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Numero do processo: 13811.003028/99-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1998
COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. IRPJ/CSLL.
Comprovado o efetivo pagamento a maior e sua regular contabilização, em períodos anteriores, em diligências fiscais realizadas pela fiscalização em
cumprimento a determinação deste Colegiado, cabe a homologação da
compensação solicitada.
Numero da decisão: 1302-000.558
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
PROVIMENTO ao recurso, reconhecendo o direito creditório.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
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IRPJ/CSLL. Comprovado o efetivo pagamento a maior e sua regular contabilização, em períodos anteriores, em diligências fiscais realizadas pela fiscalização em cumprimento a determinação deste Colegiado, cabe a homologação da compensação solicitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso, reconhecendo o direito creditório. Marcos Rodrigues de Mello Presidente. “documento assinado digitalmente” Irineu Bianchi Relator. “documento assinado digitalmente” Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), André Ricardo Lemes da Silva, Wilson Fernandes Guimarães e Irineu Bianchi. Ausentes os conselheiros Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e LUIZ Tadeu Matosinho Machado. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13811.003028/9982 Acórdão n.º 130200.558 S1C3T2 Fl. 688 2 CERVEJARIAS UNIDAS SKOL CARACU S/A, inscrita no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas sob n° 33.719.311/000164, inconformada com a decisão de 1° grau proferida pela 7ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo(SP), apresenta recurso voluntário a este Colegiado objetivando a reforma da decisão recorrida. O presente litígio teve origem no Pedido de Compensação (fls. 01), com pleito de restituição de R$ 10.028.549,09, correspondente a IRPJ e CSLL, demonstrados nos seguintes termos: DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DA RESTITUIÇÃO IRPJ CSLL Valores recolhidos por estimativa – Anocalendário de 1998 1.508.707,46 421.255,48 Valor do Imposto de Renda Retido na Fonte 6.356.039,78 0 Total do Imposto de Renda Recolhido/Retido na Fonte 7.864.747,24 0 Prejuízo Fiscal Apurado – Anocalendário de 1998 21.216,22 0 Base de Cálculo Negativa da Contribuição Social – Anocalendário de 1998 0 812.268,66 Imposto/Contribuição a Restituir/Compensar 7.864.747,24 421.255,48 Atualização Acumulada a Compensar (Juros pela Selic) 1.653.956,34 88.590,03 Compensação Pleiteada por Tributo 9.518.703,58 509.845,51 COMPENSAÇÃO TOTAL PLEITEADA 10.028.549,09 Na decisão de 1º grau o pedido foi parcialmente deferido e foi homologada a compensação de R$ 7.747.729,06 e indeferida a homologação de R$ 117.018,18 de IRPJ e de R$ 421.255,48 de CSLL, no valor original, sem os acréscimos de atualização acumulada. No recurso voluntário (fls. 448/458), a recorrente esclareceu que o direito creditório foi convenientemente demonstrado e que os erros de preenchimento da primeira DIPJ/1999, foram corrigidos com a apresentação da DIPJ retificadora. Com a Resolução nº 1202.00.009, de 17/06/2009, da 2ª Câmara da 2ª Turma Ordinária deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o julgamento foi convertido em diligências para que fossem examinados os documentos trazidos aos autos na fase recursal e confrontados com as demais informações disponíveis acerca dos créditos declarados. O Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas(SP) realizou as diligências necessárias e produziu o Relatório Fiscal de Diligência (fls. 683/685), onde confirma que foi apresentado o Livro Razão Contábil do período, onde se constatou que as informações, fatos e documentos apresentados pelo contribuinte, inclusive quanto a outros períodos estão corretos e não foram constatadas ou vislumbradas irregularidades capazes de comprometer o direito creditório pleiteado. É o Relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13811.003028/9982 Acórdão n.º 130200.558 S1C3T2 Fl. 689 3 Voto Conselheiro Irineu Bianchi No Relatório Fiscal de Diligências (fls. 683/685), a autoridade fiscal esclarece que o sujeito passivo optou pelo pagamento mensal de IRPJ e de CSLL, de forma estimada, com opção pela apuração anual de resultados, nos anoscalendário de 1996 a 1998 e que a sua escrituração contábil acusou os seguintes resultados: a) No anocalendário de 1995, apurou IRPJ a pagar de R$ 20.069.394,15 porém efetuou pagamentos com dois DARFs, nos valores de R$ 19.557.162,03, de 29/03/96 e de R$ 1.047.678,85, de 30/04/96, totalizando R$ 20.604.840,88, com pagamento a maior de R$ 535.446,73; b) Este pagamento a maior de R$ 535.446,73, foi acrescido de juros pela taxa Selic e chegou em 30/09/97 à R$ 703.577,01, que foi contabilizado como IRPJ a compensar – confirmado pela cópia do livro Razão Contábil; c) Em 28/02/98, contabilizou como Antecipação do IRPJ, o pagamento da antecipação de IRPJ de janeiro de 1998, utilizando como compensação de parte deste a quantia de R$ 696.251,47 e recolhido em DARF, no valor de R$ 48.148,06, conforme informado no DCTF; d) Em relação a CSLL, constatouse que apurou a pagar a quantia de R$ 3.902.646,02, porém efetuou pagamento a maior em dois DARFs, nos valores de R$ 4.459.517,20, de 29/03/96 e R$ 171.858,11, de 30/04/96, totalizando R$ 4.631.375,31, gerando de fato o direito creditório; e) Em 28/02/98, contabiliza na conta Antecipação da CSLL, o pagamento da antecipação de estimativa mensal de janeiro/1998, de R$ 421.255,48, como compensação efetivada de seu valor integral, utilizandose de créditos citados no item anterior; f) Os citados lançamentos contábeis efetuados em 28/02/98 encontramse devidamente registrados no Livro Diário nº 52, na mesma data, também, às fls. de nº 52. Como se vê, o direito creditório que a decisão de 1º grau não reconheceu tem origem nos resultados negativos apurados nos anoscalendário de 1996 e que conforme minucioso exame levado a cabo pela digna fiscalização da Delegacia da Receita Federal de Campinas, tem origem lícita e está regularmente contabilizado. Desta forma, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso, com a homologação do pedido de compensação, nos termos em que foi pleiteado, sem prejuízo da conferência de cálculo dos acréscimos a cargo da Delegacia da Receita Federal em Campinas incumbida da execução do veredicto. Sala das Sessões, “documento assinado digitalmente” Irineu Bianchi Relator Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13811.003028/9982 Acórdão n.º 130200.558 S1C3T2 Fl. 690 4 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10665.902836/2008-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de Apuração: : 01/04/2003 a 30/06/2003
COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP.
Na impossibilidade comprovada de transmissão do PER/DCOMP, a compensação deverá ser efetuada mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação, ao qual serão anexados documentos comprobatórios do direito creditório, sendo inaplicável ao caso a prorrogação de prazo prevista na Instrução Normativa n. 501, de 2005.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC.
Somente a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.350
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de Apuração: : 01/04/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP. Na impossibilidade comprovada de transmissão do PER/DCOMP, a compensação deverá ser efetuada mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação, ao qual serão anexados documentos comprobatórios do direito creditório, sendo inaplicável ao caso a prorrogação de prazo prevista na Instrução Normativa n. 501, de 2005. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. Somente a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Recurso voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de Apuração: : 01/04/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP. Na impossibilidade comprovada de transmissão do PER/DCOMP, a compensação deverá ser efetuada mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação, ao qual serão anexados documentos comprobatórios do direito creditório, sendo inaplicável ao caso a prorrogação de prazo prevista na Instrução Normativa n. 501, de 2005. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. Somente a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Recurso voluntário negado. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10665.902836/200846 Acórdão n.º 3202000.350 S3C2T2 Fl. 56 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. José Luiz Novo Rossari Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jose Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Paulo Sérgio Celani. Relatório Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em BelémPA (DRJ/BEL), como constante às fls. 35, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade da Recorrente, in verbis: “Relatório 1. Tratase do PER/DCOMP de fls. 20/23, através do qual a empresa acima identificada requereu o ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo ao segundo trimestre de 2003, no valor de R$ 1.124,65. Referido valor foi utilizado na compensação de débito de IRPJ com vencimento em 31.01.2005, através do PER/DCOMP 31612.86838.030205.1.3.010162. 2. A DRF/Divinópolis/MG, através do despacho decisório de fl. 15, reconheceu integralmente o crédito pleiteado, homologando parcialmente a compensação objeto do PER/DCOMP de final 0162, em virtude do crédito reconhecido ser insuficiente. 3. Cientificada em 19.11.2008 (fl. 16) a interessada apresentou, tempestivamente, em 15.12.2008, manifestação de inconformidade (fls. 01/06) na qual alega: a) Em 30 e 31 de janeiro de 2005 tentou, sem sucesso, transmitir o PER/DCOMP contendo a compensação referente ao quarto trimestre de 2004, urna vez que o sitio da Receita Federal na internet encontravase sem comunicação; Fl. 70DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10665.902836/200846 Acórdão n.º 3202000.350 S3C2T2 Fl. 57 3 b) Tendo em vista comunicado do órgão (fl. 14) informando a prorrogação, para 10.02.2005, do prazo para transmissão das declarações com vencimento em 31.01, transmitiu suas compensações no novo prazo; c) Surpreendese com o despacho da Receita Federal cobrando juros referentes aos dias de atraso na quitação do débito, considerando que o atraso foi provocado por falha do próprio órgão; d) A data da valoração feita em 10.02.2005 deverá ser refeita para 31.01.2005; e) Requer ainda a correção dos valores ressarcidos pela taxa Selic. A decisão de fls. 34/38, proferida pela DRJ/BEL, foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI • Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP. Na impossibilidade comprovada de transmissão do PER/DCOMP, a compensação deverá ser efetuada mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação, ao qual serão anexados documentos comprobatórios do direito creditório, sendo inaplicável ao caso a prorrogação de prazo prevista na Instrução Normativa SRF n° 501, de 2005. JUROS SELIC. RESSARCIMENTO. É incabível a aplicação de juros Selic nos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão da DRJ/BEL, a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário de fls. 40/50 e documentos de fls. 51/53, objetivando reformar a decisão em tela, alegando, em breve síntese, o que segue: a. Reconhecimento da tempestividade da transmissão das declarações em função do prazo outorgado excepcionalmente pela Secretaria da Fazenda Nacional via Instrução Normativa SRF n° 501 de 2005; b. Afastamento da aplicação de juros de mora pelo atraso na entrega da declaração de compensação; Fl. 71DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10665.902836/200846 Acórdão n.º 3202000.350 S3C2T2 Fl. 58 4 c. Reconhecimento da facultatividade do envio das declarações via formulário, em caso de problemas técnicos na via eletrônica; d. Aplicação da Taxa Selic para a atualização dos créditos provenientes dos pedidos de ressarcimento; e. Pede provimento ao Recurso Voluntário apresentado. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Desta forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões de mérito. A alegação de que a entrega das declarações foi tempestiva devido à extensão de prazo concedida pela Receita Federal via Instrução Normativa SRF n° 501, de 28 de janeiro de 2005 (artigo 1°) não merece prosperar. Conforme exposto na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém do Pará, tal prazo foi concedido visando proteger o direito daqueles que têm o dever de apresentar declarações e demonstrativos com prazo final definido, ou nos dizeres da decisão da DRJ/BEL: “o alvo do ato foram as declarações e demonstrativos de apresentação obrigatória pelas empresas, com vencimento estipulado para 31 de janeiro de 2005”. Ademais, mesmo que o referido período fosse o único no qual a Recorrente pudesse apresentar tais declarações e o citado sítio estivesse fora de funcionamento, a Instrução Normativa SRF n° 460 de 18 de outubro de 2004, vigente à época, é clara em seus artigos 26, §1° e 76 §§ 3°, 4° e 5° quanto à utilização de formulários próprios para esse fim junto à SRF, verbis: "Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. §1° A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação a SRF do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VI, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Fl. 72DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10665.902836/200846 Acórdão n.º 3202000.350 S3C2T2 Fl. 59 5 Art. 76. Ficam aprovados os formulários Pedido de Restituição, Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, Pedido de Ressarcimento de Créditos da Cofins, Pedido de Cancelamento ou de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito, Pedido de Ressarcimento de IPI — Missões Diplomáticas e Repartições Consulares e Declaração de Compensação constantes, respectivamente, dos Anexos I, II, III, IV, V e VI. § 3° A SRF caracterizará como impossibilidade de utilização do Programa PER/DCOMP, para fins do disposto no § 2°, no §1° do art. 3°, no § 3° do art. 16 e no §1° do art. 26 a ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento ou de compensação no aludido Programa, bem como a existência de falha no Programa que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação. §4° A falha a que se refere o §3° deverá ser demonstrada pelo sujeito passivo à SRF no momento da entrega do formulário sob pena do enquadramento do documento por ele apresentado no disposto ao art. 31. §5° Aos formulários a que se refere o caput deverá ser anexada documentação comprobatória do direito creditório." Desta feita, a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém do Pará foi correta neste aspecto, devendo, assim, ser mantida. Quanto à aplicação da taxa SELIC ao pedido de ressarcimento formulado pela Recorrente no caso em tela, a decisão recorrida também não merece reforma. Com relação à atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela taxa SELIC, veiculada no recurso contribuinte, é de se notar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente acima referido tem a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA.INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não Fl. 73DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10665.902836/200846 Acórdão n.º 3202000.350 S3C2T2 Fl. 60 6 cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifos nossos) A decisão acima aludida foi proferida justamente em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Ocorre, no entanto, que, no presente caso, inexiste oposição por parte das autoridades competentes em relação aos créditos da Recorrente, motivo pelo qual incabível sua atualização pela SELIC. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, mantendose a decisão da DRJ/BEL. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10665.902836/200846 Acórdão n.º 3202000.350 S3C2T2 Fl. 61 7 Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 75DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI
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Numero do processo: 10650.000930/2007-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/11/2001 a 31/01/2003
PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO REALIZADO.
Não se verificando antecipação de pagamento das contribuições, aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no inciso I do art. 173 do CTN.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2001 a 31/01/2003
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO.
INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar
em cerceamento do direito de defesa. CONTRIBUIÇÕES
PREVIDENCIÁRIAS ATRASO NO RECOLHIMENTO Constatado o
atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições destinadas à Seguridade Social, a fiscalização lavrará Notificação de débito com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas.
BASE DE CÁLCULO De acordo com o art. 33, § 3° da Lei 8.212/91, A
recusa, a sonegação ou a apresentação deficiente de documentos solicitados pela fiscalização previdenciária possibilita a inscrição de oficio, por arbitramento, de importância que reputar devida, sem prejuízo da penalidade cabível, cabendo à empresa o ônus da prova em contrario. COMPENSAÇÃO DE VALORES IMPOSSIBILIDADE DEDUÇÃO JÁ EFETUADA NO LANÇAMENTO Os
valores relativos a retenções efetivamente recolhidos pelas empresas contratantes ou apenas destacados nas notas fiscais foram considerados no lançamento, não havendo novos créditos sujeitos a compensação.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2401-001.805
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Pelo voto de qualidade, declarar a decadência até competência 11/2001, inclusive do décimo terceiro salário de 2001. Vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa (relator), Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que declaravam, também, a decadência da competência 12/2001. II) Por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de nulidade; e b) no mérito, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO REALIZADO. Não se verificando antecipação de pagamento das contribuições, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no inciso I do art. 173 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 31/01/2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ATRASO NO RECOLHIMENTO Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições destinadas à Seguridade Social, a fiscalização lavrará Notificação de débito com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas. BASE DE CÁLCULO De acordo com o art. 33, § 3° da Lei 8.212/91, A recusa, a sonegação ou a apresentação deficiente de documentos solicitados pela fiscalização previdenciária possibilita a inscrição de oficio, por arbitramento, de importância que reputar devida, sem prejuízo da penalidade cabível, cabendo à empresa o ônus da prova em contrario. COMPENSAÇÃO DE VALORES IMPOSSIBILIDADE DEDUÇÃO JÁ EFETUADA NO LANÇAMENTO Os valores relativos a retenções efetivamente recolhidos Fl. 438DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL 2 pelas empresas contratantes ou apenas destacados nas notas fiscais foram considerados no lançamento, não havendo novos créditos sujeitos a compensação. Recurso parcialmente provido. Acordam os membros do colegiado, I) Pelo voto de qualidade, declarar a decadência até competência 11/2001, inclusive do décimo terceiro salário de 2001. Vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa (relator), Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que declaravam, também, a decadência da competência 12/2001. II) Por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de nulidade; e b) no mérito, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 439DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Processo nº 10650.000930/200747 Acórdão n.º 240101.805 S2C4T1 Fl. 439 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lavrada contra o contribuinte acima identificado relativo às contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, destinadas a Seguridade Social referentes a contribuições devidas e não recolhidas pela empresa, correspondente a parte dos empregados descontadas e não repassadas ao INSS, no período de 11/2001 a 01/2003. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 44/49, as contribuições lançadas nesta Notificação Fiscal — NFLD têm por fatos geradores as remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados no decorrer do mês de competência e o crédito previdenciário foi apurado através das divergências apontadas no batimento entre GFIP e GPS. Inconformada com a Decisão de fls. 400 a 411, a empresa apresentou recurso reiterando os argumentos da defesa e rebatendo os pontos da decisão de primeira instância alegando em síntese: Que nas competências 03, 04, 05, 07 e 08/2000 o recolhimento foi maior do que o valor apropriado pela fiscalização, acarretando um crédito a ser apropriado conforme comprovam as guias anexadas à presente impugnação e as diferenças apuradas "(.) decorrem de compensação de contribuições recolhidas a maior, referentes a cálculos de contribuições sobre pro labore (..) julgados inconstitucionais"; Argumenta sobre a declaração de inconstitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária sobre rendimentos de autônomos, avulsos e administradores com base no artigo 3°, inciso I da Lei n° 7.787/89 e no artigo 22, inciso I da Lei n° 8.212/91; Afirma que foi conferida à impugnante "o direito de realizar compensações de contribuições pagas com base nos artigos acima referidos" e "(.) que tais valores podem ser compensados com contribuições da mesma espécie, não se aplicando a limitação de 30% para compensação de cada competência" e "(.) não se aplicando (.) a vedação dos arts. 166 do CTN e 89, parágrafo 1°, da Lei n°8.212/91, com a redação da Lei 9.129/95"; Relaciona os valores compensados e as respectivas competências, anexando as cópias das GPS com a observação no campo do valor da contribuição a compensação realizada e seu valor; Entende ter havido cerceamento de defesa em face da não realização de diligência "(...) no sentido de se levantar todos as contribuições realizadas entre janeiro de 1989 até abril de 1995, bem como seja realizado cálculo através dos contadores do INSS, para se levantar os valores pagos indevidamente, sejam corrigidos e aplicados os juros, para abatimento dos valores faltantes nas competências acusadas na notificação de lançamento", diligência esta "(...) imprescindível para reconhecimento da ampla defesa e do devido processo legal previstos na constituição federal"; Sustenta que não havia comprovado nos autos que é associada da Associação Comercial de Frutal, pois, referida Associação ate então vinha se negando a entregar a atual Fl. 440DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL 4 proprietária do Posto Pontal (Sra Clarissa) mas que, em 4/08/2008, finalmente sinalizouse a possibilidade de ser remetida a citada documentação. Aduz que o excesso de formalismo não deve prosperar, com o preenchimento de formulários inúteis, já que há a comprovação da decisão judicial determinando a compensação e o próprio regulamento diz que "A GFIP/SEFIP da competência que ocorreu o recolhimento indevido., deve ser retificada com a entrega de nova GFIP/SEF1P, exceto nas compensações de valores." Por fim, requer: a) Seja reformada a r. decisão, e sejam deferidas as diligencias no sentido de se levantar todos as contribuições realizadas entre janeiro de 1989 ate abril de 1995, bem como seja realizado calculo através dos contadores do INSS, para se levantar os valores pagos indevidamente, sejam corrigidos e aplicados os juros, para abatimento dos valores faltantes nas competências acusadas na notificação de lançamento. b) Sejam deferidos prazos para juntada de documentos a posteriore; c) Sejam realizadas as devidas compensações e homologadas; d) Seja julgado procedente o presente recurso/impugnação, para determinar a nulidade/insubsistência do lançamento dos débitos indicados na presente NFLD. É o relatório. Fl. 441DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Processo nº 10650.000930/200747 Acórdão n.º 240101.805 S2C4T1 Fl. 440 5 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Embora não tenha sido suscitada pela recorrente deve ser conhecida de ofício a preliminar de decadência por se tratar de matéria de ordem pública. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. No presente caso o a notificação foi lavrada em junho de 2007, conforme se verifica às fls. 01 e as contribuições exigidas referemse às competências de novembro de 2001 a janeiro de 2003, o que fulmina em parte o direito do fisco de constituir o lançamento, utilizandose entendimento adotado para o início da contagem do prazo decadencial, art. 173, § I do Código Tributário Nacional – CTN, por se tratar de Apropriação Indébita. Pelo exposto encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores ocorridos até dezembro de 2001, inclusive. Fl. 442DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL 6 DO MÉRITO Com relação às compensações, de acordo com as informações fiscais contidas nos autos, podese verificar que foram compensados todos os créditos em favor da empresa, tendo a auditoria confeccionado planilha demonstrativa das retenções compensadas nos diversos tipos de levantamento, separandoas por competência. Logo não assiste razão à recorrente. Por fim, verificase que a NFLD em apreço, foi lavrada em estrita observância as determinações legais, não podendo ser acolhida a tese de nulidade da autuação. Ante ao exposto: VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, acolher DE OFÍCIO a preliminar de DECADÊNCIA PARCIAL, para que sejam excluídos do levantamento todas os fatos geradores ocorridos até DEZEMBRO DE 2001, inclusive, com fulcro no art. 150, § 4º do CTN e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa – Fl. 443DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Processo nº 10650.000930/200747 Acórdão n.º 240101.805 S2C4T1 Fl. 441 7 Voto Vencedor Conselheiro Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Divirjo do entendimento adotado pelo ilustre relator quanto ao alcance da decadência quinquenal aplicada a luz do art. 173, I do CTN abordada no Recurso Repetitivo, REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), donde o relator entendeu que a aplicação do art. 173, I do CTN determinaria a contagem do prazo decadência de 5 anos, a partir do fato imponível, o que resultou na exclusão por decadência também da competência dezembro. No caso, entendo que a divergência reside simplesmente na exclusão da competência 12/2001, por entender que a tese esboçada no referido recurso repetitivo, quando estabelece que a aplicação do art. 173, I do CTN, teria por início da data do fato imponível, não quis estabelecer nova contagem do prazo decadencial, mas tão somente rechaçar a tese à época defendida pela Procuradoria da Fazenda Nacional de que a contagem do prazo decadencial obedeceria a teoria cumulativa/concorrente dos prazos do art. 150, § 4º, e 173, I do CTN (teoria dos 5 mais 5 anos),. Dita conclusão nos parece clara ao ler o próprio texto do voto do ilustre ministro, REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux, senão vejamos: (...)O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal È sabido que a contagem do art. 173, I do CTN, tem por início o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Neste caso, a competência 12 (dezembro), só pode ser exigida a partir do seu vencimento, que dáse em janeiro do ano subsequente. Assim, a contagem para aplicação da decadência na competência 12/2001, só teve início em 1º de janeiro de 2003, findando em 31/12/2007. Esse raciocínio acabou sendo esclarecido nos embargos de declaração EDcl no AgRg no Recurso Especial nº 674.497 PR (2004/01099782) de relatoria do ministro Mauro Campbell Marques, acatados: SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos Fl. 444DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL 8 tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. . (grifo nosso) 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial.(...) O SENHOR MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES (Relator): Do acurado reexame dos autos, verifico que razão assiste à embargante. Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Confirase a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 445DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Processo nº 10650.000930/200747 Acórdão n.º 240101.805 S2C4T1 Fl. 442 9 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Fl. 446DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL 10 Com efeito, é cediço que, excepcionalmente, emprestamse efeitos infringentes aos embargos de declaração para correção de premissa equivocada sobre a qual se funda o julgado impugnado, quando tal efeito for relevante para o deslinde da controvérsia. . (grifso nosso) A propósito: TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS COM EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE. PREMISSA EQUIVOCADA. 1. "É admitido o uso de embargos de declaração com efeitos infringentes, em caráter excepcional, para a correção de premissa equivocada, com base em erro de fato, sobre a qual tenha se fundado o acórdão embargado, quando tal for decisivo para o resultado do julgamento" (EDcl no REsp n. 599.653, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJ de 22.8.2005). 2. Tratando os autos de mandado de segurança, são incabíveis embargos infringentes, ainda que o acórdão do Tribunal a quo tenha sido divergente na reforma do mérito da sentença, de acordo com o entendimento firmado pela Súmula nº 597/STF e nº 169/STJ. 3. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos. (EDcl no REsp 727.838/RN, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJ 25.8.2006). PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO MODIFICATIVO. POSSIBILIDADE. 1. Excepcionalmente, podese emprestar efeito modificativo aos embargos declaratórios. 2. No caso em espécie, tendo em vista o descabido recurso especial interposto em inadmissível processo instaurado contra a coisa julgada, impõese o acolhimento dos declaratórios para, dandolhes efeito modificativo, não conhecer do recurso especial. (EDcl nos EDcl no REsp 543.688/RJ, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 26.10.2006). Portanto, impõese o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria. Isso posto, ACOLHO os embargos de declaração, com efeitos modificativos, para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso especial, tãosomente, para afastar a decadência dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. (grifo nosso) Excluída, por derradeiro, a multa de 1% (um por cento) aplicada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC. É como voto. Fl. 447DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Processo nº 10650.000930/200747 Acórdão n.º 240101.805 S2C4T1 Fl. 443 11 Assim, o lançamento em questão foi cientificado lavrada em 07/2007, sendo que os fatos geradores apurados referemse às competências 11/2001 a 01/2003, dessa forma, devem ser excluídas a luz do art. 173, I do CTN as contribuições até 11/2001. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 448DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 31/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 30/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL
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Numero do processo: 10855.000871/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Período de apuração: agosto, setembro e outubro de 2002
COMPENSAÇÃO COFINS
A compensação entre tributos administrados pela SRF é possível, desde que
obedecidas as regras emitidas pela Secretaria da Receita Federal.Os pedidos
de compensação devem obedecer o disposto na IN/SRF nº 21/97, e suas
alterações posteriores, atual IN/SRF nº 900/08, que trata dos pormenores do
pedido de compensação administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-000.916
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Período de apuração: agosto, setembro e outubro de 2002 COMPENSAÇÃO COFINS A compensação entre tributos administrados pela SRF é possível, desde que obedecidas as regras emitidas pela Secretaria da Receita Federal.Os pedidos de compensação devem obedecer o disposto na IN/SRF nº 21/97, e suas alterações posteriores, atual IN/SRF nº 900/08, que trata dos pormenores do pedido de compensação administrativa. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1514; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.000871/200719 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 330200.916 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de abril de 2011 Matéria COFINS Recorrente METALÚRGICA NAKAYONE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Período de apuração: agosto, setembro e outubro de 2002 COMPENSAÇÃO COFINS A compensação entre tributos administrados pela SRF é possível, desde que obedecidas as regras emitidas pela Secretaria da Receita Federal.Os pedidos de compensação devem obedecer o disposto na IN/SRF nº 21/97, e suas alterações posteriores, atual IN/SRF nº 900/08, que trata dos pormenores do pedido de compensação administrativa. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator EDITADO EM: 09/05/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto (Relator). Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 08/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10855.000871/200719 Acórdão n.º 330200.916 S3C3T2 Fl. 2 2 Relatório Adotase o relatório do Acórdão recorrido. A empresa qualificada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) no período de agosto a outubro de 2002, exigindoselhe contribuição de R$ 429.941,25, multa de oficio de R$ 322.455,93 e juros de mora de R$ 319.275,56, perfazendo o total de R$ 1.071.672,74. O enquadramento legal encontrase à fl. 53. Também foi apurada falta de recolhimento da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) no período de outubro de 2002, exigindoselhe contribuição de R$ 20.431,14, multa de oficio de R$ 15.323,35 e juros de mora de R$ 14.859,56, perfazendo o total de R$ 50.614,05. O enquadramento legal dessa parcela do lançamento encontrase à fl. 162. O lançamento foi devido à apuração de diferenças entre os valores contabilizados pela impugnante e os informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e/ou recolhidos. Instada a justificar as diferenças, a autuada alegou que compensou o valor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a recuperar. Tal alegação não foi aceita pela fiscalização porquanto a contribuinte não observou, para a efetivação da compensação, a Instrução Normativa (IN) SRF n 21, de 1997, tampouco informou o fato em DCTF. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento alegando, em síntese, que a operação de compensação foi devidamente contabilizada, apenas por falha administrativa não foi informada em DCTF, portanto tratase de falta de cumprimento de obrigação " acessória, que possui previsão legal para sua correção e aplicação de penalidade, e não de apropriação indevida de saldos credores futuros. Assim, tal fato não "ensejaria a reversibilidade" (sic) da compensação, sob pena de quebra da segurança jurídica. Afirmou também que não se trata de dissimulação, como prevista no art. 116 do Código Tributário Nacional (CTN). Argumentou que, caso se reverta a compensação efetuada, "renasceria" o saldo credor utilizado, que seria novamente objeto de pedido de compensação, gerando mais trabalho e ferindo o princípio da eficiência. Por fim, a autuada requer o deferimento da compensação e da substituição da DCTF original. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 08/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10855.000871/200719 Acórdão n.º 330200.916 S3C3T2 Fl. 3 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso, resolveram os Membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar a impugnação improcedente mantendo o crédito tributário exigido. Intimada em 13/04/2010, irresignada o Recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 12/05/2006. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. A questão principal de que trata o presente recurso diz respeito a compensação efetuada pela Recorrente a título de PIS/COFINS, com o IPI a recuperar. Da formalização do pedido de Compensação do PIS/COFINS com o IPI a recuperar, nos exatos termos da IN/SRF nº 21/97 (vigente à época dos fatos), atual IN/SRF nº 900/2008 A IN/SRF nº 21/97, tratou dos pormenores acerca do pedido de compensação na via administrativa referente aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos seguintes termos: Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. § 1º A compensação será efetuada entre quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. § 2º A compensação de ofício será precedida de notificação ao contribuinte para que se manifeste sobre o procedimento, no prazo de quinze dias, contado da data do recebimento, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 3º A compensação a requerimento do contribuinte será formalizada no "Pedido de Compensação" de que trata o Anexo III. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 08/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10855.000871/200719 Acórdão n.º 330200.916 S3C3T2 Fl. 4 4 § 4º Será admitida, também, a apresentação de pedido de compensação após o ingresso do pedido de restituição ou ressarcimento, desde que o valor ou saldo a utilizar não tenha sido restituído ou ressarcido. § 5º Se o valor a ser ressarcido ou restituído, na hipótese do § 4º, for insuficiente para quitar o total do débito, o contribuinte deverá efetuar o pagamento da diferença no prazo previsto na legislação específica. § 6º Caso haja redução no valor da restituição ou do ressarcimento pleiteado, a parcela do débito a ser quitado, na hipótese do § 4º, excedente ao valor do crédito que houver sido deferido, ficará sujeita à incidência de acréscimos legais. § 7º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art.17. § 8º A parcela do crédito, passível de restituição ou ressarcimento em espécie, que não for utilizada para a compensação de débitos, será devolvida ao contribuinte mediante emissão de ordem bancária na forma da Instrução Normativa Conjunta SRF/STN nº 117, de 1989. § 9º Os pedidos de compensação de débitos, vencidos ou vincendos, de um estabelecimento da pessoa jurídica com os créditos a que se refere o inciso II do art. 3º, de titularidade de outro, apurados de forma descentralizada, serão apresentados na DRF ou IRF da jurisdição do domicílio fiscal do estabelecimento titular do crédito, que decidirá acerca do pleito. § 10. Na hipótese do parágrafo anterior, a compensação será pleiteada por meio do formulário ‘Pedido de Compensação’, de que trata o Anexo III. No caso concreto o Recorrente não apresentou pedido de compensação, realizando a referida compensação sem que houvesse qualquer pedido expresso perante a Secretaria da Receita Federal. Na DCTF, também não foram informados os valores compensados, muito embora a DCTF, também não seja o meio hábil para que a Recorrente realize compensações entre tributos de diferentes espécies. A necessidade de apresentação de declaração de compensação é expressa na IN/SRF 21/97, além de estar prevista no artigo 74 da Lei nº 9.430/96: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.” Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 08/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10855.000871/200719 Acórdão n.º 330200.916 S3C3T2 Fl. 5 5 Neste sentido fazse necessário a solicitação de tal compensação à Delegacia da Receita Federal, a fim de formalizar o referido pedido nos termos da legislação em vigor. A compensação é uma prerrogativa do Recorrente, mas deve observar os procedimentos fixados pela Administração Tributária a fim de fazer valer seu direito. Assim, não atendido os requisitos previstos na legislação, em referência, não há como se homologar a pretensa compensação, sendo correta a exigência ora combatida. Por todo exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 08/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 10675.000979/2005-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEN1PRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA. CAUSAS DE EXCLUSÃO. IN
SRF N° 355, de 2003. SÚMULA CARF 1\1' 56. - A exclusão depende de
comprovação das causas nos períodos definidos na lei. A exegese do inciso II, do parágrafo único, do art. 24 da IN SRF n° 355, de 2003, determina que pode haver o diferimento da exclusão para 01/01/2002, mas para efetuar a exclusão a partir desta data a situação excludente deve estar comprovada em 2001.
Numero da decisão: 1101-000.566
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEN1PRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA. CAUSAS DE EXCLUSÃO. IN SRF N° 355, de 2003. SÚMULA CARF 1\1' 56. - A exclusão depende de comprovação das causas nos períodos definidos na lei. A exegese do inciso II, do parágrafo único, do art. 24 da IN SRF n° 355, de 2003, determina que pode haver o diferimento da exclusão para 01/01/2002, mas para efetuar a exclusão a partir desta data a situação excludente deve estar comprovada em 2001.
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FL 82 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° Recurso n° Acórdão n° Sessão de Matéria Recorrente Recorrida 10675.000979/2005-50 343.756 Voluntário 1101 -00.566 — r Câmara / la Turma Ordinária 04 de agosto de 2011 SIMPLES DESCARTÁVEIS COMERCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE INIPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEN1PRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA. CAUSAS DE EXCLUSÃO. IN SRF N°. 355, de 2003. SÚMULA CARF 1\1' 56. - A exclusão depende de comprovação das causas nos períodos definidos na lei. A exegese do inciso II, do parágrafo único, do art. 24 da IN SRF n° 355, de 2003, determina que pode haver o diferimento da exclusão para 01/01/2002, mas para efetuar a exclusão a partir desta data a situação excludente deve estar comprovada em 2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. VALMA E IÁL E MENEZES - Presidente EDITADO EM: 13/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presid ente da turma), Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Ede li Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), e Sergio Luiz Bezerra Presta. Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente impugnação apresentada em razão de exclusão do Simples. Em 01/04/2005, o contribuinte apresentou impugnação referente a sua exclusão do Simples Federal (proc. fls. 01 a 04). Junta cópia do ato declaratório executivo, datado de 02/08/2004 (proc. fl. 6). Diz que tornou ciencia da decisão que julgou improcedente o seu pedido de revisão da exclusão do Simples em 09/03/2005 (proc. fl. 13). Relata que o fundamento do ato declaratório executivo de exclusão (proc. fl. 06) foi de que o sócio Fausto Pereira Martins participaria de outra empresa com mais de 10% e que a receita bruta global no ano de 2000 ultrapassou o limite legal, conforme § 3 0 do art. 15, combinado com os arts. 9°, 12 e 14, da Lei n° 9.317, de 1996. Diz que o ato é de 02/08/2004 e que determina a exclusão a partir de 01/01/2002. Explica que de acordo com as DIPJ juntadas no pedido de revisão, a empresa está inativa desde outubro de 2000, razão pela qual não há que se falar em receita superior ao limite. Explica que "se a exclusão foi declarada a partir de 01/01/02 nos termos do Art. 15, II da Lei 9.317/96 é totalmente arbitrária haja vista que nos termos do artigo citado esta exclusão se fosse plausível deveria ter sido feita no mês subseqüente ao que incorrida a situação excludetzte, o que não foi observado posto a exclusão se deu dois anos após a suposta situação excludente". Em 21/08/2008, a 2 Turma da DRJ em Juiz de Fora consideram a impugnação improcedente (proc. fls. 22 a 26). Após transcrever os arts. 2°, 9 0, 12, 13, 14, 15 e 16 da Lei ri° 9.713, de 1996, explica que em razão das alterações sofridas pelo art. 15, a IN SRF 355, de 2003, regulamentou a matéria. Na sequencia, transcreve os arts. 20, 22, 23 e 24 da IN SRF n° 355, de 2003. Diz que a empresa, da qual o sócio participa no capital (CNPJ 01.597.184/0001-81), não teve faturamento no 4° trimestre de 2000, mas faturou nos 3 primeiros trimestres mais de RS 2.000.000,00 (proc. fls. 17 a 21). Explica que, por isso, "a alegação de inatividade a partir de outubro de 2000 não socorre a reclamante". Conclui que a exclusão a partir de 01/01/2002 tem amparo legal. Informa a sua intrepretação da legislação com as seguintes palavras: 0 art. 15 da Lei 9.317/1996, em sua redação original, na situação em apreço, definia os efeitos da exclusão a partir do 171 êS subseqüente ao que incorrida a situação exchtdente. Com a alteração procedida pela Lei 9.732/1998, a exclusão passou a surtir efeitos a partir do ma subseqüente aquele em que se proceder c`i exclusão, ou seja: a partir do 171 êS subseqüente a ciência do Ato Declaratório. Essa condição perdurou até nova alteração pela MP n° 2158-35 de 24/08/2001, quando voltou a prevalecer a condição transcrita na redação original. Em .função dessas alterações no artigo 15 da Lei 9.317/1996, a IN SRF 355/2003, em seu artigo 24, § único, inciso II, esclarece que, para as pessoas jurídicas enquadradas nas hipóteses dos incisos III a XVII do art. 20, que tenham optado pelo Simples até 27 de julho de 2001, o efeito da exclusão dar-se-á a partir de 10 de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. A exclusão discutida no presente processo se enquadra 2 Processo n° 10675.000979/2005-50 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.566 Fl. 83 nessa hipótese, portanto, não podem prevalecer os argumentos trazidos pela defendente. Em 01/09/2008, o contribuinte é cientificado do acórdão (proc. fl. 27). Em 01/10/2008, o contribuinte apresenta recurso voluntário (proc. fls. 31 a 38). No seu recurso, reconhece que o sócio Fausto Pereira Martins detinha fração superior a 10% do capital de outra empresa. Mas sustenta que tal empresa estava inativa em 2000. Argumenta que as receitas obtidas antes da inatividade não podem ser consideradas e, por esta razão, deve ser desconsideradas as receitas obtidas em 2000 e o ato declaratório executivo deve ser declarado nulo. Alega, subsidiariamente, que somente estará excluído do Simples após a decisão administrativa final sobre o presente processo e não desde 01/01/2002. Diz o seguinte: Em proémio, oportuno considerar que ato declaratório de exclusão data de 02 de agosto de 2004. A época, a redação da lei 9.317/96 anunciava que os efeitos do ato declaratório de exclusão seriam subseqüentes à efetiva exclusão do SIMPLES. Fixada essa diretriz, insta salientar que o desligamento da recorrente do SIMPLES ainda não se efetuou, até porque os efeitos do "Ato Declaratório de Exclusão" encontram-se suspensos enquanto pendente discussão na esfera administrativa, a teor do que dispõe o art. 33 do Decreto 70.235/72. dizer, deflui da legislação que deve servir de parámetro para se analisar o "Ato Declaratório Executivo DRF/UBE N.° 513.890" que apenas a partir da efetiva exclusão — que somente ocorrerá caso não prospere o presente recurso os seus efeitos, que serão prospectivos, deverão se irradiar. Sendo assim, não há que se falar em efeitos da exclusão a partir de 2002, quanto mais com espeque em ato normativo hierarquicamente inferior (IN SRF 355/2003) que contraria as próprias disposições legais que se propõe a regulamentar. Adiciona que, considerando a inatividade a partir no último trimestre de 2000, a exclusão deveria ficar limitada ao ano de 2000. Ou seja, a empresa poderia permanecer no Simples no ano de 2001 e seguintes. Assim, mesmo que a empresa fosse excluída em 2000, poderia voltar a Ser incluída em 2001, tendo em conta o desaparecimento da situação excludente. Afirma, o seguinte: Pelo contrário, a situação exchtdente apontada pelo Fisco cinge- se ao ano de 2000 e deixou de existir a partir de 2001, motivo pelo qual é impossível, a partir desta data, vislumbrar-se qualquer ofensa à legislação tributária relacionada a permanéncia da recorrente ao SIMPLES. Ressalte-se, alias, que entendimento diverso importaria admitir que o próprio Fisco, em razão de sua mora, pudesse penalizar a recorrente de maneira demasiadamente mais gravosa. 3 que, fosse o "ato declaratório de exclusão" editado em momento imediatamente posterior ã ocorrência da situação excludente, poderia a recorrente aderir ao SIMPLES novamente em 2001, Mantendo-se a partir de então nele inserida sem quaisquer percalços. Ainda que se admitisse a possibilidade jurídica de retroatividade dos efeitos do ato declaratório de exclusão editado em agosto de 2004, teria ela cabimento tão somente se o óbice excludente perdurasse durante o tempo em que o contribuinte ficou inserido no SIMPLES. Definitivamente, não é o caso. 4 Processo n° 10675.000979/2005-50 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.566 Fl. 84 Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO, 0 recurso é tempestivo e dele torno conhecimento. Inicialmente, cabe consignar que o fato de haver inatividade no quarto trimestre de 2000 não impede que seja considerada as receitas obtidas nos 3 primeiros trimestres de 2000, para fins de quanti fi cação das receitas globais das 2 empresas, no ano de 2000. Portanto, sob este prisma, não cabe a alegação de que o ato seria nulo. Na sequencia, cabe analisar a alegação do contribuinte de que os efeitos da exclusão s6 se operariam após a decisão definitiva do julgamento administrativo do ato de exclusão, e não a partir de 01/01/2002. Por oportuno, caberia analisar também se a exclusão poderia ser feita com efeitos retroativos, já que o ato de exclusão ocorreu em 2004, mas a causa da exclusão é de 2000. Ou seja, a questão levantada na defesa está contida em uma questão mais ampla e que consiste em saber se é possível, no presente caso, uma exclusão retroativa. Para tanto, cabe lembrar que a redação do inciso II do art. 15 da Lei n°9.317, de 1996, foi alterada diversas vezes. Assim, de 1999 a 27/07/2001 (quando da edição da MP 2.158-34) a exclusão tinha efeitos após a ciência do ato de exclusão. A partir de 27/07/2001, a exclusão passou a ter efeitos a partir do mês seguinte a ocorrência da situação excludente. Então, considerando que a situação excludente ocorreu em 2000, sob a vigência de um texto legal, e considerando que o ato de exclusão ocorreu em 2004, sob a vigência de outro texto legal, cabe definir qual regra é aplicável. Para tanto, é preciso identificar se a regra aplicável é a vigente ao tempo do ato ou a vigente ao tempo da causa da exclusão. Porém, apesar do argumento do contribuinte conduzir para a análise desta questão, entendo que a presente lide pode se abstrair desta análise da legislação. f, que, mesmo supondo que se aplica a regra vigente da data do ato de exclusão — o que pennitiria a exclusão retroativa -, a exclusão deve ser cancelada por outras razões. Conforme argumenta o contribuinte, caso admitida a possibilidade de exclusão retroativa, a exclusão em razão de fatos ocorridos em 2000, produziria efeitos em 2001 e não em 2002. De outra banda, admitida a possibilidade de exclusão retroativa, para ela conseguir produzir efeitos em 2002, precisaria ter por base situação excludente ocorrida em 2001. No caso em concreto, a DRF documentou situação excludente em 2000, nada falando sobre 2001: Porém, efetuou exclusão retroativa a partir de 2002. Tal procedimento teve por base as orientações do parágrafo único do art. 24 da IN SRF n° 355 de 2003, que determina o seguinte: Art. 24. A excluscio do Simples nas condições de Tie tratam os arts. 22 e 23 surtirá efeito: 5 Parágrafo único. Para as pessoas jurídicas enquadradas nas hipóteses dos incisos III a XVII do art. 20, que tenham optado pelo Simples até 27 de julho de 2001, o efeito da exclusão dar- se-á a partir: I - do mês seguinte àquele em que se proceder a exclusão, quando efetuada em 2001; II - de 1" dejaneiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. Não obstante a orientação da IN, entendo que esta deve ser interpretada de acordo com a lei (e não em desacordo) e de modo a não trazer prejuízos ao contribuinte. Vale a transcrição do texto legal vigente de agosto de 2001 a 2005, in verbis: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: - a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9"; 0 texto legal é bastante claro ao determinar que a exclusão tem efeito no mês seguinte ao da situação excludente. Deste modo, no caso concreto, para a aplicação do inciso II do parágrafo único do art. 24 da IN SRF ri° 355, de 2003, é preciso a comprovação de que a situação excludente permaneceu ao longo de 2001. Ou seja, é p. ossivel admitir que a IN, após considerar que vale a lei vigente época do ato e não aquela vigente 6. época da situação excludente, determine um beneficio ao contribuinte consistente no diferindo da exclusão para 01/01/2002, mesmo que a situação excludente exista desde muito antes. Mas não é possível admitir que a a IN possa determinar a exclusão a partir de 01/01/2002, sem que se faça a demosntração de que a situação excludente persiste em 2001. Ademais, tal como o contribuinte alegou, se a exclusão fosse feita para janeiro de 2001, logo em seguida o contribuinte poderia solicitar seu reingresso no sistema, bastando a demonstração de que a situação excludente não mais persistiria. Inclusive, no caso concreto o contribuinte junta declarações que confirmam que a situação excludente não persistiu (proc. fls. 64 a 79). Também é oportuno registrar que a súmula CARF 56 tem o mesmo conteúdo normativo da IN SRF n° 355, de 2003, e por isso deve ser interpretada do mesmo modo. Vale a transcrição: Súmula CARE n" 56: No caso de contribuintes que .fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9" da Lei n° 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão dar-se-ão a partir de 1"de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. Por outra abordagem, independentemente da IN e da Súmula CARF 56, se a DRF pretende efetuar exclusão a partir de 01/01/2002, deve comprovar que existe uma causa 6 Processo n° 1 0675.000979/2005-5 0 Si -C1T1 Acórdão n.° 1101-00.566 Fl. 85 excludente que fundamente o ato. Não pode simplesmente alegar causa pretérita que, inclusive, não persiste. Assim, considerando que o ato de exclusão não demonstrou que a situação de exclusão persistiu em 2001, entendo que o recurso é procedente. Por estas razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário. CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO 7 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasilia, JOSÉ ANTONIO DA SILVA Chefe de Equipe da 1' Camara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-MF Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ com Recurso Especial; [ ] corn Embargos de Declaração; 8
score : 1.0
Numero do processo: 16403.000079/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL . NULIDADE. AUSÊNCIA DE
CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGENCIA. CUMPRIMENTO
DEFICIENTE.
Ocorre cerceamento do direito de defesa quando a diligência proposta não é
cumprida de forma adequada e quando do seu resultado não é concedido
prazo para a manifestação do recorrente. Situações que acarretam na nulidade
da diligencia efetuada e, por conseqüência, na nulidade da decisão de
primeira instância.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
Numero da decisão: 3302-001.118
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, para anular o processo a partir da determinação de
diligência, exclusive, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Walber José da
Silva. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Gustavo Froner Minatel, OAB/SP 210198.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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NULIDADE. AUSÊNCIA DE CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGENCIA. CUMPRIMENTO DEFICIENTE. Ocorre cerceamento do direito de defesa quando a diligência proposta não é cumprida de forma adequada e quando do seu resultado não é concedido prazo para a manifestação do recorrente. Situações que acarretam na nulidade da diligencia efetuada e, por conseqüência, na nulidade da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido Parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular o processo a partir da determinação de diligência, exclusive, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Walber José da Silva. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Gustavo Froner Minatel, OAB/SP 210198. Walber José da Silva Presidente. Alexandre Gomes Relator. Fl. 226DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES 2 EDITADO EM: 16/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de ressarcimento de PIS Não cumulativo – Exportação do 4º Trimestre de 2005, ao qual se encontram vinculadas diversas declarações de compensações. A SAORT/DRF/PTG intimou a recorrente pra que esta disponibilizasse os documentos necessários a verificação e quantificação do credito pleiteado, concedendo prazo de 20 dias. Em 01/04/2008 a recorrente requereu 20 dias de prorrogação do prazo. Em 04/04/2008 a fiscalização concede o prorrogação do prazo de 10 dias a contar do dia 31/03/2008, ou seja mais seis dias de prazo. Em 10/03/2008 é protocolado novo pedido de prorrogação de prazo para entrega dos documentos solicitados. Em 18/04/2008, a recorrente protocola pedido de juntada de CD contento dados digitais para instruir o processo. Em 22/04/2008 requer a juntada de CD contendo planilhas de Excel. Diante da entrega parcial dos documentos, a SAORT/DRF/PTG decidiu indeferir os pedidos de restituição e não homologar as compensações informadas uma vez que não foram entregues em meio digital entre toda a documentação exigida uma planilha com a relação de notas fiscais de entrada e saída, um memorial de apuração da base de cálculo e a discrição do processo produtivo. A DRJ de Curitiba assim resumiu os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade: No item "I — Dos fatos", esclarece .que, entre outras atividades, industrializa e comercializa, no mercado interno, papel sujeito à alíquota zero de PIS e Cofins, com o que acumularia créditos decorrentes da aquisição de insumos utilizados e consumidos no processo produtivo desse produto, levandoa a protocolizar pedido de ressarcimento, cumulado com declaração de compensação, aqui em debate; comenta que o fisco intimoua a apresentar uma série de documentos (intimação fiscal n.° 202/2008); agrega que em face do excessivo volume de documentos requeridos, apresentou pedido de dilação de prazo, requerendo mais 20 dias para cumprir a exigência fiscal, o qual foi parcialmente deferido com a concessão de 10 dias (Comunicado n.° 426/2008); sustenta que não obstante essa prorrogação do prazo, ainda assim não teria tido tempo suficiente para apresentar a longa lista de documentação e na forma estabelecida pela intimação fiscal; em razão disso, o fisco emitiu o despacho decisório impugnado, com o que não concorda. Fl. 227DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16403.000079/200751 Acórdão n.º 330201.118 S3C3T2 Fl. 219 3 Sob o titulo "Da ofensa ao principio do contraditório e da ampla defesa", após citar o art. 2° da Lei n.°9.784, de 1999, do qual destaca a necessidade de a administração pública obedecer aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, da ampla defesa e do contraditório, alega que, no caso, o tempo concedido pela autoridade a quo foi exíguo, em face do volume de documentos solicitados, frisando que não se negou a atender a requisição do fisco, apenas pedindo um tempo maior atendêla; dessa forma, entende não ser razoável e tampouco proporcional o fisco negar o pedido de dilação do prazo, e simplesmente indeferir seu pedido de ressarcimento e não homologar as declarações de compensação; registra ainda que os livros obrigatórios sempre estiveram A disposição da autoridade fiscal. Na seqüência, faz comentários sobre os princípios constitucionais do direito a ampla defesa e da nãoprivação de seus bens, fazendo citação da jurisprudência e da doutrina, e mencionando o art. 5°, LIV e LV, da Constituição Federal de 1988; argumenta, ainda, que o indeferimento de seu pleito, estaria ligado a fato cuja natureza é fundamental para a correta aplicação do direito (verificação se as aquisições de insumos e bens aplicados no processo de fabricação do papel sujeito A alíquota zero no mercado interno gerariam direito ao crédito de PIS e de Cofins, nos termos do art. 16 da Lei n.° 11.116, de 2005,e poderiam ser utilizados na compensação, nos termos da legislação), entendendo que teria havido, assim, flagrante desrespeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa, posto que lhe teria sido negado o direito A compensação pretendida sob o frágil argumento da não entrega de documentação para o fisco no prazo estipulado em intimação; insiste que o alegado direito de crédito, no presente caso, decorre da comprovação de fato relacionado A utilização de insumos e demais bens no processo produtivo de papel sujeito A alíquota zero, e, assim, para decidir sobre a eventual existência desse direito seria obrigatório o fisco entrar em contato direto com o fato a ser provado. No seguimento, requer o deferimento de perícia, posto que a mesma seria imprescindível para comprovar seu direito de crédito de PIS e Cofins, decorrente de aquisições de insumos e demais bens utilizados na fabricação de papel sujeito A alíquota zero; quanto a isso, nomeia como assistente técnica a Contadora Ana Ribeiro Silva, CPF n.° 258.969.90855, com domicilio A Rodovia SP 340, Km 171, CEP 13840970, Mogi Guagu/SP, e formula os seguintes quesitos: "1 Solicitar ao Sr. Perito que proceda a descrição de todo o processo produtivo da empresa. 2 Quais são os produtos finais do processo produtivo da Impugnante, e qual a alíquota de PIS e COFINS do mercado interno desses produtos? 3 Relacionar os insumos empregados no processo produtivo da empresa. Fl. 228DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES 4 4 Responder se esses insumos geram direito ao crédito de PIS e COFINS nos termos das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 5 Relacionar os demais bens que geram direito ao crédito de PIS e COFINS na atividade da Impugnante, nos termos da legislação acima mencionada. 6 Solicitar ao Sr. Perito a elaboração de Planilha de Cálculo com os montantes de créditos de PIS e COFINS relativo ao período do presente processo e objeto do Pedido de Ressarcimento cumulado com as Declarações de Compensação, demonstrando a relação proporcional desses créditos com a venda sujeita a alíquota zero de PIS e COFINS." Por fim, pede que seja julgada totalmente procedente sua manifestação de inconformidade, para declarar seu direito de compensar os alegados créditos de PIS e COFINS com os demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em face dos mesmos decorrerem da aquisição de insumos e demais bens utilizados na produção de papel cuja aliquota é zero; protesta pela realização de prova pericial, nos termos requeridos e requer, ainda, a juntada de CDRom que conteria toda a documentação solicitada pelo fisco, esclarecendo que a juntada dessa documentação em papel acarretaria um grande volume de documentos, o que dificultaria o manuseio do presente processo. (grifos nossos) Diante da argumentação apresentada e do CDROM que a acompanhou, o processo foi baixado em diligencia pela DRJ de Curitiba para que fosse verificada a pertinência dos documentos apresentados e a real existência do crédito requerido, conforme se verifica da seguinte transcrição: Assim, tendo em vista que a interessada teria, em principio, trazido aos autos os elementos que o órgão originariamente competente entendeu faltarem para análise originária dos créditos de PIS Não Cumulativo Exportação, relativos ao 4º trimestre de 2005, entendese ser necessário o retorno do processo à DRF/Ponta Grossa, para que seja verificado se a documentação apresentada pela interessada é, de fato, suficiente para a análise da eventual existência do crédito reclamado, bem como, em caso afirmativo, que seja feita a preparação de demonstrativos que indiquem o eventual montante passível de ressarcimento, bem como quais débitos fiscais indicados nas declarações de compensação poderiam ser homologados. Dos trabalhos fiscais feitos, dar ciência à interessada, com reabertura de prazo para a apresentação de eventuais contra razões, e posterior envio do processo a este órgão julgador para prosseguimento (grifos nossos) Recebido o pedido de diligência pela SAFIS/DRF/PTG é emitido, em 18/01/2010, Termo de intimação nº 19/2010, requerendo diversos arquivos a serem entregues na formatação determinada pelo Anexo único do ADE COFIS nº 15/01, bem como vários esclarecimentos adicionais. Por fim adverte que se os documentos não forem integralmente apresentados serão indeferidos, no termos do art. 65 IN 900/2008. Fl. 229DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16403.000079/200751 Acórdão n.º 330201.118 S3C3T2 Fl. 220 5 Em 28/01/2010, é emitido Termo de Intimação Fiscal nº 24/2010 em que são requeridos mais diversos documentos, entre eles cópias digitalizadas de todas as notas fiscais de energia elétrica referentes ao período sob análise; relação de notas fiscais em meio digital de aquisição de bens do ativo imobilizado utilizados no calculo da depreciação, contendo os dez campos listados pela fiscalização; cópias das notas fiscais digitalizadas das notas fiscais de aquisição de bens do ativo imobilizado; apresentar memorial de calculo relativo ao crédito do ativo contendo 8 campos de informação; relação de nota fiscais relacionados a rubrica “outros valores com direito a crédito”. Por fim adverte que se os documentos não forem integralmente apresentados serão indeferidos, no termos do art. 65 IN 900/2008. A Recorrente promoveu pedidos de prorrogação de prazo no 04/02/2010 para os dois Termos de Verificação. Em 09/03/2010 são apresentados dados parciais, sendo que 12/03/2010 requerse prorrogação de prazo em relação ao TIF 24/2010. O Termo de Intimação Fiscal nº 227/2010 faz a reintimação para apresentação dos documentos listados nos TIFs 19/2010 e 24/2010. Em 12/03/2010 e 14/05/2010 são protocolados pedidos de prorrogação de prazo para entrega dos documentos faltantes. Estes pedidos são indeferidos (fls. 139). Neste contexto é elaborado Termo de Informação (fls. 140) que descrevendo os eventos acima transcritos assim conclui: Tendo em vista as considerações supra, há que se considerar a impossibilidade de verificar o quantum do crédito pleiteado pelo contribuinte, tendo em vista as inconsistências na documentação apresentada até o momento e a falta de apresentação da documentação restante. Destarte, proponho o encaminhado para a DRJ — Curitiba para prosseguimento. Recebido o processo pela DRJ de Curitiba, esta decide manter o lançamento em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados, não se configura o cerceamento do direito de defesa. AFERIÇÃO DE ALEGADO DIREITO CREDITÓRIO. REABERTURA DE OPORTUNIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Reabrindose A interessada a oportunidade de fazer comprovação de seu alegado direito credit6rio ao órgão Fl. 230DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES 6 originalmente competente para o avaliar, é de se indeferir o pedido de perícia que tem o mesmo propósito. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE CRÉDITOS. INTIMAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO. Tendo sido a interessada devidamente intimada a comprovar a correção da utilização de alegados créditos, para fins de ressarcimento e compensação de tributos, e não tendo atendido a tal intimação de forma satisfatória, cabível ao fisco o indeferimento de seu pleito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado recurso voluntário que em síntese alega: a) o cerceamento do direito de defesa da recorrente tendo em vista que não foi cientificada do resultado da diligencia, conforme determinava a despacho da DRJ; b) que a diligência foi irregular, pois não atendeu aos pedidos realizados pelo Relator na DRJ; c) possuir direito ao credito da contribuição para o PIS; d) a necessidade de lançamento para alterar a apuração da contribuição para o PIS. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Gomes, Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. A Recorrente teve seu pedido de ressarcimento indeferido e por conseqüência seus pedidos de compensação não homologados por não ter entregue a totalidade dos inúmeros documentos solicitados pela fiscalização encarregada de analisar a veracidade dos créditos que alega possuir. Consta dos autos a entrega por parte da recorrente de dois CD contendo informações que a Recorrente alega atender as exigências para fins de apuração dos créditos a que faz direito. A DRJ de Curitiba, ao analisar inicialmente a manifestação de inconformidade apresentada, entendeu por bem baixar o processo em diligencia para: Fl. 231DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16403.000079/200751 Acórdão n.º 330201.118 S3C3T2 Fl. 221 7 “(...) para que seja verificado se a documentação apresentada pela interessada é, de fato, suficiente para a análise da eventual existência do crédito reclamado, bem como, em caso afirmativo, que seja feita a preparação de demonstrativos que indiquem o eventual montante passível de ressarcimento, bem como quais débitos fiscais indicados nas declarações de compensação poderiam ser homologados. Dos trabalhos fiscais feitos, dar ciência à interessada, com reabertura de prazo para a apresentação de eventuais contra razões, e posterior envio do processo a este órgão julgador para prosseguimento.” Da leitura atenta de tudo o que consta do processo verificase claramente que as determinações estabelecidas pela DRJ em seu pedido de diligencia não foram atendidas pela autoridade fiscal responsável por seu cumprimento. E o mais grave, do resultado da diligencia efetuada, ainda que negativo, não houve ciência do contribuinte, conforme expressamente determinado pela DRJ. Existe inegável preterição do direito de defesa uma vez que o contribuinte não teve oportunidade de contrapor as informações apresentadas na resposta à diligência que foi proposta. O Decreto 70.235/72 assim determina: Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta A jurisprudência do CARF, assim tem se posicionado sobre o tema: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA E DOCUMENTOS JUNTADOS PELO FISCO. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídicoprocedimental, dela não se Fl. 232DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES 8 podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Decisão de Primeira Instância Anulada (Recurso 242.100 Processo nº 35067.001856/200444 Órgão Julgador Primeira Turma/Terceira Câmara/Segunda Seção de Julgamento) Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 17/10/2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA E DOCUMENTOS JUNTADOS PELO FISCO. É nula a autuação que não for precedida de solicitação expressa, em nome do sujeito passivo, dos elementos cujo exame pode acarretar a lavratura do auto de infração. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Processo Anulado.( Recurso 247279 Processo 12045.000367/200771 Órgão Julgador Quinta Câmara/Segundo Conselho de Contribuintes) No mesmo sentido, verificase que a diligência determinada também não foi cumprida conforme determinado pela DRJ, uma vez que os documentos juntados pelo recorrente por meio de CDs sequer foram analisados. Existem também exigências, que em primeira análise, parecem desprovidas de razoabilidade, tais como: copias digitalizadas, de todas as notas fiscais de energia elétrica e de todos os bens ativo imobilizado entre outros. Assim, deveria ter a autoridade preparadora analisado os documentos entregues e, havendo real necessidade, ter solicitados maiores esclarecimentos ou ainda documentos adicionais. Neste contexto entendo por bem ANULAR todos os atos e decisões praticados a partir da determinação de diligencia por parte da DRJ. Alexandre Gomes Fl. 233DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16403.000079/200751 Acórdão n.º 330201.118 S3C3T2 Fl. 222 9 Fl. 234DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 11330.001026/2007-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/06/2003
Ementa: RECURSO DE OFÍCIO – VALOR CRÉDITO INFERIOR À ALÇADA – NÃO CONHECIMENTO
Não se conhece recurso de ofício, cujo crédito envolvido tenha valor inferior à alçada prevista por ato do Ministro da Fazenda vigente à época do julgamento de segunda instância
PERÍCIA – NECESSIDADE – COMPROVAÇÃO – REQUISITOS – CERCEAMENTO DE DEFESA – NÃO OCORRÊNCIA
Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/06/2003
Ementa: DECADÊNCIA – ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 –
INCONSTITUCIONALIDADE – STF – SÚMULA VINCULANTE –
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS – ART 173, I, CTN
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/06/2003
Ementa: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
LEGISLAÇÃO POSTERIOR MULTA MAIS FAVORÁVEL – APLICAÇÃO
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2402-001.495
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso de ofício e em dar provimento parcial ao recurso voluntário: a) Por unanimidade de votos, para reconhecimento da decadência de parte do período lançado, nos
termos do artigo 173, I do CTN; e b) Por maioria de votos, para redução da multa aplicada, nos termos do artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, vencido o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela aplicação do artigo 32-A da Lei n° 8.212/91. Acompanhou o julgamento o advogado da Recorrente WARTSILA BRASIL LTDA o Dr. Leonardo Conte Azevedo de Souza OAB/DF 31195.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2000 a 30/06/2003 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO – VALOR CRÉDITO INFERIOR À ALÇADA – NÃO CONHECIMENTO Não se conhece recurso de ofício, cujo crédito envolvido tenha valor inferior à alçada prevista por ato do Ministro da Fazenda vigente à época do julgamento de segunda instância PERÍCIA – NECESSIDADE – COMPROVAÇÃO – REQUISITOS – CERCEAMENTO DE DEFESA – NÃO OCORRÊNCIA Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/2000 a 30/06/2003 Ementa: DECADÊNCIA – ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 – INCONSTITUCIONALIDADE – STF – SÚMULA VINCULANTE – OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS – ART 173, I, CTN De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/11/2000 a 30/06/2003 Ementa: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MULTA MAIS FAVORÁVEL – APLICAÇÃO A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
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Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/2000 a 30/06/2003 Ementa: DECADÊNCIA – ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 – INCONSTITUCIONALIDADE – STF – SÚMULA VINCULANTE – OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS – ART 173, I, CTN De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/11/2000 a 30/06/2003 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11330.001026/200734 Acórdão n.º 2402.001.495 S2C4T2 Fl. 274 2 Ementa: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MULTA MAIS FAVORÁVEL – APLICAÇÃO A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e em dar provimento parcial ao recurso voluntário: a) Por unanimidade de votos, para reconhecimento da decadência de parte do período lançado, nos termos do artigo 173, I do CTN; e b) Por maioria de votos, para redução da multa aplicada, nos termos do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, vencido o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212/91. Acompanhou o julgamento o advogado da Recorrente WARTSILA BRASIL LTDA o Dr. Leonardo Conte Azevedo de Souza OAB/DF 31195. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (Presidente), Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Soares. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11330.001026/200734 Acórdão n.º 2402.001.495 S2C4T2 Fl. 275 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5º, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme demonstrativos anexados. A autuada apresentou defesa (fls. 72/87) onde alega que se determinado valor não era devido, ou ainda, foi recolhido, também não deve ser objeto de lançamento de multa, uma vez que a legislação estabeleceria, como base para a multa, o valor que deixou de ser recolhido pela empresa. Entende que a fiscalização não considerou recolhimentos realizados e exigiu inclusão em GFIP de valores indevidos para a competência. Afirma que a auditoria fiscal considerou como contribuição não declarada valores como adiantamento de 13º salário que só integraria a base de cálculo quando do pagamento ou crédito da última parcela. Quanto às parcelas referentes ao prólabore (gratificação e ajuda de custo) pode ser comprovado que sobre tais valores foi recolhida a contribuição devida de 20%, não havendo razão para aplicação da multa relativamente a tais valores. Além do mais, a auditoria fiscal teria feito incidir, para efeito do cálculo da multa, contribuição para o SAT, a qual só é devida sobre os pagamentos efetuados a empregados e trabalhadores avulsos. No que tange aos autônomos relacionados pela fiscalização, afirma que os mesmos foram informados na GFIP e sobre suas remunerações incidiram as contribuições previdenciárias. De igual forma, alega que a fiscalização fez incidir, no cálculo da multa, contribuição para o SAT. Teria sido considerado como autônomo não informado, os valores pagos a uma pessoa jurídica, pela locação de um guindaste. Questiona a aplicação de percentual de RAT de 3%, quando o correto seria 2%. Afirma que o reenquadramento na alíquota foi objeto de constituição de crédito na NFLD nº 37.085.9308, em cujos autos informa ter trazido à colação parecer emitido por empresa especializada em segurança do trabalho que comprova o correto enquadramento efetuado pela mesma, no caso, risco médio. Aduz que deve ser afastada a imposição de multa por conta da não informação em GFIP de valores referentes à competência 13 (13º salário) dos exercícios de 2000, 2001 e 2002, uma vez que nesses anos, a entrega de GFIP na competência 13 não era obrigatória. Tal obrigação só teria surgido em 2005, nos termos do art. 2º da IN MPS/SRP nº 9/2005. Considera, portanto, que antes de 2005, a entrega da GFIP para a competência 13 era facultativa. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11330.001026/200734 Acórdão n.º 2402.001.495 S2C4T2 Fl. 276 4 Solicita realização de perícia contábil para verificar a irregularidade da autuação e cita os arts. 16 e 18 do Decreto nº 70.235/1972. Pelo Acórdão nº 1217.634 (fls. 219/231), o lançamento foi considerado procedente em parte. No julgamento de primeira instância foi reconhecido que a multa deveria ser retificada e deu razão à autuada no que concerne à multa relativa ao adiantamento de 13º salário, valores pagos a título de prolabore, os quais restou demonstrado que haviam sido informados na GFIP. Também foram excluídos da multa as contribuições referentes ao pagamento efetuado ao autônomo Michael B. L. de Souza na competência 08/2001, os valores pagos à empresa MG Saraiva de Moraes indevidamente identificada como contribuinte individual, como também foram excluídos do cálculo da multa os valores correspondentes à aplicação da alíquota do RAT sobre a remunerações de autônomos, eis que indevidos. Quanto ao enquadramento do RAT, foi informado que a NFLD correlata nº 37.085.9308, já foi julgada em primeira instância administrativa, mediante o Acórdão nº 12 17.426, de 10/12/2007 que manteve o enquadramento realizado pela auditoria fiscal. No que tange aos valores relativos aos 13º salários dos exercícios de 2000, 2001 e 2002, embora sua declaração fosse obrigatória no campo “Contribuição Devida à OS”, a primeira instância entendeu por excluir tais valores, uma vez que à época, anterior ao Decreto nº 4.729/2003, tal omissão era considerada erro de campo, cuja multa era tipificada em outro dispositivo. Da decisão acima, foi efetuado recurso de ofício. A autuada, devidamente intimada, apresentou recurso tempestivo (fls. 240/255) onde irresignase pelo indeferimento do pedido de perícia. Segundo a mesma, diante de tantas constatações, a recorrente entendeu demonstrada a necessidade de revisão analítica de todos os lançamentos do presente auto de infração. Considera que deve ser declarada a decadência dos créditos referentes às contribuições previdenciárias anteriores a 29/06/2002, pela aplicação da Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal. No mais efetua repetição das alegações de defesa. Os autos foram encaminhados à 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF que, pela Resolução nº 240200.008 (fls. 260/263) solicitou diligência para que fosse informado o destino das notificações correlatas. Em resposta, a DRF – Rio de Janeiro (RJ) informou que as notificações que deram origem ao presente lançamento são as de números DEBCAD 37.085.9308 (empresa) e DEBCAD 37.085.9260, sendo que a primeira se encontraria no CARF e a segunda no Arquivo Geral por ter sido baixada por DN. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11330.001026/200734 Acórdão n.º 2402.001.495 S2C4T2 Fl. 277 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Tratase de recurso de ofício contra decisão que considerou improcedente o lançamento objeto do presente auto de infração, lavrado pelo descumprimento de obrigação acessória. O processamento de recurso de ofício está condicionado ao requisito consubstanciado no fato do valor exonerado ser superior à alçada prevista em ato do Ministro da Fazenda. In casu, embora à época do julgamento de primeira instância, o valor do crédito exonerado fosse superior ao limite de alçada estabelecido pelo Ministério da Fazenda, atualmente, o limite estabelecido é de R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais). O novo limite foi estabelecido pela Portaria MF nº 03, de 3 de janeiro de 2008, publicada em 7 de janeiro de 2008, conforme se verifica do trecho abaixo transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Como a determinação acima tem entre seus objetivos dar celeridade ao contencioso administrativo fiscal, bem como desonerar a segunda instância de julgamentos da análise de recurso, cujo crédito envolvido seja inferior ao valor estabelecido, não cabe processar recurso de ofício apresentado, cujo valor seja inferior ao valor de alçada estabelecido. Assim, manifestome por não conhecer do recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário o mesmo é tempestivo e deve ser conhecido. A recorrente apresenta preliminar de decadência que deve ser acolhida. A decadência deve ser verificada considerandose a Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11330.001026/200734 Acórdão n.º 2402.001.495 S2C4T2 Fl. 278 6 “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art 45 da Lei nº 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11330.001026/200734 Acórdão n.º 2402.001.495 S2C4T2 Fl. 279 7 contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. Asseverese que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT No 856/ 2008 aprovada pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: “Aprovo. Frisese a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.” Nesse sentido, entendo que o direito de aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória encontrase decaído até a competência 11/2001, inclusive, uma vez que a ciência do sujeito passivo ocorreu em 29/06/2007. Assim, a multa aplicada até a competência citada deverá ser excluída da presente autuação. A recorrente se irresigna pelo indeferimento do pedido de perícia. A necessidade de perícia para o deslinde da questão tem que restar demonstrada nos autos. No que tange à perícia, o Decreto nº 70.235/1972 estabelece o seguinte: Art.16 A impugnação mencionará: .................................. IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...) Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11330.001026/200734 Acórdão n.º 2402.001.495 S2C4T2 Fl. 280 8 Da leitura do dispositivo, verificase que além de ser obrigada a cumprir requisitos para ter o pedido de perícia deferido, tal deferimento só ocorrerá diante do entendimento da autoridade administrativa no que concerne à necessidade da mesma. Nesse sentido, não basta que o sujeito passivo deseje a realização da perícia, esta tem que se considerada essencial para o deslinde da questão pela autoridade administrativa, nos termos da legislação aplicável. Não tendo sido demonstrada pela recorrente a necessidade da realização de perícia, não se pode acolher a alegação de cerceamento de defesa pelo seu indeferimento. Portanto, rejeito a preliminar apresentada A recorrente afirma que a multa aplicada equivalente a cem por cento do valor que deixou de ser recolhido e que o presente lançamento incorre em grave equívoco ao elencar em seu rol de infrações valores que foram efetivamente recolhidos. Percebese que quem incorre em equívoco é a recorrente. A multa aplicada à época do lançamento correspondia a 100% do valor devido, independente de ter havido ou não recolhimento, uma vez que a obrigação acessória não se confunde com a obrigação principal. Portanto, não se considera vícios no lançamento o fato de a recorrente haver recolhido parte das contribuições cujos fatos geradores não foram declarados em sua integralidade na GFIP. A exclusão da multa dos valores relativos ao 13ª Salário dos anos de 2000, 2001 e 2002 na decisão de primeira instância não significou que a empresa não estava obrigada a informar tais valores, mas tão somente que à época, anterior ao Decreto nº 4.729/2003, tal omissão era considerada erro de campo, cuja multa era tipificada em outro dispositivo. De igual forma não procede a alegação de que teriam sido incluídos indevidamente autônomos que já haviam sido declarados em GFIP, bem como pessoa jurídica. Conforme explicado na decisão recorrida os valores que se demonstrou indevidos foram devidamente excluídos da autuação. Quanto ao inconformismo pelo reenquadramento da alíquota RAT de 2% para 3%, cumpre dizer que as contribuições decorrentes das omissões em GFIP foram objeto de notificação, a qual é objeto do processo nº 11330.001034/200781, recurso 151537. O recurso acima citado é de ofício tendo em vista a primeira instância haver considerado o lançamento procedente em parte. Embora tenha sido intimada a apresentar recurso da decisão que manteve a notificação em parte, a recorrente não o fez, tendo ocorrido o trânsito em julgado administrativo com a emissão do Acórdão nº 240101.487 que negou provimento ao recurso de ofício. No entanto, todo o inconformismo da recorrente pela multa aplicada pode perder a relevância ante a superveniência da MP 449/2008 convertida na Lei nº 11.941/2009. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11330.001026/200734 Acórdão n.º 2402.001.495 S2C4T2 Fl. 281 9 A Lei nº 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Entretanto, a Lei nº 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996”. O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 9DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11330.001026/200734 Acórdão n.º 2402.001.495 S2C4T2 Fl. 282 10 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Assim, é necessário recalcular o valor da multa, de acordo com o disciplinado no artigo 44, I, da Lei nº 9.430/1996, deduzindose os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas e verificar qual situação é mais favorável ao sujeito passivo Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao contribuinte. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO, CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que ocorreu a decadência até a competência 11/2001, inclusive, e para que o valor da multa seja recalculado, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas, se for o caso. É como voto. Ana Maria Bandeira Relatora Fl. 10DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000625/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 02/09/2003
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA.
A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico-procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das
nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2302-001.155
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marco Andre Ramos Vieira e Arlindo da Costa e Silva. Redatora designada para o acórdão a Conselheira Liege Lacroix Thomasi.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 02/09/2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico-procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Decisão Recorrida Nula.
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Recorrente COMPANHIA SIDERÚRGICA PAULISTA COSIPA Recorrida SRPSECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 02/09/2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marco Andre Ramos Vieira e Arlindo da Costa e Silva. Redatora designada para o acórdão a Conselheira Liege Lacroix Thomasi. Liege Lacroix Thomasi – Redatora designada Marco André Ramos Vieira – Presidente e Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu e Wilson Antônio de Souza Correa. Ausente momentaneamente o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 12045.000625/200719 Acórdão n.º 230201.155 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a autuada não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências abril de 1999 a dezembro de 2002, fls. 04 a 63. Não conformada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 75 a 81. Foi comandada diligência fiscal, fls. 93, para análise conjunta com a NFLD conexa. A fiscalização previdenciária manifestouse às fls. 94 e 98. A unidade da Receita Previdenciária emitiu a DecisãoNotificação (DN), fls. 115 a 119, mantendo a autuação em sua integralidade. Não concordando com a decisão emitida pelo órgão previdenciário, foi interposto recurso pela autuada, fls. 121 a 131. Houve elaboração de aditivo à Decisão Notificação, fl. 136. Cientificada, a autuada não se manifestou no prazo estabelecido. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 135; pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Tendo em vista a discussão neste Colegiado acerca da nulidade ou não da DecisãoNotificação pela ausência da intimação de informações juntadas às fls. 94 a 98, há que ser analisada tal preliminar. Entendo que não há vício na falta de intimação das informações juntadas, pois no presente caso não foram juntados documentos novos pela fiscalização. As informações tiveram natureza de simples réplica na forma prevista nos artigos 326 e 327 do CPC – Código de Processo Civil. Não houve qualquer prejuízo à recorrente haja vista a fiscalização ter se manifestado no sentido do julgamento em conjunto do auto de infração com a NFLD conexa. Se não há documento novo, a falta da intimação da manifestação não causa cerceamento de defesa, tampouco fere o princípio do contraditório. Assim sendo, uma vez que no processo civil não é aberto prazo para contra razões de réplica, e considerando que o CPC aplicase subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, não há necessidade, in casu, de se abrir prazo para manifestação após as informações prestadas pela fiscalização. Mesmo porquê se fosse aberto prazo para manifestação de réplica, deveria ser aberto prazo para manifestação da manifestação, e desse modo, o processo nunca findaria, pois entraria em um círculo vicioso. Pelo exposto, rejeito a preliminar de nulidade da DecisãoNotificação. É como voto. Marco André Ramos Vieira Voto Vencedor Da Preliminar A notificada não foi cientificada do resultado da diligência de fls. 94 e 98. Desta forma, entendo que a DecisãoNotificação de fls. 115 a 119, foi emitida sem a possibilidade do contraditório em relação à diligência fiscal. A impossibilidade de conhecimento dos fatos elencados pelo Auditor Fiscal ocasionou a supressão de instância. O recorrente possui o direito de apresentar suas contra razões aos fatos apontados pela fiscalização ainda na primeira instância administrativa. Da Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 12045.000625/200719 Acórdão n.º 230201.155 S2C3T2 Fl. 3 5 forma como foi realizado o procedimento, o direito do contribuinte ao contraditório foi conferido somente em grau de recurso. Há vários precedentes deste órgão colegiado neste sentido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 10515982 (relator Conselheiro Daniel Sahagoff; data da sessão 20/09/2006), verbis: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CONTRIBUINTE NÃO TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídicoprocedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação do processo, por cerceamento ao seu direito de defesa. Necessidade de retorno dos autos à instância originária para que se dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência, concedendolhe o prazo regulamentar para, se assim o desejar, apresentar manifestação. Recurso provido. E a ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. De fato, este entendimento também foi plasmado no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Feitas estas considerações, entendo que a decisão recorrida deve ser anulada, uma vez que prolatada sem que o contribuinte tivesse a oportunidade de se manifestar, regularmente, em relação à informação fiscal carreada aos autos pelo fisco. Pelo princípio constitucional do contraditório, é facultado à parte manifestar sua posição sobre fatos trazidos ao processo pela outra parte vez que tomando conhecimento dos atos processuais, pode, se desejar, reagir contra os mesmos. Inseremse no princípio do contraditório a chamada regra da informação geral e também a regra da ouvida dos sujeitos ou audiência das partes. O princípio do contraditório é de índole constitucional, devendo ser observado inclusive em processos administrativos, consoante art. 5°, LV, da Constituição Federal vigente. Art. 5°, LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o Fl. 5DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Foi contemplado também no art. 2º, caput e parágrafo único, inciso X, da Lei nº 9.784/99, abaixo transcrito: Lei n° 9.784/99, art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (grifo nosso) Nesse sentido, entendo que a decisão proferida é nula, por cerceamento ao direito de defesa, com fulcro no art. 31, II, da Portaria MPS n° 520/2004, abaixo transcrito. Art. 31. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por todo o exposto, voto pela anulação da decisão de primeira instância. devendo ser conferida ciência ao recorrente do resultado da diligência fiscal, abrindolhe prazo para manifestação e, posteriormente, deve ser exarada nova decisão. Liege Lacroix Thomasi – Relatora Designada Fl. 6DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000538/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 19/11/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 30, INCISO I, “A”, LEI 8.212/91. De conformidade com o artigo 30, inciso I, alínea “a”, da nº Lei 8.212/91, constitui infração
deixar a empresa de arrecadar as contribuições previdenciárias, mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, abrangidos pelo RGPS.
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela contribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de
defesa do contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.885
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; e II) no mérito, negar provimento ao recurso
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 19/11/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 30, INCISO I, “A”, LEI 8.212/91. De conformidade com o artigo 30, inciso I, alínea “a”, da nº Lei 8.212/91, constitui infração deixar a empresa de arrecadar as contribuições previdenciárias, mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, abrangidos pelo RGPS. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela contribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte. Recurso Voluntário Negado.
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INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 30, INCISO I, “A”, LEI 8.212/91. De conformidade com o artigo 30, inciso I, alínea “a”, da nº Lei 8.212/91, constitui infração deixar a empresa de arrecadar as contribuições previdenciárias, mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, abrangidos pelo RGPS. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela contribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12963.000538/200961 Acórdão n.º 2401001.885 S2C4T1 Fl. 131 3 Relatório LIONS CLUBE DE POÇOS DE CALDAS URÂNIO, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, Acórdão n° 09 29.022/2010, às fls. 119/121, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a empresa, nos termos do artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 216, inciso I, alínea “a”, do RPS, por ter deixado de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, em relação ao período de 01/2005 e 03/2005 a 12/2005, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 08/11, e demais elementos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 19/11/2009, nos termos do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 1.329,18 (Um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos), com base nos artigos 283, inciso I, alínea “g”, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. De conformidade com o Relatório Fiscal, a autoridade lançadora constatou que a empresa remunerou diversos segurados contribuintes individuais (trabalhadores autônomos elencados no REFISC), que lhe prestaram serviços no período fiscalizado, sem conquanto promover o desconto/recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre aludido fato gerador. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 125/128, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pugna pela decretação da nulidade da decisão recorrida, aduzindo para tanto que a autoridade julgadora de primeira instância incorreu em preterição do direito de defesa da contribuinte, ao deixar de apreciar todas as alegações suscitadas na sua peça inaugural, especialmente quanto à pretensa extinção dos débitos de entidades beneficentes sem fins lucrativos, nos termos da Medida Provisória n° 446/2008. Ressalta que o fiscal autuante deixou bem claro no REFISC que os AI’s n°s 37.241.2530 e 37.241.2548 foram lavrados com a finalidade de prevenir a decadência, em razão do cancelamento do Certificado de Fins Filantrópicos da entidade, o que não representa a realidade dos fatos, uma vez que a recorrente teve referido CEBAS renovado, com validade até 2010, estando sub judice o certificado pertinente ao período objeto da presente autuação. Contrapõese à autuação, por entender que a contribuinte não está obrigada a proceder à retenção na fonte em relação aos valores pagos ao contribuinte individual Vitor Gabriel Cardinalli, uma vez que prestou pessoalmente os serviços de instrutor de banda da Guarda Mirim, o que afasta a observância da obrigação acessória objeto da autuação, com fulcro no artigo 148, incisos I e III, da Instrução Normativa SRP n° 03/2005. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relativamente os pagamentos realizados aos srs. Vitor Antonio Camilo e José Osmar Luiz Pereira, assevera que não dizem respeito a serviços prestados, mas, sim, de produtos (placas de prata, materiais e utensílios, respectivamente), não se cogitando na obrigação de promover a retenção de 11%. Por sua vez, no que tange ao contribuinte individual Max Wilson B. Soares, a retenção de 11% incidente sobre a importância recebida é inferior ao mínimo determinado para referida obrigação tributária. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12963.000538/200961 Acórdão n.º 2401001.885 S2C4T1 Fl. 132 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR NULIDADE DECISÃO RECORRIDA Preliminarmente, requer a autuada à decretação da nulidade da decisão recorrida, por entender que a autoridade julgadora de primeira instância deixou de apreciar parte das alegações inseridas em sua defesa inaugural, sobretudo em relação à pretensa extinção dos débitos de entidades beneficentes sem fins lucrativos, nos termos da Medida Provisória n° 446/2008, em total preterição do direito de defesa da contribuinte. Muito embora a contribuinte lance referida assertiva, não faz prova ou indica qual a efetiva omissão que o julgador guerreado teria incorrido, capaz de ensejar a preterição do seu direito de defesa. Como se observa do decisum atacado, de fato, a autoridade julgadora não adentrou a todas as alegações suscitadas pela então impugnante. Tal fato isoladamente, porém, não tem o condão de configurar preterição do direito de defesa da contribuinte, mormente quando esta não afirma qual teria sido o prejuízo decorrente da conduta do julgador de primeira instância. Ademais, a jurisprudência de nossos Tribunais Superiores, a qual vem sendo seguida à risca por esta instância administrativa, entende que o simples fato de o julgador não dissertar a propósito de todas as razões recursais do contribuinte não implica em nulidade da decisão, mormente quando a recorrente lança uma infinidade de argumentos desprovidos de qualquer amparo legal ou lógico, com o fito exclusivo de protelar a demanda, o que se vislumbra no caso vertente. A corroborar esse entendimento, cumpre trazer à baila Acórdão exarado pela 5ª Turma do STJ, nos autos do HC 35525/SP, com sua ementa abaixo transcrita: “HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. NEGATIVA DE AUTORIA. NULIDADE DA SENTENÇA. LIVRE CONVICÇÃO MOTIVADA DO MAGISTRADO. ORDEM PARCIALMENTE CONHECIDA E, NESSA EXTENSÃO, DENEGADA. [...] 2. O só fato de o julgador não se manifestar a respeito de um ou outro argumento da tese defendida pelas partes não tem o condão de caracterizar ausência de fundamentação ou qualquer outro tipo de nulidade, por isso que não o exigem, a lei e a Constituição, a apreciação de todos os argumentos apresentados, mas que a decisão judicial seja devidamente motivada, ainda que por razões outras (Princípio da Livre Convicção Motivada e Princípio da Persuasão Racional, art. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 157 do CPP). [...]” (Julgamento de 09/08/2007, Publicado no DJ de 10/09/2007) Nesse sentido, basta que o julgador adentre as questões mais importantes suscitadas pelo contribuinte, decidindo de forma fundamentada e congruente, para que sua decisão tenha plena validade. No presente caso, extraise da defesa inaugural que a contribuinte traz à colação inúmeras alegações, inclusive, a propósito de sua condição de Entidade Beneficente, bem como outras que não são capazes de rechaçar a pretensão fiscal ou mesmo pertinentes à presente autuação, decorrente de descumprimento de obrigação acessória. Assim, não se pode exigir que o julgador exponha e refute tais razões infundadas ou ilógicas. MÉRITO No mérito, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, aduzindo para tanto que a obrigação de retenção de 11% sobre as notas fiscais ou faturas não se aplica nos casos em que os serviços são prestados pessoalmente pelo contratado, ou quando o valor da retenção seja inferior à importância de R$ 29,00, nos termos do artigo 148, incisos I e III, da Instrução Normativa SRP n° 03/2005, o que se vislumbra com os Srs. Vitor Gabriel Cardinalli (instrutor da Banda Marcial) e Max Wilson B. Soares, senão vejamos: “Art. 148. A contratante fica dispensada de efetuar a retenção e a contratada de registrar o destaque da retenção na nota fiscal, na fatura ou no recibo, quando: I o valor correspondente a onze por cento dos serviços contidos em cada nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços for inferior ao limite mínimo estabelecido pela SRP para recolhimento em documento de arrecadação; II a contratada não possuir empregados, o serviço for prestado pessoalmente pelo titular ou sócio e o seu faturamento do mês anterior for igual ou inferior a duas vezes o limite máximo do salário de contribuição, cumulativamente; III a contratação envolver somente serviços profissionais relativos ao exercício de profissão regulamentada por legislação federal, ou serviços de treinamento e ensino definidos no inciso X do art. 146, desde que prestados pessoalmente pelos sócios, sem o concurso de empregados ou outros contribuintes individuais.” Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Na verdade, constatase que a contribuinte faz uma verdadeira confusão ao tratar da matéria, confundindo a retenção/recolhimento incidente sobre os valores pagos aos contribuintes individuais/autônomos que lhe prestaram serviços (objeto da presente demanda), com a Retenção de 11% de que trata o artigo 31 da Lei n° 8.212/91, concernente à prestação de serviços por empresa mediante cessão de mãodeobra. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12963.000538/200961 Acórdão n.º 2401001.885 S2C4T1 Fl. 133 7 Destarte, o artigo 148 encontrase incluído no Capítulo IX da Instrução Normativa SRP n° 03/2005, que contempla a prestação de serviços, por empresa contratada, mediante cessão de mãodeobra, o que não se vislumbra no caso vertente, afastando a aplicação de referida desobrigação legal ao Auto de Infração em comento. Com efeito, o Relatório Fiscal é por demais enfático ao esclarecer que a recorrente deixou de arrecadar, mediante desconto nas remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, infringindo o disposto no artigo 30, inciso “I”, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, constituindose crédito previdenciário decorrente da penalidade aplicada nos termos do artigo 283, inciso “I”, alínea “g”, do RPS, que assim prescrevem: “Lei 8.212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I – A empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração;” Regulamento da Previdência Social “Art. 283. Por infração a quaisquer dispositivos das Leis 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 08 de mais de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável [...], conforme gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I – a partir de R$ 636,17 nas seguintes infrações: g) deixar a empresa de efetuar os descontos das contribuições das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço;” Verificase que, de acordo com o Relatório Fiscal, o recorrente não apresentou a documentação exigida pela Fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supracitados, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social, como procedeu, corretamente, o fiscal autuante, impondo a manutenção do lançamento. Quanto aos Srs. Vitor Antonio Camilo e José Osmar Luiz Pereira, onde a contribuinte sustenta que as importâncias pagas não se referem à prestação de serviços, mas, sim, compra de produtos (placas de prata, materiais e utensílios, respectivamente), além da recorrente não fazer prova de sua argumentação, ainda que procedente fosse seu inconformismo, não seria capaz de rechaçar a pretensão fiscal, eis que tratandose de auto de infração cuja existência de uma única inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação em sua integralidade, o fato de parte da infração ser corrigida ou comprovada sua não ocorrência, não tem o condão de afastar a multa imputada, como se vislumbra no caso sob análise. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Na esteira desse entendimento, não se cogita em improcedência do feito, tendo em vista que o fiscal autuante agiu da melhor forma, com estrita observância da legislação tributária aplicável à espécie, impondo a manutenção da decisão recorrida em sua plenitude. No que tange às demais alegações da contribuinte, não cabe aqui tecer maiores considerações, porquanto não são capazes de rechaçar a exigência fiscal em comento, eis que desprovidas de qualquer amparo legal ou lógico, bem como já devidamente refutadas na decisão de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela fiscalização que serviram de base à penalidade aplicada, não fazendo uso nem mesmo do benefício da relevação da multa, inscrito no artigo 291, § 1º, do RPS. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo incólume a decisão de primeira instância, pelos seus próprios fundamentos. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 8DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 14751.000114/2006-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 31 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Simples Ano-calendário: 2001 OPÇÃO NA DECLARAÇÃO.
POSSIBILIDADE - 0 Ato Declaratório Interpretativo do SRF n°. 16, de 2 de
outubro de 2002, diz que para os fatos ocorridos até o exercício de 2003, ano-calendário 2002, é considerado hábil para comprovar a intenção de aderir ao Simples a apresentação da declaração do imposto de renda, através da PJ Simplifica, pela Contribuinte.
OPÇÃO NA FORMA DE APURAÇÃO DO LUCRO — ENTREGA DA
DECLARAÇÃO — Não se alberga na condição de erro de fato, consignado no
art. 147 do CTN, a entrega de nova DIPJ com vistas a alterar a opção original na forma de apuração do lucro.
CONTRIBUIÇÕES - SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA - NÃO
UTILIZAÇÃO — SIMPLES - As empresas na sistemática do SIMPLES não
poderão eximir-se do pagamento da parcela correspondente ao PIS e a
COFINS ou deduzir da base de cálculo a parcela já tributada no regime de
substituição tributária.
Numero da decisão: 1102-000.427
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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materia_s : Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
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ementa_s : Simples Ano-calendário: 2001 OPÇÃO NA DECLARAÇÃO. POSSIBILIDADE - 0 Ato Declaratório Interpretativo do SRF n°. 16, de 2 de outubro de 2002, diz que para os fatos ocorridos até o exercício de 2003, ano-calendário 2002, é considerado hábil para comprovar a intenção de aderir ao Simples a apresentação da declaração do imposto de renda, através da PJ Simplifica, pela Contribuinte. OPÇÃO NA FORMA DE APURAÇÃO DO LUCRO — ENTREGA DA DECLARAÇÃO — Não se alberga na condição de erro de fato, consignado no art. 147 do CTN, a entrega de nova DIPJ com vistas a alterar a opção original na forma de apuração do lucro. CONTRIBUIÇÕES - SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA - NÃO UTILIZAÇÃO — SIMPLES - As empresas na sistemática do SIMPLES não poderão eximir-se do pagamento da parcela correspondente ao PIS e a COFINS ou deduzir da base de cálculo a parcela já tributada no regime de substituição tributária.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 14751.000114/2006-75 Recurso n° 173394 - Voluntário Acórdão no 1102 -00.427 — ia Camara / 2 Turma Ordinária Sessão de 31 de março de 2010 Matéria SIMPLES Recorrente AUTO POSTO MISTURÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Simples Ano-calendário: 2001 OPÇÃO NA DECLARAÇÃO. POSSIBILIDADE - 0 Ato Declaratório Interpretativo do SRF n°. 16, de 2 de outubro de 2002, diz que para os fatos ocorridos até o exercício de 2003, ano- calendário 2002, é considerado hábil para comprovar a intenção de aderir ao Simples a apresentação da declaração do imposto de renda, através da PJ Simplifica, pela Contribuinte. OPÇÃO NA FORMA DE APURAÇÃO DO LUCRO — ENTREGA DA DECLARAÇÃO — Não se alberga na condição de erro de fato, consignado no art. 147 do CTN, a entrega de nova DIPJ com vistas a alterar a opção original na forma de apuração do lucro. CONTRIBUIÇÕES - SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA - NÃO UTILIZAÇÃO — SIMPLES - As empresas na sistemática do SIMPLES não poderão eximir-se do pagamento da parcela correspondente ao PIS e a COFINS ou deduzir da base de cálculo a parcela já tributada no regime de substituição tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, -ios termos do relatório e voto que integram o presente julgado. 1V TE MA AiUIAS PESSOA MONTEIRO-Presidente e Relatorá EDITADO EM: 2JUN 2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), Joao Otavio Oppen -nann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Manoel Mota Fonseca (Suplente Convocado) José Sergio Gomes (Suplente Convocado) e João Carlos Lima Junior(Vice-Presidente). Relatório Trata-se de exigência para o IRPJ(SIMPLES), fls.36/39; Contribuição para o P IS(SIMP LES), fls.28/31, Contribuição Social Sobre o Lucro(SIMP LES), fls.20/23; Contribuição Para a Seguridade Social(SIMPLES), fls.12/15;Contribuição Para a Seguridade Social INSS(SIMPLES), fls.04/07. Os lançamentos decorrem do procedimento de fiscalização efetuado junto A contribuinte, no qual a fiscalização constatou infrações à legislação do SIMPLES. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos respectivos autos de infração, consta que a contribuinte informou na Declaração Anual Simplificada do ano calendário de 2001 valores de receita bruta inferiores aos constantes do Livro de Apuração do ICMS, consolidados no demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a receita bruta, As fl. 57. Cientificada, tempestivamente foi interposta impugnação, As fls. 131/139; 208/216; 283/291, 358/366 e 435/443, na qual questiona integralmente os autos de infração, com a anexação dos documentos de fls. 140/205; 217/282; 292/357; 367/432 e 444/509 afirmando, em síntese, que até o exercício de 1999 optou por recolher seus tributos na sistemática "SIMPLES", mesmo sem requerer seu ingresso formal no sistema. Contudo, devido ao aumento de vendas no ano calendário de 2001 e com o disposto no Regulamento do Imposto de Renda constatou que a aliquota de tributação "SIMPLES" mediante o pagamento de 8,6% sobre a receita bruta tornaria seu negócio inviável, quando, através do lucro presumido, a apuração do IRPJ era no percentual de 1,6% sobre a receita bruta. Por isto, sob esta modalidade, requereu parcelamento dos débitos que posterionnente foram escritos em divida ativa. Por medo de não conseguir cumprir suas obrigações, no calendário de 2001, retificou a declaração do IRPJ para o lucro presumido, antes de qualquer procedimento de oficio. Tal fato foi relatado a fiscalização que não aceitou a retificadora, sob alegação de que fora tributada inicialmente pelo sistema simplificado. Por isto não poderia entregar qualquer retificadora que modificasse o sistema de tributação originalmente escolhido. Reclama da conclusão do fisco e do MPF Complementar n." 04.3.01.00-2006- 00046-2-1, aberto por conta do Processo Administrativo IV 10467.201904/2004-69 através do qual pedia, nos termos do parágrafo único do artigo 204 do CTN, a revisão da divida ativa oriunda do parcelamento de débito que, "após mudança do sistema de tributação SIMPLES, para tributação pelo LUCRO PRESUMIDO", tornara-se menos oneroso. Discorre sobre a retificação de declaração, transcreve o art. 147 e seus parágrafos 1 0 e 2" do CTN e afirma que a fiscalização se valeu de atos normativos e interpretativos para não acatar a retificadora entregue, os quais apesar de representarem fontes subsidiárias e complementares do direito tributário, nos termos do art. 100 do CTN, não podem modificar dispositivos contidos no mesmo CTN, reconhecido pelo STJ como Lei Complementar. Transcreve o item 3 do MAJUR, no tocante à "orientação sobre a retificação da declaração da Pessoa Juridica"(11.212); o artigo 832 do RIR/99(fl.212), e acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes (fls. 213/214).Aponta a falta de compensação dos valores já 2 Processo n" 14751.000114/2006-75 SI-C1T2 Acórchlo n." 1102-00.427 Fl. 2 recolhidos e, ainda descaber exigências para o PIS e COFINS, por serem objeto de substituição tributária. Aponta cerceamento de seu direito de defesa relativamente ao Despacho Decisório nos autos do processo IV 10467.201904/2004-69, visto que o Delegado da Receita Federal de João Pessoa ao se manifestar "aprovo o Parecer de fls. 110/119", cancelou a retificação procedida (fi.120 dos autos do citado processo) sem lhe conceder oportunidade de defesa. REQUER: I- nos termos cio artigo 18, do Decreto n" 70.235/72, seja procedida a revisão dos cálculos relativos a apuração dos tributos lançados em face da existência de débitos inscritos na Divida Ativa da União, os quais não foram considerados pela fiscalização; seja chamado o feito a ordem nos autos do Processo n" 10467.201904/2004-69, cuja defesa Me fbi negado, conforme se vê do despacho aft 120; Conclui a impugnante requerendo, caso seja o entendimento desta DRJ, a improcedência dos autos de infração constantes do presente processo. Acórdão 11259, de 06 de junhó de 2008, fls. 534/543, confirma o lançamento e está assim ementado: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2001 OPÇÃO PELO SIMPLES. FORMALIZAÇÃO. INCLUSÃO RETROATIVA. Restando comprovada a intenção da empresa em ingressai- no Simples, mediante a apresentação das declarações de rendimentos pelo modelo de declaração anual simplificada, e não exercendo atividade vedada, corretamente procedeu a Autoridade Administrativa competente ao achnitir a inclusão retroativa nesse sistema. CONTRIBUIÇÕES - SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA - NÃO UTILIZAÇÃO - SIMPLES. As empresas na sistemática do SIMPLES não poderão eximir-se do pagamento da parcela correspondente ao PIS e a COFINS ou deduzir da base de calculo a parcela já tributada no regime de substituição tributária. DIFERENÇA DE BASE DE CALCULO. Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos constantes dos registros da Secretaria de Fazenda do Estado, procede a cobrança dos imposto e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Cobra-se através de lançamento de oficio as diferenças apuradas relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor em face de utilização de al/quota inferior a efetivamente aplicável. Ciente da decisão em 01 de agosto de 2008, fls.549, interpõe o voluntário de fls.550/557, em 22/08/2008 (fls.557), onde narra os fatos para reclamar que mesmo não tendo formalizado sua opção para ser tributado de forma simplificada, sofreu autuação nesta modalidade. Comenta que a partir da edição da Lei 9718/1998, as operações de combustíveis estão sujeitas à substituição tributária na fonte tanto para o PIS quanto para a COFIN S. Por isto manter essas exigências implicaria em bitributação. Aponta os percentuais de presunção, na determinação do lucro presumido. Transcreve o inteiro teor da Lei 9718/1998. No mérito, pede seja o recurso julgado procedente. Despacho de fls.558 encaminha os autos ao CARF o Relatório. 4 Processo no 14751.000114/2006-75 SI-C1T2 Acórcl.lo n.° 1102-00.427 Fl. 3 Voto Conselheira IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, 0 recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Trata-se de exigência para o IRID,L e reflexos, no ano calendário de 2001, lançamentos realizados sobre a modalidade do "SIMPLES". A Recorrente não faz referência ao mérito da exigência e sim a forma como a mesma se realizou, para dizer que realizou sua opção de lucro na forma presumida. Por isto os valores lançados a partir das diferenças consignadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos respectivos autos de infração, do ano calendário de 2001, apontam valores de receita bruta inferiores aos constantes do Livro de Apuração do ICMS,( fls.58/81) consolidados no demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a receita bruta à fl. 57, não estão em litígio e sim a forma utilizada para valoração da exigência. A Recorrente traz em seu recurso os seguintes pedidos: a) seja revista a sua inclusão no SIMPLES, sem seu pedido formal; b) seja aceita sua opção de apuração de lucro na forma presumida, o que implica no cancelamento da exigência realizada sob a forma do SIMPLES; c) sejam canceladas as exigências para o PIS e COFINS, ante a substituição tributária, na fonte, realizada nos termos da Lei 9718/1998. Quanto ao primeiro item, conforme dito pela Recorrente, em suas razões impugnatórias, fls.360/361, vol. II: (...) Até o exercício de 1999 a tributação das atividades de combustíveis e lubrificantes líquidos e gasosos era idêntica a dos demais ramos de atividade comercial. Por esta razão a hnpugnante até o exercício de 2000 recolheu r os tributos através do SIMPLES - Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições, na condição de EMPRESA DE PEQUENO PORTE, 770S precisos termos da Lei No. 9.317/96. Muito embora não tenha requerido o seu enquadramento no sistema de tributação em z referência, a lmpugnante estava utilizando-o a titulo de experiência. Com o aumento do volume de suas vencias a partir do ano calendário 2001, a Impugnante constatou ser inviável manter-se no sistema de tributação "SIMPLES" mediante o pagamento de uma aliquota de 8,6% i9 5 (oito inteiros e seis décimos por cento) sobre a sua Receita Bruta, quando na tributação do IRPJ sobre o Lucro Presumido está stijeito c‘i tributação de apenas 1,6% (hum virgula seis por centos) sobre a sua Receita Bruta, nos termos do disposto no Decreto no 3000/99, que aprovou o RIR, tanto é prova, que foi obrigado a requerer o parcelamento de débitos que mais tarde foram inscrito na divida ativa, face a falta de condição para manter os compromissos coin a Fazenda Pública Federal. Assim, temendo que 710 exercício de 2001 também não tivesse condições de cumprir com suas obrigações fiscais, ANTES DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL de oficio, a Impugnante decidiu RETIFICAR SUA DIPJ - SIMPLES, em fiice do que estabelece a legislação própria, o Código Tributário Nacional, a Doutrina e a Jurisprudência.(Destaques da Recorrente) Aqui há duas questões a serem postas. Primeira, a opção tempestiva que a Recorrente realizou ao entregar suas declarações, até o ano de 1999, na sistemática "SIMPLES", mesmo não havendo formalizado essa opção expressamente. No ano calendário de 2001, apesar de entregar a declaração do exercício 2002 no respectivo prazo, entregou, também, outra declaração em 12/02/2005, agora na sistemática do Lucro Presumido, consoante tela de consulta "CNPJ" anexa à f1.511. Relativamente à falta do Termo de opção da contribuinte na sistemática do SIMPLES, há Parecer da autoridade jurisdicionaste, fls. 115/121, onde fundamentou o seu entendimento: 8: No presente caso, a contribuinte, embora não estivesse inscrita no Simples no ano-calendário de 2001, exerceu de forma expressa e inequívoca a opção por esta modalidade de tributação, uma vez declarou tais rendimentos utilizando a Declaração Anual Simplificada (PJ. — Simples), que é o tipo de declaração estabelecido para as empresas optantes desta modalidade de tributação. 9. A situação sob análise se insere 'na condição objeto do esclarecimento expresso no Ato Declara tório Inteipretativo do SRF n°. 16, de 2 de outubro de 2002, a seguir transcrito, segundo o qual, para os fatos ocorridos até o exercício de 2003, ano-calendário 2002, hipótese vertente, é considerado hábil para comprovar a intenção de aderir ao Simples a apresentação da PJ Simplifica,.„ pela contribuinte. "Artigo único. 0 Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de oficio tanto o Termo de Opção, (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas. jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos Mensais por 6 Processo IV 14751.000114/2006-75 SI-CIT2 Acórdiio n.° 1102-00.427 Fl. 4 intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Dar/Simples) e a apresentação da Declaração Anual. 10. Diante do exposto, verifica-se que, para o deslinde da presente questão, é imprescindível saber se era possível a interessada no dia 12/02/2005, por sua própria vontade, ainda proceder a retificação da PJ 2002 — Simples (fls.104/107) alterando a sistemática de tributação para o lucro presumido ademaisdnesino após a inscrição na Divida Ativa da União- DAU dos débitos informados na dita declaração tendo ocorrido em 10/08/2004. 11. 0 assunto em debate está regulado pelo art. 18 da Medida Provisória (MP) na 2.189-49, de 23 de agosto de 2001, que estabelece o seguinte: "Art. 18. A retificação de declaração. de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a niesma natureza da declaração originaricunente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração." 12. A Coordenação-Geral de Tributação — Cosit, apreciando o assunto em questão, por intermédio dos Parecer Cosit n° 36, de 06 de setembro de 2000, firmou entendimento de que é incabível a retificação, de declaração de rendimentos, por iniciativa do contribuinte, quando a declaração retificadora for apresentada após a inscrição em Divida Ativa da União dos débitos constantes da declaração original. Pela pertinência ao caso em testilha, transcreve-se a seguir o item 12 do dito Parecer: "12. Há de se considerar. todavia, que o entendimento de que não cabe a retificação de declaração após a inscrição em divida ativa da União dos débitos apurados na declaração que se pretende retificar foi firmado antes da alteração promovida pelo art. 19 da MP n o 1.990/1999. Convém então registrar que, não obstante o disposto no parágrafo único desse dispositivo legal quanto ao disciplinamento das hipóteses de admissibilidade da declaração retificadora, 111es1710 com a alteração do ordenamento jurídico pertinente a retificação de declaração, permanece incólume tal entendimento, visto que está fundamentado 17C1 presunção de certeza e liquidez de que gozam os débitos inscritos e no principio da segurança jurídica; fundamentos que claramente propugnam a inadmissibilidade de alteração de débitos já inscritos pela simples apresentação de nova declaração." 13. Na Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada de Código Tributário Nacional CTN, .a matéria se encontra disciplinada no 2° do art.147, nos seguintes termos, verbis: 10 A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissivel mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento." Referido parecer responder as duas primeiras questões postas no recurso voluntário. Quanto à possibilidade de abatimento das importâncias pagas como contribuinte substituto, igualmente as razões de decidir do acórdão combatido as reponde com maestria: Relativamente à alegação de que não poderiam ter sido lançados valores de PIS e COFINS em face de os mesmos serem objeto de substituição tributária, tem-se que: A definição do receita bruta, para .fins de cálculo do Simples devido, está definida no parágrafo 2" do artigo 2" da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, que transcrevo a seguir: "Art. 2° Para os fins do disposto nesta Lei, considera-se: § 2° Para os .fins do disposto neste artigo, considera-se receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o prep dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluidas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. "(grifei) Com base neste artigo, o parágrafo 4" do artigo 2" da IN SRF n° 9/99, vigente à época dos fatos geradores, e mantido nas alterações legais posteriores, impedia qualquer outra exclusão da base de cálculo do Simples, além das vencias canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. Abaixo, o citado dispositivo: Art. 2" Para os ,fins do disposto nesta Instrução Normativa, considera-se: (..) § 4" Ressalvado o disposto no parágrafo anterior, in fine, para fins de determinação da receita bruta apurada mensalmente é vedado proceder-se a qualquer outra exclusão em virtude da ctliquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado (substituição tributária, d(erimento, crédito presumido, redução de base de cálculo, isenção) aplicáveis ás pessoas jurídicas não optantes pelo regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte de que trata esta Instrução Norma tiva. (..) Neste sentido, seguem as orientagões contidas no Perguntas e Respostas relacionados com o SIMPLES constante do site c/a Receita Federal (itm. receita fazenda.gov.br): 8 Processo II° 14751.000114/2006-75 SI-CIT2 Acórdao 6 • 0 1102-00.427 Pergunta 1 07.Como deverá proceder o contribuinte que explore atividade cuja contribuição para a COFINS e para o PIS seja de responsabilidade do seu substituto tributário? As únicas exclusões da receita bruta permitidas, para as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, são as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Para fins de determinação da receita bruta apurada mensalmente, é vedado proceder-se, mesmo no caso de substituição tributária, a qualquer outra exclusão, eni virtude da aliquota favorecida e do tratamento tributário diferenciado utilizados pelos integrantes do SIMPLES. Também não haverá redução do percentual a ser aplicado sobre a receita bruta mensal. Portanto, diante da resposta acima, a Receita Federal do Brasil expediu seu entendimento a respeito do aproveitamento, pelos optantes do SIMPLES, do imposto e contribuições cujo recolhimento .foi efetuado pelo distribuidor, na condição de substituto tributário. A resposta é bem clara ao informar que não podem ser aproveitados, no sistema integrado, as contribuições para o PIS e para a COFINS, cujos valores .foram recolhidos pelos fabricantes. Nesta ordem de juizos NEGO provimento ao recurso. "---,ty,ET MA AQUIAS PESSOA MONTEIRO FL 5 9
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