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Numero do processo: 10530.720117/2007-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2004
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO.
As Turmas de Julgamento do CARF têm competência para julgar e processar os recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, sendo a decisão de primeira instância aquela prolatada pelas Turmas de Julgamento da DRJ, na forma do art. 25, I, do
Decreto nº 70.235/72. Nestes autos, não há qualquer decisão de Turma de Julgamento da DRJ, sendo impossível conhecer do recurso interposto, que vergasta decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil e não de Turma de Julgamento da DRJ.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2102-001.835
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
CONHECER o recurso interposto, pois não se instaurou o contencioso administrativo pela impugnação tempestiva, não havendo nos autos decisão da Turma de Julgamento de DRJ. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Alves Moreira, OAB-MG nº 52.583, patrono do recorrente.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO. As Turmas de Julgamento do CARF têm competência para julgar e processar os recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, sendo a decisão de primeira instância aquela prolatada pelas Turmas de Julgamento da DRJ, na forma do art. 25, I, do Decreto nº 70.235/72. Nestes autos, não há qualquer decisão de Turma de Julgamento da DRJ, sendo impossível conhecer do recurso interposto, que vergasta decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil e não de Turma de Julgamento da DRJ. Recurso não conhecido.
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AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO. As Turmas de Julgamento do CARF têm competência para julgar e processar os recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, sendo a decisão de primeira instância aquela prolatada pelas Turmas de Julgamento da DRJ, na forma do art. 25, I, do Decreto nº 70.235/72. Nestes autos, não há qualquer decisão de Turma de Julgamento da DRJ, sendo impossível conhecer do recurso interposto, que vergasta decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil e não de Turma de Julgamento da DRJ. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso interposto, pois não se instaurou o contencioso administrativo pela impugnação tempestiva, não havendo nos autos decisão da Turma de Julgamento de DRJ. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Alves Moreira, OABMG nº 52.583, patrono do recorrente. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 23/02/2012 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte MECOMINAS MECANIZAÇÃO E EMPREENDIMENTOS LTDA, CNPJ/MF nº 19.814.193/000142, já qualificado neste processo, foi lavrada, em 22/10/2007, notificação de lançamento, com ciência postal em 29/10/2007, decorrente da revisão da DITR do imóvel NIRF 4.684.0290, com área de 19.880,0 hectares, denominado de Fazenda Picada, no município de Riachão das Neves (BA), referente ao exercício 2004. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 504.305,37 MULTA DE OFÍCIO R$ 378.229,02 A autuação resumiuse a majorar o VTN declarado de R$ 2.000,00 (R$ 0,10061 por hectare) para o arbitrado de R$ 3.613.985,20 (R$ 181,79 por hectare), com base no SIPT, pois o contribuinte, regularmente intimado, não apresentou laudo técnico de avaliação do imóvel. Encontrase juntado aos autos um pedido de prorrogação do prazo de interposição da impugnação, datado de 26 de novembro de 2007, por mais 30 dias, no qual o peticionante informava que estaria com dificuldades para juntar a documentação que aparelharia a impugnação, havendo diversas inconsistências em sua DITR. Em 26/12/2007 (fl. 44), o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, apresentando laudo técnico, que apurou um VTN de R$ 53,87 por hectare, agregando informações sobre área de descanso (3.800 hectares) e sobre o rebanho. Nessa peça impugnatória apenas faz breve menção às dificuldades para instrumentalizar sua defesa, o que teria levado ao pedido de prorrogação de prazo para apresentar a impugnação, não recepcionado pela DRFBBelo Horizonte (MG), porém enviado via sedex para a DRFBFeira de Santana (BA). Considerando a intempestividade da impugnação, a autoridade preparadora não processou a impugnação, obstando seu envio à DRJ, e apreciou as razões do contribuinte deduzidas na peça impugnatória perempta, rejeitandoas e mantendo incólume o lançamento, asseverando que não haveria mais qualquer recurso na via administrativa. Notificado da decisão acima em 17/04/2009, sextafeira, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/05/2009, defendendo a higidez do laudo técnico apresentado e da declaração do médico veterinário, provas suficientes para contraditar a pauta fiscal presumida do SIPT, e, se assim não compreender esse CARF, devese reconhecer que a autuação tem claros efeitos confiscatórios, ao aplicar a alíquota de 20% sobre o valor da terra nua, o que terá o condão de expropriar o bem em um prazo de 05 anos, o que não pode ser aceito frente a atual ordem constitucional. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10530.720117/200753 Acórdão n.º 210201.835 S2C1T2 Fl. 2 3 Os créditos tributários foram inscritos na dívida ativa da União. Irresignado com o não processamento de seu recurso voluntário pela autoridade preparadora, o contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2009.33.03.0020283, autuado junto à Vara Federal da Subseção Judiciária de Barreiras (BA), tendo o douto magistrado federal sentenciante concedido a segurança, determinando o processamento do recurso voluntário, já que somente o CARF teria competência para fazer o juízo de admissibilidade do apelo a si dirigido. Cancelada a inscrição da dívida, vieram os autos a este CARF para processamento e julgamento do recurso interposto. Da tribuna, em sustentação oral, o advogado do recorrente pugna pelo reconhecimento da nulidade da autuação, em decorrência da discrepância dos valores do VTN no SIPT, nos três exercícios em apreciação nesta sessão, do mesmo imóvel, na mesma localidade, bem como a nulidade do processamento da impugnação por autoridade incompetente. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Antes de tudo, passase a fazer o juízo de admissibilidade dos recursos interpostos nestes autos, como determinado na sentença prolatada no mandado de segurança nº 2009.33.03.0020283, autuado junto à Vara Federal da Subseção Judiciária de Barreiras (BA), que concedeu a segurança para tanto. Andou bem a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Feira de Santana (BA) em não processar a impugnação para a Turma de Julgamento da DRJ, pois patentemente intempestiva a peça defensiva, sendo que o contribuinte apenas fez menção à dificuldade em instrumentalizar sua impugnação, o que teria levado a um pedido de prorrogação de prazo, o que sequer se encontra previsto no Decreto nº 70.235/72. A leitura combinada dos arts. 14 (A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento) e 15 (A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência) do Decreto nº 70.235/72 deixa claro que somente a impugnação tempestiva instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, transformandoo em processo administrativo fiscal. Obviamente que o contribuinte, mesmo em uma impugnação intempestiva, pode defender a tempestividade dela, e, nesse caso, a impugnação deve ser processada e julgada pela Turma de Julgamento da DRJ, como entender de direito. Entretanto, nestes autos, não há na impugnação qualquer preliminar de defesa da tempestividade da impugnação, não se podendo aceitar que o relato sobre a complexidade de um Laudo com os requisitos da ABNT ou a dificuldade em contratar um profissional para o mister, como se viu na peça impugnatória, possa ser encarado como preliminar a defender a tempestividade da impugnação. O pedido de dilação do prazo não tem previsão no Decreto nº 70.235/72, e caberia ao contribuinte fazer sua defesa no prazo de 30 dias da impugnação, efetuando os aditamentos posteriores, quando deveria comprovar que a prova adicional estava Fl. 184DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 albergada pelos permissivos do art. 16, § 4º, “a” a “c”, do Decreto nº 70.235/72 (Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos), o que não ocorreu nestes autos. Assim, na forma do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 15/96, abaixo transcrito, escorreito o não processamento da impugnação pela autoridade preparadora da DRFBFeira de Santana (BA): Ato Declaratório Normativo Cosit nº 15, de 12/07/96: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 151, inciso III do Código Tributário Nacional – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 e nos arts. 15 e 21 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Apesar do não processamento da impugnação, a autoridade preparadora entendeu por bem apreciar ela mesma a inconformidade do contribuinte, com respeito ao princípio de petição e de autotutela da administração, rejeitando, ao final, a inconformidade. Assim, incabível o pedido de nulidade pugnado pela tribuna pelo Advogado do recorrente, porque se a peça impugnatória não podia ser processada, como acima se demonstrou, deveria ser apreciada pela autoridade preparadora, como de fato ocorreu. Já no Recurso Voluntário, o recorrente sequer se insurge contra o fato de sua peça impugnatória não ter sido processada dentro do rito do processo administrativo fiscal, passando a combater diretamente as matérias de mérito da autuação, em face do decidido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Feira de Santana (BA). Somente o fez na tribuna, nesta sessão de julgamento, porém, como acima explicitado, inviável a declaração de nulidade pela apreciação da petição extemporânea denominada impugnação, pois a autoridade preparadora trilhou a orientação do ADN COSIT nº 15/96 e, dentro do poder de autotutela dos atos da administração, reviu de ofício o lançamento, mantendoo intocado. Indo mais além, na forma dos arts. 25, caput (O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete:), I (em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal) e II (em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial), e 37 (O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno), ambos do Decreto nº 70.235/72, combinado com o art. 1º do Regimento Interno do CARF (O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem Fl. 185DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10530.720117/200753 Acórdão n.º 210201.835 S2C1T2 Fl. 3 5 por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil), compete às Turmas de Julgamento do CARF o julgamento dos recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, sendo a decisão de primeira instância aquela prolatada pelas Turmas de Julgamento da DRJ, na forma do art. 25, I, do Decreto nº 70.235/72, acima transcrito. E, nestes autos, não há qualquer decisão de Turma de Julgamento da DRJ, sendo impossível conhecer do recurso interposto, que vergasta decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil e não de Turma de Julgamento da DRJ. Com as considerações acima, fica prejudicada qualquer apreciação de mérito trazida no recurso voluntário. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso interposto, pois não se instaurou o contencioso administrativo pela impugnação tempestiva, não havendo nos autos decisão da Turma de Julgamento de DRJ. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 186DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 13808.005449/98-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/10/1992 a 31/01/1994, 01/07/1994 a 31/03/1995,
01/06/1995 a 30/06/1995, 01/08/1995 a 31/08/1995
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO.
Inexistindo pagamento antecipado, decai em 05 (cinco) anos o direito de a
Fazenda Nacional constituir, pelo lançamento, crédito tributário de Cofins,
nos termos do art. 173, I, do CTN, e da Súmula Vinculante no 8, do STF.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE.
É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União
decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da
Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.400
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1992 a 31/01/1994, 01/07/1994 a 31/03/1995, 01/06/1995 a 30/06/1995, 01/08/1995 a 31/08/1995 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. Inexistindo pagamento antecipado, decai em 05 (cinco) anos o direito de a Fazenda Nacional constituir, pelo lançamento, crédito tributário de Cofins, nos termos do art. 173, I, do CTN, e da Súmula Vinculante no 8, do STF. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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LANÇAMENTO. Inexistindo pagamento antecipado, decai em 05 (cinco) anos o direito de a Fazenda Nacional constituir, pelo lançamento, crédito tributário de Cofins, nos termos do art. 173, I, do CTN, e da Súmula Vinculante no 8, do STF. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Helio Eduardo de Paiva Araújo e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de Cofins, relativo a fatos geradores ocorridos entre outubro de 1992 e agosto de 1995, tendo em vista que a Fiscalização constatou a falta de recolhimento da exação ou o seu recolhimento a menor. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A Delegacia de Julgamento em São Paulo SP julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 03.814, de 19/08/2003, cuja ementa abaixo se transcreve. Ementa: COFINS. Falta de recolhimento. Revisão de compensação efetuada pelo contribuinte, de recolhimentos a maior, correspondentes às majorações de alíquota de Finsocial, declaradas inconstitucionais pelo STF. Instrução Normativa SRF n°132/97. AMOSTRAGEM. Admissibilidade legal. Decadência do direito de lançar. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais é de dez anos, nos termos do art. 45 da Lei n° 8.212/1991. Correção monetária. Correta aplicação dos índices do IPC, INPC, BTN e Ufir, na verificação fiscal. Multa de oficio. Lei n° 9.430/96, art. 44, inciso I. Penalidade pecuniária prevista em lei. Exigibilidade legal de juros de mora em percentual superior a um por cento ao mês. Utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora com respaldo no art. 13 da Lei n° 9.065/95. Ciente desta decisão no dia 23/08/2007 (fl. 167), a interessada ingressou, no dia 24/09/2007, com o recurso voluntário de fls. 168/181, no qual renova os argumentos de que: 1 o lançamento é nulo porque o crédito tributário foi calculado por amostragem, ofendendo o disposto no art. 142 do CTN; 2 o direito de efetuar o lançamento de contribuições regese pelo CTN e é de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador. Por esta regra o Fisco não poderia efetuar a compensação de ofício e o lançamento de crédito tributários extintos pela decadência; 3 é ilegal e inconstitucional a aplicação da taxa selic no cálculo dos juros de mora. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13808.005449/9899 Acórdão n.º 330201.400 S3C3T2 Fl. 255 3 Na sessão realizada no dia 07/08/2008, a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes não conheceu do recurso voluntário por intempestivo, nos termos do Acórdão nº 20219.527 (fls. 246/249). Encaminhado o processo para a Derat/SP esta constatou a existência de erro material na contagem do prazo para apresentar o recurso voluntário e devolveu o processo para o CARF, conforme despacho de fl. 251. Por meio do Despacho nº 3300008, de 21/01/2010 (fls. 252/253), o Presidente da 3ª Câmara, da 3ª Seção deste CARF retificou o erro material do referido acórdão e determinou a inclusão do recurso voluntário no sorteio de março de 2010. Na forma regimental, o recurso voluntário foi sorteado para este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais dispositivos legais. Dele conheço. A empresa recorrente teve obteve, judicialmente, o direito a repetir indébito de Finsocial e utilizou o referido crédito para compensar débitos de Cofins. A RFB efetuou a verificação do procedimento de compensação levado a cabo pela recorrente e confirmou todos os pagamentos de Finsocial realizados pela recorrente e constatou que o crédito a que a recorrente tem direito foi insuficiente para homologar as compensações de débitos de Cofins realizadas pela recorrente. Em parte, o crédito foi insuficiente porque a autoridade da RFB utilizou o crédito para compensar, de ofício, débitos do próprio Finsocial que não tinham sido pagos pela recorrente. No recurso voluntário a empresa alega que ao realizar verificações por amostragem, a autoridade lançadora feriu o art. 142 do CTN, sendo nulo o lançamento. A referência a verificações por amostragem consta do TERMO DE ENCERRAMENTO DE AÇÃO FISCAL de fls. 94, in verbis: Encerramos, nesta data, a ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, tendo sido verificado, por amostragem, o cumprimento das obrigações tributarias relativas a CONTRIB PARA O FINANC DA SEGUR SOCIAL, onde foi(ram) constatada(s) a(s) irregularidade(s) mencionada(s) no(s) demonstrativo(s) de descrição dos fatos e enquadramento legal. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Vêse claramente que a autoridade lançadora não disse, em nenhum momento, que apurou a base de cálculo da Cofins por amostragem, como quer fazer crer a recorrente. Como disse a decisão recorrida, o valor da exação foi apurado com base em informações prestadas pela recorrente. Sobre essas informações a autoridade lançadora tem a faculdade de confrontar, ou não, com os livros e documentos da recorrente. Decidindo verificar a sua exatidão, pode fazêlo para todos os períodos de apuração ou somente para alguns. Para os períodos de apuração que decidir efetuar as verificações, pode manusear toda a documentação ou somente parte dela. Tudo isto é verificação por amostragem do cumprimento de obrigação tributária sem, contudo, macular o valor do crédito lançado por não ter a autoridade fiscal manipulado cada uma das notas fiscais de venda da recorrente, verificando o correto preenchimento de cada uma e somandoas para confrontar com os valores registrados nos livros fiscais e contábeis e informados pela recorrente a ela autoridade fiscal. Ademais, como bem disse o Segundo Conselho de Contribuintes, em acórdão citado pela decisão recorrida (Acórdão nº 20213130), “a lei não estabeleceu rito especial a ser seguido no procedimento administrativo que visa determinar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária correspondente”. Portanto, nada a contestar no procedimento administrativo do lançamento. Por último, a recorrente não aponta sequer indícios concretos de que o valor lançado de algum período de apuração esteja errado. A descrição dos fatos, as informações prestadas pela recorrente à autoridade lançadora e os demonstrativos integrantes do lançamento são elementos suficientes para apurar alguma divergência no crédito tributário lançado. Se existisse tal erro de apuração, ainda assim o lançamento não seria nula, sendo passível unicamente de retificação de ofício ou a pedido da contribuinte. Quanto à decadência, entende a recorrente que está decaído o direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos a mais de 05 (cinco) anos, contados da data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4o do CTN. Com razão, em parte, a recorrente. De plano, há que se afastar a aplicação dos arts. 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, nos termos da Súmula Vinculante no 8, do STF, abaixo reproduzida. Súmula Vinculante no 8 – São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5o do DecretoLei no 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Quanto à contagem do prazo decadencial, o STJ decidiu, em sede de recurso repetitivo previsto no art. 543C do CPC (RESP 973.733, Min. Luiz Fux), cuja aplicação é obrigatória pelo CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF), que para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, inexistindo pagamento antecipado, aplicase o art. 173, inciso I, e não o art. 150, § 4º, ambos do CTN. Portanto, não há como acolher a pretensão da recorrente para considerar que o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial seja o do art. 150, § 4º, do CTN haja visto que não houve pagamento antecipado para os períodos de apuração objeto do lançamento ou da compensação de ofício. Quanto a compensação de ofício, cabe enfatizar meu entendimento de que, estando o débito fulminado pela decadência, não pode a autoridade fiscal extinguirlo por mio Fl. 267DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13808.005449/9899 Acórdão n.º 330201.400 S3C3T2 Fl. 256 5 de compensação realizada de ofício. Uma vez extinto o débito pela decadência, somente ao contribuinte cabe efetuar, espontaneamente, o seu pagamento ou a sua compensação. No caso em tela, a empresa recorrente não efetuou a compensação do seu crédito reconhecido judicialmente com débitos seus de Finsocial dos períodos de apuração de 12/89, 08/90 e 12/91 a 03/92, sendo, portanto, ilegítima a compensação efetuada de ofício posto que a ciência deste procedimento ocorreu no dia 22/10/1998 (data da ciência do auto de infração), quando os débitos de Finsocial já estavam extintos por decadência. Deve, portanto, o crédito da recorrente reconhecido na ação judicial ser integralmente alocado às compensações realizadas por ela recorrente com débitos de Cofins. Havendo débito de Cofins remanescente, objeto do presente lançamento, deve o mesmo ser objeto de cobrança. Quanto à decadência dos débitos lançados no auto de infração, entendo que a matéria ficou prejudica porque os únicos débitos passíveis de estarem decadentes, objeto do lançamento, são os dos períodos de apuração de outubro e novembro de 1992, cuja compensação realizada pela recorrente está correta na medida em que há crédito suficiente para tal. Com relação à utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, o CARF firmou entendimento de que a mesma é cabível, a teor da Súmula CARF no 4 (DOU de 22/12/2009) abaixo reproduzida: Súmula CARF no 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ainda sobre a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, na sessão do dia 18/05/2011, o Pleno do STF julgou o RE 582.461, cujas matérias questionadas foram reconhecidas como de repercussão geral. Nesse julgamento o STF reconheceu legítima a incidência da taxa Selic como índice de atualização dos débitos tributários pagos em atraso. Tal decisão é de aplicação obrigatório por parte deste CARF, nos termos do art. 62A do seu Regimento Interno. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar que o crédito reconhecido na decisão judicial seja integralmente utilizado para homologar as compensações feitas pela recorrente com débitos de Cofins. Sendo o crédito insuficiente para extinguir todos os débitos objeto deste lançamento, prosseguir na sua cobrança. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 268DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 16645.000032/2007-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO.
As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário.
SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2002
DIRETOR OU PRODUTOR DE FILMES. VEDAÇÃO.
Está impedida de usufruir a sistemática do Simples a pessoa jurídica que dirigir ou produzir filmes, por essa atividade estar equiparada à direção ou produção de espetáculos.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. INCLUSÃO POSTERIOR NA LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006.
Exercendo atividade vedada, não pode a pessoa jurídica ser optante pelo Simples. O fato de uma atividade ter sido expressamente incluída pela Lei Complementar nº 123/06 entre aquelas às quais é permitida opção ao Simples Nacional não autoriza nem desautoriza qualquer conclusão a respeito da mesma atividade quanto à possibilidade de opção ao Simples nos termos da Lei n° 9.317/96.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS
Para a hipótese de exclusão do Simples, com fundamento no inciso XIII do art. 9º da Lei n° 9.317/96, a data a partir da qual surtirão os seus efeitos decorre da previsão do inciso II do art. 15 da mesma Lei, sendo que, no caso de pessoa jurídica que optou pelo Simples até 27.07.2001, e foi excluída por atividade econômica vedada a partir de 2002, os efeitos da exclusão retroagem para 01.01.2002, na hipótese de situação excludente ocorrida até 31.12.2001.
Numero da decisão: 1102-000.678
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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Recorrente EMÍDIA COMUNICAÇÕES LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 DIRETOR OU PRODUTOR DE FILMES. VEDAÇÃO. Está impedida de usufruir a sistemática do Simples a pessoa jurídica que dirigir ou produzir filmes, por essa atividade estar equiparada à direção ou produção de espetáculos. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. INCLUSÃO POSTERIOR NA LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006. Exercendo atividade vedada, não pode a pessoa jurídica ser optante pelo Simples. O fato de uma atividade ter sido expressamente incluída pela Lei Complementar nº 123/06 entre aquelas às quais é permitida opção ao Simples Nacional não autoriza nem desautoriza qualquer conclusão a respeito da mesma atividade quanto à possibilidade de opção ao Simples nos termos da Lei n° 9.317/96. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS Para a hipótese de exclusão do Simples, com fundamento no inciso XIII do art. 9º da Lei n° 9.317/96, a data a partir da qual surtirão os seus efeitos decorre da previsão do inciso II do art. 15 da mesma Lei, sendo que, no caso Fl. 92DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 05/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO Processo nº 16645.000032/200744 Acórdão n.º 110200.678 S1C1T2 Fl. 93 2 de pessoa jurídica que optou pelo Simples até 27.07.2001, e foi excluída por atividade econômica vedada a partir de 2002, os efeitos da exclusão retroagem para 01.01.2002, na hipótese de situação excludente ocorrida até 31.12.2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Silvana Rescigno Guerra Barretto, João Otávio Oppermann Thomé, Leonardo de Andrade Couto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Trata o presente de recurso voluntário interposto por EMÍDIA COMUNICAÇÕES LTDA ME, contra o Acórdão n° 1627.630, de 10 de novembro de 2010, da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/SP1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra o Ato Declaratório Executivo (ADE) Derat/SPO nº 483.697, de 07/08/2003 (fls. 3), que impôs a exclusão do Simples Nacional a partir de 1º/01/2002, por exercício de atividade qualificada como “Outras atividades relacionadas a produção de filmes e fitas de vídeos”, CNAEFiscal 9211899. Cientificada do ADE, inicialmente a interessada apresentou, em 16/09/2003, a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS – fl. 1), com a alegação de que se trata de empresa que executa trabalhos acessórios de produção de filmes e vídeos, conforme consta em seu objetivo social; a atividade executada se limita a artes gráficas, atividade meio, e não o filme, que é de responsabilidade da produtora, agência ou veículo, atividades que, no seu entendimento, não encontram vedação ao Simples, nos termos do art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/1996. A solicitação foi considerada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo, em despacho exarado em 24/03/2007, nos seguintes e exatos termos (fl. 15): Fl. 93DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 05/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO Processo nº 16645.000032/200744 Acórdão n.º 110200.678 S1C1T2 Fl. 94 3 “EXCLUSÃO MANTIDA por seus fundamentos legais. Nenhum erro de fato foi detectado. Os documentos que instruíram esta solicitação demonstram que a principal atividade econômica exercida é fator de vedação à opção pelo Simples.” Cientificada do indeferimento de sua SRS, a requerente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 19 a 28), alegando, em síntese, o seguinte: A empresa foi devidamente inscrita na RFB para obtenção do CNPJ no regime tributário do Simples, e todas as Declarações exigidas pelo fisco foram entregues na sistemática simplificada, com o aceite do referido órgão. Melhor ainda, os impostos foram pagos em conformidade com a exigência da lei, sem nunca haver sido cobrada anteriormente qualquer diferença, o que denota a concordância da RFB com a situação da recorrente. Ao ser excluída do Simples, sob a alegação da prática de atividades impeditivas à opção, solicitou ao órgão da administração a revisão de sua exclusão, comprovando, através de documentos, que sempre realizou atividade compatível com o regime tributário, bem como manteve seu faturamento dentro dos parâmetros de enquadramento. O Simples é um regime tributário diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às pessoas jurídicas consideradas como microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), nos termos definidos na Lei nº 9.317/ 1996 e estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988. Foi aprovada recentemente a Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, instituindo um novo Estatuto Nacional das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, cujo dispositivo legal entrará em vigor a partir de 01/07/2007. Como não poderia deixar de ser, a referida Lei Complementar, em seu artigo 17, § 1º, consagrou a atividade da defendente, incluindoa na sistemática simplificada, o que demonstra de forma inequívoca a interpretação errônea da RFB em excluir a empresa do regime tributário diferenciado. Todos os documentos juntados nos Autos comprovam de forma inquestionável que a Recorrente em nenhum momento apresentou características empresariais de outro regime tributário, que não seja o reconhecido pelo SIMPLES, confirmado inclusive pela Ilustre Magistrada por ocasião da concessão da Tutela Antecipada em processo semelhante, em trâmite na 20ª Vara Federal Cível – SP (Processo 2006.61.00.0198654, cujo trecho de despacho exarado transcreve). A exação em comento não deve prosperar, em razão de ferir frontalmente os dispositivos constitucionais, podendo ser melhor apreciada por meio da Notas Fiscais emitidas conforme anexo. O meio utilizado, “Ato Declaratório” interpretativo, agride o principio constitucional da legalidade, e também da irretroatividade, pois não poderiam ter seus efeitos retroagido a 25.04.2000. A atitude da RFB pode se transformar em verdadeiro confisco, em desrespeito à a capacidade contributiva da contribuinte. O art. 106, inciso I, do CTN, exclui a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 05/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO Processo nº 16645.000032/200744 Acórdão n.º 110200.678 S1C1T2 Fl. 95 4 Finaliza requerendo sua reinclusão no Simples. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ/SP1 julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Fundamentou seu entendimento no fato de o Contrato Social expressamente prever, entre outras atividades, a produção de filmes, circunstância esta reforçada pelas pesquisas feitas em páginas eletrônicas, anexas aos autos, nas quais constam informações acerca da produção de vídeos e documentários que contam com a direção do sócio e representante legal da interessada, o Sr. Fernão da Costa Ciampa. Além disto, observou a DRJ que, ao contrário do alegado pela contribuinte, não ocorreu a juntada de nenhuma nota fiscal ao processo, de sorte que não restou evidenciado nos autos que a empresa prestaria exclusivamente serviços de artes gráficas, como alega, o que poderia ter sido provado por meio de um conjunto completo de Notas Fiscais, ou por Contratos de prestação de serviços eventualmente firmados, entre outros documentos. O Acórdão está assim ementado: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002 DIRETOR OU PRODUTOR DE FILMES. VEDAÇÃO. Está impedida de usufruir a sistemática do Simples a pessoa jurídica que dirigir ou produzir filmes, por essa atividade estar equiparada à direção ou produção de espetáculos. INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. PRECARIEDADE. O ingresso ou a permanência no Simples é situação precária, digase, sempre sujeita à reapreciação da satisfação dos requisitos exigidos em lei, seja pelo próprio contribuinte, seja pela administração tributária. EFEITOS DA EXCLUSÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA. A pessoa jurídica que optou pelo Simples até 27/07/2001, e foi excluída por atividade econômica vedada a partir de 2002, tem o efeito da exclusão retroagido para 01/01/2002, na hipótese de situação excludente ocorrida até 31/12/2001. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2002 DECISÕES ADMINISTRATIVAS OU JUDICIAIS. A eficácia de decisões administrativas ou judiciais alcança apenas aqueles que originalmente figuraram na contenda. INCONSTITUCIONALIDADE. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A instância administrativa não é foro apropriado para discutir inconstitucionalidade de normas, pois qualquer discussão sobre constitucionalidade deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 05/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO Processo nº 16645.000032/200744 Acórdão n.º 110200.678 S1C1T2 Fl. 96 5 JULGAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. O ato de julgamento é atividade que se subordina às normas legais e regulamentares vigentes, não comportando ação discricionária por parte do julgador. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN) APLICAÇÃO DA LEI A ATO OU FATO PRETÉRITO. DISCUSSÃO IMPERTINENTE. Incabível a discussão acerca da aplicação da lei a ato ou fato pretérito, nos termos do art. 106 do CTN, posto que os efeitos retroativos do ato de exclusão discutido nos autos estão fundamentados em lei que autoriza a sua aplicação.” Cientificada desta decisão em 11.01.2011, conforme AR de fls. 68, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 28.01.2011, fls. 69 a 74, no qual reprisa os mesmos argumentos já expostos por ocasião da inicial. Instrui o recurso com cópias de decisões administrativas favoráveis a outros contribuintes, fls. 77 a 86, os quais comprovam a mesma situação da Recorrente, ferindo assim o principio da igualdade tributária garantido pelo Artigo 150, inciso II, da Constituição Federal de 1988. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Dispõe o art. 9º da Lei n° 9.317/96: “Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida.” (Grifei) Diante da clareza do texto legal, não há dúvidas quanto à vedação à permanência no Simples de pessoas jurídicas que preste serviços profissionais de diretor ou produtor de espetáculos. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 05/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO Processo nº 16645.000032/200744 Acórdão n.º 110200.678 S1C1T2 Fl. 97 6 Espetáculo, na definição de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira (Novo Dicionário da Língua Portuguesa, 1ª edição, Nova Fronteira), entre outras acepções do termo, compreende: “4. Exibição de cinema, televisão, etc., ou qualquer demonstração pública de canto, dança, interpretação musical, etc., por uma pessoa ou um conjunto de pessoas;” (grifo acrescido) Semelhante definição também encontrase na popular Wikipédia (http://pt.wikipedia.org): “Um espetáculo (AO 1945: espectáculo), ainda chamado de concerto ou show, é uma representação pública que impressiona e é destinada a entreter. Pode ser uma apresentação teatral, musical, cinematográfica, circense, uma exibição de trabalhos artísticos etc.” (grifos acrescidos) A decisão recorrida destaca ainda a definição dada pelo dicionário Michaeles: “s. m. 1. Tudo o que atrai a vista ou prende a atenção. 2. Vista grandiosa ou notável. 3. Qualquer representação pública que impressiona ou é destinada a impressionar. 4. Representação teatral, cinematográfica, circense etc. 5. Exibição de trabalhos artísticos. 6. Objeto de escândalo ou desdém.” (grifo acrescido) Portanto, não há dúvidas de que a direção ou produção de filmes é atividade vedada ao Simples. Ocorre que a recorrente alega não desempenhar a direção ou produção de filmes, mas tão somente atividade a ela acessória, qual seja, artes gráficas. Entretanto, o único documento relativo à própria recorrente, por ela anexa aos autos, conforme visto, é o seu Contrato Social, fls. 5 a 8, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) em 25/04/2000, o qual assim dispõe sobre o seu Objetivo Social, verbis: “CLAUSULA TERCEIRA: OBJETIVO SOCIAL A sociedade tem por objetivo a comercialização, distribuição e produção de filmes, fotos e vídeo, finalização, corte e montagem. Produção e finalização de Imagem.” Às fls. 33 a 38, consta a Alteração Contratual e Redação Consolidada do Contrato Social, datada de 01.01.2006, na qual os sócios, de comum acordo, deliberaram alterar o seu objetivo social para: “Comercialização, distribuição, representação, intermediação e produção de fotos, vídeos, filmes, sites, multimídia, interativo, imagens e áudiovisuais, podendo efetuar apresentações em público, instituições, espetáculos e eventos em geral.” Assim, é certo também que desde o início de suas atividades, ainda no ano de 2000, sempre constou dos objetivos sociais da recorrente a produção de filmes. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 05/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO Processo nº 16645.000032/200744 Acórdão n.º 110200.678 S1C1T2 Fl. 98 7 Ora, a inclusão de certa atividade econômica no contrato social de uma sociedade empresária, que se situa no âmbito dos atos de sua exclusiva responsabilidade, é prova bastante por si só, incumbindo à parte interessada, seja a própria empresa ou o Fisco, descaracterizar o registro. Poderia ter a recorrente demonstrado que, apesar do registro no seu Contrato Social, não teria exercido a referida atividade, mediante a apresentação de suas notas fiscais e contratos eventualmente firmados, conforme, aliás, lhe sinalizara a decisão recorrida, mas ela nada fez neste sentido. Além disto, de se observar que os elementos juntados aos autos e referidos pela decisão recorrida (pesquisas em páginas eletrônicas) apontam no sentido diametralmente oposto às suas alegações. Em lugar de provar as próprias atividades desempenhadas, optou a recorrente por mostrar decisões em processos administrativos e judiciais que deram razão às pessoas jurídicas naqueles processos diretamente envolvidas, o que em nada lhe favorece, pois as decisões ali proferidas produzem efeitos apenas entre as partes, além do que não se tem conhecimento, apenas pela decisão, das circunstâncias específicas que permearam cada caso concreto. Aliás, nos documentos anexos pela recorrente ao recurso (decisões administrativas em sede de Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples) destacase sempre a observação da apresentação de prova documental consistente para dar suporte à decisão proferida (e.g., “Conforme documentos juntados à SRS...”, “Há comprovação documental...”), justamente o que faltou no presente caso. Curiosa é a alegação recursal de que a Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, que instituiu um novo Estatuto Nacional das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, em seu artigo 17, § 1º, consagrou a atividade da defendente, incluindoa na sistemática simplificada, o que demonstraria de forma inequívoca a interpretação errônea da RFB em excluir a empresa do regime tributário diferenciado. Ora, se a empresa não produzia filmes, não há necessidade de trazer a Lei Complementar nº 123/2006 à baila, posto que a recorrente simplesmente não se enquadraria nas vedações impostas pela Lei nº 9.317/96 à opção pelo Simples. Por outro lado, se o artigo 17, § 1º, da referida Lei Complementar, citado pela recorrente, justamente veio a expressamente referir, no inciso XVIII, a “produção cinematográfica e de artes cênicas” como atividade à qual é permitida a opção ao Simples Nacional (posteriormente, esta previsão deslocouse para o inciso XI do parágrafo 5ºD do artigo 18), só resta concluir que efetivamente a recorrente produz filmes. Neste ponto, é imperativo afirmar que o fato de a atividade da recorrente ter sido expressamente incluída pela Lei Complementar nº 123/06 entre aquelas às quais é permitida opção ao Simples Nacional não autoriza nem desautoriza qualquer conclusão a respeito da mesma atividade quanto à possibilidade de opção ao Simples nos termos da Lei n° 9.317/96. Isto porque tratase de dois regimes jurídicos totalmente distintos, com suas próprias normas jurídicas, e o que se aplica a um pode não se aplicar ao outro, e viceversa. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 05/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO Processo nº 16645.000032/200744 Acórdão n.º 110200.678 S1C1T2 Fl. 99 8 Assim, se a Lei Complementar nº 123/06 expressamente incluiu a atividade da recorrente entre as permitidas ao Simples Nacional, por outro lado a Lei n° 9.317/96 expressamente a incluía entre as atividades vedadas à opção pelo Simples. Portanto, correta a exclusão procedida. Com relação à alegação de que os efeitos do Ato Declaratório não poderiam retroagir, tampouco assiste razão à recorrente, pois os seus efeitos retroativos estão expressamente previstos em lei, no caso o art. 15, inciso II, da Lei n° 9.317/96, sendo cediço que o CARF não pode deixar de aplicar lei tributária sob o fundamento de violação a princípios constitucionais. Pelo mesmo motivo (expressa previsão em lei) não tem nenhuma aplicação ao caso concreto a alegação recursal de que o art. 106, inciso I, do CTN, quando trata da aplicação da lei a ato ou fato pretérito, excluiria a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados. No caso concreto, a retroação dos efeitos à data de 01.01.2002 foi muito bem explicitada pela decisão recorrida, cujos fundamentos adoto, como se aqui transcritos estivessem. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 99DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 05/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PES SOA MONTEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000235/2002-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000
LEI N° 10.174/2001. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. DECISÃO DO STJ EM RECURSOS REPETITIVOS. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, aplica-se a fatos pretéritos a Lei n° 10.174/2001, que possibilita a quebra de sigilo bancário no curso da fiscalização por parte da autoridade fiscal.
Numero da decisão: 9202-002.040
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. DECISÃO DO STJ EM RECURSOS REPETITIVOS. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, aplicase a fatos pretéritos a Lei n° 10.174/2001, que possibilita a quebra de sigilo bancário no curso da fiscalização por parte da autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Fl. 647DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.000235/200228 Acórdão n.º 9202002.040 CSRFT2 Fl. 2 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcelo Oliveira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Elias Sampaio Freire, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gonçalo Bonet Allage e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte. Lavrouse auto de infração contra o contribuinte, apurandose os seguintes tópicos: dedução indevida de despesas médicas e omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários. A contribuinte apresentou impugnação às fls. 327/341 dos autos. A DRJ julgou procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000 Ementa: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. Considerase não impugnada, portanto não litigiosa a parte do lançamento não contestada expressamente pelo contribuinte. SIGILO BANCÁRIO É lícito ao Fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento, a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (Art. 144, §1°, do CTN). Fl. 648DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.000235/200228 Acórdão n.º 9202002.040 CSRFT2 Fl. 3 3 A Lei Complementar n° 105/2001 e a Lei n° 10.174/2001, que deu nova redação ao §3° do art. 11 da Lei n° 9.311/1996, disciplinam o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir do mês de janeiro de 2001, poderão valerse dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos. CONTRATO DE MÚTUO. EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADO. A simples apresentação de contrato de mútuo, não registrado em cartório, é insuficiente para comprovar a efetiva realização do negócio, e a alegação da existência de empréstimo contraído com terceiro, pessoa física ou jurídica, deve vir acompanhada de provas inequívocas, da efetiva transferência do numerário emprestado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9.430/96, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Lançamento Procedente. A contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 376/395 dos autos. Converteuse o julgamento em diligência (fls. 417/423). Às fls. 506/524 dos autos, a antiga Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes negou provimento ao recurso da contribuinte. Eis a ementa do julgado: IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXTRATOS BANCÁRIOS. NORMA DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO RETROATIVA A lei n° 10.174, de 2001, que alterou o art. 11, parágrafo 3°, da Lei n° 9.311, de 1996, de natureza procedimental ou formal, por força do que dispõe o art. 144, §1° do Código Tributário Nacional tem aplicação aos procedimentos tendentes à apuração de crédito tributário na forma do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, cujo fato gerador se verificou em período anterior à publicação desde que a constituição do crédito não esteja alcançada pela decadência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários, cuja origem em rendimentos já tributados, isentos e não tributáveis o sujeito passivo não comprova mediante prova hábil e idônea. Recurso negado. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.000235/200228 Acórdão n.º 9202002.040 CSRFT2 Fl. 4 4 A contribuinte interpôs o presente recurso especial (fls. 535/549), com fundamento em divergência jurisprudencial relativa a dois pontos: primeiro, no que tange à aplicação retroativa, ao seu caso, da Lei Complementar n° 105/2001 e da Lei n° 10.174/2001; bem como em relação à impossibilidade de autuação fiscal, com base, tãosomente, em depósitos bancários. Conforme despacho de fls. 572/575, deuse parcial seguimento ao recurso especial da contribuinte, reconhecendose divergência jurisprudencial apenas no que se refere à aplicação retroativa da Lei n° 10.174/2001. Interposto agravo contra tal despacho, este restou mantido, nos termos da decisão presente às fls. 608/612 dos autos. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarazões às fls. 584/596 dos autos. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. A questão a ser resolvida consiste em se definir se a lei n° 10.174/2001 pode ser aplicada retroativamente a fatos anteriores à sua entrada em vigor. O regimento interno do CARF prevê, em seu artigo 62A, que: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. {2} Neste sentido, temse julgamento de recurso especial (Resp n° 1.134.665 SP), tramitado sob o procedimentos dos recursos repetitivos, em que se decidiu no seguinte sentido: Fl. 650DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.000235/200228 Acórdão n.º 9202002.040 CSRFT2 Fl. 5 5 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringir seiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer Fl. 651DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.000235/200228 Acórdão n.º 9202002.040 CSRFT2 Fl. 6 6 elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Conseqüentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurála. 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do Fl. 652DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.000235/200228 Acórdão n.º 9202002.040 CSRFT2 Fl. 7 7 contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. 16. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 601.314/SP, cujo thema iudicandum restou assim identificado: "Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial. Art. 6º da Lei Complementar 105/2001." 17. O reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 18. Os artigos 543A e 543B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por outros tribunais, que verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702/RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878/SP, Rel Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637/MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580/RN, Rel. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.000235/200228 Acórdão n.º 9202002.040 CSRFT2 Fl. 8 8 Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). 19. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum , configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Desta forma, aplicandose a decisão do Superior Tribunal de Justiça, consolidase o entendimento de que a Lei n° 10.174/2001, no que possibilita à fiscalização a quebra do sigilo bancário, incide a fatos pretéritos, relativamente à sua entrada em vigor. Procede a fiscalização com base em depósitos bancários. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial do contribuinte. Sala das Sessões, em 21 de março de 2012 21 de março de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 654DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10980.722396/2010-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa:
Multa qualificada. Motivação.
A simples incompatibilidade entre os valores de compras declaradas em DIPJ e o valor obtido em procedimento de circularização é insuficiente para a qualificação da multa, especialmente se, no caso concreto, não se pode concluir sobre quais as compras forma omitidas e se houve pagamento das
mesmas.
Multa agravada.
Exonera-se a multa agravada se não há evidência de prejuízo ao fisco pela falta de entrega de documentos e esta mesma falta levou ao arbitramento do lucro.
Decadência.
Não demonstrado o dolo e comprovado o pagamento de tributos no exercício analisado, aplica-se o art. 150 do CTN para aferir o prazo decadencial.
Numero da decisão: 1302-000.817
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso, afastando as multas qualificadas e agravadas e reconhecendo a decadência do lançamento referente aos períodos até o 2º trimestre de 2005
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2005 Ementa: Multa qualificada. Motivação. A simples incompatibilidade entre os valores de compras declaradas em DIPJ e o valor obtido em procedimento de circularização é insuficiente para a qualificação da multa, especialmente se, no caso concreto, não se pode concluir sobre quais as compras forma omitidas e se houve pagamento das mesmas. Multa agravada. Exonera-se a multa agravada se não há evidência de prejuízo ao fisco pela falta de entrega de documentos e esta mesma falta levou ao arbitramento do lucro. Decadência. Não demonstrado o dolo e comprovado o pagamento de tributos no exercício analisado, aplica-se o art. 150 do CTN para aferir o prazo decadencial.
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Recorrida FAZENDA ANCIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: Multa qualificada. Motivação. A simples incompatibilidade entre os valores de compras declaradas em DIPJ e o valor obtido em procedimento de circularização é insuficiente para a qualificação da multa, especialmente se, no caso concreto, não se pode concluir sobre quais as compras forma omitidas e se houve pagamento das mesmas. Multa agravada. Exonerase a multa agravada se não há evidência de prejuízo ao fisco pela falta de entrega de documentos e esta mesma falta levou ao arbitramento do lucro. Decadência. Não demonstrado o dolo e comprovado o pagamento de tributos no exercício analisado, aplicase o art. 150 do CTN para aferir o prazo decadencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, afastando as multas qualificadas e agravadas e reconhecendo a decadência do lançamento referente aos períodos até o 2º trimestre de 2005 (documento assinado digitalmente) Fl. 5953DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, , Eduardo de Andrade, Guilherme Polastri Gomes da Silva e Marcos Rodrigues de Mello. Relatório Fl. 5954DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10980.722396/201097 Acórdão n.º 130200.817 S1C3T2 Fl. 2 3 Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, autorizada pelo Mandado de Procedimento FiscalFiscalização nº 09.1.01.00 2008013601, foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Auto de Infração de IRPJ 2. O auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 57665773 e 58475854), exige o recolhimento de R$ 1.998.749,70 de imposto e R$ 4.497.182,82 a título de multas de lançamento de ofício de 225%, prevista no art. 44, II e § 2º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em sua redação original, além dos acréscimos legais. 3. Arbitramento do lucro com base no valor das compras de mercadorias (quatro décimos), nos termos do art. 530, III, e 535, V, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999), conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 57455765): . 1º trimestre/2005 ....................................................................................... R$ 4.283.558,97 . 2º trimestre/2005 ....................................................................................... R$ 4.471.015,82 . 3º trimestre/2005 ....................................................................................... R$ 6.161.671,39 . 3º trimestre/2005 ....................................................................................... R$ 7.399.171,27 Auto de Infração de CSLL 4. O auto de infração de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 58745780 e 58555861), exige o recolhimento de R$ 659.868,36 de contribuição e R$ 1.484.703,80 a título de multa de lançamento de ofício de 225%, prevista no art. 44, II e § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996 (redação original), além dos acréscimos legais. 5. O lançamento decorre da mesma infração que deu causa ao lançamento de IRPJ, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 57455765), com infração ao disposto no art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 55 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Impugnação 6. Regularmente intimada em 21/07/2010, a interessada, por intermédio de seu representante legal (mandato à fl. 5817), apresentou, em 19/08/2010, a tempestiva impugnação de fls. 57885815, cujo teor é sintetizado a seguir: a) relata incêndio ocorrido em 06/07/2005 no seu depósito central, que destruiu o estoque de mercadorias para revenda e o arquivo de documentos administrativos e fiscais, conforme informa o Boletim de Ocorrência n° 00008/2005008271, lavrado em 07/07/2005 pelo 8º Distrito Policial do Departamento de Polícia Civil de Curitiba (fl. 48), e do Laudo de Exame de Local de Incêndio e Danos, do Instituto de Criminalística da Polícia Científica da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Estado do Paraná (fls. 4970); b) que esse sinistro causou a completa destruição das mercadorias lá depositadas, o que exigiu uma rápida, imprevista e onerosa reposição, com compras no montante de R$ 2.053.624,16 e R$ 2.211.643,42 nos meses de julho e de agosto/2005, respectivamente, enquanto a média mensal das compras no 1º Fl. 5955DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 semestre/2005 foi de apenas R$ 1.459.095,50; c) que também ocorreu a desestruturação dos serviços administrativos diante da destruição da documentação comercial e fiscal, inclusive dos respectivos registros em mídia eletrônica, que lá se encontravam por razões de segurança e de espaço disponível; d) alega que, não obstante o pronto e integral atendimento das diversas intimações fiscais recebidas no curso da ação fiscal, com as devidas e necessárias justificativas e comprovação da impossibilidade material da apresentação de documentação e de livros comerciais e fiscais destruídos pelo incêndio, foi surpreendida com o recebimento, em 21/07/2010, dos autos de infração em análise; e) com relação ao arbitramento do lucro, aduz que a fiscalização fundamentou sua adoção na falta de apresentação da escrituração comercial; que tal afirmação não condiz com a realidade em face de não ter havido recusa na sua apresentação; que, ademais, foram entregues os Livros de Apuração do ICMS nºs 11, 09 e 02, respectivamente, da matriz e das filiais inscritas no CNPJ sob as séries 0002 e 0003, únicos livros dentre a documentação fiscal destruída no incêndio cuja reconstituição/restauração foi possível fazer, no caso, com base nos arquivos digitais da Secretaria de Estado da Fazenda do Paraná, extraídos das correspondentes Guias de Informação e Apuração do ICMS do ano de 2005; f) que esses livros possibilitam o conhecimento dos totais mensais das compras e vendas do período fiscalizado, totais esses que se revelaram inferiores ao montante das compras apuradas externamente pela fiscalização; que essa diferença possibilita à fiscalização presumir correspondente omissão de receitas com base no dispositivo legal que menciona; g) a fiscalização utiliza argumentos imprecisos e vagos para justificar o arbitramento do lucro, com conclusões desprovidas de um mínimo de certeza e de materialidade com respeito à destruição dos livros e documentos comerciais e fiscais, valendose, à exaustão, e unicamente, de expressões imprecisas e vagas, como “muito improvável”, “mais provável”, é “altamente improvável”, além do fato de que o imóvel sinistrado não ser estabelecimento formal da empresa; h) confirma que efetivamente o imóvel sinistrado não era de sua propriedade e nem estava formalmente inscrito como estabelecimento da empresa, fato, porém, irrelevante nesta questão, porquanto pertencente ao seu sócio majoritário e administrador, Wagi Wassouf, o que se compreende como um procedimento natural e normal desse sócio para não onerar os custos e despesas de sua empresa; i) com relação à ausência de publicação em jornal local de grande circulação e de comunicação ao Registro do Comércio da destruição por incêndio da documentação fiscal da impugnante, reconhece que de fato ocorreu a omissão com respeito a essas obrigações legais acessórias, o que se compreende pela total desestruturação e descontrole administrativos que se sucedem a sinistros dessa natureza; ressalta que o incêndio em questão foi objeto de amplas reportagens jornalísticas locais; que não pode a fiscalização valerse Fl. 5956DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10980.722396/201097 Acórdão n.º 130200.817 S1C3T2 Fl. 3 5 da ausência do cumprimento de obrigações acessórias como essas para fundamentar o arbitramento do seu lucro; j) é improcedente o arbitramento por lhe faltar o necessário e imprescindível prévio ato formal da fiscalização declaratório da desclassificação dos registros das compras e das vendas da impugnante contidos nos livros de Apuração do ICMS; k) a fiscalização lhe impôs, por via de suas intimações, exigências fiscais de apresentação de provas materiais impossíveis, vez que destruídas em sinistro causado por incêndio cujo teor do correspondente Boletim de Ocorrência Policial e do laudo oficial de criminalística não foram, em momento algum, infirmados materialmente pela Fiscalização; não poderia jamais a fiscalização interpretar a impossibilidade material de fornecimento parcial de sua documentação comercial e fiscal como recusa motivada ou embaraço de natureza dolosa; l) em que pese a fiscalização ter em suas mãos a conferência dos valores das compras e das vendas no ano de 2005 registrados nos Livros de ICMS, ela optou injustamente por considerar desconhecida a receita bruta da empresa, contrariando o disposto no art. 532 do RIR de 1999, derivando para a tributação de uma renda presumida sob o regime do lucro arbitrado, tomando para base de cálculo o percentual de 40% das compras no montante de R$ 22.317.417,45; m) a fiscalização declarou no subitem 2.1 do Termo de Verificação Fiscal serem razoavelmente compatíveis os valores das compras e vendas declaradas na DIPJ e nos Livros de Apuração do ICMS, com o que fica demonstrada formalmente a autenticidade dos registros fiscais destes livros; n) se valores de compras adicionais foram apuradas mediante diligências perante terceiros, omissas nos registros da impugnante pelos seus descontroles administrativos que se sucederam ao mencionado incêndio, o valor total dessas compras omitidas corresponde, contábil e materialmente, a equivalente dispêndio de caixa pelos respectivos pagamentos e traduz omissão de receitas de igual valor, que deveria ter sido tributada com fundamento no art. 532 do RIR de 1999; o) contesta o critério adotado com base no valor das compras previsto no art. 535, V do RIR de 1999, porquanto da totalidade das compras caberia a dedução das mercadorias em estoque em 31.12.2005, no total de R$ 5.415.616,34; assim, é de R$ 19.556.268,54 o montante das mercadorias compradas no anocalendário de 2005 que efetivamente geraram venda/renda; p) a fiscalização desconsiderou os valores espontaneamente registrados na DIPJ 2006 e nos livros de Apuração do ICMS, com compras declaradas no montante de R$ 10.936.624,00 e vendas no total de R$ 10.511.487,96, estas regularmente tributadas pelo regime do lucro presumido no ano de 2005; q) a fiscalização também está injustamente tributando as mercadorias estocadas no dia 06/07/2005 que foram consumidas no incêndio, as quais evidentemente não foram objeto de venda; Fl. 5957DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 6 r) como as compras adicionais realizadas em julho e agosto/2005, no valor de R$ 1.347.076,58, em relação às média mensal das compras no 1º semestre/2005, inexistiriam se não houvesse o sinistro, a esse valor não poderiam ser atribuídas correspondentes vendas/receitas; s) portanto, devese deduzir do total das compras apuradas (R$ 19.556.268,54) o valor das compras regularmente escrituradas (R$ 10.936.624,00) e as compras adicionais realizadas em julho e agosto/2005 (R$ 1.347.076,58), de modo a resultar uma base de cálculo de apenas R$ 7.272.567,96; t) contesta a agravamento para 225% da multa qualificada em face de constar do Laudo de Exame do Instituto de Criminalística (fls. 49 e seguintes) que o imóvel sinistrado era utilizado para depósito de mercadorias, algumas delas salvas do incêndio, o que respalda o próprio Boletim de Ocorrência, segundo o qual eram também ali guardados documentos e livros comerciais e fiscais da empresa; u) é totalmente descabida a afirmação do fisco de que a interessada e o sócio, proprietário do imóvel sinistrado, teriam interesse direto no incêndio em comento e nos vultosos prejuízos havidos para a prática de infrações fiscais três anos após o incêndio de 2005 (considerando o termo de início de fiscalização em 13/08/2008); v) o art. 142 do CTN não permite o exercício da análise subjetiva pela autoridade lançadora; que as infundadas assertivas da fiscalização revelam completa insegurança em comprovar a intenção da contribuinte em não fornecer os documentos e livros solicitados no curso da ação fiscal; w) que envidou todo o esforço possível para apresentar ao fisco os documentos e os livros de que dispunha na ocasião, razão pela qual resta impossibilitada a majoração da multa de ofício; conforme disposto no art. 112 do CTN, em caso de dúvida e sendo esta justificada, a interpretação a ser dada é no sentido de se rejeitar o agravamento da multa qualificada em mais 50%; que o incêndio ocorrido tem todas as características de caso fortuito/ou de força maior, daí ser plenamente cabível a aplicação ao caso do art. 1.058 e parágrafo único do Código Civil; x) também se insurge contra o arbitramento em si e a multa qualificada de 150%; argúi que a fiscalização não demonstrou inequivocamente ser possível a apresentação da documentação e dos livros, o que somente aconteceria se desqualificados o Boletim de Ocorrência e o Laudo de Exame do Instituto de Criminalística; y) que carecem os lançamentos de provas incontestáveis que sustentem a acusação feita à fiscalizada, razão pela qual estão eles em total desacordo com o art.142 do CTN, que não permite o exercício da apreciação subjetiva do auditorfiscal em casos dessa natureza; que a despeito desse quadro, entendeu a autoridade fiscal que os atos praticados pelo sujeito passivo configurariam crime contra a ordem tributária pela prática da sonegação, sujeitos à aplicação da multa qualificada de 150%; z) a fiscalização não apresentou qualquer elemento concreto que inequivocamente comprovasse haver a empresa praticado ato que, nos termos da lei, pudesse ser caracterizado como fraude; que o fisco declarou como verdadeiras as informações sobre compras da impugnante fornecidas pelas Secretarias da Fazenda dos Estados do Paraná e do Rio Grande do Sul; de intuito de fraude aqui não se Fl. 5958DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10980.722396/201097 Acórdão n.º 130200.817 S1C3T2 Fl. 4 7 pode falar, muito menos que esteja ela evidente a justificar a penalidade máxima, pois não houve falsificação de documentos, as informações e os documentos disponíveis foram, apesar das limitações, apresentados adequada e prontamente; aa) do exíguo arrazoado fiscal justificador da aplicação da multa qualificada deduzse que parte das operações mercantis da empresa teria sido intencionalmente ocultada do Fisco; contudo, não ficou caracterizado o nexo causal, a relação de causa e efeito nos crimes tributários previstos na legislação que cita, ou seja, a intenção dolosa de reduzir tributo devido ou de anulálo, mediante a prática de ato ou omissão fraudulenta, falseando a verdade para ludibriar ou enganar a Fazenda Pública; que à autoridade fiscal cabe apresentar provas irrefutáveis da conduta configurada na lei, afastadas, por isso, presunções relativas, índices e ficções; bb) também argúi a preliminar de decadência para o IRPJ e CSLL dos 1º e 2º trimestres/2005; que tratandose de imposto e contribuição sujeitos ao lançamento por homologação, havendo pagamento antecipado de ambos, o prazo decadencial se conta a partir da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 4o, do CTN, e não do seu art. 173, inciso I, conforme agiu a Fiscalização; cc) o STF editou a Súmula Vinculante n° 8, dd) ao final requer: ee) I) a desconsideração do arbitramento dos lucros; II) alternativamente, que seja recalculado o lucro arbitrado nos termos do art. 532 do RIR de 1999; III) a reconsideração dos cálculos da fiscalização, observados os critérios e respectivos fundamentos e razões já apresentados; IV) exclusão do agravamento da multa no percentual de 50% da multa de ofício; V) redução da multa de ofício para 75%; VI) reconhecimento da decadência do lançamento dos tributos relativos aos primeiro e segundo trimestres/2005; VII) que a representação fiscal para fins penais lavrada pelo auditorfiscal autuante, objeto do Processo Administrativo n° 10980.722495/2010 79, permaneça apensada ao presente processo administrativo fiscal, aguardando sua remessa ao órgão do Ministério Público competente até a data do trânsito em julgado da decisão administrativa de instância final neste processo, por força das disposições do § 7o do art. 3o da Portaria SRF n° 326, de 15/03/2005, ou, se for o caso, observada rigorosamente a prescrição do § 7o do art. 1o da mesma Portaria. 7. A Representação Fiscal para Fins Penais foi formalizada nos autos do processo nº 10980.722495/201079, conforme disposto no Decreto nº 2.730, de 10 de agosto de 1998, e na Portaria RFB nº 665, de 24 de abril de 2008. 8. Sendo o crédito tributário superior a R$ 500.000,00 e tendo excedido a 30% do patrimônio conhecido da contribuinte, foi efetuado arrolamento de bens nos autos do processo nº 10980.722494/201024. A DRJ decidiu: Fl. 5959DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 ARBITRAMENTO DO LUCRO. Na impossibilidade material de apurar o lucro da pessoa jurídica, pela falta de apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, cabe à autoridade fiscal apurar o imposto com base no arbitramento do lucro. ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITA BRUTA DESCONHECIDA. APURAÇÃO COM BASE NO VALOR DAS COMPRAS DE MERCADORIAS. O lucro arbitrado da pessoa jurídica, quando desconhecida a receita bruta, pode ser determinado mediante aplicação do coeficiente de 0,4 sobre o valor das compras de mercadorias, dentre outras opções de cálculo, a critério da autoridade tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizada a existência de dolo, fraude ou simulação, aplicase na contagem do prazo decadencial o art. 173, I do CTN, tendo como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO DOLO. Aplicável a multa qualificada de 150% quando caracterizado que a interessada agiu de maneira dolosa ao prestar falsa declaração na DIPJ, informando nível de atividade muito inferior ao efetivamente realizado. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Correto o agravamento da multa de ofício quando restar caracterizada a recusa e/ou resistência por parte da contribuinte no atendimento às intimações fiscais para prestação de esclarecimentos e apresentação de arquivos digitais. DECORRÊNCIA. CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL. A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 21/09/2010 e apresentou recurso em 19/10/2010. Em seu recurso reitera os argumentos apresentados em sede de impugnação e, em especial, que: em incêndio ocorrido em 06/07/2005, destruindo tudo, inclusive seus documentos fiscais; que entregou à fiscalização os livros de apuração de ICMS; Fl. 5960DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10980.722396/201097 Acórdão n.º 130200.817 S1C3T2 Fl. 5 9 que no local do incêndio inexistia inscrição de estabelecimento comercial, pois pertencia ao sócio e era cedido para uso da recorrente, inclusive para guarda de documentos fiscais; que, intimada pela fiscalização, esclareceu ser impossível a reconstituição da escrituração comercial; que entende indevido o arbitramento do lucro; que não poderia ter sido paliçada a multa qualificada; que também não poderia ter sido agravada a multa de ofício por falta de entrega de documentos; que a alegada inexistência de publicação em jornal local e comunicação ao Registro de Comércio sobre a destruição da documentação e dos seu livros fiscais de correu da total e imediata desestruturação e descontrole administrativos que se sucederam ao sinistro; que teria ocorrido decadência relativa aos primeiro e segundo trimestre de 2005, pois o lançamento foi cientificado em 21 de agosto de 2010 Fl. 5961DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 10 Voto O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. A análise da decadência depende da manutenção ou não da qualificação da multa de ofício aplicada pela fiscalização. No termo de verificação fiscal consta: Já a DRJ se manifestou sobre o tema: A multa qualificada de 150% encontrase regulada pelo art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, em sua redação original, in verbis: “Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) IIcento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...)” (Grifouse) Por sua vez, assim dispõe a Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributaria principal, sua natureza ou circunstancias materiais; Fl. 5962DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10980.722396/201097 Acórdão n.º 130200.817 S1C3T2 Fl. 6 11 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributaria principal ou o credito tributário correspondente. Art. 72. Fraude a toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributaria principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio e o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72.” Para se atingir o convencimento de que houve a prática de qualquer das condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, é necessária a constatação de prática caracterizadora do dolo. Analisandose as características textuais das definições empreendidas pelos artigos 71 e 72, a primeira premissa indispensável é a de que sonegação e fraude são condutas dolosas. Isso se depreende da expressão “... toda ação ou omissão dolosa tendente ...”, que é repetida em ambos os artigos. Sonegação e fraude puníveis, aqui, são condutas, e não genericamente quaisquer situações jurídicas. São sempre uma “ação” ou “omissão” perpetradas por ser humano, seja em relação ao sujeito passivo pessoa física, seja em relação ao sujeito passivo pessoa jurídica. Isto é, apenas existe sonegação ou fraude qualificadoras se houver uma conduta humana (ação ou omissão). A conduta humana qualificadora deve ser dolosa. Afora todas as doutrinas e controvérsias existentes, podese satisfatoriamente colherse no direito positivo brasileiro o conceito jurídico de dolo. O Código Penal (DecretoLei nº 2.848, de 1940) prevê as figuras do dolo direto e do dolo eventual; tendo adotado a “teoria da vontade” em relação ao dolo direto e a “teoria do assentimento” em relação ao dolo eventual. Segundo a teoria da vontade, age dolosamente quem pratica a ação consciente e voluntariamente. São elementos do dolo: a) a consciência, isto é, o conhecimento do fato, a ciência de que a conduta é a conduta típica; b) a vontade de realizar a conduta típica. Eis o “dolo direto”: a vontade consciente de realizar a conduta típica. Age dolosamente (dolo direto) quem age sabendo que está agindo e querendo agir dessa maneira, mesmo que ignore completamente o caráter ilícito dessa ação. A potencial consciência da ilicitude não é elemento do dolo e, por isso, não se localiza dentro da tipicidade, mas sim é elemento componente da culpabilidade. Se a pessoa realiza uma conduta sabendo que Fl. 5963DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 12 estava realizando essa conduta e com vontade de realizar essa conduta, ela agiu dolosamente, ainda que tivesse plena convicção da licitude dessa conduta. Terá incorrido numa excludente de culpabilidade – erro de proibição –, mas terá agido dolosamente. Já o dolo eventual, conforme a teoria do consentimento, existe quando o sujeito tem a previsão da possibilidade de acontecimento do resultado e ainda assim realiza a conduta, ainda que não queira o resultado. O agente consente em realizar o resultado, mesmo que não o queira (irrelevância da vontade, substituída pelo assentimento). E aqui a diferença fundamental em relação à “culpa consciente”, que acontece quando o sujeito prevê a possibilidade do resultado, mas com ele não assente, porque ele acredita sinceramente que o resultado não acontecerá. Portanto, sonegação e fraude são condutas dolosas (dolo direto ou eventual). Para qualificar a multa proporcional de ofício, a autoridade fiscal deve identificar e comprovar a ocorrência da conduta dolosa do sujeito passivo. No caso dos autos, a contribuinte apresentou a DIPJ 2006 com falsa informação de nível de atividade muito inferior ao efetivamente realizado. O vasto conjunto probatório trazido os autos pela autoridade fiscal demonstra irrefutavelmente que o total de compras de mercadorias efetuadas pelo sujeito passivo no anocalendário de 2005 atingiu o valor de pelo menos R$ 22.315.417,45, enquanto na DIPJ 2006 informou compras no montante de R$ 10.936.624,00, fato que denota ser o nível de atividade da empresa muito superior ao retratado nessa DIPJ, com receita bruta declarada de apenas R$ 10.511.487,96. (grifo e negrito inexistentes no original) Por conseguinte, a prestação da falsa informação na DIPJ 2006 caracteriza o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador e das condições da contribuinte, obtendo como resultado a redução do montante do tributo devido, materializandose a hipótese do art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964. Dessa forma, voto por manter a qualificação da multa de ofício. Entendo que a decisão recorrida não pode ser mantida no que se refere à qualificação da multa. Tenho me expressado no sentido de que é possível a qualificação da multa quando se utiliza presunções legais para aferir a base de cálculo do tributo, pelas mais diversas formas previstas na legislação (depósitos bancários de origem não comprovada, saldo credor de caixa, passivo fictício etc), desde que fique demonstrado o elemento doloso da conduta. No entanto, no caso dos autos, a situação é diversa. Diante da falta de escrituração fiscal confiável, a fiscalização arbitrou o lucro com base em compras efetuadas pelo contribuinte e apuradas através de circularização junto aos seus fornecedores. Fl. 5964DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10980.722396/201097 Acórdão n.º 130200.817 S1C3T2 Fl. 7 13 No entanto, não foi apurado um valor de receita omitida por presunção de omissão de pagamentos de compras, conforme admitido pela fiscalização, mas arbitrado o lucro com base em compras. Não se pode afirmar nem quais foram as compras que não foram contabilizadas e qual o valor da receita omitida. O que houve, no caso concreto, foi o arbitramento do lucro com base em compras efetuadas no período, parte delas contabilizadas e parte conhecidas a partir de circularização junto aos fornecedores da recorrente. Entendo que, no caso concreto, correto está o arbitramento do lucro, pois não havia a possibilidade de aferir o lucro real em face da contabilidade e o critério utilizado foi um dos previstos na legislação de regência. No entanto, entendo que a divergência entre os valores das compras informadas em DIPJ e as apuradas em circularização não se subsumem ao previstos nos artigos 71 a 73 da Lei 4502/64, abaixo transcritos: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Entendo que a aplicação da multa qualificada não foi adequadamente justificada neste caso, pois não identificada a conduta que se subsume aos atos de sonegação, fraude ou conluio, necessários para a aplicação da multa de 150%, nos termos da Lei 9430/96. Embora exista nos autos indícios de comportamento doloso dos agentes da recorrente, a investigação sobre esses indícios não foram aprofundadas, gerando dúvidas sobre o elemento subjetivo da conduta, em especial diante da impossibilidade de se afirmar se houve alteração na base de cálculo dos tributos em função da conduta atribuída á recorrente. Embora a omissão de pagamentos seja considerada como suficiente para presumirse a omissão de receitas, o mesmo não ocorre com a omissão de compras, que, em um primeiro momento até aumenta a base tributável da recorrente. Diante de omissão de compras, pode ter havido e, é provável que tenha havido, omissão de registro de pagamentos destas compras e daí a fiscalização poderia ter presumido a omissão de receitas e, neste caso, atendidas determinadas condições, poderia ser aplicada a multa qualificada. Não foi o caso dos autos. Diante da divergência entre o total do valor das compras no anocalendário declaradas em DIPJ e o valor obtido em procedimento de circularização, a fiscalização optou por arbitrar o lucro, sem prosseguir na investigação fiscal.] Fl. 5965DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 14 Entendo, portanto, que no caso concreto, não se aplica a qualificação da multa, devendo a mesma ser reduzida para 75%. Tendo sido exonerado a multa qualificada, passo a analisar a alegação de decadência. A recorrente apresentou DIPJ pelo lucro presumido e, portanto, com apuração de IRPJ e CSLL trimestrais e realizou pagamentos de tributos, conforme admito pelo termo de verificação fiscal., sendo aplicável, portanto, para verificação do prazo decadencial, o art. 150, § 4º da lei 5172/66 (CTN). Tendo sido lançamento cientificado ao sujeito passivo em 21/07/2010, entendo que decaíram os lançamentos referentes aos fatos geradores ocorridos até essa data (1º e 2º trimestres de 2005). Diante do exposto, voto por reconhecer a decadência em relação aos lançamentos referentes aos fatos geradores ocorrido até o 2º trimestre de 2005. Quanto à aplicação da multa agravada, entendo que não mercê melhor sorte. Embora a recorrente não tenha tomado as medidas exigidas pela legislação de regência quando da ocorrência do incêndio que, supostamente, teria destruído documentação fiscal necessária para demonstração da correção das informações prestadas em DIPJ, a fiscalização, corretamente, já arbitrou o lucro da mesma, não havendo, portanto, prejuízo ao interesse do fisco pelo não atendimento/atendimento incompleto às intimações da fiscalização. Entendo que não foi demonstrado nos autos que o não atendimento/atendimento incompleto foi deliberado e, diante do arbitramento do lucro, não fica demonstrado prejuízo. Me manifesto, portanto, pela exoneração da multa agravada. Quanto ao arbitramento, não vejo objeção ao procedimento adotado pela fiscalização. Vejamos: A legislação de regência prescreve (Lei 8981/95): Art. 51. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando não conhecida a receita bruta, será determinado através de procedimento de ofício, mediante a utilização de uma das seguintes alternativas de cálculo: I 1,5 (um inteiro e cinco décimos) do lucro real referente ao último período em que pessoa jurídica manteve escrituração de acordo com as leis comerciais e fiscais, atualizado monetariamente; II 0,04 (quatro centésimos) da soma dos valores do ativo circulante, realizável a longo prazo e permanente, existentes no último balanço patrimonial conhecido, atualizado monetariamente; III 0,07 (sete centésimos) do valor do capital, inclusive a sua correção monetária contabilizada como reserva de capital, constante do último balanço patrimonial conhecido ou Fl. 5966DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10980.722396/201097 Acórdão n.º 130200.817 S1C3T2 Fl. 8 15 registrado nos atos de constituição ou alteração da sociedade, atualizado monetariamente; IV 0,05 (cinco centésimos) do valor do patrimônio líquido constante do último balanço patrimonial conhecido, atualizado monetariamente; V 0,4 (quatro décimos) do valor das compras de mercadorias efetuadas no mês; VI 0,4 (quatro décimos) da soma, em cada mês, dos valores da folha de pagamento dos empregados e das compras de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem; VII 0,8 (oito décimos) da soma dos valores devidos no mês a empregados; VIII 0,9 (nove décimos) do valor mensal do aluguel devido. § 1º As alternativas previstas nos incisos V, VI e VII, a critério da autoridade lançadora, poderão ter sua aplicação limitada, respectivamente, às atividades comerciais, industriais e de prestação de serviços e, no caso de empresas com atividade mista, ser adotados isoladamente em cada atividade. § 2º Para os efeitos da aplicação do disposto no inciso I, quando o lucro real for decorrente de períodobase anual, o valor que servirá de base ao arbitramento será proporcional ao número de meses do períodobase considerado. § 3º Para cálculo da atualização monetária a que se referem os incisos deste artigo, serão adotados os índices utilizados para fins de correção monetária das demonstrações financeiras, tomandose como termo inicial a data do encerramento do períodobase utilizado, e, como termo final, o mês a que se referir o arbitramento. Diante da impossibilidade, real ou simplesmente alegada, da recorrente em fornecer os documentos e livros que comprovassem as informações prestadas em DIPJ e DCTF que serviram para o pagamento dos tributos no anocalendário, não havia alternativa à fiscalização senão o arbitramento e, sendo a receita bruta desconhecida, o fisco utilizou o valor das compras como base para o arbitramento e adotou como valor de destas o valor obtido na circularização realizada entre os fornecedores da recorrente. Diante da falta da entrega de documentos pela recorrente e do desconhecimento da receita bruta auferida, foi correto o arbitramento do lucro tomando por base o valor das compras. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de 225% para 75%, exonerando a qualificação e o agravamento da multa de ofício e reconhecendo a decadência do lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos até 30/06/2005. Fl. 5967DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 16 (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello relator Fl. 5968DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10166.901005/2009-69
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2005
PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE.
Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de CSLL decorrente do ajuste anual.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e
disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.
Numero da decisão: 1801-000.853
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para se pronunciar sobre o valor do direito creditório pleiteado e a respeito dos pedidos de compensação dos débitos, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de CSLL decorrente do ajuste anual. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para se pronunciar sobre o valor do direito creditório pleiteado e a respeito dos pedidos de compensação dos débitos, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Fl. 100DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.901005/200969 Acórdão n.º 180100.853 S1TE01 Fl. 100 2 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 23.06.2005, fls. 2732, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$56.765,61 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) determinada sobre a base de cálculo estimada, código nº 2484, efetuado em 31.12.2004. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 25, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 05.03.2009, fl. 67, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 06.04.2009, fls. 0104, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que apurou a CSLL a pagar no valor de R$362.001,04 no final do anocalendário 2004. Argúi que houve erro no preenchimento da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) por não ter informado na Ficha 17 a título de CSLL mensal paga por estimativa o valor de R$702.457,12 para fins de cálculo do saldo negativo no valor de R$340.456,08, a despeito do fato de ter confessado os referidos débitos em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) indicando que foram integralmente extintos mediante pagamentos com DARF. Esclarece que nos presentes autos, para fins de compensação tributária, tem direito ao reconhecimento do crédito no valor de R$56.765,61, recolhido em 30.12.2004, que está contido no saldo negativo de CSLL a que tem direito. Solicita a produção de todos os meios de prova em direito admitidas. Por conseguinte, requer que seu direito creditório seja reconhecido e a compensação homologada, porque se originam de valores regularmente escriturados, recolhidos e declarados. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BSA/DF nº 0340.947, de 13.12.2010, fls. 6975:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado Assunto: Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL Data do fato gerador: 31/12/2004 ESTIMATIVA. SALDO DE IMPOSTO A PAGAR OU A COMPENSAR. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.901005/200969 Acórdão n.º 180100.853 S1TE01 Fl. 101 3 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. CIÊNCIA DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. ESTABILIDADE DA LIDE. ALTERAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez apreciado o pedido de compensação pela autoridade administrativa, não há previsão para alteração no direito creditório, o que torna inadmissível a retificação da DCOMP. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Uma vez que o crédito apontado não é passível de restituição, não há que se falar em sua utilização para compensação de débitos, devendo, por conseguinte, não ser homologada a compensação. Notificada em 16.02.2011, fl. 76verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 18.03.2011, fls. 7883, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que apresentou DIPJ retificadora indicando o saldo negativo correto. Reitera que o erro escusável nos dados declarados não tem o condão de extinguir seu direito, de modo que a realização de diligência é imprescindível. Assim novamente requer que seu direito creditório seja reconhecido e a compensação homologada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.901005/200969 Acórdão n.º 180100.853 S1TE01 Fl. 102 4 O regime de tributação com base no lucro real anual, prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência.1 Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 2. A presente 1ª Turma Especial da 1º Seção do CARF examinando esta mesma questão de direito, pacificou o entendimento, de acordo com o Acórdão nº 180100.597 proferido pela Conselheira Relatora Maria de Lourdes Ramirez na sessão de julgamento de 28.06.2011 no processo nº 19647.010657/200610, no seguinte sentido: A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do ano calendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009, Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 2 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.901005/200969 Acórdão n.º 180100.853 S1TE01 Fl. 103 5 Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada anocalendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do ano calendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir Fl. 104DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.901005/200969 Acórdão n.º 180100.853 S1TE01 Fl. 104 6 direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Esta relatora por muito tempo comungou desse entendimento. Entretanto, surgem interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.901005/200969 Acórdão n.º 180100.853 S1TE01 Fl. 105 7 Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.901005/200969 Acórdão n.º 180100.853 S1TE01 Fl. 106 8 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.901005/200969 Acórdão n.º 180100.853 S1TE01 Fl. 107 9 III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. [...] É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de Fl. 108DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.901005/200969 Acórdão n.º 180100.853 S1TE01 Fl. 108 10 dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual da CSLL/IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na Fl. 109DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.901005/200969 Acórdão n.º 180100.853 S1TE01 Fl. 109 11 data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do Fl. 110DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.901005/200969 Acórdão n.º 180100.853 S1TE01 Fl. 110 12 período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.901005/200969 Acórdão n.º 180100.853 S1TE01 Fl. 111 13 § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzilos por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 112DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.901005/200969 Acórdão n.º 180100.853 S1TE01 Fl. 112 14 SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Aproveito, ainda, o desfecho do retro mencionado Acórdão, adotandoo neste voto, mutatis mutandis, em virtude de ser outro o valor da estimativa ora discutido nos autos: Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 3.328,31 e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na Fl. 113DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.901005/200969 Acórdão n.º 180100.853 S1TE01 Fl. 113 15 possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Tem cabimento, portanto, o exame da situação fática. A Recorrente apresentou a DIPJ original em que nenhuma dedução foi informada na Ficha 17 a título de CSLL mensal paga por estimativa, a despeito do fato de, como alega, ter confessado os referidos débitos em DCTF indicando que foram integralmente extintos mediante pagamentos com DARF, em conformidade com os valores constantes na Tabela 1. Tabela 1 Cálculo na CSLL informado na DIPJ original do anocalendário de 2004 Descrição R$ Ficha 16 – Cálculo da CSLL por Estimativa Janeiro 57.632,54 Fevereiro 56.932,48 Março 57.114,93 Abril 59.587,77 Maio 58.578,81 Junho 57.633,12 Julho 56.793,63 Agosto 56.819,38 Setembro 56.787,27 Outubro 56.767,86 Novembro 56.765,61 Dezembro 72.204,67 Total 703.618,07 Ficha 17 – Cálculo da CSLL Cálculo da CSLL 362.001,04 CSLL Mensal Paga por Estimativa 0,00 CSLL a Pagar 362.001,04 Tendo em vista a verificação do erro no preenchimento, a Recorrente diz apresentar a DIPJ retificadora apurando saldo negativo de CSLL, que considera correto. Em relação à matéria, vale esclarecer que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos de restituição, em função da data de sua entrega3. Deste modo, os dados constantes no documento retificador (DIPJ) devem ser considerados para análise da Per/DComp. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito decorrente do saldo negativo de CSLL. Superada esta questão, necessário 3 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.901005/200969 Acórdão n.º 180100.853 S1TE01 Fl. 114 16 se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso4. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2004, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentado sem datas distintas, se for o caso. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 4 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10183.006456/2005-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Anos-calendários: 1999, 2003, 2004, 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Cabem embargos de declaração para sanar omissão.
Normas Gerais de Direito Tributário
Anos-calendários: 1999, 2003, 2004, 2005
MULTA DE OFÍCIO E PROPORCIONAL. CANCELAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A norma penal mais benéfica retroage para alcançar os fatos anteriores regidos pela norma penal revogada.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3301-001.431
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em acolher os
embargos declaratórios opostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, para deixar explícito que a exoneração recai tanto sobre a multa proporcional quanto em relação à multa isolada, rejeitando, todavia, o efeito infringente pleiteado.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Embargante PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL Interessado INSTITUTO CUIABANO RADIOTERAPIA SC LTDA. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anoscalendários: 1999, 2003, 2004, 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Cabem embargos de declaração para sanar omissão. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anoscalendários: 1999, 2003, 2004, 2005 MULTA DE OFÍCIO E PROPORCIONAL. CANCELAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A norma penal mais benéfica retroage para alcançar os fatos anteriores regidos pela norma penal revogada. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos declaratórios opostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, para deixar explícito que a exoneração recai tanto sobre a multa proporcional quanto em relação à multa isolada, rejeitando, todavia, o efeito infringente pleiteado. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Sergio Celani e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional contra a o Acórdão nº 3803001.806, proferido na sessão de 06 de julho de 2011. Alega a Embargante, em apertada síntese, que teria havido contradição do acórdão recorrido, pois tendo o contribuinte requerido a exclusão das multas proporcional e isolada, e sendo o voto vencedor no sentido do afastamento tão somente a multa proporcional, resta claro que não foi totalmente atendido o pedido do contribuinte, como consta na ementa. Em face da razão apresentada, requereu fossem acolhidos e providos os embargos de declaração opostos, a fim de que fosse sanada a contradição apontada. Voto Nos termos do art. 65 do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Pois bem. Alega a Embargante que o acórdão embargado teria incorrido em contradição ao assim decidir: Conforme acima demonstrado, com as alterações legislativas, o lançamento de ofício deixou de abranger o tributo, restringindo se à multa isolada, não mais se prevendo o lançamento da multa proporcional. Portanto, em face da alteração legislativa superveniente que alterou a aplicação da multa de ofício, não abrangendo aquela objeto do auto de infração, e tendo em vista o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa de ofício lançada deve ser exonerada pela aplicação retroativa do art. 18, caput, da Lei n° 10.833/2003, com redação dada pela Lei nº 11.051/2004. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, no sentido de cancelar a multa de ofício, tendo em vista a retroação de norma penal benigna, que deixou de prever a penalidade aplicada, conforme preceitua o art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), bem como afastar a exigência fiscal em relação ao exercício de 1999, por força da decadência. Com efeito, alega a Embargante que o acórdão recorrido ao afirmar que com as alterações legislativas, o lançamento de ofício deixou de abranger o tributo, restringindose à multa isolada, não mais se prevendo o lançamento da multa proporcional, deveria ter concluído pelo afastamento apenas da multa proporcional, não da multa de ofício, como supostamente teria feito. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10183.006456/200559 Acórdão n.º 3301001.431 S3C3T1 Fl. 137 3 Ocorre que, diversamente do que sustenta a Embargante, no presente caso, a decisão efetivamente exonerou ambas as multas e não apenas da multa de ofício, como sugere a ementa. Daí a correção da parte dispositiva da decisão, que, por inexatidão, não foi refletida na ementa. De fato, ao analisar a retroação benigna da legislação em comento, consignouse no voto que, relativamente ao lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, a legislação nova (i) afastou, em qualquer caso, a aplicação da multa proporcional e (ii) manteve a aplicação da multa isolada unicamente nas hipóteses de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Isso restou expresso, ainda que de forma não tão analítica, quando se afirmou que restringiuse aplicação da multa isolada, não mais se prevendo o lançamento da multa proporcional. Ou seja, esclareceuse que não mais se aplica a multa proporcional e tem cabimento a de ofício apenas nos casos estritamente previstos na lei, o que não é o caso específico dos autos. Notese que foi justamente por entender que a multa proporcional foi exonerada em qualquer caso que não se delongou a redatora na sua análise. Diante do exposto, acolho os Embargos de Declaração, para deixar explícito que a exoneração recai tanto sobre a multa proporcional quanto em relação à multa de ofício, rejeitando, todavia, o efeito infringente pleiteado. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10865.000923/2003-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTAS CONJUNTAS. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE COTITULARES.
NULIDADE.
De acordo com a Súmula do CARF n.º 29, “Todos os cotitulares
da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.”
Não havendo, no presente caso, referida intimação, o auto de infração é nulo quanto aos valores depositados nas contas conjuntas.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00.
“Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física” (Súmula CARF 61).
Hipótese em que o somatório dos valores inferiores a R$ 12.000,00 é inferior a R$ 80.000,00.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.487
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTAS CONJUNTAS. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE COTITULARES. NULIDADE. De acordo com a Súmula do CARF n.º 29, “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” Não havendo, no presente caso, referida intimação, o auto de infração é nulo quanto aos valores depositados nas contas conjuntas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00. “Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física” (Súmula CARF 61). Hipótese em que o somatório dos valores inferiores a R$ 12.000,00 é inferior a R$ 80.000,00. Recurso provido.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTAS CONJUNTAS. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE CO TITULARES. NULIDADE. De acordo com a Súmula do CARF n.º 29, “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” Não havendo, no presente caso, referida intimação, o auto de infração é nulo quanto aos valores depositados nas contas conjuntas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00. “Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física” (Súmula CARF 61). Hipótese em que o somatório dos valores inferiores a R$ 12.000,00 é inferior a R$ 80.000,00. Recurso provido. Recurso a que se dá provimento. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10865.000923/200304 Acórdão n.º 210101.487 S2C1T1 Fl. 438 2 (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 414/434) interposto em 24 de dezembro de 2007 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) (fls. 387/410), do qual o Recorrente foi intimado em 26 de novembro de 2007 (fl. 413), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 04/06, lavrado em 04 de julho de 2003, em decorrência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, verificada no ano calendário de 1998. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 Decadência. No caso de lançamento de ofício com base em omissão de rendimentos nos termos do art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, a contagem do prazo decadencial, é regulada pela regra geral do art. 173, inciso I, do CTN, segundo a qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Sigilo Bancário. É lícito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de Fl. 454DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10865.000923/200304 Acórdão n.º 210101.487 S2C1T1 Fl. 439 3 fiscalização em curso e tais exames forem indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras por parte do Fisco, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto, em contrapartida, está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de oficio. Aplicação da Lei no Tempo. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Depósitos Bancários. Omissão de Rendimentos. A Lei n° 9.430, de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou investimentos. Juros Moratórios. Taxa Selic. Legalidade. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. Lançamento procedente” (fls. 387/388). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso de fls. 414/434, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. No mérito, o recurso voluntário interposto cingese à aferição da regularidade do lançamento tributário, decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada listados no termo de verificação de fls. 345/352, todos realizados nas contas (i) 11.3468, mantida no Banco do Brasil; (ii) 010027436 e 01005502 1, mantidas no Banespa; (iii) 0159339, mantida no HSBC e (iv) 169226 e 13.4376, mantidas no Bradesco. Antes de analisar qualquer alegação contida no recurso voluntário, cumpre observar que, compulsandose os autos do processo administrativo, verificase que, com exceção das contas mantidas no Banespa, todas as demais contas do Recorrente descritas no Fl. 455DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10865.000923/200304 Acórdão n.º 210101.487 S2C1T1 Fl. 440 4 termo de verificação de fls. 345/352 são conjuntas. Tal informação consta, inclusive, do próprio termo de verificação. Assim, de acordo com o disposto pelo art. 42, §6º, deveria a fiscalização ter intimado os referidos cotitulares e, se fosse o caso, rateado os valores depositados entre os respectivos cotitulares. Neste sentido, cumpre trazer à baila o quanto disposto pelo referido dispositivo legal, in verbis: “Art. 42. (...) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.” No entanto, muito embora fossem conjuntas, os cotitulares do Recorrente nunca foram intimados para demonstrar a origem dos depósitos efetuados nas respectivas contas, não se podendo pressupor que os valores creditados pertencem proporcionalmente a cada um dos titulares, sob pena de cerceamento de defesa. A este respeito, aliás, é expressa a Súmula n.º 29 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cujo teor abaixo se reproduz: Súmula CARF nº 29: “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” Assim, sendo certo que não houve, in casu, intimação específica dos outros cotitulares das contas bancárias para comprovar a origem dos depósitos nelas efetuados na fase que precedia a lavratura do auto de infração, verificase a insanável nulidade do presente auto de infração com relação às contas supramencionadas. Restam, portanto, apenas as contas cuja titularidade é individual, em nome do Recorrente, quais sejam, as mantidas no Banespa. No que se refere aos valores remanescentes, deve ser aplicado o disposto no art. 42, § 3º, inciso II, da Lei 9.460/96. Com efeito, dispõe o referido dispositivo legal o seguinte: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...) Fl. 456DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10865.000923/200304 Acórdão n.º 210101.487 S2C1T1 Fl. 441 5 II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).” (Redação inserida pela Lei nº 9.481, de 1997.) À luz do teor do referido dispositivo, cumpre salientar que o legislador estabeleceu um parâmetro para que se pudesse identificar objetivamente a omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários sem origem justificada, sendo que, do somatório de depósitos inferiores a R$ 12.000,00, se superado o limite de R$ 80.000,00 dentro do anocalendário, a fiscalização estaria autorizada a tributar o montante apurado em sua integralidade. Tal entendimento está consubstanciado na Súmula CARF n. 61, segundo a qual “Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.” Não obstante, no caso em análise, conforme se extrai do termo de verificação fiscal, o somatório dos valores de depósitos inferiores a R$ 12.000,00 é menor do que o limite anual de R$ 80.000,00, motivo pelo qual o auto de infração deve ser cancelado em sua integralidade. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 457DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10831.005395/2006-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 17/06/2006
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA.
Constatado que as informações sobre a carga transportada foram devidamente prestadas pelo desconsolidador de cargas no sistema Mantra, incabível a aplicação da multa regulamentar prevista na
línea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decreto-Lei n° 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-000.470
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 17/06/2006 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA. Constatado que as informações sobre a carga transportada foram devidamente prestadas pelo desconsolidador de cargas no sistema Mantra, incabível a aplicação da multa regulamentar prevista na línea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decreto-Lei n° 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03. Recurso voluntário provido.
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PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA. Constatado que as informações sobre a carga transportada foram devidamente prestadas pelo desconsolidador de cargas no sistema Mantra, incabível a aplicação da multa regulamentar prevista na alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. José Luiz Novo Rossari Presidente Irene Souza da Trindade Torres Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Barbieri Garrossino e Octávio Carneiro Silva Corrêa . Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: Fl. 157DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 2 “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 5.000,00, referente à multa por deixar de prestar informação sobre carga, na forma e prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Conforme se depreende da leitura do Termo de Constatação Fiscal (fls. 06/07) e demais documentos constantes dos autos (fls. 08/19), foi constatada divergência, no sistema Mantra, entre a quantidade de volumes informada para o conhecimento de carga aéreo genérico (master) MAWB n° 549.1159.9136, e aquela registrada para os conhecimentos agregados (house) HAWB desconsolidados. Enquanto que para o MAWB foi informada a quantia de apenas 03 volumes, a soma dos volumes de cada um dos HAWB indicou a existência de 105 volumes, perfazendo uma diferença de 102 volumes. Entendendo que a divergência dos dados registrados no sistema Mantra acarretou prejuízo ao controle aduaneiro das importações, caracterizando que o agente de carga deixou de prestar informação correta sobre carga, a autoridade fiscal aplicoulhe a multa prevista pela alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decreto Lei n° 37, de 1966. Cientificada do lançamento em 18/08/2006, a contribuinte apresentou impugnação em 14/09/2006 (fls. 21/112), alegando em síntese que: a) preliminarmente, declara sua ilegitimidade passiva "ad causam", por se tratar de mero agente desconsolidador de carga, cuja responsabilidade se limita ao exercício de atividade auxiliar ao transporte aéreo, nos termos do Código Brasileiro de Aeronáutica. Dessa forma, não pode ser penalizada por infrações cometidas pelas companhias aéreas, consoante jurisprudência judicial que cita. Afirma que a responsabilidade de prestar informações sobre as cargas que transporta é do transportador, nos termos do artigo 30 do Decreto n° 4.543/2002; b) no mérito, afirma que a empresa Aerolinhas Brasileiras S/A, por intermédio da empresa estrangeira de consolidação de carga Atrade Forwarding Corporation, emitira o conhecimento que amparava o transporte de mercadorias "paletizadas"/"unitizadas". Quando da chegada da carga no Aeroporto de Viracopos, o transportador aéreo providenciou o registro de sua chegada no Mantra, informando a quantidade de volumes que apresentava o conhecimento principal (master); c) as informações foram prestadas de forma adequada, tanto nos conhecimentos de transporte quanto no Mantra, visto que as cargas estavam "unitizadas" no conhecimento principal e, somente após a descarga, seriam desmembradas nos conhecimentos derivados (house) para sua disponibilização a cada destinatário; d) o Auto de Infração, no que tange ao enquadramento legal não é claro, uma vez que a fundamentação destacada não se subsume aos fatos, de maneira que não se verifica o ato infringente. A infração descrita no Termo de Constatação Fiscal não se coaduna com os fatos nem com os dispositivos do Regulamento Aduaneiro invocados, muito menos com o disposto na IN SRF 102/94, citada de forma genérica; e) como não houve diferença dos volumes e todas as informações foram devidamente prestadas pelo transportador internacional, estando os conhecimentos devidamente instruídos, desconhece qual infração ocorrera, razão pela qual o Auto de Infração deve ser anulado por não possuir elementos suficientes para determinar o infrator e a infração.” A DRJSão Paulo II/SP julgou improcedente a impugnação, (fls. 114/118), nos termos da ementa adiante transcrita: Fl. 158DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 10831.005395/200610 Acórdão n.º 3202000.470 S3C2T2 Fl. 140 3 “Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 17/06/2006 Ementa: MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA. No caso de carga consolidada procedente do exterior, constatado que o desconsolidador de carga não prestou as informações no sistema Mantra, na forma e no prazo, previstos pelo artigo 8° e parágrafo único, da IN SRF 102/94, tornase aplicável a multa regulamentar por falta do respectivo registro. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado (fls. 123/137), alegando, em suma: preliminarmente, ilegitimidade passiva. Entende que, na qualidade de agente desconsolidadora de carga, não pode ser responsabilizada pela prática de eventual infração, posto que, nos termos da legislação específica (Código Brasileiro de Aeronáutica Lei nº. 7.565/86, artigo 102), o agente de cargas presta apenas serviços auxiliares, não podendo ser penalizado por infrações praticadas pelo transportador internacional; que as informações sobre a carga foram prestadas do prazo de duas horas após o registro da chegada do veículo transportador, não havendo qualquer desrespeito ao art. 8º da IN/SRF nº. 102/94; que, no caso sob análise, não ocorreu a infração que culminou na aplicação da multa, uma vez que os fatos descritos na autuação, como supostamente caracterizadores da infração prevista na IN SRF 102/94,artigo 8°, não se subsumem com os fatos efetivamente ocorridos; que o conhecimento principal (MAWB) mencionou os volumes efetivamente vinculados a tal documento, ou seja, os volumes "unitizados" pela companhia aérea; já os conhecimentos filhotes (HAWB), retrataram fielmente os volumes representados por cada conhecimento (HAWB). Assim, as informações prestadas no sistema MANTRA foram as adequadas, e realmente diferentes no que tange ao número de volumes, posto que o MAWB referiase aos volumes "unitizados" e os HAWB aos volumes compreendidos em cada conhecimento; que a alteração trazida pela Lei n° 10.833/03, em relação ao artigo 107, do DecretoLei n° 37/66, teve por objetivo criar hipotéticas penalidades para infrações que tivessem, de alguma forma, intuito doloso e risco para o erário público e economia nacional. No caso sob análise, nenhum prejuízo fora experimentado e nenhum risco correu a administração ou a economia nacional, posto que as informações prestadas no sistema, com o fito de registrar a chegada da carga, refletiram a realidade e os documentos oficiais que lhes suportava, ou seja, o MAWB e os HAWB; e que deve ser observado o detalhe previsto na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n° 37/66, a qual determina a penalidade deve ser aplicada se a informação não for prestada "na forma e no prazo estabelecidos..." e não "na forma ou no prazo estabelecidos...". Assim, a penalidade somente pode ser aplicada, neste caso, se a forma e o Fl. 159DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 4 prazo forem desrespeitados. No caso sob análise, isso não ocorrera, visto que pelo menos o prazo fora respeitado, ou seja, as informações foram prestadas em duas horas. Ao final, requereu, verbis: a) Que seja reconhecida a ilegitimidade passiva da RECORRENTE, de maneira a julgar improcedente o Auto de Infração; b) Caso não seja admitida a ilegitimidade, o que é admitido em homenagem ao principio da eventualidade, que seja julgado totalmente improcedente o Auto de Infração, tendo em vista a descaracterização da infração em decorrência dos fatos; ou, subsidiariamente, em função de ter sido a companhia aérea a responsável pela prática do suposto ilícito; ou, também subsidiariamente, em função da necessidade de interpretação mais benéfica, determinada pelo CTN, em seu artigo 112. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Tratase de Auto de Infração lavrado contra a empresa ATRADE CARGO DO BRASIL LTDA, para exigência de multa regulamentar em razão da não prestação de informação sobre carga transportada. Alega a autoridade fiscal, na descrição dos fatos que fundamentou a autuação, haver encontrado diferença de 102 volumes entre os dados constantes do conhecimento de transporte master (que informava 3 volumes) e o conhecimento de transporte house (que informava 105 volumes), conforme se vê à fl.06, verbis: “No exercício das funções de AuditoresFiscais da Receita Federal, em ato de conferência documental do Termo de Entrada n°. 06/0023368, de 17/06/06, constatamos as fls. 104 a 109 do referido Termo, que a quantidade de volumes descritas no MAWB n°. 549.1159.9136 diverge das quantidades dos HAWBs desconsolidados, sendo portanto, a informação prestada pelo Agente de Carga em desacordo com a Instrução Normativa SRF n°.102/1994. Em consulta no sistema MANTRAdesconsolidação da carga, verificamos que foi informado como segue: Quantidade constante do MAWB n°549.1159.9136: 03 volumes: Quantidade constante dos HAWBs : 105 volumes 20036888 02 volumes 20037000 01 volumes 20037001 01volumes 20037002 54 volumes Fl. 160DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 10831.005395/200610 Acórdão n.º 3202000.470 S3C2T2 Fl. 141 5 20037003 47 volumes Portanto, foi constatado a diferença de 102(Cento e dois) volumes entre o MAWB informado e os HAWB's desconsolidados.” Acontece que, pelos pesos dos volumes informados em ambos os documentos, podese verificar claramente que o conhecimento master informou a quantidade de volumes unitizados, enquanto que os conhecimentos house trataram da desunitização das cargas. Vejase que o extrato da desconsolidação da carga, constante à fl. 09, dá notícia que no MAWB encontravamse 3 volumes com peso total de 1.323,00KG, enquanto que no HAWB as cargas estão assim discriminadas: HAWB 20036888 02 volumes . Peso:256,700 kg HAWB 20037000 01 volume. Peso:90,700 kg HAWB 20037001 01volume. Peso: 279,400 HAWB 20037002 54 volumes. Peso: 370,200 HAWB 20037003 47 volumes. Peso: 326,100 Somados os pesos parciais de cada conhecimento house, teremos os mesmos 1.323,00 kg informados no conhecimento master, deixando claro que o MAWB informou os volumes unitizados e os HAWB informou os volumes desunitizados, sendo este o único motivo da diferença de volumes encontrada pela autoridade fiscal, não se tendo deixado, portanto, de prestar as informações sobre a carga transportada, razão pela qual não vislumbro fundamento à multa aplicada. Pelo exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES
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Numero do processo: 11618.002025/2005-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2004
LANÇAMENTO.
Provado que no ano de 2004 a contribuinte era participante do Simples, o lançamento de valores não oferecidos à tributação pela pessoa jurídica deve ser promovido segundo as regras do regime simplificado.
Numero da decisão: 1201-000.629
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa, INDEFERIR o pedido de diligência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 LANÇAMENTO. Provado que no ano de 2004 a contribuinte era participante do Simples, o lançamento de valores não oferecidos à tributação pela pessoa jurídica deve ser promovido segundo as regras do regime simplificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa, INDEFERIR o pedido de diligência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior, Marcelo Cuba Netto, João Bellini Junior, e Regis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Fl. 311DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11618.002025/200529 Acórdão n.º 120100.629 S1C2T1 Fl. 312 2 Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Por bem descrever os fatos litigiosos de que cuida o presente processo, adoto aqui o relatório contido na decisão de primeira instância: Contra a empresa acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração às fls. 03 a 51 para exigência de credito tributário referente aos fatos geradores de 01/06/2000 a 31/12/2004. adiante especificado: (...) Os referidos autos de infração são decorrentes de ação fiscal efetuada junto à contribuinte, na qual a Fiscalização constatou infrações a legislação do SIMPLES (imposto e contribuições componentes) cujos enquadramentos legais encontramse discriminados nos autos de inflação, que passam a integrar a presente decisão como se aqui transcritos fossem. As irregularidades constatadas e suas conseqüências podem ser assim resumidas: INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO E DIFERENÇA DE BASE DE CALCULO. Apurou a Fiscalização que a empresa, cujo contrato de constituição foi datado de 7/02/2000 e registrado na Junta Comercial do Estado da Paraíba em 13/03/2000 (fls. 52/54). é optante pelo Simples, na condição de microempresa (ME), com efeitos a partir da data de registro. Foi emitido pelo Delegado da Receita Federal em João Pessoa o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, à fl. 01, com o objetivo de realizar o confronto entre os valores declarados e os apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados nela Receita Federal nos últimos cinco anos. A fiscalização foi iniciada em 06/04/2005 (fl. 65) com a intimação para a apresentação dos livros Caixa ou Diário e Razão; balanceies mensais; contrato de constituição e alterações posteriores; livros de Registro de Entradas. Saídas e Apuração do ICMS e cópias das petições de eventuais ações judiciais contra a Fazenda Nacional. Foi solicitado também que a empresa informasse por escrito a forma de apuração do Imposto de Renda nos anoscalendário de 2004 e 2005. Posteriormente, em 07/06/2005, o MPF foi complementado para a inclusão do Simples. A receita mensal, base de cálculo para apuração do SIMPLES A PAGAR, foi apurada no Livro Registro de Apuração do ICMS, fornecido pela própria empresa fiscalizada (fls. 66/114). Nas planilhas fls. 115 a 117 encontramse compiladas as receitas mensais. Dos valores de SIMPLES A PAGAR apurados com base na escrituração fiscal do ICMS foram subtraídos ou os valores declarados (declarações às fls. 118/151) ou os valores pagos (fls. 152/154), considerandose o maior deles em cada mês. A empresa foi excluída do Simples com efeitos a partir de Fl. 312DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11618.002025/200529 Acórdão n.º 120100.629 S1C2T1 Fl. 313 3 01/01/2005 por ter ultrapassado, em 2004, o limite de receita bruta anual de R$ 1.200.000,00. A ação fiscal foi encerrada em 07/06/2005. Devidamente notificada, e não se conformando com o procedimento fiscal, a contribuinte apresentou, tempestivamente, as suas razões de defesa, às fls. 162/175, na qual questiona os autos de infração. Inicialmente, recompõe os fatos ocorridos com as seguintes narrativas: a) a empresa recolheu os tributos pelo Simples desde o inicio de suas atividades até setembro de 2004; b) a Declaração Simplificada da empresa referente ao ano calendário de 2003, exercício de 2004 teve a transmissão via internet recusada pelo sistema da Receita Federal, o qual não acusava a opção peio Simples. A declaração foi recepcionada em 31/05/2004, amparada no processo administrativo de n° 11618.001340/200458, mediante o qual foi solicitada a inclusão da empresa no Simples, com efeitos retroativos à data de abertura; c) o novo contabilista da empresa, admitido em outubro de 2004, verificou, em consulta ao sistema da Receita Federal na Internet, que a mesma não se encontrava cadastrada como optante pelo Simples. Ate aquela data o pedido de inclusão não havia sido analisado. Diante disso, passou a efetuar os recolhimentos de PIS e Cofins na modalidade não cumulativa, migrando para o sistema de apuração com base no Lucro Real Anual. Afirma ter entregue as DCTF e Dacon relativas aos trimestres de 2004; d) o processo de inclusão retroativa no Simples foi deferido em 29/03/2005, atendendo a solicitação da empresa. O pedido de inclusão, no entanto, segundo afirma a impugnante. deveria ser limitado ao anocalendário de 2003, já que em 2004 a empresa estava apurando Lucro Real: e) como a empresa não estava cadastrada como optante pelo Simples, era impossível solicitar, tempestivamente, em janeiro de 2004 a exclusão do sistema, posto que a inclusão só veio a ocorrer de oficio em março/2005; f) o planejamento tributário da empresa para o ano de 2004 foi prejudicado, pois pretendia apurar o Lucro Real. Em seguida, no mérito: a) insurgese contra a aplicabilidade da Instrução Normativa 355/2003, por se tratar de ato administrativo cujo conteúdo não pode afrontar o principio constitucional da legalidade. Destaca o §4° do art. 22 da referida Instrução, que trata do prazo para a empresa efetuar a alteração cadastral quando da ocorrência de excesso de receita bruta, bem como da multa pelo descumprimento desta obrigação acessória; Fl. 313DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11618.002025/200529 Acórdão n.º 120100.629 S1C2T1 Fl. 314 4 b) reclama que. se existe irregularidade, esta se deve ao órgão tributário, pois aceitou a empresa como regularmente optante pelo Simples entre os anos 2000 e 2003. e somente em maio/2004, por ocasião da transmissão da declaração do ano calendário 2003, acusou o desenquadramento. Alem disso, demorou um longo período de dez meses para se pronunciar sobre o pedido de reenquadramento; c) alega que a empresa, diante da demora da resposta da Receita Federal, estava enquadrada em 2004 como nãooptante pelo Simples e, por isso, passou a apurar seus impostos com base no Lucro Real; d) reclama, ainda, que o primeiro Mandado de Procedimento Fiscal não menciona especificamente a auditoria da empresa através do regime do Simples e que, somente no dia do encerramento da ação fiscal, ou seja, em 07/06/2005, a empresa foi cientificada de um novo mandado complementar para o Simples. Tal fato demonstraria, segundo afirma a defendente, que a Receita Federal tinha a ciência de que a empresa estava fora do sistema de tributação simplificada no exercício 2004; e) argumenta que não poderia solicitar a exclusão do Simples em janeiro de 2004 porque naquela ocasião não estava incluída como optante, fato este que só veio a ocorrer, por comando de oficio, em março de 2005; f) insurgese contra o caráter confiscatório da multa aplicada e, por fim; g) requer a declaração da nulidade da autuação. Apreciados os argumentos de defesa, a DRJ de origem decidiu pela procedência do lançamento (fls. 274/282). Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob as mesmas razões arroladas na impugnação, ou, alternativamente, a realização de diligência (fls. 290/303). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Alegação de Nulidade do Auto de Infração Afirma a recorrente ter havido cerceamento de seu direto de defesa, uma vez que a autoridade que lavrou o auto de infração deixou de esclarecer que passouse quase um Fl. 314DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11618.002025/200529 Acórdão n.º 120100.629 S1C2T1 Fl. 315 5 ano entre a data do pedido para inclusão retroativa no Simples, formulado nos autos do processo nº 11618.001340/200458, e a data da respectiva resposta do Fisco. Ocorre que auditoria fiscal regese pelo princípio inquisitório, não possuindo o sujeito passivo, naquela fase do procedimento, direito à defesa, motivo pelo qual é incabível falarse em seu cerceamento. O direito à ampla defesa e ao contraditório surge apenas com a fase de impugnação ao lançamento, quando o procedimento passa a ser regido pelo princípio dispositivo. Somente os atos processuais praticados a partir de então podem propriamente ser declarados nulos por cerceamento do direito de defesa, a teor do art. 59, II, in fine, do Decreto nº 70.235/72. Por fim devese dizer que a alegada omissão em nada prejudicou a defesa, já que pelo exame da impugnação e do recurso é possível concluir que a interessada compreendeu perfeitamente os ilícitos que lhe foram imputados. Isso posto, voto por indeferir a preliminar de nulidade do auto de infração. 3) Do Pedido para Realização de Diligência Ao final de sua peça recursal a interessada solicita a realização de diligência, nos seguintes termos: (...) ou ainda, se assim não entendido, seja o feito administrativo convertido em diligência a fim de apurar as informações aqui prestadas no tocante aos valores auferidos pelo Sr. Fiscal no período em que o contador da empresa solicitou junto a Receita Federal a inclusão do simples, para o período de 13 de Março de 2000 a 31 de Dezembro de 2003, em data de 31.05.2004, no entanto a empresa só obteve resposta da solicitação em data 29.03.2005. Como é possível observarse no trecho acima transcrito, não está claro o objeto do pedido de diligência. Ao que parece, requer seja confirmada a alegação segundo a qual o pedido de inclusão retroativa no Simples de que cuida o processo nº 11618.001340/200458 restringiuse ao período compreendido entre março de 2000 a dezembro de 2003, não tendo abrangido o anocalendário de 2004. Pois bem, por meio do requerimento de fl. 255, protocolizado em 31/05/2004, a ora recorrente pleiteou expressamente a sua inclusão no Simples “com data retroativa a sua constituição”, a qual se deu em 13/03/2000. Não consta naquele requerimento pedido para que a inclusão não se estendesse ao ano de 2004. Ademais, o extrato de fl. 262 comprova que após a protocolização do pedido de inclusão retroativa, a contribuinte continuou recolhendo seus tributos pelo sistema simplificado até o mês de outubro de 2004 (código de recita 6106), fato esse que vai de encontro à alegação segundo a qual o pedido de inclusão retroativa não se estenderia ao ano de 2004. Isso posto, com base no art. 18, caput, do Decreto nº 70.235/72, voto por indeferir o pedido de diligência, em razão de sua prescindibilidade. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11618.002025/200529 Acórdão n.º 120100.629 S1C2T1 Fl. 316 6 4) Da Inclusão no Simples Como visto no item anterior, em 31/05/2004, no âmbito do processo nº 11618.001340/200458, a interessada requereu sua inclusão retroativa no Simples com efeitos à data de sua constituição. Em 29/03/2005 sua solicitação foi deferida, conforme cópia do despacho decisório às fls. 179/180. Tal decisão transitou administrativamente em julgado, haja vista que contra ela a interessada não propôs manifestação de inconformidade visando limitar a inclusão ao período de 13/03/2000 a 31/12/2003, como ora pretende. Em 06/04/2005 foi lavrado o termo de início de fiscalização (fl. 65), e em 30/05/2005, nos autos do processo nº 11618.001915/200513, a interessada requereu sua exclusão do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2004. Conforme cópia do despacho decisório às fls. 256/257, o pedido de exclusão foi indeferido em 06/06/2005, tendo em vista que a interessada: (i) recolheu seus tributos pelo regime simplificado no ano de 2004; (ii) encontravase sob auditoria fiscal, situação que vedava a requerida alteração cadastral, a teor do disposto no art 22, § 4º, da Instrução Normativa SRF nº 355/2003. Referida decisão também transitou administrativamente em julgado, haja vista que contra ela a contribuinte não apresentou manifestação de inconformidade. De tudo o que foi dito é de se concluir que no ano de 2004 a contribuinte estava obrigada a recolher seus tributos segundo o regime simplificado. Aliás, foi isso que ela fez até o mês de outubro de 2004. Somente nos meses de novembro e dezembro é que a interessada não recolheu o Simples, passando a recolher PIS e Cofins segundo o regime não cumulativo (códigos de receita 6912 e 5856, respectivamente), e ainda assim no valor mínimo de R$ 10,00 para pagamento em DARF (fls. 262/263). Notese ainda que nesse período não houve qualquer recolhimento a título de IRPJ ou CSLL segundo o regime do lucro real ou presumido. Noutro giro, indaga a recorrente sobre como deveria agir no ano de 2004, se a resposta do Fisco a seu requerimento para inclusão retroativa no Simples somente se deu em 29/03/2005. Quanto a isso há que se dizer que enquanto seu pedido estava pendente de apreciação, a contribuinte tinha o direito e, concomitantemente, o dever de continuar recolhendo seus tributos de acordo com o regime simplificado. Somente se sobreviesse decisão definitiva que lhe fosse desfavorável, o que no caso não ocorreu, é que a ora recorrente estaria obrigada a recolher, segundo o regime aplicável as pessoas jurídicas em geral, os tributos devidos à época em que erroneamente encontravase no regime simplificado, resguardado ainda o direito de abater daquele valor os tributos pagos com base no Simples. 5) Da Afirmada Ilegalidade do Art. 22, § 4º, da IN SRF nº 355/2003 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11618.002025/200529 Acórdão n.º 120100.629 S1C2T1 Fl. 317 7 Afirma a recorrente ser ilegal o disposto no art. 22, § 4º, da Instrução Normativa SRF nº 355/2003, que veda seja promovida alteração cadastral de pessoa jurídica que se encontre sob auditoria fiscal. Ocorre que tal argumento deveria ter sido proposto nos autos do processo nº 11618.001915/200513, quando o Fisco indeferiu, com base na norma acima mencionada, o pedido da contribuinte para que fosse excluída do Simples a partir de 01/01/2004. O presente processo cuida de matéria diversa, qual seja, de auto de infração para constituição de crédito tributário relativos aos tributos integrantes do Simples. Aqui não é mais possível discutir se a contribuinte deveria, ou não, ter recolhido seus tributos pelo regime simplificado no ano de 2004, uma vez que essa questão já foi definitivamente decidida no âmbito dos processos nos 11618.001340/200458 e 11618.001915/200513. 6) Juros e Multa Alega a interessada que os juros e a multa incidentes sobre o principal tornam a exigência confiscatória, em violação ao disposto no art. 150, IV, da Constituição Federal. Ocorre que, como a exigência dos juros e da multa está lastreada, respectivamente, no art. 66 e no art. 44, ambos da Lei nº 9.430/96, o acolhimento da alegação de confisco implicaria afastar a aplicação daqueles dispositivos legais em razão de sua suposta inconstitucionalidade, algo que é vedado a este Conselho por força art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e da Súmula nº 2 do CARF, baixo transcritos: Decreto nº 70.235/72: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (..) Súmula nº 2 do CARF (DOU de 09/12/2010): O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir a preliminar de nulidade do lançamento bem como o pedido para realização de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 317DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11618.002025/200529 Acórdão n.º 120100.629 S1C2T1 Fl. 318 8 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por MARCELO CUBA NETTO
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