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Numero do processo: 19647.015258/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA POR INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGENCIA. INEXISTÊNCIA.
Poderá a autoridade julgadora denegar pedido de diligência ou perícia quando entendê-las desnecessária ou julgamento do mérito, sem que isto ocasione cerceamento de direito de defesa.
IPI. NÃO INCIDÊNCIA. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA PREPONDERÂNCIA DOS SERVIÇOS. LANÇAMENTO. DESCABIMENTO.
Nos casos em a atividade empresarial se constitui em uma obrigação de fazer, personalizada, para uso próprio do encomendante, o que prepondera é o serviço e não a indústria, e, como tal, está realizada a hipótese de incidência do ISS, que grava os serviços, e não há lugar para estar concomitantemente gravada pela incidência do IPI pelo fato de ter havido transformação, pois que esta, no caso, é da essência (atividade-meio) do próprio serviço (atividade-fim).
IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. OPERAÇÃO DE SAÍDA NÃO TRIBUTADA. VEDAÇÃO À MANUTENÇÃO DOS CRÉDITOS. ARTS. 11, DA LEI Nº 9.779/99, 190, § 1º E 193, INC. I, A DO RIPI/02 (ARTS. 171 E 174 DO RIPI/98) E IN/SRF nº 33/99.
Encontrando-se fora do campo de incidência do IPI a saída do produto adquirido pela Recorrente, não há como se cogitar a aplicação do princípio da não cumulatividade do IPI, cujo pressuposto é exatamente a efetiva incidência do tributo na saída do estabelecimento industrializador. Nesse sentido, a legislação em vigor expressamente veda a manutenção de créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, obrigando ainda ao estorno dos referidos créditos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-002.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Mario Cesar Francalossi Bais (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta e Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA POR INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGENCIA. INEXISTÊNCIA. Poderá a autoridade julgadora denegar pedido de diligência ou perícia quando entendêlas desnecessária ou julgamento do mérito, sem que isto ocasione cerceamento de direito de defesa. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA PREPONDERÂNCIA DOS SERVIÇOS. LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Nos casos em a atividade empresarial se constitui em uma obrigação de fazer, personalizada, para uso próprio do encomendante, o que prepondera é o serviço e não a indústria, e, como tal, está realizada a hipótese de incidência do ISS, que grava os serviços, e não há lugar para estar concomitantemente gravada pela incidência do IPI pelo fato de ter havido “transformação”, pois que esta, no caso, é da essência (atividademeio) do próprio serviço (atividadefim). IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. OPERAÇÃO DE SAÍDA NÃO TRIBUTADA. VEDAÇÃO À MANUTENÇÃO DOS CRÉDITOS. ARTS. 11, DA LEI Nº 9.779/99, 190, § 1º E 193, INC. I, “A” DO RIPI/02 (ARTS. 171 E 174 DO RIPI/98) E IN/SRF nº 33/99. Encontrandose fora do campo de incidência do IPI a saída do produto adquirido pela Recorrente, não há como se cogitar a aplicação do princípio da não cumulatividade do IPI, cujo pressuposto é exatamente a efetiva incidência do tributo na saída do estabelecimento industrializador. Nesse sentido, a legislação em vigor expressamente veda a manutenção de créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 52 58 /2 00 7- 18 Fl. 655DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 industrialização de produtos não tributados, obrigando ainda ao estorno dos referidos créditos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Mario Cesar Francalossi Bais (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta e Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19647.015258/200718 Acórdão n.º 3402002.024 S3C4T2 Fl. 656 3 Relatório Versam os Autos de Infrações de IPI (3) referentes à I) apuração decendial do imposto do ano calendário de 2003 II) à apuração quinzenal do 1º, 2º e 3º trimestre de 2004 e III) apuração mensal do IPI de 4º trimestre de 2004 ao 4º. Trimestre de 2006, totalizando o débito tributário de R$521.870,89. As autuações originaramse, em síntese, conforme termo de verificação fiscal, da falta de destaque do IPI por erro de classificação nas notas fiscais de saída dos produtos industrializados pelo estabelecimento e de créditos básicos indevidos, tendo como base legal os dispositivos consoantes nos Decreto n°4.544/02 (RIPI/2002). IMPUGNAÇÃO Cientificado da autuação em 18/12/2007, o sujeito passivo apresentou em 16/01/2007 sua impugnação com os mesmos argumentos para cada auto de infração, quais sejam: 1. Que seria correta a classificação fiscal utilizada de 0% ao invés dos 15% alegados pela autoridade julgadora para os produtos: imagem adesiva, notas fiscais e blocos, pastas personalizadas e envelopes; 2. Solicita a produção de prova pericial para comprovação da classificação fiscal utilizada, e indica a Sra. Sandra Gláucia Teixeira Bonifácio, CPF 004.987.34587, sua gerente administrativa, como sua assistente para tal ato; 3. Afirma que os itens “blanqueta” e “limpador de rolos” em vista de serem consumidos no processo industrial se enquadrariam no conceito de produtos intermediários, sendo este também o entendimento do STJ no REsp 18.3600SP e de doutrinas colacionadas pelo contribuinte, ofendendo o princípio da não cumulatividade; 4. Apresenta doutrina e jurisprudência para justificar a não incidência do IPI sobre a produção gráfica mas sim do ISS; 5. Afirma, finalmente, que mesmo não sofrendo incidência do IPI nas saídas de seus produtos, diante da regra da não cumulatividade (art. 153,§ 3°, inciso II, da CF) teria direito aos créditos sem restrições, devendo lhe ser assegurado os créditos sobre os produtos intermediários glosados pela Administração. Por fim, requer a improcedência do lançamento. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Fl. 657DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na defesa apresentada, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE, proferiu o Acórdão de nº. 1134.179, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 SERVIÇOS GRÁFICOS. ISS. Irrelevante para determinar a incidência do IN o fato de que serviços gráficos prestados por contribuinte estão catalogados em lista anexa ao Decretolei n.° 406, de 31 de dezembro de 1968, visto que a hipótese de incidência do ISS não se confunde com a do IN, operações que se caracterizam dentre as modalidades de industrialização previstas nos Decretos n° 2.092, de 1996, n° 3.777, de 2001 e n.° 4.544, de 2002. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Dentre os produtos industrializados pelo contribuinte, as "notas fiscais" classificamse no código 4820.9000, os "blocos", no código 4820.1000, as "pastas personalizadas", no código 4820.9000 e os "envelopes", no código 4817.1000. RESSARCIMENTO. INSUMOS. DIREITO CREDITÓRIO. Apenas os créditos oriundos das aquisições de insumos compreendidos nos conceitos estabelecidos pela legislação do IPI como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem são passíveis de ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Constando nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em síntese, a decisão da DRJ/REC entende que o enunciado da Súmula 156 do STJ não pode ser aplicado ao caso concreto para afastar a incidência do IPI porque os precedentes que embasam a interpretação veiculada na Súmula se referem apenas ao conflito de competências no âmbito do ISS e ICMS. No tocante a classificação fiscal das operações de saída promovidas pelo contribuinte, estaria correta a classificação empregada pela Autoridade Fiscal, e, finalmente, quanto a glosa dos créditos decorrentes de aquisição de “blanquetas” e “limpeza de rolos”, embora realmente sejam utilizados no processo produtivo, na verdade não se desgastam no contato direto com o produto em fabricação, não conferindo, assim o direito ao crédito pleiteado. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19647.015258/200718 Acórdão n.º 3402002.024 S3C4T2 Fl. 657 5 DO RECURSO Cientificado da decisão de 1ª instância em 02/04/2012, e não concordando com os termos em que foi proferida, o sujeito passivo apresentou tempestivamente, em 27/04/2012 seu Recurso Voluntário dirigido à este Conselho, suscitando a nulidade da decisão recorrida ante ao indeferimento da realização de perícia, e, ainda, repisando os argumentos já utilizados em sede de impugnação, com exceção da parte relativa à classificação fiscal, que restou sem irresignação recursal, pedindo, a conversão do julgamento em diligência para a realização de perícia e, no mérito, o provimento do recurso voluntário. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 3 (três) Volumes, numerado até a folha 654 (seiscentos e cinquenta e quatro), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido, não obstante, no mérito não mereça provimento. A análise dos autos permite constatar que a contenda gira em torno de lançamento tributário em que se exige o IPI de janeiro a dezembro de 2003, janeiro a setembro de 2004 e de outubro de 2004 a dezembro de 2006, decorrente de pagamento a menor do imposto, verificado em virtude de erros de classificação fiscal adotada pelo contribuinte em parte de seus produtos (Imagem Adesiva, Notas Fiscais, Pastas Persona e Envelope), assim como pela tomada de créditos de produtos intermediários denominados “blanquetas” e “limpador de rolos”. A matéria relativa à classificação fiscal transitou em julgado, em face da ausência de irresignação recursal contra a decisão prolatada pela DRJ/Recife. A análise do recurso voluntário revela que a Recorrente suscita a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, ante ao indeferimento da realização da prova pericial e, no mérito, reitera suas assertivas no sentido de que por se tratarem os produtos por ela manufaturados, de impressos personalizados e sob encomenda, para uso exclusivo de seus clientes, estariam tais operações sujeitas apenas ao ISS, e não ao IPI, e, em qualquer hipótese, que teria direito aos créditos sobre os produtos intermediários glosados pela fiscalização, eis que os mesmos são consumidos no seu processo produtivo. Delimitada a controvérsia, passo a abordagem das questões postas em julgamento. I. Nulidade da decisão por indeferimento do pedido de perícia: A primeira questão a ser analisada diz respeito à nulidade da decisão recorrida alegada pelo fato de ter sido denegada a perícia solicitada. As regras sobre nulidades, no Decreto nº. 70.235/72, estão contidas basicamente em três artigos, a saber: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. §2º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19647.015258/200718 Acórdão n.º 3402002.024 S3C4T2 Fl. 658 7 §3º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Depreendese que as nulidades absolutas se cingem aos atos com vícios por incapacidade do agente ou que ocasionem cerceamento do direito de defesa. De outra sorte, é de se aplicar o princípio da salvabilidade do processo artigo 60 por medida de economia processual e, por conseguinte, com vantagem ao Erário e ao administrado. No caso vertente, a Recorrente pleiteou que fosse realizada perícia, formulando quesitos e indicando assistente técnica, para que fossem verificados “in locu”, os seus produtos industrializados, a fim de demonstrar que se tratavam de produtos industrializados e por ela desenvolvidos sob encomenda de seus clientes. Como a decisão da DRJ entendera prescindível a realização desta providência, por entender que as amostras a que tivera acesso já lhe forneciam os elementos probatórios suficientes à formação da convicção, houve por bem em indeferir sua realização. Diante desta negativa de produzir a prova requerida pela Requerente, esta então arguiu a nulidade da decisão de primeira instância pelo fato de a perícia por ela solicitada haver sido denegada pela autoridade a quo, ocasionando cerceamento de direito de defesa. Ocorre que o deferimento de perícia solicitada pela contribuinte é ato discricionário da autoridade julgadora que poderá indeferila por considerála desnecessária ou prescindível, já que no processo constam todos os elementos necessários para a formação da sua livre convicção de julgador, conforme o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 06/03/72 (PAF), a seguir transcrito: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferido as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93). Assim sendo, não pode ser declarada a nulidade da decisão recorrida, eis que a decisão recorrida fundamentou o indeferimento na prescindibilidade da prova solicitada pela Recorrente. E, nesse sentido, já adentrando no requerimento de produção de prova pericial ou de conversão do julgamento em diligência, do mesmo modo e pelos mesmos fundamentos adotados pela decisão recorrida, igualmente se entende não seja o caso de renovar a instrução probatória nesses autos, eis que os elementos aqui já colacionados, e que são incontroversos quanto a fatos, já permitem a formação da convicção do julgamento em torno Fl. 661DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 das matérias de direito que dos fatos decorrem, pelo que igualmente se indefere tais requerimentos. Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e indefiro a realização de perícia. II. Conflito de incidência tributária do ISS e IPI sobre Impressos Personalizados e Sob Encomenda: No que diz respeito a essa temática, sabidamente “espinhosa” em sede de tributação no Brasil, por comungar do entendimento exarado pelo Ilustre Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça, por ocasião do julgamento do Processo nº 10425.720038/200669, transcrevo a íntegra de seu entendimento: “Como é elementarmente sabido, coerente com os princípios que informam a estrutura do Estado Federal, a Constituição brasileira estabeleceu um sistema de discriminação de competências tributárias, presidido pelos princípios da “privatividade”, “rigidez”, “segregação” e “incomunicabilidade das diferentes áreas” em que estão distribuídas tais competências, através do qual se enumeram taxativamente quais os tributos cuja instituição é autorizada a cada ente federado, definindoos em função de campos de imposição delimitados pela referência aos fatos econômicos que os caracterizam, de tal forma que a competência tributária dos entes federados só pode ser exercida em relação aos tributos autorizados, nos estritos limites (materiais e territoriais) dos respectivos campos de imposição, na forma e nas condições autorizadas pela Constituição, vigorando a parêmia de que é proibido o que não é expressamente autorizado (“prohibita intelliguntur quo non permissum”). Como também é curial e esclarece Amílcar de Araújo Falcão, da atribuição da competência tributária privativa, necessariamente provém uma “dúplice decorrência”. “Em primeiro lugar, a atribuição de competência privativa tem um sentido positivo ou afirmativo: importa em reconhecer a uma determinada unidade federada a competência para decretar certo e determinado imposto. Em segundo lugar, da atribuição de competência privativa decorre um efeito negativo ou inibitório, pois importa em recusar competência idêntica às unidades outras não indicadas no dispositivo constitucional de habilitação: tanto equivale a dizer, se pudermos usar tais expressões, que a competência privativa é oponível erga omnes, no sentido de que o é por seu titular ou por terceiros contra quaisquer outras unidades federadas não contempladas na outorga.” (cf. Amílcar de Araújo FALCÃO, in “Sistema Tributário Brasileiro Discriminação de Rendas”, Edições Financeiras S/A, 1ª Ed., 1965, pág. 38). Fixadas estas elementares premissas decorrentes do sistema tributário adotado, já de início verificase que ao interpretar a discriminação constitucional de competências tributárias, tanto a Suprema Corte como o Superior Tribunal de Justiça, há muito já assentaram unissonamente que a atividade de composição Fl. 662DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19647.015258/200718 Acórdão n.º 3402002.024 S3C4T2 Fl. 659 9 gráfica, fotocomposição, clicheria, zincografia, litografia e fotolitografia se insere na competência tributária privativa dos Municípios (CF/88, art. 156, inc. III) para tributar os serviços composição gráfica, expressamente previstos na lista de serviços definidos em Lei Complementar (cf. item 77 da lista anexa ao DL nº 406/68; item 77 da lista anexa à LC nº 56/87; item 13.05 da lista anexa à LC nº 116/03), que “é taxativa, ou limitativa, e não simplesmente exemplificativa, (...), embora comportem interpretação ampla os seus tópicos”. (cf. Ac. da 2ª Turma do STF no RE nº 361.829RJ, em sessão de 13/12/05, Rel. Min. CARLOS VELLOSO, publ. in DJU de 24/02/06, pág. 51, EMENT VOL0222203 PP00593 e in LEXSTF v. 28, n. 327, 2006, p. 240257). Na mesma ordem de idéias, já na vigência da Constituição de 1988, a Súmula 156 do STJ sedimentou o entendimento no sentido de que “a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS” (cf. Súmula 156 da 1ª SEÇÃO do STJ, em sessão de 22/03/96, DJU de 15/04/96 p. 11631, in RSTJ vol. 86/135 e in RT vol. 726/168). Corroborando esse entendimento, verificase que ao definir o campo de incidência do IPI, o próprio RIPI/02, no § único do art. 2º (art. 2º, § único do RIPI/98) explicita que: “Art. 2º(..) Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação “NT” (nãotributado) (Lei nº 10.451, de 10 de maio de 2002, art. 6º).” Por seu turno, verificase que na aplicação destes preceitos de inegável juridicidade e sob invocação do mesmo fundamento (competência privativa Municipal para tributar os serviços composição gráfica), é torrencial e indiscrepante a Jurisprudência Judicial da Suprema Corte e do STJ, proclamando a não incidência ou exclusão da tributação do ICMS e do IPI sobre a referida atividade, como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “ISS. SERVIÇO GRÁFICO POR ENCOMENDA E PERSONALIZADO. Utilização em produtos vendidos a terceiros. a feitura de rótulos, fitas, etiquetas adesivas e de identificação de produtos mercadorias, sob encomenda e personalizadamente, e atividade de empresa gráfica sujeita ao ISS, o que não se desfigura por utilizálos o cliente e encomendante na embalagem de produtos por ele fabricados e vendidos a terceiro. Recurso extraordinário conhecido e provido.” (cf. AC da 1ª Turma do STF no RE 111566SP, em sessão de 25/11/86, Rel. Min. RAFAEL MAYER Publicação, publ. in DJU de 12/12/86, pág. 24667 EMENT VOL0144503, pág. 383) “TRABALHOS GRÁFICOS PERSONALIZADOS E REALIZADOS MEDIANTE ENCOMENDA. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 A circunstancia de serem utilizados, pelo cliente, na embalagem de produtos de sua fabricação, vendidos a terceiros, não desfigura a sujeição da atividade da empresa gráfica ao imposto sobre serviços. precedente do Supremo Tribunal: RE106.069, (RTJ115/1.419). Recurso Extraordinário provido para restaurar a sentença que acolheu os embargos a execução fiscal.” (cf. AC. da 1ª Turma do STF no RE nº 110.944SP, em sessão de 30/09/86, REl. Min. Octavio Gallotti, publ. in DJU de 24/10/86, pág 20326, EMENT VOL0143805, pág. 1001) RECURSO ESPECIAL ALÍNEAS "A" E "C" TRIBUTÁRIO MANDADO DE SEGURANÇA PRELIMINAR DE PERDA DE OBJETO DA IMPETRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DE OFÍCIO DA QUESTÃO CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA SUJEITO UNICAMENTE AO ISS VIOLAÇÃO AO DISPOSTO NO § 1º DO ARTIGO 8º DO DECRETOLEI N. 406/68 SÚMULA N. 156 DO STJ. (...) A elaboração dos cartões com as características requeridas pelo destinatário, que é aquele que encomenda o serviço, tais como a logomarca, a cor, eventuais dados e símbolos, indica de pronto a prestação de um serviço de composição gráfica, enquadrado no item 77 da Lista de Serviços anexa ao Decretolei n. 406/68. Há, portanto, nítida violação ao disposto no § 1º do artigo 8º do DecretoLei n. 406/68, uma vez que a hipótese dos autos configura prestação de serviços de composição gráfica personalizados, sujeitos apenas à incidência do ISS (Súmulas ns. 156/STJ e 143 do extinto TFR). Considerada a circunstância de se tratar de serviço personalizado, destinados os cartões, de pronto, ao consumidor final, que neles inserirá os dados pertinentes e não raro sigilosos, concluise que a atividade não é fato gerador do IPI. Tanto isso é exato que, se forem embaralhadas as entregas, com a troca de destinatários, um estabelecimento não poderá servir se da encomenda de outro, que veio ter a suas mãos por mero acaso ou acidente de percurso. Dissídio jurisprudencial configurado quanto ao mérito. Recurso especial provido. (cf. AC. da 2ª Turma do STJ no REsp nº 437.324RS, REg. nº 2002/00548208, em sessão de 19/08/03, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, publ. in DJU de 22/09/03 p. 295RT vol. 821 p. 191) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ARTIGO 544 DO CPC. RECURSO ESPECIAL. ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. SERVIÇO GRÁFICO PERSONALIZADO E POR ENCOMENDA. INCIDÊNCIA DO ISS. SÚMULA 156/STJ. 1. O ICMS não incide sobre serviços de composição gráfica, a teor da Súmula 156 do Superior Tribunal de Justiça, que Fl. 664DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19647.015258/200718 Acórdão n.º 3402002.024 S3C4T2 Fl. 660 11 preceitua: "A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." 2. Outrossim, é cediço no STJ que a incidência do ISS ocorre ainda que os serviços de composição gráfica não sejam personalizados ou não sejam exclusivamente para uso de encomendas (REsp 788.235/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 15.12.2005, DJ 20.02.2006; AgRg no REsp 621.191/MG, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 04.11.2004, DJ 06.12.2004; e REsp 327.504/SP, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 06.11.2001, DJ 25.02.2002). 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 1.092.206/SP, sujeito ao regime dos "recursos repetitivos", reafirmou o entendimento de que não incide ICMS sobre os serviços de composição gráfica. Isto porque: "As operações de composição gráfica, como no caso de impressos personalizados e sob encomenda, são de natureza mista, sendo que os serviços a elas agregados estão incluídos na Lista Anexa ao DecretoLei 406/68 (item 77) e à LC 116/03 (item 13.05). Conseqüentemente, tais operações estão sujeitas à incidência de ISSQN (e não de ICMS), Confirmase o entendimento da Súmula 156/STJ: "A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." Precedentes de ambas as Turmas da 1ª Seção." 4. Agravo regimental desprovido. (cf.Ac. da 1ª Turma do STJ no AgRg no Ag nº 1071523SP Reg. nº 2008/01441541, em sessão de 18/08/09, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 14/09/09) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPI. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO. NÃO INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 156/STJ. 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que em casos como o dos autos, de empresa que produz cartões magnéticos personalizados, não há incidência de IPI. Aplicação, in casu, da Súmula 156/STJ: "a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." 2. Agravo Regimental não provido.” (cf. AC. da 2ª Turma do STJ no AgRg nº REsp 966184RJ, Reg. nº 2007/01571231, em sessão de 03/04/08, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, publ. in DJU de 19/12/08 “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO E IMPRESSÃO GRÁFICAS. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO INCIDÊNCIA EXCLUSIVA DO ISS. NÃOINCIDÊNCIA DO IPI. CONCEITO DE PRODUTO INDUSTRIALIZADO. MATÉRIA DE ÍNDOLE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL Fl. 665DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 12 VIOLAÇÃO DOS ARTS. 96 E 100 DO CTN. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356 DO STF. 1. O conceito de produto industrializado é pressuposto pela Constituição Federal que, como de sabença, utiliza os conceitos de direito no seu sentido próprio, pelo que implícita a norma do art. 110 do CTN, que interdita a alteração da categorização dos institutos. 2. Consectariamente, qualificar como produto industrializado aquele que não ostenta essa categoria jurídica implica em violação bifronte ao preceito constitucional, porquanto o texto maior a utiliza não só no sentido próprio, como também o faz para o fim de repartição tributáriaconstitucional. 3. Sob esse enfoque, é impositiva a regra do artigo 153, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, verbis: "Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I Importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados; (...)." 4. Deveras, a conceituação de produto industrializado encarta se na mesma competência que restou exercida pela Corte Suprema na análise prejudicial dos conceitos de faturamento e administradores e autônomos para os fins de aferir hipóteses de incidência, mercê de a discussão travarse em torno da legislação infraconstitucional que contemplava essas categorizações, reproduzindo as que constavam do texto maior. 5. Sobressai, desta sorte, imprescindível a manifestação da Corte Suprema sobre o thema iudicandum, suscitado de forma explícita ou implícita em todas as causas que versam sobre a competência tributária da União, essência manifesta das decisões que tem acudido ao E. STJ. 6. Ademais, a circunstância de o fato gerador vir estabelecido em legislação tributária que não Lei Formal e concluirse pela inaplicabilidade da mesma, não significa violar os arts. 96 e 110 do CTN, tanto mais que aos mesmos não se referiu o aresto recorrido e por isso ausente o prequestionamento. 7. Recurso especial não conhecido. (cf. AC. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 817182RJ, Reg. nº 2006/00252577, em sessão de 28/11/06, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 08/03/07 p. 170) Dos preceitos expostos resulta claro que por força de expressas disposições da discriminação de competências constitucionais (art. 156, inc. III, § 3º; art. 155, inc. II, § 2º, incs.VII, X, alínea “d” e XI; e art. 153, inc. IV, § 2º) e dos princípios dela decorrentes (princípios da “privatividade”, “rigidez”, “segregação” e “incomunicabilidade das diferentes áreas” em que estão distribuídas tais competências), estes últimos regularmente estabelecidos pela Lei Complementar (LC 116/03, item 13.05) nos expressos termos do art. 146 da CF/88, a atividade da Recorrente (serviços de produção de impressos personalizados, sob encomenda e para uso exclusivo do encomendante: papel e cartão; obras de pasta de celulose, de papel ou de cartão, agenda, bloco de Fl. 666DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19647.015258/200718 Acórdão n.º 3402002.024 S3C4T2 Fl. 661 13 notas, bloco de receituário e caixas personalizadas, sacolas personalizadas, capas e pastas para laudos blocos de pedidos, rascunho, receituário', notas fiscais, talões dos e exames,etiquetas e cartões, bandeirolas banners e leques, cartões de aniversário, postais, e de natal, cartazes, catálogos, encartes, flyers, folders, material publicitário para campanha, minivolantes, panfletos e santinhos botons, brindes, bulas para utensílios, cartão convênio, cartão promocional, comandas, convites, crachás, cupons, diários de classe, duplos ofícios, ingressos, fichas avulsas, folhas avulsas, folhetos, lembranças, lâminas, mala direta, marca página, material gráfico, material impresso, ofícios, pacotes, papel timbrado, papel para laudo, raquetes de preço, requisições de exames, resultados de exames, rótulos, provas, carteias diversas, rótulos) está fora do campo de incidência do IPI e do ICMS, posto que expressa e privativamente inserida no campo de incidência do ISS, tal como já proclamado pela Jurisprudência cristalizada nas Súmulas nº143 do extinto TFR e nº 156 do E. STJ, esta última editada já na vigência da atual Constituição e portanto aplicável também ao IPI, conforme proclamado nos arestos retro citados.” Agora digo eu. Como é de conhecimento geral, a subsunção dos serviços gráficos personalizados e a possibilidade de incidência concomitante do IPI e do ISS sobre eles têm sido objeto de embate desde a revogação do artigo 8º do Decretolei nº 406/68, pois que grande parte da Administração tributária passou a entender que o advento da Lei Complementar nº 116/2003 teria acabado com a regra que afastava a incidência isolada do ISS, e, mais, que com tal norma, a Súmula 156, do STJ, teria deixado de ter aplicabilidade. Quanto à vigência da Súmula, como se viu do trecho do voto acima transcrito, é objeto de Recurso Repetitivo do STJ, que foi expresso em afirmar que a Súmula está plenamente válida, mesmo após a edição da Lei Complementar nº. 116/2003. Além dos diversos precedentes já colacionados, cumpre ainda mencionar que o STJ, no REsp nº 888.852/ES, cujo Relator foi o Ministro Luiz Fux, delineou um raciocínio distinto, separando a essência da operação, acabando por entender que sobre os serviços de industrialização por encomenda incide o ISS, e não o IPI. Vejamos: “TRIBUTÁRIO. ISSQN. “INDUSTRIALIZAC ÃO POR ENCOMENDA”. LEI COMPLEMENTAR 116/2003. LISTA DE SERVIC OS ANEXA. PRESTAC ÃO DE SERVIÇO (OBRIGAÇÃO DE FAZER). ATIVIDADE FIM DA EMPRESA PRESTADORA. INCIDE NCIA. 1. O artigo 153, III, da Constituição Federal de 1988, dispõe que compete aos Municípios instituir impostos sobre prestação de serviços de qualquer natureza, não compreendidos no artigo 155, II, definidos em lei complementar. 2. O aspecto material da hipótese de incidência do ISS naõ se confunde com a materialidade do IPI e do ICMS. Isto porque: (i) excetuando as prestações de serviços de comunicação e de transporte interestadual e intermunicipal, o ICMS incide sobre operação mercantil (circulação de mercadoria), que se traduz numa ´obrigação de dar´ (artigo 155, II, da CF/88), na qual o interesse do credor encarta, preponderantemente, a entrega de um bem, pouco Fl. 667DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 14 importando a atividade desenvolvida pelo devedor para proceder a ̀tradição; e (ii) na tributação pelo IPI, a obrigação tributária consiste num ´dar um produto industrializado´ pelo próprio realizador da operação jurídica. ´Embora este, anteriormente, tenha produzido um bem, consistente em seu esforço pessoal, sua obrigação consiste na entrega desse bem, no oferecimento de algo corpóreo, materializado, e que não decorra de encomenda específica do adquirente´ (José Eduardo Soares de Melo, in ´ICMS Teoria e Prat́ica´, 8a Ed., Ed. Dialética, São Paulo, 2005, pág. 65). 3. Deveras, o ISS, na sua configuração constitucional, incide sobre uma prestação de serviço, cujo conceito pressuposto pela Carta Magna eclipsa ad substantia obligatio in faciendo, inconfundível com a denominada obrigação de dar. 4. Desta sorte, o núcleo do critério material da regra matriz de incidência do ISS e ́ a prestação de serviço, vale dizer: conduta humana consistente em desenvolver um esforço em favor de terceiro, visando a adimplir uma obrigação de fazer (o fim buscado pelo credor é o aproveitamento do serviço contratado). 5. É certo, portanto, que o alvo da tributação do ISS e ́ o esforço humano prestado a terceiros como fim ou objeto. Não as suas etapas, passos ou tarefas intermediaŕias, necessárias a ̀ obtenção do fim. (...) somente podem ser tomadas, para compreensão do ISS, as atividades entendidas como fim, correspondentes à prestação de um serviço integralmente considerado em cada item. Não se pode decompor um serviço porque previsto, em sua integridade, no respectivo item específico da lista da lei municipal nas vá́rias açõesmeio que o integram, para pretender tributálas separadamente, isoladamente, como se cada uma delas correspondesse a um servic o autônomo, independente. Isso seria uma aberração jurídica, aleḿ de construirse em desconsideração a hipótese de incidência do ISS. (Aires Barreto, no artigo intitulado ´ISS: Serviços de Despachos Aduaneiros/Momento de Ocorre ncia do Fato Imponível/Local de Prestação/Base de Cálculo/Arbitramento, in Revista de Direito Tributário no 66, Ed. Malheiros, págs. 114/115 citação efetuada por Leandro Paulsen, in Direito Tributaŕio Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 8a ed., Ed. Livraria do Advogado e Escola Superior da Magistratura Federal do Rio Grande do Sul ESMAFE, pág. 457). 6. Assim, sempre que o intérprete conhecer o fim do contrato, ou seja, descobrir aquilo que denominamos de 'prestação fim', sabera ́ ele que todos os demais atos relacionados a tal comportamento saõ apenas 'prestaçõesmeio' da sua realização” (Marcelo Caron Baptista, in ´ISS: Do Texto à Norma Doutrina e Jurisprudência da EC 18/65 à LC 116/03´, Ed. Quartier Latin, São Paulo, 2005, paǵ. 284). 7. In casu, a empresa desenvolve atividades de desdobramento e beneficiamento (corte, recorte e/ou polimento), sob encomenda, de bloco e/ou chapa de granito e mármore (de propriedade de terceiro), sendo certo que, após o referido processo de industrialização, o produto retorna ao estabelecimento do proprietário (encomendante), que poderá exportálo, comercializálo no mercado interno ou submetêlo a ̀ nova etapa de industrialização. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19647.015258/200718 Acórdão n.º 3402002.024 S3C4T2 Fl. 662 15 8. O Item 14, Subitem 14.05, da Lista de Serviços anexa a ̀Lei Complementar 116/2003, ostenta o seguinte teor: 14 – Serviços relativos a bens de terceiros. (...) 14.05 – Restauração, recondicionamento, acondicionamento, pintura, beneficiamento, lavagem, secagem, tingimento, galvanoplastia, anodização, corte, recorte, polimento , plastificação e congêneres, de objetos quaisquer. 9. A industrialização por encomenda constitui atividadefim do prestador do aludido serviço, tendo em vista que, uma vez concluída, extingue o dever jurídico obrigacional que integra a relação jurídica instaurada entre o prestador (responsável pelo serviço encomendado) e o tomador (encomendante): a empresa que procede ao corte, recorte e polimento de granito ou mármore, de propriedade de terceiro, encerra sua atividade com a devolução, ao encomendante, do produto beneficiado. 10. Ademais, nas operações de remessa de bens ou mercadorias para ´industrialização por encomenda, a suspensaõ do recolhimento do ICMS, registrada nas notas fiscais das tomadoras do serviço, decorre do posterior retorno dos bens ou mercadorias ao estabelecimento das encomendantes, que procederão à exportação, à comercialização no mercado interno ou à nova etapa de industrialização. 11. Destarte, a industrialização por encomenda, elencada na Lista de Serviços da Lei Complementar 116/2003, caracteriza prestação de serviço (obrigação de fazer), fato jurídico tributável pelo ISSQN, não se enquadrando, portanto, nas hipóteses de incidência do ICMS (circulação de mercadoria obrigação de dar e prestações de serviço de comunicação e de transporte transmunicipal). 14. Recurso especial provido.” Conforme restou expresso pela decisão “o aspecto material da hipótese de incidência do ISS naõ se confunde com a materialidade do IPI e do ICMS”, já que “na tributação pelo IPI, a obrigação tributária consiste num ´dar um produto industrializado´” pelo próprio realizador da operação jurídica. “Embora este, anteriormente, tenha produzido um bem, consistente em seu esforço pessoal, sua obrigação consiste na entrega desse bem, no oferecimento de algo corpóreo, materializado, e que naõ decorra de encomenda específica do adquirente”. Assim, entendo que a materialidade da incidência do ISS sobre determinada atividade, exclui por sua própria natureza, a incidência do conceito de industrialização. É dizer: se a atividade se constitui em uma obrigação de fazer, personalizada, para uso próprio do encomendante, o que prepondera é o serviço e não a indústria, e, como tal, está realizada a hipótese de incidência do ISS, que grava os serviços, e não há lugar para estar concomitantemente gravada pela incidência do IPI porque houve uma transformação, pois que esta transformação, no caso, é da essência do próprio serviço. No caso de composição graf́ica, que é essencial e preponderantemente serviço, considerase ocorrido o fato gerador desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são Fl. 669DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 16 próprios, de modo que se tem por ocorrido o fato gerador no momento em que o prestador do serviço executar materialmente a composição graf́ica. É preciso, ainda, apontar que além de se tratar de serviço personalizado e sob encomenda, estamos, ainda, diante de serviço devidamente parte do rol da lista anexa à Lei Complementar nº 116/2003. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justicça amplifica os efeitos no sentido de que a incidência do ISS ocorre ainda que os serviços de composição gráfica não sejam personalizados ou não sejam exclusivamente para uso de encomenda (REsp 788.235/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 15.12.2005, DJ 20.02.2006; AgRg no REsp 621.191/MG, Rel. Ministro Francisco Falcaõ, Primeira Turma, julgado em 04.11.2004, DJ 06.12.2004; e REsp 327.504/SP, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 06.11.2001, DJ 25.02.2002), embora, no meu sentir, essa conjugação de atributos torna inafastável a caracterização da incidência solteira do ISS. Para efeito de incidência do ISS ou do IPI, vale apontar, somente pode ser tributado o fato (circunstância necessária) que produziu a riqueza (representação da capacidade econômica). Destarte, aonde incidir ISS porque prepondera o serviço, não pode incidir o IPI, ainda que no serviço se realize algum tipo de transformação, beneficiamento, montagem ou afim, pois que o “fato típico” colhido pelo legislador para servir à tributação comporta, à meu sentir, apenas uma incidência. Nesta esteira de entendimento, entendo que merece guarida o pleito da Recorrente, no sentido de afastar do lançamento a exigência tributária sobre as saídas por ela promovidas, de impressos personalizados e sob encomenda de seus clientes, pelo que, nesse particular, merece provimento o Recurso Voluntário. III. Glosa de Créditos sobre Produtos Intermediários: Encontrandose a saída dos produtos confeccionados pela Recorrente fora do campo de incidência do IPI, cumpre cogitar da existência de previsão legal para a manutenção do crédito decorrente das entradas tributadas, antes mesmo de adentrar na análise dos insumos cujos créditos foram glosados. Sem desconhecer da previsão do preceito constitucional da não cumulatividade do IPI, a verdade é que se encontra assente na jurisprudência que o direito à manutenção dos créditos de IPI decorre ou de legislações especiais, ou então, passaram a ser permitidas a partir do advento da Lei nº 9.779/99, que em seu art. 11, assim prescreve: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal – SRF.” Assim sendo, o pressuposto para a aplicação do princípio da não cumulatividade do IPI, é exatamente a efetiva existência, seja de tributação (ainda que sob Fl. 670DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19647.015258/200718 Acórdão n.º 3402002.024 S3C4T2 Fl. 663 17 forma de isenção ou alíquota zero), seja de industrialização. Ao reconhecer que a atividade de composição gráfica perfaz a regramatriz de incidência do ISS, por preponderar o serviço à industrialização, excluise a atividade do campo de incidência do IPI porque não há industrialização, e, consequentemente, não há também o direito à manutenção dos créditos de IPI decorrentes das aquisições de insumos. Nesse sentido também o RIPI/02 expressamente veda a escrituração de créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, dispondo em seu art. 190, § 1º e art. 193, inc. I alínea “a” (arts. 171 e 174 do RIPI/98) que: “Art. 190. Os créditos serão escriturados, pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: (...) § 1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal. (...) “Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto: I – relativo a MP, PI e ME, que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos não tributados”. No mesmo sentido, a Instrução Normativa SRF nº 33/99, de 4/03/99, expressamente dispôs que : “Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: (...). § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). (...).” Assim, achandose expressamente excluída do campo de incidência do IPI, data vênia, verificase que ao realizar as operações com produto NT a Recorrente não só não detém qualquer direito a créditos de IPI relativos às aquisições de insumos (MP, PI e ME ainda que isentas ou tributadas à alíquota zero), nem só se acha legalmente impedida de escriturálos, como está legalmente obrigada a estornálos (art. 190, § 1º e art. 193, inc. I alínea “a” do atual RIPI/02 arts. 171 e 174 do RIPI/98). Fl. 671DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 18 Consequentemente, resta prejudicada a análise das glosas de créditos tomados pela Recorrente dos insumos denominados de “blanquetas” e “limpador de rolos”, pois que entendo não haver direito à manutenção dos créditos quando a operação subsequente sob na modalidade de “não incidência”. IV. Dispositivo: Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário apenas para afastar as saídas de serviços de composição gráfica do campo de incidência do IPI, eis que sujeitos exclusivamente ao ISS. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 672DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 13855.001670/2005-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/10/2000 a 31/12/2003 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os acréscimos legais. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do PAF ou quando as irregularidades possam ser sanadas. CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Aplicação direta da Súmula CARF nº 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso, a partir de abril de 1995. Aplicação direta da Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 3201-000.834
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os acréscimos legais. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do PAF ou quando as irregularidades possam ser sanadas. CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Aplicação direta da Súmula CARF nº 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso, a partir de abril de 1995. Aplicação direta da Súmula CARF nº 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marcos Aurelio Pereira Valadão Presidente. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Daniel Mariz Gudiño Relator. EDITADO EM: 24/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Mercia Helena Trajano D’Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Adriana Oliveira e Ribeiro, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Daniel Mariz Gudiño. Ausentes Justificadamente Marcelo Ribeiro Nogueira e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: A empresa qualificada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) no período de outubro de 2000 a dezembro de 2003, exigindoselhe contribuição de R$ 145.960,13, multa de ofício de R$ 109.469,94 e juros de mora de R$ 76.398,24, perfazendo o total de R$ 331.828,31. O enquadramento legal encontrase à fl. 8. O lançamento é devido a diferenças entre os valores da contribuição apurados pela fiscalização e os declarados pela contribuinte no período acima. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento alegando, em síntese, que o lançamento seria nulo por cerceamento do direito de defesa e do contraditório e falta de motivação. Alega que falta embasamento fático e motivação idônea para o lançamento, pois referese à inconstitucionalidade da Cofins face às alterações introduzidas pela Lei Complementar (LC) n° 70, de 1991, diante das disposições do art. 154, I, da Constituição Federal. Quanto ao cerceamento, argumenta que não foi informada que o trabalho fiscal era no sentido de apuração de recolhimento a menor da Cofins, tampouco foi solicitada a prestar esclarecimentos durante o procedimento. Quanto ao mérito, argúi que o recolhimento feito pela impugnante está de acordo com os arts. 154, 1, e 195, § 4°, da Constituição Federal, no sentido da não cumulatividade na apuração da base de cálculo da Cofins, pois com a edição da Lei n 2 9.718, de 1998, a contribuição passou a ter uma nova forma de tributação. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13855.001670/200557 Acórdão n.º 3201000.834 S3C2T1 Fl. 301 3 Argumenta também que o aumento da aliquota da Cofins, bem assim a ampliação da base de cálculo pela Lei n2 9.718, de 1998, são inconstitucionais por ferirem o princípio da hierarquia das leis. Em relação à multa, taxoua de confiscatória e, portanto, inconstitucional. Também argumenta que os juros baseados na taxa do Selic seriam inconstitucionais, conforme julgados que cita. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 10/10/2008, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 1420.931 de fls. 309316: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/10/2000 a 31/12/2003 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os acréscimos legais. CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do PAF ou quando as irregularidades possam ser sanadas. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso, a partir de abril de 1995. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Lançamento Procedente Fl. 377DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 A Recorrente foi cientificada do teor da INTIMAÇÃO N° 475/2008, em 19/11/2008 (f1. 328), tendo protocolado seu recurso voluntário em 16/12/2008 (fls. 330/367), que, em síntese, reitera os argumentos da sua impugnação (fls. 277/296). Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 01/03/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário interposto pela Recorrente preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente limitouse a reforçar no recurso voluntário os argumentos já expostos na impugnação, os quais, a meu ver, adianto que não merecem prosperar. O auto de infração foi lavrado pela autoridade preparadora em razão de ter a Recorrente declarado a COFINS em valor superior àquele efetivamente recolhido nas competências de Outubro de 2000 a Dezembro de 2003. O procedimento de fiscalização se desenvolveu respeitando todas as normas tributárias vigentes, não havendo qualquer cerceamento de defesa e do contraditório. Da mesma forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração por falta de motivação idônea e pertinente. Conforme bem ressaltou a autoridade julgadora de 1ª instância, as hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235 de 1972 não se verificaram no caso concreto, não merecendo, pois, acolhida as preliminares suscitadas pela Recorrente. No mérito, todos os argumentos da Recorrente são de cunho constitucional, sendo certo que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já sumulou o entendimento segundo o qual não é competente para apreciar e julgar inconstitucionalidades da legislação tributária. Refirome particularmente à Súmula CARF nº 2, que assim dispõe: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com efeito, em atenção ao art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, escusome de analisar as alegações de inconstitucionalidade do regime de apuração cumulativo da COFINS, da majoração da sua alíquota de 2% para 3%, e da cobrança de multa de ofício em percentual supostamente confiscatório. Pela mesma razão, escusome de analisar a alegação de ilegalidade da cobrança de juros moratórios calculados com base na Taxa Selic, eis que o assunto foi tratado na Súmula CARF nº 4, com o seguinte teor: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Fl. 378DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13855.001670/200557 Acórdão n.º 3201000.834 S3C2T1 Fl. 302 5 Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo integralmente a decisão recorrida. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 379DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13975.000187/2005-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PIS NÃO CUMULATIVO. FLORESTA PRÓPRIA.
A exploração de floresta própria para produção de celulose não gera créditos de PIS na sistemática não cumulativa.
PIS NÃO CUMULATIVO. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS.
Não havendo provas nos autos da essencialidade das máquinas ou sua aplicação direta no processo produtivo, não é possível reconhecer o direito de crédito de PIS pleiteado.
Numero da decisão: 3201-000.882
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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FLORESTA PRÓPRIA. A exploração de floresta própria para produção de celulose não gera créditos de PIS na sistemática não cumulativa. PIS NÃO CUMULATIVO. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. Não havendo provas nos autos da essencialidade das máquinas ou sua aplicação direta no processo produtivo, não é possível reconhecer o direito de crédito de PIS pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Presidente. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator. EDITADO EM: 26/04/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente) e Luciano Lopes de Almeida Moraes. A Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro foi vencida no que se refere a cultura de eucaliptos. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Fl. 837DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS de que trata o art. 5° da Lei 10.637/2002, relativo ao quarto trimestre de 2004. A DRF/BLUMENAU exarou o Despacho Decisório de fls. 631 a 667 deferindo parcialmente o pedido da interessada para reconhecer o direito creditório no valor de R$29.669,41, referente ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da contribuição para o PIS a título de mercado externo. No relatório e na fundamentação que embasaram a decisão proferida consta consignado, em resumo, que: a) A análise do direito creditório pleiteado no processo foi suscitada em sede do Mandado de Segurança n° 2006.72.05.0047320/SC; b) A análise teve como base as informações prestada nos documentos apresentados pela interessada e acostados ao processo, bem como as informações obtidas por meio de consultas aos sistemas informatizados da RFB; c) A interessada incluiu, indevidamente, as receitas de variações cambiais entre as receitas de exportação e contabilizou nota fiscal não relacionada a despacho de exportação, conforme consulta no Siscomex. Assim, efetuaramse ajustes nos valores das receitas de exportação declaradas; d) Considerandose a proporção das receitas de exportação em relação à receita operacional bruta, observouse uma discrepância entre os percentuais de exportação das receitas declaradas no DACON. Foram efetuados ajustes nos percentuais de exportação para efeito de cálculo dos créditos de mercado interno e mercado externo, com base na proporção de receitas declaradas; e) Foram glosados os valores de aquisição de mercadorias de uma empresa do mesmo grupo (notas fiscais de fls. 191/192), cujos respectivos registros digitais apresentam valores de contribuição iguais a zero; f) Quanto ao CFOP 1.101, observaramse divergências entre os valores obtidos do arquivo digital e os informados na memória de cálculo em fl. 46. Foi efetuado ajuste em consonância com o arquivo digital; g) Foram glosados os valores pagos à pessoa física na aquisição de insumos; Fl. 838DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13975.000187/200599 Acórdão n.º 3201000.882 S3C2T1 Fl. 796 3 h) A interessada calculou crédito sobre valores de filtros, produtos não especificados e outros itens ilegíveis (fls. 257, 258 e 293). Tais produtos não se enquadram no conceito de insumo; i) Verificouse que o requerente se creditou de aquisições de ferramentas intercambiáveis. A aplicação destes bens no processo produtivo da empresa se efetua de forma indireta, o que inibe a possibilidade de crédito, à luz da IN SRF 247/02, art. 66, § 5°, inciso I; j) Foram glosados os valores de aquisições da empresa de CNPJ 86.325.339/000264, relativo a vendas de bens do ativo imobilizado, cujas notas fiscais foram emitidas com CFOP 5.551; k) A análise das notas fiscais de fls. 408 a 443 demonstra que a interessada incluiu valores de aquisição de mercadorias da empresa de CNPJ 92.639.954/000167, que saíram do estabelecimento fornecedor com o fim específico de exportação, CFOP 6.501. Foram glosados os valores, conforme itens 2.6.1 a 2.6.32 do Anexo I; 1) Verificouse um equívoco na planilha de fl. 46, com a inclusão indevida do CFOP 1.949 (outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada) na rubrica Serviços Utilizados como Insumos; m) O preenchimento de parcela relevante dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC) não fora efetuado em conformidade com o exigido pela legislação do ICMS. Principais irregularidades: não indicação do número da nota fiscal transportada, emissão do CTRC posteriormente à prestação do serviço. Os valores das notas fiscais que apresentaram vícios formais relevantes foram glosados. O Anexo II . Detalha as notas fiscais cujos valores foram deferidos; n) Foram glosados os valores de despesas de doação incluídos incorretamente nas despesas de energia elétrica. Verificouse que os valores totais constantes nas notas fiscais são inferiores aos informados na memória de cálculo de fl. 46; o) A requerente foi intimada a apresentar memória de cálculo com os valores informados no DACON como despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos, bem como cópia dos contratos de locação e comprovantes de pagamentos. Em resposta, apresentou cópia do registro no Livro Razão e de um contrato particular de locação entre empresas do mesmo grupo. Os comprovantes de pagamento não foram apresentados. A comprovação insuficiente ensejou a glosa integral dos valores declarados; p) A planilha de fls. 496 a 499, as notas fiscais de fls. 500 a 599 e 602 a 632 e os registros digitais foram os elementos básicos de análise dos valores informados no DACON a título de despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 4 Parcela relevante dos CTRC não fora preenchido em conformidade com o exigido pela legislação do ICMS. Verificou se ainda, a apuração de créditos sobre serviços não relacionados na legislação tributária, tais como serviços de frete a pagar, handling, seguro, entre outros. Os valores das notas fiscais com vícios formais ou serviços não previstos na legislação foram glosados. O Anexo III detalha as notas fiscais deferidas; q) Considerandose as glosas e os ajustes efetuados, houve a necessidade de reescrita da utilização dos créditos do trimestre, à luz da IN SRF 600/05, conforme demonstrado no Anexo III. Cientificada da decisão em 12/11/2007 (fl. 676), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 04/12/2007 (fls. 679 a 687), alegando, em síntese que a) As notas fiscais que comprovam às aquisições do fornecedor Vidroforte Indústria e Comércio de Vidros Ltda foram emitidas com CFOP 6.501, destinado a vendas com fim específico de exportação. Contudo, foram utilizadas pela requerente como matéria prima em seu processo de industrialização; b) O CFOP foi utilizado de forma equivocada pelo fornecedor, sem qualquer responsabilidade da recorrente; c) Notese que a empresa Vidroforte destacou o ICMS nas operações, contudo, a venda com fim específico de exportação não tem destaque de ICMS. Assim, a recorrente pagou o ICMS, o PIS e a COFINS à empresa fornecedora, os dois últimos embutidos no preço dos produtos; d) Caso o fornecedor não tenha recolhido o PIS e a COFINS, a empresa recorrente não pode ser prejudicada, vez que referido recolhimento é de responsabilidade de terceiro, cabendo ao fisco a cobrança da empresa responsável pelo pagamento; e) Na época das aquisições mesmo ' havendo lei autorizando a suspensão do PIS e daCOFINS, a recorrente passou a estar autorizada a efetuar a compra com suspensão do PIS e da COFINS somente após a publicação do Ato Declaratório Executivo n° 1, de 06/01/2006. A partir dessa data, a Vidroforte passou a vender para a recorrente com suspensão das contribuições, passando a conceder desconto relativo à suspensão; f) Os valores incluídos nos CFOP 1.949 e 2.949 não apresentam qualquer incorreção, vez que se tratam de importâncias relativas a serviços de pessoa jurídica utilizados naextração de madeira e manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3º, II, da Lei 10.637/02; g) De fato, no mesmo CFOP existem entradas com direito ao crédito e outras sem. Contudo, a autoridade administrativa deveria ter intimado a recorrente para prestar as informações necessárias. Anexa dos autos as notas fiscais que comprovam o direito pleiteado; Fl. 840DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13975.000187/200599 Acórdão n.º 3201000.882 S3C2T1 Fl. 797 5 h) Não existem os supostos "vícios formais" a ensejar a glosa referente aos fretes das aquisições de insumos mas, quando muito, meras irregularidades. O transporte utilizado para levar a madeira bruta das florestas até o estabelecimento da recorrente é efetuado por pessoas humildes que, ao invés de emitirem uma nota fiscal (conhecimento de frete) para cada operação de transporte, emitiam uma nota fiscal conjunta com a totalidade dos serviços prestados em determinado período; i) Referida falha não prejudicou o fisco pois não houve omissão dos valores referentes aos fretes. O fato de ter havido irregularidades não impediu que a empresa transportadora recolhesse PIS e COFINS sobre esses valores; j) Caso se entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito; k) A legislação prevê o direito ao creditamento das despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda; 1) Não existem os supostos "vícios formais" a ensejar a glosa referente aos fretes nas operações de venda mas, quando muito, meras irregularidades. As empresas contratadas para efetuar o transporte da mercadoria, ao invés de emitirem uma nota fiscal (conhecimento de frete) para cada operação de transporte, emitiam uma nota fiscal conjunta com a totalidade dos serviços prestados em determinado período; m) Referida falha não prejudicou o fisco pois não houve omissão dos valores referentes aos fretes. O fato de ter havido irregularidades não impediu que a empresa transportadora recolhesse PIS e COFINS sobre esses valores; n) Requer o recebimento e a apreciação da manifestação de inconformidade e a reforma da decisão proferida. O processo foi encaminhado a esta DRJ/RJ02 tendo em vista o disposto na Portaria RFB n° 535, de 28/03/2008. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A aquisição de bens utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda gera direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo, quando não comprovado que a aquisição tenha sido efetuada com o fim específico de exportação. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou Fl. 841DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 6 fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. PIS NÃOCUMULATIVO. GLOSA DE CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. As despesas com frete na aquisição de insumos compõem a base de cálculo do crédito a ser descontado da contribuição ao PIS no regime nãocumulativo quando o serviço for prestado por pessoa jurídica domiciliada no país e quando devidamente escrituradas e amparadas por documentos hábeis que lhe dêem suporte. DECISÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Consideramse definitivos os ajustes efetuados na base de cálculo dos créditos a descontar relativamente aos itens que não foram expressamente contestados. Solicitação Deferida em Parte O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. A contribuição ao PIS e a COFINS não incidem unicamente sobre produtos industrializados, nem só sobre a venda de mercadorias, também não incide sobre todos os ingressos de recursos no patrimônio da empresa, estas contribuições incidem sobre somente sobre os ingressos que devam ser qualificados como integrantes da receita bruta, ou melhor, da receita bruta oriunda da venda de mercadorias, de serviços e da combinação destes. Assim, é da lógica do sistema tributário nacional que a não cumulatividade destas contribuições esteja intimamente ligada aos custos e despesas incorridos pelo contribuinte para o desenvolvimento regular de sua empresa, ou seja, se relacione diretamente com as necessidades existentes para a geração desta mesma receita bruta. Ademais, é importante frisar que a não cumulatividade pensada para a contribuição ao PIS e a COFINS não está fundada no Princípio da Neutralidade Tributária, que Fl. 842DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13975.000187/200599 Acórdão n.º 3201000.882 S3C2T1 Fl. 798 7 estabelece que a tributação deve ser otimizada de forma a interferir o mínimo possível na economia, permitindo assim a livre concorrência, e que é fundamentalmente o Princípio Constitucional que justifica a adoção da não cumulatividade no IPI e no ICMS. Este afastamento do Princípio da Neutralidade, que está presente também no presente caso, mas de forma subsidiária, se nota com clareza quando se verifica a possibilidade de creditamento mesmo quando as operações anteriores não estavam sujeitas à não cumulatividade e, portanto, geraram um recolhimento aos cofres públicos em alíquotas inferiores às praticadas por aquele que aproveita o crédito. Esta realidade da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS gera uma consequência imediata de perda de arrecadação setorial, criando uma distorção na livre concorrência e permitindo que certos setores tenham uma vantagem competitiva (com a redução de seus custos fiscais). Estes são os motivos pelos quais os conceitos de insumos do IPI e do ICMS são insuficientes para uma aplicação direta e imediata no caso em exame, já que a incidência destas contribuições não se limita à receitas de vendas de mercadorias ou produtos industrializados e aqueles conceito buscam atender ao princípio da neutralidade da tributação. Logo, devese aplicar a analogia para buscar a melhor forma de integrar este novo conceito abstrato e hipotético. A analogia surge, na esfera tributária, como regra de integração, prevista no artigo 108 do CTN: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade É a regra preferencial e, portanto, aplicase ao fato jurídico, por meio da analogia, uma norma legal que regula uma situação semelhante, sempre que não exista uma norma imediata e expressamente aplicável ao fato em questão. Alguns buscam a aproximação do conceito de crédito para o PIS/COFINS com os conceitos de custo e despesa dedutível para o Imposto de Renda e a contribuição social sobre o lucro. O argumento é sedutor, pois o lucro é parcela da receita bruta, portanto, a proximidade dos conceitos parece tornar esta analogia mais consistente. Contudo, não estou convencido disto, seja porque o Imposto de Renda onera a todas as pessoas jurídicas sem considerar suas especificidades e/ou as diferenças setoriais, seja porque não há como, para interpretar novas normas jurídicas, se buscar igualar tributos que têm naturezas claramente distintas, e por fim, seja porque tanto o "custo", quanto a "despesa dedutível" são elementos essenciais para a definição e distinção de renda e lucro, mas não o são para faturamento ou receita bruta. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 8 Não estou afastando esta possibilidade de aplicação analógica dos conceitos neste caso, por entender que estes são demasiadamente elastecidos ou por qualquer justificativa econômica, mas simplesmente por entender que a analogia é descabida neste caso. Aponto ainda, para melhor esclarecer meus pares sobre minha posição pessoal sobre a matéria, que entendo que o conteúdo dos parágrafos 7º e 8º do artigo 3º das Lei nº 10.637/02 e 10.833/03 (cujos textos são idênticos), não me conduz à conclusão de que houve uma opção legislativa para ampliar a base de cálculo dos créditos àqueles "custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas". É o seguinte o texto legal: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (grifos acrescidos por este relator) Isto porque entendo que há presunção legal de que o parágrafo não deve ampliar o conceito descrito no caput, mas somente complementálo ou definir exceções, na forma do disposto na alínea "c" do inciso III do artigo 11 da Lei Complementar nº 95/98. Admitir que os mencionados parágrafos 7º e 8º ampliam, e verdadeiramente generalizam, a base de cálculo para os créditos, quando o artigo no qual estes comandos estão inseridos cuida exclusivamente da especificação dos dispêndios sobre os quais deverão ser calculados tais créditos, seria admitir uma contradição dentro do próprio dispositivo normativo, o que não me parece aceitável. Portanto, opto por me filiar à corrente daqueles que entendem que o conceito autorizativo do crédito do PIS e da COFINS está na "inerência do dispêndio pago". Acresço, logo, o adjetivo "pago" ao clássico conceito do Prof. Marco Aurélio Grego, pois entendo que assim como a receita tributável deve ser somente aquela efetivamente recebida pelo contribuinte, o crédito, para efeito de cálculo do tributo devido, também somente deve surgir após o devido pagamento do dispêndio. No que se refere à inerência do dispêndio, entendo que devamos seguir a orientação da Suprema Corte, que em repetidos julgados, tem decidido que: Fl. 844DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13975.000187/200599 Acórdão n.º 3201000.882 S3C2T1 Fl. 799 9 a Constituição de 1988 não assegurou direito à adoção do modelo de crédito financeiro para fazer valer a não cumulatividade do ICMS, em toda e qualquer hipótese. (...) Assim, a adoção de modelo semelhante ao do crédito financeiro depende de expressa previsão Constitucional ou legal, existente para algumas hipóteses e com limitações na legislação brasileira.” (RE 447.470AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 1492010, Segunda Turma, DJE de 8102010.) Vide: RE 313.019AgR, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 1782010, Segunda Turma, DJE de 1792010; RE 598.460 AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 2362009, Segunda Turma, DJE de 782009; AI 445.278AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 1842006, Primeira Turma, DJ de 306 2006. Ou melhor, a inerência do dispêndio está limitada ao crédito físico, logo, somente dará direito a crédito o dispêndio pago que se refira a bem ou serviço que integre a venda de mercadorias, a prestação de serviços ou a combinação destes, sendo também possível, desde expressamente autorizado por lei, o crédito financeiro. Dentre aquelas hipóteses previstas nas Lei nº 10.637/02 e 10.833/03, nos seus artigos terceiro, entendo que os incisos I e II cuidam de créditos físicos, contudo, os demais incisos tratam de créditos claramente financeiros. São eles: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 845DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 10 III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Por fim, para encerrar a contextualização dos conceitos sobre os créditos de PIS e COFINS, aponto que entendo que a inerência do dispêndio permite, que para o enquadramento de determinado bem ou serviço, no disposto nos incisos I e II do artigo 3º das leis que regem a matéria, seja considerada a essencialidade destes. Os críticos contestam esta possibilidade de aceitação da prova da essencialidade para a caracterização do insumo por entenderem que tal conceito de essencialidade é subjetivo e, portanto, sujeito a variações que afetam a segurança jurídica do sistema tributário. Aprecio este risco, entretanto, creio que a aplicação da regra do artigo 333, I do CPC ao Procedimento Administrativo Tributário, que exige que o fato constitutivo do direito deva ser provado pela parte interessada, mitiga tal risco. Acrescentese a isto que negar validade mínima a um princípio, mesmo um princípio subsidiário, como é o caso do Princípio da Neutralidade na não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS é negar o direito. Logo, a eventual insegurança gerada pela subjetividade momentânea do conceito de essencialidade não me parece justificar sua negação. Destarte, são dois os elementos de prova suficientes, no entende deste relator, para o enquadramento do bem ou serviço como insumo, (i) sua aplicação direta no processo Fl. 846DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13975.000187/200599 Acórdão n.º 3201000.882 S3C2T1 Fl. 800 11 produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes; ou (ii) a essencialidade deste para processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes. Ainda neste mérito, consigno que entendo ser válida a limitação infraconstitucional ao direito de crédito na sistemática da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, porque não há na Carta Magna uma garantia plena à não cumulatividade ou sequer um determinado e fixo modelo conceitual hipotético de não cumulatividade, portanto o legislador infraconstitucional tem autonomia para moldar este modelo, além disso o § 12 do artigo 195 da Constituição Federal permite à lei a exclusão de setores inteiros da sistemática da não cumulatividade, o que demonstra que a Carta Magna optou por não erigir a não cumulatividade ao patamar de direito universalmente garantido. Postas estas breves considerações iniciais, passo ao exame dos fatos específicos do recurso voluntário em análise. O recurso voluntário cuida somente de dois pontos da decisão recorrida, a saber: (1) a glosa dos créditos decorrentes da exploração da plantação de eucaliptos para produção de celulose e (2) a glosa dos créditos relativos à manutenção de máquinas. Quanto aos créditos relativos à manutenção das máquinas, registro que não há nos autos prova da essencialidade desta ou de sua aplicação direta no processo produtivo indicado pela recorrente, portanto, não há como reconhecer o direito de crédito pleiteado. No que diz respeito à exploração da plantação de propriedade da própria recorrente, verifico que a cultura de eucalipto é considerada permanente, pois se mantém vinculada ao solo, proporciona mais de uma colheita e dura mais que um ano, portanto, o custo relativo à composição desta floresta deve ser incluído no ativo imobilizado da recorrente. Neste sentido é o Parecer Normativo CST nº 108, de 28 de dezembro de 1978, que conclui: quando se trata de floresta própria, o custo de sua aquisição ou formação (excluído o solo) será objeto de quotas de exaustão, à medida e na proporção em que os seus recursos forem sendo extraídos. (...) Colocando o assunto nestes termos, não é difícil concluirse que o custo de formação de florestas ou de plantações de certas espécies vegetais que não se extinguem com o primeiro corte, voltando depois deste, a produzir novos troncos ou ramos, permitindo um segundo ou até um terceiro corte, deve ser objeto de quotas de exaustão, ao longo do período total de vida útil do empreendimento, efetuandose os cálculos em função do volume extraído em cada período, em confronto com a produção total esperada, englobando os diversos cortes. Desta forma, como a floresta em si é um ativo da empresa, qualquer custo de manutenção ou exploração do mesmo não gera crédito da contribuição ao PIS ou da COFINS, logo, VOTO, por conhecer do recurso para negarlhe provimento. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator Fl. 847DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 12 Fl. 848DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO
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Numero do processo: 19311.000326/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 10/11/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91.
Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol,
produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária.
PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO EM DESACORDO COM SEUS FUNDAMENTOS. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA.
Revela-se o direito processual administrativo fiscal refratário ao procedimento que exclua do sujeito passivo o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa.
É nula a Decisão de 1ª Instância cujos termos encontram-se
em total desacordo com as razões que a fundamentam, circunstância que representa flagrante preterição do direito de defesa do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.704
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO EM DESACORDO COM SEUS FUNDAMENTOS. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. Revelase o direito processual administrativo fiscal refratário ao procedimento que exclua do sujeito passivo o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa. É nula a Decisão de 1ª Instância cujos termos encontramse em total desacordo com as razões que a fundamentam, circunstância que representa flagrante preterição do direito de defesa do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: Janeiro/2004 a Dezembro/2004 Data da lavratura do Auto de Infração: 10/11/2008 Data da Ciência do Auto de Infração: 12/11/2008 Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de esta, por se declarar optante do SIMPLES, ter deixado de informar em GFIP a totalidade da remuneração paga aos segurados obrigatórios do RGPS que lhe houveram prestado serviços, conforme descrito no Relatório Fiscal a fl. 13/15. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. Informa o Relatório Fiscal que, da análise da documentação apresentada, ficou constatado que o contribuinte em questão não incluiu em Folhas de Pagamento e em GFIP as remunerações de todos os segurados que lhe prestaram serviços no exercício de 2004, não declarando, portanto, as contribuições incidentes sobre esses valores. Desses segurados não informados em GFIP, três foram caracterizados como "segurados empregados" e os demais, mantidos como "segurados contribuintes individuais", conforme arrolamento a fls. 98/100 do Processo Administrativo Fiscal nº 19311.000323/200883, lavrado na mesma ação fiscal. A multa aplicada corresponde a 100% do valor das contribuições previdenciárias devidas e não declaradas em GFIP, relativas aos fatos geradores descritos no Fl. 2DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19311.000326/200817 Acórdão n.º 230201.704 S2C3T2 Fl. 85 3 parágrafo precedente, apurados pela fiscalização, consoante critério pormenorizado no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa a fl. 17 e no discriminativo a fls. 18/22. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 25/32. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas/SP, promovendo o julgamento conjunto dos processos abaixo elencados, lavrou Decisão Administrativa corporificada no Acórdão a fls. 161/167 do Processo Administrativo Fiscal nº 19311.000323/200883, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Processo Administrativo Fiscal Auto de Infração 19311.000323/200883 AI 37.173.7460 19311.000324/200828 AI 37.173.7478 19311.000325/200872 AI 37.173.7486 19311.000326/200817 AI 37.173.7494 O Sujeito passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 27 de janeiro de 2010, conforme Aviso de Recebimento – AR a fl. 79. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário as fls. 174 a 186 do processo principal 19311.000323/200883, contra decisão do Acórdão n° 0527.678, da 7ª Turma da DRJ/CPS, de 26/11/2009 (fls. 161 a 167 do processo 19311.000323/200883), através do qual foi promovido o julgamento conjunto dos processos supracitados, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que a Sra. Cléia Wandsberg da Rocha foi erroneamente enquadrada como empregada no exercício da profissão de músico, pois é uma "ministra de confissão religiosa", estando suas remunerações ao abrigo da isenção de contribuições previdenciárias; • Que a instituição mantinha junto à Fundação Municipal de Ensino Superior de Bragança Paulista um Convênio para a realização de estágio por prazo indeterminado, firmado em 01/03/2009; • Requer a relevação da multa de mora e das multas por descumprimento de obrigação acessória; Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Fl. 3DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 27/01/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 26 de fevereiro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Estando presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES Cumpre de plano destacar que a obrigação principal associada à obrigação acessória ora em julgo foi objeto dos Autos de Infração de Obrigação Principal AI 37.173.746 0, AI 37.173.7478 e AI 37.173.7486 aviados nos Processos Administrativos Fiscais nos 19311.000323/200883, 19311.000324/200828 e 19311.000325/200872 respectivamente. 2.1. DA DECISÃO RECORRIDA No julgamento do mérito das demandas aviadas nos Processos Administrativos Fiscais nos 19311.000323/200883, 19311.000324/200828 e 19311.000325/200872 acima citados, ponderou o Recorrente que a Sra. Cléia Wandsberg da Rocha foi erroneamente enquadrada como empregada no exercício da profissão de músico, pois seria ela uma "ministra de confissão religiosa", estando suas remunerações ao abrigo da isenção de contribuições previdenciárias. Com efeito, o lançamento tributário em questão houvese por lavrado subdividido em dois levantamentos distintos, conforme arrolamento assentado no discriminativo a fls. 18/20, a saber: a) "CSE" Caracterização de Segurado Empregado – Constituído pelo Salário de Contribuição de segurados cuja relação jurídicoprevidenciária com o Recorrente, no entendimento da Autoridade Lançadora, se enquadrava na condição de segurado empregado; b) "SCI" — Segurados Contribuintes Individuais – Constituído pelo Salário de Contribuição de segurados qualificados como segurados contribuintes individuais. Com relação ao levantamento CSE Caracterização de Segurado Empregado, a decisão de 1ª instância proferida naqueles processos fiscais reconheceu que a musicista Cléia Wandsberg da Rocha não reunia os elementos suficientes para ser enquadrada na condição de ministro de confissão religiosa. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19311.000326/200817 Acórdão n.º 230201.704 S2C3T2 Fl. 86 5 Nessa prumada, o órgão julgador de 1ª instância, mesmo considerando estarem presentes diversos indícios caracterizadores da relação de emprego, pautouse por considerar não ser possível se afirmar a existência de vínculo empregatício entre a musicista e a instituição religiosa, razão pela qual houve por considerar ser procedente o seu enquadramento como segurado contribuinte individual, na qualidade de “segurado autônomo” (sic), excluída do conceito de ministro de confissão religiosa para os fins previdenciários. Ocorre, contudo, que a conclusão do voto em relação à musicista em tela fez rimar açúcar com sal, num “Samba do crioulo doido” de fazer o Stanislaw tirar o chapéu, eis que a considerou como segurada contribuinte individual, ao passo que, no lançamento, ela se houve por caracterizada como segurada empregada. Assim finalizou o relator, ipsis litteris: “Embora presente esse indício de relação de emprego, não é possível com certeza, no âmbito deste julgamento, a existência do vínculo empregatício entre a musicista e a instituição religiosa, pelo que é de se considerar procedente o seu enquadramento pelo autuante como contribuinte individual, na qualidade de segurado autônomo, excluída do conceito de ministro de confissão religiosa para os fins previdenciários”. (grifos nossos) Ora, mas o auditor fiscal autuante não a havia enquadrado como segurada contribuinte individual, mas, sim, como segurada empregada, eis que excluída do conceito de ministro de confissão religiosa, estes sim, legalmente definidos como segurados contribuintes individuais, nos termos do art. 12, V, ‘c’ da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa; (Redação dada pela Lei nº 10.403, de 2002). O fechamento do acordão não foi outro senão a improcedência das impugnações apresentadas e a manutenção integral do crédito tributário. Conclusão Por todo o exposto, em face das razões e circunstâncias ora aduzidas e tudo o mais que dos autos consta, voto pela total improcedência das impugnações apresentadas, com a consequente manutenção do crédito tributário objeto do presente processo (n° 19311.000323/200883 (Debcad n° 37.173.7460)) e dos processos a este juntados por apensação (n° 19311.000324/2008 2: (Debcad n° 37.173.7478), n° Fl. 5DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 19311.000325/200872 (Debcad n° 37.173.7486) e n° 19311 100326/200817 (Debcad n° 37.173.7494), ressalvada, para este último, a eventual aplicação retroatividade benigna. (grifos nossos) Muita calma nessa hora. Se o auditor fiscal autuante efetuou o lançamento enquadrando a segurada em realce como segurada empregada, mediante a desconsideração de sua condição de ministra de confissão religiosa para fins previdenciários, e assim, desqualificandoa como segurada contribuinte individual, e a decisão de primeira instância, mesmo reconhecendo a existência de indício de relação de emprego, admitiu ser procedente o seu enquadramento como segurada contribuinte individual, na qualidade de “segurado autônomo” (sic), a conclusão do acórdão jamais poderia apontar para a procedência global do lançamento e a manutenção integral do crédito tributário lançado. Anotese que a entidade autuada, em sede de recurso voluntário, retornou à carga atacando a qualificação de segurada empregada mantida pela decisão hostilizada, a qual, conforme indicado, já houvera admitido não ser possível afirmar a existência de vínculo empregatício e que correto era o enquadramento da musicista como segurada contribuinte individual. Nesse cenário, avulta de forma flagrante que os fundamentos da decisão são incompatíveis com a conclusão do acórdão hostilizado, circunstância que culminou por provocar embaraços no direito de defesa do contribuinte. Tal situação conduz, inexoravelmente, à nulidade da decisão recorrida em razão do flagrante cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, a teor do art. 59, II, in fine, do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) Nessas circunstâncias, sendo nula a decisão de 1ª instância em relação às obrigações principais, não há como se asseverar a obrigatoriedade de aqueles supostos fatos geradores de contribuições previdenciárias constarem nas GFIP das competências correspondentes. Por outro lado, a decisão administrativa eivada de nulidade foi a mesma que julgou a presente demanda em sede de impugnação administrativa, estando esta, por conseguinte, alcançada pelos efeitos da nulidade então declarada. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19311.000326/200817 Acórdão n.º 230201.704 S2C3T2 Fl. 87 7 3. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, voto pela declaração de nulidade do Acórdão recorrido, com fulcro no art. 59, II, in fine, do Decreto nº 70.235/72. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 7DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10811.000651/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/06/2006 Ementa: INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL RELATIVAS A FUMO, CIGARRO E CHARUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA Aplica-se a multa às medidas de controle fiscal por maço de cigarro, por unidade de charuto ou de cigarrilha, apreendidos, na hipótese do art. 621 do Regulamento Aduaneiro/2002, cumulativamente com o perdimento da respectiva mercadoria (outro processo).
Numero da decisão: 3201-000.888
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Marcelo Ribeiro Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausências justificadas de Judith do Amaral Marcondes Armando e Daniel Mariz Gudiño.. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 5/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 06/12/2006, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência da multa regulamentar do Imposto sobre Produtos Industrializados no valor de R$ 1.168,00, em face dos atos a seguir descritos. O autuado foi apenado com a multa regulamentar do Imposto sobre Produtos Industrializados referentes às medidas relativas a controles fiscais relativa a cigarros de procedência estrangeira desprovida de documentação comprobatória de sua introdução regular no país; A apreensão foi feita mediante denúncia, pela Delegacia Seccional de Polícia de Catanduva/SP, 584 maços de cigarros de procedência estrangeira em poder do interessado, sem prova de sua regular importação, conforme processo 10811.000530/200661. . Tipificação Legal: artigos 1º e 3º DecretoLei 399/68, regulamentados pelo artigo 632 do Regulamento Aduaneiro Decreto 4.543/2002 e pelos artigos 23 e 24 do Decreto Lei 1.455/76;. Cientificado do auto de infração, via aviso de recebimento – AR, (fls. 20verso), datado de 10/01/2007, o contribuinte, em 06/02/2007, protocolizou impugnação na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, folhas 21 à 29, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: • Em face dos princípios da ampla defesa e da presunção de inocência, o ato em questão é nulo pois tal documento decorre de situação que ainda aguarda julgamento, qual seja, a impugnação do auto de infração e termo de apreensão e guarda fiscal 0810700 18723/2006, referente ao processo 10811.000530/200661; • O auto de infração deve ser arquivado, dada a ilegitimidade passiva, pois os cigarros foram encontrados no estabelecimento da pessoa jurídica JOSÉ ANTÔNIO SANDRIM & CIA LTDA.ME, não podendo o Sr. JOSÉ ANTÔNIO SANDRIM responder em nome de outrem, uma vez que a pessoa jurídica possui personalidade distinta; • O impugnante jamais adquiriu para venda os produtos em questão; • O impugnante guardava a mercadoria para terceira pessoa, conhecida como COLOMBINHO; • Não se suspeitou da procedência irregular da mercadoria; Fl. 82DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 5/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10811.000651/200611 Acórdão n.º 3201000.888 S3C2T1 Fl. 2 3 • A conduta do impugnante é diminuta, não implicando em prejuízo a indústria nacional; • O valor é insignificante, rondando as quantias de remissão disciplinadas em Lei; • Solicita a aplicação do princípio da insignificância; • Não foi o impugnante que contribuiu para o ingresso irregular dos cigarros no país; • O estabelecimento, onde os cigarros foram apreendidos, apenas comercializa produtos nacionais; Pugna a improcedência do auto de infração. É o Relatório.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SP2 no 1735.045, de 17/09/2009, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II/SP, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 21/06/2006 Multa regulamentar do Imposto sobre Produtos Industrializados referentes às medidas relativas a controles fiscais a maços de cigarros de procedência estrangeira desprovida de documentação comprobatória de sua introdução regular no país, tendo a autuada como detentora. O argumento que lastreia impugnação é o fato de que não possui qualquer relação com as mercadorias. Restou comprovada a materialidade e a autoria pela posse, ou mera detenção do produto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” O julgamento foi no sentido de julgar improcedente a impugnação constante no presente processo. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Reitera que não era proprietário da mercadoria que fora encontrada em seu estabelecimento, consistente em maços de cigarros de origem estrangeira desprovida de documentação comprobatória de sua introdução irregular no País. Aponta como verdadeiro proprietário sendo um tal de Colombinho. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 5/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano D'Amorim O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Tratase de auto de infração, no qual se exige multa regulamentar por infração às medidas de controle da fiscalização relativas ao fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira, prevista no artigo 632 do Decreto n°. 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro — RA/2002), no montante de R$ 1.168,20. Os artigos 621 e 632 do Regulamento Aduaneiro assim dispõem acerca da aplicação de multa e do perdimento da mercadoria, in verbis: Art. 621 — A pena de perdimento da mercadoria será aplicada aos que, em infração às medidas de controle fiscal estabelecidas pelo Ministro de Estado da Fazenda para o desembaraço aduaneiro, a circulação, a posse, e o consumo de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de origem estrangeira, adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuírem ou consumirem tais produtos, por configurar crime de contrabando (Decretolei n° 399, de 1968, arts. 2°e 3°e seu 1°). Parágrafo único. A penalidade referida no caput aplicase, inclusive, pela inobservância de qualquer das condições referidas no inciso I do artigo 540, para o desembaraço aduaneiro de cigarros (Lei n° 9.532, de 1997, artigo 50, parágrafo único). Art. 632 — Aplicase a multa de R$ 0,98 (noventa e oito centavos de real) por maço de cigarro, por unidade de charuto ou de cigarrilho, ou por lote de sessenta quilos líquidos dos demais produtos manufaturados apreendidos, na hipótese do artigo 621, cumulativamente com o perdimento da respectiva mercadoria (Decretolei n". 399, de 1968, arts. 1 e 3°, ás. 1°). Pois bem, no presente processo discutese exigência da multa, referente a 584 (quinhentos e oitenta e quatro) maços de cigarro de diversas marcas, tipo:Te, Eight, Mill, Palermo, Kenia, Hills, Cowboy e Milênio, cumulativa à pena de perdimento (processo de n° 10811.000530/200661), tendo em vista apreensão desses cigarros de procedência estrangeira em poder da autuada sem comprovação de que foram importados de forma regular. A apreensão decorreu de operação realizada por policiais da Delegacia de Investigações Gerais de Catanduva, que, em atendimento à denúncia protocolada pela Associação Brasileira de Combate à Falsificação,verificaram no estabelecimento comercial mercadorias em poder do autuado. Consta nos autos, ofício (da Polícia Civil do Estado de São Paulo) ao Delegado da Polícia Federal do encaminhamento de Boletim de Ocorrência n°085/2006, figurando como indiciado JOSÉ ANTONIO SANDRIN. Os cigarros foram encontrados em posse do autuado, conforme admitido em seus argumentos de defesa; alegando, ainda, não ser o proprietário. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 5/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10811.000651/200611 Acórdão n.º 3201000.888 S3C2T1 Fl. 3 5 A prática da infração acima está prevista no §1º do artigo 3º do DecretoLei nº 399/68, disciplinada nos artigos 621 e 632 do Regulamento Aduaneiro/2002, vigente à época dos fatos, já transcritos acima. Como se depreende a multa exigida é cumulativa com a pena de perdimento e será aplicada aos que, em infração às medidas de controle fiscal estabelecidas pelo Ministro da Fazenda para o desembaraço aduaneiro, circulação ou posse de fumo, cigarros e assemelhados de procedência estrangeira, adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuírem ou consumirem tais produtos. Assim sendo, o autuado efetivamente detinha a posse de cigarros de procedência estrangeira, desacompanhados de documentação comprobatória de sua importação regular, e correspondendo tal fato a infração acima transcrita. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator Fl. 85DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 5/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 11128.720296/2011-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 29/05/2008
CESSÃO DO NOME PARA IMPORTAÇÃO POR EMPRESA COM CAPACIDADE ECONÔMICA. FRAUDE OU SIMULAÇÃO NÃO COMPROVADA. MULTA EQUIVALENTE A CEM POR CENTO DO VALOR ADUANEIRO AFASTADA.
Comprovada a cessão do nome por importadora que, no entanto, possui capacidade econômica e financeira para a operação, e não provada fraude ou simulação pela fiscalização, afasta-se a responsabilidade tributária pela multa equivalente a cem por cento do valor aduaneiro, por não restar configurada a hipótese do inciso V do art. 23 do Decreto-Lei nº 1.455/1976.
Recurso Voluntário provido em relação ao responsável tributário, mas mantido em relação ao contribuinte.
Numero da decisão: 3401-002.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso do responsável solidário, nos termos do voto do Relator.
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ângela Sartori.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 29/05/2008 CESSÃO DO NOME PARA IMPORTAÇÃO POR EMPRESA COM CAPACIDADE ECONÔMICA. FRAUDE OU SIMULAÇÃO NÃO COMPROVADA. MULTA EQUIVALENTE A CEM POR CENTO DO VALOR ADUANEIRO AFASTADA. Comprovada a cessão do nome por importadora que, no entanto, possui capacidade econômica e financeira para a operação, e não provada fraude ou simulação pela fiscalização, afasta-se a responsabilidade tributária pela multa equivalente a cem por cento do valor aduaneiro, por não restar configurada a hipótese do inciso V do art. 23 do Decreto-Lei nº 1.455/1976. Recurso Voluntário provido em relação ao responsável tributário, mas mantido em relação ao contribuinte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2172; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 261 1 260 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.720296/201120 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.191 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2013 Matéria MULTA. CONVERSÃO DE PERDIMENTO EM PENALIDADE EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. Recorrente BRÁSSUL COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA e AFIL IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA Recorrida DRJ SÃO PAULO II SP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/05/2008 IMPUGNAÇÃO NÃO APRESENTADA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. O sujeito passivo que não apresenta impugnação não integra o litígio, iniciado apenas em relação àquele que se manifestou na primeira instância contra a autuação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 29/05/2008 CESSÃO DO NOME PARA IMPORTAÇÃO POR EMPRESA COM CAPACIDADE ECONÔMICA. FRAUDE OU SIMULAÇÃO NÃO COMPROVADA. MULTA EQUIVALENTE A CEM POR CENTO DO VALOR ADUANEIRO AFASTADA. Comprovada a cessão do nome por importadora que, no entanto, possui capacidade econômica e financeira para a operação, e não provada fraude ou simulação pela fiscalização, afastase a responsabilidade tributária pela multa equivalente a cem por cento do valor aduaneiro, por não restar configurada a hipótese do inciso V do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976. Recurso Voluntário provido em relação ao responsável tributário, mas mantido em relação ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso do responsável solidário, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 02 96 /2 01 1- 20 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 2 JÚLIO CESAR ALVES RAMOS – Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ângela Sartori. Relatório O processo trata de auto de infração relativo à multa equivalente ao valor aduaneiro, lançada com base no § 3º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002. Ao lado da contribuinte BRÁSSUL COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA, que não impugnou o lançamento, foi autuada também, na condição de responsável tributária solidária, a pessoa jurídica AFIL IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA. Por resumir o que consta dos autos até então, reproduzo o relatório da primeira instância: Informa a Fiscalização que no dia 29/05/2008, a empresa Afil Importação Exportação e Comércio Ltda. (responsável solidária) registrou a DI nº 08/07922271, apresentando, como documentos de instrução do despacho aduaneiro, o conhecimento marítimo de nº ZIMUMTL119611 e a fatura comercial de nº 2690, para a nacionalização de 45.360 Kg de ervilha de origem canadense – classificação tarifária 0713.10.90. Entretanto, nessa ocasião, a empresa Afil encontravase submetida a procedimento especial de fiscalização nos termos da IN SRF nº 228/2002; conseqüentemente, em função desse procedimento, as mercadorias objeto da mencionada importação foram retidas, e, posteriormente (23/06/2008), desembaraçadas em razão da apresentação de garantia pelo importador na forma de seguro aduaneiro. Informa a autoridade lançadora que o procedimento especial de fiscalização teve início em 16/05/2008 e encerrouse 13/11/2008, abrangendo o período de 01/2005 a 05/2008, sendo efetuado, conforme fl. 137, em razão de representação do Chefe do Serviço de Procedimentos Especiais Aduaneiros ao InspetorChefe da Alfândega do Porto de Santos, pelos motivos ali elencados. Constatouse, consoante relatado em fl. 144, por intermédio do procedimento fiscal então instaurado, levando em conta a análise da documentação apresentada e de diligências efetuadas na sede da empresa AFIL, que esta pessoa jurídica, além de ocultar diversas outras empresas financiadoras de suas importações, também assim procedeu em relação à empresa BrásSul Comércio de Alimentos Ltda, real adquirente das Fl. 262DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11128.720296/201120 Acórdão n.º 3401002.191 S3C4T1 Fl. 262 3 mercadorias desembaraçadas por intermédio da DI nº 08/07922271, então abordada neste auto de infração. Considerando o procedimento instaurado, relata a Fiscalização que: a empresa AFIL “apresentou, entre vários documentos, planilha referente aos meses de janeiro a maio de 2008 relacionando os valores contabilizados na conta 215023– Clientes (do Razão Analítico) aonde constam, citando resumidamente: número seqüencial do lançamento, a data do crédito em favor da AFIL, um histórico resumido do lançamento, o valor que foi creditado nesta conta (clientes), o número da Declaração de Importação correspondente, número, data e valor da Nota Fiscal de Entrada, número , data e valor da Nota Fiscal de Saída, o nome e CNPJ do cliente responsável pelo crédito” – fl. 144; de acordo com os dados extraídos da planilha, então entregue pela AFIL, verificouse que a soma dos valores creditados pela empresa BRÁSSUL, como adiantamentos da importação acobertada pela DI 08/07922271, foi de R$ 42.450,71, representando quase 90% do valor da Nota Fiscal de Entrada – R$ 47.441,96 –, o qual corresponde à soma do valor aduaneiro com o imposto de importação – fls 144/145; a diferença entre a soma dos valores das Notas Fiscais de Saída – R$ 59.886,00 – e da Nota Fiscal de Entrada – R$47.441,96 – é de R$ 12.444,04, não refletindo, pois, um eventual lucro da AFIL na revenda da mercadoria, uma vez que o valor informado na nota fiscal de entrada representa, “apenas, a soma do valor aduaneiro com o imposto de importação, não estando computados outros custos indispensáveis à viabilização desta importação, com o pagamento do ICMS (cerca de R$ 10.000,00), armazenagem, transporte, pagamento do despachante aduaneiro etc.”” –fl. 145; por conseguinte, a empresa “AFIL não é o verdadeiro adquirente da mercadoria, uma vez que consta em planilha apresentada pela própria AFIL que a BRÁSSUL efetuou o adiantamento para financiar boa parte do valor total necessário para a importação da mercadoria.” – fl. 145; “O resultado do Procedimento Especial de Fiscalização aberto pela Equipe de Auditoria e Fiscalização em 16/05/2008 e encerrado em 13/11/2008 foi a lavratura do Auto de Infração, número do MPF 0817800/00168/08 (em anexo), aplicando a multa prevista no artigo 33 da Lei 11.488/2007.... em desfavor da Afil Importação Exportação e Comércio Ltda...”; fl. 146. Intimações foram efetuadas com o intuito de conceder ao importador –Afil – e ao real adquirente – BrásSul– a oportunidade de restituir ou indicar a localização das mercadorias importadas e sujeitas à pena de perdimento, para a Fl. 263DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 4 sua apreensão; entretanto, a Fiscalização não obteve o êxito esperado. Assim, em face da não apreensão das mercadorias desembaraçadas por intermédio da DI nº 08/07922271, a autoridade administrativa competente determinou a conversão da pena de perdimento a que estavam sujeitas aquelas mercadorias em multa equivalente ao valor aduaneiro, preceituada no § 3º do art. 23 do Decretolei nº 1.455/76, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/02, no valor de R$ 43.129,06, lavrandose, assim, o Auto de Infração nº MPF 0817800/00032/11. Cientificada a respeito do auto de infração, a empresa BrásSul Comércio de Alimentos Ltda. não apresentou impugnação ao lançamento, nem recolheu o crédito tributário então exigido, sendo, por isso, declarada revel, consoante Termo de Revelia em fl. 208. Já a empresa Afil Importação Exportação e Comércio Ltda – responsável solidário –, uma vez cientificada acerca do auto de infração em 13/06/2011 (fl. 163), houve por bem protocolizar, tempestivamente, em 13/07/2011 (fl. 205), a impugnação de fls. 170/192, argumentando, preliminarmente, em suma: “ainda que se considere correta a imputação da prática de interposição fraudulenta, o lançamento deve ser julgado improcedente, haja vista que o Fisco já lavrou em face da impugnante o Auto de Infração, número do MPF 0817800/00168/08, visando à aplicação da multa prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, por suposta cessão de nome.”; “...considerando que a Impugnante é apontada como mera interposta pessoa que teria cedido seu nome para ocultar os reais adquirentes das mercadorias, incabível a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, sob pena de ‘bis in idem’”; Em relação ao mérito, a empresa Afil faz as seguintes alegações e argumentações: 1) “No regular exercício de sua atividade comercial, a Impugnante registrou perante o Porto de Santos a DI nº 08/07922271, em 29/05/2008, cobrindo 45.360 Kg de ervilha de origem canadense, classificação tarifária 0713.10.90 e com valor aduaneiro declarado de US$ 25.855,20.” – fl. 176; 2) “De acordo com a autoridade fiscal, a Impugnante teria simulado a importação de mercadorias com próprios recursos, quando, na verdade, utilizavase de recursos fornecidos pela empresa BRÁSSUL COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA.” – fl. 176; 3) “Tal conclusão decorreu unicamente da análise das Notas Fiscais de Entrada e de Saída das mercadorias importadas pela Impugnante, bem como dos depósitos efetuados pela empresa acima citada.” – fl. 176; Fl. 264DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11128.720296/201120 Acórdão n.º 3401002.191 S3C4T1 Fl. 263 5 4) “Na verdade, o auditor fiscal ignora solenemente o fato de que a Impugnante compra e vende alimentos que, como é de amplo conhecimento, são perecíveis e possuem liquidez imediata...” fl. 176; 5) “Nesse mercado é perfeitamente lógico e previsível que uma empresa importadora, especialmente de grande porte como é a Impugnante, comercialize suas mercadorias após sua aquisição no exterior, enquanto as mesmas estão viajando para o Brasil, de tal forma que produtos (gêneros alimentícios), uma vez desembaraçados, sejam diretamente entregues aos seus clientes.” – fl. 176 ; 6) “Foi exatamente essa operação que ocorreu no caso concreto, como se pode verificar da leitura da fatura comercial nº 2690 (doc. A) e do BL ZIMUMTL119611 (doc. B), provas irrefutáveis dos fatos narrados....” – fl. 177; 7) “Tão logo a compra foi fechada com o exportador e as mercadorias embarcadas, a Impugnante entrou em contato com a empresa BRÁSSUL COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA., sua cliente de longa data, ofertando tais produtos, os quais, em virtude de sua natureza perecível, precisam ser rapidamente comercializados.” – fl. 177; (sublinhado por este relator) 8) “Logo, inexistia qualquer contrato prévio e nem a Impugnante tinha certeza se a BRÁSSUL COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. teria interesse nas mercadorias, antes da compra com o exportador e do próprio embarque dos alimentos, o que é corroborado pelas datas da fatura comercial e do BL...” – fl. 177; 9) “Como a BRÁSSUL COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. demonstrou interesse nas mercadorias, foi realizada uma negociação em alto mar entre a Impugnante e a empresa. Registrese que tal negociação foi efetuada após o embarque dos produtos.” – fl.177; 10) “Frisese que é fato incontroverso nos presentes autos que a empresa BRÁSSUL COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. efetuou depósitos em favor da Impugnante no dia 09/05/2008...” – fl. 177 ; (texto sublinhado por este relator) 11) “Da leitura do BL ZIMUMTL119611, aferese que o embarque das mercadorias ocorreu em 16/02/2008.” – fl. 177; 12) “Portanto, comparando as datas de embarque das mercadorias com a data do depósito efetuado pela BRÁSSUL COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. resta evidente que o pagamento ocorreu quanto as mercadorias já estavam embarcadas.” – fl. 177 ; 13) “O AFRFB só poderia cogitar que a autuada estaria sendo “financiada” por outra empresa caso ela não tivesse capacidade financeira para arcar com os custos da operação...” – fl. 182; Fl. 265DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 6 14) “...o Auto de Infração não analisa o fluxo de caixa da Impugnante para saber se a empresa dispunha de numerário e/ou crédito bancário para efetuar a operação, independentemente dos recursos recebidos da BRÁSSUL COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA.” – fl. 182; 15) “Insta salientar, outrossim, que o elemento do tipo em tela (interposição fraudulenta) exige a presença de fraude ou simulação, as quais, obviamente, não podem ser presumidas, mas provadas por quem as alega.” – fl. 186; 16) “... não basta a fiscalização afirmar que o contribuinte não possui condições financeiras compatíveis com o volume de importações ocorridas em determinado ano, o Fisco deve individualizar cada conduta, demonstrando, efetivamente, que a autuada não teria recursos para promover as importações narradas nos autos, evitandose, desta forma, o uso de generalizações sem qualquer base probatória.” – fl. 189; Ao final, a Impugnante requer o acolhimento de sua defesa para que seja declarada a improcedência do lançamento; requer, ainda, que sejam efetuadas diligências no sentido de se apurar: (i) a existência de encalhes, devoluções e casos de deterioração de mercadorias; (ii) o percentual de casos de venda de mercadorias de uma importação para um único comprador, proporcionalmente ao volume total de importações da impugnante; (iii) a comprovação da capacidade financeira e econômica dos sócios da autuada, caso este relator entenda necessário. A 1ª Turma da DRJ manteve o lançamento, julgando a Impugnação da AFIL Importação Exportação e Comércio Ltda improcedente nos termos da ementa seguinte: DANO AO ERÁRIO: a ocultação do real adquirente de mercadoria importada configura a infração tipificada como dano Erário, punível com a penalidade de perdimento da mercadoria. É cabível a conversão do perdimento em multa pecuniária equivalente ao valor aduaneiro, quando esta for consumida ou não localizada. Dispositivos legais: art. 23, inciso V, e §§ 1º e 3º do DecretoLei nº 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002. Preliminarmente o Colegiado de piso rejeitou a arguição de bis in idem, já que a presente autuação “tem por motivação a ocorrência da infração de dano ao Erário, conforme dispositivos legais transcritos, e não aquela mencionada pela impugnante em sua preliminar de defesa – ‘suposta cessão de nome’”. Mencionou, na linha da sua interpretação, o Acórdão nº 310200.662, de 24/5/2010. Para manter a autuação, levou em conta que o registro da DI nº 08/07922271, objeto do auto de infração, correu em 29/05/2008, em data posterior àquela em que foram realizados os depósitos na conta da impugnante pela empresa BrásSul, em 09/05/2008, e restou demonstrada pela fiscalização a ocorrência de recebimentos antecipados para a realização da operação de comércio amparada por aquela DI. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11128.720296/201120 Acórdão n.º 3401002.191 S3C4T1 Fl. 264 7 Segundo o acórdão da DRJ a AFIL “realizou essa importação com recursos de terceiros – BrásSul –, materializandose a hipótese prescrita no inciso V do art. 23 do Decreto Lei nº 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/02 – infração de dano ao Erário punida com pena de perdimento.” E arrematou: Individualizada, pois, a operação de comércio exterior – amparada pela DI nº 08/07922271–, comprovada a materialização da conduta prescrita no inciso V do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 – ocultação do real comprador/adquirente (BrásSul) por interposta pessoa (Afil) –, uma vez constatado o financiamento da importação pela empresa BrásSul, através de adiantamento de valores ao importador, sem observância dos requisitos e das condições estabelecidos com a finalidade de identificar o real adquirente das mercadorias instituídos pela legislação em vigor – MP 2.15835/ 2001 e IN SRF nº 225/2002; Lei nº 11.281/2006 e IN SRF nº 634/2006 –, desnecessário, no caso concreto, para a caracterização da infração de dano ao Erário, com a conseqüente aplicação da pena de perdimento das mercadorias, efetuarse a análise de fluxo de caixa ou proceder à verificação da capacidade financeira do importador. No Recurso Voluntário, tempestivo, a AFIL repisa alegações da Impugnação, defendendo basicamente o seguinte: inexistem elementos caracterizados da importação por e ordem, já que a negociação foi feita por ela, e não pela BRÁSSUL (esta apenas comprou as mercadorias quando se encontravam em atomar, em data posterior ao embarque, destaca), tendo o Auditor Fiscal ignorado que as informações dos documentos instrutórios da importação e atuado com base na presunção legal do art. 27 da Lei nº 10.637, de 2002, que como se sabe é relativa; o depósito da BRÁSSUL foi feito em data posterior ao embarque e ao faturamento das mercadorias; a venda das mercadorias à BRÁSSUL foi feita com lucro, afastando a ocorrência de suposta interposição fraudulenta; não foi demonstrado dolo específico de fraudar nem de dano ao erário; e a Recorrente não sustenta a derrogação do art. 23, V, do Decreto nº 1.455, de 1976, mas que, na qualidade de importadora que supostamente teria cedido seu nome, a pena aplicável é a multa de 10% prevista no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007. Ao final requer seja julgado improcedente o auto de infração, pugnando ainda pela juntada de documentos. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Fl. 267DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 8 O Recurso Voluntário da AFIL Importação Exportação e Comércio LTDA, autuada na condição de responsável tributária solidária, é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Quanto ao sujeito passivo, BRÁSSUL Comércio de Alimentos LTDA, não apresentou impugnação e, por isso, não se instaurou litígio e o crédito tributário pode dela ser exigido. A infração em discussão possui o seguinte enquadramento legal (fls. 133 e 151): “Art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/02 combinado com art. 81, inciso III da Lei nº 10.833/03” e “Artigo 23, V e § 3º do DecretoLei nº 1.455/1976”). O AuditorFiscal concluiu, a partir dos documentos analisados e dos adiantamentos feitos pela BRÁSSUL à AFIL, que esta “não é o verdadeiro adquirente da mercadoria, uma vez que consta em planilha apresenta pela própria AFIL que a BRÁSSUL efetuou o adiantamento para financiar boa parte do valor necessário para a importação da mercadoria” (fl. 146). Ao considerar a solidariedade entre a BRÁSSUL e a AFIL, o autuante levou em conta, além do art. 124 do CTN, o inc. III do parágrafo único do art. 32 do DecretoLei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da MP nº 2.158/35, de 2001. A redação deste é a seguinte (negrito acrescentado ao inc. III, considerado na autuação): Art.32. É responsável pelo imposto:(Redação dada pelo Decreto Lei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno;(Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro.(Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário:(Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto;(Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) o representante, no País, do transportador estrangeiro.(Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único.É responsável solidário:.(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Io adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto;.(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIo representante, no País, do transportador estrangeiro;.(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIo adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora..(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 268DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11128.720296/201120 Acórdão n.º 3401002.191 S3C4T1 Fl. 265 9 c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora;(Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora.(Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) Embora a autuação não especifique em qual dos dois incisos do art. 124 do CTN enquadrou a solidariedade, ao considerar também o inc. III do parágrafo único do art. 32 do DecretoLei nº 37, de 1966, evidencia que se trata da solidariedade legal, referida no inc. II do citado art. 124. O mais importante, de todo modo, é a menção ao inc. III do parágrafo único do art. 32 do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja hipótese cuida de importação por conta e ordem de adquirente. No caso, a AFIL é o importador e a BRÁSSUL, o encomendante. Para a autuação, “a BRÁSSUL é real adquirente de mercadoria importada pela AFIL” (fl. 149). No outro auto de infração, voltado exclusivamente contra a AFIL e amparado no art. 33 da Lei nº 11.488, 2007, a interpretação da fiscalização apresentase diferenciada (o AuditorFiscal que efetuou aquele lançamento não é o mesmo do presente processo). Lavrado em 13/11/2008 e objeto do processo nº 11128.009027/200811 (ver fl. 38 do presente), esse outro auto teve a fundamentação apresentada nos seguintes termos (cópia à fl. 39 deste): MULTA POR CESSÃO DE NOME A TERCEIROS EM OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR – ARTIGO 33 DA LEI 11.488/2007 A pessoa Jurídica (...) cedeu seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes e/ou beneficiários, ficando sujeita a multa de 10% sobre o valor da operação acobertada.... Depois de observar que o art. 33 da Lei nº 11.488/2007 introduziu norma nova que, à época (novembro de 2008), ainda não contava com jurisprudência, a fiscalização falou do entendimento da RFB. Transcrevo o que consta do RELATÓRIO DE CONCLUSÃO DE PROCEDIMENTO ESPECIAL DE FISCALIZAÇÃO IN SRF 228/2002, naquele lançamento (fls. 59/60 do presente processo): O primeiro entendimento é que a pessoa jurídica que cedeu seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, é o importador: aquele que realizou o registro da declaração de importação em seu nome; e o real interveniente ou beneficiário é a pessoa que foi ocultada nas operações de comércio exterior. Assim, a multa de 10% sobre o valor das operações deve ser aplicada ao estabelecimento importador, enquanto a penalidade de perdimento das mercadorias, ou sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mesmas já tenham sido Fl. 269DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 10 consumidas, deve ser aplicada ao real real adquirente das mercadorias. No citado RELATÓRIO a fiscalização menciona Orientação COANA/COFIA/DIFIA datada de 11 de julho de 2007, que esclarece (fls. 60/61 deste): Como se pode observar, a lei introduziu a previsão de infração de prática de cessão de nome a terceiro, com penalidade pecuniária incidente diretamente sobre o agente da ação, ou seja, sobre aquele que fornece seu nome para acobertar operação de comércio exterior que, na realidade, tenha sido promovida por outra pessoa, física ou jurídica. Como se sabe, é punível com a pena de perdimento da mercadoria, por presunção de dano ao Erário1, a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. A pena de perdimento, no caso em tela, tem caráter restritivo de direito de propriedade, e seus reais efeitos são sentidos não por quem importa, mas por aquele que está oculto, tentando passar desapercebido aos olhos do Fisco, ou seja, o adquirente de fato. Este é quem, se utilizando de outra empresa, seja com ou sem o seu conhecimento e consentimento, promove a importação de produtos de seu interesse. E sobre ele, portanto, recai a punição de perda do objeto do delito. Ocorre que, antes da lei em comento, ao se constatar tal conduta simulada e fraudulenta, o Fisco apenava apenas o adquirente de fato, responsável pela infração, ainda que a autuação com proposta de aplicação de pena de perdimento fosse dirigida ao importador, como agente direto da ação delituosa. Com a introdução da multa pelo artigo 33 acima transcrito, além do perdimento do bem, a nova lei atribui penalidade pecuniária dirigida diretamente a quem agiu como instrumento da irregularidade, ou seja, o importador. Outra questão trazida pela Lei nº 11.488, de 2007 diz respeito à declaração de inaptidão de inscrição do CNPJ de empresa autuante no comércio exterior. Anteriormente, a legislação considerava que a cessão de nome a terceiro, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, denotava situação de inexistência de fato da pessoa jurídica, e consequentemente, deverseia tornar sua inscrição no CNPJ inapta. De acordo com o parágrafo único do mesmo artigo 33 da lei, tal conduta deixa de ser hipótese suficiente para que se caracterize que a empresa não exista de fato. 1 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11128.720296/201120 Acórdão n.º 3401002.191 S3C4T1 Fl. 266 11 Diante das fundamentações das duas autuações para o mesmo fato – importações realizadas pela AFIL, com recursos adiantados pela BRÁSUL , tenho para mim que a penalidade imposta à primeira na presente autuação não deve prevalecer (a outra, escorada no art. 33 da Lei nº 11.488, 2007, não se encontra em julgamento nesta oportunidade). No que atinge a AFIL (ressalto que em relação à BRÁSSUL o litígio não foi iniciado, pelo que o lançamento se mantém incólume e deve ser exigido desta), vejo na situação fática subsunção à hipótese de incidência do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, tal como visto pela fiscalização na primeira autuação, mas não à hipótese do art. 23, V, §§ 1º e 3º do DecretoLei nº 1.455, de 1976, como pretendido no auto de infração ora em julgamento. O que parece havido é a cessão do nome da AFIL à BRÁSSUL, mas não fraude ou simulação, como exigida pelo inc. V do art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 1976. Não se mostra configurada, na situação destes autos, uma importação por conta e ordem da BRÁSSUL, especialmente porque não foram trazidas, pela fiscalização, provas de que a BRÁSSUL teria participado da negociação com os fornecedores no exterior ou de que a AFIL não disporia de recursos para a importação. Pelo contrário: na autuação não são feitas considerações sobre ausência de capacidade financeira por parte da AFIL e a apresentação de seguro aduaneiro, de sua parte, sinaliza que detinha capacidade econômica. Ausente a comprovação de fraude ou simulação, incumbência a cargo da autuação por se tratar de infração dolosa, não há como admitir seja imposta à AFIL a penalidade prevista no § 3º art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 1976, como apontado pela fiscalização. Em qualquer tipo de infração dolosa o dolo precisa ser demonstrado pela fiscalização, seja por meio de uma prova cabal, seja por meio de indícios veementes, cujo conjunto se constitua numa prova. É o contrário do que ocorre nas infrações objetivas, a exemplo do inadimplemento de tributo ou do descumprimento de obrigação acessória, em que cabe ao sujeito passivo provar não ter cometido o ato identificado pela fiscalização. Paulo de Barros Carvalho, após se referir à diferença entre infrações objetivas e subjetivas, informa o seguinte: O discrime entre infrações objetivas e subjetivas abre espaço a larga aplicação prática. Tratandose da primeira, o único recurso de que dispõe o suposto autor do ilícito, para defender se, é concentrar razões que demonstrem a inexistência material do fato acoimado de antijurídico, descaracterizandoo em qualquer de seus elementos constituintes. Cabelhe a prova, com todas as dificuldades que lhe são inerentes. Agora, no setor das infrações subjetivas, em que penetra o dolo ou a culpa na compostura do enunciado descritivo do fato ilícito, a coisa se inverte, competindo ao Fisco, com toda a gama instrumental dos seus expedientes administrativos, exibir os fundamentos concretos que revelem a presença do dolo ou da culpa, como nexo entre a participação do agente e o resultado material que dessa forma se produziu. Os embaraços dessa comprovação, que nem sempre é fácil, transmudamse para a atividade fiscalizadora da Administração, que terá a incumbência intransferível de evidenciar não só a materialidade do evento como, também, o elemento volitivo que propiciou ao infrator Fl. 271DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 12 atingir seus fins contrários às disposições da ordem jurídica vigente.2 Caso se admitisse provada fraude ou simulação, estarseia diante de mudança de critério jurídico, quando comparada a interpretação que motivou o primeiro auto de infração, baseado na interpretação do RELATÓRIO DE CONCLUSÃO DE PROCEDIMENTO ESPECIAL DE FISCALIZAÇÃO IN SRF 228/2002 e da Orientação COANA/COFIA/DIFIA datada de 11 de julho de 2007, com a interpretação do auto ora em julgamento. No primeiro, a fiscalização entendeu que a AFIL devia ser apenada com base no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007 (dez por cento do valor aduaneiro), enquanto neste ora julgado, com base no art. 23, V, do DecretoLei nº 1.455, de 1976. Como já antecipado, o que verifico, na situação destes autos, é a possibilidade de exigência da multa equivalente a 10% (dez por cento) do valor aduaneiro, nos termos do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007. Assim ocorreu na outra autuação, que no entanto não está em julgamento nesta oportunidade. Não desconheço que há divergências em torno da interpretação do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, em confronto com o art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 1976. No Acórdão nº 310200.662, por exemplo, prolatado na sessão de 24 de maio de 2010, processo nº 10314.013716/200691, relator o ilustre Conselheiro Luis Marcelo, a interpretação que prevaleceu por maioria resultou na ementa seguinte: REFLEXO DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488, DE 2007, SOBE O INCISO V DO ART. 23 DO DECRETOLEI Nº 1455, DE 1976. AUSÊNCIA. O art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007 não produz qualquer reflexo sobre a imposição da pena de perdimento ou multa substitutiva à hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação. Jurisprudência. De todo modo, independentemente das divergências em torno das normas veiculadas pelo art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, e art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 1976, na autuação em tela não restou demonstrado o dolo. Daí não ser exigível, da AFIL, a penalidade do presente processo. Pelo exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário da AFIL Importação Exportação e Comércio LTDA para afastar sua responsabilidade solidária, devendo o auto de infração ser exigido da BRÁSSUL Comércio de Alimentos LTDA (contra esta o litígio não foi iniciado, por ausência de impugnação). Emanuel Carlos Dantas de Assis 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 506. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11128.720296/201120 Acórdão n.º 3401002.191 S3C4T1 Fl. 267 13 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001244/2006-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/2000, 30/09/2000
Ementa: DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR
HOMOLOGAÇÃO.
No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, na ausência de pagamento antecipado o prazo decadencial deve ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser efetuado.(STJ, Resp 973.733/SC)
Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/12/2000, 31/03/2001, 30/06/2001. 30/09/2001
Ementa: SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEL DE FATO.
Correta a imputação da responsabilidade tributária àquele que, mesmo sem vínculo formal com a pessoa jurídica, exerce o controle de fato de todas as operações por ela realizadas.
Numero da decisão: 1402-001.090
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para acolher a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos em 30/06/2000 e 30/09/2000 , nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento em maior extensão para reduzir o percentual da multa de ofício a 75%.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2000, 30/09/2000 Ementa: DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, na ausência de pagamento antecipado o prazo decadencial deve ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser efetuado.(STJ, Resp 973.733/SC) Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/12/2000, 31/03/2001, 30/06/2001. 30/09/2001 Ementa: SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEL DE FATO. Correta a imputação da responsabilidade tributária àquele que, mesmo sem vínculo formal com a pessoa jurídica, exerce o controle de fato de todas as operações por ela realizadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para acolher a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos em 30/06/2000 e 30/09/2000 , nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento em maior extensão para reduzir o percentual da multa de ofício a 75%. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001244/200631 Acórdão n.º 1402001.090 S1C4T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto, Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001244/200631 Acórdão n.º 1402001.090 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte acima identificado e, diante de irregularidades apuradas, foi lavrado Auto de Infração (fls. 06), por meio do qual foi constituído crédito tributário no importe de R$ 21.680.527,06 (vinte e um milhões, seiscentos e oitenta mil, quinhentos e vinte e sete reais e seis centavos), aí compreendidos os valores do tributo, da multa de ofício e dos juros de mora (estes calculados até 31/05/2006). 2. Segundo o resumido pela "folha de continuação do AUTO DE INFRAÇAO" (fls. 08109), a infração apurada e respectivo enquadramento legal que redundou no lançamento acima, consistiu em: 02.01. Imposto de RendaPessoa Jurídica — Diferença Apurada entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago " Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados nas DCTF — Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais com os valores informados nas DIPJ — Declarações de Informações EconômicoFiscais 'da Pessoa Jurídica e a sua escrituração contábil, conforme demonstrativo de fls." 02.01.01. Enquadramento legal: arts. 247 e 841 do RIR/1999 (fls. 08). 3. O detalhamento dos trabalhos fiscais realizados, bem como da infração apurada, encontramse exaustivamente descritos no "Termo de Conclusão Fiscal N° 03 IRPJ (fls. 4691492), do qual destaco os seguintes excertos, verbis: (.....................) 1. INTRODUÇÃO A presente fiscalização originouse de uma exaustiva operação de investigação iniciada pelo Serviço de Pesquisa e Investigação da Secretaria da Receita Federal em São Paulo, da qual decorreu a realização de várias diligências, em vários estabelecimentos, no mês de abril de 2002, pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo e pela Alfândega do Porto de Santos, tendo resultado na apreensão de documentos, papéis e de mercadorias de origem estrangeira desacompanhada de prova de sua importação regular. (fis. 469/470). De uma análise preliminar da documentação apreendida e dos registros das declarações de importação, a fiscalização constatou fortes e evidentes indícios de tratarse de uma complexa organização, envolvendo várias empresas, dentre as quais A EMPRESA ACIMA QUALIFICADA, constituída para realizar a comercialização de importações. fraudulentas, principalmente da área de informática, com claro objetivo de sonegar tributos federais incidentes na importação e na comercialização interna, ............. mediante a prática de subfaturamento nos preços declarados nas importações de mercadorias estrangeiras. (fis. 470). No dia 10 de julho de 2002, com o objetivo de caracterizar e comprovar as fraudes praticadas pela supracitada "ORGANIZAÇÃO", foram diligenciadas, em conjunto....... (fls. 470). Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001244/200631 Acórdão n.º 1402001.090 S1C4T2 Fl. 4 4 Dos locais diligenciados, um foi na residência do Senhor LIU KUO AN, CPF n° 042.698.128 69, localizada na. ............... tido como o principal controlador desse esquema de importações fraudulentas. O outro local foi na sede da empresa, ora fiscalizada, situada na......., utilizada para formalizar vendas efetuadas pela organização através da emissão de notas fiscais. Esta empresa foi constituída e registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP) ...... ..... em nome de EDINALDO SOUZA RIBEIRO, ............ e MARIA FILOMENA PASSALACQUA FROTA DE GODOY FERREIRA DE SOUZA, ............... esta retirouse da sociedade em 22 de maio do mesmo ano, tendo sido admitido na sociedade RONALDO LUIZ VALLADARES,................. interpostas pessoas, com as atividades controladas pela própria ORGANIZAÇÃO. (Ver fluxograma da Organização fls. 174). (fls. 470/471) Dessa operação, resultou a retenção de grande quantidade de documentos, papéis e outros elementos importantes para a fiscalização, apreensão de mercadorias estrangeiras sem prova de importação regular e cópias de arquivos magnéticos. Entre os documentos apreendidos constam arquivos gravados, em meio magnéticos, denominados .............. todos dentro do diretório Liu Kuo AnlArquivos AbertoslclD, com informações sobre controle de remessas de produtos de informática entre diversas empresas:.......... Este controle vem demonstrar e comprovar que o comprador de fato exercia completo controle sobre as operações de importação e distribuição dos produtos, controlando inclusive os vendedores de fachada (ver cópia de ata de reunião de 22/05/2000,fls. 175). (fls. 471). Foi encontrada na Rua do Simbolismo, n° 14,........., residência de MAX ALEXANDRE QUEIROZ CUNHA, sócio da ........... Entre os documentos encontrados, destacamse os seguintes: a) Cópia de correspondência enviada a....., contendo dados de várias empresas utilizadas pela organização, dentre elas a........... e VICTORY SÃO PAULO COM. INTERNACIONAL LIDA. (docs. de fls. 172 e 173); b) Arquivo, em formato excel denominado ........(doc. de fls. 166 a 171), que relaciona as notas fiscais de entrada decorrentes de operação de importação, com saídas paras (sic) as empresas VICTORY e LUMAX. Este arquivo demonstra que as mercadorias desembaraçadas por TOFARY destinavamse às empresas controladas por LIU KUO AN, especialmente quando se tratavam de importação de produtos de informática. Uma vez desembaraçadas, as mercadorias tinham como destino armazenagem dos depósitos da AGM e CESARI, para posterior envio aos vendedores de fachada ou mesmo diretamente a estes, sem passagem pela armazenagem. A LUMAX e a VICTORY, entre outras, são empresas que figuram apenas formalmente como sendo adquirentes de mercadorias dos importadores de fachada e revendedoras dessas mercadorias aos adquirentes finais. Essas empresas interpuseramse no processo para emitir notas fiscais de vendas e ocultar os verdadeiros beneficiários das operações, e para sonegar expressiva soma de tributos federal e estadual incidentes nas revendas das mercadorias aos adquirentes finais. Os repasses de valores que essas empresas fizeram em benefício dos importadores de fachada, se deram por ordem de LIU KUO AN, a mando deste, não se referindo, portanto, a pagamentos por compra de mercadorias, mas sim a fechamentos de câmbio nas importações subfaturadas, e outras despesas. Por sua vez, a empresa fiscalizada VICTORY SÃO PAULO COMÉRCIO INTERNACIOANAL LIDA., funcionava como o "Caixa Geral' da ORGANIZAÇÃO. Os pagamentos efetuados a terceiros, isto é, empresas ou pessoas que não tinham nenhuma relação comercial com a própria, como, por exemplo, compras de veículos e dólares para viagens, aquisição de salas para a empresa Krypton e outros eram realizados pela Victory. ........ (f1s. 471/473). 2. DA EMPRESA Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001244/200631 Acórdão n.º 1402001.090 S1C4T2 Fl. 5 5 A empresa fiscalizada, embora constituída em 09 de março de 2000, registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP)......... tendo como sócio EDINALDO SOUZA RIBEIRO, ....... e MARIA FILOMENA PASSALACQUA FROTA DE GODOY FERREIRA DE SOUZA,......., esta retirouse da sociedade em 22 de maio do mesmo ano, tendo sido admitido, na mesma data, RONALDO LUIZ VALLADARES......... O sócio EDINALDO SOUZA RIBEIRO, sóciogerente, integralizou 39.600 quotas, no total de R$ 39.600,00, como sua participação no Capital Social e MARIA FILOMENA PASSLACQUA FROTA DE GODOY FERREIRA DE SOUZA, integralizou 400 quotas, no total de R$ 400,00, perfazendo o capital social da empresa a importância de R$ 40.000,00, totalmente integralizado em moeda corrente nacional (docs. de f/s. 29 a 32). Posteriormente, em 22 de maio de 2000 promoveu alteração contratual com a retirada da sócia MARIA FILOMENA PASSLACQUA FROTA DE GODOY FERREIRA DE SOUZA transferindo suas quotas na sociedade ao novo sócio RONALDO LUIZ VALLADARES. (fis.474/475) 3. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Da análise da documentação apreendida e dos arquivos magnéticos copiados, ficou perfeitamente comprovada a existência de uma ORGANIZAÇÃO, formada por diversas pessoas físicas e jurídicas, praticantes de diversas irregularidades e ilícitos, dentre eles, a sonegação de tributos, através de importações fraudulentas. Há de se ressaltar, entretanto, que embora tenha contado com a participação de várias pessoas físicas e jurídicas, o controlador desta ORGANIZAÇÃO foi o verdadeiro favorecido e beneficiário das operações fraudulentas. Sendo assim, sem prejuízo da obrigação do contribuinte VICTORY SÃO PAULO COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA., a pessoa que efetivamente controlou a citação (sic) ORGANIZAÇÃO deve ser tratada como RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA àquela, nas obrigações tributárias decorrentes das importações e das comercializações dos produtos, devendo também ser responsabilizada pelas fraudes e irregularidades praticadas. A identificação e vinculação do senhor LIU KUO AN, responsável pela ORGANIZAÇÃO, está suficientemente provada nos documentos, registros e arquivos magnéticos apreendidos e examinados pela Fiscalização. Convém, porém, analisar o tema da responsabilidade à luz da jurisprudência administrativa e da legislação em vigor, bem assim dos diplomas legais regentes à época da ocorrência dos fatos geradores, antes de se indicar os principais envolvidos no esquema fraudulento. (fls. 475/476). (........) Porém, há de se ressaltar que em todas as importações analisadas em outros procedimentos fiscais ficou evidente o efetivo controle sobre as transações comerciais exercido por LIU KUO AN, o qual, conforme já relatado, também contaram com o auxílio de outras pessoas físicas que agiram em seu nome e com empresas a eles ligadas, dentre elas a empresa KRYPTON ............ Essas pessoas físicas que se ocultaram sob a interposição fraudulenta de empresas importadoras e vendedoras de fachada são quem, de fato, controlaram todas as etapas dos processos de importação, desde as compras no exterior até a chegada da mercadoria nos depósitos, inclusive o despacho aduaneiro e o pagamento dos preços efetivamente praticados. (fls. 477). (..........) Embora o fluxo operacional e logístico das operações fraudulentas tivesse envolvido várias pessoas e empresas, entre estes os despachantes aduaneiros (THIERS) que cuidavam dos despachos e liberação das mercadorias importadas, do ponto de vista dos controles aduaneiros, interessa que tenham sido identificados, com clareza, os quatro pólos principais das operações, quais sejam: fornecedor de fato, agente do comprador (fornecedor de fachada no exterior), importador de fachada e comprador de fato (LIU KUO AN). Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001244/200631 Acórdão n.º 1402001.090 S1C4T2 Fl. 6 6 Assim, o ato de promover a entrada da mercadoria estrangeira foi realizado pelo importador de fachada TOFARY (empresa que formalmente registrou as Dls), em conjunto com o efetivo controlador das operações, LIU KUO AN. Conforme já mencionado, preceitua o Código Tributário Nacional que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Portanto, não restam dúvidas de que tanto a empresa, ora fiscalizada, quanto o comprador de fato, Senhor LIU KUO AN, são pessoas que tiveram interesse comum na situação de "entrada das mercadorias estrangeiras"; a primeira porque, deliberada e fraudulentamente, registrou as operações de comercialização/distribuição em seu nome, e o último porque era o verdadeiro comerciante, comprador e dono das mercadorias ingressadas no país. Concluindo pelo exame da legislação apresentada temos, então: b) pelo disposto no artigo 124 da Lei 5.172166, bem como da análise da documentação apreendida e dos arquivos magnéticos copiados, LIU KUO AN é CONTRIBUINTE SOLIDÁRIO pelo imposto de renda e pelas contribuições sociais, pois claramente teve interesse comum na situação que configura o fato gerador da obrigação tributária, qual seja, "a comercialização de mercadorias estrangeiras". Esse interesse é amplamente demonstrado pelo total acompanhamento e controle, desta pessoa, sobre as operações comerciais efetuadas pela empresa objeto deste Termo. Considerando o exposto neste capítulo e ao logo deste relatório, o auto de infração decorrente deste procedimento de fiscalização será lavrado contra a empresa VICTORY SÃO PAULO COMÉRCIO INTERNACIONAL LIDA. (CNPJ: 03.702.4631000193) e contra a pessoa física de LIU KUO AN (CPF: 042.698.12869), CONTRIBUINTE SOLIDÁRIO, com interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradoress dos referidos tributos, o primeiro por ser o COMERCIANTE/DISTRIBUIDOR de direito, e o outro por ser o COMERCIANTE/DISTRIBUIDOR de fato. (fls. 477/479). 4. DOS PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO (...........) 03.01. Diante, então, do acima trazido, ainda que lavrado em nome do contribuinte, a intimação ao Auto de Infração, apresentou o seguinte teor (inicial): Fica o contribuinte VICTORY SÃO PAULO COMERCIO INTERNACIONAL LTDA. e o responsável solidário Senhor LIU KUO AN, CPF no 042.698.12869, conforme caracterizado no Termo de Conclusão Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração, intimados a recolher ou impugnar, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência deste auto de infração, nos termos dos arts. 5°, 15, 16 e 17 do Decreto no 70.235/72, com as alterações introduzidas pelas Leis no 8.748193 e no 9.532/97, o débito para com a Fazenda Nacional constituído pelo presente Auto de Infração, cujo montante acima discriminado será recalculado, na data do efetivo pagamento, de acordo com a legislação aplicável.; 03.02. o primeiro deles foi cientificado dos teores dos referidos Autos de Infração, via postal, em 03/07/2006 (fls. 497), enquanto que o segundo o foi, por meio de seu representante legal (fls. 513), em 23/06/2006. Por sua vez, o contribuinte, apresar de devidamente notificado, não apresentou qualquer impugnação aos lançamentos; já o segundo, por meio de seus representantes legais (fls. 512/513), impugnouos em 11/07/2006 (fls. 500/529), alegando, em síntese, que: 03.03. o Impugnante foi intimado, na condição de contribuinte solidário, por supostamente controlar a parte comercial da organização, a efetuar o recolhimento do crédito tributário objeto do auto de infração lavrado contra “ Victory São Paulo Comércio Internacional Ltda. "; Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001244/200631 Acórdão n.º 1402001.090 S1C4T2 Fl. 7 7 03.03.01. preliminarmente, é sabido que a pessoa jurídica é representada por seus sócios, quer seja em juízo ou fora dele. E tais pessoas não se encontram em lugares incertos e não sabidos, visto que a empresa, por meio deles ou seu advogado, respondeu às intimações que lhe foram formuladas; um dos sócios é majoritário e era a única pessoa responsável pela emissão de cheques.; 03.03.02. já o Impugnante não possuí qualquer relação com a constituição da empresa, dela não fazendo parte na condição de sócio, não podendo, portanto, ser responsabilizado pelos tributos exigidos da autuada; tanto é verdade, que nunca foi intimado a prestar quaisquer esclarecimentos sobre os fatos narrados no termo de conclusão fiscal, não tendo tido, portanto, qualquer oportunidade de defesa, em total antagonismo ao previsto pelo art. 5º , LV, da CF/88; 03.03.03. concluise, portanto, que o auto de infração lavrado contra o Impugnante, está viciado desde sua constituição, ou seja, é inexistente, não podendo produzir qualquer efeito, devendo ser declarada a sua nulidade, o que se requer desde já. Todavia, na remota possibilidade de não admitida tal preliminar, melhor razão não assiste ao fisco, em relação ao mérito; 03.04. segundo a fiscalização, estaria caracterizado que o Impugnante seria "o verdadeiro controlador da parte comercial da organização", conforme destacado às fls. 63(sic) — fls. 65, em realidade — sendo que tal conclusão baseouse no constante em termo específico, onde apontado que os elementos mais reveladores do funcionamento da organização e, conseqüentemente, do papel desempenhado pelos importadores de fachada e pelo comprador de fato, foram encontrados na residência de LIU KUO AN........; 03.04.01. tal relatório, entretanto, é falho, visto apresentar conclusões equivocadas, sendo imprestável a qualqúef `conclusão no sentido de responsabilizar o Impugnante pelo pagamento de tributos, cujos fatos geradores não tiveram sua participação. Ademais, para que seja configurada a solidariedade, é necessário o preenchimento de um dos requisitos previstos pelo inciso 1 do art. 124 do CTN, por meio do qual se exige prova incontestável de que "a pessoa" de que trata o artigo supra, tenha interesse no fato gerador da obrigação principal.... Traz doutrina e jurisprudência a esposar tal entendimento; 03.04.02. dessa forma, ao Impugnante não pode ser atribuída a solidariedade, vez que não está demonstrado que o mesmo teve interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, conforme mencionado dispositivo, sendo que, não basta simples alegação, que, aliás, padece de qualquer fundamento legal.; 03.04.02.01. e o simples fato de alguns documentos terem sido encontrados em sua residência, não é o bastante a considerálo como contribuinte solidário, necessitandose, ainda, a devida comprovação da ocorrência do descrito no mencionado inciso 1 do art. 03.04.03. ainda que hipoteticamente o Impugnante tivesse qualquer responsabilidade, é de se ressaltar que os mesmos foram apurados e declarados unilateralmente pela fiscalização, sem qualquer interferência do Contribuinte, motivo pelo qual é inteiramente impugnado nesta defesa. Imprescindível se torna, portanto, a realização de perícia em todos os documentos que serviram à autuação, objetivando sanaremse os equívocos, de forma a que não venham onerar o Impugnante, em valores indevidos, como os que o fisco pretende ver recolhidos. Traz doutrina; Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001244/200631 Acórdão n.º 1402001.090 S1C4T2 Fl. 8 8 03.04.04. por sua vez, a multa de ofício aplicada é totalmente abusiva pois, ainda que o Impugnante fosse o responsável pelo pagamento do principal, não há motivo que justifique a aplicação da referida multa. Isto porque, o Impugnante nunca foi intimado pela fiscalização a apresentar quaisquer esclarecimentos, visto que o autuado foi a empresa "Victory", com a qual não possui qualquer tipo de relação; 03.04.04.01. e, ainda que remotamente, o auto de infração venha a ser validado, vale ressaltar que o Impugnante não recebeu qualquer intimação para a apresentação de esclarecimentos, razão pela qual, o mesmo não poderá responder pela aplicação de multa, a qual não deu causa.; 03.04.05. pleiteia, ao final, o acolhimento da impugnação apresentada, para que (a) seja declarado nulo o lançamento, pelo fato de que não ter sido intimado no decorrer do procedimento fiscal, somente ocorrendo por ocasião da lavratura do Auto de Infração, (b) seja excluído da condição de contribuinte solidário, visto não restar comprovado que o Impugnante se enquadra nos requisitos legais a tal, (c) demonstrada a insubsistência e improcedência do lançamento, seja o mesmo cancelado em relação ao Impugnante ou, ainda (d) seja excluída a multa qualificada, em razão de o Impugnante não haver recebido qualquer intimação para cumprimento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil prolatou o Acórdão 1617.087 por meio do qual rejeitou as preliminares suscitadas, considerou o lançamento integralmente procedente e manteve a responsabilização do coobrigado LIU KUO AN. A decisão consubstanciouse na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2000, 30/09/2000, 31/12/2000, 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001 CONTRIBUINTE. NÃO APRESENTAÇÃO DE 1IMPUGNAÇÃO. REVELIA. PROSSEGUIMENTO NA COBRANÇA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO. Não tendo, o contribuinte, apresentado impugnação às exigências contra ele formuladas, ,. ;deve ser dado prosseguimento à cobrança do crédito tributário devidamente constituído. PRELIMINAR. SOCIEDADE DE DIREITO. NÃO SÓCIO. CONTRIBUINTE SOLIDÁRIO. SOCIEDADE DE FATO. APREENSÃO DE ELEMENTOS A VINCULAREMNO, DE MANEIRA EXPRESSA, AO CONTRIBUINTE. Correta a caracterização de contribuinte solidário, na forma do art. 124 do Código Tributário Nacional, quando, ainda que não integrante, na condição de sócio, de "sociedade empresária" (contribuinte), os elementos apreendidos pela fiscalização, em sua residência, devidamente amparada por Mandado de Busca e Apreensão, emitido pela Justiça Federal, de São Paulo, vinculamno, de maneira expressa ao . contribuinte, demonstrando seu efetivo interesse comum na situação que veio a constituir o fato gerador da obrigação tributária. Rejeitase a preliminar argüida. PRELIMINAR. AÇÃO FISCAL EM ANDAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DO OFERECIMENTO DO Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001244/200631 Acórdão n.º 1402001.090 S1C4T2 Fl. 9 9 CONTRADITÓRIO E AO EXERCÍCIO DE DEFESA. Enquanto em andamento a ação fiscal, não há que se falar na possibilidade de oferecimento do contraditório e ao exercício do direito à ampla defesa. De ser rejeitada a preliminar PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÉNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Somente serão considerados nulos aqueles atos em que presentes quaisquer das circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto no 70.235/1972. Inocorrendo quaisquer daquelas, perfeito o ato. Rejeitase a perícia Preliminar rejeitada. MÉRITO. APURAÇÃO FISCAL. PROCEDIMENTO UNILATERAL. ELEMENTOS FORNECIDOS (E/OU APREENDIDOS PELA FISCALIZAÇÃO) PELO CONTRIBUINTE. Ainda que a apuração fiscal se dê, de maneira unilateral, a mesma se faz mediante elementos fornecidos (e/ou apreendidos pela fiscalização, como no caso presente) pelo contribuinte, sendo que os resultados daquela são levados a conhecimento deste último, resulte, ou não, o apontamento de irregularidades fiscais. Correto o procedimento adotado pela fiscalização. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO. NÃO ABUSIVIDADE. LEGALIDADE. VINCULAÇÃO DO AUTUANTE. Por amparada em Lei, não há que se falar em abusividade da multa de ofício aplicada. Dada a estrita vinculação do autuante, o mesmo, na hipótese, apenas fez aplicar o determinado em dispositivo legal, sob pena de, em não o fazendo, vir a ser responsabilizado funcionalmente, na forma do art. 142,; do, Código Tributário Nacional. Correta a exigência. Cientificado da decisão. o responsável solidário recorre a este Colegiado repisando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. A pessoa jurídica não apresentou recurso. É o Relatório. Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001244/200631 Acórdão n.º 1402001.090 S1C4T2 Fl. 10 10 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O recurso voluntário foi apresentado tempestivamente pelo representante legal do coobrigado, preenchendo assim as condições de admissibilidade. Registrese que a pessoa jurídica não apresentou impugnação ou recurso. Em caráter de preliminar sustenta a inexistência de qualquer vínculo com a autuada o que implicaria na necessidade de intimação específica a ele dirigida informando da existência de ação fiscal contra ele. Assim, seria nulo o andamento e a conclusão do procedimento a sua revelia. Nesse ponto, cumpre ressaltar que a fiscalização foi direcionada contra a pessoa jurídica VICTORY SÃO PAULO COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA. e as intimações e termos lavrados foram corretamente a ela dirigidas. Tanto é assim que, tratando se de IRPJ, o auto de infração foi lavrado em nome da empresa. O arrolamento do coobrigado só tem sentido com a constituição do crédito tributário, quando então são aplicadas as circunstâncias descritas nos autos que levaram a autoridade lançadora ao entendimento pela responsabilização de terceiros. A partir daí o coobrigado, devidamente intimado, pode exercer o pleno direito de defesa, tanto no que tange à responsabilização como em relação à exigência em si. Rejeitase, portanto, a preliminar. Quanto à responsabilização, afirma o recorrente que o relatório de fiscalização é falho, com conclusões equivocadas e mostrase imprestável para fundamentar qualquer conclusão no sentido de responsabilizálo. Afirma ainda que não estaria demonstrado o interesse comum a justificar o enquadramento no inciso I, do art. 124, do CTN. As alegações do recorrente são genéricas, sem contestação específica de nenhuma das razões apresentadas pela Fiscalização para justificar a responsabilização. O Termo de Verificação traz exaustiva descrição da sistemática de funcionamento da organização comandada pelo recorrente, da qual a empresa aqui autuada é peça fundamental. Transcrevese abaixo alguns trechos (destaques acrescidos): .....A LUMAX e a VICTORY, entre outras, são empresas que figuram apenas formalmente como sendo adquirentes de mercadorias dos importadores de fachada e revendedoras dessas mercadorias aos adquirentes finais. Essas empresas interpuseramse no processo para emitir notas fiscais de vendas e ocultar os verdadeiros beneficiários das operações, e para sonegar expressiva soma de tributos federal e estadual incidentes nas revendas das mercadorias aos adquirentes finais. Os repasses de valores que essas empresas fizeram em benefício dos importadores de fachada, se deram por ordem de LIU KUO AN, a mando deste, não se referindo, portanto, a pagamentos por compra de mercadorias, mas sim a fechamentos de câmbio nas importações subfaturadas, e outras despesas...... Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001244/200631 Acórdão n.º 1402001.090 S1C4T2 Fl. 11 11 ......Porém, há de se ressaltar que em todas as importações analisadas em outros procedimentos fiscais ficou evidente o efetivo controle sobre as transações comerciais exercido por LIU KUO AN, o qual, conforme já relatado, também contaram com o auxílio de outras pessoas físicas que agiram em seu nome e com empresas a eles ligadas, dentre elas a empresa KRYPTON ............ Essas pessoas físicas que se ocultaram sob a interposição fraudulenta de empresas importadoras e vendedoras de fachada são quem, de fato, controlaram todas as etapas dos processos de importação, desde as compras no exterior até a chegada da mercadoria nos depósitos, inclusive o despacho aduaneiro e o pagamento dos preços efetivamente praticados..... Ao mencionar os documentos apreendidos na casa do recorrente, o Termo de Verificação registra dentre outros: .... Arquivo, em formato excel denominado ........(doc. de fls. 166 a 171), que relaciona as notas fiscais de entrada decorrentes de operação de importação, com saídas paras (sic) as empresas VICTORY e LUMAX. Este arquivo demonstra que as mercadorias desembaraçadas por TOFARY destinavamse às empresas controladas por LIU KUO AN, especialmente quando se tratavam de importação de produtos de informática. Uma vez desembaraçadas, as mercadorias tinham como destino armazenagem dos depósitos da AGM e CESARI, para posterior envio aos vendedores de fachada ou mesmo diretamente a estes, sem passagem pela armazenagem. Do exposto, tendo em vista que a defesa do recorrente não apresentou argumentos que pudessem estabelecer um contraponto aos fatos descritos pela autoridade lançadora, sou pelo entendimento de que a responsabilidade solidária deve ser mantida. Em relação à decadência, pauto minha linha de raciocínio no sentido de que esse prazo foi definido como regra geral no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (.....) Por outro lado, dentre as modalidades de lançamento definidas pelo CTN, o art. 150 trata do lançamento por homologação, como é o caso do IRPJ . Nesse caso, o § 4º do dispositivo estabeleceu regra específica para a decadência: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (......) Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001244/200631 Acórdão n.º 1402001.090 S1C4T2 Fl. 12 12 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação Entretanto, não se pode ignorar que o STJ entendeu em caráter definitivo (art. 543C, do CPC) que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, a questão do pagamento é relevante para definição do prazo, nos termos defendidos pela recorrente (Resp 973733/SC, 1ª Seção, Dje 18/09/2009, Ministro Luiz Fux): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre,sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da PrimeiraSeção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001244/200631 Acórdão n.º 1402001.090 S1C4T2 Fl. 13 13 sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii)a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Considerando que a autoridade lançadora afirmou textualmente que a empresa não recolhia tributos, a situação enquadrarseia no bojo da decisão supra transcrita, aplicandose a regra geral do inciso I, do art. 173, do CTN. Assim, submetendome ao entendimento consolidado naquele Tribunal, para os fatos geradores ocorridos em 30/06/2000 e 30/09/2000, o termo inicial da contagem do prazo decadencial é 02/01/2001 e o termo final seria 02/01/2006. Como a autuação foi cientificada ao sujeito passivo em 23/06/2006, esses períodos foram atingidos pela caducidade. Quanto ao fato gerador ocorrido em 31/12/2000, o termo inicial seria 02/01/2002 e o termo final teria ocorrido em 02/01/2007. Não há que se falar em decadência o que também, por óbvio, se aplicaria aos fatos geradores posteriores. No que se refere à qualificação da multa, a defesa não apresentou razões específicas contra a imputação. O recurso limitouse a afirmar que a multa seria abusiva e não haveria motivo legal para sua aplicação tendo em vista que não teria ocorrido a intimação para apresentação de esclarecimentos. Sob esse contexto, não cabe a este julgador manifestarse sobre tema em relação ao qual o próprio contribuinte abdicou de fazêlo. Assim, a multa qualificada deve ser mantida. Mesmo que fosse superado meu posicionamento, a qualificação da multa tem motivação na utilização da pessoa jurídica como integrante de uma organização sob o comando do coobrigado, atuando de forma dolosa com o objetivo de esconder as reais circunstâncias e os efetivos responsáveis por operações irregulares de importação e revenda de mercadorias. Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001244/200631 Acórdão n.º 1402001.090 S1C4T2 Fl. 14 14 Ressaltese que a empresa reiteradamente apresentou DCTF com valores inferiores ao efetivamente devido e, além disso, é inadimplente contumaz, demonstrando uma conduta reiterada de não recolher qualquer valor aos cofres públicos, ainda que sabidamente devedora. De todo o exposto, meu voto é por dar provimento parcial ao recurso para acolher a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos em 30/06/2000 e 30/09/2000. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10840.000726/2007-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Ano-calendário: 2001
Ementa: IRPF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA.
TERMO INICIAL DE CONTAGEM DO PRAZO. PEDIDO FORMALIZADO APÓS 09/06/2005.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Nesse sentido, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do IRPF, será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei
Complementar nº 118/2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I desse mesmo código. Para os pedido formalizados após esta data, aplica-se a regra dos 5 (cinco) anos contados da extinção do crédito tributário.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.678
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano-calendário: 2001 Ementa: IRPF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DE CONTAGEM DO PRAZO. PEDIDO FORMALIZADO APÓS 09/06/2005. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Nesse sentido, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do IRPF, será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I desse mesmo código. Para os pedido formalizados após esta data, aplica-se a regra dos 5 (cinco) anos contados da extinção do crédito tributário. Recurso negado.
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TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DE CONTAGEM DO PRAZO. PEDIDO FORMALIZADO APÓS 09/06/2005. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Nesse sentido, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do IRPF, será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I desse mesmo código. Para os pedido formalizados após esta data, aplicase a regra dos 5 (cinco) anos contados da extinção do crédito tributário. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 20/08/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório PAULO CEZAR NOSSA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJ SÃO PAULO/SP II (fls. 31) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte em face de despacho decisório que indeferiu pedido de restituição. Na manifestação de inconformidade o Contribuinte aduziu que o pedido de restituição foi feito em época própria, pois o termo inicial de contagem do prazo deveria ser contado da data da entrega da declaração, em 30/03/2002, e não do ano fiscal; que a data para a apresentação da declaração retificadora dever ser de cinco anos contados da data prevista para a entrega da declaração retificada; que o recolhimento indevido ocorreu antes da edição da Lei Complementar nº 118/2005, e não poderia ser prejudicado por esta lei. A DRJSÃO PAULO/SPO II julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base, em síntese, na consideração de que o pedido fora formulado após ultrapassado o prazo decadencial; que, como afirmado pelo Contribuinte, o imposto foi pago em 2001, e na data do protocolo do pedido, em 30/04/2007, já havia sido ultrapassado o prazo decadencial, nos termos do art. 168, I do CTN. A DRJ observa que, independentemente da decadência, não haveria provas nos autos do recebimento de licençaprêmio por ocasião da aposentadoria no ano de 2001 e que, portanto, o pedido poderia ter sido indeferido pela autoridade administrativa com base no mérito. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 05/11/2010 (fls. 35) e, em 06/12/2010, interpôs o recurso voluntário de fls. 37/50, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Fl. 66DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10840.000726/200799 Acórdão n.º 220101.678 S2C2T1 Fl. 2 3 Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como de colhe do relatório, cuidase de pedido de restituição de imposto incidente sobre verba alegadamente recebida a título de adesão a Programa de Demissão Voluntária, e a discussão gira em torno do prazo decadencial do direito de se pleitear a restituição. Esta questão, todavia, já está pacificada. É que segundo o artigo 62A do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, as turmas do CARF devem reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de recurso especial repetitivo, e, sobre a questão da decadência há decisão do STF no RE nº 566.621 e do STJ no REsp nº 1.002.932. O acórdão do Supremo Tribunal Federal foi assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento Fl. 67DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Assim, sendo o Imposto de Renda tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase aos pedidos de restituição deste tributo, protocolizados antes de 09/06/2005, 120 dias após a data da publicação da Lei Complementar nº 118/2005, o critério de contagem do prazo decadencial do direito de pleitear restituição dos 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150,§ 4º, do CTN) mais 5 (cinco) anos, a partir dessa homologação (artigo 168, I, do CTN), totalizando um prazo de 10 (dez) anos, contados da extinção do crédito tributário. Em sentido contrário, nos caso de pedidos de restituição protocolizados após 09/06/2005, aplicase a regra definida pela Lei Complementar nº 118, que define que o prazo decadencial é de 5 (cinco) anos contados da extinção do crédito tributário. Como, no caso, a extinção do crédito ocorreu com as retenções do imposto ao longo do ano de 2001, o prazo decadencial, em relação a cada retenção, ocorreu nos meses de 2006, uma vez que o pedido de restituição foi protocolizado em 30/04/2007, na vigência, portanto, da Lei Complementar nº 118, de 2005 e, desse modo, depois de ultrapassado o prazo decadencial. Ante o exposto, e encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 68DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10840.000726/200799 Acórdão n.º 220101.678 S2C2T1 Fl. 3 5 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 12269.000036/2008-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2005 a 30/06/2007
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA FOLHA DE PAGAMENTO ISENÇÃO/
IMUNIDADE DISCUSSÃO JUDICIAL RENÚNCIA A INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA NÃO CONHECIMENTO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da NFLD.
Não houve qualquer questionamento acerca do valores lançados na NFLD.
A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
ENQUADRAMENTO DO RAT EMPRESA CONSIDERADA PELA FISCALIZAÇÃO EM DIREITO A ISENÇÃO IMPROPRIEDADE DA CLASSIFICAÇÃO NO FPAS DE ENTIDADE ISENTA.
Em sendo indevida a condição de isenta, compete a autoridade fiscal o reenquadramento do código FPAS de acordo com a atividade exercida pela empresa notificada em consonância com a prevista em seu estatuto.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.331
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 30/06/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA FOLHA DE PAGAMENTO ISENÇÃO/ IMUNIDADE DISCUSSÃO JUDICIAL RENÚNCIA A INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA NÃO CONHECIMENTO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da NFLD. Não houve qualquer questionamento acerca do valores lançados na NFLD. A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. ENQUADRAMENTO DO RAT EMPRESA CONSIDERADA PELA FISCALIZAÇÃO EM DIREITO A ISENÇÃO IMPROPRIEDADE DA CLASSIFICAÇÃO NO FPAS DE ENTIDADE ISENTA. Em sendo indevida a condição de isenta, compete a autoridade fiscal o reenquadramento do código FPAS de acordo com a atividade exercida pela empresa notificada em consonância com a prevista em seu estatuto. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2070; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12269.000036/200897 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2401002.331 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2012 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES Recorrente ASSOCIAÇÃO SULINA DE CRÉDITO E ASSISTÊNCIA RURAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 30/06/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA FOLHA DE PAGAMENTO ISENÇÃO/IMUNIDADE DISCUSSÃO JUDICIAL RENÚNCIA A INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA NÃO CONHECIMENTO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da NFLD. Não houve qualquer questionamento acerca do valores lançados na NFLD. A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. ENQUADRAMENTO DO RAT EMPRESA CONSIDERADA PELA FISCALIZAÇÃO EM DIREITO A ISENÇÃO IMPROPRIEDADE DA CLASSIFICAÇÃO NO FPAS DE ENTIDADE ISENTA. Em sendo indevida a condição de isenta, compete a autoridade fiscal o reenquadramento do código FPAS de acordo com a atividade exercida pela empresa notificada em consonância com a prevista em seu estatuto. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 12269.000036/200897 Acórdão n.º 2401002.331 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório A presente NFLD, lavrada sob o n. 37.131.1659, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo a relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa em virtude dos riscos ambientais do trabalho, e a relativa a Terceiros, sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais no período compreendido entre as competências 05/2005 a 06/2007. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 37 a 40, a empresa, sujeito passivo do presente lançamento fiscal, tem como atividade econômica, os serviços relacionados com a agricultura e está enquadrada no código 01619 do CNAE — Código Nacional de Atividade Econômica e no código 566. do FPAS Fundo de Previdência e Assistência Social. Destaca a autoridade fiscal que a contribuição previdenciária foi apurada com base na Remuneração dos segurados empregados e Contribuintes Individuais, registradas em Folha de Pagamento e informadas através do Arquivo Digitalizado, no leiaute determinado pelo MANAD e declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações A Previdência Social — GFIPs. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 26/12/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a notificação, foi apresentada impugnação, fls. 51 a 58. Foram colacionados aos autos cópias de ações judiciais de autoria do recorrente, onde apesar de não ser possível identificar propriamente a matéria é possível entender tratarse de ação questionando isenção e contribuições sociais tendo como réu o INSS, fls. 85 a 106. A DecisãoNotificação confirmou a procedência do lançamento, fls. 107 a 111. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 30/06/2007 NFLD Debcad n° 37.131.1659 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. IMUNIDADE/ISENÇÃO. DISCUSSÃO JUDICIAL. GILRAT. A vedação prevista no art. 150, VI, "c" da Constituição Federal, alcança tão somente tributos incidentes sobre patrimônio c receitas das Entidades nele mencionadas. A isenção das contribuições sociais é direito apenas das entidades que preenchem todos os requisitos previstos em Lei. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 Contribuições para o financiamento da GILRAT são calculadas conforme a atividade preponderante do empregador e de acordo com a legislação vigente ã época dos fatos geradores. —Lançamento Procedente Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 123 a 129. Em síntese, o recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. A desobrigação da recorrente no que refere ao recolhimento da chamada "quota patronal" das contribuições previdenciárias não decorre do disposto no art. 150, inc. VI, letra "c" da Constituição Federal, como dito na ementa do v. acórdão recorrido. Ao afirmar que a vedação de que cuida o supra citado dispositivo constitucional "alcança tão somente tributos incidentes sobre patrimônio e receitas das Entidades nele mencionadas", está o aresto administrativo afirmando nada mais que a verdade contida na norma de direito constitucional. 2. Todavia, o direito da recorrente ao não recolhimento da "quota patronal" das contribuições previdenciárias não obstante encontrar sua fonte na Constituição Federal, advém de outra norma e não da previsão do art. 150, inc. IV, letra C. 3. . Que por ser entidade assistencial, sem fins lucrativos, goza da proteção constitucional garantida pelo disposto no § 7' do art. 195 da CF/88, que estipula verdadeira imunidade, a despeito do uso do vocábulo isentas naquele diploma. 4. Não há dúvida que a expressão isentas usada pelo legislador constitucional de 1988 deve ser entendida como imunes, segundo entendimento da doutrina com cátedra na jurisprudência do próprio Supremo Tribunal Federal, em que claramente ficou consolidado que "A cláusula inscrita no art. 195, § 7 da Carta Política — não obstante referirse impropriamente isenção de contribuições para a seguridade social , contemplou as entidades beneficentes de assistência social com o favor constitucional da imunidade tributária, desde que por elas preenchidos os requisitos fixados em lei". 5. Tratandose de imunidade, sua regulação implica limitação constitucional ao poder de tributar (CF, art 14 , e definição do sujeito passivo da obrigação tributária. Que a proteção constitucional da imunidade, garantida pelo disposto no § 7" do art. 195 da CF/88, favorece todas as entidades beneficentes de assistência social e não apenas as entidades filantrópicas estrito senso. Que a imunidade em relação às contribuições elencadas nas letras "a" e "d" do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212/91, decorre do disposto no § 7" do art. 195 da CF/88, abrangendo todas as entidades beneficentes de assistência social, tenham ou não o certificado de entidade beneficente de assistência social, tenham ou não atendido aos requisitos do art. 55 da Lei no 8.212/91. 6. Tem espectro mais amplo, dada a maior amplitude conceitual de imunidade, que suscita, dentre outros corolários, o critério da interpretação extensiva e não o da interpretação restrita reservada às isenções. Assinala, também, ser detentora da chamada "isenção antiga", aquela oriunda da Lei no 3.577/59, cujos efeitos em termos de direito adquirido, foram expressamente mantidos pelo DL no 1.572/77 e que tal isenção somente pode ser examinada à luz de seus pressupostos, que são distintos daqueles estabelecidos no art. 55 da Lei n" 8.212/91. 7. Aduz quanto a alíquota RAT o mesmos argumentos já apresentados na impugnação, quais seja: que a peça fiscal promoveu o enquadramento da entidade no CNAE 01619, Fl. 193DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 12269.000036/200897 Acórdão n.º 2401002.331 S2C4T1 Fl. 3 5 condizente com atividades de serviços relacionados com a agricultura. Entende estar abrigada no código FPAS 639, referente às entidades beneficentes de assistência social. Que na realidade, a assistência técnica e a extensão rural constituem atividades especializadas de assistência social, pela circunstância especial em que são prestados ao homem do campo, de regra segmento esquecido pelas políticas públicas de assistência social. Que, se fosse cogitável outro enquadramento, o mais aproximado seria no item 74901/03 "assistência técnica rural" e "orientação c assistência técnica na agricultura, atividades correspondentes ao grau 1, de risco leve. Tudo isto sem perder de vista que a imunidade/isenção da quota patronal já de per si afasta a incidência desta contribuição. 8. Requer seja atribuído efeito suspensivo a este recurso, bem como seja admitido o presente recurso, para que seja provido por este Conselho. À fl. 132 e seguintes apresentou o recorrente diversas informações acerca do pedido de renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, as quais transcrevo abaixo: Quanto a condição de entidade isenta, conforme informação colacionada pelo próprio recorrente à fl. 132 a Associação Sulina de Crédito e Assistência Rural — ASCAR protocolou pedido de RENOVAÇÃO do CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, em 02/05/2003, com remessa registrada em 29/04/2003, cujo processo foi instruído sob o n° 44006.000924/200382.descrito no relatório fiscal a empresa teve negado a renovação de sua isenção, conforme acórdão 04/00776/2003 do CRPS. Destacou, ainda a empresa em sua impugnação encontrarse em discussão judicial acerca da referida decisão administrativa, face a Ação Ordinária Declaratória n. 2005.34000104910, ora em trâmite perante a 9. Vara Federal do DF. Até a data do referido protocolo a Entidade era detentora de REGISTRO e CERTIFICADO, este último com validade de 07/12/2000 a 06/12/2003 e, portanto, a requerente entrou com pedido de renovação tempestivamente. Após ter protocolado o pedido de renovação, a Instituição sofreu uma representação fiscal do INSS, formalizada pelo processo 44006.002197/200215, que foi acolhida por esse Conselho e culminou com a cassação do seu REGISTRO e do seu CERTIFICADO, pela Resolução 089/2004, de 23/07/2004, ou seja, após o ingresso do pedido de renovação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 162. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito observase que a não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da NFLD. O recorrente não contestou nenhum dos fatos geradores extraídos do seu próprio documento GFIP, resumindose a alegar erro no enquadramento do alíquota RAT, bem como o direito de não realizar recolhimento, posto tratarse de entidade imune nos termos do art. 195 da CF/88. A notificação fiscal tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito – DAD, o que, sem dúvida, possibilitou o pleno conhecimento do recorrente acerca do levantamento efetuado. Os valores objeto da presente notificação foram lançados com base na GFIP, declaração realizada pela própria empresa. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Uma vez que a notificada remunerou segurados empregados e contribuintes individuais, sejam declarados em GFIP, ou mesmo descritos em FOPAG, deveria ter efetuado o recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 12269.000036/200897 Acórdão n.º 2401002.331 S2C4T1 Fl. 4 7 Porém entendo que o cerne do recurso interposto referese ao questionamento acerca da condição de entidade isenta, Contudo, devese observar para que se proceda ao julgamento na maneira devida que a empresa encontrase em processo judicial no intuito de demonstrar sua condição de isenta. O único ponto pertinente que entendo deva ser apreciado, diz respeito ao entendimento de que possui direito adquirido nos termos da CF/88. Quanto ao argumento rebatido pelo recorrente, de que não questionou a aplicação do art. 150, VI, “a” da Constituição Federal, entendo que a autoridade julgadora de primeira instância apreciou as teses normalmente trazidas acerca de cada matéria, já afastando de pronto as nulidades pretendidas. O fato de trazer informações de teses jurídicas a mais não provocam a nulidade da referida decisão. A própria Constituição Federal em seu art. 150, § 7º reconhece a distinção entre as espécies tributárias impostos e contribuições, assim como mencionado pela autoridade julgadora, nestas palavras: Art. 150 (...) § 7º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de impostos ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido.(grifei) Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em seu art.195 §7º, da permissão de isenção de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos estabelecidos em lei. Esse dispositivo constitucional foi regulado por meio da Lei n º 8.212 de 24/07/1991. Em outra linha, para fazer jus a imunidade prevista pelo parágrafo 7° do art 195 da CF/88, deveria a notificada cumprir os requisitos estabelecidos no art 55 da lei n° 8.212/91, abaixo transcritos: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; 11 seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; Ill promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou beneficios a qualquer titulo; Fl. 196DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 8 V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. §I 0 Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despacharo pedido. Assim, entendo que os questionamentos quanto ao direito adquirido devam ser afastados, posto a exigência legal, quanto ao cumprimento dos requisitos do art. 55 da lei 8212/91. Porém, conforme descrito foi colacionado aos autos informação da autoridade julgadora acerca da existência de ação judicial e do seu andamento. Vejamos trecho da informação: Em consultas aos sites da Justiça Federal da 4a Região e aos Tribunais Superiores, constatase que a notificada interpôs Ação Ordinária contra o INSS, processo o" 98.00041028/RS, julgado improcedente pelo juizo de primeira instância; que ao Recurso de Apelação n° 2003.04.01.0258608/RS foi negado provimento pela la Turma do TRF da 4a Regido (Acórdão publicado no D.J.U. de 16/06/2004); que os Embargos de Declaração opostos, foram parcialmente acolhidos em 18/08/2004 (D.J.U. de 08/09/2004) e que os Recursos Especial e Extraordinário foram admitidos em 12/01/2005 (D.J.U. de 04/03/2005). 0 Recurso Especial n° 730450/RS, registrado no STJ sob o n" 2005/00357432, trata de discussão s/ isenção de contribuições sociais e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, encontrandose concluso ao Ministro Relator desde 14/12/2005 e, portanto, aguardando julgamento. Através da Medida Cautelar n° 11.911 RS (2006/01776090) a ASCAR objetivou que fosse conferido efeito suspensivo ao recurso especial, sem no entanto acostar a seu pedido cópias de diversas peças do processo principal, sendo extinto o processo em 18/09/2006, sem resolução de mérito. Constatase também a existência de outro Recurso Especial REsp no 751145, admitido cm 11/03/2005 (D.J.U. de 22/03/2005), originário de ação de Embargos a Execução n° 1999.71.00.0192351/RS, registrado no STJ sob o n" 2005/00818053 e distribuído por prevenção do processo n° 2005/00357432, igualmente aguardando julgamento. Os extratos de todos estes processos foram anexados aos autos por esta julgadora as fls. 85/104, assim como as fls. 105/106 anexei Certidão n° 149971, do Superior Tribunal de Justiça gerada via Internet em 23/07/2008, referente ao REsp n" 730450/RS, confirmando estar concluso ao Ministro Relator desde 14/12/2005. Assim, considerando que o pleito judicial da notificada até o presente momento não lhe reconhece nenhum direito e que, na forma do Código de Processo Civil Brasileiro, o Recurso Especial tem efeito meramente devolutivo, concluo que não ha impedimento a constituição do crédito tributário nem a exigência das contribuições ditas patronais, objeto deste lançamento. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 12269.000036/200897 Acórdão n.º 2401002.331 S2C4T1 Fl. 5 9 Dessa forma, entendo que a interposição de ação judicial envolvendo a mesma matéria, no caso, condição de imune/isenta, independente do momento em que está ocorra, acaba por impedir o aprofundamento da matéria quanto ao cumprimento dos requisitos legais na esfera administrativa, uma vez que passa ao poder judiciário o julgamento definitivo a respeito da questão. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 1 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA NO 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Quanto ao código FPAS lançado pela autoridade fiscal, insurge o recorrente requerendo sejam considerados os mesmos argumentos trazidos na peça impugnatória, por entender que o código CNAE adotado pela autoridade fiscal não se coaduna com suas atividades. Contudo ditos argumentos foram suficientemente rebatidos na decisão de 1 instância, ou seja, demonstrou o julgador que a atividade descrita no estatuto social da empresa, se encaixa mais propriamente na prestação de serviços relacionados a agricultura e que o código requerido pelo recorrente entrou em vigor apenas em data posterior aos fatos geradores descritos nesta NFLD. Destacase que não tendo o recorrente apresentado qualquer argumento capaz de modificar a decisão ali exarada, a mesma deve ser mantida, razão porque adoto trecho do acordão com razões de decidir. Não procedem as alegações da notificada no sentido de que estaria abrigada no código FPAS 639, pois tal código destinase exclusivamente às entidades beneficentes de assistência social em gozo da isenção de contribuições sociais, na forma do art. 55 da Lei no 8.212/91 e a ASCAR não usufrui de isenção. 0 enquadramento das atividades preponderantes dos empregadores nos correspondentes graus de risco, para o período deste lançamento, encontrase na redação original do Anexo V do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, vigente até 31/05/2007. De acordo com os artigos 3°, 4° e 5° do Estatuto Social da ASCAR (fls. 57/70), o objetivo da entidade é contribuir para a aceleração do desenvolvimento econômico, cultural e social do meio rural no estado do RS, mediante o planejamento e a execução das atividades educativas de extensão e crédito rural com a promoção de ações de assistência educacional na área da sonde, saneamento e economia doméstica, de ações de integração das famílias carentes da área rural ao mercado de trabalho e ao mercado de produtos por elas produzidos, assim como orientar as famílias no uso racional dos recursos naturais. Assim, a atividade preponderante da ASCAR é a prestação de serviços relacionados com a agricultura, cuja classificação no Fl. 198DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 10 CNAE de acordo com o Anexo V do RPS vigente para período lançado de 05/2005 a 05/2007, é no código 01.619, correspondente a risco grave, no enquadramento da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, prevista no inc. II do art. 22 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.732/98. Com relação à argumentação de que, caso cogitável outro enquadramento no CNAE, o correto seria no item 74901/03, correspondente ao grau 1 risco leve, tenho que esta é a classificação do novo Anexo V do RPS, alterado pelo Decreto n" 6.042, de 12/02/2007, vigente a partir de 01/06/2007, conforme art. 5°, inciso I do mesmo Decreto. Por oportuno, verificase que neste crédito previdenciário não há lançamento de contribuição ao GILRAT para a competência 06/2007. Portanto, considerando que a legislação aplicável aos tributos é a vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, correto o enquadramento feito pela fiscalização, lançando a contribuição para o GILRAT à aliquota de 3% (três por cento) sobre as bases de cálculo identificadas. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DecisãoNotificação, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 199DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
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Numero do processo: 11080.012051/2008-13
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.069
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar realização de diligência para que a Unidade Preparadora junte aos autos o Aviso de Recebimento referente à Intimação de fls. 34 ou, se for o caso, o documento que comprove a data em que o contribuinte foi notificado da mesma intimação.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar realização de diligência para que a Unidade Preparadora junte aos autos o Aviso de Recebimento referente à Intimação de fls. 34 ou, se for o caso, o documento que comprove a data em que o contribuinte foi notificado da mesma intimação. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório e voto Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2005 , anocalendário 2004, em virtude de apuração de omissão de rendimentos e glosa de dedução de um dependente (R$1.272,00), despesas com instrução (R$1.998,00) e despesas médicas (R$20.345,00), motivadas pelo fato de o contribuinte não ter atendido à intimação para comprovar as deduções. Na impugnação pleiteouse restabelecimento das deduções com base em documentação apresentada juntamente com a peça impugnatória, requereu dedução de despesas registradas em Livro Caixa e apontou que a omissão de rendimentos foi de R$11.041,96 e não de R$6.375,96 como lançado, além de insurgirse contra a multa de ofício alegando denúncia espontânea da infração pois somente recebeu intimação referente ao Fl. 311DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.012051/200813 Resolução n.º 2802000.069 S2TE02 Fl. 304 2 exercício 2006 (14/12/2007), não tendo sido intimada para apresentar documentos do exercício 2005, sendo autuada sem a possibilidade de apresentar defesa prévia. A impugnação foi deferida em parte, com restabelecimento das deduções de dependente e despesas com instrução, bem como R$9.380,62 de despesas médicas comprovadas pelos documentos de fls. 51/56 (recibos de R$5.180,00 mais R$4.200,00 de Plano de Saúde Unimed). Além disso, a decisão guerreada considerou ineficaz a declaração retificadora apresentada sob fiscalização, computou o acréscimo de rendimentos informados na impugnação sem, porém admitir o acréscimo de IRRF. Por falta de comprovação (diferença de R$747,88), registrou que não cabe dedução de Livro Caixa pleiteada somente com a impugnação e reputou devida a multa de ofício conforme previsão legal. Ciência da decisão em 26/05/2011 e interposição do recurso voluntário em 27/06/2011, por meio do qual insurgese contra a não aceitação da dedução de Livro Caixa simultaneamente com o reconhecimento das receitas apontadas espontaneamente. Sustenta que apresentou denúncia espontânea de valores recebidos de pessoas físicas, apresentando LivroCaixa com receita a declarar e também despesas dedutíveis, apurando e pagando R$1.280,80 (fls. 43), imposto que espera ver como incontroverso e desmembrado da cobrança que se veicula por meio deste processo. Pelo princípio da razoabilidade, se são aceitas as receitas denunciadas espontaneamente também devem ser aceitas as despesas, ou então não se aceitam nenhuma destas. Alega que tentou retificar a declaração após ter sido intimado do exercício 2006, porém sua declaração não foi recebida pelo sistema da Receita Federal por considerar que já havia sido intimada (fls. 33). Requer que seja admitido o valor de IRRF apontado pelo próprio fisco e que não seja aplicada a multa de ofício em razão da denúncia espontânea, pois o procedimento fiscal iniciado em janeiro de 2008 referiase somente ao IRPF2006 não fazendo menção aos anos seguintes, portanto não impediria a espontaneidade para o anocalendário em questão e a indevida negativa de recebimento da retificação na época própria não pode impedir que se aplique os benefícios da denúncia espontânea. Relatado, passo ao voto. Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O litígio envolve aplicação do instituto da denúncia espontânea e dedução de LivroCaixa. Para que a declaração retificadora seja considerada eficaz e que se configure a denúncia espontânea é preciso averiguar se o contribuinte agiu espontaneamente ou somente após ter sido intimado referente ao anocalendário da autuação (exercício 2005, anocalendário 2004). Fl. 312DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.012051/200813 Resolução n.º 2802000.069 S2TE02 Fl. 305 3 No acórdão recorrido considerouse que a retificação foi tentada somente após ter havido a intimação alusiva ao exercício 2005. Eis a premissa adotada no acórdão de primeira instância. Primeiramente, cabe esclarecer à contribuinte que, ao contrário do que alega, o Termo de Intimação Fiscal n° 2005/610116596181095 (fl. 34) solicitando esclarecimentos relativos a declaração de ajuste anual do exercício de 2005, anocalendário de 2004 foi recebida no endereço da contribuinte em 14/12/2007, por "Imgart Blank", conforme AR de fl. 267. Vale lembrar que a referida pessoa emitiu diversos recibos relativos a faxinas realizadas no consultório da interessada. Portanto, quando da tentativa de apresentação da declaração retificadora em 25/01//08 (DOC.03) a interessada encontravase sob procedimento de ofício, dessa forma, não há que se falar em denúncia espontânea relativamente ao exercício em questão. No recurso voluntário a recorrente sustenta que a Srª Imgart Blank é faxineira em seu consultório, porém não a entregou a referida intimação. Esta alegação não é hábil a afastar a validade da intimação, consoante Sumular CARF nº 9. Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. É fato que consta a intimação de fls. 34, referente ao anocalendário da autuação, entretanto às fls. 267 não consta o Aviso de Recebimento correspondente, tal como foi consignado no acórdão recorrido. Embora essa premissa não tenha sido expressamente contestada pelo recorrente, em homenagem ao princípio da verdade material, cabe afastar dúvida sobre o efetivo recebimento da referida intimação. Ademais, a intimação em comento foi juntada aos autos entre os documentos apresentados pelo contribuinte, o que sugere seu efetivo recebimento. Considerando o procedimento habitual de intimação de notificação eletrônicas, como é o caso dos autos, e os procedimentos empregados na ainda recente fase de implementação do processo eletrônico, a dúvida somente será afastada com atividade instrutória de competência da Unidade Preparadora. Destarte, meu voto é no sentido de determinar realização de diligência para que a Unidade Preparadora junte aos autos o Aviso de Recebimento referente à Intimação de fls. 34 ou, se for o caso, o documento que comprove a data em que o contribuinte foi notificado da mesma intimação. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 313DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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