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Numero do processo: 10640.003037/2007-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1999
PREVIDENCIÁRIO OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De
acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código
Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência total do lançamento independente do critério adotado, seja o art. 150, § 4º do CTN ou ainda o art. 173, I do mesmo diploma legal,.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.278
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1999 PREVIDENCIÁRIO OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência total do lançamento independente do critério adotado, seja o art. 150, § 4º do CTN ou ainda o art. 173, I do mesmo diploma legal,. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1999 PREVIDENCIÁRIO OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência total do lançamento independente do critério adotado, seja o art. 150, § 4º do CTN ou ainda o art. 173, I do mesmo diploma legal,. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada contra o contribuinte acima identificado referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa, no período de 01/1997 a 12/1999, com ciência do contribuinte em 08/2007. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 71/74, a empresa não descontou dos empregados as contribuições incidentes sobre as respectivas remunerações e patronais: empresa + as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de . incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho + Terceiros (SalárioEducação, SESI, SENAI, INCRA e SEBRAE). Informa ainda o Relatório Fiscal que através da análise dos Livros Diário nºs 16 a 18 e Livros Razão, para se verificar a existência de possíveis fatos geradores de contribuições previdenciárias, constatouse que diversos lançamentos contábeis deixaram dúvidas quanto a se referirem a pessoas físicas ou jurídicas. Não se conformando a decisão de fls. 156/161 que julgou procedente o lançamento, o contribuinte apresentou recurso alegando em síntese: Das Preliminares Que seja declarada a decadência das contribuições, aplicandose a norma do art. 150, § 4 º do Código Tributário Nacional, CTN, colacionando vários julgados do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal. Requer assim a procedência do recurso para que seja cancelado o lançamento. É o relatório. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.003037/200792 Acórdão n.º 240102.278 S2C4T1 Fl. 175 3 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DA DECADÊNCIA A preliminar de decadência suscitada em sede de recurso merece acolhimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. No presente caso o a notificação foi lavrada em agosto de 2007, conforme se verifica às fls. 03 e as contribuições mantidas referemse às competências 01/1997 a 12/199 o que fulmina totalmente o direito do fisco de constituir o lançamento,seja com base no art. 150, IV do CTN ou ainda no art. 173, I do mesmo diploma legal. Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso, Acolher Parcialmente a preliminar de Decadência e DAR PROVIMENTO ao recurso.. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 191DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000151/00-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
DECADÊNCIA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
O Imposto sobre a Renda da Pessoa Física relativo ao acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurada com base mensal, mas tributada na base de cálculo anual, cujo fato gerador ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário, já que o fato gerador do IRPF é complexivo.
No presente caso, verifica-se que não houve pagamento antecipado, conforme consta da Declaração de Ajuste Anual (fls. 15/18). Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dá-se no dia 01/01/1996 e o termo final no
dia 31/12/2000.
Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 02/02/2000, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência.
DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL.
Em relação ao ganho de capital, há de se observar que a tributação é realizada em separado, não integrando o ajuste anual. Por esse motivo, o fato gerador ocorre no mês de sua apuração, não se deslocando para o final do ano calendário.Do mesmo modo, havendo pagamento referente ao correspondente ganho de capital, aplica-se a regra de decadência prevista no art. 150, §4º, do CTN.
Assim, para os ganhos de capital omitidos, em que não houve pagamento algum a esse título, aplica-se a regra do art. 173, inciso I, do CTN, iniciando-se a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Desta forma, como o ganho de capital apurado nos presentes autos refere-se aos fatos geradores ocorrido em setembro de 1994, sem que houvesse pagamento algum do correspondente imposto, o prazo decadencial só começou a contar em 01/01/1995, sendo possível o lançamento até 31/12/1999.
Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 02/02/2000, as os fatos geradores decorrentes de ganho de capital, ocorridos setembro de 1994, encontravam-se
fulminados pela decadência, inclusive pela aplicação do art. 173, I do CTN, que inicia a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, a contar de 01/01/1995.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-001.963
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência relativa ao ganho de capital.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). DECADÊNCIA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O Imposto sobre a Renda da Pessoa Física relativo ao acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurada com base mensal, mas tributada na base de cálculo anual, cujo fato gerador ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário, já que o fato gerador do IRPF é complexivo. No presente caso, verifica-se que não houve pagamento antecipado, conforme consta da Declaração de Ajuste Anual (fls. 15/18). Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dá-se no dia 01/01/1996 e o termo final no dia 31/12/2000. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 02/02/2000, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. Em relação ao ganho de capital, há de se observar que a tributação é realizada em separado, não integrando o ajuste anual. Por esse motivo, o fato gerador ocorre no mês de sua apuração, não se deslocando para o final do ano calendário.Do mesmo modo, havendo pagamento referente ao correspondente ganho de capital, aplica-se a regra de decadência prevista no art. 150, §4º, do CTN. Assim, para os ganhos de capital omitidos, em que não houve pagamento algum a esse título, aplica-se a regra do art. 173, inciso I, do CTN, iniciando-se a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Desta forma, como o ganho de capital apurado nos presentes autos refere-se aos fatos geradores ocorrido em setembro de 1994, sem que houvesse pagamento algum do correspondente imposto, o prazo decadencial só começou a contar em 01/01/1995, sendo possível o lançamento até 31/12/1999. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 02/02/2000, as os fatos geradores decorrentes de ganho de capital, ocorridos setembro de 1994, encontravam-se fulminados pela decadência, inclusive pela aplicação do art. 173, I do CTN, que inicia a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, a contar de 01/01/1995. Recurso especial provido em parte.
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). DECADÊNCIA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O Imposto sobre a Renda da Pessoa Física relativo ao acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurada com base mensal, mas tributada na base de cálculo anual, cujo fato gerador ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário, já que o fato gerador do IRPF é complexivo. No presente caso, verificase que não houve pagamento antecipado, conforme consta da Declaração de Ajuste Anual (fls. 15/18). Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dáse no dia 01/01/1996 e o termo final no dia 31/12/2000. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 02/02/2000, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. Em relação ao ganho de capital, há de se observar que a tributação é realizada em separado, não integrando o ajuste anual. Por esse motivo, o fato gerador ocorre no mês de sua apuração, não se deslocando para o final do ano calendário. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Do mesmo modo, havendo pagamento referente ao correspondente ganho de capital, aplicase a regra de decadência prevista no art. 150, §4º, do CTN. Assim, para os ganhos de capital omitidos, em que não houve pagamento algum a esse título, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do CTN, iniciando se a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Desta forma, como o ganho de capital apurado nos presentes autos referese aos fatos geradores ocorrido em setembro de 1994, sem que houvesse pagamento algum do correspondente imposto, o prazo decadencial só começou a contar em 01/01/1995, sendo possível o lançamento até 31/12/1999. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 02/02/2000, as os fatos geradores decorrentes de ganho de capital, ocorridos setembro de 1994, encontravamse fulminados pela decadência, inclusive pela aplicação do art. 173, I do CTN, que inicia a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, a contar de 01/01/1995. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência relativa ao ganho de capital. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 24/02/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado) Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13808.000151/0014 Acórdão n.º 920201.963 CSRFT2 Fl. 226 3 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 3402 00.031, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção em 05/03/2009 (fls. 189/194), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 198/210). A decisão recorrida, por unanimidade de votos, acolheu a arguição de decadência para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário em questão. Segue abaixo sua ementa: “DEPÓSITO BANCÁRIO DECADÊNCIA Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. 0 fato gerador do IRPF, tratandose de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4° do CTN). Decadência acolhida. Recurso Provido.” Segundo a recorrente, a Câmara a quo entendeu que, por se tratar de tributo recolhido mediante o sistema de "lançamento por homologação", o auto de infração somente poderia ser lavrado dentro do prazo estipulado no art. 150, §4° do CTN. Assim, à data em que o contribuinte fora cientificado do auto de infração, haveria caducado o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário. Explica que, a respeito do prazo para o lançamento dos tributos sujeitos a homologação, o entendimento jurisprudencial que fundamenta o presente recurso diverge do paradigma que apresenta. Afirma que a similitude entre os casos reside na modalidade do lançamento. Ambos estão, em regra, sujeitos ao chamado lançamento por homologação. E, de forma diversa da que ocorreu no presente caso (aplicação do § 4º, art. 150, do CTN), no paradigma se entendeu que, na falta de pagamento do tributo, se está diante de lançamento de oficio, aplicandose a regra do artigo 173, I do CTN. Ressalta que no presente caso, assim como no paradigma, verificase a falta de pagamento do tributo. Entende que o art. 150, §4º do CTN só se aplica no caso de ter havido efetivo pagamento adiantado do crédito tributário. Em não havendo recolhimento, não há o que se homologar, tratando a questão de simples lançamento ex officio a ser feito com espeque no artigo 149, V, do CTN, sendo o termo inicial do prazo decadencial aquele previsto no artigo 173, I, do CTN. Destaca o entendimento firmado pelo STJ, no sentido de que não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo disposto no art. 173, I, do CTN. Ao final, requer seja dado provimento ao recurso para afastar a decadência do direito de constituir o crédito tributário em comento, uma vez que o mesmo foi efetuado dentro do prazo legalmente fixado (art. 173, I do CTN). Nos termos do Despacho n.º 220200.016 (fls. 213/215), foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte ofereceu, tempestivamente, contrarazões às fls. 218/223. Afirma que a jurisprudência do extinto Conselho de Contribuintes e da CSRF é pacífica no sentido de que o prazo decadencial do art. 173 do CTN é aplicável exclusivamente quando houver a prática de dolo ou fraude na omissão de receita ou rendimento. Pondera que o CARF expediu a Súmula Vinculante n° 38 (DOU de 1407 2010), que diz que o fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Explica que, com essa Súmula, é nulo o procedimento da fiscalização de considerar mensal a ocorrência do fato gerador do imposto de renda da pessoa física relativos aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual na declaração, como ocorreu no presente processo. Destaca que, no presente caso, a fiscalização apurou, mês a mês, a origem dos recursos e os dispêndios de recursos e tributou como fato gerador ocorrido mês a mês o valor da insuficiência da origem dos recursos em comparação com os dispêndios de recursos, sem considerar as sobras dos meses anteriores. Ao final, requer que o recurso especial da Fazenda Nacional seja negado. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13808.000151/0014 Acórdão n.º 920201.963 CSRFT2 Fl. 227 5 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, o auto de infração apurou acréscimo patrimonial a descoberto e omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, fls. 72. Em 02/02/2000, ocorreu a lavratura do Auto de Infração, tendo o contribuinte sido considerado cientificado no mesmo dia, fls. 71. O Imposto sobre a Renda da Pessoa Física relativo ao acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurada com base mensal, mas tributada na base de cálculo anual, cujo fato gerador ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário, já que o fato gerador do IRPF é complexivo. No presente caso, verificase que não houve pagamento antecipado, conforme consta da Declaração de Ajuste Anual (fls. 15/18). Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dáse no dia 01/01/1996 e o termo final no dia 31/12/2000. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 02/02/2000, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. Em relação ao ganho de capital, há de se observar que a tributação é realizada em separado, não integrando o ajuste anual. Por esse motivo, o fato gerador ocorre no mês de sua apuração, não se deslocando para o final do ano calendário. Do mesmo modo, havendo pagamento referente ao correspondente ganho de capital, aplicase a regra de decadência prevista no art. 150, §4º, do CTN. Assim, para os ganhos de capital omitidos, em que não houve pagamento algum a esse título, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do CTN, iniciandose a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13808.000151/0014 Acórdão n.º 920201.963 CSRFT2 Fl. 228 7 Desta forma, como o ganho de capital apurado nos presentes autos referese aos fatos geradores ocorrido em setembro de 1994, sem que houvesse pagamento algum do correspondente imposto, o prazo decadencial só começou a contar em 01/01/1995, sendo possível o lançamento até 31/12/1999. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 02/02/2000, as os fatos geradores decorrentes de ganho de capital, ocorridos setembro de 1994, encontravamse fulminados pela decadência, inclusive pela aplicação do art. 173, I do CTN, que inicia a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, a contar de 01/01/1995. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a decadência referente ao acréscimo patrimonial a descoberto, devendo os presentes autos retornarem ao colegiado a quo para apreciação das demais matérias suscitadas no recurso voluntário do contribuinte. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13639.000370/2003-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 1998
NORMAS PROCESSUAIS.
A Instância Julgadora não pode alterar a fundamentação da autuação, por escapar da sua esfera de competência.
Auto de infração decorrente de auditoria interna na DCTF em virtude de processo judicial não comprovado.
Tendo sido comprovada a existência da ação judicial restou afastada a motivação do lançamento.
Auto de Infração cancelado.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-001.245
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais que dava provimento parcial para reconhecer a decadência parcial.
Nome do relator: FABIO LUIZ NOGUEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 1998 NORMAS PROCESSUAIS. A Instância Julgadora não pode alterar a fundamentação da autuação, por escapar da sua esfera de competência. Auto de infração decorrente de auditoria interna na DCTF em virtude de processo judicial não comprovado. Tendo sido comprovada a existência da ação judicial restou afastada a motivação do lançamento. Auto de Infração cancelado. Recurso voluntário provido.
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A Instância Julgadora não pode alterar a fundamentação da autuação, por escapar da sua esfera de competência. Auto de infração decorrente de auditoria interna na DCTF em virtude de processo judicial não comprovado. Tendo sido comprovada a existência da ação judicial restou afastada a motivação do lançamento. Auto de Infração cancelado. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais que dava provimento parcial para reconhecer a decadência parcial. (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) FÁBIO LUIZ NOGUEIRA Relator Fl. 142DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Mauricio Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório REMIL REVENDEDORA MINEIRA LTDA., já qualificada nos autos, recorre a este Conselho (Recurso Voluntário de fls. 115 e seguintes) contra o acórdão nº 09 31.877, de 13 de outubro de 2010, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG (fls. 97 e seguintes), que não conheceu a impugnação no tocante à matéria discutida na esfera judicial e julgou o restante da impugnação procedente em parte, mantendo parcialmente o crédito tributário, afastando tão somente a multa de ofício em face da retroatividade benigna, conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Em decorrência de auditoria interna procedida junto à contribuinte, foi lavrado Auto de Infração de fl. 40, relativamente a fatos geradores ocorridos no anocalendário 1998, exigindolhe o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$ ... a titulo de PIS. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, parte integrante da peça fiscal, o lançamento, relativo aos 2°; 3° e 4o trimestres do anocalendário 1998, decorreu da falta de pagamento da contribuição, motivada por informação em DCTF de compensação cuja vinculação não restou confirmada. Inconformada com a imposição, a contribuinte ingressou com impugnação, alegando, em síntese 1) decadência referente aos períodos de apuração 05/98 e 06/98, em função da ciência do auto de infração após o prazo de 5 anos da ocorrência do fato gerador. Discorre sobre o tema; 2) que impetrou ação ordinária, pleiteando a declaração do direito de repetir ou de efetivar a compensação do excesso recolhido a titulo de PIS, por inconstitucionalidade dos DecretosLei 2445 e 2449 de 1988, com débitos do próprio PIS; 3) inaplicabilidade da LC n° 17/73, por não condizer com o ordenamento constitucional vigente que recepcionou tão somente a LC 07/70, em seu artigo 239; 4) é plena a aplicabilidade da regra prevista no parágrafo único do art. 6° da LC 07/70, a denominada semestralidade do PIS; 5) com respaldo no art. 66 e parágrafos da Lei 8383/1991 e, ainda, com base na decisão judicial transitada em julgado, procedeu compensação com débitos do próprio PIS. Cita ainda a IN SRF 32/97. A DRJ considerou procedente em parte a impugnação e manteve parcialmente o crédito tributário, consoante a seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 1998 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13639.000370/200343 Acórdão n.º 330101.245 S3C3T1 Fl. 138 3 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO. Não se conhece da impugnação na parte em que o pedido e seus fundamentos forem idênticos àqueles formulados pelo contribuinte em ação judicial, devendo a autoridade preparadora cumprir a decisão transitada em julgado. ALÍQUOTA A LC 17/73 não alterou a sistemática da LC 07/70, simplesmente elevou a alíquota a ser aplicada de 0,5% para 0,75%, não foi questionada pela empresa, na esfera judicial e tampouco reputada inconstitucional pelo Pretório Excelso, restando escorreita sua aplicação. SEMESTRALIDADE. 0 Parecer PGFN/CRJ/N° 2.143/2006, com base no qual foi editado o Ato Declaratório PGFN n° 8, de 16/11/2006, implica no reconhecimento administrativo da semestralidade na vigência dos Decretoslei 2.445 e 2.449/88. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 1998 DECADÊNCIA. A modalidade de lançamento por homologação se da quando o contribuinte apura montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento, não há que se falar em homologação, regendose a decadência pelos ditames do art. 173 do CTN, com inicio do lapso temporal no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Ademais, tratandose de débitos declarados em DCTF, descabe discutir o prazo para formalização da exigência, se o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte, mediante formalização em declaração. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força do disposto no art. 18 da Lei n.° 10.833/2003, com as alterações posteriores, e da retroatividade benigna estabelecida no art. 106 do CTN, é incabível a aplicação da multa de oficio em conjunto com tributo ou contribuição espontaneamente declarados em DCTF. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Extraise do v. Acórdão ainda o seguinte trecho, para melhor entendimento da controvérsia: DIREITO À COMPENSAÇÃO ... Fl. 144DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Os documentos do processo judicial anexados ao presente processo (fls. 57/93), quando confrontados com os elementos constantes destes autos, demonstra a concomitância entre a matéria tratada nos processos administrativo e judicial, no que toca ao direito à compensação. Portanto, a matéria objeto do lançamento, relativa ao direito à compensação dos valores pagos a maior ou indevidamente de PIS, por inconstitucionalidade dos DecretosLei 2445 e 2449 de 1988, com débitos do próprio PIS, encontrase sub judice e não cabe aqui sua apreciação, devendo a autoridade preparadora cumprir a decisão transitada em julgado, observada a existência de direito creditório. Outro não é o entendimento da segunda instância administrativa — o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF — sobre a situação em foco: Súmula CARF n° 1: Importa renúncia as instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em face do exposto acima, não conheço da impugnação apresentada, declarando definitivo, na esfera administrativa, o crédito tributário constituído. Para fins de cobrança devem ser observadas as ocorrências havidas ao longo do processo judicial, principalmente no que se refere a decisões prolatadas, efeitos de recursos interpostos e existência de depósitos do montante integral. Destarte, não há que se apreciar as manifestações produzidas pelo sujeito passivo, devido à prevalência, constitucionalmente definida, do Poder Judiciário em relação a algum julgado administrativo sobre a mesma matéria, o que, forçosamente, leva ao desconhecimento da impugnação. As matérias não abordadas na esfera judicial serão analisadas a seguir, uma vez que a impugnação preenche os requisitos de admissibilidade. DECADÊNCIA Em sede de preliminar, argúi a impugnante a ocorrência de decadência, invocando a aplicação do art. 150, § 4o do Código Tributário Nacional. Cabe aqui mencionar o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, 2a instância administrativa, baseada no recente pronunciamento do STJ, com o qual concordo plenamente. (...) Assim, no caso em foco, a discussão na esfera judicial é que definirá se ocorreu ou não a decadência do direito de lançar para os PA 05 e 06 de 1998, ou seja: Fl. 145DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13639.000370/200343 Acórdão n.º 330101.245 S3C3T1 Fl. 139 5 1) se a decisão judicial transitada em julgado for favorável à contribuinte, poderá existir crédito disponível que: a) sendo total, implicará extinção do lançamento e b) sendo parcial, operarseá a decadência, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN; 2) se a decisão judicial transitada em julgado for desfavorável à contribuinte, não existirá pagamento e não incidirá decadência no lançamento sob análise. Nessa hipótese, o inicio do prazo se iniciou em 01/01/1999, artigo 173, inciso I, do CTN, e o lançamento ocorreu em 18/06/2003, com ciência em 18/07/2003 (AR de fl. 94), antes de contados 5 anos. Concluise, portanto, que apenas sujeitamse às normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários já satisfeitos, ainda que parcialmente, por via do pagamento. Cabe salientar que os valores inseridos em DARF de R$ 10,00, para cada PA, prestamse somente para caracterização das compensações realizadas por conta e risco da contribuinte. Demais disso, a formalização do presente lançamento decorre do que dispunha o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, cujo escopo foi reduzido pelo art. 18 da Medida Provisória n° 135, de 30/10/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003. Portanto, tratandose de débito confessado em declaração, inócua seria eventual declaração de decadência, pois o crédito tributário subsistiria constituído em DCTF. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA Efetivamente, o PIS foi criado pela LC 07/70, conforme transcrito no corpo do artigo 239 da CF/88, entretanto não há naquele dispositivo qualquer restrição à validade da legislação posterior. Por outro lado, definese ali, tãosomente, a destinação dos recursos oriundos da arrecadação do PIS/PASEP sem outras conotações. Ressaltese que a LC 17/73 não alterou a sistemática da LC 07/70, simplesmente elevou a alíquota a ser aplicada de 0,5% para 0,75%. Repisese que essa majoração de alíquota em nenhum momento foi questionada pela empresa na esfera judicial e tampouco reputada inconstitucional pelo Pretório Excelso. Assim, prevalece a majoração da alíquota estabelecida na LC 17/73, restando certa a aplicação da alíquota de 0,75% sobre a base de cálculo do PIS no período de apuração em análise. SEMESTRALIDADE Quanto à semestralidade, o Parecer PGFN/CRJ/N° 2.143/2006, com base no qual foi editado o Ato Declaratório PGFN n° 8, de 16/11/2006, contém a seguinte afirmação em seu item I,2: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 (...) (transcreve o Parecer que tem o objetivo de impedir que a SRF constitua o crédito tributário relativo à semestralidade do PIS, bem como obrigandoa a rever de oficio os lançamentos já efetuados, nos termos do artigo 19 da Lei n° 10.522/2002, desde que inexista outro fundamento relevante, reconhecendo que o parágrafo único do art. 6° da Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, trata da base de cálculo e não do prazo de recolhimento da contribuição para o PIS) Isso implica no reconhecimento administrativo da semestralidade na vigência dos Decretoslei 2.445 e 2.449/88, devendo ser aplicado também ao caso em questão. MULTA DE OFÍCIO Ressaltese, por oportuno, que constituindo a DCTF instrumento de confissão de divida hábil e suficiente à exigência do crédito tributário, nos termos do artigo 5° do Decreto 2.124/84, deverá ser revisto o lançamento para excluir a multa de oficio, em consonância com a orientação contida na Solução de Consulta Interna n° 3, de 08/01/2004, que estabelece em seu item 22 que, no julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP n' 2.15835, "em face do principio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei re 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, é cabível a exoneração da multa de lançamento de oficio sempre que não tenha sido verificada nenhuma das hipóteses previstas no art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, ou seja, que as diferenças apuradas tenham decorrido de compensação indevida em virtude de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser e natureza não tributária, ou em que tenha ficado caracterizada a prática de sonegação, fraude ou conluio". O Recurso voluntário alega que a ação judicial do PIS – Decretosleis 2.445 e 2.449, de 1988, que a autuação desconheceu, já teria transitada em julgado e que a compensação dos créditos resultantes teria sido informada em DCTF, pelo que não procede o auto de infração. Além disso, a própria decisão recorrida determinou que, para fins de cobrança, deveriam ser observadas as conclusões do processo judicial, mas que, sem que nada disso fosse observado, a Recorrente recebeu aviso de cobrança. Insiste na decadência dos fatos geradores de maio e junho de 1998, uma vez que o auto de infração foi lavrado em julho de 2003, ou seja, após o do prazo de 5 anos do artigo 150, § 4o, do CTN. Transcreve decisões do antigo Conselho de Contribuintes que o favoreceriam, além de doutrina e acórdãos do STJ, requerendo ao final a legitimação das compensações, diante do reconhecimento judicial do pagamento indevido, com a extinção da cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro FÁBIO LUIZ NOGUEIRA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos na lei e deve ser conhecido. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13639.000370/200343 Acórdão n.º 330101.245 S3C3T1 Fl. 140 7 A autuação é resultante de auditoria interna da DCTF, sob a alegação de “Proc Jud Não Comprova”. O Recorrente, por sua vez, comprovou (fls. 57 e seguintes) a existência do processo judicial e o trânsito em julgado, antes da lavratura do auto de infração. Na ação foram reconhecidos os créditos relativos ao PIS Decretoslei 2.445 e 2.449, de 1988, utilizados na compensação, que foi objeto de lançamento neste processo. Pareceme incontestável, portanto, a existência de ação judicial. E o reconhecimento dos créditos. Entendo que o caso não se resolve apenas e tão somente com a aplicação da Súmula 01 do CARF, como pretendeu a decisão recorrida. A questão aqui é outra. O lançamento decorre da declaração registrada em DCTF de compensação efetuada com base em processo judicial, sendo que a autoridade fiscal entendeu tratarse de "falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata", sob a ocorrência de processo judicial não comprovado. Assim, não há dúvida quanto à existência do processo judicial (a própria Decisão Recorrida confirma o fato), inclusive com o trânsito em julgado. Considerando que a fundamentação original do auto de infração não se confirmou, uma vez que ficou demonstrada a existência do processo judicial, deve ser cancelado o auto de infração. Nesse sentido, vem decidindo esse Egrégio Conselho, conforme se depreende do trecho do acórdão a seguir transcrito (Processo 13987.000148/200218 – Recurso 137.761 – Acórdão 20181.352), da Relatoria do ilustre Conselheiro Maurício Taveira e Silva: ”... Assim, o lançamento efetuado decorreu do fato de o processo judicial não ter sido comprovado. Contudo, conforme se verifica, a existência do processo foi comprovada, inclusive com o trânsito em julgado em 12/12/2000. Quanto ao fato de existir ou não crédito a ser compensado, embora se presuma que essa divergência decorre da desconsideração da semestralidade, não foi a motivação do lançamento e, portanto, está fora de questão essa análise. Ora, se a contribuinte não pode apresentar novas razões para se defender, de modo a que seus argumentos sejam submetidos à dupla instância, do mesmo modo não pode a autoridade julgadora suprir procedimentos próprios da autoridade lançadora, agravando sua exigência, modificando seus argumentos, fundamentos e sua motivação, o que consistiria em inovação. Sobre o tema assim lecionam os autores Marcos Vinicius Neder de Lima e Maria Teresa Martinez López (in Processo Fl. 148DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Administrativo Fiscal Federal Comentado, 2a edição, 2004, p. 262), tecendo os comentários abaixo: "11.44. Auto de Infração Complementar Agravamento Ao comentar o artigo 15, parágrafo único, discorremos sobre o agravamento da exigência por auto de infração complementar e os limites à revisão de oficio do lançamento pela autoridade administrativa. Já vimos também, que agravar, do latim aggravare significa tornar pior, mais grave, mais pesado, exacerbar. Luiz Henrique Barros de Arruda g76 escreve, com muita propriedade, que 'O termo agravar, na acepção do Decreto n° 70.235/72, não significa apenas tornar a exigência mais onerosa, mas compreende também modificar os argumentos que a suportam ou seus fundamentos, a exemplo do que requer a lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento complementar, nos termos do artigo 18, parágrafo terceiro.' Só quem pode constituir o crédito tributário por meio do lançamento é quem possui a competência para, em exames posteriores, realizados no curso do processo, verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, proceder ao agravamento da exigência fiscal. 276 Arruda, Luiz Henrique Barros de. Processo Administrativo Fiscal, 2a ed., Resenha Tributária, São Paulo, 1994." Ainda acerca da impossibilidade de aperfeiçoamento do lançamento, cabe trazer à colação os acórdãos abaixo: "Acórdão n° 10320.074 (Rec. 118.581), sessão de 19/8/99. Ementa: (..) É vedado à Autoridade Julgadora o aperfeiçoamento do lançamento em face da previsão legal atribuindo tal atividade à Autoridade Lançadora. Publicado no DOU de 8/10/99 n° 194E. Acórdão n° 10320.754 (Rec.125219), sessão de 17/10/01 (DOU de12/12/01). Ementa: (.) IRPJ Inovação quanto ao Lançamento no Ato Decisório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Impossibilidade. O deverpoder de decidir conferido ao Delegado da Receita Federal de Julgamento está adstrito aos termos do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, não lhe cabendo aperfeiçoálo ou transformálo de qualquer forma, sob pena de transposição de sua competência legal. CSSL Erro na Apuração da Base de Cálculo Impossibilidade de Aperfeiçoamento por este órgão Julgador. Não tendo a autoridade lançadora obedecido aos preceitos legais para a fixação da base de cálculo da contribuição, não cabe a este órgão aperfeiçoar o lançamento, mas apenas afastar a exigência, diante do erro ocorrido. (.) Recurso conhecido e provido em parte. Acórdão nº 10706.463 (Rec. 127.319), sessão de 7/11/01. Ementa: Processo Administrativo Fiscal Auto de Infração. Não deve subsistir o Auto de Infração que não contenha exigências tributárias, nem mesmo relativas à redução no estoque de prejuízos a compensar. Se houve erro em sua lavratura não cabe ao órgão julgador o seu aperfeiçoamento." Fl. 149DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13639.000370/200343 Acórdão n.º 330101.245 S3C3T1 Fl. 141 9 Outro ponto que merece ser abordado é a necessária motivação dos atos administrativos. No ordenamento pátrio, sua justificação sempre foi obrigatória, ou como pressuposto de existência, ou como requisito de validade, conforme entendimento da doutrina, confirmado através da norma positiva, pelo disposto na Lei nº 4.717/65, art. 22. Mais recentemente houve a edição da Lei nº 9.784/99, corroborando a imprescindibilidade do motivo como sustentáculo do ato administrativo. Dispõe o art. 50 desta lei: "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I) neguem,limitem ou afetem direitos ou interesses; II) imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) § 1° A motivação deve ser explicita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos anteriores, pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso serão parte integrante do ato." Além das expressas disposições em lei, também a doutrina ensina que a falta de congruência entre a situação fática anterior à prática do ato e seu resultado invalidao por completo. Constróise, assim, a teoria dos motivos determinantes. No magistério de Hely Lopes Meirelles, "tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade" (Manual de Direito Administrativo, José dos Santos Carvalho Filho, Editora Lumen Juris, 1999, p. 81). Assim, tendo em vista que o lançamento não teve como motivação a ausência de crédito tributário para a compensação pretendida, originandose, tãosomente, de processo judicial não comprovado, até porque o processo não foi objeto de análise prévia, e tendo sido, posteriormente, demonstrada a regular existência de medida judicial correspondente, repisese, não pode a autoridade julgadora suprir procedimentos próprios da autoridade lançadora, agravando a exigência, modificando os argumentos, fundamentos e motivação do auto, nem tampouco aprimorar o lançamento. Feitas essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário para determinar o cancelamento do auto de infração. (ASSINADO DIGITALMENTE) FÁBIO LUIZ NOGUEIRA Fl. 150DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 16024.000642/2007-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2005
ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL
Tratando-se de erro evidente, divorciado do contexto do procedimento fiscal do qual emerge a motivação e o enquadramento legal correto da autuação, que não redundou em qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa nem em majoração indevida do crédito tributário lançado, a nulidade não deve ser pronunciada.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Deve ser mantida a tributação por omissão de receitas se o contribuinte não logra comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem de depósitos em suas contas-correntes
bancárias, os quais pretendia tratar-se de operações
de Antecipações de Dividendos, Emissão de Debêntures e de Devolução de Capital que deram origem à compra e venda de títulos do Tesouro Americano (T-Bills).
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO.
Se dos elementos que constam dos autos não resta comprovado o evidente intuito de fraude, a multa qualificada deve ser afastada e reduzida ao percentual de 75%. A mera constatação da omissão de receitas, mormente se por presunção legal, é insuficiente para afirmar o intuito doloso do contribuinte de ocultar o fato gerador tributário da autoridade fiscal.
MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. ESTIMATIVA.
A multa exigida isoladamente sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais é de natureza sancionatória, portanto, diversa da multa proporcional incidente sobre a insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário,
no regime do lucro real anual.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS
Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1301-000.826
Decisão: Os membros da turma acordam, por voto de qualidade, manter o lançamento do IRPJ e decorrentes e da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa e, por unanimidade, reduzir a multa de ofício para o percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros
Valmir Sandri, Carlos Jenier e Edwal Casoni.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2005 ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL Tratando-se de erro evidente, divorciado do contexto do procedimento fiscal do qual emerge a motivação e o enquadramento legal correto da autuação, que não redundou em qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa nem em majoração indevida do crédito tributário lançado, a nulidade não deve ser pronunciada. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Deve ser mantida a tributação por omissão de receitas se o contribuinte não logra comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem de depósitos em suas contas-correntes bancárias, os quais pretendia tratar-se de operações de Antecipações de Dividendos, Emissão de Debêntures e de Devolução de Capital que deram origem à compra e venda de títulos do Tesouro Americano (T-Bills). MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. Se dos elementos que constam dos autos não resta comprovado o evidente intuito de fraude, a multa qualificada deve ser afastada e reduzida ao percentual de 75%. A mera constatação da omissão de receitas, mormente se por presunção legal, é insuficiente para afirmar o intuito doloso do contribuinte de ocultar o fato gerador tributário da autoridade fiscal. MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. ESTIMATIVA. A multa exigida isoladamente sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais é de natureza sancionatória, portanto, diversa da multa proporcional incidente sobre a insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, no regime do lucro real anual. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
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OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Deve ser mantida a tributação por omissão de receitas se o contribuinte não logra comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem de depósitos em suas contascorrentes bancárias, os quais pretendia tratarse de operações de Antecipações de Dividendos, Emissão de Debêntures e de Devolução de Capital que deram origem à compra e venda de títulos do Tesouro Americano (TBills). MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. Se dos elementos que constam dos autos não resta comprovado o evidente intuito de fraude, a multa qualificada deve ser afastada e reduzida ao percentual de 75%. A mera constatação da omissão de receitas, mormente se por presunção legal, é insuficiente para afirmar o intuito doloso do contribuinte de ocultar o fato gerador tributário da autoridade fiscal. MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. ESTIMATIVA. A multa exigida isoladamente sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais é de natureza sancionatória, portanto, diversa da multa proporcional Fl. 950DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 incidente sobre a insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, no regime do lucro real anual. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da turma acordam, por voto de qualidade, manter o lançamento do IRPJ e decorrentes e da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa e, por unanimidade, reduzir a multa de ofício para o percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Carlos Jenier e Edwal Casoni. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 951DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16024.000642/200755 Acórdão n.º 1301000.826 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório Primo Shincariol Indústrias de Cervejas e Refrigerantes S/A, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a Decisão do julgamento em primeira instância que manteve na íntegra os lançamentos efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão referida. Trata o processo de exigência de IRPJ (fls.384/387), no valor de R$ 18.809.921,94, acrescido de juros de mora calculados até 30/11/2007 no valor de R$ 12.852.921,69 e multa de ofício (150%) no valor de R$ 27.808.446,70, alem da multa exigida isoladamente (50%) no valor de R$ 11.474.404,69. Totaliza a exação a importância de R$ 70.945.695,02 e relativa aos ano calendários de 2002, 2003 e 2005. O Auto de Infração combatido imputa à recorrente as seguintes infrações: 1) omissão de receita operacional caracterizada pela falta de comprovação da origem de recursos depositados/creditados em conta bancária. 2) glosa de prejuízos compensados indevidamente, tendo em vista a reversão do prejuízo após o lançamento da infração constatada no períodobase 2002. 3) multa isolada em razão da falta de pagamento do IRPJ incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, no valor de R$11.474.404,69. 4) lançamentos reflexos de Programa de Integração Social — PIS (fl.394), com crédito tributário de R$3.501.067,21; Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins (fl.402), com crédito tributário de R$ 16.142.703,01; e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (fl.408), com crédito tributário de R$ 2.636.662,05. O Relatório Fiscal (RF), fls. 363 a 377, demonstra a ação fiscal desenvolvida, especificando os termos de intimações lavrados solicitantes dos esclarecimentos e dos documentos necessários, bem como explicita todo o enquadramento legal. Do Relatório Fiscal extraise o seguinte: "A ação fiscal, MPF08 11000/00278/2005, junto à empresa PRIMO SCHINCARIOL IND. DE CERVEJAS E REFRIGERANTES S/A CNPJ N° 50.221.019/000136, teve como um de seus objetivos esclarecer a origem das supostas operações de aquisição no exterior de Títulos do Tesouro dos Estados Unidos da América — TBills, com imediata revenda em território nacional, efetuada pelo contribuinte em questão, nas datas e valores abaixo relacionados: 1. Transações de 22/04/2002, 24/06/2002 e 19/07/2002 Venda dos TBills para ULTRA DI PARTICIPAÇÕES S/A — CNPJ N° 32.245.821/000184, em 22/04/2002, no valor de R$3.633.399,23; Venda dos TBills para a CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S/A – CNPJ N° 15.102.288/000185, em 24/06 e 19/07/2002, com créditos de depósitos, efetuados na mesma data pelos compradores acima mencionados, em conta bancária (Banco Fl. 952DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Bradesco S/A) pertencente à "PSICRSA ITU", fls. 226, 229 e 232 dos autos, nos valores de R$17.846.948,00 e R$29.232.000,00, respectivamente. 2. Transações de 21/08/2002 e 23/08/2002 Venda de TBills, em 21/08 e 23/08/2002, para a CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S/A CNPJ N° 15.102.288/000185, com recebimento mediante transferências eletrônicas — TED efetuadas pelo comprador na Conta Corrente n° 1.3161 do Banco Bradesco S/A, pertencente à fiscalizada, conf. cópias do Livro Diário "PSICRSA ITU" às fls. 238 e 239 dos autos, no valor de R$15.753.900,00 e R$15.246.100,00; 3. Transações de 30/03/2005 e 05/04/2005 Venda de TBills, em 30/03/2005, para SASPAR PARTICIPAÇÕES S. A. — . CNPJ N° 03.284.022/000119, com recebimento mediante transferências eletrônicas — TED no valor de R$ 27.004.350,00, efetuadas pelo comprador na Conta Corrente n° 1.3161 do Banco Bradesco S/A, pertencente à fiscalizada, conf. cópias do Livro Diário "PSICRSA ITU" às fls. 241 dos autos; Venda de TBills, em 05/04/2005, para ULTRA — DI PARTICIPAÇÕES S/A — CNPJ N° 32.245.821/000184, com recebimento mediante transferências em dinheiro entre agências no valor de R$ 9.494.717,40, efetuadas pelo comprador na Conta Corrente n° 1.3161 do Banco Bradesco S/A, pertencente à fiscalizada, conf. cópias do Livro Diário "PSICRSA ITU" às fls. 244 dos autos. O Relatório de Fiscalização, bem como os demais documentos colacionados aos autos pela Fiscalização, reúnem as seguintes informações: “De acordo com a fiscalização, instada a comprovar as operações acima, a fiscalizada apresentou os esclarecimentos e a documentação abaixo relacionada: 1. Transacões de 22/04/2002, 24/06/2002 e 19/07/2002 Antecipação de dividendos, em 22/04, 24/06 e 19/07/2002, conf. cópias das folhas dos Livros Diários da fiscalizada, fls. 227, 230 e 233 dos autos, pela empresa PRIMO SCHICARIOL INTERNACIONAL LDA. (PSI), sediada na Ilha da Madeira, na qual "PSICRSA ITU" possuía, na época, participação societária. Esta seria, em tese, a origem dos recursos utilizados na compra dos Títulos do Tesouro dos Estados Unidos da América do Norte, CUSIP Number 912795KT7, 912795LB5 e 912795LF6; 2. Transacões de 21/08/2002 e 23/08/2002 Para as transações ocorridas em 21/08/2002 e 28/08/2002, foram efetuados levantamentos, por esta fiscalização, dos possíveis registros contábeis nos Livros Diário da empresa PRIMO SCHINCARIOL IND. DE CERVEJAS E REFRIGERANTES S/A — CNPJ N° 50.221.019/0001 36 (PSICRSA ITU), Não foi encontrada a entrada de numerário, em 20/08/2002, na Conta 10.30.19 — Unicorp Bank & Trust — Grand Cayman C/C 600.276, conforme cópias do Livro Diário às fls. 235 dos autos, no valor de R$ 30.303.893,39 (US$ 9.999.995,00), para compra de Títulos do Tesouro Norte Americano, em tese, suportada pela apresentação das cópias dos extratos bancários mencionados a seguir no subitem 2.2 (suposta origem dos recursos para compra dos TBills CUSIP Number 912795LK5 e 912795LL3); Fl. 953DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16024.000642/200755 Acórdão n.º 1301000.826 S1C3T1 Fl. 3 5 Aquisição de TBills, em 21/08/2002, no valor de R$ 30.303.893,39, com o lançamento da respectiva entrada dos ativos na conta 10.40.2 1 Aplicações Financeiras, cópia do Livro Diário às fis. 237 dos autos; 3. Transações de 30/03/2005 e 05/04/2005 Cópia de folha do Livro Contábil Razão da "VILLAGE", fls. 299 dos autos, onde estão, em tese, registradas as devoluções de capital à "PSICRSA ITU", em bens (TBills), em 30/03/2005 e 05/04/2005; Cópias de documentos de transferência de titularidade de TBills, inicialmente em poder da "VILLAGE" e transferidos para "PSICRSA ITU", fls. 274 e 277 dos autos, em 30/03, e 05/04/2005, assinados pelos representantes da "VILLAGE", o Srs. Adriano Schincariol e José Augusto Schincariol, segundo esclarecimentos da fiscalizada. Cumpre salientar que os Srs Adriano e José Augusto também são representantes da "PSICRSA ITU"; Cópias de contrato de compra e venda de TBills (CUSIP Number 912795SV4), celebrados entre "PSICRSA ITU" e SASPAR PARTICIPAÇÕES S. A. — CNPJ N° 03.284.022/0001 19, fls. 322 a 325 dos autos, assinado em 30/03/2005. A cópia do documento em tela foi obtida mediante emissão de MPF Extensivo face à compradora, sediada na cidade do Rio de Janeiro/RJ; Cópias de contratos de compra e venda de TBills (CUSIP Number 912795SV4), celebrados entre "PSICRSA ITU" e ULTRA DI PARTICIPAÇÕES S/A CNPJ N° 32.245.821/000184, fls. 300 a 303 dos autos, assinado em 05/04/2005; Cópias de extratos bancários (Banco Bradesco S/A — Agência 03280 — Conta 1.3161 — Primo Schincariol Cerv. Refr. S.A.), fls. 276 e 279 dos autos, referentes à entrada do numerário relativo ao pagamento da compra dos títulos. 4. Custódia e transferência de propriedade dos TBills Intimada em 20/07/2007, a comprovar a existência e a transferência de titularidade dos TBills em questão, após três solicitações de prorrogação de prazo, "PSICRSA ITU" apresentou, em 04/09/2007, informações enviadas por CREDIT LYONNAIS (URUGUAY) S.A., datada de 28/08/2007, fls. 342 a 362 dos autos, relativas aos TBills CUSIP Number 912795KT7, 912795LB5, 912795LF6, 912795LK5, 912795LL3 e 912795SV4, dentre outras, destacamos as que se seguem (versão livre do Espanhol para o Português): Nome da instituição onde os títulos estavam registrados: Estavam registrados em nome de Credit Lyonnais (Uruguay) S.A. em Credit Lyonnais Securities (USA) mc., NY; Nome do vendedor do Título, relativo a cada data de transação: Credit Lyonnais(Uruguay) S.A., por ordem, conta e risco de seu cliente. Nome do comprador do Título, relativo a cada data de transação: Credit Lyonnais (Uruguay) S.A. 5.Registro das transações no BACEN Fl. 954DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 5.1 Intimada em 20/07/2007, "PSICRSA ITU" nada informou, deixando de apresentar os competentes registros de entrada de capitais estrangeiros no Brasil, aqui considerados detalhadas nos itens I, 2 e 3 deste capítulo.” Após análise da documentação e esclarecimentos prestados, a fiscalização teceu as seguintes considerações: “1. Origem dos recursos das transações com TBills 1.1 Não há documentação hábil e idônea que comprove as antecipações de dividendos provenientes da empresa PRIMO SCHINCARIOL INTERNATIONAL LDA. (PSI). Tal justificativa foi apresentada pela fiscalizada como suposta origem dos recursos das transações de 22/04, 24/06 e 19/07/2002, convertidos em Títulos do Tesouro dos Estados Unidos — TBills — CUSIP Number 912795KT7, 912795LB5 e 912795LF6, e finalmente, vendidos a ULTRA — DI PARTICIPA ÇOES S/A e à CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S/A, tudo contratado e celebrado nas mesmas datas, mediante transferências de titularidade e contratos de venda, em tese, consumados em documentos assinados por JOSE NELSON SCHINCARIOL, representante da cedente "PSI" e da vendedora "PSICRSA ITU". A cópia da folha de suposto Livro Razão da "PSI", por si só, não pode ser considerada como comprovação conclusiva. Da mesma forma, não houve apresentação de ata da Assembléia Geral de Acionistas da "PSI" ou de ata da reunião do Conselho Administrativo, onde tenha sido aprovada a proposição para tais antecipações de dividendos, bem como da determinação da parte do lucro a ser destinada a tais eventos. Nem mesmo houve apresentação de balanços e demais demonstrativos; 1.2 Com relação às transações de 21/08 e 23/08/2002, não ocorreu o registro da entrada de numerário no Livro Diário "PSICRSA ITU", em 20/08/2002, na Conta 10.30.19 — Unicorp Bank 8c Trust — Grand Cayman C/C 600.276, no montante de R$ 30.303.893,39. Tal lançamento viria, em tese, justificar a origem contábil dos recursos utilizados na compra dos Títulos do Tesouro dos Estados Unidos — CUSIP Number 912795LK5 e 912795LL3. Foi apresentada a esta fiscalização apenas uma cópia de extrato bancário (UBT — Grand Cayman), datada de 31/12/2002, onde consta o crédito de US$ 9.999.995,00, efetuado por CREDIT LYONNAIS URUGUAY, em 20/08/2002, em favor de "PSICRSA ITU". Fica prejudicada, dessa forma, a comprovação da origem dos recursos utilizados na compra dos títulos supramencionados. As transações registradas no Livro Diário "PSICRSA ITU", em 21/08 e 23/08/2002, na conta do Ativo 10.40.2 1 – Aplicações Financeiras, somente registram as supostas compras dos TBills, os quais foram imediatamente vendidos à CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S/A; 1.3 Ficou debilitada a justificativa para a origem de recursos utilizados na compra de Título do Tesouro Norte Americano utilizandose a devolução de capital à "PSICRSA ITU", relativa à participação societária na empresa VILLAGE SERVIÇOS INTERNACIONAIS LDA., sediada na Ilha da Madeira, mediante transferência de titularidade do TBill — CUSIP Number 912795SV4, assinada pelos representantes da cedente "VILLAGE", que também são da cessionária "PSICRSA ITU", os Srs. ADRIANO SCHINCARIOL e JOSÉ AUGUSTO SCHINCARIOL. O título em questão foi imediatamente vendido, em duas ocasiões, inicialmente, em 30/03/2005, para SASPAR PARTICIPAÇOES S./A. e, posteriormente, em 05/04/2005, para ULTRA — DI PARTICIPAÇÕES S/A, vide cópias dos contratos de venda juntados aos autos. O contribuinte apresentou a esta fiscalização apenas uma cópia de suposta folha do Livro Razão da "VILLAGE", onde, em tese, foram registradas as respectivas devoluções de capital, em 30/03 e 05/04/2005, à "PSICRSA ITU", em bens (TBills). Fl. 955DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16024.000642/200755 Acórdão n.º 1301000.826 S1C3T1 Fl. 4 7 A não apresentação de uma avaliação do valor unitário das cotas de capital pelo critério contábil ou pelo valor de mercado, bem como do registro da alteração do valor ou da redução do número das cotas de participação de "PSICRSA ITU" na "VILLAGE", mediante alteração de Contrato Social ou de documento equivalente, também veio contribuir no enfraquecimento da comprovação da origem dos recursos. 2. Formalidades documentais 2.1 Com relação às cópias dos contratos de compra e venda apresentados no transcorrer da fiscalização, em que pese o disposto nos artigo 288 c/c o artigo 654, § 1o. do Novo Código Civil, Lei 10.406/2002, o contribuinte alegou, quando intimado a respeito da transcrição para o registro público, que "tais contratos não foram passives de transcrições para os registros públicos em razão de ausência de disposição legal que obrigasse tal prática "(sic). Ora, essa formalidade essencial compreende a certificação de que os signatários do documento firmaram suas assinaturas na presença do Notário Público, além do reconhecimento da assinatura do próprio Notário Público, bem como a autenticação do próprio documento; ainda que tal legalização, por si só, não implique em aceitação ou aprovação dele. Leve se aqui em conta os altos valores das supostas transações. Vide a transcrição legal abaixo: "Art. 288. É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do I do art. 654. Art. 654. Todas as pessoas capazes são aptas para dar procuração mediante instrumento particular, que valerá desde que tenha a assinatura do outorgante. § 1o. O instrumento particular deve conter a indicação do lugar onde foi passado, a qualificação do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designação e a extensão dos poderes conferidos." 2.2 De acordo com o art. 127 do item 6° do art. 129 e art. 148 da Lei no 6.015 de 31 de dezembro de 1973 — Lei de Registros Públicos, para surtir efeitos em relação a terceiros, é indispensável que documentos de procedência estrangeira sejam registrados no Registro de Títulos e Documentos. Confirase: "Art. 127. No Registro de Títulos e Documentos será feita a transcrição: I — dos instrumentos particulares, para a prova das obrigações convencionais de qualquer valor; Art. 129. Estão sujeitos a registro no Registro de Títulos e Documentos, para surtir efeito em relação a terceiros: 6°) todos os documentos de procedência estrangeira, acompanhados das respectivas traduções, para produzirem efeitos em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios ou em Qualquer instância, juízo ou tribunal; Art. 148. Os títulos, documentos e papéis escritos em língua estrangeira, uma vez adotados os caracteres comuns, poderão ser registrados no original, para o efeito da sua conservação ou perpetuidade. Para produzirem efeitos legais no País e para valerem contra terceiros, deverão, entretanto, ser vertidos em vernáculo e Fl. 956DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 registrada a tradução, o que, também, se observará em relação às procurações lavradas em língua estrangeira. 3. Transferência de titularidade — TBiIIs 3.1 A correspondência de CREDIT LYONNAIS (URUGUAY) S.A., datada de 28 de agosto de 2007, encaminhada pelo contribuinte a esta fiscalização, não comprova que, antes da suposta venda, os títulos estavam custodiados em nome de PRIMO SCHINCARIOL INDUSTRIA DE CERVEJAS E REFRIGERANTES S/A ITU. Também não comprova que os títulos foram tradicionados. Em se tratando de aquisição de títulos, a prova da entrega material, qual seja o Certificado de Custódia em nome de "PSICRSA ITU" e a nota de transferência de custódia advinda do recebedor (aceitante ou accipiens) dos títulos, no caso, ULTRADI, NORBERTO ODEBRECHT e SASPAR, afigurase imprescindível para que se possa provar que eles foram tradicionados; 3.2 O que nada prova são os documentos autorizando transferência de titularidade expedidos pelo "vendedor" — sujeito que é, em tese, mero "detentor" do título e não proprietário, dado que não possui nem sequer exibiu o Certificado de Custódia. Não possui nada enfim. Em regra, o domínio de coisas móveis, tais como títulos ao portador, transferese pela tradição; 3.3 Consoante Vocabulário do eminente De Plácido e Silva, a "tradição é a entrega material da coisa adquirida, para lhe transferir a propriedade, ou a entrega material da coisa devida, para que cumpra a obrigação assumida, na intenção de dela se liberar, ou quitar ". Portanto, pressupõe que aquele que irá fazer a entrega, o transmitente ou tradens, ostente a condição de "proprietário". 4. Registro no Banco Central do Brasil BACEN da entrada de capitais do exterior 4.1 O contribuinte tentou justificar que as supostas compras dos "TBills" foram financiadas com recursos obtidos no exterior e que os títulos em questão foram, em tese, transferidos para "PSICRSA ITU". Nos termos dos artigos 1o. e 3o. "a" da Lei n° 4.131 de 1962, modificada pela Lei 4.390, de 29 de agosto de 1964, tais bens seriam considerados capitais estrangeiros ingressados no País, cujo registro de entrada é obrigatório junto ao Banco Central do Brasil. 4.2. Esses bens, cujo preço foi expresso em moeda do país de origem (US$), teriam entrado no Brasil (mesmo que tal fato não tenha ocorrido fisicamente), tendo sido aqui realizados, mediante sua conversão em dinheiro (R$), creditado em conta corrente do sujeito passivo, em estabelecimento bancário nacional (Banco Bradesco S.A. — Agência Itu/SP). Confirase: "Art. 1o. Consideramse capitais estrangeiros, para os efeitos desta Lei os bens, máquinas e equipamentos entrados no Brasil sem dispêndio inicial de divisas, destinados à produção de bens ou serviços, bem como os recursos financeiros ou monetários, introduzidos no País, para aplicação em atividades econômicas, desde que, em ambas as hipóteses, pertençam a pessoas fisicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no exterior. Art. 3o. Fica instituído, no Banco Central do Brasil, um serviço especial de registro de capitais estrangeiros, qualquer que seja sua forma de ingresso no País, bem como de operações financeiras com o exterior, no qual serão registrados: a) os capitais estrangeiros que ingressarem no País sob a forma de investimento direto ou de empréstimo, quer em moeda, quer em bens. Fl. 957DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16024.000642/200755 Acórdão n.º 1301000.826 S1C3T1 Fl. 5 9 4.3. Dessa forma, tornase imprescindível o registro de tais operações no Banco Central do Brasil. Cumpre salientar que nos causou estranheza o silêncio do contribuinte a respeito do fato, cuja solicitação de esclarecimentos foi efetuada em 19/07/2007 (Item 2.), fls. 326 dos autos. Com base nessas considerações concluiu a fiscalização que teria havido omissão de receitas por falta de comprovação da origem de recursos depositados, como segue: 1. Omissão de Receitas Falta de comprovação da origem de recursos depositados em conta bancária 1.1 Por tudo até aqui exposto, restou constatada a existência de depósitos em conta corrente, cuja origem o titular não logrou comprovar mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, presumindose, dessa forma, que tais recursos sejam provenientes de receita omitida, consoante o Art. 42 da Lei n° 9.430/1996. 2. Qualificação da infração de Omissão de Receitas 2.1 A não apresentação a esta fiscalização, pelo contribuinte, da documentação hábil e idônea comprobatória do registro no BACEN referente às entradas de capitais provenientes do exterior, representados por direitos de crédito (TBills), a não comprovação da origem dos recursos que suportaram as operações de compra de tais títulos e a "velocidade" com que os mesmos foram negociados no mercado interno (Operações "daytrade"), apontam, em tese, para crime contra a ordem tributária previsto no art. 1o., inciso 1, da Lei n° 8.137/90, tendo o sujeito passivo efetuado lançamentos contábeis que não corresponderiam à realidade dos fatos, com o intuito de omitir as verdadeiras informações; 2.2 Tal conduta, que se enquadra no tipo penal previsto subitem anterior, impediu a autoridade fazendária de tomar conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, em tese, foi intencional, fruto da vontade do contribuinte, e teve como objetivo eximirse do pagamento dos tributos através da sonegação, conforme definido no art. 71 da Lei n° 4.502 de 31/11/1964. Dessa forma, foi aplicada a multa de oficio qualificada de 150% e lavrada a competente Representação Fiscal para Fins Penais.” Regularmente cientificada em 10/12/2007, apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 440 a 501), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos (extraídos do relatório do acórdão recorrido): Inicialmente contesta a legislação dada como infringida, quanto ao principal IRPJ – pois, entende que houve dificuldade do Fisco em relacionar os fatos com as infrações reclamadas, uma vez que precisou apontar como violado o disposto no artigo 42 da Lei 9.430, de 1996 (art. 287 do RIR/99) e ainda o artigo 282 do RIR/99, que tratam de situações diferentes. Relativamente às primeiras operações – aquisições dos TBills –, alega: a) todas as operações encontravamse por ocasião da ação do Fisco, por este confirmadas, devidamente registradas nos livros contábeis da Impugnante; b) as aquisições dos TBills (ou das TBills . Notas...) não se deram contra pagamentos pela Impugnante, mas recebidos ora por conta de dividendos, ora por conta de devolução de capital investido. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 c) os documentos foram entregues conforme citados no relato, bastando, para comprovar a devida leitura do "Termo Fiscal" (fls.363/383). Quanto às segundas operações vendas dos TBills – também determinados os recebimentos, enquanto identificados os depósitos bancários, bem como o estabelecimento de crédito e conta corrente, além de determinados os compradores. No mérito questiona a Omissão de Receitas/Depósitos Bancário sem Comprovação de Origem, que não tem fundamento legal segundo o princípio da tipicidade fechada. Aduz que, "quem adquiriu as TBILLS no caso da PSI e VILLÀGE, foram estas pessoas jurídicas com sedes no exterior. Elas, ao que se sabe, não foram fiscalizadas pelo Fisco do Brasil. Estas tão só transferiram os T.Bills, como já dito, ora por antecipação de dividendos, ora por devolução de capital. Portanto a acusação de falta de comprovação da origem de recursos depositados em conta bancária resta incorreta, sem base legal, a demonstrar a falta de correspondência entre o fato e norma aplicável, bem como ter errado o Fisco na eleição do sujeito passivo". Prossegue: "No que diz respeito às vendas de T.Bills pela Primo Schincariol/Itu às empresas ULTRA, ODEBRECHT e SASPAR, o recebido encontrase devidamente registrado em documentos — contratos e contabilidade, além de suportado por depósitos bancários atestados pelo próprio Fisco, a saber: iii) cópias de extratos bancários Banco Bradesco , Ag. 03280. Conta 1.316 1, fls.255, 262 e 269 dos autos; iii) comprovação da venda feita à ODEBRECHT, segundo TED, crédito da conta n. 14161 Bradesco; iv) cópias de extratos bancários (Banco Bradesco Conta 1.3161) fls. 285 e 286; iv) cópias de extratos. bancários Bradesco Conta 13161 a crédito da Autuada, fls 276 e 279, não se podendo argumentar com falta de comprovação de origens por meio hábil e idôneo. Há que se consignar, ainda, falta de sintonia, mais uma vez, entre o fato e a norma apontada como infringida. Nem se argumente com o disposto no artigo 282 do mesmo R1R/99, segundo o que nele consta, pois, não houve recursos de socorro ao caixa por administradores, sócios, titular ou acionista controlador. A simples indicação do artigo 42 da Lei 9.430/92(sic) e do artigo 282 do RIR/99, para um mesmo fato, dá a exata noção da dificuldade enfrentada pelo Fisco para o enquadramento da acusação escolhida, já que nenhuma delas lhe dá amparo.". Alega que todas as operações foram devidamente registradas em seus livros Diários e que os registros contábeis das operações nos livros Diários fazem prova a seu favor. Com relação às cópias dos contratos de compra e venda apresentados no transcorrer da fiscalização, contesta a exigência do Fisco, que tais contratos deveriam ser firmados perante o Notário Público, argumentando que o Fisco não colocou em dúvida as assinaturas lançadas nos contratos, e, tampouco, levantou incidente de falsidade. Evoca o princípio da autonomia da vontade para justificar a compra/venda dos TBill's na mesma data. Fl. 959DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16024.000642/200755 Acórdão n.º 1301000.826 S1C3T1 Fl. 6 11 Quanto à reclamada tradição, alega que não há dúvida de que esta se opera no exterior por via indireta a nacionais ou a estrangeiros. A titularidade por estrangeiro e o ingresso dos recursos não passam de ficção engendrada como instrumento de opressão ao contribuinte, já que é de conhecimento público que tais títulos são custodiados no exterior. As vendas dos T'Bills, anteriormente adquiridos pela PSICRSA ITU no exterior e lá custodiados, antes pelas PSI e VILLAGE, também não merecem reprovações: Tratase de operação em que não houve movimentação de moeda estrangeira com o exterior (pois lá se encontravam) nem o deslocamento físico ou a posse da coisa vendida/comprada (T'Bills), mas tãosomente transferência dos direitos emergentes das Notas do Tesouro dos Estados Unidos. Em conseqüência, se manifesta também ausente qualquer operação de câmbio na transação. Até porque a venda, no País (Brasil), foi realizada mediante contrato de venda/compra aqui exeqüível, com preço fixado em reais e entre pessoas sediadas no Brasil. Insurgese contra a aplicação da multa isolada, que entende indevida, reproduzindo diversas ementas do Conselho de Contribuintes que auxiliam seu entendimento. Relativamente a recomposição do prejuízo fiscal e aos lançamentos reflexos, alega que os mesmos sucumbirão por uma relação de causa e efeito. Solicita a nulidade da exigência fiscal como posta. A autoridade julgadora de primeira instancia (DRJ/RPO) decidiu a matéria através do Acórdão 1421.663, de 02/12/2008 (fls.659), julgando procedentes os lançamentos, tendo sido lavrada a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2005 ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL Tratandose de erro evidente, divorciado do contexto do procedimento fiscal do qual emerge a motivação e o enquadramento legal correto da autuação, que não redundou em qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa nem em majoração indevida do crédito tributário lançado, a nulidade não deve ser pronunciada. IRPJ PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM OPERAÇÕES COM T BILLS Para dar suporte aos depósitos bancários efetuados nas contascorrentes da impugnante, que deram causa a acusação de omissão de receita, as operações de antecipações de dividendos e de devolução de capital que deram origem à compra e venda de títulos do Tesouro Americano deveriam estar registradas em sua contabilidade e os documentos que as lastreiam deveriam conter os requisitos formais próprios dos documentos de sua espécie. IRPJ. ESTIMATIVAS MENSAIS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Impõese a multa de ofício isolada no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Caracterizada a conduta dolosa do sujeito passivo, justificase a imposição da multa qualificada prevista na legislação de regência. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2005 TIPICIDADE FECHADA. SUPOSTAS OFENSAS AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Os princípios constitucionais tributários são endereçados aos legisladores e devem ser observados na elaboração das leis tributárias, não comportando apreciação por parte das autoridades administrativas responsáveis pela aplicação destas, seja na constituição do lançamento, seja no julgamento administrativo do crédito tributário. CONTRATO ENTRE AS PARTES Nos contratos entre particulares os efeitos pretendidos pela vontade das partes são importantes apenas para o negócio jurídico que eles elegem, porém, para efeitos tributários, o que importa é se essa situação jurídica é oponível ao fisco e se está descrita na hipótese de incidência normativa.” Inconformada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 686/768, por meio do qual renova os argumentações trazidas em sede de impugnação. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16024.000642/200755 Acórdão n.º 1301000.826 S1C3T1 Fl. 7 13 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Passo, pois, a apreciar o conjunto dos argumentos trazido pela Recorrente. Como visto, trata a lide de exigências de IRPJ e reflexos, relativas aos ano calendários de 2002, 2003 e 2005, formalizadas com base em depósitos/créditos bancários para os quais o contribuinte, intimado, não comprovou as correspondentes origens. Resta evidente que o que importa verificar nos presentes lançamentos tributários é se o contribuinte colacionou aos autos documentação que autoriza concluir que restaram comprovadas as origens dos recursos depositados/creditados em suas contas bancárias, vez que os créditos tributários aqui tratados foram constituídos com base no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, além das multas impostas (qualificada e isolada). Comprovação esta com lastro em documentação hábil e idônea e, que demonstre a estrita relação com as operações que deram causa a tais depósitos. A questão, em síntese, foi analisada em primeira instância nos seguintes termos: “Relativamente à alegada falta de sintonia entre o fato e a norma apontada como infringida, uma vez que a fiscalização precisou apontar como violado o disposto no artigo 42 da Lei 9.430, de 1996 (art. 287 do RIR/99) e ainda o artigo 282 do RIR/99, que tratam de situações diferentes, não trouxe nenhum prejuízo à contribuinte. Vejase que a autuada revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito. Quanto as demais contestações preliminares, contabilização das aquisições e vendas dos TBills, registros de contratos, serão analisadas como questão de mérito. No mérito, o cerne da questão resumese na comprovação das operações que deram origem aos depósitos bancários efetuados na conta corrente da autuada. De acordo com o art 42 da Lei 9.430, de 1996, "Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." Inferese do mandamento legal que os valores depositados devem guardar estrita relação com as operações que deram causa a tais depósitos, devidamente Fl. 962DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 comprovadas por documentação hábil e idônea, cujo ônus recai sobre o contribuinte. No caso dos autos, quando se perquire qual a operação deu origem aos depósitos efetuados pela SASPAR, ULTRA e ODEBRECHT, na conta bancária da impugnante, pretende a fiscalização que se comprove, a primeira operação que originou a efetivação desses depósitos, ou seja, as operações de antecipação de dividendos, em 22/04, 24/06 e 19/07/2002, que teriam sido efetuadas pela empresa PRIMO SCHINCARIOL INTERNACIONAL LDA. (PSI), sediada na Ilha da Madeira; assim como, as devoluções de capital que teriam sido efetuadas pela Village à "PSICRSA ITU", em bens (TBills). Esse entendimento extraise dos itens "I INTRODUÇÃO" e "V CONCLUSÃO" do Relatório Fiscal, nos seguintes termos: "I — INTRODUÇÃO I. A ação fiscal, MPF08 11000/00278/2005, junto à empresa PRIMO SCHINCARIOL IND. DE CERVEJAS E REFRIGERANTES S/A CNPJ N° 50.221.019/000136, teve como um de seus objetivos esclarecer a origem das supostas operações de aquisição no exterior de Títulos do Tesouro dos Estados Unidos da América — TBills, com imediata revenda em território nacional, efetuada pelo contribuinte em questão, nas datas e valores abaixo relacionados" (...) "V CONCLUSÃO Face aos fatos e considerações aqui apresentadas, podese inferir que a fiscalizada, repatriou recursos do exterior, em tese, tendo por objetivo a ocultação ou dissimulação da natureza, origem, localização ou propriedade de moeda estrangeira, sem a devida comunicação às autoridades brasileiras (registro no Banco Central), mediante operações denominadas no mercado financeiro de "blue chio swap", a qual consiste em se detectar alguém que deseje trazer recursos do exterior para o Brasil e outro que deseje retirar recursos do país, utilizandose, para isso, de negócios envolvendo um ativo quasemoeda, no presente caso, de supostos contratos de compra e venda de Títulos do Tesouro Norte Americano, sem a devida apresentação do registro em carteiras de custódia, bem como da demonstração de transferência de titularidade no exterior." Portanto, a matéria em discussão está claramente exposta nos autos: o Fisco entende que as operações realizadas pela Contribuinte visaram dissimular a verdadeira operação para fugir à incidência do imposto devido pelas empresas nacionais que realizaram entre si operações de compra e venda de títulos da dívida pública norteamericana – United States Treasury Bills – T. Bills, em território nacional. A questão a ser decidida, portanto, é qual situação deve ser considerada para fins de verificação da ocorrência do fato gerador: se as antecipações de dividendos e as devoluções de capital, ou se as aquisições em território nacional com o respectivo depósito bancário. No caso dos autos resta evidente que as operações que devem ser comprovadas, para dar sustentação a todo o conjunto de operações realizadas, são as antecipações de dividendos e as devoluções de capital. Ora, essa definição está diretamente relacionada com o enquadramento dos atos ou negócios jurídicos praticados nos campo da elisão fiscal ou no da infração tributária pura e simples (evasão), tema tormentoso e que tem recebido crescente atenção por parte da doutrina. Fl. 963DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16024.000642/200755 Acórdão n.º 1301000.826 S1C3T1 Fl. 8 15 Nas palavras de Marco Aurélio Greco: "Ou seja, toda operação que tenha por efeito minimizar a carga tributária mediante atos ilícitos está fora de nossa análise. Vale dizer, se alguém disser: aqui houve um planejamento com o uso de uma falsidade, a rigor não está se referindo a um planejamento porque falsidade é ato ilícito; ou então afirmar que houve uma ação do contribuinte que está enquadrada na Lei n° 8.137 também não é tratarse de um planejamento. Todas as operações que se viabilizem através de atos ilícitos estão fora da nossa análise, pois não configuram planejamento." No caso concreto sob exame, visto de forma isolada e individualizada, não se pode afirmar que nenhum dos atos praticados possa ser caracterizado com ilícito. A antecipação de dividendos ou a devolução de capital, no País ou no exterior, a venda de títulos custodiados no exterior, etc. são práticas permitidas pela legislação, podendo ser exercidas livremente, a critério exclusivo dos próprios interessados. Contudo, a prática de vários atos, isoladamente considerados lícitos, de forma seqüenciada e combinada, pode configurar uma conduta ilícita. É dizer, a regularidade (ou não) dos atos deve ser examinada, também, em seu conjunto. A liberdade de se praticar determinados atos — de se antecipar dividendos, de se comprar ou vender títulos custodiados no exterior, etc. — não significa que se possa combinar esses atos indistintamente, de modo a produzir um resultado não albergado pelo ordenamento jurídico. Em tais situações, a licitude (ou não) da conduta se afere pela análise conjunta dos atos. Como visto no relatório acima a fiscalização detectou operações envolvendo empresas nacionais que realizaram entre si, aqui no Brasil, operações de compra e venda de títulos da dívida pública norteamericana — United States Treasury Bills — T. Bills, custodiadas no exterior. De acordo com a fiscalização foram identificadas operações como sendo operações de câmbio atípicas, não usuais, com o objetivo de prover origem para o ingresso de reais para uns e servir de instrumento de envio de dólares para o Exterior, para outros, tendo sido utilizado o Crédit Lionnays (Uruguai) S/A como interveniente da operação. A operação consiste na negociação dos TBills pela Crédit Lyonnais Uruguai com empresa sediada no Brasil, que, em seguida, são revendidos a outros adquirentes também no Brasil. No pólo inicial e final da operação figura sempre o banco uruguaio; Segundo a fiscalização as operações constituemse em artifícios, cujo negócio efetivamente desejado é a realização de uma operação de câmbio. Ressalta ainda a fiscalização ausência de atendimento da intimação para apresentação à fiscalização dos contratos respectivos. Os documentos expedidos pelos envolvidos fazem referência, até onde foi possível apurar, a títulos existentes com inobservância da legislação de regência que determina a intervenção de instituição brasileira legalmente habilitada para realizar a operação e, não exibição de comprovantes de pagamentos (apresentam somente registros contábeis). É patente que as operações que envolvam transferências de divisas do país para o exterior e viceversa são totalmente reguladas pelo Banco Central do Brasil. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 A doutrina é assente em afirmar que os elementos que participam do mercado de câmbio se dividem nos que produzem divisas — trazem dólares para o País, e nos que cedem divisas — remetem dólares ao exterior. O sistema jurídico brasileiro mantém sob monopólio do Estado o controle das divisas, sendo de competência do Banco Central estabelecer as condições pelas quais um banco pode operar em câmbio. E, ainda no sistema brasileiro, as operações de câmbio não podem ser praticadas livremente e devem ser realizadas por meio de um estabelecimento bancário autorizado a operar em câmbio. À época dos fatos, a norma de regência era o Decreto n° 4.494, de 2002. O referido ato normativo é pontilhado de regras que visam coibir a possibilidade de realização de operações que possam ser efetivadas fora dos ditames nela previstos. Exemplo disso é a regra estabelecida no § 1° do art. 12: "§1° As transferências financeiras compreendem os pagamentos e os recebimentos em moeda estrangeira, independentemente da forma de entrega e da natureza das operações." O ato que realmente a Primo Schincariol e as compradoras SASPAR, ULTRA e ODEBRECHT, intentaram praticar foi o de repatriar recursos do exterior e a concomitante remessa de recursos para o exterior. Para isso, simulouse a aquisição dos T.Bill's, seguida da venda em território nacional, operações efetuadas na mesma data. Vejase a proximidade temporal dos atos: no mesmo dia em que os TBills eram adquiridos no exterior efetuouse a venda no mercado interno. Indiscutível que a natureza que a recorrente pretendeu imprimir à operação foi a de compra e venda de título de crédito. Indubitável que os T.Bills foram a forma escolhida para entrega das transferências financeiras efetuadas de e para o exterior. Os T.Bills, custodiados no exterior, foram adquiridos no mercado interno, contra pagamento em moeda nacional, sem a intervenção do sistema bancário brasileiro autorizado a operar no mercado de câmbio. Até aqui a operação poderia se limitar à uma operação com título de crédito como pretende a recorrente. Entretanto, os recursos em moeda nacional empenhados para a aquisição de tais títulos simplesmente atravessaram a fronteira e se transmudaram em moeda estrangeira, gerando aporte financeiro de caixa para as compradoras no exterior. Qualquer que tenha sido o meio, a forma, o veículo, a estratégia que tenha sido utilizado, o fato concreto e irrefutável é que efetivamente ocorreu a colocação de documento representativo de moeda estrangeira à disposição das compradoras em montante equivalente à moeda nacional que entregou. Esse tipo de operação, como sobejamente já foi aludido nos fundamentos da autuação, poderia terse realizado na forma prescrita em lei, qual seja, por meio do sistema bancário brasileiro autorizado a operar no trânsito de moedas entre o Brasil e o exterior, ou simplesmente nas operações que envolvam a recíproca colocação à disposição de moedas diferentes pelos contratantes. No entanto não é esta a constatação da fiscalização. Toda a operação ocorreu entre particulares sediados no País sob intervenção de sistema bancário situado no exterior. A operação como realizada, mesmo que se obtemperasse aos argumentos da recorrente quanto à inexistência de simulação, fraude, conluio e sonegação, está Fl. 965DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16024.000642/200755 Acórdão n.º 1301000.826 S1C3T1 Fl. 9 17 cristalinamente identificada como operação ilegítima pelas regras dos art. 1° e 2o. do Decreto n° 23.258, de 19/10/1933: "Art. 1° São consideradas operações de câmbio ilegítimas as realizadas entre bancos, pessoas naturais ou jurídicas, domiciliadas ou estabelecidas no País com quaisquer entidades do exterior, quando tais operações não transitem pelos bancos habilitados a operar em câmbio, mediante prévia autorização da fiscalização bancária. Art. 2° São também consideradas operações de câmbio ilegítimas as realizadas em moeda brasileira por entidades domiciliadas no País, por conta e ordem de entidades brasileiras ou estrangeiras domiciliadas ou residentes no Exterior." Portanto, todas as operações com os TBills, desde a aquisição da titularidade por meio de antecipações de dividendos e devoluções de capital, cuja materialidade não restou comprovada nos autos, até a transferência da titularidade para terceiros, realizadas sem a tutela legal de um banco brasileiro habilitado a operar em câmbio, importaram em violação dos ditames legais. Desse modo, não comprovada a compra e venda dos títulos públicos americanos, restou também incomprovada a origem dos depósitos, concretizandose a hipótese legal de presunção de omissão de receitas.” À evidência a documentação reunida pela recorrente não pode ser considerada hábil e idônea para comprovar o alegado por tratarse, conforme ressalta a fiscalização, de documentos expedidos pelos envolvidos, repitase: (i) toda a operação ocorreu entre particulares sediados no País sob intervenção de sistema bancário situado no exterior – (ii) e que fazem referência, até onde foi possível apurar, a títulos existentes com inobservância da legislação de regência que determina a intervenção de instituição brasileira legalmente habilitada para realizar a operação; (iii) não exibição de comprovantes de pagamentos (apresentam somente registros contábeis) e, demais documentação referenciada pela recorrente diz respeito a cópias de supostos contratos envolvendo negociação de títulos estrangeiros sem a efetiva formalização de regência, ou seja (iv) ausência de atendimento da intimação para apresentação à fiscalização dos contratos respectivos legalmente formalizados. De fato, no caso vêse por exemplo, simples lançamentos em seu livro Diário (fl. 232) a conta de débito (transferências conta 103010) e crédito (dividendos antecipados – conta 224011) sem lastro em documento probante das operações/transações efetivamente realizadas, portanto, não há de ser suficiente para aferição da fidedignidade das justificativas apresentadas pela fiscalizada. Por exemplo, foi apresentada à fiscalização, apenas, cópia de folha do Livro Contábil Razão da "VILLAGE" sediada na Ilha da madeira, (fls. 299 dos autos), onde estão, em tese, registradas as devoluções de capital à "PSICRSA ITU", em bens (TBills), em 30/03/2005 e 05/04/2005, na tentativa de se comprovar a origem dos recursos utilizados para as aquisições dos títulos. Como bem afirmado no relatório fiscal, como lastro ao registro contábil seria necessário a apresentação de uma avaliação do valor unitário das cotas de capital pelo critério contábil ou pelo valor de mercado, bem como do registro da alteração do valor ou da redução do número das cotas de participação de "PSICRSA ITU" na "VILLAGE", mediante alteração de Contrato Social ou de documento equivalente. É certo que os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, o artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 966DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 18 intimado, não comprove, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante ofertas de provas hábeis e idôneas, fato que não aconteceu no presente caso. Ao fisco cabe provar o fato constitutivo do seu direito, no caso em questão, a existência de depósito bancário sem origem comprovada. É importante, nesse passo, destacar a jurisprudência deste Conselho, sobre o tema, por exemplo, acórdão 10195.122, no qual mantevese a tributação com relação a omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários sem comprovação da origem dos recursos: Sessão de : 11 de agosto de 2005 Acórdão n°. : 10195.122 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO Tendo o Julgador a quo ao decidir o presente litígio, se atido às provas dos Autos e dado correta interpretação aos dispositivos aplicáveis às questões submetidas à sua apreciação, negase provimento ao Recurso de Ofício. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PROVA A documentação em que lastreia as operações de compra e venda de títulos americanos, os T Bills, deve conter, obrigatoriamente, a indicação do nome da instituição financeira americana que os custodiem. IRPJ PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM OPERAÇÕES COM T – BILLS Para dar suporte a depósitos bancários em contas da recorrente, que deram causa a acusação de omissão de receita, as operações de compra e venda de títulos do Tesouro Americano deveriam estar registradas em sua contabilidade e os documentos que as lastreiam deveriam conter os requisitos formais próprios aos documentos de sua espécie. Ausente desses títulos um dos requisitos essenciais para sua formalização (a indicação do nome da instituição financeira custodiante nos EUA), bem como não estando estes contabilizados, não resta comprovada a origem dos depósitos bancários que deram causa à aplicação da presunção legal de omissão de receitas, estabelecida pelo artigo 42 da lei n° 9.430/1996. (...) Como fundamento do julgado acima (Acórdão 10195.122), destaco, pela semelhança ao caso em tela, o que segue: “Que, não foi apresentado o documento original, em inglês, a que corresponde a respectiva tradução juramentada da "Guaranteed Promissory Note" n° BHMS042, de 18/08/1997; Que, reputase inepta a tradução do "Purchase Agreement" — (Contrato de Compra), relativo à alegada aquisição dos "TBills" junto ao Credit Lyonnais no Fl. 967DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16024.000642/200755 Acórdão n.º 1301000.826 S1C3T1 Fl. 10 19 Uruguai, haja vista que as traduções em apreço apresentadas (fls. 173/179 do Anexo e 54/60 do Anexo II), atribuídas ao tradutor Bernardo Kamergorodski prescindem dos requisitos formais mínimos indispensáveis que as legitimem, especialmente o fato de que a tradução não é juramentada; Que, tratando de forma dos atos jurídicos e da sua prova, o Código Civil preceitua reputarse inválido qualquer ato que deixar de revestir a forma especial determinada em lei, quando a lei expressamente exigir; Que, de acordo com o art. 127 c/c o item 6° do art. 129 e art. 148 da Lei n° 6.015, de 31 de dezembro de 1973 Lei de Registros Públicos, para surtir efeitos em relação a terceiros, é indispensável que documentos de procedência estrangeira sejam registrados no Registro de Títulos e Documentos; Assim, decididamente, registro contábil dessa natureza não espelha a contabilização de ingresso de numerário em conta bancária relativo a recebimento de venda de títulos; Que, em se tratando de aquisição de títulos ao portador, a prova da entrega material, qual seja o recibo, a nota de transferência de custódia etc., advinda do recebedor (aceitante ou accipiens) dos títulos — no caso a Propex e a Holdmil , ou de fonte externa (no caso o Banco "custodiante" — Credit Lyonnais) afigurase pressuposto imprescindível para que se possa provar que eles foram tradicionados; O que nada prova é o documento autorizando transferência de titularidade, expedido pelo vendedor — sujeito que é mero "detentor" e não proprietário; que não exibiu e portanto não possui nem sequer certificado de custódia; não possui nada enfim. Em regra, o domínio de coisas móveis, tais como títulos ao portador, se transfere pela tradição. Os contratos de compra e venda de Notas do Tesouro dos Estados Unidos — Bills", celebrados com Propex e com Holdmil, por si só, não comprovam a tradição dos títulos. Com relação a necessidade do registro, declarase na decisão recorrida que todo capital estrangeiro deve ser registrado no Banco Central do Brasil, mesmo porque tal registro é essencial para a remessa de juros, o repatriamento do capital realizado.” Ressaltese, que em sessão realizada em 29/06/2011, esta Turma decidiu através da Resolução 130100.029, acolher o pedido de juntada dos documentos trazidos juntamente com o memorial apresentado na ocasião, com o objetivo de analisálos e, em especial, dar ciência a douta Procuradoria da Fazenda Nacional para conhecimento e pronunciamento, caso entenda necessário. Após pronunciamento da douta Procuradoria retornou os autos para prosseguimento do julgamento. Manifestouse a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (às fls. 943/948), não concordando com a juntada dos documentos nesta fase recursal e, muito menos com as alegações declinadas no Memorial, pelas razões que se segue (em síntese): Fl. 968DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 20 “ Quanto ao principio da verdade real, é certo que deve ser obedecido no PAF, mas caminha ao lado do devido processo legal, o qual incluiu o devido julgamento da causa por todas as instâncias administrativas. A apresentação de novos documentos pelo sujeito passivo em sede recursal, sem amparo na legislação processual administrativa, implica em supressão de instancia. Por essa razão, no campo probatório, a verdade real esta submissa a dialética da prova, isto é, somente pode ser aceita a juntada de novos elementos probatórios quando a parte juntou tempestivamente os documentos que julgava suficientes para a demonstração do seu direito, mas que o órgão julgador reputou insuficientes. Nesse caso é legitima a juntada posterior dos elementos exigidos pelo órgão julgador de instância inferior. Fora desses casos, a juntada posterior está condicionada ãs hipóteses expressamente previstas em lei. No caso em tela, não houve debate sobre a prova, o sujeito passivo simplesmente deixou dc levála à apreciação das instâncias inferiores. Se a parte quedouse inerte nos momentos processuais oportunos, deve prevalecer no caso o brocardo jurídico segundo o qual o Direito não socorre aos que dormem: Dormicutibus non sucurrit jus. Diante disso, não havendo debate sobre a prova nas instâncias inferiores, e não se verificando as hipóteses autorizadoras de juntada posterior de prova previstas em lei, não pode ela ser aceita sob pena de supressão de instância administrativa e violação do devido processo legal.” Conclui, a douta PFN requerendo: I) o desentranhamento dos documentos dos autos, dada sua juntada intempestiva desacompanhada da justificativa para sua colação extemporânea conforme previsto em lei (preclusão para juntada de provas); II) sejam suas informações desconsideradas e/ou reconhecidas como inaptas a fundamentar qualquer decisão neste caso, em razão de ofensas regra jurídica acima mencionada e em pleno vigor (preclusão consumativa); III) seja mantida a autuação em todos os seus termos; IV) seja mantida a decisão de primeira instância em sua integralidade. De se ressaltar que os documentos juntados nesta fase recursal, ou seja, com o memorial entregue na sessão de 29/06/2011 e, objeto da Resolução, dizem respeito a: Intimação para testemunho em Ação Civil. Tradução Oficial (fls.893/899); Trade Confirmação. CAS/USA (Confirmação de Negócio), fls. 880/888; Order Pursuant To (Levantamento de Provas), fls. 874/879; Affidavit of Service (Certidão Oficial). Depoimento de James Mcpherson (fls. 929/938) e, extratos do Banco Credit Lyonnais e Banco AmericanoCredit Calyon Securitues/CAS USA 00001 a 00007. Em que pese a posição da douta PGFN, pela desconsideração dos documentos apresentados nesta fase recursal, face ao decidido por esta Turma de julgamento pela Resolução no. 130100.029, passo a análise. Fl. 969DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16024.000642/200755 Acórdão n.º 1301000.826 S1C3T1 Fl. 11 21 A própria documentação complementar apresentada nesta fase, diz respeito a ação ajuizada em Nova Iorque na tentativa de confirmação da custódia, existência e titularidade dos TBills com base nos documentos denominados levantamento de provas e interrogatório apresentado em tradução juramentada. De sua leitura extraise que os documentos a serem produzidos incluem, entre outros: transmissões por email ou fax de e/ou para o Credit Agricole ou qualquer antecessor, solicitando e confirmando as transações de Títulos do Tesouro. E, é justamente o que se encontra juntado aos autos, qual seja, correspondência de titularidade de Calyon Securities – Grupo Credit Agrocole para a Credit Lyonnais Uruguay Casa Financeira (Docs. CASEUA 00008/00009). Segundo, com relação aos depoimentos e confirmação do negócio constatase que o documento tem por finalidade obter todas e quaisquer informações e comunicações entre a Credit Lyonnais Securities (USA), a Calyon Securities (USA) e a Lyonnais Uruguai confirmando as transações com os títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Para tanto anexa documentos denominados “Trade Confirmation” e extratos ora do Calyon Securities, ora do Credit Lyonnais (USA) para o Credit Lyonnais Uruguay. Ao meu ver, tratase de correspondência do Credit Lyonnais do Uruguai contendo relatórios relacionados com TBills, supostamente adquiridas e negociadas com terceiros, segundo extratos e faturas do próprio Credit Lyonnais (Uruguai) e Calyon Securities (Uruguai); nenhum documento adicional foi apresentado pela contribuinte para dar suporte as informações relatadas, em nada acrescentando aos documentos e argumentações apresentadas na fase da impugnação. O próprio depoimento juntado aos autos nesta fase, com tradução oficial, diz respeito ao depoente Sr. James McPherson que afirma trabalhar no departamento jurídico como associado sênior e advogado da Credit Agricole Corporate Investment Bank, que é uma coligada da Credit Agricole Securities (USA) e da qual a Calyon Securities USA foi sua antecessora. Os documentos trazidos pela recorrente, traduzem (formalizam) as operações de negociação com títulos estrangeiros descritas, mas não provam sua efetividade. Desde o início do procedimento fiscal o que se requer da autuada é que comprove quais foram as origens dos recursos ingressados em sua conta bancária e, que suportaram as transações de aquisição dos TBills. Com efeito, os documentos juntados aos autos não são aptos a comprovar a antecipação de dividendos e as devoluções de capital alegadas pelo contribuinte. De se registrar que não cabe ao Fisco estabelecer nenhuma correlação natural entre o fato conhecido (no caso, os depósitos bancários) e o desconhecido (a omissão de receitas), o que só se aplica às presunções simples. Quando se trata de presunção legal, ao Fisco basta provar o fato indício apontado na norma, e a conseqüência inarredável é a presunção. Como bem destacou a douta Procuradoria: “convém ressaltar que os documentos juntados pelo recorrente em nada alteram o lançamento em questão, tendo em vista que permanece incólume o fundamento da autuação — Omissão de receitas em razão da falta de comprovação de sua origem.” O recorrente não comprovou a operação que deu origem aos depósitos efetuados pela SASPAR, ULTRA e ODEBRECHT na sua conta bancaria, a primeira operação que deu origem aos recursos, ou seja, as supostas operações de antecipação de dividendos, em 22/04/02, 24/06/02 e 19/07/02, que teriam sido efetuadas pela empresa Primo Schincariol Internacional LTDA (PSI), sediada na Ilha Madeira, assim como, as supostas devoluções de capital que teriam sido efetuadas pela VILLAGE PSICRSA ITU, em bens. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 22 Ou seja, restou demonstrado que os ingressos de recursos não guardavam a condição de "devolução de capital" e "antecipação de dividendos", haja vista que tiveram suporte em operações simuladas, com existência meramente formal. Não faço, pois, qualquer reparo à decisão recorrida, a qual afastou a argüição de nulidade do lançamento por vício formal e manteve as autuações decorrentes à desconsideração das operações com TBILLS. MULTA QUALIFICADA A seguir, passo a analisar a multa qualificada (150%), contra a qual a recorrente se rebela sob o argumento de que toda a operação foi devidamente registrada na escrita contábil. Neste particular, entendo que assiste razão à recorrente. Convém recordar os motivos que levaram a autoridade lançadora a considerar presente o intuito de fraude, capaz de sustentar a aplicação da multa qualificada, conforme Termo de Verificação Fiscal. Em suas próprias palavras, a aplicação de multa de oficio de 150% decorreu da: 2.1 A não apresentação a esta fiscalização, pelo contribuinte, da documentação hábil e idônea comprobatória do registro no BACEN referente às entradas de capitais provenientes do exterior, representados por direitos de crédito (TBills), a não comprovação da origem dos recursos que suportaram as operações de compra de tais títulos e a "velocidade" com que os mesmos foram negociados no mercado interno (Operações "daytrade"), apontam, em tese, para crime contra a ordem tributária previsto no art. 1o., inciso 1, da Lei n° 8.137/90, tendo o sujeito passivo efetuado lançamentos contábeis que não corresponderiam à realidade dos fatos, com o intuito de omitir as verdadeiras informações; 2.2 Tal conduta, que se enquadra no tipo penal previsto subitem anterior, impediu a autoridade fazendária de tomar conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, em tese, foi intencional, fruto da vontade do contribuinte, e teve como objetivo eximirse do pagamento dos tributos através da sonegação, conforme definido no art. 71 da Lei n° 4.502 de 31/11/1964. Dessa forma, foi aplicada a multa de oficio qualificada de 150% e lavrada a competente Representação Fiscal para Fins Penais.” Ora, analisando os argumentos da autoridade fiscal acima transcritas, vejo que se trata da própria omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, presunção autorizada em lei, portanto, a meu ver, não constitui elemento suficiente para a qualificação da multa, devendo a mesma ser reduzida ao percentual de 75%, aplicandose, ao caso, a Súmula CARF n° 25, que assim dispõe: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n º 4.502/64. DECADÊNCIA Ainda que tal argumento tenha sido suscitado pelo sujeito passivo somente da tribuna por ocasião de sua sustentação oral, deve ser verificado se o lançamento, ou parte dele, teria sido alcançado pela decadência. É assente neste colegiado e no CARF que tal matéria se insere entre aquelas que devem ser apreciadas até mesmo de ofício, independentemente de provocação das partes, por representar garantia de segurança jurídica. Fl. 971DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16024.000642/200755 Acórdão n.º 1301000.826 S1C3T1 Fl. 12 23 Neste ponto adoto a linha de raciocínio do ilustre Conselheiro Waldir Veiga Rocha em recente voto, nesta Turma, do qual transcrevo alguns excertos: A decadência, especialmente no que toca aos tributos sujeitos ao lançamento dito por homologação, é matéria tormentosa, que tem suscitado interpretações variadas mesmo no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em oportunidades anteriores, tenho me manifestado no sentido de que o critério aplicável para se distinguir se um lançamento é por homologação ou de ofício deve ser a própria sistemática de apuração do tributo. Os tributos sujeitos a lançamento por homologação seriam aqueles para os quais a lei estabelece para o sujeito passivo que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio exame da Autoridade Administrativa. Seria essa sistemática, a atividade exercida pelo contribuinte, que faria com que o lançamento fosse por homologação, e não a mera presença ou ausência de pagamento. Entretanto, com o louvável fito de fazer com que as decisões administrativas se conformassem à jurisprudência pacificada do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) sofreu alterações, especialmente a introdução do art. 62A, no Anexo II da Portaria MF nº 256/2009, com a redação a seguir transcrita: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Introduzido pela Portaria MF nº 586/2010, publicada no DOU de 22/12/2010). Ocorre que a matéria sob exame, a saber, a aplicabilidade do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I, ambos do CTN, já foi objeto de decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940). O julgamento se deu em 12/08/2009 e o acórdão foi publicado no DJe de 18/09/2009, restando assim ementado (grifos constam do original): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, Fl. 972DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 24 sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. De se ver, portanto, de que forma essa decisão deve ser reproduzida no caso sob exame, em cumprimento das disposições regimentais. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16024.000642/200755 Acórdão n.º 1301000.826 S1C3T1 Fl. 13 25 O Superior Tribunal de Justiça aponta, inequivocamente, para a contagem do prazo decadencial segundo as disposições do art. 173, I, do CTN, como regra geral. Esse seria também o dispositivo aplicável quando a lei determine o pagamento antecipado do tributo e o contribuinte não cumpra com essa obrigação e, ainda, inexistindo declaração prévia do débito. No caso concreto, tratase de tributos para os quais a lei claramente estipula o dever de antecipar a exação. No entanto, compulsando os autos, não encontro prova inequívoca de que esse dever tenha sido cumprido para o ano calendário de 2002, auto de infração cientificado em 10/12/2007. Por outro lado, há ainda outra circunstância admitida na decisão em comento capaz de levar o prazo decadencial para as regras do art. 150, § 4º, é o fato de existir declaração prévia do débito para os tributos e contribuições do ano em referencia. Também aqui, da mesma forma, não encontro nos autos documento capaz de ratificar tal assertiva, mesmo porque durante todo o ano calendário houve apuração negativa na base de cálculo tanto do IRPJ e CSLL como das contribuições (PIS e COFINS), conforme se verifica da DIPJ/2003 de fls. 08 e seguintes. Nos termos da decisão do STJ que deve ser reproduzida por este Colegiado, tenho que a circunstância verificada quanto à inexistência de pagamentos antecipados e inexistindo declaração prévia do débito aplicase às disposições do art. 173, I, do CTN, ou seja, neste casos, o dies a quo deve ser considerado como o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, em que pese as argumentações expressa no memorial e defendida da tribuna que inaplicável a multa qualificada, consumase a decadência relativa aos fatos geradores de PIS e COFINS dos meses de abril, junho, julho e agosto do ano calendário de 2002, bem como da multa isolada de IRPJ de agosto do mesmo ano, forçoso concluir pelo afastamento da decadência, haja visto que a ciência do lançamento se deu em 10/12/2007 e a consumação do prazo decadencial darseia em 31/12/2007. MULTA ISOLADA Quanto à multa isolada aplicada concomitantemente com a multa de ofício, cumpreme tecer algumas observações: Tratase de multa isolada pela falta de recolhimento da estimativa mensal, ao saber do art. 44, inciso II, e § 1°, inciso IV, da Lei 9.430/96, com a redação modificada pelo art. 14 da Lei 11.488/2007, estabelece: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 974DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 26 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei.” Vêse, portanto, que o art. 44, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor, no caso, da estimativa mensal. Quanto ao assunto em pauta, é importante ressaltar que a norma é clara ao dispor que, ainda que o contribuinte tenha apurado prejuízo fiscal ou base negativa no período, situação da presente autuação, a falta de recolhimento das estimativas mensais sujeita o infrator ao lançamento das multas isoladas. Portanto, a multa isolada foi aplicada rigorosamente de acordo com a lei. Quanto aos prejuízos fiscais, tendo sido mantido o Auto de Infração, mantémse a sua recomposição efetuada de oficio. Relativamente aos lançamentos reflexos, mantida a exigência principal, estendese os seus efeitos aos lançamentos dela decorrentes. Em resumo, por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento por vicio formal e, no mérito, pelo provimento parcial do recurso voluntário, para reduzir a multa de oficio aplicada ao percentual de 75%. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 975DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16024.000642/200755 Acórdão n.º 1301000.826 S1C3T1 Fl. 14 27 Fl. 976DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 14479.000913/2007-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2002 a 30/11/2005
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA SEGURADOS
EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO CONTRIBUINTES
INDIVIDUAIS NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da NFLD.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO APLICAÇÃO DE JUROS SELIC PREVISÃO LEGAL.
Dispõe a Súmula nº 03, do CARF “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos
federais.”
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/02/2002 a 30/11/2005
INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.220
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar
provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Kleber Ferreira de Araújo e Marcelo Freitas de Souza Costa, que declaravam a decadência até a competência 11/2002.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2002 a 30/11/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da NFLD. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO APLICAÇÃO DE JUROS SELIC PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do CARF “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2002 a 30/11/2005 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado.
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A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da NFLD. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO APLICAÇÃO DE JUROS SELIC PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do CARF “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2002 a 30/11/2005 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Kleber Ferreira de Araújo e Marcelo Freitas de Souza Costa, que declaravam a decadência até a competência 11/2002. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14479.000913/200707 Acórdão n.º 240102.220 S2C4T1 Fl. 168 3 Relatório A presente NFLD, lavrado sob n. 37.116.7108, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, (inclusive contribuição adicional para aposentadoria especial) e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados e contribuintes individuais no período de 01/2001 a 11/2005. O lançamento compreendem as remunerações pagas a empregados devidamente registrados e o pro labore atribuído ao sócio constantes nas Folhas de Pagamento. Estes valores se encontram discriminados nas GFIP's Guias de Recolhimento ao FGTS e Informações a Previdência Social e correspondem ao levantamento "FPG FOLHA PAGTO COM GFIP". Foram abatidos das contribuições ora apuradas, conforme valores deduzidos no "Discriminativo Analítico de Débito DAD", as contribuições constantes nas guias de recolhimentos da Previdência Social GPS demonstradas no Relatório de Documentos Apresentados – RDA. As contribuições recolhidas, em quase sua totalidade, quitam somente as contribuições retidas dos segurados empregados e contribuintes individuais a partir de 04/2003. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 07/12/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 82 a 84. A Decisão de 1ª instância confirmou a procedência parcial do lançamento, pela aplicação da decadência quinquenal até 01/2002, fls. 105 a 121, conforme transcrito abaixo: Assim, no tangente As competências 01/2001 a 11/2001 e 13/2001, independente de qual das regras se adote, as mencionadas competências já se encontravam fulminadas pela decadência do direito de a Fazenda Pública lançar ao tempo do lançamento tributário combatido. 7.12. Quanto As competências 12/2001 e 01/2002, aplicando a regra contida no art. 150, § 4 0, do CTN, haja vista constar recolhimento que extrapola o devido pela Impugnante a titulo de contribuição retida dos segurados empregados e, principalmente, pela impossibilidade de se determinar a intenção daquela no concernente à quitação parcial de fato gerador especifico, resta que tais competências foram igualmente fulminadas pela decadência. 7.13. Já no tocante As demais competências (02/2002 a 11/2005), mormente quanto As do ano de 2002, haja vista NÃO Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 CONSTAR QUALQUER ANTECIPACAO DE PAGAMENTO PARA 0 FATO GERADOR LANÇADO, constatação feita via sistemas informatizados A disposição da RFB, assim como, igualmente constatado pela Autoridade Fiscal e evidenciado no DAD — Discriminativo Analítico do Débito, fls 04/14, não foram citadas competências tocadas pela decadência, sabendose que o prazo decadencial relativo aos tributos que deveriam ser recolhidos no transcorrer do ano de 2002 principiou seu curso, apenas, em 10 de janeiro de 2003 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), exaurindose, somente, em 31 de dezembro de 2007, de acordo com o disposto no art. 173, I, do CTN. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 128 a . Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. O Recorrente esta procurando saldar o débito administrativamente, não pode ser compelido ao pagamento de multa moratória por expressa determinação do artigo 138 do Código Tributário Nacional. 2. Ocorre que, o fisco exige dos contribuintes o pagamento de multa moratória mesmo quando pago administrativamente, pois o recorrente quer pagar, mas o débito correto, dessa forma o Recorrente esta amparado pelo Artigo 138 do CTN. 3. A ilegalidade da moratória atinge também, os parcelamentos quando requeridos por denuncia espontânea, sendo igualmente inexigível. Solicita a razoável aplicação da multa. 4. Por se tratar de débitos Federais , outras ilegalidade encontramos na presente cobrança, que é a inclusão de taxa de Juros Selic, que possui natureza de juros remuneratórios e não moratórios. 5. A DRFB encaminhou o processo para julgamento. É o Relatório. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14479.000913/200707 Acórdão n.º 240102.220 S2C4T1 Fl. 169 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 166. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito observase que a não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da NFLD. O recorrente não contestou nenhum dos fatos geradores extraídos do seu próprio documento GFIP, resumindose a alegar a ilegalidade dos juros e multa aplicados, configurando seu caráter confiscatório. Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto da presente notificação, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão, presumese a concordância da recorrente com a Decisão de 1 instância. JUROS SELIC Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do CARF É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais MULTA Conforme descrito acima, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14479.000913/200707 Acórdão n.º 240102.220 S2C4T1 Fl. 170 7 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) INCONSTITUCIONALIDADE No que tange a argüição de inconstitucionalidade/ilegalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre a aplicação de juros e multa pelo falta de recolhimento de contribuições, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições previdenciárias, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis a aplicação da taxa de juros SELIC, e a multa pela inadimplência. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, a aplicação da taxa SELIC e da multa moratória, tem respaldo na legislação previdenciária, não podendo a autoridade fiscal deixar de aplicálas. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a Fl. 177DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14479.000913/200707 Acórdão n.º 240102.220 S2C4T1 Fl. 171 9 ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Uma vez que a notificada remunerou segurados empregados e contribuintes individuais, sejam declarados em GFIP, ou mesmo descritos em FOPAG ou em lançamentos contábeis, deveria ter efetuado o recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da referida Decisão, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 178DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11030.001596/2002-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/12/1998
AUTO DE INFRAÇÃO AUDITORIA
INTERNA DE DCTF ALEGAÇÃO
DE FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PROCESSO
JUDICIAL GERADOR DO CRÉDITO COMPENSADO CÓPIA
DE
PEÇAS E DECISÕES DO PROCESSO JUDICIAL NOS AUTOS. Auto de
infração que constitui créditos derivados de compensação, cujo fundamento é
a não comprovação da existência de medida judicial que originou o crédito,
não pode subsistir após a juntada de cópias do processo judicial nos autos.
Estão acostados ao processo administrativo cópias da inicial da medida
judicial, sentença e decisão do Tribunal. Insubsistente o lançamento por falta
de fundamento válido.
Recurso Provido, Lançamento cancelado.
Numero da decisão: 3302-001.387
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros
Walber José da Silva e José Antonio Francisco.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO AUDITORIA INTERNA DE DCTF ALEGAÇÃO DE FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PROCESSO JUDICIAL GERADOR DO CRÉDITO COMPENSADO CÓPIA DE PEÇAS E DECISÕES DO PROCESSO JUDICIAL NOS AUTOS. Auto de infração que constitui créditos derivados de compensação, cujo fundamento é a não comprovação da existência de medida judicial que originou o crédito, não pode subsistir após a juntada de cópias do processo judicial nos autos. Estão acostados ao processo administrativo cópias da inicial da medida judicial, sentença e decisão do Tribunal. Insubsistente o lançamento por falta de fundamento válido. Recurso Provido, Lançamento cancelado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e José Antonio Francisco. (assinado digitalmente) WALBER JOSE DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 222DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 1/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 26/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Hélio Eduardo de Paiva Araujo e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Auto de Infração Eletrônico (fls. 57/63), que constituiu crédito de PIS FOPAG relativo à competência 12/1998. O lançamento decorre de auditoria interna de DCTF, tendo sido indicado como fundamento a constatação de irregularidade no crédito indicado na Declaração. O “Demonstrativo de Crédito Vinculado Não Comprovado” (fls. 59) indica que os valores lançados teriam sido compensados com créditos vinculados a processo judicial não comprovado. Intimada sobre o lançamento a Recorrente apresentou sua Impugnação (fls. 02/24), na qual alega, em síntese que: possui medida judicial visando à discussão da exigibilidade do PIS sobre 1% da Folha de Pagamento, do PIS de 0,75% sobre a receita de atos não cooperados e da exigência da contribuição nos termos estabelecidos pela Medida Provisória nº 1.212/95 (e suas reedições); possui crédito tributário decorrente de pagamentos indevidos, e os utilizou, ainda no curso da ação judicial, para pagamento do PIS vincendo, como lhe faculta a legislação, especialmente por meio do art. 66 da Lei 8383/91; é possível a compensação de créditos que não foram previamente analisados pelo Fisco, nos termos do art. 66 da Lei 8383/01 e de posicionamento da 1ª Seção do STJ, e esta é forma de compensação distinta daquela prevista no art. 170 do CTN; requer o cancelamento integral do lançamento, pois o valor foi objeto de compensação regular. Após analisar as razões trazidas na impugnação a DRJ de Santa Maria proferiu acórdão (fls. 148/154) em que manteve o lançamento. Entendeu que, a despeito do processo judicial existir, havia terminado ainda, razão pela qual a decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal – garantindo o parte dos créditos de PIS pleiteados – não era aplicável, e que as compensações realizadas só o poderiam ter sido após o trânsito em julgado da medida. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 1/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11030.001596/200202 Acórdão n.º 330201.387 S3C3T2 Fl. 223 3 Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 158/177), oportunidade em que reiterou os argumentos trazidos em sua impugnação. Na seqüência, vieram os autos para decisão. É o relatório. Voto Vencido Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O Recurso é tempestivo, e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, tratase de auto de infração eletrônico. Após o cruzamento eletrônico das informações prestadas pela Recorrente, o sistema de controle da Secretaria da Receita Federal apontou a ausência de recolhimento dos valores de PIS referentes a dezembro de 1998. Esta indicação – falta de pagamento – teve como fundamento a não comprovação, pelo Recorrente, à Receita Federal (e ao sistema de controle), da existência de processo judicial, ou seja, da razão que justificava o não pagamento e comprovava a compensação realizada pelo contribuinte. Todavia, a ação judicial (97.12034844) existe. A medida judicial ajuizada pela Recorrente buscou o reconhecimento da inexigibilidade do PIS (i) sobre a folha de salários; (ii) da inconstitucionalidade da exigência da contribuição nos termos dos DecretosLei nº 2.445 e 2.449, (iii) da inexigibilidade sobre quaisquer receitas auferidas por cooperativas; e (iv) da inexigibilidade da contribuição apurada nos termos da Medida Provisória nº 1.212/95 (e reedições posteriores). Além do reconhecimento destas ilegalidades e inconstitucionalidades na apuração do PIS, a Recorrente pleiteou, naquela medida judicial, o direito de utilizar os valores indevidamente pagos (pois apurado nos moldes das exações questionadas), para compensação com o PIS vincendo. Importa registrar, também, que a Recorrente promoveu, no curso da medida judicial, compensações, com base no artigo 66 da Lei nº 8.383/91, inclusive a compensação do PIS devido na competência 12/1998, objeto do auto de infração ora sob análise. Os valores que foram objeto do lançamento referemse ao PIS, mas por se tratar de Auto de Infração derivado de procedimentos eletrônicos de verificação de DCTF, não há maiores esclarecimentos sobre qual a base de cálculo e fundamento legal este PIS, ora cobrado, foi apurado. Vale dizer, não há nos autos informações sobre o que fundamenta a cobrança do PIS objeto dos autos – se apurado de acordo com os DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, se com base na Folha de Salários ou se relativo à receita de atos não cooperados. Embora não esteja claro neste processo administrativo qual foi a origem e fundamento legal do débito lançado, reiterase, o fundamento indicado para lavratura do Auto de Infração foi a falta de comprovação da existência do processo judicial indicado na DCTF, como sendo o processo judicial originário do crédito utilizado para quitar o PIS devido em 12/1998. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 1/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 A existência do processo judicial está comprovada nos autos, em especial pelas cópias acostadas da inicial, sentença e da decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal. Aliás, a existência do processo não apenas está devidamente comprovado por meio de documentos apresentados, como a própria DRJ reconhece a existência da medida judicial e da decisão do TRF, pois além de transcrever sua ementa, afirma que, apesar de ter sido proferida decisão, esta ainda não seria aplicável, pois inexistente o trânsito em julgado, no momento daquela análise administrativa. Logo, o pressuposto adotado pela fiscalização estava errado. O processo judicial existia. Este simples fato, comprovado pela Recorrente nos autos, no entender desta julgadora, é suficiente para constatar a nulidade do auto de infração, uma vez que este foi lavrado com base em suposição falsa. Caso a fiscalização pretendesse constituir os créditos, mesmo que para evitar a decadência de valores, deveria ter elaborado novo auto de infração, com outro fundamento. Inclusive, neste caso, não haveria a incidência de multa. Da mesma forma se fosse constatada insuficiência de créditos ou se a autuação estivesse pautada na limitação contida na decisão judicial, a qual expressamente viabilizou a compensação de débitos de PIS. Isso porque não compete ao julgador administrativo alterar o fundamento do auto de infração para fim de regularizálo e manter a exigência, tal competência é privativa da autoridade administrativa fiscalizadora e lançadora. Apenas para fim de informação de meus pares registro que, in casu, no momento em que a compensação foi realizada não havia autorização judicial para o procedimento da Recorrente. Todavia, ao final do processo foi proferida decisão favorável que validou todo o procedimento do contribuinte, inclusive a compensação antes do trânsito em julgado. Explico. Em consulta às páginas eletrônicas do TRF da 4ª Região, do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, constatei que a decisão final do processo transitou em julgado (em 15/05/2007 transitou em julgado o Agravo de Instrumento 649.396; e em 01/07/2008 transitou em julgado o Agravo de Instrumento 666.341, ambos perante o Supremo Tribunal Federal). Assim, em 11/03/2005, quando a DRJ proferiu sua decisão, não havia trânsito em julgado da decisão da decisão judicial. Não obstante a Recorrente tenha apresentado diversos recursos perante os referidos Tribunais, nenhum deles acatou suas razões, tendo a decisão proferida pelo TRF sido mantida em sua integralidade. O que importa, portanto, é a decisão proferida pelo TRF. Referida decisão, conforme se constata de sua análise (fls. 132/146) reconheceu (i) a inexigibilidade do PIS sobre a folha de salários (para entidades sem fins lucrativos, imposta pelo Ato COSIT nº 14/85 e Resolução 147/71 do Conselho Monetário Nacional); (ii) a inexigibilidade do PIS nos moldes estabelecidos pelos DecretosLei nº 2.445 e 2.449; (iii) e a aplicabilidade das disposições contidas na Medida Provisória nº 1.212/95 a partir da competência de 03/1996 (inclusive). A decisão reconheceu, ainda, a legalidade da exigência do PIS sobre as receitas derivadas dos atos não cooperados. O acórdão do TRF, no entanto, limitou o período em relação ao qual a Recorrente pode reaver o indébito tributário derivado de pagamentos indevidos, autorizando a recuperação dos valores pagos indevidamente a partir de janeiro/1998. Fez, ainda, considerações sobre as atualizações monetárias aplicáveis sobre os respectivos créditos. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 1/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11030.001596/200202 Acórdão n.º 330201.387 S3C3T2 Fl. 224 5 E, por fim, ao manifestarse sobre o direito da Recorrente compensar o indébito tributário apurado, o TRF garantiulhe o direito de promover compensações, no curso da medida judicial, pois entendeu que a sistemática de compensação estabelecida pela Lei nº 8.383/91 (art. 66) – aplicada pela Recorrente – não está limitada pelo artigo 170 do CTN. Da análise da decisão transitada em julgado é possível constatar que foi objeto daquela medida judicial exatamente o que se discute nestes autos: a exigibilidade do PIS e a compensação de indébito de PIS, com a própria contribuição. Portanto, o mérito do auto infração em análise não pode ser analisado em virtude de ter sido objeto de processo judicial, aplicandose ao caso a concomitância. Ao tribunal administrativo é defeso julgar matéria levada ao judiciário, sendo que as autoridades executoras devem aplicar ao caso a decisão final transitada em julgado (inclusive no que se refere aos índices de correção monetária e ao direito de compensação antes do trânsito em julgado), proferida nos autos da ação ordinária nº 97.12.034844. Ainda, fica resguardado ao Fisco a apuração da existência e suficiência do crédito de PIS em relação,inclusive, à competência 12/1998, ora analisado. Finalmente, de se alertar às autoridades administrativas, que é preciso verificar qual a natureza do PIS que é objeto desta cobrança. Ou seja, é preciso verificar qual o fundamento legal da apuração do PIS da competência 12/1998, que se pretendeu extinguir por meio da compensação. Isto porque, se o PIS em questão se referir ao PIS sobre a folha de pagamentos, ou apurado segundo os critérios dos DecretosLei n 2.445 e 2.449, então até mesmo a constituição deste valor sequer procede, pois a exigência do PIS, nestes moldes foi afastada pela decisão judicial em comento. Exigível, portanto, apenas o PIS de 12/1998, ora sob análise, se apurado sobre a receita de atos não cooperados, passíveis de incidência da contribuição. Aí sim, se constatado que a natureza do PIS em questão, é esta, aí o Fisco deve verificar se o crédito que a Recorrente indicou ter utilizado para quitálo, via compensação, procede – em conformidade com os critérios estabelecidos na decisão judicial proferida. Pelo exposto, em sede de preliminar DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, decidindo pelo cancelamento do Auto de Infração, em razão da insubsistência de seu fundamento, na medida em que há nos autos comprovação da existência da ação judicial que gerou o crédito utilizado na compensação do PIS devido na competência 12/1998, caso vencida na preliminar, NÃO CONHEÇO do recurso em razão da concomitância da matéria com aquela discutida nos autos da ação ordinária nº 97.12.034844, ressalvando, todavia, que deverá ser aplicada a decisão transitada em julgado, que foi mencionada no voto. É como voto. Sala das Sessões, em (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 226DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 1/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 1/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 36918.001351/2004-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/08/2003
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DOCUMENTO APRESENTADO EM DESACORDO COM LAUDO TÉCNICO - AUTUAÇÃO - A apresentação de documento de comprovação de exposição a agentes nocivos em desacordo com o laudo técnico configura infração sujeita a aplicação de multa.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-001.071
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/08/2003 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DOCUMENTO APRESENTADO EM DESACORDO COM LAUDO TÉCNICO - AUTUAÇÃO - A apresentação de documento de comprovação de exposição a agentes nocivos em desacordo com o laudo técnico configura infração sujeita a aplicação de multa. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / 1° Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, : imidade de votos, em negar provimento ao recurso. , ELIAS S • -• • 10 FREIRE - Presidente MARCELO inr4rD. EjfaZA COSTA — Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Deusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n°36918.001351/2004-34 52-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.071 Fl. 162 •Relatório Trata — se de Auto de Infração lavrado contra o sujeito passivo acima identificado por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 58, § 3.°, da Lei n.° 8.213, de 24/07/1991 na redação dada pela Lei 9.528, de 10/12/97, combinado com o art. 68 § 4° do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 03/04, a empresa emitiu documento de comprovação de exposição (DSS-8030) em desacordo com Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho — LTCAT, caracterizando infração ao disposto acima. Inconformada com a Decisão Notificação de fls. 47 a 49, a empresa apresentou recurso a este conselho alegando em síntese: Violação ao Princípio da Legalidade tendo em vista não existir lei em sentido formal definindo todos os elementos necessários a imposição da sanção. Apresentação regular dos formulários DSS-8030, tendo em vista que o erro não decorre do contribuinte, mas da falha do próprio formulário (não há campo para noticiar a utilização de EPC e El'!). Que os agentes insalubres acima do limite de tolerância são neutralizados em virtude de Equipamento de Prevenção Coletiva — EPC, e de Equipamentos de Proteção Individual — EPI. Que as informações a cerca da existência de EPC e EPI devem constar do LTCAT e não do formulário DSS-8030. Por fim, que a divergência supostamente existente não acarretou qualquer prejuízo aos cofres do INSS. Requereu o provimento do recurso com a anulação do Auto de Infração. A Secretaria da Receita Previdenciária — SRP apresentou contra razões pugnando pela manutenção da autuação. Autos remetidos ao Conselho de Recursos da Previdência Social e, julgado pela 2' Câmara de julgamento no sentido de converter o julgamento em diligência para que os auditores autuantes apresentassem as cópias citadas no Relatório Fiscal e se pronunciar sobre as alegações recursais do contribuinte sobre o assunto. Informações da Secretaria da Receita Previdenciária apresentadas as fls 82/125 Intimado o contribuinte sobre os termos da diligência este aditou o recurso as fls 130/136, aduzindo em suma: 3 Que os auditores fiscais não se pronunciaram sobre as alegações recursais do contribuinte. Que a analise do fisco se ateve a outras divergências supostamente existentes. E que esta divergência não tem o condão de salvar a autuação. Por fim a análise dos documentos anexados pelo fisco que confirmam a inexistência de qualquer infração punível. 1(>a),,_É o relatório. 4 - Processo n° 36918.001351/200444 82-C4T1 Acórdão n.° 240141.071 Fl. 163 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Em que pesem as alegações da recorrente, entendo não prosperarem ponto _ _ de desconstituir a autuação à ela-apontada. O adicional para financiamento da aposentadoria especial é devido pelas empresas que, por não gerenciar adequadamente o ambiente de trabalho, permite que seus empregados laborem sujeitos a condições prejudiciais à saúde e à integridade fisica dos IneSMOS. Demonstrado o gerenciamento ineficaz, por conseqüência, resta demonstrada a ocorrência do fato gerador, qual seja, a efetiva exposição de trabalhador a risco. O direito a um ambiente de trabalho saudável é preceito constitucional insculpido no inciso XXII, do art 7 0, da Constituição Federal, que garante aos trabalhadores o direito à redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança. Os procedimentos que garantem o adequado controle do ambiente de trabalho estão insertos nas Normas Regulamentadoras elaboradas pelo Ministério do Trabalho, cuja observância demonstra o cuidado da empresa para com o ambiente de trabalho em suas dependências. As citadas normas trazem de forma detalhada como deve ser a conduta da empresa no gerenciamento do ambiente de trabalho e, também, como devem ser elaborados os documentos relacionados ao controle ambiental. Seria interessante que a recorrente observasse atentamente os conteúdos das Normas Regulamentadoras que instituíram os documentos em questão e percebesse que a elaboração dos mesmos está diretamente relacionada com a realidade fática do contribuinte. O PPRA, LTCAT e PCMSO, por exemplo, não são elaborados a partir de situações hipotéticas, ao contrário, são documentos exclusivos, elaborados para determinada empresa com base nas condições ambientais existentes. Assim, a conclusão fiscal a respeito do correto gerenciamento de ambiente de trabalho prescinde de diligências in loco, sobretudo se considerarmos que o ambiente de trabalho não é estático no tempo, ao contrário, é o dinamismo do mesmo que demanda o controle contínuo. Ainda que as Normas Regulamentadoras do MTE tenham sido instituídas em 1978, somente com a alteração introduzida pela Lei tit.9 98 na redação do § 6° do art. 57 da Lei n° 8.212/1991, passou a ser cobrado das empresas o adicional para o financiamento de beneficio das aposentadorias especiais, conforme se verifica no dispositivo transcrito abaixo: 6° O beneficio previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso 11 do Art. 22 da lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas aliquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. A auditoria fiscal apresentou as razões pelas quais entendeu que os documentos relacionados ao risco ambiental da recorrente não foram formalizados na estrita observância das normativas pertinentes e que se encontram elencadas no relatório, dentre as quais destaco a seguinte: Apresentou no LTCAT — Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho, informações quanto a exposição dos trabalhadores acima do limite de tolerância e por conseqüência, a empresa não estaria obrigada a recolher a contribuição ao adicional para fins de aposentadoria especial. Os documentos que levaram a fiscalização a chegar a tal conclusão estão anexados nos autos às fls. 100/125 e demonstram a veracidade das informações fiscais. A recorrente afirma que o fornecimento de EPI-Equipamentos de Proteção Individual já seria suficiente para garantir a proteção aos empregados. Vale lembrar que na hierarquia das medidas de proteção, o uso de EPIs vem como última alternativa, conforme já informado na decisão recorrida. Para preservar a saúde dos empregados, as empresas têm obrigação de utilizar, em primeiro lugar, as medidas de proteção coletiva, só sendo aceitável a ausência desse procedimento, se a empresa demonstrar a inviabilidade do mesmo. Cumpre dizer que o controle dos riscos ambientais do trabalho tem natureza preventiva. As disposições da legislação atual são voltadas à preservação da integridade fisica do empregado, de tal sorte que a regra é bem gerenciar o ambiente de trabalho e a exceção é a concessão da aposentadoria especial pelo reconhecimento do exercício do trabalho em ambiente nocivo. No que tange ao uso de EPIs como principal meio de proteção entendo importante mencionar o Enunciado n° 21 do CRPS — Conselho de Recursos da Previdência Social, que detêm a competência para julgar, em segunda instância, as questões relacionadas à concessão de beneficios aos segurados da Previdência Social, o qual transcrevo abaixo: "ENUNCIADO n° 21 Editado pela Resolução N° 1/1999, de 11/11/1999, publicada no DOU de 18/11/1999. O simples fornecimento de equipamento de proteção individual de trabalho pelo empregador não exclui a hipótese de aposição do trabalhador aos agentes nocivos à saúde, devendo ser considerado todo o ambiente de trabalho" Processo e 36918.001351/2004-84 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.071 Pl. 164 Considerando que o Auto de Infração foi lavrado em observância as normas legais vigentes e que a recorrente não trouxe aos autos elementos capazes de modificar a decisão guerreada. VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO e NO MÉRITO NEGAR- LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 MARCELO Flirr Pky6A COSTA — Relator • ." 7
score : 1.0
Numero do processo: 10247.000112/2002-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RERRATIFICAÇÃO
DO ACÓRDÃO Confirmado o equívoco apontado nos embargos, outro acórdão deve ser proferido na devida forma para sanar o defeito.
Embargos Acolhidos
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-001.451
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
acolher os embargos para rerratificar o Acórdão nº 340100.017,
de 05/03/2009, para dar parcial provimento ao recurso voluntário, determinando a restituição do indébito, nos termos do voto do relator. Realizou sustentação oral a procuradora do contribuinte, Dra. Erika Regina Marquis OABSP 248728.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano-calendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO Confirmado o equívoco apontado nos embargos, outro acórdão deve ser proferido na devida forma para sanar o defeito. Embargos Acolhidos Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1969; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 259 1 258 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10247.000112/200200 Recurso nº 142.574 Embargos Acórdão nº 2101001.451 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de fevereiro de 2012 Matéria IRRF Recorrente JARI CELULOSE, PAPEL E EMBALAGENS S.A Recorrida 1ª TO da 4ª CÂMARA da TERCEIRA SEÇÃO DO CARF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO Confirmado o equívoco apontado nos embargos, outro acórdão deve ser proferido na devida forma para sanar o defeito. Embargos Acolhidos Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para rerratificar o Acórdão nº 340100.017, de 05/03/2009, para dar parcial provimento ao recurso voluntário, determinando a restituição do indébito, nos termos do voto do relator. Realizou sustentação oral a procuradora do contribuinte, Dra. Erika Regina Marquis OABSP 248728. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 Relatório JARI CELULOSE, PAPEL E EMBALAGENS S.A., atual razão social de JARI CELULOSE S.A., às fls. 230/232, com fulcro no artigo 65 do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 2009, interpôs embargos de declaração (fls. 230/232) contra o acórdão de nº 340100.017, de 05/03/2009 (fls. 225/227), que negou provimento ao recurso voluntário, ao fundamento de que se operou a decadência do direito de pleitear a restituição do indébito, pois os recolhimentos se deram no período de janeiro a dezembro de 1996 e o pedido de restituição fora protocolizado em 14 de novembro de 2002. A embargante argumenta que o pagamento efetuado a maior se deu em 31 de outubro de 2002, enquanto que seu pedido de restituição ocorreu em 14 de novembro de 2002, como é possível constatar por meio da simples observação da respectiva guia DARF acostada aos autos, e que em procedimento de diligencia fiscal determinado pelo então Conselho de Contribuintes, quando da análise inicial do recurso voluntário, foi constatado pela Inspetoria da Receita Federal em Monte Dourado o pagamento indevido realizado pela Embargante através da aludida guia DARF objeto de recolhimento em 31/10/2002. Afirma que o pagamento realizado a maior consiste na diferença entre o montante indevidamente recolhido, isto é, R$317.258,32 e o saldo devedor apurado de R$ 48.430,71. Temse, pois, que o valor recolhido a maior consiste no montante de R$ 258.988,80, cuja restituição deverá observar a incidência da taxa Selic, desde a data da apresentação do respectivo pedido, conforme previsão do artigo 39, § 4, da Lei n° 9.250/95. É o relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. Os Embargos atendem os requisitos de admissibilidade. Nos termos do artigo 3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 2009, à Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). À época em que o acórdão embargado foi proferido tal competência era da Terceira Seção do CARF. Determina o artigo 65 do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 2009: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos por conselheiro da turma, pelo Procurador da Fazenda Nacional, pelos Delegados de Julgamento, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição Fl. 298DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10247.000112/200200 Acórdão n.º 2101001.451 S2C1T1 Fl. 260 3 fundamentada dirigida ao presidente da Câmara, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. É evidente o equívoco apontado nos embargos interpostos pela contribuinte, pois o voto condutor do acórdão embargado (fl. 227) entendeu que o indébito ocorreu no ano de 1996, havendo decaído o direito à restituição somente pleiteada em 14/11/2002. Ocorre que o pagamento a maior que o devido ocorreu em 31/10/2002, consoante DARF à fl. 17, tendo em vista a inscrição em dívida ativa do montante integral do imposto, sem dedução dos recolhimentos efetuados à época. Para esclarecimento da matéria em litígio, a extinta Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes determinou a realização de diligência (fls. 186/190). Do relatório elaborado pela Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Monte Dourado/PA, às fls. 194/196, transcrevo os seguintes excertos: Confrontando, como solicitado, os Darf's apresentados pela Jari Celulose S/A As folhas 23 a 44 com os valores declarados na DCTF retificadora (fls. 45 a 58) em relação aos campos Período de Apuração, Código de Arrecadação e Valor, verificamse diferenças entre os valores declarados e os efetivamente pagos. Providenciamos a elaboração de planilhas que seguem anexas a este Despacho, na tentativa de elucidar melhor a questão. A 1ª planilha, à folha 197, apresenta o confronto entre os valores declarados e os efetivamente pagos de IRRF Rendimento do trabalho assalariado, resultando ao final um saldo devedor de R$ 8.906,74. A 2ª planilha, à folha 198, apresenta o confronto entre os valores declarados e efetivamente pagos de IRRF Rendimento do trabalho sem vinculo empregatício, resultando um saldo devedor de R$ 5.993,58. E a 3ª planilha, à folha 199, apresenta o confronto entre os valores declarados e aqueles efetivamente pagos de IRRF —Remuneração de serviços prestados por pessoa jurídica, resultando ao final um saldo devedor de R$ 33.530,39. Nesta 1ª etapa da Diligencia concluise que, confrontando todos os valores pagos com os valores declarados na DCTF Retificadora, o Contribuinte quitou parcialmente os débitos, resultando em saldo devedor total de R$ 48.430,71. A próxima etapa da Diligência consistiu em confrontar o resultado obtido na etapa anterior com o DARF pago referente aos débitos inscritos em Divida Ativa (fls. 201), por código de receita, período de apuração e valores. Essa verificação encontrase detalhada na Planilha, h. folha 200 dos autos. Os valores referentes a IRRF, objeto do presente processo, que foram inscritos em Divida Ativa e posteriormente pagos pelo contribuinte através do Darf à folha 17, totalizam R$ $ 106.700,23. Apurase então o fato de que o Contribuinte pagou parcialmente os débitos de IRRF em um primeiro momento, e posteriormente, quitou totalmente estes mesmos débitos quando já inscritos em Divida Ativa; configurando, dessa forma, a existência de pagamento indevido ou a maior. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 Do que foi esclarecido e constatado, conforme a documentação apensa ao Processo, concluise que existe o pagamento indevido ou a maior, e seu valor é o de R$ 58.269,52 (cinqüenta e oito mil, duzentos e sessenta e nove reais e cinqüenta e dois centavos), que é o resultado da diferença entre o valor de R$ 106.700,23 (Darf PGFN, folha 17) e o saldo devedor apurado de R$ 48.430,71. Concluise, portanto, que a restituição de R$258.988,00, indicada pela contribuinte em sua manifestação sobre o resultado da diligência (fls. 202/205) e em sede de embargos de declaração, não considera que incide multa e juros sobre o saldo devedor apurado de R$ 48.430,71, quitado através do DARF à fl. 17. É evidente que à restituição do principal de R$58.269,52 (R$106.700,23 – R$48.430,71), conforme explicitado no despacho da repartição de origem, acima transcrito, deve ser adicionado a restituição proporcional da multa e juros e/ou Encargo DL1025/69, indicados no DARF à fl. 17, e que na restituição destas parcelas devem incidir juros de mora com base na taxa SELIC, a partir data do pagamento indevido ou a maior (31/10/2002), nos termos do artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 1995: § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Em face ao exposto, acolho os embargos, para rerratificar o Acórdão nº 3401 00.017, de 05/03/2009 (fls. 225/227), para dar parcial provimento ao recurso voluntário, determinando a restituição do indébito, conforme acima explicitado. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 300DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10970.000548/2008-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário 2005
OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE. A base tributável relativa a
cada período de apuração, constante da declaração entregue pelo contribuinte à Receita Federal, deve necessariamente refletir a totalidade das operações registradas na escrituração fiscal da empresa, sendo exigíveis de oficio os tributos incidentes sobre as receitas não declaradas.
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE PIS, COFINS e CSLL. Em se tratando de
exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada em relação ao auto de infração principal constitui prejulgado nas decisões decorrentes.
Numero da decisão: 1301-000.808
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário 2005 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE. A base tributável relativa a cada período de apuração, constante da declaração entregue pelo contribuinte à Receita Federal, deve necessariamente refletir a totalidade das operações registradas na escrituração fiscal da empresa, sendo exigíveis de oficio os tributos incidentes sobre as receitas não declaradas. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE PIS, COFINS e CSLL. Em se tratando de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada em relação ao auto de infração principal constitui prejulgado nas decisões decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10970.000548/200800 Acórdão n.º 1301000.808 S1C3T1 Fl. 2 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Diniz Raposo e Silva e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10970.000548/200800 Acórdão n.º 1301000.808 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Contra a empresa Calseng Serviços Ltda. foram lavrados autos de infração para exigência de créditos tributários relativos a Imposto de Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, (fls. 04/09), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, relativo ao anocalendário de 2005. A ação fiscal se originou da constatação de divergência de valores entre a DIPJ da Calseng e as DIRFs apresentadas pela Prefeitura Municipal de Uberlândia e a APPA Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina. A empresa apresentou DIPJ do anocalendário de 2005 optando pela sistemática do lucro presumido, porém informou todos os campos zerados As tomadoras de serviços foram diligenciadas e remeteram cópias das notas fiscais da fiscalizada, juntamente com a comprovação de pagamento. Após resposta da contribuinte à intimação para justificar a razão pela qual as vendas de serviços relacionadas pela fiscalização não integraram a base de cálculo para a apuração do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins no anocalendário de 2005, a autoridade fiscal formalizou os autos de infração para exigência dos tributos incidentes sobre as receitas omitidas. Em impugnação tempestiva a contribuinte discorre sobre o conceito de renda e alega que os valores recebidos diferem dos valores das notas fiscais em razão das glosas efetuadas pelos tomadores do serviço o que motivou inclusive ações de execução de cobrança contra APPA Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina. Apresenta planilha com os valores efetivamente recebidos. Alega que o texto constitucional não estabelece qualquer regime, se de caixa ou de competência, que não se pode tributar receitas não convertida, solicitando, afinal, seja autorizado o cancelamento daquelas notas fiscais e emissão de outras pelo valor efetivamente recebido. A Turma de Julgamento considerou inteiramente procedentes os lançamentos, em decisão que mereceu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário 2005 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE. A base tributável relativa a cada período de apuração, constante da declaração entregue pelo contribuinte à Receita Federal, deve necessariamente refletir a totalidade das operações registradas na escrituração fiscal da empresa, sendo exigível de oficio os tributos incidentes sobre as receitas não declaradas. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE PIS, COFINS e CSLL Em se tratando de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10970.000548/200800 Acórdão n.º 1301000.808 S1C3T1 Fl. 4 4 mérito prolatada em relação ao auto de infração principal constitui prejulgado nas decisões decorrentes. Ciente da decisão em 09 de setembro de 2009, a interessada ingressou com recurso em 08 de outubro seguinte, reeditando as razões da impugnação. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10970.000548/200800 Acórdão n.º 1301000.808 S1C3T1 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Como se viu do relatório, a Recorrente não contesta o fato de não ter oferecido à tributação suas receitas de prestação de serviços. Limitase a discorrer sobre vários princípios constitucionais para afirmar que “não houve renda auferida, nos termos preconizados pela Constituição Federal e, por conseguinte, não há imposto a ser pago, considerando que o texto constitucional não estabelece qualquer regime, se de caixa ou de competência, e sim se houve ou não renda”. Observo, inicialmente, que em sessão de 23 de novembro de 2011, o Supremo Tribunal Federal julgando o Recurso Extraordinário nº 586482, interposto por WMS Supermercados do Brasil Ltda., contra acórdão do TRF da 4ª Região, decidiu que o PIS e a Cofins incidem sobre as vendas a prazo, mesmo nos casos de inadimplência. As receitas de prestação de serviços foram levantadas pela fiscalização a partir das cópias disponibilizadas pelas tomadoras de serviços (Prefeitura Municipal de Uberlândia e a APPA Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina). Em momento algum a contribuinte negou ter emitido as notas fiscais de prestação de serviços das quais a fiscalização se utilizou para apurar a receita.. Na realidade, apenas discordou dos valores que serviram para apuração da base de cálculo dos tributos, alegando que não foram integralmente recebidos em razão de glosas efetuadas pelos tomadores de serviço, pretendendo, ao cabo, que a tributação se dê apenas sobre os valores recebidos, conforme “Parecer Técnico” do perito/avaliador/auditor, que juntou às fls. 338/342 dos autos. Contudo, não há base legal para acolher o cálculo alternativo, proposto com base no “Parecer Técnico”. A contribuinte apresentou sua DIPJ com opção pelo lucro presumido (embora com todos os campos zerados), e assim, poderia ter adotado o regime de caixa, como lhe faculta a lei. Contudo, conforme assentou a decisão recorrida, o regime adotado pela empresa foi o de competência, e não o de Caixa, pois nenhum dos procedimentos exigidos no art. 1º. da Instrução Normativa 104/98 para o regime de caixa foi adotado. Ficou, assim, impossibilitada de ser tributada pelo regime de caixa para o IRPJ e para a CSLL, bem com para o PIS/Pasep e para a COFINS, nos termos do art. 14 da IN 247/2002. Assim, não pode a empresa pretender que o lançamento alcance somente as receitas efetivamente recebidas. Isto posto, NEGO provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 31 de janeiro de 2012. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10970.000548/200800 Acórdão n.º 1301000.808 S1C3T1 Fl. 6 6 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10920.003092/2009-06
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 2004
PRELIMINAR PRAZO PARA A LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há prazo estabelecido legalmente para conclusão da Ação Fiscal.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDA CONSUMIDA. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
DECORRÊNCIA. A tributação reflexa é matéria consagrada na jurisprudência administrativa e amparada pela legislação de regência, devendo o entendimento adotado em relação aos respectivos Autos de Infração acompanharem o do principal em
virtude da íntima relação de causa e efeito.
Recurso negado.
Numero da decisão: 1803-001.310
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do
CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto
que acompanham o presente julgado, declarou-se
impedido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes.
Nome do relator: Sergio Luiz Bezerra Presta
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2004 PRELIMINAR PRAZO PARA A LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há prazo estabelecido legalmente para conclusão da Ação Fiscal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDA CONSUMIDA. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). DECORRÊNCIA. A tributação reflexa é matéria consagrada na jurisprudência administrativa e amparada pela legislação de regência, devendo o entendimento adotado em relação aos respectivos Autos de Infração acompanharem o do principal em virtude da íntima relação de causa e efeito. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado, declarouse impedido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Fl. 623DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10920.003092/200906 Acórdão n.º 1803001.310 S1TE03 Fl. 624 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, passo a adotar parte do relato do contido no Acórdão nº 0624.461 proferido pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, constante das fls. 746 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Lavraramse contra a epigrafada autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição para o Programa de Integração Social (Pis), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), relativos ao anocalendário de 2006 (primeiro a quarto trimestres), conforme se vê de fls. 536 a 544, 545 a 553, 554 a 562 e 563 a 570, respectivamente. Decorreram esses procedimentos da constatação de ter havido, naquele período, omissão de receitas de vendas de mercadorias e de prestação de serviços, e depósitos bancários de origem não comprovada. Os enquadramentos legais encontramse discriminados nos respectivos autos de infração, correspondendo os créditos constituídos a R$ 143.021,05 (IRPJ), R$15.201,94 (Pis), R$ 60.325,84 (CSLL) e R$ 70.163,02 (Cofins), multa de ofício de 150 % (cento e cinquenta por cento) e juros de mora. Instruem o feito os documentos de fls. 1 a 535 e 571 a 577. Cientificada da pretensão fazendária em 08/07/2009 (fls. 541, 550, 559 e 567), a tempo, em 07/08/2009, apresenta a autuada impugnação de fls. 580 a 594, nela argumentando, em síntese: a) que, preliminarmente, foi desrespeitado o prazo do art. 7º, § 2º, do Decreto n° 70.235, de 1972; b) que, no mérito, relativamente às receitas de atividades não escrituradas pelo contribuinte, há divergências de valores entre as notas fiscais emitidas à Embraco e à Whirlpool, e os depósitos bancários efetuados por essas empresas; c) que há, também, notas fiscais para as quais não se determinou a existência de depósitos; d) que, no que se refere à presunção de omissão de receita em razão de depósitos bancários de origem não comprovada, o fisco se omitiu no seu dever legal de demonstrar a superveniência de um plexo fático que autorizasse a aplicação do art. 849 do RIR/1999; e) que apresentou planilha discriminando os valores creditados/depositados na contacorrente, a qual foi absolutamente ignorada na confecção do auto de infração, sob a justificativa de os valores depositados não coincidirem com os documentos informados; f) que, para a análise fiscal, vale a proximidade de valores, o que não é considerado válido para a defesa do contribuinte; Fl. 624DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10920.003092/200906 Acórdão n.º 1803001.310 S1TE03 Fl. 625 3 g) que continua tentando encontrar as justificativas de cada movimentação financeira, para que possa, então, demonstrar as suas origens, a saber: valores pertencentes a sócio ou relativas a vendas do ano anterior; h) que se acabou por inverter o ônus da prova, exigindo que a contribuinte faça a comprovação de cada uma das movimentações em sua conta corrente, sendo que, por tal motivo, merece o ato fiscal ser totalmente cancelado, eis que não provados os fatos que embasam a autuação; i) que teve o seu estabelecimento roubado em 24/04/2006, conforme Boletim de Ocorrência, tendo sido levados uma série de mercadorias e, também, diversos documentos de controle, inclusive fiscais e bancários, guardados em caixas de produtos; j) que não pode ser apenada pela falta de apresentação de documentos fiscais c contábeis, quando o nãoatendimento à intimação independe de sua vontade; k) que, no mínimo, há de ser desconsiderada a presunção de omissão de receita até o mês de abril de 2006, visto que não tem, sequer, como apurar exatamente os motivos de cada movimentação bancária; l) que o parágrafo único do art. 528 do RIR/1999 somente pode ser utilizado quando não é possível a identificação das atividades a que se refere a receita omitida, o que não é o caso dos presentes autos; m) que o próprio fiscal autuante apurou que somente uma das notas emitidas contra as empresas Embraco e Whirpool representava prestação de serviço, enquanto todas as outras eram referentes à venda de mercadorias; n) que os valores contemplados como depósitos bancários de origem não comprovada são, em regra, de valores expressivos, que não condizem com os serviços prestados pelo contribuinte; o) que junta algumas notas fiscais obtidas de seus clientes, nas quais novamente, percebese que a quase totalidade das receitas provém de 411 vendas, e não de prestação de serviços; e p) que inexistiu dolo, fraude ou simulação, sendo inaplicável a multa prevista no art. 44, II, da Lei n" 9.430, de 1996. Foram anexados à impugnação os documentos de fls. 595 a 744.” A 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, na sessão de 19/11/2009, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0624.461 entendendo “por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar arguida de nulidade dos autos de infração, por incabível, e, no mérito, por maioria de votos, considerar procedente, em parte, a ação fiscal, reduzindo o percentual da multa de ofício aplicada, de 150 % (cento e cinquenta por cento) para 75 % (setenta e cinco por cento), na parte relativa aos ‘depósitos bancários de origem não comprovada’, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PRAZO. PARÁGRAFO 22 DO ART. 72 DO PAF. EFEITO. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10920.003092/200906 Acórdão n.º 1803001.310 S1TE03 Fl. 626 4 O prazo previsto no § 22 do art. 72 do PAF, de sessenta dias, tem efeito, apenas, para a delimitação do período de exclusão da espontaneidade do fiscalizado, e não para a limitação da duração da ação fiscal. CSLL. PIS. COFINS. Dada a identidade existente entre os fatos motivadores da exigência do IRPJ e aqueles relativos à da CSLL, do Pis e da Cofins, e à míngua de argumentação específica, estendemse, a estas últimas, a decisão adotada naquela. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS. PERCENTUAL. No lançamento por omissão de receitas, quando for impossível identificar a atividade da qual derivam as receitas omitidas, a apuração lucro presumido deve se dar com a utilização do maior percentual dentre aqueles a que se submeteu o sujeito passivo no período autuado, por força de expressa previsão legal. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA DE EVIDENTE INTUITO DOLOSO. DESCABIMENTO. Tratandose de lançamento por presunção legal (presumese a omissão de receitas a partir da movimentação financeira da empresa), não existe prova direta da conduta sancionada (a omissão), sendo, pois, impossível caracterizar o dolo de omitir. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte”. Cientificada da decisão de primeira instância em 07/12/2009 (AR fls. 754), a SIMMCRONA INFORMATICA LTDA., qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0624.461, recorre em 30/12/2009 (fls. 755 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da peça impugnatória (fls. 580 e segs). Em síntese, é o relatório. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10920.003092/200906 Acórdão n.º 1803001.310 S1TE03 Fl. 627 5 Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. O Recurso interposto divide o inconformismo com a decisão prolatada pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba – PR, nos seguintes itens: a) Desrespeito ao Prazo do Art. 7º, §2° do Decreto n° 70.235/72; b) Das receitas de atividades não escrituradas pelo contribuinte; c) Da presunção de omissão de receita em razão de depósitos bancários de origem não comprovada; d) Do “ônus da prova” e o dever jurídico proveniente do lançamento fiscal; e) Da impossibilidade de apresentação de livros e documentos e do arbitramento; f) Da utilização do art. 528, parágrafo único, do RIR199 para aplicação do coeficiente do lucro presumido; g) Da redução da multa a ser aplicada em razão da ausência de dolo, fraude ou simulação; e, h) Das Infrações Reflexas — CSLL, COFINS e PIS. Passando agora para a preliminar levantada pela Recorrente sobre o possível “desrespeito ao Prazo do Art. 7º, §2° do Decreto n° 70.235/72”, os argumentos são exatamente iguais àqueles contidos na peça impugnatória (fls. 580 e segs). Porém, abstraindo a falta de um questionamento direto da Recorrente contra a 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba – PR, tenho que me filiar aos argumentos do Acórdão nº 0624.461 que tratam da suposta extrapolação do prazo de da fiscalização. Na verdade, diferente do recurso voluntário, a matéria foi enfrentada e respondida com muita propriedade, que pela pertinência de suas razões, paço a reproduzir: “Argui a autuada que, preliminarmente, foi desrespeitado o prazo do art. 7º, § 2°, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 — Processo Administrativo Fiscal (PAF), de seguinte dicção (grifouse): ‘Art. 7º procedimento fiscal tem início com: Fl. 627DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10920.003092/200906 Acórdão n.º 1803001.310 S1TE03 Fl. 628 6 I o primeiro ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos”. Porém, como uma breve análise no texto acima descrito, constato que indo de encontro ao que é alegado na impugnação e no recurso voluntário, não há na legislação brasileira prazo estabelecido para conclusão da Ação Fiscal. Tanto é que a Recorrente Como não cita qualquer diploma legal, além do acima citado, para lastrear suas alegações. Na verdade, vejo que a ação fiscal obedeceu ao que determina o artigo 196 do CTN, a seguir transcrito: “Art. 196 A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas. Parágrafo único. Os termos a que se refere este artigo serão lavrados, sempre que possível, em um dos livros fiscais exibidos; quando lavrados em separado deles se entregará, à pessoa sujeita à fiscalização, cópia autenticada pela autoridade a que se refere este artigo”. Reforçando esse entendimento, trago a tona que o Antigo Conselho de Contribuinte sempre admitiu a legalidade da duração sem prazo predeterminado para o encerramento dos trabalhos de fiscalização, com base no disposto no art. 196 do CTN, conforme pode ser visto abaixo: “AÇÃO FISCAL. PRAZO DE DURAÇÃO. NULIDADE NÃO OCORRIDA. O art. 196 do CTN, sendo norma de sobre direito, dirigida ao legislador ordinário, não cria para a autoridade administrativa a obrigação de fixar prazo para conclusão da ação fiscal (...)”. (Recurso Voluntário nº 005390, Acórdão 10610166, Sexta Câmara, Rel. Luiz Romero Cavalcante Farias, data da sessão: 13/5/1998, dec. unânime) “NULIDADE DO LANÇAMENTO. DILIGÊNCIAS. LAVRATURA DO TERMO DE INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. FALTA DE INDICAÇÃO DO PRAZO DE DURAÇÃO DA AUDITORIA FISCAL. Não tendo sido praticado qualquer ato com preterição do direito de defesa e estando os elementos de que necessita o contribuinte para elaborar suas contrarazões de mérito juntados aos autos, fica de todo afastada a hipótese de nulidade do procedimento fiscal (...)”. (Recurso Voluntário nº 118.837, Fl. 628DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10920.003092/200906 Acórdão n.º 1803001.310 S1TE03 Fl. 629 7 Acórdão 10417119, Quarta Câmara, Rel. Nélson Mallmann, data da sessão: 14.07.1999, dec. unânime) Assim, como se pode observar das decisões acima e pela imprecisão quanto aos eventuais dispositivos legais inobservados pela autoridade fiscal, vejo que a decisão recorrida esgotou o assunto, nada havendo a acrescentar. Por esse motivo, venho rejeitar a preliminar de nulidade de possível “desrespeito ao Prazo do Art. 7º, §2° do Decreto n° 70.235/72” arguida pela Recorrente. Passando ao mérito, entendo que posso unir os itens: “Das receitas de atividades não escrituradas pelo contribuinte” e “Da presunção de omissão de receita em razão de depósitos bancários de origem não comprovada”. Isso porque o resultado de ambos é o valor de R$ 461.020,52 (quatrocentos e sessenta e um mil e vinte reais e cinquenta e dois centavos) que foram depositados na conta corrente da Recorrente sem a comprovação dos documentos fiscais que lastreassem tais depósitos. Diante do número acima, a Recorrente foi devidamente chamada a justificar os depósitos encontrados em conta corrente de sua titularidade, nada explicando quanto à sua origem ou motivos de não escrituração. E, por conta da ausência, é aplicável a determinação constante do art. 42 da lei n°9.430/96, que dispõe o seguinte: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. E, observando tudo que consta dos autos, fazse necessário aplicar as determinações contidas na Súmula CARF nº 26 e nº 34, a seguir transcritas: “Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. “Súmula CARF nº 34 Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas”. Aqui, não se está falando em indicio de receita tributável, mas em presunção definida em lei, que autoriza, no caso de ausência de comprovação por meios hábeis e idôneos, da existência de receita omitida pela empresa. Foi dada oportunidade para a empresa, no curso da fiscalização, declinar a origem de referidos depósitos, não tendo a Recorrente se pronunciado acerca dos mesmos. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10920.003092/200906 Acórdão n.º 1803001.310 S1TE03 Fl. 630 8 Não há como negar que a obrigação de regular escrita fiscal cabe à pessoa jurídica sujeita às normas fiscais e contábeis a ela aplicáveis. Diante da regular escrita contábil, o ônus de prova para sua desconstituição cabe à fiscalização; porém, quando é identificada a ausência de registro de depósitos na escrita contábil, caberia a Recorrente em três momentos distintos (esclarecimentos, impugnação e recurso) apontar a origem e justificar a não escrituração. Mas, isso simplesmente não ocorreu. E, o efeito desta ausência consiste na atribuição aos valores não justificados a condição de receitas omitidas, como determina o art. 42 da Lei n° 9.430196. No caso dos autos, a Recorrente, deliberadamente, omitiu rendimentos que deveria submeter à tributação e que levou ao arbitramento. Neste sentido o CARF vem assim se posicionando, “verbis”: “Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Os valores creditados em conta bancária cuja origem não foi comprovada devem ser tributados como omissão de receitas da pessoa jurídica” (Processo nº. 10935.004082/200678, Recurso n° 157.047 Acórdão n° 110100.115, 1ª Câmara / 1a Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2009) Assim, na falta de outros elementos, o fisco pode utilizar o total das movimentações para fins de determinar a base de cálculo na hipótese de omissão de rendimentos. Desta forma, pela ausência de documentos que possam contestar a omissão de receita e a consequente imputação tributária, não vejo como reparar a decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba – PR. Passando agora aos itens “Do “ônus da prova” e o dever jurídico proveniente do lançamento fiscal” e “Da impossibilidade de apresentação de livros e documentos e do arbitramento”; e, para isso fazse necessário observar o que argumenta a Recorrente: Fl. 630DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10920.003092/200906 Acórdão n.º 1803001.310 S1TE03 Fl. 631 9 Diante dos argumentos acima transcritos e da fundamentação constante do recurso voluntário, posso constatar que a Recorrente, smj, não observou que um dos princípios que lastreiam o processo administrativo fiscal é o Principio da Legalidade, também denominado de legalidade objetiva. Tal princípio determina que o processo deverá ser instaurado nos estritos ditames da lei. Ou seja, na administração privada se pode fazer tudo que a lei não proíbe; já na administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza expressamente, como forma de se atender as exigências do bem comum. Em suma enquanto que para o particular a lei significa “pode fazer assim”, para o Administrador público significa “deve fazer assim”, a atividade administrativa é plenamente vinculada, é regrada pelos limites impostos pela própria lei. E, foi com base nesse principio que a autoridade fiscal solicitou a Recorrente que comprovasse a origem dos recursos depositados em sua conta corrente e que não tinham sido levados a tributação. Veja que poderia a Recorrente juntar suas alegações antes do julgamento da DRJ ou deste Conselho, tendo em vista que a prova no processo Administrativo Fiscal é de fundamental importância e deveria ser criteriosamente produzida pela Recorrente nesses 1.713 (mil setecentos e treze dias) entre a intimação originaria dos autos de infração e o presente julgamento. Isso porque é através da prova o julgador administrativo forma sua convicção. Diante deste fato se poderia perguntar: “Qual o momento para a apresentação das provas no PAF?”. A resposta encontrase inserta nos Artigos 3º e 38 da Lei 9.784/99, a seguir transcrito: “Art. 3º. O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) Fl. 631DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10920.003092/200906 Acórdão n.º 1803001.310 S1TE03 Fl. 632 10 III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; (…)” “Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo” E, caso tenha alguma duvida o Art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, assim determina: “Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)” Diante da legislação acima, é importante acentuar que a responsabilidade pela comprovação da verdade material caberia a Recorrente; e, para isso deveria buscar na legislação de regência o substrato legal para juntar as provas que entendesse como necessárias a defesa da conduta realizada; e, isso não o fez. Em relação aos demais itens do recurso voluntário, volto a me filiar, integralmente, aos argumentos constantes do Acórdão nº 0624.461, mantendo a decisão recorrida pelos seus próprios argumentos. Assim, diante de tudo que podemos encontrar nos autos, não vejo razão para modificar o acórdão n° Acórdão nº 0624.461 proferido pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba – PR, e por isso NEGO PROVIMENTO ao recurso e mantenho os lançamentos apontados e seus desdobramentos (PIS, COFINS e CSLL), mantendo, em decorrência da conduta apresentada, o arbitramento realizado pela autoridade administrativa. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 632DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA
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