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Numero do processo: 16707.002412/2002-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício:2000
RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTO INTRÍNSECO. DIVERGÊNCIA
JURISPRUDENCIAL. NÃO DEMONSTRAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Para conhecimento do Recurso Especial interposto sob o fundamento de existência de divergência jurisprudencial, deverá o interessado demonstrar fazer constar do recurso interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 9202-001.649
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
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PRESSUPOSTO INTRÍNSECO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO DEMONSTRAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Para conhecimento do Recurso Especial interposto sob o fundamento de existência de divergência jurisprudencial, deverá o interessado demonstrar fazer constar do recurso interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM: 23/09/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/09/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Em sessão plenária de 11/09/2008, a então Segunda Turma Especial da 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu decisão que deu provimento, por unanimidade, ao Recurso Voluntário interposto pelo Interessado, conforme se denota do Acórdão n. 10249.286: DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS E LIVRO CAIXA. Acatamse as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. ERRO DE FATO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Devese exonerar o contribuinte de pagamento de crédito tributário motivado por erro de fato no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual. Recurso provido. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, por meio de seu i. Representante, sob o fundamento de que o decisum recorrido estaria em descompasso com a jurisprudência de outras Câmaras – Acórdão n. 10708.760 e 10422129: 10708.760 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA — PRECLUSÃO. O não questionamento de matéria na impugnação implica em preclusão, nos termos do art. 17 do PAF aprovado pelo Decreto n° 70.235/72. 10422129 DESPESAS MÉDICAS REQUISITOS PARA DEDUÇÃO As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à base de cálculo do imposto que, à luz do disposto no art. 97, IV, do Código Tributário Nacional, está sob reserva de lei em sentido formal. Assim, a intenção do legislador foi permitir a dedução de despesas com a manutenção da saúde humana, podendo a autoridade fiscal perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto aqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam, na forma da lei, os prestadores de serviços ou quando esses não sejam habilitados. A simples apresentação de recibos por si só não autoriza a dedução, mormente quando, intimado, o contribuinte não faz prova efetiva de que os serviços foram prestados. Submetido ao exame de admissibilidade, a i. Presidente entendeu pela admissibilidade/seguimento parcial do Recurso Especial interposto – requisitos de dedutibilidade dos recibos correspondentes às despesas passíveis de dedução. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/09/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16707.002412/200237 Acórdão n.º 920201.649 CSRFT2 Fl. 2 3 Devidamente cientificada, a i. PGFN requereu o reexame do Despacho acima. Insurgiuse com arrimo no entendimento de que tanto o acórdão recorrido quanto o paradigma (10708.860), tratam da mesma matéria – aplicação do artigo 17, do Decreto n. 70.235/72 (fls. 175): [...] Tanto o acórdão recorrido quanto seu paradigma tratam da aplicação ou não do artigo 17 do Decreto n. 70.235/72, uma vez que em ambos os casos houve matéria não contestada na impugnação, o contribuinte inovou o conjunto probatório com a juntada de documento novo (NF), sem preencher os requisitos do art. 16, §4º do PAF. Provocado, o i. Presidente da 1ª Câmara da Segunda Seção do CARF reconsiderou o despacho, tendo, ato contínuo, dado seguimento ao Recurso Especial interposto em sua inteireza. Registrese que o então Presidente do CARF aprovou a reconsideração [fls. 176]. Perpassado tal procedimento, o Contribuinte foi devidamente intimado do decisum e recurso, tendo apresentado, tempestivamente, contrarrazões [fls. 178/187]. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator Analiso, inicialmente, se o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. A matéria em discussão no presente recurso é a possibilidade do Colegiado de segunda instância conhecer de provas apresentadas pelo contribuinte após a sua impugnação. O acórdão recorrido, exarado pela C. Segunda Turma Especial da 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, houve por bem cancelar lançamento com base em provas apresentadas pelo contribuinte juntamente com seu recurso voluntário. Visando à rediscussão da matéria a Procuradoria da Fazenda Nacional indicou como paradigmas para demonstrar a divergência de interpretação os Acórdãos nºs 107 08.760 e 10422129. Os acórdãos indicados como paradigmas analisaram situações semelhantes à do presente caso, envolvendo a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo de segunda instância, de provas apresentadas após a impugnação, como se verifica das ementas abaixo transcritas: 10708.760 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA — PRECLUSÃO. O não questionamento de matéria na impugnação implica em preclusão, nos termos do art. 17 do PAF aprovado pelo Decreto n° 70.235/72. 10422129 DESPESAS MÉDICAS REQUISITOS PARA DEDUÇÃO As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/09/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 respeito à base de cálculo do imposto que, à luz do disposto no art. 97, IV, do Código Tributário Nacional, está sob reserva de lei em sentido formal. Assim, a intenção do legislador foi permitir a dedução de despesas com a manutenção da saúde humana, podendo a autoridade fiscal perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto aqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam, na forma da lei, os prestadores de serviços ou quando esses não sejam habilitados. . Os acórdãos citados como paradigmas concluíram que a não apresentação de todas as provas juntamente com a impugnação, a menos que fique demonstrada a impossibilidade técnica ou prática, motivo de força maior ou referência a fato ou direito superveniente, levaria à preclusão, não podendo tais provas serem conhecidas pela autoridade julgadora. Em contraponto, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial – divergência , sob a alegação de que a validade dos recibos se condiciona a satisfação dos seguintes requisitos: (i) sejam específicos, (ii) haja identificação do profissional, seu endereço e CPF. Não obstante esse fato, é sabido que para a caracterização do dissídio jurisprudencial, nos termos dos artigos 541, parágrafo único, do Código de Processo Civil e 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ e consolidado pelo RICSRF, fazse necessária a demonstração da similitude de panorama de fato e da divergência na interpretação do direito entre os acórdãos confrontados. Da análise dos dois julgados (recorrido e paradigma) verificase que não há divergência na interpretação do direito entre os acórdãos, conforme se evidencia abaixo: há convergência dos julgados em face do seguinte argumento: os recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados. Pelo exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/09/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10725.001222/2003-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/1999, 01/06/1999 a
30/06/1999, 01/09/1999 a 30/09/1999, 01/11/1999 a 28/02/2000,
01/06/2000 a 31/07/2000, 01/01/2001 a 31/01/2001, 01/06/2001 a
30/06/2001, 01/11/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 31/03/2002,
01/07/2002 a 31/08/2002, 01/10/2002 a 31/01/2003, 01/03/2003 a
30/06/2003
COFINS. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO MONETÁRIA.
Dada a declaração de inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3°
da Lei nº 9.718/98, realizada em Sessão Plenária do Supremo
Tribunal Federal, a base de cálculo da Cofins não compreende as
receitas financeiras decorrentes de variação cambial, monetária e
swap.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-001.363
Decisão: Acordam membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: NANCI GAMA
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BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO MONETÁRIA. Dada a declaração de inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei nº 9.718/98, realizada em Sessão Plenária do Supremo Tribunal Federal, a base de cálculo da Cofins não compreende as receitas financeiras decorrentes de variação cambial, monetária e swap. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto Nanci Gama Relatora EDITADO EM: 09/06/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CLEUZA TAKAFUJI Assinado digitalmente em 29/06/2011 por NANCI GAMA, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Gileno Gurjão Barreto, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Antonio Carlos Atulim e Susy Gomes Hoffmann. Ausente ocasionalmente a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Companhia Petrolífera Marlim nos autos do processo nº 10725.001222/200389 contra o acórdão nº 20310.571, proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em que, por voto de qualidade, acordaram os membros em negar provimento ao Recurso do Contribuinte, cuja matéria diz respeito à inclusão de rendimentos decorrentes de variação monetária cambial e swap, referentes ao período de 1°/02/1999 a 30/06/2003, na base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Em suas razões, sustenta a Recorrente, em suma, a ausência de exigibilidade da COFINS sobre receitas fruto de variações monetárias com respaldo no reconhecimento, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, da inconstitucionalidade do §1º artigo 3° da Lei 9.718/98. Na apreciação do referido apelo pelo Presidente da Terceira Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, deuse seguimento ao Recurso Especial somente no que concerne à análise da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. Interposto Agravo, houve a confirmação desta decisão pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheira NANCI GAMA Preliminarmente, conheço do presente Recurso Especial, nos exatos termos do despacho n° 203.264, eis que, nesta parte, restaram atendidos os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Da inclusão de receitas financeiras na base de cálculo da Cofins Inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3° da Lei nº 9.718/98. De início, têm lugar algumas considerações a respeito da apreciação de inconstitucionalidade de dispositivos de lei tributária por esta Câmara. De fato, é pacífico neste Conselho, conforme dito pela Fazenda Nacional em suas contrarrazões, o entendimento de que esta instância administrativa não pode negar vigência a artigo de lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade. Nesta seara, editouse a súmula de número 2, verbis: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária”. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CLEUZA TAKAFUJI Assinado digitalmente em 29/06/2011 por NANCI GAMA, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10725.001222/200389 Acórdão n.º 9303001.363 CSRF/T03 Fls. 2.046 ________ 3 Entretanto, a despeito destes apontamentos, a constitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3° da Lei 9.718/98 já foi apreciada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal e, nesta oportunidade, este foi declarado inconstitucional. Portanto, no caso concreto, não se está discutindo o desencontro da redação do artigo com o texto constitucional, mas, sim, a aplicação do decido pelos eminentes Ministros ao caso ora discutido. Outrossim, quando do julgamento do Recurso Extraordinário n° 585235, da Relatoria do Ministro Cezar Peluso, reconheceuse, por unanimidade de votos, a repercussão geral do tema, o que me obriga, de acordo com o disposto no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a reproduzir o entendimento esposado pela Corte Suprema com o julgamento do presente apelo. A pretensão da Recorrente merece acolhida. Com efeito, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins incidia, antes do advento da Lei n° 9.718, de novembro de 1998, sobre o faturamento, sendo este definido como “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” (art. 2° da Lei Complementar n° 70/91). Entretanto, com a edição da mencionada lei, optou o legislador, contrariando o disposto no artigo 195, I, da CF/88 em sua antiga redação, por alargar a base de cálculo da referida contribuição, que passou a incidir sobre qualquer receita financeira auferida pela pesoa jurídica, mesmo, frisese, aquelas que não estão abrangidas pelo conceito de faturamento. Ante a provocação dos contribuintes, conforme já dito, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, em Sessão datada de 09/11/2005, declarou a inconstitucionalidade do §1° do artigo 3° da Lei 9.718/99, que ampliou o sentido de receita bruta para incluir todas as receitas contabilizadas pelas empresas. O acórdão formalizado restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CLEUZA TAKAFUJI Assinado digitalmente em 29/06/2011 por NANCI GAMA, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 390840, Relator(a): Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214 215) Desse modo, depreendese que as receitas, sejam financeiras ou aquelas não próprias à atividade do estabelecimento, auferidas anteriormente à edição da Emenda Constitucional 20/98 não devem integrar a base de cálculo da Cofins, visto que a identidade entre as expressões “receita bruta” e “totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica”, com a declaração de inconstitucionalidade citada, foi extirpada do mundo jurídico. Incontroverso, pois, que variações cambiais, monetárias e rendimentos swap, no caso concreto, não devem ser contabilizados a fim de se apurar o montante devido a título de Contribuição para Fins de Seguridade Social Cofins. Amparada nestas considerações, dou provimento ao presente Recurso Especial para reformar o acórdão recorrido e, por conseguinte, julgar improcedente o lançamento efetuado pela autoridade administrativa. É como voto. Nanci Gama Relatora Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CLEUZA TAKAFUJI Assinado digitalmente em 29/06/2011 por NANCI GAMA, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10835.720130/2007-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2003
SUJEIÇÃO PASSIVA. ÔNUS DA PROVA.
Havendo o contribuinte apresentado a DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural, cabe a ele a ônus da prova de que não detinha a posse plena do referido imóvel para poder ser excluído do pólo passivo da obrigação tributária.
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL.
OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.
O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.755
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ÔNUS DA PROVA. Havendo o contribuinte apresentado a DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural, cabe a ele a ônus da prova de que não detinha a posse plena do referido imóvel para poder ser excluído do pólo passivo da obrigação tributária. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 172DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10835.720130/200788 Acórdão n.º 210201.755 S2C1T2 Fl. 2 2 Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 02/02/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra UNICARD BANCO MULTIPLO SA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 01/06, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativa ao imóvel denominado Fazenda Ingazeiro – quinhão 7, com 2.620,8 ha (NIRF 5.851.8673), exercício 2003, no valor de R$ 771.722,86, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 30/11/2007. As infrações imputadas à contribuinte foram glosa total das áreas de preservação permanente e de utilização limitada e arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), com utilização de dados extraídos do Sistema de Preços de Terras (SIPT), conforme quadro a seguir: ITR 2003 Declarado Apurado no Auto de Infração 02Área de Preservação Permanente 1.640,0 ha 0,0 ha 03Área de Utilização Limitada 498,0 ha 0,0 ha 16Valor da Terra Nua R$ 16.545,00 R$ 3.790.410,62 Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 17/27, que está assim resumida no Acórdão DRJ/CGE nº 0417.801, de 05/06/2009, fls. 99/104: • O lançamento deve ser considerado nulo por ser impossível concluir de fato e de direito qual a área exata da propriedade do impugnante, não sendo possível sequer identificar sua localização, além de ele não dispor da posse e do domínio pleno do imóvel; • Da análise da certidão da matrícula do imóvel, cumpre ressaltar que a transferência da propriedade, objeto de Dação Fl. 173DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10835.720130/200788 Acórdão n.º 210201.755 S2C1T2 Fl. 3 3 em Pagamento, até o presente momento não fora levada a efeito devido à pendência de exigências de ordem material e documental; • Se a área é de duvidosa existência, não há como presumir um elemento material da hipótese de incidência tributária qual seja: ser proprietário de imóvel rural; • O impugnante, por não deter a posse e o domínio pleno do imóvel, deixa de reunir todos os atributos de proprietário e, assim, a cobrança contra ele não deve subsistir, vez que o sujeito passivo do ITR é o proprietário, o titular do domínio útil e o posseiro, a qualquer titulo, de imóvel rural; • Se esse órgão de julgamento decidir que o impugnante é o sujeito passivo da relação, cumpre ressaltar que o Valor da Área Tributável foi arbitrado sem respeitar os requisitos legais para utilização desse expediente extraordinário; • A fiscalização se limitou a intimar o impugnante a comprovar elementos da área do imóvel, e, no silêncio desse, concluiu pela não existência de áreas como de preservação permanente e de utilização limitada, quando deveria ter buscado a verdade material; pairando dúvidas sobre a real materialidade da exação, deveria ter adotado outras medidas tendentes a comprovação dos fatos e não somente arbitrar a base de cálculo do imposto; • Assim, o Auto de Infração está eivado de nulidade insanável, na medida em que procedeu ao lançamento por arbitramento em total desrespeito aos critérios previstos no Código Tributário Nacional em seu artigo 148. A DRJ Campo Grande julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 07/07/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 108, a contribuinte apresentou, em 06/08/2009, recurso voluntário, fls. 110/125, onde reforça e reitera os mesmos argumentos da impugnação, destacandose o a seguir resumido: Ausência de materialidade – A recorrente não detém a posse e o domínio pleno do imóvel. A propriedade da Fazenda Ingazeiro, outrora objeto de Dação em Pagamento em favor da Recorrente, não está localizada no mesmo local consignado no correspondente registro imobiliário, conforme se infere dos seguintes documentos: Nota de Devolução de Exigências, Laudo e Parecer Jurídico. Na oportunidade da dação em pagamento, o imóvel não poderia ser objeto de qualquer negócio jurídico com quem quer que fosse. Do arbitramento da base de cálculo – Valor da área tributável – No Auto de Infração arbitrouse o VTN, sem respeitar os requisitos legais para utilização desse expediente extraordinário, pois apontou uma base de cálculo que não corresponde à realidade da suposta propriedade rural. Com efeito, observese que o total da área tributável eleita pela autoridade fiscal, em momento algum foi objeto de qualquer medida desta, tendente a busca da realidade fática que cerca a Fl. 174DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10835.720130/200788 Acórdão n.º 210201.755 S2C1T2 Fl. 4 4 presente questão, pois limitouse a intimar a recorrente a comprovar os elementos balizadores da área do imóvel rural, sendo que no silêncio desta, derrogou por absurdamente concluir que toda a área era tributável, ignorando a existência ou não dos elementos para aferição da metragem da área tributável, tais como: área de preservação permanente e área de utilização limitada, etc. É o Relatório. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10835.720130/200788 Acórdão n.º 210201.755 S2C1T2 Fl. 5 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No recurso, a recorrente traz uma preliminar de ilegitimidade passiva, argüindo que nunca foi investida na propriedade ou na posse do imóvel, pois a Escritura de Confissão e Composição de Dívida e Dação em Pagamento para Liquidação Parcial da Dívida e Outras Avenças, fls. 44/46, não foi averbada na matrícula do imóvel. Afirma, ainda, que a Fazenda Ingazeiro não está localizada no local consignado no correspondente registro imobiliário, conforme se infere da Nota de Devolução com Exigências, fls. 85/86, do Laudo de Vistoria, fls. 49/52, e do Parecer Jurídico, fls. 87/89. Dos documentos acima mencionados, verificase que a recorrente recebeu o imóvel, conforme Escritura de Confissão e Composição de Dívida e Dação em Pagamento para Liquidação Parcial da Dívida e Outras Avenças, fls. 44/46, celebrada em 15/05/2000. Ocorre que tal escritura não foi averbada na matrícula do imóvel. Dentre os documentos trazidos pela defesa consta Nota de Devolução com Exigências, fls. 85/86, datada de 30/05/2000, onde estão relacionadas as exigências (apresentação de vários documentos) necessárias para que o Oficial de Registro de Imóveis providenciasse a competente averbação. Insta frisar que, em nenhum momento, o Cartório afirmou que a averbação da Escritura de Dação em Pagamento não fosse possível em razão da inexistência do imóvel ou porque o imóvel não estivesse registrado em nome das pessoas que constaram com outorgantes dadores na referida Escritura de Dação em Pagamento. Para corroborar a tese de ilegitimidade passiva, a defesa trouxe um Laudo de Vistoria, fls. 49/52, emitido em 24/08/2001 por LVN Engenharia e Avaliações S/C Ltda, do qual se transcrevem alguns trechos, para melhor ilustrar a questão: Em reunião com o Gerente de Regularização e Cadastro do ITESP Sr. Luiz Antonio Zocal Garcia ( Tel. 0**11 2320933 ramal 1611), fomos informados que toda essa região em estudo pertence ao 4º perímetro de Presidente Venceslau SP, perímetro este composto em sua maioria por terras consideradas devolutas, isto é, terras que tiveram seu domínio dc volta para o Estado, e que por tal fato as glebas em questão a longo tempo não mais existiam, o que veio a confirmar nossa suspeita. O Sr. Luiz Antônio Zocal Garcia nos informou ainda que as glebas constantes na escritura já não existem mais fisicamente e atualmente sobre as mesmas estão implantadas inúmeras pequenas propriedades e que na região a estrutura fundiária predominante é de pequenas propriedades rurais ( inferiores a 500,00 hectares). Fl. 176DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10835.720130/200788 Acórdão n.º 210201.755 S2C1T2 Fl. 6 6 No mesmo sentido, juntouse aos autos Parecer Jurídico, fls. 87/89, da lavra de Rufino Campos Advogados Associados, emitido 06/03/2002. Para melhor elucidar a questão, transcrevese a seguir trechos do referido documento: UNIBANCO PESQUISA FAZENDA INGAZEIRO. 1 Analisandose a escritura de confissão, composição de dívida e dação em pagamento notamos que os outorgantes doadores, devem ter em média mais de 100 anos, o que é impossível. portanto, quando a escritura foi outorgada muitos já estavam mortos. Chegamos a tal conclusão porque o imóvel tem origem na transcrição n° 1714 a qual foi lavrada em 12 de março de 1.931, sendo que o titulo que a deu origem provem de uma ação que foi homologada em 17 de janeiro de 1.921. Portanto se os outorgantes doadores, tinham 20 anos de idade quando foi homologada a divisão, quando outorgaram a escritura tinham pelo menos 100 anos. Sugerimos que sejam verificadas suas assinaturas no livro onde a escritura foi lavrada, mesmo porque pessoas nessa idade têm a caligrafia tremula. 2 Outrossim, foi declarado na escritura que eles residem no Sitio Santo Antônio em Santo Anastácio. Fomos na praça pública e na Igreja Católica, locais onde sempre se encontra pessoas de Idade onde entrevistamos cerca de 12 pessoas e nenhuma delas diz conhecer qualquer dos outorgantes doadores, de forma que eles não residem em Santo Anastácio. 3 Consta da escritura que "os outorgantes devedores são neste ato representados por seu bastante procurador....", cuja procuração foi lavrada no cartório do distrito de Jaracatiá em Goioerepr, sendo estranho pois a firma devedora tem sede em São Paulo, não havendo razão para ir tão longe outorgar uma procuração. Existem muitas procurações falsificadas "frias", dessa região. (...) 10 Nessa andança nos chegou informações que se tratam de terras devolutas, estando toda ocupada por terceiros, com títulos definitivos fornecidos pelo Estado. O Engenheiro da Prefeitura de Ribeirão dos Índios nos informou que na região não existe qualquer fazenda de área grande que possa ser a Fazenda Ingazeiro. (...) Na Procuradoria Regional do Estado, dizem que a região era toda de terras devolutas, entretanto precisam fazer levantamentos em todas ações existentes e que já existiram na comarca para localizar. Requeremos certidão, sendo que até o presente não ficou pronta. Em data de hoje. 06/marco/2002, estivemos na Procuradoria do Estado, nos deram informações que o pedido de certidão estava no Departamento de Engenharia para localização e demoraria mais 10/15 dias! Fl. 177DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10835.720130/200788 Acórdão n.º 210201.755 S2C1T2 Fl. 7 7 Eram essas informações que tínhamos até o presente, ratificando as informações anteriores. Em que pese as informações contidas no Laudo de Vistoria e no Parecer Jurídico, certo é que ambos os documentos não são conclusivos e definitivos sobre a existência ou não da propriedade em questão, sendo certo que a recorrente não demonstrou nos autos ter tomado nenhuma providência no sentido de desfazer o negócio efetivado mediante a Escritura de Confissão e Composição de Dívida e Dação em Pagamento para Liquidação Parcial da Dívida e Outras Avenças, fls. 44/46, celebrada em 15/05/2000. Observese que, segundo referida Escritura de Dação em Pagamento, a contribuinte recebeu a Fazenda Ingazeiro – quinhões 5, 7, 8 e 10, para quitação de dívida no valor de R$ 8.000.000,00. Por outro lado, a Certidão, fls. 41/42, certifica que o imóvel em questão está registrado no Cartório do Registro de Imóveis da Comarca de Santo Anastácio do Estado de São Paulo, no Livro de Transcrição das Transmissões, sob o número de ordem 1714, de 12/03/1931, sendo certo que os proprietários identificados na transcrição 1714, celebraram com a recorrente a Escritura de Confissão e Composição de Dívida e Dação em Pagamento para Liquidação Parcial da Dívida e Outras Avenças, fls. 44/46. Tais documentos conferem à recorrente a propriedade do imóvel, não havendo que se falar em erro na identificação do sujeito passivo, tampouco na inexistência do imóvel, conforme argúi a defesa. Vale lembrar que a recorrente apresentou a DITR, na qualidade de proprietária do imóvel. Importa, ainda, dizer que também houve autuação de ITR no que se refere ao exercício 2001 e o recurso apresentado pela recorrente naquele caso foi apreciado pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento (relatora Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga), conforme acórdãos nºs 2202 00619 e 220200.618, de 26/07/2010 e 220200.631, de 27/07/2010, que decidiu pela procedência em parte do recurso, para reduzir o percentual da multa de ofício de 112,5% para 75%. Os referidos acórdãos estão assim ementados: SUJEIÇÃO PASSIVA. ÔNUS DA PROVA. Havendo o contribuinte apresentado a DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural, cabe a ele o ônus da prova de que não detinha a posse plena do referido imóvel para poder ser excluído do pólo passivo da obrigação tributária. Nestes termos, considerando que o fato gerador do ITR “é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano”, conforme disposto no art. 1º da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, correto o lançamento, no que diz respeito à sujeição passiva. No mérito, a recorrente insurgese contra o arbitramento do VTN, argüindo que houve no lançamento desrespeito aos requisitos legais para utilização desse expediente extraordinário, pois apontouse uma base de cálculo que não corresponde à realidade da suposta propriedade rural. Afirma, ainda, que o total da área tributável eleita pela autoridade fiscal, em momento algum foi objeto de qualquer medida desta, tendente a busca da realidade fática que cerca a presente questão, pois limitouse a intimar a recorrente a comprovar os elementos balizadores da área do imóvel rural, sendo que no silêncio desta, derrogou por absurdamente concluir que toda a área era tributável, ignorando a existência ou não dos elementos para aferição da metragem da área tributável, tais como: área de preservação permanente e área de utilização limitada, etc. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10835.720130/200788 Acórdão n.º 210201.755 S2C1T2 Fl. 8 8 De pronto, devese afirmar que as áreas de preservação permanente e de utilização limitada foram glosadas em razão da ausência de Ato Declaratório Ambiental (ADA). No que diz respeito à obrigatoriedade de apresentação do ADA para fins de redução do imposto a pagar, temse que, a partir da vigência da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que deu nova redação à Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, tal exigência passou a ter expressa disposição legal. “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)” (grifei) Do artigo acima transcrito, resta claro que, a partir do exercício 2001, a obtenção do ADA é condição necessária e obrigatória para que o contribuinte usufrua a redução do valor a pagar do ITR quanto às áreas de preservação permanente e de utilização limitada. No presente caso, o ITR exigido no lançamento se refere ao exercício 2003 e a nãoapresentação do ADA implica em descumprimento dos requisitos necessários para a concessão da isenção. Logo, correta a glosa das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Vale destacar que a área de utilização limitada (reserva legal) não está averbada. Já que no que se refere ao arbitramento do VTN temse que a autoridade fiscal agiu em conformidade com o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, utilizando para tal valor extraído do Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Portaria SRF nº 447/2002, extrato fls. 14. Por seu turno, temse que a recorrente, intimada a comprovar o VTN declarado, nada apresentou, seja durante o procedimento fiscal, seja nas fases de impugnação e recursal. Assim, na ausência de elementos que comprove o VTN informado pela recorrente, devese manter o arbitramento promovido pela autoridade fiscal, eis que efetivado nos termos do art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10835.720130/200788 Acórdão n.º 210201.755 S2C1T2 Fl. 9 9 Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 180DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10283.009467/2001-39
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1997
Ementa: RECURSO ESPECIAL. INADMISSIBILIDADE. Não se conhece
do recurso especial que suscita exclusivamente violação ao disposto no art. 45 da Lei nº 8.212/91, em face da edição da Súmula Vinculante nº 8 pelo C. Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 9101-000.864
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso,nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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INADMISSIBILIDADE. Não se conhece do recurso especial que suscita exclusivamente violação ao disposto no art. 45 da Lei nº 8.212/91, em face da edição da Súmula Vinculante nº 8 pelo C. Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Caio Marcos Cândido Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face de acórdão proferido pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência da CSLL referente ao mês de setembro do anocalendário de 1996, exercício de 1997, cuja apuração foi realizada mensalmente, haja vista a ciência do auto de infração ter ocorrido em 12 de dezembro de 2001. O acórdão recorrido restou assim ementado: CSLL – PRAZO DECADENCIAL – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – Pacificado o entendimento, inclusive pela CSRF, que a CSLL é tributo sujeito ao lançamento por homologação e que, sendo regido por sua natureza tributária pelo CTN, aplicamse os preceitos desse relativos a contagem do prazo decadencial, por ser lei complementar sobre matéria tributária, não podendo a lei ordinária – 8.212/91 – contrariar seus dispositivos, prevendo o prazo de 10 anos para o lançamento de ofício. Acolhese, portanto a suscitada preliminar de decadência. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial com fundamento no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25.06.2007, alegando, em síntese, que não cabe a este órgão deixar de aplicar o art. 45 da Lei nº 8.212/91, que prevê prazo decadencial de 10 (dez) anos para a constituição de créditos de contribuições sociais, uma vez que estaria decretando indevidamente sua inconstitucionalidade, consoante citada jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. O recurso especial foi admitido pelo Presidente da Câmara recorrida, após verificada, à época, a alegada contrariedade à lei. O contribuinte apresentou contrarrazões propugnando pela manutenção do acórdão. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10283.009467/200139 Acórdão n.º 910100864 CSRFT1 Fl. 2 3 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora PRELIMINAR DE ADMISSIBILIDADE O acórdão recorrido reconheceu a decadência do crédito tributário pela aplicação do art. 150, §4º, do CTN, em razão dos fatos geradores terem ocorrido há mais de 5 (cinco) anos, contados da data da ciência do lançamento. A recorrente, em suas razões recursais, alega, exclusivamente, a contrariedade da decisão guerreada em relação ao disposto no art. 45 da Lei nº 8.212/91. No presente caso, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional não merece ser conhecido. Ocorre que, posteriormente à data do despacho de admissibilidade prolatado pelo presidente da Câmara recorrida, a alegada violação legal deixou de existir, com a edição da Súmula vinculante nº 8, pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, que declarou, com efeito erga omnes, a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91 (DOU de 20.06.2008). Diante da vinculação de toda a administração pública à decisão da Corte Suprema, em observância ao art. 103A, da Constituição Federal, esvaziase o objeto do presente recurso. Pelo exposto, e considerandose a inexistência de outro fundamento recursal, voto no sentido de não conhecer o recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.000764/2004-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2000
Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
São nulos os atos lavrados por pessoa incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso, nenhuma dessas situações se verifica, visto que o Auto de Infração foi regularmente lavrado por Auditor Fiscal e o contribuinte, regularmente intimado, teve oportunidade de apresentar as
provas que julgou pertinentes.
LIVRO CAIXA.
DESPESAS DEDUTÍVEIS.
As despesas escrituradas em Livro Caixa
são dedutíveis desde que comprovadas por documentação hábil e idônea; hipótese que não se verifica nos autos do processo.
Numero da decisão: 2101-001.240
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000 Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. São nulos os atos lavrados por pessoa incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso, nenhuma dessas situações se verifica, visto que o Auto de Infração foi regularmente lavrado por Auditor Fiscal e o contribuinte, regularmente intimado, teve oportunidade de apresentar as provas que julgou pertinentes. LIVRO CAIXA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. As despesas escrituradas em Livro Caixa são dedutíveis desde que comprovadas por documentação hábil e idônea; hipótese que não se verifica nos autos do processo.
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INEXISTÊNCIA. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. São nulos os atos lavrados por pessoa incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso, nenhuma dessas situações se verifica, visto que o Auto de Infração foi regularmente lavrado por AuditorFiscal e o contribuinte, regularmente intimado, teve oportunidade de apresentar as provas que julgou pertinentes. LIVROCAIXA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. As despesas escrituradas em LivroCaixa são dedutíveis desde que comprovadas por documentação hábil e idônea; hipótese que não se verifica nos autos do processo. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fl. 159DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/ 09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 2 (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Em desfavor do contribuinte CARLOS ALBERTO GRUBER, médico, foi emitido o Auto de Infração de fls. 4 a 8, no qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) suplementar no valor de R$ 4.016,46 (quatro mil de dezesseis reais e quarenta e seis centavos), em razão da revisão de sua declaração. Considerandose que já havia sido restituído ao contribuinte o valor de R$ 16.503,69 (dezesseis mil, quinhentos e três reais e sessenta e nove centavos), correspondente a restituição dada como indevida, atualizado a partir de 28.4.2000 até o mês em que se tornou disponível para o contribuinte na rede bancária, o valor total do crédito apurado é de R$ 26.145,59 (vinte e seis mil, cento e quarenta e cinco reais e cinqüenta e nove centavos) (cálculo válido até 12.2003). No Demonstrativo das Infrações, às fls. 8, a Fiscalização reportou que o contribuinte, regularmente intimado, apresentou, em 20.5.2003, documentos referentes ao ano calendário 1999. Reintimado em 4.6.2003, com ciência via postal em 11.6.2003, para apresentar Livro Caixa devidamente escriturado, inclusive comprovantes de despesas e demais elementos utilizados na escrituração, não havia atendido ao solicitado até a data, o que resultou na glosa do montante de R$ 52.437,64 por dedução indevida no Livro Caixa (artigo 6º, incisos I a III e parágrafos, da Lei n.º 8.134, de 1990; artigo 8.º, inciso II, alínea “g”, da Lei n.º 9.250, de 1995. Em 16 de fevereiro de 2004 foi apresentada Impugnação (fls. 1 a 3), na qual o contribuinte: a) informa ter sido, inicialmente, notificado pela Malha Fiscal para, em relação Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 1999, exibir os seguintes comprovantes: informe de rendimentos; RPA — Recibos de Pagamento a Autônomo; comprovantes de despesas; Livro Caixa escriturado; b) afirma que a intimação fiscal foi plenamente atendida, tendo apresentado os elementos acima descritos, como faz certo o "Check List" Malha/PF de 15.8.2003, protocolado sob n° 08.1.04.000, conforme se vê em cópia inclusa; Fl. 160DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/ 09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10830.000764/200418 Acórdão n.º 210101.240 S2C1T1 Fl. 152 3 c) tanto assim foi que o valor do Imposto a Restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual foi liberado em seguida, sem questionamento; frisa que recebeu uma única intimação para apresentação do Livro Caixa e demais comprovantes, atendida na medida do possível, fato este comprovado pelo já citado "check list" e reforçado pela liberação da restituição após o atendimento da intimação fiscal; d) afirma que o Auto de Infração foi lavrado sob falso argumento, qual seja, a nãoapresentação do Livro Caixa escriturado e dos documentos que informam os lançamentos nele realizados; contrariamente, o "check list" incluso comprova a apresentação de tais elementos, tratandose, pois, essa falsa fundamentação, de vicio de origem que fulmina o lançamento fiscal; d) assim, o Auto de Infração deve ser declarado nulo, o que fica desde já requerido. Para comprovar a inteira pertinência das despesas lançadas, o impugnante junta à impugnação seu Livro Caixa escriturado para "... não ver fechada a oportunidade de apresentar todos os comprovantes que informam sua escrituração" (fls. 2); Requer, ao final: a) seja anulado o Auto de Infração uma vez que sua lavratura ocorreu sob falso fundamento; b) na eventualidade de não acolhimento do primeiro pedido, seja o processo convertido em diligência para que exiba, de novo, todos os comprovantes das despesas lançadas no Livro Caixa; para tal, indica profissional da área de Contabilidade para acompanhamento da diligência fiscal; c) o cancelamento da exigência fiscal. Ao examinar o pleito, a 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 decidiu pela improcedência da Impugnação, por meio do Acórdão n.º 1723.182, de 13 de fevereiro de 2008, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999 PRELIMINAR. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. Não tendo o contribuinte cumprido a incumbência de trazer aos autos, tanto durante a fiscalização quanto na impugnação, documentos e esclarecimentos que tivessem o condão de ilidir a tributação em questão, é de se indeferir a solicitação de diligência e perícia quando os elementos probatórios deveriam ser apresentados pelo próprio impugnante, a prova do fato não depende de conhecimento especial de técnico e a demonstração do alegado pode ser efetuada pela simples juntada de documentos. Fl. 161DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/ 09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 4 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVROCAIXA. GLOSA. Mantida a glosa de despesas de Livro Caixa, visto que o direito à sua dedução condicionase à comprovação da efetividade das despesas declaradas, a ser feita por meio da apresentação do Livro Caixa e da documentação idônea das despesas ali escrituradas. Lançamento Procedente Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 12 de junho de 2008 (fls. 144 a 147), no qual propugna pela invalidade do Auto de Infração, por não ter havido apreciação da documentação por ele apresentada em 15.8.2003. Alega que o documento de fls.15 comprova ter ele protocolizado no CAC da DRF Campinas, na data indicada, cópias em envelopes de informes de rendimentos, RPAs, comprovantes de despesas médicas, livro Caixa devidamente escriturado. Argumenta que o julgamento de primeira instancia desprezou a oportunidade de reapreciação do caso, ficando claro que, ao desconsiderar documentação apresentada antes da lavratura do auto de infração, restou preterido o seu direito de defesa. Sendo assim entende que a decisão de primeira instância merece reforma porque prestigiou um auto de infração que padece de validade por violação aos artigos 37 da Constituição Federal, 142 do Código Tributário Nacional e 59, inciso II, do Decreto n.º 70.235, de 1972. Pede, em suma, seja reformada a decisão recorrida para que seja anulado o auto de infração de fls.122 a 126, porque amparado em situação de fato inverídica, qual seja a do não atendimento a intimação fiscal. É o relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. Em sua peça recursal, o contribuinte pleiteia a nulidade do Auto de Infração, alegando ter havido cerceamento ao seu direito de defesa, já que apresentou cópias em envelopes de informes de rendimentos, RPAs, comprovantes de despesas médicas, livro Caixa devidamente escriturado, documentos estes ignorados tanto pela Fiscalização quanto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2, no julgamento de primeira instância. A alegação do contribuinte não procede. Em primeiro lugar, não ocorreram os pressupostos do artigo 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, verbis: Art. 59. São nulos: Fl. 162DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/ 09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10830.000764/200418 Acórdão n.º 210101.240 S2C1T1 Fl. 153 5 I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Vejamos. No âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é autoridade competente para promover a ação fiscal o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, nos termos da Lei n.º 11.457, de 2007: "Art. 6o São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; [...] Da análise do Auto de Infração, às fls. 4 a 8, verificase ainda que todos os requisitos previstos no artigo 10, do Decreto 70.235, de 1972, abaixo transcrito, foram plenamente observados quando de sua lavratura: Art.10. 0 auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Também não ocorreu preterição do direito de defesa. Na fase inquisitória, o contribuinte foi regularmente intimado a apresentar provas, e apresentou aquelas que entendeu pertinentes, cujo recebimento foi comprovado por meio do mencionado “check list”. Teve novamente a oportunidade de apresentar provas no momento da impugnação, mas não trouxe aos autos qualquer documento que comprovasse suas alegações. Sendo assim, não há como prosperar as alegações de nulidade do Auto de Infração. O Auto de Infração dá conta que houve dedução indevida a título de Livro Caixa, já que o contribuinte não apresentou comprovação das despesas nele escrituradas, requisito essencial para que as deduções correspondentes possam ser computadas na declaração de imposto sobre a renda de ajuste. É ônus do contribuinte produzir as provas dos fatos consignados em suas Declarações de Ajuste Anual, sob pena de não têlos aceitos pelo Fisco. Fl. 163DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/ 09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 6 Tais provas consistem em documentos hábeis e idôneos, de modo a comprovar cabal e inequivocamente o que foi declarado. Sobre o assunto, assim prevê o Decreto n.º 3.000, de 1999 Regulamento do Imposto sobre a Renda: Art. 75. 0 contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei n.º 8.134, de 1990, art. 6.º, e Lei n.º 9.250, de 1995, art. 4.º, inciso I): I a remuneração paga a terceiros, desde que com vinculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias a percepção da receita e a manutenção da fonte produtora. Parágrafo único. 0 disposto neste artigo não se aplica (Lei n.º 8.134, de 1990, art. 6.º, § 1.º: e Lei n2 9.250, de 1995, art. 34): I a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; II a despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo; III em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 47 e 48. Art. 76. As deduções de que trata o artigo anterior não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, sendo permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes até dezembro (Lei n.º 8.134, de 1990, art. 6.º, § 3º). § 1.º O excesso de deduções, porventura existente no final do anocalendário, não será transposto para o ano seguinte (Lei n.º 8.134, de 1990, art. 6.º, § 3.º). § 2.º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência (Lei n.º 8.134, de 1990, art. 6.º, § 2.º). [...] (g.n.) O artigo 73, e § 1°, do mesmo Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR/99), também trata da necessidade de comprovação das deduções efetuadas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). § 1° Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decretolei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 4°) Fl. 164DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/ 09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10830.000764/200418 Acórdão n.º 210101.240 S2C1T1 Fl. 154 7 [...] (g.n.). Também no julgamento de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 analisou toda a documentação acostada aos autos pelo recorrente, que não é outra senão a que consta como entregue no “Check list” às fls. 15. Em seu voto, o Relator fez consignar o seguinte: “18. No caso, o impugnante contesta a glosa da dedução das despesas de Livro Caixa referentes ao anocalendário de 1999, afirmando tãosomente que a intimação emitida pela Malha Fiscal foi suficientemente atendida, conforme faz prova, ao seu ver, o documento intitulado 'Check List" Malha PF", anexado A fl. 15. Contudo, contrariamente à sua argumentação, tal documento é totalmente insuficiente para a comprovação requerida. Tratase, apenas, de um protocolo emitido pela Repartição Fiscal quando da entrega de documentos, documentos estes sujeitos A análise posterior da Autoridade Fiscal, com o fito de determinar sua validade e completude como elementos probatórios em relação às condições estabelecidas no texto legal. 19. Também, o fato do impugnante ter recebido o valor do Imposto a Restituir declarado em sua Declaração de Ajuste Anual não tem o condão de fazer com que esta não esteja mais sujeita a passar por revisão de oficio e, se for o caso, ser aperfeiçoada pelo lançamento de oficio que se faça necessário. 20. No caso em tela, o impugnante apresentou à Autoridade Fiscal Autuante, entre outros documentos, apenas cópias de recibos (As fls. 71/109) por ele emitidos a clientes aos quais prestou serviços médicos. Ou seja, não foi apresentado durante o procedimento de fiscalização um só comprovante referente a despesas de Livro Caixa, conforme se pode ver às fls. 53 a 109. Agora, nesta fase contenciosa, constatase da análise da impugnação às fls. 01/40 que, novamente, o impugnante não trouxe à colação qualquer documento comprobat6rio das despesas glosadas. Perde, assim, mais uma oportunidade de comprovar que as despesas lançadas a titulo de despesas de Livro Caixa em sua Declaração de Ajuste Anual realmente ocorreram. 21. Destarte, dada a falta de comprovação da ocorrência das referidas despesas, mediante a apresentação de comprovantes hábeis e idôneos, concluise, aqui, que está correto o procedimento fiscal que glosou as deduções de despesas de Livro Caixa pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual do ano calendário de 1999. Pelo que consta dos autos, não há ressalvas a serem feitas quanto A atuação da Autoridade Fiscal Autuante.” Ante o exposto, não há que se cogitar qualquer nulidade do Auto de Infração. Sendo assim, não merece reparo a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2. Fl. 165DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/ 09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 8 Isto posto, voto por afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose, integralmente, a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 166DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/ 09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO
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Numero do processo: 10909.003430/2009-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
O art. 42 da Lei 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas.
Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2007
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ARROLAMENTO PELO VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
Não se insere na competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a análise do cabimento da elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais e do arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo devido ao valor do crédito tributário.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
“A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais” (Súmula CARF nº 4).
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.272
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ARROLAMENTO PELO VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Não se insere na competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a análise do cabimento da elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais e do arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo devido ao valor do crédito tributário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (Súmula CARF nº 4). Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Tratase de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ARROLAMENTO PELO VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Não se insere na competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a análise do cabimento da elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais e do arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo devido ao valor do crédito tributário. Fl. 172DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10909.003430/200950 Acórdão n.º 2101001.272 S2C1T1 Fl. 162 2 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (Súmula CARF nº 4). Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, José Raimundo Tosta Santos, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 1 e 78 a 97, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, para lançar infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$522.196,23, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 101 a 122), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu o recurso da seguinte maneira (fls. 126 a 127v): Intimado da autuação fiscal, o contribuinte apresentou peça impugnatória às folhas 101 a 122, onde inicialmente relata o procedimento da fiscalização e requer a improcedência do lançamento, uma vez que a exigência é desprovida de respaldo legal ou jurídico. Fl. 173DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10909.003430/200950 Acórdão n.º 2101001.272 S2C1T1 Fl. 163 3 A título de preliminar o impugnante alega a ilegalidade da “presunção comum” como prova. Aduz que ao fundamentar o AI em mera presunção, o Auditor Fiscal deixou de considerar a norma consubstanciada no art. 112 do CTN e que somente a lei pode autorizar o emprego da presunção, que acarreta a inversão do ônus da prova, uma vez que o CTN adota o princípio da reserva legal, citando os seus arts. 3º e 142. Menciona que o Fisco não cuidou de apurar e demonstrar a efetiva ocorrência da suposta omissão de rendimentos, que pudesse justificar o lançamento de ofício, preferindo lançar pura e simplesmente a presunção legal preconizada no art. 281, inciso II, do RIR, a qual somente se aplica a hipóteses de falta de escrituração/contabilização de pagamentos efetuados, o que de nenhum modo restou demonstrado nos autos. A título de mérito o impugnante tece, inicialmente, considerações acerca da sua atividade, esclarecendo que embora os supostos recursos objetos do AI tenham transitado pela sua conta bancária, os mesmos na verdade pertencem à pessoa jurídica que à época dos pretensos fatos geradores encontravase em fase de constituição e da qual o impugnante compõe o quadro societário, ou seja, esses recursos não se caracterizam disponibilidade de renda e devem ser entendidos como de titularidade de pessoa jurídica. Relata o modus operandi das atividades comerciais que exerce e diz que tem como atividade principal a intermediação da compra e venda de pescados (pregão) que se realiza entre empresas de pesca (donos das embarcações pesqueiras) e pequenos varejistas do produto (feirantes, titulares de microempresas, etc). Que por ocasião das transações comerciais recebe cheques dos adquirentes para repasse às empresas pesqueiras vendedoras, situadas em Santa Catarina e outros Estados e que pela prestação desses serviços recebe de 5% a 8% do total obtido com o pescado comercializado. Com vistas a comprovar essa alegação, providenciará declaração junto ao Sindicato do Estado de Santa Catarina, que reúne as empresas e profissionais que atuam no setor, a qual, em razão da exigüidade do prazo, não foi possível juntar nessa oportunidade. Portanto, o valor da rendimentos efetivamente auferida nas citadas transações comerciais cingese às ditas comissões, que representa o correto valor a ser contabilizado na empresa/pessoa jurídica, como de fato o faz. Relata que “é praxe entre os intermediários da comercialização de pescado, receberem dos compradores o pagamento pelas aquisições feitas para repasse às empresas pesqueiras, não auferindo nenhuma outra remuneração além da comissão pela intermediação da venda do pescado. Basicamente, tratase de uma atividade de transição não caracterizada como etapa comercial distinta. A quantia arrecadada pela venda do pescado é depositada na conta da empresa de intermediação, no caso o Impugnante, para repasse Imediato às empresas pesqueiras vendedoras, sendo esta a origem dos créditos feitos na conta bancaria questionada pelo Fisco”. Reitera que todas as despesas financeiras incidentes sobre a movimentação bancária resultante dessa intermediação fica ao encargo do pregoeiro (ora Impugnante), além das despesas totais inerentes ao funcionamento da empresa, custos estes que são suportados exclusivamente pela receita auferida a título de comissão, por ser esta a única receita da empresa nas atividades que exerce. E que “por inexistirem outros documentos fiscais, toda a contabilidade do Impugnante é efetivada com base no registro das comissões recebidas, que se constitui na receita real auferida pela empresa”. Justifica essa praxe pelo fato de que a maior parte das embarcações pesqueiras são de propriedade de pessoas físicas e, por isso, não emitem documentos fiscais Fl. 174DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10909.003430/200950 Acórdão n.º 2101001.272 S2C1T1 Fl. 164 4 para os pregoeiros ou mesmo para os compradores. Por outro lado, parcela considerável dos varejistas adquirentes do produto, de igual modo, são pessoas físicas (feirantes) ou titulares de microempresas, e como tal, dispensados dessas obrigações acessórias. Nestas circunstâncias e, tendo em vista a ausência de documentação fiscal nesse ramo de negócio e, considerando, especialmente, o fato de os depósitos apurados pelo Fisco não lhe pertencerem, a reconstituição da sua escrituração contábil com a inclusão dos referidos valores, tal qual intimado pelo Fisco é de todo irreal e equivocada. Menciona que a veracidade dos fatos acima podem ser aferidos pelos extratos bancários apresentados à Fiscalização, nos quais pode ser observado que a receita líquida efetivamente auferida pelo Impugnante, corresponde ao valor dos depósitos deduzidos dos cheques emitidos para as empresas fornecedoras, cujo resultado é exatamente aquele constante de suas declarações de ajuste do IRPJ e da sua escrita fiscal e comercial. A confirmação dos recebimentos pelas empresas de pesca pode ser facilmente levantada pela Receita Federal, uma vez que tais pagamentos são efetuados mediante cheques nominais a seus titulares. Refere que esses esclarecimentos foram prestado no curso da fiscalização e justificam a origem e titularidade dos valores movimentados em sua conta bancária e submetidos à tributação. Diz que a base de cálculo adotada é irreal e ilegal, pois que compreende a totalidade dos recursos registrados nos extratos bancários, procedimento este que não tem como prosperar, porquanto a legislação de regência não autoriza a adoção, pura e simplesmente, da soma de créditos bancários, como base de cálculo para tributar receitas ditas omitidas. Além disso, não foi considerado que de 5% a 8% desses valores pertenciam ao impugnante e ademais, a fiscalização não aprofundou suas investigações junto aos maiores vendedores, a fim de verificar se os mesmos contabilizavam como receita os valores que lhe eram repassados e como custo as comissões pagas ao Impugnante, optando pela presunção. Ainda que o Impugnante tivesse omitido receitas, da totalidade do valor apurado deve ser abatido o valor das vendas repassadas para os efetivos vendedores (armadores de pesca e/ou pescadores). E, no caso de ser considerado como sujeito passivo do crédito tributário a pessoa física do Impugnante, deve ser levada em conta a atividade comercial que pretensamente teria originado os indigitados créditos bancários, qual seja, a pesca, tributandose tãosomente eventual lucro. Refere, novamente, que somente a lei pode autorizar o emprego de presunção que, como se sabe, acarreta a inversão do ônus do Fisco de provar um fato que enseje o lançamento do Imposto, cabendo ao contribuinte produzir a prova contrária, com fulcro nos arts. 3o e 142, § único, do CTN. No tópico seguinte, trata da ausência de fundamentação material para o lançamento porquanto o Impugnante logrou demonstrar a origem de todos os valores movimentados nas contascorrentes bancárias questionadas pelo Fisco, comprovação esta que pode ser aferida pelos esclarecimentos que prestou e pelos documentos que forneceu em resposta aos Termos de Intimação lavrados pelo Autuante ao longo da ação fiscal, repisando que não houve a disponibilidade de renda em favor do contribuinte, conforme preceitua o art. 43 do CTN. Fl. 175DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10909.003430/200950 Acórdão n.º 2101001.272 S2C1T1 Fl. 165 5 Entende que o Fisco não excluiu da base de cálculo da exigência o valor inerente aos depósitos de valor individual inferior a R$ 12.000,00, onerando a base de cálculo do imposto. Deveriam ser desconsiderados os valores individuais depositados, de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório no ano calendário não ultrapasse R$ 80.000,00, consoante determinam os incisos I e II, § 3o, do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, alterado pelo art. 4o da Lei n° 9.481, de 1997, e ao final, se concluiria que a movimentação bancária do impugnante está justificada. Diante disso, conclui que, tendo justificado e comprovado a origem da totalidade dos valores creditados em suas contas correntes, e tendo em vista que o único fundamento material da autuação teria sido a alegada omissão de receitas por falta de comprovação, requer o cancelamento dos lançamentos. Mais adiante, no tópico seguinte, o interessado ressalta que a pretensa omissão de rendimentos é juridicamente insustentável, pois que, além de não corresponder à realidade fática, afronta a legislação e jurisprudência administrativa e judicial cujo entendimento é de que o depósito e o extrato bancário, por si só, não é fato gerador do Imposto de Renda. Cita Acórdão CSRF/011.898/95. Embora reconheça que a legislação citada no referido acórdão sofreu modificações, afirma que nenhuma das alterações introduzidas, quer através do § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021, de 1990, quer através do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, admitem o lançamento com base, pura e simplesmente, no depósito bancário. Para amparar seu entendimento, cita jurisprudência administrativa (fls. 113 e 114). Aduz que não obstante o disposto no art. 6º, §§ 5º e 6º, da Lei nº 8.021, de 1990, corroborado pelo entendimento jurisprudencial, o fisco não despendeu o menor esforço para estabelecer o nexo causal entre os depósitos bancários e o fato representante da omissão de rendimentos, e que muito menos cotejou os depósitos e a renda consumida, a fim de utilizar a modalidade mais favorável ao contribuinte. Acrescenta que sequer foram expurgados os valores transferidos entre suas contas bancárias, os juros de aplicações financeiras, aplicação e resgate subseqüente. O interessado rechaça, por antecipação, eventual argumentação no sentido de que o procedimento fiscal teria respaldo no art. 42 e §§ da Lei nº 9.430, de 1996, que institui presunção legal, atribuindo ao contribuinte o ônus da comprovar que os valores creditados não se referem a receitas omitidas. Entende que mesmo assim, não fica afastada a tese de que os depósitos bancários não representam, por si só, disponibilidade econômica de rendimentos. Refere que o Fisco não estabeleceu nenhum vinculo entre alegados depósitos ditos não escriturados com alguma receita não escriturada, devendo ser cancelada a exigência, que carece de tipificação e enquadramento legal, sendo lavrado, ainda, com inobservância à orientação da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Prossegue aduzindo que não restou caracterizado o evidente intuito de fraude, tanto que sequer o Fisco aplicoulhe a multa qualificada, defendendo, por esse motivo, ser infundada e ilegal a representação fiscal para fins penais e o arrolamento de bens, posto que incomprovado o evidente intuito de fraude exigido em lei para adoção desses procedimentos. Impugna a aplicação da Taxa Selic pelos seguintes motivos: a) devido à falta de previsão em lei; b) inadequação entre a natureza da taxa como criada e regulamentada pelo BC e o campo tributário, c) inconstitucionalidade material e d) flagrante inconstitucionalidade formal, somada à delegação de competência contrária ao CTN. Colaciona decisão da Segunda Turma do Superior Tribunal de Fl. 176DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10909.003430/200950 Acórdão n.º 2101001.272 S2C1T1 Fl. 166 6 Justiça no RESP nº 215.881, que suscitou incidente de inconstitucionalidade em torno da aplicação da Taxa de juros Selic e que deverá ser examinada pela Corte Especial desse Tribunal. Entende que, embora reconheça fugir à competência dos tribunais administrativos apreciar argüições relativas à questionamentos de inconstitucionalidade de leis, neste caso, não é simplesmente o conhecimento da matéria constitucional, e sim de uma decisão do STJ considerando a taxa Selic inconstitucional que deve ser observada. Requer, ao final, seja acolhida a preliminar, declarandose a nulidade do lançamento, e, caso superara esta, o mesmo seja julgado improcedente. Protesta pela juntada de novas provas que venham se mostrar necessárias à comprovação das razões articuladas na impugnação. Finalmente, requer seja excluído do crédito tributário lançado a Taxa Selic. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 125 a 132): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, de forma individualizada. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic, por expressa previsão legal. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova Fl. 177DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10909.003430/200950 Acórdão n.º 2101001.272 S2C1T1 Fl. 167 7 trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inacatáveis. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 15/9/2010 (fl. 135), o contribuinte apresentou, em 7/10/2010, o recurso de fls. 136 a 158, onde afirma: a) preliminarmente, a ilegalidade da presunção comum como prova; b) que os recursos que transitaram por sua conta bancária pertencem à empresa da qual é sócio; c) que tem como atividade principal a intermediação da compra e venda de pescados (pregão), que se realiza entre as empresas de pesca (donos das embarcações pesqueiras) e pequenos varejistas do produto (feirantes, titulares de microempresas, etc.); d) que, por ocasião das transações comerciais, recebe, em caráter de transitoriedade, nunca superior a 15 (quinze) dias, cheques dos comerciantes adquirentes para repasse às empresas pesqueiras vendedoras, situadas em Santa Catarina e outros Estados, com quem mantém relações comerciais, mas que, pela prestação dos serviços descritos, aufere remuneração, a título de comissão, que varia de 5% a 8% sobre o total obtido com o pescado comercializado. Repete o afirmado na impugnação: que, com vistas a comprovar o alegado, providenciará declaração do Sindicato do Estado de Santa Catarina; e) que, por inexistirem outros documentos fiscais, toda a contabilidade do Recorrente é efetivada com base no registro das comissões recebidas, que se constitui na receita real auferida pela empresa, mas que, tendo em vista a ausência de documentação fiscal nesse ramo de negócio, e considerando especialmente o fato de os depósitos apurados pelo Fl. 178DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10909.003430/200950 Acórdão n.º 2101001.272 S2C1T1 Fl. 168 8 Fisco não lhe pertencerem, a reconstituição da sua escrituração contábil com a inclusão dos referidos valores, tal qual intimada pelo Fisco, era de todo irreal e equivocada; f) que a veracidade desses fatos pode ser aferida pelos extratos bancários apresentados à Fiscalização, nos quais pode ser observado que a receita líquida efetivamente auferida pelo Recorrente, corresponde ao valor dos depósitos deduzidos dos cheques emitidos para as empresas fornecedoras, cujo resultado é exatamente aquele constante de suas declarações de ajuste do IRPJ e da sua escrita fiscal e comercial. A confirmação dos recebimentos pelas empresas de pesca pode ser facilmente levantada pela Receita Federal, uma vez que tais pagamentos são efetuados mediante cheques nominais a seus titulares; g) que o lançamento carece de fundamentação, pois conseguiu demonstrar, cabalmente, a origem de todos os valores movimentados nas contascorrentes bancárias questionadas pelo Fisco, comprovação esta que pode ser aferida pelos esclarecimentos que prestou e pelos documentos que forneceu em resposta aos Termos de Intimação lavrados pelo Autuante ao longo da ação fiscal; h) que não foram excluídos da base de cálculo os depósitos individuais de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório, no anocalendário, não ultrapasse R$ 80.000,00; i) a imprestabilidade do depósito bancário como fundamento de exigência fiscal, não tendo o Fisco estabelecido nenhum vínculo entre os alegados depósitos ditos não escriturados com alguma receita não escriturada; j) o descabimento da representação fiscal para fins penais e do arrolamento dos bens e direitos, porque só se pode cogitar de ambos os procedimentos quando caracterizado o evidente intuito de fraude por parte do Autuado, o que inocorreu na espécie, bastando ver que o Fisco, além de não imputar qualquer dos crimes previstos em lei ao Recorrente, sequer aplicou a multa qualificada; k) a ilegalidade dos juros SELIC na correção de débitos tributários. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 159, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, contendo ainda a fl. 160, sem numeração, referente ao Despacho de Encaminhamento dos autos do SECOJ/SECEX/CARF para a 1a Câmara da 2a Seção. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Preliminarmente, o contribuinte defende a nulidade do lançamento, que teria se utilizado da presunção comum como prova, e transferido indevidamente o ônus da prova para o contribuinte. Fl. 179DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10909.003430/200950 Acórdão n.º 2101001.272 S2C1T1 Fl. 169 9 O lançamento se deu com base no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, abaixo transcrito: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 180DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10909.003430/200950 Acórdão n.º 2101001.272 S2C1T1 Fl. 170 10 Acrescentese que os limites do inciso II do § 3º foram alterados para R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente, pelo art. 4o da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997. Assim, vêse que a lei criou uma presunção legal de omissão de receita, que se caracteriza quando o titular de conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, após regular intimação, não comprove a origem dos recursos creditados nessas contas, mediante documentação hábil e idônea. Por isso, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. No caso, verifico que a autoridade fiscal intimou devidamente o contribuinte a apresentar seus extratos bancários (fls. 2 a 3) e que, depois de totalizar os depósitos, novamente o intimou a justificar sua origem (fls. 68 a 73), reconhecendo o fiscalizado não possuir meios para comprovála (fls. 75 a 76). Isso comprova a correta adequação do procedimento fiscal aos termos da lei. Essa explicação afasta também o argumento de que não se poderia utilizar os depósitos bancários como omissão de receitas sem que se estabelecesse um vínculo entre os recursos depositados e alguma receita não escriturada, devendose ressaltar que essa interpretação está definitivamente sepultada na esfera administrativa desde a edição da Súmula CARF nº 26, que possui o seguinte enunciado: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Rejeitase, assim, a preliminar de nulidade suscitada. No mérito, há que se considerar que a simples alegação de que os depósitos se referem à atividade exercida pela pessoa jurídica da qual o recorrente é sócio, que cuida da intermediação da compra e venda de pescados, e de que sua receita se limita à comissão que varia entre 5% a 8% sobre o total comercializado, não serve para afastar a presunção de omissão de receita. Ao contrário, a lei exige que a comprovação se dê mediante documentação hábil e idônea, o que não ocorreu no caso. O contribuinte alega também que não foram excluídos da base de cálculo os depósitos individuais de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório, no ano calendário, não ultrapasse R$ 80.000,00. De fato, a Súmula CARF nº 61 determina que “os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física”. Fl. 181DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10909.003430/200950 Acórdão n.º 2101001.272 S2C1T1 Fl. 171 11 Entretanto, em análise dos depósitos não comprovados de fls. 82 a 86, verifico que aqueles inferiores a R$12.000,00 totalizam R$770.863,06, superando em muito o limite legal. Quanto ao argumento de descabimento da representação fiscal para fins penais e do arrolamento dos bens e direitos, vejase o que dispôs a decisão recorrida (fls. 131 e verso): Da representação para fins penais e do arrolamento dos bens O contribuinte alega que é de totalmente infundada e ilegal a representação para fins penais e de arrolamento de bens e direitos para garantia do crédito em discussão, porquanto não restou evidente o intuito de fraude por parte do autuado. Quanto às questões postas neste item, não cabe pronunciamento desta instância julgadora. Como o contencioso administrativo destinase, tãosomente, a apreciar o litígio conformado pela discordância do contribuinte quanto a lançamento contra ele formalizado, essa instância não possui competência para manifestarse sobre questões externas ao crédito constituído. As garantias e outras medidas acautelatórias, asseguradas pela lei ao crédito tributário, não se confundem em nada com o próprio crédito e seus fundamentos de fato e de direito. A despeito de o arrolamento de bens e direitos nada ter a ver com a constituição do crédito tributário em si, podese esclarecer a contribuinte acerca de seus objetivos. Explicase. Em verdade, por detrás da medida está a conduta acautelatória do Poder Público, tendente a tentar evitar que o crédito tributário (de inquestionável interesse público) acabe sendo impassível de cobrança por artifícios que, se sabe, muitos se utilizam para se furtar ao seu adimplemento (não são exatamente raros os casos de dilapidação proposital de patrimônios, dirigida especificamente a fraudar o fisco). É claro que não são todos os contribuintes que se predispõem a assim agir (não se está a dizer, portanto, que é o caso do sujeito passivo do lançamento aqui discutido), mas há uma incidência expressiva desta conduta ilícita e isto acabou, por força exclusiva de lei regularmente editada (artigo 64 da Lei n.º 9.532/97), motivando a criação da figura do arrolamento. Com isso, é certo, contribuintes bem intencionados acabam sofrendo um gravame aparentemente injustificado, mas que, temse de admitir, encontra fundamento na idéia de que todos podem sofrer restrições legais (desde que não desmesuradas ou que afrontem direitos e garantias fundamentais) a fim de que um objetivo público de maior dimensão seja atendido. É assim que há de se concluir que é injustificado o pedido do contribuinte de revogação do arrolamento dos bens. Já a representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária está prevista no artigo 83, da Lei n.º 9.430/96 que segue: Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. Fl. 182DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10909.003430/200950 Acórdão n.º 2101001.272 S2C1T1 Fl. 172 12 Parágrafo único. As disposições contidas no caput do art. 34 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicamse aos processos administrativos e aos inquéritos e processos em curso, desde que não recebida a denúncia pelo juiz. Como se percebe, a representação fiscal para fins penais é encaminhada ao Ministério Público, que é o órgão que tem a prerrogativa legal para formular esta denúncia. O que veda o artigo 83 é o encaminhamento da representação ao Ministério Público antes da decisão final administrativa, e não a produção desta representação já na oportunidade da lavratura do auto de infração. Assim, não pode ser acolhida, assim, mais esta alegação do contribuinte. Nada a reparar no pronunciamento do julgador a quo. De fato, não se insere na competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a análise do cabimento da elaboração de representação fiscal para fins penais e do arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo em função do valor da dívida com o Fisco, já que esses institutos não fazem parte do litígio, que cuida apenas do crédito tributário lançado. Finalmente, quanto ao argumento de ilegalidade do uso dos juros SELIC na correção de débitos tributários, nunca é demais enfatizar que a assunto não comporta mais discussão no âmbito do CARF com a publicação da Súmula CARF nº 4 (antigas Súmulas nos 4 do 1º e 3º Conselhos de Contribuinte e 3 do 2º Conselho de Contribuinte), que possui o seguinte conteúdo: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 183DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10909.003430/200950 Acórdão n.º 2101001.272 S2C1T1 Fl. 173 13 Fl. 184DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO
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Numero do processo: 37324.012173/2006-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 10/10/1993 a 31/12/2003
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.290
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da segunda
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto.
Nome do relator: Adriana Sato
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IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Recurso Voluntário Negado Fl. 1DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto. Marco André Ramos Vieira Presidente Adriana Sato Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente),Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Vera Kempers de Moraes Abreu, Manoel Coelho Arruda Junior, e, Adriana Sato. Ausência momentânea: Vera Kempers de Moraes Abreu e Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37324.012173/200621 Acórdão n.º 230201.290 S2C3T2 Fl. 275 3 Relatório Tratase de pedido de restituição ou compensação baseado em alegação de inconstitucionalidade do SAT e por não se considerar sujeito passivo de contribuir ao INCRA e ao SEBRAE, protocolado em 29/03/2004. O período abrangido no pedido é de 01/1993 a 12/2003, conforme planilha apresentada. O pedido foi indeferido, e, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: nulidade da decisão, por violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa e do duplo grau de jurisdição; inconstitucionalidade do INCRA, SAT e SEBRAE.. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Adriana Sato, Relator Sendo tempestivo CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões suscitadas. Não há que se falar em nulidade da decisão haja vista que a recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. No que tange as alegações do Recurso Voluntário, temos que tal matéria se encontra sumulada por este 2° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Súmula n°2 , publicada em 23 de setembro de 2007, transcrita a seguir: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. De acordo com o artigo 53 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes , aprovado pela Portaria n°147 de 25/06/2007, as súmulas são de aplicação obrigatória pelo respectivo Conselho. Dispõe o artigo 202 do Regulamento da Previdência Social, verbis: “Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente de trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a Fl. 4DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37324.012173/200621 Acórdão n.º 230201.290 S2C3T2 Fl. 276 5 concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física”. (sem grifos no original) Conforme já decidido pelo STF, a cobrança do SAT não é realizada de acordo com a competência residual da União, assim não é necessária lei complementar. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n.º 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.03.2003, cuja ementa transcrevo: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º, II; art. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Fl. 5DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto. LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 37. São órgãos específicos para a execução da Reforma Agrária: (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) I O Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA); (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Il O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), diretamente, ou através de suas Delegacias Regionais; (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) III as Comissões Agrárias. (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Art. 43. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária promoverá a realização de estudos para o zoneamento do país em regiões homogêneas do ponto de vista sócioeconômico e das características da estrutura agrária, visando a definir: I as regiões críticas que estão exigindo reforma agrária com progressiva eliminação dos minifúndios e dos latifúndios; II as regiões em estágio mais avançado de desenvolvimento social e econômico, em que não ocorram tenções nas estruturas demográficas e agrárias; III as regiões já economicamente ocupadas em que predomine economia de subsistência e cujos lavradores e pecuaristas careçam de assistência adequada; IV as regiões ainda em fase de ocupação econômica, carentes de programa de desbravamento, povoamento e colonização de áreas pioneiras. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37324.012173/200621 Acórdão n.º 230201.290 S2C3T2 Fl. 277 7 Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola; ... Quanto à alegação de aplicação do artigo 240 da Constituição Federal, não é em razão desse dispositivo que as contribuições ao INCRA não se destinem à Seguridade Social, mas em razão das competências atribuídas à autarquia federal, como já exposto acima. A redação é clara quanto sua restrição apenas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical, onde não se enquadra o INCRA: Art. 240. Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) A contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: DECRETOLEI Nº 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sôbre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, Fl. 7DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 DECRETA: Art 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos têrmos dêste DecretoLei, são devidas de acôrdo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º dêste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º dêste Decretolei. II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º dêste Decretolei. Art 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sôbre a soma da fôlha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; VI Indústria de beneficiamento de cereais; VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas. Nesse sentido é o entendimento do Colendo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE Fl. 8DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37324.012173/200621 Acórdão n.º 230201.290 S2C3T2 Fl. 278 9 INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original) Apenas para ilustrar, em relação à cobrança das contribuições destinadas ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) Na mesma linha é o pensamento do STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: Fl. 9DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Desse modo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte. Nesse sentido é o entendimento pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e Fl. 10DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37324.012173/200621 Acórdão n.º 230201.290 S2C3T2 Fl. 279 11 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Quanto ao argumento de que as prestadoras de serviços não são contribuintes do SESC, nem do SENAC, o mesmo não merece prosperar. As contribuições são previstas em lei, devendo as sociedades que possuem esse objeto social contribuir. Nesse sentido é o entendimento atual do STJ, como exemplo segue ementa do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n ° 840946 / RS, cuja Relatora foi a Ministra Eliana Calmon, publicado no DJ em 29 de agosto de 2007, nestas palavras; TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Por todo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Adriana Sato Fl. 11DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10183.002919/2007-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS (DIMOB). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 02.
Numero da decisão: 1301-000.774
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS (DIMOB). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 02. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Aplicação da Súmula CARF nº 2. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/0 1/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ de Campo Grande/MS. Verificase que em desfavor da recorrente acima identificada foi lavrado auto de infração para formalização e exigência de multa por atraso na entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) no valor de R$ 15.000,00, porquanto entregou a declaração relativa ao anocalendário 2006 via “internet” em 31 de maio de 2007, sendo que a data limite se deu em 28 de fevereiro daquele mesmo ano. Consta como fundamentação legal da cita exigência, aquilo que disposto no artigo 16 da Lei n° 9.779/99 e no artigo 57 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 (fls. 07). Devidamente cientificada, a recorrente apresentou Impugnação (fls. 01 06) alegando, em síntese que a autuação afrontaria o princípio constitucional da razoabilidade, legalidade, nutrindo feição confiscatória. A 2ª Turma da DRJ de Campo Grande/MS, nos termos do acórdão e voto de folhas 19 a 22, julgou procedente o lançamento, fundamentando que é defeso em sede administrativa discutir a constitucionalidade e ou legalidade das leis em vigor e que seria, portanto, devida a multa por atraso na entrega intempestiva da declaração de informações sobre atividades imobiliárias (DIMOB). Devidamente cientificada (fl. 27), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 29 – 35), alegando em síntese, afronta ao princípio da razoabilidade bem como a ilegalidade da multa aplica, pugnando assim, pelo provimento do seu recurso e a consequente improcedência do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/0 1/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE Processo nº 10183.002919/200775 Acórdão n.º 130100.774 S1C3T1 Fl. 2 3 O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Cuidase na espécie, como visto do relatório acima, de auto de infração lavrado por atraso na entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) e a recorrente sustenta a inconstitucionalidade do lançamento, porquanto ofensivo, ao seu sentir, ao princípio da proporcionalidade. Tem razão a decisão recorrida ao assentar a estreita via administrativa para discussões envolvendo a inconstitucionalidade do quadro normativo vigente, aliás, o teor da Súmula CARF nº 02 é induvidoso ao estabelecer que não compete às instâncias administrativas tal desiderato. Confirase o que o dispõe a citada Súmula: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo assim, verificado que a recorrente de fato apresentou em atraso a Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB), mantemse a decisão recorrida e, por consequência, o auto de infração. Voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 24 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/0 1/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE
score : 1.0
Numero do processo: 13502.001207/2007-77
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004
ASSUNTO:ACÓRDÃO RECORRIDO NULIDADE INEXISTÊNCIA.
Sendo a decisão devidamente motivada e fundamentada, não há que se falar em nulidade O fato de ela não ter rebatido ponto a ponto as razões da defesa não implica vício.
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004
SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS CRÉDITO PRESUMIDO E DIFERIMENTO DO ICMS NÃO VINCULAÇÃO DOS RECURSOS PARA CARACTERIZAÇÃO.
A caracterização de subvenção para investimento não depende da vinculação da aplicação dos recursos recebidos em empreendimentos Para fins da subvenção, vinculação é relacional ao propósito da subvenção. Se a intenção ou propósito de quem transfere os recursos (ou tem o custo econômico) é de subvencionar investimento, está-se diante de transferência de capital, e, pois, de subvenção para investimento, registrável como reservas de capital, e não como receita. Se a intenção de quem transfere os recursos (ou tem o custo econômico) é de subvencionar o giro normal da empresa ou de cobrir déficits,
a transferência é de renda, e, pois, é subvenção para custeio, registrável como receita (ainda que os recursos venham a ser aplicados em algum empreendimento). Se um incentivo fiscal é concedido como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, o custo desse incentivo representa subvenção para investimento. É o que se dá no caso vertente, com os incentivos fiscais concedidos pelo Estado da Bahia.
LUCRO DA EXPLORAÇÃO. ISENÇÃO ADENE
Resulta prejudicada a questão da recomposição do lucro da exploração, vez que o valor do incentivo fiscal não representa receita, não é tributável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2004
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Derruído o lançamento principal sobre Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe, no caso, o lançamento sobre Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2004
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. COFINS. PIS. RECEITAS OPERACIONAIS DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE REPERCUSSÃO GERAL.
Afastado o lançamento principal sobre IRPJ, resulta prejudicada a exigência de PIS e de COFINS. Ainda que assim não fosse, tais exigências não sobreviveriam em face do julgamento havido na sistemática da repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 585.235, no qual o STF decidiu ser inconstitucional a ampliação da base de cálculo dessas contribuições trazidas pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, restringindo a tão somente ao
conceito de faturamento.
Numero da decisão: 1103-000.555
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso de ofício, e por maioria de votos, DAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso e José Sérgio Gomes (relator). Designado o Conselheiro Marcos Shigueo Takata para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: JOSE SERGIO GOMES
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 ASSUNTO:ACÓRDÃO RECORRIDO NULIDADE INEXISTÊNCIA. Sendo a decisão devidamente motivada e fundamentada, não há que se falar em nulidade O fato de ela não ter rebatido ponto a ponto as razões da defesa não implica vício. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2004 SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS CRÉDITO PRESUMIDO E DIFERIMENTO DO ICMS NÃO VINCULAÇÃO DOS RECURSOS PARA CARACTERIZAÇÃO. A caracterização de subvenção para investimento não depende da vinculação da aplicação dos recursos recebidos em empreendimentos Para fins da subvenção, vinculação é relacional ao propósito da subvenção. Se a intenção ou propósito de quem transfere os recursos (ou tem o custo econômico) é de subvencionar investimento, está-se diante de transferência de capital, e, pois, de subvenção para investimento, registrável como reservas de capital, e não como receita. Se a intenção de quem transfere os recursos (ou tem o custo econômico) é de subvencionar o giro normal da empresa ou de cobrir déficits, a transferência é de renda, e, pois, é subvenção para custeio, registrável como receita (ainda que os recursos venham a ser aplicados em algum empreendimento). Se um incentivo fiscal é concedido como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, o custo desse incentivo representa subvenção para investimento. É o que se dá no caso vertente, com os incentivos fiscais concedidos pelo Estado da Bahia. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. ISENÇÃO ADENE Resulta prejudicada a questão da recomposição do lucro da exploração, vez que o valor do incentivo fiscal não representa receita, não é tributável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2004 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Derruído o lançamento principal sobre Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe, no caso, o lançamento sobre Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2004 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. COFINS. PIS. RECEITAS OPERACIONAIS DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE REPERCUSSÃO GERAL. Afastado o lançamento principal sobre IRPJ, resulta prejudicada a exigência de PIS e de COFINS. Ainda que assim não fosse, tais exigências não sobreviveriam em face do julgamento havido na sistemática da repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 585.235, no qual o STF decidiu ser inconstitucional a ampliação da base de cálculo dessas contribuições trazidas pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, restringindo a tão somente ao conceito de faturamento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2457; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 449 1 448 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.001207/200777 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 110300.555 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 20 de outubro de 2011 Matéria IRPJ e outros Recorrentes BRITÂNIA DO NORDESTE LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Sendo a decisão devidamente motivada e fundamentada, não há que se falar em nulidade. O fato de ela não ter rebatido ponto a ponto as razões da defesa não implica vício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS. CRÉDITO PRESUMIDO E DIFERIMENTO DO ICMS. NÃO VINCULAÇÃO DOS RECURSOS PARA CARACTERIZAÇÃO. A caracterização de subvenção para investimento não depende da vinculação da aplicação dos recursos recebidos em empreendimentos. Para fins da subvenção, vinculação é relacional ao propósito da subvenção. Se a intenção ou propósito de quem transfere os recursos (ou tem o custo econômico) é de subvencionar investimento, estáse diante de transferência de capital, e, pois, de subvenção para investimento, registrável como reservas de capital, e não como receita. Se a intenção de quem transfere os recursos (ou tem o custo econômico) é de subvencionar o giro normal da empresa ou de cobrir déficits, a transferência é de renda, e, pois, é subvenção para custeio, registrável como receita (ainda que os recursos venham a ser aplicados em algum empreendimento). Se um incentivo fiscal é concedido como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, o custo desse incentivo representa subvenção para investimento. É o que se dá no caso vertente, com os incentivos fiscais concedidos pelo Estado da Bahia. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. ISENÇÃO ADENE. Resulta prejudicada a questão da recomposição do lucro da exploração, vez que o valor do incentivo fiscal não representa receita, não é tributável. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 450 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Derruído o lançamento principal sobre Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe, no caso, o lançamento sobre Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. COFINS. PIS. RECEITAS OPERACIONAIS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. Afastado o lançamento principal sobre IRPJ, resulta prejudicada a exigência de PIS e de COFINS. Ainda que assim não fosse, tais exigências não sobreviveriam em face do julgamento havido na sistemática da repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 585.235, no qual o STF decidiu ser inconstitucional a ampliação da base de cálculo dessas contribuições trazidas pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, restringindoa tão somente ao conceito de faturamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso de ofício, e por maioria de votos, DAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso e José Sérgio Gomes (relator). Designado o Conselheiro Marcos Shigueo Takata para redigir o voto vencedor. documento assinado digitalmente ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. documento assinado digitalmente MARCOS SHIGUEO TAKATA Redator designado. Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Hugo Correia Sotero, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa, Mário Sérgio Fernandes Barroso e Marcos Shigueo Takata. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 451 3 Relatório Em foco recurso de ofício previsto no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, interposto pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador BA, em face daquele Colegiado ter julgado parcialmente procedentes os lançamentos efetuados em 20/11/2007 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em CamaçariBA com vistas à exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), acrescidos de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e juros moratórios calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), como também, recurso voluntário aviado pela autuada objetivando a reforma daquele decisório no que tange à exigência fiscal mantida. A ação fiscal consistiu na tributação dos valores contabilizados pela contribuinte no anocalendário de 2004 como subvenções para investimento quando, no entendimento fiscal, tratamse de subvenções correntes para custeio ou operação. A imputação fiscal encontrase no sentido da absoluta falta de correspondência e vinculação entre a percepção da vantagem e a aplicação efetiva e específica dos recursos, na forma elucidada pelo Parecer Normativo CST nº 112, de 1978, daí a aplicação do artigo 392, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, o qual fixa que os ganhos auferidos a esse título são tributados como outros resultados operacionais. Informou a Fiscalização que a autuada beneficiase de incentivos fiscais de isenção e redução do ICMS previstos no Decreto do Estado da Bahia nº 4.316, de 1995, materializados sob a forma de “crédito presumido de ICMS”, e que a Administração Tributária já se pronunciou sobre referido decreto estadual na Solução de Consulta nº SRRF/5ªRF/DISIT 47, de 6 de dezembro de 2002, de interesse de Waytec Manufatura Ltda., nos seguintes termos: "Os valores lançados a crédito em virtude de gozo do benefício fiscal de redução do ICMS, regulado pelo Decreto do Estado da Bahia n° 4.316/95 e alterações, não possuem os requisitos necessários a sua caracterização como subvenção para investimento, devendo ser computados na determinação do lucro operacional." Para fins do IRPJ e CSLL a tributação se deu pelo regime do lucro real anual, enquanto na seara das contribuições ao PIS e COFINS os gravames incidiram sobre as receitas mensais (fevereiro a dezembro de 2004). Finalmente, consignou a autoridade lançadora que nos meses de janeiro, abril e maio a contribuinte recolheu as antecipações do IRPJ (estimativas) com base na receita bruta e nos demais meses baseadas em balancetes de suspensão ou redução, entretanto, os valores mensais correspondentes ao benefício do crédito presumido do ICMS não foram computados, do que resultou a aplicação da penalidade isolada prevista no artigo 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.460, de 1996, já na redação trazida pelo artigo 14 da Medida Provisória nº 351, de 2007. Impugnando os lançamentos a contribuinte suscitou preliminar de saneamento do processo para fins de ajustar os valores à realidade contábil, noticiando que a Fiscalização tomou as cifras originariamente constantes na conta “Reserva de Subvenção para Fl. 451DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 452 4 Investimentos – Reserva de Capital” e que importam em R$ 24.111.367,82 sem levar em conta os estornos de créditos referentes às entradas de mercadorias e matérias primas obstados pelo artigo 4º do Decreto Estadual nº 4.316/1995, do que resulta a quantia líquida de R$ 20.706.754,38. Além disso, que haveria uma pequena diferença de R$ 204,69 entre o levantamento fiscal e os reais valores contábeis. Quanto ao mérito deduziu que o próprio inspirador e redator dos textos legais contidos no Decretolei nº 1.598/77 (Dr. José Luiz Bulhões Pedreira) trouxe a público o sentido deles e sua interpretação e, no que toca às subvenções para investimento e doações, deduziu que a afirmação do PNCST 112/78 de que só existe subvenção para investimento quando há “a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado”, não tem fundamento legal porque o § 2º do artigo 38 do Decretolei nº 1.598/77 somente se refere à “implantação ou expansão de empreendimentos econômicos” para identificar a subvenção sob a forma de isenção ou redução de impostos e não como requisito de toda e qualquer subvenção para investimento, podendo haver transferência de capital sem vinculação à implantação ou expansão de determinados empreendimentos econômicos, bastando a intenção do doador em transferir capital e que a pessoa jurídica registre os recursos recebidos como reserva de capital. Relatou que a empresa manteve o registro dos benefícios em reserva de reavaliação e não distribuiu qualquer importância dessa reserva aos sócios, tendo apenas efetuado aumentos de capital e mantido parcela no saldo da conta. Ponderou que promoveu investimentos em compasso com as obrigações assumidas e dentro dos parâmetros da lei estadual que concedeu a subvenção para investimentos, ressaltando que dos R$ 25.000.000,00 a serem investidos nos 10 (dez) anos do projeto já se cumpriram R$ 23.910.869,00 e que até o anocalendário de 2004 as aplicações já montavam em R$ 15.695.363,00. Dissertou que mesmo estivesse caracterizada a situação imaginada pela fiscalização haveria de ser levado em conta o benefício contido no Laudo Constitutivo nº 0119/2004, expedido pela Agência de Desenvolvimento do Nordeste (ADENE) e reconhecido pela Delegacia da Receita Federal em CamaçariBA, acerca de incentivos fiscais de redução do imposto de renda e adicionais não restituíveis de 75% no período de 2004 ate 2014, calculados com base no lucro da exploração, cujo desrespeito corresponderia a verdadeiro dar com uma mão e retirar com outra. Por fim, aduziu que uma vez cancelado o lançamento principal (IRPJ) igual cancelamento se aplica aos lançamentos decorrentes, porém, cada um destes (CSLL, PIS e COFINS) tem razões isoladas para serem cancelados, caracterizadas pelo fato das subvenções não integrarem as respectivas bases de cálculo, consoante jurisprudência do Conselho de Contribuintes. A douta 2ª Turma de Julgamento admitiu a impugnação e entendeu parcialmente procedentes os lançamentos, assim ementando o Acórdão nº 1516.526, tomado por unanimidade de votos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2004 SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. FALTA DE RECONHECIMENTO DA RECEITA. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 453 5 O crédito presumido do ICMS, quando não atrelado ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estimulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio não se confundindo com as subvenções para investimento, e deve ser computado no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. ISENÇÃO/REDUÇÃO DO IMPOSTO. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Incabível a recomposição do lucro da exploração em função de valores que deixaram de transitar pelo resultado contábil da empresa. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA DE OFICIO ISOLADA. A insuficiência de recolhimento das estimativas mensais do imposto de renda autoriza o lançamento de oficio da multa isolada incidente sobre a diferença não recolhida. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Contribuição para o Programa de Integração Social –Pis Confirmada, parcialmente, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que se dar a estes igual entendimento.” O decisório acatou parcialmente o pleito da impugnante para considerar os estornos na conta de Reserva de Capital, de sorte que a importância de R$ 24.111.367,82 tomada como base de cálculo aos tributos foi ajustada à cifra de R$ 20.706.754,38. Em conseqüência, a douta Turma julgadora recorre de ofício. Cientificada em 24/09/2008, fl. 296v., a contribuinte apresentou em 23 do mês seguinte o recurso de fls. 298 e seguintes, no qual inicialmente reclama a entrega de demonstrativo com os cálculos que representam os valores excluídos da exigência, uma vez que seus cálculos não estariam coincidindo com aqueles trazidos na decisão de páginas 206 e 207, prejudicando sua defesa. Passo seguinte suscita preliminar de nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa caracterizado pela não apreciação dos argumentos relativos aos investimentos efetuados na fábrica e documentos que os apoiaram. Quanto ao mérito reprisa suas razões originárias e acresce que a decisão recorrida não fez uma menção ou um parágrafo sequer acerca das afirmações da então Impugnante de que foram efetuados investimentos em seu ativo imobilizado no valor de R$ 15.695.363,00 até 31/12/2004, bem assim, que a Fiscalização, ao fixar que o benefício de redução do ICMS ligase ao conceito de doação ou subvenção de custeio, deixou de atender ao exposto na Solução de Divergência nº 15 de 2003 da CoordenaçãoGeral do sistema de Tributação (Cosit) segundo a qual tais vantagens configuram reduções de custos ou despesas, implicando, no caso, recomposição do lucro da exploração e não incidência do PIS e da COFINS (já que de receita não se trata). Além disso, pugnou pelo ajuste da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, deduzindo os valores do PIS e COFINS lançados e também pela não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. É o relatório, em apertada síntese. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 454 6 Voto Vencido Conselheiro José Sérgio Gomes, Relator I – Recurso Voluntário Com a juntada do instrumento de mandato de fl. 440 operouse a regularização da legitimidade processual. A tempestividade recursal já havia sido aferida quando da deflagração da oportunidade para saneamento da representatividade. Presentes, pois, os requisitos de admissibilidade, e assim tomo conhecimento do recurso. a) preliminares A Recorrente insinua cerceamento do direito de defesa em face de não lhe ter sido entregue um demonstrativo de valores da parcela excluída pela decisão de primeira instância, já que segundo seus cálculos existiriam inconsistências. Observo que aquele decisório cuidou de pormenorizar os valores exonerados e aqueles ainda mantidos, identificando tributo a tributo e multas, detalhando ainda os períodos de apuração envolvidos. Assim, não há cogitar qualquer vício do decisório, pois, como visto, ele exauriu exaustivamente a questão. Tenho que eventuais inconformismos afetos a cálculos resultantes deste quadro, por umbilicalmente ligados à liquidação do julgado, devem ser aviados na forma de pedido de revisão, consoante Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. No que toca à efetiva afirmação de nulidade, em face do aparente não enfrentamento de argumento recursal, entendo que a decisão proferida pelo Colegiado de primeira instância não padece do alegado vício. Com efeito, verifico que, a par de proferida por quem detém a competência legal, apresenta todos os elementos formais (relatório, fundamentos, conclusão e ordem de intimação) requisitados pelo artigo 31 do Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Igualmente, verifico que o decisório enfrentou os pontos cruciais de resistência trazidos na peça impugnatória e dessa forma a resposta ao Administrado fora regularmente entregue, sendo válida e eficaz, apta a desafiar inconformismo de mérito em segunda instância recursal. O fato de não ter rebatido ponto a ponto as razões da defesa não implica cerceamento do direito de defesa, importando que tenha adotado fundamentação suficiente para decidir a questão. Pertinente, pois, o ensinamento trazido pelo Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber em reiteradas oportunidades: vale ressaltar que o julgador não está obrigado a se referir e apreciar argumento por argumento da defesa, não se obriga a acatar as interpretações da defesa, ou a decidir como gostaria a impugnante, mas sim deve demonstrar e formar um conhecimento substancioso dos fatos e do Direito pertinente ao caso, de modo que possa Fl. 454DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 455 7 solucionar o litígio, na sua parte nuclear, de acordo com a convicção haurida no contexto dos autos. Rejeito a preliminar. b) mérito A solução do presente litígio cingese em determinar se as importâncias recebidas de pessoa jurídica de direito público, relativas à isenção ou redução do montante do ICMS a recolher para o Estado da Bahia mediante diferimento e redução deste tributo nas saídas de produtos industrializados do seu estabelecimento em cada período fiscal, nos termos previstos no Decreto Estadual nº 4.316, de 19 de junho de 1995, caracterizamse como subvenção para custeio ou para investimentos, isto é, apurar se ditas transferências possuem a conotação de renda ou de capital. Isto porque as subvenções têm natureza de receitas e são, de ordinário, tributáveis, tanto que foram classificadas pela legislação do Imposto de Renda como “Outros Resultados Operacionais” na modalidade subvenção correntes para custeio ou operação (artigo 392 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), ou como “Resultados não Operacionais” na modalidade subvenção para investimento de que o artigo 443 do RIR/99. As primeiras são sempre tributáveis, as segundas também são tributáveis, mas poderão não o ser, desde que atendidas certas condições impostas pela lei, vejase: “Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei No 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); II as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões, quando dedutíveis (Lei No 4.506, de 1964, art. 44, inciso III); III as importâncias levantadas das contas vinculadas a que se refere a legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (Lei No 8.036, de 1990, art. 29).” “Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, §2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas.” Fl. 455DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 456 8 Assim, a norma exclui da determinação do lucro real, sob certas condições, as subvenções para investimento e as doações feitas pelo Poder Público, de forma que se faz necessário entenderse o significado e extensão destes dois institutos. As doações, como esclarece o Parecer Normativo CST nº 113, de 29 de dezembro de 1978, é um instituto de Direito Civil. Atualmente encontrase delineado na Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), especificamente no artigo 538, como sendo “o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra”, tal qual previsto no Código Civil anterior (Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916, artigo 1.165) Afora isso, a Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, além da obediência ao interesse público e aos princípios que regem a Administração Pública estabelece, em seu artigo 17, outras exigências para doação de bens públicos: interesse público, autorização legislativa, prévia avaliação e procedimento licitatório, a par de avaliação de sua oportunidade e conveniência sócioeconômica relativamente à escolha de outra forma de alienação. Inferese, pois, que o benefício em pauta não pode ser classificado como doação. Relativamente ao tratamento fiscal afeto a subvenções assim orienta o Parecer Normativo nº 112, de 29 de dezembro de 1978, expedido pela Coordenação do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal: “.............. 2.8 – O D.L. 1.598/77, na seção dedicada ao disciplinamento dos ‘Resultados NãoOperacionais’, fez incluir no § 2º, de seu art. 38 as seguintes normas sobre as SUBVENÇÕES: ‘As subvenções para investimento, inclusive mediante a isenção ou redução de impostos concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§3º e 4º do art.19; ou b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas’. 2.9 – A primeira conseqüência que se extrai do citado artigo 38 é que as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO também são tributáveis, na qualidade de integrantes dos ‘Resultados não Operacionais’. Para não serem tributáveis, devem ser submetidas a um tratamento especial, consistente no registro como reserva de capital, a qual não poderá ser distribuída. .............. 2.11 Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo Fl. 456DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 457 9 CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subtendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 142/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála não nas suas despesas mas sim na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Esta concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o ‘animus’ de subvencionar para investimento. Impõese também a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Este normativo também analisa o conteúdo da Lei nº 4.506, de 1964 e do Decretolei nº 1.598, de 1977: “2.14 – Com o objetivo de promover a interação dos dois diplomas legais ora dissecados podemos resumir a matéria relacionada com as SUBVENÇÕES nos seguintes termos: As SUBVENÇÕES, em princípio, serão, todas elas, computadas na determinação do lucro líquido: as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO, na qualidade de integrantes do resultado operacional; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, como parcelas do resultado não operacional. As primeiras integram sempre o resultado do exercício e devem ser contabilizadas como tal; as últimas, se efetivamente aplicadas em investimentos, podem ser registradas como reserva de capital e, neste caso, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para utilização dessa reserva.” Outro aspecto a ser ressaltado é que o incentivo a ser recebido pela empresa, para que goze dos benefícios tributários oferecidos à subvenção para investimento, não pode ter sua exigibilidade condicionada a evento futuro e incerto. Ainda o PN CST nº 112, de 1978, define subvenção sob o ângulo tributário para fins de imposição do imposto de renda às pessoas jurídicas como um auxílio que não importa, em hipótese alguma, em qualquer possibilidade de vir a ser exigido de seu recebedor, a ver: Fl. 457DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 458 10 “2.4. (...)É o que fez o Parecer Normativo CST nº 142/73, ao incluir SUBVENÇÕES como integrantes de recursos públicos ou privados não exigíveis. É esta uma caracterização, sem dúvida nenhuma, de natureza técnicocontábil. O patrimônio da empresa beneficiária é enriquecido com recursos vindos de fora sem que isto importe na assunção de uma dívida ou obrigação. É como se os recursos tivessem sido carreados pelos próprios donos da empresa com a condição de não serem exigidos nem cobrados, originados, pois, do chamado CAPITAL PRÓPRIO, ao contrário do CAPITAL ALHEIO ou de TERCEIROS, que é sempre exigível e cobrável. Se preferirmos, contudo, um conceito jurídico, eis o que diz DE PLÁCIDO E SILVA, EM SEU VOCABULÁRIO JURÍDICO: “Juridicamente, a subvenção não tem o caráter nem de paga nem de compensação. É mera contribuição pecuniária destinada a auxílio ou em favor de uma pessoa, ou de uma instituição, para que se mantenha, ou para que execute os serviços ou obras pertinentes ao seu objeto.’(os grifos são do original). Em resumo, SUBVENÇÃO, sob o ângulo tributário para fins de imposição do imposto de renda às pessoas jurídicas, é um auxílio que não importa em qualquer exigibilidade para o seu recebedor.” No caso presente a norma estadual prevê o diferimento do lançamento e pagamento do ICMS nas operações de industrialização e saídas de produtos de informática, elétricos, eletrônicos, eletroeletrônicos e de telecomunicações em que se utilizou insumos provindos do exterior mediante crédito na escrita fiscal, em cada período de apuração, do valor equivalente ao saldo devedor do imposto apurado em cada mês. A empresa, para fazer jus ao benefício, deve obediência aos seguintes mandamentos ditados pelo Decreto Estadual nº 4.316, de 19 de junho de 1995 (negritos acrescidos): “Art. 1º. .................................................................................... § 1° Para usufruir do beneficio de que tratam os incisos II e 111 do "caput" deste artigo o contribuinte, devidamente habilitado para operar no referido regime na conformidade do art. 344 e seguintes do Regulamento do ICMS, aprovado pelo Decreto n° 6.284/97, deverá: I renovar anualmente a habilitação concedida pela Secretaria da Fazenda; II comprovar que o faturamento total das vendas de produtos fabricados na unidade industrial equivale, no minimo, aos seguintes percentuais do valor total do faturamento anual: a) 25% (vinte e cinco por cento) no primeiro ano de produção; b) 33% (trinta e três por cento) no segundo ano de produção; c) 40% (quarenta por cento) no terceiro ano de produção; d) 50% (cinqüenta por cento) a partir do quarto ano de produção. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 459 11 § 3° Poderão ser instalados, com o beneficio decorrente deste Decreto, projetos industriais localizados: I em qualquer município integrante da Região Metropolitana do Salvador, desde que: a) se refiram exclusivamente a empreendimentos que tenham por objetivo montagem ou fabrico de produtos de pelo menos 2 (dois) setores integrados entre os de informática, elétricos, de elétricoeletrônica, de eletrônica e de telecomunicações; ou b) o valor do investimento total seja equivalente a, no mínimo, R$ 50.000.000,00 (cinqüenta milhões de reais); II nas demais regiões do Estado, independente da exigência do inciso anterior, mediante aprovação por ato especifico da Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração. § 4° Ficam igualmente diferidos o lançamento e o pagamento do imposto; na saída interna dos produtos tratados no inciso I do caput e no §2° deste artigo, promovida pelo estabelecimento industrial importador, nas seguintes hipóteses: I quando destinados a estabelecimento industrial neste Estado, que os utilize na fabricação de produtos de informática, elétricos, de eletroeletrônica, de eletrônica e de telecomunicações ou prestação de assistência técnica e manutenção, para o momento em que ocorrer a saída dos mesmos produtos ou de produto deles resultantes, desde que o seu projeto de implantação tenha sido aprovado pela Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração. ............................................................................................... § 6° O estabelecimento que não comprovar ter atingido a proporção prevista no inciso II do § 1° ficará obrigado ao recolhimento do imposto incidente em cada operação de importação, sendo devido tal imposto na forma da legislação vigente à época do efetivo desembaraço aduaneiro. ....................................................................................................... Art. 9ºA As empresas que mantiverem o faturamento total das vendas de produtos fabricados na unidade industrial em, no mínimo, 25% (vinte e cinco por cento) do valor total do faturamento anual poderão usufruir dos benefícios de que trata este decreto se atenderem as seguintes condições: I realize investimento mínimo de 70% do seu projeto industrial; 11 todos os seus produtos estejam enquadrados na norma "ISO 9.000" ou posterior; III não possua débito para com a fazenda pública estadual, inscrito em Divida Ativa, enquanto • não proceder à extinção da divida, salvo nos casos de débitos parcelados que estejam sendo pontualmente pagos; Fl. 459DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 460 12 IV possua, no mínimo, três anos de produção industrial efetiva; V celebre de Termo de Acordo especifico com a Secretaria da Fazenda, representada pelo Diretor da Diretoria de Administração Tributária DAT da circunscrição fiscal do contribuinte, comprometendose a cumprir as condições previstas neste artigo. O Decreto estadual regulamentador também prevê, em seu artigo 9º, para o caso de descumprimento das obrigações previstas na legislação de incentivos fiscais, a penalidade de cassação da habilitação, o que não se coaduna com o disposto no ato normativo em comento. Outra questão diz respeito ao entendimento recursal de que a unidade fabril já comportaria aplicações nos idos de 2004 na esfera de mais de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Com todo o respeito, o argumento não me sensibiliza. Não se pode perder de vista que os recursos oriundos das Subvenções para Investimentos são obrigatoriamente destinados à aplicação em bens ou direitos, não comportando, sequer, a sua permanência na condição de investimentos. É certo que os recursos ora discutidos atuam como estímulo à expansão ou implantação de empreendimentos econômicos, no entanto, não possuem vínculo obrigatório com essa destinação, conforme depreendese do texto legal concessivo do benefício que não impõe, em momento algum, a estreita correlação entre os recursos e a aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir (sincronismo), tanto que existe manifesta falta de identidade entre as cifras ingressos de R$ 20.706.754,38 no ano de 2004 e registros no ativo imobilizado de R$ 15.695.363,00 no mesmo período o que permite a aplicação de tais recursos em capital de giro. Com venia, sirvome da exposição traçada no ano de 1991 em assunto semelhante pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação, órgão da Secretaria da Receita Federal encarregado da interpretação da legislação tributária, relativamente à possibilidade de registro das subvenções como Reserva de Capital, no Patrimônio Líquido, do que resultou a seguinte orientação: “.............. 22 Constituirse a empresa em uma indústria não significa, necessariamente, aplicação integral em investimentos da quantia subvencionada; tampouco, o registro contábil da subvenção como reserva de capital tem o condão de determinar que o seu montante tenha tido esse destino. Da mesma forma não é de aceitarse como implícito a aplicação da subvenção em investimentos, apenas porque a realização de projetos de instalação assim o pressupõe. 23 É necessário que as subvenções recebidas sejam efetivamente aplicadas em investimentos, para que, se registradas como reserva de capital, não sejam computadas na determinação do lucro real. Nesse sentido, deve haver, sim, perfeita sincronia, entre a intenção do subvencionador com a Fl. 460DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 461 13 ação do subvencionado, como ocorre, analogicamente, com o depósito para reinvestimento para as empresas instaladas na área da SUDENE e SUDAM, de que tratam os artigos 449 e 459 do RIR/80. 24 A essa altura, podemos concluir que no caso focalizado apenas as subvenções depositadas em conta vinculada cuja liberação esteja condicionada a investimentos, podem ser registradas como reserva de capital; as subvenções que não obedeçam a esse mecanismo devem ser tratadas como correntes e registradas no resultado operacional.” Negrito acrescido Dessa forma, não é de se aceitar como implícita a aplicação da subvenção em investimentos apenas porque a realização dos projetos de instalação assim o pressupõe, estando o incentivo fiscal em análise fora do rol das subvenções para investimento. Não sendo, da mesma forma, doações do Poder Público, sujeitamse à incidência do IRPJ e da CSLL. Por fim, incabível no caso o entendimento esposado na invocada Solução de Divergência nº 15, de 2003, expedida pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (COSIT) da Receita Federal na medida em que aquela trata de empréstimos concedidos por Estadosmembros para pagamento do ICMS em que os juros e parte da correção monetária realizamse sob condição suspensiva. Tendo em vista o art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, que determina que a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido das pessoas jurídicas – CSLL é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda, as conclusões acima são válidas também para esta. Por sua vez, o gozo da isenção ou redução do imposto de renda como incentivo ao desenvolvimento regional e setorial depende de escrita mercantil regular e o montante do benefício, como base no lucro da exploração, está restrito aos valores nela registrados, não se justificando a recomposição dele pela superveniência de lançamento de ofício ou suplementar. Referido incentivo não fora validamente peticionado a tempo e modo (declaração de rendimentos do anocalendário de 2004), é dizer, nunca houve opção, nem tampouco lançamentos no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), importando dizer que não se trata de simples lapso manifesto que pudesse ensejar guarida ao pleito. Quanto às contribuições para o PIS e a COFINS, temse que a Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, com alterações dadas pela Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, assim dispõe sobre suas bases de cálculo: “Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de Fl. 461DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 462 14 atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. § 2º ...........................................................” (Negritos acrescidos) Ocorre que no julgamento do RE n° 357.950, realizado em 09/11/2005, e de que foi Relator o Ministro Marco Aurélio, o Egrégio Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Posteriormente, em 28/11/2008, foi publicado o Acórdão afeto ao RE nº 585.235 reconhecendo a repercussão geral sobre este tema, a ver: “Recurso Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.” Em decorrência, aplicase a Portaria MF 586, de 22 de dezembro de 2010, a qual introduziu o artigo 62A no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256 de 22 de junho de 2009, e que possui a seguinte dicção: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Portanto, para analisar o lançamento é preciso definir se o valor da subvenção se insere no conceito de faturamento, ou seja, receita bruta da venda de mercadorias e serviços. Conforme visto quando da apreciação destes ingressos sua natureza remanesceu concluso que representam receitas e integram o resultado operacional. Não obstante, eles não estão compreendidos no conceito de faturamento e, por conseguinte, sua inclusão na base de cálculo da COFINS e do PIS está amparada no alargamento do conceito de faturamento trazido pelo § 1° do artigo 3º da Lei 9.718, de 1998. Resulta, pois, que estas exigências não podem subsistir em face da declaração de inconstitucionalidade deste dispositivo. Em razão deste entendimento resta prejudicada a apreciação do pedido de dedução, das bases de cálculo do IRPJ e CSLL, dos valores do PIS e COFINS lançados No que pertine a exigência da lança multa isolada tenhoa por inafastável, eis que decorrente de expressa previsão legal, qual seja, o art. 44, II, “b” (art. 44, § 1º, IV, na redação originária) da Lei nº 9.430 de 1996. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 463 15 Consoante estatui ditos dispositivos ela decorre, exclusivamente, do descumprimento da obrigação de se efetuar o recolhimento por estimativa nos prazos e condições estabelecidos na legislação tributária, independentemente do resultado anual (lucro ou prejuízo) apurado pelo sujeito passivo. A empresa livremente optou pela apuração do lucro real anual, isto é, ao invés de apurar balanços trimestrais e pagar o IRPJ sobre o lucro destes períodos, consoante determinam os artigos 218 e 220 do RIR/99, preferiu deslocar a apuração para o regime anual, comprometendose, em contrapartida, a efetuar antecipações mensais em bases estimadas (RIR/99, art. 221 e seguintes). Exercida a opção, com o recolhimento da antecipação correspondente ao mês de janeiro ou do início de atividade, a pessoa jurídica somente poderia suspender ou reduzir os recolhimentos devidos em cada mês se demonstrasse, através de balanços e balancetes mensais, que o valor acumulado já recolhido excede o valor do imposto, inclusive o adicional, calculado com base no lucro real do período em curso, consoante art. 35 da Lei n.º 8.981, de 1995, matriz do artigo art. 230 do Regulamento do Imposto de Renda. E essa demonstração não se encontra na medida em que a contribuinte forrouse em seu entendimento de que as receitas mensais por conta do incentivo estadual não caracterizavam ingressos submetidos ao cálculo das antecipações de IRPJ. Com a venia devida, ouso divergir da construção jurisprudencial colacionada pela Recorrente, pois tenho como primado que a opção de apuração anual do lucro, para fins do imposto de renda e contribuição social, requisita o cumprimento de todas as condições impostas pelo legislador, sob pena da regra geral de apuração trimestral tornarse letra morta. Por fim, a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento ex officio. O vencimento da multa por lançamento de oficio se dá no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Segundo o parágrafo único do artigo 43 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o valor da multa lançada, se não pago no vencimento, sujeitase aos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente até o mês anterior ao do pagamento à taxa a que se refere o § 3º do artigo 5º deste mesmo diploma legal, qual seja, taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) e de um por cento no mês de pagamento. Acresçase que o Decretolei n° 1.736, de 20 de dezembro de 1979, ao estatuir que os débitos perante a Fazenda Nacional sujeitamse a juros de mora quando não pagos nos vencimentos, definiu como valor originário o débito fiscal excluído das parcelas relativas a correção monetária, juros de mora, multa de mora e encargo do Decreto Lei nº 1.025, de 1969, ou seja, não previu a exclusão da multa de oficio. Por sua vez, o § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430 em foco reprisa a incidência de juros à taxa Selic sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Uma vez mais rogo venia à corrente desta Corte que tem se firmado em sentido oposto, consoante julgados colacionados pela Recorrente, para expor entendimento de ser legítima a cobrança do acréscimo. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 464 16 Com tais razões VOTO pela rejeição da preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, pelo provimento parcial do recurso para afastar as exigências do PIS e COFINS. II) Recurso de Ofício O valor exonerado de crédito tributário supera aquele previsto no artigo 2º da Portaria MF nº 375/2001, com o valor alterado pela Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008 (tributos e encargos de multa superior a R$ 1.000.000,00), motivo pelo qual se acolhe o recurso de ofício interposto pela autoridade julgadora de primeira instância. Referida modalidade recursal tem por objeto reapreciação da matéria afeta ao real valor do benefício, o qual serviu de base de cálculo aos tributos, tomado pela fiscalização pela monta de R$ 24.111.367,82. Para melhor compreensão reproduzo os exatos termos do voto condutor do acórdão recorrido, fl. 280: “Por fim, cabe apreciar a alegação da Impugnante a respeito do montante do beneficio auferido pela empresa (R$24.111.367,82), indevidamente contabilizado como reserva de investimentos, uma vez que parte dos créditos diferidos e levados a conta de Reserva de Capital foi estornada, restando como reservas apenas o valor de R$20.706.754,38. Nesse ponto assiste razão à Impugnante. Dos valores relativos ao beneficio fiscal, no montante total de R$24.111.572,61 (por um pequeno erro, no auto de infração constou R$24.111.367,82), levados ao Patrimônio Liquido, durante o anocalendário de 2004, na conta "2.3.20.004 Subvenções p/Investimentos", uma parcela, no valor total de R$3.404.818,13 foi estornada, conforme copias do livro Razão, às fls. 244 e 245. Em face de alteração na forma de contabilizar os créditos de ICMS, o mencionado estorno foi efetuado para duas contas diferentes: parte para a conta "4.4.00.001 Custo dos Produtos Vendidos", no valor de R$433.377,78, consoante cópias do livro Razão, às fls. 246 e 247, e parte para a conta "2.1.20.002 ICMS a Recolher", no valor de R$2.971.440,35, conforme livro Razão, às fls. 248 a 253. Desse modo, a tributação do IRPJ deve incidir sobre as receitas correspondentes à subvenção auferida, no valor de R$20.706.754,48.” Realmente, o quantum do benefício do ICMS contabilizado em conta de reserva, ora interpretado como resultado operacional, deve sofrer os estornos aventados, tal qual exteriorizado na motivação da autoridade julgadora de primeira instância, que adoto para efeitos do IRPJ e CSLL, entendendoa suficiente à caracterização da impropriedade do lançamento da parcela extirpada. Assim, VOTO pelo improvimento do recurso de ofício. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Fl. 464DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 465 17 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Shigueo Takata, Redator designado Rendo minhas homenagens ao ilustre relator, mas peço vênia para dissentir sobre a caracterização dos incentivos fiscais em dissídio como subvenções para custeio. Como elucida o mestre Bulhões Pedreira (cf. seu Finanças e Demonstrações Financeiras da Companhia, Rio: Forense, 1989, pp. 242 a 245), a maioria dos fluxos financeiros é criada por atos de troca ou por atos de transferência. Nos atos de transferência, há um único fluxo financeiro, sem contrapartida de outro em sentido oposto, ou seja, aqueles causam curso de bens entre patrimônios num único sentido. Os atos de transferência podem gerar fluxos de renda e fluxos de capital (assim como os atos de troca podem geram ambos os fluxos). Vale dizer, as duas categorias de fluxos financeiros – transferências de renda e transferências de capital – podem ser geradas por atos de transferência. Esclarece Bulhões Pedreira: Transferência de capital é o fluxo financeiro criado por fato patrimonial de que resulta o deslocamento de capital do patrimônio de uma pessoa com o fim de acrescer ao estoque do capital de outra. O capital pode ser transferido com o fim de integrar o patrimônio líquido da outra pessoa (como nos casos de doação, subvenções para investimento, subscrição do capital social de sociedade), ou sem essa destinação (como nos casos de empréstimo e sua restituição, subscrição e pagamento de debêntures, ou pagamento de obrigação nascida de ato ilícito). A forma jurídica do negócio nem sempre é suficiente para classificar o fluxo financeiro como transferência de renda ou de capital. (...) depende da intenção de quem cria a transferência... (grifamos, op. cit., p. 247) E, como casos de transferência de renda, são descritas, entre outras, as doações ou subvenções para despesas ou custeio, os lucros distribuídos por pessoas jurídicas (op. cit., p. 245). Daí que o art. 182, § 1º, “d”, da Lei de S.A. (de cujo anteprojeto de lei Bulhões Pedreira foi um de seus autores), antes da alteração promovida pela Lei 11.638/07, é claro ao determinar que as subvenções para investimento não são registráveis contabilmente como receita, mas como reservas de capital (no patrimônio líquido): Patrimônio Líquido Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º. Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: Fl. 465DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 466 18 a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures; d) as doações e as subvenções para investimento. Na lógica e na inteligência da Lei de S.A., ao tratar do direito contábil, as subvenções para investimento e as doações não são registráveis como receita, mas como reservas de capital no patrimônio líquido, por representarem transferências de capital, e não transferências de renda (muito menos pagamento de renda). E o que determina se as transferências (fluxos financeiros num único sentido) são de renda ou de capital? A intenção do doador ou do subvencionador. Se a intenção ou propósito de quem transfere os recursos é para subvencionar empreendimentos, aumentando o estoque de capital do subvencionado, estamos diante de transferência de capital, e, pois, de subvenção para investimento. No caso de doação, se a intenção ou propósito é de doação para investimento (inversão de capital), aumentando o estoque de capital do donatário, também estamos diante de transferência de capital – são as doações de capital. Se a intenção de quem transfere recursos for de subvencionar o giro normal da empresa ou de cobrir déficits, ou de doar recursos para esse fim, estamos diante de transferência de renda – são as subvenções para custeio e as doações de renda, ambas receitas. Notese que nem toda doação seria, portanto, classificável como reservas de capital no patrimônio líquido. Em linguagem técnica, nem toda a contrapartida contábil de doação recebida seria registrável como reservas de capital. Se as doações forem para (intenção ou propósito) cobertura de déficits, auxílio para o giro normal da empresa, a contrapartida contábil da doação é registrável como receita, e não como reservas de capital. Isso se coloca na lógica e na teleologia do art. 182, § 1º, “d”, da Lei de S.A. (antes da alteração da Lei 11.638/07). Nessa mesma esteira (da própria Lei de S.A., i.e., do direito contábil), se a subvenção for para custeio (ou subvenção corrente), sua contrapartida contábil devese dar em conta de receita, pois será hipótese de transferência de renda. Em geral, as subvenções concedidas pelos particulares são de custeio ou correntes. Não por menos há expressa previsão dessa espécie de subvenção no Código Civil (art. 545). Pois bem. E como se manifesta a intenção do subvencionador de investimentos? No caso do Poder Público, principalmente através de estímulos à consecução de empreendimentos, pelo mecanismo de incentivos fiscais. É do étimo de subvenção, Fl. 466DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 467 19 socorrer, ajudar (subventio, subveniere). Por isso, De Plácido e Silva, quando define subvenção, fala em auxílio, ajuda pecuniária a alguém1. Quer dizer, se um incentivo fiscal é concedido sob a “condição”2 de instalação, expansão ou ampliação de empreendimentos, o custo econômico desse incentivo representa uma subvenção para investimento. A caracterização de subvenção para investimento não se dá pela vinculação dos recursos recebidos aos empreendimentos, no sentido de destinação dos recursos a esses investimentos. Isso se ocorrer, constitui elemento acidental: o cerne é o que descrevi acima para configuração de subvenção para investimento. Com a devida vênia, subvenção para investimento não depende da vinculação no sentido de destinação dos recursos, por três razões básicas. Primeiro porque, ordinariamente, o beneficiário primeiro aplica seus recursos, para a realização dos empreendimentos, para depois passar a receber a subvenção para investimento. Basta pensar naquele que resolveu instalar sua fábrica em determinado Estado, por conta da subvenção para investimento na forma de incentivos fiscais. É evidente que só receberá os recursos da subvenção, após ter aplicado seus recursos próprios (ainda que obtidos mediante financiamento). Mesmo nos casos de ampliação de empreendimentos já existentes em certo Estado, o que se dá, em geral, é a aplicação de recursos próprios, e depois o recebimento dos recursos de subvenção para investimento. Segundo porque o aumento de estoque de capital como evidência da intenção de subvencionar investimento não depende da destinação dos recursos aos empreendimentos. Depende (aumento de estoque de capital) certamente da intenção de se subvencionar investimento (empreendimento), geralmente expressa (a intenção) por meio de estímulos ao investimento quando a subvenção se dá através de incentivos fiscais. Noutras palavras, nem o art. 38, § 2º, do Decretolei 1.598/77 prevê referida destinação dos recursos, ao tratar de subvenção para investimento para fins de IRPJ sob regime de lucro real tampouco o direito contábil (art. 182, § 1º, “d”, da Lei de S.A.). Terceiro, que não deixa de ser um desdobramento das duas razões citadas, porque o dinheiro não “se carimba”, não é possível se “carimbálo”. Aliás, no caso de subvenção para investimento por meio de incentivos fiscais, em geral nem se recebe dinheiro, mas outro ativo. E, é claro, mesmo numa subvenção em que se receba dinheiro e o beneficiário o destine a algum empreendimento, se a subvenção for dada com intenção de 1 "Vocabulário Jurídico", atualizadores: Nagib Slaibi Filho e Gláucia Carvalho, 28ª ed., Rio: Forense, 2009, p. 1.327. 2 "Condição" entre aspas, pois a condição legal ou "condicio juris" não é verdadeira condição. Não é autêntica condição aquela de cuja consecução depende "ex lege" a eficácia do negócio (Ludwig Enneccerus, "Tratado de Derecho Civil, Parte General Vol. 2", trad. Pérez González y José Alguer, 39º ed. alemã, 2ª ed. traduzida, Bosch, 1950, p. 326) ou aquela que decorra do direito a que acede. Autêntica condição é a que integra a declaração de vontade; daí só haver no negócio jurídico (não em atos jurídicos estrito senso), como seu elemento acidental, no sentido de não ser essencial ao negócio jurídico mas não é elemento acessório do negócio, pois a declaração de vontade é una (Vicente Ráo, "Ato Jurídico", 1ª ed., Max Limonad, 1961, pp. 289 e 290; Antônio Junqueira de Azevedo, "Negócio Jurídico", 4ª ed., Saraiva, 2002, pp. 17, 18, 55, 121). Fl. 467DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 468 20 cobrir despesas ordinárias ou para giro normal da empresa, a subvenção será de custeio ou corrente, e não de investimento. Logo, a contrapartida contábil do recurso recebido será receita (transferência de renda), e não reservas de capital (transferência de capital). Pelo que foi deduzido, e como corolário, a caracterização de subvenção para investimento não se dá, não depende de estreita correlação entre os recursos e aplicação específica nos empreendimentos, ou seja, de sincronismo. Para fins da subvenção, vinculação é relacional ao propósito da subvenção. Ou seja, podese falar em vinculação como relacional à intenção do subvencionador. Neste sentido (e somente neste) se pode dizer em vinculação dos recursos a projetos de investimento aprovados, para o caráter de subvenção para investimento. Não foi diversa a conclusão no Acórdão nº 910100.566, da 1ª Turma da CSRF, da sessão de 17 de maio de 2010, de relatoria do nobre Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias. Transcrevo sua ementa: Ementa: SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BENEFÍCIO FISCAL. CARACTERIZAÇÃO. CONTRAPARTIDA. NÃO VINCULAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS RECURSOS. A concessão de incentivos às empresas consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do Estado do Amazonas, dentre eles a restituição total ou parcial do ICMS, notadamente quando presentes a i) intenção da pessoa jurídica de Direito Público em subvencionar determinado empreendimento e o ii) aumento do estoque de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação dos recursos no seu patrimônio, configura outorga de subvenção para investimentos. O conjunto de obrigações assumidas pela beneficiária, em contrapartida ao favor fiscal, não configura aplicação obrigatória dos recursos transferidos. (grifamos) Também cito o Acórdão nº 9101001.094, da 1ª Turma da CSRF, da sessão de 29 de junho de 2011, no que pertine à questão da vinculação dos recursos e sincronismo, e que teve como relator o nobre Conselheiro Alberto Pinto Jr., assim ementado: IRPJ. Subvenção para Investimento. Na hipótese de implantação de empreendimento, há um descasamento entre o momento da aplicação do recurso e do gozo do benefício a título de subvenção para investimento, razão pela qual, natural que o beneficiário da subvenção para investimento, em um primeiro momento, aplique recursos próprios na implantação do empreendimento, para depois, quando a empresa iniciar suas operações e, consequentemente, começar a pagar o ICMS, comece também a recompor seu caixa do capital próprio anteriormente imobilizado em ativo fixo e outros gastos de implantação.(grifamos) Muito bem. Alhures dissemos que, se um incentivo fiscal é concedido sob a “condição” de instalação, expansão ou ampliação de empreendimentos, o custo econômico desse incentivo representa uma subvenção para investimento. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 469 21 Dissemos custo econômico, pois a subvenção para investimento compreende, em seu sentido econômico, os incentivos fiscais na forma de isenção “condicionada”. Embora subvenção para investimento em sentido estritamente jurídico não se confunda com isenção, economicamente aquela compreende a isenção “condicionada”. Afinal, qual a diferença econômica entre, por ex., devolução de ICMS e isenção de ICMS? A devolução de ICMS, assim também o crédito presumido de ICMS, desde que ambas sejam “condicionadas” à consecução de investimentos ou empreendimentos, tanto uma como outra representam contabilmente um ativo, cujas contrapartidas informam aumento do estoque de capital, como subvenção para investimento em face da intenção materializada como já esclarecido. Assim, se a devolução de ICMS bem como o crédito presumido de ICMS se derem sob as “condições” referidas, eles são escriturados como ativo (débito), cujas contrapartidas contábeis são registradas a crédito em reservas de capital, no patrimônio líquido. Do mesmo modo, a isenção de ICMS, desde que “condicionada” à consecução de investimentos ou empreendimentos, ela é um ativo (ou uma redução de passivo), cuja contrapartida informa aumento do estoque de capital, como subvenção para investimento, diante da intenção conforme já dito. Contabilmente, refletindo a essência econômica da isenção concedida sob as “condições” mencionadas, devese escriturar uma despesa de ICMS contra crédito no passivo e o valor da isenção deve ser registrado: como ativo (a ser usado para baixar aquele passivo) ou diretamente como baixa do passivo, ambos a débito, contra reservas de capital (crédito). Exatamente porque o custo econômico no incentivo fiscal sob a forma de devolução de ICMS é o mesmo da isenção de ICMS, ambas “condicionadas” a que o beneficiário realize os investimentos ou empreendimentos de interesse do Poder Público. Esse mesmo custo econômico se dá no incentivo fiscal na forma jurídica de crédito presumido de ICMS “condicionado” à feitura de empreendimentos. E, do que já foi deduzido até aqui, fácil constatar que o termo subvenções para investimento foi utilizado em seu sentido econômico pelo art. 182, § 1º, “d”, da Lei de S.A., conforme sua lógica e teleologia. Daí assistir toda razão ao saudoso Bulhões Pedreira3, quando afirma: O DL nº 1.598/77, para evitar dúvidas, esclarece que o conceito de subvenção para investimento inclui as que revestem a forma de isenção ou redução de impostos concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. (grifamos) 3 "Imposto sobre a Renda – Pessoas Jurídicas – Vol. II", Rio: Justec, 1979, p. 688. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 470 22 No mesmo sentido, vejase no Manual de Contabilidade da Fipecafi, dos mestres Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Rubens Gelbcke: No caso de subvenção para atender a despesas de custeio (cobertura de prejuízos, déficits), seu registro deve ser como receita do exercício. Então, tal receita deve ser registrada separada e destacadamente do resultado das operações normais. Em relação às empresas privadas, as subvenções para investimentos mais comuns, dentro da acepção legal ainda existente, são as na forma de devolução, isenção ou redução de impostos devidos pela empresa. (...) Tratandose de subvenções destinadas a investimentos (expansão empresarial), são creditadas diretamente nessa conta de Reserva de Capital – Doações e Subvenções para Investimentos – para a qual a empresa deve ter subcontas por natureza de subvenção recebida. (grifamos) 4 Atentese, por sua importância: à luz das normas contábeis (art. 182, § 1º, “d”, da Lei de S.A.), mesmo sem se fazer remissão à lei do IRPJ (art. 38, § 2º, do Decretolei 1.598/77), vêse que a subvenção para investimentos não é receita, mas reservas de capital (patrimônio líquido). Logo, para fins de CSL, por ex., diante de uma subvenção para investimento, este valor não compõe a base de cálculo do referido tributo, pela elementar razão de não ser receita, e, pois, não compor o lucro líquido. E, não há nas normas legais de CSL, comando que afaste o direito contábil nesse ponto. O mesmo se pode dizer para o IRPJ sob o regime do lucro presumido, pois o art. 38, § 2º, do Decretolei 1.598/775 é regra específica para lucro real. Não por menos ele é reproduzido somente no art. 443 do RIR/99. Esse artigo integra o Subtítulo III – Lucro Real do Título IV – Determinação da Base de Cálculo do Livro II – Tributação das Pessoas Jurídicas do RIR/99 (as normas para lucro presumido estão no Subtítulo IV, título e livro supra, do RIR/99). Vale dizer, como a subvenção para investimento não é receita, à luz do direito contábil, como o art. 38, § 2º, do Decretolei 1.598/77 é regra específica para lucro real, e não há regra que afaste o direito contábil para o lucro presumido, também não compõe a base de cálculo desse a subvenção para investimento. 4 "Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações", 6ª ed., São Paulo: Atlas, 2003, pp. 297 e 298. 5 Art. 38. (...) § 2º. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) Fl. 470DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 471 23 A bem ver, no que concerne a subvenção para investimento, o que o art. 38, § 2º, do Decretolei 1.598/77 trouxe de diverso ao que prevê o direito contábil, para fins de IRPJ sob o regime do lucro real, foi colocar os seguintes requisitos para não tributar aquilo que não é receita (= não adição ao lucro líquido). Que “as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos” sejam: necessariamente registradas como reservas de capital somente utilizáveis para absorver prejuízos ou serem incorporadas ao capital social, e que não haja redução de capital no montante capitalizado6. Ou seja, o que a referida norma legal fez foi somente estabelecer dois requisitos, para fins do IRPJ sob o regime do lucro real, para que a subvenção para investimento não seja adicionável ao lucro líquido (= o que não é receita não precisar compor a base de cálculo do IRPJ sob regime do lucro real). E isso é confirmável inclusive pela interpretação lógica do art. 38, § 2º, do Decretolei 1.598/77. Os pressupostos de fato previstos nos incisos do caput do art. 38, bem como o de seu § 1º 7, são todos hipóteses que também não são receita nem são despesa pelas normas contábeis (art. 182, § 1º, “a” a “c” e § 5º c/c o art. 30, § 1º, “b” e “c”, da Lei de S.A.) – tal como o do art. 38, § 2º, no caso, subvenção para investimento. Quer dizer, em relação àqueles pressuposto de fato, o art. 38 não colocou requisito para que não sejam tributáveis (adição ao lucro; e, claro, para não se poder excluir o débito, em patrimônio líquido, do lucro)8. E por que a necessidade de dizer que não são tributáveis os referidos pressupostos de fato (art. 38, caput e incisos e § 1º)? É necessário se lembrar que, à época, acabara de ser editado o novo regramento contábil (na nova Lei de S.A.). Por isso, houve por bem o legislador esclarecer que aquilo que não é receita, conforme o direito contábil, não é tributável para o IRPJ sob o regime do lucro real. Tanto que a Lei 7.689/88, ao instituir a CSL, não entrou nesses detalhes, justamente porque já não se fazia mais necessário. 6 Outra questão, que não será aqui analisada nem decidida por não ser o caso dos autos, é a seguinte. Suponha que haja várias capitalizações de reservas de capital, uma decorrente da subvenção para investimento, outras não dela decorrentes. Ao ocorrer uma redução de capital, como se aferir se a feita corresponde à parcela relativa à subvenção para investimento capitalizada, já que os recursos não são "carimbados" em subconta contábil? Pelo método PEPS? Mas aí o primeiro que "entrou" foi o próprio capital subscrito e integralizado... E se só houver a capitalização das reservas de capital decorrentes de subvenção para investimento, a pessoa juríddica jamais poderá reduzir seu capital? Imaginese que a redução querida seja a relativa ao capital social original. Como determinar isso se o registrado em capital social não é "carimbável", e se considerando, por ex., que já se tenham passado mais de 15 anos da capitalização das reservas de capital? 7 Art. 38. Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; IV lucro na venda de ações em tesouraria. § 1º. O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real. 8 No fundo, o § 1º do art. 38 do Decretolei apenas esclarece o que já está implícito. Por isso fala “não será dedutível” na determinação do lucro real o prejuízo na venda de ações em tesouraria no seguinte sentido: embora o prejuízo na venda de ações em tesouraria nem seja despesa, mas valor lançável a débito em conta do patrimônio líquido, “não venha querer deduzir se lançar o débito em despesa”. Simplemente porque o prejuízo não é despesa. Daí o referido preceito ser apenas esclarecedor do que já está implícito. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 472 24 Em suma, conforme o direito contábil, a subvenção para investimento não é receita, sendo registrável em reservas de capital. Para efeitos de IRPJ sob o regime do lucro real, o que não é receita continua não compondo o lucro real, desde que atendidos os dois requisitos suprarreferidos; se não atendidos a tributação se dá (por adição ao lucro) só quanto ao IRPJ e sob o regime de lucro real. Registro aqui uma observação. Somente a partir do advento da Lei 11.638/07, que trouxe alterações no Capítulo das Demonstrações Financeiras da Lei de S.A., as subvenções para investimentos passaram a ser registráveis como receita9. Ainda assim, elas permanecem não sendo tributáveis, e não só para fins de IRPJ, conforme os arts. 15, caput e § 4º, 16, 18 e 21, da Lei 11.941/09 (instituição do RTT Regime Tributário de Transição). Pois bem. A recorrente recebera incentivos fiscais “condicionados” à feitura de empreendimentos no Estado da Bahia, na forma de crédito presumido de ICMS. Conforme o Decreto estadual/BA 4.316/95: Art. 2º. Nas operações de saída dos produtos resultantes da industrialização, o estabelecimento industrial lançará a crédito o valor do imposto destacado, quando naqueles produtos forem aplicados os componentes, partes e peças recebidos com o tratamento previsto no caput do artigo 1º. Art. 2ºA. Os estabelecimentos industriais dedicados à produção de máquinas e aparelhos elétricos, eletroeletrônicos, eletrônicos e de telecomunicações e equipamentos de informática, cabos e fios de alumínio e de fibra ótica poderão lançar como crédito em sua escrita fiscal, em cada período de apuração, o valor equivalente ao saldo devedor do imposto apurado em cada mês, relativo às operações e prestações com tais produtos. (redação dada pelo Decreto nº 7.737 de 30.12.1999). Art. 7º. Nas operações de saídas internas de produtos acabados, recebidos do exterior com o diferimento regulado nos incisos II e III do caput do art. 1º, o estabelecimento que os importar lançará a crédito o valor correspondente ao indicado nos incisos abaixo, de forma que a carga tributária incidente corresponda a um percentual efetivo de 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento), observada a disposição do § 1º do art. 1º: I 50% (cinqüenta por cento) do imposto destacado, sem prejuízo do disposto no inciso V do art. 87 do RICMS/BA, quando relativas a produtos de informática; II 79,41118% (setenta e nove inteiros e quatro mil cento e dezoito décimos de milésimos por cento), quando relativas a produtos de telecomunicações, elétricos, eletrônicos e eletro eletrônicos, efetuadas por estabelecimento industrial. 9 A Lei 11.941/09 também promoveu outras alterações no referido capítulo da Lei de S.A. Todas essas alterações visaram o alinhamento das normas contábeis domésticas às normas internacionais de contabilidade (das IFRS e das IAS). Com isso, foram publicadas inúmeras normas infralegais contábeis, os Pronunciamentos Técnicos CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis), aprovados por deliberações da CVM e por resoluções do CFC (Conselho Federal de Contabilidade). Fl. 472DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 473 25 Parágrafo único. Desde que obedecidas as mesmas condições previstas neste artigo o estabelecimento importador lançará a crédito, nas operações de saídas interestaduais, o valor correspondente a 70,834% (setenta inteiros e oitocentos e trinta e quatro milésimos por cento), de forma que a carga tributária incidente se iguale à estabelecida nas operações de saídas internas. (Redação do artigo dada pelo Decreto nº 7.341 de 26.05.1998) E, para receber o crédito presumido de ICMS, a recorrente teria de cumprir as “condições” previstas no mesmo Decreto estadual 4.316/96: Art. 1º. (...) § 1°. Para usufruir do beneficio de que tratam os incisos II e III do caput deste artigo o contribuinte, devidamente habilitado para operar no referido regime na conformidade do art. 344 e seguintes do Regulamento do ICMS, aprovado pelo Decreto n° 6.284/97, deverá: I renovar anualmente a habilitação concedida pela Secretaria da Fazenda; II comprovar que o faturamento total das vendas de produtos fabricados na unidade industrial equivale, no mínimo, aos seguintes percentuais do valor total do faturamento anual: a) 25% (vinte e cinco por cento) no primeiro ano de produção; b) 33% (trinta e três por cento) no segundo ano de produção; c) 40% (quarenta por cento) no terceiro ano de produção; d) 50% (cinqüenta por cento) a partir do quarto ano de produção. § 3°. Poderão ser instalados, com o beneficio decorrente deste Decreto, projetos industriais localizados: I em qualquer município integrante da Região Metropolitana do Salvador, desde que: a) se refiram exclusivamente a empreendimentos que tenham por objetivo montagem ou fabrico de produtos de pelo menos 2 (dois) setores integrados entre os de informática, elétricos, de elétricoeletrônica, de eletrônica e de telecomunicações; ou b) o valor do investimento total seja equivalente a, no mínimo, R$ 50.000.000,00 (cinqüenta milhões de reais); II nas demais regiões do Estado, independente da exigência do inciso anterior, mediante aprovação por ato especifico da Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração. § 4°. Ficam igualmente diferidos o lançamento e o pagamento do imposto na saída interna dos produtos tratados no inciso I do caput e no § 2° deste artigo, promovida pelo estabelecimento industrial importador, nas seguintes hipóteses: I – quando destinados a estabelecimento industrial neste Estado, que os utilize na fabricação de produtos de informática, elétricos, de eletroeletrônica, de eletrônica e de telecomunicações ou prestação de assistência técnica e Fl. 473DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 474 26 manutenção, para o momento em que ocorrer a saída dos mesmos produtos ou de produto deles resultantes, desde que o seu projeto de implantação tenha sido aprovado pela Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração. (...) Art. 9ºA. As empresas que mantiverem o faturamento total das vendas de produtos fabricados na unidade industrial em, no mínimo, 25% (vinte e cinco por cento) do valor total do faturamento anual poderão usufruir dos benefícios de que trata este decreto se atenderem as seguintes condições: I realize investimento mínimo de 70% do seu projeto industrial; 11 todos os seus produtos estejam enquadrados na norma "ISO 9.000" ou posterior; III não possua débito para com a fazenda pública estadual, inscrito em Divida Ativa, enquanto não proceder à extinção da divida, salvo nos casos de débitos parcelados que estejam sendo pontualmente pagos; IV possua, no mínimo, três anos de produção industrial efetiva; V celebre de Termo de Acordo especifico com a Secretaria da Fazenda, representada pelo Diretor da Diretoria de Administração Tributária DAT da circunscrição fiscal do contribuinte, comprometendose a cumprir as condições previstas neste artigo.(grifamos) Em relação à recorrente, a intenção do Estado de subvencionar empreendimentos é acusada no Protocolo de Intenções firmado entre aquela e o Estado da Bahia: “PROTOCOLO DE INTENÇÕES Considerando que é atribuição do Estado regular e fomentar as atividades econômicas, conforme prevê o artigo 174 da Constituição Federal de 1988 e a Constituição Estadual do Estado da Bahia; Considerando que tal atribuição tem como um de seus maiores objetivos o incremento do nível de emprego e redução das desigualdades regionais e sociais do Estado, sendo para tanto fundamental estimular novos investimentos; Considerando que esses objetivos demandam comprometimento político e atuação focada e contínua por parte dos agentes e órgãos da Administração Pública, para os novos investimentos, que exigem ações de médio e longo prazo, ultrapassando o período da atual Administração; Considerando que é indispensável que o Estado, visando o incremento do desenvolvimento industrial e comercial, propicie condições para realização de investimentos no setor produtivo, mediante a formação de parcerias com o setor privado; Fl. 474DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 475 27 Considerando as condições favoráveis à realização desse empreendimento no Estado da Bahia, consubstanciadas nas vantagens logísticas e econômicas; Considerando os benefícios que a instalação de fábricas deverá proporcionar para a economia e o desenvolvimento social do Estado da Bahia, em decorrência da elevação das ofertas de emprego direto e indireto e do aumento de suas receitas; Considerando que a instalação de um parque industrial de eletrodomésticos, elétricos e eletrônicos se reveste de grande importância para o desenvolvimento de atividades produtivas de base tecnológica, como é o caso do presente projeto; Considerando que a fruição dos benefícios decorrentes dos fomentos e dos financiamentos é condição indispensável para que a BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS S/A possa vir a instalar uma unidade do Estado da Bahia; O ESTADO DA BAHIA... têm justo e acordado o presente PROTOCOLO DE INTENÇÕES, na forma das cláusulas e condições que se seguem;” (grifamos) E a intenção ou propósito do Estado da Bahia de subvencionar investimentos, em relação à recorrente, materializouse na formalização do Protocolo de Intenções (a bem ver, do contrato) à vista do citado Decreto estadual/BA 4.316/95: “CLÁUSULA PRIMEIRA – DO OBJETO Constitui objeto do presente Protocolo a formalização da intenção dos seus signatários, no sentido de viabilizar a instalação de indústria de produção e eletroeletrônicos e de componentes para produtos eletrodomésticos. CLÁUSULA SEGUNDA – DOS COMPROMISSOS DA BRITÂNIA Para a consecução dos objetivos deste Protocolo, compromete se a EMPRESA, a: a) Instalar em município da Região Metropolitana de Salvador, a ser definido, neste Estado da Bahia, indústria.... com investimento estimado em R$ 25.000.000,00 (vinte e cinco milhões de reais) e promover a geração de 650 (seiscentos e cinqüenta) empregos diretos; b) Promover o treinamento e a capacitação de mãodeobra, prioritariamente local, a ser aproveitada no processo fabril; c) Fornecer todas as especificações técnicas para a viabilização dos projetos de infraestrutura do ESTADO... (...)” (grifamos) Mais. Ainda que não houvesse tal protocolo de intenções e a formalização deste, a conclusão não seria afetada. Esclareço. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.001207/200777 Acórdão n.º 110300.555 S1C1T3 Fl. 476 28 Suponhase que determinado Estado resolvesse conceder crédito presumido de determinada grandeza sob a “condição” de lá ser instalado certo empreendimento ou ampliação deste, sem dimensionar o valor das inversões de capital a serem feitas. Por óbvio que isso só seria concedido, se e na medida em que aquele empreendimento venha a ser “gerador” de ICMS devido, em montante tal que supere o valor do crédito presumido. Do contrário, não haveria razão para esse custo econômico do Estado. Por sua vez, para o contribuinte também pereceria sentido se assim não fosse, pois, do contrário, de nada adiantaria o crédito presumido (pois não seria restituível, nem cedível, e nem compensável com outros tributos estaduais). Também, em uma hipótese tal, o caráter desse custo econômico, desse incentivo fiscal, seria de subvenção para investimento, e não de subvenção para custeio. Diante de todas as considerações que deduzi acima, reiterando as vênias ao nobre relator, não hesito em afirmar e não me resulta dúvida de que o incentivo fiscal em questão, no caso, o crédito presumido de ICMS, constitui subvenção para investimento. E a contrapartida da escrituração contábil do ativo crédito presumido de ICMS é registrável e foi registrada em reservas de capital no patrimônio líquido, não sendo receita. Não merece reparos, pois, o procedimento adotado pela recorrente. Por conseguinte, fica prejudicada a questão da recomposição do lucro de exploração, para fins do incentivo de redução de 75% do IRPJ sobre aquele lucro, vez que o valor do incentivo fiscal não representa receita, não é tributável. Igualmente restam prejudicadas as questões da cobrança das multas isoladas e dos juros de mora sobre a multa de ofício. Sob essa ordem de razões e juízo, dou provimento ao recurso. É o meu voto. assinado digitalmente Marcos Shigueo Takata – Redator designado Fl. 476DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/12/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10840.002293/2002-00
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI
Período de apuração: 01/12/2000 a 28/02/2001
PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI.
A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao
preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação
tributária de regência.
IPI. RESSARCIMENTO. APURAÇÃO TRIMESTRAL.
A partir de 01/01/1999, somente ao final de cada trimestrecalendário,
permanecendo saldo credor de IPI, esse poderá se utilizado para
ressarcimento ou compensação.
Numero da decisão: 3403-001.240
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. IPI. RESSARCIMENTO. APURAÇÃO TRIMESTRAL. A partir de 01/01/1999, somente ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor de IPI, esse poderá se utilizado para ressarcimento ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente Liduína Maria Alves Macambira Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Winderley Morais Pereira, Domingos de Sá Filho, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 2 Relatório Por bem descrever os fatos que versa o presente processo, adoto e transcrevo o relatório da decisão da autoridade de primeira instância, fls. 205/207: Tratase de Manifestação de Inconformidade, apresentada pela requerente, ante decisão de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto (fl. 156), que indeferiu o pedido de ressarcimento de crédito do IPI, e não homologou as compensações requeridas no processo. A referida decisão administrativa lastreouse em informação fiscal, às fls. 149/155, que constatou duplicidade de créditos de IPI incidentes sobre o mesmo insumo (embalagens na aquisição e retorno de industrialização por encomenda). Ainda, no que se refere aos créditos compreendidos entre dezembro/2000 e janeiro/2001, os mesmos já foram objeto de pedido de ressarcimento formulado através do processo administrativo n° 10840.000478/200191. Inconformada com a decisão administrativa, a requerente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 166/186, instruída com os documentos de fls. 187/199, alegando, em síntese, que o procedimento da manifestante é correto, na medida em que ocorreram duas operações distintas, com dois valores de IPI efetivamente pagos, que deviam ser aproveitados como créditos pela legislação e a posterior saída dos produtos da manifestante com débito do imposto, na forma do art. 126 do RIPI/98, restando claro que não há que se falar em duplicidade de créditos. Por fim, requer reforma da decisão proferida, deferindose os pedidos de ressarcimento e compensação efetuados. A 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, mediante Acórdão nº 1427.575, de 10 de fevereiro de 2010, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob os fundamentos conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/12/2000 a 28/02/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI. A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. IPI. RESSARCIMENTO. APURAÇÃO TRIMESTRAL. A partir de 01/01/1999, somente ao final de cada trimestre calendário, permanecendo saldo credor de IPI, esse poderá se utilizado para ressarcimento ou compensação. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10840.002293/200200 Acórdão n.º 3403001.240 S3C4T3 Fl. 277 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão da DRJ/RBO em 19/03/2010, fls. 210, a Recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 16/04/2010, fls. 211/220, alegando em síntese que: que pretende o ressarcimento e, posterior validação das compensações com PIS e COFINS de crédito de IPI decorrente de aquisição de material de embalagem, nos termos do art. 147 do RIPI/98; estando enquadrada como contribuinte na condição de equiparada a industrial, adquirindo de fornecedor idôneo material de embalagem a ser aplicado em produto industrializado, que gera saída tributada pelo IPI, atende as condições de aproveitamento do crédito conforme art. 147 do RIPI/98; assim apurou o crédito acumulado remanescente do IPI relativo ao período entre o primeiro decêndio de dezembro de 2000 e o 3º decêndio de fevereiro de 2001; discorda da decisão recorrida que entende que somente o saldo do trimestre é possível de ressarcimento nos termos da legislação de regência; não admite que o direito da recorrente seja preterido por uma mera formalidade, que não afeta a substância do direito material; não obstante tenha indicado como apuração do saldo remanescente do IPI o período entre o primeiro decêndio de dezembro de 2000 e o terceiro decêndio de fevereiro de 2001, os valores apurados não foram alterados; alega que documentos trazidos à colação demonstram que a apuração do IPI, efetivamente, foi realizada dentro dos trimestres de 2000 e 2001; a irregularidade forma cometida referese ao período indicados no pedido de restituição,ou seja, o primeiro decêndio de dezembro de 2000 e o terceiro decêndio de fevereiro de 2001; caso superadas as assertivas acima, e entendam ser o caso de glosar as compensações, traz razões que comprovam que os créditos devem ser analisados por sua legitimidade; ainda que o procedimento do pedido de ressarcimento da recorrente esteja em desacordo com a legislação de regência, verificase, pelos documentos carreados aos autos, existir crédito remanescente de IPI; uma planilha apresenta um resumo demonstrando que o total de saldo credor de cada trimestre é maior do que os créditos objetos de ressarcimento; em face do princípio da verdade material, onde no processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade ainda que, para isso, tenha de valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados; imperiosa a necessidade de análise da legitimidade os créditos, ainda que isoladamente considerados, vez que as compensações foram glosadas pela irregularidade formal; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 4 diferentemente do processo judicial, no processo administrativo, autoridade competente não fica obrigada a restringir seu exame aos autos “formais”, podendo de devendo buscar todos os elementos “materiais” que possam influir no seu convencimento; pede a conversão do julgamento em diligência para esclarecer aspectos de verdade material, sob pena de cerceamento de defesa; caso não considerada a realização de diligência, requer o acolhimento das razões trazidas à colação, julgandoas totalmente procedentes, reformandose a decisão de 1ª instância, para que seja validade o pedido de ressarcimento e compensação formulado pela Recorrente. É o relatório. Voto Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, Relatora O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, cabe esclarecer que a realização de diligência não tem por objetivo suprir procedimentos que deveriam ser realizados pelas partes, mas elucidar fatos que venham corroborar para convicção dos julgadores encarregados de dar solução ao litígio. Entendo que não cabe diligência e ao negar não vejo que isso caracterize cerceamento do direito de defesa, porque a prerrogativa de conceder ou não a diligência cabe ao julgador. De acordo com o previsto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.(Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993) Ademais, o procedimento administrativo fiscal tem rito próprio que deve ser observado por ambos sujeitos da relação tributária. Ao apresentar a Manifestação de Inconformidade deveria o contribuinte cumprir o que diz o art. 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. A fase recursal não deve ser usada para apresentar fatos e documentos que já deveriam sido apresentados e analisados pela autoridade a quo, salvo as situações previstas em lei, sob pena de caracterizarse supressão de instância. Quanto ao princípio da verdade material, sem dúvida, é de grande relevância no Processo Administrativo Fiscal. Entrementes outros princípios também norteiam e obrigam a sua observância no processo administrativo fiscal. Temos também sempre que observar o princípio da legalidade. É preciso observância à norma de regência sobre a matéria que se discute. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10840.002293/200200 Acórdão n.º 3403001.240 S3C4T3 Fl. 278 5 Veja, não é uma questão de dar preferência a forma em vez da matéria. É uma questão de cumprir o que está posto no ordenamento jurídico para ao final encontrar a verdade que se busca e essa verdade que se busca, muitas vezes, é uma verdade que está submetida ao cumprimento de requisitos e condições, ou seja, tem ritos para ser observado, tem sim os elementos formais a serem examinados, para só ao cabo dizer do direito material, enfim dizer da verdade. E essa verdade, aqui tratada é uma questão de direito material. Tem a recorrente direito aos créditos do IPI? É isso que precisa ser examinado. Vencida essa etapa.Vamos ao tema central da lide que é a análise da existência de direito aos créditos do IPI por parte da recorrente, correspondente ao saldo remanescente do primeiro decêndio de dezembro de 2000 e o terceiro decêndio de fevereiro de 2001; acompanhado de pedido de compensação. A autoridade julgadora de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob os fundamentos: a concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência; A partir de 01/01/1999, somente ao final de cada trimestre calendário, permanecendo saldo credor de IPI, esse poderá se utilizado para ressarcimento ou compensação. Por seu turno, a recorrente não admite que o direito seja preterido por uma mera formalidade, que não afeta a substância do direito material. A partir da publicação da Lei nº 9.779, de 20 de janeiro de 1999, a apuração do saldo credor do IPI passou a ser trimestral. É o saldo acumulado em cada trimestre calendário que pode ser ressarcido e compensado, assim ficou estabelecido no art. 11. Não se trata de uma mera formalidade, mas sim de uma exigência legal. Assim, não pode prosperar a pretensão da recorrente. Lei nº 9.779, de 1999 Art.11 O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (grifei) Ao formalizar o pedido de ressarcimento do saldo de crédito referente ao período de 12/2000 a 02/2001, a recorrente deixou de cumprir a determinação legal, porquanto o saldo credor do IPI passível de ressarcimento e compensação é o acumulado ao final de cada trimestrecalendário. No caso em exame, o saldo credor solicitado não corresponde a um trimestrecalendário. Por trimestrecalendário temse: primeirotrimestre (janeiro, fevereiro, março); segundotrimestre (abril, maio, junho); terceirotrimestre (julho, agosto, setembro); quartotrimestre (outubro, novembro, dezembro). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 6 O art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999 autoriza que ao final do trimestre calendário, não tendo o contribuinte débitos de IPI para compensar, o saldo credor de IPI poderá ser utilizado para compensar em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 19961. Portanto, o direito à compensação dos créditos de IPI com outros tributos federais é o saldo credor do IPI acumulado em cada trimestrecalendário. Para ter direito ao benefício criado pelo art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, deve o contribuinte submetese ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. Não tendo o contribuinte observado as exigências legais o seu pedido não pode ser atendido. Nesse sentido, não merece reforma a decisão recorrida. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Liduína Maria Alves Macambira 1 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Federal Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utiilizar na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA
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