido no anterior. CERCEAMENTO DE DEFESA PRAZO. Não há que se falar em cerceamento de defesa se o prazo concedido ao contribuinte está em conformidade com a lei RETENÇÃO BASE DE CÁLCULO MATERIAIS E EQUIPAMENTOS. Cabe ao contribuinte comprovar os efetivos valores referentes a materiais e equipamentos incluídos em nota fiscal de serviço apresentando o contrato de prestação de serviços, bem como as notas fiscais de serviços com as devidas discriminações dos valores relativos, tal qual prevê a legislação ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE ARGUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio. Recurso Voluntário Negado.” (Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 20600774 do Processo 37311002757200476. Data 07/05/2008). 11. Pelo exposto, entendo que o mandado de procedimento fiscal é, de fato, instrumento essencial para a submissão do sujeito passivo à fiscalização tributária. Esse instrumento tem regramento próprio de observância vinculada. No caso em apreço, não houve qualquer desrespeito aos requisitos postos na legislação para regular processamento da fiscalização e, por conseguinte, da autuação objeto do presente contencioso. 12. Todos os MPF dos autos foram expedidos e cumpridos tempestivamente, não havendo no que se falar em irregularidade na fiscalização. Frisese que para o seu regular processamento, a tempestividade do MPF complementar deve ser averiguada entre a data de vigência do imediatamente anterior e a data da expedição do seguinte, sendo irrelevante a data da ciência do sujeito passivo. CONCLUSÃO Fl. 7DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 13. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO, nos termos acima delineados. É como voto. Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 8DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 12267.000480/2008-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2005
SALÁRIO INDIRETO. PROGRAMA DE INCENTIVO. PAGAMENTO POR INTERMÉDIO DE CARTÃO PREMIAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO SOIAL DEVIDA.
As verbas pagas por intermédio de cartão premiação integram o salário de contribuição por força do art. 28 da Lei n. 8.212/91, sendo válido o lançamento fiscal que considerou a omissão dos valores correspondentes aos benefícios pagos aos segurados empregados.
Os ganhos habituais pagos ao empregado, a qualquer título, serão
incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.437
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em excluir a multa presente no lançamento; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja
aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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PROGRAMA DE INCENTIVO. PAGAMENTO POR INTERMÉDIO DE CARTÃO PREMIAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO SOIAL DEVIDA. As verbas pagas por intermédio de cartão premiação integram o salário de contribuição por força do art. 28 da Lei n. 8.212/91, sendo válido o lançamento fiscal que considerou a omissão dos valores correspondentes aos benefícios pagos aos segurados empregados. Os ganhos habituais pagos ao empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em excluir a multa presente no lançamento; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Fl. 462DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12267.000480/200822 Acórdão n.º 2301002.437 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa BIOMEREUX BRASIL S.A. contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições devidas e não recolhidas pelo contribuinte. 2. Narra o relatório fiscal que o lançamento se deu com base no levantamento “PAP – Programa de Estímulo à Produtividade (...), referente a PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO ‘POR FORA’ DAS FOLHAS DE PAGAMENTO, GFIP’S e GUIAS DE RECOLHIMENTO PARA O INSS, através de cartão de premiação e incentivo FLEXCARD, administrado pela empresa INCENTIVE HOUSE S.A.” (f. 32) 3. A decisão de primeira instância manteve o lançamento fiscal em sua integralidade, nos termos da ementa que transcrevo abaixo: “CUSTEIO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS EM CARTÕES ELETRÔNICOS. O PAGAMENTO DE PRÊMIOS OU BÔNUS INTEGRA O CONCEITO DE REMUNERAÇÃO PARA FINS DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. JUROS E MULTA DE MORA. É devida a contribuição sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, a segurados empregados e contribuintes individuais, ainda que pagos na forma de crédito '''em cartão eletrônico, administrado por empresa interposta. Os prêmios ou bônus pagos, habitualmente, são parcelas de natureza retributiva e têm natureza jurídica salarial, compõem a remuneração e integram a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social, nos termos do art. 22, I e 28, I da Lei n° 8.212/91, não se enquadrando nas hipóteses taxativas de exclusão do § 9º do art. 28 da Lei 8.212./91. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pela Secretaria da Receita Previdenciária recolhidas fora do prazo legal sujeitamse aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC e a multa de mora, com fulcro nos arts. 34 e 35, da Lei n°8.212/91. Lançamento procedente.” 4. Inconformado com a autuação fiscal, o contribuinte apresentou recurso voluntário, aduzindo em síntese, o que segue: a) preliminarmente, que o recurso voluntário interposto deve ser devidamente processado independentemente do depósito prévio correspondente a 30% do valor do lançamento. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 b) no mérito, alega que os valores pagos por intermédio do cartão premiação não são habituais, tendo em vista que dependem exclusivamente do desempenho do empregado e tratase de mera liberalidade da recorrente que premia seus empregados sem qualquer regularidade temporal, sendo que por não preencher o requisito da habitualidade, não deveria haver a incidência de contribuições previdenciárias sobre tais valores; c) por fim, defende que os prêmios concedidos pelo empregador não possuem caráter salarial, pois não passam de uma bonificação extra, concedida pelo empregador por livre iniciativa, com intuito de estimular a produção. 5. O fisco, embora devidamente cientificado da apresentação do recurso, não apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DO PAGAMENTO COM CARTÃO PREMIAÇÃO 2. Narra o relatório fiscal que o lançamento de débito contra o contribuinte se deu em decorrência do levantamento “PAP – Programa de Estímulo à Produtividade (...), referente a PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO ‘POR FORA’ DAS FOLHAS DE PAGAMENTO, GFIP’S e GUIAS DE RECOLHIMENTO PARA O INSS, através de cartão de premiação e incentivo FLEXCARD, administrado pela empresa INCENTIVE HOUSE S.A.” (f. 32) 3. Alega a recorrente, por sua vez, que os valores pagos em cartão premiação não possuem qualquer relação remuneratória, pois não são pagos com habitualidade; assim, não podem ser objeto de incidência de contribuições sociais previdenciárias. 4. Sobre a abrangência conceitual do salário de contribuição e a incidência do tributo, a Lei n.º 8.212/91 estabelece em seu artigo 28, inciso I: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do Fl. 465DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12267.000480/200822 Acórdão n.º 2301002.437 S2C3T1 Fl. 3 5 contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. 5. A lei de custeio é clara ao destacar que o salário de contribuição envolve as verbas destinadas a retribuir o trabalho, e a destinação desta retribuição garante que as verbas, que sejam a título de retribuição ao empregado, devam ser consideradas para fins de incidência da contribuição previdenciária. 6. A incidência encontra respaldo no disposto nos artigos 195 e 201 da Constituição Federal, para abarcar os ganhos habituais do empregado, os quais serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. 7. Do dispositivo legal citado acima depreendese que a definição de salário decontribuição incorpora os quesitos da habitualidade e da retributividade. Desta forma, se o fim proposto pelo cartão premiação é retribuir o trabalho em função do atingimento de metas, podemos então concluir que os quesitos acima elencados devem ser abarcados pelo conceito do ganho habitual previsto na legislação previdenciária. 8. Assim, a destinação final dos valores recebidos por intermédio do cartão premiação está vinculada ao conceito de saláriodecontribuição trazido pela Lei n.º 8.212/91 e pela própria Constituição Federal, dessa forma, as contribuições advindas de tais cartões são devidas conforme a legislação previdenciária acima colacionada. 9. E da análise dos autos, tenho como certo que os valores pagos na forma descrita, qual seja, por cartão premiação, fazem parte da base de cálculo da contribuição social previdenciária, pois se relacionam à remuneração concedida aos segurados em decorrência do trabalho prestado. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 10. Além disso, os argumentos trazidos pelo contribuinte não são suficientes para demonstrar a natureza indenizatória ou compensatória dos valores pagos. Cumpre ressaltar que o fato de os pagamentos terem sido realizados por empresa interposta não retira a responsabilidade pelo tributo da empresa, ora recorrente. 11. Importante frisa, ainda, que a matéria objeto deste processo já foi analisada por este Colegiado, resultado diversos acórdãos no sentido de validar a cobrança do tributo sobre os valores pagos a título de incentivo (incentive house), verbis: “EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE INFORMAÇÃO EM GFIP. SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO INCENTIVO. MULTA. A falta de informação em GFIP do total da remuneração dos segurados empregados acarreta a lavratura de Auto de Infração, com multa punitiva nos termos do art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social. Verbas pagas através de cartões de premiações integram o salário de contribuição, art. 28 da Lei n. 8.212/91 e devem constar de GFIP. Recurso Voluntário Negado.” (Recurso 149.730, de minha relatoria) “PREVIDENCIÁRIO CUSTEIOAUTO DE INFRAÇÃO NÃO ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS SALÁRIO INDIRETO PRÊMIO INCENTIVO MULTA – CORESPONSÁVEIS A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço. [...] Verbas pagas através de cartões de premiações "Incentive House" integram o salário de contribuição, art.28 da Lei n. 8.212/91 e devem se prestar ao desconto da contribuição previdenciária devida, relativa a parte do segurado. [...] Recurso negado.” (Recurso 141267 de relatoria da Conselheira Liege Lacroix Thomasi) (g.n.) 12. Com base nos termos expostos, entendo que o lançamento fiscal deve persistir, tendo em vista que foi realizado dentro do que determina a legislação previdenciária, notadamente o disposto no art. 22, I, da Lei n.º 8.212/91. 13. No presente caso, o repasse de valores aos funcionários da empresa por intermédio de cartões premiação são destinados a retribuir o trabalho, posto que são pagos de acordo com critérios preestabelecidos, em função do atingimento de metas, de sorte que constituem manifestas remunerações e, por conseguinte, salário de contribuição, nos termos da legislação aludida, não havendo que se falar em reforma do débito lançado. DA MULTA APLICADA 14. No que se refere à multa aplicada, cumpre ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº Fl. 467DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12267.000480/200822 Acórdão n.º 2301002.437 S2C3T1 Fl. 4 7 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 15. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 16. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. 17. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 18. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 19. Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, aplicando a multa prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91 combinado com o art. 61, §2 º da Lei nº 9.430/96, mais benéfica ao contribuinte, nos termos acima delineados. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 468DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 Fl. 469DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.000822/2003-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/06/2002
CRÉDITO BASE IPI PERIODO
ANTERIOR À LEI 9779/99 IMPOSSIBILIDADE
DE APROVEITAMENTO ENTENDIMENTO
SUMULADO.
Não se admite aplicação retroativa da Lei nº 9.779/99, é cediço que os
benefícios tributários devem ser analisados de forma restritiva. Ademais, a
questão já foi sumulada por este Egrégio Tribunal Administrativo: “Súmula
CARF nº 16: O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da
aquisição de matériasprimas,
produtos intermediários e material de
embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção
ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança,
exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a
partir de 1º de janeiro de 1999. Antiga Súmula 8 do 2º CC.”
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.260
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1997 a 30/06/2002 CRÉDITO BASE IPI PERIODO ANTERIOR À LEI 9779/99 IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO ENTENDIMENTO SUMULADO. Não se admite aplicação retroativa da Lei nº 9.779/99, é cediço que os benefícios tributários devem ser analisados de forma restritiva. Ademais, a questão já foi sumulada por este Egrégio Tribunal Administrativo: “Súmula CARF nº 16: O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999. Antiga Súmula 8 do 2º CC.” Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Walber José da Silva Presidente. Fabiola Cassiano Keramidas Relatora Fl. 374DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 EDITADO EM: 04/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de Declaração de Compensação, em que a Recorrente pretende utilizar créditos de IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados –gerados em virtude da fabricação de produtos sujeitos à alíquota zero ou não tributados no ano de 1997, com a aplicação retroativa, portanto, do artigo 11 da Lei nº 9.779/99. Por retratar a realidade dos fatos, peço vênia aos meus pares para transcrever o relatório constante na decisão de primeira instância administrativa, verbis: “O estabelecimento acima qualificado protocolizou, em 29 de janeiro de 2003, o formulário de Declaração de Compensação, da fl. 1 (vol. I), para quitar débito vencido da Contribuição para a Seguridade Social (Cofins), com o saldo credor do IPI, de que trata o art.11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, que teria sido gerado do terceiro trimestre de 1997 ao segundo trimestre de 2002, no valor total de R$ 243.903,33, conforme Pedidos de Ressarcimento respectivos, das fls. 2 a 21 (vol. I). Posteriormente, veio aos autos outro formulário de Declaração de Compensação, na fl. 42 (vol. I), protocolizado em 26 de novembro de 2004, para quitar débitos vencidos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, com o saldo credor antes referido, conforme Pedidos de Ressarcimento, das fls. 43 e 44 (vol. I). Segundo a Informação Fiscal das fls. 258 a 261 (vol. II), o alegado saldo credor teria sido gerado por aquisições de embalagens tributadas pelo IPI, empregadas na produção de farinha de trigo, nãotributada pelo referido imposto, pré mistura de farinha de trigo, sujeita à alíquota zero do IPI, e farelo de trigo, também sujeito à alíquota zero. Prossegue a fiscalização, dizendo que o estabelecimento não escritura o livro Registro de Apuração do IPI, sob a alegação de que, pelo art. 195 do Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998, Regulamento do IPI (RIPI), de 1998, estaria dispensado dessa obrigação, por promover a saída de produtos exclusivamente tributados com alíquota zero, o que vai de encontro às disposições posteriores ao art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, e do Decreto nº 4.544, de 27 de dezembro de 2002 (RIPI, de 2002), que não repetiu a dispensa de que tratava o art. 195 do RIPI, de 1998, antes referido. Na seqüência, a Informação Fiscal das fls. 258 a 261 (vol. II) apontou que o pedido também é irregular, porque R$ 54.581,56 se referem a período anterior à vigência do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, porque R$ 78.249,56 se referem a suposto saldo credor que teria sido gerado na aquisição de material de Fl. 375DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.000822/200315 Acórdão n.º 330201.260 S3C3T2 Fl. 2 3 embalagem aplicado, em parte, em produtos não tributados pelo IPI, contrariando o mencionado art. 11 e o § 3º do art. 2º da IN SRF nº 33, de 1999, e porque R$ 44.133,47 se referem à correção monetária, sem previsão legal, aos supostos créditos do IPI, restando R$ 66.938,74 de créditos referentes a aquisições de embalagens utilizadas em produtos tributados à alíquota zero, mas que não são passíveis de ressarcimento, segundo a fiscalização, dada a ausência de escrituração do livro Registro de Apuração do IPI. Em 26 de dezembro de 2007, foi proferido o Despacho Decisório DRF/POA nº 2553/2007, da fl. 264 (vol. II), que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações efetuadas nestes autos, tendo ocorrido a ciência do requerente em 28 de dezembro de 2007, segundo o Aviso de Recebimento (AR), da fl. 269 (vol. I). Contra o despacho decisório citado no item precedente, foi apresentada, no devido prazo, em 24 de janeiro de 2008, a manifestação de inconformidade, das fls. 271 a 286 (vol. II), firmada por seu representante legal, credenciado pelos documentos das fls. 60 (vol. I) e 287 a 295 (vol. II), alegando, em síntese, que o seu direito decorre do princípio da não cumulatividade do IPI, previsto no art. 153, caput e inciso IV, e § 3°, incisos I e II, da Constituição da República Federativa do Brasil, segundo o qual toda e qualquer entrada de produto tributado, a despeito de restrições impostas pela legislação ordinária e regulamentar, gera crédito do IPI, cujo valor fica sujeito à atualização monetária, citando e transcrevendo diversos excertos doutrinários e jurisprudência, que entende aplicáveis à solução do presente litígio. No epílogo de seu arrazoado, o requerente pede a suspensão da exigibilidade dos débitos cuja compensação restou não homologada e, no mérito, a integral reforma do despacho decisório, para fins de reconhecimento do seu direito ao ressarcimento e compensação.” Após a análise das razões trazidas pela Recorrente, a Terceira Turma da Delegacia de Porto Alegre – DRJ/POA, proferiu o acórdão nº 1016.735 (fls. 303/309 – 340/346 eletrônica), que seguiu assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1997 a 30/06/2002 SALDO CREDOR DO IPI. RESSARCIMENTO. O direito ao aproveitamento do saldo credor do IPI, devidamente escriturado, decorrente da aquisição de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados na industrialização de produtos, inclusive isentos ou tributados à aliquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado, a partir de 12 de janeiro de 1999, não amparando crédito relativo a Fl. 376DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 insumos recebidos antes daquela data, além do que devem ser estornados os créditos originários de aquisição dos referidos insumos, quando destinados à fabricação de produtos não tributados pelo IPI. Os créditos do IPI, relativos a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego nos produtos industrializados, devem ser registrados na escrita fiscal. ABONO DE CORREÇÃO MONETÁRIA E DE JUROS SELIC. DESCABIMENTO. Por falta de previsão legal, é incabível o abono de correção monetária e de juros Selic, aos ressarcimentos de créditos do IPI. Solicitação Indeferida.” Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 316/334 e 353/371 eletrônica) por meio do qual reiterou os argumentos trazidos em sua impugnação, quais sejam: (i) de que o crédito decorre da aplicação do princípio da não cumulatividade, sendo que a Lei nº 9.779/99 não inovou o ordenamento jurídico, apenas reconheceu o que já existia; (ii) a restrição do sistema cumulativo é aplicável apenas ao ICMS, não ao IPI, trouxe decisões judiciais neste sentido e (iii) a aplicação da Taxa Selic para correção dos créditos tributários. É o relatório, passo ao voto. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Após a análise dos autos constato que o ponto fulcral da discussão em análise referese à possibilidade – ou não – de aproveitamento de crédito base quando os insumos tributados entraram no estabelecimento antes da vigência da Lei nº 9.779/99, ou seja, em 1997. No tocante a este crédito, entendo pela impossibilidade de seu aproveitamento em razão da irretroatividade da Lei nº 9.779/99. Tal entendimento está, inclusive, sumulado neste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, in verbis: “Súmula CARF nº 16: O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos Fl. 377DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.000822/200315 Acórdão n.º 330201.260 S3C3T2 Fl. 3 5 intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999.” (destaquei) Neste sentido, mesmo que as entradas tenham sido tributadas, não há direito ao crédito tributário de IPI porque ocorridas em momento anterior à lei. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado. É como voto. FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 378DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13936.000107/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 02/04/2008
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, LEI Nº 8.212/91.
Constitui fato gerador de multa deixar o contribuinte de informar, mensalmente, ao Fisco, por intermédio de GFIP, dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo.
RELEVAÇÃO DA MULTA. AUSÊNCIA PEDIDO EXPRESSO. COMPROVAÇÃO OBSERVÂNCIA DOS DEMAIS REQUISITOS LEGAIS C/C INTERPOSIÇÃO DE IMPUGNAÇÃO. PEDIDO TÁCITO/IMPLÍCITO.
Uma vez comprovado pelo contribuinte o cumprimento dos pressupostos legais insculpidos no artigo 291, § 1º, RPS,
aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, vigente à época do lançamento, impõe-se reconhecer o direito de relevação da multa, ainda que não formulado pedido expresso na impugnação, sobretudo em razão do entendimento de que a apresentação da defesa com a comprovação da correção da infração e observância aos demais requisitos implica em pedido tácito/implícito da relevação da penalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.013
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para relevar o valor da multa.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 02/04/2008 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa deixar o contribuinte de informar, mensalmente, ao Fisco, por intermédio de GFIP, dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo. RELEVAÇÃO DA MULTA. AUSÊNCIA PEDIDO EXPRESSO. COMPROVAÇÃO OBSERVÂNCIA DOS DEMAIS REQUISITOS LEGAIS C/C INTERPOSIÇÃO DE IMPUGNAÇÃO. PEDIDO TÁCITO/IMPLÍCITO. Uma vez comprovado pelo contribuinte o cumprimento dos pressupostos legais insculpidos no artigo 291, § 1º, RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, vigente à época do lançamento, impõe-se reconhecer o direito de relevação da multa, ainda que não formulado pedido expresso na impugnação, sobretudo em razão do entendimento de que a apresentação da defesa com a comprovação da correção da infração e observância aos demais requisitos implica em pedido tácito/implícito da relevação da penalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa deixar o contribuinte de informar, mensalmente, ao Fisco, por intermédio de GFIP, dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo. RELEVAÇÃO DA MULTA. AUSÊNCIA PEDIDO EXPRESSO. COMPROVAÇÃO OBSERVÂNCIA DOS DEMAIS REQUISITOS LEGAIS C/C INTERPOSIÇÃO DE IMPUGNAÇÃO. PEDIDO TÁCITO/IMPLÍCITO. Uma vez comprovado pelo contribuinte o cumprimento dos pressupostos legais insculpidos no artigo 291, § 1o, RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, vigente à época do lançamento, impõese reconhecer o direito de relevação da multa, ainda que não formulado pedido expresso na impugnação, sobretudo em razão do entendimento de que a apresentação da defesa com a comprovação da correção da infração e observância aos demais requisitos implica em pedido tácito/implícito da relevação da penalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para relevar o valor da multa. Fl. 159DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/09/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente a Conselheira Cleusa Vieira de Souza. Fl. 160DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/09/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13936.000107/200812 Acórdão n.º 240102.013 S2C4T1 Fl. 161 3 Relatório MADEIREIRA THOMASI S/A, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Curitiba/PR, Acórdão n° 0618.429/2008, às fls. 113/116, que julgou procedente, com atenuação da multa, a autuação fiscal lavrada contra a empresa, com fulcro no artigo 32, inciso IV, e parágrafos 3o e 9o, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 225, inciso IV e §§ 2o, 3º, e 4°, do RPS, por ter deixado de informar mensalmente ao Fisco, por intermédio de GFIP, dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, em relação ao período de 13/2006 e 13/2007, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 10/11, e demais elementos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 02/04/2008, nos termos do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 16.941,01 (Dezesseis mil, novecentos e quarenta e um reais e um centavo), com base no artigo 284, inciso I, e §§ 1º e 2o, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, c/c artigo 32, inciso IV e §§ 4º e 7º, da Lei nº 8.212/91. De conformidade com o Relatório Fiscal, a contribuinte deixou de entregar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP relativamente às competências 13/2006 e 13/2007. A autoridade julgadora de primeira instância achou por bem julgar procedente o lançamento, com atenuação da multa em 50%, tendo em vista que a contribuinte comprovou a correção da falta anteriormente ao término da ação fiscal. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 129/137, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a autuação consubstanciada na peça vestibular do feito, pugnando pela aplicação do instituto da denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, tendo em vista a regularização da falta incorrida antes da lavratura do Auto de Infração, conforme expressamente reconhecido pela autoridade julgadora de primeira instância em sua decisão. Em defesa de sua pretensão, sustenta que a ação fiscal teve início no dia 12 de fevereiro de 2008, como se extrai das informações constantes do próprio Termo de Início da Ação Fiscal (TIAF), ao contrário do que restou decido no Acórdão recorrido, firmando o entendimento do início do procedimento em 11/02/2008. Neste sentido, uma vez enviadas as GFIP’s objeto da presente autuação em 11/02/2008, antes do início de qualquer procedimento fiscal contra a contribuinte, impõese o reconhecimento da denúncia espontânea de maneira a decretar a improcedência do lançamento, com arrimo no artigo 138 do CTN, c/c artigo 645 da Instrução Normativa SRP n° 03. Fl. 161DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/09/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Contrapõese à multa aplicada, requerendo a sua relevação, com arrimo no artigo 291, § 1°, do Regulamento da Previdência Social, em face da observância de todos os requisitos para tanto, notadamente quanto ao envio das GFIP’s relativas às competências 13/2006 e 13/2007, consoante restou devidamente provado nos autos e reconhecido pelo julgador de primeira instância, ensejando, inclusive, a atenuação da multa em 50%. Sustenta que, de fato, não houve pedido expresso da relevação da multa, razão do seu não acolhimento no julgado guerreado. Entrementes, defende que o insurgimento da contribuinte contra o lançamento equiparase, certamente, a pedido para relevar a multa em virtude da correção da falta, posto que o escopo e a situação fática em ambos os casos são os mesmos (extinção da multa em razão da correção da falta). Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 162DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/09/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13936.000107/200812 Acórdão n.º 240102.013 S2C4T1 Fl. 162 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. De conformidade com a peça vestibular do feito, a lavratura do presente auto de infração se deu em virtude da contribuinte ter deixado de entregar as GFIP’s relacionadas às competências de 13/2006 e 13/2007, infringindo o disposto no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, ensejando a constituição do presente crédito previdenciário decorrente da aplicação da multa calculada com arrimo no artigo 284, inciso I, parágrafo 1°, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que assim prescrevem: “Lei 8.212/91 Art. 32. A empresa também é obrigada: [...] IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. [...]” “Regulamento da Previdência Social Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: [...] I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo:” Verificase, que a recorrente não apresentou a documentação exigida pela Fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supratranscritos, dando razão a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social. Em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve parte da exigência fiscal, pugnando pela aplicação do instituto da denúncia espontânea, inscrito no artigo 138 do Código Tributário Nacional, tendo em vista a Fl. 163DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/09/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 regularização da falta incorrida antes da lavratura do Auto de Infração, conforme expressamente reconhecido pela autoridade julgadora de primeira instância em sua decisão. A fazer prevalecer seu entendimento, sustenta que a ação fiscal teve início no dia 12 de fevereiro de 2008, como se extrai das informações constantes do próprio Termo de Início da Ação Fiscal (TIAF), ao contrário do que restou decido no Acórdão recorrido, determinando que o início do procedimento se deu em 11/02/2008. Neste sentido, uma vez enviadas as GFIP’s objeto da presente autuação em 11/02/2008, antes do início de qualquer procedimento fiscal contra a contribuinte, impõese o reconhecimento da denúncia espontânea de maneira a decretar a improcedência do lançamento, com arrimo no artigo 138 do CTN, c/c artigo 645 da Instrução Normativa SRP n° 03. Em que pesem as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que, nesta matéria, a decisão recorrida encontrase incensurável, devendo ser mantida em sua plenitude. Destarte, ao contrário do entendimento da contribuinte a ação fiscal que culminou com a lavratura da presente autuação teve início em 11/02/2008, com a devida ciência do Termo de Início da Ação Fiscal – TIAF, às fls. 07. Aliás, apesar de ser um tanto quanto óbvio, mister registrar que o fato de constar de referido Termo que os documentos e demais informações solicitadas pelo fiscal autuante deverão ficar à disposição desta Fiscalização [...] a partir de 12/02/2008, não implica dizer que o procedimento de fiscalização somente iniciase em aludida data. Tratase tão somente de prazo e uma data de entrega da documentação requerida, após a respectiva intimação e início da ação fiscal. Na esteira deste raciocínio, estando à ação fiscal em pleno curso à época da correção da infração apontada e objeto da autuação, não se cogita em aplicação do instituto da denúncia espontânea, insculpido no artigo 138 do Códex Tributária, que assim prescreve: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Assim, não restando dúvidas da ocorrência da infração, reconhecida pela própria contribuinte, bem como quanto a sua correção após o início da ação fiscal, afastase a pretensão da recorrente em ver aplicado o instituto da denúncia espontânea com a finalidade de julgar improcedente o lançamento sob análise, conforme se extrai do parágrafo único do dispositivo legal encimado. DA RELEVAÇÃO DA MULTA Alfim, requer seja relevada a multa, com esteio no artigo 291, § 1°, do Regulamento da Previdência Social, em face da observância de todos os pressupostos legais para tanto, sobretudo quanto ao envio das GFIP’s relativas às competências 13/2006 e 13/2007, Fl. 164DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/09/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13936.000107/200812 Acórdão n.º 240102.013 S2C4T1 Fl. 163 7 consoante restou devidamente provado nos autos e reconhecido pelo julgador de primeira instância, ensejando, inclusive, a atenuação da multa em 50%. Reconhece que, de fato, não houve pedido expresso de relevação da multa, razão do seu não acolhimento no julgado guerreado. Entrementes, defende que o insurgimento da contribuinte contra o lançamento equiparase, certamente, a pedido para relevar a multa em virtude da correção da falta, posto que o escopo e a situação fática em ambos os casos são os mesmos (extinção da multa em razão da correção da falta). Por sua vez, apesar de reconhecer categoricamente a correção da falta, a ausência de circunstâncias agravantes e a primariedade da autuada, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem não relevar a multa aplicada em virtude de a contribuinte não ter feito pedido expresso na impugnação. Não obstante a procedência do lançamento em seu mérito e, bem assim, as razões de fato e de direito sustentadas pelo julgador recorrido, não vislumbramos sentido em manter a multa aplicada na hipótese dos autos. Com efeito, a relevação da multa, ocorrendo efetivamente à correção da falta, darseá nos precisos termos do artigo 291, § 1º, do RPS, na sua redação original, vigente à época da infração, que assim estabelece: “Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante.” Consoante se positiva da norma supratranscrita, à época da lavratura da autuação e, bem assim, da interposição da defesa, para que a multa fosse relevada a contribuinte deveria: 1) Formular o pedido no prazo de defesa; 2) Corrigir a falta até a decisão de primeira instância; 3) Ser primário; e 4) não ter incorrido em circunstância agravante. No que tange aos requisitos 2 a 4 não há dúvidas quanto à sua observância, eis que a própria decisão recorrida reconhece em seu bojo, o que deu margem, inclusive, à atenuação da multa. Assim, a discussão a ser travada nesta oportunidade diz respeito exclusivamente à necessidade de pedido expresso/explícito da relevação da multa formulado no prazo da impugnação, onde não compartilhamos com o entendimento do julgador recorrido. Fl. 165DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/09/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Isto porque, em que pese o dispositivo legal retro exigir o pedido dentro do prazo de defesa, não se pode olvidar que a correção da infração no prazo estipulado, cumulada com os demais requisitos quanto à primariedade e inocorrência de circunstâncias agravantes, quando devidamente demonstrados na defesa inaugural nos conduz à conclusão que o requerimento da relevação fora procedido, ainda que tacitamente/implicitamente no bojo da impugnação. Este Colegiado, aliás, já se manifestou a propósito da matéria, corroborando este entendimento, como se constata do julgado da lavra do ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, sintetizado na seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO DA MULTA. CORREÇÃO DA FALTA NO PRAZO DE DEFESA. PEDIDO IMPLÍCITO. CONCESSÃO. No período em que a legislação permitia, devese relevar a penalidade, ainda que não houvesse pedido expresso, desde que o infrator fosse primário, tivesse corrigido a falta no prazo de defesa e não houvesse incorrido em outras circunstâncias agravantes. Recurso Provido em Parte.” (Processo n° 14751.000021/200811 – Acórdão n° 240101.669, Sessão de 11/02/2011 – Unânime) Ora, qual seria a razão de a contribuinte comprovar a correção da falta e os demais pressupostos da relevação da multa juntamente com sua impugnação senão a aplicação de referido benefício? Ademais, exigir um pedido expresso/explícito na defesa, afastandose da demonstração do cumprimento dos demais requisitos, fere mortalmente o fim precípuo de benefício em comento, qual seja, a correção da infração. Em outras palavras, em sua essência, a relevação da multa representa uma benesse para o contribuinte que pretender corrigir a falta e, assim o tendo feito, no prazo legal, não se pode apegar a simples requisito estritamente formal, mesmo porque, no entendimento deste Relator, repitase, a apresentação da defesa com a comprovação da correção da infração e observância aos demais requisitos implica em pedido tácito da relevação da penalidade. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para julgar procedente o lançamento, com relevação total da multa, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 166DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/09/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13936.000107/200812 Acórdão n.º 240102.013 S2C4T1 Fl. 164 9 Fl. 167DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/09/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13028.000095/2004-37
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2002
EXCLUSÃO. ATIVIDADE POSTERIORMENTE PERMITIDA. NÃO RETROATIVIDADE. A Lei Complementar nº 123, de 2006, não retroage para permitir a permanência no SIMPLES de prestadora de serviço de ensino de língua estrangeira devidamente excluída com base na legislação vigente à
época.
Numero da decisão: 9101-001.147
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2002 EXCLUSÃO. ATIVIDADE POSTERIORMENTE PERMITIDA. NÃO RETROATIVIDADE. A Lei Complementar nº 123, de 2006, não retroage para permitir a permanência no SIMPLES de prestadora de serviço de ensino de língua estrangeira devidamente excluída com base na legislação vigente à época.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1656; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13028.000095/200437 Recurso nº Acórdão nº 910101.147 – 1ª Turma Sessão de 2 de agosto de 2011 Matéria Simples exclusão Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ANA ALBERTON GETELINA ME ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2002 EXCLUSÃO. ATIVIDADE POSTERIORMENTE PERMITIDA. NÃO RETROATIVIDADE. A Lei Complementar nº 123, de 2006, não retroage para permitir a permanência no SIMPLES de prestadora de serviço de ensino de língua estrangeira devidamente excluída com base na legislação vigente à época. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, João Carlos de Lima Júnior, Alberto Pinto Souza Júnior, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Fl. 167DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13028.000095/200437 Acórdão n.º 910101.147 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso especial em face de acórdão nº 39300063, prolatado pela antiga Terceira Turma Especial do Terceiro Conselho de Contribuintes, em procedimento decorrente de solicitação de revisão da exclusão da opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples. A exclusão, a partir de 01.04.2004, se deu pelo Ato Declaratório Executivo DRF/PFO nº 544016, de 02.08.2004 (fls. 04). A Câmara a quo, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: Anocalendário: 2004 Simples. não Exclusão, curso de idiomas. LC 123/06. Aplicação retroativa benéfica. A Lei Complementar n° 123/06 ao comportar aplicação retroativa benéfica configura legítima a permanência no Simples de pessoa jurídica que se dedique à atividade de curso de idiomas. Inconformada, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional interpôs recurso especial com fulcro no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007 c/c art. 4º do novo regimento, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, alegando contrariedade ao art. 9º, XIII da Lei n° 9.317/96, o arts. 88 e 89 da Lei Complementar n° 123/2006 e o art. 106 do CTN. Sustenta que a LC nº 123/2006 não retroage, conforme jurisprudência pacífica do STJ, já que não existe qualquer infração de natureza tributária. Em contrarrazões, o contribuinte sustenta a possibilidade da referida lei retroagir para permitir sua permanência no Simples. É o relatório. Fl. 168DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13028.000095/200437 Acórdão n.º 910101.147 CSRFT1 Fl. 3 3 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos, pelo que dele conheço. A discussão cingese à possibilidade de permanência da recorrida na sistemática do Simples instituída pela Lei nº 9.317/96. A Lei nº 9.317/96 estabeleceu as regras determinantes ao enquadramento no Simples, determinando, em seu art. 9º, que ficava impedida de optar pelo Simples a pessoa jurídica que prestasse serviço de professor e assemelhados. A evolução legislativa, com a criação do Simples Nacional pela Lei Complementar nº 123, de 14.12.2006, que veio substituir o Simples Federal da Lei nº 9.317/96, trouxe a regra explícita de que os estabelecimentos de ensino, incluindo de línguas estrangeiras, podem ser optantes. A atividade praticada pela recorrida, consoante previsto em sua declaração de firma individual, às fls. 07, compreende “comércio varejista de livros, papelaria, cursos de línguas estrangeiras”. O acórdão recorrido, reconhecendo a prática de atividade de ensino de língua estrangeira pela recorrida, a partir da evidência das provas, como demonstra o trecho a seguir reproduzido, aplicou retroativamente o dispositivo da Lei Complementar nº 123, de 2006, que passou a permitir a opção pelo Simples de prestadores desses serviços, com fulcro no art. 106 do CTN. Com efeito, as notas fiscais acostadas a fls. 63 e 64 trazem a logomarca com os dizeres "Inglês Wisdom Conversação" e descrevem o serviço prestado como "orientação", no caso, serviço prestado para a empresa Frigorífico Masbella Ltda. que, devidamente intimada, respondeu tratarse serviços referentes a "Curso de Inglês, ou Orientação do Livro 3" (fl. 74). Neste ponto, considerando a excepcionalidade da norma que trata da retroatividade da legislação tributária, discordo do entendimento do colegiado a quo, por entender que a vedação a uma determinada forma de tributação não pode ser equiparada à penalidade pelo cometimento de infração tributária, verdadeiro alvo da norma da retroatividade. De acordo com o art. 106 do CTN, a legislação tributária deve ser aplicada a ato ou fato pretérito, ainda que assim não disponha, quando seja expressamente interpretativa (inciso I) ou, nos casos de ato não definitivamente julgado, quando deixe de definilo como infração (inciso II, alínea a); quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de Fl. 169DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13028.000095/200437 Acórdão n.º 910101.147 CSRFT1 Fl. 4 4 ação ou omissão não fraudulenta e que não implique falta de pagamento de tributo (inciso II, alínea b) ou, finalmente, quando comine ao ato penalidade menos severa que a prevista à época de sua ocorrência (inciso II, alínea c). Sabese que toda norma excepcional deve ser interpretada de forma estrita. A hipótese de enquadramento na sistemática do Simples foi conferida aos contribuintes pela Lei nº 9.317/96 (e posteriormente, pela LC nº 123/2006) como uma forma opcional de tributação simplificada. Para que essa sistemática alcançasse o escopo pretendido pelo legislador, sob a égide da diretriz constitucional, não bastou permitir o enquadramento de todas as micro e pequenas empresas utilizando apenas o critério do montante das receitas auferidas. Diversos outros parâmetros foram criados para definir quais pessoas jurídicas poderiam ser optantes e quais não poderiam ser. E o legislador previu a consequência para quem optasse indevidamente: a exclusão do regime, consoante o disposto nos arts. 13 e 14 da Lei nº 9.317/96. Assim, não há que se confundir uma eventual opção indevida pela sistemática do Simples, quando não permitida, com a infração caracterizada pelo descumprimento de uma obrigação tributária. Não há qualquer semelhança entre os comandos normativos que prevêem as consequências da opção indevida do Simples ou do descumprimento de uma obrigação tributária, a qual corresponde a uma norma de conduta, como bem tratado pelo jurista Luciano Amaro (2004, p. 405), in verbis: as obrigações tributárias (quer respeitem à prestação de tributos, quer se refiram a deveres formais ou instrumentais) supõem a possibilidade de descumprimento. Como se dá com quaisquer normas de conduta, o destinatário do comando pode, por variadas razões (desde o simples desconhecimento do preceito normativo até a vontade consciente de adotar uma conduta contrária ao comando legal), proceder de modo diferente do querido pela ordem jurídica. Nesse quadro se insere a noção de infração dada pelo mesmo autor (2004, p. 406), como sendo uma conduta (omissiva ou comissiva) contrária ao direito, que “enseja a aplicação de remédios legais, que ora buscam repor a situação querida pelo direito (mediante execução coercitiva da obrigação descumprida), ora reparar o dano causado ao direito alheio, através de prestação indenizatória, ora punir o comportamento ilícito, inflingindose um castigo ao infrator”. Em razão dessa definição, entendo que não cabe aplicar a norma da retroatividade benigna da lei, destinada às infrações tributárias, aos casos em que ocorrem mudanças nos critérios de enquadramento em determinado regime de tributação. Caso desejasse que a nova regra permissiva da opção pelo Simples retroagisse para alcançar as pessoas jurídicas já optantes, o legislador teria incluído uma ressalva expressa, o que não fez. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça vem corroborando o entendimento de que o direito à opção pelo Simples, com fundamento na legislação superveniente somente pode ser exercido a partir da vigência dessa legislação. Fl. 170DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13028.000095/200437 Acórdão n.º 910101.147 CSRFT1 Fl. 5 5 Assim, a melhor interpretação conferida ao caso é a de que não se aplica retroativamente a legislação que passou a permitir a opção pelo Simples da atividade exercida pela recorrida, sem prejuízo de poder solicitar sua inclusão a partir da vigência da nova lei. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para manter a exclusão do Simples conforme determinada no ADE DRF/PFO nº 544016. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 171DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
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Numero do processo: 11080.008753/98-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA.
O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda.
BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES.
PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Os valores correspondentes às
aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Antecedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Recursos Especiais do Procurador e do Contribuinte Providos.
Numero da decisão: 9303-001.388
Decisão: Acordam os membros do colegiado: I) pelo voto de qualidade, em dar
provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Gileno Gurjão Barreto, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor,
nesta parte, o Conselheiro Antonio Carlos Atulim; e II) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo.
Nome do relator: NANCI GAMA
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IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Antecedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recursos Especiais do Procurador e do Contribuinte Providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Gileno Gurjão Barreto, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Antonio Carlos Atulim; e II) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Fl. 497DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Antonio Carlos Atulim Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Gileno Gurjão Barreto, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratamse de recursos especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte, com fulcro no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes aprovado pela Portaria 55/98, em face ao acórdão de n.º 2026.229, o qual entendeu, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário quanto à industrialização por encomenda; por unanimidade de votos, em negarlhe provimento quanto à revenda de mercadorias e aquisição de insumos como empresas comerciais e exportadoras e, por maioria de votos, em negarlhe provimento quanto às aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas, nos termos da ementa a seguir: “IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS E DE PESSOAS FÍSICAS. Ao determinar a forma de apuração do incentivo, a lei excluiu da base de cálculo aquelas aquisições que não sofreram incidência da contribuição ao PIS e da Cofins no fornecimento de insumos ao produtor/exportador. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. DIREITO A CRÉDITO. LEI Nº 9.363/96. O benefício deve ser calculado incluindose os valores referentes à operação de beneficiamento do couro semiacabado – industrialização por encomenda. PRODUTOS ADQUIRIDOS COMO EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. A legitimidade para pleitear o crédito presumido relativo a estas parcelas pertence às empresas que industrializam produtos e os destinam a empresas comerciais exportadoras, e não às empresas comerciais propriamente ditas. REVENDA DE INSUMOS NO MERCADO INTERNO. Se de um lado o valor relativo à receita decorrente de revenda de insumos no mercado interno deve ser incluído do total de receita bruta, para efeito do cômputo do percentual entre esta e a receita de exportação, o seu valor não deve ser incluído na Fl. 498DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.008753/9841 Acórdão n.º 930301.388 CSRFT3 Fl. 488 3 base de cálculo do crédito, por não se tratar de insumos destinados a produtos posteriormente exportados. Recurso provido em parte.” Inconformada com o entendimento do acórdão recorrido de que os valores pagos pela produtora exportadora à encomendada seriam à título de insumos e que por isso estariam enquadrados na “aquisição de matérias primas” a que o artigo 1º da Lei 9.363/96 faz referência, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial por contrariedade à lei, alegando que os valores teriam sido, na verdade, referentes à “prestação de serviços” de industrialização por encomenda, os quais não encontramse abrangidos na base de cálculo do crédito presumido de IPI prevista em referido diploma legal. Para sustentar suas assertivas, a Fazenda Nacional transcreveu acórdão, proferido no julgamento do recurso voluntário nº 119.195, o qual manifestou entendimento contrário ao proferido no acórdão recorrido. Em despacho de fls. 433/435, o i. presidente da Segunda Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes admitiu o Recurso Especial da Fazenda Nacional. Regularmente intimado do acórdão e do despacho que admitiu o recurso da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarazões às fls. 439/451, requerendo a manutenção do acórdão recorrido no que se refere à industrialização por encomenda, bem como interpôs Recurso Especial de Divergência, requerendo a alteração do acórdão recorrido para que fossem incluídas, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. O contribuinte sustentou, para tanto, que existiriam diversos acórdãos, utilizados como paradigmas, os quais entenderiam que o artigo 1º, da Lei 9.363/96, ao falar em “valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem”, não prevê qualquer exclusão para esse “valor total”, estando incluídas, na base de cálculo do benefício fiscal, os valores referentes à aquisição de insumos de nãocontribuintes do PIS/PASEP e da Cofins. Restouse definitiva, portanto, a questão referente à simples revenda de mercadorias. Em despacho de fls. 466/467, o i. presidente da Segunda Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes admitiu o Recurso Especial do contribuinte. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarazões às fls. 471/481, requerendo seja negado provimento ao recurso especial do contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Nanci Gama, Relatora Fl. 499DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Conheço dos recursos especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte eis que tempestivos e, a meu ver, encontramse reunidos todos os requisitos de admissibilidade previstos, respectivamente, no § 1º e §2º, ambos do artigo 7º, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A controvérsia trazida à esta sede superior de julgamento, pela Fazenda Nacional, cingese em determinar se os valores pagos pelo contribuinte, encomendante, correspondentes a beneficiamentos de matérias primas por outra empresa encomendada, devem ser computados como “aquisição de matérias primas”, como entendeu o acórdão recorrido, ou como “prestação de serviços” de industrialização por encomenda, como aduz a Fazenda Nacional. De fato, o artigo 2º, da Lei 9.363/96, ao determinar que “a base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor e exportador”, é categórico ao não incluir a “prestação de serviços” na base de cálculo do benefício fiscal. Entretanto, em que pesem os argumentos da Fazenda Nacional focados para determinar que os valores pagos pela Recorrida seriam referentes à “prestação de serviços”, entendo que os mesmos não mereçam prosperar. Isso porque, o produto industrializado por encomenda, que retorna ao estabelecimento do contribuinte, não se transmuda em função dessa industrialização, para descaracterizarse como insumo. Ora, evidente é que as matérias primas beneficiadas por outrem, as quais serão utilizadas como insumo no processo de industrialização do produto a ser exportado, continuam a ser consideradas como matérias primas e, evidentemente, estão abrangidas pela expressão “aquisições de matérias primas” a que o artigo 2º, da Lei 9.363/96 faz referência. Ademais, considerando o sedimentado ensinamento de José Pacheco da Silva de que “na lei não existem palavras inúteis. Todas elas têm um sentido próprio e adequado”1, e, também, as lições de Carlos Maximiliano de que “presumese que a lei não contenha palavras supérfluas, devem todas ser entendidas como escritas adrede para influir no sentido da frase respectiva”2, restase evidente que o legislador, ao utilizar o vocábulo “aquisições”, ao invés de algum referente à “compra e venda”, demonstra que o relevante, para compor a base de cálculo do crédito presumido de IPI, é o valor de aquisição e não o valor de compra. Dessa forma, restase indiferente o fato de a matéria prima inicial ter ou não sido fornecida pelo encomendante, ao encomendado, para fins de beneficiamento, desde que seja evidente, como o é, que o que foi adquirido (não comprado) pelo encomendante foi a matéria prima beneficiada que irá compor fisicamente e intrinsecamente o produto final a ser exportado. Esse é, inclusive, o entendimento que vem sendo adotado pela maioria da jurisprudência desta corte administrativa, a saber: 1 DA SILVA, José Pacheco in “Tratado das Locações, Ações de Despejo e Outras”, São Paulo, 9ª ed., RT, 1994, p. 405. 2 MAXIMILIANO, Carlos in “Hermenêutica e Aplicação do Direito”, 16ª ed., Rio de Janeiro, Forense, 1996, p. 110. Fl. 500DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.008753/9841 Acórdão n.º 930301.388 CSRFT3 Fl. 489 5 1) “IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. DIREITO A CRÉDITO. LEI No 9.363/96. O benefício deve ser calculado incluindose os valores referentes à operação de beneficiamento de insumo semiacabado industrialização por encomenda. (...)”3 2)“(...) RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO RELATIVO AO PIS/COFINS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto na Lei nº 9.363/96.” 4 3) “IPI CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA Caracterizado na nota fiscal emitida pelo executor da encomenda (contribuinte em face das contribuições sociais PIS/PASEP e COFINS) que o produto que industrializou se identifica com um dos componentes básicos para o cálculo do crédito presumido (MP, PI e ME), a ser utilizado no processo produtivo do encomendante (empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais), fica demonstrado o direito desse insumo integrar a base de cálculo do crédito presumido e, conseqüentemente, de ser a ele incorporado o custo do beneficiamento e, também, o da mãode obra do executor da encomenda. Recurso especial negado.” o da mãodeobra do executor da encomenda. Recurso especial negado.”5 Assim, entendo por conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para, no mérito, negarlhe provimento, mantendo os efeitos do acórdão recorrido no que tange à industrialização por encomenda. A controvérsia trazida à esta sede superior de julgamento, pelo contribuinte, cingese em determinar se as aquisições de insumos de pessoas físicas ou de cooperativas podem ser incluídas na base de cálculo do crédito presumido de IPI. Na verdade, aludida controvérsia existe por conta da publicação das Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal de nos 23/97 e 103/97, as quais limitam os artigos 1º e 2º da Lei 9.363/96, impondo que o direito ao crédito presumido de IPI somente pode ser configurado para aquisições de pessoas jurídicas, sendo excluídas, ainda, as aquisições de cooperativas. Em ambos os casos, o fundamento para essas Instruções Normativas é o mesmo, qual seja, o de que o benefício do crédito presumido de IPI, para ressarcimento de 3 Acórdão nº 20216.676; 2ª Câmara do extinto 2º Conselho de Contribuintes; Relator Gustavo Kelly Alencar; DOU de 12/07/2007. 4 Acórdão nº 20311.016; 3ª Câmara do extinto 2º Conselho de Contribuintes; Relator Odassi Guerzoni Filho; DOU de 12/03/2007. 5 Acórdão nº 0202.087; Segunda Turma da CSRF; Relator Henrique Pinheiro Torres; DOU de 16/07/2007. Fl. 501DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 PIS/PASEP e Cofins, somente será cabível quando nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem pelo produtor exportador, houver incidência dessas contribuições sociais. Eis as suas transcrições: IN SRF n° 23/97: “Art. 2º (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS.” IN SRF n° 103/97: “Art. 2° as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas de produtores não geram direito ao crédito presumido.” A matéria já foi objeto de diversos julgados nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais, sendo pertinente trazer à tona as conclusões do doutrinador Ricardo Mariz de Oliveira6, mencionado no voto da ilustre conselheira Maria Teresa Martínez López, quando do julgamento do Recurso Especial nº 215.839: “VII CONCLUSÃO: AS AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS INTEGRAM O CÁLCULO DO INCENTIVO, SENDO ILEGAIS AS INSTRUÇÕES NORMATIVAS FAZENDÁRIAS EM CONTRÁRIO De tudo se conclui que as aquisições de insumos que não tenham sofrido a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS também integram a determinação da base de cálculo do crédito presumido a que alude a Lei n. 9363. Isto porque, e em síntese: a expressão legal “contribuições incidentes” não pode ser vinculada a cada operação de aquisição de insumos, pois tal vinculação não faz qualquer sentido lógico, além de impor condição a incidência sobre cada aquisição, isoladamente considerada de realização impossível, porque as contribuições não incidem na base de 5,37%, que é a porcentagem para cálculo do crédito presumido segundo a respectiva fórmula legal; seja pela literalidade da norma do art. 1o da Lei n. 9363, seja por sua consideração em conjunto com os demais dispositivos dessa mesma lei, especialmente com os que estatuem a fórmula de cálculo do crédito presumido, verificase que a alusão ao ressarcimento das contribuições incidentes somente pode ser referida a todas as incidências que possivelmente tenham ocorrido em qualquer anterior etapa do ciclo econômico do produto exportado e dos seus insumos; 6 DE OLIVEIRA, Ricardo Mariz in “Crédito Presumido de IPI para ressarcimento de PIS e COFINS – direito ao cálculo sobre aquisições de insumos não tributadas” Fl. 502DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.008753/9841 Acórdão n.º 930301.388 CSRFT3 Fl. 490 7 o incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte; a fórmula legal de cálculo do incentivo manda considerar o valor total das aquisições de insumos, sem distinção entre as tributadas e as não tributadas; o crédito presumido é uma subvenção que visa incrementar as exportações brasileiras, e não se confunde com restituição de contribuições, não havendo, assim, razão para exigir a incidência de contribuições para que uma aquisição de insumos seja integrada ao respectivo cálculo; o ressarcimento do crédito presumido, em moeda corrente, é uma forma alternativa de pagamento da subvenção, sendo que ressarcimento significa provimento do incentivo, em cobertura de parte das despesas de custeio, e não restituição de contribuições, também por isto sendo irrelevante ter ou não ter havido incidência sobre cada aquisição de insumos, isoladamente considerada; a prova da incidência e dos recolhimentos sobre cada aquisição de insumos era exigida pela legislação anterior, mas foi tacitamente revogada, não, podendo, pois, ser feita na vigência da nova lei, revogadora da anterior; o ressarcimento, por ser presumido e estimado na forma da lei, é referente às possíveis incidências das contribuições em todas as etapas anteriores à aquisição dos insumos e à exportação, as quais integram o custo do produto exportado; tudo isto é confirmado pelas regras de hermenêutica, que excluem a interpretação pela literalidade da norma legal e a consideração de apenas um dispositivo isolado das demais normas da mesma lei e do ordenamento jurídico, que exigem resultado derivado da interpretação que seja coerente com os objetivos da lei, que excluem resultado ilógico e de realização impossível, e que requerem o emprego de todos os métodos de exegese, notadamente o sistemático, o teleológico e o histórico; não obstante, mesmo a letra da lei comporta perfeitamente a interpretação no sentido de que não é necessária a incidência sobre a aquisição de insumos, propriamente dita, referindose, antes, às possíveis incidências em quaisquer outras operações que tenham onerado as aquisições dos insumos e o custo do produto exportado. Em vista disso tudo, concluise de modo inarredável que carecem de base legal o parágrafo 2o do art. 2o da Instrução Normativa SRF nº. 23/97 (que limita o crédito às aquisições feitas à pessoas jurídicas e que tenham sido tributadas) e o art. Fl. 503DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 2o da Instrução Normativa SRF nº. 103/97 (que exclui as aquisições feitas à cooperativas).” E, como muito bem dito em referido voto proferido pela ilustre conselheira Maria Teresa Martinéz López, “na verdade, o crédito presumido de IPI, por ser presumido, independe do valor que efetivamente tenha sido recolhido a título daquelas contribuições sobre as diversas fases de elaboração do produto vendido. Mesmo o inexpressivo pagamento de PIS/PASEP e COFINS em etapas anteriores não obstaria o direito ao crédito. Isto porque a lei, ao estabelecer a base de cálculo e o percentual, criou uma presunção absoluta, juris et de jure. A dimensão real da cadeia produtiva é irrelevante para o cálculo do benefício”. Inclusive é esse o entendimento consolidado na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a saber: 1)“(...) mesmo quando o produtorexportador adquire matéria prima ou insumo agrícola diretamente do produtor rural pessoa física, paga, embutido no preço dessas mercadorias o tributo (PIS/COFINS) indiretamente em outros insumos ou produtos, tais como ferramentas, maquinários, adubos, etc., adquiridos no mercado e empregados no respectivo processo produtivo.(...)” 7 2)“TRIBUTÁRIO – CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI – RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS – INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO NO JULGADO A QUO – ART. 1º DA LEI N. 9.363/96 – RESTRIÇÃO PELA IN 23/97 DA SECRETARA DA RECEITA FEDERAL – ILEGALIDADE. 1. A controvérsia restringese à limitação da incidência do art. 1º da Lei n. 9.363/96, imposta pelo art. 2º, § 2º da IN 23/97, da Secretaria da Receita Federal, que determina que o benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente será cabível em relação às aquisições de pessoa jurídicas. 2. Inexistente a alegada violação do art. 535 do CPC, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, conforme se depreende da análise do julgado a quo. 3. Ora, uma norma subalterna, qual seja, instrução normativa, não tem a faculdade de limitar o alcance de um texto de lei. A jurisprudência do STJ posicionase no sentido da ilegalidade do art. 2º, §2º da IN 23/97. Recurso especial improvido.” 8 (grifouse) 3)“TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. LEI Nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALEXPORTADOR. RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS EMBUTIDOS NO PREÇO DOS INSUMOS. POSSIBILIDADE. DESCABIMENTO DE DISTINÇÃO ENTRE FORNECEDOR DE INSUMOS PESSOA JURÍDICA OU PESSOA FÍSICA. ILEGALIDADE DE IN –SRF 23/97. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃOPROVIDO. 7 REsp 529.758SC, STJ, Ministra Eliana Calmon. 8 REsp 719.433CE, STJ, Ministro Humberto Martins. Fl. 504DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.008753/9841 Acórdão n.º 930301.388 CSRFT3 Fl. 491 9 1. O apelo especial da Fazenda Nacional prendese à alegativa de que a utilização do incentivo fiscal do art. 1º da Lei 9.363/96 deve observar as limitações impostas pela IN SRF 23/97, tese rechaçada pelo acórdão recorrido, que negou provimento à apelação movida pelo órgão fazendário. 2. Contudo, o inconformismo não merece acolhida, na medida em que o entendimento aplicado pelo julgado atacado está em sintonia com a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, segundo a qual, não havendo a Lei 9.363/96 feito distinção entre fornecedores de insumos pessoas físicas (não contribuintes do PIS/PASEP) e fornecedores pessoas jurídicas, não poderia têlo feito a IN SRF 23/97, que é de todo ilegal e descaracteriza o favor fiscal em tela. Nesse sentido o julgado: De acordo com o disposto no art. 1º da Lei 9.363/96, o benefício fiscal de ressarcimento de crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS, é relativo ao crédito decorrente da aquisição de mercadorias que são integradas no processo de produção de produto final destinado à exportação. Portanto, inexiste óbice legal à concessão de tal crédito pelo fato de o produtor/exportador ter encomendado a outra empresa o beneficiamento de insumos, mormente em tal operação ter havido a incidência do PIS/COFINS, o que possibilitará a sua desoneração posterior, independente de essa operação ter sido ou não tributada pelo IPI ” (REsp nº 576857/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 19/12/2005). 3. O crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 não representa receita nova. É uma importância para corrigir o custo. O motivo da existência do crédito são os insumos utilizados no processo de produção, em cujo preço foram acrescidos os valores do PIS e COFINS, cumulativamente, os quais devem ser devolvidos ao industrialexportador. 4. Precedentes: Resp 627.941/CE, DJ 07/03/2007, Rel. Min. João Otávio de Noronha; Resp 644.789/CE, DJ 04/12/2006, Rel. Min. Denise Arruda; Resp 617.733/CE, DJ 24/08/2006, Rel. Min. Teori Albino Zavascki; REsp nº 576857/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 19/12/2005; Resp 813.280,/SC, DJ 02/05/2006, de minha relatoria; Resp 529.758/SC, DJ 20/02/2006, Rel. Min. Eliana Calmon; Resp 586.392/RN, DJ 06/12/2004, Rel. Min. Eliana Calmon. 5. Recurso especial nãoprovido.”9 (grifouse) Assim, conheço do Recurso Especial do contribuinte, para, no mérito, darlhe provimento. Face ao exposto, conheço dos recursos especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte, para, no mérito, negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, mantendo os efeitos do acórdão recorrido no que se refere à industrialização 9 REsp 921.397CE, STJ, Ministro José Delgado. Fl. 505DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 por encomenda e, dar provimento ao Recurso Especial do contribuinte para incluir, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores referentes a aquisições de insumos de cooperativas e pessoas físicas, sendo, nesse ponto, alterado o acórdão recorrido. É como voto. Nanci Gama Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator Designado Divirjo da ilustre Conselheira Nanci Gama quanto à solução dada ao recurso da Fazenda Nacional. A questão diz respeito à inclusão, na base de cálculo do incentivo, do valor pago pela Interessada pelos serviços de industrialização prestados em regime de encomenda. A matériaprima, na remessa para industrialização, não sofre alteração de valor. No processo de industrialização, o valor da prestação de serviços se incorpora ao valor do produto acabado e não ao da matériaprima. Embora se possa alegar que sobre o serviço incidem as contribuições que deram origem ao incentivo, não se trata de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, cujos valores são os únicos a integrarem a base de cálculo do crédito presumido, por expressa disposição legal. Textualmente, a Lei se refere a “matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem”, que têm um conceito jurídico preciso, e não a insumos em sentido genérico. Não se trata de matéria a ser resolvida por interpretação extensiva, uma vez que a lei é claríssima ao definir as aquisições que dão direito ao incentivo. Nem, tampouco, é admissível a integração por aplicação de analogia, uma vez que a questão está claramente regulada por lei, que definiu de forma clara e inequívoca a inexistência de direito ao crédito nessa hipótese. Vejase que o raciocínio de que “se houvesse adquirido diretamente as matériasprimas, haveria o direito”, não é premissa suficiente para concluir pela existência do direito de crédito. Se assim fosse, em relação a qualquer direito poderseia efetuar o mesmo raciocínio. Para concluir pela existência do direito, haveria que se considerar uma outra premissa, que é a de que as situações seriam equivalentes, raciocínio típico da analogia, que não é forma de interpretação, mas de integração do direito. Portanto, considerar que se outra hipótese houvesse ocorrido, em vez da que realmente ocorreu, para concluir que se trata de situações equivalentes representa regulação positiva do direito, para estender o benefício a situação claramente não contemplada na lei, o que é completamente inadmissível. Fl. 506DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.008753/9841 Acórdão n.º 930301.388 CSRFT3 Fl. 492 11 Inexistindo previsão legal no sentido de autorizar a inclusão do valor dos serviços de industrialização por encomenda no cálculo do crédito presumido, divirjo do ilustre relator, e voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Antonio Carlos Atulim Fl. 507DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10909.001261/2003-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II
Data do fato gerador: 19/05/2003
INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. MERCADORIA SUJEITA A LICENCIAMENTO NÃO AUTOMÁTICO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS IMPORTADOS. DESCRIÇÃO INSUFICIENTE DA MERCADORIA. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO.
Cabível a exigência de multa por falta de Licenciamento de Importação se configurado erro de classificação fiscal de produto sujeito a licenciamento não automático, e demonstrado que a descrição do produto não era suficiente para sua perfeita identificação e classificação fiscal.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-001.344
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann que negavam provimento.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 19/05/2003 INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. MERCADORIA SUJEITA A LICENCIAMENTO NÃO AUTOMÁTICO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS IMPORTADOS. DESCRIÇÃO INSUFICIENTE DA MERCADORIA. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. Cabível a exigência de multa por falta de Licenciamento de Importação se configurado erro de classificação fiscal de produto sujeito a licenciamento não automático, e demonstrado que a descrição do produto não era suficiente para sua perfeita identificação e classificação fiscal. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann que negavam provimento. Caio Marcos Cândido Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 EDITADO EM: 25/02/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Nanci Gama, Maria Teresa Martínez López e Caio Marcos Cândido. Relatório O órgão julgador de primeira instância narrou os fatos nos termos seguintes: Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 01 a 03 por meio do qual são feitas as exigências de R$ 157.304,43 (cento e cinqüenta e sete mil trezentos e quatro reais e quarenta e três centavos) de multa por infração administrativa ao controle das importações importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o), no percentual de trinta por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, nos termos do art. 633, II, “a” do Decreto no 4.543, de 26/12/2002 que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior e R$ 5.243,48 (cinco mil duzentos e quarenta e três reais e quarenta e oito centavos) de multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84) classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares, ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 02/03 o motivo das exigências deveuse ao fato de na Declaração de Importação (DI) no 02/08973430, registrada em 08/10/2002 (fls. 10 a 12) a importadora haver classificado a mercadoria no código NCM 3904.10.90 que se refere a: 3904POLÍMEROS DE CLORETO DE VINILA OU DE OUTRAS OLEFINAS HALOGENADAS, EM FORMAS PRIMÁRIAS 3904.10Poli(cloreto de vinila), não misturado com outras substâncias 3904.10.10Obtido por processo de suspensão 3904.10.20Obtido por processo de emulsão 3904.10.90Outros Com apoio no laudo de análise no 0796.01 (fls. 19/20) emitido pelo Laboratório de Análises da FUNCAMP a fiscalização Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10909.001261/200328 Acórdão n.º 930301.344 CSRFT3 Fl. 150 3 concluiu que se tratava de produto que deveria ser classificado no código NCM 3904.10.10 que se refere a: 3904POLÍMEROS DE CLORETO DE VINILA OU DE OUTRAS OLEFINAS HALOGENADAS, EM FORMAS PRIMÁRIAS 3904.10Poli(cloreto de vinila), não misturado com outras substâncias 3904.10.10Obtido por processo de suspensão Devido a esse fato a fiscalização concluiu que a importadora, além de haver cometido erro de classificação fiscal, não descreveu a mercadoria com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Lavrado o auto de infração em tela e intimada a autuada em 19/05/2003 (fl. 01) em 16/06/2003 ela ingressou com a impugnação de fls. 27 a 32 por meio da qual alega em síntese: caso o procedimento da fiscalização fosse legal qualquer pessoa estaria sujeita a pesada multa ao arbítrio do Auditor Fiscal de plantão; a peticionária não agiu de máfé, buscando se beneficiar de qualquer forma, haja vista que não existe diferença tributária entre as classificações fiscais discutidas. Milita a seu favor o entendimento do Ato Declaratório Normativo Cosit no 12/1997 (transcreve à fl. 28) existem a favor da peticionária vários acórdãos (transcreve às fls. 29 a 31). Pede o cancelamento da exação em tela. Julgando o feito, o Colegiado primeiro manteve o lançamento fiscal em acórdão assim ementadado: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 08/10/2002 Ementa: MULTA POR FALTA DE LI Mesmo que não se constate intuito doloso ou máfé por parte do declarante, quando o produto sofrer modificação ex officio da classificação fiscal e não estiver corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, aplicaselhe a multa por falta de LI. MULTA POR ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL O mero erro de classificação fiscal já torna aplicável a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, sem prejuízo da aplicação de outras penalidades administrativas.. Lançamento procedente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Irresignada, a autuada apresentou recurso voluntário onde postulou pela reforma total da decisão de primeira instância, de modo que o lançamento fosse cancelado. Julgando o recurso voluntário, o Colegiado recorrido deu provimento parcial ao recurso para excluir a multa por falta de li, por entender que Guia e licenciamento de importação, são documentos não contemporâneos e com natureza diversas. Este é condição prévia para a autorização de importações; aquela era necessária para o controle estatístico do comércio exterior. A falta de licença de importação não é fato típico para a exigência da multa do artigo 169, I, “b”, do Decretolei 37, de 1966, alterado pelo artigo 2º da Lei 6.562, de 1978. Inconformada com o decisum, a Douta Procuradoriageral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial, onde postula pelo restabelecimento da decisão de primeira instância. O apelo fazendário foi admitido, nos termos do despacho de fls. 135 a 137. Contrarrazões vieram às fls. 143 a 146 É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso apresentado pela Fazenda Nacional é tempestivo e apontou o dispositivo de lei que teria sido violado pela decisão recorrida. Assim, satisfeitas os requisitos de admissibilidades, devese conhecer do recurso. Na elaboração deste voto, socorrime da generosidade e dos vastos conhecimentos do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, a quem rendo minhas homenagens e dirijo meus agradecimentos sinceros. A discussão gira em torno da multa capitulada no art. 169, inciso I, alínea “b”, do DecretoLei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 2° da Lei 6.562/78, aplicável a quem importar mercadoria “sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais”. Quando da classificação das mercadorias importadas, o sujeito passivo adotou o código NCM 3904.10.90, correspondente a Outros Policloretos de Vinila em formas primárias. Na Descrição Detalhada da Mercadoria consta: “PVC (Policloreto de Vinila) – Produtor: Aiscondel SA (Espanha) – Type E631 – Em forma primária (PO)”. No laudo técnico, o perito responsável afirmou que se tratava de Poli(Cloreto de Vinila), obtido por processo de suspensão, sem carga inorgânica, na forma de pó, Poli(Cloreto de Vinila) não misturado com Outras Substâncias, Polímero de Cloreto de Vinila, em forma primária. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10909.001261/200328 Acórdão n.º 930301.344 CSRFT3 Fl. 151 5 Assim, como bem asseverou a decisão de primeira instância1, a declaração da importadora não está completa, pois omite um dado essencial do produto que é o fato de ele ser obtido por meio de suspensão. Como o produto não é um composto orgânico isolado de constituição química definida ele pode ser classificado no capítulo 39. Na transcrição feita no relatório deste voto, referente a ambos os códigos, observase facilmente que existe diferença de classificação entre o Poli(cloreto de vinila), não misturado com outras substâncias Obtido por processo de suspensão, do código NCM 3904.10.10 e o Poli(cloreto de vinila), não misturado com outras substâncias – Outros, do código NCM 3904.10.90, este último declarado pela peticionária. Depreendese, portanto, que a declaração da importadora não está completa, pois omite um dado essencial do produto que é o fato de ele ser obtido por meio de suspensão. Assim, a solução do presente litígio exige que se avalie: 1 a legalidade, em abstrato, da imposição da multa do 169 do Decretolei nº 37, de 1966 às hipóteses de ausência de licenciamento; 2 se o erro na indicação da classificação tarifária implica ausência de licenciamento; 3 se descrição da mercadoria reúne as condições necessárias à aplicação da excludente instituída pelo ADN Cosit nº 12/97; Em nome da clareza, analiso cada um desses aspectos separadamente. 1 Legalidade da Penalidade e Hipótese da sua Imposição Antes de discutir a aplicabilidade das hipóteses excludentes trazidas pela recorrente, em respeito ao princípio da legalidade, entendo prudente fazer algumas considerações acerca da legalidade da multa ora debatida que tem como matriz legal o art. 169 do Decretolei nº 37, de 1966, que, em sua atual redação, diz: Art. 169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Artigo com redação dada pela Lei nº 6.562, de 18/09/1978) I importar mercadorias do exterior: 1 Como o produto não é um composto orgânico isolado de constituição química definida ele pode ser classificado no capítulo 39. Na transcrição feita no relatório deste voto, referente a ambos os códigos, observase facilmente que existe diferença de classificação entre o Poli(cloreto de vinila), não misturado com outras substâncias Obtido por processo de suspensão, do código NCM 3904.10.10 e o Poli(cloreto de vinila), não misturado com outras substâncias – Outros, do código NCM 3904.10.90, este último declarado pela peticionária. Depreendese, portanto, que a declaração da importadora não está completa, pois omite um dado essencial do produto que é o fato de ele ser obtido por meio de suspensão. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 a) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 100% (cem por cento) do valor da mercadoria. b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Admitindo que, à época dos fatos, já se encontrava implantado o Sistema Integrado do Comércio Exterior (Siscomex) e a Guia de Importação fora substituída pela Licença de Importação, a avaliação da legalidade de tal penalidade não pode prescindir da delimitação do universo dos “documentos equivalentes” àquele que foi extinto. No plano da nomenclatura, tal dúvida é respondida pela simples leitura do artigo 6º, caput e parágrafos do Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992: Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2°, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. § 1° Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação. § 2° Outros documentos emitidos pelos órgãos e entidades da Administração Direta e Indireta, com vistas à execução de controles específicos sob sua responsabilidade, nos termos da legislação vigente, deverão ser substituídos por registros informatizados, mediante acesso direto ao Sistema, pelos órgãos encarregados desses controles. (grifei) Vêse, portanto, que a partir desse novo sistema, todas exigências inerentes ao processo de nacionalização2, seja sob o ponto de vista tributário, com enfoque na verificação da correta incidência dos tributos, seja sob o ponto de vista administrativo, que engloba as exigências cambiais, sanitárias, dentre outras, foram concentradas em único ambiente informatizado, onde convivem dois documentosbase: a Declaração de Importação, onde são tratadas as informações relativas ao controle tributário e a Licença de Importação, por meio da qual interagem os chamados Órgãos Anuentes, responsáveis pela condução dos controles administrativos. De outro lado, para a avaliação da equivalência entre a Guia de Importação e a Licença de Importação, para efeito da aplicação da penalidade em questão, devese ir além e buscar, na legislação inerente àquele documento textualmente previsto no art. 633, II, “a” do RA de 2002, quais eram os interesses por ele resguardados e, conseqüentemente, avaliar se o documento que o substituiu alcançou esses mesmos interesses. 2 Procedimento que permite "Tornar nacional, por equiparação jurídica, a mercadoria procedente do estrangeiro", segundo conceituado por Roosevelt Baldomir Sosa, in Glossário de Aduana e Comércio Exterior. São Paulo, Aduaneiras, 2001, p.228. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10909.001261/200328 Acórdão n.º 930301.344 CSRFT3 Fl. 152 7 Finalmente, antes de avaliar a correspondência entre a LI e a GI sob o aspecto finalístico, é importante esclarecer que, apesar do nome homônimo, o documento cuja falta foi apontada pela autoridade fiscal não é o mesmo que foi criado pelo Decreto nº 42.914, de 1957: Guia de Importação para fins estatísticos, extinta pelo art. 1733 do Decretolei nº 37, de 1966 que, em seu artigo 169, também instituiu a matriz legal da penalidade em discussão. 1.1 Antecedentes Até meados da Década de 70, vigia, no controle das operações de comércio exterior, o regime da licença prévia, a cargo da extinta Carteira de Comércio Exterior, órgão executor das políticas do igualmente extinto Conselho Nacional do Comércio Exterior. Vejase o que dizia o artigo 2º, da Lei nº 2.145, de 29 de dezembro de 1953, após sua alteração pela Lei nº 5.025, de 1966: Art. 2º Nos têrmos (sic) dos artigos 19 e 59, da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, compete ao Banco da Brasil S.A., através da sua Carteira de Comércio Exterior, observadas as decisões, normas e critérios estabelecidos pelo Conselho Nacional do Comércio Exterior: I Emitir licenças de exportação e importação, cuja exigência será limitada aos casos impostos pelo interêsse (sic) nacional. Exatamente por isso, previa o art. 169 do DL 37/66 em sua redação original: “Art. 169. O artigo 60 da Lei número 3.244, de 14 de agôsto (sic) de 1957, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 60. As infrações de natureza cambial, apuradas pela repartição aduaneira, serão punidas com: I Multa de 100% (cem por cento) do respectivo valor, no caso de mercadoria importada sem licença de importação ou sem o cumprimento de outro qualquer requisito de contrôle (sic) cambial em que se exija o pagamento ou depósito de sobretaxas, quando sua importação estiver sujeita a tais requisitos, revogados os §§ 3º, 4º e 5º do artigo 6º, e o artigo 11 da Lei nº 2.145, de 29 de dezembro de 1953.(grifei) Posteriormente, com a edição do Decretolei nº 1.427, de 1975, o licenciamento prévio foi substituído pela Guia de Importação, assim disciplinada pelos seus artigos 1º e 2º: Art. 1º A emissão da Guia de Importação fica condicionada ao recolhimento de quantia correspondente ao valor FOB constante da guia. § 1º A quantia de que trata este artigo será devolvida no prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias, não fluindo juros nem correção monetária. 3 Art. 173 Serão reunidas num só documento a atual nota de importação, a guia de importação a que se refere o Decreto nº 42.914, de 27 de dezembro de 1957, e a guia de recolhimento do imposto sobre produtos industrializados. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 § 2º A quantia recolhida não constitui receita da União, permanecendo, com cláusula de indisponibilidade, vinculada, como ônus financeiro ao importador. Art. 2º O Conselho Monetário Nacional poderá estabelecer condições para o recolhimento e devolução da quantia referida no artigo anterior, alterar o seu montante e o prazo de devolução e relacionar as mercadorias cuja emissão da Guia de Importação não esteja condicionada ao recolhimento. Nesse novo contexto histórico, todas as importações passaram a ser alvo de exigência de Guia de Importação, por vezes condicionada ao prévio depósito do valor FOB da mercadoria autorizada, hipótese do art. 1º, por vezes dispensadas dessa exigência, hipótese do art. 2º. Acompanhando tal alteração, a partir da edição da Lei nº 6.562/78, o art. 169 do Decretolei nº 37/66, dispositivo que anteriormente punia a ausência de licenciamento passou a punir a ausência de Guia. Senão vejamos: Art. 169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Artigo com redação dada pela Lei nº 6.562, de 18/09/1978) I importar mercadorias do exterior: a) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 100% (cem por cento) do valor da mercadoria. b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Desta feita, nas situações em que a expedição de Guia representava um instrumento de política cambial e, conseqüentemente, estava sujeita ao prévio depósito do valor FOB da mercadoria, incidiria a multa definida no inciso I. Quando esse documento fosse exigido em função de outro controle administrativo, a multa do inciso II. A exigência da Guia de Importação como documento de instrução do despacho, por sua vez, encontravase disciplinada no art. 432 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985 (RA/1985), que foi substituído pelo art. 490 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543, de26 de dezembro de 2002 (RA 2002). 1.2 Regime Atual Em seguida, os dispositivos legais que tratam do controles nãotarifários sobre o comércio exterior foram tacitamente derrogados pelo Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações (APLI), negociado no âmbito da Rodada do Uruguai, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, em cujo artigo 1 se lê: Artigo 1 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10909.001261/200328 Acórdão n.º 930301.344 CSRFT3 Fl. 153 9 Disposições Gerais 1. Para os fins do presente Acordo, o licenciamento de importações será definido como os procedimentos administrativos utilizados na operação de regimes de licenciamento de importações que envolvem a apresentação de um pedido ou de outra documentação (diferente daquela necessária para fins aduaneiros) ao órgão administrativo competente, como condição prévia para a autorização de importações para o território aduaneiro do Membro importador. (destaquei) Desse modo, os controles que antes eram exercidos por meio das medidas necessárias à expedição de Guia de Importação passaram a ser realizados no bojo desse novo procedimento. Nesse contexto, sendo certo que, tanto do ponto de vista conceitual, quanto da finalidade do documento, a Licença de Importação efetivamente substituiu a Guia de Importação, a meu ver, tornase possível o seu enquadramento na locução “documento equivalente” insculpida no art. 526, II do RA/1985, bem assim que a regulamentação proposta no Art. 633, II, “a” do RA/20024 encontra pleno respaldo legal. 1.3. Hipóteses de Exigência de Licenciamento Prévio Na vigência do Acordo sobre Procedimento para o Licenciamento de Importações APLI, parte significativa das operações de comércio exterior deixa de ser alvo de licenciamento prévio, que somente passa a ser exigido de maneira residual Com efeito, analisando os artigos 2 e 3 do já citado acordo, responsáveis, respectivamente, pelo disciplinamento do Licenciamento Automático e NãoAutomático, vêse que, em verdade, ambas as modalidades definidas naquele ato negocial alcançam o universo de mercadorias que estão sujeitas a alguma modalidade de controle administrativo. Nas hipóteses em que esse controle não é exercido não há que se falar em licenciamento. Vejase a redação da alínea “b”, do item 2 do art. 2 do Acordo: (b) os Membros reconhecem que o licenciamento automático de importações poderá ser necessário sempre que outros procedimentos adequados não estiverem disponíveis. O licenciamento automático de importações poderá ser mantido na medida em que as circunstâncias que o originaram continuarem a existir e seus propósitos administrativos básicos não possam ser alcançados de outra maneira. 4 Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei nº 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º): (...) II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados nº regime comum de importação (Decretolei nº 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º); e Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 Por outro lado, esclarece o art. 3: Artigo 3 Licenciamento Não Automático de Importações 1. Além do disposto nos parágrafos 1 a 11 do Artigo 1, as seguintes disposições aplicarseão a procedimentos não automáticos para o licenciamento de importações. Os procedimentos nãoautomáticos para licenciamento de importações serão definidos como o licenciamento de importações que não se enquadre na definição prevista no parágrafo 1 do Artigo 2. Segundo a definição do parágrafo 1 do art. 2: 1. O licenciamento automático de importações será definido como o licenciamento de importações cujo pedido de licença é aprovado em todos os casos e de acordo com o disposto no parágrafo 2(a). Assim, segundo o Acordo, o que diferencia a LI automática da não automática, não é a ausência de controle prévio ou a sua concessão por meio de ferramentas computacionais, como o nome empregado poderia sugerir, mas a natureza desse controle. O licenciamento automático é sempre concedido, desde que cumpridos os ritos definidos pela legislação do Estadoparte. O nãoautomático, normalmente utilizado para controle de cotas, pode ser concedido ou não. De outro lado, como bem asseverou o insigne relator da câmara recorrida, o regime que se convencionou denominar licenciamento automático, em verdade, representa a dispensa desse controle administrativo, o qual relembrese, segundo o art. 1 do APLI, alcança exclusivamente controles que envolvem “a apresentação de um pedido ou de outra documentação diferente daquela necessária para fins aduaneiros”. O elemento que identifica se a mercadoria está ou não sujeita a licenciamento nãoautomático e, em caso afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal. 2. Classificação Fiscal e Falta de Licenciamento Outra discussão comumente travada no âmbito das Câmara de comércio Exterior do CARF diz respeito aos efeitos do erro de classificação sobre o licenciamento da mercadoria. Uma tese recorrentemente trazida à baila é a de que o exclusivo erro de classificação não seria suficiente para caracterizar o descumprimento do regime de licenciamento e, nessa condição, não haveria como se considerar que a mercadoria importada não estava licenciada. Na esteira do que se discutiu quando da diferenciação entre licenciamento automático e nãoautomático, em que se demonstrou que, a partir da Rodada do Uruguai, o Brasil passou a tratar o controle administrativo das importações de maneira seletiva, penso que essa interpretação, com o máximo respeito, não pode prosperar. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10909.001261/200328 Acórdão n.º 930301.344 CSRFT3 Fl. 154 11 Nesse novo contexto, um dos elementos que identificam se a mercadoria está ou não sujeita a licenciamento nãoautomático e, em caso afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal. Vejase o que ditava a Portaria Secex nº 35, de 2006 (original não destacado): Art. 9º Estão sujeitas a Licenciamento Não Automático as seguintes importações: I – de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex e também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic para simples consulta, prevalecendo o constante do aludido Tratamento Administrativo; onde estão indicados os órgãos responsáveis pelo exame prévio do licenciamento não automático, por produto; II – as efetuadas nas situações abaixo relacionadas: (...) b) ao amparo dos benefícios da Zona Franca de Manaus e das Áreas de Livre Comércio; (...) Art. 11. O pedido de licença deverá ser registrado no Siscomex pelo importador ou por seu representante legal ou, ainda, por agentes credenciados pelo Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex), da Secretaria de Comércio Exterior e pela Secretaria da Receita Federal (SRF). § 1º A descrição da mercadoria deverá conter todas as características do produto e estar de acordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) . Desta feita, quando da formulação da consulta do tratamento administrativo, bem assim do pedido de licenciamento, é informada a classificação fiscal da mercadoria e, dentre outras informações, o tratamento tributário que se pretende dispensarlhe e, com base nessas informações, é definido o tratamento administrativo ao qual a mesma será submetida. Assim, se ficar demonstrado erro na indicação da classificação tarifária e que o código tarifário apontado como correto estiver sujeito a anuência, forçoso é concluir que houve prejuízo para o controle administrativo das importações, eis que, quando do licenciamento original, assumiuse a premissa de que se estava autorizando a importação de mercadoria diversa da efetivamente importada. De outro lado, se tanto a classificação adota pelo importador quanto reclassificada pelo Fisco estiverem sujeitas a licenciamento automático, não há falarse em falta de licenciamento por erro de classificação fiscal. No caso autos, a incorreta classificação fiscal do produto importado, informada pelo importador 3904.10.90 (outros policloretos de vinila, em formas primárias), prejudicou o exercício do controle administrativo das importações, pois o produtos aí classificados não estavam sujeitos a licenciamento prévio, enquanto que, na classificação Fl. 11DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 correta apontada pelo Fisco, 3904.10.10 (policloreto de vinila obtido por processo de suspensão) a teor do Comunicado DECEX nº 23/1998, referido produto estava sujeito a licenciamento de importação não automático. Da Inaplicabilidade do ADN nº 12, de 1997, ao caso em comento. A teor desse ato declaratório normativo, as condições para exclusão de penalidades por falta de LI são as seguintes: “...não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de Licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado...” Examinando os autos, verificase que a descrição do produto na DI estava incompleta, pois, somente após o exame pericial é que foi possível reunir os elementos que levaram a autoridade fiscal a proceder a reclassificação fiscal foi justamente a forma de obtenção do polímero, enquanto a descrição dizia tratarse de forma primária do policloreto de vinila, o laudo demonstrou que, na realidade, tratavase policloreto de vinila obtido por processo de suspensão. Assim, não há como afirmar que a descrição fornecida permitiria apontar a divergência de classificação e indicar qual seria a nova classificação, afastando, por conseqüência, a aplicação do ADN 12/97. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Fl. 12DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000093/2008-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO A ESCRITURAR. INEXISTÊNCIA.
Inexistindo autorização legal para escriturar crédito não há que se falar em
ressarcimento do mesmo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.179
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Fabiola
Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto acompanharam o relator pelas
conclusões.
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INEXISTÊNCIA. Inexistindo autorização legal para escriturar crédito não há que se falar em ressarcimento do mesmo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto acompanharam o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 276DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório No dia 08/04/2008 a empresa PETROSUL DISTRIBUIDORA TRANSP E COMÉRCIO DE COMBUSTÍVEIS LTDA, já qualificada nos autos, apresentou pedido eletrônico de ressarcimento de créditos de Cofins nãocumulativa, previsto no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, relativo ao 1o trimestre de 2006. Na mesma data apresentou declaração eletrônica de compensação vinculada ao crédito pleiteado. A autoridade administrativa indeferiu o pedido da interessada porque entendeu que a receita de venda de álcool para fins carburantes, quando adicionado à gasolina, auferida por distribuidoras sujeitase ao regime cumulativo e tem alíquota zero. Portanto, não há que se falar na existência de créditos. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade alegando, em apertada síntese, que: 1 o art. 17 da Lei nº 11.033/04 autoriza a manutenção dos créditos da Cofins relativo à venda de produtos com alíquota zero, realizadas a partir de 22/12/2004. Tal dispositivo revogou o que dispunha o art. 3º inciso I, letra “b”, da Lei nº 10.833/03, lei anterior, por ter regulado a mesma matéria do dispositivo revogado; 2 diante da letra do art. 17 da Lei nº 11.033/04, não se poderá deixar de reconhecer aos contribuintes atacadistas ou varejistas de qualquer dos produtos sujeitos à tributação monofásica (combustíveis, medicamentos, automóveis, autopeças, etc.) o direito ao crédito relativo à aquisição destes produtos; 3 com as alterações promovidas na Lei nº 10.833/03 (art. 1º, § 3º, IV e art. 2º) pela Lei nº 10.865/04 toda a cadeia produtiva de derivados de petróleo passou a ser tributada pelo regime não cumulativo, com a alíquota do regime cumulativo; 4 pela alteração na legislação da Cofins acima referida, a receita de venda de álcool anidro carburante continuou sendo tributada pelo regime cumulativo; 5 a Gasolina C é a mercadoria vendida pela recorrente e não a Gasolina A e o Álcool Etílico Anidro Combustível, separadamente; 6 o Álcool Etílico Anidro Combustível sujeitase, em sua saída, após ser misturada à gasolina A, à alíquota zero, prevista no art. 42, incisos II e III, da MP 2.158 35/2001, até a edição da MP nº 413/2008 , convertida na Lei nº 11.727/2008; 7 tem direito ao crédito relativo à aquisição de Gasolina e Óleo Diesel; 8 tem direito ao crédito relativo às despesas com frete (de insumos e produtos acabados), com armazenagem de produtos acabados e com energia elétrica; 9 que a decisão da autoridade administrativa não levou em consideração os créditos das aquisições de Gasolina A, Óleo Diesel, fretes (de insumos e produtos acabados), armazenagem de produtos acabados e energia elétrica. A 6a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 1619.307, de 05/11/2008, ratificando o entendimento da Derat/SP e cuja ementa abaixo transcrevo. Fl. 277DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000093/200837 Acórdão n.º 330201.179 S3C3T2 Fl. 250 3 CRÉDITO DE COFINS. A aquisição de álcool anidro para fins carburantes e de gasolina A com a intenção de obtenção de gasolina C não gera crédito de COFINS para distribuidora de combustíveis. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Os procedimentos de reconhecimento de direito creditório exigem do sujeito passivo a comprovação do direito que entende possuir. Ciente desta decisão em 11/12/2008, a empresa interessada ingressou, no dia 09/01/2009, com o recurso voluntário de fls. 183/204, no qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade e também que: 1 os débitos cuja compensação não foi homologada estão com a exigibilidade suspensa; 2 cabe ao Fisco efetuar a verificação da legitimidade do crédito lançado na DACON e na PER/DCOMP, por meio de rateio com a escrita e os documentos fiscais da recorrente; A Fazenda Nacional apresentou as contrarrazões de fls. 233/247 sustentando os argumentos da decisão recorrida. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É a síntese do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e, portanto, dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando o ressarcimento de crédito da Cofins do 1º Trimestre de 2006 alegando que, na qualidade de empresa distribuidora de combustível, vende Gasolina C e Óleo Diesel, cuja receita de venda é tributada pela sistemática não cumulativa, com alíquota zero, e com direito de crédito nas compras de Gasolina A, Álcool Etílico Anidro Combustível e Óleo Diesel e de serviços de fretes (de insumos e de produtos acabados) e armazenagem de produtos acabados e de energia elétrica. Entende a recorrente que o ressarcimento pleiteado está autorizado pelo art. 17 da Lei nº 11.033/04, que também autoriza a escrituração e manutenção dos créditos nas aquisições, por empresa distribuidora de combustível, de Gasolina A, Óleo Diesel e Álcool Etílico Anidro Combustível, este utilizado para misturar à Gasolina A e formar a Gasolina C, objeto de venda pela recorrente. Fl. 278DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Sem razão a recorrente. Como se pode constatar da leitura da peça recursal, acima resumido, o pedido da recorrente parte do pressuposto de que o art. 17 da Lei nº 11.033/04, por ter regulado inteiramente a matéria, revogou a alínea “b”, do inciso I, do art. 3º, da Lei n 10.833/03 (lei anterior), que vetava a utilização de crédito na aquisição de gasolinas e óleo diesel. Ocorrendo esta revogação, surge o direito ao crédito nas aquisições de Gasolina A, Óleo Diesel e Álcool Etílico Anidro Combustível, como de resto para todos os produtos submetidos ao regime monofásico de tributação da Cofins, adquiridos pelos comerciantes atacadistas e varejistas, como é o seu caso. Vejamos o que reza o referido art. 17 da Lei nº 11.033/04: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Literalmente, este dispositivo garante a manutenção dos créditos vinculados às operações com vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Cofins. Nem de longe o referido dispositivo regula toda a matéria relativa a créditos de Cofins e muito menos assegura que nas vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Cofins geram direito a crédito todos os bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação dos bens ou produtos destinados à venda nestas condições. Está provado que o referido dispositivo legal não tem a abrangência atribuída pela recorrente porque efetivamente não revogou tacitamente disposições da legislação do PIS e da Cofins, não cumulativas, sobre direito de efetuar créditos. Sequer fez alguma alteração nessas disposições legais. A vedação à utilização de créditos dos derivados de petróleo (sujeitos à tributação monofásica), prevista no art. 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei nº 10.833/03, continuou em vigor no período objeto do pedido da recorrente. Logo, não existe crédito a escriturar por parte da recorrente e, consequentemente, a ressarcir. Como bem disse a decisão recorrida, no período objeto do pedido a tributação da Cofins do álcool combustível, quando adicionado à gasolina, era pelo regime cumulativo e sujeito à alíquota zero. Portanto, na sua comercialização não há que se falar em crédito na sua aquisição, mesmo que a venda seja após a adição à Gasolina A, pela recorrente. Diante da afirmativa da recorrente de que toda a sua receita decorre da venda de Gasolina C e Óleo Diesel, não há crédito de Cofins vinculado a esta receita. Em conseqüência, entendo correto o procedimento da autoridade administrativa de não efetuar o cotejamento dos créditos pleiteados (inexistentes) com a escrituração e documentos fiscais da recorrente, por ser absolutamente prescindível. Ao contrário do afirmado pela recorrente, cabe a ela, sim, provar a existência dos créditos pleiteados e é inegável que toda sua bem elaborada argumentação está voltada neste sentido: provar que, em tese, tem direito ao crédito pleiteado. Ressalvo que a quantificação do direito ao crédito que, eventualmente, venha a ser reconhecido neste processo pode ser feita a posteriori. Fl. 279DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000093/200837 Acórdão n.º 330201.179 S3C3T2 Fl. 251 5 Quanto aos demais argumentos trazidos pela recorrente em sua manifestação de inconformidade e renovados no recurso voluntário, adoto e ratifico o que disse a decisão recorrida, nos termos do art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 280DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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