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Numero do processo: 19515.002715/2006-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2000
Ementa: PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO VINCULADA DE JURISPRUDÊNCIA DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. Em caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, com pagamento e sem dolo, fraude ou simulação, aplica-se
o art. 150, §4º, do CTN.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Ano-calendário: 2001
Ementa: PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO VINCULADA DE JURISPRUDÊNCIA DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. Em caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, com pagamento e sem dolo, fraude ou simulação, aplica-se
o art. 150, §4º, do CTN.
Numero da decisão: 1102-000.663
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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Recorrida 7a.TURMA DRJ/SP I SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa: PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO VINCULADA DE JURISPRUDÊNCIA DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. Em caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, com pagamento e sem dolo, fraude ou simulação, aplicase o art. 150, §4º, do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001 Ementa: PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO VINCULADA DE JURISPRUDÊNCIA DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. Em caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, com pagamento e sem dolo, fraude ou simulação, aplicase o art. 150, §4º, do CTN. ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO –Presidente e Relatora EDITADO EM:10/04/2012. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 110200.663 S1C1T2 Fl. 2 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otavio Oppermann Thomé,Silvana Rescigno Guerra Barretto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Leonardo de Andrade Couto, Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente) Fl. 2DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 110200.663 S1C1T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ (fls.160/163), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS(fls.186/189) e Multa Isolada(fls.212/214), lavrados em 30/11/06 , decorrente da revisão interna de pedidos de compensação de débitos controlados nos processos nºs. 10410.003915/0036 e 10410.003866/200436. O termo de Constatação Fiscal (fls.164/169, 190/195 e 215/220), consigna os seguintes fatos, nos termos do relatório do acórdão recorrido). a empresa, através dos processos números 10410.003915/0036, protocolizado em 04/09/00, e 10410.003866/200436, protocolizado em 24/08/01, teve débitos do PIS, IRPJ, CSLL e COFINS requeridos para compensação com créditos de terceiros; tais créditos, controlados no processo nº 10410.000297/0072, em nome da empresa Usina Taquara Ltda, CNPJ n° 12.217.246/000107 referiamse a créditosprêmio do IPI, previstos no art.1º do DL 491/69, respaldados inicialmente em antecipação de tutela através da ação ordinária no processo nº 99.00084756; no entanto, em 06/04/06, a 2ª Turma do TRF5ªRegião decretou a nulidade do processo judicial a partir de sua instrução; a par disso, o agente fiscal procedeu a levantamento dos débitos constantes dos pedidos de compensação confrontandoos com os valores informados em DCTF, apurando valores a maior nos débitos constantes dos pedidos de compensação. Com base nos fatos acima, o agente fiscal constituiu os seguintes créditos tributários, incluídos acréscimos legais calculados até 31/10/06: IRPJ: de R$ 9.692.254,77(fls.160), cuja matéria tributável resultou das diferenças a maior do confronto dos débitos do IRPJestimativa de 01 a 12/00 e seu reflexo no saldo anual em 31/12/00, constantes dos pedidos de compensação, processo nº 10410.003915/0036, com os informados em DCTF; COFINS: de R$ 718.863,47(fls.186), com matéria tributável resultante das diferenças a maior do confronto dos débitos constantes dos pedidos de compensação(fatos geradores de 02, 04, 05 e 06/01), processo nº 10410.003866/200436, com os informados em DCTF; Multa Isolada: de R$ 12.383.382,00(fls.212), sobre compensação indevida dos débitos constantes nos dois processos retromencionados. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 110200.663 S1C1T2 Fl. 4 4 Consistiu a fundamentação legal do lançamento do IRPJ no art.841, incisos I, III e IV, do RIR/99, da Cofins no art.1º da LC nº 70/91, arts.2º, 3º e 8º da Lei nº 9.718/98 e alterações posteriores, e da Multa Isolada, no art.18 da Lei nº 10.833/03, art.90 da MP 2.15835/01 e art.106, inc.II, alínea c, da Lei nº 5.172/66(CTN). Ciência dos lançamentos em 05/12/06, apresenta impugnação em 03/01/07, fls.244/262, onde, em resumo, alega: a) decadência do lançamento do IRPJ e da Cofins, em face do disposto no art.150, § 4º, do CTN, por se tratar de diferenças apuradas no período de janeiro a dezembro/2000 e a Cofins por se tratar de fatos geradores de fevereiro, abril, maio e junho/2001; b) no caso do IRPJ, mesmo que se aplique o disposto no art.173, I, do CTN e o fato gerador ocorrido no fim do períodobase, em 31/12/00, o direito de lançamento teria se expirado em 31/12/05; c) reconhecer a homologação tácita dos débitos referentes ao processo 10410.003866/200436, protocolado em 24/08/01, em face do transcurso do prazo de 5 anos previsto no art.74, § 5º, da Lei nº 9.430/96; d)falta de conhecimento das suas respostas às intimações nºs 1549 e 1551/2006 sobre as diferenças observadas entre os valores declarados em DCTF e os constantes nos pedidos de compensação, o que implicou em cerceamento de defesa. No tocante ao mérito, em relação às diversas matérias, aduz que: a) IRPJ : a cobrança das diferenças não existiriam, pois recolheu em 12/00 o valor de R$ 4.452.500,00, sem informar esse recolhimento em DCTF, razão pela qual iria retificar a DCTF; b)Cofins : não houve compensação, indevida ou não, razão pela qual não procede o lançamento de diferenças compensadas nos termos do art.23 da IN SRF 210/2000; c)Multa Isolada: Informa que a exigência não se manteria, porque a responsabilidade pela eventual compensação indevida seria da empresa detentora do crédito, a Usina Taquara Ltda, que utilizou o crédito antes do trânsito em julgado da ação judicial. Ainda, não houve compensação indevida, pois a tutela judicial do processo nº 99.00084756 lhe permitiu realizar tal compensação e ainda o fato de que, antes da decisão que cassou a antecipação de tutela, teria quitado todos os débitos(por Darf, parcelamento especial e retificação de DCTF). Também aponta que não se concretizou as hipóteses previstas no art.18 da Lei nº 10.833/03, ou seja, de sonegação, fraude ou conluio, o que descaracterizaria a cobrança da multa aplicada. Sobrevem acórdão 1614.197, de 24/07/2007, fls.500/510, assim ementado: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 110200.663 S1C1T2 Fl. 5 5 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2000 DECADÊNCIA O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, apurado com base nas regras do lucro real anual ou mensal, inserese no rol dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Entretanto, não ocorrido o pagamento de imposto, o prazo decadencial contase na forma do art. 173, I, do CTN. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa se o Auto de Infração contém todos os requisitos formais, mormente quando a contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas uma a uma, até mesmo levantando questões preliminares. DÉBITOS INFORMADOS EM COMPENSAÇÃO. Débitos informados em pedidos de compensação anteriores à Lei nº 10.833/03 não se constituem em confissão de dívida, sendo passíveis de lançamento de ofício as diferenças porventura não informadas em DCTF. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Não é aplicável o instituto da homologação tácita quando o crédito objeto da pretendida compensação se refira a crédito de terceiros, baseado em ação judicial não transitada em julgado ou “créditoprêmio” do IPI, entre outras hipóteses. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2001 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda constituir seus créditos relativamente às contribuições sociais extinguese com o prazo de 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia constituir os créditos. MULTA ISOLADA Aplicase a multa isolada sobre o total dos débitos compensados quando o crédito se respalde em decisão judicial não transitada em julgado, quando se refira a “crédito prêmio” do IPI ou a créditos de terceiros, entre outras hipóteses expressas na lei. Lançamento Procedente. Ciente, em, fls.26/10/2007, fls.512, interpôs suas razões de recurso às fls.516/528, em 27/11/2007, onde , após narrar os fatos e transcrever a ementa do acórdão guerreado, aduz: PARA O IRPJ: a) em PRELIMINAR , a decadência do lançamento. Transcreve doutrina e jurisprudência sobre o tema, para concluir que, por se tratar do IRPJ, tributo sujeito ao lançamento por homologação, está sujeito às regras do §4o.do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 110200.663 S1C1T2 Fl. 6 6 E da simples análise do lapso temporal ocorrido entre (i) o surgimento das obrigações tributárias no decorrer do anocalendário de 2000 e (ii) a data da constituição do crédito tributário (ciência em 05/12/2006), se visualiza este fenômeno jurídico. Como o fato gerador das obrigações tributárias ocorreu no decorrer do ano calendário de 2000 (de 01/01/2000 a 31/12/2000), se acrescidos cinco anos nos moldes do disposto no artigo 150, § 4°, do CTN, verificase como resultado o ano calendário de 2005, ou seja, “não há dúvida de que a partir de janeiro de 2006 decaiu o direito do fisco de efetuar qualquer lançamento” !!! Transcreve ementas de julgados administrativos (Oitava Câmara:processo n° 15327.000977/0049, sessão de 21/05/2002;processo n° 10845.001678/200382, sessão de 22/03/2006, processo n° 10730.001761/200187, sessão de 08/07/2004. Primeira Câmara: processo n° 13888.000726/200145, sessão de 17110/2001; processo n° 10410.006375/2002 85, sessão de 22/10/2004, dizendo que elas secundariam sua conclusão). E finaliza dizendo que não discute valores do Imposto de Renda objeto desta demanda, porque todos os fatos geradores do período se encontram decadentes. b) MÉRITO – diz que a cobrança de IRPJ decorre de auditoria interna nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, relativas ao anocalendário de 2000, nas quais foi apurado o não pagamento do débito declarado com relação a alguns valores lançados em Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ. O cruzamento apontou que na DIPJ informava o valor de R$ 16.162.253,75, enquanto a DCTF apontava para R$ 12.617.819,75, o que gerou a diferença correspondente ao valor lançado de R$ 3.544.434,00. Comenta que, se bem examinada a matéria, se evidenciariam os equívocos das alegações do revisor , indevidamente acolhidas pelo julgadores de primeiro grau, ao concluírem que não recolhera a totalidade do imposto devido no anocalendário de 2000. Informa que em dezembro de 2000, recolheu o valor de R$ 4.452.500,00 referente ao IRPJ, conforme comprovante de arrecadação expedido pela Receita Federal, mas não consignou este valor na DCTF. Contudo, no próprio "Demonstrativo de Diferenças Apuradas IRPJ", constante da parte inicial do processo, há expressa menção do pagamento desse valor por DARF. Continua para dizer que , apesar do equívoco na DCTF, o qual já sanara, com a retificação da declaração, provara o recolhimento a maior do pagamento dos valores de estimativa do IRPJ. Reclama das autoridades fiscais que procederam ao lançamento da cobrança da diferença entre a DCTF e DIPJ, unicamente baseados na verdade formal contida nessas declarações, sem levar em consideração o previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional, que determina que a verdade material seja buscada pelas autoridades quando do lançamento.Transcreve o dispositivo. Comenta que o simples fato de documentos fiscais declararem valores diferentes entre si não os torna verdadeiros. Pode ocorrer a entrega de uma declaração que Fl. 6DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 110200.663 S1C1T2 Fl. 7 7 efetivamente não representa o critério material/quantitativo da norma jurídica instituidora do tributo, acarretando distanciamento entre a verdade material e a verdade formal. Por isto não poderia prosperar como verdade passível de tributação, os valores declarados em DCTF desconsiderandose as informações contidas na DIPJ e DARF. No caso, a DCTF demonstrou um pagamento a menor. Mas, na DIPJ e nas guias devidamente recolhidas, percebese que o imposto havia sido integralmente quitado, não prosperando a cobrança. Consequentemente, não há que se falar em débito de IRPJ no anocalendário de 2000. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS a) em PRELIMINAR a decadência. Repisa os argumentos expendidos em relação ao IRPJ e diz inaplicável a contagem através do 45 da Lei n° 8.212/1991. No caso, os valores cobrados referemse às diferenças encontradas entre os Pedidos de Compensação de Crédito com Débitos de Terceiros e a DCTF, nos períodos de fevereiro, abril, maio e junho de 2001. Discorre sobre o instituto da decadência, repisando os argumentos expendidos em relação ao IRPJ para concluir que o prazo para a constituição do crédito tributário pela Administração é de 5 (cinco) anos contado da ocorrência do fato gerador, conforme estipulado no art. 150, § 4°, do CTN. Transcreve ementas de acórdãos que secundariam sua conclusão. Em sendo lavrado Auto de Infração em dezembro de 2006, resta evidenciada a impossibilidade da sua cobrança, por dizer respeito aos valores relativos a períodos anteriores a dezembro de 2001. MULTA ISOLADA Reclama igualmente da multa isolada no valor de R$ 12.383.382,00 referente ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, decorrentes de pedidos de compensação objeto dos Processos Administrativos n°s. 10410.00391510036 e 10410.003866/200436. Informa que por força de ajuste comercial entabulado entre a Recorrente e a empresa Usina Taquara Ltda., esta última apresentou, perante a Delegacia da Receita Federal de Maceió, Pedidos de Compensação de Créditos com Débitos de Terceiros — PCC's. Naquela oportunidade , a empresa Cedente dos créditos estava protegida por medida judicial, prolatada no bojo da Ação Ordinária n°, 99.00084756, que ao mesmo tempo reconhecia a existência de direito de crédito (créditoprêmio de IPI) e autorizava a transferência do crédito a terceiros. A verdade contida no Termo de Constatação da Delegacia da Receita Federal — Divisão de Fiscalização de fls. no sentido de que a tutela judicial que reconhecia a existência de créditos da Usina Taquara Ltda., que permitia ela transferir a terceiros os seus alegados créditos, foi revogada em 06/04/2004. Tal revogação importou não só na proibição de se transferir, a partir daquela data, os créditos como também no cancelamento dos documentos que viabilizavam as transferências já ocorridas por força de medida liminar. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 110200.663 S1C1T2 Fl. 8 8 Consigna que no momento da apresentação do pedido de compensação de débitos com crédito de terceiro, tinha uma decisão de antecipação de tutela que lhe dava o direito de realizar imediatamente a compensação. Ora, se naquele momento um Juiz de direito proferiu uma decisão que permitia a compensação imediata — ou seja, antes do trânsito em julgado da sentença — não há que se falar em compensação indevida, pois a tutela judicial do processo n o . 99.00084756 dava ao contribuinte Usina Taquara Ltda. o direito de realizar tal compensação. Comenta que, mesmo antes da decisão que cassou a antecipação da tutela, ela quitou todos os débitos (por DARF, inclusão no PAES e retificação da DCTF) que outrora foram compensados. Ou seja, de sua parte, não houve descumprimento de nenhuma norma legal referente a compensação para que possa haver imposição de multa isolada, conforme intenta o Autuante. Reclama também do auto de infração por afirmar que o contribuinte "baseou se em crédito de terceiro, cuja utilização em compensação tributária foi vedada expressamente pela instrução Normativa SRF n.41, de 07/04/2001 No entanto, a Instrução Normativa SRF n°, 41 trata de produtos no regime tributário do IPI. Tal norma não possui nenhuma relação com as infrações estipuladas, devendo ser retificado. Pede vênia para comentar que houve, por parte autoridade administrativa, excesso na cobrança .Como cita a cobrança de valores que nem ao menos foram utilizados para compensação, como reconheceu o Autuante quando afirma que: "alguns valores declarados em DCTF são inferiores aos valores solicitados pelo contribuinte” Ou seja, mesmo não utilizando o crédito pleiteado, teve contra si lavrado o auto de infração constituindo um débito inexistente. Reclama também da multa isolada de 75% por compensação indevida , quando ficou comprovado que não houve utilização dos créditos pleiteados, já que todos foram posteriormente quitados ou parcelados, demonstra excesso de exação. Referese a um possível equívoco por parte do Autuante, que ultrapassou os limites da fiscalização, já que nem ao menos apreciou as resposta ás intimações realizados nos Processos Administrativos n°s. 10410.0003866/200436 e 10410.003915/0036, "in verbis": "(...) a empresa foi intimada nos processos n.10410.0003866/200436 e 10410.003915/0036 a esclarecer as diferenças observadas entre os valores constantes dos Pedidos de Compensação de Débitos com Créditos de Terceiros" e os valores declarados em DCTF, conforme relatado neste Termo. Não houve resposta do contribuinte a estas intimações.' Pede vênia para discordar pois, conforme documentos acostados a Impugnação de fls. ela protocolizou em 30/05/2006 as devidas respostas ás intimações as quais não foram apreciadas pelo Sr. Fiscal, cerceando seu direito de defesa . Reclama, ainda da imposição da multa isolada, por se realizar de forma retroativa, na medida em que a "ameaça" de compensação, não concretizada, que é o presente caso, se punível fosse, só poderia atingir os fatos geradores ocorridos a partir da norma que instituiu essa penalidade, ou seja, a Lei n°, 11.051/2004. Sua aplicação a caso ocorrido em 2000 representa clara hipótese de retroatividade penal, vedada pela legislação fiscal, e em Fl. 8DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 110200.663 S1C1T2 Fl. 9 9 confronto com a disposição de que tratam os arts. 106 e 112 ambos do Código Tributário Nacional. Resume o pedido na ordem seguinte: (...) (i) seja acolhida a preliminar que aduziu, reconhecendose a decadência do direito da Fazenda Pública á cobrança de quaisquer valores de IRPJ e da COFINS relativamente aos períodos mencionados; (ii) sejam, no mérito, conhecidas e providas as razões acima deduzidas, determinandose conseqüentemente o cancelamento do Auto de Infração ora combatido, e a remessa dos presentes autos de contencioso administrativo ao arquivo, tudo por ser medida que de direito se impõe. Despacho de fls.548 encaminha os autos para julgamento. Por sorteio os recebo. É o Relatório Voto Tratase de exigência para o Imposto de Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, e multa isolada decorrente de revisão interna de pedidos de compensação de débitos controlados nos processos nºs. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 110200.663 S1C1T2 Fl. 10 10 10410.003915/0036 e 10410.003866/200436, que restaram negados pela autoridade jurisdicionante, cuja ciência da Contribuinte ocorreu em 30 de novembro de 2006. Esta, ao analisar o pedido, consignou que a empresa, através dos processos números 10410.003915/0036, protocolado em 04/09/00, e 10410.003866/200436, em 24/08/01, respectivamente, teve débitos do PIS, IRPJ, CSLL e COFINS requeridos para compensação com créditos de terceiros. Esses créditos, controlados no processo nº 10410.000297/0072, em nome da empresa Usina Taquara Ltda, CNPJ n° 12.217.246/000107, referiamse a créditosprêmio do IPI, previstos no art.1º do DL 491/69, respaldados inicialmente em antecipação de tutela através da ação ordinária no processo nº. 99.00084756, mas em 06/04/06, a 2ª Turma do TRF 5ªRegião decretou a nulidade do processo judicial a partir de sua instrução. No mesmo procedimento o auditor procedeu ao levantamento dos débitos constantes dos pedidos de compensação, confrontandoos com os valores informados em DCTF, apurando valores a maior nos débitos constantes dos pedidos de compensação, que também foram objeto de lançamento. Em síntese, para o IRPJ a matéria tributável resultou das diferenças a maior do confronto dos débitos do IRPJestimativa de 01 a 12/00 e seu reflexo no saldo anual em 31/12/00, constantes dos pedidos de compensação, processo nº. 10410.003915/0036, com os informados em DCTF Para a COFINS, a matéria tributável resultante das diferenças a maior do confronto dos débitos constantes dos pedidos de compensação(fatos geradores de 02, 04, 05 e 06/01), processo nº. 10410.003866/200436, com os informados em DCTF; Também é exigida a multa isolada sobre compensação indevida dos débitos constantes nos dois processos antes mencionados. As razões de recurso oferecem para análise as preliminares de cerceamento de direito de defesa e decadência. Deixo de apreciar a de cerceamento do direito de defesa, por restar prejudicada como se verá adiante. Para o IRPJ os valores das obrigações tributárias referemse ao ano calendário de 2000 e o crédito tributário foi cientificado em 05/12/2006. Com a edição na Portaria MF nº 586, de 21.12.2010, do art. 62A do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009, as decisões do desse órgão devem estar vinculadas à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça quando reconhecidos os efeitos gerais do recurso repetitivo. Assim, em matéria de decadência, cabe seguir a decisão proferida pelo STJ no julgamento do Resp nº 973.733/SC, de 12.08.2009, o qual traz a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 110200.663 S1C1T2 Fl. 11 11 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro Fl. 11DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 110200.663 S1C1T2 Fl. 12 12 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr.Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Denise Arruda, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Eliana Calmon e Francisco Falcão votaram com o Sr. Ministro Relator. Os fatos geradores das obrigações tributárias ocorreram no decorrer do ano calendário de 2000 (de 01/01/2000 a 31/12/2000), assim, o dia 31/12/2000 é o prazo inicial. Contados os cinco anos nos moldes do disposto no artigo 150, § 4°, do CTN, verificase como prazo final para constituição do crédito, o dia 31/12/2005, enquanto o lançamento só foi cientificado, à Recorrente, em 05 de dezembro de 2006. A autoridade lançadora, na tabela de fls.178, aponta pagamentos através de parcelamento e DARF.Por isto acolho a preliminar de decadência quanto ao 1o. item da autuação. A autoridade julgadora de primeiro grau entende que o prazo inicial para contagem da decadência seria o dia da decisão judicial que anulou o julgamento, na linha do termo de Constatação, fls.169, que assim concluiu: Destaquese que, em decorrência da tutela antecipada proferida na ação judicial No. 99.0008475 6, posteriormente considerada nula, a União viu restringido seu poder de fiscalização da compensação pleiteada pelo contribuinte, sendo compelida a expedir os documentos que atestassem a compensação e, em conseqüência, a considerar liquidados os débito apresentados indevidamente à. compensação pelo contribuinte. Sendo assim, apenas após d decretação de nulidade da ação judicial fOi restaurado o poder fiscalizador da União, passando, então, a ser possível a constituição do ; crédito tributário, o que ocorreu em 06104/2004 de acordo com despacho da Delegacia da Receita Federal em Maceió — AL. Além disso, quanto aos débitos de IRPJ, cabe esclarecer que o retrato completo da apuração do imposto relativo ao anocalendário 2000 efetuada pelo contribuinte foi dado a conhecer à Receita Federal apenas a partir da entrega da DIR1, durante o ano de 2001, sem esquecer da limitação do poder de agir imposta por tutela judicial que também se aplicou ao IRPJ indevidamente compensado.. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 110200.663 S1C1T2 Fl. 13 13 Todavia, s.m.j entendo que o fato da Contribuinte estar albergada por medida judicial não impedia a lavratura do auto de infração, para prevenir a decadência, como bem aponta a Conselheira Karem Jureidini Dias, no artigo Decadência e Prescrição para Constituição e Cobrança do Crédito Tributário ( Compensação Tributária/Karem Jureidini Dias, Marcelo Magalhães Peixoto, coordenadores Marco Aurélio Greco...[et al.] São Paulo :MP Ed.2007) fls.39 : “O prazo decadencial não se suspende nem interrompe.Com exceção, existe apenas a previsão em lei complementar para o prazo decadencial contado da anulação do lançamento anteriormente efetuado por vício formal. Mesmo nos casos de suspensão da exigibilidade previstos nos incisos do artigo 151 do CTN, é poder e dever da autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício, já que o que se suspende são os atos executórios. Assim, para os tributos sujeitos ao regime de apuração” por homologação”, salvo nos casos de fraude,dolo e simulação,o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Entendo que o mesmo se aplica a Contribuição Social Sobre o Lucro, Contribuição ao Pis e Cofins. No tocante a Cofins, sua exigência é mensal e diz respeito aos meses de fevereiro, abril, maio e junho de 2001, aqui também se instalou a decadência do direito do fisco realizar o lançamento, porque este só ocorreu em 05/12/2006. (O fato gerador é mensal). A análise da imposição da multa isolada resta prejudicada em função da perda de direito de a Fazenda Pública constituir o lançamento Nesta ordem de juízo, dou provimento ao recurso. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Fl. 13DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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Numero do processo: 19515.000265/2002-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1998
IRPF DEPUTADO ESTADUAL VERBAS RECEBIDAS A TÍTULO DE “AUXÍLIO ENCARGOS GERAIS DE GABINETE” E DE “AUXÍLIO HOSPEDAGEM” CRÉDITO
TRIBUTÁRIO INSUBSISTENTE.
Os valores recebidos por parlamentares a título de “verbas de gabinete”, que não correspondam a despesas efetivamente incorridas no exercício dos mandatos por eles exercidos, representam aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, como produto do trabalho, tal qual previsto no artigo 43, inciso I, do CTN. O fato gerador do imposto sobre a renda
ocorre, apenas, em relação à diferença entre as importâncias pagas pela Assembléia Legislativa e aquelas efetivamente gastas pelos deputados nas despesas para as quais foram criadas. A matéria tributável não pode ser representada pela totalidade desses numerários, sob pena de afronta, inclusive, ao princípio constitucional da capacidade contributiva. Lançamento em desacordo, também, com o artigo 142 do CTN.
Ademais, a jurisprudência deste Colegiado é firme no sentido de que “Os valores recebidos pelos parlamentares, a título de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, não se incluem no conceito de renda por se constituírem em recursos para o trabalho e não pelo trabalho.
A premissa exposta no item anterior não se aplica nos casos em que a fiscalização apurar que o parlamentar utilizou ditos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade parlamentar.” (Acórdão n° 920200.053
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.000
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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Os valores recebidos por parlamentares a título de “verbas de gabinete”, que não correspondam a despesas efetivamente incorridas no exercício dos mandatos por eles exercidos, representam aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, como produto do trabalho, tal qual previsto no artigo 43, inciso I, do CTN. O fato gerador do imposto sobre a renda ocorre, apenas, em relação à diferença entre as importâncias pagas pela Assembléia Legislativa e aquelas efetivamente gastas pelos deputados nas despesas para as quais foram criadas. A matéria tributável não pode ser representada pela totalidade desses numerários, sob pena de afronta, inclusive, ao princípio constitucional da capacidade contributiva. Lançamento em desacordo, também, com o artigo 142 do CTN. Ademais, a jurisprudência deste Colegiado é firme no sentido de que “Os valores recebidos pelos parlamentares, a título de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, não se incluem no conceito de renda por se constituírem em recursos para o trabalho e não pelo trabalho. A premissa exposta no item anterior não se aplica nos casos em que a fiscalização apurar que o parlamentar utilizou ditos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade parlamentar.” (Acórdão n° 920200.053 Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 24/02/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado) Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de José Eduardo Ferreira Netto foi lavrado o auto de infração de fls. 55/58, objetivando a exigência de Imposto de Renda Pessoa Física em decorrência da identificação, pela autoridade fiscal, da omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo a título de “Auxílio Encargos Gerais de Gabinete e Auxílio Hospedagem”, relativamente aos exercícios de 1998 e 1999. A Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 10248.947, que se encontra às fls. 250/255 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998, 1999 IMPOSTO DE RENDA RENDIMENTOS NÃO TRIBUTÁVEIS PARLAMENTAR VERBAS DE GABINETE Comprovado que a verba recebida constitui ressarcimento das despesas vinculadas ao gabinete do parlamentar, de responsabilidade do órgão a que vinculado, sua natureza é de rendimento não tributável. Recurso provido.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de votos, deu provimento ao recurso. Intimada pessoalmente do acórdão em 30/07/2008 (fls. 256) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de fls. 259/264, em que pleiteia a reforma do v. acórdão recorrido por suposta afronta ao disposto no artigo 43 do Código Tributário Nacional. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000265/200214 Acórdão n.º 920202.000 CSRFT2 Fl. 2 3 Ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho nº 616, de 01/12/2008 (fls. 265/266). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 270) o contribuinte deixou de apresentar suas contrarazões. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No mérito a questão é bastante conhecida deste E. Colegiado, qual seja a incidência ou não de imposto sobre a renda de pessoa física sobre os valores recebidos por parlamentares a título de auxíliogabinete nos anos de 1997 e 1998, períodos em que a Assembléia Legislativa daquele Estado não exigia a comprovação dos gastos efetuados e sua vinculação ao provimento de instrumentos para o trabalho do parlamentar. Já me manifestei em diversas julgados anteriores, tanto na segunda instância quanto nesta instância especial, que essas verbas, salvo nos casos em que há a efetiva comprovação de sua utilização, devem ser consideradas como rendimentos tributáveis dos contribuintes. Nada obstante tenho restado como único voto vencido nos diversos recursos apreciados recentemente por este E. Colegiado, razão pela qual, em atenção aos princípios da moralidade, efetividade e eficiência da administração pública (Art. 37 da Constituição Federal), passo a adotar, com ressalva da minha opinião pessoal, o entendimento da maioria deste Colegiado. Para tanto, transcrevo a seguir o voto do I. Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, constante do acórdão nº 920201.000, da sessão de 17/08/2010, que reflete o entendimento atual do Colegiado, in verbis: “O contribuinte pleiteia o cancelamento do lançamento, sob o fundamento de que os valores recebidos da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo – ALESP a título de “Auxílio – Encargos de Gabinete de Deputado” e de “Auxílio Hospedagem” não estão sujeitos à incidência do imposto de renda. Passase, então, à análise do recurso interposto pelo autuado. Pois bem, o contribuinte, na qualidade de deputado estadual em São Paulo (SP) no período compreendido entre maio de 1997 e dezembro de 1998, recebera valores da Assembléia Legislativa daquele Estado a título de “Auxílio – Encargos de Gabinete de Deputado” e de “AuxílioHospedagem”. Como não comprovou o oferecimento dessas verbas à tributação, embora intimado para tanto, a autoridade lançadora entendeu estar configurada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes do trabalho com vínculo empregatício, posição que restou endossada pela r. decisão recorrida. Tais verbas foram instituídas pela Resolução n° 783/97, da ALESP, em cujo artigo 11 consta o seguinte: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000265/200214 Acórdão n.º 920202.000 CSRFT2 Fl. 3 5 Art. 11. Ficam instituídos o AuxílioEncargos Gerais de Gabinete de Deputado e o AuxílioHospedagem, devidos mensalmente, correspondentes a 1.250 (hum mil duzentos e cinqüenta) UFESPs, destinados a cobrir gastos com o funcionamento e manutenção dos Gabinetes, previstos nos artigos 1°, inciso I, alínea “I” e 8°, da Resolução n° 776/96, com hospedagem e demais despesas inerentes ao pleno exercício das atividades parlamentares. Por sua vez, o artigo 1°, inciso I, alínea “I” e o artigo 8°, ambos da Resolução n° 776/96, da ALESP, assim estabeleciam: Art. 1°. A estrutura administrativa da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo fica assim constituída: I – da Mesa e das Representações Partidárias: (...) I – Gabinete de Deputado; Art. 8°. Aos Gabinetes de Deputados, unidades subordinadas aos respectivos titulares, compete: I – prestar assessoria e assistência técnica nas matérias relacionadas à atividade parlamentar; II – representar o respectivo titular nos eventos e ocasiões por ele determinadas; III – acompanhar a tramitação de proposições de interesse do deputado; IV – providenciar sobre o expediente e as audiências do Deputado, além de outras atribuições correlatas. Relevante transcrever, também, a seguinte passagem contida em ofício encaminhado pela Secretaria Geral de Administração da Assembléia Legislativa de São Paulo para o Senhor Superintendente da Secretaria da Receita Federal da 8ª Região Fiscal (fls. 0708): Sirvome do presente para, mais uma vez, tratar dos procedimentos fiscais que cuidam do recebimento do “Auxílio Encargos Gerais de Gabinete e AuxílioHospedagem”, pelos senhores parlamentar com assento na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. Como anteriormente dito no ofício SGA n° 076/2001, a partir de maio de 1997, os Gabinetes dos Deputados, no exercício de seus mandatos nesta Assembléia, passaram a contar, em substituição ao fornecimento de materiais e serviços disponibilizados pela Administração do Legislativo, com as verbas em questão, de valor mensal correspondente a 1.250 UFESP´S (um mil, duzentos e cinqüenta unidades fiscais do Estado de São Paulo). (Grifei) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Podese perceber, que até abril de 1997, a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo fornecia aos seus deputados materiais e outros serviços não especificados e, a partir de maio de 1997, o fornecimento de tais materiais e serviços foi substituído pelo pagamento aos parlamentares das verbas denominadas “Auxílio – Encargos Gerais de Gabinete” e “AuxílioHospedagem”, no valor equivalente a 1.250 UFESP. O trabalho da autoridade fiscal, no caso, resumiuse em intimar o contribuinte para que informasse se havia oferecido à tributação os valores em referência, comprovando tal situação (fls. 1617). Como o então fiscalizado não produziu esta prova, prontamente restou lavrado o lançamento de ofício por omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, sem que a autoridade lançadora tentasse, ao menos, obter informações ou comprovações das despesas efetivamente realizadas pelo parlamentar como contraposição das verbas pagas a ele pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. A jurisprudência do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, era no sentido de que as verbas destinadas às despesas de gabinete parlamentar não se sujeitam à incidência do imposto sobre a renda, desde que estejam comprovadas ou haja uma prestação de contas. Tal posicionamento pode ser ilustrado através da transcrição das ementas dos seguintes acórdãos: VERBA DE GABINETE – Valores recebidos sob a rubrica “verba de gabinete”, destinados à aquisição de material de gabinete, passagens, assistência social e outras correlatas à atividade de gabinete parlamentar, sobre as quais devem ser prestadas contas, não se enquadram no conceito de renda. (CRSF, Primeira Turma, acórdão CSRF/0104.676, Relatora Conselheira Leila Maria Scherrer Leitão, julgado em 13/10/2003) IRPF – PARLAMENTAR – VERBAS DE GABINETE – Somente não se sujeitam à tributação as verbas de gabinete comprovadamente gastas com passagens aéreas, serviços postais e tarifas telefônicas, por parlamentares no exercício de seus mandatos. (Primeiro Conselho, Quarta Câmara, acórdão n° 10419.058, Relator Conselheiro José Pereira do Nascimento, julgado em 05/11/2002) Entendo ser bastante coerente este posicionamento, na medida em que os valores recebidos por parlamentares a título de “verbas de gabinete”, compreendidos neste conceito o “Auxílio – Encargos Gerais de Gabinete” e o “AuxílioHospedagem” pagos pela ALESP a seus deputados, que não correspondam a despesas efetivamente incorridas no exercício dos mandatos por eles exercidos, representam aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, como produto do trabalho, tal Fl. 6DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000265/200214 Acórdão n.º 920202.000 CSRFT2 Fl. 4 7 qual previsto no artigo 43, inciso I, do Código Tributário Nacional. Nesta situação resta configurado o fato gerador do imposto sobre a renda. No caso em tela, cumpre reiterar, a autoridade lançadora, por estar convicta de que os valores em questão sujeitamse à incidência do imposto sobre a renda, sequer intimou o parlamentar para que comprovasse a utilização dos recursos recebidos na finalidade para a qual foram criados. É notório, nos termos do artigo 334, inciso I, do Código de Processo Civil CPC, não sendo razoável deixar isso de lado, que os deputados têm inúmeras despesas no exercício de seus mandatos. Ao longo do processo, o contribuinte informou que a criação do “Auxílio – Encargos Gerais de Gabinete” e do “AuxílioHospedagem” visou desonerar a ALESP de diversas despesas mensais, tais como, fornecimento de combustível, peças de veículos, custos de manutenção de frota de automóveis, despesas com hospedagem, aquisição de passagens, impressão de livros e materiais didáticos, cópias reprográficas, material de escritório, assinatura de jornais e revistas e outras despesas relacionadas à atividade do gabinete parlamentar. Isso se comprova no ofício enviado pela Secretaria Geral de Administração da Assembléia Legislativa de São Paulo para o Senhor Superintendente da Secretaria da Receita Federal da 8ª Região Fiscal, do qual já transcrevi os excertos mais relevantes para o deslinde desta controvérsia. Sendo assim, tenho como inquestionável que se ocorreu fato gerador do imposto sobre a renda com relação aos valores recebidos da ALESP pelo Sr. Misael Margato a título de “Auxílio – Encargos Gerais de Gabinete” e de “Auxílio Hospedagem”, a matéria tributável não é representada pela totalidade desses numerários. Poderseia tributar, apenas, a diferença entre os valores recebidos e aqueles efetivamente gastos nas despesas para as quais foram criados, pois aí residiria “o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título”, previsto no artigo 3°, § 4°, da Lei n° 7.713/88. Penso, com todo o respeito, que o trabalho da autoridade lançadora não foi abrangente, como se fazia necessário. A fiscalização deste caso, sob minha ótica, deveria seguir parâmetros semelhantes àqueles adotados nos trabalhos iniciados com base nas informações prestadas pelas instituições financeiras à Secretaria da Receita Federal a respeito da movimentação bancária dos contribuintes. O lançamento fundamentado no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 ocorre após a intimação do contribuinte para que comprove a Fl. 7DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 origem dos valores creditados em suas contas bancárias, atingindo apenas os recursos sem origem comprovada. Aqui, volto a destacar, a exigência fiscal poderia alcançar tão somente a diferença entre os valores recebidos pelo recorrente da ALESP a título de “Auxílio – Encargos Gerais de Gabinete” e de “AuxílioHospedagem” e aqueles efetivamente gastos nas despesas para as quais foram criados. Por isso, entendo que o auto de infração está em desacordo com as previsões do artigo 142 do Código Tributário Nacional, segundo o qual “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” (Grifei) A pretensão de tributar tais verbas desrespeita, também, o artigo 43, incisos I e II, do Código Tributário Nacional e vai de encontro ao princípio constitucional da capacidade contributiva, previsto no artigo 145, § 1°, da Carta da República. Não havendo a adequada demonstração da ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda, nem tampouco da matéria tributável, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada, pois o lançamento é improcedente. Ademais e embora sob outros fundamentos, devo ressaltar que esta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais já apreciou a matéria por diversas vezes, considerando insubsistentes os autos de infração. Com o objetivo de ilustrar tal posicionamento, trago à colação a ementa do seguinte acórdão: Assunto: Imposto de Renda Pessoa Física IRPF VERBA DE GABINETE – IMPOSTO DE RENDA – VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR – NÃO INCIDÊNCIA. Os valores recebidos pelos parlamentares, a título de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, não se incluem no conceito de renda por se constituírem em recursos para o trabalho e não pelo trabalho. A premissa exposta no item anterior não se aplica nos casos em que a fiscalização apurar que o parlamentar utilizou ditos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade parlamentar. Recurso especial negado. (CSRF, 2ª Turma, Recurso n° 151.210, Acórdão n° 920200.053, Relator Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, julgado em 17/08/2009) Fl. 8DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000265/200214 Acórdão n.º 920202.000 CSRFT2 Fl. 5 9 Do voto proferido pelo Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, cumpre destacar as seguintes passagens: O exame da matéria exige que se identifique se tratam de valores recebidos pelo trabalho ou para o trabalho. Os valores recebidos pelo trabalho se constituem rendimentos e estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda. As importâncias recebidas para o trabalho, isto é, os recursos que são alcançados para que alguém possa executar determinada atividade, sem os quais não poderia desenvolver da forma esperada, não se constituem em rendimentos, mas sim meios necessários ao exercício da função, do encargo ou do trabalho. (...) Entendo que a exigência ou não de comprovação das despesas não transforma em renda aquilo que não é renda. Se eu digo que a comprovação dos valores correspondentes aos meios necessários ao exercício de determinada atividade não se constitui em rendimentos, não será o fato da fonte que alcança os recursos, destinados ao mesmo fim, dispensar a respectiva comprovação, que tais valores se transformarão em renda, aqui entendida como riqueza nova, acréscimo patrimonial. Ao apreciar a natureza jurídica da “verba de gabinete”, o Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário de n° 204.1432, julgado em 250397, em que foi relator o Ministro Octávio Gallotti, assentou que os subsídios dos Deputados Estaduais são fixados nos termos do artigo 27, § 2o., da Constituição Federal, na razão de, no máximo, 75% (setenta e cinco por cento) daquele estabelecido, em espécie, para os Deputados Federais, observados o que dispõem os artigos 39, § 4o. e 57, § 7o, da Constituição. O artigo 39, § 4o., da Constituição Federal, por sua vez, prevê que “o membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o disposto no artigo 37, X e XI.” Os dispositivos constitucionais acima referidos, a exemplo do que já decidiu o Supremo Tribunal Federal, em especial nos fundamentos contidos na decisão do Ministro Sepúlveda Pertence, que ao suspender a segurança deferida no acórdão atacado por meio do Recurso Extraordinário n° 204.1432, afastou a tese de natureza remuneratória da denominada “verba de gabinete”, arrimando sua decisão com a seguinte passagem que transcrevo: “Que o caráter supostamente indenizatório da referida verba viesse a dissimular a indevida evasão do imposto de renda e a regra constitucional da equivalência dos tetos (CF, art. 37, XI) – segundo alega a impetração (fl. 43) – e, de sombra, a fraudar o Fl. 9DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 limite de 75% da remuneração dos congressistas (art. 27, § 2o.) – é questão que diz apenas com a legitimidade do seu pagamento aos parlamentares estaduais em exercício.” Tenho que a “verba de gabinete” se constituem nos meios necessários para que o parlamentar possa exercer seu mandado. A não exigência de prestação de contas da forma com que foi gasta a citada verba é questão que diz respeito ao controle e a transparência da Administração. Isto, todavia, não transporta a “verba de gabinete” do campo da indenização para o campo dos rendimentos caracterizados por acréscimo patrimonial. Em certos casos, a Administração, por exemplo, quando paga diária com valor previamente fixado, pode exigir que o servidor comprove sua participação no evento, sem precisar o quanto foi gasto. Em tais hipóteses, se o servidor gastar mais do que o valor presumido como meio suficiente à finalidade a que se destina, não terá direito de reclamar a diferença. Entretanto, se o mesmo servidor que recebeu os recursos destinados à alimentação e, por qualquer razão, resolver ficar sem se alimentar, tais recursos não se transformarão em rendimentos para sobre eles incidir contribuição social, imposto de renda e reflexos no cálculo do valor da aposentadoria. (...) Pelos fundamentos acima expostos, concluo que as verbas de gabinete recebidas pelos Senhores Deputados, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN. A impossibilidade de incidência do imposto de renda pessoa física sobre as chamadas “verbas de gabinete” é corroborada, ainda, pela jurisprudência uníssona do Egrégio Superior Tribunal de Justiça STJ, conforme demonstram as ementas dos seguintes acórdãos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – NOVA QUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS – POSSIBILIDADE – NÃOOCORRÊNCIA DE OFENSA À SÚMULA 7/STJ – IMPOSTO DE RENDA – AJUDA DE CUSTO A PARLAMENTAR – NÃOINCIDÊNCIA – PRECEDENTES. 1. A Corte Especial entende perfeitamente possível, na via do apelo especial, que o STJ, partindo dos fatos delimitados na sentença e no acórdão do Tribunal a quo, atribua nova qualificação e conclusão jurídica diversa daquela feita pela instância de origem, sem infringência à Súmula 7/STJ. 2. Os valores recebidos por parlamentares a título de ajuda de custo não constituem fato gerador do imposto de renda (aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica decorrente de acréscimo patrimonial (art. 43 do CTN)), por ter natureza jurídica indenizatória. Precedentes do STJ. 3. Agravos regimentais não providos. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000265/200214 Acórdão n.º 920202.000 CSRFT2 Fl. 6 11 (STJ, Segunda Turma, Ag.Rg. no REsp n° 1.166.717/CE, Relatora Ministra Eliana Calmon, DJE de 04/03/2010) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VERBAS RECEBIDAS POR PARLAMENTAR DENOMINADAS COMO COTAS DE SERVIÇOS. NÃO INCIDÊNCIA. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. As verbas de gabinete recebidas pelos parlamentares, embora pagas de modo constante, não se incorporam aos seus subsídios. Precedentes do STJ e do STF. 3. É que a incidência do imposto de renda sobre a verba intitulada “ajuda de custo” requer perquirir a natureza jurídica desta: a) se indenizatória, o que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. 4. In casu, a instância a quo, com ampla cognição fático probatória, assentou que a verba denominada como cotas de serviço percebida pelo parlamentar (auxílio moradia, passagem, correspondência e telefone) tem natureza indenizatória, não constituindo, portanto acréscimo patrimonial. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e nessa extensão, não provido. (STJ, Primeira Turma, REsp n° 1.074.152/RO, Relator Ministro Benedito Gonçalves, DJE de 19/08/2009) Com tais fundamentos, concluo que o lançamento é improcedente, de modo que a decisão recorrida deve ser reformada. Voto, portanto, no sentido de dar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, restando prejudicado o recurso da Fazenda Nacional.” Em face do exposto, conheço do recurso especial para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 11DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Fl. 12DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10166.008853/2006-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DESPESA MÉDICAS EM PROL DA ESPOSA. CÔNJUGES QUE DECLARAM EM SEPARADO.
As despesas médico hospitalares próprias de um dos cônjuges ou
companheiro não podem ser deduzidas pelo outro quando este apresenta declaração em separado.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.917
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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CÔNJUGES QUE DECLARAM EM SEPARADO. As despesas médicohospitalares próprias de um dos cônjuges ou companheiro não podem ser deduzidas pelo outro quando este apresenta declaração em separado. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 30/04/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Fl. 88DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Em face do contribuinte JOSÉ MARIA BREVIGLIERI MARANGON, CPF/MF nº 009.186.01649, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 16/08/2006, auto de infração (fls. 52 e seguintes), decorrente da revisão de sua declaração de ajuste anual do ano calendário 2004, que culminou com a redução do imposto a restituir de R$ 3.407,38 para R$ 872,72. Ao contribuinte foi imputada uma glosa de despesas médicas no importe de R$ 9.216,93, estas que beneficiara o cônjuge nãodependente do fiscalizado (nem tampouco a declaração foi apresentada em conjunto). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 3ª Turma da DRJ/BSA, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0322.874, de 22 de outubro de 2007 (fls. 58 e seguintes). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 20/12/2007 (fl. 63). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 08/01/2008 (fl. 64). No voluntário, o recorrente alega o que segue (fl. 64): Conforme preceituam o art. 33 do Decreto n. 70.235, de 1972, alterado pelo art. 10 da Lei n. 8.748, de 1993e o art. 32 datei n. 10.522, de 2002, venho à presença desse egrégio Conselho interpor _recurso voluntário contra o VOTO exarado pela, ilustre relatora no processo em epígrafe. Além das razões apresentadas na petição inicial, aduzo as seguintes: conquanto não discorde da lisura do julgamento, a presença da membro da 3° turma, Aline Antônia Tito da Costa Mendonça, poderia ter trazido algum novo argumento à análise do processo; o regime de comunhão de bens adotado em meu casamento pressupõe a Igualdade de bens, direitos e obrigações entre os cônjuges. Diante das novas razões apresentadas, RECORRO aos senhores ilustres membros desse Conselho de Contribuintes no sentido de determinarem.a reconsideração de 50% ( cinqüenta por cento) da glosa de R$ 9.216,93, valor este pleiteado na petição inicial que não logrou êxito. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Fl. 89DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.008853/200654 Acórdão n.º 210201.917 S2C1T2 Fl. 2 3 Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 20/12/2007 (fl. 63), quintafeira, e interpôs o recurso voluntário em 08/01/2008, dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 21/01/2008, segunda feira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Antes de tudo, a eventual ausência de um julgador na instância de piso é questão irrelevante, desde que presente o quorum regimental. Nos casos das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil, na época do julgamento (22 de outubro de 2007), vigia a Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que regulava os julgamentos no âmbito desses Órgãos de deliberação coletiva, e que abaixo se colaciona excerto desse dispositivo, para aclarar a controvérsia: (...) Art. 2º As DRJ são constituídas por turmas de julgamento, cada uma delas integrada por cinco julgadores. (...) Art. 13. Somente pode haver deliberação quando presente a maioria dos membros da turma, sendo essa tomada por maioria simples, cabendo ao presidente, além do voto ordinário, o de qualidade. (...) Assim, o quorum de votação é três (maioria dos membros de um colegiado de cinco), cabendo ao presidente o voto de qualidade. Indo mais além, como se vê na fl. 58, a decisão aqui recorrida foi prolatada por 04 julgadores, estando ausente apenas um deles, perfazendo, assim, o quorum regimental. Superado o ponto precedente, observase que a controvérsia cingese a definir se a despesa médica da esposa que declarou em separado pode ser utilizada na declaração do marido, como despesa dedutível, total ou parcialmente. Eis a legislação reitora da controvérsia: Art. 8º da Lei nº 9.250/95. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; § 2º O disposto na alínea a do inciso II: II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; (grifouse) Não há qualquer dúvida que somente os pagamentos de despesas médicas efetuadas em prol do declarante e de seus dependentes podem ser dedutíveis da base de cálculo Fl. 90DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 do imposto de renda, como se vê pela parte acima destacada. Assim, no momento em que a esposa do fiscalizado apresentou declaração em separado, somente lá a despesa médica dela poderia ser deduzida, sendo inviável que o marido dela se beneficie. Na verdade, existe uma única hipótese em que a despesa médica da esposa pode ser abatida na declaração do marido, quando ambos declaram em separado, qual seja, as despesas médicas hospitalares do parto, pois aqui são necessárias ao nascimento do filho comum, beneficiando ambos os esposos. Não é o caso dos autos, que trata de uma cirurgia para extração de tumor pélvico ovariano. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 91DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10640.003844/2008-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2007
NORMAS PROCESSUAIS. REMESSA PELOS CORREIOS.
CONSIDERA-SE A POSTAGEM COMO DATA DE APRESENTAÇÃO
DA IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE DEVIDAMENTE COMPROVADA.
1. Em razão da comprovação do envio da impugnação por via postal, para os efeitos da tempestividade, considera-se como data da entrega a data da postagem da petição.
2. A impugnação apresentada dentro do prazo legal previsto no Decreto nº 70.235, de 1972, merece ser apreciada.
3. Por força da garantia de ampla defesa e do duplo grau de jurisdição, o processo deve ser apreciado, antes, pela primeira instância.
Recurso voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.974
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso, para cassar a decisão recorrida, já que tempestiva a impugnação apresentada, devendo a instância a quo apreciá-la, como bem entender de direito.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
1.0 = *:*
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2007 NORMAS PROCESSUAIS. REMESSA PELOS CORREIOS. CONSIDERA-SE A POSTAGEM COMO DATA DE APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE DEVIDAMENTE COMPROVADA. 1. Em razão da comprovação do envio da impugnação por via postal, para os efeitos da tempestividade, considera-se como data da entrega a data da postagem da petição. 2. A impugnação apresentada dentro do prazo legal previsto no Decreto nº 70.235, de 1972, merece ser apreciada. 3. Por força da garantia de ampla defesa e do duplo grau de jurisdição, o processo deve ser apreciado, antes, pela primeira instância. Recurso voluntário Provido.
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REMESSA PELOS CORREIOS. CONSIDERASE A POSTAGEM COMO DATA DE APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE DEVIDAMENTE COMPROVADA. 1. Em razão da comprovação do envio da impugnação por via postal, para os efeitos da tempestividade, considerase como data da entrega a data da postagem da petição. 2. A impugnação apresentada dentro do prazo legal previsto no Decreto nº 70.235, de 1972, merece ser apreciada. 3. Por força da garantia de ampla defesa e do duplo grau de jurisdição, o processo deve ser apreciado, antes, pela primeira instância. Recurso voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, para cassar a decisão recorrida, já que tempestiva a impugnação apresentada, devendo a instância a quo apreciála, como bem entender de direito. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Fl. 75DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Participaram deste julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Nubia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Tratase de recurso contra o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2007 (fls. 30/37), no valor de R$ 16.232,91 (dezesseis mil, duzentos e trinta e dois reais e noventa e um centavos). Foram constatadas as seguintes infrações: Omissão de rendimentos tributáveis, no valor de R$ 20.606.13 Dedução indevidamente com: R$ 39.230,48 a) Dependentes R$ 3.032,64 b) Despesas médicas R$ 27.746,68 c) Despesas com de instrução R$ 2.373,84 d) Contribuição à Previdência Privada e Fapi R$ 6.077,32 O contribuinte foi cientificado do lançamento em 12 de agosto de 2008 (fl. 48) e postou a impugnação no dia 11 do mês seguinte, conforme carimbado pelo Correios no envelope anexado à folha 29. Ainda, consta no citado envelope a marcação datada de “12 set 2008”, efetuada pela Sapol da DRF Juiz de Fora, supostamente referente ao dia da chegada da correspondência àquele setor. O documento foi registrado no protocolo, gerando o presente processo, em 15 de setembro de 2008 (capa e fl. 1). Na impugnação, o contribuinte contesta preliminarmente a alegação de serem improfícuas as tentativas de ciência da intimação inicial via postal e requer o cancelamento da notificação. No mérito, anexa as cópias das certidões de nascimento dos seus filhos; as declarações dos profissionais que prestaram serviços médicos; o comprovante do Banco do Brasil que cita a contribuição ao BrasilPrev; e o recibo do Colégio Cristo Redentor, referente à despesas com instrução. Em relação à omissão de rendimentos, informa que retificou a declaração e pagou a diferença. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ/JFA, por meio do Acórdão nº 0934.783 (fls. 50/53), julgou a impugnação como intempestiva, por não atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, art. 15, já que teria sido apresentada em 15 de setembro de 2008, logo, após o prazo regulamentar. Cientificado da decisão em 31 de maio de 2011 (fl. 56), o contribuinte postou, em 29 de junho de 2011, o pedido de reconsideração do ato, conforme carimbo aposto na petição (fl. 70) e no envelope anexo (29/06). Em seus argumentos, contesta a decisão da DRF pela intempestividade, pois a postagem ocorrerá em 11 de setembro, dentro do prazo legal, e pede que seja acatada a impugnação, bem como os argumentos nela apresentados. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.003844/200896 Acórdão n.º 210201.974 S2C1T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. A decisão da DRJ/JFA não apreciou o mérito do litígio por considerar a impugnação intempestiva. O relator entendeu que a impugnação teria sido postada na data de protocolização dos autos, dia 15 de setembro. Compulsando os autos, verificase que, conforme carimbo eletrônico aposto no envelope, a postagem nos Correios ocorreu no dia 11 de setembro de 2008, como contesta o recorrente. Jamais poderia ser o dia 15, pois há um carimbo da “DRF – JUIZ DE FORA – SAPOL”, o que se supõe ser a data de recebimento da correspondência no setor, datada de 12 de setembro de 2012. E a data de 15 de setembro de 2008 se refere à formalização do processo, e não à postagem. Ressaltese que o remetente dessa correspondência não é a recorrente, mas seu representante legal no processo, Sr. João Marcos Fadel, e que a impugnação não foi entregue diretamente no protocolo da repartição fiscal, mas recebida pela Seção de programação e Logística, conforme carimbo aposto no envelope. Está claro no envelope de folha 29 que a data dentro do circulo no carimbo eletrônico impresso nos Correios, circundado pelas palavras “INDEPENDÊNCIA” e “JUIZ DE FORA – MG”, é “11092008”, apesar de, também, o setor preparador em despacho elaborado à folha 47 ter considerado a data de 12 de setembro e informado, erroneamente, a intempestividade da impugnação. A Receita Federal, por meio do Ato Declaratório Normativo nº 19, de 1997, “considerada como data da entrega a data constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope, quando da postagem da correspondência, cuidando o órgão destinatário de anexar este último ao processo nesse caso”. Ultrapassada a questão preliminar relativa à intempestividade da impugnação, esta Turma deveria passar ao enfrentamento do mérito do litígio. Entretanto, por força do disposto no Decreto nº 70.253, de 1972, que se constituí no norte do Processo Administrativo Fiscal, fundamentado no Princípio Constitucional da Ampla Defesa e do Contraditório, e considerando a garantia do duplo grau de jurisdição, o processo deve ser primeiro apreciado pela instância a quo. Sendo assim, voto pelo retorno do processo à Delegacia de Julgamento da RFB para que se prossiga no julgamento das questões de mérito. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 77DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 13896.003705/2002-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002
CIDE-ROYALTIES. REMESSA DE ROYATIES PARA RESIDENTE OU
DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA.
O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei 10.168/2000. Para que a contribuição seja devida, basta que qualquer dessas
hipóteses seja concretizada no mundo fenomênico. O pagamento de royalties a residentes ou domiciliados no exterior royalties, a título de contraprestação exigida em decorrência de obrigação contratual, seja qual for o objeto do contrato, faz surgir
a obrigação tributária referente a essa CIDE.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-001.864
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Marcos Tranchesi Ortiz, Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martínez López e Gileno Gurjão Barreto, que negam provimento. Os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz e Antônio Lisboa Cardoso
participaram do julgamento em substituição aos Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que se declaram impedidos de votar.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002 CIDE-ROYALTIES. REMESSA DE ROYATIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei 10.168/2000. Para que a contribuição seja devida, basta que qualquer dessas hipóteses seja concretizada no mundo fenomênico. O pagamento de royalties a residentes ou domiciliados no exterior royalties, a título de contraprestação exigida em decorrência de obrigação contratual, seja qual for o objeto do contrato, faz surgir a obrigação tributária referente a essa CIDE. Recurso Especial do Procurador Provido.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002 CIDEROYALTIES. REMESSA DE ROYATIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei 10.168/2000. Para que a contribuição seja devida, basta que qualquer dessas hipóteses seja concretizada no mundo fenomênico. O pagamento de royalties a residentes ou domiciliados no exterior royalties, a título de contraprestação exigida em decorrência de obrigação contratual, seja qual for o objeto do contrato, faz surgir a obrigação tributária referente a essa CIDE. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Marcos Tranchesi Ortiz, Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martínez López e Gileno Gurjão Barreto, que negam provimento. Os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz e Antônio Lisboa Cardoso participaram do julgamento em substituição aos Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que se declaram impedidos de votar. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 0DF CARF MF Impresso em 04/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Os fatos foram assim narrados pelo Acórdão recorrido: 1. Em primeira linha, tratase de pedido de restituição (fl. 01), protocolado em 26/07/2002, no qual o contribuinte afirma disputar créditos contra a Fazenda Nacional nos valores, competências (períodos de apuração) e datas de formação (efetivação dos recolhimentos, via DARF) seguintes, isto à razão de recolhimentos “indevidos de CIDE sobre o pagamento de direitos autorais para distribuição de obras audiovisuais estrangeiras no Brasil”: R$ 114.955,58, novembro/2001, 26/02/2002 (fl. 119); R$ 161.178,68, dezembro/2001, 26/03/2002 (fl. 120); R$ 128.008,66, janeiro/2002, 24/04/2002 (fl. 121). Ponderava que nem a Lei nº 10.168/2000 (esta, mesmo com as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001), nem o Decreto nº 4.195/2002 (que regulamentou aquela Lei), contemplavam como hipótese de incidência da CIDE em referência a remessa de numerário a pessoa residente ou domiciliada no exterior a título de pagamento de direitos autorais (fls. 03/05). 2. No seguimento e no tempo, o contribuinte colaciona, então, uma seqüência de pedidos de compensação/DCOMP. Dois deles seguem anexos a estes autos: 2.1. O primeiro deles foi protocolado em 15/08/2002 e, nele, o contribuinte acusava débitos de Cofins (código 2172) e de Contribuição ao PIS (código 8109), ambos da competência de julho/2002 e com vencimento para 18/08/2002, nos valores de R$ 38.832,85 e R$ 9.654,87, respectivamente, débitos esses controlados no processo sob nº 13896.003705/200263, ou seja, nestes autos. (fls. 126/127). 2.2. O segundo deles foi protocolado em 18/09/2002 e, nele, o contribuinte acusava débitos de Cofins (código 2172) e de Contribuição ao PIS (código 8109), ambos da competência de setembro/2002 e com vencimento para 15/09/2002, nos valores de R$ 51.252,37 e R$ 15.439,90, respectivamente, débitos esses controlados no processo sob nº 13896.003705/200263, ou seja, nestes autos. (fls. 131, 206). 3. Consta ainda dos autos, a inicial de Mandado de Segurança sob nº 2004.61.00.0250333 impetrado contra ato do Delegado da Receita Federal em OsascoSP (fls. 133/153) que lhe negara a expedição quer de Certidão Negativa de Débito, quer de Positiva com efeito de Negativa. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13896.003705/200263 Acórdão n.º 930301.864 CSRFT3 Fl. 449 3 4. Em 22/09/2004, o Serviço de Análise e Orientação Tributária da DRF em OsascoSP criticou o crédito que o contribuinte afirmava ter contra a Fazenda Nacional. No Parecer SEORT/DRF/OSA nº 0345/2004, deuo por inexistente à razão da modificação introduzida pela Lei nº 10.332/2001 no art. 2º, § 2º, da Lei nº 10.168/2000, isto somado à circunstância de o próprio contrato firmado entre este contribuinte e a Columbia Tristar Home Entertainment, Inc. assinalar que o primeiro deveria pagar à segunda royalties pela distribuição de videogramas (fls. 164/166). Daí e por conseqüência, não homologou as, agora, declarações de compensação até então formalizadas. 5. O contribuinte foi intimado da decisão supra por via postal em 13/01/2005 (fl. 173) e, em 11/02/2005, protocolizou a manifestação de inconformidade de fls. 174/186, que veio ter a esta DRJ em CampinasSP. Ali, argumenta: 5.1. A transferência de tecnologia, que constituiria o âmago da exação em destaque (art. 1º da Lei nº 10.168/2000), não houve no presente caso, isto é, por meio do contrato firmado entre este contribuinte e a Columbia Tristar Home Entertainment, Inc. não houve transferência de tecnologia desta última para a primeira. Ressaltese que não há que se falar em transferência presumida de tecnologia. Ou ela existe e está claramente delimitada em contrato; ou o que existe é simplesmente a cessão da obra, pronta e acabada, sem que seja transferida a tecnologia por meio do qual essa foi realizada. Assim, somente o contrato que tiver por objeto a tecnologia, alcançando, assim, o preceito do artigo 218 da Constituição Federal, é que será objeto da CIDE instituída pela Lei nº 10.168/2000. Se o contrato tiver por objeto a obra em si não está circunscrito na área delimitada pelo artigo 218 da CF/88 e, portanto, não poderá ser alcançado pela contribuição em questão. [...]O contrato firmado entre a ora Manifestante e Columbia Tristar Home Entertainment Inc. tem por objeto a distribuição de obras audiovisuais estrangeiras no Brasil. Notese que as obras são entregues prontas e acabadas à ora Manifestante que, no Brasil, apenas explorará comercialmente as mesmas. Ou seja, apenas beneficiarseá das qualidades da obra em si, da sua reprodução. Em nenhum momento foi objeto do contrato firmado pela ora Manifestante a cessão da tecnologia utilizada na elaboração da obra audiovisual. A ora Manifestante não é detentora da tecnologia que lhe permita elaborar semelhantes obras audiovisuais; é detentora, tão somente, do direito de reproduzir, de distribuir a obra audiovisual que agrega em si a tecnologia detida pela Licenciadora, quem seja, pela Columbia Tristar Home Entertainment Inc. (fls. 177/178). Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 5.2. A única interpretação possível – porque constitucional – da cláusula “royalties a qualquer título” presente no § 2º do art. 2º da Lei nº 10.168/2000, na redação firmada pela Lei nº 10.332/2001, seria aquela tendente a reconhecer que, ali, se compreende a contrapartida pelo uso, fruição ou exploração não de qualquer direito, senão apenas daquele direito afeto à tecnologia e à sua transferência, conforme interpretação já delimitada ao art. 1º da Lei nº 10.168/2000. 5.3. O art. 22, alínea “d”, da Lei nº 4.506/64, excluiria do conceito de royalties o pagamento feito “diretamente ao autor ou criador da obra ou do bem”. (fl. 184). 5.4. O art. 10 do Decreto nº 4.195/2002, Decreto este que regulamentou a Lei nº 10.168/2000, reforçaria o aspecto da necessária presença da tecnologia e/ou da sua transferência como objeto dos contratos cuja execução (contraprestação a residente ou domiciliado no exterior) daria ensejo à incidência da CIDE em foco. 6. Até o momento, 03 (três) outros processos (ainda não juntados nestes autos) controlam débitos acusados por este contribuinte em relação aos quais pretende a extinção via compensação com o crédito que diz possuir em face da Fazenda Nacional: 6.1. O de nº 13896.004279/200285 (DCOMP): protocolado em 16/10/2002 (fl. 01), onde o contribuinte acusa débitos de Cofins (código 2172) e de Contribuição ao PIS (código 8109), ambos da competência de setembro/2002 e com vencimento para 15/10/2002, nos valores de R$ 60.349,63 e R$ 16.794,54, respectivamente, e cuja ciência de negativa do crédito e de não homologação da compensação pleiteada (Parecer SEORT/DRF/OSA nº 0345/2004) deuse, via postal, em 12/01/2005 (fl. 18), contra o que houve manifestação de inconformidade (fls. 19/31), com protocolo de 11/02/2005, cujo teor de insurgência não discrepa daquilo anotado nos parágrafos 5.1 a 5.4 retro. 6.2. O de nº 13896.004550/200282 (DCOMP): protocolado em 13/11/2002 (fl. 01), onde o contribuinte acusa débitos de Cofins (código 2172) e de Contribuição ao PIS (código 8109), ambos da competência de outubro/2002 e com vencimento para 14/11/2002, nos valores de R$ 80.023,76 e R$ 33.587,90, respectivamente, e cuja ciência de negativa do crédito e de não homologação da compensação pleiteada (Parecer SEORT/DRF/OSA nº 0345/2004) deuse, via postal, em 12/01/2005 (fl. 17), contra o que houve manifestação de inconformidade (fls. 18/30), com protocolo de 11/02/2005, cujo teor de insurgência não discrepa daquilo anotado nos parágrafos 5.1 a 5.4 retro. 6.3. O de nº 13896.004743/200233 (DCOMP): protocolado em 11/12/2002 (fl. 01), onde o contribuinte acusa débitos de Cofins (código 2172) e de Contribuição ao PIS (código 8109), ambos da competência de novembro/2002 e com vencimento para 13/12/2002, nos valores de R$ 75.340,40 e R$ 12.248,70, respectivamente, e cuja ciência de negativa do crédito e de não Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13896.003705/200263 Acórdão n.º 930301.864 CSRFT3 Fl. 450 5 homologação da compensação pleiteada (Parecer SEORT/DRF/OSA nº 0345/2004) deuse, via postal, em 12/01/2005 (fl. 16), contra o que houve manifestação de inconformidade (fls. 17/29), com protocolo de 11/02/2005, cujo teor de insurgência não discrepa daquilo anotado nos parágrafos 5.1 a 5.4 retro. A DRJ em CAMPINAS/SP não acolheu a manifestação de inconformidade formulada pelo interessado, nos termos seguintes: a) SOBRE O CRÉDITO pleiteado nos autos sob nº 13896.003705/200263: NÃO RECONHECIDO; b) SOBRE OS DÉBITOS que o contribuinte pretende ver compensados, débitos estes controlados nos autos sob nº 13896.003705/200263, nº 13896.004279/200285, nº 13896.004550/200282 e nº 13896.004743/200233: COMPENSAÇÃO NÃOHOMOLOGADA, DÉBITOS MANTIDOS. Ficando o Acórdão com a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002 Ementa: CIDE ROYALTIES. ASPECTO MATERIAL DE INCIDÊNCIA. A partir de 1º de janeiro de 2002 é signo de riqueza suficiente à incidência da CIDEroyalties (Lei nº 10.168/2000, alterada pela Lei nº 10.332/2001) a remessa de royalties, para beneficiário residente ou domiciliado no exterior, a título de contraprestação exigida em decorrência de obrigação contratual, seja qual for o objeto do contrato. DIREITO AUTORAL. ROYALTIES. Autor cede seus direitos autorais mediante remuneração (royalties). Apenas no caso em que ele assim não o faz e, por outra, usufrui ele próprio deste direito, haverá sim de receber remuneração, mas que, na inteligência do art. 22 da Lei nº 4.506/64, não responde pelo epíteto de royalties. LEI. DECRETO. Cumpre a este último fazer o que seu próprio nome diz: regulamentar, sem restringir, sem ampliar. Ainda que o Decreto nº 4.195/2002, ao regulamentar a Lei nº 10.168/2000, alterada pela Lei nº 10.332/2001, não contemple a cláusula “bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior”, a Lei o faz, e é o que basta. Solicitação Indeferida. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 229 e seguintes, onde reprisa os argumentos esgrimados em primeira instância, aduz que já existe uma contribuição de intervenção no domínio econômico afeta ao seu setor, que é a CONDECINE, ainda, que os seus rendimentos estariam sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte em virtude da exploração de películas cinematográficas Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 (art. 706 do RIR/99), e não em virtude de Royalties (art. 710 do RIR/99); por fim, reitera o pedido de reconhecimento do crédito de CIDERoyalties indevidamente paga, e a homologação das declarações de compensação objeto deste processo. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para a apreciação do Segundo Conselho, que os redirecionaram a este Colegiado, conforme despacho de fl. 344v Julgando o feito, a Câmara recorrida assim decidiu: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002 Ementa: CIDE/ROYALTIES – DIREITO AUTORAL – NÃO INCIDÊNCIA. A CIDE/royalties, instituída pela Lei nº 10.168/2000, não incide sobre a remessa ao exterior de pagamentos relativos a exploração de direitos autorais, mesmo que sobre a denominação de royalties, por força do comando interpretativo do artigo 10 do Decreto nº 4.195/02. CIDE/ROYALTIES – CONDECINE– BIS IN IDEM. Não é possível a exigência da CIDE/royalties sobre os mesmos fatos que baseiam a incidência da CONDECINE, devendo, no caso de colidência fática, prevalecer a incidência do CONDECINE, por ser mais específico. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Irresignada com esse acórdão, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial, sob o fundamento de ter havido contrariedade à lei e às provas dos autos no acórdão vergastado. Segundo alegado no especial fazendário, houve ofensa ao § 2º do ar. 2º da Lei 10.168/2000, com a redação dada pela Lei 10.332/2001, e ao art. 10 do Decreto 4.195/2002. Ainda no entender da PGFN, caberia à contribuinte trazer aos autos as provas de que vem pagando, atempada e escorreitamente, a CONDECINE – Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional, bem como mostrar os recolhimentos efetuados a título de IRRF com o código respectivo às películas cinematográficas, porém isso não ocorreu. Por meio do despacho de fls. 380/381, o Recurso foi admitido. Contrarrazões vieram às fls. 389 a 405. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e traz, analiticamente, os dispositivos legais que teriam sido violados pelo acórdão, não unânime, que se pretende reformar. Desta feita, presente os requisitos de admissibilidade, conheço do especial fazendário. A teor do relatado, a matéria devolvida a este Colegiado cingese à questão da incidência da Cide Royalties sobre a remessa desses numerários para residentes ou Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13896.003705/200263 Acórdão n.º 930301.864 CSRFT3 Fl. 451 7 domiciliados no exterior. De um lado, a câmara recorrida entendeu que a contribuição devida pela recorrida seria a Condecine, instituída pela Medida Provisória fossilizada nº 2.22801 2001, que é mais específica, sendo afastada a CIDERoyalties, por configurar bis in idem. De outro lado, a PGNF, em seu recurso, advoga que a CIDERoyalties criada pela Lei 10.168/2000 é devida pela recorrida, e que portanto, não há falarse em restituição/compensação dos valores pagos a título dessa contribuição. Inicialmente, devese esclarecer que não há, na Constituição Federal, qualquer vedação à incidência de mais de uma contribuição sobre determinada riqueza passível de tributação. Tanto é verdade que existe o bis in idem em relação ao PIS e a COFINS que incidem sobre faturamento. Na realidade, salvo as exceções do imposto extraordinário de guerra, a constituição veda, implicitamente, a bitributação, já que delimita a competência tributária dos entes da Federação, segregando o campo que cada um deles pode estender seu poder de tributar, Com isso, não poderá haver incidência tributária sobre determinada riqueza de tributos de mais de um ente da federação. Essa vedação é decorrente da repartição da competência tributária, dada pela Constituição Federal, o que não se aplica às contribuições sob exame. Na competência residual, prevista no art. 154, I veda o bis in idem para impostos, frisese, apenas para impostos, de que não tratam estes autos. Assim, afasto, desde já, o alegado bis in idem, aludido no acórdão recorrido. Também deve ser afastado o argumento do voto vencido, mas que foi reproduzido no recurso especial fazendário, de que a restituição deveria ser negada em razão de o sujeito passivo não ter carreada aos autos prova de que havia pago a Condecine. Isso porque, o fato de o sujeito passivo haver pago ou não tal contribuição não tem a menor relevância para o deslinde da presente lide, que versa sobre restituição da CideRoyalties. O fato de o sujeito passivo não haver pago a Condecine não o obrigaria a pagar a CideRoyalties se essa não fosse por ele devida. De outro lado, o inverso também é verdadeiro, se ele houvesse pago a Condecine isso não o desobrigaria de pagar a CideRoyalties se essa fosse por ele devida. Assim, é totalmente irrelevante para a solução da controvérsia ora sob exame saber se o sujeito passivo pagou a Condecine. Passemos agora à questão da CideRoyalties que foi paga e que se pretende sua repetição, em razão de, no entender da recorrida, não incidir sobre as remessas de Royalties para residente ou domiciliados no exterior. Primeiramente, fazse necessário esclarecer qual a natureza jurídica dos numerários remetidos pela reclamante à residente e domiciliado no exterior. Ao discorrer sobre royalties, o professor Alberto Xavier ensina que: À luz do direito interno, o royalty é uma categoria de rendimentos que representa a remuneração pelo uso, fruição ou exploração de determinados direitos, diferenciandose assim dos aluguéis que representam a retribuição do capital aplicado em bens corpóreos, e dos juros, que exprimem a contrapartida do capital financeiro. (Página 617) No direito interno, os direitos que dão lugar à percepção de royalties são o direito de colher ou extrair recursos vegetais , inclusive florestais; o direito de pesquisar e extrair recursos Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 minerais; o uso ou exploração de invenções , processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; a exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou da obra (art. 22 da Lei 4.506, de 1964).” (página 618). Voltando aos autos, segundo defende a recorrida, de royalties não se trata, posto que não se enquadraria no definição dada pelo art. 22 da Lei 4.506/1964, vazada nos termos seguintes: Art. 22. Serão classificados como royalties os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: (...) d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Depreendese do dispositivo legal transcrito que os rendimentos decorrentes da exploração de direito autoral classificamse como royalties, salvo se pago/recebido pelo autor ou criador da obra. Assim, quando uma gravadora, por exemplo, a Sony Pictures, firma contrato com determinado cantor, escritor, diretor etc e o remunera em decorrência da exploração da obra por eles criada, tais rendimentos não são classificados como royalties. Todavia, quando essa gravadora, detentora dos direitos autorais, o explora e cede a licença para que outras sociedades empresárias explorem essas obras, os rendimentos dessa exploração tem a natureza jurídica de Royalties, nos termos preconizados na alínea “d” transcrita linhas acima. Tanto é verdade que os contratos firmados dispõem, expressamente, que a licenciada pagará à licenciadora Royalties, conforme se pode ver da cláusula 9 (fl. 35), transcrita linhas abaixo: 9. Royalties (a) A Licenciada deve pagar á .Licenciadora, pela distribuição dos Videogramas, de acordo com o disposto no Parágrafo 3.1 dos Termos e Condições Padrão, "Royalties" equivalentes a 80% (oitenta por cento) dos "Lucros Liquidos" desde que em nenhuma hipótese o montante dos Lucros Líquidos pagos à Licenciadora seja mais do que 60% (sessenta por cento) das Receitas Brutas. Qualquer Lucro Liquido remanescente será retido pela Licenciada. ............................................................................................... Por derradeiro, sob o tema, relevante o comentário do Professor Alberto Xavier em artigo publicado na Revista Dialética de Direito Tributário, nº 37, págs. 7 e 8, in literis: O Artigo 12, nº 3 das convenções contra a dupla tributação celebradas pelo Brasil (seguindo o modelo da OCDE), define “royalties” como “as retribuições de qualquer natureza atribuídas ou pagas pelo uso ou pela concessão do uso de um direito de autor sobre uma obra literária, artística ou científica, incluindo os filmes cinematográficos, bem como os filmes e gravações para transmissão pelo rádio ou pela televisão, de uma Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13896.003705/200263 Acórdão n.º 930301.864 CSRFT3 Fl. 452 9 patente, de uma marca de fabrico ou de comércio, de um desenho ou de um modelo, de um plano, de uma fórmula ou de um processo secretos, bem como pelo uso de um equipamento industrial, comercial ou científico e por informações respeitantes a uma experiência adquirida no setor industrial, comercial ou científico”. Dúvida, portanto, não se tem de que a recorrida remetia Royalties para residente ou domiciliados no exterior. Resta, então, verificar se sobre essas remessas incidia a CIDERoyalties criada pela Lei 10.168/2000, com a redação dada pela Lei 10.332/2001. O artigo 11º da Lei 10.168/2000 delimitou a área de domínio econômico em que a União intervirá, e o artigo 2º detalhou a fonte de custeio dessa intervenção, nos termos seguintes: Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. ........................................................................................................ § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001). § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001). Destaquei. É de se notar que a redação dada ao § 2º suso transcrito pela Lei 10.332/2001, é peremptória no sentido de que a contribuição incide sobre os royalties que as pessoas jurídicas pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. 1 Art. 1º Fica instituído o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação, cujo objetivo principal é estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 04/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 Anotese, por oportuno, que redação dada pela Lei 10332/2001 amplia o campo de incidência da contribuição, fazendoa incidir sobre o pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties a residentes ou domiciliados no exterior, para tanto, não faz qualquer restrição ou vinculação desses royalties, podendo estes ser relativo a qualquer tipo de obrigação. Registrese que antes da alteração legislativa2, a contribuição só incidia sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações referente à concessão de licença de uso ou à aquisição de conhecimentos tecnológicos, bem como à transferência de tecnologia. não deixando margem à interpretação, com a alteração legislativa a incidência ocorrerá na transferência de royalties a qualquer título. Diante do exposto, não se pode negar que o pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da CIDE criada pela Lei 10.168/2000. Por conseguinte, para que seja devida, basta que qualquer dessas hipóteses seja concretizada no mundo fenomênico, como ocorreu no caso dos autos, em que a recorrida pagou royalties a residentes ou domiciliados no exterior. Aliás, esse fato é incontroverso, haja vista que não é negado pelas partes. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, para restabelecer a decisão de primeira instância que bem decidira a matéria. Henrique Pinheiro Torres 2 § 2o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput deste artigo. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 04/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10640.004183/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
É intempestivo o Recurso Voluntário interposto após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da decisão recorrida, excluindo-se o dia do início (data da ciência) e incluindo-se o do vencimento do prazo. Não interposto Recurso Voluntário no prazo legal, torna-se definitiva a decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2101-001.335
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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RECURSO INTEMPESTIVO. É intempestivo o Recurso Voluntário interposto após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da decisão recorrida, excluindose o dia do início (data da ciência) e incluindose o do vencimento do prazo. Não interposto Recurso Voluntário no prazo legal, tornase definitiva a decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) _________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka, José Fl. 231DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 04/ 11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 2 Raimundo Tosta Santos, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Em desfavor de MARIA ELIZABETH SACCHETTO, professora universitária, foi emitida a Notificação de Lançamento às fls. 58, na qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) suplementar no valor de R$ 6.029,33 (seis mil e vinte e nove reais e trinta e três centavos), que, com juros de mora calculados até 29.08.2008 e multa proporcional perfaz um valor total exigido de R$ 11.437,02 (onze mil quatrocentos e trinta e sete reais e dois centavos). Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 59 e 60) a Fiscalização informa ter apurado: 1. Dedução indevida do imposto, efetuada a titulo de Doação Estatuto da Criança e do Adolescente, no valor de R$250,00, tendo em vista ser relativo a doações efetuadas para entidades não permitidas pela legislação vigente; 2. Dedução indevida a título de despesas médicas no valor de R$23.217,21, conforme a seguir especificado: a) SARAH LUCAS PASSOS DE SOUZA: R$100,00; b) FGM REABILITAÇÃO FISICA LTDA: R$115,21; c) APARECIDA MARIA JULIAO: R$6.552,00; d) GRACIELA DE MELO CAPELARI: R$4.450,00; e) SIMONE RIANELLI SANTOS: R$8.000,00 e f) PAULO SABA ARBACHE: R$4.000,00. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 2007/606288104891008, a contribuinte apresentou recibos, os quais não foram considerados suficientes para comprovação da dedução pleiteada. Diante disso, foi a contribuinte intimada para comprovação da efetividade da entrega dos recursos e recebimentos dos serviços, através do Termo de Intimação Fiscal 163/2008, de 20/05/2008 (recebido 27/05/2008), não atendido. Em 30 de setembro de 2008, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 10), na qual pede a exclusão parcial da cobrança apontada na Notificação de Lançamento, em razão das deduções de despesas médicas e da suposta omissão de receita, pois a dedução praticada a titulo de despesas médicas foi devidamente comprovada pelos documentos apresentados à SRFB e a suposta omissão foi rechaçada pelos argumentos e pelos documentos apresentados, tendo sido demonstrado que o erro foi da fonte pagadora, que informou valores incorretos. A 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, mediante o Acórdão n.º 0932.353, de 12 de novembro de 2010, julgou a Impugnação procedente em parte, em decisão assim ementada: Fl. 232DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 04/ 11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10640.004183/200816 Acórdão n.º 210101.335 S2C1T1 Fl. 220 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Falece competência à autoridade administrativa para se manifestar quanto inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolidase administrativamente o lançamento relativo à matéria não impugnada (Decreto . n° 70.235, de 1972, art. 17), devendo, por conseguinte, ser, a cobrança imediata do crédito tributário correspondente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Diante de Dirf retificadora apresentada pela fonte pagadora da contribuinte mantémse apenas parte da omissão de rendimentos verificada pelo Fisco. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Firmase plena convicção de que resta indevida a dedução de despesas médicas pleiteada pelo contribuinte, quando esse não demonstra os efetivos pagamentos. Restabelecese parcela da dedução glosada pelo Fisco quando na fase impugnatória a contribuinte apresentar documentação hábil que invalida a motivação balizadora do trabalho fiscal. Mantémse, por outro lado, a glosa da parcela referente a pagamentos efetuados a pessoa jurídica sem a devida comprovação mediante a apresentação de nota fiscal de prestação de serviços , quando não há qualquer informação da dispensa pela emitente da emissão de tal documento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão Aquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Ciente da decisão em 7 de dezembro de 2010, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 7 de janeiro de 2011. Voto Fl. 233DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 04/ 11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 4 Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é intempestivo e não pode ser conhecido. A contribuinte tomou ciência do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora em 7 de dezembro de 2010, conforme comprova o carimbo de entrega dos Correios no Aviso de Recebimento – AR às fls. 193. Compulsandose os autos, verificase que a contribuinte protocolizou Recurso Voluntário na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora no dia 7 de janeiro de 2011, conforme atesta o funcionário da referida unidade (fls. 194 e 217). O Recurso Voluntário pode ser interposto pelo contribuinte no prazo de trinta dias contados da ciência da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, nos termos do artigo 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, a seguir transcrito: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A contagem dos prazos no Processo Administrativo Fiscal está disciplinada no artigo 5.º do mesmo diploma legal, que assim dispõe, ipsis litteris: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No presente caso, iniciouse a contagem do prazo em 8 de dezembro de 2010, quartafeira, dia seguinte ao do recebimento da Decisão de primeira instância (7 de dezembro de 2010). Tendo em vista que não consta ter havido expediente anormal nas repartições federais em Juiz de Fora na data, a contagem dos trinta dias iniciou em 8 de dezembro de 2010 e encerrouse em 6 de janeiro de 2011, uma quintafeira, também dia de expediente normal. Vale salientar que os prazos recursais são peremptórios e preclusivos, razão pela qual, decorrendo o lapso temporal previsto em lei sem que ocorra a interposição do Recurso Voluntário, extinguese, tal como sucedeu na hipótese, o direito do interessado de deduzilo. Impõese, portanto, a conclusão de que a decisão a quo tornouse definitiva, nos termos do artigo 42 do Decreto n.º 70.235, de 1972, verbis: "Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...].” Constatada a sua intempestividade, o Recurso Voluntário não preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele não conheço, deixando, destarte, de analisar o mérito. Fl. 234DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 04/ 11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10640.004183/200816 Acórdão n.º 210101.335 S2C1T1 Fl. 221 5 (assinado digitalmente) __________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 235DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 04/ 11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO
score : 1.0
Numero do processo: 13160.000173/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/03/2002 a 30/05/2003
AUTO DE INFRAÇÃO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA
Constitui falta passível de multa, deixar de informar mensalmente ao INSS, por intermédio da GFIP/GRFP os dados cadastrais de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo.
CARACTERIZAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO
Quando caracterizado o Grupo Econômico, todas as empresas pertencentes ao grupo respondem solidariamente por infrações cometidas.
MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA.
RETROATIVIDADE.
Aplica-se ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio no artigo 32A
da Lei 8212/91, se mais benéfica ao contribuinte.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. DISPOSITIVO APLICÁVEL.
Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa é única e aplicada com esteio no art. 35A da Lei n. 8.212/1991.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.235
Decisão: Acordam os membros do colegiado, ) Por unanimidade de votos rejeitar as preliminares suscitadas; e II) Por maioria de votos, dar provimento parcial do recurso para que se aplique a multa mais favorável ao contribuinte na comparação entre o cálculo efetuado de acordo com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, com dedução da multa aplicada na NFLD correlata. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (relator), que aplicava o art. 32A da Lei nº 8.212/91. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2002 a 30/05/2003 AUTO DE INFRAÇÃO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Constitui falta passível de multa, deixar de informar mensalmente ao INSS, por intermédio da GFIP/GRFP os dados cadastrais de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo. CARACTERIZAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO Quando caracterizado o Grupo Econômico, todas as empresas pertencentes ao grupo respondem solidariamente por infrações cometidas. MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Aplica-se ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio no artigo 32A da Lei 8212/91, se mais benéfica ao contribuinte. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa é única e aplicada com esteio no art. 35A da Lei n. 8.212/1991. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2093; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 179 1 178 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13160.000173/200711 Recurso nº 252.125 Voluntário Acórdão nº 240102.235 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de janeiro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS GRUPO ECONÕMICO Recorrente NIOAQUE ALIMENTOS LTDA. E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2002 a 30/05/2003 AUTO DE INFRAÇÃO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Constitui falta passível de multa, deixar de informar mensalmente ao INSS, por intermédio da GFIP/GRFP os dados cadastrais de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo. CARACTERIZAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO Quando caracterizado o Grupo Econômico, todas as empresas pertencentes ao grupo respondem solidariamente por infrações cometidas. MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Aplicase ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio no artigo 32A da Lei 8212/91, se mais benéfica ao contribuinte. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa é única e aplicada com esteio no art. 35A da Lei n. 8.212/1991. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, ) Por unanimidade de votos rejeitar as preliminares suscitadas; e II) Por maioria de votos, dar provimento parcial do recurso para que se aplique a multa mais favorável ao contribuinte na comparação entre o cálculo efetuado de acordo com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, com dedução da multa aplicada na NFLD correlata. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (relator), que aplicava o art. 32A da Lei nº 8.212/91. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Kleber Ferreira de Araújo – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13160.000173/200711 Acórdão n.º 240102.235 S2C4T1 Fl. 180 3 Relatório Tratase de auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado por descumprimento de obrigação acessória prevista na lei 8212/91, com ciência do contribuinte em novembro de 2004 através do Edital/INSS/MS nº 06/2004. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 15 a 17, a empresa deixou de informar mensalmente ao INSS, por intermédio da GFIP/GRFP os dados cadastrais de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo nas competências de 03/02 a 05/03, infringindo o disposto no artigo 32,inciso IV da Lei 8.212/91 e parágrafos 3º e 9º , acrescentados pela Lei n° 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, inciso IV e parágrafos 2°, 3° e 4° do "caput" do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº. 3.048, de 06.05.99. Ainda segundo o RF, foi constatada a existência de Grupo Econômico entre a autuada e as seguintes empresas: FRIGORÍFICO BOI BRANCO LTDA — CNPJ: 00.058.372100179; FRIGORÍFICO NIOAQUE LTDA CNPJ: 26.839.803/000128; NIOAQUE ALIMENTOS LTDA — CNPJ: 05.207.805/000124; RM PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA CNPJ: 81.202.483/000109 e FRIGORÍFICO CAMPO GRANDE LTDA — CNPJ: 02.273.377/000140; Inconformados com a decisão de primeira instância, apresentaram recurso à este conselho; NIOAQUE ALIMENTOS LTDA, GERALDO RÉGIS MAIA e ANTÔNIO JOSÉ DE OLIVEIRA, onde alegam em as mesmas teses de suas defesas, razão pela qual, peço vênia para transcrever o relatório contido na decisão de primeira instância que, objetivamente sintetizou os argumentos das, ora recorrentes: NIOAQUE ALIMENTOS LTDA alega que está sem atividade há mais de 10 anos antes da autuação em tela estando impossibilitado de lhe ser compelido débito por outras empresas que foram autuadas posteriormente; Afirma não existir relação entre a recorrente com as demais empresas que constam na autuação. No tocante à solidariedade, aduz que se trata de equívoco da parte autuante, Para que haja a situação descrita no art. 202, 1, do CTN de co responsabilidade é mister que esse coresponsável que não é sócio e tenha praticado algum ato que faça com que a autoridade autuante descubra por ato contrário ao contrato social ou excesso de poder. No entanto, a autoridade nos respectivos autos, assim não procedera, limitandose a fazer uma alegação de cunho eminentemente hipotético, lançando sobre o recorrente urna onda de débitos que jamais tivera sequer a intenção de obter e nem concorreu para que eles ocorressem. Por tudo exposto, alega que é nula a autuação contra ele pugnando pela improcedência da autuação. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 GERALDO RÉGIS MAIA sustenta que o INSS imputou infração contra o recorrente por vários motivos, sendo o principal a ausência do recolhimento da contribuição previdenciária por aquisição de produtos pecuários (bovinos) para o recorrido e terceiros, além de imposição de multas respectivas e de afirmar a existência de solidariedade entre ele e várias empresas, não sendo verdadeiras tais informações. Sustenta a decadência da autuação. Admite que de fato, o recorrente foi sócio do Frigorífico Nioaque Ltda, nos períodos de 08.03.1991 a 03.06.1992, e a partir de 20.10.1992, encontrando se em inatividade há longo período de tempo. No tocante à solidariedade, afirma que nunca existiu, pois, apesar de existir vínculo familiar entre ele e alguns sócios daquelas empresas, nunca houve qualquer relação com as outras, sendo que, sua responsabilidade se limita no âmbito de sua atuação. Declara que solidariedade não se presume, decorre da lei ou da vontade das partes. No caso em tela, não há pacto nem lei que preveja tal solidariedade. Declara que, eventualmente, o recorrente exerceu qualquer ato. por qualquer empresa, e que, mesmo assim, ele não poderá efetuar os recolhimentos previdenciários, pois, na época da negociação, por exigência dos produtores rurais, não houve desconto da contribuição previdenciária sobre o produto rural. ANTÔNIO JOSÉ DE OLIVEIRA, afirma que foi notificado por Aviso de Recebimento — AR, efetivamente recebido em 03.06.2005, e que foi envolvido como componente do suposto Grupo Econômico formado pela empresa RM PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA. Em 16.06.2005, apresentou impugnação tempestiva e até a presente data, afirma que não houve decisão de sua defesa. Porém, inobstante a apresentação de impugnação tempestiva, o requerente recebeu em 03.06.2005 as DecisõesNotificação n°s 06.401.4/097/2005, 06.401.4/100/2005, 06.401.4/098/2005, 06.401.4/103/2005, 06.401.4/101/2005 e 06.401.4/104/2005 e uma Ordem de Intimação em 24.06.2005 emitida pela Seção do Contencioso Administrativo, para ciência da reabertura de prazo para apresentação de defesa junto ao Conselho de Recursos da Previdência Social. Alega que a sua impugnação, na condição de pessoa física envolvida pelos fiscais em suposto grupo econômico do qual não faz parte, sequer foi julgada em primeira instância, razão pelo qual o mesmo não pode interpor recursos ao conselho. Diante do exposto, requer que ordene a não inscrição do seu nome em dívida ativa, bem como encaminhar a Procuradoria Estadual do INSS para que se abstenha de incluir seu nome em eventual execução fiscal que venha a ser ajuizada contra as empresas nominadas nos rol's e NFLD's, até o trânsito em julgado da impugnação pelo mesmo apresentada, sob pena de violação aos preceitos constitucionais do contraditório e ampla defesa que Fl. 777DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13160.000173/200711 Acórdão n.º 240102.235 S2C4T1 Fl. 181 5 devem ser observados no processo administrativo, além da juntada desta aos autos e processo administrativo NFLD 35.686.1210 Por fim, alega o que só é responsável por seus atos e seus eventuais débitos, não podendo responder por débitos referentes aos períodos nos quais não tenha integrado o quadro social da empresa, nem mesmo por débitos de empresas que são ou foram de seus familiares e informa que não foi dada a oportunidade para apresentação de defesas nos autos de infração antes à expedição dos lançamentos, sendo, portanto, nulos os autos de infração e descabida a imputação de solidariedade do recorrente nos débitos das demais empresas referidas pela Auditoria do INSS. Os autos foram baixados em diligência, para que fosse informada a situação das NFLD’s 35.686.1163 e 35.686.1198, as quais o julgamento do presente processo está diretamente relacionado. Em resposta à diligência solicitada, foram anexados os resultados dos julgamentos das referidas Notificações, que, através de Despachos Decisórios de primeira instância, consideraram os lançamentos procedentes. Consta ainda da documentação anexada, que os recursos foram considerados Desertos, tendo sido juntados extratos dos quais demonstram que os débitos oriundos das notificações encontramse inscritos na dívida ativa. Não houve manifestação da recorrente acerca da diligência. É o relatório. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Embora tenham sido apresentados recursos distintos, todos serão analisados de uma só vez, já que há várias alegações semelhantes contidas nas peças. Inicialmente cumpre esclarecer que nenhum dos recursos traz em suas alegações, contestações sobre a matéria principal da presente autuação, qual seja, que a empresa deixou de informar mensalmente ao INSS, por intermédio da GFIP/GRFP os dados cadastrais de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo nas competências de 03/02 a 05/03, sem questionar ou afirmar terem sido apresentados os documentos solicitados. Desta forma, ao não impugnar o objeto da autuação propriamente dita, entendo como tacitamente aceita a imputação feita pela fiscalização. Outro ponto argumentado foi o da decadência de fatos geradores anteriores a 1999, o que no presente caso a autuação ocorreu em 09/2004 e o período sem apresentação de GFIP está compreendido entre 03/2002 e 05/2003, sendo certo que o AI contempla período não alcançado pela decadência qüinqüenal. Também merecedor de elogio foi o trabalho da ação fiscal ao caracterizar o grupo econômico, onde, através de minucioso relatório, denominado Relatório Geral (fls. 33 a 76), detalhou passo a passo as razões e o histórico das empresas e pessoas envolvidas no grupo, com várias provas fundamentadas, entre elas, decisões judiciais que determinaram a desconsideração de personalidade jurídica de empresas do grupo. Peço vênia para transcrever uma parte do trecho final do citado relatório, especificamente o item XI, onde a fiscalização conclui pela existência de fato do grupo econômico, pondo por terra os argumentos das recorrentes acerca de suas responsabilidades. XI – PROVAS .E FATOS QUE .COMPROVAM OS RELATOS EXPOSTOS NESTE RELATÓRIO GERAL: O abate dos animais e a comercialização de seus respectivos produtos pelas pseudoempresas, são feitos com exclusividade nas instalações da RM Part. e Empr.Ltda. Essas pseudoempresas não possuem quaisquer bens imobilizados para realização de suas atividades. As pseudoempresas, sempre estiveram com endereços ignorados, conforme diligênciasrealizadas "In loco" e nos órgãos públicos municipais e estaduais. RELATÓRIO GERALr FISCALIZAÇÕES REALIZADAS NA UNIDADE FRIGORIFICA DO "GRUPO CENTER CARNES RAf". Fl. 779DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13160.000173/200711 Acórdão n.º 240102.235 S2C4T1 Fl. 182 7 Essas pseudoempresas sempre utilizavam as instalações físicas do RM PART.E EMP. Ltda para a realização de seus próprios atos comerciais, inclusive para a compra de bovinos. O capital social integralizado de constituição das pseudoempresas é imensamente desproporcional ao volume de compras de animais realizado mensalmente, caracterizando um fato contábil muito vultoso em relação ao seu próprio capital de giro, ficando evidenciado que não possuíam nem ao menos patrimônio mínimo que lhes permitisse desenvolver as atividades para as quais foram constituídas. (veja histórico de cada uma no Titulo II a VII). As pseudoempresas não possuem quaisquer bens imobilizados para realização de suas atividades, nem ao menos um veículo, um telefone, etc., utilizando todos os bens imobilizados do RM Part. E Empr. Ltda. Contratos de Arrendamento efetivados pela RM Participações e Empreendimentos Ltda (Instalações de CAMPO GRANDE — MS) com as demais empresas do grupo econômico (fls.01/13): Período ARRENDATÁRIO TIPO PAGAMENTO 05/95 a 04/97 Frig.Boi Branco Ltda (000250) 100% instalações R$ 54.347,36 03/98 a 03/03 Frig. Campo Grande Ltda (matriz) 100% instalações R$ 15.000,00 01/00 até hoje Campo Oeste C. 1. E Ltda. (matriz) 100% instalações R$ 20.000,00 Contratos de Arrendamento efetivados pela RM Participações e Empreendimentos Ltda (Instalações de NIOAQUE — MS) com as empresas do grupo econômico (fls.14/38): Período ARRENDATÁRIO TIPO PAGAMENTO 05/94 a 04/96 Frig. Boi Branco Ltda (matriz) 100% instalações 500 arrobas de boi 01/95 a 01/98 Frig. Boi Branco Ltda (matriz) 100% instalações R$ 90.000,00 05/97 a 05/02 Frig. Boi Brasil Ltda (matriz) 100% instalações R$ 15.000,00 01/98 a 01/02 Frig. Boi Brasil Ltda (matriz) 100% instalações ' R$ 10.000,00 01/00 a 12101 Amambaí Ind.Alimentícia Ltda * 100% instalações R$ 10.000,00 • 10/02 a 10/04 Nioaque Alimentos Ltda (matriz) 100% instalações R$ 10.000,00 Fl. 780DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 *Amambaí Ind. Alimentícia Ltda — CNPJ 03.013.546/000256 e não conseguimos o contrato com a empresa Frigorífico Boi do Pantanal Ltda — CNPJ 04.499.053/0002 30, • provavelmente até 03/03 (Início da empresa Nioaque Alimentos). Estas não são do grupo econômico. No endereço das instalações do frigorífico em Campo Grande/MS (Rodovia BR 262 KM 02 Zona Rural — CAMPO GRANDE — MS) estiveram estabelecidas as seguintes empresas: RM PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA — Matriz, FRIGORIFICO BOI BRANCO LTDA — Filial (000250), FRIGORÍFICO CAMPO GRANDE LTDA — Matriz e filial (000220). A empresa CAMPO OESTE CARNESIND.,COM.,IMP. E EXP. LTDA 03.539.6621000122 ,em atividade, não é deste grupo econômico. No endereço das instalações do frigorífico em Nioaque/MS (Rodovia BR 060 — KM 04 Zona Rural — NIOAQUE — MS) estiveram estabelecidas as seguintes empresas: RM PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA Matriz, filial (000290) e filial (000370), FRIGORÍFICO BOI BRANCO LTDA — Matriz e filial (000330), FRIGORIFICO BOI BRASIL LTDA — Matriz e filial (000205), FRIGORIFICO N1OAQUE LTDA — Matriz e NIOAQUE ALIMENTOS LTDA — Matriz (em atividade).Seria coincidência? A empresa RM Participações e Emp. Ltda iniciou suas atividades comerciais de fato e 25/04/89 e veio com a sede para Mato Grosso do Sul (Nioaque) em 04/07/91 com razão social CENTER CARNES RM LTDA e entra em 06192 o Sr. Antônio José de Oliveira com sóciogerente na empresa Frigorífico Nioaque Ltda (também do grupo econômico) e junto com os Srs.Geraldo Régis Maia e Reginaldo da Silva Maia, ajuda na construção da instalações frigorificas (anos 92/93) e começa a usar da prática de criação de pseudo! empresas a partir de 04/05/94, quando abriu e "arrendou" para o Frigorifico Boi Branco Ltda O sócio do Boi Branco, Sr. Márcio Aurélio de Oliveira, é filho do Sr. Antônio José de Oliveira. Por conseguinte, constituiu várias pseudoempresas, firmando com elas contrato de arrendamento. • Em 11/08/97 transfere a sede de Nioaque/MS para Campo Grande/MS quando comprou as instalações da M M Menezes Matadouro e Frigorífico Ltda em 04/05/95 (fls 39/41) e abriu e "arrendou" em 05/95 para o Frigorífico Boi Branco Ltda filial 000250. Lembrando que o Sr. Antônio José de Oliveira estava como sóciogerente. Da mesma forma que em Nioaque/MS constitui várias pseudoempresas, firmando com elas contratos de arrendamento. Desde o primeiro arrendamento em 05/94 para o Frig. Boi Branco (inicio de atividade deste) a Center Carnes RM Ltda (hoje RM Part. E Emp. Ltda) nunca mais teve fato gerador para a contribuição rural, já que passou a ser de responsabilidade das outras pseudo empresas, o Sr. Reginaldo da Silva Maia não era mais sóciogerente da empresa líder e ainda assim praticava atos de gerência quando, por exemplo, assinava contrato com a MM Menezes Matadouro e Frigorífico Ltda às fls.41. A data da saída da empresa foi em 22/04/93 e assinou este documento em 07/12194 e não encontramos procuração garantindo estes poderes. O Frigorífico Nioaque Ltda foi aberto para a construção das instalações em Nioaque/MS (teve algumas compras de gados, vide abaixo) e tiveram como sóciogerente os Fl. 781DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13160.000173/200711 Acórdão n.º 240102.235 S2C4T1 Fl. 183 9 Srs. Antônio José de Oliveira, Geraldo Régis Maia (até hoje) e Reginaldo da Silva Maia. Todos os mentores deste grupo econômico. O Frigorífico Boi Branco Ltda fez seguros de carros na Porto Seguro Cia de Seguros e colocou a empresa Center Carnes OM Ltda como beneficiária (fls. 42/47). Center Carnes OM Ltda foi a razão social da empresa líder RM Participações e Empreendimentos Ltda. • O Frigorifico Boi Branco Ltda teve um contrato com o Banco do Brasil no valor de R$ 500.000,00 (Quinhentos mil Reais) para desconto de NPR (Notas Promissórias Rurais) e tem como Interveniente Garantidor a empresa Center Carnes OM Ltda (hoje RM Part. e Emp. Ltda), inclusive com as instalações como reforço de garantia. Fiadores os Srs. REGINALDO DA SILVA IVIAIA e MÁRCIA CRISTINA BRESSAN SILVEIRA (esposa do Reginaldo). Vide fls.48/49. O Sr. Antônio José de Oliveira não é sócio da empresa Frigorifico Boi Branco Ltda e está como avalista em um contrato de Arrendamento Mercantil no banco Sudameris —Arrendamento Mercantil — S/A (fis.50156). Ele era sócio das empresas Frigorifico Nioaque Ltda e da empresa líder (RM Part. E Emp. Ltda), Empresas estas do grupo econômico. O Sr. Antônio José de Oliveira é pai do sócio da empresa Frig. Boi Branco Ltda o Sr. MÁRCIO AURÉLIO DE OLIVEIRA. E o Sr. Márcio continuou na empresa como veterinário, contrato de período 05/98 a 04/99. O Frigorífico Boi Branco Ltda teve um contrato em 03/01/96 com o Banco Bamerindus do Brasil no valor de R$ 4.800.000,00 (Quatro Milhões e Oitocentos mil Reais) e tem como Interveniente Hipotecantes os Srs. ANTÔNIO JOSÉ DE OLIVEIRA e POMPILHO FRANCISCO BRESSAN DA SILVEIRA e a empresa Center Carnes OM Ltda (hoje RM Part. E Emp. Ltda), inclusive com as instalações como reforço de garantia. Interveniente Garantidor os Srs. REGINALDO DA SILVA MAIA e ANTÔNIO JOSE DE OLIVEIRA — CPF: 290.686.73815. Vide R.10/437 às fis.112 v/113. E teve outro contrato de 26/11/97 com o mesmo banco no valor de R$ 5.029.845,00 (Cinco Milhões, vinte e nove mil, oitocentos e quarenta e cinco reais) e os mesmos hipotecantes e os mesmos garantidores (fis.113 v/114). O Sr. Reginaldo da Silva Maia (foi sóciogerente dos Frig. Boi Brasil, Frig. Nioaque. RM Particip. e Frig. Campo Grande) e tem procuração com todos os poderes para administrar a empresa Frigorífico Boi Branco Ltda (fls.57). O Sr. Geraldo Régis Maia (sóciogerente do Frigorífico Nioaque Ltda) e tem procuração com todos os poderes para administrar as empresas Frig. Boi Brasil Ltda (fis.77/78) e Nioaque Alimentos Ltda (fis.58/59) e procurações do Frig. Boi Branco Ltda ,em conjunto, com o Sr. José Francisco de Oliveira para representação junto a instituições bancárias (fls. 60) e com o Sr. Francisco Braz Otre para emissão de Notas Promissórias Rurais (fls.61). Os sócios laranjas" Sr. Fernando Tracz aparece como sócio nas empresas Frigorífico Boi Branco Ltda, Frigorífico Boi Brasil Ltda e Frigorífico Campo Grande Ltda, o Sr. Rogério de Oliveira Goivinho do Frigorífico Boi Branco Ltda e Frigorífico Boi Brasil Ltda, os Srs. Eudes Joaquim Lima, José OrcSides e Waldir Nunes da Nunes_do Frigorífico Boi Brasil Ltda e Frigorífico Campo Grande Ltda. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Todas as pessoas com sobrenome Maia, envolvidas no grupo econômico, são parentes do Sr. Geraldo Régis Mala e as de sobrenome Silveira são parentes da nora dele, Sra. Márcia. Existem diversos processos contra o Frig. Boi Branco Ltda, Center Carnes RM Ltda, Frigorífico Boi Brasil, Geraldo Régis Maia e Reginaldo da Silva Maia e até o Juiz do Trabalho chegou a seguinte conclusão: "Porém, no caso dos autos, verificase que o acervo, patrimonial do estabelecimento, sinônimo de garantia da solvabilidade das obrigações" assumidas perante os empregados, vem sendo resguardado através de artifícios de expedientes fraudulentos (9°. da CLT). A empresa vem sendo aparentemente explorada por terceiros, mantendose oculto o verdadeiro empreendedor, preservado seu patrimônio em detrimento dos direitos trabalhistas e da efetividade de pronunciamentos judiciais (fls. 288/292)." Cominou com uma sentença e todos são condenados e ofereceram como bens à penhora uma fazenda do Sr. Geraldo Régis Maia que nem sócio de nenhuma desta empresas, só é pai do Sr. Reginaldo (fis.254) e depois houve um acordo amigável ofereceram a Chácara Saltinho da empresa Center Carnes RM Ltda (fis.255/256). E nas instalações de Campo Grande tem empregados no Frigorífico Campo Grande (01/98 a 05/00) e abate pelo Boi Branco (filial 000250) de 01/98 a 07/98. Isto acontece pois não importa qual das empresas esteja operando já que os "donos" são os mesmos: Sr. Reginaldo da Silva Maia e sua esposa, Márcia Cristina Bressan Silveira, Sr. Geraldo Régis Maia e Sr. Antônio José de Oliveira. O Frigorífico Boi Branco Ltda em 15/09/95 transfere para Rua Bonifácio Cubas, 568 — Freguesia do Ó — São Paulo/SP e em 17/04/96 passa para Av. Rio Pequeno, 265/271 — Rio Pequeno — São Paulo e neste último endereço nunca funcionou. Na Rua Bonifácio funcionou em período curto só que abateu em Nioaque/MS até 03/98 e com empregados de 06/94 a 12/95 e pela filial 0003/30 de 01/96 a 12197. Transferência esta, em tese, fraudulenta. O Frigorífico Boi Brasil Ltda em 19/05/99 transfere para Av. Santa Marina, 2.599 — Freguesia do Ó — São Paulo/SP e em 16/07/99 passa para Rua Abílio Pedro Ramos, n. 576 — Bairro Vila Nilo — SÃO PAULO/SP e nestes endereços nunca funcionou. E abateu em Nioaque/MS de 04/98 a 12/99 e com empregados de 01/98 a 12/99. Transferência esta, em tese, fraudulenta. O Sr. NEVVTON ROSA DA SILVEIRA tem uma procuração do Frigorífico Boi Brasil Ltd de 11/05/98 para abrir e movimentar contas bancárias (fis.69). Ele é irmão da Sra. Márcia, esposa do Sr. Reginaldo e está com endereço deste (Av. Afonso Pena, 3.562 — Apto 91 — centro — Campo Grande — MS). Tem um Inquérito Policial de Estelionato n. 005/2000 na Delegacia de Polícia de Niaoque /MS pelos produtores rurais de Jardim/MS (Sidnei Escudero e outros) contra EUDES JOAQUIM DE LIMA e WALDIR NUNES DA SILVA, sócios que constam do Contrato social e REGINALDO DA SILVA MAIA e GERALDO RÉGIS MAIA, proprietários de fato, pelo não pagamento das compras de gado para abate, efetuado através de Notas Promissórias RuraisNPR em nome do Frigorífico Boi Brasil Ltda (fis. 101/105), onde, resumidamente, consta (mais detalhe veja o Titulo IV deste relatório): Fl. 783DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13160.000173/200711 Acórdão n.º 240102.235 S2C4T1 Fl. 184 11 0 Todos os empregados das fazendas (em nome de parentes) recebem/ seus pagamentos mensais através de cheque de emissão do FRIGORIFICO BOI BRASIL LTDA (fis.103 e 108/109); Que Geraldo Régis Maia utilizouse do cheque n. 009688, agência 0736 (Campo Grande MS) , em nome do Frigorífico Boi Brasil Ltda, no valor/de R$ 148.000,00(cento e quarenta e oito mil reais), para adquirir mediante arrematação judicial, um lote de terras de 772 hectares e 2.351 m2, conforme consta do Auto de Arrematação expedido pelo Juízo da Comarca de Beta Vista (fls.101, 134 e 137/138). Requereu a substituição do arrematante, iniciando seu neto RODRIGO SILVEIRA MA1A, o que foi negado tendo em vista que o mesmo tem contra si três ações de execução (fls.140/141). Que parece? Em todas as fazendas que se comenta pertencerem a Geraldo Régis, Maia e Reginaldo da Silva Maia, estas propriedades estão registradas em nome de Márcia Cristina Bressan Silveira (esposa do Reginaldo) e Renata Aparecida Mala (irmã do Reginaldo), Rodrigo da Silveira Maia e Geraldo Arruda de Freitas (fls. 103, 108/109, 1151127) e outros, sempre parentes muito próximos, e em todas fazendas visitadas o gado possui a mesma marca, ou seja, 'R M' conforme diligência do Delegado (fls.103 e 146); Declarações diversas prestadas por REGINALDO DA SILVA MAIA (fls. 147/148), GERALDO REGIS MA1A (fls 179/181 e fls 176/178) em que afirma que o Frigorifico Boi Brasil Ltda pertencem a ele e seu pai; WALDYR NUNES DA SILVA (sócio do Frigorífico Boi Brasil Ltda) interrogado em 19/01/00 diz que é apenas funcionário do Frigorífico Campo Grande Ltda que pertence a Reginaldo da Silva Maia e que trabalhou no Frigorífico Boi Branco Ltda, também do Sr. Reginaldo e que na condição de empregado e subordinado de REGINALDO concordou em emprestar o nome para abertura do FRIGORIFICO BOI BRASIL LTDA e disse que recebe R$1.000,00 por mês a título de "agradecimento" pela cessão de seu nome e que nunca praticou atos de gerência já que só "era sócio no papel" e que Fernando Tracz (empregado fls. 242) sempre está com o Sr. Reginaldo, mas não sabe sua função e que Fernando figurou no contrato social como sócio "só no papel' e que Eudes e José Oróides também (fls. 170/172). Lembrando que ele é sócio em várias empresas e que foi empregado do Frig. Boi Branco e Frig. Campo Grande no período de 01103195 a 03/05199 (fls.247); EUDES JOAQUIM DE LIMA (sócio do Frigorífico Boi Brasil Ltda) interrogado em 18/01/00 diz que foi funcionário no Frigorífico Campo Grande Ltda que o proprietário é o Sr. Reginaldo, que não tinha conversa com o Sr. Geraldo sobre negócios, que o Sr. Reginaldo pediu para ele entrar como sócio no Frigi.Boi Brasil já que estava tendo desentendimento com o Sr. Fernando Tracz, que o dono do Boi Brasil é o Sr. Reginaldo, apesar de estar como gerente o Sr. Geraldo, que ele nunca praticou atos de gerência e que recebeu R$ 500,00 por ocasião da assinatura dos documentos e após deixou de ser empregado do Reginaldo, indo trabalhar em outra firma (Qualidade Com. Imp. e Exp. Ltda) e tem conhecimento que o Frig. Campo Grande Ltda e Center Carnes RMJ são do Sr. Reginaldo (fls.173/175). Lembrando que ele é sócio em várias empresas e que foi empregado Frig. Boi Branco e Frig. Campo Grande no período de 01/07/94 a 10/01/99 (fls. 2431244); Consta Resumo de Boletim de Ocorrência n. 965.99 e Inquérito Policial registrado no 9°. Distrito em Osasco/SP (fls.136) de receptação de carne qualificada e formação de quadrilha em 07/10/99 envolvendo o Frigorífico Pantaneiro Ltda à Av. Torres de Oliveira, 462 — Jaguaré — São Paulo/SP, /onde o Sr. Reginaldo e Sr. Fernando Tracz foram identificados pelos funcionários como sócios. Lembrando que pelo Termo de Interrogatório (fls. 176/178)110 Sr. Geraldo entrega que o Frigorífico Boi Brasil é dele e do seu filho Fl. 784DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Reginaldo informando que a empresa estava em dificuldades financeiras e fala do roubo de dez carretas de gados abatidos à época, história esta confirmada pelo Sr. Reginaldo (fls. 179/181); Existem Notas Fiscais de Entradas com descontos para INSS, mostrado, em tese, de que existe Crime de Apropriação Indébita , conforme fls. 272/28; O Tem como garantidor de Notas Promissórias Rurais (NPR) em nome do Frigorífico Boi Brasil Ltda o sr. Geraldo (fls. 214/226, 228/233) e Sr. Reginaldo (fls. 227) sem ao menos ser sócio da empresa, não é estranho? Foi feito acordo no processo onde o Frigorífico Boi Brasil Ltda (fls. 123/133) comprometese a escriturar, em forma de Dação em Pagamento, o imóvel denominado Fazenda Santa Terezinha de Caracol/MS de propriedade de Márcia Cristina Bressan Silveira (esposa do Sr. Reginaldo) de matrículas b.086 e 7.953 (fls. 92/95 e 154/155) e com transmissão aos credores da Fazenda São Vitor (fls.182/187) com área de 772,23 hectares — matrícula 09 — Caracol/MS (Imóvel este arrematado pelo Sr. Geraldo Régis Maia com cheque do Frigorífico Boi Brasil Ltda (fls. 134)); Os credores fazem termo de opção para venda do imóvel transmitido a eles para a Sra. Márcia (esposa de Reginaldo) fls.188/195; O Delegado em 18/01/00 chegou à conclusão de participação dos Srs. Eudes e Waldir não são meros laranjas" mas sim participantes efetivos do golpe aplicado dos Maias e de existência de formação de quadrilha e oficia a Juíza (fls. 167/169). Pelas alegações finais do Ministério Público condenou os quatros (Geraldo, Reginaldo, Eudes e Waldir) no artigo 171 "càput" (estelionato) c/c artigo 288 (quadrilha ou bando) na forma do artigo 69 e 2 do Código Penal e absolvido do artigo 171, § 2°., VI da Lei Substantiva Penal (fls. 196/213). A maioria dos empregados foi registrada, visto através das RAIS's — Relação Anual de Informações Sociais, por várias empresas, simultaneamente, (RM Part. E Empr. Ltda — CNPJ 81.202.483/000109, Frigorífico Boi Branco Ltda — CNPJ 00.058.372/000179 e filiais 00.058.372/000250, 00.058.372/000330 e 00.058.372/000411, Frigorífico Campo Grande Ltda — CNPJ 02.273.377/00140 e Frigorífico Boi Brasil Ltda — CNPJ 01.985.091/000124) com a mesma data de admissão (vide exemplos às fls. 293/296) e constam valores em cada empresa em períodos diferenciados e que denota que são do mesmo grupo econômico. Demonstrando que possuíam em seu poder todos os dados dos empregados, talvez, até utilizando o mesmo sistema de folha de pagamento e se fossem empresas apartadas não haveria esta confusão. O Frigorífico Nioaque Ltda foi para o endereço das instalações em 03/06/92 e perguntado ao Sr. Geraldo Régis Maia (que tem procuração da Nioaque Alimentos Ltda em atividade e é do grupo também) disse não mais existir esta empresa, só que mandamos o MPF — Mandado de Procedimento Fiscal, via correio, e foi recebido pela empresa atual e a funcionária Antonieta Peixoto retornou com uma declaração num envelope com timbre do Frigorífico Nioaque. Mostra que a empresa é do grupo. O Frigorífico Campo Grande Ltda em 29/04/99 transfere matriz para Rua Cônego Eugênio Leite, 755 — Jardim América — SÃO PAULOS e em 01/12/00 foi para Rua Inácio, 720 — Zelina — SÃO PAULO/SP e abateu em Nioaque/MS de 08/98 a 12/00 e com empregados até 01/98 a 08/00. Em visita "in loco" verificamos que esta empresa nunca funcionou naqueles lugares. Houve uma transferência, em tese, fraudulenta. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13160.000173/200711 Acórdão n.º 240102.235 S2C4T1 Fl. 185 13 Pelo exposto, consubstanciados em provas são tão evidentes que dificilmente haveria algum entendimento diferente de quem, com um pouco de conhecimento jurídico ou contábil, os examinassem. Ou seja, todos os fatos aqui narrados e nos TITULOS II A VII demonstraram irrefutavelmente que as relações comerciais entre as empresas possuem a essência, de fato, de um Grupo Econômico, onde todas possuem dependência econômica fática era relação à empresa RM Part. E Empr. Ltda, dependência esta observada em diversos campos: dependência física/operacional, financeira e de recursos humanos. Portanto, a fiscalização verificou que, na realidade, todas as empresas foram constituída para servirem de anteparo para a empresa RM Part. E Empr. Ltda, ou seja, aquelas eram; pseudoempresas, com a finalidade exclusiva de burlar à fiscalização, ao chamarem a carga tributária sobre si e desaparecerem, posteriormente, com isso, praticando a sonegação de tributos. Além disso, as pseudoempresas não têm qualquer bem econômico registrado em seu nome para garantir o pagamento dos tributos devidos e sonegados. Dentre os fatos evidenciados e relatados, até o momento, neste Relatório Geral, fica evidenciado que se trata de um Grupo Econômico de Fato — GRUPO CENTER CARNES RM , o qual foi articulado e montado pelos sócios e diretores da empresa RM Part. E Empr. Ltda. Dado ao fato constatado e comprovado, devemos, então, observar as disposições legais que se aplicam à espécie, especialmente a legislação previdenciária, para a constituição do crédito tributário (crédito previdenciário). Assim, o próprio Código Tributário Nacional — CTN — (Lei n.° 5.172/66) estabelece, nos incisos I e II do seu art. 124, que existe responsabilidade solidária entre pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Além disso, a Lei de Custeio da Seguridade Social — Lei n.° 8.212/91, em seu inciso IX do art. 30, também prevê expressamente a solidariedade entre si das empresas componentes de Grupo Econômico, sendo lícito ao INSS cobrar de quaisquer delas. Portanto, o INSS, baseado no instituto da SOLIDARIEDADE, tem o direito de cobrar o crédito fiscal (crédito previdenciário) de qualquer pessoa que compõe o "GRUPO CENTER CARNES RM", uma vez que na seara das obrigações tributárias não se comporta benefício de ordem. Desta forma, bem fundamentado o trabalho fiscal e correto todo procedimento adotado na lavratura do presente auto de infração. Porém, em que pese procedência da autuação, temos que destacar que posteriormente à lavratura do Auto de Infração fora publicada a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trazendo nova redação ao artigo 32 da Lei nº 8.212/91, acrescentando, ainda, o artigo 32A àquele Diploma Legal, estabelecendo nova forma do cálculo da multa ora exigida. Assim, em face da existência de nova legislação contemplando penalidades mais benéficas ao contribuinte, deve ser aplicado o novo cálculo da multa conforme disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, in verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 786DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer dos Recursos, rejeitar as preliminares e no mérito Darlhes Provimento Parcial para recalcular a multa nos termos do artigo art. 32 –A da Lei 8212/91, se mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 787DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13160.000173/200711 Acórdão n.º 240102.235 S2C4T1 Fl. 186 15 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Embora concordando com o Conselheiro Relator quanto à aplicação retroativa das disposições da Lei n.º 11.941/2009 que tratam da aplicação da multa por descumprimento de obrigações acessórias relativas à declaração na GFIP, ouso divergir no que diz respeito ao dispositivo a ser aplicado.. De fato, com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n. 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de mora constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Diante das considerações acima expostas, não há como se aplicar na situação em tela o art. 32A da Lei n. 8.212/1991, como ponderou o Conselheiro Relator em seu voto, posto que houve na espécie lançamento das contribuições correlatas. A situação sob enfoque pede a aplicação do art. 35A da mesma Lei, o qual pode ou não ser mais benéfico ao contribuinte, posto que, para os casos em que o teto para aplicação da multa previsto na legislação revogada fica muito abaixo do valor da contribuição não declarada, há a possibilidade do valor da penalidade aplicada com fulcro na sistemática legal anterior situarse num patamar inferior àquela calculada com base na norma atual. Nesse sentido, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN2. Devese, então, verificar, competência a competência, se a multa calculada nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% da contribuição não declarada), deduzidas a multa aplicada na(s) NFLD(s) correlata(s), resulta em valor mais benéfico ao contribuinte. Conclusão Voto então pelo provimento parcial do recurso para que se aplique a multa mais favorável ao contribuinte, a qual ficará limitada ao valor calculado de acordo com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, deduzida a multa aplicada na(s) NFLD (s) correlata (s). Kleber Ferreira de Araújo 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) 2 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10552.000012/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/10/1997 a 30/08/2005
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO.
Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos
relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória.
OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INDEPENDÊNCIA.
Não se confundem a obrigação de pagar o tributo com a obrigação acessória, instituída pela legislação no interesse da arrecadação e fiscalização de tributos, podendo ser exigida a primeira cumulativamente com a penalidade pelo descumprimento da segunda.
INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE PERÍODO DECADENTE E NÃO DECADENTE. PENALIDADE FIXA NÃO VINCULADA AO NÚMERO DE INFRAÇÕES.
Para as autuações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda poderia aplicar a multa.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/1997 a 30/08/2005
ALEGAÇÕES GENÉRICAS E DESPROVIDAS DE PROVAS. NÃO CONHECIMENTO.
Não merecem conhecimento as alegações que não se refiram à situação ou fato específico e/ou que não indiquem as provas em que se funda.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.374
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de decadência; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INDEPENDÊNCIA. Não se confundem a obrigação de pagar o tributo com a obrigação acessória, instituída pela legislação no interesse da arrecadação e fiscalização de tributos, podendo ser exigida a primeira cumulativamente com a penalidade pelo descumprimento da segunda. INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE PERÍODO DECADENTE E NÃO DECADENTE. PENALIDADE FIXA NÃO VINCULADA AO NÚMERO DE INFRAÇÕES. Para as autuações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda poderia aplicar a multa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1997 a 30/08/2005 ALEGAÇÕES GENÉRICAS E DESPROVIDAS DE PROVAS. NÃO CONHECIMENTO. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Não merecem conhecimento as alegações que não se refiram à situação ou fato específico e/ou que não indiquem as provas em que se funda. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de decadência; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10552.000012/200726 Acórdão n.º 240102.374 S2C4T1 Fl. 494 3 Relatório Tratase do Auto de Infração n.º 35.773.5544 lavrado contra o sujeito passivo acima identificado para aplicação de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de preparar as folhas de pagamento nos padrões definidos pela Administração Tributária. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 06, a empresa deixou de incluir nas folhas de pagamento os contribuintes individuais que lhe prestaram serviço no período de 10/1997 a 08/2005. No Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 07, ressaltase que pelo fato da empresa ser reincidente em infração diversa da que deu origem a autuação, a multa foi aplicada em duas vezes o valor mínimo, totalizando R$ 2.313,66 (dois mil, trezentos e treze reais e sessenta e seis centavos). A empresa apresentou impugnação, fls. 26 e segs., na qual inicia transcrevendo a defesa ofertada contra uma NFLD lavrada na mesma ação fiscal, na qual, dentre outras, são exigidas contribuições sobre a remuneração paga a administradores e autônomos. Ali se alega que o fisco não levou em conta que no ano 2005, o sócio da empresa contraiu dois empréstimos no valor de R$ 100.000,00 cada. Afirma que também não se observou que valores tomados como prólabore se referiam a pagamento de aluguel de imóveis de propriedade dos sócios. Quanto aos pagamentos aos autônomos, afirma a autuada que se tratam de pagamentos a empresas. Alegase ainda o transcurso do prazo decadencial para parte das contribuições exigidas. Apontase erros materiais ocorridos no transcurso da fiscalização e contrapõemse a exigência de contribuição ao RAT e a terceiros. Retomando a defesa, insurgese contra a aplicação de multa de mora e juros SELIC. Acrescenta que a multa, no presente caso, está sendo cobrada duplamente, pois sobre o mesmo fato foi lavrada uma NFLD o que acarreta um bis in idem na exação da multa. Foram acostadas folhas de pagamento, GFIP e GPS. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento –DRJ em Porto Alegre (RS) declarou, fls. 553 e segs., o lançamento procedente. Afirmou o órgão de primeira instância que o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias seria de dez anos; que a NFLD que trata do pagamento a contribuintes individuais foi julgada procedente. Afastouse também a tese da ocorrência de bis Fl. 495DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 in idem, por entender a DRJ que não se confundem as multas por descumprimento de obrigação acessória e obrigação principal. Quanto ao inconformismo acerca da aplicação de juros e multa moratória, o órgão a quo o considerou impertinente, haja vista que não houve a inclusão dos mesmos no AI. Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 562 e segs., no qual são repetidos os argumentos expressos na impugnação. É o relatório. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10552.000012/200726 Acórdão n.º 240102.374 S2C4T1 Fl. 495 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na situação sob enfoque, verifico que, em se tratando de lançamento para aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, aplicase o art. 173, I, do CTN para a contagem do prazo decadencial. Considerandose que a ciência do lançamento se deu em 03/05/2006, estariam decadentes as competências de 10/1997 a 11/2000. Todavia, o período do AI abrangeu até a competência 08/2005 e a multa, para esse tipo de infração, não se altera em razão da quantidade de ocorrências, assim, deve ser afastada a tese da decadência, mantendose a penalidade no patamar aplicado pelo fisco. Da ocorrência de bis in idem Alega a empresa a ocorrência de duplicidade de sanção, uma vez que lhe foi exigida a obrigação de recolher as contribuições não arrecadadas, bem como foi aplicada contra si multa pelo fato de haver deixado de registrar os contribuintes individuais em folha de pagamento. Esse raciocínio não se coaduna com as disposições do Código Tributário Nacional. É que no seu texto está bem nítida a distinção entre a obrigação tributária principal, que consiste no adimplemento do dever de pagar o tributo e a obrigação tributária acessória, vinculada às prestações positivas e negativas no interesse da arrecadação e fiscalização dos tributos e cuja desobediência dá ensejo à aplicação de penalidade pecuniária. Eis as disposições do referido Codex sobre o tema: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Portanto, não há de se confundir a aplicação da multa no presente AI com a exigência das contribuições que o sujeito passivo deixou de recolher incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais. Deixo de acolher, assim, o argumento de bis in idem tributário suscitado pela recorrente. Juros SELIC e multa de mora A insurgência da recorrente contra a aplicação de juros e multa de mora não se aplica ao presente lançamento, uma vez que esses consectários legais não constam desta lavratura. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10552.000012/200726 Acórdão n.º 240102.374 S2C4T1 Fl. 496 7 Da ocorrência da infração Ao deixar de registrar nas folhas de pagamento a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais, a empresa incorreu em ofensa ao inciso I, do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; (...) Alegou a autuada que a remuneração tomada pelo fisco como pagamento a contribuintes individuais foram empréstimos efetuados a seus sócios e pagamentos de aluguéis de imóveis da propriedade dos mesmos utilizados pela empresa. Assevera ainda que não houve pagamentos a autônomos, mas a empresas. Tais alegações não merecem prosperar haja vista que nenhuma prova foi acostada no sentido de dar substância aos argumentos. Somente pode ser acatada no processo administrativo fiscal as alegações que possam ser comprovadas pela parte que as lança. Não posso me contentar com meras conjecturas totalmente desprovidas de documentos que pudessem vir em socorro da tese da recorrente, assim, concluo que a multa deve ser mantida, posto que a empresa não conseguiu se contrapor satisfatoriamente à acusação do fisco quanto à ocorrência do descumprimento de obrigação acessória. Conclusão Diante do exposto, voto por afastar a decadência suscitada e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 499DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 19515.002561/2006-75
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2001
PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS ACIMA DO LIMITE DE 30%. A pessoa jurídica incorporada pode compensar no balanço de encerramento de atividades o prejuízo
fiscal acumulado sem observância da “trava” de 30%, em razão da vedação legal à transferência de prejuízos para a sucessora.
Numero da decisão: 1103-000.617
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao
recurso. O Conselheiro José Sérgio Gomes acompanhou o relator pelas conclusões.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2001 PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS ACIMA DO LIMITE DE 30%. A pessoa jurídica incorporada pode compensar no balanço de encerramento de atividades o prejuízo fiscal acumulado sem observância da “trava” de 30%, em razão da vedação legal à transferência de prejuízos para a sucessora.
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COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS ACIMA DO LIMITE DE 30%. A pessoa jurídica incorporada pode compensar no balanço de encerramento de atividades o prejuízo fiscal acumulado sem observância da “trava” de 30%, em razão da vedação legal à transferência de prejuízos para a sucessora. Ementa: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso. O Conselheiro José Sérgio Gomes acompanhou o relator pelas conclusões. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002561/200675 Acórdão n.º 110300.617 S1C1T3 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1620.437/2009 (fls. 133), da 5ª Turma da DRJ/São Paulo ISP, relativo a auto de infração de IRPJ – imposto de renda pessoa jurídica (fls. 34) do anocalendário 2001, com imposição de multa de ofício no percentual de 75% previsto no art. 44, I, da Lei 9.430/96. A infração foi descrita pela autoridade fiscal no auto de infração nos seguintes termos (fls. 35): “001 – GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30%. Compensação indevida de prejuízo(s) fiscal(is) apurado(s) em sua sucedida KLABIN EXPORT S/A, CNPJ nº 58.246.406/000139, tendo em vista a inobservância do limite de compensação de 30% do lucro líquido, ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo, parte integrante deste Auto de Infração. (...) Enquadramento legal: Arts. 247, 250, inc. III, 251, parágrafo único, e 510 do RIR/99.” O termo de verificação fiscal (TVF) acima referido se encontra nas fls. 30/31. Klabin S/A foi identificada como sujeito passivo na condição de responsável por sucessão de Klabin Export S/A, em razão de incorporação noticiada no TVF. Em face de tempestiva impugnação (fls. 41), o órgão de primeira instância julgou o lançamento procedente, por unanimidade, assim resumindo a decisão: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2001 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. LIMITE DE 30%. Para fins de determinação do saldo de imposto de renda a pagar, a compensação de prejuízos fiscais existentes em nome da pessoa jurídica está limitada a trinta por cento da base de cálculo, inclusive nos casos de baixa por incorporação. LANÇAMENTO. SALDO CREDOR DE IMPOSTO DE RENDA. No cálculo do lançamento, a autoridade lançadora não pode considerar as deduções do imposto de renda devido se ainda não analisados os atributos de liquidez e certeza do saldo de imposto delas resultante, bem como a sua disponibilidade. SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002561/200675 Acórdão n.º 110300.617 S1C1T3 Fl. 3 3 A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelos tributos devidos pela incorporada até à data da incorporação, inclusive por eventual multa de ofício e demais encargos legais.” Cientificada da decisão em 19/03/2009 (fls. 149), a autuada interpôs o recurso no dia 14 do mês seguinte (fls. 158), defendendo a compensação de prejuízos fiscais acumulados sem o limite de 30% nos casos de incorporação. Também alegou que mesmo na hipótese de impossibilidade de compensação integral não restaria saldo de imposto a pagar em razão dos “prépagamentos” realizados ao longo do ano no valor de R$ 1.955.856,76, segundo informado nas DIPJ original e retificadora, itens 13 a 16 da ficha 12A. Refutou a responsabilidade pela multa de ofício em razão das disposições do artigo 132 do CTN – Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva O recurso foi apresentado por parte legítima, tempestivamente, além de reunir os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme relatado, discutese a possibilidade de compensação de prejuízos fiscais por pessoa jurídica incorporada no balanço de encerramento de atividades sem o limite de 30% estabelecido no caput do artigo art. 15 da Lei 9.065/1995, assim redigido: “Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado.” Para a turma recorrida, o argumento da recorrente não tem amparo legal, como se observa na conclusão adotada no voto condutor do acórdão contestado: “Da análise da legislação aplicável, verificase que não há exceção quanto à limitação da compensação de prejuízos fiscais e, assim sendo, por absoluta falta de previsão legal, não é permitida a compensação de prejuízos fiscais acima do limite máximo de 30% do lucro real, mesmo no caso em que se apresenta uma Declaração de Rendimentos final, decorrente da extinção da pessoa jurídica. (...) Seria admissível a compensação integral dos prejuízos fiscais acumulados de períodos anteriores na declaração final de rendimentos da incorporada se a legislação tributária previsse disposições nesse sentido, o que não se sucede atualmente em nosso ordenamento jurídico. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002561/200675 Acórdão n.º 110300.617 S1C1T3 Fl. 4 4 Logo, a pretensão da contribuinte não pode ser acolhida por ausência de guarida legal.” Com efeito, o exame isolado do referido dispositivo sugere a interpretação assumida pela turma recorrida. Entretanto, a avaliação da questão pressupõe a consideração do ordenamento legal da apuração do IRPJ como um todo. Para isso, há de se considerar outra vedação legal à compensação de prejuízos fiscais, aquela estabelecida pelo art. 514 do RIR/1999, nos seguintes termos: “Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33).” Vêse, então, que os prejuízos da incorporada não se transferem para a incorporadora, sua sucessora, por expressa disposição legal. A aplicação da “trava” de 30% é justificável enquanto existente a presunção de continuidade da pessoa jurídica. A extinção via incorporação afasta a exigência de observância do limite à compensação. Entendimento contrário significaria negação da faculdade conferida à contribuinte e resultaria no abandono forçado de um ativo seu, representado por benefício assegurado em lei. As demais questões perdem objeto tendo em vista a conclusão adotada neste voto. Conclusão Pelo exposto, dou provimento ao recurso. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 184DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13888.002093/2003-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/02/1999 a 31/05/2003
PAGAMENTOS EFETUADOS. ALEGAÇÃO NÃO APRESENTADA NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
O litígio administrativo é definido pelas matérias contestadas na impugnação e somente se mantém em relação às que foram objeto do recurso.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/02/1999 a 31/05/2003
BASE DE CÁLCULO. LEI No 9.718, DE 1998. RECEITAS DE RECUPERAÇÃO DE ICMS.
A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei nº 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.385
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/02/1999 a 31/05/2003 PAGAMENTOS EFETUADOS. ALEGAÇÃO NÃO APRESENTADA NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. O litígio administrativo é definido pelas matérias contestadas na impugnação e somente se mantém em relação às que foram objeto do recurso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/02/1999 a 31/05/2003 BASE DE CÁLCULO. LEI No 9.718, DE 1998. RECEITAS DE RECUPERAÇÃO DE ICMS. A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei no 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Helio Eduardo de Paiva Araújo. Relatório Tratase de retorno de nova diligência, aprovada pela Resolução n. 3302 00.028, de 10 de dezembro de 2009, cujo teor de relatório e voto foi o seguinte: Tratase de retorno de diligência, requerida na Resolução n. 20100.712, da antiga 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes (fls. 357 a 362), cuja parte final do relatório foi a seguinte: “No recurso, a Interessada alegou que, à época dos fatos, seria substituta tributário ‘e como tal tributada em 0,65% pelo valor total da mercadoria pelo PIS/Pasep’ (Medida Provisória nº 1.99115, de 10 de março de 2000). “Acrescentou que teria sido acusada ‘de não haver recolhido o PIS/Pasep incidente sobre a recuperação de créditos de ICMS pagos indevidamente ao Estado de São Paulo’. “Descreveu como seria o procedimento de substituição tributária relativo ao ICMS paulista, afirmando que o regulamento permitiria o ressarcimento do valor indevidamente pago pelo substituto tributário. “Mencionou e reproduziu o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 25, de 24 de dezembro de 2003, que disporia ‘sobre a não incidência de Cofins e PIS sobre a recuperação de tributos pagos indevidamente’. Mencionou ainda acórdão da DRJ de Santa Maria e Solução de Divergência da Cosit, que trataram da matéria. O voto aprovado na resolução teve o seguinte teor parcial: “Dessa forma, à vista de a Fiscalização haver informado em seu relatório que as principais diferenças apuradas no lançamento teriam decorrido do novo conceito de faturamento introduzido pela Lei nº 9.718, de 1998, e a Recorrente, em seu recurso, alegar referiremse a recuperação de ICMS pago indevidamente ao Estado em face de substituição tributária, entendo ser necessária a realização de diligência, para esclarecer a origem específica das diferenças. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.002093/200371 Acórdão n.º 330201.385 S3C3T2 Fl. 500 3 “Voto, assim, por converter o julgamento em diligência, para que a Fiscalização, intimando a Interessada, que deverá prestar todas as informações necessárias ao deslinde da matéria, esclareça a origem específica das diferenças, indicando as contas contábeis das quais se originaram. “Deverá ser esclarecida, no levantamento, a aplicação de leis posteriores à Lei nº 9.718, de 1998, que tenham alterado o conceito de faturamento. “Posteriormente, deverá elaborar demonstrativo, indicando que parte da base de cálculo estaria abrangida somente pelo conceito de faturamento da Lei nº 9.718, de 1998, e dar ciência à Recorrente, para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, expondo eventuais razões de discordância.” A Interessada foi intimada pela Fiscalização (fl. 365), tendo apresentado a resposta de fl. 367, requerendo prazo adicional. Requereu vistas dos autos (fl. 378), tendo requerido nova prorrogação de prazo (fl. 381). Após novas vistas (fl. 384) e obtenção de cópias (fl. 385), requereu mais duas prorrogações (fls. 386 e 389). Então, apresentou os documentos de fls. 390 a 401, esclarecimentos de fls. 402 a 405 com documentos de fls. 406 a 446. Com base nas informações, a Fiscalização elaborou os demonstrativos de fls. 448 a 450, em relação aos quais elaborou o relatório de fl. 447, dando ciência à Interessada para manifestação em 30 dias. Efetuada a intimação, a Interessada apresentou a resposta de fls. 454 e 455, acompanhada dos documentos de fls. 456 a 464, alegando que a Fiscalização não teria considerado o fato de que os valores relativos à recuperação de impostos estariam incluídos na apuração. Ademais, para os meses de fevereiro e abril de 2003, não teriam sido considerados os pagamentos do PIS, conforme cópias das DCTF apresentadas em anexo. É o relatório. VOTO Conselheiro José Antonio Francisco, Relator A diligência foi efetuada como solicitado, mas a Interessada alegou, em sua resposta, que teriam sido mantidos na base de cálculo os valores relativos à recuperação de impostos e que pagamentos de fevereiro e abril de 2003 não teriam sido considerados na apuração. À vista do exposto, voto por converter novamente o julgamento do recurso em diligência, para que, inicialmente, a Fiscalização esclareça se a Interessada tem razão. Caso positivo, deverá excluir os valores da base de cálculo e da apuração, elaborando Fl. 502DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 novos demonstrativos. Caso negativo, deverá lavrar relatório explicativo. Em qualquer caso, a Interessada deverá ser intimada a se manifestar no prazo de trinta dias. O relatório original da Fiscalização deu conta do seguinte: Que as diferenças apuradas do PIS são originárias da conta contábil 4201010000 Receitas Financeiras (Juros Ativos, Descontos Ativos e Recup. Imp. S/ Dif. Subst.). Segue anexo demonstrativo no qual o valor dessa conta está discriminado na coluna como "Outras Receitas (2)" para os períodos do ano calendário de 1999 a 2003. Para o anocalendário 2003 foram apurados conforme demonstrativo de fls. 65/72, onde podemos verificar que os valores não foram informadas na DIP.T correspondente (ficha 21 itens 29 a 30) de fls. 390/401. Fica concedido, o prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência do presente Termo por parte do contribuinte, para que se manifeste a respeito dos valores apurados. Findo o prazo e em caso da inocorrência de sua manifestação, serão reputados corretos e verdadeiros os valores calculados, de acordo com o Regulamento do Imposto de Renda RIR/99.. Em resposta ao primeiro relatório, a Interessada respondeu o seguinte: Em análise das planilhas acostadas, observase, novamente, ter o Sr. Auditor Fiscal considerado como base de cálculo a recuperação de impostos promovida pela Impugnante, a despeito de já ter demonstrado a origem contábil das diferenças, pois dentro da conta de receitas financeiras está a subconta de recuperação de impostos, não devendo estes valores serem tributados. [...] Ademais, para os meses de fevereiro e abril de 2003, o Sr. Fiscal não considerou em sua planilha os pagamentos realizados de PIS nos valores de R$ 59,20 e R$ 672,96, respectivamente, conforme comprovam cópias das DCTF’s, ora juntadas, valores estes que devem ser excluídos da cobrança realizada. À vista da segunda resolução, a Fiscalização lavrou o termo de fls. 477 e 478, em que relatou o seguinte: Que as diferenças apuradas da PIS são originárias da conta contábil 4201010000 Receitas Financeiras (Juros Ativos, Descontos Ativos e Recup. Imp. S/ Dif. Subst.), e onde a subconta Recuperação de Impostos se encontra, conforme verificado na diligência anteriormente efetuada e que de acordo com a legislação vigente à época foi aplicado para constituição do crédito tributário, isto é, devendo fazer parte da base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas oriundas de recuperação de impostos. A partir de 01.02.1999, com a edição da Lei 9.718/98, a base de cálculo do PIS e da COFINS é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada Fl. 503DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.002093/200371 Acórdão n.º 330201.385 S3C3T2 Fl. 501 5 para as receitas. Com as modificações da Lei 9.718/98, todas as receitas, exceto as textualmente excluídas, integram a base de cálculo da COFINS e do PIS, sejam operacionais ou não operacionais. [...] A suspensão do § 1o do art. 3o da Lei n° 9718 de 1998 não ocorreu, mas o art. 79, inciso XII da Lei n° 11.941 de 2009 revogou expressamente o dispositivo inconstitucional, assim, somente a partir de 28 de maio de 2009, não são mais devidas, pelas empresas tributadas pelo regime cumulativo, a tributação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre receitas não decorrentes da atividade da empresa, como por exemplo, as receitas financeiras, atividades que não fazem parte do objeto social da pessoa jurídica, dentre outras. Portanto, como não há medida judicial impetrada pelo contribuinte, conforme informações prestadas nas fls. 47 a 49 para afastar as Receitas Financeiras (Juros Ativos, Descontos Ativos e Recup. Imp. S/ Dif. Subst.) da base de cálculo da COFINS, cujo lançamento do crédito tributário foi cientificado em 24/10/2003, manifestamonos pela manutenção dos valores apurados na diligência anteriormente efetuada (fls. 473 a 476). Cientificada do relatório, a Interessada apresentou a resposta de fls. 480 a 484, alegando o seguinte: 12. Salientase, entretanto, que consta no auto de infração que no mês de outubro de 1999 deveria ter sido tributado o valor total de R$ 81.260,00 (oitenta e um mil reais), quando na realidade não deveria ter sido tributado nada. 13. Como se observa da documentação acostada, a conta contábil utilizada pela Sociedade em 1999 era a 4201010000. Ocorre que ao se observar o valor da conta contábil em outubro verificase que o valor é de apenas R$ 5.509,75 (cinco mil quinhentos e nove reais e setenta e cinco centavos), o que geraria uma diferença de R$ 75.750,25. Ocorre que referida diferença referese a devolução de veículos que ocorreu nesse mês e foi devidamente estornado da contabilidade (motivo pelo qual não foi tributado) e cujo valor foi excluído da base de cálculo do tributo deste mês, como se observa da própria planilha de apuração acostada aos autos às fls. 36. 14. Assim, resta claro que não há incidência de COFINS quando há devolução de mercadoria vendida. 15. Ademais, não é demais informar que no processo de cobrança do PIS (processo administrativo n°. 13888.002093/200371), com a mesma base de cálculo do presente processo de cobrança da COFINS, o Sr. Fiscal autuante entendeu que a base seria apenas de R$ 5.869,23. Observase, portanto, que ilógica é a cobrança de mais de oitenta e um mil reais em um processo e em outro "cobrar" pouco mais de cinco mil reais. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Esclareçase, inicialmente, que na impugnação a Interessada contestou a multa e os juros Selic e nada falou sobre pagamentos realizados. No recurso, por sua vez, a Interessada somente abordou a matéria relativa à incidência da contribuição sobre a recuperação de ICMS. O Decreto n. 7.574, de 2011, consolidou as leis relativas ao Processo Administrativo Fiscal (Decreto n. 70.235, de 1972, e alterações, Lei n. 9.784, de 1999 e demais leis e decretos). Em relação ao lançamento, impugnação e recurso, dispõe o seguinte o referido Decreto: Art. 57. A impugnação mencionará (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o, e pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113): [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...] Art. 58. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (Decreto no 70.235, de 1972, art. 17, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67). Art. 73. O recurso voluntário total ou parcial, que tem efeito suspensivo, poderá ser interposto contra decisão de primeira instância contrária ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da decisão (Decreto no 70.235, de 1972, art. 33). Art. 74. O recurso voluntário total ou parcial, mesmo perempto, deverá ser encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção (Decreto no 70.235, de 1972, art. 35). Do que se verifica das disposições acima mencionadas, concluise que o litígio se forma com a impugnação, relativamente às alegações nela apresentadas. Ademais, ao contestar o acórdão de primeira instância, o recurso voluntário pode ser total ou parcial. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.002093/200371 Acórdão n.º 330201.385 S3C3T2 Fl. 502 7 Foi o que ocorreu no presente caso, restando sob litígio apenas a matéria expressamente contida no recurso. E em relação ao recurso, esclareçase que a Fiscalização não tem razão em sua interpretação sobre a aplicação da Lei n. 9.718, de 1998. Independentemente das disposições da Lei n° 11.941 de 2009, a declaração da inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da contribuição pelo plenário do Supremo Tribunal Federal tem efeito ex tunc, especialmente em se tratando de recurso extraordinário submetido ao regime de repercussão geral, como se verá a seguir. Quanto à recuperação de créditos de ICMS, é preciso esclarecer que o art. 62 do novo Regimento Interno do Carf, Anexo II da Portaria MF no 256, de 2009, dispõe o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 1993. Dessa forma, se o STF já houver se pronunciado definitivamente pelo seu plenário a respeito da inconstitucionalidade de lei, o parágrafo único I do artigo acima citado permite que a aplicação da lei seja afastada. Em 15 de agosto de 2006, publicouse decisão do Pleno do STF no âmbito dos recursos extraordinários 357.950 e 358.273, transitada em julgado em 5 de setembro, que considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins promovidas pela Lei no 9.718, de 1998, art. 3o, § 1o. O Acórdão e a ementa tiveram as seguintes redações: Após os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio (Relator), Carlos Velloso e Sepúlveda Pertence, conhecendo do recurso e provendoo, em parte, e dos votos dos Senhores Ministros Cezar Peluzo e Celso de Mello, provendoo, integralmente, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Falaram, pela recorrente, o Dr. Ives Gandra da Silva Martins e, pela recorrida, Fl. 506DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 8 o Dr. Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (VicePresidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1o do artigo 1o da Resolução no 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8oº e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3o, § 1o, DA LEI No 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL No 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1o DO ARTIGO 3o DA LEI No 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional no 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1o do artigo 3º da Lei no 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Da mesma forma, no RE 585.235QORG/MG, o STF decidiu o seguinte: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Fl. 507DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.002093/200371 Acórdão n.º 330201.385 S3C3T2 Fl. 503 9 Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Portanto, não é cabível a incidência da contribuição sobre tais receitas. Quanto ao período de outubro de 1999, as considerações apresentadas pela Interessada na resposta à diligência referemse ao auto de infração da Cofins e não se aplicam ao presente caso. Em relação aos pagamentos alegadamente efetuados em relação aos períodos de fevereiro e abril de 2003, as alegações não constaram da impugnação apresentada e, à vista da fundamentação contida no início do presente voto, são preclusas, não fazendo parte do litígio. Vejase que, em relação ao processo de Cofins, a matéria relativa ao período de outubro de 1999 foi rediscutida na diligência e devidamente comprovada, o que difere da situação acima mencionada. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para excluir a exigência da contribuição sobre as receitas de recuperação de ICMS. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 508DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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