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Numero do processo: 10140.001297/95-04
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 1998
Ementa: IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - São considerados rendimentos omitidos os depósitos bancários ou aplicações financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos, somente se o Fisco comprovar sinais exteriores de riqueza, caracterizados pela realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte.
Recurso provido.
Numero da decisão: 106-09991
Decisão: POR UNANIMIDADE DE VOTOS, DAR PROVIMENTO AO RECURSO.
Nome do relator: Ana Maria Ribeiro dos Reis
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Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ARY RIGO. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. te; IG E OLIVEIRA PR Si % 9 ANAlkaL31 IBElleDOS REIS RELATORA FORMALIZADO EM: "1 5 MAI 1998 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MÁRIO ALBERTINO NUNES, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, LUIZ FERNANDO OLIVEIRA DE MORAES, HENRIQUE ORLANDO MARCONI, ROMEU BUENO DE CAMARGO e ROSANI ROMANO ROSA DE JESUS CARDOZO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10140.001297195-04 Acórdão n°. : 106-09.991 Recurso n°. : 12.811 Recorrente : ARY RIGO RELATÓRIO ARY RIGO, já quallificado nos autos, recorre da decisão da DRJ em Campo Grande - MS, de que foi cientificado em 18.03.97 (AR de fl. 75), por meio de recurso protocolado em 14.04.97. Contra o contribuinte foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01/08, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 1.990, ano-base de 1989, tendo sido caracterizados sinais exteriores de riqueza. A renda presumida foi mensurada a partir da disponibilidade de recursos, em confronto com os rendimentos e recursos declarados, sendo que o contribuinte, quando intimado a comprovar a origem de recursos não se manifestou. Em sua impugnação, argüi preliminarmente a nulidade do lançamento, por ter o levantamento fiscal se baseado na quebra de seu sigilo bancário. Quanto ao mérito, argumenta que os depósitos bancários não se constituem em fato gerador do imposto de renda, aditando que o que constitui sinal exterior de riqueza é a existência de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. Cita jurisprudência do TRF e acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes. Em relação ao mês de dezembro/89, aduz que deve ser considerado como recurso o valor de NCz$ 261.389,63, pois este foi o montante acumulado de 01 a 12/89 e, quanto à TRD, apela pela sua exclusão no período de 04.02.91 a 31.07.91, face à jurisprudência administrativa. 23/4"1" 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10140.001297/95-04 Acórdão n°. : 106-09.991 O julgador de primeira instância não acata a preliminar de nulidade do lançamento e julga a impugnação improcedente em decisão assim ementada "SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA - Caracterizado o sinal exterior de riqueza pela existência de expressivos gastos (desembolsos não comprovados) e investimentos (aplicações financeiras), é cabível o lançamento de ofício com base nos depósitos bancários quando, em confronto com a renda disponível (declarada), permaneçam incomprovados pelo contribuinte a origem dos recursos utilizados nestas operações." Regularmente cientificado da decisão, o contribuinte dela recorre, interpondo o recurso de fls. 77/93, em que reedita as razões da impugnação. Manifesta-se a douta PFN, em suas contra-razões de fls. 97/109, em que requer o não provimento do recurso, demonstrando que não deve ser acolhida a preliminar de nulidade do lançamento, que não procedem as razões quanto ao mérito, vez que a omissão de rendimento resta flagrante no presente caso, devendo também ser mantida a cobrança da TRD como juros de mora. É o Relatório. A• 3 'N/ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10140.001297/95-04 Acórdão n°. : 106-09.991 VOTO Conselheira Ana Maria Ribeiro dos Reis, Relatora Analiso inicialmente a preliminar argüida de nulidade do lançamento, posto que fundado em pretensas provas obtidas ilicitamente. Reclama o contribuinte pelo sigilo a que tem direito e rechaça a utilização pelo fisco de extratos bancários obtidos sem autorização judicial. Os extratos bancários foram encaminhados à fiscalização em cumprimento ao que preceitua o art. 197 do Código Tributário Nacional que assim dispõe: "Art. 197 - Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: II - os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; Com a edição da Lei 8.021/90, a matéria foi tratada em seu artigo 8°, e recebeu o seguinte tratamento: "Art. 80 - Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei 4.595, de 31 de dezembro de 1964. 4 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10140.001297/95-04 Acórdão n°. : 106-09.991 Parágrafo único - As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo máximo de dez dias úteis contados da data da solicitação, aplicando-se, no caso de descumprimento desse prazo, a penalidade prevista no § 1° do art. 70.1 Tal é a obrigação, que o art. 1003 do RIR194, cuja matriz legal é o Decreto-lei 2.303/86, art. 90 e a Lei 8.383/91, art. 3 0 , I, estabelece a sanção pecuniária relativa ao seu descumprimento. Dessa forma, é possível concluir que somente ocorreria quebra de sigilo em relação ao contribuinte, se os fiscais encarregados da fiscalização revelassem tais informações obtidas no exercício de seu ofício, sendo que nesse caso deveriam sofrer todos os rigores da lei administrativa e penal. Rejeito, portanto, a preliminar levantada. Com relação à utilização pelo fisco dos depósitos bancários como base para o arbitramento da renda a ser tributada, há que se fazer algumas considerações a respeito, observando-se que esta é uma matéria controversa e que vem sendo submetida com certa freqüência ao julgamento por este Colegiado. Considero esclarecedor recapitular como evoluíram no tempo os lançamentos feitos através do arbitramento da renda presumida, com base em depósitos bancários. A base legal que autorizava e que foi utilizada pela fiscalização para o arbitramento dos rendimentos com base em sinais exteriores de riqueza encontrava-se no art. 9° da Lei 4.729/65, consolidada no art. 39 do RIR/80, que dispunha: 45 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10140.001297/95-04 Acórdão n°. : 106-09.991 "Art. 39 - Na cédula H serão classificados a renda e os proventos de qualquer natureza não compreendidos nas cédulas anteriores, inclusive: V - os rendimentos arbitrados com base na renda presumida, através da utilização dos sinais exteriores de riqueza que evidenciem a renda auferida ou consumida pelo contribuinte." Contra esses lançamentos manifestou-se sobejamente o Poder Judiciário e em momentos seguintes também a jurisprudência administrativa, culminando com a edição da Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos: "DEPÓSITOS BANCÁRIOS - É ilegítimo o lançamento arbitrado com base em depósitos bancários." Reconhecida a ilegitimidade de tais lançamentos, foi editado pelo próprio Poder Executivo o Decreto-lei 2.471, em 01.09.88, que determinava em seu art. 9° o seguinte: "Art. 90 - Ficam cancelados, arquivando-se, conforme o caso, os respectivos processos administrativos, os débitos para com a Fazenda Nacional, inscritos ou não como Dívida Ativa da União, ajuizados ou não, que tenham tido origem na cobrança: VII - do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes bancários.' 4 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10140.001297/95-04 Acórdão n°. : 106-09.991 Interpretando-se literalmente o dispositivo acima transcrito, conclui-se que apenas foram cancelados os débitos para com a Fazenda Nacional, assim entendidos aqueles que já tivessem sido objeto de lançamento. Porém, analisando-se o referido dispositivo à luz das demais regras de hermenêutica e conjugando-se o alcance e a vontade da lei, é de se considerar que tal determinação continha, implícita, uma nova, qual seja, a de que não houvesse lançamento de imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em extratos e comprovantes bancários. Isto por uma razão bastante simples, tal lançamento estaria na contramão da motivação, contida, inclusive, na exposição de motivos que embasou o citado Decreto-lei: falta de perspectiva de êxito no Poder Judiciário, não contribuindo para o desafogo deste e nem evitando dispêndio de recursos do Tesouro Nacional, à conta de custas processuais e do ónus da sucumbência. Além disto, a falta de tal interpretação geraria um tratamento diferenciado dos contribuintes, dependendo da data do lançamento, em flagrante afronta ao princípio da isonomia, contido no art. 150 da Constituição Federal. Esta situação perdurou até à edição da Lei 8.021, em 12.04.90. Este dispositivo legal veio autorizar o arbitramento de rendimentos, mediante utilização de depósitos bancários, autorização justificada pelas considerações contidas na exposição de motivos da Medida Provisória N° 165, posteriormente convertida na lei retrocitada, de que extraio o seguinte trecho: "É necessário dotar a administração tributária de instrumentos legais mais vigorosos para combate à sonegação e eliminar mecanismos que permitem o tranqüilo refúgio dos capitais sonegados? (grifei). 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10140.001297/95-04 Acórdão n°. : 106-09.991 A leitura do trecho acima conduz ao raciocínio de que o Poder Executivo, ao editar tal MP, procurou dar instrumento legal inexistente após o Decreto- lei 2.471/88, para que o fisco pudesse exercer plenamente sua atividade vinculada e obrigatória de lançar, utilizando-se do arbitramento dos rendimentos com base em depósitos e comprovantes bancários. O lançamento em análise foi feito sob a égide da Lei 8.021/90, que, em seu artigo 6°, continha tal autorização para o arbitramento da renda presumida, com base em depósitos ou aplicações financeiras, sob certas condições. Transcrevo, a seguir, o mencionado artigo: "Art. 6° - O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, far-se-á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1° - Considera-se sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 50 - O arbitramento poderá ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 6° - Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte? Conclui-se que, com o advento da lei 8.021/90, o fisco está autorizado, em procedimento de ofício, a arbitrar a renda presumida, desde que tal arbitramento leve em consideração a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. 4. 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10140.001297/95-04 Acórdão n°. : 106-09.991 Neste caso, o arbitramento deve ser levado a efeito para caracterizar a disponibilidade econômica do contribuinte, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, que define como fato gerador do imposto de renda a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais. Assim, é certo que, verificando-se acréscimos patrimoniais, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, o arbitramento encontra guarida no § 5° do art. 6° da Lei 8.021/90. Esta é uma interpretação sistemática, que conjuga caput e §§ do art. 6° da mencionada lei de forma integrada, considerando que estes devem constituir um todo harmônico, em conjunto, não podendo o § 5° ser dissociado do todo. É de se concluir que os depósitos bancários constituem-se em valiosos indícios, que podem indicar aumento patrimonial ou consumo, evidenciando renda auferida excedente à renda declarada. No presente caso, porém, a base de cálculo utilizada no auto de infração impugnado e mantida pela decisão recorrida constituiu-se tão-somente na soma dos depósitos bancários. Como alega o recorrente, "o auto de infração descreve a existência de desembolsos através de cheques, que segundo a Autoridade Fiscal leva a conclusão da existência de gastos e investimentos incompatíveis com os rendimentos declarados. No entanto, toma como base de cálculo (fato gerador) o montante de depósitos extraídos dos extratos bancários e relacionados na "Planilha ARY.XLS"." Não há nos autos nenhuma evidência de rastreamento dos cheques, relacionando-se créditos e débitos nas contas-correntes do contribuinte, para conduzir à demonstração de gastos incompatíveis com sua renda disponível, obtendo-se a renda omitida a ser tributada, como preceitua o § 5° combinado com o § 1° do artigo 6° da Lei 8.021/90. Não há evidência, nem ao menos, de aplicação financeira dos recursos depositados. An 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10140.001297/95-04 Acórdão n°. : 106-09.991 Entendo, portanto, que deva ser reformada a r. decisão recorrida, não devendo ser mantido o arbitramento com base em depósitos bancários, por não comprovados os sinais exteriores de riqueza, que caracterizam a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. Por todo o exposto e por tudo mais que dos autos consta, conheço do recurso por tempestivo e interposto na forma da Lei e, no mérito, voto no sentido de dar-lhe provimento. Sala das Sessões - DF, em 17 de março de 1998 ANELRO DOS REIS io C':k/ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10140.001297/95-04 Acórdão n°. : 106-09.991 INTIMAÇÃO Fica o Senhor Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho de Contribuintes, intimado da decisão consubstanciada no Acórdão supra, nos termos do parágrafo 2°, do artigo 44, do Regimento Interno do Primeiro Conselho de Contribuintes, Anexo II da Portaria Ministerial n° 55, de 16/03/98 (D.O.U. de 17/03/98). Brasília - DF, em 1 MAI 1998 Dl Mas., á' • I S DE OLIVEIRA r..rARrY. dr;,, --- V Ciente em 41 19 '8 §4011) PROCU DOR P' !t; *A ONAL II Page 1 _0027800.PDF Page 1 _0027900.PDF Page 1 _0028000.PDF Page 1 _0028100.PDF Page 1 _0028200.PDF Page 1 _0028300.PDF Page 1 _0028400.PDF Page 1 _0028500.PDF Page 1 _0028600.PDF Page 1 _0028700.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005150/2005-10
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
A suposta nulidade do auto de infração, por demasia no enquadramento legal, restou superada no decorrer do contencioso, pois o vício formal convalesce quando a parte dá mostras de que bem entendeu a imputação e se defende amplamente.
DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
O instituto da denúncia espontânea não aproveita àquele que incide em mora com a obrigação acessória de entregar as suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, portanto é devida a multa. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 302-39.106
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. A Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro fará declaração de voto.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A suposta nulidade do auto de infração, por demasia no enquadramento legal, restou superada no decorrer do contencioso, pois o vício formal convalesce quando a parte dá mostras de que bem entendeu a imputação e se defende amplamente. DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não aproveita àquele que incide em mora com a obrigação acessória de entregar as suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, portanto é devida a multa. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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Recorrida DRJ-BRASILIA/DF • Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A suposta nulidade do auto de infração, por demasia no enquadramento legal, restou superada no decorrer do contencioso, pois o vicio formal convalesce quando a parte dá mostras de que bem entendeu a imputação e se defende amplamente. DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não aproveita àquele que incide em mora com a obrigação acessória de entregar as suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, portanto é devida a multa. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. A Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro fará declaração de voto. , • o . Processo n.° 10120.005150/2005-10 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-39.106 Fls. 180 atit • 4P JUDITH 4I, • • • • L MARCONDES ARMANDO - 'residentei , ir. , i iCORINTHO OLIVEIRAbrA CHADO - RelatoralA Participaram, ainda, do presente julg ento, os Conselheiros- Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto, Luciano Lopes de Almeida oraes e Mércia Helena Trajano D'Amorim. Ausente o Conselheiro Paulo Affonseca de Ba s Faria Júnior. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Paula Cintra de Azevedo Aragão. • III • . Processo n.° 10120.005150/2005-10 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-39.106 Fls. 181 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância, até aquela fase: Contra a contribuinte acima identificada foi formalizado o Auto de Infração de multa por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais do ano-calendário de 2003, folha 28, no qual está sendo exigido o crédito tributário no valor total de R$ 64.551,40. Cientificada, a contribuinte apresentou impugnação (folhas 01/19), alegando, em síntese: • Em preliminares: A Nulidade do Lançamento por violação ao Art. 10, IV do Decreto n° 70.235/1972. No mérito: Que apresentou as DCTF antes do lançamento. Daí, invoca, o instituto da denúncia espontânea com base no Art. 138 do Código Tributário Nacional. Complementa dizendo que a multa é confiscatória. Conclui requerendo a anulação do auto de infração em comento, absolvendo-a das penalidades. A DRJ em BRASÍLIA/DF julgou procedente o lançamento, vazando a ementa nos seguintes termos: 111 Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 Ementa: ENQUADRAMENTO LEGAL — O erro ou a deficiência no enquadramento legal da infração cometida não acarreta nulidade do auto de infração quando comprovado que inocorreu preterição do direito de defesa, isto, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e alentada impugnação apresentada pela contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas. MULTA POR ATRASO DA ENTREGA DA DCTF — É cabível a cobrança da multa por atraso na entrega das DCTF se a empresa em 2003 estava em atividade, conforme dispõe a IN SRF n°126/1998 e IN Si?? n°255/2002. ESPONTANEIDADE — A entrega da DCTF, intempestivamente, embora feito o recolhimento dos tributos devidos não caracteriza a espontaneidade prevista no Art. 138 do Código Tributário Nacional Processo n.° 10120.005150/2005-10 CCO31CO2 Acórdão n.° 302-39.106 Fls. 182 com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação de regência pela falta de entrega da declaração. Lançamento Procedente. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 139 e seguintes, onde basicamente repete os argumentos apresentados na impugnação. A Repartição de origem, considerando que a exigência do arrolamento de bens está presente em outro processo, encaminhou os presentes autos para o Primeiro Conselho de/ que os redirecionaram a este Conselho, fl. 177. É o Relatório. • • • . Processo n." 10120.005150/2005-10 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-39.106 Fls. 183 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em preliminar, cumpre dizer que a suposta nulidade do auto de infração, por demasia no enquadramento legal (porquanto lá encontram-se as IN SRF n.° 73, de 1996, e n.° 126, de 1998, revogadas pela IN SRF n.° 255, de 2002), restou superada no decorrer do contencioso, pois o vicio formal convalesce quando a parte dá mostras de que bem entendeu a imputação e se defende amplamente. Assim, não há espaço para decretação de nulidade do auto de infração. • Quanto ao mérito, a entrega da DCTF a destempo é fato incontroverso, uma vez que a autuada não contesta o atraso na entrega da declaração, apenas argúi ser a multa inaplicável ao presente caso, em face do disposto no art. 138 do CTN, denúncia espontânea. Embora ciente de que o e. Segundo Conselho de Contribuintes, noutros tempos, albergava a tese defendida pela recorrente, a tendência atual deste Conselho, e sufragada pela colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais, é no sentido de que o instituto da denúncia espontânea não aproveita àquele que incide em mora com a obrigação acessória de entregar as suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF. Assim é que compartilho do entendimento atual desta egrégia Casa, que se pode ilustrar com os arestos que seguem inter plures: DCTF - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MULTA DE MORA. Havendo o contribuinte apresentado DCTF fora do prazo, mesmo antes de iniciado qualquer procedimento fiscal, há de incidir multa pelo • atraso. Recurso de divergência a que se nega provimento (Ac. CSRF/02-01.092 Rel. Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva) DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - DENÚNCIA ESPONTÂNEA.A multa por atraso na entrega de DCTF tem fundamento em ato com força de lei, não violando, portanto, os princípios da tipicidade e da legalidade; por tratar a DCTF de ato puramente formal e de obrigação acessória sem relação direta com a ocorrência do fato gerador, o atraso na sua entrega não encontra guarida no instituto da exclusão da responsabilidade pela denúncia espontánea.NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE (Acórdão 302-36536 Rel. LUIS ANTOIVIO FLORA) No vinco do quanto exposto, entendo correto o lançamento lavrado pelai autoridade fiscal, bem como o quanto decidido pelo órgão julgador de primeira instância. • . • Processo n.° 10120.005150/2005-10 CCO3/CO2 Adn-clào n.° 302-39.106 Fls. 184 Voto por REJEITAR A PRELIMINAR de nulidade do auto de infração; e no mérito, DESPROVER o recurso. Sala das Sessões, em 8 de outubro de 2007 / CORINTHO OLIV II3A MACHADO - Relator • • Processo n.0 10120.005150/2005-10 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-39.106 Fls. 185 Declaração de Voto Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro A questão central, conforme muito bem relatado pelo meu ilustre par, cinge-se à aplicação de penalidade pelo atraso na entrega de obrigação acessória. Há tempos, venho ressaltando que a exigência da multa proporcional (2%) do valor declarado não pode ser acatada em função de alguns "princípios" que deveriam nortear as 1111 demandas administrativas, quais sejam, lógica e bom senso. Nesse esteio, gostaria de destacar, preliminarmente, o absurdo de se exigir uma multa isolada pelo descumprimento de obrigação acessória em patamares superiores àqueles aplicáveis ao atraso no pagamento do tributo (obrigação principal, cuja inadimplência resulta em prejuízo monetário ao Fisco). Com efeito, segundo disposto pela Lei n° 10.426/2002, a multa aplicável, no caso de o contribuinte atrasar UM dia a entrega da DCTF, corresponde a 2% do valor declarado. Não obstante, no caso de o mesmo contribuinte entregar a DCTF no dia previsto, mas atrasar o pagamento do tributo também em UM dia, a multa aplicável, segundo art. 950, do RIR199, corresponde a 0,33% do valor declarado. Por outro lado, aquela mesma norma legal (Lei n° 10.426/2002), acaba por punir o contribuinte responsável e honesto. • Verifique-se que se o contribuinte declarar a quantia realmente devida (mas atrasar a entrega da declaração), acabará por amargar uma multa sobre aquele valor. Por outro lado, caso o contribuinte declare que não deve coisa alguma (valor tributável = zero) e atrase a entrega dessa declaração, somente deverá pagar a multa correspondente a R$ de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. Em outras palavras: beneficia-se o contribuinte que propositada e falsamente declara um valor inferior ao efetivamente devido. Ora, nenhuma norma pode levar ao absurdo: (i) não se pode conceder que uma multa aplicável sobre uma obrigação acessória seja superior a uma multa incidente sobre uma obrigação principal; e (ii) não se pode aceitar que um contribuinte seja punido pelo fato de agir honestamente (e declarar o que efetivamente deve), enquanto que outro que omite o valor devido seja beneficiado pela aplicação de multa em montante muito inferior. Nada obstante todo o acima exposto e ressalvado meu entendimento, curvo-me ao posicionamento adotado pacificamente por esta Câmara no sentido de que a multa de 2% sobre o valor declarado, por estar prevista em lei com eficácia plena, deve ser mantida. • a - Processo n.° 10120.005150/2005-10 CCO3/022 Acórdão n.° 302-39.106 Fls. 186 Dessa forma, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, mantendo a penalidade aplicada. Sala das Sessões, em 18 de outubro de 2007 7r-C ROSA MARIA E JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO - Conselheira • Page 1 _0006000.PDF Page 1 _0006100.PDF Page 1 _0006200.PDF Page 1 _0006300.PDF Page 1 _0006400.PDF Page 1 _0006500.PDF Page 1 _0006600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10166.018280/2002-43
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2005
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – LANÇAMENTO NULIDADES – Apresentado-se o lançamento com perfeita caracterização dos fatos, com indicação da hipótese de incidência, fato gerador e cálculo do tributo devido, não há cerceamento de direito de defesa a ensejar sua nulidade.
IRPJ –MULTA ISOLADA – Não pode ser exigida concomitante com o lançamento de ofício por diferenças de imposto apurada em ação fiscal, bem como indevida sua aplicação se, após o término do ano calendário houver prejuízos fiscais ou não restar imposto a pagar.
Preliminar rejeitada, recurso parcialmente provido. Publicado no D.O.U. nº 188 de 29/09/05.
Numero da decisão: 103-21920
Decisão: Por unnimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a exigência da multa isolada referente aos anos-calendários d 1998 e 1999.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Márcio Machado Caldeira
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Recorrida : 28 TURMA/DRJ-BRASÍLIA/DF Sessão de :14 de abril de 2005 Acórdão n°. :103-21.920 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - LANÇAMENTO NULIDADES - Apresentado-se o lançamento com perfeita caracterização dos fatos, com indicação da hipótese de incidência, fato gerador e cálculo do tributo devido, não há cerceamento de direito de defesa a ensejar sua nulidade. IRPJ -MULTA ISOLADA - Não pode ser exigida concomitante com o lançamento de ofício por diferenças de imposto apurada em ação fiscal, bem como indevida sua aplicação se, após o término do ano calendário houver prejuízos fiscais ou não restar imposto a pagar. Preliminar rejeitada, recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LOJA DAS TINTAS COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de • Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, DAR provimento parcial ao recurso para excluir a exigência da multa isolada referente aos anos-calendários de 1998 e 1999, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. - --arre.‘ rue* - OD S NEUBER ESIDENTE -1(C-b MACHADO CALDEIRA ELATOR FORMALIZADO EM: 1 4 SET 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA, MAURÍCIO PRADO DE ALMEIDA, ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE, PAULO JACINTO DO NASCIMENTO, FLÁVIO FRANCO CORRÊA e VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE.• Mas02/09105 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n°. :10166.018280/2002-43 Acórdão n°. :103-21.920 Recurso n°. : 138.748 Recorrente : LOJA DAS TINTAS COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. RELATÓRIO LOJA DAS TINTAS COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., já qualificada nos autos, recorre a este colegiado da decisão da 2 a Turma da DRJ em Brasília/DF, que indeferiu sua impugnação ao auto de infração que lhe exige multas isoladas, relativas aos anos calendários de 1998 a 2.000. O processo mereceu o seguinte relato na decisão recorrida: "Contra a empresa acima identificada foi lavrado Auto de Infração - Multa Exigida Isoladamente, em virtude da falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada, decorrente de verificações obrigatórias, diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago, referente ao período de apuração compreendido entre os meses de janeiro/1998 a dezembro/2000. (fls. 21 a 27) O valor do crédito tributário apurado perfaz um total de R$ 337.631,10. (fls. 21) • A capitulação legal da autuação se encontra às folhas 24. A contribuinte impugna (fls. 325 a 347) o auto de infração constante do presente processo, alegando, em síntese, que: Preliminarmente, o auto é nulo porque fere o inciso III e IV do art. 10 do Decreto 70.235/1972, vez que o lançamento não traz de forma clara e detalhada os dados necessários à perfeita compreensão das causas de fato e de direito, do período, da dimensão da obrigação imputada ao contribuinte, inclusive não demonstra sobre qual base quantitativa incidiu a penalidade, constituindo em cerceamento de defesa. No mérito, não há hipótese de incidência do Imposto de Renda porque não há aquisição de disponibilidade de renda, acréscimo patrimonial, teve prejuízo. No caso da autuada, a apuração do Lucro Real é anual, pois fez opção pela estimativa, então só ocorre o fato gerador em 31 de dezembro. A única interpretação possível e conforme a Constituição para validar a exigência de antecipação mensal cuja incidência é anual é a seguinte: "É obrigatório o pagamento antecipado do IRPJ e da CSLL pelo contribuinte optante pelo regime do Lucro Real, somente quando este apurar, por meio • t balanços ou balanceten 2 • • .14 MINISTÉRIO DA FAZENDA ma k: :.-f tak iz(t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES J;tfq.-:5 TERCEIRA CÂMARA Processo n°. :10166.018280/2002-43 Acórdão n°. :103-21.920 mensais, resultado positivo (lucro) no período mensal considerado". Contrário senso, estaremos diante de uma cobrança ilegal e arbitrária. Conforme documentação anexada, verifica-se que todos os procedimentos exigidos para a suspensão e dispensa de recolhimento antecipado do IRPJ foram observados pela impugnante, inclusive com a escrituração dos balanços e balancetes no LALUR. O Conselho de Contribuintes e a Câmara Superior de Recursos Fiscais já decidiram que inexistindo imposto devido, desaparece a obrigatoriedade de se efetuar o recolhimento das parcelas de antecipação, uma vez que as mesmas representam uma antecipação do provável imposto a ser apurado no exercício • financeiro respectivo. Com efeito, a impugnante não pode ser compelida a recolher Multas Isoladas por suposta falta de recolhimento antecipado a título de IRPJ, vez que a obrigatoriedade desapareceu com a apuração de resultados negativos. No presente caso, a Impugnante apurou prejuízos fiscais nos anos de 1998, 1999 e 2000, portanto, a não antecipação se mostrou justificável e legal. Assim sendo, a obrigação principal não existiu, conseqüentemente, a multa do art. 44 da Lei 9.430/96 tomou-se indevida, por força do art. 167 do CTN, combinado com o art. 113. Por outro lado, a exigência de recolhimento aos cofres públicos de crédito tributário correspondente a Multa Isolada por falta de antecipação de pagamento de imposto que sabidamente não é devido, por sequer ter existido, configura-se verdadeiro confisco, viola o princípio da moralidade dos atos da Administração Pública e o da capacidade contributiva, como também promove e consagra o enriquecimento ilícito do Estado em detrimento aos direitos do contribuinte." Analisando as razões apresentadas na tempestiva impugnação a 28 Turma da DRJ em Brasília/DF proferiu o Acórdão DRJ/BSA N° 6.920, de 24 de julho de 2.003, que portou a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 31/01/1998 a 31/12/2000 Ementa: Nulidade - Cerceamento do Direito de Defesa Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura de ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração, sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de prova necessários à solução do litígio e a infração tá perfeitamente demonstrada e tipifica . 3 , e b. 4,=.:, MINISTÉRIO DA FAZENDA .,...-. i? PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES- • .1i-t.1; ;, ': A e TERCEIRA CÂMARA, -.. Processo n°. :10166.018280/200243 Acórdão n°. :103-21.920 Multa Exigida Isoladamente A falta de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido sobre base de cálculo estimada, por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, de acordo com as prescrições da legislação de regência, enseja a aplicação da multa de ofício isolada, de que trata o inciso IV do § 1 0 do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Ilegalidade e/ou Inconstitucionalidade A discussão sobre legalidade ou constitucionalidade das leis é matéria reservada ao Poder Judiciário. A autoridade administrativa compete constituir o crédito tributário pelo lançamento, sendo este vinculado e obrigatório sob pena de responsabilidade funcional. Lançamento Procedente" A irresignação do sujeito passivo veio com a petição de fls. 679/695, encaminhada a este colegiado mediante o arrolamento de bens, constante do processo n° 10166.000298/2004-51, como consta às fls. 700. is É o Relatório. 4 ____ _ • Ls.41-' MINISTÉRIO DA FAZENDA ts».,ite: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES llrn?› TERCEI RA CÂMARA Processo n°. :10166.018280/2002-43 Acórdão n°. :103-21.920 VOTO Conselheiro MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, Relator O recurso é tempestivo e, considerando o arrolamento de bens, deve ser conhecido. Conforme visto em relatório, não há discordância da recorrente quanto à tributação da diferença verificada entre os valores escriturados e os declarados. A questão central situa-se quanto à aplicação da multa isolada por falta de recolhimentos por estimativa, que será analisada após a questão preliminar apresentada. Essa preliminar refere-se à nulidade do auto de infração porquanto fere o inciso III e IV do art. 10 do Decreto 70.235/1972, vez que o lançamento não traz de forma clara e detalhada os dados necessários à perfeita compreensão das causas de fato e de direito, do período, da dimensão da obrigação imputada ao contribuinte, inclusive não demonstra sobre qual base quantitativa incidiu a penalidade, constituindo em cerceamento de defesa. Conforme bem decidiu a decisão recorrida, os autos claramente definem a hipótese de incidência, as bases de cálculo, o montante do tributo devido e os acréscimos legais em relação à matéria tributada, bem como perfeitamente define e enquadra a aplicação da multa isolada. Por esse motivo deve ser afastada essa preliminar. No mérito, a questão que se apresenta é relativa à multa isolada, visto que o sujeito passivo não questiona os tributos lançados, restringindo-se sua contrariedade à aplicação da multa aplicada isolada ente. 5 . • • • 4.• ‘4,. - - MINISTÉRIO DA FAZENDA !ki PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 401-11> TERCEI RA CÂMARA Processo n°. :10166.018280/2002-43 Acórdão n°. :103-21.920 Parcialmente assiste razão ao sujeito passivo. A multa isolada não pode ser aplicada concomitantemente com a multa por lançamento de oficio, em consonância com a reiterada jurisprudência deste colegiado. Ainda, tendo o sujeito passivo apresentado prejuízos fiscais nos anos calendários de 1998 e 1999, igualmente não se aplica à multa isolada, considerando que ao final do ano calendário não houve tributo a recolher. Não é o caso para a aplicação dessa multa para o ano calendário de 2.000, onde há resultados positivos e correta foi a exigência neste particular. Assim, deve ser mantida a multa isolada para o ano calendário de 2.000. Pelo exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito dar provimento parcial ao recurso para excluir a exigência da multa isolada referente aos anos calendários de 1998 e 1999. Sala das Sessões - DF, em 14 de abril de 2005 Mk AC ADO CALDEIRA' 6 Page 1 _0044100.PDF Page 1 _0044300.PDF Page 1 _0044500.PDF Page 1 _0044700.PDF Page 1 _0044900.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10166.100080/2005-86
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2006
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
Ementa: Ementa: MULTA POR ATRASO DIPJ
È devida a multa por atraso na entrega de declaração de rendimentos quando provado que sua entrega se deu após o prazo fixado na legislação.
Numero da decisão: 105-16.126
Decisão: ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Luís Alberto Bacelar Vidal
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CC01/CO5 Fls. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA NIEki PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n° 10166.100080/2005-86 Recurso n° 153.395 Voluntário Matéria IRPJ EX: 2002 Acórdão n° 105-16.126 Sessão de 08 de novembro de 2006 Recorrente INSTITUTO BRASILEIRO PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, SOCIAL E HUMANO Recorrida zta TURMA DA DRJ - BRASÍLIA (DF) Assunto: Imposto sobre a Renda de essoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002 Ementa: Ementa: MULTA POR ATRASO DIPJ È devida a multa por atraso na entrega de declaração de rendimentos quando provado que sua entrega se deu após o prazo fixado na legislação. Vistos, relatados e discutidos os Presentes autos de recurso interposto por INSTITUTO BRASILEIRO PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, SOCIAL E HUMANO ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto q - passam a integrar o presente julgado. / ), d .//59' 0 ` -LOVIS ALV S RESIDENTE L - : ' TO ir, ACEL V, I AL R /á TOR , Processo n.° 10166.100080/2005-86 CC01/CO5 Acórdão n.° 105-16.126 Fls. 2 FORMALIZANDO EM: 1 1 DEZ 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros DANIEL SAHAGOFF, CLAUDIA LÚCIA PIMENTEL MARTINS DA SILVA (Suplente Convocada), EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT, WIL N FERNANDES GUIMARÃES, IRINEU BIANCHI E JOSÉ CARLOS PASSUELLO. Processo n.° 10166.100080/2005-86 CC01/CO5 Acórdão n.° 105-16.126 Fls. 3 Relatório INSTITUTO BRASILEIRO PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, SOCIAL E HUMANO, já qualificada neste processo, recorre a este Colegiado, através da petição de fls. 18 da decisão prolatada às fls. 13/15, Pela 4 aTun-na de Julgamento da DRJ — BRASÍLIA (DF), que julgou procedente , Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, cientificado ao contribuinte em 27.06.2005 Consta do Auto de Infração, fls.04, que a contribuinte teria apresentado a DIPJ das empresa imunes e isentas, fora do prazo, com referência ao ano-calendário de 2001, exercício de 2002. Ciente do lançamento em 27.06.2005, a Fiscalizada apresentou impugnação ao auto de infração, fls. 01/03 A autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, conforme decisão n ° 17.494 de 27 de abril de 2006, cuja ementa reproduzo a seguir: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-Calendário: 2001 Ementa: MULTA NPOR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO — É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega da DIPJ na forma em que foi consignada no auto de infração, sendo inaplicável no caso o disposto no Art. 138 do Código Tributário Nacional. Lançamento Procedente. Ciente da decisão de primeira instância em 13.06.2006 a contribuinte interpôs tempestivo recurso voluntário em 05.07.2006 protocolo às fls. 18, onde apresenta, basicamente, as seguintes alegações: a) O artigo 138 do Código Tributário Nacional reza: "A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração...". Alega assim, que o artigo 138 não especifica quais os tipos de multa, mas somente exclui a multa pelo fato da espontaneidade. b) Requer seja ju gado improcedente o lançamento. É o Relatório. .. .. , Processo n.° 10166.100080/2005-86 CC01/CO5 Acórdão n.° 105-16.126 Fls. 4 Voto Conselheiro LUIS ALBERTO BACELAR VIDAL, Relator O recurso é tempestivo e está revestido de todas as formalidades exigidas para sua aceitabilidade, razão pela qual dele conheço. Quanto ao artigo 138 do Código Tributário Nacional, confon-ne veremos abaixo, não serve este para acobertar multas por descumprimento de obrigações acessórias, pois estas, autônomas que são, sem qualquer vinculo com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo referido artigo. Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Assim, está claro, tratar o referido artigo de tributo ou seja, da obrigação principal, estando de fora conseqüentemente as obrigações acessórias. À vista do acima exposto, e por tudo mais que consta dos autosJ voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. ,, Sala das Sessões, em 08 de novembro de 200617 1 LUIS À L" '' e :A' E77 1
score : 1.0
Numero do processo: 10166.006640/97-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2000
Ementa: COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS – A compensação não é obrigatória nem se opera automaticamente, dependendo de solicitação prévia do sujeito passivo.
EXCESSO DE REMUNERAÇÃO DE ADMINISTRADORES – É limitada a 50% do lucro real, a dedução da remuneração paga ou creditada a administradores em cada período-base, antes da compensação de prejuízos e de serem computados os valores das remunerações e acrescido dos valores das exclusões relativas ao lucro oriundo da exportação incentivada; de resultados não tributáveis de cooperativas e do lucro real correspondente à atividade rural.
Recurso negado.
Numero da decisão: 101-92977
Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Francisco de Assis Miranda
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ementa_s : COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS – A compensação não é obrigatória nem se opera automaticamente, dependendo de solicitação prévia do sujeito passivo. EXCESSO DE REMUNERAÇÃO DE ADMINISTRADORES – É limitada a 50% do lucro real, a dedução da remuneração paga ou creditada a administradores em cada período-base, antes da compensação de prejuízos e de serem computados os valores das remunerações e acrescido dos valores das exclusões relativas ao lucro oriundo da exportação incentivada; de resultados não tributáveis de cooperativas e do lucro real correspondente à atividade rural. Recurso negado.
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'N PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '1% PRIMEIRA CÂMARA Processo n.°. . 10166.006640/97-63 Recurso n.°. : 116.687 Matéria: : IRPJ — EX: DE 1992 Recorrente : TELECOMUNICAÇÕES DE BRASÍLIA S/A - TELEBRASILA Recorrida : DRJ em Brasília — DF. Sessão de : 22 de fevereiro de 2000 Acórdão n.°. : 101-92.977 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS — A compensação não é obrigatória nem se opera automaticamente, dependendo de solicitação prévia do sujeito passivo. EXCESSO DE REMUNERAÇÃO DE ADMINISTRADORES — É limitada a 50% do lucro real, a dedução da remuneração paga ou creditada a administradores em cada período-base, antes da compensação de prejuízos e de serem computados os valores das remunerações e acrescido dos valores das exclusões relativas ao lucro oriundo da exportação incentivada; de resultados não tributáveis de cooperativas e do lucro real correspondente à atividade rural. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por TELECOMUNICAÇÕES DE BRASÍLIA S/A — TELEBRASILA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado ON PE- .0:- ODRIGUES "RESIDENT Fi- LADS 2 Processo n.°. : 10166.006640/97-63 Acórdão n.°. : 101-92.977 74--- , 7( n,,,,_ _. FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA RELATOR ,/ FORMALIZADO EM: "I Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JEZER DE OLIVEIRA CÂNDIDO, KAZUKI SHIOBARA, SANDRA MARIA FARONI e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. Ausentes, justificadamente os Conselheiros RAUL PIMENTEL e CELSO ALVES FEITOSA. - LADS/ 3 Processo n.° : 10166.006640/97-63 Acórdão n.°. : 101-92.977 Recurso n.°. : 116.687 Recorrente : TELECOMUNICAÇÕES DE BRASÍLIA S/A TELEBRASILA RELATÓRIO TELECOMUNICAÇÕES DE BRASÍLIA S/A — TELEBRASILA, qualificada nos autos, foi alvo da ação fiscal a que alude o Auto de Infração de fls. 07/08, referente a fatos geradores ocorridos no ano-base de 1991, exercício financeiro de 1992 e em abril de 1993, onde foi imputada à empresa a prática das seguintes irregularidades: 1. Adições não computadas na apuração do lucro real-Excesso de remuneração de dirigentes (administradores) com base no limite relativo, não adicionado ao lucro líquido do período-base de 1991, exercício financeiro de 1992. Valor do excesso não adicionado: R$ 51.809.038,00. 2. Falta de recolhimento do Imposto de Renda declarado: recolhimento a menor referente ao fato gerador ocorrido em abril/93, em virtude de haver a empresa compensado o valor devido a pagar, com crédito referente à restituição do IRPJ do exercício financeiro de 1992, ano-base de 1991, compensação essa indevida, no montante de 816.396,15 UFIR. Sustenta a autuada na tempestiva Impugnação de fls. 59/67, que realmente ocorreu o excesso de remuneração em relação ao limite relativo aos Administradores, calculado pelo fisco às fls. 07, porém entende que somente deverá ser adicionado ao lucro líquido o valor de Cr$ 39.779.483,00 que corresponde ao valor de CR$ 51.809.038,00, excesso de limite relativo deduzido do valor de Cr$ 12.029.555,00, excesso já adicionado na Declaração do Imposto de Renda. A pretensão da Impugnante é que se recomponha o quadro 15 da DIRPJ do exercício financeiro correspondente ao da infração, exercício de 1992, conforme demonstra às fls. 61, o que daria o valor do Imposto a restituir declarado de LADS/ 4 Processo n.°. : 10166.006640/97-63 Acórdão n.°. : 101-92.977 816.396,15 UFIR, o que ensejaria o Imposto complementar a pagar de 14.346,65 UF1R, e não o valor do Auto de Infração de 27.904.44 UF1R, com os encargos legais (fls. 70/71), dentro do prazo de vencimento da intimação, a restituição do Imposto de Renda pago a maior pela mesma, no período em questão, voltaria a ser de 816.396,15 UFIR, conforme constou de sua Declaração IRPJ, e não 802.049,50 UFIR, no caso da correção por conta do ajuste do lucro líquido. No que se refere ao item 2 do Auto de Infração "Falta de Recolhimento do Imposto de Renda Declarado", assevera que a IN/SRF nr. 67/92, e a postura da fiscalização em autuar colidem com a legislação infra-constitucional vigente (art. 73 e 74 da Lei nr. 9.430/96), que deve ser aplicada à presente situação, à luz do que dispõe o art. 106 do CTN. Informa que promovera a compensação que lhe interessava, porém fez a comunicação ao fisco, que silenciou-se, o que implica em anuência' tácita, aduzindo que todo o procedimento calcado no art. 165 do CTN, que confere o direito à restituição, e no art. 170 do mesmo diploma que trata da compensação. Pela decisão de fls. 85/91, o julgador monocrático, deferiu em parte a impugnação para reconhecer que assiste razão ao contribuinte deduzir do valor de Cr$ 51.809.038,00 o valor de Cr$ 12.029.555,00 (excesso já adicionado na Declaração do Imposto de Renda). Quanto à recomposição do imposto apurado no quadro 15 da DIRPJ, considerou a pretensão descabida, porque eqüivaleria a se utilizar crédito (imposto a restituir) para pagamento de débito decorrente de lançamento de ofício, ainda que da mesma espécie, o que deverá ser solicitado à DRF ou IRFA do domicílio fiscal do contribuinte (art. 16 da IN SRF nr. 21/97) c,/c art. 1° da Portaria SRF nr. 4.980, de 04. 10.94. LADS/ 5 Processo n.° : 10166.006640197-63 Acórdão n.°. : 101-92.977 Relativamente ao item 2 do Auto "Falta de Recolhimento do Imposto de Renda Declarado", a decisão monocrática foi no sentido de que a compensação de créditos para pagamento de débito decorrente de lançamento de ofício, ainda que da mesma espécie, deverá ser previamente solicitada à DRF ou IRF-A do domicílio fiscal do contribuinte. Assim, já estado constituído o lançamento de ofício, já que a compensação indevida se consumara antes da edição da lei 9.430/96, e sem que o contribuinte houvesse requerido a compensação antes do procedimento do fisco e autorizado para tal fosse, agora só resta para a autuada, querendo, pedir a compensação do referido crédito com débito decorrente do lançamento de ofício, o que deverá ser solicitado à DRF em Brasília a quem compete apreciar os processos administrativos relativos à restituição, compensação ressarcimento, imunidade, suspensão, isenção e redução de tributos e contribuições administrados pela SRF. Pelo seu inconformismo, a interessada ingressou com o Recurso de fls. 96/108, lido em plenário. É o Relatório. LADS/ 6 Processo n.°. : 10166 006640/97-63 Acórdão n.°. : 101-92.977 VOTO Conselheiro FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, Relator O recurso é tempestivo. Dele conheço. No tocante ao primeiro item do Auto de Infração a decisão de 1° grau não merece reparos, na medida em que reconheceu que assiste razão ao contribuinte em deduzir do valor de Cr$ 51.809.038,00, o valor de Cr$ 12.029.555,00, correspondente ao excesso já adicionado na DIRPJ apresentada. Relativamente à recomposição do imposto apurado no quadro 15 da DIRPJ, realmente não encontra amparo legal a pretensão da Recorrente, porque, se aceita, estaria admitida a utilização de crédito (imposto a restituir), para pagamento de débito decorrente de lançamento de ofício, o que, em nenhum a hipótese prescinde de aprovação prévia da DRF. Quanto a falta de recolhimento do Imposto de Renda declarado (recolhimento a menor, fato gerador de abril/93), a pretensão da recorrente é no sentido de que seja aplicado retroativamente o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nr. 9.430/96, por força da regra contida no art. 106 do CTN. Releva notar que a IN SRF nr. 21, de 10.03.97, ao dispor sobre o assunto, realmente não vedou a compensação de créditos relativos ao imposto de renda, pessoa jurídica apurado em declaração de rendimentos, sujeitos à restituição automática, porém essa compensação de créditos para pagamento de débito decorrente de lançamento de ofício, ainda que da mesma espécie deverá ser previamente solicitada à DRF do domicílio fiscal do contribuinte. Nessas condições, razão assiste à decisão recorrida quando assevera que "já estando constituído o lançamento de ofício, já que a compensação indevida se consumara antes da edição da Lei nr. 9.430/96, e sem que o contribuinte houvesse LADS/ 7 Processo n °. : 10166.006640/97-63 Acórdão n.°. : 101-92.977 requerido a compensação do referido crédito com o débito decorrente do lançamento de ofício." Na esteira dessas considerações, voto pela negativa de provimento do recurso. Sala das Sessões - DF, em 22 e fevereiro de 2000 FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA LADS/ , 8 Processo n.°. . 10166.006640/97-63 Acórdão n.°. : 101-92.977 INTIMAÇÃO Fica o Senhor Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho de Contribuintes, intimado da decisão consubstanciada no Acórdão supra, nos termos do parágrafo 2°, do artigo 44, do Regimento Interno, aprovado pela Portaria Ministerial n.° 55, de 16 de março de 1998 (D.O.U. de 17/03198). Brasília-DF, em 1 (,,? ) ,---,----------fe."-- ___-zEisd----- ISON PE -. .":--- ODRIGUES PR- SIDENTE , Ciente em 3 1 ,..) iLy / , R eno , /1 j e: • -7A- El - á DE MELLO PROC )27/ RADOR ':'• Á FAZENDA NACIONAL LADS/ Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10120.004866/97-10
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2002
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não resta configurado o cerceio de defesa quando a descrição dos fatos do lançamento de ofício aponta corretamente a infração imputada, detalha a base de cálculo, a alíquota aplicada, o percentual da multa de ofício, o montante dos juros moratórios e indica os dipositivos legais que dão suporte à exação fiscal. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de inconstitucionalidade das normas tributários, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. COFINS. MULTA DE OFÍCIO. É cabível a exigência, no lançamento de ofício, de multa de ofício de 75% do valor da contribuição que deixou de ser recolhida pelo sujeito passivo. Recurso negado.
Numero da decisão: 202-13706
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 10120.004866/97-10 Recurso n° : 109.637 Acórdão n° : 202-13.706 Recorrente : EXPRESSO SÃO LUIZ LTDA. Recorrida : DRJ em Brasília - DF NORMAS PROCESSUAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não resta configurado o cerceio de defesa quando a descrição dos fatos do lançamento de oficio aponta corretamente a infração imputada, detalha a base de cálculo, a alíquota aplicada, o percentual da multa de oficio, o montante dos juros moratorios e indica os dispositivos legais que dão suporte à exação fiscal. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. COFINS. MULTA DE OFICIO. E cabível a exigência, no lançamento de oficio, de multa de oficio de 75% do valor da contribuição que deixou de ser recolhida pelo sujeito passivo. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: EXPRESSO SÃO LUIZ LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 16 de abril de 2002 "Henfique Pinheiro Torres - Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro, Eduardo da Rocha Schmidt, Adolfo Montelo, Gustavo Kelly Alencar, Raimar da Silva Aguiar, Ana Neyle Olímpio Holanda e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. lao/cf 1 r CC-NIF, Ministério da Fazenda Fl."I•tr , 4. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 10120.004866/97-10 Recurso n° : 109.637 Acórdão n° : 202-13.706 Recorrente : EXPRESSO SÃO LU IZ LTDA. RELATÓRIO Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em decorrência da falta de recolhimento da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS, referente ao período de apuração compreendido entre 06/1995 e 10/1997 (fls. 01/03). Enquadramento legal: artigos 1°, 2°, 3 0, 4° e 5°, da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991. Inconformada, a interessada apresentou a tempestiva Impugnação de fls. 27/30, alegando em síntese o seguinte: a) preliminarmente, requer a nulidade do auto de infração, por não conter descrição expressa e precisa dos dispositivos legais que o autorizam; e b) não havendo prova de fraude ou sonegação fiscal por parte da contribuinte, a multa de 75% sobre o valor da contribuição assume caráter confiscatório, ferindo, assim, o artigo 150, IV, da CF/88. Da análise dos elementos constitutivos dos autos, a autoridade monocrática julgou procedente a ação fiscal, nos termos da Decisão de fls. 35/41, cuja ementa se transcreve: "CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFIIVS NULIDADE - Não há que se falar de nulidade quando a exigência fiscal sustenta-se em processo instruído com todas as peças indispensáveis e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender, e o auto e termos, bem como os despachos e as decisões são proferidos por pessoa competente ou sem preterição do direito de defesa. FALTA DE RECOLHIMENTO - A falta de recolhimento da contribuição no período alcançado pelo auto de infração enseja lançamento de ofício, nos termos do RIR/94. 2 20 CC-NIF Q.':çjÇ Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Fl. 441,..14)`: Processo n° : 10120.004866/97-10 Recurso n° : 109.637 Acórdão n° : 202-13.706 MULTA CONFISCATÓRIA - A vedação do confisco, garantia constitucional, se aplica a tributos, mas não a multas. De qualquer forma, cabe apenas ao Judiciário se pronunciar sobre o caráter confiscatário da exigência. LANÇAMENTO PROCEDENTE." Em tempo hábil, a interessada recorre a este Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 46/49), reiterando os argumentos expendidos na peça impugnatória. Caso a nulidade pleiteada não seja aceita, requer, pelo principio da eqüidade, a redução da multa de oficio em 98%. Consta dos autos, às fls. 55/56, cópia xerogràfica de liminar concedida em mandado de segurança impetrado pela contribuinte para fins de admissibilidade do recurso voluntário, independentemente do depósito prévio de 30% do valor do crédito tributário exigido. Contra-Razões da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, às fls. 59/64. ,4' É o relatório. 3 r CC-MF Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Fl. c& O Processo n° : 10120.004866/97-10 Recurso n° : 109.637 Acórdão n° : 202-13.706 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR HENRIQUE PINHEIRO TORRES O Recurso é tempestivo e subiu respaldado em medida judicial que liberou a reclamante do depósito recursal previsto no § 2° do art. 33 do Decreto 70.235/1972. Diante dessas razões, passo a examiná-lo. Versa o presente processo sobre lançamento de oficio efetuado pela Delegacia da Receita Federal de Goiânia - GO para constituir o crédito referente à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS que a autuada teria deixado de recolher no período compreendido entre os meses de junho de 1995 e outubro de 1997. A reclamante, em sede de recurso, argúi, em preliminar, a nulidade do feito fiscal, por entender que o auto de infração conteria vício insanável — falta de informação e fundamentação relacionadas ao motivo que gerou a notificação, e fundamentação genérica do lançamento — que lhe impediria exercer plenamente o sagrado direito de defesa. Em vencida a preliminar, no mérito, a recorrente pede a redução da multa de oficio de 75% para 2%, porquanto o percentual fixado no auto de infração seria confiscastório e, com isso, vulneraria o inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Como bem anotado na decisão recorrida, à autoridade administrativa não compete a apreciação da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, mas, para que não se alegue desinteresse ao debate, serão tecidos breves comentários para demonstrar ser desprovida de razão a tese da defesa. A solução da presente lide é por demais singela, uma vez restringir-se apenas a duas questões básicas: nulidade do auto de infração por inquinado de vicio insanável e a multa imposta seria de natureza confiscatória. Antes de iniciar os debates, faz-se necessário esclarecer que o lançamento tributário é o ato jurídico—administrativo vinculado e obrigatório, mediante o qual se declara o acontecimento do fato jurídico tributário, identifica-se o sujeito passivo da obrigação correspondente, determina-se a base de cálculo e a aliquota aplicável, formaliza-se o crédito e se estipula os termos da sua exigibilidade. Além disso, deve obedecer aos requisitos do artigo 10 do Decreto n°70.235/1972. Aliás, uma das discórdias da defesa é justamente quanto à suposta não observância, por parte da Fiscalização, do disposto nos incisos III e IV desse artigo. 4" 4 22 CC—MF or.-Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes 21- Processo n° : 10120.004866/97-10 Recurso n° : 109.637 Acórdão n° : 202-13.706 Segundo a defendente: " ... a notificação deve, obrigatoriamente, sob pena de NULIDADE, descrever circunstanciadamente de forma precisa, clara e expressa o dispositivo legal que autoriza e embasa o procedimento do Autuante, já que, sendo o auto de infração um ato administrativo sempre REGRADO E VINCULADO, e que para merecer VALIDADE e EFICÁCIA JURÍDICA deve preencher os requisitos-condição que lhe dão embasamento e suporte. (...) o auto de infração além de conter distorção na interpretação da legislação que autoriza, está eivado de nulidades que ferem o principio da reserva legal e do amplitude da defesa, face a sua fundamentação genérica, como demonstrado nos termos da fundamentação acima aduzida." Examinando os autos, verifica-se a improcedência dos argumentos de defesa, porquanto a exigência fiscal fora efetuada com total observância dos requesitos legais e, ao contrário do que pretende fazer crer a reclamante, a infração foi corretamente aeontada na descrição dos fatos: "FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇAO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL;" os valores tributáveis foram demonstrados, mês a mês, como se vê à fl. 02 (a base de cálculo utilizada foi exatamente a informada à fiscalização pela contribuinte, Documentos de fls. 19 e 20); consta ainda da autuação a aliquota da contribuição, o montante devido, o valor recolhido e a diferença lançada, além do percentual da multa aplicada e os juros incidentes. Foram também informados no auto de infração os dispositivos legais referentes ao principal e, também, aos juros de mora e à multa de oficio. Dai, poder-se concluir que a exação fiscal encontra-se perfeitamente fundamentada. Diante disso, não há como imputar vicio de cerceio de defesa ao lançamento de oficio, pois dele constaram todas as informações necessárias ao entendimento da autuação. Além do que, o auto de infração preencheu, um a um, os requisitos previstos na legislação de regência. Por essas razões, entendo não merecer acolhida a preliminar de nulidade do lançamento argüida pela recorrente. Por outro lado, não se pode olvidar ser o lançamento tributário atividade administrativa plenamente vinculada e obrigatória, o que restringe o proceder da autoridade fiscal aos estreitos termos da lei. Por conseguinte, não fica ao alvedrio dos agentes do Fisco estipular o percentual da multa de oficio a ser exigida do sujeito passivo, pois a própria lei já a especifica. No caso presente, a penalidade foi calculada no percentual de 75% do valor da contribuição não recolhida, por determinação do inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/1996 que alterou o inciso I do art. 4° da Lei n°8.218/1991. Dessa feita, como a incidência da multa e o seu percentual decorrem de expressa disposição legal, não poderia a autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade 5 • "Ca?. Ministério da Fazenda 29 CC-MF Fl. rrj:11:4 Segundo Conselho de Contribuintes (Roi Processo n° : 10120.004866/97-10 Recurso n° : 109.637 Acórdão n° : 202-13.706 administrativa, fixar novo critério para formalização do crédito tributário inadimplido. Cumpre- se notar que a Fiscalização seguiu a legislação de regência à época em que foi constituído o crédito fiscal, não foi além nem aquém do fixado na lei. Em relação aos argumentos da recorrente de que a multa de 75%, constante do auto de infração, seria confiscatória, não serão aqui debatidos por não ser o contencioso administrativo o foro próprio e adequado para discussão dessa natureza, vez que a discussão passaria, necessariamente, por um juizo de constitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, matéria esta de exclusiva competência do Poder Judiciário. De fato, os mecanismos de controle da constitucionalidade das leis estão regulados na própria Constituição Federal, todos passando necessariamente pelo Poder Judiciário, que detém com exclusividade essa prerrogativa, conforme se infere dos artigos 97 a 102 da Carta Magna. Corroborando essa orientação, cabe lembrar o conteúdo do Parecer Normativo CST n° 329/70 (DOU de 21/10/70), que cita o seguinte ensinamento do Mestre Ruy Barbosa Nogueira: "Devemos distinguir o exercício da administração ativa da judicante. No exercício da administração ativa o fincionário não pode negar aplicação à lei, sob mera alegação de inconstitucionalidade, em primeiro lugar por que não lhe cabe a função de julgar, mas de cumprir e, em segundo, porque a sanção presidencial afastou do funcionário de administração ativa o exercício do Poder Executivo". Esse parecer também se arrimou em Tito Resende: "É principio assente, e com muito sólido fiindamento lógico, o de que os órgãos administrativos em geral não podem negar aplicação a uma lei ou decreto, porque lhes pareça inconstitucional. A presunção natural é que o Legislativo, ao estudar o projeto de lei, ou o Executivo, antes de baixar o decreto, tenham examinado a questão da constitucionalidade e chegado à conclusão de não haver choque com a Constituição: só o Poder Judiciário é que não está adstrito a essa presunção e pode examinar novamente aquela questão." Ainda sobre o tema, o Parecer COSIT/DITIR n° 650, de 28/05/1993, da Coordenação-Geral do Sistema de Tributação, em processo de Consulta, assim dispôs: "5.1 — De fato, se todos os Poderes têm a missão de guardiões da Constituição e não apenas o Judiciário e a todos é de rigor cumpri-la, mencione-se que o 6 r CC-MF Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes ghAR„,÷,.-3 Processo n° : 10120.004866/97-10 Recurso n° : 109.637 Acórdão n° : 202-13.706 Poder Legislativo, em cumprimento a sua responsabilidade, anteriormente à aprovação de uma Lei, a submete à Comissão de Constituição e Justiça (C.F., art. 58), para salvaguarda de seus aspectos de constitucionalidade e/ou adequação à legislação complementar Igualmente, o Poder Executivo, antes de sancioná-la, através de seu órgão técnico, Consultoria-Geral da República, aprecia os mesmos aspectos de constitucionalidade e conformação à legislação complementar Nessa linha seqüencial, o Poder Legislativo, ao aprovar determinada lei, e o Poder Executivo, ao sancioná-la, ultrapassam em seus âmbitos, nos respectivos atos, a barreira da sua constitucionalidade ou de sua harmonização à legislação complementar Somente a outro Poder, independente daqueles, caberia tal argüição. 5.2 — Em reforço ao exposto, veja-se a diferença entre o controle judiciário e a verificação de inconstitucionalidade de outros Poderes: como ensina o Professor José Frederico Marques, citado pela requerente, se o primeiro é definitivo Ide et nunc, a segunda está sujeita ao exame posterior pelas Cortes de Justiça. Assim, mesmo ultrapassada a barreira da constitucionalidade da Lei na órbita dos Poderes Legislativos e Executivo, como mencionado, chega- se, de novo, em etapa posterior, ao controle judicial de sua constitucionalidade. 5.3 - (...) Pois, se ao Poder Executivo compete também o encargo de guardião da Constituição, o exame da constitucionalidade das leis, em sua órbita, é privativo do Presidente da República ou do Procurador-Geral da República (C.F., artigos 66, § 1°e 103, I, d VI)." Diante do exposto, seria estéril qualquer discussão na esfera administrativa sobre esse tema. Posto isso, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 16 de abril de 2002 .4,tt oeur As-”Crefolp PINHEIRO TORRES 7
score : 1.0
Numero do processo: 10240.000933/95-90
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 1998
Ementa: NOTAS FISCAIS CALÇADAS - OMISSÃO DE RECEITAS - Comprovada a emissão de notas fiscais calçadas, com valor inferior ao indicado nas primeiras vias em poder do destinatário, configurada resta a omissão de receita praticada com evidente intuito de fraude.
FINSOCIAL/FATURAMENTO - DECORRÊNCIA - Aplicável o decidido no processo principal no que tange a matéria fática.
IRRF - CONTRIBUIÇÃO SOCIAL S/ O LUCRO - CONTRIBUIÇÃO PARA COFINS - Tratando-se de tributação reflexa, o julgamento da matéria contida no Auto de Infração relativo ao IRPJ, faz coisa julgada no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito.
MULTA DE 300% PREVISTA NA LEI 8.218/91 - redução para 150% - Tendo a Lei 9.430/96 cominado penalidades menos severas para as mesmas infrações, aplica-se retroativamente, nos termos do art. 106-lI, "c" do Código Tributário Nacional.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 101-92253
Decisão: por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar do cerceamento de defesa e dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa para 150%.
Nome do relator: Francisco de Assis Miranda
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ementa_s : NOTAS FISCAIS CALÇADAS - OMISSÃO DE RECEITAS - Comprovada a emissão de notas fiscais calçadas, com valor inferior ao indicado nas primeiras vias em poder do destinatário, configurada resta a omissão de receita praticada com evidente intuito de fraude. FINSOCIAL/FATURAMENTO - DECORRÊNCIA - Aplicável o decidido no processo principal no que tange a matéria fática. IRRF - CONTRIBUIÇÃO SOCIAL S/ O LUCRO - CONTRIBUIÇÃO PARA COFINS - Tratando-se de tributação reflexa, o julgamento da matéria contida no Auto de Infração relativo ao IRPJ, faz coisa julgada no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito. MULTA DE 300% PREVISTA NA LEI 8.218/91 - redução para 150% - Tendo a Lei 9.430/96 cominado penalidades menos severas para as mesmas infrações, aplica-se retroativamente, nos termos do art. 106-lI, "c" do Código Tributário Nacional. Recurso parcialmente provido.
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Recorrida : DRJ em Manaus — AM. Sessão de : 19 de agosto de 1998 Acórdão n.°. : 101-92.253 NOTAS FISCAIS CALÇADAS — OMISSÃO DE RECEITAS — Comprovada a emissão de notas fiscais calçadas, com valor inferior ao indicado nas primeiras vias em poder do destinatário, configurada resta a omissão de receita praticada com evidente intuito de fraude. FINSOCIAL/FATURAMENTO — DECORRÊNCIA — Aplicável o decidido no processo principal no que tange a matéria fática. IRRF — CONTRIBUIÇÃO SOCIAL S/ O LUCRO — CONTRIBUIÇÃO PARA COFINS — Tratando-se de tributação reflexa, o julgamento da matéria contida no Auto de Infração relativo ao IRPJ, faz coisa julgada no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito. MULTA DE 300% PREVISTA NA LEI 8.218/91 — redução para 150% - Tendo a Lei 9.430/96 cominado penalidades menos severas para as mesmas infrações, aplica-se retroativamente, nos termos do art. 106-11, "c" do Código Tributário Nacional. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SELIMCON - SERVIÇOS DE LIMPEZA E CONSERVAÇÃO LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar do LADS Processo n.°. : 10240.000933/95-90 2 Acórdão n.°. : 101-92.253 cerceamento de defesa e DAR provimento parcial ao recurso para reduzir a multa para 150%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. EB ON PEREI- à OD- - - -RESIDENTE _ FRANCISCO DE ASSIS M NDA RELATOR FORMALIZADO EM: Q 5 OUT 1998 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JEZER DE OLIVEIRA CÂNDIDO, KAZUKI SHIOBARA, RAUL PIMENTEL, SANDRA MARIA FARONI, CELSO ALVES FEITOSA e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. LADS/ Processo n.°. : 10240.000933/95-90 3 Acórdão n.°. : 101-92.253 Recurso n.°. : 114.882 Recorrente : SELIMCON - SERVIÇOS DE LIMPEZA E CONSERVAÇÃO LTDA. RELATÓRIO SELIMCON — SERVIÇOS DE LIMPEZA E CONSERVAÇÃO LTDA., qualificada nos autos, foi alvo da ação fiscal a que aludem os Autos de Infração de fls. 04/25; 26/35; 36/41; 42/48; 49/56 e 57/66, relativos ao IRPJ; PIS/RECEITA OPERAÇÃO; FINSOCIAL/FATURAMENTO; CONTRIBUIÇÃO P/ A SEGURIDADE SOCIAL — COFINS; IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE e CONTRIBUIÇÃO SOCIAL s/ o LUCRO, respectivamente, em virtude de haver apurado a fiscalização que nos períodos de agosto/91 a dezembro/91; janeiro/92 a dezembro/92; janeiro/93 a dezembro/93; janeiro/94 a agosto/94, omitiu receitas, ante a falta ou insuficiência de contabilização, detectada no confronto entre as vias das notas fiscais nos blocos (3 a e 4a), e as vias destinadas aos compradores dos serviços ( 1 a e 23), posto que as notas fiscais apresentavam valores diferentes nas respectivas vias. Nas impugnações interpostas contra a exigência do recolhimento dos créditos tributários quantificados nos autos, a interessada argüiu a preliminar de cerceamento do direito de defesa, eis que não teve acesso aos autos, o que impossibilitou o exame da documentação ali acostada, sendo que as notas fiscais que motivaram autuação não lhe foram devolvidas o que impossibilitou a defesa quanto ao mérito, principalmente porque o processo, na data da impugnação encontrava-se em trânsito com destino a Ji-Paraná. Quanto ao mérito aponta equívoco no enquadramento legal da infração. Sustenta que não houve sonegação, fraude ou conluio, de modo a justificar a aplicação da multa de 300%, prevista no art. 4 0, inciso II da Lei nr. 8.218/91. z LADS/ Processo n.°. : 10240.000933/95-90 4 Acórdão n.°. : 101-92.253 No que concerne à tributação reflexa, desenvolve a mesma argumentação. Arremata pedindo seja decretada a nulidade dos Autos de Infração lavrados. Pela decisão de fls. 855/867, o julgador singular decidiu-se pela procedência da ação fiscal, revendo de ofício o lançamento referente ao PIS/Receita Operacional na forma da orientação contida no Parecer MF/SRF/COSIT/DIPAC 156196. Segue-se o tempestivo recurso de fls. onde é reproduzida a mesma argumentação desenvolvida na fase impugnatória. É o Relatório. çA LADS/ Processo n.°. : 10240.000933/95-90 5 Acórdão n.°. : 101-92.253 VOTO Conselheiro FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, Relator O recurso é tempestivo. Dele conheço. A preliminar de cerceamento do direito de defesa reiterada no recurso, é de ser repelida, por isso que, regularmente cientificada do lançamento em 29.05.95, apresentou impugnação em28.06.95, dentro, portanto, do prazo de trinta dias. Por outro lado, sendo o domicílio da ora recorrente em Ji-Paraná, o processo fiscal aí deveria correr, como aconteceu, não constando dos autos qualquer prova de que foi negado vista do processo. Quanto ao mérito, levando-se em consideração que a receita bruta de serviços compreende o preço dos serviços prestados; que o lucro bruto é o resultado da venda de serviços objeto da pessoa jurídica; que na determinação do lucro real serão adicionados ao lucro líquido os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido, que devam ser computados na determinação do lucro real, não resta a menor dúvida de que a partir do momento em que a empresa emite notas fiscais calçadas, de forma que as vias que devam permanecer nos blocos estejam com valores bem inferiores ao real valor dos serviços prestados, constantes das primeira e Segunda vias entregues aos clientes, resta inequivocamente escancarada a infração aos dispositivos regulamentares apontados, por indevidamente diminuída a receita auferida, com reflexo na apuração do lucro sujeito à incidência do imposto. LADS/ Processo n.°. : 10240.000933/95-90 6 Acórdão n.°. : 101-92.253 Com efeito, a volumosa prova trazida à colação (documentos de fls. 221/697), não deixa dúvidas de que houve realmente o calçamento das notas fiscais relacionadas às fls. 82/88. E se assim o é, a omissão de receita encontra-se devidamente demonstrada. No tocante a mi/g de 300% aplicada, prevista no art. 4 0, inciso II da Lei nr. 8.218, embora tenha sido comprovado o evidente intuito de fraude, justificando a sua aplicação, deve a mesma ser reduzida para 150%, por força da Lei nr. 9.430/96, que cominando penalidade menos severa para as mesmas infrações, aplica-se retroativamente, nos termos do art. 160, II, "c" do CTN. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA Auto de Infração relativo ao IRRF: Referido Auto é concernente a fatos geradores ocorridos de 01/93 a 08/94, sendo enquadrada a infração no art. 44 da Lei nr. 8.541/92 que entrou em vigor em 01.01.93 e no art. 30 da Medida Provisória nr. 492/94. Tratando-se de tributação reflexa, o que for decidido em relação ao IRPJ, aqui se aplica, ante o nexo causal existente. Auto de Infração relativo ao PIS/RECEITA OPERACIONAL: O lançamento desta contribuição foi revisto de ofício, conforme orientação contida no Parecer MF/SRF/COSIT/DIPAC 156/88 e 2.449/88, julgados inconstitucionais pela Suprema Corte. Auto de Infração relativo ao FINSOCIAUFATURAMENTO: LADS/ Processo n.°. : 10240.000933/95-90 7 Acórdão n.°. : 101-92.253 Referido Auto envolve fatos geradores ocorridos em 12/91, 01/92; 02/92 e 03/92, sendo que o coeficiente aplicado foi o de 2,00 (dois por cento) (fls. 39). Por se tratar de uma decorrência, é de se aplicar o decidido em relação ao Auto de Infração relativo ao IRPJ. Auto de Infração relativo à CONTRIBUIÇÃO P/ A SEGURIDADE SOCIAL — CONFINS: Esta contribuição incidiu sobre fatos geradores ocorridos no período de abril/92 a agosto/94, sendo a exigência enquadrada nos arts. 1 a 5 da Lei Complementar nr. 70/91. Também aqui, por se tratar de tributação reflexa, há de se aplicar o que foi decidido em relação ao IRPJ, ante o nexo causal existente. Auto de Infração relativo à CONTRIBUICÃO SOCIAL S/ O LUCRO: A contribuição em questão, incidiu sobre fatos geradores ocorridos no período de janeiro/92 a agosto/94. Enquadramento Legal: art. 20 • e seus parágrafos da Lei 7.689/88 e arts. 38 e 39 da Lei nr. 8.541/92. Por igual, aplica-se aqui o princípio da decorrência isto é, o que foi decidido em relação ao IRPJ, ante o nexo causal existente. Por todo o exposto, voto pelo não acolhimento da preliminar de cerceamento do direito de defesa e quanto ao mérito, pelo provimento parcial do recurso, para reduzir a multa de 300%, prevista na Lei nr. 8.218/91, para 150% LADS/ Processo n.°. : 10240.000933/95-90 8 Acórdão n.°. : 101-92.253 prevista na Lei nr. 9.430/96, que cominou penalidade menos severa para as mesmas infrações (aplicação retroativa nos termos do art. 106, II "c" do CTN). Sala das Sessões - DF, em 19 de agosto de 1998 leo MO . FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA i , , , I , , 1 , 1 , , , 1 I LADS/ - , Processo n.°. : 10240.000933/95-90 9 Acórdão n.°. : 101-92.253 , INTIMAÇÃO 1 1 l Fica o Senhor Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho de Contribuintes, intimado da decisão consubstanciada no Acórdão I i supra, nos termos do parágrafo 2°, do artigo 44, do Regimento Interno, aprovado pela Portaria Ministerial n.° 55, de 16 de março de 1998 (D.O.U. de 17/03/98). 1 Brasília-DF, em O 5 OUT 1998 ...------ Epr ON PEREI • -ODRIGUES rse.-- PRESIDENTE ; , Ciente em O g OUT '44/4 - y / I 7 //I i I 1 4 ri P, t ii ar E IN' il E MELLO PRO URADO7 D FAZENDA NACIONAL l LADS/ 1 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10235.000857/2004-61
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001
DEPÓSITO BANCÁRIO - QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO - VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO - INFORMAÇÕES BANCÁRIAS - Lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial.
PAF - NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na impugnação.
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Matéria já assente na CSRF.
Preliminares rejeitadas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 104-23.131
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Heloísa Guarita Souza
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000, 2001 DEPÓSITO BANCÁRIO - QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO - VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO - INFORMAÇÕES BANCÁRIAS - Lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. PAF - NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na impugnação. IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Matéria já assente na CSRF. Preliminares rejeitadas. Recurso negado.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA _.,-..z.t\W PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES44* QUARTA CÂMARA Processo n° 10235.000857/2004-61 Recurso n° 156.270 Voluntário Matéria IRPF Acórdão n° 104-23.131 Sessão de 23 de abril de 2008 Recorrente PAULO ALMICAS COSTA DA SILVA Recorrida 2' TURMA/DRJ-BELÉM/PA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000, 2001 DEPÓSITO BANCÁRIO - QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO - VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO - INFORMAÇÕES BANCÁRIAS - Lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n°. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. PAF - NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na impugnação. IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Matéria já assente na CSRF. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PAULO ALMICAS COSTA DA SILVA. (y-k_ 9 Processo n° 10235.000857/2004-61 CCO I /CO4 Acórdão n.° 104-23.131 Fls. 2 ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. fq_kka, ji»4_ /eRffAHELENA COTTA CARtfr Presidente / • 110 ' •at... H LOÍSA GUI:at ITA SOU A C) • Relatora FORMALIZADO EM: 06 j u N; 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nelson Mallmann, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Antonio Lopo Martinez, Renato Coelho Borelli (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad. 2 Processo n° 10235.00085712004-61 CCO 1/C04 Acórdão n.° 104-23.131 Fls. 3 Relatório Trata-se de auto de infração (fls. 03/12) lavrado contra o contribuinte PAULO ALMICAS COSTA DA SILVA, CPF/MF n° 016.899.832-72, para exigir crédito tributário de IRPF, no valor total de R$ 579.630,18, em 16.11.2004, por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, nos anos-calendários de 1999 e 2000, exercícios de 2000 e 2001. Na "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" (fls. 08/09), da própria peça básica, estão indicados todos os procedimentos de fiscalização levados e efeito e narrada a falta de justificativas do contribuinte em relação aos depósitos autuados. Pessoalmente intimado, em 17.11.2004 (fls. 07), o contribuinte apresentou sua impugnação em 16.12.2004 (fls. 61/69), acompanhada dos documentos de fls. 70/79, cujos principais argumentos estão fielmente sintetizados pelo relatório do acórdão de primeira instância, o qual adoto, nessa parte (fls. 88/89): "a) entende que o sigilo bancário somente poderia ter sido quebrado por determinação judicial, o que não foi observado no presente processo; b) meros depósitos bancários não constituem fato gerador do IRPF; c) é proprietário da firma individual Paulo Amilcas C. Silva — ME, CNPJ 84.420.835/0001-90, empresa de onde se originaram os valores dos depósitos; d) a mera transferência de valores de uma conta para outra do mesmo titular, não pode ser considerada como receita omitida, conforme § 30 do art. 42 da Lei n" 9.430, de 1996; e) os extratos bancários de fls. 70/72 demonstram que em outubro de 1999 foi debitado o cheque da firma individual Paulo Amilcas C. Silva — ME (Supermercado Sorriso), conta corrente n° 9.900-7 do Banco Bradesco, no valor de R$ 400.000,00 e creditado (depósito) na conta corrente da pessoa física junto ao Banco do Brasil S.A., conta n° 8.111- 6; I) no mês de março de 2000, o valor de R$ 124.000,00 também pertence à sua firma individual, estando ainda investigando se o depósito foi feito mediante cheque da firma individual ou em espécie; g) não foi possível identificar o depósito de R$ 137.500,00, não podendo prevalecer o lançamento correspondente; h) com relação ao valor de R$ 200.000,27, também é originário do faturamento da sua empresa e ainda está investigando se tal depósito foi feito em cheque ou dinheiro; thi) 3 Processo n°10235.000857/2004-61 ccouco4 Acórdão n.° 104-23.131 Fls. 4 i) em suma, os depósitos indicados são valores transferidos da conta corrente da pessoa jurídica para pessoa física, sendo oriundos de lucro já tributado na pessoa jurídica; j) no caso de firma individual, a pessoa física, via de regra, confunde- se com a pessoa jurídica; li) por conta de greve bancária, não pode apresentar os documentos que comprovassem a origem dos recursos; tampouco, foi possível neste momento, dada a exigüidade do prazo para apresentação da impugnação. 1) junta demonstrativo do faturamento bruto de sua firma individual, indicando inclusive os valores dos tributos recolhidos em 1999 e 2000, documento suficiente para comprovar que os valores depositados na conta-corrente da pessoa fisica representam meras transferências de valores de uma conta para outra do mesmo titular; m) além de ser titular de firma individual, é major da Polícia Militar, atualmente na reserva remunerada desde janeiro de 1994 e percebe mensalmente salários que são aplicados em sua conta de poupança, de onde provém parte de suas aplicações." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém, por intermédio da sua r Turma, à unanimidade de votos, considerou o lançamento parcialmente procedente, entendendo como comprovada a origem do depósito de R$ 400.000,00, em outubro de 1999, excluindo-o da base tributável. Trata-se do acórdão n° 01-7.203, de 13.11.2006 (fls. 87/94), cuja ementa consigna: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000, 2001 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997 A Lei n o 9430/96, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. Porém, para a parte dos depósitos com origem comprovada pela documentação apresentada, considerando a natureza da atividade exercida pelo autuado, não cabe tal lançamento. Lançamento procedente em parte." Pessoalmente intimado em 14.12.2006 (fls. 96), o contribuinte interpôs seu recurso voluntário em 15.01.2007 (fls. 98/108), acompanhado dos documentos de fls. 116/119), repisando os mesmos argumentos da fase impugnatória e argüindo a nulidade da decisão de primeira instância por ofensa ao amplo direito de defesa, pela não concessão de prazo para a apresentação de provas e pela sua omissão na análise do seu argumento de que não conseguiu localizar nenhum depósito bancário no valor de R$ 137.500,00, no mês de julho de 2000, como consta do auto de infração. No mérito, seus argumentos são os seguintes: dl 4 Processo n°10235.000857/2004-61 CCO I /C04• Acórdão n.° 104-23.131 Fls. 5 1.da ilegalidade do lançamento por ofensa ao artigo 5°, da Constituição Federal, não se subsumindo o caso concreto às hipóteses de quebra de sigilo bancário autorizado pela Lei Complementar n° 105/2001; 2. da improcedência do lançamento, tendo em vista a comprovação da origem dos depósitos bancários, originários da firma Paulo Almicas C. Silva-ME, CNPJ/MF n° 84.420.835/0001-90; 3. a título de comprovação da origem dos depósitos bancários, junta Livro Caixa da pessoa jurídica que aponta vários depósitos feitos na conta bancária do contribuinte, destacando-se o de valor de R$ 124.000,00, no mês de março de 2000, que teve como contrapartida a compensação de dois cheques, nos valores de R$ 100.000,00 e R$ 24.000,00; 4. por diversas vezes, valores da referida empresa foram depositados na conta pessoal do sujeito passivo; 5. insiste em que não localizou nenhum depósito no valor de R$ 137.500,00, lançado no mês de junho de 2000, afirmando não poder produzir prova negativa e requerendo a sua exclusão da base tributável. Cópia do Livro Caixa com os lançamentos a que se refere consta às fls. 116/119. Arrolamento de bens, para fins de garantia recursal, está formalizado no âmbito do processo administrativo-fiscal n° 10235.000890/2004-91 (em anexo). d9e É o Relatório. 5 Processo n° 10235.000857/2004-61 CCOI/C04 Acórdão n.° 101-23.131 Fls. 6 Voto Conselheira HELOÍSA GUARITA SOUZA, Relatora O recurso é tempestivo e deve ser conhecido, pois está acompanhado do arrolamento de bens. A matéria central aqui discutida é do pleno conhecimento deste Conselho de Contribuintes. Trata-se da autuação por depósitos bancários de origem não comprovada, após a edição da Lei n° 9.430/96, que em seu artigo 42, capta, prevê: "Art. 42 - Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." Antes de mais nada, cabe esclarecer ao Recorrente, especificamente quanto ao valor de R$ 137.500,00, identificado como a base tributável em 30.06.2000 (auto de infração, fls. 10), e em relação ao qual alega desconhecer e inexistir um depósito em tal montante e em tal data, que não se trata ele de um único depósito. Às fls. 44 dos autos, há o Termo de Reintimação Fiscal n° 001, por ele recebido, que bem esclarece a composição dos R$ 137.500,00, qual seja: a) Depósito de R$ 37.500,00, em 14.06.2000, na Agência 3346, c/c 7792-5; b) Depósito de R$ 100.000,00, em 05.06.2000, na Agência 3346, c/c 8111-6. Preliminarmente, há duas argüições: de nulidade da decisão de primeira instância por ofensa ao amplo direito de defesa do contribuinte, já que não teria ela concedido prazo para a apresentação de provas e pela sua omissão na análise de argumento seu e de ilegalidade do lançamento por ofensa ao artigo 50, da CF, em especial em relação à suposta quebra do seu sigilo bancário. Nenhuma delas merece acolhida. A decisão de primeira instância está perfeita, cumprindo todos os requisitos exigidos pelo Decreto n° 70.235/72, não estando a autoridade julgadora obrigada a examinar detalhada e individualmente todos os argumentos de defesa do contribuinte, bastando que se manifeste de forma suficiente a demonstrar, com exatidão, seu convencimento e os elementos em que se fundamentou. Nesse sentido, inclusive, é a jurisprudência pacifica do Superior Tribunal de Justiça. Além disso, quanto à concessão de prazo para apresentação de documentos novos, não se trata de matéria de sua competência, mas do próprio Decreto n° 70.235/72, que rege o procedimento administrativo-fiscal. gri 6 Processo n° 10235.000857/2004-61 CCO /CO4 Acórdão n.° 104-23.131 Fls. 7 Também não procede o argumento do Contribuinte de que a quebra do seu sigilo bancário violaria os seus direitos à inviolabilidade da sua vida privada, a que se refere o artigo 50, incisos X e XII, da Constituição Federal. A uma porque, na verdade e tecnicamente, se trata de matéria de inconstitucionalidade, que não cabe a esse Conselho examinar, conforme já pacificado por meio da Súmula deste Primeiro Conselho n° 2: "O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." A duas porque esse argumento já está ultrapassado, sendo unanimemente rejeitado pela jurisprudência administrativa, conforme se constata dos seguintes exemplos: "IRPF - NULIDADE - A ausência de autorização judicial para quebra de sigilo bancário, por si só, não inquina o lançamento com base em informações bancárias, mormente quando não se especifica o dispositivo legal que teria sido desrespeitado." (Acórdão n° 104- 21.165, de 10.11.2005, Relatora Cons. Maria Helena Cotta Cardozo) "QUEBRA - SIGILO BANCÁRIO - VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO - INFORMAÇÕES BANCÁRIAS - Lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n". 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judiciaL" (Acórdão n° 104-20.417, de 26.01.2005, Relator Conselheiro Nelson Mallmann) Por esses motivos, não acolho essa linha de argumentação do Recorrente. No mérito em si, essa é uma hipótese de presunção relativa ("juris tantum"), que admite prova em contrário, a cargo do contribuinte. A jurisprudência administrativa atual, com fundamento na Lei n° 9.430/96, é unânime ao aceitar a tributação dos depósitos bancários, a titulo de omissão de receitas, quando o contribuinte, intimado a justificá-los, não o faz satisfatoriamente, inclusive com pronunciamentos da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se vê, exemplificativamente, do Acórdão n° CSRF/04-00.029, de 21.06.2005, que teve como Relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo: "DEPÓSITOS BANCÁRIOS - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Presume-se a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei e. 9.430, de 1996)." gP 7 Processo n° 10235.000857/2004-61 CC0I1C04• Acórdão n.° 104-23.131 Fls. 8 A esse propósito, ainda, o acórdão n° 104-20.026, de 17.06.2004, que teve como relator o Conselheiro Nelson Mallmann e que examinou a matéria detalhadamente, razão pela qual adoto os seus fundamentos: 4, Neste aspecto, apesar das intermináveis discussões, não pode prosperar os argumentos do recorrente, já que o ónus da prova em contrário é sua, sendo a legislação de regência cristalina, conforme o transcrito abaixo: Lei tr.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: 'Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1 0 O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3" Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 — os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa fisica, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 11.000,00 (doze mil reais). § 4° Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira.' Lei n.' 9.481, de 13 de afasto de 1997: 'Art. 4° Os valores a que se refere o inciso lido § 3° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente.' Processo n° 10235.00085712004-61 CCOI/C04 Acórdão n.° 101-23.131 Fls. 9 Lei n. • 10.637, de 30 de dezembro de 2002: 'Art. 58. O art. 42 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 5 ° e 6°: 'An. 42. (.). § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidos em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Como se vê, nos dispositivos legais retromencionados, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, tem-se a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. É evidente que nestes casos existe a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. Faz-se necessário mencionar, que a presunção criada pela Lei n° 9.430, de 1996, é uma presunção relativa, passível de prova em contrário, ou seja, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições bancárias. A simples prova em contrário, ónus que cabe ao contribuinte, faz desaparecer a presunção de omissão de rendimentos. Por outro lado, a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos na legislação de regência, já que a principal obrigação em matéria tributária é o recolhimento do valor correspondente ao tributo na data aprazada. A falta de recolhimento no vencimento acarreta em novas obrigações de juros e multa que se convertem também em obrigação principal. Assim, desde que o procedimento fiscal esteja lastreado nas condições imposta pelo permissivo legal, entendo que seja do recorrente o ónus de provar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente, ou seja, de provar que há depósitos, devidamente especificados, que representam aquisição de disponibilidade financeira não tributável o que já foi tributado. Desta forma, para que se proceda a exclusão da base de cálculo de algum valor considerado, 99 Processo n° 10235.00085712004-61 CCOI/C04o Acórdão n.° 10423.131 Fls. 10 indevidamente, pela fiscalização, se faz necessário que o contribuinte apresente elemento probatório que seja hábil e idôneo. É evidente, que depósitos bancários de origem não comprovada se traduzem em renda presumida, por presunção legal 'uris tantum". Isto é, ante o fato material constatado, qual seja depósitos/créditos em conta bancária, sobre os quais o contribuinte, devidamente intimado, não apresentou comprovação de origem, a legislação ordinária autoriza a presunção de renda relativamente a tais valores (Lei n o 9.430/96, art. 42). Indiscutivelmente, esta presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos questionados." Portanto, indubitavelmente, a questão é de prova e a cargo do contribuinte. Justamente por isso é que se trata de uma presunção relativa, perfeitamente aceitável no nosso sistema jurídico. Desde a fase de impugnação, o contribuinte insiste que os depósitos autuados teriam a sua origem na pessoa jurídica da qual é titular. Porém, só agora, na fase recursal, junta às fls. 116/119 cópia parcial do seu suposto Livro Caixa, o qual registra a realização de dois depósitos feitos na Conta Corrente do Banco do Brasil n° 8111-6, nos valores de R$ 124.000,00 e R$ 200.000,00, respectivamente em março e agosto de 2000. Depósitos esses que compõem o auto de infração (vide fls. 10). Porém, o Livro Caixa, individual e autonomamente, nada prova, ainda mais porque se trata de uma firma individual, cujo titular é o próprio contribuinte autuado. Como toda e qualquer contabilidade, os dados e informações nele registrados devem estar lastreados em documentos hábeis e idôneos. Só assim a contabilidade faz prova a favor do contribuinte. O que se constata, todavia, é que, apesar de todas as oportunidades de que o contribuinte dispôs, não trouxe ele qualquer outra prova capaz de embasar os registros do seu Livro Caixa. Questiona-se, pois: se houve um depósito bancário da conta da pessoa jurídica para a da fisica (já que muitas vezes elas se confundiram, nas palavras do contribuinte), por que, até o presente momento, não foi juntada a cópia dos respectivos cheques? Greve bancária já terminou e o contribuinte poderia ter providenciado tal prova junto às instituições bancárias. Por esses motivos, considero não comprovados os depósitos bancários autuados, não sendo o Livro Caixa, por si só, e apresentado no momento em que o foi, suficiente para elidir a presunção legal do artigo 42, da Lei n° 9.430/96. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar-lhe provimento. Sala das Sessões - DF, em 23 de abril de 2008 CDISA. G ITA /O- Z A 82'- 10 Page 1 _0029500.PDF Page 1 _0029600.PDF Page 1 _0029700.PDF Page 1 _0029800.PDF Page 1 _0029900.PDF Page 1 _0030000.PDF Page 1 _0030100.PDF Page 1 _0030200.PDF Page 1 _0030300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10166.008478/2002-19
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1997
COMPENSAÇÃO - CRÉDITO - SELIC
Sobre os créditos passíveis de compensação incidem os juros à taxa SELIC, conforme previsto no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95.
Numero da decisão: 107-09.398
Decisão: ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: Luiz Martins Valero
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA whttu--- t 'Olgls(t. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - •-• SÉTIMA CÂMARA Processo n° 10166.008478/2002-19 Recurso no 148.804 Voluntário Matéria IRPJ - Ex.: 1998 Acórdão it° 107-09.398 Sessão de 29 de maio de 2008 Recorrente COMANDO AUTO PEÇAS LTDA Recorrida zia TURMA/DRJ-BRASÍLIA/DF IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1997 COMPENSAÇÃO - CRÉDITO - SELIC Sobre os créditos passíveis de compensação incidem os juros à taxa SELIC, conforme previsto no art. 39, § 4° da Lei n° 9.250/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por, COMANDO AUTO PEÇAS LTDA. ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. / alrOS VINICRJS NEDER DE LIMA Pr- 'dente UIZ MAR aug: VALERO • elator G 3 JUL 2008 - n Processo n°10166.008478/2002-19 CC01/C07 Acórdão n.° 107-09.398 Fls. 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Hugo Correia Sotero, Albertina Silva Santos de Lima, Silvana Rescigno Guerra Barretto (Suplente Convocada), Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (Suplentes Convocadas) e Lisa Marini Ferreira dos Santos. Ausentes, justificadamente os Conselheiros Carlos Alberto Gonçalves Nunes e Silvia Bessa Ribeiro Biar. 2 Processo n° 10166.008478/2002-19 CC01 /C07 Acórdão n.° 107-09.398 fls. 3 Relatório COMANDO AUTO PEÇAS LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos do presente processo, recorre a este Colegiado, às fls. 79/105, contra decisão proferida pela colenda 4' Turma de Julgamento da DRJ em Brasília — DF, no Acórdão n° 14.736, de 10/08/2005 (fls. 69/73), que julgou parcialmente procedente a defesa administrativa ofertada pela Recorrente, para que se prossiga a cobrança do crédito tributário no valor originário de R$ 25.646,33, com aplicação de juros e multa. Em 10/06/2002, o Recorrente foi autuado (fls. 06/17) em virtude de supostas inconsistências verificadas em suas Declarações de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, relativas aos 1°, 2°, 30 e 4° trimestres de 1.997 / 1998. Com o fito de comprovar o pagamento das citadas inconsistências, o Recorrente apresentou tempestiva defesa administrativa (fl. 01), em 01/07/2002, buscando demonstrar a quitação do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, às fls. 18/29. Ao apreciar o pleito, a autoridade administrativa proferiu Despacho Decisório (fls. 69/73), julgando parcialmente procedente a defesa administrativa ofertada pelo Recorrente, para que se prossiga a cobrança do crédito tributário no valor originário de R$ 25.646,33, com aplicação de juros e multa, em razão de supostos saldos devedores atrelados aos meses de 07/1997 (R$ 6.670,86), 08/1997 (R$ 6.242,95), 09/1997 (R$ 6.389,07) e 10/1997 (R$ 6.343,45) (fl. 73), conforme se verifica da ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica Ano-calendário: 1997 Ementa: Pagamento — Cancelamento da Exigência Correspondente — Extinção do Crédito Tributário Se na fase impugnató ria o contribuinte comprovar a improcedência de parte do lançamento por conta de recolhimentos já efetuados, há que se cancelar a importância da exigência fiscal correspondente, vez que o pagamento extingue o crédito tributário, mantendo-se apenas o valor do crédito cujo recolhimento não foi comprovado. Lançamento Procedente em Parte Ciente da decisão em 30/09/2005 (AR fl. 74) e com ela não se conformando, o contribuinte recorre a este Colegiado por meio do recurso voluntário apresentado em 31/10/2005 (fls. 79/108), alegando, em síntese, a compensação dos valores devidos nos meses de julho, agosto, setembro e outubro de 1997, com saldo credor indevidamente recolhido no mês de junho de 1997, mas concordando que teria restado em aberto apenas um saldo devedor no montante de R$ 127,80, o qual seria pago quando do desfecho do procedimento administrativo. Em Sessão de Julgamento de 08 de novembro de 2006, esta Câmara, por proposta do então Relator, converteu o julgamento em diligência para que: 3 SI Processo n° 10166.008478/2002-19 CCOI/C07 Acórdão n.° 107-09.398 fls. 4 - intime a recorrente para que esta, a luz de sua contabilidade e de seus documentos, especialmente de sua D1PJ, demonstre que, efetivamente, teria havido recolhimento indevido do IRPJ no mês de junho de 1997; - intime a recorrente para que esta demonstre que, efetivamente, teria cometido equívocos nas informações prestadas à Receita Federal, determinando, se for o caso, a sua correção; - confirme nos sistemas informatizados da Receita Federal a existência do aludido direito creditório; - requeira, após o cumprimento da diligência, que o auditor fiscal designado faça suas considerações, intimando a recorrente para que, querendo, também se manifeste, determinando, por fim, o retorno dos autos a este Colegiado. Em atendimento à diligência solicitada, e após análise pela fiscalização dos documentos anexados pela diligenciada, produziu-se o Relatório de fls.196/198, tendo sido constado, em síntese: - que, de fato, a empresa tem direito ao crédito de R$ 24.695,00 e que errou ao não informar as compensação nas DCTF relativas ao 2° e 30 Trimestres de 1997; - que, alocando-se o crédito, ainda resta saldo devedor de IRPJ referente a outubro/97 no valor original de R$ 951,33. Falando sobre o resultado da diligência, a autuada discorda do saldo devedor apontado pelo fisco reconhecendo apenas o valor de R$ 127,80 que diz já ter pago com os devidos acréscimos legais. Justifica a diferença entre o que pagou e a pretensão fiscal no fato de não terem sido considerados no crédito os valores dos juros à taxa SELIC. Apresenta demonstrativos de cálculo dos juros às fls. 201. É o Relatório. e 4 . . . Processo n° 10166.008478/2002-19 CCOI/C07 Acórdão n.• 107-09.398 Fb. 5 Voto Conselheiro - LUIZ MARTINS VALERO, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e assente em lei, devendo ser conhecido. De fato, a fiscalização não levou em conta na atualização dos créditos os juros à taxa SELIC, conforme previsto no art. 39, § 4° da Lei n° 9.250/95. Por isso voto por se dar provimento ao recurso. zs como voto. . 1 das Sessões - DF, em 29 de maio de 2008. LU MART S V LERO s .N? Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10120.006918/2003-19
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2005
Ementa: MULTA QUALIFICADA - A falta de declaração ou a prestação de declaração inexata, por si sós, não autorizam o agravamento da multa, que somente se justifica quando presente o evidente e intuito de fraude, caracterizado pelo dolo específico, resultante da intenção criminosa e da vontade de obter o resultado da ação ou omissão delituosa, descrito na Lei nº 4.502/64.
Numero da decisão: 103-22.164
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de lançamento ex officio majorada ao seu percentual de 75% (setenta e cinco por cento), vencidos os conselheiros Flávio Franco Corrêa (Relator) e Maurício Prado de Almeida que negaram provimento integral, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Flávio Franco Corrêa
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Recorrida : 2 TURMA/DRJ-BRASÍLIA/DF Sessão de : 09 de novembro de 2005 Acórdão n° : 103-22.164 MULTA QUALIFICADA. A falta de declaração ou a prestação de declaração inexata, por si sós, não autorizam o agravamento da multa, que somente se justifica quando presente o evidente e intuito de fraude, caracterizado pelo dolo específico, resultante da intenção criminosa e da vontade de obter o resultado da ação ou omissão delituosa, descrito na Lei n° 4.502/64. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SUPERMERCADO GOIABA VERDE LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de lançamento ex officio majorada ao seu percentual de 75% (setenta e cinco por cento), vencidos os conselheiros Flávio Franco Corrêa (Relator) e Maurício Prado de Almeida que negaram provimento integral, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento. - "A N "ODRI UE R ESIDENTE f PAlICUJANSITÕ 2 • NASCIMENTO RELATORD I n ,ADO FORMALIZADO EM: 4 fei 1006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ALOYSIO JOSÉ PERCíNIO DA SILVA, MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE e VICTOR LUÍS DE SALLES FREIR . kl‘k.\\ 142.281*MSR*20/02/06 , C14, ;47( -., WÁ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 10120.006918/2003-19 Acórdão n° : 103-22.164 Recurso n° : 142.281 Recorrente : SUPERMERCADO GOIABA VERDE LTDA. RELATÓRIO Em decorrência das investigações conduzidas por agentes fiscais, efetuou-se o lançamento de ofício de IRPJ em nome do sujeito passivo acima qualificado, dando-se ciência à autuada no dia 12.11.2003. Os trabalhos de fiscalização compreenderam a verificação de fatos ocorridos entre janeiro de 2001 e junho de 2003, encerrando-se após a constatação de receitas não submetidas à incidência da lei tributária. Ressaltam os autuantes que o Fisco arbitrou o lucro da recorrente, optante pelo regime de tributação do lucro presumido, porque a fiscalizada não apresentou os livros Diário, Razão ou Caixa, não obstante os insistentes pedidos formulados pelos servidores encarregados da execução do procedimento fiscal. A omissão ora descrita surgiu do confronto entre as receitas das vendas de mercadorias escrituradas nos Livros de Apuração de ICMS da matriz e das filiais, reunidas às fls. 236/237, e as receitas calculadas a partir da Cofins declarada em cada mês (coluna 2 dos demonstrativos às fls. 241/242). Do imposto devido, !astreado na consolidação das receitas trimestrais transcritas nos Livros de ICMS, conforme fls. 248/249, subtraíram-se as importâncias referentes ao IRPJ informado em DIPJ e DCTF e recolhido nos respectivos períodos de incidência (fls. 250/252), resultando, ao final, no valor do imposto de renda exigido neste processo, correspondente ao intervalo entre o primeiro trimestre de 2001 e o segundo trimestre de 2003, além da imposição da multa agravada de 150% e da cobrança de juros moratórios Registram ainda os autuantes que a fiscalizada, uma vez cientificada das divergências supramencionadas, foi intimada a prestar os esclarecimentos necessários ao deslinde das diferenças, de acordo com o termo anexado à fl. 235. / 142.281*MSR*01/12/05 2 • Wã, MINISTÉRIO DA FAZENDA • •,,,kr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEI RA CÂMARA Processo n° : 10120.006918/2003-19 Acórdão n° :103-22.164 O Fisco também realça as significativas discrepâncias percentuais entre o faturamento real e as informações constantes das declarações entregues, jamais superando o teto de 26% (à exceção do mês de janeiro de 2001), o que demonstraria a • consciência da conduta por parte da autuada, que assim agira para eximir-se do tributo incidente sobre a totalidade da receita de vendas de mercadorias, o que ensejou a aplicação da sanção majorada. Por fim, atestam os agentes fiscais que a pessoa jurídica promoveu alteração contratual em 25.11.2002, com o fim registrar a transferência de sua sede para o município de Uberlândia, em Minas Gerais, e modificar o objeto social da matriz, que passou a ser a "prestação de serviços em manutenção de máquinas e eletro- eletrônicos em geral e similares". Estranhando tais inovações — afinal a fiscalizada atua no ramo de supermercados desde sua constituição, em 1990, logrando êxito empresarial, como confirmaria a incorporação, em 2000, de três outras empresas atuantes no mesmo setor de atividades (fls. 28 a 31), afora a abertura de filiais ao longo do tempo (fls. 32 a 35) - os autuantes perceberam a conveniência de empreender diligências naquela cidade mineira, para onde se dirigiram no dia 09.11.2003, visando à comprovação da efetiva transferência do estabelecimento-matriz. Lá chegando, puderam concluir que se tratava de uma simulação, já que é inexistente a numeração referida no instrumento (f1.34), relativa à localização do imóvel, sendo que em suas proximidades só há residências (fl. 244). Além da menção às conclusões da inspeção local, os servidores do Fisco relatam que, malgrado a mudança contratual, a fiscalizada continuou a operar no antigo endereço como se matriz fosse, inclusive mantendo os assentamentos do movimento de vendas em seus livros fiscais até março de 2003, quando, então, começou a transcrevê-los em nome de uma sexta filial, justamente na ocasião em que estava sob a fiscalização da Administração Tributária da União e do Estado de Goiás. Inconformada com a autuação, a pessoa jurídica fiscalizada impugnou o feito às fls. 276/280. Decisão de primeira instância com a seguinte ementa:• "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ ir\\\ 142.281*MSR"01/12/05 3 n*:.t„ z•;; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 10120.006918/2003-19 Acórdão n° : 103-22.164 Período de apuração: 31/03/2001 a 30/06/2003 Ementa: ARBITRAMENTO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. Não cabe alegar que inexistiu compensação de imposto sobre a renda retido na fonte quando se trata, na espécie, de autuação com base em lucro arbitrado em virtude da não-apresentação de livros ou documentos. Ademais, as provas que o sujeito passivo possui devem ser juntadas na impugnação, salvo relevante razão de direito, precluindo o direito de apresentação posterior. ISONOM1A. BASE DE CÁLCULO. Deve ser mantida a autuação quando se verifica que o Autuante se restringiu a aplicar a base de cálculo prevista na legislação, não cabendo ao julgador administrativo avaliar o cabimento de aplicação de montante diverso, não previsto expressamente em lei, com base em suposta isonomia com outros contribuintes. Lançamento Procedente.'' Ciência da decisão de primeira instância em 05.04.2004, conforme fl. 301. Recurso a este Colegiado com entrada na repartição de origem no dia 03.05.2004 (fl. 304). Informações sobre bens arrolados às fls. 350/351. Nesta oportunidade, aduz, em síntese, que a atuação fazendária sofreu limitações com o advento da Portaria SRF n° 1.265/99, atualmente Portaria SRF n° 3.007/2001, uma vez que a emissão do mandado de procedimento fiscal — MPF tornou- se, segundo alega, condição indispensável à validade de todos e quaisquer atos praticados no curso das atividades de fiscalização. Dessa forma, a defesa repudia o lançamento de ofício, pois o procedimento levado a efeito não teria observado as regras que restringem o tributo e o período de apuração àqueles constantes no MPF. Com esta • visão acerca do tema, afirma a recorrente que a auditoria não poderia examinar ano- calendário diferente de 2000 (fl. 310) nem perquirir sobre a regularidade do recolhimento de tributo diverso do IRPJ (fl. 309), consoante as determinações expedidas aos agentes • fiscais. Sem a emissão de MPF Complementar, a fiscalizada ataca o auto de infração de PIS, bem assim as exigências referentes a períodos não inclusos no âmbito da ordem emanada pelo delegado. Nem mesmo a alusão às designadas "verificações obrigatórias" teria o condão de validar o lançamento de ofício, considera do que a 142.281*MSR*01/12/05 4 n:::44 MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 10120.006918/2003-19 Acórdão n° : 103-22.164 Portaria SRF n° 3.007/2001 é de cristalina transparência, no tocante à obrigatoriedade da condução dos auditores nas linhas demarcadas pela autorização expressa. No mais, assenta a defesa que, não obstante a demonstração da espontaneidade das DCTF complementares e das DIPJ retificadoras, os julgadores de primeira instância não acolheram a argumentação da recorrente, no ponto em que a autuada evidenciaria a extensão dos benefícios garantidos pelo art. 138 do CTN aos tributos e períodos não inseridos em MPF. A respeito do assunto, salienta que é de bom alvitre esclarecer que a lei tributária, ao eximir o contribuinte faltoso de qualquer sanção pecuniária, desde que o sujeito passivo corrija o comportamento equivocado ou ilícito antes do começo do procedimento fiscal, também repercute em outra seara do direito, afastando-o, por via de conseqüência, da responsabilidade penal. De qualquer sorte, a recorrente manifesta que as DCTF complementares e as DIPJ retificadoras foram apresentadas antes do início das investigações, quando, então, os referidos documentos de informação originais mereceram os devidos reparos, eliminando-se os erros que os contaminavam. Logo, a Fiscalização teria desprezado a situação da recorrente, amparada pela espontaneidade, cujo manto protegia o PIS e todos os anos-calendário não incluídos no MPF-F. Neste particular, os agentes do Fisco deveriam ter aproveitado as declarações complementares e as retificadoras, conforme o caso, porquanto a MP n° 1.990/99, em seu art. 19, estabeleceu que a nova declaração terá natureza idêntica à original e não dependerá de autorização expressa da autoridade administrativa. Visto de outra forma, poder-se-ia dizer que há duplicidade de lançamento, levando-se em conta o auto de infração e os instrumentos de comunicação de débitos, já mencionados. Assim, se declarado o principal, espontaneamente ou não, só restaria, na pior das hipóteses, a aplicação de multa, moratória ou de ofício, segundo a jurisprudência deste Conselho. Com tais considerações, a recorrente sustenta que, após o processamento das declarações, os tributos informados passarão a constar do sistema de contas correntes, o que resultará em dúplice exigência sobre a mesma prestação. Assim, os fatos ora iluminados estariam evidenciando que o presente çamento• 142.281*MSR*01/12/05 5 r MINISTÉRIO DA FAZENDA•s•bs PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10120.006918/2003-19 Acórdão n° : 103-22.164 causará sérios transtornos à autuada, pois o Fisco haverá de submetê-la aos mecanismos coercitivos de cobrança, se a instância recursal nada fizer para impedir a manutenção do feito. Importa ainda anotar que, por exercer a opção pela tributação com base nas regras do lucro presumido, a fiscalizada assegura que a lei lhe permitia a adoção do • regime de caixa para a apuração do PIS, da Cofins, do IRPJ e da CSSL. Desse modo, explicar-se-ia a divergência entre o Livro de Apuração de ICMS e o livro Caixa: o primeiro foi escriturado em obediência ao regime de competência, enquanto o segundo curvou-se à faculdade de seguir o regime de caixa, consoante o disposto na IN SRF n° 104/98. Entretanto, a defesa assevera que os agentes fiscais relegaram o critério preferido pela recorrente, adotando o regime de reconhecimento de receitas delineado pela competência, recusando as notas fiscais ofertadas com o fito de possibilitar a conclusão de que a recorrente cumprira a legislação tributária. Nesse sentido, a autuada expõe que os autuantes buscaram um caminho alternativo mais complexo e suscetível a enganos, recompondo a escrita tão-somente para promover o lançamento de ofício, desrespeitando a norma legal que consente ao contribuinte a alternativa da tributação à medida que os recursos são efetivamente recebidos. Sob tal argumento, a pessoa jurídica rejeita a omissão de receitas, acrescentando que o ônus da prova caberia ao Fisco, embora os agentes públicos houvessem resumido a atuação estatal à mera mudança de um regime de contabilização para outro, mais conveniente aos interesses da Fiscalização. No mesmo tom, a recorrente se opõe ao pronunciamento da primeira instância, apontando contradição entre as razões de decidir e o decidido, quando a autoridade julgadora afirma que as declarações retificadoras e complementares obedecem às diretrizes da competência, valendo-se da assertiva de que os valores ali registrados coincidem com as importâncias escrituradas no Livro de Apuração do ICMS, sem fazer desse mesmo raciocínio a base substancial para derrubar o lançamento de ofício. Tal opinião expressa no voto apenas corroboraria a tese da recorrente Gtp que 142.281*MSR*01/12/05 6 n••:h MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 10120.00691812003-19 Acórdão n° : 103-22.164 inexiste diferença entre os tributos deliberadamente informados ao sujeito ativo e os valores apurados pela equipe de auditoria fiscal. Ao término, a fiscalizada pretende realçar que, ainda que se rejeite a espontaneidade, a exasperação da multa é incabível. A recorrente é firme ao mencionar que não criou obstáculos às investigações, fornecendo os livros e as notas fiscais aos agentes requisitantes, inclusive preenchendo os formulários entregues pela equipe de auditores, sem que estivesse obrigada a tal proceder. Além de seu comportamento irrepreensível e respeitoso, toda a receita estava escriturada nos livros fiscais, o que torna inaceitável a majoração da sanção que lhe foi aplicada. Ademais, a recorrente elucida que as diferenças encontradas, decorrentes da substituição do regime de caixa pelo regime de competência, não podem suscitar a idéia de uma conduta reiterada de reduzir os tributos devidos, como também não se deve acolher como causa para agravamento o fato de não haver, no livro Caixa, registro individual das notas correspondentes a cada recebimento. Na linha ora transcrita, a defesa adverte que é descabida a acusação de que os antigos sócios tinham em mira a transferência do controle societário para fazer frente a eventual execução fiscal, já que não estava na iminência de execução alguma, seja da Fazenda Pública, seja de terceiros. Encerrando, a recorrente reitera que, afora simples ilações, os autos carecem de base fática para a sanção de 150%, exemplificando com a falta de emissão de notas fiscais de vendas ou a utilização de nota fiscal "calçada", ou qualquer outro meio que faça transparecer o evidente intuito de fraude, motivo por que há de ser eliminada da autuação, bem assim os demais itens da acusação, guerreados pelo presente recurso. É o relatório. 142.281*MSR*01/12/05 7 i-, MINISTÉRIO DA FAZENDA • : 'zTp. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEI RA CÂMARA Processo n° : 10120.006918/2003-19 • Acórdão n° : 103-22.164 VOTO VENCIDO COnselheiro FLÁVIO FRANCO CORRÊA - Relator • Comparando-se a peça exibida ao órgão ad quem com a impugnação, é de se reparar que a autuada não suscitou, perante o órgão a quo, o alegado descumprimento das regras que regem o mandado de procedimento fiscal, nem tratou, na instância anterior, da eventual improcedência do lançamento em razão da espontaneidade das DCTF complementares e das DIPJ retificadoras, nem do desprezo dos agentes públicos pelo regime contábil de caixa. Também é visível que a recorrente não levou ao órgão julgador de • primeiro grau a preservação da regularidade da escrituração do Livro de Apuração de ICMS, nem argüiu a duplicidade de cobrança, da mesma prestação, pela via do lançamento de ofício e pela confissão de dívida. Em suma, perante a primeira instância, a fiscalizada limitou-se a trazer os seguintes argumentos: a) que realizava vendas, quase que na totalidade, a órgãos públicos; b) que o IRPJ, a Cofins, o PIS e CSSL devidos foram retidos na fonte pelos órgãos públicos pagadores e repassados aos Cofres Públicos; c) que a fiscalizada adotou entendimento diferente do esposado pela Fiscalização quanto ao conceito de faturamento, o que pode explicar as supostas divergências entre os tributos declarados e as importâncias apuradas em procedimento fiscal; d) que o conceito de faturamento utilizado pelo Fisco levou em consideração o valor efetivo das vendas, sem a dedução de qualquer parcela referente a custo ou despesa; e) que o conceito de faturamento previsto em lei para as instituições financeiras é mais justo, bem assim no que diz respeito à pessoas 142.281*MSR*01/12/05 8 IÊ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEI RA CÂMARA Processo n° : 10120.006918/2003-19 Acórdão n° : 103-22.164 jurídicas cujo objeto é a compra e a venda de moedas estrangeiras e às revendedoras de veículos usados, porquanto a lei lhes autoriza • deduzir custos; f) que o tratamento diferenciado entre a fiscalizada e as pessoas jurídicas supramencionadas não é isonômico; g) que o faturamento, para qualquer ramo de atividade, só pode ser o correspondente ao lucro bruto, tal e qual a previsão legal respeitante às instituições financeiras, às revendedoras de veículos usados e às • pessoas jurídicas que operam com a compra e a venda de moedas estrangeiras; h) que o ponto de vista defendido no item anterior é extensivo às bases de cálculo do Pis, da Cofins, do IRPJ e da CSSL; i) que também se deve excluir do conceito de receita bruta o ICMS incidente sobre suas vendas; e j) que não agiu com o intuito de suprimir ou reduzir tributo ou de omitir • informações. Vê-se, pois, que, em comum ao recurso, só há o debate em torno da presença do dolo em sua conduta, cabendo fixar que a autuada repeliu a acusação, repudiando a imputação de que se conduziu tipicamente em conformidade aos artigos 1° e 2° da Lei 8.137/90, como se lê à fl. 280, verbis: "Finalmente também, cabe esclarecer que a Fiscalização (sic) não agiu com o intuito de suprimir ou reduzir tributo indevidamente ou de omitir informações.' Afora o que se destacou, parece que a fiscalizada se defende, no • presente, de acusações que devem estar formuladas em processo distinto, consoante as observações abaixo reunidas: a) a ementa da decisão que se reproduz, às fls. 305 a 307, não • coincide com aquela que se extrai da apreciação da imp !nação; 142.281*MSR*01/12/05 ) 9 MINISTÉRIO DA FAZENDAw;,s PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES *WP TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 10120.00691812003-19 Acórdão n° : 103-22.164 b) o MPF, em fl. 01, estende-se aos anos-calendário de 2000 e 2001, e não apenas ao ano de 2000, como afirma a defesa à fl. 309; c) a fiscalização iniciou-se no dia 08.05.2003 (f1.11), enquanto a autuada informa que tomou ciência do começo da ação fiscal no dia 02.04.2004 (fl. 315); d) não há relação de DCTF espontaneamente apresentadas em fl. 305, como se assegura à fl. 316; e) o relator do julgamento em primeira instância não faz qualquer alusão às Instruções Normativas SRF n° 166/99 e 255/2002, ao contrário do que manifesta a autuada à fl. 326; f) não existe a folha de n° 734, como consta na peça de defesa, à fl. 326; g) a decisão do órgão a quo não tem uma linha sequer dos argumentos cuja autoria a defesa atribui à autoridade de primeira instância, no item 2.2.28, à fl. 326; h) na impugnação oferecida à Delegacia de Julgamento, não se vê referência alguma à resposta ao termo de reintimação fiscal n° 01, diversamente da narrativa à f1.327; i) na fase das investigações, a contribuinte jamais prestou os esclarecimentos que reúne no item 2.3.2 da defesa, pelos quais, pretendendo justificar as diferenças detectadas no curso da auditoria, aludir-se-ia à alegada adoção do regime de competência, na escrituração do Livro de Apuração de ICMS; j) a decisão recorrida nada menciona a respeito da existência ou inexistência de declarações retificadoras ou complementares, diversamente do que assenta a defesa no item 2.3.8, à fls. 330; k) os julgadores de primeira instância não tentam descaracterizar a opção pelo regime contábil de ixa, bem em desacordo ao expresso no item 2.3.9, à fl. 330. \ 142.281*MSR*01/12/05 10 \,, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 10120.006918/2003-19 Acórdão n° : 103-22.164 Restringindo-me à questão que me cabe conhecer, não há adequação típica, para fins de agravamento da sanção, entre a alegada mudança fictícia de domicílio ou de ramo de atividade e os tipos descritos nos artigo 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. Quero dizer, de outro modo, que não obstante a impressão de que as alterações contratuais em lume não se revelam vinculadas ao firme propósito da realização dos fatos nelas registrados, ainda assim não compartilho da tese de que os agentes tivessem a intenção de suprimir ou reduzir os tributos devidos, quando da conduta ora realçada. Até aí, portanto, não anoto a existência do dolo dirigido à obtenção do resultado juridicamente desvalorado — a diminuição da carga tributária que cabe à fiscalizada — consoante a exigência contida no caput do artigo 44 da Lei n° 9.430/96. No entanto, é indubitável que as cópias reprográficas do Livro de Apuração do ICMS são abundantes provas documentais de que a autuada auferiu receitas mensais substancialmente maiores que aquelas utilizadas como bases de cálculo dos tributos declarados. O evidente intuito de sonegar resta cristalino diante de práticas verificadas no curso de 29 meses, que se consolidaram no espaço de 10 trimestres de incidência do IRPJ, intervalo dentro do qual a autuada exibiu ao Fisco valores de IRPJ que variaram entre zero e 24,65% do tributo que deveria ser declarado a partir do lucro presumido, de acordo com o mapa às fls. 238/240, tendo-se em conta a receita real que a própria fiscalizada anotou em seu livro de ICMS. A jurisprudência deste Conselho conserva pronunciamentos na mesma linha, como bem retratam as seguintes ementas (inclusive acolhendo a convivência entre o agravamento da sanção e o arbitramento do lucro, com base no Livro de Apuração de ICMS): "MULTA AGRAVADA — CONDUTA REITERADA — DECLARAÇÃO ABAIXO DO VALOR DA RECEITA PARA ENQUADRAMENTO NO SIMPLES EM ANOS SEGUIDOS — O fato do contribuinte declarar pelo "Simples" em vários anos sucessivos, quando, na verdade, auferia • receita muito superior a declarada, confirma hipótese de aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%. ARBITRAMENTO DO LUCRO — BUSCA DA VERDADE MATERIAL — O arbitramento realizado com base em livros d- saída do ICMS é válido, já 142.281*MSR*01/12/05 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 10120.006918/2003-19 Acórdão n° :103-22.164 que lastreado em documentos cuja correspondência à realidade fática decorre de imposição legal: (Acórdão n° 108-07569, Relator Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior, Sessão de 16.10.2003) "PAF - IRPJ — DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS — A entrega sistemática das DIRPJ com valores correspondentes a aproximadamente 20% do volume total de faturamento por dois exercícios consecutivos, represente a conduta tipificada no artigo 10 inciso primeiro da Lei 8137/1990: "Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I - omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias". (Acórdão n° 108- 07616, Relatora Conselheira 'vete Mala quias Pessoa Monteiro, Sessão de 03.12.2003) A Lei n° 9.430/96, em seu art. 44, II, seleciona os casos em que o contribuinte merece sanção administrativa mais severa, quando o Fisco constata a prática de fraude, em sentido amplo, cujas espécies são descritas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64: a sonegação, a fraude em sentido estrito e o conluio. Em termos penais, o traço comum das fraudes, conforme orienta Julio Fabbrini Mirabete l , é a utilização da astúcia, da mistificação, do engodo, do embuste, da trapaça, na obtenção de uma vantagem ilícita, para o agente ou para outrem. Afirma-se que existe a fraude quando há propósito ab initio do agente de não prestar o equivalente econômico. O autor recorda que a fraude traz em si um dano ou um perigo social. Diz-se freqüentemente que na fraude emprega-se um artifício, ardil ou qualquer outro meio. Artifício é o aparato que modifica, ao menos aparentemente, o aspecto material da coisa, figurando entre esses meios o documento falso ou outra falsificação qualquer, o disfarce, a modificação por aparelhos mecânicos ou elétricos etc. Ardil é a simples astúcia, conversa enganosa, de aspecto meramente intelectual. Mirabete ensina que a mentira pode configurar ardil, se Nbil a enganar. Nesse sentido, a jurisprudência do STF: 'Manual do direito penal, vol. 2, Editora Atlas, 1998, pág. 293 a 296. 142.281*MSR*01/12/05 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 10120.006918/2003-19 Acórdão n° : 103-22.164 "ESTELIONATO; A SIMPLES MENTIRA (NUDUM MERIDACIUM), DADAS AS CIRCUNSTANCIAS, PODE SER MEIO ILUDENTE CARACTERISTICO DA FRAUDE PATRIMONIAL" (RE 22727, DJ de 11.06.1953)(os grifos não estão no original) "CRIME DE ESTELIONATO. ELEMENTO MORAL. MENTIRA VERBAL. - EM FACE DO CARÁTER AMPLISSIMO DA EXPRESSAO E "OUTROS MEIOS ASTUCIOSOS", EMPREGADA NO ART. 171 DO CÓDIGO PENAL, E DA AUSÊNCIA DE UM CRITÉRIO CIENTIFICO QUE ABSTRATAMENTE DISTINGA A FRAUDE PENAL DA FRAUDE CIVIL, E DE ADMITIR-SE A ORIENTAÇÃO DE QUE INCUMBE AO JUIZ, APÓS TERMINADA A INSTRUÇÃO JUDICIAL E EM FACE DELA, DECIDIR SOBRE O GRAU DE CONVENCIMENTO, NO CASO CONCRETO, DA MENTIRA VERBAL E, BEM ASSIM, SE O DENUNCIADO TINHA A IDEIA PRECONCEBIDA, O PROPOSITO "AB INITIO" DE OBTER, PARA SI OU PARA OUTREM, VANTAGEM ILICITA, MENTINDO E INDUZINDO EM ERRO A VÍTIMA. "HABEAS CORPUS" INDEFERIDO. RECURSO A QUE SE NEGA PROVIMENTO." (RHC 59100, DJ de 25.08.1981) (os grifos não estão no original) Em linha compatível com a manifestação pretoriana, o autor também • entende que até o silêncio do agente pode configurar fraude, "quando este tem o dever jurídico de esclarecer a verdade dos fatos". Deixadas essas linhas precedentes, vede-se, daí, a errônea conclusão de que a fraude penal sempre requer a presença da falsidade material ou ideológica, • vale dizer, de uma falsidade documental, pois as disposições do Código Penal compreendem uma e outra como formas de falsidade documental. Pode haver fraude, portanto, sem documento algum que sirva de instrumento ao crime, pois o agente pode valer-se de outro meio para iludir a vítima e dela tirar proveito econômico, para si mesmo ou para terceiro. As considerações referentes à matéria penal, acima delineadas, são decorrências da estrutura lógica da norma jurídico-penal que proíbe a obtenção de vantagem ilícita, em prejuízo alheio, pela indução ou manutenção de alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento. O indivíduo que fere esse mandamento, previamente formulado, sujeita-se à atuação punitiva do Estado, que chamou a si a tarefa exclusiva de aplicar a sanção ao i itator. Assim também com 142.281*MSR*01/12/05 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 10120.00691812003-19 Acórdão n° : 103-22.164 qualquer outra conduta humana indesejada, cuja prática lesiona ou põe em risco determinados bens jurídicos que o legislador julga conveniente proteger. No entanto, para delimitar o poder do Estado em face dos direitos individuais, é necessário que o revestimento da norma, que é a lei, explicite os limites dentro dos quais a intervenção estatal sancionatória se mostra legítima. Nos dizeres de Sacha Calmon 2, "sanção é pena, castigo, restrição ao homem, seus bens ou direitos. A norma jurídica estatuidora de sanção tem por hipótese a prática de um ato violador de dever legal ou contratual". E, completando o raciocínio, ensina o tributarista: "As infrações são absorvidas pela ordem jurídica através da aplicação de sanções aos infratores e estas são mais diversas. Mencione-se, para logo, 1 que as sanções não são uma exclusividade do Direito Penal, posto que seja um Direito 1 tipicamente sancionatório. Nesta província jurídica, especificamente, as sanções são qualificadas e denominam-se penas, compreendendo as multas (sanções pecuniárias) e outras mais fortes, privativas da liberdade, de direitos e até privativas da vida. Ostentam como função precípua a penaliza ção dos agentes dos crimes e contravenções 1 tipificados no Direito Penal. Isto não significa a inexistência, fora do Direito Penal, de 1 ilícitos e sanções. Existem ilícitos eleitorais, civis, administrativos, tributários etc, assim como sanções eleitorais, civis, administrativas e tributárias, sem envolver a lei criminal cuja aplicação é feita pelos juízes criminais, segundo preceitos de direito e processos penais." Aliás, outros mestres consagrados, como Geraldo Ataliba e Nelson Hungria, atestam que a ilicitude jurídica é uma só, do mesmo modo que um só, na sua 1essência, é o dever jurídico, pois as leis são divididas apenas por comodidade de distribuição. Dessa observação, resulta que o ilícito tributário não se distancia ontologicamente do ilícito penal, mantendo-se uma fundamental identidade entre ambos: um e outro significam lesão efetiva ou potencial de um bem jurídico, razão de existir a pena, o mal infligido por lei, que serve de meio de intimidação ou coação psicológica, na prevenção do ilícito. As infrações não se distinguem, pois, pela natureza, que é única, e sim pela gradação da sanção, conforme a gravidade da V. ção, segundo a política 2 Teoria e prática das multas tributárias — 2' edição, Forense, pág. 19. 142 .281*MS R*01/12/05 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA;o PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEI RA CÂMARA Processo n° : 10120.006918/2003-19 Acórdão n° : 103-22.164 legislativa. E se há a imposição de sanção estatal, no exercício do jus puniendi, mesmo que a gravidade da violação não tenha merecido o tratamento mais severo regulado pelo Direito Penal, conforme a valoração do legislador, como aqui, nas sanções tributárias, reitera-se a importância do estudo do tipo para o alcance do direito de punir do Estado, cuja atuação está delimitada ao âmbito da norma que intenta proteger o bem jurídico tutelado. Por isso, Sacha Calmon, em sua obra', adverte quanto à necessidade de que as infrações fiscais também sejam estudadas segundo as determinações da teoria da tipicidade, asseverando, na oportunidade, a validade da aplicação de alguns princípios do Direito Penal à interpretação das infrações meramente tributárias. É que o tipo conserva uma finalidade de garantia do indivíduo, ao mesmo tempo em que delimita a liberdade para sua conduta. Nele estão descritos os elementos precisos da ordem ou da proibição. Para a verificação da adequação entre o fato real e a hipótese descritiva, o intérprete, portanto, há de ater-se a esses elementos componentes do tipo, que são de índole subjetiva — o dolo e um especial fim de agir — e objetiva — uma ação ou omissão revelada pelo núcleo verbal, os sujeitos ativo e passivo, o objeto da ação, o bem jurídico tutelado; o nexo causal; o resultado; circunstâncias de tempo, lugar, meio, modo de execução. Os primeiros pertencem ao campo psíquico-espiritual do autor; os últimos compõem o denominado "núcleo real-material" do ilícito. Os tipos dos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64 se referem a práticas juridicamente reprovadas, mas não indicam as penas aplicáveis e nem por isso deixam de compor normas sancionantes. Geraldo Ataliba4 toma as palavras de Becker para esclarecer que "não existe regra jurídica para a hipótese de incidência, outra para a base de cálculo, outra para a alíquota etc,- tudo isto integra a estrutura lógica de uma regra jurídica resultante de diversas leis ou artigos de lei (fórmula literal legislativa). É preciso não confundir regra jurídica com a lei; a regra jurídica é uma resultante da totalidade do sistema jurídico formado pelas leis". Nesse sentido, o conteúdo proibitivo dos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64 se associa à sanção estipulada no artigo 44, II, da Lei 9.430/96, para a formulação unitária de uma norma jurídica, que se pode dividir em duas partes: o preceito primário, preceptum juris, o comando, descrito nos tipos da Lei 3 Ob. cit. pág. 52. 4 Hipótese de Incidência Tributária, 6 ed., Malheiros Editores, São Paulo, 19 'eág. 77. 142.281*MSR*01/12/05 15 MINISTÉRIO DA FAZENDA : PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10120.006918/2003-19 • Acórdão n° : 103-22.164 n° 4.502/64, e o preceito secundário, sanctio juris, a sanção repressiva, prevista na Lei • n°9.430/96. Postas em seu lugar as devidas premissas e partindo-se, agora, ao exame da sonegação, conforme a descrição típica do art. 71 da Lei n° 4.502/64, vê-se que este tipo também não exige a obrigatória presença de um documento material ou ideologicamente falso para a caracterização do referido ilícito tributário, à semelhança da fraude penal. Pode haver, sim, mas não necessariamente. E, no entanto, a autuada fez uso de documento eivado de falsidade, de mentiras — a própria declaração de tributos que lhe serviu de instrumento para a realização da conduta descrita nos núcleos verbais do tipo — impedir ou retardar. E impedir ou retardar o quê? Os demais elementos objetivos do tipo respondem: o conhecimento por parte da autoridade fazendária da • ocorrência do fato gerador da obrigação principal e das condições pessoais do contribuinte. • Vamos aos fatos. Em primeiro lugar, a recorrente deixou de informar ao Fisco, no lapso temporal de 10 trimestres consecutivos, o tributo que deveria recolher na proporção das receitas auferidas. Se esmiuçados em meses, são 29 os períodos de omissão de fatos em sua manifestação concreta, verdadeira. As declarações apresentadas ao Fisco expressam situações diferentes da realidade, com tributos que não correspondem às receitas efetivas, o que é falso e juridicamente relevante, tal a lesividade da informação prestada, uma vez que o contribuinte obteve proveito econômico por intermédio dela. Por mera técnica legislativa, modernamente, segundo as orientações de Luis Regis Prado', o tipo não contém ordem direta, malgrado guarde proposições imperativas. Quando o tipo descreve "matar alguém", a norma quer dizer "é proibido matar seres humanos" (imperativo negativo); quando descreve "deixar de prestar assistência", a norma quer dizer "é obrigatório prestar assistência a terceiro, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, se esta pessoa estiver com sua vida ou sua saúde em risco" (imperativo positivo). Do mesmo modo, quando o tipo descreve "impedir ou 5 Curso de direito penal brasileiro, vol. I, parte geral, Revista dos Tribunais a kão, págs. 142 e 143. 142.281*MSR*01/12/05 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10120.00691812003-19 Acórdão n° : 103-22.164 retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador e das condições pessoais de contribuinte", a norma impõe "é obrigatório facilitar • o tempestivo conhecimento, por parte da autoridade fazendária, do fato gerador da obrigação tributária e das condições pessoais de contribuinte".(imperativo positivo). Pela descrição típica, a conduta de Impedir ou retardar é juridicamente desvalorada. Não obstante, a norma, em seu contexto geral, só admite a aplicação da sanção ao agente se, em razão de uma dessas condutas, consumar-se certo resultado que o ordenamento jurídico quer evitar, a diminuição ou supressão do tributo não informado, resultado esse que é descrito em seu preceito secundário, revelado no art. 44 da Lei n° 9.430/1996, e que serve de base de cálculo para a apuração da multa. A sonegação apreende condutas comissivas ou omissivas. A lei determinava à recorrente o dever de informar corretamente o valor do tributo por ela apurado. O lançamento por homologação, como é o caso dos tributos federais, implica antecipação do recolhimento do contribuinte sem o prévio exame da autoridade fiscal. Essa técnica, hoje prevalecente, decorre da impossibilidade de um prévio lançamento para os milhões de contribuintes, considerando a incalculável quantidade de fatos geradores que acontecem a cada dia, a cada mês, a cada ano, se confrontados com a dimensão do órgão estatal arrecadador. Tendo em vista que o tributo tem a perspectiva de cobrir as despesas públicas e satisfazer os interesses da comunidade, a realidade reclamou da legislação tributária a criação de documentos que conjugam, a final, dupla missão: a coleta de informações relativas ao administrado, sobretudo o que toca aos I valores obtidos quando da espontânea subsunção dos fatos ocorridos à lei material, e o aproveitamento de um meio hábil à confissão da dívida correspondente ao montante calculado, com o intuito de conferir agilidade à cobrança pelo Estado. Sendo assim, o legislador, representante democrático dos anseios da maioria, confiou ao contribuinte a tarefa cívica de apresentar-se espontaneamente para confessar e oferecer a parte de seus bens que lhe cabe no rateio geral das despesas, de acordo com a sua capacidade econômica de contribuir. Não o fazendo, sua atitude indica desprezo aos outros indivíduos, mormente a grande maioria de necessitados se nossos conterrâneos, daí a desvalorização jurídica da conduta. • 142.281*MSR*01/12/05 17 • MINISTÉRIO DA FAZENDA: 1/4,,-;;' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEI RA CÂMARA Processo n° : 10120.006918/2003-19 Acórdão n° : 103-22.164 In casu, trata-se de ilícito omissivo impróprio, ou comissivo por omissão, que difere do ilícito omissivo próprio. Este se consuma com o simples descumprimento do mandamento legal, independentemente da produção de um resultado, exaurindo-se na mera omissão ao dever de agir imposto pelo ordenamento. Juarez Tavares6 exemplifica com o crime de omissão de socorro, "cuja consumação se dá desde que o sujeito não tenha prestado o socorro, ainda que outro o tenha feito e, assim, impedido a morte do acidentado". Já nos ilícitos omissivos impróprios, segundo Regis Prado', há uma omissão da ação mandada (uma inação) que dá lugar a um resultado típico, "não evitado por quem podia e devia fazê-lo, ou seja, por aquele que, na situação concreta, tinha a capacidade de ação e o dever jurídico de agir para obstar a lesão ou o perigo de lesão ao bem jurídico tutelado". É um ilícito especial, advertem Regis Prado e Tavares, pois tão-somente se admite a autoria daquele que, estando anteriormente na posição de garantidor do bem jurídico, não evita o resultado típico, podendo fazê-lo. Tal é o caso da sonegação, em sua modalidade omissiva, pois a adequação típica somente se verifica, conforme a estrutura da norma, se, além da inação, consumar-se o resultado juridicamente indesejado, nos termos da combinação entre os artigos 71 da Lei n° 4.502/64 e 44, II, da Lei n° 9.430/1996. E acrescente-se: o sujeito passivo é o garantidor do Erário, o bem tutelado, desde o momento em que a legislação tributária lhe impôs o dever de antecipar o tributo e informar ao Fisco sua condição de contribuinte. Não o fazendo, torna-se sonegador, porquanto o seu comportamento anterior (a omissão da ação mandada) concretizou o risco de lesão ao referido bem jurídico, com a supressão ou a redução da exação. Quanto ao dolo, a ciência moderna do Direito o compreende como consciência e vontade de realizar os elementos objetivos do tipo, de acordo com as linhas tracejadas por Luis Regis Prado 8. Ele é composto, então, de dois elementos, sendo um deles cognitivo - conhecimento idôneo da situação fática retratada nos elementos objetivos - e outro, volitivo — vontade de realizar a ação e o resultado típicos, 6 As controvérsias em tomo dos crimes omissivos, Instituto latino-americano de cqoperação internacional, 1996, pág. 75. Ob. cit. Pág. 261. r\8 Ob. cit. Pág. pág. 297. • 142.281*MSR*01/12/05 18 1)) /17 g' e MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10120.006918/2003-19 Acórdão n° : 103-22.164 a partir da cognição do agente sobre a situação típica. Contudo, Juarez Cirino dos Santos9 nos ensina que o dolo, nos ilícitos omissivos, não precisa ser constituído de consciência e vontade, como nos ilícitos de ação: "basta deixar as coisas correrem com conhecimento da situação de perigo para o bem jurídico e da capacidade de agir, mais o conhecimento da posição de garantidor". Juarez Tavares w segue trilha semelhante, ao mencionar que, em infrações omissivas, o dolo se expressa com a decisão acerca da omissão da ação mandada, "com a consciência de que o sujeito poderia agir para evitar o resultado", isto é, que "o sujeito inclua na sua decisão a não execução da ação possível", quando dotado de possibilidade material de evitar o resultado. Quanto à prova do evidente intuito de fraude, vejo, aí, nesse nomen ¡uris, a necessidade da prova do dolo, o elemento subjetivo do tipo, identificada na palavra "intuito", e dos elementos objetivos da fraude, em qualquer de suas espécies. Cabe trazer, aqui e agora, as orientações de Afrânio Silva Jardim", merecedoras das lembranças do Ministro Felix Fisher, no julgamento do RESP n° 250.504, DJ de 18.03.2002, ao advertir, no que respeita ao dolo, que "a sua demonstração será feita através do próprio fato principal e de suas circunstâncias, que devem estar firmadas na acusação", pelo uso do raciocínio. Também no RESP n° 247.263, o Ministro Felix Fischer, DJ 20.08.2001, toma o rumo da lição anterior: • "....0 dolo eventual, na prática, não é extraído da mente do autor mas, isto sim, das circunstâncias...' • Destaque-se das orientações pretorianas, supramencionadas, que, no exame da existência do dolo, não sendo possível penetrar, em concreto, no ambiente em que estão estados e processos anímicos do sujeito, nem por isso o julgador está impedido de inferi-lo pelo raciocínio lógico, valendo-se de circunstâncias fáticas A moderna teoria do fato punível, Lúmen Júris, 4' edição, págs. 139 e 140. 1 ° Ob. cit. pág. 95. "Direito processual penal, Forense, r edição, pág.217. 142.281*MSR*01/12/05 19 , ,,. C41 MINISTÉRIO DA FAZENDA ‘,.,,..,: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES V' TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 10120.00691812003-19 Acórdão n° :103-22.164 presentes nos autos. No mesmo trilho, Moacir Amaral Santos', com sua grande experiência, confirma o pronunciamento do Ministro Felix Fischer e de Afrânio Silva Jardim, ao exprimir que "a prova indiciária tem grande aplicação, principalmente na apuração do dolo, da fraude, da simulação e, em geral, nos atos de má-fé". De tudo o que relatei e das provas coligidas e, ainda, consoante a imputação fática, saio convicto de que a inação da recorrente configura a sonegação descrita na autuação, nos termos do art. 71 da Lei n° 4.502/64. Por dez trimestres, a fiscalizada frustrou as expectativas de sua coletividade, obtendo proveito ilícito com informações omitidas, não revelando a totalidade do tributo que deveria recolher, na proporção das receitas que sabia ter auferido, afinal, escriturou no livro de ICMS valores bem superiores à base de cálculo que utilizou em sua apuração. A recorrente, que era garantidora do Erário, lesou voluntariamente o Fisco, ao deixar de fornecer ao Estado o retrato fiel de sua realidade tributável. Sua escrituração fiscal reforça a convicção de que suas vendas constituem fatos geradores do IRPJ que deveria apurar e informar ao Estado, mediante os instrumentos criados pela legislação tributária. Assim, para evitar que a autoridade fiscal tomasse ciência da obrigação principal que lhe incumbia, em sua inteireza, quis escondê-la parcialmente do conhecimento do Fisco, como, de fato, escondeu. O dolo está visível, afinal, a escrituração do livro de ICMS, pelo valor efetivo das vendas praticadas, evidencia a consciência de que poderia agir para evitar a lesão ao bem jurídico. Desse modo, sua decisão acerca da inação se dirigiu finalisticamente ao resultado típico, deixando de executar a ação que lhe era possível, por efeito de sua vontade. No que afeta à discussão que versa sobre a aplicação do art. 44, I, da Lei n° 9.439/96, ao caso concreto, sob o eventual argumento de que a multa de 75% deve ser a incidente em casos de falta de declaração ou declaração inexata, é importante acrescentar que o referido inciso prevê, ele mesmo, a imposição da multa do inciso II, quando a omissão da entrega ou a inexatidão é dolo a. Eis o dispositivo: 11' ' 1 1 i 12 Prova judiciária no civel e no comercial, vol. 1, Max Limonad, 1949. 142.281*MS R*01/12/05 , 20 /(( , MINISTÉRIO DA FAZENDA : PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 10120.00691812003-19 Acórdão n° : 103-22.164 "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II- cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. De tudo, enfim, que examinei, tomo conhecimento do recurso voluntário, negando-lhe provimento. Sala das Sessões, DF, 09 de novembro de 2005. FLÁV• F CO CORRÊA 1 1 1\, l 4r, 142.281*MSR*01/12/05 21 MINISTÉRIO DA FAZENDA: n c< PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 10120.00691812003-19 Acórdão n° : 103-22.164 VOTO VENCEDOR Conselheiro PAULO JACINTO DO NASCIMENTO - Relator Eesignado. Discordo do erudito voto prolatado pelo Eminente Relator Flávio Franco Corrêa, na parte em que contraria a majoritária jurisprudência desta Câmara, que • consolidou-se no sentido de que a falta de declaração ou a prestação de declaração inexata, por si sós, não autorizam o agravamento da multa. Aliás, é a própria Lei n° 9.430/96 que, no inciso I do art. 44, inclui a falta de declaração e a declaração inexata, ao lado da falta de pagamento e do pagamento fora do prazo sem o acréscimo da multa de mora, como hipóteses em que a multa aplicável é de setenta e cinco por cento, dispondo: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. I — de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;" • Para que as hipóteses apontadas no inciso I como passíveis da incidência de multa de setenta e cinco por cento passem a sofrer a incidência da multa de cento e cinqüenta por cento, exige o inciso II, a presença de evidente intuito de fraude, com a seguinte dicção: «II — cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis". No dizer de De Plácido e Silva, intuito é o firme desejo, o objetivo pensado, ou o resultado querido; a finalidade, que se tem em mente, quando se pratica o ato e fraude é o engano malicioso ou a ação astuciosa, promo ieos de má-fé, p ra 1g\ 142.281*MSR*20/02/06 22 MINISTÉRIO DA FAZENDA • ; -n\.T- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEI RA CÂMARA Processo n° : 10120.00691812003-19 Acórdão n° : 103-22.164 ocultação da verdade, ou fuga ao cumprimento do dever; enquanto que, segundo o Dicionário Aurélio, evidente é o que não oferece dúvida, que se compreende prontamente, dispensando demonstração, claro, manifesto, patente. Não satisfeito com os atributos já conferidos ao tipo, o legislador da Lei n° 9.430/96, para o seu fechamento, incorporou a definição dada pelos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, que o conceitua como "toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento", bem como "o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais e das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente". Assim, o dolo específico ou determinado, resultante da intenção criminosa e da vontade de obter o resultado da ação ou omissão delituosa, descrito na Lei n° 4.502/92, integra o tipo de que cogita o art. 44, II, da Lei n° 9.430/96. Na conduta da recorrente, consistente na utilização de bases de cálculo inferiores aos valores das receitas auferidas, não vislumbro o tipo do inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96 e entendo que ela se subsume no tipo do inciso I, apenado com a 1 multa de 75% (setenta e cinco por cento). Por tais fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de lançamento de ofício ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Sala das Sessões - *F, 09 de novembro de 2095 /r4 PAULO JACI é 0.! o -ASCIMENTO I k 142.281*MS R*20/02/06 23 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1
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