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Numero do processo: 10920.000625/2003-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Exercício: 1999 a 2002.
DESPESAS DEDUTÍVEIS - FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em
conformidade com o artigo 8°, § 2°, III, da Lei n° 9.250, de 1995, todas as
deduções da base de calculo do imposto de renda estão sujeitas h.
comprovação, a juizo da autoridade lançadora. Assim, sempre que entender
necessário, a fiscalização tem a prerrogativa de exigir a comprovação ou
justificação das despesas deduzidas. Nos casos em que ha elementos
concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos ou
de outros documentos apresentados, sem que o contribuinte prove a
realização das despesas, gastos ou relação de dependentes há de se manter a
exigência do crédito tributário.
MULTA QUALIFICADA — FALTA DE ATENDIMENTO A
FISCALIZAÇÃO — Se não há justificativa por parte da autoridade fiscal
demonstrando ter ocorrido a falta de atendimento à fiscalização ou o evidente
intuito de embaraçar a fiscalização, não é exigível a multa qualificada
prevista no artigo art. 44, inciso I, § 2°, da Lei n 9.430, de 1996.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2102-001.181
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Camara
da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por
unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso apenas para reduzir as
multas aplicadas de 112,50% para 75%, conforme disposto no artigo 44, inciso I, da Lei n°
9.430/96, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: 109200012741230/DRF-JOI
Nome do relator: VANESSA PEREIRA RODRIGUES DOMENE
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo na 10920.000625/2003-02 Recurso n° Voluntário Acórdão n" 2102-01.181 — la Camara / 2a Turma Ordinária Sessão de 17 de março de 2011 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF Recorrente ADEMIR SILVEIRA MACHADO Recorrida 6' Turma/DRJ - Florianópolis/SC ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Exercício: 1999 a 2002. DESPESAS DEDUTÍVEIS - FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com o artigo 8°, § 2°, III, da Lei n° 9.250, de 1995, todas as deduções da base de calculo do imposto de renda estão sujeitas h. comprovação, a juizo da autoridade lançadora. Assim, sempre que entender necessário, a fiscalização tem a prerrogativa de exigir a comprovação ou justificação das despesas deduzidas. Nos casos em que ha elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos ou de outros documentos apresentados, sem que o contribuinte prove a realização das despesas, gastos ou relação de dependentes há de se manter a exigência do crédito tributário. MULTA QUALIFICADA — FALTA DE ATENDIMENTO A FISCALIZAÇÃO — Se não há justificativa por parte da autoridade fiscal demonstrando ter ocorrido a falta de atendimento à fiscalização ou o evidente intuito de embaraçar a fiscalização, não é exigível a multa qualificada prevista no artigo art. 44, inciso I, § 2°, da Lei n 9.430, de 1996. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Camara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso apenas para reduzir as multas aplicadas de 112,50% para 75%, conforme disposto no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, nos termos do voto da Relatora. Processo n° 10920,000625/2 -02 Acórdrto n.° 2102-01.181 pos - Presidente ra Rodri es Domene — Relatora Formalizado em: 26.10.2011 S2-C I T2 Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Mibia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho, Acacia Sayuri Wa.kasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Em 17/03/2003 foi lavrado Auto de Infração contra o contribuinte, cobrando R$ 30.093,11 de imposto de renda, R$ 12.784,14 a titulo de juros de mora e R$ 33.090,28 a titulo de multa proporcional, totalizando R$ 75.967,53. De acordo com o que consta do auto de infração, a autoridade fiscal imputou ao contribuinte o cometimento das seguintes infrações: 001 - OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VINCULO EMPREGATiCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. 002 - DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE PREVIDÊNCIA OFICIAL DEDUZIDA INDEVIDAMENTE. 003 — DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE. 004 — DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE DESPESAS MÉDICAS DEDUZIDAS INDEVIDAMENTE. 005 - DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE PENSÃO JUDICIAL DEDUZIDA INDEVIDAMENTE. 006 - DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE DESPESAS DE LIVRO CAIXA DEDUZIDAS INDEVIDAMENTE. 007 - DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE DESPESA COM INSTRUÇÃO DEDUZIDA INDEVIDAMENTE. Inconformado com o lançamento em comento, o contribuinte apresentou sua defesa (Impugnação ao Auto de Infração) as fls. 40/42, acompanhada dos documentos acostados às fls. 43/70, sendo que em análise à referida defesa sobreveio decisão de primeira instância administrativa (fls. 73/79 - verso), que julgou procedente em parte o lançamento 2 Processo n" 10920.000625/2003-02 S2-C 112 Acórdão n.° 2102-01.181 Fl. 3 alterando o imposto de renda suplementar dos anos 1998 a 2001 de R$ 30.093,11 para R$ 23.913,06, acrescido de multa de oficio e de juros de mora, pelos motivos em suma a seguir expostos: • Limites do litígio: Verifica-se que a impugnação é parcial, uma vez que o contribuinte não impugna a omissão de rendimentos de R$ 7.412,80, relativa ao ano-base de 2000. Assim, a matéria não expressamente contestada é considerada não impugnada, nos termos do artigo 17 do Decreto n°. 70.235 de 6 de março de 1972, se ido definitiva a exigência no que se refere a esta parte do lançamento na esfera administrativa. • Deduções indevidas referentes à Previdência Social: 0 autuado alega que os valores informados são exatamente os que foram descontados de sua remuneração pelos operadores portuários. Entretanto, não conduziu ao processo qualquer documento tendente a comprovar o aduzido, motivo pelo qual não nos permite restabelecer a glosa. • Dedução indevida de dependente: • a) Milena Borba Machado, Anderson Borba Machado e Patricia Borba Machado — Constato que estes são filhos do autuado com sua ex- esposa. Considerando que o defendente é legalmente separado de Izabel Fatima Borba Machado e os filhos do casal ficaram sob a guarda da mãe, conforme folha 46 dos autos, bem como pela informação do próprio autuado, em sua Declaração de Ajuste Anual, de que paga pensão alimentícia desde 1998 ao ex-cônjuge, em observância ao artigo 77, § 4°, do RIR11999, mantenho os valores glosados quanto a essas pessoas declaradas como dependentes. • b) João Manoel Machado e Maria Madalena Machado — pelos documentos incluídos no processo, verifico que são pais do impugnante. Tendo em vista que, nos anos em foco, não ficou evidenciada a percepção de rendimentos acima do limite de isenção mensal, entendo que devam ser considerados como seus dependentes. • c) Lidia S. Machado e Silvana S. Machado — Não foi juntado ao processo qualquer documento tendente a comprovar a relação de dependência entre o autuado e estes supostos dependentes, pelo que me resta manter as exclusões da Declaração de Ajuste Anual. • d) Jenifer Lourenço Machado e Angélica Pereira Lourenço - Quanto estas pessoas, nota-se que nas declarações de ajuste anual dos anos- calendário de 1998 a 2001 não foram respectivas deduções pleiteadas. Assim, vê-se, pois, que o contribuinte busca a inclusão de dedução com dependentes não requeridas em suas declarações de ajuste anual. • Despesas médicas deduzidas indevidamente: Aduz que, por se constituir em plano empresarial, os pagamentos relativos à sua parcela são efetivados pelo sindicato, ficando sob a responsabilidade do autuado as contribuições de seus dependentes. Juntou aos autos demonstrativo de 3 Processo n° 10920.000625/2003-02 82-C1T2 Acórdão n.° 2102-01.181 Fl. 4 pagamentos de mensalidades de plano de saúde à Unimed de Joinville, em favor de Angélica P. Lourenço, Milena B. Machado, Anderson B. Machado e Patricia B. Machado, concementes aos anos de 2000 e 2001 (fls. 43 a 45); • Conforme o inciso II do art. 80, acima colacionado, são passíveis de dedução dos rendimentos tributáveis somente as despesas médicas concernentes ao próprio contribuinte ou a seus dependentes. No presente caso, os pagamentos de mensalidades de plano de saúde à Unimed de Joinville beneficiaram pessoas não enquadradas como seus dependentes para fins de apuração do imposto de renda (item 3); pois, no caso de seus filhos havidos com sua ex-esposa, conforme folha 46 do processo, não estão sob sua guarda, enquanto que Angelica P. Lourenço não foi relacionada como dependente em suas declarações anuais de ajuste. Desse modo, não há como abatê-las do cálculo do tributo em questão • Pensão judicial deduzida indevidamente: Comprovada que a pensão alimentícia foi homologada judicialmente, em 27/09/1999, no valor de tits salários mínimos mensais, a ser depositada a cada dia 15 de cada mês, subseqüente ao vencido, decido restabelecer os valores a seguir especificados, correspondentes a três salários mínimos, a contar do mês de julho/1999 (data do 1° pagamento). (...) • Quanto aos pagamentos feitos à Unimed, não restou acordado que o autuado se obrigaria a pagar plano de saúde aos seus filhos, condição essencial para que sejam reputados dedutiveis referidos dispêndios. Desse modo, não os restabeleço. • Posto isto, retornam ao cálculo do imposto de renda os valor e R$ 2.448,00, R$ 5.253,00 e R$ 6.132,00, nos anos de 1999, 2000 e 2001, respectivamente. • Despesas do Livro Caixa: Quanto ao terceiro tipo de despesa (despesas de custeio pagas e necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora), caberia, sim, para sua inclusão neste grupo, um exame minucioso do dispêndio realizado e da atividade desenvolvida pelo profissional, a fim de se verificar sua essencialidade e a possibilidade deste se enquadrar como uma despesa de custeio. Todavia, verifica-se que não há nos autos qualquer esclarecimento acerca da natureza desse desconto, ou mesmo prova de seu pagamento, tampouco há comprovação de que se trata de gasto necessário à percepção dos rendimentos do contribuinte. • Despesas com instrução indevida: 0 autuado assevera que se referem pagamentos efetuados a instituições de ensino em favor de seus dependentes. No que se refere a estas despesas, também não houve comprovação do aduzido pelo impugnante; portanto, não há como restabelecer as exclusões realizadas pela autoridade lançadora na sua Declaração de Ajuste Anual. 4 Processo IV 10920.000625/2003-02 S2-C I T2 Acórdão n° 2102-01.181 Fl. 5 Diante da decisão proferida, o contribuinte ainda inconformado interpôs Recurso Voluntário As fls. 83, aduzindo o que segue: • "1° SOMENTE APÓS CINCO ANOS E NOVE MESES APÓS A APRESENTAÇÃO DA DEFESA ADMINISTRATIVO, MEU PROCESSO FOI JULGADO E CONSIDERADO DEVEDOR; 2° DE ACORDO COM A MINHA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL FORAM GLOSADAS INSS DEVIDAMENTE REGISTRADO PELA OGMO E TAMBÉM DEPENDENTES SENDO ESTES MEUS FILHO DEVIDAMENTE COMPROVADOS, PORTANTO MINHA DECLARAÇÃO SE ENQUADRA DENTRO DESTA NORMA: 3° TODOS OS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS EM FAVOR DO CONTRIBUINTE PRESCREVE NO PERIODO DE 05 (CINCO) ANOS TANDO MESMO IMPEDIDO LEGALMENTE DE REINVINDICAR VALORES DESTE PERIODO, CONVEM SALIENTAR QUE EM DECISÃO RECENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ORGA0 MÁXIMO NO PAIS PARA DERIMIR DUVIDAS JURMICAS, CONSIDEROU QUE "TODOS OS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PERTENCENTES A UNIÃO, NA() LANÇADOS EM DIVIDA ATIVA, PRESCREVE NO PERIODO DE 05 ANOS, verificando a prazo da notificação e a data do julgamento observa-se que já decorreram mais de 5 anos.". E o relatório. Voto Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Relatora. 0 recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de maw() de 1972, foi interposto por parte legitima e está devidamente fundamentado. Sendo assim, conheço-o e passo ao exame. Delimitação da matéria litigiosa: Nos termos da decisão recorrida, a impugnação do contribuinte foi parcial em relação A matéria objeto de lançamento, contida no auto de infração, tendo em vista que não houve a contestação dos rendimentos recebidos de pessoa jurídica e considerados omissos no montante de R$ 7.412,80, relativos ao ano-base de 2000. Deste modo, não será objeto de análise a matéria não impugnada, qual seja, aquela representada pelo item 001 do auto de infração, de acordo com o que ficou decidido em primeira instância administrativa. 5 Processo n° 10920.000625/2003-02 S2-C1T2 Aceirclao n.° 2102-01.181 Fl. 6 Assim, uma vez delimitada a matéria litigiosa, passo a análise de cada um dos pontos debatidos na presente demanda. Preliminar 1. Decadência: Inicialmente cumpre analisar o instituto da decadência nos termos em que expostos pelo contribuinte. Neste aspecto, em que pesem as argumentações trazidas pelo recorrente, ressalto que a regra decadencial a ser aplicada no presente caso é aquela prevista no artigo 150, §4°, do Código tributário Nacional, que por sua vez determina o prazo decadencial de 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador, para que o fisco efetue o lançamento de oficio. Nesse passo, cumpre ressaltar que o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física ocorre no dia 31 de dezembro do respectivo ano-calendário, sendo assim, os fatos geradores ocorridos durante o ano-calendário de 1998 somente se completaram em 31/12/1998, data a ser considerada para fins de contagem do prazo decadencial, nos termos já ventilados, de forma que se encerrou em 31/12/2003 o direito do fisco lançar de oficio. Contudo, tendo em vista que auto de infração foi lavrado em 17/03/2003 e o contribuinte tomou ciência do lançamento em 20/03/2003, conforme documento de fl. 38, evidente que o crédito tributário relativo aos anos-calendários de 1998 a 2001, abarcados no auto de infração em análise, não se encontravam fulminados pelo instituto da decadência na data do lançamento, de modo que, neste aspecto não há qualquer reparo a ser efetuado no trabalho realizado pela autoridade fiscal. Mérito: Inicialmente cumpre ressaltar que em conformidade com o artigo 8°, § 2°, Ill, da Lei n° 9.250, de 1995, bem como o disposto no artigo 11, § 3°, do Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, todas as deduções da base de cálculo do imposto de renda estão sujeitas à comprovação, a juizo da autoridade lançadora. Art. 8° A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: II (..) - das deduções relativas: sS 2' 0 disposto na alínea a do inciso II: III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; 6 Processo n° 10920.000625/2003-02 S2-C1T2 Acárao n.° 2102-01.181 FL 7 Deste modo, sempre que entender necessário, a fiscalização tem a prerrogativa de exigir do contribuinte a comprovação ou justificação das despesas lançadas como dedutiveis das Declarações de Ajuste Anual pelo contribuinte. Ademais, vale reforçar que a norma insculpida pelo artigo 8°, da Lei n° 9.250/55 se aplica para todos os casos que a seguir serão objeto de análise neste julgamento. 2. Deduções indevidas relativas à Previdência Oficial: Em relação as deduções decorrentes de pagamentos efetuados A Previdência Oficial não merece qualquer reparo a decisão recorrida. Isto porque, compulsando os autos noto que o contribuinte não apresentou qualquer documento que comprovasse a efetividade das retenções e/ou respectivo desconto das parcelas em seus rendimentos. Observo apenas, a 11. 70, que o recorrente apresentou uma declaração do Orgão de Gestão de Mão-De-Obra do Trabalhador Avulso do Porto de São Francisco do Sul — SC, no qual há menção de que os valores ali consignados seriam os rendimentos líquidos, isto 6, já descontadas as parcelas relativas a contribuição previdencidria. Todavia, tal documento não demonstra efetivamente quais seriam tais valores, nem tampouco é o documento exigido por lei para comprovar os rendimentos efetivamente pagos por pessoas jurídicas. Sendo assim, mantenho o lançamento e a decisão recorrida em relação a tal ponto, tendo em vista que o contribuinte não obteve êxito em comprovar suas alegações por meio de documentação hábil e idônea. 3. Deduções indevidas com dependentes: Quanto as deduções pleiteadas com dependentes, entendo que a decisão recorrida também não merece reparos, pois, analisando de forma cuidadosa os documentos apresentados verifico que, de fato, muito embora o recorrente tenha declarado seus filhos como dependentes, em virtude do contribuinte ser separado judicialmente, estes filhos residem com sua ex-esposa, que por sua vez possui a guarda judicial dos filhos. Sendo assim, conforme determina o disposto no artigo 77, §40, do RIR199, tal condição não permite que os filhos Milena Borba Machado, Anderson Borba Machado e Patricia Borba Machado, sejam declarados como dependentes do recorrente que não possui a guarda dos filhos, mesmo porque, não consta do Termo de Audiência de fls. 46, que o contribuinte tenha ficado responsável pelo pagamento das despesas incorridas na criação dos filhos, sendo fixada pensão no valor fixo de 3 salários mínimos. Já em relação à Lidia S. Machado e Silvana S. Machado, conforme bem observado pela decisão recorrida, não foi juntado aos autos qualquer documento que demonstrasse a efetiva relação de dependência entre o contribuinte e tais pessoas, sendo que na falta de comprovação as glosas das despesas deduzidas devem ser mantidas. Assim, há de se manter a glosa das despesas com dependentes, nos termos em que efetuadas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. 7 Processo n° 10920.000625/2003-02 s2-C1T2 Acórdão n.° 2102-01.181 Fl. 8 4. Deduções indevidas com despesas médicas: No tocante as despesas médicas, analisando a documentação apresentada pelo recorrente, observo que As fls. 43/45 o contribuinte apresentou Lima relação de pagamentos supostamente efetuados à titulo de plano de saúde (Unimed), mantido em nome de Angélica P. Lourenço, Patricia B. Machado, Anderson B. Machado e Milena B. Machado. Todavia, esclareço que além do fato de os referidos documentos não serem hábeis e idôneos para comprovar o efetivo pagamento das despesas em questão, ha de se ressaltar ainda que os beneficiários (Angélica P. Lourenço, Patricia B. Machado, Anderson B. Machado e Milena B. Machado) não podem figurar como dependentes do contribuinte, nos termos em que já ratificados no item anterior. Sendo assim, ainda que se considerasse os documentos de fls. 43/45 como aptos a comprovar o desembolso dos valores gastos a titulo de despesas médicas, haveria o impedimento legal para a dedução pleiteada pelo contribuinte, posto que os beneficiários não são seus dependentes, nos termos do que dispõe o artigo 80, inciso II, do RIR/99. Deste modo, neste aspecto também não merece qualquer reparo o lançamento ou a decisão recorrida. 5. Deduções indevidas com contribuição para o D.A.S.: 0 contribuinte pugna pelo reconhecimento das deduções relativas aos pagamentos efetuados ao D.A.S. (contribuição sindical obrigatória), que estaria demonstrada pelo Livro Caixa do ano-calendário de 2001, acostado aos autos As fls. 55/69. No entanto, entendo que não merece reparos a decisão recorrida quanto a análise da matéria, visto que não ficou plenamente demonstrada a natureza dos pagamentos em voga, muito menos a efetividade dos recolhimentos. Cumpre ressaltar que o Livro Caixa por si só não é suficiente, neste caso, para comprovar as alegações apresentadas pelo recorrente, de forma que seria necessária a apresentação de outros documentos que demonstrassem os efetivos repasses à entidade e, principalmente, documentos que deixassem clara a natureza de tais pagamentos. Ademais, nos termos do exposto pelo julgador de primeira instância, o pagamento do referido DAS é opcional aos estivadores, de forma que a simples figuração no Livro Caixa não e suficiente para comprovar a opção pelo pagamento da contribuição, nem tampouco que os recolhimentos efetivamente ocorreram. Portanto, diante das considerações acima, também mantenho a decisão recorrida no sentido de manter integralmente a glosa da dedução a titulo de livro caixa indevidamente pleiteada. 6. Deduções indevidas com instrução: No caso das deduções a titulo de instrução pleiteadas pelo contribuinte, nota- se que não houve a apresentação de qualquer documento no sentido de demonstrar a efetividade dos serviços educacionais prestados. 8 Processo re' 10920.000625/2003-02 82-CIT2 Acórdão n.° 2102-01.181 Fl. 9 Portanto, não tendo o contribuinte apresentado nenhuma justificativa para a dedução pleiteada à titulo de instrução, há de se manter as glosas de despesas com instrução, mantendo-se a decisão recorrida, bem como o lançamento neste aspecto. 7. Da multa qualificada: Conforme é possível verificar no lançamento efetuado pela autoridade fiscal, a multa de oficio foi majorada em 50%, com base no disposto no artigo 44, inciso I, § 2°, da Lei n° 9.430/96, sendo, portanto, aplicado o percentual de 112,50% de multa ao contribuinte. Porém, não observo qualquer justificativa para que a autoridade fiscal aplicasse a multa majorada no presente caso. Nada obstante, para que a multa qualificada seja imposta ao contribuinte é necessário que haja nos autos além da justificativa da autoridade, a motivação para a majoração. Alias, cumpre ressaltar que o contribuinte protocolizou, ainda em sede de fiscalização, uma petição endereçada A. Delegacia da Receita Federal de Joinville/SC (fls. 04), alegando dificuldades na obtenção de parte da documentação solicitada e requerendo a dilação do prazo concedido pela autoridade fiscal para o atendimento da solicitação, pedido este sobre o qual, diga-se, a autoridade fiscal sequer se manifestou. Com efeito, não vislumbro no presente caso qualquer peculiaridade que justificasse a majoração da multa de oficio em 50%, sendo que não há indícios de que o contribuinte tivesse a intenção de embaraçar a fiscalização. Reforço ainda que mesmo nos casos em que o contribuinte não atenda intimação para apresentar os esclarecimentos ou documentos solicitados, é necessário que a autoridade fiscal justifique plenamente o motivo da majoração da multa, do contrario, há de ser aplicado o percentual de 75%. Sendo assim, por não verificar qualquer justificativa ou motivação para a majoração da multa, entendo que o percentual da multa a ser aplicado para o caso é o previsto no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96, ou seja, a multa de oficio de 75%. Por todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte apenas para reduzir as multas aplicadas de 112,50% para 75%, conforme disposto no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. Sala das Sessões, em 17 de março de 2011. Van sa Pereira Ros gues Domene 9
score : 1.0
Numero do processo: 13501.000063/2003-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2001
Ementa: RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROCEDIMENTO E EFEITOS. A declaração retificadora, nas hipóteses em que admitida, se
apresentada antes do início de qualquer procedimento fiscal, substitui a declaração originalmente apresentada para todos os efeitos, inclusive para fins de lançamento de ofício.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-001.087
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade, dar parcial
provimento ao recurso para reduzir o valor do imposto devido para R$ 101,26, nos termos do relatório e voto.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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PROCEDIMENTO E EFEITOS. A declaração retificadora, nas hipóteses em que admitida, se apresentada antes do início de qualquer procedimento fiscal, substitui a declaração originalmente apresentada para todos os efeitos, inclusive para fins de lançamento de ofício. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso para reduzir o valor do imposto devido para R$ 101,26, nos termos do relatório e voto. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 13/05/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Rayana Alves de Oliveira França. Fl. 84DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Relatório JORGE OLIVEIRA GÓES interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSALVADOR/BA (fls. 47) que julgou procedente em parte lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 03/06, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF suplementar, referente ao exercício de 2001, no valor de R$ 592,06, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 1.213,71. As infrações apuradas fora a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, tendo sido alterado o valor declarado, de R$ 13.431,42 para 25.773,88, e a glosa de dedução de despesas médicas (R$ 869,01). O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 na qual afirma que a declaração original, objeto da autuação, fora retificada, tendo sido alterados, entre outros, os campos dos rendimentos tributáveis e o das despesas médicas. Apresenta também DARF referente ao pagamento de diferença de imposto apurado na declaração de rendimentos. A DRJSALVADOR/BA julgou procedente em parte o lançamento, mantendo a exigência do imposto suplementar, porém sem a multa de ofício, com base nas considerações a seguir resumidas. Sobre a declaração retificadora, a DRJ observa que a mesma foi transmitida em 04/12/2002 e deduz que, “quando da retificação o Contribuinte já estivesse sob procedimento fiscal”, e acrescenta, “mas, em face da inexistência do dossiê da malha pessoa física nos autos (fls. 38), merece análise a declaração retificadora”. A DRJ observou que na declaração retificadora foi consignado como rendimentos tributáveis os mesmos valores apurados na autuação, mas foram acrescentadas deduções, e concluiu que, como as deduções não foram comprovadas, vez que o Contribuinte juntou documentos referentes a período diverso, “não seria possível validar a declaração retificadora”. Assim foram feitos ajustes na declaração retificadora, desconsiderandose as deduções não comprovadas, chegando ao mesmo valor de imposto a pagar apurado na autuação, conforme demonstrativo. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 04/03/2008 (fls. 53) e, em 03/04/2008, interpôs o recurso voluntário de fls. 56/60, que ora se examina, e no qual reafirma que incorreu nas despesas deduzidas na declaração de rendimentos e apresenta documentos que comprovariam o fato. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator Fl. 85DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 13501.000063/200318 Acórdão n.º 220101.087 S2C2T1 Fl. 2 3 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o lançamento tomou por base declaração de rendimento que fora retificada. A DRJ, embora reconhecendo este fato, entendeu que a validação da declaração retificadora, quanto às deduções nela pleiteadas, dependeria da comprovação, com documentos hábeis e idôneos de tais deduções, e como não teriam sido apresentadas tais provas, concluiu por desconsiderálas. O cerne da questão aqui, portanto, está na verificação dos efeitos da declaração retificadora. Ante é preciso deixar assentado que, na ausência dos autos de termo formal de início de procedimento fiscal, devese considerar com tal a data da lavratura do auto de infração, e como esta ocorreu em 29/12/2002 (fls. 3) e a declaração retificadora foi transmitida em 04/12/2002 (fls. 26), é certo que a retificação ocorreu antes do inicio de qualquer procedimento fiscal. Pois bem, a Medida Provisória nº 1.990, de 1989, atualmente, art. 18 da medida Provisória nº 2.189, de 2001, introduziu mudança radical no procedimento para a retificação da declaração de rendimentos, eliminando o processo de prévia autorização. Assim, nas hipóteses em que admitida, a retificação da declaração passou a se processar pela simples entrega da declaração retificadora, passando esta a substituir integralmente a declaração originalmente apresentada, inclusive para fins de lançamento de ofício, senão vejamos: Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa nº 165, de 1999, com alterações posteriores, definiu os procedimentos a serem observados pelos contribuintes e pelo próprio Fisco, a saber: Art. 1º O declarante, pessoa física, obrigado à apresentação da declaração de rendimentos prevista no art. 7º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, de que tratam os arts. 6º e 8º da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, poderá retificar a declaração anteriormente entregue mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os Fl. 86DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997) ;II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. Art. 2º Quando a retificação da declaração resultar em aumento do imposto declarado, observarseá o seguinte procedimento: I calcularseá o novo valor de cada cota, mantendose o número de cotas em que o imposto foi parcelado na declaração retificada II sobre a diferença correspondente a cada cota vencida incidirão acréscimos legais calculados de acordo com a legislação vigente. Art. 3º Na hipótese de a retificação da declaração resultar em redução do imposto a pagar declarado, observarseá o seguinte procedimento: I calcularseá o novo valor de cada cota, mantendose o número de cotas em que o imposto foi parcelado na declaração retificada, desde que respeitado o valor mínimo estabelecido; II os valores pagos a maior relativos às cotas vencidas, bem assim os acréscimos legais referentes a esses valores, poderão ser compensados nas cotas vincendas, ou ser objeto de restituição; III sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Art. 4º Em se tratando da declaração de rendimentos da pessoa física, após o prazo previsto para sua entrega, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. (Redação dada pela IN SRF nº 19/00, de 23/02/2000) Parágrafo único. Relativamente às declarações apresentadas até o exercício de 1998, inclusive, será permitida a sua retificação se o contribuinte, obrigado a utilizar o modelo completo, optou pelo modelo simplificado. Fica claro, portanto, que a declaração retificadora, apresentada antes do início de procedimento fiscal, substitui a declaração originalmente apresentadas para todos os efeitos, inclusive para fins de lançamento de ofício. Neste caso, portanto, como a declaração retificadora foi apresentada antes do início de procedimento fiscal e não se enquadra em nenhuma das hipóteses de inadmissibilidade da retificação, o lançamento deveria tomar por base a declaração retificadora. Por outro lado, não poderia a autoridade julgadora de primeira instância rejeitar as deduções pleiteadas na declaração retificadora, pois tal procedimento implica em revisão desta, o que escapa à competência dos órgãos julgadores. Fl. 87DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 13501.000063/200318 Acórdão n.º 220101.087 S2C2T1 Fl. 3 5 Assim, penso que no presente caso, independentemente da comprovação, dos valores declarados na declaração retificadora e que não contavam da declaração original, estes devem ser mantidos. Quanto aos rendimentos tributáveis, como os valores constantes da declaração retificadora são os mesmos apurados no lançamento, não há discussão sobre este ponto. E quanto à despesa médica glosada, no valor de R$ 869,01, referente a pagamento alegadamente feito a HSBC Seguros, como o valor foi repetido na declaração retificadora, este deveria ser comprovado, e como o próprio Contribuinte reconhece no recurso a impossibilidade de apresentar tal prova, deve ser mantida a glosa. Assim, em conclusão, penso que deve ser julgado procedente em parte o lançamento, para manter o valor do imposto apurado na declaração retificadora, acrescentando se, contudo, à base de cálculo, o valor correspondente às despesas médicas glosadas, conforme demonstrativo a seguir: Rendimentos tributáveis 25.773,88 () contribuição à previdência oficial 836,56 () contribuição à previdência privada 678,90 () dependentes 3.240,00 () despesa médica 656,42 Base de cálculo 20.362,00 Imposto devido 1.434,30 Imposto retido na fonte 1.253,82 Saldo de imposto a pagar 180,48 Imposto pago espontaneamente 79,22 Diferença de imposto a pagar 101,26 O valor acima apurado deve ser exigido, sem multa de ofício e compensado o valor pago espontaneamente pelo Contribuinte. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para reduzir o valor do imposto devido para R$ 101,26, conforme demonstrativo. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 88DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 18108.000647/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir a omissão apontada, rerratificandose
o resultado levado a efeito por ocasião do primeiro julgamento.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2401-001.847
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaração para rerratificar o Acórdão nº 240101.412,
sem alteração do resultado do julgamento.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõese o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir a omissão apontada, rerratificandose o resultado levado a efeito por ocasião do primeiro julgamento. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaração para rerratificar o Acórdão nº 240101.412, sem alteração do resultado do julgamento. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 643DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Relatório Cuidase de Embargos de Declaração, fls. 638/641, apresentados pela Fazenda Nacional, desafiando o Acórdão n.º 240101.412 de Lavra da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF. No decisum embargado, decidiuse declarar a decadência total do crédito tributário, conforme se pode constatar dos termos acordados: ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em declarar a decadência do lançamento; e b) em negar provimento ao recurso de oficio. II) Por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de prescrição argüida de oficio pelo relator. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Elias Sampaio Freire, que votaram por reconhecer a prescrição. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente à prescrição, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Alega a PFN que o referido Acórdão apresenta omissão, posto que o voto condutor do acórdão embargado não contém a necessária fundamentação para que se concluísse pela ocorrência do transcurso do prazo decadencial. É o relatório. Fl. 644DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 18108.000647/200783 Acórdão n.º 240101.847 S2C4T1 Fl. 644 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Satisfeitos os pressupostos de admissibilidade, devem os embargos ser conhecidos. Compulsando melhor os autos, pude perceber que o voto do Relator foi vencido apenas na questão do acolhimento de ofício da prescrição, todavia, embora na votação acerca da decadência, esse relator tenha se pronunciado favoravelmente à declaração integral da mesma, não houve a preocupação de expressar esse posicionamento no voto. Diz o art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n. 256/2009: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Constatada a omissão, forçoso reconhecer a procedência dos embargos. Nesse sentido devo agora passar a ponderar acerca da preliminar de decadência de modo que seja sanada a lacuna apontada pela PFN. Na data da lavratura, o fisco previdenciário aplicava, para fins de aferição da decadência do direito de constituir o crédito, as disposições contidas no art. 45 da Lei n.º 8.212/1991, todavia, tal dispositivo foi declarado inconstitucional com a aprovação da Súmula Vinculante n.º 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), que carrega a seguinte redação: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decreto lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. É cediço que essas súmulas são de observância obrigatória, inclusive para a Administração Pública, conforme se deflui do comando constitucional abaixo: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (...) Então, uma vez afastada pela Corte Maior a aplicação do prazo de dez anos previsto na Lei n.º 8.212/1991, aplicase às contribuições a decadência qüinqüenal do Código Tributário Nacional – CTN. Para a contagem do lapso de tempo, a jurisprudência vem Fl. 645DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 lançando mão do art. 150, § 4.º, para os casos em que há antecipação do pagamento (mesmo que parcial) e do art. 173, I, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado. É o que se observa da ementa abaixo reproduzida (EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL nº 674497/PR, Relator: Ministro Mauro Campbell Marques, julgamento em 05/11/2009, DJ de 13/11/2009): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA CONSUMADA. MATÉRIA SUBMETIDA AO REGIME DO ART. 543C DO CPC (RECURSOS REPETITIVOS).OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. CARÁTER PROTELATÓRIO. MULTA. 1. O aresto embargado foi absolutamente claro e inequívoco ao consignar que "em se tratando de constituição do crédito tributário, em que não houve o recolhimento do tributo, como o caso dos autos, o fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Somente nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN)". 2. Devem ser repelidos os embargos declaratórios manejados com o nítido propósito de rediscutir matéria já decidida. 3. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa de 1% (um por cento) sobre o valor da causa atualizado. Na espécie a ciência do lançamento deuse em 19/09/2007 (fl. 409) e existem recolhimentos para todas as competências do ano de 2001, conforme se verifica do Relatório de Documentos Apresentados de fl. 484/517. Assim devese reconhecer a decadência para integralidade do lançamento, pela aplicação do art. 150, § 4. , do CTN. Diante de todo o exposto, voto por acolher os embargos declaração para rerratificar o Acórdão nº 240101.412, sem alteração do resultado do julgamento. Sala das Sessões, em 7 de junho de 2011 Kleber Ferreira de Araújo Fl. 646DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
score : 1.0
Numero do processo: 10875.002898/2003-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1998
EXIGÊNCIA DE ESTIMATIVA MENSAL APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO.
A falta de recolhimento das estimativas do imposto, detectada após o encerramento do respectivo ano-calendário, sujeita o contribuinte à multa isolada prevista no art. 44, inciso II, “b” da Lei nº 9.430/96, descabendo a exigência das próprias estimativas mensais não recolhidas no curso do período, vez que estas consubstanciam meras antecipações do tributo devido em 31 de dezembro.
Numero da decisão: 1102-000.504
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 EXIGÊNCIA DE ESTIMATIVA MENSAL APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. A falta de recolhimento das estimativas do imposto, detectada após o encerramento do respectivo ano-calendário, sujeita o contribuinte à multa isolada prevista no art. 44, inciso II, “b” da Lei nº 9.430/96, descabendo a exigência das próprias estimativas mensais não recolhidas no curso do período, vez que estas consubstanciam meras antecipações do tributo devido em 31 de dezembro.
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A falta de recolhimento das estimativas do imposto, detectada após o encerramento do respectivo anocalendário, sujeita o contribuinte à multa isolada prevista no art. 44, inciso II, “b” da Lei nº 9.430/96, descabendo a exigência das próprias estimativas mensais não recolhidas no curso do período, vez que estas consubstanciam meras antecipações do tributo devido em 31 de dezembro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Carlos de Lima Júnior, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, e Manoel Mota Fonseca. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 10/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10875.002898/200376 Acórdão n.º 110200.504 S1C1T2 Fl. 195 2 Relatório Tratase de Auto de Infração eletrônico decorrente de auditoria interna da DCTF/1998 e relativo ao IRPJ código de receita 2362 estimativa, lavrado em razão da não localização dos pagamentos/compensação das estimativas relativas aos períodos de apuração maio a julho e setembro a dezembro/98. O contribuinte impugnou a exigência, alegando, em síntese, que estaria havendo cobrança em duplicidade dos mencionados débitos, posto que estes já estavam sendo cobrados nos processos 10.875.003340/200146 e 10.875.000797/200361. Em primeira instância, a 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas, por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação, ao entendimento de que, nos termos do art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei 9.430/96 (conforme redação dada pela Lei nº 11.488/07), e do disposto na Normativa SRF nº 93/97, em caso de falta de recolhimento das estimativas constatado após o término do ano calendário, não cabe mais exigilas, mas tão somente a multa de ofício isolada sobre as mesmas. De sua própria decisão que cancelou a autuação, a DRJ recorreu de ofício. Cientificado, o contribuinte não se manifestou. Despacho de fls. 193 encaminhou os autos ao CARF. Por sorteio, os recebo para relato. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé No auto de infração de fls. 167, verificase que o valor total do crédito tributário lançado, incluídos os juros de mora e a multa de ofício, é de R$ 1.915.623,87. Portanto, comprovado que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo de crédito em valor superior ao limite de alçada, fixado pela Portaria MF nº 03, de 03/01/2008, o recurso de ofício deve ser conhecido. A análise dos autos não conduz à solução diversa daquela que foi dada pela autoridade julgadora de primeira instância. De fato, a exigência fiscal de antecipação do imposto de renda devido sob o rótulo de estimativa só tem pertinência quando efetuada no curso do próprio anocalendário. Uma vez encerrado o anocalendário, revelase impróprio exigir referida antecipação, vez que a Fl. 197DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 10/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10875.002898/200376 Acórdão n.º 110200.504 S1C1T2 Fl. 196 3 apuração e a quantificação do imposto devido se dá com o resultado apurado em 31 de dezembro, e este, conforme os documentos anexos aos autos, já fora satisfeito. Assim, no caso de falta de recolhimento de estimativas, após o encerramento do anocalendário, devese exigir apenas a multa de ofício isolada, prevista no art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei 9.430/96 (conforme redação dada pela Lei nº 11.488/07). Neste mesmo sentido, aliás, dispõe a Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, também referida pela autoridade julgadora a quo. Além disto, consoante as cópias das peças relativas ao processo nº 10.875.000797/200361, juntadas aos autos pela recorrente, em especial, o Termo de Verificação Fiscal de fls. 55 e 56, verificase que a multa isolada sobre as diferenças de estimativas, decorrentes do recálculo destas feito pela contribuinte, e informado em DIPJ retificadora, foi exigido em procedimento de fiscalização, que se instaurou justamente em decorrência da análise desta retificação no âmbito do PAF nº 10.875.003340/200146. Portanto, revelase de todo indevida a exigência feita no presente processo. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 198DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 10/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.009048/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1997 a 30/11/2005
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO.
Ocorrendo pagamento antecipado, aplica-se a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN).
Numero da decisão: 2301-002.194
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos; a) em
negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1997 a 30/11/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Ocorrendo pagamento antecipado, aplica-se a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN).
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PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MUNICÍPIO DE CANTANHEDE PREFEITURA MUNICIPAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1997 a 30/11/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Ocorrendo pagamento antecipado, aplicase a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos; a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. MARCELO OLIVEIRA Presidente Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano González Silvério e Damião Cordeiro de Moraes. Fl. 567DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de recurso de ofício apresentado contra Decisão da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ), Florianópolis / SC, fls. 0581, que julgou procedente em parte o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 0261 em diante, o lançamento referese a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes a contribuição dos segurados, da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT). Ainda segundo o RF, os fatos geradores que ensejaram o presente lançamento foram: 1. As remunerações pagas aos servidores contratados, comissionados e servidores considerados estáveis não concursados, constantes em folhas de pagamentos, notas de empenhos e ordens de pagamentos verificados; e 2. As importâncias pagas aos contribuintes individuais, por serviços prestados e fretes pessoa física, cujos valores encontramse no Discriminativo Analítico do Débito (DAD), em anexo. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos que o configuram. Em 15/12/2006 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 0583. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0283 em diante, acompanhada de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. Resta improcedente a cobrança das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração dos contribuintes individuais, uma vez que a responsabilidade pelo recolhimento destas é exclusivamente dos referidos contribuintes; 2. Não resta comprovada a existência da relação de emprego entre o município e seus eventuais prestadores de serviços, competência esta reservada a Justiça do Trabalho; 3. As contribuições sociais, a teor da legislação vigente a época dos fatos geradores, devem incidir somente sobre as verbas de natureza salarial; no que se refere aos vereadores há que ser dito que, além de não ser de sua responsabilidade fiscalizar as contas do legislativo, Fl. 568DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.009048/200794 Acórdão n.º 230102.194 S2C3T1 Fl. 625 3 o STF declarou inconstitucional a cobrança das contribuições previdenciárias sobre a remuneração dos mesmos; 4. Não há incidência das referidas contribuições sobre a aquisição de produtos e bens adquiridos de pessoa física; 5. Vale ressaltar que não houve a efetivação do negócio, para todos os valores autorizados via ordens de pagamento; 6. Tendo em vista a exiguidade de tempo, requer a dilação de prazo para a juntada dos comprovantes de recolhimento; 7. Persistindo a cobrança dos créditos em discussão, argüi que tal ônus deverá recair sobre o município, ente personalizado, e não sobre os ombros do agente polÍtico; e 8. Por fim, diante de todo o exposto, requer que sejam acolhidos todos os argumentos da impugnação e julgado improcedente o lançamento em epígrafe. Diante dos argumentos da defesa, a Delegacia solicitou esclarecimentos à fiscalização, fl. 0552. A fiscalização respondeu aos questionamentos, fl. 0561. A Delegacia – a fim de respeitar os Princípios da Ampla Defesa e do Contraditório encaminhou os pronunciamentos fiscais à recorrente e reabriu seu prazo para defesa, fl. 0565. A recorrente não apresentou novas argumentações. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente em parte o lançamento, devido, em síntese, a aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, pela existência de recolhimentos parciais, recorrendo de ofício ao CARF. A recorrente, apesar de intimada, não apresentou recurso voluntário. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 569DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. RECURSO DE OFÍCIO Na análise do recurso de ofício não verificamos motivos para alterar a decisão. o Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. No período do lançamento foram considerados, pela decisão recorrida, recolhimentos a homologar. O lançamento por homologação implica pagamento pelo sujeito passivo antes de qualquer atividade ou notificação por parte da fazenda (pagamento antecipado). Feito esse Fl. 570DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.009048/200794 Acórdão n.º 230102.194 S2C3T1 Fl. 626 5 pagamento, compete à Administração homologálo ou recusar a homologação. No caso de recusa da homologação, o Fisco deverá lançar, de ofício, como no presente processo, a diferença correspondente ao tributo que deixou de ser pago antecipadamente e os juros e penalidades cabíveis. Esse lançamento de ofício está expressamente determinado no Código Tributário Nacional (CTN): CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I. quando a lei assim o determine; Lei 8.212/1991: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Existe a possibilidade da Fazenda não se manifestar prontamente quanto ao pagamento efetuado antecipadamente pelo sujeito passivo. Este, evidentemente, não poderia permanecer indefinidamente à mercê da potencial manifestação do Fisco. Por isso, o CTN estabelece que, salvo prazo diverso previsto em lei, considerase feita a homologação e definitivamente extinto o crédito em cinco anos, contados do fato gerador. Esta extinção do crédito pela inércia da fazenda é denominada homologação tácita e sua principal conseqüência é impossibilitar a fazenda de rever de ofício o pagamento feito pelo sujeito passivo. CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Essa definição, sobre a aplicação da regara decadencial acima, possui amparo em decisões do Poder Judiciário. Fl. 571DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Vemos, portanto, que, no caso do lançamento por homologação, não ocorre exatamente decadência do direito de realizar essa modalidade de lançamento. O que ocorre é a extinção definitiva do crédito pelo instituto da homologação tácita a qual tem como conseqüência indireta a extinção do direito de rever de ofício o lançamento. Em síntese, a homologação tácita acarreta a decadência do direito da Fazenda realizar o lançamento de ofício relativo à diferença de eventual tributo que tenha deixado de ser pago e aos acréscimos legais a essa diferença. No presente processo, há apuração de contribuições no período a que se refere a decisão de primeira instância. Portanto, a delegacia aplicou corretamente a regra expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, pois ocorreram, como já citamos e consta dos autos, recolhimentos parciais. Assim, nego provimento ao recurso de ofício. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto por negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto. Marcelo Oliveira Fl. 572DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.009048/200794 Acórdão n.º 230102.194 S2C3T1 Fl. 627 7 Fl. 573DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 11050.003098/2004-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES.
Ano-calendário: 2002 em diante.
Ementa: SIMPLES — EXCLUSÃO — ATIVIDADE DE SELEÇÃO E AGENCIAMENTO DE MÃO-DE-OBRA — EXIGÊNCIA DA LEI N° 6.839/1980 QUANTO A. HABILITAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA E/OU DOS PROFISSIONAIS — SITUAÇÃO EXCLUDENTE NÃO CONFIGURADA NO ART. 9°, INCISO XIII, DA LEI N° 9.317/1996. A atividade básica desenvolvida pela empresa não depende do seu registro ou anotação dos seus profissionais em conselho ou entidade para fiscalização do respectivo exercício. A atividade de seleção e agenciamento de mão-de-obra correspondente a descrição do CNAE Fiscal 74.50-0, que motivou a exclusão do regime, não se subsume A. situação excludente prevista no inciso XIII, do art. 9°, da Lei n° 9.317, de 1996.
Numero da decisão: 1101-000.511
Decisão: Acordam os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões o Presidente Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que anulavam o ato declaratório de exclusão. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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Recorrida DRJ - Porto Alegre/RS ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES. Ano-calendário: 2002 em diante. Ementa: SIMPLES — EXCLUSÃO — ATIVIDADE DE SELEÇÃO E AGENCIAMENTO DE MÃO-DE-OBRA — EXIGÊNCIA DA LEI N° 6.839/1980 QUANTO A. HABILITAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA E/OU DOS PROFISSIONAIS — SITUAÇÃO EXCLUDENTE NÃO CONFIGURADA NO ART. 9°, INCISO XIII, DA LEI N° 9.317/1996. A atividade básica desenvolvida pela empresa não depende do seu registro ou anotação dos seus profissionais em conselho ou entidade para fiscalização do respectivo exercício. A atividade de seleção e agenciamento de mão-de-obra correspondente a descrição do CNAE Fiscal 74.50-0, que motivou a exclusão do regime, não se subsume A. situação excludente prevista no inciso XIII, do art. 9°, da Lei n° 9.317, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da la Camara / la Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões o Presidente Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que anulavam o ato declaratório de exclusão. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro FRANCISC DE SAI e S RIBEIRO DE QUEIROZ - Presidente. s‘ 1 : .•.aumUTArn V - Relator. ...44101111 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alexandre Andrade da Lima da Fonte Filho (vice-presidente), Ede li Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva (relator), Benedicto Celso Benicio Junior, Nara Cristina Takeda Taga. Relatório LEAL ASSESSORIA TRABALHISTA LTDA.., já qualificada nos presentes autos, interpõe recurso voluntário a este Colegiado (fls. 65/105) contra o Acórdão n° 10- 14.353, de 21/11/2007 (fls. 61/62), proferido pela colenda 4a Turma de Julgamento da DREPOA — RS, que indeferiu a solicitação de reinclusão no SIMPLES, por considerar que a recorrente exerce atividade vedada para opção ao regime de tributação simplificado, de acordo com a Lei n° 9.317, de 1996. Não há crédito tributário em litígio. A exclusão da interessada no regime de tributação no SIMPLES ocorreu, de oficio, nos termos do Ato Declaratório Executivo DRF/RGE n° 548.312, de 02/08/2004 (fls. 55): Art. 1°. Fica o contribuinte, a seguir identificado, excluído do Simples a partir do dia 01/03/2003 pela ocorrência da situação excludente indicada abaixo. Nome: LEAL ASSESSORIA TRABALHISTA LTDA. CNPJ: 00.750.297/0001-02 Data da opção pelo Simples: 01/01/1997 Situação excludente (evento 306): - Descrição: atividade econômica vedada: 7450-0/01 Seleção e agenciamento de mão-de-obra. - Data da ocorrência: 20/02/2003 - Fundamentação Legal: Lei n° 9.317, de 05/12/1996: art. 9°, XIII; art. 12; art. 14, I; art. 15, II Medida Provisória no 2.158- 34, de 27/07/2001; art. 73. Instrução Normativa SRF n° 355, de 29/08/2003: art. 20, XII; art. 21; art. 23, I; art. 24, II, c/c parágrafo único. Art. 2° A exclusão do Simples surtirá os efeitos previstos nos artigos 15 e 16 da Lei ri° 9.317, de 1996, e suas alterações posteriores. (...) Tempestivamente (AR fls. 56), a interessada apresentou Solicitação de Revisão da Exclusão do SIMPLES (fls. 53) e impugnação ao r. ato dedaratório (fls. 01/03), 2 Processo n° 11050.003098/2004-10 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.511 Fl. 2 instaurando o contencioso administrativo. Anexou documentos comprobatórias das suas alegações (fls. 04/51). Analisando o pedido de revisão da exclusão, a autoridade administrativa justificou (fls. 53v) que o contribuinte não comprovou de fato a inconsistência do ADE no 548.312. Ademais, foi verificado que ele alterou o CNAE Fiscal no CNPJ para o da atividade que motivou sua exclusão (Seleção e agenciamento de mão-de-obra), em 20/02/2003. No contrato de prestação de serviços celebrado entre o contribuinte e a empresa Indústrias Alimentícias Leal Santos Ltda. consta, dentre outros, a atividade vedada na lei. Na mesma linha de entendimento, a colenda Turma de Julgamento de primeira instância decidiu pelo indeferimento da solicitação de reinclusão no SIMPLES formulado na Impugnação, conforme acórdão recorrido citado, cuja ementa tem a seguinte redação: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS ElVIPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Ano-calendário: 2002 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES - ATIVIDADE VEDADA. Exercendo atividade vedada, não pode a pessoa jurídica ser optante do SIMPLES. Solicitação Indeferida. Ciente da decisão em 18/12/2007 (AR fls. 64) e com ela não se conformando, a contribuinte recorre a este Colegiado por meio do recurso voluntário apresentado em 16/01/2007 (fls. 65/105), alegando, em síntese, o seguinte: a) primeiramente, sublinha a exigüidade das razões de decidir da autoridade julgadora de primeira instância, que em único parágrafo, concluiu pelo indeferimento da solicitação de reinclusão no regime simplificado, por entender que a recorrente desenvolve a atividade de "Serviços Administrativos para terceiros", incluindo a assessoria técnica e consultoria na Area de recursos humanos; b) a d. julgadora não fez o menor esforço para apuração da verdade dos fatos. Na peça impugnat6ria, afirmou que, não obstante tenha feito constar a atividade de "recrutamento e seleção" no Contrato de Prestação de Serviços com a empresa Indústrias Alimentícias Leal Santos Ltda., tais serviços nunca foram executados; c) caso os argumentos apresentados não fossem suficientes para formar a convicção favorável dos julgadores, era de se esperar a determinação para a realização de diligências junto à tomadora dos serviços, já que o referido contrato serviu de supedâneo para a prolação do Voto condutor do acórdão guerreado; d) nesta fase processual, requer seja admitido como elemento probatório a declaração prestada pela empresa contratante dos serviços (fls. 104); e) como bem demonstra o documento 12, datado de 20/02/2003, a recorrente havia requerido junto ao Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ a alteração do código 3 da atividade econômica principal (fls. 98/100). Porém, a alteração não se concretizou por lapso cometido no preenchimento do campo 04 desse formulário, vez que foi informado o código já existente n° 7450-0101 quando pretendia alterar para o de n° 7499-305; f) tal equivoco só foi constatado quando da ciência da exclusão do SIMPLES pelo Ato Declaratório Executivo em discussão, fato que motivou nova inserção ao sistema para retificação do código da atividade econômica principal, em 28/11/2004, conforme documento 13 (fls. 101/103); g) ao final, requereu seja declarada a improcedência do Ato Declaratório Executivo DRF/RGE n° 548.312, com a sua conseqüente manutenção no SIMPLES. o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo da Silva 0 recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A matéria aqui examinada está circunscrita à exclusão da recorrente do SIMPLES, com efeitos a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, ou seja, 20/03/2003, como previsto no art. 15, inciso II, da Lei n° 9.317, de 1996, e declarado no Ato Declaratório Executivo DRF/RGE n° 548.312, datado de 02/03/2004. A situação excludente apontada no r. Ato Declaratório é a prevista no inciso XIII, do art. 90, da Lei n° 9.317, de 1996, verbis: Art. 9°. Neu, poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: ) XIII — que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, fisico, químico, economista, cantor, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (g. n) Das provas produzidas no processo extraimos as seguintes anotações: 4 Processo no 11050.003098/2004-10 Si-C1T1 Acórdão n. ° 1101-00.511 Fl. 3 a) a empresa foi constituída em 1995, cujo objeto social seria a prestação de serviços de recursos humanos, administração de pessoal e serviços de escritório em geral (fls. 04/07). Em 05/12/2007, promoveu a primeira alteração contratual, passando seu objeto social para preparação de documentos e serviços especializados de apoio administrativo, dentre outras alterações (fls. 72/79); b) em 08/08.1995, prestou declaração de estado funcional como microempresa, para fins de gozo dos beneficios da tributação favorecida prevista na Lei n° 7.256, de 1984 (fls. 08); c) em 06/03/1997, fez adesão ao SIMPLES informando o código 7499-3 "ADMINISTRAÇÃO E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS" como de sua atividade econômica principal, conforme Termo de Adesão (fls. 10), mantendo-se no regime simplificado até a data de sua exclusão, nos termos do Ato Declaratório em comento; d) segundo consta do Alvará expedido pela Prefeitura Municipal do Rio Grande, datado de 01/12/1995 (fls. 85), a atividade da empresa seria a prestação de serviços de pessoal (Area de recursos humanos) e) de acordo com o Cartão CGC, a empresa foi constituída com atividade econômica principal — CNAE 74.50-0. Posteriormente, para adequar-se as normas supervenientes, apresentou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica — CNPJ com o mesmo código 74.50- 0, cuja descrição da natureza jurídica é "SELEC / AGENC / LOCAÇ MÃO DE OBRA SERV TEMP" (fls. 11/12); f) em 20/02/2003, a recorrente requereu a alteração do código da atividade econômica principal, consignando no formulário o CNAE Fiscal 74.50-0 "Seleção e agenciamento de mão-de-obra" (fls. 47/49). E em 29/01/2004, apresentou nova alteração do mencionado código, indicando no formulário o CNAE Fiscal 74.99-3/05 "Serviços administrativos para terceiros ..." (fls. 50/52); g) em 06/12/1996, a recorrente firmou contrato de prestação de serviços com as Indústrias Alimentícias Leal Santos Ltda. (fls. 13/16); h) as fls. 104 foi anexa Declaração firmada pelas Indústrias Alimentícias Leal Santos, confirmando a vigência do contrato de prestação de serviços firmado com a recorrente, no período de 02/12/1996 a 30/09/2006, para as atividades descritas na cláusula V do Contrato (transcritas acima), declarando também que em momento algum, foram executados serviços de seleção, agenciamento e/ou locação de mão-de-obra; i) as Notas Fiscais de Prestação de Serviços (fls. 17/35), emitidas pela recorrente, no período de 28/01/1998 a 16/09/2004, contra diversas pessoas jurídicas contratantes, dentre elas as Indústrias Alimentícias Leal Santos Ltda., referem-se 6, prestação de serviços de processamento de folhas de pagamento, serviços gerais e de pessoal, e assessoria trabalhista; i) os demonstrativos, relatórios e cálculos de liquidação (fls. 36/46) comprovam que a recorrente prestou serviços de assessoria trabalhista as pessoas jurídicas neles indicadas; k) a recorrente está com sua situação ativa até a presente data. 5 No exame da regularidade fiscal da opção da recorrente pelo SIMPLES, a fiscalização tomou como prova do descumprimento da legislação de regência o contrato de prestação de serviços firmado com a empresa Indústrias Alimentícias Leal Santos Ltda., que sob sua ótica, a atividade vedada — "seleção e agenciamento de mão-de-obra" - constava do referido contrato e do CNAE Fiscal 74.50-0/01 (fls. 53v). Na cláusula primeira previa o contrato que o objeto era a assessoria técnica e consultoria na Area de recursos humanos. E na cláusula sexta, foram relacionadas as obrigações contratuais de: (i) confecção de folhas de pagamento dos empregados da contratante, de acordo com os critérios e periodicidade estabelecidos; (ii) efetivação dos procedimentos para admissão de pessoal, incluindo recrutamento e seleção; (iii) cumprimento de todas as obrigações legais atinentes a área trabalhista, previdencidria e fiscal; (iv) execução de rescisões de contratos dos empregados da contratante, acompanhando para homologação do documento, quando for o caso; (v) manter atualizados no estabelecimento da contratante, os documentos legais de ordem trabalhista, previdencidria e fiscal; (vi) fornecimento de uniformes, relatórios, estatísticas, lançamentos contábeis, etc., sempre em apoio a administração da contratante; (vii) dar acessória (não jurídica) no caso de reclamatórias trabalhistas. A Administração Tributária considerou que para o desempenho dessas atividades há exigência legal de habilitação profissional, e por esta razão, os serviços prestados pela recorrente acima listados estariam abrangidos pela vedação do inciso Xliii, do art. 9 0, da Lei n°9.317, de 1996. HA que se levar em conta que conceitualmente, cessão de mão-de-obra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços continuos, relacionados ou não com sua atividade-fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário. Na pratica, a atividade de "seleção e agenciamento de mão-de-obra", de que trata o CNAE Fiscal 74.50-0/1, consiste na (i) divulgação das vagas disponíveis, seja pela imprensa ou outros meios quaisquer; (ii) os interessados (candidatos) são identificados, entrevistados e selecionados de acordo com as exigências apresentadas pela empresa contratante; e (iii) finalmente o profissional selecionado é encaminhado a empresa interessada, com a qual será firmado contrato de prestação de serviços. A lei estabeleceu dezenove hipóteses de vedação à opção ao SIMPLES, não permitindo que a pessoa jurídica seja excluída do regime além do numerus clauslis previstos no art. 9° invocado pela fiscalização, sob pena de impor ao dispositivo interpretação extensiva. Com efeito, a situação excludente - "seleção e agenciamento de mão-de-obra" - não se ajusta literalidade das disposições legais contidas no inciso Xliii, desse dispositivo, qual seja, a de "prestar serviços profissionais de qualquer outra profissão cujo exercicio dependa de habilitação profissional legalmente exigida". Neste particular diz a Lei no 6.839, de 1980: Art. I° 0 registro de empresas e a anota cão dos profissionais legalmente habilitados, delas encarregados, serão obrigatórios nas entidades competentes para a fiscalização do exercício das diversas profissões, em razão da atividade básica ou em relação àquela pela qual prestem serviços a terceiros. (g. n) 6 Processo 11050.003098/2004-10 Si-C1T1 Acen-Sio n.° 1101-00.511 Fl. 4 Da leitura do texto legal sobressai que o registro das empresas nos diversos conselhos profissionais está vinculado à atividade básica por elas exercida ou em relação Aquela pela qual prestem serviços a terceiros. No presente caso, a atividade básica da recorrente prescinde de habilitação dos profissionais por ela utilizados, ou de sua autorização para funcionar, vez que não está sujeita â. fiscalização de qualquer conselho ou entidade de profissão regulamentada, a considerar a descrição dos serviços nas Notas Fiscais de Prestação de Serviços e demais documentos acostados ao processo. Como disse, a exclusão da recorrente do SIMPLES não se subssume vedação descrita no inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317, de 1996. Assim, por se tratar de ato administrativo vinculado, o Ato Declaratório Executivo DRF/RGE n° 548.312, de 02/08/2004, não produz efeitos válidos vez que praticado sem observância estrita da lei. E importante observar que somente com a edição da Lei Complementar n° 123, de 2006, veio a previsão expressa de exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES na hipótese de realização de cessão ou locação de mão-de-obra: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: ) XII — que realize cessão ou locação de melo-de-obra. CONCLUSÃO A vista de toda documentação acostada ao presente processo e pelas razões expostas, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 01 de julho de 2011 7
score : 1.0
Numero do processo: 10820.003978/2008-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
MATÉRIA DE ÍNDOLE CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
INOCORRÊNCIA.
Segundo o teor da Súmula CARF n.º 02, é vedada a apreciação de matéria constitucional por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Descabido falar-se em cerceamento de defesa quando o procedimento fiscal segue os ditames da legalidade, intimando o contribuinte a se manifestar, por diversas vezes, quanto às alegações fiscais, facultando-lhe ampla produção probatória.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUCESSÃO. ART. 133, I, DO
CTN. INAPLICABILIDADE. IRRF. NÃO RECOLHIMENTO.
Restando devidamente comprovado nos autos que, por meio de sentença, a responsabilidade do Recorrente se estendeu até momento posterior às datas de ocorrência dos fatos geradores, não prosperam alegações em sentido contrário. O recolhimento de IRRF é de responsabilidade da fonte pagadora, a qual, não o fazendo, incorre em infração à legislação tributária.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE DEMONSTRADO.
Verificando-se ter a fiscalização demonstrado, de forma inconteste, a existência de fraude, exigível a multa qualificada, consoante o art. 44, II, da Lei n.º 9.430/96, na redação anterior à promulgação da Lei 11.488/07, vigente à época dos fatos narrados.
MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA.
O princípio que veda o confisco, a teor do que dispõe o art. 150, IV, da Constituição da República, aplica-se aos tributos e não às penalidades.
Ademais, a aferição do argumento da contribuinte, por implicar na análise da constitucionalidade dos dispositivos infraconstitucionais utilizados, não pode ser acatada, em razão da vedação expressa referida pelo art. 26-A do Decreto
70.235/72 e da Súmula CARF n. 2.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
“A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais” (Súmula nº 4 do
Conselho Administrativo de Recursos Fiscais).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.095
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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APRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Segundo o teor da Súmula CARF n.º 02, é vedada a apreciação de matéria constitucional por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Descabido falarse em cerceamento de defesa quando o procedimento fiscal segue os ditames da legalidade, intimando o contribuinte a se manifestar, por diversas vezes, quanto às alegações fiscais, facultandolhe ampla produção probatória. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUCESSÃO. ART. 133, I, DO CTN. INAPLICABILIDADE. IRRF. NÃO RECOLHIMENTO. Restando devidamente comprovado nos autos que, por meio de sentença, a responsabilidade do Recorrente se estendeu até momento posterior às datas de ocorrência dos fatos geradores, não prosperam alegações em sentido contrário. O recolhimento de IRRF é de responsabilidade da fonte pagadora, a qual, não o fazendo, incorre em infração à legislação tributária. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE DEMONSTRADO. Verificandose ter a fiscalização demonstrado, de forma inconteste, a existência de fraude, exigível a multa qualificada, consoante o art. 44, II, da Lei n.º 9.430/96, na redação anterior à promulgação da Lei 11.488/07, vigente à época dos fatos narrados. MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA. O princípio que veda o confisco, a teor do que dispõe o art. 150, IV, da Constituição da República, aplicase aos tributos e não às penalidades. Ademais, a aferição do argumento da contribuinte, por implicar na análise da Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10820.003978/200899 Acórdão n.º 210101.095 S2C1T1 Fl. 698 2 constitucionalidade dos dispositivos infraconstitucionais utilizados, não pode ser acatada, em razão da vedação expressa referida pelo art. 26A do Decreto 70.235/72 e da Súmula CARF n. 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (Súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo (convocado), Maria Paula Farina Weidlich (convocada) e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 676 e ss.) interposto em 26 de agosto de 2009 contra acórdão proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) (fls. 570 e ss.), do qual o Recorrente teve ciência em 05 de agosto de 2009 (fl. 673), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 514 e ss., lavrado em 08 de agosto de 2008, em decorrência de: (i) dedução indevida de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10820.003978/200899 Acórdão n.º 210101.095 S2C1T1 Fl. 699 3 despesas médicas, (ii) dedução indevida de despesas de livro caixa; e (iii) falta de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Física devido a título de carnêleão, verificadas nos anos calendário de 2003 a 2006.. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 PAF PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DEVIDO PROCESSO LEGAL E CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OBSERVÂNCIA. Cabe à autoridade administrativa, no processo exegético de solução de conflitos entre as normas, guiarse pelos princípios elementares que regem o processo administrativo, dentre eles o da verdade material, formalismo moderado, respeitada a legalidade e os direitos e garantias individuais emanados da CF: art. 5º., XXXIV, "a", LIV e LV. Os princípios são as diretrizes que devem ser observadas pelo administrador tributário. O ordenamento jurídico traz em si normas e princípios jurídicos vinculantes que apontam o sentido no qual a decisão deve seguir. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. AQUISIÇÃO DE ESTABELECIMENTO PROFISSIONAL. Não há que se falar na responsabilidade tributária de que trata o art. 133 do CTN, quando não restou comprovada a extinção da delegação a notário ou a oficial de registro. ENCARGOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. ASPECTO CONFISCATÓRIO. A cobrança dos acessórios juntamente com o principal decorre de previsão legal nesse sentido, não merecendo prosperar a tese de que é inconstitucional ou ilegal, por estar a autoridade lançadora aplicando tão somente o que determina a lei tributária. Lançamento procedente” (fl. 570). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 676 e ss., por meio do qual repisa, em síntese, os mesmos argumentos ventilados na impugnação: (a) aplicação dos princípios da oficialidade, verdade material, legalidade e ampla defesa, pela garantia constitucional também ao processo administrativo, contida no art. 5º, LV, sendo vedada a alegação de que matéria constitucional não pode ser analisada; (b) inexistência de responsabilidade tributária do Recorrente in casu, porquanto ele perdeu a titularidade do Segundo Tabelionato de Notas e Protestos de Letras e Títulos de Lins, conforme Portaria CGJ 21/2007, como confirmado por sentença judicial, devendo o débito recair, a teor do art. 133, I, do CTN, sobre aquele que o substituiu; (c) inconstitucionalidade da utilização da taxa SELIC para correção monetária ou como juros de mora; e (d) falta de razoabilidade e caráter confiscatório das multas aplicadas. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10820.003978/200899 Acórdão n.º 210101.095 S2C1T1 Fl. 700 4 Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O auto de infração foi lavrado em decorrência de dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida de despesas de livro caixa e falta de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Física devido a título de carnêleão A presente análise, contudo, fica restrita ao alegado pelo Recorrente em sede de recurso voluntário. Tendo em vista que ele basicamente suscitou os mesmos argumentos trazidos em sede de impugnação, cabe analisálos, da mesma forma como o fez a r. decisão recorrida. Inicialmente, é preciso asseverar que tanto o Decreto 70.235/72, em seu artigo 26A, quanto a própria jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), representada pela Súmula nº 02 (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”), são claros ao impedirem a análise de inconstitucionalidade de normas, razão pela qual desde já reconheço a improcedência das alegações do Recorrente quanto a este aspecto. De qualquer maneira, não merece prosperar qualquer alegação no sentido de cerceamento do direito de defesa do contribuinte, tendo em vista que, ao longo do processo, foilhe ofertada ampla oportunidade de produção probatória, até mesmo em sede de recurso voluntário, em atenção ao princípio da verdade material. No que atine à responsabilidade pela falta de recolhimento, pelo Recorrente, do Imposto de Renda Retido na Fonte, referente aos rendimentos pagos a seus empregados, alega ele não ser mais o titular do 2° Cartório de Notas e Protestos de Lins (SP), como determinado pelo art. 2º da Portaria CGJ 21/2007, reproduzida na fl. 561 dos presentes autos, com o seguinte teor: "Artigo 2º. Designar o Sr. WAGNER LUIZ GONZAGA MOTA, Oficial de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica, para responder pela delegação correspondente ao 2° Tabelião de Notas e de Protesto de Letras e Títulos, ambos da Comarca de Lins, a partir de 29 de março de 2007 até o julgamento do Recurso Administrativo interposto." A publicação da referida decisão, no Diário Oficial do Poder Judiciário, foi transcrita à fl. 425, sendo certo que, à fl. 427, consta a certidão de lavra do Poder Judiciário — Juiz de Direito da 2ª Vara da Comarca de Lins (SP), que declara o seguinte: "CERTIFICA, atendendo a pedido de pessoa interessada que pesquisando em Cartório verificou constar o Processo Administrativo sob n. 002/06 que o Juízo da 2ª Vara e Corregedor Permanente move em relação à ANTONIO PAULO BITTENCOURT VIEIRA, Tabelião do 2° Cartório de Notas e Protestos de Títulos. Certifica mais, que por r. decisão proferida pelo MM. Juiz Substituto, Dr. JOSIAS Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10820.003978/200899 Acórdão n.º 210101.095 S2C1T1 Fl. 701 5 MARTINS DE ALMEIDA JUNIOR em 28 de março de 2007, às fls. 746, foi nomeado o senhor WAGNER LUIZ GONZAGA MOTA — RG n. 5.053.470MG, para responder pelo aludido Cartório até resolver em definitivo a situação do Sr. Antonio Paulo Bittencourt Vieira." De fato, como bem observado pelo acórdão recorrido, em que pese haver decisão afastando o Recorrente do exercício da titularidade do Cartório em epígrafe, a responsabilidade do Recorrente se estendeu até 29/03/2007, considerandose que até esta data o Recorrente era o titular do cartório, momento esse posterior à ocorrência dos fatos geradores que ensejaram a lavratura do auto de infração (31/12/2003, 31/12/2004, 31/12/2005 e 31/12/2006). Outrossim, o art. 2º da Portaria n.º 65/2007 (fl. 415), expedida pelo Desembargador Gilberto Passos de Freitas, Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, foi claro ao designar o Sr. Wagner Luiz Gonzaga Mota para responder pelo expediente, apenas a partir de 30/08/2007 (art. 1º). Nesse exato sentido, a corroborar o exposto, temse a aplicação do art. 129 do CTN ao caso vertente, ao tratar da responsabilidade por sucessão, o qual estatui que: “Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nele referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data.” Ademais, à luz da documentação acostada aos autos, podese constatar que o contribuinte foi afastado temporariamente do serviço, para apuração de fatos que constam em processo administrativo disciplinar. Registrese que, conforme §2° do art. 36 da Lei n° 8.935, de 1994, mesmo durante o período de afastamento, o titular percebe metade da renda líquida da serventia e a outra metade será depositada em conta bancária especial, com correção monetária, à disposição do Poder Judiciário. Não se aplica ao caso vertente, destarte, a regra insculpida no art. 133 do CTN, porquanto não houve “aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional”. Ainda que assim não fosse, a falta de recolhimento de imposto de renda devido a título de carnêleão configura infração à legislação tributária, por parte do responsável tributário, tornando a responsabilidade pessoal do agente, como se extrai do art. 137 do CTN. Assim, de todos os ângulos analisáveis, vêse a responsabilidade do Recorrente pelo não recolhimento dos tributos devidos. Assim sendo, considerandose que a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente exclusivamente na fonte é da fonte pagadora (cf. Parecer Normativo n.º 01, de 2002, da Receita Federal), é dela o ônus da prova, e, além de não o ter cumprido satisfatoriamente, é possível a caracterização de responsabilização e punição pela não retenção de um valor (cf. o mesmo Parecer Normativo supracitado – “IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE. Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido”). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10820.003978/200899 Acórdão n.º 210101.095 S2C1T1 Fl. 702 6 Com relação à utilização da taxa SELIC a título de juros de mora, incide, neste esteio, a Súmula n.º 04 do CARF: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Por derradeiro, cumpre analisar a questão da aplicação de multa qualificada de 150% sobre o imposto devido em virtude de dedução indevida de despesas médicas, despesas de livro caixa e não recolhimento de IRRF, que tem supedâneo no art. 44, §2º, da Lei n.º 9.430/96, tendo em vista que a fiscalização considerou ter havido apresentação reiterada, durante 4 anos, de documentos considerados inidôneos/inexistentes, nos seguintes termos: “Redução indevida da base de cálculo com despesas médicas, pleiteadas indevidamente, conforme item 1 do TERMO DE CONSTATAÇÃO E DE INTIMAÇÃO FISCAL 10/07/2008, enviado pelo Correio e recebido pelo sujeito passivo em 14/07/2008, PARTE INTEGRANTE DO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO, por meio do qual o contribuinte foi intimado a manifestarse sobre os fatos ali constatados e apresentar documentos que pudessem alterálos, mas até o presente momento ele não se manifestou muito menos apresentou qualquer documento. A dedução de despesas médicas com base em comprovantes inidôneos ou inexistentes, nos anoscalendário 2003, 2004, 2005 e 2006, reiteradamente, durante quatro anos consecutivos, demonstra que o contribuinte agiu com o intuito de suprimir ou reduzir o Imposto de Renda Pessoa Física, sujeitandose, portanto, à multa qualificada de 150%, nos termos do artigo 44, § 1°, da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n°11.488/2007.” (fl. 516) “A prática do contribuinte de declarar à Receita Federal despesas do livro caixa maiores que as apuradas em seu livro Diário, nos anoscalendário 2003 e 2006, reiteradamente, na maioria dos meses desses anos, demonstra que o contribuinte agiu com o intuito de suprimir ou reduzir o Imposto de Renda Pessoa Física, sujeitandose, portanto, à multa qualificada de 150%, nos termos do artigo 44, § 1°, da Lei n.° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007.”(fls. 518, 521 e 522) O recurso tampouco deve ser provido quanto à multa qualificada de 150%, pois a justificativa apresentada no Termo de Verificação Fiscal para sua aplicação não foi afastada. A partir de uma breve análise dos autos, verificase ter a fiscalização demonstrado, de forma inconteste, a existência de fraude (qualificada, ainda, pelo dolo e simulação), conluio ou sonegação no caso vertente, pressupostos estes indispensáveis para a qualificação da multa de ofício, a teor do que consta do art. 44, II, da Lei 9.430/96, na redação anterior à promulgação da Lei 11.488/07, vigente à época dos fatos narrados. Não se vislumbra, inicialmente, a existência de conluio na forma descrita pelo art. 73 da Lei 4.502/74. É dizer, não há nos autos qualquer prova de que efetivamente houve um ajuste entre partes visando sonegar ou fraudar o fisco. De modo diverso, porém, a fiscalização logrou comprovar a existência de fraude, a partir da tentativa de redução ou exclusão do montante tributável, tendo em vista que, por quatro anos consecutivos, o Recorrente declarou à Receita Federal despesas do livro caixa Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10820.003978/200899 Acórdão n.º 210101.095 S2C1T1 Fl. 703 7 maiores que as apuradas em seu livro Diário, entre os anoscalendário 2003 e 2006, reiteradamente, na maioria dos meses desses anos. No que atine à sonegação, por sua vez, entendida ex vi legis como “tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente”, admito que, eventualmente, poderia até ser aviltada pela fiscalização como pressuposto da qualificação da multa de ofício, desde que efetivamente explicitasse ações ou omissões dolosas do contribuinte, o que não ocorreu. Restando, pois, comprovada pela fiscalização a conduta fraudulenta perpetrada pelo Recorrente, visando à ocultação do fato gerador do imposto de renda, considerando a divergência reiterada de valores entre as despesas incorridas e registradas, entendo que restou atendido o comando da Súmula CARF nº 14, até porque não houve qualquer outra alegação do Recorrente, que nem tentou justificar as infrações apontadas no auto de infração, devendo a decisão recorrida ser mantida, por seus próprios fundamentos. Com relação à argüição de inconstitucionalidade da multa de ofício por violação ao art. 150, IV, da Lei Maior, temse que igualmente insubsistente. Cabe afirmar, ab initio, que o princípio da vedação ao confisco, tal como explicitado no art. 150, IV, da Constituição Federal, impede a cobrança confiscatória de tributos e não de penalidades. Nessa esteira, é bem de ver que, a teor do que se extrai do art. 3º do Código Tributário Nacional, “tributo é toda prestação pecuniária, em moeda, ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”. Ora, se o conceito de tributo, como preleciona o CTN, não abrange sanções de atos ilícitos, temse que as normas relativas a tributos não se estendem às penalidades, por tratarem de objetos absolutamente distintos. Confirase, neste ponto, a jurisprudência firmada pelo então Primeiro Conselho de Contribuintes, ora CARF: “MULTA DE OFÍCIO É correto o lançamento da multa de ofício, como sanção por descumprimento da legislação tributária, o que não se confunde nem resulta do conceito de "caráter confiscatório" que é dirigido a tributos e não a penalidades.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 134.381, Relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, sessão de julgamento de 14/04/2004) “MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO É correta a exigência, e de conseqüência, a cobrança da multa de lançamento de ofício, quando o dever legal venha de ser cumprido por iniciativa da autoridade administrativa, fato que não se confunde com o conceito de ‘caráter confiscatório’.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 133.777, Relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, sessão de julgamento de 05/11/2003) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10820.003978/200899 Acórdão n.º 210101.095 S2C1T1 Fl. 704 8 Não bastasse essa razão, por si só suficiente para rejeitar o pleito do Recorrente, vale ressaltar que o montante da multa no percentual de 75% sobre o principal é oriundo de norma cogente, prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96. Portanto, tratandose de norma vigente, não poderia este órgão administrativo aferir a natureza confiscatória da multa sem, antes, pronunciarse acerca da constitucionalidade da norma, o que, como se viu, é vedado pelo art. 26A do Decreto 70.235/72 e pela Súmula n. 2 do CARF. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10768.006377/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2008
Ementa:
SIMPLES PROVA DA OPÇÃO
Se a Administração não desenvolveu um sistema capaz de permitir aos
optantes comprovar sua ação de optar, como fez em relação aos
comprovantes de entrega de declarações, é a Fazenda Pública que deve arcar com esse ônus.
Numero da decisão: 1201-000.518
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Fl. 36DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10768.006377/200810 Acórdão n.º 120100.518 S1C2T1 Fl. 33 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz . Relatório O presente feito é inaugurado pelo pedido de inclusão no Simples Nacional, à fl. 01, no qual, consignou como razão de pedir que, in verbis: A empresa ora citada solicitou opção pelo simples nacional, mas não foi processada pelo sistema. Como parte desta missão, a empresa recolheu na condição de me/epp, os darf's gerados pelo sistema de pagamento dos tributos (pgdas), (...) Por meio do despacho decisório de fl. 11, seu pleito foi indeferido nos seguintes termos exatos: Trata o presente processo de Pedido de Inclusão no Simples Nacional, fls. 01, onde o contribuinte alega que a solicitação de opção não foi processada. Consulta à Solicitàção de Opção, em 14/07/2008, informou que não existia nenhuma solicitação de opção pelo SN, fls. 02. Não consta no sistema nenhuma solicitação de opção para 2008, conforme Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional, em fls. 10. Considerando que, a princípio, não houve erro de processamento da solicitação de opção; Considerando que a solicitação de opção não foi encaminhada dentro do prazo legal, conforme disposto na Resolução CGSN n 2 4, "de 30/05/2007; Considerando o exposto acima, INDEFIRO a inclusão no Simples Nacional a partir de 01/01/2008. Tendo em vista todo o exposto, cientifiquese o contribuinte da presente decisão, informando que poderá apresentar manifestação de inconformidade ao Delegado de Julgamento dentro de trinta dias da ciência da decisão. Na fl. 13, o sujeito passivo apresenta manifestação de inconformidade com o seguinte teor, literalmente: Fl. 37DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10768.006377/200810 Acórdão n.º 120100.518 S1C2T1 Fl. 34 3 II. 1 – PRELIMINAR A empresa ora citada, agendou a opção pelo Simples Nacional em 30/07/2007, produzindo efeitos a partir de 01/07/2007; II. 2 – MÉRITO Como parte desta missão, o contribuinte recolheu na condição de ME/EPP, os DARF'S gerados pelo sistema de pagamentos dos tributos (PGDAS), a partir da competência julho de 2007; migrado automaticamente para 2008, embora o contribuinte tenha formalizado a opção no Simples Nacional conforme o Termo de Opção pelo Simples Nacional, com a data de 30/07/2007 em anexo. • III A CONCLUSÃO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o indeferimento reclamado. A decisão de primeiro grau negou provimento ao pedido nos seguintes termos, in verbis: Conforme visto no Relatório, através da decisão proferida pela DERAT/RJO (fl. 11), o interessado teve seu PEDIDO DE INCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL (fl. 1) indeferido. O pedido foi protocolado em 05/08/2008. Na decisão, a DERAT observou que, conforme consulta à fl. 2, em 14/07/2008, não existia nenhuma solicitação de opção. Acrescenta que o interessado não comprovou ter efetuado solicitação de opção pelo Simples Nacional, dentro do prazo legal, conforme Resolução CGSN n° 4/2007. De acordo com os artigos 7°, § 1°, e 17, da Resolução CGSN n° 4/2007, o pedido de inclusão no Simples Nacional, irretratável para todo o ano calendário, deve ser feito, por meio da internet, no mês de janeiro, ou, excepcionalmente, para o ano calendário de 2007, de 01/07/2007 a 20/08/2007. Mesmo em sede de manifestação de inconformidade, o interessado não comprova ter efetuado solicitação de opção pelo Simples Nacional, para 2007 ou 2008, dentro do prazo legal, conforme Resolução CGSN n° 4/2007. A tela juntada à fl. 14 não contém data. O indeferimento foi efetuado na forma da legislação. Os fatos que lhe deram causa não foram elididos. Deste modo, o indeferimento deve ser mantido. Fl. 38DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10768.006377/200810 Acórdão n.º 120100.518 S1C2T1 Fl. 35 4 Ainda inconformado com o resultado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário às fls. 66, nos seguintes termos, in verbis: II.1 — PRELIMINAR A empresa notificada optou pelo Simples Nacional em 30/07/2007, produzindo efeitos a partir de 01/07/2007, muito embora não é demais observar que era optante do Simples Federal; II. 2 MÉRITO Observase que,o pedido de opção pelo Simples Nacional, foi realizado dentro do período compreendido entre 01/01/2007 a 20/08/2007, com efeitos retroativos a 01/07/2007. Razão não há para que a peticionante seja desenquadrada do Simples Nacional. Termo de opção do Simples Nacional; Termo de opção do Simples Federal; Extrato do Simples Nacional jul/2007; DAS competência jul/2007. A documentação acima discriminada e acostada juntamente com a presente defesa, tem por escopo comprovar os pagamentos mensais efetuado pela interessada, por intermédio do DAS, confirmado por amostragem, no "Extrato do Simples Nacional" são elementos que também comprovam a intenção de adesão ao Simples Nacional. De acordo com o "Termo de Opção pelo Simples Nacional", acostados nos autos a empresa realizou o seu pedido de ingresso no sistema, sem que haja qualquer noticia de indeferimento desta opção por existência de vedação legal. III A CONCLUSÃO Frisese ainda que para ganhar tempo na regularidade da mensagem: "Esta empresa não é optante pelo Simples Nacional" a empresa cumpriu as exigências "da época", preenchendo no formulário padronizado da Receita Federal "INCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL", por não está disponível no sistema da SRF outros tipos de formulários como por exemplo: "REVISÃO NO SIMPLES NACIONAL" OU "REINCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL" , portanto , deuse entender que o contribuinte fez o primeiro pedido de inclusão no Simples Nacional, protocolado em 06/10/2008, quando na realidade a empresa agendou a solicitação no ano anterior para que pudesse ser enquadrada no Simples Nacional. Fl. 39DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10768.006377/200810 Acórdão n.º 120100.518 S1C2T1 Fl. 36 5 É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Em relação ao recorrente ter realizado pelo meio apto a opção pelo sistema simplificado nacional, de fato, na fl. 14, como asseverado pela autoridade julgadora de primeiro grau, a tela juntada que registra a informação “Você já efetuou sua solicitação de opção pelo Simples Nacional” não está datada. Já na fl. 25, cópia da mesma tela foi juntada no recurso voluntário, mas desta vez com os seguintes dizeres na sua parte inferior: https://www8.receita.fazenda.gov.br/SimplesNacional/impressao.asp 30/07/2007”. A questão, então, seria valorar o caráter de prova desse item juntado aos autos. Essas cópias de telas e as próprias telas não possuem qualquer característica intrínseca que nos permita aferir se, de fato, registram a operação realizada na época própria. Apenas pelo contato com essas telas, nada nelas nos garante (nem a suposta data registrada em seu rodapé) que foram geradas pelo sistema ou que foram produzidas posteriormente. Elas se diferem totalmente dos recibos de cópias de declarações ou de certidões negativas de débitos, os quais são acompanhados de um número de controle único. Desse modo, se considerarmos indispensável que o contribuinte deveria fazer prova de que optou na época própria, ele deveria ter se valido de outro expediente para tanto (como ter filmado a operação, feito na frente de testemunhas ou diante de uma autoridade que conferisse ao ato fé pública). Todavia, não nos parece razoável impor tal ônus probante ao recorrente, especialmente, se levarmos em consideração que se trata de uma empresa de pequeno porte para quem a Constituição determina tratamento jurídico favorável. Em contraposição à nossa afirmação, poderseia dizer que quem alega deve provar. Nesse caso, como o recorrente é quem alega ter feito a opção, seria dele o ônus de comprovar essa alegação e não da Administração o encargo de provar que o contribuinte assim não procedeu. Todavia, essa forma de distribuir o ônus da prova há muito tempo foi mitigada para as relações em que há desequilíbrio entre as partes. No direito do consumidor, por exemplo, em razão da posição de inferioridade do consumidor em relação ao fornecedor, muitas das alegações daquele não precisam ser comprovadas; o ônus é invertido contra o fornecedor a fim de que comprove o oposto ao alegado pelo consumidor. No presente caso, o mesmo se dá. A Administração Pública, assim como o fornecedor nas relações de consumo, está naturalmente em situação de superioridade ao estabelecer a forma de optar. Essa posição de superioridade é ainda maior em relação a pequenos empreendimentos. Assim, se não desenvolveu um sistema capaz de permitir aos optantes comprovar sua ação de optar, como fez em relação aos comprovantes de entrega de declarações, é a Administração Pública que deve arcar com esse ônus. Fl. 40DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10768.006377/200810 Acórdão n.º 120100.518 S1C2T1 Fl. 37 6 É interessante notar também que, numa certa medida, a própria Administração já considera a possibilidade de falhas no recebimento e processamento dessas opções. O próprio formulário de inclusão retroativa no Simples Nacional (fl. 01), especialmente confeccionado para esse fim pela Administração Pública, já registra, como situaçõespadrão de solicitação a serem consignadas pelo interessado com um simples “X” no campo próprio, falhas no processamento do pedido. Assim, seguramente, não deve ser tão incomum essa ocorrência. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 41DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME
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Numero do processo: 37280.000099/2006-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/10/1998
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA.
NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que
exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratar-se norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à
legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO
QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos
previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se
a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda
aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN).
Recurso de Ofício Não Conhecido.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-001.674
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos: I) não
conhecer do recurso de ofício; e II) declarar a decadência do lançamento.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatouse a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN). Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos: I) não conhecer do recurso de ofício; e II) declarar a decadência do lançamento. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37280.000099/200654 Acórdão n.º 240101.674 S2C4T1 Fl. 233 3 Relatório NET RIO S/A, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 35.866.0858, referente às contribuições sociais devidas pela empresa ao INSS, com fundamento na Responsabilidade Solidária do artigo 31, da Lei nº 8.212/91 (redação original), correspondentes à parte dos empregados, da empresa e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração da mãodeobra cedida pela empresa CABLESAT TELECOMUNICAÇÕES LTDA., apurada por aferição indireta com espeque no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91, em relação ao período de 01/1997 a 10/1998, conforme Relatório Fiscal, às fls. 34/41. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada em 27/12/2005, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 308.456,99 (Trezentos e oito mil, quatrocentos e cinqüenta e seis reais e noventa e nove centavos). De acordo com Relatório Fiscal, o crédito foi constituído por responsabilidade solidária, em razão da recorrente não ter apresentado à fiscalização as cópias autenticadas das guias de recolhimento quitadas e respectivas Folhas de Pagamento vinculadas aos serviços prestados pela empresa CABLESAT TELECOMUNICAÇÕES LTDA., que seriam capazes de comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias relativas aos empregados da prestadora colocados a seu serviço. Tendo em vista a não apresentação da documentação solicitada pela fiscalização, o presente crédito previdenciário fora constituído por aferição indireta, com arrimo no artigo 33, § 3º, da Lei 8.212/91, utilizandose o percentual de 40% (quarenta por cento) sobre o valor total do serviço prestado contido nas Notas Fiscais , Faturas ou Recibos, nos termos do artigo 600, inciso I, da Instrução Normativa SRP nº 03/2005. Cumpre observar que a empresa prestadora de serviços fora devidamente intimada da lavratura da presente notificação fiscal, conforme se depreende do Aviso de RecebimentoAR, às fls. 99. Após regular processamento, interposta impugnação contra exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do procedimento, a então Secretaria da Receita Previdenciária no Rio de Janeiro/RJ Sul, achou por bem julgar procedente em parte o lançamento, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos na DN nº 17.403.4/0114/2007, sintetizados na seguinte ementa: “ RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – CESSÃO DE MÃODE OBRA – CONSTRUÇÃO CIVIL O Art. 31, § 3º da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.032/95 bem como o Art. 46, § 2º do Regulamento de Organização e Custeio da Seguridade Social, aprovado pelo Dec. 612/92 (vigente até a competência março de 1997) e o Art. 42, § 2º do Regulamento de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Organização e Custeio e da Seguridade Social, aprovado pelo Dec. 2173/97 (aplicado até a competência dezembro de 1998) definem a forma de elisão da responsabilidade solidária. Não cumpridos estes requisitos, a tomadora é responsábel pelas contribuições previdenciárias oriundas do fato gerador comum. Também a norma do Art. 30, inciso VI, incide no presente lançamento. TRIBUTÁRIO – PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A solidariedade passiva, legalmente imposta, pode unir diversos devedores que responderão, cada qual, pela dívida toda. A Secretaria da Receita Previdenciária tem o direito de escolher e de exigir, de acordo com seu interesse e conveniência, o valor total do crédito constituído, sem que o devedor tenha qualquer benefício de ordem. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE.” Em observância ao disposto no artigo 145, inciso II, do Código Tributário Nacional, c/c artigo 366, inciso I, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, a autoridade previdenciária recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal. Incluído na pauta do dia 12/03/2008, a então Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, entendeu por bem converter o julgamento em diligência com o fito de oportunizar a contribuinte interpor recurso voluntário contra a decisão de primeira instância, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, recorrendo de ofício a esta instância administrativa sem conquanto intimar a notificada de aludida decisão, conforme Resolução nº 20600.093, às fls. 163/167. Em atendimento à diligência suso mencionada, a empresa NET RIO S/A interpôs recurso voluntário, às fls. 177/204, repisando as alegações suscitadas em sua impugnação, ressaltando, ainda, a aprovação da Súmula Vinculante n° 08 do STF, impondo seja acolhida a decadência total da exigência fiscal. Devidamente intimada da decisão de primeira instância, a prestadora de serviços CABLESAT TELECOMUNICAÇÕES LTDA. não apresentou seu recurso, consoante se verifica dos documentos de fls. 229/231. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37280.000099/200654 Acórdão n.º 240101.674 S2C4T1 Fl. 234 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício não deve ser conhecido, como passaremos a demonstrar. Não obstante a legislação invocada pela autoridade julgadora de primeira instância, ao recorrer de ofício da decisão que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, o recurso não merece ser conhecido, em virtude da promulgação de legislação superveniente alterando o seu limite de alçada, senão vejamos: Consoante se positiva da decisão ora guerreada, o recurso de ofício da autoridade fazendária encontrou amparo no artigo 366, inciso I, alínea “a”, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 (na redação dada pelo Decreto nº 6.032/2007), c/c artigo 1º, inciso I, da Portaria MPS nº 158, de 11/04/2007, vigentes à época, que assim prescreviam: “ RPS – Decreto nº 3.048/99 Art. 366. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil recorrerá de ofício sempre que a decisão: (Alterado pelo Decreto nº 6.224 de 4 de outubro de 2007 DOU de 5/10/2007) I declarar indevida contribuição ou outra importância apurada pela fiscalização; Portaria MPS nº 158/2007 Art. 1º Deverá ser interposto recurso de ofício dirigido ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), observado o disposto no art. 2º, das Decisões e DespachosDecisórios que: I declararem indevida, em valor total (principal, multa e juros) superior a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), contribuição ou outra importância apurada pela fiscalização; II relevarem ou atenuarem, em valor superior a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), multa aplicada por infração a dispositivos da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991; e III declararem nulidade de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) ou de AutodeInfração (AI) com valor total originário (principal, multa e juros) superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais).” (grifamos) Entrementes, ao longo do trâmite processual do presente recurso, o limite de alçada fora alterado em algumas oportunidades, sobretudo após a unificação das Receitas Federal do Brasil e Previdenciária, nos termos da Lei nº 11.457/2007. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Atualmente, o recurso de ofício no caso de decisão que exonerar parte ou integralmente o crédito tributário, bem como o limite de alçada a ser observado, encontramse fundamentados no artigo 34 do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, nos seguintes termos: “ Decreto nº 70.235/72 Art.34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. Portaria MF nº 03/2008 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001.” Conforme se depreende dos dispositivos legais acima transcritos, o limite de alçada fora alterado para o valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), relativamente aos créditos exonerados em decisão de primeira instância. Assim, tratandose de norma processual, esta nova disposição legal deverá ser aplicada à época do julgamento do recurso, em detrimento à legislação vigente quando da interposição da peça recursal, consoante jurisprudência firme e mansa deste Colegiado, como fazem certo os julgados com suas ementas abaixo transcritas: “RECURSO DE OFÍCIO ALTERAÇÃO NO LIMITE DE ALÇADA TEMPUS REGIT ACTUM RETROATIVIDADE LEGÍTIMA É legítima a aplicação do novo limite de alçada para impedir a apreciação de recurso de ofício interposto quando vigente limite inferior. Retroatividade legítima que não fere qualquer direito consolidado, pois a alteração do limite para maior é feita pela própria administração, única interessada Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37280.000099/200654 Acórdão n.º 240101.674 S2C4T1 Fl. 235 7 na apreciação do recurso. (Recurso de Ofício). Recurso de ofício não conhecido por falta de objeto. [...]” (5ª Câmara do 1º Conselho – Recurso nº 151.280, Acórdão nº 105 16879, Sessão de 04/03/2008) “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1991, 1992, 1993 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA RETROATIVIDADE DE REGRA PROCESSUAL PORTARIA MF nº 3/2008. Verificado que o valor de alçada recursal é inferior ao limite de R$ 1.000.000,00, estabelecido pela regra administrativa constante da Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, DOU 07.01.2008, deixase de conhecer o recurso de ofício, por se tratar de regra processual aplicável de imediato, com efeito, retroativo. Recurso de Ofício Não Conhecido.” (8ª Câmara do 1º Conselho – Recurso nº 158.704, Acórdão nº 10809810, Sessão de 19/12/2008) “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR ABAIXO LIMITE ALÇADA. NÃO CONHECIDO. Não se conhece o Recurso de Ofício interposto antes da edição da Portaria MF no 3, de 3 de janeiro de 2008, que exonera o contribuinte do pagamento de tributo e multa de ofício em valor inferior R$1.000.000,00, por se tratar de norma processual de aplicação imediata. Recurso de ofício não conhecido.” (6ª Câmara do 1º Conselho – Recurso nº 155.249, Acórdão nº 10617122, Sessão de 09/10/2008) Como se verifica, a norma processual tem aplicação imediata. Aliás, o próprio Código de Processo Civil (aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal) consagrou aludida regra, em seu artigo 1.211, in verbis: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” A jurisprudência judicial não discrepa desse entendimento, consoante se extrai dos seguintes julgados: Ementa: PROCESSUAL PENAL RECURSO DE OFÍCIO ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA LEGÍTIMA DEFESA RECURSO NÃO CONHECIDO. Ainda que o recurso tenha sido interposto antes das reformas trazidas pela Lei n.º 11.689/2008, é sabido que as normas processuais têm aplicação imediata, inclusive aos casos anteriormente julgados, como ocorre na hipótese em julgamento, pois, o Código de Processo Penal, em seu art. 2.º, consagrou o princípio segundo o qual o tempo rege o ato, ao dispor que ""a lei processual penal aplicarseá desde logo, sem prejuízo da validade dos atos Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 realizados sob a vigência da lei anterior"". Portanto, diante do princípio da imediatividade que rege a sucessão das leis processuais no tempo, não sendo mais contemplado o reexame necessário da sentença de absolvição sumária, não é possível conhecer de recurso já abolido do ordenamento jurídico. Recurso de ofício não conhecido. Súmula: NÃO CONHECERAM DO RECURSO. (TJ/MG Número do processo: 1.0261.06.0387675/001(1) Relator: ANTÔNIO ARMANDO DOS ANJOS Data do Julgamento: 14/10/2008 Data da Publicação: 23/10/2008) (grifamos) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. IPTU. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL PELO DESPACHO DO JUIZ QUE DETERMINA A CITAÇÃO. ART. 174 DO CTN ALTERADO PELA LC 118/2005. APLICAÇÃO IMEDIATA AOS PROCESSOS EM CURSO. EXCEÇÃO AOS DESPACHOS PROFERIDOS ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI. DEMORA NA CITAÇÃO. INÉRCIA DA EXEQUENTE. PRESCRIÇÃO CARACTERIZADA. IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência desta Corte pacificarase no sentido de não admitir a interrupção da contagem do prazo prescricional pelo mero despacho que determina a citação, porquanto a aplicação do art. 8º, § 2º, da Lei 6.830/80 se sujeitava aos limites impostos pelo art. 174 do CTN; Contudo, com o advento da Lei Complementar 118, de 9 de fevereiro de 2005, que alterou o art. 174 do CTN, foi atribuído ao despacho do juiz que ordenar a citação o efeito interruptivo da prescrição. 2. Por se tratar de norma de cunho processual, a alteração consubstanciada pela Lei Complementar 118, de 9 de fevereiro de 2005 ao art. 174 do CTN deve ser aplicada imediatamente aos processos em curso, razão pela qual a data da propositura da ação poderá serlhe anterior.[...] 6. Recurso especial nãoprovido.” (REsp nº 1074146/PE – Min. Benedito Gonçalves – Primeira Turma, Data Julgamento: 03/02/2009 – DJe 04/03/2009, Unânime) Na hipótese dos autos, com mais razão o limite de alçada hodierno deve ser levado a efeito em detrimento àquele vigente à época da interposição do recurso de ofício, tendo em vista tratarse de regra processual emitida/estabelecida pelo Fisco e de seu próprio interesse, visando à celeridade processual nos Órgãos Julgadores de segunda instância. Em outras palavras, se a autoridade fazendária entendeu por bem modificar o limite de alçada de recurso de sua exclusiva titularidade, concluise que não tem interesse de agir naqueles cujo valor encontrase abaixo de aludido piso, independentemente da época em que fora interposto o recurso de ofício. Em face do exposto, estando o RECURSO DE OFÍCIO em dissonância com as normas processuais que disciplinam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECÊ LO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37280.000099/200654 Acórdão n.º 240101.674 S2C4T1 Fl. 236 9 Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário da contribuinte e passo a analisar as alegações recursais. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Preliminarmente, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos do Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo decenal insculpido no art. 45 da Lei nº 8.212/91, por considerálo inconstitucional, restando maculada a exigência cujo fato gerador tenha ocorrido fora do prazo encimado, hipótese que se amolda ao presente caso. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Fl. 9DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), firmou o entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do Fl. 10DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37280.000099/200654 Acórdão n.º 240101.674 S2C4T1 Fl. 237 11 tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na hipótese dos autos, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela ocorrência da decadência, sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, inciso I, do CTN). Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 27/12/2005, com a devida ciência da contribuinte, a exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, uma vez que os fatos geradores ocorreram durante o período de 01/1997 a 10/1998, fora, portanto, do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do CTN, seja com base no artigo 150, § 4º ou 173, inciso I, impondo seja decretada a improcedência do feito. Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine em desacordo com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, acolhendo a preliminar de decadência total do crédito previdenciário, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 12DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10120.008943/2008-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. REQUISITOS PARA A DEDUTIBILIDADE.
Na determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual das pessoas físicas, podem ser deduzidos, a título de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as pré-escolas; ao ensino fundamental; ao ensino
médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pós-graduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico (art. 8º, inciso II, “b”, da Lei n.º 9.250/1995 e art. 81, caput, do RIR/99).
Tendo o contribuinte apresentado documento subscrito por instituição de ensino confirmando os pagamentos, a dedução de despesa com instrução deve ser restabelecida.
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
Cabe ao contribuinte, uma vez intimado, comprovar, mediante documentação hábil e idônea, as deduções efetuadas. Não o fazendo, subsiste a glosa.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2101-001.163
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para restabelecer as deduções de despesas com instrução, bem como as deduções com despesas médicas no valor de R$ 20.430,00, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DESPESAS COM INSTRUÇÃO. REQUISITOS PARA A DEDUTIBILIDADE. Na determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual das pessoas físicas, podem ser deduzidos, a título de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico (art. 8º, inciso II, “b”, da Lei n.º 9.250/1995 e art. 81, caput, do RIR/99). Tendo o contribuinte apresentado documento subscrito por instituição de ensino confirmando os pagamentos, a dedução de despesa com instrução deve ser restabelecida. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. Cabe ao contribuinte, uma vez intimado, comprovar, mediante documentação hábil e idônea, as deduções efetuadas. Não o fazendo, subsiste a glosa. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10120.008943/200833 Acórdão n.º 210101.163 S2C1T1 Fl. 134 2 ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer as deduções de despesas com instrução, bem como as deduções com despesas médicas no valor de R$ 20.430,00, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo (convocado), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 84/85) interposto em 17 de setembro de 2010 (fl. 84) contra acórdão proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) (fls. 72/78), do qual o Recorrente teve ciência em 20 de agosto de 2010 (fl. 83), que, por maioria de votos, vencido o julgador Ricardo França, por entender necessária diligência relativamente às glosas de despesas médicas, julgou procedente em parte a notificação de lançamento de fls. 06/11, lavrada em 26 de maio de 2008, em decorrência de deduções indevidas de dependentes, despesas médicas e com instrução, verificadas no ano calendário de 2004. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. FILHOS. REQUISITOS LEGAIS. São considerados dependentes, para fins de dedução na Declaração do Imposto de Renda, os filhos e enteados até vinte e um anos, maiores até vinte e Fl. 139DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10120.008943/200833 Acórdão n.º 210101.163 S2C1T1 Fl. 135 3 quatro anos cursando universidade ou escola técnica de 2° grau ou, em qualquer idade, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. Só são dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos comprovadamente efetuados a estabelecimentos de educação préescolar, incluindo creches, de 1°, 2° e 3° graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, observado o limite permitido para o respectivo exercício. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. A comprovação por documentação hábil e idônea de parte dos valores informados a titulo de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa no restabelecimento das despesas até o valor comprovado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 72). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 84/85, repisando as alegações contidas na impugnação, no tocante à parte remanescente do débito, não excluída pela decisão a quo. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A questão sob análise cingese à dedução indevida de despesas médicas e de despesas com instrução. Cumpre, inicialmente, ressaltar que qualquer dedução apontada pelo contribuinte em sua declaração de rendimentos está sujeita à comprovação, a teor do que restou regulamentado no Decreto n.º 3.000/99, em seu art. 73, in verbis: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Fl. 140DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10120.008943/200833 Acórdão n.º 210101.163 S2C1T1 Fl. 136 4 § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). § 3º Na hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento.” O Conselho de Contribuintes pacificou entendimento no sentido de que documentos hábeis e idôneos que comprovem a prestação do serviço servem à dedutibilidade das despesas informadas na declaração de ajuste anual do imposto de renda. Em relação à dedução de despesas com instrução, o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.º 3.000/99) determina o seguinte: “Art. 81. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b").” Cumpre ressaltar, como bem destacado pelo acórdão recorrido, que o limite anual individual para dedução de despesas com instrução, aplicável ao anocalendário de 2004, é de até R$ 1.998,00, tendo em vista as alterações trazidas pela Lei n.º 10.451/2002, que elevou o limite. No presente caso, a Recorrida manteve a glosa de despesas com instrução uma vez que o contribuinte não acostou aos autos “(...) quaisquer documentos relacionados às despesas de instrução informadas (...)” (fl. 76). Não obstante, em seu recurso, o contribuinte traz documento subscrito pelo Colégio Agostiniano, instituição de ensino freqüentada por seus dependentes, confirmando os pagamentos relativos às mensalidades do ano de 2004 (fls. 128/129). Comprovadas, assim, as despesas com instrução, estas devem ser restabelecidas ate o limite legal de R$ 3.996,00. No tocante à glosa por dedução indevida de despesas médicas, a norma aplicável ao caso (Lei n. 9.250/95) determina o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Fl. 141DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10120.008943/200833 Acórdão n.º 210101.163 S2C1T1 Fl. 137 5 ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” No presente caso, a controvérsia gira em torno do preenchimento de requisitos dos recibos oferecidos, que comprovem serem dedutíveis as despesas realizadas pelo contribuinte. A Recorrida não aceitou os recibos oferecidos pelo contribuinte à Fiscalização, sob o argumento de que “Os recibos emitidos pelos profissionais Vera Lucia Costa e Souza (fls. 20/30) e Narjara Ramos Martins (fls. 31/42), não atendem aos requisitos estabelecidos pela legislação, pois não informam o endereço do prestador dos serviços” (fl. 77). Frisese que a finalidade da regra, ao exigir a discriminação do endereço do profissional, é, caso seja necessário, permitir que a Fiscalização entre em contato com o referido profissional para eventuais esclarecimentos. Diante de tal decisão, o Recorrente instruiu seu recurso com declarações das profissionais Vera Lucia Costa e Souza e Narjara Ramos Martins (fls. 99 e 113), em que afirmam, respectivamente, terem prestado serviços psicoterápicos aos dependentes do contribuinte e serviços fisioterápicos a um dos dependentes e ao contribuinte, informando ainda o endereço em que se situam. Tendo em vista o cumprimento do único requisito questionado pela Recorrida, a declaração da profissional Vera Lucia Costa e Souza deve ser aceita, cancelando se a glosa no valor de R$ 10.350,00, relativa aos serviços por ela prestados. Com relação à declaração da profissional Narjara Ramos Martins, esta também deve ser acolhida, pois também supre a exigência da Recorrida. Não obstante, verificase que o valor mencionado no referido documento, relativo aos serviços prestados (R$ 15.060,00), não reflete o somatório das quantias indicadas nos recibos entregues pelo contribuinte à fiscalização, qual seja R$ 10.080,00. Portanto, deixa o Recorrente de comprovar, em relação a essa profissional, as despesas médicas no valor de R$ 4.980,00, motivo pelo qual deve ser restabelecida a glosa apenas e tãosomente no montante de R$ 10.080,00. Fl. 142DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10120.008943/200833 Acórdão n.º 210101.163 S2C1T1 Fl. 138 6 Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso, para restabelecer as deduções de despesas com instrução, bem como as deduções de despesas médicas no valor de R$ 20.430,00. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 143DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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