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Numero do processo: 19515.003321/2003-45
Data da sessão: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Ementa: OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DESISTÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. O contribuinte que busca a tutela jurisdicional antes ou depois de iniciado o processo administrativo abdica da discussão na esfera administrativa.
JUROS DE MORA. DEPÓSITOS JUDICIAIS.
Ao crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido juros de mora, sendo obstado sua fluência apenas em relação à parte do crédito acobertada por depósitos judiciais.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-02.626
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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ementa_s : OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DESISTÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. O contribuinte que busca a tutela jurisdicional antes ou depois de iniciado o processo administrativo abdica da discussão na esfera administrativa. JUROS DE MORA. DEPÓSITOS JUDICIAIS. Ao crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido juros de mora, sendo obstado sua fluência apenas em relação à parte do crédito acobertada por depósitos judiciais. Recurso especial negado.
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Numero do processo: 10840.003223/2002-61
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 17/06/1993 a 10/01/1996
COFINS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA.
UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543-B E 543-C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62-A DO RI-CARF).
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL/PRESCRICIONAL. IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. VIGÊNCIA DA TESE DOS 10 ANOS. RE 566.621.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-001.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Maria Teresa Martínez López - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1817; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 171 1 170 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10840.003223/200261 Recurso nº 233.101 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303001.906 – 3ª Turma Sessão de 08 de março de 2012 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO PRAZO Recorrente VITÓRIA ADMINISTRADORA E CORRETORA DE SEGUROS S/C LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 17/06/1993 a 10/01/1996 COFINS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62A DO RICARF). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL/PRESCRICIONAL. IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. VIGÊNCIA DA TESE DOS 10 ANOS. RE 566.621. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 32 23 /2 00 2- 61 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório A recorrente solicitou em 29.08.2002 a restituição da COFINS recolhida indevidamente no período de junho e julho de 1993; junho, agosto a dezembro de 1994; janeiro a dezembro de 1995; e janeiro de 1996. O pedido se fundamenta no fato de, por ser corretora de seguros, a recorrente está excluída do pagamento da Cofins, conforme Ato Declaratório n° 23/93, tendo o recolhimento sido realizado por equívoco. Ainda embasa a recorrente o seu pedido no Parecer anexado às fls. 22/23, proferido em 06/08/2002, por meio do qual, nos autos do Processo Administrativo n° 10840.002922/200293; a Receita Federal reconheceu a inexistência da contribuição para o segmento, a saber: Fls 22 (..) Em análise, constatei que o Contribuinte tem razão em suas alegações, pois conforme dispõe o Ato Declaratório (Normativo) n° 23/93, as sociedades corretoras de seguros não são contribuintes da Contribuição Social sobre o Faturamento, instituída pela Lei Complementar n° 70/911. Essas empresas somente passaram a ser contribuintes dessa contribuição a partir de fevereiro de 1999 com o advento da Lei n° 9.718/98. Assim, com base nos documentos acostados nos autos e nos termos da Legislação aplicável proponho o deferimento do pleito do contribuinte e, o cancelamento dos débitos constantes do aviso de cobrança de fls. 04 a 15. Em sessão plenária de 3 de setembro de 2008, a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes julgou o recurso voluntário n° 133.101, oportunidade em que o Colegiado decidiu, por maioria de votos; negar provimento ao recurso. A decisão está consubstanciada no Acórdão n° 20181.375, que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Período de apuração: 17/06/1993 a 10/01/1996 COFINS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIREITO DE RESTITUIÇÃO. 05 (CINCO) ANOS. O direito de pleitear a repetição do indébito tributário relativo a pagamento a maior de Cofins extinguese em 5 (cinco) anos (art. 150, § 1°, do CTN), contados a partir do pagamento indevido, nos termos do art. 168 do Código Tributário Nacional CTN. Recurso negado. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10840.003223/200261 Acórdão n.º 9303001.906 CSRFT3 Fl. 172 3 Em síntese, a Câmara considerou extinto o prazo de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, para pedir restituição de indébitos de COFINS. Cientificado da r. decisão, em 24/12/2008 (AR. na fl. 106), o contribuinte em sede de recurso especial conforme art. 7. inc. II do RICSRF, aprovado pela Portaria 147/2007, requer a reforma da decisão proferida, apresentado como paradigmas os acórdãos n°s. 203 11.100 e 20310.417. Em apertada síntese, a recorrente pede a aplicação do prazo de 10 anos, na esteira da jurisprudência do STJ. Por meio do Despacho de fls. 155/157, e sob o entendimento de estarem presentes os requisitos de admissibilidade deuse seguimento ao recurso interposto. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora O recurso atende aos requisitos legais de admissibilidade e dele tomo conhecimento. DOS FATOS Consta dos autos que a recorrente ingressou em 29/08/2002, com o pedido de fl. 01 e anexo de fls.031/034, solicitando a restituição do montante de R$ 7.605,32 (sete mil seiscentos e cinco reais e trinta e dois centavos), relativo a indébitos de contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) que teria recolhido indevidamente, a partir de 17 de junho de 1993 a 10 de janeiro de 1996, incidente sobre os fatos geradores ocorridos nos meses de competência de maio de 1993 a dezembro de 1995, cumulada com a compensação de créditos tributários vencidos. Para comprovar os indébitos reclamados, anexou, ao seu pedido, as cópias dos DARFs de fls. 05/11. Consta de decisão recorrida: O pedido se fundamenta no fato de, por ser corretora de seguros, a recorrente estar excluída do pagamento da Cofins, conforme Ato Declaratório n° 23/93, tendo o recolhimento sido realizado pó equívoco. Ainda embasa a recorrente o seu pedido no Parecer anexado às fls. 22/23, proferido em 06/08/2002, por meio do qual, nos autos do Processo Administrativo n° 10840.002922/200293; a Receita Federal reconheceu a inexistência da contribuição para o segmento. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 DO MÉRITO Tratase de recurso especial interposto pelo contribuinte, no qual pede a aplicação do prazo de 10 anos, na esteira da jurisprudência do STJ, restando afastado o prazo prescricional/decadencial. Já, a decisão recorrida defende o direito à repetição de indébito extinguese após cinco anos a contar da data do pagamento indevido, nos termos do artigo 168, I, c/c artigo 155, I, ambos do CTN, e também nos termos do artigo 3° da Lei Complementar 118/2005. Em primeiro lugar, registrando a controvérsia que o tema envolve, sempre ressalvei a minha opinião particular de reconhecer, na linha de interpretação do STJ, que os pedidos efetuados antes da vigência do disposto no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005 1 devam obedecer ao prazo de 10 anos retroativos a contar do pleito 2. Posteriormente a jurisprudência se consolidou nesse sentido. De acordo com o art. 62A do RICARF, os Conselheiros deverão reproduzir as decisões do STF e STJ, que tenham sido objeto de uniformização de jurisprudência, de acordo com a sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC, in verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Nesse sentido, peço vênia para transcrever a ementa do RE nº 566.621/RS, de relatoria da Min. Ellen Gracie: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Portanto, a matéria não comporta mais dúvidas. A norma inserta no artigo 3º, da lei complementar 118/2005, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada. Assim sendo, tendo em vista que a recorrente solicitou em 29.08.2002 a restituição da COFINS recolhida indevidamente no período de junho e julho de 1993; junho, agosto a dezembro de 1994; janeiro a dezembro de 1995; e janeiro de 1996, nenhum período encontrase decaído ou prescrito. CONCLUSÃO 1 "Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei 2 O prazo para ao pedido de restituição/compensação de indébito é de dez anos a contar do fato gerador do tributo. (Precedentes do STJ Embargos de Divergência no Recurso Especial n. 435.835SC). Fl. 181DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10840.003223/200261 Acórdão n.º 9303001.906 CSRFT3 Fl. 173 5 Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial do contribuinte. Maria Teresa Martínez López Fl. 182DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10680.008195/00-70
Data da sessão: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS.
A exportação de produtos não tributados não confere direito ao crédito presumido de IPI, relativamente aos insumos empregados em sua fabricação.
ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITO PELA SELIC.
Em razão da inexistência de crédito presumido pleiteado, prejudicada está a discussão, objeto de recurso especial, por ausência de litígio.
Recursos especiais da Fazenda Nacional provido e do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: CSRF/02-03.446
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1) pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez Lopez (Relatora), Dalton César Cordeiro de Miranda, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior (Substituto convocado) e Antonio Carlos Guidoni Filho que negaram provimento ao recurso. 2) por unanimidade de votos, CONSIDERAR prejudicado o recurso especial do contribuinte, relativo a incidência da Taxa SELIC, tendo em vista que não restou crédito reconhecido. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Josefa Maria Coelho Marques.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Maria Teresa Martínez Lopez
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ementa_s : CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. A exportação de produtos não tributados não confere direito ao crédito presumido de IPI, relativamente aos insumos empregados em sua fabricação. ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITO PELA SELIC. Em razão da inexistência de crédito presumido pleiteado, prejudicada está a discussão, objeto de recurso especial, por ausência de litígio. Recursos especiais da Fazenda Nacional provido e do Contribuinte não conhecido.
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Numero do processo: 10880.031731/97-06
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/09/1989 a 31/05/1992
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO-CONHECIMENTO.
Não devem ser cohecidos os embargos de declaração opostos com o fito de sanar omissão no enfrentamento de questão de mérito, quando verificado que o acórdão embargado não conheceu do recurso extraordinário interposto pela ora embargante.
Numero da decisão: 9900-000.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos embargos de declaração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
EDITADO EM: 26/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 30/09/1989 a 31/05/1992 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO-CONHECIMENTO. Não devem ser cohecidos os embargos de declaração opostos com o fito de sanar omissão no enfrentamento de questão de mérito, quando verificado que o acórdão embargado não conheceu do recurso extraordinário interposto pela ora embargante.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos embargos de declaração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator. EDITADO EM: 26/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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NÃOCONHECIMENTO. Não devem ser cohecidos os embargos de declaração opostos com o fito de sanar omissão no enfrentamento de questão de mérito, quando verificado que o acórdão embargado não conheceu do recurso extraordinário interposto pela ora embargante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos embargos de declaração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. EDITADO EM: 26/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 03 17 31 /9 7- 06 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 2 de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional (doc. A fls. 324/327). Com fundamento no art. 65 do Regimento Interno da Cãmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n. 256, de 2009, em face do Acórdão n. 9900 00.164 – Pleno, que, por maioria de votos, não conheceu do recurso extraordinário da Fazenda Nacional. A PFN propõe os Embragos de Declaração ao referido acórdão, em face da omissão do julgado no que tange à apreciação do dispositivo constante do art. 3o da Lei Complementar118/2005, pois desconsiderou sua natureza interpretativa. Assim, incorreu em declaração de inconstitucionalidade, via transversa, e consequente violação à regra regimental constante do art. 62 do RICARF. Emdespacho a fls. 328, o Presidente da CSRF deu seguimento aos embargos de declaração, por entender demonstrada a omissão apontada no acórdão embargado. A contribuinte não foi cientificada do despacho a fls. 328. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Os embargos de declaração da Fazenda Nacional não devem ser conhecidos, pois sustentam que a decisão embargada não teria analisado questão de direito público e que assim incorreu em omissão. Ocorre que a decisão embargada sequer conheceu do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, razão pela qual não poderia ter analisado qualquer questão de mérito, ainda que fosse uma questão de direito público. Em face do exposto, voto por não conhecer dos embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 348DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10880.031731/9706 Acórdão n.º 9900000.491 CSRFPL Fl. 331 3 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR
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Numero do processo: 11080.008725/2004-51
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DESPESA MÉDICA. CLÍNICA GERIÁTRICA.
As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital ou clínica geriátrica. Tendo o recorrente comprovado o desembolso e a qualificação como clínica geriátrica é legítima a dedução.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-001.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Dayse Fernandes Leite que negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 DESPESA MÉDICA. CLÍNICA GERIÁTRICA. As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital ou clínica geriátrica. Tendo o recorrente comprovado o desembolso e a qualificação como clínica geriátrica é legítima a dedução. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Dayse Fernandes Leite que negou provimento. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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CLÍNICA GERIÁTRICA. As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital ou clínica geriátrica. Tendo o recorrente comprovado o desembolso e a qualificação como clínica geriátrica é legítima a dedução. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Dayse Fernandes Leite que negou provimento. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 87 25 /2 00 4- 51 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2003 , anocalendário 2002, em virtude de reclassificação de rendimentos de isentos para tributáveis e glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$16.215,00 pagas a entidade que não está cadastrada no Ministério da Saúde como hospital, e que portanto não pode ser considerada como despesas médica (fls. 52 e seguintes). Na impugnação alegouse que a despesa foi realizada com casa geriátrica autorizada pelos órgãos públicos (CNPJ e inscrição municipal) como comprovam notas fiscais anexas, que o contribuinte idoso e em função de suas incapacidades físicas estava obrigado a utilizarse dos serviços da entidade médicoassistencial, tratase despesa amparada pelo art. 8º da Lei 9.250/1995, e cuja dedução é reconhecida pela jurisprudência (acórdão 1066.296/94, DOU 07/04/1997) A impugnação foi indeferida pelos mesmo fundamentos da autuação. O contribuinte faleceu em 22/04/2004. Os alvarás de saúde da entidade Multi Assitencial Serviços de geriatria constam das fls. 08 (atendimento domiciliar), fls. 09(geriatria) e fls. 10(clínica geriátrica). As notas fiscais emitidas pela referida entidade somam R$16.215,00 (fls. 29 e ss.) o mesmo valor declarado e glosado. Ciência do acórdão no dia 07/05/2008. Na peça recursal protocolada em 2805/2008 constam os seguintes argumentos: 1.nunca houve questionamento do conteúdo da declaração de ajuste e já ocorreu a prescrição, o acórdão recorrido utilizouse de dados da declaração do anocalendário 2001 que não é objeto deste processo e não foi incluído documento referente a pagamento a clínicas geriátricas, conforme afirmado no acórdão recorrido; 4. as despesas com clínica geriátrica ocorreram no exercício 2002, cuja declaração foi retida em malha e impugnada, naquela oportunidade foram apontadas as razões para a dedução: nos sete primeiros meses do ano de 2002 as despesas médicas foram com médico e internação hospitalar, até que o contribuinte com 87 anos passou a ser portador de necessidades especiais e a ser rejeitado pela rede hospitalar, assim para garantir sua sobrevivência foi necessário contratar uma clínica geriátrica; 5. a clínica geriátrica introduziu mudanças na vida do contribuinte, tais como alimentação por sonda e pelo nariz, utilização de sonda para excreção da urina, quando alimentado sem sonda era cuidado por uma enfermeira que lhe dava comida na boca, troca de fraldas a cada duas horas, auxílio integral para o banho, higiene oral na própria cama, medicação de uso contínuo e controlado, injeção para tratamento de câncer de próstata aplicada por pessoas especializadas, etc; 6. a contratação da clínica geriátrica tem amparo no dever constitucional de amparo ao idoso e nem a rede pública de saúde nem a particular proporcionariam internação hospitalar ao falecido contribuinte e a habilitação da clínica geriátrica foi comprovada com os Alvarás da Prefeitura de Porto Alegre; e Fl. 125DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.008725/200451 Acórdão n.º 2802001.966 S2TE02 Fl. 125 3 8. requer a dedução tal como admitido no acórdão 1066.296/94 deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Não integra o litígio a omissão de rendimentos fruto da reclassificação de parte dos rendimentos declarados (de isentos para tributáveis). O recorrente inicialmente destaca que as despesas em litígio ocorreram no ano de 2002. Isto é de especial relevância porque o acórdão recorrido indicou tratarse do ano calendário 2001 e o auto de infração combatido é relativo ao anocalendário 2002. Portanto, o litígio referese à glosa de despesas médicas no anocalendário 2002, cujo auto de infração respectivo foi notificado dentro do prazo decadencial. Tratase de erro material no acórdão recorrido que não prejudicou a ampla defesa do recorrente, notadamente porque não afetou a fundamentação adotada no acórdão. De outro giro, fica afastada a alegação de prescrição, pois o prazo prescricional ainda não teve início. O mérito é a dedutibilidade das despesas realizadas com a entidade Multi Assistencial, cuja dedução não foi admitida em primeira instância por não existir nos autos comprovação de que o estabelecimento esteja qualificado como hospital, fruto da exegese do §4º do art. 80 do RIR1999. De outro giro, no anocalendário 2002 estava em vigor a Portaria n. 810, de 22 de setembro de 1989, do Ministério da Saúde que estabeleceu normas para o funcionamento de casas de repouso, clínicas geriátricas e outras instituições destinadas ao atendimento de idosos, e defini que se consideram como instituições específicas para idosos os estabelecimentos, com denominações diversas, correspondentes aos locais físicos equipados para atender pessoas com 60 (sessenta) ou mais anos de idade, sob regime de internato ou não, durante um período indeterminado e que dispõem de um quadro de funcionários para atender às necessidades de cuidados com a saúde, alimentação, higiene, repouso e lazer dos usuários e desenvolver outras atividades características da vida institucional. Nesta mesma portaria é exigido que as instituições que têm entre as suas finalidades prestar atenção médicosanitária aos idosos devem contar em seu quadro funcional com um coordenador médico e que a designação de especialização em geriatria e gerontologia deve obedecer às normas da Associação Médica Brasileira – ABM, ao passo que o funcionamento demanda alvará expedido pelo órgão de vigilância sanitária estadual ou Fl. 126DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 municipal que só será concedido às instituições que se adequarem às disposições da referida portaria, além de atender prioritariamente ao disposto na Portaria n. 400, do Ministério da Saúde, de 6 de dezembro de 1977 que dispõe sobre requisitos de instalações físicas. Os Alvarás de Saúde emitidos pela Coordenadoria de Vigilância Sanitária de Porto Alegre, apresentados pelo recorrente, foram emitidos em 2000 e atestam a qualificação para serviço de atendimento domiciliar (fls. 08) e geriatria (fls. 08) e o Alvará emitido pela Secretaria Municipal de Produção, Indústria e Comércio concede licença para localização e funcionamento incluindo a atividade de clínica geriátrica (fls. 10). A extensão do conceito de despesas com hospitais foi também objeto do Parecer Normativo CST 36/1977 o qual esclareceu que podem ser consideradas como despesas de hospitalização todas aquelas diretamente relacionadas com o tratamento e recuperação do paciente durante o período de internação em hospital ou casa de saúde. Contemporaneamente, o conceito de despesas com hospital abrange as despesas com clínicas geriátricas legalmente autorizadas e com a internação domiciliar. Neste caso concreto, o recorrente comprovou que a entidade Multi Assitencial é qualificada a prestar serviço de geriatria e de atendimento domiciliar, ao passo que há precedentes deste Conselho que autorizam a dedução a título de despesas médicas dos valores pagos a clínicas geriátricas. É o caso do acórdão mencionado pelo recorrente (acórdão 1066.296/94, DOU 07/04/1997) e do acórdão 2102001.355, de 09 de junho de 2011, deste último extraise a seguinte ementa. DESPESA MÉDICA. ESTABELECIMENTO DE INTERNAÇÃO DE IDOSOS. NÃO COMPROVAÇÃO DE QUE SE TRATA DE HOSPITAL OU CLÍNICA MÉDICA GERIÁTRICA. As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital ou clínica médica geriátrica. Conclusão: dou provimento ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de R$16.215,00 (dezesseis mil, duzentos e quinze reais). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 127DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.008725/200451 Acórdão n.º 2802001.966 S2TE02 Fl. 126 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão identificado em epígrafe. Brasília/DF, 18 de outubro de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 128DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10510.002486/2006-18
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS.
O imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza é devido sempre que ocorrer a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza.
Na hipótese, não ficou comprovado que as verbas recebidas excluem-se do conceito de renda e proventos de qualquer natureza.
Numero da decisão: 2101-002.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. O imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza é devido sempre que ocorrer a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. Na hipótese, não ficou comprovado que as verbas recebidas excluem-se do conceito de renda e proventos de qualquer natureza.
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RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. O imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza é devido sempre que ocorrer a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. Na hipótese, não ficou comprovado que as verbas recebidas excluemse do conceito de renda e proventos de qualquer natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 24 86 /2 00 6- 18 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração contra o contribuinte em epígrafe, no qual foi apurada omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, recebido da fonte pagadora INSS, no valor de R$ 10.103,03 e omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições a previdência privada, que informou indevidamente como isentos, no valor de R$ 8.338,73. Em 8.9.2006, o contribuinte impugnou lançamento (fls. 1 a 3), alegando, em síntese, que a declaração retificadora por ele elaborada, considerando o valor recebido da Petros a título de incentivo para mudança de plano de previdência, está correta, porque o valor recebido tem natureza de indenização, e sendo assim, não pode sofrer a incidência do Imposto sobre a Renda. Solicita também a extinção do imposto retido na fonte. A 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador (BA) julgou o lançamento procedente, por meio do Acórdão n.º 1516.253, de 18 de julho de 2008, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 ISENÇÃO NÃO COMPROVADA. São tributáveis os rendimentos cuja isenção não for comprovada. Lançamento Procedente Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual alega que a retenção do imposto sobre a renda na fonte é indevida, tendo em vista que o rendimento que o originou tem natureza de indenização de incentivo para mudança de plano de previdência. Sendo assim, pede a restituição do valor indevidamente retido. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. A Fiscalização acusou omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, auferidos do INSS – benefício de previdência social (convênio INSS/Patrocinadoras/Petros), no valor de R$ 10.103,03, com base na Declaração de Imposto de Renda na Fonte apresentada pela fonte pagadora dos rendimentos. Apurou também omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada, no montante Fl. 69DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10510.002486/200618 Acórdão n.º 2101002.021 S2C1T1 Fl. 63 3 de R$ 8.338,73, recebidos da Petros, a título de incentivo para mudança de plano previdenciário. Na apuração da omissão de rendimentos, a Fiscalização baseouse na primeira declaração de ajuste retificadora, apresentada antes do início da ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte. É que, além dos rendimentos declarados, foram comprovados os rendimentos tributáveis de R$ 10.103,03 (fls. 35) e de R$ 8.338,73, a título de “Incentivo Migração – Plano Petrobras Vida” (fls. 36). Na sua impugnação, o contribuinte argumentou que a declaração retificadora por ele apresentada está correta, haja vista que os montantes recebidos têm natureza de indenização e, por essa razão, não podem sofrer a incidência do Imposto sobre a Renda. Refutou ainda a cobrança do imposto na fonte e, a seu ver, o valor já retido deve ser restituído. Ante o não acolhimento de seus argumentos pelo órgão julgador a quo, o contribuinte repisou, em sede de recurso voluntário, todas as alegações deduzidas. O interessado apresentou a declaração de ajuste original em 4.4.2002 (fls. 24 e 25), retificandoa por meio da declaração recepcionada em 15.12.2005 (fls. 17 e 18). Fez ainda uma segunda declaração retificadora (fls. 21 e 22) que, entregue em 6.9.2006, foi cancelada pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil ante a existência de ação fiscal já instaurada (vide fls. 27). Na sua declaração original, o contribuinte consignou ter auferido rendimentos tributáveis a título de benefício da ordem de R$ 34.060,14 (Convênio INSS/Petros/Patrocinadora) e retido na fonte o valor de R$ 4.108,77. Na primeira retificadora, declarou rendimentos tributáveis da fonte pagadora Convênio INSS/Petros/Patrocinadora, no valor de R$ 25.721,41 e os mesmos R$ 4.108,77 de imposto retido na fonte. No entanto, na Declaração de Imposto de Renda na Fonte (DIRF) da Petros – Fundação Petrobras de Seguridade Social, consta que o interessado auferiu rendimentos tributáveis de R$ 44.163,17 (e teve retido na fonte o imposto sobre a renda de R$ 4.108,77) (fls. 33). Observase que, apesar do entendimento manifestado pelo recorrente quanto à natureza indenizatória e não tributável das verbas de R$ 10.103,03 e de R$ 8.338,7, tal não ficou comprovado nos autos. Não foi anexado qualquer documento que comprovasse mencionadas verbas teriam caráter indenizatório, de tal modo a não serem alcançadas pelo imposto sobre a renda. Pelo contrário, no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte referente ao anocalendário 2001, emitido pela Fundação Petrobras de Seguridade Social – Petros, e no Demonstrativo correspondente a novembro do mesmo ano, emitido pela mesma entidade, as verbas encontramse discriminadas, respectivamente, sob as rubricas “rendimentos tributáveis” e “proventos”, confirmando as informações prestadas na DIRF da fonte pagadora. Nada indica que, tal como alegado, os valores, recebidos da Fundação Petrobras de Seguridade Social – Petros, teriam natureza de indenização. O Código Tributário Nacional (Lei n.º 5.172, de 1966), em seu artigo 43, ao dispor acerca do imposto sobre a renda, assim estipula, verbis: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) [...]. No mesmo sentido, o artigo 3.º da Lei n.º 7.713, de 1988 estabelece ser rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, bastando, para a incidência do imposto, que tenha havido o benefício do contribuinte, de qualquer forma e a qualquer título. Vejamos: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [...] § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. [...]. Também o artigo 39 do Decreto n.º 3.000, de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, que consolida, em seus incisos I a XLVII as verbas excluídas do cômputo do rendimento bruto, não contempla, em seu bojo, a verba recebida a título de incentivo para mudança de plano de previdência. Em suma, não ficou comprovado, no presente processo, que os montantes recebidos da Fundação Petrobras de Seguridade Social – Petros, omitidos da declaração anual de ajuste do exercício 2002, excluemse do conceito de rendimento tributável. Do exame dos autos, verificase, diversamente, que tais verbas integram o conceito de renda e proventos de qualquer natureza, a teor do artigo 43 do Código Tributário Nacional, que adrede se transcreveu. Sendo assim, tendo em vista que os rendimentos auferidos são tributáveis, é de se concluir ser devido o imposto sobre a renda, na forma da legislação pertinente. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10510.002486/200618 Acórdão n.º 2101002.021 S2C1T1 Fl. 64 5 Diante dessas colocações, não merece reparos a decisão a quo. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 72DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 18404.000396/2008-73
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2005
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais.
JUROS(TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2005 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. JUROS(TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Negado.
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. JUROS/TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 40 4. 00 03 96 /2 00 8- 73 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18404.000396/200873 Acórdão n.º 2402003.378 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativas às contribuições da parte patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições sociais destinadas a outras Entidades/Terceiros, para as competências 02/2003 a 13/2005. O Relatório Fiscal (fls. 74/76) informa que os fatos geradores apurados no presente lançamento fiscal são decorrentes das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais. A base de cálculo é oriunda dos valores inseridos nas folhas de pagamento e nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 31/08/2006 (fl. 01). A Notificada apresentou impugnação tempestiva (fls. 77/92) – acompanhada de anexos de fls. 93/108 –, alegando, em síntese, que: 1. nos exercícios de 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004, estaria enquadrada no sistema SIMPLES, não tendo sofrido nessa ocasião qualquer "reprimenda do INSS" em termos de recolhimento supostamente a menor, não ocorrendo nenhuma notificação prévia por parte do INSS de que estivesse alijada da condição de empresa optante pelo SIMPLES; 2. aduz não concordar com o que lhe é imposto, principalmente pelo fato de ser ilíquido e incerto todo o trabalho fiscal, pela presença do cerceamento de defesa, sendo que a mera presunção de infração não pode embasar multa, requerendo a decretação de nulidade e arquivamento do processo, pela não observância ao art. 112 do CTN e art. 293 do Decreto 3.048/99. Alega imprecisão no lançamento fiscal, na medida em que do cotejo dos demonstrativos de Débito Sintético com o Analítico não se consegue apurar com precisão quais sejam as diferenças apontadas pelo agentes previdenciários, o que também se constitui em cerceamento de defesa. Outra nulidade alegada é a falta do correspondente fundamento legal, ocasionando cerceamento do direito de defesa, posto que a Notificação Fiscal foi lavrada com base em dispositivos legais distintos daqueles que dizem respeito as infrações imputadas, violando o art. 142 do CTN bem como o art. 293 do Decreto 3.048/99; 3. aduz que não consegue entender e identificar a exação que esta lhe sendo cobrada, pois ao examinar os papéis de trabalho não se Fl. 299DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 consegue vislumbrar a coerência e ligação entre referido valores, devendo a Notificação ser declarada nula, posto que não atende a um requisito essencial exigido pela legislação, a precisão. Há assim o cerceamento de defesa, sendo que, em todos os relatórios elaborados pela fiscalização, não é demonstrado pela mesma como conseguiu aritmeticamente chegar ao valor das multas aplicáveis, da correção monetária e dos juros; 4. constitui verdadeiro confisco ao se cogitar a aplicação de multas na ordem de 100%, conforme exarado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, assim questiona quais penalidades pecuniárias foram aplicadas, sendo que os débitos foram declarados em GFIP bem como nas demais informações prestadas, questionando a aplicação de multa menor para débitos declarados anteriormente à ação fiscal; 5. inconstitucionalidade e ilegalidade da Taxa SELIC; 6. requer seja decretada a nulidade da Notificação Fiscal com o seu conseqüente arquivamento. A Delegacia da Receita Previdenciária (DRP) em Santos/SP – por meio da DecisãoNotificação (DN) no 21.433.4/0207/2006 (fls. 115/121) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso (fls. 127/142), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua repetição das alegações de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santos/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fl. 148). É o relatório. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18404.000396/200873 Acórdão n.º 2402003.378 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais lançadas, que foram as relativas à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento do SAT/GILRAT, e à contribuição destinada a outras Entidades/Terceiros (SalárioEducação/FNDE, SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE). Os valores das contribuições sociais previdenciárias decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, sendo que a base de cálculo foi extraída das folhas de pagamento e dos valores declarados em GFIP. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/76) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: Fl. 301DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 74/76) e seus anexos (fls. 01/73), complementados pelos documentos acostados pela Recorrente (fls. 77/108), são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontra se no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD (fls. 63/66), que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Analítico de Débito (DAD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa (fls. 02/32). Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Discriminativo Sintético do Débito (DSD), fls. 33/45; Relatório de Lançamentos (RL), fls. 46/62; cópia de documento que sinaliza que a empresa não era optante do Sistema SIMPLES FEDERAL (Consulta Situação Optantes pelo Simples), fl. 112; dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Além disso – no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (fls. 71/72) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF (fls. 72) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 74/76. Dentro do contexto fático, cumpre esclarecer que a remuneração dos segurados foi declarada nas folhas de pagamento e na GFIP. Isso está consubstanciado no Relatório Fiscal (fls. 74/76) com os seguintes termos: “[...] 2 A origem das contribuições devidas é proveniente das folhas de pagamento e de importâncias declaradas na Guia de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência (GFIP). Considerando as informações constantes dos sistemas informatizados do INSS, a documentação apresentada à fiscalização e a legislação aplicada, foram apurados os fatos geradores de contribuição previdenciária abaixo discriminados. (...) 5 Foi lavrado o Auto de Infração: DEBCAD n° 35.826.4294 em razão de a empresa apresentar as Gfip's de 02/03 a 12/05 com preenchimento de campo incorreto, relativo a opção pelo imposto simplificado SIMPLES(Lei 9.317, de 05/12/96), alterando consideravelmente o valor das contribuições. 6 As guias de recolhimento apresentadas à fiscalização, analisadas no decorrer da ação fiscal, foram confirmadas em Fl. 302DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18404.000396/200873 Acórdão n.º 2402003.378 S2C4T2 Fl. 5 7 consulta realizada junto aos sistemas informatizados de arrecadação do Instituto Nacional do Seguro Social. Para fins de constituição de crédito, os recolhimentos parciais foram apropriados, conforme determina o artigo 663 da Instrução Normativa IN INSS/DC n. 100 de 18/12/03, republicada no DOU em 30/03/04. [...]” Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/114) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. DO MÉRITO: Com relação à alegação da Recorrente de que – nos exercícios de 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004 – estaria enquadrada no Sistema SIMPLES FEDERAL, constata se que a empresa somente fez a opção em 01/01/2006, conforme cópia de documento “Consulta Situação Optantes pelo Simples” (fl. 112), portanto, em período posterior ao débito apurado. Além disso, em consulta aos dados cadastrais da empresa e na relação dos períodos de opção x convênios (fls. 113 e 114), consta que a empresa optou pelo Sistema SIMPLES FEDERAL somente em 01/01/2006, com efeitos a partir dessa data. No que tange à arguição de inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (Taxa SELIC), frise se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art. 341 da Lei 8.212/1991. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: 1 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996 (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, eis que o art. 34 da Lei 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN2, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Quanto ao argumento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal, já que ela seria abusiva e desproporcional, e deveria ser relevada, razão não confiro ao Recorrente, já que a multa foi aplicada em 2 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18404.000396/200873 Acórdão n.º 2402003.378 S2C4T2 Fl. 6 9 conformidade à legislação previdenciária descrita acima. Ademais, conforme registramos anteriormente, a verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Logo, essa verificação de que a multa aplicada vai de encontro ao princípio constitucional da isonomia e teria caráter confiscatório, ora pretendida pela Recorrente, exacerba a competência originária dessa Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei 8.212/1991, já que se trata de uma multa pecuniária. Não recolhendo na época própria o sujeito passivo tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar a preliminar, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10620.001299/2002-46
Data da sessão: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Sun Dec 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Exercício: 1997
RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA FAZENDA NACIONAL PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO EM FACE DA SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL- A Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o
desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do
Supremo Tribunal Federal, cabendo ao órgão julgador adequar o
julgamento às súmulas vinculantes da Suprema Corte.
LIMITES DO LITÍGIO - O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no
recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda
Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo
decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade
social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n°
8.212/91, ou de 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário
Nacional (artigos 150 § 4º, e 173).
Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado.
Numero da decisão: PLENO/00-00.055
Decisão: ACORDAM os membros do PLENO da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho (Relator), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes; 2)Por maioria de votos, REJEITAR a proposição proposta pela Conselheira Karem Jureidini Dias, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 1997 RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA FAZENDA NACIONAL PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO EM FACE DA SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL- A Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal, cabendo ao órgão julgador adequar o julgamento às súmulas vinculantes da Suprema Corte. LIMITES DO LITÍGIO - O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, ou de 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário Nacional (artigos 150 § 4º, e 173). Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do PLENO da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho (Relator), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes; 2)Por maioria de votos, REJEITAR a proposição proposta pela Conselheira Karem Jureidini Dias, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 1997 RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA FAZENDA NACIONAL PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO EM FACE DA SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL- A Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal, cabendo ao órgão julgador adequar o julgamento às súmulas vinculantes da Suprema Corte. LIMITES DO LITÍGIO - O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, ou de 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário Nacional (artigos 150 § 40, e 173). Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do PLENO da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, A/ • Processo n° 10620.001299/2002-46 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.055 Fls. 2 Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho (Relator), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes; 2)Por maioria de votos, REJEITAR a proposição proposta pela Conselheira Karem Jureidini Dias, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado ANT8 8 P • GA P sidente 1 #4 4 "r- CARLOS ALBERTOALBERTO GONÇALVES NUNES Redator Designado FORMALIZADO EM: 2 2 JUN 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Praga (Presidente da CSRF), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filhó (vice-presidente da CSRF), José Clóvis Alves, Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Josefa Maria Coelho Marques, Dalton César Cordeiro de Miranda, Anelise Daudt Prieto, Susy Gomes Hoffinarm, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Karem Jureidini Dias, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martínez Lopez, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Cosa de Castro, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Antonio Carlos Atulim, Gileno Grujão Barreto, Maria Cristina Roza da Costa, Nanci Gama, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Antonio Bezerra Neto (Substituto Convocado), Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filhoe Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado). Ausente momentaneamente o conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento (Substituto Convocado). Relatório Com base no permissivo do art. 90 c.c art. 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a Fazenda Nacional interpõe recurso extraordinário em face de JY 2 Processo n° 10620.001299/200246 csRFrroo • Acórdão n.° 00-00.055 Fls. 3 acórdão proferido pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Escais, assim ementado: "CSLL — DECADÊNCIA — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO — . Os tributos cuja legislação atribua ao, sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldam-se à sistemática de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL e da COFINS se faz de acordo com esta lei nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no § 4° do seu art. 150. Por outro lado, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, instituída pela Lei n° 7.689/88, em conformidade com os arts. 149 e 195, § C, da Constituição Federal, e a COFINS, instituída nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, têm a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE N° I46.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observáncia, dentre outras, às regras do art. 146. III, da Constituição Federal de 1988. Expirado o prazo de cinco anos sem que autoridade fazendária se tenha pronunciado, homologado está o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário." No que interessa a esta instância recursal, o acórdão mencionado reconheceu a decadência do direito do Fisco de constituir créditos de CSLL relativos a fatos geradores ocorridos nos três primeiros trimestres de 1997, em vista do fato de a ciência do lançamento pela Recorrida ter se dado em 19.12.2002. Argüi a Fazenda Nacional divergência ' entre o acórdão recorrido e aresto e aresto da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o qual assenta o entendimento de que o prazo decadencial para constituição de créditos de Cofins seria decenal, em decorrência do disposto no art. 45 da Lei n. 8.212, de 1991. Sustenta a Fazenda Nacional, ainda: (i) que não caberia ao Conselho de Contribuintes negar vigência ao art. 45 da Lei n. 8.212, de 1991, ante os limites de competência deste órgão administrativo para conhecer de questões de índole constitucional; e (II) que o citado dispositivo seria co- nstitucional e legal, conforme doutrina e precedentes jurisprudenciais que colaciona. Pede, ao final, a reforma do acórdão recorrido para que seja afastada a decadência sobre o lançamento objeto do processo. O recurso extraordinário foi admitido pelo Ilmo. Sr. Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Despacho CSRF n. 004/2008 (fls. 165/166)), ante a configuração da alegada divergência jurisprudencial. 17 frei( 3 • Processo n° 10620.001299/200246 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.055 As. 4 Foram apresentadas contra-razões pela Recorrida (fls. 172/178), pelas quais se sustentou preliminarmente que não restaria caracterizada a indispensável divergência no caso. No mérito, asseverou a Recorrida que o acórdão impugnado estaria em harmonia com a jurisprudência administrativa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator O recurso extraordinário atende , aos pressupostos de admissibilidade estabelecidos na legislação processual, pelo que dele tomo conhecimento. No particular, e em vista da preliminar argüida pela Recorrida em suas contra- razões de recurso, é de se relevar que a divergência jurisprudencial encontra-se devidamente caracterizada nos autos. Tal assertiva decorre do fato de que ambos os acórdãos referidos no recurso tratam de forma diversa o mesmo tema, qual seja: o prazo decadencial para constituição de créditos de contribuições previdenciárias, entre elas a CSLL (no acórdão recorrido) e a Cofins (no aresto paradigma). Por sua vez, é irrelevante na hipótese o fato de não ter ocorrido o trânsito em julgado formal do aresto paradigma à época da interposição do recurso extraordinário, porquanto este (aresto) representa de forma inequívoca o entendimento (divergente) da Segunda Turma Superior de Recursos Fiscais sobre a matéria. Tal entendimento foi sedimentado por aquele Colegiado em inúmeros outros julgados. Para que este voto não se alongue em demasia no aspecto preliminar, este Relator pede vênia para se reportar às razões aduzidas pelo Ilmo. Sr. Presidente deste Colegiado no Despacho CSRF n. 004/2008, pelas quais demonstra de forma incontestável a configuração da divergência jurisprudencial nesses autos. No mérito, contudo, o recurso não merece acolhida. Encontra-se superada a divergência pretoriana relativa à definição do diploma legal a ser aplicado para a aferição do prazo de decadência para lançamento de contribuições previdenciárias (CTN versus Lei n. 8.212/91, art. 45). Tal assertiva decorre da edição da Súmula Vinculante de n. 08 pelo C. Supremo Tribunal Federal [que reconhece, com efeitos erga omnes, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91]. Verbis: .97 ar 4 ‘ Processo n° 10620.00129912002-46 CSRF/T00 . Acórdão n.° 00-00.055 ' Fls. 5 "Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do if 4° do art. 2° da Lei n°11.417/2006: Súmula vinculante n° 8 - São inconstitudonais o parágrafo único do artigo 5" do Decreto-Lei n°1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, reL Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, reL Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.Cánnen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavlo Gallatti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, reL Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: Decreto-Lei n° 1.569/1997, art. 5", parágrafo único Lei n" 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, 111 Brasília, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes Presidente" (DOU n° 117, de 20/06/2008, Seção!, pág. 1) Esvaziado o dissenso jurisprudencial que embasa a insurgência da Recorrente, é de rigor a rejeição do recurso. Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer do recurso extraordinário interposto para, no mérito, negar-lhe provimento. Sala das Sessões, ;i • d - . : • de 2008 , I s pi di, :d. ANTONIO CARLOS UI 11 • NI FILHOk s P Processo n° 10620.001299/200246 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.055 Fls. 6 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Redator Designado. Peço vénia para discordar da proposição de não conhecimento do recurso da Douta procuradoria da Fazenda Nacional por perda do objeto, em face da Súmula Vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal (STF). E o faço baseado nas seguintes razões: Inicialmente, cabe registrar que o Recurso Extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais está previsto nos artigos 9° e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado 'pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007, segundo pressupostos constantes deste último artigo. Confira-se: "Art. 9" Compete ao Pleno julgar recurso extraordinário de decisão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Riscais. • "omissis" Art. 43. O recurso extraordinário previsto no art. 9° deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Turma que houver prolatado a decisão recorrida e deverá ser interposto por Procurador da Fazenda Nacional ou pelo sujeito passivo, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § I' O recurso deverá demonstrar, jimdamentadamente, a divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovando-a mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente. § 2° A cópia de publicação de ementa referida no § 2°, quando extraída da internet, deverá ser impressa diretamente da página dos Conselhos de Contribuintes ou da Imprensa Nacional. § 3° O recurso extraordinário deverá ser protocolizado na unidade da administração tributária de jurisdição do recorrente, quando por este interposto e na secretaria da Turma quando interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional credenciado. • "omissis" Art. 44. O despacho que admitir recurso extraordinário terá o seguinte ci7trâmite: ft...2 6 Processo no 10620.001299/2002-46 CSRFITOO Acórdão n.° 00-00.055 Fls. 7 - quando se tratar de recurso interposto por Procurador da Fazenda Nacional, os autos serão encaminhados à unidade da administração tributária de jurisdição do sujeito passivo, para ciência, assegurando- se-lhe o prazo de quinze dias para oferecer contra-razões; O recurso da douta Procuradoria atende todos pressupostos processuais constantes do RICSRF, tendo inclusive demonstrado a divergência entre os dois arestos dissidentes, no prazo para a interposição de seu apelo, como bem demonstrou o ilustre Presidente da CSRF. Isto posto, tenho que a Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal. Muito pelo contrário. Infere-se da referida lei que a autoridade julgadora deve conhecer a impugnação ou recurso para verificar se os fatos se enquadram no trato que lhe der a Suprema Corte, nesse instrumento. Observe-se que a referida lei até prevê no artigo 7° a possibilidade de descumprimento da súmula vinculante e estabelece -o remédio para a prevalência da súmula, em tal caso. Ou seja, há lugar para reclamação ao STF sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de impugnação. O Supremo Tribunal Federal diante da reclamação poderá anular o ato administrativo ou cassar a decisão judicial impugnada, determinando que outra seja proferida com ou sem aplicação da súmula, conforme o caso. - Com efeito, dizem os artigos 6° a 9° da mencionada lei, "in verbis": "Art. 6° A proposta de edição, revisão ou cancelamento de enunciado de súmula vinculante não autoriza a suspensão dos processos em que se discuta a mesma questão. Art. 7' Da decisão judicial ou do ato administrativo que contrariar enunciado de súmula vinculante, negar-lhe vigência ou aplicá-lo indevidamente caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal, sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de impugnação. § 1° Contra omissão ou ato da administração pública, o uso da reclamação só será admitido após esgotamento das vias administrativas. § 2° Ao julgar procedente a reclamação, o Supremo Tribunal Federal anulará o ato administrativo ou cassará à decisão judicial impugnada, determinando que outra seja proferida com ou sem aplicação da súmula, conforme o caso. Art. 8° O art. 56 da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passa a vigorar acrescido do seguinte § 3°: "Artigo56. (...)cgr-- 7 Processo n° 10620.001299/2002-46 CSRUTOO Acórdão n.° 00-00.055 Fls. 8 (.) f 3 0 Se o recorrente alegar que a decisão administrativa contraria enunciado da súmula vinculante, caberá à autoridade prolatora da decisão impugnada, se não a reconsiderar, explicitar, antes de encaminhar o recurso à autoridade superior, as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso." (s1R) Art. 9° A Lei n° 9.784, de 19 de janeiro de 1999, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 64-A e 64-B: "Artigo 64-A. Se o recorrente alegar violação de enunciado da súmula vinculante, o órgão competente para decidir o recurso explicitará as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso." "Artigo 64-B. Acolhida pelo SUpremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal." Entendo que a Fazenda Nacional tem o direito de ter o seu recurso conhecido para apreciação do mérito que poderá ser decidido com aplicação da orientação contida na referida súmula. Isto posto, rejeito a preliminar em questão. Outrossim, também entendo que a preliminar levantada pela ilustre Conselheira Conselheira Karen Jureidini Dias, "data venia", não pode prosperar. O Pleno da Câmara Superior de Redursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, ou de 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário Nacional (artigos 150 § 4°, e 173). É este o litígio a ser composto no Recurso Extraordinário sob exame, a que me atenho. Não há razão para estender-se o litígio assim formado para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial (art. 150 x 173 do CTN). E, assim, também rejeito esta preliminar. Assim, rejeito as preliminares em questão, e tomo conhecimento do recurso da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Saia das Sçssiões, em 15 de dezembro de 2008. CARLOS ALBERTO tiOtaUNES 0/1A7 Page 1 _0031100.PDF Page 1 _0031200.PDF Page 1 _0031300.PDF Page 1 _0031400.PDF Page 1 _0031500.PDF Page 1 _0031600.PDF Page 1 _0031700.PDF Page 1
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Numero do processo: 13819.001237/2005-58
Data da sessão: Fri May 22 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2002
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
Deve o contribuinte cumprir a obrigação acessória de entrega no prazo legal de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), sem necessidade de intimação prévia, sob pena de ser obrigado a recolher a multa prevista na legislação.
CONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS LEGAIS QUE DISPÕEM SOBRE A ENTREGA DA DCTF E APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE A RESPECTIVA MULTA.
O exame de tais alegações demandaria exame de inconstitucionalidade de dispositivos legais em vigor, procedimento vedado a este órgão, segundo o art. 49 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.337
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: BEATRIZ VERISSIMO DE SENA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2002 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Deve o contribuinte cumprir a obrigação acessória de entrega no prazo legal de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), sem necessidade de intimação prévia, sob pena de ser obrigado a recolher a multa prevista na legislação. CONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS LEGAIS QUE DISPÕEM SOBRE A ENTREGA DA DCTF E APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE A RESPECTIVA MULTA. O exame de tais alegações demandaria exame de inconstitucionalidade de dispositivos legais em vigor, procedimento vedado a este órgão, segundo o art. 49 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-30T11:20:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-30T11:20:07Z; Last-Modified: 2009-09-30T11:20:07Z; dcterms:modified: 2009-09-30T11:20:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-30T11:20:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-30T11:20:07Z; meta:save-date: 2009-09-30T11:20:07Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-30T11:20:07Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-30T11:20:07Z; created: 2009-09-30T11:20:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-09-30T11:20:07Z; pdf:charsPerPage: 1287; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-30T11:20:07Z | Conteúdo => S3-C1T2 Fl. 53 etí• 4,, MINISTÉRIO DA FAZENDA ivo CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13819.001237/2005-58 Recurso n° 141.007 Voluntário Acórdão n° 3102-00.337 — i a Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2009 Matéria DCTF Recorrente M.S. ASSESSORIA FISCAL SOCIEDADE SIMPLES LTDA. Recorrida DRJ-CAMPINAS/SP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2002 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Deve o contribuinte cumprir a obrigação acessória de entrega no prazo legal de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), sem necessidade de intimação prévia, sob pena de ser obrigado a recolher a multa prevista na legislação. CONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS LEGAIS QUE DISPÕEM SOBRE A ENTREGA DA DCTF E APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE A RESPECTIVA MULTA. O exame de tais alegações demandaria exame de inconstitucionalidade de dispositivos legais em vigor, procedimento vedado a este órgão, segundo o art. 49 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. m ulA HELENA TRAIWYAMORIM - Presidente BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA — Relatora EDITADO EM: 09/09/2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Contra a empresa supra identificada foi lavrado auto de infração para formalizar a exigência de multa por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF relativas ao ano-calendário de 2002, nos termos da Instrução Normativa n° 255/2002. Remetidos os autos a exame da colenda Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas, o lançamento foi julgado procedente, porquanto a multa teria sido aplicada em conformidade com a legislação tributária. Contra a decisão da DRJ de Campinas, o Contribuinte interpôs recurso voluntário dentro do prazo legal de trinta dias, fundamentando seu pedido na ofensa ao principio constitucional da proporcionalidade. Argumenta, outrossim, que a multa a ser aplicada deveria ser de 2% sobre o montante dos tributos informados, em razão do art. 112 do CTN. Dispõe, ademais, que com o advento da Instrução Normativa no 482/2004, a falta ou o atraso na entrega da DCTF deixou de ser definida como infração fiscal sujeita a multa. É o relatório. Decido. Voto Conselheira BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA, Relatora. Entendo que não merece prosperar o recurso voluntário, na medida em que está correta a aplicação de multa pelo atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF. Como é cediço, crédito tributário é uma estrutura relacional cujo objeto é patrimonial, líquido e certo. Considerando sua constituição, há, por sua vez, duas espécies de crédito tributário: "uma, formalizada por ato-norma administrativo, editado por agente público competente; outra, formalizada em linguagem prescritiva por ato-norma expedido pelo próprio particular e que, por isso, não é 'ato-norma administrativo'." (Eurico Marcos Diniz de Santi, Lançamento Tributário, r ed., p. 185). A modalidade mais comum de constituição do crédito tributário, excetuado o lançamento, feito por ente público, é a da apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF pelo contribuinte. Não se confunde tal declaração com o lançamento por homologação. Aqui há declaração sem haver, necessariamente, pagamento imediato, como na citada ultima hipótese. A possibilidade de constituição do crédito tributário por meio de DCTF, por sua vez, possui previsão legal em face do art. 50 do Decreto-Lei n° 2.214/84, que exige a entrega de DCTF e delegou competência ao Poder Executivo para instituir e cobrar multa na hipótese de inadimplemento dessa obrigação. Portanto, para a solução da lide, deve-se analisar 2 Processo n° 13819.001237/2005-58 S3-C 1T2 Acórdão n.° 3102-00337 Fl. 54 se esse Decreto-Lei n° 2.214/84, foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988, em face do que dispõe o art. 25 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias - ADCT. Dispõe o art. 25 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição da República de 1988: "Art. 25. Ficam revogados, a partir de cento e oitenta dias da promulgação da Constituição, sujeito este prazo a prorrogação todos os dispositivos legais que atribuam ou deleguem a órgão do Poder Executivo competência assinalada pela Constituição ao Congresso Nacional, especialmente no que tange a: 1- ação normativa; II - alocação ou transferência de recursos de qualquer espécie." O dispositivo constitucional transitório acima transcrito veda a delegação de "competência assinalada pela Constituição ao Congresso Nacional" no que tange a ação normativa. Ocorre que, no que tange à competência tributária, a legalidade estrita prevista no artigo 150, inciso I, da Constituição Federal refere-se, tão somente, à instituição ou majoração de tributos. Não dispõe sobre a criação de obrigações acessórias e a respectiva punição por seu inadimplemento. Do mesmo modo, O artigo 146, que cuida da competência reservada às leis complementares, também não alude às obrigações acessórias. Portanto, não há que se falar em vedação à instituição da DCTF, que é uma obrigação acessória, por Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal, em face do disposto no artigo 25 do ADCT. Vale também enfatizar que a penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória de entregar a DCTF, está prevista em lei, como já assinalado, calcada hoje não apenas no disposto no parágrafo § 3° do art. 5° do Decreto-Lei n° 2.214/84, mas também no art. 16 da Lei n° 9.779/99: "Art.16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável." Isso posto, deve-se exigir no caso concreto a entrega a tempo e modo da DCTF, nos termos do § 3° do art. 50 do Decreto-Lei n° 2.214/84, e do art. 16 da Lei n° 9.779/99, combinados com a Instrução Normativa n° 255/2002, que regulamenta os referidos dispositivos. Ressalte-se, por oportuno, que o Superior Tribunal de Justiça vem decidindo pela manutenção da multa por atraso de entrega de DCTF em hipóteses como a presente, como ocorreu nos julgados abaixo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. LEGALIDADE. I. É cabível a aplicação de multa pelo atraso na entrega da declaração de rendimentos, a teor do disposto na legislação de regência. Precedentes. 2. "A par de existir expressa previsão legal para punir o contribuinte desidioso (art. 88 da Lei 8.981/95), é de fácil 3 inferência que a Fazenda não pode ficar à disposição do contribuinte, não fazendo sentido que a declaração possa ser entregue a qualquer tempo, segundo o arbítrio de cada um" (REsp. 24324I/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ de 21.08.2000 p. 114). 3. Recurso Especial provido (REsp 591.726/GO, Rel. MM. Herman Benjamin, RI de 21.5.2008). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - RECURSO ESPECIAL INADMITIDO - AGRAVO DE INSTRUMENTO - DCTF - ATRASO NA ENTREGA - MULTA - POSSIBILIDADE - ENTENDIMENTO PACIFICADO - SÚMULA 8315TJ. - É pacífico na jurisprudência deste Tribunal Superior o entendimento no sentido da possibilidade de aplicação de multa ao contribuinte pelo atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais - DCTF. Incide, à espécie, o enunciado 83/STJ, fundamento suficiente para se negar seguimento ao agravo de instrumento. - Agravo regimental improvido (AgRg no Ag 572.765/MG, Rel. Min. Peçanha Martins, DJ de 24.3.2006). Quanto ao método de cálculo da multa aplicada que, de acordo com o Contribuinte, deveria ser de 2% (dois por cento) sobre os tributos declarados e não de R$ 500,00 (quinhentos reais), destaco que a aplicação do art. 112 do CTN deve observar as ressalvas legais existentes em cada texto legal. Na hipótese em comento, a norma é clara quanto à impossibilidade de se aplicar a multa de 2% sobre os valores declarados na DCTF quando o produto deste percentual não atingir o valor mínimo de R$ 500,00 (quinhentos reais) de multa. Ressalto, por fim, que o exame da apontada ofensa ao principio da proporcionalidade demandaria exame de inconstitucionalidade de dispositivos legais em vigor, procedimento vedado a este órgão, segundo o art. 49 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Isso posto, nego provimento ao recurso voluntário. EATRIZ VERÍSSIMO DE SENA 4
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Numero do processo: 10240.003382/2008-10
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE SIMPLES
Ano calendário: 2004
IRPJ–SIMPLES. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Configura omissão de receitas, por presunção legal, a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem desses recursos.
AGÊNCIA DE TURISMO. INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE PASSAGENS AÉREAS, TERRESTRES E PACOTES TURÍSTICOS. RECEBIMENTOS DE VALORES POR CONTA DE TERCEIROS. FALTA DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS A CRÉDITO NAS CONTAS CORRENTES BANCÁRIAS.
As Agências de Turismo, que atuam no agenciamento ou intermediação de vendas para terceiros (passagens aéreas, terrestres, pacotes turísticos, hotelaria, locação de veículos e seguros de viagens etc), recebem valores por conta de terceiros que serão oportunamente repassados aos tomadores dos serviços de intermediação, descontada a comissão pelo serviço de venda.
O registro contábil desses valores recebidos por conta de terceiros deve ser efetuado com detalhes, minuciosamente, para cada operação de venda, cada ingresso, cada entrada na conta Caixa ou conta Bancos, com respectivos documentos de suporte hábeis e idôneos, para que fique patente essa vinculação à respectiva operação de venda, inclusive da movimentação
financeira nas contas correntes bancárias, sob pena de, não
comprovada a origem dos recursos movimentados a crédito em suas contas correntes bancárias (não comprovação da vinculação com as vendas realizadas porconta de terceiros e com os repasses de valores), a Agência de Turismo ficar submetida à incidência dos tributos federais sobre todos os valores depositados a crédito em suas contas correntes bancárias cuja origem restar não comprovada, na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96.
LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL Simples,COFINS Simples, PIS Simples
e Contribuição para Seguridade Social INSS Simples: A decisão prolatada no lançamento matriz IRPJ Simples estende-se aos
lançamentos decorrentes, por força da relação de causa e efeito que os vincula, mormente quando inexistir razão, de fato e de direito, para decidir diversamente.
Numero da decisão: 1802-001.151
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2004 IRPJ–SIMPLES. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Configura omissão de receitas, por presunção legal, a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem desses recursos. AGÊNCIA DE TURISMO. INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE PASSAGENS AÉREAS, TERRESTRES E PACOTES TURÍSTICOS. RECEBIMENTOS DE VALORES POR CONTA DE TERCEIROS. FALTA DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS A CRÉDITO NAS CONTAS CORRENTES BANCÁRIAS. As Agências de Turismo, que atuam no agenciamento ou intermediação de vendas para terceiros (passagens aéreas, terrestres, pacotes turísticos, hotelaria, locação de veículos e seguros de viagens etc), recebem valores por conta de terceiros que serão oportunamente repassados aos tomadores dos serviços de intermediação, descontada a comissão pelo serviço de venda. O registro contábil desses valores recebidos por conta de terceiros deve ser efetuado com detalhes, minuciosamente, para cada operação de venda, cada ingresso, cada entrada na conta Caixa ou conta Bancos, com respectivos documentos de suporte hábeis e idôneos, para que fique patente essa vinculação à respectiva operação de venda, inclusive da movimentação financeira nas contas correntes bancárias, sob pena de, não comprovada a origem dos recursos movimentados a crédito em suas contas correntes bancárias (não comprovação da vinculação com as vendas realizadas porconta de terceiros e com os repasses de valores), a Agência de Turismo ficar submetida à incidência dos tributos federais sobre todos os valores depositados a crédito em suas contas correntes bancárias cuja origem restar não comprovada, na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96. LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL Simples,COFINS Simples, PIS Simples e Contribuição para Seguridade Social INSS Simples: A decisão prolatada no lançamento matriz IRPJ Simples estende-se aos lançamentos decorrentes, por força da relação de causa e efeito que os vincula, mormente quando inexistir razão, de fato e de direito, para decidir diversamente.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Configura omissão de receitas, por presunção legal, a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem desses recursos. AGÊNCIA DE TURISMO. INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE PASSAGENS AÉREAS, TERRESTRES E PACOTES TURÍSTICOS. RECEBIMENTOS DE VALORES POR CONTA DE TERCEIROS. FALTA DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS A CRÉDITO NAS CONTAS CORRENTES BANCÁRIAS. As Agências de Turismo, que atuam no agenciamento ou intermediação de vendas para terceiros (passagens aéreas, terrestres, pacotes turísticos, hotelaria, locação de veículos e seguros de viagens etc), recebem valores por conta de terceiros que serão oportunamente repassados aos tomadores dos serviços de intermediação, descontada a comissão pelo serviço de venda. 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LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLLSimples, COFINSSimples, PIS Simples e Contribuição para Seguridade Social INSSSimples: A decisão prolatada no lançamento matriz IRPJSimples estendese aos lançamentos decorrentes, por força da relação de causa e efeito que os vincula, mormente quando inexistir razão, de fato e de direito, para decidir diversamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilhos e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 430/433 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Belém (fls.418/426) que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário dos autos de infração do IRPJ –Simples, CSLL – Simples, COFINSSimples, PIS Simples e Contribuição para Seguridade Social INSSSimples, anocalendário 2004. Quanto aos fatos, consta dos autos de infração, de 14/11/2008, a imputação das seguintes infrações para o anocalendário 2004 (fls. 236/302): (...) 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS (...) Fundamento legal: Art. 24 da Lei nº 9.249/95; arts. 2 ° , §. 2°, 3 0 , § 1º , alinea "a", 5°, 7º , §, 1°, 18, da Lei n° 9.317/96; art. 42 da Lei n° 9.430/96; Art. 3° da Lei n° 9.732/98; Arts. 186, 188 e 199, do RIR/99. (...) 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO (...) Art. 5° da Lei n° 9.317/96 c/c art. 3° da Lei n° 9.732/98.; Arts. 186 e 188, do RIR/99. (...) Em complemento aos fatos atinentes à infração Omissão de Receitas, consta do Termo de Verificação e Constação Fiscal (fls. 304/331), o qual é parte integrante dos autos de infração, que no anocalendário 2004 foi apurada Omissão de Receitas no valor de R$ 2.054.164,89 (diferença entre os depósitos bancários de origem não comprovada R$ 2.319.820,83 e as receitas declaradas R$ 265.655,94). Já, a infração insuficiência de recolhimento de tributos do Simples (infração reflexa), referese à diferença de tributos do Simples apurada sobre as receitas mensais informadas espontaneamente na declaração simplificada do Simples do anocalendário 2004, pois a contribuinte apurara essas exações fiscais aplicando, indevidamente, alíquota menor. Vale dizer, como a alíquota do Simples, mensalmente, é determinada pela receita bruta acumulada até o respectivo mês, e tendo em vista que a contribuinte não computara na receita bruta o valor da receita omitida mensalmente, houve, por conseguinte, a apuração de ofício da alíquota mensal correta sobre a receita bruta (receita declarada + receita omitida), cuja alíquota é maior do que a alíquota utilizada pela contribuinte. Por conseguinte, houve a necessidade de lançamento de ofício de diferenças das exações do Simples para cada mês do anocalendário 2004, pela aplicação da diferença de alíquota sobre o valor da receita declarada mensalmente. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 4 4 Quanto aos extratos bancários dos anoscalendário 2004 e 2005 a contribuintre os forneceu voluntariamente, porém incompletos. Já, quanto à outra parte, a contribuinte autorizou a RFB a obter os extratos bancários, de suas contas bancárias, diretamente junto às instituições financeiras. Ness sentido, consta do Termo de Recebimento de Documentos, lavrado pela DRF/Porto Velho, em 10/01/2007, que houve entrega dos extratos bancários espontaneamente à fiscalização, ainda que incompletos (fls. 10/11): (...) Recebemos nesta delegacia em 10 de janeiro de 2007, da empresa LS TURISMO e CAMBIO LTDA, em atendimento ao termo de inicio datado de 19/12/2006 a seguinte documentação: • Livro Diário de 2005 Original • Livro Diário de 2004 Reimpressão pois alega o contribuinte encontrarse o original em poder do Ministério Publico. • Extratos bancários com a ressalva feita pelo próprio contribuinte de não estarem completos. • Alegação do contribuinte de não possuir livro registro de invenirio, por ser prestadora de serviço. (...) (grifei) A contribuinte foi reitimada pela fiscalização a complementar a apresentação da documentação exigida pelo Termo de Início de Fiscalização, e acabou juntando explicação aos autos em 28/02/2007, nos seguintes termos (fl.15): (...) Acusamos o recebimento do TERMO DE REINTIMAÇÃO FISCAL Nº 001 referente TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO número RPF/MPF 0250100/00435/2006, e vimos informar que os documentos solicitados já foram entregues no dia 10/02/2007, EXCETO Livro Registro de Inventário pois nossa empresa é prestadora de serviço por isso não possui; os extratos foram enviados os que temos, porém não comp!etos, e o Livro diário de 2004 é uma reimpressão em virtude do livro original estar em poder do Ministério Público. (...) (grifei) Não obstante, a contribuinte foi, mais uma vez, intimada pela fiscalização da RFB a apresentar o restante dos extratos bancários, quando assim se pronunciou nos autos em 07/05/2007 (fl. 21): (...) Fl. 611DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 5 5 Acusamos o recebimento do TERMO DE REINTIMAÇÃO FISCAL N° 0002, RPF/MPF 0250100/00435/2006, e vimos informar que os documentos solicitados em 27/12/2006 foram entregues dia 10/01/2007, portanto dentro do prazo de 20 dias conforme protocolo em anexo. No dia 21/02/2007 recebemos uma reintimação e respondemos no dia 28/02/2007 conforme também protocolo em anexo. Dia 28/04/2007 recebemos uma nova reintimação esta solicitando extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras, caderneta de poupança pelo declarante e cônjuge e seus dependentes. Esta solicitação está equivocada pois tratase de PESSOA JURÍDICA e não de PESSOA FiSICA. Os Bancos que a LS TURISMO E CAMBIO LTDA mantém ou manteve conta nos períodos de 2004 e 2005 são: BANCO DO BRASIL— C. Corrente 94 , Agência 01023 BANCO HSBC C.Corrente 0833033, Agência 1600 A Secretaria da Receita Federal pode requerer a qualquer tempo, junto às Instituições Bancárias acima mencionadas, os extratos que não conseguimos entregar (...) (grifei) O complemento dos extratos bancários, então, foram solicitados pela RFB junto a essas instituições financeiras por intermédio de Requisição de Movimentação Financeira – RMF, na forma da Lei Complementar nº 105/2001 e Decreto nº 3.724/2001 (fls. 22/77), pois a contribuinte, embora intimada diversas vezes (fls. 08/10, 12/17 e 18/21), não os forneceu por completo, mas autorizou o fisco para obtenção junto às institituições financeiras, como já transcrito acima. Mas adiante, a contribuinte foi intimada pela fiscalização da RFB a comprovar a origem dos depósitos a crédito em suas contas correntes quanto aos anos calendário 2004 e 2005, conforme estatui o art. 42 da Lei nº 9.430/96 (fls. 78/125). Vale dizer, a contribuinte foi intimada a comprovar a origem da movimentação financeira (lançamentos a crédito em suas contas correntes bancárias): a) conta corrente no Banco do Brasil, anoscalendário 2004 e 2005, no valor de R$ 3.410.945,86, conforme Demonstrativo Anexo, contendo discriminação de cada depósito a crédito nas contas correntres da contribuinte (fls. 79/108); b) conta corrente no Banco HSBC, anoscalendário 2004 e 2005, no valor de R$ 2.554.689,62 , consoante Demonstrativo Anexo, contendo discriminação de cada depósito a crédito nas contas correntes da contribuinte (fls. 108/124). Consta dos autos que a contribuinte pediu, diversas vezes, prorrogação de prazo para comprovar a origem dos depósitos a crédito em suas contas correntes e, sempre, tais pedidos foram deferidos pela fiscalização da RFB (fls. 126/141). Fl. 612DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 6 6 Ainda, foram efetuadas outras intimações fiscais à contribuinte, inclusive para apresentação da memória de cálculo das comissões de vendas de passagens aéreas (fls. 142/211). Entretanto, expirados esses prazos concedidos, mormente quanto ao ano calendário 2004 (período objeto dos autos), não houve comprovação da origem dos créditos nas contas correntes bancárias no valor R$ 2.054.164,89 (diferença entre os depósitos bancários a crédito de origem não comprovada no valor de R$ 2.319.820,83 e as receitas declaradas R$ 265.655,94), conforme planilha constante do Termo de Verificação Fiscal (fls. 304/331). Logo, não comprovada a origem do citado montante de receitas (depósitos bancários a crédito, anocalendário 2004) foi imputada, no âmbito do Simples, a infração Omissão de Receitas por presunção legal (Lei nº 9.430/96, art. 42) e também a infração reflexa: insuficiência de recolhimentos em relação à receita declarada (a contribuinte utilizou alíquotas mensais, de apuração dos tributos do Simples, menores das que deveria ter aplicado sobre as receitas declaradas na PJSI 2005 de fls. 218/235). Por conseguinte, o crédito tributário lançado de ofício em 14/11/2008 (fls. 236/303), para o anocalendário 2004, perfaz o montante de R$ 646.802,43, e está assim discriminado – demonstrativo resumo (fl. 07): Tributos do Simples (IRPJ, Cofins, PIS, INSS e CSLL): R$ 279.645,04; Juros de Mora (calculados até 31/10/2008): R$ 157.423,95; Multas de 75%: R$ 209.733,45. Ciente dos autos de infração deste processo, em 27/11/2008 (fl. 332), a contribuinte apresentou impugnação em 29/12/2008 (fls. 345/368), juntando ainda os documentos de fls. 369/416), cujas razões estão resumidas no relatório da decisão a quo (fls.419/421), que transcrevo, in verbis: (...) a) Em respeito ao principio do juiz natural, somente a autoridade judiciária competente poderá decretar a quebra de sigilo bancário ou fiscal do investigado.(...) b) A IMPUGNANTE tem por supedâneo na norma contábil, transitar pela conta CAIXA todas as suas transações comerciais, tanto de entrada quanto de saída. Por conseguinte, ocorreram vários recebimentos de valores da venda de passagem e depois repassados para as companhias aéreas, a exemplo da GOL TRANSPORTES AÉREOS SA. (...); c) A CONTRIBUINTE atua no ramo de agenciamento de passagens aéreas, terrestres, fluviais, pacotes e demais produtos turísticos que são pagos nas mais diversas modalidades, das quais sejam: a vista em dinheiro, a vista em cheque, a prazo em cheque, cartão de credito, faturado em carteira, faturado com cobrança bancária, mediante depósito em conta corrente (on Fl. 613DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 7 7 line, DOC ou até mesmo em TED), com utilização de cupons de Vôo não utilizados, etc. d) Contudo, do total dos valores recebidos, a CONTRIBUINTE deduz a sua comissão e a diferença é repassada paras as companhias aéreas. Portanto esses valores não integram o patrimônio da contribuinte, conforme declarado na sua Declaração Anual Simplificada. Os ilustres auditores fiscais da Receita Federal do Brasil não se ativeram a esse detalhe que a contribuinte já esclareceu anteriormente à autoridade competente. Dai os auditoresfiscais consideraram como base de cálculo para apurar o imposto devido, os valores transitórios da conta CAIXA. e) Portanto os AuditoresFiscais cometeram um grande equivoco em apurar valores que não integram o patrimônio da contribuinte. (...) f) Ínclito Julgador, os valores que passaram nas duas contas correntes, da IMPUGNANTE, tanto entravam como saíam, conforme robustas provas e documentos encaminhados anteriormente e que não foram analisados minuciosamente pelos AuditoresFiscais, juntamente com as despesas ocorridas durante o período e não teve nenhum acréscimo patrimonial, como também não pode servir de base de calculo de tributos; g) O valor das receitas que teriam sido omitidas pela IMPUGNANTE durante o anocalendário de 2004 totalizaria R$ 2.319.820,83 (...), tendo sido apurado por amostragem das informações obtidas junto as instituições bancárias, em seus extratos: h) Ocorre, no entanto, que o percuciente Agente Fiscal autuante incorreu em crassos erros ao supor que todos esses valores fossem da IMPUGNANTE, (...) apresentamos alguns exemplos de valores inseridos no A.I.. de forma equivocada. i) Vejamos alguns exemplos de que a IMPUGNANTE recebera os valores das vendas de passagens aéreas, de conformidade com contrato de prestação de serviço firmado entres as companhias aéreas, a exemplo da Gol Transportes Aéreos SA., em que a IMPUGNANTE repassa a cada decêndio valores recebidos já deduzida a sua comissão. j) O valor da Fatura/Duplicata nº FT00003351 de R$ 71.175,20 (...), valor recebido pela IMPUGNANTE que se originou da venda de passagens para a empresa SERVIÇO DE APOIO À PEQUENA EMPRESASEBRAE, e que o mesmo transitou pela conta CAIXA, e depois repassado para a Companhia Aérea já deduzida a sua comissão. k) O valor da Fatura/Duplicata nº FT00003440 de R$ 35.406,20 (...), valor recebido pela IMPUGNANTE que se originou da venda de passagens para a empresa SERVIÇO DE APOIO E PEQUENA EMPRESASEBRAE, e que o mesmo transitou pela Fl. 614DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 8 8 conta CAIXA, e depois repassado para a Companhia Aérea já deduzida a sua comissão; 1) O valor pago do Titulo n° 2465071 de R$ 21.639,57 (...), em favor da empresa TAM LINHAS AÉREAS SA., decorrente de vendas de passagens, já deduzida a sua comissão e, da mesma forma, transitado pela conta CAIXA; m) O valor pago do Titulo n° 3R0000001 1 de R$ 7.443,76 (...), em favor da empresa GOL TRANSPORTES AÉREOS S.A., decorrente de vendas de passagens, já deduzida a sua comissão e, da mesma forma, transitado pela conta CAIXA; n) (...) o) Demonstramos apenas alguns exemplos para não tornarmos enfadonhos, já que todo o período de 2004, ou seja, de janeiro a dezembro, tem suporte e documentação hábil comprobatória da exatidão dos registros apontados pelos Ilustres Auditores, e que foram comprovados anteriormente na fase de intimação.(...) p) Embora a IMPUGNANTE tenha cumprido com todas as exigências do fisco, a Autoridade competente não examinou com precisão os documentos encaminhados à Receita Federal do Brasil, limitandose de pronto à aplicação do Auto de Infração, ou seja, transferindo a inversão da prova para a IMPUGNANTE. q) Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, cujo prazo é de 5 anos (...); r) A Fiscalização deixou de solicitar ao contribuinte os esclarecimentos específicos a propósito da matéria. Falta efetivação da prova do fato descrito na autuação. Não há fundamentação; s) A tributação com base em depósitos bancários é controversa; (...) Não obstante, a DRJ/Belém rechaçou todas as razões aduzidas pela contribuinte, mantendo, integralmente, o crédito tributário objetos dos autos, cuja ementa da decisão a quo transcrevo a seguir (fl.418), in verbis: (...) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 EMENTA Fl. 615DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 9 9 OMISSÃO Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Inconformada com esse decisum do qual tomou ciência em 21/10/2010 – quintafeira (fl. 427verso), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 22/11/2010 – segundafeira (fls. 430/433), cujas razões, em síntese, são as seguintes: • que, por supedâneo na norma contábil, fez transitar pela conta CAIXA todas as suas transações comerciais, tanto de entrada quanto de saída; que, por conseguinte, ocorreram vários recebimentos de valores da venda de passagem, depois repassados para as companhias aéreas, a exemplo da GOL TRANSPORTES AÉREOS S.A; • que atua no ramo de agenciamento de passagens aéreas, terrestres, fluviais, pacotes e demais produtos turísticos que são pagos nas mais diversas modalidades, das quais sejam: a vista em dinheiro, a vista em cheque, a prazo em cheque, cartão de crédito, faturado em carteira, faturado com cobrança bancária, mediante depósito em conta corrente (online, DOC ou até mesmo em TED), com utilização de cupons de vôo não utilizados etc; • que, contudo, do total dos valores recebidos pelas vendas, deduziu, subtraiu, a sua comissão e a diferença foi repassada paras as companhias aéreas; que esses valores repassados às companhias aéreas não integram o seu patrimônio, conforme declarado na Declaração Anual Simplificada do Simples. Porém, os ilustres Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil não se ativeram a esse detalhe que a recorrente já esclarecera anteriormente na fase de fiscalização; que os AuditoresFiscais consideraram, como base de cálculo para apurar o imposto devido, os valores transitórios da conta CAIXA; que, portanto, os AuditoresFiscais cometeram um grande equívoco ao apurar valores que não integram o patrimônio da contribuinte; • que os valores das vendas passaram pelas contas correntes bancárias; que tanto entraram como saíram, conforme robustas provas e documentos encaminhados anteriormente e que não foram analisados minuciosamente pelos AuditoresFiscais; que não houve acréscimo patrimonial a ser tributado; que, também, não podem tais valores apurados pelo fisco servir de base de cálculo para recolhimento dos demais tributos, uma vez que a movimentação financeira da contas Fl. 616DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 10 10 correntes bancárias não representa, necessariamente, receita de fato da empresa correntista; • que apresentou a documentação comprovando os valores creditados nas contas correntes e demonstrando que a diferença era repassada às companhias de transportes aéreo, pois é prestadora de serviços, e as receitas próprias são apenas de comissões pelas vendas de passagens; • que a decisão a quo não acolheu nenhum documento acostado pela contribuinte; que não restou outra alternativa senão recorrer para que seja revista essa decisão, e que se faça justiça! Por fim, ante o exposto, a recorrente pediu a revisão da decisão e a insubsistência do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 11 11 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca da exigência do crédito tributário do anocalendário 2004 no âmbito do Simples, quanto aos autos de infração do IRPJSimples, CSLLSimples, CofinsSimples, PIS –Simples e Contribuição para Seguridade Social INSS– Simples, pela imputação das seguintes infrações com multa de 75%: a) omissão receitas – depósitos bancários de origem não comprovada valor tributável de R$ 2.054.164,89; b) infração reflexa – insuficiência de recolhimentos das exações fiscais do Simples, em relação às receitas declaradas (diferença de alíquota mensal, pela mudança de faixa de alíquota, apurada com base na receita bruta acumulada até o respectivo mês = receita declarada + receita omitida). A recorrente argumenta, nas razões do recurso, que: atua no ramo de agenciamento, intermediação de venda de passagens aéreas, terrestres, fluviais, pacotes e demais produtos turísticos, tendo como receita própria apenas comissões (corretagens) sobre essas vendas; os valores dessas vendas transitaram, integralmente, pela conta CAIXA da emprea (conta contábil); os valores de vendas foram recebidos a vista em dinheiro, a vista em cheque, a prazo em cheque, cartão de crédito, faturado em carteira, faturado com cobrança bancária, mediante depósitos em conta corrente (online, DOC ou até mesmo em TED), aproveitamento de cupons de vôos não utilizados etc; do total dos valores recebidos pelas vendas, deduziu a sua comissão e a diferença foi repassada paras as companhias aéreas; a fiscalização da RFB cometeu um grande equivoco em apurar e imputar valores que não integram seu patrimônio (receitas das companhias aéreas). Inexistindo preliminar suscitada, passo à análise do mérito do litígio. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 12 12 SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO DO SIMPLES FEDERAL. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. LIVRO CAIXA. GUARDA DE DOCUMENTOS. DEPOSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA No anocalendário 2004, a recorrente, por opção formalizada, apurou os tributos e contribuições no âmbito do SIMPLES Federal, sistema simplificado e favorecido de tributação previsto constitucionalmente, e implementado pela Lei nº 9.317/96. Nesse sistema de tributação, os contribuintes estão dispensados de fazer a escrituração comercial completa, desde que mantenham o livro Caixa escriturado, de forma detalhada, operação por operação das vendas, dos ingressos de recursos, inclusive da movimentação financeira e bancária (depósitos a crédito em suas contas correntes bancárias), tudo com respectivos documentos de suporte, hábeis e idôneos. Na verdade, a dispensa da escrituração comercial é opcional, pois a pessoa jurídica do Simples pode efetuar, realizar e manter escrituração contábil regular e completa, mesmo estando no Simples. A propósito, quanto à dispensa da escrituração comercial aos contribuintes do Simples, desde que mantenham todas as receitas, inclusive financeiras e bancárias, registradas no livro Caixa com respectivos documentos de suporte, transcrevo o disposto no art. 7º da Lei nº 9.317/96, in verbis: Art. 7º A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano calendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3º e 4º. § 1º A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. § 2º O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento, por parte da microempresa e empresa de pequeno porte, das obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária e trabalhista. (grifei) Fl. 619DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 13 13 No âmbito do SIMPLES, como visto, não interessa ao fisco, não é a tônica, o controle das despesas ou custos da pessoa jurídica, mas sim as receitas auferidas, em cada mês, pela pessoa jurídica, pois sobre a receita bruta acumulada até o respectivo mês – período de apuração do Simples é mensal é aplicado, diretamente, uma alíquota do SIMPLES, cuja alíquota, para o respectivo mês, é encontrada na tabela de alíquotas definida com base na faixa de receita bruta acumulada até o respectivo mês de apuração para a pessoa jurídica, resultando, por conseguinte, no valor a pagar, no respectivo mês, a título do SIMPLES que abarca, engloba, o IRPJSimples, CSLL Simples, PISSimples, Cofins – Simples e Contribuição Previdenciária – INSS Simples. Ainda, quanto à guarda de documentos da escrituração contábil, enquanto não transcorridos os prazos decadencial e prescrional, é obrigação do contribuinte. Nesse sentido, cabe transcrever o disposto no arts. 264 do RIR/99, in verbis: Seção IV Conservação de Livros e Comprovantes Art.264.A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) §3ºOs comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). Ainda, a escrituração contábil, inclusive no âmbito Simples, faz prova a favor do contribuinte, quando os fatos contábeis lançados, registrados na escrituração estiverem alicerçados, amparados, em documentos hábeis e idôneos. A propósito, quanto ao valor probatório da escrituração contábil dispõe o RIR/99, in verbis: Seção VIII Da Prova Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Ônus da Prova Fl. 620DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 14 14 Art.924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §2º). Inversão do Ônus da Prova Art.925.O disposto no artigo anterior não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §3º) Como visto, em regra, o ônus da prova é do fisco quanto ao fato constitutivo do seu direito de lançamento do tributo (Decreto nº 70.235/72, art. 10, III e IV; CTN, art. 142; e Lei nº 5869/73 CPC, art. 333, I). Entretanto, nos presentes autos, o ônus da prova, da não ocorrência da infração imputada “Omissão de Receitas”, é da contribuinte, em face, justamente, da existência de disposição legal especial aludida, reportada no art. 925 do RIR/99. Vale dizer, no caso de imputação de infração por presunção legal, há inversão do ônus da prova. Em relação a depósitos bancários a crédito de origem não comprovada, escriturados ou não (Lei nº 9.430/96, art. 42), em face desse dispositivo legal encerrar presunção legal, o ônus da prova, de que não ocorreu a infração Omissão de Receitas, é da recorrente. Ainda, o art. 18 da Lei nº 9.317/96 estatui, in verbis: Da Omissão de Receita Art. 18. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas Portanto, quanto à infração Omissão de Receitas – depósitos bancários de origem não comprovada (Lei nº 9.430/96, art. 42) –, o ônus probatório, de que não ocorreu essa infração, é da recorrente. ATIVIDADE DE AGÊNCIA DE TURISMO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO SIMPLES FEDERAL. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. LIVRO CAIXA. ANOCALENDÁRIO 2004. INFRAÇÃO OMISSÃO DE RECEITAS. VALOR TRIBUTÁVEL. As agências de turismo exercem suas atividades econômicas de duas formas: a) como intermediadoras de vendas: emitem passagens aéreas, terrestres ou marítimas, os meios de hospedagem dos viajantes e excursionistas, pacotes turísticos de operadoras turísticas, dentre outros serviços ligados ao turismo, tendo como receita o valor da comissão recebida dos fornecedores (tomadores dos serviços de intermediação), pelo serviço de intermediação; Fl. 621DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 15 15 b) como fornecedoras diretas dos serviços: neste caso, sem configurar como intermediadora a agência de turismo organiza e promove o serviço (englobando o transporte e a hospedagem), e a sua remuneração é o preço do serviço contratado com o seu cliente. No primeiro caso, quando a agência de turismo prestar serviços de intermediação na venda de passagens e hospedagem, tendo como tomadores de tais serviços de intermediação empresas de transportes, hotéis, locadoras de veículos, etc, a estes deverá emitir Nota Fiscal relativamente aos serviços de intermediação prestados. O preço do serviço é a comissão cobrada sobre o valor das vendas efetuadas. Ressaltese que, nessa hipótese, o serviço de intermediação é prestado pela Agência de Turismo às empresas de transporte, companhias aéreas, hotéis etc (tomadoras do serviço de intermediação), as quais, por sua vez, é que prestarão, aos clientes, os serviços de transporte e hospedagem com emissão da respectiva nota fiscal, nesse momento. Na segunda hipótese, quando a agência de turismo prestar tais serviços de transporte e hospedagem, diretamente, a seus clientes (sem intermediação), emitirá nota fiscal ao cliente tomador do serviço. Como visto, no caso das Agências de Turismo, que atuam no agenciamento (intermediação) de vendas de passagens aéreas, terrestres, pacotes turísticos, hotelaria, locação de veículos e seguros de viagens, as vendas desses serviços (valores recebidos por conta de terceiros), cujos valores serão repassados oportunamente aos tomadores dos serviços de intermediação, devem ser registradas na sua escrituração contábil (livro Caixa ou escrituração comercial da Agência de Turismo agenciadora prestadora do serviço de intermediação de vendas), operação por operação (entradas, ingressos e saídas), inclusive a movimentação financeira e bancária, de forma detalhada, com discriminação pormenorizada, lastreada nos respectivos documentos de suporte, hábeis e idôneos, de cada operação realizada. Como demonstrado, a agência de turismo, que atua como intermediária de empresas operadoras turísticas e das companhias aéreas (venda de passagens aéreas, hospedagem, pacotes turísticos etc) , quanto à escrituração contábil há uma particularidade: os valores de vendas ou quantias cobradas/recebidas por conta de terceiros serão registrados na escrituração da agência de viagem intermediadora das vendas que, oportunamente, em face de contrato, repassará os valores recebidos das vendas por conta de terceiros para as respectivas empresas tomadoras do serviço de intermediação (companhias aéreas, hotéis, operadoras turística etc), descontado, quando do repasse das quantias, o valor da respectiva comissão de vendas. Vale dizer: as quantias cobradas por conta de terceiros tais como tributos sobre vendas, tributos sobre bens e serviços e tributos sobre valor adicionado não são benefícios econômicos que fluam para a entidade e não resultam em aumento do patrimônio líquido. Portanto, são excluídos da receita. Da mesma forma, na relação de agenciamento (entre operador ou principal e agente), os ingressos brutos de benefícios econômicos provenientes das operações efetuadas pelo agente, em nome do operador, não resultam em aumentos do patrimônio líquido do agente, uma vez que sua receita corresponde tão somente à comissão combinada entre as partes. Mas, para evitar problemas com o fisco no âmbito do SIMPLES em relação aos valores cobrados, recebidos, por conta de terceiros, a Agência de Turismo (para efetiva comprovação de vinculação dos valores cobrados por conta de terceiros, dos depósitos Fl. 622DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 16 16 bancários a crédito em suas contas correntes bancárias e dos respectivos repasses de valores para os tomadores dos serviços de intermediação), deve ter extremo cuidado na escrituração contábil da movimentação financeira, inclusive bancária. O registro contábil de valores recebidos por conta de terceiros deve ser efetuado com detalhes para cada operação de venda, cada ingresso, cada entrada na conta Caixa ou conta Bancos, para que fique patente essa vinculação à respectiva operação de venda, inclusive da movimentação financeira nas contas correntes bancárias, identificando, de forma categórica, individual, segura e cabal, com respectivo documento de suporte hábil e idôneo (documentos que lastreiam cada fato contábil registrado ou operação de venda), sob pena de, não comprovada a origem dos recursos movimentados a crédito em suas contas correntes bancárias (não comprovada a vinculação com as vendas realizadas por conta de terceiros e os repasses de valores), a Agência de Turismo arcar, suportar, ficar submetida à incidência dos tributos federais sobre todos os valores depositados a crédito em suas contas correntes bancárias cuja origem restar não comprovada. O fisco tem o dever legal, a qualquer tempo desde que não decorrido o lapso temporal decadencial, de exigir a comprovação da origem dos ingressos, dos depósitos a crédito (da movimentação financeira) em conta corrente bancária da Agência de Turismo intermediadora, agenciadora das vendas (Lei nº 9.430/96, art. 42). E se não houver a comprovação da origem dos valores da movimentação financeira bancária (depósitos a crédito em suas contas correntes), os eventuais repasses de valores para as companhias aéreas para efeito de dedução ou subtração da receita omitida ficam prejudicados, pois não podem ser obstados contra o fisco, justamente pela inexistência de vinculação dos valores de origem não comprovada (depósitos bancários) com valores eventualmente recebidos por conta de terceiros da atividade de agenciamento de vendas de passagens/pacotes turistícos. Vale dizer: se não houver a comprovação da origem dos depósitos nas contas correntes bancárias na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96, a Agência de Turismo não poderá alegar valores recebidos por conta de terceiros e repasse desses valores. Sofrerá, por conseguinte, tributação sobre toda a movimentação financeira a crédito em suas contas correntes bancárias de origem não comprovada. Pois, valores depósitados a crédito em suas contas correntes bancárias sem origem comprovada não se pode alegar ou vincular que sejam, necessariamente, da atividade de intermediação da venda de passagens aéreas, pacotes turísticos etc. Destarte, se o livro Caixa, e o livro Diário quando houver, não estiverem escriturados, de forma detalhada, individualizada operação por operação das vendas, ingressos/recebimentos por conta de terceiros, e dos valores depositados nas contas correntes bancárias com respectivos documentos de suporte hábeis e idôneos de operação por operação, a comprovação da origem dos valores depositados a crédito nas contas correntes bancárias restará prejudicado e, por consequência, todos os depósitos a crédito de origem não comprovada nas contas correntes bancárias da Agência de Turismo intermediadora/agenciadora serão de sua titularidade e submetidos à tributação como receita própria. As Agências de Turismo no âmbito do SIMPLES, destarte, devem ter todo cuidado na escrituração contábil, sob pena de todas os ingressos de valores a crédito em suas contas correntes bancárias serem tributados em seu nome próprio (receita própria). Fl. 623DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 17 17 No caso, a contribuinte, além do livro Caixa, apresentou à fiscalização o livro Diário Geral, quanto ao anocalendário 2004, e a fiscalização realmente juntou aos autos cópia do livro Diário – Anexo I (contendo 127 folhas). Entretanto, na escrituração contábil da contribuinte, lamentavelmente, não houve, em regra, individuação dos valores de vendas, ou valores cobrados por conta de terceiros, operação por operação na sua escrituração contábil. Por conseguinte, em relação aos dépósitos a crédito ingressados nas contas correntes correntes bancárias da recorrente quanto ao anocalendário 2004 (o qual é objeto dos autos de infração dos presente processo) restou prejudicada a comprovação da origem desses recursos na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96, pela inexistência de documentação de suporte, hábil e idônea, individuada, operação por operação, coincidente em data e valor, que pudesse comprovar, justificar a origem e vincular os supostos recebimentos de valores por conta de teceiros. A própria contribuinte informou, nos autos, que não procedeu na sua escrituração contábil à individualização operação por operação dos valores recebidos por conta de terceiros e que não tem condições de comprovar a origem dos depósitos a crédito em suas contas correntes bancárias operação por operação. A propósito, consta do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante dos autos de infração, a narrativa, pela fiscalização, da dificuldade da contribuinte em atender às solicitações do fisco, efetuadas via intimações fiscais (fls. 304/309) , in verbis: (...) I DOS FATOS A presente ação fiscal foi motivada por Determinação Interna/RFB, a partir da verificação de indícios de possíveis ilícitos tributários praticados pelo contribuinte supra. O procedimento fiscal teve inicio em 27/12/2006, data em que foi cientificado, pessoalmente o contribuinte, do competente Mandado de Procedimento Fiscal nº 02.5.01.002006 004354, bem como de Termo de inicio de Fiscalização. Através do referido termo foram solicitados diversos documentos e comprovantes relativos aos anos de 2004 e 2005, elencados abaixo: livro Caixa; extratos bancários das contascorrentes da empresa; extratos bancários das contas de poupança da empresa; extratos de contas bancárias e de aplicações financeiras; livro Registro de Inventário. Em 10/01/2007, o contribuinte, em atendimento à intimação, apresenta os documentos abaixo listados, conforme Termo de Fl. 624DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 18 18 Recebimento de Documentos lavrado naquela data e assinado por uma das sócias da empresa: Livro Diário de 2005 — original; Livro Diário de 2004 — Reimpressão — pois alega o contribuinte encontrarse o original em poder do Ministério Público; Extratos bancários — com a ressalva feita pelo contribuinte de não estarem completos; Alegação do contribuinte de não possuir livro registro de inventário, por ser prestadora de serviço. Em 28/02/2007 é apresentada nova resposta do contribuinte, alegando o que se segue: "... vimos informar que os documentos solicitados já foram entregues no dia 10/02/2007, EXCETO Livro Registro de Inventário, pois nossa empresa é prestadora de serviço por isso não possui, os extratos foram enviados os que temos, porém não completos (grifo nosso), e o Livro diário de 2004 é uma reimpressão em virtude do livro original está em poder do Ministério Público." Em 23/04/2007 foi lavrado Termo de Reintimação Fiscal nº 0002, para solicitar o restante dos extratos bancários, observando que o não atendimento acarretaria o disposto na Lei Completar 105/2001, c/c o Decreto 3.724/2001 c/c a Lei 9.430/96, a solicitação direto, por parte desta Secretaria, dos extratos às instituições financeiras, onde manteve conta no período fiscalizado. Em 07/05/2007, em resposta ao Termo de Reintimagão Fiscal nº 0002 (fl. 21), o contribuinte informa o seguinte: "... Os Bancos que a LS TURISMO E CAMBIO LTDA mantém ou manteve conta nos períodos de 2004 e 2005 são: BANCO DO BRASIL — C. CORRENTE 94, Agência 01023 BANCO HSBC — C. Corrente 0833033, Agência 1600. A Secretaria da Receita Federal pode requerer a qualquer tempo junto às Instituições Bancárias acima mencionadas, os extratos que não conseguimos entregar porquê não tínhamos mais nos nossos arquivos." Prazos extrapolados, sem apresentação da totalidade dos extratos bancários, foram solicitados os referidos extratos aos bancos Brasil e HSBC através da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira nº 02.5.01.002007000735. Em 20/06/2007, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal, para cientificar o contribuinte das solicitações feitas diretamente às instituições financeiras. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 19 19 De posse dos extratos dos bancos referidos, lavramos, em 11/07/2007, Termo de Intimação Fiscal, com planilha DEMONSTRATIVO DE VALORES — EXTRATOS BANCÁRIO, solicitando o seguinte: 1 comprovar, documentalmente, a origem dos valores creditados/depositados em sua(s) conta(s)corrente, conforme relação abaixo/em anexo. Em 07/08/2007, o contribuinte, em resposta assinada pela sócia Clauzia Neila Alves de Souza Correa (fls. 126 a 128), apresenta os seguintes fatos, resumidamente: “(...) e) que durante 15 (quinze dias) a LS Turismo Ltda, reuniu extratos, analisou lançamentos, buscou suas respectivas origem em seus arquivos, para atender integralmente a respeitável Intimação; f) que, entretanto, a LS Turismo Ltda, é uma pequena empresa que atua no ramo de agenciamento de passagens aéreas, terrestres, fluviais, pacotes e demais produtos turísticos que são pagos nas mais diversas modalidades, quais sejam: a vista em dinheiro, a vista em cheque, a prazo em cheque, cartão de crédito, faturado em carteira, faturado com cobrança bancária, mediante depósito em contacorrente (online, DOC ou mesmo TED), com a utilização de cupons de vôo não utilizados, etc; (...) h) que, com contabilidade e controles simplificados, e período de apuração mensal, não tem registros operaçãoaoperação, para permitir numa rápida verificação, a identificação da origem de cada valor creditado/depositado. i)que, particularmente aos depósitos, pode afirmar serem praticamente impossível determinar a origem de cada um deles, porque as vendas em dinheiro são mantidas no caixa da empresa e eventualmente utilizadas para pagamento de despesas operacionais ou mesmo fornecedores e as em cheque a vista ou a prazo, também mantidas no caixa da empresa, sendo depositados em conta corrente somente nos seus respectivos vencimentos ou mesmo quando se mostrem necessárias; j) que diversos cheques prédatados, mantidas em caixa, foram descontados em instituições financeiras, para fazer frente a demandas urgentes do negócio; (...) Dentro deste cenário, e com o intuito de prestar uma informação com a melhor qualidade e organização possível (uma vez que falamos de milhares de documentos), REQUER a prorrogação, por mais 30 (trinta) dias, do prazo para apresentação das informações solicitadas.” Fl. 626DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 20 20 O prazo foi concedido, assim como nas diversas vezes solicitadas, com Termo de Intimação Fiscal lavrado em 21/08/2007. Em 11/09/2007, o contribuinte, dessa vez assinada pelo Sr. Roberto Carlos Barbosa, apresenta nova resposta (fls. 132 a 134), onde, resumidamente, apresenta os mesmo argumentos, mas em especial, o que se segue: “(...) i) que, particularmente aos depósitos, pode afirmar serem praticamente impossível determinar a origem de cada um deles (grifo nosso), porque as vendas em dinheiro são mantidas no caixa da empresa e eventualmente utilizadas para pagamento de despesas operacionais ou mesmo fornecedores e as em cheque a vista ou a prazo, também mantidas no caixa da empresa, sendo depositados em conta corrente somente nos respectivos vencimentos ou mesmo quando se mostrem necessárias; (...)” Mais uma vez, solicitou prorrogação de prazo, que foi atendido através de Termo Ciência de Prorrogação de Prazo lavrado em 25/09/2007. Em 26/09/2007, nova resposta é protocolada (fls. 137 a 141), com os mesmos dizeres, porém apresenta alguns documentos a saber: “(...) m) que, a maior dificuldade resulta do fato de que os pagamentos realizados pelos órgãos públicos, paraestatais e alguns clientes, quase sempre agrupavam diversas faturas em um único depósito, aviso de crédito ou transferência on line e o responsável pelo controle, apenas baixava no sistema de faturamento e na própria fatura, sem indicar nos extratos bancários quais débitos estavam sendo liquidados. Também, não efetuava tais baixas no mesmo dia do pagamento, o que torna ainda mais complexa a identificação. Dentro deste cenário, e inconformado por não ter conseguido apresentar as informações com a qualidade e organização desejável, passa às mãos de Vossa Senhoria os documentos abaixo, juntamente com o Demonstrativo de Valores — Extratos Bancários identificados e a identificar. (...)” Na busca incansável da verdade material e tentando elucidar os fatos, para apurarmos o montante do Valor a Tributar, já que a diferença entre o valor declarado pelo contribuinte como receita bruta (R$ 265.655,94 em 2004 e ...) e o valor apurado em créditos nas contas correntes (R$ 3.142.657,32 em 2004 e ...) era muito elevada, em 09/10/2007 foi lavrado novo Termo de Intimação Fiscal (fl. 142), solicitando o seguinte: Fl. 627DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 21 21 Tendo o contribuinte apresentado alguns documentos para fins de comprovação dos créditos relacionados em planilha anteriormente recebida por esse empresa, solicitamos a apresentação de memória de cálculo dos valores constantes das notas fiscais de prestação de serviço sobre o título de COMISSÃO REF. AGENCIAMENTO DE PASSAGENS, relacionando os valores brutos, valores repassados e, por fim, a referida comissão, que como dito, "constituem a receita da empresa", já que as notas foram escrituradas mensalmente, não definindo os valores dessas transações, para fins de apuração do tributo devido. Indaga se, ainda, se durante o período alcançado por esta fiscalização, além das comissões sobre agenciamento de passagens e incentivos pagos pela TAM, se houve outras receitas, como por exemplo, venda de pacotes turísticos, organização de eventos, etc., já que no campo Descrição dos Serviços só constam as citadas nas referidas notas. Apresentar os talonários de notas fiscais completos. Em 05/11/2007, em resposta à intimação anterior, o contribuinte apresenta os seguintes fatos, resumidamente: “(...) h) que a LS TURISMO LTDA, não mantém uma "Memória de Cálculo" dos valores constantes das notas fiscais (grifo nosso), uma vez que, segundo orientação desta administração, estes devem refletir rigorosamente o montante consignado nos Relatórios de Passagens Vendidas pelas Companhias Aéreas integrantes ou não do Iata BSP Brasil, passagens terrestres e vendas de Pacotes Turísticos, cujos relatórios e faturas estão em poder dessa equipe de fiscalização; i) que, para a realização de qualquer cálculo adicional ou levantamento visando corroborar os montantes de comissões recebidas e faturadas através das notas fiscais emitidas pela empresa, depende da restituição das faturas entregues a essa Receita Federal; (...)” Toda a documentação encaminhada pelo contribuinte foi restituida ao mesmo, posteriormente, após diversas análises por esta equipe. Em 12/12/2007, nova intimação foi lavrada solicitando a justificativas de algumas saídas de valor expressivo, com o intuito de identificar se as operações da empresa se restringiam exclusivamente à atividade de intermediação/comissão de venda de passagens, uma vez que o contribuinte, em depoimento prestado à Policia Federal, confirmou que a conta da empresa foi utilizada para recebimento de valores provenientes da Assembléia Legislativa do Estado de Rondônia, sem qualquer vinculação com a prestação de serviços àquele órgão. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 22 22 Em resposta datada de 04/01/2008, o contribuinte esclarece algumas saídas de suas contas, como TED, que são transferências entre contas de bancos diferentes, mas não anexou outros comprovantes, (...) Dando continuidade à análise de documentos e informações apuradas e apresentadas pelo contribuinte, em 10/04/2008 foi lavrado Termo de Intimação Fiscal (fl. 199), para informar ao contribuinte a necessidade de os valores e documentos expressarem a operação que gerou o crédito, sob pena de serem tributados na sua totalidade. O termo trazia a seguinte solicitação: Tendo o contribuinte apresentado alguns documentos, bem como planilha com algumas justificativas, em razão de muitos valores constantes nessa não confirmarem, exatamente, o valor constante nas faturas, bem como as datas, solicito que seja refeita a apresentação dos documentos, para que sejam considerados os referidos valores como DEPÓSITOS/CRÉDITOS NÃO IDENTIFICADOS, acarretando, assim, a tributação da totalidade dos mesmos. Outrossim, solicito encaminhar o arquivo magnético, que gerou a planilha, para viabilizar a pesquisa e a confirmação dos valores, conforme seja alegado pelo contribuinte. In formamos que os valores devem ser coincidentes, inclusive nas mesmas datas. Em 23/06/2008, após aguardar manifestação do contribuinte, o que não ocorreu, lavramos Termo de Reintimação Fiscal, para solicitar o que fora solicitado no termo anterior, alertando, além de outras consequências, pelo não atendimento, o seguinte: Ressaltamos que o não atendimento ensejará lançamento com as informações de que se dispuser (artigo 845 do RIR/99). Em 07/07/2008, o contribuinte apresenta resposta acerca dos livros e documentos solicitados, bem como apresenta CDROM com a planilha já enviada anteriormente, porém que não justifica ou comprova os créditos em conta, já que os valores não são iguais aos apresentados em faturas e demais documentos fornecidos pelo contribuinte. Além desse fato, o contribuinte solicitou a devolução de todos os documentos apresentados até essa data e prorrogação de prazo, o que foi prontamente atendido através do Termo de Devolução de Documentos lavrado em 26/08/2008 (fl. 209) e recebido pelo representante da empresa em 23/09/2001. No referido termo ainda foi cientificado, o contribuinte, do seguinte: Os documentos seguem no estado que foram entregues a esta Secretaria; A razão da devolução é a necessidade do contribuinte esclarecer os valores lançados em suas contascorrente, conforme termos e planilhas já recebidos por ele e não atendidos Fl. 629DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 23 23 satisfatoriamente até a presente data, dificultando o entendimento dos referidos lançamentos; Tãologo consiga identificar cada operação, fornecendo todos os detalhes e documentos necessários, deverá enviar planilha detalhada com a documentação que dê suporte aos valores justificados, fazendo, se for o caso, referência aos valores declarados e escriturados nos livros fiscais, para serem analisados por esta Equipe. (...) Como não houve por parte do contribuinte outras manifestações, tampouco justificou os valores creditados, restounos a lavratura do presente auto de infração com os valores, infrações e bases de cálculo abaixo descritas. (...) Como demonstrado, a contribuinte sequer conseguiu apresentar a Memória de Cálculo das comissões faturadas do anocalendário 2004 (período objeto do lançamento fiscal de que trata o presente processo), quanto às notas fiscais emitidas sob o título de COMISSÃO REF. AGENCIAMENTO DE PASSAGENS. O objetivo da Memória de Cálculo solicitada pelo fisco era que a contribuinte fizesse a relacão dos valores brutos de vendas efetuadas (valores recebidos por conta de terceiros), valores repassados e, por fim, os valores da comissão, que como dito, "constituem a receita da empresa", já que tais notas fiscais de comissão foram escrituradas mensalmente, porém não informam os valores das vendas e a que transações se referem. Como o representante da empresa declarou no Inquérito Policial, texto já transcrito acima constante do Termo de Verificação Fiscal, que as contas correntes bancárias da empresa receberam depósitos de recursos da Assembléia Legislativa do Estado do Rondônia não relacionados com a venda de passagens nesse anocalendário objeto dos autos, logo sem essa Memória de Cálculo não foi possível à fiscalização da RFB sequer relacionar ou vincular as receitas omitidas à atividade de intermediação de vendas de passagens aéreas/pacotes turísticos. A recorrente, também, informou nos autos, conforme já foi transcrito no relatório, que teve livros e documentos apreendidos pelo Ministério Público, quanto ao ano calendário 2004, por conta da investigação do MP e do Inquértio Polícial. Na declaração simplificada do Simples do exercício 2005, anocalendário 2004, a recorrente ofereceu à tributação apenas as receitas no valor de R$ 265.655,94 que seriam apenas de comissão de vendas de passagens. Entretanto, a fiscalização da RFB, com base na análise da escrituração contábil e com base nos extratos bancários (depósitos bancários a crédito em suas contas correntes de origem não comprovada) apurou omissão de receitas no valor de R$ 2.054.164,89 (diferença entre os depósitos bancários de origem não comprovada R$ 2.319.820,83 e as receitas declaradas R$ 265.655,94). Fl. 630DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 24 24 A contribuinte, tanto na instância a quo, quanto nesta instância recursal de julgamento em sede de recurso voluntário, discorda desse valor da Omissão de Receitas, alegando que a fiscalização não subtraiu os valores repassados para as companhias aéreas; que a fiscalização teria cometido erro crasso ao supor que todo esse valor relativo à omissão de receitas imputada fosse da recorrente, e cita alguns exemplos de valores que deveriam ser subraídos desse montante tributável, juntando documentos (fls.369/416), ou seja, que: a) o valor da Fatura/Duplicata nº FT00003351 de R$ 71.175,20, recebido e que se originou da venda de passagens para a empresa SERVIÇO DE APOIO À PEQUENA EMPRESASEBRAE, e que o mesmo transitou pela conta CAIXA, e depois foi repassado para a Companhia Aérea já deduzida a sua comissão; b) o valor da Fatura/Duplicata nº FT00003440 de R$ 35.406,20, valor recebido e com origem da venda de passagens para a empresa SERVIÇO DE APOIO E PEQUENA EMPRESASEBRAE, e que o mesmo transitou pela conta CAIXA, e depois repassado para a Companhia Aérea já deduzida a sua comissão; c) o valor pago do Titulo n° 2465071 de R$ 21.639,57 em favor da empresa TAM LINHAS AÉREAS SA., decorrente de vendas de passagens, já deduzida a sua comissão e, da mesma forma, transitado pela conta CAIXA; d) o valor pago do Titulo n° 3R0000001 1 de R$ 7.443,76 em favor da empresa GOL TRANSPORTES AÉREOS S.A., decorrente de vendas de passagens, já deduzida a sua comissão e, da mesma forma, transitado pela conta CAIXA. As alegações da recorrente não merecem prosperar. Conforme já dito alhures, a contribuinte não conseguiu comprovar a origem dos depósitos a crédito em suas contas correntes bancárias no anocalendário 2004, e ainda como as contas correntes bancárias foram utilizadas para movimentar recursos da Assembléia Legislativa do Estado de Rondônia (valores não relacionados com vendas de passagens fato admitido pela empresa no Inquérito Policial), logo não há vinculação, necessariamente, dos depósitos bancários a crédito de origem não comprovada com a atividade de intermediação de vendas de passagens. Por conseguinte, não tem nexo, não tem sentido, a pretensão da contribuinte de subtrair, deduzir, do montante das receitas de origem não comprovada (depósitos bancários a crédito de origem não comprovada) – Omissão de Receitas os repasses às Companhias Aéreas por vendas de passagens para essas companhias aéreas. As receitas são de origem diversas, não se confundem e não estão relacionadas. Vale dizer, as receitas de origem não comprovada depósitos bancários de origem não comprovada (omissão de receitas) – não estão relacionadas, necessariamente, com a intermediação de vendas de passagens e com os repasses efetuados. Ademais, quanto a essas operações suscitadas pela recorrente cujos documentos foram juntados aos autos na impugnação, a decisão a quo já enfrentou a questão adequadamente, não cabendo reparo algum. Nesse sentido, transcrevo a fundamentação constante do voto condutor da decisão recorrida que, também, adoto como razão de decidir (fls. 425/426): Fl. 631DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 25 25 (...) 21. Em relação às poucas citações especificas a depósitos bancários feitas na Impugnação temos a adiantar: a) O contrato com a Gol Transportes Aéreos S. A. (fls. 369/376) comprova a contratação da agência L S Turismo para a venda, aos seus clientes, de passagens aéreas de voos operados pela GOL, nas condições que especifica. Não comprova depósitos específicos na conta corrente da autuada. O comprovante de pagamentos efetuados pela autuada (fls. 394 e 399, por exemplo) comprovaria depósito na conta corrente da companhia aérea, e não da agência; b) Para efeito de comprovar os depósitos especificados (fls. 312/331), a Impugnante deveria trazer comprovantes que vinculassem cada depósito (de clientes) a negócio (venda de passagem) efetuada pela agência em nome da companhia aérea, o que não foi feito. Os documentos apresentados (fls. 379/388 e 402/415) descrevem valores e datas que não coincidem com os dados dos depósitos especificados. (...) Nesta instância de julgamento, a recorrente não trouxe, não juntou aos autos outros elementos de prova a seu favor. Os valores de transferências entre contas correntes, e outras parcelas, já foram expurgados pela fiscalização, conforme preceitua o art. 42, § 3º, da Lei nº 9.430/96. Por conseguinte, não há reparo a fazer no valor tributável da infração Omissão de Receitas apurado pela fiscalização. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS . PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA . ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. ANOCALENDÁRIO 2004. TRATAMENTO LEGAL Desde o início, convém lembrar, conforme consta do relatório, que os depósitos bancários, em parte, foram fornecidos pela recorrente. Quanto a outra parte (que não estavam em seu poder), a contribuinte autorizou o fisco a solicitação junto às instituições financeiras mediante RMF. A matéria do acesso à movimentação financeira é incontroversa nos autos, pois a recorrente nada objetou nas razões do recurso. Matéria preclusa. Conforme já demonstrado alhures, quanto à movimentação financeira bancária, a recorrente, em momento algum, conseguiu comprovar a origem dos valores lançados a crédito em suas contas correntes bancárias, quanto ao anocalendário 2004, embora intimada para tanto diversas vezes (fls. 78/125). Nessa situação, o fisco pode sim, por presunção legal, imputar a infração omissão de receitas, no caso de depósitos bancários de origem não comprovada com documentos hábeis e idôneos, uma vez que não mais se aplica a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 26 26 Isto porque existem duas realidades distintas no que se refere ao uso da movimentação financeira para a caracterização da omissão de receitas, sendo uma com base no art. 6°, § 5°, da Lei nº 8.021/1990 (dispositivo legal revogado pela Lei n. 9.430/96), e a outra com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, vejamos: Lei n° 8.021/1990 "Art. 6º. O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, farse á arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações."[revogado] Lei n°9.430/1996 "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em relação aos dispositivos acima transcritos, o que distingue uma situação da outra é que, a partir de 01/01/1997 — entrada em vigor da Lei n° 9.430/96 , a existência de depósitos bancários de origem não comprovada com documentos hábeis e indôneos configura omissão de receitas por presunção legal. Presunção legal que veio se juntar a outras já existentes no ordenamento jurídico, sendo que, a partir daí, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada para satisfazer o onus probandi a seu cargo. Antes, tal previsão para depósitos bancários inexistia e, com isso, o fisco necessitava, nos estritos termos do art. 6°, caput, e § 5°, da Lei n° 8.021/1990, não apenas constatar a existência dos depósitos bancários, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre tais depósitos e alguma exteriorização de riqueza e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse dar ensejo à omissão de receitas. O fato é que, após a edição da Lei n° 9.430/1996, a movimentação bancária mantida ao largo da escrituração contábil da empresa ou sem comprovação da origem, presumese realizada com valores omitidos à tributação (salvo prova em contrário), não mais se aplicando, portanto, o entendimento exarado na Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Para fatos geradores a partir de 1°/01/1997, no tocante à omissão de rendimentos/receitas, com base em depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada, tem vigência única e plenamente o art. 42 da Lei n° 9.430196. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 27 27 Esse diploma normativo encerra presunção legal que implica inversão do ônus da prova. O ônus da prova de que não houve omissão de receitas/rendimentos, por conseguinte, é da contribuinte. Não há que se falar em sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários de origem não comprovada pelo contribuinte, conforme matéria já sumulada: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O depósito bancário de origem não comprovada é rendimento tributável pelo imposto de renda, por presunção legal. Esse entendimento é pacífico no âmbito do Conselho de Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Nesse sentido, transcrevo precedentes jurisprudencias deste Egrégio Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 10809.836, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relatora Valéria Cabral Géo Verçoza). ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Ano calendário: 2002 a 2004. Ementa: IRPJ — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 10197.116, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relator Valmir Sandri). ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Exercício: 2003, 2004 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA —PROCEDÊNCIA Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de Fl. 634DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 28 28 investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA PRESUNÇÃO LEGAL Em se tratando de presunção legal, cabe ao Fisco a prova do fato indiciário. Ao contribuinte incumbe provar que o fato indiciário não leva, em seu caso concreto, ao fato presumido por lei. Esse ônus não pode ser transferido pelo contribuinte à Administração Tributária.(Acórdão nº 10517.369, sessão de 17 de dezembro de 2008, Relator Waldir Veiga Rocha). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício. 2000, 2001, 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.(Acórdão nº 10249.393, sessão de 06 de novembro de 2008. Relatora Núbia Matos Moura). Assunto: SIMPLES NACIONAL EXERCÍCIO: 2004, 2005 Ementa: PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.(Acórdão nº 195 0.088, sessão 09 de dezembro de 2008, Relator Benedicto Celso Benicio Junior). OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS: Caracterizase como omissão de receita os depósitos bancários feitos em nome de interposta pessoa quando as pessoas envolvidas devidamente intimadas não comprovem a origem em renda ou receita. A proporcionalização de acordo com a receita declarada de cada pessoa jurídica que movimentou recursos nas Fl. 635DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10240.003382/200810 Acórdão n.º 1802001.151 S1TE02 Fl. 29 29 contas não macula o lançamento, pois demonstra a aplicação da prudência da lógica e coerência por parte da fiscalização. (AC. CSRF nº 0105.643, sessão de 27 de março de 2007, Redator designado José Cóvis Alves). Portanto, quanto à infração omissão de receitas por presunção legal e à insuficiência de recolhimentos sobre as receitas declaradas (infração reflexa), não há reparo a fazer na decisão recorrida. LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLLSimples, COFINSSimples, PIS Simples e Contribuição para Seguridade Social (INSS)Simples: A decisão prolatada no lançamento matriz IRPJSimples estendese aos lançamentos decorrentes, por força da relação de causa e efeito que os vincula. Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 636DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSO KICHEL
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